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Éotto¡: Mo¡cos Morclonllo I
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C¡e¡ e Pno¡ao GaÁnco: Andréia Custódio
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Cors¡l¡o Eonont¡l i
Ana Stahl Zilles [Unisinos] t
Carlos Alberto Faraco IUFPR] f
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Egon de Olivelra Rangel IPUCSP] I
GIIvan Müller de Oliveira tUFSC, lpoll t
Henrique Monteagudo IUniversidade de Santiago de Compostelo] $
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Konavillil Rajagopalan [Unicomp] b

Morcos Bagno [UnB]


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Maria Mafto Pereira Scherre IUFRJ, UnB]
Rachel Gazolla de Andrade tPUC-SPI
Salma Tannus Muchail |PUC-SPI !
Stella Maris Bortoni-Ricardo IU nB]
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MARrA ANToNTETA Arsa Cu¡Nr
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ID Pelo trabalho inovador em lingülstica aplicada

Por uma lingüfstio aplicada lNdisciplinar/ Brano tabldo... Ë quando poucos ainda pensavam esse c:rmpo no
{et al.l; organiz¿dorluiz Paulo da Moita lopes. - São Paulo: r Brasil. Especialmente, pelo exemplo de
Parábolð Ed¡torial, 2006. -(Ljngualgeml; 19)
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profissionalismo, pelo entusiasmo contagiante com es
i;
lncluí bihliografia I questões referentes à educação lingi.ilsrica e pelos
li
|SBN 978-8H845H9-5
t sonhos comparrilhados para pensa¡ e consrruir ouuos
i caminhos e outros mundos.
1. lingülstkô aplkada. 2. Abordagem interd¡scipl¡nar do \
L
(onhecimento 3, Linguagem e lfnguai.4. Linguagem e <ultura.
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5. Sociol¡ngüfstica. L Moita Lopes, [uiz Paulo. ll. Série.

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ISBN: 978-85-8845649-5 (ant¡so 8s€845ó4e-4)

2¡ edição: março de 2008

@ do texto: Luiz Paulo da Moita Lopes et alii


@ da edição: Parábola Editorial, São.Paulo, julho de 2006
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possível a pesquisa relatada aqui. uma primeira versão desre
tqto cons¡ituiu a conferência de abe¡rua do
Graddol, D. (org.). Apptied Linguistiæ þr the 21' Cennry, AILA Reaiew, 14,2-17' WI Congresso Brasileiro de Lingüístià Aplícada, realizado em 20O4 na pUC-Sp
86 ff Lulz Pnulo o,r Morr¡ LoPss L¡NGûfsrrcA ApLrcAD¡. E vtÐA
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coNrEMpoR.ANEA ffi

Assim, a problemática que se aPresenta como desafio Para e contemPo- pós-coloniais


(Makoni Ec Meinhof6 neste volume
e Kumaradivelu, neste
(1999)'
raneidade, como aPontam Milton Santos (200i), Kinhide Mushakoji volume)' por exemplo' em que o foco principal
tem sido o ,uj.i. inscrito
Boaventura de Souza Santos QOO4), Slavoj Ziãek Q0O4) e ouüoi
é: como - na produção do conhecimenro ou a sua
redescriso em ourras bases. Ainda
podemos criar inteligibilidades sobre a vida contemporânea
ao produzir que não se paurem pelo conceito de criaso.de
uma coligação and-hegemônica
alternativas
conhecimento e, ao mesmo temPo, colabora¡ Para que se abram 'como esrou'encaminhando aqui, percebe-se nesses lingüistas
os pobres' os aprìcados o
sociais com base nas e com as vozes dos que estão à mergem: - desgaste dos r-nodos uadicionais de
ìeorirar e fazer rA, o que Davies (1999)
mulhe-
favelados, os negros, os indígenas, homens e mulheres homoeróticos, chamou de I-e normal: ume LA presa à
discussão da diferença en,,e rA
que eu os e
res e homens em siruação de dificuldades sociais e outfos, ainda aplicação de lingüística, não se descorando
da ringüística e d.e seus ideais de
(Moita
enrenda como amáþmas identirários e não de forma essencializada ciência moderna.
Lopes, Z00Z). öo*o aqueles que "vivenciam o sofrimento humano"
com

base em suas epistemes diferentes podem colaborar na construso


de."uma 4 questão primeira se relaciona à necessidade de pensar o mundo
um olhar não-ocidenralista, conforme sugerido por
sociedade mais humana, mais delicada com a natureze e com
as Pessoas" po, V..r., (2000), tendo em
vista a compreensão de que a episteme
(Mushakoji, 19992 207) ou, pelo menos' na comPreensão de tal sociedade? ãcidentarisra d.rr.,ri,, olras lógi.as
de vida social e outras formas àe produzir
conhecimento ,.no processo de
Tal projeto que envolve a concepção de uma coligação anti-hegemônica criar a Europa como ocidente e de tornar
o mundo mod.e¡no" (venn, 2000:
esrá na base da cria@o de um novo universalismo, ou pluriversalismo,
que 8)' Essa lógica atinge seus exrremos na grobarização
único (b perversa iu. uirr.**,
desafia a hegemonia do mercado da globaluz$o do pensamento insdtucionalizada, por exemplo, no B"n.o=Mundial,
e mafioso, no FMI, na Casa Bran_
grande pod"i h.g.*ônico de um capialismo neoliberal avassalador ca' no Mercado comum Europeu etc.,
de cujos efeitos devastad.ores somos
lideradó
!,r" e á grande Deus contemporâneo e iurz de todas as verdades), coddianamente testemunhas, o que talvez
explique, entre o,rr-, probl.*".,
p.lo, países centrais e suas agências. Tal coligafo and-heçmônica como um país do feijão, como o nosso,
"hÃ"dos comparrilhamento do sofrimento humano (Mushakoii, 1999)' tenha virado o p?f d" ,oj", e, o
que
tem origem no é pior ainda, o pars da soja uansgênica.
ao mesmo tempo em que oferece modos alternativos de conhecer e projetos
como
democracia do primeiro M,rndo funciona "por,,"'
z¡ari rtlo+:r'), ..a

sua im- ,^d,i ur, *"i, po, meio d.a


coletivos plurais que não podem ser hierarquizados em termos de 'terceiùzação'para ourros países de seu lad.o oculto
e sujo,,. Não resra dúvida
portâncie Par a vida social (Boaventura Santos' 2004)' também de que muitas formas de produzir
conhecimento ajudam a perpe_
para o fato ruaf essa lógica nas escorhas paradigmáticas
Nessa mesma linha, Milton Santos (2000) chama a atenso que fazem, como também por
Santos produzir conhecimento de uma forma imun.
de que as alternadvas estão no Sul (da mesma forma que Boaventura às quescões que estou levan-
[lOó41, a quem voltarei mais adiante), e, Particularmente' Para
o fato de tando' uma vez que entendem que o conhecimenro
não tem nada a ver coÍn
..cultura popular exerce sua qualidade de discurso 'dos de baixo" o modo como as pessoas vivem suas vidas coddianas,
que a seus sofrimenros, seus
projetos políticos e dêsejos. Isso é ainda
po.rdo em relevo o cotidiano dos pobres, das minorias, dos orcluídos, Por mais surpreendenr. .;;;;;
m.io d" oraltaéo da vida de todos os dias" (Milton Santos, 20ao: ú4)- eu enrenda que a divisão enrre teoria
ilï:l":se susrenre
nao ^-:_*ramais e tenha sido questionada
e práticataplicafio
Há em muitos lingüistas aplicados contemporâneos (muitos dos quais por muitos ì. oó, ,r" l¡-
presentes neste volume) uma preocupação com novas
teorizaçóes calcadas A' crítica à episteme ocidentarista pode ser
traduzida na preocupação
i* oorro, modos de entender a vida social com base em críticas à modernidade com quem é o sujeito inscrito nela. Aqueles
que foram posros à margem em
(Rampton, 2004), em teorias pós-modernas críticas (Pennycook' neste vo- uma ciência que criou outridades com
base em um orhar ocidentarista têm
lume e Fabrício, neste volume), em teorias qaeer (Nelson, neste volume passado a lutar para emitir suas vozes como formas
e
igr,al¡¡ç¡¡s vílidas de
2004-
Moita hpo, 2006), em teorias feministas (Cameron' 1992; Heberle' construir conhecimento e de organizar a
vida social, desaûando o chamado
Ost.r*".r, 2003), em teorias and-racistas (Magalháes' 2005) e em teorias conhecimento cienúfico tradicional e sua
ignorância em relação às práticas
IINGûfsnc,{ APL¡CADA
88 il Lu¡zPÂuLoDAMo[ LoPEs É vrDA coNTEMpoR.4NFA ü g9

'de carne e osso no dia-a-dia' coni seus conhe- zäek (2004), por.exemplo, euando Mushakoji se refere à episteme
sociais vividas pelas pessoas dos
positivista e moderna' indígenas "em relat'o à narureza, à terra e a sue húerdade
cimentos entendidos como senso comum pela ciência de a$o,, (Mushakoji,
1999:209) ou' por exempro, sobre-o que os indígenas brasiieiros
e os
Nesse sentido, náo posso deixar de mencionar o
livro organizado por africanos multilíngües enrendem por finlua (Cavalcanti
em relafo à &. Cesar, 2004;
Lopes da Silva & Rtj"goprt* (2004) e seus questionamentos Makoni 6¿ Meinhof, nesre volume). A Ãesma preocupação
é perceptível
"lingtiirti". gue nos io f^lhu" exetamente porque muito do que se
chama
quando Boavenrura sanros (2004: lg) indica que o hemisfério^.,sur
surge
lingüísticâ insiste em ignoraro que as Pessoas no cotidiano pensam sobre como proragonizando a grobariza$o contra-hegemônica,
cuja manifestação
hrr!o.g.*, embora ig,rd*..,tt insista em produzir conhecimento sobre a mais consistente é o Fórum sociar Mundiar" ou quando
ele indica a neces-
vida delas ou lhes indicar açóes políticas' Com o mesmo objedvo'
lembro sidade de escavar "tradições suprimidas ou *"rgirr*lizad.as,
representações
indígena brasi-
aqui a fala desafiadora de Azelene Kaingáng' uma socióloga particularmente incompleras porque menos .olÃi""d".
pero cânon hege-
l.irr, . que assisti em uma mesa plenária do Congresso Luso-Afro-Brasileiro mônico da modernidade" (Boaventu¡a Sann¡s, 2004: 19),
ou ainda, quando
de ciências sociais, realizado em setembro de 2oo4 em coimbra,
que Lizrk (zooq:t) afirma que .,nossa
em um mundo realmenre
desqualificou a indagação de uma socióloga brasileira branca que, da platéia, 'liv¡e' está no universo sombrio'e triste"r;;;"*
J* f"rr.r"r". A esperança não está na
questionava o argumento da socióloga indígena de
que os indígenas brasi- .ciê-ncia ocidentalista de teorias separadas das práticas sociais.
nacional'
leiros não seriam culpados pelos ataques à chamada soberania abordagem que temos de perseguir é, seguindo Venn (2000:
como .A
Azelene Kaingáng baseou seu argumento em seu posicionemento
234), e ourros aurores já mencionados,
233_
têm lutado
indígena, *ori.*L que historicamente os indígenas brasileiros
que entendo
p.1""*"r,rr,.nção das front"i.* nacionais. São esses discursos em um nível, a humanidade comum de todos com base
na experiência do sofrimento
qoo,ionadores da lógica ocidentalista'
e de fragilidade", -. . 'htivada na relaso face a ,,acæ.,.,
.- ,r- .";;;;, apesar da
"o.rro alteridade radical do ourro, um modo de ser que reconhece
,i"r;;;il;iidade de um
por outro lado, também não posso deixa¡ de citar um exemplo, muito eu er<istindo sozinho._
e revistas
próximo de nós, de como as chamadas redes de conhecimento Em outraspalavras, a quesrão que sè coroca é como rida¡
Um rápido com a diferença
científicas internacionais atuam na direção do ocidentalismo. com base-na compreensão de nós mesmos como outros,
Internacional de Lingüls- opondo-se, ponanto,
exame da programação do congresso da .Associaçáo ao 'þrivilégio ocidentalista de um si-mesmo fechado e hoÅogêneo
tica Aplicada de 2005 indica que, ao conÛário dos dois
ríltimos congressos' . d.q,r.ro
na de organizedores -que são iguais" (venn, 2000: 234), defendendo *opor,r"b-iridade e a sori-
s,ras jen,írias (tanro na lista de conferenc'rstes quanto dariedade para com o ourro na vida social e em novas

exceção formas de conhece¿
dos simpósios convidados), só incluem pesquisadores anglo-saxóes-
de um holandêÐ ou que aruem em universidades do mundo
anglo-saxônico. Esse é, em última análise, um projeto érico de renovação
ou de reinvenção
de conhe-
Em sua tógica ocidentalista, as redes internacionais de produ$o
de nossa existência que es áreas de investigafo rêm de
abraça¡ e, ao mesmo
internacionais e de considerar tempo, um projeto social e epistemológico, ou mlvez epistemológico
cimento afætam, apesar de seu ideal de serem porque
social, diferindo de muitas tradições que separavarn p.od,rçao
o mundo globalizado, conhecimentos produzidos em outfos cenüos perifé- " do conhe-
"internacional" quer diz'er o cimento do ser social' Essa posição é rambém veicurada
ricos. Isso lndic" que são associaçþes em que pelo i.nsam.nto de
mundoanlgo-saxônicodovelhoglobalismoocidentalizado'quetemorigem
Boavenru¡a sanros (zaß)
que argumenta em favor do l.o.rh..imenro
pru-
,ro, .h"-"Ls grandes descobrimentos no século XVI em seus esforços
de dente para uma vida decenre", que Mignolo
eo03) também acolhe, embo-
sobre as quais Edward ra seu afgumenro não seja pela universaridade, mas pela
coloniza¡ ou de leva¡ a'verdade" Pera os outfos, ações pluriversidade do
conhecimento e da compreensão, corno também f"ço
Said (1976) foi exuemamente cla¡o' "qrì.
Esse tipo de conhecimento da lógica ocidenrarisra/moderna
É pr.o.,rpaéo com novas-epistemes que atravessa tanto o Pensamento þropôs-se
d. "
Mrrrhãkoji (1999), Milton Santos (2000), Boaventura Santos
(2004) e não apenas compreender o mundo ou ocplicíJo, mas tamb¿m
transform¿-
LINcÛfmc¡ npucnol
90 ü Lulz Plulo ol Morrn loPes E Vf DA, coNTEMPoR.ÂNEA n 9I

de ransfor- deveria es,"r relacionada, de uma ma¡reira


lo. contudo, paradoxalmente, para maximizar sua capacidade ou de outr4 com .ün:r transformaso
(Boaventura profunda nos modos de organizar a sociedade". ou seja,
*", o ,rrorrdo, pretendeu,se imune às uansformações do mundo' ele indica que o
Santos, 2003: i6) ou pretendeu construir conhecimento separado do mun- conhecimenro tem dg ser novo não simpresmenre porque
o mundo está dife-
do, o., seja, no -,trrdå, mas independente dele
(Boaventura Santos' 2003)' ,l.ltl: -* porque tais mudanças requerem p.o.or* de consuuçao d. *;;_
de forma a falar ìiüento que devem, necessariamenc., .r,rrolu., implicações d. *"d"";;;î
Cabe proLle matizar os modos de produzir conhecimento'
na vida contemporâoça da social- As mudanças têm sido nos dois sentidos: uma resposra
dir.t"*.rrt. às mudanças avassaladoras que vivemos à vida social
a pes- que implica questões de narureza epistemológica- Em um
n*r *. seja possível questionar os construtos que vêm orientando ,.rrrido, a o¡4ão tem
a ver com conhecimentos que reflerem as mudanças radicais
quisa na tradifo da r¡- da vida conrem-
porânea e' em ourro' na dire,fo de um projeto epistemológico com implicações
sobre a vida social. O segundo é o que, me perece, deve
nos interessa¡.
Pnep¡n¡Noo uMA AGENDA PARA A LINGIÍSTICA APUcADA Mas que mudanças são essas de que faramos? Enfrentamos transformações
CONTEMPONÂNPA: RENARRAR A VIDA SOCIAL de ¡ratureza hisrórica, econômica, cultural, tecnológica
e política. contudo,
Milton Sanros (2000: 24) chana. a atenso para o -fato d. q,r. .b
desenvol-
para vimento da história vai de par com o desenvolvimenro das
O projeto que vejo como Parte de uma agenda ética de investiga@o técnicas" e de que
nesse desenvolvimento técnico fomos arrastados por
al¡envolvecrucialmenteumprocessoderenarrafoouredescriÉodavida uma série d.e outras
relacionado à necessidade mudançasl. Foi a tecno-informação por meio d. *rr"rrço,
social como se apresenta, o qrr. .rtá d-ireramente tecnorógicos (na
de compreend¿la. Isso é essencial Para que o' lingüista
aplicado
-possa
situar lnformática, na cibernétiqr e na ereuônica Milton Santos, zooo) que
ao produzir conhe- - que aüavessarn
possibilitou um mundo mais veloz, de d-iscursos
,.,r ,r"Ë"lho no mundo, em vez dt "' tragado por ele o grobo em
em um mundo que um piscar de olhos no chamado rempo real, que mud.am a economia
cimento que não responda às questóes contemporâneas na tecla
náoentendeouquevêcomoseparadodesicomopesquisador:aseparafo {9 computadot que nos aproximam de forma surpreendenre, que nos possi_
bilitam ser e ver ouuos vinualmente como tambéÀ "*rrrr.rrrri
entre teoria e ptâtica é o nó da questáo' ,)
com pessoes
que nun.,r vamos ve', que nos assustam como alteridades
o mundo social ou a form¿ nunca imaginadaf
Serfa pertinente Perguntar: o que mudou foi provocando a construso de discursos fundamentalisras, que
d. prod*i, conhecimeÃo sobre ele? Por um lado' são patentes
as mudanças -nossos olhos para ouffas podem abrir
em que formas políticas de viver ranro a vida íntima e púb1ica
nas sociedades
J" .r"arrr.,. social, cultural, econômica e tecnológica que, aliás, se confundem cada vez mais (chamo a atens.o para
(Bauman' 2000; a visão mais
vivemos, que têm levado a caracrerizá-las como
líquidas
pessimistado Amor líquidð de Bauman, 2004, como r"*ù¿* para a visão
2003)ourefl.xivas(Giddens,BeckE¿Lash,l997)ouderiscoededescon- m-aß-otimisra do fim da perversão, de soruaridades prrísticas
trolq (Giddens, 2000), ou também como sociedades do
medo' sobre as ou åe relaciona-
de nossas cidades,
mentos puros de Giddensa, 1992), questionando verdades
vez mais se fala na imprensa e que' em muitas naturalizad"as em
qo"i,
""d"
sabemosbemoquesignifica.OargumentodeDenzin(|997:xii).sobrea
"o projeto etnográfico mudou'
metodologia qualitativa"dt pt'qt'i"' é dt qttt
I
Milton Santos (2000: 27) acrescena que essa'mudança de técnica possibilita 'ã
existência da finang
mudou"'- Ele segue a idéia de universal" e " a unicidade do ten
fo, q,r. ã *,rndo q,r. " t*og'afia confronta
sem o mercado globalizado e sem 'ã unicidade
do tempo-, -a uni"¡d"d" ¿ ,¿.rl[;åi;ri$åär:tempo'
q". . øt*" de proi.rzir foi alterada Por que o mundo mudoq 2
"o"htli*t"to . Como aponta
de que,
Canclini Qo03: 116 /, 'existe algo ¡adic¿lmente democ¡ático no
¡econhecimenro
muitas vezes, não sabemos como cha¡na¡ os*ouüos- É . p.".;.
de construfo de ;;;id""p*ìî..rr* p"r"
Por ouuo lado, o questionamento de formas tradicionais o modo como eles se nomeiam".
ocidentalistas e de cunho 3 Bauman
conhecimento sobre os ontfos, notadamente aquelas Qa04: l0) indica que o amor líquido possibilita "brxca¡ 'relacionamentos de bolso,
novo modo de produzir conheci- jo tþ de que se þode dispor quando necesçí¡io'i d."pli, to.r", a
positivista, tem nos alerado Para traçar um 'b co"mpromisso,.T^l^":g:^f*r" é a maior a¡madilha a se¡ evitada
guardar". Isso que quer dizer que
santos io ofo.ço por'talJo.rrr_re".
*.rr.o implicaçóes sobre as mudanças na sociedade. Boaventu¡a ' Grddens \ 1992: 38) epon," q:e.1 sexuaridade plística se refe¡e a-o f"ro d. q,r" como -a
"o.r, conæpfo pode ser a¡dficialmente prodtzida', a sexualidaìe está liberta, "to¡nand.o-se
(2001)argumentaque..umatransformaçáoprofundanosmodosdeconhecer uåa quaiidade
LrNGûfmc{ ApLtcADA vtD^ coNTEMpoR{NFÁ t
92 Á LutzP¡'ts¡-a o¡Morr,rloP¡s E 93

já que' como sabe- 'horror econômicoo, em que talvez, como diria canclini (1999), seja o
todos os sentidos, embora possam também confirmá-las'
consumo que consüua nossas identidades, ainda que muitos sejam apenas
mos, são muitos os.. discu¡sos que nos chegam'
consumidores imaginários (Sarlo, 2000).
.' A possibilidade de experimenra-r a vida de outros Pera além da vida local
só para cita¡ um espaço social que me é muito câro e no qual a er<clusão
é vTvez a grand.e contribuição da vida contemporânea, ao nos drar de nosso
e não nos reinã, vale a pena refletir sobre a visão que a socióiog*
mundo e de nossas cerrezas que apagam quem é diferente de nós ".g.ntir",
Beatriz Sa¡lo
um mundo de (2000:112), tem da escola pública em nosso conrinenre: "Na maioria dos
possibilitam viver outras formas de sociabilidade::É também
já identificáveis em todos os campos: da p,ísçs da América I¿tina, a escola pública é hoje o lugar da pobreza simbólica,
tecnológicos inimagináveis,
"r,"rrço, onde professores, currículos e meios materiais concorrem em condições de
à saúãe, passando pela construçáo de seres humanos pós-orgâni-
"do""çao
..hibridizados por próteses bioinformáticas já à venda" (sibila' 2002: muito provável derroa com os meios de comunicafo de.massa" (apesar dos
cos,
øda vez. esforços dos professores, como acho necessário completar). Isso ocorre em um
16) e pela compreensáo de que a construfo da aprendizagem está '
e na utilizafo de letramentos multissemióticos mundo no qual, em conradifo, tais escolas precisam ser ainda melhores para
mais n.¿ participafo erfr'redes -

que gs alunos possam se preparar para as exigências da vida contemporânea


ou dos muldletrament'os (Gee, 2000)'
assim como para aprender a 'tridca¡ o poder e as injusriças" (Gee, 2000: 63).
mais
Mas é também simultaneamenre o mundo de uma exclusáo ainda um aspecro que me pr€ocupa é o modo como á desigualdade é naruralizada
contundente, em que a economia rege todas as esferas sociais: do mundo da
na sociedade brasileira, como também em ouüos países periftricos (souza,

igreja, da educação, da saúde ao trabalho' O que conta é'
como disse' o
2Aß). Nesse sentido, o mundo periftrico é globalizado: as telas .las rvs na
,ioá d.*, o mercado, um dos sustentáculos centrais da vida conternporâ- cidade do Mexico, em Bangcoc e em são paulo mostram, de certa forma, a
nea, cujos discursos colonizaram a vida social
(chouliaraki 6c Fairclough,
mesma naturaliza$o d¿ miséria.
Lggg)equedestruíramasrelaçõestrabalhistas.Comosabemos,oemPre.
E 'aqui chego ao ourro sustentáculo de nossos dias.
gado idei de nossos dias, para não me referir ao desempregado ideal' é A mídia passa a rer
que vive sob a seguinte orientação: 'Estou feliz por ter esse emPrego'
um lugar estratégico na sociedade, como aponra Martín-Barbero e,00?),
"qo.l" constituindo talvez com o mercado o outro elemento do divino em nosso
*", oao., ambém prontô Para ser despedido se isso facilitar seus gnhos'
indicar' mundo. sarlo (2000: 70) dtz gue, como especadores, "[remos] a crença de
meu pâtráo", corno I¿¡rkshear 6¿ Gee (1997: 99) Parecem
que todos somos, potencialmente, objetos e sujeitos que podem enffar no
.ComodizBauman(|999),éummundodeidentidadesglobaisede d"- E, como o oráculo de Delfos contemporâneo, a TV resolve nossos pro-
identidades iocais, sendo que as últimas fic¿m com os restos
simbólicos e
blernas por meio dos programas religiosos (com pastores ou padres eletrô-
fluidos e rá-
*"t"ri"¡ daqueles que, tendo idenddades globais' podem ser nicos) ou de psicanálise eletrônica, como tembém problemas que ourras
da tecnologia Por ter condições de usar as
fidor, . d.rfrrr,", das benesses instiruições náo conseguem resolver: de justiça, por exemplo (sarlo, 1999).
ié"rri""s mais avançadas. Quem tem condiçóes de ser fluido?' Pergunta Igualmente, os políticos sabem como mendr estrategicamente na -fv para
*iir"" t"".os (200ó: zÐ, ¿ a grande quesúo. como índica Znek (2004), ganliar mais votos. como argumenta Gidin (2003: z5), "o mundo .,fterno
..[os favelados em sues identidades locais] constinrem o verdadeiro 'sintoma'
entrou violentamente ¡s l¿¡ na profusão das mídias", devido à ,,torrenre
ðe slogans como 'desenvolvimento', 'modernização' e -
'mercado mundial"''
de imagens e sons [que] domina nossas vid"*".
conforme argumenra Forrester (1997), esses úo temPos caracterizados
pelo
Essa 'þlenitude icônicaé a condição contemporânea" (Gidin, 2003: 25)
íntima'í' Giddens (1992:68) indie que o relacionamento puro'refere-
e é responsável por aquilo que chouliaraki & Fairclough (1999:50) cha-
dos indivíduos e de suas relaç6es
se a uma sittraþo em que se enúa em uma relação
social pela própria relação, pelo que pode ser derivado mam de "virada icônica", que entendem como típica de nossos rempos:
oor cad.a pessoa da manutenfo de uma associaçáo com outre' e que só continua enquanto ambas as Panes "Ilma mudança na economia dos sistemas semióticos que tem conduzido a
iorr"ii.å."- que extraem dela satisfaçõa suficientes' yan ada uma individualmente, Para nela
um questionamenro da proeminência da linguagcm". Ao mesmo rempo, o
Pefmanecefem
LrNcûfsrrcA,{pLrcADA vtD^ coNTEMr€R {NFÁ E
94 * Lurz P¡ur-o o¡ Mon¡ l'oPts E 95

em sociedades densamente semiotizadas tem feito c-o-m-_çl¡ç'


o
quadro teórico que rraço como um modo de reinvenrar a vida
social
4-o-.4: -yirr.tmos Z_fazgf pesquisa envolve a reinvenSo da emancipação. Nesse quadro, quero
se tematize a natuÍeza constirutiva do discurso na vida contemporâne-a.
a ter um papèl cornbinar as. diferenças culturais e seus atrevessamentos por classes sociais,
tCir.;fi*"Li & Fairclough , 1999), no qual a palavra Passou na' linha"do q'e sugerem Fraser, 1997; canclini, 2003 e Èo"rr.rr,or"
na constru$o de quem
cenual (Milton Santos, 2000)' O papel da mídia sanros,
chama a atençáo para 2004. Nesse sentido, canclini Q003: 103) afirma que "a construção d.e
somos tem sido continuamente enfatizado e tal papel um
,.o que significa viver num mundo onde a capacidade de experimentar os novo projero emancipador deve concilia¡ as políticas culurais de reconhe-
cimenro e as políticas sociais de redistribuição, a cultura e a economia',.
ultrapassa a possibilidade de os enconüar nos caminhos
da
".orrr""i*.rrros limitados pelo tempo e espaço" (Thompson' 1998: 15)' A
vid.a coddiana Já Boaventura santos (2004) vai além, ag sugerir um pós-modernismo
"está susPenso em teias oqofgo, que não apóia o relativismo episremológico ou cultural típico
afirmaso d,e Geèrtz (1989: 5) de que o ser humano {: '

d. ,igr,ifi""do que ele mesmo receu" tem na mídia como aPonte Thompson das idéias pós-modernistas. Ele reme que esse pós-modernismo ,.possa ocul-
rodas de fiar o mundo" na contemporaneidade. Não posso
,.as ta¡ a dçscriÉo que fizeram fda modernidade ocidental] os que ,of..r.m
(199ã:20),
deixar de lembrar que em países perifericos ot¡ semiperiféricos
como o nosso' violência com que ela lhes foi imposta", r.ünâ vez que são eles que podem"
da modernidade, é pro- apresenre.r formas alternativas de conhecimenro e de vida social que possi-
por não refmos conseguido conquistar as Sarafrtias
1r".,r.1*..r,. mais difícil minimizar os efeitos desse mundo contemporâneo bilitam tentar resolver os chamados 'þroblemas modernos", ,ro*."d".rr..,a.,
que invade nossas casas (Boaventura Santos' 2001)'
a falta da "liberdade, igualdade e solidariedade" (Boaventura Santos, 2004:
5). Trl falta persiste em nossas sociedades, principalmente em países como
Na contramão da modernidade e de sua visão de um sujeito homogê: o Brasil, onde esses problemas se agravam a cada dia.
.nço,algumasPessoassãocadavezmaisexPostaseumamultiplicidadede
identitá- Atualmenre, ral violência é retrarada nas teorizações feminisras, and-
ffio", idendrários, como também à percepção da heterogeneidade
uso novos' racistas, pós-coloniais, queer e cultu¡alistas de classe social (Eder, 2o0z),
.i, em um mesmo ser social' Como fazer desses
"o.*istirdo muitas das quais representadas neste volume, que podem apontar caminhos
oih"r., qo. fraturam a vida social e a enriquecem Para construir novos
diria Foucault (1995 com base no que estou chamandci de perspectivas do sul; ao colaborarem
conhecimentos e novas. sociabilidades, ou, como talvez
ser" é um dos na reinvenéo da emancipaÉo social (Boaventura Sanros, 2004:5) por meio
23g),.como podemos "imaginar.e construir o que poderíamos
atual' Como Pensar da constituiso do que já chamei de uma \coligação anti-hegemanicai É, claro
grandes pro¡..o. políticos e epistemológicos da vida
em outros olhares e, que não compartilho da idéia moderna de ciência como salvaÉ.o, mas é claro
lor", foi*"s de produzir conhecimento com base que não compartilho "da sina da filosofia lamentada por \Tittgenstein
assim, colabo raÍ na reinvenção da vida social? Acho
que Boaventura Santos lambém
'de deixa¡ o mundo como é"'6 (Bauman, 2003b: g), típica ã. ..r,o cinismo
(2001: 329) diria que isso só é possível se usarmos os olhares "cio sul".
acadêmico contemporâneo.
Colno podemos "aprender com o Sul"? Essa é a "metáfora do sofrimento
humano, (Boaventura Sanros, 2004 12) que ele utiliza para dar
conta de o conceito de emancipação social aqui é diferente de sua compreensão
margens em suâ na modernidade e no processo de ocidenralização, porque incorpora os
persPectivas marginalizadas, de modo que' ao conhecer
as

proiri" lror, ,tÃbé* seja possível conhecer o centro5' É'- pott"ttto' tt* diferentes gr.rpos marginalizados (pela classe social, sexuaridade, gênero,
vida social raça etc.), já que os fatores econômicos, culturais e políticos náo poderir
L,rr,¿o dos múltiplos discursos e de novas consrruções para a
também da exclusão descarada, em que os limites são inespe¡ados ser sepãrados, mas também porque não se trata de levar a verdade/conhe-
e
como
em qr¡e, conseqüentemenre, a ética é central na vida social e
na pesquisa.
6
Täl sina se reFere ao âto de que lWingenstein achau que dweríàmos estudar os jogos
de linguagem
t com as relaçóes Norte e Sul na em que as pessoas se envolvem, ou seja, o mr¡ndo como é, se quiséssemo.
Boaventura Santos (2004) Parece estat mais preocupado .-lirr!,r"-
(1999)' amplio ametáforado SuJ paraenVolver gem futrciona, e não as teorizaçóes semâ¡dcas e sinúticas que n.da iêm a ver com"o,.ná.i.o¡¡o
contemporanêidade, enquanto aqui'-seguindo Mushakoji o mod.o como as pe¡soes
esofrimento humano' usm a linguagem ou com o que a linguagem é.
outros Jorrtoto. d" margtnalizzção
96 I Lu¡z P¡ulo o¡ Monr LoPes
LNcûfsflorr{¡ucÂDA E vrDA coNTEMpoRÁNfr{ H 97

cimento a esses grupos,- mas de construir e comPreensão da vida social A rupn¡scrNDrBruDADE DE rrMA LrNGüísrcA A'LT.ADA
com eles em suas perspecrivas e vozes, sem hierarquizí-los (veja, abaixo, o
HÍBRIDA oU MESTIÇA
apagamento da disdnção entre teoria e prática)- Desse modo, pode-se
dizer que há várias emancipações sociais fundamentadas na ética e na Para consüuir conhecime.rro
politização da vida social.
n*. seja responsivo à vida social, é neces-
sário que se compreends* a rn não como áisciplina, mes como
área de
estudos, na verdade, cornci á¡eas tais como otudo, feministas,
estudos qazer,
estudos sobre negros, esrudos afro-asiáticos etc. pesquisadores
originários de
Uun rrNcüfsrlcA APUCADA coNTEMPÒRÂNE"A' diferentes disciplinas (sociologia, história, opologi-r" ....) para
"nt
essas á¡eas e passem a focalizar tópicos comuns, "o.,rrJrçm
atuando no que chamei um
Quero traçar um quadro do que vejo corno implicações dessa percepSo da processo transdisciplinar de produção de conhecimento (Moita
Lopes, t99g).
vida social atual, como também dos modos de produzir conhecimento em Embora muiros pesquisadores que operain no campo da
re tendal a vir do
campo da lingüística (como é o meu cáso), há pesquisadores
nossos dias pâra uma 1Â contemPorânea: uma tA que precisa ter algo a dtzer no Brasil que
vêm da educação, da literarura, da psicorogia .,.. .
sobre o mundo como se apresenür e que o fuz com base nas discussões quç estão
produtivos. Em muitos casos, equivo.ada.m.nt., ,lg,r.r,
!rr. esrão entre os mais
atravessando ouüos camPos das ciências sociais e das humanidades, nas quais se
..rt ndem que essas
são suäs disciplinas-mães, às quais têrn que presrar serviço
ainda hoje, ge-
verifica uma mudança paradigmática em vim¡de da crise da Ciência moderna. rando pesquisa de aplicação das teorias Jessrs áre"s, enüe
as quais a mais
Entendo que o câmpo da m está localizado nas ciências sociais, *Inà, ¿iir, notória e amplamente criricada (por exemplo, Moita Lop.r,
l99g e
venho i¡rsistindo h.í pelo menos quinze anos (d. Moita Iopes, 1990). Ela não Rajagopalan, neste volume), como sabemos, esrá a aplicação
åe lingüística
pode, portanto, ficar à pane drs discussões em tais c:lmPos. Isso me parece (inclusive, por exemplo, aplicação de teorias da
an¿flise de discrrrso).
ainda mais peninente quando muitas das questões mais interessantes sobre a o outro ponro que me parece cruciar pa¡a que a IA seja responsiva
à vida
linguagem são levanadas por pesquisadores fora do campo de estudos especí- social se.prende à necessidade de enrendê-la como area
híbridalmesdça ou a
ficos da linguagem. Se quisermos saber sobre lingr¡agem e vid¿ social ¡¡oq dias :iiea da i*disciplina. A interdisciprinaridade é, porém, em
gerar, ainda vivida
de hoje, é preciso sair do campo da linguagern propriamente dito: ler soäologia, de forma drnida na Lq,, embora ela seja o* de proãut'o d.e conheci-
-ldo
geografia, história, anuopologia, psicologia cultural e social etc. A chamada menro que é o.da vez mais prevalente nas ciências sociais e
humanas. É clr¡o
'ii¡ada discursiva" tem possibiliado a pesquisadores de vários outros öamPos que a compfeensão da rA como rNdisciprina tem impricações
parq I desenvol-
estudaf a linguagem com intraüisões muito reveladoras para nós- Pa¡ece.essen-
vimento de ca¡rei¡as acadêmicas ao gerar o fenômeno do,rei^[ou'rainha]
sem
reino" (Fauré, 1992: 68), o que tem sido muito pouco discutido
cial que a LA se aproxime de á¡eas que focalizam o social, o político e a história. no nosso
campo no Brasil. são pouc* as universidades no Brasil onde
Essa é, aliás, uma condifo pefa que a rá, possír fâlar à vida contemporânea. se pode presar
concurso pafa uma carreira de lingüista aplicado. Não surpreerrd.
!,re
Na tentativa de pautar uma tA contemporânea, otganizanei a discussão o.afirreza do trabalho desse rei sem reino seja tão
difícil de å*pr...rd.r. "
que segue com base em quatro Pontos: No sentido da rNdisciplina e da mestiçagem, meu trabarho tem estado
a imprescindibilidade de uma r¡ hlbrida ou mestiça, a que já comecei muito mais próximo de pesquisadores que aruam nesses ourros
1) campos das
ciências humanas e sociais do que do de pesquisadores
a me referir em outros textos (Moia hPo, 2OO4); que fazem o que
âgora se chama LA normal. É ness. mesma direÉo q...
2) a tl. como ufiur área que explode a relação entre teoria e práúca; ÈI.ir, (1990: 45)
a¡gumenrou que "nos anos 1960, a ftsica dnha se tornado
a necessidade de um outro sujeito Para e lq.: as vozes do Sul; uma federat'o de
3) disciplinas, incorporando áreas rais como física nuclear e fisica
úo do esado
4) a re. como área em que édca e poder os novos pilares- sólido, áreas que tinham máis em comum com a química
e a engenharia do
Ir
-. LrNctfsnc¡apLlc¡.o¡.
100 ¡ LuIz P^urc DÂMolTA LoPEs EVIDA coNnEMpoR.Â,NEA ff 101

asPectos Isso é surpreendente quando se sabe que nas sociedades contingentes em


expllcito com ourfas á¡eas.. como instrumento para esclarecer I :*
,o"irl qo. podem enriquecer a visão de discurso que udlizam' Seguindo a que vivemos "relevância e nú.meros estão em c¿tmpos separados. Fenômenos

idéia de que o discurso é cenual na vida òontemporânea,


oraminam o que um estatisticamente insignificantes podem se mosrrar decisivos, e seu papel
^um
sociólogo, um filósofo, pesquisadores Ss-modernistas e decisivo não pode ser compreendido de anremão" (Bauman, T992: D))-_.
feminis-
geógrafo,
-.e* cf. Rampton (neste volume)
L a dtzm sobre a vide social contemporânea Choulia¡aki sc Fairclough uma vez que
-, que enfrentamsuaassignificância rem a ver
' com.-sua relevância para aqueles
(lgg9:2) referem-se a esse "diálogo (ou 'conversa') entre teofias" como pesqui- contingências da vida
"na qual a lógica de uma teoria é Poste a oPerar dentro-de sociâl em suas ações siruadas.
," t rrrrdir"iplinar,
ume outra sem que a última seja reduzida à primeird'' Isso
é o que chamo
Em uma rA que quer falar à vida contemporânea é essencial, não a teorizaso
de pesquisa interdisciplinar (Moita hPo, 1998) e é um modo possível de
elegàntemente abstrata que ignora a prática, mas uma teorização em que
do conhè-
frr", påq,rira interdisciplinar em t^A', sintonizado com outras áreas
teoria e prática sejam conjuntamenre consideradas em uma formulação do
ajudando-nos a ver as limitaçóes de nossas pressuposiçóes' conhecimento na qual a teorização pode ser muito mais um trabalho de
"i*"tto, bricokge, tendo em vista a multiplicidade dos contextos sociais e daqueles que
os'vivem. .A¡rolo motivos de narureza epistemológica, mas q.r., .ùr*.rrr.,
A rrNcr_rfsucA APLTCADA COMO UMA .ÁREA QUE E)GLODE têm implicações de natureza ética ao integrar "as vozes do sul", embora seja
A REU.çÁO ENTRE TEORLA E PR'ÁTICA possível nos quesdonar também se é possível sepa.rar epistemologia e ética.

cabe também mencionar que não faz nenhum sentido a distinção radi,
Além das teorizações de ca¡áter híbrido ou mestiço, considero
essencial,
cional de que a lingüística se ocupa da teoria e a LA da prática, o que quer
urn que,e:<ploda os
na forma como atuelmente concebo a LA, pgsicionamento
que se entenda por essas áreas hoje em dia- como nós que an¡arnos em LA,
çern6, aliás, esuí implícito
limites entre teoria e pnítica. Estou apontandq - sabemos, nosso trabalho tem-se pautado por teorizações. por um lado, conhe-
"as vozes
no que disse anteriormente em relafo à necessidade de considerar cimento que não considera as vozes daqueles que vivem a prâtíca social não
do S,rt" p ra a inadequafo de formular conhecimento que seja responsivo pode dizer nada sobre ela; e, por outro, em IA, temos de produzir conheci_
-
à vida sociiignorando as vozes dos que a vivem. Tmdicionalmente'
o chama:'
mento em que não haja distinfo enrre reoria e prática, mesmo porçlue, como
do conhecimento científico foi förmulado com base na crença na separação " diz Boavenura sanros (2001: 18), a contingência, a velocidade e o inesperado
teorizações ou sua --
enrre o pesquisador e o objeto que esruda Para que suas da contemporaneidade têm feito com que % realidade pareça ter tomado a
científica (portanto, singular) do que estudava não se contami- dianteira sobre a reoria". Daí a necessidade de dizer não "à distância crírica"
"o*pr"".rrao conhecimento apolítico e não-ideológico, típico do positivismo-
,r"o.*, um e procurar "a proxirnidade crítica", o que só é possível se apagarmos a distinÉo
Essa é a base da grande tradiéo da chamada ciência moderna
em seu anseio entre teoria e prática (Boaventura Sanros, 2O01 4).
vivem a vida social
por se sepatar ou não se deixar conraminar por aqueles que
e por seu sgnso comum, na busca de objetividade e neutralidade científicas.
Essa percepção persiste, mas é. cada vez mais questionada'
inclusive nas uu orrmo suJErro pARA A LrNcüfsrrcA.ApucADÆ As voÆs Do sr.)L
ciências exatat ou d'a nafi;uez:.' A compreensão de que
estamos diretamente
começa a interessar pesquisa- Parte da discussão sobre a relação enrre reoria e prática já envolveu
imbricados no conhecimenro que produzimos
dores em vários campos. Isso não quer dizer que no
'mercado epistemológicd, críticas à crença na neutralidade científica e em uma racionalidade
em muiros contextos, o conhecimento da verdadeira' ciên- descorporif;cada, na qud está implícita a questão do sujeito social.
por assim dizer, euero
a 'verdade' focalizar especiûcamente o problema relativo a quem é o sujeito da n. A
cia náo tenha mais valor. A magia das estatísdcas que comProvam
das abstraçóes totalmente separadas da vida social das Pessoas
em suas aþes chamada ciência moderna já foi amplamente criticada por se basear em um

cotidianas ainda encanta muitos e, freqüentemente, merece mais


atenfo' sujeito homogêneo e essencializado como branco, homem, heterossexual de
102 tr LurzP¡ulo P¡MorrnLoPEs L¡NcûfsncA Apuc,q,DA E vrDA coNTËMpoMre,r il 103

que as teorias feministas, queer, anti'tacistas, pós;coloniais


e valores, projetos . políticos e interesse daqueles que se compromerem
classe média com a
Essa questão está relacio- corstruÉ.o do sþificado e do conhecimenro. Não há lugar fora da iileologia
pós-modernistas se encaffegafam de desconstruir-
um Ãt"'do constituldo ume ciência de significado e çrão há conhecimento desinreressado. A m precisa consrui¡ conhecimento
.r"d" e rëdescri@o de Por
que nos fez actedita¡ em uma única que exploda a rela$.o enrre reoria e prárica ao contemplar as vozes do sul.
.i;"rit., i..., ':", úldmas verdadeso,
algum entendidos
*ifi*n- Pere os fatos sociais, que não eram de modo Dessa formà, visões da.linguagem e da produção do conhecimento
que colo-
pelo exercício do poder, despofitizando e tornando autô- cam o sujeito em urn vácuo social, no qual sua sócio-história é apagad.a,
são
"å. """åsados
nomo o conhecimento. Essa visão difere de Foucault
(1979212), quando ele inadequadas para dar conra da viúo de rA conremporânea que d.f.rrdo.

chamaaatençãoParaofatodeque..averdadeédestemundo;éproduzida
nele devido a multiplas forças de coerfo"'
A uNcüfs:ucA ApLTcADA coMo ÁREA
Assim,muitodapesquisamaisrecentenasciênciassociaisehumanas
-*o"do EU OUr ETrCA E PODER SÃO OS NOVOS prr.AREs
tem apontado que o social e nós mesmos somos constituldos no ,.
que envolve cofno as
dir",rrso na linha de teorias socioconstrucionistas¡ o
sócio-história. Essa compreen- Talvez a palavra mais repetida em muito da lireratura atual das ciências
pessoas estáo posicionadas no mundo em sua
sua naturezâ fragmentada' sociais e huma¡ras seja "éticd'. Quando se enfatizam o sujeito social e sua relaSo
,Uo do sujeito social tem chamado a atenSo Para
2002; 20AT)' sendo tam- com a alteridade, assim como sua heterogeneidade na construSo do conheci-
h"t.rogêrr.", contrad'itória e fluida (Moita Lopes' mento' como fiz aqui, as questões relarivas a ética, e poder úo inuínsecas. Não
Nesse sentido'
bém entendido como sempfe aberto a revisóes identitárias.
focalizando penso que vivemos em um mundo do 'iale-rudo" (Rosenau, lgg2: llg), como
é a minha própria sócio-história que está inscrita no
que estou
já que .bs pós-
algumas versões céticas pós-modemas querem nos fazer acreditar,
aqui ao me reposiciona¡ diante da r'q" modernos ceticos estipulam que nenhum sistema de valor pr-.J*h, pode ser ':

áreas de investigação que o


Essa percepção do sujeito social questiona compreendido como superior a ourro" (Rosenau, 1992: ll4).
'vê.* po, -"iå d" lentes de homogeneiza$o' só possíveis Porque su¿ sócio-
na área de ensino/aprendi- Minha visão não é a de que "todas as normas e varores sejam iguais,'
história e corPo são apagados' No campo da Lc
r'l

fato de (Rosenau, 1992: r15)- Normas e valores refletem posiçóes discursivas


zagem de línguas, t"* ñ""ido uma tendência
contínua espe-
".igtot1t.o sexuali- cíficas, o que, de modo algum, implica relativismo ético. Ao tratar rodos os
qå proforor-", . têm corpos nos quais suas
"lrrrro,
classes
,sociais' conhecimentos como modos þalmente v:ilidos de descrever ou construir o
It

discursivos, con-
i"d.., gêrr"ro, ernia etc. são inscritas em posicionamenros mundo social, a posifo
relativista ewazia a narureza interessada do conhe- ì

templandosomenteosujeitocomoracionalenão:comosocialehistórico, cime¡ito (Roman, 1993)- sou da opinião de que, tendo em vista alternativas ,t

oor..i",focalizandoro*.,"tsuaracionalidadedescorporificada(hooks'1994)' e sþificados exisrenres, é legítimo preferir uns e refutar ourros (Rosenau,


É, necessá¡io muda¡ o sujeiro da L,{, como
Henriques et alii (1984) fìzeram
L992; chouliaraki Ec Fairclough, 7999). contud.o, permanece a
aPonto Para imponância quesrão
com o sujeito da psicologia social' Desse modo' ^ relativa a quais significados devemos preferir.
de reposi.ionar o sujeito ne LA' e não para o fim
do sujeito (Rosenao' 1992)'
.o-o "r., algumas correntes pós-modernistas' Não poderia ser diferente' A escolha deve se basear na exclusão de significados que causem sofri;
dado que p"rrillro o ideal de reinventar a emancipaçáo
social' menro ho**o ou significados que façam mal aos ourros. óo*o G.. (1993:
293) argumenra, "remos a obrigação ética d"e explicar... qualquer prática
têm como objetivo
Essa visáo Parece crucial em áreas como a
LA' gr¡e
social em que haja razão para acreditar que ela nos dá vanragens, ou ao nosso
fundamenal a problematiza@o da vida social' na
intenfo de compreender as
grupo, em detrimento de ouüos".
crucial' Só podemos contri-
práticas sociais nas quais a linguagem tem PaPel
aqueles relativos à princípio ético é parte da constituição de uma corigação anti-
buir se considerarmls as visões de significado, inclusive Esse
refletem os preconceitos'
pesquisa, como lugares de poder e conflito' que
hegemônica que colabora na consruSo de significados oriundos de outras
104 fr Lutz PAULo DAMo¡r^ l,oPEs LNcûlsrrc^ AILTcADA EvTDACoNTEMpoMNEA ß 105

vozes (daqueles ma¡cados pelo sofrimento às margens da sociedade), assim


(apud Manln-Barbero, 2003: 2l): "o fururo nunca se anima a ser d.e todo
como na consrruÉo de ourro mundo sociel, consüuindo ouua globalizaÉo, presente sem antes ensaiar, e esse ensaio é a esperança',.
como acho que diria Milton Santos QO02), e reinvenando a emancipação
em nossos dias. Como argumenta Mushakoji (1999:203), trata-se de "ume
ordem mais sensível às realidades humanas, especialmente ao sofrimento RrrnnÊwcns
humano" do que aquela representada por valores modernistas, ocidentalizados,
B¡ut*¡¡N, Z. (1992). Intimations of postmodeniry. London: Routledge.
liberais e universais, aPoiados Por uma comunidade epistêmica universalista,
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- 9003e). Jorge Z.ù,at-
e liberal. É assim que entendo que a Lt contemPorânea Pode colaborar na (2003b). A sociedade ríquið2, Fotha /.c s.pzuh. caderno
I9ir0l200í, pp. 5-9.
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voltando, portanto, ao início deste capítulo Blachvell.
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cevarcar'm, M. & cÉs¿n, L (zoo4),. Repensando questões sobre o conceito de língua
Têndo em vista o quadro da vida contemporânea que tracei e as mudan- - aplicada realizada em contextos de minorias lingüísticas no Brasil. Tiabalho na pesquisa
apresåtado no painel
precisa îazer a crítica 'O conceito de'llngua' n1 Pesquisa social e lingiüsrica nos espâços lusófonos". VIII Congresso
ças epistemolsgicæ que enfrentamos em um país que
Luso-Af¡o-Bnsileiro de Ciências Sociais, Cenno de Estudos So"i"i., úrrir"..idade de
da modernidade, sem, em muitos senridos, tê-la vivido, þodemos escolhe/" cnournn¡¡c, L. E¿ Fruneouc¡r, N- (1999). Discoune in Late Modemry. Edinbu¡gh: Edinburgh
Coitbra.
(
como diz venn 2000: 236), "condnua¡ morro abaixo em um caminho de Universiry Press.
uma pós-modernidade descuidada na direção de um desdno catastrófico e Davtrs, A. (1999). An Introduction n Applied Linguistics:
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d.r,rri".o, ou podemos d.ecidir trazer à rona um fururo que a modernidade DeNzrN, N. K. (1992- Interltretiue Ethnograplry. Ethnographic Perspectiaes the 2I', Centary.
þr
por si mesma simplesmente anunciou". London: Sage.
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Ao contrário do que muita gente pensa, construir conhecimento tem- F¡uns, G. (1992). A constituiÉo da interdisciplinridade: ba¡reiras insritucionais e intelectuus,
Tempo
tudo a ver com esse projero, pois, em ultima análise, todo conhecimento em Brasihiro, 108, pp. 6l-68.
Fon¡¡sr¡r., V. (1997). O honor econômico. São paulo:
ciências sociais e humanas é uma forma de conhecer a nós ¡ñesmos e de cria¡ Edito¡a da UNESP
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Não surpreende, portanto, que na LA,, como em outras áreas, as questões filosófica para além do estrøturalismo e d¿ hmenêutica, No de Janeiro: Forense Universirária.
-Fn¿z¡n, N. (L997)- Jzstice Internrptu: Critical Pafuaions on tbe Posxoci¿list
identitárias estejam interessando a tantos pesquisadores exatamente quando Condition. New york:
t_ Roudedge.
se problematiza a importância de Pensar outras sociabilidades para a vida Ger' J. P (1993)- Postmodernism and Litencies, in: knlahea¡, c. & Mcløcn, p. (orgs.). criticat
,o.ì.1, o que é o principal projeto político da atualidade. É tempo de Litera4 Politits, Pr¿xis ¿nà the Postmod¿rn
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modo a poder imaginar novas ações políticas- Identityas m Analytìc læns for Resea¡ch in Education-, Reuieut ofRescarch in Education,
25: 99-125.
Muitos dirão que há uma grande dose de utopia neste capítulo. Ainda -Grrnrz, c. (1989)- A interpr*ação dz¡ culnra¡- Rio de
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que seja de opinião de que não somos nada sem utopia, uma vez que é o GtoorNs, A- (1992)- A tranþrmação da intimià¿l¿. são paulo: Editora da uNESp.
(2000). Munlo en descontol¿. Rio de
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sonho que nos faz pensar em alternativas para as questões que se aPresentam Gtooens' A.; Becç u. & l¿ss, s. oggn- Modzniztçan ,tfloi*. são paulo: Edito¡a da LrNEsp.
nas várias esferas de nossas vidas, prefiro Pensar que este capínrlo comPre- -GIrrrN, I (200Ð. MA;zt sem limite. Corno a toîrentc /e irnagns e sons
d¿mina nossas vidas. No de
ende a l como lugar de ensaio da eJperança. como disse Jorge Luis Borges Janeiro: CivilizaSo Brasileira.
106 tr Lu¡z Pruro o¡ Mon¡ Loles LrNcûfsrrcA^pLtcADA EVID^@NTEMPoRÅNEA & 107

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