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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

Pós-graduação Lato Sensu em Direito Civil e Processual


Civil

RESENHA DO CASO HARVARD “MINERAÇÃO SUL-


AFRICANA E DOENÇAS RELACIONADAS AO
AMIANTO OU ASBESTOS (A)”.

Nome do aluno: Juni de Oliveira Caldas

Trabalho da Disciplina Processo Civil


Coletivo – NPG 1229
Tutora: Prof.ª Angela Barral Bouzas

Local: EAD AVARÉ - SP


Ano 2019.1 EAD
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Caso de HARVARD “Mineração Sul-Africana e Doenças
Relacionadas ao Amianto ou Asbestos (A)”.
TÍTULO
Instrumentos Processuais na Tutela Coletiva de Direitos.

REFERÊNCIA:
Caso de Harvard Mineração Sul-Africana e Doenças Relacionadas ao Amianto ou Asbestos
(A). Publicado na Biblioteca da Disciplina Processo Civil Coletivo. University of Virginia
Darden School Foundation, Charlottesville, VA. Janeiro de 2016.

Este trabalho trata do caso de Harvard “Mineração Sul-Africana e Doenças Relacionadas


ao Amianto ou Asbestos (A)”, sobre o cenário da exploração do amianto na África do Sul por
mineradoras britânicas, de início no Cabo Setentrional e em Limpopo, ampliando-se para a
província de Mpumalanga, e cidades de Kuruman, Pomfret, Koegas e Prieska, produzindo
97% do amianto azul do mundo, o mais letal de todos.
Em resumo, o sistema sul-africano da apartheid, em vigor do início do século 20 até início
dos anos 90, priorizou os interesses das minas multinacionais pertencentes aos brancos, sem
estabelecer regulamentos de segurança às comunidades mineradoras negras e se tornou
responsável por ditar-lhes condições subumanas, que não tinham casa, comida, assistência
médica, sofriam com pragas, tuberculose, tifo e doenças associadas à exposição ao amianto
como asbestose (fibrose pulmonar), câncer de pulmão, efusão pleural e mesotelioma (outra
forma de câncer). Porém com a democratização da África do Sul em 1994, uma nova
constituição garantiu os direitos fundamentais dos trabalhadores e teoricamente possibilitou
que as vítimas de doenças relacionadas ao amianto obtivessem reparação.
Relativo ao amianto no Brasil, embora diversas leis estaduais e municipais proíbam seu
uso em proteção à saúde, a questão está na Lei nº 9.055/95 (discutida na ADI 4.066), que
admite o uso controlado de asbesto branco. Neste caso, entendemos que cabe ao Ministério
Público atuar, bem como em questões de direitos fundamentais, defesa de direitos difusos,
coletivos e individuais homogêneos, tais como previdenciárias, de saúde, tratamento
discriminatório, atividade ilegal da administração pública, FGTS e faturas de consumo de
energia, cujo interesse de agir está nos arts. 127 e 129 da Constituição Federal, que na atual
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interpretação do STF foi legitimado ao parquet promover defesa de direitos individuais
indisponíveis, sem afastar a legitimidade para os demais direitos individuais disponíveis,
ainda que sejam individuais homogêneos. Para o STJ, a questão dos direitos individuais
homogêneos foi recém decidida reconhecendo a legitimidade, condicionada à dimensão
coletiva do direito ou sua relevância social. O STF também já analisou sobre a necessária
relevância social em conferir legitimidade ao Ministério Público. Assim, existem decisões de
ambas as cortes atribuindo ao parquet legitimidade plena e irrestrita, ainda que para defender
direitos individuais homogêneos. E o binômio “necessidade-utilidade” deve ocorrer para que
o interesse de agir do Ministério Público se exerça através do direito de ação no Judiciário.
Cabe dizer que, nas ações coletivas a sociedade precisa demonstrar o mérito através de um
interesse individual homogêneo que se quer proteger, ressaltando que a organização do
sistema coletivo brasileiro é esparsa em diversos diplomas legais, mas que ao se
harmonizarem, sistematizam os princípios e regras referentes às ações coletivas.
Salientamos que a Defensoria Pública também tem legitimidade para promover ações
coletivas, como está no art.134 da Constituição Federal e no art.3º, VII da Lei Complementar
nº 80/1994, que dispõe ser função da Defensoria Pública promover ação civil pública na tutela
dos direitos difusos, coletivos ou individuais homogêneos em demandas de grupo de pessoas
hipossuficientes, considerando ainda, o interesse público decorrente da própria natureza do
processo coletivo e “exercer a defesa dos interesses individuais e coletivos da criança e do
adolescente, do idoso, da pessoa portadora de necessidades especiais, da mulher vítima de
violência doméstica e familiar e de outros grupos sociais vulneráveis que mereçam
proteção especial do Estado.”, nos termos do art. 3º, XI da Lei Complementar nº 80/1994 e
confirmada pela 1ª Turma do STJ em decisão do dia 17/04/2019, no Agravo de Instrumento nº
1.220.572.
Assim, os instrumentos processuais coletivos são formas de atuação, tanto do Ministério
Público, quanto da Defensoria Pública, para se alcançar as finalidades destinadas à tutela
coletiva de direitos, concretizando princípios e valores estabelecidos na Constituição Federal,
através da tutela dos necessitados, o que está diretamente relacionado com a defesa de direitos
fundamentais, inclusive à saúde, e também com objetivo de erradicar a pobreza, a

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marginalização, reduzir desigualdades sociais e promover o bem estar a todos, sem
preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.