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QUESTÕES - FILOSOFIA

Questão 1

Tradução: “Como a ética é importante na sociedade hoje?”

“Se eu perguntar se você é ético, provavelmente dirá que sim! E, se eu perguntar a


definição de ética, saberá me responder? Provavelmente não! Faz sentido? Não! Mas é
natural, a maioria dos seres humanos são éticos sem ter a mínima idéia do que
significa ser ético. Isso ocorre porque a ética nos é condicionada pela sociedade, você
aprende desde pequeno com seus pais, na escola, com seus amigos e normalmente não
nota isso. Meus pais me orientavam sobre o que era certo ou errado, mas pensando
bem, acho que eu só aprendia ética depois que era castigado.”

Disponível em: hanimos.wordpress.com (com adaptações)

Considerando a imagem, o texto e o que você aprendeu sobre ética e moral, é correto
afirmar que:

a) A ética tem por objetivo desregulamentar os padrões morais de uma sociedade.

b) A ética é um conjunto de certezas invioláveis, que devem ser seguidas pelas


comunidades locais de um país.

c) A consciência ética é adquirida com o passar do tempo, sendo que o indivíduo deve
estar inserido em uma comunidade para vivenciar as experiências em coletivo.

d) A ética não é condicionada pela sociedade, é adquirida de forma individualizada sem


o convívio coletivo.

e) Todas as alternativas estão erradas.

Questão 2
Ética e moral são termos que a filosofia utiliza para:

a) Não dar significado a nada.

b) Referir-se ao modo como as pessoas devem agir.

c) Designar o modo como se organiza um espaço público.

d) Desorganizar ações comunitárias.

e) Todas as alternativas estão erradas.

Questão 3

Leia a tirinha e responda.

Disponível em: blog.veritatis.com.br

Ao ler esta tirinha, é possível afirmar que no dia a dia:

a) Bandidos e médicos possuem o mesmo código de ética.

b) Só na periferia a ética e a moral são desrespeitados.


c) A imoralidade e a falta de ética podem estar presentes, independente da classe social.

d) Não há nesta tirinha nenhuma conexão com ética e moral.

e) Todas as alternativas estão corretas.

Questão 4

Leia a tirinha e responda.

No texto acima, Mafalda mantém um diálogo com sua amiga Liberdade sobre os
candidatos que participarão das próximas eleições. Sobre o diálogo, a ÚNICA
alternativa CORRETA é:

a) O papa (pai) de Liberdade tinha convicção de que escolheu o melhor candidato.

b) O papa (pai) de Liberdade estava com dificuldades de escolher em qual candidato


votar, uma vez que todos eles (os candidatos) deveriam possuir qualidades positivas, o
que dificultava a escolha.

c) Mafalda estava tentando convencer Liberdade que seu pai não sabia em quem votar.

d) Mafalda entendeu que a cara de infelicidade do pai de Liberdade se dava porque ele
(o pai) estava indeciso em quem votar.

e) O papa (pai) de Liberdade estava com cara de infelicidade por entender que o
candidato escolhido, por ele, em relação aos demais possuiria poucos atributos
positivos, ou seja, havia escolhido entre todos os candidatos o “menos pior”.
Questão 5

“A definição de moral e ética é muito discutida atualmente. Como você define cada
uma delas? Entre as alternativas de definição e diferenciação entre os dois conceitos,
eu tenho empregado estas: moral é o conjunto de deveres derivados da necessidade de
respeitar as pessoas, nos seus direitos e na sua dignidade. Logo, […] a pergunta que a
resume é: “Como devo agir?”. Ética é a reflexão sobre a felicidade e sua busca, a
procura de viver uma vida significativa, uma “boa vida”. Assim definida, a pergunta
que a resume é: “Que vida quero viver?”. É importante atentar para o fato de essa
pergunta implicar outra: “Quem eu quero ser?”. Do ponto de vista psicológico, moral
e ética, assim definidas, são complementares.”

Entrevista com o Profº. e psicólogo da USP Yves de La Taille, psicólogo especializado


em desenvolvimento moral. Disponível em: aprendebrasil.com.br (com adaptações).

Conforme a leitura do texto acima e o conteúdo sobre moral e ética estudado na


Apostilas 2, é correto afirmar:

a) Quando tomamos decisões devemos refletir sobre nossas atitudes, portanto, fazemos
escolhas morais.

b) Se ética é uma reflexão sobre a felicidade, então é correto afirmar que ética é uma
disciplina filosófica que estuda as diversas morais.

c) Ética e moral são os termos que a filosofia utiliza para se referir ao modo como as
pessoas deveriam agir.

d) A distinção entre a definição de ética e moral é problemática já que não há consenso


sobre o tema.

PARTE 02

1 – Questão de vestibular sobre ética e moral – ENEM 2011 – O brasileiro tem noção
clara dos comportamentos éticos e morais adequados, mas vive sob o espectro da
corrupção, revela pesquisa. Se o país fosse resultado dos padrões morais que as pessoas
dizem aprovar, pareceria mais com a Escandinávia do que com Bruzundanga
(corrompida nação fictícia de Lima Barreto).
O distanciamento entre “reconhecer” e “cumprir” efetivamente o que é moral constitui
uma ambiguidade inerente ao humano, porque as normas morais são:

a) decorrentes da vontade divina e, por esse motivo, utópicas.

b) parâmetros idealizados, cujo cumprimento é destituído de obrigação.


c) amplas e vão além da capacidade de o indivíduo conseguir cumpri-las integralmente.

d) criadas pelo homem, que concede a si mesmo a lei à qual deve se submeter.

e) cumpridas por aqueles que se dedicam inteiramente a observar as normas jurídicas.

2 – Questão de vestibular sobre ética e moral – UPE 2014 – O que é ética? O que é
moral? No encaminhamento dessas questões, precisamos voltar ao sentido originário da
ética e da moralidade. Todas as morais, por mais diversas, nascem de um transfundo
comum, que é a ética. Ética somente existe no singular, pois pertence à natureza
humana, presente em cada pessoa, enquanto a moral está sempre no plural, porque são
as distintas formas de expressão cultural da ética. (BOFF, Leonardo, Ethos Mundial,
2003, p. 27-28. Adaptado.)
Acerca desse assunto, analise os itens seguintes:

I – A ética se constitui como ciência da moral. A ética é teoria, parte do fato da


existência da história da moral.

II – A esfera da ética é o campo de investigação da moral, área da filosofia que


fundamenta as questões dos valores.

III – A moral é a área da filosofia que procura investigar todos os problemas


apresentados pelo agir humano, relacionados com os valores éticos.

IV – Um dos grandes problemas da ética diz respeito à polêmica entre o relativismo


moral e ética objetiva. Ou seja, os que defendem que os valores éticos são objetivos e
universais e os que enfatizam que toda moral é relativa à determinada cultura.

V – A filosofia moral, mesmo sendo uma só em princípio, constituída de preceitos


concretos, que orientam o comportamento humano e lhe dão forma, há de mudar
conforme vai mudando o material histórico.

Estão CORRETOS:

a) I, II e V

b) II, III e V

c) I, IV e V

d) II, III e IV

e) I, III e V
3 – Questão de vestibular sobre ética e moral – UNICAMP 2016 – Por que a ética
voltou a ser um dos temas mais trabalhados do pensamento filosófico contemporâneo?
Nos anos 1960, a política ocupava esse lugar e muitos cometeram o exagero de afirmar
que tudo era político. (José Arthur Gianotti, “Moralidade Pública e Moralidade
Privada”, em Adauto Novaes, Ética. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p. 239.)
A partir desse fragmento sobre a ética e o pensamento filosófico, é correto afirmar que:

a) o tema foi relevante na obra de Aristóteles e apenas recentemente voltou a ocupar um


espaço central na produção filosófica

b) os impasses morais e éticos das sociedades contemporâneas reposicionaram o tema


da ética como um dos campos mais relevantes para a filosofia

c) o pensamento filosófico abandonou sua postura política após o desencanto com os


sistemas ideológicos que eram vigentes nos anos 1960

d) na atualidade, a ética é uma pauta conservadora, pois nas sociedades atuais, não há
demandas éticas rígidas

4 – Questão de vestibular sobre ética e moral – UNISC 2012 – Apresentados os


enunciados abaixo, qual deles melhor caracteriza o tema da ética filosófica?
a) a ética filosófica estuda a maneira como as pessoas agem dentro de uma determinada
sociedade

b) a ética filosófica consiste em um conjunto de normas relativas à vida sexual das


pessoas

c) a ética filosófica é o estudo das normas que regem o exercício de uma determinada
profissão

d) a ética filosófica é um discurso racional e argumentativo cujo objetivo é fundamentar


critérios para avaliar as ações humanas, seja para louvá-las ou para censurá-las

e) a ética filosófica consiste na explicação das normas de comportamento que se


encontram na bíblia

5- Questão de vestibular sobre ética e moral – UPE 2015 – Sobre a ética e a política,
considere o texto a seguir: “A verdade é filha legítima da justiça, porque a justiça dá a
cada um o que é seu. E isto é o que faz e o que diz a verdade, ao contrário da mentira. A
mentira, ou vos tira o que tendes, ou vos dá o que não tendes; ou vos rouba, ou vos
condena.” (Pe. Antônio Vieira, Sermão da Quinta dominga de Quaresma)
Sobre esse assunto, é CORRETO afirmar que:

a) a vida moral e a vida do poder prescindem de virtudes para sua condução


b) a ética na esfera pública deve ilegitimar a verdade para a garantia na esfera privada
de uma vida virtuosa

c) a moralidade pública e a moralidade privada são categorias basilares para o


encaminhamento da justiça no âmbito do poder

d) a justiça dá a cada um o que é seu. Então, a verdade, sendo filha da justiça, dela tira o
que tem e lhe dá o que não tem

e) a dimensão autêntica da vida moral se resume a um ato de justiça e de verdade,


deixando à margem a continuidade do agir moral

Questão 1

Indique as alternativas corretas (C) e incorretas (I):


a) A palavra moralidade vem do latim “mos” ou “moris” e significa “costumes”.
b) As palavras “ética” e “moralidade” são sinônimas e correspondem à mesma ideia.
c) As normas morais não variam a depender da cultura e do período histórico.
d) A palavra “ética” vem do grego éthikos e significa modos de ser.
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Questão 2

“As normas morais variam a depender da cultura e do período histórico. Também


podem ser questionadas e destituídas”. Isso significa que:
a) Nós não podemos pensar sobre as normas morais que são impostas;
b) Nós temos que concordar com as normas morais porque são as normas da nossa
cultura;
c) A moral é um conjunto de valores pelos quais as pessoas guiam seus comportamentos
e, por isso, está sujeita a mudanças a depender do país e do momento histórico em que
as pessoas estão inseridas.
d) Não agimos de forma “moral” se obedecermos às regras que a sociedade estabelece.
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Questão 3

Como podemos diferenciar “moral” e “ética”?


a) Não podemos diferenciar, são palavras sinônimas.
b) Moral é um conjunto de valores, e Ética é a reflexão sobre esses valores.
c) Moral é a prática da Ética no nosso dia a dia.
d) Moral é sinônimo de “ética aplicada”.
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Questão 4

Leia o fragmento abaixo:


“Os homens não são maus, mas submissos aos seus interesses... Portanto, não é da
maldade dos homens que é preciso se queixar, mas da ignorância dos legisladores que
sempre colocam o interesse particular em oposição ao geral. […] Até hoje, as mais
belas máximas morais não conseguem traduzir nenhuma mudança nos costumes das
nações. Qual é a causa? É que os vícios de um povo estão, se ouso falar, escondidos no
fundo de sua legislação.” Helvetius
Quais são as ideias principais contidas no fragmento acima?
a) Não há nenhuma relação entre as leis e os costumes, pois sãos os homens que fazem
as leis que os beneficiam.
b) Para limitar os interesses humanos particulares, é preciso haver leis que prefiram os
interesses gerais.
c) Os homens buscam seus interesses e isso não significa que eles sejam maus;
d) Há uma relação entre as leis e os costumes, pois as leis permitem ou impedem que os
homens cometam erros.
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Questão 5

Leia os dois fragmentos abaixo:


“... Por outras palavras, não há determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade.
[…] Não encontramos diante de nós valores ou imposições que nos legitimem o
comportamento. Assim, não temos nem atrás de nós nem diante de nós, no domínio
luminoso dos valores, justificações ou desculpas. Estamos sós e sem desculpas. É o que
traduzirei dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado porque não
criou a si próprio; e, no entanto, livre porque, uma vez lançado ao mundo, é
responsável por tudo o que fizer.” Jean-Paul Sartre
“Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem
como circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam
diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”. Karl Marx
a) Enquanto Sartre defende que há determinismo, Marx defende que o homem é livre
independente das circunstâncias.
b) Sartre defende que não há determinismo e Marx estabelece um meio termo entre o
determinismo e a total liberdade do homem;
c) Quando Sartre afirma “o homem está condenado a ser livre”, diz o mesmo que Marx
quando defende que “os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como
querem”.
d) Sartre diz que o homem está limitado pela sua própria existência, enquanto Marx
afirma que o homem está limitado pelas condições históricas.
Ética
A diferença entre moral e ética e as relações entre ética, liberdade e
responsabilidade pautam uma extensa discussão filosófica.

O que é ética? Qual é a diferença entre ética e moralidade?

Nós, humanos, não vivemos sozinhos. Há uma infinidade de relações


que estabelecemos o tempo todo – com a nossa família, com os nossos
vizinhos, com os nossos amigos, com colegas de escola e trabalho, entre
outras. Todos nós somos singulares: temos vontades, pensamentos e
modos de expressão diferentes. Foi para possibilitar a vida em comum,
ou seja, a vida ao lado das outras pessoas, e para garantir que todas
elas possam agir que, ao longo dos anos, apareceu a noção de ética.
Nas conversas diárias, muitas vezes falamos de “ética” e “moral” como
se fossem palavras sinônimas. Embora tenham, originalmente, um
sentido parecido, é possível diferenciá-las. A palavra “moralidade” vem
do latim mos, mor- e significa costumes. Nós vivemos em uma sociedade
que tem normas estabelecidas do que é certo e do que é errado.
Temos, por exemplo, a norma moral de respeitar a propriedade privada:
se a respeitamos, estamos agindo de forma “moral”; se não a
respeitamos, ou seja, se roubamos ou depredamos a casa de uma
pessoa, estamos agindo de forma “imoral”. Da mesma forma, se
determinada cultura considera que as pessoas devem vestir-se de algum
modo, a pessoa que se veste de acordo está agindo de forma “moral”; se
não, está agindo de forma “imoral”. Assim, podemos entender que a
moral é um conjunto de normas ou valores por meio do qual as pessoas
guiam seu comportamento. Segundo esses valores, suas ações são
julgadas.

As normas morais variam, a depender da cultura e do período histórico, e


também podem ser questionadas e destituídas. Por muitos anos, no
Brasil, por exemplo, as mulheres não puderam votar. Enquanto elas
obedeciam silenciosamente, respeitavam a moral da época. À medida
que as mulheres questionaram a moral, isto é, os motivos pelos quais
elas não podiam exercer o direito ao voto, elas promoveram um debate
“ético”. Atualmente, as mulheres não apenas podem votar, como também
exercer cargos políticos, ou seja, houve uma mudança de concepção de
moralidade.

A palavra “ética” vem do grego éthikos e significa modos de ser. A ética


pode ser entendida como a reflexão sobre o comportamento moral. Se
existir um país onde usar guarda-chuva seja considerado imoral,
compete à ética pensar sobre a origem dessa norma e quais os pontos
negativos de não usar guarda-chuva, por exemplo. A ética, portanto,
analisa os fatos morais a partir das noções de bem e mal, de justo e de
injusto. Ela não diz a forma como as pessoas devem comportar-se, e sim
pretende elaborar princípios de vida para orientar as ações humanas.

Ética, liberdade e responsabilidade

A palavra responsabilidade, em seu sentido original, deriva do verbo


latino respondere, responder. Quando falamos que alguém é responsável
ou tem responsabilidade sobre alguma coisa, significa que essa pessoa
tem condições de pensar sobre seus atos.
Quando uma pessoa tem condições de pensar sobre seus atos, tanto os
do passado quanto os do presente, ela pode escolher a forma como agir
no futuro. Sobre isso dizemos que a pessoa tem liberdade. Mas os
filósofos não chegam a um consenso a respeito da liberdade humana.

Dentro da discussão filosófica, há pensadores que discutem a liberdade


humana em relação à presciência divina, como Boécio; há pensadores
que discutem a liberdade humana em relação às determinações biológica
e histórica, como Helvetius; há os que discutem a liberdade humana
acima das determinações, como Sartre; e aqueles que analisam a
relação entre a liberdade e o determinismo a partir do entendimento do
ser humano como livre e determinado ao mesmo tempo, como Espinosa.
Liberdade e Determinismo
Para Helvetius e outros deterministas, a liberdade seria uma espécie
de ilusão, pois há um aspecto biológico do qual não se pode escapar e,
sobretudo, um aspecto jurídico. Veja o que ele diz:
“Os homens não são maus, mas submissos aos seus interesses...
Portanto, não é da maldade dos homens que é preciso se queixar, mas
da ignorância dos legisladores que sempre colocam o interesse particular
em oposição ao geral. […] Até hoje, as mais belas máximas morais não
conseguem traduzir nenhuma mudança nos costumes das nações. Qual
é a causa? É que os vícios de um povo estão, se ouso falar, escondidos
no fundo de sua legislação.”*
Vamos analisar o que ele diz:

1) Ele diz que os homens buscam seus interesses, mas isso não significa
que eles sejam maus;
2) Para limitar os interesses humanos particulares, ou seja, aqueles que
beneficiam apenas um grupo pequeno ou muito restrito, é preciso haver
leis que prefiram os interesses gerais.
3) Se isso não acontece, não haverá uma mudança nos costumes, pois
as leis continuarão a permitir que os erros aconteçam.
Helvetius fala de “vício”, que também é uma noção importante para o
estudo da ética. A noção de vício opõe-se à noção de virtude, que
deriva do latim virtus (força ou qualidade essencial). Quando falamos de
virtude ética, falamos de uma qualidade essencial: a prática constante do
bem. O bem, nesse sentido, pode ser entendido como ter
responsabilidade pelas ações livres. Quando a liberdade é usada pelo
homem sem essa responsabilidade moral, falamos em vício.
Assim, se a fidelidade é uma virtude, a infidelidade é um vício. Sobre
esse vício, especificamente, Helvetius salienta:

“Na Nova Orleans, as princesas podem, quando elas se cansam de seus


maridos, repudiá-los para se casarem com outros. Neste lugar, não
encontramos mulheres falsas, porque elas não têm nenhum interesse em
ser falsas”.*
Para Helvetius, em vez de falarmos de virtude ou vício da pessoa
individualmente, deveríamos falar sobre a virtude ou vício da legislação.

O ser humano é sempre livre


Os pensadores que defendem que o ser humano é sempre livre sabem
que existem determinações externas e internas, fatores sociais e
subjetivos, mas a liberdade de decidir sobre suas escolhas é superior à
força dessas determinações. Um exemplo que poderia ser dado para
entendermos essa noção seria a de dois irmãos que têm a mesma
origem social, mas um se torna criminoso e o outro não.
Vejamos o que o filósofo francês Jean-Paul Sartre disse sobre isso:
“... Por outras palavras, não há determinismo, o homem é livre, o homem
é liberdade. […] Não encontramos diante de nós valores ou imposições
que nos legitimem o comportamento. Assim, não temos nem atrás de nós
nem diante de nós, no domínio luminoso dos valores, justificações ou
desculpas. Estamos sós e sem desculpas.
É o que traduzirei dizendo que o homem está condenado a ser livre.
Condenado porque não criou a si próprio; e, no entanto, livre porque,
uma vez lançado ao mundo, é responsável por tudo o que fizer.”**
Analisando o que Sartre escreveu, entendemos que, para ele:

1) Não há determinismo, logo o homem é livre para decidir.


2) Se é livre para decidir, não há desculpas ou justificativas para as
ações do homem. Ele só age de tal modo quando quer agir assim.
3) Por ser livre, o homem é responsável por tudo o que faz.
O ser humano é livre e determinado ao mesmo tempo
Entre os pensadores que defendem a relação entre liberdade e
determinismo, estão o holandês Espinosa e os alemães Marx e
Engels. Segundo eles, não há uma exclusão entre as ideias de liberdade
e de determinismo. Se há fatores objetivos que limitam a liberdade
humana, como as leis, as normais, a situação social, é possível que, pela
ação, esses limites sejam expandidos. Para isso, precisamos conhecer
os determinismos e, quanto maior for o nosso conhecimento a respeito
deles, maior será o nosso poder de ação sobre eles.
Vejamos o que o filósofo Karl Marx disse sobre isso:
“Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem;
não a fazem como circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com
que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.”***
Para concluir
Até aqui vimos o seguinte:

1) As normas morais variam a depender da cultura e do período histórico.


2) Temos responsabilidade pelas nossas ações.
3) Para alguns filósofos, temos a liberdade de agir.
Nós, desde a infância, aprendemos diversos valores morais que
dependem do nosso contexto sociopolítico. A partir desses valores,
criamos uma noção do que é uma ação moralmente
correta ou moralmente incorreta. Ao passo que refletimos sobre a
nossa realidade e percebemos que somos afetados por ela, podemos
reafirmar os valores que aprendemos ou contestá-los. Assim, nós
podemos também transformar a percepção dos valores e ter a
legitimação dessa nova percepção de toda a sociedade. Não nos faltam
exemplos no decorrer da história: a abolição da escravatura, por
exemplo, fez com que a sociedade passasse a ver as pessoas negras
como pessoas com igualdade de direitos e que, portanto, não podiam
constituir-se como propriedade privada de outra pessoa.
*MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A sagrada família: ou a crítica da
Crítica contra Bruno Bauer e consortes. Trad. Marcelo Backes. São
Paulo: Boitempo, 2003, p. 130
** SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. São Paulo:
Abril Cultural, 1978, p. 09
*** MARX, Karl; O 18 Brumário de Luís Bonaparte, p. 329