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CENTRO UNIVERSITÁRIO SANTO AGOSTINHO – UNIFSA

CURSO: ENGENHARIA CIVIL TURMA: 23T8A


DISCIPLINA: FUNDAÇÃO
PROFESSORA:

BLOCOS SOBRE ESTACAS

TERESINA/PI
2019
INTRODUÇÃO

A definição do tipo de fundação para uma construção é baseada nos


estudos técnicos e econômicos da obra. Para escolher a melhor alternativa, o
projetista deve levar em conta aspectos técnicos e econômicos do caso em
questão, avaliando o tipo de solo e seus parâmetros, as ações incidentes e os
tipos de fundações disponíveis no mercado local.
As fundações em estacas são adotadas quando o solo em suas
camadas superficiais não é capaz de suportar ações originadas na
superestrutura, sendo necessário, portanto, buscar resistência em camadas
profundas. Quando for necessária a utilização de fundação em estacas, faz-se
necessário a construção de outro elemento estrutural, o bloco de coroamento,
também denominado bloco sobre estacas. Para os casos de fundações
utilizando tubulões também há a necessidade de blocos de coroamento para a
transferência das ações.
Os blocos sobre estacas são elementos com um sistema de
funcionamento complexo, pelo fato de todas as suas dimensões possuírem a
mesma ordem de grandeza e devido ao seu comportamento mecânico. O
conhecimento do real comportamento dos blocos é de extrema importância,
tendo em vista que geralmente não é possível a inspeção visual dos blocos em
serviço.
Apesar da relevância dos blocos sobre estacas para a segurança da
estrutura, os métodos utilizados em projetos para o dimensionamento e
verificação destes elementos são simplificados. Além disso, encontramos
divergências nas normas e métodos de cálculo em relação às classificações
dos blocos e parâmetros adotados para dimensionamento.
A norma brasileira NBR 6118:2003 classifica os blocos sobre estacas
em rígidos e flexíveis, aceitando para cálculo dos blocos rígidos modelos
tridimensionais, lineares ou não, e modelos de bielas e tirantes tridimensionais,
tendo esses últimos a preferência por definir melhor a distribuição de forças
nos tirantes. Porém, não é apresentado no texto da NBR 6118:2003
prescrições para o dimensionamento e verificação dos blocos sobre estacas.
Desenvolvimento

Os blocos são estruturas de volume que têm a função de distribuir as


cargas dos pilares a elementos de fundações profundas, tais como estacas e
tubulões.
Em geral, o dimensionamento dos blocos é similar ao das sapatas,
diferenciando-se dessas pelo fato de se ter cargas concentradas no bloco
devido à reação das estacas.
O comportamento estrutural e o dimensionamento dependem da
classificação do bloco quanto à rigidez, utilizando-se os mesmos critérios das
sapatas. Portanto, quanto à rigidez, os blocos são classificados como flexíveis
ou rígidos.
As dimensões em planta dos blocos sobre estacas dependem, quase
sempre, apenas da disposição das estacas, adotando-se, em geral, o menor
espaçamento possível entre elas. Esse espaçamento é adotado igual a 2,5
vezes o seu diâmetro no caso de estacas pré-moldadas e 3,0 vezes o diâmetro
se as estacas forem moldadas "in loco". Em ambos os casos, esse valor não
pode ser inferior a 60 cm. Deve-se ainda respeitar uma distância livre mínima
entre as faces das estacas e as extremidades do bloco.
Obedecendo essas recomendações, as dimensões dos blocos são
minimizadas resultando na maioria das vezes em blocos rígidos. Entretanto,
por razões diversas, o espaçamento entre as estacas pode ser aumentado,
resultando em um bloco flexível.

Neste texto, aborda-se o projeto estrutural dos blocos rígidos, por


serem mais utilizados que os flexíveis. Para estes últimos, o método de cálculo
é similar ao visto para as sapatas flexíveis, ou seja, utiliza-se o método clássico
da flexão (balanços). Para os blocos rígidos, o método mais apropriado baseia-
se nos modelos de biela e tirante.
O modelo de bielas e tirantes pode ser adotado considerando o fluxo
de tensões na estrutura, utilizando o processo do caminho das cargas. Essas
tensões podem ser obtidas por meio de uma análise elástica linear, utilizando
métodos numéricos, como por exemplo, o método dos elementos finitos. O
modelo de bielas e tirantes pode ser definido como o comportamento estrutural
dos blocos sobre estacas, sendo que o bloco rígido sobre estacas é uma região
de descontinuidade generalizada, conhecida como “região D”. As geometrias
das regiões nodais e das escoras comprimidas são diferentes das
apresentadas por Blévot. As verificações das escoras comprimidas, assim
como das regiões nodais, podem ser feitas através das considerações
apresentadas em normas como o Eurocode e a norma espanhola EHE, entre
outras.

2. METODO DAS BIELAS E TIRANTES – APLICAÇÃO AOS BLOCOS


RÍGIDOS.

Um bloco é considerado rígido se a sua altura se enquadrar nas seguintes


inequações:
Nos blocos rígidos, não se aplica diretamente a teoria de flexão,
devendo-se recorrer a outras formas para se calcular a armadura principal de
tração. A NBR 6118 (2003) sugere a utilização de modelos de biela e tirante,
pelo fato destes definirem melhor a distribuição dos esforços pelos tirantes.
No método das bielas e tirantes, admite-se, no interior do bloco, uma treliça
espacial constituída de:
• barras tracionadas, denominadas de tirantes, situadas no plano médio das
armaduras. Este plano é horizontal e se localiza logo acima do plano de
arrasamento das estacas;
• barras comprimidas e inclinadas, designadas como bielas. Estas têm suas
extremidades de um lado na intersecção com as estacas do outro na
interseção com o pilar.
O esquema geral do modelo de cálculo empregado no método das
bielas e tirantes está indicado na figura 2. A força normal do pilar é transmitida
às estacas pelas bielas de compressão. O equilíbrio no topo das estacas é
garantido pela armadura principal de tração. O método das bielas também
pode ser empregado para blocos submetidos a carregamentos não centrados,
desde que se admita que se trabalhe, nas formulações de equilíbrio de forças,
com a estaca mais carregada.

Ângulo de inclinação das bielas

Além de permitir a ancoragem das barras longitudinais dos pilares, o


bloco deve ter altura suficiente para permitir a transmissão direta da carga,
desde a base do pilar (no topo do bloco) até o topo das estacas, por meio das
bielas comprimidas. Para que isso aconteça de modo eficiente, a inclinação da
biela mais abatida (menos inclinada) não deve ser inferior à 40° (ou 45°). Além
disso, ensaios experimentais indicam que o método das bielas fornece
resultados à favor da segurança para inclinações de biela entre 40 e 55 graus
em relação à horizontal.
Portanto, recomenda-se limitar o ângulo de inclinação das bielas em:

Vale notar que o ângulo de inclinação da biela depende exclusivamente da


geometria do bloco.
Assim, as dimensões envolvidas são:
• a distância na horizontal do eixo da estaca ao ponto de aplicação da força
normal do pilar;
• a altura útil da armadura principal.

Por fim, a área da armadura principal de tração é calculada por:

Verificação das tensões de compressão atuantes na biela para evitar


o esmagamento da biela diagonal, deve-se limitar as tensões de compressão
atuantes na mesma. Junto ao pilar:
Método CEB-70

Os blocos rígidos de até 6 estacas tem seu dimensionamento estrutural


realizado pelo métodos das Bielas, no entanto, blocos com mais de 6 estacas,
por ter função de mais complexidade, é utilizado para seu dimensionamento
estrutual, por ser mais comum nesses caso é utlizado como dimensionamento
estrutural o método CEB-70 em que o mesmo indica também a verificação de
segurança para as tensões normais e tangenciais, devendo sempre atender
alguns critérios:

Para os blocos flexíveis, independentemente dos números de estacas,


considerando o bloco uma laje, sempre respeitando os limites normativos para
sua resistência ao cisalhamento, em função da inexistência de armaduras para
esse tipo de esforço.

Para o dimensionamento dos blocos de coroamento dependem, quase sempre,


apenas da disposição das estacas, adotando-se, em geral para estacas pré-
moldadas 2.5 vezes o seu diâmetro, para estacas moldadas “in loco” 3 vezes o
seu diâmetro.
Conclusão
Os blocos são estruturas de concreto armado usados principalmente
para a transferência das ações provenientes da superestrutura. São
comumente encontrados em infraestrutura de obras como pontes e edifícios e
o conhecimento do seu comportamento real é de importância fundamental, pois
sua inspeção visual, após a construção é de grande dificuldade.
Em virtude dos fatos mencionados demonstra quanto os Blocos de
Coroamento têm importância fundamental na estrutura de fundações das
edificações. Pois permite reparos nas estruturas em casos de recalques
evitando colapso de estruturas e possibilitando uma maior rigidez e segurança
em toda sua infraestrutura.
É imprescindível compreender que para a correta classificação dos
blocos em função da sua rigidez, o que deve ser verificada é a inclinação da
biela de compressão da estaca mais afastada, em direção ao centro ao centro
geométrico do respectivo bloco.
1. Quais os critérios devem ser levados para a utilização nos blocos de
coroamento?

Tipo de fundação executada, excentricidade da superestrutura e infraestrutura,


distribuição das cargas entra as estacas.

2. Qual a finalidade do bloco de coroamento?

Distribuir as cargas sobre as estacas, corrigir a excentricidade entra a


superestrutura e infraestrutura, dando uma maior rigidez e segurança para a
estrutura.

3. Quais os tipos de estacas utilizadas no bloco de coroamento?

Pré-moldadas, Franki, Strauss, Raiz.

4. No Brasil utilizam-se principalmente dois métodos de cálculo para


dimensionamento de bloco de coroamento sobre estacas:

a) Método das bielas e CEB-70

b) Método das treliças e MEF

c) Método do cisalhamento e das Bielas

d) Método da sapata e Compressão

5. De acordo com a NBR 6118:2014 blocos são estruturas de volume


usadas para transmitir às estacas e aos tubulões as cargas de fundação.
Esses blocos são classificados em dois tipos:

a) Rígidos e Moles

b) Flexíveis e dobráveis

c) Rígidos e Flexíveis
d) Rígidos e Maleáveis

REFERÊNCIAS

ALONSO, U. R. (1983). Exercícios de Fundações. Editora Edgard Blücher Ltda.


ANDRADE, J.R.L. (1989). Dimensionamento Estrutural de Elementos de
Fundação. São Carlos, EESC-USP. (Notas de aula)
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2003). NBR 6118 –
Projeto de Estruturas de Concreto, Rio de Janeiro.
FUSCO, P.B. (1995). Técnica de Armar as Estruturas de Concreto. Editora Pini,
São Paulo.
GIONGO, J.S.; VANDERLEI, R.D. (2000). Projeto Estrutural de Blocos sobre
Estacas. São Carlos, EESC-USP. (Programa de Aperfeiçoamento de Ensino –
PAE)
MIGUEL, M. G. (2000). Análises Experimental e Numérica de Blocos sobre 3
estacas. São Carlos. 211p. Tese (Doutorado) – Escola de Engenharia de São
Carlos, Universidade de São Paulo.
SILVA, T.J. (2003). Estruturas de Concreto Armado: Blocos sobre estacas.
Uberlândia – FECIV-UFU (Notas de aula).