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Queimadas na agricultura
José Adauto Olimpio1

RESUMO
O presente artigo tem por objetivo levantar as causas e consequências das queimadas na
agricultura brasileira. Para tanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica e selecionados os
autores que melhor tratam do assunto, visando dar um embasamento teórico ao tema. O
estudo permitiu que se tirassem algumas indicações conclusivas a respeito do estudo, quais
sejam: com o aumento de emissões de gases do efeito estufa, a temperatura no planeta tem
aumentado paulatinamente; as derrubadas, seguidas das queimadas, causam prejuízos
irreparáveis à biodiversidade, ao ciclo hidrológico e ao ciclo do carbono; o impacto das
queimadas ameaça de extinção espécies de animais e de plantas e causa a erosão do solo; a
fumaça e os gases liberados pelas queimadas concentram-se na atmosfera e tornam o clima
mais seco, as temperaturas mais altas e o ar irrespirável; as principais causas dos incêndios
florestais no Brasil são a queima para limpeza do terreno, a queima criminosa ou provocada
por incendiários, os fogos de recreação ou acidentais, o descarte de pontas de cigarro acesas
jogadas nas margens das estradas e no próprio campo, as fagulhas expelidas pelas
locomotivas a lenha ao longo das ferrovias, queimas naturais ou provocadas por raios e
queima de vegetação derrubada para implantação de roças, sem o cuidado de construção de
aceiros adequados; a fragmentação florestal, o isolamento de populações e o aumento das
áreas desmatadas estão, gradualmente, extinguindo espécies de plantas e animais, alterando a
estrutura genética das populações e reduzindo a diversidade genética das espécies.

Palavras-chave: Queimadas. Incêndios florestais. Impactos ambientais. Queima controlada.

ABSTRACT
This article aims to raise the causes and consequences of fires in Brazilian agriculture.
Therefore, a literature search was performed and selected the best authors that deal with the
subject, aiming to provide a theoretical foundation to the subject. The study allowed if they
took some conclusive statements about the study, namely: with increasing emissions of
greenhouse gases, the temperature of the planet has increased steadily; tipped, followed by
fire, cause irreparable damage to biodiversity, the water cycle and the carbon cycle, the impact
of fires threatened extinction of animals and plants and cause soil erosion; fumes and gases
released by burning concentrated in the atmosphere and make the climate drier, temperatures
higher and the air unbreathable, the main causes of forest fires in Brazil are burning for land
clearing, criminal or burning caused by arson, recreational fires or accidental, discarding
lighted cigarette butts thrown by the roadside and the field itself, the sparks spewed by
locomotives burning along the railroads, natural or caused by lightning burns and felled
vegetation burning fields for deploying without careful construction of appropriate firebreaks,
forest fragmentation, isolation of populations and increase in deforested areas are gradually
dying out species of plants and animals, altering the genetic structure of populations and
reducing the genetic diversity of the species.

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Eng°. Agr°., Economista, MSc. em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Servidor do EMATER-PI.
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Keywords: Burned. Wildfires. Environmental impacts. Controlled burning.

1 INTRODUÇÃO
As florestas tropicais do mundo estão sendo dizimadas a uma velocidade
impressionante. Todo ano, quatro a cinco milhões de hectares de floresta são completamente
destruídos. Isso significa que, a cada minuto, 12 a 20 hectares de florestas desaparecem do
mundo diariamente. Além disso, uma espécie animal é extinta a cada meia hora.
Hoje, 40% das florestas do planeta já desapareceram e as que ainda restam estão sendo
destruídas a um ritmo acelerado que muitos países já perderam quase totalmente suas
florestas.
As queimadas praticadas para retirar a cobertura vegetal original para o
desenvolvimento agrícola e pecuária provocam uma grande perda de seres vivos da fauna e da
flora, promovendo um profundo desequilíbrio ambiental, às vezes em níveis sem precedentes.
O Brasil é o líder entre os países da América Latina em focos de queimadas, que se
concentram nas regiões Centro-Oeste, Norte e em algumas partes da região Nordeste.
Os impactos negativos causados em todo o planeta envolvem mudanças climáticas,
aumento do aquecimento global, prejuízos à biodiversidade e à dinâmica dos ecossistemas,
bem como a diversos tipos de agricultura.
Desde os primórdios, o homem emprega o fogo objetivando a limpeza do terreno e o
seu manejo para a pecuária e a agricultura. É fato que o uso do fogo é uma prática comum no
meio rural, por ser uma técnica eficiente sob o ponto de vista dos produtores. Os agricultores
utilizam a queima por considerá-la um meio prático para diversas finalidades, como limpeza
do terreno para eliminar restos de cultura; aumento da disponibilidade de nutrientes no solo e,
conseqüentemente, da sua capacidade produtiva; redução da incidência de pragas, de doenças,
de gastos com mão-de-obra para limpeza do terreno; redução dos custos de produção; entre
outras. O uso do fogo é disciplinado pela Portaria/IBAMA n. 231/88, de 08/08/1988, que
regulamenta o Código Florestal Brasileiro.
Os pequenos produtores brasileiros praticam a agricultura de derruba e queima porque
é a sua tradição e porque não têm acesso a outras alternativas.
As queimadas destroem em poucas horas o que a natureza levou dezenas de anos para
construir.
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Segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), durante o período


de junho a novembro, grande parte do País é acometido por queimadas, que se estendem
praticamente por todas as regiões, com maior ou menor intensidade. O fogo é normalmente
empregado para fins diversos na agropecuária, na renovação de áreas de pastagem, na
remoção de material acumulado, no preparo do corte manual em plantações de cana-de-açúcar
etc. Trata-se de uma alternativa geralmente eficiente, rápida e de custo relativamente baixo
quando comparada a outras técnicas que podem ser utilizadas para o mesmo fim. Os Estados
que, tradicionalmente, apresentam maior número de focos de calor são Mato Grosso e Pará.
A utilização do fogo como elemento de manejo das áreas de savanas e campos naturais
constitui uma realidade e prática bastante comum em muitas regiões tropicais e subtropicais,
especialmente naquelas caracterizadas por estação seca pronunciada.
No Brasil, o fogo está presente na atividade agropecuária, destacando-se sua utilização
na região dos Cerrados e na Amazônia, com o objetivo de promover a renovação ou
recuperação das pastagens. A utilização desta prática como alternativa de manejo das savanas
justifica-se pelo controle de plantas invasoras e maior oferta de forragem fresca e palatável
para o gado, obtida através da emissão de brotações, proporcionada pela remoção da macega.
O uso do fogo na agricultura é condenado há mais de um século pelos manuais de
conservação do solo e edafologia, pelas consequências negativas por ele provocadas na
produtividade da terra.
O uso do fogo na agricultura é altamente pernicioso à terra, pois provoca a
desertificação (como ocorreu no nordeste brasileiro), pelas alterações climáticas, como
conseqüência da destruição da cobertura florestal nativa e pela falta de proteção para as
nascentes e mananciais, ocasionando uma alteração irreversível no ciclo das chuvas. No solo,
o fogo altera as suas composições químicas, físicas e biológicas, prejudicando a ciclagem dos
nutrientes e causando a sua volatilização.
O fogo é uma tecnologia do Neolítico, amplamente utilizada na agricultura brasileira,
apesar dos inconvenientes agronômicos, ecológicos e de saúde pública. As queimadas
ocorrem em todo território nacional, desde formas de agricultura primitivas, como as
praticadas por indígenas e caboclos, até os sistemas de produção altamente intensificados,
como a cana de açúcar e o algodão. Elas são utilizadas em limpeza de áreas, colheita da cana
de açúcar, renovação de pastagens, queima de resíduos, para eliminar pragas e doenças, como
técnica de caça etc. Existem muitos tipos de queimadas, movidas por interesses distintos, em
sistemas de produção e geografias diferentes.
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O fogo afeta diretamente a físico-química e a biologia dos solos, deteriora a qualidade


do ar, levando até ao fechamento de aeroportos por falta de visibilidade, reduz a
biodiversidade e prejudica a saúde humana.
As queimadas alteram a química da atmosfera e influem negativamente nas mudanças
globais, tanto no efeito estufa como na camada de ozônio.
As queimadas provocam um uso maior de agrotóxicos e herbicidas, para o controle de
pragas e de plantas invasoras, sendo que esta prática agrava ainda mais a questão ambiental,
afetando os microorganismos do solo e contaminando o lençol freático e os mananciais. As
queimadas causam a liberação de ozônio para a atmosfera (segundo foi comprovado pelo
INPE de São José dos Campos e UNESP de Jaboticabal), de grandes concentrações de
monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO2), que afetam a saúde dos seres vivos,
reduzindo também as atividades fotossintéticas dos vegetais, prejudicando a produtividade de
diversas culturas. As queimadas liberam grandes quantidades de gases que contribuem para a
destruição da camada de ozônio na estratosfera e, assim, possibilitam que raios ultravioletas
atinjam em maior quantidade a Terra e causem efeitos cancerígenos e mutagênicos. Por outro
lado, os gases que ficam concentrados na atmosfera absorvem a energia térmica dos raios
infravermelhos refletidos pela superfície da Terra, contribuindo com o efeito estufa, que gera
uma reação em cadeia negativa para o planeta.
As queimadas eliminam os predadores naturais de algumas pragas, como as vespas,
que são inimigas da broca da cana Diatrea saccharalis (que é a principal praga da cana na
região de Ribeirão Preto-SP), provocando o descontrole desta praga e exigindo, assim, a
utilização cada vez maior de agrotóxicos, provocando maior contaminação ambiental. Na
mesma linha, o fogo não mata as sementes das gramíneas invasoras e estas, por não estarem
cobertas pela palha, germinam rapidamente. Para combater essas plantas invasoras, os
agricultores utilizam herbicidas em grande escala e em quantidade cada vez maior. A
queimada, eliminando a cobertura vegetal do solo, favorece o escorrimento superficial da
água das chuvas, agravando o processo erosivo. Esse fenômeno é explicado pela insuficiência
de cobertura do solo superficial, que sofre forte compactação pelas chuvas e vai ficando
impermeável, dificultando a infiltração da água e a rebrota da vegetação. O solo vai
empobrecendo, pela eliminação da matéria orgânica. A queima altera a umidade do solo, por
causa das mudanças na taxa de infiltração de água, no volume de enxurrada, na taxa de
transpiração, na porosidade e na repelência do solo à água e, conforme suas características, o
solo pode ficar mais impermeável, situação esta que torna o terreno excessivamente duro e
mais sujeito a erosões. Na mesma linha, o fogo não mata as sementes das gramíneas invasoras
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e estas, por não estarem cobertas pela palha, germinam rapidamente. Para combater essas
plantas invasoras, os agricultores utilizam herbicidas em grande escala e em quantidade cada
vez maior, motivo pelo qual a cultura da cana é responsável pelo uso de mais de 50% de todos
os herbicidas utilizados na agricultura brasileira.
Depois das queimadas também se verifica aumento do aquecimento na superfície do
solo, pela maior absorção da radiação solar, fato causado, não só pela perda da cobertura
vegetal, mas também pela cor que fica na terra (do cinza ao preto).
Na história da pecuária nacional, é prática comum, na região dos Cerrados e da
Amazônia Legal, a utilização de queimadas das áreas com pastagens, visando a renovação ou
recuperação da pastagem, a eliminação de plantas daninhas e adição de nutrientes ao solo,
oriundos do material vegetal queimado. À primeira vista, a pastagem rebrotada surge com
mais força e melhor aparência do que a inicialmente existente. Entretanto, ao longo dos anos,
essa prática provoca degradação físico-química e biológica do solo, e traz prejuízos ao meio
ambiente.
A prática da queimada obriga o produtor a reduzir a lotação animal, pela diminuição
da capacidade produtiva das forrageiras, como conseqüência da desnutrição vegetal e das más
condições do solo (especialmente a compactação) para o crescimento das raízes. A forrageira,
neste tipo de exploração, além de apresentar sistema radicular pouco desenvolvido e com
baixas reservas de carboidratos, perfilha pouco e fixa CO2 ineficientemente, prejudicado pelo
reduzido tamanho de sua folha e pela desnutrição.
O inconseqüente uso do fogo para as práticas agropastoris e para a abertura de locais
de habitação humana sempre foi a realidade do Brasil desde seu descobrimento, sendo que até
hoje se fazem sentir os efeitos dessa prática que, aliás, continua vigente.
Com a febre da monocultura da cana, a prática das queimadas passou a ser rotineira.
Depois da queima inicial da vegetação existente para a implantação dos canaviais, ocorriam
as queimas destinadas a despalhar a cana, para facilitar a colheita.
Durante a queimada da palha da cana-de-açúcar a temperatura a 1,5 cm de
profundidade chega a mais de 100º centígrados e atinge 800º centígrados a 15 cm acima da
terra, afetando gravemente a atividade biológica do solo, responsável por sua fertilidade. O
aumento da temperatura do solo provoca a oxidação da matéria orgânica, sendo que houve
constatação na Colômbia de redução em 55% a 95% no teor da matéria orgânica em solos
após as queimadas.
2 CONCEITO
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A queimada é um processo de queima de biomassa que pode ocorrer por razões


naturais ou ser provocada pelo homem. Sua evolução passa pelos estágios de ignição, chamas,
brasas e extinção. A ignição depende do material a ser queimado (biomassa) e de fatores
ambientais como temperatura, umidade relativa do ar e vento. Por ser um processo de baixo
custo, destinado a limpar uma área, é bastante usado por pequenos agricultores, que são os
responsáveis pelo maior número de focos de incêndio. Os agricultores têm como objetivos
para a queimada, além de limpar a área de cultivo, renovar a pastagem ou facilitar a colheita
da cana-de-açúcar. (GASPAR, 2013)
A queimada é uma prática agropastoril ou florestal, onde o fogo é utilizado de forma
controlada, atuando como um fator de produção.
Queimada é uma prática primitiva da agricultura destinada, precipuamente, à limpeza
do terreno para o cultivo de plantações ou formação de pastos, com o uso do fogo de forma
controlada.
3 HISTÓRICO DAS QUEIMADAS
O uso do fogo na agricultura é condenado há mais de um século pelos manuais de
conservação do solo e edafologia, pelas conseqüências negativas por ele provocadas na
produtividade da terra. No entanto, é milenar a utilização da queimada para a retirada de
florestas e campos, visando à implantação de pastagens e lavouras ou mesmo para a
edificação de vilas e cidades, com influência direta na formação de semiáridos e desertos.
No Brasil, desde o inicio da colonização, as queimadas foram utilizadas para a
preparação de áreas para o plantio da cana de açúcar, sendo o fogo ateado para a destruição de
campos e florestas.
Os sistemas de cultivo de derrubada-queimada em meio arborizado têm sua origem no
período Neolítico e constituíram, sem dúvida, a base produtiva da maioria dos sistemas
agrários na pré-história da humanidade. Apesar dos primeiros registros de realização da
agricultura utilizando sistemas de queimada-derrubada remontarem a mais de 10.000 anos,
constata-se que ainda hoje muitas sociedades e povos no mundo realizam suas atividades
agrícolas baseadas nestes sistemas de cultivo.
As parcelas desmatadas eram cultivadas apenas durante um ano, e raramente dois ou,
no máximo, três anos. Após este curto período de cultivo, as parcelas eram abandonadas ao
pousio por um ou vários decênios, até serem novamente desmatadas e cultivadas.
O sistema de cultivo de derrubada-queimada está baseado em alguns princípios
agronômicos fundamentais:
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a) A reprodução da fertilidade do solo era assegurada pela reconstituição da biomassa


vegetal ao longo do período de pousio. Inicialmente, as parcelas abandonadas eram
ocupadas por plantas “pioneiras” (gramíneas, composáceas etc.) de rápido
crescimento e que formavam um espesso e denso tapete herbáceo. A vegetação
arbustiva iniciava o processo de resgate dos elementos minerais lixiviados e
disponíveis nas camadas de solo mais profundas. Este processo era completado com
desenvolvimento da vegetação arbórea;
b) O controle das ervas invasoras também era assegurado de maneira indireta no
decorrer do período de pousio. O período de pousio permitia um efetivo controle da
infestação do solo com ervas invasoras. Com efeito, as sementes de ervas invasoras
não encontravam as condições suficientes em um ambiente florestal para
completarem o seu ciclo produtivo;
c) Os processos de erosão e degradação nas parcelas utilizadas com o sistema de
cultivo de derrubada-queimada eram muito reduzidos. A recomposição da biomassa
florestal apresentava uma baixa propensão à erosão e à degradação das condições
de produção.

Quando se deparam com uma floresta primária, os cultivadores florestais munidos de


machados e de foices, ou mesmo de motosserras, se empenham em abrir uma clareira parcial:
cortam somente a vegetação que cresce abaixo das grandes árvores e, portanto, mais fáceis de
abater. Nos meios arborizados menos densos, o desmatamento se acentua a tal ponto que
quase a totalidade da madeira em pé pode ser abatida, sendo que apenas algumas árvores úteis
são conservadas. Em todo caso, quer seja parcial ou completo o abate não é um desmatamento
integral, porque não inclui arrancar os cepos (destoca) nem uma limpeza rigorosa da
superfície do solo. Após o abate, o terreno estará entulhado em sua superfície com folhagens e
ramagens e troncos mortos que precisam ser, ao menos parcialmente, eliminados antes de
semear ou de plantar. O procedimento mais comum consiste em deixar secar este material
vegetal, depois queimá-lo pouco antes das chuvas, procedendo à semeadura, de forma que os
cultivos se beneficiem ao máximo dos minerais nutritivos contidos nas cinzas.
Os sistemas de cultivo de derrubada-queimada comportam assim cultivos temporários
que, em geral, duram apenas um, dois ou, no máximo, três anos, seguidos por um período de
pousio de longa duração. O período de duração do pousio é bastante variável, podendo ser de
duas a três décadas (os pousios, ao final deste período, são cobertos por uma floresta
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secundária – “capoeirão”) até por mais de cinqüenta anos (neste caso, os pousios são cobertos
ao final por uma floresta secundária).
Apesar de serem temporários, estes cultivos devem assegurar, de ano em ano, uma
produção regular. Todos os anos, cada família de agricultor deve desmatar uma superfície
arborizada suficiente para ali praticar o cultivo principal que corresponda às suas
necessidades; a cada ano, este cultivo muda de lugar e, da mesma forma, os cultivos
secundários que lhes sucedem também se deslocam. É por isso que se diz que os cultivos
temporários são também itinerantes.
O cultivo praticado nos primeiros meses após a derrubada-queimada enraíza-se em um
solo particularmente fértil e produz uma colheita abundante, exportando, por este mesmo
meio, uma parte dos minerais disponíveis. Além disso, o solo cultivado perde uma parte de
seus minerais por lixiviação e desnitrificação. Desta forma, os aportes de minerais resultantes
da derrubada-queimada tendem a se esgotar, e os rendimentos dos cultivos seguintes caem
muito rapidamente.
Em regra geral, quando o pousio dura mais de vinte anos e a vegetação que vem a se
reconstituir ali é muito vigorosa, a fertilidade do solo, após a derrubada-queimada, é elevada.
Basta, então, desmatar parcialmente uma superfície bastante reduzida para suprir as
necessidades de uma família. Quando o pousio não dura mais que dez anos, a vegetação que
se reconstitui entre dois desmatamentos é muito pobre, o leito de folhas/madeira e as cinzas
são menos abundantes, a fertilidade do solo é menos elevada e as ervas indesejáveis
proliferam rapidamente. Neste caso, para obter o mesmo volume de produção, é necessário o
desmatamento de uma área mais extensa.
De acordo com Olimpio (2004), as queimadas de áreas naturais no Cerrado possuem
origens diversas:
a) queimadas naturais – surgem como fato comum e sazonal,
havendo estudos que atribuem à presença do fogo a existência das diversas
fisionomias de cerrado (do campo limpo ao cerradão). É que, semelhante a outros
ecossistemas savânicos, o cerrado evoluiu com o fogo;
b) queimadas culturais – relacionadas com as práticas tecnológicas
adotadas nos sistemas produtivos (abertura de novas áreas agropastoris, estimulação
ao rebrote de gramíneas na renovação das pastagens e no manejo de pragas e
doenças). Para essas, é recomendável, por meio da extensão rural e assistência
técnica aos produtores, o desenvolvimento de tecnologias menos impactantes;
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c) queimadas acidentais – casos como quando o motorista fumante


atira a ponta de cigarro durante a viagem, ou o "meleiro" (coletor de mel de abelha)
que acende uma fogueira para espantar as abelhas etc. São atitudes que, embora não
tenham a pretensão de causar danos, resultam em acidentes ambientais. Nesses
casos, somente a educação ambiental e a sensibilização da sociedade podem agir de
forma preventiva;
d) queimadas criminosas – estes são casos das mais diversas
motivações: incêndios causados por caçadores, para acuar a presa ou para destruir
refúgios naturais; manifestações de revolta contra áreas de preservação, onde, em
geral, não é concedida pelo proprietário a autorização para abertura de áreas de
roça, por meeiros ou arrendatários. Para esses casos, existe a aplicação das
penalidades legais.

Ocorrem queimadas também nas margens das rodovias brasileiras, na sua maioria,
causadas por fuligem incandescente proveniente dos escapamentos de caminhões e ônibus
com o motor desregulado. Existem também, em menor escala, incêndios causados por pessoas
descuidadas que jogam pontas de cigarro nas margens das estradas, ateiam fogo a lixões e
ainda aqueles causados por balões.
O fogo deteriora a qualidade do ar, levando até ao fechamento de aeroportos por falta
de visibilidade; reduz a biodiversidade e prejudica a saúde humana; altera a química da
atmosfera e influi negativamente nas mudanças globais, tanto no efeito estufa como na
camada de ozônio.
A Amazônia Legal, por exemplo, concentra mais de 85% das queimadas que ocorrem
de forma constante no Brasil. Nas outras regiões, o padrão espacial também é descontínuo e
mais difuso, com áreas de maior ou menor concentração. A região Centro-Oeste concentra
mais de 35% das queimadas, seguida pelo Sudeste (29%) e Norte (24%). Os Estados que mais
contribuíram nos últimos anos são: Mato Grosso (38%), Pará (27%), Maranhão (10%) e
Tocantins (7%).
As áreas muito críticas em termos de queimadas estão situadas no Mato Grosso (20
municípios), Pará (12 municípios), Maranhão (12 municípios) e Tocantins (23 municípios).
As queimadas estão associadas aos sistemas de produção mais primitivos, como os de
caça e coleta dos indígenas. Mas também estão presentes na agricultura mais intensiva e
moderna, como a da cana-de-açúcar, algodão e cereais. Mais de 98% das queimadas
praticadas no Brasil são de natureza agrícola. O agricultor decide quando e onde queimar. É
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uma prática controlada, desejada e faz parte do sistema de produção. Os lavradores queimam
resíduos de colheita, áreas de savana, pastagens nativas e plantadas e palha da cana-de-açúcar
para facilitar a colheita. Já os incêndios florestais são de natureza acidental, indesejados e
difíceis de controlar. Eles só ocorrem em vegetações propícias a esse tipo de fenômeno, como
as florestas degradadas, entremeadas por arbustos e gramíneas, as matas de pinheiro araucária
e a Floresta Atlântica caducifólia de planalto, encontrada nas regiões Sul e Sudeste do País.
A agricultura itinerante tem como fundamento a reciclagem de nutrientes. As
queimadas liberam para o solo cerca da metade do nitrogênio e do fósforo da biomassa
incinerada e, praticamente, todos os demais nutrientes sob a forma de cinzas. As altas
temperaturas, predominantes nos trópicos e a alta umidade, aceleram todos os processos de
decomposição da biomassa vegetal. Os nutrientes removidos através da colheita, além das
perdas decorrentes da lixiviação e dos processos erosivos do solo, resultam na diminuição da
fertilidade inicial do solo. Neste caso, as deficiências de nutrientes e o aumento significativo
das plantas invasoras inviabilizam novos cultivos, sendo as áreas abandonadas ou deixadas
em pousio para o surgimento da vegetação secundária – as capoeiras.
Na região dos Cerrados e da Amazônia Legal, a utilização de queimadas das áreas com
pastagens é prática comum, visando a renovação ou recuperação da pastagem, a eliminação de
plantas daninhas e a adição de nutrientes ao solo, oriundos do material vegetal queimado.
No sistema de agricultura familiar, a queima ocorre no final do pousio, entre dois
períodos de cultivo, quando a vegetação secundária que cresce após o período de cultivo
(capoeira) é cortada, seca e queimada, para disponibilizar ao solo, como fertilizante e
corretivo de acidez, as cinzas resultantes da queimada, que contêm nutrientes acumulados
pela vegetação secundária.
Na atividade pecuária, a queima de pastos é feita, principalmente, para eliminar os
resíduos de capim rejeitados pelo gado, proporcionando uma rebrotação mais tenra, palatável
e de melhor qualidade, em períodos de escassez de alimentos, e para eliminar a ação seletiva
do gado em relação à composição botânica da pastagem, uma vez que a ação do fogo, ao
eliminar também espécies de menor palatabilidade e valor nutritivo que, em geral, são
rejeitadas pelo gado, tende a contribuir para o aumento da incidência de espécies de maior
valor, altamente selecionadas pelos animais. (DIAS FILHO, 2003; ZAINI & DINIZ, 2006)
A exemplo da agricultura, a prática da queima na pecuária também visa à melhoria nas
propriedades químicas do solo pelos constituintes da cinza que fornecem, de imediato, aportes
de cátions e outros elementos para o solo. (DIAS FILHO, 2003)
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Sobre a saúde humana, o efeito da queimada se faz sentir de forma mais evidente
através da ação do material particulado, em especial, o inalável, já que as partículas que são
liberadas pela queimada na atmosfera depositam-se pelo impacto da turbulência do ar, no
nariz, na boca, na faringe e na traquéia, por sedimentação na traquéia, nos brônquios,
bronquíolos e alvéolos, resultando no aumento de problemas respiratórios, doenças
respiratórias e redução na função pulmonar em crianças, aumento da mortalidade em
pacientes com doenças cardiovasculares e/ou pulmonares, aumento ou piora dos ataques de
asma e aumento dos casos de câncer, devido aos efeitos de partículas que contêm
componentes cancerígenos. (RIBEIRO & ASSUNÇÃO, 2002)
4 CAUSAS
As principais causas das queimadas no Brasil estão relacionadas a casos simples como
a limpeza mais rápida ou renovação da pastagem de determinadas áreas de agricultores; aos
interesses maiores, como a ampliação de áreas para criação de gado ou outras culturas
agrícolas; e até mesmo outras causas não controladas, como focos acidentais de pontas de
cigarro, fuligem incandescente de veículos e balões.
Os princípios de queimadas que possuem a forma mais rápida e danosa são os
provocados pelas pontas de cigarro, já que sua condição é em forma plena de brasa que, se
unindo às condições da vegetação local e ao clima, podem ser bem mais danosas e
irreversíveis.
Como as formações das plantas derivaram de longos e complexos processos de
transferências genéticas – realizadas por insetos, como a polinização, por exemplo – a
recuperação de determinadas áreas ou vegetação local fica fortemente prejudicada, podendo
afetar o processo evolutivo da fauna em fase de desenvolvimento.
O fogo pode ser provocado de várias maneiras, entre elas, raios, reflexão de vidros, e
antropogênicas (provocadas pelo homem - casualmente, programadas ou desordenadas).
As queimadas provocadas por raios e reflexões de vidros normalmente ocorrem sobre
uma área de vegetação seca, provocando grandes incêndios e as antropogênicas em quaisquer
das vegetações.
5 CONSEQUÊNCIAS
Um dos principais efeitos negativos da queima da vegetação para a agricultura,
durante o preparo de área para o plantio, é o representado pelas perdas de nutrientes
acumulados na biomassa da vegetação na fase de pousio, entre dois períodos de cultivo, que
atingem valores de 96% do nitrogênio, 47% do fósforo, 48% do potássio, 35% do cálcio, 40%
do magnésio e 76% do enxofre, além da perda de cerca de 98% do carbono que é liberado
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para a atmosfera, conforme estudos realizados na região nordeste do Estado do Pará.


(DENICH et al., 2005)
Portanto, a grande perda de nutrientes provocada pelo fogo dá-se em forma de
transferência para a atmosfera. Durante as queimadas, o elemento de maior perda é o
nitrogênio que está presente na fitomassa e vai como forma de fumaça para a atmosfera.
Todos os anos milhares de queimadas acontecem no Brasil, tanto de forma espontânea
como acidental ou criminosa, acarretando prejuízos enormes ao meio ambiente, atingindo os
aspectos biológicos (fauna e flora), os aspectos físicos (solo e água) e os climáticos
(temperatura, umidade relativa do ar, efeito estufa). As principais consequências das
queimadas são:
 Empobrecimento do solo;
 Desequilíbrio no ecossistema;
 Aumento na concentração de nutrientes na camada superficial do solo;
 Danos no ecossistema, com a morte de plantas e animais;
 Eliminação da matéria orgânica do solo e dos microrganismos existentes na área
afetada, diminuindo a fertilidade do solo e a transformação da matéria orgânica em
humus, que é realizada pelos microrganismos;
 Aumento progressivo da erosão do solo e suas consequências: diminuição da
infiltração de água e intensificação das enxurradas causadoras dos assoreamentos,
perda do solo agrícola e da qualidade da água dos mananciais;
 Aumento da temperatura do solo, provocando a oxidação da matéria orgânica;
 Liberam gases para a atmosfera, que contribuem para a destruição da camada de
ozônio na estratosfera, possibilitando que os raios ultravioletas atinjam a terra em
maior quantidade e causem efeitos cancerígenos e mutagênicos;
 Redução do volume de águas subterrâneas (lençol freático), afetando o
abastecimento de água para as populações urbana e rural;
 Produção de névoa seca que escurece os céus;
 Destruição dos habitats dos animais;
 Problemas de saúde;
 Influência no aquecimento solar;
 Alteração na qualidade do solo e do ar;
 Interferência na vegetação;
 Prejuízo para a biodiversidade.

As queimadas, que sucedem o desmatamento, deixam o solo desprotegido, facilitando


a erosão e provocando a perda de nutrientes e a diminuição da fertilidade. O solo, sem a
cobertura vegetal, está sujeito à erosão, que acaba por levar o solo para as partes baixas do
terreno, assoreando os rios e produzindo inundações, ou vão se acumular nas represas,
prejudicando a vida aquática.
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Do ponto de vista agrícola, o ato de queimar áreas para o desenvolvimento da


agricultura é uma ação totalmente negativa, uma vez que o solo perde nutrientes, além de
exterminar todos os microrganismos presentes no solo e que garantem a fertilidade. Dessa
forma, a fina camada da superfície fica empobrecida e, ao decorrer de consecutivos plantios, a
situação se agrava, gradativamente, resultando na infertilidade. Outra questão que deriva das
queimadas é o aquecimento global. Isso acontece porque as queimadas produzem dióxido de
carbono, que atinge a atmosfera, agravando o efeito estufa e, automaticamente, o aquecimento
global. No solo, o fogo altera as suas composições químicas, físicas e biológicas,
prejudicando a ciclagem dos nutrientes e causando a sua volatilização.
O efeito danoso das queimadas para a saúde humana é bastante prejudicial. As pessoas
ficam doentes ao respirarem as partículas finas e ultrafinas provenientes das queimadas, que
penetram no sistema respiratório, provocando reações alérgicas e inflamações. Como
conseqüência, aumentam as despesas públicas com atendimento nos hospitais e nos centros e
postos de saúde, além de resultar em aumento dos custos com medicamentos para o
tratamento desses problemas de saúde por parte da população atingida.
As queimadas prejudicam bastante o equilíbrio ambiental. Com o aumento da erosão
do solo, interfere na qualidade do ar, além de, em alguns casos, acarretar danos a redes
elétricas e outros elementos do patrimônio público.
6 CONTROLE
A queima controlada, permitida pelo Decreto n. 2.661, de 8 de julho de 1998 (artigo
2º), consiste no uso do fogo em vegetação nativa ou exótica, sob certas condições ambientais
que permitam que o fogo se mantenha confinado em determinada área e, ao mesmo tempo,
produza uma intensidade de calor e velocidade de espalhamento desejável aos objetivos do
manejo. A queima controlada e devidamente autorizada pelo IBAMA, a fim de limpar áreas
para o plantio deve seguir as orientações recomendadas pelo órgão controlador, visando evitar
a propagação das chamas e minimizar os danos aos recursos naturais.
Muitos agricultores não sabem, mas existem normas para a realização de uma
queimada controlada, que precisam ser respeitadas. Os infratores estão sujeitos às penas
previstas nos artigos 14 e 15 da Lei n. 9.605 (Lei de Crimes Ambientais). As penas podem
chegar à prisão e multas.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento possui os Dez Mandamentos
da Queimada Controlada, voltados para a prática na agricultura. Para se queimar com
racionalidade, é preciso segui-los.
14

1- Obter autorização do IBAMA para a queima controlada. Documentos necessários:


a) comprovante de propriedade ou de justa posse do imóvel onde se realizará a
queima; b) cópia da autorização de desmatamento quando legalmente exigida; c)
comunicação de queima controlada;
2 - Reunir e mobilizar os vizinhos para fazer queimada controlada e em mutirão, de
maneira que um possa ajudar o outro. Assim, o calor será menor e o solo será
menos impactado com a temperatura;
3 - Evitar queimar grandes áreas de uma só vez, pois as distâncias dificultam o
controle do fogo;
4 - Fazer aceiros, observando as características do terreno e altura da vegetação. Em
terreno inclinado, o fogo se alastra mais rapidamente, devendo-se construir valas
na parte mais baixa para evitar que o material em brasa saia da área queimada. A
largura dos aceiros deve ser 2,5 vezes a altura da vegetação em regiões de
pastagens e/ou cerrado ou, no mínimo, 3 metros, para o caso de queima
controlada;
5 - Limpar completamente o aceiro, sem deixar restos de folhas ou paus, de qualquer
natureza, no meio da faixa;
6 - Prestar atenção à força e direção do vento, à umidade e às chuvas. Só queimar
quando o vento estiver fraco. Nunca comece um fogo na direção dos ventos. Inicie
no sentido contrário dos ventos. Se a queima for realizada após as primeiras
chuvas, é possível evitar o risco do fogo escapar e evitar os danos causados pelo
acúmulo de fumaça no ar;
7 - Queimar em hora fria. No início da manhã, no final da tarde, ou à noitinha, é mais
seguro, pois a temperatura é mais baixa e a vegetação está mais úmida;
8- Nunca deixe árvores altas, sem serem cortadas, no meio da área a ser queimada.
Elas demorarão a queimar, permitindo que o vento jogue fagulhas à distância,
provocando incêndios em áreas vizinhas, sobretudo, se forem pastagens;
9 - Permaneça na área da queimada, após o fogo, pelo menos, por duas horas, a fim de
verificar se não haverá pequenos focos de incêndio na vizinhança, provocados
pelos ventos;
10 - Tenha sempre disponível para ser utilizado em caso de ter de controlar o fogo, o
seguinte material: a) enxada; b) abafador; c) foice; d) bomba costal; e) baldes com
água.
15

Existe diferença entre a queimada e o incêndio. Este último pode ser definido como
uma queimada sem controle.
Algumas medidas podem diminuir muito as estatísticas brasileiras de ocorrência de
incêndios: fazer queimadas só com a autorização do IBAMA e de maneira controlada; apagar
o fogo feito em acampamentos utilizando água, para evitar que a brasa seja levada pelo vento
para as matas; não jogar pontas de cigarros acesas próximo à vegetação; não utilizar qualquer
tipo de fogo em reservas ecológicas ou parques florestais; planejar os procedimentos
necessários à realização da queima, contemplando a definição de técnicas, equipamentos,
pessoal e cuidados; avisar os vizinhos, com antecedência de pelo menos dois dias, o dia e a
hora da realização da queima; construir aceiros de, no mínimo, três metros de largura ao redor
da área a ser queimada; realizar a queima nas horas mais frescas do dia (pela manhã, entre as
cinco e oito horas, e à tarde, após as dezesseis horas; não queimar uma grande área numa
única operação; iniciar a queima no sentido contrário à direção do vento e pelas partes mais
altas do terreno ou pelas laterais.
A Lei Federal n. 4.771/65 (Código Florestal Brasileiro) determina a proibição do uso
do fogo: na faixa de 50 metros ao redor de Unidades de Conservação; na faixa de 15 metros
de cada lado de rodovias estaduais e federais e de ferrovias; a menos de 15 metros dos limites
das faixas de segurança das linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica; na faixa
de 100 metros ao redor da área de domínio de subestação de energia elétrica. Os infratores
podem ser punidos de acordo com o que determina a citada Lei.
As alternativas às queimadas são o caminho mais interessante que o punitivo para
cessar a prática. Na agricultura mecanizada, por exemplo, pode-se enterrar a vegetação com o
arado ou empilhar a vegetação cortada e misturada com terra, o que vai aumentar o teor de
matéria orgânica no solo, aumentando sua fertilidade.
Algumas práticas alternativas mostram-se bastante eficazes: a utilização do rolo-facas
para a redução do tamanho do material de capoeiras, o que facilita a decomposição da matéria
orgânica pelos microrganismos do solo; o uso da grade Home ou arado gradeador diretamente
na vegetação da capoeira; o corte e passagem da vegetação em máquina de picar forragem e
distribuição sobre o solo (mulch), protegendo-o da ação dos raios solares, reduzindo a
evaporação e facilitando a ação dos microrganismos; passagem de roçadeira mecânica movida
por trator, nos casos em que a vegetação da capoeira apresenta porte compatível com o uso
desse equipamento ou nas áreas de pastagens.
Um projeto de pesquisa importante para a prevenção e a correção do desequilíbrio
ambiental na atividade agrícola da Amazônia tem o apoio financeiro do Banco da Amazônia,
16

por iniciativa da EMBRAPA. Consiste na adaptação e validação da tecnologia de corte e


trituração da capoeira em substituição à derrubada e queima no preparo de área para plantio.
Para a Embrapa, a substituição das queimadas pode melhorar a produção e garantir
sustentabilidade à agricultura, pelo aumento da reciclagem da biomassa, com melhor
disponibilidade de nutrientes e condições de solo favoráveis ao crescimento dos plantios.
Conjugando sensoriamento remoto, cartografia digital e comunicação eletrônica, a
equipe da Embrapa Monitoramento por Satélite realiza, desde 1991, um monitoramento
circunstanciado e efetivo das queimadas em todo o Brasil, realizado com o uso da tecnologia
espacial, que é a única capaz de garantir o monitoramento sincrônico e diacrônico do
fenômeno das queimadas, sendo que o Brasil é um dos poucos países a dispor de um sistema
de monitoramento de queimadas operacional. (EMBRAPA, 2013)
Tendo em vista que a prática das queimadas, sobretudo, na região tropical, tem
atingido dimensões alarmantes, o Governo Federal lançou a campanha “Alternativas para a
prática de queimadas na agricultura”, com o objetivo de evitar o uso dessa técnica rudimentar,
prejudicial ao homem e ao meio ambiente. A Campanha é desenvolvida pelo Ministério da
Agricultura e do Abastecimento e a EMBRAPA. Para tanto, foram estabelecidas parcerias
com os Ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário, governos estaduais,
prefeituras municipais, setor privado, organizações não governamentais, cooperativas e órgãos
de assistência técnica e extensão rural. A Campanha pretende estimular o uso de alternativas
tecnológicas na agricultura que substituam as queimadas.
Segundo Mesquita (2013), para o controle e prevenção efetivos dos incêndios e das
queimadas, várias medidas se fazem necessárias, como: campanhas educativas, feitas com a
finalidade de orientar e alertar a população para os riscos de ocorrência de incêndios e dos
prejuízos provocados pelo uso indiscriminado do fogo; fiscalização do uso do fogo para
garantir que as determinações e os procedimentos exigidos para o uso do fogo sejam
cumpridos e monitoramento, cuja finalidade é manter sob constante observação os municípios
e/ou regiões onde o uso do fogo é um aspecto de risco diretamente ligado à atividade
agropecuária e madeireira.
Ainda de acordo com o citado autor, um grupo de trabalho coordenado pela
EMBRAPA, no ano de 2000, realizou estudos e discussões sobre as possíveis alternativas
técnicas às queimadas nas diversas áreas da atividade econômica dos pequenos e médios
produtores rurais:
a) Tecnologias para reduzir queimadas em sistemas de pastagens nativas e cultivadas:
Uso de forragem, “mistura múltipla”, Recuperação de Pastagem Degradada, Pastejo
17

rotacionado intensivo com adubação, Diversificação de espécies forrageiras,


Controle das cigarrinhas-das-pastagens, Controle de carrapatos, Pastejo Misto,
Feno, Silagem, Feno em pé, Controle de plantas invasoras;
b) Tecnologias Para Reduzir Queimadas Em Sistemad De Lavoura/Pecuária: Deve-se
lançar mão da Recuperação de pastagens pelo consórcio grão-pasto (Sistema
Barreirão), do Manejo da palhada e do Plantio Direto;
c) Tecnologias Para Reduzir Queimadas Em Sistemas De Agricultura Familiar: Tem
como alternativa a Diversificação da produção, Sistemas agroflorestais, Manejo
florestal, Reflorestamento social, Intensificação da exploração, Cobertura verde ou
morta e compostos orgânicos, Maior uso de corretivos e fertilizantes, Maior
produtividade das pastagens, Cultivo intensivo de produtos recomendados,
Zoneamento agroecológico e Programa de Desenvolvimento Agrícola Municipal
(PDAM).

7 IMPACTOS AMBIENTAIS
O impacto ambiental das queimadas preocupa a comunidade científica, ambientalistas
e a sociedade em geral, pois afetam diretamente as condições físicas, químicas e biológicas
dos solos, alteram a qualidade do ar em proporções gigantescas, interferem na vegetação, na
biodiversidade e na saúde humana. Indiretamente, podem comprometer até a qualidade dos
recursos hídricos superficiais.
Os impactos ambientais causados pelas queimadas não se resumem somente à perda
material, mas a consequências para a vida humana daqueles que residem próximo a essas
áreas. O grau e quantidade de elementos tóxicos presentes nas fumaças, como o carbono e o
enxofre, afetam o organismo humano no presente momento e futuramente, provocando
infecções do sistema respiratório, vermelhidão e alergia na pele, irritação dos olhos e
garganta, desordens cardiovasculares, asma, conjuntivite, bronquite, tosse, falta de ar e até
transtornos psicológicos.
Dentre outros danos, está a destruição quase que total da fina camada (de 30 a 40
centímetros) de matéria orgânica superficial.
De acordo com o Relatório da CPI do Senado Federal para apurar a devastação da
floresta amazônica e suas implicações,

Além de diminuir os processos de oxidação e transformação dos nutrientes normais,


pela diminuição da vida microbiana, o fogo destrói também sementes, plantas
jovens, raízes, eliminando vegetais que comumente não terão possibilidade de
18

sobrevivência na área, a não ser por reintrodução posterior, através do homem,


animais ou agentes físicos.

As queimadas provocam uso de agrotóxicos e herbicidas em maiores quantidades para


o controle de pragas e de plantas invasoras, sendo que esta prática agrava ainda mais a
questão ambiental, afetando os microorganismos do solo, contaminando o lençol freático e os
mananciais. A contaminação da água pode atingir níveis de difícil ou até mesmo impossível
recuperação.
As queimadas causam a liberação de ozônio para a atmosfera (segundo foi
comprovado pelo INPE de São José dos Campos e UNESP de Jaboticabal), de grandes
concentrações de monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO 2), que afetam a saúde
dos seres vivos, reduzindo também as atividades fotossintéticas dos vegetais, prejudicando a
produtividade de diversas culturas.
As queimadas liberam grandes quantidades de gases que contribuem para a destruição
da camada de ozônio na estratosfera e, assim, possibilitam que raios ultravioletas atinjam em
maior quantidade a Terra e causem efeitos cancerígenos e mutagênicos. Por outro lado, os
gases que ficam concentrados na atmosfera absorvem a energia térmica dos raios
infravermelhos refletidos pela superfície da Terra, contribuindo com o efeito estufa que gera
uma reação em cadeia negativa para o planeta. O gás carbônico (CO 2) é um dos gases que
mais contribuem para o efeito estufa, cerca de 55% do fenômeno. Outro gás importante é o
Clorofluorcarboneto (CFC), que são moléculas formadas por átomos de carbono, flúor e
cloro. Este gás está presente em geladeiras e aerosóis e influenciam sobre o efeito estufa em
24%. Também é utilizado para a expansão de polímeros. O gás metano (CH 4), contribui com
15% para o efeito estufa e pode se originar de fontes naturais ou antrópicas. Geralmente, tem
origem nos depósitos ou em processos de extração, principalmente na decomposição
anaeróbica de substâncias orgânicas, como a celulose de árvores que foram submersas nos
grandes represamentos de água ou ainda de rejeitos orgânicos em aterros sanitários. Apesar de
corresponder a uma fração menor, ao se comparar com o CO 2, sua eficiência para o efeito
estufa é maior, sendo uma das razões da sua queima, quando este gás não é aproveitado.
(MARQUI, 2011)
As queimadas eliminam os predadores naturais de algumas pragas, como as vespas,
que são inimigas da broca da cana (Diatrea saccharalis), que é a principal praga da cana,
provocando o descontrole desta praga e exigindo, assim, a utilização cada vez mais de
agrotóxicos, provocando maior contaminação ambiental.
19

A queimada, eliminando da cobertura vegetal do solo, favorece o escorrimento


superficial da água das chuvas, agravando o processo erosivo, e o solo vai empobrecendo,
pela eliminação da matéria orgânica.
Portanto, a prática das queimadas é prejudicial à agricultura pelo seguinte:
a) Deixa o solo desnudo, o que aumenta as perdas por erosão, principalmente em
terrenos íngremes;
b) Volatiliza substâncias necessárias à nutrição das plantas;
c) Destrói grande parte da matéria orgânica do solo;
d) Destrói ou danifica as linhas de transmissão de energia elétrica;
e) A fumaça emitida pelas queimadas diminui a visibilidade atmosférica, aumentando
o número de acidentes nas estradas e limita o tráfego aéreo;
f) Elimina os microorganismos úteis do solo;
g) Diminui, progressivamente, a fertilidade do solo e a produtividade das lavouras;
h) Promove a redução da umidade relativa do ar, aumentando a temperatura do ar e
reduzindo os níveis pluviométricos da região ou mesmo de regiões mais distantes;
i) Provoca mudanças no ciclo hidrológico e na composição da atmosfera, contribuindo
para uma degradação ambiental que afeta todos os seres vivos.

O agricultor que opta pela queimada para sua plantação acaba tendo um benefício
imediato, mas com um conseqüente prejuízo em médio e longo prazo. Após a queimada, o
produtor tem um ou dois anos de boa produtividade, já que o processo acaba concentrando
alguns nutrientes importantes para a plantação, como o fósforo. Mas, nos anos seguintes, fica
constatada uma perda excessiva dos nutrientes. Uma pesquisa da Embrapa Amazônia Oriental
mostra que, em sete anos, são perdidos 96% de nitrogênio, 76% de enxofre, 47% de fósforo,
48% de potássio, 35% de cálcio, e 40% de magnésio em uma capoeira. Para tentar recuperar
essas perdas, o agricultor deve deixar a área que foi plantada descansando, o chamado período
do pousio. Com esse repouso, surge uma nova vegetação que trará certa reposição dos
nutrientes perdidos. (INDRIUNAS, 2013)
Outro impacto extremamente negativo da queimada é a poluição atmosférica que ela
provoca. Os cientistas apontam as queimadas como as responsáveis por cerca de 70% das
emissões de gás carbônico do Brasil.
8 ASPECTOS LEGAIS
O Instituto de Pesquisas Especiais (INPE) é o responsável pelo monitoramento das
queimadas no Brasil. No site do instituto é possível monitorar o andamento das queimadas no
20

País. Entre a detectação dos focos de calor e a postagem dos dados, há uma pequena
defasagem de três horas apenas. O INPE começou a monitorar as queimadas em 1987. O
Instituto também oferece gratuitamente alguns serviços de monitoramento online específicos
e individuais, como coordenadas geográficas dos focos, alertas por e-mail de ocorrências em
áreas de interesse especial, risco de fogo, estimativas de concentração de fumaça, entre outras.
É só se cadastrar.
O monitoramento revela a existência de cerca de 300.000 queimadas por ano no País e
sua origem é essencialmente agrícola, ocorrendo, geralmente, em áreas desmatadas, com
padrões espaciais diferenciados e dinâmica temporal variável.
Em 1989, o governo federal criou o Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos
Incêndios Florestais (PREVFOGO), através do decreto nº 97.635. A intenção do programa é
atuar, prioritariamente, na Amazônia e nos Cerrados, na educação, pesquisa, prevenção,
controle e combate aos incêndios florestais e queimadas. Foi através do PREVFOGO que se
consolidaram táticas para ajudar a diminuir os riscos de incêndio durante as queimadas.
A legislação federal não proíbe as queimadas, mas cria várias normas que se baseiam
na experiência do PREVFOGO, como o caso da Lei n. 8.171/91. Além disso, a Lei de Crimes
Ambientais (Lei n. 9.605/98) tenta inibir a prática das queimadas, prevendo prisão de três a
seis anos para quem descumprir as normas, além de multas que variam de R$ 50,00 a R$
50.000.000,00. Além disso, há outras possíveis penalidades, como a obrigação de reparar
qualquer dano ambiental; e perda ou restrição de benefícios concedidos pelo Poder Público
como financiamento.
Para fazer uma queimada controlada é preciso adotar diversos procedimentos,
principalmente, para evitar a proliferação do fogo que pode causar uma grande tragédia. Para
tanto, é necessário seguir os seguintes passos:
 É fundamental conhecer a área. Se há montanha (o fogo sobe e se alastra mais
rapidamente com a ajuda do vento nesse tipo de topografia), mananciais ou rios ou
florestas densas próximo do local da queimada;
 Evitar queimar grandes áreas de uma só vez, já que dificulta o controle;
 Construir valas ou aceiros em torno da área;
 Evitar queimar quando o vento está forte;
 Preferir os horários com temperaturas mais amenas, como as manhãs ou os inícios
da noite;
 Se houver árvores altas no local, cortá-las antes de começar a queimada;
21

 Mesmo acabando a queimada, permanecer no local por mais duas horas e verificar
se não há nenhum outro foco de calor;
 Ter sempre à mão equipamentos para acabar com o fogo, como abafadores, e baldes
de água ou mangueiras;
 Avisar os vizinhos e, se possível, coordenar com eles um calendário de queimadas;
 Não queimar a menos de 15 metros dos limites das faixas de segurança das linhas
de transmissão e distribuição de energia elétrica;
 Não queimar a menos de 100 metros ao redor de uma subestação de energia;
 Não queimar a menos de 50 metros ao redor de Unidades de Conservação;
 Não queimar a menos de 15 metros de rodovias;
 Pedir autorização para o IBAMA.
9 BENEFÍCIOS
Sousa (2013) defende que, em circunstâncias controladas e observados cuidados
referentes a clima, tipo de solo e outros, o uso do fogo pode ser benéfico como trato cultural.
Acentua que, em diversos ambientes, os incêndios fazem parte do ecossistema, e que os
prejuízos à fauna são relativos, havendo, em alguns casos, aumento das populações em áreas
queimadas.
Os agricultores queimam resíduos de colheita para combater pragas, como as
provocadas pelo bicudo do algodão, para reduzir as populações de carrapatos ou para renovar
as pastagens. O fogo também é utilizado para limpar algumas lavouras e facilitar a colheira,
como no caso da cana de açúcar, cuja palha é queimada antes da colheita; usam o fogo
também como forma de controle das ervas daninhas ou plantas invasoras, visando a maior
oferta de forragem fresca e palatável para o gado, obtida através da emissão de brotações.
As queimadas visam à eliminação da macega que aparece no campo após a colheita da
cultura. A queima estimula a remineralização da biomassa e a transferência de nutrientes
minerais para a superfície do solo, sob a forma de cinzas. Como consequência, ocorre o
aumento imediato da produção de forragem ou da cultura, mas ela decresce nos anos
posteriores, principalmente quando a queima é anual e realizada na mesma área.

10 CONCLUSÕES
Com o aumento de emissões de gases do efeito estufa, gerado em grandes cidades e
nas queimadas das florestas, a temperatura no planeta tem aumentado paulatinamente.
As derrubadas, seguidas das queimadas, causam prejuízos irreparáveis à
biodiversidade, ao ciclo hidrológico e ao ciclo do carbono na atmosfera.
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O impacto das queimadas, uma das estratégias principais utilizadas para a expansão da
fronteira agrícola no País, ameaça de extinção espécies de animais e de plantas e causa a
erosão do solo, que fica menos protegido.
A derrubada da floresta e a queima da vegetação por atividades humanas são grandes
transformadoras das paisagens.
A fumaça e os gases liberados pelas queimadas, como o monóxido de carbono e o
ozônio, concentram-se na atmosfera e tornam o clima mais seco, as temperaturas mais altas e
o ar irrespirável.
Os órgãos federal, estaduais, municipais e os produtores precisam firmar um pacto
social no sentido de montar estratégias eficazes e eficientes para eliminar o risco de incêndios
florestais ao longo dos ramais e rodovias estaduais, federais e municipais.
Grande parcela das queimadas é produzida por pequenos produtores, que utilizam o
fogo como meio barato de preparar a terra para o plantio, em razão do desconhecimento de
outras técnicas para trabalhar a propriedade e pela dificuldade de acesso ao crédito e às
tecnologias apropriadas para o cultivo da terra.
As principais causas dos incêndios florestais no Brasil são: a queima para limpeza do
terreno, a queima criminosa ou provocada por incendiários, os fogos de recreação ou
acidentais, o descarte de pontas de cigarro acesas jogadas nas margens das estradas e no
próprio campo, as fagulhas expelidas pelas locomotivas a lenha ao longo das ferrovias,
queimas naturais ou provocadas por raios e queima de vegetação derrubada para implantação
de roças, sem o cuidado de construção de aceiros adequados.
A fragmentação florestal, o isolamento de populações e o aumento das áreas
desmatadas estão, gradualmente, extinguindo espécies de plantas e animais, alterando a
estrutura genética das populações e reduzindo a diversidade genética das espécies.
A educação ambiental é um instrumento que poderá dar suporte ao poder público para
sensibilizar a população urbana e rural quanto à redução dos índices elevados de queimadas
no País.

REFERÊNCIAS

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