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Crime e Castigo

Dostoiesvski, Fiodor Mikhailovich.Crime e Castigo.São Paulo.555 páginas.Martin Claret,


2003.

Dados Bibliográficos do autor.

Fiodor Mikhailovich Dostoievski nasceu dia 11 de novembro de 1821 em Moscou e


morreu em São Petersburgo no dia 09 de fevereiro de 1881. Foi um dos maiores escritores da
Literatura Russa. Sua mãe morreu, ele ainda era jovem e seu pai foi assassinado pelos colonos
de sua propriedade rural.
Dostoievski estutou engenharia em uma escola militar e gostava muito de ler. Ele era
epilético, sua primeira crise aconteceu quando seu pai foi assassinado. Sua primeira obra foi
aos 23 anos, e foi uma tradução de Balzac. Em 1849 foi preso por participar de reuniões
subversivas na casa de um revolucionário. Foi condenado à morte.
Nicolai 1º atenuou sua pena e dessa forma Fiodor passou nove anos na Sibéria. Quatro
no presídio de OMSK e cinco anos como soldado raso. Descreveu suas experiências na prisão
nos livros “Recordações da casa dos mortos” e “Memórias do subsolo”.
Fiodor atribuía suas crises de epilepsia como ‘experiências com Deus’. Era inspirado
pelo cristianismo evangélico, pregava solidariedade como principal valor da cultura eslava.
Em 1862 casou-se com Maria Dmitrievna Issaiev, uma viúva difícil caprichosa. Dois anos
depois retornou a Petersburgo. Lá ele conhece Polina que veio a ser seu romance mais
profundo. Em 1864 Fiodor fica viúvo, termina seu relacionamento com Polina e se casa com
Anna em 1967.
Suas melhores obras são “Crime e Castigo, o idiota, os Demônios, o eterno marido e
os irmãos Karamazov”, mas dói reconhecido apenas depois de 1860 com os livros “O idiota e
Crime e Castigo”. O livro “Os irmãos Karamazov” foi considerado por Freud o maior
romance já escrito.

SÍNTESE

Ráskolnikov é um homem angustiado por um pensamento. Tenta insistente se


convencer que não seria capaz de um ato tão vil, mas tudo parecia que lhe jogava nos braços
deste destino tão cruel. Quando as facilidades lhe apareciam sorria e sabia no seu interior que
as providencias vinham do diabo. Não podia ir mais a universidade por circunstâncias
econômicas, perdera as aulas que dava, estava sem dinheiro para pagar o aluguel e por isso a
proprietária cortou-lhe a alimentação. Estava desesperado, não tinha o que comer e suas
roupas estavam velhas demais que o impossibilitava de procurar uma ocupação. Os
pensamentos insanos que lhe atormentava a mente fazia arder seu corpo em febre. A falta de
alimentação também o deixava sem rumo e por vezes andou sem saber para onde ia, andava
horas, sem conseguir seguir um raciocínio lógico e claro do que procurava ou queria.
Mas como uma pessoa como ele chegou a cogitar tamanha ignomínia? Sua alma se
afligia dentro de si, tentava desesperadamente se livrar de tais objetivos que já havia decido
ao seu coração. Quando perdeu as aulas e não pode mais ir à universidade e sua senhoria lhe
cortou a alimentação, precisou empenhar um relógio que ganhara de seu pai. Soube de uma
velha usurária através de alguns colegas. Depois que foi até a casa da tal senhora passou em
uma taberna para comer algo, e lá tinha dois estudantes que coincidentemente falava da tal
usurária que a pouco lhe emprestara o dinheiro. Eles diziam que a velha era muito má. Esta
tinha uma irmã, não muito jeitosa, mas amável e isso a deixava até atraente. Mas Aliena a
subjugava e Lisavieta tinha muito medo de contrariar a irmã, apesar de a irmã ser uma velha
fraca e baixinha e ela uma mulher ainda jovem de mais ou menos trinta e cinco anos e com
um metro e oitenta de altura. Os jovens falavam animadamente e Raskólnikov os ouvia com
atenção. Segundo os universitários Aliena merecia a morte e um dia encontraria alguém que
lhe matasse e assim libertaria Lisavieta de todo seu sofrimento. A velha tinha muito dinheiro,
mas no testamento já pronto não deixava nada a irmã. Tudo ficaria a um convento para que
fossem rezadas sempre orações por ela quando morresse. Falavam como seria útil esse
dinheiro aos pobres e quantas famílias poderia ser ajudadas por aquele dinheiro que os tais
julgavam que Aliena não merecia.
Foi neste momento que surgiu tão vil pensamento em Raskólnikov. E já fazia quatro
meses que se sentia perturbado, desnorteado ao ponto de perder a capacidade de raciocinar
com clareza, de se esconder da senhoria ao invés de enfrentá-la com dignidade. Sentia-se
envergonhado do seu proceder. Foi até a casa da velha usurária para penhorar um relógio que
o pai lhe deixara. Fazia isso para espionar a casa da velha, para descobrir onde a usurária
escondia o cofre. Saiu de lá perturbado, descendo as escadas subitamente se sentido afligido
exclamando: ‘Meu Deus serei capaz....como isso é repugnante e absurdo’. Estava andando
como um ébrio, não via nada alucinado consigo mesmo. Era um misantropo, mas naquele
instante sentiu vontade de entrar na taberna para aclarar seus pensamentos, para se socializar.
Entrou e olhou e observou as pessoas e se identificou com um senhor que lhe parecia
um funcionário público. Sentiu desejo de falar com ele e foi recíproco. Logo aquele senhor
veio e se apresentou a ele como Marmieládov conselheiro titular. Marmieládov perdera tudo
por causa de seu vício. Casou-se com uma viúva com três filhos. Sendo ele também viúvo e
com uma filha, achara conveniente. Trabalhou por um ano e não conseguiu mais cuidar de sua
família, caiu no vício e sua filha Sônia teve que se prostituir para que os irmãos que nem de
sangue eram não morressem de fome. Estava escandalizado como o ser humano é capaz de se
acostumar com as circunstâncias. Choram no começo, mas se vêem impossibilitados de
andarem em outros caminhos, então, segue o mesmo por hábito. Ele se acostumou com a
prostituição da filha e até lhe pedia dinheiro para sustentar seu vício. Sua esposa Ekatierina
chorou quando Sônia lhe jogou o dinheiro, mas ela mesma a arrastou a depravação e agora
tudo estava normal. Fazia cinco dias que não aparecia em casa, estava com mais vergonha do
que medo de Ekatierina, pois roubara o dinheiro de comprar comida. As crianças deviam estar
com fome, mas Sônia talvez já tivesse dado um jeito apesar de agora ter de gastar muito com
roupas para estar apresentável aos seus clientes. Chamou Ráskolnikov para lhe acompanhar
enquanto as pessoas da taberna riam dele, pois contava sua história em altura suficiente para
que todos ouvissem. Já sabiam de tudo, mas riam quando ele dizia que sua filha tinha a
carteirinha amarela com tanto acatamento.
Raskolnikov foi com ele, amparando-o já se sentia pouco a vontade na taberna. Levou
Marmieládov até sua casa que era bem pequena. Ekatierina o recebeu muito mal, lhe puxando
os cabelos, inquirindo-o sobre suas roupas e o dinheiro que roubara. Expulsou Ráskolnikov
que saiu apressadamente.
No outro dia a funcionária do prédio onde morava veio lhe entregar uma carta. A carta
era de sua mãe. Esta o comunicava que sua irmã iria se casar, não era por amor, mas pra lhe
dar um futuro melhor, pois seu marido poderia lhe ajudar lhe dando emprego. Justificava o
porquê não lhe tinha mandado dinheiro e também dizia que logo estariam lá e que poderiam
se ver. Que o futuro marido da irmã o procuraria. Contava-lhe tudo que a irmã teve que passar
quando pediu dinheiro adiantado por seu trabalho e como foi difamada, pois sua senhoria
achara que ela tivera um caso com seu marido. Ráskolnikov sentiu-se muito mal. Que
diferença tinha a irmã de Sônietchka Marmieládov? Não se casaria por amor. Saiu
desnorteado pensando como poderia impedir a irmã de se casar. De súbito voltou a si. Como
impediria?Com que direito impediria?
O pensamento infame voltou-lhe. Queria procurar Razumíkhin, um colega da
universidade que poderia lhe arrumar algumas aulas, mas quando chegou a seu prédio
desistiu. Pensou na inconveniência, pois quando tudo aquilo tivesse concluído... Levantou-se
do banco apressadamente sentindo calafrios, e febre tentou andar apressadamente querendo
chegar a casa logo, mas não conseguiu, deitou-se na relva e adormeceu. Sonhou um sonho
horrível. Quando era um menino passeava com o pai e andaram pra fora da aldeia rumo a uma
igreja e passaram perto de uma taberna onde umas pessoas completamente bêbadas tentavam
fazer uma velha eguinha galopar. Seria impossível pois além da égua ser velha havia muita
gente em cima da carroça. O dono dessa égua batia nela nervosamente bradando que a faria
galopar. As pessoas riam dele, pois isso seria impossível, mas ele batia na égua e chamou
outros para baterem nela. Pegaram paus e por último um ferro. Mataram a égua na sua frente e
ele sofreu muito porque não entendeu tamanha brutalidade. O pai o tirou dali, seu coração
doía muito. Ráskolnikov acorda assustado dando graças a Deus por ser só um sonho. Ele se
pergunta se será capaz de abrir o crânio daquela mulher. Naquele instante se sentia atordoado,
à luz do dia sentia grande repulsa por seus pensamentos.
Ráskolnikov saiu andando e foi parar no mercado de feno. Lá avistou Lisavieta. Mais
tarde soube que a mesma iria à casa do mercador no dia seguinte às sete horas para comprar
algumas coisas. Era uma grande oportunidade para ele por em prática todo o seu plano. Estava
atordoado. Dormiu muito, não sonhou nada. Foi acordado pela Anastácia que lhe trouxe algo
para comer. Ficou no divã sem conseguir dormir novamente. Voltou a si com os toques do
relógio.
Preparou tudo. Pegou o que iria supostamente penhorar, uma corda que amarrou no
casaco para prender o machado. Desceu rapidamente e viu que o porteiro não estava, pegou o
machado e o prendeu no casaco. Ródia chega à casa de Aliena ás sete e meia. O apartamento
do terceiro andar abaixo do apartamento de Aliena está desocupado. Ródia toca a campanhia
três vezes até que Aliena abre a porta.
Ela o atende desaconfiada. Ele entrega a caixa de cigarros com um embrulho bem
difícil de abrir para entretê-la. Aliena voltou-se de costas para Ráskolnikov rumo á luz de uma
vela e logo que percebeu que o objeto era falso se virou esbravejando-se, mas o rapaz tirou o
machado e lhe deixou cair na cabeça. Depois lhe deu mais dois golpes. O sangue jorrou e o
corpo de Aliena caiu pesadamente ao chão.
Ráskolnikov sentiu uma forte vontade de desistir, mas pegou as chaves e foi para o
quarto da velha. Enquanto procurava alguma coisa veio em sua cabeça uma ideia de que a
velha estava viva. Voltou até lá para conferir. Ela estava morta, com o crânio despedaçado.
Viu um cordão pendurado em seu pescoço. Tentou trá-lo puxando, mas não conseguiu. Então
começou a tirá-lo pelo corpo. Mas esse enroscou em algum lugar. Pegou o machado pra cortar
o cordão, mas resolveu não ser tão bruto. Conseguiu partir o cordão sem tocar no corpo.
Tinha uma bolsinha nele. Colocou-a no bolso sem nem olhar o que tinha dentro.
Voltou para o quarto da velha e tentou abrir um cofre. Achou muitas bugigangas, mas
também algumas correntes de ouro, relógio. Encheu os bolsos das calças com as joias, sem
abrir os estojos, sem tocar nos embrulhos. Subitamente ouviu passos no cômodo onde estava
o cadáver. Achou que era uma alucinação. Ouviu um gemido. Correu para o lugar onde estava
o corpo e viu Lisavieta sem forças para gritar. Ráskolnikov ergue o machado e lhe parte o
crânio. Ela cai morta imediatamente. Ele fica desesperado para fugir. Percebe que a porta
esteve aberta o tempo todo.
Derrepente chega um homem chamando Aliena. Rodion fica desesperado. Fica bem
quieto. Depois chega outro que pela voz é um rapazinho. Resolvem ir até o porteiro para
perguntar se as velhas não estão no apartamento. Ráskolnikov sai fecha a porta e desce.
Derrepente ouve novamente passos de pessoas subindo as escadas. Ele se esconde no
apartamento vago do terceiro andar. Logo que as pessoas passam ele desceu e se pôs à rua.
Chegou a seu prédio e colocou o machado onde estava e foi para seu quarto.
Teve uma noite agitada. No dia seguinte procura vestígios de sangue na sua roupa.
Nos bolsos, pegou os itens que roubou de Aliena, e os esconde nos forros de seu quarto. Ele
recebe uma citação da policia. Fica atordoado. Enquanto desce as escadas fica pensando que
alguém possa revistar seu quarto. Na delegacia descobre que sua senhoria o denunciou como
devedor. Lá algumas pessoas discutem sobre o assassinato das irmãs, Ráskolnikov fica
atordoado e desmaia. Depois que o detetive faz algumas perguntas, Ráskolnikov sai com a
sensação que supeitam dele e fica apavorado.
Ele pega os itens roubados e leva para um passeio. Pensa em jogá-los no rio, mas
encontra um pátio abandonado e os enterra e coloca uma grande pedra em cima. Sem nem
perceber vai até a casa de seu amigo Razumíkhin, entra, mas logo se arrepende. Seu amigo lhe
oferece algumas aulas, mas ele não aceita. Sai sem dar satisfação deixando Razumíkhin
zangado.
Anda um pouco pelas ruas e retorna às oito da noite. Deita-se e dorme e sonha que o
detetive batia em sua senhoria. No outro dia Nastácia leva chá para ele e afirma que ele
sonhou. Nesse instante Ródia perde os sentidos. Ficou alguns dias assim adormecido, mas não
totalmente inconsciente. Quando acorda seu amigo Razumíkhin estava junto dele. Tinha
levado o médico, roupas novas e deu um jeito nos credores inclusive na senhoria.
Ráskolnikov quer saber se ele disse muitas coisas enquanto estava delirando por causa
da febre. Razumíkhin diz que nada de mais, mas ele insiste. Então Razumíkhin diz a ele que
só falou de brincos, pulseiras, relógios, suas botas principalmente e do detetive Iliá.
Rodion conhece Lujín o noivo da irmã de quem a mãe lhe escrevera uma carta
contando sobre o casamento deles, mesmo sem amor. Lujín tentou se aproximar deles, mas
não teve muito êxito. Ráskolnikov o expulsou não só a ele, mas todos que estavam no quarto.
Ráskolnikov deseja sair sozinho, discute com Razumíkhin que não queria permitir que
ele saísse. Mas ele consegue driblar a atenção do amigo. Sai sem rumo e vai parar na casa de
Aliena. Vê uns trabalhadores redecorando o apartamento. Pergunta por que removeram o
sangue e é expulso pelo porteiro. Andando pelas ruas Ráskolnikov encontra Marmieládov
tinha sido atropelado por uma carruagem luxuosa e trata logo de socorrê-lo, leva-o pra casa e
lá Ekatierina o recebe muito brava mas quando vê o marido tão machucado tenta ajudá-lo com
cuidado.
Ekatierina manda chamar Sonia e assim Marmieládov morre nos braços da filha.
Ekatierina manda Pólia ir atrá de Ráskolnikov para lhe agradecer e perguntar seu nome. Ela o
abraça e ele sai de lá se sentindo pelo menos um pouquinho redimido e dessa maneira
resolveu ir à festa de Razumíkhin, mesmo que pensamentos tristes de suicídio voltassem a sua
cabeça. Chegando lá seu amigo lhe disse que o médico que cuidara dele dissera que ele
poderia estar louco. E que também conversara com Zamiótov e ele lhe contara tudo.
Ráskolnikov se sente fraco e pede ao amigo para lhe aparar até às escadas.
Quando chega perto de seu quarto a luz está acesa. Razumíkhin acha que é Nastácia,
mas Rodion diz que não pode ser que ela já deve estar dormindo. Quando abrem a porta
encontram a mãe e a irmã de Rodion que o esperava pelo menos há uma hora e meia. Elas já
sabiam de todo estado de enfermidade de Ráskolnikov porque interrogara a Nastácia. Nastácia
também contou a elas a dedicação de Razumíkhin ao amigo e como cuidara dele todo esse
tempo.
Rodion contemplou por alguns instantes sua mãe Púlkeria e sua irmã Dúnia. Depois
ficou irritado e pediu para que fossem embora. Púlkeria agradeceu Razumíkhin por cuidar de
seu filho. Ele as convence de deixar Rodia sozinho. Diz que vai trazer o médico para cuidar
dele. Razumíkhin fica encantado com Dúnia, sua beleza e autoconfiança. Razumíkhin
também se sente enciumado quando o médico elogia Dúnia. No outro dia Ráskolnikov se
desculpa com seus amigos e família por tê-los tratado tão mal. Confessa a mãe ter dado o
dinheiro a família de Marmieládov que morrera e deixara todos na miséria. Pulkéria o perdoa.
Logo depois se irrita novamente com o casamento da irmã com Lujín, ele pensa que se casa
para ajudá-lo. Dunia deixa claro que está fazendo isso por si mesma o que não convence
Rodion.
Sonia vai até o quarto de Ráskolnikov convidá-lo para o funeral de Marmieládov uma
refeição fúnebre que Ekatierina servirá logo após o enterro. Ráskolnikov quer recuperar o
relógio e um anel que empenhou com Aliena e pergunta a Razumíkhin se conhece a pessoa
que está entrevistando os que tinham penhores com a velha. Razumíkhin diz que sim e oleva
até a casa de Porfiri. Na casa de Porfiri está Zamiótov o comissário de polícia. Ráskolnikov
não tinha dinheiro para pegar seus objetos apenas queria fazer conhecer a Porfiri que aqueles
objetos eram seus. Porfiri disse a Ráskolnikov que ele era um dos últimos que ainda não tinha
vindo resgatar seus objetos. Rodion se justifica dizendo que estava doente e Razumíkhin
ratifica.
Eles começam uma conversa sobre o crime e Razumíkihin expõe a ideia socialista a
respeito do assunto. “O crime é um protesto contra anormalidade do sistema social”. E
continuando Razumíkhin diz que o indivíduo é vitima do meio. Depois de várias coisas ditas
Porfiri interroga Ráskolnikov sobre os pintores, se ele não os tinha visto no dia que ele foi até
a casa da velha. Ráskolnikov diz que não e Razumíkhin fica indignado dizendo a Porfiri que
os pintores estavam lá no dia do crime e não dois ou três dias antes.
Razumíkhin percebeu algo de errado no Porfiri. O mesmo tratou Rodion como suspeito. Foi o
ultimo a reclamar seus pertences e a pergunta que fez sobre os pintores foi mesmo uma
armadilha para Rodion que percebeu e soube se sair muito bem dessa situação.
Ráskolnikov provoca o fim do casamento de Dunia e Lujín. Svidrigáilov foi até Rodia
e disse que sua esposa havia deixado a Dunia três mil rublos no testamento e que ele tinha
outras propostas para fazer a Dúnia. Lujín fica irado. Mostra seu verdadeiro caráter a Dunia e
a sua mãe. Razumíkhin fica muito feliz com o fim do casamento.
Raskolnikov pede pra mãe e sua irmã não o procurar mais que deviam se afastar e
pede a Razumíkhin que não as abandone. Por um instante eles se olham e Razumikhin
compreende o que está acontecendo. A partir daquele instante elas se tornam sua família.
Ráskolnikov procura Sônia e lhe propõe que fujam dali já que os dois têm seus futuros
comprometidos. Sônia se preocupa muito com os irmãos e com Ekatierina. Mas Rodion não
acredita em mais nada. Ele diz a Sônia que Pólie terá o mesmo futuro que ela.
Sônia se horroriza com as palavras de Ráskolnikov, porque apesar de tudo ela tem fé e
acredita em Deus. Rodion é cético. Encontra um evangelho em cima da cama de Sônia e pede
para que ela leia a ressurreição de Lázaro. Sônia lê com esperança que Deus toque aquele
coração angustiado. Rodion fica sabendo que Sônia e Lisavieta eram amigas e que a mesma
deu a ela o evangelho. Rodion diz que sabe quem matou a velha usurária e sua irmã. Sônia se
surpreende. Ele diz que voltará nem que seja para dizer a ela o nome do assassino.
Svidrigáilov ouviu toda a conversa dos dois em um dos quartos vagos. Achou interessante e
preparou uma cadeira para que fique mais confortável no outro dia quando Ráskolnikov
voltar.
Na manhã seguinte Ráskolnikov procura Porfiri para lhe apresentar os papéis de seu
relógio penhorado. Sente um pouco de medo. Porfiri o recebe em sua sala. Rodion se deixa
cair uma armadilha quando ele mesmo diz a Porfiri que no dia anterior o mesmo o queria
interrogar. Porfiri ri muito do rapaz e Rodion fica enfurecido e chega a odiá-lo enquanto o
mesmo continua rindo. Ráskolnikov fica muito indignado e perde o controle. Porfiri o acalma
e ofaz saber que Dmitri esteve com ele e contou que Rodion esteve no apartamento das velhas
e que perguntou da poça de sangue que havia lá.
Quando Rodion perguntava a Porfiri se Zamiótov que lhe conjeturara toda aquela
situação ouviram barulhos na sala ao lado, era Nikolai. Porfiri o interrogou e ele confessou ter
matado as velhas. Que ele era o culpado. Ráskolnikov e Porfiri recebem com surpresa a
confissão de Nikolai. Porfiri aceita a confissão sem acreditar. Rodion sai de lá aliviado. Mas
ao sair, encontra os dois zeladores do prédio os quais ele desafiou para que o levasse ao
comissário. Ráskolnikov sabia que Porfiri tinha descoberto muitas coisas e que tinha um
mistério em tudo.
Entrou em seu quarto ficou pensando no que tinha acontecido. A confissão de Nikolai
e quando abriu a porta para sair, pois tinha resolvido ir ao jantar de Ekatierina viu aquele
homem estranho que vira no dia anterior. Esse foi entrando e Rodion perguntou quem era. Ele
disse que era morador daquele prédio a muitos anos e viu quando ele perguntou sobre a poça
de sangue. Os outros não quiseram denunciá-lo, mas ele o fizera e era por isso que Porfiri o
torturava. Ele era a surpresa. Ficara todo o tempo na sala onde Porfiri o interrogava. Pediu
desculpas a Ráskolnikov por ter desconfiado dele e o denunciado.
Rodion agora estava confiante e se criticava por ter o espírito tão fraco. Lujín estava
no mesmo prédio que os Marmieládov. Ele chama Sônia e conversa com ela dizendo que vai
ajudá-la. Age como se fosse uma boa pessoa tudo isso na presença de Andriei. Andriei que
não se simpatizava com ele até o elogiou por ajudar aquelas pessoas. Lujín deu uma nota de
cem rublos a Sonia dizendo que era sua contribuição diante da situação da família. Ela
agradeceu chorando e envergonhada.
Ekatierina gasta mais da metade do dinheiro que Ráskolnikov lhe deu com o jantar em
memória de seu marido. Ela não tinha condições para isso, mas o orgulho a fazia agir assim.
Sônia a entendia, mas talvez não gozasse juízo perfeito. Ekatierina reprova os convidados e
coloca a culpa na Amália. O jantar acaba mal principalmente quando Lujín e acusa Sonia de
Tê-lo roubado cem rublos. Ekatierina a defende coloca a mãos em seu bolso e a nota cai.
Sonia fica surpresa e diz que não roubou. Ekatierina a defende. Andriei da porta defende
Sônia e diz que Lujín colocou a nota em seu bolso sem que ela percebesse. Ele pensou que
Luijín fazia aquilo realmente para ajudar a moça, mas agora via que não. Ráskolnikov
também a defende, mas no final os Marmieládov são despejados.
Ráskolnikov procura Sônia e confessa a ela os crimes que cometeu. Ela fica atônita,
mas diz que não vai abandoná-lo. Ele tenta explicar o porquê cometeu os crimes e no final diz
que estava cansado de trabalhar para ter que pagar suas despesas. Gostava de ficar no seu divã
a pensar. Sônia lhe oferece uma cruz e diz que os dois carregarão juntos. Andriei vai até a
casa de Sônia lhe dizer que Ekatierina está tendo um ataque de loucura. Procurou ajuda e não
encontrou. Bateu nos filhos que estão desesperados. Ekatierina estava na rua, protestava por
não conseguir ajuda. Ninguém a convencia. Caiu na rua sangrando por causa da tuberculose.
Ekatierina morreu na cama de Sonia.
Svidrigáilov se ofereceu para procurar um bom orfanato para as crianças e depositar
um mil e quinhentos rublos para cada. Rodion ficou desconfiado e foi quando Svidrigáilov
falou da conversa que ele escutou quando Rodion disse Pólie teria o mesmo futuro que Sônia.
Rodion ficou assustado. Svidrigáilov passa a chantagear Ráskolnikov porque quer se casar
com Dúnia. Sonia e Dunia se tornam boas amigas. Svidrigáilov tenta forçar Dunia e até age
com violência, diz a ela que ouviu Rodion confessar o assassinato, mas percebe que Dunia
nunca vai amá-lo e a deixa em paz.
Porfiri interroga mais uma vez Ráskolnikov. Diz que suas suspeitas são pelo seu
desmaio na delegacia e o que disse a Zamiótov no castelo de Cristal. Aconselha-o se entregar
porque será bem mais fácil seu caso se ele confessar antes de produzirem provas. Porfiri
também sugere que ele deixe escrito onde estão os objetos roubados, caso ele se decida
suicidar-se. Ráskolnikov sai de manhã e pesnsa em suicidar-se. Mas não teve coragem. Visita
sua mãe. Ela percebe que não verá mais o filho. Encontra Dúnia em seu quarto e esta o apoia
apesar de Rodion dizer várias coisas que a deixa triste.
Ráskolnikov decide se entregar. Vai a casa de Sônia e pega sua cruz de cipreste. Não
sedespede deixa-a no meio da sala. Ele entra na delegacia, Iliá se desculpa pelas suspeitas
sobre ele e comenta sobre o suicídio de Svidrigáiolov. Ele se sente desnorteado e sai sem se
confessar. Quando ele sai para fora vê Sonia volta. Confessa a Iliá que matou a Aliena e
Lisavieta. Iliá fica de boca aberta e assim repete sua declaração.
Ráskolnikov pega oito anos de prisão e é levado para Sibéria. Sonia o acompanha
como ela mesma disse que faria. Os juízes que julgaram seu caso ficaram admirados porque
ele se entregou mesmo não tendo provas que fosse ele o assassino. Não usou nada do que
roubou. Dentro da bolsinha vermelha tinha trezentos e dezessete rublos e três moedas de vinte
copeques. Ele não tentou se defender. Contou tudo, todos os detalhes. Os juízes levaram em
conta sua miséria, seu estado hipocondria, ele não era um assassino comum. Ráskolnikov se
entregou por estar arrependido.
Todos gostavam muito de Sonia. Ela que enviava as cartas dos presos e recebia suas
encomendas e suas mulheres. Rodion a tratava com indiferença. Tinha se acostumado com
sua presença. Razumíkhin casou-se com Dúnia. Sonia que os mantinham informados sobre a
situação de Rodion. Pulkéria morre. Ráskolnikov perdeu todas as esperanças e se pergunta
por que estava ali. Agora ele questionava a gravidade do que tinha cometido. Já não achava
que era tão grave. Achava-se fraco porque não conseguiu enfrentar a situação e se entregou.
Sonia não desistiu dele. Numa manhã em que Sónia vai até o campo visitá-lo. Ele olha
o outro lado do rio onde moram uns nômades. Lugar onde havia liberdade. Sónia senta-se do
seu lado e ele segura sua mão. Nesse momento ele se sente renovado pelo amor que ambos
sentem um pelo outro. A esperança volta ao seu coração e dessa forma também a vontade de
viver. Ambos se sentem revigorados e felizes como se sete anos fossem sete dias.

CRÍTICA

Carlos Heitor Cony diz que o autor quer mostrar que a alma humana é uma espécie de
corpo a parte que vive, sofre e se redime. Ráskolnikov sofria mesmo antes de cometer o
crime. Animava-se quando perdia a coragem e tinha certeza que jamais poderia cometer
tamanha atrocidade. Sofreu ainda mais quando cometeu o crime. Não conseguiu se aproveitar
do que roubou, se angustiou, ficou doente, e sua vida ficou pior.
Quando se entregou, se culpou, disse estar arrependido, não se poupou e isso chamou
a atenção dos juízes. Dentro da prisão já não enxergava da mesma maneira. Pensava eu o que
tinha feito não era tão grave; já não havia arrependimento pelo crime, mas se censurava por
ter sido tão fraco de espírito ao ponto de nem coragem de cometer o suicídio tivera, pois
ficara com medo da água.
Esses dramas psicológicos dependem da ocasião em que se está vivendo. No primeiro
momento ele queria se livrar da pobreza, dar uma vida digna para sua mãe e irmã apesar, de
pensar mais em si mesmo que em sua família. Ele não quer dar aulas, não que trabalhar e lutar
como Razumíkhin o fazia, ele podia ter agido como o amigo, mas ele preferiu se revoltar e
desistir.
Depois começa a sofrer por planejar a morte de Aliena, mesmo que ache que mereça
por ser uma exploradora. Depois sofre porque foi capaz de matar, não uma, mas duas vezes,
pois matara a irmã da vítima por aflição extrema. Tenta se redimir ajudando outras pessoas,
mas está perturbado e não consegue mais viver somente na realidade. Tem muitos delírios.
Já na prisão não se sente livre, mas inábil, com um espírito fraco e incapaz de resistir à
pressão de suas próprias decisões ao ponto de ficar doente como antes. Carlos Heitor Cony
diz que Rásklnikov é um pobre diabo que se tornou um assassino em troco de nada, por culpa
de sua própria alma tumultuada e confusa.