Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Faculdade de Direito
Disciplina: Introdução ao Estudo do Direito
Docente: Celso Campilongo
Monitor: Bruno Ett Bícego
Discentes: André Gonzaga Manzaro - ME1 - RA00276834
São Paulo, 15 de março
Clássicos do Direito: Hans Kelsen
A Teoria Pura do Direito de Hans Kelsen propõe-se a analisar o direito como ciência,
isso é, uma ciência que descreve as normas de uma ordem jurídica. Partindo desse princípio,
Kelsen desenvolve sua teoria de ciência do direito despolitizada, em que o direito é apenas
um instrumento da política. Além disso, a visão de Kelsen se simplifica a procura fornecer
um conhecimento seguro a respeito das normas jurídicas, se são válidas, sem debater o
aspecto justo ou injusto. Há uma clara diferença, nessa perspectiva, do Direito, como
conjunto de normas, e o discurso científico sobre o direito.
Para elaborar essa visão, Kelsen coloca o direito como um amálgama de três
componentes: formal, material e funcional. O componente formal é que o Direito se trata de
uma percepção que as normas expressão um valor de dever. O componente material é que o
conteúdo do Direito elabora sanções negativas, previsões de coação. O componente funcional
é que o Direito é uma “específica técnica social” visando uma paz relativa - já que o Direito
em si já pressupõe uma agressão que é a coerção. Dessa formulação Kelsen aborda duas
outras questões: “o que torna o resultado de um ato humano uma norma jurídica?” e “por que
considerá-lo?”.
A resposta para a primeira questão é que o campo normativo-jurídico precisa de
“metanormas”, ou seja, as normas jurídicas se validam por outras normas jurídicas, isso
porque o autor busca validar as normas sem requisitar apelos externos, somente pela própria
retina das normas. Por isso, Kelsen coloca o Direito como um sistema normativo dinâmico,
sendo a relação normativa resumida a uma sequência de sucessivas autorizações.
A resposta para a segunda pergunta é mais longa. O ato jurídico se diferencia de um
saque criminoso uma vez que o dever jurídico é fundamentado em outros deveres posteriores,
sendo a Constituição a primeira das normas. No entanto poderia contestar a validade da
norma constitucional, a resposta de Kelsen é que a Constituição é validada por outra
Constituição predecessora, mas a pergunta retornaria, então o autor apela ao conceito de
norma fundamental, uma condição de pressuposição para a validação da Ciência do Direito.
Ainda assim perduram as perguntas, “o que valida uma constituição perante outras?”.
Para serem válidas as normas precisam a comprovação de que estão servindo de parâmetro de
obediência e, caso não obedecidas, se os funcionários estão as aplicando.