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CENTRO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - CCE

DEPARTAMENTO DE ARTES E LIBRAS - DALi


CURSO DE BACHARELADO EM LETRAS LINGUA BRASILEIRA DE SINAIS

TRADUÇÃO COMENTADA DE UM CAPÍTULO DO LIVRO ESTUDOS SURDOS


1: Poesia em língua de sinais: traços da identidade surda

Taynã Araujo Naves

FLORIANÓPOLIS (SC)
2012
Taynã Araujo Naves

TRADUÇÃO COMENTADA DE UM CAPÍTULO DO LIVRO ESTUDOS SURDOS 1:


Poesia em língua de sinais: traços da identidade surda

Monografia apresentada para obtenção do grau


de bacharel em Letras Língua Brasileira de
Sinais com habilitação em Bacharelado da
Universidade Federal de Santa Catarina -
UFSC.

Orientador: Prof. Prof. José Ednilson Gomes


de Souza Júnior

FLORIANÓPOLIS (SC)
2012
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
CENTRO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - CCE
DEPARTAMENTO DE ARTES E LIBRAS - DALi
CURSO DE BACHARELADO EM LETRAS LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

TRADUÇÃO COMENTADA DE UM CAPÍTULO DO LIVRO ESTUDOS SURDOS 1:


Poesia em língua de sinais: traços da identidade surda

TAYNÃ ARAUJO NAVES

Essa monografia foi analisada pelo professor orientador e aprovada para obtenção do grau de
Bacharel em Letras Língua Brasileira de Sinais no Centro de Comunicação e Expressão da
Universidade Federal de Santa Catarina

Florianópolis, julho de 2012.

Profª Marianne Rossi Stumpf


Coordenadora do Curso

José Ednilson Gomes de Souza Júnior


Orientador
DEDICATÓRIA

À minha esposa,

cuja alegre presença irradia paz irradia paz nos momentos críticos
e cuja sensatez traz ponderado equilíbrio ao nosso lar
AGRADECIMENTOS

À Deus, pelo dom da vida e inegáveis bênçãos concedidas.

À Juliana, esposa dedicada, por sua paciência e estímulos em toda minha trajetória. E pela
imensa ajuda nas edições do vídeo-registro da tradução, e pela revisão, sem a qual jamais
conseguiria terminar-lo em tempo hábil, devido ao quase incontornável imprevisto ocorrido.

À prof. Dr. Marilda cujos duros conselhos eram ácidos, mas eficazes. E cuja trajetória
científica, e militância exemplar, nos serviram como precisa bússola norteadora.

Ao prof. tutor José Edinilson, que com sua inegável sabedoria, inabalável conduta acadêmica,
e exemplar referencial teórico nos guiou ao longo desta jornada

À prof. Tutora Janete Nantes, sempre disposta a nos auxiliar e atender, ainda que isso
resultasse em sacrificar seu, há muito escasso e precioso, tempo.

Ao prof. Esp. Milton Terrazas, que inspirou-me com sua experiência.

À minha irmã Rayssa, também colega de turma, que pacientemente andando ao meu lado
neste caminho

Aos colegas Jeferson e Claudia (sua irmã), que nos brindou com suas companhias nas
inúmeras viagens ao polo.

E a todos os colegas, companheiros de luta, cujas sabedorias e conhecimentos, ora


compartilhados, ora conjuntamente construídos, sempre estavam ao nosso dispor.
EPÍGRAFE

“não há fatos, apenas interpretações”


Nietzsche

“se a interpretação não pode concluir-se,


é porque não há nada a interpretar...,
pois, no fundo, tudo já é interpretação”
Foucault
TRADUÇÃO COMENTADA DE UM CAPÍTULO DO LIVRO ESTUDOS SURDOS 1:
Poesia em língua de sinais: traços da identidade surda

Resumo:

A tradução é entendida como a transposição de uma mensagem de uma língua para outra,
independentemente da modalidade desta língua, se oral ou se de sinais. No entanto, quando a
mesma envolve ao menos uma língua de sinais, é notório o registro diferenciado da mesma
em forma de vídeo, mas o processo de tradução, bem como de preparação, é exatamente igual
para qualquer língua. Assim, o presente trabalho tem por finalidade realizar uma tradução
comentada de um capítulo de um dos livros da série “Estudos Surdos” (originalmente em uma
língua oral, o português) para uma língua de sinais, a LSB, utilizando como padrão de registro
as normas da revista brasileira de vídeo-registro em Libras, e com metodologia de tradução
orientada pela modelagem de Hans Krings (1986) para a solução de problemas de tradução,
buscando uma tradução estrangeirizadora, na acepção de Lawrence Venuti, procurando
manter a função do texto base, seguindo as orientações de Christiane Nord.

Palavras-chave: Tradução comentada; problemas de tradução; língua de sinais.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 9
2 REFERECIAL TEÓRICO ................................................................................................ 11
2.1 A questão da fidelidade .................................................................................................. 12
2.2 Tipos de tradução ........................................................................................................... 14
2.3 Modelos de tradução ...................................................................................................... 15
2.4 Modelagem de Hans Krings para a solução de problemas de tradução. ........................... 17
3 METODOLOGIA ............................................................................................................. 20
3.1 A preparação .................................................................................................................. 20
3.1.1 Problemas de tradução: de compreensão e de renderização .......................................... 21
3.1.1.1 Os glossários ............................................................................................................ 21
3.2 A tradução ..................................................................................................................... 23
3.3 O registro ....................................................................................................................... 24
4 A ANÁLISE ..................................................................................................................... 28
4.1 O texto fonte .................................................................................................................. 28
4.1.1 As Autoras .................................................................................................................. 29
4.2 O texto de apoio ............................................................................................................. 32
4.3 A tradução ..................................................................................................................... 34
4.4 O registro ....................................................................................................................... 35
4.4.1 Os arquivos de vídeo das unidades de registro ............................................................. 35
4.4.2 A edição ...................................................................................................................... 36
4.4.2.1 Resultados ................................................................................................................ 37
4.1 O armazenamento .......................................................................................................... 41
4.2 A iluminação.................................................................................................................. 41
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................ 43
6 REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS ................................................................................. 44
APÊNDICE 1 -Glossário em português................................................................................ 46
ANEXO 1 – O texto original ................................................................................................ 70
6.1 ‘A Bandeira Brasileira’ por Nelson Pimenta ................................................................. 102
6.1.1 Glossa da LSB........................................................................................................... 102
6.1.2 Narração traduzida da LSB ....................................................................................... 103
6.2 ‘Three Queens’ por Paul Scott ...................................................................................... 104
6.2.1 Glossa da BSL........................................................................................................... 104
6.2.2 Narração traduzida da BSL: ....................................................................................... 105
ANEXO 2 – O texto original .............................................................................................. 107
9

1 INTRODUÇÃO

A LSB1 (Língua de Sinais Brasileira) é uma língua cuja modalidade é visual gestual e o
sistema de escrita, apesar de existir (fato que por si só já desclassifica a LSB como uma língua
ágrafa), ainda está incipiente e em fase de experimentação (Gesser, 2009) (Quadros, et al.,
2004) (Stumpf, 2008).

Talvez por isto (ou pelos mitos que ainda cercam as línguas de sinais 2) muitas pessoas,
inclusive alguns acadêmicos de outras áreas do conhecimento, acreditam que as traduções
para língua de sinais ou inexistem ou são totalmente diferentes das traduções entre línguas
orais.

Assumindo que a LSB é realmente um língua e, assim como todas as outras línguas de sinais
(tais como língua de sinais americana, língua de sinais britânica, língua de sinais francesa,
língua de sinais italiana, etc.3), é uma língua natural4, iremos neste trabalho discutir os
fenômenos tradutórios sem distinguir (ou destacar) a modalidade da língua envolvida (se oral
ou de sinal), uma vez que a única diferença processual é a forma de registro do trabalho
tradutório, que é realizada em vídeo.5

De forma minimalista a tradução é a transferência de sentidos de uma informação de uma


língua (ou sistema de signos) para outra língua (ou outro sistema semiótico). Mas esta
transferência jamais é realizada sem interferências, seja do sistema simbólico fonte, ou do
sistema alvo, bem como do meio onde cada sistema está inserido e também do sistema de
tradução (seja humano, automático, ou misto6)

1 Existe também uma outra sigla, a saber, Libras. Mas para fins deste trabalho adotamos LSB, seguindo padrão
internacional.
2 A respeito dos mitos em relação às línguas de sinais e de suas desmitificações vide em Quadros&Karnopp, LSB:
Estudos lingüísticos.
3 ASL (American Sign Language), BSL (British Sign Language), LFS (Language Française de Signes), LSI
(Lingua di Segnale Italiana)
4 É justamente por isto mesmo que todas as questões lingüísticas e tradutórias que envolvem as línguas de sinais
são tratadas à luz das mesmas teorias que outrora foram tecidas tendo como objeto de pesquisa, a priori, apenas
as línguas de modalidade oral.
5 É claro que é possível fazer o registro escrito, por meio do sistema SUTTON de escrita de sinais (também

conhecido por SignWriting), mas extremamente escasso número de pessoas que dominam a leitura da escrita da
LSB torna inviável a empreita (exceto, claro, quando para fins didáticos)
6 Por sistema de tradução mista entendemos as traduções mediadas por computador.
10

Mas quando se discute a respeito da tradução, em algum momento a questão da fidelidade


tradutória sempre vem a tona, ora nitidamente declarada, ora de forma velada, baseando
questões como a qualidade (ou os erros/acertos) da tradução. Este assunto foi abordado de
forma superficial orientado pelas idéias de Rosemary Arrojo e Halrald Weinrich.

Quando se trata de um projeto de tradução, como é o caso da proposta deste trabalho, é


necessário discutir a respeito dos métodos e tipos de tradução. A que fora julgada mais
apropriada para este trabalho fora uma metodologia orientada pela modelagem dos problemas
de tradução e suas formas de resolução, propostas por Hans Krings (Krings, 1986). No
entanto houve leves influencias da propostas de Christiane Nord (apud Freitas, 2011),
principalmente no que diz respeito à tentativa de manter de manter a função do original.

Para fins de registro da tradução produto de nosso projeto, que se encontra no apêndice,
adotamos para fins de padronização, as normas técnicas da revista brasileira de vídeo-registro,
uma revista especializada em publicação de artigos científicos em LSB, cujos artigos podem
ser originais/inéditos ou traduzidos de outra língua, seja oral ou de sinais.
11

Kein Wort ist übersetzbar.


Aberwir brauchen auch gar keineWörter zu übersetzen.
Wir solle Sätze und Texte übersetzen.
[...] Übersetzte Wörter lügen immer,
Übersetzte Texte nur, wenn sie schlecht übersetzt sind.7

Harald Weinrich (1965)

2 REFERECIAL TEÓRICO

Mas afinal o que é tradução? É claro que temos uma noção intuitiva do que seja, uma vez que
no nosso mundo globalizado constantemente nos deparamos com textos estrangeiros que
gostaríamos de conhecer seu conteúdo, e neste momento, ao desejar que este mesmo texto
fosse escrito em nossa própria língua, estamos desejando ter acesso a uma tradução daquele
texto. No entanto, a tradução é mais do que transferir para uma língua o conteúdo de um texto
escrito e outra. Paulo Ronái, em seu livro A tradução vivida, diz que:

Ao definirem “tradução”, os dicionários escamoteiam prudentemente esse aspecto e


limitam-se a dizer que “traduzir é passar para outra língua”. A comparação mais
óbvia é fornecida pela etimologia: em latim, traducere é levar alguém pela mão para
o outro lado, para outro lugar. O sujeito deste verbo é o tradutor, o objeto direto, o
autor do original a quem o tradutor introduz num ambiente novo [...] Mas a imagem
pode ser entendida também de outra maneira, considerando-se que é ao leitor que o
tradutor pega pela mão para levá-lo para outro meio linguístico que não o seu.
(Rónai, 1979 pp. 3-4)

Susan Bassnett completa pontuando que a tradução não é somente a transferência de textos de
uma língua para outra – “ela é hoje corretamente vista como um processo de negociação entre
textos e entre culturas, um processo em que ocorrem todos os tipos de transações mediadas
pela figura do tradutor” (Apud Guerini, 2008 p. 7)

Vale salientar que a interpretação, enquanto um ato tradutório, difere da tradução apenas no
que diz respeito à forma de execução e apresentação do trabalho.

O intérprete, que atua com a forma oral (ou gestual) e instantânea de Tradução, não
tem tempo hábil de consultar os instrumentos de ofício do tradutor. Segundo
Mounin, o intérprete “deve ser um orador e até mesmo um ator: um virtuoso, um
artista” (Guerini, 2008 p. 27)

7 Nenhuma palavra é traduzível. Mas não são as palavras que a gente precisa de traduzir. O que devemos traduzir
são frases e textos.[...] palavras traduzidas sempre mentem; textos traduzidos apenas quando mal traduzidos.
(Tradução gentilmente realizada e cedida pelo prof. Werner Heidermann - UFSC)
12

É bom grifar que, dentro campo científico dos estudos da Tradução, existe outro termo,
homônimo e hipônimo do primeiro. Explicando: a Tradução (que vamos chamar apenas neste
momento como TraduçãoA) enquanto saber científico, conforme a citação acima, é a
operação. No entanto existe o outro termo tradução (que vamos chamar apenas neste
momento como traduçãoB), que é definido como a ação ou o produto escrito (ou registrado)
oriundo da operação de TraduzirA. A traduçãoB está em oposição à interpretação, que é a
prática oral da TraduçãoA. A interpretação, ao contrário da traduçãoB, não é um produto, mas
sim um serviço. Quando ela ocorre a mensagem não está registrada, mas está sendo proferida
naquele exato instante. E o receptor necessita de consumir esta informação também neste
exato momento. Na interpretação, o emissor, a mensagem e o receptor, possuem ações
sincrônicas, ou seja, suas interações são ao vivo, e quase sempre presenciais. Ao contrário, na
traduçãoB o emissor (ou autor), o receptor (ou leitor) e o tradutor possuem ações
assincrônicas. Primeiramente o emissor registra sua mensagem em uma determinada língua.
Posteriormente essa mensagem é passada ao tradutor que a transfere para uma outra língua
(uma atividade cognitiva – realizada por um saber científico – de TraduçãoA) e a registra. Este
registro é a traduçãoB que é disponibilizada ao receptor, que então recebe a mensagem. Note
que a traduçãoB é uma um produto oriundo da atividade de TraduçãoA, realizada de forma
assincrônica. Vale lembrar que, devido a estas características, um tradutor B, durante a
execução de seus trabalhos, possui certo tempo (dias, meses ou até mesmo anos) para
pesquisar termos em dicionário terminológicos, em livros ou publicações específicas das duas
línguas, conversar com seus pares, para só então fazer suas escolhas tradutórias. Quer dizer, o
tradutorB tem tempo para ampliar sua competência referencial, tempo este que o intérprete
não possui, pois precisa fazer suas escolhas tradutórias ao vivo e de imediato.

Para evitar quaisquer dubiedades conceituais, ao longo deste trabalho utilizaremos o termo
tradução como sinônimo de ato tradutório, ou seja, ao objeto de estudo do campo disciplinar
‘Estudos da Tradução’ inaugurado por James Holmes, em sua palestra “The name and nature
of Translations Studies” proferida em 1972 e publicada dezesseis anos depois.

2.1 A questão da fidelidade


13

Os tradutores aprendizes e iniciantes, ao se depararem com seus primeiros problemas de


tradução, quanse sempre são defrontados com o questionamento a respeito da fidelidade
tradutória. Rosemary Arrojo, no livro oficina de tradução, da um tratamento filosófico a este
impasse com a fictícia situação intitulada como Celópatra Melindrosa, chegando à conclusão
de que em uma tradução “o que acontece não é uma transferência total de significado, porque
o próprio significado do ‘original’ não é fixo ou estável e depende do contexto em que
ocorre”

Thais Nogueira Diniz considera que ainda que o significado das palavras no original fossem
fixas e estáveis, são seria possível fazer uma escolha tradutória cujo sentido traduzido seja
exatamente igual ao do original

Mesmo que se estabeleçam equivalentes semânticos para os elementos de dois


sistemas de signos diferentes, não se pode abranger todas as nuances de cada um dos
sistemas [...] toda tradução irá, portanto, oferecer sempre algo além ou aquém do
chamado original, e o sucesso não dependerá apenas da criatividade nem da
habilidade, mas das decisões tomadas pelo tradutor, seja sacrificando algo, ou
encontrando a todo custo um equivalente. (Apud Guerini, 2008 p. 25)

Com a experiência, as preocupações no que diz respeito a fidelidade do sentido de cada


palavra vão se esvaindo, certamente devido aos embasamentos teóricos construídos ao longo
do tempo e provavelmente pelo fato citado por Paul Kußmaul/Hönig,:

Os tradutores profissionais trabalham com unidades textuais mais extensos do que


os aprendizes. Os profissionais usam estratégias globais que abrangem o texto na
sua íntegra; os iniciantes, no entanto, se movimentam apenas dentro de um trecho do
texto e traduzem de forma linear. (Apud Heidermann, 2009 p. 23)

Assim o entendimento de que tradução fiel é tradução palavra-por-palavra além de


equivocada é rechaçada pela comunidade científica. Devemos ser fieis sim, mas à mensagem.
Aproximar o leitor à cultura do texto de origem é uma opção. Alguns acréscimos ou omissões
são até mesmo obrigatórios (e outros tantos são opcionais), mas deve-se ter certa moderação,
para que ao invés de um texto traduzido, o que se tem como produto é uma versão.

Finalizamos relembrado o já dito pela epígrafe. “Nenhuma palavra é traduzível. Mas não são
as palavras que a gente precisa de traduzir. O que devemos traduzir são frases e textos.[...]
palavras traduzidas sempre mentem; textos traduzidos apenas quando mal traduzidos.”
(Weinrich, 1965)
14

2.2 Tipos de tradução

Como já fora dito, as questões da fidelidade vão muito além da correspondência palavra-
palavra, classificando os tipos de tradução segundo a metodologia ou a forma como que os
problemas tradutórios são contornados e o modo de composição do texto na língua alvo.

Dryden (1631-1700), no prefácio às Cartas de Ovídio (1680) define estes tipos como:
metáfrase (verter palavra por palavra), paráfrase (tradução do sentido) Imitação (recriação).
No que diz respeito à tradução como uma paráfrase, Friedrich Schleiermacher (1768-1834),
em seu ensaio intitulado “Sobre os diferentes métodos de tradução” diz: “Ou o tradutor deixa
o autor em paz e leva o leitor até ele; ou o tradutor deixa o leitor em paz e leva o autor até
ele”.

Com relação a esta dicotomia, Paulo Rónai, no livro “A tradução vivida”, claramente
influenciado por schleiermacher, define tipos de traduções como: naturaliadora e
identificadora:

[Naturalizadora] que conduz uma obra estrangeira para outro ambiente linguístico,
adaptando ao máximo aos costumes do novo meio, retira-lhe as características
exóticas, faz esquecer que reflete uma realidade longínqua, essencialmente diversa”.
(Rónai, 1979 p. 22)

[Identificadora]conduz o leitor para o país da obra que lê significa, e mantém


cuidadosamente o que essa tem de estranho, de genuíno, e acentuar a cada instante a
sua origem alienígena” (Rónai, 1979 p. 23)

Com relação ametáfrase de Dryden, Ronai comenta, em sua obra “ Escola de tradutores”:

“Pensa-se geralmente que a tradução fiel é a tradução literal, e que, portanto,


qualquer tradução que não seja literal é livre. [...]”.Só se poderia falar em tradução
literal se houvesse línguas bastante semelhantes para permitirem ao tradutor limitar-
se a uma simples transposição de palavras ou expressões de uma para outra. Mas
línguas assim não há, nem mesmo entre os idiomas cognatos. As inúmeras
divergências estruturais existentes entre a língua do original e a tradução obrigam o
tradutor a escolher, de cada vez, entre duas ou mais soluções, e em sua escolha ele é
inspirado constantemente pelo espírito da língua para a qual traduz. (Rónai, 1987 p.
20)

Lawrence Venuti nomeia diferentemente estas formas de traduzir, chamando por tradução
domesticadora e tradução estrangeirizadora. Sobre estas formas, Segala comenta dizendo:
15

[Com relação à tradução domesticalizadora] Quem lê a tradução se sente satisfeito,


porque os elementos culturais e sociais do original são adaptados para a sua língua,
ou seja, os vestígios da língua original estão diluídos na tradução. (Segala, 2010 p.
46)

[Com relação à tradução estrangeirizadora] o tradutor deixa vestígios da língua


(palavras, frases etc) e da cultura originais. esse tipo de tradução respeita o texto
original em todos os aspectos: sociais, linguísticos, geográficos, culturais etc.
(Segala, 2010 p. 48)

Como cada um dos tipo de tradução tem seus valores e suas falhas, Venuti propõe uma
tradução que seja um meio termo entre a domesticalizadora e a estrangeirizadora, que ele
chamou por tradução minorizante. A respeito deste tipo de tradução, Segala comenta que:

[Nela] o tradutor deixa vestígios da língua (palavras, frases etc) e da cultura


originais. esse tipo de tradução respeita o texto original em todos os aspectos:
sociais, linguísticos, geográficos, culturais etc. [...] [a tradução minorizante] põe
frente a frente línguas e culturas diferentes, com suas próprias regras, história, e
valores. No momento da tradução, o tradutor tem de tomar muito cuidado para ler e
adaptar a tradução de maneira a transmitir sutilmente características específicas da
cultura, da sociedade e do momento histórico em que o original foi produzido, para
que o leitor do texto traduzido apreenda essas características e sinta-se satisfeito.
(Segala, 2010 p. 50)

No que diz respeito às traduções de uma língua oral para uma língua de sinais, Rimar
Ramalho Segala (2010), reafirma que os tradutores deparam-se todos os dias com as
dificuldades de se traduzir não só palavras, mas também culturas. E que os mesmos precisam
mesmos precisam realizar escolhas, baseado em seu conhecimento empirico sistematisado,
para discernir qual a estratégia tradutória mais adequada para derterminado texto e centexto.
Ele aconcelha que caso seja de interesse fazer uma tradução minorizante, é necessário decidir
o quanto revelar e o quanto adaptar da cultura ouvinte, tendo em vista que há muitos surdos
que têm dificuldade de entender o texto traduzido por desconhecimento da cultura, dos
valores sociais e da língua original.

2.3 Modelos de tradução

Alguns teóricos da tradução vêm propondo modelagens dos processos e procedimentos de


tradução. Os modelos mais recorrentes na litreratura são os de Christiane Nord (apud (Freitas,
16

2011), de Alves e Pagano (Alves, et al., 2000), Albir Urtado (Albir, 2007), Heloisa Barbosa
(Barbosa, 2004) e Hans Kings (Krings, 1986).

O modelo de Alves e Pagano (Alves, et al., 2000) é um mapeamento do processamento


cognitivo utilizado no ato tradutório. Está mais relacionado com os mecanismos de tomada de
decisão sendo então um modelo psicolinguitico do processo de tradução.

Já Albir (Albir, 2007) traz um uma metodologia de ensino e formação de tradutores, e na


parte IV de seu livro intitulado ‘Enseãr a traducir’ propõe, particularmente, um método
didático de formação/auto formação em tradução científica. Em sua introdução (Albir op. cit)
discorre sobre os textos científicos, sua forma e estrutura, e as competências e habilidades que
um tradutor deve possuir para realizar sua empreita, mas não explica como traduzir estes
textos, ou seja, não propõe claramente um método.

O modelo de Nord (opus citatum) enxerga a tradução como uma comunicação intercultural,
na qual o texto de partida e o texto de chegada pertencem a culturais distintos, o que nos leva
a analisar suas funções separadamente, levando em consideração, sobretudo, a situação de
recepção de cada um dos textos. Sob seu ponto de vista toda tradução de texto envolve uma
tradução cultural. Seu método explica como proceder para realizar uma tradução cultural, com
o objetivo de que as expectativas do receptor sejam atendidas, com o intuito de minimizar os
problemas de adaptação cultural das mascas culturais do texto fonte. Para a mesma é
extremamente importante conhecer bem os autores e o texto com o objetivo de manter a
função do original, bem como preservar a informação, o que para iste é necessária a tradução
cultural.

O modelo de Barbosa (Barbosa, 2004)8 elenca treze procedimentos técnicos: a tradução


palavra-por-palavra, a tradução literal, a transposição, a modulação, a equivalência, a omissão
vs. a explicitação, a compensação, a reconstrução de períodos, as melhorias, a transferência
(que abrange o estrangeirismo, a transliteração, a aclimatação e a transferência com
explicação), a explicação, o decalque e a adaptação. Estes procedimentos, como a própria
autora cita, fora baseado nos trabalhos de Vinay e Darbenet.

8Livro: Procedimentos técnicos da tradução – uma nova proposta, Ed. Pontes (2004)
17

2.4 Modelagem de Hans Krings para a solução de problemas de tradução.

Krings (Krings, 1986) estudou os problemas de tradução e, com o intuito de solucioná-los fez
uma modelagem dos mesmos, e propõe, com base neste, um método tradutório. O modelo de
Krings (opus cit) é mais direcionado a resolução dos problemas de tradução. Está focado nos
problemas existentes e como solucioná-los. É bom destacar que quando se diz problemas de
tradução, Krings está dizendo em dificuldade de se traduzir uma determinada unidade de
tradução do texto fonte.

Para krings (op cit.) os problemas podem ser dos seguintes tipos:

a) de compreensão,
b) de renderização (ou tradução propriamente dita).

Os problemas de compreensão estão relacionados, como o próprio nome diz, com a


dificuldade de entendimento da mensagem transmitida, originalmente, pelo texto fonte. Para
os problemas de compreensão, segundo Krings, podemos usar a inferência ou livros de
referencia.

A renderização consiste no encontro de um referente na língua alvo, do termo (ou unidade de


tradução) do texto fonte. Ou seja, é a tradução propriamente dita, é a transferência da
informação para a língua alvo. O problema de renderização consiste na dificuldade (ou
impossibilidade) de encontrar um referente na língua alvo. Para solucionar problemas de
renderização existem:

a) Estratégias de busca (ou estratégias de resgate),

As estratégias de busca, segundo Esther Glahn (apud Vasconcellos, et al., 2008 p. 35), podem
ser por meio de: associações interlinguais espontâneas; relação paradigmatica com outros
termos; análise semântica de itens lexicais do texto; livros de referência. Pode-se ainda
esperar que um termo ‘apareça’; apelar para similaridade formal; resgatar áreas semânticas;
procurar por outras línguas; resgatar situações de aprendizagem; procedimentos sensoriais
(uso de imagens, sons). Caso nenhuma associação interlingual possa ser encontrada, existe a
possibilidade de buscar por sinônimos, paráfrases ou termos gerais.
18

b) Estratégias de monitoração,

Consiste nas formas de verificar a adequação do termo encontrado na busca. O


monitoramento pode ser realizado por meio de regras gramaticais ou ainda lançar mão da
“estratégia de marcar diferença” - por meio da comparação dos itens da língua fonte e da
língua alvo, observar as diferenças entre eles, para perceber diferenças no significado,
conotação, estilo ou uso, para tomar a decisão de escolha do candidato a equivalente, ou seja,
um equivalente, selecionado entre os vários equivalentes potenciais.

c) Estratégias de tomada de decisão,

Quando se depara com equivalentes equipotenciais, ou seja, se todos os equivalentes


potenciais concorrentes provam ser igualmente apropriados ou inapropriados, existe duas
possibilidades: considerar o mais literal ou alternativamente considerar o menor

d) Estratégias de redução.

Consiste em desistir da linguagem marcada ou do caráter metafórico de um item do texto da


língua fonte e substituí-lo por um equivalente não-marcado ou não-metafórico
19

Modelagem para a resolução de problemas de tradução (Krings, 1986)


20

3 METODOLOGIA

O presente capítulo tem por simples finalidade descrever os métodos utilizados no processo
tradutório, em cada uma de suas fazes, a saber: a preparação a tradução e o registro.

Todo o processo tradutório pode ser esquematizado da seguinte forma:

a) Preparação
I) Leitura e estudo do texto fonte
II) Identificação dos problemas de tradução
i) de compreensão
ii) de renderização
III) Montagem do glossário em LP
IV) Montagem de um glossário prévio em LSB
b) Tradução e registro
I) Separação do texto nas unidades de registro
II) Solução de problemas de renderização
i) Atualização do glossário em LSB

Apesar de neste texto a tradução e o registro estarem separados, é bom destacar que os dois
aconteceram simultaneamente, como veremos a seguir

3.1 A preparação

A preparação foi dividida também em etapas, que fora a análise do texto fonte (o texto em si e
as autoras) na análise de um texto de apoio (de autoria de uma das autoras) e de sua tradução
(organizada pela outra autora), na montagem de um glossário em língua portuguesa, na
previsão de problemas de tradução, e na montagem de um glossário em LSB.

O objetivo da preparação foi descobrir os problemas de compreensão e solucioná-los, prever


os possíveis problemas de renderização e já resolvê-los.

Primeiramente se leu o texto fonte. Depois o mesmo fora estudado, procurando descobrir os
detalhes, as sutilezas, buscando extrair toda a informação contida no mesmo.
21

3.1.1 Problemas de tradução: de compreensão e de renderização

Ao mesmo tempo em que se estudava o texto fonte, os problemas de compreensão iam


surgindo. Sendo assim, recortava-se o termo para compor uma lista de palavras com
problemas de compreensão, que mais tarde se transformaria no glossário.

Os problemas de renderização foram sendo previstos no momento de estudo do texto fonte.


Ao ler determinado trecho, perguntava-se como traduzi-lo, ou então, qual seria o melhor
referente para esta ou aquela unidade de tradução. Ao fazer isto, começava-se a inferir os
possíveis problemas de renderização que emergiriam no momento tradutório. E então, aquele
termo ou sintagma passava a fazer parte da lista de problemas. Quando a solução para a
previsão era encontrada durante o estudo por meio de associações lingüísticas, ou inferência,
ou paráfrases, fazia-se uma anotação da solução no texto fonte, normalmente em glossa.

3.1.1.1 Os glossários

Uma vez finda a lista de problemas, o próximo passo seria resolvê-los. Como a orientação de
Hans Krings para solucionar os problemas de compreensão é usar a inferência ou livros de
referencia, então, para resolver os problemas de compreensão elencados na lista, quando a
inferência não fora possível, foi buscado solucioná-lo fazendo consultas no dicionário
Houaiss9 ou no dicionário de linguística de Jean Dubois 10.

Devido ao escasso tempo para a realização deste projeto, não fora procurado livros
especializados que definem/explicam cada um dos problemas de compreensão que venham a
ocorrer. No entando utilizamos o artigo “Imagens da Identidade e Cultura Surda na Poesia em
Línguas de Sinais” da Rachel Sutton-Spence, como fonte de consulta para ampliar nossa
competência referencial em LP e melhorar a capacidade de inferência.

9 Versão eletrônica 3.0, mono usuário, junho 2009.


10 Ed. Pensamento-Cultrix, 2006, São Paulo.
22

Antão o Glossário em LP fora construído. Ele contém termos ou que foram problemas de
compreensão ou que foram previstos como possíveis problemas de renderização. Cada
verbete deste glossário é seguido do trecho textual no qual ele está inserido e de significado
naquele contexto, consultado nas obras de referências utilizadas

Uma vez construído o glossário em LP, construímos então o glossário em LSB que foi
construído exclusivamente para auxiliar a resolver os problemas de renderização. Ele fora
montado buscando-se a melhor forma de tradução para cada termo do glossário em LP

Seguindo as orientações de Hans Kings e Esther Glahan, adotamos como uma das estratégias
de busca a consulta ao artigo “Images of Deaf Culture and Identity in Sign Language Poetry”,
da Rachel Spence (Quadros, 2006), publicado no TIRLS911 que foi traduzido do Inglês tanto
para português, quanto para LSB (Quadros, et al., 2006).

Foi tentado identificar no texto de apoio a existência de cada um dos verbetes do glossário em
LP. Uma vez identificado era então verificado como fora traduzido para LSB e o termo em
LSB era utilizado para montar o glossário.

Além desta estratégia, foi utilizado como fonte de consulta o dicionário on-line do INES12,
versão 2.0, o dicionário enciclopédico bilíngüe de Libras, do prof. Fernando Cezar Capovilla,
ou ainda uma consulta a colegas tradutores. Caso nenhum termo fora encontrado, fora feita
uma redução, desistindo da linguagem marcada ou do caráter metafórico, ou ainda utilizado
paráfrases ou conceituações. Ou ainda julgado a importância do termo na unidade de
tradução, e uma vez considerado um detalhe, fora escolhida a omissão do mesmo.

Encontrando um referente, o mesmo era registrado e então passava a fazer parte do glossário
em LSB.

Devido a uma falha técnica muito deste registro se perdeu, O pouco que se resgatou encontra-
se no apêndice

11 9th Theoretical Issues Research on Sign Language


12 Disponivel em :www.ines.gov.br ou www.acessobrsil.org/libras
23

3.2 A tradução

Para a realização da tradução, dividiu-se o texto base em unidades de registro, que foi uma
sentença, ou grupo de sentenças não maiores que um parágrafo. Cada unidade de registro teve
uma duração de, em média, um minuto e, com a ajuda do glossário e de dicionários de LS,
traduzia-se diretamente para a LSB, fazendo o registro em vídeo, evitando-se assim, a
realização de glossas. Cada unidade de registro, com posta por várias unidades de tradução e
numerada no texto de apoio para auxiliar o controle, foi traduzida várias vezes.

Cada tradução da unidade de registro foi gravada no estúdio, improvisado claro, para posterior
análise.

Cada unidade de registro foi sendo analisada assim que registrada. Uma vez encontrada
traduções inadequadas, ou erros de filmagem, a unidade de registro era então re-traduzida e
registrada novamente.

Quando deparava-se diante de um problema de renderização, suspendia-se o processo e


adotava-se uma estratégia de busca até encontrar um referente adequado no glossário em
LSB, ou com outros colegas tradutores, ou ainda lançava-se mão de associações interlinguais
espontâneas, ou de inferências a partir de análises semânticas de itens lexicais do texto de
origem e/ou de correspondentes no texto de apoio.

Como não havia tempo hábil para mandar referentes encontrados para um nativo ou outro
tradutor com competência lingüística maior, a monitoração era feita com base nos próprios
conhecimentos lingüísticos em LSB ou verificação da gramaticalidade e da correspondência
semântica da unidade com base também nos próprios conhecimentos prévios já adquiridos.
Quando se deparava com equivalentes equipotenciais escolhia-se o mais literal.

Quando não encontrava-se um referente adequado, desistia-se da ou da linguagem marcada,


ou do caráter metafórico. Ou ainda parafraseava-se toda a unidade de tradução, e por vezes,
até mesmo a unidade de registro
24

Uma vez concluída esta etapa, foi filmada uma nova versão da tradução, desta vez já
eliminando os problemas de tradução e de registro observados. No entanto, devido a uma
falha técnica este registro se perdeu. Então re-compilamos os vídeos-registro das unidades de
gravação, o editamos, e o apresentamos como versão final.

3.3 O registro

O registro fora realizado por meio de uma câmera Sony Cibershot, em alta resolução, cujo
arquivo de vídeo era do formato MP4

Como não tínhamos claquetes, numeramos em uma cópia do texto fonte cada unidade de
registro e a cada tradução (ou seja, cada tomada) da unidade falava-se o número da unidade.
Não precisava dizer a versão da tradução (tomada 1, tomada 2, tomada 3, ...) pois isto era
verificado pelo próprio nome do arquivo gravado pela câmera, que era sempre seqüencial,
independentemente de a desligarmos, trocarmos a bateria, ou deletar alguns aquivos.

Fora montado um rústicos estúdio caseiro de gravação, com apenas um ponto de iluminação,
que era a luz fria, fluorescente, da sala onde o mesmo fora montado. Utilizamos 3 telas
brancas para projeção de slides como difusores improvisados e como pano de fundo. Para
otimizar a difusão, utilizamos também placas de isopor e papel alumínio. Veja a disposição
abaixo.

Imagem do estúdio improvisado.


25

Os procedimentos técnicos e normativos utilizados foram baseados na Revista Brasileira de


Vídeo Registros que estabelece diretrizes para a produção de vídeos desta natureza. A referida
revista estabelece a normatização para: o tipo de arquivo; o fundo e iluminação; o vestuário; a
imagem do sinalizante; a posição e filmagem; o título, autor e tradutor; seções; notas de
rodapé; referências bibliográficas;

a) Tipo de arquivo

O arquivo de vídeo dever ser único, em formato AVI, sem menus de navegação. Sendo assim
o vídeo da tradução não fora gravado em formato de DVD.

b) Fundo e iluminação

A revista determina que o fundo deve ser branco e liso, com iluminação não muito forte (mas
não discrimina a intensidade - em Lumens, velas, ou outra unidade de medida) e sem
sombras.

c) Vestuário

A camisa deve ser lisa básica, sem gola V, sem nenhuma listra ou estampa, nas cores:

i. Vermelha para citações diretas.


ii. Azul escuro (pessoa de pele clara) ou bege (pessoa de pele morena)
para todos os títulos, subtítulos, e temas das seções
iii. Preto (pessoa de pele clara) ou cinza (pessoa de pele morena) para o
desenvolvimento
d) Imagem do sinalizante

Barbeado ou barba feita, cabelos presos (se comprimento maior que a altura do lóbulo das
orelhas), evitar adereços chamativos (anéis, pulseiras, relógios, etc), podendo usar alianças ou
brincos pontuais discretos,
26

e) Posição e filmagem

i. Da cabeça até a borda superior de 6cm a 8cm


ii. Largura maior do que os cotovelos quando o braço estendido
iii. Da mão em posição de repouso – mais ou menos na altura do umbigo –
até a borda inferior, de 6cm a 8cm
iv. Os sinais JAMAIS podem extrapolar as bordas do vídeo

f) Título, autor e tradutor

i. Titulo, roupa azul ou beje, dependendo da cor da pele da pessoa


ii. Se tem sub título, faça o sinal Titulo e sub titulo antes de cada um
iii. faça uma pausa de 2 a 3 segundos com Fade in Fade out
iv. Dados dos autores e tradutores, no rodapé
1. Dados do autor (sinalisante ou não) – No rodapé 1
a. Nome
b. Sinal
c. Contato – e-mail
2. Dados do tradutor
a. Nome
b. Sinal
c. Contato
3. Fade in fade out de 2 a 3 seg e mude para o próximo tópico

g) Seções

Titulo precedido por fade out seguido por fade in (de 2-3 seg). Camisa de cor azul ou bege.
Finalizar com a mão em repouso. Em seguida o desenvolvimento com camisa cor preta ou
cinza.

h) Notas de rodapé

i. Colocar as notas de rodapé, a partir da segunda, depois das conclusões


ii. O titulo ( rodapé 1, rodapé 2, rodapé 2 ...) roupa azul ou bege
iii. A explicação roupa preta
iv. Ao fim fade in fade out (2-3 seg) para o próximo tópico

i) Referencias Bibliográficas

i. Sinalisar o tópico com roupa azul ou bege


27

ii. Referencias em texto em português segundo NBR 6023, fonte arial cor
amarela
iii. Ao fim fade out
28

in sign literature, the same hands, face, and whole body


used for everyday eating, sneezing, and lifting
are transformed into the kinetic shape
and skin of the poem.13
H-dirksen L. Bauman (2006)
4 A ANÁLISE

Neste capítulo iremos postar as análises do processo tradutório, e dos materiais de apoio
construídos. Iremos discutir o texto fonte, o texto de apoio, os glossários, a tradução, e o
registro.

4.1 O texto fonte

O capítulo quatro do primeiro volume da série “Estudos Surdos” 14, publicado pela editora
Arara Azul, cujo título é “Poesia em língua de sinais: traços da identidade surda” tem por
objetivo analisar como a poesia em língua de sinais, por meio do tema e da linguagem
utilizada, cria – e ao mesmo tempo traduz – a cultura e a identidade Surda.

Segundo as autoras, na nota de agradecimento, ele é uma versão em português do artigo


publicado. O presente trabalho é uma versão em Português do artigo “Sign language poetry
and Deaf identity” publicado como um capítulo do livro “Language Acquisition: Special issue
of Sign Language & Linguistics”, organizado por Anne Baker e Woll Bencie, e publicado
pela John Benjamins Publishing Company em 2005.

Partindo do pressuposto de que as pessoas surdas possuem uma identidade complexa (Perlin,
1998) com língua própria mas com claras interferências da língua oral (empréstimo
lingüístico e formas do discurso), com cultura particular, com certas influencias da cultura
ouvinte (Ströbel, 2008), o artigo analisa dois poemas em língua de sinais cujos resultados
mostram não só como a linguagem é utilizada nestes poemas como também sua forma e
conteúdo, assim como o impacto no folclore e seus papeis na construção e tradução da
Identidade Surda

13 Na literatura sinalizada, o corpo, o rosto e as mãos, que diariamente assumem funções anatômicas, como
quando comemos ou espirramos, adquirem movimentos que dão a forma e a beleza do poema (tradução nossa).
14 Versão digital completa disponível em: http://editora-arara-azul.com.br/novoeaa/pesquisas-em-estudos-surdos/
29

Os poemas analisados foram: Bandeira Brasileira, do Surdo carioca Nelson Pimenta, e Three
Queens, do britânico Paul Scott.

Estes poemas provêm de diferentes culturas nacionais, sem história de conexão (nem
patrimônio) cultual,compartilhado. No entanto possuem o mesmo viés poético, disseminado
por ‘Dot’ Miles, no NTD (National Theatre of the Deaf), na década de 1970. Ambos celebram
a experiência de ser Surdo e descrevem o lugar das pessoas surdas no mundo, ao passo que,
individualmente, também celebram a experiência de ser brasileiro ou britânico.

O artigo tece considerações a respeito do empoderamento das pessoas surdas por meio da
poesia em língua de sinais enquanto descreve a experiência sensorial e a experiência bilíngüe
da pessoa surda retratada em ambos os poemas.

Além disto cita e descreve alguns elementos da linguagem presentes nos poemas com fins
estéticos, tais como a repetição, simetria e equilíbrio, neologismo e o morfismo (uma forma
especial de neologismo)

4.1.1 As Autoras

Ronice Müller de Quadros é CODA (Children of Deaf Adults), ou seja, filha de pais surdos.
Atualmente, é professora e pesquisadora na Universidade Federal de Santa Catarina no Centro
de Comunicação e Expressão - CCE, no Departamento de Línguas Estrangeiras.

Seus projetos de pesquisa foram, desde 2005, os seguintes: Aquisição das categorias
funcionais na língua de sinais brasileira, Avaliação da linguagem em crianças surdas, Tópicos
em Aquisição da Sintaxe: Estudos Interlingüísticos e Intermodais, Reestruturação das
políticas públicas para a educação de surdos em Santa Catarina ,Educação de surdos:
professores bilíngües, professores surdos e intérpretes de língua de sinais em foco , Aquisição
da sintaxe em crianças surdas brasileiras: repercussões das diferentes formas de acesso à
língua de sinais , Aquisição da linguagem em crianças com diferentes formas de acesso à
língua de sinais em contextos monolíngüe e bilíngüe, Identificador de sinais para banco de
dados da língua de sinais brasileira, Desenvolvimento Bilíngue Bimodal.
30

Ronice Müller de quadros

Entre livros publicados, constam doze obras no currículo da autora, dentre eles “Língua de
Sinais Brasileira: estudos lingüísticos” e “O tradutor e intérprete de língua Brasileira de Sinais
e língua portuguesa” Até o momento ela publicou vinte e oito capítulos em livros, vinte e um
artigos completos em periódicos e vinte e cinco trabalhos completos em anais de
congressos15.

Abaixo temos a tabela 01 que mostra a quantidade destas publicações por área do
conhecimento, onde podemos perceber que a área de educação de surdos concentra 45% de
sua produção, seguida por lingüística das línguas de sinais com 26% de sua produção
analisada (e que juntas somam 71%).

Área das publicações Quantidade de publicação


Educação de Surdos 39
Lingüística das línguas de sinais 22
Aquisição da linguagem 19
Estudos da tradução 6
História do povo surdo 0
Tabela 01 – Quantidade de publicações da autora Ronice Quadros por área.

Rachel Sutton-Spence é professora da Universidade de Bristol desde 1989. Ela pertenceu ao


Centro de Estudos Surdos até 2008, quando migrou para a GSoE16 (Graduate School of
Education) do Centro de Desenvolvimento Pessoal e Profissional.

15É bom ressaltar que o artigo que propomos traduzir é, de toda essa sua vasta produção bibliográfica, a única
publicação que trata sobre ou clore surdo, ou poesia em línguas de sinais, ou o empoderamento dos surdos por
meio da arte, ou que analisa estruturas textuais, sintáticas, ou morfológicas de um poema em língua de sinais.

16 Centro de pós graduação em educação


31

Rachel Sutton-Spence

Trabalhou com variações e mudanças linguisticas na BSL17pesquisando, dentro outros, as


configurações de lábios e boca mudança e outras influências do Inglês sobre a BSL. Na última
década, ela vem pesquisando a produtividade criativa da em BSL (principalmente poesia,
humor e folclore), começando a trabalhar com as composições de Dorothy Miles e,
atualmente, com poetas surdos contemporâneos. Sua pesquisa tem como objetivo incluir
"mudar a narrativa" dos Estudos Surdos celebrando a rica contribuição que as línguas gestuais
e os membros de sua comunidade podem trazer para o universo surdo e ouvinte. Ela ministra
lingüística de línguas de sinais em níveis de graduação e pós-graduação, e em cursos de
capacitação de profissionais que trabalham com a BSL e membros da Comunidade Surda
Britância.

Ela é autora dos livros: “The Linguistics of British Sign Language: an introduction” 18 (com
BencieWoll, 1999, Cambridge University Press). "Analysing Sign Language Poetry”19 (2005,
Palgrave Press) e “Humour in Sign Languages: the linguistic underpinnings”20 (com Donna Jo
Napoli, 2010, Trinity College Dublin Press)

Abaixo temos uma tabela que mostra a quantidade destas publicações por área do
conhecimento, onde podemos perceber que a autora é especialista em lingüística, com 71%
das publicações em livros, capítulos de livros, periódicos em revistas especializadas e
conferencias. É bom ressaltar que, destas obras, 67% possuem por temática a língua de sinais
criativa.

17 BSL – British SignLanguage– Língua de sinais britânica.


18 Linguística da Língua de Sinais britânica: uma introdução
19 Analisando a poesia em língua de sinais
20 Humor em Línguas de Sinais: bases lingüísticas
32

Área das publicações Quantidade de publicação


Educação de Surdos 5
Lingüística das línguas de sinais 42
Aquisição da linguagem 6
Estudos da tradução 0
História do povo surdo 6
Tabela 02 – Quantidade de publicações da autora Rachel Sutton-Spence por área.

4.2 O texto de apoio

O artigo “Imagens da Identidade e Cultura Surda na Poesia em Línguas de Sinais” também da


Rachel Sutton-Spence, analisa, por meio da produção poética, elementos que traduzem
marcas culturais e identitárias. A poesia na língua de sinais é uma forma de cultuar as
questões relacionadas com o ser surdo, tornando-a um instrumento de empoderamento da
comunidade surda. A autora identifica as imagens que se refletem nas poesias, trazendo
elementos que identificam os surdos, como a celebração da língua de sinais, a celebração do
ser surdo, a surdez como perda, a experiência visual dos surdos, a opressão que os surdos
sofrem e o lugar dos surdos. Sutton-Spence analisa estas manifestações traduzidas em dois
poemas, “A escadaria” e “Cinco sentidos” (de mesma autoria de um dos poemas analisados
pelo texto fonte). Esses são apenas dois exemplos da criação de imagens que empoderam os
surdos por meio de uma expressão criativa poética.

Este texto foi publicado no TISLR 9 (Theoretical Issues in Sign language Research 9) – 9º
Congresso Internacional de Aspectos teóricos das Pesquisas nas Línguas de Sinais – sediado
pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Florianópolis, SC, em dezembro de
2006. O TISLR, evento internacional de maior importância em estudos de línguas de sinais,
reuniu pesquisadores de 33 países com várias línguas de sinais, trabalhando a partir de
diferentes arcabouços teóricos e metodológicos. Essa 9º edição do evento se voltou,
especificamente, para um mapeamento das pesquisas em Estudos das Línguas de Sinais desde
a década de 60 até 2007;

O texto originalmente fora redigido em inglês, sendo traduzido para o português brasileiro,
por um trabalho coordenado pela profa. Maria Lucia Vasconcellos, e deste para a LSB,
coordenado pela profa. Ronice Müller de Quadros.
33

Tanto a tradução em português, quanto a em LSB foram utilizadas como livros de referencia.
Mas o texto em LSB serviu mais, pois foi com base nele que fora então definido o estilo de
tradução, segundo a tipologia de Venut, a saber, a tradução estrangeizadora.

Pode-se observar o grande uso de soletração manual no mesmo, bem como marcas do texto
em português. A impressão que se dá ao observar esta tradução é que o tradutor está com uma
unidade de registro em um teleprompt e está realizando a tradução na hora, muitas das vezes,
palavra-por-palavra. Em alguns momentos dá até para perceber que o tradutor está lendo
alguma coisa à sua frente, devido a movimentos horizontais de vai-e-vem, não lingüísticos, de
seus olhos.

Além disto, percebe-se claramente a interferência da LP no texto traduzido. Na figura abaixo,


temos a tradução da unidade “(...) não apenas (...)” aqui glossada como “NÃO-É SÓ”

Neste trecho o tradutor até oraliza a frase em LP: “não é só”. E não apenas neste trecho, mas
em muitos outros, o tradutor além de oralizar em LP, constrói sentensas com clara
influencia/interferência da LP, deixando nítido e claro que se trata de um texto traduzido.

É claro que a produção/formatação visual desta tradução não corresponde ao padrão da revista
brasileira de vídeo registro, pois data de 2008, antes porém da publicação dos padrões desta
revista. Apesar disto, no que diz respeito à iluminação do cenário de gravação de vídeos para
edição de Chroma, ou de jornalistas em monólogo muito antes da produção desta tradução já
era consenso que deveria ser feita de forma a não deixar sombra atrás dos atores. No entanto,
podemos perceber claramente na figura acima a presença de sombras, o que diminui a
qualidade do produto. Isto poderia ser resolvido com soluções simples como afastar o ator da
34

parede até a sombra desaparecer, ou então construir rebatedores de isopor ou alumínio para
difundir a luz incidente. Também a intensidade geral da iluminação está fraca, o que poderia
ter resolvido ou aumentando a iluminação geral (o que também aumentaria a nitidez e
diminuiria os borrões que se tem em movimentos rápidos), ou abrindo mais o obturador da
câmera, ou na própria edição (mas diminuiria um pouco a naturalidade das cores)

Sendo assim, com base na tipologia de Venuti, consideramos a tradução deste artigo do tipo
extrangeirizadora, e então, tendo em vista que fora uma das autoras do artigo que nos
propomos a traduzir que organizou o projeto de tradução dos textos do TISLR9, bem como a
grande importância deste evento, considerou-se apropriado manter o mesmo tipo de tradução
em nosso projeto.

4.3 A tradução

Os modelos de tradução são uma descrição das técnicas de que dispõe o tradutor e não
“receitas” pré-elaboradas para responder à pergunta “como traduzir?”. Em geral, os modelos
surgem a partir do cotejamento de traduções já realizadas, e não o processo inverso, isto é,
que os tradutores aplicam os procedimentos seguindo um modelo específico. Eles recorrem,
de maneira espontânea, ao conjunto dos diversos procedimentos elencados em diferentes
modelos, baseando-se em parâmetros dos próprios conhecimentos, da experiência que
adquiriram traduzindo e do objetivo da tradução, efetuando as operações lingüísticas
naturalmente. Em geral, o tradutor tenta superar os problemas da tradução à medida que eles
vão surgindo, levando em conta não apenas as operações puramente lingüísticas, mas também
outros aspectos como a criatividade, requisito fundamental, principalmente do tradutor de
texto literário.

Diante disto, metodologia de tradução deste trabalho foi orientada pela modelagem teórica de
Krings, que estabelece soluções para problemas de tradução, que para ele podem ser divididos
em problemas de compreensão e problemas de renderização
35

No que diz respeito ao tipo da tradução realizada, pode-se perceber, segundo a tipologia de
Venut, que é nitidamente estrangeirizadora. Isto devido a uma grande utilização de
empréstimos lingüísticos (mais de cem ocorrências), ao uso quase que dominante da estrutura
S-V-O (sujeito- verbo-objeto) e a outras interferências da língua do texto fonte que é a língua
materna do tradutor.

Alem disto a competência lingüística do tradutor fora aquém do esperado, reproduzindo


alguns erros, principalmente fonológicos e sintáticos.

Os erros fonológicos em sua maioria referem-se a configurações de mão equivocadas.


Somente em relação à soletração manual, nos primeiros dez minutos, foram quatro erros.

Os erros sintáticos ocorreram na maioria das vezes no uso agramatical do olhar, e por vezes
na falta do índice de topicalização ou focalização, nas construções sintáticas que assim
exigiam.

Também ocorreram alguns erros prosódicos, relacionados em pausas/suspensões entre certos


morfemas ou sintagmas.

4.4 O registro

Iremos analisar nesta seção os aspectos técnicos do registro em vídeo utilizados. Iremos
abordas a respeito dos arquivos de vídeo das unidades de registro, bem como a edição dos
vídeos e a iluminação.

No que diz respeito à padronização utilizada segundo a normatização da revista brasileira de


vídeo-registro notamos que a legenda em Amarelo ficou muito ruim, ocorrendo certa
ilegibilidade no corpo do texto, devido ao pouco contraste entre esta cor e a cor do fundo, que
é branca.

4.4.1 Os arquivos de vídeo das unidades de registro


36

Consideramos o sistema de identificação das traduções de cada unidade de registro


artesanalmente rústico. Como era identificado por áudio, e não imagem, a organização dos
arquivos de vídeos das unidades nas sequência de compilação foi muito demorada pois para
isto era necessário assistir um trecho para descobrir do que se tratava.

Seria muito mais prático com uma claquete, pois assim, a imagem dela ficaria nos primeiros
segundos do vídeo, e então não precisaria nem abrir um arquivo de vídeo para identificá-lo. O
mais ideal seria uma claquete eletrônica, onde uma vez escrito a cena (no caso unidade de
registro) as tomadas (no caso cada unidade de tradução) seriam automaticamente numeradas,
poupando o tempo de escrever na claquete para identificar.

191 unidades de tradução efetivas. Como fora realizada uma média de 5 traduções para cada
unidade de registro, foram realizados no total quase 1000 registros, tendo sido descartados os
cuja traduções fora julgadas inadequadas.

4.4.2 A edição

Como cada unidade de registro teve um tempo muito curto de duração, em torno de um
minuto, grande quantidade de transição entre elas gera um certo desconforto para quem
assiste. Seria mais ideal se as unidades fossem maiores, mas isto exigiria um teleprompt. Esse
teleprompt poderia ser improvisado utilizando um data show projetado em uma tela (ou
parede) à frente – mas teria que ser feito de forma a ficar na altura dos olhos, a não entrar luz
do projetor na lente da câmera, e não ser projetado a sombra do cinegrafista e na câmera na
imagem projetada. Outra alternativa seria utilizar um flip chart à frente da câmera. Mas para
contornar o problema de desvio do olhar seria bom que a câmera estivesse localizado no foco
infinito, ou próximo, de forma que do olhar para a lente a ler o texto no flip chart não fosse
necessário movimentar os olhos.

As unidades de registro utilizadas, gravadas em aquivo com extenção MP4, totalizaram 3,67
GB. Como o formato solicitado era avi, apenas na conversão, utilizando o programa Sony
Vegas 9.0 para editar, os vídeos destas unidades, já editados, resultaram em um tamanho total
37

de aproximadamente 55 GB (quase 15 vezes maior), mantendo a qualidade da nitidez e o


tamanho do frame reduzido em aproximadamente ¼ da área (4 vezes menor)

O mais ideal seria gravar diretamente em formato AVI. Além de aumentar a qualidade da
captura, preservaria a qualidade na edição. Como isto não fora previsto, e já estava gravado os
arquivos, fora feita uma análise empírica de qual seria a melhor opção

Esta análise foi feita controlando as variáveis, refazendo o procedimento de conversão,


diretamente no Sony Vegas, de uma única unidade de tradução. Repetiu-se o procedimento no
programa free ware de conversão de vídeos, o Any Video Converter, versão 3.3.0. Sabendo
que de qualquer forma o vídeo seria editado, e então a utilização do Vegas seria
imprescindível, fez-se o processo conjugado, primeiro no Any Video Converter, e então no
Sony Vegas para verificar qual processo otimizaria a renderização dos vídeos, resultanto em
arquivo de tamanho em disco menor: Se editado em MP4 e convertido para avi no Vegas, no
ato da renderização, ou se convertido primeiro em avi por um outro programa exclusivo para
conversão, e então editado no Vegas (sem conversão no ato da renderização)

4.4.2.1 Resultados

Convertido no Any
Video Converter e
Unidade Convertido no
Convertido no editado no Vegas:
de grava- Any Video
Original vegas sem edição, Brilho, enquadramen-
ção Converter, com
e sem compressão to e retirada de áudio.
TS_01 codec XVDI
Renderizado sem
compressão

Unidade Convertido no Convertido no Convertido no Any


Original
de grava- vegas sem edição Any Video Video Converter e
ção Converter, com editado no Vegas:
38

TS_01 codec XVDI Brilho, enquadramen-


to e retirada de áudio.

Formato MP4 AVI AVI AVI

5.53 MB 317 MB 1,13 MB 317 MB


Tamanho
5.799.223 bytes 333.004.800 bytes 1.194.584 bytes 333.049.856 bytes

Duração 10 seg 10 seg 10 seg 10 seg

Video
720x480 720x480 720x480 720x480
Size

ffdshow video Color space con- ffdshow video


Decoder Color space converter
recorder verter recorder

Taxa de
4429kbps 248583Kbps 776kbps 248583kbps
dados

Taxa de
29 quadros/s 29 quadros/s 25 quadros/s 29 quadros/s
quadros

Verifica-se que foi o decoder o único responsável pela compactação do tamanho do aquivo de
vídeo. Como no Sony Vegas a renderização compactada utilidando o ffdshow vídeo recorder
não era possível, pois exigia muito do computador e travava a máquina, foi feito um texte
verificando a possibilidade de editar no Vegas e então compactar reconvertendo em AVI noa
Any Video Converter com o codec XVDI que utiliza o decoder ffdshow video recorder.
39

Editado no Vegas: Brilho, Reconversão para AVI


Unidade de grava- enquadramento e retirada utilizando o Any Video
ção TS_01 de áudio. Renderizado sem Converter, com codec
compressão XVDI

Formato AVI AVI

317 MB 0,98 MB
Tamanho
333.004.800 bytes 1.033.410 bytes

Duração 10 seg 10 seg

Video Size 720x480 720x480

Decoder Color space converter ffdshow video recorder

Taxa de dados 248583Kbps 774kbps

Taxa de quadros21 29 quadros/s 25 quadros/s

Na reconversão do vídeo AVI-umcompressed – AVI-XVDI a qualidade percebida da imagem


na tela de monitor de 17 polegadas fora exatamente a mesma.

21Foi feito um teste paralelo repetindo-se o procedimento de conversão no Vegas diminuindo a taxa de quadros
para 25 quadros/s, resultando em um arquivo de 264 MB
40

Com o intuito de verificar qual o codec de vídeo que forneceria a melhor compactação
utilizando o Any Video Converter, foi feito uma sério de conversões de teste cujos resultados
apresentamos a seguir:
Unidade de grava-ção TS_01, editada no Vegas: Brilho, enquadramento e retirada de áudio.
Renderizado sem compressão, cujo formato de saída era AVI-umcompressed
Codec utilizado para conversão de vídeo Tamanho do arquivo
AVI-umcompressed – AVI-XVDI, no Any
Video Converter
Original 264 MB22
huffyuv 31,70 MB
ffv1 11,20 MB
mjpeg 4,34 MB
mpeg2 1,18 MB
mpeg1 1,15 MB
wmv2 1,10 MB
h263p 1,10 MB
msmpeg4v2 1,09 MB
wmv1 1,09 MB
msmpeg4 1,09 MB
mpeg4 1,08 MB
x264 1,00 MB
xvdi 0,98 MB

Note que a diferença de tamanho entre o arquivo de vídeo da unidade de registro editada no
Vegas (em formato AVI-uncompressed) e a reconversão deste mesmo arquivo no Any Video
Converter (em formato AVI-XDVI) foi de 99,7 %, sendo então extremamente aconselhável
reconverter os vídeos editados no Vegas antes de gravar o DVD da tradução.

Então, para aprimorar a qualidade da imagem no arquivo, foi renderizada novamente todo o
projeto de tradução, desta vez mantendo o mesmo tamanho do quadro (720X480), mesma

22
Este arquivo só ficou menor do que o original (17 %) porque possui uma taxa de quadros menor do que o
mesmo (14%). Os outros 3% de perda se refere a uma perda de qualidade imperceptível em um monitor de 17’’
41

taxa dos arquivos originais, e sem compressão. Depois fora antão reconvertidos para AVI-
XVDI, com taxa de quadros menor (25 quadros/s) e então, gravada o DVD.

4.1 O armazenamento

Como fora dito na seção anterior, a edição resultou em arquivos muito grandes, a maioria
superior a 2GB. Sendo assim, o sistema de arquivos de um HD externo não suportava gravá-
los, então todos os vídeos foram gravados no HD da mesma máquina que os editava, sem
backup. No entanto o HD do computador que armazenava os arquivos fora danificado por
causa de uma sobrecarga de energia da rede, seguido por um shutdown físico, devido uma
descarga eletrostática ocasionada por uma intempérie climática.

Uma vez apresentado a solução para reduzir/compactar os arquivos de vídeos a tamanhos


menores do que 2 GB, o ideal seria fazer backups a cada edição para prevenir perdas e
prejuízos.

4.2 A iluminação

A iluminação foi extremamente precária. Apesar de ter conseguido eliminar as sombras com o
“estúdio caseiro”, também muito precário e rústico, a quantidade de luz utilizada foi aquém
do necessário. Isto resultou em uma gravação escura e com borrões em quando o ator era
gravado fazendo sinalizações com mais velocidade.

Os borrões somente se resolveriam com o aumento da intensidade luminosa, no entanto


poderia ter clareado a imagem aumentando mais a exposição do filme (abrindo mais o
diafragma), o que resultaria em uma imagem mais clara.
42

Para contornar o problema da baixa claridade dos vídeos-registro, na edição fora clareada
artificialmente, com correção do brilho e contraste. Mas isto resultou em uma imagem
nitidamente artificial, dando a impressão de por vezes a imagem do ator ter sido recortada e
colada sobre um outro fundo, imperfeição esta resultante do efeito serrilhado (bem pequeno
na maioria das vezes) nas bordas da imagem do ator, e com ranhuras horizontais em toda a
imagem do ator, o que depreciou consideravelmente a qualidade da produção.

O Ideal seria uma luminária fornecendo iluminação frontal superior, duas luminárias fronte-
vertical (uma para cada lado), no entanto uma ligeiramente mais intensa do que a outra para
fornecer efeito de profundidade, e outra iluminando diretamente o fundo. Todas estas
iluminações com difusores, para homogeneizar a iluminação em cada direção.

Também seria muito indicado que o ator fosse maquiado não apenas com pó base, mas com
iluminador para os olhos, para clarear esta região que é naturalmente mais escura devido a
tonalidade da pele na região, bem como a maior dificuldade de se retirar a sombra do local.
43

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um projeto de tradução em língua de sinais obedece aos mesmos critérios de um projeto de


tradução entre línguas orais. É necessário, por parte do tradutor, conhecimentos lingüísticos
tanto da língua fonte quanto da língua alvo. Também é necessário certa competência
tradutória que abarca tanto o domínio de certas metodologias quanto de um corpo teórico a
respeito de questões relacionadas a seu oficio. Outrossim, o tradutor deve conhecer os
vocabulários específicos que o texto fonte utiliza, compreender seus conceitos, e saber a
terminologia específica relacionada no língua alvo; ou seja, deve possuir certa competência
referencial.

O único ponto de diferenciação de um projeto de tradução que envolve as línguas de sinais


dos outros projetos é com relação a forma de registro das LS, que, apesar de já existir um
sistema de escrita, o mesmo ainda não está padronizado, tampouco é de domínio da maioria
dos usuários de LS. E justamente por isto, o registro deve continuar sendo feito por meio de
vídeos durante um bom tempo.

Considera-se também que uma tradução primeiramente em glossa para posterior registro
otimizaria mais o processo. E a possibilidade de utilizar um teleprompt facilitaria, podendo
então aumentar o tempo da unidade de registro, trazendo uma maior qualidade ao trabalho
tradutório.

No que diz respeito à padronização da produção dos vídeos-registro, considera-se bastante útil
que a revista brasileira de vídeos registro seja mais criteriosa com relação produção dos
vídeos, estabelecendo por exemplo além do formato exigido para o vídeo, certos atributos
como tamanho de quadro, codec/compactador, tamanho máximo do arquivo, quantidade de
quadros por minuto, tipos e pontos de iluminação, abertura máxima do obturador, qualidade
mínima do equipamento de gravação. Além disto seria bom propor uma outra cor para
legendas (ou para o fundo) pois a cor amarela da mesma é incompatível com a cor proposta
para o fundo.
44

6 REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS

Albir, Amparo Hurtado (org.). 2007. Metodologia en la formación de traductores e


intérpretes: teoría e fichas prácticas. s.l. : Edelsa, 2007.

Alves, Fábio, Magalhães, Célia e Pagano, Adriana. 2000. Traduzir com


autonomia. Rio de Janeiro : Contexo, 2000.

Barbosa, Heloisa Gonçalves. 2004. Procedimentos técnicos da tradução: Uma


proposta. 2. São paulo : Pontes, 2004.

Freitas, Simoni Ribeiro de. 2011. A interface tradução e jornalismo: uma análise
das marcas culturais presentes em textos jornalísticos. Florianópolis : PPET-UFSC,
2011.

Gesser, Audrei. 2009. LIBRAS?: Que língua é essa?: crenças e preconceitos em


torno da língua de sinais e da realidade surda. 1a. São Paulo : Parábola editorial,
2009. ISBN 978-85-7934-001-7.

Guerini, Andréia. 2008. Introdução aos estudos da tradução. Folianópolis :


CCE/UFSC, 2008. Apostila de curso de graduação.

Heidermann, Werner. 2009. Estudos da tradução III. Florianópolis : CCE/UFSC,


2009. Apostila de curso de graduação.

Krings, Hans P. 1986. Translation problems, and Translation Strategies of


Advanced German Learners of French (L2). [ed.] Juliane House e Shoshana blum-
Kulka. Interlingual and Intercultural Communication – discourse and Cognition in
Translation and Second Language Acquisition Studies. Tübingen : gnv- Gunter Narr
Verlag, 1986, pp. 263-276.

Perlin, Gladis. 1998. Idendidades Surdas. [A. do livro] Carlos Skliar. A Surdez: um
olhar sobre as diferenças. Porto Alegre : Mediação, 1998.
45

Quadros, Ronice Müller de e Karnopp, Lodenir Becker. 2004. Língua de Sinais


Brasileira: Estudos lingüísticos. . Porto Alegre : Artmed, 2004.

Quadros, Ronice Müller de e Vascopncellos, Maria Lúcia de. 2006. Questões


teóricas das pesquisas em língua de sinais. Florianópilos : Arara Azul, 2006.

Quadros, Ronice Müller de. 2006. Teoretical Issues in Sign Language Resarch 9.
Sign Languages: spinning and unraveling the past, present and future. Florianópolis :
Arara Azul, 2006. TISLR 9.

Rónai, Paulo. 1979. A traução vivida. Rio de Janeiro : EDUCOM, 1979.

—. 1987. Escola de tradutores. Rio de janeiro : EDUCON, 1987.

Segala, Rimar Ramalho. 2010. Tradução intemodal e intersemiótica: Português


brasileiro escrito para Língua Brasileira de Sinais. Florianópolis : UFSC, 2010.
Dissertação de mestrado.

Ströbel, Karin Lilian. 2008. As imagens do outro sobre a cultura surda.


Florianópolis : Ed. da UFSC, 2008.

Stumpf, Marianne Rossi. 2008. Escrita de Sinais I. Florianópolis : UFSC-CCE,


2008.

Vasconcellos, Maria Lucia e Bartholamei Junior, Lautenai Antônio. 2008.


Estudos da tradução I. Florianópolis : CCE/UFSC, 2008. apostila de curso de
graduação.

Weinrich, Harald. 1965. Linguistik der Lüge. 1965. consultado parcialmente no


google books.
46

APÊNDICE 1 -GLOSSÁRIO EM PORTUGUÊS

Ações:... Mostrados diretamente por meio de ações e comportamento do


sinalizante.
 Disposição para agir; atividade e movimento.
Albert:
Alexandra da Dinamarca:
Amadurece: estudo linguístico das línguas de sinais amadurece, nós esperamos
...
 Fig. dar ou adquirir experiência; tornar (-se) consciente, maduro.
Ambiente: seus membros frequentemente vivem num ambiente bilíngue e
multicultural.
 Recinto, espaço, âmbito em que se está ou vive
Americanos: poetas surdos americanos contemporâneos.
 Relativo à América ou a qualquer país desse continente, ou o que é seu natural ou
E.U.A. ou o que é seu natural ou habitante
Analisa: este capítulo analisa os temas e as linguagens.
 investigar, examinar minuciosamente; esquadrinhar, dissecar.
Analisados: Os poemas analisados aqui são exemplos ...
 adj. que se analisou, que passou por processo de análise.
Análise: por meio dessa análise representam diretamente a experiência cultural
...
 Examinar por análise.
Análises linguísticas:As analises linguísticas tem sido conduzidas por poesias
de diversas línguas de sinais
 LING. parte da linguística que estuda as regras para a produção de textos
(orais ou escritos) maiores que o período, ou seja, as sequências de
frases, e tem como objeto a fala (na oposição saussuriana língua/fala [ou
discurso])
Antropologia: folclore está intimamente associado com a Antropologia Cultural,
porque esta estuda ...
 A. cultural a que trata do estudo da cultura do homem em todos os seus
aspectos, servindo-se assim de dados e conceitos próprios de diversas
outras ciências, como a arqueologia, a etnologia, a etnografia, a linguística,
a sociologia, a economia etc.
Antropológicos da disciplina:...maior atenção aos aspectos culturais e
antropológicos da disciplina.
 ANTRPOL. Ciência do homem no sentido mais lato, que engloba origens,
evolução, desenvolvimentos físico, material e cultural, fisiologia, psicologia,
características raciais, costumes sociais, crenças etc.

47

Apelação estética: ... repetição pode simplesmente ter a apelação estética e


nós podemos apreciar ...
 Obter vantagem, sair de dificuldade ou atingir determinado fim. / harmonia
das formas e/ou das cores; beleza.
Artística: A língua de sinais artística traz uma nova dimensão ...
 Que foi trabalhado ou executado com arte.
Assimetria: ... uso deliberado da simetria e da assimetria pode também ter
significado simbólico.
 1 - ausência de simetria. 2 grande diferença; disparidade.
Atenção: ... seja dada uma maior atenção aos aspectos culturais e
antropológicos da disciplina.
 prestar a. a ou em olhar, ouvir, sentir (algo) com atenção aumentada,
concentrada.
Atividades¹ visual²: ...mostram personagens no poema envolvidos na atividade
visual
 1-Realização de uma função específica 2- obtido ou mantido através da
visão.
Ausência: O som - e a ausência dele - tem lugar muito pequeno nessas poesias
...

 Inexistência, carência e falta.

B
Banir: ..o alvo de alguns setores da sociedade foi banir completamente a surdez..
 t.d. Fazer desaparecer; eliminar, suprimir, abolir.
Britânico:um brasileiro e outro britânico.
 Indivíduo natural ou habitante da Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia, País
de Gales), ou do Reino Unido (Grã-Bretanha e Irlanda do Norte).

Capítulo: A análise, neste capítulo, é apresentada na perspectiva do folclore


surdo.
 Divisão de livro, código, tratado etc.
Característica 1:- ..,experiência sensorial de pessoas surdas é uma característica
central de muitos poemas na língua de sinais.
 Traço, propriedade ou qualidade distintiva fundamental.
Característica 2 : possível identificar características linguísticas específicas ...
 Traço, propriedade ou qualidade distintiva fundamental.
Celebração : Celebração de línguas de sinais – caracteriza linguísticas de Three
Queens.
 1- Ato ou efeito de reconhecer, aceitação da legitimidade . 2-Certificado
pela autoridade pública ou por uma autoridade competente
Celebram¹ declaradamente²: ...os poemas que celebram declaradamente a
língua de sinais e o mundo visual.

Cinco¹ sentidos² (poema): O poema Cinco Sentidos, de Paul Scott, dirige-se


diretamente à questão da experiência visual da pessoa surda ...
48

 1- diz-se do quinto elemento de uma série .2-FISL faculdade de perceber


uma modalidade específica de sensações (como o calor, as ondas
sonoras, o sabor), que correspondem, grosso modo, a um órgão
determinado, cuja estimulação dá início ao processo interno de recepção
sensorial [São cinco os sentidos: tato, visão, audição, paladar e olfato.]
Clayton Valli:

Clímax: simultâneo triplo que cria o clímax do poema ...


 LIT TEAT TV. Parte do enredo (de um livro, filme, novela etc.) em que os
acontecimentos centrais ganham o máximo de tensão para os
personagens envolvidos, prenunciando o desfecho ápice.
Coda: Dessa vez, há uma coda com o sinal simultâneo triplo ....
 1-Colocar(-se), pôr(-se) em determinado lugar; estabelecer(-se) 2- Ter vida
em sociedade, tê-la frequentado e conhecido muito; saber apresentar-se
socialmente
Completa: ... dar à pessoa surda uma experiência completa, rica e satisfatória do
mundo.
 Acrescentar a (algo) o que lhe falta para torná-lo completo ou perfeito.
Complexas: a identidade e a cultura das pessoas surdas são complexas.
 Passível de ser encarado ou apreciado sob diversos ângulos
Complexo final: neologismo complexo final do poema é uma oportunidade ...
Comunidade(s):1-comunidade surda que pode estender além da esfera nacional
com língua de sinais própria.2- conhecimentos que são transmitidos oralmente
(ou visualmente) em uma comunidade. 3- três rainhas como as três comunidades
surdas ...
 Conjunto de indivíduos com determinada característica comum, inserido
em grupo ou sociedade maior que não partilha suas características
fundamentais.
Comuns: parecem tão comuns que levam um tempo de readaptação ...
 Pertencente, aplicável ou que compete a todos os elementos, pessoas ou
coisas de determinado conjunto
Conexão¹ cultural²: historias de conexão cultural ou patrimônio compartilhado.
 1- Ligação social, profissional, de interesses, de amizade etc. 2-
Respeitante ao conjunto de conhecimentos, informações, saberes
adquiridos e que ilustram (indivíduo, grupo social, sociedade), segundo
uma perspectiva evolutiva
Configuração¹ de mão²: Como ambas as mãos usam a mesma configuração de
mão “4”, isto dá o efeito estético agradável ...
 1-Arranjo de elementos interligados para operar como um todo ou um
sistema; estrutura. 2- ANAT. Extremidade do membro superior, articulada
com o antebraço pelo punho e terminada pelos dedos
Congresso¹ de Milão²: educação oral que dependia dos ouvidos que foi
determinada pelo Congresso de Milão, em 1880 ...
 1-Reunião de especialistas para que deliberem sobre questões de
interesse comum ou para que se apresentem estudos, novas descobertas
etc.2- Umas das maiores e mais importantes cidades da Itália.
Conhecimentos: visto como o conjunto cultural de conhecimentos que são
transmitidos oralmente (ou visualmente)...
 Domínio, teórico ou prático, de um assunto, uma arte, uma ciência, uma
técnica etc.; competência, experiência, prática.
49

Conhecimentos ¹coletivos: para referir-se ao conhecimento coletivo da


comunidade surda...
1- Que pertence a ou é utilizado por um número considerável de pessoas; que
pertence a um povo, a uma classe, a um grupo
Conotações: podem ligar ideias, ou trazer mais conotações por trás dos sinais no
poema ... ...significado por meio da conotação das configurações de mão.
 LING. Evocar ou sugerir sentido(s) além do conceito literal de uma palavra
ou expressão.
Consideração: ... tempo de readaptação e de consideração para reconhecer
suas significações
 Levar em conta, atentar para, considerar; tomar em consideração..
Consideramos: Entretanto, consideramos tão importante analisar a forma e o
conteúdo da poesia em língua de sinais.
 Ohar(-se), fitar(-se) com atenção e minúcia.
Consorte: duque de Edimburgo, consorte da terceira rainha no poema ...
 Marido de rainha, quando esta é a reinante; príncipe consorte
Constituição¹ e tradução²: o impacto da poesia no folclore e o seu papel na
constituição de tradução de identidade de um povo.
 1- Conjunto dos elementos que constituem algo; composição. 2-Ato de
tornar claro o significado de algo; interpretação, compreensão e
explicação.
Conteúdo: O conteúdo de um poema pode ser novo ...
 Aquilo de que algo é constituído e formado.
Contraste: Apresenta também contraste das simetrias horizontais ...
 1-Que existe no espaço, que se estende pelo espaço. 2- Que ou o que
apreende ou retém melhor os conhecimentos através da visão do que pelo
meio auditivo. 3- Que tem três dimensões..
Conversação¹ social²: ..se adequava somente para a conversação social.
 1- Arte de conversar ,convivência, familiaridade, ação de viver junto.2-
Concernente à amizade e união de várias pessoas.
Criar¹ significado poético² extra³: língua em primeiro plano e, então, criar
significado poético extra, embora ambos ...

Criativamente: ...a língua de sinais criativamente e como uma forma de arte...


 Decorre da competência linguística, que é o conhecimento intuitivo que
todo falante possui dos princípios e regras da sua língua.
Criatividade: ... uso dos olhos para destacar a criatividade nos sinais é visto ...
 1-Conjunto dos sinais (luminosos, visuais, acústicos) utilizados como meio
de comunicação. 2- que carece de continuidade ou regularidade (diz-se de
ocorrência ou de atividade).
Cultura¹ nacional²: Além de ser parte de uma cultura nacional, as pessoas
surdas usam uma língua ...
 1- Conjunto de conhecimentos acumulados e socialmente valorizados, que
constituem patrimônio da sociedade. 2- relativo a nação, que é próprio de
uma nação, que a caracteriza, que a distingue das demais.
D
Deaflore: conceito radical de ‘Deafhood’ (Ladd 2003) – raízes surdas...

Definição: Enquanto não há uma definição universal de folclore ...


 Significação precisa de; indicação do verdadeiro sentido.
50

Demonstrando: é analisado aqui demonstrando como as suas poesias em língua


de sinais.
 Mostrando, colocando amostra.
Descobertas¹ de seu tempo²: ... percebem as descobertas de seu tempo. Todos
esses são ...
 1-Ação, processo ou efeito de revelar a si próprio, a outrem e/ou às
pessoas em geral (alguma coisa de que, até então, não se sabia) 2-
determinado período considerado em relação aos acontecimentos nele
ocorridos; época
Descrevem¹ e validam²: ...os poemas que descrevem e validam a experiência
surda...
 1-LING fornecer uma descrição objetiva, sistemática e abrangente da
estrutura (ou de parte dela) de uma língua, variante ou dialeto, a partir da
análise. 2-tornar(-se) ou declarar(-se) válido, conforme aos preceitos
vigentes; legitimar(-se).
Desempenho: o desempenho e a transmissão, assim como a forma ...
 Maneira como atua ou se comporta alguém ou algo, avaliada em termos de
eficiência, de rendimento; atuação

Desenvolveu¹ seus princípios² língua de sinais³:...Dorothy Miles, que


desenvolveu seus princípios de poesia em língua de sinais.
 1-Fazer progredir ou progredir; elaborar.2-O que serve de base a alguma
coisa; causa primeira, raiz e razão.3- Língua que se utiliza
de gestos, sinais e expressões faciais e corporais, em vez
de sons na comunicação. As línguas de sinais são de aquisição visual e
produção espacial e motora. São as línguas naturais de cada comunidade
de Surdos, ao redor do globo.

Determinada: Determinada pela sua projeção que se origina da sua diferença em


relação a língua cotidiana.
 Previamente estipulado; estabelecido.
Discurso: ...o som e o discurso são simplesmente irrelevantes.
 A língua em ação, tal como é realizada pelo falante.
Discurso¹ popular²: ...conjunto cultural de conhecimento inclui literatura e
outras artes, linguagem e discurso popular.
 1- Caracterizado por um vocabulário próprio, que identifica os grupos de
pessoas insatisfeitas com a visão e a prática oficiais e/ou predominantes
num determinado campo de atuação, do saber, da política e outros 2-Que
prevalece junto ao grande público, esp. às massas menos instruídas
Dominância: Essa alternância na dominância entre as mãos foi descrita ...
 Qualidade de uma opção que, em relação a outra, é no mínimo tão boa
quanto ela em todos os resultados e, em alguns resultados, é-lhe até
superior.
Dorothy Miles
Duque¹ de Edimburgo²: também surdos, incluindo a mãe do príncipe Philip, o
duque de Edimburgo ...
 1- O mais elevado título de nobreza, abaixo apenas de príncipe, a partir da
Idade Média. 2- cidade, capital e subdivisão da Escócia, no Reino Unido,
com poderes próprios, situada na margem sul do estuário do rio Forth.
E
51

Edward VII

Efeito¹¹ poético¹²:1- forma intensificada de língua de sinais para efeito poético.


2 – a criação de palavras novas – pode ser usado para efeito poético de muitas
maneiras ... 3- quebrou as regras da língua para provocar o efeito poético, mas o
significado é preservado ...
 11-O que se procura alcançar; destino, finalidade, fim. 12 -Que tem
poesia; que tem qualidades, atmosfera, encanto ou características da
poesia.
Efeitos¹ emocionais²: provocando frequentemente efeitos emocionais
geralmente associados ...
que tem poesia; que tem qualidades, atmosfera, encanto ou características da
poesia
 1- Aquilo que é produzido por uma causa; consequência, resultado.2-Que
provoca comoção; que desperta sentimentos intensos.
Elizabeth I. :
Elizabeth II:
Ella Lentz:
Empoderamento: em algum nível - empoderamento dos povos surdos.

Empoderamento por meio: Empoderamento por meio da poesia em língua de
sinais.
Entretenimento¹ visual²: ...fatos históricos, bem como, também, entretenimento
visual.
 1- Aquilo que distrai, entretém; distração, divertimento.2- obtido ou mantido
através da visão.
Equilibradas¹ simetricamente²:
 1- colocadas ou conservadas em equilíbrio. 2-semelhança entre duas
metades.
Equilíbrio: sua sinalização para criar simetria e equilíbrio que expressam
conceitos de harmonia .
 fig. Moderação nas maneiras, gestos, palavras, sentimentos etc.;
comedimento, prudência, meio-termo
Espacialmente¹-determinado²: específicos visualmente-determinados e
espacialmente-determinados identificados por meio ...
 1- FISL. Localização no espaço de um estímulo visual e auditivo.2- Bem
resolvido; decidido.
Especialmente¹ criativo²: – ocorre quando os sinalizantes são especialmente
criativos com sua língua de sinais ...
 1- Que estuda aspectos particulares de um determinado campo de
conhecimentos. 2-Que se distingue pela aptidão intelectual para criar.
Espelho¹ da cultura¹: folclore surdo, em que folclore pode ser visto como um
“espelho da cultura.
 1- fig. parcela representativa de alguma coisa; amostra. 2- SOC. Conjunto
de conhecimentos acumulados e socialmente valorizados, que constituem
patrimônio da sociedade
Está em primeiro¹ plano²: A linguagens dos poemas esta em primeiro plano.
 1- Que não é dispensável; essencial, fundamental. 2- fig. Posição ou
situação de destaque, de privilégio.
52

Estado¹ de Surdez²: Ao contrário do estado de surdez, as raízes surdas


envolvem um processo ativo.
 1-Condição física de uma pessoa ou animal, ou de alguma parte de seu
corpo. 2-Ausência, perda ou diminuição considerável do sentido da
audição

Esteticamente: conclusão esteticamente satisfatória ao poema ...


 Referente às qualidades artísticas ou formais de algo
Estrofe: Na estrofe final, Three Queens muda para usar ...
 Divisão de um texto lírico ou épico, formada por um determinado número
de versos que apresentam ou não rima entre si;
Estrutura: ... porque eles ocorrem dentro da estrutura dos próprios sinais.
 Modo de construção; formação.
Estrutura externa¹: possível para o poeta impor “uma estrutura externa” no
poema.
 1-Que está ou vem do lado de fora.
Estrutura interna: nomearam de “estrutura interna” (Internal Structure) de um
poema .

Experiência sensorial: A experiência sensorial de pessoas surdas é uma


característica central de muitos poemas na língua de sinais.
 1-forma de conhecimento abrangente, não organizado, ou de sabedoria,
adquirida de maneira espontânea durante a vida; prática. 2- 'Que se refere
aos sentidos'
Explicitamente: Alguns poemas estão explicitamente ligados aos assuntos ...
 Descrito com precisão e rigor, permitindo formalização.
Explorados: ...são também explorados na poesia em língua de sinais
 Efetuar descobertas, tornar conhecido; descobrir, revelar.
Expressão: ... ou pela expressão de determinadas ideias e significados...
 Manifestação do pensamento por meio da palavra ou do gesto.
Expressão¹ implícita²: 1- Manifestação do pensamento por meio da palavra ou
do gesto.2- Contido numa proposição mas não expresso formalmente; não
manifestamente declarado; subentendido e tácito.

Extensivamente¹ usada²: simetria é extensivamente usada, também, em ambos


os poemas ..
 1-Que se aplica ou que é válido para um maior número de pessoas,
objetos ou casos.2- Habitual, frequente e usual.
Externa¹ ao poema²: visão em primeiro plano, talvez mais externa ao poema e
mais essencial ao desempenho...
 1- Que é da parte de fora. 2- LIT. Obra de poesia em verso ,composição
poética em que há enredo e ação; epopeia.

F
Feriado: Mesmo na referência ao feriado africano de Elizabeth II ...
 Dia de descanso, instituído pelo poder civil ou religioso, em que são
suspensas as atividades públicas e particulares.
Financiado: gravada para o projeto união europeia financiado do ECO ...
 Prover o capital necessário para; custear, bancar.
Folclore: explorar o impacto da poesia no folclore e o seu papel na constituição
53

de tradução de identidade de um povo.


 Conjunto de costumes, lendas, provérbios, manifestações artísticas em
geral, preservado, através da tradição oral, por um povo ou grupo
populacional; cultura popular.
Folclore de sinais¹: – folclore em sinais – ocorre quando os sinalizantes são
especialmente criativos com sua língua de sinais...
 1- movimentos, gestos, manifestações que serve de advertência, ou que
possibilita conhecer, reconhecer ou prever alguma coisa.
Folclore surdo¹:1- Carmel (1996) inventou o termo ‘Deaflore’ – folclore surdo...
2-... função educacional para a constituição do folclore surdo.
 1-que ou quem não ouve ou ouve pouco, ou que perdeu o sentido da
audição
Forma¹ de arte²: a língua de sinais criativamente e como uma forma de arte é
um fato ..
 1-Modo, jeito, maneira, método. 2-Produção consciente de obras, formas
ou objetos voltada para a concretização de um ideal de beleza e harmonia
ou para a expressão da subjetividade humana.
Forma¹ e o conteúdo²: consideramos tão importante analisar a forma e o
conteúdo da poesia em língua de sinais.
 1- tornar(-se) mais forte, mais intenso; intensar(-se), animar(-se),
exacerbar(-se), avivar(-se).2-
Forma servil¹: Os servidores olham acima de forma servil enquanto percebem ...
 Que segue fielmente um modelo ou original.
Fortalece¹ o poeta²: imagens do olhar e da visão em poema na língua de sinais
fortalece o poeta e a plateia ...
 1- Dar mais peso a; tornar mais convincente.2- escritor que compõe poesia
Fortalecimento: ...vistos como um tipo de fortalecimento para essa comunidade
linguística.
 Dar coragem a; animar, encorajar.
Fortemente¹ usados²:... experiência surda são fortemente usados para o
empoderamento do povo surdo.
 1- Com força; vigorosamente.2- Habitual, frequente; usual
Frequência¹ perceptiva²:...construído que ocorre com frequência perceptiva na
segunda estrofe
 Repetição amiudada de um fato ou de uma ação.2- Que tem a capacidade
de perceber ou de compreender com facilidade.
Funções:1 ...podem estar interessados nas funções do folclore... 2-
reivindicações feitas sobre as funções do folclore e do folclore surdo
 1- Tipo, classe, espécie; estilo. 2- Obrigação à qual o sujeito se submete
em razão de um preceito moral ou de um saber prático.3- Dirigir seus atos;
proceder, comportar-se, portar-se.

Glosada: ... a segunda parte do poema é glosada a seguir.


 Desenvolvida (um mote) em verso.

Grandes¹ folclores²: incluímos os poemas em língua de sinais como partes do


grande folclore dos povos surdos.
 1- de amplas qualidades morais, intelectuais etc.2- Conjunto de costumes,
54

lendas, provérbios, manifestações artísticas em geral, preservado, através


da tradição oral, por um povo ou grupo populacional; cultura popular,
populário.
H
Harmonia: Sentido geral da simetria é aquele da harmonia, da beleza e da
perfeição ...
 Combinação de elementos diferentes e individualizados, mas ligados por
uma relação de pertinência, que produz uma sensação agradável e de
prazer.
Herança¹ Nacional²: 1- poemas abordam tópicos de sua herança nacional e
usam imagens visuais ... 2- história e da herança nacional e para a história e
herança surda ...
 1- Todo o legado de crenças, conhecimento, técnicas, costumes, tradições,
que vai sendo transmitido por um grupo social de geração para geração;
cultura. 2- Que pertence a uma nação, por nela ter nascido ou por ter-se
naturalizado (diz-se de pessoa) ou por nela ter sido produzida (diz-se de
coisa)

I
Ilegal: ... depois do qual a língua de sinais foi oficialmente declarada ilegal em
muitas escolas surdas.
 Caráter daquilo que é contrário às disposições da lei; proibido.
Imagem: ... escolher a imagem de três pares de olhos é uma representação forte
...
 Representação da forma ou do aspecto de ser ou objeto por meios
artísticos.
Imagem–espelho: Mãos sendo arranjadas como imagem-espelho uma da outra
...
 Parcela representativa de alguma coisa; amostra
Imagens : Nenhuma dessas imagens sozinhas necessita ser interpretada ...
 aspectos particulares pelos quais um ser ou um objeto é percebido; cena,
quadro.
Imagens estruturadas¹: criar imagens estruturadas e equilibradas
simetricamente foi descrito por muitos pesquisadores.
 1- Elaborar, planejar (algo) cuidadosa e detalhadamente.
Imagens visuais¹: de sua herança nacional e usam imagens visuais dessa
herança ...
 1- fig. impressão ou efeito muito fortes deixados por certa ação ou
acontecimento.2- passível de ser levado em conta. 3- Exposição escrita ou
oral de motivos, razões, queixas etc. a quem de direito ou a quem possa
interessar
Impressão: A impressão geral dessa cota é o equilíbrio no espaço ...
 Pensamento ou sentimento acerca de algo, que configura um ponto de
vista, uma opinião, um comentário.
Implicitamente: sinais celebram implicitamente a experiência cultural visual da
surdez ...
 Que se manifesta mais por atos que por palavras (diz-se de desejo).
Incidentes: Os incidentes da batata e do tabaco mostram um uso equilibrado ...
 Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar esperado e normal
de uma ação e provoca uma interrupção sentida ger. como inconveniente.
55

Incomuns: soletração manual de colocação e movimento incomuns, os olhos são


dirigidos para as mãos ...
 Que não é comum; anormal, extraordinário, fora do comum.
Indivíduos¹ criativos²: a possibilidade dos indivíduos criativos construírem o
patrimônio linguístico e cultural ...
 1- Homem anônimo, indeterminado; pessoa. 2- Que se caracteriza pelo
caráter inovador; original.
Infame: O infame Congresso de Milão em 1880 (depois do qual a língua de sinais
foi oficialmente declarada ilegal em muitas escolas surdas) ocorreu ...
 Que causa repulsa ou desprezo por ser de má qualidade ou por ferir a
sensibilidade ou o senso.
Influenciados: poetas (tais como Pimenta) foram influenciados pelo estilo
americano ...
 Exercer uma ação psicológica, uma ascendência sobre alguém ou algo ou
deixar subjugar-se por esta ação.
Inglaterra: ... bandeira tremulando sobre a Inglaterra de Elizabeth I.

Intensifica: repetidamente estes sinais intensifica um padrão estético agradável
...
 Tornar(-se) mais forte, mais intenso; intensar(-se), animar(-se), exacerbar(-
se), avivar(-se).
Invés: como feito no início, mas ao invés ela balança para frente e para trás ...
 Ao inverso de, ao contrário de.
Irrelevantes: ...o som e o discurso são simplesmente irrelevantes.
 Que não tem ou tem pouca importância.
L
Lamento¹ surdo²: ...exemplos do século XIX, tais como O lamento Mudo (The
Mute’s Lament) de John Carlin de 1847).
 Choro, pranto. MÚS peça vocal (ária, canção, recitativo) de caráter triste,
choroso.2- Que ou quem não ouve ou ouve pouco, ou que perdeu o
sentido da audição.
Lema: Durante a soletração manual do lema através da faixa do círculo...
 fig. Norma ou sentença, ger. curta, que resume um ideal, objetivo etc.
Lexicais: sinais podem ser itens lexicais manuais.
 LING 1-Relativo a vocabulário; léxico,relativo a palavra; vocabular.
Liderança¹ poética²:A licença poética para dobrar as mãos aqui se estende
mesmo à duplicação...
 1-Espírito de chefia; autoridade, ascendência.2- Arte de fazer versos ou
elaborar composição poética;tratado de versificação e de poesia.
Língua de sinais: importante da poesia em língua de sinais que precisa ser
considerado.
 Língua que se utiliza de gestos, sinais e expressões faciais e corporais,
em vez de sons na comunicação. As línguas de sinais são de aquisição
visual e produção espacial e motora. São as línguas naturais de cada
comunidade de Surdos, ao redor do globo.
Língua de sinais americana: As analises linguísticas tem sido conduzidas por
poesias de diversas línguas de sinais, incluindo a Língua de Sinais Americana.
Língua de sinais britânica: As analises linguísticas tem sido conduzidas por
poesias de diversas línguas de sinais, incluindo a Língua de sinais Britânica.
Língua de sinais holandesa: As analises linguísticas tem sido conduzidas por
56

poesias de diversas línguas de sinais, incluindo a Língua de Sinais Holandesa.


Língua de sinais italiana: As analises linguísticas tem sido conduzidas por
poesias de diversas línguas de sinais, incluindo a Língua de Sinais Italiana.
Linguisticamente¹ vazio²: ..enquanto permanecesse socialmente inconcebível,
ele era linguisticamente vazio.
 1-Linguagem humana em seus aspectos fonético, morfológico, sintático,
semântico, social e psicológico.2- Que é destituído de qualidades positivas,
inteligência, interesses, propósitos.
Literatura: Este conjunto cultural de conhecimento inclui literatura e outras
artes...
 LIT. Uso estético da linguagem escrita; arte literária. LIT. Conjunto de obras
literárias de reconhecido valor estético, pertencentes a um país, época,
gênero etc.
Lugar¹ das pessoas² surdas³: ... comentam sobre o lugar das pessoas surdas
no mundo.
 1- Posição, posto considerado como sendo apropriado para alguém ou
como lhe sendo devido. 2- Caráter particular ou original que distingue
alguém. 3- Que ou quem não ouve ou ouve pouco, ou que perdeu o
sentido da audição.

M
Mãe do princípe Phlip:

Mais tênue¹: ... a rima produzida é “mais tênue” e mais visível.


 1- Que tem leveza, finura; grácil
Manipulado: O alfabeto manual pode também ser manipulado utilizando recursos
usados ...
 Pôr em funcionamento; utilizar, manejar (esp. com perícia); acionar
Marcado: ... plano horizontal de simetria é muito marcado em muitas línguas de
sinais ...
 Bem definido; fig. que se distingue; notável.
Membro¹ de uma comunidade²:. Raízes surdas é o processo que pessoa
descobre e desenvolve uma identidade surda como um membro de uma
comunidade coletiva visual...
 pessoa que integra um corpo social, político ou administrativo, uma família,
um grupo que tem atividades, interesses e objetivos comuns etc.2-
Conjunto de indivíduos organizados num todo ou que manifestam, ger. de
maneira consciente, algum traço de união.
Mistura¹ de dois Sinais²: ... neologismo criativo é o morfismo ou a mistura de
dois sinais.
 1- Conjunto, composto ou produto resultante de coisas misturadas; mescla,
misto, amálgama.2- Gesto para comunicar algo a alguém
Morfismo: dois recursos criativos e irregulares : neologismo e morfismo.
 Processo de transformação de um conjunto sobre outro que não altera as
operações definidas em ambos.
Mudança¹ de papel²: uso poético da caracterização é também conhecido como
“mudança de papel”, “personalização” ou “ação construída ...
 1- Figura humana imaginada pelos autores de obras de ficção.
Mudança¹ de sorte² -1- Modificação do estado normal de algo. 2- Característica
daquele que freq. consegue o que quer; boa estrela, fortuna e felicidade.
57

Multicultural: seus membros frequentemente vivem num ambiente bilíngue e


multicultural.
 Proveniente ou composto de várias culturas.
Múltiplas¹ interpretações²: a linguagem no primeiro plano pode trazer consigo
significado adicional, para criar múltiplas interpretações do poema.
 1- Várias , numerosas. 2- Dar certo sentido a; entender; julgar

Mundo¹ ouvinte²: ...apresentando o mundo ouvinte e seus valores como a


única...
 1- ter vida em sociedade, tê-la frequentado e conhecido muito; saber
apresentar-se socialmente. 2- LING. na comunicação oral, a pessoa que
recebe os enunciados produzidos por um locutor.
N
Nacional: comunidade surda que pode estender além da esfera nacional com
língua de sinais própria.
 Relativo a nação, que é próprio de uma nação, que a caracteriza, que a
distingue das demais.
Não-manuais: ... sinais podem ser não-manuais, usando a atividade dos olhos ...
 Que não se fazem com as mãos, que não seja acionada pelas as mãos.
Não-manual: modo que o sinal OLHAR-PARA-CIMA seja inteiramente não-
manual. 2- final do poema, as formas manual e não-manual de sinalizar OLHAR-
PARA-CIMA são trazidas.
 Que não se tem o uso das mãos.
Não-marcada: repetição triplicada de um sinal é uma maneira não-marcada –
mas esteticamente apelativa ...
 O que não esta marcado , não claro.
Narrativa¹ substancial²: Esse poema contém uma narrativa substancial,
contendo descrições detalhadas ...
 1- Exposição de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos
mais ou menos encadeados, reais ou imaginários, por meio de palavras ou
de imagens. 2- Que ou o que é mais importante, essencial, fundamental,
básico.
Narrativas pessoais¹: folclore surdo inclui piadas surdas, histórias, narrativas
pessoais e poesia na língua de sinais. ‘Signlore.’
 1- Exclusivo de certas pessoas; individuais.
Natureza: ...temas, tais como a natureza, o amor, e a vida e a morte ...
 Conjunto de elementos (mares, montanhas, árvores, animais etc.) do
mundo natura.
Natureza¹ visual²: 1- Além do mais, a natureza visual da língua requer ... 2-
Three Queens, celebram a natureza visual da surdez e da língua de sinais ...
 1- conjunto de traços psicológicos e espirituais que caracterizam o ser
humano. 2- Que é efeito de imagens mentais expressivas.
Nelson Pimenta

Neologismo: ... final do poema inteiro é um neologismo que produz simetria ...
 LING. emprego de palavras novas, derivadas ou formadas de outras já
existentes, na mesma língua ou não; atribuição de novos sentidos a
palavras já existentes na língua.
Neologismo¹ extensivo²: recurso poético do neologismo extensivo, é possível
58

identificar ...
 1- LING. emprego de palavras novas, derivadas ou formadas de outras já
existentes, na mesma língua ou não.2- Que se aplica ou que é válido para
um maior número de pessoas, objetos ou casos.

Olhos e da visão: ...olhar e de ver, dos olhos e da visão são repetidamente


tecidas...
 Orgão responsável pela visão.
Orgulho: associação positiva de um orgulho do seu país e a propagação da mão
...
 Sentimento de prazer, de grande satisfação sobre algo que é visto como
alto, honrável, creditável de valor e honra.
Orgulho¹ surdo²: Essas mudanças incluíram o surgimento do ‘orgulho surdo’, o
reconhecimento crescente das línguas...
 1- Sentimento de prazer, de grande satisfação sobre algo que é visto como
alto, honrável, creditável de valor e honra; dignidade pessoal, altivez 2-
Que ou quem não ouve ou ouve pouco, ou que perdeu o sentido da
audição.

P
Padrão¹ repetido²: ... sinais cria não somente um padrão repetitivo agradável ...
 1- LING modelo de uma estrutura da língua (p.ex, da frase, do vocábulo
etc.); esquema.2- Enunciação das mesmas palavras, das mesmas idéias
que já tinham sido enunciadas antes.
Padrões: permite também que o poema crie padrões usando a configuração de
mão ...
 1- Elemento variável (característica ou dado) que entra na elaboração de
um conjunto, o qual constitui um todo. 2- LING 1 relativo a vocabulário;
léxico. 3- Gesto para comunicar algo a alguém.
Parte que isto toca: ... o reconhecimento da BSL pelo governo e a parte que
isto toca a nação e a história da nação.

Passar-se por: ..ensinadas a negar sua surdez e tentar passar-se por pessoas
ouvintes.
 Transmitir (um sentimento, uma sensação, uma reação, uma opinião etc.)
[a]; comunicar.
Patrimônio¹ Compartilhado²: histórias de conexão cultural ou patrimônio
compartilhado
 1- Patrimônios relativos à língua na qualidade de base cultural de uma
comunidade étnica.2-Conjunto de conhecimentos, informações, saberes
adquiridos e que ilustram (indivíduo, grupo social, sociedade), segundo
uma perspectiva evolutiva <
Paul Scott

Personalização: uso poético da caracterização é também conhecido como


“mudança de papel”, “personalização” ou “ação construída ...
 Concedido de caráter pessoal a; tornar individual.
Perspectiva¹ do ²folclore surdo: apresentada na perspectiva do folclore surdo,
59

em que folclore pode ser visto como um “espelho da cultura.


 1- Forma ou aparência sob a qual algo se apresenta. 2- conjunto de
costumes, lendas, provérbios, manifestações artísticas em geral,
preservado, através da tradição de um povo ou grupo populacional;
cultura popular em especial do povo surdo.
Plano: Geralmente, o plano de simetria é vertical .
 fig. Maneira de estruturar uma obra, dando-lhe determinada disposição.
Plateias: experiência cultural dos poetas surdos e de suas plateias.
 Conjunto dos espectadores que ocupam esse espaço; público
Pode ser Remontado¹:que pode ser remontado a partir do trabalho pioneiro da
poesia surda britânica.
 O que pode ser refeito, reforma, reparação, conserto.

Poderosa¹ ferramentas²: ... língua visual é uma das mais poderosas


ferramentas disponíveis para os poetas ...
 Que dispõe de grandes forças, de grandes recursos. 2- fig. meios para
alcançar um fim.
Poema: 1 -é tecida profundamente na tela do poema de modo que deva ser
descoberta... 2- Durante todo o poema, geralmente, há referências à forma que
os personagens ...
 1- LIT. obra de poesia em verso 2- LIT . composição poética em que há
enredo e ação.
Poeta:. O poeta olha diretamente no globo aquoso girando ...
 Escritor que compõe poesia; aquele que tem imaginação inspirada.
Poetas pioneiros¹: ...trabalho dos poetas pioneiros de língua de sinais...
 1- fig. Eue ou aquele que vai adiante, que anuncia algo de novo ou se
antecipa a alguém ou a algo; precursor.
Político: ...contexto sócio-histórico, cultural e político, toda produção poética ...
 Relativo a cidadão, que se compõe de cidadãos; relativo ao Estado
público.
Prazer :O prazer é um elemento muito importante da poesia ...
 Sensação ou emoção agradável, ligada à satisfação de uma tendência, de
uma necessidade, do exercício harmonioso das atividades vitais etc.
Primeiro plano: 1-formas originais e criativas do poeta trazem a linguagem para
o primeiro plano./2- a linguagem no primeiro plano pode trazer consigo significado
adicional, para criar múltiplas interpretações do poema. 3- Em vez disso, a visão
é trazida para o primeiro plano, reafirmando...4-... trazendo a língua ao primeiro
plano porque o poeta produziu
 Que está no princípio do desenvolvimento, de um processo etc.; inicial.
Processo ativo: Ao contrário do estado de surdez, as raízes surdas envolvem
um processo ativo.
 Ação continuada, realização contínua e prolongada de alguma atividade;
seguimento, curso, decurso.
Produzir efeitos poéticos: analisamos a forma como a linguagem é usada para
produzir efeitos poéticos nos poemas da Língua de Sinais Brasileira e Britânica.
 Ter como resultado; causar, ocasionar, provocar efeitos nas poesias.
Projetada de forma irregular: ...pode ser projetada de forma irregular.
 1- representar (algo) de maneira errada.
Proporção¹ elevada²: ... embora ambos usem uma proporção elevada de sinais
...
60

 Conforme, à medida que.2-


Público: Esse uso marcado dos olhos atrai a atenção do público para a forma
dos sinais que estão sendo usados.
 Que é aberto a quaisquer pessoas; conjunto de pessoas; o povo de
determinado lugar.

Q
Quebrar as regras: Entretanto, aqui o poeta quebrou as regras da língua ... 2-
como os poetas podem quebrar as regras da expectativa poética ...
 mudar a direção de; desviar, sair do modo comum e usuário.
Questionamento de perda: ...não há nenhum questionamento da perda (como
podemos ver pelo título).
 pôr em questão; fazer objeção a; ato ou efeito de questionar; dúvida,
incerteza do que se perdeu.

R
Rachel Sutton-Spence:

Rainhas: interessante, em que as três rainhas (e talvez suas três comunidades


surdas) juntas olham para a bandeira ...
 fig. Pessoa que possui determinada característica em alto grau.

Raízes surdas:1 – raízes surdas – aparecendo fora da antropologia cultural.


Raízes surdas é o processo através do qual uma pessoa descobre...2 sinais para
determinar como ela contribui para as raízes surdas.

Razão: ... venha no final do poema, onde a razão para a repetição da ideia ...
 Aquilo que provoca, ocasiona ou determina um acontecimento, a existência
de algo; causa, origem
Readaptação: ... levam um tempo de readaptação e de consideração para
reconhecer ...
 Nova adaptação a condições anteriores que se tornaram presentes .
Realizações surdas: ...que celebram realizações surdas, os que exploram
explicitamente os relacionamentos entre surdos ...
 Algo que se obtém com esforço ;grande feito do povo surdo.
Reafirmando: ... visão é trazida para o primeiro plano, reafirmando o lado
positivo da experiência surda ...
 Demonstrando a verdade ou da exatidão de afirmação; confirmando.
Reconhecer: ... tempo de readaptação e de consideração para reconhecer suas
significações.
 Tomar conhecimento de novo ou em outra situação; constatar.
Recurso¹ estético²: ...é meramente um recurso estético de minimizar as
transições entre sinais ...
 1-Aptidões naturais; dons, talentos, faculdades, dotes.2-Referente às
qualidades artísticas ou formais de algo
Recurso¹ poético²: transformou-se em um recurso poético difundido nos EUA ...
 1-Aptidões naturais; dons, talentos, faculdades, dotes.2- Que tem poesia;
que tem qualidades, atmosfera, encanto ou características da poesia
Refletem¹ a cultura surda²: fornecendo elementos que refletem a cultura surda..
 1- Deixar ver ou transparecer; exprimir, revelar.2- Conjunto de padrões de
61

comportamento, conhecimentos, costumes etc. que distinguem o grupo


social dos surdos.
Refletem: ...poemas escritos por pessoas surdas refletem isso.
 Exprimir, revelar, traduzir.
Refletir¹ a identidade surda²: ...uso dos olhos permite aos poetas refletir sua
identidade surda diretamente por meio da linguagem dos poemas.
 1- Repercutir-se, transmitir-se. 2- Conjunto de características e
circunstâncias que distinguem uma pessoa e graças às quais é possível
individualizá-la, no caso a surdez.
Reforçam: mas também reforçam diretamente a experiência visual.
 Contribuições para a realização de uma tarefa; auxílio.
Relacionamento incomuns: destacar relacionamentos incomuns entre os sinais
e as ideias ...
 1-capacidade de manter relacionamentos, de conviver bem com seus
semelhantes.2- Que não é comum; anormal, extraordinário e fora do
comum.
Repetição: exemplos da repetição e do uso da simetria podem ser vistos ...
 Enunciação das mesmas palavras, das mesmas ideias que já tinham sido
enunciadas antes.
Representação¹ forte²: ...pares de olhos é uma representação forte da
identidade surda.
 1- qualidade necessária, fundamental. 2-que se manifesta com
intensidade.
Representar: sinais podem ser usados para produzir e representar estes
conceitos. simbólicos ...
 Figurar, aparentar; dar ares de; desempenhar papel ou qualidade de outro
Representar¹ a essência²: Seria possível representar a essência do Brasil de
muitas maneiras ...
 1-Ser a imagem ou a reprodução de; trazer à memória; figurar como
símbolo.2- A mais importante característica de um ser ou de algo, que lhe
confere uma identidade, um caráter distintivo
Representar¹ o olhar e o ver²: ... poemas usam explicitamente sinais para
representar o olhar e o ver, e mostram personagens...
 Figurar, aparentar; dar ares de; desempenhar papel ou qualidade de
outro.2- aspecto dos olhos ou modo de olhar, considerado como expressão
ou reflexo do sentimento, disposição etc. daquele que olha.

Retratadas:... imagens diferentes da surdez podem ser criadas e retratadas


dentro de um poema.
 Descritas com exatidão, reproduzidas (algo) fielmente.
Retratam:...maneira com que os poemas retratam a experiência das pessoas
surdas.
 deixar transparecer; expressar(-se), mostrar(-se)
Retrata:línguas de sinais retrata frequentemente as atividades visuais ...
 Ser a imagem ou a reprodução de; figurar como símbolo; representar,
simbolizar.

Sentidos: ... em que os sentidos da visão e da audição trabalham juntos ...


62

 FISL. Faculdade de perceber uma modalidade específica de sensações


(como o calor, as ondas sonoras, o sabor), que correspondem, grosso
modo, a um órgão determinado, cuja estimulação dá início ao processo
interno de recepção sensorial [São cinco os sentidos: tato, visão, audição,
paladar e olfato.]
 1-Atitude mental ou moral caracterizada pelo estado afetivo.2- LÓG. relação
entre grupos que os elementos constitutivos de um se encontram entre
aqueles de outro.
Significado¹ adicional²: a linguagem no primeiro plano pode trazer consigo
significado adicional, para criar múltiplas interpretações do poema.
 1- Dar a entender; mostrar. 2-Acrescentar (alguma coisa) a (outra); juntar.
Signlore: (também um termo de Carmel) – folclore em sinais.

Simetria: Bandeira Brasileira, a simetria não é exata. Simétrica : colocadas de


forma claramente simétrica.
 Semelhança entre duas ou mais situações ou fenômenos; concordância.
Simetria marcada: ... primeira parte do poema mostra uma simetria marcada.
 Semelhança entre duas ou mais situações bem definidas; nítidas.
Sinais lexicais: Além dos sinais lexicais estabelecidos, os poetas podem criar ...
 Indícios (marcas) relativos a vocabulário; léxico relativo a palavra;
vocabular.
Sinais¹ multicomponentes²: podem ser sinais multicomponentes (conhecidos
também como “sinais classificadores”, ver Schembri 2003) 2- aqueles conhecidos
como “sinais classificadores” ou “sinais multicomponentes” e os sinais que são
feitos como partes ...
 Indicios marcações¹ de várias partes que constituem um sistema².
Sinais produtivos: 1- ... podem criar seus próprios sinais produtivos que
mostram uma simetria similar. 2- grande proporção de sinais produtivos e
mudança de papel ...
 Marcas( indícios) da parte constituinte de um sistema criados para
satisfazer as necessidades.

Sinal manual: Em Three Queens, o sinal manual LOOK-UP (erguer a vista) é


usado no final do primeiro verso
 gesto para comunicar algo a alguém utilizando as mãos.
Sincronismo rítmico: diferentes níveis na linguagem - sincronismo rítmico dos
sinais ...
 Estado ou condição de dois ou mais fenômenos ou fatos passados ou
atuais que ocorrem simultaneamente e são, de certo modo, relacionados
entre si possuindo rítimo bem marcados.
Sistema: línguas de sinais tradicionalmente não apresentam um sistema escrito...
 Conjunto de regras ou leis que fundamentam determinada ciência,
fornecendo explicação para uma grande quantidade de fatos.
Situações¹ de status²: ..para situações de status elevado e que “a sinalização
surda” era inferior..
 1-Circunstância oportuna para a realização de algo; condição.2- Situação,
estado, qualidade ou circunstância de uma pessoa ou coisa em
determinado momento; condição.
Slogan: o Brasil é certamente “um país para todos” (um slogan do governo)...
 Expressão concisa, fácil de lembrar, utilizada em campanhas políticas, de
63

publicidade, de propaganda, para lançar um produto, marca etc.


Socialmente¹ inconcebível²: ...o registro poético era socialmente inconcebível
e, enquanto permanecesse socialmente inconcebível, ele era linguisticamente
vazio.
 1-relativamente à comunidade, ao conjunto dos cidadãos de um país;
coletivo.2- Que não se pode conceber, idealizar, compreender, explicar ou
admitir
Sócio -histórico: Nesse contexto sócio-histórico, cultural e político ...
 relativo ao mesmo tempo aos fatores ou aspectos sociais e históricos de
um dado país(região).
Surdez : ... entretanto, a “surdez” é menos declarada, e é tecida profundamente..
 Característica ou condição do que é surdo;ausência, perda ou diminuição
considerável do sentido da audição.
Sutileza poética:... tem sido chamado também “sutileza poética” e é relacionado
à maneira ...
 Detalhe quase imperceptível; particularidade, minúcia, finura na arte de
fazer versos ou elaborar composição poética.
T
Tal ameaça: Diante de tal ameaça à identidade pessoal e cultural dos surdos ...
 Ato que ficou ou ainda está no princípio; intenção.
Teatro Nacional do Surdo/ NTD: enquanto trabalhava no Teatro Nacional do
Surdo Miles desenvolveu seus princípios de poesia em língua de sinais.
 1-Feita trabalhada em uma série de fatos ou coisas que acontecem
sucessivamente.2-fig. No íntimo da pessoa, o recôndito da alma ou do
pensamento.
Tela poética: uma vez que a tela poética é preenchida ...
 Conjunto ou obra em que essa descrição é feita no caso os poemas.
Temas: este capítulo analisa os temas e as linguagens.
 Aquilo sobre o que conversam ou se discorrem; assunto, objetos,
argumentos.
Three Queens: Three Queens é uma celebração ao reconhecimento oficial da
BSL pelo governo britânico em março de 2003.
 Traduzido para o português “ três rainhas”.
Trabalho:O trabalho dos poetas surdos.
 Qualquer obra realizada (manual, artística, intelectual etc.);
empreendimento, realização.
Tradição da cultura folclórica: assim como a forma, o tema e a função, estão
firmemente dentro da tradição da cultura folclórica.
 Herança cultural, legado de crenças, técnicas etc. de uma geração para
outra.
Transmissão: ...o desempenho e a transmissão, assim como a forma...
 Envio de informação; destinar (algo) para (alguém); expedir, enviar.
Transmitido visualmente: 1- conjunto cultural de conhecimentos que são
transmitidos oralmente (ou visualmente) em uma comunidade. 2 - que é passado
por meio da língua de sinais, é transmitido visualmente...
 Destinado (algo) para (alguém); expedido, enviado realizando apenas com
o sentido da visão ou também. com sua ajuda.
Transmitidos oralmente: conjunto cultural de conhecimentos que são
transmitidos
oralmente (ou visualmente) em uma comunidade.
64

 Destinado (algo) para (alguém); expedido, enviado através da voz.

Um pais para todos: o Brasil é certamente “um país para todos” (um slogan do
governo)
 País para todas as pessoas, toda sua gente sem exclusão.
Unidade nacional:... mostra também unidade nacional, tratando todos os
estados e cidades da mesma maneira.
 Ação ou o resultado do País de tornar algo antes desunido em um;
unificação concordância, homogeneidade, igualdade, uniformidade.
Universidade de Gallaudet: poetas surdos americanos contemporâneos da
Universidade de Gallaudet.
 Desconhecida ou indeterminada forma de sinalizar ou destacar algo.
Uso criativo: O uso criativo da língua de sinais para produzir novos sinais tem
sido ...
 Usar com características inovadoras ,originais e novas.
Uso explícito: o poema pode incluir o uso explícito dos verbos da visão ...
 Feito com clareza, bem explicado sem restrições.
Uso marcado: foco da plateia para ele, pronto para o uso marcado da soletração
manual
 A execução, a prática de algo que é nitidamente indicado; acentuado.
Uso poético:...O uso poético da caracterização é também conhecido como
“mudança de papel” ...
 Forma ou maneira que tem poesia; que tem qualidades, atmosfera,
encanto ou características da poesia.
V

Viés Poético Internacional: eles trabalham dentro de um viés poético


internacional.
 Fig. Tendência geral e determinada Internacionalmente na arte de fazer
versos ou elaborar composição poética.
Visualmente – determinado: Os sinais específicos visualmente-determinados e
espacialmente-determinados ...
 Que apreende ou retém melhor os conhecimentos através da visão do que
pelo meio auditivo.
Vocabulário: todos itens do vocabulário estabelecido, tais como ...
 Codificação da totalidade ou seleção de palavras de uma língua (p.ex., os
vocabulários ortográficos) ou esse conjunto, com as significações
respectivas de cada palavra ou locução registrada (neste caso,
equivalendo a dicionário).
65

APÊNDICE 2 -GLOSSÁRIO EM LSB

- Achar

- Afirmar

- Concebível

- Conceito
66

- Compartilhada

- Constroem e mostram
67

- Contra-reação

- Discussão

- Muito tempo
68

- Imagens (da identidade)

- Imagens (da poesia em


LS)

- Não apenas
69

- Oprimido

- Realidade

- Não tem registro


70

ANEXO 1 – O TEXTO ORIGINAL

Ronice Müller de Quadros (org.)

Série Pesquisas

Estudos Surdos I

Gladis Dalcin

Gladis Perlin

Paulo César Machado

Rachel Sutton-Spence

Rossana Finau

Sandra Patrícia de Faria

Sônia Dechandt

Tania Micheline Miorando

Vilmar Silva

Editora Arara Azul


71

Capítulo 4

Poesia em língua de sinais: traços da identidade surda


Rachel Sutton-Spence
Ronice Müller de Quadros 23

Introdução
Este capítulo analisa como os temas e a linguagem usada na poesia em língua de sinais se
constituem para criar e traduzir a cultura surda e a identidade das pessoas surdas. A
identidade e a cultura das pessoas surdas são complexas, já que seus membros freqüentemente
vivem num ambiente bilingüe e multicultural. Por um lado, as pessoas surdas fazem parte de
um grupo visual, de uma comunidade surda que pode se estender além da esfera nacional, no
nível mundial. É uma comunidade que atravessa fronteiras. Por outro lado, eles fazem parte
de uma sociedade nacional, com uma língua de sinais própria e com culturas partilhadas com
pessoas ouvintes de seu país. O trabalho dos dois poetas surdos – um brasileiro e o outro
britânico – é analisado aqui, demonstrando como as suas poesias em línguas de sinais
diferentes constroem e mostram identidades que os identificam enquanto pessoas surdas e,
também, como membros de suas comunidades nacionais. O poema de Nelson Pimenta,
Bandeira Brasileira, composto e interpretado na língua de sinais brasileira (LSB) é analisado
e comparado com o poema Three Queens (Três Rainhas), de Paul Scott na língua de sinais
britânica (British Sign Language - BSL)24.
Os dois poetas vêm de diferentes culturas surdas nacionais, sem histórias de conexão
cultural ou patrimônio compartilhado. Entretanto, eles trabalham dentro de um viés poético
internacional indiretamente relacionado, que pode ser remontado a partir do trabalho pioneiro
da poetisa surda britânica Dorothy (‘Dot’) Miles, que desenvolveu seus princípios de poesia
em língua de sinais enquanto trabalhava no Teatro Nacional do Surdo nos Estados Unidos na
década de 1970. Paul Scott estudou o trabalho de Dorothy Miles e agradece a influência do
estilo dela no seu próprio trabalho. Nelson Pimenta também foi influenciado pela escola
poética americana, que cresceu do trabalho de NTD através do seu contato com poetas surdos

23 Ronice Müller de Quadros é da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil e Rachel Sutton-
Spence é do Centre for Deaf Studies, University of Bristol, UK.
24 As glosas e a tradução desses dois poemas estão no apêndice deste capítulo.
72

americanos contemporâneos na Universidade de Gallaudet. Apesar da diferença no estilo


poético, ambos os poetas usam sua forma de arte em língua de sinais para expressar suas
identidades Surdas e suas próprias identidades nacionais.
A poesia em língua de sinais, assim como a poesia em qualquer língua, usa uma forma
intensificada de linguagem (“sinal arte”) para efeito estético (Sutton-Spence 2005; Valli 1993;
Leech 1969). A linguagem nos poemas está em primeiro plano, determinada pela sua projeção
que se origina da sua diferença em relação à linguagem cotidiana. A linguagem pode ser
projetada de forma regular, uma vez que o poeta usa recursos e sinais já existentes na língua
com excepcional regularidade, ou pode ser projetada de forma irregular, uma vez que as
formas originais e criativas do poeta trazem a linguagem para o primeiro plano. A linguagem
no primeiro plano pode trazer consigo significado adicional, para criar múltiplas
interpretações do poema.
As análises lingüísticas têm sido conduzidas por poesias de diversas línguas de sinais,
incluindo a língua de sinais americana (Valli 1993; Klima & Bellugi 1979), a língua de sinais
britânica (Sutton-Spence 2001a,b, 2005), a língua de sinais italiana (Russo, Giuranna &
Pizzuto 2001; Russo 2005) e a língua de sinais holandesa (Crasborn 2005). Nós analisamos a
forma como a linguagem é usada para produzir efeitos poéticos nos dois poemas sinalizados
na língua de sinais brasileira e na língua de sinais britânica. Entretanto, consideramos tão
importante analisar a forma e o conteúdo da poesia em língua de sinais, quanto explorar o
impacto da poesia no folclore e o seu papel na constituição e tradução da identidade de um
povo.
Poesia em língua de sinais e folclore
A análise, neste capítulo, é apresentada na perspectiva do folclore surdo, em que folclore pode
ser visto como um “espelho da cultura”, neste caso, fornecendo elementos que refletem a
cultura surda (Rutherford 1993). Enquanto não há uma definição universal de folclore, ele é
normalmente visto como o conjunto cultural de conhecimentos que são transmitidos
oralmente (ou visualmente) em uma comunidade. Como todas as línguas de sinais
tradicionalmente não apresentam um sistema escrito, o conhecimento cultural das
comunidades surdas, que é passado por meio da língua de sinais, é transmitido visualmente
(Finnegan 1977). Este conjunto cultural de conhecimento inclui literatura e outras artes,
linguagem e discurso popular (Utley 1961). No entanto, em qualquer aspecto do folclore, há a
possibilidade dos indivíduos criativos construírem o patrimônio lingüístico e cultural da
comunidade e criarem novas formas que podem ser compostas e/ou transmitidas por meio do
73

oral (visual). O conteúdo de um poema pode ser novo, mas o método de composição, o
desempenho e a transmissão, assim como a forma, o tema e a função, estão firmemente dentro
da tradição da cultura folclórica. É em função disso que nós incluímos os poemas em língua
de sinais como partes do grande folclore dos povos surdos.
Em relação ao folclore surdo, Carmel (1996) inventou o termo ‘Deaflore’ – folclore
surdo – para referir-se ao conhecimento coletivo da comunidade surda. No nível da
linguagem, o folclore surdo inclui piadas surdas, histórias, narrativas pessoais e poesia na
língua de sinais. ‘Signlore’ (também um termo de Carmel) – folclore em sinais – ocorre
quando os sinalizantes são especialmente criativos com sua língua de sinais, de modo que a
contribuição espacial e visual tridimensional da língua contribua para o folclore surdo da
comunidade surda. A poesia em sinais é assim um exemplo perfeito de folclore em sinais.
Bascom (1953, 26) indica que o folclore está intimamente associado com a
Antropologia Cultural, porque esta estuda “os costumes, as tradições e as instituições de
povos vivos”, de modo que ambos, folcloristas e antropólogos culturais, podem estar
interessados nas funções do folclore. Essa concepção de folclore pode ser usada
conjuntamente com o conceito radical de ‘Deafhood’ (Ladd 2003) – raízes surdas –
aparecendo fora da antropologia cultural. Raízes surdas é o processo através do qual uma
pessoa descobre e desenvolve uma identidade surda como um membro de uma comunidade
coletiva visual (Mindess 2000). Ao contrário do estado de surdez, as raízes surdas envolvem
um processo ativo. Ao produzir o folclore surdo (incluindo a poesia), as pessoas surdas “estão
produzindo” raízes surdas.
À luz das reivindicações feitas sobre as funções do folclore e do folclore surdo, nós
podemos olhar para a poesia na língua de sinais para determinar como ela contribui para as
raízes surdas.
Empoderamento por meio da poesia em língua de sinais
O prazer é um elemento muito importante da poesia em língua de sinais que precisa
ser considerado. Entretanto, muito da poesia é também - em algum nível - empoderamento
dos povos surdos. Mesmo o prazer e o entretenimento proporcionados pela poesia podem ser
vistos como um tipo de fortalecimento para essa comunidade lingüística. Esse
empoderamento pode ocorrer simplesmente pelo uso da língua, ou pela expressão de
determinadas idéias e significados que se fortalecem pela instrução, pela inspiração ou pela
celebração.
74

Utilizando a língua de sinais criativamente e como uma forma de arte é um ato de


empoderamento em si mesmo para um grupo lingüístico minoritário oprimido (Ladd, 2003).
Por muito tempo, as pessoas surdas foram cercadas pela noção fortemente defendida pelo
oralismo de que as línguas faladas, tais como o inglês ou o português, eram as línguas a serem
usadas para situações de status elevado e que “a sinalização surda” era inferior e se adequava
somente para a conversação social (ver, por exemplo, Ormsby, 1995b e Rutherford, 1993).
Ouvintes e pessoas surdas viam a poesia como um gênero que deveria ser conduzido na língua
falada, por causa do seu status. Com relação à língua de sinais americana – ASL – (e o
mesmo é verdadeiro para muitas outras línguas de sinais), Ormsby (1995b, p.119) observa
que, antes dos anos 1970, “nenhum registro poético existiu nessa língua, porque o registro
poético era socialmente inconcebível e, enquanto permanecesse socialmente inconcebível, ele
era lingüisticamente vazio”.
No entanto, as mudanças sociais nos anos 1960 e 1970 conceberam o registro poético
tornando-o uma realidade. Essas mudanças incluíram o surgimento do ‘orgulho surdo’, o
reconhecimento crescente das línguas de sinais como línguas independentes completas e do
trabalho dos poetas pioneiros de língua de sinais, tais como o de Dorothy Miles, de Ella Lentz
e de Clayton Valli. As mudanças começaram nos Estados Unidos, mas se espalharam por
outros países à medida que as pessoas surdas aprenderam umas com as outras e começaram a
explorar o potencial de suas próprias línguas de sinais como um meio de produção artística.
Nesse contexto sócio-histórico, cultural e político, toda produção poética na língua de sinais
apresenta repercussões no empoderamento do povo surdo e é uma expressão implícita do seu
orgulho na sua língua.
Uma das contribuições principais da poesia sinalizada para o empoderamento do povo
surdo é a maneira com que os poemas retratam a experiência das pessoas surdas. Muitas
pessoas surdas foram ensinadas a negar sua surdez e tentar passar-se por pessoas ouvintes por
muitos anos. Certamente, o alvo de alguns setores da sociedade foi banir completamente a
surdez, apresentando o mundo ouvinte e seus valores como a única escolha para pessoas
surdas (por exemplo, Ladd 2003; Pista, Hoffmeister & Bahan 1996). Diante de tal ameaça à
identidade pessoal e cultural dos surdos, os poemas que descrevem e validam a experiência
surda são fortemente usados para o empoderamento do povo surdo. Alguns poemas estão
explicitamente ligados aos assuntos que são relevantes para as pessoas surdas, sendo
relacionados diretamente à experiência surda. Esses incluem, especialmente, os poemas que
celebram declaradamente a língua de sinais e o mundo visual, os que celebram realizações
surdas, os que exploram explicitamente os relacionamentos entre surdos e ouvintes e os que
75

comentam sobre o lugar das pessoas surdas no mundo. Em outros casos, entretanto, a
“surdez” é menos declarada, e é tecida profundamente na tela do poema de modo que deva ser
descoberta para ser vista. Nós veremos que ambas as opções são exploradas por Pimenta e por
Scott. Outros temas, tais como a natureza, o amor, e a vida e a morte, são também explorados
na poesia em língua de sinais, mas enquanto os poemas são compostos com a perspectiva de
um poeta surdo, mesmo esses temas aparentemente gerais são usados para criar imagens
“surdas”. Nós veremos nos poemas analisados aqui que diversas imagens diferentes da surdez
podem ser criadas e retratadas dentro de um poema.
A experiência sensorial de pessoas surdas
A experiência sensorial de pessoas surdas é uma característica central de muitos
poemas na língua de sinais. O som - e a ausência dele - tem lugar muito pequeno nessas
poesias e é raro encontrar um poema na língua de sinais que foque em qualquer sentido a
perda da audição para pessoas surdas. Alguns poemas escritos por pessoas surdas refletem
isso (Ormsby 1995b dá alguns exemplos do século XIX, tais como O lamento Mudo (The
Mute’s Lament) de John Carlin de 1847), mas para poetas da língua de sinais, o som e o
discurso são simplesmente irrelevantes. Em vez disso, a visão é trazida para o primeiro plano,
reafirmando o lado positivo da experiência surda da vida e da existência visual das pessoas
surdas. O poema Cinco Sentidos, de Paul Scott, dirige-se diretamente à questão da
experiência visual da pessoa surda, incluindo a inabilidade para ouvir. No entanto, não há
nenhum questionamento da perda (como podemos ver pelo título). Ao invés disso, o poema
descreve a identidade surda do poeta como aquela de uma pessoa visual, em que os sentidos
da visão e da audição trabalham juntos para dar à pessoa surda uma experiência completa, rica
e satisfatória do mundo.
As idéias de olhar e de ver, dos olhos e da visão são repetidamente tecidas em poemas
sinalizados. Essas referências parecem tão comuns que levam um tempo de readaptação e de
consideração para reconhecer suas significações. Colocar as imagens do olhar e da visão em
poema na língua de sinais fortalece o poeta e a platéia, mostrando sua identidade visual. Há
pelo menos três maneiras principais nas quais o poeta pode trazer a experiência visual para o
primeiro plano. Primeiramente, o poema pode incluir o uso explícito dos verbos da visão ou
fazer a referência direta ao ver ou aos olhos. Os sinais podem ser itens lexicais manuais, em
que as mãos representam as atividades dos olhos, ou os sinais podem ser não-manuais, usando
a atividade dos olhos diretamente para representá-los.
76

Esse uso dos olhos para representar os próprios olhos é visto também na
‘caracterização’, a segunda maneira em que a experiência visual está em primeiro plano.
Nesse recurso, o poema mostra a maneira como os personagens dentro do poema usam os
olhos. O uso poético da caracterização é também conhecido como “mudança de papel”,
“personalização” ou “ação construída” (ver Emmorey, 2003). Antes de 1976, em algumas
notas de palestras não publicadas, a poeta pioneira da língua de sinais, Dot Miles, identificou
a importância da caracterização (ela usou o termo ‘personalização’) para permitir sinalizantes
‘transformarem-se’ na pessoa ou na coisa da qual estão falando quando sinalizam uma
descrição ou uma narrativa direta. Um recurso similar, em que uma pessoa pega as
características de uma outra, é encontrado também em línguas faladas, mas para nossas
discussões aqui é importante perceber que a caracterização em línguas de sinais retrata
freqüentemente as atividades visuais dos personagens. Na descrição de uma pessoa (ou um
animal ou mesmo um objeto inanimado), o sinalizante mostra a maneira como este
personagem usa os olhos. Além do mais, a natureza visual da língua requer ao sinalizante
mostrar essa informação. Essa necessidade lingüística tem um impacto considerável na
representação poética da experiência visual de pessoas surdas na poesia em língua de sinais.
A terceira maneira de colocar a visão em primeiro plano, talvez mais externa ao poema
e mais essencial ao desempenho, envolve os olhos do intérprete que podem ser usados de
alguma maneira marcada, incentivando a platéia a se envolver na mesma atividade visual.
Esse uso marcado dos olhos atrai a atenção do público para a forma dos sinais que estão sendo
usados (Ormsby 1995a).
Essa perspectiva visual do mundo é vista claramente nos dois poemas que nós
analisamos aqui. Em Three Queens (Três Rainhas) e Bandeira Brasileira, a referência à visão
e ao uso dos olhos permite aos poetas refletir sua identidade surda diretamente por meio da
linguagem dos poemas. Os poemas usam explicitamente sinais para representar o olhar e o
ver, e mostram personagens no poema envolvidos na atividade visual. Além disso, o olhar do
poeta/intérprete adiciona diretamente um efeito poético ao poema, chamando a atenção para
algum tipo de sinalização irregular, criativa.

A experiência sensorial em Three Queens

Em Three Queens, o sinal manual LOOK-UP (erguer a vista) é usado no final do


primeiro verso para significar olhar a bandeira tremulando sobre a Inglaterra de Elizabeth I. A
mesma bandeira tremula no fim de cada verso, e o poeta olha também para ela após ter
77

descrito as experiências e as ações de pessoas surdas nas eras de Victoria e de Elizabeth II.
Nesses dois exemplos, ele dirige seus olhos à bandeira, de modo que o sinal OLHAR-PARA-
CIMA seja inteiramente não-manual. No final do poema, as formas manual e não-manual de
sinalizar OLHAR-PARA-CIMA são trazidas juntas “em um sinal simultâneo triplo”
altamente criativo e esteticamente muito interessante, em que as três rainhas (e talvez suas três
comunidades surdas) juntas olham para a bandeira acima. Cada mão sinaliza OLHAR-PARA-
CIMA e também os olhos, criando uma imagem impressionante da unidade de pessoas surdas
ao longo da história. Talvez a unidade das três comunidades surdas pudesse ser mostrada de
inúmeras maneiras, mas escolher a imagem de três pares de olhos é uma representação forte
da identidade surda (figura 1).

Figure 1: Três pessoas olhando para acima - mostrado com dois sinais manuais e um sinal
não-manual

Durante todo o poema, geralmente, há referências à forma que os personagens usam seus
olhos. Elizabeth I olha dentro de uma concha para recobrar uma pérola para seu colar. Assim
como ela trilha seu caminho para o progresso real, seus olhos olham para a direita e para a
esquerda, olhando para o seu reino. Ela olha cuidadosamente para a batata, para o cigarro e
para as pessoas surdas que vê sinalizando. Os servidores olham acima de forma servil
enquanto percebem as descobertas de seu tempo. Todos esses são mostrados deliberadamente
através dos olhos durante a mudança de papel dos personagens no poema. A pessoa surda
Victoriana olha suplicando por instrução, pedindo-a através dos olhos, uma vez que o sinal
ENSINA-ME é dirigido à posição dos olhos (figura 2). O sinal representa claramente a
necessidade da pessoa surda de uma melhor educação, baseada no visual, do que a educação
oral que dependia dos ouvidos que foi determinada pelo Congresso de Milão, em 1880,
realizada durante o reinado de Victoria. A recusa do personagem Victoriano no poema para
fornecer essa educação é mostrada pelos olhos desviados no sinal IGNORAR (figura 3).
Mesmo na referência ao feriado africano de Elizabeth II, onde ela fica sabendo de sua
ascensão, ela é mostrada envolvida na atividade visual de olhar através dos binóculos.
Nenhuma dessas imagens sozinhas necessita ser interpretada como especificamente surdas,
78

mas o conjunto delas e o fato de que elas se espalham pelo poema, mostra a representação da
história surda por meio da visão.

Figure 2: ENSINA-ME dirigido aos olhos.

Figure 3: IGNORAR com olhos desviados.

A experiência sensorial em Bandeira Brasileira

Bandeira Brasileira retrata também uma representação visual da experiência surda no


mundo. Seria possível representar a essência do Brasil de muitas maneiras, mas Pimenta
escolhe o meio visual da cor, ligando as cores da bandeira às cores do Brasil. O desempenho
do poema mostra um envolvimento pessoal do poeta na compreensão da bandeira por meio do
uso dos olhos. O poeta olha diretamente no globo aquoso girando, atraindo o foco da platéia
para ele, pronto para o uso marcado da soletração manual do lema nacional brasileiro escrito
de um lado ao outro da faixa que circunda o globo. Durante essa soletração manual de
colocação e movimento incomuns, os olhos são dirigidos para as mãos (figura 4). Esse é um
uso irregular do olhar, já que os olhos não se direcionam normalmente para as mãos durante a
soletração manual na LSB. Entretanto, o uso irregular dos olhos destaca para a platéia a
criatividade da sinalização irregular. Esse uso dos olhos para destacar a criatividade nos
sinais é visto novamente quando Pimenta olha diretamente para o sinal que mostra o mapa do
país desenrolando. Quando as estrelas que representam cada um dos estados individualmente
são colocadas na bandeira, há um uso desviante de olhar, já que o intérprete olha à esquerda,
aparentemente para nada (figura 5). Esse recurso atrai a atenção da platéia para o fato de que
79

algo importante está faltando ainda, antes que a cidade capital do Brasil seja introduzida e sua
estrela esteja colocada como a estrela final no alto da bandeira.

Figure 4: Os olhos dirigidos para a letra “o” soletrada manualmente.

Figure 5: olhos dirigidos para o nada, antes do sinal do clímax para representar BRASÍLIA

O lugar das pessoas surdas no mundo


Em ambos os poemas, nós vemos como o poeta se situa no mundo. Os dois poetas
expressam claramente a sua participação como membros de sua comunidade surda e de sua
comunidade nacional. Os poemas abordam tópicos de sua herança nacional e usam imagens
visuais dessa herança que são imediatamente reconhecíveis para platéias compostas de suas
comunidades surdas. Importantemente, ambos os poetas usam sua bandeira nacional como um
tema visual que representa seu país.

O lugar das pessoas surdas em Three Queens

Three Queens é uma celebração ao reconhecimento oficial da BSL pelo governo


britânico em março de 2003. Considera a mudança de fortuna de pessoas surdas sob os
reinados de três grandes rainhas inglesas. O primeiro registro detalhado de uso da língua de
sinais na Grã-Bretanha (em 1575, ver Sutton-Spence e Woll 1998) data do reinado de
Elizabeth I (1558 - 1603). A família e os descendentes da rainha Victoria foram tocados
frequentemente pela surdez: seu filho, que se transformou mais tarde em Edward VII, casou
com a princesa Alexandra da Dinamarca, que era surda e tiveram um filho surdo, príncipe
Albert. Outros descendentes, como o poema mostra, eram também surdos, incluindo a mãe do
príncipe Philip, o duque de Edimburgo, consorte da terceira rainha no poema, Elizabeth II. O
infame Congresso de Milão em 1880 (depois do qual a língua de sinais foi oficialmente
declarada ilegal em muitas escolas surdas) ocorreu também durante o reinado da rainha
80

Victoria (1837 - 1901). O reconhecimento oficial da BSL pelo governo, como uma língua
minoritária britânica, veio somente em 2003, sob o reinado da rainha atual, Elizabeth II.
Esse poema contém uma narrativa substancial, contendo descrições detalhadas,
fornecendo fatos históricos, bem como, também, entretenimento visual. Quanto a esse último
aspecto, o poema cumpre a importante função educacional para a constituição do folclore
surdo. O poema combina a história geral de “conhecimento-comum” (tal como a descoberta
européia da batata e do tabaco no reinado de Elizabeth I) com os fatos bem menos conhecidos
(tais como Philip, duque de Edimburgo, sendo descendente de quatro gerações de um dos
filhos da rainha Victoria). Mas mais importante ainda, tece a história surda na tela da história
nacional: é talvez não tão bem conhecido que a língua de sinais foi documentada
primeiramente na Inglaterra durante o reinado de Elizabeth I ou que a surdez passou pela
família real britânica. O poema mostra como o “Povo Surdo” é uma parte do povo britânico e
as linhas da história surda são essenciais para a herança nacional, com todos vivendo sob a
mesma bandeira.

O lugar das pessoas surdas em Bandeira Brasileira

Bandeira Brasileira, de Pimenta, também toma cuidado para mostrar o lugar de uma
pessoa brasileira surda dentro da nação brasileira. Retratando o simbolismo da bandeira
brasileira por meio visual da língua de sinais, ele mostra o relacionamento entre a LSB e o
Brasil. Assim como o Three Queens, o poema é “educativo”, além de ser instigante. Ele
explica o simbolismo das cores na bandeira brasileira e o significado das estrelas que são
colocadas na esfera azul central. Ele nomeia estados e cidades que são representados por
estrelas na bandeira brasileira e, assim como as imagens de Scott das duas primeiras rainhas,
baseadas em retratos famosos das rainhas conhecidas a todas as crianças de escolas britânicas,
também a representação de Pimenta, da capital Brasília, é altamente visual. Não somente dá o
sinal para a cidade, mas seus sinais representam os edifícios famosos do governo, formas que
são bem conhecidas por todos os brasileiros. Pimenta sinaliza “Brasília” três vezes para
representar o Palácio da Alvorada com os três monumentos que, ao mesmo tempo, fazem
alusão às estrelas. Além disso, os prédios delineados por meio de classificadores apresentam o
formato do congresso em Brasília, que recebe uma ênfase especial por ser a capital do Brasil.

A experiência bilíngüe de pessoas surdas


81

Além de ser parte de uma cultura nacional, as pessoas surdas usam uma língua que é
influenciada (embora seja independente) pela língua falada de sua nação. O alfabeto manual é
uma forma na qual as línguas de sinais podem recriar formas das línguas nacionais faladas.
Alguns poetas trabalham com o princípio de que a poesia na língua de sinais deve ser a mais
“pura” possível, a fim de criar imagens inteiramente visuais e não mostrar nenhuma influência
das línguas faladas. Entretanto, o uso da soletração manual tem uma história longa de uso na
poesia em língua de sinais. O poema em ASL de Dorothy Miles, The Skunk (1988), usa
deliberadamente a soletração manual, entrelaçando sinais e soletração manual em um poema
que se propõe a mostrar a gama de recursos lingüísticos disponíveis para os sinalizantes. O
alfabeto manual pode também ser manipulado utilizando recursos usados em outras partes da
língua de sinais para efeito poético, misturando as formas de soletração manual com outros
sinais ou mudando a locação ou o movimento (Sutton-Spence 2005). Ambos os poemas
analisados aqui usam a soletração manual para mostrar as ligações com a comunidade
nacional maior, mas as diferentes formas dos alfabetos manuais brasileiros e britânicos
oferecem opções diferentes para dois poetas. O alfabeto manual britânico é feito com duas
mãos, e a soletração manual é articulada na frente do corpo, ligeiramente acima da altura da
cintura. A natureza bi-manual da soletração manual da BSL significa que sua forma não é
manipulada facilmente para efeito poético, uma vez que é fisicamente difícil movê-la através
do espaço de sinalização ou colocá-la em posições alternativas (Sutton-Spence 1994). O
alfabeto manual brasileiro é feito com uma mão e a soletração manual é articulada no lado
ipsilateral, ligeiramente abaixo da altura do ombro. A forma monomanual da soletração
manual da LSB oferece mais oportunidades para mudar o movimento e a locação das letras
manuais para criar significado adicional no poema.

A experiência bilíngüe em Bandeira Brasileira

Bandeira Brasileira inicia com a soletração manual das palavras Brasil e LSB.
Pimenta faz o bom uso das oportunidades para a manipulação proporcionadas pelo alfabeto
monomanual. Nas linhas de abertura, ele mistura a configuração de mão “B” horizontalmente
orientada do sinal BANDEIRA com o sinal BRASIL inicializado, em que a configuração de
mão “B” verticalmente orientada se move para baixo, traçando a costa do país (figura 6). Essa
configuração de mão “B” se mistura com a soletração da palavra B-R-A-S-I-L e o final “l”
dessa soletração é misturado com a soletração de L-S-B. O efeito desta mistura é criar uma
82

ligação forte entre as idéias da bandeira, do país, do nome do país e do nome da língua de
sinais. Como uma expressão da identidade Surda brasileira, isto é muito poderoso.

Figure 6:
BANDEIRA BRASIL

As palavras do lema brasileiro “Ordem e Progresso” são escritas na faixa que cruza,
em torno do Equador, o círculo azul no centro da bandeira brasileira. Seria aceitável para o
poeta indicar onde as palavras estão escritas e então soletrá-las na posição normal para a
soletração manual. Entretanto, uma representação visual mais estética do lema é soletrar as
palavras na locação da faixa, de modo que Pimenta soletra O-R-D-E-M-E-P-R-O-G-R-E-S-S-
O diagonalmente cruzando o espaço de sinalização da esquerda embaixo à direita em cima,
para representar diretamente as palavras como elas são vistas na bandeira (ver figura 7). Nós
vimos acima que este movimento e locação marcados da soletração manual são
acompanhados pelo olhar dirigido para as mãos para enfatizar a irregularidade perceptiva no
poema. O poema termina com o sinalizante hasteando a bandeira mastro acima antes da
seqüência repetida dos sinais e de soletração manual que mostram a bandeira tremulando e
então o sinal BRASIL, seguido pela soletração da palavra Brasil. Nesta vez, entretanto, o final
“l” não se mistura com as letras LSB, como feito no início, mas ao invés ela balança para
frente e para trás como a adriça no pé do mastro, misturando a configuração de mão da letra
com a do marcador de propriedade (denominado também de “configuração de mão
classificadora”) usada para mostrar objetos longos e finos.

Figure 7: Soletração manual “ordem” na faixa da bandeira

A experiência bilíngüe em Three Queens


83

Em Three Queens, a soletração manual é também usada, embora não com as


modificações criativas vistas em Bandeira Brasileira (por causa das limitações das formas do
alfabeto manual britânico). A soletração manual P-E-A-R-L (pérola) e P-H-I-L-I-P-O-F-E-D-
B-H (`Philip de Edimburgo', consorte da Elizabeth II) são altamente perceptivas em um
poema que é, sob outros aspectos, fortemente visual, e como tais nos fazem perceber ainda
mais a linguagem usada. Em ambos os casos, as soletrações manuais servem para identificar
os sinais não especificados. Nós sabemos que algo foi retirado da concha, mas não que é uma
pérola e nós sabemos que alguém nasceu, mas nós não sabemos quem. As soletrações
manuais são usadas para esclarecer e estabelecer os fatos. Entretanto, elas servem também
para destacar o relacionamento das pessoas surdas com a sociedade nacional dos ouvintes e
situar o relacionamento entre a língua de sinais e a língua falada. Assim, nós podemos ver que
o uso poético da língua identifica simbolicamente o lugar da pessoa surda como uma pessoa
bilíngüe, bicultural, em que a língua de sinais pode ser dominante, mas a língua falada é
reconhecida.
Celebração da língua de sinais - características lingüísticas de ‘Three Queens’
e de ‘Bandeira Brasileira’

Todos os poemas em língua de sinais celebram implicitamente a experiência cultural


visual da surdez e da língua de sinais, somente porque usam a língua de sinais como uma
forma de arte. Alguns poemas tratam explicitamente da celebração dessas questões (ver
Sutton-Spence 2005; Taub 2001 e Peters 2000 para exemplos), mas ambos, Bandeira
Brasileira e Three Queens, celebram a natureza visual da surdez e da língua de sinais por
meio do uso da própria língua. Aqui, nós focalizaremos alguns dos elementos da linguagem
dos dois poemas que criam o efeito poético estético que fazem esses poemas tão agradáveis.
Em ambos os poemas, os poetas usam a regularidade e a irregularidade perceptiva para
salientar o uso de sua língua. Dentro desta discussão, nós focalizaremos a repetição de
componentes sub-lexicais e na criação da simetria nos poemas (como exemplos da
regularidade perceptiva), e na criação de novos sinais ou na manipulação de sinais existentes
(como exemplos da irregularidade perceptiva).

Repetição

A repetição é uma característica de quase todos os poemas, incluindo poemas


sinalizados. Pode ser vista de diferentes níveis na linguagem - sincronismo rítmico dos sinais,
84

parâmetros sub-lexicais dos sinais, os próprios sinais, a sintaxe das linhas, ou no nível
estrutural maior do poema como em estrofes.
Em línguas de sinais, a repetição de padrões sub-lexicais pode ser vista nas repetições
de quaisquer parâmetros que compõem todos os sinais: configuração de mão, locação,
movimento, orientação e determinadas características não-manuais. A repetição pode
simplesmente ter a apelação estética e nós podemos apreciar os padrões criados pela repetição
e admirar a habilidade do poeta em selecionar ou em criar os sinais que determinam certos
padrões. Entretanto, a repetição das partes dos sinais pode também servir para destacar
relacionamentos incomuns entre os sinais e as idéias, criando um maior significado para o
poema. Por exemplo, as configurações de mão podem ligar idéias, ou trazer mais conotações
por trás dos sinais no poema, provocando freqüentemente efeitos emocionais geralmente
associados com configurações de mão específicas. Em geral, as configurações de mão “5” e
“B”, sendo abertas, são simbolicamente “maiores” e mais “positivas” na conotação do que
configurações de mãos fechadas, tais como “A”. Configurações de mão que são dobradas nas
juntas, tais como “MÃO-FECHADA” ou “MÃO-GARRA” são associadas com mais tensão e
são “mais duras” do que outras configurações de mão de não-garra, que são mais relaxadas e
“mais macias”. Similarmente, a locação e o movimento dos sinais podem carregar o
significado adicional, por exemplo, os sinais que são colocados mais acima no espaço de
sinalização ou movem para cima carregando conotações positivas, enquanto sinais que
colocados mais abaixo no espaço ou movidos para baixo carregam conotações negativas.
Freqüentemente na poesia em sinais, somente um parâmetro é compartilhado por dois
ou mais sinais, porém, quanto mais parâmetros compartilhados por dois sinais, a rima
produzida é “mais tênue” e mais visível. Assim, quando os sinais FLORESTA e CORES em
Bandeira Brasileira compartilham o mesmo parâmetro de configuração de mão, o efeito
repetitivo é menos forte do que aquele em FLORESTA e em CAMPO, em que compartilham
configuração de mão, movimento e locação, de modo que somente a orientação seja diferente
(figura 8). As rimas mais tênues ocorrem quando dois sinais compartilham os mesmos
parâmetros inteiramente e somente o contexto os distingue. Nós vemos isto em Three Queens,
onde o final do sinal RECONHECER é idêntico ao início do sinal BANDEIRA, criando uma
ligação muito forte entre o reconhecimento da BSL pelo governo e a parte que isto toca a
nação e a história da nação (figura 9).
85

ÁRVORE CAMPO COR


Figure 8: Parâmetros compartilhados por ÁRVORE, CAMPO e COR.

Figure 9: RECONHECER e BANDEIRA

Repetição em Bandeira Brasileira

Bandeira Brasileira faz uso considerável da repetição, nos níveis lexicais e sub-
lexicais. Dentro do poema, há um uso regular das configurações de mão B e 5, como pode ser
visto nas glosas abaixo.
1. AQUI (B)
FLORESTA (5) CAMPO (5) CORES (5) VERDE (H)
ÁREA-QUADRADO (B) ÁREA-SOBRE-BANDEIRA (5)

SOL (O PARA 5) QUENTE (C) AQUECER (5) CORES (5) AMARELO (G)
LOSANGO-FORMA-ÁREA (G) ÁREA-SOBRE-BANDEIRA (5)

ESFERA (5) ÁGUA (L) AZUL (S PARA G)


ESFERA (5) ESFERA-GIRANDO (G)

Usar as duas configurações de mão abertas planas para muitos desses sinais cria não
somente um padrão repetitivo agradável, mas adiciona também significado por meio da
conotação das configurações de mão. A abertura das configurações de mão carrega consigo a
associação positiva de um orgulho do seu país e a propagação da mão para suas dimensões
mais completas reflete, também, a dimensão física do Brasil, enquanto a área do país é
mostrada pela área da bandeira. Embora haja pouco para que o poeta possa fazer sobre o fato
de que a configuração de mão para os sinais VERDE, AMARELO e AZUL não são nem 5
86

nem B, o uso da configuração de mão G para traçar a forma do losango amarelo na bandeira
segue ordenadamente a configuração de mão G do sinal AMARELO. Similarmente, a
configuração de mão L de água liga a forma e a idéia da cor AZUL que tem configuração de
mão próxima à configuração de mão G.
A repetição lexical e sintática em Bandeira Brasileira é vista com o uso repetido dos
sinais altamente criativos que nós glosamos como PEGAR (significando ‘pegar um estado ou
uma cidade particular’) MOLDAR-DENTRO-ESTRELA e COLOCAR-A-ESTRELA e a
repetição triplicada da frase PEGAR-ISTO MOLDAR-ISTO FAZER-UMA-ESTRELA
COLOCAR-A-ESTRELA (ver figura 10). Usar repetidamente estes sinais intensifica um
padrão estético agradável, mas mostra também unidade nacional, tratando todos os estados e
cidades da mesma maneira. O padrão de repetição da frase completa dura somente três vezes
antes de mudar. Isso está de acordo com a estrutura de muitos poemas da língua de sinais e de
estruturas da linguagem folclórica em geral em que três é um número importante (Olrik
1909).

Figure 10: MOLDAR-ELE e COLOCAR-UMA-ESTRELA

Finalmente, vale a pena enfatizar a repetição dos sinais BANDEIRA, BRASIL e B-R-
A-S-I-L, uma vez que eles ocorrem no início e no final do poema. Esse tipo de simetria
temporal é comum na poesia e isso se aplica da mesma forma à poesia em línguas de sinais.
Ela fornece uma conclusão esteticamente satisfatória ao poema e, além disso, sinaliza que o
poema chegou ao final. Entretanto, Dundes (1965) percebeu que há uma tendência geral no
folclore para um retorno para onde nós começamos. Nos jogos, nós deixamos a base e
voltamos para casa; nas danças, nós retornamos ao parceiro com o qual nós começamos a
dançar; nas lendas populares, o herói sai em uma expedição e retorna; e nos poemas, nós
terminamos freqüentemente com a frase com que nós os começamos. Entretanto, nos poemas,
reconhece-se que algo mudou entre o primeiro uso da frase e o segundo, assim como o herói
que retorna para casa mudou de alguma maneira em relação ao herói que era quando saiu. No
caso de Bandeira Brasileira, o segundo uso da frase é utilizado com a consciência de que a
platéia compreende agora o significado da bandeira Brasileira.
87

Repetição em Three Queens

Um recurso similar é visto em Three Queens. O poema começa com os sinais TRÊS
RAINHAS, e a mesma frase ocorre quase no final. Entretanto, assim como em Bandeira
Brasileira, a simetria não é exata. Dessa vez, há uma coda com o sinal simultâneo triplo que
cria o clímax do poema, mostrando como as três comunidades surdas estão unidas sob a
bandeira que tremula acima das três rainhas.
Em Three Queens, considerando a repetição, é notável que a idéia principal subjacente
seja o número três. O poema começa com seu título Three Queens, de modo que o primeiro
sinal é TRÊS e a repetição triplicada ocorre de muitas maneiras durante todo o poema, de
modo que a linguagem usada reflita o conteúdo do poema. A descrição de Elizabeth I começa
com três maneiras de descrever seu cabelo (vermelho, bem ondulado e em pé) e suas pérolas
são colocadas em três locações em três alturas diferentes (em torno de sua garganta, através
de seu torso e na sua touca). A repetição da configuração de mão “4” marcada é vista,
também, três vezes em alturas diferentes – primeiro, mostrando o cabelo amontoado em cima
da cabeça, a seguir, para mostrar o colar na garganta e, então, para mostrá-lo em seu torso. O
sinal BANDEIRA-TREMULANDO ocorre também três vezes durante o poema inteiro,
ligando os eventos descritos nas três estrofes. Esse sinal é especialmente importante para o
recurso chamado morfismo que ocorre no clímax do poema, em que o sinal RECONHECER
se mistura com o sinal BANDEIRA-TREMULANDO. Os sinais finais na coda do poema
criam uma imagem de todas as três rainhas (Elizabeth I, Victoria e Elizabeth II) e suas
comunidades de pessoas Surdas que olham simultaneamente à bandeira que tremulou acima
deles todos, e as três rainhas e suas três comunidades Surdas que fazem parte da história da
nação.
O recurso “triplicado” ocorre também com repetição do movimento. Tal repetição
dentro de um sinal não é incomum em línguas de sinais e a repetição triplicada de um sinal é
uma maneira não-marcada – mas esteticamente apelativa – para indicar que um evento
acontece muitas vezes ou por muito tempo. Entretanto, neste poema, que tem um tema
“triplicado” tão forte, mesmo a repetição tripla dentro dos sinais transforma-se em uma parte
do objetivo poético. Nesse poema, sinais como IGNORAR e CAMINHAR-RESOLUTA têm
uma repetição triplicada dentro do único sinal. Um efeito similar ocorre quando o servente é
ordenado a gravar a batata e o tabaco. Na conversação em BSL, nós poderíamos esperar que o
sinal ESCREVER fosse repetido três vezes, mas aqui ele é repetido primeiramente seis vezes
(dois vezes três), e na segunda ocasião nove vezes (três vezes três). Entretanto, na estrofe de
88

Victoria, o poema confunde nossas expectativas de que as repetições serão triplicadas. Ao


descrever o nascimento de muitos filhos de Victoria, o poeta poderia ter sinalizado NASCER
três vezes e então dar o número NOVE para mostrar quantas crianças nasceram. Isto seria
normal em uma conversação do dia-a-dia em BSL. Entretanto, o sinal é repetido realmente
sete vezes, cada vez mais rapidamente, fazendo a repetição muito mais literal e
perceptivelmente diferente da conversação em BSL, dando assim significado poético ao texto,
surpreendendo e proporcionando deleite poético.
Quanto a esses exemplos de repetição, é importante lembrar que o efeito poético da
repetição é criado somente na forma do poema em língua de sinais. Traduzir os poemas para
inglês ou português resulta na perda desses efeitos repetitivos, porque eles ocorrem dentro da
estrutura dos próprios sinais. Isso fornece mais uma evidência de que a própria língua é o
primeiro plano nestes dois poemas.

Simetria e equilíbrio
O uso de ambas as mãos na poesia em língua de sinais para criar imagens estruturadas
e equilibradas simetricamente foi descrito por muitos pesquisadores (por exemplo Klima &
Bellugi 1979; Blondel & Moleiro 2001; Russo, Giuranna & Pizzuto 2001; Sutton-Spence
2005). O impacto estético da simetria visual é agradável, mas o uso deliberado da simetria e
da assimetria pode também ter significado simbólico. O sentido geral da simetria é aquele da
harmonia, da beleza e da perfeição, enquanto a assimetria implica a ausência dessas. A
simetria espacial geométrica na poesia em língua de sinais pode ser usada para produzir e
representar estes conceitos simbólicos.
Embora todas as línguas de sinais descritas até o momento usem tanto sinais com uma
quanto com duas mãos, o número de sinais com duas mãos é freqüentemente muito alto. No
vocabulário estabelecido da BSL, por exemplo, os sinais com duas mãos excedem em número
em relação aos sinais com uma mão, numa proporção de quase 2 por 1. Dos sinais com duas
mãos, mais da metade são inteiramente simétricos, com as mãos sendo arranjadas como
imagem-espelho uma da outra, tendo a mesma configuração de mão e movimento e sendo
colocadas de forma claramente simétrica. Geralmente, o plano de simetria é vertical,
dividindo os sinais em esquerdo e em direito (90% de sinais simétricos em BSL e em ASL
são verticalmente simétricos). Os poetas podem fazer uso dessa simetria natural em línguas de
sinais quando selecionam sinais para seus poemas. Esses sinais são partes “da gramática” da
língua e quando ocorrem nos poemas, formam parte do que Klima e Bellugi (1979) nomearam
89

de “estrutura interna” (Internal Structure) de um poema. Além dos sinais lexicais


estabelecidos, os poetas podem criar seus próprios sinais produtivos que mostram uma
simetria similar.
A simetria pode também ser criada pelo uso simultâneo de dois sinais com uma mão.
Esses dois sinais podem ser inteiramente lexicalizados ou podem ser sinais multicomponentes
(conhecidos também como “sinais classificadores”, ver Schembri 2003), tais como os sinais
que representam entidades inteiras como pessoas ou veículos. Onde esses sinais são usados
juntos, eles são também uma parte da gramática da língua.
Entretanto, é também possível para o poeta impor “uma estrutura externa” no poema,
criando simetria através do uso alternado das mãos para articular sinais. Essa alternância na
dominância entre as mãos foi descrita por Klima e por Bellugi (1979) como sendo uma
característica do sinal da arte criado pelo Teatro Nacional do Surdo nos EUA nos anos 1970 e
transformou-se em um recurso poético difundido nos EUA e nos países onde poetas (tais
como Pimenta) foram influenciados pelo estilo americano da poesia sinalizada.
Assim como com o uso da repetição descrita acima, simetria é extensivamente usada,
também, em ambos os poemas analisados aqui, tanto com efeito poético simbólico adicional,
quanto com efeito estético. Ambos os poemas usam a simetria espacial geométrica em sua
sinalização para criar simetria e equilíbrio que expressam conceitos de harmonia e de beleza.

Simetria e equilíbrio em Bandeira Brasileira

Em Bandeira Brasileira, as duas mãos são ativas durante todo o poema (com a
exceção de um breve sinal enquanto o globo está girando). Mesmo na seção introdutória do
poema, onde a soletração manual com uma mão é usada, a mão não-dominante descansa em
frente à mão dominante, fornecendo um sentido de equilíbrio, enquanto, também, convida a
platéia a focalizar nos sinais.
A primeira parte do poema mostra uma simetria marcada. Uma glosa dessa seção é
fornecida aqui por conveniência.
2. FLORESTA CAMPO CORES VERDE
QUADRADO-ÁREA CORES-ÁREA

SOL QUENTE CALOR CORES AMARELO


LOSANGO-FORMA-ÁREA COR-ÁREA

ESFERA ÁGUA AZUL


GIRANDO- ESFERA
90

FAIXA-CRUZAR-MEIO
O-R-D-E-M-E-P-R-O-G-R-E-S-S-O

Muitos dos sinais na primeira parte do poema, descrevendo as cores da bandeira, são sinais
naturalmente com duas mãos, sinais simétricos tais como FLORESTA, CAMPO, VERDE e
MUNDO. Outros sinais foram alterados deliberadamente de modo que os sinais com uma
mão fossem feitos em sinais com duas mãos, incluindo COR, AMARELO, CALOR, ÁGUA,
QUENTE e AZUL. A licença poética para dobrar as mãos aqui se estende mesmo à
duplicação naturalmente ilógica, mas poeticamente apropriada do sinal SOL (figura 11).

CORES AMARELO QUENTE SOL


Figure 11: sinais feitos com uma mão usando uma segunda mão

Os sinais são colocados sistematicamente à esquerda e à direita do espaço de sinalização. O


primeiro sinal ÁRVORES move-se da direita para a esquerda, seguido imediatamente pelo
mesmo sinal em que a dominância das mãos é invertida e move-se da esquerda para a direita.
O efeito disto é criar uma imagem de floresta infinita, uma vez que a tela poética é preenchida
de ambos os lados. Isso é reforçado pelo sinal CAMPO iniciando na parte central do eixo
vertical e das mãos direita e esquerda que se espalham para fora simetricamente para a direita
e para a esquerda. Esse movimento de abertura dá uma maior impressão de tamanho do que
daria o movimento oposto de fechamento. O sinal COR é então repetido com ambas as mãos
articuladas simetricamente na frente da boca, mas com uma propagação adicional através do
espaço de sinalização, uma vez que a cabeça gira da direita para a esquerda. No final desse
movimento, o sinal simétrico VERDE é articulado ao lado da mão esquerda do espaço de
sinalização e então trazido de volta para o eixo central, antes da área verde retangular é
esboçado e preenchido com mais sinais simétricos. O uso similar dos sinais simétricos
colocados no espaço simetricamente oposto pode ser visto para a descrição do losango
amarelo e do círculo azul na bandeira. Durante a soletração manual do lema através da faixa
do círculo, entretanto, não há nenhuma oportunidade real para que a mão não-dominante
participe significativamente no poema. Mesmo nesse momento, a mão não está inativa, mas
91

mantém um sinal classificador que indica a largura da faixa através da faixa onde o lema é
escrito.
Na segunda parte do poema, o uso da simetria e do equilíbrio muda, uma vez que os
sinais usados são predominantemente feitos com uma mão. Por conveniência, a segunda parte
do poema é glosada a seguir.

2. DESENROLAR-MAPA-DO-BRASIL
PORTO-ALEGRE
PEGAR-ELE-E-MOLDAR-ELE FAZER-UMA-ESTRELA COLOCAR-A-ESTRELA
FLORIANOPOLIS
PEGAR-ELE-E-MOLDAR-ELE FAZER-UMA-ESTRELA COLOCAR-A-ESTRELA
PARANA CURITIBA
PEGAR-ELE-E-MOLDAR-ELE FAZER-UMA-ESTRELA COLOCAR-A-ESTRELA
RIO PEGAR
SAO-PAULO PEGAR
MINAS-GERAIS BELO-HORIZONTE PEGAR
VITORIA PEGAR
AMAZONAS PEGAR
PEGAR-ELES-TODOS
MOLDAR- ELES-TODOS
FAZER- ELES-TODOS -DENTRO-ESTRELA
COLOCAR- ELES-TODOS

A mão esquerda indica a cidade do primeiro estado, então é mantida enquanto a mão direita a
identifica como Porto Alegre (a capital do estado mais ao sul) e, em seguida, sinaliza PEGAR,
com configuração de mãos e movimentos simétricos, o molda em uma estrela e o coloca na
bandeira (figura 12). Esse padrão é repetido duas vezes mais com os dois estados seguintes,
trabalhando na direção norte do país. Depois de três ocorrências, contudo, o padrão muda e,
na próxima parte do poema, o equilíbrio estético ocorre com a dominância alternada das
mãos. A mão esquerda indica a locação, enquanto a mão direita sinaliza R-I-O PEGAR.
Então, a mão esquerda sinaliza SÃO-PAULO PEGAR (figura 13). Na seqüência, a mão direta
sinaliza MINAS-GERAIS BELO-HOIRZONTE PEGAR, a mão esquerda sinaliza VITÓRIA
PEGAR, antes a mão direita sinaliza AMAZONAS PEGAR. Nesse momento, os padrões de
simetria mudam novamente, uma vez que a sinalização acelera e ambas as mãos sinalizam
PEGAR três vezes (significando PEGAR-ELES-TODOS), assim mostrando outro método de
criação da simetria, ou seja, articulando o mesmo sinal de uma mão com ambas as mãos. Com
o sinal seguinte, MOLDAR-ELES-TODOS, ambas as mãos operam simetricamente como um
sinal de duas mãos, repetido seis vezes e movido da esquerda para a direita e da direita para a
esquerda, antes o mesmo padrão é repetido com o sinal ESTRELA estabelecido
92

simetricamente. Finalmente COLOCAR-ELES-TODOS é um sinal produtivo que é simétrico,


feito com a mesma configuração de mão 5 vista no início do poema, e no início desta seção, e
com o mesmo movimento externo se espalhando, produzindo um sentido do fechamento desta
estrofe (figura 14). O efeito total desse uso simétrico das mãos e do uso equilibrado do espaço
é criar um sentimento de inclusão e de junção, mostrando uma nação unida.

PORTO-ALEGRE (direita), local (esquerda)


Figure 12

RIO (direita) local (esquerda) e PEGAR (direita) SÃO-PAULO (esquerda)


Figure 13

COLOCAR-ELES-TODOS
Figure 14

Simetria e equilíbrio em Three Queens

Em Three Queens, a colocação e a locação dos sinais produzem a simetria e o


equilíbrio em muitos níveis. Como em Bandeira Brasileira, em geral, a mão não-dominante é
mais ativa do que nós esperaríamos em uma conversação em BSL. A descrição dos colares de
pérolas é feita usando ambas as mãos – a mão não-dominante mostra as pérolas no pescoço,
varrendo da direita para a esquerda e o ponto final do movimento é mantido, enquanto a mão
dominante mostra as pérolas através do peito e da barriga, varrendo da direita para a esquerda.
Como ambas as mãos usam a mesma configuração de mão “4”, isto dá o efeito estético
agradável de contrastar simetrias verticais da mão esquerda e da mão direita e de movimentos
93

à esquerda e à direita. Apresenta também contraste das simetrias horizontais fazendo esses
movimentos em duas alturas diferentes. Essa seção é seguida imediatamente pelo sinal
GOLA-ALTA com as duas mãos verticalmente simétricas, uma vez que a pérola foi
localizada sobre a sua touca, dois outros sinais simétricos com duas mãos para MANGAS-
BUFANTES e SAIAS-BUFANTES. A impressão geral dessa cota é o equilíbrio no espaço de
sinalização, vertical e horizontalmente, cobrindo a área que pode ser vista no famoso retrato
real.
Os incidentes da batata e do tabaco mostram um uso equilibrado do espaço com um
uso alternativo da dominância das mãos para mostrar oposição das duas idéias. O incidente
com a batata usa sinais que ocorrem para a esquerda e para a direita, mas em princípio a
batata é pega do lado da mão direita do espaço de sinalização, usando a mão direita. Seu
comando dominador para o servente é feito à esquerda com a mão esquerda. A batata é
fervida e comida na esquerda e com a mão esquerda é então usada para requisitar ao servente
no lado da mão direita para gravá-la. Para mostrar a mudança de papel para o servente, o
próprio servente lambe seu lápis mantido na mão direita. O incidente com o tabaco mostra
uma clara mudança na dominância da mão, uma vez que a mão esquerda indica a localização
para a esquerda e mostra alguém fumando e segurando um cigarro. A mão direita pega o
cigarro para a rainha, mas ela continua fumando e usando a mão esquerda. Isso é mantido
enquanto a mão direita sinaliza tosse e sentir tonto - novamente criando um uso equilibrado de
ambas as mãos.
Na estrofe final, Three Queens muda para usar muito mais sinais estabelecidos com as
duas mãos (ambos simétrico e assimétrico). Enquanto os sinais com duas mãos são
apresentados nas duas primeiras estrofes, eles dominam a última, ecoando a idéia que tudo
agora “está vindo junto”, enquanto as pessoas surdas finalmente fazem campanha para o
reconhecimento de sua língua e vencem. Em um poema em que as primeiras duas estrofes são
caracterizadas por uma grande proporção de sinais produtivos e mudança de papel, os sinais
simétricos com duas mãos, nessa estrofe final, são todos itens do vocabulário estabelecido,
tais como IRRITADO, DESAFIO, MARCHAR-EM-GRANDE-NÚMERO e SUCESSO-NO-
FINAL. O sinal final do poema inteiro é um neologismo que produz simetria adicional por
colocar dois sinais em lados opostos do espaço de sinalização.
Os exemplos da repetição e do uso da simetria podem ser vistos como exemplos da
regularidade perceptiva, em que os elementos que já são parte do código gramatical da língua
são usados tão freqüentemente que passam para um primeiro plano. Entretanto, os poemas
também criam e usam elementos que ainda não existem na língua, de modo que essa língua
94

perceptiva irregular passa a ser o primeiro plano. Nossa discussão, aqui, focalizará em dois
recursos criativos irregulares: neologismo e morfismo.

Neologismo

O Neologismo – a criação de palavras novas – pode ser usado para efeito poético de
muitas maneiras, trazendo a língua ao primeiro plano porque o poeta produziu a forma que
ainda não é parte da língua. O uso criativo da língua de sinais para produzir novos sinais tem
sido chamado também “sutileza poética” e é relacionado à maneira com que os sinalizantes
podem produzir imagem visual forte pelo tratamento criativo da forma visual dos sinais. Essa
é uma forma de traduzir o conceito de folclore de Carmel em sinais. Um poeta usando sinais
visualmente criativos para produzir imagem visual forte está celebrando o potencial visual da
língua de sinais.
Embora línguas de sinais tenham vocabulários substanciais de sinais estabelecidos, a
produtividade é um componente importante. Os sinais produtivos incluem aqueles conhecidos
como “sinais classificadores” ou “sinais multicomponentes” e os sinais que são feitos como
partes da mudança de papel, em que ações e comportamento de um personagem são
mostrados diretamente por meio de ações e comportamento do sinalizante. Línguas de sinais
usam tanto sinais estabelecidos como sinais produtivos, como também o discurso sem sinais
estabelecidos. A poesia em sinais usa sinais estabelecidos, mas faz também o uso cuidadoso
do recurso que já existe na língua, criando imagens que não foram vistas antes. Bandeira
Brasileira e Three Queens usam sinais produtivos para por a língua em primeiro plano e,
então, criar significado poético extra, embora ambos usem uma proporção elevada de sinais
estabelecidos. Em ambos os casos, isso pode ser porque os poemas educam assim como
divertem. Há fatos importantes para serem dados (especialmente nomes em ambos os poemas)
e os fatos são identificados usando sinais estabelecidos. Entretanto, a interpretação poética
desses fatos é vista nos sinais produtivos altamente visuais que são parte de folclore em sinais.

Neologismo em Bandeira Brasileira

Em Bandeira Brasileira, determinados sinais se sobressaem como sendo altamente


criativos. O sinal que nós glosamos como MOLDAR-ELE é um neologismo belamente
construído que ocorre com freqüência perceptiva na segunda estrofe. Como alguém pega uma
cidade ou um estado e o molda em uma estrela? O sinal produtivo esculpido para esse poema
95

poderia ser usado para mostrar o molde de argila ou para manter a massa – atividades
domésticas criativas nas quais uma nação é construída. Um outro sinal produtivo repetido é
COLOCAR-A-ESTRELA. Como pode alguém segurar uma estrela? O recurso que Pimenta
seleciona como o de segurar e moldar estados e cidades, mostra um envolvimento pessoal
com a nação e a bandeira em discussão. Usando sinais manipulados em uma escala “humana”,
Pimenta concebe-os para personalizar a idéia de nacionalidade e a idéia de que o Brasil é
certamente “um país para todos” (um slogan do governo), que todos podem ter seu interesse
pessoal em criar. Importantemente, fazendo isso em LSB, Pimenta mostra o mesmo
relacionamento personalizado para pessoas surdas (ver figuras 5 e 6 acima).
O sinal glosado aqui como DESENROLANDO-MAPA-DE-BRASIL é um outro
neologismo belamente criativo, em que o núcleo essencial da nação (mostrado por duas mãos
fechadas) é permitido para expandir e crescer (mostrado por duas mãos em 5) para uma
descrição posterior. Os dedos vibrando que abrem ou desenrolam para duas mãos em 5 para
traçar a área do norte do país ecoa a vibração de uma bandeira desenrolando. Nós vimos que
os mesmos dedos vibrando de duas mãos em 5 ocorrem mais tarde, na estrofe, para mostrar o
brilho das estrelas no mapa. O mesmo movimento vibrando é mantido enquanto a área mais
do sul do país é esboçada neste mapa desenrolado. Agora, entretanto, a vibração produz um
significado adicional ao traçar as ondulações da costa e da fronteira nacional, enquanto ainda
preserva as ligações a uma bandeira vibrando e a uma estrela cintilando.

Neologismos em Three Queens

Os neologismos em Three Queens são usados para elementos descritivos a fim de criar
imagens visuais fortes, mas têm também um outro efeito poético, criando frequentemente
padrões repetitivos com os elementos, tais como a configuração de mão ou a locação dos
sinais. A descrição de Elizabeth I usa diversos neologismos para criar imagens visuais
lingüísticas poderosas que correlacionam fortemente com as imagens visuais familiares dos
retratos reais. Entretanto, permite também que o poema crie padrões usando a configuração de
mão marcada e incomum X e então a configuração de mão 4, com as locações ascendente e
decrescente constantes e os movimentos simétricos equilibrados.
A descrição de Elizabeth II sabendo que é rainha permite mais adiante um jogo de
linguagem por meio de neologismo. Os neologismos são primeiramente de duas mãos,
criando equilíbrio dentro do poema e são colocados com cuidado para minimizar a transição
entre os sinais. O neologismo da pessoa que balança quando olha através dos binóculos é
96

seguido pelo sinal que mostra a árvore balançando, de modo que o movimento balançando
marcado seja ecoado em ambos os sinais - uma vez no corpo inteiro e uma vez na mão. O
neologismo complexo final do poema é uma oportunidade para diversos recursos poéticos.
Ele é altamente desviante, como se o significado do sinal para TRÊS-RAINHAS-EM-
DIFERENTE-TEMPOS, o sinal RAINHA estivesse sendo feito na locação errada. A locação
correta para a configuração de mão em forma de garra em RAINHA é na cabeça. A
configuração de mão não pode normalmente ser movida a fim de colocar a rainha em outra
parte do espaço de sinalização - isto é feito normalmente usando um sinal proforma com uma
configuração de mão G correta. Colocar a configuração de mão BENT5 do sinal do
substantivo no espaço em vez da configuração de mão de G proforma representando a rainha
está tecnicamente “incorreto”. Entretanto, aqui o poeta quebrou as regras da língua para
provocar o efeito poético, mas o significado é preservado. Esse neologismo permite, também,
a ambigüidade, uma vez que ele encontra tanto as três rainhas como as três comunidades
surdas (que seriam mostradas corretamente por uma configuração de mão em forma de garra)
no espaço e no tempo. Isso cria um sinal simultâneo “triplo”, desse modo não só criando um
sinal perceptivelmente visível, mas também terminando este poema de um tema “triplicado”
com um sinal “triplicado” (figura 15).

Figure15: Três rainhas em três épocas e lugares

Morfismo

Um resultado do neologismo criativo é o morfismo ou a mistura de dois sinais.


Quando dois sinais são mórficos ou misturados, a configuração de mão final, a locação e o
movimento do sinal precedente são os mesmos que os parâmetros iniciais dos sinais
subseqüentes. Às vezes, a mistura é meramente um recurso estético de minimizar as
transições entre sinais, criando um efeito poético suave e elegante. Outras vezes, entretanto, o
morfismo é usado de modo que as formas e o significado dos dois sinais se tornem fortemente
relacionados.
97

Morfismo em Bandeira Brasileira

Em Bandeira Brasileira, o morfismo é visto entre a configuração de mão “O” fechada


final da soletração manual de “progresso” e do mapa firmemente fechado do país antes de ele
desenrolar. Nós já observamos o morfismo que ocorre na introdução e na coda do poema,
onde a soletração manual e os sinais inicializados se misturam. Também é visto com os sinais
mostrando as formas de tigelas para cima e para baixo do prédio do congresso na capital
nacional Brasília. Os sinais para os prédios têm as configurações de mão em forma de garra
que são simetricamente opostas através de um plano horizontal. Os sinais então se misturam
com o sinal MOLDAR-ELE que já é usado muitas vezes no poema (figura 16). Os dois sinais
possuem formas muito similares em termos de configuração de mão e de orientação marcada
das mãos (o plano horizontal de simetria é muito marcado em muitas línguas de sinais,
estimando apenas 5% de sinais simétricos na BSL, por exemplo).

GOVERNO-PRÉDIOS e MOLDAR-GOVERNO-PRÉDIOS
Figure 16

O sinal final que descreve a capital refere-se à arquitetura distintiva do Palácio da


Alvorada, um prédio com características triangulares. O sinal é de duas mãos e a configuração
de mão fechada L para a configuração de mão G esboça as formas triangulares do prédio. Os
sinais, então, se modificam para o sinal ESTRELA, que é quase idêntico, mas usa
movimentos alternados menores. A ligação entre o Palácio e a estrela que representa o palácio
é feita fortemente com a ligação das formas entre os dois sinais (figura 17).

BRASÍLIA (partes um e dois) ESTRELA (partes um e dois)


98

ESTRELA (partes um e dois)


Figure 17

O sinal SATISFEITO difere somente no uso da mão do sinal representando o ato de


manter a mão sobre o coração durante a saudação à bandeira ou ao tocar o hino nacional. A
ligação é muito forte entre a forma dos dois sinais, um refletindo satisfação com a imagem na
bandeira e o outro em posição de sentido antes da bandeira. A ligação forte de formação cria
uma ligação correspondentemente forte entre as idéias expressadas (figura 18).

SATISFEITO; SATISFEITO (esquerda) BANDEIRA-VOAR (direita) LEVANTAR-


BANDEIRA (direita); PROMESSA-PARA-BANDEIRA (esquerda)
Figure 18

Morfismo em Three Queens

Bons exemplos de morfismo também ocorrem em Three Queens, onde um sinal se


funde e se mistura quase que se aglutinando com o seguinte. Na descrição da aparência da
rainha Victoria, as mãos que mostram o tamanho de sua famosa barriga imperial mudam bem
suavemente para se transformar no sinal NASCER com transição mínima. Quando um dos
descendentes de Victoria se encontra com o rei da Grécia, o sinal ENCONTRAR sofre
morfismo em uma construção simultânea na qual uma mão se transforma no sinal proforma
UMA-PESSOA e a outra se transforma em um índice para identificar a proforma. Do mesmo
modo, quando a segunda Elizabeth se casa e então voa para o Quênia, os sinais CASAR e
VOAR se misturam havendo uma fusão, porque a mão básica não-dominante para ambos os
sinais permanece a mesma e a configuração de mão F da mão dominante em CASAR sofre
morfismo na configuração de mão Y para VOAR.
99

Talvez o melhor exemplo de morfismo venha no final do poema, onde a razão para a
repetição da idéia principal da bandeira entre cada rainha se torna clara. A mão dominante
usada no sinal RECONHECER recua para a mão não-dominante e é levantada – retendo a
mesma configuração de mão e orientação – para transformar a bandeira uma vez mais (visto
na figura 9 acima). Esse sinal enfatiza a importância do reconhecimento da BSL como uma
língua nacional para a nação inteira.
Conclusão

A língua de sinais artística traz uma nova dimensão para a nossa compreensão da
história e da herança nacional e para a história e herança surda, fazendo desses dois poemas
uma expressão importante da identidade surda no início do século XXI. Os poemas analisados
aqui são exemplos de poemas em língua de sinais que celebram a experiência de ser surdo e
descrevem o lugar das pessoas surdas no mundo. Eles tecem juntos a experiência de ser
brasileiro ou britânico, bem como de ser surdo. Nesses poemas, a forma da língua contribui
ativamente para a exploração e explicação dos temas dos poemas. A mistura das identidades
nacional e surda se reflete na mistura de duas línguas diferentes (falada e sinalizada), dois
tipos de línguas no poema (sinais congelados e produtivos) e simetria e assimetria marcadas
nos sinais usados.
Nós mostramos que a “ação construída” e outros elementos não-manuais dos poemas,
que foram tradicionalmente considerados parte do desempenho, são cruciais para seu
significado cultural. Isso é especialmente verdadeiro ao considerar o papel do olhar usado
com ou sem os sinais manuais referindo-se às experiências e às atividades visuais de pessoas
surdas. O papel da soletração manual, como um indicador da identidade bilíngüe e
multicultural, mostra como os poetas podem quebrar as regras da expectativa poética atual
(em que o uso da soletração manual é geralmente proibido) para aumentar o efeito poético.
Dentro do recurso poético do neologismo extensivo, é possível identificar
características lingüísticas específicas que não somente enfatizam a criatividade lingüística do
poeta e as imagens altamente visuais criadas, mas também reforçam diretamente a experiência
visual dos poetas. Os sinais específicos visualmente-determinados e espacialmente-
determinados identificados por meio dessa análise representam diretamente a experiência
cultural dos poetas surdos e de suas platéias. A representação direta de uma experiência visual
por meio da língua visual é uma das mais poderosas ferramentas disponíveis para os poetas.
A análise lingüística desse uso da língua criativa para refletir a identidade do
sinalizante demonstra a contribuição que a lingüística das línguas de sinais pode trazer para a
100

nossa compreensão da lingüística cultural das línguas de sinais. Enquanto o estudo lingüístico
das línguas de sinais amadurece, nós esperamos que cada vez mais seja dada uma maior
atenção aos aspectos culturais e antropológicos da disciplina.

Agradecimentos

Somos gratas a Nelson Pimenta e a Paul Scott por permitirem usar as imagens de seus
trabalhos. A versão de BSL de Three Queens, usada para essa análise, foi gravada para o
projeto união européia financiado do ECO, série de dados do ECO para a língua britânica de
sinais (BSL). Departamento de linguagem e de ciência da comunicação, universidade
municipal (Londres). http://www.let.ru.nl/sign-lang/echo. A versão de LSB de Bandeira
Brasileira, usada para essa análise, foi gravada pela LSB Vídeo, disponível na
http://www.lsbvideo.com.br. Agradecemos, também, à CAPES/PROESP que financiou
parcialmente o desenvolvimento deste trabalho.

O presente trabalho é uma versão em português de um artigo publicado In: Baker, Anne and
Bencie Woll (eds.), Language Acquisition: Special issue of Sign Language & Linguistics
8:1/2 (2005). 2005. 222 pp. (pp. 177–212), agradecemos a John Benjamins Publishing
Comapny por ter nos autorizado publicá-la neste livro.

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Apêndices – Glosas e tradução de textos poéticos


102

6.1 ‘A Bandeira Brasileira’ por Nelson Pimenta

6.1.1 Glossa da LSB

BANDEIRA
BRASIL
b-r-a-s-i-l
l-s-b

FLORESTA CAMPO CORES VERDE


QUADRADO-ÁREA COR-ÁREA

SOL QUENTE CALOR CORES AMARELO


LOSANGO-FORMA-ÁREA COR-ÁREA

ESFERA ÁGUA AZUL


GIRANDO-ESFERA

FAIXA-ATRAVESSAR-MEIO
O-R-D-E-M-E-P-R-O-G-R-E-S-S-O

DESENROLANDO-MAPA-DE-BRASIL
PORTO-ALEGRE
PEGAR-ELE MOLDAR-ELE FAZER-UMA-ESTRELA COLOCAR-A-ESTRELA
FLORIANÓPOLIS
PEGAR-ELE MOLDAR-ELE FAZER-UMA-ESTRELA COLOCAR-A-ESTRELA
PARANÁ CURITIBA
PEGAR-ELE MOLDAR-ELE FAZER-UMA-ESTRELA COLOCAR-A-ESTRELA
RIO PEGAR
SÃO-PAULO PEGAR
MINAS-GERAIS BELO-HORIZONTE PEGAR
VITÓRIA PEGAR
AMAZONAS PEGAR
PEGAR-ELES-TODOS
MOLDAR-ELES-TODOS
FAZER-ELES-TODOS-EM-ESTRELAS
COLOCAR-ELES-TODOS

GOVERNO-PRÉDIOS ALTO-PRÉDIOS BRASÍLIA


VIRAR-ELES-EM-UMA-ESTRELA
COLOCAR-A-ESTRELA
VER-ELA-BRILHAR

SATISFEITO EU-GOSTAR-AQUILO
103

LEVANTAR-BANDEIRA
MÃO-SOBRE-PEITO-COMO-PROMESSA
BANDEIRA-TREMULA
BRASIL
b-r-a-s-i-l

Bandeira Brasileira - Nelson Pimenta

6.1.2 Narração traduzida da LSB

Há três cores simbólicas: o verde no fundo das florestas e do campo; o losango amarelo que
representa o sol e o calor do país; a esfera azul que é água. Na faixa que cruza a esfera está
escrito: ‘ordem e progresso’. Esboçando um mapa do Brasil, nós temos as estrelas que são
representadas na esfera por Porto Alegre; Florianópolis, uma outra estrela; Paraná-Curitiba,
mais uma estrela; Rio, São Paulo, Minas Gerais-Belo Horizonte, Vitória, Amazonas; todas
capitais (ou estados) têm seus lugares entre as estrelas. Os prédios do governo em Brasília;
sim, Brasília, uma outra estrela brilhando. Eu estou satisfeito. Eu gosto disso! Eu levanto a
bandeira com respeito. Brasil
104

6.2 ‘Three Queens’ por Paul Scott

6.2.1 Glossa da BSL

TRÊS RAINHAS
VERMELHO BEM-ONDULADO-CABELO MUITO-BEM-ONDULADO-SOBRE-CABEÇA
ALTO-GOLA CABELO-RÍGIDO-SOBRE-CABEÇA
ALCANÇAR-E-PEGAR-ALGUMACOISA
CONCHA CONCHA-ABRIR PEGAR-ALGUMACOISA-PEQUENO-DE-CONCHA-E-SEGURAR-ELE
#PÉROLA
QUATRO-CORDÕES-DE-PÉROLAS-ATRAVESSAR-PEITO-E-CORPO
ALTO-ASSADO-GOLA ÚNICO-APONTAR-SOBRE-TOPO-DE-TOUCA
BUFANTE-MANGAS CHEIO-SAIAS
CAMINHAR-RESOLUTA
HOMEM DOIS-PESSOAS-CAMINHAR-ADIANTE-LADO-A-LADO-ATRÁS-UMA-PESSOA

ALCANÇAR-E-PEGAR-ENTÃO-SEGURAR-E-OLHAR-MÃO-TAMANHO-SÓLIDO-OBJETO
BATATA SEGURAR-BATATA ARREMESSAR-BATATA-DENTRO-PANELA ÁGUA-FERVER
COLOCAR-COLHER-DENTRO-PANELA-E-COMER-DA-COLHER
SEGURAR-CANETA-PRONTO ESCREVER
CAMINHAR-RESOLUTA

FUMAR-CIGARRO OLHAR-CIGARRO
FUMAR-CIGARRO CONFUSO-CABEÇA
TOSSE CONFUSO-CABEÇA
SEGURAR-CIGARRO
VOCÊ ESCREVER
DOIS-PESSOAS-CAMINHAR-ADIANTE-LADO-A-LADO-ATRÁS-UMA-PESSOA

SINALIZANDO RÁPIDO-GESTICULANDO
CHAMAR ENCONTRAR
VOCÊ SURDO
COMANDAR-ESCREVENTE ESCREVER
SINALIZAR NO AR
DOIS-PESSOAS-CAMINHAR-ADIANTE-LADO-A-LADO-ATRÁS-UMA-PESSOA
OLHAR-PARA CIMA
BANDEIRA-TREMULAR
CRUZAR-DE-ST-ANDREW CRUZAR-DE-ST-GEORGE (I.E. “UNIÃO JACK”)
MUITO-TEMPO-PASSAR
NASCER CRESCER RAINHA
COMPRIDO-MAGRO-CURVADO-NARIZ MISERÁVEL-ROSTO GRANDE-BARRIGA
NASCER UM DOIS TRÊS QUATRO CINCO
NOVE
AQUELE-UM SURDO
105

CRESCER FALAR NÃO ENSINAR-A MIM PRECISAR


COMO-INTERESSANTE IGNORAR-REPETIDAMENTE
BEM
ENCONTRAR HOMEM REI GRÉCIA MUDAR-COM-OUTRA-PESSOA
NASCER-DEPOIS-QUATRO-GERAÇÕES
PRÍNCIPE P-H-I-L-I-P-O-F-E-D-H (“PHILIP DE EDIMBURGO”)
ENCONTRAR
BANDEIRA-TREMULAR
UMA-PESSOA-CAMINHAR-PERTO-AO LADO-OUTRA-PESSOA
CASAR AVIÃO-VOAR QUÊNIA
MULHER IR-EM CIMA-ÁRVORE
OLHAR-ATRAVÉS-BINÓCULOS COMEÇAR-INCLINAR
SUBIR-CHACOALHANDO-ÁRVORE TAPA-PARA-OBTER-ATENÇÃO UMA-PESSOA-MUDAR-EMBAIXO-
ÁRVORE
O QUE-É-ISTO?
VOCÊ RAINHA
EU?
AVIÃO-VOAR INGLATERRA
BANDEIRA-TREMULAR
tempo-passar

SURDO IRRITADO FORTEMENTE-OPOSTO


BSL MINHA LÍNGUA
CRIANÇAS TEM-NADA-LÁ-MESMO
MARCHAR-EM-PROCISSÃO
ALCANÇAR-NO-FINAL
RECONHECER
BANDEIRA-VOAR
TRÊS-PESSOAS/RAINHAS-OLHAR-PARA CIMA-DE-TRÊS-LUGARES/TEMPOS
TRÊS RAINHA
TRÊS-RAINHAS-EM-TRÊS-LUGARES/TEMPOS

Three Queens

6.2.2 Narração traduzida da BSL:

Está aqui uma rainha com cabelo crespo vermelho que está em pé no alto de sua cabeça. Ela
se estende para o chão e pega uma concha, a qual ela abre e remove algo. É uma pérola. Ela
usa um colar de pérola e cordas de pérolas cruzam seu peito. Ela usa uma gola alta, e uma
touca com uma pérola em seu pico. Seu vestido tem mangas bufantes e saias bufantes. A
rainha caminha resoluta, com seus dois escreventes cortesãos atrás dela. Ela para e alcança o
objeto diante dela. É uma batata. Ela ordena que esta seja fervida então ela dá algumas
106

colheradas de um prato. Ela come, acena em aprovação e ordena que seu escrevente registre.
Ele faz isto solicitamente. A rainha anda resoluta outra vez. Alguém está fumando um cigarro.
Pega o cigarro e o traga. Isso a faz ficar tonta e com tosse. Ela acena em aprovação e ordena
que seu outro escrevente registre. E ele atende. Ela caminha com os dois escreventes atrás
dela. Ela vê pessoas sinalizando e gesticulando, e estarrecida ela então os chama até ela. Eles
são surdos. Ela ordena ao escrevente que registre isso. Assim ele o faz, prestando muita
atenção aos surdos, imaginando que seus sinais sejam como sinais no ar. Os dois escreventes
seguem sua rainha enquanto ela caminha. Eles erguem o olhar e vêem a bandeira tremulando
sobre eles. A bandeira possui cruzes na vertical, na horizontal e nas diagonais.
O tempo passa e uma rainha nasce e cresce. Ela tem um longo nariz, fino, curvado e
sem graça. De sua enorme barriga, nove crianças nasceram. A terceira delas é surda. A pessoa
surda cresce sem falar, necessitando e implorando por instrução, mas os apelos são ignorados.
Então ela encontra o rei da Grécia e se muda para lá.
Quatro gerações nascem e nessa quarta geração está o Príncipe Philip, Philip Duque de
Edimburgo. Duas pessoas se encontram e a bandeira tremula sobre elas. Elas se casam e voam
para o Quênia. Uma mulher sobe em uma árvore. Ela está olhando pelos binóculos quando
sente a árvore chacoalhando enquanto alguém sobe nela. Ela desce a árvore, pergunta o que
eles querem e eles dizem a ela que agora ela é a rainha, então ela voa para a Inglaterra, onde a
bandeira está tremulando sobre eles. O tempo passa e as pessoas surdas estão irritadas e
prontas para lutar. Elas dizem, “BSL é minha” e desafiam a idéia de que não é uma língua.
Elas marcham juntas e finalmente obtêm sucesso quando a BSL é reconhecida. E a bandeira
tremula sobre eles. Todas as três rainhas olham para a bandeira. Três rainhas de três tempos,
sob uma bandeira.
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ANEXO 2 – O TEXTO ORIGINAL


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