UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS

FURB

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA E DE TELECOMUNICAÇÕES

PAULO ALEXANDRE REGIS

CÁLCULO DE VIABILIDADE TÉCNICA DE UM CANAL DE TELEVISÃO DIGITAL

BLUMENAU 2010

PAULO ALEXANDRE REGIS

CÁLCULO DE VIABILIDADE TÉCNICA DE UM CANAL DE TELEVISÃO DIGITAL

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Programa de Graduação em Engenharia de Telecomunicações do Centro de Ciências Tecnológicas da Universidade Regional de Blumenau, como requisito parcial para a obtenção do grau de Engenheiro de

Telecomunicações.

Prof. Msc. Paulo Roberto Brandt

Orientador

BLUMENAU 2010

PAULO ALEXANDRE REGIS

CÁLCULO DE VIABILIDADE TÉCNICA DE UM CANAL DE TELEVISÃO DIGITAL

Trabalho de Conclusão de Curso aprovada, para obtenção do grau de Engenheiro de Telecomunicações, pela Banca Examinadora formada por:

Aprovada em: __/__/_____.

__________________________________________________________________ Presidente: Prof. Marcelo Grafulha Vanti, Dr., FURB

__________________________________________________________________ Membro: Prof. Paulo Roberto Brandt, M sc. Orientador, FURB

__________________________________________________________________ Membro: Prof. Nome Compl eto, Xx., FURB

__________________________________________________________________ Membro: Prof. Nome Completo, Xx., FURB

Dedico este trabalho a todos os meus amigos e minha família, que me apoiaram durante todo este trabalho.

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao Professor Paulo Roberto Brandt, pela oportunidade de re alizar este estudo e pela orientação durante a execução deste trabalho. Sinceros agradecimentos aos meus familiares e amigos, que me apoiaram nestes últimos anos durante minha jornada, e sem os quais nada disso teria sido possível.

Frank Sherman Land .É o princípio que importa.

com suas limitações. Uma das normas utilizadas no estudo de viabilidade é a Recomendação UIT-R p.1546-1. Viabilidade técnica.RESUMO A televisão é uma das mídias de comunicação mais utilizadas ao redor do mundo. Inicialmente são apresentadas as características da televisão digital levadas em conta neste estudo. acompanhando esta evolução. No Brasil. Após são levantados os canais relevantes e suas respectivas características. Sendo a televisão digital um avanço tecnológico da sua versão analógica. Ao final é apresentada uma proposta de aplicação para o projeto. Previsão de cobertura. a televisão digital está sendo implantada. . características e parecer final a respeito de sua viabilidade. é esperado que novas normas venham a ser utilizadas também. que traz modelos de previsão de cobertura ponto-área. e está em constante evolução. e um dos trabalhos envolvidos na elaboração de uma estação é o estudo de viabilidade técnica do canal. e é adotada no lugar das curvas de nível de campo anteriormente utilizadas. Palavras-chave: Televisão digital. que interferem na elaboração do canal digital.

15461. One of the standards used in the feasibility study is the Recommendation ITU -R p. As digital television is the advanced version of its previous analogical version. and is in constant evolution. with its limitations. it is expected that new standards come with it. In the end it is presented a proposal of implementation of the project. . Coverage prediction. Initially it is presented the digital television features used in this study. which brings new point-to-area prediction models.ABSTRACT Television is one of the most used means of communication in the world. Then the data from the relevant channels are collected. and is adopted to rep lace the previous used propagation curves. evolving as well. Keywords: Digital television. and one of the tasks involved is the feasibility study of the channel. Technical feasibility. the digital television is being deployed. characteristics and final opinion concerning its viability. In Brazil. that may interfere in the project of the channel.

....................LISTA DE FIGURAS Figura 1 Representação de contorno protegido e interferente de duas estações ................. ............. .. ...... 33 Figura 5 Representação dos contornos das estações de Blumenau e Florianópolis ..........................36 Figura 7 Imagem de satélite da cidade de Blumenau ... ........................................................................................31 Figura 4 Representação dos contornos das estações de Blumenau e Joinville ........................................................ .................. . ......................... .45 Figura 11 Radiais traçadas de Joinville para Blumenau . .......... ... .........43 Figura 10 Radiais traçadas de Itajaí para Blumenau ............... .... ..34 Figura 6 Diagrama Irradiação da Antena Slot UHF ........................ ..........46 Figura 12 Radiais traçadas de Florianópolis para Blumenau ..... ... ..42 Figura 9 Radiais traçadas em direção a Florianópolis ............... ..............24 Figura 2 Localidade das estações proposta e relevante de Blumenau ........47 .........................30 Figura 3 Representação dos contornos das estações de Blumenau e Itajaí ........ ................................ ...............39 Figura 8 Radiais traçadas em direção a Joinville .....

....... ............. ................................ .............17 Tabela 2 Comparativo entre canal previsto e canal proposto .................32 Tabela 9 Características básicas do canal 22 de Florianópolis ........................................25 Tabela 3 Comparativo do NMT entre as ferramentas SIGAnatel e Radio Mobil e ..................29 Tabela 6 Características básicas do canal 14 de Blumenau ..................45 Tabela 15 Radiais extras de Joinville para Blumenau ........... . ............................. ................................. ..33 Tabela 10 Potência efetiva irradiada por azimute .................. .......................................... ....31 Tabela 8 Características básicas do canal 22 de Joinville . .... ........... ... ....... ..............39 Tabela 11 Relações de proteção (dB) para canais em VHF e UHF.47 Tabela 16 Radiais extras de Florianópolis para Blumenau .... .................... .................. ...........................42 Tabela 13 Radiais extras de Blumenau para Florianópolis ....................................................................48 ..............29 Tabela 7 Características básicas do canal 21 de Itajaí ....................... 43 Tabela 14 Radiais extras de Itajaí para Blumenau ................... .......40 Tabela 12 Radiais secundárias de Blumenau para Joinville ....... .................. .................27 Tabela 5 Canais interferentes relevantes ............................... ....26 Tabela 4 Classificação das estações na faixa de UHF ............... ...... ...LISTA DE TABELAS Tabela 1 Canalização de televisão digital na faixa de UHF ....... ... ............................ .......................................................

Longitude Mestre NMR Nível médio da radial NMT Nível médio do terreno PBTVD Plano Básico de Televisão Digital RFS Radio Frequency Systems SBTVD Sistema Brasileiro de Televisão Digital SET Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão SIGAnatel Sistema de Informações Geográficas da Anatel SRTM Shuttle Radar Topography Mission TV Televisão TVD Televisão digital UHF Ultra High Frequency UIT-R União Internacional de Telecomunicações-Radiopropagação VHF Very High Frequency . Doutor E(L.T) Intensidade de campo excedido em L por cento das localidades e T por cento do tempo EIA Eletronics Industries Association FCC Federal Communications Commission FI Freqüência intermediária ISDB-T Integrated Services Digital Broadcasting-Terrestrial LAT Latitude LON Me.LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABERT Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão ANATEL Agência Nacional de Telecomunicações ATSC Advanced Television Systems Committee CPqD Centro de Pesquisa e Desenvolvimento DVB-T Digital Video Broadcasting-Terrestrial Dr.

em dB. referida a 1kW potência eficaz potência de saída do transmissor ganho máximo do sistema irradiante eficiência da linha ganho da antena. referido a uma antena isotrópica ganho da antena. referida a 1uV/m decibel microvolt por metro potência efetiva máxima irradiada quilowatts unidade que exprime o valor de potência.LISTA DE SÍMBOLOS megahertz HNMT Altura efetiva acima do nível médio quilômetros metros por cento unidade que exprime o valor de intensidade de campo. em dB. referido a uma antena dipolo perdas na linha comprimento da linha atenuação em 100 metros perdas acessórias perdas totais da linha em dB perdas totais na linha em vezes potência efetiva irradiada no azimute .

............................................. ...................................... ................................. . 15 1................................ 29 ............... 24 3. ............................................... ........ 15 1........2............ ......1 CARACTERÍSTICAS BÁSICAS ............... 19 2............. ........3 JUSTIFICATIVA .......... .............................................2................... .........2 PLANEJAMENTO ........... ...SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..............................................................2 Implementação computacional da recomendação ............. .................................................. .....................1 OBJETIVO GERAL ... 21 3................ .................... 22 3.............. .....1.................4 Curva E(50...... 21 3.......1 RECOMENDAÇÃO UIT-R P........ ................................... 20 3 RESOLUÇÃO N 398 DE 7 DE ABRIL DE 2005 ...........2.............2 Contornos interferentes ............................1 CANALIZAÇÃO ......1 Contorno protegido .................... ..... .2 Altura da antena receptora .. .... .............1...................................................................1 Nível médio do terreno ...................................... ................................................................. 24 4 CANAL PROPOSTO ...........................2 NÍVEL MÉDIO DO TERRENO E ALTURA ACIMA DO NÍVEL MÉDIO DO TERRENO ....................................1 Altura acima do nível médio do terreno .......................................................... ............................................. 23 3............ 23 3....... .3 Altura da antena transmissora ................................................................................................ 22 3................. ............................3 CONSIDERAÇÕES .................. .... ........ 25 4......................1............................ ........ .......................... ............4 CONTORNO PROTEGIDO ......................................... ........1......................................................... 23 3..............................2...3............ 16 1.....................1............ 25 4............... ...... 23 3...................................... 15 1........ ..................3 PARÂMETROS NECESSÁRIOS PARA O CÁLCULO DE VIABILIDADE TÉCNICA .........1 Conceitos básicos . 24 3...................1546-1 ............................................. ........... ..................................1.......................... ...... ... ......... 25 4... ....... .............................................. ..... ....... ......................................4 ESTRUTURA DO TRABALHO ........................................... ...... ...2 Curvas E(L.................................... ........................... 21 3... .. ......3................. 27 5 CANAIS RELEVANTES .................. .............. 22 3................3 ENQUADRAMENTO DE CLASSE ...................................................... .................... 17 2....................................................... ...............................T) .............90) ..................... .. ..................................2 ADAPTAÇÕES DA RECOMENDAÇÃO ................... 16 2 PLANO BÁSICO DE TELEVISÃO DIGITAL .. ............................................. .............. ... ........................... 17 2................. ........................................... .........2 OBJETIVO ESPECÍFICO ......... 27 4........................... ......................... 21 3.................................. ....... .......................................................

... 38 6...... .........................................................2............. 40 6....... ... ............... ..................... 38 6..................2 Interferência dos canais existentes no canal proposto ..............1.....2................................................1 Canal 21A de Itajaí ..1..................... ... 43 6............1 CANAL 14 DE BLUMENAU ......... 48 7 CONCLUSÃO ................. .......................................2........... ... ..................4..... .............................................. .........3 Canal 22D de Florianópolis ....... ............................................. ..............................4...............................................1 SISTEMA IRRADIANTE .................... 32 5..1....................................... .2.....2.......... ....................................... .................1......................................1....... ......................................... 29 5... ...1 Interferência do canal proposto nos canais existentes ..................2............................... 37 6.....4......1 Antena ..............3 Orientação da antena ....................................................2...... ......... ......1 SUGESTÃO PARA FUTUROS TRABALHOS ........ ........................ 46 6..2....................................................................................... ........................................... .............................. ........ ...............2 Canal 22A de Joinville .......................................... 33 6 CÁLCULO DE VIABILIDADE ................1.. ......................... ........ ..3 Transmissor ........................................................................ ......................2..2 Guia de onda e conectores ..................... 41 6....2....2 INTERFERÊNCIAS .......... .....2 Canal 22A de Joinville ...................................2......... ..........................1........3 CANAL 22 DE JOINVILLE ....... .... 44 6....................................................... .....3 Parecer final .................................................5......... ........................................ 49 7..... 49 REFERÊNCIAS .......... ..................... 51 Especificações técnicas do fabricante do guia de ondas utilizado .......... .. 36 6. ..... ............................4 Ajustes de equipamentos .1 Canal 21A de Itajaí ................ .....3 Canal 22D de Florianópolis ....... 31 5.................... ......... ................................................ 47 6.................. 35 6...................2 CANAL 21 DE ITAJAÍ .............. ............. .......................................1 Potência efetiva irradiada máxima (ERPmax) ...............2.............................. .........1........... 52 ................. ...............................................1..... ..................................... ............................ 40 6............................. ..... 37 6............... 37 6......4 CANAL 22 DE FLORIANÓPOLIS ..... 50 ANEXO A ANEXO B Especificações técnicas do fabricante da antena slot utilizada ................. ........................................... 44 6............ 35 6..................... 41 6.................................................................... 35 6........................................................................................................................................................2 Potência efetiva irradiada por azimute (ERPaz) ...... ........1................................................

aplicando em uma situação real e possível. um estudo destas novas normas deve ser feito. mas um longo caminho até chegar nesse ponto é necessário ser percorrido. . que amparado por normas e manuais. Colocar em prática os conhecimentos obtidos das recomendações. É evidente que a televisão digital está longe de estar em pleno funcionamento. No Brasil a implantação desta nova tecnologia anda a passos lentos. Segundo cronograma da ANATEL hoje a reconfiguração do plano básico de televisão digital deveria estar concluído. utilizando ferramentas livres oferecidas pela ANATEL. Quando se quer criar uma estação transmissora. demonstra a possibilidade de implantação. de interatividade.15 1 INTRODUÇÃO Quando se fala em televisão digital. pensa-se logo em imagens de alta definição. 1. porém é evidente também o potencial de crescimento e disseminação. 1. e é o principal objetivo do estudo apresentado neste trabalho. de viabilidade. de comprar os produtos que está vendo naquele exato momento. Uma dessas avaliações é um estudo técnico.1 OBJETIVO GERAL Estudo e compreensão das normas mais recentes em relação à televisão digital. Certamente essa idéia é possível. Com os resultados obtidos será elaborad a uma solução para cada eventual problema que surgir. mas não está.2 OBJETIVO ESPECÍFICO Realizar um estudo de viabilidade técnica de um canal de televisão digital. Isto é. são necessárias diversas avaliações para provar que é possível ser criada. deve garantir que não causará e nem sofrerá interferência de outras estações já existentes. E para que isso seja possível.

1. E após são realizados os cálculos envolvidos na viabilidade do canal.4 ESTRUTURA DO TRABALHO Nos primeiros capítulos são estudados os documentos oficiais aprovados referentes aos cálculos de viabilidade de um canal digital. no quarto capítulo é apresentada uma proposta de canal digital. E também por ser uma tecnologia em ascensão. . é uma área de estudo promissora. Em seguida. Ao final são apresentadas as conclusões tomadas e novas propostas de trabalhos.16 1. Depois são apresentados os canais relevantes para o estudo. sendo seu conhecimento importante para a disseminação da televisão digital e conseqüentemente da inclusão digital em longo prazo.3 JUSTIFICATIVA Uma das razões para se estudar o tema é a recente atualização nas normas técnicas envolvidas.

O processo que culminou em sua aprovação teve início em meados de 1999. SET e ABERT.1 CANALIZAÇÃO Um dos fatores mais importantes que levou a aprovação do SBTVD em 2006 foi a canalização dos canais digitais. A largura de banda utilizada para cada canal digital foi mantida em 6MHz. entre os quais se pode citar o CPqD. através da Resolução n 407 [3].554 Freqüência Central (MHz) 473 479 485 491 497 503 509 515 521 527 533 539 545 551 . que foram mantidas as mesmas freqüências da canalização analógica.548 548 .506 506 . Tabela 1 Canalização de televisão digital na faixa de UHF Canal 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Freqüências extremas (MHz) 470 .488 488 . com realizações de testes por entidades e grupos de trabalho. e os canais utilizados são na faixa de VHF (7 a 13) e UHF (14 a 68).530 530 .536 536 . Na Tabela 1 é mostrada a faixa de freqüência de cada canal da faixa de UHF.17 2 PLANO BÁSICO DE TELEVISÃO DIGITAL O PBTVD foi aprovado em 10 de junho de 2005.518 518 .542 542 .500 500 . 2. e nele constam os canais digitais previstos.512 512 .524 524 .494 494 .482 482 . os mesmos da transmissão analógica.476 476 .

584 584 .692 692 .18 28 29 30 31 32 33 34 35 36 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 554 .728 728 .578 578 .644 644 .668 668 .650 650 .632 632 .626 626 .710 710 .656 656 .704 704 .596 596 .560 560 .608 614 .572 572 .566 566 .734 557 563 569 575 581 587 593 599 605 617 623 629 635 641 647 653 659 665 671 677 683 689 695 701 707 713 719 725 731 .590 590 .722 722 .698 698 .602 602 .674 674 .716 716 .686 686 .662 662 .680 680 .638 638 .620 620 .

na seqüência. . Norma técnica para execução dos serviços de radiodifusão de sons e imagens e de retransmissão de televisão com utilização da tecnologia digital. utilizar preferencialmente a faixa de freqüências UHF.788 788 . como informado. p 3.794 794 . A pesquisa levou em conta três padrões de transmissão conhecidos: DVB-T. tais como sempre que possível. a pedido da ANATEL.776 776 .782 782 . viabilizar para cada canal analógico considerado. teve papel importante na configuração do PBTVD. O instituto realizou um relatório detalhado .2 PLANEJAMENTO O CPqD.614MHz) é atribuído internacionalmente ao Serviço de Radioastronomia.746 746 . conforme Norma n 01/2010 (Norma Técnica para Execução dos Serviços de Radiodifusão de Sons e Imagens e de Retransmissão de Televisão) [4]. e caso não ser possível. um canal digital. ATSC e ISDB-T.764 764 .19 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 734 . apresentando resultados diversos. algumas premissas foram seguidas. 2.752 752 . utilizar VHF alto e baixo. que teve como objetivo apresentar uma proposta de plano básico.800 737 743 749 755 761 767 773 779 785 791 797 Fonte: BRASIL. Ministério de Estado das Comunicações. para cada sistema testado.740 740 . Já a faixa de canais compreendida entre os canais 60 e 68 é designada para uso exclusivo do Serviço de Televisão e Retransmissão de Televisão Pública Digital. O canal 37 (608MHz . finalizado em 2003 [5].770 770 .758 758 . Na época.

Mas na prática não funciona tão bem como na teoria. o que se vê é um PBTVD incompleto. . e como veremos a seguir. ele atenda aos fatores estabelecidos para o seu desenvolvimento.20 O resultado da pesquisa foi uma proposta de plano básico de distribuição de canais de televisão digital. Existem prazos estipulados para emissoras requererem canais digitais. Através de consultas ao portal da ANATEL e ao acervo documental da entidade. 2. com situações inusitadas. tivesse capacidade ou não do reuso de freqüência.3 CONSIDERAÇÕES Atualmente o PBTVD encontra-se em reconfiguração. que na época ainda não tinha sido decidido. Anexo ao estudo do CPqD também está uma listagem de canais adicionais caso o padrão. Espera -se que ao final do processo de redefinição do PBTVD.

1 Conceitos básicos A seguir serão descritos parâmetros básicos muito utilizados nos cálculos. descreve um método prático para a previsão de cobertura ponto-área para serviços terrestres.1. relevantes para o estudo. . 3. 3.21 3 RESOLUÇÃO N 398 DE 7 DE ABRIL DE 2005 Talvez a Resolução n 398 [2] seja o documento mais importante já publicado. e é então feita uma média aritmética dos pontos obtidos.1. na faixa de freqüências de 30 a 3000MHz. através desta recomendação. A seguir serão expostos os pontos mais importantes destes documentos.1546-1 A UIT-R. Além de alterações na Resolução n 284 [1]. que substitui as antigas curvas de campo da FCC.1546-1 [12]. porém o documento apro vado para o estudo remete à segunda. A recomendação admite alturas que variam de 10 a 1200m. É calculada obtendo-se cotas entre as distâncias de 3 a 15km da antena. para a realização deste estudo. Nela é aprovada a alteração do método de previsão de cobertura ponto-área. 3. Atualmente ela encontra-se em sua quinta versão (UIT-R Recomendação p. porém é descrito no documento um método para extrapolar esses valores.1546-4 10/2009).1 RECOMENDAÇÃO UIT-R P. Outro ponto importante constante neste documento são as adaptações que devem ser feitas na Recomendação UIT-R p.1. sua antecessora.1 Altura acima do nível médio do terreno A altura acima do nível médio do terreno (HNMT) é nada mais nada menos qu e um valor representando o nível do terreno ao redor da antena transmissora.

2 Curvas E(L. sobre o mar morno e sobre o mar frio. Tal procedimento foi usado na implantação da recomendação com o auxílio da ferramenta Matlab. As adaptações necessárias para este estudo são descritas nesta sessão.2 Implementação computacional da recomendação O Anexo 8 da recomendação descreve um método passo a passo para auxiliar na implementação computacional da mesma. 20.5. Os percursos considerados são: terrestre. 600 e 1200m . O procedimento pode apresentar divergências dos valores tabulados no documento referido. O método é válido apenas para distâncias de 1 a 1000km da antena transmissora. principalmente quando a altura da antena transmissora for abaixo de 20m. As curvas utilizadas neste estudo são a E(50. 150.2 ADAPTAÇÕES DA RECOMENDAÇÃO Apesar de a recomendação descrever métodos para obter valores precisos.1. cujo manuseio é simples e eficaz. . facilitam também das distâncias necessárias para o cálculo de viabilidade.50) e E(50. 600 e 2000MHz. 75. HNMT de 10. distâncias estas que serão explicadas mais adiante neste capítulo. porcentagem de tempo de 1. Uma curva é traçada para cada tipo de percurso e freqüência. que facilitam os cálculos envolvidos. 37. Novamente são descritos métodos para obter intensidade de campo quando esses valores não forem exatamente iguais aos tabulados.1. Os algoritmos além de obter as curvas de intensidade.10) que podem ser encontradas na referência [2].T) São gráficos que representam a intensidade de campo excedida em L% das localidades e T% do tempo. para um percurso terrestre. 3. Os valores tabulados pela recomendação foram obtidos com freqüências de valores nominais iguais a 100. 3. a resolução introduz algumas adaptações. 300. 10 e 50%.1.22 3.

compreendidas entre as distâncias de 3 a 15km da antena transmissora. quando a altura diferir de 10m. Porém. Ou seja.3 Altura da antena transmissora Apesar de ser possível calcular a intensidade de campo para valores fora da faixa de 10 a 1200m para altura da antena transmissora.1 Nível médio do terreno Para efeitos de cálculo. 3. para todos os efeitos da resolução. quando a HNMT da antena for interior a 10m.4 Curva E(50. fazendo-se também uma média aritmética. deve ser tomado o valor de 10m.23 3. As 12 radiais devem ser também igualmente espaçadas de 30 em 30 graus. a resolução traz uma adaptação. 3. dos NMR. a resolução considera esses os valores máximos. O NMT é então obtido. no Brasil o nível médio do terreno (NMT) é calculado obtendo-se 12 valores de nível médio da radial (NMR).2. De forma simplificada para ent endimento.90) Apesar da recomendação não admitir valores de porcentagem de tempo superior a 50%. O NMR por sua vez é obtido calculando a média aritmética de pelo menos 50 cotas igualmente espaçadas.2. Consiste basicamente em duplicar o valor da intensidade de campo para 50% do tempo. e deve incluir a radial do norte verdadeiro. nos cálculos é considerada uma antena receptora com 10m acima do nível do solo. e deste valor reduzir a intensidade excedida em 10% do tempo. e são adicionadas correções no valor de intensidade de campo. 3.2 Altura da antena receptora A recomendação admite alturas variadas de antenas receptoras. faz-se analogia com a expressão: .2. e quando exceder os 1200m. este valor que deve ser considerado.2.

dependendo do tipo de interferência que está sendo estudada.1 Contorno protegido É a distância entre a antena transmissora até o lugar geométrico em que a intensidade de campo E(50.2 Contornos interferentes É a distância entre a antena transmissora até o lugar geométrico onde a intensidade de campo assume um valor que pode vir a interferir no contorno protegido de uma estação relevante. p. é possível então calcular valores necessários para a viabilidade de um canal. A Figura 1 mostra graficamente uma representação dos contornos protegido e interferente de duas estações em uma situação ideal. 3).3.3. também digital. conforme Resolução n 284 (2001. .90) assume o valor de 51  digital em UHF e 43 para VHF. Figura 1 Representação de contorno protegido e interferente de duas estações .3 PARÂMETROE NECESSÁRIOS PARA O CÁLCULO DE VIABILIDADE TÉCNICA Com os métodos já mencionados. para canais de televisão 3.24 3. O campo interferente pode assumir diversos valores. 3.

521 26 54 10 49 03 31 B 28. deve levar em conta as características básicas do canal e também deve ser livre de interferências. caso o canal previsto fosse estudado. bem como não causar interferências nos canais que por ventura possam sofrê -las. Tabela 2 Comparativo entre canal previsto e canal proposto Canal previsto ERPmax (kW) Freqüências de operação (MHz) Latitude Longitude Classe Distância ao contorno protegido (km) 80 518 524 Canal proposto 0. 4.25 4 CANAL PROPOSTO A concessão de um canal de televisão digital. a cobertura deste abrangeria todo o Vale do Itajaí. Na Tabela 2 tem-se um comparativo da situação atual e da proposta.2 NÍVEL MÉDIO DO TERRENO E ALTURA ACIMA DO NÍVEL MÉDIO DO TERRENO Conforme a Resolução n 284 (2001). bem como cidades próximas desta região. e deve incluir o norte verdadeiro.995 Como fato de curiosidade. o nível médio do terreno ao redor da estação transmissora leva em consideração 12 radiais. E o nível médio .8 518 524 26 54 10 49 03 31 Especial 57. observou -se a existência de um canal 22 previsto. e sua interferência ultrapassaria a fronteira com o estado do Paraná. 4. além de documentos burocráticos. Os valores de classe e distância ao contorno protegido são obtidos posteriormente nesta sessão. Porém a proposta de alteração deste canal sugere mudanças nestas características. com espaçamento de 30 . O NMT é a média aritmética dos níveis médios das radiais.1 CARACTERÍSTICAS BÁSICAS Analisando o Plano Básico de Televisão Digital.

13 -4.09 185. que no SIGAnatel é de 138m enquanto pelo Radio Mobile é de 175. em metros Azimute radial 0 30 60 90 120 150 180 210 240 270 300 330 Média SIGAnatel NMT 104 211 177 39 50 168 227 264 184 102 65 93 140. os valores foram obtidos a partir de base de dados digitalizado.87 HNMT 140. Tabela 3 Comparativo do NMT entre as ferramentas SIGAnatel e Radio Mobile .64 30. isso porque este valor depende do valor da cota da base da torre.96 90.9m. compreendidas entre 3 e 15km a partir da antena.95 66.03 Como esperado a diferença entre as ferramentas utilizadas é mínima.77 245.75 169. e grande parte é devido ao arredondamento utilizado por cada uma.94 149.15 71. e igualmente espaçadas.68 58.26 da radial é a média aritmética das.92 140.19 69.95 174.26 209.02 254. 50 cotas tomadas na direção da radial.67 Radio Mobile SRMT3 NMT 100. através do software Radio Mobile [8].45 32.45 208.98 100. Neste estudo. . e utiliza mapas SRTM3 [7]. pelo menos. que oferece uma ferramenta que facilita estes cálculos. e são mostrados na Tabela 3.13 136.81 55.71 170.77 104. Porém quando se calcula a HNMT o erro é maior.58 182.12 -13. Os resultados obtidos foram confrontados com os resultado s do SIGAnatel [10].33 HNMT 99 -8 26 164 153 35 -24 -61 19 101 138 110 62.

8kW (-1dBkW) 0. 5 p. . Tendo em mãos estes parâmetros (HNMT. conforme descrito no item 6 da recomendação.08kW (-11dBkW) 150m 42 29 18 57 Fonte: BRASIL.27 4. e classifica-se. Através da implementação computacional do método descrito na referida Recomendação. Tabela 4 Classificação das estações na faixa de UHF Classe Canais Máxima potência ERP Altura de referência acima do NMR Distância máxima ao contorno protegido (km) Especial 14 a 25 26 a 46 47 a 59 A B C 14 a 59 14 a 59 14 a 59 70kW (18. portanto. com valor de 29. n este caso. em classe B a estação proposta. Ministério de Estado das Comunicações.5dBkW) 80kW (19dBkW) 100kW (20dBkW) 8kW (9dBkW) 0. o contorno protegido de uma estação corresponde ao lugar geométrico onde a intensidade de campo do sinal. 4. tornou -se fácil a obtenção do contorno protegido . a classe pode ser obtida a partir da Tabela 4. e como não existem valores tabelados para a freqüência e para a HNMT em questão. [2] (2005) Como a proposta do canal é de 0. Norma técnica para execução dos serviços de radiodifusão de sons e imagens e de retransmissão de televisão com utilização da tecnologia digital. intensidade de campo. freqüência). consultam-se então as Tabelas XII e XIII da Resolução n 398.0329km. tiver o valor de 51  Freqüência de operação será considerada 521MHz. .8kW de potencia efetiva máxima irradiada.3 ENQUADRAMENTO NA CLASSE A classe da estação digital é identificada a partir da radial de maior potência efetiva irradiada referida a uma altura do centro de irradiação da antena de 150m sobre o nível médio da radial. é necessário interpolar em função da freqüência.4 CONTORNO PROTEGIDO Como já mencionado.

resultados muito próximos. Como a distância máxima ao contorno protegido é de 29km. este será o valor considerado.28 e pelo SIGAnatel obteve-se 28.995km. .

que fornece automaticamente os canais relevantes. e gera um relatório conforme as informações propostas fornecidas. Neste caso utilizamos a ferramenta SIGAnatel.497 . porém com uma potência máxima de 80kW. Isso acontece. o canal 22 já está previsto para Blumenau. e será feita uma análise primária de cada caso. A seguir cada canal será detalhado separadamente. obteve -se os seguintes canais como possíveis interferentes. Como resultado desta consulta ao PBTVD. listados na Tabela 5. Tabela 5 Canais interferentes relevantes Canal 14 21 22 22 22 Digital/Analógico Analógico Analógico Analógico Digital Digital Cidade Blumenau Itajaí Joinville Blumenau Florianópolis ERPmax kW 50 10 10 80 8 LAT 25 55 10 26 55 08 26 17 18 26 54 10 27 35 24 LON 49 03 58 48 39 47 48 49 40 49 03 31 48 32 03 Como se pode observar.29 5 CANAIS RELEVANTES Os canais que devem ser levados em consideração no calculo de viabilidade são obtidos através do Plano Básico de Televisão Digital. pois o PBTVD não está completamente atualizado. portanto este canal será desconsiderado nos cálculos. disponível no portal da ANATEL. 5.1 CANAL 14 DE BLUMENAU Tabela 6 Características básicas do canal 14 de Blumenau Canal Freqüências de operação (MHz) Modulação Classe Distância ao contorno protegido (km) 14 470 476 Analógico A 28.

pois a distância é menor que 2km. e esse tipo de avaliação é feito pelo próprio SIGAnatel. Figura 2 Localidade das estações proposta e relevante de Blumenau Primeiramente não se consegue ver alguma relação entre os canais 14 analógico e o 22 digital. resultando um sinal que interferirá na FI do receptor de televisão sintonizado no canal N [1] (2001. A relação de proteção que deve ser obedecida neste caso é de -10dB.991 Batimento de FI Dadas as coordenadas fornecidas pelo plano básico.991km. p. 6). pode-se calcular a distância existente entre as duas estações. Esta é a interferência resultante do batimento que ocorre no conversor do receptor UHF entre o canal N e o canal N+8 ou N -8. e as coordenadas do canal proposto.30 Distância ao canal proposto (km) Tipo de interferência 1. o que configura a co-localização das estações. porém a interferência neste caso envolve o batimento de freqüência intermediária. que neste caso resultou como viável a co-localização dos canais ora envolvidos. Neste caso a distância calculada pelo SIGAnatel foi de 1. .

e o sinal interferente. Figura 3 Representação dos contornos das estações de Blumenau e Itajaí Nota-se que o sinal interferente. representado pelo contorno cor -de-rosa. sinais irradiados fora da faixa de freqüencias do canal. deve ser de.31 5. ou seja. a interferência é causada por sinais espúrios. A seguir a imagem gerada usando a ferramenta SIGAnatel. no caso é o sinal que deve ser assegurada a proteção. sinal da estação proposta. a Tabela 11 demonstra esses dados. A razão entre o sinal desejado. porem o contorno protegido do canal sendo . no máximo -11dB. não invade o contorno protegido da estação de Itajaí. diferentemente do anterior.332 Adjacente inferior Neste caso.2 CANAL 21 DE ITAJAÍ Tabela 7 Características básicas do canal 21 de Itajaí Canal Freqüências de operação (MHz) Modulação Classe Limitação ERPmax Distância ao canal proposto (km) Tipo de interferência 21 512 518 Analógico B 3kW de 299 a 341 39.

e sua análise não difere dos métodos utilizados usados no caso anterior. invade o contorno protegido.407 72. esse sim. e com um canal digital e outro analógico.32 projetado. respectivamente. . deve -se provar que o contorno protegido não invada o outro. 5. a proteção é de 34dB.3 CANAL 22 DE JOINVILLE Tabela 8 Características básicas do canal 22 de Joinville Canal Freqüências de operação (MHz) Modulação Classe Distância ao contorno protegido (km) Distância ao canal proposto (km) Tipo de interferência 22 518 524 Analógico B 20.857 Co-canal Este caso é o mais comum. Na Figura 4 observa-se claramente os contornos protegido e interferente de ambas estações envolvidas. o que resulta em um campo interferente de 36  . Neste caso. Em situaçoes como esta. de interferência co-canal. caso contrário o canal será inviável. Vermelho e verde representam o contorno protegido das estações proposta e relevante.

resultado em um campo interferente de 32 . Porém algumas diferenças podem ser notadas. que mostra o contorno .236 92.176 Co-canal Assim como ocorre com a estação de Joinville. o que acarreta em uma razão de proteção mínima de 19dB.4 CANAL 22 DE FLORIANÓPOLIS Tabela 9 Características básicas do canal 22 de Florianópolis Canal Freqüências de operação (MHz) Modulação Classe Distância ao contorno protegido (km) Distância ao canal proposto (km) Tipo de interferência 22 518 524 Digital A 42.33 Figura 4 Representação dos contornos das estações de Blume nau e Joinville Com esta configuração. 5. porém. primeiramente torna-se óbvia a inviabilidade. como nos casos anteriores. primeiramente que ambos os canais são digitais. A outra diferença é vista na Figura 5. a fim de provar a viabilidade do canal proposto. uma análise mais detalhada pode ser feita. a interferência neste caso é co-canal.

e isso poderá influenciar nos cálculos de análise detalhada que será feita. o contorno ultrapassa a localização da estação proposta.34 interferente da estação relevante. Figura 5 Representação dos contornos das estações de Blumenau e Florianópolis Na análise preliminar através do SIGAnatel é visível a inviabilidade. .

A seguir serão apresentadas as características do sistema irradiante. A Figura 6 ilustra este diagrama. para polarização circular. O ganho máximo da antena é de 10. . Essa antena apresenta um diagrama de irradiação útil para o relevo acidentado da região de Blumenau. 6. No levantamento das informações são apresentadas as características que influenciam diretamente nos cálculos. e o Anexo A contém o documento do fabricante na íntegra [6]. Nesta análise será levado em conta o perfil do terreno em cada radial que apresente problemas de interferência. e também as características de transmissão do sistema irradiante proposto.1 SISTEMA IRRADIANTE Um sistema irradiante é composto basicamente de uma antena. um guia de onda.1. agora será feita uma análise detalhada. variando de fabricante.9dBi. bem como os critérios usados para a utilização de cada um. e um transmissor. 6. ou 8. que revelou os canais relevantes deste caso. Cada um dos componentes apresenta características próprias.35 6 CÁLCULO DE VIABILIDADE Tendo em vista o estudo preliminar.75dBd.1 Antena A antena utilizada no estudo é uma Slot UHF de 4 fendas e de polarização circular.

De acordo com as especificações técnicas. este guia apresenta uma atenuação de 2. 6.8dB/100m.76dB/100m.1. as especificações podem ser encontradas no Anexo B.2 Guia de onda e conectores Conforme a antena escolhida. que apresenta boa mobilidade para manuseio [9]. e a potência máxima irradiada. operando na freqüência de 512MHz. Desta forma a direção adotada será 255 . . uma visão melhor é descrita adiante. atendendo assim às áreas dos bairros Garcia e Velha da melhor forma possível. tem-se então que o guia de onda necessário é o padrão EIA 7/8 . adotaremos o valor de 2.36 Figura 6 Diagrama Irradiação da Antena Slot UHF Com esse diagrama é possível direcionar o azimute de forma a atender a maior parte da população possível. e deixando de irradiar potências elevadas para a direção das estações interferentes. Optou-se pelo modelo Heliflex Air Coax da fabricante RFS. Como a freqüência central que está sendo estudada é de 521MHz. Outra vantagem que será detalhada adiante é de irradiar menos potência em direção a os canais que podem sofrer interferências do canal proposto.

tem cerca de 65m de altura. e A potência de saída do transmissor e o ganho máximo da antena podem ser obtidos diretamente do fabricante. a seguinte fórmula é Onde representa a potência de saída do transmissor em Wrms. 150 e 250 Wrms. 6.4. onde a antena será colocada.37 A estrutura existente da torre. Para calcular este parâmetro é preciso calcular as perdas na linha com a fórmula: .4 Ajustes de equipamentos A seguir serão mostrados alguns ajustes necessários para obter o resultado mais preciso possível. e neste caso assumem os valores de 0. a eficiência da linha de transmissão. Outras potências encontradas foram de 100. essa potência foi baseada em pesquisa nos sites de fabricantes nacionais.1dB. Adotou-se um transmissor fictício com potência de 200 Wrms de saída. e dada geralmente em Wrms. 6.5 vezes. Sendo assim a atenuação introduzida pelo cabo será de 2. que por sua vez encontrar-se-á dentro da estrutura edificada já existente. Apenas a conversão do é necessária ser feita.3 Transmissor A única característica de um transmissor levada em consideração nos cálculos é a sua potência de saída.1.2kW e 7.1. o ganho máximo da antena em vezes. tendo em vista que ele deverá ser conectado ao transmissor. através da fórmula: A eficiência da linha de transmissão é obtida através das perdas do sistema. Essa potência é informada nas especificações técnicas. respectivamente. Portanto o comprimento do guia adotado será de 75m.1 Potência efetiva irradiada máxima ( Para obter a utilizada: ) a partir dos equipamentos escolhidos. 6.1.

porém na prática essa potência será é necessária para uma análise mais detalhada irradiada apenas em uma direção. tendo portando uma potência de saída de 0. Converte-se então as perdas totais em vezes ( E invertendo o resultado desta última tem -se a eficiência da linha: No caso. É preciso também estimar as perdas acessórias ( . Em . Este parâmetro pode ser obtido diretamente das especificações técnicas do fabricante. Somando-se com tem-se então a perda todal na linha ( ): ). será assumida uma perda adicional de 2dB.2 Potência efetiva irradiada por azimute ( A ) representa a potência máxima. Já a de interferência.1. o resultado obtido com os dados expostos resultou em uma eficiência igual a 0. e pode ser calculado com a simples fórmula: Onde representa a porcentagem da potência máxima que é irradiada no azimute. 6.38 Onde é o comprimento do guia de onda em metros e é a atenuação do guia a cada 100m de comprimento. em dB.3 Orientação da antena É interesse de toda emissora de televisão oferecer cobertura à maior parcela da população possível.4.603kW. 6.4. para isto é necessário realizar uma análise da área urbana da cidade. provenientes de eventuais conectores e divisores utilizados na linha.402. em dB/100m.1. em dB). A nada mais é que a parcela irradiada em determinado azimute.

através da Figura 7.269971122 0.95 28.55 170. Figura 7 Imagem de satélite da cidade de Blumenau Analisando. nota-se que a grande maioria da área urbana não se encontra na direção do norte verdadeiro da antena transmissora.39 Blumenau.390840896 0.447713304 ERPaz (kW) 0. e na prática esta direção representa o bairro da Velha. pode-se assumir que a área urbana de interesse situa-se aproximadamente no azimute de 255 . Tabela 10 Potência efetiva irradiada por azimute Azimute 0 30 60 90 HNMT (m) 102.23567706 0.19 (E/Emax)² 0. altera-se também a porcentagem irradiada nos demais azimutes. Tendo estes dados como base. levando em consideração a HNMT de cada uma delas e também a orientação da antena. Com isso.447713304 0. o novo valor de para o azimute é obtido através da fórmula:   Na Tabela 10 é apresentado o resultado para as 12 radiais principais.269971122 .238406072 0. o próximo passo é ajustar o diagrama de irradiação de forma que a maior parcela da potência seja irradiada nesta direção.74 -6.39536662 0.

Canal desejado = N Analógico sobre digital +7 -26 -26 Digital sobre digital +19 -24 -24 +34 -11 -11 6.2 INTERFERÊNCIAS Cada canal relevante tem suas características próprias.390840896 0.824138115 0.974989638 0. classe. 398.553350109 0.496955283 0.580764418 0.59199401 0.1 Interferência do canal proposto nos canais existentes A seguir serão tratadas as interferências causadas pelo canal proposto nos canais relevantes.23 -42.484526252 0.981747943 0.02 -51.23567706 0.23 98. localidade.333670116 6.58 20.2. tais como ERPmax.587918752 0.245085327 0.406443329 0.81 133.08 0. Essas características determinam a relação de proteção entre dois canais.40 120 150 180 210 240 270 300 330 147.350200944 0.04 112. Resolução n.25 33. ou seja.803526122 0. qual a intensidade de campo máxima permitida existir no contorno protegido que possa causar interferência na recepção do mesmo. . Para obter esse valor de campo interferente é utilizada a seguinte tabela: Tabela 11 Relações de proteção (dB) para Canais em VHF e UHF Canal interferente Digital sobre analógico N (co-canal) N-1 (adjacente inferior) N+1 (adjacente superior) Fonte: AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES (Brasil).

6.41 6. neste caso. e será analisada adiante. é vista a interferência causada pelo canal de Blumenau. a razão de proteção neste caso é de -11dB.1. é preciso traçar novas radiais. ou seja.1. incluindo estes. e tantas radiais secundárias. Porém a recíproca. Segundo a Resolução n 284. com a Figura 4.2. através da Figura 3.1 Canal 21A de Itajaí De acordo com a Tabela 10. . que representa a situação. o campo interferente do canal proposto no canal de Itajaí é de 81 . afastadas de 15 até ultrapassar a intercessão dos contornos interferente e protegido .2 Canal 22A de Joinville O campo interferente neste caso será de 36 . Neste caso a solução será o levantamento de radiais auxiliares. neste caso. conforme Figura 8. Pela análise preliminar. Com o auxílio da ferramenta SIGAnatel é possivel vizualizar o contorno interferente (cor rosa). uma radial principal. não é verdadeira. que liga as estações em questão.2. Como pode-se observar o contorno interferente está longe de atingir o protegido do canal analógico. e a determinação do campo em cada uma delas.

392645 0.380189 0.22925421 0. nas radiais traçadas.407km.61 198.43 13. e o contorno protegido da estação de Joinville é de 20.42 Figura 8 Radiais traçadas em direção a Joinville Como a distância entre as estações é de 71.2367649 (E/Emax)² ERPaz (kW) Distância ao contorno de 36dB V/m (km) 22. Utilizando o algoritmo implementado no Matlab. não pode ultrapassar 51.390122 0.857km.62 144. o campo interferente em cada uma das radiais envolvidas está muito abaixo do limite. isso significa que o canal proposto não irá interferir no canal relevante de Joinville.9 0. .51 29.64 Como observa-se. o contorno interferente. obteve -se os seguintes resultados para as radiais em questão.45km.39 4.1 HNMT (m) 31.23524333 0.38 58. sabendo que o azimute para Joinville é 19 em relação ao norte verdadeiro: Tabela 12 Radiais secundárias de Blumenau para Joinville Azimute (graus) 7 19 31 NMT (m) 171.

66 262. e na Tabela 12 os dados referentes a cada uma delas.23491855 0.395367 0.380189 0.91 0.06 30.453106 0.43 6. Figura 9 Radiais traçadas em direção a Florianópolis Tabela 13 Radiais extras de Blumenau para Florianópolis Azimute (graus) 121 131 146 161 171 NMT (m) 59. e o azimute.23840607 0.22925421 0.27322304 0.75 152.515229 0. Na Figura 9 tem-se a representação das radiais envolvidas.389583 0. que agora é 146 .09 HNMT (m) 143.26 17.2.12 127.91 33.07 46.25 50. e mais radiais são necessárias.1. que agora remete a um campo interferente de 32dB por ambos serem canais digitais.88 75.49 (km) .31068287 (E/Emax)² ERPaz (kW) Distância ao contorno de 32  49.21 167. as únicas diferenças são a razão de proteção.3 Canal 22D de Florianópolis A situação com relação ao canal 22 de Florianópolis é semelhante com a de Joinville.34 10 35.

De acordo com a Tabela 10. deduz-se um valor de campo interferente de 77 . verificar se a emissora proposta tenha sua proteção assegurada. a etapa agora é realizar o caminho inverso. não há interferência do canal proposto no canal de Florianópolis. não se pode contar com o diagrama de irradiação da emissora relevante. e o contorno protegido de Florianópolis é de 42.94km. temos os dados de transmissão os seguintes: ERPmax igual a 10kW.2.44 Como a distância entre as estações é de 92. o seu valor será tomado a partir do plano básico.2.952km. logo será admitido um valor de (E/Emax)² igual a 1 em todas as radiais.2. Esta é a situação extrema a favor do canal proposto. porém os valores irão mudar. 6. Outro fator que será alterado é a potência irradiada.332km e distância ao contorno protegido da estação proposta de 10. 6. distância entre as estações de 39.2 Interferência dos canais existentes no canal proposto Assegurada a proteção das emissoras sujeitas a interferência. .332km . que provém do valor de (E/Emax)² do sistema irradiante proposto.176km. Como o valor de 10. com limitação de 3kW nos azimutes de 299 a 341 . No caso inverso. com a sua correção. o contorno interferente não pode ultrapassar 49.332km representa a distância ao contorno protegido sem a correção deste último. E destas radiais são obtidos os valores tabelados em seguida. azimute em direção a estação proposta igual a 273 . são levantadas as radiais extras necessárias.1 Canal 21A de Itajaí Seguindo o padrão das análises anteriores.236km. Dando procedimento. conforme mostrado na Figura 10. esta distância aumenta para 13. Os cálculos relacionados são exatamente os mesmos. Sendo assim.

63 (km) Observando. as radiais de 309 e 303 terão sua ERPmax diminuidas para 3kW nos cálculos.9 8.59 16.46 15.1 11.11 188.23 194.33 HNMT (m) 168.1 208. em direção a estação de Itajaí com a finalidade de excluir esta .36 23.7 33.67 1 1 1 1 1 1 1 (E/Emax)² ERPaz (kW) 10 10 10 10 10 3 3 Distância ao contorno de 77  14.45 Figura 10 Radiais traçadas de Itajaí para Blumenau Como existe a limitação deste canal. nota-se a inviabilidade.88 16.89 28.64 193.83 12. Neste caso a solução seria aplicar uma limitação no canal proposto.08 15.04 201.96 15. Tabela 14 Radiais extras de Itajaí para Blumenau Azimute (graus) 231 243 258 273 288 303 309 NMT (m) 48.3 183.77 22.

267km . o mesmo procedimento é executado com o canal de Joinville.46 sobreposição de contornos. Portanto um limite de 203W solucionaria este problema. A Figura 11 e a Tabela 14 apresentam os resultados das radiais calculadas.2 Canal 22A de Joinville Dando seqüência. O azimute de Blumenau para Itajaí é de 93 .2. já que não se pode propor uma alteração de um canal já existente e consignado a uma entidade.2. Lembrando que o contorno interferente agora é de 44  . corrigido pelo (E/Emax)² em direção a Joinville. . 6. é de 57. a sobreposição do contorno interferente estende-se dos azimutes 78 a 108 . Figura 11 Radiais traçadas de Joinville para Blumenau E em seguida os valores das radiais apresentadas. e a distância do canal interferente ao contorno protegido proposto.

levando em conta a ERPmax de 8kW prevista no plano básico.31 59. até 108 . tenha seu intervalo alterado de 78 para 84 . devido a interferência de Itajaí. a inviabilidade é provada.34 59.2. .3 Canal 22D de Florianópolis Na Figura 12.89 18.47 Tabela 15 Radiais extras de Joinville para Blumenau Azimute (graus) 174 184 199 214 224 NMT (m) 193.44 294. 6.08 20.56 162.44 20.56 10 1 1 1 1 1 (E/Emax)² ERPaz (kW) 10 10 10 10 10 Distância ao contorno de 44  20.12 18. mostra as radiais extras que devem ser consideradas. O azimute é 326 em relação ao norte verdadeiro.85 HNMT (m) 10 164. Figura 12 Radiais traçadas de Florianópolis para Blumenau E na Tabela 15 os dados de cada radial.88 164.2. Neste caso a limitação proposta é de 29W no intervalo de azimutes de 314 a 84 . como nas anteriores.44 59. Implicando que a limitação imposta anteriormente.44 (km) Semelhante ao caso anterior.

Como o canal da TV FURB. ou seja.01 88. não seria possível ter a mesma cobertura.34 194. cobre grande parte da área urbana da cidade de Blumenau.2. implantar as mudanças sugeridas no plano básico. é repetir a cobertura já existente com o canal analógico. a implementação do canal proposto também não é possível. tanto com as características propostas neste trabalho.40 90.11 1 1 1 1 1 (E/Emax)² ERPaz (kW) 8 8 8 8 8 Distância ao contorno de 32  90. 6. . e a distância do contorno interferente aproxima-se muito deste valor. Porém uma das premissas da televisão digital.78 90.66 62.73 41.176km. que foi o ponto de partida para este estudo.38 214. É então inviável a implantação do canal 22 de televisão digital na cidade.48 Tabela 16 Radiais extras de Florianópolis para Blumenau Azimute (graus) 306 311 326 341 346 NMT (m) 48. Neste caso a limitação não é possível.89 HNMT (m) 208. devido as limitações impostas necessárias.27 215.3 Parecer final Tendo em vista os cálculos executados para cada situação descrita.18 146. na prática.62 42. seria possível sim.82 110.42 82. quanto com as já existentes.64 (km) A distância entre as estações é de 92. previstas no PBTVD.

A principal conclusão que se pode tirar deste estudo que o PBTVD. Um aspecto importante deste estudo é a Recomendação UIT-R p. em relação a projetos de televisão digital. até percursos sobre o mar. buscando uma solução conjunta. A recomendação usada já está defasada. e a utilizada pela ANATEL remeta à segunda. por poder ser empregado não só nos casos envolvendo televisão digital. Uma solução para esta situação seria fazer uma Consulta Pública.49 7 CONCLUSÃO Neste trabalho foram estudadas as resoluções e recomendações da ANATEL. se não for reconfigurado nas regiões como a do Vale do Itajaí. apresentará falhas. tais como percurso de propagação sobre água. 1546. lagoas. ou até mesmo percurso misto. atualmente ela encontra-se em sua quinta versão. . entre outras situações. mas pode também ser usado para cálculos de emissoras de rádio. um estudo para determinar as melhorias. e a utilidade desses avanços pode ser feito. 7.1 SUGESTÃO PARA FUTUROS TRABALHOS Para a continuidade deste trabalho. e uma reunião com as emi ssoras da região. complicando a consignação de canais para emissoras. e outros tipos de serviços. e os conhecimentos obtidos foram postos em prática em uma situação real. este documento é de grande utilidade. sugere-se um estudo aprofundado em outras situações. É importante este tipo de avaliação por conta das diferentes regiões do Brasil. que têm desde percurso terrestre.

anatel. Acesso em: 10 de março de 2010. Campinas. Disponível em: <http://sistemas. Planejamento de canais de tv digital. Acesso em: 10 de março de 2010. Disponível em: <http://www.1546 -1: Médoto de previsões ponto -área para serviços terrestres na faixa de freqüências de 30 a 3000MHz .anatel. [3] ______. Portaria n.br/siganatel/>. Shuttle Radar Topography Mission.br/produtosport/digital/SLOT Polarização Circular_Elíptica. Disponível em: <http://www.anatel. Resolução n. Disponível em: <http://www.idealantenas.gov/srtm/>.gov. Disponível em: <http://www.br/>. [9] RFS.br/>. Acesso em: 15 de março de 2010. Disponível em: <http://sistemas.anatel.anatel.gov. Acesso em: 30 de maio de 2010. Acesso em: 10 de março de 2010. Acesso em: 20 de março de 2010.gov.com.cplus. [10] SIGANATEL . MC. 407. Acesso em: 20 de março de 2010.Sistema de informações geográficas.br/publicacoes/arquivos/20080227_094813_TELE -027.anatel. de 29 de março de 2010. Disponível em: <http://www.edu.br/>.br/>. Acesso em: 30 de maio de 2010.org/rmw/english1.gov.gov. da F.anatel. Disponível em: <http://www.nasa. 8 de setembro de 2003. Acesso em: 10 de março de 2010. Simulação computacional de estudos de viabilidade técnica de canais de tv digital. 276. Heliflex cable.com/RFS_Edition3/pdfs/HELIFLEX_Air_Cable_55-69. SOUSA.pdf>. [8] RADIO MOBILE.html>. Acesso em: 20 de março de 2010.br/siganatel/>. de 7 de abril de 2005. . [5] CENTRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM TELECOMUNICAÇÕES. Resolução n. Recomendação P.gov. Disponível em: <http://sistemas. 284. [12] UNIÃO INTERNACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES: SETOR DE RADIOCOMUNICAÇÕES. Valdery.pdf>. Antena slot UHF: polarização circular. [7] NASA (Estados Unidos da América). [6] IDEAL ANTENAS PROFISSIONAIS.rfsworld.jpl. de 10 de junho de 2005. de 7 de dezembro de 2001.redenet. [11] SILVA..pdf>. Acesso em: 18 de março de 2010.br/siganatel/>. Acesso em: 10 de março de 2010. [4] BRASIL. Disponível em: <http://www2. Resolução n.gov.50 REFERÊNCIAS [1] AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES (Brasil). [2] ______. Disponível em: <http://www. Disponível em: <http://www2. 398. Paulo H.

51 ANEXO A Especificações técnicas do fabric ante da antena slot utilizada .

52 .

53 .

54 .

55 ANEXO B Especificações técnicas do fabricante do guia de ondas utilizado .

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