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Crítica

19 de Março de 2002 ⋅ Estética

Avaliação crítica de teorias


Aires Almeida

Philosophy of the Arts: An Introduction to Aesthetics


de Gordon Graham
Londres: Routledge, 2005, 3.ª ed., 288 pp.

A filosofia da arte, ou estética, é uma das disciplinas filosóficas que tem merecido cada vez mais
interesse, sobretudo em países de tradição analítica. Por isso, é hoje possível encontrar, em língua
inglesa, obras de filosofia da arte escritas com grande rigor e profissionalismo. Rigor e
profissionalismo que habitualmente andam associados a disciplinas mais técnicas como a lógica, a
epistemologia ou a ética. Isso também começa a acontecer com as boas obras de introdução à filosofia
da arte que têm surgido ultimamente. São obras em que os principais problemas, teorias e argumentos
aparecem claramente formulados, discutidos e avaliados.
Este livro reúne algumas das qualidades atrás referidas, o que o torna uma das melhores obras de
filosofia da arte disponíveis em língua portuguesa. Algumas dessas qualidades são indispensáveis num
bom livro introdutório: uma linguagem clara, sem tecnicismos evitáveis, mas rigorosa; a preocupação
de, logo no início de cada capítulo, formular correctamente o problema em discussão; a utilização de
exemplos concretos de obras de arte na discussão das diferentes teorias; um curto resumo e uma
pequena lista de sugestões de leitura adicional no final de cada capítulo; a avaliação crítica das
diferentes teorias, não se impedindo o autor de assumir a sua própria posição, ainda que se trate de
uma obra introdutória. Tudo isto conta a favor deste livro.
Mas de que problemas trata o livro? O autor começa logo por referir duas ideias diferentes acerca do
modo como as teorias da arte devem ser formuladas: por um lado, as teorias que procuram responder
à pergunta “O que tem valor nas obras de arte?” e, por outro, as teorias que procuram responder à
pergunta “O que é a arte?”. No primeiro caso temos as teorias normativas e no segundo as teorias
descritivas. No caso das teorias descritivas, distingue ainda entre as que procuram uma definição de
arte em termos de condições necessárias e suficientes, a que chama “teorias filosóficas”, e as que
abordam a arte enquanto fenómeno histórico e social, a que chama “sociológicas”.
A perspectiva do autor é a de que as teorias normativas evitam os problemas aparentemente
insolúveis das teorias descritivas, conseguindo mesmo tornar mais inteligível a diferença entre arte e
não-arte, uma vez que esta distinção “não assinala uma descoberta, mas uma recomendação”. De
entre as teorias normativas discutidas, a arte como prazer, a arte como expressão e a arte como
conhecimento, Graham é defensor da última, que é conhecida como cognitivismo estético. Para ele só
o cognitivismo dá conta do que de mais valioso encontramos na arte. Esse é o conteúdo da primeira
parte do livro.
Numa segunda parte, o autor procura ver como cada uma das teorias normativas se aplica às
principais formas de arte: música, pintura e artes visuais, literatura e, finalmente, arquitectura. Daí o
título do livro “Filosofia das Artes”. Procura mostrar que também aqui o cognitivismo estético leva
vantagem sobre as teorias rivais.
A última parte é dedicada às teorias descritivas e ao problema da definição de arte. E esta é a parte
do livro menos satisfatória, omitindo algumas das teorias e argumentos mais fortes, nomeadamente os
da teoria simbólica de Goodmann e passando em claro a importante teoria da indefinibilidade da arte,
de M. Weitz. Há ainda um outro aspecto que gera alguma confusão: o autor toma qualquer definição
explícita como uma definição essencialista, o que o leva a dizer, incorrectamente, que todas as teorias
da definição de arte são essencialistas.

Aires Almeida
Livros.

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