0% acharam este documento útil (0 voto)
338 visualizações51 páginas

Impactos Sócio-Ambientais na Ilha Torotama

1. O documento descreve uma avaliação dos impactos socioambientais na Ilha da Torotama, RS, Brasil em diferentes cenários de elevação do nível das águas da Laguna dos Patos. 2. Serão utilizadas técnicas de sensoriamento remoto, topografia, SIG e geoprocessamento para analisar os processos erosivos, gerar mapas e banco de dados, e medir os prejuízos causados aos moradores da ilha. 3. O estudo tem como objetivo alertar sobre a magnitude dos impactos de variações do nível

Enviado por

Cristiano
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
338 visualizações51 páginas

Impactos Sócio-Ambientais na Ilha Torotama

1. O documento descreve uma avaliação dos impactos socioambientais na Ilha da Torotama, RS, Brasil em diferentes cenários de elevação do nível das águas da Laguna dos Patos. 2. Serão utilizadas técnicas de sensoriamento remoto, topografia, SIG e geoprocessamento para analisar os processos erosivos, gerar mapas e banco de dados, e medir os prejuízos causados aos moradores da ilha. 3. O estudo tem como objetivo alertar sobre a magnitude dos impactos de variações do nível

Enviado por

Cristiano
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE

INSTITUTO DE CIENCIAS HUMANAS E DA INFORMAÇÃO


CURSO DE GEOGRAFIA BACHARELADO

Avaliação dos impactos sócio-ambientais na Ilha da Torotama, RS,


Brasil, em vários cenários de elevação do nível das águas da Laguna
dos Patos

Cristiano da Rocha Gonçalves

Rio Grande
Dezembro, 2010
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE
INSTITUTO DE CIENCIAS HUMANAS E DA INFORMAÇÃO
GEOGRAFIA BACHARELADO

Avaliação dos impactos sócio-ambientais na Ilha da Torotama, RS,


Brasil, em vários cenários de elevação do nível das águas da
Laguna dos Patos

Cristiano da Rocha Gonçalves

Trabalho apresentado como requisito


para a conclusão do curso de Geografia
Bacharelado na Universidade Federal do Rio
Grande.
Orientador: Msc. José Antonio Fonseca de
Antiqueira.

Rio Grande
Dez/201
SUMÁRIO

LISTA DE TABELAS vi

LISTA DE FIGURAS vii

LISTA DE MAPAS viii

RESUMO/ABSTRACT ix

1. INTRODUÇÃO 11
1.1. Localização da área de estudo 13

2. OBJETIVOS 14
2.1. Objetivo geral 14

2.2. Objetivos específicos 14

3. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO 15


3.1. Aspectos geológicos e geomorfológicos 15

3.2. Aspectos climatológicos 16

3.3 Aspectos de vegetação e pedológicos 17

4. REFERENCIAL TEÓRICO 19
[Link] 19

4.2. Topografia 20

4.3. Sensoriamento Remoto 21


4.3.1 Fotogrametria 22

4.3.2 Imagem de satélite 22

4.4. Sistema de Posicionamento Global 23


4.5. Sistemas de Informação Geográficos 24

5. MATERIAL E MÉTODO 26
5.1. Implementação de um marco geodésico 26

5.2. Seleção e aquisição de aerofotografias e imagens de


satélite 26

5.3. Captação de uma rede de pontos de controle 27

5.4. Criação de mosaicos 28

5.5. Georreferenciamento 28

5.6. Digitalização das feições representativas para a criação do

mapa base 28

5.7. Criação do modelo de elevação digital do terreno 29

5.8. Elaboração de mapas temáticos 29

5.9. Métodos de análise de imagens 30

5.9.1. Método supervisionado 31

5.10 Digitalização e processamento das amostras 31

5.10.1. Aplicação do módulo Makesig 31

5.10.2. Aplicação do módulo Maxlike 31


5.11. Montagem do banco de dados sócio-econômico para

o SIG 32

5.12. Criação do sistema de informação geográfico 32

5.13. Cálculo das variações da linha de costa 32

5.14. Elaboração de cenários de elevação 33

5.15. Avaliação dos impactos causados pelo processo de

subida do nível das águas da Laguna dos Patos 33

6. RESULTADOS OBTIDOS 35

6.1 Modelo de elevação digital de terreno 35

6.2. Mapa da cobertura de vegetação do solo 36

6.3. Modelos representativos das áreas emersas e

submersas da ilha de acordo com os cenários 37

propostos

6.4. Avaliação dos aspectos da ilha apartir dos mosaicos 40

6.5. Quantificação da variação da linha de costa 42

6.6 Taxa de recuo linear 43

6.7. Criação de um sistema de informação geográficos

com dados referentes a ilha da Torotama 44

7. DISCUSSÃO 46

8. CONCLUSÃO 48

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 49
LISTA DE TABELAS

Tabela 01 27
LISTA DE FIGURAS

Figura 01 13
Figura 02 24
Figura 03 41
Figura 04 42
Figura 05 45
Figura 06 45
LISTA DE MAPAS
Mapa 01 35
Mapa 02 36
Mapa 03 37
Mapa 04 38
Mapa 05 39
Mapa 06 43
RESUMO

Os eventos de elevação do nível das águas, tanto oceânicas, quanto


lagunares, tem causado grandes impactos e transtornos aos habitantes das
zonas costeiras ao redor do globo. Para a Ilha do Torotama,RS os impactos
podem ser diversos, como aumento nas taxas de erosão observadas, mudança
de posição do lençol freático, salinização de poços de abastecimento de água
potável e recuo ou desaparecimento das áreas de marismas e matas nativas,
além de possibilidade de causar perdas materiais, tanto da infra-estrutura
pública, quando da privada. Sendo assim, o presente estudo tem por objetivo
avaliar as conseqüências de possíveis impactos na localidade da Ilha da
Torotama a serem causados pela elevação do nível das águas da Laguna dos
Patos. Para tanto serão utilizadas técnicas de topografia na confecção de um
Modelo Digital de Terreno (MDT), de Sensoriamento Remoto na análise
temporal para avaliação dos processos erosivos marginais, de Sistema de
Informação Geográfico (SIG) para a geração de um banco de dados, apartir de
pesquisas realizadas em loco e dados censitários, além de técnicas de
geoprocessamento, com softwares especializados, a fim de efetuar as análises
necessárias para mensurar os prejuízos causados aos ilhéus.

Palavras-chave: erosão, elevação do nível das águas, modelo digital de


terreno, impactos sócio-ambientais.
ABSTRACT

The events of rising water levels, both ocean and lagoon, has caused great
impacts and inconvenience to residents of coastal areas around the globe.
For the Torotama-RS island the impacts may be diverse, as increased rates of
erosion observed, change in position of groundwater, salinisation of wells
supplying drinking water and decrease or disappearance of areas of native
forests and everglades , besides the possibility of causing material loss, both
public infrastructure, while the private sector.
For this, topography technologies will be used in the manufacture of a Digital
Terrain Model (DTM), such as the Remote Sensing, to the temporal evaluation
of the marginal erosion processes; the Geographic Information System (GIS), to
generate a database from the data collected in the field campaigns and census
data; and geoprocessing techniques with specialized software, to perform the
analysis needed to quantify the damages caused to the islanders.
1 - INTRODUÇÃO

As evidências de elevação do nível do mar em várias partes do mundo, sejam


quais forem suas causas, demonstram inequivocamente que uma avaliação da
vulnerabilidade dos ecossistemas costeiros é uma tarefa necessária,
estratégica e urgente. Entretanto, é uma tarefa que somente será conduzida a
partir de um esforço de cooperação envolvendo as universidades e centros de
pesquisa.
Programas de âmbito nacional são importantes no que se refere à orientação
de métodos, apoio, coordenação e monitoramento global, porém, é
imprescindível uma avaliação em nível local, onde os efeitos dos impactos
serão materializados.
Modificações climáticas devido ao aumento da temperatura média do globo
promovem mudanças nas condições de ventos, ondas e correntes; para a Ilha
da Torotama, as conseqüências poderão incluir o aumento nas taxas de erosão
observadas, mudança de posição do lençol freático, salinização de poços de
abastecimento de água potável e recuo ou desaparecimento das áreas de
marismas e matas nativas, além de possibilidade de causar perdas materiais,
tanto da infra-estrutura pública, quando da privada.
O uso de um Sistema de Informações Geográficas permitirá inferir sobre as
diferentes perdas tanto econômicas, quanto sociais, associados a efeitos de
simples elevação de nível da Laguna dos Patos, determinando as áreas
impactadas em diferentes cenários, quantificando perdas de habitats e
definindo áreas de maior risco. Desta maneira, exercícios de projeção como os
a serem realizados nesse trabalho têm grande utilidade como um instrumento
de alerta sobre a magnitude dos impactos causados por variações do nível do
mar, sejam devido aos fenômenos globais ou locais, servindo como um
instrumento de orientação de políticas públicas.
Alertar sobre a magnitude dos impactos causados por variações do nível do
mar sejam devido aos fenômenos globais ou locais, de causas antrópicas ou
naturais, servindo como um instrumento de orientação para os gestores com a
finalidade de auxiliar no processo de elaboração das políticas públicas.
Um estudo como esse pode ser reproduzido em qualquer localidade costeira
com relativa facilidade tornando-se um instrumento valioso para orientação de
políticas públicas voltadas para a inserção da variável “nível do mar” no
planejamento urbano.
1.1 - LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO:

A ilha da Torotama é uma ilha lagunar do complexo estuarino da Laguna dos


Patos, no extremo sul do Brasil, situada no 3º distrito do município de Rio
Grande, RS. A Torotama esta localizada entre as coordenadas: latitude -
31.962918º; -31.911204º e longitude -52.198342º; -52.107633º (Fig. 1). Esta
ilha é habitada por uma comunidade de pescadores e agricultores, que vivem,
predominantemente, na porção central e na margem voltada para a Laguna
dos Patos.

Figura. 1 – Localização da área de estudo (Fonte – Própria).


2 – OBJETIVO

2.1 - Objetivo principal

Determinar os impactos sócio-ambientais provenientes do processo de


elevação do nível das águas da Laguna dos Patos na comunidade residente na
Ilha da Torotama, Rio Grande, RS.

2.2 - Objetivos específicos

 Gerar um modelo de elevação digital do terreno da ilha da Torotama.


 Gerar um mapa da cobertura de vegetação do solo.
 Criar modelos representativos das áreas emersas e submersas da ilha
de acordo com os cenários propostos. (elevação de 50cm/100cm do
nível das águas da Laguna dos Patos).
 Determinar o comportamento das margens (erosão/acresção) da Ilha da
Torotama nos últimos 62 anos.
 Criação de um Sistema de Informações Geográficas (SIG), com dados
referentes a ilha da Torotama.
3 - CARACTERIAZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

3.1 Aspectos geológicos e geomorfológicos

A ilha da Torotama está localizada na extremidade Sul da Laguna dos Patos,


que apesar de ter cerca de 250 km de comprimento e uma largura média de 40
km é uma lagoa rasa com profundidade média de 5 m ( MÖLLER, 1996).
A configuração atual do estuário só foi alcançada há 2500 anos a.p. (antes do
presente) após a segunda oscilação positiva do nível médio do mar que
permitiu a deposição do terraço 4 e a formação da série de feixes de cordões
litorâneos a Sul de Rio Grande. A Laguna dos patos é uma laguna costeira
estrangulada, onde na desembocadura do estuário encontra-se o predomínio
de marés do tipo micro-marés (0,47 m em média/ano) o que torna este fator
discreto no processo de circulação. Sendo assim, esta é dirigida pelo vento e
pela descarga de água doce. Mas apesar de pequena variação de maré, é
importante salientar o efeito gerado por processos metereológicos que alteram
as condições dinâmicas do mar ampliando de forma significativa o efeito
gerado pela maré. Situações em que a maré ultrapassa em cerca de 1 m a
maré normal são frequentes na região Sul do Brasil. Tal efeito tem sido
denominado por MARRONE & CAMARGO (1994) de marés metereológicas.
Segundo (LONG, 1989) a laguna dos Patos possui conexão com o mar
através de um canal estreito, com largura variando entre 1 e 2 km e com
comprimento de 22 km, sendo que esta comfiguração foi alcançada no período
do Holoceno.
Os terraços lagunares são patamares mais elevados localizados junto as
margens da laguna, onde demarcam os níveis de deposição/erosão.
LONG (1989) os classifica de acordo com as cotas de referência, onde na
borda do terraço 3, com terras altas (+2 m), está a Ilha da Torotama, que
constitui, hoje em dia, uma feição geomorfológica que pode ser denominada de
micro-falésia, pois a ação erosiva proveniente do escoamento pluvial, haje
esculpindo, entalhando e fazendo recuar o terraço, dando origem a um perfil
abrupto e em franca regresão, devido fragilidade imposta a esse sistema, e
principalmente, a ação antrópica acupando essas margens e acabando com a
vegetação pré-existente.

3.2 Aspectos Climatológicos

O Rio Grande do Sul esta localizado no interior da zona temperada, sendo que
seu clima pode ser classificado como subtropical úmido. (STRAHLER &
STRAHLER, 1997).
Segundo TOMAZELLI (1992) as principais direções para o vento na região são
de Nordeste (22,3%), Sudoeste (15,5%), Norte (12,9%), Leste (12,3), Sudeste
(11,4), Sul (10,5), sendo que as maiores velocidades médias são atribuídas as
direçoes Sul (4,2 ms-1), Sudoeste (3,8 ms-1) e Nordeste (3,7 ms-1).
A região costeira do Rio Grande do Sul sofre relativamente pouca influência
das marés astronômicas, sendo que 70% da componente diurna da maré é
retida no canal do estuário. (MÖLLER et al., 1995 e 1995a e MÖLLER, 1996)
Porém é importante salientar a ocorrência constante das marés meteorológicas
que segundo (DOLAN & DAVIS, 1992; CALLIARI, 1980 e CALLIARI & KLEIN,
1993) podem elevar o nível do mar em até 2 m, influenciando na dinâmica e
ampliando de forma significativa o efeito gerado pela maré, como já foi
informado anteriormente neste trabalho.
O litoral de Rio Grande apresenta condições de agitação constante e um dos
maiores índices energéticos do litoral brasileiro. Os períodos variam entre 5 e
17 segundos, sendo os mais freqüentes de 9 segundos e estando os maiores
períodos associados a ondas de SE, de maior poder erosivo e com ocorrência
no outono. (WAINER et al., 1963 e HOMSI, 1978)
As ondas que atingem o litoral gaúcho, muitas vezes de forma sobreposta, são:
ondulação (swellwaves), vagas (sea waves) e ondulações de tempestade
(storm surges), sendo as últimas associadas a elevação do nível do mar,
responsável por grandes impactos na costa, gerando intensos impactos
erosivos e grande movimentação sedimentar. (VILLWOCK & TOMAZELLI,
1995).
Para CALLIARI (1996), as ondas de tempestade além de grande poder erosivo
podem apresentar conseqüências desastrosas quando coincidem com as
maiores amplitudes de maré, sendo a costa gaúcha afetada, principalmente,
durante o período de primavera e outono.
O principal fator desencadeador dos processos de erosão na região, associado
à dinâmica dos ventos, são os períodos de enchente e vazante.
Segundo PRADEL et al., (in RELAT. DEPREC, 1944), em função das 248
observações dos dados ambientais na Bacia do Porto Novo, constataram que
em 14,2% das observações apresentavam condições de forte enchente; 28,6
das vezes, enchentes fracas; 30,2% vazantes fortes e 27,0 % vazantes fracas.
Desta forma é possível dizer que os regimes de vazantes, com 57,2%
prevalecem sobre os de enchente com 42,8% da freqüência observada. Fato
interessante relatado pelos pesquisadores foi que em 15 levantamentos de
vazante e 10 de enchente foi possível determinar que nas águas de vazante
encontraram o dobro da matéria sólida em suspensão quando comparadas
com os regimes de enchente.

3.3 Aspectos de vegetação e aspectos pedológicos

No município de Rio Grande acontecem constantes modificações no que se


refere ao terreno, tornando-o frágil e instável, fato este justificado pela
formação geológica recente, que forma esta região. Ocorre em Rio Grande a
predominância de vegetação pioneira, onde se destacam as gramíneas,
arenícolas e ciperáceas. (VIEIRA, 1984)
Na ilha da Torotama predominam as vegetações com uma composição
florística, variando de acordo com a umidade, apresentando desde vegetação
rasteira, pequenas formações arbustivas e até mesmo algumas árvores de
maior porte, como Figueiras (SILVEIRA, 2004).
O solo é um conjunto de corpos naturais tridimensionais, resultante da ação
integrada do clima e organismos sobre o material de origem, condicionado pelo
relevo em diferentes períodos de tempo (GUERRA & CUNHA, 2000).
O efeito do clima, através de variáveis como precipitação, temperatura e
umidade, pode ser considerado o mais importante agente na manifestação das
expressões das propriedades do relevo (GUERRA & CUNHA, 2000).
Segundo BOTELHO (2000) na Ilha da Torotama existem dois tipos de solos. O
Glei – pouco húmido, característico dos campos e banhados ali localizados,
desenvolvidos nos terrenos mais baixos. O outro solo presente é o Podzólico
vermelho amarelo característico dos campos, visíveis nas partes altas do
relevo, oriundo de sedimentos pleistocênicos.
4 - REFERÊNCIAL TEÓRICO

4.1 Cartografia

Segundo o ICA – International Cartographic Association (1973) cartografia é:


“A arte, ciência e tecnologia de mapeamento, juntamente com seus estudos
como documentos científicos e trabalhos de arte. Neste contexto pode ser
considerada como incluindo todos os tipos de mapas, plantas, cartas e seções,
modelos tridimensionais e globos representando a Terra ou qualquer corpo
celeste, em qualquer escala.”
Segundo Fernand Joly (1990), o mapa é uma representação simplificada da
realidade, mesmo o mais detalhado dos mapas somente fornece uma imagem
incompleta do terreno. Ainda afirma que o mapa não é neutro, ele transmite
certa visão do planeta, inscreve-se num certo sistema de conhecimento e
propõe certa imagem do mundo, quer se trate da terra inteira ou parte dela.
Os primeiros esboços de cartografia provem da necessidade do homem de
conservar a memória dos lugares e dos caminhos úteis ás suas ocupações e
apareceram no antigo Egito, na Assíria, na Fenícia e na China.
Logo após os comerciantes e os militares compreenderam o interesse de tais
documentos para seus deslocamentos. Entre esses simples esboços e os
verdadeiros mapas, é fato que os últimos se baseiam numa rede
geometricamente construída, que teve origem com os sábios gregos que
forneceram os seus primeiros elementos, recolheram todos os dados
disponíveis e inventaram os sistemas de projeções, dando origem a cartografia
racional.
Daí em diante a evolução das técnicas de representação da terra não pararam,
acompanhando as necessidades das sociedades, que precisavam de mapas
com cada vez mais níveis de detalhe.
Hoje as operações cartográficas aceleraram-se e aperfeiçoaram-se
consideravelmente. Restituições podem ser obtidas quase que
automaticamente a partir de fotografias aéreas ou imagens de satélite,
apoiados em sistemas computadorizados. Tornando possível obter produtos
cartográficos da mais alta qualidade e para as mais distintas necessidades.
Timbó (2001), unido ao estudo de D’alge (2010) acrescenta que a cartografia
tem um papel de relevância fundamental dentro do geoprocessamento. Sendo
que uma razão histórica para este vínculo é a precedência das iniciativas de
automação da produção cartográfica em relação aos esforços iniciais de
concepção e construção das ferramentas de SIG.
Essa associação se faz de suma importância, uma vez que, tanto a cartografia,
quando os SIG’s têm como objetivo espacializar os dados e informações para
que se tenha a melhor visibilidade dos mesmos. Enquanto a cartografia se
preocupa com os modelos de representação de dados, os sistemas de
informação geográficos representam a área do conhecimento que se utiliza das
técnicas computacionais e matemáticas para análises espaciais.

4.2 Topografia

“Topografia é o estudo que trata da descrição de uma parte limitada da


superfície terra, essa descrição pode constar de um memorial descritivo, onde
se consignem elementos que permitam formar idéia da área descrita, ou pode
estar contida de modo convencional em uma folha de papel chamada, então,
Planta Topográfica”. Mário de Oliveira Parada.
A topografia compreende os métodos de medidas do terreno necessárias a
perfeita representação deste. Os estudos topográficos estendem-se também ao
fundo dos mares, rios e lagos, túneis, minas e outras galerias subterrâneas. As
dimensões das áreas estudadas pela topografia não excedem o limite a partir
do qual se deve considerar a curvatura da terra. A partir daí o estudo passa a
fazer parte do campo de atuação da geodésia.
Os estudos topográficos são normalmente divididos em duas partes principais:
Planimetria e Altimetria.
Planimetria estuda e estabelece os procedimentos e métodos de medida de
distância e ângulos, no plano horizontal. Já a altimetria estuda e estabelece os
procedimentos e métodos de medidas de distâncias verticais ou diferenças de
nível, incluindo-se a medida de ângulos verticais, sendo chamada de
nivelamento a operação topográfica que visa o levantamento de dados
altimétricos.
A planimetria e a altimetria efetuadas conjuntamente possibilitam obter
medidas de grandeza angulares e lineares em relação aos planos horizontal e
vertical, determinando assim as posições relativas dos pontos topográficos,
bem como suas respectivas alturas, esse conjunto de técnicas recebe o nome
de Taquiometria. Dentre as principais utilidades de tais levantamentos,
destacam-se a base de dados para os modelos digitais de terreno (MEDT).

4.3 Sensoriamento remoto

Segundo Roberto Rosa (1992) “O sensoriamento remoto pode ser definido, de


uma maneira ampla, como sendo a forma de se obter informações de um
objeto ou alvo, sem que haja contato físico com o mesmo. As informações são
obtidas utilizando-se a radiação eletromagnética, gerada por fontes naturais
como o Sol e a Terra, ou por fontes artificiais”.
A evolução das técnicas de sensoriamento remoto estão intimamente ligadas,
em um primeiro momento, as atividades bélicas. Onde foram amplamente
utilizadas na primeira e segunda guerras mundiais, no planejamento de
missões.
Em 4 de outubro de 1957, pela primeira vez na história de nossa civilização,
um objeto não tripulado foi lançado ao espaço exterior. Este episódio
impulsionou uma série de experimentos com sensores com o objetivo de obter
informações sobre a superfície terrestre.
Em 1972 os E.U.A colocaram em orbita o primeiro satélite de sensoriamento
remoto com finalidade civil.
A partir daí ocorreu uma evolução constante, tanto nas técnicas de análise,
quanto nos sistemas sensores, abrindo um horizonte, praticamente ilimitado de
utilização dos produtos do sensoriamento remoto.
Um sistema sensor é constituído basicamente por um coletor, que pode ser
uma lente, espelho ou antena e um sistema de registro, que pode ser um
detector ou filme. Esses sistemas podem ser classificados segundo a
possibilidade de se obter imagem (imageadores e não-imageadores), segundo
a fonte de radiação (ativos e passivos) e segundo o sistema de registro
(fotográficos e não-fotográficos).
4.3.1 Fotogrametria

O uso de fotografias aéreas nasceu da necessidade de mapear grandes áreas


com economia de tempo e despesas. As aerofotos cada vez mais são
utilizadas na identificação e mapeamento de recursos naturais. (Ricci apud
Sousa & Barros, 2005).
Ainda hoje, mesmo com a grande evolução evidenciada pelos sistemas
sensores orbitais, que possibilitam que sejam obtidos produtos cada vez mais
precisos e com um grande aporte de informação, as fotografias aéreas ainda
estão entre os produtos do sensoriamento remoto que possibilitam a maior
resolução espacial, assim se tornando um fator crítico para algumas de suas
finalidades de utilização.

4.3.2 Imagens de satélite

Imagens de satélite são produtos resultantes do processo de obtenção de


informação, através resposta espectral dos alvos, que sensibilizam os sensores
orbitais. São largamente utilizadas para o acompanhamento de grandes áreas,
com finalidade de manejo, estudos de uso e ocupação do solo, observação de
focos de incêndio, estudos de vegetação entre outros.
Assis apud Medeiros & Sousa (2008), afirmam que a principal questão na
utilização de imagens de satélite diz respeito à sua resolução espacial. Esta,
até a alguns anos, se restringia a estudos em regiões de grande extensão,
como controle de queimadas e agricultura devido à baixa resolução espacial.
Hoje em dia já existem satélites orbitais, cujos sensores são capazes de obter
resoluções espaciais da ordem de 50 cm (modo pancromático), o que
desencadeia uma nova dinâmica para a utilização dos seus produtos, sendo
comum a sua utilização como base para SIG’s e mapas temáticos.
4.4 Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning system)

Com o advento da era espacial, tornou-se possível a utilização dos satélites


artificiais para fins geodésicos, com isso a comunidade geodésica mundial,
começou a utilizar os sensores orbitais com vistas ao estabelecimento de
métodos de posicionamento cada vez mais rápidos e precisos, que se baseiam
no rastreamento de satélites artificiais.
A partir de 1973, após um longo processo de maturação e definição das
necessidades civis e militares, foi implantado o projeto NAVSTAR-GPS ou
simplesmente GPS, que foi o primeiro sistema efetivamente global de
posicionamento com base em satélites orbitais artificiais.
O sistema consiste basicamente de um conjunto de estações fixas espalhadas
pela superfície terrestre (segmento de controle), uma constelação de satélites
artificiais em órbita a cerca de 20000 km de altitude (segmento espacial) e
estações receptoras móveis (segmentos dos usuários).
Segundo Carlos Loch (1995) “Graças a esse sistema, é inegável que as lentas,
mas criteriosas operações de triangulação, trilateração e poligonação, e
mesmo parte dos levantamentos topográficos tradicionais, passaram a usufruir
dos benefícios advindos desta técnica de posicionamento, principalmente
devido a três aspectos básicos: precisão compatível, rapidez e independência
das condições atmosféricas.
Atualmente já existem outros sistemas de posicionamento como: GLONAS
(Rússia), COMPASS ou BEIDO (China) e GALILEU (União Européia), o que
levou ao novo conceito de GNSS (Sistema Global de Navegação por Satélite)
atualmente o mais utilizado para designar os sistemas artificiais de
posicionamento global.
Estes sistemas têm cada vez mais participação nos levantamentos
topográficos, principalmente após o advento dos receptores geodésico de
altíssima precisão, que podem atuar de modo combinado, receptor base e
receptor móvel, no chamado módulo RTK (cinemático em tempo real)
proporcionando um dado de grade precisão, praticamente, de forma
instantânea.
4.5 Sistemas de Informação geográficos (SIG)

Segundo Gilberto Câmara, o termo sistema de informação geográfico (SIG) é


aplicado para sistemas que realizam o tratamento computacional de dados
geográficos. Sendo que a principal diferença de um SIG para um sistema de
informação convencional é a sua capacidade de armazenar tanto os atributos
descritivos como as geometrias dos diferentes tipos de dados geográficos.
Os SIGs tem como características principais a inserção e integração numa
única base de dados, informações espaciais provenientes do meio físico-
biótico, dados censitários, de cadastro urbano e rural, e outras fontes de dados
como imagens de satélite e GNSS. Os SIGs também oferecem mecanismos
para combinar as várias informações, através de algoritmos de manipulação e
análise, bem como para consultar, recuperar e visualizar o conteúdo da base
de dados geográficos.
Cada sistema, em função de seus objetivos e necessidades, implementa esses
componentes de forma distinta, mas todos os subsistemas citados devem estar
presentes.

Figura 2 Arquitetura de sistemas de informação geográfica


Para Gilberto Câmara, do ponto de vista da aplicação, o uso dos sistemas de
informação geográfica (SIG) implica em escolher as representações
computacionais mais adequadas para capturar a semântica de seu domínio de
aplicação. Já do ponto de vista da tecnologia, desenvolver um SIG significa
oferecer o conjunto mais amplo possível de estrutura de dados e algoritmos
capazes de representar a grande diversidade de concepções do espaço.
5 – MATERIAL E MÉTODO

5.1 Implementação de um marco geodésico

Um marco geodésico será implementado na ilha, para isto será utilizado como
base o marco geodésico homologado pelo IBGE, existente na Estação Naval
do Rio Grande (ENRG).

5.2 Seleção e aquisição das aerofotografias e imagem de satélite

Nesta etapa foram considerados, primeiramente, todos os aerolevantamentos


encontrados em órgãos públicos como universidades e portos referentes a
imageamentos existentes sobre a área de estudo.
Após a análise dos levantamentos encontrados foram selecionadas as
fotos/imagens a serem utilizadas, em função da área de abrangência,
qualidade e principalmente da escala que se torna um fator crítico para o
referido estudo, pois todas os levantamentos/imagens devem possuir escalas
aproximadas para que haja a possibilidade de serem feitas as comparações
necessárias.

Outro fator importante são as variações de curto período observadas nas


feições praiais, que podem interferir na identificação das variações
geomorfológicas de longo período. Se os levantamentos apresentarem um
curto espaço de tempo entre eles, uma diferença muito grande no nível de
informação pode gerar erros de interpretação, ou simplesmente impossibilitar a
análise (Crowell et al. apud Lelis, 2003).

Sendo assim para este estudo foram escolhidos somente dois levantamentos e
duas cenas de satélite. Os levantamentos aerofotogramétricos adquiridos
foram disponibilizados pelo Laboratório de Oceanografia Biológica – LOB – da
Universidade Federal do Rio Grande conforme a tabela 01. Já as duas cenas
escolhidas para o ano de 2009 foram adquiridas através do GoogleEarth por
download, possuindo resolução espacial de 2m.

Tabela 01: Seleção dos levantamentos aerofotogramétricos e imagens

Data Escala Fonte

1947 1:40000 LOB/FURG

1975 1:20000 LOG/FURG

2009 indisponível GoogleEarth

Fonte: PEREIRA, 2010

5.3 Captação de uma rede de pontos de controle

O objetivo da coleta de pontos de controle é a correção de erros e conseqüente


geo-referenciamento de imagens/fotos ou mosaicos, para permitir sua inserção
sobre uma base cartográfica. (Gormam et al. apud Lelis, 2003)
A captação de pontos de controle para o georreferenciamento da imagem
Quickbird, dos aerolevantamentos utilizados e dos mosaicos criados, será feita
através de técnicas avançadas de topografia, com o auxílio de um receptor
GPS de dupla freqüência (L1 e L2), que será utilizado no módulo RTK
(cinemático em tempo real) visando melhorar a qualidade dos dados obtidos e
agilizar o processo de obtenção das coordenadas, uma vez que a utilização
deste método desonera do processo de pós-processamento dos dados
coletados em campo. Também será utilizada uma estação total para apoiar o
levantamento. Será adotado como padrão o sistema de coordenadas planas
UTM (Universal Transverse of Mercator), com datum horizontal de referência
WGS84.
5.4 Criação dos mosaicos

O processo de montagem de mosaicos foi obtido através da associação dos


pontos homólogos existentes nas diferentes imagens, com a utilização do
software ArcGis, formando uma única foto que recobre toda a área
compreendida nas fotografias individuais.
Posteriormente com o auxílio da rede de pontos de controle anteriormente
obtida, faz-se as correções necessárias, foto a foto, com o objetivo de eliminar
as distorções existentes.

5.5 Georreferenciamento

Processo no qual se obtém coordenadas geográficas para uma dada área,


através de um método de triangulação de pontos de controle, utilizando para
tanto, dados previamente coletados com receptores GNSS ou através de
coordenadas de referências de nível (RN) conhecidas.
Para este trabalho foram utilizados os pontos de controle coletados através da
metodologia descrita no item 4.3.

5.6 Digitalização das feições representativas para criação do mapa base

A etapa de digitalização corresponde à geração de arquivos vetoriais,


compostos pela entidade gráfica polígono. A partir desse tipo de arquivo é
possível efetuar cálculos de distância e área, dependendo da natureza dos
dados. (PEREIRA, 2010)
Um mapa foi elaborado pela digitalização dos contornos da ilha e da principal
via de transporte, tendo como base a imagem Quickbird. O arquivo vetorial
resultante será utilizado como referência para todos os demais mapas
temáticos gerados no projeto.
5.7 Criação do modelo de elevação digital do terreno (MEDT)

Um modelo de elevação digital do terreno (MEDT) foi criado, para isso foram
coletados na localidade da Ilha da Torotama, usando receptor GPS da marca
South de dupla freqüência configurado para o modo cinemático em tempo real
(RTK), uma série de pontos em forma de perfis topográficos, todos esses
pontos foram obtidos com suas referidas cotas altimétricas. A área de maior
interesse para tal estudo é a mais densamente povoada, portanto foram feitos
mais perfis nesta localidade da ilha, com finalidade de se obter maior nível de
detalhamento. Após levantado os pontos, estes foram baixados para um
computador onde foi feito o pós processamento dos dados, primeiramente no
software Surfer 9.0, onde através do método de interpolação Krigagem, foi
criado um modelo digital de terreno da Ilha da Torotama. Em um segundo
momento os dados foram processados no software Idrisi Andes, onde
novamente foi criado um modelo de elevação digital de terreno, representando
as feições geomorfológicas e topográficas do terreno. Este modelo foi utilizado,
posteriormente, como base para a criação dos modelados referentes ao estudo
de elevação do nível das águas e foi escolhido para ilustrar as feições da ilha
neste trabalho, pois foi o que melhor representou esteticamente a realidade da
área estudada.

5.8 Elaboração dos mapas temáticos

Para elaborar o mapa de vegetação e os mapas que demonstram os resultados


de possíveis variações dos níveis das águas da Laguna dos Patos foi utilizado
o software Idrisi Andes. No primeiro mapa, foi utilizado um processo de
classificação supervisionada baseada nas diferenças de emissão espectral
(CRÓSTA, 1992), foram obtidas amostras dos diferentes tipos de superfícies
através de polígonos criados sobre a imagem quickbird, utilizada como base,
após este procedimento foram criadas as assinaturas espectrais dos alvos
obtidos através do comando Makesig, posteriormente foi feita a classificação
com a utilização do modo Maxlike e para refinar o resultado foi utilizado um
processo de filtragem que utiliza a moda encontrada dentre as respostas
espectrais obtidas nas amostras criadas, para diminuir possíveis erros de
refletâncias semelhantes. Tornando assim, possível a diferenciação digital de
cada alvo e permitindo sua associação a classes temáticas específicas. O
processamento digital será realizado em uma composição criada com as
bandas 1, 2 e 3 do satélite Quickbird e calibrado por várias saídas de campo.
Para os mapas representativos dos possíveis cenários de elevação do nível
das águas, foi utilizado como base o modelo digital de terreno da ilha da
Torotama criado no software Idrisi Andes, através do processamento dos
dados obtidos em campo com a utilização de um receptor GPS de alta
precisão. Num primeiro momento foi gerado um arquivo raster de pontos de
controle, que posteriormente foi convertido para o formato .TIN, extensão
utilizada pelo sofware idrisi, para a confecção do modelo digital de
terreno(MDT). Logo após, foi gerada a superfície de elevação da ilha.
Depois de criado o MDT, foram utilizados os processos de Reclass
(reclassificação) e Crosstab (cruzamento de imagens), para que se pudesse
obter os mapas com as variações propostas pelo estudo.

5.9 Métodos de análise de imagens

A análise de imagens tem por objetivo melhorar a apresentação de


informações em imagens, possibilitando a identificação de padrões e objetos
homogêneos, separando-os em classes. Existem dois métodos principais de
análise: método supervisionado e não-supervisionado. Para este trabalho, foi
constatado, após várias classificações, que o método supervisionado melhor
representou as coberturas vegetais existentes, sendo assim, este método foi
escolhido e será descrito a seguir.
5.9.1 Método supervisionado

Este tipo de classificação trata das definições das assinaturas espectrais das
classes previamente definidas, tais como água, tipos de solo, vegetação,
através de um software de processamento digital de imagens que associa aos
pixels as assinaturas digitais mais similares.
Para a utilização deste tipo de classificação é necessário que se tenha uma
avaliação prévia das possibilidades de cobertura do solo existentes na área
imageada que se deseja classificar, a calibração desta classificação deve ser
feita, de preferência, com observações feitas em saídas de campo. (PEREIRA,
2010)

5.10 Digitalização e Processamento das Amostras

5.10.1 Aplicação do módulo MakeSig

O makesig transforma áreas de amostra, previamente digitalizadas, em


assinaturas espectrais.
Estas assinaturas são utilizadas posteriormente para a classificação
supervisionada de imagens, empregando uma serie de classificadores
multiespectrais.
Após a criação das assinaturas, através do módulo makesig, foi utilizado o
classificador Maxlike, escolhido após uma serie de classificações com
diferentes modelos classificadores, onde foi evidenciado que o modelo Maxlike
foi o que melhor representou as reais coberturas do solo da região em
estudo.(PEREIRA, 2010)

5.10.2 Aplicação do módulo Maxlike

O maxlike é um classificador de máxima verossimilhança, que pode ser


definido como a classificação de máxima probabilidade de dados, que foi
utilizado tendo como base o conjunto de assinaturas anteriormente criadas pelo
módulo makesig.
Sendo assim, os pixels são atribuídos as classes mais prováveis com base nas
comparações de probabilidades posteriores de que pertence a cada uma das
assinaturas a serem consideradas.(PEREIRA,2010)

5.11 Montagem do banco de dados sócio-econômico para o SIG

A ilha da Torotama, para fins deste estudo, foi subdividida em quatro seções,
estas divisões tiveram como base as localidades atendidas pelos agentes
municipais de saúde através do Programa de Saúde da Família (PSF). Esta
metodologia foi adotada, pois os dados levantados por estes agentes serviram
como a principal base para a montagem desse banco de dados sócio-
econômico. As diferentes áreas serão delimitadas sobre a imagem QuickBird
2009 já anteriormente georreferênciada, utilizando para tal representação a
forma de polígonos. Como resultado será gerado um mapa de seções da ilha,
ao qual serão associadas a dados censitários e especialmente as informações
socioeconômicas e culturais adquiridas por meio de entrevistas in loco .

5.12 Criação do sistema de informação geográfico (SIG)

As informações levantadas para a montagem do banco de dados, conforme


descrito nos itens 5.1.8 e 5.1.9, serão tabuladas em um banco de dados digital,
a ser elaborado num Sistema de Informações Geográficas, que irá fazer parte
dos resultados deste trabalho. Este Sistema de informação geográfica ainda
servira de apoio para a elaboração dos cenários de elevação (item 5.2.3) e
para a avaliação dos impactos (item 5.2.4).

5.13 Cálculo das variações da linha de costa

Para o estudo de erosão/acresção das margens da Ilha da Tototama no


período que compreende os últimos 62 anos, foi utilizada a abordagem
proposta por Lélis (2003) com adaptações/modificações no processo.
Segundo ele, cada estudo dessa natureza encontrado na literatura tem uma
seqüência de processamento própria, mas possui uma característica padrão
indispensável: a utilização de uma base cartográfica para comparação das
séries temporais.
O cálculo das variações da linha de costa foi realizado apartir da determinação
das feições praiais a serem digitalizadas, sendo que, as linhas de costa devem
ser digitalizadas e comparadas entre si para que possam ser obtidas as
variações ocorridas, este método ainda foi calibrando através de
monitoramentos de campo.

5.14 Elaboração dos cenários de elevação

A elaboração dos cenários de elevação do nível do das águas da laguna foi


realizado no software Idrisi Andes a partir do MEDT, anteriormente criado,
serão avaliados os impactos sobre os ativos sócio-econômicos com 50 cm de
elevação do nível das águas e, posteriormente, com 1 m de elevação. O MEDT
será reclassificado (reclass), sucessivamente para cada intervalo vertical
gerando imagens booleanas (valores 1 e 0). Após criados os dois cenários
propostos, foram gerados dois mapas ilustrando as áreas que se tornariam
imersas e as que continuaria emersas na ilha, de acordo com cada situação.
Para finalizar, com o auxílio da ferramenta de processamento Cross Tab
(cruzamento de imagens), foi gerado um mapa que mostra as mesmas
variações dos anteriores, mas em um mesmo mapa, servindo para facilitar a
visualização das diferenças decorrentes dos dois cenários.

5.15 Avaliação dos impactos causados pelo processo de subida do nível


das águas da Laguna dos Patos

A combinação de técnicas avançadas de Sistema de Informação Geográfica


com entrevistas de campo e dados censitários permitirá inferir para a Ilha da
Torotama, de forma bastante simplificada, diferentes custos econômicos e
sociais associados a efeitos de simples elevação de nível da Laguna dos
Patos, sem considerar a complexa cadeia de efeitos associados a esse
processo.
Adicionalmente, permitirá modelar facilmente as áreas impactadas em
diferentes cenários, e definir áreas de maior risco.
6 - RESULTADOS OBTIDOS

6.1 MODELO DE ELEVAÇÃO DIGITAL DO TERRENO (MEDT)

O modelo de elevação digital do terreno da ilha da Torotama foi um dos


resultados obtidos nesse estudo, foi uma ferramenta muito importante para as
análises feitas neste trabalho. Possibilitando uma visão ampla e dinâmica da
área estudada, evidenciando a topografia da localidade, servindo como uma
das bases do SIG proposto e, principalmente, como base para a criação dos
possíveis cenários de elevação do nível das águas da Laguna propostos neste
relatório.

Mapa 1 Modelo de elevação digital do terreno da ilha da Torotama


6.2 MAPA DA COBERTURA DE VEGETAÇÃO DO SOLO

O mapa da cobertura de vegetação do solo foi uma importante ferramenta para


que fosse possível diferenciar, localizar e espacializar os diferentes tipos de
vegetação hegemônicas existentes na ilha. Também através deste mapa pode-
se analisar e avaliar as prováveis perdas de habitats que irão ocorrer caso se
confirmem algum dos cenários propostos neste trabalho.

Mapa 2 Mapa da cobertura de vegetação do solo


6.3 MODELOS REPRESENTATIVOS DAS ÁREAS EMERSAS E
SUBMERSAS DA ILHA DE ACORDO COM OS CENÁRIOS PROPOSTOS

Cenário com elevação do nível das águas da Laguna dos Patos em 50cm

O modelo criado para representar o cenário com elevação de 50cm no nível


das águas, já mostra um panorama preocupante, tendo em vista que a ilha da
Torotama tem terras bastante baixas e uma elevação de 50cm já traria
conseqüências bastante grandes para a localidade, os ecossistemas nela
presentes e para o ilhéus, principalmente os que praticam técnicas agrícolas,
pois as terrenas emersas neste cenário já diminuiriam consideravelmente.
Porém a principal perda seria ambiental, visto que, com essa elevação,
acabaria com quase a totalidade dos banhados e marismas presentes no local.

Mapa 3 Mapa de inundação com subida de 50cm do nível d´água


Cenário com elevação do nível das águas da Laguna dos Patos em 100cm

O mapa que mostra os resultados de uma possível elevação de 100cm nas


águas da Laguna dos Patos, mostra uma cenário ainda mais preocupante, pois
faz com que a ilha perca, aproximadamente 90% de sua área emersa atual, o
que acarretaria no quase desaparecimento das feições que existem hoje
naquela localidade, e traria transtornos incalculáveis aos ilhéus e aos
ambientes naturais existentes. Onde os poucos banhados e marismas, assim
como a vegetação nativa existente, praticamente desapareceriam e as
condições para moradia também se tornariam bastante precárias, uma vez
que, com uma elevação de tal grau, tornaria muito difícil o acesso a localidade
para os mais diferentes fins.

Mapa 4 Mapa de inundação com subida de 100cm do nível d´água


Cenários com elevações dos níveis das águas da Laguna dos Patos em
50 e 100cm

Por fim, foi criado um mapa que mostra, em uma mesma imagem, o resultado
dos dois cenários propostos neste estudo. O objetivo deste mapa foi,
simplesmente, o de facilitar a visualização das mudanças que podem ocorrer
na ilha da Torotama se acontecerem os eventos propostos.

Mapa 5 Mapa de inundação com subidas de 50 e 100cm no nível das águas


6.4 AVALIAÇÃO DOS ASPECTOS DA ILHA A PARTIR DOS MOSAICOS

No mundo inteiro a erosão costeira tem sido alvo de estudo de diversos


pesquisadores. É estimado que cerca de 70% das linhas de costa do mundo
apresentam-se em erosão. Muitos trabalhos atribuem estes processos erosivos
a três principais condicionantes: (1) variações do nível do mar causadas por
fatores tais como ação das marés, glaciações, e tectonismo, (2) disponibilidade
de sedimentos e (3) atividades humanas.

Para o período compreendido entre os anos de 1947 e 1975, a ilha sofreu


processos acentuados de erosão nas margens norte, nordeste e sudeste,
enquanto as margens sudoeste e sul apresentaram menor erosão. Durante o
período de 1975 a 2009 (32 anos), as margens nordeste, leste, sudeste, sul e
sudoeste mostraram-se erosivas. As taxas de erosão nas margens
(considerando a variabilidade total entre 1947 e 2009) foram maiores na
margem leste e nordeste (2m/ano).

A recuperação do perfil praial ocorre em períodos de baixa energia de onda,


podendo ser o perfil parcial ou completamente recuperado. Para as praias
estuarinas estudadas (baixa energia e micro maré) a recomposição do perfil
praial torna-se difícil, pois as ondas durante a elevação do nível de
água no estuário atuam na parte superior do perfil praial, provocando erosão na
parte superior, deposição e transporte dos sedimentos na parte inferior. A
diminuição do nível de água faz com que os sedimentos sejam apenas
retrabalhados na parte inferior do perfil, redistribuindo os mesmo ao longo da
linha de costa, impossibilitando a recuperação do perfil.

Um dos principais fatores causadores desta erosão observada nas margens da


ilha esta associada a atuação dos ventos do quadrante sul, que quando
ocorrem concomitantemente à elevadas taxas de precipitação na bacia de
drenagem terminam por represar a saída de água e elevar o nível dentro do
estuário. A alteração nos regimes de vento para nordeste/leste, com o nível
mais elevado gera pequenas ondulações que terminam causando erosão no
perfil praial. (Figura 3)
Figura 3 Modelo de erosão das margens da ilha da Torotama

A seguir, será feita uma avaliação para cada ano analisado, de acordo com os
mosaicos criados, segundo PEREIRA, 2010.

Ano de 1947

O ano de 1947 apresenta muitas feições geomorfológicas e subambientes.


Inversamente apresenta ínfimas ações antropogênicas, limitando-se a apenas
algumas residências no centro-norte da ilha e a algumas estradas de chão que
dão acesso do continente à Ilha da Torotama. É possível verificar a grande
quantidade de sedimento em suspensão na lagoa e áreas de banhado, bem
como marismas.
Ano de 1975

Com o visível desenvolvimento urbano, a Ilha da Torotama apresenta


considerável aumento do numero de residências e estradas. Muito aparente é a
variação de área do pontal próximo ao Saco do Mosquito, no extremo sul da
ilha, com destacada erosão, desenvolvida pela dinâmica das correntes e
retirada de marismas da zona mais urbana.

Ano de 2009

Em 2009 é perceptível o acúmulo de sedimento em alguns pontos da margem


apresentando variações lineares de até 6,5m.
Pode-se perceber também que a ocupação urbana aumentou na parte centro-
norte. A ocupação na orla de praia manteve-se estável com relação ao ano de
1975 com perda da estrada de chão que beirava a Lagoa dos Patos segundo
informações de moradores da região.

6.5 Quantificação da variação da linha de costa

A partir da metodologia pôde-se chegar ao cálculo de variação de


áreas para a margem estudada da Ilha da Torotama em três diferentes anos.
Assim de forma mais clara, a taxa anual da variação da linha de costa
pode ser representada abaixo.

Figura 04 - Gráfico das taxas de variação média da linha de costa (PEREIRA,2010)


6.6 Taxas de recuo linear
A taxa média de variação da linha de costa apresentou valor máximo de
aproximadamente 4 m/ano indicando uma tendência erosiva da margem N-NE.
A seguir, na figura 5, são apresentados os resultados das análises de
variações médias anuais da linha de costa.

Mapa 6 Mapa de variação linear Fonte: PEREIRA, 2010


6.7 CRIAÇÃO DE UM SISTEMA DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICOS (SIG),
COM DADOS REFERENTES A ILHA DA TOROTAMA

Neste trabalho foram criados vários bancos de dados que, quando associados
podem gerar um SIG bastante completo da ilha da Torotama. Para a criação
deste trabalho foram gerados vários mapas: mapa base, mapa de vegetação,
mapas dos resultados decorrentes dos possíveis cenários de elevação do nível
das águas da Lagunas dos Patos, um modelo de elevação digital de terreno,
mapa base para a confecção de um SIG sócio-econômico (Figura 4) ainda a
confecção de uma banco de dados sócio-econômico que foi tabulado a partir
dos dados obtidos, junto ao Programa de Saúde da Família (PSF), que foram
coletados através de pesquisas in loco. (Figura 5).
Ao associar todas essas informações em um mesmo SIG, pode-se obter uma
poderosa ferramenta para o planejamento da área e das possíveis medidas
mitigadoras que podem ser tomadas para que os impactos, inevitáveis caso
ocorram os cenários propostos, sejam menos degradantes tanto para os
recursos ambientais, e principalmente para as pessoas que habitam aquela
localidade.
Figura 5 Base cartográfica para o SIG sócio-econômico

Figura ilustrando as tabelas utilizadas no SIG sócio-econômico

Figura 6 ilustrativa das tabelas utilizadas no SIG sócio-econômico


7 - DISCUSSÃO

A ilha da Torotama é um ambiente relativamente novo, do ponto de vista


geológico, o que torna este ambiente naturalmente pouco estável, bastante
frágil e possuindo um equilíbrio tênue. As ações antrópicas causadas,
principalmente no momento onde ocorreu o maior aumento populacional e
consecutiva urbanização (período de 1947 a 1975), contribuiram
significativamente para o processo de regressão da linha de costa. Visto que,
com o aumento da ocupação humana, pode-se evidenciar uma perda
acentuada das áreas de marismas e vegetação ciliar, em geral, que ajudava a
manter o equilíbrio do ambiente e protegiam a linha de costa dos processos
erosivos. Este fato associado aos processos naturais atuantes na margem da
ilha, principalmente, provenientes de eventos extremos, acabou por motivar
uma variação negativa na linha de costa da ilha da Torotama, característica
que foi evidenciada nas as análises realizadas neste trabalho, de acordo com
as observações temporais realizadas nos estudos de erosão/acresção da linha
de costa, cujos resultados estão descritos no item relativo ao assunto.
A população residente na ilha da Torotama esta privada de uma série de infra-
estruturas públicas básicas, sendo que, quase metade da população reside em
moradias de madeira ou com material aproveitado, onde em torno de 15% das
famílias liberam seus dejetos a céu aberto, e nenhuma residência possui
sistema de coleta de esgoto. Outra tema precário esta relacionado a coleta de
lixo que para mais de 40% das famílias residentes na ilha, é inexistente, e seus
dejetos sólidos tem como destino final serem queimados, enterrados ou
jogados a céu aberto. Dois pontos positivos, no que se refere as infra-
estruturas públicas são: o posto de saúde, que atende a população local, e
ainda conta com a atuação dos agentes do Programa de Saúde da Família
(PSF) que fazem um trabalho de acompanhamento dos ilhéus, e a escola
municipal que atende a população local.
Todas essas questões só irão se agravar considerando que ocorram os
cenários propostos neste trabalho. Para um cenário de elevação de 50cm no
nível das águas, os resultados já seriam bastantes representativos, pois
grandes áreas de vegetação nativa, banhados e marismas seriam inundadas
pelas águas da Lagunas dos Patos. Depois de uma simples análise feita
através do cruzamento dos mapas de vegetação e inundação de 50cm, ficou
evidente que a vegetação de marisma praticamente desapareceria, o mesmo
ocorrendo com os banhados, as águas da Laguna também submergiriam a
grande maioria dos campos e da vegetação nativa existentes. Porém através
da mesma análise feita anteriormente, mas se utilizando para efetuar o
cruzamento com o mapa de inundação de 50cm, a imagem quickbird da ilha,
pode-se perceber que a área mais densamente urbanizada ainda não seria
atingida diretamente, mas os ilhéus seriam, com certeza prejudicados por tal
evento, uma vez que o alagamento de grande parte da ilha dificultaria todo o
tipo de acesso da ilha ao continente, além de diminuir significativamente as
áreas agricultáveis na localidade.
Já um evento de subida do nível das águas de 100cm causaria a perda de
quase 90% da área hoje emersa da ilha. A perda de habitat naturais
aconteceria de forma bastante intensa, onde os marismas e os banhados,
praticamente desapareceriam e dos campos e vegetação nativas sobraria
muito pouco. Já a área mais densamente ocupada e urbanizada, neste cenário
de 100cm de elevação, sofreria impactos diretos, embora sua grande maioria
continuaria emersa, algumas porções marginais seriam alagadas. Porém como
já foi dito, os impactos para os residentes na ilha seriam enormes, pois
estariam praticamente sem contato com o continente, com isso aumentaria
ainda mais o déficit de recursos de infra-estrutura urbana. Outro fator que deve
ser levado em conta, é referente a falta de coleta de esgoto e destinação
precária dos dejetos sólidos, o que, com a inundação da ilha, poderia
desencadear uma série de doenças, causando ainda mais mazelas a
população dos ilhéus.
Este evento diminuiria ainda mais a estabilidade dos sistema natural existente
tornando as margens ainda mais sensíveis as ações erosivas. A subida do
nível das águas da Laguna dos Patos teria potencial para aceleram os
processos erosivos, visto que, este aumento no nível das águas, mudaria a
dinâmica atual, o que contribuiria para diminuir ainda mais as porções de terras
emersas. Tornando, provavelmente, a vida na ilha muito instável ou até mesmo
impraticável.
8 - CONCLUSÃO

Segundo dados da ONU através da UNESCO aproximadamente 2/3 da


população mundial vive atualmente a menos de 50 Km do mar. Essa faixa de
terra litorânea correspondente a menos de 2% do território terrestre e abriga
uma população de um pouco mais de 4 bilhões de pessoas, agrupadas em sua
maioria em centros urbanos de médio e grande porte.
Essa população litorânea disputa um mesmo espaço geográfico para as mais
diversas atividades e finalidades, entre elas, a habitação, a indústria, o
comércio, o transporte, a agricultura, a pesca, o lazer e o turismo. Torna-se
natural que, em um espaço restrito pelo adensamento populacional, grupos
distintos disputem uma mesma área para atividades diferentes, muitas vezes
conflitantes e até mesmo antagônicas. A ocupação desse espaço concorrido
está entre as principais causas de riscos ambientais na zona costeira.
(VASCONCELOS).
Esses ambientes litorâneos são bastantes frágeis, e possuem um equilíbrio
tênue, devido a complexa dinâmica ambiental existente, onde atuam
concomitantemente os ventos, as correntes, as ondas e as marés. Com a
ocupação urbana tem-se uma ruptura deste equilíbrio, trazendo prejuízos
significativos para o ambiente natural e os habitantes dessas áreas.
Tendo por base o panorama exposto acima, o trabalho atendeu suas
expectativas, pois a metodologia utilizada pode ser facilmente empregada para
outras áreas. Visto que, a cada ano que passa a preocupação com a elevação
do nível do mar se torna mais presente, e a súbita do nível iminente.
Para a área específica estudada neste trabalho, a metodologia se mostrou
muito interessante, pois os resultados obtidos, quando analisados de forma
conjunta, com o cruzamento das diferentes informações levantadas e geradas,
tem-se uma poderosa ferramenta de diagnóstico e prognóstico da localidade,
que pode servir para subsidiar as atividades dos planejadores, visando tomar
as medidas mitigadoras possíveis e necessárias, para diminuir ao máximo os
impactos causados pelo processo de elevação do nível das águas, ou como
último recurso planejar as possibilidades de realocação da população que
habita aquela ilha, levando em consideração as suas atividades econômicas
hegemônicas, para que ocorra a melhor adaptação possível.
9 – REFERÊNCIAS

CALDASSO, A.L.S., RODRIGUES. T.L.N., BACHI, F.A., VILLWOCK, J.A.,


TOMAZELLI, L.J.e DEHNHARDT, B.A. 2000. Carta Geológica 1: 250.000 da
Folha de Jaguarão, RS (SI.22-V125A). Programa Levantamentos Geológicos
Básicos do Brasil. Cooperação CPRM/UFRGS/CECO. Dezembro de 2000.
CUNHA, N.G., SILVEIRA, R.J.C. e SEVERO, C.R.S. (1996). “Estudo de Solos
do município de Rio Grande”. CPACT - EMBRAPA, Ed. Universitária/UFPEL,
Pelotas.74 P.;
LONG, T., 1989. Lê Quaternaire Litoral du Rio Grande do Sul (Brésil). Temoin
des Quatre Derniers Episodes Eustatiques Majeurs Geologia e Evolution.
These de Doctorant, Université de Bordeaux I, n° 282, 183 p.
TAGLIANI, C.R.A.; CALLIARI, L.J.;TAGLIANI, P.R.A.; ANTIQUEIRA,
J.L.F;SOARES, M.N. & REINHARDT, J.B. 2006. Estudo de caso da Ilha dos
Marinheiros, estuário da Laguna dos Patos, RS, Brasil: Diagnóstico Ambiental,
Modelo de Elevação Digital e avaliação de vulnerabilidade frente a cenários de
elevação do nível do mar. Subprojeto de pesquisa do Projeto de Conservação
e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (MMA-PROBIO)
em convênio com CNPq/ FURG-FAURG. Relatório. Rio Grande, 2006. 103 p.
VILLWOCK, J.A. & TOMAZELLI, L.J., 1995. Geologia costeira do Rio Grande
do Sul, CECO/IG/UFRGS. Notas Técnicas, v.8, p.1-45.
LONG, T., 1989. Le Quaternaire Litoral du Rio Grande do Sul (Brésil). Temoin
des Quatre Derniers
Episodes Eustatiques Majeurs Geologia e Evolution. These de Doctorant,
Université de Bordeaux I, n° 282,183 p.

CALLIARI, L.J. & KLEIN, A.H.F.,1993. Características morfodinâmicas e


sedimentológicas das
praias oceânicas entre Rio Grande e Chuí, R.S. Pesquisas, v.20, p.48-56.

TAGLIANI, P.R.A. 1995. Estratégia de planificação ambiental para o sistema


ecológico da restinga da
lagoa dos Patos – Planície Costeira do Rio Grande do Sul. São Carlos:
Universidade Federal de São Carlos. (Tese de doutorado).

PAIM, Sergio G. & LONG, Therry. [Link] Geológicos e


Geomorfológicos da região da Lagoa dos
Patos. In: Anais do 1° encontro da associação brasileira de estudos do
quaternário. Porto Alegre, 1987.
MÖLLER Jr., O.O. (1996). The summertime circulation and dynamics of Patos
Lagoon. Continental Shelf Research, v.16, p.335-351.

TOMAZELLI, L. J., & VILLWOCK, J. A., 1992. Considerações sobre o


ambiente praial e a deriva litorânea de sedimentos ao longo do Litoral Norte do
Rio Grande do Sul, Brasil. Pesquisas, 19 (1), p. 3-12.

MÖLLER Jr., O.O. (1996). The summertime circulation and dynamics of Patos
Lagoon. Continental
Shelf Research, v.16, p.335-351.

MÖLLER, O. O., & CASTAING, P., 1995. Hydrographical Characteristics if the


Patos Lagoon
Estuarine Area. In: South America Estuaries, G. Perillo and M. Pino (eds).
American Geophysical Union.

MARONE, E. e CAMARGO, R. 1994. Marés meteorológicas no litoral do


estado do Paraná: O evento de 18 de agosto de 1993. Revista Nerítica, Editora
da UFPR, v.8, n.1, p. 73-85.

DOLAN, R., & DAVIS, R. E., 1992. An Intensity Scale for Atlantic Coast
Northeast Storms. Journal of Coastal Research, 8 (4), p. 840-853.

MOTTA, V. F., 1969 Relatório-Diagnóstico sobre melhoria e o aprofundamento


do acesso pela barra do Rio Grande. Instituto de Pesquisas Hidráulicas,
UFRGS, Porto Alegre.

MOTTA, V.F. (1967). Processos sedimentológicos em estuários. Programa de


Engenharia Oceânica COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro. 18p.

COLI, A.B. & MATA, M.M., 1993. Caracterização das alturas de onda no
Atlântico Sul Ocidental através da altimetria TOPEX/POSEIDON. In:
SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO, 7, 1993, Bahia.
Anais. Salvador, 1993.

COLI, A.B., 1994. Análise das alturas de onda ao largo do Rio Grande do Sul
(dados históricos e altimétricos). Rio Grande. 56p. Monografia de Graduação -
Curso de Oceanografia, Fundação Universidade de Rio Grande, RS. (Inédito).

WRIGHT, L. D., SHORT, 1984. Morphodynamics variability of Surf Zones and


Beaches: A synthesis. Marine Geology, 56, p. 93-118.

VILLWOCK, J.A. & TOMAZELLI, L.J., 1995. Geologia costeira do Rio Grande
do Sul, CECO/IG/UFRGS. Notas Técnicas, v.8, p.1-45.

CALLIARI, L.J.; TOZZI, H.A.M. & KLEIN, A.H.F., 1996. Erosão associada a
marés meteorológicas na costa sul-riograndense (COMEMIR/OSNLR). In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 39., Salvador, BA, 1996. Anais.
Salvador: SBG, 1996. v.4, p. 431-433.
COLI, A.B.,. 2000. Estudo sobre o clima de ondas em Rio Grande, RS.
Dissertação de Mestrado em Engenharia Oceânica. Rio Grande. 80p.
Fundação Universidade de Rio Grande, RS. (Inédito).

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Brasília, DF, 1996. Disponível em:


[Link].

CALLIARI, L. J., 1980. Aspectos Sedimentológicos e Ambientais na Região


Estuarial da Laguna dos Patos. Porto Alegre. Dissertação de Mestrado em
Geociências, UFRGS, 190p.

NETO, D. N. Quantificação de perigos costeiros e projeção de linhas de


cstafuturas para a enseada do itapocorói. UNIVALI. Monografia, 2008

SILVEIRA, A.P. 2004. Evidências Erosivas na Orla da Ilha da Torotama Rio


Grande-RS. Rio Grande. Monografia de graduação em Geografia
[Link] Federal do Rio Grande.

PEREIRA, J.T. 2010. Determinação das mudanças marginais da Ilha da


Torotama, Rio Grande – RS. Rio Grande. Monografia para obtenção de grau
técnico no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande
do Sul - Campus Rio [Link] Federal do Rio Grande.

VASCONCELOS, F.P. Riscos naturais e antópicos na zona costeira. Mestrado


Acadêmico em Geografia. Universidade Estadual do Ceará.

Você também pode gostar