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Manual de

DANOS
Objetivos
• Conhecer os danos e suas prováveis causas.

• Prevenir-se para evitá-los e/ou minimizá-los.

• Corrigir os danos, caso necessário.

• Evitar o sucateamento prematuro do produto.

Em caso de dúvidas, favor entrar em


contato com o responsável MICHELIN.

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2 Manual de DANOS
Índice
Conhecendo o pneu........................................................................ 04

Danos............................................................................................... 10

Formas de desgastes...................................................................... 20

Câmara de ar................................................................................... 28

Protetor........................................................................................... 30

Conselhos........................................................................................ 31

Manual de DANOS 3
Conhecendo o pneu
Diferenças entre pneu diagonal e radial
Diagonal
A carcaça diagonal
É composta de várias lonas têxteis, cruzadas entre si no
carcaça
sentido diagonal em relação ao centro do pneu.

A banda de rodagem
banda de
Não é estabilizada. A banda de rodagem é solidária aos rodagem
flancos; quando o pneu roda, todas as flexões do flanco
são transmitidas à banda de rodagem, provocando:
• Uma deformação da área de contato pneu/solo.
• Lixamento da banda de rodagem transversal com
o solo.

A carcaça radial
Radial
É composta de uma só lona de cabos de aço, dispostos
paralelos entre si, perpendiculares ao plano de rodagem do
pneu e orientados radialmente em relação ao centro do pneu. carcaça

A banda de rodagem
É estabilizada por uma cinta composta de várias lonas
banda de
também de cabos de aço. rodagem
Cada parte do pneu, flanco e banda de rodagem, trabalha
de maneira independente; quando o pneu roda, apenas os
flancos flexionam, propiciando:
• Redução das deformações da área de contato com o solo.
• Redução do lixamento transversal com o solo.

Vantagens do pneu radial michelin


• Desgaste lento proporcionando aumento no rendimento quilométrico.
• Redução no consumo de combustível.
•M
 enor aquecimento, uma vez que não existe fricção entre lonas da carcaça, diminui o
lixamento com o solo e o aço é um excelente condutor de calor.
• Maior aderência ao solo já que a área de contato pneu/solo é maior e constante.
•E
 xcelente estabilidade, pois com a redução das deformações da banda de rodagem, o
pneu segue uma trajetória definida.
• Resistência a cortes/furos em função da carcaça mais flexível.
• Melhor drenagem de água devido à redução das deformações da banda de rodagem.

4 Manual de DANOS
Conhecendo o pneu
Esquema das principais partes de um pneu

a- Escultura / Desenho d- Flanco g- Talão


b- Banda de rodagem e- Revestimento interno h- Lona carcaça
c- Ombro f- Aro i- Lonas de topo

Ilustração de um XInCity XZU3 com suas camadas e características.

Manual de DANOS 5
Conhecendo o pneu
Composição de um conjunto pneumático

1 Montagem sem câmara


• Pneu
• Roda
• Válvula

2 Montagem com câmara


• Pneu • Aro ou roda
• Câmara de ar • Anel de fixação
• Protetor (flap) • Válvula

6 Manual de DANOS
Conhecendo o pneu
Influência dA carga, da pressão, da velocidade e da
temperatura no rendimento dos pneus

Influências de pressão no rendimento quilométrico


em 1ª vida

Evolução da velocidade de desgaste em relação à pressão de inflação

Exemplos:
1-U
 ma pressão inferior a 25% do recomendado, podemos ter uma queda de até 55% na
performance do produto.

2-U
 ma pressão superior a 20% do recomendado, podemos ter uma queda de até 22% na
performance do produto.

A curva do gráfico acima mostra que a partir de 15% de variação na pressão, para mais ou para
menos, a interferência na performance do produto aumenta de intensidade.

Manual de DANOS 7
Conhecendo o pneu
Influências da pressão na vida da carcaça

Evolução do potencial da carcaça em função da pressão de inflação

Neste gráfico verificamos que a curva é assimétrica, porém, é diferente do gráfico anterior. Esta curva
refere-se à resistência da carcaça na zona baixa e na região do bloco de lonas. Estas duas partes são as
que mais sofrem quando se utiliza uma pressão inadequada, podendo comprometer a recapabilidade
do pneu.

Exemplos:
1-A
 pressão insuficiente aumenta a flexibilidade do pneu, podendo provocar uma abertura na região
do cordão de centragem.

2-C
 om uma pressão superior a 15% do recomendado, podemos ter uma queda de aproximadamente
5% na performance do produto.

3 - P ressão maior ou menor do que a recomendada pode comprometer a recapabilidade da carcaça e o


rendimento quilométrico.

8 Manual de DANOS
Conhecendo o pneu
Temperatura x Durabilidade

Observamos que, com o uso a uma temperatura de 80°C, o pneu pode durar 10.000 horas ou mais.
No entanto, se a temperatura for de 180°C, poderá durar menos de 1 hora.

Nota: Esse tipo de dano ocorre pelo nível elevado da temperatura na região dos talões, provocado
pelos tambores de freio. Em alguns casos, o conjunto pneumático pode entrar em combustão pelo
excesso de temperatura.

Manual de DANOS 9
Danos
Separação entre lonas de topo

Caracteriza-se pela separação entre a segunda e a terceira lona de trabalho, podendo ser localizada ou
generalizada. Este dano tem origem térmica ou mecânica.

Térmica
O aquecimento excessivo dos pneus pode provocar a
separação entre as lonas de trabalho, deixando-as com um
aspecto azulado. Este aquecimento tem como origem três
fatores principais, definidos abaixo:

• Insuficiência de pressão, aliada a velocidade constante


em vias expressas, provocam aumento da temperatura na
região do bloco de topo, onde encontra-se maior volume
de massa (borracha e lonas de aço).

• Velocidades elevadas e constantes durante longo período,


mesmo com pressões corretas, podem provocar aumento
de temperatura, gerando este dano. Os exemplos
mais ilustrativos podem ser observados em clientes
com necessidade de entrega/chegada em horários
determinados.

• Emprego de pneus robustos (muita profundidade) e


pneus com índices de velocidade não compatíveis com
a velocidade empregada também podem provocar este
tipo de dano. Os exemplos mais ilustrativos são os pneus
fora-de-estrada, pneus com compostos destinados à baixa
velocidade ou esculturas trativas.

Mecânica
São separações que podem se confundir com as separações
térmicas, no entanto, neste caso, as lonas de topo não irão
apresentar uma coloração azulada. Uma das características
da separação mecânica é a agressão na região do ombro,
provocada pelo arraste do pneu sobre o solo.

10 Manual de DANOS
Danos
Conselhos
• Utilizar a dimensão e o tipo de pneu mais adequado às condições de rodagem.
• Controlar as pressões dos pneus, adequadas às cargas e velocidades usuais.
• Evitar fortes arrastes laterais dos pneus: manobras que exijam esforços, principalmente
com os pneus quentes.
• Observar regularmente a banda de rodagem quanto a cortes acidentais e se atingem as
lonas. Neste caso, providenciar imediatamente a reparação do pneu.

Agressões localizadas na banda de rodagem


Podem ocorrer durante a utilização em solos agressivos
(frenagem ou patinagem) de forma acidental. Os principais
fatores deste dano são: pressão excessiva, escultura não
apropriada ao tipo de utilização e trajetos em mau estado
de conservação.

Conselhos
• Verificar e adequar as pressões ao uso.
• Aplicar a melhor escultura para o tipo de uso.
• Evitar frenagens bruscas em solos com pedras.

Agressões múltiplas ou generalizadas na banda de


rodagem
Caracteriza-se por numerosos cortes ou arrancamentos de
borracha da banda de rodagem, podendo danificar ou não
a lona de trabalho. Estas agressões podem ser provocadas
por rodagem sobre solos pedregosos, estradas em má
conservação, canteiros de obras, minas, etc.

Conselhos
• Adaptar as pressões às condições de rodagem.
• Montar o pneu mais adaptado às condições de
utilização.
• Retirar o pneu para recapar antes que os
cortes e a oxidação comprometam a vida
futura do mesmo.

Manual de DANOS 11
Danos
Ruptura do bloco de topo

Ocorre de forma acidental e se apresenta sob três aspectos:

• Corte ou ruptura externa das lonas de topo, não


atravessando totalmente o bloco.
• Corte ou ruptura interna das lonas de topo, não
atravessando totalmente o bloco.
• Corte ou ruptura total do bloco de lonas.

São causadas por:

• Impacto contra obstáculos cortantes (buraco e/ou objeto


pontiagudo).
• Pressão excessiva.

Conselhos
• Evitar a passagem sobre objetos e/ou buracos
(crateras) durante o uso.
• Verificar as pressões regularmente.

Nota: Se houver uma reparação na região do dano, não classificar como ruptura e sim como uma
anomalia na reparação.

Deformações da borracha por contaminações


Ocorrem pelo contato da borracha com produtos derivados
de petróleo (óleos, graxas, lubrificantes, etc), solventes,
certos ácidos. O contato prolongado causa alterações
físico-químicas da borracha, provocando a perda das
características exigidas para o pneu.

Nota: Nunca reutilizar um pneu que tenha sido exposto


a este tipo de contaminação pois a performance fica
comprometida, principalmente, com relação à segurança.

12 Manual de DANOS
Danos
Conselhos
• Evitar contato com combustíveis, lubrificantes, óleo queimado, graxas, etc.
• Na montagem, utilizar somente o lubrificante vegetal neutro recomendado pelo
fabricante de pneus.
• Observar, nos veículos, que não haja derivados de petróleo (graxa, diesel, etc) sobre os
pneus, inclusive o(s) estepe(s).

Desagregação da carcaça parcial ou total


Ocorre em rodagem com baixa pressão ou pneu vazio,
provocando flexões importantes da carcaça na região dos
flancos, aumentando o aquecimento. A flexão exagerada
pode apresentar as manifestações:

• Rugas ou estrias no revestimento interno;


• Deterioração do revestimento interno do pneu, provocada
pela fricção do talão com o interior do pneu;
• Uma ou mais rachaduras da carcaça no sentido radial
interna ou externa;
• Desagregação ou quebras generalizadas na região dos
flancos.

Nota: Dependendo da incidência da carga, da velocidade


e do período de rodagem com o pneu danificado, o
aspecto do dano se manifestará de forma diferente,
como foi descrito acima. Diante de qualquer uma destas
manifestações, o pneu deve ser descartado por questões de
segurança.

Conselhos
• Ao detectar uma fuga de ar no conjunto
pneumático, efetuar as reparações conforme
recomendações do fabricante. O ar não
deve ficar aprisionado entre a câmara de
ar e o pneu, caso contrário, ele pode criar
movimentos entre a câmara e o protetor,
podendo ocasionar ruptura da mesma.
• Calibrar e verificar, periodicamente, os pneus,
seguindo as orientações do fabricante.

Manual de DANOS 13
Danos
Deterioração por objeto entre
pneus geminados
Qualquer objeto (pedra, madeira, ferro, etc) que se aloje
entre os pneus geminados pode provocar deteriorações
visíveis ou não, além de rupturas nos flancos.

Conselho
• Verificar, frequentemente, a parte interna do
conjunto geminado quanto à existência de
objetos entre os mesmos.

Nota: Se o objeto continuar alojado entre os pneus,


aconselha-se desinflar primeiramente o pneu interno, por
medida de segurança, evitando a projeção do objeto no
observador.

Deterioração ou ruptura do flanco


Pode se apresentar em forma de circunferência ou não, na região do flanco, podendo atingir a lona
carcaça. Este tipo de dano pode ocorrer por parte fixa do veículo ou por patinagem em solos de pouca
consistência (atoleiro).

Conselhos
• Verificar se existem partes fixas do veículo em
contato com o pneu (feixe de mola, parafuso,
grampo em U, pára-lama, etc).
• Evitar patinagens.

14 Manual de DANOS
Danos
Corte ou arranhões acidentais
no flanco
Dano causado por beliscão em decorrência do contato ou
subidas em guias, meios-fios, buracos ou crateras, etc.

Conselhos
• Verificar regularmente as pressões.
• Evitar subidas bruscas em meios-fios.

Ruptura da carcaça no flanco


Este tipo de dano apresenta-se na região central do flanco,
em forma regular ou não, e tem por origem os seguintes
fatores:

• Oxidação da carcaça provocada por: umidade entre a


câmara de ar e o flanco ou corte acidental da borracha no
flanco;
• Rodagem com baixa pressão, que irá ocasionar um vinco
ou dobra devido a uma flexão exagerada.

Conselhos
• Manter as pressões conforme recomendação
do fabricante.
• Reparar os danos para evitar a condenação da
carcaça.

Manual de DANOS 15
Danos
Corte no flanco (atingindo somente a borracha)
Um corte no flanco que atinge apenas a borracha pode
não ter consequências imediatas, mas é possível que se
agrave até a ruptura da carcaça, devido à oxidação dos
cabos. Normalmente, este dano ocorre por agressões de
objetos pontiagudos ou contundentes, que deixam marcas
visíveis no local danificado. Não confundir este dano com
rachaduras radiais ocasionadas por choque.

Conselhos
• Reparar todos os cortes ou danos na região do
flanco para evitar oxidações dos cabos.
• Na maioria dos casos, estas agressões devem
ser reparadas, seja por preenchimento de
goma ou por manchões, para evitar a evolução
das mesmas.

Raspagem e desgaste IRREGULar


Marcas circunferenciais (generalizadas) de raspagem na
borracha do flanco, causadas por contatos com guias ou
meios-fios. Este dano geralmente ocorre na utilização
urbana (carga ou passageiro). Não confundir com os danos
provocados por peças fixas do veículo.

Conselho
• Evitar a raspagem dos pneus nas guias, mas
caso isso ocorra, observar regularmente os
flancos para que o dano não se agrave (cortes
na borracha, por exemplo). O rodízio dos pneus
poderá prolongar a vida útil dos mesmos.

16 Manual de DANOS
Danos
Rupturas por choques (interior da carcaça)
Quando um pneu sofre um impacto contra um obstáculo, ocorre uma
deformação brutal da carcaça, podendo ocasionar até sua ruptura. Em alguns
casos, a ruptura poderá ocorrer posteriormente ao choque, dependendo de
que maneira a carcaça ficou afetada no momento do impacto. Por exemplo, se
os cabos da carcaça ficarem vincados, a contínua flexão do pneu, em rodagem,
se encarregará de quebrá-los naquele ponto, ocasionando a ruptura do pneu.
Estas rupturas internas podem provocar a infiltração de ar,
principalmente nos pneus sem câmara.

Conselhos
• Evitar os impactos sobre os obstáculos.
• Não sobreinflar os pneus.
• Ao perceber um impacto acidental, observar
as consequências no pneu, consertando-o
imediatamente quando for possível.

Separações ou bolsas de ar, no flanco, por infiltrações


Ocorre quando existe o início de uma fuga de ar interna do pneu, e
sempre se manifesta na região dos flancos, por ser mais flexível e menos
espessa. Esta fuga pode iniciar-se, basicamente, por três locais:

• Banda de rodagem (perfurações, rachaduras por choques e anomalias


nas reparações);
• Flanco (manchões, rachaduras por choque);
• Talões (quando ocorrer as quebras da borracha no momento da
montagem e/ou desmontagem).

Manual de DANOS 17
Danos
Conselhos
• Reparar todo e qualquer dano que possa causar a fuga de ar (perfurações, quebra dos
talões, etc), obedecendo as recomendações técnicas de reparação.
• Evitar as quebras dos talões, durante o processo de montagem e/ou desmontagem.

Desenrolamento da lona carcaça sobre o aro


Manifesta-se quando ocorre elevação importante da temperatura na região dos talões, podendo
sucatear o pneu em poucas horas de uso (veja o gráfico ilustrativo). A elevação da temperatura pode
ocorrer pelo mau uso, desregulagens ou anomalias no sistema de freios.

Temperatura x Durabilidade

Conselhos
• Utilizar freio motor para evitar a elevação da temperatura dos tambores de freios.
• Manter a regulagem do sistema de freios conforme a orientação do fabricante e
substituir os componentes danificados.
• Evitar aproximação do conjunto pneumático quando sua temperatura estiver elevada
por medida de segurança.

Quebra ou deformações das borrachas dos talões


Ocorrem pelo mal uso de ferramen-
tas ou pelo mau assentamento dos
talões sobre o aro. Normalmente as
quebras ocorrem quando a borracha
está baquelizada e há deformações,
quando a montagem do pneu não
foi executada conforme recomenda-
ção (roda oxidada, falta de lubrifica-
ção, etc) do fabricante.

18 Manual de DANOS
Danos

Conselhos
• Seguir as orientações de montagem e desmontagem do fabricante, não esquecendo os
itens de segurança (gaiola, estado de conservação dos aros e rodas, lubrificação, etc).
• Utilizar máquinas e ferramentas adequadas de acordo com o produto (pneus de carga,
passeio, agrícola, fora-de-estrada, etc).
• Ao iniciar a operação de inflagem, assegurar-se de que os talões acomodem-se na
posição correta.

Abertura ou bolsas de ar na região próxima ao cordão


de centragem, em pneus com câmara de ar
Normalmente esse dano está
relacionado à sobrecarga,
baixa pressão, aquecimento
ou largura de aros não
recomendados para a dimensão
do pneu.

Abertura circunferencial na
região do talão, próximo ao
cordão de centragem, em pneus
sem câmara de ar
Normalmente esse dano está relacionado à sobrecarga, baixa
pressão, aquecimento ou largura de aros não recomendados para a dimensão do pneu.

Arrancamento de borracha na
parte interna do talão do pneu
sem câmara de ar
Este dano ocorre em rodas com HUMP. Normalmente, no lado
interno do talão, montado no lado do HUMP do aro.

Manual de DANOS 19
Formas de desgastes
Desgaste anormal rápido
Caracteriza-se pelas estrias visíveis sobre a banda de rodagem e/ou por rebarbas sobre a borda dos
sulcos principais, provocadas pela rodagem do pneu com arraste sobre o solo.

Este desgaste é provocado por anomalias dos componentes da suspensão e da direção.

As causas mais frequentes são:

• Convergência ou divergência das rodas dianteiras;


• Desalinhamento dos eixos traseiros (tração e portador).

Convergência ou divergência das rodas dianteiras

Desgaste acentuado em um dos pneus, ou em ambos, na parte interna ou externa da banda de


rodagem. Este tipo de desgaste ocorre pelo arraste ou lixamento da borracha sobre o solo. Uma das
maneiras de detectar esse desgaste de forma rápida e prática é fazer a leitura da banda de rodagem
com as mãos.

Durante o exame de veículos, passando a mão


transversalmente sobre a banda de rodagem, primeiramente
no pneu dianteiro esquerdo e depois no direito, podemos
constatar, ou não, um desgaste anormal nos pneus. A forma
do desgaste indicará um defeito de paralelismo entre as
rodas, FECHADO ou ABERTO.

Ao passarmos a palma da mão no sentido do lado externo


para o lado interno, e percebermos “arestas vivas” na
escultura da banda de rodagem, observamos
a ocorrência de divergência. Caso ocorra o contrário, quando
passarmos a mão e sentirmos que as “arestas vivas” estão no
sentido do lado interno para o lado externo, observamos a
ocorrência de convergência.

Nota: O trajeto e a configuração (entre eixo) do veículo


podem gerar desgastes semelhantes, não sendo associados
ao problema de paralelismo.

Em todas as situações de exame da banda de rodagem, devem ser verificados os seguintes itens:

• Foi feito recentemente algum alinhamento? O que foi constatado?


• Foi feito algum rodízio recentemente (inversão da posição dos dois pneus, direito para esquerda e
vice-versa e/ou inversão do pneu na roda)?

20 Manual de DANOS
Formas de desgastes
• Os pneus rodaram sempre no veículo que estamos examinando e neste eixo?
• Qual a quilometragem atual dos pneus?
• O motorista reclama que o veículo puxa para um lado ou outro?
• Qual o traçado da linha habitual do veículo?
• Qual a configuração do veículo?
Obtidas essas respostas, podemos encontrar as seguintes situações:

ESQUERDO DIREITO DIAGNÓSTICO

Fechado Fechado Convergência

Aberto Aberto Divergência

Aberto Fechado Desalinhamento entre eixos/


Fechado Aberto chassi empenado

Nos casos de divergências e convergências, devemos medir o paralelismo dianteiro, mas antes é
importante a verificação dos seguintes pontos:

• As pressões dos pneus estão corretas?


• Suporte dos feixes de molas, mão no ponto fixo, etc;
• Qual o estado do feixe de molas?
• A barra de ligação da direção inadequada (maior ou menor que a original)?
• Qual o estado mecânico do veículo?

Desalinhamento dos eixos traseiros (tração e portador)


Este tipo de desalinhamento ocorre em veículos de carga, principalmente nos reboques e semi-
reboques e esta desregulagem provoca desgastes rápidos na banda de rodagem.

Nota: Em caso de desregulagem do eixo de tração, os pneus deste eixo não serão afetados, no
entanto, os pneus da dianteira sofrerão os desgastes, já que eles são os responsáveis por manter
o veículo em sua trajetória. Esta forma de desgaste da dianteira é semelhante ao desgaste por
paralelismo, porém, um dos pneus marca convergente e o outro, divergente. Esta anomalia mecânica
pode provocar também um problema de comportamento do veículo. Uma das maneiras de identificar
esta desregulagem é observar o veículo em movimento na pista e comparar sua trajetória com a faixa
contínua de sinalização.

Conselhos
Verificar se o alinhamento entre eixos está correto. Os defeitos
mais frequentes são provocados por:
• Folgas ou rupturas nas articulações do sistema de alinhamento.
• Grampos em “U” empenados, pinos de centro de feixe de
molas tortos ou quebrados, etc.
• Ruptura da lâmina mestra do feixe de molas.

Manual de DANOS 21
Formas de desgastes
Desgaste normal rápido
É considerado quando o rendimento quilométrico da
banda de rodagem é bem inferior à média geral da
empresa, quando comparado com a mesma dimensão
e escultura. Para avaliar efetivamente o rendimento
quilométrico, é necessário comparar:

• Mesmo tipo de veículo (potência, configuração do


veículo, etc);
• Período de rodagem;
• Trajeto (aclives e declives, retas e curvas, estado de
conservação do solo, abrasividade, etc);
• Dimensão e escultura;
• Maneira de conduzir o veículo (agressiva ou não);
• Carga transportada (peso incidente por eixo,
distribuição da carga, etc).

Conselho
• Verificar regularmente o estado da banda de
rodagem do pneu.

Desgaste crescente de um ombro a outro


Apresenta-se em forma crescente e pode ser observado a
olho nu ou através de medições com profundímetro.

A origem deste dano pode ser causada por:

• Uma cambagem positiva ou negativa, fora do


recomendado pelo fabricante;
• Deformação ou empeno do eixo devido à sobrecarga.

22 Manual de DANOS
Formas de desgastes

Conselhos
•V
 erificar e corrigir, se necessário, a cambagem.
•V
 erificar a deformação dos eixos.
•C
 orrigir anomalias mecânicas.
•E
 vitar sobrecargas.
•G
 irar o pneu na roda.
• F azer rodízio.

Desgaste em forma de dentes de serra


Este desgaste aparece em esculturas robustas e com
profundidades elevadas (ex.: pneus com esculturas
trativas). Com o torque do eixo motor, a banda de
rodagem sofre solicitações importantes com o solo,
gerando desgastes em forma de dentes de serra, que é
normal para esta posição de rodagem. Na medida em
que esta banda vai se desgastando (após meia-vida), este
aspecto tende a desaparecer.

Conselhos
•M
 anter o pneu na mesma posição, pois
a alteração no sentido de rodagem só irá
inverter o desgaste.
•V
 erificar pressões.

Nota: É importante ressaltar que este desgaste não compromete a performance do pneu.

Manual de DANOS 23
Formas de desgastes
DesgasteS próximoS aos ombros
Mais pronunciado sobre os ombros em relação ao centro da banda de rodagem, este desgaste é
causado pelos esforços e lixamento daquela região sobre o solo.

subinflado

Zona de esforços onde


concentram-se os desgastes

Conselhos
• Observar as pressões dos pneus.
• Evitar sobrecarga.
• Verificar as condições de utilização (peso,
Nota: Os trajetos com muitas curvas
podem provocar desgastes nos ombros.
velocidade e piso).

Desgaste central da banda de rodagem


Este desgaste é mais pronunciado no centro da banda de rodagem em relação aos ombros e em toda
circunferência do pneu. Os esforços concentram-se mais no centro da banda de rodagem, em função
de uma pressão excessiva à carga.

sobreinflado

Zona de esforços onde


concentram-se os desgastes

Conselhos
• Verificar carga e pressão, adequando-as às
condições de uso.

24 Manual de DANOS
Formas de desgastes
Desgastes irregulares
Também chamados “ONDULADOS”, “FACETADOS”, “ABATATADOS”, podem ter várias origens:

• Desregulagens ou folgas nos componentes de suspensão e/ou direção;


• Excentricidade lateral dos conjuntos rodantes;
• Montagem incorreta entre pneus geminados;
• Anomalias no sistema de freios (vibrações durante a frenagem);
• Flutuações importantes devido ao tipo de carga ou configuração do veículo (alturas
importantes do centro de gravidade, podem contribuir com as flutuações e balanços
laterais);
• Desequilíbrio das pressões entre pneus geminados (ex.: 100/70 psi).

Conselhos
• Verificar e corrigir, se necessário, a suspensão do veículo,
sistema de freio e o balanceamento (estático e dinâmico) do
conjunto pneumático.
• Adaptar as pressões à carga.
• Efetuar rodízios preventivos a tempo de evitar o agravamento
dos desgastes.

Manual de DANOS 25
Formas de desgastes
Desgaste em “trilhos”
Tem formato mais ou menos circular, em forma de
trilhos, concentrando-se próximo aos sulcos profundos
da banda de rodagem. Esta forma de desgaste ocorre
sob duas condições: escultura pouco lamelizada aplicada
em trajetos retilíneos e planos e onde não existem fortes
solicitações da banda de rodagem.

Conselhos
• Verificar se o tipo de escultura está adaptado
às condições de utilização.
• Para minimizar os desgastes da banda de
rodagem, efetuar rodízios dos pneus entre
os eixos.

Nota: Este tipo de desgaste não interfere na performance do pneu e sim no aspecto visual.

Desgaste localizado por freada


Apresenta-se em um ponto localizado da banda de
rodagem, podendo atingir ou não as lonas de proteção.
Pode apresentar um aspecto escamado ou liso. A princípio,
após a incidência do travamento do freio, observa-se um
aspecto escamado, entretanto, se o condutor continuar
a rodar com o pneu, sob aquelas condições, o ponto
danificado apresentará um aspecto liso.

Causa:
Freada por emergência ou bloqueio no sistema de
frenagem causado por uma anomalia mecânica.

Conselhos
• Efetuar a manutenção preventiva e substituir,
se necessário, os componentes danificados do
sistema de freios.
• Evitar frenagens bruscas.

26 Manual de DANOS
Formas de desgastes
Desgaste mais rápido nos pneus
internos (geminados)
Este tipo de desgaste pode ocorrer em rodovia com perfil
arredondado (ex.: pista simples), onde percebe-se uma
variação de carga entre os quatro pneus do mesmo eixo,
sobrecarregando os pneus internos. A sobrecarga aumenta os
esforços e o atrito da banda de rodagem com o solo, podendo
provocar uma diferença de quilometragem entre os pneus.
Fenômeno idêntico pode ocorrer quando há diferenças de
pressão entre os pneus geminados.

Conselhos
• Os geminados devem ser montados com
pneus da mesma marca, dimensão e
escultura.
• Verificar regularmente as pressões.

Desgaste nos ombros em forma de degrau


Ocorre próximo aos ombros da banda de rodagem,
formando degrau. Este tipo de desgaste pode se
apresentar somente de um lado ou em ambos e a sua
maior incidência é nos eixos dianteiros.

Conselhos
• Manter as pressões corretas.
• Efetuar rodízios preventivos, evitando o
agravamento do desgaste.

Manual de DANOS 27
Câmara de ar
Câmara dilatada
Apresenta-se excessivamente acima das dimensões
originais e esta dilatação ocorre pelo excesso de uso ou
por agressões térmicas do conjunto.

Causas:
• Uso excessivo por várias montagens;
• Aquecimento excessivo durante uso.

Conselho
• Substituição da câmara de ar.

Nota: Normalmente uma câmara dilatada possui quilometragens elevadas.

Abertura e/ou rasgo na emenda


Ocorre nas duas extremidades da emenda da câmara
de ar devido à sua dilatação, por perda de elasticidade
(fadiga), excesso de uso ou aquecimento excessivo.

Conselhos
• Não utilizar uma câmara de ar dilatada,
fazendo sua substituição.
• Por questões de segurança, não
recomendamos a reparação do dano na região
da emenda.

28 Manual de DANOS
Câmara de ar
Câmara cortada por fricção com a borda do protetor
Este corte pode ser provocado por dois fatores bem diferentes: corte pela borda do protetor ou corte
pelas dobras na borda do protetor. Os cortes se apresentam no sentido circunferencial.

Manifesta-se, na maioria dos casos, em eixos dianteiros, por proporcionarem maiores


incidências de flexões do conjunto pneumático.

Causas:
• Fricção da borda do protetor com a câmara de ar durante a rodagem;
• Ausência de lubrificação do conjunto câmara + protetor.

Conselhos
• Seguir as orientações de montagem do
fabricante.
• Lubrificar o conjunto.
• Pré-inflar o conjunto.

Manual de DANOS 29
Protetor
Deformação no reforço protetor
Provocada pela janela da roda, em função do
aquecimento excessivo e/ou excesso de uso.

Conselhos
• Verificar o estado do protetor.
• Montar o protetor com uma proteção
de lata ou alumínio na janela da roda.

Corte no protetor
Provocado pela borda do anel removível durante a montagem ou uso.

Conselhos
• Lubrificar o conjunto.
• Verificar regularmente o estado
de conservação dos anéis.

Deterioração do protetor pela


oxidação da roda
Ocorre pelo uso de rodas em mau estado de conservação
(ferrugem, sujeiras, etc).

Conselhos
• Limpar a roda antes da montagem
ou substitui-la, se necessário.

30 Manual de DANOS
Conselhos
Diversos são os fatores que influenciam no desgaste, na segurança e no
desempenho dos pneus. Por este motivo, é fundamental o respeito às
recomendações e informações a seguir.

Na armazenagem dos pneus


Os pneus devem ser armazenados em local limpo, seco e livre da exposição da luz solar e de fontes de
ozônio (motores elétricos, correntes de ar, etc) e do contato com óleos, graxas ou qualquer produto
derivado do petróleo.

Armazenar os pneus em:


• Paletes;
• Estantes;
• Pilhas de pneus (máximo 2m de altura ou 7 pneus).

Montagem / desmontagem
A - Verificar se os componentes (aro/roda, câmara, protetor, etc) estão limpos e em perfeitas condições
para efetuar a montagem.
B - Montar em pneus novos, câmaras e protetores novos.

C - Lubrificar com pasta de montagem 5085.

D - Passar talco na câmara de ar (evitando excesso) para facilitar sua acomodação.

E - Verificar se a aba do protetor não ficou com dobras.

F - Centralizar a válvula sobre a janela da roda.

G - Pré-inflar o conjunto até obter o perfeito encaixe dos talões no aro/roda respeitando o limite de
40 psi (lbs/pol²). Ao estar corretamente encaixado, desinflar o conjunto e colocar na pressão de
utilização. Caso o encaixe ainda não tenha sido atingido com 40 psi, desinflar o conjunto e verificar
o estado do aro/roda e/ou anéis e sua limpeza e lubrificação.
Obs.: Em pneus sem câmara, utilizar um anel de vedação entre o aro/roda e o talão do pneu, a fim de
facilitar a pressurização do conjunto ou outros equipamentos disponíveis no mercado, exemplo:
botijão de ar comprimido.

A desmontagem deve ser feita com o pneu totalmente vazio, tomando todo o cuidado ao
desencaixar os talões da roda para não danificá-los.

Nota: Durante as operações de pré-inflação ou inflação, os pneus deverão estar em uma gaiola de
proteção, a fim de se evitar graves acidentes. Caso não seja possível a utilização de uma gaiola, evite
posicionar-se na possível trajetória que os elementos do aro/roda tomariam no caso de uma explosão.

Manual de DANOS 31
Conselhos
Pressões dos pneus
Devem ser corrigidas sempre com os pneus frios (temperatura ambiente) no mínimo 2 vezes ao mês,
com um manômetro previamente aferido.

Utilizar tampas de válvulas para proteção, evitando vazamentos, penetração de umidade e a


deterioração do núcleo.

Cuidados na condução do veículo (condução econômica)

Evitar:
A - Patinagens, arrancadas ou freadas bruscas.

B - Impactos em buracos, meios-fios e cabeceiras de pontes, bem como em quaisquer outros


obstáculos na pista.
C - Cargas e velocidades superiores às indicadas no pneu (ver tabelas de índice de carga e de código de
velocidade).
D - Paradas sobre produtos poluentes ou derivados de petróleo.

E - O uso excessivo dos freios, utilizando o freio motor em descida de serras ou para frenagem do
veículo em movimento. Isto evita superaquecimento dos freios, risco de acidentes e danos aos
pneus.

Manutenção das rodas


A - Verificar constantemente o estado das rodas.

B - Substituir as rodas que não estejam em perfeito estado.

Obs.: Não utilizar rodas ou discos soldados.


Se tiver que efetuar soldas em partes do veículo que sejam próximas ao pneu, desmontá-los
obrigatoriamente do veículo.

Manutenção dos pneus


Os pneus devem ser examinados periodicamente nas seguintes partes.

A - Banda de rodagem: desgastes anormais, cortes, deformações localizadas ou corpos estranhos


(pregos, parafusos, etc).
B - Flanco: cortes, feridas por impacto, desgaste por contato ou deformações anormais.

C - Pressão: verificar furos ou perda instantânea.

32 Manual de DANOS
Conselhos
D - Reparações: seguir as orientações da MICHELIN.

Obs.: Ao substituir os pneus, assegurar se eles correspondem às condições de utilização do veículo e
às capacidades de carga e velocidade.

Ressulcagem

A - Os pneus MICHELIN, para serem ressulcados, devem apresentar um baixo nível de agressão na banda de
rodagem, ou seja, o pneu não deve apresentar nenhum tipo de arrancamento de borracha ou perfurações
profundas com o aço aparente. O bom senso é fundamental na decisão de se ressulcar o pneu.

B - Executar a ressulcagem sempre antes que a escultura desapareça por completo para se ter uma reprodução
do desenho original mais fiel e sem dificuldades, além de facilitar a regulagem de profundidade. Desta
forma se conserva uma espessura suficiente entre o fundo do sulco e as lonas de trabalho.

C - A profundidade mínima do sulco original deve estar entre 2 e 3mm. Abaixo destes valores consulte o
especialista MICHELIN.

D - As lonas de trabalho nunca devem estar aparentes (com o aço aparente).

Perfil Perfil Pneu


Perfil de Novo
Ressulcado Desgastado

Espessura de borracha a Espessura de borracha a


preservar ressulcar

Obs.: Utilizar a ressulcagem significa ganhar até 255 em rodagem e, para que isso ocorra, temos que tomar
alguns cuidados.

Método de verificação de folgas (anel de encosto,


embuchamento e rolamento)

Folga no anel de encosto


Com um macaco, levantar somente o lado a ser examinado.
Com o auxílio de uma alavanca, examinar a folga do anel
(rolamento) de encosto.

Manual de DANOS 33
Conselhos
Folga no embuchamento
Ainda com o auxílio da alavanca, examinar a folga no
embuchamento do pino mestre.

Folga no rolamento
Verificar a folga no cubo, utilizando o apoio das mãos. Se a
dúvida persistir, frear o veículo, a folga que desaparecer é a
do rolamento do cubo. Já a que permanecer, é a folga no
embuchamento do pino mestre.

A área para a verificação do alinhamento deve ser plana.

Repartição de carga
Existem três maneiras de se determinar a pressão de um pneu:

A - Lei da balança
São os valores de pressão determinados pelo CNT e pela lei da tolerância, que utilizam valores padronizados
baseados em velocidade, carga, terreno, etc.
B - Pesagem
É efetuada a pesagem por eixo do veículo e feita a aplicação destes valores nas tabelas da Michelin,
chegando assim na pressão de cada pneu.
C - Repartição de carga
Na impossibilidade de pesagem do veículo, procure um técnico Michelin para o cálculo das pressões. Para
isso temos que saber:

• Qual o peso da carga transportada?


• Qual a tara por eixo?
• Qual a distância entre eixos?
• Qual a distância do centro de gravidade e o centro do eixo traseiro?

Para determinar as pressões corretas de uso, consultar um técnico Michelin.

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CAI 192409N FEV/10

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