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AVES

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U M E S T U D O D E C A S O

Organizador:
Marcos A. Raposo
AVES
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U M E S T U D O D E C A S O

Arapaçu-do-cerrado,
Lepidocolaptesangustirostris 
AVES
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U M E S T U D O D E C A S O

Arapaçu-do-cerrado,
Lepidocolaptesangustirostris 
Arapaçu-do-cerrado,
Lepidocolaptesangustirostris 

Arte Ensaio Editora Ltda.©


COORDENAÇÃO EDITORIAL
SilvanaMonteirodeCarvalho
PaulaFeresPaixão
MariaDuprat
PROJETO GRÁFICO
Retina78
TEXTO
Marcos André Raposo, Claydson Pinto de Assis, Daniel Figueira, Érico
Demari, Gabriella Regis Frickes, Gabriela Araújo, Daniel Honorato Firme,
Nelson Buainain Neto, Lorian Cobra Straker, Rafael Martins Russo,
Felipe de Carvalho Cid, Gisiane Lima, Guilherme Renzo Rocha Brito,
Leonardo Pessanha Alves e Patrícia Alexandre Formozo.
FOTOGRAFIAS
MarcosAndréRaposo,ClaydsonPintodeAssis,DanielFigueira,ÉricoDemari,
GabriellaRegisFrickes,GabrielaAraújo,DanielHonoratoFirme,Nelson
BuainainNeto,LorianCobraStraker,RafaelMartinsRusso,FelipedeCarvalho
Cid,GisianeLima,GuilhermeRenzoRochaBrito eLeonardoPessanhaAlves.
PetersonA.Bachin-fotodoColhereiro(Plataleaajaja)
REVISÃO DE TEXTO
SoniaCardoso
CARACTERIZAÇÃO FLORÍSTICA
LeonardoPessanhaAlveseRenatoda SilvaNunes
REVISORA TÉCNICA
RenataStopiglia
CAPTAÇÃO DE RECURSOS
ArteMídiaMarketingCultural
IMPRESSÃO E ACABAMENTO
GráficaSantaMarta

CIP-BRASIL.CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
F442n
Ferreira, Marcos André Raposo, 1969-
Aves & Linhas de Transmissão - um estudo de caso / Marcos André
Raposo Ferreira. - 1. ed. - Ri o de Janeiro : Arte Ensaio, 2013.
128 p. : il. ;23 cm.
ISBN 978-85-60504-43-5
1. Energia elétrica - Aspectos ambientais. 2. Ave - Comportamento.
3. Ave - Proteção. 4. Tecnologia - Aspect os sociais. 5. Natureza - Influência
do homem. I. Título.
13-03215. CDD: 363.7
CDU: 502.1

22/07/2013 22/07/2013

ArteEnsaio Editora Ltda.©,2013


Tel//Fax:(21) 2259-8282/ (11) 2307-8777
www.arteensaio.com.br
arteensaio@arteensaio.com.br
Todososdireitos reservadospara Arte Ensaio Editora Ltda.

Assinadodeforma
digitalporGestão
P&DTaesa
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COORDENAÇÃO EDITORIAL
SilvanaMonteirodeCarvalho
PaulaFeresPaixão
MariaDuprat
PROJETO GRÁFICO
Retina78
TEXTO
Marcos André Raposo, Claydson Pinto de Assis, Daniel Figueira, Érico
Demari, Gabriella Regis Frickes, Gabriela Araújo, Daniel Honorato Firme,
Nelson Buainain Neto, Lorian Cobra Straker, Rafael Martins Russo,
Felipe de Carvalho Cid, Gisiane Lima, Guilherme Renzo Rocha Brito,
Leonardo Pessanha Alves e Patrícia Alexandre Formozo.
FOTOGRAFIAS
MarcosAndréRaposo,ClaydsonPintodeAssis,DanielFigueira,ÉricoDemari,
GabriellaRegisFrickes,GabrielaAraújo,DanielHonoratoFirme,Nelson
BuainainNeto,LorianCobraStraker,RafaelMartinsRusso,FelipedeCarvalho
Cid,GisianeLima,GuilhermeRenzoRochaBrito eLeonardoPessanhaAlves.
PetersonA.Bachin-fotodoColhereiro(Plataleaajaja)
REVISÃO DE TEXTO
SoniaCardoso
CARACTERIZAÇÃO FLORÍSTICA
LeonardoPessanhaAlveseRenatoda SilvaNunes
REVISORA TÉCNICA
RenataStopiglia
CAPTAÇÃO DE RECURSOS
ArteMídiaMarketingCultural
IMPRESSÃO E ACABAMENTO
GráficaSantaMarta

CIP-BRASIL.CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
F442n
Ferreira, Marcos André Raposo, 1969-
Aves & Linhas de Transmissão - um estudo de caso / Marcos André
Raposo Ferreira. - 1. ed. - Ri o de Janeiro : Arte Ensaio, 2013.
128 p. : il. ;23 cm.
ISBN 978-85-60504-43-5
1. Energia elétrica - Aspectos ambientais. 2. Ave - Comportamento.
3. Ave - Proteção. 4. Tecnologia - Aspect os sociais. 5. Natureza - Influência
do homem. I. Título.
13-03215. CDD: 363.7
CDU: 502.1

22/07/2013 22/07/2013

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P&DTaesa

AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos funcionários da Taesa e da Ecology and Environment do Brasil, os quais
ajudaram direta ou indiretamente em nossos trabalhos de campo e no escritório. Em es-
pecial, agradecemos a: Gliender Mendonça, Geyza Rigo, Juliano Ameno Faria, Artur Hoff,
Rodrigo de Carvalho Dantas, Ivy Rocha e Couto, Rodrigo Pereira Faria, Luis Semensato,
Wilson Gomes, Paulo Botelho, Sérgio Teixeira, Luis Solis, José Manuel Aguirre, Daniel da
Silva Lagos e da Camila Freire Barcellos – todos contribuíram, de uma forma ou de outra,
com o desenvolvimento deste projeto. Por fim, nosso muito obrigado à Aneel (Agência Na-
cional de Energia Elétrica) pelo estímulo à execução desta pesquisa, por meio de seu pro-
grama de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).
AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos funcionários da Taesa e da Ecology and Environment do Brasil, os quais
ajudaram direta ou indiretamente em nossos trabalhos de campo e no escritório. Em es-
pecial, agradecemos a: Gliender Mendonça, Geyza Rigo, Juliano Ameno Faria, Artur Hoff,
Rodrigo de Carvalho Dantas, Ivy Rocha e Couto, Rodrigo Pereira Faria, Luis Semensato,
Wilson Gomes, Paulo Botelho, Sérgio Teixeira, Luis Solis, José Manuel Aguirre, Daniel da
Silva Lagos e da Camila Freire Barcellos – todos contribuíram, de uma forma ou de outra,
com o desenvolvimento deste projeto. Por fim, nosso muito obrigado à Aneel (Agência Na-
cional de Energia Elétrica) pelo estímulo à execução desta pesquisa, por meio de seu pro-
grama de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

AVES & LINHAS DE TRANSMISSÃO :


CONHECER PARA PRESERVAR
Um dos maiores desafios globais da atualidade é fazer com que as empresas cresçam, s e fortaleçam e contribuam
para o desenvolvimento das sociedades, sem, no entanto, deixar de se preocupar com a sustentabilidade e com
o bem-estar social.
Conciliar o crescimento empresarial com a proteção e a sustentabilidade ambiental é uma das metas que a
Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. (“TAESA”) busca rotineiramente, focando seu desenvolvimento
na condução de projetos sólidos e bem estruturados, que prese rvem ao máximo o meio ambiente e seus recursos
naturais, agregando, assim, valores aos seus empregados, acionistas e à socied ade como um todo.
Por estar presente em todas as regiões do país, a Companhia possui uma visão estratégica de expansão, focada
na preservação dos ambientes e ecossistemas nos quais suas linhas de transmissão são construídas e suas subes-
tações de energia elétrica são operadas.
Assim, a TAESA executa, sistematicamente, vários programas de Educação Ambiental e Responsabilidade So-
cial, de forma a destacar a importância e o cuidado com o Meio Ambiente, como, por exemplo, fomentando cam-
panhas de combate a queimadas, e incentivando a preservação de nascentes e a despoluição de córregos e rios.
A preocupação incondicional com o atendimento às leis, normas e regras ambientais emanadas por enti dades
e órgãos governamentais é de importância primordial para a TAESA, que busca, incessantemente, a melhoria
dos seus processos e procedimentos necessários à integridade de suas instalações de transmissão, incluindo a
limpeza e a manutenção de suas faixas de servidão para passagem de linhas, visando sempre causar o menor
impacto possível ao meio ambiente.
Esse convívio harmonioso entre as estruturas metálicas e a fauna e a flora garante à TAESA o reconhecimento
do setor elétrico como uma empresa responsável e focada na sustentabilidade corporativa.
Apoiar projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (“P&D/ANEEL”) executados sob a ótica ambiental, como é o
caso do projeto “Análise da relação entre aves e linhas de transmissão 500 KV no Brasil e desenvolvimento de
técnicas para a predição de impactos”, somente reforça a visão e a estratégi a da Companhia.
Desejamos que os leitores possam extrair d esta pesquisa um aprendizado singular acerca da convivência entre
as aves e as linhas de transmissão, aprimorando seus conhecimentos sobre um tema tão importante, a cada dia
mais difundido no setor elétrico, sobretudo em razão da magnitude e relevância das obras que têm sido publi-
cadas com foco no setor de transmissão de energia.
Façam uma excelente leitura!

JOSÉ ALOISE RAGONE FILHO


Diretor Superintendente Geral 
Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A.

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AVES & LINHAS DE TRANSMISSÃO :
CONHECER PARA PRESERVAR
Um dos maiores desafios globais da atualidade é fazer com que as empresas cresçam, s e fortaleçam e contribuam
para o desenvolvimento das sociedades, sem, no entanto, deixar de se preocupar com a sustentabilidade e com
o bem-estar social.
Conciliar o crescimento empresarial com a proteção e a sustentabilidade ambiental é uma das metas que a
Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. (“TAESA”) busca rotineiramente, focando seu desenvolvimento
na condução de projetos sólidos e bem estruturados, que prese rvem ao máximo o meio ambiente e seus recursos
naturais, agregando, assim, valores aos seus empregados, acionistas e à socied ade como um todo.
Por estar presente em todas as regiões do país, a Companhia possui uma visão estratégica de expansão, focada
na preservação dos ambientes e ecossistemas nos quais suas linhas de transmissão são construídas e suas subes-
tações de energia elétrica são operadas.
Assim, a TAESA executa, sistematicamente, vários programas de Educação Ambiental e Responsabilidade So-
cial, de forma a destacar a importância e o cuidado com o Meio Ambiente, como, por exemplo, fomentando cam-
panhas de combate a queimadas, e incentivando a preservação de nascentes e a despoluição de córregos e rios.
A preocupação incondicional com o atendimento às leis, normas e regras ambientais emanadas por enti dades
e órgãos governamentais é de importância primordial para a TAESA, que busca, incessantemente, a melhoria
dos seus processos e procedimentos necessários à integridade de suas instalações de transmissão, incluindo a
limpeza e a manutenção de suas faixas de servidão para passagem de linhas, visando sempre causar o menor
impacto possível ao meio ambiente.
Esse convívio harmonioso entre as estruturas metálicas e a fauna e a flora garante à TAESA o reconhecimento
do setor elétrico como uma empresa responsável e focada na sustentabilidade corporativa.
Apoiar projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (“P&D/ANEEL”) executados sob a ótica ambiental, como é o
caso do projeto “Análise da relação entre aves e linhas de transmissão 500 KV no Brasil e desenvolvimento de
técnicas para a predição de impactos”, somente reforça a visão e a estratégi a da Companhia.
Desejamos que os leitores possam extrair d esta pesquisa um aprendizado singular acerca da convivência entre
as aves e as linhas de transmissão, aprimorando seus conhecimentos sobre um tema tão importante, a cada dia
mais difundido no setor elétrico, sobretudo em razão da magnitude e relevância das obras que têm sido publi-
cadas com foco no setor de transmissão de energia.
Façam uma excelente leitura!

JOSÉ ALOISE RAGONE FILHO


Diretor Superintendente Geral 
Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A.

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CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL:
A HARMONIA ENTRE EMPRESAS E MEIO AMBIENTE
A velocidade de transformação e modernização que estamos vivenciando exige que várias ações empresariais
estejam constantemente projetadas e conectadas à visão de futuro e aos anseios do mercado no qual as compa-
nhias estão inseridas.
O segmento de transmissão de energia elétrica, negócio principal da Transmissora Aliança de Energia Elé-
trica S.A. (“TAESA”), é hoje considerado um dos maiores desafios estruturais que compõem o cenário de de-
senvolvimento e planejamento energético brasileiro. A interligação de todas as regiões, por meio de linhas de
transmissão que transportam milhares de megawatts, provenientes de várias fontes de geração de energia vem
acontecendo paulatinamente, e traz consigo um grande desafio: efetuar essa implementação com o zelo e o cui-
dado que o meio ambiente merece.
Nesse sentido, a TAESA, por ser uma das maiores empresas privadas de transmissão de energia elétrica do
Brasil, com foco na construção, operação e manutenção de ativos de transmissão, assume um papel relevante
 junto à socie dade na bus ca de inovaçõe s tec nológi cas e de al ternati vas té cnicas e ope raciona is qu e contr ibuam
com a proteção e a sustentabilidade do meio ambiente e de seus recursos naturais, seguindo sempre os critérios
de qualidade, confiabilidade e continuidade.
Assim, a TAESA incentivou, nos últimos anos, por meio do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (“P&D/
ANEEL”), a execução de vários projetos acadêmicos, pulverizados em diversos temas de pesquisa, como o deno-
minado “Análise da relação entre aves e linhas de transmissão 500 KV no Brasil e desenvolvimento de técnicas
para a predição de impactos”, que, pelos resultados alcançados e, principalmente, pela publicação da obra em
pauta, consolida o sucesso da pesquisa.
Os excelentes resultados do projeto foram atingidos em função das parcerias estabelecidas com a Ecology and
Environment do Brasil, a Associação de Amigos do Museu Nacional (SAMN) e o Museu Nacional (da Universi-
dade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ). A pesquisa em específico colaborará substancialmente com a agregação
de dados e informações acerca dos tipos de aves que permeiam as linhas de transmissão estudadas, bem como
ampliará o entendimento técnico e acadêmico sobre o comportamento destas aves, ao presenciarem as estrutu-
ras físicas que compõem os empreendimentos de transmissão de energia elétrica.
Enfim, os nossos agradecimentos ao Professor Doutor Marcos Raposo, do Museu Nacional/UFRJ, e a toda a
equipe do projeto, os quais se empenharam nesta pesquisa e dedicaram seu tempo e atenção a um tema tão im-
portante para o meio ambiente e para as empresas do setor elétrico nacional. Com toda certeza, o livro  Aves &
Linhas de Transmissão  contribuirá, de modo significativo, para o entendimento teórico e prático da relação entre
as aves e as linhas de transmissão em alta tensão espalhadas por todo o país.
Boa leitura!

GLIENDER PEREIRA DE MENDONÇA


Gerente Regulatório, Institucional e do Programa de P&D
Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A.
CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL:
A HARMONIA ENTRE EMPRESAS E MEIO AMBIENTE
A velocidade de transformação e modernização que estamos vivenciando exige que várias ações empresariais
estejam constantemente projetadas e conectadas à visão de futuro e aos anseios do mercado no qual as compa-
nhias estão inseridas.
O segmento de transmissão de energia elétrica, negócio principal da Transmissora Aliança de Energia Elé-
trica S.A. (“TAESA”), é hoje considerado um dos maiores desafios estruturais que compõem o cenário de de-
senvolvimento e planejamento energético brasileiro. A interligação de todas as regiões, por meio de linhas de
transmissão que transportam milhares de megawatts, provenientes de várias fontes de geração de energia vem
acontecendo paulatinamente, e traz consigo um grande desafio: efetuar essa implementação com o zelo e o cui-
dado que o meio ambiente merece.
Nesse sentido, a TAESA, por ser uma das maiores empresas privadas de transmissão de energia elétrica do
Brasil, com foco na construção, operação e manutenção de ativos de transmissão, assume um papel relevante
 junto à socie dade na bus ca de inovaçõe s tec nológi cas e de al ternati vas té cnicas e ope raciona is qu e contr ibuam
com a proteção e a sustentabilidade do meio ambiente e de seus recursos naturais, seguindo sempre os critérios
de qualidade, confiabilidade e continuidade.
Assim, a TAESA incentivou, nos últimos anos, por meio do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (“P&D/
ANEEL”), a execução de vários projetos acadêmicos, pulverizados em diversos temas de pesquisa, como o deno-
minado “Análise da relação entre aves e linhas de transmissão 500 KV no Brasil e desenvolvimento de técnicas
para a predição de impactos”, que, pelos resultados alcançados e, principalmente, pela publicação da obra em
pauta, consolida o sucesso da pesquisa.
Os excelentes resultados do projeto foram atingidos em função das parcerias estabelecidas com a Ecology and
Environment do Brasil, a Associação de Amigos do Museu Nacional (SAMN) e o Museu Nacional (da Universi-
dade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ). A pesquisa em específico colaborará substancialmente com a agregação
de dados e informações acerca dos tipos de aves que permeiam as linhas de transmissão estudadas, bem como
ampliará o entendimento técnico e acadêmico sobre o comportamento destas aves, ao presenciarem as estrutu-
ras físicas que compõem os empreendimentos de transmissão de energia elétrica.
Enfim, os nossos agradecimentos ao Professor Doutor Marcos Raposo, do Museu Nacional/UFRJ, e a toda a
equipe do projeto, os quais se empenharam nesta pesquisa e dedicaram seu tempo e atenção a um tema tão im-
portante para o meio ambiente e para as empresas do setor elétrico nacional. Com toda certeza, o livro  Aves &
Linhas de Transmissão  contribuirá, de modo significativo, para o entendimento teórico e prático da relação entre
as aves e as linhas de transmissão em alta tensão espalhadas por todo o país.
Boa leitura!

GLIENDER PEREIRA DE MENDONÇA


Gerente Regulatório, Institucional e do Programa de P&D
Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A.

Guaracava,
Elaenia sp .

APRESENTAÇÃO
Este livro é fruto do intuito de difundir o conhecimento adquirido no escopo do projeto de Pesquisa e De-
senvolvimento (P&D) intitulado “Análise da relação entre aves e linhas de transmissão 500 kV no Brasil e
desenvolvimento de técnicas para a predição de impactos”. Esse projeto é resultado da colaboração entre a
Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. (Taesa), a Ecology and Environment do Brasil, a Associação de
Amigos do Museu Nacional (SAMN) e o Museu Nacional.
Em um período de expansão de nossa rede elétrica, o encaixe ambiental de empreendimentos como linhas
de transmissão (LT), redes de distribuição de energia e hidrelétricas é de fundamental importância. O Brasil
passa, entretanto, por uma situação dúbia. De um lado, há uma grande produção de informações em processos
de licenciamento ambiental e, por outro, há uma imensa carência de informações publicadas na forma de artigos
científicos e livros sobre a relação entre esses empreendimentos e o meio ambiente.
O projeto que gerou este livro enfoca a relação entre as aves e as linhas de transmissão no Brasil e se fez em
duas frentes principais: um estudo de campo enfocando duas Linhas de Transmissão da TAESA; e um levanta-
mento bibliográfico que permiti u uma síntese abrangente e compreensível do “estado da arte” do conhecimento
nessa área. Adicionalmente, muitos dados primários sobre as aves e a vegetação das regiões estudadas foram
levantados e ficam acessíveis ao público por meio deste trabalho.
Para a melhor visualização do material levantado no campo e em bibliografia, divi dimos o livro em três par-
tes. A primeira é um histórico geral sobre o assunto, que inclui a síntese d o conhecimento disponível em litera-
tura sobre a relação entre as aves e as linhas de transmissão ou de di stribuição de energia. A inclusão no escopo
deste livro do conhecimento disponível também sobre a relação entre aves e linhas de transmissão de outras po-
tências (baixa e média) teve o objetivo de, além de aproveitar a oportunidade única de fazer uma revisão abran-
gente do assunto, individualizar claramente quais as reais preocupações associadas a linhas de transmissão de
alta tensão e quais são aquelas que surgiram em função das relações entre aves com li nhas de menor tensão.
A segunda parte do livro, cujo texto é bem mais técnico e, portanto, de leitura mais árida para o não especia-
lista, apresenta os dados brutos do projeto específico gerador desse P&D. Nessa parte são incluídas fotografias
inéditas, todas provenientes dos trabalhos de campo, de várias espécies de aves e dos ambientes cruzados pelos
empreendimentos.
A terceira e última parte inclui uma série de conclusões gerais sobre a relação entre aves e linhas de trans-
missão no Brasil, assim como sugestões para futuros estudos e reflexões gerais sobre o assunto.
Por fim, não se pode deixar de mencionar o quão feliz foi a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel) em promover seu Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento, estimulando empresas do se-
tor elétrico a investir recursos de seus orçamentos em ciência e inovação tecnológica. Estudos como este, que
seriam muito dificilmente custeados por órgãos públicos, dada a sua magnitude, são oportunidades raras de,
simultaneamente, estudar aspectos da relação entre o homem e o meio ambiente que tenham reflexos práticos;
levantar informações importantes sobre a nossa fauna e flora em áreas ainda pouco conhecidas; estimular e via-
bilizar a formação de jovens cientistas que participaram do projeto e di videm a autoria deste livro; e fomentar a
geração de conhecimento científico sobre o tema.

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Guaracava,
Elaenia sp .

APRESENTAÇÃO
Este livro é fruto do intuito de difundir o conhecimento adquirido no escopo do projeto de Pesquisa e De-
senvolvimento (P&D) intitulado “Análise da relação entre aves e linhas de transmissão 500 kV no Brasil e
desenvolvimento de técnicas para a predição de impactos”. Esse projeto é resultado da colaboração entre a
Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. (Taesa), a Ecology and Environment do Brasil, a Associação de
Amigos do Museu Nacional (SAMN) e o Museu Nacional.
Em um período de expansão de nossa rede elétrica, o encaixe ambiental de empreendimentos como linhas
de transmissão (LT), redes de distribuição de energia e hidrelétricas é de fundamental importância. O Brasil
passa, entretanto, por uma situação dúbia. De um lado, há uma grande produção de informações em processos
de licenciamento ambiental e, por outro, há uma imensa carência de informações publicadas na forma de artigos
científicos e livros sobre a relação entre esses empreendimentos e o meio ambiente.
O projeto que gerou este livro enfoca a relação entre as aves e as linhas de transmissão no Brasil e se fez em
duas frentes principais: um estudo de campo enfocando duas Linhas de Transmissão da TAESA; e um levanta-
mento bibliográfico que permiti u uma síntese abrangente e compreensível do “estado da arte” do conhecimento
nessa área. Adicionalmente, muitos dados primários sobre as aves e a vegetação das regiões estudadas foram
levantados e ficam acessíveis ao público por meio deste trabalho.
Para a melhor visualização do material levantado no campo e em bibliografia, divi dimos o livro em três par-
tes. A primeira é um histórico geral sobre o assunto, que inclui a síntese d o conhecimento disponível em litera-
tura sobre a relação entre as aves e as linhas de transmissão ou de di stribuição de energia. A inclusão no escopo
deste livro do conhecimento disponível também sobre a relação entre aves e linhas de transmissão de outras po-
tências (baixa e média) teve o objetivo de, além de aproveitar a oportunidade única de fazer uma revisão abran-
gente do assunto, individualizar claramente quais as reais preocupações associadas a linhas de transmissão de
alta tensão e quais são aquelas que surgiram em função das relações entre aves com li nhas de menor tensão.
A segunda parte do livro, cujo texto é bem mais técnico e, portanto, de leitura mais árida para o não especia-
lista, apresenta os dados brutos do projeto específico gerador desse P&D. Nessa parte são incluídas fotografias
inéditas, todas provenientes dos trabalhos de campo, de várias espécies de aves e dos ambientes cruzados pelos
empreendimentos.
A terceira e última parte inclui uma série de conclusões gerais sobre a relação entre aves e linhas de trans-
missão no Brasil, assim como sugestões para futuros estudos e reflexões gerais sobre o assunto.
Por fim, não se pode deixar de mencionar o quão feliz foi a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel) em promover seu Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento, estimulando empresas do se-
tor elétrico a investir recursos de seus orçamentos em ciência e inovação tecnológica. Estudos como este, que
seriam muito dificilmente custeados por órgãos públicos, dada a sua magnitude, são oportunidades raras de,
simultaneamente, estudar aspectos da relação entre o homem e o meio ambiente que tenham reflexos práticos;
levantar informações importantes sobre a nossa fauna e flora em áreas ainda pouco conhecidas; estimular e via-
bilizar a formação de jovens cientistas que participaram do projeto e di videm a autoria deste livro; e fomentar a
geração de conhecimento científico sobre o tema.

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O EMPREENDEDOR E OS EMPREENDIMENTOS

A TAESA
A TAESA é uma empresa privada, listada na BM&FBovespa a Nível 2 de Governança Corporativa, contro- Objetivando sua consolidação no mercado de transmissão, em março de 2006, a TERNA, adquiriu
lada pela CEMIG e pelo FIP COLISEU, sendo um dos maiores grupos privados de transmissão de energia a Munirah Transmissora de Energia S.A. (“Munirah”), que dispunha de 107 km adicionais de linhas de
elétrica do Brasil. A empresa é exclusivamente dedicada à construção, operação e manutenção de Linhas transmissão de 500 kV e mais uma Subestação compartilhada. A aquisição da Munirah interligou a Subes-
de Transmissão e Subestações de energia elétrica tação de Sapeaçu (Bahia) com a Subestação de Camaçari II (Bahia), fechando assim o anel d e transmissão
Atualmente a TAESA detém o controle integral e/ou parcial de 24 concessões, sendo 22 concessões/ Norte-Nordeste.
participações adquiridas no mercado secundário e duas concessões outorgadas em leilões federais, e com Em novembro de 2007, outras oportunidades d e crescimento foram abraçadas pela TERNA, por meio
9.407 km de linhas de transmiss ão e ativos em 60 subestações com nível de tensão entre 230 e 525 kV, com da TSN a Companhia adquiriu e incorporou mais duas outras concessões: a Goiânia Transmissora de
presença em todas as regiões do país, nos seguintes estados, a saber: Bahia; Tocantins; Maranhão; Goiás; Energia S.A. (“GTESA”), Linha de Transmissão de 230 kV, denominada Goianinha - Mussuré Circuito 3,
Pernambuco; Rio Grande do Sul; Santa Catarin a; São Paulo; Rio Grande do Norte; Paraíba; Mato Grosso; que interliga a Subestação de Goianinha, no Estado de Pernambuco à Subestação de Mussuré, no Estado
Minas Gerais; Alagoas; Paraná; Piauí; Pará; e Distrito Federal. da Paraíba, e a Paraíso-Açu Transmissora de E nergia S.A. (“PATESA”), Linha de Transmissão Santa Cruz
- Paraíso-Açu II de 230 kV, com extensão de 135 Km que interlig a a Subestação Açu, no Município de Açu
à Subestação Paraíso, no Município de Santa Cruz, ambos localizados no Rio Grande do Norte.
OS EMPREENDIMENTOS A NOVATRANS Energia S.A. (“Novatrans”) – Interligação Norte-Sul II, simi larmente à TSN, foi cons-
tituída em outubro de 2000, para a exploração da concessão de ser viço de transmissão de ene rgia elétrica,
A história das Concessões TSN e Novatrans implantação, operação e manutenção das instalações da Rede Básica. As empresas Civ ilia Engenharia S.A.
A Transmissora Sudeste Nordeste S.A. (“TSN”), foi criada pela Enelpower S.p.A. (“Enelpower”) e pela (“Civilia”), Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. (“CCCC”) e a Camargo Corrêa Equipamentos
Inepar Energia S.A. (“Inepar”), em outubro de 2000, p ara a exploração da concessão de serviço público de (“CCES”), organizadas sob forma de consórcio, foram as vencedoras no processo licitatório, que resultou
transmissão de energia elétrica e a implantação, operação e manutenção das instalações da Interligação na outorga da concessão de transmissão à Novatrans.
Sudeste Nordeste. O empreendimento compreende aproximadamente 1.069 km de li nhas de transmissão A interligação Norte-Sul II iniciou sua operação comercial em abril de 2004, tendo origem na Subesta-
em 230 e em 500 kV, que se estendem da Subestação Serra da Mesa, em Goiás, até a Subestação de Sape- ção de Imperatriz, no Maranhão, e término na Subestação de Samambaia, no Distrito Fe deral, compreen-
açu, na Bahia, com sete Subestações, sendo quatro delas de sua propriedade. dendo aproximadamente 1.278 km de linhas de 500 kV e seis Subestações, todas compartilhadas.
Em junho de 2006, a TSN foi transferida p ara a Terna Participações S.A. (“TERNA”), que, por sua vez, As concessões acima descritas foram incorporadas pela TAESA em novembro de 2010, quando deixa-
foi adquirida pela Transmissora Aliança de E nergia Elétrica (“ TAESA”) em novembro de 2009. ram de existir as razões sociais, passando a ser denominadas simplesmente TAESA, cada qual, refletindo
o seu contrato de concessão e empreendimento.

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O EMPREENDEDOR E OS EMPREENDIMENTOS

A TAESA
A TAESA é uma empresa privada, listada na BM&FBovespa a Nível 2 de Governança Corporativa, contro- Objetivando sua consolidação no mercado de transmissão, em março de 2006, a TERNA, adquiriu
lada pela CEMIG e pelo FIP COLISEU, sendo um dos maiores grupos privados de transmissão de energia a Munirah Transmissora de Energia S.A. (“Munirah”), que dispunha de 107 km adicionais de linhas de
elétrica do Brasil. A empresa é exclusivamente dedicada à construção, operação e manutenção de Linhas transmissão de 500 kV e mais uma Subestação compartilhada. A aquisição da Munirah interligou a Subes-
de Transmissão e Subestações de energia elétrica tação de Sapeaçu (Bahia) com a Subestação de Camaçari II (Bahia), fechando assim o anel d e transmissão
Atualmente a TAESA detém o controle integral e/ou parcial de 24 concessões, sendo 22 concessões/ Norte-Nordeste.
participações adquiridas no mercado secundário e duas concessões outorgadas em leilões federais, e com Em novembro de 2007, outras oportunidades d e crescimento foram abraçadas pela TERNA, por meio
9.407 km de linhas de transmiss ão e ativos em 60 subestações com nível de tensão entre 230 e 525 kV, com da TSN a Companhia adquiriu e incorporou mais duas outras concessões: a Goiânia Transmissora de
presença em todas as regiões do país, nos seguintes estados, a saber: Bahia; Tocantins; Maranhão; Goiás; Energia S.A. (“GTESA”), Linha de Transmissão de 230 kV, denominada Goianinha - Mussuré Circuito 3,
Pernambuco; Rio Grande do Sul; Santa Catarin a; São Paulo; Rio Grande do Norte; Paraíba; Mato Grosso; que interliga a Subestação de Goianinha, no Estado de Pernambuco à Subestação de Mussuré, no Estado
Minas Gerais; Alagoas; Paraná; Piauí; Pará; e Distrito Federal. da Paraíba, e a Paraíso-Açu Transmissora de E nergia S.A. (“PATESA”), Linha de Transmissão Santa Cruz
- Paraíso-Açu II de 230 kV, com extensão de 135 Km que interlig a a Subestação Açu, no Município de Açu
à Subestação Paraíso, no Município de Santa Cruz, ambos localizados no Rio Grande do Norte.
OS EMPREENDIMENTOS A NOVATRANS Energia S.A. (“Novatrans”) – Interligação Norte-Sul II, simi larmente à TSN, foi cons-
tituída em outubro de 2000, para a exploração da concessão de ser viço de transmissão de ene rgia elétrica,
A história das Concessões TSN e Novatrans implantação, operação e manutenção das instalações da Rede Básica. As empresas Civ ilia Engenharia S.A.
A Transmissora Sudeste Nordeste S.A. (“TSN”), foi criada pela Enelpower S.p.A. (“Enelpower”) e pela (“Civilia”), Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. (“CCCC”) e a Camargo Corrêa Equipamentos
Inepar Energia S.A. (“Inepar”), em outubro de 2000, p ara a exploração da concessão de serviço público de (“CCES”), organizadas sob forma de consórcio, foram as vencedoras no processo licitatório, que resultou
transmissão de energia elétrica e a implantação, operação e manutenção das instalações da Interligação na outorga da concessão de transmissão à Novatrans.
Sudeste Nordeste. O empreendimento compreende aproximadamente 1.069 km de li nhas de transmissão A interligação Norte-Sul II iniciou sua operação comercial em abril de 2004, tendo origem na Subesta-
em 230 e em 500 kV, que se estendem da Subestação Serra da Mesa, em Goiás, até a Subestação de Sape- ção de Imperatriz, no Maranhão, e término na Subestação de Samambaia, no Distrito Fe deral, compreen-
açu, na Bahia, com sete Subestações, sendo quatro delas de sua propriedade. dendo aproximadamente 1.278 km de linhas de 500 kV e seis Subestações, todas compartilhadas.
Em junho de 2006, a TSN foi transferida p ara a Terna Participações S.A. (“TERNA”), que, por sua vez, As concessões acima descritas foram incorporadas pela TAESA em novembro de 2010, quando deixa-
foi adquirida pela Transmissora Aliança de E nergia Elétrica (“ TAESA”) em novembro de 2009. ram de existir as razões sociais, passando a ser denominadas simplesmente TAESA, cada qual, refletindo
o seu contrato de concessão e empreendimento.

16 17

SÃO FÉLIX DO CORIBE / BA Mapa de localização das Linhas de Transmissão estudadas


(Interligação LT 500 kV Norte-Sul II e Interligação LT 500 kV Sudeste-Nordeste).

18 19
SÃO FÉLIX DO CORIBE / BA Mapa de localização das Linhas de Transmissão estudadas
(Interligação LT 500 kV Norte-Sul II e Interligação LT 500 kV Sudeste-Nordeste).

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INTRODUÇÃO
Ao longo da história recente, o impacto ambiental relacionado a linhas de transmissão tem gerado a necessi- o mesmo sendo esperado para outras partes da América d o Sul. Como exemplo mais claro disso, os movimentos
dade de estudos mais aprofundados sobre os reflexos desses empreendimentos em comunidades zoológicas, migratórios continentais de grandes bandos de aves são, em geral, menos comuns no Brasil. Da mesma forma,
particularmente sobre as aves (Avery et al., 1976; Avery et al., 1980). Os impactos mais relatados são casos de as espécies migratórias continentais brasileiras são, em boa parte, de pequeno porte.
eletrocussão e a morte de espéci mes de aves nativas por colisão d ireta com os cabos de alta tensão. Em relação aos impactos de linhas de transmissão sobre as aves brasileiras, existem hoje, portanto, mais
A relevância relativa de cada um desses tipos de acidente dependerá de uma grande gama de fatores. O mo- dúvidas que respostas. Qual a incidência de colisão de Passeriformes com linhas de transmissão que cruzam os
delo das torres de transmissão (ou distribuição), o ambiente interceptado pelo empreendimento, o tipo fitofi- Cerrados, Caatingas e outros biomas com ambientes florestais brasileiros? Aves de sub-bosque se chocam com
sionômico e o grau de conservação desse ambiente, a localização geográfica, o relevo, as condições atmosféricas linhas de transmissão em áreas florestadas? Há aves g randes o suficiente para serem eletrocutadas em linhas de
(por exemplo, a ocorrência ou não de neblina ou vento, vide  Sundar & Choudhury, 2005), a sazonalidade, as alta tensão? Os pântanos brasileiros ( e.g . Pantanal) apresentam índices de mortandade semelhantes aos apre-
condições de luminosidade (noite/dia) e os próprios grupos taxonômicos presentes na área (Guyonne & Janss, sentados pelos pântanos da América do Norte, onde grandes acidentes já foram registrados? Quais espécies
2000) são fatores que exercem influência sobre o risco de impactos negativos para a comunidade de aves rela- brasileiras mais frequentemente se chocam com linhas de transmissão e suas torres? Em que período do dia isso
cionadas a esse tipo de empreendimento. acontece? Todas essas questões são apenas insatisfatoriamente respondidas e justificam estudos cuidadosos com
Se por um lado há evidências de que linhas de transmissão impactam pouco as aves, por outro, em locais tais tipos de empreendimentos no nosso território.
onde há grande movimentação de aves, como grandes áreas pantanosas, já foram relatados casos significativos Enquanto não temos respostas objetivas e conclusivas para essas questões, dados bibliográficos tornam-se
de mortandade relacionados a linhas de transmissão. Como ilustração, pode-se mencionar um caso ocorrido ferramentas importantes, mesmo que colhidos em outros países e continentes, como referenciais teóricos razo-
entre 1980 e 1981 em uma área pantanosa de Montana, Estados Unidos, onde, sob uma linha de transmissão áveis para planejarmos a melhor inserção ambiental possível para os nossos empreendimentos.
de 230 kV, foram encontradas cerca de 4 mil carcaças de aves com evi dentes sinais de morte por colisão com os Desta forma, a incorporação das informações disponíveis fora do Brasil nos processos de licenciamento
cabos. Posteriormente, a degradação dos seus cadáveres nas áreas alagadas provocou, segundo Malcolm (1982), nacionais são de grande importância. Um exemplo claro disso é a grande preocupação de órgãos ambientais
a morte por botulismo de mais 5 mil espécimes em apenas um ano. Não é possível, hoje, afirmar o quão raros brasileiros com linhas de transmissão de alta tensão e a pouca atenção dada às linhas de distribuição (baixa e
são esses eventos de maior magnitude. média tensão), de natureza mais local. Em muitos aspectos, está claramente demonstrado pela literatura que
Também são relatadas colisões diretamente contra as torres das linhas de transmissão, embora essas coli- essas pequenas linhas de distribuição podem ter efeitos catastróficos para rapinantes (gaviões e águias), que
sões pareçam ser mais comuns em torres de comunicação (televisão, rádio, telefone etc.) ( e.g. Crawford, 1981; morrem eletrocutados, ao passo que a morte por eletrocussão em uma linha de transmissão de 500 kV é muito
Kemper, 1996; Nearing, 1998; Ornithological Council, 1999), talvez por essas torres ocuparem, frequentemente, improvável, para não dizer impossível, pela d istância existente entre os condutores de fase.
áreas altas e sujeitas a neblina. Em alguns países, a perda de filhotes de espécies predadoras de topo de cadeia, por eletrocussão, em torres
Entretanto, grande parte dos acidentes e impactos negativos d e aves sobre linhas de transmissão, assim como de linhas de baixa e média tensão chega a mais de 60%. Diante do conhecimento hoje existente sobre essas
de linhas de transmissão sobre aves, são reportados em outros continentes, como Europa, África e América do linhas de baixa tensão e do conhecimento disponível sobre os modelos de postes (torres) menos perigosos
Norte ( e. g . Savereno et al., 1996; Jenkins et al., 2010; Shaw et al., 2010a). Nesses continentes, o fluxo de espé- para as aves, muito se poderia progredir com um esforço mínimo na adequação desses empreendimentos aos
cies migratórias, como gansos, cegonhas e grous, é muito elevado. Isso se dá, em parte, devido a uma questão diferentes ambientes (vide Ollendorff et al., 1981).
histórico-zoogeográfica, que é o maior número, em termos qualitativos e quantitativos, de representantes dessas Da mesma forma, a adequada difusão do conhecimento sobre quais fatores atuam de fato sobre o risco de
famílias de aves migratórias ( e. g . Anatidae e Gruidae) nesses continentes. Também contribuem para isso algu- colisão de aves sobre linhas de transmissão de alta tensão poderia favorecer o melhor planejamento de empre-
mas questões ecológicas, como ser maior o efeito da sazonalidade sobre as aves na América do Norte, onde há endimentos desde a fase da def inição de seu traçado até eventuais decisões sobre hierarquização de áreas para a
grandes flutuações de temperatura e consequentes variações na disponibilidade de recursos. instalação de sinalizadores para aves. A instalação inteligente desses dispositivos, sem dúvida, gerará no futuro
No Brasil, o conhecimento sobre eventuais colisões de aves em linhas de transmissão limita-se ainda a espe- uma otimização do uso do recurso disponível.
culações não publicadas em estudos de impacto ambiental. Nesse sentido, as diferenças na estrutura das comu- Este estudo inseriu-se ne sse contexto, tentando, por um lado, fazer uma análise crítica d a literatura existente
nidades de aves brasileiras cer tamente terão influência na magnitude dos impactos sofri dos pelas aves no Brasil, e, por outro lado, investigar as relações entre as aves e duas linhas de transmissão da Taesa.

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INTRODUÇÃO
Ao longo da história recente, o impacto ambiental relacionado a linhas de transmissão tem gerado a necessi- o mesmo sendo esperado para outras partes da América d o Sul. Como exemplo mais claro disso, os movimentos
dade de estudos mais aprofundados sobre os reflexos desses empreendimentos em comunidades zoológicas, migratórios continentais de grandes bandos de aves são, em geral, menos comuns no Brasil. Da mesma forma,
particularmente sobre as aves (Avery et al., 1976; Avery et al., 1980). Os impactos mais relatados são casos de as espécies migratórias continentais brasileiras são, em boa parte, de pequeno porte.
eletrocussão e a morte de espéci mes de aves nativas por colisão d ireta com os cabos de alta tensão. Em relação aos impactos de linhas de transmissão sobre as aves brasileiras, existem hoje, portanto, mais
A relevância relativa de cada um desses tipos de acidente dependerá de uma grande gama de fatores. O mo- dúvidas que respostas. Qual a incidência de colisão de Passeriformes com linhas de transmissão que cruzam os
delo das torres de transmissão (ou distribuição), o ambiente interceptado pelo empreendimento, o tipo fitofi- Cerrados, Caatingas e outros biomas com ambientes florestais brasileiros? Aves de sub-bosque se chocam com
sionômico e o grau de conservação desse ambiente, a localização geográfica, o relevo, as condições atmosféricas linhas de transmissão em áreas florestadas? Há aves g randes o suficiente para serem eletrocutadas em linhas de
(por exemplo, a ocorrência ou não de neblina ou vento, vide  Sundar & Choudhury, 2005), a sazonalidade, as alta tensão? Os pântanos brasileiros ( e.g . Pantanal) apresentam índices de mortandade semelhantes aos apre-
condições de luminosidade (noite/dia) e os próprios grupos taxonômicos presentes na área (Guyonne & Janss, sentados pelos pântanos da América do Norte, onde grandes acidentes já foram registrados? Quais espécies
2000) são fatores que exercem influência sobre o risco de impactos negativos para a comunidade de aves rela- brasileiras mais frequentemente se chocam com linhas de transmissão e suas torres? Em que período do dia isso
cionadas a esse tipo de empreendimento. acontece? Todas essas questões são apenas insatisfatoriamente respondidas e justificam estudos cuidadosos com
Se por um lado há evidências de que linhas de transmissão impactam pouco as aves, por outro, em locais tais tipos de empreendimentos no nosso território.
onde há grande movimentação de aves, como grandes áreas pantanosas, já foram relatados casos significativos Enquanto não temos respostas objetivas e conclusivas para essas questões, dados bibliográficos tornam-se
de mortandade relacionados a linhas de transmissão. Como ilustração, pode-se mencionar um caso ocorrido ferramentas importantes, mesmo que colhidos em outros países e continentes, como referenciais teóricos razo-
entre 1980 e 1981 em uma área pantanosa de Montana, Estados Unidos, onde, sob uma linha de transmissão áveis para planejarmos a melhor inserção ambiental possível para os nossos empreendimentos.
de 230 kV, foram encontradas cerca de 4 mil carcaças de aves com evi dentes sinais de morte por colisão com os Desta forma, a incorporação das informações disponíveis fora do Brasil nos processos de licenciamento
cabos. Posteriormente, a degradação dos seus cadáveres nas áreas alagadas provocou, segundo Malcolm (1982), nacionais são de grande importância. Um exemplo claro disso é a grande preocupação de órgãos ambientais
a morte por botulismo de mais 5 mil espécimes em apenas um ano. Não é possível, hoje, afirmar o quão raros brasileiros com linhas de transmissão de alta tensão e a pouca atenção dada às linhas de distribuição (baixa e
são esses eventos de maior magnitude. média tensão), de natureza mais local. Em muitos aspectos, está claramente demonstrado pela literatura que
Também são relatadas colisões diretamente contra as torres das linhas de transmissão, embora essas coli- essas pequenas linhas de distribuição podem ter efeitos catastróficos para rapinantes (gaviões e águias), que
sões pareçam ser mais comuns em torres de comunicação (televisão, rádio, telefone etc.) ( e.g. Crawford, 1981; morrem eletrocutados, ao passo que a morte por eletrocussão em uma linha de transmissão de 500 kV é muito
Kemper, 1996; Nearing, 1998; Ornithological Council, 1999), talvez por essas torres ocuparem, frequentemente, improvável, para não dizer impossível, pela d istância existente entre os condutores de fase.
áreas altas e sujeitas a neblina. Em alguns países, a perda de filhotes de espécies predadoras de topo de cadeia, por eletrocussão, em torres
Entretanto, grande parte dos acidentes e impactos negativos d e aves sobre linhas de transmissão, assim como de linhas de baixa e média tensão chega a mais de 60%. Diante do conhecimento hoje existente sobre essas
de linhas de transmissão sobre aves, são reportados em outros continentes, como Europa, África e América do linhas de baixa tensão e do conhecimento disponível sobre os modelos de postes (torres) menos perigosos
Norte ( e. g . Savereno et al., 1996; Jenkins et al., 2010; Shaw et al., 2010a). Nesses continentes, o fluxo de espé- para as aves, muito se poderia progredir com um esforço mínimo na adequação desses empreendimentos aos
cies migratórias, como gansos, cegonhas e grous, é muito elevado. Isso se dá, em parte, devido a uma questão diferentes ambientes (vide Ollendorff et al., 1981).
histórico-zoogeográfica, que é o maior número, em termos qualitativos e quantitativos, de representantes dessas Da mesma forma, a adequada difusão do conhecimento sobre quais fatores atuam de fato sobre o risco de
famílias de aves migratórias ( e. g . Anatidae e Gruidae) nesses continentes. Também contribuem para isso algu- colisão de aves sobre linhas de transmissão de alta tensão poderia favorecer o melhor planejamento de empre-
mas questões ecológicas, como ser maior o efeito da sazonalidade sobre as aves na América do Norte, onde há endimentos desde a fase da def inição de seu traçado até eventuais decisões sobre hierarquização de áreas para a
grandes flutuações de temperatura e consequentes variações na disponibilidade de recursos. instalação de sinalizadores para aves. A instalação inteligente desses dispositivos, sem dúvida, gerará no futuro
No Brasil, o conhecimento sobre eventuais colisões de aves em linhas de transmissão limita-se ainda a espe- uma otimização do uso do recurso disponível.
culações não publicadas em estudos de impacto ambiental. Nesse sentido, as diferenças na estrutura das comu- Este estudo inseriu-se ne sse contexto, tentando, por um lado, fazer uma análise crítica d a literatura existente
nidades de aves brasileiras cer tamente terão influência na magnitude dos impactos sofri dos pelas aves no Brasil, e, por outro lado, investigar as relações entre as aves e duas linhas de transmissão da Taesa.

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Rabo-branco-rubro,
Phaethornisruber 

CAPÍTULO 1 HISTÓRICO

22 23
Rabo-branco-rubro,
Phaethornisruber 

CAPÍTULO 1 HISTÓRICO

22 23

HISTÓRICO Ao todo, Erickson et al. (2005) estimam que, só nos


Estados Unidos, mais de 100 milhões de aves morrem
anualmente por impacto com linhas de transmissão. Os
números apresentados por Manville (2005) são ainda
1.1 COLISÕES mais preocupantes por estimarem o número de indiví-
duos mortos por colisão em cabos em até 175 milhões
Uma ampla gama de estudos realizados por todo o mundo por ano. Rubolini et al. (2005), por sua vez, fazendo um
enfoca os reflexos nas populações de aves sobre as colisões inventário mais geral dos acidentes e nvolvendo linhas de
sofridas contra linhas de transmissão. Nossa intenção aqui transmissão e aves na Itália, apontam as aves aquáticas
é, além de ilustrar alguns desses estudos, chamar a atenção como altamente propensas a colisões. Segundo eles, os
para o que há de real em relação ao assunto e apresentar impactos são maiores quando os empreendimentos são
um “estado da arte” do tema. construídos próximo ao ambiente natural, onde se con-
Há uma imensa quantidade de apresentações, textos, centram essas espécies de aves, e indicam que gaviões e
relatórios e opiniões disponíveis sobre o assunto na in- corujas são apenas minimamente afetados por colisões,
ternet e em órgãos ambientais. Aqui, entretanto, optamos sendo, entretanto, fortemente propensos a eletrocussões
por focar em estudos que foram publicados em revistas em linhas de média tensão (1 a 40 kV).
científicas ou livros, com o intuito de apresentar apenas Desde essa constatação, várias medidas vêm sendo
informações que sejam, mais seguramente, correspon- propostas em diferentes países, incluindo o melhor pla-
dentes à realidade. Nesse sentido, apresentamos uma nejamento das rotas das linhas de transmissão, a remo-
seleção de estudos que cobriram vários aspectos relacio- ção de cabos para-raios ou a sua sinali zação, tornando-os
nados ao tema. A partir deles, o leitor mais interessado mais visíveis às aves (há uma revisão sobre o assunto dis-
poderá se aprofundar no assunto e buscar novas referên- ponível em Beaulaurier, 1981).
cias e abordagens. Já Allonso et al. (1994) demonstraram cabalmente a
Particularmente, as mortes causadas por colisões de eficiência do uso de espirais de PVC pintadas em evitar
aves sobre linhas de alta tensão têm sido relatadas des- acidentes por colisão. Esses autores compararam crite-
de muito tempo (Cornwell & Hochbaum, 1971; Riegel & riosamente colisões e comportamentos evasivos de aves
Winkel, 1971; Scott et al., 1972; Fiedler & Wissner, 1980; que cruzavam uma linha de transmissão de 380 kV em
Heijnis, 1980; McNeil et al., 1985; Faanes, 1987), sendo trechos sinalizados e não sinalizados. Seus resultados
a maioria dos acidentes (mais de 80%, vide  Savereno et apontaram para a redução em mais de 60% no número
al., 1996) diretamente associada à colocação dos cabos de colisões após a instalação dos sinalizadores, quando
para-raios, bastante finos e difíceis de serem vistos pelas comparados a trechos não sinalizados da mesma linha.
aves (Krapu, 1974; Meyer, 1978; James & Haak, 1979; Be- Esses resultados são fortemente sugestivos sobre a efici-
aulaurier, 1981). ência dessas medidas. Ao mesmo tempo, eles relataram
McNeil et al. (1985) demonstraram que boa parte das
mortes por colisão acontece nas horas mais escuras do
dia (ao escurecer e antes d o nascer do sol), em um e studo Essa rara fotografia mostra um colhereiro ( Platalea ajaja ) e o cordão
conduzido na Venezuela, em uma linha de transmissão de fezes que, caracteristicamente, provoca desligamentos em linhas
de transmissão. Essa foto foi tirada por Peterson A. Bachin em
da ilha Margarita, que passa por grandes corpos d’água. Tremembé, Estado de São Paulo, em 19 de janeiro de 2013.

24 25
HISTÓRICO Ao todo, Erickson et al. (2005) estimam que, só nos
Estados Unidos, mais de 100 milhões de aves morrem
anualmente por impacto com linhas de transmissão. Os
números apresentados por Manville (2005) são ainda
1.1 COLISÕES mais preocupantes por estimarem o número de indiví-
duos mortos por colisão em cabos em até 175 milhões
Uma ampla gama de estudos realizados por todo o mundo por ano. Rubolini et al. (2005), por sua vez, fazendo um
enfoca os reflexos nas populações de aves sobre as colisões inventário mais geral dos acidentes e nvolvendo linhas de
sofridas contra linhas de transmissão. Nossa intenção aqui transmissão e aves na Itália, apontam as aves aquáticas
é, além de ilustrar alguns desses estudos, chamar a atenção como altamente propensas a colisões. Segundo eles, os
para o que há de real em relação ao assunto e apresentar impactos são maiores quando os empreendimentos são
um “estado da arte” do tema. construídos próximo ao ambiente natural, onde se con-
Há uma imensa quantidade de apresentações, textos, centram essas espécies de aves, e indicam que gaviões e
relatórios e opiniões disponíveis sobre o assunto na in- corujas são apenas minimamente afetados por colisões,
ternet e em órgãos ambientais. Aqui, entretanto, optamos sendo, entretanto, fortemente propensos a eletrocussões
por focar em estudos que foram publicados em revistas em linhas de média tensão (1 a 40 kV).
científicas ou livros, com o intuito de apresentar apenas Desde essa constatação, várias medidas vêm sendo
informações que sejam, mais seguramente, correspon- propostas em diferentes países, incluindo o melhor pla-
dentes à realidade. Nesse sentido, apresentamos uma nejamento das rotas das linhas de transmissão, a remo-
seleção de estudos que cobriram vários aspectos relacio- ção de cabos para-raios ou a sua sinali zação, tornando-os
nados ao tema. A partir deles, o leitor mais interessado mais visíveis às aves (há uma revisão sobre o assunto dis-
poderá se aprofundar no assunto e buscar novas referên- ponível em Beaulaurier, 1981).
cias e abordagens. Já Allonso et al. (1994) demonstraram cabalmente a
Particularmente, as mortes causadas por colisões de eficiência do uso de espirais de PVC pintadas em evitar
aves sobre linhas de alta tensão têm sido relatadas des- acidentes por colisão. Esses autores compararam crite-
de muito tempo (Cornwell & Hochbaum, 1971; Riegel & riosamente colisões e comportamentos evasivos de aves
Winkel, 1971; Scott et al., 1972; Fiedler & Wissner, 1980; que cruzavam uma linha de transmissão de 380 kV em
Heijnis, 1980; McNeil et al., 1985; Faanes, 1987), sendo trechos sinalizados e não sinalizados. Seus resultados
a maioria dos acidentes (mais de 80%, vide  Savereno et apontaram para a redução em mais de 60% no número
al., 1996) diretamente associada à colocação dos cabos de colisões após a instalação dos sinalizadores, quando
para-raios, bastante finos e difíceis de serem vistos pelas comparados a trechos não sinalizados da mesma linha.
aves (Krapu, 1974; Meyer, 1978; James & Haak, 1979; Be- Esses resultados são fortemente sugestivos sobre a efici-
aulaurier, 1981). ência dessas medidas. Ao mesmo tempo, eles relataram
McNeil et al. (1985) demonstraram que boa parte das
mortes por colisão acontece nas horas mais escuras do
dia (ao escurecer e antes d o nascer do sol), em um e studo Essa rara fotografia mostra um colhereiro ( Platalea ajaja ) e o cordão
conduzido na Venezuela, em uma linha de transmissão de fezes que, caracteristicamente, provoca desligamentos em linhas
de transmissão. Essa foto foi tirada por Peterson A. Bachin em
da ilha Margarita, que passa por grandes corpos d’água. Tremembé, Estado de São Paulo, em 19 de janeiro de 2013.

24 25

Bagageiro,
Phaeomyiasmurina 

que, após a sinalização, as aves passaram a optar por não número de linhas de transmissão, mas sim à má escolha
cruzar o espaço entre os cabos, mas sim, ultrapassar a do local onde eram instaladas. Outro dado interessante é
linha de transmissão passando sobre os cabos, a uma dis- o de que boa parte das aves que colidiram contra cabos
tância segura. morreram em decorrência da queda após o impacto e não
Savereno et al. (1996) conduziram um trabalho seme- em função das fraturas geradas no momento da colisão.
lhante na Carolina do Sul e chegaram a conclusões quase Outros fatores importantes apontados por esse autor são
idênticas aos autores supracitados, confirmando a efici- a influência da experiência individual (idade) do cisne
ência da sinalização. Combinando a observação direta do na possibilidade de impacto com fios de alta tensão e a
comportamento das aves em voo e a busca de carcaças de própria potência de decolagem das aves. Ou seja, aves
espécimes mortos, esses autores constataram uma redução com voos mais explosivos têm maior chance de morrer
de 53% nas mortes causadas por impacto após a instalação colidindo com linhas de distribuição.
de sinalizadores em uma linha de transmissão de 115 kV. Janss (2000), na importante revista científica “Biolo-
Janns & Ferrer (1998), comparando as colisões de aves gical Conservation”, chamou a atenção novamente para o
com cabos das redes de distribuição e linhas de alta ten- fato de que as aves mais susceptíveis a impactos seriam

Após a sinalização, as aves passaram a optar por não cruzar o


espaço entre os cabos, mas sim, ultrapassar a linha de transmissão
passando sobre os cabos, a uma distância segura.

são na Espanha (380 kV, 132 kV e 13 kV) demonstraram, aquelas com menor poder de sustentação de voo. Segun-
por sua vez, que sinalizadores podem não ser eficientes do ele, gaviões e águias (família Acciptridae), por exem-
para alguns grupos taxonômicos específicos e que as co- plo, por voarem muito bem e planarem bastante, sofre-
lisões se distribuem homogeneamente em diferentes li- riam pouco com colisões, mas estariam muito expostos a
nhas, independentemente de sua potência ou altura. eletrocussões. Esse autor chegou a sugerir, inclusive, um
Também nesse sentido, as informações bibliográficas modelo matemático para avaliar o risco de impacto e ele-
revelam interessantes pontos quando abordadas de uma trocussões de aves em linhas de transmissão.
forma mais ampla. Mathiasson (1993), ao estudar coli- Shaw et al. (2010b), analisando colisões e eletrocus-
sões na Suécia, levantou questões e respostas raras em sões em diversas linhas na Á frica do Sul, demonstraram a
outros artigos até então. Primeiramente, informando que importância de se estudar esse tipo de relação e chamam
mais de 30% dos cisnes anilhados mortos na Suécia co- a atenção para o fato de que não s omente aves com pouca
lidiram com cabos de alta tensão, o que é, certamente, habilidade de voo morrem em fenômenos de colisão. Em
um número espantoso. Esses números são corroborados uma linha similar, Martim & Shaw (2010) procuram no
pelas informações levantadas por Frost (2008) em rela- campo visual das aves uma explicação para os impactos,
ção às mortes de cisnes na Inglaterra. Por outro lado, ele chamando a atenção para a importância da “binoculari-
indicou que as mortes não estavam tão relacionadas ao dade” da visão de alguns grupos para o aumento de seu

26 27
Bagageiro,
Phaeomyiasmurina 

que, após a sinalização, as aves passaram a optar por não número de linhas de transmissão, mas sim à má escolha
cruzar o espaço entre os cabos, mas sim, ultrapassar a do local onde eram instaladas. Outro dado interessante é
linha de transmissão passando sobre os cabos, a uma dis- o de que boa parte das aves que colidiram contra cabos
tância segura. morreram em decorrência da queda após o impacto e não
Savereno et al. (1996) conduziram um trabalho seme- em função das fraturas geradas no momento da colisão.
lhante na Carolina do Sul e chegaram a conclusões quase Outros fatores importantes apontados por esse autor são
idênticas aos autores supracitados, confirmando a efici- a influência da experiência individual (idade) do cisne
ência da sinalização. Combinando a observação direta do na possibilidade de impacto com fios de alta tensão e a
comportamento das aves em voo e a busca de carcaças de própria potência de decolagem das aves. Ou seja, aves
espécimes mortos, esses autores constataram uma redução com voos mais explosivos têm maior chance de morrer
de 53% nas mortes causadas por impacto após a instalação colidindo com linhas de distribuição.
de sinalizadores em uma linha de transmissão de 115 kV. Janss (2000), na importante revista científica “Biolo-
Janns & Ferrer (1998), comparando as colisões de aves gical Conservation”, chamou a atenção novamente para o
com cabos das redes de distribuição e linhas de alta ten- fato de que as aves mais susceptíveis a impactos seriam

Após a sinalização, as aves passaram a optar por não cruzar o


espaço entre os cabos, mas sim, ultrapassar a linha de transmissão
passando sobre os cabos, a uma distância segura.

são na Espanha (380 kV, 132 kV e 13 kV) demonstraram, aquelas com menor poder de sustentação de voo. Segun-
por sua vez, que sinalizadores podem não ser eficientes do ele, gaviões e águias (família Acciptridae), por exem-
para alguns grupos taxonômicos específicos e que as co- plo, por voarem muito bem e planarem bastante, sofre-
lisões se distribuem homogeneamente em diferentes li- riam pouco com colisões, mas estariam muito expostos a
nhas, independentemente de sua potência ou altura. eletrocussões. Esse autor chegou a sugerir, inclusive, um
Também nesse sentido, as informações bibliográficas modelo matemático para avaliar o risco de impacto e ele-
revelam interessantes pontos quando abordadas de uma trocussões de aves em linhas de transmissão.
forma mais ampla. Mathiasson (1993), ao estudar coli- Shaw et al. (2010b), analisando colisões e eletrocus-
sões na Suécia, levantou questões e respostas raras em sões em diversas linhas na Á frica do Sul, demonstraram a
outros artigos até então. Primeiramente, informando que importância de se estudar esse tipo de relação e chamam
mais de 30% dos cisnes anilhados mortos na Suécia co- a atenção para o fato de que não s omente aves com pouca
lidiram com cabos de alta tensão, o que é, certamente, habilidade de voo morrem em fenômenos de colisão. Em
um número espantoso. Esses números são corroborados uma linha similar, Martim & Shaw (2010) procuram no
pelas informações levantadas por Frost (2008) em rela- campo visual das aves uma explicação para os impactos,
ção às mortes de cisnes na Inglaterra. Por outro lado, ele chamando a atenção para a importância da “binoculari-
indicou que as mortes não estavam tão relacionadas ao dade” da visão de alguns grupos para o aumento de seu

26 27

Pararu-azul,
Claravis pretiosa 

risco de colisão com cabos. Além de analisarem grous e Dois anos depois, em “Avian collisions with power li-
cegonhas, esses autores apontam as aves de rapina como nes: a global review of causes and mitigation with a South
tendo campos visuais propensos a aumentarem sua chan- African perspective”, Jenkins et al. (2010) tentaram esta-
ce de colisão, o que, de certa forma, é contraditório com belecer qual o real conhecimento dos estudos sobre coli-
os dados da literatura, que apontam essas aves mais como sões de aves em linhas de transmissão. Nesse estudo, uma
vítimas de eletrocussão do que de colisão. referência quase obrigatória na área, os autores comparam
Bevanger & Broseth (2001), estudando o impacto de as tentativas históricas de se mitigar o impacto de linhas
aves sobre linhas de 300, 66 e 22 kV, concluíram que a re- de transmissão sobre aves e as diferentes estratégias utili-
tirada dos cabos para-raios reduziriam as mortes de aves zadas para sinalizar os cabos para-raios. Comparando os
em mais de 50% em relação às colisões. Esses autores acre- percentuais de sucesso entre as estratégias utilizadas em
ditam que o desenvolvimento de tecnologias que permi- todo o mundo, esses autores demonstram claramente que:
tam a supressão desses cabos é emergencial, um resultado os cabos para-raios representam o maior risco de colisão; e
também alcançado por Raab et al. (2011), que avaliaram o os diferentes métodos de sinalização dos cabos têm p oder
efeito da retirada de cabos para-raios e da sinalização de de reduzir entre 50 e 76% o número de colisões. Nesse sen-
linhas de transmissão de 380 kV na Áustria e na Hungria. tido, os autores apresentam uma interessante comparação
Em experimento conduzido na Inglaterra, Frost (2008) entre a eficiência de diferentes modelos de sinalizadores,

Além disso, esses autores voltam a chamar a atenção para a


relevância da escolha apropriada dos traçados das linhas de
transmissão na diminuição do impacto sobre as aves e para a
relevância conservacionista desse tipo de empreendimento.
acompanhou a instalação de sinalizadores em linhas de também abordando a sua eficiência conforme o espaça-
transmissão com alto índice de morte de cisnes ( Cygnus mento escolhido entre os dispositivos. Além disso, esses
olor ). Esse autor levantou duas informações realmente re- autores voltam a chamar a atenção para a relevância da es-
levantes: a primeira foi a constatação da redução drástica colha apropriada dos traçados das linhas de transmissão
das mortes de cisnes após a sinalização das linhas; a segun- na diminuição do impacto sobre as aves e para a relevância
da foi a geração de dados que indicam a distância em que conservacionista desse tipo de empreendimento.
cada indivíduo morto foi encontrado após a colisão com a Jenkins et al. (2010) também alertam para a impor-
linha de transmissão, o que pode servir d e referencial para tância, na hora da escolha dos traçados das linhas de
futuros estudos que tenham o objetivo de encontrar car- transmissão, de se levar em conta fatores como a topo-
caças de aves recém-colididas com linhas de transmissão. grafia (e.g . presença de vales, penhascos, acidentes de
Eles demonstraram que alguns espécimes caem muito lon- relevo), as condições climáticas (propensão à formação
ge das faixas de supressão, o que implica em grande difi- de nevoeiros e presença de correntes fortes de ventos) e
culdade de se encontrar carcaças, particularmente no caso os ambientes (áreas alagadas). Cada um desses fatores
de aves de pequeno porte e com cores menos conspícuas. incidirá de maneira dramática sobre os números de espé-

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A VES E LINHAS DE TRANSMISSÃO 29
Pararu-azul,
Claravis pretiosa 

risco de colisão com cabos. Além de analisarem grous e Dois anos depois, em “Avian collisions with power li-
cegonhas, esses autores apontam as aves de rapina como nes: a global review of causes and mitigation with a South
tendo campos visuais propensos a aumentarem sua chan- African perspective”, Jenkins et al. (2010) tentaram esta-
ce de colisão, o que, de certa forma, é contraditório com belecer qual o real conhecimento dos estudos sobre coli-
os dados da literatura, que apontam essas aves mais como sões de aves em linhas de transmissão. Nesse estudo, uma
vítimas de eletrocussão do que de colisão. referência quase obrigatória na área, os autores comparam
Bevanger & Broseth (2001), estudando o impacto de as tentativas históricas de se mitigar o impacto de linhas
aves sobre linhas de 300, 66 e 22 kV, concluíram que a re- de transmissão sobre aves e as diferentes estratégias utili-
tirada dos cabos para-raios reduziriam as mortes de aves zadas para sinalizar os cabos para-raios. Comparando os
em mais de 50% em relação às colisões. Esses autores acre- percentuais de sucesso entre as estratégias utilizadas em
ditam que o desenvolvimento de tecnologias que permi- todo o mundo, esses autores demonstram claramente que:
tam a supressão desses cabos é emergencial, um resultado os cabos para-raios representam o maior risco de colisão; e
também alcançado por Raab et al. (2011), que avaliaram o os diferentes métodos de sinalização dos cabos têm p oder
efeito da retirada de cabos para-raios e da sinalização de de reduzir entre 50 e 76% o número de colisões. Nesse sen-
linhas de transmissão de 380 kV na Áustria e na Hungria. tido, os autores apresentam uma interessante comparação
Em experimento conduzido na Inglaterra, Frost (2008) entre a eficiência de diferentes modelos de sinalizadores,

Além disso, esses autores voltam a chamar a atenção para a


relevância da escolha apropriada dos traçados das linhas de
transmissão na diminuição do impacto sobre as aves e para a
relevância conservacionista desse tipo de empreendimento.
acompanhou a instalação de sinalizadores em linhas de também abordando a sua eficiência conforme o espaça-
transmissão com alto índice de morte de cisnes ( Cygnus mento escolhido entre os dispositivos. Além disso, esses
olor ). Esse autor levantou duas informações realmente re- autores voltam a chamar a atenção para a relevância da es-
levantes: a primeira foi a constatação da redução drástica colha apropriada dos traçados das linhas de transmissão
das mortes de cisnes após a sinalização das linhas; a segun- na diminuição do impacto sobre as aves e para a relevância
da foi a geração de dados que indicam a distância em que conservacionista desse tipo de empreendimento.
cada indivíduo morto foi encontrado após a colisão com a Jenkins et al. (2010) também alertam para a impor-
linha de transmissão, o que pode servir d e referencial para tância, na hora da escolha dos traçados das linhas de
futuros estudos que tenham o objetivo de encontrar car- transmissão, de se levar em conta fatores como a topo-
caças de aves recém-colididas com linhas de transmissão. grafia (e.g . presença de vales, penhascos, acidentes de
Eles demonstraram que alguns espécimes caem muito lon- relevo), as condições climáticas (propensão à formação
ge das faixas de supressão, o que implica em grande difi- de nevoeiros e presença de correntes fortes de ventos) e
culdade de se encontrar carcaças, particularmente no caso os ambientes (áreas alagadas). Cada um desses fatores
de aves de pequeno porte e com cores menos conspícuas. incidirá de maneira dramática sobre os números de espé-

28
A VES E LINHAS DE TRANSMISSÃO 29

Bico-virado-da-caatinga,
  Megaxenops parnaguae 

cimes mortos por colisão e devem ser considerados tam- deste livro inclui uma abordagem mais geral, cabe, entre-
bém na hora de priorizar áreas no caso de s e desejar sina- tanto, apresentar um histórico resumido mais representa-
lizar linhas pré-existentes. Dessa escolha dependerão as tivo do conhecimento hoje existente sobre esses acidentes
taxas de acidente com aves, historicamente entre 0,1 e 80 em redes de distribuição de energia como um todo.
mortes anuais por quilômetro de linha na Á frica do Sul. Em uma pequena nota publicada em 1922, em uma
Martin (2011) fez uma revisão de possíveis causas de das principais revistas de ornitologia (ramo da zoologia
colisão de aves contra obstáculos antropogênicos ligadas que enfoca as aves), um autor chamado Thomas Halli-
à visão e ao comportamento das aves. Apesar de ter uma nan, morador da Flórida, nos Estados Unidos, relatava
abordagem superficial do problema, aponta questões que singelamente a sua experiência pessoal observando os
ainda não haviam sido levantadas pela literatura, como a acidentes de eletrocussão de aves, particularmente os
constatação de que as medidas adotadas terão sempre efi- urubus-caçadores ( Cathartes aura ) e uma espécie de pas-
ciência desigual entre os diferentes grupos de aves. Dessa sarinho (“Shrike” – Lanio ludovicianus ).
forma, algumas medidas apropriadas para papagaios e Observando essas aves e suas relações com linhas de
araras (Psittacidae), poderiam ser ineficientes para fal- transmissão de energia de 13 kV, Hallinan relatou a eletro-
cões (Falconidae), e assim por diante. cussão dos urubus que encostavam as asas em duas fases
Todo esse conhecimento acumulado pode ser utiliza- das linhas ao pousar nos postes. Ao mesmo tempo, relatava
do de diversas formas, que vai desde um planejamento que os passarinhos “Shrikes” eram eletrocutados de modo
adequado de traçado até uma perspectiva de predição diferente. O autor, já naquela época, narrava que essa es-
de colisões ao longo do traçado, conforme as condições pécie era eletrocutada quando decidia que a ponta nua do
topográficas, climáticas e ambientais das áreas cruzadas fio de alta tensão era o local ideal para comer suas presas
por linhas de transmissão novas e pré-existentes, além de recém-caçadas. Assim que a ave chegava perto dos fios “vi-
considerar a comunidade de aves de potencial ocorrência vos”, a descarga elétrica não só a d estruía como também os
na região de inserção da linha de transmissão. Da mes- fusíveis, causando prejuízos a ambos os lados, meio am-
ma forma, sabemos hoje que as aves paludícolas, como os biente e empreendimento. É interessante notar que essas
Anseriformes, de voo explosivo ou que voam em grandes observações fizeram com que o autor ponderasse se algum
bandos, como os pombos (Columbiformes), estão entre dia as aves seriam capazes de aprender sobre os perigos
as principais vítimas de colisão. das linhas de transmissão. Quase 100 anos depois, veremos
que são poucos os dados existentes que nos indiquem pos-
síveis caminhos para responder a essa dúvida.
1.2 ELETROCUSSÕES Logo em seguida, em outra das maiores revistas de
ornitologia, Michener (1928) relatava o quão conhecidos
Todo o histórico levantado a partir de referências biblio- eram, por parte dos engenheiros, os acidentes com aves
eletrocutadas em linhas de transmissão, particularmente
gráficas aponta para o fato de não haver problemas sérios
por causa do contato que fazem com fios condutores ao
associados à eletrocussão de aves em linhas de transmissão
pousar ou passar entre os mesmos.
de alta potência, pelo simples fato de a distância mínima
Desde então, muitos estudos demonstraram os efeitos
entre as fases condutoras ser mais de duas vezes maior que
nocivos e os perigos de eletrocussão sobre aves, princi-
a maior envergadura de uma ave brasileira. Como o escopo
palmente sobre predadores como gaviões, águias e falcões

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Bico-virado-da-caatinga,
  Megaxenops parnaguae 

cimes mortos por colisão e devem ser considerados tam- deste livro inclui uma abordagem mais geral, cabe, entre-
bém na hora de priorizar áreas no caso de s e desejar sina- tanto, apresentar um histórico resumido mais representa-
lizar linhas pré-existentes. Dessa escolha dependerão as tivo do conhecimento hoje existente sobre esses acidentes
taxas de acidente com aves, historicamente entre 0,1 e 80 em redes de distribuição de energia como um todo.
mortes anuais por quilômetro de linha na Á frica do Sul. Em uma pequena nota publicada em 1922, em uma
Martin (2011) fez uma revisão de possíveis causas de das principais revistas de ornitologia (ramo da zoologia
colisão de aves contra obstáculos antropogênicos ligadas que enfoca as aves), um autor chamado Thomas Halli-
à visão e ao comportamento das aves. Apesar de ter uma nan, morador da Flórida, nos Estados Unidos, relatava
abordagem superficial do problema, aponta questões que singelamente a sua experiência pessoal observando os
ainda não haviam sido levantadas pela literatura, como a acidentes de eletrocussão de aves, particularmente os
constatação de que as medidas adotadas terão sempre efi- urubus-caçadores ( Cathartes aura ) e uma espécie de pas-
ciência desigual entre os diferentes grupos de aves. Dessa sarinho (“Shrike” – Lanio ludovicianus ).
forma, algumas medidas apropriadas para papagaios e Observando essas aves e suas relações com linhas de
araras (Psittacidae), poderiam ser ineficientes para fal- transmissão de energia de 13 kV, Hallinan relatou a eletro-
cões (Falconidae), e assim por diante. cussão dos urubus que encostavam as asas em duas fases
Todo esse conhecimento acumulado pode ser utiliza- das linhas ao pousar nos postes. Ao mesmo tempo, relatava
do de diversas formas, que vai desde um planejamento que os passarinhos “Shrikes” eram eletrocutados de modo
adequado de traçado até uma perspectiva de predição diferente. O autor, já naquela época, narrava que essa es-
de colisões ao longo do traçado, conforme as condições pécie era eletrocutada quando decidia que a ponta nua do
topográficas, climáticas e ambientais das áreas cruzadas fio de alta tensão era o local ideal para comer suas presas
por linhas de transmissão novas e pré-existentes, além de recém-caçadas. Assim que a ave chegava perto dos fios “vi-
considerar a comunidade de aves de potencial ocorrência vos”, a descarga elétrica não só a d estruía como também os
na região de inserção da linha de transmissão. Da mes- fusíveis, causando prejuízos a ambos os lados, meio am-
ma forma, sabemos hoje que as aves paludícolas, como os biente e empreendimento. É interessante notar que essas
Anseriformes, de voo explosivo ou que voam em grandes observações fizeram com que o autor ponderasse se algum
bandos, como os pombos (Columbiformes), estão entre dia as aves seriam capazes de aprender sobre os perigos
as principais vítimas de colisão. das linhas de transmissão. Quase 100 anos depois, veremos
que são poucos os dados existentes que nos indiquem pos-
síveis caminhos para responder a essa dúvida.
1.2 ELETROCUSSÕES Logo em seguida, em outra das maiores revistas de
ornitologia, Michener (1928) relatava o quão conhecidos
Todo o histórico levantado a partir de referências biblio- eram, por parte dos engenheiros, os acidentes com aves
eletrocutadas em linhas de transmissão, particularmente
gráficas aponta para o fato de não haver problemas sérios
por causa do contato que fazem com fios condutores ao
associados à eletrocussão de aves em linhas de transmissão
pousar ou passar entre os mesmos.
de alta potência, pelo simples fato de a distância mínima
Desde então, muitos estudos demonstraram os efeitos
entre as fases condutoras ser mais de duas vezes maior que
nocivos e os perigos de eletrocussão sobre aves, princi-
a maior envergadura de uma ave brasileira. Como o escopo
palmente sobre predadores como gaviões, águias e falcões

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Tico-tico-rei-cinza,
Lanio pileatus 

(Benson, 1980, 1982; Haas, 1980; Ledger & Annegan, 1981; ses autores demonstraram que as densidades populacionais
Olendorff, 1981; Van Daele, 1980). Isso foi particularmente têm relação inversa à presença de postes elétricos (15 a 30
claro no caso de postes distribuidores de energia elétrica, kV), mais uma vez apontando para o problema das linhas
como estudado por Ferrer et al. (1991), que concentrou-se de transmissão de baixa tensão na conservação das aves.
em postes de 16 kV e apresentou, inclusive, os modelos de Nesse sentido, todos os estudos deixam claro que a
postes mais perigosos, no que diz respeito a aves de rapina. maior parte dos acidentes por eletrocussão ocorrem em
Nesse sentido, ressalta-se que, como demonstrado por linhas com voltagem entre 4 e 34.5 kV ( vide  APLIC & US-
Ledger & Hobbs (1999), gaviões e águias não são comu- FWS, 2005) e que toda a preocupação em relação a linhas
mente vítimas de colisão contra linhas de transmissão, de transmissão de alta voltagem deve se concentrar no
mas sim, mortos por eletrocussão. Isso foi fortemente risco de colisão. Por outro lado, fica claro também que,
corroborado e exaltado pelos trabalhos de Frost (2008) em países nos quais o conhecimento sobre as relações en-
e Janss (2000). Ainda segundo aqueles autores, entretan- tre aves e linhas de transmissão é ainda escasso e pouco

Nesse sentido, todos os estudos deixam claro que a maior parte


dos acidentes por eletrocussão ocorrem em linhas com voltagem
entre 4 e 34.5 kV e que toda a preocupação em relação a linhas de
transmissão de alta voltagem deve se concentrar no risco de colisão.

to, linhas de distribuição de energia com baixa voltagem incorporado aos processos construtivos, como no Brasil,
(11-22 kV) são os maiores problemas, o que também foi a falta de controle e licenciamento ambiental de linhas
reportado na Espanha por Tintó et al. (2002), que estuda- distribuidoras de energia (4 a 110 kV) pode representar
ram linhas de 13, 15 e 66 kV. uma verdadeira catástrofe ambiental. Isso poderia ser
Harness & Wilson (2001), por sua vez, detalharam o facilmente evitado com o ajuste estrutural dos postes/
tipo de estruturas em linhas de distribuição que se re- torres para modelos menos perigosos (já apontados pela
lacionam com a morte de grandes predadores. Apontam literatura, por exemplo, em Ferrer et al., 1991 ou Neves
que mais de 50% das aves de rapina mortas por eletro- & Infante, 2008) ou modificações/adaptações simples
cussão são jovens inexperientes e que os equipamentos em postes, como demonstrado por Kalunga et al., (2011)
mais perigosos são os postes ou torres que apresentam para postes de 110 kV na Polônia, e corroborado também
transformadores do tipo trifásico. por Rubolini et al., (2005), que apontaram as linhas de
Sergio et al. (2004) levantaram dados estarrecedores so- média tensão (1 a 40 kV) como as maiores responsáveis
bre a eletrocussão de corujas ( Bubo bubo) nas redes de dis- por eletrocussão de aves na Itália, não apontando qual-
tribuição de energia na Europa (Alemanha, Noruega e Itá- quer caso ligado a linhas de alta tensão.
lia). Após alertarem para o fato de que boa parte dos jovens Gerdzhikov & Demerdzhiev (2009), estudando os im-
(às vezes mais de 50%) dessa espécie de coruja morrem pactos relacionados a linhas de distribuição (40kV) na
eletrocutados dada a grande envergadura de suas asas, es- Bulgária, mostraram que essas linhas de baixa tensão,

32 33
Tico-tico-rei-cinza,
Lanio pileatus 

(Benson, 1980, 1982; Haas, 1980; Ledger & Annegan, 1981; ses autores demonstraram que as densidades populacionais
Olendorff, 1981; Van Daele, 1980). Isso foi particularmente têm relação inversa à presença de postes elétricos (15 a 30
claro no caso de postes distribuidores de energia elétrica, kV), mais uma vez apontando para o problema das linhas
como estudado por Ferrer et al. (1991), que concentrou-se de transmissão de baixa tensão na conservação das aves.
em postes de 16 kV e apresentou, inclusive, os modelos de Nesse sentido, todos os estudos deixam claro que a
postes mais perigosos, no que diz respeito a aves de rapina. maior parte dos acidentes por eletrocussão ocorrem em
Nesse sentido, ressalta-se que, como demonstrado por linhas com voltagem entre 4 e 34.5 kV ( vide  APLIC & US-
Ledger & Hobbs (1999), gaviões e águias não são comu- FWS, 2005) e que toda a preocupação em relação a linhas
mente vítimas de colisão contra linhas de transmissão, de transmissão de alta voltagem deve se concentrar no
mas sim, mortos por eletrocussão. Isso foi fortemente risco de colisão. Por outro lado, fica claro também que,
corroborado e exaltado pelos trabalhos de Frost (2008) em países nos quais o conhecimento sobre as relações en-
e Janss (2000). Ainda segundo aqueles autores, entretan- tre aves e linhas de transmissão é ainda escasso e pouco

Nesse sentido, todos os estudos deixam claro que a maior parte


dos acidentes por eletrocussão ocorrem em linhas com voltagem
entre 4 e 34.5 kV e que toda a preocupação em relação a linhas de
transmissão de alta voltagem deve se concentrar no risco de colisão.

to, linhas de distribuição de energia com baixa voltagem incorporado aos processos construtivos, como no Brasil,
(11-22 kV) são os maiores problemas, o que também foi a falta de controle e licenciamento ambiental de linhas
reportado na Espanha por Tintó et al. (2002), que estuda- distribuidoras de energia (4 a 110 kV) pode representar
ram linhas de 13, 15 e 66 kV. uma verdadeira catástrofe ambiental. Isso poderia ser
Harness & Wilson (2001), por sua vez, detalharam o facilmente evitado com o ajuste estrutural dos postes/
tipo de estruturas em linhas de distribuição que se re- torres para modelos menos perigosos (já apontados pela
lacionam com a morte de grandes predadores. Apontam literatura, por exemplo, em Ferrer et al., 1991 ou Neves
que mais de 50% das aves de rapina mortas por eletro- & Infante, 2008) ou modificações/adaptações simples
cussão são jovens inexperientes e que os equipamentos em postes, como demonstrado por Kalunga et al., (2011)
mais perigosos são os postes ou torres que apresentam para postes de 110 kV na Polônia, e corroborado também
transformadores do tipo trifásico. por Rubolini et al., (2005), que apontaram as linhas de
Sergio et al. (2004) levantaram dados estarrecedores so- média tensão (1 a 40 kV) como as maiores responsáveis
bre a eletrocussão de corujas ( Bubo bubo) nas redes de dis- por eletrocussão de aves na Itália, não apontando qual-
tribuição de energia na Europa (Alemanha, Noruega e Itá- quer caso ligado a linhas de alta tensão.
lia). Após alertarem para o fato de que boa parte dos jovens Gerdzhikov & Demerdzhiev (2009), estudando os im-
(às vezes mais de 50%) dessa espécie de coruja morrem pactos relacionados a linhas de distribuição (40kV) na
eletrocutados dada a grande envergadura de suas asas, es- Bulgária, mostraram que essas linhas de baixa tensão,

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além de altamente perigosas por eletrocutarem muitas apontados por pesquisadores que abordam o assunto. A
aves, também oferecem perigo de colisão, principalmente própria fragmentação ambiental provocada pelo corte se-
para Passeriformes, talvez em função de sua baixa altura. letivo da vegetação ou do corte raso para a instituição de
Outras constatações importantes desses estudos é o fato uma pequena faixa de serviço pode gerar impactos sobre
de acidentes de eletrocussão e colisão terem sido muito as comunidades nativas de aves. Evidentemente, esse im-
comuns em áreas cultivadas, possivelmente em função da pacto, quando existente, será bastante relacionado ao cui-
formação de bandos de passeriformes oportunistas e pelo dado na hora de efetuar a supressão vegetal, o que, por sua
fato de os postes serem, em áreas abertas, poleiros mais vez, apresenta forte variação ao longo da história recen-
atraentes. Ao mesmo tempo, os autores não encontraram te, de região para região e de empresa para empresa. Há
aves mortas em florestas, o que é muito discutível, uma poucos anos, faixas de supressão de vegetação de até 60m
vez que é notavelmente mais difícil encontrar animais eram feitas com o corte raso o que, seguramente, impac-
mortos em florestas do que em áreas abertas. tava muito mais a fauna do que os métodos modernos de
Lasch et al. (2010), com base no acompanhamento supressão de vegetação. A posição de estradas de acesso
de linhas de transmissão no Cazaquistão, demonstraram para as torres, frequentemente situadas abaixo das linhas
mais uma vez a problemática das linhas de baixa e méd ia também gera impactos e seu planejamento pode se refletir
tensão, relatando centenas de mortes de aves, sendo cerca positivamente sobre as comunidades de aves.
de 50% de aves de rapina. Como as mortes de rapineiros A comunidade de aves sofre diversos outros tipos de
se concentraram no verão, eles as associaram à presença impacto indiretos com a construção e implantação das
de jovens, deduzindo, portanto, que boa parte das carca- linhas de transmissão, como: a perda de habitat; os dis-
ças seria de espécimes ainda inexperientes. túrbios associados à constante penetração de fogo na
Dessa forma, o histórico apresentado demonstra, de faixa de servidão recém-aberta e à invasão de espécies
forma consistente, que a estreita relação entre aves e li- exóticas nas áreas alteradas ou degradadas pela faixa de
nhas de baixa tensão é problemática, uma vez que pode serviço; a abertura de acesso a áreas mais inatingíveis,
afetar drasticamente populações de aves de grande porte, aumentando a facilidade de acesso para caçadores; e o
frequentemente predadoras de topo de cadeia. Voltare- próprio efeito de borda ocasionado quando as linhas de
mos a esse assunto na terceira parte deste livro, na qual transmissão cortam remanescentes florestais. Tintó et al.
discutiremos a possível aplicação dessas noções às roti- (2002) demonstraram, inclusive, que corpos de aves em
nas do processo de licenciamento ambiental de empreen- chamas após eventos de eletrocussão foram causadores
dimentos de pequeno porte. de diversos incêndios na vegetação associados a linhas de
transmissão na Espanha.
O efeito de borda, muito estudado no contexto da
1.3 EFEITOS INDIRETOS: fragmentação florestal, por sua vez, nada mais é que a
mudança das condições físicas normalmente encontra-
A FRAGMENTAÇÃO DE das no interior da floresta, tornando-as mais s ecas, quen-
REMANESCENTES VEGETAIS tes e vulneráveis ao vento, à medida que se aproximam
das bordas do fragmento (Tanizaki & Moulton, 2000).
Além dos impactos diretos sobre as aves, por meio de co- A supressão vegetal sempre gerará algum efeito que po-
lisão e eletrocussão, alguns impactos indiretos vêm sendo derá, como já visto, ser maior ou menor conforme uma

34 U M E S T U D O D E C A S Arapaçu,
O35
Dendrocolaptesplatyrostris 
além de altamente perigosas por eletrocutarem muitas apontados por pesquisadores que abordam o assunto. A
aves, também oferecem perigo de colisão, principalmente própria fragmentação ambiental provocada pelo corte se-
para Passeriformes, talvez em função de sua baixa altura. letivo da vegetação ou do corte raso para a instituição de
Outras constatações importantes desses estudos é o fato uma pequena faixa de serviço pode gerar impactos sobre
de acidentes de eletrocussão e colisão terem sido muito as comunidades nativas de aves. Evidentemente, esse im-
comuns em áreas cultivadas, possivelmente em função da pacto, quando existente, será bastante relacionado ao cui-
formação de bandos de passeriformes oportunistas e pelo dado na hora de efetuar a supressão vegetal, o que, por sua
fato de os postes serem, em áreas abertas, poleiros mais vez, apresenta forte variação ao longo da história recen-
atraentes. Ao mesmo tempo, os autores não encontraram te, de região para região e de empresa para empresa. Há
aves mortas em florestas, o que é muito discutível, uma poucos anos, faixas de supressão de vegetação de até 60m
vez que é notavelmente mais difícil encontrar animais eram feitas com o corte raso o que, seguramente, impac-
mortos em florestas do que em áreas abertas. tava muito mais a fauna do que os métodos modernos de
Lasch et al. (2010), com base no acompanhamento supressão de vegetação. A posição de estradas de acesso
de linhas de transmissão no Cazaquistão, demonstraram para as torres, frequentemente situadas abaixo das linhas
mais uma vez a problemática das linhas de baixa e méd ia também gera impactos e seu planejamento pode se refletir
tensão, relatando centenas de mortes de aves, sendo cerca positivamente sobre as comunidades de aves.
de 50% de aves de rapina. Como as mortes de rapineiros A comunidade de aves sofre diversos outros tipos de
se concentraram no verão, eles as associaram à presença impacto indiretos com a construção e implantação das
de jovens, deduzindo, portanto, que boa parte das carca- linhas de transmissão, como: a perda de habitat; os dis-
ças seria de espécimes ainda inexperientes. túrbios associados à constante penetração de fogo na
Dessa forma, o histórico apresentado demonstra, de faixa de servidão recém-aberta e à invasão de espécies
forma consistente, que a estreita relação entre aves e li- exóticas nas áreas alteradas ou degradadas pela faixa de
nhas de baixa tensão é problemática, uma vez que pode serviço; a abertura de acesso a áreas mais inatingíveis,
afetar drasticamente populações de aves de grande porte, aumentando a facilidade de acesso para caçadores; e o
frequentemente predadoras de topo de cadeia. Voltare- próprio efeito de borda ocasionado quando as linhas de
mos a esse assunto na terceira parte deste livro, na qual transmissão cortam remanescentes florestais. Tintó et al.
discutiremos a possível aplicação dessas noções às roti- (2002) demonstraram, inclusive, que corpos de aves em
nas do processo de licenciamento ambiental de empreen- chamas após eventos de eletrocussão foram causadores
dimentos de pequeno porte. de diversos incêndios na vegetação associados a linhas de
transmissão na Espanha.
O efeito de borda, muito estudado no contexto da
1.3 EFEITOS INDIRETOS: fragmentação florestal, por sua vez, nada mais é que a
mudança das condições físicas normalmente encontra-
A FRAGMENTAÇÃO DE das no interior da floresta, tornando-as mais s ecas, quen-
REMANESCENTES VEGETAIS tes e vulneráveis ao vento, à medida que se aproximam
das bordas do fragmento (Tanizaki & Moulton, 2000).
Além dos impactos diretos sobre as aves, por meio de co- A supressão vegetal sempre gerará algum efeito que po-
lisão e eletrocussão, alguns impactos indiretos vêm sendo derá, como já visto, ser maior ou menor conforme uma

34 U M E S T U D O D E C A S Arapaçu,
O35
Dendrocolaptesplatyrostris 

Surucuá-variado,
Trogon surrucura 

série de fatores, como grau de isolamento e tamanho e primeiros 100m de mata para o interior do fragmento.
forma dos fragmentos. Essa mudança provoca alterações Outro ponto interessante foi o desaparecimento de aves
na comunidade de aves, como a predominância de algu- de interior de mata nas bordas ter sido estatisticamen-
mas espécies menos sensíveis à degradação ambiental te “compensado” pela entrada de espécies de borda. Isso
em detrimento de outras mais sensíveis (geralmente aves mostra, claramente, que estrapolações gerais devem ser
florestais de bosque e sub-bosque), diminuindo assim a substituídas por análises pontuais, uma vez que espécies
diversidade e a riqueza de espécies da área. Outro efeito florestais mais exigentes agregam, em última instância,
negativo frequentemente encontrado na literatura é o au- um maior valor conservacionista. A questão da eventual
mento na predação de ninhos, promotor da diminuição repelência causada pelos ruídos e campo eletromagné-
ou mesmo do desaparecimento de certas espécies. tico ligado diretamente à passagem da linha de trans-
Geralmente, quanto mais florestal e original for o am- missão também foi abordada por Kroodsma (1982), que
biente, mais impactado pela linha de transmissão espera- apontou o aumento de algumas populações de espécies
-se que ele seja. O já mencionado dimensionamento da faixa de borda como argumento na minimização da ênfase
de supressão vegetal também gerará efeitos sobre o grau de nesse tipo de impacto indireto.
impacto provocado pela passagem da linha de transmissão. Niemi & Hanowski (1984) também analisaram a inter-
ferência indireta de uma linha de 500 kV sobre populações
As empresas, por exemplo, ao utilizarem o corte de aves, testando a repulsão de aves em relação às linhas de
seletivo para a manutenção das faixas de servidão, transmissão, às eventuais diferenças em suas abundâncias
individuais e aos efeitos nas comunidades de aves em dife-
como é o caso da Taesa, provocarão, naturalmente, rentes ambientes cruzados. Seus estudos foram, no entan-
muito menos danos que aquelas que fizerem uso do to, inconclusivos, dada a aparente pequena influência dos
corte raso da vegetação. Assim, as estratégias cons- efeitos da linha de transmissão sobre as aves e também so-
trutivas podem ser também decisivas. bre o fato de que eventuais efeitos tenham sido eclipsados
pela variação natural entre os ambientes estudados e suas
Kroodsma (1982), em estudo raro, enfocou o efeito áreas-controle. Porém, esses autores constataram a clara
de borda causado por uma linha de transmissão 500 kV influência gerada pela proliferação da vegetação arbustiva
nas comunidades de aves no East Tennessee, Estados na faixa de serviço da linha de transmissão.
Unidos. O autor encontrou mudanças claras nas abun- Outro tipo de efeito indireto de linhas de transmissão
dâncias e tamanhos de territórios de espécies de aves sobre comunidades faunísticas é a forte mudança na dis-
especializadas em borda de mata e em interior de mata, ponibilidade de poleiros para aves de rapina que caçam
que se estenderam a até cerca de 120m para o interior partindo diretamente de seus pontos de pouso. Stahle-
do remanescente impactado. Essencialmente, o efeito cker (1978) relatou um aumento significativo nas popu-
encontrado refletiu o esperado, ou seja, houve invasão lações de águias, gaviões e falcões nos Estados Unidos
de espécies de borda de mata nas áreas imediatamente (Colorado) após a passagem de uma li nha de transmissão
próximas à linha de transmissão e redução das popula- de 230 kV. Obviamente, o aumento das populações de
ções de interior de mata. Essas espécies de aves oportu- predadores de topo de cadeia tem grande repercussão so-
nistas não penetraram muito no remanescente florestal, bre pequenos mamíferos, aves e répteis das regiões trans-
que voltou às suas concentrações normais a partir dos passadas por empreendimentos, uma vez que interfere

36
AVES E LINHAS DE TRANSMISSÃO 37
Surucuá-variado,
Trogon surrucura 

série de fatores, como grau de isolamento e tamanho e primeiros 100m de mata para o interior do fragmento.
forma dos fragmentos. Essa mudança provoca alterações Outro ponto interessante foi o desaparecimento de aves
na comunidade de aves, como a predominância de algu- de interior de mata nas bordas ter sido estatisticamen-
mas espécies menos sensíveis à degradação ambiental te “compensado” pela entrada de espécies de borda. Isso
em detrimento de outras mais sensíveis (geralmente aves mostra, claramente, que estrapolações gerais devem ser
florestais de bosque e sub-bosque), diminuindo assim a substituídas por análises pontuais, uma vez que espécies
diversidade e a riqueza de espécies da área. Outro efeito florestais mais exigentes agregam, em última instância,
negativo frequentemente encontrado na literatura é o au- um maior valor conservacionista. A questão da eventual
mento na predação de ninhos, promotor da diminuição repelência causada pelos ruídos e campo eletromagné-
ou mesmo do desaparecimento de certas espécies. tico ligado diretamente à passagem da linha de trans-
Geralmente, quanto mais florestal e original for o am- missão também foi abordada por Kroodsma (1982), que
biente, mais impactado pela linha de transmissão espera- apontou o aumento de algumas populações de espécies
-se que ele seja. O já mencionado dimensionamento da faixa de borda como argumento na minimização da ênfase
de supressão vegetal também gerará efeitos sobre o grau de nesse tipo de impacto indireto.
impacto provocado pela passagem da linha de transmissão. Niemi & Hanowski (1984) também analisaram a inter-
ferência indireta de uma linha de 500 kV sobre populações
As empresas, por exemplo, ao utilizarem o corte de aves, testando a repulsão de aves em relação às linhas de
seletivo para a manutenção das faixas de servidão, transmissão, às eventuais diferenças em suas abundâncias
individuais e aos efeitos nas comunidades de aves em dife-
como é o caso da Taesa, provocarão, naturalmente, rentes ambientes cruzados. Seus estudos foram, no entan-
muito menos danos que aquelas que fizerem uso do to, inconclusivos, dada a aparente pequena influência dos
corte raso da vegetação. Assim, as estratégias cons- efeitos da linha de transmissão sobre as aves e também so-
trutivas podem ser também decisivas. bre o fato de que eventuais efeitos tenham sido eclipsados
pela variação natural entre os ambientes estudados e suas
Kroodsma (1982), em estudo raro, enfocou o efeito áreas-controle. Porém, esses autores constataram a clara
de borda causado por uma linha de transmissão 500 kV influência gerada pela proliferação da vegetação arbustiva
nas comunidades de aves no East Tennessee, Estados na faixa de serviço da linha de transmissão.
Unidos. O autor encontrou mudanças claras nas abun- Outro tipo de efeito indireto de linhas de transmissão
dâncias e tamanhos de territórios de espécies de aves sobre comunidades faunísticas é a forte mudança na dis-
especializadas em borda de mata e em interior de mata, ponibilidade de poleiros para aves de rapina que caçam
que se estenderam a até cerca de 120m para o interior partindo diretamente de seus pontos de pouso. Stahle-
do remanescente impactado. Essencialmente, o efeito cker (1978) relatou um aumento significativo nas popu-
encontrado refletiu o esperado, ou seja, houve invasão lações de águias, gaviões e falcões nos Estados Unidos
de espécies de borda de mata nas áreas imediatamente (Colorado) após a passagem de uma li nha de transmissão
próximas à linha de transmissão e redução das popula- de 230 kV. Obviamente, o aumento das populações de
ções de interior de mata. Essas espécies de aves oportu- predadores de topo de cadeia tem grande repercussão so-
nistas não penetraram muito no remanescente florestal, bre pequenos mamíferos, aves e répteis das regiões trans-
que voltou às suas concentrações normais a partir dos passadas por empreendimentos, uma vez que interfere

36
AVES E LINHAS DE TRANSMISSÃO 37

Rabo-branco-rubro,
Phaethornisruber 

no suposto equilíbrio predador-presa alcançado por tais sobre os empreendimentos e os prejuízos operacionais
populações ao longo da evolução de ambientes, embora causados por aves.
esse efeito “colateral” não tenha ainda sido testado satis- Durante anos, além das falhas na operação já conhe-
fatoriamente para nenhum empreendimento. cidas, um tipo ligeiramente diferente de problema em
Fernie & Reynolds (2005) focaram seu estudo na explo- linhas de transmissão foi, definitivamente, considerado
ração da influência dos efeitos dos campos eletromagné- ser ocasionado por aves. Em seu relato, Michener dis-
ticos de linhas de transmissão sobre aves com resultados corre sobre um tipo de problema, o “  flashov er   isolador”,
inconclusivos. Relatam que não foi possível correlacionar que vinha ocorrendo nas linhas de Big Creek da Southern
positivamente o eletromagnetismo com qualquer alte- Company California Edison, entre Big Creek, a cerca de
ração sobre a comunidade de aves e que somente mais 70 milhas a nordeste de Fresno, e Los Angeles. Essas li-
estudos poderão apresentar cenário mais confiável para nhas operavam a 150 kV quando foram construídas em
essa questão. O fato de muitas aves utilizarem áreas des- 1913, tendo a tensão elevada para 220 kV em 1923. Por
matadas embaixo das linhas de transmissão, assim como alguma razão desconhecida, durante muito tempo, um
as estruturas das torres em suas nidificações, também é arco voltaico era estabelecido através de um isolador. O
tido por muitos autores como uma evidência contrária à arco persistia até que a tensão fosse suficientemente re-
relevância desse efeito. duzida e causasse uma ruptura, o que, frequentemente,

Não foi possível correlacionar positivamente o eletromagnetismo


com qualquer alteração sobre a comunidade de aves e que
somente mais estudos poderão apresentar cenário mais confiável
para essa questão.

interrompia a transmissão de energia. Muitas teorias sur-


1.4 IMPACTOS NEGATIVOS DE AVES giram para explicar a causa destes  flashov ers .
SOBRE EMPREENDIMENTOS Uma das primeiras hipóteses levantadas foi a de que
a acumulação de excrementos nos isoladores de alguma
Em contrapartida, as aves são também consideradas causa- forma provocaria tal efeito, mas ela foi considerada in-
doras de problemas técnicos em linhas de transmissão, par- satisfatória por não explicar plenamente a flutuação de
ticularmente em áreas onde as populações de aves são gran- energia. Os engenheiros então apelavam para algo que
des. Esses problemas são, em geral, diretamente associados apelidaram de “surtos de tensão”. De acordo com essa
com as suas fezes, causadoras de diversos tipos de falhas na nova hipótese, os impulsos de alta tensão seriam produ-
operação de linhas de transmissão (McCann, 2005). zidos, de alguma forma, por ligação de linhas ou talvez
Michener, em seu artigo “Onde engenheiros e ornitó- por relâmpagos. Essas tensões seriam suficientemente
logos se encontram: problemas em linhas de transmiss ão elevadas para provocar um arco através de uma cadeia
causados por aves”, de 1928, enfocou os efeitos negativos de isoladores em condição normal. Mas a ocorrência de

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Rabo-branco-rubro,
Phaethornisruber 

no suposto equilíbrio predador-presa alcançado por tais sobre os empreendimentos e os prejuízos operacionais
populações ao longo da evolução de ambientes, embora causados por aves.
esse efeito “colateral” não tenha ainda sido testado satis- Durante anos, além das falhas na operação já conhe-
fatoriamente para nenhum empreendimento. cidas, um tipo ligeiramente diferente de problema em
Fernie & Reynolds (2005) focaram seu estudo na explo- linhas de transmissão foi, definitivamente, considerado
ração da influência dos efeitos dos campos eletromagné- ser ocasionado por aves. Em seu relato, Michener dis-
ticos de linhas de transmissão sobre aves com resultados corre sobre um tipo de problema, o “  flashov er   isolador”,
inconclusivos. Relatam que não foi possível correlacionar que vinha ocorrendo nas linhas de Big Creek da Southern
positivamente o eletromagnetismo com qualquer alte- Company California Edison, entre Big Creek, a cerca de
ração sobre a comunidade de aves e que somente mais 70 milhas a nordeste de Fresno, e Los Angeles. Essas li-
estudos poderão apresentar cenário mais confiável para nhas operavam a 150 kV quando foram construídas em
essa questão. O fato de muitas aves utilizarem áreas des- 1913, tendo a tensão elevada para 220 kV em 1923. Por
matadas embaixo das linhas de transmissão, assim como alguma razão desconhecida, durante muito tempo, um
as estruturas das torres em suas nidificações, também é arco voltaico era estabelecido através de um isolador. O
tido por muitos autores como uma evidência contrária à arco persistia até que a tensão fosse suficientemente re-
relevância desse efeito. duzida e causasse uma ruptura, o que, frequentemente,

Não foi possível correlacionar positivamente o eletromagnetismo


com qualquer alteração sobre a comunidade de aves e que
somente mais estudos poderão apresentar cenário mais confiável
para essa questão.

interrompia a transmissão de energia. Muitas teorias sur-


1.4 IMPACTOS NEGATIVOS DE AVES giram para explicar a causa destes  flashov ers .
SOBRE EMPREENDIMENTOS Uma das primeiras hipóteses levantadas foi a de que
a acumulação de excrementos nos isoladores de alguma
Em contrapartida, as aves são também consideradas causa- forma provocaria tal efeito, mas ela foi considerada in-
doras de problemas técnicos em linhas de transmissão, par- satisfatória por não explicar plenamente a flutuação de
ticularmente em áreas onde as populações de aves são gran- energia. Os engenheiros então apelavam para algo que
des. Esses problemas são, em geral, diretamente associados apelidaram de “surtos de tensão”. De acordo com essa
com as suas fezes, causadoras de diversos tipos de falhas na nova hipótese, os impulsos de alta tensão seriam produ-
operação de linhas de transmissão (McCann, 2005). zidos, de alguma forma, por ligação de linhas ou talvez
Michener, em seu artigo “Onde engenheiros e ornitó- por relâmpagos. Essas tensões seriam suficientemente
logos se encontram: problemas em linhas de transmiss ão elevadas para provocar um arco através de uma cadeia
causados por aves”, de 1928, enfocou os efeitos negativos de isoladores em condição normal. Mas a ocorrência de

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 flashov ers  não coincidia com a mudança da tensão da li- baixo ou mais baixo que o condutor. O observador teve ocorrera um  flashov er , por exemplo, foi encontrada uma nham (1996) revisaram os acidentes e falhas provocados
nha ou com as tempestades locais. receio da ocorrência de um  flashov er , mas o fluxo caiu garça andando no chão e em outra, um pequeno gavião, por esses e outros fatores ligados aos demais vertebrados.
Muitos instrumentos foram então desenvolvidos e longe da torre sem entrar em contato com o condutor com cauda e penas traseiras totalmente queimadas. Bekker & Hoch (2002) atribuem boa parte das falhas
medições desses picos de tensão foram feitas. Nada foi (Michener, 1928). Uma vez que o maior número de problemas ocorreu em uma linha de transmissão na África do Sul aos jatos
encontrado de magnitude suficiente para causar uma A partir dessa observação, passou-se a procurar e en- ao longo dos isoladores do centro, a primeira tentativa de fezes de aves, enquanto Harness & Carlton (2001) des-
descarga isolante. Outra teoria era a de “rios de íons” que contrar, em quase todas as torres onde  flashov ers  ocor- de manter as aves afastadas consistiu na colocação de um tacam a tomada de medidas preventivas para evitar cus-
poderiam ser retratados como correntes de ar fortemen- riam, a evidência direta de que a substância pegajosa, ou “V” invertido de aço acima dos isoladores, além d e outras tos com interrupções de energia em linhas de transmis-
te carregadas de íons. Quando um desses “rios” envol- seja, os excrementos semi-líquidos de aves, eram os cau- estruturas semelhantes em locais que, aparentemente, são. Ao mesmo tempo, Van Rooyen et al. (2002 e 2003)
via uma sequência de isolantes, os íons causavam uma sadores do problema. Por vezes, uma faixa branca de 1 a eram favoritos das aves para pouso. Tal medida começou estudaram o papel das aves e reportaram os resultados
corrente elétrica em torno dos isoladores e um  flashov er  3cm de largura no comprimento total da cadeia de isolan- a ser adotada em junho de 1923, mas os  flashov ers , em de um projeto que tentou, de forma bem-sucedid a, redu-
seria o resultado. te era encontrada. Às vezes, apenas uma mancha branca vez de diminuírem em número, surpreendentemente, au- zir os problemas de interrupções em linhas da E skom, na
Outra tese então levantada como tentativa de explicar na torre e outra no anel de blindagem podiam ser obser- mentaram sensivelmente. África do Sul.
as flutuações de corrente e os  flashov ers  que provocavam vadas. De um modo geral, constatou-se que, se as aves As indicações eram de que as aves, tendo sido for- Smallie & Rooyen (2005) conduziram um estudo em
prejuízos às linhas foi a de que teias de aranhas poderiam estavam empoleiradas a alguma distância a barlavento do çadas a sair dos seus lugares habituais, passaram a se uma linha de transmissão de 400 kV, na qual as águias
ser responsáveis pelos problemas. Como muitas torres isolador, o vento poderia soprar a extremidade inferior empoleirar no anel superior do escudo dos isoladores, de grande porte eram as principais causadoras de inter-
apresentavam grandes quantidades de teias de aranha da sequência de excrementos contra o anel de escudo, ou causando, assim, mais problemas do que antes. Como rupções de energias decorrentes de  flashov ers . As torres
passou-se a imaginar que, em determinadas condições de perto o suficiente (por volta de 13cm) para estabelecer um novo teste, 60km de linha foram equipados com pla- em forma de “VVV” foram as mais afetadas. Métodos
umidade, elas poderiam acabar servindo de condutores e o arco ao longo da sequência de excrementos. O vento cas de ferro galvanizado na cruzeta, acima dos isolado- mitigadores foram testados por esses autores, enquanto
provocariam os referidos danos às linhas de transmiss ão. poderia, aparentemente, soprar o arco para o lado oposto res centrais. Eram chapas de cerca de 4m x 8m, com os no Novo México, estudando a linha de transmissão de
Essa hipótese, no entanto, demonstrou sua inviabilidade da cadeia de isoladores, a extremidade superior do arco centros acima dos isoladores. Na época, houve a percep- 345 kV, que vai de Bernalillo a Blackwater, Acklen et al.
após alguns testes realizados. vagando ao longo da parte inferior da parte superior da ção de que, quando essas placas de metal eram colocadas (2004) constataram que o maior motivo de problemas no
A questão foi ficando cada vez mais séria, porque o torre e a extremidade inferior do arco viajando em torno muito distantes dos isoladores, os gaviões entravam de- circuito de energia eram os famosos bird streamers, que
tempo necessário para voltar às condições normais de do anel de blindagem. Muitas vezes, a evidência de todo baixo delas e provocavam igualmente  flasho vers . Outra poderiam ser traduzidos como “cordões fecais”, particu-
funcionamento após um  flashov er  tornou-se maior à me- esse processo foi encontrada, com manchas brancas nas questão interessante é que a companhia instalou tais pla- larmente de gaviões e de garças.
dida que o tamanho do sistema aumentava. Além disso, o torres e sobre o anel de blindagem, quase sempre coinci- cas somente sobre os isoladores centrais, protegendo os Um amplo conhecimento dessas questões pode exer-
aumento da tensão de funcionamento e da adição simul- dindo com uma queimadura no metal. externos com dentes de metal instalados sobre os dispo- cer grande repercussão financeira sobre empreendimen-
tânea do escudo de anéis de 28 polegadas de diâmetro Michener (1928) relata que, resolvida a questão, pas- sitivos. Esses, supostamente, teriam também o objetivo tos, afinal algumas decisões acertadas podem resultar em
na extremidade do condutor de todas as cadeias d e isola- sou-se a elaborar estratégias que impedissem grandes ga- de evitar o pouso de gaviões, mas eles não foram efetivos grande economia. Esses problemas, os famosos  flasho -
dores pareceu provocar um avanço marcado no número viões e águias de pousarem nas torres. Mas antes disso, na redução de acidentes. vers, são responsáveis por falhas até hoje, e por falta de
de  flashov ers . A situação ficava gradativamente pior e a houve resistência a acreditar que aves poderiam causar Desde então, uma série de pesquisas vêm demonstran- conhecimento no assunto, cada companhia, individual-
necessidade de se entender o problema aumentava. Um tal impacto sobre linhas. Um dos motivos disso era o fato do serem esses acidentes extremamente comuns e onero- mente, é obrigada a investigar suas interrupções d e ener-
ou dois anos antes da potência da linha chegar a 220 kV, de que aves não eram encontradas mortas em locais onde sos para as empresas que administram linhas de trans- gia a fundo até descobrirem a participação das aves em
um dos homens responsáveis pelas linhas viu uma ave tivessem ocorrido  flashov ers . Acreditava-se que uma ave missão. Quase 70 anos depois, Burnham (1995) detalhou todo o processo.
grande, talvez uma águia, enquanto saía da torre, soltar não poderia causar um arco e fugir viva. Michener rela- os mecanismos pelos quais tais interrupções ocorrem em Nos resultados de nosso estudo de caso voltaremos a
um fluxo de excrementos pegajoso que se estendia desde ta ainda que, depois de aceita a hipótese, algumas aves função dos jatos de fezes de aves em isoladores de linhas enfocar este tema, especificamente no que diz respeito
o membro da torre acima do isolante até um ponto tão machucadas foram encontradas. Em uma das torres onde de transmissão de 500 e 220 kV, enquanto Frazier & Bo- a seus reflexos sobre as li nhas de transmissão da Taesa.

40 41
 flashov ers  não coincidia com a mudança da tensão da li- baixo ou mais baixo que o condutor. O observador teve ocorrera um  flashov er , por exemplo, foi encontrada uma nham (1996) revisaram os acidentes e falhas provocados
nha ou com as tempestades locais. receio da ocorrência de um  flashov er , mas o fluxo caiu garça andando no chão e em outra, um pequeno gavião, por esses e outros fatores ligados aos demais vertebrados.
Muitos instrumentos foram então desenvolvidos e longe da torre sem entrar em contato com o condutor com cauda e penas traseiras totalmente queimadas. Bekker & Hoch (2002) atribuem boa parte das falhas
medições desses picos de tensão foram feitas. Nada foi (Michener, 1928). Uma vez que o maior número de problemas ocorreu em uma linha de transmissão na África do Sul aos jatos
encontrado de magnitude suficiente para causar uma A partir dessa observação, passou-se a procurar e en- ao longo dos isoladores do centro, a primeira tentativa de fezes de aves, enquanto Harness & Carlton (2001) des-
descarga isolante. Outra teoria era a de “rios de íons” que contrar, em quase todas as torres onde  flashov ers  ocor- de manter as aves afastadas consistiu na colocação de um tacam a tomada de medidas preventivas para evitar cus-
poderiam ser retratados como correntes de ar fortemen- riam, a evidência direta de que a substância pegajosa, ou “V” invertido de aço acima dos isoladores, além d e outras tos com interrupções de energia em linhas de transmis-
te carregadas de íons. Quando um desses “rios” envol- seja, os excrementos semi-líquidos de aves, eram os cau- estruturas semelhantes em locais que, aparentemente, são. Ao mesmo tempo, Van Rooyen et al. (2002 e 2003)
via uma sequência de isolantes, os íons causavam uma sadores do problema. Por vezes, uma faixa branca de 1 a eram favoritos das aves para pouso. Tal medida começou estudaram o papel das aves e reportaram os resultados
corrente elétrica em torno dos isoladores e um  flashov er  3cm de largura no comprimento total da cadeia de isolan- a ser adotada em junho de 1923, mas os  flashov ers , em de um projeto que tentou, de forma bem-sucedid a, redu-
seria o resultado. te era encontrada. Às vezes, apenas uma mancha branca vez de diminuírem em número, surpreendentemente, au- zir os problemas de interrupções em linhas da E skom, na
Outra tese então levantada como tentativa de explicar na torre e outra no anel de blindagem podiam ser obser- mentaram sensivelmente. África do Sul.
as flutuações de corrente e os  flashov ers  que provocavam vadas. De um modo geral, constatou-se que, se as aves As indicações eram de que as aves, tendo sido for- Smallie & Rooyen (2005) conduziram um estudo em
prejuízos às linhas foi a de que teias de aranhas poderiam estavam empoleiradas a alguma distância a barlavento do çadas a sair dos seus lugares habituais, passaram a se uma linha de transmissão de 400 kV, na qual as águias
ser responsáveis pelos problemas. Como muitas torres isolador, o vento poderia soprar a extremidade inferior empoleirar no anel superior do escudo dos isoladores, de grande porte eram as principais causadoras de inter-
apresentavam grandes quantidades de teias de aranha da sequência de excrementos contra o anel de escudo, ou causando, assim, mais problemas do que antes. Como rupções de energias decorrentes de  flashov ers . As torres
passou-se a imaginar que, em determinadas condições de perto o suficiente (por volta de 13cm) para estabelecer um novo teste, 60km de linha foram equipados com pla- em forma de “VVV” foram as mais afetadas. Métodos
umidade, elas poderiam acabar servindo de condutores e o arco ao longo da sequência de excrementos. O vento cas de ferro galvanizado na cruzeta, acima dos isolado- mitigadores foram testados por esses autores, enquanto
provocariam os referidos danos às linhas de transmiss ão. poderia, aparentemente, soprar o arco para o lado oposto res centrais. Eram chapas de cerca de 4m x 8m, com os no Novo México, estudando a linha de transmissão de
Essa hipótese, no entanto, demonstrou sua inviabilidade da cadeia de isoladores, a extremidade superior do arco centros acima dos isoladores. Na época, houve a percep- 345 kV, que vai de Bernalillo a Blackwater, Acklen et al.
após alguns testes realizados. vagando ao longo da parte inferior da parte superior da ção de que, quando essas placas de metal eram colocadas (2004) constataram que o maior motivo de problemas no
A questão foi ficando cada vez mais séria, porque o torre e a extremidade inferior do arco viajando em torno muito distantes dos isoladores, os gaviões entravam de- circuito de energia eram os famosos bird streamers, que
tempo necessário para voltar às condições normais de do anel de blindagem. Muitas vezes, a evidência de todo baixo delas e provocavam igualmente  flasho vers . Outra poderiam ser traduzidos como “cordões fecais”, particu-
funcionamento após um  flashov er  tornou-se maior à me- esse processo foi encontrada, com manchas brancas nas questão interessante é que a companhia instalou tais pla- larmente de gaviões e de garças.
dida que o tamanho do sistema aumentava. Além disso, o torres e sobre o anel de blindagem, quase sempre coinci- cas somente sobre os isoladores centrais, protegendo os Um amplo conhecimento dessas questões pode exer-
aumento da tensão de funcionamento e da adição simul- dindo com uma queimadura no metal. externos com dentes de metal instalados sobre os dispo- cer grande repercussão financeira sobre empreendimen-
tânea do escudo de anéis de 28 polegadas de diâmetro Michener (1928) relata que, resolvida a questão, pas- sitivos. Esses, supostamente, teriam também o objetivo tos, afinal algumas decisões acertadas podem resultar em
na extremidade do condutor de todas as cadeias d e isola- sou-se a elaborar estratégias que impedissem grandes ga- de evitar o pouso de gaviões, mas eles não foram efetivos grande economia. Esses problemas, os famosos  flasho -
dores pareceu provocar um avanço marcado no número viões e águias de pousarem nas torres. Mas antes disso, na redução de acidentes. vers, são responsáveis por falhas até hoje, e por falta de
de  flashov ers . A situação ficava gradativamente pior e a houve resistência a acreditar que aves poderiam causar Desde então, uma série de pesquisas vêm demonstran- conhecimento no assunto, cada companhia, individual-
necessidade de se entender o problema aumentava. Um tal impacto sobre linhas. Um dos motivos disso era o fato do serem esses acidentes extremamente comuns e onero- mente, é obrigada a investigar suas interrupções d e ener-
ou dois anos antes da potência da linha chegar a 220 kV, de que aves não eram encontradas mortas em locais onde sos para as empresas que administram linhas de trans- gia a fundo até descobrirem a participação das aves em
um dos homens responsáveis pelas linhas viu uma ave tivessem ocorrido  flashov ers . Acreditava-se que uma ave missão. Quase 70 anos depois, Burnham (1995) detalhou todo o processo.
grande, talvez uma águia, enquanto saía da torre, soltar não poderia causar um arco e fugir viva. Michener rela- os mecanismos pelos quais tais interrupções ocorrem em Nos resultados de nosso estudo de caso voltaremos a
um fluxo de excrementos pegajoso que se estendia desde ta ainda que, depois de aceita a hipótese, algumas aves função dos jatos de fezes de aves em isoladores de linhas enfocar este tema, especificamente no que diz respeito
o membro da torre acima do isolante até um ponto tão machucadas foram encontradas. Em uma das torres onde de transmissão de 500 e 220 kV, enquanto Frazier & Bo- a seus reflexos sobre as li nhas de transmissão da Taesa.

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Choca-barrada-da-caatinga,
Thamnophiluscapistratus 

42 43
Choca-barrada-da-caatinga,
Thamnophiluscapistratus 

42 43

CAPÍTULO 2
ESTUDO DE CASO

44 45
CAPÍTULO 2 ESTUDO DE CASO

44 45

ESTUDO DE CASO notáveis passíveis de serem classificados e hierarquiza-


dos. Primeiramente, os pontos notáveis foram escolhi-
O projeto “Análise da Relação entre Aves e Linhas dos a partir da análise de cartas-imagem provenientes
de Transmissão 500 kV no Brasil e Des envolvimento de imagens do processo de licenciamento ambiental
das concessões supracitadas, às quais os traçados das
de Técnicas para a Predição de Impactos”
linhas foram sobrepostos. Essa análise resultou na se-
leção de 93 pontos, sendo 66 na concessão Interligação
LT 500 kV Norte-Sul II e 27 na concessão Interligação
2.1 OBJETIVOS DO PROJETO LT 500 kV Sudeste-Nordeste. Dada a grande quantida-
de de pontos e a desatualização das imagens analisadas,
O objetivo deste estudo foi a realização de uma análise foram adquiridas imagens recentes Landsat/Geocover
ampla das relações entre aves e linhas de transmissão no (Nasa) das áreas correspondentes, a fim de conferir o
Brasil. Para isso, partiu-se d e um estudo de caso, ou seja, estado de conservação dos remanescentes de vegetação
o estudo da relação entre aves e duas linhas de transmis- pré-selecionados. As cartas-imagem atualizadas possi-
são da Taesa (veja descrição a seguir) para depois atingir bilitaram a hierarquização dos pontos notáveis, tendo
perspectivas mais gerais. sido avaliadas as características dos fragmentos de ve-
Como subproduto deste projeto, além do levantamen- getação presentes, tais como o provável bioma repre-
to de informações preciosas relacionadas diretamente ao sentado, o habitat, a área (tamanho), a conectividade
assunto “Aves e li nhas de t ransmissão”, houve a ampliação com outras áreas naturais e o uso do solo nos arredores
de um centro de pesquisa pela entrada de recursos para (matrizes antrópicas).
material e a formação de especialistas no nível de inicia- Dessa forma, foi possível selecionar os pontos no-
ção científica, mestrado e doutorado. táveis que atendessem, hoje, a um maior número de
pré-requisitos (e . g . maiores áreas de remanescentes de
vegetação, maior conectividade, maior distância em
2.2 ABORDAGEM CONCEITUAL relação aos maiores centros urbanos regionais). Essa
análise destacou um total de 36 pontos, sendo 14 na
E METODOLOGIA
concessão Interligação LT 500 kV Norte-Sul II e 22 na
concessão Interligação LT 500 kV Sudeste-Nordeste. A
2.2.1 A escolha dos pontos amostrais primeira campanha de campo foi planejada e executada
O primeiro passo prático deste estudo foi uma pros- em dezembro de 2009, procurando restringir ao máxi-
pecção realizada a partir da necessidade da definição mo os pontos amostrais a serem investigados quanto à
de pontos amostrais que atendessem aos pré-requisitos avifauna. A primeira fase de campo foi uma reunião de
de interesse à pesquisa em questão. A grande extensão apresentação do projeto, realizada na sede da Gerência
IRAMAIA / BA das concessões Interligação LT 500 kV Norte-Sul II e Regional de Manutenção da Taesa, situada em Brasília.
Mapa com a localização da área de amostragem no município de Interligação LT 500 kV Sudeste-Nordeste, aliada à am- A reunião viabilizou o perfeito entendimento das con-
Iramaia, Bahia, sob as coordenadas 13°24’49.15”S e 41°9’36.79”O. pla diversidade de ambientes e biomas observada ao dições que seriam encontradas em campo pela equipe
longo de seus traçados, exigiram a seleção de pontos do projeto. As principais informações abordadas foram:

46 47
ESTUDO DE CASO notáveis passíveis de serem classificados e hierarquiza-
dos. Primeiramente, os pontos notáveis foram escolhi-
O projeto “Análise da Relação entre Aves e Linhas dos a partir da análise de cartas-imagem provenientes
de Transmissão 500 kV no Brasil e Des envolvimento de imagens do processo de licenciamento ambiental
das concessões supracitadas, às quais os traçados das
de Técnicas para a Predição de Impactos”
linhas foram sobrepostos. Essa análise resultou na se-
leção de 93 pontos, sendo 66 na concessão Interligação
LT 500 kV Norte-Sul II e 27 na concessão Interligação
2.1 OBJETIVOS DO PROJETO LT 500 kV Sudeste-Nordeste. Dada a grande quantida-
de de pontos e a desatualização das imagens analisadas,
O objetivo deste estudo foi a realização de uma análise foram adquiridas imagens recentes Landsat/Geocover
ampla das relações entre aves e linhas de transmissão no (Nasa) das áreas correspondentes, a fim de conferir o
Brasil. Para isso, partiu-se d e um estudo de caso, ou seja, estado de conservação dos remanescentes de vegetação
o estudo da relação entre aves e duas linhas de transmis- pré-selecionados. As cartas-imagem atualizadas possi-
são da Taesa (veja descrição a seguir) para depois atingir bilitaram a hierarquização dos pontos notáveis, tendo
perspectivas mais gerais. sido avaliadas as características dos fragmentos de ve-
Como subproduto deste projeto, além do levantamen- getação presentes, tais como o provável bioma repre-
to de informações preciosas relacionadas diretamente ao sentado, o habitat, a área (tamanho), a conectividade
assunto “Aves e li nhas de t ransmissão”, houve a ampliação com outras áreas naturais e o uso do solo nos arredores
de um centro de pesquisa pela entrada de recursos para (matrizes antrópicas).
material e a formação de especialistas no nível de inicia- Dessa forma, foi possível selecionar os pontos no-
ção científica, mestrado e doutorado. táveis que atendessem, hoje, a um maior número de
pré-requisitos (e . g . maiores áreas de remanescentes de
vegetação, maior conectividade, maior distância em
2.2 ABORDAGEM CONCEITUAL relação aos maiores centros urbanos regionais). Essa
análise destacou um total de 36 pontos, sendo 14 na
E METODOLOGIA
concessão Interligação LT 500 kV Norte-Sul II e 22 na
concessão Interligação LT 500 kV Sudeste-Nordeste. A
2.2.1 A escolha dos pontos amostrais primeira campanha de campo foi planejada e executada
O primeiro passo prático deste estudo foi uma pros- em dezembro de 2009, procurando restringir ao máxi-
pecção realizada a partir da necessidade da definição mo os pontos amostrais a serem investigados quanto à
de pontos amostrais que atendessem aos pré-requisitos avifauna. A primeira fase de campo foi uma reunião de
de interesse à pesquisa em questão. A grande extensão apresentação do projeto, realizada na sede da Gerência
IRAMAIA / BA das concessões Interligação LT 500 kV Norte-Sul II e Regional de Manutenção da Taesa, situada em Brasília.
Mapa com a localização da área de amostragem no município de Interligação LT 500 kV Sudeste-Nordeste, aliada à am- A reunião viabilizou o perfeito entendimento das con-
Iramaia, Bahia, sob as coordenadas 13°24’49.15”S e 41°9’36.79”O. pla diversidade de ambientes e biomas observada ao dições que seriam encontradas em campo pela equipe
longo de seus traçados, exigiram a seleção de pontos do projeto. As principais informações abordadas foram:

46 47

PRESIDENTE KENNEDY / TO SÃO FÉLIX DO CORIBE / BA


Mapa com a localização da área de amostragem no município de Presidente Kennedy, Mapa com a localização da área de amostragem em São Félix do Coribe,
Tocantins, sob as coordenadas 08°31’34.69”S e 48°28’10.64”O. Bahia, sob as coordenadas 13°21’59.86”S e 43°56’31.82”O.

48 49
PRESIDENTE KENNEDY / TO SÃO FÉLIX DO CORIBE / BA
Mapa com a localização da área de amostragem no município de Presidente Kennedy, Mapa com a localização da área de amostragem em São Félix do Coribe,
Tocantins, sob as coordenadas 08°31’34.69”S e 48°28’10.64”O. Bahia, sob as coordenadas 13°21’59.86”S e 43°56’31.82”O.

48 49

trafegabilidade e facilidade de acesso em cada ponto; rência para a amostragem nos locais onde a vegetação se
nome e contato dos proprietários; percepção do tipo de encontrava em melhor estado de conservação.
vegetação predominante pelas equipes de manutenção Além das características muito preliminares da vege-
(cerrado, caatinga, floresta); indicação de várzeas, bre- tação (o seu detalhamento foi feito posteriormente, pela
 jos exten sos ou áreas com aglo meraç ão de aves; exis - equipe de botânica), também foram avaliadas as condi-
tência de outras áreas preservadas que despertassem a ções das vias de acesso, a largura e a cobertura vegetal
atenção das equipes de manutenção; e contatos dos su- da faixa de servidão, o estado de conservação dos corpos
pervisores das linhas de transmissão. d’água e áreas alagadas próximas, assim como a presença
Isso permitiu um refinamento das informações pre- de aves por meio de busca visual, busca auditiva e utili-
viamente adquiridas a partir do sensoriamento remoto e zação de  playback .
o início da segunda fase da campanha, que foi constituí- Essas análises resultaram na seleção de três pontos
da pela prospecção de campo propriamente dita, na qual amostrais definitivos, que passariam a ser estudados no
os pontos notáveis foram caracterizados in loco. Como escopo do P&D a partir daquele momento:
será visto mais adiante, essa campanha exploratória pos- A - Área de amostragem em São Félix do Coribe,
sibilitou o detalhamento dos pontos selecionados em la- Bahia, está localizada nas coordenadas 13°21’59.86”S e
boratório com a análise das imagens Landsat/Geocover 43°56’31.82”O, próxima ao Rio São Francisco, e cortada
(Nasa). O norteamento na escolha dos pontos amostrais a pelo Trecho LT RDE-BJL (subestação Rio das Éguas a su-
serem prospectados foi realizado dando-se peso diferen- bestação Bom Jesus da Lapa). A cobertura vegetal onde
ciado aos maiores fragmentos de cada um dos três prin- o estudo foi executado é essencialmente de caatinga ar-
cipais biomas interceptados pelas concessões: Cerrado, borizada, com altura variando entre 5 e 10m ( Figura 1).
Caatinga e Mata Atlântica. Próxima à área de estudo são encontrados alguns rema-
As características dos fragmentos de vegetação pu- nescentes de caatinga florestada, que de alguma forma
deram ser avaliadas, minuciosamente, analisando-se as podem influenciar a avifauna da área de amostragem.
fitofisionomias presentes, o estágio sucessional, a presen- B - Área de amostragem no município de Iramaia,
ça de clareiras, dentre outros, assim como a presença de Bahia, está localizada nas coordenadas 13°24’49.15”S e
alterações antrópicas que não puderam ser notadas pela 41°9’36.79”O e cortada pelo Trecho LT IBI-SAP (subesta-
avaliação das imagens de sensoriamento remoto. A rotina ção Ibicoara a subestação de Sapeaçu). A vegetação pre-
de caracterização dos pontos notáveis incluiu, além do dominante é de mata atlântica com influência de cerrado,
preenchimento da ficha de campo utilizada para a carac- compondo, estruturalmente, um cerradão. A altura flo-
terização da paisagem, a utilização de GPS, marcando-se restal varia entre 10 e 20m ( Figura 2 ).
o ponto de acesso a cada área e um novo ponto de refe- C - Área de amostragem no município de Presiden-
te Kennedy, Tocantins, está localizada nas coordenadas
08°31’34.69”S e 48°28’10.64”O e cortada pelo Trecho LT
FIGURA 1  (acima) Foto ilustrando a área de amostragem no Município COL-MIR2 (subestação Colinas a subestação Miracema
de São Felix do Coribe, Bahia. A vegetação predominantemente de
Caatinga arbórea, com altura variando entre 5 e 10 metros. 2). A vegetação predominante é de cerrado com influência
amazônica. A altura florestal varia entre 10 a 15m ( Figura 3).
FIGURA 2  (abaixo) Foto ilustrando a área de amostragem no Município de Iramaia, A descrição fitofisionômica completa dos pontos é
Bahia. A vegetação predominantemente é o cerradão com influências fortes dos
biomas Mata Atlântica e Cerrado, e com altura variando entre 10 e 20 metros. apresentada no item Resultados deste capítulo.

50
trafegabilidade e facilidade de acesso em cada ponto; rência para a amostragem nos locais onde a vegetação se
nome e contato dos proprietários; percepção do tipo de encontrava em melhor estado de conservação.
vegetação predominante pelas equipes de manutenção Além das características muito preliminares da vege-
(cerrado, caatinga, floresta); indicação de várzeas, bre- tação (o seu detalhamento foi feito posteriormente, pela
 jos exten sos ou áreas com aglo meraç ão de aves; exis - equipe de botânica), também foram avaliadas as condi-
tência de outras áreas preservadas que despertassem a ções das vias de acesso, a largura e a cobertura vegetal
atenção das equipes de manutenção; e contatos dos su- da faixa de servidão, o estado de conservação dos corpos
pervisores das linhas de transmissão. d’água e áreas alagadas próximas, assim como a presença
Isso permitiu um refinamento das informações pre- de aves por meio de busca visual, busca auditiva e utili-
viamente adquiridas a partir do sensoriamento remoto e zação de  playback .
o início da segunda fase da campanha, que foi constituí- Essas análises resultaram na seleção de três pontos
da pela prospecção de campo propriamente dita, na qual amostrais definitivos, que passariam a ser estudados no
os pontos notáveis foram caracterizados in loco. Como escopo do P&D a partir daquele momento:
será visto mais adiante, essa campanha exploratória pos- A - Área de amostragem em São Félix do Coribe,
sibilitou o detalhamento dos pontos selecionados em la- Bahia, está localizada nas coordenadas 13°21’59.86”S e
boratório com a análise das imagens Landsat/Geocover 43°56’31.82”O, próxima ao Rio São Francisco, e cortada
(Nasa). O norteamento na escolha dos pontos amostrais a pelo Trecho LT RDE-BJL (subestação Rio das Éguas a su-
serem prospectados foi realizado dando-se peso diferen- bestação Bom Jesus da Lapa). A cobertura vegetal onde
ciado aos maiores fragmentos de cada um dos três prin- o estudo foi executado é essencialmente de caatinga ar-
cipais biomas interceptados pelas concessões: Cerrado, borizada, com altura variando entre 5 e 10m ( Figura 1).
Caatinga e Mata Atlântica. Próxima à área de estudo são encontrados alguns rema-
As características dos fragmentos de vegetação pu- nescentes de caatinga florestada, que de alguma forma
deram ser avaliadas, minuciosamente, analisando-se as podem influenciar a avifauna da área de amostragem.
fitofisionomias presentes, o estágio sucessional, a presen- B - Área de amostragem no município de Iramaia,
ça de clareiras, dentre outros, assim como a presença de Bahia, está localizada nas coordenadas 13°24’49.15”S e
alterações antrópicas que não puderam ser notadas pela 41°9’36.79”O e cortada pelo Trecho LT IBI-SAP (subesta-
avaliação das imagens de sensoriamento remoto. A rotina ção Ibicoara a subestação de Sapeaçu). A vegetação pre-
de caracterização dos pontos notáveis incluiu, além do dominante é de mata atlântica com influência de cerrado,
preenchimento da ficha de campo utilizada para a carac- compondo, estruturalmente, um cerradão. A altura flo-
terização da paisagem, a utilização de GPS, marcando-se restal varia entre 10 e 20m ( Figura 2 ).
o ponto de acesso a cada área e um novo ponto de refe- C - Área de amostragem no município de Presiden-
te Kennedy, Tocantins, está localizada nas coordenadas
08°31’34.69”S e 48°28’10.64”O e cortada pelo Trecho LT
FIGURA 1  (acima) Foto ilustrando a área de amostragem no Município COL-MIR2 (subestação Colinas a subestação Miracema
de São Felix do Coribe, Bahia. A vegetação predominantemente de
Caatinga arbórea, com altura variando entre 5 e 10 metros. 2). A vegetação predominante é de cerrado com influência
amazônica. A altura florestal varia entre 10 a 15m ( Figura 3).
FIGURA 2  (abaixo) Foto ilustrando a área de amostragem no Município de Iramaia, A descrição fitofisionômica completa dos pontos é
Bahia. A vegetação predominantemente é o cerradão com influências fortes dos
biomas Mata Atlântica e Cerrado, e com altura variando entre 10 e 20 metros. apresentada no item Resultados deste capítulo.

50

2.2.2 Estudo da comunidade de aves e 2.2.3 Pontos de contagem


o possível impacto da fragmentação
Na metodologia de pontos de contagem, foram anotadas
provocada pela faixa de servidão
todas as espécies observadas ou ouvidas em um raio de
A partir da definição das áreas de amostragem, passamos 50m em cada ponto. Estes foram amostrados por um pe-
a efetuar viagens cobrindo os períodos úmidos e secos ríodo de 10 minutos, ao longo dos quais foram anotados
do ano, agora, com o intuito de estudar as aves locais. No os dados das espécies observadas bem como o número de
total, foram realizadas quatro campanhas de 20 dias ao indivíduos registrados (Blondel et al., 1970). Os pontos
longo de dois anos. foram sorteados para determinar a ordem em que seriam
O desenho amostral foi pensado para determinar se exis- amostrados. A obtenção desses dados foi realizada nas
te mudança na comunidade de aves (riqueza de espécies e primeiras horas da manhã (5h30min).
abundância) da faixa de serviço até o interior do fragmento Um total de 60, 65 e 60 pontos foram amostrados em
estudado. Para isso, em cada fragmento estudado, uma área São Félix do Coribe, Iramaia e Presidente Kennedy, res-
de cerca de 1km 2 foi escolhida para a distribuição de cinco pectivamente. O número de pontos distribuídos por tran-
transectos paralelos a faixa de serviço, distantes entre eles secto foi 12 em São Félix do Coribe e Presidente Kennedy
100m (Figura 4). Cada transecto representa uma classe de e 13 em Iramaia.
distância (0-50m, 50-150m, 150-250m, 250-350m e 350-
450m), com zero metro próximo a faixa de serviço e 450m
distante da faixa de serviço e no ponto mais interior do frag- 2.2.4 Linhas de redes de neblina
52 mento. Cada transecto consiste de cinco estações amostrais, Foi instalada uma linha de 35 redes de neblina (compri-
sendo quatro pontos de contagem e um conjunto de redes mento: 12m, altura: 2,5m) em cada localidade, que se es-
de neblina correspondente. Isso possibilita avaliar as dife- tendia da faixa de serviço ao interior da mata, de forma
renças na comunidade de aves que podem eventualmente perpendicular à faixa ( Figura 4). As redes foram abertas
mudar com o aumento da distância da faixa de serviço em no início da manhã (5h30min), ficando abertas por um
cinco classes de distâncias da faixa, sendo o transecto 0-50m período mínimo de 8 horas, fechando somente no início
FAIXA DE SERVIDÃO o mais perto da faixa de serviço e o transecto 450m mais da tarde (13h30min). No total, foi realizado um esforço
no interior da mata ( Figura 4). A distância entre as estações amostral com redes na ordem de 2200, 2010 e 2100 ho-
amostrais em cada transecto variou entre 200 e 250m de
acordo com as características do terreno e da vegetação. Nos
próximos dois tópicos, cada metodologia (pontos e redes) FIGURA 3  (acima) Foto ilustrando a área de amostragem no município
utilizada será avaliada mais detalhadamente. de Presidente Kennedy, Tocantins. A vegetação predominante
A amostragem sistemática da avifauna constou da é o cerrado com forte influência Amazônica e a LT estudada
encontra-se paralela a outras duas linhas de transmissão.
atribuição conjunta de três métodos: captura com redes
de neblina e pontos de contagem, como sugerido por FIGURA 4  (abaixo) Esquema ilustrando o desenho amostral. As linhas brancas
Whitman et al .  (1997), e para complementar a lista de representam os cinco transectos, os quadrados brancos representam as
estações de amostragem (pontos de contagem e redes de neblina) com
espécies foram realizadas observações oportunísticas du- raios fixos de 50 metros (circulos pretos) e a linha cinza representa a
rante os deslocamentos entre locais de amostragem, bem linha de rede de neblina e a sua divisão por transecto (linhas vermelhas).
Vale ressaltar que cada trecho da rede entrou no seu respectivo transecto
como após o término diário dos p ontos de contagem. (=classe de distância), sendo assim equivalentes aos pontos de contagem.

53
2.2.2 Estudo da comunidade de aves e 2.2.3 Pontos de contagem
o possível impacto da fragmentação
Na metodologia de pontos de contagem, foram anotadas
provocada pela faixa de servidão
todas as espécies observadas ou ouvidas em um raio de
A partir da definição das áreas de amostragem, passamos 50m em cada ponto. Estes foram amostrados por um pe-
a efetuar viagens cobrindo os períodos úmidos e secos ríodo de 10 minutos, ao longo dos quais foram anotados
do ano, agora, com o intuito de estudar as aves locais. No os dados das espécies observadas bem como o número de
total, foram realizadas quatro campanhas de 20 dias ao indivíduos registrados (Blondel et al., 1970). Os pontos
longo de dois anos. foram sorteados para determinar a ordem em que seriam
O desenho amostral foi pensado para determinar se exis- amostrados. A obtenção desses dados foi realizada nas
te mudança na comunidade de aves (riqueza de espécies e primeiras horas da manhã (5h30min).
abundância) da faixa de serviço até o interior do fragmento Um total de 60, 65 e 60 pontos foram amostrados em
estudado. Para isso, em cada fragmento estudado, uma área São Félix do Coribe, Iramaia e Presidente Kennedy, res-
de cerca de 1km 2 foi escolhida para a distribuição de cinco pectivamente. O número de pontos distribuídos por tran-
transectos paralelos a faixa de serviço, distantes entre eles secto foi 12 em São Félix do Coribe e Presidente Kennedy
100m (Figura 4). Cada transecto representa uma classe de e 13 em Iramaia.
distância (0-50m, 50-150m, 150-250m, 250-350m e 350-
450m), com zero metro próximo a faixa de serviço e 450m
distante da faixa de serviço e no ponto mais interior do frag- 2.2.4 Linhas de redes de neblina
52 mento. Cada transecto consiste de cinco estações amostrais, Foi instalada uma linha de 35 redes de neblina (compri-
sendo quatro pontos de contagem e um conjunto de redes mento: 12m, altura: 2,5m) em cada localidade, que se es-
de neblina correspondente. Isso possibilita avaliar as dife- tendia da faixa de serviço ao interior da mata, de forma
renças na comunidade de aves que podem eventualmente perpendicular à faixa ( Figura 4). As redes foram abertas
mudar com o aumento da distância da faixa de serviço em no início da manhã (5h30min), ficando abertas por um
cinco classes de distâncias da faixa, sendo o transecto 0-50m período mínimo de 8 horas, fechando somente no início
FAIXA DE SERVIDÃO o mais perto da faixa de serviço e o transecto 450m mais da tarde (13h30min). No total, foi realizado um esforço
no interior da mata ( Figura 4). A distância entre as estações amostral com redes na ordem de 2200, 2010 e 2100 ho-
amostrais em cada transecto variou entre 200 e 250m de
acordo com as características do terreno e da vegetação. Nos
próximos dois tópicos, cada metodologia (pontos e redes) FIGURA 3  (acima) Foto ilustrando a área de amostragem no município
utilizada será avaliada mais detalhadamente. de Presidente Kennedy, Tocantins. A vegetação predominante
A amostragem sistemática da avifauna constou da é o cerrado com forte influência Amazônica e a LT estudada
encontra-se paralela a outras duas linhas de transmissão.
atribuição conjunta de três métodos: captura com redes
de neblina e pontos de contagem, como sugerido por FIGURA 4  (abaixo) Esquema ilustrando o desenho amostral. As linhas brancas
Whitman et al .  (1997), e para complementar a lista de representam os cinco transectos, os quadrados brancos representam as
estações de amostragem (pontos de contagem e redes de neblina) com
espécies foram realizadas observações oportunísticas du- raios fixos de 50 metros (circulos pretos) e a linha cinza representa a
rante os deslocamentos entre locais de amostragem, bem linha de rede de neblina e a sua divisão por transecto (linhas vermelhas).
Vale ressaltar que cada trecho da rede entrou no seu respectivo transecto
como após o término diário dos p ontos de contagem. (=classe de distância), sendo assim equivalentes aos pontos de contagem.

53

ras de rede em São Félix do Coribe, Iramaia e Presidente O índice pontual de abundância (IPA) indica a abun-
Kennedy, respectivamente. dância de cada espécie em função do seu coeficiente de
Para análise combinada de rede e pontos de contagem, conspicuidade, por meio do número de contatos visuais
a linha de rede foi dividida em cinco classes de distância, e/ou auditivos e o número total de amostras (Blondel et
como os pontos de escuta, para possibilit ar a análise con- al .,  1970). Para cada uma das espécies foi obtido um nú-
 junta d os dad os ( Figura 4) . mero de contatos que, dividido pelo número de amostras,
As capturas deste projeto de pesquisa foram feitas sob representa o IPA desta espécie (Vielliard & Silva, 1990).
a licença permanente 10613 ICMBio/SISBIO. A abundância foi registrada para cada classe de distância
para os dados de ponto de contagem e rede de neblina,
individualmente. A partir da matriz de abundância das
2.2.5 Análise dos dados espécies foi feita uma análise de agrupamento (Cluster)
Os pontos de contagem e as redes foram utilizados con- para avaliar a similaridade das classes de distância e, as-
 juntame nte para comparar a dif erença na comuni dade d e sim, tentar entender possíveis diferenças e/ou similarida-
aves nas cinco classes de distância analisadas. Para isso des. A análise de Cluster foi feita no Estatística 7 usando
foram obtidos dados referentes à riqueza das espé cies ob- a distância Euclidiana entre os grupos.
servadas (Sobs) e esti madas, assim como o Índice Pontu-
al de Abundância. Somente as espécies florestais foram 2.2.6 Interações negativas e análises
usadas nas comparações entre as classes, mas os dados de de colisões de aves com as LTs
todas as espécies registradas são mostrados nas tabelas
de abundância. Adicionalmente às análises quantitativas, foi empenhado
Para a estimativa de riqueza foi utilizado o estimador esforço no sentido de se obter uma maior compreensão
não paramétrico de primeira ordem, Jackknife 1. Foram da dinâmica da comunidade de aves nos pontos amos-
comparados os resultados da riqueza observada e estimada trais enfocados, assim como foi dada especial atenção a
em cada classe de distância para uma melhor interpretação eventuais interações de aves com a linha de transmissão.
das eventuais diferenças entre as classes de distâncias. Nesse sentido, áreas circunvizinhas foram visitadas e a
O número total de espécies observadas (Sobs) nos pon- faixa de serviço percorrida em todos os dias do estudo
tos de contagem e redes foram combinados e representa- em pelo menos dois momentos, logo cedo, p ela manhã, e
dos por uma única curva de rarefação. Pela análise dessa no final de cada dia de amostragem.
curva é possível saber se as estimativas ainda estão sendo Foi dada especial ênfase também à observação de es-
influenciadas pelo tamanho amostral e estimar o número pécies que cruzavam as linhas de transmissão com even-
de espécies que ainda não foi observado na área de estudo tuais riscos de colisão. Por fim, foram feitas entrevistas
(Chazdon et al ., 1998). As análises referentes à curva de com o pessoal responsável pela manutenção do empre-
rarefação e à estimativa de riqueza de espécies foram reali- endimento e com a população local. Os dados levanta-
zadas utilizando o software EstimateS 7.5 (Colwell, 2005). dos foram contextualizados mediante os levantamentos
Além disso, a diferença na riqueza de espécies observadas bibliográficos realizados.
(Sobs) entre as classes foi testada usando o teste-t de stu-
dent , adotando-se o nível de significância de p<0.05.
Biólogos vistoriando as redes de neblina

55
ras de rede em São Félix do Coribe, Iramaia e Presidente O índice pontual de abundância (IPA) indica a abun-
Kennedy, respectivamente. dância de cada espécie em função do seu coeficiente de
Para análise combinada de rede e pontos de contagem, conspicuidade, por meio do número de contatos visuais
a linha de rede foi dividida em cinco classes de distância, e/ou auditivos e o número total de amostras (Blondel et
como os pontos de escuta, para possibilit ar a análise con- al .,  1970). Para cada uma das espécies foi obtido um nú-
 junta d os dad os ( Figura 4) . mero de contatos que, dividido pelo número de amostras,
As capturas deste projeto de pesquisa foram feitas sob representa o IPA desta espécie (Vielliard & Silva, 1990).
a licença permanente 10613 ICMBio/SISBIO. A abundância foi registrada para cada classe de distância
para os dados de ponto de contagem e rede de neblina,
individualmente. A partir da matriz de abundância das
2.2.5 Análise dos dados espécies foi feita uma análise de agrupamento (Cluster)
Os pontos de contagem e as redes foram utilizados con- para avaliar a similaridade das classes de distância e, as-
 juntame nte para comparar a dif erença na comuni dade d e sim, tentar entender possíveis diferenças e/ou similarida-
aves nas cinco classes de distância analisadas. Para isso des. A análise de Cluster foi feita no Estatística 7 usando
foram obtidos dados referentes à riqueza das espé cies ob- a distância Euclidiana entre os grupos.
servadas (Sobs) e esti madas, assim como o Índice Pontu-
al de Abundância. Somente as espécies florestais foram 2.2.6 Interações negativas e análises
usadas nas comparações entre as classes, mas os dados de de colisões de aves com as LTs
todas as espécies registradas são mostrados nas tabelas
de abundância. Adicionalmente às análises quantitativas, foi empenhado
Para a estimativa de riqueza foi utilizado o estimador esforço no sentido de se obter uma maior compreensão
não paramétrico de primeira ordem, Jackknife 1. Foram da dinâmica da comunidade de aves nos pontos amos-
comparados os resultados da riqueza observada e estimada trais enfocados, assim como foi dada especial atenção a
em cada classe de distância para uma melhor interpretação eventuais interações de aves com a linha de transmissão.
das eventuais diferenças entre as classes de distâncias. Nesse sentido, áreas circunvizinhas foram visitadas e a
O número total de espécies observadas (Sobs) nos pon- faixa de serviço percorrida em todos os dias do estudo
tos de contagem e redes foram combinados e representa- em pelo menos dois momentos, logo cedo, p ela manhã, e
dos por uma única curva de rarefação. Pela análise dessa no final de cada dia de amostragem.
curva é possível saber se as estimativas ainda estão sendo Foi dada especial ênfase também à observação de es-
influenciadas pelo tamanho amostral e estimar o número pécies que cruzavam as linhas de transmissão com even-
de espécies que ainda não foi observado na área de estudo tuais riscos de colisão. Por fim, foram feitas entrevistas
(Chazdon et al ., 1998). As análises referentes à curva de com o pessoal responsável pela manutenção do empre-
rarefação e à estimativa de riqueza de espécies foram reali- endimento e com a população local. Os dados levanta-
zadas utilizando o software EstimateS 7.5 (Colwell, 2005). dos foram contextualizados mediante os levantamentos
Além disso, a diferença na riqueza de espécies observadas bibliográficos realizados.
(Sobs) entre as classes foi testada usando o teste-t de stu-
dent , adotando-se o nível de significância de p<0.05.
Biólogos vistoriando as redes de neblina

55

Besourinho-de-bico-vermelho,
Chlorostilbon lucidus 

2.2.7 Estudos fitofisionômicos nância das florestas estacionais ou caatingas arbóreas,


observadas nos mais diversos estágios sucessionais. As
A descrição geral das fitofisionomias e seus respectivos florestas estacionais semideciduais apresentam-se reco-
biomas foi de fundamental importância na contextuali- brindo grandes extensões planas até a base das verten-
zação e entendimento dos resultados referentes às comu- tes dos maciços montanhosos. Já nesses, com presença
nidades de aves. de afloramentos de calcário, desenvolve-se uma tipologia
A área de amostragem no município de Presidente de vegetação característica de solos rasos (litólicos) com
Kennedy, Tocantins, está localizada nas coordenadas de forte restrição hídrica, denominadas de florestas estacio-
08°31’34.69”S e 48°28’10.64”O e é interceptada pela LT nais deciduais. A vegetação savânica típica dos cerrados
500 kV Norte-Sul II. Como já dito anteriormente, trata- também foi observada na forma de manchas recobrindo
-se de uma transição do domínio morfoclimático do Cer- terrenos arenosos, neste caso, em áreas de ocorrência de
rado para o domínio morfoclimático da Amazônia. Essa neossolos quartzarênicos. Em termos gerais, os dados le-
transição é expressa na paisagem na forma de um predo- vantados pelo estudo da paisagem apontaram que a ba-
mínio de vegetação típica das savanas (cerrados e cerra- cia hidrográfica do rio Corrente (bacia onde se encontra
dões) recobrindo os interflúvios, porém, com ocorrência inserida a região de amostragem) possui cerca de 34%
de manchas de florestas com características amazônicas de sua cobertura de vegetação nativa, ou seja, valores
ao longo das linhas de drenagem perenes (florestas ri- que refletem forte pressão antrópica exercida, principal-
párias). Segundo os resultados de ecologia de paisagem mente, pela agricultura mecanizada. Porém, diferente
desenvolvidos para este estudo, conclui-se que a bacia hi- do observado para a região de Presidente Kennedy, os
drográfica onde a área de amostragem encontra-se loca- fragmentos de vegetação nativa na região d e São Félix do
lizada apresenta, hoje, somente 20% de sua área coberta Coribe apresentam maior uniformidade e conectividade.
por vegetação original, ou seja, uma região com pouca Por fim, a área de amostragem em Iramaia (Bahia)
cobertura vegetal, onde a paisagem é caracterizada por encontra-se localizada na região da Chapada Diamanti-
um alto índice de fragmentação, sem um padrão de con- na, nas coordenadas 13°24’49.15”S e 41° 9’36.79”O, que
tinuidade no ambiente e relativamente isolados. Esses também é interceptada pela interligação LT 500 kV Su-
padrões demonstram a grande pressão existente sobre a deste-Nordeste. Apesar de estar inserida no bioma caa-
vegetação nativa nessa área, caracterizada principalmen- tinga, a vegetação na região é formada por um complexo
te pela pecuária extensiva, mesmo antes da implantação mosaico vegetacional formado por diversos sistemas fito-
da interligação LT 500 kV Norte-Sul II. ecológicos, onde a vegetação, associada com as caracte-
Já a área de amostragem em São Félix do Coribe rísticas fisiográficas, varia desde as estepes ou caatingas
(Bahia), está localizada nas coordenadas 13°21’59.86”S propriamente ditas, passando pelas savanas (cerrados e
e 43°56’31.82”O, próxima ao rio Corrente, afluente da cerradões) e pelos refúgios vegetacionais montanos até
margem esquerda do rio São Francisco (região do mé- as florestas estacionais semideciduais.
dio São Francisco), e cortada pela interlig ação LT 500 kV De um modo geral, o estudo de fragmentação da pai-
Sudeste-Nordeste. A cobertura vegetal na região onde sagem demonstrou que essa microrregião é a mais bem
o estudo foi executado refere-se a uma transição entre conservada das três regiões amostrais, recoberta por 65%
os domínios morfoclimáticos da Caatinga e do Cerrado. de vegetação nativa e apresentando menores índices de
Esta transição se expressa na paisagem pela predomi- fragmentação, que, em contrapartida, conferem maior

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Besourinho-de-bico-vermelho,
Chlorostilbon lucidus 

2.2.7 Estudos fitofisionômicos nância das florestas estacionais ou caatingas arbóreas,


observadas nos mais diversos estágios sucessionais. As
A descrição geral das fitofisionomias e seus respectivos florestas estacionais semideciduais apresentam-se reco-
biomas foi de fundamental importância na contextuali- brindo grandes extensões planas até a base das verten-
zação e entendimento dos resultados referentes às comu- tes dos maciços montanhosos. Já nesses, com presença
nidades de aves. de afloramentos de calcário, desenvolve-se uma tipologia
A área de amostragem no município de Presidente de vegetação característica de solos rasos (litólicos) com
Kennedy, Tocantins, está localizada nas coordenadas de forte restrição hídrica, denominadas de florestas estacio-
08°31’34.69”S e 48°28’10.64”O e é interceptada pela LT nais deciduais. A vegetação savânica típica dos cerrados
500 kV Norte-Sul II. Como já dito anteriormente, trata- também foi observada na forma de manchas recobrindo
-se de uma transição do domínio morfoclimático do Cer- terrenos arenosos, neste caso, em áreas de ocorrência de
rado para o domínio morfoclimático da Amazônia. Essa neossolos quartzarênicos. Em termos gerais, os dados le-
transição é expressa na paisagem na forma de um predo- vantados pelo estudo da paisagem apontaram que a ba-
mínio de vegetação típica das savanas (cerrados e cerra- cia hidrográfica do rio Corrente (bacia onde se encontra
dões) recobrindo os interflúvios, porém, com ocorrência inserida a região de amostragem) possui cerca de 34%
de manchas de florestas com características amazônicas de sua cobertura de vegetação nativa, ou seja, valores
ao longo das linhas de drenagem perenes (florestas ri- que refletem forte pressão antrópica exercida, principal-
párias). Segundo os resultados de ecologia de paisagem mente, pela agricultura mecanizada. Porém, diferente
desenvolvidos para este estudo, conclui-se que a bacia hi- do observado para a região de Presidente Kennedy, os
drográfica onde a área de amostragem encontra-se loca- fragmentos de vegetação nativa na região d e São Félix do
lizada apresenta, hoje, somente 20% de sua área coberta Coribe apresentam maior uniformidade e conectividade.
por vegetação original, ou seja, uma região com pouca Por fim, a área de amostragem em Iramaia (Bahia)
cobertura vegetal, onde a paisagem é caracterizada por encontra-se localizada na região da Chapada Diamanti-
um alto índice de fragmentação, sem um padrão de con- na, nas coordenadas 13°24’49.15”S e 41° 9’36.79”O, que
tinuidade no ambiente e relativamente isolados. Esses também é interceptada pela interligação LT 500 kV Su-
padrões demonstram a grande pressão existente sobre a deste-Nordeste. Apesar de estar inserida no bioma caa-
vegetação nativa nessa área, caracterizada principalmen- tinga, a vegetação na região é formada por um complexo
te pela pecuária extensiva, mesmo antes da implantação mosaico vegetacional formado por diversos sistemas fito-
da interligação LT 500 kV Norte-Sul II. ecológicos, onde a vegetação, associada com as caracte-
Já a área de amostragem em São Félix do Coribe rísticas fisiográficas, varia desde as estepes ou caatingas
(Bahia), está localizada nas coordenadas 13°21’59.86”S propriamente ditas, passando pelas savanas (cerrados e
e 43°56’31.82”O, próxima ao rio Corrente, afluente da cerradões) e pelos refúgios vegetacionais montanos até
margem esquerda do rio São Francisco (região do mé- as florestas estacionais semideciduais.
dio São Francisco), e cortada pela interlig ação LT 500 kV De um modo geral, o estudo de fragmentação da pai-
Sudeste-Nordeste. A cobertura vegetal na região onde sagem demonstrou que essa microrregião é a mais bem
o estudo foi executado refere-se a uma transição entre conservada das três regiões amostrais, recoberta por 65%
os domínios morfoclimáticos da Caatinga e do Cerrado. de vegetação nativa e apresentando menores índices de
Esta transição se expressa na paisagem pela predomi- fragmentação, que, em contrapartida, conferem maior

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Pica-pau-de-cabeça-amarela,
Celeus flavescens 

conectividade e as maiores diversidades de forma, ta- tação de uma visão regional (macro) e, sequencialmente,
manho e tipologia dos fragmentos de vegetação natural passando o enfoque para as características locais, ou seja,
existentes. Além de diversidade e grau de isolamento dos inerentes apenas aos fragmentos alvos d o trabalho.
fragmentos, constatou-se também que na microrregião
de Iramaia os fragmentos de vegetação estão mais uni-
formemente distribuídos na paisagem. Diante do quadro Região de Iramaia
exposto, obviamente, a expectativa de serem observadas A região de Iramaia encontra-se localizada na Chapada
espécies de aves mais exigentes nessas áreas aumenta Diamantina, região que ocupa uma posição central no
consideravelmente. estado da Bahia e inclui 58 municípios. Essa região loca-
Para uma melhor compreensão das regiões amostrais liza-se na parte setentrional da Cadeia do Espinhaço, um
no tocante às variações de ambientes e, mais preci samen- conjunto de montanhas disjuntas que se estende desde o
te, das tipologias de vegetação, o item Resultados deste estado de Minas Gerais, em direção ao Norte, até alcan-
capítulo apresenta descrição sucinta dos componentes çar a calha do rio São Francisco ( Misi & Silva, 1994 apud
vegetacionais como forma de relacionar a presença e a Rocha et al., 2005).
distribuição das comunidades de aves, enfocando os frag- A ecorregião da Chapada Diamantina é uma das mais
mentos de vegetação amostrados e contextualizando as elevadas do bioma caatinga, quase toda com mais de
linhas de transmissão que interceptam esses fragmentos. 500m de altitude. O relevo é bastante acidentado, com
grandes maciços residuais, topos rochosos, encostas ín-
gremes, vales estreitos e profundos, grandes superfícies
RESULTADOS planas de altitude e serras altas, estreitas e alongadas. As
altitudes variam em geral de 200 a 1.800m, ocorrendo pi-
cos isolados com maiores elevações, a exemplo do Pico
A VEGETAÇÃO do Barbado, com 2.033m. (Rocha et al., 2005).
De modo geral, devido às condições espaciais de alti-
Para uma contextualização mais detalhada dos dados le- tude, o clima é mesotérmico, do tipo Cwb da classifica-
vantados de avifauna ao longo deste estudo, foi realizada ção de Koppen (1923), com temperaturas mais amenas
uma descrição das tipologias vegetacionais ocorrentes na do que nas regiões circundantes, apresentando médias
região de inserção dos fragmentos alvo do trabalho. Esse anuais inferiores a 22 o C e temperaturas baixas no inver-
estudo fitogeográfico tem o intuito de fornecer elemen- no (Rocha et al., 2005).
tos para avaliação da influência dos ambientes circunvi- Nos maciços e serras altas, os solos, quando presen-
zinhos aos fragmentos estudados sobre as comunidades tes, são rasos, pedregosos e de baixa fertilidade natural,
de avifauna encontradas nesses fragmentos. nos quais predominam os Neossolos Litólicos, ocorren-
Para demonstrar de forma mais clara para o leitor as do nos sopés dos paleoinselbergs (grandes afloramentos
características de cada região amostral, optou-se pela de rocha recobertos pelos campos rupestres). Nos topos
apresentação individualizada das diagnoses para cada planos, os solos são em geral mais profundos e bem dre-
uma das três regiões amostrais. Nesse contexto buscou-se nados, porém ácidos e muito pobres, com predominância
descrever a paisagem de entorno como forma de apresen- dos Latossolos.

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Pica-pau-de-cabeça-amarela,
Celeus flavescens 

conectividade e as maiores diversidades de forma, ta- tação de uma visão regional (macro) e, sequencialmente,
manho e tipologia dos fragmentos de vegetação natural passando o enfoque para as características locais, ou seja,
existentes. Além de diversidade e grau de isolamento dos inerentes apenas aos fragmentos alvos d o trabalho.
fragmentos, constatou-se também que na microrregião
de Iramaia os fragmentos de vegetação estão mais uni-
formemente distribuídos na paisagem. Diante do quadro Região de Iramaia
exposto, obviamente, a expectativa de serem observadas A região de Iramaia encontra-se localizada na Chapada
espécies de aves mais exigentes nessas áreas aumenta Diamantina, região que ocupa uma posição central no
consideravelmente. estado da Bahia e inclui 58 municípios. Essa região loca-
Para uma melhor compreensão das regiões amostrais liza-se na parte setentrional da Cadeia do Espinhaço, um
no tocante às variações de ambientes e, mais preci samen- conjunto de montanhas disjuntas que se estende desde o
te, das tipologias de vegetação, o item Resultados deste estado de Minas Gerais, em direção ao Norte, até alcan-
capítulo apresenta descrição sucinta dos componentes çar a calha do rio São Francisco ( Misi & Silva, 1994 apud
vegetacionais como forma de relacionar a presença e a Rocha et al., 2005).
distribuição das comunidades de aves, enfocando os frag- A ecorregião da Chapada Diamantina é uma das mais
mentos de vegetação amostrados e contextualizando as elevadas do bioma caatinga, quase toda com mais de
linhas de transmissão que interceptam esses fragmentos. 500m de altitude. O relevo é bastante acidentado, com
grandes maciços residuais, topos rochosos, encostas ín-
gremes, vales estreitos e profundos, grandes superfícies
RESULTADOS planas de altitude e serras altas, estreitas e alongadas. As
altitudes variam em geral de 200 a 1.800m, ocorrendo pi-
cos isolados com maiores elevações, a exemplo do Pico
A VEGETAÇÃO do Barbado, com 2.033m. (Rocha et al., 2005).
De modo geral, devido às condições espaciais de alti-
Para uma contextualização mais detalhada dos dados le- tude, o clima é mesotérmico, do tipo Cwb da classifica-
vantados de avifauna ao longo deste estudo, foi realizada ção de Koppen (1923), com temperaturas mais amenas
uma descrição das tipologias vegetacionais ocorrentes na do que nas regiões circundantes, apresentando médias
região de inserção dos fragmentos alvo do trabalho. Esse anuais inferiores a 22 o C e temperaturas baixas no inver-
estudo fitogeográfico tem o intuito de fornecer elemen- no (Rocha et al., 2005).
tos para avaliação da influência dos ambientes circunvi- Nos maciços e serras altas, os solos, quando presen-
zinhos aos fragmentos estudados sobre as comunidades tes, são rasos, pedregosos e de baixa fertilidade natural,
de avifauna encontradas nesses fragmentos. nos quais predominam os Neossolos Litólicos, ocorren-
Para demonstrar de forma mais clara para o leitor as do nos sopés dos paleoinselbergs (grandes afloramentos
características de cada região amostral, optou-se pela de rocha recobertos pelos campos rupestres). Nos topos
apresentação individualizada das diagnoses para cada planos, os solos são em geral mais profundos e bem dre-
uma das três regiões amostrais. Nesse contexto buscou-se nados, porém ácidos e muito pobres, com predominância
descrever a paisagem de entorno como forma de apresen- dos Latossolos.

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Nesse sentido, cabe citar a ótica geográfica de Georges pada Diamantina. Segundo Conceição et al. (2005), es-
Bertrand (1968) sobre zonas de paisagens ecológicas, em ses refúgios aparecem em altitudes acima de 900m ao
que é possível subdividir os macrodomínios de nature- longo de toda a Cadeia do Espinhaço, caracterizados,
za ou domínios morfoclimáticos do território brasileiro principalmente, pelos afloramentos rochosos associados
em regiões baseadas na compartimentação topográfica, a uma fisionomia herbáceo-arbustiva sobre solos tipica-
combinada com os atributos e consequências pedológicas mente quartzitos ( Figuras 5 e 6 ). Nesse ambiente aberto,
do embasamento geológico, sob ação de climas regionais floradas de Velloziaceae, Melastomataceae e Xyridaceae
(Ab’Saber, 2003). Dessa forma, infere-se que cada domí- propiciam um colorido particular à vegetação, de modo
nio morfoclimático ou fitogeográfico (no caso da Chapa- que, junto às cachoeiras e despenhadeiros, os campos ru-
da Diamantina, domínio morfoclimático das caatingas) pestres fazem parte integrante do espetáculo cênico que
pode apresentar um ecossistema predominante (caatin- atrai milhares de turistas a região da Chapada.
gas), associados com enclaves ou redutos de outros sis- Os campos rupestres distribuem-se de maneira aná-
temas ecológicos (campos rupestres, cerrados, florestas loga a um arquipélago, com inúmeras áreas elevadas
estacionais etc.) (Ab’Saber, 2003). separadas por terrenos mais baixos com características
No caso da ecorregião da Chapada Diamantina, em ambientais distintas. Na Bahia, eles são circundados
geral acima de 500m de altitude, onde existem mais aflo- principalmente por caatinga, mais raramente por cerra-
ramentos rochosos predominam os campos rupestres, do, muitas vezes apresentando estágios transicionais ou
também denominados refúgios vegetacionais montanos, ecótonos. Matas ocorrem dentro do domínio dos campos
sobre suporte geológico quartzítico e as savanas (cerra- rupestres, ao longo dos cursos d’água, em vertentes es- 61
dos e cerradões), ocorrendo onde o solo é mais arenoso, carpadas e nos topos fragmentados das serras. São ca-
predominando os Argissolos. Já as matas (florestas esta- racterizados, no entanto, pela alta taxa de endemismos,
cionais semideciduais) ocorrem fragmentadas ao longo dentre as maiores da flora brasileira (Joly, 1970). Esses
da borda leste da Chapada Diamantina recobrindo solos endemismos estão distribuídos em diversos grupos de
do tipo Latossolo, acompanhando as calhas dos rios e dis- plantas, especialmente em famílias de monocotiledôneas,
tribuídas nas encostas das serras, associadas a granitos e algumas (Velloziaceae, Eriocaulaceae e Xyridaceae) com
gnaisses. Por fim, a estepe (caatinga) observada recobre mais da metade de suas espécies restritas aos campos ru-
as terras da planície sertaneja meridional, que circunda pestres (Giulietti & Pirani, 1988; Giulietti et al., 1997).
toda a ecorregião, onde predominam solos do tipo Latos- Essa singularidade tem levado à realização de vários es-
solo, em geral em altitudes de até 1.000m, que se entre- tudos florísticos (Harley & Simmons, 1986; Giulietti et
meiam com os cerrados. al., 1987; Stannard, 1995; Guedes & Orge, 1998; Pirani et
Os campos rupestres ou refúgios vegetacionais mon- al., 2003; Zappi, 2003 apud Conceição, et al., 2005).
tanos compõem a vegetação mais característica da Cha- Já a vegetação típica da savana (cerrado) ocorre de
Norte-Sul da ecorregião da Chapada Diamantina. Em di-
versos locais situados entre as cotas 900 e 1200m prevale-
FIGURA 5  (acima) Afloramento de rocha
(incelberg) recoberto por vegetação tipicamente cem os cerrados de altitude, que, nas maiores elevações,
rupestre na região de Iramaia – BA entremeiam-se com áreas de campo rupestre onde aflo-
ramentos de rocha e solos rasos aparecem com mais fre-
FIGURA 6  (abaixo) Detalhe de um campo rupestre sobre
afloramento rochoso na região de Iramaia – BA quência, conforme apresentado na Figura 7 . Nas altitudes

60 61
Nesse sentido, cabe citar a ótica geográfica de Georges pada Diamantina. Segundo Conceição et al. (2005), es-
Bertrand (1968) sobre zonas de paisagens ecológicas, em ses refúgios aparecem em altitudes acima de 900m ao
que é possível subdividir os macrodomínios de nature- longo de toda a Cadeia do Espinhaço, caracterizados,
za ou domínios morfoclimáticos do território brasileiro principalmente, pelos afloramentos rochosos associados
em regiões baseadas na compartimentação topográfica, a uma fisionomia herbáceo-arbustiva sobre solos tipica-
combinada com os atributos e consequências pedológicas mente quartzitos ( Figuras 5 e 6 ). Nesse ambiente aberto,
do embasamento geológico, sob ação de climas regionais floradas de Velloziaceae, Melastomataceae e Xyridaceae
(Ab’Saber, 2003). Dessa forma, infere-se que cada domí- propiciam um colorido particular à vegetação, de modo
nio morfoclimático ou fitogeográfico (no caso da Chapa- que, junto às cachoeiras e despenhadeiros, os campos ru-
da Diamantina, domínio morfoclimático das caatingas) pestres fazem parte integrante do espetáculo cênico que
pode apresentar um ecossistema predominante (caatin- atrai milhares de turistas a região da Chapada.
gas), associados com enclaves ou redutos de outros sis- Os campos rupestres distribuem-se de maneira aná-
temas ecológicos (campos rupestres, cerrados, florestas loga a um arquipélago, com inúmeras áreas elevadas
estacionais etc.) (Ab’Saber, 2003). separadas por terrenos mais baixos com características
No caso da ecorregião da Chapada Diamantina, em ambientais distintas. Na Bahia, eles são circundados
geral acima de 500m de altitude, onde existem mais aflo- principalmente por caatinga, mais raramente por cerra-
ramentos rochosos predominam os campos rupestres, do, muitas vezes apresentando estágios transicionais ou
também denominados refúgios vegetacionais montanos, ecótonos. Matas ocorrem dentro do domínio dos campos
sobre suporte geológico quartzítico e as savanas (cerra- rupestres, ao longo dos cursos d’água, em vertentes es- 61
dos e cerradões), ocorrendo onde o solo é mais arenoso, carpadas e nos topos fragmentados das serras. São ca-
predominando os Argissolos. Já as matas (florestas esta- racterizados, no entanto, pela alta taxa de endemismos,
cionais semideciduais) ocorrem fragmentadas ao longo dentre as maiores da flora brasileira (Joly, 1970). Esses
da borda leste da Chapada Diamantina recobrindo solos endemismos estão distribuídos em diversos grupos de
do tipo Latossolo, acompanhando as calhas dos rios e dis- plantas, especialmente em famílias de monocotiledôneas,
tribuídas nas encostas das serras, associadas a granitos e algumas (Velloziaceae, Eriocaulaceae e Xyridaceae) com
gnaisses. Por fim, a estepe (caatinga) observada recobre mais da metade de suas espécies restritas aos campos ru-
as terras da planície sertaneja meridional, que circunda pestres (Giulietti & Pirani, 1988; Giulietti et al., 1997).
toda a ecorregião, onde predominam solos do tipo Latos- Essa singularidade tem levado à realização de vários es-
solo, em geral em altitudes de até 1.000m, que se entre- tudos florísticos (Harley & Simmons, 1986; Giulietti et
meiam com os cerrados. al., 1987; Stannard, 1995; Guedes & Orge, 1998; Pirani et
Os campos rupestres ou refúgios vegetacionais mon- al., 2003; Zappi, 2003 apud Conceição, et al., 2005).
tanos compõem a vegetação mais característica da Cha- Já a vegetação típica da savana (cerrado) ocorre de
Norte-Sul da ecorregião da Chapada Diamantina. Em di-
versos locais situados entre as cotas 900 e 1200m prevale-
FIGURA 5  (acima) Afloramento de rocha
(incelberg) recoberto por vegetação tipicamente cem os cerrados de altitude, que, nas maiores elevações,
rupestre na região de Iramaia – BA entremeiam-se com áreas de campo rupestre onde aflo-
ramentos de rocha e solos rasos aparecem com mais fre-
FIGURA 6  (abaixo) Detalhe de um campo rupestre sobre
afloramento rochoso na região de Iramaia – BA quência, conforme apresentado na Figura 7 . Nas altitudes

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mais baixas, o cerrado é substituído por várias formas de É importante destacar que as áreas mais se cas na Cha-
matas secas ou de caatingas. Em direção ao Sul, o cer- pada Diamantina não ocorrem em condições idênticas.
rado ocorre na região de Palmeiras e Piatã, tornando-se Essas áreas estão submetidas a diferentes combinações
mais contínuo entre Mucugê e Barra da Esti va e entre Rio de fatores ecológicos como, por exemplo, profundida-
de Contas e Caitité. Nos arredores de Morro do Chapéu, de, composição granulométrica e outras características
Piatã e Mucugê ocorre um tipo de cerrado localmente co- edáficas, além da declividade, microclima e proximida-
nhecido como Campos Gerais ou Gerais (Harley & Sim- de de cursos d’água, os quais, provavelmente, interferem
mons, 1986). nas comunidades vegetais. A consequência disso é que,
Conforme citado anteriormente, a região da Chapa- longe de representar uma unidade homogênea, as áreas
da Diamantina encontra-se inserida no bioma caatin- de caatinga são bastante diversas em fisionomia, compo-
ga. Segundo Queiroz et al. (2005), o principal fator que sição florística e estrutura das comunidades, refletindo
determina a existência da caatinga é o clima semiárido. a variação observada na combinação dos citados fatores
A caatinga ocorre em áreas tropicais marcadas por uma ambientais (Queiroz et al., 2005).
estação seca prolongada e uma estação chuvosa curta e Por fim as florestas estacionais, que na Bahia ocorrem
irregularmente distribuída no tempo e no espaço. O to- especialmente na Chapada Diamantina, sendo denomina-
tal de chuvas geralmente não ultrapassa 800mm anuais. das por alguns autores como florestas serranas, são um dos
Essas condições ocorrem, principalmente, em áreas de ecossistemas menos estudados da região. Segundo Funch
baixa altitude, como é o caso da grande Depressão Serta- et al. (2005) as florestas serranas da ecorregião da Chapada
neja, abaixo de 500m na sua maior extensão. No caso da Diamantina podem ser distribuídas em matas ciliares, ma-
62 Bahia, o bioma caatinga ocupa a maior parte das regiões tas de encosta, matas de planalto e matas de grotão.
Nordeste e Central do estado, praticamente circundando Em geral, as matas ciliares são florestas perenifólias que
toda a Chapada Diamantina. acompanham as calhas dos rios, em faixas relativamente
Devido a essa predominância das caatingas em áreas de estreitas e úmidas, raramente passam de 25m de largura e
depressão, não sendo geralmente associada às montanhas, apresentam solos arenosos, ácidos e constantemente úmi-
não deixa de ser surpreendente constatar que a maior par- dos, com pouca matéria orgânica e nutrientes, conforme
te do território da Chapada Diamantina seja revestida por apresentado na Figura 8.  Ao final da década de 1990, algu-
caatinga ou por formações vegetais a ela associadas, pois mas abordagens florísticas dessas matas começaram a dar
esse maciço montanhoso é mais frequentemente associado uma ideia de sua composição (Funch, 1997; Ribeiro Filho,
à vegetação de campos rupestres nas suas diversas formas. 2002; Stradman, 1997, 2000), onde se destacam as espécies
Nessa região espera-se encontrar áreas de caatinga princi- Tapirira guianensis , Clusia nemorosa, Balizia pedicellaris  e
palmente nas faces ocidentais das principais serras, onde Vochysia pyramidalis (Funch et al ., 2005).
há sombras de chuva, uma vez que os ventos provenientes As matas de encosta estendem-se pelas encostas das
do Oceano Atlântico já depositaram a maior parte de sua serras entre matacões, em declive pouco acentuado, tor-
umidade na parte oriental das serras. Nessas áreas e em nando-se gradativamente menos úmidas até alcançar o
vales mais secos, as condições climáticas não são as mais
propícias à sobrevivência das plantas das vegetações mais FIGURA 7  (acima) Mancha de vegetação típica de cerrado
características da Chapada, como os campos rupestres e associada a campo rupestre na região Iramaia.
cerrados (Queiroz et al., 2005). FIGURA 8  (abaixo) Exemplo de Mata ciliar na região de Iramaia – BA

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mais baixas, o cerrado é substituído por várias formas de É importante destacar que as áreas mais se cas na Cha-
matas secas ou de caatingas. Em direção ao Sul, o cer- pada Diamantina não ocorrem em condições idênticas.
rado ocorre na região de Palmeiras e Piatã, tornando-se Essas áreas estão submetidas a diferentes combinações
mais contínuo entre Mucugê e Barra da Esti va e entre Rio de fatores ecológicos como, por exemplo, profundida-
de Contas e Caitité. Nos arredores de Morro do Chapéu, de, composição granulométrica e outras características
Piatã e Mucugê ocorre um tipo de cerrado localmente co- edáficas, além da declividade, microclima e proximida-
nhecido como Campos Gerais ou Gerais (Harley & Sim- de de cursos d’água, os quais, provavelmente, interferem
mons, 1986). nas comunidades vegetais. A consequência disso é que,
Conforme citado anteriormente, a região da Chapa- longe de representar uma unidade homogênea, as áreas
da Diamantina encontra-se inserida no bioma caatin- de caatinga são bastante diversas em fisionomia, compo-
ga. Segundo Queiroz et al. (2005), o principal fator que sição florística e estrutura das comunidades, refletindo
determina a existência da caatinga é o clima semiárido. a variação observada na combinação dos citados fatores
A caatinga ocorre em áreas tropicais marcadas por uma ambientais (Queiroz et al., 2005).
estação seca prolongada e uma estação chuvosa curta e Por fim as florestas estacionais, que na Bahia ocorrem
irregularmente distribuída no tempo e no espaço. O to- especialmente na Chapada Diamantina, sendo denomina-
tal de chuvas geralmente não ultrapassa 800mm anuais. das por alguns autores como florestas serranas, são um dos
Essas condições ocorrem, principalmente, em áreas de ecossistemas menos estudados da região. Segundo Funch
baixa altitude, como é o caso da grande Depressão Serta- et al. (2005) as florestas serranas da ecorregião da Chapada
neja, abaixo de 500m na sua maior extensão. No caso da Diamantina podem ser distribuídas em matas ciliares, ma-
62 Bahia, o bioma caatinga ocupa a maior parte das regiões tas de encosta, matas de planalto e matas de grotão.
Nordeste e Central do estado, praticamente circundando Em geral, as matas ciliares são florestas perenifólias que
toda a Chapada Diamantina. acompanham as calhas dos rios, em faixas relativamente
Devido a essa predominância das caatingas em áreas de estreitas e úmidas, raramente passam de 25m de largura e
depressão, não sendo geralmente associada às montanhas, apresentam solos arenosos, ácidos e constantemente úmi-
não deixa de ser surpreendente constatar que a maior par- dos, com pouca matéria orgânica e nutrientes, conforme
te do território da Chapada Diamantina seja revestida por apresentado na Figura 8.  Ao final da década de 1990, algu-
caatinga ou por formações vegetais a ela associadas, pois mas abordagens florísticas dessas matas começaram a dar
esse maciço montanhoso é mais frequentemente associado uma ideia de sua composição (Funch, 1997; Ribeiro Filho,
à vegetação de campos rupestres nas suas diversas formas. 2002; Stradman, 1997, 2000), onde se destacam as espécies
Nessa região espera-se encontrar áreas de caatinga princi- Tapirira guianensis , Clusia nemorosa, Balizia pedicellaris  e
palmente nas faces ocidentais das principais serras, onde Vochysia pyramidalis (Funch et al ., 2005).
há sombras de chuva, uma vez que os ventos provenientes As matas de encosta estendem-se pelas encostas das
do Oceano Atlântico já depositaram a maior parte de sua serras entre matacões, em declive pouco acentuado, tor-
umidade na parte oriental das serras. Nessas áreas e em nando-se gradativamente menos úmidas até alcançar o
vales mais secos, as condições climáticas não são as mais
propícias à sobrevivência das plantas das vegetações mais FIGURA 7  (acima) Mancha de vegetação típica de cerrado
características da Chapada, como os campos rupestres e associada a campo rupestre na região Iramaia.
cerrados (Queiroz et al., 2005). FIGURA 8  (abaixo) Exemplo de Mata ciliar na região de Iramaia – BA

62 63

topo das serras, a cerca de 800m de altitude (Funch, 1997 Diagnose do ponto de amostragem
apud Funch et al., 2005) ( Figura 9). As matas de encosta
da região apresentam maior grau de deciduidade do que O ponto de amostragem em Iramaia (BA) está locali-
as matas ciliares (Funch et al., 2002) , isto é, possuem um zado nas coordenadas 13°24’49.15” S e 41°09’36.79”
grande numero de espécies que perdem as folhas na es- O, próximo à estrada vicinal de ligação entre o centro
tação seca, de agosto a outubro, a exemplo de Diospyros do município de Ibicoara e o distrito de Novo Acre,
sericea, Bowdichia virgilioides e  Maprounea guianens is , que pertence ao município de Iramaia. Localiza-se em
sendo assim consideradas florestas semidecíduas. Nas um grande fragmento de vegetação nativa sobre solos
maiores altitudes, a partir de 1000m, encontram-se nas do tipo Neossolo Litólico, recobrindo área de relevo
encostas florestas úmidas, perenifólias, com espécies tí- acidentado com topo plano tipo chapada e escarpas
picas desses ambientes, como Podocarpus lambertii , He- íngremes, recobrindo tanto o fundo de vale, como as
dyosmum brasiliensis , Weinmannia paulliniifolia e Dri- vertentes. Nos topos observa-se presença dos campos
mys brasiliensis (Harley, 1995 apud Funch et al ., 2005). rupestres, conforme ilustra a   Figura 11 . Cabe destacar
Nos topos dos chapadões, encontram-se as matas de que esse fragmento de vegetação está localizado na bor-
grotões situadas em fendas estreitas e profundas nas en- da Sul da Serra do Sincorá, na Chapada Diamantina.
costas, conforme apresentado na Figura 10. Nestas fen- O fragmento em estudo é representativo da flo-
das, os solos são arenosos e ácidos, destacando-se pela resta estacional semidecidual em situação de encosta
camada espessa de matéria orgânica em decomposição. suave (terço médio de encosta) e encontra-se em óti-
São ambientes úmidos, sombreados e protegid os do fogo. mo estado de conservação, sem indícios evidentes de
65
A mata de grotão é perenifólia e caracterizada pela pre- processos de antropização.
sença de espécies restritas a ambientes úmidos, como He- A vegetação apresenta estratos bem definidos:
dyosmum brasiliensis , Clethra scabra , Cabraleacanjerana , herbáceo pouco aberto e pouco diverso, representado
Podocarpus sellowii , Urera baccifera  e Drimys brasiliensis por Olyra latifolia, Rynchospora corymbosa (capim-
(Funch et al., 2005). -navalinha) , Monotagma sp . e Cyperus sp . Um estrato
Finalmente, as matas de planalto, que ocupavam qua- arbustivo (sub-bosque) variando entre 0,8m a 1,5m
se toda a borda leste da Chapada Diamantina, entre 400 de altura, denso e com diversidade de espécies maior
e 800m de altitude, apresentando relevo suavemente on- que o estrato herbáceo, com grande representativida-
dulado, sobre latossolo vermelho-amarelo, de textura ar- de de espécies das famílias Rubiaceae (Psycothria aff.
gilosa, com pouca matéria orgânica. Essas são florestas deflexa, Psycothria sp.1 , Psychotria sp.2 , Psychotri a
semideciduais que representam a maior área florestada sp.3, Psychotria aff . capitata, Posoqueria sp ., Rubia-
na Chapada Diamantina. Atualmente, são os ambientes ceae sp.1, Rubiaceae sp.2, Rubiaceae sp.3, Rubiaceae
mais devastados na região pela retirad a de madeira e pela sp.4), Melastomataceae ( Miconia pusifl ora ,  Miconia
conversão em áreas de agricultura e pec uária. aff. decandra, Henriettea sp.,  Miconia   aff. albicans,
 Miconia sp.1) , além de espécies de Croton sp., Sipa-
FIGURA 9  (acima) Exemplo de Mata de
runa gianensis (negamina).
Encosta na região de Iramaia – BA Já o estrato arbóreo é descontínuo e pouco aberto,
com alturas variando entre 2m e 8m com presença de al-
FIGURA 10  (abaixo) Exemplo de Mata de
Grotão na região de Ibicoara – BA guns indivíduos emergentes chegando a 12m de altura.

64 65
topo das serras, a cerca de 800m de altitude (Funch, 1997 Diagnose do ponto de amostragem
apud Funch et al., 2005) ( Figura 9). As matas de encosta
da região apresentam maior grau de deciduidade do que O ponto de amostragem em Iramaia (BA) está locali-
as matas ciliares (Funch et al., 2002) , isto é, possuem um zado nas coordenadas 13°24’49.15” S e 41°09’36.79”
grande numero de espécies que perdem as folhas na es- O, próximo à estrada vicinal de ligação entre o centro
tação seca, de agosto a outubro, a exemplo de Diospyros do município de Ibicoara e o distrito de Novo Acre,
sericea, Bowdichia virgilioides e  Maprounea guianens is , que pertence ao município de Iramaia. Localiza-se em
sendo assim consideradas florestas semidecíduas. Nas um grande fragmento de vegetação nativa sobre solos
maiores altitudes, a partir de 1000m, encontram-se nas do tipo Neossolo Litólico, recobrindo área de relevo
encostas florestas úmidas, perenifólias, com espécies tí- acidentado com topo plano tipo chapada e escarpas
picas desses ambientes, como Podocarpus lambertii , He- íngremes, recobrindo tanto o fundo de vale, como as
dyosmum brasiliensis , Weinmannia paulliniifolia e Dri- vertentes. Nos topos observa-se presença dos campos
mys brasiliensis (Harley, 1995 apud Funch et al ., 2005). rupestres, conforme ilustra a   Figura 11 . Cabe destacar
Nos topos dos chapadões, encontram-se as matas de que esse fragmento de vegetação está localizado na bor-
grotões situadas em fendas estreitas e profundas nas en- da Sul da Serra do Sincorá, na Chapada Diamantina.
costas, conforme apresentado na Figura 10. Nestas fen- O fragmento em estudo é representativo da flo-
das, os solos são arenosos e ácidos, destacando-se pela resta estacional semidecidual em situação de encosta
camada espessa de matéria orgânica em decomposição. suave (terço médio de encosta) e encontra-se em óti-
São ambientes úmidos, sombreados e protegid os do fogo. mo estado de conservação, sem indícios evidentes de
65
A mata de grotão é perenifólia e caracterizada pela pre- processos de antropização.
sença de espécies restritas a ambientes úmidos, como He- A vegetação apresenta estratos bem definidos:
dyosmum brasiliensis , Clethra scabra , Cabraleacanjerana , herbáceo pouco aberto e pouco diverso, representado
Podocarpus sellowii , Urera baccifera  e Drimys brasiliensis por Olyra latifolia, Rynchospora corymbosa (capim-
(Funch et al., 2005). -navalinha) , Monotagma sp . e Cyperus sp . Um estrato
Finalmente, as matas de planalto, que ocupavam qua- arbustivo (sub-bosque) variando entre 0,8m a 1,5m
se toda a borda leste da Chapada Diamantina, entre 400 de altura, denso e com diversidade de espécies maior
e 800m de altitude, apresentando relevo suavemente on- que o estrato herbáceo, com grande representativida-
dulado, sobre latossolo vermelho-amarelo, de textura ar- de de espécies das famílias Rubiaceae (Psycothria aff.
gilosa, com pouca matéria orgânica. Essas são florestas deflexa, Psycothria sp.1 , Psychotria sp.2 , Psychotri a
semideciduais que representam a maior área florestada sp.3, Psychotria aff . capitata, Posoqueria sp ., Rubia-
na Chapada Diamantina. Atualmente, são os ambientes ceae sp.1, Rubiaceae sp.2, Rubiaceae sp.3, Rubiaceae
mais devastados na região pela retirad a de madeira e pela sp.4), Melastomataceae ( Miconia pusifl ora ,  Miconia
conversão em áreas de agricultura e pec uária. aff. decandra, Henriettea sp.,  Miconia   aff. albicans,
 Miconia sp.1) , além de espécies de Croton sp., Sipa-
FIGURA 9  (acima) Exemplo de Mata de
runa gianensis (negamina).
Encosta na região de Iramaia – BA Já o estrato arbóreo é descontínuo e pouco aberto,
com alturas variando entre 2m e 8m com presença de al-
FIGURA 10  (abaixo) Exemplo de Mata de
Grotão na região de Ibicoara – BA guns indivíduos emergentes chegando a 12m de altura.

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Em termos florístico apresenta-se com elevada diversidade Região de São Félix do Coribe
de espécies, dentre as quais destacam-se: Baliza pedicelaris,
Callistene major (itapicuru), Clusia nemorosa, Cordia selo- A região de São Félix do Coribe está situada no vale do
wiana (chá-de-bugre) , Crateva tapia (tapiá), Cupania verna- rio Corrente, um afluente da margem esquerda do rio
lis  (camboatá), Dictyoloma vandellianum, Esenbeckia gran- São Francisco, que drena a faixa ocidental da transição
diflora, Licania kunthiana (milho-torrado),  Micropholis aff. do Cerrado com a Caatinga.
crassipedicellata  (bacubixá),  Zollernia glabra, Terminallia Segundo dados do “Plano Diretor de Recursos Hídri-
 glabrescens (massambé), Vitex   aff. montividensis, Abarema cos da Bacia do Rio Corrente” (Bahia, 1995), a bacia do
cochliacarpus, Maprounea guianensis (cangiquinha), Pera rio Corrente é predominantemente recoberta pela vege-
 glabrata (tabocuva), Laphoensia pacari   (pacari), Chaetocar- tação típica da savana (cerrado) com suas diversas dife-
 pus echinocarpus (ouriço),  Emotum nitens (sobro), Casearia renciações, porém além da savana observam-se áreas de
(espeteiro), Plenckia polpunea  (angélica), Roupala montana tensão ecológica, como é o caso da savana/floresta esta-
(carne-de-vaca),  Xylopia sericea  (pindaíba), Strychnos pseu- cional/estepe. Nesta publicação os autores estabeleceram
doquina (quina), Qualea sp.1 , Eugenia sp.1 , Gomidesia sp.1 , cinco regiões fitogeográficas distintas para a bacia do rio
12 Hirtella glandulosa (bosta-de-cabra), Myrtacea sp.1, Myrta- corrente, sendo elas: cerrado, vereda/campo úmido, mata
ceae sp.2, Myrtaceae sp.3 e Hortia oreadica. de galeria, floresta estacional e ecótono caatinga/floresta
11 estacional.
13
Ainda foi observada considerável quantidade de indi-
víduos de lianas, dentre as quais são destacadas: Davilla Segundo Pereira (2008), o clima é do tipo Aw da clas-
sp . (cipó-de-fogo), Serjania sp . e Smillax sp .  (japecanga) . sificação de Köeppen (Reis, 1971), ou do Zonobioma II
As Figuras 12 e 13   ilustram detalhes do interior do de Walter (1986b), com seis meses biologicamente se cos.
fragmento em estudo. As médias anuais de temperatura e precipitação regi stra-
Cabe ressaltar que no interior do fragmento em estu- das na estação climatológica que tem a maior série his-
do foram observadas áreas de afloramento de rocha nas tórica de dados na região foram de 24,4º C e de 919mm.
quais se destaca uma flora bem particular, como ilhas de A região compreende as depressões do alto e médio
vegetação anômalas identificadas em meio ao ambiente São Francisco, inseridas integralmente no D omínio Mor-
florestado, conforme ilustra a Figura 14 . Nessas áreas, foestrutural das Faixas de Dobramentos e Coberturas
destacam-se as arvoretas de Paralychnophora harleyi , Metassedimentares Associadas. A geologia caracteriza-se
cujas aglomerações são vistas ao longe (por conta da co- pelo predomínio de rochas do Proterozoico Superior, com
loração de suas folhas), o colorido roxo dos arbustos de abundância de calcários do Grupo Bambuí, além de dolo-
 Jacaranda ir winii , além de indivíduos d e palmeira acaule mitos, argilitos, folhelhos, ardósias e outras (Misi, 1979;
do gênero  Allogopte ra, cactus da espécie  Micranthoce reus Fernandes et al., 1982). O relevo predominante consta de
 purpure us e moitas de Vellozia sp .  ( Figura 15 ) . uma superfície plana de onde emergem formações cal-
cárias orientadas no sentido norte-sul, com altitudes na

FIGURA 11  Fragmento de vegetação em estudo, na região de Iramaia – BA


FIGURA 12  Detalhe do interior do fragmento em estudo
FIGURA 13  Detalhe do interior do fragmento em estudo

67
Em termos florístico apresenta-se com elevada diversidade Região de São Félix do Coribe
de espécies, dentre as quais destacam-se: Baliza pedicelaris,
Callistene major (itapicuru), Clusia nemorosa, Cordia selo- A região de São Félix do Coribe está situada no vale do
wiana (chá-de-bugre) , Crateva tapia (tapiá), Cupania verna- rio Corrente, um afluente da margem esquerda do rio
lis  (camboatá), Dictyoloma vandellianum, Esenbeckia gran- São Francisco, que drena a faixa ocidental da transição
diflora, Licania kunthiana (milho-torrado),  Micropholis aff. do Cerrado com a Caatinga.
crassipedicellata  (bacubixá),  Zollernia glabra, Terminallia Segundo dados do “Plano Diretor de Recursos Hídri-
 glabrescens (massambé), Vitex   aff. montividensis, Abarema cos da Bacia do Rio Corrente” (Bahia, 1995), a bacia do
cochliacarpus, Maprounea guianensis (cangiquinha), Pera rio Corrente é predominantemente recoberta pela vege-
 glabrata (tabocuva), Laphoensia pacari   (pacari), Chaetocar- tação típica da savana (cerrado) com suas diversas dife-
 pus echinocarpus (ouriço),  Emotum nitens (sobro), Casearia renciações, porém além da savana observam-se áreas de
(espeteiro), Plenckia polpunea  (angélica), Roupala montana tensão ecológica, como é o caso da savana/floresta esta-
(carne-de-vaca),  Xylopia sericea  (pindaíba), Strychnos pseu- cional/estepe. Nesta publicação os autores estabeleceram
doquina (quina), Qualea sp.1 , Eugenia sp.1 , Gomidesia sp.1 , cinco regiões fitogeográficas distintas para a bacia do rio
12 Hirtella glandulosa (bosta-de-cabra), Myrtacea sp.1, Myrta- corrente, sendo elas: cerrado, vereda/campo úmido, mata
ceae sp.2, Myrtaceae sp.3 e Hortia oreadica. de galeria, floresta estacional e ecótono caatinga/floresta
11 estacional.
13
Ainda foi observada considerável quantidade de indi-
víduos de lianas, dentre as quais são destacadas: Davilla Segundo Pereira (2008), o clima é do tipo Aw da clas-
sp . (cipó-de-fogo), Serjania sp . e Smillax sp .  (japecanga) . sificação de Köeppen (Reis, 1971), ou do Zonobioma II
As Figuras 12 e 13   ilustram detalhes do interior do de Walter (1986b), com seis meses biologicamente se cos.
fragmento em estudo. As médias anuais de temperatura e precipitação regi stra-
Cabe ressaltar que no interior do fragmento em estu- das na estação climatológica que tem a maior série his-
do foram observadas áreas de afloramento de rocha nas tórica de dados na região foram de 24,4º C e de 919mm.
quais se destaca uma flora bem particular, como ilhas de A região compreende as depressões do alto e médio
vegetação anômalas identificadas em meio ao ambiente São Francisco, inseridas integralmente no D omínio Mor-
florestado, conforme ilustra a Figura 14 . Nessas áreas, foestrutural das Faixas de Dobramentos e Coberturas
destacam-se as arvoretas de Paralychnophora harleyi , Metassedimentares Associadas. A geologia caracteriza-se
cujas aglomerações são vistas ao longe (por conta da co- pelo predomínio de rochas do Proterozoico Superior, com
loração de suas folhas), o colorido roxo dos arbustos de abundância de calcários do Grupo Bambuí, além de dolo-
 Jacaranda ir winii , além de indivíduos d e palmeira acaule mitos, argilitos, folhelhos, ardósias e outras (Misi, 1979;
do gênero  Allogopte ra, cactus da espécie  Micranthoce reus Fernandes et al., 1982). O relevo predominante consta de
 purpure us e moitas de Vellozia sp .  ( Figura 15 ) . uma superfície plana de onde emergem formações cal-
cárias orientadas no sentido norte-sul, com altitudes na

FIGURA 11  Fragmento de vegetação em estudo, na região de Iramaia – BA


FIGURA 12  Detalhe do interior do fragmento em estudo
FIGURA 13  Detalhe do interior do fragmento em estudo

67

faixa de 500 a 550m (Mauro et al., 1982). Os solos mais Segundo Pereira (2007), a vegetação das áreas planas
comuns são eutróficos, com predominância de Argissolos dessa disjunção passou por um intenso processo de er-
e Latossolos Vermelho-Escuros nas áreas planas e ocor- radicação para a implantação de um projeto agropecuá-
rências de Neossolos Litólicos nos afloramentos calcários rio coordenado pela Companhia de Desenvolvimento do
(Codevasf, 1977; Krejci et al., 1982 apud  Pereira, 2007). Vale do São Francisco (Codevasf), na década de 1970.
A cobertura vegetal na região onde o estudo foi exe- A Figura 16  ilustra um fragmento de floresta estacio-
cutado refere-se a uma transição entre os domínios mor- nal sobre afloramento de calcário na região de São Félix
foclimáticos da Caatinga e do Cerrado. Essa transição se do Coribe (BA).
expressa na paisagem pela predominância das florestas Luetzelburgh (1922/3), ao descrever a “caatinga mes-
estacionais ou caatingas arbóreas, observadas nos mais tiça”, faz referência ao “caatingão”, como send o a caatin-
diversos estágios serais. As florestas estacionais semi- ga baiana e composta não só de espécies próprias, mas
deciduais recobrem grandes extensões planas até a base apresentando mistura de elementos estranhos de regiões
das vertentes dos maciços montanhosos. Já nos maciços vizinhas, de diferentes floras. Essa descrição se enquadra
montanhosos com presença de afloramentos de calcário a rigor para os 22.307km² de áreas de mi stura estepe/flo-
predomina uma vegetação característica de solos rasos resta estacional, localizados, principalmente, sobre os se-
(Litólicos), com forte restrição hídrica, denominada flo- dimentos terciário-quaternários do Pediplano Sertanejo,
resta estacional decidual. A vegetação savânica típica dos Pediplano Setentrional e Chapadas do Rio Pardo (Projeto
cerrados também foi observada na forma de manchas RadamBrasil, 1982).
que recobrem os terrenos arenosos, em áreas de ocorrên- A Figura 17  apresenta remanescente representativo 69
cia de neossolos quartzarênicos. do contato entre a floresta estacional e a estepe (“mata
A vegetação dominante na região, segundo Pereira de caatinga”).
(2007) citando (Codevasf,1977; Silva et al., 1982), é a
floresta estacional decidual, que cobre os afloramentos Diagnose do ponto de amostragem
calcários e as planícies adjacentes e, em algumas partes,
contém inclusões de cerrados. No leste da região ocorre O ponto de amostragem em São Félix do Coribe (BA) está
uma vegetação arbustivo-arbórea densa e rica em legu- localizado nas coordenadas 13°21’59.86” S e 43°56’31.82”
minosas espinhosas, configurando uma forma de caatin- O, próximo ao centro do município de São Félix do Co-
ga. Analisando o mapa de veg etação apresentado por Sil- ribe, à margem da BR-393. Localiza-se em fragmento de
va et al. (1982), além das florestas estacionais deciduais vegetação nativa que recobre as terras planas do com-
são encontradas na região as florestas estacionais semi- partimento geomorfológico da depressão dos rios Cari-
deciduais e os remanescentes de contato (ecótono) entre nhanha e Corrente, próximos à foz ao Rio São Francisco
a floresta estacional semidecidual e a estepe (caatinga). (aproximadamente 50km), com solos do tipo Latossolo
Vermelho-Amarelo Distrófico.
A vegetação no fragmento em estudo refere-se à vege-
FIGURA 14  (acima) Detalhe de ilha de vegetação sobre
afloramento no interior do fragmento em estudo
tação secundária em estágio inicial de desenvolvimento,
ou seja, área em regeneração após processos de retirada
FIGURA 15  (abaixo) Destaque das copas dos indivíduos de da vegetação nativa, que, segundo observações de campo,
Paralychnophora harleyi  no sopé das serras (copas prateadas),
em transição da floresta estacional para o campo rupestre ocorreu na forma de retirada total da vegetação para uso

68
A VES E LINHAS DE TRANSMISSÃO
faixa de 500 a 550m (Mauro et al., 1982). Os solos mais Segundo Pereira (2007), a vegetação das áreas planas
comuns são eutróficos, com predominância de Argissolos dessa disjunção passou por um intenso processo de er-
e Latossolos Vermelho-Escuros nas áreas planas e ocor- radicação para a implantação de um projeto agropecuá-
rências de Neossolos Litólicos nos afloramentos calcários rio coordenado pela Companhia de Desenvolvimento do
(Codevasf, 1977; Krejci et al., 1982 apud  Pereira, 2007). Vale do São Francisco (Codevasf), na década de 1970.
A cobertura vegetal na região onde o estudo foi exe- A Figura 16  ilustra um fragmento de floresta estacio-
cutado refere-se a uma transição entre os domínios mor- nal sobre afloramento de calcário na região de São Félix
foclimáticos da Caatinga e do Cerrado. Essa transição se do Coribe (BA).
expressa na paisagem pela predominância das florestas Luetzelburgh (1922/3), ao descrever a “caatinga mes-
estacionais ou caatingas arbóreas, observadas nos mais tiça”, faz referência ao “caatingão”, como send o a caatin-
diversos estágios serais. As florestas estacionais semi- ga baiana e composta não só de espécies próprias, mas
deciduais recobrem grandes extensões planas até a base apresentando mistura de elementos estranhos de regiões
das vertentes dos maciços montanhosos. Já nos maciços vizinhas, de diferentes floras. Essa descrição se enquadra
montanhosos com presença de afloramentos de calcário a rigor para os 22.307km² de áreas de mi stura estepe/flo-
predomina uma vegetação característica de solos rasos resta estacional, localizados, principalmente, sobre os se-
(Litólicos), com forte restrição hídrica, denominada flo- dimentos terciário-quaternários do Pediplano Sertanejo,
resta estacional decidual. A vegetação savânica típica dos Pediplano Setentrional e Chapadas do Rio Pardo (Projeto
cerrados também foi observada na forma de manchas RadamBrasil, 1982).
que recobrem os terrenos arenosos, em áreas de ocorrên- A Figura 17  apresenta remanescente representativo 69
cia de neossolos quartzarênicos. do contato entre a floresta estacional e a estepe (“mata
A vegetação dominante na região, segundo Pereira de caatinga”).
(2007) citando (Codevasf,1977; Silva et al., 1982), é a
floresta estacional decidual, que cobre os afloramentos Diagnose do ponto de amostragem
calcários e as planícies adjacentes e, em algumas partes,
contém inclusões de cerrados. No leste da região ocorre O ponto de amostragem em São Félix do Coribe (BA) está
uma vegetação arbustivo-arbórea densa e rica em legu- localizado nas coordenadas 13°21’59.86” S e 43°56’31.82”
minosas espinhosas, configurando uma forma de caatin- O, próximo ao centro do município de São Félix do Co-
ga. Analisando o mapa de veg etação apresentado por Sil- ribe, à margem da BR-393. Localiza-se em fragmento de
va et al. (1982), além das florestas estacionais deciduais vegetação nativa que recobre as terras planas do com-
são encontradas na região as florestas estacionais semi- partimento geomorfológico da depressão dos rios Cari-
deciduais e os remanescentes de contato (ecótono) entre nhanha e Corrente, próximos à foz ao Rio São Francisco
a floresta estacional semidecidual e a estepe (caatinga). (aproximadamente 50km), com solos do tipo Latossolo
Vermelho-Amarelo Distrófico.
A vegetação no fragmento em estudo refere-se à vege-
FIGURA 14  (acima) Detalhe de ilha de vegetação sobre
afloramento no interior do fragmento em estudo
tação secundária em estágio inicial de desenvolvimento,
ou seja, área em regeneração após processos de retirada
FIGURA 15  (abaixo) Destaque das copas dos indivíduos de da vegetação nativa, que, segundo observações de campo,
Paralychnophora harleyi  no sopé das serras (copas prateadas),
em transição da floresta estacional para o campo rupestre ocorreu na forma de retirada total da vegetação para uso

68
A VES E LINHAS DE TRANSMISSÃO

alternativo do solo. Dessa forma, apresenta-se como um (Bumelia obtusifolia). Observando o status atual da ve-
“emaranhado” de indivíduos arbóreos em regeneração, getação (estrutura e composição florística) no fragmento
com alguns indivíduos de rápido crescimento se desta- em estudo concluiu-se que as espécies presentes na área
cando isoladamente em meio a es te “emaranhado”, como são espécies pioneiras típicas das estepes, já que apresen-
é caso das espécies de juremas ( Mimosa spp .), quipem- tam maior adaptabilidade em condições adversas (menor
bes ( Piptadenia moliniformes ) e mofumbos ( Combretum quantidade de matéria orgânica no solo, estresse hídr ico,
leprosum). maior intensidade de luminosidade etc.).
Cabe destacar que o fragmento em questão é inter- A vegetação no fragmento não apresenta estratificação
ceptado ao meio pela LT 500 kV Serra da Mesa-Sapeaçú, vertical definida. Dessa forma, espécies arbóreas em re-
e que a faixa de servidão está sob manutenção por meio generação e arbustos apresentam-se no mesmo patamar,
de corte raso em faixa necessária para estrada de acesso entrelaçados por uma diversidade de espécies de lianas
da equipe de manutenção. Em alguns casos, ao longo da (trepadeiras). Dentre as espécies de hábito arbóreo des-
faixa de servidão, mais especificamente no meio dos vãos tacam-se Pterogyne nitens  (amendoim-bravo), Piptade-
no ponto máximo de inflexão dos cabos condutores, ob- nia moniliformis   (quipembe),  Anadenanthe ra colubrina
serva-se uma faixa marginal ao acesso onde a vegetação var.  cebil   (angico-vermelho), Terminalia fagifolia , Thiloa
é mantida com porte baixo (faixa de corte seletivo de in-  glaucocar pa ,  Aspidosp erma pryfol ium  (pereiro), Cnidos-
divíduos arbóreos). Nos locais que a vegetação é mantida culus aff. urens (pinhão-bravo), Dalbergia cearensis  (pau-
com porte baixo, observou-se grande dominância de es- -violeta),  Annona leptope tala   (ata-brava), Piptadenia
pécies juremas ( Mimosa spp .), que, com certeza, exercem viridiflora ,  Mimosa t enuiflo ra  (jurema-preta),  Jacaranda
70 algum tipo de influência sobre as comunidades de aves.  jasminoide s  (caroba), Platymiscium floribundum ,  Acacia
As Figuras 18  e 19  ilustram detalhes do fragmento em sp ., Rourea sp . (botica), Combretum leprosum (mofum-
estudo. bo), Calliandra sp ., Machaerium sp.1 , Mach aerium sp.2 ,
De acordo com as observações feitas em campo, pelo  Erythrox yllum sp.1.
caminhamento em fragmentos de vegetação adjacentes a Dentre as espécies de porte arbustivo observou-se:
área em estudo e que se encontram em bom estado de Croton   sp.1, Croton   sp.2,  Allamanda   sp.,  Erythrox yllum
conservação, pode-se inferir que era, no passado, uma sp .; já dentre as espécies de hábito herbáceo observou-
floresta representativa do contato entre a estepe e a flo- -se: Commelina erecta  (trapoeraba), Stachytarpheta tris-
resta estacional semidecidual, uma vez que bem próxi-  picata , Malvacea spp.; e dentre as lianas destacam-se: Ba-
mo ao fragmento em estudo foi observada uma pequena nisteriopsis sp.,  Neojorbet ia candollean a, Bauhinia sp.1 ,
mancha de floresta alta (de 10 a 15m de altura) com as Bauhinia sp.2 , Bignoniaceae 1, Bignoniaceae 2.
mesmas condições ambientais. Nesse ambiente florestado
destacam-se como emergentes os indivíduos de braúna
(Schinopsis brasiliensis ), aroeira-do-sertão (Myracrodu-
ron urundeuva), pau-d’arco ( Handroanthus serratifolius)
e gonçalo-alves ( Astronium fraxinifol ium ), além de indi- FIGURA 16  (acima) Exemplo de Floresta Estacional sobre afloramento
víduos arbóreos de Peireskia bahiensis , Thiloa glaucocar- de calcário na região de São Félix do Coribe – BA.
 pa, Terminallia fagifolia, catinguei ra ( Caesalpin ea pyra-
FIGURA 17  (abaixo) Remanescente representativo do contato entre a
midalis), pereiro  (Aspidosperma pyrifolium)  e quixabeira Floresta Estacional e a Estepe em São Félix do Coribe – BA.

71
alternativo do solo. Dessa forma, apresenta-se como um (Bumelia obtusifolia). Observando o status atual da ve-
“emaranhado” de indivíduos arbóreos em regeneração, getação (estrutura e composição florística) no fragmento
com alguns indivíduos de rápido crescimento se desta- em estudo concluiu-se que as espécies presentes na área
cando isoladamente em meio a es te “emaranhado”, como são espécies pioneiras típicas das estepes, já que apresen-
é caso das espécies de juremas ( Mimosa spp .), quipem- tam maior adaptabilidade em condições adversas (menor
bes ( Piptadenia moliniformes ) e mofumbos ( Combretum quantidade de matéria orgânica no solo, estresse hídr ico,
leprosum). maior intensidade de luminosidade etc.).
Cabe destacar que o fragmento em questão é inter- A vegetação no fragmento não apresenta estratificação
ceptado ao meio pela LT 500 kV Serra da Mesa-Sapeaçú, vertical definida. Dessa forma, espécies arbóreas em re-
e que a faixa de servidão está sob manutenção por meio generação e arbustos apresentam-se no mesmo patamar,
de corte raso em faixa necessária para estrada de acesso entrelaçados por uma diversidade de espécies de lianas
da equipe de manutenção. Em alguns casos, ao longo da (trepadeiras). Dentre as espécies de hábito arbóreo des-
faixa de servidão, mais especificamente no meio dos vãos tacam-se Pterogyne nitens  (amendoim-bravo), Piptade-
no ponto máximo de inflexão dos cabos condutores, ob- nia moniliformis   (quipembe),  Anadenanthe ra colubrina
serva-se uma faixa marginal ao acesso onde a vegetação var.  cebil   (angico-vermelho), Terminalia fagifolia , Thiloa
é mantida com porte baixo (faixa de corte seletivo de in-  glaucocar pa ,  Aspidosp erma pryfol ium  (pereiro), Cnidos-
divíduos arbóreos). Nos locais que a vegetação é mantida culus aff. urens (pinhão-bravo), Dalbergia cearensis  (pau-
com porte baixo, observou-se grande dominância de es- -violeta),  Annona leptope tala   (ata-brava), Piptadenia
pécies juremas ( Mimosa spp .), que, com certeza, exercem viridiflora ,  Mimosa t enuiflo ra  (jurema-preta),  Jacaranda
70 algum tipo de influência sobre as comunidades de aves.  jasminoide s  (caroba), Platymiscium floribundum ,  Acacia
As Figuras 18  e 19  ilustram detalhes do fragmento em sp ., Rourea sp . (botica), Combretum leprosum (mofum-
estudo. bo), Calliandra sp ., Machaerium sp.1 , Mach aerium sp.2 ,
De acordo com as observações feitas em campo, pelo  Erythrox yllum sp.1.
caminhamento em fragmentos de vegetação adjacentes a Dentre as espécies de porte arbustivo observou-se:
área em estudo e que se encontram em bom estado de Croton   sp.1, Croton   sp.2,  Allamanda   sp.,  Erythrox yllum
conservação, pode-se inferir que era, no passado, uma sp .; já dentre as espécies de hábito herbáceo observou-
floresta representativa do contato entre a estepe e a flo- -se: Commelina erecta  (trapoeraba), Stachytarpheta tris-
resta estacional semidecidual, uma vez que bem próxi-  picata , Malvacea spp.; e dentre as lianas destacam-se: Ba-
mo ao fragmento em estudo foi observada uma pequena nisteriopsis sp.,  Neojorbet ia candollean a, Bauhinia sp.1 ,
mancha de floresta alta (de 10 a 15m de altura) com as Bauhinia sp.2 , Bignoniaceae 1, Bignoniaceae 2.
mesmas condições ambientais. Nesse ambiente florestado
destacam-se como emergentes os indivíduos de braúna
(Schinopsis brasiliensis ), aroeira-do-sertão (Myracrodu-
ron urundeuva), pau-d’arco ( Handroanthus serratifolius)
e gonçalo-alves ( Astronium fraxinifol ium ), além de indi- FIGURA 16  (acima) Exemplo de Floresta Estacional sobre afloramento
víduos arbóreos de Peireskia bahiensis , Thiloa glaucocar- de calcário na região de São Félix do Coribe – BA.
 pa, Terminallia fagifolia, catinguei ra ( Caesalpin ea pyra-
FIGURA 17  (abaixo) Remanescente representativo do contato entre a
midalis), pereiro  (Aspidosperma pyrifolium)  e quixabeira Floresta Estacional e a Estepe em São Félix do Coribe – BA.

71

Região de Presidente Kennedy das formações já mencionadas. Ao longo do processo de


ocupação do território do Tocantins, a vegetação natural
A região de Presidente Kennedy insere-se na região norte na região sofreu forte impacto, seja pela exploração dos
do estado do Tocantins, no interflúvio dos rios Araguaia recursos florestais de forma irracional ou pela introdu-
e Tocantins, cujos principais corpos d’água são os rios ção da pecuária de corte extensiva, que ocasionou a der-
Feio, Água Fria e São João, todos três afluentes diretos da rubada das florestas nativas (principalmente com uso do
margem esquerda do rio Tocantins. fogo) e, consequentemente, a implantação das pastagens
A região encontra-se inserida em faixa de transição manejadas.
entre os domínios morfoclimáticos do cerrado e amazô- Outro fato que cabe ser ressaltado é que para esta re-
nico. Segundo mapa de veget ação elaborado pelo Projeto gião, infelizmente, não existem levantamentos mais de-
RadamBrasil (1981), observa-se na região uma matriz talhados sobre os seus recursos naturais, além dos levan-
composta predominantemente pela vegetação típica das tamentos realizados pelo Projeto RadamBrasil (1981).
savanas do Brasil central (cerrado lato sensu), represen- Desse modo, não se dispõe de subsídios que possam ca-
tada pela tipologia da savana arborizada recobrindo os racterizá-la quanto à riqueza de espécies e ocorrência de
interflúvios. Nessa matriz pode ser observada, nas áreas espécies endêmicas.
de várzea que margeiam os rios da região, uma floresta de Conforme mencionado anteriormente, a savana arbo-
galeria com elementos florísticos associados ao sistema rizada, ou cerrado típico, tipologia mais representativa
fitogeográfico da floresta ombrófila aberta, cuja compo- dentre as que compõem o bioma cerrado, é a fitofisiono-
sição florística remete às matas de terras baixas da re- mia dominante na área em estudo. Normalmente, reco-
gião amazônica. Devido a essas características, o Projeto 73
bre os modelados de relevo plano a suave ondulado do
RadamBrasil (1981) caracterizou as manchas de floresta compartimento intermediário, nos quais o substrato é
existente na região como uma forma de contato florístico formado por areias quartzosas com eventuais manchas
ou área de tensão ecológica da savana com a floresta om- de latossolos. O solo predominantemente arenoso, asso-
brófila aberta. ciado a outros fatores como acidez, suprimento hídrico e
Segundo Veloso (1991), as áreas de contato são áreas fertilidade, parece atuar sobremaneira na estrutura ver-
nas quais se interpenetram duas ou mais regiões fitoe- tical e na distribuição espacial da comunidade arbórea
cológicas. O contato pode ser na forma de encrave, ou do cerrado típico local, que se caracteriza por apresentar
de ecótono ou mistura. Na região de Presidente Kennedy indivíduos de maior porte, com altura total variando en-
encontra-se o ecótono ou mistura, onde as espécies das tre 4 e 8 m.
regiões fitoecológicas da savana e da floresta ombrófila Esses indivíduos de aspecto esguio têm copas geral-
aberta ocorrem de forma entremeada. mente verticalizadas, pouco ramificadas, apresentando
Cabe destacar que na região foram observados muito cobertura arbórea entre 20 e 30%. A distribuição das es-
poucos fragmentos de vegetação natural representativas pécies arbóreas sobre um estrato inferior gramíneo le-
nhoso contínuo é aleatória, às vezes apresentando con-
centrações de alguns indivíduos em pontos específicos.
FIGURA 18  (acima) Vista de fora do fragmento em estudo, evidenciando faixa Dentre as espécies arbóreas de maior porte, cujas
marginal de corte seletivo entre estrada de acesso e borda do fragmento. nem copas nem sempre se tocam, destacam-se: pequizei-
FIGURA 19  (abaixo) Detalhe do interior do fragmento em estudo ro ( Caryocar glabrum ), puçá ( Mouriri pusa ), pau-terra-

72 73
Região de Presidente Kennedy das formações já mencionadas. Ao longo do processo de
ocupação do território do Tocantins, a vegetação natural
A região de Presidente Kennedy insere-se na região norte na região sofreu forte impacto, seja pela exploração dos
do estado do Tocantins, no interflúvio dos rios Araguaia recursos florestais de forma irracional ou pela introdu-
e Tocantins, cujos principais corpos d’água são os rios ção da pecuária de corte extensiva, que ocasionou a der-
Feio, Água Fria e São João, todos três afluentes diretos da rubada das florestas nativas (principalmente com uso do
margem esquerda do rio Tocantins. fogo) e, consequentemente, a implantação das pastagens
A região encontra-se inserida em faixa de transição manejadas.
entre os domínios morfoclimáticos do cerrado e amazô- Outro fato que cabe ser ressaltado é que para esta re-
nico. Segundo mapa de veget ação elaborado pelo Projeto gião, infelizmente, não existem levantamentos mais de-
RadamBrasil (1981), observa-se na região uma matriz talhados sobre os seus recursos naturais, além dos levan-
composta predominantemente pela vegetação típica das tamentos realizados pelo Projeto RadamBrasil (1981).
savanas do Brasil central (cerrado lato sensu), represen- Desse modo, não se dispõe de subsídios que possam ca-
tada pela tipologia da savana arborizada recobrindo os racterizá-la quanto à riqueza de espécies e ocorrência de
interflúvios. Nessa matriz pode ser observada, nas áreas espécies endêmicas.
de várzea que margeiam os rios da região, uma floresta de Conforme mencionado anteriormente, a savana arbo-
galeria com elementos florísticos associados ao sistema rizada, ou cerrado típico, tipologia mais representativa
fitogeográfico da floresta ombrófila aberta, cuja compo- dentre as que compõem o bioma cerrado, é a fitofisiono-
sição florística remete às matas de terras baixas da re- mia dominante na área em estudo. Normalmente, reco-
gião amazônica. Devido a essas características, o Projeto 73
bre os modelados de relevo plano a suave ondulado do
RadamBrasil (1981) caracterizou as manchas de floresta compartimento intermediário, nos quais o substrato é
existente na região como uma forma de contato florístico formado por areias quartzosas com eventuais manchas
ou área de tensão ecológica da savana com a floresta om- de latossolos. O solo predominantemente arenoso, asso-
brófila aberta. ciado a outros fatores como acidez, suprimento hídrico e
Segundo Veloso (1991), as áreas de contato são áreas fertilidade, parece atuar sobremaneira na estrutura ver-
nas quais se interpenetram duas ou mais regiões fitoe- tical e na distribuição espacial da comunidade arbórea
cológicas. O contato pode ser na forma de encrave, ou do cerrado típico local, que se caracteriza por apresentar
de ecótono ou mistura. Na região de Presidente Kennedy indivíduos de maior porte, com altura total variando en-
encontra-se o ecótono ou mistura, onde as espécies das tre 4 e 8 m.
regiões fitoecológicas da savana e da floresta ombrófila Esses indivíduos de aspecto esguio têm copas geral-
aberta ocorrem de forma entremeada. mente verticalizadas, pouco ramificadas, apresentando
Cabe destacar que na região foram observados muito cobertura arbórea entre 20 e 30%. A distribuição das es-
poucos fragmentos de vegetação natural representativas pécies arbóreas sobre um estrato inferior gramíneo le-
nhoso contínuo é aleatória, às vezes apresentando con-
centrações de alguns indivíduos em pontos específicos.
FIGURA 18  (acima) Vista de fora do fragmento em estudo, evidenciando faixa Dentre as espécies arbóreas de maior porte, cujas
marginal de corte seletivo entre estrada de acesso e borda do fragmento. nem copas nem sempre se tocam, destacam-se: pequizei-
FIGURA 19  (abaixo) Detalhe do interior do fragmento em estudo ro ( Caryocar glabrum ), puçá ( Mouriri pusa ), pau-terra-

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-de-folha-miúda ( Qualea parviflora ), carvoeiros ( Sclero- Diagnose do ponto de amostragem


lobium aureum e Sclerolobium paniculatum ), vinhático
(Plathymenia reticulata ), cajueiro-do-campo ( Anacar- O ponto de amostragem em Presidente Kennedy (TO) está
dium occidentale ), curriola ( Pouteria ramiflora ), sucuú- localizado nas coordenadas 08°31’34.69” S e 48°28’10.64”
ba ( Himatanthus obovatus ), angelim-do-cerrado ( Andira O, próximo ao centro do município de Presidente Kenne-
cujabensis), faveira ( Dimorphandra mollis ), peroba-do- dy, à margem da BR-153. Localiza-se em fragmento de
-campo ( Aspidosp erma tomentosum ), pau-santo ( Kiel- vegetação nativa existente na Fazenda Água Fria, à mar-
meyera speciosa) e matamenino ( Simarouba versicolor ). gem do rio homônimo, em área de relevo suave ondulado
Dentre as espécies arbóreas/arbustivas que compõem o com solos do tipo latossolo vermelho-amarelo distrófico.
estrato intermediário e inferior destacam-se: ajeuarana O fragmento é interceptado pela LT 500 kV Imperatriz-
( Hirtella ciliata ), brinco-de-paca ( Ourathea hexasper- -Samambaia em sua borda, o que ocasionou o isolamento
ma ), mandioca-brava ( Manihot spp .), bate-caixa ( Pali- de pequenas faixas estreitas de vegetação. Cabe destacar
courea rigida ) e a palmeira guabiroba ( Syagrus comosa ). que nesse trecho toda a faixa de servidão da referida li-
Já dentre as espécies que ocupam exclusivamente o es- nha de transmissão está sob regime de supressão total
trato inferior destacam-se as gramíneas dos gêneros  Me- (corte raso), apresentando sinais de queimada em ambas
linis, Paspalum,  Axonopus ,  Andropogon e  Echinolae na , as bordas do fragmento.
com presença marcante da palmeira acaule ou de caule A vegetação no fragmento em e studo é representativa
subterrâneo e tucum-rasteiro ( Astrocary um campes tre ). do contato entre a savana e a floresta ombrófila aberta;
Espécies como a fava-de-bolota ( Parkia platycephala ) no entanto, o fragmento encontra-se com características
74 e o carvoeiro ( Sclerolobium paniculatum ) também com- de vegetação secundária, devido ao processo de extração
põem a flora do cerrado típico local, aparecendo com seletiva de madeira de valor comercial. Dentre as carac-
maior frequência nas faixas de domínios das estradas, terísticas que conferem esse caráter secundário estão o
bordas de trilheiros e outros ambientes que apresentam grande número de clareiras, a presença de picadas para
perturbações localizadas, seja por remoção seletiva de es- arraste de madeira, o grande número de cipós, a baixa
pécies ou pela ação d e fogo. Apresentam menor ocorrên- diversidade e a dominância de espécies, como é o caso do
cia no centro da fisionomia (Seplan, 2005). Callisthene major   (itapicurú).
Nem sempre o cerrado típico local se apresenta com As Figuras 20  e 21  ilustram detalhes do fragmento em
as características descritas. Vez por outra podem ser no- estudo.
tadas formas mais ramificadas, copas mais amplas late- A vegetação apresenta-se com estratos bem defini-
ralmente e variações na composição florística, nas quais dos. O estrato herbáceo é bem aberto, pouco diverso e
se constatam, além das espécies relacionadas, a sucupira- com predominância da espécie Olyra laxiflora (Poaceae).
-branca ( Pterodon pubescens), o gonçalo-alves ( Astro-
nium sp . ), o jatobá-do-campo ( Hymenaea stignocarpa ),
o angelim-preto ( Andira sp.) e o vinhático ( Plathymenia
reticulata) (Seplan, 2005). Além dessas, destacam-se na
paisagem pela abundância os indivíduos de canela-de-
-velho ( Cenostigma tocantinum ). FIGURA 20  (acima) Vista de fora do fragmento em estudo

FIGURA 21  (abaixo) Detalhe do interior do fragmento em estudo

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-de-folha-miúda ( Qualea parviflora ), carvoeiros ( Sclero- Diagnose do ponto de amostragem
lobium aureum e Sclerolobium paniculatum ), vinhático
(Plathymenia reticulata ), cajueiro-do-campo ( Anacar- O ponto de amostragem em Presidente Kennedy (TO) está
dium occidentale ), curriola ( Pouteria ramiflora ), sucuú- localizado nas coordenadas 08°31’34.69” S e 48°28’10.64”
ba ( Himatanthus obovatus ), angelim-do-cerrado ( Andira O, próximo ao centro do município de Presidente Kenne-
cujabensis), faveira ( Dimorphandra mollis ), peroba-do- dy, à margem da BR-153. Localiza-se em fragmento de
-campo ( Aspidosp erma tomentosum ), pau-santo ( Kiel- vegetação nativa existente na Fazenda Água Fria, à mar-
meyera speciosa) e matamenino ( Simarouba versicolor ). gem do rio homônimo, em área de relevo suave ondulado
Dentre as espécies arbóreas/arbustivas que compõem o com solos do tipo latossolo vermelho-amarelo distrófico.
estrato intermediário e inferior destacam-se: ajeuarana O fragmento é interceptado pela LT 500 kV Imperatriz-
( Hirtella ciliata ), brinco-de-paca ( Ourathea hexasper- -Samambaia em sua borda, o que ocasionou o isolamento
ma ), mandioca-brava ( Manihot spp .), bate-caixa ( Pali- de pequenas faixas estreitas de vegetação. Cabe destacar
courea rigida ) e a palmeira guabiroba ( Syagrus comosa ). que nesse trecho toda a faixa de servidão da referida li-
Já dentre as espécies que ocupam exclusivamente o es- nha de transmissão está sob regime de supressão total
trato inferior destacam-se as gramíneas dos gêneros  Me- (corte raso), apresentando sinais de queimada em ambas
linis, Paspalum,  Axonopus ,  Andropogon e  Echinolae na , as bordas do fragmento.
com presença marcante da palmeira acaule ou de caule A vegetação no fragmento em e studo é representativa
subterrâneo e tucum-rasteiro ( Astrocary um campes tre ). do contato entre a savana e a floresta ombrófila aberta;
Espécies como a fava-de-bolota ( Parkia platycephala ) no entanto, o fragmento encontra-se com características
74 e o carvoeiro ( Sclerolobium paniculatum ) também com- de vegetação secundária, devido ao processo de extração
põem a flora do cerrado típico local, aparecendo com seletiva de madeira de valor comercial. Dentre as carac-
maior frequência nas faixas de domínios das estradas, terísticas que conferem esse caráter secundário estão o
bordas de trilheiros e outros ambientes que apresentam grande número de clareiras, a presença de picadas para
perturbações localizadas, seja por remoção seletiva de es- arraste de madeira, o grande número de cipós, a baixa
pécies ou pela ação d e fogo. Apresentam menor ocorrên- diversidade e a dominância de espécies, como é o caso do
cia no centro da fisionomia (Seplan, 2005). Callisthene major   (itapicurú).
Nem sempre o cerrado típico local se apresenta com As Figuras 20  e 21  ilustram detalhes do fragmento em
as características descritas. Vez por outra podem ser no- estudo.
tadas formas mais ramificadas, copas mais amplas late- A vegetação apresenta-se com estratos bem defini-
ralmente e variações na composição florística, nas quais dos. O estrato herbáceo é bem aberto, pouco diverso e
se constatam, além das espécies relacionadas, a sucupira- com predominância da espécie Olyra laxiflora (Poaceae).
-branca ( Pterodon pubescens), o gonçalo-alves ( Astro-
nium sp . ), o jatobá-do-campo ( Hymenaea stignocarpa ),
o angelim-preto ( Andira sp.) e o vinhático ( Plathymenia
reticulata) (Seplan, 2005). Além dessas, destacam-se na
paisagem pela abundância os indivíduos de canela-de-
-velho ( Cenostigma tocantinum ). FIGURA 20  (acima) Vista de fora do fragmento em estudo

FIGURA 21  (abaixo) Detalhe do interior do fragmento em estudo

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O estrato arbustivo (sub-bosque) é pouco aberto, varian- AS AVES


do entre 0,8m e 1,8m de altura, e pouco diverso, com
presença representativa de espécies da família Rubiace- As espécies de aves encontradas em São Félix do Cori-
ae do gênero Psychotria e presença de indivíduos jovens be são características da caatinga, tendo sido registrados
de  Astrocar yum acu leatum  (irí) e Strychnus pseudoquina diversos endemismos como choca-barrada-da-caatinga
(quina-do-cerrado), além de uma grande quantidade de (Thamnophilus capistratus ) ( Figura 22A ) e o joão-chique-
indivíduos e espécies de hábito escandente (lianas), den- -chique ( Gyalophilax hellmayri ).
tre os quais se destacam: Doliocarpus sp .  (cipó-de-fogo), No caso do fragmento de Iramaia observou-se uma forte
Tretacera  aff. vollubilis, Serjania sp.1 (timbó), Byrsonima influência da mata atlântica, apesar de ainda haver espé-
sp.1, Abuta sp.1 e Pleonotoma jasminifolia . cies da caatinga. Dois exemplos de espécies da mata atlân-
Já o estrato arbóreo é bem fechado e descontínuo, va- tica encontrados são o chupa-dente ( Conopophaga lineata)
riando entre 6m e 12m de altura, com presença de alguns (Figura 22B ) e o arapaçu-rajado ( Xiphorhynchus fus cus) .
indivíduos emergentes chegando a 16m de altura, pouco Em Presidente Kennedy, o fragmento de trabalho apre-
diverso em termos de composição florística, no qual se sentou influência do Cerrado e da Floresta Amazônica.
destacam o itapicurú ( Callisthene major ) pela dominân- Entre as espécies de cerrado mais observadas pode ser
cia, além de  Martiode ndron m editerr aneum (catinga-de- citado o canário-do-mato ( Basileuterus flaveolus ). Os
-porco), cuja floração amarela predomina nas bordas do exemplos de elementos amazônicos são a choca-canela
fragmento, Hymenaea stigonocarpa (jatobá-do-cerrado), (Thamnophilus amazonicus ) ( Figura 22C ) e o rendadinho
 Emotum nitens   (sobro), Roupala montana   (carne-de-
A B
(Willisornis poecilonotus ) ( Figura 22D ).
-vaca),  Erythrox yllum sp.1 , Myrcia sp.1 , Eugenia sp.1 , Foi encontrada diferença na composição da comunida-
Licania sp.1 (milho-torrado) , Toulicia sp.1 (pitomba- de de Aves entre as campanhas efetuadas nas três áreas. C D
-fedorenta), Guapira opposita   (joão-mole),  Manilkara Grande parte dessa diferença diz respeito ao registro de al-
sp.1 (massaranduba), Ouratea aff. hexasperma (vassora- gumas espécies migratórias, como o papa-lagarta-de-asa-
-de-bruxa),  Mouriri sp.1 (puçá), Ficus sp.1 (mata-pau), -vermelha ( Coccyzus americanus ) (Figura 23A) e o sabiá-
Simaba cedron   (marupá), Simarouba versicolor   (mata- -norte-americano ( Catharus fuscescens ) ( Figura 23B ).
-cachorro), Curatella americana  (lixeira).

RIQUEZA DE ESPÉCIES

Estimativas por localidade


Foram registradas 70, 92 e 83 espécies de Aves nos pontos
de contagem e redes de neblina juntos em São Félix do
FIGURA 22  Prancha ilustrando algumas espécies capturadas. Coribe, Iramaia e Presidente Kennedy, respectivamen-
A, Thamnophiluscapistratus  capturado em São Félix do Coribe,
Bahia, em ambiente de caatinga. B, Conopophaga lineata  te. As estimativas de riqueza gerada pelo estimador de
capturado em Iramaia, Bahia. C, Thamnophilusamazonicus  primeira ordem Jack1 apontam a existência de cerca de
capturado em Presidente Kennedy, Tocantins. D, Williornis
poecilonota  também capturado em Presidente Kennedy.
85, 112 e 114 espécies em São Félix do Coribe, Iramaia e

76 77
O estrato arbustivo (sub-bosque) é pouco aberto, varian- AS AVES
do entre 0,8m e 1,8m de altura, e pouco diverso, com
presença representativa de espécies da família Rubiace- As espécies de aves encontradas em São Félix do Cori-
ae do gênero Psychotria e presença de indivíduos jovens be são características da caatinga, tendo sido registrados
de  Astrocar yum acu leatum  (irí) e Strychnus pseudoquina diversos endemismos como choca-barrada-da-caatinga
(quina-do-cerrado), além de uma grande quantidade de (Thamnophilus capistratus ) ( Figura 22A ) e o joão-chique-
indivíduos e espécies de hábito escandente (lianas), den- -chique ( Gyalophilax hellmayri ).
tre os quais se destacam: Doliocarpus sp .  (cipó-de-fogo), No caso do fragmento de Iramaia observou-se uma forte
Tretacera  aff. vollubilis, Serjania sp.1 (timbó), Byrsonima influência da mata atlântica, apesar de ainda haver espé-
sp.1, Abuta sp.1 e Pleonotoma jasminifolia . cies da caatinga. Dois exemplos de espécies da mata atlân-
Já o estrato arbóreo é bem fechado e descontínuo, va- tica encontrados são o chupa-dente ( Conopophaga lineata)
riando entre 6m e 12m de altura, com presença de alguns (Figura 22B ) e o arapaçu-rajado ( Xiphorhynchus fus cus) .
indivíduos emergentes chegando a 16m de altura, pouco Em Presidente Kennedy, o fragmento de trabalho apre-
diverso em termos de composição florística, no qual se sentou influência do Cerrado e da Floresta Amazônica.
destacam o itapicurú ( Callisthene major ) pela dominân- Entre as espécies de cerrado mais observadas pode ser
cia, além de  Martiode ndron m editerr aneum (catinga-de- citado o canário-do-mato ( Basileuterus flaveolus ). Os
-porco), cuja floração amarela predomina nas bordas do exemplos de elementos amazônicos são a choca-canela
fragmento, Hymenaea stigonocarpa (jatobá-do-cerrado), (Thamnophilus amazonicus ) ( Figura 22C ) e o rendadinho
 Emotum nitens   (sobro), Roupala montana   (carne-de-
A B
(Willisornis poecilonotus ) ( Figura 22D ).
-vaca),  Erythrox yllum sp.1 , Myrcia sp.1 , Eugenia sp.1 , Foi encontrada diferença na composição da comunida-
Licania sp.1 (milho-torrado) , Toulicia sp.1 (pitomba- de de Aves entre as campanhas efetuadas nas três áreas. C D
-fedorenta), Guapira opposita   (joão-mole),  Manilkara Grande parte dessa diferença diz respeito ao registro de al-
sp.1 (massaranduba), Ouratea aff. hexasperma (vassora- gumas espécies migratórias, como o papa-lagarta-de-asa-
-de-bruxa),  Mouriri sp.1 (puçá), Ficus sp.1 (mata-pau), -vermelha ( Coccyzus americanus ) (Figura 23A) e o sabiá-
Simaba cedron   (marupá), Simarouba versicolor   (mata- -norte-americano ( Catharus fuscescens ) ( Figura 23B ).
-cachorro), Curatella americana  (lixeira).

RIQUEZA DE ESPÉCIES

Estimativas por localidade


Foram registradas 70, 92 e 83 espécies de Aves nos pontos
de contagem e redes de neblina juntos em São Félix do
FIGURA 22  Prancha ilustrando algumas espécies capturadas. Coribe, Iramaia e Presidente Kennedy, respectivamen-
A, Thamnophiluscapistratus  capturado em São Félix do Coribe,
Bahia, em ambiente de caatinga. B, Conopophaga lineata  te. As estimativas de riqueza gerada pelo estimador de
capturado em Iramaia, Bahia. C, Thamnophilusamazonicus  primeira ordem Jack1 apontam a existência de cerca de
capturado em Presidente Kennedy, Tocantins. D, Williornis
poecilonota  também capturado em Presidente Kennedy.
85, 112 e 114 espécies em São Félix do Coribe, Iramaia e

76 77

Presidente Kennedy, respectivamente. Essas estimativas tenhamos detectado as diferenças descritas anteriormen-
mostram que mais espécies ainda podem ser registradas te, que o teste-t de student  não mostrou diferença signifi-
nas áreas de trabalho. cativa na riqueza de espécies observadas (Sobs) entre as
De fato, a curva de rarefação de cada área ainda não classes de distância nas três localidades ( Tabelas 1, 2 e 3 ).
apresenta estabilidade, ou seja, os resultados ainda estão Além disso, os resultados estatísticos dizem respeito
sendo influenciados pelo tamanho amostral. São Félix do à comunidade como um todo, mas não informam sobre
Coribe foi a área em que a curva se aproximou mais da espécies como Sclerurus scansor   e outros especialistas
estabilização ( Figuras 24, 25 e 26 ). em interior de mata que possam, p or ventura, apresentar
preferências discretas pela área mais sombria da mata,
via de regra, longe da faixa de servidão.
Comparação entre as classes de distância
Em São Félix do Coribe, a classe de distância próxi- Índice Pontual de Abundância
ma à faixa de serviço (0-50 m) apresenta maior valor
em ambas as riquezas (observada e estimada) ( Figura A curva de abundância gerada com os dados de cada es-
27 ). Já as outras classes (50-150, 150-250, 250-350 e pécie registrada a partir dos pontos de amostragem ( Fi-
350-450 m) apresentam valores muito semelhantes em gura 30, 31 e 32 ) demonstrou haver pouca dominância de
ambas as riquezas. uma ou mais espécies, com distribuição mais equitativa
A Já em Iramaia, as três classes de distância próximas à dentro das comunidades. O mesmo padrão foi encontra-
faixa de serviço (0-50, 50- 150 e 150-250 m) apresentaram do nos dados de redes (não mostrado). Essas mesmas
B valor de riqueza consideravelmente maior do que as duas distribuições foram encontradas quando os dados por
classes mais distantes da faixa de serviço (250-350 e 350- classes de distância são analisados sep aradamente (dados
450 m) ( Figura 28 ). O trecho 150-250m apresentou valor não mostrados). Essa distribuição é esperada em comu-
muito inferior aos outros. nidades bem estruturadas, com equilíbrio entre espécies
Em Presidente Kennedy (TO), a riqueza foi ligeiramen- generalistas e especialistas. Nas Tabelas 4, 5 e 6  são apre-
te maior na classe próxima à faixa de serviço (0-50 m) d o sentadas as abundâncias das espécies nas três localidades
que nas outras que possuem valores semelhantes. Já a ri- amostradas obtidos a partir dos pontos de amostragem e
queza estimada foi ligeiramente maior na classe 250-350m redes de neblina.
do que nas outras classes que também apresentaram valo- A análise de Cluster, apresentada nas Figuras 33, 34
res semelhantes (Figura 29 ). e 35,   mostra que, em geral, classes próximas à faixa de
Os resultados mencionados não são efeitos negativos servidão (0-50; 50-150 m) são dissimilares em relação às
evidentes da faixa de serviço sobre as florestas adjacen- classes mais distantes (250-350; 350-450 m).
tes, ocorrendo uma pequena tendência a efeito inverso ao O padrão de abundância de espécies verificado cor-
esperado, uma vez que as zonas mais próximas à faixa d e robora o que tem sido encontrado em regiões tropicais
serviço, nas três áreas, apresentam maior riqueza. Esse
fenômeno pode ser mais facilmente observado nos gráfi-
cos de São Félix do Coribe (BA).
FIGURA 23  Prancha ilustrando duas espécies
É importante que f ique claro, entretanto, que embora migratórias capturadas em Presidente Kennedy, Tocantins.
A, Coccyzusamericanus . B, Catharusfuscescens .

78 79
Presidente Kennedy, respectivamente. Essas estimativas tenhamos detectado as diferenças descritas anteriormen-
mostram que mais espécies ainda podem ser registradas te, que o teste-t de student  não mostrou diferença signifi-
nas áreas de trabalho. cativa na riqueza de espécies observadas (Sobs) entre as
De fato, a curva de rarefação de cada área ainda não classes de distância nas três localidades ( Tabelas 1, 2 e 3 ).
apresenta estabilidade, ou seja, os resultados ainda estão Além disso, os resultados estatísticos dizem respeito
sendo influenciados pelo tamanho amostral. São Félix do à comunidade como um todo, mas não informam sobre
Coribe foi a área em que a curva se aproximou mais da espécies como Sclerurus scansor   e outros especialistas
estabilização ( Figuras 24, 25 e 26 ). em interior de mata que possam, p or ventura, apresentar
preferências discretas pela área mais sombria da mata,
via de regra, longe da faixa de servidão.
Comparação entre as classes de distância
Em São Félix do Coribe, a classe de distância próxi- Índice Pontual de Abundância
ma à faixa de serviço (0-50 m) apresenta maior valor
em ambas as riquezas (observada e estimada) ( Figura A curva de abundância gerada com os dados de cada es-
27 ). Já as outras classes (50-150, 150-250, 250-350 e pécie registrada a partir dos pontos de amostragem ( Fi-
350-450 m) apresentam valores muito semelhantes em gura 30, 31 e 32 ) demonstrou haver pouca dominância de
ambas as riquezas. uma ou mais espécies, com distribuição mais equitativa
A Já em Iramaia, as três classes de distância próximas à dentro das comunidades. O mesmo padrão foi encontra-
faixa de serviço (0-50, 50- 150 e 150-250 m) apresentaram do nos dados de redes (não mostrado). Essas mesmas
B valor de riqueza consideravelmente maior do que as duas distribuições foram encontradas quando os dados por
classes mais distantes da faixa de serviço (250-350 e 350- classes de distância são analisados sep aradamente (dados
450 m) ( Figura 28 ). O trecho 150-250m apresentou valor não mostrados). Essa distribuição é esperada em comu-
muito inferior aos outros. nidades bem estruturadas, com equilíbrio entre espécies
Em Presidente Kennedy (TO), a riqueza foi ligeiramen- generalistas e especialistas. Nas Tabelas 4, 5 e 6  são apre-
te maior na classe próxima à faixa de serviço (0-50 m) d o sentadas as abundâncias das espécies nas três localidades
que nas outras que possuem valores semelhantes. Já a ri- amostradas obtidos a partir dos pontos de amostragem e
queza estimada foi ligeiramente maior na classe 250-350m redes de neblina.
do que nas outras classes que também apresentaram valo- A análise de Cluster, apresentada nas Figuras 33, 34
res semelhantes (Figura 29 ). e 35,   mostra que, em geral, classes próximas à faixa de
Os resultados mencionados não são efeitos negativos servidão (0-50; 50-150 m) são dissimilares em relação às
evidentes da faixa de serviço sobre as florestas adjacen- classes mais distantes (250-350; 350-450 m).
tes, ocorrendo uma pequena tendência a efeito inverso ao O padrão de abundância de espécies verificado cor-
esperado, uma vez que as zonas mais próximas à faixa d e robora o que tem sido encontrado em regiões tropicais
serviço, nas três áreas, apresentam maior riqueza. Esse
fenômeno pode ser mais facilmente observado nos gráfi-
cos de São Félix do Coribe (BA).
FIGURA 23  Prancha ilustrando duas espécies
É importante que f ique claro, entretanto, que embora migratórias capturadas em Presidente Kennedy, Tocantins.
A, Coccyzusamericanus . B, Catharusfuscescens .

78 79

TAMANHO AMOSTRAL
    S
Figura 24 Curva de rarefação dos     E
    I
    C
dados combinados de pontos de      É
    P
    S
contagem e rede utilizando as     E

espécies observadas (Sobs) em     E


    D
RESULTADOS DO TESTE-T DE STUDENT PAR A PAR (VALOR DE P) ENTRE AS CLASSES DE DISTÂNCIA EM SÃO FÉLIX DO CORIBE.
Iramaia, BA. O gráfico mostra que     O
    R
não houve estabilização, ou seja,     E
    M TABELA 1 0 -50 (R :5 .0 00 ) 50 -1 50 (R :4 .0 00 ) 1 50 -2 50 (R :2 .50 0) 2 50 -350 (R :1 .0 00 0) 350 -4 50 (R :2 .50 00 )
as estimativas em ambas as áreas      Ú
    N
ainda estão sendo influenciadas 0-50 1.000000 1.000000 0.736383 1.000000
pelo tamanho amostral.
50-150 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
150-250 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
250-350 0.736383 1.000000 1.000000 1.000000
350-450 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000

RESULTADOS DO TESTE-T DE STUDENT PAR A PAR (VALOR DE P) ENTRE AS CLASSES DE DISTÂNCIA EM IRAMAIA.
TAMANHO AMOSTRAL
TABELA 2 0 - 50 (R :5 .0 00 0) 5 0 - 15 0 ( R: 4. 00 00 ) 1 50 - 25 0 ( R: 1. 00 00 ) 2 50 - 35 0 ( R: 2. 00 00 ) 3 50 - 45 0 ( R: 3. 00 00 )
Figura 25 Curva de rarefação dos     S
    E
dados combinados de pontos de     I
    C 0-50 1.000000 0.736383 1.000000 1.000000
contagem e rede de neblina utilizando      É
    P
    S
as espécies observadas (Sobs) em São     E 50-150 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
    E
Felix do Coribe, BA. O gráfico mostra     D

que não houve estabilização, ou seja,     O


    R
150-250 0.736383 1.000000 1.000000 1.000000
    E
as estimativas em ambas as áreas ainda     M

estão sendo influenciadas pelo tamanho


     Ú
    N 250-350 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
amostral. Porém, vale notar que a curva
está próxima da estabilização 350-450 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000

RESULTADOS DO TESTE-T DE STUDENT PAR A PAR (VALOR DE P) ENTRE AS CLASSES DE DISTÂNCIA EM PRESIDENTE KENNEDY.

TABELA 3 0-5 0 (R :5. 00 0) 50 -1 50 ( R: 3. 00 0) 150 -2 50 ( R: 1. 00 0) 2 50 -3 50 ( R: 2. 00 0) 350 -4 50 ( R: 4. 00 0)

0-50 1.000000 0.736383 1.000000 1.000000


50-150 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
TAMANHO AMOSTRAL 150-250 0.736383 1.000000 1.000000 1.000000
    S

Figura 26 Curva de rarefação dos dados


    E
    I
    C
250-350 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
     É
combinados de pontos de contagem e     P
    S
    E 350-450 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
rede de neblina utilizando as espécies     E
observadas (Sobs) em Presidente Kennedy,     D
    O
TO. O gráfico mostra que não houve     R
    E
estabilização, ou seja, as estimativas     M
     Ú
    N
em ambas as áreas ainda estão sendo
influenciadas pelo tamanho amostral.

81
TAMANHO AMOSTRAL
    S
Figura 24 Curva de rarefação dos     E
    I
    C
dados combinados de pontos de      É
    P
    S
contagem e rede utilizando as     E

espécies observadas (Sobs) em     E


    D
RESULTADOS DO TESTE-T DE STUDENT PAR A PAR (VALOR DE P) ENTRE AS CLASSES DE DISTÂNCIA EM SÃO FÉLIX DO CORIBE.
Iramaia, BA. O gráfico mostra que     O
    R
não houve estabilização, ou seja,     E
    M TABELA 1 0 -50 (R :5 .0 00 ) 50 -1 50 (R :4 .0 00 ) 1 50 -2 50 (R :2 .50 0) 2 50 -350 (R :1 .0 00 0) 350 -4 50 (R :2 .50 00 )
as estimativas em ambas as áreas      Ú
    N
ainda estão sendo influenciadas 0-50 1.000000 1.000000 0.736383 1.000000
pelo tamanho amostral.
50-150 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
150-250 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
250-350 0.736383 1.000000 1.000000 1.000000
350-450 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000

RESULTADOS DO TESTE-T DE STUDENT PAR A PAR (VALOR DE P) ENTRE AS CLASSES DE DISTÂNCIA EM IRAMAIA.
TAMANHO AMOSTRAL
TABELA 2 0 - 50 (R :5 .0 00 0) 5 0 - 15 0 ( R: 4. 00 00 ) 1 50 - 25 0 ( R: 1. 00 00 ) 2 50 - 35 0 ( R: 2. 00 00 ) 3 50 - 45 0 ( R: 3. 00 00 )
Figura 25 Curva de rarefação dos     S
    E
dados combinados de pontos de     I
    C 0-50 1.000000 0.736383 1.000000 1.000000
contagem e rede de neblina utilizando      É
    P
    S
as espécies observadas (Sobs) em São     E 50-150 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
    E
Felix do Coribe, BA. O gráfico mostra     D

que não houve estabilização, ou seja,     O


    R
150-250 0.736383 1.000000 1.000000 1.000000
    E
as estimativas em ambas as áreas ainda     M

estão sendo influenciadas pelo tamanho


     Ú
    N 250-350 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
amostral. Porém, vale notar que a curva
está próxima da estabilização 350-450 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000

RESULTADOS DO TESTE-T DE STUDENT PAR A PAR (VALOR DE P) ENTRE AS CLASSES DE DISTÂNCIA EM PRESIDENTE KENNEDY.

TABELA 3 0-5 0 (R :5. 00 0) 50 -1 50 ( R: 3. 00 0) 150 -2 50 ( R: 1. 00 0) 2 50 -3 50 ( R: 2. 00 0) 350 -4 50 ( R: 4. 00 0)

0-50 1.000000 0.736383 1.000000 1.000000


50-150 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
TAMANHO AMOSTRAL 150-250 0.736383 1.000000 1.000000 1.000000
    S

Figura 26 Curva de rarefação dos dados


    E
    I
    C
250-350 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
     É
combinados de pontos de contagem e     P
    S
    E 350-450 1.000000 1.000000 1.000000 1.000000
rede de neblina utilizando as espécies     E
observadas (Sobs) em Presidente Kennedy,     D
    O
TO. O gráfico mostra que não houve     R
    E
estabilização, ou seja, as estimativas     M
     Ú
    N
em ambas as áreas ainda estão sendo
influenciadas pelo tamanho amostral.

81

TAMANHO AMOSTRAL
    S
    E
    I
Figura 27 Curva de rarefação de     C
     É
riqueza (Jackknife 1) dos dados     P
    S
combinados de pontos de contagem     E
    E
(Bierregaard et al. 1992), ou seja, a presença de algumas andorinha-do-campo ( Progne tapera) utilizam frequen-
e rede em São Felix do Coribe, BA.     D
    O espécies com grande número de indivíduos e a maioria das temente as torres e os fios como local de pouso ( Figura
O gráfico mostra que a riqueza de     R

espécies foi consideravelmente maior


    E
    M
     Ú
espécies pouco abundantes ( Figuras 30, 31 e 32 ). Também 36 ). Andorinhas-do-campo foram observadas várias ve-
próxima a faixa de serviço e similar     N
Thiollay (1997) encontrou resultados semelhantes nas zes chegando ao final da tarde para dormir nas torres.
entre as outras classes de distancias.
Guianas, ponderando que a maioria das espécies era rara Ao mesmo tempo, os Apodidae dos gêneros Chaetura e
e K-estrategista. Segundo Cotgreave & Harvey (1994), a Streptoprocne,  comumente chamados de andorinhões,
abundância e a raridade de espécies seriam determinadas voam muito próximo a torres e cabos, especialmente os
pelo tamanho do corpo dos indivíduos, pela estrutura das do gênero Chaetura, que parecem caçar insetos (vespas)
guildas de alimentação e pela filogenia. Segundo Willson que se relacionam com as torres. Observações mais de-
& Comet (1996), no que diz respeito às espécies de sub- talhadas serão necessárias para que seja estabelecido o
-bosque, importantes para este estudo, em região tempe- risco de tais comportamentos, entretanto a primeira im-
rada são vários os fatores a influenciarem a abundância pressão é de que tais relações são apenas vantajosas para
e diversidade desse grupo de aves, como a variedade de as referidas espécies.
invertebrados, a estrutura da vegetação e a disponibilidade Dessa forma, quase todas as interações assumiram
de locais para nidificação. Porém, para as regiões tropicais caráter esporádico e visivelmente pouco impactante para
TAMANHO AMOSTRAL     S
ainda precisam ser feitos estudos que possam determinar ambos os lados. Durante as obser vações conduzidas com
    E
    I

Figura 28 Curva de rarefação de riqueza


    C
     É
    P
se os mesmos fatores apresentados por Willson & Comet foco em aves que cruzassem o espaço aéreo não foi ob-
(Jackknife 1) dos dados combinados de     S
    E
    E
(1996) também agem sobre as aves tropicais. servada qualquer situação de colisão ou quase colisão
pontos de contagem e rede em Iramaia,     D
Dessa forma, os resultados encontrados são seme- (desvios e manobras evasivas rápidas). A grande maioria
BA. as três classes de distância próximas     O
    R
a faixa de serviço apresentaram valor de     E
    M lhantes aos de riqueza, ou seja, não foi encontrado im- das aves que cruzou a linha de transmissão de dia, o fez a
     Ú
riqueza consideravelmente maior do que     N
pacto da linha sobre a comunidade de aves. Possivelmen- uma boa altura ou, claramente, avistava a linha de trans-
as duas classes mais distantes da faixa de
serviço. O trecho 150 – 250 apresentou te, a faixa de s erviço não provocou alterações nos fatores missão e evitou o espaço entre os cabos, passando por
valor muito inferior aos outros. que influenciam a abundância das espécies citadas an- cima, inclusive, dos cabos para-raios.
teriormente. Isso é oposto ao esperado quando há frag- No caso das andorinhas-grandes ( Progne chalybea) foi
mentação e formação de ambientes de borda, embora detectada uma imensa aglomeração de indivíduos, com,
tais efeitos possam simplesmente não ter sido sentidos provavelmente, milhares de espécimes na subestação de
ainda localmente, dado o tempo de existência da fonte Miracema. Embora tenha sido verificado nessa subes-
impactante. tação que alguns indivíduos morreram ao ali chegar, a
espécie, como um todo, está sendo claramente beneficia-
Interações negativas e choques da mais do que prejudicada, uma vez que a subestação
TAMANHO AMOSTRAL com a linha de transmissão parece ter sido escolhida por oferecer uma boa oferta de
pouso e abrigo para todo um bando dessas andorinhas. A
Figura 29 Curva de rarefação dos dados     S

combinados de pontos de contagem e rede


    E
    I
    C
Muitas espécies de aves se relacionam de diferentes for- morte por impacto de algumas dezenas por noite parece
     É
utilizando as espécies observadas (Sobs) e     P
    S mas com as linhas de transmissão em estudo. Dentre resultado justamente da excessiva aglomeração. Não foi
estimadas (Jackknife 1) em Presidente Ken-     E

nedy, TO. O gráfico mostra que as classes


    E
    D as espécies observadas verificou-se que o gavião-carijó possível ver se essas aves colidem contra estruturas da
    O
de distancias são muito próximas em am-     R
    E ( Rupornis magnirostris ), o gavião-quiriquiri ( Falco subestação, se são eletrocutadas (pela sua necrópsia não
bas as riquezas, exceto as classes “0 – 50”     M

e “250 – 350”. A classe “250 – 350” possui


     Ú
    N sparverius), o carrapateiro ( Milvago chimachima ) e a parece ser o caso) ou se elas simplesmente colidem entre
riqueza estimada maior do que as outras
classes, ao passo que a riqueza de espécies
observada foi maior na classe “0 – 50”.

83
TAMANHO AMOSTRAL
    S
    E
    I
Figura 27 Curva de rarefação de     C
     É
riqueza (Jackknife 1) dos dados     P
    S
combinados de pontos de contagem     E
    E
(Bierregaard et al. 1992), ou seja, a presença de algumas andorinha-do-campo ( Progne tapera) utilizam frequen-
e rede em São Felix do Coribe, BA.     D
    O espécies com grande número de indivíduos e a maioria das temente as torres e os fios como local de pouso ( Figura
O gráfico mostra que a riqueza de     R

espécies foi consideravelmente maior


    E
    M
     Ú
espécies pouco abundantes ( Figuras 30, 31 e 32 ). Também 36 ). Andorinhas-do-campo foram observadas várias ve-
próxima a faixa de serviço e similar     N
Thiollay (1997) encontrou resultados semelhantes nas zes chegando ao final da tarde para dormir nas torres.
entre as outras classes de distancias.
Guianas, ponderando que a maioria das espécies era rara Ao mesmo tempo, os Apodidae dos gêneros Chaetura e
e K-estrategista. Segundo Cotgreave & Harvey (1994), a Streptoprocne,  comumente chamados de andorinhões,
abundância e a raridade de espécies seriam determinadas voam muito próximo a torres e cabos, especialmente os
pelo tamanho do corpo dos indivíduos, pela estrutura das do gênero Chaetura, que parecem caçar insetos (vespas)
guildas de alimentação e pela filogenia. Segundo Willson que se relacionam com as torres. Observações mais de-
& Comet (1996), no que diz respeito às espécies de sub- talhadas serão necessárias para que seja estabelecido o
-bosque, importantes para este estudo, em região tempe- risco de tais comportamentos, entretanto a primeira im-
rada são vários os fatores a influenciarem a abundância pressão é de que tais relações são apenas vantajosas para
e diversidade desse grupo de aves, como a variedade de as referidas espécies.
invertebrados, a estrutura da vegetação e a disponibilidade Dessa forma, quase todas as interações assumiram
de locais para nidificação. Porém, para as regiões tropicais caráter esporádico e visivelmente pouco impactante para
TAMANHO AMOSTRAL     S
ainda precisam ser feitos estudos que possam determinar ambos os lados. Durante as obser vações conduzidas com
    E
    I

Figura 28 Curva de rarefação de riqueza


    C
     É
    P
se os mesmos fatores apresentados por Willson & Comet foco em aves que cruzassem o espaço aéreo não foi ob-
(Jackknife 1) dos dados combinados de     S
    E
    E
(1996) também agem sobre as aves tropicais. servada qualquer situação de colisão ou quase colisão
pontos de contagem e rede em Iramaia,     D
Dessa forma, os resultados encontrados são seme- (desvios e manobras evasivas rápidas). A grande maioria
BA. as três classes de distância próximas     O
    R
a faixa de serviço apresentaram valor de     E
    M lhantes aos de riqueza, ou seja, não foi encontrado im- das aves que cruzou a linha de transmissão de dia, o fez a
     Ú
riqueza consideravelmente maior do que     N
pacto da linha sobre a comunidade de aves. Possivelmen- uma boa altura ou, claramente, avistava a linha de trans-
as duas classes mais distantes da faixa de
serviço. O trecho 150 – 250 apresentou te, a faixa de s erviço não provocou alterações nos fatores missão e evitou o espaço entre os cabos, passando por
valor muito inferior aos outros. que influenciam a abundância das espécies citadas an- cima, inclusive, dos cabos para-raios.
teriormente. Isso é oposto ao esperado quando há frag- No caso das andorinhas-grandes ( Progne chalybea) foi
mentação e formação de ambientes de borda, embora detectada uma imensa aglomeração de indivíduos, com,
tais efeitos possam simplesmente não ter sido sentidos provavelmente, milhares de espécimes na subestação de
ainda localmente, dado o tempo de existência da fonte Miracema. Embora tenha sido verificado nessa subes-
impactante. tação que alguns indivíduos morreram ao ali chegar, a
espécie, como um todo, está sendo claramente beneficia-
Interações negativas e choques da mais do que prejudicada, uma vez que a subestação
TAMANHO AMOSTRAL com a linha de transmissão parece ter sido escolhida por oferecer uma boa oferta de
pouso e abrigo para todo um bando dessas andorinhas. A
Figura 29 Curva de rarefação dos dados     S

combinados de pontos de contagem e rede


    E
    I
    C
Muitas espécies de aves se relacionam de diferentes for- morte por impacto de algumas dezenas por noite parece
     É
utilizando as espécies observadas (Sobs) e     P
    S mas com as linhas de transmissão em estudo. Dentre resultado justamente da excessiva aglomeração. Não foi
estimadas (Jackknife 1) em Presidente Ken-     E

nedy, TO. O gráfico mostra que as classes


    E
    D as espécies observadas verificou-se que o gavião-carijó possível ver se essas aves colidem contra estruturas da
    O
de distancias são muito próximas em am-     R
    E ( Rupornis magnirostris ), o gavião-quiriquiri ( Falco subestação, se são eletrocutadas (pela sua necrópsia não
bas as riquezas, exceto as classes “0 – 50”     M

e “250 – 350”. A classe “250 – 350” possui


     Ú
    N sparverius), o carrapateiro ( Milvago chimachima ) e a parece ser o caso) ou se elas simplesmente colidem entre
riqueza estimada maior do que as outras
classes, ao passo que a riqueza de espécies
observada foi maior na classe “0 – 50”.

83

ESPÉCIES
Figura 30 Curvas da DISTÂNCIA EUCLIDIANA
abundância da avifauna na
    L    A Figura 33 Resultado da análise
caatinga de São Félix do     A    I
    U     C de CLUSTER da matriz de
Coribe, Bahia, obtidas dos     T    N
     Â
    N
    O     D abundância com todas as
dados de rede (esquerda) e     P    N
    U
    E    B espécies em São Félix do
pontos de amostragem (direita)     C
    I    A
    D Coribe, Bahia, obtidas dos
separadamente.as estimativas     N
     Í
    E
    D
dados de rede (esquerda)
em ambas as áreas ainda
e pontos de amostragem
estão sendo influenciadas pelo
(direita), separadamente.
tamanho amostral.

DISTÂNCIA EUCLIDIANA
ESPÉCIES
    L    A
Figura 34 Resultado da
Figura 31 Curvas de     A    I
    U    C análise de CLUSTER da
    T    N
abundância da avifauna em      Â
    N
    O    D
matriz de abundância
Iramaia, Bahia, obtidas dos     P    N
    U
    E    B
com todas as espécies em
dados de rede (esquerda)     C
    I    A
    D
Iramaia, Bahia, obtidas dos
    E
e pontos de amostragem     N
     Í    D dados de rede (esquerda)
(direita) separadamente. e pontos de amostragem
(direita), separadamente.

ESPÉCIES DISTÂNCIA EUCLIDIANA


Figura 35 Resultado da
Figura 32 Curvas da     L    A
    A    I análise de CLUSTER da matriz
abundância da avifauna     U     C
    T    N
     Â
    N de abundância com todas
no cerrado de Presidente     O     D
    P    N as espécies em Presidente
Kennedy, Tocantins, obtidas     U
    E    B
    C
    I    A Kennedy, Tocantins, obtidas
dos dados de rede (esquerda)     D     E
    N
     Í     D dos dados de rede (esquerda)
e pontos de amostragem
e pontos de amostragem
(direita) separadamente.
(direita), separadamente.
ESPÉCIES
Figura 30 Curvas da DISTÂNCIA EUCLIDIANA
abundância da avifauna na
    L    A Figura 33 Resultado da análise
caatinga de São Félix do     A    I
    U     C de CLUSTER da matriz de
Coribe, Bahia, obtidas dos     T    N
     Â
    N
    O     D abundância com todas as
dados de rede (esquerda) e     P    N
    U
    E    B espécies em São Félix do
pontos de amostragem (direita)     C
    I    A
    D Coribe, Bahia, obtidas dos
separadamente.as estimativas     N
     Í
    E
    D
dados de rede (esquerda)
em ambas as áreas ainda
e pontos de amostragem
estão sendo influenciadas pelo
(direita), separadamente.
tamanho amostral.

DISTÂNCIA EUCLIDIANA
ESPÉCIES
    L    A
Figura 34 Resultado da
Figura 31 Curvas de     A    I
    U    C análise de CLUSTER da
    T    N
abundância da avifauna em      Â
    N
    O    D
matriz de abundância
Iramaia, Bahia, obtidas dos     P    N
    U
    E    B
com todas as espécies em
dados de rede (esquerda)     C
    I    A
    D
Iramaia, Bahia, obtidas dos
    E
e pontos de amostragem     N
     Í    D dados de rede (esquerda)
(direita) separadamente. e pontos de amostragem
(direita), separadamente.

ESPÉCIES DISTÂNCIA EUCLIDIANA


Figura 35 Resultado da
Figura 32 Curvas da     L    A
    A    I análise de CLUSTER da matriz
abundância da avifauna     U     C
    T    N
     Â
    N de abundância com todas
no cerrado de Presidente     O     D
    P    N as espécies em Presidente
Kennedy, Tocantins, obtidas     U
    E    B
    C
    I    A Kennedy, Tocantins, obtidas
dos dados de rede (esquerda)     D     E
    N
     Í     D dos dados de rede (esquerda)
e pontos de amostragem
e pontos de amostragem
(direita) separadamente.
(direita), separadamente.

si. Tais aglomerações dessa espécie em construções hu- relevantes e foram responsáveis por cerca de 20 desliga-
manas (como grandes galpões abertos e praças urbanas) mentos entre 2003 e 2004, segundo informações forneci-
são muito comuns. das pela equipe de manutenção da empresa.
Em relação às colisões observadas, os trabalhos de Em linhas de transmissão que cruzam o cerrado, am-
busca ativa e observação registraram apenas um es- biente natural dessa espécie, os funcionários da Taesa
pécime morto em todas as campanhas. Uma avoante encontraram torres com mais de 25 espécimes pousa-
( Zenaid a a uricu lata ), no ponto amostral de Presidente dos para pernoite. Nas torres que espécimes dormiam,
Kennedy. Essa ave foi encontrada sob a linha e corres- as falhas conhecidas pela literatura internacional como
ponde perfeitamente ao perfil de espécie que colide com decorrentes dos arcos voltaicos provocados pelos “cor-
cabos, por voar em grandes bandos a alta velocidade. dões de fezes” de grandes espécies de aves, principal-
Localmente, a espécie ocupa as áreas abertas. Além des- mente Ciconiiformes e Falconiformes, foram constata-
sa espécie, foi encontrada uma carcaça de passeriforme, dos diversas vezes. A literatura indica que esses cordões
 já em estad o avança do de decom posi ção, ide ntif icad o ( birdstreamers ), quando jogados sobre os isoladores,
como Tyrannidae. Embora tenha sido encontrado em- podem provocar tais falhas ( flash overs ). Uma pesquisa
baixo da linha de transmissão, não foi possível obter de cerca de dois anos foi conduzida pela equipe de ma-
nenhuma outra evidência de que o espécime tenha mor- nutenção até que foi constatado que tal fenômeno vinha
rido por impacto com os cabos. acontecendo e que já tinha sido responsável por pelo
Entrevistas com moradores e trabalhadores envolvi- menos 18 falhas do sistema.
dos com a manutenção e construção da linha de trans- As torres que apresentavam curicacas ou ninhos re-
missão indicaram que muitas avoantes ou amargosas ceberam modificações que tinham o objetivo de impedir
( Zenaida auriculata ) já foram observadas colidindo com a relação dessas aves nas linhas de transmissão. Após al-
os cabos, principalmente no momento de implantação, gumas tentativas, obteve-se o sucesso em minimizar os
ou seja, quando ainda não conheciam o empreendimento. desligamentos com a elaboração de estruturas antipouso
Possivelmente, a espécie de ave que mais frequente- eficientes o suficiente para inviabilizar a pernoite dessas
mente e conspicuamente interage com as linhas de trans- aves nas torres, ou simplesmente evitar que elas pousas-
missão é a curicaca ( Theristicus caudatus ). Essa espécie sem em cima dos isoladores centrais das linhas de trans-
de Ciconiiformes utiliza as torres como local de pouso missão, onde ocorria a maior parte dos problemas.
para pernoite e nidificação. Embora tais interações com Foram observadas aglomerações de mais de 25 indi-
as linhas de transmissão estudadas não sejam fortes, com víduos em uma torre pelo grupo d e campo que estudou a
outras linhas de transmissão da Taesa elas já são muito presença de curicacas nas linhas de transmissão.

FIGURA 36  Utilização das torres por Andorinha-do-


campo Progne tapera . Foram observados indivíduos
dessa espécie em mais de uma ocasião chegando
ao final da tarde para dormir sobre as torres.

86 87
si. Tais aglomerações dessa espécie em construções hu- relevantes e foram responsáveis por cerca de 20 desliga-
manas (como grandes galpões abertos e praças urbanas) mentos entre 2003 e 2004, segundo informações forneci-
são muito comuns. das pela equipe de manutenção da empresa.
Em relação às colisões observadas, os trabalhos de Em linhas de transmissão que cruzam o cerrado, am-
busca ativa e observação registraram apenas um es- biente natural dessa espécie, os funcionários da Taesa
pécime morto em todas as campanhas. Uma avoante encontraram torres com mais de 25 espécimes pousa-
( Zenaid a a uricu lata ), no ponto amostral de Presidente dos para pernoite. Nas torres que espécimes dormiam,
Kennedy. Essa ave foi encontrada sob a linha e corres- as falhas conhecidas pela literatura internacional como
ponde perfeitamente ao perfil de espécie que colide com decorrentes dos arcos voltaicos provocados pelos “cor-
cabos, por voar em grandes bandos a alta velocidade. dões de fezes” de grandes espécies de aves, principal-
Localmente, a espécie ocupa as áreas abertas. Além des- mente Ciconiiformes e Falconiformes, foram constata-
sa espécie, foi encontrada uma carcaça de passeriforme, dos diversas vezes. A literatura indica que esses cordões
 já em estad o avança do de decom posi ção, ide ntif icad o ( birdstreamers ), quando jogados sobre os isoladores,
como Tyrannidae. Embora tenha sido encontrado em- podem provocar tais falhas ( flash overs ). Uma pesquisa
baixo da linha de transmissão, não foi possível obter de cerca de dois anos foi conduzida pela equipe de ma-
nenhuma outra evidência de que o espécime tenha mor- nutenção até que foi constatado que tal fenômeno vinha
rido por impacto com os cabos. acontecendo e que já tinha sido responsável por pelo
Entrevistas com moradores e trabalhadores envolvi- menos 18 falhas do sistema.
dos com a manutenção e construção da linha de trans- As torres que apresentavam curicacas ou ninhos re-
missão indicaram que muitas avoantes ou amargosas ceberam modificações que tinham o objetivo de impedir
( Zenaida auriculata ) já foram observadas colidindo com a relação dessas aves nas linhas de transmissão. Após al-
os cabos, principalmente no momento de implantação, gumas tentativas, obteve-se o sucesso em minimizar os
ou seja, quando ainda não conheciam o empreendimento. desligamentos com a elaboração de estruturas antipouso
Possivelmente, a espécie de ave que mais frequente- eficientes o suficiente para inviabilizar a pernoite dessas
mente e conspicuamente interage com as linhas de trans- aves nas torres, ou simplesmente evitar que elas pousas-
missão é a curicaca ( Theristicus caudatus ). Essa espécie sem em cima dos isoladores centrais das linhas de trans-
de Ciconiiformes utiliza as torres como local de pouso missão, onde ocorria a maior parte dos problemas.
para pernoite e nidificação. Embora tais interações com Foram observadas aglomerações de mais de 25 indi-
as linhas de transmissão estudadas não sejam fortes, com víduos em uma torre pelo grupo d e campo que estudou a
outras linhas de transmissão da Taesa elas já são muito presença de curicacas nas linhas de transmissão.

FIGURA 36  Utilização das torres por Andorinha-do-


campo Progne tapera . Foram observados indivíduos
dessa espécie em mais de uma ocasião chegando
ao final da tarde para dormir sobre as torres.

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ESPÉCIES E SEU ÍNDICE PONTUAL DE ABUNDÂNCIAS POR PONTOS DE CONTAGEM E CAPTURAS COM REDE DE NEBLINA EM SÃO FÉLIX DO CORIBE, BAHIA.
TABELA 4 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA
GERAL - PONTOS GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES

TABELA 4 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA Cyanoloxia
PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS GERAL - PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES GERAL - REDES brissonii 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
ESPÉCIES/CLASSE

 Arremon Cyanocorax
0.0000 0.0000 0.0167 0.0333 0.0333 0.0833 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 cyanopogon 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571
 franciscanus
Cyclarhis
Basileuterus
0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0333 0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286  gujanensis 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0333 0.0500 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571
 flaveolus
Dromococcyx
Camptostoma  pavoninus 0.0167 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0333 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
obsoletum 0.1833 0.1000 0.1333 0.1000 0.1167 0.6333 0.0571 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0857
 Euphonia
Campylorhamphus chlorotica 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
trochilirostris 0.0667 0.0500 0.0500 0.0333 0.0833 0.2833 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571 0.0000 0.0857
 Euscarthmu s
Cantorchilus meloryphus 0.2167 0.0333 0.0500 0.0333 0.0167 0.3500 0.0571 0.0286 0.0000 0.1429 0.0286 0.2571
longirostris 0.0167 0.0167 0.0333 0.0167 0.0000 0.0833 0.0000 0.0000 0.0571 0.0000 0.0000 0.0571
Formicivora
Casiornis melanogaster  0.3333 0.2500 0.2167 0.2667 0.2500 1.3167 0.2857 0.1714 0.1714 0.2857 0.2286 1.1429
 fuscus 0.0500 0.1000 0.0667 0.0667 0.1167 0.4000 0.0286 0.0857 0.1143 0.1143 0.0857 0.4286
Gyalophylax
Celeus
0.0000 0.0500 0.0167 0.0167 0.0333 0.1167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 hellmayri 0.1167 0.0667 0.0833 0.1167 0.0667 0.4500 0.0857 0.0286 0.1143 0.0571 0.0286 0.3143
 flavescens
Chlorostilbon Hemitriccus
lucidus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571 margaritaceiventer  0.0667 0.0500 0.0667 0.0833 0.0500 0.3167 0.3429 0.2857 0.2000 0.1143 0.1714 1.1143

Chrysolampis Herpetotheres
0.0333 0.0500 0.1000 0.0000 0.0333 0.2167 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 cachinnans 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0333 0.0333 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
mosquitus
Cnemotriccus Herpsilochmus
0.0000 0.0333 0.0167 0.0000 0.0000 0.0500 0.0571 0.0571 0.0857 0.0857 0.0286 0.3143 atricapillus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286
 fuscatus
Coccyzus Herpsilochmus
0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 sellowi 0.0833 0.0500 0.0500 0.0833 0.1833 0.4500 0.1143 0.1429 0.1429 0.1143 0.1143 0.6286
americanus
Coccyzus Hylopezus
0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0500 0.0667 0.0286 0.0286 0.0286 0.0000 0.0000 0.0857 ochroleucus 0.1000 0.0667 0.1167 0.1167 0.0667 0.4667 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
melacoryphus
Columbina Hylophilus
0.0000 0.0667 0.0667 0.0833 0.0833 0.3000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 amaurocephalus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
squammata
Columbina Lathrotriccus
talpacoti 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 euleri 0.0500 0.0500 0.0000 0.0167 0.0333 0.1500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286

Conirostrum Lepidocolaptes
speciosum 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 angustirostris 0.0833 0.1000 0.0000 0.0833 0.0667 0.3333 0.0000 0.0000 0.0857 0.0571 0.0286 0.1714

Coryphospingus  Megarynch us
 pileatus 0.0167 0.0000 0.0333 0.0000 0.0167 0.0667 0.2857 0.0571 0.0286 0.0857 0.2571 0.7143  pitangua 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0167 0.0333 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000

Crypturellus  Megaxenops
noctivagus 0.0167 0.0167 0.0333 0.0000 0.0167 0.0833 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  parnaguae 0.1667 0.1667 0.0833 0.1333 0.0833 0.6333 0.1429 0.0857 0.1143 0.1143 0.1143 0.5714

88 89
ESPÉCIES E SEU ÍNDICE PONTUAL DE ABUNDÂNCIAS POR PONTOS DE CONTAGEM E CAPTURAS COM REDE DE NEBLINA EM SÃO FÉLIX DO CORIBE, BAHIA.
TABELA 4 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA
GERAL - PONTOS GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES

TABELA 4 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA Cyanoloxia
PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS GERAL - PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES GERAL - REDES brissonii 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
ESPÉCIES/CLASSE

 Arremon Cyanocorax
0.0000 0.0000 0.0167 0.0333 0.0333 0.0833 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 cyanopogon 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571
 franciscanus
Cyclarhis
Basileuterus
0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0333 0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286  gujanensis 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0333 0.0500 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571
 flaveolus
Dromococcyx
Camptostoma  pavoninus 0.0167 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0333 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
obsoletum 0.1833 0.1000 0.1333 0.1000 0.1167 0.6333 0.0571 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0857
 Euphonia
Campylorhamphus chlorotica 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
trochilirostris 0.0667 0.0500 0.0500 0.0333 0.0833 0.2833 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571 0.0000 0.0857
 Euscarthmu s
Cantorchilus meloryphus 0.2167 0.0333 0.0500 0.0333 0.0167 0.3500 0.0571 0.0286 0.0000 0.1429 0.0286 0.2571
longirostris 0.0167 0.0167 0.0333 0.0167 0.0000 0.0833 0.0000 0.0000 0.0571 0.0000 0.0000 0.0571
Formicivora
Casiornis melanogaster  0.3333 0.2500 0.2167 0.2667 0.2500 1.3167 0.2857 0.1714 0.1714 0.2857 0.2286 1.1429
 fuscus 0.0500 0.1000 0.0667 0.0667 0.1167 0.4000 0.0286 0.0857 0.1143 0.1143 0.0857 0.4286
Gyalophylax
Celeus
0.0000 0.0500 0.0167 0.0167 0.0333 0.1167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 hellmayri 0.1167 0.0667 0.0833 0.1167 0.0667 0.4500 0.0857 0.0286 0.1143 0.0571 0.0286 0.3143
 flavescens
Chlorostilbon Hemitriccus
lucidus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571 margaritaceiventer  0.0667 0.0500 0.0667 0.0833 0.0500 0.3167 0.3429 0.2857 0.2000 0.1143 0.1714 1.1143

Chrysolampis Herpetotheres
0.0333 0.0500 0.1000 0.0000 0.0333 0.2167 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 cachinnans 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0333 0.0333 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
mosquitus
Cnemotriccus Herpsilochmus
0.0000 0.0333 0.0167 0.0000 0.0000 0.0500 0.0571 0.0571 0.0857 0.0857 0.0286 0.3143 atricapillus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286
 fuscatus
Coccyzus Herpsilochmus
0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 sellowi 0.0833 0.0500 0.0500 0.0833 0.1833 0.4500 0.1143 0.1429 0.1429 0.1143 0.1143 0.6286
americanus
Coccyzus Hylopezus
0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0500 0.0667 0.0286 0.0286 0.0286 0.0000 0.0000 0.0857 ochroleucus 0.1000 0.0667 0.1167 0.1167 0.0667 0.4667 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
melacoryphus
Columbina Hylophilus
0.0000 0.0667 0.0667 0.0833 0.0833 0.3000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 amaurocephalus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
squammata
Columbina Lathrotriccus
talpacoti 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 euleri 0.0500 0.0500 0.0000 0.0167 0.0333 0.1500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286

Conirostrum Lepidocolaptes
speciosum 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 angustirostris 0.0833 0.1000 0.0000 0.0833 0.0667 0.3333 0.0000 0.0000 0.0857 0.0571 0.0286 0.1714

Coryphospingus  Megarynch us
 pileatus 0.0167 0.0000 0.0333 0.0000 0.0167 0.0667 0.2857 0.0571 0.0286 0.0857 0.2571 0.7143  pitangua 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0167 0.0333 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000

Crypturellus  Megaxenops
noctivagus 0.0167 0.0167 0.0333 0.0000 0.0167 0.0833 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  parnaguae 0.1667 0.1667 0.0833 0.1333 0.0833 0.6333 0.1429 0.0857 0.1143 0.1143 0.1143 0.5714

88 89

TABELA 4 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA TABELA 4 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA
GERAL - PONTOS GERAL - REDES GERAL - PONTOS GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES

 Myiarchus Sittasomus
swainsoni 0.0167 0.0333 0.0000 0.0167 0.0000 0.0667 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  griseicapi llus 0.1000 0.0667 0.0667 0.0333 0.0833 0.3500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286
 Myiarchus Sublegatus
 ferox  0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0833 0.0000 0.0833 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
modestus
 Myiarchus Synallaxis
tyrannulus 0.0167 0.0500 0.0833 0.0500 0.0833 0.2833 0.3143 0.1429 0.0571 0.1143 0.1429 0.7714 0.0167 0.0167 0.0000 0.0000 0.0167 0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 frontalis
 Myiopagis Taraba
 gaimardii 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0333 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
major 
 Myiopagis Thamnophilus
viridicata 0.0000 0.0167 0.0167 0.0167 0.0167 0.0667 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571 0.0571 0.1429 0.1000 0.1000 0.0333 0.0500 0.1167 0.4000 0.0000 0.0000 0.0857 0.0000 0.0000 0.0857
capistratus
 Myiophobus Thamnophilus
 fasciatus 0.0167 0.0000 0.0167 0.0000 0.0167 0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0667 0.0000 0.0333 0.0500 0.1167 0.2667 0.0571 0.0000 0.0286 0.0857 0.1429 0.3143
 punctatus
 Myrmorchilu s Thlypopsis
strigilatus 0.2000 0.2000 0.3000 0.2500 0.2333 1.1833 0.0857 0.0857 0.1429 0.0286 0.0857 0.4286 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0286 0.1143 0.0857 0.0571 0.0286 0.3143
sordida
 Nystalus Todirostrum
maculatus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0167 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0333 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 poliocephalum
Pachyramphus Tolmomyias
 polychopter us 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0500 0.0833 0.0167 0.0833 0.0833 0.3167 0.0000 0.0571 0.1143 0.0857 0.0286 0.2857
 flaviventri s
Phaeomyias Troglodytes
murina 0.0000 0.0167 0.0000 0.0333 0.0167 0.0667 0.0286 0.0286 0.0571 0.0000 0.0000 0.1143 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
musculus
Piaya Turdus
cayana 0.0000 0.0333 0.0000 0.0000 0.0167 0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0333 0.0333 0.0167 0.0167 0.0000 0.1000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
amaurochalinus
Picumnus Turdus
 pygmaeus 0.0333 0.0167 0.0333 0.0500 0.0333 0.1667 0.0286 0.1143 0.0571 0.0571 0.0286 0.2857 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
leucomelas
Polioptila Tyrannus
dumicola 0.0000 0.0167 0.0333 0.1167 0.0500 0.2167 0.0857 0.0286 0.0286 0.0000 0.0286 0.1714 0.0667 0.0000 0.0333 0.0167 0.0000 0.1167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
melancholichus
Polioptila Veniliornis
 plumbea 0.0167 0.0667 0.0333 0.0333 0.0667 0.2167 0.0000 0.0000 0.0571 0.0286 0.0571 0.1429 0.0000 0.0167 0.0000 0.0167 0.0000 0.0333 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 passerinus
Sakesphorus Volatinia
cristatus 0.4167 0.2833 0.3833 0.2833 0.3333 1.7000 0.3143 0.2000 0.2571 0.1143 0.0857 0.9714 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0571 0.1714 0.0857 0.0286 0.0286 0.3714
 jacarina
Saltator  Zenaida
similis 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
auriculata

90 91
TABELA 4 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA TABELA 4 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA
GERAL - PONTOS GERAL - REDES GERAL - PONTOS GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES

 Myiarchus Sittasomus
swainsoni 0.0167 0.0333 0.0000 0.0167 0.0000 0.0667 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  griseicapi llus 0.1000 0.0667 0.0667 0.0333 0.0833 0.3500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286
 Myiarchus Sublegatus
 ferox  0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0833 0.0000 0.0833 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
modestus
 Myiarchus Synallaxis
tyrannulus 0.0167 0.0500 0.0833 0.0500 0.0833 0.2833 0.3143 0.1429 0.0571 0.1143 0.1429 0.7714 0.0167 0.0167 0.0000 0.0000 0.0167 0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 frontalis
 Myiopagis Taraba
 gaimardii 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0333 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
major 
 Myiopagis Thamnophilus
viridicata 0.0000 0.0167 0.0167 0.0167 0.0167 0.0667 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571 0.0571 0.1429 0.1000 0.1000 0.0333 0.0500 0.1167 0.4000 0.0000 0.0000 0.0857 0.0000 0.0000 0.0857
capistratus
 Myiophobus Thamnophilus
 fasciatus 0.0167 0.0000 0.0167 0.0000 0.0167 0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0667 0.0000 0.0333 0.0500 0.1167 0.2667 0.0571 0.0000 0.0286 0.0857 0.1429 0.3143
 punctatus
 Myrmorchilu s Thlypopsis
strigilatus 0.2000 0.2000 0.3000 0.2500 0.2333 1.1833 0.0857 0.0857 0.1429 0.0286 0.0857 0.4286 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0286 0.1143 0.0857 0.0571 0.0286 0.3143
sordida
 Nystalus Todirostrum
maculatus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0167 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0333 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 poliocephalum
Pachyramphus Tolmomyias
 polychopter us 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0500 0.0833 0.0167 0.0833 0.0833 0.3167 0.0000 0.0571 0.1143 0.0857 0.0286 0.2857
 flaviventri s
Phaeomyias Troglodytes
murina 0.0000 0.0167 0.0000 0.0333 0.0167 0.0667 0.0286 0.0286 0.0571 0.0000 0.0000 0.1143 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
musculus
Piaya Turdus
cayana 0.0000 0.0333 0.0000 0.0000 0.0167 0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0333 0.0333 0.0167 0.0167 0.0000 0.1000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
amaurochalinus
Picumnus Turdus
 pygmaeus 0.0333 0.0167 0.0333 0.0500 0.0333 0.1667 0.0286 0.1143 0.0571 0.0571 0.0286 0.2857 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
leucomelas
Polioptila Tyrannus
dumicola 0.0000 0.0167 0.0333 0.1167 0.0500 0.2167 0.0857 0.0286 0.0286 0.0000 0.0286 0.1714 0.0667 0.0000 0.0333 0.0167 0.0000 0.1167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
melancholichus
Polioptila Veniliornis
 plumbea 0.0167 0.0667 0.0333 0.0333 0.0667 0.2167 0.0000 0.0000 0.0571 0.0286 0.0571 0.1429 0.0000 0.0167 0.0000 0.0167 0.0000 0.0333 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 passerinus
Sakesphorus Volatinia
cristatus 0.4167 0.2833 0.3833 0.2833 0.3333 1.7000 0.3143 0.2000 0.2571 0.1143 0.0857 0.9714 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0571 0.1714 0.0857 0.0286 0.0286 0.3714
 jacarina
Saltator  Zenaida
similis 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0167 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
auriculata

90 91

ESPÉCIES E SEU ÍNDICE PONTUAL DE ABUNDÂNCIAS POR PONTOS DE CONTAGEM E CAPTURAS COM REDE DE NEBLINA EM IRAMAIA, BAHIA.
TABELA 5 0-50 50-150 150-250 250-350 350-450 ABUNDÂNCIA 0-50  50-150 150-250   250-350 350-450 ABUNDANCIA
GERAL - PONTOS (REDES) GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS REDES REDES REDES REDES

TABELA 5 0-50 50-150 150-250 250-350 350-450 ABUNDÂNCIA GERAL 0-50  50-150 150-250   250-350 350-450 ABUNDANCIA Columbina
PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS - PONTOS REDES REDES REDES REDES (REDES) GERAL - REDES squammata 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
ESPÉCIES/CLASSE

 Amazilia Conopophaga
0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0308 0.0455 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 lineata 0.1077 0.0769 0.0462 0.1231 0.0154 0.0154 0.0571 0.0286 0.1429 0.0286 0.0571 0.3143
 fimbriata
 Amazilia Cranioleuca
0.0000 0.0000 0.0000 0.0308 0.0000 0.0303 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 semicinerea 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
versicolor 
 Arremon Crypturellus
0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 noctivagus 0.0769 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286
taciturnus
Baryphthengus Dacnis
0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 cayana 0.0154 0.0308 0.0154 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571
ruficapillus
Basileuterus Dendrocolaptes
0.1692 0.1846 0.0615 0.0923 0.1385 0.0000 0.2000 0.1143 0.1143 0.1429 0.0571 0.6286  platyrost ris 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
 flaveolus
Camptostoma Dendrocincla
0.0923 0.0462 0.0154 0.0462 0.0308 0.0000 0.0571 0.0571 0.0286 0.0286 0.0286 0.2000 turdina 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
obsoletum
Campylorhamphus Dysithamnus
0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 mentalis 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 falcularius
 Elaenia
Cantorchilus
0.0308 0.0154 0.0000 0.0154 0.0000 0.2308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 cristata 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0154 0.0857 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0857
longirostris
 Elaenia
Capsiempis mesoleuca 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0154 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
 flaveola 0.0000 0.0154 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 Euphonia
Casiornis
0.0154 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 chlorotica 0.0154 0.0308 0.0000 0.0154 0.0154 0.0154 0.0571 0.0571 0.0000 0.0000 0.0000 0.1143
 fuscus
Celeus Galbula
0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 ruficauda 0.0615 0.0462 0.0000 0.0000 0.0308 0.0154 0.0286 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571
 flavescen s
Chiroxiphia Geothlypis
0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0571 aequinoctialis 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286
 pareola
Chlorostilbon Geotrygon
0.0000 0.0308 0.0154 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 montana 0.0154 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
lucidus
Cyclarhis Hemitriccus
 gujanensis 0.0154 0.0154 0.0000 0.0154 0.0154 0.0154 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 margaritaceiventer  0.0000 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000

Claravis Hemitriccus
0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 nidipendulus 0.0462 0.1231 0.0000 0.0154 0.0308 0.0308 0.0571 0.0857 0.0000 0.0000 0.0000 0.1429
 pretiosa
Coccyzus Hemitriccus
0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 orbitatus 0.0308 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
melacoryphus

92 93
ESPÉCIES E SEU ÍNDICE PONTUAL DE ABUNDÂNCIAS POR PONTOS DE CONTAGEM E CAPTURAS COM REDE DE NEBLINA EM IRAMAIA, BAHIA.
TABELA 5 0-50 50-150 150-250 250-350 350-450 ABUNDÂNCIA 0-50  50-150 150-250   250-350 350-450 ABUNDANCIA
GERAL - PONTOS (REDES) GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS REDES REDES REDES REDES

TABELA 5 0-50 50-150 150-250 250-350 350-450 ABUNDÂNCIA GERAL 0-50  50-150 150-250   250-350 350-450 ABUNDANCIA Columbina
PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS - PONTOS REDES REDES REDES REDES (REDES) GERAL - REDES squammata 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
ESPÉCIES/CLASSE

 Amazilia Conopophaga
0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0308 0.0455 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 lineata 0.1077 0.0769 0.0462 0.1231 0.0154 0.0154 0.0571 0.0286 0.1429 0.0286 0.0571 0.3143
 fimbriata
 Amazilia Cranioleuca
0.0000 0.0000 0.0000 0.0308 0.0000 0.0303 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 semicinerea 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
versicolor 
 Arremon Crypturellus
0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 noctivagus 0.0769 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286
taciturnus
Baryphthengus Dacnis
0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 cayana 0.0154 0.0308 0.0154 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571
ruficapillus
Basileuterus Dendrocolaptes
0.1692 0.1846 0.0615 0.0923 0.1385 0.0000 0.2000 0.1143 0.1143 0.1429 0.0571 0.6286  platyrost ris 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
 flaveolus
Camptostoma Dendrocincla
0.0923 0.0462 0.0154 0.0462 0.0308 0.0000 0.0571 0.0571 0.0286 0.0286 0.0286 0.2000 turdina 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
obsoletum
Campylorhamphus Dysithamnus
0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 mentalis 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 falcularius
 Elaenia
Cantorchilus
0.0308 0.0154 0.0000 0.0154 0.0000 0.2308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 cristata 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0154 0.0857 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0857
longirostris
 Elaenia
Capsiempis mesoleuca 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0154 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
 flaveola 0.0000 0.0154 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 Euphonia
Casiornis
0.0154 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 chlorotica 0.0154 0.0308 0.0000 0.0154 0.0154 0.0154 0.0571 0.0571 0.0000 0.0000 0.0000 0.1143
 fuscus
Celeus Galbula
0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 ruficauda 0.0615 0.0462 0.0000 0.0000 0.0308 0.0154 0.0286 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571
 flavescen s
Chiroxiphia Geothlypis
0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0571 aequinoctialis 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286
 pareola
Chlorostilbon Geotrygon
0.0000 0.0308 0.0154 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 montana 0.0154 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
lucidus
Cyclarhis Hemitriccus
 gujanensis 0.0154 0.0154 0.0000 0.0154 0.0154 0.0154 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 margaritaceiventer  0.0000 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000

Claravis Hemitriccus
0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 nidipendulus 0.0462 0.1231 0.0000 0.0154 0.0308 0.0308 0.0571 0.0857 0.0000 0.0000 0.0000 0.1429
 pretiosa
Coccyzus Hemitriccus
0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 orbitatus 0.0308 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
melacoryphus

92 93

TABELA 5 0-50 50-150 150-250 250-350 350-450 ABUNDÂNCIA GERAL 0-50  50-150 150-250   250-350 350-450 ABUNDANCIA TABELA 5 0-50 50-150 150-250 250-350 350-450 ABUNDÂNCIA 0-50  50-150 150-250   250-350 350-450 ABUNDANCIA

ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS - PONTOS REDES REDES REDES REDES (REDES) GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS GERAL - PONTOS REDES REDES REDES REDES (REDES) GERAL - REDES

Herpsilochmus  Myrmothe rula


atricapillus 0.1077 0.1231 0.0000 0.0154 0.0154 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571 0.0000 0.0571 axillaris 0.0000 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000

Hylopezus  Nemosia
ochroleucus 0.0462 0.0462 0.0308 0.0308 0.0308 0.0308 0.0286 0.0286 0.0286 0.1143 0.0000 0.2000  pileata 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286

Hylophilus  Neopelma
amaurocephalus 0.0462 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  pallescens 0.0154 0.0154 0.0462 0.0769 0.0615 0.0462 0.1143 0.0000 0.1429 0.0286 0.0857 0.3714

Lathrotriccus Pachyramphus
euleri 0.0000 0.0308 0.0154 0.0154 0.0000 0.0308 0.0286 0.0571 0.0286 0.0000 0.0286 0.1429  polychopter us 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0615 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000

Lepidocolaptes Parula
squamatus 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0308 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286  pitiayumi 0.0923 0.0308 0.0000 0.0154 0.0154 0.0615 0.0286 0.0286 0.0286 0.0571 0.0000 0.1429

Leptopogon Synallaxis
0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0308 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571 scutata 0.0000 0.0308 0.0154 0.0308 0.0000 0.0615 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
amaurocephalus
Leptotila Phaethornis
rufaxila 0.0615 0.0154 0.0000 0.0154 0.0000 0.0308 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571  pretrei 0.0308 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0615 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286

 Megarynchu s Phaethornis
0.0615 0.0308 0.0000 0.0154 0.0308 0.0308 0.0571 0.0000 0.0000 0.0571 0.0000 0.1143 ruber  0.0462 0.0308 0.0308 0.0308 0.0154 0.0615 0.0571 0.0000 0.0571 0.0000 0.0286 0.1429
 pitangua
 Megaxenops Pheugopedius
0.0308 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0308 0.0571 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571  genibarbis 0.1385 0.0462 0.0000 0.0000 0.0154 0.2154 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
 parnaguae
 Micrastur Phyllomyias
0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0308 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  fasciatus 0.0923 0.0769 0.0308 0.0308 0.0462 0.0615 0.0000 0.0571 0.0000 0.0286 0.0000 0.0857
ruficollis
 Micrastur Piculus
0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  flavigula 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0615 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
semitorquatus
 Myiarchus Picumnus
0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0462 0.0000 0.0286 0.0286 0.0000 0.0571 0.1143  pygmaeus 0.0308 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0769 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571
 ferox 
 Myiarchus Platyrinchus
tyrannulus 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 mystaceus 0.0308 0.0462 0.0308 0.0615 0.0462 0.0769 0.0286 0.0000 0.0286 0.0571 0.0286 0.1429

 Myiobius Polioptila
barbatus 0.0000 0.0000 0.0308 0.0154 0.0000 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 dumicola 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0769 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286

 Myiopagis Pyriglena
 gaimardii 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0154 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 leucoptera 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0769 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286

 Myiopagis Pyroderus
viridicata 0.0154 0.0462 0.0000 0.0000 0.0154 0.0462 0.0571 0.0571 0.0000 0.0000 0.0286 0.1429 scutatus 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0769 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286

 Myiophobus Sakesphorus
0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 cristatus 0.0000 0.0154 0.0154 0.0308 0.0462 0.0769 0.0000 0.0286 0.0571 0.0000 0.0000 0.0857
 fascitaus

94 95
TABELA 5 0-50 50-150 150-250 250-350 350-450 ABUNDÂNCIA GERAL 0-50  50-150 150-250   250-350 350-450 ABUNDANCIA TABELA 5 0-50 50-150 150-250 250-350 350-450 ABUNDÂNCIA 0-50  50-150 150-250   250-350 350-450 ABUNDANCIA

ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS - PONTOS REDES REDES REDES REDES (REDES) GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS GERAL - PONTOS REDES REDES REDES REDES (REDES) GERAL - REDES

Herpsilochmus  Myrmothe rula


atricapillus 0.1077 0.1231 0.0000 0.0154 0.0154 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571 0.0000 0.0571 axillaris 0.0000 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000

Hylopezus  Nemosia
ochroleucus 0.0462 0.0462 0.0308 0.0308 0.0308 0.0308 0.0286 0.0286 0.0286 0.1143 0.0000 0.2000  pileata 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286

Hylophilus  Neopelma
amaurocephalus 0.0462 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  pallescens 0.0154 0.0154 0.0462 0.0769 0.0615 0.0462 0.1143 0.0000 0.1429 0.0286 0.0857 0.3714

Lathrotriccus Pachyramphus
euleri 0.0000 0.0308 0.0154 0.0154 0.0000 0.0308 0.0286 0.0571 0.0286 0.0000 0.0286 0.1429  polychopter us 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0615 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000

Lepidocolaptes Parula
squamatus 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0308 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286  pitiayumi 0.0923 0.0308 0.0000 0.0154 0.0154 0.0615 0.0286 0.0286 0.0286 0.0571 0.0000 0.1429

Leptopogon Synallaxis
0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0308 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571 scutata 0.0000 0.0308 0.0154 0.0308 0.0000 0.0615 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
amaurocephalus
Leptotila Phaethornis
rufaxila 0.0615 0.0154 0.0000 0.0154 0.0000 0.0308 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571  pretrei 0.0308 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0615 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286

 Megarynchu s Phaethornis
0.0615 0.0308 0.0000 0.0154 0.0308 0.0308 0.0571 0.0000 0.0000 0.0571 0.0000 0.1143 ruber  0.0462 0.0308 0.0308 0.0308 0.0154 0.0615 0.0571 0.0000 0.0571 0.0000 0.0286 0.1429
 pitangua
 Megaxenops Pheugopedius
0.0308 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0308 0.0571 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571  genibarbis 0.1385 0.0462 0.0000 0.0000 0.0154 0.2154 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
 parnaguae
 Micrastur Phyllomyias
0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0308 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  fasciatus 0.0923 0.0769 0.0308 0.0308 0.0462 0.0615 0.0000 0.0571 0.0000 0.0286 0.0000 0.0857
ruficollis
 Micrastur Piculus
0.0000 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  flavigula 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0615 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
semitorquatus
 Myiarchus Picumnus
0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0462 0.0000 0.0286 0.0286 0.0000 0.0571 0.1143  pygmaeus 0.0308 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0769 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571
 ferox 
 Myiarchus Platyrinchus
tyrannulus 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0000 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 mystaceus 0.0308 0.0462 0.0308 0.0615 0.0462 0.0769 0.0286 0.0000 0.0286 0.0571 0.0286 0.1429

 Myiobius Polioptila
barbatus 0.0000 0.0000 0.0308 0.0154 0.0000 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 dumicola 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0769 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286

 Myiopagis Pyriglena
 gaimardii 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0154 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 leucoptera 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0769 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286

 Myiopagis Pyroderus
viridicata 0.0154 0.0462 0.0000 0.0000 0.0154 0.0462 0.0571 0.0571 0.0000 0.0000 0.0286 0.1429 scutatus 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0769 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286

 Myiophobus Sakesphorus
0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 cristatus 0.0000 0.0154 0.0154 0.0308 0.0462 0.0769 0.0000 0.0286 0.0571 0.0000 0.0000 0.0857
 fascitaus

94 95

TABELA 5 0-50 50-150 150-250 250-350 350-450 ABUNDÂNCIA GERAL 0-50  50-150 150-250   250-350 350-450 ABUNDANCIA TABELA 5 0-50 50-150 150-250 250-350 350-450 ABUNDÂNCIA 0-50  50-150 150-250   250-350 350-450 ABUNDANCIA

ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS - PONTOS REDES REDES REDES REDES (REDES) GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS GERAL - PONTOS REDES REDES REDES REDES (REDES) GERAL - REDES

Saltator Tolmomyias
similis 0.0154 0.0462 0.0000 0.0000 0.0462 0.0769 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286  flaviventri s 0.0308 0.0769 0.0000 0.0615 0.0000 0.1692 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0571
Schiffornis Tolmomyias
virescens 0.1077 0.1385 0.0769 0.0462 0.0154 0.0923 0.0857 0.0857 0.0000 0.0857 0.0286 0.2857 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.1846 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
sulphurescens
Sclerurus Troglodytes
scansor  0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0923 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.2154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
musculus
Sittasomus Trogon
 griseicapil lus 0.0923 0.0923 0.0615 0.0308 0.0462 0.1077 0.0000 0.1429 0.0000 0.0286 0.0571 0.2286 0.0308 0.0462 0.0154 0.0154 0.0154 0.2154 0.0000 0.0571 0.0286 0.0286 0.0000 0.1143
surrucura
Synallaxis Turdus
spixi 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.1077 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.2615 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 0.0571
albicollis
Synallaxis Turdus
whitneyi 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.1077 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0923 0.0462 0.0462 0.0308 0.0462 0.2615 0.1429 0.0571 0.0000 0.0000 0.0000 0.2000
  leucomelas
Tangara Tyrannus
cayana 0.0154 0.0923 0.0154 0.0000 0.0000 0.1231 0.0000 0.0286 0.0286 0.0286 0.0286 0.1143 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.2769 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
melancholicus
Terenura
maculata 0.0308 0.0308 0.0000 0.0154 0.0000 0.1231 0.0000 0.0571 0.0000 0.0286 0.0000 0.0857 Veniliornis
 passerinu s 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0154 0.3231 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Thalurania
 glaucopis 0.0308 0.0154 0.0308 0.0000 0.0000 0.1385 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0571 Vireo
olivaceus 0.0154 0.0154 0.0000 0.0154 0.0154 0.3692 0.0000 0.0571 0.0000 0.0286 0.0000 0.0857
Thamnophilus  Xenops
 punctatus 0.1692 0.1385 0.1385 0.0923 0.1231 0.1385 0.2857 0.2286 0.1143 0.1143 0.0857 0.8286 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.6462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
minutus
Thraupis  Xiphorhynchu s
sayaca 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.1538 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0462 0.0462 0.0000 0.0000 0.0154 0.3846 0.0571 0.0857 0.0000 0.0000 0.0286 0.1714
 fuscus
Poecilotriccus
 plumbeiceps 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.1538 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  Zonotrich ia
capensis 0.0308 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.6615 0.0000 0.0571 0.0000 0.0286 0.0000 0.0857

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TABELA 5 0-50 50-150 150-250 250-350 350-450 ABUNDÂNCIA GERAL 0-50  50-150 150-250   250-350 350-450 ABUNDANCIA TABELA 5 0-50 50-150 150-250 250-350 350-450 ABUNDÂNCIA 0-50  50-150 150-250   250-350 350-450 ABUNDANCIA

ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS - PONTOS REDES REDES REDES REDES (REDES) GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS GERAL - PONTOS REDES REDES REDES REDES (REDES) GERAL - REDES

Saltator Tolmomyias
similis 0.0154 0.0462 0.0000 0.0000 0.0462 0.0769 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286  flaviventri s 0.0308 0.0769 0.0000 0.0615 0.0000 0.1692 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0571
Schiffornis Tolmomyias
virescens 0.1077 0.1385 0.0769 0.0462 0.0154 0.0923 0.0857 0.0857 0.0000 0.0857 0.0286 0.2857 0.0000 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.1846 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
sulphurescens
Sclerurus Troglodytes
scansor  0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0923 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.2154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
musculus
Sittasomus Trogon
 griseicapil lus 0.0923 0.0923 0.0615 0.0308 0.0462 0.1077 0.0000 0.1429 0.0000 0.0286 0.0571 0.2286 0.0308 0.0462 0.0154 0.0154 0.0154 0.2154 0.0000 0.0571 0.0286 0.0286 0.0000 0.1143
surrucura
Synallaxis Turdus
spixi 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.1077 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.2615 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 0.0571
albicollis
Synallaxis Turdus
whitneyi 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.1077 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0923 0.0462 0.0462 0.0308 0.0462 0.2615 0.1429 0.0571 0.0000 0.0000 0.0000 0.2000
  leucomelas
Tangara Tyrannus
cayana 0.0154 0.0923 0.0154 0.0000 0.0000 0.1231 0.0000 0.0286 0.0286 0.0286 0.0286 0.1143 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0154 0.2769 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
melancholicus
Terenura
maculata 0.0308 0.0308 0.0000 0.0154 0.0000 0.1231 0.0000 0.0571 0.0000 0.0286 0.0000 0.0857 Veniliornis
 passerinu s 0.0000 0.0308 0.0000 0.0000 0.0154 0.3231 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Thalurania
 glaucopis 0.0308 0.0154 0.0308 0.0000 0.0000 0.1385 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0571 Vireo
olivaceus 0.0154 0.0154 0.0000 0.0154 0.0154 0.3692 0.0000 0.0571 0.0000 0.0286 0.0000 0.0857
Thamnophilus  Xenops
 punctatus 0.1692 0.1385 0.1385 0.0923 0.1231 0.1385 0.2857 0.2286 0.1143 0.1143 0.0857 0.8286 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.6462 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
minutus
Thraupis  Xiphorhynchu s
sayaca 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.1538 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0462 0.0462 0.0000 0.0000 0.0154 0.3846 0.0571 0.0857 0.0000 0.0000 0.0286 0.1714
 fuscus
Poecilotriccus
 plumbeiceps 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.1538 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  Zonotrich ia
capensis 0.0308 0.0154 0.0000 0.0000 0.0000 0.6615 0.0000 0.0571 0.0000 0.0286 0.0000 0.0857

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ESPÉCIES E SEU ÍNDICE PONTUAL DE ABUNDÂNCIAS POR PONTOS DE CONTAGEM E CAPTURAS COM REDE DE NEBLINA EM PRESIDENTE KENNEDY, TOCANTINS.
TABELA 6 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA
GERAL - PONTOS GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES

TABELA 6 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA GERAL 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA Dendrocincla
0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 0.0571
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS - PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES GERAL - REDES  fuliginosa
Dromococcyx
 Arremon  pavoninus 0.0000 0.0250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0500 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
taciturnus 0.0000 0.1500 0.1000 0.1250 0.0750 0.4500 0.0286 0.1143 0.0286 0.1714 0.0857 0.4286
Dromococcyx
Basileuterus  phasianellus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
 flaveolus 0.0500 0.0000 0.0500 0.0750 0.0250 0.2000 0.0571 0.0571 0.0571 0.0286 0.1143 0.3143
Dysithamnus
Bucco mentalis 0.0500 0.0750 0.1250 0.0500 0.0250 0.3250 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571
tamatia 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286
 Euphonia
Cacicus chlorotica 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0500 0.0500 0.0571 0.0000 0.0000 0.0857 0.0000 0.1429
cela 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
Formicarius
Camptostoma colma 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286
obsoletum 0.0500 0.0250 0.0000 0.0250 0.0250 0.1250 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571
Formicivora
Casiornis  grisea 0.2000 0.1250 0.2000 0.2500 0.3000 1.0750 0.2571 0.1143 0.2286 0.2286 0.1429 0.9714
 fuscus 0.0500 0.0250 0.0000 0.0250 0.0000 0.1000 0.0000 0.0000 0.0571 0.0286 0.0286 0.1143
Galbula
Catharus ruficauda 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0500 0.0750 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286
 fuscescens 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0250 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 0.0857
Gnorimopsar
Celeus chopi 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 flavescen s 0.1000 0.0750 0.0000 0.0250 0.0000 0.2000 0.0000 0.0571 0.0000 0.0286 0.0286 0.1143
Hemitriccus
Chiroxiphia
0.0750 0.1000 0.0250 0.0750 0.1000 0.3750 0.0857 0.0571 0.0571 0.0571 0.0000 0.2571 margaritaceiventer  0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
 pareola
Hemitriccus
Claravis striaticollis 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 pretiosa 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286
Herpsilochmus
Cnemotriccus atricapillus 0.1750 0.2500 0.0000 0.0750 0.2500 0.7500 0.0857 0.1714 0.0000 0.0857 0.0000 0.3429
 fuscatus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 0.0571 0.0000 0.1143
Hylophilus
Coccyzus amaurocephalus 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286
americanus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0250 0.0571 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571
Willisornis
Coccyzus  poecilinotus 0.0000 0.0000 0.0500 0.0000 0.0250 0.0750 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286
euleri 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286
Leptotila
Columba verreauxi 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0500 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
speciosa 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571
 Manacus
Columbina manacus 0.0750 0.0500 0.0250 0.0250 0.0250 0.2000 0.0571 0.1143 0.0000 0.0857 0.0286 0.2857
talpacoti 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286
 Megarync hus
Crypturellus  pitangua 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
strigulosus 0.0000 0.0500 0.0000 0.0000 0.0500 0.1000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571 0.0000 0.0857
 Monasa
Cyanocorax nigrifrons 0.1250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0500 0.2000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
cyanopogon 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 Myiarchus
Cyclarhis  ferox  0.2000 0.0500 0.0000 0.0250 0.0750 0.3500 0.0571 0.0286 0.0000 0.0286 0.0286 0.1429
 gujanensis 0.1000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.1250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286
 Myiarchus
Dacnis tuberculifer  0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 0.0286 0.0000 0.0857
cayana 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000

98 99
ESPÉCIES E SEU ÍNDICE PONTUAL DE ABUNDÂNCIAS POR PONTOS DE CONTAGEM E CAPTURAS COM REDE DE NEBLINA EM PRESIDENTE KENNEDY, TOCANTINS.
TABELA 6 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA
GERAL - PONTOS GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES

TABELA 6 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA GERAL 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA Dendrocincla
0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 0.0571
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS - PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES GERAL - REDES  fuliginosa
Dromococcyx
 Arremon  pavoninus 0.0000 0.0250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0500 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
taciturnus 0.0000 0.1500 0.1000 0.1250 0.0750 0.4500 0.0286 0.1143 0.0286 0.1714 0.0857 0.4286
Dromococcyx
Basileuterus  phasianellus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
 flaveolus 0.0500 0.0000 0.0500 0.0750 0.0250 0.2000 0.0571 0.0571 0.0571 0.0286 0.1143 0.3143
Dysithamnus
Bucco mentalis 0.0500 0.0750 0.1250 0.0500 0.0250 0.3250 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571
tamatia 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286
 Euphonia
Cacicus chlorotica 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0500 0.0500 0.0571 0.0000 0.0000 0.0857 0.0000 0.1429
cela 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
Formicarius
Camptostoma colma 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286
obsoletum 0.0500 0.0250 0.0000 0.0250 0.0250 0.1250 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571
Formicivora
Casiornis  grisea 0.2000 0.1250 0.2000 0.2500 0.3000 1.0750 0.2571 0.1143 0.2286 0.2286 0.1429 0.9714
 fuscus 0.0500 0.0250 0.0000 0.0250 0.0000 0.1000 0.0000 0.0000 0.0571 0.0286 0.0286 0.1143
Galbula
Catharus ruficauda 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0500 0.0750 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286
 fuscescens 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0250 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 0.0857
Gnorimopsar
Celeus chopi 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 flavescen s 0.1000 0.0750 0.0000 0.0250 0.0000 0.2000 0.0000 0.0571 0.0000 0.0286 0.0286 0.1143
Hemitriccus
Chiroxiphia
0.0750 0.1000 0.0250 0.0750 0.1000 0.3750 0.0857 0.0571 0.0571 0.0571 0.0000 0.2571 margaritaceiventer  0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
 pareola
Hemitriccus
Claravis striaticollis 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 pretiosa 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286
Herpsilochmus
Cnemotriccus atricapillus 0.1750 0.2500 0.0000 0.0750 0.2500 0.7500 0.0857 0.1714 0.0000 0.0857 0.0000 0.3429
 fuscatus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 0.0571 0.0000 0.1143
Hylophilus
Coccyzus amaurocephalus 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286
americanus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0250 0.0571 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571
Willisornis
Coccyzus  poecilinotus 0.0000 0.0000 0.0500 0.0000 0.0250 0.0750 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286
euleri 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286
Leptotila
Columba verreauxi 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0500 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
speciosa 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571
 Manacus
Columbina manacus 0.0750 0.0500 0.0250 0.0250 0.0250 0.2000 0.0571 0.1143 0.0000 0.0857 0.0286 0.2857
talpacoti 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286
 Megarync hus
Crypturellus  pitangua 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
strigulosus 0.0000 0.0500 0.0000 0.0000 0.0500 0.1000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571 0.0000 0.0857
 Monasa
Cyanocorax nigrifrons 0.1250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0500 0.2000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286
cyanopogon 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
 Myiarchus
Cyclarhis  ferox  0.2000 0.0500 0.0000 0.0250 0.0750 0.3500 0.0571 0.0286 0.0000 0.0286 0.0286 0.1429
 gujanensis 0.1000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.1250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286
 Myiarchus
Dacnis tuberculifer  0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 0.0286 0.0000 0.0857
cayana 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000

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TABELA 6 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA GERAL 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA TABELA 6 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA

ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS - PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS GERAL - PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES GERAL - REDES

 Myiodynas tes Sirystes


maculatus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571 sibilator 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286
 Myiopagis Sittasomus
viridicata 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0500 0.0750 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  griseicapil lus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0500 0.0500 0.0000 0.0286 0.0286 0.0286 0.0000 0.0857
 Myrmothe rula Synallaxis
axillaris 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 scutata 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571 0.0571 0.0000 0.1429
 Neopelma Lanio
 pallescens 0.0500 0.0250 0.1500 0.1250 0.0750 0.4250 0.1429 0.2286 0.0571 0.0857 0.1143 0.6286 cristatus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286
 Nystalus Tachyphonus
chacuru 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 rufus 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571
Phaethornis Tangara
ruber  0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 cayana 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Pheugopedius Taraba
 genibarbis 0.2500 0.0000 0.0500 0.1000 0.0250 0.4250 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 major  0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0500 0.0571 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571
Phyllomyias Thalurania
 fasciatus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 0.0000 0.0571  furcata 0.0000 0.0000 0.0000 0.0500 0.0000 0.0500 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571
Piaya Thamnophilus
cayana 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0500 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571 amazonicus 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Piculus Thamnophilus
 flavigula 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 doliatus 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Pipra Thamnophilus
rubrocapilla 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286  pelzeni 0.1250 0.2000 0.0750 0.0250 0.0750 0.5000 0.1143 0.2000 0.0286 0.0857 0.0000 0.4286
Pitangus Tiaris
sulphuratus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286  fuliginosus 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Platyrinchus Tolmomyias
mystaceus 0.0750 0.0250 0.0500 0.0500 0.0250 0.2250 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286  flaviventri s 0.1000 0.0500 0.0000 0.0500 0.0500 0.2500 0.0286 0.0857 0.0857 0.0571 0.0000 0.2571
Poecilotriccus Trogon
 fumifrons 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 curucui 0.0500 0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.1000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571 0.0000 0.0571
Ramphastos Trogon
vitellinus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0750 0.0750 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571 viridis 0.0750 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.1000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571
Ramphocelus Vireo
carbo 0.1500 0.0250 0.0000 0.0250 0.0000 0.2000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 olivaceus 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Ramphotrigon Volatinia
ruficauda 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  jacarina 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286
Rhytipterna  Xenops
simplex  0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0500 0.0571 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571 minutus 0.0000 0.0250 0.0000 0.0250 0.0250 0.0750 0.0286 0.0000 0.0857 0.0000 0.0286 0.1429
Saltator  Xiphorhynchus
similis 0.0750 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0750 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 spixii 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Schiffornis Dendroplex
virescens 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  picus 0.1250 0.1000 0.0000 0.0000 0.0750 0.3000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0571

100 101
TABELA 6 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA GERAL 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA TABELA 6 0 - 50  50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA 0 - 50 50 - 150 150 - 250 250 - 350 350 - 450 ABUNDÂNCIA

ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS - PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES GERAL - REDES
ESPÉCIES/CLASSE PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS PONTOS GERAL - PONTOS REDES REDES REDES REDES REDES GERAL - REDES

 Myiodynas tes Sirystes


maculatus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571 sibilator 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286
 Myiopagis Sittasomus
viridicata 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0500 0.0750 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  griseicapil lus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0500 0.0500 0.0000 0.0286 0.0286 0.0286 0.0000 0.0857
 Myrmothe rula Synallaxis
axillaris 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 scutata 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571 0.0571 0.0000 0.1429
 Neopelma Lanio
 pallescens 0.0500 0.0250 0.1500 0.1250 0.0750 0.4250 0.1429 0.2286 0.0571 0.0857 0.1143 0.6286 cristatus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286
 Nystalus Tachyphonus
chacuru 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 rufus 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571
Phaethornis Tangara
ruber  0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 cayana 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Pheugopedius Taraba
 genibarbis 0.2500 0.0000 0.0500 0.1000 0.0250 0.4250 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 major  0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0500 0.0571 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571
Phyllomyias Thalurania
 fasciatus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286 0.0000 0.0571  furcata 0.0000 0.0000 0.0000 0.0500 0.0000 0.0500 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0571
Piaya Thamnophilus
cayana 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0500 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571 amazonicus 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Piculus Thamnophilus
 flavigula 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 doliatus 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Pipra Thamnophilus
rubrocapilla 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286  pelzeni 0.1250 0.2000 0.0750 0.0250 0.0750 0.5000 0.1143 0.2000 0.0286 0.0857 0.0000 0.4286
Pitangus Tiaris
sulphuratus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286  fuliginosus 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Platyrinchus Tolmomyias
mystaceus 0.0750 0.0250 0.0500 0.0500 0.0250 0.2250 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286  flaviventri s 0.1000 0.0500 0.0000 0.0500 0.0500 0.2500 0.0286 0.0857 0.0857 0.0571 0.0000 0.2571
Poecilotriccus Trogon
 fumifrons 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 curucui 0.0500 0.0500 0.0000 0.0000 0.0000 0.1000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571 0.0000 0.0571
Ramphastos Trogon
vitellinus 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0750 0.0750 0.0000 0.0286 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571 viridis 0.0750 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.1000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0571
Ramphocelus Vireo
carbo 0.1500 0.0250 0.0000 0.0250 0.0000 0.2000 0.0000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 olivaceus 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Ramphotrigon Volatinia
ruficauda 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  jacarina 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0286
Rhytipterna  Xenops
simplex  0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0500 0.0571 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0571 minutus 0.0000 0.0250 0.0000 0.0250 0.0250 0.0750 0.0286 0.0000 0.0857 0.0000 0.0286 0.1429
Saltator  Xiphorhynchus
similis 0.0750 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0750 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 spixii 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000
Schiffornis Dendroplex
virescens 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0250 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000  picus 0.1250 0.1000 0.0000 0.0000 0.0750 0.3000 0.0286 0.0000 0.0000 0.0000 0.0286 0.0571

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Corrupião,
Icterus jamacaii 

CAPÍTULO 3 DISCUSSÃO

102 103
Corrupião,
Icterus jamacaii 

CAPÍTULO 3 DISCUSSÃO

102 103

Arapaçu-de-spix,
Xiphorhynchus spixii 

DISCUSSÃO decomposição poderiam ter sido observados com maior


frequência. Poderíamos, por exemplo, ter observado uru-
bus se alimentando de cadáveres de aves sob as linhas
de transmissão, mas nenhum registro desse ti po foi feito.
3.1 HÁ OU NÃO HÁ IMPACTOS DIRETOS Apenas uma avoante e andorinhas foram encontradas
�COLISÕES E ELETROCUSSÕES�? mortas, possivelmente em decorrência de colisões com
as linhas de transmissão. Entretanto, em ambos os casos,
Toda interferência humana sobre o meio ambiente gerará os eventos parecem pouco relevantes dadas as respecti-
impactos diretos e indiretos. Esses impactos podem ser vas circunstâncias. As avoantes, uma espécie de praga
negativos ou positivos, conforme a perspectiva, mas s em- agrícola em boa parte do Brasil e que se beneficia muito
pre haverá impactos. com áreas abertas, são consideradas pouco importantes
Com relação à eletrocussão, com exceção de casos iso- no que concerne à conservação. As andorinhas foram en-
lados associados a subestações em que existam relatos de contradas na subestação onde se acumulam aos milhares,
aves eletrocutadas em nosso estudo de caso (e. g. Gnori- sendo naturalmente esperado algum número de perdas.
mopsar chopi), toda a literatura e a boa lógica informam Também foram dispendidas muitas horas de observa-
que não há aves grandes o suficiente para serem eletrocu- ção por meio de binóculos com o objetivo de compreen-
tadas nessas linhas de transmissão. As fases energizadas der a relação entre aves e bandos de aves passantes com
estão simplesmente distantes demais para que qualquer as linhas de transmissão, mas nenhum comportamento
ave consiga fechar o circuito. Os acidentes acontecem em de esquiva abrupta ou quase colisão foi observado. Em
linhas de baixa e média tensão, nas quais aves com gran- todos os três pontos, as aves demonstravam saber per fei-
de envergadura acabam encostando com as pontas das tamente da existência da linha de transmissão e jamais
asas nas fases transportadoras de energia. correram qualquer risco de colisão.
Já no caso das colisões, trabalhos previamente publi- Na verdade, as aves observadas, ao relacionarem-se
cados demonstram cabalmente ( e.g . Cochran & Graber, com as linhas de transmissão, estavam geralmente ti-
1958; Erickson et al., 2005; Larkin et al., 1988; e Drewitt rando proveito dos empreendimentos. Esse é o caso de
& Langston, 2008) que aves se chocam com praticamen- falcões e gaviões, por exemplo, que utilizam a linha de
te tudo que seja construído verticalmente (prédios, ja- transmissão como poleiro e ponto de observação, curica-
nelas, pontes, torres de telefonia etc.). Com linhas de cas que a utilizam p ara reprodução e pouso noturno, an-
transmissão não é diferente. Há colisões, vendo-as ou dorinhões que caçam himenópteros que se instalaram no
não. A melhor pergunta então é: o quão representativas alto das torres, e andorinhas ( Progne chalybea ) que uti-
são essas colisões? lizaram, aos milhares, uma das subestações para repro-
No presente estudo fizemos um grande esforço de ob- dução. Todos esses registros demonstram uma razoável
servação e busca por carcaças com um grupo de ornitó- interação entre parte das aves e esses empreendimentos.
logos, superando, às vezes, oito pessoas. Mesmo quando A falta de registros de colisão pode ter muitas causas
não estavam ativamente procurando carcaças, elas es- diferentes, que vão desde a dificuldade de se encontrar
tavam circulando, por horas a fio, embaixo ou nas pro- carcaças nas áreas florestadas enfocadas neste estudo,
ximidades das linhas de transmissão estudadas. Nesse até a própria natureza das regiões estudadas. Com exce-
sentido, restos frescos de grandes aves ou espécimes em ção das veredas localizadas próximo à área de Presidente

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Arapaçu-de-spix,
Xiphorhynchus spixii 

DISCUSSÃO decomposição poderiam ter sido observados com maior


frequência. Poderíamos, por exemplo, ter observado uru-
bus se alimentando de cadáveres de aves sob as linhas
de transmissão, mas nenhum registro desse ti po foi feito.
3.1 HÁ OU NÃO HÁ IMPACTOS DIRETOS Apenas uma avoante e andorinhas foram encontradas
�COLISÕES E ELETROCUSSÕES�? mortas, possivelmente em decorrência de colisões com
as linhas de transmissão. Entretanto, em ambos os casos,
Toda interferência humana sobre o meio ambiente gerará os eventos parecem pouco relevantes dadas as respecti-
impactos diretos e indiretos. Esses impactos podem ser vas circunstâncias. As avoantes, uma espécie de praga
negativos ou positivos, conforme a perspectiva, mas s em- agrícola em boa parte do Brasil e que se beneficia muito
pre haverá impactos. com áreas abertas, são consideradas pouco importantes
Com relação à eletrocussão, com exceção de casos iso- no que concerne à conservação. As andorinhas foram en-
lados associados a subestações em que existam relatos de contradas na subestação onde se acumulam aos milhares,
aves eletrocutadas em nosso estudo de caso (e. g. Gnori- sendo naturalmente esperado algum número de perdas.
mopsar chopi), toda a literatura e a boa lógica informam Também foram dispendidas muitas horas de observa-
que não há aves grandes o suficiente para serem eletrocu- ção por meio de binóculos com o objetivo de compreen-
tadas nessas linhas de transmissão. As fases energizadas der a relação entre aves e bandos de aves passantes com
estão simplesmente distantes demais para que qualquer as linhas de transmissão, mas nenhum comportamento
ave consiga fechar o circuito. Os acidentes acontecem em de esquiva abrupta ou quase colisão foi observado. Em
linhas de baixa e média tensão, nas quais aves com gran- todos os três pontos, as aves demonstravam saber per fei-
de envergadura acabam encostando com as pontas das tamente da existência da linha de transmissão e jamais
asas nas fases transportadoras de energia. correram qualquer risco de colisão.
Já no caso das colisões, trabalhos previamente publi- Na verdade, as aves observadas, ao relacionarem-se
cados demonstram cabalmente ( e.g . Cochran & Graber, com as linhas de transmissão, estavam geralmente ti-
1958; Erickson et al., 2005; Larkin et al., 1988; e Drewitt rando proveito dos empreendimentos. Esse é o caso de
& Langston, 2008) que aves se chocam com praticamen- falcões e gaviões, por exemplo, que utilizam a linha de
te tudo que seja construído verticalmente (prédios, ja- transmissão como poleiro e ponto de observação, curica-
nelas, pontes, torres de telefonia etc.). Com linhas de cas que a utilizam p ara reprodução e pouso noturno, an-
transmissão não é diferente. Há colisões, vendo-as ou dorinhões que caçam himenópteros que se instalaram no
não. A melhor pergunta então é: o quão representativas alto das torres, e andorinhas ( Progne chalybea ) que uti-
são essas colisões? lizaram, aos milhares, uma das subestações para repro-
No presente estudo fizemos um grande esforço de ob- dução. Todos esses registros demonstram uma razoável
servação e busca por carcaças com um grupo de ornitó- interação entre parte das aves e esses empreendimentos.
logos, superando, às vezes, oito pessoas. Mesmo quando A falta de registros de colisão pode ter muitas causas
não estavam ativamente procurando carcaças, elas es- diferentes, que vão desde a dificuldade de se encontrar
tavam circulando, por horas a fio, embaixo ou nas pro- carcaças nas áreas florestadas enfocadas neste estudo,
ximidades das linhas de transmissão estudadas. Nesse até a própria natureza das regiões estudadas. Com exce-
sentido, restos frescos de grandes aves ou espécimes em ção das veredas localizadas próximo à área de Presidente

104 105

Choca-bate-cabo,
Thamnophiluspelzelni 

Kennedy, no Tocantins, onde havia araras, as áreas estu- 3.2 ESTUDO DA COMUNIDADE
dadas não eram caracterizadas pela presença de grandes DE AVES E SUA INTERAÇÃO COM
bandos de aves de grande porte. Embora papagaios pas-
sassem frequentemente sobre as nossas cabeças no To-
A FAIXA DE SUPRESSÃO
cantins, essas aves são boas aprendizes e, seguramente, já
Diversos padrões observados nas comunidades de aves
haviam se acostumado com a presença da linha de trans-
missão que, a menos que houvesse forte neblina ou algo nas três regiões coincidiram com aqueles descritos para
similar, não ofereceria perigo para os espécimes. outras regiões do país. Assim, por exemplo, tem-se a
maior abundância relativa para as espécies da família
Nesse sentido, os relatos ouvidos em campo sobre
a morte de aves na ocasião da passagem de cabos pode Tyrannidae e a maioria das espécies apresenta poucos in-
indicar que, na verdade, a comunidade de aves pode se divíduos. A composição avifaunística mostra ambientes
florestais pouco degradados.
acostumar com a presença dos cabos e passar a evitá-los
em seus deslocamentos. Isso, caso demonstrado experi- Os resultados mostram algo que poderia ser conside-
mentalmente, tem implicações grandes na implementa- rado um contrassenso. Isso porque o esperado é baixa ri-

Nesse sentido, os relatos ouvidos em campo sobre a morte


de aves na ocasião da passagem de cabos pode indicar que,
na verdade, a comunidade de aves pode se acostumar com a
presença dos cabos e passar a evitá-los em seus deslocamentos.

queza de espécies florestais e abundância próximo à bor-


ção desses empreendimentos. Por exemplo, a instalação
de sinalizadores seria mais eficiente se feita simultane- da, ou seja, à faixa de serviço gerada com a implantação
amente ao processo construtivo e, talvez, menos útil ao da linha de transmissão. De fato, as classes não diferem
longo do tempo. significativamente, embora as classes situadas próximo à
Dessa forma, podemos indicar com razoável confia- borda apresentem maior número
número de espécies. O que pode
bilidade que os impactos relacionados a casos de colisão, explicar isso é que os fragmentos trabalhados são grandes,
e dessa forma a faixa de serviço não provoca grandes mu-
embora certamente existam, devem desempenhar um pa-
pel pequeno nas comunidades de aves presentes nos am- danças nos fragmentos. Resultado oposto provave
provavelmente
lmente
bientes nativos cruzados por essas linhas de transmiss ão. seria encontrado se os fragmentos fossem pequenos, com
Da mesma forma, eventos de eletrocussão são imprová- área de borda grande.
veis, se não impossíveis, em torres e cabos. Além disso, como já abordado no histórico de estudos,
a presença na faixa de serviço e adjacências de muitas es-

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Choca-bate-cabo,
Thamnophiluspelzelni 

Kennedy, no Tocantins, onde havia araras, as áreas estu- 3.2 ESTUDO DA COMUNIDADE
dadas não eram caracterizadas pela presença de grandes DE AVES E SUA INTERAÇÃO COM
bandos de aves de grande porte. Embora papagaios pas-
sassem frequentemente sobre as nossas cabeças no To-
A FAIXA DE SUPRESSÃO
cantins, essas aves são boas aprendizes e, seguramente, já
Diversos padrões observados nas comunidades de aves
haviam se acostumado com a presença da linha de trans-
missão que, a menos que houvesse forte neblina ou algo nas três regiões coincidiram com aqueles descritos para
similar, não ofereceria perigo para os espécimes. outras regiões do país. Assim, por exemplo, tem-se a
maior abundância relativa para as espécies da família
Nesse sentido, os relatos ouvidos em campo sobre
a morte de aves na ocasião da passagem de cabos pode Tyrannidae e a maioria das espécies apresenta poucos in-
indicar que, na verdade, a comunidade de aves pode se divíduos. A composição avifaunística mostra ambientes
florestais pouco degradados.
acostumar com a presença dos cabos e passar a evitá-los
em seus deslocamentos. Isso, caso demonstrado experi- Os resultados mostram algo que poderia ser conside-
mentalmente, tem implicações grandes na implementa- rado um contrassenso. Isso porque o esperado é baixa ri-

Nesse sentido, os relatos ouvidos em campo sobre a morte


de aves na ocasião da passagem de cabos pode indicar que,
na verdade, a comunidade de aves pode se acostumar com a
presença dos cabos e passar a evitá-los em seus deslocamentos.

queza de espécies florestais e abundância próximo à bor-


ção desses empreendimentos. Por exemplo, a instalação
de sinalizadores seria mais eficiente se feita simultane- da, ou seja, à faixa de serviço gerada com a implantação
amente ao processo construtivo e, talvez, menos útil ao da linha de transmissão. De fato, as classes não diferem
longo do tempo. significativamente, embora as classes situadas próximo à
Dessa forma, podemos indicar com razoável confia- borda apresentem maior número
número de espécies. O que pode
bilidade que os impactos relacionados a casos de colisão, explicar isso é que os fragmentos trabalhados são grandes,
e dessa forma a faixa de serviço não provoca grandes mu-
embora certamente existam, devem desempenhar um pa-
pel pequeno nas comunidades de aves presentes nos am- danças nos fragmentos. Resultado oposto provave
provavelmente
lmente
bientes nativos cruzados por essas linhas de transmiss ão. seria encontrado se os fragmentos fossem pequenos, com
Da mesma forma, eventos de eletrocussão são imprová- área de borda grande.
veis, se não impossíveis, em torres e cabos. Além disso, como já abordado no histórico de estudos,
a presença na faixa de serviço e adjacências de muitas es-

106 107

pécies de aves vivendo, reproduzindo e se alimentando tendo por base a extensão de nossa malha energética e o
normalmente, em um número igual ou superior ao obser- conhecimento hoje existente sobre a periculosidade dos
vado em áreas mais distantes dos fragmentos, aponta para diferentes modelos de postes?
a inexistência de impacto decorrente do campo magnético E) Seriam o processo de li cenciamento e os protocolos
gerado pelas linhas de transmissão sobre as aves. construtivos hoje empregados adequados, no caso da im-
plantação e regulação das linhas de transmissão de baixa
e média potência?
3.3 SUGESTÕES PARA NOVOS F) Quais os protocolos adequados de atuação, no caso
de situações conflituosas envolvendo aves e linhas de
Corrupião, PROJETOS DE P&D transmissão ou subestações, como uma grande incidên-
Icterus jamacaii 
cia de espécimes dormindo e sujando estruturas ou mes-
Este estudo apontou em algumas direções interessantes mo nidificando em estruturas?
no que concerne a futuros estudos. Seguramente, em cur- G) Quais são os melhores procedimentos ao se encon-
to prazo, devido à pequena penetração do efeito de borda trar ninhos de aves em torres de alta tensão?
para o interior das formações vegetais cruzadas e pela
falta completa de evidências de que os campos eletro-
magnéticos estejam afetando em qualquer nível a fauna,
estudos relacionados a linhas de transmissão deveriam
3.4 DIRETRIZES PARA A CONSTRUÇÃO
realmente concentrar sua atenção nos efeitos diretos des- DE MAPAS DE RISCO; PLANEJAMENTO
ses empreendimentos sobre as comunidades animais. DE DISTRIBUIÇÃO DE SINALIZADORES;
Nesse caso, estudos que tenham como foco a quantifi- E REFERENCIAIS ÚTEIS A DEFINIÇÃO
cação do número de acidentes por colisão de aves contra as DE TRAÇADO PARA A INSTALAÇÃO DE
linhas de transmissão no Brasil parecem emergenciais. As
principais perguntas a serem respondidas no momento são: NOVOS EMPREENDIMENTOS.
A) As evidências de um pequeno número de colisão
de aves em linhas de transmissão estão relacionadas à di- Construção de mapa de risco
ficuldade de encontrar as carcaças em áreas florestadas
ou refletem uma característica natural de nossas áreas? Hoje, no Brasil, conforme já foi mencionado, faltam es-
B) Quais os grupos que mais colidem com linhas de tudos publicados com foco em colisões de aves com li-
transmissão no Brasil e em quais tipos de ambientes/bio- nhas de transmissão. Entretanto, como também já visto,
mas? Esses estudos devem empregar técnicas de moni- as informações levantadas pelos estudos fora do Brasil
toramento fortemente baseadas em observação e busca não são absolutamente inúteis para o entendimento da
ativa de carcaças. dinâmica e das relações de nossas aves com as linhas
C) Há evidências de que as aves aprendam a evitar as de transmissão. Isso porque, embora as espécies de aves
linhas de transmissão recém-construídas? O quanto de brasileiras sejam, muitas vezes, diferentes daquelas ob-
redução de impacto isso representa? servadas em outros continentes, há muitos táxons (gê-
D) No Brasil, qual a estimativa de mortes por eletro- neros, famílias etc.) e fitofisionomias (brejos, florestas,
cussão em linhas de distri buição de baixa e média tensão, áreas de lavoura, desertos etc) compartilhados entre o

108 109
pécies de aves vivendo, reproduzindo e se alimentando tendo por base a extensão de nossa malha energética e o
normalmente, em um número igual ou superior ao obser- conhecimento hoje existente sobre a periculosidade dos
vado em áreas mais distantes dos fragmentos, aponta para diferentes modelos de postes?
a inexistência de impacto decorrente do campo magnético E) Seriam o processo de li cenciamento e os protocolos
gerado pelas linhas de transmissão sobre as aves. construtivos hoje empregados adequados, no caso da im-
plantação e regulação das linhas de transmissão de baixa
e média potência?
3.3 SUGESTÕES PARA NOVOS F) Quais os protocolos adequados de atuação, no caso
de situações conflituosas envolvendo aves e linhas de
Corrupião, PROJETOS DE P&D transmissão ou subestações, como uma grande incidên-
Icterus jamacaii 
cia de espécimes dormindo e sujando estruturas ou mes-
Este estudo apontou em algumas direções interessantes mo nidificando em estruturas?
no que concerne a futuros estudos. Seguramente, em cur- G) Quais são os melhores procedimentos ao se encon-
to prazo, devido à pequena penetração do efeito de borda trar ninhos de aves em torres de alta tensão?
para o interior das formações vegetais cruzadas e pela
falta completa de evidências de que os campos eletro-
magnéticos estejam afetando em qualquer nível a fauna,
estudos relacionados a linhas de transmissão deveriam
3.4 DIRETRIZES PARA A CONSTRUÇÃO
realmente concentrar sua atenção nos efeitos diretos des- DE MAPAS DE RISCO; PLANEJAMENTO
ses empreendimentos sobre as comunidades animais. DE DISTRIBUIÇÃO DE SINALIZADORES;
Nesse caso, estudos que tenham como foco a quantifi- E REFERENCIAIS ÚTEIS A DEFINIÇÃO
cação do número de acidentes por colisão de aves contra as DE TRAÇADO PARA A INSTALAÇÃO DE
linhas de transmissão no Brasil parecem emergenciais. As
principais perguntas a serem respondidas no momento são: NOVOS EMPREENDIMENTOS.
A) As evidências de um pequeno número de colisão
de aves em linhas de transmissão estão relacionadas à di- Construção de mapa de risco
ficuldade de encontrar as carcaças em áreas florestadas
ou refletem uma característica natural de nossas áreas? Hoje, no Brasil, conforme já foi mencionado, faltam es-
B) Quais os grupos que mais colidem com linhas de tudos publicados com foco em colisões de aves com li-
transmissão no Brasil e em quais tipos de ambientes/bio- nhas de transmissão. Entretanto, como também já visto,
mas? Esses estudos devem empregar técnicas de moni- as informações levantadas pelos estudos fora do Brasil
toramento fortemente baseadas em observação e busca não são absolutamente inúteis para o entendimento da
ativa de carcaças. dinâmica e das relações de nossas aves com as linhas
C) Há evidências de que as aves aprendam a evitar as de transmissão. Isso porque, embora as espécies de aves
linhas de transmissão recém-construídas? O quanto de brasileiras sejam, muitas vezes, diferentes daquelas ob-
redução de impacto isso representa? servadas em outros continentes, há muitos táxons (gê-
D) No Brasil, qual a estimativa de mortes por eletro- neros, famílias etc.) e fitofisionomias (brejos, florestas,
cussão em linhas de distri buição de baixa e média tensão, áreas de lavoura, desertos etc) compartilhados entre o

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Gavião-carijó,
Rupornismagnirostris 

Brasil e os demais países onde estudos sobre aves e li- são à formação de nebulosidade e a eventual diferença
nhas de transmissão já foram publicados. entre impactos noturnos e diurnos de aves sobre os cabos.
É, portanto, razoável crer que se algumas espécies de Da mesma forma, outras informações, como a maior
garças (Ardeidae), falcões (Falconidae), patos e gansos incidência (mais de 80%) de impacto de aves sobre os ca-
(Anatidae) foram muito impactadas em empreendimen- bos para-raios (Jenkins et al., 2010), são extremamente
tos africanos ( e.g . Jenkins et al., 2010), norte-americanos importantes na previsão, prevenção e mitigação de im-
(e.g . Brown et al. 1987) e europeus ( e.g . Bevanger & Bro- pacto em aves brasileiras. O mesmo podendo, portanto,
seth, 2001), as espécies brasileiras dessas mesmas famí- ser dito para os dados sobre a eficiência de sinalizadores
lias sejam igualmente afetadas, afinal frequentemente na prevenção de acidentes (Brown et al., 1987; Bevanger
pertencem aos mesmos gêneros. Esse é o caso das curi- & Broseth 2001; Janss & Ferrer, 1998; Morkill & Ander-
cacas, um ciconiforme brasileiro. As garças, cegonhas e son, 1991; Savereno et al., 1996, Alonso et al., 1994; Bro-
águias (Ardeiformes, Ciconiiformes e Falconiformes) são wn & Drewien, 1995; Anderson, 2002; Crowder, 2000; De
aparentados às curicacas e são considerados, em outros la Zerda & Roselli, 2002, 2003; e Yee, 2008). Esses estudos
continentes, os principais causadores de desligamentos indicam, inclusive, a distância apropriada entre sinaliza-
em linhas de transmissão de alta potência. No Brasil, as dores, assim como o espaço ideal a ser ocupado por esse s
curicacas ocupam esse espaço funcional. nos vãos entre as torres. Por exemplo, em empreendi-
Seguindo essa linha de raciocínio, se em um estudo mentos com dois cabos para-raios, a colocação de sina-
conduzido em outro continente as espécies de ave que lizadores de acordo com a literatura, quando necessária,
foram mais afetadas por impactos em cabos foram as de deve ser interpolada e restrita aos 60% centrais no vão
maior porte, pode-se pressupor também que isso vale- das torres, de modo a maximizar a sua eficiência.
rá igualmente para o Brasil e, consequentemente, para Outros fatores a serem considerados no mapeamen-
a linha de transmissão em estudo. Por outro lado, se as to do risco em linhas de transmissão são as diferenças
evidências apontam para o fato de que gaviões e águias inerentes às espécies que porventura possam ser afetadas
(Família Accipitridae) sejam os mais prejudicados por pela linha de transmissão. Parece claro e justificável que
eletrocussão em linhas de transmissão de baixa potência o impacto de aves nativas e não nativas deva ser enca-
do que por colisão em linhas de transmissão de alta po- rado de forma diferente, assim como a probabilidade de
tência (Ledger & Annegan, 1981), na medida em que são uma ave ameaçada e de uma não ameaçada se chocar com
voadores muito habilidosos, devemos crer que tal padrão cabos deva ser considerada em diferentes escalas. Dessa
se repita no Brasil. forma, se uma área tiver grande propensão a acidentes
Da mesma forma, podemos crer que, se os ambien- com Psittacidae (papagaios e periquitos) e Accipitridae
tes pantanosos foram os mais impactados nos estudos já (gaviões e águias), enquanto outra tem igual propensão a
conduzidos ( e.g . Brown & Drewien, 1995), em função da acidentes, mas com espécies como a garça-vaqueira ( Bu-
presença de bandos grandes de aves, como garças e mar- bulcus ibis ) ou a avoante ( Zenaida auriculata ), que, ti-
recas, os nossos brejos também serão mais afetados. Até picamente, se beneficiam da degradação imposta à mata
que tenhamos dados consistentes no Brasil, essa extrapo- atlântica, fica bastante claro que é precis o dar uma maior
lação deve ser feita também para as conclusões associa- pesagem ou atenção ao primeiro caso. Os impactos com
das a fenômenos não biológicos que estão presentes em gaviões e papagaios nativos são naturalmente mais rele-
linhas de transmissão, como a geomorfologia, a propen- vantes do que o impacto de avoantes e garças vaqueiras,

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Gavião-carijó,
Rupornismagnirostris 

Brasil e os demais países onde estudos sobre aves e li- são à formação de nebulosidade e a eventual diferença
nhas de transmissão já foram publicados. entre impactos noturnos e diurnos de aves sobre os cabos.
É, portanto, razoável crer que se algumas espécies de Da mesma forma, outras informações, como a maior
garças (Ardeidae), falcões (Falconidae), patos e gansos incidência (mais de 80%) de impacto de aves sobre os ca-
(Anatidae) foram muito impactadas em empreendimen- bos para-raios (Jenkins et al., 2010), são extremamente
tos africanos ( e.g . Jenkins et al., 2010), norte-americanos importantes na previsão, prevenção e mitigação de im-
(e.g . Brown et al. 1987) e europeus ( e.g . Bevanger & Bro- pacto em aves brasileiras. O mesmo podendo, portanto,
seth, 2001), as espécies brasileiras dessas mesmas famí- ser dito para os dados sobre a eficiência de sinalizadores
lias sejam igualmente afetadas, afinal frequentemente na prevenção de acidentes (Brown et al., 1987; Bevanger
pertencem aos mesmos gêneros. Esse é o caso das curi- & Broseth 2001; Janss & Ferrer, 1998; Morkill & Ander-
cacas, um ciconiforme brasileiro. As garças, cegonhas e son, 1991; Savereno et al., 1996, Alonso et al., 1994; Bro-
águias (Ardeiformes, Ciconiiformes e Falconiformes) são wn & Drewien, 1995; Anderson, 2002; Crowder, 2000; De
aparentados às curicacas e são considerados, em outros la Zerda & Roselli, 2002, 2003; e Yee, 2008). Esses estudos
continentes, os principais causadores de desligamentos indicam, inclusive, a distância apropriada entre sinaliza-
em linhas de transmissão de alta potência. No Brasil, as dores, assim como o espaço ideal a ser ocupado por esse s
curicacas ocupam esse espaço funcional. nos vãos entre as torres. Por exemplo, em empreendi-
Seguindo essa linha de raciocínio, se em um estudo mentos com dois cabos para-raios, a colocação de sina-
conduzido em outro continente as espécies de ave que lizadores de acordo com a literatura, quando necessária,
foram mais afetadas por impactos em cabos foram as de deve ser interpolada e restrita aos 60% centrais no vão
maior porte, pode-se pressupor também que isso vale- das torres, de modo a maximizar a sua eficiência.
rá igualmente para o Brasil e, consequentemente, para Outros fatores a serem considerados no mapeamen-
a linha de transmissão em estudo. Por outro lado, se as to do risco em linhas de transmissão são as diferenças
evidências apontam para o fato de que gaviões e águias inerentes às espécies que porventura possam ser afetadas
(Família Accipitridae) sejam os mais prejudicados por pela linha de transmissão. Parece claro e justificável que
eletrocussão em linhas de transmissão de baixa potência o impacto de aves nativas e não nativas deva ser enca-
do que por colisão em linhas de transmissão de alta po- rado de forma diferente, assim como a probabilidade de
tência (Ledger & Annegan, 1981), na medida em que são uma ave ameaçada e de uma não ameaçada se chocar com
voadores muito habilidosos, devemos crer que tal padrão cabos deva ser considerada em diferentes escalas. Dessa
se repita no Brasil. forma, se uma área tiver grande propensão a acidentes
Da mesma forma, podemos crer que, se os ambien- com Psittacidae (papagaios e periquitos) e Accipitridae
tes pantanosos foram os mais impactados nos estudos já (gaviões e águias), enquanto outra tem igual propensão a
conduzidos ( e.g . Brown & Drewien, 1995), em função da acidentes, mas com espécies como a garça-vaqueira ( Bu-
presença de bandos grandes de aves, como garças e mar- bulcus ibis ) ou a avoante ( Zenaida auriculata ), que, ti-
recas, os nossos brejos também serão mais afetados. Até picamente, se beneficiam da degradação imposta à mata
que tenhamos dados consistentes no Brasil, essa extrapo- atlântica, fica bastante claro que é precis o dar uma maior
lação deve ser feita também para as conclusões associa- pesagem ou atenção ao primeiro caso. Os impactos com
das a fenômenos não biológicos que estão presentes em gaviões e papagaios nativos são naturalmente mais rele-
linhas de transmissão, como a geomorfologia, a propen- vantes do que o impacto de avoantes e garças vaqueiras,

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Azulão,
Cyanoloxiabrissonii 

diferença essa que deve ser considerada em qualquer Instalação e distribuição de sinalizadores
análise integrada de dados.
Nesse sentido, após o cruzamento da literatura com Como já visto no primeiro capítulo deste livro, os sinalizado-
o material em mãos, escolhemos os seguintes fatores de res são comprovadamente eficientes em reduzir até 76% dos
risco que poderão nortear tentativas similares em empre- impactos de aves sobre os cabos de linhas de transmissão de
endimentos futuros: a) aves endêmicas ou ameaçadas; b) alta potência quando instalados na fase de construção.
aves caracterizáveis por formar grandes bandos e/ou por Como não se sabe quase nada sobre os quantitativos de
serem de grande porte, tendo sido classificadas como de acidentes de colisão no Brasil, uma medida interessante
alto risco pelo monitoramento e a partir dos dados da li- seria, como já mencionado, a disposição de sinalizadores
teratura; c) áreas com espécies que sabidamente efetuem respeitando uma hierarquização a partir da construção
movimentos migratórios; d) a partir do mapa geomorfo- de mapas de risco (referenciais anteriormente listados).
lógico, áreas de planícies fluviais, por propiciarem a pre- Dessa forma, no caso de implantação de sinalizadores,
sença de espécies aquáticas; e) a partir de mapas geológi- deve-se respeitar a individualidade de cada ponto avalia-

Como já visto no primeiro capítulo desse livro, ou seja, no


histórico, os sinalizadores são comprovadamente eficientes
em reduzir até 76% dos impactos de aves sobre os cabos de
linhas de transmissão de alta potência, quando instalados na
fase de construção

do na construção de um mapa de risco, concentrando-os


cos, escarpas sujeitas a neblina e maior declividade, que em médio ou alto risco de acidentes. Além diss o, pode-se
proporcionam uma variação grande na distância d e cabos optar pela colocação de sinalizadores menos espaçados
em relação ao solo, facilitando acidentes; e) áreas de de- nas áreas de maior risco, o que, comprovadamente, au-
pósitos aluvionares, também sujeitas a aglomerações de menta a eficiência dessas estruturas em evitar impactos
bandos de aves aquáticas ou migratórias; f) cruzamento de aves sobre linhas de transmissão (Jenkins et al., 2010).
de grandes corpos d’água, em que há a tendênci a de espé- É recomendado também que não sejam implementa-
cies de grande p orte e migratórias usarem os leitos como dos sinalizadores para aves onde já existam sinalizado-
corredores em seus deslocamentos. res para aeronaves, uma vez que os estudos disponíveis
Com o objetivo de aumentar a precisão do mapea- demonstram que tais sinalizadores são praticamente
mento, deverá ser utilizado o mapa de vegetação como tão eficientes quanto os dispositivos específicos para es-
base para a plotagem dos valores obtidos pela avaliação pantar aves (Morkill & Anderson, 1991; Savereno et al.,
de risco das aves. 1996). Além disso, sinalizadores com eficiência noturna,

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Azulão,
Cyanoloxiabrissonii 

diferença essa que deve ser considerada em qualquer Instalação e distribuição de sinalizadores
análise integrada de dados.
Nesse sentido, após o cruzamento da literatura com Como já visto no primeiro capítulo deste livro, os sinalizado-
o material em mãos, escolhemos os seguintes fatores de res são comprovadamente eficientes em reduzir até 76% dos
risco que poderão nortear tentativas similares em empre- impactos de aves sobre os cabos de linhas de transmissão de
endimentos futuros: a) aves endêmicas ou ameaçadas; b) alta potência quando instalados na fase de construção.
aves caracterizáveis por formar grandes bandos e/ou por Como não se sabe quase nada sobre os quantitativos de
serem de grande porte, tendo sido classificadas como de acidentes de colisão no Brasil, uma medida interessante
alto risco pelo monitoramento e a partir dos dados da li- seria, como já mencionado, a disposição de sinalizadores
teratura; c) áreas com espécies que sabidamente efetuem respeitando uma hierarquização a partir da construção
movimentos migratórios; d) a partir do mapa geomorfo- de mapas de risco (referenciais anteriormente listados).
lógico, áreas de planícies fluviais, por propiciarem a pre- Dessa forma, no caso de implantação de sinalizadores,
sença de espécies aquáticas; e) a partir de mapas geológi- deve-se respeitar a individualidade de cada ponto avalia-

Como já visto no primeiro capítulo desse livro, ou seja, no


histórico, os sinalizadores são comprovadamente eficientes
em reduzir até 76% dos impactos de aves sobre os cabos de
linhas de transmissão de alta potência, quando instalados na
fase de construção

do na construção de um mapa de risco, concentrando-os


cos, escarpas sujeitas a neblina e maior declividade, que em médio ou alto risco de acidentes. Além diss o, pode-se
proporcionam uma variação grande na distância d e cabos optar pela colocação de sinalizadores menos espaçados
em relação ao solo, facilitando acidentes; e) áreas de de- nas áreas de maior risco, o que, comprovadamente, au-
pósitos aluvionares, também sujeitas a aglomerações de menta a eficiência dessas estruturas em evitar impactos
bandos de aves aquáticas ou migratórias; f) cruzamento de aves sobre linhas de transmissão (Jenkins et al., 2010).
de grandes corpos d’água, em que há a tendênci a de espé- É recomendado também que não sejam implementa-
cies de grande p orte e migratórias usarem os leitos como dos sinalizadores para aves onde já existam sinalizado-
corredores em seus deslocamentos. res para aeronaves, uma vez que os estudos disponíveis
Com o objetivo de aumentar a precisão do mapea- demonstram que tais sinalizadores são praticamente
mento, deverá ser utilizado o mapa de vegetação como tão eficientes quanto os dispositivos específicos para es-
base para a plotagem dos valores obtidos pela avaliação pantar aves (Morkill & Anderson, 1991; Savereno et al.,
de risco das aves. 1996). Além disso, sinalizadores com eficiência noturna,

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Galinha-do-mato,
Formicarius colma 

 já disp onívei s no mercado, segur amente serão bastant e 3.5 CONCLUSÕES GERAIS
eficientes, uma vez que muitos grupos de aves aquáticas
executam migrações (deslocamentos locais e regionais) A) Muito se sabe sobre as relações entre aves e linhas de
no período noturno ( vide  Graber, 1968), estando, portan- transmissão no mundo, e tal conhecimento é útil ao plane-
to, mais sujeitos a acidentes.  jamento e à boa inser ção de empre endimen tos brasil eiros;
A princípio, em linhas gerais, quando necessária, a B) Não há histórico de eletrocussão de aves em linhas de
implantação dos dispositivos deverá: transmissão de alta tensão como as aqui estudadas;
C) Casos de colisão se distribuem heterogeneamente en-
1 – priorizar a aquisição de equipamentos que sejam tre grupos taxonômicos e ambientes cruzados pelas li-
efetivos também à noite; nhas de transmissão;
2 – devem ser sinalizadas primeiramente as áreas de D) Há elementos disponíveis na literatura para o melhor
maior risco de impacto de aves e, em seguida, as de planejamento de empreendimentos e para a elaboração
médio risco; de mapas de risco de colisão;
E) o efeito de borda sobre os pontos mais sensíveis de
3 – áreas de baixo risco não devem ser sinalizadas até todo o traçado das duas linhas de transmissão estuda-
que existam evidências concretas da perda de espécies das não parece ameaçar, em longo prazo, a estrutura dos
de aves por colisão nesses pontos; remanescentes cruzados, no caso específico de linhas de
4 – o espaçamento entre dispositivos deve ser maior transmissão cuja área de supressão seja restringida ao
nas áreas de menor risco (médio risco) e menor nas mínimo necessário para garantir a Operação segura do
áreas de maior risco (alto risco); empreendimento;
F) Com base no levantamento bibliográfico foi possível
5 – no caso da presença de d ois cabos para-raios para- presumir que hoje, no Brasil, as comunidades de aves e,
lelos, a alternância de sinalizadores nos cabos aumen- particularmente, os grandes predadores (corujas, gaviões
ta a sua eficiência. e águias) são mais impactados em linhas de baixa e média
tensão. Casos de eletrocussão de aves de topo de cadeia em
LTs de 1 a 110 kV atingem volumes catastróficos do ponto
Por fim, é indicado o acompanhamento quanto à efi-
de vista da conservação. Nada ou quase nada encontra-se
cácia das medidas adotadas, por meio da observação do
publicado no Brasil a respeito disso, mas os reflexos dessas
comportamento das aves em relação aos sinalizadores e
da verificação se a área definida a priori como de baixo pequenas LTs sobre as aves em todo o mundo é alarmante
e deve ser investigado urgentemente no Brasil”.
risco apresenta alta incidência de acidentes.

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Galinha-do-mato,
Formicarius colma 

 já disp onívei s no mercado, segur amente serão bastant e 3.5 CONCLUSÕES GERAIS
eficientes, uma vez que muitos grupos de aves aquáticas
executam migrações (deslocamentos locais e regionais) A) Muito se sabe sobre as relações entre aves e linhas de
no período noturno ( vide  Graber, 1968), estando, portan- transmissão no mundo, e tal conhecimento é útil ao plane-
to, mais sujeitos a acidentes.  jamento e à boa inser ção de empre endimen tos brasil eiros;
A princípio, em linhas gerais, quando necessária, a B) Não há histórico de eletrocussão de aves em linhas de
implantação dos dispositivos deverá: transmissão de alta tensão como as aqui estudadas;
C) Casos de colisão se distribuem heterogeneamente en-
1 – priorizar a aquisição de equipamentos que sejam tre grupos taxonômicos e ambientes cruzados pelas li-
efetivos também à noite; nhas de transmissão;
2 – devem ser sinalizadas primeiramente as áreas de D) Há elementos disponíveis na literatura para o melhor
maior risco de impacto de aves e, em seguida, as de planejamento de empreendimentos e para a elaboração
médio risco; de mapas de risco de colisão;
E) o efeito de borda sobre os pontos mais sensíveis de
3 – áreas de baixo risco não devem ser sinalizadas até todo o traçado das duas linhas de transmissão estuda-
que existam evidências concretas da perda de espécies das não parece ameaçar, em longo prazo, a estrutura dos
de aves por colisão nesses pontos; remanescentes cruzados, no caso específico de linhas de
4 – o espaçamento entre dispositivos deve ser maior transmissão cuja área de supressão seja restringida ao
nas áreas de menor risco (médio risco) e menor nas mínimo necessário para garantir a Operação segura do
áreas de maior risco (alto risco); empreendimento;
F) Com base no levantamento bibliográfico foi possível
5 – no caso da presença de d ois cabos para-raios para- presumir que hoje, no Brasil, as comunidades de aves e,
lelos, a alternância de sinalizadores nos cabos aumen- particularmente, os grandes predadores (corujas, gaviões
ta a sua eficiência. e águias) são mais impactados em linhas de baixa e média
tensão. Casos de eletrocussão de aves de topo de cadeia em
LTs de 1 a 110 kV atingem volumes catastróficos do ponto
Por fim, é indicado o acompanhamento quanto à efi-
de vista da conservação. Nada ou quase nada encontra-se
cácia das medidas adotadas, por meio da observação do
publicado no Brasil a respeito disso, mas os reflexos dessas
comportamento das aves em relação aos sinalizadores e
pequenas LTs sobre as aves em todo o mundo é alarmante
da verificação se a área definida a priori como de baixo
e deve ser investigado urgentemente no Brasil”.
risco apresenta alta incidência de acidentes.

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ANEXO 1
Lista de aves observadas nos municípios de São Félix do Coribe e, Iramaia na, Bahia e, Presidente Kennedy, no
Tocantins, ao final das campanhas de coleta de dados.
R   = residente (evidências de reprodução no país disponíveis); VS  = visitante sazonal oriundo do sul do conti-
SÃO FÉLIX PRESIDENTE
NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
nente; VN  = visitante sazonal oriundo do hemisfério norte; VO  = visitante sazonal oriundo de áreas a oeste do DO CORIBE KENNEDY
CATHARTIFORMES
território brasileiro; VA = vagante (oriundo do sul [ VA (S) ], do norte [ VA (N) ], do oeste [ VA (O) ); D  = status
CATHARTIDAE
desconhecido; Ex  = espécie extinta em território nacional; Ex N = espécie extinta na natureza e sobrevive apenas
Cathartes aura (Linnaeus, 1758) urubu-de-cabeça-vermelha R X X X
em cativeiro; E  = espécie endêmica do Brasil; #  = status presumido mas não confirmado. Coragypsatratus  ( Bechstein, 1793) urubu-de-cabeça-preta R X X X
Sarcoramphus papa  (Linnaeus, 1758) urubu-rei R X
FALCONIFORMES
ACCIPITRIDAE
SÃO FÉLIX PRESIDENTE  Elanus leucur us  ( Vieillot, 1818) gavião-peneira R X X
NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
DO CORIBE KENNEDY Ictinia plumbea  (Gmelin, 1788) sovi R X
STRUTHIONIFORMES Heterospiziasmeridionalis (Latham, 1790) gavião-caboclo R X
RHEIDAE Rupornismagnirostris (Gmelin, 1788) gavião-carijó R X X X
Rhea americana (Linnaeus, 1758) ema R X Buteo albicaudatus  V ieillot, 1816 gavião-de-rabo-branco R X X
TINAMIFORMES Buteo nitidus  (Latham, 1790) gavião-pedrês R X
TINAMIDAE Spizaetustyrannus   (Wied, 1820) gavião-pega-macaco R X
Crypturellusstrigulosus (Temminck, 1815) inhambu-relógio R X FALCONIDAE
Crypturellusnoctivagus (Wied, 1820) jaó-do-sul R, E X X Caracara plancus  ( Miller, 1777) caracará R X X X
Crypturellusparvirostris (Wagler, 1827) inhambu-chororó R X X  Milvago chimac hima (Vieillot, 1816) carrapateiro R X X X
Crypturellus tataupa (Temminck, 1815) inhambu-chintã R X Falcosparverius  Linnaeus, 1758 quiriquiri R X
Rhynchotusrufescens (Temminck, 1815) perdiz R X Falco femoralis   Temminck, 1822 falcão-de-coleira R X
 Nothura boraqui ra (Spix, 1825) codorna-do-nordeste R X Falcoperegrinus Tunstall, 1771 falcão-peregrino VN X X
GALLIFORMES GRUIFORMES
CRACIDAE CARIAMIDAE
Penelopesuperciliaris (Temminck, 1815) jacupemba R X Cariama cristata (Linnaeus, 1766) seriema R X X
CICONIIFORMES CHARADRIIFORMES
ARDEIDAE CHARADRIIDAE
Butorides striata (Linnaeus, 1758) socozinho R X Vanellus cayanus (Latham, 1790) batuíra-de-esporão R X X
Bubulcus ibis  ( Linnaeus, 1758) garça-vaqueira R X JACANIDAE
 Ardea alba  L innaeus, 1758 garça-branca-grande R X  Jacana jacana  (Linnaeus, 1766) jaçanã R X

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ANEXO 1
Lista de aves observadas nos municípios de São Félix do Coribe e, Iramaia na, Bahia e, Presidente Kennedy, no
Tocantins, ao final das campanhas de coleta de dados.
R   = residente (evidências de reprodução no país disponíveis); VS  = visitante sazonal oriundo do sul do conti-
SÃO FÉLIX PRESIDENTE
NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
nente; VN  = visitante sazonal oriundo do hemisfério norte; VO  = visitante sazonal oriundo de áreas a oeste do DO CORIBE KENNEDY
CATHARTIFORMES
território brasileiro; VA = vagante (oriundo do sul [ VA (S) ], do norte [ VA (N) ], do oeste [ VA (O) ); D  = status
CATHARTIDAE
desconhecido; Ex  = espécie extinta em território nacional; Ex N = espécie extinta na natureza e sobrevive apenas
Cathartes aura (Linnaeus, 1758) urubu-de-cabeça-vermelha R X X X
em cativeiro; E  = espécie endêmica do Brasil; #  = status presumido mas não confirmado. Coragypsatratus  ( Bechstein, 1793) urubu-de-cabeça-preta R X X X
Sarcoramphus papa  (Linnaeus, 1758) urubu-rei R X
FALCONIFORMES
ACCIPITRIDAE
SÃO FÉLIX PRESIDENTE  Elanus leucur us  ( Vieillot, 1818) gavião-peneira R X X
NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
DO CORIBE KENNEDY Ictinia plumbea  (Gmelin, 1788) sovi R X
STRUTHIONIFORMES Heterospiziasmeridionalis (Latham, 1790) gavião-caboclo R X
RHEIDAE Rupornismagnirostris (Gmelin, 1788) gavião-carijó R X X X
Rhea americana (Linnaeus, 1758) ema R X Buteo albicaudatus  V ieillot, 1816 gavião-de-rabo-branco R X X
TINAMIFORMES Buteo nitidus  (Latham, 1790) gavião-pedrês R X
TINAMIDAE Spizaetustyrannus   (Wied, 1820) gavião-pega-macaco R X
Crypturellusstrigulosus (Temminck, 1815) inhambu-relógio R X FALCONIDAE
Crypturellusnoctivagus (Wied, 1820) jaó-do-sul R, E X X Caracara plancus  ( Miller, 1777) caracará R X X X
Crypturellusparvirostris (Wagler, 1827) inhambu-chororó R X X  Milvago chimac hima (Vieillot, 1816) carrapateiro R X X X
Crypturellus tataupa (Temminck, 1815) inhambu-chintã R X Falcosparverius  Linnaeus, 1758 quiriquiri R X
Rhynchotusrufescens (Temminck, 1815) perdiz R X Falco femoralis   Temminck, 1822 falcão-de-coleira R X
 Nothura boraqui ra (Spix, 1825) codorna-do-nordeste R X Falcoperegrinus Tunstall, 1771 falcão-peregrino VN X X
GALLIFORMES GRUIFORMES
CRACIDAE CARIAMIDAE
Penelopesuperciliaris (Temminck, 1815) jacupemba R X Cariama cristata (Linnaeus, 1766) seriema R X X
CICONIIFORMES CHARADRIIFORMES
ARDEIDAE CHARADRIIDAE
Butorides striata (Linnaeus, 1758) socozinho R X Vanellus cayanus (Latham, 1790) batuíra-de-esporão R X X
Bubulcus ibis  ( Linnaeus, 1758) garça-vaqueira R X JACANIDAE
 Ardea alba  L innaeus, 1758 garça-branca-grande R X  Jacana jacana  (Linnaeus, 1766) jaçanã R X

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NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
DO CORIBE KENNEDY DO CORIBE KENNEDY
COLUMBIFORMES Dromococcyx phasianellu s ( Spix, 1824) peixe-frito-verdadeiro R X
COLUMBIDAE Dromococcyxpavoninus Pelzeln, 1870 peixe-frito-pavonino R X X
Columbina minuta  ( Linnaeus, 1766) rolinha-de-asa-canela R X STRIGIFORMES
Columbina talpacoti   (Temminck, 1811) rolinha-roxa R X X STRIGIDAE
Columbina squammata (Lesson, 1831) fogo-apagou R X X Glaucidium brasilianum  (Gmelin, 1788) caburé R X
Columbina picui (Temminck, 1813) rolinha-picui R X X  Athene cunic ularia (Molina, 1782) coruja-buraqueira R X X
Claravispretiosa  (Ferrari-Perez, 1886) pararu-azul R X X CAPRIMULGIFORMES
Patagioenasspeciosa (Gmelin, 1789) pomba-trocal R X CAPRIMULGIDAE
Patagioenas picazuro  (Temminck, 1813) pombão R X X Chordeilespusillus G ould, 1861 bacurauzinho R X
 Zenaida aur iculata   (Des Murs, 1847) pomba-de-bando R X Caprimulgusparvulus  G ould, 1837 bacurau-chintã R X
Leptotilaverreauxi  Bonaparte, 1855 juriti-pupu R X APODIFORMES
Leptotilarufaxilla  (Richard & Bernard, 1792) juriti-gemedeira R X APODIDAE
Geotrygonmontana ( Linnaeus, 1758) pariri R X Streptoprocne zonaris (Shaw, 1796) taperuçu-de-coleira-branca R X
PSITTACIFORMES Tachornis squamata (Cassin, 1853) tesourinha R X X
PSITTACIDAE TROCHILIDAE
 Ara ararauna (Linnaeus, 1758) arara-canindé R X Phaethornis ruber (Linnaeus, 1758) rabo-branco-rubro R X X X
Orthopsittaca manilata (Boddaert, 1783) maracanã-do-buriti R X Phaethornis pretrei ( Lesson & Delattre, 1839) rabo-branco-acanelado R X X
Primoliusauricollis ( Cassin, 1853) maracanã-de-colar R X  Anthracothorax nigricolli s ( Vieillot, 1817) beija-flor-de-veste-preta R X
 Aratinga leucop hthalma   (Statius Muller, 1776) periquitão-maracanã R X X X Chrysolampismosquitus (Linnaeus, 1758) beija-flor-vermelho R X X
 Aratinga aurea  ( Gmelin, 1788) periquito-rei R X X X Chlorostilbon lucidus (Shaw, 1812) besourinho-de-bico-vermelho R X X
 Aratinga cactor um   (Kuhl, 1820) periquito-da-caatinga R, E X X Thalurania furcata (Gmelin, 1788) beija-flor-tesoura-verde R X X
Pyrrhura lepida ( Wagler, 1832) tiriba-pérola R, E X Thalurania glaucopis   (Gmelin, 1788) beija-flor-de-fronte-violeta R X
 Alipiopsitta x anthops (Spix, 1824) papagaio-galego R X  Amazilia fi mbriata (Gmelin, 1788) beija-flor-de-garganta-verde R X
Pionusmaximiliani  (Kuhl, 1820) maitaca-verde R X TROGONIFORMES
CUCULIFORMES TROGONIDAE
CUCULIDAE surucuá-grande-de-
Trogon viridis Linnaeus, 1766 R X
barriga-amarela
Piaya cayana   (Linnaeus, 1766) alma-de-gato R X X X
Trogonsurrucura V ieillot, 1817 surucuá-variado R X
Coccyzusmelacoryphus Vieillot, 1817 papa-lagarta-acanelado R X X
Trogon curucui Linnaeus, 1766 surucuá-de-barriga-vermelha R X
Coccyzusamericanus (Linnaeus, 1758) papa-lagarta-de-asa-vermelha VN X X
Coccyzus euleri Cabanis, 1873 papa-lagarta-de-euler R X X CORACIIFORMES

Crotophaga ani Linnaeus, 1758 anu-preto R X X MOMOTIDAE

Guira guira   (Gmelin, 1788) anu-branco R X Baryphthengus ruficapillus  ( Vieillot, 1818) juruva-verde R X

Tapera naevia (Linnaeus, 1766) saci R X X  Momotus mom ota (Linnaeus, 1766) udu-de-coroa-azul R X

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NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
DO CORIBE KENNEDY DO CORIBE KENNEDY
COLUMBIFORMES Dromococcyx phasianellu s ( Spix, 1824) peixe-frito-verdadeiro R X
COLUMBIDAE Dromococcyxpavoninus Pelzeln, 1870 peixe-frito-pavonino R X X
Columbina minuta  ( Linnaeus, 1766) rolinha-de-asa-canela R X STRIGIFORMES
Columbina talpacoti   (Temminck, 1811) rolinha-roxa R X X STRIGIDAE
Columbina squammata (Lesson, 1831) fogo-apagou R X X Glaucidium brasilianum  (Gmelin, 1788) caburé R X
Columbina picui (Temminck, 1813) rolinha-picui R X X  Athene cunic ularia (Molina, 1782) coruja-buraqueira R X X
Claravispretiosa  (Ferrari-Perez, 1886) pararu-azul R X X CAPRIMULGIFORMES
Patagioenasspeciosa (Gmelin, 1789) pomba-trocal R X CAPRIMULGIDAE
Patagioenas picazuro  (Temminck, 1813) pombão R X X Chordeilespusillus G ould, 1861 bacurauzinho R X
 Zenaida aur iculata   (Des Murs, 1847) pomba-de-bando R X Caprimulgusparvulus  G ould, 1837 bacurau-chintã R X
Leptotilaverreauxi  Bonaparte, 1855 juriti-pupu R X APODIFORMES
Leptotilarufaxilla  (Richard & Bernard, 1792) juriti-gemedeira R X APODIDAE
Geotrygonmontana ( Linnaeus, 1758) pariri R X Streptoprocne zonaris (Shaw, 1796) taperuçu-de-coleira-branca R X
PSITTACIFORMES Tachornis squamata (Cassin, 1853) tesourinha R X X
PSITTACIDAE TROCHILIDAE
 Ara ararauna (Linnaeus, 1758) arara-canindé R X Phaethornis ruber (Linnaeus, 1758) rabo-branco-rubro R X X X
Orthopsittaca manilata (Boddaert, 1783) maracanã-do-buriti R X Phaethornis pretrei ( Lesson & Delattre, 1839) rabo-branco-acanelado R X X
Primoliusauricollis ( Cassin, 1853) maracanã-de-colar R X  Anthracothorax nigricolli s ( Vieillot, 1817) beija-flor-de-veste-preta R X
 Aratinga leucop hthalma   (Statius Muller, 1776) periquitão-maracanã R X X X Chrysolampismosquitus (Linnaeus, 1758) beija-flor-vermelho R X X
 Aratinga aurea  ( Gmelin, 1788) periquito-rei R X X X Chlorostilbon lucidus (Shaw, 1812) besourinho-de-bico-vermelho R X X
 Aratinga cactor um   (Kuhl, 1820) periquito-da-caatinga R, E X X Thalurania furcata (Gmelin, 1788) beija-flor-tesoura-verde R X X
Pyrrhura lepida ( Wagler, 1832) tiriba-pérola R, E X Thalurania glaucopis   (Gmelin, 1788) beija-flor-de-fronte-violeta R X
 Alipiopsitta x anthops (Spix, 1824) papagaio-galego R X  Amazilia fi mbriata (Gmelin, 1788) beija-flor-de-garganta-verde R X
Pionusmaximiliani  (Kuhl, 1820) maitaca-verde R X TROGONIFORMES
CUCULIFORMES TROGONIDAE
CUCULIDAE surucuá-grande-de-
Trogon viridis Linnaeus, 1766 R X
barriga-amarela
Piaya cayana   (Linnaeus, 1766) alma-de-gato R X X X
Trogonsurrucura V ieillot, 1817 surucuá-variado R X
Coccyzusmelacoryphus Vieillot, 1817 papa-lagarta-acanelado R X X
Trogon curucui Linnaeus, 1766 surucuá-de-barriga-vermelha R X
Coccyzusamericanus (Linnaeus, 1758) papa-lagarta-de-asa-vermelha VN X X
Coccyzus euleri Cabanis, 1873 papa-lagarta-de-euler R X X CORACIIFORMES

Crotophaga ani Linnaeus, 1758 anu-preto R X X MOMOTIDAE

Guira guira   (Gmelin, 1788) anu-branco R X Baryphthengus ruficapillus  ( Vieillot, 1818) juruva-verde R X

Tapera naevia (Linnaeus, 1766) saci R X X  Momotus mom ota (Linnaeus, 1766) udu-de-coroa-azul R X

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NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
DO CORIBE KENNEDY DO CORIBE KENNEDY
GALBULIFORMES Thamnophilus doliatus   (Linnaeus, 1764) choca-barrada R X
GALBULIDAE Thamnophilus capistratus  Lesson, 1840 choca-barrada-do-nordeste R, E X
Brachygalba lugubris  ( Swainson, 1838) ariramba-preta R X Thamnophilus punctatus (Shaw, 1809) choca-bate-cabo R X X X
Galbula ruficauda Cuvier, 1816 ariramba-de-cauda-ruiva R X X Thamnophilus pelzelni Hellmayr, 1924 choca-do-planalto R, E X X X
BUCCONIDAE Thamnophilu s caerulescens Vieillot, 1816 choca-da-mata R X
 Notharchus te ctus (Boddaert, 1783) macuru-pintado R X Thamnophilus amazonicus Sclater, 1858 choca-canela R X
Bucco tamatia Gmelin, 1788 rapazinho-carijó R X Dysithamnus mentalis  (Temminck, 1823) choquinha-lisa R X
 Nystalus chacur u  (Vieillot, 1816) joão-bobo R X  Myrmother ula axillar is ( Vieillot, 1817) choquinha-de-flanco-branco R X
 Nystalus maculatu s   (Gmelin, 1788) rapazinho-dos-velhos R X X  Myrmorchilu s strigi latus (Wied, 1831) piu-piu R X
 Monasa nigr ifrons  ( Spix, 1824) chora-chuva-preto R X Herpsilochmussellowi Whitney & Pacheco, 2000 chorozinho-da-caatinga R, E X
Chelidopteratenebrosa  (Pallas, 1782) urubuzinho R X Herpsilochmuspileatus  (Lichtenstein, 1823) chorozinho-de-boné R, E X
PICIFORMES Herpsilochmus atricapillu s  Pelzeln, 1868 chorozinho-de-chapéu-preto R X X X
RAMPHASTIDAE Formicivora grisea ( Boddaert, 1783) papa-formiga-pardo R X
Ramphastos toco  Statius Muller, 1776 tucanuçu R X Formicivoramelanogaster  Pelzeln, 1868 formigueiro-de-barriga-preta R X
Ramphastos tucanus  Linnaeus, 1758 tucano-grande-de-papo-branco R X Cercomacraferdinandi Snethlage, 1928 chororó-de-goiás R, E X
Ramphastos vitellinus  L ichtenstein, 1823 tucano-de-bico-preto R X Pyriglenaleucoptera (Vieillot, 1818) papa-taoca-do-sul R X
Selenideragouldii (Natterer, 1837) saripoca-de-gould R X Willisornis poecilinotus  (Cabanis, 1847) rendadinho R X
PICIDAE CONOPOPHAGIDAE
Picumnus pygmaeus (Lichtenstein, 1823) pica-pau-anão-pintado R, E X X Conopophaga lineata (Wied, 1831) chupa-dente R X X
Picumnuscirratus Temminck, 1825 pica-pau-anão-barrado R X GRALLARIIDAE
 Melanerpes cruentatus  ( Boddaert, 1783) benedito-de-testa-vermelha R X Hylopezusochroleucus ( Wied, 1831) torom-do-nordeste R, E X X
Veniliornis affinis (Swainson, 1821) picapauzinho-avermelhado R X FORMICARIIDAE
Veniliornis passerinus ( Linnaeus, 1766) picapauzinho-anão R X X Formicarius colma  Boddaert, 1783 galinha-do-mato R X
Piculusflavigula (Boddaert, 1783) pica-pau-bufador R X X SCLERURIDAE
Piculuschrysochloros  (Vieillot, 1818) pica-pau-dourado-escuro R X Sclerurus scansor  (Ménétriès, 1835) vira-folha R X
Celeus flavescens  (Gmelin, 1788) pica-pau-de-cabeça-amarela R X X X DENDROCOLAPTIDAE
Celeus flavus   (Statius Muller, 1776) pica-pau-amarelo R X Dendrocinclafuliginosa (Vieillot, 1818) arapaçu-pardo R X
Celeus obrieni Short, 1973 pica-pau-do-parnaíba R, E X Sittasomusgriseicapillus (Vieillot, 1818) arapaçu-verde R X X X
Campephilus melanoleucos (Gmelin, 1788) pica-pau-de-topete-vermelho R X Dendrocolaptes platyrostris S pix, 1825 arapaçu-grande R X X
PASSERIFORMES Dendroplex picus ( Gmelin, 1788) arapaçu-de-bico-branco R X
THAMNOPHILIDAE  Xiphorhynchu s fuscus  ( Vieillot, 1818) arapaçu-rajado R X
Taraba major (Vieillot, 1816) choró-boi R X X X  Xiphorhynchu s spixii   (Lesson, 1830) arapaçu-de-spix R, E X
Sakesphoruscristatus (Wied, 1831) choca-do-nordeste R, E X X Lepidocolaptes angustirostris (Vieillot, 1818) arapaçu-de-cerrado R X X

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SÃO FÉLIX PRESIDENTE SÃO FÉLIX PRESIDENTE
NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
DO CORIBE KENNEDY DO CORIBE KENNEDY
GALBULIFORMES Thamnophilus doliatus   (Linnaeus, 1764) choca-barrada R X
GALBULIDAE Thamnophilus capistratus  Lesson, 1840 choca-barrada-do-nordeste R, E X
Brachygalba lugubris  ( Swainson, 1838) ariramba-preta R X Thamnophilus punctatus (Shaw, 1809) choca-bate-cabo R X X X
Galbula ruficauda Cuvier, 1816 ariramba-de-cauda-ruiva R X X Thamnophilus pelzelni Hellmayr, 1924 choca-do-planalto R, E X X X
BUCCONIDAE Thamnophilu s caerulescens Vieillot, 1816 choca-da-mata R X
 Notharchus te ctus (Boddaert, 1783) macuru-pintado R X Thamnophilus amazonicus Sclater, 1858 choca-canela R X
Bucco tamatia Gmelin, 1788 rapazinho-carijó R X Dysithamnus mentalis  (Temminck, 1823) choquinha-lisa R X
 Nystalus chacur u  (Vieillot, 1816) joão-bobo R X  Myrmother ula axillar is ( Vieillot, 1817) choquinha-de-flanco-branco R X
 Nystalus maculatu s   (Gmelin, 1788) rapazinho-dos-velhos R X X  Myrmorchilu s strigi latus (Wied, 1831) piu-piu R X
 Monasa nigr ifrons  ( Spix, 1824) chora-chuva-preto R X Herpsilochmussellowi Whitney & Pacheco, 2000 chorozinho-da-caatinga R, E X
Chelidopteratenebrosa  (Pallas, 1782) urubuzinho R X Herpsilochmuspileatus  (Lichtenstein, 1823) chorozinho-de-boné R, E X
PICIFORMES Herpsilochmus atricapillu s  Pelzeln, 1868 chorozinho-de-chapéu-preto R X X X
RAMPHASTIDAE Formicivora grisea ( Boddaert, 1783) papa-formiga-pardo R X
Ramphastos toco  Statius Muller, 1776 tucanuçu R X Formicivoramelanogaster  Pelzeln, 1868 formigueiro-de-barriga-preta R X
Ramphastos tucanus  Linnaeus, 1758 tucano-grande-de-papo-branco R X Cercomacraferdinandi Snethlage, 1928 chororó-de-goiás R, E X
Ramphastos vitellinus  L ichtenstein, 1823 tucano-de-bico-preto R X Pyriglenaleucoptera (Vieillot, 1818) papa-taoca-do-sul R X
Selenideragouldii (Natterer, 1837) saripoca-de-gould R X Willisornis poecilinotus  (Cabanis, 1847) rendadinho R X
PICIDAE CONOPOPHAGIDAE
Picumnus pygmaeus (Lichtenstein, 1823) pica-pau-anão-pintado R, E X X Conopophaga lineata (Wied, 1831) chupa-dente R X X
Picumnuscirratus Temminck, 1825 pica-pau-anão-barrado R X GRALLARIIDAE
 Melanerpes cruentatus  ( Boddaert, 1783) benedito-de-testa-vermelha R X Hylopezusochroleucus ( Wied, 1831) torom-do-nordeste R, E X X
Veniliornis affinis (Swainson, 1821) picapauzinho-avermelhado R X FORMICARIIDAE
Veniliornis passerinus ( Linnaeus, 1766) picapauzinho-anão R X X Formicarius colma  Boddaert, 1783 galinha-do-mato R X
Piculusflavigula (Boddaert, 1783) pica-pau-bufador R X X SCLERURIDAE
Piculuschrysochloros  (Vieillot, 1818) pica-pau-dourado-escuro R X Sclerurus scansor  (Ménétriès, 1835) vira-folha R X
Celeus flavescens  (Gmelin, 1788) pica-pau-de-cabeça-amarela R X X X DENDROCOLAPTIDAE
Celeus flavus   (Statius Muller, 1776) pica-pau-amarelo R X Dendrocinclafuliginosa (Vieillot, 1818) arapaçu-pardo R X
Celeus obrieni Short, 1973 pica-pau-do-parnaíba R, E X Sittasomusgriseicapillus (Vieillot, 1818) arapaçu-verde R X X X
Campephilus melanoleucos (Gmelin, 1788) pica-pau-de-topete-vermelho R X Dendrocolaptes platyrostris S pix, 1825 arapaçu-grande R X X
PASSERIFORMES Dendroplex picus ( Gmelin, 1788) arapaçu-de-bico-branco R X
THAMNOPHILIDAE  Xiphorhynchu s fuscus  ( Vieillot, 1818) arapaçu-rajado R X
Taraba major (Vieillot, 1816) choró-boi R X X X  Xiphorhynchu s spixii   (Lesson, 1830) arapaçu-de-spix R, E X
Sakesphoruscristatus (Wied, 1831) choca-do-nordeste R, E X X Lepidocolaptes angustirostris (Vieillot, 1818) arapaçu-de-cerrado R X X

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NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
DO CORIBE KENNEDY DO CORIBE KENNEDY
Lepidocolaptes squamatus  (Lichtenstein, 1822) arapaçu-escamado R, E X Camptostoma obsoletum (Temminck, 1824) risadinha R X X X
Lepidocolaptes wagleri ( Spix, 1824) arapaçu-de-wagler R, E X Phaeomyiasmurina ( Spix, 1825) bagageiro R X
Campylorhamphus trochilirostris ( Lichtenstein, 1820) arapaçu-beija-flor R X Capsiempis flaveola  (Lichtenstein, 1823) marianinha-amarela R X X
FURNARIIDAE  Euscarthmus meloryphu s W ied, 1831 barulhento R X
Synallaxis frontalis  Pelzeln, 1859 petrim R X X Sublegatus modestus ( Wied, 1831) guaracava-modesta R X
Synallaxis spixi  Sclater, 1856 joão-teneném R X Tolmomyias sulphurescens (Spix, 1825) bico-chato-de-orelha-preta R X X
Synallaxis scutata Sclater, 1859 estrelinha-preta R X X Tolmomyias flaviventris (Wied, 1831) bico-chato-amarelo R X X X
Synallaxis ruficapilla Vieillot, 1819 X Platyrinchus mystaceus  V ieillot, 1818 patinho R X X
Gyalophylax hellmayri   (Reiser, 1905) joão-chique-chique R, E X  Myiophobus fas ciatus  ( Statius Muller, 1776) filipe R X X
Cranioleuca semicinerea  (Reichenbach, 1853) joão-de-cabeça-cinza R, E X  Myiobius barbatu s   (Gmelin, 1789) assanhadinho R X
 Xenops minutu s  (Sparrman, 1788) bico-virado-miúdo R X X Hirundineaferruginea (Gmelin, 1788) gibão-de-couro R X X
 Xenops ruti lans   Temminck, 1821 bico-virado-carijó R X Lathrotriccuseuleri (Cabanis, 1868) enferrujado R X X
 Megaxenops parnaguae  Reiser, 1905 bico-virado-da-caatinga R, E X X Cnemotriccusfuscatus ( Wied, 1831) guaracavuçu R X X
TYRANNIDAE Contopuscinereus ( Spix, 1825) papa-moscas-cinzento R X
Leptopogon amaurocephalus  Tschudi, 1846 cabeçudo R X Fluvicola albiventer  ( Spix, 1825) lavadeira-de-cara-branca R X
Corythopis torquatus ( Tschudi, 1844) estalador-do-norte R X Colonia colonus   (Vieillot, 1818) viuvinha R X X
Hemitriccusorbitatus  (Wied, 1831) tiririzinho-do-mato R, E X  Machetorni s rixosa  (Vieillot, 1819) suiriri-cavaleiro R X X
Hemitriccus striaticolli s  (Lafresnaye, 1853) sebinho-rajado-amarelo R X Legatus leucophaius  (Vieillot, 1818) bem-te-vi-pirata R X
Hemitriccus nidipendulu s (Wied, 1831) tachuri-campainha R, E X  Myiozetete s cayanensis  (Linnaeus, 1766) bentevizinho-de-asa-ferrugínea R X
Hemitriccus margaritaceiventer  Pitangus sulphuratus  (Linnaeus, 1766) bem-te-vi R X X
sebinho-de-olho-de-ouro R X X
(d’Orbigny & Lafresnaye, 1837)
 Myiodynastes maculatus  (Statius Muller, 1776) bem-te-vi-rajado R X
 Myiornis e caudatus   (d’Orbigny & Lafresnaye, 1837) caçula R X
 Megarynchu s pitangua  ( Linnaeus, 1766) neinei R X X X
Poecilotriccusfumifrons (Hartlaub, 1853) ferreirinho-de-testa-parda R X
Griseotyrannus aurantioatrocristatus
peitica-de-chapéu-preto R X
Todirostrum poliocephalum ( Wied, 1831) teque-teque R, E X (d’Orbigny & Lafresnaye, 1837)
Todirostrum cinereum (Linnaeus, 1766) ferreirinho-relógio R X X Tyrannus melancholicus  V ieillot, 1819 suiriri R X
Phyllomyias fasciatus  (Thunberg, 1822) piolhinho R X Tyrannus savana   Vieillot, 1808 tesourinha R X X X
 Myiopagis g aimardii (d’Orbigny, 1839) maria-pechim R X Rhytipterna simplex   (Lichtenstein, 1823) vissiá R X
 Myiopagis cani ceps  (Swainson, 1835) guaracava-cinzenta R X Sirystessibilator   (Vieillot, 1818) gritador R X
 Myiopagis v iridicata (Vieillot, 1817) guaracava-de-crista-alaranjada R X X X Casiornis fuscus Sclater & Salvin, 1873 caneleiro-enxofre R, E X X X
 Elaenia me soleuca  (Deppe, 1830) tuque R X  Myiarchus tube rculifer   (d’Orbigny & Lafresnaye, 1837) maria-cavaleira-pequena R X
 Elaenia cr istata  P elzeln, 1868 guaracava-de-topete-uniforme R X  Myiarchus swain soni  Cabanis & Heine, 1859 irré R X X
 Myiarchus fe rox  (Gmelin, 1789) maria-cavaleira R X X X

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NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
DO CORIBE KENNEDY DO CORIBE KENNEDY
Lepidocolaptes squamatus  (Lichtenstein, 1822) arapaçu-escamado R, E X Camptostoma obsoletum (Temminck, 1824) risadinha R X X X
Lepidocolaptes wagleri ( Spix, 1824) arapaçu-de-wagler R, E X Phaeomyiasmurina ( Spix, 1825) bagageiro R X
Campylorhamphus trochilirostris ( Lichtenstein, 1820) arapaçu-beija-flor R X Capsiempis flaveola  (Lichtenstein, 1823) marianinha-amarela R X X
FURNARIIDAE  Euscarthmus meloryphu s W ied, 1831 barulhento R X
Synallaxis frontalis  Pelzeln, 1859 petrim R X X Sublegatus modestus ( Wied, 1831) guaracava-modesta R X
Synallaxis spixi  Sclater, 1856 joão-teneném R X Tolmomyias sulphurescens (Spix, 1825) bico-chato-de-orelha-preta R X X
Synallaxis scutata Sclater, 1859 estrelinha-preta R X X Tolmomyias flaviventris (Wied, 1831) bico-chato-amarelo R X X X
Synallaxis ruficapilla Vieillot, 1819 X Platyrinchus mystaceus  V ieillot, 1818 patinho R X X
Gyalophylax hellmayri   (Reiser, 1905) joão-chique-chique R, E X  Myiophobus fas ciatus  ( Statius Muller, 1776) filipe R X X
Cranioleuca semicinerea  (Reichenbach, 1853) joão-de-cabeça-cinza R, E X  Myiobius barbatu s   (Gmelin, 1789) assanhadinho R X
 Xenops minutu s  (Sparrman, 1788) bico-virado-miúdo R X X Hirundineaferruginea (Gmelin, 1788) gibão-de-couro R X X
 Xenops ruti lans   Temminck, 1821 bico-virado-carijó R X Lathrotriccuseuleri (Cabanis, 1868) enferrujado R X X
 Megaxenops parnaguae  Reiser, 1905 bico-virado-da-caatinga R, E X X Cnemotriccusfuscatus ( Wied, 1831) guaracavuçu R X X
TYRANNIDAE Contopuscinereus ( Spix, 1825) papa-moscas-cinzento R X
Leptopogon amaurocephalus  Tschudi, 1846 cabeçudo R X Fluvicola albiventer  ( Spix, 1825) lavadeira-de-cara-branca R X
Corythopis torquatus ( Tschudi, 1844) estalador-do-norte R X Colonia colonus   (Vieillot, 1818) viuvinha R X X
Hemitriccusorbitatus  (Wied, 1831) tiririzinho-do-mato R, E X  Machetorni s rixosa  (Vieillot, 1819) suiriri-cavaleiro R X X
Hemitriccus striaticolli s  (Lafresnaye, 1853) sebinho-rajado-amarelo R X Legatus leucophaius  (Vieillot, 1818) bem-te-vi-pirata R X
Hemitriccus nidipendulu s (Wied, 1831) tachuri-campainha R, E X  Myiozetete s cayanensis  (Linnaeus, 1766) bentevizinho-de-asa-ferrugínea R X
Hemitriccus margaritaceiventer  Pitangus sulphuratus  (Linnaeus, 1766) bem-te-vi R X X
sebinho-de-olho-de-ouro R X X
(d’Orbigny & Lafresnaye, 1837)
 Myiodynastes maculatus  (Statius Muller, 1776) bem-te-vi-rajado R X
 Myiornis e caudatus   (d’Orbigny & Lafresnaye, 1837) caçula R X
 Megarynchu s pitangua  ( Linnaeus, 1766) neinei R X X X
Poecilotriccusfumifrons (Hartlaub, 1853) ferreirinho-de-testa-parda R X
Griseotyrannus aurantioatrocristatus
peitica-de-chapéu-preto R X
Todirostrum poliocephalum ( Wied, 1831) teque-teque R, E X (d’Orbigny & Lafresnaye, 1837)
Todirostrum cinereum (Linnaeus, 1766) ferreirinho-relógio R X X Tyrannus melancholicus  V ieillot, 1819 suiriri R X
Phyllomyias fasciatus  (Thunberg, 1822) piolhinho R X Tyrannus savana   Vieillot, 1808 tesourinha R X X X
 Myiopagis g aimardii (d’Orbigny, 1839) maria-pechim R X Rhytipterna simplex   (Lichtenstein, 1823) vissiá R X
 Myiopagis cani ceps  (Swainson, 1835) guaracava-cinzenta R X Sirystessibilator   (Vieillot, 1818) gritador R X
 Myiopagis v iridicata (Vieillot, 1817) guaracava-de-crista-alaranjada R X X X Casiornis fuscus Sclater & Salvin, 1873 caneleiro-enxofre R, E X X X
 Elaenia me soleuca  (Deppe, 1830) tuque R X  Myiarchus tube rculifer   (d’Orbigny & Lafresnaye, 1837) maria-cavaleira-pequena R X
 Elaenia cr istata  P elzeln, 1868 guaracava-de-topete-uniforme R X  Myiarchus swain soni  Cabanis & Heine, 1859 irré R X X
 Myiarchus fe rox  (Gmelin, 1789) maria-cavaleira R X X X

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NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
DO CORIBE KENNEDY DO CORIBE KENNEDY
maria-cavaleira-de- Cantorchilus leucotis  ( Lafresnaye, 1845) garrinchão-de-barriga-vermelha R X
 Myiarchus tyr annulus  (Statius Muller, 1776) R X X
rabo-enferrujado
Cantorchilu s longirostris (Vieillot, 1819) garrinchão-de-bico-grande R, E X X
Ramphotrigonruficauda ( Spix, 1825) bico-chato-de-rabo-vermelho R X
POLIOPTILIDAE
 Attila spadice us (Gmelin, 1789) capitão-de-saíra-amarelo R X
Polioptila plumbea  ( Gmelin, 1788) balança-rabo-de-chapéu-preto R X X X
COTINGIDAE
Polioptila dumicola (Vieillot, 1817) balança-rabo-de-máscara R X X
Lipaugusvociferans ( Wied, 1820) cricrió R X
TURDIDAE
Pyroderus scutatus ( Shaw, 1792) pavó R X
Catharusfuscescens (Stephens, 1817) sabiá-norte-americano VN X
PIPRIDAE
Turdus leucomelas Vieillot, 1818 sabiá-barranco R X
 Neopelma palle scens  (Lafresnaye, 1853) fruxu-do-cerradão R X X
Turdus amaurochalinus   Cabanis, 1850 sabiá-poca R X
 Manacus manacus (Linnaeus, 1766) rendeira R X X
Turdus albicollis  Vieillot, 1818 sabiá-coleira R X
 Antilophia gale ata   (Lichtenstein, 1823) soldadinho R X X
MIMIDAE
Chiroxiphia pareola (Linnaeus, 1766) tangará-falso R X X
 Mimus saturni nus   (Lichtenstein, 1823) sabiá-do-campo R X
TITYRIDAE
COEREBIDAE
Schiffornisvirescens ( Lafresnaye, 1838) flautim R X X
Coereba flaveola  (Linnaeus, 1758) cambacica R X
Schiffornisturdina  (Wied, 1831) flautim-marrom R, E X
THRAUPIDAE
Iodopleura isabellae  P arzudaki, 1847 anambé-de-coroa R X
Schistochlamys ruficapillus  (Vieillot, 1817) bico-de-veludo R, E X
Pachyramphus polychopterus (Vieillot, 1818) caneleiro-preto R X X X
 Nemosia pi leata  (Boddaert, 1783) saíra-de-chapéu-preto R X X
Pachyramphus marginatus ( Lichtenstein, 1823) caneleiro-bordado R X
Thlypopsissordida  (d’Orbigny & Lafresnaye, 1837) saí-canário R X X X
 Xenopsaris albinucha (Burmeister, 1869) tijerila R X
Tachyphonus cristatus (Linnaeus, 1766) tiê-galo R X
VIREONIDAE
Tachyphonus coronatus  ( Vieillot, 1822) tiê-preto R X
Cyclarhisgujanensis ( Gmelin, 1789) pitiguari R X X X
Tachyphonus rufus (Boddaert, 1783) pipira-preta R X
Vireo olivaceus ( Linnaeus, 1766) juruviara R X
Ramphocelus carbo  ( Pallas, 1764) pipira-vermelha R X
Hylophilus amaurocephalus  ( Nordmann, 1835) vite-vite-de-olho-cinza R, E X X
Thraupis sayaca   (Linnaeus, 1766) sanhaçu-cinzento R X
CORVIDAE
Thraupis palmarum  ( Wied, 1823) sanhaçu-do-coqueiro R X X
Cyanocoraxcyanopogon ( Wied, 1821) gralha-cancã R, E X X
Tangara cayana  ( Linnaeus, 1766) saíra-amarela R X X
HIRUNDINIDAE
Dacnis cayana  ( Linnaeus, 1766) saí-azul R X X
Pygochelidoncyanoleuca (Vieillot, 1817) andorinha-pequena-de-casa R X X
Hemithraupis guira  (Linnaeus, 1766) saíra-de-papo-preto R X
Stelgidopteryxruficollis  (Vieillot, 1817) andorinha-serradora R X X X
Hemithraupis ruficapilla (Vieillot, 1818) saíra-ferrugem R, E X
Progne tapera (Vieillot, 1817) andorinha-do-campo R X
Conirostrumspeciosum  (Temminck, 1824) figuinha-de-rabo-castanho R X X X
TROGLODYTIDAE EMBERIZIDAE
Troglodytesmusculus   Naumann, 1823 corruíra R X X
 Zonotri chia capensi s (Statius Muller, 1776) tico-tico R X
Pheugopediusgenibarbis ( Swainson, 1838) garrinchão-pai-avô R X X
Volatinia jacarina  (Linnaeus, 1766) tiziu R X X

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NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
DO CORIBE KENNEDY DO CORIBE KENNEDY
maria-cavaleira-de- Cantorchilus leucotis  ( Lafresnaye, 1845) garrinchão-de-barriga-vermelha R X
 Myiarchus tyr annulus  (Statius Muller, 1776) R X X
rabo-enferrujado
Cantorchilu s longirostris (Vieillot, 1819) garrinchão-de-bico-grande R, E X X
Ramphotrigonruficauda ( Spix, 1825) bico-chato-de-rabo-vermelho R X
POLIOPTILIDAE
 Attila spadice us (Gmelin, 1789) capitão-de-saíra-amarelo R X
Polioptila plumbea  ( Gmelin, 1788) balança-rabo-de-chapéu-preto R X X X
COTINGIDAE
Polioptila dumicola (Vieillot, 1817) balança-rabo-de-máscara R X X
Lipaugusvociferans ( Wied, 1820) cricrió R X
TURDIDAE
Pyroderus scutatus ( Shaw, 1792) pavó R X
Catharusfuscescens (Stephens, 1817) sabiá-norte-americano VN X
PIPRIDAE
Turdus leucomelas Vieillot, 1818 sabiá-barranco R X
 Neopelma palle scens  (Lafresnaye, 1853) fruxu-do-cerradão R X X
Turdus amaurochalinus   Cabanis, 1850 sabiá-poca R X
 Manacus manacus (Linnaeus, 1766) rendeira R X X
Turdus albicollis  Vieillot, 1818 sabiá-coleira R X
 Antilophia gale ata   (Lichtenstein, 1823) soldadinho R X X
MIMIDAE
Chiroxiphia pareola (Linnaeus, 1766) tangará-falso R X X
 Mimus saturni nus   (Lichtenstein, 1823) sabiá-do-campo R X
TITYRIDAE
COEREBIDAE
Schiffornisvirescens ( Lafresnaye, 1838) flautim R X X
Coereba flaveola  (Linnaeus, 1758) cambacica R X
Schiffornisturdina  (Wied, 1831) flautim-marrom R, E X
THRAUPIDAE
Iodopleura isabellae  P arzudaki, 1847 anambé-de-coroa R X
Schistochlamys ruficapillus  (Vieillot, 1817) bico-de-veludo R, E X
Pachyramphus polychopterus (Vieillot, 1818) caneleiro-preto R X X X
 Nemosia pi leata  (Boddaert, 1783) saíra-de-chapéu-preto R X X
Pachyramphus marginatus ( Lichtenstein, 1823) caneleiro-bordado R X
Thlypopsissordida  (d’Orbigny & Lafresnaye, 1837) saí-canário R X X X
 Xenopsaris albinucha (Burmeister, 1869) tijerila R X
Tachyphonus cristatus (Linnaeus, 1766) tiê-galo R X
VIREONIDAE
Tachyphonus coronatus  ( Vieillot, 1822) tiê-preto R X
Cyclarhisgujanensis ( Gmelin, 1789) pitiguari R X X X
Tachyphonus rufus (Boddaert, 1783) pipira-preta R X
Vireo olivaceus ( Linnaeus, 1766) juruviara R X
Ramphocelus carbo  ( Pallas, 1764) pipira-vermelha R X
Hylophilus amaurocephalus  ( Nordmann, 1835) vite-vite-de-olho-cinza R, E X X
Thraupis sayaca   (Linnaeus, 1766) sanhaçu-cinzento R X
CORVIDAE
Thraupis palmarum  ( Wied, 1823) sanhaçu-do-coqueiro R X X
Cyanocoraxcyanopogon ( Wied, 1821) gralha-cancã R, E X X
Tangara cayana  ( Linnaeus, 1766) saíra-amarela R X X
HIRUNDINIDAE
Dacnis cayana  ( Linnaeus, 1766) saí-azul R X X
Pygochelidoncyanoleuca (Vieillot, 1817) andorinha-pequena-de-casa R X X
Hemithraupis guira  (Linnaeus, 1766) saíra-de-papo-preto R X
Stelgidopteryxruficollis  (Vieillot, 1817) andorinha-serradora R X X X
Hemithraupis ruficapilla (Vieillot, 1818) saíra-ferrugem R, E X
Progne tapera (Vieillot, 1817) andorinha-do-campo R X
Conirostrumspeciosum  (Temminck, 1824) figuinha-de-rabo-castanho R X X X
TROGLODYTIDAE EMBERIZIDAE
Troglodytesmusculus   Naumann, 1823 corruíra R X X
 Zonotri chia capensi s (Statius Muller, 1776) tico-tico R X
Pheugopediusgenibarbis ( Swainson, 1838) garrinchão-pai-avô R X X
Volatinia jacarina  (Linnaeus, 1766) tiziu R X X

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NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
DO CORIBE KENNEDY
Sporophilanigricollis  (Vieillot, 1823) baiano R X
Tiarisfuliginosus (Wied, 1830) cigarra-do-coqueiro R X
 Arremon ta citurnus  (Hermann, 1783) tico-tico-de-bico-preto R X X X
 Arremon f ranciscanus  Raposo, 1997 tico-tico-do-são-francisco R, E X
Charitospizaeucosma O berholser, 1905 mineirinho R X
Coryphospinguspileatus  (Wied, 1821) tico-tico-rei-cinza R X X
Paroaria dominicana  (Linnaeus, 1758) cardeal-do-nordeste R, E X
CARDINALIDAE
Saltatormaximus (Statius Muller, 1776) tempera-viola R X
Saltator similis  d ’Orbigny & Lafresnaye, 1837 trinca-ferro-verdadeiro R X X
Cyanoloxia brissonii (Lichtenstein, 1823) azulão R X
PARULIDAE
Parula pitiayumi  (Vieillot, 1817) mariquita R X X
Geothlypis aequinoctialis  (Gmelin, 1789) pia-cobra R X X
Basileuterusculicivorus (Deppe, 1830) pula-pula R X X
Basileuterusflaveolus   (Baird, 1865) canário-do-mato R X X X
Granatellus pelzelni   Sclater, 1865 polícia-do-mato R X
ICTERIDAE
Icterus jamacaii  ( Gmelin, 1788) corrupião R, E X
Gnorimopsar chopi  (Vieillot, 1819) graúna R X
FRINGILLIDAE
 Euphonia chlo rotica (Linnaeus, 1766) fim-fim R X X X
 Euphonia vio lacea  (Linnaeus, 1758) gaturamo-verdadeiro R X
 Euphonia laniir ostris d’Orbigny & Lafresnaye, 1837 gaturamo-de-bico-grosso R X

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NOME DO TÁXON NOME EM PORTUGUÊS STATUS IRAMAIA
DO CORIBE KENNEDY
Sporophilanigricollis  (Vieillot, 1823) baiano R X
Tiarisfuliginosus (Wied, 1830) cigarra-do-coqueiro R X
 Arremon ta citurnus  (Hermann, 1783) tico-tico-de-bico-preto R X X X
 Arremon f ranciscanus  Raposo, 1997 tico-tico-do-são-francisco R, E X
Charitospizaeucosma O berholser, 1905 mineirinho R X
Coryphospinguspileatus  (Wied, 1821) tico-tico-rei-cinza R X X
Paroaria dominicana  (Linnaeus, 1758) cardeal-do-nordeste R, E X
CARDINALIDAE
Saltatormaximus (Statius Muller, 1776) tempera-viola R X
Saltator similis  d ’Orbigny & Lafresnaye, 1837 trinca-ferro-verdadeiro R X X
Cyanoloxia brissonii (Lichtenstein, 1823) azulão R X
PARULIDAE
Parula pitiayumi  (Vieillot, 1817) mariquita R X X
Geothlypis aequinoctialis  (Gmelin, 1789) pia-cobra R X X
Basileuterusculicivorus (Deppe, 1830) pula-pula R X X
Basileuterusflaveolus   (Baird, 1865) canário-do-mato R X X X
Granatellus pelzelni   Sclater, 1865 polícia-do-mato R X
ICTERIDAE
Icterus jamacaii  ( Gmelin, 1788) corrupião R, E X
Gnorimopsar chopi  (Vieillot, 1819) graúna R X
FRINGILLIDAE
 Euphonia chlo rotica (Linnaeus, 1766) fim-fim R X X X
 Euphonia vio lacea  (Linnaeus, 1758) gaturamo-verdadeiro R X
 Euphonia laniir ostris d’Orbigny & Lafresnaye, 1837 gaturamo-de-bico-grosso R X

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BIBLIOGRAFIA
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