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Curso de Formação Continuada Mecânica

Elementos de Máquinas

Mecânica Geral
Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

Elementos de Máquinas – Mecânica Geral


© SENAI – SP, 2007

Trabalho editorado pela Escola SENAI “Hessel Horácio Cherkassky” do Departamento


Regional de São Paulo.

Coordenação Geral Antonio Carlos Lago Machado

Coordenação Eliacy Edington Santos


Eduardo dos Reis Cavalcante
Pedro Roberto Gante

Elaboração de Conteúdos Gilson Paz Tavares

Organização de Conteúdos Paulo Roberto Dias Lima

Escola SENAI “Hessel Horácio Cherkassky”


Praça da Bíblia nº. 1 – Centro – Cubatão – SP
CEP 11.510-300
Tel.: (13) 3361-6633
Email: senaicubatao@sp.senai

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

Sumário

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1.0 Eixo, Árvore e Mancal 07
1.1 Eixos e árvores 07
1.2 Forças que atuam nos eixos e árvores 08
1.3 Eixos 08
1.4 Árvores 09
1.5 Mancais 11
1.5.1 Tipos de mancais 11
1.5.2 Mancal fechado com casquilho colocado à pressão 11
1.5.3 Mancal aberto DIN 505 12
1.5.4 Mancal ajustável com porca de regulagem 12
1.5.5 Material do mancal 12
1.6 Lubrificação 14
1.7 Condução do lubrificante 16
1.7.1 Mancal de cunhas múltiplas 16
1.7.2 Mancal convencional 17
1.7.3 Mancal de cubo girante 17
1.7.4 Mancal com anel de arraste de óleo (anel de pescador) 17
1.7.5 Lubrificador por mecha (corpo de pavio) 18
1.7.6 Lubrificador por gotas 18

2.0 Rolamentos 23
2.1 Introdução 23
2.2 Tipos de Rolamento 24
2.3 Fundamentos da fricção 24
2.4 Surgimento do rolamento 25
2.5 Escolha dos rolamentos 27
2.5.1 Rolamento de encosto 27
2.5.2 Rolamento de rolo cilíndrico 27
2.5.3 Rolamento de rolos cilíndricos 27
2.5.4 Rolamento de rolos cônicos 28
2.5.5 Rolamento autocompensador de rolos 28
2.5.6 Rolamentos de esferas com uma ou duas pistas angulares 28
2.5.7 Rolamento autocompensador de esferas 29
2.6 Fixação dos rolamentos 29
2.7 Montagem e desmontagem dos rolamentos 32

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3.0 Chavetas 39
3.1 Introdução 39
3.2 Classificação 40
3.2.1 Chavetas de Cunha 40
3.2.2 Chavetas longitudinais 40
3.2.3 Chavetas paralelas ou Lingüetas 41
3.2.4 Chavetas de disco ou meia-lua (Tipo woodruff) 42
3.2.5 Chaveta Plana 42
3.2.6 Chavetas Encaixadas 43
3.2.7 Chaveta Meia-cana 43
3.2.8 Chavetas Embutidas 43
3.2.9 Chavetas Tangenciais 44
3.2.10 Chavetas transversais 44
3.3 Tolerâncias para Chavetas 45

4.0 Acoplamentos 51
4.1 Fundamentos teóricos dos acoplamentos 51
4.2 Funcionamento dos acoplamentos 52
4.3 Tipos de acoplamentos 53
4.3.1 Acoplamentos rígidos 54
4.3.2 Acoplamentos móveis 54
4.3.3 Acoplamento elástico 55
4.3.4 Acoplamento elástico com capa de borracha 56
4.3.5 Acoplamento elástico de banda de arame de aço (formato de uma serpentina) 57
4.3.6 Acoplamento desacopláveis (por embreagem) 58
4.3.7 Acoplamentos especiais 59

5.0 Referências 63

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1.0 Eixo, Árvore e Mancal

1.1 Eixos e árvores

Os eixos e as árvores suportam peças de máquinas (rodas dentadas, rodas matrizes,


polias, etc.), que giram, executam movimentos alternativos ou ficam fixas.

Os eixos e as árvores não se diferenciam entre si pelas formas, mas unicamente pelas
forças que suportam.

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1.2 Forças que atuam nos eixos e árvores

Os eixos são solicitados somente à flexão pelas forças que atuam sobre eles.

1.3 Eixos
As árvores transmitem sempre um movimento de giro e, por causa disso, a solicitação
principal é de torção.

Existe, entretanto, nas árvores, uma solicitação secundária que é a flexão acarretada pelo
próprio peso das peças, que deve ser desprezado para efeito de classificação.

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1.4 Árvores

Os eixos e as árvores são normalmente apoiados pelos extremos por espigas. As espigas
se diferenciam pela forma e uso. As espigas retas, de calor, cônicas, de manivelas e
esféricas suportam forças radiais. As espigas de cabeça ou de anéis suportam forças
axiais.

As espigas têm normalmente o canto arredondado para evitar o efeito de fadiga e a


conseqüência quebra na junção, sendo comum à retificação para reduzir o atrito à
têmpera superficial par resistir ao desgaste.

Os eixos montados horizontalmente se denominam portadores e os montados


verticalmente, eixo de apoio. Os eixos de secção transversal, secção quadrada ou os
eixos dobrados são fixos e os elementos rodantes giram sobre as espigas.
Para resistir aos esforços são normalmente fabricados em aço de 500 a 600N/mm2 de
resistência ou aço de cementação.

De acordo com o emprego, as árvores podem ser maciças ou ocas e sua superfície é
torneada, estirada, retificada ou polida.

As árvores empregadas para acionar mecanismo são maciças, têm até sete metros de
comprimento e transmitem momentos de giro a grandes distâncias, por exemplo, árvore
de translação de guias ou em máquinas têxteis.

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As árvores para acionar mecanismos que são montados verticalmente são chamadas
árvores principais.

As árvores ocas têm baixo peso e grande resistência aos esforços, são aplicadas em
máquinas-ferramentas, tais como, em tornos e fresadoras.

Quando a árvore recebe o esforço de torção de outro elemento, sua união é acanalada ou
estriada.

A árvore acanalada DIN 5461 a 5465 é de uso freqüente. Tem de 4 a 20 ranhuras com
distribuição de forças em todo o perímetro de encaixe.

Árvore acanalada com seis ranhuras

A árvore estriada tem a vantagem que o número de dentes resulta numa boa distribuição
do momento torsor e oferece uma boa possibilidade de ajuste fino da peça encaixada.

Estriado triangular

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1.5 Mancais

Os mancais são conjuntos destinados a suportar as solicitações de peso e rotação de


eixos e árvores. Estão submetidos ao atrito de deslizamento, que é o principal fator a
considerar para sua utilização.

Os mancais, em sua maioria, são constituídos por uma carcaça e um casquilho ou bucha.

1.5.1 Tipos de mancais

Em função da direção das forças que o mancal deve suportar, ele pode ser denominado
radial ou axial.

Quanto à forma, os mancais podem ser:

1.5.2 Mancal fechado com casquilho colocado à pressão:


A figura seguinte mostra um mancal fechado, lubrificado com graxa para uso geral e um
mancal que pertence à própria carcaça da máquina com lubrificação a óleo DIN 504 A e
B.

Mancal fechado

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1.5.3 Mancal aberto DIN 505:


Também chamado de bipartido, permite a montagem do eixo com o mancal aberto e
facilita a troca de casquilho.

Mancal aberto

1.5.4 Mancal ajustável com porca de regulagem:


É bastante usado em máquinas-ferramentas. O furo de alojamento é cônico e o casquilho
também. Quando ocorre o desgaste, é possível regulá-lo apertando-o contra a parede
cônica do furo, reduzindo assim seu diâmetro interno.

1.5.5 Material do mancal

O material do casquilho deve ser resistente ao desgaste, à corrosão, à pressão


superficial, dilatar-se pouco com o calor e conduzi-lo bem.

Além disso, deve adaptar-se bem à forma da espiga (capacidade de adaptação) e não
deve emperrar no caso de falta de lubrificação (capacidade de marcha de emergência).

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O corpo do mancal normalmente é feito de ferro fundido GG-20 ou GG-25. O casquilho é


feito de um material antifricção (metal branco) Lg Pb, Lg Pb Sb13, Lg Pb Sn5, Lg Pb
Sn10, Lg Sn80, Lg Sn80F e LgPbSn6Cd.

Pode ser uma liga cobre e estanho, G-Cu Sn 12Pb por fundição em areia, centrifugada ou
fundição contínua. Pode ser também uma liga cobre-zinco (G-CuZn25A15) ou cobre-
alumínio (G-CuAl11Ni).

Outros materiais podem ser usados para casquilhos como: ferro sinterizado ou metais
férreos sinterizados, materiais sintéticos, plásticos moldados ou fenólicos.

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1.6 Lubrificação
As superfícies das espigas deslizam sobre os casquilhos criando uma forma de atrito que
deve ser atenuado através da lubrificação e do acabamento aprimorado das superfícies
em contato.

Quando não existe lubrificação entre a espiga e o casquilho ocorre à fricção seca. A
fricção entre os metais aumenta a ocorrência de calor na zona de atrito e com isso há um
grande desgaste nos metais.

Fricção seca

Quando a espiga e o casquilho estão apenas úmidos de lubrificante ocorre à fricção


mista. Tal situação compromete o funcionamento do conjunto em médio prazo causando
danos irreparáveis. Por outro lado é uma situação inevitável no momento de partida do
movimento rotativo por falta de cunha de lubrificação.

Fricção mista

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Quando as superfícies não se tocam, existindo entre elas uma cunha de lubrificação, a
fricção ocorre nas partículas do lubrificante através de uma capa que adere no casquilho
sobre outra capa que adere na espiga; a fricção é chamada líquida.

Fricção líquida

Em repouso, o eixo permanece apoiado no casquilho, no centro simétrico do conjunto; na


arrancada, o eixo se desloca para o lado, ao contrário do sentido de giro, provocando uma
fricção mista e, em seguida, com a estabilização do movimento giratório, forma-se uma
cunha de lubrificação que desloca o eixo no sentido do giro e o mantém deslocado do
centro do conjunto gerando uma fricção líquida.

Para que a cunha de lubrificação se forme e se mantenha vencendo as forças de


trabalho, deve-se considerar a qualidade e viscosidade do lubrificante.

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A viscosidade é a medida das forças de coesão reinantes entre as moléculas do


fabricante.

Algumas regras práticas quanto à lubrificação podem ser seguidas e são citadas abaixo:

• Quando o lubrificante não é injetado à pressão, ele tem de ser viscoso para não ser
expulso pelos lados do casquilho.

• A viscosidade do lubrificante tem que estar em correspondência com as forças de apoio.

• Considerar na escolha do lubrificante a velocidade periférica e a temperatura no local de


contato.

• Lubrificante viscoso para forças grandes, velocidades pequenas e temperaturas altas.

• Lubrificante fluido para pequenas forças, velocidade altas e temperaturas baixas.

1.7 Condução do lubrificante

O lubrificante chega ao ponto crítico de lubrificação através do eixo ou da bucha. Para


isso são feitos furos e ranhuras que obedecem a uma técnica de distribuição planejada.

O regime de trabalho da máquina determina o tipo de lubrificante, os canais e formas de


distribuição e o período de tempo da chegada do lubrificante. A seguir são apresentados
exemplos de ranhuras e engraxadores mais usados na condução do lubrificante:

1.7.1 Mancal de cunhas múltiplas:


Que trabalha mantendo o eixo centrado. São feitas várias ranhuras na bucha de forma
que ao final de cada cunha inicie outra e assim sucessivamente.

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1.7.2 Mancal convencional: onde o eixo gira e o lubrificante chega à ranhura através de
um furo na bucha.

1.7.3 Mancal de cubo girante:

Onde o eixo fica em repouso e o cubo gira, o lubrificante é injetado através de um furo
longitudinal que se liga a um furo transversal chegando à ranhura de distribuição.

1.7.4 Mancal com anel de arraste de óleo (anel de pescador):

Durante o movimento giratório do eixo, o anel gira trazendo lubrificante para a superfície
do eixo.

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1.7.5 Lubrificador por mecha (corpo de pavio)

O corpo do lubrificador fica roscado no mancal e o óleo caminha através da mecha


mantendo uma lubrificação dosada e constante.

1.7.6 Lubrificador por gotas

O corpo do lubrificador fica roscado no mancal e o óleo gotejando pode ser visto pelo
visor. O número de gotas por minuto pode ser regulado pelo operador através da tampa
roscada que sobe ou desce a agulha de regulagem.

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Questionário - resumo

1. Quais os elementos de máquinas que os eixos e árvores suportam?


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2. Quais as forças que os eixos e árvores suportam?


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3. Quais as denominações que recebem os eixos?


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4. De qual material normalmente são construídos os eixos?


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5. Comente as árvores como elementos de máquinas.


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6. Quais os tipos de espigas e qual a força que elas suportam?


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7. Por que as espigas têm o canto arredondado?


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8. Quando a união da árvore é acanalada ou estriada?


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9. Qual é a árvore de uso mais freqüente?


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10. Quantas ranhuras são feitas no perímetro da árvore?


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11. Qual a vantagem tem a árvore estriada em relação à acanalada?


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12. Qual a função do mancal?


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13. Como é atenuada a ação do atrito no casquilho?


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14. Qual fricção ocorre quando não existe lubrificação no casquilho?


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15. O que ocorre quando não existe lubrificação no casquilho?


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16. Qual fricção ocorre com o casquilho úmido de lubrificante?


E quais os danos causados?
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17. Quando ocorre a fricção líquida?


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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

18. O que ocorre em relação ao casquilho e à lubrificação quando o eixo está em repouso,
na arrancada e na estabilização?
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____________________________________________________________________

19. O que é importante considerar para formação e continuidade da cunha?


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20. O que é viscosidade?


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21. O que deve ser considerado na escolha do lubrificante?


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22. Quais os tipos de mancais à direção das forças?


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23. Quais os tipos de mancais quanto à construção?


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24. Quais as cinco propriedades que dever ter o material do casquilho?


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25. De que material é feito o corpo do mancal?


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26. Quais materiais são usados nos casquilhos?


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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

27. Como chega o lubrificante ao ponto crítico de lubrificação?


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28. Quem determina o lubrificante, os canais, a forma de distribuição e o período de


tempo da lubrificação?
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29. Como o mancal pode ter o eixo centrado?


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30. Comente o lubrificador por anel, por mecha e por gotas?


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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

2.0 Rolamentos

2.1 Introdução

Os eixos das máquinas, geralmente, funcionam assentados em apoios. Quando um eixo


gira dentro de um furo produz-se, entre a superfície do eixo e a superfície do furo, um
fenômeno chamado a atrito de escorregamento.

Quando é necessário reduzir ainda mais o atrito de escorregamento, utilizamos um outro


elemento de máquina, chamado rolamento.

Os rolamentos limitam, ao máximo, as perdas de energia em conseqüência do atrito. São


geralmente constituídos de dois anéis concêntricos, entre os quais são colocados
elementos rolantes como esferas, roletes e agulhas.

Os rolamentos de esfera compõem-se de:

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

2.2 Tipos de Rolamento

Os rolamentos podem ser de diversos tipos:

• fixo de uma carreira de esferas, de contato angular de uma carreira de esferas;


• autocompensador de esferas, de rolo cilíndrico;
• autocompensador de uma carreira de rolos;
• autocompensador de duas carreiras de rolos, de rolos cônicos, axial de esfera, axial
autocompensador de rolos;
• de agulha e com proteção.

2.3 Fundamentos da fricção


Se entre um corpo a se mover e a superfície de rolamento forem colocados corpos
rolantes, a fricção será pequena e, consequentemente, também será pequena força Fr
necessária para superar essa fricção.

Redução da força Fr

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

Em teoria, o corpo rolante em forma de esfera toca a superfície de rolamento num só


ponto. Na realidade, os corpos rolantes se achatam e pressionam a superfície de
rolamento devido à força que atua sobre eles, de maneira que se produz um contato entre
superfícies. Esse contato entre superfícies aumenta a fricção.

Achatamento do ponto de contato

2.4 Surgimento do rolamento

Entre a teoria científica e a prática do cotidiano existia uma longa distância que a
tecnologia se incumbiu de reduzir, criando os rolamentos de esferas.

Rolamento de esfera

Inicialmente, tipos simples de rolamentos foram criados dentro de uma faixa de tamanho e
predominantemente de esferas.

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

Hoje, devido à evolução dos veículos e máquinas, temos modelos que funcionam com
esferas, rolos e agulhas; de dimensões que variam entre rolamentos minúsculos aos de
grande tamanho.

O rolamento é atualmente um importante elemento de máquina na diminuição da fricção


entre superfícies em atrito. Sua montagem ocorre normalmente entre o eixo e o cubo, e
apresenta vantagens e desvantagens. As vantagens técnicas/tecnológicas que o
rolamento possui em relação ao mancal convencional são descritas a seguir:

• Pouco aquecimento
• Não precisa de tempo de adaptação e resiste a altas rotações
• Pequeno aumento da folga após grande tempo de uso
• Baixa exigência de lubrificação
• Pouca manutenção
• Intercambialidade internacional

Desvantagens técnicas/tecnológicas do rolamento:


• Sensibilidade a batidas e choques
• Tolerância pequena para carcaça e espiga de alojamento
• Maiores custos de fabricação

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

2.5 Escolha dos rolamentos


A escolha dos rolamentos se rege pela grandeza e direção das forças a suportar. Muitos
rolamentos recebem ao mesmo tempo forças radiais e axiais. Vamos ver a seguir alguns
tipos de rolamentos e as forças por eles absorvidas:

2.5.1 Rolamento de encosto


Absorve grande força axial.

2.5.2 Rolamento de rolo cilíndrico


Com duas bordas em um anel, absorve grande força radial e nenhuma força axial.

2.5.3 Rolamento de rolos cilíndricos


Com três bordas, absorve grande força radial e pequena força axial em uma direção.

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

2.5.4 Rolamento de rolos cônicos


Absorve grande força radial, grande força axial e tem um efeito autocentrante.

2.5.5 Rolamento autocompensador de rolos


Absorvem grandes forças axiais e radiais com possibilidade de oscilar acompanhados os
movimentos de deslocação do eixo.

2.5.6 Rolamentos de esferas com uma ou duas pistas angulares concordantes:


Absorvem forças radiais e alguma força axial. Permite a montagem do anel exterior e
interior separadamente.

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

2.5.7 Rolamento autocompensador de esferas


Absorvem forças axiais e radiais com possibilidade de oscilar acompanhamento os
movimentos de deslocação do eixo.

2.6 Fixação dos rolamentos

A fixação do rolamento no cubo e no eixo obedece a uma técnica de absorção das cargas
existentes no conjunto (cubo e eixo). Um fator importante é a dilatação térmica dos
elementos do conjunto que pode ser compensada em alguns casos, pelo próprio
rolamento. É importante observar que a precisão do funcionamento do conjunto é
preservada por uma fixação eficiente dos rolamentos. A seguir são apresentados alguns
exemplos importantes de fixação:

• Quando a árvore se dilata por aquecimento no sentido axial só um rolamento deve estar
montado com encaixe interferente, os outros rolamentos montados nessa árvore devem
estar montados com encaixe de deslizamento para ser admitido o movimento axial.
• Exceção a esse caso é feita pelos rolamentos de rolo sem bordas e de agulhas que
podem absorver no seu interior a deslocação axial.
• Quando o rolamento precisa absorver forças axial maiores, a fixação se realiza por meio
de tampa aparafusada, mediante porca e contra porca, ou por meio de distanciador
encostado à outra parte fixa do conjunto.

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

Quando se necessita uma fixação firme do rolamento no eixo podem-se usar buchas
cônicas, ou bucha cônica de extração.

Bucha cônica Bucha cônica de extração

O ajuste na fixação do rolamento na carcaça e no eixo depende fundamentalmente de


quatro casos de cargas distintas: A árvore e o aro interior giram. A árvore está carregada
estaticamente e o aro exterior está em repouso com a carcaça. No aro interior com a
árvore o ajuste é fixo. Para o aro exterior e a carcaça o ajuste é deslizante.

Carga estática

Aro interior e árvore em repouso e aro externo e cubo giram em desequilíbrio.

Carga giratória

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

Árvore carregada em repouso e aro exterior girando.

Carga estática

Aro exterior e carcaça em repouso, aro interior e árvore giram em desequilíbrio.

Carga giratória

Observação
O ajuste fixo pode ser também denominado interferente, e o ajuste deslizante, ajuste com
folga. O ajuste interferente e o ajuste com folga são obtidos através dos campos de
tolerância do rolamento, do eixo e da carcaça. Todos os rolamentos têm no diâmetro
externo e no interno uma tolerância do diâmetro nominal para menos.

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

O eixo recebe a tolerância de ajuste g, h, j, k, m, n, e a qualidade 5, 6 ou 7. Os campos de


tolerância g e h permitem um ajuste deslizante e os campos j, k, m e n permitem um
ajuste fixo.

A carcaça recebe a tolerância de ajuste G, H, J, K, M, N, e a qualidade 6, 7 ou 8. Os


campos de tolerância G, H e J permitem um ajuste deslizante e os campos K, M e N
permitem um ajuste fixo.

2.7 Montagem e desmontagem dos rolamentos


A montagem dos rolamentos tem uma técnica desenvolvida para prejudicar os anéis, os
elementos rodantes e as pistas de rolamento. Alguns pontos são fundamentais para isso:

• Conservar a lubrificação original do rolamento.


• Manter a máxima limpeza.
• Não permitir que as forças de encaixe se transmitam de um aro ao outro através dos
corpos rolantes.

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

No ajuste com interferência, aquecer o rolamento em banho de óleo até a temperatura de


373k (1000C).

Quando o encaixe é cônico (1:12) controlar a folga corretamente porque o anel se dilata e
reduz a folga natural e, em rolamento desmontável, verificar com micrômetro o diâmetro
do anel interno

Encaixe cônico

Rolamento desmontável

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

O lubrificante deve estar isentos de ácidos, serem resistente ao envelhecimento, ser


puros e não devem resinar. A escolha do óleo ou graxa se faz pelo tamanho, número de
rotações, carga, temperatura de funcionamento e hermeticidade do rolamento.

Como regra geral, colocar uma quantidade de graxa igual à metade dos espaços ocos do
rolamento; quando a lubrificação é feita com óleo, preencher até a metade do anel interior
do rolamento.

Na desmontagem não permitir que a força exercida se transmita pelos corpos rolantes.
Usar extratores projetados para essa finalidade.

Fazer a desmontagem de rolamentos pequenos com uma pequena bomba de óleo


manual que pressiona o óleo e reduz o atrito e a aderência superficial.

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

Questionário-resumo

1. Explique a força Fr.


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2. Fale sobre os corpos rolantes e suas aplicações.


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3. Quais tipos de rolamentos são produzidos atualmente?


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4. Quais as vantagens dos mancais de rolamento sobre os mancais de deslizamento?


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5. Quais as desvantagens entre os rolamentos e os mancais?


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6. Como se rege a escolha dos rolamentos?


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7. Quais forças atuam no rolamento?


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8. Comente o rolamento de encosto.


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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

9. Comente o rolamento de rolos cilíndricos.


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

10. Comente o rolamento de rolos cônicos.


____________________________________________________________________
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11. Comente o rolamento autocompensador de rolos.


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12. Comente o rolamento de esferas.


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13. Comente o rolamento autocompensador de esferas.


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14. Qual técnica obedece à fixação do rolamento no cubo e no eixo.


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15. Qual o fator importante a considerar na fixação dos rolamentos?


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16. Quando o rolamento deve estar solto ou fixo?


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17. Quando se usa tampa parafusada, porca e contra porca ou distanciador de encosto na
fixação do rolamento?
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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

18. Quando se usa bucha cônica ou bucha de extração na fixação do rolamento?


____________________________________________________________________
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19. Qual a finalidade de conhecer os quatros casos de cargas distintas?


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20. Explique os dois casos de cargas estáticas.


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21. Explique os dois casos de cargas giratórias.


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22. Como é obtido o ajuste fixo ou deslizante?


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23. O que pretende a técnica de montagem dos rolamentos?


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24. Quais os pontos fundamentais da técnica de montagem dos rolamentos?


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25. O que não deve ser permitido na desmontagem dos rolamentos?


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____________________________________________________________________

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

3.0 Chavetas
3.1 Introdução

Segue-se a descrição de mais um elemento de fixação, as chavetas, que é um elemento


mecânico fabricado em aço. Sua forma, em geral, é retangular ou semicircular. A chaveta
se interpõe numa cavidade de um eixo e de uma peça. A chaveta tem por finalidade ligar
dois elementos mecânicos. Por meio de união por chaveta se transmitem com
fechamento de forma ou de força os momentos torsores. Um tipo comum de chaveta é a
chaveta paralela que possui as faces laterais paralelas. Essas faces transmitem o
movimento torsor por apoio lateral na ranhura.

A chaveta paralela obedece no encaixe lateral a assento fixo, livre ou deslizante, e tem
uma folga de cabeça de no máximo 0,2mm.

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3.2 Classificação:

As chavetas se classificam em:

• Chavetas de Cunha;
• Chavetas Paralelas;
• Chavetas de Disco.

3.2.1 Chavetas de Cunha

Tem este nome porque são parecidas com uma cunha. Uma de suas faces é inclinada,
para facilitar a união de peças. São classificadas em:

• Chavetas longitudinais;
• Chavetas transversais.

3.2.2 Chavetas longitudinais


São colocadas na extensão do eixo para unir roldanas, rodas volantes, etc..Podem ser
com ou sem cabeça e são de montagem e desmontagem fácil.

Sua inclinação é de 1:100 e suas medidas principais são definidas quanto a:

• altura (h);
• comprimento (L);
• largura (b).

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3.2.3 Chavetas paralelas ou Lingüetas

Estas Chavetas têm as faces paralelas, portanto, não tem inclinação. A transmissão do
movimento é feita pelo ajuste da suas faces laterais as laterais do rasgo da chaveta.

Fica uma pequena folga entre o ponto mais alto da chaveta e o fundo do rasgo do
elemento conduzido

As chavetas paralelas não possuem cabeça. Quando à forma de seus extremos, eles
podem ser retos ou arredondados. Pode ainda ter parafusos para fixarem a chaveta aos
eixos.

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3.2.4 Chavetas de disco ou meia-lua (Tipo woodruff)


É uma variante da chaveta paralela. Recebe esse nome porque sua forma corresponde a
um segmento circular.

É comumente empregada em eixos cônicos por facilidade a montagem e se adaptar à


conicidade do fundo do rasgo do elemento externo.

3.2.5 Chaveta Plana

Sua forma é similar à da chaveta encaixada, porem, para sua montagem não se abre
rasgo no eixo. É feito um rebaixo plano

As chavetas longitudinais podem ser de diversos tipos: encaixada, meia-cana, plana,


embutida e longitudinal. Veremos as características de cada uma destes tipos:

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3.2.6 Chavetas Encaixadas


São muito usadas. Sua forma corresponde à do tipo mais simples de chaveta de cunha.
Para possibilitar seu emprego, o rasgo do eixo é sempre mais comprido que a chaveta.

3.2.7 Chaveta Meia-cana


Sua base é côncava (com o mesmo raio do eixo). Sua inclinação é de 1:100, com ou sem
cabeça. Não é necessário rasgo na árvore, pois a chaveta transmite o movimento por
efeito do atrito. Desta forma, quando o esforço no elemento conduzido for muito grande, a
chaveta desliza sobre a árvore.

3.2.8 Chavetas Embutidas

Essas chavetas têm os extremos arredondados, conforme se observa na vista superior ao


lado. O rasgo para seu alojamento no eixo possui o mesmo comprimento da chaveta. As
chavetas embutidas nunca tem cabeça.

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

3.2.9 Chavetas Tangenciais

São formadas por um par de cunhas, colocado em cada rasgo. São sempre utilizadas
duas chavetas, e os rasgos são posicionados a 120º. Transmitem fortes cargas e são
utilizadas, sobretudo, quando o eixo está submetido a mudança de carga ou golpes.

3.2.10 Chavetas transversais

São aplicadas em união de peças que transmitem movimentos rotativos e retilíneos


alternativos.

Quando as chavetas transversais são empregadas em uniões permanentes, sua


inclinação varia entre 1:25 e 1:50.

Se a união se submete a montagem e desmontagens freqüentes, a inclinação pode ser de


1:6 a 1:15.

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3.3 Tolerâncias para Chavetas

O ajuste da chaveta deve ser feito em função das características do trabalho. A figura
abaixo mostra os três tipos mais comuns de ajustar e tolerâncias para chavetas e rasgos.

O assento deslizante é usado na maioria dos casos.

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A chaveta com inclinação 1:100 é introduzida e presa pela inclinação através da força F
que pressiona o eixo e o cubo entre si. Quando aplicada à força F surgem às forças Fn
que elevam bastante o atrito, e este, por sua vez, transmite o momento torsor Mtor do
eixo para o cubo numa perfeita união por fechamento de forças.

Forças que atuam nas chavetas inclinadas

Outros tipos de chavetas são usados dependo da necessidade do projeto do equipamento


mas, os princípios são sempre os mesmos, ou seja, fechamento de força ou fechamento
de forma. Veja a seguir alguns exemplos:

• Chaveta embutida capaz de transmitir grandes momentos torsores;


• Chaveta plana capaz de transmitir momentos torsores reduzidos;
• Chaveta côncava capaz de transmitir pequenos momentos torsores;
• Chaveta cilíndrica para peças pequenas;

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Chaveta tangencial utilizada quando se necessita transmitir grandes momentos torsores


com sentido de giro alternado;

Chaveta inclinada com ressalto de extração;

Chaveta transversal para união rígida em extremo de barras;

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Chaveta meia-lua com assento cônico para grandes dimensões.

Exercícios
Marque com um X a resposta certa.

1. A função da chave é:

a) ( ) ligar dois elementos mecânicos;


b) ( ) fixar com parafuso;
c) ( ) a mesma da arruela;
d) ( ) deslizar no eixo.

2. A chaveta que não precisa de rasgo no eixo é:

a) ( ) paralela;
b) ( ) tangencial;
c) ( ) longitudinal;
d) ( ) meia-cana.

3. Em elemento de máquina que faz movimento rotativo e retilíneo alternativo, deve-se


usar a chaveta função da chave é:

a) ( ) plana;
b) ( ) Tangencial;
c) ( ) transversal;
d) ( ) woodruft.

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4. As chavetas colocadas na extensão do eixo são:

a) ( ) longitudinal;
b) ( ) transversais simples;
c) ( ) verticais;
d) ( ) transversais duplas.

5. A chaveta sem inclinação em que o ajuste é feito nas faces laterais denomina-se
função da chave é:

a) ( ) cunha;
b) ( ) meia-cana;
c) ( ) paralela;
d) ( ) plana.

6. Para escolher o ajuste da chaveta, deve-se levar em conta, principalmente:

a) ( ) o formata da chaveta;
b) ( ) as características do trabalho;
c) ( ) o material da chaveta;
d) ( ) o material do eixo.

7. Qual a representação correta que mostra o eixo com chavetas meia-lua:

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4.0 Acoplamentos

4.1 Fundamentos teóricos dos acoplamentos

Os acoplamentos são empregados para transmitir movimento de rotação de uma árvore


motriz para uma árvore movida.

São constituídos fundamentalmente de suas partes, geralmente dois discos, e peças que
realizam a união entre ambas.

Essa união efetua-se por arraste de forma (pinos, ressaltos, garras, etc.) ou por arraste de
força mediante superfícies de fricção com uma força perpendicular que é normal a elas.

A figura abaixo mostra um acoplamento por arraste de forma, onde o momento de giro é
transferido de árvore a árvore por força perpendicular ao eixo de simetria.

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A figura abaixo mostra um acoplamento por arraste de força, onde o momento de giro é
transferido da árvore à roda dentada por força perpendicular ao eixo de simetria.

4.2 Funcionamento dos acoplamentos

Os acoplamentos devem transmitir momentos de giro baixos e sob condições


determinadas de assentamento e rigidez.
O momento de giro é o produto da força F pela distância da alavanca l , sendo calculado
pela fórmula Md = F. l onde:

Md = momento de giro
F = força do momento de giro
ℓ = braço da alavanca

A força F atua como força tangencial nos elementos de união, como esforço de
cisalhamento nos pinos, como força de aperto em garras e como força de fricção nas
superfícies de fricção. Se os elementos da união resistem a uma grande força tangencial
F, pode-se usar um pequeno braço de alavanca ℓ.

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Se o momento de giro é transferido por fricção, a força tangencial F tem de permanecer


pequena para que o disco não patine e, para compensar o resulta final, aumenta-se o
braço de alavanca, aumentando-se o disco.

O funcionamento do acoplamento depende de forma de união entre as duas partes. A


união pode ser firme e rígida, quando feita com parafusos e porcas (união por arraste de
força) ou as duas partes podem engrenar-se entre si (união por arraste de forma) nesse
caso, a união será firme, mas, não rígida.

A união pode ser elástica quando se usam elementos de borracha, plástico, arame, cintas
de aço e sintéticos entre os elementos de arraste.

4.3 Tipos de acoplamentos


A união de um equipamento motriz (motor) a uma equipamento operador (bomba d’água)
é que determina o tipo de acoplamento desejado.

Os tipos de acoplamentos se denominam rígidos, móveis, elásticos, desacopláveis


(embreagem) e especiais. Veja a figura ao lado.

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4.3.1 Acoplamentos rígidos

Os acoplamentos rígidos unem árvores de tal forma que elas atuam como se fosse uma
única peça.

São recomendados para alta rotação, necessitam de um alinhamento perfeito e


transmitem grandes momentos de giro.

Acoplamento rígido por luvas

Acoplamento rígido por disco

4.3.2 Acoplamentos móveis

Os acoplamentos móveis transmitem o momento de giro por fechamento de forma,


facilitando a acomodação de pequenas variações de deslocamento e dilatação das
árvores.

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

Da mesma maneira que os acoplamentos rígidos, os acoplamentos móveis transmitem


integralmente todas as irregularidades de marcha, tais como choques e movimentos
bruscos. Veja as figuras a seguir:

Acoplamento móvel de dentes

4.3.3 Acoplamento elástico


Os acoplamentos elásticos transmitem o momento de giro por fechamento de forma
mediante elementos de união flexíveis. Suas principais características é compensar
oscilação bruscas, deslocações das árvores, dilatação térmica, alojamento impreciso e
deformações nos apoios dos rolamentos (desalinhamento).

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A parte elástica do acoplamento compensa possíveis desvios e/ou deslocações. Quando


na árvore impulsora ocorre bruscamente um grande momento de giro, aumenta
subitamente também a força tangencial que atua sobre a união elástica.

Essa força deforma as peças elásticas da união que absorvem, por um processo de
amortização, a energia que fluir. O processo consegue transmitir com maior uniformidade
o movimento de rotação.

Efeito da união elástica

Os acoplamentos elásticos podem ser de dois tipos:

4.3.4 Acoplamento elástico com capa de borracha


Amortece a força tangencial e admite desvios e deslocações das árvores.

Acoplamento elástico de borracha

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4.3.5 Acoplamento elástico de banda de arame de aço no formato de uma


serpentina:
As bandas se deformam elasticamente quando há carga ou choque, amortecendo os
esforços. No acoplamento elástico de banda de arame as árvores precisam estar
alinhadas e é apropriado para transmitir momentos de giro grandes e flutuantes.

Acoplamento elástico de banda de aço

4.3.6 Acoplamento desacopláveis (por embreagem)


Os acoplamentos por embreagem que trabalham por fechamento de forma só podem
acoplar-se quando estão parados e sem carga.Os acoplamentos por embreagem que
trabalham por fechamento de força podem acoplar-se e desacoplar-se durante a marcha
de trabalho e com baixa carga. Para que se produza fricção tem de atuar sobre as
superfícies de atrito uma força perpendicular Fn (força normal) suficientemente grande.
Esta força se produz mecanicamente mediante molas, alavancas ou assento cônico ou
por eletromagnetismo, hidráulica e pneumática.

Embreagens mecânicas

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As embreagens mecânicas de lâminas ou aros múltiplos funcionam por fechamento de


força entre as superfícies dos aros externos contra as superfícies dos aros internos.

Todos os aros se deslocam no sentido axial e a fricção entre suas superfícies é que
proporciona o arraste.

Embreagem mecânica de lâminas

A embreagem eletromagnética une a árvore a uma roda dentada. Permite acionamento a


distância por cabo. Quando se conecta a corrente contínua, cria-se um campo magnético
em torno da bobina do eletroimã. Este campo magnético flui através das lâminas e atrai
firmemente o disco de aperto.

Embreagem eletromagnética de lâminas e disco

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4.3.7 Acoplamentos especiais

O acoplamento centrífugo e o acoplamento de sobre passo são considerados especiais


pelo seu uso bastante específico.

No acoplamento centrífugo, quando o conjunto interior alcança um número


suficientemente grande de rotação, os pesos centrífugos se deslocam e pressionam as
sapatas contra a panela. Quando diminui a rotação, o acoplamento abre
automaticamente.

No acoplamento de sobre passo o momento de giro é transmitido quando a parte interior


tende a rodar mais rapidamente, ocorrendo à subida das esferas ou rolos cilíndricos pelas
rampas do disco perfilado que trava contra a panela. O desacoplamento ocorre por
situação inversa.

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Questionário - resumo

1. Descreva as partes principais dos acoplamentos.


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2. Quais tipos de uniões ocorrem nos acoplamentos?


____________________________________________________________________
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3. Quais momentos de giro transmitem os acoplamentos?


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

4. Comente a fórmula Md = F. l.
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

5. Como atua a força F nos elementos de união?


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

6. Quando o momento de giro é transferido por fricção, como deve permanecer a força
F?
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

7. Defina a união firme, a união firme e rígida e a união elástica.


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

8. O que determina o tipo de acoplamento?


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

9. Comente os acoplamentos denominados rígidos, móveis, elásticos, desacopláveis e


especiais.
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

10. Comente os acoplamentos rígido por luvas e rígido por discos.


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

11. Comente os acoplamentos móvel por garras, móvel por dentes e móvel de articulação
com duas rótulas.
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

12. Comente a deslocação axial, o desvio radial, a deslocação angular e o desvio radial
com deslocação angular.
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

13. Qual a função da parte elástica dos acoplamentos?


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

14. Como os acoplamentos elásticos transmitem o momento de giro?


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

15. Qual a principal característica dos acoplamentos elásticos?


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

16. Comente o acoplamento elástico com capa de borracha.


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

17. Comente o acoplamento elástico com banda de arame de aço.


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

18. Comente o acoplamento por embreagem.


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

19. Comente o acoplamento centrífugo.


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

20. Comente o acoplamento de sobre passo.


____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

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Elementos de Máquinas – Mecânica Geral

5.0 Referências

Trabalho editado a partir de conteúdos extraídos da Intranet por meios Educacionais da


Gerência de Educação da diretoria Técnica do SENAI – SP.

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