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Teste de avaliação 2017 /2018

Português 10º Ano

GRUPO I Compreensão ORAL (30 PONTOS)

1. Ordena os tópicos abaixo pela ordem com que são abordados no texto.

Simbolismo da água e do mar.


O mar na literatura ocidental.
Dicotomia associada à vivência coletiva do mar na época dos
Descobrimentos.
O mar na poesia trovadoresca.
Influência das Descobertas na relação entre a poesia portuguesa e o mar.

2. Assinala a opção correta.


2.1. Ao longo do texto, aborda-se como tema dominante
a. o mar na época dos Descobrimentos.
b. o mar na poesia portuguesa.
c. o mar na literatura internacional.
d. o mar na mundividência camoniana.

2.2. O texto é marcado por um tom predominantemente


a. dissertativo e ensaístico.
b. publicitário e persuasivo.
c. crítico e irónico.
d. opinativo e satírico.

2.3. No início do texto, entre o mar dos banhistas e o mar dos pescadores estabelece-se uma
relação de

a. analogia.
b. contraste.
c. genérico-específico.
d. parte-todo.

2.4. Ao associar a poesia galaico-portuguesa a uma praia, o autor recorre a uma


a. apóstrofe.
b. hipérbole.
c. personificação.
d. metáfora.

2.5. A palavra que, no texto, é utilizada para referir a existência de duas perspetivas a partir das
quais o mar pode ser encarado é
a. “dicotomia”.
b. “singularidade”
c. “ambivalência”.
d. “crepuscular”.
2.6. De acordo com o autor do texto, a forma como o mar é encarado na poesia trovadoresca e
na poesia do século XX
1
a. é sempre positiva e eufórica.
b. não diverge em termos temáticos e formais.
c. resulta do facto de a expansão ultramarina ser encarada como um mero instante
no tempo e não como um processo.
d. decorre da experiência proporcionada pelos Descobrimentos.

2.7. Na última frase do texto


a. valoriza-se os Descobrimentos e critica-se a epopeia Os Lusíadas.
b. exalta-se a epopeia Os Lusíadas e censura-se os Descobrimentos.
c. enaltece-se simultaneamente os Descobrimentos e Os Lusíadas.
d. censura-se a “cobiça” e a “rudeza” da pátria portuguesa.

GRUPO II PARTE A (60 PONTOS)

Lê atentamente as estâncias de Os Lusíadas que se seguem.

78 Um ramo na mão tinha… Mas, ó cego, A troco dos descansos que esperava,
Eu, que cometo1, insano2 e temerário3, Das capelas9 de louro que me honrassem,
Sem vós, Ninfas do Tejo e do Mondego, Trabalhos nunca usados me inventaram,
Por caminho tão árduo, longo e vário! Com que em tão duro estado me deitaram!
Vosso favor invoco, que navego
Por alto mar, com vento tão contrário, 82 Vede, Ninfas, que engenhos de senhores
Que, se não me ajudais, hei grande medo O vosso Tejo cria valerosos,
Que o meu fraco batel se alague cedo. Que assi sabem prezar, com tais favores,
A quem os faz, cantando, gloriosos!
79 Olhai que há tanto tempo que, cantando Que exemplos a futuros escritores,
O vosso Tejo e os vossos Lusitanos, Pera espertar engenhos curiosos,
A Fortuna me traz peregrinando, Pera porem as cousas em memória,
Novos trabalhos vendo e novos danos: Que merecerem ter eterna glória!
Agora o mar, agora esprimentando
CAMÕES, Luís de, Os Lusíadas , Canto VII, est. 78-82
Os perigos Mavórcios4 inumanos,
Qual Cânace5, que à morte se condena, 1. me aventuro;
Nũa mão sempre a espada e noutra a pena; 2. insensato, louco;
3. ousado, imprudente;
4. guerreiros (relativos a Marte, deus da guerra);
80 Agora, com pobreza avorrecida,
5. figura mitológica, filha de Éolo, deus dos ventos, forçada pelo pai a
Por hospícios6 alheios degradado; suicidar-se
Agora, da esperança já adquirida, por manter relações incestuosas com um dos irmãos. Antes de se
De novo, mais que nunca, derribado; suicidar, já
Agora, às costas escapando a vida7, com a espada suspensa na mão esquerda, redigiu uma carta com a
direita, pelo
Que dum fio pendia tão delgado,
que é lembrada com a pena numa das mãos e a espada na outra;
Que não menos milagre foi salvar-se 6. locais onde se acolhem viajantes, necessitados ou doentes;
Que pera o Rei judaico8 acrecentar-se. 7. às costas escapando a vida: alusão ao naufrágio de Camões no mar
da China;
81 E ainda, Ninfas minhas, não bastava 8. Rei judaico: referência a Ezequias, rei de Judá, que, sabendo que ia

Que tamanhas misérias me cercassem, morrer, viu


atendido o seu pedido a Deus de mais quinze anos de vida;
Senão que aqueles que eu cantando andava 9. grinaldas.
Tal prémio de meus versos me tornassem:

Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.
1. O texto pertence a uma das invocações d’ Os Lusíadas.
Relê a estância 78 e identifica os elementos do discurso que, nesta estância, constituem
marcas de invocação. (10 PONTOS)

2. Baseando-te no texto, refere cinco aspetos marcantes da caracterização que o sujeito poético
faz da sua vida. (15 PONTOS)

3. Interpreta a alusão a “Cânace”, no verso 7 da estância 79. (10 PONTOS)


2
4. Explicita um dos valores expressivos da anáfora “Agora” (est. 79; est. 80). (10 PONTOS)

5. Atenta na estância 82. Analisa a crítica social e política expressa nessa oitava. (15 PONTOS)

GRUPO II PARTE B (50 PONTOS)

Lê o texto seguinte:
Camões e o ano da astronomia
Nos objetivos explicitados pela UNESCO ao declarar o ano de 2009 como Ano Internacional
da Astronomia inclui-se a evocação de testemunhos patrimoniais de factos astronómicos –
físicos ou imateriais – que tenham produzido marcos na história da ciência ou da cultura de
povos. Nesta perspetiva, Camões, como autor da obra maior da literatura portuguesa, não
5 poderá deixar de ser evocado, particularmente neste mês de julho, em que se situa a data da
partida de Vasco da Gama para a Índia, facto que o poeta descreve como o maior feito dos
portugueses.
Na verdade, Camões exprime factos astronómicos – alguns deles ainda hoje fora do
domínio do cidadão comum – com rigor tal que só um conhecimento profundo permitiria
10 integrar na estrutura de Os Lusíadas sem afetar o rigor científico. Por exemplo, o movimento de
precessão da Terra – impulsionado pela nona esfera (exterior à “oitava esfera”ou “firmamento”)
– que origina a alteração regular da posição do polo celeste em relação às estrelas e cujo
deslocamento é de 28 segundos de arco por século, é referido pelo poeta,que arredonda esse
valor para meio grau (30 segundos) para, assim, obter um grau (“um passo”) em cada duzentos
15 anos: “Que enquanto Febo, de luz nunca escasso, / Duzentos cursos faz, dá ele um passo.” (X,
86).
Obviamente, a citação das duzentas voltas (“cursos”) que o Sol (“Febo”) dá à Terra
recorda o facto de Camões ter adotado o conceito geocêntrico (segundo o qual a Terra era
suposta no centro do Mundo), dado que a aceitação da ideia de Copérnico (o heliocentrismo)
20 só começou a generalizar-se depois de o poeta ter assimilado os conhecimentos que lhe
permitiram estruturar a sua obra.
Tal movimento da Terra – cujas consequências só são percetíveis ao longo de séculos– é
responsável não só pela alteração da posição do polo celeste (o ponto do céu em torno do qual
todas as estrelas parecem girar), em relação às estrelas, mas ainda pelo facto de o Sol se
25 projetar – em determinada data – na direção de estrelas que não serão as mesmas, século
após século. Por isso, a 8 de julho dos anos da época atual, o Sol projeta-se na direção de
estrelas da constelação dos Gémeos, tendo já estado – na mesma data – no Caranguejo,
posição que ocupava na ocasião da partida de Vasco da Gama para a Índia. No entanto,
devido à discrepância entre datas e constelações nas quais o Sol se projeta, Camões cita a
30 entrada do Sol (o “eterno lume”) na constelação do Leão (numa referência à lenda do leão de
Nemeia), sendo também curiosa a forma como se refere à data da largada da armada de
Lisboa para a Índia: “Entrava neste tempo o eterno lume / No animal Nemeio truculento; / […] /
Cursos do Sol catorze vezes cento, / com mais noventa e sete, em que corria, / Quando no mar
a armada se estendia.” (V, 2).
Máximo Ferreira, Super Interessante, n.º 135, julho de 2009

1. Para responderes a cada um dos itens de 1.1. a 1.7., seleciona a opção correta.
Escreve, na folha de respostas, o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida.
1.1. Este texto pertence ao género textual (5 PONTOS)
a. apreciação crítica.
b. exposição sobre um tema.
c. síntese.
d. relato de viagem.

1.2. Na expressão “Camões, como autor da obra maior da literatura portuguesa, não poderá
deixar de ser evocado, particularmente neste mês de julho, em que se situa a data da
partida de Vasco da Gama para a Índia” (ll. 4-6), o valor deíctico é marcado por (5 PONTOS)
a. “Camões”.
b. “neste mês de julho”.
c. “em que se situa”.
3
d. “a data da partida de Vasco da Gama para a Índia”.
1.3. O marcador discursivo “Na verdade” (l. 8) utiliza-se para (5 PONTOS)
a. confirmar uma afirmação apresentada no parágrafo anterior.
b. reformular algo que foi dito no final do parágrafo anterior.
c. estabelecer uma relação de causa-efeito relativamente à informação apresentada
no parágrafo anterior.
d. apresentar uma restrição ao que foi dito no parágrafo anterior.
1.4. Na linha 11 , as aspas são utilizadas para delimitar (5 PONTOS)
a. arcaísmos.
b. neologismos.
c. palavras utilizadas com sentido conotativo.
d. citações de Os Lusíadas.
1.5. O advérbio “Obviamente” (l. 17) marca, relativamente ao que vai ser dito, (5 PONTOS)
a. a concordância do autor.
b. a discordância do autor.
c. o desinteresse do autor.
d. a desaprovação do autor.
1.6. Para Máximo Ferreira, a adoção do modelo geocêntrico por parte de Camões revela (5 PONTOS)
a. a desvalorização dos factos astronómicos em oposição à valorização excessiva da
harmonia da estrutura interna da epopeia.
b. a ignorância do poeta relativamente a um facto já conhecido na época em que
Os Lusíadas foram escritos.
c. a aceitação de uma crença da época.
d. a descrença no modelo heliocêntrico proposto por Ptolomeu.
1.7. O determinante relativo “cujas” (l. 22) tem como antecedente (5 PONTOS)
a. “a sua obra” (l. 21).
b. “Tal movimento da Terra” (l. 22).
c. “a Terra” (l. 22).
d. “consequências” (l. 22).

2. Responde aos itens apresentados. (15 PONTOS)

2.1. O vocábulo “obra” provém do latim OPERA. Indica o(s) fenómeno(s) fonético(s) ocorrido(s) na
sua evolução.

2.2. Identifica a função sintática desempenhada pelo constituinte frásico “de Vasco da Gama” (l. 6)

2.3. Classifica a oração “que arredonda esse valor para meio grau” (ll. 13-14).
GRUPO III (60 PONTOS)

Os Lusíadas continuam a interpelar-nos; revelam-nos uma sensibilidade próxima da atual. São um


misto de entusiasmo heroico e de melancolia desalentada. Um texto épico e antiépico. Uma
afirmação de fé, com um avesso de dúvida, de descrença, de interrogações.
MATOS, Maria Vitalina Leal de, 2011. “Lusíadas (Os)”.

Partindo da perspetiva exposta na citação anterior e da tua experiência de leitura da epopeia de


Camões, redige um texto, de cento e cinquenta a duzentas palavras, no qual reflitas sobre a
classificação d’Os Lusíadas como “texto épico e antiépico”.
Seguir a seguinte estrutura:
1.º Parágrafo – introdução (apresentação do tema proposto); 2.º Parágrafo – desenvolvimento:
fundamentação – argumentos/exemplos; 3.º parágrafo – conclusão (iniciada por um articulador conclusivo:
concluindo, em conclusão, em suma, enfim…).
FIM
Texto para locução

Mar Português: Um mar de palavras


LUÍS MIGUEL QUEIRÓS
Ao longo de séculos, os poetas portugueses cantaram o mar. Muitos mares: o mar
afável das praias e dos banhistas, o mar duro da faina dos pescadores, ou ainda
4
esse mar que levou os navegadores quinhentistas à descoberta de um novo
mundo.

A poesia portuguesa é uma praia constantemente batida pelas ondas do mar. Foi-o
sempre, desde os primeiros trovadores galaico-portugueses até aos poetas dos nossos
dias. (…)
Mas já na poesia medieval este mar próximo, costeiro, quase doméstico, cúmplice dos
amores do poeta, podia também representar perigo e constituir um obstáculo à
consumação do desejo.(…)
O mar, e por extensão toda a água, teve sempre um simbolismo ambivalente: é origem,
fecundidade, vida, mas também é distância, desastre, morte. A água, escreve António
Ramos Rosa, “[...] é um móvel túmulo e um berço errante/ em que a vida e a morte se
consumam unidas/ numa pátria de metamorfoses incessantes”.
No tempo das Descobertas, mais do que em qualquer outro período da história
portuguesa, essa ambivalência tornar-se-ia uma realidade quotidiana, uma vivência
coletiva. O mar que nos levava a novos mundos era o mesmo que separava famílias,
amigos, amantes. O mar que nos trazia especiarias e riquezas várias era também o mar
dos sucessivos naufrágios, que Bernardo Gomes de Brito depois compilaria na sua
muito justamente intitulada História Trágico-Marítima. “Deus ao mar o perigo e o abismo
deu,/ Mas nele é que espelhou o céu”, resume lapidarmente Fernando Pessoa no
célebre dístico final do poema Mar Português.
Sendo Portugal um país pequeno com uma costa extensa – “O meu país é o que o mar
não quer”, diz um verso de Ruy Belo –, não surpreende que o mar esteja
obsessivamente presente em inúmeros poetas de sucessivas gerações. Mas o mesmo
se poderia dizer, por exemplo, da lírica inglesa, que nos deu alguns dos mais notáveis
poemas sobre o mar da literatura ocidental. Ou da grega, desde logo com a Odisseia,
protótipo de todas as epopeias marítimas.
Se algo distingue o modo como a poesia portuguesa, no seu todo, se relaciona com o
mar, essa singularidade talvez decorra, antes de mais, da “intromissão” do facto histórico
dos Descobrimentos, decisivo não apenas ao nível material, mas também de
consequências duradouras no plano identitário e simbólico. Sem a aventura da
expansão marítima, não haveria grande diferença entre o mar de Martim Codax e
Mendinho e o mar de poetas do século XX, como Sophia de Mello Breyner Andresen ou
Eugénio de Andrade. Assim, e embora se trate sempre do mesmo “mar imenso solitário
e antigo” evocado num dos primeiros poemas de Sophia, talvez seja lícito falar, na
poesia portuguesa, de um mar anterior aos Descobrimentos e de um mar posterior aos
Descobrimentos. E ainda, como a expansão foi um processo, e não um mero instante no
tempo, do mar dos próprios Descobrimentos. Que não é apenas, ou nem sequer
principalmente, o mar dos autores contemporâneos da expansão marítima. É sobretudo
um mar lido a posteriori, na ressaca dessa aventura que levou o país, como escreve
Camões, a mostrar “novos mundos ao mundo”.
Escritos num momento já sentido como crepuscular, com a pátria “metida/ No gosto da
cobiça e na rudeza/ Duma austera, apagada e vil tristeza”, Os Lusíadas serão a
referência inescapável de toda a poesia que, ao longo dos séculos seguintes, irá evocar
de múltiplos modos o período da expansão marítima. O peso da epopeia camoniana –
quer no cânone literário, quer na própria definição da língua – é tão avassalador que se
torna difícil perceber se essa centralidade do mar dos Descobrimentos na poesia
portuguesa se deve mais ao facto histórico da expansão marítima, simbolizável na
viagem de Vasco da Gama, ou ao poema que sublimemente a relatou.

Público [em linha, consult. 10-03-2016]

Critérios específicos de classificação

Item Cenário de resposta

5
1. 2, 4, 3, 1, 5
2.1. b.
2.2 a.
2.3. b.
2.4. d.
2.5. c.
2.6. d.
2.7. c.

Grupo II
Parte A

1. Constituem marcas de invocação, na estância 78, os seguintes elementos do discurso: “vós, Ninfas do
Tejo e do Mondego” (v. 3), “Vosso favor invoco” (v. 5) e “se não me ajudais” (v. 7).1
2. Com base no texto, a caracterização que o sujeito poético faz da sua vida destaca, entre outros, os
seguintes aspetos:
· desmesura da tarefa a que se propôs nas duras condições em que se encontra (est. 78, vv. 1-2 e 4-6);
· risco de não conseguir realizar os seus objetivos de poeta, por soçobrar perante as adversidades (est.
78, vv. 5-8);
· persistência no cumprimento da sua missão de poeta e guerreiro, enfrentando uma vida de perigos
diversos, de guerras, de viagens atribuladas por mar e por terra (est. 79);
· errância (est. 79, v. 3 e est. 80, v. 2);
· pobreza (est. 80, vv.1-2);
· desterro (est. 80, v. 2);
· desilusões sucessivas (est. 80, vv. 3-4);
· excecionalidade da sua vida, miraculosamente salva de um naufrágio (est. 80, vv. 5-8);
· expectativas frustradas quanto ao reconhecimento da sua obra pelos detentores do poder (est. 81, vv. 3-
8);
· sofrimentos vários causados por aqueles que deveriam honrá-lo (est. 81, vv. 5-8);
· …1
3. Através da comparação com Cânace, o sujeito poético coloca em evidência a conjugação das vertentes
bélica e artística/literária na sua vida, durante a qual, “peregrinando”, sentiu os “perigos Mavórcios”, mas
não deixou de ir “cantando” os seus conterrâneos.
4. A anáfora “Agora” tem, entre outros, os seguintes valores expressivos:
· marca a sucessão de vivências disfóricas do sujeito, acentuando o tom depreciativo do “eu”;
· realça a quantidade e a variedade de situações e estados de alma;
· expressa uma vida ritmada por desgraças e fugazes esperanças;
· cria um efeito de simultaneidade de vivências (como se a memória operasse por saltos entre
“presentes”);
· …1
5. Na estância 82, o sujeito critica (recorrendo à ironia) o menosprezo dos poderosos pelos artistas: assim,
denuncia a incapacidade daqueles para reconhecerem a importância destes na preservação e na
glorificação da memória nacional. Tomando-se a si como exemplo, alerta para as consequências futuros
deste divórcio entre “senhores” e “escritores”: tal divórcio não favorecerá o aparecimento de novos
talentos, conduzindo à estagnação artística do país e ao enfraquecimento (ou mesmo perda) da memória
coletiva.1

Parte B

1.1. 5 pontos b.
1.2. pontos b.
6
1.3. pontos a.
1.4. pontos d.
1.5. pontos a.
1.6. pontos c.
1.7. pontos b.
2.1. síncope e sonorização
2.2. Complemento do nome
2.3. Oração subordinada adjetiva relativa explicativa

GRUPO III
Os Lusíadas são uma obra que se caracteriza, simultaneamente, pelo espírito épico e pelo espírito
antiépico.
O espírito épico está presente na exaltação dos feitos grandiosos do povo português. A viagem de
Vasco da Gama à Índia é exemplo disso mesmo. Por outro lado, Os Lusíadas não deixam de evidenciar um
espírito antiépico, que passa não só pelas palavras do Velho do Restelo, como também pelas reflexões que
o poeta faz a propósito dos acontecimentos narrados, geralmente em final de canto. Assim, ora reflete
sobre a fragilidade da vida humana, ora tece considerações sobre o desprezo que os portugueses votam
às artes e às letras, ora se queixa dos infortúnios que tem vivido. No final do Canto VIII, o poeta tece
algumas considerações sobre o poder do dinheiro e sobre a sua influência negativa na sociedade; mais
adiante, dá alguns conselhos àqueles que querem ver o seu nome imortalizado; por fim, no final da obra,
reflete sobre a decadência da pátria.
Este caráter ambivalente de Os Lusíadas – pautado pela oscilação entre o tom épico e o tom
antiépico– não só atribui um caráter de inovação à obra, distanciando-a das epopeias clássicas em que se
inspira, como também lhe confere um tom de universalidade e de intemporalidade.
206 palavras

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