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Curso de Perícia Judicial

INTRODUÇÃO

Tantas são as carreiras que admitem atuação na área de Perícia Judicial


e algumas delas, citamos a seguir: engenheiros, arquitetos, agrônomos,
contadores, administradores, economistas, químicos, odontólogos,
fisioterapeutas, médicos, profissionais de informática, corretores de imóveis,
advogados, área de Tecnologia da Informação, etc.

A competência no trabalho do perito tem rotina pequena e de fácil


assimilação para aqueles que não dispõem de experiência em perícias, mas
mesmo assim, o mercado é escasso e o judiciário carece cada vez mais
desses profissionais.

O conteúdo trazido e tudo que cerca a perícia terá uma didática clara
uma linguagem, sem os requintes de manifestações formais, própria do direito,
que poderiam embaraçar a compreensão de profissionais de áreas distintas.

O Perito para ser bem-sucedido, deve preencher dois espaços:

1º) Conhecer tudo que faz parte do campo de ação da Perícia, devendo
ter total conhecimento quanto à burocracia, à prática forense, ao trato com os
assistentes das partes, aos procedimentos nos exames e nas vistorias, à
apresentação do Laudo e formas jurídicas para Peticionar;

2º) Conhecimento técnico, especifico na sua área de atuação, com


domínio suficiente para dirimir as dúvidas suscitadas no processo judicial já
que atuará como colaborador da justiça, do juízo da causa e das partes.

O objetivo do curso é esgotar o que envolve a perícia judicial e levar na


pratica e teoria, conteúdos extensos àqueles que possuem escassos
conhecimentos nesse âmbito, como os recém-formados ou outros que se
sentem inquietos quanto, ainda, à inexistência da prática profissional.

Curso Beta On-line© Elaborado por Rosaura Blandy


Bom lembrar que essa área é bem recomendada, também, para
profissionais que já se aposentaram e sentem o desejo de continuar utilizando
todo o conhecimento e pratica adquiridos durante anos e assim complementar
seus ganhos, ou para aqueles profissionais que possuem emprego mas
desejam, também complementar sua renda mensal.

Observa-se um natural desconforto para profissionais do campo de


atuação técnico-cientifica operarem no terreno do direito e da Justiça.

Um dos motivos talvez possa ser o próprio desconhecimento do ramo,


que faz parecer ao profissional um intruso. Porém é imprescindível essa
incursão do EXPERT na vida do processo judicial, pois ele será pessoa
indicada para esclarecer aos advogados, às partes, ao Ministério Público e ao
juiz questões em cuja natureza sejam leigos. A fim de oferecer um maior
suporte aos novos peritos, abordaremos os termos mais utilizados no ramo da
Perícia Judicial, assim como aqueles que mais se defrontará em seu processo.

O Código de Processo Civil é a lei que norteia o andamento de um


processo civil na Justiça. Dentre uma numerosa quantidade de artigos estão
aqueles que são diretamente ligados a todos os tipos de pericias.

A rotina forense é regulamentada pela Lei do Código de Processo Civil,


portanto, a burocracia enfrentada pelo perito é idêntica em todos os Estados da
FEDERAÇÃO e DISTRITO FEDERAL.

O CURSO BETA pretende com esse trabalho, colaborar de maneira


prática, com os profissionais de todas as categorias que pretendem militar na
perícia judicial ou que já estão ali trabalhando, o grande objetivo é mostrar
como se dá o acesso à função de perito, de forma que possibilitem ao aluno
interessado em ingressar na atividade, dependendo da vontade, disponibilidade
e condições, transformando o seu empenho inicial numa carreira.

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DEFINIÇÕES DOUTRINÁRIAS

Para Didier Jr. Prova pericial

[...] é aquela pela qual a elucidação do fato se dá com ao auxílio de um


perito, especialista em determinado campo do saber, devidamente
nomeado pelo juiz, que deve registrar sua opinião técnica e científica
no chamado laudo pericial – que poderá ser objeto de discussão pelas
partes e seus assistentes técnicos. (DIDIER JR., 2010, p. 225)

Já para Humberto Theodoro Junior, surge “a prova pericial como o


meio de suprir a carência de conhecimentos técnicos de que se ressente o
juiz para apuração dos fatos litigiosos”. (THEODORO JÚNIOR, 2011, p.486)

Montenegro Filho conceitua como:

“espécie de prova que objetiva fornecer esclarecimentos ao magistrado


a respeito de questões técnicas, que extrapolam o conhecimento
cientifico do julgador, podendo ser de qualquer natureza e originada de
todo e qualquer ramo do saber humano, destacando-se os
esclarecimentos nas áreas da engenharia, da contabilidade, da
medicina e da topografia.” (MONTENEGRO FILHO, 2009, p.479)

Olívio A. Batista da Silva vai mais a funda na questão, fazendo uma


sucinta comparação entre os possíveis meios de prova no processo:

“A Função de toda atividade probatória é fornecer ao julgador os


elementos por meio dos quais ele há de formar o seu convencimento
a respeito dos fatos controvertidos no processo. Este contato do juiz
com os fatos da causa pode dar-se através das provas orais
produzidas em audiência, quando o juiz ouve as partes ou inquire as
testemunhas, ou mediante o exame dos documentos constantes dos
autos, ou, ainda, quando se traz ao processo não o documento, e sim
as pessoas ou coisas de que se pretenda extrair elementos de prova.

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Outras vezes, porém, não é possível a remoção de coisas e sua
juntada ao processo. Assim, por exemplo, se for necessário examinar
um imóvel, a respeito do qual se controverte na causa, o juiz não terá
outro caminho senão deslocar-se pessoalmente até o lugar onde se
situa o imóvel litigioso ou encomendar o seu exame a terceiros.”

Sempre, no entanto, que esta investigação sobre pessoas ou coisas,


inclusive documentos, exigir conhecimentos técnicos especiais da pessoa
encarregada de fazê-la, estaremos frente à necessidade de prova
pericial. (SILVA, 2002, p. 383)

Há uma discussão na doutrina se a perícia é meio de prova, tratando-a


assim como uma averiguação das provas feita pelo perito, substituindo o
magistrado. Sobre esta discussão Moacyr Amaral Santos preleciona

“Porque o juiz não seja suficientemente apto para proceder direta e


pessoalmente à verificação e mesmo à apreciação de certos fatos,
suas causas ou conseqüências, o trabalho visando tal objetivo se fará
por pessoas entendidas na matéria. (SANTOS, 1989, p. 306)”

1) Didier continua no desenvolvimento do raciocínio de Moacyr Amaral


no excerto e registra que, em nenhuma hipótese isso conferiria
caráter substitutivo à prova pericial, isto é, não se substitui o juiz pelo
perito. E passa a explicar.
Para o autor a perícia técnica pode se dar: 1) através de simples
percepção técnica, ou seja, declaração do perito de ciências dos
fatos, que só podem ser percebido por apurados sentido técnico; 2)
através de afirmação de juízo técnico, ou seja, formulação de um
parecer ou opinativo, com fundo técnico, interpretando os fatos; 3)
através da conjugação das duas atividades anteriores, de percepção
e afirmação de juízo, o que é o mais comum.

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Em todos os casos, diz o autor, “o juiz preside e orienta as atividades
do perito que é colaborador – e, não, substituto do magistrado. O
perito ou bem colabora com sua aptidão técnica de conhecimento e
verificação de fatos (percepção técnica); ou bem colabora com sua
opinião técnica a respeito da interpretação e avaliação dos fatos,
dando-lhe regras técnicas para que o juiz o faça (juízo técnico).
Sempre contribui, nunca substitui. (DIDIER, 2010, p. 226)”

e Moacyr Amaral finaliza sua interpretação afirmando que:

“Basta considerar que a conclusão opinião, o conselho pericial, as


regras técnicas, ou de experiência, apontadas como idôneas para se
chegar aquelas conclusões ou para legitimas interpretação dos fatos,
não se impõe necessariamente, mas, ao contrário, ficam sujeitas ao
exame crítico do juiz, que poderá até mesmo desprezá-las (art. 436).”
(SANTOS, 1989, p. 309)

O mestre Didier discorda dessa corrente doutrinária, ao afirmar que “o


perito, na qualidade de técnico especializado, faz as vezes do juiz na análise
das fontes de prova. É ele que extrai a prova de onde ele irrompe.” (DIDIER
JR., 2010, p. 227)

O professor desenvolve sua linha de pensamento dizendo que

“Quando o juiz pode, com sua própria cultura e conhecimento comum,


acessar e compreender o que a fonte de prova revela, basta uma
inspeção pessoal. Mas se para apreendê-la é necessário que se tenha
dotes técnicos e científicos, além dos que se pode esperar do juiz-
médio, a inspeção da fonte de prova deve ser feita por um expert na
matéria, por um perito. O perito substitui, pois o juiz, naquelas
atividades de inspeção que exijam o conhecimento de um profissional
especializado. Nesses casos, a inspeção judicial é substituída por uma
inspeção pericial (perícia). Daí o caráter substitutivo da perícia.”

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Mas essa substituição se limita à verificação, análise, apreciação
da fonte de prova, e pronto. O perito não se coloca no lugar do juiz na
atividade de avaliação da prova. É por isso que cabe, tão-somente, ao juiz
analisar e valorar o resultado da perícia – bem como de todos os outros
meios de prova -, para considerá-lo, ou não, em seu julgamento. Se não
concordar com as conclusões da perícia, poderá o magistrado
determinar outra perícia, chamada de segunda perícia.

“A verdade é que o perito substitui o juiz na percepção e análise das


fontes de prova, e contribui, com isso para investigação dos fatos. É,
ao mesmo tempo, substituto e auxiliar. ” (DIDIER JR., 2010, p. 227)

Caso o magistrado tenha os conhecimentos técnicos (por exemplo,


além de ser bacharel em direito o magistrado é um engenheiro) necessários
para avaliação das provas, ele poderia dispensar a realização da perícia,
aplicando seu saber técnico? A resposta é não. “Do contrário, o juiz
acumularia a função de perito, impossibilitando a adoção do correspondente
procedimento probatório e amputando as partes a oportunidade de participar
dele pela forma que a ele assegura. ” (FABRÍCIO, 2004, N.376, p. 9). “Tanto
como o juiz-testemunha, quanto o juiz-perito é recusado pelo sistema”.
(DINAMARCO, 2003, p.586). Didier completa:

Nem sempre o juiz que preside a produção da prova será aquele


que sentenciará e b) a instância recursal é composta
necessariamente por outros magistrados distintos daquele que
proferiu a sentença. A perícia é, então, indispensável. (DIDIER
JR., 2010, p. 228)

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QUEM PODE ATUAR COMO PERITO

Contador, Engenheiro, Arquiteto Médico, Administrador, Economista,


Fisioterapeuta, Profissional de Informática, Especialistas em área ambiental
(como advogados e outros)

Entre outros habilitados profissionalmente (qualquer idade e de ambos


os sexos).

Especializações na área de atuação

O satisfatório desempenho como perito leva, invariavelmente, os


profissionais a realizarem cursos de especialização para ampliarem seu leque
de atuação.

MÉDICOS cursos de especialização em Medicina do


Trabalho.

ENGENHEIROS cursos de Segurança do trabalho (JT).

ARQUITETOS Curso de segurança do trabalho (JT).

ADMINISTRADORES cursos sobre pericia em cheques, cálculos


trabalhistas, leasing, sistema financeiro da
habitação e contratos.

CONTADORES Idem.

ECONOMISTAS Idem.

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COMO VIR A SER PERITO

 Ser profissional habilitado, junto ao órgão de classe. Caso a profissão


não possua, basta comprovação de formação e experiência mínima de 2
anos.
 Pertencer ao Cadastro dos Tribunais, caso o referido tribunal já tenha
implantado o cadastro;
(Para formação do cadastro o Tribunal deverá realizar consulta pública,
consulta direta a universidades, conselhos de classe, ao Ministério
Público, à Ordem dos Advogados do Brasil, etc)
 Do antigo para o novo CPC, as chances de sucesso daqueles que
procuram ser nomeado pela primeira vez aumentaram drasticamente,
devido ao aspecto cristalino das nomeações.
 Os tribunais deverão realizar avaliações e reavaliações periódicas para
a manutenção do cadastro, considerando a formação profissional, a
atualização do conhecimento e a experiência de seus peritos.

Exigências

- Honestidade

Há de se considerar que as partes, seus advogados ou defensores


públicos, exigem nos processos judiciais, mais do que nunca, seus direitos
respeitados. É indispensável a imparcialidade total do perito judicial,
portanto as qualidades ético-morais são essenciais à função, além de
reputação ilibada.

- Apresentação de um trabalho de boa qualidade e com informações


técnicas aprofundadas, utilizando-se de linguagem clara, concisa e de maneira
que um leigo entenda, sem, entretanto, ser prolixo.

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Bom lembrar que o Juízo não é obrigado a continuar nomeando um profissional
prestador de serviço questionável.

- Cumprimento de prazos

O cumprimento do estabelecido prazo é fundamental. Se o perito for


rigoroso na observação dos prazos para entrega do laudo e
independentemente deles, entregar o trabalho rapidamente, maior prestígio
terá sobre ele o magistrado que o nomeia, além de ter assegurada sua
manutenção na lista de peritos da Vara

- Comunicação através de PETIÇÃO

O perito faz todas as suas comunicações formais com os juízes através


de petições, que são juntadas aos autos do processo, segundo a ordem de
chegada. As petições mais comuns realizadas pelos peritos são:

- Propostas de honorários

A cobrança de honorários periciais é diferente do que habitualmente


tem-se no mundo comercial. Quando se faz uma proposta de honorários para
um serviço extrajudicial, está se fazendo de forma impositiva – só se chega ao
termo do serviço, se for pago o quanto foi proposto. No judiciário o perito
apresenta sua proposta de honorários e o juízo solicita às partes que se
manifestem a respeito do valor apresentado, que poderão aceitar o valor
proposto ou se manifestar contrariamente sob a alegação de estarem em valor
extremamente elevado.

Após a manifestação das partes, o Juízo poderá manter o valor proposto


pelo Perito ou reduzi-lo, se achar elevado.

 pedido de recebimento de honorários depositados;


 pedido de prorrogação de prazos

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DA PROVA PERICIAL

- Profissional especializado que irá suprir as insuficiências técnicas naturais do


magistrado em determinadas áreas, visto ser humanamente impossível que o
juiz domine áreas científicas ou técnicas, por mais inteligente que seja;

O Perito é o braço direito do magistrado, pessoa de sua confiança e que


executará seu trabalho de forma leal, honrada, diligente, honesta, escrupulosa,
cuidadosa, sincera e imparcial.

- Auxiliar da Justiça, ad hoc, ou seja, equipara-se a um servidor público a partir


de sua nomeação até a finalização de seu trabalho no processo em que está
nomeado.

O novo código de processo civil – CPC, utilizado na área civil da Justiça


Estadual e da justiça federal, modificou em muito o antigo, no que se refere à
nomeação do perito. Segundo estabelecia o anterior, o perito era nomeado por
ser de confiança do Juiz, logo passando a ser de confiança da Justiça, a partir
de sua nomeação. De acordo com o novo CPC, o perito é de confiança da
Justiça, designado em lista aberta pelo juiz; todavia este pode dar preferência
aquele com a melhor capacitação técnica para o encargo.

Estão sujeitos, ainda, a pertencerem ao cadastro mantido pelo Tribunal a


que o Juiz está vinculado.

- Atua como profissional liberal, sendo nomeado especificamente para realizar


pericias em processo que necessite de seu conhecimento especifico;

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DA ÉTICA DO PERITO JUDICIAL

 O Perito Judicial deve agir de forma que o torne merecedor de respeito


e que contribua para o prestígio da classe e da perícia judicial;
 Deve manter sua independência em qualquer circunstância.
 O Perito não deve se deter no exercício de seu encargo para agradar o
juízo ou qualquer autoridade, nem de ocorrer em impopularidade, dentro
das devidas normas de urbanidade e estritamente profissional;
 Tem o dever geral de urbanidade e os respectivos procedimentos
disciplinares;
 Deve ter plena consciência de que é o auxiliar da Justiça, pessoa civil,
nomeado pelo Juiz ou pelo Tribunal, devidamente compromissado,
desenvolvendo, assim, um trabalho de extrema responsabilidade e
relevância perante o Poder Judiciário, especialmente porque irá opinar e
assisti-los na realização de prova pericial;
 A nomeação como Perito Judicial deve ser considerada sempre, pelos
mesmos, como distinção e reconhecimento de seu conhecimento
especial, técnico ou cientifico, capacidade e honorabilidade;
 O Perito Judicial no exercício de sua nomeação, bem como quaisquer
outras profissões, deve ter sempre em conta que seu procedimento ético
se torna extremamente importante, pelo fato da sua atividade estar
ligada ao campo do direito, no qual as normas e deveres morais são
mais nítidos, em consequência da íntima ligação entre o moral e o
direito;
 Quando ciente de sua nomeação e, antes de assumir o encargo, deve
inteirar-se dos autos, para verificar se não há incompatibilidade ou

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algum impedimento, e se realmente se encontra em condições de
assumir o compromisso e realização do trabalho;
 Na hipótese de recusa, antes de assumir o compromisso, deve o Perito
Judicial comunicar ao Juiz, através de petição e o mais breve possível, o
motivo justificado da recusa;
 Não é cabível a recusa de nomeação como Perito Judicial quando esta
fundamentar-se, tão somente, no fato do processo encontrar-se sobre o
amparo da Justiça Gratuita;
 Deve exercer a profissão com zelo, diligencia honestidade, dignidade e
independência profissional;
 Deve guardar sigilo sobre o que souber em razão do exercício de suas
funções e zelar pela sua competência exclusiva na orientação dos
serviços a ser cargo;
 Comunicar, desde logo, à Justiça, eventual circunstância adversa que
possa influir na conclusão do trabalho pericial para o qual foi nomeado;
 Inteirar-se de todas as circunstâncias e dados antes de responder aos
quesitos formulados;
 Declarar-se impedido ou suspeito de aceitar sua nomeação, nas
hipóteses previstas no CPC;
 Recusar sua nomeação, desde que reconheça não se achar capacitado
(a), em face de especialização técnica ou cientifica insuficiente, para
bem desempenhar a nomeação;
 Evitar interpretações tendenciosas sobre a matéria que constitui objeto
da perícia, mantendo absoluta independência moral e técnica na
elaboração do respectivo laudo;
 Abster-se de expender argumentos ou dar a conhecer sua convicção
pessoal sobre os direitos de qualquer das partes interessadas,
atendendo seu laudo no âmbito técnico legal;
 Mencionar obrigatoriamente fatos que conheça e repute em condições
de exercer efeito sobre peças objeto de seu laudo;
 Abster-se de dar parecer ou emitir opinião sem estar suficientemente
informado e documentado;

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DAS OBRIGAÇÕES DO PERITO

 ESTAR INSCRITO EM CADASTRO MANTIDO PELOS TRIBUNAIS.

Art. 156. O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender
de conhecimento técnico ou científico.

§ 1o Os peritos serão nomeados entre os profissionais legalmente


habilitados e os órgãos técnicos ou científicos devidamente inscritos em
cadastro mantido pelo tribunal ao qual o juiz está vinculado (...)

 CUMPRIR O PRAZO DESIGNADO PELO JUÍZO.


 REALIZAR O ENCARGO COM INTERESSE, CUIDADO, ZELO,
IMPARCIALIDADE, METICULOSIDADE E INTEGRIDADE MORAL.

Art. 157. O perito tem o dever de cumprir o ofício no prazo que lhe designar
o juiz, empregando toda sua diligência, podendo escusar-se do encargo
alegando motivo legítimo.

 ESCUSAR-SE DO ENCARGO NO PRAZO DE 15 DIAS (se necessário).

§ 1o A escusa será apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, contado da


intimação, da suspeição ou do impedimento supervenientes, sob pena de
renúncia ao direito a alegá-la. (...)

 PRESTAR INFORMAÇÕES TÉCNICAS OU CIENTIFICAS ZELANDO


PELA VERDADE PURA E INCONTESTÁVEL.

Art. 158. O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas
responderá pelos prejuízos que causar à parte (...)

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 APRESENTAR A PROPOSTA DE HONORÁRIOS, CURRÍÍCULO,
COMPROVANTE DE ESPECIALIZAÇÃO E CONTATOS PROFISSIONAIS
NO PRAZO ESTIPULADO PELO JUIZO.

Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará


de imediato o prazo para a entrega do laudo. (...)

§ 2o Ciente da nomeação, o perito apresentará em 5 (cinco) dias:

I - Proposta de honorários;

II - Currículo, com comprovação de especialização;

III - contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde


serão dirigidas as intimações pessoais.

 APÓS NOMEADO, ASSSUMIR O ENCARGO, MESMO SEM A


ASSINATURA DO “TERMO DE COMPROMISSO”

Art. 466. O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que lhe foi


cometido, independentemente de termo de compromisso.

 CUMPRIR OS PRAZOS, SOB PENA DE SER SUBSTITUIDO.

Art. 468. O perito pode ser substituído quando:

I - Faltar-lhe conhecimento técnico ou científico;

II - Sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi
assinado (...)

§ 2o O perito substituído restituirá, no prazo de 15 (quinze) dias, os valores


recebidos pelo trabalho não realizado (...)

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 RESPONDER OS QUESITOS SUPLEMENTARES

Art. 469. As partes poderão apresentar quesitos suplementares durante a


diligência, que poderão ser respondidos pelo perito previamente ou na
audiência de instrução e julgamento

 OBEDECER OS DITAMES DO ARTIGO 473 NA ELABORAÇÃO DO


LAUDO

Art. 473. O laudo pericial deverá conter:

(...)

IV - Resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas


partes e pelo órgão do Ministério Público.

(...)

§ 2o É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem


como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do
objeto da perícia.

 REQUERER DILATAÇÃO DO PRAZO PARA ENTREGA DO LAUDO,


CASO NECESSÁRIO

Art. 476. Se o perito, por motivo justificado, não puder apresentar o laudo
dentro do prazo, o juiz poderá conceder-lhe, por uma vez, prorrogação pela
metade do prazo originalmente fixado.

 ACOMPANHAR O JUÍZO EM INSPEÇÃO, CASO ASSIM SEJA


DESIGNADO

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Art. 482. Ao realizar a inspeção, o juiz poderá ser assistido por um ou mais
peritos.

 COMUNICAR ÀS PARTES DATA DA INSPEÇÃO, EXAME OU VISTORIA

Art. 474. As partes terão ciência da data e do local designados pelo Juiz
ou indicados pelo perito para ter início a produção da prova.

 CADASTRAR-SE NOS PORTAIS DOS TRIBUNAIS PARA ATUAÇÃO EM


PROCESSOS ELETRONICOS

Art. 5º., da Lei 11.419 de 20.12.2006 – acessar o portal do perito no


sistema de processo eletrônico no qual está cadastrado, em períodos não
superior a dez dias, para receber as intimações.

 ESTAR HABILITADO PARA ASSINAR DIGITALMENTE OS PROCESSOS


ELETRÔNICOS.

Lei 11.419 de 20.12.2006 – Utilizar assinatura eletrônica, por Certificado


Digital ou usuário e senha, de acordo com a exigência legal ou do sistema do
respectivo Tribunal.

 CONHECER NORMAS, RESOLUÇÕES, PROVIMENTOS E PORTAIS


DOS TRIBUNAIS, VOLTADOS PARA ÁREA DA PERICIA JUDICIAL.

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DIREITOS DOS PERITOS

 POSSIBILIDADE DE RECEBER HONORÁRIOS ADIANTADOS E


CORRIGIDOS MONETARIAMENTE (ART. 95 DO CPC)

Art. 95. Cada parte adiantará a remuneração do assistente técnico que


houver indicado, sendo a do perito adiantada pela parte que houver requerido a
perícia ou rateada quando a perícia for determinada de ofício ou requerida por
ambas as partes.

§ 1o O juiz poderá determinar que a parte responsável pelo pagamento


dos honorários do perito deposite em juízo o valor correspondente.

§ 2o A quantia recolhida em depósito bancário à ordem do juízo será


corrigida monetariamente (...)

 NÃO É NECESSÁRIO PARTICIPAR DE CONCURSOS PARA SER


PERITO DA JUSTIÇA ESTADUAL, FEDERAL E/OU DO TRABALHO

 DIREITO A NÃO RESPONDER QUESITOS IMPERTINENTES AO


OBJETO DA PERICIA (ARTIGO 470 DO CPC)

Art. 470. Incumbe ao juiz:

I - Indeferir quesitos impertinentes;

II - Formular os quesitos que entender necessários ao esclarecimento da


causa.

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 DIREITO DE EXECUTAR JUDICIALMENTE A PARTE QUE DEVERIA
PAGAR OS HONORÁRIOS PERICIAIS

 DIREITO DE COBRAR HONORÁRIOS EM CONFORMIDADE COM O


VOLUME DE HORAS TRABALHADAS

 DIREITO DE RECEBER HONORÁRIOS LOGO APÓS ENTREGUE O


LAUDO, MESMO SENDO PARTE RESPONSÁVEL PELO PAGAMENTO
O MUNICIPIO, O ESTADO, A UNIÃO OU MINISTÉRIO PÚBLICO

 DIREITO DE SER NOMEADO DE FORMA EQUITATIVA ENTRE OUTROS


MEMBROS DA LISTA DA VARA, ASSIM COMO FISCALIZAR SEU
CUMPRIMENTO (ART. 157 DO CPC)

Art. 157. O perito tem o dever de cumprir o ofício no prazo que lhe
designar o juiz, empregando toda sua diligência, podendo escusar-se do
encargo alegando motivo legítimo.

(...)

§ 2o Será organizada lista de peritos na vara ou na secretaria, com


disponibilização dos documentos exigidos para habilitação à consulta de
interessados, para que a nomeação seja distribuída de modo equitativo,
observadas a capacidade técnica e a área de conhecimento.

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O PERITO E O PROCESSO ELETRÔNICO

A lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006, que disciplina a


informatização do processo judicial, tem poder para revolucionar o sistema
judiciário brasileiro, mas a mudança do uso de papel para os meios eletrônicos
não acontece da noite para o dia, embora uma das transformações já pode ser
percebida no Supremo Tribunal Federal, que, atualmente, recebe recursos de
instâncias inferiores por processo virtual.

Isto tende a contribuir para mostrar à população que os recursos não


são o que, de fato, atrasam o processo, já que se estima que 70 % do tempo
gasto no trâmite do procedimento ao qual estamos habituados, é devido ao
lento processo do papel usual, resultando em um custo bem superior para o
mesmo número de páginas de um processo eletrônico, sem contar o Diário da
Justiça eletrônico, onde são disponibilizados a totalidade dos atos judiciais e
administrativos.

Para que os benefícios da modernização no judiciário cheguem de fato


aos cidadãos, os órgãos de justiça devem estar devidamente preparados para
usar deste dispositivo, como o Superior Tribunal de Justiça, por exemplo, que
lançou no início de 2008, a possibilidade de uso da e-pet, a petição eletrônica,
que permite aos Advogados o envio de documentos de seus escritórios ou
casas, sendo o recebimento confirmado por um aviso, também enviado pela
Internet.

Importante, pois, que os órgãos de classe ou seus profissionais adotem


medidas para capacitação de todos os que pretendem acompanhar esse
importante avanço do sistema judiciário brasileiro.

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Para utilizar tais recursos, há a necessidade de uma assinatura
eletrônica, desde a mais primária, que concede uma senha para ser utilizada
nas mais diversas situações, enquanto a assinatura eletrônica mais avançada,
conhecida como assinatura digital, permite a identificação para acompanhar
ações judiciais, disponibilizando mais recursos e segurança, e por isso, vem
sendo requerida pelos sistemas que estão sendo implantados.

Para poder utilizar a assinatura digital, o cadastro e o certificado digital


são indispensáveis para quaisquer envolvidos em processos eletrônicos em
órgãos públicos, inclusive os peritos, como no Tribunal Regional do Trabalho
da 3ª Região (TRT), que já disponibiliza a entrega de laudos periciais através
da internet, conhecido como e-DOC, e pode ser utilizado por qualquer perito,
desde que este seja cadastrado no TRT e tenha um certificado digital. O
certificado é conseguido seguindo as regras da Infraestrutura de Chaves
Públicas Brasileiras (ICP-Brasil), no entanto, um obstáculo a uma maior adesão
dos peritos na era digital é o alto custo para a obtenção dos certificados
digitais.

Os certificados diferenciam-se entre várias faixas de preço, como o


certificado de um ano, cuja variação se deve ao cadastro de CPF ou de CNPJ,
e ao acréscimo de Token e Smart-Card. Para o cadastro de três anos, os
valores podem ser ainda superiores, também sendo esta disparidade relativa
às opções adicionais no cadastro.

Os cidadãos, peritos e todos os envolvidos em alguma escala do


Judiciário, serão influenciados pelas mudanças promovidas. As vantagens são
evidentes, e todos devem se adaptar.

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SANÇÕES EM FACE DO PERITO

Laudos periciais traduz exercício de função pública, a qual resulta


submissão aos princípios constitucionais que presidem a Administração
Pública, assim, sempre que houver função pública em jogo, os princípios da
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência, entram em
cena.

Os peritos judiciais assumem voluntariamente elevados deveres


públicos, assimilando os rigores de uma relação de sujeição especial mantida
com o Estado.

Tais são os auxiliares de encargo judicial, que sempre são pessoas


físicas. Daí por que o fato de um perito ser um profissional que não integra os
quadros do Judiciário não o exime das elevadas obrigações públicas, inclusive
da obediência ao dever de probidade administrativa que emerge tanto da Carta
Magna (art.37, par.4o), quanto da legislação infraconstitucional (Lei 8.429/92).

A tutela da probidade encontra respaldo constitucional direto no art.37,


par.4º, da Magna Carta, alcançando, inegavelmente, os peritos.

O laudo pericial envolve a obediência a regras jurídicas elementares


ligadas à interdição à arbitrariedade dos funcionários públicos, motivação e
transparência.

Tais normas repercutem nos deveres positivos e negativos dos peritos.


Trata-se de exigir desses profissionais certos deveres públicos, marcadamente
aqueles relacionados à probidade administrativa, requisito geral de toda e
qualquer função pública.

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Os peritos, enquanto auxiliares do Judiciário, possuem
responsabilidades por seus erros, equívocos ou transgressões, intencionais ou
não. Cuida-se de agentes públicos para fins de responsabilidade, podendo
incorrer, inclusive, no cometimento de crimes privativos de funcionários
públicos.

Laudos são impugnados diariamente, assim como são desconsiderados.


Nem por isso, obviamente, haverá responsabilidade pessoal dos peritos.

As condutas dos peritos podem oscilar, sutilmente, entre categorias


como a culpa, a culpa grave, o erro grosseiro, ou o dolo administrativo, nas
suas variadas modalidades; por isso, vê-se claramente a complexidade dos
conteúdos potenciais do conceito de perito inidôneo, que perpassa regras,
princípios e valores diversos na legislação especializada do Código Processual
Civil.

Um laudo ilícito, confeccionado com desvio de poder, sem suporte em


regras técnicas e racionais, pode refletir o enriquecimento sem justa causa de
alguém. Cuida-se de uma equação aparentemente singela: o laudo gera o
enriquecimento vertiginoso, sem justa causa, de uma parte em detrimento da
outra.

Tanto o perito, quanto o juiz responsável pela homologação originária do


laudo revestido de sinais de improbidade, podem ser chamados à
responsabilidade pelos canais competentes.

Juízes que apreciam causas de enorme vulto econômico, com auxiliares


peritos na confecção de laudos técnicos, reclamam uma incidência mais
detalhada de monitoramento correcional. Isso, porque tais autoridades tornam-

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se mais vulneráveis e expostas às influências ostensivas ou sutis de
segmentos poderosos.

As áreas relativas a falências, cível, direito econômico, direito


tributário, entre outras muitas, podem merecer uma atenção especial, devido
aos consideráveis interesses econômicos ou políticos em jogo.

Sobre o enriquecimento ilícito e as ferramentas legais ou administrativas


de prevenção ou repressão, registre-se que um perito, ao trabalhar em casos
de alta repercussão econômico-financeira, deve ter seus bens inventariados,
sua evolução patrimonial acompanhada, tal como ocorre com os agentes
públicos expostos ordinária e rotineiramente à Lei 8.429/92.

O Perito é considerado funcionário público transitório.

Juízes e peritos, como os demais agentes públicos brasileiros, estão


submetidos ao princípio constitucional da responsabilidade.

Vejamos o que aduz o Código Penal Brasileiro.

CÓDIGO PENAL

Funcionário público

Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem,


embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou
função pública.

§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou


função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de
serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da
Administração Pública. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

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§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos
crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de
função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta,
sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo
poder público. (Incluído pela Lei nº 6.799, de 1980)

Falso testemunho ou falsa perícia

Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como


testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou
administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral: (Redação dada pela Lei nº
10.268, de 28.8.2001)

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Redação dada


pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência)

§ 1o As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é


praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada
a produzir efeito em processo penal, ou em processo civil em que for parte
entidade da administração pública direta ou indireta .(Redação dada pela Lei nº
10.268, de 28.8.2001)

§ 2o O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em


que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade. (Redação dada
pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001)

Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem


a testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete, para fazer afirmação

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falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução ou
interpretação: (Redação dada pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001)

Pena - reclusão, de três a quatro anos, e multa .(Redação dada pela Lei
nº 10.268, de 28.8.2001)

Parágrafo único. As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o


crime é cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em
processo penal ou em processo civil em que for parte entidade da
administração pública direta ou indireta. (Redação dada pela Lei nº 10.268, de
28.8.2001)

Falsidade ideológica

Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele


devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da
que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar
a verdade sobre fato juridicamente relevante:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e


reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular.

Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime


prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento
de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte.

Uso de documento falso

Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a


que se referem os arts. 297 a 302:

Pena - a cominada à falsificação ou à alteração

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Falsidade de atestado médico

Art. 302 - Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso:

Pena - detenção, de um mês a um ano.

Parágrafo único - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se


também multa.

Falsificação de documento público

Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar


documento público verdadeiro:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.

§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-


se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.

§ 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o


emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por
endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento
particular.

§ 3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela
Lei nº 9.983, de 2000)

I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja


destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a
qualidade de segurado obrigatório; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

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II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em
documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração
falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de
2000)

III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado


com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa
ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

§ 4o Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos


mencionados no § 3o, nome do segurado e seus dados pessoais, a
remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.
(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

Exploração de prestígio

Art. 357 - Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a


pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do Ministério Público, funcionário de
justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.

Parágrafo único - As penas aumentam-se de um terço, se o agente alega


ou insinua que o dinheiro ou utilidade também se destina a qualquer das
pessoas referidas neste artigo.

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DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941.

CÓDIGO DE PROCESSO PENAL

DOS PERITOS E INTÉRPRETES

Art. 275. O perito, ainda quando não oficial, estará sujeito à disciplina
judiciária.

Art. 276. As partes não intervirão na nomeação do perito.

Art. 277. O perito nomeado pela autoridade será obrigado a aceitar o


encargo, sob pena de multa (...), salvo escusa atendível.

Parágrafo único. Incorrerá na mesma multa o perito que, sem justa causa,
provada imediatamente:

a) deixar de acudir à intimação ou ao chamado da autoridade;

b) não comparecer no dia e local designados para o exame;

c) não der o laudo, ou concorrer para que a perícia não seja feita, nos
prazos estabelecidos.

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Art. 278. No caso de não-comparecimento do perito, sem justa causa, a
autoridade poderá determinar a sua condução.

Art. 279. Não poderão ser peritos:

I - os que estiverem sujeitos à interdição de direito mencionada nos ns.


I e IV do art. 69 do Código Penal;

II - os que tiverem prestado depoimento no processo ou opinado


anteriormente sobre o objeto da perícia;

III - os analfabetos e os menores de 21 anos.

Art. 280. É extensivo aos peritos, no que Ihes for aplicável, o disposto
sobre suspeição dos juízes.

JULGADOS SOBRE O TEMA:

STJ - RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA RMS 21546


SP 2006/0045561-4 (STJ)
Data de publicação: 15/05/2009
Ementa: PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA.
CABIMENTO. MULTA APLICADA AO PERITO JUDICIAL. ATUAÇÃO
DESIDIOSA. PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA. AUSÊNCIA.
PROPORCIONALIDADE DA MULTA. EXAME PREJUDICADO. 1. Busca-se,
no mandamus, a nulidade do ato judicial que aplicou ao
impetrante, perito judicial, multa de 10% sobre o valor da causa, em virtude
de ter atuado de forma desidiosa na condução dos trabalhos que lhe foram
confiados, contribuindo decisivamente para o retardo do julgamento da lide. 2.
Não tendo o perito legitimidade para recorrer nos autos da ação que lhe
aplicou a multa, cabível é a impetração do mandado de segurança contra o
ato judicial. Precedentes. 3. O mandado de segurança é ação sob rito especial
em que se exige a comprovação de plano do alegado na própria peça
inaugural. No presente caso, o impetrante não logrou trazer aos autos
documentos suficientes para infirmar as conclusões do juízo prolator do ato
impugnado. A sanção aplicada não se fundamenta apenas numa conduta
isolada, mas numa sucessão de atos praticados pelo perito, que foram
determinantes para o retardamento da entrega da prestação jurisdicional. O
impetrante não comprovou que atendeu com presteza às providências

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solicitadas pela autoridade judicial, não dando causa ao atraso mencionado na
decisão impugnada, ou, ainda, que houve justo impedimento para sua regular
atuação. 4. Impossível avaliar a proporcionalidade da multa aplicada, pois não
consta nos autos o valor da causa que serviu como base de cálculo para a
referida sanção, bem como o montante fixado a título de honorários periciais. 5.
Recurso ordinário em mandado de segurança não provido.

Falso testemunho ou falsa perícia

Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como


testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou
administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral: (Redação dada pela Lei nº
10.268, de 28.8.2001).

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Redação dada


pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência)

§ 1o As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é


praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada
a produzir efeito em processo penal, ou em processo civil em que for parte
entidade da administração pública direta ou indireta. (Redação dada pela Lei nº
10.268, de 28.8.2001)

§ 2o O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em


que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade. (Redação dada
pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001)

Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem


a testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete, para fazer afirmação
falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução ou
interpretação: (Redação dada pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001)

Pena - reclusão, de três a quatro anos, e multa. (Redação dada pela Lei
nº 10.268, de 28.8.2001)

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Parágrafo único. As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o
crime é cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em
processo penal ou em processo civil em que for parte entidade da
administração pública direta ou indireta. (Redação dada pela Lei nº 10.268, de
28.8.2001)

ORGANIZAÇÃO E DIVISÃO DO PODER JUDICIÁRIO

Art. 5º - o território do estado, para efeito da administração da justiça,


divide-se em regiões judiciárias, comarcas, distritos, subdistritos,
circunscrições e zonas judiciárias.

§ 1º - cada comarca compreenderá um município, ou mais de um, desde


que contíguos, e terá a denominação da respectiva sede, podendo
compreender uma ou mais varas.

§ 2º - as regiões judiciárias serão integradas por grupos de comarcas ou


varas, suas sedes serão as comarcas indicadas em primeiro lugar.

Capítulo II - da criação e classificação das comarcas

Art. 10 - para a criação e a classificação das comarcas, serão


considerados os números de habitantes e de eleitores, a receita tributária, o
movimento forense e a extensão territorial dos Município do estado.

3º - no que concerne à extensão territorial, será levada em conta a


distância entre a sede do município e a da comarca.

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Art. 11 - são requisitos essenciais para a criação de comarca:

I - População mínima de quinze mil habitantes ou mínimo de oito mil


eleitores;

II - Movimento forense anual de, pelo menos, duzentos feitos judiciais;

III - Receita tributária municipal superior a três mil vezes o salário-


mínimo vigente na capital do estado.

DOS SERVENTUÁRIOS DA JUSTIÇA

 ESCRIVÃES – processar os feitos que lhes forem distribuídos ou lhes


couberem em razão do ofício; ii - zelar pela regularidade da distribuição dos
feitos em que tenham de funcionar;

 ESCREVENTES em geral, incumbe praticar os atos e executar os trabalhos,


relativos à sua função, de que forem encarregados pelos serventuários a que
estiverem subordinados.

 ESCREVENTES AUXILIARES incumbe executar os serviços de expediente e,


além de outras que lhes forem cometidas, exercer as funções de protocolista,
arquivista, almoxarife e datilógrafo.

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 OFICIAIS DE JUSTIÇA - ART. 95 - aos oficiais de justiça incumbe: i - fazer,
pessoalmente as citações e diligências ordenadas pelos juízes perante os
quais servirem; ii - lavrar certidões e autos das diligências que efetuarem; iii -
cumprir as determinações dos juízes;

ALGUMAS SERVENTIAS – VARAS DE ATUAÇÃO:


1) VARAS CÍVEIS
2) VARA DE ORFÃOS E SUCESSOÕES
3) VARA DE FAMILIA
4) VARA DA INFANCIA, DA JUVENTUDE E IDOSO
5) ORFÃOS E SUCESSÕES
6) VARA DE ACIDENTE DE TRABALHO
7) VARA DA FAZENDA PUBLICA
8) VARA DE FALÊNCIA E CONCORDATA

SETORES FORENSE

 PROGER
 DISTRIBUIDOR
 CENTRAL DE MANDADOS

ORGANIZAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO

 O PODER JUDICIÁRIO É REGULADO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL


NOS SEUS ARTIGOS 92 A 126.

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 FUNÇÃO: garantir os direitos individuais, coletivos e sociais e resolver
conflitos entre cidadãos, entidades e estado. para isso, tem autonomia
administrativa e financeira garantidas pela constituição federal.

 SÃO ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO: O SUPREMO TRIBUNAL


FEDERAL (STF), SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ), ALÉM DOS
TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS (TRF), TRIBUNAIS E JUÍZES DO
TRABALHO, TRIBUNAIS E JUÍZES ELEITORAIS, TRIBUNAIS E JUÍZES
MILITARES E OS TRIBUNAIS E JUÍZES DOS ESTADOS E DO DISTRITO
FEDERAL E TERRITÓRIOS.

SUPERIOR TRIBUNAL FEDERAL

 ORGÃO MÁXIMO DO JUDICIARIO BRASILEIRO.


 ZELA PELO CUMPRIMENTO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
 ULTIMA INSTÂNCIA PARA JULGAMENTO DE QUALQUER RECURSO.
 COMPOSTO DE 11 MINISTROS (INDICADOS PELO PRESIDENTE DA
REPUBLICA, APÓS APROVAÇÃO DO SENADO).
 PARLAMENTARES FEDERAIS, MINISTROS DE ESTADO, OS
PRESIDENTES DA REPÚBLICA, ENTRE OUTRAS AUTORIDADES, TÊM
A PRERROGATIVA DE SER JULGADOS PELO STF QUANDO
PROCESSADOS POR INFRAÇÕES PENAIS COMUNS.

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

 ESTÁ ABAIXO DO STF.

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 TEM A RESPONSABILIDADE DE FAZER UMA INTERPRETAÇÃO
UNIFORME DA LEGISLAÇÃO FEDERAL.
 COMPOSTO POR 33 MINISTROS (NOMEADOS PELO PRESIDENTE DA
REPUBLICA. TAMBÉM SÃO APROVADOS PELO SENADO.
 JULGA CAUSAS RELEVANTES QUE ENVOLVAM GOVERNADOS,
DESEMBARGADORES, JUIZES REGIONAIS FEDERAIS, ELEITORAIS E
TRABALHISTAS, ALÉM DE OUTRAS AUTORIDADES.
 CHAMADO DE “TRIBUNAL DA CIDADANIA” POIS TEM A
RESPONSABILIDADE DE JULGAR, EM ULTIMA INSTÂNCIA TODA
MATERIA INFRACONSTITUCIONAL NÃO ESPECIALIZADA QUE
ESCAPEM À JUSTIÇA DO TRABALHO, ELEITORAL E MILITAR.
 ATUALIZAR NA UNIFORMIZAÇÃO DAS DECISÕES DE TRIBUNAIS
INFERIORES.

JUSTIÇA FEDERAL

ALÉM DOS TRIBUNAIS SUPERIORES, O SISTEMA JUDICIÁRIO


FEDERAL É COMPOSTO PELA JUSTIÇA FEDERAL COMUM E PELA
JUSTIÇA ESPECIALIZADA (JUSTIÇA DO TRABALHO, JUSTIÇA ELEITORAL
E JUSTIÇA MILITAR).

 A JUSTIÇA FEDERAL COMUM PROCESSA E JULGA CAUSAS EM QUE


A UNIÃO, AUTARQUIAS OU EMPRESAS PÚBLICAS FEDERAIS SEJAM
AUTORAS, RÉS, ASSISTENTES OU OPONENTES – EXCETO AQUELAS
RELATIVAS A FALÊNCIA, ACIDENTES DE TRABALHO E AQUELAS DO
ÂMBITO DA JUSTIÇA ELEITORAL E À JUSTIÇA DO TRABALHO.

 É COMPOSTA POR JUÍZES FEDERAIS QUE ATUAM NA PRIMEIRA


INSTÂNCIA, NOS TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS (SEGUNDA
INSTÂNCIA) E NOS JUIZADOS ESPECIAIS, QUE JULGAM CAUSAS DE
MENOR POTENCIAL OFENSIVO E DE PEQUENO VALOR ECONÔMICO.

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JUSTIÇA DO TRABALHO

 JULGA CONFLITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS ENTRE


TRABALHADORES E PATRÕES. É COMPOSTA POR JUÍZES
TRABALHISTAS QUE ATUAM NA PRIMEIRA INSTÂNCIA E NOS
TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO (TRT), E POR MINISTROS QUE
ATUAM NO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO (TST).

JUSTIÇA ESTADUAL

 SUA ORGANIZAÇÃO INCLUI OS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS E


CRIMINAIS.
 É DE COMPETÊNCIA DE CADA UM DOS 26 ESTADOS BRASILEIROS E
DO DISTRITO FEDERAL, ONDE SE LOCALIZA A CAPITAL DO PAÍS.
 TANTO NA JUSTIÇA DA UNIÃO COMO NA JUSTIÇA DOS ESTADOS, OS
JUIZADOS ESPECIAIS SÃO COMPETENTES PARA JULGAR CAUSAS
DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO E DE PEQUENO VALOR
ECONÔMICO.
 COMO REGRA, OS PROCESSOS SE ORIGINAM NA PRIMEIRA
INSTÂNCIA, PODENDO SER LEVADOS, POR MEIO DE RECURSOS,
PARA A SEGUNDA INSTÂNCIA, PARA O STJ (OU DEMAIS TRIBUNAIS
SUPERIORES) E ATÉ PARA O STF, QUE DÁ A PALAVRA FINAL EM
DISPUTAS JUDICIAIS NO PAÍS EM QUESTÕES CONSTITUCIONAIS.
 MAS HÁ AÇÕES QUE PODEM SE ORIGINAR NA SEGUNDA INSTÂNCIA
E ATÉ NAS CORTES SUPERIORES. É O CASO DE PROCESSOS
CRIMINAIS CONTRA AUTORIDADES COM PRERROGATIVA DE FORO.
 OS PARLAMENTARES FEDERAIS, MINISTROS DE ESTADO, O
PRESIDENTE DA REPÚBLICA, ENTRE OUTRAS AUTORIDADES, TÊM A
PRERROGATIVA DE SEREM JULGADOS PELO STF QUANDO

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PROCESSADOS POR INFRAÇÕES PENAIS COMUNS. NESSES CASOS,
O STJ É A INSTÂNCIA COMPETENTE PARA JULGAR GOVERNADORES.
JÁ À SEGUNDA INSTÂNCIA DA JUSTIÇA COMUM – OS TRIBUNAIS DE
JUSTIÇA – CABE JULGAR PREFEITOS ACUSADOS DE CRIMES
COMUNS.

Seção X
Da Prova Pericial

Art. 464. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação.

DEFINIÇÕES

1) EXAME :

Visa a inspeção sobre PESSOAS ou COISAS e BENS MÓVEIS, -


verificação in loco

OBJETIVO: averiguar o estado, situações e conjunturas que deram origem à


pericia

2) VISTORIA

Visa à inspeção, mas para imóveis

3) AVALIAÇÃO

Visa à estimativa do valor em mercado corrente do bem objeto da lide.

COISAS E BENS MÓVEIS

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“BEM é tudo aquilo que é útil às pessoas, portanto, suscetível de
apropriação”.

COISA é “todo o bem suscetível de avaliação econômica e apropriação


pela pessoa”.

BENS e COISAS, geralmente são utilizadas como sinônimos.

Exemplo de bem: a vida, a saúde, a liberdade que não podem de maneira


nenhuma ser auferidos economicamente.

Bens móveis são aqueles suscetíveis de movimento próprio ou de


remoção por força alheia sem que isso altere a sua substância ou destinação
econômica.

Exemplos de bens que podem ser transportados sem a perda das suas
características, são: cadeira, eletrodomésticos, eletroeletrônicos (celular,
material fotográfico, automóvel.).

BENS SEMOVENTES

Possuem movimento próprio ou de remoção por natureza. Ex.: gados


em geral.

O artigo 83 do Código Civil considera bens móveis:

I) as energias com valores econômicos (ex: energia elétrica);


II) os direitos reais sobre os bens móveis (ex: penhor) e suas
respectivas ações;
III) os direitos pessoais de caráter patrimonial e suas respectivas ações.
(ex: ações de sociedade mercantil).

Considerações

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 Adulteração do local ou coisa;
 Objeto da perícia desfigurado;
 Contar com relato humano coletado na pesquisa de campo e vistoria;
 Utilizar-se de sua sagacidade e experiência profissional;
 Não utilizar estudos de assistentes técnicos;
 Se houver necessidade de retornar ao local da vistoria ou avaliação, não
existe qualquer restrição para tal providência;
 Tais vistorias, exames ou avalição marcam o início da Perícia;
 O momento da vistoria, exames ou avaliações devem ser encarados como
um desafio, uma procura incessante de fatos e elementos que venham ser
imprescindíveis para a elaboração do Laudo;
 Não se influenciar por ideias preconcebidas trazidas nos autos;
 Estudar os autos antes de iniciar a análise no local do exame, vistoria ou
inspeção;
 Esforçar-se nos questionamentos a todas as pessoas que possam explicar
os fatos ocorridos, estas comparecerão a pedido direto do perito aos
advogados ou partes do processo;
 Peticionar ao Juízo, em caso de qualquer imprevisto ou situação que tenha
impedido ou obstruído o trabalho da perícia;
 Citar nos Laudos Contábeis os documentos analisados, como: livros
comerciais, documentos, etc;
 Total dedicação e afinco no momento da Vistoria, exame ou avaliação, pois
as constatações do Perito será imprescindível à verdade dos fatos e ao
desenlace do processo.

Seção XI
Da Inspeção Judicial

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Art. 481. O juiz, de ofício ou a requerimento da parte, pode, em qualquer
fase do processo, inspecionar pessoas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre
fato que interesse à decisão da causa.

Art. 482. Ao realizar a inspeção, o juiz poderá ser assistido por um ou


mais peritos.

Art. 483. O juiz irá ao local onde se encontre a pessoa ou a coisa quando:

I - Julgar necessário para a melhor verificação ou interpretação dos fatos


que deva observar;

II - a coisa não puder ser apresentada em juízo sem consideráveis


despesas ou graves dificuldades;

III - Determinar a reconstituição dos fatos.

Parágrafo único. As partes têm sempre direito a assistir à inspeção,


prestando esclarecimentos e fazendo observações que considerem de
interesse para a causa.

Art. 484. Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto


circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for útil ao julgamento da causa.

Parágrafo único. O auto poderá ser instruído com desenho, gráfico ou


fotografia.

DOS QUESITOS

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1. Para responder os quesitos e tomar total conhecimento do conteúdo do
processo o Perito deverá fazer “CARGA” do processo.

2. No processo eletrônico o perito irá acessar todas as peças do processo


através dos sites dos tribunais.

3. Por vezes o Perito poderá, de início, se influenciar pela petição


inaugural, mudando de opinião quando ler a contestação.

4. Por vezes o Perito poderá, de início, se influenciar pela petição


inaugural, mudando de opinião quando ler a contestação.

5. Se o “SIM “ou “NÃO” for insuficiente para elucidar o quesito, deve o


perito acrescentar o que considerar importante, até porque
advogados(as) costumam utilizar-se dessas “perguntas diretas” para
induzir respostas.

6. O Corpo do laudo é muito importante, pois caso se apresente muito


enxuto gera a impressão de falta segurança e conhecimento do perito.

7. Caso alguma resposta ao quesito já solucione outra pergunta, basta


indicar o número da pergunta cuja resposta elucida esta ultima.

8. Caso encontre algum elemento no processo que não foi objeto de


quesitação, ideal que o Perito se manifeste a respeito, por considerar
importante e elucidativo.

9. Ler todos os quesitos e processo antes de realizar o exame, vistoria ou


avaliação, pois pode ocorrer de ser necessário nova diligencia em
decorrência da falta de total domínio dos autos.

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10. Caso surja algum quesito com o mesmo teor de um já respondido, basta
responder da seguinte forma: “Prejudicado pela resposta ao quesito
anterior ou pelo quesito de nr ta” l, ou “Veja resposta ao quesito nr. 31”.

11. Todos os quesitos devem ser respondidos, de forma conclusiva, exceto


as situações já estudadas.

12. Estar atento à Juntada dos quesitos, casos não estejam juntados aos
autos, informar tal fato ao juízo, evitando, assim, ser responsabilizado
por não ter respondido quesitos juntados aos autos tardiamente.

13. No que se refere aos quesitos suplementares, estes nascem de dúvidas


surgidas em momento particular do processo no qual o perito já iniciou
seu trabalho ou prestes a iniciar.

14. Caso já tenha retirados os autos do cartório o juízo intimará o perito


para que o devolva e assim aguardará a intimação da outra parte para
se manifestar sobre os quesitos e após sanada esta etapa, o perito será
intimado para que retire o processo novamente. Se tais quesitos
complementares demandarem mais trabalho ao perito, este poderá
somar essas horas de trabalhos adicionais e juntará ao laudo o valor dos
honorários suplementares.

15. Se juntado os quesitos após a entrega do laudo e por este motivo


demandar mais horas trabalhadas, poderá o perito peticionar
requerendo suplementação de honorários, justificando tal requerimento.

16. Caso ocorra quesitações estranhas ao objeto da perícia, estas não


deverão ser respondidos e apenas inserir na resposta: ‘não pertinente”

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17. Se para cumprir diligencias houver necessidade de viagens ou
despesas diversas, o perito poderá requerer adiantamento de parte dos
honorários

18. Utilizar folha timbrada até para os anexos, podendo também ser utilizado
carimbo ou chancela (em alto relevo) para marcar tudo que foi juntado,
evitando assim a retirada ou substituição destes.

19. Fotos, desenhos, gráficos, etc, podem, também, serem inseridos no


corpo do Laudo Pericial, intercalando-os com texto do word

20. Ideal, também, legendar, as fotos, chamando a atenção para o que é


importante naquela imagem

21. Nos encontros com assistentes técnicos o perito poderá, após perceber
a tese desses profissionais, trazer no laudo seu parecer a respeito, e
desde já, apresentar seu parecer a respeito, concordando ou não.
Poderá, inclusive, adicionar um tópico para tais argumentações

22. Na petição de encaminhamento ou no Laudo, pode constar:

a) Requerimento ao Juízo para a fixação dos honorários, caso não


tenha sido fixados até aquele momento;

b) Reiterar a proposta de honorários e destacar onde se encontra a 1ª.


Proposta enviada (fls.....)

c) Um Laudo ruim pode ser substituído por laudo de outro perito, mas
mesmo assim não será desentranhado dos autos.

23. Normalmente as quesitações são voltadas para o interesse de quem as


formulou, devendo o perito, apresentar em seu relatório o que considerar

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importante e não constou nas perguntas de autor e réu. Evita, assim,
laudos incompletos.

24. O Perito será intimado para apresentar contrarrazões do Laudo/Parecer


do assistente técnico.

LAUDO/Parecer do Assistente Técnico

O PARECER (art. 477, parágrafo único) deve ser apresentado em até


quinze dias depois de o perito entregar o laudo.

Neste parecer não basta rebater ou apoiar o laudo do perito, mas


também elaborar um trabalho completo, ofertando o esclarecimento dos fatos
trazidos nos autos.

Ao contestar ou apoiar laudo do perito sempre indicar o número da


página a que se refere;

Caso deseje transcrever partes do laudo do perito sempre o faça entre


aspas e em letras itálicas e em paragrafo recuado.

Exemplo:

No que tange ao parecer do Ilustre parquet de fls. 48, in verbis:

“ no que se refere as lesões sofridas pela autora em decorrência do


acidente de transito, objeto da presente demanda, há de se esclarecer
que trarão importante consequências graves e irreversíveis......”

O Parecer será entregue ao advogado da parte e este se encarregará de


juntar ao processo, sendo certo que este pode decidir pela não juntada, caso o
parecer não lhe seja favorável.

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Não apresentar teses que contraria sua formação técnica-cientifica
somente para favorecer a parte contratante, levar em consideração, acima de
tudo sua dignidade e ética no trabalho.

Exemplo de ações com atuação de Peritos

 Determinar grau de insalubridade ou condições de periculosidade de


empregados;
 Deterioração de bem alugado;
 Cálculos financeiros;
 Cálculos trabalhistas complexos;
 Desapropriação;
 Contratos de Leasing ou financiamento;
 Matemática bancária financeira;
 Recuperação de empresas em situação de falência;
 Juros sobre juros, anatocismo;
 Recuperação Judicial de Empresas;
 Pericia Fiscal e Tributária;
 Análise de solo e danos ambientais;
 Violência voltada para crianças e idosos;
 Morte por acidente automobilístico ou acidental;
 Incapacidade laboral – permanente ou temporário;
 Avaliação de bens em caso de divórcio;
 Ação Previdenciária;
 Psicologia escolar, educacional, clinica, neuropsicologia, dentre outros;
 Etc.

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LAUDO PERICIAL

ARTIGO 473 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

Art. 473. O laudo pericial deverá conter:

I - a exposição do objeto da perícia;

II - a análise técnica ou científica realizada pelo perito;

III - a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser


predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da
qual se originou;

IV - resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas


partes e pelo órgão do Ministério Público.

§ 1o No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem


simples e com coerência lógica, indicando como alcançou suas conclusões.

§ 2o É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem


como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do
objeto da perícia.

§ 3o Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos


podem valer-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo
informações, solicitando documentos que estejam em poder da parte, de
terceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com planilhas,

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mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros elementos necessários ao
esclarecimento do objeto da perícia.

CONCEITOS

O laudo pericial é o relato do técnico ou especialista designado para


avaliar determinada situação que estava dentro de seus conhecimentos. O
laudo é a tradução das impressões captadas pelo técnico ou especialista, em
torno do fato litigioso, por meio dos conhecimentos especiais de quem o
examinou. (DICIONÁRIO JURIDICO).

O laudo é o resumo das constatações de tudo que foi analisado pelo


perito e deve ter o objetivo de convencer, de forma técnica-cientifica, as razões
que provem as conclusões trazidas.

ESTRUTURA DO LAUDO – PERITOS

Forma:

Vale a pena utilizar os seguintes critérios:

 A forma de apresentação do trabalho, zelando por um laudo primoroso


em sua forma visual.

 Em processos físicos considerar a margem esquerda, já que o Laudo


será anexado ao processo e caso tenha menos de três centímetros, o
escrito não ficará visível para seus leitores.

 Cuidar de sua forma para, inclusive, valorizar o próprio conteúdo do


trabalho.

 Apresentar laudo pericial que facilite e estimule a leitura, por todos os


envolvidos.

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 Transcrever as perguntas formuladas e em seguida oferecer a sua
resposta.

 ter objetividade, seriedade, exatidão, clareza, etc.

 Não utilizar termos como: “eu acho”, “eu suponho”, “pode ser que”.

 Ter certeza do que afirma. Não trazer dúvidas no laudo e ser objetivo
nas questões arguidas.

- ENCAMINHAMENTO

No encaminhamento do Laudo ao Juízo, o perito deverá informar o número do


processo, Vara, Comarca, partes, assim como a identificação e o
REQUERIMENTO de anexação aos autos.

EXMO. JUIZO DA 36ª. VARA CIVIL DO FORUM DE SÃO PAULO – SP

Processo Nr.: 000000.000000.0000000.000

Autor:

Réu:

Objeto da Ação:

MARIA DA SILVA, engenheira química, perita nomeada por V.Exa., as fls....dos


autos, inscrita no CREA-SP sob o número..... e no Cadastro de peritos deste
tribunal sob o número...., vem respeitosamente à presença de Vossa
Excelência para requerer a JUNTADA aos autos do LAUDO PERICIAL de 50
folhas, acostado à presente

Nestes Termos

Pede e espera deferimento

São Paulo, 2 de Janeiro de 2016

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MARIA DA SILVA

(carimbo)

- CONSIDERAÇÕES INICIAIS/ ABERTURA - LAUDO

É introdução da peça técnica pericial, ou seja, a parte destinada ao


relatório pericial.

Identificar as partes do processo e a do perito, com sua qualificação


completa, inclusive formação, inscrição no conselho de classe e os motivos que
ensejaram o litigio.

Poderá mencionar suscintamente as técnicas utilizadas e dos


documentos acostados no processo, pelas partes.

- EXPOSIÇÃO DO OBJETO DA PERICIA

Neste item, descrever todo o conteúdo, razões, argumentações e


descrição do objeto e dos objetivos da perícia.

Na petição inicial do autor é descrito o seu pedido e deve o Perito


descrever, resumidamente, as alegações e provas trazidas.

Na Contestação o réu apresenta suas razões e provas de defesa e o(a)


perito (a) deverá, de forma sucinta, descrever os fatos narrados, identificando
os aspectos principais para a identificação da controvérsia levada a Juízo.

Este é o momento da leitura atenta e minuciosa dos autos do processo,


em sua integralidade.

- METODOLOGIA UTILIZADA

Abordar neste tópico de forma breve, os principais procedimentos


técnicos empreendidos, como todo empenho utilizado, no intuito de solucionar
as questões técnicas submetidas.

- DO EXAME, VISTORIA, AVALIAÇÃO

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Informar sobre a necessidade ou não de diligências (Exame, vistoria ou
avaliação), podendo justificar através do conteúdo acostado aos autos.

Diligências Realizadas

Devem ser esclarecidos neste tópico as diligências realizadas pelo perito


para realização do exame, vistoria e/ou avaliação.

As ocorrências verificadas quando da realização da diligência devem ser


registradas no termo de diligência, que é prova essencial de que o perito
efetivou a diligência e que solicitou a exibição do que foi necessário ao seu
estudo.

- DAS ENTREVISTAS

Caso tenha tomado informações e esclarecimentos de pessoas, informar


nesse tópico com a identificação da pessoa entrevista.

- ESCLARECIMENTOS PERTINENTES

Caso tenha ocorrido algum fato ou ocorrência peculiar no momento da


diligência, trazer o relato de todo o ocorrido, esclarecendo ao Juízo todo o
necessário e pertinente ao caso em julgamento.

- QUESITOS

Quando os assuntos técnicos objeto do litígio são desenvolvidas


mediante perguntas formuladas pelo magistrado, pelas partes, por uma das
partes apenas, o perito observará algumas regras básicas.

 Responder primeiramente os quesitos do juízo (se houver) considerando


a hierarquia, estes são respondidos em primeiro momento.

 Respostas aos quesitos das partes (se houver)

 A respostas dos quesitos ofertados pelas partes devem ser na mesma


ordem em que foi juntada nos autos do processo.

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 As respostas aos quesitos devem ser pontualmente na mesma ordem de
sua formulação, ou seja, do primeiro até o derradeiro sem nenhuma
alternância.

 Abster-se de responder aqueles quesitos que fogem de sua


competência técnica. – pergunta impertinente -

 Na ausência da formulação de quesitos, o perito, deverá utilizar todo seu


conhecimento técnico ou cientifico deve abordar de maneira original os
assuntos polêmicos que deram origem a solicitação da prova técnica.

 O expert deve apresentar, caso ocorra, análise técnica-cientifica de


questões nascidas no transcorrer do trabalho pericial relacionadas com
o objeto da perícia, considerando seus limites técnicos, que não foram
abordados nos quesitos oferecidos nos autos.

 As respostas em simples "sim" e "não" devem ser terminantemente


evitadas.

- DOS ANEXOS

Os anexos (planilhas fotografias, filmagem, mapas, gráficos, pesquisas,


etc) devem ser descritos neste item, informando tudo a respeito de cada um, se
necessário.

Devem ser numerados e rubricados pelo perito.

- PARECERES

Os Pareceres de outros especialistas ou de notáveis podem ser trazidos


junto ao laudo pericial com o intuito de reforçar a parecer do perito ou até
mesmo para acrescenta-lo

- CONCLUSÃO

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O perito demonstra, resumidamente, os fatos observados, suas
conclusões.

- BIBLIOGRAFIA

Informar bibliografias utilizadas, se for o caso.

- FECHAMENTO

Parte do laudo em que o perito dá por finalizado o trabalho, nele deve


constar no mínimo as seguintes informações:

 inventário da quantidade de folhas que compõem o laudo pericial

 indicando se foram rubricados ou não

 A localidade e a data em que o laudo foi concluído

 Assinatura do(a) perito(a), bem como sua identificação (nome,


qualificação profissional, número de inscrição no órgão de classe e no
Cadastro do Tribunal (se houver) e sua função nos autos (perito do juízo
ou assistente técnico).

ESTRUTURA DO PARECER TÉCNICO

ASSSISTENTES TÉCNICO

 FINALIDADE;

 ANÁLISE TÉCNICA DO LAUDO DO PERITO;

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 APONTAR OMISSÕES, CONTROVÉRSIAS, FALHAS, CONTRADIÇÕES,
ETC;

 APRESENTAR RAZÕES TÉCNICA-CIENTIFICA PARA IMPUGNAÇÃO DO


LAUDO;

 CONCLUSÃO.

LEI NR. 13.105 DE 16 DE MARÇO DE 2015

CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

CAPÍTULO III

DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA

Art. 149. São auxiliares da Justiça, além de outros cujas atribuições sejam
determinadas pelas normas de organização judiciária, o escrivão, o chefe de
secretaria, o oficial de justiça, o perito, o depositário, o administrador, o
intérprete, o tradutor, o mediador, o conciliador judicial, o partidor, o
distribuidor, o contabilista e o regulador de avarias.

Seção II

Do Perito

Art. 156. O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender
de conhecimento técnico ou científico.

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§ 1o Os peritos serão nomeados entre os profissionais legalmente
habilitados e os órgãos técnicos ou científicos devidamente inscritos em
cadastro mantido pelo tribunal ao qual o juiz está vinculado.

§ 2o Para formação do cadastro, os tribunais devem realizar consulta


pública, por meio de divulgação na rede mundial de computadores ou em
jornais de grande circulação, além de consulta direta a universidades, a
conselhos de classe, ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à Ordem
dos Advogados do Brasil, para a indicação de profissionais ou de órgãos
técnicos interessados.

§ 3o Os tribunais realizarão avaliações e reavaliações periódicas para


manutenção do cadastro, considerando a formação profissional, a atualização
do conhecimento e a experiência dos peritos interessados.

§ 4o Para verificação de eventual impedimento ou motivo de suspeição,


nos termos dos arts. 148 e 467, o órgão técnico ou científico nomeado para
realização da perícia informará ao juiz os nomes e os dados de qualificação
dos profissionais que participarão da atividade.

( Art. 148. Aplicam-se os motivos de impedimento e de suspeição:

I - ao membro do Ministério Público;

II - aos auxiliares da justiça;

.......

Art. 467. O perito pode escusar-se ou ser recusado por impedimento


ou suspeição.

Parágrafo único. O juiz, ao aceitar a escusa ou ao julgar procedente


a impugnação, nomeará novo perito

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III - aos demais sujeitos imparciais do processo.

§ 1o A parte interessada deverá arguir o impedimento ou a suspeição, em


petição fundamentada e devidamente instruída, na primeira oportunidade em
que lhe couber falar nos autos.

§ 2o O juiz mandará processar o incidente em separado e sem suspensão


do processo, ouvindo o arguido no prazo de 15 (quinze) dias e facultando a
produção de prova, quando necessária.

§ 3o Nos tribunais, a arguição a que se refere o § 1o será disciplinada pelo


regimento interno.

§ 4o O disposto nos §§ 1o e 2o não se aplica à arguição de impedimento ou


de suspeição de testemunha.

§ 5o Na localidade onde não houver inscrito no cadastro disponibilizado


pelo tribunal, a nomeação do perito é de livre escolha pelo juiz e deverá recair
sobre profissional ou órgão técnico ou científico comprovadamente detentor do
conhecimento necessário à realização da perícia.

Art. 157. O perito tem o dever de cumprir o ofício no prazo que lhe
designar o juiz, empregando toda sua diligência, podendo escusar-se do
encargo alegando motivo legítimo.

§ 1o A escusa será apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, contado da


intimação, da suspeição ou do impedimento supervenientes, sob pena de
renúncia ao direito a alegá-la.

§ 2o Será organizada lista de peritos na vara ou na secretaria, com


disponibilização dos documentos exigidos para habilitação à consulta de
interessados, para que a nomeação seja distribuída de modo equitativo,
observadas a capacidade técnica e a área de conhecimento.

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Art. 158. O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas
responderá pelos prejuízos que causar à parte e ficará inabilitado para atuar
em outras perícias no prazo de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, independentemente
das demais sanções previstas em lei, devendo o juiz comunicar o fato ao
respectivo órgão de classe para adoção das medidas que entender cabíveis

Seção X
Da Prova Pericial

Art. 464. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação.

§ 1o O juiz indeferirá a perícia quando:

I - a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico;

II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas;

III - a verificação for impraticável.

§ 2o De ofício ou a requerimento das partes, o juiz poderá, em substituição


à perícia, determinar a produção de prova técnica simplificada, quando o ponto
controvertido for de menor complexidade.

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§ 3o A prova técnica simplificada consistirá apenas na inquirição de
especialista, pelo juiz, sobre ponto controvertido da causa que demande
especial conhecimento científico ou técnico.

§ 4o Durante a arguição, o especialista, que deverá ter formação


acadêmica específica na área objeto de seu depoimento, poderá valer-se de
qualquer recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens com o fim de
esclarecer os pontos controvertidos da causa.

Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará


de imediato o prazo para a entrega do laudo.

§ 1o Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da intimação


do despacho de nomeação do perito:

I - arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso;

II - indicar assistente técnico;

III - apresentar quesitos.

§ 2o Ciente da nomeação, o perito apresentará em 5 (cinco) dias:

I - proposta de honorários;

Art. 95. Cada parte adiantará a remuneração do assistente técnico que


houver indicado, sendo a do perito adiantada pela parte que houver requerido a
perícia ou rateada quando a perícia for determinada de ofício ou requerida por
ambas as partes.

§ 1o O juiz poderá determinar que a parte responsável pelo pagamento


dos honorários do perito deposite em juízo o valor correspondente.

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§ 2o A quantia recolhida em depósito bancário à ordem do juízo será
corrigida monetariamente e paga de acordo com o art. 465, § 4o.

§ 3o Quando o pagamento da perícia for de responsabilidade de


beneficiário de gratuidade da justiça, ela poderá ser:

I - custeada com recursos alocados no orçamento do ente público e


realizada por servidor do Poder Judiciário ou por órgão público conveniado;

II - paga com recursos alocados no orçamento da União, do Estado ou do


Distrito Federal, no caso de ser realizada por particular, hipótese em que o
valor será fixado conforme tabela do tribunal respectivo ou, em caso de sua
omissão, do Conselho Nacional de Justiça.

§ 4o Na hipótese do § 3o, o juiz, após o trânsito em julgado da decisão


final, oficiará a Fazenda Pública para que promova, contra quem tiver sido
condenado ao pagamento das despesas processuais, a execução dos valores
gastos com a perícia particular ou com a utilização de servidor público ou da
estrutura de órgão público, observando-se, caso o responsável pelo pagamento
das despesas seja beneficiário de gratuidade da justiça, o disposto no art. 98, §
2o

II - currículo, com comprovação de especialização;

III - contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde


serão dirigidas as intimações pessoais.

§ 3o As partes serão intimadas da proposta de honorários para, querendo,


manifestar-se no prazo comum de 5 (cinco) dias, após o que o juiz arbitrará o
valor, intimando-se as partes para os fins do art. 95.

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(artigo 95 – “ cada parte adiantará a remuneração do assistente técnico
que houver indicado, sendo a do perito adiantada pela parte que houver
requerido a pericia ou rateada quando a pericia for determinada de oficio ou a
requerida por ambas as partes).

§ 4o O juiz poderá autorizar o pagamento de até cinquenta por cento dos


honorários arbitrados a favor do perito no início dos trabalhos, devendo o
remanescente ser pago apenas ao final, depois de entregue o laudo e
prestados todos os esclarecimentos necessários.

§ 5o Quando a perícia for inconclusiva ou deficiente, o juiz poderá reduzir


a remuneração inicialmente arbitrada para o trabalho.

§ 6o Quando tiver de realizar-se por carta, poder-se-á proceder à


nomeação de perito e à indicação de assistentes técnicos no juízo ao qual se
requisitar a perícia.

Art. 466. O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que lhe foi


cometido, independentemente de termo de compromisso.

§ 1o Os assistentes técnicos são de confiança da parte e não estão


sujeitos a impedimento ou suspeição.

§ 2o O perito deve assegurar aos assistentes das partes o acesso e o


acompanhamento das diligências e dos exames que realizar, com prévia
comunicação, comprovada nos autos, com antecedência mínima de 5 (cinco)
dias.

Art. 467. O perito pode escusar-se ou ser recusado por impedimento ou


suspeição.

Parágrafo único. O juiz, ao aceitar a escusa ou ao julgar procedente a


impugnação, nomeará novo perito.

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art. 468. O perito pode ser substituído quando:

I - faltar-lhe conhecimento técnico ou científico;

II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi
assinado.

§ 1o No caso previsto no inciso II, o juiz comunicará a ocorrência à


corporação profissional respectiva, podendo, ainda, impor multa ao perito,
fixada tendo em vista o valor da causa e o possível prejuízo decorrente do
atraso no processo.

§ 2o O perito substituído restituirá, no prazo de 15 (quinze) dias, os valores


recebidos pelo trabalho não realizado, sob pena de ficar impedido de atuar
como perito judicial pelo prazo de 5 (cinco) anos.

§ 3o Não ocorrendo a restituição voluntária de que trata o § 2o, a parte que


tiver realizado o adiantamento dos honorários poderá promover execução
contra o perito, na forma dos arts. 513 e seguintes deste Código, com
fundamento na decisão que determinar a devolução do numerário.

Art. 469. As partes poderão apresentar quesitos suplementares durante a


diligência, que poderão ser respondidos pelo perito previamente ou na
audiência de instrução e julgamento.

Parágrafo único. O escrivão dará à parte contrária ciência da juntada dos


quesitos aos autos.

Art. 470. Incumbe ao juiz:

I - indeferir quesitos impertinentes;

II - formular os quesitos que entender necessários ao esclarecimento da


causa.

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Art. 471. As partes podem, de comum acordo, escolher o perito,
indicando-o mediante requerimento, desde que:

I - sejam plenamente capazes;

II - a causa possa ser resolvida por autocomposição.

§ 1o As partes, ao escolher o perito, já devem indicar os respectivos


assistentes técnicos para acompanhar a realização da perícia, que se realizará
em data e local previamente anunciados.

§ 2o O perito e os assistentes técnicos devem entregar, respectivamente,


laudo e pareceres em prazo fixado pelo juiz.

§ 3o A perícia consensual substitui, para todos os efeitos, a que seria


realizada por perito nomeado pelo juiz.

Art. 472. O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na


inicial e na contestação, apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres
técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficientes.

Art. 473. O laudo pericial deverá conter:

I - a exposição do objeto da perícia;

II - a análise técnica ou científica realizada pelo perito;

III - a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser


predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da
qual se originou;

IV - resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas


partes e pelo órgão do Ministério Público.

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§ 1o No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem
simples e com coerência lógica, indicando como alcançou suas conclusões.

§ 2o É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem


como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do
objeto da perícia.

§ 3o Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos


podem valer-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo
informações, solicitando documentos que estejam em poder da parte, de
terceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com planilhas,
mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros elementos necessários ao
esclarecimento do objeto da perícia.

Art. 474. As partes terão ciência da data e do local designados pelo juiz
ou indicados pelo perito para ter início a produção da prova.

Art. 475. Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área
de conhecimento especializado, o juiz poderá nomear mais de um perito, e a
parte, indicar mais de um assistente técnico.

Art. 476. Se o perito, por motivo justificado, não puder apresentar o laudo
dentro do prazo, o juiz poderá conceder-lhe, por uma vez, prorrogação pela
metade do prazo originalmente fixado.

art. 477. O perito protocolará o laudo em juízo, no prazo fixado pelo juiz,
pelo menos 20 (vinte) dias antes da audiência de instrução e julgamento.

§ 1o As partes serão intimadas para, querendo, manifestar-se sobre o


laudo do perito do juízo no prazo comum de 15 (quinze) dias, podendo o
assistente técnico de cada uma das partes, em igual prazo, apresentar seu
respectivo parecer.

§ 2o O perito do juízo tem o dever de, no prazo de 15 (quinze) dias,


esclarecer ponto:

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I - sobre o qual exista divergência ou dúvida de qualquer das partes, do
juiz ou do órgão do Ministério Público;

II - divergente apresentado no parecer do assistente técnico da parte.

§ 3o Se ainda houver necessidade de esclarecimentos, a parte requererá


ao juiz que mande intimar o perito ou o assistente técnico a comparecer à
audiência de instrução e julgamento, formulando, desde logo, as perguntas,
sob forma de quesitos.

§ 4o O perito ou o assistente técnico será intimado por meio eletrônico,


com pelo menos 10 (dez) dias de antecedência da audiência.

Art. 478. Quando o exame tiver por objeto a autenticidade ou a falsidade


de documento ou for de natureza médico-legal, o perito será escolhido, de
preferência, entre os técnicos dos estabelecimentos oficiais especializados, a
cujos diretores o juiz autorizará a remessa dos autos, bem como do material
sujeito a exame.

§ 1o Nas hipóteses de gratuidade de justiça, os órgãos e as repartições


oficiais deverão cumprir a determinação judicial com preferência, no prazo
estabelecido.

§ 2o A prorrogação do prazo referido no § 1 o pode ser requerida


motivadamente.

§ 3o Quando o exame tiver por objeto a autenticidade da letra e da firma, o


perito poderá requisitar, para efeito de comparação, documentos existentes em
repartições públicas e, na falta destes, poderá requerer ao juiz que a pessoa a

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quem se atribuir a autoria do documento lance em folha de papel, por cópia ou
sob ditado, dizeres diferentes, para fins de comparação.

Art. 479. O juiz apreciará a prova pericial de acordo com o disposto no art.
371, indicando na sentença os motivos que o levaram a considerar ou a deixar
de considerar as conclusões do laudo, levando em conta o método utilizado
pelo perito.

(Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos,


independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as
razões da formação de seu convencimento)

Art. 480. O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a


realização de nova perícia quando a matéria não estiver suficientemente
esclarecida.

§ 1o A segunda perícia tem por objeto os mesmos fatos sobre os quais


recaiu a primeira e destina-se a corrigir eventual omissão ou inexatidão dos
resultados a que esta conduziu.

§ 2o A segunda perícia rege-se pelas disposições estabelecidas para a


primeira.

§ 3o A segunda perícia não substitui a primeira, cabendo ao juiz apreciar o


valor de uma e de outra.

PARTICULARIDADES DA ATUAÇÃO DO PERITO JUDICIAL NA JUSTIÇA


TRABALHISTA

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 Mesmas regras do Código de Processo Civil e das normas estudadas até a
presente aula;
 Atuação de Engenheiros com formação em Segurança do Trabalho (são
chamados de Engenheiro do Trabalho) – Exigência de especialização a
nível de pós-graduação – conforme exige Norma Regulamentadora NR-4 –
MT;
 Atuação de Médicos com formação em Segurança do Trabalho (são
chamados de Médico do Trabalho) – Exigência de especialização a nível de
pós-graduação – conforme exige Norma Regulamentadora NR-4 – MT;
 Atuação de Arquitetos na área de Segurança do Trabalho - Exigência de
especialização a nível de pós-graduação – conforme exige Norma
Regulamentadora NR-4 – MT;
 Fisioterapeutas para atuar em causas de cujo objeto são: doença
ocupacional (LER-DORT), síndrome do túnel de carpo, etc. Ideal ter
conhecimentos profundos de biomecânica ocupacional;
 Psiquiatras e psicólogos para esclarecimentos sobre o estado de saúde
mental do empregado, suas causas e consequências (nexo-causal);
 Atuação de contadores para elaboração de cálculos complexos, não
elaborados pelos calculistas do Tribunal do Trabalho, por falta de formação
especializada e conhecimento técnico-científico;
 Na justiça do Trabalho as pericias costumam ser determinadas no momento
da audiência;
 Na esfera trabalhista o Juízo pode inverter o ônus da prova e determinar de
oficio que a Reclamada pague os honorários periciais, considerando a
hipossuficiência financeira do empregado;
 Profissionais devem estar atentos às Resoluções de seu Órgão de Classe,
no que se refere a atuação como Perito Judicial;
 Os honorários do perito na Justiça do Trabalho são pagos pelo vencido,
independentemente de quem requereu a prova pericial;

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 Estudo das Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e
Emprego;
 As atividades insalubres encontram-se regulamentadas na NR-15 do
Ministério do Trabalho e Emprego e as atividades perigosas estão na NR-
16, todas as NRs encontram-se disponíveis no site do Ministério do
Trabalho;

CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS TRABALHISTAS

Art. 195 - A caracterização e a classificação da insalubridade e da


periculosidade, segundo as normas do Ministério do Trabalho, far-se-ão
através de perícia a cargo de Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho,
registrados no Ministério do Trabalho. (Redação dada pela Lei nº 6.514, de
22.12.1977)

§ 1º - É facultado às empresas e aos sindicatos das categorias


profissionais interessadas requererem ao Ministério do Trabalho a realização
de perícia em estabelecimento ou setor deste, com o objetivo de caracterizar e
classificar ou delimitar as atividades insalubres ou perigosas. (Redação dada
pela Lei nº 6.514, de 22.12.1977)

§ 2º - Argüida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por


empregado, seja por Sindicato em favor de grupo de associado, o juiz
designará perito habilitado na forma deste artigo, e, onde não houver,
requisitará perícia ao órgão competente do Ministério do Trabalho. (Redação
dada pela Lei nº 6.514, de 22.12.1977)

§ 3º - O disposto nos parágrafos anteriores não prejudica a ação


fiscalizadora do Ministério do Trabalho, nem a realização ex officio da
perícia. (Redação dada pela Lei nº 6.514, de 22.12.1977)

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Art.196 - Os efeitos pecuniários decorrentes do trabalho em condições de
insalubridade ou periculosidade serão devidos a contar da data da inclusão da
respectiva atividade nos quadros aprovados pelo Ministro do Trabalho,
respeitadas as normas do artigo 11. (Redação dada pela Lei nº 6.514, de
22.12.1977)

JULGADOS

TRT-3 - RECURSO ORDINARIO TRABALHISTA RO 00919201414503000


0000919-45.2014.5.03.0145 (TRT-3)

Data de publicação: 23/02/2016


Ementa: DOENÇA OCUPACIONAL. PERITO. QUALIFICAÇÃO TÉCNICA.
NULIDADE. Não conseguindo a parte demonstrar que o perito nomeado pelo
Juízo não possui qualificação técnica para apurar a doença ocupacional e seu
nexo causal, não se há falar em nulidade do laudo pericial e retorno dos autos
à origem para a realização de nova perícia.

TJ-RS - Apelação Cível AC 70034086751 RS (TJ-RS)

Data de publicação: 27/10/2011

Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. MASSA FALIDA. HABILITAÇÃO. PERITO.


CRÉDITO DECORRENTE DE PERÍCIA JUDICIAL TRABALHISTA.

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PRIVILÉGIO LEGAL. ARTIGOS 25 E 84 , I , DA LEI 11.101 /2005. AJG
CONCEDIDA EM 1ª GRAU. RECURSO PROVIDO. UNÂNIME. Proveram o
apelo. Unânime. (Apelação Cível Nº 70034086751, Sexta Câmara Cível,
Tribunal de Justiça do RS, Relator: Artur Arnildo Ludwig, Julgado em
20/10/2011)

DAS PARTES

(O PROCESSO PODERÁ TER VÁRIOS AUTORES OU VÁRIOS RÉUS)

AUTOR – (OU REQUERENTE OU DEMANDANTE) - aquele que interpôs a


ação. Podem ser pessoas físicas, jurídicas (pública ou privadas).

RÉU - OU REQUERIDO OU DEMANDADO - aquele que responderá a ação.

REPRESENTAÇÃO

 INCAPAZES SERÃO REPRESENTADOS OU ASSISTIDOS POR SEUS


PAIS, TUTORES OU CURADORES;
 UNIÃO, ESTADOS E O DISTRITO FEDERAL SÃO REPRESENTADOS
POR SEUS PROCURADORES;

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 MUNICIPIOS SÃO REPRESENTADOS POR SEUS PREFEITOS OU
PROCURADORES;
 A MASSA FALIDA SERÁ REPRESENTADA POR SEU ADMINISTRADOR;
 HERANÇA POR SEU CURADOR;
 ESPÓLIO POR SEU INVENTARIANTE;
 PESSOAS JURIDICAS POR AQUELE QUE SEU CONTRATO
DETERMINAR;
 CONDOMINIO POR SEU ADMINISTRADOR OU SÍNDICO.

OBRIGAÇÃO DAS PARTES:

 AGIREM DE BOA-FÉ E LEALDADE;


 EXPOR OS FATOS EM CONFORMIDADE COM A VERDADE;
 NAO RESISTIR INJUSTIFICADAMENTE COM O INTUITO DE ATRASAR
O ANDAMENTO DO FEITO;
 NÃO UTILIZAR O PROCESSO PARA BUSCAR OBJETO ILEGAL;
 NÃO UTILIZAR RECURSOS COM INTUITO MANIFESTAMENTE
PROTELATORIO;
 PROVER AS CUSTAS DO PROCESSO, EXCETO SE PROTEGIDO PELA
AJG.

MINISTÉRIO PÚBLICO:

 PODE SER AUTOR DE AÇÃO CIVIL PUBLICA;


 SÃO INTIMADOS DE TODAS AS FASES DO PROCESSO;
 REQUEREM PROVAS E DILIGÊNCIAS, SEMPRE QUE NECESSÁRIO;
 DEFENSORES DA ORDEM JURIDICA E DO REGIME DEMOCRÁTICO DE
DIREITO;
 DEFENSORERS DOS INTERESSES SOCIAIS E INDIVIDUAIS
INDISPONIVEIS.

SEUS MEMBROS SÃO:

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 OS PROMOTORES DO MINISTÉRIO PUBLICO ESTADUAL;
 OS PROCURADORES DA REPÚBLICA (MINISTÉRIO PÚBLICO
FEDERAL).

E INTERVEM EM CAUSAS CUJO OBJETO SEJA:

 INTERESSE DE INCAPAZES;
 PATRIO PODER;
 TUTELA;
 CURATELA;
 INTERDIÇÃO;
 TESTAMENTOS;
 INTERESSE PÚBLICO;
 ETC.

PETIÇÃO INICIAL

(artigo 319 e seguintes do CPC)

 A petição inicial indicará:


 O juízo a que é dirigida;
 Os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a
profissão, o número do CPF ou CNPJ Pessoa Jurídica, o endereço
eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu;
 O fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
 O pedido com as suas especificações;
 O valor da causa;
 As provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos
alegados;

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 A opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de
mediação;
 Caso não tenha os dados completos do Réu, poderá o autor, na petição
inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a sua obtenção;
 A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à
propositura da ação e se o juiz, ao verificar que a petição inicial não
preenche os requisitos ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes
de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de
15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que
deve ser corrigido ou completado. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz
indeferirá a petição inicial.

Do Pedido

(artigo 322 e seguintes do CPC)

 O pedido deve ser certo.


 A interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e observará
o princípio da boa-fé.
 Na ação que tiver por objeto cumprimento de obrigação em prestações
sucessivas, essas serão consideradas incluídas no pedido,
independentemente de declaração expressa do autor, e serão incluídas na
condenação, enquanto durar a obrigação, se o devedor, no curso do
processo, deixar de pagá-las ou de consigná-las.
 O pedido deve ser determinado.

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É lícito, porém, formular pedido genérico:

 Nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens


demandados;
 Quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato
ou do fato;
 Quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de
ato que deva ser praticado pelo réu.
 É lícito formular mais de um pedido, alternativamente, para que o juiz
acolha um deles.

DA DEFESA (CONTESTAÇÃO)
(artigo 335 e seguintes)

 O réu poderá oferecer contestação, por petição, no prazo de 15 (quinze)


dias, cujo termo inicial será a data, nos Incisos I, II, III e seus parágrafos do
artigo 335).
 Incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo
as razões de fato e de direito com que impugna o pedido do autor e
especificando as provas que pretende produzir.
 Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de
fato constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não
impugnadas, salvo se....

DOS RECURSOS

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(artigo 994)

São cabíveis os seguintes recursos:

I – apelação (quando uma das partes não se conformar com a sentença)

II - agravo de instrumento (quando uma das partes não aceitar uma


decisão interlocutória do Juízo).

III - agravo interno;

IV - embargos de declaração (quando a sentença tiver omissão,


obscuridade ou contradição)

V - recurso ordinário;

VI - recurso especial;

VII - recurso extraordinário;

VIII - agravo em recurso especial ou extraordinário;

IX - embargos de divergência.

DA EXECUÇÃO DA SENTENÇA

(artigo 797 e seguintes do CPC)

I) Ao propor a execução, incumbe ao exequente:

a) instruir a petição inicial com o título executivo extrajudicial; o


demonstrativo do débito atualizado até a data de propositura da ação, quando
se tratar de execução por quantia certa; a prova de que se verificou a condição
ou ocorreu o termo, se for o caso; a prova, se for o caso, de que adimpliu a
contraprestação que lhe corresponde ou que lhe assegura o cumprimento, se o

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executado não for obrigado a satisfazer a sua prestação senão mediante a
contraprestação do exequente;

II - indicar:

a) a espécie de execução de sua preferência, quando por mais de um


modo puder ser realizada;

b) os nomes completos do exequente e do executado e seus números de


inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa
Jurídica;

c) os bens suscetíveis de penhora, sempre que possível.

O demonstrativo do débito deverá conter:

I - o índice de correção monetária adotado;

II - a taxa de juros aplicada;

III - os termos inicial e final de incidência do índice de correção


monetária e da taxa de juros utilizados;

IV - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso;

V - a especificação de desconto obrigatório realizado.

CÓDIGO CIVIL

LEI No 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou


imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito.

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Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-
lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou
social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

- Julgado:
TRT-3 - RECURSO ORDINARIO TRABALHISTA RO 01616201411203003
0001616-68.2014.5.03.0112 (TRT-3)

Data de publicação: 19/02/2016


Ementa: CRIME DE FALSO TESTEMUNHO. RETRATAÇÃO. MOMENTO. O
crime de falso testemunho ou falsa perícia tipificado no art. 342 do Código
Penal Brasileiro refere-se a condutas contra a administração da justiça e
somente pode ser cometido por testemunha, perito, tradutor, contador ou
intérprete, uma vez que estes prestam informações que podem servir de
fundamento para decisões em processos judiciais ou administrativos. As
condutas criminosas consistem no ato de mentir ou deixar de falar a verdade
quando as referidas pessoas estiverem em juízo, processo administrativo,
inquérito policial ou em juízo arbitral. Ocorre, porém, que se o acusado de falso
testemunho desistir da mentira e contar a verdade, no processo em que ele
mentiu e/ou omitiu (...)

TÍTULO V
Da Prova

Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico
pode ser provado mediante:

I - confissão;

II - documento;

III - testemunha;

IV - presunção;

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V - perícia.

(...)

CAPÍTULO IV
Do Enriquecimento Sem Causa

Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem,
será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos
valores monetários.

(...)

Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada,


quem a recebeu é obrigado a restituí-la, e, se a coisa não mais subsistir, a
restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido.

Art. 885. A restituição é devida, não só quando não tenha havido causa
que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir.

Art. 886. Não caberá a restituição por enriquecimento, se a lei conferir ao


lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido.

TÍTULO IX
Da Responsabilidade Civil

CAPÍTULO I
Da Obrigação de Indenizar

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a
outrem, fica obrigado a repará-lo.

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Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano,
independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a
atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua
natureza, risco para os direitos de outrem.

(...)

Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se


podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu
autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.

(...)

Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de


outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais
de um autor, todos responderão solidariamente pela reparação.

(...)

Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la


transmitem-se com a herança.

CAPÍTULO II
Da Indenização

art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano.

Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da


culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, equitativamente, a indenização.

Art. 945. Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso,


a sua indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em
confronto com a do autor do dano.

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Art. 946. Se a obrigação for indeterminada, e não houver na lei ou no
contrato disposição fixando a indenização devida pelo inadimplente, apurar-se-
á o valor das perdas e danos na forma que a lei processual determinar.

(...).

JULGADO

(...) comete ato ilícito. "O comportamento doloso do demandado, ao agir como
contador, mesmo não o sendo, celebrando contrato sob tal qualificação,
subscrevendo pareceres técnicos e perícias contábeis mediante
uso de número de registros de CRC falsos, já configura o ilícito civil,
ensejador de justa reparação por dano moral. (...) ainda que exercendo
ilegalmente a profissão de bacharel em ciências contábeis. Em outras
palavras, vale-se o demandado da sua própria torpeza, em flagrante
ausência de probidade e de boa-fé objetiva contratual. Advirta-se que o
demandado também desrespeitou este Poder Judiciário, ao exercer o
munus de assistente técnico de uma das partes em uma perícia contábil
designada como prova em um processo judicial (ação de Execução nº
0037364-04.1994.8.05.0001). O Poder Judiciário, enquanto instituição
democrática e instrumento de serventia a todos os cidadãos deste país, deve
ser devidamente valorizado por todos aqueles que direta ou indiretamente
dele necessitam. A conduta do demandado é inadmissível e reprovável sob
os olhos da lei, da moral e dos bons costumes. Confessar não ser um
profissional da área de ciências contábeis, ainda que tenha figurado como tal
dentro de um processo judicial como assistente técnico em uma perícia
contábil (que, por lógica, se exige um contador), e ainda, exigir da parte
lesada o cumprimento de qualquer obrigação (...)conduz este Juízo a julgar
pela total procedência da presente ação. POSTO ISTO, julgo PROCEDENTE
a ação para anular o negócio jurídico celebrado pelos litigantes, em
decorrência da verificação de vício de consentimento, na modalidade dolo,

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nos termos dos artigos 145 e 147 do Código Civil, bem como, para declarar,
por consequência, a inexistência de qualquer obrigação a ser cumprida pelos
autores. Uma vez convencido este Juízo da prática de ato ilícito, nos termos
do artigo 186 do Código Civil, condeno o demandado ao
pagamento de indenização por danos morais, considerando proporcional, em
decorrência da gravidade do ato perpetrado pelo demandado, bem como, a
capacidade financeira das partes envolvidas, o montante de R$50.000,00
(cinquenta mil reais) para cada autor, valores estes devidamente corrigidos a
partir da presente data nos termos da Súmula 362 do STJ. Condeno, ainda, o
demandado ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios,
que arbitro em 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação. Proceda o
Cartório deste Juízo a devida ciência deste decisum à DREOF-
Delegacia de Repressão a Estelionato e outras Fraudes desta Capital. R. P. I.
Salvador (BA), 28 de julho de 2015. Claudio Fernandes de Oliveira
Juiz de Direito

CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

CAPÍTULO II

DOS DEVERES DAS PARTES E DE SEUS PROCURADORES

Seção I

Dos Deveres

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Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes,
de seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem
do processo:

(...)

IV - cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza


provisória ou final, e não criar embaraços à sua efetivação;

V - declinar, no primeiro momento que lhes couber falar nos autos, o


endereço residencial ou profissional onde receberão intimações, atualizando
essa informação sempre que ocorrer qualquer modificação temporária ou
definitiva;

VI - não praticar inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito


litigioso.

§ 1o Nas hipóteses dos incisos IV e VI, o juiz advertirá qualquer das


pessoas mencionadas no caput de que sua conduta poderá ser punida como
ato atentatório à dignidade da justiça.

§ 2o A violação ao disposto nos incisos IV e VI constitui ato atentatório à


dignidade da justiça, devendo o juiz, sem prejuízo das sanções criminais, civis
e processuais cabíveis, aplicar ao responsável multa de até vinte por cento do
valor da causa, de acordo com a gravidade da conduta.

§ 3o Não sendo paga no prazo a ser fixado pelo juiz, a multa prevista no §
2o será inscrita como dívida ativa da União ou do Estado após o trânsito em

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julgado da decisão que a fixou, e sua execução observará o procedimento da
execução fiscal, revertendo-se aos fundos previstos no art. 97.

§ 4o A multa estabelecida no § 2o poderá ser fixada independentemente


da incidência das previstas nos arts. 523, § 1o, e 536, § 1o.

§ 5o Quando o valor da causa for irrisório ou inestimável, a multa prevista


no § 2o poderá ser fixada em até 10 (dez) vezes o valor do salário-mínimo.

(...)

Art. 78. É vedado às partes, a seus procuradores, aos juízes, aos


membros do Ministério Público e da Defensoria Pública e a qualquer pessoa
que participe do processo empregar expressões ofensivas nos escritos
apresentados.

(...)

PROCESSUAL CIVIL - AGRAVO DE INSTRUMENTO -PERÍCIA NÃO


REALIZADA NO TEMPO E MODO DEVIDOS – CUMPRIMENTO DE
SENTENÇA EM QUE SE DETERMINOU A NOTIFICAÇÃO DO PERITO QUE
FUNCIONOU NO FEITO A RESTITUIR, POR INDEVIDOS, OS HONORÁRIOS
PERICIAIS POR ELE RECEBIDOS – INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE
BLOQUEIO DOS ATIVOS FINANCEIROS DO PERITO QUE NÃO

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INTEGRARA O FEITO COMO PARTE (ART. 472 DO CPC)– AUXILIAR DA
JUSTIÇA – CRIME DE DESOBEDIÊNCIA CUMPRIMENTO IMEDIATO.
(..) Trata-se, no caso, de um perito - auxiliar da justiça que, após receber uma
ordem judicial, recusou-se a cumpri-la, assim incidindo em crime de
desobediência (art. 330, CP) e também sujeitando-se a qualquer medida que o
magistrado viesse a determinar, com vistas a tornar efetiva a ordem que
expedira.
(...)

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - 5ª CÂMARA DE


DIREITO PÚBLICO - Registro: 2013.0000093037 – ACÓRDÃO. Vistos,
relatados e discutidos estes autos do Reexame Necessário nº 9151771-
28.2007.8.26.0000, da Comarca de Mogi das Cruzes, em que é apelante
JUÍZO EX-OFFICIO, são apelados VICENTE CASTELLANO e LEONOR
CASTELLANO ROCCO.

ACORDAM, em 5ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São


Paulo, proferir a seguinte decisão: "Deram provimento ao recurso. V. U.", de
conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão. O julgamento
teve a participação dos Exmo. Desembargadores FRANCO COCUZZA
(Presidente sem voto), MARIA LAURA TAVARES E NOGUEIRA
DIEFENTHALER. São Paulo, 25 de fevereiro de 2013.

FERMINO MAGNANI FILHO – RELATOR - Assinatura Eletrônica - TRIBUNAL


DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - 5ª CÂMARA DE DIREITO
PÚBLICO - VOTO Nº 7859 - REEXAME NECESSÁRIO Nº 9151771-
28.2007.8.26.0000 - COMARCA DE ORIGEM: MOGI DAS CRUZES - AUTOR
(ES): JUÍZO DA 1ª VARA CÍVEL DE MOGI DAS CRUZES - REQUERIDO (S):
ESPÓLIO DE XXXXX

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DESAPROPRIAÇÃO Reexame necessário Laudo pericial subscrito por
indivíduo sem habilitação técnica, já criminalmente condenado por
falsidade em casos análogos Sentença fundamentada nessa perícia
inidônea Anulação dos atos praticados a partir da nomeação do falso
perito que se impõe Reexame necessário provido. Reexame necessário de r.
sentença proferida pelo digno Juízo da 1ª Vara Cível da Comarca de Mogi
das Cruzes (fls 276/279), que julgou procedente ação de desapropriação
ajuizada pela Municipalidade de Biritiba Mirim contra Espólio de xxxx.
Demanda cujo objeto consistia na expropriação de lote com características
rurais descrito no Decreto 1.640/1995, do referido Município. Não houve
recursos voluntários. É o relatório.

Forçoso reconhecer a nulidade da perícia sobre a qual se fundamentou o


nobre magistrado a quo (fls 104/105). E, por conta disso, também a nulidade
do julgamento ora reexaminado. O indivíduo xxxxx, dito “perito”, não é
engenheiro e não tem habilitação técnica para referido labor. Tornou-se
notório pelos maus laudos que emitiu, sobretudo em ações indenizatórias na
região da Serra do Mar. Acabou condenado na esfera criminal.

De fato, a perícia realizada é nula. Isto porque o perito nomeado pelo MM.
Juízo a quo, Sr. xxxxxxx, não tem habilitação técnica para realização de
perícias de engenharia. (...)

Trata-se de recurso especial interposto pela UNIÃO com base na alínea a do


permissivo constitucional contra acórdão assim ementado: ADMINISTRATIVO
E PROCESSUAL CIVIL. DESAPROPRIAÇÃO. APELAÇÃO DO MINISTÉRIO
PÚBLICO FEDERAL, ARGUINDO PRELIMINAR DE NULIDADE DO
JULGAMENTO EM RAZÃO DE APRESENTAÇÃO DE LAUDO PELO PERITO

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XXXXXX. LAUDO NÃO ACOLHIDO NA SENTENÇA. CORREÇÃO
MONETÁRIA DEVIDA A PARTIR DA DATA DO LAUDO DO ASSISTENTE-
TÉCNICO DO EXPROPRIANTE. (....) 2. O laudo pericial elaborado pelo perito
XXXXXX, que não é engenheiro e não tem habilitação técnica para a
realização de perícia de engenharia, não serviu de fundamento para a
r.sentença, e em razão disso não cabe a anulação do processo requerida pelo
Ministério Público Federal. (...)

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO - 5ª CÂMARA DE


DIREITO PÚBLICO – Anulação da sentença de 1ª. instância, por ter sido
realizada por profissional inapto, cujo registro foi cancelado junto ao
CREA, não podendo atuar como perito, fato que, de per se já implica
nulidade de todos os atos processuais ocorridos após a nomeação (...)

(...) b) nulidade da sentença que adotou como valor da indenização a


estimativa feita em perícia de responsabilidade de um técnico inapto que
funcionou como perito do juízo; c) violação do art. 2º da Lei 5.524/68, pois em
se tratando de um “Técnico Industrial de nível médio” não poderia funcionar
como perito. Sem contrarrazões, subiram os autos. É o relatório. (...) Quanto
à alegada violação do art. 145, § 1º, do CPC, constato que o pleito do
recorrente procede. Senão vejamos. O dispositivo tem a redação seguinte:
Art. 145. Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou
científico, o juiz será assistido por perito, segundo o disposto no art. 421. § 1º
Os peritos serão escolhidos entre profissionais de nível universitário,
devidamente inscritos no órgão de classe competente, respeitado o disposto
no Capítulo VI, seção VII, deste Código. É fato inconteste nos autos que o
perito nomeado pelo juízo não é engenheiro, nem tem habilitação técnica
para realização de perícia de engenharia. A despeito do que consignou o
acórdão recorrido, a perícia de engenharia feita por esse perito inapto
efetivamente serviu de fundamento para a sentença, conforme comprova o
trecho que transcrevo: (...). Em matéria de desapropriação a perícia técnica é

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prova essencial para estipular-se os reais valores para a indenização. Como
prova essencial sobre ela não pode pairar nenhuma dúvida ou senão, mesmo
que tenha a parte Expropriante concordado, em princípio, com o valor
indicado na execrada prova. Da mesma forma, não se pode falar em
preclusão, tendo em vista que o Ministério Público teve acesso aos indícios
da inaptidão do perito somente após a sentença. Ademais, trata-se de
nulidade absoluta, insanável (...) - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE
SÃO PAULO - 5ª CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO

pela indução do Juízo a erro. É inconcebível que o Juiz forme o


seu convencimento com base em opinião de indivíduo que não tem
conhecimento técnico. O perito exerce múnus público ao prestar dados
técnicos ao Juiz. A questão toma especial importância em se tratando de
ação de desapropriação, medida extremamente invasiva, que interfere no
direito constitucional da propriedade. O caráter técnico das informações
periciais é presunção que decorre da formação universitária do perito,
presumindo-se de forma relativa pelo compromisso do seu grau,
presunção que se afasta quando não é o perito detentor da formação técnica
indispensável. Na hipótese, o convencimento do Juiz foi flagrantemente
viciado por opinião de leigo que se passou por perito em engenharia,
sendo nulos todos os atos posteriores aos trabalhos do dito expert, até que
nova perícia seja feita profissional habilitado. Esta é a solução dada pela
jurisprudência desta Corte, como demonstram os arestos seguintes: PERÍCIA
CONTÁBIL. CABE A PROFISSIONAL DE NIVEL UNIVERSITÁRIO,
DEVIDAMENTE INSCRITO NO ORGÃO DE CLASSE. ARTS.145, PAR.1. DO
COD. DE PR. CIVIL E 26 DO DECRETO-LEI Nº 9.295/46. PRECEDENTE DA
3ª. TURMA DO STJ: RESP-5.302. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E
PROVIDO. (REsp 49650/SP, Rel. Ministro NILSON NAVES, TERCEIRA
TURMA. Com essas considerações, conheço em parte o recurso especial e,
nessa parte, dou-lhe provimento para anular o processo a partir da perícia,
determinando o retorno dos autos à instância de origem.

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No presente caso a solução não pode ser diferente, vez que a sentença veio
exclusivamente fundamentada no tal laudo. Assim, fica o processo anulado a
partir da nomeação de XXXXX, determinando-se a reavaliação do imóvel por
perito idôneo.

Ainda que o valor do lote seja aparentemente baixo e condizente com o


mercado local, pode subsistir suspeita sobre a real motivação do subscritor do
respectivo laudo. Mancha que o Poder Judiciário não legitimará. Por meu
voto, dou provimento ao reexame necessário a fim de anular o processo a
partir da nomeação de fls 86, reabrindo-se a fase pericial com a nomeação de
novo perito. FERMINO MAGNANI FILHO. DESEMBARGADOR RELATOR

SANÇÕES EM FACE DO PERITO

STJ - RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA RMS 21546


SP 2006/0045561-4 (STJ)

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Data de publicação: 15/05/2009
Ementa: PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA.
CABIMENTO. MULTAAPLICADA AO PERITO JUDICIAL. ATUAÇÃO
DESIDIOSA. PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA. AUSÊNCIA.
PROPORCIONALIDADE DA MULTA. EXAME PREJUDICADO. 1. Busca-se,
no mandamus, a nulidade do ato judicial que aplicou ao
impetrante, perito judicial, multa de 10% sobre o valor da causa, em virtude
de ter atuado de forma desidiosa na condução dos trabalhos que lhe foram
confiados, contribuindo decisivamente para o retardo do julgamento da lide. 2.
Não tendo o perito legitimidade para recorrer nos autos da ação que lhe
aplicou a multa, cabível é a impetração do mandado de segurança contra o
ato judicial. Precedentes. 3. O mandado de segurança é ação sob rito especial
em que se exige a comprovação de plano do alegado na própria peça
inaugural. No presente caso, o impetrante não logrou trazer aos autos
documentos suficientes para infirmar as conclusões do juízo prolator do ato
impugnado. A sanção aplicada não se fundamenta apenas numa conduta
isolada, mas numa sucessão de atos praticados pelo perito, que foram
determinantes para o retardamento da entrega da prestação jurisdicional. O
impetrante não comprovou que atendeu com presteza às providências
solicitadas pela autoridade judicial, não dando causa ao atraso mencionado na
decisão impugnada, ou, ainda, que houve justo impedimento para sua regular
atuação. 4. Impossível avaliar a proporcionalidade da multa aplicada, pois não
consta nos autos o valor da causa que serviu como base de cálculo para a
referida sanção, bem como o montante fixado a título de honorários periciais. 5.
Recurso ordinário em mandado de segurança não provido.

STJ - RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA RMS 45869 SP


2014/0155145-4 (STJ)

Data de publicação: 15/06/2015


Decisão: . MANDADO DE SEGURANÇA.
CABIMENTO. MULTA APLICADA AO PERITO JUDICIAL. ATUAÇÃO

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DESIDIOSA. PROVA PRÉ..., a nulidade do atojudicial que aplicou ao
impetrante, perito judicial, multa de 10% sobre o valor da causa... Tribunal de
Justiça é no sentido de que, falecendo ao perito judicial legitimidade para
recorrer.

Lealdade institucional no cumprimento dos deveres de ofício

Nas atitudes dolosas, o agente trai o dever de lealdade institucional,


incorrendo em uma vulneração de normas de moral administrativa. Nas
atitudes culposas, o agente trai, de igual modo, a lealdade institucional, que lhe
exige prudência e cuidado no trato de interesses que não lhe pertencem,
porque o setor público, dentro de certos limites, não tolera a incompetência
administrativa e esta é uma modalidade de deslealdade e de imoralidade
administrativa.

As condutas dos peritos podem oscilar, sutilmente, entre categorias


como a culpa, a culpa grave, o erro grosseiro, ou o dolo administrativo, nas
suas variadas modalidades; por isso, vê-se claramente a complexidade dos
conteúdos potenciais do conceito de perito inidôneo, que perpassa regras,
princípios e valores diversos na legislação especializada do Código Processual
Civil.

Um laudo ilícito, confeccionado com desvio de poder, sem suporte em


regras técnicas e racionais, pode refletir o enriquecimento sem justa causa de
alguém. Cuida-se de uma equação aparentemente singela: o laudo gera o

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enriquecimento vertiginoso, sem justa causa, de uma parte em detrimento da
outra.

Consequências da presença de indícios de improbidade: observações


gerais

O que se pode dizer, diante desse contexto, é que tanto o perito, quanto o juiz
responsável pela homologação originária do laudo revestido de sinais de
improbidade, podem ser chamados à responsabilidade pelos canais
competentes, independentemente do trâmite do processo noutras instâncias. A
desconsideração do laudo é matéria a ser equacionada à luz do Direito
Constitucional e do Direito Processual incidentes à espécie. A apuração das
responsabilidades, seja na dimensão punitiva, disciplinar ou ressarcitória, em
suas várias ramificações, é passível de ser equacionada por instâncias
distintas daquelas que homologaram indevidamente o laudo viciado[58].

No monitorar a improbidade, sabe-se que as relações entre ambientes


descontrolados e desonestidade funcional são estruturalmente íntimas. Os
esquemas de prevenção devem funcionar eficazmente, coibindo transgressões
previsíveis. Daí por que age com acerto o tribunal que opta pelo monitoramento
administrativo das atividades dos peritos, inclusive no tocante aos valores de
honorários e conflitos de interesses, além, é evidente, de toda a problemática
relativa à capacidade técnica, sempre em homenagem ao princípio da
independência intelectual ou cognitiva dos juízes e dos princípios
constitucionais que governam a Administração Pública.

É necessário enorme rigor, igualmente, no monitoramento de juízes e


peritos que atuem em áreas politicamente estratégicas ou economicamente

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sensíveis, nas quais, em especial, os laudos periciais tenham terreno fértil para
proliferação. A normativa geral, que prevê deveres e responsabilidades, é
sempre um instrumento idôneo, mas carente de complementações na via
administrativa e no terreno das fiscalizações concretas. Sabe-se que a
impunidade deita suas raízes na crise operacional do sistema punitivo, mais do
que na própria crise do sistema normativo legislado.

Juízes que apreciam causas de enorme vulto econômico, com auxiliares


peritos na confecção de laudos técnicos, reclamam uma incidência mais
detalhada de monitoramento correcional. Isso, porque tais autoridades tornam-
se mais vulneráveis e expostas às influências ostensivas ou sutis de
segmentos poderosos. Daí por que as áreas relativas a falências, cível, direito
econômico, direito tributário, entre outras muitas, podem merecer uma atenção
especial. O que deve ser monitorado, todavia, é o conjunto de processos que
comporte volume considerável de interesses econômicos ou políticos em jogo,
e não meramente as varas especializadas ou comuns. O monitoramento mais
eficaz é aquele que foca os processos judiciais e seus resultados. Adotando
postura crítica e atenta, pode-se detectar, no bojo de algumas ações judiciais,
sintomas eloquentes de improbidade, em qualquer de suas formas. Os agentes
políticos monitorados não devem alimentar nenhum sentimento negativo,
porque a fiscalização mais rigorosa é consequência do próprio funcionamento
do sistema.

Sobre o enriquecimento ilícito e as ferramentas legais ou administrativas


de prevenção ou repressão, registre-se que um perito, ao trabalhar em casos
de alta repercussão econômico-financeira, deve ter seus bens inventariados,
sua evolução patrimonial acompanhada, tal como ocorre com os agentes
públicos expostos ordinária e rotineiramente à Lei 8.429/92, inclusive os juízes
e agentes do Ministério Público. Esse monitoramento, sem embargo, não deve
ser meramente formal, burocrático, devendo alcançar o plano substancial da
efetividade, além de integrar uma rotina desses funcionários públicos
transitórios, alcançando familiares, companheiros, parentes e amigos que se

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mostrarem suficientemente próximos para acobertar transferências indevidas
de bens, patrimônios ou valores.

Não há dúvida de que atitudes suspeitas devem ensejar investigações


cuidadosas e prudentes, comprometidas com o rastreamento de um padrão de
vida incompatível com os vencimentos do sujeito, seja ele perito, seja juiz, seja
qualquer outra espécie de agente público. Os mecanismos de prevenção
encontram um ambiente mais idôneo para seu funcionamento eficaz, desde
que haja compromisso com a transparência e os controles administrativos
permanentes e contínuos. Nesse passo, pautas de eficiência colaboram,
decisivamente, para o fomento à honestidade profissional. Nota-se a
interdependência dessas categorias: quanto maior a ineficiência crônica,
maiores os índices de transgressões desonestas e descontroladas.

Uma vara judicial que não estabeleça controles, nem denote


preocupação com um ambiente transparente, ágil e responsivo, torna-se o
campo mais atrativo para negociações ilícitas, fomentando transgressões de
toda espécie. Um Poder Judiciário que não conte com órgão correcional
especializado e atuante, permitirá, sem dúvida, a proliferação de transgressões
intoleráveis num Estado Democrático de Direito.

De outro lado, é necessário adotar estratégia inteligente no mapeamento


da corrupção. Não é eficaz pretender rastrear uma evolução patrimonial
indevida ou desproporcional de agente público, se não houver um foco correto
e um juízo de proporcionalidade na eleição das metas. O olhar atento, crítico e
direcionado às situações mais preocupantes e sintomáticas resulta necessário,
até mesmo como imperativo de racionalidade das atividades correcionais lato
sensu. Tal estratégia implica uma certa seletividade do Direito Punitivo, em
detrimento de uma vinculação cega a demandas irrazoáveis ou despidas de
conteúdo flagrantemente grave.

Quanto ao perito, não gozando esse de nenhuma espécie de


prerrogativa de foro, uma vez verificados indícios de improbidade, imperiosa a

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remessa de informações ao Ministério Público com atribuição na área, para fins
de instauração do pertinente inquérito civil. É necessário, também, estancar o
laudo abusivo e não o homologar, ou desconsiderá-lo no que concerne aos
efeitos pretendidos por seu autor. Os controles devem incidir em sua plenitude.

Constatada a presença de indícios de participação de autoridade


judiciária, ao homologar indevidamente o laudo ilícito, diante dos sinais já
apontados, cabe, evidentemente, além das medidas gerais pertinentes, adotar
algumas providências especificamente voltadas à tutela do dever de probidade
administrativa. Torna-se necessário efetuar comunicação à corregedoria do
tribunal competente, bem como ao Ministério Público com atribuição para
investigar e ajuizar ação de improbidade.

Conclusões:

Algumas premissas importantes, a saber:

(a) juízes e peritos, como os demais agentes públicos brasileiros, estão


submetidos ao princípio constitucional da responsabilidade, não devendo se
beneficiar de nenhuma espécie de imunidade absoluta por ocasião do
desempenho de suas funções, uma vez que tais funcionários podem praticar,
em tese, atos de improbidade, no exercício indevido de suas funções públicas,
inexistindo óbice a esse enquadramento;

(b) laudos periciais podem ser produzidos de forma desonesta ou


intoleravelmente desidiosa, qualquer delas a configurar, em tese, pela
gravidade das circunstâncias, improbidade administrativa, tipificada na Lei
8.429/92, sujeitando-se o infrator às sanções ali cominadas, quais sejam, perda
da função pública, suspensão de direitos políticos, pagamento de multa civil,
proibição de contratar com a Administração Pública ou dela receber benefícios
ou incentivos, fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por
intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, nos prazos fixados
no art.12 e respectivos incisos da Lei Geral de Improbidade;

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(c) as transgressões que envolverem enriquecimento ilícito ou sem causa
aparente ensejam, além das demais sanções cabíveis, perda dos bens ou
valores havidos ilicitamente, suporte para rastreamento de bens, ativos,
dinheiros, valores e direitos em poder de terceiros ligados ao infrator, quando
houver suspeita de desvios e acobertamentos indevidos;

(d) juízes e peritos que tiverem atuado com erro, ainda que não sejam
enquadráveis nas malhas da Lei Geral de Improbidade, podem ser
responsabilizados pelos ressarcimentos pertinentes aos danos morais e
materiais causados, seja às partes lesadas diretamente, seja à sociedade e
seus interesses difusos, além de ficarem expostos às medidas correcionais
pertinentes, tanto na via disciplinar, quanto no âmbito dos controles externos;

(e) juízes que, ao arrepio de fundamentação idônea, homologam laudos


manifestamente ilícitos, podem ser responsabilizados por ato de improbidade
administrativa, além de se submeterem a outras instâncias de
responsabilização, sendo que o entendimento do STF é no sentido de que tais
autoridades não gozam de prerrogativa de foro quando acionados pela prática
de improbidade, o que equivale a dizer que caberá às autoridades ordinárias a
investigação, processamento e julgamento do magistrado ímprobo, em
conjunto, se necessário, com demais funcionários públicos envolvidos e
simultaneamente à adoção de outras medidas de cunho punitivo.

0308980-98.2013.8.19.0001 - APELACAO - DES. ODETE KNAACK DE


SOUZA - Julgamento: 27/09/2016 - VIGESIMA SEGUNDA CAMARA CIVEL

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER C/C


INDENIZATÓRIA, COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. TRADE
DRESS. CONCORRÊNCIA DESLEAL. AS EMPRESAS LITIGANTES ESTÃO
INSERIDAS NO SEGMENTO MERCADOLÓGICO DE APARELHOS DE
GINÁSTICA, SENDO QUE OS PRODUTOS OBJETOS DA LIDE -
IDENTIFICADOS PELAS LINHAS SENSATION/FUTURE E SELECTION/

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PURE STRENGTH - POSSUEM A MESMA FINALIDADE E APLICAÇÃO.
AGRAVOS RETIDOS. APRECIAÇÃO REQUERIDA EM PRELIMINAR. PROVA
ORAL INDEFERIDA. DIANTE DA VASTA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA,
BEM COMO DO CRITERIOSO LAUDO PERICIAL ELABORADO, NÃO TENDO
A AGRAVANTE DEMONSTRADO A TERATOLOGIA DA DECISÃO.
APLICAÇÃO DO VERBETE SUMULAR Nº TJRJ Nº 156. QUANTO À
NECESSIDADE DE PERÍCIA COMPLEMENTAR OU A REALIZAÇÃO DE UMA
NOVA, A MATÉRIA SE CONFUNDE COM O MÉRITO E COM ELE SERÁ
ANALISADA. LEGITIMIDADE DA SEGUNDA APELADA, EMPRESA
ESTRANGEIRA. CONFORME ATESTA A 9ª ALTERAÇÃO CONTRATUAL DA
EMPRESA NACIONAL, A SEGUNDA AUTORA É UMA DAS SÓCIAS DA
PRIMEIRA, ESTA RESPONSÁVEL PELA DIVULGAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO
EXCLUSIVA EM TERRITÓRIO NACIONAL DOS PRODUTOS DA MARCA
TECHNOGYM. AO CONTRÁRIO DO QUE FAZ CRER A RECORRENTE, A
SEGUNDA AUTORA NÃO BUSCOU SEU INGRESSO NO FEITO COMO
ASSISTENTE LITISCONSORCIAL. ELA, NA QUALIDADE DE FABRICANTE
DOS PRODUTOS DISCUTIDOS, SÓ POR ISSO, JÁ POSSUI LEGITIMIDADE
PARA FIGURAR NO FEITO, MORMENTE QUANDO É DIRETAMENTE
AFETADA PELAS SUPOSTAS CONDUTAS DIRECIONADAS À APELANTE.
QUANTO AO MÉRITO, A FIGURA DO "TRADE DRESS", POR SUA VEZ,
CONSISTE NO CONJUNTO-IMAGEM UTILIZADO PARA IDENTIFICAR
SERVIÇO OU PRODUTO A FIM DE ATRAIR A CLIENTELA, ASSOCIANDO-
OS VISUALMENTE À MARCA. SUA PROTEÇÃO PODE OCORRER PELO
REGISTRO DA MARCA MISTA, PELA FIGURA TRIDIMENSIONAL OU PELO
DESENHO INDUSTRIAL, OU, AINDA, PELO INSTITUTO DA
CONCORRÊNCIA DESLEAL, QUANDO SE REFERIR AO CONJUNTO-
VISUAL NÃO REGISTRADO (CORES, ELEMENTOS GRÁFICOS,
EMBALAGEM, ESCRITA ETC). ENTENDE-SE, PORTANTO, QUE O
ASSUNTO DE CONCORRÊNCIA DESLEAL É MATÉRIA DE PROTEÇÃO
RESIDUAL DA LEI DE PROPRIEDADE INTELECTUAL, RETIRANDO-LHE A
SUA OBJETIVIDADE. ASSIM, INSTA CONSIGNAR QUE O CONJUNTO
VISUAL DOS PRODUTOS MERECE PROTEÇÃO JURÍDICA

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INDEPENDENTEMENTE DE QUALQUER OUTRA FORMALIDADE, HAJA
VISTA SER DESNECESSÁRIO O SEU REGISTRO PARA PLEITEAR SUA
PROTEÇÃO. APLICAÇÃO DA LEI Nº 9.279/96, EM SEU ARTIGO 195 E
INCISOS, BEM COMO DO ARTIGO 209. NORMA INTERNACIONAL
ESTABELECIDA NA CONVENÇÃO DA UNIÃO DE PARIS, INCORPORADA
AO DIREITO INTERNO QUANDO DA PUBLICAÇÃO DO DECRETO N.°
75.572/1975. ARTIGO 10-BIS. ASSIM, PARA A CONFIRMAÇÃO DA PRÁTICA
DA CONDUTA DE CONCORRÊNCIA DESLEAL JÁ RECONHECIDA PELO
JULGADO, A PROVA DOCUMENTAL, ALINHADA À PROVA PERICIAL SÃO
CONTUNDENTES. DESNECESSIDADE DA REALIZAÇÃO DE NOVA
PERÍCIA OU PERÍCIA COMPLEMENTAR. LAUDO PERICIAL PRECISO, QUE
APRECIOU OS PONTOS CONTROVERTIDOS PELA APELANTE. O ILUSTRE
PERITO, ESPECIALISTA NA ÁREA DE PROPRIEDADE INTELECTUAL,
DESEMPENHOU A FUNÇÃO COM TOTAL ISENÇÃO E IMPARCIALIDADE,
APLICANDO FUNDAMENTOS TÉCNICOS AOS QUAIS CONSIDEROU
RELEVANTES PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA. MERA
INSATISFAÇÃO PARCIAL COM AS CONCLUSÕES DO LAUDO,
NOTADAMENTE AQUELAS QUE DESFAVORECEM A TESE DEFENSIVA.
ENTENDIMENTO EXTRAÍDO DO VERBETE SUMULAR TJRJ Nº 155. NESSA
LINHA DE RACIOCÍNIO, AO CONTRÁRIO DO QUE ACREDITA A RÉ, NÃO
SE TRATA DE MERA E INOCENTE UTILIZAÇÃO DE SINAIS (FORMAS E
ELEMENTOS) DE DOMÍNIO PÚBLICO. A CONFRONTAÇÃO DOS
PRODUTOS SENSATION E FUTURE X SELECTION E PURE STRENGTH,
ALIADA AS OUTRAS CONDUTAS PRATICADAS PELO APELANTE, REMETE
À INAFASTÁVEL CONSTATAÇÃO: TRATA-SE DE PRODUTO PRODUZIDO
COM O NÍTIDO ESCOPO DE IMITAR OU, AOS MENOS, DE SE
APROVEITAR DOS PRODUTOS COMERCIALIZADOS PELAS AUTORAS.
DANO MATERIAL PRESUMIDO. QUANTO AO DESCUMPRIMENTO DA
TUTELA ANTECIPADA, HÁ INEQUÍVOCA CONDUTA CONTRÁRIA AO
COMANDO JUDICIAL EM PERÍODO COBERTO PELA VIGÊNCIA DA
LIMINAR. CRITÉRIOS PARA APRECIAÇÃO DO VALOR DECIDO QUE
SERÃO APRECIADOS OPORTUNAMENTE. RECURSO DESPROVIDO

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0038434-97.2016.8.19.0000 - AGRAVO DE INSTRUMENTO - DES. MARCIA
CUNHA DE CARVALHO - Julgamento: 26/09/2016 - VIGESIMA PRIMEIRA
CAMARA CIVEL

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO ANULATÓRIA DE CLÁUSULA


CONTRATUAL C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO E PEDIDO DE
ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU QUE
DETERMINA A EXPEDIÇÃO DE MANDADO DE PAGAMENTO EM FAVOR
DO PERITO. Recurso manejado contra a decisão do seguinte teor: "1- Defiro a
expedição de mandado de pagamento em favor do perito para levantamento
dos seus honorários periciais." Em que pese o agravante alegar que a decisão
afronta ao princípio da motivação das decisões judiciais, bem assim ao
princípio do contraditório e ampla defesa, a decisão recorrida não possui
conteúdo decisório. Realizada a perícia, inexiste óbice à liberação dos
honorários periciais. Se surgirem necessidades de esclarecimentos no decorrer
da instrução estes deverão ser dados pelo perito independentemente de já ter
recebido seus honorários. Despacho de mero expediente. Irrecorribilidade.
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, NA FORMA DO ARTIGO 932, III DO
NCPC.

0012147-61.2008.8.19.0038 - APELACAO - DES. NATACHA TOSTES


OLIVEIRA - Julgamento: 22/09/2016 - VIGESIMA SEXTA CAMARA CIVEL
CONSUMIDOR

Apelação Cível. Ação de Obrigação de fazer c/c Revisão contratual e pedido de


tutela antecipada. Cartão de crédito. Alegação da parte autora de anatocismo e
capitalização de juros. Sentença que pondera que o Laudo Pericial restou
prejudicado, uma vez que não foram apresentados os espelhos das faturas
para adequada análise e julga parcialmente procedente o pedido
exclusivamente para vedar a cumulação da comissão de permanência,
excluindo-se o valor cobrado a título de cumulação de comissão de

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permanência com juros de mora qualquer outro encargo exceto os juros
previstos no contrato, correção monetária e multa prevista no contrato limitado
a 2%. Condenando a parte autora ao pagamento de custas judiciais e
honorários de advogado, fixados em dez por cento do valor da causa.
Inconformismo do réu alegando inaplicabilidade da Teoria da Revisão e
incidência de Recursos Repetitivos quanto ao anatocismo/capitalização
legalidade dos encargos moratórios cobrados conforme Súmula 379 do STJ e
orientações no Recurso Repetitivo n° 1.061.530-RS. Que o STJ consolidou a
jurisprudência no sentido de que "são inaplicáveis aos juros remuneratórios dos
contratos de mútuo bancário as disposições do art. 591 c/c o art. 406 do
CC/02" conforme Resp. 973.827 de 24.09.2012. Impugna quantum fixado a
título de dano moral. Inconformado apela o autor ao argumento de que a
sentença não obedeceu aos requisitos de validade indispensáveis, eis que
necessária se faz a prova pericial a qual foi prejudicada pelo fato da apelada
não ter entregue os documentos requeridos pelo perito, sendo a sua entrega
deferida pelo Juiz "a quo". Pugna pela reforma da sentença para condenação a
ré a pagar o equivalente a repetição de indébito das taxas cobradas
indevidamente onerando os valores das faturas do cartão de credito do
apelante, com o reconhecimento das cobranças de juros abusivos, pratica de
anatocismo, anulação das cobrança de tarifas, cobrança de juros acima de
12% ao ano, IOF, encargos de refinanciamento, custo de manutenção mensal,
requerendo a perícia contábil para apuração das irregularidades, a
compensação nos valores já pagos, bem como a condenação da apelada ao
pagamento de indenização por danos morais no importe de 50 salários
mínimos e excluída a condenação do apelante ao pagamento de custas
processuais e honorários advocatícios, por ser o mesmo beneficiário da
gratuidade de justiça. Faturas de cartão de crédito enviadas para o consumidor
discriminam os gastos efetuados, a multa, os encargos contratuais e a
respectiva taxa daquele período. Logo, não pode ao autor alegar que tais
cobranças são abusivas, já que delas foi previamente informada e com elas
concordou. Diversamente do que alega o autor, a taxa de juros praticada foi
mensalmente informada em cada fatura. Referida taxa se revela compatível

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com as altas taxas de juros praticadas pelo segmento de mercado de cartão de
crédito, não havendo que se falar em equiparação com as taxas do crédito
pessoal. Veja-se o Laudo. No ponto capitalização de juros, sobreveio o
julgamento do recurso especial nº 973.827/RS, representativo de controvérsia,
pela Segunda Sessão do C. Superior Tribunal de Justiça. Tal acórdão
paradigma examinou a questão da capitalização de juros, entendendo pela
possibilidade de sua incidência nos contratos firmados a partir da MP 1.963-
17/2000, desde que expressamente prevista em cláusula contratual. Súmula nº
596 da do STF, que consolidou o entendimento de que as instituições
financeiras estão livres do cerceamento dos juros usurários estabelecido pela
Lei de Usura: "As disposições do Dec.22626/33 não se aplicam às taxas de
juros e aos outros encargos cobrados nas operações realizadas por instituições
públicas ou privadas que integram o sistema financeiro nacional". Súmula nº
382 do Egrégio STJ não socorre à pretensão recursal: "A estipulação de juros
remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade".
Expressa previsão de incidência de juros capitalizados nas faturas, o que é
legítimo para a Corte Superior. Compulsando-se os autos, verifica-se a
Cláusula 2.1 estabelece que quanto ao atraso, há incidência dos seguintes
encargos: "21.1. - Na hipótese de não pagamento da FATURA no vencimento e
na forma pré-estabelecida, poderão incidir os seguintes encargos: (i) multa de
2% (dois por cento) calculada sobre o saldo devedor total da fatura; (ii) juros
remuneratórios indicados na Fatura, mais juros moratórios à taxa de 1% (um
por cento) ao mês, ambos capitalizados diariamente, aplicáveis sobre os
valores devidos e não pagos desde a data do vencimento até a data do efetivo
pagamento; e (iii) tributos devidos na forma da legislação em vigor. 21.2. Caso
você realize o pagamento da sua Fatura em atraso, você deve consultar na
Central de Relacionamento qual o valor atualizado do seu saldo devedor (valor
total da fatura + multa + juros remuneratórios + juros de mora) na data do
pagamento. Se você optar por pagar valor inferior ao saldo devedor atualizado,
a diferença será financiada pelo Emissor, estando sujeita à cobrança de
Encargos, conforme previsto na cláusula 13.3. acima." Assim, andou bem o juiz
sentenciante ao determinara exclusão o valor cobrado a título de cumulação de

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comissão de permanência com juros de mora qualquer outro encargo exceto os
juros previstos no contrato, correção monetária e multa prevista no contrato
limitado a 2%. Dano moral não configurado posto que não restou demonstrado
nos autos ofensa ao direito personalíssimo do autor; vez que a inserção em
cadastro restritivo decorre de inadimplência confessada pelo consumidor.
Quanto à gratuidade e custas, há que se observada a suspensão determinada
pela Lei 1060/50. Sentença que não merece reparo. RECURSOS
CONHECIDOS E NÃO PROVIDOS.

0008156-53.2011.8.19.0206 - APELACAO - DES. MURILO KIELING -


Julgamento: 21/09/2016 - VIGESIMA TERCEIRA CAMARA CIVEL
CONSUMIDOR

EMENTA: RECURSO DE APELAÇÃO. Relação jurídica de consumo. Contrato


de plano de assistência à saúde. Recusa da operadora em autorizar a
internação da autora, sob o argumento de existência de prazo contratual de
carência pendente de cumprimento. Sentença de parcial procedência,
determinando que a ré suspenda a cobrança de qualquer valor referente à
internação narrada na exordial, com declaração de inexistência de débito em
nome da autora referentes aos fatos narrados na lide, e condenando a
operadora ao pagamento de R$ 8.000,00 (oito mil reais) a título de reparação
por danos morais. Recurso privativo da parte ré. Quadro clínico da autora, à
época da propositura da demanda, que inspirava cuidados e indicava sua
internação em UTI Pediátrica para acompanhamento e suporte, diante da
suspeita de ser portadora da virose denominada Dengue. Ao contrário da tese
recursal sufragada, o laudo técnico elaborado pelo perito nomeado, é
contundente em apontar que o quadro clínico da autora ostentava, à época do
evento, cunho de emergência, circunstância que impunha a obrigatoriedade no
atendimento médico prescrito, na forma do artigo 35-C, inciso I, da Lei
9.656/1998. Contudo, há de ser ressaltado que a matéria pertinente à cobertura
do atendimento nos casos de urgência e emergência, a que trata o dispositivo
legal sobredito, encontra-se disciplinada pela Resolução do Conselho de
Saúde Suplementar nº 13/1998, a qual dispõe que nas hipóteses de

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emergência, quando pendente o cumprimento de prazo contratual de carência,
a operadora, embora tenha que prestar atendimento ambulatorial, não está
compelida ao custeio da internação hospitalar. Não se olvida que as relações
estabelecidas entre as operadoras/seguradoras e os aderentes dos contratos
de plano de saúde ofertados no mercado de consumo, além de regidas por
legislação específica, norteiam-se pelas normas e princípios do CDC,
precipuamente, para que alcancem a garantia fundamental prevista na
Constituição da República. Todavia, a defesa do consumidor não pode ser
confundida com a preponderância deste, sob pena de aviltamento ao princípio
da igualdade insculpido na Carta Magna. Existência de ação civil pública em
trâmite, proposta pelo Ministério Público Federal em face da Agência Nacional
de Saúde Suplementar, distribuída para 6ª Vara Federal de São Paulo, sob o nº
0002894-45.2009.4.03.6100, visando à declaração de nulidade dos artigos 2º,
3º e 6º da Resolução CONSU nº 13/1998, em cujos autos foi prolatada
sentença de improcedência. Infere-se que o cenário em apreciação assinala
divergência entre as partes quanto ao alcance da cobertura médico-hospitalar
ofertada pela operadora, a qual não se revela destituída de substrato fático,
porquanto, funda-se em discussão de cláusula contratual e de normas legais e
regulamentares, assim como na abrangência do risco assumido pela
operadora, o que impõe uma maior cautela na análise da questão afeta ao
dano moral. Diante do embate, fundado em questão meramente contratual, foi
chamado o Poder Judiciário a intervir. Dissipou a litigiosidade, com a forma
imperativa do determinar que se faça. Dano extrapatrimonial não configurado.
Embora o tópico discutido nos autos envolva princípios e direitos fundamentais,
como dignidade da pessoa humana, vida e saúde, a justificar a intervenção do
Poder Judiciário, tal intercessão não poderá se revestir de caráter
excessivamente invasivo, devendo a atividade judicial guardar parcimônia,
precipuamente, na hipótese em que da tutela do direito fundamental de um
poderá advir grave lesão a direitos de outros tantos. A imposição de
pagamento de verba compensatória tornará a relação excessivamente onerosa
e acarretará o desequilíbrio financeiro do contrato. Impossibilidade de se
contrapor ao direito da operadora de aguardar a prolação de decisão judicial

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que promova a correta interpretação de disposições contratuais limitativas de
cobertura de serviços médicos, pois ao contrário aviltado estaria o seu direito
constitucional de ação. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE
PROVIDO.

DES. ANTONIO CARLOS BITENCOURT - Julgamento: 14/09/2016 -


VIGESIMA SETIMA CAMARA CIVEL CONSUMIDOR

Apelação cível. Direito do Consumidor. Ação de Responsabilidade Civil.


Energia elétrica. Recuperação de consumo na unidade comercial do autor.
Lavratura de Termo de Ocorrência de Irregularidade. Pedido de cancelamento
do Contrato de parcelamento de débito e dos débitos do mesmo decorrentes,
devolução em dobro da quantia de R$2.636,24 e indenização a título de danos
morais. Sentença de Improcedência. Laudo pericial que não deixa dúvidas que
"houve a manipulação intencional no medidor por terceiros no intuito de lesar a
Ré, uma vez que o relógio medidor de consumo de energia elétrica deixou de
registrar parte do consumo efetivo do imóvel em questão, acarretando,
consequentemente, em cobranças mensais de consumo de energia elétrica
com valores inferiores ao realmente utilizado pela unidade consumidora. Assim
é devido a recuperação do consumo não medido, com base na análise técnica
do histórico, como determina a Resolução 456 da ANEEL. Idoneidade da
Perícia judicial. Não há nos autos qualquer vício formal ou notícia de conduta
que abone a idoneidade do perito, portanto deve-se levar em consideração sua
conclusão, em especial pela ausência de qualquer prova em contrário
produzida pela parte adversa. Sentença mantida pelos seus próprios e jurídicos
fundamentos.

JULGADOS NA ESFERA TRABALHISTA

Trata-se de Pedido de Providências formulado pelo Sindicato dos Auxiliares de


Administração Escolar do Estado do Rio de Janeiro - Saae, insurgindo-se
contra a morosidade na solução da Reclamação Trabalhista n.º 0041000-
10.1992.5.01.0421, que tramita há 18 (dezoito) anos sem a satisfação do

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crédito exequendo. Relata que ajuizou, em 03/04/1992, reclamação trabalhista
contra a Fundação Educacional Dom André Arcoverde, que não cumpriu
acordo coletivo concedendo correção de 484,80% sobre o salário do mês de
março/90 aos seus funcionários. Diz que a demanda foi julgada procedente,
tendo sido a reclamada condenada ao pagamento das diferenças devidas aos
funcionários integrantes da categoria profissional dos Auxiliares de
Administração Escolar do Estado do Rio de Janeiro, constante da lista de
substituídos apresentada aos autos e não impugnada. Menciona o sindicato
autor que opôs embargos de declaração, que foram acolhidos para integrar a
sentença proferida. Contra esse acórdão, a reclamada interpôs recurso
ordinário, devidamente contrarrazoado. O Ministério Público do Trabalho emitiu
parecer no sentido de dar provimento parcial ao recurso da reclamada e
provimento ao recurso da reclamante. Porém, a Turma deu provimento, em
parte, ao recurso da reclamada para excluir da condenação
os honorários advocatícios, e deu provimento, em parte, ao recurso do
reclamante para determinar que a substituição se estenda a todos os
empregados da reclamada. Narra, dentre diversos acontecimentos, os
seguintes: ante a complexidade do processo, a execução foi realizada por
arbitramento, tendo sido nomeado como perito o Sr. Nilton Machado Ávila e
arbitrado seus honorários, cuja discussão atrasou o processo por vários meses
sem que o Exmo. Juiz Dr. Sérgio Rodrigues tomasse qualquer providência;
após, o Sr. perito apresentou o seu laudo, que foi impugnado por ambas as
partes; em 30 de julho de 2003, a reclamada retirou os autos de cartório, sem
devolvê-los até 10 de setembro de 2003 e sem que fosse tomada qualquer
providência pela secretaria da Vara, motivo pelo qual o reclamante peticionou
solicitando a intimação da reclamada para devolução do feito que, na época, já
tramitava por dez anos; o Exmo. Juiz Dr. Luiz Nelcy Pirez de Souza determinou
nova perícia, nomeando o Sr. Marcelo Pena Rodrigues; após inúmeras perícias
e impugnações, a Reclamada apresentou nova impugnação com cálculos às
fls. 1216 e ss; o douto Magistrado homologou os cálculos; contudo, a
reclamada, visando única e exclusivamente protelar o feito, apresentou
embargos à execução à fl. 1278, os quais foram julgados improcedentes; à fl.

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1325, foi interposto agravo de petição pela reclamada, ao qual a Turma deu-lhe
provimento para refazer os cálculos, excluir os trabalhadores que não
pertençam à categoria profissional representada pelo sindicato autor e
compensar os valores recebidos com aqueles devidos pelos trabalhadores
substituídos no processo; após o retorno do processo à Vara de origem,
novamente foram apresentados cálculos à fl. 1431 pela reclamada e
impugnados pelo autor, já que encontravam-se em desconformidade com o
determinado no acórdão que julgou o agravo de petição; os cálculos
apresentados com a impugnação do autor foram homologados e a reclamada,
mais uma vez, opôs embargos à execução. Conclui, com lastro nessas
alegações, que a reclamada conseguiu protelar o feito por mais de 17
(dezessete) anos e os substituídos, até o momento, não conseguiram receber
qualquer valor. Por isso, solicita sejam tomadas as devidas providências para o
deslinde da referida reclamação trabalhista, que conta com 18 (dezoito) anos
sem a devida satisfação do crédito exequendo. À análise. DECIDO. A
intervenção da Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho, conforme prevista
nos artigos 709 da CLT e 7º do Regimento Interno da CGJT, está limitada à
fiscalização dos Tribunais Regionais do Trabalho, seus Presidentes, Juízes
Titulares e Convocados, bem como das Seções e Serviços Judiciários dos
tribunais. Extrapola a competência deste órgão o exame de atos supostamente
irregulares, omissivos ou abusivos praticados na primeira instância. A
intervenção correicional na primeira instância compete à Corregedoria Regional
do Tribunal a que estiver vinculado o juízo, nos termos do art. 682, XI, da CLT.
O presente pedido de providências se refere a excesso de prazo na solução da
reclamação trabalhista n.º 0041000-10.1992.5.01.0421, atualmente em fase de
execução na Vara do Trabalho de Barra do Piraí/RJ. A insurgência, portanto,
deve ser dirigida à Corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª
Região, órgão que detém a competência para exercer atividade correicional
nas Varas do Trabalho daquela Região. Ante o exposto e com base no art. 113,
§ 2.º, do Código de Processo Civil, DECLINO da competência para exame da
matéria à Corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região,
determinando a remessa dos autos. Intime-se o requerente. Publique-se.

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Brasília, 14 de dezembro de 2010. Firmado por assinatura digital (MP 2.200-
2/2001) Ministro CARLOS ALBERTO REIS DE PAULA Corregedor-Geral da
Justiça do Trabalho.

Requerente:LAJE CONSTRUÇÕES LTDA.

Advogado :Dr. Márcio Augusto Lisboa dos Santos Junior

Requerido :PASTORA DO SOCORRO TEIXEIRA LEAL -


DESEMBARGADORA DO TRT DA 8ª REGIÃO.

Terceiro :WALCIR DA SILVA SANTOS

DESPACHO

I) RELATÓRIO

Trata-se de correição parcial, com pedido de liminar, proposta por Laje


Construções LTDA. contra ato supostamente tumultuário da boa ordem
processual praticado pela Desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho
da 8ª Região Pastora do Socorro Teixeira Leal, ao indeferir o pedido de liminar
nos autos do Mandado de Segurança 0000616-69.2016.5.08.0121.

O referido mandado de segurança, com pedido de liminar inaudita altera pars,


foi impetrado pela ora Requerente contra ato do Juiz da 3ª Vara do Trabalho de
Ananideua, que, nos autos da Reclamação Trabalhista nº 0000944-
24.2016.5.08.0121, determinou a antecipação dos honorários pela requerente
no valor de R$ 2.500,00 para fins de realização de perícia médica com o fim de
verificação do nexo causal entre a doença e o trabalho desempenhado pelo
reclamante, ora terceiro interessado, sob pena de inversão do ônus da prova.
Determinou, ainda, que, -apresentado o laudo, liberem-se os valores dos

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honorários ao perito e intime-se às partes para ciência e manifestação, caso
queiram, no prazo de 15 dias, sob pena de preclusão- (pág. 95 do seq. 1).

Informa que, estando pendente de julgamento o mandado de segurança, o qual


teve pedido liminar rejeitado, não há outra medida a ser intentada com o fim de
sustar o ato impugnado.

Argumenta que o prejuízo processual é evidente, na medida em que o ato de


não concessão da liminar em mandado de segurança com a manutenção da
decisão que determinou o pagamento prévio dos honorários periciais atenta
contra o bom andamento do processo e impõe ônus excessivo a uma das
partes, mesmo na hipótese de não ser sucumbente no objeto da perícia,
obrigando-a a sofrer sanções de natureza processual pela antecipação dos
referidos honorários, -sobretudo com a liberação do valor ao perito, antes
mesmo da efetivação da notificação das partes acerca do laudo pericial- (pág.
10 do seq. 01).

Acrescenta serem exorbitantes os honorários periciais fixados e esclareceu que


o reclamante requereu justiça gratuita, motivo pelo qual, nos termos da
Resolução 66/2010, o valor a título de honorários não poderia ultrapassar o
limite de R$ 1.000,00.

Requer a concessão da medida liminar, a fim de que seja -determinada a


suspensão da decisão, no particular quanto a liberação do valor antecipado a
título de honorários periciais, na hipótese da empresa ser vencedora no objeto
da perícia e seja determinada a suspensão da decisão, no particular quanto ao
valor a ser antecipado, cingindo-se a quantia de R$ 1.000,00 (um mil reais), a
teor do artigo 3° da Resolução no 66 de 10 de junho de 2010- (pág. 13 do seq.
1).

II) FUNDAMENTAÇÃO

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Nos termos do artigo 6º, II, do RICGJT, -São atribuições do
Corregedor-Geral: (...) II - decidir Correições Parciais contra atos atentatórios à
boa ordem processual, praticados pelos Tribunais Regionais, seus Presidentes
e Juízes, quando inexistir recurso processual específico- (destaque atual).

Segundo o artigo 13, caput, do RICGJT, -A Correição Parcial é


cabível para corrigir erros, abusos e atos contrários à boa ordem processual e
que importem em atentado a fórmulas legais de processo, quando para o caso
não haja recurso ou outro meio processual específico- (destaque atual).

Por outro lado, o artigo 709, II, da CLT, dispõe que -Compete ao
Corregedor, eleito dentre os Ministros togados do Tribunal Superior do
Trabalho: (...) II - decidir reclamações contra os atos atentatórios da boa ordem
processual praticados pelos Tribunais Regionais e seus presidentes, quando
inexistir recurso específico;- (destaque atual).

Conforme relatado, a presente correição parcial foi proposta


contra decisão proferida em sede de liminar requerida em Mandado de
Segurança.

Contudo, a decisão que rejeitou a liminar é passível de


impugnação mediante recurso próprio, qual seja, agravo regimental, nos
termos do artigo 227, § 5º, do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região.

A existência de recurso específico para impugnar a decisão


questionada pela requerente revela ser incabível a presente correição parcial.

Entretanto, cabe analisar a aplicação, no presente caso, do


disposto no parágrafo único do artigo 13 do RICGJT, segundo o qual: -Em
situação extrema ou excepcional, poderá o Corregedor-Geral adotar as
medidas necessárias a impedir lesão de difícil reparação, assegurando, dessa

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forma, eventual resultado útil do processo, até que ocorra o exame da matéria
pelo órgão jurisdicional competente-.

A jurisprudência do TST já pacificou entendimento no sentido de


ser ilegal a exigência de depósito prévio para custeio dos honorários periciais,
dada a incompatibilidade com o processo do trabalho, conforme disposto na
Orientação Jurisprudencial nº 98 da SBDI - II, in verbis:

-98. MANDADO DE SEGURANÇA. CABÍVEL PARA ATACAR EXIGÊNCIA DE


DEPÓSITO PRÉVIO DE HONORÁRIOS PERICIAIS (nova redação) - DJ
22.08.2005

É ilegal a exigência de depósito prévio para custeio dos honorários periciais,


dada a incompatibilidade com o processo do trabalho, sendo cabível o
mandado de segurança visando à realização da perícia, independentemente do
depósito-.

Assim, a obrigação de se depositar os honorários periciais, para fins de


realização de perícia médica, que tenha por escopo a verificação do nexo
causal entre a doença e o trabalho desempenhado pelo reclamante, sob pena
de inversão do ônus da prova, impõe risco ao resultado útil do processo. Mais
ainda com relação à liberação do valor que seria previamente depositado, à
medida que qualquer decisão posterior que considere a requerente não
sucumbente no objeto da perícia, ensejaria enorme prejuízo e dispêndio para
recuperação da quantia, podendo consubstanciar lesão de difícil reparação.

Constata-se, ainda, a existência do perigo da demora em razão da imposição


da condição de depósito prévio para a realização da perícia, ensejando
prejuízo ao seguimento do processo.

Nesse diapasão, a melhor solução para impedir lesão de difícil reparação, com
vista a assegurar eventual resultado útil do processo, até que ocorra exame da

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matéria pelo órgão jurisdicional competente, é o deferimento da liminar para
suspender a determinação de antecipação dos honorários pela requerente (R$
2.500,00), para fins de realização de perícia médica, nos autos da Reclamação
Trabalhista 0000944-24.2016.5.08.0121, até a publicação da decisão a ser
proferida no julgamento Mandado de Segurança nº 0000616-
69.2016.5.08.0121.

III) CONCLUSÃO

Ante o exposto, com fundamento nos arts. 13, parágrafo único, e 20, inc. II, do
RICGJT, DEFIRO a liminar, para suspender a determinação de antecipação
dos honorários pela requerente (R$ 2.500,00), para fins de realização de
perícia médica, nos autos da Reclamação Trabalhista nº 0000944-
24.2016.5.08.0121, até a publicação da decisão a ser proferida no julgamento
Mandado de Segurança nº 0000616-69.2016.5.08.0121.

Dê-se ciência do inteiro teor desta decisão, por ofício e com urgência, na forma
do art. 21, parágrafo único, do RICGJT, à Requerente, à Desembargadora
requerida PASTORA DO SOCORRO TEIXEIRA LEAL, ao Juiz Titular da 3ª
Vara do Trabalho de Ananideua - MARCO PLINIO DA SILVA ARANHA - e ao
Terceiro Interessado.

Publique-se.

Brasília, 12 de setembro de 2016.

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RENATO DE LACERDA PAIVA

Ministro Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho

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Bibliografia:

Código de Processo Civil, Código Civil, Código Penal, Código de Processo


Penal, CLT, Revista dos Tribunais, Desembargador Pinto Alberto Filho,
Resoluções pertinentes, Constituição Federal, Lei 1060/50, pesquisas
Jurisprudências e Julgados.

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