Você está na página 1de 104

ENGENHOS

DE ALMANAQUE
2020 ficará marcado não somente como o ano em que a convivência entre as
pessoas foi afetada pela pandemia de covid-19. Ele também deverá ser lembrado
como o período em que nos vimos chamados a reinventar os meios de nos
relacionarmos e, principalmente, de cuidarmos uns dos outros. É nesse sentido
que o FestA! –  Festival de Aprender, impedido de promover a reunião entre os
que cultivam o prazer de aprender e de criar, remodela o seu formato e vai ao
encontro desses aprendizes-criadores em suas casas. O veículo escolhido para
isso não poderia ser mais sugestivo: o almanaque, em seu cruzamento com
o universo dos manuais.

Popular, o bom e velho almanaque é conhecido pela variedade de temas e pela forma
dinâmica com que os aborda. Acessível a diferentes idades, suas edições conferem
toques pitorescos a assuntos que, de outra maneira, pareceriam sérios demais.
Ao juntar o leque de saberes difundidos por esse antigo modelo editorial com a série
de mecanismos e engenhocas detalhados pelos manuais técnicos, o Almanaque
FestA! busca propiciar o diálogo entre o prazer e o fazer artísticos, convidando toda
a família a descobrir as possibilidades aqui contidas.

Combinando curiosidades, jogos, modos de fazer e estímulos à criação, o presente


Almanaque procura traduzir a atmosfera festiva dessa ação anual do Sesc, iniciada
em 2017. O princípio orientador do FestA! reside no reconhecimento do potencial
criador de cada um de nós, independentemente de quaisquer fatores externos ao
desejo de nos expressarmos artisticamente. É ele que, aliás, abre caminho para a
manifestação poética, valendo-se de vocabulários artísticos e recursos tecnológicos
fornecidos tanto pela contemporaneidade como pela tradição.

Os atuais anseios e capacidades inventivos podem encontrar vias de realização


naquilo que as gerações anteriores deixaram como legado – sendo que este
também resulta da reelaboração de heranças ainda mais remotas. O almanaque,
originalmente voltado aos marcos temporais astronômicos, passou a englobar
elementos referentes aos mais diversos ramos do conhecimento. Hoje, em plena
era da informação e do remix, mostra-se possível fazer desse tipo de publicação
um suporte de engenhosidades cujas materializações dependem daqueles que
o manipulam e utilizam. Esse é o convite.

Danilo Santos de Miranda


Diretor Regional do Sesc São Paulo
A ARTE DO
Proporcionar oportunidades de experimentar
técnicas artísticas e conhecimentos diversos por

ENCONTRO
meio da aproximação de artistas, artesãos e fazedores
com pessoas interessadas em aprender, em clima
de celebração: foi com esse objetivo que nasceu
o FestA! – Festival de Aprender, realizado anualmente
pelo Sesc São Paulo desde 2017.

Em 2020, vimos os planos de encontros presenciais


serem suspensos, sem perspectivas de quando
poderíamos reunir pessoas novamente. O que parecia
um impedimento virou um desafio: como promover
a convergência de novos aprendizados em um mundo
isolado, mas com muita vontade de conexão?

Pois bem, compartilhar conhecimento é o nosso foco


e também a nossa missão. Para isso, nos colocamos em
marcha para desenvolver algo que nos aproximasse dos
nossos públicos e nos colocasse diante da possibilidade
do encontro, mesmo que à distância. Assim, surgiu
o desejo do Almanaque FestA!, esta espécie de livro,
manual, guia e caderno de jogos que agora você
tem em mãos.

Desde o princípio, nosso desejo era que esta


publicação chegasse aos lares e fosse compartilhada,
lida e desfrutada de forma coletiva. Em um mundo
cada vez mais mediado por telas, sugerimos uma pausa,
um respiro na rotina. E que, nesse momento de lazer,
lular
d o seu ce
me r a nheça
te a câ a e co
Apon de a c im te
QR Co o des
para o s d a criaçã p ode
t idor e bém
b a s t a m
os . Você
naque ital em
prazer e inspiração, tenhamos tempo para dividir algo Alma ão dig festa
naque
v e r s
ra a
baixa r / a lm
novo com quem a gente convive. Este Almanaque não .org.b
é para ser lido sozinho, é um objeto de encontros sescsp
e descobertas, de mudança de olhares.

Com esta publicação, queremos potencializar a criação


de diferentes universos artísticos, por qualquer pessoa,
em qualquer lugar. Para tanto, reunimos arte-educadores Acomp
anhe o
da equipe do Sesc São Paulo e profissionais de outras na inte Alman
rnet e n aque
áreas. Tivemos ao nosso lado artistas de diversas E não d a s redes
eixe de sociais
suas cr compa .
linguagens, criando as linhas e cores das páginas iações rtilhar
e fotos
que você vê agora. Ao pensar as sete seções deste #Alma utilizan
naqu eFesta do
Almanaque, buscamos a essência das linguagens Sesc
artísticas abordadas, reunindo, dentro de cada uma,
curiosidades, histórias, exemplos, jogos e proposições
criativas para que possamos dividir experiências.

Não é preciso ter conhecimento prévio para realizar


as atividades, só é necessário ter vontade e deixar
a criatividade fluir. Fizemos, assim, um Almanaque para
que as pessoas desenvolvam juntas a curiosidade pelas
artes visuais e suas tecnologias, colocando as mãos na
massa e transformando seus entornos. Se em 2020 não
foi possível realizar nossa grande FestA! nas unidades
do Sesc, demos um jeito de chegar até você, de nos
reunirmos, para assim proporcionar esse encontro único
com o potencial de criação que temos dentro de nós.

Equipe Almanaque FestA!


9 IMPRESSÃO,
MATRIZ & CÓPIA
VOCÊ SABIA?  Para imprimir, offset  10
ARTE NO TEMPO  Extra, extra!  12
FESTA EM CASA  Gravura em isopor  13
MÁQUINAS MARAVILHOSAS  Prensa para gravura  14
ENSAIO VISUAL  Eduardo Ver  15
JOGOS  Uma impressionante impressoteca e outros  16

21 TRAMA
VOCÊ SABIA?  Não se perca neste emaranhado  22
ARTE NO TEMPO  Eram as deusas tecelãs?  24
FESTA EM CASA  Tear alternativo  25
MÁQUINAS MARAVILHOSAS  Tear de pente liço  26
ENSAIO VISUAL  Sônia Paul  27
JOGOS  Trama de papel e outros  28

35 TRAÇO
VOCÊ SABIA?  Penso, logo rabisco  36
ARTE NO TEMPO  Você está aqui  38
FESTA EM CASA  É arte na fita!  39
ENSAIO VISUAL  Montez Magno  40
JOGOS  Desafio do desenho e outros  42

47 PIGMENTO
VOCÊ SABIA?  As cores da identidade  48
ARTE NO TEMPO  Aventura em cores  50
FESTA EM CASA  Tintas que vêm da cozinha  51
MÁQUINAS MARAVILHOSAS  Máquina de tatuagem  52
ENSAIO VISUAL  Adriana Varejão  53
JOGOS  Cor a cor e outros  54
59 FORMA & VOLUME
VOCÊ SABIA?  Do barro ao vaso  60
ARTE NO TEMPO  Todas as formas  62
FESTA EM CASA  Você é quem esculpe  63
MÁQUINAS MARAVILHOSAS  Impressora 3D  64
ENSAIO VISUAL  Eduardo Frota  65
JOGOS  Acervo pessoal e outros  66

71 IMAGEM, TEMPO
& MOVIMENTO
VOCÊ SABIA?  A magia que fez o mundo rodar  72
ARTE NO TEMPO  Escrita com luz  74
FESTA EM CASA  Brinquedo óptico  75
MÁQUINAS MARAVILHOSAS Cinematógrafo 76
ENSAIO VISUAL  Geraldo de Barros  77
JOGOS  Flipbook e outros  78

83 REMIX
VOCÊ SABIA?  Criamos e inventamos  84
ARTE NO TEMPO  O hip hop e a filosofia do remix  86
FESTA EM CASA  Tudo se aproveita!  87
MÁQUINAS MARAVILHOSAS  CNC Router  88
ENSAIO VISUAL  Nelson Leirner  89
JOGOS  Parla! e outros  90

Respostas  94
Quem fez o que no Almanaque?  95
IMPRESSÃO,
MATRIZ
& CÓPIA
A grande marca que matrizes, tipos móveis e máquinas
rotativas deixaram foi a democratização do conhecimento

“A
ssim como o porto é bem-vindo para falhas acabavam sendo mantidas e disseminadas, já que
o marinheiro, a última linha também é para reproduções com erros davam origem a outras cópias.
quem escreve.” Esse é um exemplo das
anotações deixadas pelos chamados copistas nas A fim de mecanizar o processo e permitir a reprodução
margens de manuscritos da Idade Média. Às vezes, em série, Gutenberg desenvolveu uma máquina de
se resumiam a comentários reflexivos; em outras impressão que usava tipos móveis de metal (ou seja,
ocasiões, eram reclamações desaforadas. letras em relevo que podiam mudar de lugar). Formava-se
um molde com o texto de cada página, cobria-se de tinta
Até 1450, quando o alemão Johannes Gutenberg e pressionava-se contra o papel. A invenção do alemão
inventou a prensa de tipos móveis, o único jeito de permitiu que todas as cópias saíssem iguaizinhas,
conseguir um livro era por meio de uma cópia feita à mão. reduzindo bastante a possibilidade de erros. Assim,
Em grande parte, cabia aos monges (que integravam os livros passaram a ser confiáveis.
a limitada parcela alfabetizada da população) a difícil
tarefa de produzir esses exemplares. Poucas décadas depois, eles se tornariam populares
também, com cada vez mais pessoas alfabetizadas.
O monge copista ficava em silêncio, confinado Em 1500, calcula-se que já havia em torno de 13 milhões
em uma sala dedicada ao ofício da escrita ‌–‌em latim, de exemplares em circulação na Europa. Os números
chamava-se “scriptorium”, o que deu origem à palavra só aumentaram, resultado de inovações como a prensa
“escritório”. Sentava-se em um assento duro, diante rotativa movida a vapor, criada no século 19, e o
de uma mesa parecida com um púlpito de igreja. desenvolvimento do offset (pág. 10), no início do século 20.
Sem eletricidade, aproveitava a luz do Sol durante
o dia e recorria a velas quando avançava noite adentro. O grande legado da impressão não foi o livro em si,
Fazia isso diariamente, ao longo de semanas, meses, mas a possibilidade de distribuir informação e cultura
até no frio do inverno europeu. Não é surpresa a para mais gente, com mais agilidade, bem como acumular
tentação de deixar recadinhos nas páginas. conhecimento. Afinal, toda grande descoberta, toda obra
artística importante, todo pensamento transformador
As péssimas condições de trabalho favoreciam o engano. passaram a ser registrados, permanecendo sempre à
Letras e palavras podiam ser trocadas e frases inteiras disposição, como fonte de ensinamento e inspiração.
chegavam a ser perdidas, o que prejudicava a leitura E é claro que ninguém reclama de não ter de copiar
ou até mudava o sentido do texto. Muitas vezes, essas tudo à mão. Os monges respiram aliviados. 9
IMPRESSÃO, MATRIZ & CÓPIA VOCÊ SABIA?

PRÉ-IMPRESSÃO

1 O arquivo digital em
2 Para a impressão colorida,

PARA
PDF é enviado para a cada página é decomposta em
gráfica, onde um software quatro cores da escala CMYK:
de pré-impressão faz ciano, magenta, amarelo e preto.
a ripagem, ou seja, É possível também usar as
converte pixels em chamadas cores especiais,

IMPRIMIR,
pontos chamados que são tons específicos fora
de retícula. dessa escala CMYK. Cada cor
exige a gravação de uma
matriz de alumínio.

OFFSET
Já faz mais de um século que o offset se
disseminou dos Estados Unidos para o mundo
e ainda hoje é o método mais utilizado para
reproduzir livros, revistas, jornais e muitos
outros produtos gráficos – incluindo este
Almanaque. O processo offset que conhecemos
é igual ao inventado em 1903 pelo norte-americano
Ira Washington Rubel: a matriz gravada é
disposta em um cilindro que recebe a tinta,
a qual, por sua vez, é transferida para um
cilindro de borracha e dele para o papel.
Dessa forma, textos e imagens que hoje são
gerados pelo computador se transformam em
uma publicação física, palpável. Vamos conhecer
melhor o funcionamento desse sistema?
Acompanhe as etapas no infográfico.

ILUSÃO DE ÓPTICA
Na pré-impressão, textos e imagens de um PDF
são convertidos em retículas, ou seja, pontos.
Elas, então, são gravadas em diferentes matrizes:
uma cor, uma chapa.

Na impressão com apenas tinta preta, temos


a ilusão de enxergar o cinza pelo espaço não
preenchido pelas retículas pretas (veja abaixo).

O mesmo acontece na impressão colorida,


combinando retículas de ciano, magenta, amarelo
e preto. O segredo: cada cor fica em um ângulo
diferente. Assim, quando todas ficam sobrepostas,
a imagem se forma aos nossos olhos.

9 Após a impressão, começa a secagem, que pode combinar


diferentes métodos. Mas os principais e mais comuns são a
aplicação de jatos de ar quente e de um pó que cria microespaços
entre as folhas. Após a secagem completa, vêm as outras etapas
de acabamento, que podem incluir dobra, aplicação de verniz,
colagem, costura e capa.

#AlmanaqueFestaSesc
INÍCIO DO PROCESSO DE IMPRESSÃO

3 Cada chapa gravada (matriz)


vai para uma unidade de
impressão, também chamada
4 O cilindro com a matriz
recebe a tinta pelo alto, fornecida
pelo rolo entintador; por baixo,
de castelo: é este conjunto de chega a água, proveniente do
cilindros aqui à direita. É preciso sistema de molha. A tinta oleosa
um castelo para cada cor. não pega nas áreas molhadas,
justamente aquelas que não
devem ser impressas.

5 O cilindro com a matriz transfere


a tinta para o cilindro de borracha
(ou blanqueta) quando ambos
são pressionados.

6 Entre a blanqueta e o cilindro


de contrapressão passa o
papel, que, ao ser comprimido,
é impresso.

8 A primeira cor a ganhar o papel costuma ser o preto. Depois,


esse mesmo papel passa pelos demais castelos, sempre na mesma
sequência: ciano, magenta e amarelo. Quando há uma cor especial
7 O papel é puxado pela impressora offset, que pode ser rotativa
ou plana. No primeiro caso, ela é alimentada por grandes bobinas
de papel e, no segundo, por folhas planas (o tamanho mais comum
– neste Almanaque, por exemplo, foi usada a cor 2592 do sistema é 66 x 96 cm). Extremamente rápido, o sistema rotativo é mais indicado
Pantone –, ela inicia ou encerra a impressão, dependendo de para grandes tiragens.
11
fatores técnicos.
IMPRESSÃO, MATRIZ & CÓPIA ARTE NO TEMPO

EXTRA, EXTRA!
A invenção da imprensa deu voz a muita gente:
com a possibilidade de imprimir textos, tomamos gosto
por manifestar ideias e disseminar informações

Era uma vez um mundo em que não havia quase nada O primeiro livro impresso foi a Bíblia, mas nos anos
para ler. Até existiam livros, mas eram um raro artigo seguintes a invenção se popularizou e obras de diversos
de luxo, pois precisavam ser escritos à mão, exemplar temas apareceram. O número de adultos alfabetizados
por exemplar. Para se informar, o jornal não chegava cresceu pela primeira vez e até a ciência foi beneficiada,
pelo celular nem pela banca de revistas. Era preciso ir já que cientistas passaram a trocar conhecimentos por
até o espaço público onde as novidades se expunham, meio de publicações especializadas.
pregadas em uma parede ou coladas em um poste.
Após sofrer poucas alterações em quase três séculos,
Essa era a realidade há menos de 500 anos, quando a máquina ganhou uma versão totalmente reformulada no
a maior parte da população não sabia ler nem escrever começo do século 19, de carona na Revolução Industrial.
e tinha acesso apenas ao que se transmitia boca a boca. Foi quando surgiu a impressora a vapor com sistema rotativo,
que fazia mais de mil impressões por minuto e, por tal
Uma mudança da água para o vinho iniciou-se na Europa agilidade, permitiu a criação de diversos jornais diários.
medieval, por volta de 1450, quando o alemão Johannes
Gutenberg adaptou uma prensa de espremer uvas para Desde então, inúmeros avanços tecnológicos simplificaram
construir uma prensa de apertar letrinhas contra o papel, os métodos de impressão. Hoje em dia, qualquer pessoa
isto é, uma máquina capaz de produzir livros rapidamente pode ir até uma gráfica e encomendar a produção de
com custos baixos (para a época). um cartaz, um panfleto, um cartão de visita, um adesivo...

A imprensa de Gutenberg se baseava em um sistema Outra opção é utilizar equipamentos mais simples,
de tipos móveis: pequenos blocos de metal com letras como uma impressora digital, uma máquina de xerox
e símbolos moldados em relevo, que podiam ser trocados ou um mimeógrafo, para reproduzir cópias de um
de lugar para compor qualquer texto. Bastava usar um trabalho confeccionado em casa, no melhor estilo
caixilho de ferro, chamado rama, com o formato da “faça você mesmo” – ou “maker”, para usar um termo
página e, dentro dele, montar as palavras, como num mais atual.
quebra-cabeça.
Graças à democratização das técnicas de impressão,
Depois, era só cobrir com tinta e gravar esses escritos muitos autores e artistas passaram a lançar suas próprias
no papel com a ajuda do mecanismo da prensa, processo publicações independentes, sem ficar condicionados a
que ficou conhecido como impressão. grandes editoras e livrarias. Se no passado o invento
de Gutenberg deu voz a alguns para falar com muitos,
Essa tecnologia não tardou a se espalhar por todo o agora há vozes muito mais plurais se espalhando por aí.
continente europeu. Era o pontapé inicial de uma grande O resultado são livros, revistas, zines e gibis que tratam
revolução na comunicação. dos mais variados assuntos e transbordam criatividade.

#AlmanaqueFestaSesc
FESTA EM CASA

GRAVURA
EM ISOPOR
Você não precisa de uma prensa
como aquela da pág. 14 para fazer
gravuras em casa. A sugestão do
educador Miguel Alonso é experimentar

Luis Gomes
a isogravura, técnica feita em isopor

1 Lave a bandejinha e recorte as bordas. 2 Sem calcar o isopor, trace o desenho


Você vai precisar apenas de um pedaço de isopor ou palavra. Atenção: letras e palavras precisam
plano, semelhante a uma folha, para desenhar estar espelhadas (como no avesso de uma folha
a matriz da gravura. escrita), pois a impressão sairá invertida.

VOCÊ VAI PRECISAR DE:


• Bandeja de isopor (aquelas
usadas para embalar comida)
• Tesoura sem ponta
• Lápis ou caneta
3 Finalize a matriz reforçando o traço com 4 Ponha um pouco de guache no prato, umedeça
• Palito de churrasco
um palito de churrasco (ou lápis bem apontado o rolinho (ou esponja) na tinta e aplique-a na matriz.
• Tinta guache em uma ou
ou caneta): é hora de fazer pressão para afundar Não exagere na quantidade de guache porque isso
mais cores a superfície do isopor, sem transpassá-lo. pode atrapalhar a impressão.
• Rolinho de espuma ou esponja
• Prato
• Folhas de papel
• Colher de pau

5 Coloque uma folha de papel sobre a matriz 6 Retire a folha com cuidado para não borrar,
e, com a barriga de uma colher de pau, pressione espere secar e está pronto! Para reproduzir várias
o papel contra o isopor. Note que é o contrário cópias da sua obra, passe mais guache na matriz
de usar um carimbo. quando a impressão ficar fraca. 13
IMPRESSÃO, MATRIZ & CÓPIA

PRENSA
PARA GRAVURA
O sistema desta máquina
de impressão é simples: 4
papel e matriz são prensados
COMO FUNCIONA
ao passar entre dois cilindros A GRAVURA EM METAL?
giratórios, que funcionam O desenho é gravado em uma
como rolos compressores chapa metálica (em geral de cobre),
com um instrumento de ponta
afiada. A tinta é aplicada nos sulcos
1 riscados e, depois, transferida para
3 o papel pela pressão exercida por
uma prensa cilíndrica.

1 Um rolo vai em 3 Sobre uma placa


cima e o outro, embaixo. de apoio rígida,
Pressionados um contra 2 chamada de cama ou
o outro, imprimem berço, é depositada a
movimento a uma matriz com o papel por
chapa plana, que se cima. Um pedaço de
locomove entre eles de feltro cobre e protege
um lado para o outro. o conjunto.

2 O sistema manual 4 Os parafusos no


de acionamento por alto regulam a altura
manivela convive do cilindro superior,
atualmente com as que sobe para que seja
prensas elétricas, que possível encaixar a
giram automaticamente placa de apoio entre
ao toque de um botão. os dois rolos.

Os inventores dos primeiros equipamentos de impressão Foi para divulgar e valorizar trabalho tão minucioso
eram mesmo bons em cópias! Assim como Gutenberg que eles passaram a preparar chapas metálicas em que
adaptou uma máquina de espremer uvas para criar uma gravavam desenhos realistas e ampliados das peças
impressora de tipos móveis (relembre na pág. 12), outros produzidas, como brasões e adornos. Depois imprimiam
artesãos da Idade Média copiaram o mecanismo de um os contornos no papel, compondo um catálogo que
moinho para grãos para desenvolver a prensa cilíndrica. facilitava a visualização dos detalhes e seduzia ainda
mais os clientes.
Atualmente, ela é uma faz-tudo, sendo usada em diferentes
tipos de gravura, que é o método pelo qual se transfere É bem provável que os ourives tenham se inspirado
uma imagem gravada em uma matriz para outro suporte, em uma técnica praticada na China desde o século 2,
geralmente papel ou tecido. Mas esse aparato nasceu para a xilogravura, ou seja, a gravura em madeira. Essa, porém,
fazer gravura em metal, a calcogravura, desenvolvida nos depende apenas de prensagem manual, o que não
ateliês de ourivesaria do século 15 na Europa medieval. funciona bem com as obras em metal. Para obter uma
impressão de qualidade pelo método calcográfico,
Os ourives eram hábeis artesãos que produziam joias só mesmo com uma pressão muito mais forte entre
e diversos objetos com matérias-primas preciosas. o papel e a chapa. Daí a prensa!

#AlmanaqueFestaSesc
ENSAIO VISUAL
ACERVO SESC DE ARTE

Everton Ballardin

MEU CORPO MEU TEMPLO prontas, elas recebem tinta e, usando uma colher
TERRITÓRIO CONSAGRADO de pau, Eduardo pressiona o papel contra elas para
Eduardo Ver obter as reproduções, ou seja, as xilogravuras. Foi assim
que fez em 2015 Meu Corpo Meu Templo Território
Consagrado, peça de 1,06 x 1,78 m que traz símbolos
O artista Eduardo Ver (São Paulo/SP, 1979) leva até quatro sagrados da umbanda, religião afro-brasileira. A obra
meses entalhando suas matrizes de madeira utilizando foi exposta na 13ª edição da Bienal Naïfs do Brasil,
apenas um instrumento metálico, a goiva. Depois de no Sesc Piracicaba.
15
IMPRESSÃO, MATRIZ & CÓPIA

QUE TAL CRIAR UMA


COLEÇÃO DE MATRIZES?

Sua missão é sair pela casa ou


pelo jardim procurando pequenas
matrizes, ou seja, tudo o que
pode gerar cópias impressas: se
quiser, comece pelas sugestões
deixadas no desenho ao lado.
É nele mesmo que você vai
reproduzir suas matrizes, porém,
para saber quais geram efeitos
mais legais, vale testá-las em
uma folha à parte. Você pode
usar duas técnicas:

CARIMBAGEM
Com guache ou canetinha, pinte
a matriz e depois pressione-a
contra o papel.

FROTAGEM
Escolha uma matriz mais achatada,
coloque-a debaixo do papel e
friccione-o com lápis ou giz de cera
para registrar a textura do objeto.

OLHO NA MATRIZ!
Que tal convidar mais gente para
conhecer e identificar as matrizes
da sua impressoteca?

Jogadores: 2 a 4 | Duração: 10 min


Preparo: O nome de todas
as matrizes da impressoteca
deve ser escrito em pedaços
de papel, que serão recortados,
dobrados e colocados em um
recipiente qualquer.

Como jogar: Um jogador retira


um papel e lê o nome da matriz.
Todos devem procurar a cópia
na impressoteca: quem encontrar
primeiro marca 1 ponto. Os outros
papéis devem ser retirados até
que um dos jogadores complete
8 pontos, vencendo a partida.

#AlmanaqueFestaSesc
17
IMPRESSÃO, MATRIZ & CÓPIA

CARIMBOVERSO, Lembre-se de que as matrizes


podem ser rolhas, moedas, Ah, para a atividade ser mais
É PRA LÁ QUE EU VOU!
tampas e embalagens redondas desafiadora, seu universo deve ter:
descartadas (de suco, requeijão,
O Carimboverso é um universo • Planetas de tamanhos diferentes
bastão de cola, potinhos…). • Um sol bem grandão
de planetas formado por carimbos
Coloque a imaginação para • Um planeta bicolor (de duas cores)
de objetos redondos.
trabalhar e teste a impressão dos • Um planeta pequeno na frente
objetos antes de reproduzi-los aqui. de um grande
• Um planeta com oito luas
• Uma chuva de meteoros
• O que mais você imaginar!

#AlmanaqueFestaSesc
Já pensou que a sola do chinelo
pode ser um carimbo? E que seu
corpo e qualquer objeto podem
ser matrizes?

Já pensou que a impressão


da ponta dos dedos também
é um carimbo que identifica cada
um de nós? Que o dedo é uma
matriz com linhas diferentes,
única para cada pessoa?

Já pensou que as notas


de dinheiro também são
impressas por uma matriz?
Onde será que ela fica?
O que uma nota de dinheiro
tem de diferente em relação
a outros papéis impressos?

PALAVRA
ESPELHADA
A imagem ao lado mostra como
seria a matriz de madeira de um
caça-palavras se fosse impresso

impressão, frotagem, matriz, carimbo, gravura, cópia, jornal, goiva, livro, gráfica, relevo, cordel,
em xilogravura. Será que mesmo
estando tudo invertido você
consegue encontrar 15 palavras
escondidas aí?

Dica: Todas as palavras são objetos


feitos com impressão (ou usam
invertido, imprensa, comunicação. Confira a resposta na pág. 94.

a técnica de impressão em suas


estruturas ou embalagens)

Exemplo:
G
O R
R Á
V F J
I O
C L R
A N
O B M I R A C
L 19
TRAMA
Estruturas delicadas e robustas nascem de elementos
que se entrelaçam: de teias de aranha, tecidos e cestarias
a sociedades e rede de computadores. Tudo é trama!

É
fascinante imaginar como as palavras podem e náilon). E criamos equipamentos manuais, como
ter surgido. Na aurora da língua portuguesa, o tear (pág. 26 ), e suas versões mecanizadas.
alguém deve ter tentado descrever a construção
de uma história e, para isso, usou um termo originário Aproveitando diferentes formas de tramar, confeccio-
do latim, “trama”, que se refere a um dos conjuntos namos roupas, mantas, redes de pesca e de dormir,
de fios que formam um tecido. cestos para transportar e guardar. Sem falar em itens
decorativos, como a trabalhada tapeçaria europeia da Idade
Dá para entender a associação de ideias. Assim como Média, cujas imagens (veja só!) contavam uma história.
os fios na tecelagem, os acontecimentos e as ações
dos personagens se entrelaçam para compor a narrativa. A importância da tecelagem e dos demais métodos não
Nesse sentido, um de seus sinônimos, “enredo”, seguiu se resume à funcionalidade dos produtos. Eles também
caminho semelhante, já que vem de “rede”. contribuíram para impulsionar outras atividades, como
o comércio. Da Antiguidade até o século 15, a Rota da
Não é preciso saber costurar ou tricotar para “tecer” Seda ligou o Mar Mediterrâneo à China e foi percorrida
comentários, “alinhavar” pensamentos, “alfinetar” por peregrinos que traziam elaborados tecidos e outras
desafetos, se sentir “embaraçado” ou com um “nó” mercadorias do país oriental ao Ocidente.
na garganta. São tantos os termos do universo têxtil
presentes em expressões do dia a dia que é fácil perder Não menos valioso é o que essas técnicas representam
o “fio da meada”. em termos culturais. Um exemplo bem familiar está no
trabalho das mulheres rendeiras em diversas cidades
As tramas compõem os diferentes aspectos da do Nordeste brasileiro. Seu ofício é tanto uma forma de
vida humana há milênios, desde que descobrimos sustento quanto um saber transmitido de geração a geração,
como tecer – e olha que isso faz tempo! Arqueólogos que ajuda a definir a própria identidade do povo local.
encontraram fibras de linho usadas para esse fim
há mais de 30 mil anos. Mesmo que a gente não se dê conta, as tramas se
estendem por toda parte. Elas estão na maneira como
Desde então, desenvolvemos diversas técnicas, vivemos em sociedade, com inúmeras relações (em casa,
usando um fio, dois ou mais, com ou sem a ajuda de na escola, no trabalho, na rua) que se entrelaçam. Estão
ferramentas (veja mais nas págs. 22 e 23 ). Exploramos também na internet, rede mundial de computadores
materiais de origem animal (pelos de ovelha e alpaca conectados por fios visíveis e invisíveis.
ou o filamento produzido pelo bicho-da-seda, entre
outros), vegetal (algodão, juta, sisal e outras plantas) E tem trama até aqui neste texto – palavra que vem
e, mais tarde, fibras artificiais (a exemplo de poliéster do latim “textus” e significa “que foi tecido”. 21
TRAMA VOCÊ SABIA?

NÃO SE PERCA NESTE


EMARANHADO
Pode acreditar: uma toalhinha de renda é parente mais próximo de um cesto de palha Malha
do que de um casaco de tricô. Para entender, esqueça o material e pense apenas no método
de produção. As peças de tricô (e também as de crochê) são feitas com um fio que dá voltas
em si mesmo para formar os pontos. Já na cestaria, nas rendas, na tecelagem e no macramê,
Tecido plano
a trama é consequência do cruzamento de vários fios ou fibras.

TÉCNICAS DE FIO CONTÍNUO TÉCNICAS DE CONJUNTOS DE FIOS

CROCHÊ TRICÔ TECELAGEM


Vinda do francês, a palavra “crochet” significa Em vez de uma, esse primo do crochê usa Junte um modelo de tear (existem vários,
“pequeno gancho”. E é esse ganchinho na duas agulhas, daquelas longas e com a ponta entre manuais e elétricos), dois conjuntos
ponta da agulha de crochê que puxa o fio e afilada. À medida que se tricota, os pontos perpendiculares de fios, um gráfico com o padrão
o entrelaça, compondo um arranjo que lembra são transferidos de uma agulha para a outra, desejado e você poderá confeccionar um tecido.
uma malha rendada. Para chegar ao desenho formando camadas que resultam em uma Chamado de tecido plano, ele é menos elástico
pretendido, é preciso um gráfico indicando estrutura geralmente mais fechada. Isso não que a malha, pois tem fios verticais (urdidura
os diferentes tipos de ponto e a posição significa, porém, que ela seja rígida. Aliás, ou urdume) e horizontais (trama). Essas linhas
que cada um deles deve ocupar na trama. a elasticidade caracteriza as tramas de tricô podem se cruzar de muitos modos, gerando
Trabalha-se o tempo todo com um fio: se for e crochê, que por isso são chamadas de malha estruturas – ou padrões – que, em alguns casos,
acrescentar outra cor, é preciso emendar – em oposição a tecido plano, nome técnico chegam a ser decorativas, sem que haja a
uma nova linha. dado às composições tecidas em tear (ao lado). necessidade de combinar fios de outras cores.

Principais pontos: correntinha (abaixo), Principais pontos: meia e tricô (veja ambos abaixo). Principais estruturas: o padrão tafetá (abaixo)
ponto alto, ponto baixo e ponto baixíssimo. O ponto meia é aquele que quase sempre aparece – que intercala um fio da urdidura com um fio da
Os chamados pontos fantasia juntam esses no lado direito da peça, enquanto o ponto tricô trama – dá origem aos demais padrões, como sarja
primeiros para formar desenhos específicos, fica visível no avesso. Mas há também losango, e cetim, que figuram entre os mais antigos.
como estrela, trança, leque e abacaxi. arroz, trança, algodão...

NTO MEIA
PO

NTO TRICÔ
PO

#AlmanaqueFestaSesc
CÓDIGO BINÁRIO DE JACQUARD DIVERSIDADE DE MATERIAIS

Quanto mais complexos eram os tecidos no século 18, Nem só de linhas, barbantes e lãs vivem as tramas.
mais esforço exigiam de quem operava o tear – principalmente E muito menos só de algodão, seda, linho e pelos
dos ajudantes infantis, responsáveis por erguer os fios da de ovelha. Graças a desenvolvimentos tecnológicos,
urdidura para formar o desenho planejado. Até que, em 1801, a variedade de matérias-primas vegetais, animais, sintéticas
um desses ex-ajudantes, o francês Joseph-Marie Jacquard, e artificiais cresce, enquanto a criatividade leva à inovação no
inventou um sistema de cartões perfurados que permitia ao modo de utilizá-las. Daí surgem crochê e tricô de fio de malha,
tear reproduzir a padronagem automaticamente – cada cartão macramê de palha de buriti e peças de tear feitas de fibra
correspondia a uma linha do desenho. A revolução foi tamanha de bananeira. Experimentar é a palavra da vez!
que o tear de Jacquard virou propriedade pública e é considerado
um antepassado do primeiro computador.

RENDA CESTARIA
Todo tecido que forma desenhos com base no Sim, essa prática artesanal entra na
entrelaçamento de fios pode ser considerado uma categoria de tramas têxteis. Afinal, não
renda. Explicando de forma tão fria, nem parece é domando e trançando fibras vegetais
que estamos falando de tramas delicadas que flexíveis – como taboa, sisal, bambu e
MACRAMÊ
exigem meses de trabalho, conforme o tamanho. palha – que os artesãos confeccionam
Se você nunca ouviu falar dessa técnica
Ponto por ponto, laçada por laçada, rendeiras cestos, balaios e peneiras? E confeccionam,
(que alguns consideram como um tipo
que aprenderam o ofício com a mãe tecem também, baús, tapetes, esteiras e mais um
de renda), saiba que ela serve até para
rendas labirinto, frivolité, de abrolhos, de bilro, monte de objetos que em outros tempos
confeccionar redes de pesca! O negócio
filé, renascença, irlandesa... Isso só para falar foram estritamente utilitários e hoje são itens
é ir dando diferentes tipos de nó para
nas variedades mais comuns no Brasil. de decoração que celebram nossas raízes.
criar tramas bem gráficas. Exclusivamente
Muitos povos têm a sua cestaria típica.
manual, o método de amarração surgiu no
mundo árabe no século 13. Desembarcou
em outros países de navio, pois era usado
por marinheiros para fazer xales e utensílios.
Em tempos recentes, nos anos 1970, ficou tão
associado ao movimento hippie que, quando
esse acabou, o macramê sumiu. Agora, porém,
retorna em valorizados painéis de parede,
suportes de plantas, cintos e bijuterias.

Principais nós: laçada (é o nó inicial), duplo ou


quadrado (abaixo), festonê e espiral. Para fazer o nó
duplo, o artesão usa dois fios e dá uma laçada em
cada um para prendê-los no suporte, ficando com DE BILRO
quatro fios, um ao lado do outro. Os externos – um Ainda que tenha vindo de fora, com os
por vez – enlaçam os internos, formando os nós. portugueses e açorianos, essa renda se
tornou símbolo do Ceará e de Florianópolis,
capital catarinense. Em almofadas grandes
e arredondadas, mulheres alfinetam um papel
com o molde (que leva o nome de pique) e sobre
ele vão deslocando os vários fios necessários
para cumprir o desenho. Cada fio fica enrolado
em uma peça de madeira, o bilro. 23
TRAMA ARTE NO TEMPO

ERAM AS
DEUSAS TECELÃS?
A começar no cordão umbilical, parece haver
um vínculo mágico entre os fios e o feminino – a atividade
da tecelagem é a perfeita materialização dessa ligação

No princípio, era o fio. Em diversas tradições antigas, Da Antiguidade à Revolução Industrial, as tramas
a criação do Universo é relacionada a uma Grande Mãe evoluíram de uma produção caseira rústica para
que fia e entrelaça caprichosamente cada uma das linhas minuciosas técnicas ensinadas de mãe para filha
que formam a estrutura do Universo. e consagradas em tradições locais. A exceção parece
ter sido a tapeçaria, que, apesar da presença também
Na mitologia grega, essa função é dividida entre no universo doméstico, floresceu nas confrarias
as Moiras: Cloto, Láquesis e Átropos, as três deusas masculinas medievais desde que se inventou o tear
irmãs a quem cabe, respectivamente, fabricar, tecer com pedal. Isso porque o equipamento era muito
e cortar o fio da vida de todas as pessoas. Em outro mito mais rápido de operar e facilitava a confecção de peças
grego, Penélope, que é uma mortal, se vê forçada grandes e pesadas, como os tapetes que cobriam
a um novo casamento enquanto espera que seu marido pisos e paredes de igrejas e palácios.
desaparecido, Ulisses, volte da guerra. Na tentativa
de adiar ao máximo o matrimônio, ela promete ao pai Atualmente, com a indústria têxtil suprindo nossa
aceitar um pretendente tão logo conclua uma peça demanda utilitária, a tecelagem manual assume
em seu tear. Assim, durante o dia Penélope tecia na uma nova conotação e é aos poucos reconhecida
frente de todos e, à noite, secretamente, desfiava boa por seu valor artístico e cultural. É o que acontece,
parte do que havia feito. por exemplo, quando as rendeiras de Ouro Preto,
em Minas Gerais, são declaradas Patrimônio Imaterial
Para além do imaginário poético, é fato que as técnicas do Brasil. Ou, ainda, quando um estilista tão famoso
têxteis se desenvolveram em mãos femininas, uma vez quanto Ronaldo Fraga leva para as passarelas a coleção
que nasceram para suprir os cuidados com a família, #SomosTodosParaíba, composta de peças que
papel historicamente imposto e assumido pela mulher. valorizam a renda renascença e foram produzidas
Assim, a tecelagem de roupas e peças para a casa com a participação de mais de 100 rendeiras do
evoluiu como um fazer doméstico, tão invisível social litoral nordestino.
e economicamente como cuidar de filhos, cozinhar e lavar.
Na moda e na arte contemporânea, há espaço
Com o surgimento dos primeiros mercados de trocas infinito para aliar elementos da tecelagem manual
da Antiguidade, em vez de confeccionar apenas o a novos formatos, técnicas, materiais e intenções –
bastante para o próprio lar, algumas mulheres passaram independentemente do gênero do artista ou tecelão,
a produzir itens a mais, que eram trocados por outras diga-se de passagem. O que conta é a sensibilidade
mercadorias. Eis o embrião do que se tornaria um ofício para enxergar o potencial dos fios como expressão
importante até hoje, fonte de trabalho para elas e de poética, matéria-prima mais que perfeita para alinhavar
renda para toda a família. ideais, costurar cicatrizes e enlaçar afetos.

#AlmanaqueFestaSesc
FESTA EM CASA

TEAR
ALTERNATIVO
É hora de experimentar a arte da
tecelagem. Seguindo este passo a passo
idealizado pela educadora Marcela
Pupatto, você produz o seu próprio

Luís Gomes
tear e cria enfeites personalizados

1 Nas pontas menores do 2 Usando fita adesiva, prenda 3 Puxe o fio até a primeira
papelão grande, faça marquinhas a ponta da linha no verso do tear fenda do lado oposto e volte
de 1 em 1 cm e corte fendas e passe-a para a frente através pela seguinte. Ao completar a
com 1 cm de profundidade. do primeiro corte. urdidura, fixe a linha no avesso.

VOCÊ VAI PRECISAR DE:


• Papelão: um retângulo
de cerca de 11 x 20 cm
e um pedaço menor
(uns 3 x 12 cm) para a
navete (agulha). As medidas 4 Recorte o papelão pequeno 5 Antes de começar a tecer 6 Com a régua, erga fios
são apenas sugestões na forma de um H para fazer a as camadas, prenda o fio da alternados. Passe a navete
• Lápis (ou caneta) navete e use-a para enrolar o fio trama no verso do tear utilizando pelo vão até sair do outro lado.
que vai tecer a trama. fita adesiva. Inverta a posição dos fios e
• Régua
passe a navete de volta. Repita.
• Tesoura
• Fita adesiva
• Linhas ou lãs diversas
• Garfo ou pente de cabelo
de plástico
• Gravetos (ou palito
de churrasco)

7 Use o garfo para aproximar 8 Interrompa a trama a uns 9 Solte a trama do papelão
cada nova camada feita. Para 4 cm do fim do tear. Corte e passe um graveto pelas
trocar de cor, corte a linha e um fio por vez e os amarre aos argolas que restaram no topo,
emende outra, dando um nó. pares, formando a franja. escondendo a ponta do fio inicial.
25
TRAMA

TEAR DE
PENTE LIÇO 1
Este equipamento simples 2
serve para produzir diversos
tipos de tecido e criar peças
de decoração, roupas e até TEIA MÁGICA
3 A urdidura é formada por fios
obras de arte paralelos presos de modo bem firme
no tear. Depois vem a trama, um fio
único que passa alternadamente por
cima e por baixo de cada uma das
linhas da urdidura para formar a
teia do tecido.

1 Do rolo traseiro
saem os fios que
4
alimentam a urdidura 3 Os fios da urdidura
e, do lado oposto, passam pelo pente
o trabalho pronto é alternadamente através
enrolado no rolo da de furos e fendas. Ao
frente. A tensão entre subir ou descer, o pente
ambos mantém as puxa uma parte dos
linhas esticadas. fios, abrindo um espaço
vertical chamado cala,
2 Uma agulha que é por onde passa
específica ajuda o fio da trama.
a inserir os fios da
urdidura nos furos 4 Os pés de cavalete
e fendas. O fio da são opcionais. Muitos
trama fica enrolado teares de pente liço
na navete, que vai são formados somente
de um lado ao outro, pelo quadro e podem
por dentro da cala, ser apoiados sobre uma
formando as carreiras. mesa comum.

Um tecido não é feito embolando fios de qualquer jeito. de criar desenhos diferentes e a velocidade de produção
É preciso entrelaçar da maneira certa, mantendo as de cada equipamento.
linhas esticadas e organizadas, o que só se consegue
com a ajuda de um suporte. Esse suporte, seja ele O tear de pente liço predomina na tecelagem manual,
básico ou complexo, é o que chamamos de tear. pois é versátil, tem preço acessível e é mais ágil que outros
modelos artesanais, como o de pregos. Ele se resume
Desde os primeiros modelos, feitos há milhares de a um quadro com um rolo em cada ponta e, entre eles,
anos com quatro pedaços de pau, até as grandes uma barra cheia de furos e fendas, que é o tal pente liço.
máquinas elétricas de hoje, o princípio de funcionamento Geralmente de madeira, o equipamento mede de 20 cm
permanece o mesmo. a 1 m ou mais de largura: repare nessa dimensão, pois ela
determina a largura máxima das peças tecidas, enquanto
O principal objetivo do tear é facilitar o cruzamento o comprimento só depende da quantidade de fio disponível.
de dois conjuntos de fios perpendiculares, ou seja,
que formam um ângulo de 90 graus. O conjunto Lãs variadas, fibras de sisal, tiras de couro, fitas de
vertical recebe o nome de urdidura ou urdume, cetim e outros materiais podem ser combinados no tear
enquanto o horizontal é a trama. O que pode variar de pente liço para elaborar os mais variados trabalhos.
(e muito) são o tamanho, o formato, a capacidade É só liberar a criatividade!

#AlmanaqueFestaSesc
ENSAIO VISUAL
ACERVO SESC DE ARTE

Everton Ballardin

PARADOXO inusitada da artista Sônia Paul (Siqueira Campos/PR, 


Sônia Paul 1937) ao dar vida a Paradoxo, obra de tricô de aço, de
1986. O título é o arremate perfeito, pois “paradoxo” é a
figura de linguagem que brinca com ideias contraditórias.
O tricô remete a uma malha macia e quentinha, em geral A peça pode ser vista no Sesc Pinheiros e mede 1,40 m
de lã ou algodão. Agora, imagine tricotar usando uma de altura, com largura de 0,90 m na parte superior e
fita metálica no lugar da linha. Pois foi essa a experiência 1,10 m na inferior.
27
TRAMA

Cole aqui Cole aqui Cole aqui

Cole as demais tiras amarelas, sempre


TRAMA DE PAPEL 4 alternando uma por cima e a outra por
baixo da tira azul.
O desafio aqui é montar uma trama
de duas cores intercalando tiras de papel.
Você precisará de tesoura e cola. Cole aqui Cole aqui Cole aqui
Agora você fará o mesmo com as
Antes de começar, leia as instruções. outras tiras azuis, só que na horizontal:
5 cole a segunda azul sobre a primeira
amarela e prossiga com as demais,
revezando em cima e embaixo.
Recorte as 12 tiras que estão na aba
1 (ou orelha) da capa do Almanaque Cole aqui Cole aqui Cole aqui

e separe-as conforme a cor. Depois de fixar todas as tiras azuis


na primeira amarela, faça a trama.
6 O objetivo é criar uma composição que
intercale quadrados amarelos e azuis.
Cole aqui Cole aqui Cole aqui

Posicione uma tira azul na horizontal


e uma amarela na vertical. Cole a tira Seu quadriculado ficou certinho?
2 amarela na azul, no primeiro campo Então use cola para grudar as
onde estiver escrito “cole aqui”. pontas de todas as tiras. A trama
está pronta!

Cole aqui
Cole a
qui
7 Ao ver sua criação, o que
A próxima tira amarela deve ser fixada você acha que ela poderia ser?
3 por baixo da azul, no lado avesso. Um jogo americano para as suas
refeições? Um tabuleiro para
jogos? Um tapetinho?

E todo o material de costura? objetos do oponente. Para isso,


O jogo Tramando Batalhas funciona é só dar as coordenadas: uma
como o Batalha Naval. Porém, em letra e um número do gabarito.
vez de bombardear navios, você Se não acertar em nada, o outro
deve localizar a tesoura, a linha, dirá “PALHA!”; se acertar em uma
TRAMANDO a fita métrica, o alfineteiro, a agulha das figuras, o outro dirá “ACHOU!”.
BATALHAS e o dedal que estão escondidos Os erros podem ser marcados
no palheiro do seu oponente. com um x no segundo gabarito
e os acertos com uma bolinha,
Jogadores: 2 | Duração: 10 a 15 min Como jogar: Sem que um por exemplo.
participante veja o jogo do outro,
Preparo: Recorte os gabaritos cada um deve posicionar as seis Os jogadores vão se revezando.
(palheiros) e as figuras da página figuras em um dos gabaritos, Quando um deles encontrar a
ao lado. Cada jogador ficará com ocupando casas na horizontal ou totalidade de um objeto (a tesoura
dois palheiros e um kit de materiais na vertical, mas nunca na diagonal. inteira, por exemplo), o outro deve
de costura. Reserve lápis e borracha Também não vale sobrepor itens dizer: “Você achou a tesoura!”.
para fazer as anotações em um nem mexer na sua localização Vence a partida quem localizar
dos gabaritos. depois que a partida começar. primeiro os seis objetos do outro.

Descrição: Você é capaz de encontrar O jogo inicia com alguém tentando Para jogar de novo, é só apagar
uma agulha em um palheiro? adivinhar onde está um dos os riscos feitos a lápis.

#AlmanaqueFestaSesc
13 13

12 12

11 11

10 10

9 9

8 8

7 7

6 6

5 5

4 4

3 3

2 2

1 1

L K J I H G F E D C B A L K J I H G F E D C B A

Agulha Dedal Alfineteiro Linha Fita métrica Tesoura

Tesoura Fita métrica Linha Alfineteiro Agulha Dedal

A B C D E F G H I J K L A B C D E F G H I J K L

1 1

2 2

3 3

4 4

5 5

6 6

7 7

8 8

9 9

10 10

11 11

12 12

13 13 29
Já pensou em todas as tramas
que encontramos por aí?

Sabia que os animais também


tecem e tramam? Tramam tanto
que até constroem ninhos,
teias e tocas!

Aposto que você trama também,


e tão bem que pode inventar
tantas teias quanto tentar.

Que tal construir uma teia


artística? Bastam barbante e um
tanto de travessura. Já pensou?

DA TRAMA Você consegue encaixar todas estas


palavras do universo têxtil nesta grande
À TRAMOIA trama? Dica: Tente contar a quantidade de
letras para encaixá-las adequadamente.

A
MOI
TRA

TEAR

ETE
R TAP
TRANÇA
R

A TRELIÇ
A TELA

M TECIDO TEMPO

A TEIA
TECE
R
TRIC
Ô
IL
TÊXT
R A M O I A
TRAMA 31
TRAMA

TRAMA Esta página reúne três jogos visual feita de cores e traços que
para dois participantes ou mais, vocês criaram – com certeza vão
EM JOGO sendo que alguns deles podem se surpreender! No fim, também
ser jogados mais de uma vez. podem colorir os espaços em branco.
Você já tramou enquanto
jogava? Aqui, além de tramar
Nas partidas, cada jogador escolhe Preparo: Separar uma caixa de
estratégias, você poderá tramar
uma cor de lápis, que pode ser lápis de cor. Aqui, ele é melhor
com cores no papel.
repetida depois. Ao término de que a canetinha, pois não mancha
todos os jogos, observe a trama o verso do papel.

JOGO DA VELHA Descrição: Neste jogo tão conhecido, em vez de marcar X e O,


Jogadores: 2 | Duração: 1 a 3 min a ideia é usar cores.

Como jogar: Para brincar no tabuleiro de três linhas por três colunas,
cada participante escolhe um lápis de cor diferente. A cada jogada,
um deles pinta um quadrado vazio. O objetivo é conseguir três casas
da mesma cor em linha – horizontal, vertical ou diagonal –, enquanto
se impede o oponente de fazer o mesmo. Se ninguém completar uma
trinca, a partida termina em empate, ou melhor, em “velha colorida”!
Exemplo: jogo vencido Jogo empatado:
pelo azul “velha colorida”

PINTE O QUADRADO Descrição: Ganha o jogo quem fechar e pintar mais quadrados!
Jogadores: 2 a 4 | Duração: 5 a 10 min
Como jogar: Cada participante joga com uma cor, ligando pontos em
um tabuleiro. Quem inicia faz um traço para juntar dois pontos vizinhos
na horizontal ou na vertical – não vale diagonal nem pontos distantes.
O próximo jogador repete a ação em qualquer parte do tabuleiro.
Quando alguém fechar um quadrado, deve pintá-lo com sua cor e jogar
novamente: se conseguir completar outro, joga mais uma vez e assim
por diante. A partida termina quando não houver mais pontos para
ser ligados. E vence quem tiver mais quadrados com a sua cor.
Exemplo: por enquanto,
o placar é de 2 a 1 para
o vermelho

S.O.S. Descrição: Forme mais SOS que seu oponente e se salve de perder a partida!
Jogadores: 2 a 5 | Duração: 10 a 15 min
Como jogar: No tabuleiro de 15 x 8 quadrados, cada jogador usa uma
SO S cor para escrever “S” ou “O” em um quadrado vazio, alternando-se.
O O objetivo é criar uma sequência contínua de S-O-S, na vertical,
S
horizontal ou diagonal (veja no exemplo). Os participantes se revezam
O S
SO S OS e quem completar a palavra repete a jogada até que não consiga formar
O mais nenhum SOS ao acrescentar apenas uma letra. Então passa a vez
O SS SOS ao próximo, e assim a brincadeira prossegue. A cada SOS formado,
S O o participante o risca com a sua cor. Quando os quadrados em branco
Exemplo: neste jogo incompleto, acabarem, acaba a partida. Vence quem tiver o maior número de SOS.
o azul está em vantagem

Dica: Como se trata de uma trama, cada letra pode fazer parte de vários
SOS. Não vá se confundir: OSO não vale, somente SOS!

#AlmanaqueFestaSesc
S.O.S . JO G O DA VEL H A

P I NT E O S QU A D R A D O S

33
TRAÇO
Se até letras e números escritos num papel são uma
maneira de desenhar, então tudo é desenho, e provavelmente
seríamos incapazes de viver sem ele

B
ichos e pessoas que combinam graça e hieróglifos da época dos faraós egípcios, que incluíam
monstruosidade, com formas distorcidas, vasos, mãos espalmadas e besouros.
membros esticados, feições exageradas e alguns
olhos a mais – ou a menos. Boa parte das criações Mesmo após a criação dos alfabetos atuais, os traços
infantis caminha por aí e ignora técnicas essenciais de são imbatíveis para dizer muito com pouco. Pense na
desenho, como proporção e perspectiva. Só que isso sinalização de trânsito: uma seta revela a direção a seguir,
não faz a menor falta às crianças. Sua intenção não é, um carro cortado por um risco na diagonal avisa que
necessariamente, a de reproduzir com fidelidade o que a passagem é proibida a veículos, uma linha tracejada
está à volta, mas, antes, passar para o papel o que no asfalto indica que a rua é de mão dupla. Foram
está na imaginação. necessárias 36 palavras para transmitir as mesmas
informações que três símbolos figurativos! E não é
Quando crescem, muitas desistem de se expressar por preciso saber ler para entender o recado.
meio do traço, talvez pela frustração de se compararem
a padrões quase inalcançáveis. Nem todas serão um A tecnologia transformou a maneira como nos
Leonardo da Vinci – aquele que pintou o mais famoso comunicamos e, curiosamente, resgatou ideias
quadro de todos os tempos, a Mona Lisa, de 1503 –, do passado: as figurinhas nos aplicativos de celular
mas se as técnicas não fazem falta às crianças, também tomam o lugar das palavras, tal qual nos alfabetos da
não precisam ser cobradas de quem já é crescidinho. Antiguidade. Ao mesmo tempo, numa época em que a
Então, vamos combinar que todo mundo sabe desenhar? digitação substituiu a escrita à mão, a arte da caligrafia
Sem contar que o desenho não é uma ferramenta é revalorizada na personalização de mensagens no
exclusiva da arte. ambiente eletrônico.

Estilistas, cineastas e arquitetos fazem os chamados Essa crescente necessidade de expressar algo pessoal,
croquis para mostrar suas ideias para uma roupa, único é mesmo uma marca da modernidade. Chega à
uma cena e uma casa. Assim como os primeiros exposição pública. O espaço urbano é tomado por figuras
cientistas dependiam do lápis, séculos atrás, para e letras coloridas grafitadas nos muros, em mensagens
retratar plantas e animais que iam descobrindo sociais que vão além dos desenhos em si (veja mais
(veja nas págs. 36 e 37). na pág. 86).

Desenhamos porque precisamos nos comunicar. Estudiosos acreditam que desenhar nos ajuda a memorizar
Os primeiros sistemas de escrita nasceram as informações observadas, organizar o que foi aprendido,
de desenhos  – eram conjuntos de símbolos que concretizar as ideias e entender o mundo. É um jeito de
representavam objetos do dia a dia, partes do corpo pensar visualmente. E tudo isso pode começar com um
e elementos da natureza. Exemplo disso são os bichinho torto com olhos a mais ;-) 35
TRAÇO VOCÊ SABIA?

PENSO,
LOGO RABISCO
O traço não é apenas instrumento da arte: é também poderoso aliado
do conhecimento. O desenho nos ajuda a organizar ideias, a visualizar
problemas e soluções, a registrar um aprendizado e, mais tarde,
passá-lo adiante. Mesmo no fazer artístico, ele é parte do ferramental
de criação de uma obra, ou seja, dos meios necessários para chegar
a ela, como o planejamento e o detalhamento de sua execução.
Da ciência à cultura, uma longa lista de atividades humanas não
teria saído do papel sem o desenho à mão.

CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA CARTOGRAFIA


Descrever, organizar e dar nomes a plantas, Um dos mais antigos mapas que conhecemos
fungos e animais são tarefas do ramo da ciência é um papiro com estradas e montanhas, traçado
chamado taxonomia. Parte do trabalho é com pincel há mais de 3 mil anos, no Egito.
ilustrar esses seres (para referência e consulta), Hoje, a arte de criar mapas, ou cartografia,
e o desenho com lápis de cor, giz e nanquim, é toda digital, baseada em dados de satélites.
entre outras técnicas, continua importante. É uma evolução, um processo que durante
Ele é melhor que a fotografia quando se deseja muitos séculos contou apenas com ilustrações
simplificar e detalhar uma estrutura ou mostrar à mão, como as cartas de navegação que
uma parte interna. trouxeram os europeus à América moderna.
ANATOMIA MODA ARQUITETURA
Sem radiografias, os gregos da Antiguidade Passarela ou guarda-roupa: qualquer De maneira parecida com o que ocorre na
tinham de observar e desenhar o corpo que seja o destino de um figurino, tudo moda, um prédio nasce dos rabiscos que
humano para entender seu funcionamento. começa na cabeça do estilista. Geralmente o arquiteto faz a lápis, também chamados
Tal ciência, batizada de anatomia, avançou na munido de caneta hidrográfica, ele faz um de croqui. É ali que o profissional decide
Europa nos séculos 14 e 15 graças a diversos desenho, conhecido como croqui, para formatos, volumes, o modo como a construção
sábios. Entre eles, Leonardo da Vinci, estudar cores, tecidos, corte, caimento se apresentará no espaço e a aparência
que, usando a sanguínea (um tipo de giz e relação com outros itens da coleção. que terá. Depois disso, ele inclui medidas e
avermelhado), fez dezenas de ilustrações Em seguida, cria uma versão mais técnica dados técnicos, até chegar ao projeto final,
precisas de músculos, veias e órgãos. da ilustração, que serve como manual para elaborado com o auxílio do computador.
Desenhos admirados e analisados até hoje. quem costura as peças.

STORYBOARD
O roteiro de um filme traz as falas dos
personagens, indica o local da ação e conta
o que será mostrado. Já a maneira como tudo
isso será filmado é definida pelo storyboard.
Trata-se de uma sequência de desenhos
(quase sempre feitos a lápis pelo próprio
diretor) em que cada cena é planejada: a
posição de atores e objetos, a iluminação,
os ângulos e movimentos das câmeras. 37
TRAÇO ARTE NO TEMPO

VOCÊ ESTÁ AQUI


O ser humano tem usado o desenho para
se expressar e se localizar. Às vezes, para as duas
coisas ao mesmo tempo, como mostram a evolução
dos mapas e nossa relação com eles

Talvez você já tenha visto alguns dos desenhos que No período das grandes navegações, a partir do século 15,
nossos antepassados pré-históricos fizeram há dezenas o desenho dos oceanos incluía criaturas monstruosas que,
de milhares de anos em paredes de cavernas. Na maioria segundo se imaginava, ameaçavam as embarcações. Ou
dos casos, retratam animais como touros, cavalos, seja, os mapas começaram a mostrar também as crenças
cabras e antílopes. e imaginação da época.

No meio de parte dessas imagens, os arqueólogos Avanços tecnológicos revolucionaram esse campo do
encontraram pontos que reproduzem fielmente grupos conhecimento, como a fotografia aérea, a informática
de estrelas que podiam ser vistos nos céus. Essa e as imagens por satélite. Em consequência, se antes os
descoberta sugere que nossos ancestrais tinham mapas tinham ao menos um toque artístico, desde então
conhecimentos básicos de astronomia. Para especialistas, eles se tornaram puramente científicos. Só que isso não
as representações do céu também ajudavam a marcar diminuiu a presença das pessoas neles. Ao contrário,
a passagem do tempo. só a destacou, por meio de estradas, pontes, represas
e cidades – construções feitas por mãos humanas.
Os desenhos ainda contribuem para a localização
no espaço de maneira prática. Os primeiros mapas Hoje, com a navegação por GPS ao alcance do dedo,
surgem na Antiguidade (pág. 36), a partir de 4000 a.C. na tela do celular, nossa relação com os mapas mudou.
Concentravam-se naquilo que se enxergava ao redor. Os pontos de referência continuam lá, porém como
Nada mais natural, já que a função de tais representações ícones padronizados: talheres para indicar restaurantes,
era registrar um novo lugar ou caminho, de modo que o bomba de combustível para postos de gasolina, cama
autor pudesse memorizá-lo ou ensiná-lo a alguém. Assim, para hotéis e por aí vai. Como tudo é apresentado quase
o mais importante era mostrar pontos de referência em tempo real, quem usa os aplicativos de trânsito sabe
facilmente reconhecíveis, como montanhas, vales e rios. na hora se há acidentes e obras que podem prejudicar
a circulação – ícones de carros batidos e homens
Com o tempo, melhoramos na tarefa. E veio algo trabalhando se juntam às demais informações na tela.
curioso: enquanto os dados geográficos ficaram mais
precisos, outro tipo de informação passou a dar as caras. Basta uma conexão de internet para ninguém ficar
Em alguns mapas europeus da Idade Média, por exemplo, perdido, é só seguir o traço colorido no software. Mas se
Jerusalém, a Terra Prometida dos cristãos, ocupava lugar acabar a bateria, as estrelas continuam lá no céu, prontas
de destaque como se fosse o centro do mundo. para nos ajudar a encontrar a rota correta.

#AlmanaqueFestaSesc
FESTA EM CASA

É ARTE
NA FITA!
Sabia que dá para desenhar com fita
isolante? Chamada de “tape art”, a técnica
sugerida pela educadora Erika Kogui
de Moura é ótima para decorar paredes:

Luís Gomes
se enjoar, é fácil de tirar

1 Meça a altura e a largura 2 Trace um quadriculado 3 Crie o desenho: use apenas


máximas que o desenho terá na no papel, seguindo as proporções linhas retas, pois na parede
parede usando múltiplos de 10. que mediu: 90 x 130 cm se ele será feito com fita. Tudo bem
Exemplo: 90 x 130 cm. transformam em 9 x 13 quadrados. se sobrar espaço.

VOCÊ VAI PRECISAR DE:


• Trena ou fita métrica
• Folha de papel sulfite
• Régua
• Lápis 4 Com fita adesiva, marque 5 Faça o quadriculado com 6 Tomando o quadriculado como
• Borracha na parede a área do desenho. fita adesiva. Identifique linhas guia para saber onde começa
• Apontador e colunas com números e letras e termina cada reta do desenho,
• Rolo de fita adesiva colorida escritos em fita crepe. aplique a fita isolante.
• Rolo de fita isolante
• Rolo de fita crepe
(ou pequenos papéis adesivos)
• Tesoura
• Estilete

7 Certifique-se de que a fita 8 Corte as sobras de fita 9 Se preferir, mantenha a fita


isolante não está muito esticada isolante ou reduza sua largura adesiva em partes do desenho,
para que não descole com para afinar o traço. Retire a fita de modo a criar detalhes
o tempo. Siga até terminar. adesiva do quadriculado. interessantes. Pronto!
39
ENSAIO VISUAL
TRAÇO
ACERVO SESC DE ARTE

SONATA PARA OLHO E OUVIDO e Ouvido Parte 1 e Parte 2, de 1970, que integram a
Montez Magno série Notassons, dedicada à música. Para criar cada
exemplar de 23,5 x 32,5 cm, o artista valeu-se de caneta
hidrográfica e papel pautado, o mesmo usado por quem
A arte abstrata expressa em um bocado de formas escreve partituras. Assim, os traços se somam à superfície
e cores livres. Essa é uma das especialidades do em que foram pintados, compondo um balé visual que
pintor, escultor e poeta Montez Magno (Timbaúba/PE, lembra notas musicais. As obras estão instaladas no
1934). Exemplo disso são as obras Sonata para Olho Sesc Guarulhos.
Everton Ballardin

41
TRAÇO

DESAFIO
DO DESENHO
O que você acha de fazer
um desenho por dia,
durante duas semanas?

A proposta é soltar o traço


de diferentes maneiras,
sem pensar se o resultado
ficou bonito ou não.

Confira as sugestões desta página


e embarque no desafio. Para isso,
você vai precisar de folhas de
papel, lápis, giz ou canetinha.

Sua missão é se divertir


enquanto desenha!

#AlmanaqueFestaSesc
43
TRAÇO

TRAÇANDO TERRITÓRIOS

Você sabia que, muito das Formas Retas? Como são os Para finalizar, desenhe as rotas
antigamente, o desenho foi moradores do Reino das Manchas marítimas que ligam os territórios
fundamental para construir Sujas? Deixe sua imaginação viajar de mesma cor. Mas tem um detalhe:
mapas, representar territórios enquanto desenha os habitantes as rotas não podem se cruzar.
e retratar habitantes de terras dessas nações.
desconhecidas?
Em seguida, indique no
Aqui você vai experimentar um mapa como são os mares Quer uma dica?
pouco disso por meio de um novo que o compõem, mas você só O Reino das Manchas Sujas e o Recanto
desafio: completar este mapa. pode fazer isso usando traços. dos Objetos Esquecidos são grandes
Como seriam as linhas do Mar navegadores, portanto, deixe essa
Que tal começar povoando cada dos Ventos Incertos? E as do duplinha por último!
território? Quem vive na Ilha Redemoinho-Anão?

#AlmanaqueFestaSesc
Já pensou no primeiro desenho
feito no mundo? Como será que
era o traço? Quem fez? Com o quê?
Alguém viu?

São tantas as perguntas e


desenhos… Isso leva a outras
questões: afinal, por que
desenhamos? É possível uma
sociedade nunca desenhar?

Já pensou em um mundo sem


desenhos? Por que são criados
desenhos tão diferentes em épocas
e lugares variados?

Já pensou que não existe apenas


um jeito de desenhar? Que seu
jeito de traçar linhas é único?
Já pensou mesmo? Então desenhe
a resposta como só você pode!

ESCREVENDO O DESENHO OU DESENHANDO A ESCRITA?


Este emaranhado de palavras e traços esconde seis frases ditas por artistas. Passeie pelas linhas em
busca dessas frases enquanto pensa sobre a arte de desenhar. Se estiver inspirado, trace outros caminhos
e encontre novas definições. Veja as frases de artistas famosos que nos inspiraram para este jogo na pág. 94.

45
PIGMENTO
Entre rochas trituradas, moluscos fervidos e tubos
de ensaio, não poupamos esforços para deixar a vida
mais colorida. Haja imaginação e ciência!

H
ora de um jogo: tente imaginar uma coisa Um marco na busca por novas tonalidades veio em 1856,
mais valiosa que ouro. Pensou em um enorme quando o químico inglês William Henry Perkin descobriu,
diamante? Ou em um metal de nome curioso, por acaso, um composto que batizou de mauveína,
feito paládio? Quem sabe uma substância rara, o primeiro corante artificial do mundo. Era roxo, o que
como plutônio? Em qualquer dos casos, parabéns, fez despencar os preços de tecidos nesse tom e salvou
acertou na mosca. a vida de incontáveis caramujos.

Agora, se você vivesse antes do século 19, um palpite A partir daí, a indústria avançou bastante e tornou
certeiro seria uma peça de roupa roxa. Isso mesmo: possível fazer tintas em qualquer tonalidade  –  há tabelas
tecidos dessa cor eram tão caros que apenas nobres e catálogos com centenas de opções. O que não significa
e reis os vestiam. O motivo da supervalorização estava que as cores perderam importância. Pelo contrário,
no corante necessário para tingi-los. continuamos a dar enorme significado a elas, muitas
vezes até relacionando-as a emoções.
Chamava-se púrpura tíria, pois vinha da cidade de Tiro,
na Fenícia (atual Líbano), onde era produzido desde O azul é triste, o amarelo alegra. Há várias teorias
a Antiguidade. A matéria-prima era um caramujo (!), sobre simbolismo e efeitos de cada tom. Mas é preciso
apanhado aos milhares e fervido durante dias. O longo, cautela ao pensar nessas associações, pois elas mudam
trabalhoso e fedorento processo só rendia um pouco com o tempo. Vimos que o roxo já foi ligado à riqueza;
daquela substância roxinha. Não é de espantar que hoje, poucos pensariam isso. A cultura também influencia:
fosse vendida por pequenas fortunas. o branco era adotado por viúvas na França e ainda é a cor
do luto entre alguns povos do Oriente.
As cores nos fascinam tanto que, já em tempos
remotos, nossos antepassados descobriram formas A própria percepção da cor pode ser diferente entre
de extraí-las da natureza, triturando rochas, amassando as pessoas. O épico Odisseia, de Homero, composto
plantas, esmagando insetos e outras criaturas, só para por volta do século 8 a.C., narra o retorno do herói
produzir corantes e pigmentos. Ulisses à terra natal. Embora grande parte da história
se passe no oceano, a palavra grega para “azul”
A diferença entre os dois é sutil. Corantes podem ser simplesmente não aparece no texto – para o poeta,
dissolvidos em água e são absorvidos pelo material o mar tinha cor de vinho.
que se quer colorir, por isso servem para tingir tecidos.
Já pigmentos não podem ser dissolvidos e precisam da Interpretações à parte, corantes e pigmentos acompanham
ajuda de um aglutinante (como gema de ovo, goma arábica o ser humano desde o princípio, ajudando-o a se
ou óleo) para grudar na superfície desejada. As tintas são expressar e a deixar o mundo mais bonito. Isso, sim,
um exemplo de mistura de pigmento e aglutinante. vale mais que ouro. Ou que uma sopinha de caramujo. 47
PIGMENTO VOCÊ SABIA?

AS CORES
DA IDENTIDADE
Crenças religiosas, fases marcantes da vida, status na comunidade,
valorização da beleza, rituais de preparo para situações como
guerras e casamentos. Ao pintar o rosto e o corpo, proclamamos
nossa identidade individual ou de grupo, expressamos sentimentos
e intenções momentâneos e contamos nossa história pessoal.
É assim desde que a humanidade aprendeu a usar terra,
plantas e pedras para colorir a pele, destacando traços naturais
e reproduzindo grafismos e figuras por meio de pinturas
temporárias e definitivas.

GRAFISMOS INDÍGENAS TATUAGEM JAPONESA CRIMES MARCADOS NA PELE


Das sementes de urucum vem o vermelho; Os grandes desenhos que cobrem partes Se até hoje a tatuagem é controversa
da argila clara, o branco. Já o tom preto que inteiras do corpo serviam originalmente como na sociedade japonesa é porque durante
permanece na pele por uma a duas semanas distinção social e proteção espiritual. Daí muitos séculos foi usada para assinalar
vem da polpa do jenipapo misturada a carvão. as figuras cheias de significados: dragões rostos e braços de criminosos. A prática,
Bastam três cores para produzir incontáveis (sabedoria e poder), carpas (coragem) e só proibida em 1870, aconteceu pela
grafismos que identificam culturalmente cada serpentes (evolução espiritual). Uma das primeira vez em 720 a.C., quando o imperador
uma das cerca de 300 etnias indígenas do técnicas de tatuagem mais tradicionais no da época poupou um rebelde da pena de
Brasil. Além de traços que indicam a função Japão, a tebori utiliza um pigmento à base de morte, mas o condenou a ser tatuado.
de cada integrante no grupo, há padrões para plantas e pedras moídas, que é aplicado com
cerimônias religiosas, casamentos e guerras. agulhas ligadas a uma haste de bambu.

#AlmanaqueFestaSesc
CULTURA DA HENA CLEÓPATRA E MAOMÉ
Essa pasta de tom castanho-avermelhado O que a famosa rainha egípcia teria em
é popular na Índia e em países do norte comum com o fundador do islamismo?
africano, como Marrocos, e Oriente Médio, A hena. Segundo historiadores,
caso da Turquia. Símbolo de saúde e sorte, Cleópatra (69 a.C.-30 a.C.) não tinha
o pigmento é extraído do arbusto hena. a beleza que o cinema eternizou,
Entre muitos usos, a coloração serve para porém era vaidosa e usava a planta
desenhar delicados arabescos e mandalas como cosmético para cuidar da pele,
em mãos, no punhos, pés e tornozelos de dos cabelos e das unhas. Já o profeta
noivas durante a Festa da Hena, um ritual Maomé (570 d.C.-632.) tingia a barba
que antecede a cerimônia de casamento com hena.
nesses países.

TATUAGEM MAORI MATRIZ AFRICANA MAQUIAGEM MODERNA


Para esse povo da Nova Zelândia, No Vale do Rio Omo, na Etiópia, vivem De um lado fica a maquiagem social,
a tatuagem é uma autobiografia. Os populações mundialmente conhecidas por usada no dia a dia e em festas para
acontecimentos mais importantes na vida sua arte corporal, na qual usam materiais tão valorizar os traços naturais. Do outro, estão
são lembrados em desenhos simétricos, simples quanto um calcário branco, fácil de as técnicas conceituais e artísticas, que
com grossas linhas pretas e espirais. moer, e argilas com tons que vão do ocre- causam impacto em desfiles de moda,
Para fazê-los, eles primeiro cortam a pele -claro ao amarelo-avermelhado. Muitos povos shows e ensaios fotográficos, geram efeitos
e depois injetam a tinta. Não surpreende que africanos têm, para cada ocasião, um tipo de especiais (como no cinema) e caracterizam
quanto mais tatuado o rosto, mais corajoso pintura. Serve para embelezar, para atestar drag queens. Você sabia que, por mais que a
e poderoso é considerado o homem maori – uma posição social, como rito de passagem indústria evolua, alguns corantes ainda vêm
de pedras semipreciosas, como o lápis-lazúli? 49
às mulheres só é permitido tatuar o queixo. ou ainda como conexão com forças espirituais.
PIGMENTO ARTE NO TEMPO

AVENTURA EM CORES
Da arte rupestre ao grafite, a pintura artística
se desenvolveu com a evolução das tintas. Vamos fazer
uma viagem no tempo para conferir essa história?

Nossa primeira parada é há 45 mil anos, quando homens No mesmo período, alguns pintores começaram a utilizar
e mulheres pré-históricos registravam cenas de caça em a gema de ovo como aglutinante de tintas usadas em
cavernas e rochas. telas de madeira, desenvolvendo a têmpera. Se por um
lado essa técnica é melhor que o afresco por permitir
Para que isso fosse possível, foi necessário inventar correções, por outro resiste menos ao passar dos anos.
a tinta, que é basicamente a mistura de um pigmento
(pó colorido) e um aglutinante (espécie de cola que fixa Em meados de 1600, o óleo de linhaça substituiu o ovo.
a cor na superfície). As tintas ficaram brilhantes e com textura mais suave.
Os quadros, consequentemente, ganharam camadas
Os pigmentos pré-históricos eram a terra, o carvão e rochas de cores, transparências e sobreposições. Muito usada
moídas. O aglutinante, por sua vez, podia ser qualquer sobre telas de tecido, a tinta a óleo revolucionou o mundo
substância meio grudenta que estivesse à mão, incluindo das artes e foi a primeira a ser vendida em bisnagas,
saliva, sangue, gordura animal e até fezes de morcego. possibilitando aos artistas impressionistas do século 19,
como o francês Claude Monet, levar seus cavaletes para
Já no Egito antigo, por volta do século 2 a.C., os artistas fora dos ateliês e pintar cenas que aconteciam à sua frente.
a serviço dos faraós usavam seis cores (vermelho, azul,
verde, amarelo, branco e preto) para decorar palácios, Já na década de 1940, em uma rápida passagem pelo
monumentos e tumbas. Os tons vibrantes vinham de México, flagramos pintores que, a exemplo de Diego
minerais, como a pedra malaquita (verde) e o óxido de Rivera, criaram grandes murais artísticos empregando
ferro (vermelho), aos quais se adicionava uma resina um material que, até então, só tinha fins imobiliários
extraída de árvores, a goma arábica. e industriais, a tinta acrílica.

Ajustando nossa máquina do tempo para 1512, Assim chamadas porque levam resina acrílica como
deparamos com o italiano Michelangelo dando as fixador, as colorações desse tipo foram tão aceitas no meio
últimas pinceladas nas famosas pinturas no teto da artístico que hoje são encontradas em várias embalagens,
Capela Sistina, no Vaticano. Nessa técnica chamada de como bisnagas profissionais, potinhos de guache e até
afresco, o pigmento puro, diluído em água, é aplicado latas de spray.
sobre uma parede ou teto que tenha acabado de receber
uma camada de gesso, ou seja, uma superfície em Aliás, não fosse por esse tubo metálico – que pode ser
que o gesso ainda está fresco – daí o nome “afresco”. transportado no bolso e usado para pulverizar centenas
Assim, as cores penetram na massa, o que garante sua de cores em qualquer superfície –, talvez o grafite não
durabilidade. O problema é que o artista precisa pintar tivesse surgido. Se bem que certamente descobriríamos
rapidamente antes que a massa seque e não tem como outra forma de decorar os muros das cidades, assim como
corrigir eventuais erros. fizeram nossos ancestrais com as pinturas rupestres.

#AlmanaqueFestaSesc
FESTA EM CASA

TINTAS QUE
VÊM DA
COZINHA
Há muitos jeitos de obter uma tinta
natural. A receita indicada pela educadora
Jéssica Rampim é criar uma aquarela
com ingredientes que temos em casa,

Luís Gomes
como água, café e temperos

1 Aqueça a água para facilitar a diluição 2 Para fazer a tinta amarela: misture
dos pigmentos. Para fazer a tinta marrom: 4 colheres de sopa de água morna e 1 colher
misture 2 colheres de sopa de água morna de chá de cúrcuma (açafrão-da-terra) ou curry.
e 1 colher de chá de café instantâneo.

VOCÊ VAI PRECISAR DE:


• Água morna
• Café instantâneo em pó
(o mesmo que café solúvel –
1 colher de chá)
• Cúrcuma ou curry 3 Para fazer a tinta laranja: misture 4 As tintas ficam aguadas, então funcionam
(1 colher de chá) 3 colheres de sopa de água morna e 1 colher melhor quando aplicadas em papéis grossos
de chá de colorau (feito de urucum) ou páprica e absorventes, como papel reciclado caseiro
• Colorau ou páprica
(feita de pimentão). e papel para aquarela. Evite o sulfite.
(1 colher de chá)
• Colher de sopa
• Colher de chá
• Potinhos para preparar
as tintas
• Fôrma de gelo
• Pincéis
• Pote com água para
limpar o pincel
• Papel grosso

5 Usando a fôrma de gelo, junte mais água 6 Cansou da brincadeira e quer continuar
ou corante às tintas e experimente pinceladas outro dia? É só guardar a fôrma com as tintas
mais claras ou escuras: esse é o grande barato no congelador e lembrar de avisar a família para
da aquarela! Vale misturar as três cores. que ninguém use os cubinhos no suco.
51
PIGMENTO

MÁQUINA
DE TATUAGEM
A arte de fazer pinturas permanentes no corpo se divide
em antes e depois da invenção deste aparelho elétrico MARCAS ETERNAS
As tatuagens não saem porque
a agulha penetra a pele por 1,5 mm
a 2 mm. É o suficiente para o
pigmento ultrapassar a camada
superficial, que leva o nome de
1 epiderme, e chegar a um nível
intermediário, a derme, que não
sofre desgaste nem renovação.

4
3
4 As bobinas,
1 Plugado a uma coração da máquina,
fonte de energia, atuam como ímãs
o pedal é o botão que sobem e descem
de liga/desliga da conforme o campo
maquininha. O tatuador magnético acima delas
só precisa pisar para – esse movimento
que ela funcione e 2 cíclico ativa todo
soltar o pé quando o conjunto.
quiser parar.
5 Os pigmentos,
2 O que chamamos 3 A parte onde o específicos para
de agulha é, na verdade, tatuador segura é a tatuagem, são
uma haste com 3 a 15 biqueira, acessório 5 colocados em potinhos
(em geral) microagulhas parecido com uma e sugados pela agulha.
de aço inox descartáveis. lapiseira no qual a Para mudar de cor,
Ao fim de cada sessão, agulha vai encaixada é só limpar a ponta
elas vão para um recipiente como se fosse o grafite. na água, como fazemos
de lixo especial. com um pincel.

O marco zero da história da máquina de tatuagem é O’Reilly, a desenvolver, em 1891, a primeira


o momento em que as pessoas aprenderam a marcar máquina de tatuagem. Dela evoluíram todos
a pele com pigmentos de forma definitiva – usando os modelos que conhecemos hoje, entre eles
agulhas de pedra, madeira e até ossos de animais. o de bobina, que é um dos mais comuns e aparece
na ilustração desta página.
Durante milênios, essa tarefa se manteve puramente
artesanal, mas tudo mudou bem rápido quando o Uma máquina de tatuar é, basicamente, uma caneta
norte-americano Thomas Edison entrou nessa história. elétrica feita para pintar a pele em profundidade, dando
mais de 100 agulhadas por minuto. Controlada pelo
O que o inventor da lâmpada elétrica tem a ver com tatuador, que a manuseia do mesmo modo que segura
a tatuagem? Muita coisa! Em 1875, Edison criou um um lápis, ela utiliza um motor que vibra para cima
utensílio batizado de caneta para estêncil: acoplada e para baixo, movendo uma agulha que perfura a pele
a um motorzinho eletromagnético, sua ponta era como e injeta a tinta, tudo ao mesmo tempo.
uma agulha que furava o papel enquanto se escrevia.
Assim, podia-se fazer um molde vazado para produzir Com esse equipamento, que facilita a obtenção de
cópias de qualquer texto desejado. sombras e outros efeitos de traço e pintura, é possível
criar desenhos cada vez mais detalhados. Além disso,
A caneta de Edison não foi um sucesso de vendas, o processo de tatuar o corpo fica mais rápido e um
mas inspirou outro norte-americano, o tatuador Samuel pouco menos doloroso (ufa!) que nos primórdios.

#AlmanaqueFestaSesc
ENSAIO VISUAL
ACERVO SESC DE ARTE

Everton Ballardin

CORES POLVO Varejão escolheu 33 desses nomes para criar um


Adriana Varejão conjunto de tintas e, com ele, produziu diversas
obras que expressam os tons de pele dos brasileiros.
No Sesc Guarulhos, criou o mural acrílico Cores Polvo
A inspiração veio do censo demográfico de 1976, que (2013-2019), com círculos de até 51 cm de diâmetro.
trouxe a pergunta aberta: “Qual é a sua cor?”. Além do Batizada de Tintas Polvo (2013), a caixa de madeira
óbvio, vieram respostas como “burro-quando-‑foge”, com as bisnagas de tinta a óleo também pode ser
“morena-bem-chegada” e “fogoió”. A artista Adriana vista na mesma unidade.
53
PIGMENTO

COR A COR

Como você percebe as cores?


Como elas estão presentes
na sua vida? Esta página é um
espaço de autoconhecimento
e investigação sobre o ambiente
ao seu redor.

A caixa abaixo contém 24


instruções para você imaginar
cores e usá-las para colorir o lápis
do mesmo número (exemplo:
instrução 1, lápis 1).

Quando terminar, sua caixa estará


pronta e, se quiser, você pode até
inventar nomes para as cores!

Dica: Você pode misturar cores para


chegar o mais próximo possível da
tonalidade em que pensou – esse é um
método muito interessante de descobrir
novos tons. Para esta atividade, o lápis
de cor é melhor que a canetinha, pois
permite muitas misturas e não marca
o verso da folha.

ESTA CAIXA DE LÁPIS DE COR PERTENCE A


E CONTÉM:

1 Sua cor preferida 13 Uma cor bem estranha


2 A cor de um monstro legal 14 A cor de uma coisa da sua escola
3 A cor de um brinquedo bacana 15 A cor do amor
4 A cor de uma comida gostosa 16 A cor do céu agora
5 A cor de um belo entardecer 17 Uma cor que lhe dá coragem
6 A cor dos seus olhos 18 A cor do medo
7 A cor do mar 19 A mistura das cores do seu time de coração
8 A mistura de duas cores bonitas 20 A cor da sua pele
9 Uma cor que você lembra de cor 21 Uma cor da sua vizinhança
10 A cor que mais tem na sua casa 22 Uma cor de que você nem gosta tanto
11 Uma cor que está quase virando outra 23 Uma cor da qual você ainda não sabe o nome
12 A cor mais forte de todas 24 A cor de uma lembrança feliz
PALETA EM AÇÃO

Agora é hora de pintar usando


as cores da caixa de lápis que
você formou no exercício anterior.
Como será que a sua paleta de
cores vai ficar neste desenho?

55
PIGMENTO

VAI DAR BANDEIRA!


Você se lembra daqueles territórios
malucos do mapa na página 44?
Eles acabaram de virar países
e fizeram uma encomenda muito
especial para você: desenvolver
uma bandeira colorida para cada
um deles!

A capa de trás do Almanaque


Ilha das Formas Retas
tem uma aba com faixas coloridas
para você recortar. Combine-as
sobre a base das bandeiras
impressas aqui, brincando com
contrastes e harmonias. Quando
chegar a um resultado do seu
gosto, é só colar as faixas na área
de cada bandeira.

Paí s
s dos Co ndo
rpos Redo

s
as Suja
s Manch
País da

s Leves
País das Linha

País dos
Seres Ra
b iscados s
ido
uec
sq
sE
jeto
s Ob
do
ís
Pa
Já pensou em quantas cores
existem? Sabia que elas são
tantas que precisam de nome
e sobrenome? Só de azul
tem um monte: azul-royal,
azul-bebê, azul-cobalto,
azul-piscina, azul-marinho...

E se você inventasse uma cor que


não existe? Como ela se chamaria?
Já pensou que, quando você a
descrevesse, outra pessoa poderia
imaginar uma cor diferente?

Mas será que a gente pode


mesmo imaginar uma cor
que nunca viu?

BUSCA DAS CORES Com lápis e papel, cada um


vai listar todas as cores que Dica: Cada cor pode
Quais são as cores ao seu redor? estiver observando. ter muitas variações.
Que tal descobri-las por meio de A elas damos o nome
um jogo? Chame um amigo ou Marque nas etiquetas abaixo quem de tonalidade ou tom.
amiga, ou alguém da sua família, identificou mais cores. Como todo Faz parte do jogo descrever
e, juntos, escolham um lugar da mundo tem direito à revanche no minuciosamente a cor.
casa ou da vizinhança. jogo, é possível repetir a brincadeira.

Local 1 Jogador 1 Nº de cores encontradas

Jogador 2 Nº de cores encontradas

Local 1 Jogador 1 Nº de cores encontradas

Jogador 2 Nº de cores encontradas

Local 1 Jogador 1 Nº de cores encontradas

Jogador 2 Nº de cores encontradas

57
FORMA
& VOLUME
Desde que descobrimos como tirar lascas de uma rocha
e manipular uma porção de barro, temos modelado o que
nos cerca conforme nossa vontade

U
m deus chamado Enki e sua esposa, Ninmah, À medida que avançamos, novas ferramentas foram
criaram a humanidade. É no que acreditavam inventadas, caso do cinzel e do torno (veja na pág. 62).
os sumérios, que viveram há milênios na O domínio de mais matérias-primas, como metal e
Mesopotâmia, onde hoje fica o Iraque. Nos mitos plástico, ampliou os horizontes, dando origem a variações
gregos, essa façanha coube a Prometeu. De acordo com dos métodos, como a moldagem (uso de molde para dar
os israelitas, foi obra de Javé. Para os antigos chineses, forma) e a extrusão (injeção de material aquecido).
a responsável foi Nüwa; para os iorubás, na África, foi
Obatalá; para os incas, na América do Sul, Viracocha. A tecnologia chegou a um ponto que, hoje, há máquinas
capazes de cortar e modelar sozinhas, como a CNC
O único ponto em comum nas crenças desses povos router (pág. 88) e a impressora 3D (pág. 64). Dizemos
é que o ser humano foi modelado do barro. que fazem isso sozinhas, mas, na verdade, seguem uma
receita: uma programação concebida pelo ser humano.
Pegar um material encontrado na natureza e alterá-lo O artesão tradicional continua tendo seu espaço, valorizado
conforme sua vontade, dando-lhe forma e volume, é um como detentor de um saber milenar.
dos primeiros atos de criação do ser humano. Não é
difícil imaginar por que foi associado ao divino. De certo modo, a história desse saber também diz
muito sobre nossa ligação com a natureza. O entalhe,
Nossos antepassados primitivos já usavam ferra- por exemplo, pode sugerir uma relação baseada na força 
mentas de pedra na Pré-História. Os modernos, –  não à toa, a técnica é chamada de subtrativa, pois retira
por sua vez, começaram a fabricar artefatos mais pedaços; a modelagem, por outro lado, é aditiva, uma vez
sofisticados cerca de 40 mil anos atrás. Eles partiam que acrescenta material.
de algo duro, como madeira, rocha ou osso, e iam
cortando, com o auxílio de um instrumento (outra pedra, Em todo caso, tanto a rocha quanto a argila também
por exemplo), até chegar ao formato que queriam, exercem força, no sentido oposto, ao resistir aos esforços
como‌uma ponta de flecha para caçar ou a figura do artesão. A chave é buscar o equilíbrio entre a vontade
de um animal como amuleto. humana e a complexidade da natureza, rígida e maleável.
É entender que há a hora certa de pressionar e alisar – 
Outros milhares de anos foram necessários até afinal, cada coisa tem seu “peso, massa, volume,
aprendermos que certas substâncias, como o barro, tamanho, tempo”, como diz a música de Arnaldo Antunes.
podem ser modeladas e cozidas, tornando-se rígidas
e resistentes. A descoberta serviu para criar desde Só assim poderemos afirmar que, não importando quem
vasos e recipientes para guardar água e alimentos até criou este mundo, somos nós, a humanidade, quem o
estátuas com fins religiosos, artísticos ou celebrativos. modela com base nos próprios conhecimentos. 59
FORMA & VOLUME VOCÊ SABIA?

em
ostas

DO BARRO
mp s
A eco ta, ma
R IM
c h as d ada pron utros
-P ro mpr e rios e o
IA das r co d
ÉR ina e se pert
o
a vári
a s
AT eterm . Pod ureza, ida, pass em
M ila ão,

AO VASO
d at lh
de arg na n z reco cantaç
1 mi
ra a te
stu rma cole Uma so de ula no
o
ve
A ua f m a gua. roce e acu se da p
s
d e
m
fu n d o
arte
g e á p s - ens,
á qu
s d’ um lida rando s filtrag
á
h rso por e só epa a tos.
s vêm e detri
cu zes part nte, uida ra s
d
ve e a ipie seg er pe

u tra . É qua pre e te mica


qu rec . Em mov
do uida e re

ento r, pod ão q cerâ

de um merg ola press spare ndo r isar á


líq fim d

r
,a
a

m ado
esta v íquido. a ou , apl e
u
de o o da fu coito

eb
c

c
ec

proc tempe na, e eio


i

e vitr m uma a peç ras m ,


da. apar a es ais

b is

tão
e

cia ará
or

n
ende da de

nte
p

t
u
te

rat
r
a
d

eto
ham

ên
n

ad
b
ÃO

R
uriz
n
ma , c

o,
ab am
reten
, dep

ess
TAÇ

ob
do o
i

ez s
ira que

ol
c
p
Só que
ESMAL

a de a

ifica
ue se

colori

ulho n

co
nal do
, pist

vel e
Após a prime

e do visual q
de uma etap
está pronta.

o esmalte –
com pincel

ao forno, d
altas. Ao fi
impermeá
brilhante
8
giro do botão d

controlar a te
as chamas da

conforme vá
equipamentos
com várias câ

à cerâmica t

A temperatu
em hora, até

De todo o p pois seg os po o, qu dedi


mais delica
roces
d a,
rios fa

ra dev o nível ovo q eira nuin iais,


eve de

chega s. Cada ua m e dim espe tem


mpera
maras
foguei
elétric
e term

so, a e regr cos, var ou


t

e su
ore
ra
tura:
r

desc aume
interl
a
o
o s t at

, outr
sea

que
bir a
u
u ns
obri
igad m que

ima rígi
o.

os c or exe gula
gás,


r

é a da s r a
a

as
as
ons
s

xim
u
e
,

pa .
p

nta
truin

rte
ue
n

de
an
d
do

se
e
o

A
a

ho
m

pe
for oje tá a
re
p

ra ç
ia
l

úm a a po
n
o

ch
d
o
.H

e
c
i
s

po ida ca deriar
ge

de ssív . Pa so fo defo
m

d
7

o
c
e
x

co sca el a ra q sse rma


is um
s

a r-
vir m jo nsa ntes ue es o fog se ou
a r r d t e o a
QU

de d a n a so aq ja o in
do pen . A l e, bre u ueim mai da
s se
EI

qu cli d e d
tap e t e m a , ela ca
m en ap
M

d
ev ente a, c do d a po mpos ratelei eve
A

ita s o o de e ra
r a e s mo tama leva m tem forrada
se eco tem nh o r d i a pos,
ser
ca s p s
ge , é m eratu do obj ou sem
m e r e t a nas,
mu lhor a e u oe
da s
ito co b m id co
ace ri ade ndiçõ
lera -lo com . Em dia es
da . plás s
tico p
ara

6 SEC
AGEM

#AlmanaqueFestaSesc
2 P RE P
A
Antes d R AÇ
e mod ÃO
se faz c e l a raa
om a
dessa e mas rgila, é
tapa: sa d pr
materia faze e pão. eciso
l se e r com S ão so
spal q doi vá-l
tudo, e
limin he p ue a s o ac
or i á
poderi ar to
das gua gua s obj omo
am p as le c on eti
rovo
quand
o l ev car bolha , acim tida vos
ada rac s a n
mome
nto t ao f hadu de a de o
o r r

3
amb g a q
caso,
acr ém o. É n s na ue

Es m e ida c tor e tas u ar as


deseja escent que, s esse peç

se
a u ov
d a e a

M ment l ligad ou, em as inscri sde a Antiguid


estej o, ama -se o for

eq
é m r um cer em

OD o n
uip cent os pé o. Ve
a be s sa co o
po e os ntag os m ão co a ergue uas

mm
ixo om létr
n r

a
istu do a ante

EL ada m a uma rsões mo egípcias revelam


qu a va azer ress ra par com as d

rad té

AG
Su ra f lo, p or fo ssão streitá-lo.

o. que
m

ra
o
pa emp tra p u pre ara e

EM is é que a na parte as da máquina,


ex a ou so; o nte p

am
e

CO
i

o
s
s

a
ic
do tern

M T a mesa qu or. Já a roda


é
v

MODELAGEM MANUAL
ex

d
a ame

sam
e
ovi
i

l
x

OR
Para criar um vaso sem usar máquina nenhuma, o jeito
h
ve
od
u
o to
me uma mã s laterais

NO mais simples é formar uma bola de argila, pressioná-la no


n

rno
mão essários: p
t
m
o

centro até restar uma cavidade e, então, fazer movimentos


s

d
ções
nec
s
e

parecidos com os descritos à esquerda –‌só que usando


d
do ar

ern
inferi

uma mão para girar a futura peça e a outra, em pinça,


e gira g
o

tesão li
ra

para modelar. Também pode-se construir o vaso de


por de

baixo para cima: primeiro, fazendo o fundo; depois,


raças
ntro

v
or

acrescentando longos rolinhos de argila em camadas.


res
ade.
delagem,

assa

AMENTAS
abo, retira
torno.
e argila,

s
a,
por

em manta
e madeir

uanto a
e s de m
arrote,

fície do
na mo

loco d

a um c
a , enq
porçõ

pas d
g

má-lo

.
enhos
dam

FERR
am rolo ltar na ho io que não. O

en com átula o ma m um da super


aob

resa
e d ndo lo, é o to tos aju

de r i

lisinh
s e e um mass transfor
r as

e des
r t
ou
o
es as. a e conj ça mo dividi

ia d fiada p
c

par
a

m
rno
se emp e use umen

4
pe teca es stic nto c delad

a be

hes

e

al a
ad

a
ex er s instr

etal
f

nta
um
r

o
teri
qu rios

Não se sabe ao certo quando


ap
a
pe

, cr

ixa
u
O e s útil
a

a cerâmica foi inventada –‌os mais


sim
de
a

d
, as
o
m

antigos fragmentos encontrados têm


las sta
e
, e

o,
po
p

s
vas ersa quase 18 mil anos de idade. Mas dá
ca
ss

o
a
A

d o d iv ir
a o para imaginar que nossos ancestrais
orm -lo de prim and
,
as

f
fin

a v e z rá i m n
m o io
U ec sé ss logo perceberam a utilidade de poder
qu

ível d a dela o pre omo e


é poss m v c nt ta ,
ras.
U rele jetos eme : bas tina modelar o barro e transformá-lo em
manei ba ixo- o b e v o o
s em oo
u ie l lev arb resistentes objetos. Hoje, a cerâmica
textura e tecid perfíc lto-re o a b que
os d su éo
a
an
d a está em todo lugar, de utensílios
pedaç aa
ontr opção os us e á
gu
conch a s c
tra jad argil a Ç ÃO comuns a peças de foguetes espaciais.
. O u s e A
cida de e
umede men
tos
feit
od OR E pensar que essa história deve ter
ifxar os
o r n a
c rem e
D EC
de
uma es
fu n ci o n
pécie
a como
cola
.
5 começado com algo simples, como
um recipiente para recolher água.
Este infográfico com as etapas de
produção de um vaso ajuda a entender
quão engenhosa é a técnica. 61
FORMA & VOLUME ARTE NO TEMPO

TODAS AS FORMAS
Pôr, tirar, moldar, derreter; mão, cinzel, torno, forno;
barro, pedra, gesso, metal – e muito mais. A escultura
é uma expressão artística abrangente

O que você imagina quando alguém fala em escultura: É o caso do exército formado por milhares (!) de figuras
uma famosa estátua de mármore em exposição no em tamanho natural, incluindo soldados, oficiais e cavalos,
museu? Uma carranca de madeira à venda na feira todas criadas em terracota (argila cozida) e encontradas
de artesanato? Um singelo boneco de argila? Um busto por arqueólogos junto à tumba do primeiro imperador da
de metal retratando a pessoa que dá nome à praça? China, morto em 209 a.C. Apesar de feitas de um material
No mundo da arte, todos esses exemplos podem, que se quebra facilmente, as peças sobreviveram e narram
sim, ser chamados de escultura, embora cada um se uma história de mais de dois milênios. Uma parte dessa
encaixe em uma categoria. Antes de ver o que eles têm coleção foi apresentada em 2003 em São Paulo, onde
em comum, vamos entender o que têm de diferente. ficou conhecida como Os Guerreiros de Xi’an.

Quando investigamos de onde veio o nome em si, Já para produzir esculturas de metal, é preciso utilizar
encontramos a palavra “sculpere”, que em latim quer dizer moldes, o que dá à técnica o nome de moldagem. Uma
“entalhar”. Ou seja, o significado original de escultura se das formas de executá-la funciona assim: uma matriz é
refere à técnica de bater com uma ferramenta pontuda modelada em cera e envolvida em gesso; quando este
(as mais comuns são o cinzel e o formão) em um bloco seca, a matriz vai ao forno, onde o calor derrete a cera,
de material duro (como madeira, pedra ou marfim), deixando um espaço vazio, o qual serve como molde.
retirando pedaços até chegar à forma desejada. Ele é então preenchido com metal (geralmente, bronze)
que foi aquecido até ficar líquido; ao esfriar e endurecer,
Foi assim que, entre a segunda metade do século 18 o objeto está pronto.
e o início do 19, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho,
criou os 12 profetas bíblicos esculpidos em pedra-sabão. Esse método, conhecido como cera perdida, foi o favorito
Trabalhou também com madeira entalhada para representar do francês Auguste Rodin, que o utilizou em algumas
momentos da Paixão de Cristo. Sem contar tantas outras versões de sua mais famosa obra, O Pensador (1904),
obras exibidas em cidades como Congonhas (MG). a estátua de um homem sentado, perdido em pensamentos,
com uma das mãos encostada no queixo.
E se, ao invés de tirar, o artesão adicionar material?
Nesse caso, entram em cena as substâncias moles Nem esgotamos todas as possibilidades e já temos aqui
e maleáveis, como argila, gesso, cera e papel machê, uma enorme variedade. Por que tantas técnicas diferentes
que são trabalhadas manualmente ou com a ajuda de são resumidas como escultura? Porque todas se valem
ferramentas (como espátulas e torno), em uma técnica das mãos (total ou parcialmente) para transformar
chamada modelagem (a mesma vista nas págs. 60 e 61). um material em objeto artístico tridimensional. É uma
Ela pode ser empregada para fazer desde miniaturas definição ampla, que só tem como limites a habilidade
até peças grandiosas. do artista e aquilo que ele é capaz de imaginar.

#AlmanaqueFestaSesc
FESTA EM CASA

Luís Gomes
VOCÊ É QUEM
ESCULPE
Agora que o universo da escultura
(pág. 62) já é seu conhecido,
que tal experimentar duas técnicas
aproveitando ideias propostas pela
educadora Laura Andreato?

ENTALHE (TÉCNICA SUBTRATIVA)

1 Use a caneta para traçar no sabonete um 2 Com a faca, vá retirando lascas finas em
VOCÊ VAI PRECISAR DE: contorno qualquer ou o desenho de um objeto busca do formato desejado. Tome cuidado para
• Barra de sabonete que você tenha vontade de esculpir. não extrair pedaços grandes de uma única vez. 
• Caneta
• Lápis
• Faca sem ponta
• Palito de churrasco
• Pote com água
• Esponja ou pano
• Plástico para forrar a mesa

3 Utilize a ponta do palito de churrasco 4 Para dar acabamento à escultura, alise


(ou do lápis) para fazer sulcos, criando delicadamente a superfície com esponja ou
os detalhes do objeto. pano umedecido. Que objeto saiu de dentro
do seu sabonete?

MODELAGEM (TÉCNICA ADITIVA)

VOCÊ VAI PRECISAR DE:


• 2 xícaras (chá) de
farinha de trigo
• 1/3 de xícara (chá) de sal
• 1 xícara (chá) de água
• 1 colher (sopa) de óleo
• 1 colher (sopa) de vinagre
• Corante alimentício líquido
1 Misture os ingredientes (menos o corante) 2 Modele a massa com as mãos para fazer
(cores diversas) até a massa ficar homogênea. Separe bolinhas as figuras que vierem à sua mente. Você pode
• Palito de churrasco de massa: em cada uma, faça um buraco, pingue criar os detalhes usando a ponta do palito
• Vasilha o corante e misture para a cor se espalhar. e pedacinhos de massa de outras cores. 63
FORMA & VOLUME

IMPRESSORA 3D DENTRO DA CAIXA


Como a temperatura é importante
Em alguns minutos ou dias, no processo, há impressoras
ela produz peças tridimensionais 2 cujo mecanismo funciona em
que vão de um pequeno uma estrutura fechada.

objeto decorativo a carrocerias


de carros e próteses que
substituem ossos 3 O fio que entra na
cabeça de impressão
é puxado, aquecido e
depositado pelo bico
injetor. Aparelhos mais
avançados possuem
cabeças duplas, triplas
ou quádruplas, que
1 O processador é o possibilitam imprimir
cérebro da impressora: 3 em diferentes cores
é ele quem lê a receita. e materiais.
Pode ser conectado ao 4
computador ou receber 4 Os eixos motorizados
as instruções por cartão fazem o mecanismo se
de memória. mover em três direções:
1 para a esquerda e a direita;
2 Uma bobina de para a frente e para trás;
filamento plástico para cima e para baixo.
alimenta a impressora.
Um dos mais comuns é o 5 5 Algumas impressoras
ABS, também usado em contam com bandeja
brinquedos, celulares e aquecida, que facilita
até peças de automóveis. a aderência do objeto
enquanto ele é impresso.

Você já imaginou dar um comando no computador e, Entre os métodos de impressão 3D, o mais comum
um tempo depois, tirar uma escultura de chocolate de é o FDM, sigla em inglês para modelagem por fusão
dentro da impressora? Alguns fabricantes desse doce e deposição. O nome complicado identifica um processo
já adotaram a impressão tridimensional para moldar simples: um fio de plástico é aquecido e, bem molinho,
guloseimas com formas cada vez mais surpreendentes. passa por um bico que o injeta sobre a bandeja da
impressora. Assim formam-se a primeira e todas as
Guardadas as devidas diferenças, eles utilizam uma demais camadas do futuro objeto.
impressora que é basicamente a mesma desenvolvida nos
anos 1980 com a função de baratear e tornar mais rápida Para saber onde uma camada termina e a outra
a fabricação de protótipos variados para a indústria (protótipo começa, o equipamento segue uma receita: um modelo
é o nome dado ao rascunho de um produto em fase de tridimensional do objeto é criado no computador e colocado
testes). Hoje, essa tecnologia tem uma série de outras em um software conhecido como fatiador. O programa
aplicações, com destaque para a área médica, onde serve estuda cada fatia do modelo (seu contorno, medidas
para construir braços e pernas artificiais. e recheio) e transfere essas informações para a impressora.
Dependendo do tamanho e da complexidade da peça,
A impressão tridimensional resulta da sobreposição de em minutos, horas ou dias ela fica pronta.
finas camadas de algum material. O plástico, de diversos
tipos, predomina, mas também são empregados fibra Se for um vaso como o das págs. 60 e 61, provavelmente
de carbono, metal, papel reciclado e chocolate, como já o formato ficará ainda mais perfeito, mas dificilmente o
falamos. Há até impressoras que usam concreto para equipamento conseguirá igualar a textura e a cor do barro
imprimir casas! moldado, queimado e pintado de modo artesanal.

#AlmanaqueFestaSesc
ENSAIO VISUAL
ACERVO SESC DE ARTE

Everton Ballardin

INSTALAÇÃO SEM TÍTULO idealizar esta obra sem título, feita em 2019, foi
Eduardo Frota justamente provocar questionamentos sobre os
objetos de arte e sua relação com o espaço em que
estão. Medindo 6 x 5 m, com 6 m de altura, as peças
Quem percorre o Sesc Guarulhos depara com são feitas de aço-carbono calandrado, o que significa
uma dupla de carretéis gigantes. Um dos objetivos que a chapa metálica foi curvada até formar um tubo
do escultor Eduardo Frota (Fortaleza/CE, 1959) ao flexível e resistente.
65
FORMA & VOLUME

ACERVO PESSOAL
Tudo ocupa um espaço: de coisas a pessoas, de plantas a animais,
de lagoas a montanhas, cada um com seu formato, tamanho e volume. Ah, lembre-se de perguntar aos
Pensando nisso, você está convidado a observar atentamente o que donos se você pode pegar coisas
existe na sua casa e a formar um museu de objetos variados, que vai que não sejam suas.
ser útil às atividades a seguir.

MUSEU DAS COISAS CADA SALA, UM TEMA VOCÊ ARTISTA

Na sua seleção, tente reunir uma coleção Se você já foi a um museu, Você sabia que é possível fazer arte
que tenha pelo menos um objeto: deve ter percebido que os itens usando objetos que estão por aí?
expostos sempre revelam algum O capítulo Remix (pág. 82) é todo
• Que abre e fecha tipo de organização. Podem ser dedicado a esse assunto, mas você
• Que pode mudar de forma reunidos por autor, técnica, material, pode ter um gostinho dele aqui mesmo,
• Que tem transparência assunto, tamanho, período histórico, combinando itens do seu acervo para
• Quebrado movimento artístico e vários outros criar esculturas. Ao juntar peças, repare
• Com várias partes critérios. Mesmo que dois temas sejam como os formatos de algumas delas
• Oco apresentados em uma mesma sala, combinam melhor e como ficam o
• Com tampa cada um ocupa um espaço ali dentro. tamanho e o volume dos conjuntos.
• Que pode ser dobrado Deixamos três sugestões para ajudá-lo:
• Comprido Como você organizaria os objetos
• Arredondado da sua coleção? Quais são as 1. Uma escultura com alguns
• Com pés relações entre eles que podem servir objetos empilhados equilibrando-se
• De que você não sabe o nome de tema para as salas de exibição? uns nos outros.
• Que você não sabe para o que serve As possibilidades são muitas,
então, experimente e monte a sua 2. Uma obra de arte em que peças são
Acervo montado, desafio cumprido! própria exposição! enfileiradas para formar um caminho.
Ao olhar para itens tão diferentes entre
si, o que chama mais a sua atenção? 3. Uma obra com todos os itens
É o formato de cada um deles? encaixados uns nos outros.
O tamanho? A cor? Se você tivesse de
dar um nome ao seu museu, qual seria?

UNIVERSO DE PAPEL
Para fazer uma escultura, papel e criatividade
podem ser suficientes. Então, vamos lá! Recorte
as tiras tracejadas na página ao lado e descubra
o que você é capaz de inventar com esse material.
Vale dobrar, curvar, torcer e até encaixar as tiras
entre si, organizando-as sobre uma base retangular
de papel (veja um exemplo na foto ao lado). Que
formas você consegue criar? Como as partes da
escultura se relacionam? Você enxerga formas
diferentes nos espaços vazios?

Experimente construir:
• A Cidade dos Mosquitos Confusos.
• O Labirinto das Formigas que Vão e Vêm.
• A Torre dos Pequenos Besouros Escondidos.
Tatiana Zacariotti

Após terminar a brincadeira, se quiser, cole as peças


construídas na base e deixe a sua escultura exposta sobre
um móvel da casa ou no seu Museu das Coisas.

#AlmanaqueFestaSesc
67
Já pensou que as formas e
dimensões dos objetos, móveis
e construções são como são
por causa do tamanho do
nosso corpo?

Como seriam os talheres se


nossos dedos fossem mais
compridos? Qual seria o formato
de um sofá se as pessoas tivessem
asas? Qual seria a altura das portas
se tivéssemos chifres?

E como seria uma bicicleta para


pessoas com quatro pernas?

FORMAS E SOMBRAS
Observe as palavras em relevo e a sombra no plano. Você consegue
identificar outras palavras nas sombras projetadas?

69
IMAGEM,
TEMPO &
MOVIMENTO
Do pensamento à ação, a humanidade levou uns bons milênios
para entender o movimento e para descobrir como registrá-lo

E
is um pedido impossível de atender: fique (veja na pág. 74). Para desenvolvê-la, a inspiração
parado. Você pode pensar que é capaz de fazê-lo, acabou vindo da ferramenta original –‌os olhos, máquina
mas seus globos oculares estão se mexendo, maravilhosa do corpo humano, cujo funcionamento é
seguindo estas linhas de texto, bem como seu peito, copiado até pelos modelos mais primitivos de câmera.
conforme os pulmões se enchem de ar. Mesmo que
feche os olhos e prenda a respiração, você está em um Ao controlar a entrada de luz na máquina, o diafragma
planeta que gira em torno do próprio eixo e ao redor do atua como a pupila, dosando a quantidade de luz que
Sol. Ainda que ignore o universo inteiro por um instante, entra. As lentes, que focalizam o objeto, têm função
você continua se movendo, avançando no tempo. similar à da córnea e do cristalino. O filme (ou o sensor,
Pois se tem uma coisa que não para é o relógio. E ele na versão digital), que recebe a imagem, corresponde
nos leva junto. à retina. Por fim, o papel (ou a tela), onde o resultado final
se forma, é como a região do cérebro chamada córtex,
A ciência estuda essas questões desde a Antiguidade, em que a imagem invertida se corrige.
quando os gregos (sempre eles!) passaram a observar
o comportamento das coisas terrestres e dos astros. No século 19, já se sabia que a combinação da ilusão
No século 17, o inglês Isaac Newton formulou as clássicas de óptica e do efeito de luz cria a percepção do movimento
leis da Física sobre movimento e gravidade. Já na era por meio de uma sucessão de imagens paradas, e havia
moderna, em 1915 o alemão Albert Einstein publicou um bocado de engenhocas que exploravam essa simulação
a Teoria da Relatividade, que analisou a ligação entre (aprenda a fazer uma na pág. 75). Porém, também nessa
espaço e tempo. área foi a fotografia quem deu o empurrão que faltava.
Ela serviu como inspiração e fonte de pesquisa para os
Os artistas também voltaram sua atenção para o inventores responsáveis pelas inovações técnicas que
movimento e tiveram a percepção de mostrá-lo como uma resultaram no desenvolvimento do cinema (pág. 74).
sequência de acontecimentos. Um vaso confeccionado
por volta do ano 3000 a.C., encontrado na região do Embora hoje quase tudo seja computadorizado,
Irã, traz uma série de desenhos de uma cabra pulando, a captação e a reprodução de imagens em movimento
alcançando e então devorando as folhas de uma planta. ainda seguem os princípios descobertos lá atrás. E não
é difícil imaginar que surjam outras tecnologias ainda
Na busca por retratar cada vez mais fielmente o mundo mais surpreendentes em alguns anos. Pois, para o nosso
ao redor, a fotografia foi um marco importantíssimo impulso criativo, também é impossível ficar parado. 71
IMAGEM, TEMPO & MOVIMENTO VOCÊ SABIA?

IA QUE FEZ

N
G
A
MA
MU DO RODAR
O

to de Muybridge
estudo de movimen

io
óp
zo sc
otr
ino

zoo

ópio
prax

pr a
xis

pio

1867-1877: DESENHOS ANIMADOS 1878: UM PASSO DE CADA VEZ


Um dos brinquedos mais conhecidos a usar o efeito estroboscópico foi Chamado para resolver uma aposta (sobre o cavalo tirar ou não as quatro
o zootrópio. Inventado pelo norte-americano William Lincoln, em 1867, patas do chão, ao mesmo tempo, durante o galope), o inglês Eadweard
consistia em um tambor giratório, com fendas verticais por toda a volta; Muybridge colocou câmeras ao longo da pista de corrida, cada uma com
dentro dele, uma tira com desenhos sequenciais simulava o movimento o disparador ligado a um fio, que era puxado quando o animal passava.
quando o aparelho rodava. O mecanismo vendeu muito nos EUA e na As fotos rodaram o mundo e viraram referência para estudiosos. Muybridge
Inglaterra, até dar lugar ao praxinoscópio, dez anos depois. Essa versão, continuou os experimentos, registrando o movimento de outros animais
criada pelo francês Charles-Émile Reynaud, melhorava o jeito de visualizar e do ser humano. Criou ainda o zoopraxiscópio: similar ao zootrópio e ao
as imagens, pois tinha um cilindro com espelhos dentro do tambor. praxinoscópio, era um disco de vidro que projetava as imagens pintadas
em sua borda quando posto diante da luz.

#AlmanaqueFestaSesc
Agora você vê, agora não vê mais! O refrão dos ilusionistas ajuda a explicar
outro truque, o dos brinquedos ópticos. Quando imagens paradas, diferentes
entre si, passam em velocidade constante, a gente tem a impressão de estar
vendo uma única imagem em movimento. Essa peça que o cérebro nos prega,
ajudado pela variação entre presença e ausência de luz, se chama efeito
estroboscópico. Já era explorado como diversão no século 19, por meio de
engenhocas populares na época –‌isso até a chegada do cinema, quase no século 20.
Mas o desenvolvimento da novidade só foi possível graças ao trabalho
de inventores que, nesse meio-tempo, criaram ilusões cada vez mais realistas.

Black Maria

cinem
vim ento de Marey
do de mo
estu óg
at

ra fo

fuzil cronofotográfico

cinetoscó
pio cinetógrafo

1882: TUDO AO MESMO TEMPO 1891: AS IMAGENS EM AÇÃO


O trabalho de Muybridge influenciou o francês Étienne-Jules Marey Na cola das experiências de Muybridge e Marey, o norte-americano
–‌eles até trocaram cartas e se encontraram pessoalmente. Em uma Thomas Edison desenvolveu o cinetógrafo, que usava o recém-criado
tentativa de aprimorar o que o inglês havia feito até então, Marey pensou: filme de celuloide para tirar várias fotos por segundo, e o cinetoscópio,
“E se em vez de várias câmeras fosse possível utilizar uma só?”. Assim que as exibia. Funcionava assim: um sistema elétrico rodava o filme
chegou ao fuzil cronofotográfico, uma “arma” que, no lugar de tiros, e o fazia passar por uma lâmpada; o espectador então olhava por uma
disparava fotos, 12 por segundo. Elas eram reveladas todas no mesmo lente em cima do aparelho e via as imagens em movimento. Edison até
papel, criando impressionantes registros de animais, como aves em abriu um estúdio, o Black Maria, onde filmava seus curtas-metragens.
pleno voo e um gato caindo de pé. Teve algum sucesso, mas acabou superado pelos irmãos Lumière e seu
cinematógrafo (veja na pág. 76). 73
IMAGEM, TEMPO & MOVIMENTO ARTE NO TEMPO

ESCRITA COM LUZ


Esse é o significado da palavra fotografia –
e apenas um dos muitos detalhes fascinantes na história
da técnica que nasceu dentro de uma caixa

Imagine algo pelo qual você espera impacientemente: Também já se faziam cópias usando o método de
o show do seu artista favorito, a sua festa de aniversário, negativo (versão invertida da imagem, em que as áreas
aquela viagem dos sonhos. Eles demoram tanto a chegar claras são escuras e vice-versa) e positivo (versão
que os dias parecem se arrastar. Quando enfim acontecem, correta), obtidas após uma nova superfície sensível,
a impressão é que passam muito rápido, e a vontade como o papel fotográfico, ser exposta à luz com o
é de congelar o tempo para que durem um pouco mais. negativo na frente, filtrando a passagem da luz e
definindo as regiões claras e escuras. O tratamento
É aí que entra a fotografia, nascida do desejo de eternizar é conhecido como revelação. Com o tempo, as placas
instantes. Só que nem sempre isso se resolveu com a de metal tinham dado lugar às de vidro, mais tarde
facilidade de um clique. Hoje é quase impossível acreditar, substituídas pelo filme de celuloide (o mesmo do
mas, no começo, o simples ato de tirar um retrato cinematógrafo, veja na pág. 76).
demorava dias.
A chegada da fotografia colorida, no século 20,
A história começa na década de 1820, quando o francês foi um marco. Por décadas o processo permaneceu
Joseph Nicéphore Niépce fez as primeiras fotos. Ele se quase o mesmo. A nova revolução veio com o formato
baseou em dois conhecimentos. O primeiro era um efeito digital, baseado em tecnologias desenvolvidas a partir
de luz realizado com um pequeno furo em uma caixa. dos anos 1950 por áreas tão diversas quanto a televisão
Isso projeta a imagem do que está do lado de fora para e a astronomia.
dentro dela. O processo é chamado de “camera obscura”,
uma expressão em latim. Para ter uma ideia, a primeira câmera digital, criada em
1975, era do tamanho de uma torradeira, pesava 4 kg
O segundo fenômeno era que alguns materiais deixam e gravava as imagens em fita cassete. Modelos mais leves
uma marca na superfície quando expostos à luz por um começaram a aparecer nas lojas nos anos 1980. Só depois
tempo. Depois de testes, Niépce encontrou uma fórmula: da virada do século, câmeras começaram a se popularizar
aplicou um tipo de asfalto dissolvido sobre uma placa de nos telefones celulares.
metal e a manteve dentro da caixa durante vários dias.
Com um solvente natural, ou seja, um químico com Antes, fazer uma foto exigia esforço. O resultado do
poder de remoção, retirou a crosta que havia se formado clique era esperado com ansiedade e depois guardado
na placa e pronto, lá estava a foto – em preto e branco como tesouro. Agora, tudo ficou mais fácil, mas também
e com uma qualidade duvidosa, mas era uma foto! passageiro. Produzimos tantas imagens que quase nem
nos lembramos delas. Deixamos de valorizar o longo
Desde então, a técnica evoluiu. Na década de 1880, caminho que a fotografia percorreu, desde a placa de
o tempo necessário de exposição de uma superfície metal dentro da caixa até o complexo mecanismo que
sensível à luz caiu para uma fração de segundo. cabe no bolso. Algo para pensar ao tirar a próxima selfie.

#AlmanaqueFestaSesc
FESTA EM CASA

BRINQUEDO
ÓPTICO
Numa atividade sugerida pela educadora
Célia Harumi, faça uma versão caseira
do fenacistoscópio, aparelho que
usa um disco giratório para criar a ilusão

Luís Gomes
de movimento das imagens

6 cm

1 Risque o contorno do CD 2 No sulfite com o círculo 3 Repita a marcação a cada


no sulfite e no papel escuro. desenhado: a partir do ponto A, 6 cm e trace retas para ligar
Marque o centro. Trace uma assinale um intervalo de 6 cm esses pontos, passando sempre
reta no meio dos círculos. no contorno. pelo centro.

VOCÊ VAI PRECISAR DE:


• Folha A4 de papel sulfite
• Folha A4 de papel escuro
• CD ou DVD
• Lápis
4 No círculo branco, trace 5 Corte os discos branco 6 Faça um desenho por gomo.
• Apontador triângulos na ponta das divisões e escuro e cole um contra Cada imagem deve ser uma
• Borracha entre os seis gomos. o outro. Recorte os triângulos variação da anterior.
• Caneta formando fendas.
• Régua
• Tesoura
• Cola
• Palito de churrasco
• Barbante fino (cerca
de 10 ou 15 cm)

7 Fure o centro do disco. 8 Dando um nó na outra ponta, 9 Diante do espelho, olhe pelas
Sem alargar o furo, passe um prenda um palito na face de trás: fendas enquanto gira o disco:
barbante e dê um nó duplo na não pode ficar nem muito firme você terá impressão de um
ponta que ficou para a frente. nem muito frouxo. único desenho em movimento!
75
IMAGEM, TEMPO & MOVIMENTO

CINEMATÓGRAFO
Misto de câmera e projetor, este
equipamento movido a manivela
revolucionou a captação e exibição
de imagens em movimento
e deu origem ao cinema
CADÊ O SOM?
1
O cinema permaneceu
mudo durante décadas,
até que o longo processo
de avanços em técnicas
3 de gravação, reprodução
1 Como a ideia e sincronização de áudio
dos Lumière era rodar possibilitou o lançamento
cenas curtas, de poucos dos primeiros filmes
minutos, o rolo de filme sonorizados, nos anos 1920.
tinha 18 m no máximo
e cabia em uma
pequena bobina. O condensador era
um frasco de vidro
2 O mecanismo era 2 com água dentro.
inspirado nas máquinas Ele direcionava a luz
de costura: a manivela e ainda impedia que
movia dois pinos, que o filme esquentasse
se encaixavam no filme demais. Hoje em dia,
e o faziam avançar é um conjunto de
até parar bem diante espelhos ou lentes.
da lente.
A maior superfície
3 Dependendo da a receber a projeção
função (filmar ou exibir), do cinematógrafo foi,
as lentes precisavam provavelmente, um
ser trocadas. Na hora tecido de 16 x 21 m
de projetar, o aparelho – quase o mesmo
era aberto, com a fonte tamanho das atuais
de luz posicionada atrás. telas de cinema.

Imagine se você vivesse 130 anos atrás, quando ainda Mesmo assim, o cinematógrafo é a maior revolução
não havia o cinema (nem o telefone celular que você da área, por causa de suas muitas inovações.
utiliza para fazer vídeos a todo momento!). Qual seria a Um exemplo é a clareza da imagem, obtida graças ao
sua reação se, sentado em uma sala escura, assistisse mecanismo que movia o filme rapidamente (16 quadros
à cena de um trem chegando à estação? Uma história por segundo), sem deixá-lo tremer diante da lente.
famosa diz que quem acompanhou a estreia da máquina A invenção também trazia componentes usados até
criada pelos irmãos franceses Auguste e Louis Lumière hoje, como o condensador, que concentra o feixe
teria se assustado. de luz responsável pela projeção, melhorando
sua qualidade.
Atualmente, muitos estudiosos questionam se esses
relatos não seriam um exagero – afinal, na década Porém a contribuição mais importante dos irmãos
de 1890 já existiam equipamentos parecidos com o Lumière não foi tecnológica. Por reunir multidões
cinematógrafo (conheça alguns deles nas págs. 72 e 73). encantadas, o cinematógrafo popularizou a ideia do
Tirar várias fotos por segundo e depois projetá-las na tela cinema como uma experiência coletiva. Sim, porque
uma após a outra, em velocidade constante, de modo o sofá de casa pode até ser mais confortável, mas
a dar a ilusão de movimento, não era, portanto, uma aquela sensação de dividir o riso, o susto, o choro
ideia desconhecida. e a vibração com uma plateia continua imbatível.

#AlmanaqueFestaSesc
ENSAIO VISUAL
ACERVO SESC DE ARTE

Everton Ballardin

MÁQUINA DE ESCREVER de Escrever (Homenagem a Homero Silva), de 1949.


(Homenagem a Homero Silva) Nela, o fotógrafo, pintor e designer Geraldo de Barros
Geraldo de Barros (Chavantes/SP, 1923-1998) presta tributo a um famoso
radialista da época. A fotografia, impressa em
Capturar diferentes imagens em uma mesma foto 40,6 x 30,5 cm, ilustra a busca constante do autor
pode criar a ilusão de movimento (como vimos nas por experimentações e inovações e faz parte do
págs. 72 e 73). Isso fica evidente na obra Máquina acervo do Sesc São Paulo.
77
IMAGEM, TEMPO & MOVIMENTO
RODA MUNDO,
RODA PIÃO
Este parque de diversões foi feito
para os seus olhos: basta mirar
os balões para que a brincadeira
comece. O que está acontecendo
com eles? Você não fica com
a sensação de ver uma coisa
e depois outra? Percorra a ilustração
até encontrar mais figuras que
pareçam estar se mexendo.
Tudo isso é ilusão de óptica!
Quantas formas desse tipo
há no desenho todo?

OLHOS VIDRADOS
E MÃO SOLTA
O desafio, agora, é dos grandes:
registrar o movimento que você
percebeu nas imagens da atividade
anterior. Para isso, pegue lápis
e papel e mãos à obra!

Sem desgrudar os olhos do


Almanaque, reproduza em uma
folha o movimento de uma das
figuras. Se for o de uma espiral,
por exemplo, mova a mão no
mesmo sentido que os olhos.
Prossiga com as outras imagens
usando uma folha para cada uma.

Convide mais gente para fazer


o mesmo exercício e, depois, tente
adivinhar qual traçado corresponde
a cada figura. Será que todos nós
vemos as coisas do mesmo jeito? 79
IMAGEM, TEMPO & MOVIMENTO

OLHO DE LINCE, Nem sempre seu cérebro


concorda com seus olhos.
OLHO NO LANCE! E pode ser que isso aconteça
bem aqui, quando você fizer
os experimentos a seguir.

1
Preste atenção
nas imagens
e responda:
Qual dos círculos
é o maior?

2
Enquanto o
vagão não chega,
observe a linha do
trem na imagem.
Qual das linhas
amarelas é maior?

3 Para conferir
se acertou as
respostas, observe
Olhe bem a imagem aqui
para as colunas à direita.
de cor turquesa:
Qual delas é mais A dica é colocar
clara? E qual é a o Almanaque na
mais escura? altura dos olhos
e o inclinar até
conseguir ler com
um olho só o que
está escrito.

#AlmanaqueFestaSesc
Já pensou que até quando você E quando paramos para pensar? Já pensou que a percepção do
está parado, há muita coisa se Deixar de mover-se é o jeito tempo é variável? Às vezes ele
movimentando dentro do seu para colocar mais atenção em parece voar, em outros se arrasta…
corpo? Seu coração bate, seus si, no movimento interno, no Já pensou que uma mesma coisa é
pulmões inflam, sua imaginação modo como experimentamos percebida de modos diferentes por
vai longe... e percebemos a vida. pessoas diferentes?

FLIPBOOK
Você reparou na bolinha no canto significa alguma coisa parecida
inferior desta página? Percebeu com livro de movimentar. Ele foi
que ela aparece nas páginas a primeira forma de animação que
anteriores e dá a impressão de já tivemos: deve ser o tataravô do
se mover? Provavelmente você desenho animado e do cinema!
também notou que os desenhos
em sequência apresentam Agora que você já sabe como
pequenas diferenças de um para funciona um flipbook, será
o outro. Quando o Almanaque é que é capaz de criar o seu?
folheado rapidamente, seus olhos A dica é pegar um bloquinho
fazem uma espécie de fusão dos de umas 50 págs. e fazer um
desenhos, levando seu cérebro a desenho em cada uma delas,
“enxergá-los” como uma imagem sempre deslocando um pouquinho
em movimento. a posição do objeto traçado. Use o
próprio Almanaque como exemplo
Publicações que provocam esse e não desista na primeira tentativa:
tipo de ilusão de óptica chamam-se quanto mais você treinar, melhor
flipbook, termo em inglês que ficará sua animação! 81
APROPRIAÇÃO & REMIX
REMIX

Transformar, misturar e criar são algumas das


palavras de ordem do remix, que (re)interpreta
o mundo com liberdade criativa

N
o mundo em que vivemos o que nos define equipamentos. Exemplos são os fóruns virtuais que
não é só o que consumimos – roupas, aparelhos, compartilham dicas para construir máquinas caseiras
entretenimento, arte etc. Para aqueles que vivem e programas de código aberto (pág. 88).
pela “filosofia do remix”, é preciso encarar as coisas
como matéria-prima à espera de novas apropriações Nesses espaços virtuais habitam os hackers – espécie
e interpretações. Remixar é reinventar o mundo. de curiosos amadores ou profissionais – que se dedicam
a descobrir utilidades de equipamentos ou programas
A era digital proporcionou aos “remixadores” – nós, que vão além do previsto pelos criadores. Assim como
que gostamos de reinventar tudo – a habilidade de não na vida fora das redes, onde há pessoas com boas e más
apenas ler ou escrever, mas de criar e editar conteúdos. intenções, entre a comunidade hacker existem também
Passamos a modificar e compartilhar muitas coisas, aqueles que optam pelo crime, mas isso não é a regra
inclusive música (remix também é sinônimo de geral. A maioria quer ajudar a produzir e compartilhar
músicas misturadas). conhecimento.

A ideia de remix evoluiu da pickup dos DJs para o Essa filosofia da reinvenção passou a ser aplicada
cotidiano. Qualquer pessoa com acesso à internet pode no combate ao desperdício de recursos naturais.
criar ou compartilhar memes: imagens e vídeos que Na contramão do consumo desenfreado, que se relaciona
usam cenas ou personagens conhecidos com legenda diretamente com a produção massiva de coisas que vão
engraçadinha para fazer humor ou crítica de algo. O mesmo virar lixo, ganha força o upcycling (pág. 87), movimento
processo pode ser feito com cinema, fotografia, artes que propõe reaproveitar objetos que seriam descartados
visuais e outras linguagens. As redes sociais são grandes para fazer coisas novas. É uma maneira sustentável e
vitrines de coisas remixadas, como os vídeos de pessoas responsável de estender o ciclo de vida útil dos recursos.
dublando ou dançando os sucessos do momento.
A reinvenção está em todo canto. Mas ela esbarra em
Remixamos porque podemos, para nos divertir e para questões como respeito à autoria e fronteiras entre a
sobreviver. E se algumas tecnologias – indispensáveis criação por meio do remix e o plágio (a cópia descarada).
para viver neste mundo digital – são caras e inacessíveis, Trata-se de uma discussão constante dentro da cultura do
sempre haverá uma comunidade na internet dedicada remix que tende a se ampliar. Essa, afinal, não é somente
a desenvolver versões mais baratas ou gratuitas de a linguagem do hoje, mas também a do amanhã. 83
REMIX VOCÊ SABIA?

CRIAMOS E
INVENTAMOS

O que você entende por gambiarra? Notícias da década


de 1880 empregavam a palavra para se referir a extensões
de luz, que parece ser o significado mais antigo do termo.
Hoje, porém, quase ninguém sabe disso. Para alguns,
o que ficou no registro mental é a ideia de coisas malfeitas
e de “conexões irregulares”, como se dizia nas ruas e nos
jornais brasileiros dos anos 1980 e 1990.

Apesar de a palavra às vezes ter caráter pejorativo, hoje a


gambiarra representa uma expressão de criatividade. É cada
vez mais associada a improvisações que pessoas realizam
para atingir necessidades do dia a dia, como nas cenas vistas
aqui, flagradas pelo fotógrafo mineiro Cao Guimarães.
Já há quem defenda, inclusive, que a gambiarra é algo muito
maior, uma das grandes marcas da cultura do século 21
Everton Ballardin

– um modo de pensar criativo que se apropria de objetos


e ideias disponíveis e, sob um novo contexto, os reinventa.

#AlmanaqueFestaSesc
“ESTÉTICA DA GAMBIARRA”
Esse foi o nome de uma mostra
de Cao Guimarães realizada
no Sesc Interlagos em 2015.
Captadas entre 2008 e 2014,
as imagens em trios levam o
título de Nichos de Gambiarras
e foram agrupadas pelo autor
conforme os temas.

85
REMIX ARTE NO TEMPO

O HIP HOP E A
FILOSOFIA DO REMIX
Esse movimento de música, dança e arte de rua
nasceu nos Estados Unidos na década de 1970
e ainda hoje continua influente na cultura

Tem gente que acha que hip hop é sinônimo de rap. ouvido, possibilitando ao DJ ouvir uma música enquanto
É isso, mas não é só isso. Além das batidas e poesias toca outra.
do rap, o hip hop engloba também a dança conhecida
como break; a estética do grafite, que colore as ruas Alguns DJs começaram a convidar pessoas para subirem
das cidades; um modo original de se vestir e falar; no palco para se expressar ao microfone. Surgiram os
além do conhecimento, capaz de produzir aprendizado, mestres de cerimônia, ou MCs. Da mistura dos versos
consciência e transformação na vida daqueles que lhe com as batidas, nasceu um estilo baseado em ritmo
dão ouvidos. São elementos que fundamentam essa e poesia – em inglês, a sigla RAP.
expressão cultural que surgiu nos EUA nos anos 1970.
Diante do palco, o break tomava conta das pistas,
O hip hop é uma revolução. Deu voz à juventude misturando passos de estilos antigos com movimentos
que sofria com violência, pobreza, racismo e outros novos, dando origem a uma dança chamativa como
problemas sociais presentes nas periferias das o grafite, envolvente como a batida do DJ e fluida como
grandes cidades. o rap. Desde o início, já era encenada como batalha,
com um oponente tentando superar o outro ao fazer
Foi numa festa em Nova York que DJs como Kool Herc manobras surpreendentes.
e Afrika Bambaataa notaram que a pista se animava em
trechos específicos das músicas. Com dois toca-discos, Dos EUA para o mundo, o hip hop se espalhou. Jovens
começaram a manipular os bolachões para repetir ou das periferias brasileiras se identificaram. Num contexto
saltar a música para passagens específicas, compondo de escassez de recursos e poucos meios de manifes-
uma mixagem diferente – um “remix”. O sucesso foi tação, o hip hop gera explosões criativas. Um intenso
grande, e a novidade se espalhou. Mais DJs adotaram compartilhamento de ideias e expressões passou a se
a técnica e inventaram outras ainda, como o “sampling”, dar de modo articulado em torno do movimento hip hop.
que monta uma música nova juntando pedaços Diferentes arranjos sociais e recombinações do que já
de outras existentes. existia para criar coisas novas são as grandes tecnologias
desse movimento.
Grandmaster Flash deu contribuições fundamentais
ao trabalho dos DJs, aprimorando as técnicas de Hip hop é remix, pois nasce e se alimenta da mistura de
mixagem e incorporando o riscar dos discos de vinil elementos, da apropriação de repertórios, da reinvenção
como elemento sonoro, o chamado scratch. Com amplo de estilos e da colaboração de ideias e fazeres. Até hoje
conhecimento de eletrônica, ele também aprimorou é uma das principais forças de transformação social da
o uso do mixer, equipamento que possibilita controlar periferia. Mais relevante do que nunca, o hip hop segue
e misturar canais de som. Ainda incorporou o fone de vivo e em constante transformação.

#AlmanaqueFestaSesc
FESTA EM CASA

TUDO SE
APROVEITA!
O upcycling propõe a criação de produtos
novos a partir de objetos aparentemente
inúteis ou que seriam descartados. O educador
Sergio Segal sugere colocar essa tendência

Luís Gomes
em prática fazendo uma luminária

1 No fundo da lata, marque o 2 Com o auxílio da chave 3 Encaixe o bocal de lâmpada


ponto central e trace o contorno Phillips ou de fenda, retire no buraco cortado, com o lado
do bocal. Fure o contorno usando o disco recortado. da rosca para dentro.
prego e martelo.

VOCÊ VAI PRECISAR DE:


• Lata de leite em pó
ou achocolatado
• Canetinha ou caneta
do tipo marcador
4 Na parte maior do cabide, 5 Meça 2 cm a partir das pontas 6 Marque 4 cm acima do fundo
• Bocal de lâmpada com fio
meça 14 cm a partir de cada e dobre-as. Faça dobras nas da lata; repita no lado oposto.
• Prego grande cotovelo e marque. Corte marcações anteriores para dar Faça os furos, apoiando a lata
• Martelo as pontinhas, igualando-as. forma à estrutura. para não amassar.
• Chave Phillips ou chave
de fenda
• Cabide de arame encapado
e desmontado
• Régua (ou trena)
• Alicate
• Plugue (novo ou aproveitado
de uma extensão ou
aparelho sem uso)
• Lâmpada LED de 6 W
(a tensão, em volts, deve
ser igual à da rede elétrica
na sua casa) 7 Encaixe as pontas do cabide 8 Descasque a ponta dos 9 Rosqueie a lâmpada no bocal
nos furos e entorte-as lá dentro dois fios que compõem o cabo. e só então conecte o plugue da
para fixar a lata. Ajuste até o Ligue cada fio a um conector luminária na tomada.
conjunto ficar estável. do plugue e feche-o.
87
REMIX

CNC ROUTER
Este equipamento
computadorizado que corta
e esculpe madeira, plástico, 2
metal e outros materiais
é um remix de ideias
4

3
1 A CNC router fica
ligada a um computador,
onde o desenho a ser
cortado é criado e
convertido em um 5
código que a máquina
consegue entender.

2 O código é lido
por uma placa
microcontroladora, 4 Assim como a
muitas vezes um impressora 3D, a CNC
Arduino, que é de router se move em três
código aberto. Ela pode eixos: para a esquerda
ser programada para e para a direita, para
várias funções, como a frente e para trás,
abrir e fechar cortinas. para cima e para baixo.

3 O Arduino controla 5 Aqui, o corte da


os três motores da MÃOS NA RODA placa é obra da fresa.
máquina. Potentes Quer construir sua CNC Mas há máquinas
e muito precisos, eles router, mas não entende muito 1 semelhantes que usam
realizam os movimentos de mecânica ou programação? plasma (espécie de
necessários para seguir Na internet, há grupos e gás superaquecido)
todos os detalhes comunidades que compartilham e até jatos de água
do desenho. tutoriais e dicas. em alta pressão.

Não é exagero dizer que, em várias ocasiões, A indústria emprega a CNC router na fabricação de peças
o avanço tecnológico é um remix. Muitas vezes como móveis. Sem recursos para comprar uma máquina
um inventor combina criações já existentes para assim, há quem construa a própria versão, adaptando o que
resolver um problema. A genialidade está em tem à mão – e dividindo com outros os seus aprendizados.
perceber esse caminho nunca antes visto. Essa prática integra a cultura “maker” (a palavra em inglês
significa “fazedor”), movimento que incentiva cada um a
Diversas máquinas nascem assim, e a CNC router criar os instrumentos e objetos de que necessita.
é um exemplo. O nome dá a pista: CNC é a sigla
para “controle numérico por computador”, um meio As variações “maker” da CNC router costumam
de automatizar equipamentos desenvolvido a partir ser pequenas, adequadas para fazer customizações
dos anos 1940; e “router”, em inglês, é fresa, e artesanato, como itens decorativos de MDF. Já que a
ferramenta com uma ponta cilíndrica que gira bem ideia é diminuir o custo, elas se valem de componentes
rápido e corta materiais como madeira, plástico baratos. Os programas de computador, por exemplo,
e metal. A junção dos dois mecanismos deu origem quase sempre são os de código aberto: softwares que
a um aparelho que faz recortes precisos, em executam as mesmas funções que os pagos, no entanto
contorno ou baixo-relevo, que seriam difíceis de são disponibilizados gratuitamente para qualquer um
produzir manualmente. usar, modificar e melhorar.

#AlmanaqueFestaSesc
ENSAIO VISUAL
ACERVO SESC DE ARTE

Everton Ballardin

A SANTA CEIA – FLORES substituindo Jesus e os apóstolos por flores. Conhecido


Nelson Leirner por seu trabalho questionador, o autor quis refletir sobre
as incontáveis vezes que uma imagem como a original,
A cena parece familiar? Pois em A Santa Ceia – Flores, pintada há mais de 500 anos, já foi reproduzida. Esta tela
o artista Nelson Leirner (São Paulo/SP, 1932-2020) de 100 x 70 cm foi criada em 1990 usando uma mistura
se apropriou do famoso quadro A Última Ceia, de técnicas, inclusive colagem, e pode ser vista no
de Leonardo da Vinci, e fez uma releitura da obra, Sesc Pinheiros.
89
REMIX

PARLA!
Quando a gente sorri, não é só com os lábios que
faz isso, certo? Tudo na face contribui para nossas 1Testa muito grande 2 Sobrancelhas grossas
expressões, do nariz às orelhas, das sobrancelhas 3 Cílios gigantes 4 Um olho mais baixo que outro
à boca. Que tal brincar com elementos como esses 5 Um olho de cada cor 6 Nariz redondinho
para transformar os contornos acima em rostos? 7 Orelhas pontudas 8 Boca enorme, cheia de dentes
9 Boca fininha, de um traço só 10 Bigode extravagante
Nesta atividade, vai muito bem a técnica 11 Barba longa 12 Um corte de cabelo sensacional
de colagem: você pode usar revistas, jornais 13 Brincos esquisitões 14 Batom chocante
15 Óculos maluquíssimos
e papéis coloridos para recortar uma coleção
de narizes, olhos etc. Confira as 15 sugestões
listadas e aproveite umas cinco delas no seu trabalho Pensando nas expressões que você criou, não seria
– o resto você faz como preferir. Depois de brincar divertido inventar um diálogo entre os personagens,
com as possibilidades, cole os recortes para com pergunta e resposta? O que será que eles
finalizar os rostos. estão dizendo?

#AlmanaqueFestaSesc
OBJETO VIVO

O que acha de inventar personalidades para


objetos do dia a dia?

Procure na sua casa itens que você acha


simpáticos. Recorte as figuras ao lado e use fita
adesiva para fixá-las nas peças. Você vai dar vida
às coisas à sua volta!

Como vão se chamar os seus personagens-


-objetos? Depois de dar nomes curiosos, crie
uma frase engraçada em que pelo menos cinco
palavras iniciem com a primeira letra do objeto.

Exemplos:
Caneca Maluca: tem uma cara curiosa,
certamente é uma cientista completa.
Vaso Arregalado: vai virar caco se
alguma vez a vovó visitar a gente.

FRASE 1

FRASE 2

FRASE 3

91
ACHO QUE EU
VI UM ROSTO…
Viu mesmo? Como ele é? Os dois jogos a seguir vão
desafiar a sua memória e capacidade de associação.
Para brincar, recorte as cartas que estão na aba da
capa de trás do Almanaque e que são idênticas às
do painel ao lado.

MEMÓRIA DE CARA

Jogadores: 2 a 4 | Duração: 5 min


Descrição: A missão é juntar os pares unindo imagens
parecidas e com molduras idênticas.

Como jogar: Embaralhe as cartas e organize-as sobre


a mesa com as imagens voltadas para baixo. Um jogador
vira duas cartas: se conseguir formar um par, reserva essas
cartas e continua jogando. Se não formar um par, desvira
as cartas, deixando-as no mesmo lugar em que estavam,
e passa a vez para o próximo participante.

Quando não houver mais cartas na mesa, a partida


termina, e vence quem tiver juntado mais pares.

Dica: Memorize o lugar de cada carta para conseguir fazer


um par na sua vez!

DE CARA COM AS BOAS PERGUNTAS

Jogadores: 2 | Duração: 10 min


Descrição: Quantas perguntas são necessárias
para adivinhar a carta que o adversário esconde?

Como jogar: Com as cartas espalhadas na mesa,


um participante escolhe mentalmente uma delas,
sem falar nada. Para descobrir qual foi a carta
selecionada, o outro jogador deve fazer perguntas
ao adversário sobre características da imagem. Só há
três alternativas para as respostas: “sim”, “não” ou “não
dá para saber”. É importante anotar a quantidade
de perguntas feitas.

Conforme recebe as respostas, o jogador vai eliminando


cartas até que reste só uma na mesa. Se não tiver havido
nenhum engano, ela será a imagem escolhida pelo primeiro
participante. Na partida seguinte, invertem-se os papéis.

Ganha o jogo quem precisar de menos perguntas para


identificar a carta do adversário.
OBJETOS VIRAM CARINHAS
É só procurar por olhos e bocas que rostos saltarão Se quiser ver mais imagens assim, procure
destas 24 imagens. Então, comece já! Dá até para na internet pela expressão “I see faces in places”
atribuir personalidade às coisas fotografadas. ou “eu vejo rosto nas coisas”. Você vai se divertir!

Já pensou em quantos objetos


foram produzidos na história da
humanidade? Alguns ficaram
esquecidos, outros, ultrapassados.
Muitos estragaram ou quebraram.
A maioria acabou descartada.

Já pensou que daria para


fazer um enorme Museu das
Coisas Descartadas, cheio de
objetos das mais variadas formas
e materiais? E que eles poderiam
ser recombinados para gerar
novas coisas?

Então, será que precisamos


de tantas coisas novas todos
os dias? Talvez baste olhar com
criatividade e interesse para o
que já existe. É só mudar o lugar
da invenção: trazê-la para dentro
93
de nós. Já pensou?
PÁGINA DE RESPOSTAS

PALAVRA
ESPELHADA
pág. 19
ostas
pagina resp IMPRESSÃO CÓPIA RELEVO
FROTAGEM JORNAL CORDEL
MATRIZ GOIVA INVERTIDO
CARIMBO LIVRO IMPRENSA
GRAVURA GRÁFICA COMUNICAÇÃO

R E X I L DA TRAMA
A A P E E E À TRAMOIA
pág. 31
N R L C M
Ç E I A A E P TRAMOIA TELA TRICÔ
A C M R I C O TEAR TECIDO TÊXTIL
TAPETE TEMPO TRAMA
R E L I Ç A E TRANÇAR TEIA
D A TRELIÇA TECER

O R A M O I A

TRAÇANDO
TERRITÓRIOS
pág. 44

ESCREVENDO O DESENHO
OU DESENHANDO A ESCRITA?
pág. 45

1 É preciso sempre desenhar, desenhar com os olhos,


quando não se pode desenhar com lápis.
Balthus (Balthasar Klossowski) – artista francês
2 Viver é desenhar sem borracha.
Millôr Fernandes – desenhista, humorista e escritor brasileiro
3 Desenhar é colocar uma linha em torno de uma ideia.
Henri Matisse – artista francês
4 Para desenhar, você precisa fechar os olhos e cantar.
Picasso – artista espanhol
5 Desenhar leva tempo. Uma linha contém tempo.
David Hockney – artista inglês
6 Meus desenhos são feitos para serem vistos e não falados.
Mira Schendel – artista suíça radicada no Brasil
SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
ADMINISTRAÇÃO REGIONAL NO ESTADO DE SÃO PAULO

Presidente do Conselho Regional


Abram Szajman
Diretor do Departamento Regional
Danilo Santos de Miranda

SUPERINTENDENTES
Técnico-Social Joel Naimayer Padula Comunicação Social Ivan Giannini
Administração Luiz Deoclécio M. Galina Assessoria Técnica e de Planejamento
Sérgio José Battistelli

GERENTES
Artes Visuais e Tecnologia Juliana Braga de Mattos Estudos e Desenvolvimento
Marta Raquel Colabone Artes Gráficas Hélcio Magalhães Atendimento e
Relacionamento com Públicos Milton Soares Difusão e Promoção Marcos Ribeiro
de Carvalho Digital Fernando Tuacek

ALMANAQUE FESTA!
Coordenação Renata Figueiró, Enio Silva e Nilva Luz

EQUIPE SESC
Aline Ribenboim, Antônio Carvalho, Carlos Cabral, Célia Harumi, Danny Abensur,
Diogo de Moraes, Érica Dias, Erica Georgino, Erika Kogui, Fabiana Delboni, Felipe
Calixtre, Fernando Fialho, Giovana Suzin, Jessica Rampim, Karina Musumeci,
Laura Andreato, Lizandra Magalhães, Lourdes Teixeira, Lucas Trabachini, Marcela
Puppato, Marina Pinheiro, Marina Reis, Miguel Alonso, Naiara Sacilotto, Priscila
Oliveira, Rafael Munduruca, Ricardo Tacioli, Robson Luiz dos Santos, Rogerio Ianelli,
Sergio Segal, Tatiana Zacariotti.

Coordenação Editorial Lote 42 (Cecilia Arbolave e João Varella) Produção de Textos


Cristiane Teixeira, Carine Savietto e Daniel Furuno Projeto Gráfico, Direção de Arte,
Diagramação e Identidade Visual Naíma Almeida Assistente de Design Melyna
Souza Ilustrações Amanda Lobos, Fer Rodrigues, Herbert Loureiro, Rafael Nobre
e Thiago Modesto Consultoria de Jogos Zebra 5 (Alberto Duvivier, Stella Ramos
e Auber Bettinelli) Fotografia Luís Gomes Revisão José Américo Justo

© Sesc São Paulo, 2021.


Todos os direitos reservados.

95
ACOMPANHE A PROGRAMAÇAO DE CURSOS E OFICINAS
QUE AS UNIDADES OFERECEM COTIDIANAMENTE:

ADMINISTRAÇÃO CENTRAL – SESC SP SESC ITAQUERA SESC CATANDUVA


Av, Álvaro Ramos, 991 Av. Fernando do Espírito Santo A. de Praça Felício Tonello, 228
São Paulo – SP – 03331-000 Mattos, 1000 – São Paulo – SP – 08265-045 Catanduva – SP – 15801-321

SESC 24 DE MAIO SESC OSASCO SESC JUNDIAI


R. 24 de Maio, 109 Av. Sport Club Corinthians Paulista, 1300 Av. Antonio Frederico Ozanan, 6600
São Paulo – SP – 01041-001 Osasco – SP – 06132-380 Jundiaí – SP – 13214-206

SESC AVENIDA PAULISTA SESC PINHEIROS SESC PIRACICABA


Av. Paulista, 119 Rua Paes Leme, 195 Rua Ipiranga, 155
São Paulo – SP – 01311-903 São Paulo – SP – 05424-150 Piracicaba – SP – 13400-480

SESC BELENZINHO SESC POMPEIA SESC THERMAS P. PRUDENTE


Rua Padre Adelino, 1000 Rua Clélia, 93 Rua Alberto Peters, 111
São Paulo – SP – 03303-000 São Paulo – SP – 05042-000 Presidente Prudente – SP – 19060-310

SESC BOM RETIRO SESC SANTANA SESC REGISTRO


Alameda Nothmann, 185 Av. Luiz Dumont Villares, 579 Av. Prefeito Jonas Banks Leite, 57
São Paulo – SP – 01216-000 São Paulo – SP – 02085-100 Registro – SP – 11900-000

SESC CAMPO LIMPO SESC SANTO AMARO SESC RIBEIRÃO PRETO


Rua Nossa Senhora do Bom Conselho, 120 Rua Amador Bueno, 505 Rua Tibiriçá, 50
São Paulo – SP – 05763-470 São Paulo – SP – 04752-005 Ribeirão Preto – SP – 14010-090

SESC CARMO SESC SANTO ANDRÉ SESC RIO PRETO


Rua do Carmo, 147 Rua Tamarutaca, 302 Av. Francisco das Chagas Oliveira, 1333
São Paulo – SP – 01019-020 Santo Andre – SP – 09071-130 São José do Rio Preto – SP – 15090-190

CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO SESC SÃO CAETANO DO SUL SESC SANTOS


Rua Doutor Plínio Barreto, 285 – 4º andar Rua Piauí, 554 Rua Conselheiro Ribas, 136
São Paulo – SP – 01313-020 São Caetano – SP – 09541-150 Santos – SP – 11040-900

CINESESC SESC VILA MARIANA SESC SOROCABA


Rua Augusta, 2075 Rua Pelotas, 141 Rua Barão de Piratininga, 555
São Paulo – SP – 01413-000 São Paulo – SP – 04012-000 Sorocaba – SP – 18030-160

SESC CONSOLAÇÃO SESC ARARAQUARA SESC SÃO CARLOS


Rua Dr. Vila Nova, 245 Rua Castro Alves, 1315 Avenida Comendador Alfredo Maffei, 700
São Paulo – SP – 01222-020 Araraquara – SP – 14800-140 São Carlos – SP – 13560-649

SESC FLORÊNCIO DE ABREU SESC BAURU SESC SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Rua Florêncio de Abreu, 305 – 315 Av. Aureliano Cardia, 6 - 71 Av. Dr. Adhemar de Barros, 999
São Paulo – SP – 01029-000 Bauru – SP – 17013-411 São José dos Campos – SP – 12245-010

SESC GUARULHOS SESC BERTIOGA SESC TAUBATÉ


Rua Guilherme Lino dos Santos, 1.200, Rua Pastor Djalma da Silva Coimbra, 20 Av. Eng. Milton de Alvarenga Peixoto, 1264
Guarulhos – SP – 07190-010 Bertioga – SP – 11256-085 Taubaté – SP – 12052-230

SESC INTERLAGOS SESC BIRIGUI


Av. Manuel Alves Soares, 1100 Rua Manoel Domingues Ventura, 121
São Paulo – SP – 04821-270 Birigui – SP – 16203-009

SESC IPIRANGA SESC CAMPINAS


Rua Bom Pastor, 822 Rua Dom José I, 270/333
São Paulo – SP – 04203-000 Campinas – SP – 13070-741
Cole aqui Cole aqui Cole aqui

Cole este Cole este Cole este


por baixo por baixo por baixo

Faixas para a TRAMA DE PAPEL (pág. 28). Faixas para o jogo VAI DAR BANDEIRA!(pág. 56).
Recorte nas linhas tracejadas. Recorte os retângulos coloridos nos formatos
e tamanhos que preferir para compor suas bandeiras.
Cartas para os jogos MEMÓRIA DE CARA e DE CARA COM AS BOAS PERGUNTAS (pág. 92).
Recorte nas linhas tracejadas.
sescsp.org.br
@sescsp