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PORTA DA MENTE? COMO SURGIU?

Para que esta pergunta seja respondida alguns esclarecimentos se fazem necessários. A grande maioria das
pessoas passa boa parte da vida à procura do que “realmente gosta de fazer”, mas por vários fatores que incluem
sobrevivência,estabilidade financeira e/ou medo adiam a decisão de mudar.

A história do Porta da Mente começa comigo, Renan Moura, um dos redatores desta apostila. Formado em Propaganda
e Marketing, funcionário de uma multinacional e infeliz por não saber o que estava faltando. Esta sensação de vazio me
acompanhou por muito tempo. Fui proprietário de 3 empresas (uma agência de publicidade, uma marca de aplicativo
para técnicos de futebol e uma linha de moda fitness/casual). Todas, sem sucesso.

No meio desse turbilhão de decepções, não vendo luz no fim do túnel, de empresário para funcionário, tendo que
cumprir ordens, horários e tudo o mais que o próprio nome diz, continuei infeliz.

Conheci a hipnose através de vídeos e programas de televisão, fiquei fascinado. Como sou cético fui checar a veracidade
do que havia visto nos vídeos. Comecei a fazer vários cursos, e em um deles, conheci Thiago Ruiz. Empatia imediata.
Passamos a ministrar cursos juntos. Sempre quis ter um canal no YouTube, mas precisava ter certeza do conteúdo
a ser postado. Existia também outra barreira a ser derrubada, minha timidez. Falar em público ou ser filmado parecia
impossível. A hipnose foi fundamental.

Projeto iniciado, convidei Thiago Ruiz para ser meu parceiro. Ele aceitou na hora. Na época, era difícil encontrar
pessoas dispostas a fazer hipnose de rua, foi ai que conheci Jonathan Gomes, parceiro de “street” e do canal também.

A história do Porta da Mente tem tudo a ver com uma transição de carreira, então, esperamos poder ser parte nesse
processo de mudança que você pode optar por seguir a partir de hoje! Thiago e Jonathan seguiram novos rumos,
atualmente o Porta da Mente é gerenciado por Renan Moura.

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ÍNDICE
PARTE 1: HIPNOSE PRÁTICA
CAPÍTULO 1. HISTÓRIA DA HIPNOSE 7
CAPÍTULO 2. O QUE É HIPNOSE? 16
CAPÍTULO 3. RAPPORT 21
CAPÍTULO 4. PRE TALK 22
CAPÍTULO 5. PSEUDO HIPNOSE 25
CAPÍTULO 6. INDUÇÕES 28
CAPÍTULO 7. APROFUNDAMENTOS 34
CAPÍTULO 8. HIPNOSE DE RUA 36
CAPÍTULO 9. EMERSÃO 41
CAPÍTULO 10. AB REAÇÃO 42

PARTE 2: HIPNOSE CLÍNICA


CAPÍTULO 1. PSICANÁLISE E HIPNOSE 45
CAPÍTULO 2. PRINCÍPIOS TERAPÊUTICOS 45
CAPÍTULO 3. CRENÇAS LIMITANTES 47
CAPÍTULO 4. MODELO COGNITIVO 48
CAPÍTULO 5. PRINCIPAIS PSICOPATIAS 48
CAPÍTULO 6. LINGUAGEM DOS SENTIMENTOS 49
CAPÍTULO 7. ESTRUTURA (GERAL) DE UMA HIPNOTERAPIA 50
CAPÍTULO 8. O TRABALHO COMEÇA ANTES DA PRIMEIRA CONSULTA 51
CAPÍTULO 9. PREPARANDO-SE PARA ATENDER 51
CAPÍTULO 10. A PRIMEIRA CONSULTA 52
ANAMNESE 52
META-MODELO 52
PRE- TALK CLINICO 53
INDUÇÃO HIPNÓTICA 55
APROFUNDAMENTO 56
LOCAL SEGURO 56
CAPÍTULO 11. SUA CAIXA DE FERRAMENTAS 56
REGRESSÕES 56
TERAPIA REGRESSIVA - REGRESSÃO DAS PORTAS 57
TERAPIA REGRESSIVA - REGRESSÃO A CAUSA (R2C) 58
TERAPIA REGRESSIVA - PORTA DOS SENTIMENTOS 59
TERAPIA DAS PARTES 60
TERAPIA DO PERDÃO: PERDOAR OS OUTROS 61
TERAPIA DO PERDÃO: PERDÃO PRÓPRIO 62
TÉCNICAS PARA CONTROLE DE DORES 62
O METAPADRÃO DA MUDANÇA DA PNL 63
SALA DE CONTROLES 64
VITRAL 64
CAPÍTULO 12. TRATAMENTOS 65
TABAGISMO 65
EMAGRECIMENTO 68
FOBIAS 70
DEPRESSÃO 70
ANSIEDADE 71
AUTO CONFIANÇA E TIMIDEZ 74
VÍCIOS 75
CAPÍTULO 13. AUTO HIPNOSE 78
AUMENTANDO A RESPOSTA A SUGESTÕES 79
RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA A PRÁTICA DE AUTO HIPNOSE 79
ENSAIO MENTAL 80
AUTO HIPNOSE FALSA 80
PRATICANDO A AUTO HIPNOSE 80
R.I.A.S.A 81
INDUÇÕES NA AUTO HIPNOSE 81
APROFUNDAMENTO 81
SUGESTÕES EM AUTO HIPNOSE 82
EMERSÃO 82
CAPÍTULO 14. TRANSIÇÃO DE CARREIRA 83
CAPÍTULO 15. MARKETING PARA TERAPEUTAS 85
ELABORAÇÃO DO PLANEJAMENTO 85
DEFINIÇÃO DO PÚBLICO ALVO 85
DEFINIÇÃO DO POSICIONAMENTO 86
ESTRATÉGIA 87
MONITORE RESULTADOS 88
CAPÍTULO 16. CONSIDERAÇÕES FINAIS 88
BIBLIOGRAFIA 89

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GLOSSÁRIO
Fator Crítico: Parte analítica ou racional, que busca entender, comparar, medir ideias e decidir conscientemente.

Fenômeno: Qualquer experiência ou fato que ocorra com o sujeito por causa da hipnose, seja intencionalmente criado,
ou não (amnésia, alucinações etc.)

Hipnose: Ato de atravessar o fator crítico e estabelecer um pensamento exclusivo. Ou estado ou situação em que o
fator crítico está sendo ignorado, ao mesmo tempo em que há um pensamento dominante.

Hipnotista: Você, aquele que vai hipnotizar.

Hipnólogo: Pessoa que estuda hipnose.

Hipnoterapeuta: Profissional que utiliza da ferramenta hipnose para fazer terapia.

Hipnoterapia: Terapia usando hipnose.

Sujeito: A pessoa que está sendo hipnotizada.

Transe: Estado alterado onde a atividade cerebral é menor e a concentração é maior.

Transe hipnótico: Estado de transe e hipnose ao mesmo tempo.

Dehipnotizar ou emergir: Termo usado que significa tirar a pessoa do transe hipnótico.

Ab-Reação: Afloramento repentino de emoções reprimidas, que acontece no momento em que a pessoa está
hipnotizada. Muito comum em processos de regressão.

Alucinação positiva: Capacidade de ver, sentir ou ouvir algo que não existe, através de sugestão.

Alucinação negativa: Capacidade de deixar de ver, ouvir ou sentir algo naquele momento, como, por exemplo, não
ver uma pessoa que está lá.

Amnésia: Capacidade de esquecer coisas, como por exemplo o próprio nome, ou um número.

Anamnese: Questionário usado por hipnoterapeutas para obter informações importantes para a terapia.

Catalepsia: Flacidez ou rigidez de grupos musculares.

Estado Sonambúlico: Nível de transe onde o sujeito consegue aceitar a maioria das sugestões. É o melhor estado
para terapia com hipnose.

Sonambulismo/sonambulo: Acontece durante o sono, geralmente o corpo acorda antes da mente e a pessoa pode
sair andando ou falar sem ter consciência do que está fazendo. Importante notar que não tem relação com a hipnose.

Estado Esdaille: Estado de sonambulismo profundo, a qual produz estado de anestesia automática, e, por ser um
transe muito profundo, uma negociação deve ser feita para a pessoa retornar.

Pre Talk: conversa prévia com a pessoa que será hipnotizada, na qual você explica o que é hipnose e tira os medos
do sujeito.

Rapport: É a relação de simpatia estabelecida entre o hipnotista e a pessoa que será hipnotizada.

Ideomotor: Movimento involuntário de um grupo muscular, que acontece através de sugestão hipnótica.

Indução: Processo utilizado para colocar a pessoa no estado hipnótico.

Psicossomático: Doença física causada por problemas emocionais ou mentais.

Selo: Bloqueio hipnótico para que ninguém consiga hipnotizar a pessoa.

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CAPÍTULO 1
HISTÓRIA DA HIPNOSE
No livro O Hipnotismo – Psicologia – Técnica – Aplicação, do psicanalista Karl Weissman, mostra
com riqueza a história da hipnose. Veja abaixo

PRÉ-HISTÓRIA
A prática do hipnotismo é, sabidamente, velha. Velha como a própria humanidade, conforme o provamos achados
arqueológicos e indícios psicológicos pré-históricos. Em sua origem, o hipnotismo aparece envolto num manto de
mistérios e superstições. Os fenômenos hipnóticos não eram admitidos como tais. Seus praticantes frequentemente
se diziam simples instrumentos da vontade misteriosa dos céus. Enviados diretos de Deus ou de Satanás. Eram
feiticeiros e bruxos, shamans emedicinemen. Suas curas eram levadas invariavelmente à conta dos milagres. Embora o
hipnotismo tivesse abandonado esse terreno, ingressado cada vez mais no campo das atividades científicas, tornando-
se matéria de competência psicológica, ainda aparecem, em intervalos irregulares, em todos os quadrantes da terra,
hipnotistas do tipo pré-histórico, a realizar “curas inexplicáveis” e a dar trabalho as autoridades.

Deixando de lado a parte sibilina e supersticiosa, os fenômenos produzidos pela técnica hipnótica já eram observados
como tais, na velha civilização babilônica, na Grécia e na Roma antigas. No Egito existiam os “Templos dos Sonhos”, onde
se aplicavam aos “pacientes” sugestões terapêuticas enquanto dormiam. Um papiro de nada menos que três mil anos
contêm instruções técnicas de hipnotização, muito semelhantes às que encontramos nos métodos contemporâneos.
Inúmeras gravuras daquela época mostram sacerdotes-médicos colocando em transe hipnótico presumíveis pacientes.
Os gregos realizavam peregrinações a Epidaurus, onde se encontrava o templo do Deus da Medicina, Esculápio. Ali,
os peregrinos eram submetidos à hipnose pelos sacerdotes, os quais invocavam alucinatóriamente a presença de sua
divindade a indicar os possíveis expedientes de cura. As sacerdotisas de Ísis, pósas em estado de transe, manifestavam
o dom da clarividência; hipnotizadas, revelavam ao Faraó fatos distantes ou fatos ainda a ocorrer. Semelhantemente,
os oráculos e as sibilas articulavam suas profecias sob o efeito do transe auto-hipnótico. Pela auto-hipnose se explica
também a anestesia dos mártires, que se submetiam às maiores torturas, sem dar o menor sinal de sofrimento. Os
sacerdotes de Caem recorriam à hipnose em massa para aliviar os descontentamentos coletivos.

Dentre os grandes homens, sábios, filósofos e líderes religiosos, que se dedicaram ao hipnotismo, figura Avicena, no
século X; Paracelso, no século XVI, e muitos outros. Em plena Idade Média, Richard Middletown (Ricardo Média-Vila),
discípulo de São Boa Ventura, elaborou um tratado forte sobre os fenômenos que mais tarde reconheceríamos como
hipnóticos.

O oriente, ainda mais do que o Ocidente, vem mantendo uma tradição ininterrupta na prática hipnótica. Os métodos
Yogas são considerados dignos de atenção científica até os nossos dias. Dentre os hindus, mongóis, persas, chineses
e tibetanos, a hipnose vem sendo exercida há milênios, ainda que preponderantemente para fins religiosos, não se
sabendo ao certo até que ponto sua verdadeira natureza ali está sendo conhecida.

O PADRE GASSNER
Na segunda metade do século XVIII, na Alemanha do Sul, apareceu um padre jesuíta, de nome Gassner. Era um
padre um tanto teatral. Realizava curas espetaculares numa dezena de milhares de pessoas. A fim de assegurar-se a
aprovação da Igreja, explicava seus métodos como um processo de exorcismo.

Consoante a crença comum da época, os doentes eram simplesmente possuídos pelo demônio. E os que se sentiam
com o diabo no corpo vinham ao padre para que ele o expulsasse. E o padre aparecia à sua clientela, todo de preto,
de braços estendidos, segurando um crucifixo cravejado de diamantes à frente dos pacientes. Usava ambiente escuro,
decorações lúgubres. Falava em latim e com voz cava. Um médico que assistiu a uma sessão dessas com uma jovem
camponesa, ele nos descreve êsse método fantástico:

“Entrando de maneira dramática no aposento, o Pr. Gassner tocou a jovem com o crucifixo, e essa, como que
fulminada, caiu ao chão em estado de desmaio. Falando-lhe em latim, a paciente reagiu instantaneamente. À ordem
“Agitatur bracium sinistrum”, o braço esquerdo da jovem começou a mover-se num crescendo de velocidade. E ao
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comando tonitroante “Cesset!”, o braço se imobilizara, voltando à posição anterior. Ato contínuo, o padre sugere
que está louca, e a jovem, com o rosto horrivelmente desfigurado, corre furiosamente pela sala, manifestando todos
os sintomas característicos da loucura. Bastou a ordem enérgica “Pacet!” para que ela se aquietasse como se nada
houvesse ocorrido de anormal. O padre Gassner nesta altura lhe ordena falar em latim, e a jovem pronuncia o idioma
que normalmente lhe é desconhecido. Finalmente, Gassner ordena à moça uma redução nas batidas do coração. E
omédico presente constata uma diminuição na pulsação. Ao comando contrário, o pulso se acelera, chegando a 120
pulsações por minuto. Em seguida, a jovem, estendida no chão, recebe a sugestão de que suas pulsações iriam reduzir
cada vez mais, até cessarem completamente. Seus músculos se iriam relaxando totalmente e ela morreria, ainda
que apenas temporariamente. E o médico, espantado, não percebendo sequer vestígios de pulso ou de respiração,
declara a jovem morta! O padre Gassner sorri confiantemente. Bastou uma ordem sua para que a jovem tornasse
gradativamente à vida. E com o demônio devidamente expulso de seu corpo, a moça, sentindo-se como nascida de
novo, desperta e agradece sorridente ao padre o milagre de sua cura.”

Não resta dúvida que o padre Gassner era um perito hipnotista e um grande psicólogo. Hoje tamanha teatralidade
constituiria uma afronta à dignidade cultural de muitos pacientes. Já não temos que recorrer ao latim, podendo hipnotizar
na língua do país. Contudo, o método do padre Gassner, ligeiramente modificado, ainda surtiria efeito em muita gente.

MESMER
É uso ainda fazer remontar historicamente o começo do hipnotismo científico ao aparecimento de Franz Anton Mesmer.
Estudioso da Astronomia, Mesmer deu uma versão não menos fantástica e romântica aos fenômenos hipnóticos do que
o padre Gassner. Em lugar de responsabilizar o demônio pelas enfermidades, responsabilizava os astros. Não podia
haver nada mais lisonjeiro às nossas pretensões do que isso de ligar o humilde destino humano ao glorioso destino
astral. Educado para seguir a carreira eclesiástica, Mesmer teve suas primeiras instruções num convento, tendo aos
15 anos ingressado num colégio de jesuítas em Dillingen. Todavia, interessando-se muito pela física, pela matemática
e, sobretudo, pela astronomia, resolveu trocar a carreira religiosa pela medicina.

Entrou na universidade de Viena, onde se doutorou com uma tese intitulada: “De Planetarium Influx”, trabalho em que
se propunha demonstrar a influência dos astros e dos planetas, ao mesmo tempo como causas de doenças e como
forças curativas. Sabemos que no passado muitos dos mais eminentes filósofos e cientistas incorreram nesta vaidade.
Entre esses, o grande Kepler, o indicado autor do horóscopo de Wallenstein. Santo Tomás de Aquino mesmo acreditava
na influência astral. Dizia que certos objetos, como habitações, obras de arte e vestimentas deviam suas qualidades
a influência misteriosa dos astros.

Existia ainda uma estreita relação de sentidos entre a crença primitiva nos demônios e a astrologia. Entre os fantasmas
da terra e os astros, os fantasmas do céu. Ambos povoando a noite. Ambos refletindo os anseios e as esperanças, os
temores e as vaidades humanas. Ambos pertencendo ao mundo das projeções psíquicas, contribuindo para o mundo
das lendas e das superstições. Tanto para mostrar que a explicação demonológica de Gassner e a doutrina do influxo
astral de Mesmer apresentavam, ao menos naquela época, as suas afinidades ideológicas. A tese, segundo a qual
fluídos invisíveis, emanados dos astros, afetavam o organismo, consubstanciada na doutrina do Magnetismo Animal,
foi logo bem recebida e despertou o interesse do padre Hell, um jesuíta que foi professor da Universidade de Viena e
um dos astrólogos da Côrte de Maria Teresa.

O padre Hell começou a intentar curas por meio de imãs. E Mesmer, reconhecendo nesse processo terapêutico
identidade de princípios, por sua vez, passou a usar imã com seus doentes. O sensacionalismo da imprensa fez o
resto, espalhando a notícia de curas magnéticas espetaculares em pacientes desenganados.

A doutrina de Mesmer se resume no seguinte: A doença resulta da frequência irregular dos fluidos astrais, e a cura
depende da regulagem adequada dos mesmos. Certas pessoas teriam o poder de controlar esses fluidos. Eram, por
assim dizer, os donos dos fluidos e da saúde, podendo comunicá-los a outrem, direta ou indiretamente, por intermédio
de objetos parcialmente magnetizados pelo seu contato. Era esse fluido vital, uma espécie de corrente elétrica que se
aplicava à parte enferma do paciente. Ao contato dessa corrente, o indivíduo tinha de entrar em “crise”, caracterizada
por convulsões, sem o que não seria curado. Mesmer, a princípio, tocava os pacientes com uma vara de metal para
provocar as convulsões terapêuticas. Mais tarde produzia essas mesmas crises com a imposição das mãos e passes,
expediente esse que vem de data imemorial e que até hoje está sendo usado pelos ocultistas.

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No fim, já não podendo atender individualmente à numerosa clientela, recorreu à magnetização indireta, dispensando
o toque pessoal ao paciente. Os pacientes, em número de trinta a quarenta, assentavam-se em volta de uma tina
circular, contendo garrafas com água magnetizada, saindo de cada gargalo uma vara metálica. Estabelecendo contato
com essas varas, num recinto escurecido e ouvindo uma música suave, os pacientes eram acometidos das convulsões
terapêuticas. Um método realmente engenhoso de hipnotização por sugestão indireta.

Não obstante as demonstrações bem sucedidas, as ideias de Mesmer não eram bem recebidas pelos círculos médicos
de Viena. Intimado pelas autoridades a descartar-se de seu método terapêutico tão extravagante, Mesmer, desgostoso,
mudou-se para Paris.

Em Paris, a fama de Mesmer espalhou-se rapidamente. O “mesmerismo” tornou-se moda na aristocracia francesa. Era
o assunto de todos os salões. Quem quer que se preze, tinha de ser mesmerisado. As “curas coletivas” assumiram em
Paris proporções muito mais espetaculares do que em Viena.

Deleuze, em sua “História Crítica do Magnetismo Animal”, descreveu uma dessas cenas : “Num dos compartimentos,
sob a influência das varetas, que saíam de garrafas contendo água magnetizada, e aplicada às diversas partes do corpo,
ocorriam diariamente as cenas mais extraordinárias. Gargalhadas irônicas, gemidos alucinantes e crises de pranto se
alternavam. Indivíduos atirando-se para trás a contorcer-se em convulsões espasmódicas. Respirações semelhantes
aos roncos de moribundos e outros sintomas horríveis se viam por toda parte. Sùbitamente esses estranhos atores
atiravam-se uns nos braços dos outros ou então se repeliam com expressões de horror. Enquanto isso, num outro
compartimento, com as paredes devidamente forradas, apresentava-se outro espetáculo. Ali mulheres batiam com
as mãos contra as paredes ou rolavam sobre o assoalho coberto de almofadas, com acessos de sufocação. No meio
dessa multidão arfante e agitada, Mesmer, envergando um casaco lilás, movia-se soberanamente, parando, de vez em
quando, diante de uma das pacientes mais excitadas. Fitando-lhe firmemente os olhos, enquanto lhe segurava ambas
as mãos, estabelecia contato imediato por meio de seu dedo indicador. Doutra feita operava fortes correntes, abrindo
as mãos e esticando os dedos, enquanto com movimentos ultrarrápidos cruzava e descruzava os braços, para executar
os passes finais.” (* )

Semelhante sucesso não se exerce facilmente. Mais uma vez a medicina rigorosa moveu a Mesmer um processo de
perseguição. Em 1784, Luís XVI, instigado pela classe médica, de certo modo despeitada nomeou uma comissão de
sábios para investigar a natureza do fenômeno mesmeriano. A comissão era composta das três figuras mais eminentes
da ciência daquele tempo, Lavoisier, Bailly e Benjamin Franklin, na ocasião embaixador americano em Paris. Uma
petição dirigida por Mesmer, em data anterior, à Academia Francesa, no sentido de investigar-lhe o fenômeno, fora
indeferida. Mesmer, indignado com o indeferimento, recusou-se a submeter-se à prova dos citados cientistas. Estes
limitaram-se a presenciar as demonstrações realizadas por alunos. Enfiaram as mãos nas tinas, e Interessante será
dizer que o banho magnético não lhes provocou os efeitos descritos acima. Nada de crises ou de convulsões. Nada
de fluidos ou coisas semelhantes foram registrados. Enfim, os sábios nada sentiram de anormal e saíram ilesos da
experiência. Hoje seriam simplesmente classificados como insuscetíveis. Como seria de esperar, o parecer da comissão
era condenatório ao mesmerismo. Não obstante os êxitos obtidos em centenas de pessoas tudo era classificado
taxativamente de fraude, farsa e calúnia.

Oficialmente desacreditado, Mesmer abandonou Paris. Viveu algum tempo sob nome supóso na Inglaterra, tendo
depois voltado para a Áustria, onde morreu em completo ostracismo em 1815.

Julgado pela posteridade, a figura de Mesmer não merecia essa degradação. Mesmer era sincero nas suas convicções.
Não reconheceu a verdadeira natureza do fenômeno hipnótico que soube desencadear tão espetacularmente. Note-se
que, ainda hoje, alguns dos aspectos do hipnotismo estão por ser explicados, ou pelo menos melhor explicados.

O mesmerismo, ou magnetismo animal, continuou ativo ainda por algum tempo depois da morte de seu fundador. E até
hoje muita gente confunde hipnotismo com magnetismo, usando esta palavra como sinônimo daquela. Para Mesmer,
a hipnose ainda era uma força, emanada, ainda que por via astral, da pessoa do hipnotizador. É o estranho poder
hipnótico no qual ainda se acredita a maioria dos nossos contemporâneos.

O MARQUÊS DE PUYSÉGUR
Dentre os discípulos de Mesmer que fizeram reviver a ciência que estava por cair em esquecimento com a morte de
seu fundador, figurava uma personalidade influente: o marquês de Puységur.
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Puységur continuava a empregar os métodos do mestre até o dia em que, por mera casualidade, magnetizou um
jovem camponês de nome Victor, que sofria de uma afecção pulmonar, verificou que o expediente magnético podia
produzir um estado de sono e repouso, em lugar das clássicas crises de convulsões. E o paciente do marquês não
se detinha no sono: dormindo, movia os lábios e falava, mais inteligentemente do que no estado normal. Chegou
mesmo a indicar um tratamento para a sua própria enfermidade, tratamento esse que obteve pleno êxito, valendo-lhe o
completo restabelecimento. Nesse estado de sono, Victor parecia reproduzir pensamentos alheios, muito superiores à
sua cultura rudimentar. No mais o paciente se conduzia como um sonâmbulo. Puységur estava diante de um fenômeno
que não hesitou em rotular de “Sonambulismo artificial”.

Puységur percebeu de um relance a transcendência desse fenômeno hipnótico que ainda se considerava magnético,
e passou a explorá-lo sistematicamente.

Enquanto o mestre provocava crises nervosas, convulsões histéricas, prantos e desmaios, o discípulo agia em sentido
contrário, sugerindo aos pacientes: paz, repouso, ausência de dor e um estado pós-hipnótico agradável. Uma norma
que se iria perpetuar na prática hipnótica daí em diante.

Embora continuasse a usar passes, conjuntamente com a sugestão, na indução do transe, Puységur deu um
impulso decisivo ao hipnotismo científico. A ele se deve os primeiros critérios psicologicamente corretos de hipnose e
suscetibilidade hipnótica, o que não impediu que depois dele outros fenômenos hipnóticos fossem registrados.

O marquês de Puységur observou em muitos dos seus “sujeitos” fenômenos telepáticos e clarividentes. Uma repulsa,
de certo modo convencional, para com tais aspectos do hipnotismo, fez com que muitos dos autores contemporâneos
mais ortodoxos se saíssem sistematicamente contra semelhantes possibilidades. A maioria desses últimos não hesita
em desmerecer a importantíssima contribuição de Puységur somente por esse motivo (*).

O ABADE FARIA
No mesmo ano em que faleceu Mesmer, apareceu em Paris um monge português, o Pr. José Custódio de Faria, mais
conhecido sob o nome de Abade Faria graças ao famoso romance de Alexandre Dumas “O Conde de Monte Cristo”.

Interessante será dizer que a vida agitada do padre português era na realidade bem diversa da que nos apresentou o
ficcionista dos “Três Mosqueteiros”. Nascido e criado nos arredores de Goa, nas Índias Portuguesas, o abade Faria,
segundo nos informam seus biógrafos, descende de uma família de brâmanes hindus, convertida ao cristianismo no
século XVI. Em Paris, em plena Revolução, o jovem padre português travou relações com o marquês de Puységur.
Estimulado pelo marquês, o jovem abade Faria (que na realidade nunca foi abade) entregou-se de corpo e alma à
carreira do hipnotismo, já tendo anteriormente adquirido conhecimentos básicos da matéria no Oriente e na sua terra
natal. O Abade adiantou-se cientificamente em muitos pontos a Puységur. Seu método já era praticamente o nosso.
Foi o primeiro a lançar a doutrina da sugestão. Também o primeiro a mostrar que hipnose não era sinônimo de sono,
logo no nascedouro dessa confusão. Recomendava o relaxamento muscular ao “sujeito”, fitava-lhe firmemente os
olhos e em seguida ordenava em voz alta: “DURMA!” A ordem era várias vezes repetida. E consoante as experiências
modernas, os elementos mais suscetíveis entravam imediatamente em transe hipnótico. Não obstante ordenar o sono,
o abade Faria contribuiu poderosamente no desenvolvimento daquilo que, século e meio mais tarde, se chamaria de
“hipnose acordada”. Foi o primeiro hipnotista na acepção científica da palavra. O primeiro a reconhecer o lado subjetivo
do fenômeno em toda sua extensão. O primeiro a propagar que a hipnose se produzia e se explicava em função do
“sujeito”. O transe estava no próprio “sujeito” e não era devido a nenhuma influência magnética do hipnotizador. Suas
teorias já eram as atuais, despidas de toda influência mística ou sobre naturalista.

Nada de poderes misteriosos. Nada de forças invisíveis. Tudo uma questão de sugestão, psicologia ou pouco mais.
Não obstante sua sinceridade e objetividade científicas, o padre Faria era um tipo de personalidade um tanto quanto
teatral. Chamava a atenção pelo seu aparato, suas vestimentas e suas maneiras um tanto extravagantes. É esta,
no entanto, de certo modo, até aos nossos dias, parte integrante do expediente psicológico da hipnotização. Já no
princípio do século XIX o nome do abade Faria era muito popular em Paris. Sua figura era vista com frequência nos
salões da nobreza e da alta sociedade parisiense. A exemplo de todos os expoentes do hipnotismo antes e depois
dele, viveu ao mesmo tempo horas de glória e de maldição. Ofereceram-lhe uma cadeira de Filosofia na Academia de
Marselha, e sem nunca ter estudado medicina foi proclamado membro da Ordem dos Médicos.

Em Paris, onde desfrutava de enorme prestígio, o padre Faria abriu uma escola de magnetismo, depois que a polícia
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lhe proibira as experiências de hipnotismo em Nimes. Explicando a verdade sobre o hipnotismo, o padre Faria não
escapou à perseguição maliciosa de seus contemporâneos. Seus inimigos recorreram a um dos expedientes mais
estúpidos (ainda muito usado) para desacreditá-lo diante da opinião pública: contrataram um ator para simular hipnose
e na hora oportuna abrir os olhos e gritar: “Embuste!” O golpe, não obstante irracional, não deixou de surtir o efeito
almejado. Por incrível que possa parecer, o abade Faria ficou desmoralizado devido a um engano, o qual poderia
ocorrer ao mais experiente e confiante dos hipnotizadores modernos. E até hoje, muitos hipnotistas de palco caem
vítima dessa cilada maliciosa e desonesta. Na minha própria prática uso aparar esse golpe com um simples aviso: “As
pessoas que se apresentarem com propósitos de simulação darão prova de ser, entre outras coisas, portadoras de
doença mental ou tara caracterológica.”

Contudo, o abade Faria, envolvido nas agitações da Revolução Francesa, sofreu mais perseguição política do que
científica. Segundo um livro publicado há mais de um século, da autoria de um antigo funcionário da polícia parisiense,
descrevendo o caso verdadeiro que serviria de fonte inspiradora a Alexandre Dumas, o abade Faria teria morrido
em uma prisão de Esterel, onde fora lançado por motivos políticos, tendo deixado toda sua fortuna a um dos seus
companheiros de prisão, condenado devido a uma denúncia falsa, fortuna essa calculada naquele tempo em quatro
bilhões. Fadado assim a tornar-se personagem de uma das mais famosas obras de ficção, o padre Faria, herói de
Monte Cristo, não deixou de vingar como pesquisador e cientista, reconhecido pela posteridade. “O padre Faria
declarou recentemente o doutor Egas Moniz, Prêmio Nobel de Medicina e um dos maiores expoentes da psiquiatria
contemporânea — viu o problema da hipnose em suas próprias bases com uma grande precisão e com clareza. Foi
ele o primeiro a marcar à hipnose os seus limites naturais… Foi êle que defendeu, pela primeira vez, a doutrina sobre
a interpretação dos fenômenos do sonambulismo, ponto de partida de toda sua doutrina filosófica.” O mais importante,
porém, é a sua contribuição à doutrina da sugestão.

ELLIOSTON
Aquilo que já começara a denunciar-se como fenômeno essencialmente psicológico e subjetivo, ainda funcionaria por
algum tempo e para efeitos terapêuticos importantes, sob o nome de magnetismo ou mesmerismo. Um dos derradeiros
expoentes do magnetismo era o Dr. John Ellioston, eminente médico inglês e uma das figuras mais eminentes da
história médica britânica. Professor de Medicina na Universidade de Londres e Presidente da Royal Medical Society,
era o homem que introduziu o estetoscópio na Inglaterra, além dos métodos de examinar o coração e o pulmão, ainda
em uso. O Dr. Ellioston foi o primeiro a usar a hipnose (ainda não conhecida por êsse nome) no tratamento da histeria.
E começou a introduzir o “sono magnético” na pr|tica hospitalar, tanto para fins cirúrgicos como para os expedientes
psiquiátricos.

Os métodos tão pouco fiéis aos princípios do Dr. Ellioston não tardaram em criar uma onda de oposição. E o conselho
da Universidade acabou por proibir o uso do mesmerismo no hospital. Ellioston, em virtude disso, pediu sua demissão,
deixando a famosa declaração: “A Universidade foi estabelecida para o descobrimento e a difusão da verdade. Todas
as outras considerações são secundárias. Nós devemos orientar o público e não deixar-nos orientar pelo público.
A única questão é saber se a coisa é ou não verdadeira.” Ellioston fundou posteriormente o Mesmeric Hospital em
Londres e hospitais congêneres se iam fundando em outras cidades inglesas e no mundo afora.

Os adeptos da escola magnética anunciavam seus feitos terapêuticos em toda parte. Na Alemanha, na Áustria, na
França e mesmo nos Estados Unidos se realizavam intervenções cirúrgicas sob “sono magnético”. Na América, o Dr.
Albert Wheeler remove uma carne esponjosa nasal de um paciente, enquanto o “magnetizador” Phineas Quimby atua
como anestesista em 1829 e o Dr. Jules Cloquet usou o mesmo recurso anestésico numa mastectomia. Jeane Oudet
comunica à Academia Francesa de Medicina seus sucessos magnéticos obtidos em extrações de dentes. A ciência
ortodoxa poderia ter aceito o fenômeno e rejeitar apenas as teorias. Acontece que, em relação ao mesmerismo, nem
os fatos eram aceitos, sobretudo na cética Inglaterra.

ESDAILE
Os PACIENTES de Esdaile (outro adepto da escola mesmeriana) que sofriam as mais severas intervenções cirúrgicas,
inclusive amputações sob “sono magnético”, eram apontados pela ciência ortodoxa como “um grupo de endurecidos e
teimosos impostores”.

O lugar de Esdaile na história do hipnotismo não se justifica como criador de métodos ou de escola, mas, sim, como

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exemplo de pioneiro na luta pelo reconhecimento da hipnose como coadjuvante valiosa da cirurgia. James Esdaile,
jovem cirurgião escocês, inspirou-se na leitura dos trabalhos de Ellioston sobre o mesmerismo. Esdaile começou a sua
prática na Índia, como médico da “British East India Company”. Em Calcut realizou milhares de intervenções cirúrgicas
leves e centenas de operações profundas, inclusive dezenove amputações, apenas sob o efeito da anestesia hipnótica.
O éter e o clorofórmio ainda não eram conhecidos como agentes anestésicos. Uma das testemunhas descreve de como
Esdaile desenraizara um olho de um paciente, enquanto este acompanhava com o outro o andamento da operação,
sem pestanejar. Os fatos eram de esmagadora evidência.

Contudo, o Calcutta Medical College moveu-lhe insidiosa campanha de desmoralização. A anestesia não valia como
prova de coisa alguma. Os médicos faziam circular a notícia de pacientes que haviam sido comprados para simular
a ausência de dor. As publicações médicas recusavam-se a aceitar as comunicações do cirurgião escocês. Conta
Esdaile usava-se ainda o argumento bíblico. Deus instituíra a dor como uma condição humana. Portanto, era sacrílega
a ação anestésica do magnetizador. (*)

Em 1851, Esdaile teve que fechar seu hospital. Voltou à Escócia completamente desacreditado. Mudou-se posteriormente
para a Inglaterra, onde não teve melhor sorte. A Lancet publicou a propósito a seguinte repreensão: “O mesmerismo é
uma farsa demasiado estúpida para que se lhe possa conceder atenção. Consideramos seus adeptos como charlatães
e impostores. Deviam ser expulsos da classe profissional. Qualquer médico que envia um doente a um charlatão
mesmerista devia perder sua clientela para o resto de seus dias.” A Sociedade Britânica de Medicina acabou por
interditar a Esdaile o exercício profissional. A exemplo de seu mestre Mesmer, esse mártir do hipnotismo morreu no
mais completo ostracismo.

BRAID
Por volta de 1841 apareceu o homem que marcou o fim do magnetismo animal. A partir dêle a ciência passaria a
chamar-se hipnotismo. Era o Dr. James Braid um cirurgião de Manchester. Braid assistiu a uma demonstração do
famoso magnetizador suíço Lafontaine, que na ocasião se exibia em sensacionais espetáculos públicos na Inglaterra.
Era Braid um desses céticos que não perdem uma oportunidade para uma conversão, desde que se lhes dê uma base
cientificamente aceitável. A primeira demonstração não convenceu a Braid. Sua curiosidade, no entanto, fez com que
assistisse a uma segunda. Na segunda aceitou o fenômeno, mas não a teoria. Estava Braid diante de um fato em busca
de uma explicação que não constituísse como a do magnetismo animal, uma afronta à dignidade científica da época.
Para não incorrer no defeito de charlatanismo mesmeriano, ele tinha de encontrar uma causa física para o fenômeno.
Era ainda e sempre a velha prevenção contra tudo o invisível, tudo que não é concreto e palpável. Prevenção essa que,
de certo modo, ainda persiste na era do rádio, do raio-X e dos projetis teleguiados. Numa época de abusos fluídicos e
místicos, um fenômeno tinha de ser de origem provadamente física para merecer a atenção de um cientista. E Braid
era, na opinião dos seus biógrafos mais autorizados, antes de qualquer coisa, um cientista e nada dele faria suspeitar
o espírito do charlatão.

Tendo observado que Lafontaine usava a fascinação ocular para a indução, concluiu Braid que a causa física do transe
era o cansaço sensorial, ou seja, o cansaço visual. Experimentou em casa com a sua esposa, um amigo e um criado,
mandando-os fixar firmemente o gargalo de um vaso ornamental. Nos três “sujeitos” a finalidade foi coroado de êxito.
Todos entraram em transe. O processo de indução hipnótica pelo cansaço visual passou a fazer escola. Até aos nossos
dias, os livros populares sobre hipnotismo insistem em ensinar o desenvolvimento da resistência ocular à fadiga e ao
deslumbramento. E até hoje as vítimas, cujo número é incalculável, ainda fixam horas seguidas um ponto preto sem
pestanejar. E esse ponto se lhes fixa para o resto da vida na sua visão em forma de escotoma. Livros há que, não
contente com esse abuso, manda fitar lâmpadas e o próprio sol, para desenvolver a força do olhar.

Não responsabilizemos, porém, Braid por essas práticas ignorantes. O que Braid procurou demonstrar é o fato de o
transe assemelhar-se a um estado de sono que podia ser induzido por agente físico. Baseando o processo hipnótico
num princípio onírico, nos deu a palavra h i p n o t i s m o , derivada do vocábulo gregohypnos, significando sono.
Todavia, o sono hipnótico não se confundia com o sono fisiológico, ou seja, o sono normal. Consoante seus conceitos
neurofisiológicos, o transe hipnótico era descrito como “sono nervoso ” (Nervous Sleep).

Já quase no fim de sua carreira, Braid descartou-se em parte do método do cansaço visual e do da fascinação, pois
descobriu que podia hipnotizar cegos ou pessoas em recintos obscurecidos. Dessa observação em diante passou
a dar maior importância à sugestão verbal. Vencida esta fase, não tardou em descobrir que também o sono não era

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necessário. Para produzir os fenômenos hipnóticos, tais como a anestesia, a amnésia, a catalepsia e as alucinações
sensoriais, não era preciso submergir o “sujeito” na inconsciência onírica. Quando, porém, Braid se capacitou de que
a hipnose não era sono, a palavra h i p n o t i s m o já estava cunhada. E, certo ou errado, é o nome que vigora até os
nossos dias.

Em 1843, Braid publicou seu livro intitulado Neurypnology or the Rationale of Nervous Sleep, no qual expõe seus
métodos para o tratamento de enfermidades nervosas.

Não obstante, a sua índole anti-charlatanesca, Braid não escapou às campanhas maliciosas da classe médica, embora
essas fossem muito mais brandas do que as movidas contra seus antecessores mesmerianos. Consoante o provérbio
segundo o qual ninguém é profeta em sua terra, as publicações científicas de Braid encontraram melhor aceitação na
França e em outros países do que no seu torrão natal.

BERTRAND
Para efeitos históricos, Braid é considerado o pai do hipnotismo. Sabemos que muito antes de Braid, o abade Faria
tinha suas ideias modernas e psicologicamente corretas sobre o fenômeno hipnótico, explicado por ele como fenômeno
subjetivo. E antes do Abade, o mesmerista Alexander Betrand, em 1820, já apontava no estado hipnagógico uma causa
psicológica. Tudo, dizia, era sugestão aplicada. Escreveu a propósito Pierre Janet: “Betrand antecipou-se ao abade
Faria e a Braid”. Foi o primeiro a afirmar francamente que o sonambulismo artificial podia explicar-se simplesmente
à base das leis da imaginação. O “sujeito” dorme simplesmente porque pensa em dormir e acorda porque pensa em
acordar. As obras do abade Faria, do general, Noizet, na França, e as de Braid, na Inglaterra, só contribuíram com
uma formulação mais clara destes conceitos, desenvolvendo esta interpretação psicológica em forma mais precisa.” (*)

Os historiadores da psicologia médica consideram Bertrand como um ponto de transição entre o magnetismo e o
hipnotismo.

LIÉBEAUL
Em 1864, um exemplar da obra de Braid caiu nas mãos de Liébeault, um jovem médico rural francês. Liébeault já
adquirira noções de magnetismo em época anterior, quando ainda estudante de medicina. Ao estudar a obra de Braid
já se encontrava em Nancy, cidade na qual se dedicou durante mais de vinte anos à hipnoterapia e que devido à sua
atividade clínica tornou-se a Capital do Hipnotismo.

Liébeault é descrito pelos seus biógrafos como tendo sido um homem sereno, agradável, bondoso e estimado pelos
pobres, que o chamavam Lebonpère Liébeault . Dizia Liébeault aos seus clientes, em sua quase totalidade humildes
camponeses: “Se desejais que vos trate com drogas, o farei, mas tereis de pagar-me como antes. Se, entretanto, me
permitis que vos hipnotize, farei o tratamento de graça.” Ao método de fixação ocular de Braid, Liébeault acrescentou
o da sugestão verbal.

J. M. Bramwell, um médico que praticava o hipnotismo naquela mesma ocasião na Inglaterra, visitou Liébeault e deixou
a seguinte descrição de sua atividade hipnoterápica: “No verão de 1889 passei uma quinzena em Nancy a fim de ver o
trabalho hipnótico de Liébeaut. Sua clinivs, sempre movimentada, compreendia dois compartimentos que davam pelos
fundos em um jardim. Seu interior não apresentava nada de especial que pudesse atrair a atenção. É certo que todos
que lá iam com ideias preconcebidas sobre as maravilhas do hipnotismo tinham de sair decepcionados. Com efeito,
fazendo caso omisso do método de tratamento e algumas ligeiras diferenças, a impressão que se tinha era a de estar
em um departamento público, numa pensão ou num hospital de clínica geral. Com a diferença de que os pacientes
falavam um pouco mais livremente entre si e se dirigiam ao médico de uma maneira mais espontânea do que se
costumava ver na Inglaterra. Eram chamados por turno, e no livro dos casos clínicos registrava-se sua anaminese. Em
seguida induzia-se o paciente rapidamente à hipnose… Seguiam-se as sugestões e as anotações… Quase todos os
pacientes dos que eu vi foram hipnotizados de uma maneira fácil e rápida, mas Liébeault me informou que os nervosos
e os histéricos eram mais imunes.”

Liébeault soube conquistar a simpatia e a cooperação dos seus pacientes. Contràriamente ao exemplo de Mesmer, que
tressudava de grandezas, Liébeault era modesto e sem aparato teatral, quer na sua apresentação indumentária, quer
no ambiente domiciliar. Com isso estabeleceu a nova linha de conduta para os hipnotizadores modernos.

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Em Nancy, Liébeault trabalhou durante dois anos em sua obra Du Somneil et états analogues, considerés surtout du
point de vue de l’action de la morale sur le physique. Afirma o já citado Bramwell que Liébeault vendeu exatamente um
exemplar daquela sua obra. E, não obstante, muitos historiadores conferem a Liébeault a paternidade do hipnotismo
científico.

Conforme se infere do próprio título de sua obra principal, Liébeault ressaltava a influência do psíquico sobre o físico.
Acontece que o psíquico ainda era uma coisa misteriosa: a alma humana praticamente inexplorada e as conjeturas que
se faziam em torno de sua estrutura e dinâmica, baseadas ainda em provas empíricas.

Entrementes, Liébeault estava no caminho certo, podia progredir modesta e tranquilamente, sem ser muito molestado
pelos colegas, mesmo por ser discreto, pobre e não aceitar dinheiro dos pacientes que tratava hipnoticamente.

BERNHEIM
Hyppolite Bernheim, um dos expoentes da medicina da França, homem de reputação inatacável, a princípio contrário
ao hipnotismo, resolveu, em 1821, visitar Liébeault em Nancy, presumivelmente para desmascará-lo como charlatão.

Bernheim tratara durante seis meses um caso de ciática e fracassara. O caso foi posteriormente curado por Liébeault.
O eminente clínico, que vinha com propósitos hostis, e como céticos, logo se convenceu da autenticidade do fenômeno
e tornou-se amigo e discípulo do modesto médico rural. O prestígio de Bernheim muito contribuiu para que o mundo
científico acolhesse o hipnotismo ao menos como “uma tentativa em marcha”. Bernheim, o criador da “escola mental”,
insistiu no caráter subjetivo, ou seja, essencialmente psicológico, da hipnose. Em sua obra De la Suggestion, publicada
em 1884, Bernheim insiste na necessidade de estudar a técnica sugestiva e as características da sugestibilidade.
Seu método de indução, que é rigorosamente científico, ainda serve de base a todos os métodos modernos e é o que
oferece as maiores possibilidades de êxito. Bernheim foi o primeiro a vislumbrar na hipnose um estado psicológico
normal. O primeiro a lançar a compreensão desse fenômeno em bases mais amplas, mostrando que a sugestibilidade
não era propriedade específica dos doentes, pois não se limitava aos indivíduos histéricos, conforme se proclamava
na “Salpetrière”. Todos nós somos sugestionáveis, uns mais outros menos. “Todos somos alucináveis ou alucinados,
hallucinables ouhallucinés… Com efeito, todos somos indivíduos potencial e efetivamente alucinados durante a maior
parte de nossas vidas”…

Todos temos a nossa propensão inata à crença, nossa crédibilité naturelle. São conceitos moderníssimos. Mostram
a visão ampla e profunda de um autêntico cientista a transcender os limites convencionais da ciência de sua época.

CHARCOT
Simultaneamente com a escola de Nancy, representada por Liébeault e Bernheim, funcionava em caráter independente
outra em Paris, no hospital da “Salpetrière”, que se intitulava a escola do “grandhipnotisme ”, chefiada por um neurologista
de grande prestígio, o prof. Jean Martin Charcot. Charcot, que só lidava com histéricos e histero-epilépticos, e cujas
experiências hipnóticas se limitavam a três pacientes femininos, estabeleceu a premissa, segundo a qual somente os
histéricos podiam ser hipnotizados, não passando o estado de hipnose de um estado de histeria.

Respectivamente com essa premissa, formulou sua teoria dos três estágios hipnóticos: a letargia, a catalepsia e o
sonambulismo. O primeiro estágio, que se podia produzir fechando simplesmente os olhos do “sujeito”, caracterizava-
se pela mudez e pela surdez; o segundo estágio, os olhos já abertos, era marcado por um misto de rigidez e flexibilidade
dos membros, estes permanecendo na posição em que o hipnotista os largasse. O terceiro estágio, o sonambulismo,
se produziria fricionando energicamente a parte superior da cabeça do “sujeito”. Por sua vez a escola da “Salpetrière”
procurou reabilitar a ação magnética. Charcot tentou convencer os discípulos que, aplicando um imã em determinado
membro, este se paralisava.

Seria de estranhar que, um homem daquela reputação e responsabilidade científicas, tivesse ideias tão retrógradas
e mesmo ridículas. Bernheim apontou a Charcot os erros, mostrando-lhe que as características por ele consideradas
como critério de hipnose podiam ser provocadas artificialmente por mera sugestão.

Nasceu daí a histórica controvérsia entre as duas escolas, a da “Salpetrière” e a de Nancy. Recorrendo a um delicado
eufemismo, os dirigentes desta última, classificaram o hipnotismo daquela de “hipnotismo cultivado”, cujo valor em
relação ao hipnotismo de verdade se comparava ao da pérola cultivada em confronto com a pérola natural.

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Charcot tinha ainda uma teoria metálica relacionada ao hipnotismo. Segundo essa teoria, a cura de certas doenças
dependia tão somente do uso correto dos metais. Conta-se a propósito dessa metaloterapia — lembrada unicamente
a título de curiosidade histórica — um episódio pitoresco: Um grupo de alunos de procedência estrangeira estava
discutindo sobre a diversidade dos sintomas nervosos dentre os diversos povos, enquanto percorriam em companhia
do mestre as diversas dependências da “Salpetrière”. Charcot aproveitou o ensejo para provar aos forasteiros a
universalidade do fenômeno anestésico. Iria mostrar que a perda da sensibilidade de uma determinada parte do corpo
era rigorosamente a mesma em todos os quadrantes da terra. Todavia, ao espetar a agulha no braço de um paciente,
este gritou. A reação inesperada causou um misto de desilusão e de hilaridade entre os discípulos. O mestre, no entanto,
não tardou em desvendar-lhes o mistério. No local mesmo teria sido informado de que, durante a sua ausência, um dos
seus assistentes, o Dr. Burcq, colocara uma placa de ouro no braço do doente. E foi em virtude disso que o enfermo
recuperou a sensibilidade… Essa experiência teria convencido Charcot, de uma vez por todas, da veracidade de sua
metaloterapia.

As ciências também sofrem os seus golpes de retorno, e esses são tanto mais danosos quando se revertem de
uma roupagem pseudocientífica e quando alcançam os gumes da consagração acadêmica. Charcot representa um
retrocesso às teorias fluídicas de Mesmer. E a expressão “retroceder a Charcot” está sendo injusta e maliciosamente
usada pelos que procuram desmerecer o hipnotismo contemporâneo.

Entretanto, o hipnotismo ia ganhando terreno, espalhando-se pela Europa e pelos Estados Unidos. Conquanto na
imaginação popular o hipnotismo ainda continuasse sendo uma força que não era em deste mundo e o hipnotista
uma espécie de diabo disfarçado em curandeiro ou homem de ciência, eminentes cientistas se incumbiam de sua
difusão. Homens como Krafft-Ebing e Breuer na Áustria, Forell na Suíça, Watterstrand na Suécia, Lloyd Tuckey e
Bramwell na Inglaterra, Heidenhain na Alemanha, Felkin na Escócia, Pavlov na Rússia, McDougall e Phineas Puimby
nos Estados Unidos, a prestigiar a ciência e dar-lhe impulso científico-terapêutico. E não apenas o hipnotismo médico,
senão também o hipnotismo recreativo, proporcionava às plateias daqueles tempos soberbos espetáculos. Grandes
hipnotizadores de palco como Donato e Hansen arrebatavam as multidões com suas demonstrações públicas.

FREUD
E, no entanto, ocorreu um cochilo, um período de esquecimento de trinta e mais anos no mundo das atividades
hipnóticas. Como responsável por esse eclipse os historiadores apontam a popularidade da psicanálise e a pessoa de
seu fundador, Sigmund Freud, que rejeitou o hipnotismo em seu método terapêutico. Acontece que o homem destinado
a assestar ao hipnotismo semelhante golpe se tornou posteriormente responsável pela sua ressurreição. Já se disse
que a volta triunfal do hipnotismo em bases psicológicas modernas é largamente devida à psicanálise. Quanto às
suas técnicas modernas, são uma consequência direta da orientação e penetração psicanalíticas. Fazendo nossas
as palavras de Zilboorg, ninguém duvida atualmente de que a influência e os efeitos do magnetizador ou hipnotizador
se fundam essencialmente, senão exclusivamente, nas profundas reações inconscientes do “sujeito”. E o conceito
do inconsciente ainda era desconhecido na época de Braid e coube a este formular de uma maneira puramente
descritiva o que sentia intuitivamente. Em outro capítulo tornaremos a falar na contribuição da psicanálise à moderna
hipnoterapia, e na figura de Freud como personagem na história do hipnotismo.

DAVE ELMAN
Apesar de Dave Elman (1900–1967) ser conhecido primeiramente como um notório locutor de rádio, comediante e
compositor musical, ele também ficou famoso no campo da Hipnose. Ele lecionou vários cursos para médicos e escreveu,
em 1964, o livro: “Findings in Hypnosis” (Descobertas na Hipnose)[6], que depois foi denominado “Hypnotherapy”
(Hipnoterapia)[7].

Provavelmente, um dos aspectos mais importantes do legado de Dave Elman foi o seu método de indução, que
originalmente foi construído para realizar a hipnose de um modo rápido e depois adaptada para o uso de profissionais
médicos; os seus discípulos rotineiramente obtinham estados hipnóticos adequados para procedimentos médicos ou
cirúrgicos em menos de três minutos. Seu livro e suas gravações deixaram muito mais que somente sua técnica de
indução rápida. A primeira cirurgia cardíaca de tórax aberto utilizando somente hipnose no lugar de uma anestesia
(por causa de vários problemas severos do paciente) foi conduzida por seus estudantes, tendo Dave Elman como
orientador na sala de cirurgia.

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MILTON ERICKSON
Milton Erickson (1901-1980), psiquiatra norte-americano, especializado em terapia familiar e hipnose. Fundou a
American Society of Clinical Hypnosis e foi um dos hipnoterapeutas mais influentes no pós-guerra. Ele publicou vários
livros e artigos científicos na área. Durante a década de 1960, Erickson popularizou um novo tipo de hipnoterapia,
conhecida como hipnose ericksoniana, caracterizada principalmente por sugestão indireta, “metáforas” (na realidade,
analogias), técnicas de confusão, e duplo vínculos no lugar de uma indução hipnótica clássica.

Enquanto a hipnose clássica é direta e autoritária, e muitas vezes encontra resistência do paciente, a forma que
Erickson apresentou é permissiva e indireta.[10] Por exemplo, se na hipnose clássica é utilizado na indução “Você
está entrando agora em um transe hipnótico”, na hipnose ericksoniana a indução seria utilizada na forma “você pode
aprender confortavelmente como entrar em um transe hipnótico”. Desta forma, dá a oportunidade ao paciente a aceitar
as sugestões com as quais se sentirão mais confortáveis, no seu próprio ritmo, e com consciência dos benefícios. A
pessoa a ser hipnotizada sabe que não está sendo coagida, tomando para si a responsabilidade e a participação na
sua própria transformação. Como a indução se dá durante uma conversa normal, a hipnose ericksoniana também é
chamada de hipnose conversacional.

Erickson insistia que não era possível instruir conscientemente a mente inconsciente, e que sugestões autoritárias seriam
muito mais prováveis de obter resistência. A mente inconsciente responderia a aberturas, oportunidades, metáforas,
símbolos e contradições. A sugestão hipnótica eficaz, então, seria “artisticamente vaga”, deixando a oportunidade
para que o hipnotizado possa preencher as lacunas com seu próprio entendimento inconsciente - mesmo que eles
não percebam conscientemente o que está acontecendo. Um hipnoterapeuta habilidoso constrói essas lacunas nos
significados de modo que melhor se adequa para cada indivíduo - de uma forma que tem a maior probabilidade de
produzir o estado de mudança desejado.

Por exemplo, a frase autoritária “você vai deixar de fumar” teria uma menor probabilidade de atingir o inconsciente que
“você pode se tornar um não-fumante”. A primeira é um comando direto, para ser obedecido ou ignorado (e observe que
ela chama a atenção para o ato de fumar), a segunda é um convite aberto para uma mudança permanente e possível,
sem pressão, e que é menos provável de encontrar resistência.

Richard Bandler e John Grinder identificaram esse tipo de linguagem “artisticamente vaga” como uma característica do
seu ‘Milton Model’, como uma tentativa sistemática de codificar os padrões de linguagem de Erickson.

“Eu digo isso não porque este livro é sobre minhas técnicas hipnóticas, mas porque já passa da hora de entender que
a necessidade de reconhecer que uma comunicação com sentido pleno necessita substituir verborréias repetitivas,
sugestões diretas e comandos autoritários” - Milton Erickson.

GERALD KAIN
Fundador da Omni Hypnosis Training Center em Deland, Florida, treinou diversos hipnoterapeutas e hipnotistas em
mais de 80 países.

Quando tinha 13 anos de idade, pediu a Dave Elman que o ensinasse hipnose, o qual se negou mas autorizou que
Jerry gravasse suas demonstrações e apresentações da técnica.

CAPÍTULO 2
O QUE É HIPNOSE?
O termo “hipnose” (gregohipnos = sono + latimosis = ação ou processo) foi criado pelo médico e pesquisador James
Braid (1795-1860), o qual acreditava tratar-se de uma espécie de sono induzido (Hipnos é o nome do Deus do sono).
O nome acaba sendo equivocado, pois a pessoa não dorme quando está hipnotizada, mas como esse termo se
consagrou, acabou permanecendo até hoje.

Hipnose basicamente é foco, concentração e imaginação. Muitos profissionais definem a hipnose como um estado
alterado de consciência, no qual podemos inserir uma sugestão de uma forma que fique muito mais potencializada do
que em um estado normal. A verdade é que, à medida que os estudos vão evoluindo, percebemos que essa definição
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acaba ficando bastante limitada.

Se tomarmos como base o “transe hipnótico”, no qual seria esse “estado alterado de consciência”, estar em transe é uma
percepção muito pessoal e subjetiva, então por mais que tenham caracteristicas "comuns", não podemos basear a qualidade
da recepção de sugestões nesse molde. Com base nisso, existe a teoria do estado e a teoria do não estado. É muito
importante de se entender que não existe a necessidade de um estado de transe “formal” para que a pessoa seja
receptiva a sugestões. O mais importante para que a hipnose aconteca é o engajamento do sujeito.

Vamos pensar em uma pessoa que está com as mãos coladas. Quando colamos as mãos de alguém, podemos até
argumentar que existe a fisiologia envolvida, aumentando a capacidade do processo. Quando passamos essa cola
para os pés, não existe fisiologia envolvida, e já passa a ser uma sugestão hipnótica. A pessoa não estava de olhos
fechados ou não passou por uma indução, mas já está respondendo aos comandos.

Nossa mente funciona por automatizações de processos cognitivos. Quando estamos aprendendo a dirigir, temos que
lembrar de pisar na embreagem, dar seta, ligar o farol, pisar no freio, pisar no acelerador. Isso seria o que chamamos
de processamento analógico/racional lento (temos que racionalizar bastante o que estamos fazendo). Chega um ponto,
que repetimos tanto isso que nossa mente entende que esse processo precisa ser automatizado, para poder dirigir
a atenção da mente consciente para outras coisas. Com isso, passamos a dirigir e muitas vezes nem lembramos o
caminho que fizemos, trocamos a marcha, fazemos todo o processo de forma automática. Não atropelamos ninguém,
não passamos no sinal vermelho e respeitamos radares, e, ainda sim, o comportamento muitas vezes está automatizado.
Isso é o que chamamos de processamento automatizado/rápido, e acontece de maneira inconsciente.

Isso explica muito bem como nossa mente funciona aos fenômenos hipnóticos. Quando estamos passando por uma
sugestão, e nos concentramos em utilizar nossa imaginação no processo, nossa mente tem muita dificuldade em
conseguir ter muitas ações complexas ao mesmo tempo de forma consciente. O que acontece quando colamos as
mãos, é que nossa mente automatiza o processo mais fácil, que seria o de apertar as mãos as prendendo, pois é algo
físico que envolve muito menos energia do que controlar a imaginação no processo.

Essa automatização faz a gente ter aquela sensação de que a gente não tem o controle daquele comportamento.
Mas na verdade, a gente tem, mas é como se ligássemos o piloto automático. Como quando estamos dirigindo, não
percebemos o tempo passar, mas se aparecer uma blitz a nossa atenção volta aquele momento.

Importante entender que nossa mente não sabe diferenciar o que é realidade do que é imaginação. Exemplo disso é
quando nos sentimos ansiosos por conta de nossa mente imaginar coisas que podem vir a acontecer (e dar errado).
Nosso corpo começa a sentir o reflexo dessa ansiedade, suor, tremores. Muitas vezes, tudo aquilo que imaginamos
que possa acontecer nem acontece, então o sofrimento acaba acontecendo somente por conta de ter imaginado aquilo
acontecendo. Nossa mente e corpo são totalmente conectados.

Considerando a teoria do estado, pode sim existir uma alteração do estado de consciência. Nesse caso, a hipnose
trabalha rebaixando a faculdade critica (é “o guarda” da sua mente subconsciente, aquele que diz o que é real do que
não é), por conta disso é uma maneira de se reprogramar a mente, de modo a funcionar através do sistema nervoso
autônomo ao invés de funcionar pelo sistema nervoso simpático, como geralmente acontece. O que na verdade
acontece com o rebaixamento da faculdade crítica seria ocupar nosso pensamento lento com algo que não está
sendo trabalhado na hipnose, e, com essa sobrecarga do pensamento lento, acaba ocorrendo mais automatizações
de processos cognitivos. Quando recebemos, de olhos fechados, uma sugestão de esquecer o nome por exemplo, a
imaginação consegue automatizar esse processo, fazendo o fenômeno acontecer. Quando o pensamento lento volta e
questiona aquela realidade, aquela sugestão passa a não funcionar, pois a pessoa na realidade sabe o próprio nome.

De acordo com a National Guide of Hypnotists, a mais antiga organização de hipnose do mundo, “É a ultrapassagem do
fator crítico da mente consciente e o estabelecimento de um pensamento aceitável seletivo.”(definição por Dave Elman).

Diferente do que muitos acham, a hipnose não é nada místico, é uma ciência que se baseia em entender em como
nossa mente funciona.

UTILIDADES DA HIPNOSE
A hipnose pode ser usada para fins de entretenimento, na conhecida hipnose de rua (street hypnosis), no qual hipnotistas

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demonstram o poder da ferramenta de maneira gratuita em ruas, fazendo diversas brincadeiras (colar as mãos, falar
outra língua, fazer a pessoa rir, ter amnésia, trocar o nome, ter alucinações). Esse mesmo estilo de hipnose é utilizado
em palco, com apresentações de hipnose de palco para shows cômicos.

Outra modalidade importante da hipnose é a hipnoterapia, no qual o objetivo é resolver um problema do paciente.
Como trabalha diretamente no subconsciente, os resultados são muito rápidos e a mudança na vida do sujeito é
realmente significativa e definitiva.

COUMPOUDING, HOMOAÇÃO E HETEROAÇÃO


Quando estudamos o Loop Hipnótico de James Tripp, entendemos que o fenômeno hipnótico se acentua na repetição
e na sequência de sugestões. Existem duas estratégias complementares que podem e devem ser seguidas para que
esse fortalecimento de sugestões funcione: a homoação e a heteroação. Essas teorias foram estabelecidas pelo
hipnólogo francês André Muller Weitzenhoffer e são importantes para se entender melhor como nossa mente funciona
e como as sugestões são aceitas.

Homoação parte de um pressuposto de que se uma sugestão já foi aceita, outra sugestão muito similar àquela (ou
até mesmo idêntica) funcionará mais facilmente, pois o sujeito já entendeu como sua mente deve se portar para que
aquela sugestão seja aceita. A repetição de sugestões de um mesmo tipo permite que essas sugestões sejam cada vez
melhor aceitas pelo sujeito hipnotizado, e nós como hipnotistas devemos fazer uso disso para aumentar o engajamento
da pessoa com a hipnose.

Heteroação parte da ideia de que para cada sugestão simples aceita, é possível que uma sugestão mais complexa
seja aceita com mais facilidade, porque a pessoa consegue entender melhor sobre o que deve ser feito para que o
fenômeno sugerido aconteça. Isso acontece pois o sujeito se acostuma a seguir as instruções, quanto mais sugestões
forem aceitas, mais facilmente ele aceitará a próxima. Com isso, as próprias metáforas de indução servem como
fortalecedoras de um fenômeno mais complexo a ser sugerido.

O fenômeno do coumpounding, já descrito por hipnotistas do começo do século passado, mostra que o esforço
repetitivo de uma mesma sugestão aumenta a sua intensidade. Quando damos sugestões durante o processo da
hipnose, a repetição dessas sugestões permite que o sujeito tenha ainda mais confiança no processo, e isso faz com
que elas tenham mais efeito.

HIPNOSE CLÁSSICA X HIPNOSE ERICKSONIANA


Dave Elman é conhecido como o pai da hipnose médica. Na Hipnose Clássica, existe a ideia central de que a mente
atende as sugestões diretas, em tom de comando.

O que mais pode atrapalhar a hipnose clássica é a pessoa hipnotizada ter a sensação de estar fora do controle, e
buscar assim resistir as sugestões.

A Hipnose Ericksoniana de Milton Erickson busca através da imaginação do sujeito, de uma forma mais permissiva,
trazer as sugestões de forma indireta para o hipnotizado, principalmente através de metáforas.

Para compreender melhor, veja uma sugestão de amnésia de nome construída em cada uma das formas.

Hipnose Clássica: "Agora, você vai perceber que seu nome some ao estalar de dedos."

Hipnose Ericksoniana: "Imagine uma lousa... isso... agora, imagine que você está escrevendo seu nome nessa
lousa, letra por letra. Assim que terminar, pegue o apagador e apague esse nome, perceba que a medida que você vai
apagando, as letras vão sumindo, e esse nome vai sumindo completamente."

A grande verdade é que o ideal é mesclar ambas as técnicas, fazendo seus resultados serem cada vez melhores.

FUNCIONAMENTO DA MENTE (POR GERALD KEIN)


Esse modelo de mente, criado por Gerald Kein, é metáfórico, mas ajuda muito para conseguir explicar para a pessoa
que você vai hipnotizar ou seu paciente como a hipnose pode ajuda-la. Para compreender melhor esse modelo,

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trabalhamos com a mente
consciente, subconsciente e
inconsciente.

Mente consciente: é responsável


por armazenar a memória de curto
prazo, raciocínio, pensamento
analítico, trabalha enquanto
o individuo está ciente. Ela é
responsável por tomar diversas
decisões no nosso dia a dia (abro
a janela? Desligo o chuveiro?).
Outro ponto importante da mente
consciente é que ela busca dar
desculpas para algumas ações
que tomamos e a que se arrepende
de outras. É nela que se encontra
nossa força de vontade, que é algo
que não tem duração muito longa.
Quantas pessoas na virada de ano prometeram que iriam iniciar uma dieta e iriam na academia e a “força de vontade”
durou apenas poucos dias?

Mente subconsciente: nela se encontram nossos hábitos, emoções, fobias, memória permanente e autopreservação.
Ela opera como se fosse um computador, é programada desde o dia em que nascemos (ou antes), refletindo nossa
história de vida, como reagimos frente a determinadas situações, como a influência de outros tem efeito em nós, como
sentimos as coisas, sendo constantemente influenciados pelo meio em que estamos.

A mente subconsciente nos protege de perigos reais ou imaginários, mas ela não consegue notar a diferença. Ela nos
protege de problemas conhecidos, enquanto nossa mente consciente nos protege apenas dos problemas percebidos.

Com a hipnose, conseguimos acessar esse estado e fazer toda uma reprogramação.

Mente inconsciente: basicamente é o nosso sistema autônomo e o sistema imunológico.

SINTOMATOLOGIA DO TRANSE
A percepção do que é "transe hipnótico" é muito particular e diferente para cada sujeito. A verdade é que não existe
necessidade de um "transe hipnótico" para mudança, mas sim de engajamento do sujeito.

Existem algumas coisas possíveis de se observar no corpo de muitas pessoas hipnotizadas que podem ser um
termômetro para verificar a percepção da pessoa quanto ao transe hipnótico. Dentre os sintomas, estão: movimento
trêmulo das pálpebras, aumento da lacrimação, vermelhidão nos olhos, aumento da temperatura corporal, geralmente
nas extremidades do corpo, tendência dos olhos girarem para cima, aumento do batimento cardíaco, ausência de
motricidade, engrossamento da veia jugular, aumento da temperatura na face e tórax, sudorese nas mãos, hiperestesia,
analgesia e anestesia.

Não se prenda a isso para definir se uma pessoa está ou não hipnotizada, como citado, a percepção do "transe" é muito
individual e metafórico.

NÍVEIS DE TRANSE
Algo importante a ser explicado é que o "transe hipnótico" não deixa de ser uma metáfora. A percepção de "transe"
para cada sujeito pode ser muito diferente. Uma pessoa pode sentir os olhos tremendo, outra o relaxamento muscular.
É muito subjetivo o que é "transe", e a parte mais importante no processo hipnótico é a expectativa gerada pelo cliente
que será hipnotizado, e não se ele possui sintoma x ou y.

Existem diversas escalas de hipnose, segue abaixo uma das mais utilizadas. Vale reforçar que não é necessário

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“transe hipnótico” para se conseguir mudanças ou respostas a sugestões.

Leve a médio: conhecido também como hipnoidal, nesse estado é possível se obter relaxamento físico e analgesia
através de sugestões. Permite que o sujeito aceite mais sugestões do que no estado de vigília, mas se comparado ao
estado de transe profundo ainda é menos suscetível a sugestões.

Profundo (sonambúlico): é o estado mais buscado na hipnose, pois existe uma comunicação direta com o
subconsciente. Nesse estado o sujeito consegue alcançar relaxamento mental, amnésia, anestesia, regressão e
qualquer tipo de alucinação.

Coma Hipnótico (Estado Esdaile): esse estado foi descoberto por James Isdaile e ensinado depois por Dave Elman.
O que acontece é uma anestesia geral no corpo, sem nenhuma sugestão. É um nível de transe no qual é possível
até se fazer cirurgias. Por ser um estado de transe muito bom, o sujeito não se importa tanto com as sugestões do
hipnotista, muitas vezes tendo que ser feita uma negociação para que a pessoa desperte do transe.

LOOP HIPNÓTICO
O Loop hipnótico é um dos pontos mais importantes
da hipnose, criado pelo hipnotista James Trip,
consiste em uma série de acontecimentos que
leva a pessoa a acreditar que está em um "transe
hipnótico". Confira a figura:

Nossa fisiologia trabalha para percebermos algo


externo. Esses estímulos gerados pela fisiologia
são processados, e geram uma experiência. Com
base nisso, nosso cérebro trabalha com base em
lembranças, experiências passadas, prevendo possibilidades no futuro, avaliando e julgando tudo como um processo
imaginativo. A imaginação potencializa essa experiência, pois tudo que você busca o cérebro traz alguma coisa, e com
isso, a crença de que tudo está acontecendo aumenta.

A pessoa pode entrar nesse loop por qualquer caminho, tudo alimentado na expectativa de que algo incrível está para
acontecer. Quanto mais alimentado esse loop, melhor resposta o sujeito terá para as sugestões. O importante é a
pessoa sempre ter aquele frio na barriga de imaginar o que está para acontecer, por isso usamos tantas contagens e
frases criadas de maneira a deixar a expectativa cada vez maior. A homoação e heteroação acontecem o tempo todo.

Entender o loop hipnótico vai facilitar muito para entender como o processo hipnótico funciona. Essa é à base da hipnose.

ÉTICA
No Brasil, a legislação não restringe o uso da hipnose apenas a
médicos ou psicólogos. Qualquer profissional que aprenda as técnicas
de hipnose pode usar em sua área de atuação.

No caso da hipnose de rua, devemos sempre ter em mente a ideia de


passar para a pessoa a melhor experiência possível, primeiro porque
provavelmente a pessoa que está sendo hipnotizada está tendo seu
primeiro contato com hipnose, então se você fazer com que ela passe
por uma pessoa inesquecível, a hipnose será divulgada de maneira
positiva e assim ela vai divulgar para outras pessoas e pode até
mesmo abrir a mente para ser tratada com hipnoterapia. Veja algumas
recomendações: “Com grandes poderes vem grandes
responsabilidades.” (Tio Ben)
• Não faça regressões na rua e sem contexto para isso;

• Não use agulhas, ou faça ponte humana (fazer a pessoa ter uma catalepsia, ou seja, ficar com o corpo rígido,
posicionando duas cadeiras, uma no pescoço outra nos pés, e fazendo outras subirem em cima) na rua, isso não é

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agradável para quem está sedo hipnotizado, além e existirem formas muito mais bacanas de se mostrar a ferramenta;

• Lembre-se que você é o responsável pela pessoa que está hipnotizando. Sempre preze por sua segurança dando
comandos de estabilidade, e acompanhe mesmo depois do término do processo se ela está com dores de cabeça ou
se está sentindo alguma coisa desagradável;

• Evite toques não necessários no hipnotizado, muitas pessoas não gostam e não se sentem bem ao serem tocados.
Sempre que for fazer algum tipo de toque, avise com antecedência e pergunte para a pessoa se não terá problema;

• Faça sempre o hipnotizado se lembrar de tudo após a hipnose;

• Escolha bem a sua indução, veja se a pessoa não possui problemas nos ombros ou braços, caso vá usar uma indução
de choque.

Embora quando falamos de hipnose no pre talk, falamos que a pessoa não vai fazer o que ela não queira isso em parte
não é verdade. Com a hipnose, podemos alterar a realidade da pessoa. Por exemplo, imagine que você esta no topo de
um prédio com o hipnotizado e pede para ele pular. A mente dele sabe que aquilo vai prejudica-lo e isso impede de que
ele faça isso. Agora pense da seguinte forma: você faz a pessoa sentir que o dia está quente, e a faz alucinar que na
frente dela existe uma piscina e ela pode pular. Com base nisso, com a realidade alterada, a pessoa poderia sim pular.
A hipnose é uma ferramenta sensacional e deve ser usado com máximo de ética. Se o seu objetivo não for fazer o bem,
pare de ler por aqui.

CAPÍTULO 3
RAPPORT
Rapport é uma palavra de origem francesa que significa empatia, é o vinculo que você cria com as pessoas.

Antes de começar a hipnose, existem algumas coisas bem básicas a serem seguidas. Fique atento para a roupa que
você está usando, ela pode te ajudar a passar mais credibilidade. Não é necessário terno e gravata, mas pense num
médico, você confiaria em um usando sandália e shorts? A vestimenta irá te ajudar a passar autoridade. Outro ponto
importante é a higiene. Com a hipnose, os sentidos ficarão mais aguçados, por conta disso, mantenha um bom hálito e
um cheiro agradável, para assim passar uma experiência boa para pessoa. Quando estiver conversando com o sujeito,
fique atento para sua dicção, fale pausadamente e da maneira mais clara e compreensível.

Você deve passar autoridade para pessoa que está sendo hipnotizada, deve mostrar uma postura de que você sabe
do que está falando e ela pode sim confiar em você. Toda sua postura corporal e a maneira de falar irá indicar isso.

Uma ótima técnica de rapport é o chamado espelhamento. Com essa técnica, o hipnotista imita alguns elementos da
linguagem corporal da outra (postura, gestos, expressões faciais, respiração), mas de maneira muito cuidadosa para
não parecer forçado.

Sempre chame a pessoa pelo nome, isso demonstra que você se importa com ela e a faz sentir-se importante. Fique
atento se a pessoa está com sede ou com alguma outra necessidade, mostre que você se importa com ela.

Enquanto estiver conversando com a pessoa, procure manter um contato olhando diretamente nos olhos dela, mas
sem exageros para ela não se sentir acuada. No diálogo, procure reforçar pontos chaves da frase, isso é conhecido
como Pacing Descritivo, você reforça os pontos e faz a pessoa ter a sensação de que você realmente está prestando
atenção no que ela está falando. Outra dica é levantar as sobrancelhas quando for cumprimenta-la, isso faz a pessoa
sentir que te conhece faz tempo. Sempre diga “muito bem”, “isso”, ratificando sempre que ela está no caminho certo.

Outro ponto importante é o conhecido Yes Set. De pequenos comandos, como “mova-se para o lado”, pergunte coisas
óbvias como “Seu nome é Claudia?”. Com isso, você acostuma a pessoa a dizer “sim” e consegue saber o quão
engajada no processo ela estará.

Em resumo: “Como seria sentir-se confortável e seguro com alguém, mesmo esse alguém discordando de você? Por
que gostamos instantaneamente de algumas pessoas quando as conhecemos – enquanto que de outras, levamos

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muito mais tempo? Por que quando falamos com algumas pessoas durante horas, parece que se passaram minutos?”
O que você me responderia? Qual é o segredo?”. O segredo é ter um bom rapport.

O MAPA NÃO É TERRITÓRIO


Nossa atenção é limitada. Já imaginou se não filtrássemos as informações que chegam até nós e analisássemos tudo
que nossos sentidos captam? O que aconteceria é que nossa mente teria que processar muito mais informações do
que realmente precisamos.

Nossa mente subconsciente capta coisas que o consciente deixa passar. Quando nós buscamos essas informações,
essa análise fica restrita ao que chamamos de crenças limitantes ou limitadoras. Nosso julgamento se limita aquilo
que desde pequenos construímos e moldamos conforme o que faz sentido para nós mesmos, isso não quer dizer que
estamos certos ou errados, apenas limitados.

Interesses, crenças e percepções limitam a visão do mundo e do que são as pessoas, tornando-as previsíveis. A
diferença está na verdade nos filtros que nós aplicamos sobre o mundo. Eles são necessários por serem mapas dos
nossos pensamentos e experiências que estão um nível abaixo da realidade.

Dentro da hipnose, quanto menos filtro tiver, melhor vamos perceber os sujeitos que estão ao nosso redor e o que eles
nos mostram. Os mapas sempre serão diferentes dos nossos, mas devemos adaptar nossos mapas aos dele, para
percebermos o mundo da mesma forma, fazendo assim a comunicação e o entendimento ficarem muito mais fáceis de
serem estabelecidos.

CAPÍTULO 4
PRE TALK
Vamos imaginar a seguinte situação, você vai fazer uma cirurgia médica, o médico não teme explica o procedimento
que será feito, ignora te mostrar os benefícios que você terá após a cirurgia, mas diz que terá que te operar. O que você
faz? Você vai sentir-se seguro em deixar esse médico te operar?

Provavelmente a resposta é não, correto? Quando lidamos com assuntos que envolvem nossa saúde geralmente
queremos saber em detalhes o que está acontecendo, pois não temos os conhecimentos técnicos necessários para
entender o que o médico vai fazer (envolvendo nosso corpo), então nada mais justo do que entender esse procedimento
antes dele ser feito.

Bom, mas ai você me pergunta, o que isso tem a ver com a hipnose? Basicamente tudo. São poucas as pessoas que
tem realmente o conhecimento do que se trata a hipnose, e o medo por trás dessa ferramenta ainda predomina em
grande parte pela falta de informação ou pelo que as pessoas já viram na televisão (pessoas comendo cebola, imitar
galinhas, etc) ou em outros lugares, muitas vezes mostrado como algo “místico”, sobrenatural.

E O QUE É PRE TALK?

Para a pessoa realmente conseguir ser hipnotizada, ela precisa sentir segurança em você e precisa ver que você
domina e entende sobre o assunto. O Pre Talk é uma conversa prévia que você terá com ela para explicar o que
realmente é a hipnose, os seus benefícios, tirar seus medos e mostrar como é uma ferramenta que realmente pode
mudar vidas. Como mencionado acima, é importante que você tenha pleno domínio sobre o assunto para que se sinta
confiante e apto para responder quaisquer dúvidas que a pessoa tenha.

O Pre talk ajuda a criar a expectativa do que estará para acontecer, potencializando o loop hipnótico.

COMO FAZER UM BOM PRE TALK?

Quando for se apresentar para a pessoa, jamais mencione que você aprendeu hipnose a pouco tempo ou que possui
pouca experiência. Lembre-se que para a hipnose acontecer a pessoa precisa sentir confiança em você, e, para isso,
ela deve sentir que você domina e possui sim experiência no assunto. Você deixaria um médico que acabou a aprender
a operar fazer uma cirurgia de coração em você? Está ai sua resposta. Mantenha a sua capa do mago.

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Primeiramente, busque entender o que a pessoa já sabe sobre hipnose. Em alguns casos, ela pode já conhecer a
ferramenta e você pode cortar boa parte da conversa. No caso de hipnose de rua, geralmente as pessoas desconhecem
do assunto. É importante falar que você não precisa dar uma palestra sobre hipnose.

Vamos supor que você encontre uma pessoa que realmente não sabe nada sobre hipnose. Explique para ela que
hipnose é foco e concentração, um estado natural da mente no qual todos vivemos isso diariamente, várias vezes ao
dia, seja quando estamos focados vendo um programa interessante de televisão, ou quando perdemos nossos óculos
e eles sempre estiveram em nossa cabeça, isso é um estado natural de transe. É importante explicar um pouco sobre
o poder do subconsciente, no qual a pessoa consegue entrar em contato com seus recursos internos, podendo lembrar
de coisas que usando somente a mente consciente ela não conseguiria. Nossa mente funciona como um grande HD,
e nada vai embora, tudo está guardado nela. Quando entramos no estado hipnótico conseguimos ter acesso a essa
vasta gama de informação, conseguindo acessar memórias reprimidas através das emoções.

Dica chave: muitos hipnotistas mais novos tem muito receio das rotinas não funcionarem e passarem vergonha diante
da pessoa que estão hipnotizando. Durante o Pre Talk, explique para pessoa que toda hipnose é uma auto-hipnose. O
que isso significa? Que, para a hipnose acontecer, depende muito mais da própria pessoa do que do hipnotista. Nós
funcionamos como se fossemos um gps para a pessoa, vamos dar o caminho para ela conseguir acessar esse estado
de maneira mais fácil, mas tudo depende dela e da vontade dela de ser hipnotizada e realmente seguir os comandos
que damos. Caso a pessoa não siga, a hipnose provavelmente não acontecerá e isso não é culpa do hipnotista. A
pessoa pode também não estar num dia bom ou ter muita coisa na cabeça, o que dificulta sua concentração, ou seja,
dificultando a hipnose. Uma vez que você, hipnotista, coloca isso na sua cabeça, você irá tirar um peso enorme das
suas costas e conseguirá fazer sua hipnose com muito mais tranquilidade e segurança.

Reforce o fato de que o hipnotista não possui controle sobre a pessoa hipnotizada, que ela não vai fazer nada que
não queira, pois sua mente a protege (isso pode ser “driblado” de algumas maneiras, como já foi citado no tópico da
"ética"). Explique para a pessoa que ela não dorme durante o transe, mas sim que a hipnose é um estado elevado
de consciência e a pessoa se sentira ainda mais concentrada e capaz de ouvir tudo que será dito, pois ela estará
consciente o tempo todo.

Outra coisa importante é a pessoa entender que ela jamais ficará “presa no transe”. Explique pra ela novamente que
esse é um estado natural e mesmo que você for embora e deixá-la sozinha, ela irá despertar em provavelmente uns 5
minutos e nada de anormal terá acontecido.

Importante você, mesmo durante a hipnose de rua, explicar os benefícios da hipnose. Com a hipnose podemos tratar
fobias, depressão, ansiedade, vícios... de uma maneira muito rápida, geralmente em até 5 sessões conseguimos
resolver esses problemas. Com a auto-hipnose você também consegue melhorar diversos aspectos da sua vida,
trabalhando seus objetivos diretamente na sua mente subconsciente e tendo resultados realmente efetivos.

Finalize dizendo para a pessoa que irá buscar proporcionar para ela uma experiência inesquecível. Uma pessoa que
teve uma experiência ruim durante a hipnose pode se bloquear e dificilmente será hipnotizada de novo. Queremos aqui
que a pessoa viva uma experiência única e saia falando realmente bem de você e de ferramenta. Se durante um street
você, hipnoterapeuta, fez as brincadeiras e a experiência da pessoa foi realmente diferenciada, existem boas chances
de você conseguir pacientes ali (você ficaria surpreso em quantas pessoas são realmente convertidas em pacientes
durante a hipnose de rua).

Encerre seu Pre Talk fazendo o acordo hipnótico. Para a hipnose acontecer duas coisas são fundamentais. A primeira
delas, a pessoa deve querer ser hipnotizada. Se ela estiver vindo te desafiar, nada vai acontecer. A vontade dela deve
ser realmente de ser hipnotizada, e ela deve se permitir a viver a experiência. A segunda coisa é que ela deve seguir
os seus comandos. Se ela não fizer o que você pedir, de nada adianta o processo.

MITOS E VERDADES COM RELAÇÃO À HIPNOSE

O hipnotista controla o hipnotizado? Não, você não fará nada que não quer fazer, sua mente te protege. Se nós
estivermos na beira de um prédio e eu pedir para você pular, você não irá, pois sabe que morreria fazendo isso e
provavelmente despertaria do transe (como mencionado, é possível se alterar o contexto, mas não iremos abordar isso
aqui). Você também não contará segredos nem a senha do banco. Nunca diga que a pessoa fará o que ela não quer
fazer, pois isso irá criar um bloqueio que impedirá ela de ser hipnotizada.
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A hipnose é prejudicial a saúde? Jamais. Se você é um bom profissional a hipnose só trará benefícios para quem está
participando do processo. Claro que a ética é fundamental.

A pessoa pode se tornar dependente da hipnose? Não. Você pode gostar do processo e o utilizar de maneira constante,
mas não existe essa “dependência”.

A pessoa pode ficar presa no transe? Não. Como explicado mais atrás, o transe é um estado natural e subjetivo,
mesmo que você deixe a pessoa hipnotizada lá, eventualmente ela irá despertar, pois o estimulo acabou e o transe não
estará sendo alimentado.

Estar hipnotizado é estar dormindo? Não, o sono fisiológico é diferente da hipnose. Uma pessoa que está dormindo não
está hipnotizada, pois o estado hipnótico é o oposto, ela estará muito mais atenta e alerta no transe.

EXEMPLO DE PRE TALK

“Bom dia/ boa tarde / boa noite fulano x (sempre chame a pessoa pelo nome, isso aumenta o rapport). Meu nome é
______ , sou hipnólogo (hipnotista, hipnoterapeuta) e estou aqui para demonstrar o poder dessa ferramenta sensacional.
O que você sabe sobre hipnose?

Bom, hipnose é foco, concentração e imaginação. É um estado natural da mente o qual nós vivemos várias vezes
ao dia. Sabe quando você está vendo um filme, muito concentrado, uma pessoa te chama e você fica distraída e
nem escuta? Ou quando você está dirigindo da sua casa para o trabalho ou vice e versa, e está distraída em seus
pensamentos e, quando percebe, já até chegou ao local e parece que foi num curto espaço de tempo? Ou quando você
perde a chave de casa, começa a procurar, mas ela esteve o tempo todo em suas mãos? Pois bem, esses são estados
de transes comuns os quais vivemos em nosso dia a dia.

A hipnose é muito usada em terapias, podendo tratar fobias, depressão, ansiedade, timidez, vícios, em poucas sessões
com resultados realmente efetivos, pois ela trabalha diretamente no subconsciente da pessoa. Para você entender
melhor, nesse momento estamos usando nossa mente consciente. Se eu pedir pra você olhar ao seu redor e lembrar-
se de 10 objetos que você viu, você provavelmente terá dificuldade; Quando acessamos o seu subconsciente, temos
acesso a todas as suas memorias, emoções, e você fica num estado onde sua concentração fica aguçada. Você estará
ainda mais atento e desperto. Por isso que com a hipnoterapia conseguimos tratar diversas coisas, pois o subconsciente
representa a maior parte da nossa mente. Com base nisso, você consegue buscar a causa dos problemas e dar um
novo significado para eles, fazendo a sua percepção quanto a determinados eventos mudar, tendo assim resultados
realmente efetivos.

Você tem alguma duvida ou medo com relação à hipnose (tire as dúvidas se a pessoa perguntar, a partir desse
momento você já tem todas as informações necessárias para tirar as dúvidas dela).

Você não vai dormir, muito pelo contrário, você estará ainda mais atenta que o normal. Você não me contara segredos
e não vai passar por nenhuma experiência vexatória. O que vou te proporcionar é exatamente o oposto, você vai
conhecer o real poder da sua mente.

Uma coisa importante que tenho que te explicar é que toda hipnose é uma auto-hipnose. Para a hipnose acontecer
depende exclusivamente de você e da sua vontade de ser hipnotizada. Se você seguir o que eu falo e quiser ser
hipnotizada, tudo dará certo.

Bom está pronto para viver essa experiência fantástica? Para encerrar, quero fechar um acordo com você. Primeiramente,
você quer ser hipnotizado? (pessoa confirma). ÓTIMO! Agora, a segunda coisa muito importante, você deve seguir
sempre meus comandos, se eu pedir para você sentir, você busca sentir, se eu pedir para você imaginar, você busca
imaginar. É como se fosse um gps, se ele fala para você virar a direita e você vira a esquerda, você não chegará no
lugar certo. O mesmo vale para a hipnose. Vamos começar?

Se depois de todo o Pre Talk a pessoa ainda falar que não quer ser hipnotizada, NÃO INSISTA. Ser hipnotizado é um
privilégio, quem perde a oportunidade é ela.

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CAPÍTULO 5
PSEUDO HIPNOSE
Tendo como base que todas as pessoas são hipnotizáveis, algumas de maneira mais rápida e outras de maneira mais
devagar, as pseudo hipnoses servem para que você consiga escolher os sujeitos mais suscetíveis de maneira mais
rápida, mas assim não perder muito tempo em seu show. Elas servem também para inserir a pessoa dentro do loop
hipnótico apresentado anteriormente.

As técnicas de pseudo hipnose são fisiológicas, ou seja elas “enganam” a mente do sujeito e acabam se transformando
em hipnose de verdade por inseri-los no loop hipnótico. Muitas vezes você vai perceber já na pseudo que o sujeito já
está em transe, sem ao menos precisar de uma indução “formal”.

Mesmo considerando que essas rotinas são “testes”, nunca use a palavra “teste”, pois teste implica em falha. Procure
utilizar “ensaio”.

Um exemplo de como abordar as pessoas para a pseudo:

“Todos nós somos hipnotizáveis, algumas pessoas em poucos segundos, outras com mais tempo. As pessoas que
conseguem ser hipnotizadas de maneira mais rápida são aquelas que possuem uma imaginação mais aguçada que
as outras, em média 15% da população mundial. O que vamos fazer aqui é um ensaio para descobrir o nível de
concentração e imaginação de vocês.”

Quando você utiliza um contexto assim, a pessoa acaba querendo se comprometer mais pois ela quer fazer parte
dessa parcela da população com imaginação mais ativa. Esse comprometimento e engajamento irão facilitar a ter
resultados melhores.

LIVROS E BALÕES
Essa técnica consiste em você fazer com que uma mão da pessoa segure livros pesados, ficando assim mais pesada,
enquanto que na outra são amarrados balões de gás hélio, deixando a mão leve e fazendo-a subir.

Peça para as pessoas posicionarem a mão mais forte, com a palma virada para cima, e a mão mais fraca, fechada, com
o polegar virado para cima. Isso pode ser feito tanto sentado quanto em pé. Depois, peça para as pessoas fecharem
os olhos, e veja o roteiro a seguir.

“Nós vamos trabalhar a sua imaginação agora! Você é destro ou canhoto (vamos supor que a pessoa seja destra)?
Destra, ótimo. Estique seus dois braços, por favor. Perfeito. Agora quero que você coloque a palma da sua mão direita
virada para cima. Ótimo! Agora feche, por favor, sua mão esquerda, e mantenha o polegar para cima. Isso! Pode
fechar os olhos. Quero agora que você imagine que eu estou com uma pilha de livros MUITO PESADA nas mãos. Eu
vou começar a pegar alguns, e vou coloca-los em cima da sua mão direita, e você vai perceber que começa a sentir o
peso, a textura do livro, de olhos fechados consegue visualizar bem esses livros em cima da sua mão e eles começam
a ficar cada vez mais pesados (toque a palma da mão fazendo pouca força para baixo, para aumentar a sensação de
peso). Agora estou com vários balões de gás hélio, aqueles que sobem bastante, de festas infantis. Vou começar a
amarrar vários em seu dedão da mão esquerda. Quanto mais balões eu amarro, mais você sente que sua mão começa
a ser puxada para cima (finja que está amarrando nos dedos dele, isso aumenta a experiência). Muito bem! E você
vai perceber que quanto mais eu falo com você, mais esses livros vão pesando, e mais leve fica a sua mão esquerda.
Agora eu vou pegar mais alguns livros e vou colocar em sua mão, e vai ficar ainda mais pesado! Estou colocando mais
balões também, e sua mão esquerda vai ficando cada vez mais leve! São livros bem grandes e pesados, tem mais de
400 páginas cada um, e vão pesando CADA VEZ MAIS. Vou pegar mais 30 balões e vou amarrar agora na sua mão e
ela vai ficando CADA VEZ MAIS LEVE, você começa a sentir ela sendo puxada cada vez mais para cima! Isso!”

Quanto mais descritivo você for, melhor a experiência, depois peça para a pessoa abrir os olhos e com certeza ela terá
tido alguma resposta, ficando muito surpresa e sendo inserida nesse loop.

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OLHOS COLADOS
Com essa rotina, você irá colar os olhos do sujeito através
de uma cola imaginária.

Veja o roteiro a seguir para entender como fazer a rotina.

“Feche seus olhos, por favor. Muito bem. Agora, imagine


que estou passando em seus olhos uma cola muito
poderosa, a cola mais poderosa que você conhece!
(foto - http://memorizacao.blogspot.com.br/2014/06/hipnose-olhos-colados.html)

(Passe de leve seus dedos polegares sobre cada uma das pálpebras do sujeito). Isso! Você está indo muito bem! Você
consegue ver essa cola escorrendo, sentir ela escorrendo, até ouvir o barulho dela! Em algum momento farei uma
contagem de 1 até 5, quando chegarmos no 5, seus olhos estão completamente colados e você vai tentar abrir eles,
mas não vai conseguir.

1! Vou passando mais cola e esses olhos vão colando cada vez mais... (mantendo os olhos do sujeito fechados,
empurre a sobrancelha para cima)

2! Vão colando cada vez mais, cada vez mais grudados (empurre novamente a sobrancelha)

3! Ainda mais grudados! (empurre novamente a sobrancelha)

4!! Completamente colados!! Quanto mais força faz, mais colado fica! (empurre novamente a sobrancelha, trabalhe o
aumento do tom de voz número a número).

5!!!! Seus olhos estão completamente colados! Tente abrir esses olhos em conseguir! Isso!”

Veja um discurso para caso a pessoa abra os olhos.

“Percebi que, alguns de vocês, ao conseguir abrir os olhos, sentiram um ar de vitória. Lembrem-se que não existe uma
batalha mental entre eu e vocês, muito pelo contrário, eu só quero demonstrar como a mente de vocês é poderosa.
Tenho conhecimento que existe uma voz dentro da cabeça de vocês que possa estar falando “isso é bobeira” ou “não
vai funcionar comigo”. Essa voz é uma crença limitadora, que te impede de fazer as mesmas coisas todos os dias,
dificultando assim que algo novo aconteça. Tente desligar essa voz e você vai realmente perceber como pode se abrir
a novas experiências e descobrir todo o poder da sua mente.”

DEDOS MAGNÉTICOS
Essa rotina consiste na pessoa sentir que existem imãs nos dedos que os fazem
se atrair.

Peça para o sujeito juntar as mãos e entrelaçar os dedos, como se estivesse


orando, e com os polegares cruzados. Observe o roteiro:

“Junte os pés. Isso! Agora, por favor, junte suas mãos e entrelace seus dedos,
como se estivesse orando, com os polegares cruzados para cima. Ótimo! Veja
que seus dedos estão separados, quero que você se concentre no espaço entre (Foto - https://www.youtube.com/watch?v=_bFeXpblWAQ)
eles e não tire o olho desse espaço!

Imagine agora que estou colocando dois imãs muito poderosos que se atraem em cada um desses dedos! Imagine
e sinta a força magnética desses imãs Você percebe que a força gerada por eles é irresistível, e que seus dedos
começam a se atrair. A medida que esses dedos se aproximam, você sente que essa força fica CADA VEZ MAIS
FORTE! Isso!

Seus dedos vão se aproximando, cada vez mais, e mais... Eles se aproximam até eventualmente se tocarem. Você vai
perceber que agora que esses dedos se juntaram, eles estão completamente colados. Tente soltar, mas não consegue!
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Tenta soltar! Muito bem! “Quando eu estalar meus dedos, essa cola some, mas algo muito mais incrível acontece...”.

Caso você perceba que os dedos do sujeito descolaram, você repete que eles estão sendo atraídos pelos imãs, o
importante é manter o sujeito no loop hipnótico com a sensação de que está tudo dando certo.

MÃOS COLADAS
Essa rotina consiste em você colar as mãos da pessoa. Ela pode ser
feita tanto de olhos abertos quanto olhos fechados, o exemplo a seguir
vamos descrever ela sendo feita com os olhos fechados.

Peça para a pessoa juntar as mãos, entrelaçando os dedos e esticada


para frente. Depois disso, peça para ela inverter as mãos para fora, e
manter uma altura boa dos braços, como a imagem ao lado: (foto - http://www.manualdomentalista.com/2016/04/tag-rotina-
-2-maos-colada-com-fisiologia.html)

“ Quero que você junte suas mãos, assim (mostre para a pessoa). Muito
bem! Agora, vire ela assim (mostre novamente). Ótimo. Quero que agora por favor você feche seus olhos.

Vou pegar aqui uma cola super poderosa, a cola mais poderosa que você conhece, e vou passa-la em suas mãos
(simule que esta passando). Agora, você vai conseguir ver essa cola escorrendo pelos seus dedos, você vai sentir o
calor dessa cola, você consegue até mesmo sentir o cheiro dessa cola, que vai colando essas mãos cada vez mais.
Você consegue até mesmo ouvir o barulho dessa cola saindo e escorrendo por essas mãos, colando CADA VEZ MAIS.

Em algum momento farei uma contagem de 1 até 5, e somente no 5 você vai tentar soltar essas mãos, mas não vai
conseguir porque elas estarão completamente coladas!

Um! Vou passando mais cola e você vai sentindo essas mãos colarem cada vez mais (simule passando a sua mão na
da pessoa, como se estivesse pincelando cola)

Dois! E essa cola vai secando, e essas mãos vão grudando cada vez mais! (abane um pouco a mão da pessoa,
aumenta a experiência)

Três! Essas mãos já estão completamente coladas, como se fossem duas barras de ferro soldadas uma na outra!

Quatro! Quanto mais estica o braço, mais colado fica (estique o braço da pessoa, esse movimento dificulta ainda mais
para ela conseguir soltar as mãos)

Cinco! Tenta soltar, mas não consegue! Tenta, mas não consegue! Quanto mais força faz, mais colado fica!

Muito bem! Quando eu estalar meus dedos, essa cola some, mas algo mais incrível irá acontecer...!”

BOLINHA HIPNÓTICA
Com essa pseudo hipnose, você irá fazer a pessoa sentir que tem duas bolinhas de papel na mão ao invés de uma,
mesmo que ela veja uma, ela sentirá duas. Técnica adequada para fazer com pessoas resistentes. Pegue um pedaço
de papel pequeno e faça uma bolinha. Peça para a pessoa verificar que tem somente uma bolinha, e peça para o
sujeito colocar a palma da mão direita ou esquerda virada para cima. Posicione a bolinha na mão dele, com ele vendo,
e peça para ele fechar os olhos.

“Imagine agora que na palma da sua mão, existem a partir de agora duas bolinhas. Visualize essas bolinhas, imagine
como seria sentir o contato da palma da sua mão com duas bolinhas. A partir de agora, toda vez que você tocar a
bolinha com os dois dedos da mão posicionados lado a lado, você sentirá uma bolinha, mas quando você cruzar esses
dedos e tocar essa bolinha, você irá sentir duas bolinhas Muito bem, pode abrir os olhos!”

Você pode permitir que ela olhe para seus olhos ou não. Posicione os dois dedos em paralelo em cima da bolinha e
pergunte quantas bolinhas ele sente. A resposta será uma. Peça para ele cruzar os dedos, e faça a pessoa tocar a
bolinha com o espaço que fica entre a ponta dos dois dedos. Ajude-a a movimentar os dedos cruzados nessa região e
pergunte o que ela sente. Ela ficará impressionada e irá dizer que sente duas bolinhas. Permita que ela olhe as mãos e

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se impressione com o fato de ter somente uma. Com isso, você irá colocar a pessoa no loop hipnótico de maneira mais
fácil, podendo dar segmento a hipnose.

O QUE FAZER DEPOIS DAS PSEUDOS?


Se você percebeu que a resposta a pseudo hipnose foi boa, e a pessoa colou as mãos, por exemplo, você pode falar
que você irá estalar os dedos, aquelas mãos vão descolar, mais algo mais incrível irá acontecer. A cola agora está nos
pés! Ai você pede para a pessoa tentar andar, mas sem conseguir. Se a pessoa colou os pés, ela já está totalmente
preparada para ser hipnotizada pois os pés não envolvem fisiologia. Você pode ainda colar a mão dela na cabeça, tirar
a voz dela ou até deixá-la gaga nesse estado, além de proporcionar algum tipo de amnésia, como esquecer o nome.

CAPÍTULO 6
INDUÇÕES
“Os três requisitos para a hipnose são: (1) o consentimento do sujeito; (2) A comunicação entre o operador e o sujeito,
e (3) a libertação do medo ou relutância por parte do sujeito de confiar no operador. Uma vez que estes são os únicos
requisitos, é óbvio que esses autores estão errados quando dizem que qualquer técnica de fixação ocular específica,
por exemplo, é a única maneira confiável para induzir o transe. Na realidade, não existe um limite para o número de
técnicas que podem ser utilizadas para desencadear a resposta desejada; pode-se dizer que não há nenhuma maneira
em que você não pode hipnotizar uma pessoa, uma vez que você sabe como utilizar sugestão.”

Dave Elman

Induções nada mais são que sugestões, mas que só funcionam se existir o engajamento do sujeito a ser hipnotizado.
Quando pensamos na indução de Dave Elman, por exemplo, é um processo que contêm diversas sugestões de
relaxamento. Se lembrarmos sobre a homoação, a sugestão vai ficando mais forte a medida que ela for sendo repetida.
Todas essas sugestões de relaxamento vão potencializando o engajamento do sujeito, possibilitando a ele a aceitação
de sugestões mais complexas (heteroação). A importância também é a expectativa gerada pela indução.

Existem incontáveis formas de se induzir a hipnose, alguns métodos mais lentos, outros mais rápidos. todos buscando
levar o sujeito a um estado de concentração.

As induções se baseiam em principios como quebra de padrão (algo que vocês esperava que acontecesse de uma
maneira, por um padrão, mas acontece de outro), choque (algo inesperado), cansaço ócular (famosos pêndulos) e
confusão mental (mente sobrecarregada por informações gerando uma confusão).

Algo importante de se entender é que não é necessária uma indução formal para se obter respostas as sugestões
hipnóticas. Como citado anteriormente, nem mesmo o estado de transe é necessário. A indução muitas vezes acaba
aumentando a expectativa do sujeito, se tornando um processo ritualístico.

O FALSO APERTO DE MÃO DE DAVE ELMAN


Durante todo o processo, peça para o sujeito olhar diretamente nos seus olhos. Essa indução consiste em três apertos
de mão antes de induzir ao transe, confira o roteiro a seguir.

"Olhe diretamente para meus olhos, enquanto você olha para eles, vou apertar sua mão três vezes. Na primeira, seus
olhos ficarão cansados, mas não os feche ainda. Na segunda, eles ficarão ainda mais cansados, mas resista e não os
feche. Sinta o relaxamento e o cansaço. Na terceira vez, eu vou falar a palavra “DURMA”, você irá fechar os seus olhos
e irá relaxar cada vez mais, sentindo-se muito bem.

(Mantenha os olhos de maneira fixa no sujeito, aperte sua mão e diga)

Um... seus olhos vão ficando cansados...

(Solte a mão do sujeito, desvie o olhar por alguns instantes para depois retomá-lo, assim forçando-o a prestar mais
atenção no momento em que o olhar voltar a ser fixado. Aguarde uns dois segundos, fixe novamente o olhar, aperte
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novamente a mão do sujeito e diga)

Dois... seus olhos estão ficando ainda mais cansados... e começam a piscar

(No momento em que o sujeito piscar, acompanhe e conduza)

Isso... vão piscando mais e mais...

(Solte a mão do sujeito e desvie novamente o olhar. Aguarde uns três segundos, aperte novamente a mão do sujeito e
diga enquanto da o aperto de mão)

Três... Olhe fixamente nos meus olhos

(No momento em que o sujeito estabelecer contato com seus olhos, diga)

DURMA!!"

(Nesse momento do DURMA, puxe de maneira rápida o braço do sujeito em sua direção. O sujeito entrará em "transe",
seu corpo tombará para frente na direção do seu peito, esteja preparado para ampará-lo.)

O FALSO APERTO DE MÃO DE RICHARD BANDLER


Essa técnica consiste numa quebra de padrão. Estamos acostumados a cumprimentar as pessoas através de um
aperto de mão. O sujeito espera ser cumprimentado, mas o hipnotista o surpreende iniciando a indução que leva a mão
da pessoa de encontro ao seu próprio rosto. Quando esse padrão é quebrado, a porta para o transe se abre. Veja o
roteiro a seguir.

Finja que vai cumprimentar o sujeito através de um aperto de mão, pegue a mão dele e levante-a em direção de seu
rosto.

"Olhe a sua mão, observe as linhas dela, escolha um ponto fixo e continue olhando para ele. Você vai perceber que
enquanto essa mão se move em direção ao seu rosto, como se fossem imãs, e que seus olhos vão começar a mudar
o foco. Você vai perceber que essa mão vai se aproximando cada vez mais do seu rosto, e sua vista vai ficando mais
cansada. Quando essas mãos tocarem sua testa e eu falar a palavra DURMA, você irá fechar os olhos e relaxar, e esse
braço vai poder abaixar devagar, completamente relaxado."

A medida que a mão do sujeito for se aproximando, vá observando a resposta ocular, quando as mãos chegarem perto
da testa, de o comando DURMA e já parta para o aprofundamento.

ESPIRAL
Essa técnica consiste em criar um cansaço ocular. Confira o roteiro.

"Olhe fixamente para o meu dedo. Você vai perceber que ele vai começar a se mover. Acompanhe o movimento
somente com seus olhos, sem mover o pescoço.

Enquanto seus olhos vão acompanhando meu dedo, você vai começar a sentir vontade de fecha-los, vai se sentir com
sono e relaxado...

(Vá percebendo a resposta ocular, quando começar a piscar)

Isso, seus olhos vão piscando, mais e mais...

(Faça o movimento da espiral mais devagar em cima e mais rápido embaixo, pois a vista cansa mais quando se olha
para cima)

Quanto mais você pisca os olhos, fica cada vez mais difícil de mantê-los abertos... Seus olhos vão fechando cada vez
mais.

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(Observe o movimento das pálpebras, quando elas estiverem vibrando e a visão do sujeito ficar turva, de o comando
DURMA e faça em seguida o aprofundamento.)"

HAND DROP
Essa é uma indução de choque. Quando uma pessoa está encurralada, ela tem três opções: atacar, fugir ou congelar.
O congelamento é um recurso inato que dá às presas a possibilidade de fingir sua própria morte, evitando ataques.
Nós seres humanos também temos esse mecanismo de fuga. A indução de choque cria esse rápido congelamento,
abrindo a porta do transe.

O hand drop é uma indução muito poderosa, mas, como toda indução de choque, atente-se se o sujeito não possui
qualquer problema nas mãos ou braços. Confira o roteiro a seguir.

Peça para a pessoa sentar-se em uma cadeira, enquanto você se senta em outra cadeira como se ficasse de frente
para o lado esquerdo ou direito da pessoa. Posicione sua mão com o cotovelo em sua perna, e a palma da mão virada
para cima. Peça para o sujeito pressionar sua mão para baixo enquanto olha fixamente para algum ponto.

"Isso, agora pressione mais forte... MAIS FORTE... você tem mais força que isso, MAIS FORTE."

Quando perceber que a pessoa está bastante concentrada e fazendo bastante força, solte sua mão e diga imediatamente
DURMA. Aprofunde em seguida e ampare o sujeito se necessário.

MÃOS MAGNÉTICAS
Nós, da Porta da Mente, gostamos muito de usar essa indução para quando hipnotizamos grupos de pessoas ao
mesmo tempo. Ela gera uma expectativa bacana de quem está ao lado da pessoa que já entrou em transe.

Você pode fazer essa indução de pé ou sentado, mas lembre-se de dar instruções de segurança de que a pessoa deve
ficar firme. Veja o roteiro a seguir.

"Coloque suas duas mãos, uma paralela a outra, esticadas, com as palmas das mãos abertas e voltadas uma para a
outra. Muito bem. Agora quero que você imagine como se suas mãos fossem imãs que se atraem. Muito bem! Agora
fique observando fixamente o espaço entre suas mãos.

Somente quando as suas mãos se juntarem e eu falar a palavra DURMA, você vai fechar os olhos e relaxar
completamente! Respire profundamente, e perceba como esses imãs se atraem cada vez mais.

Essa atração vai ficando mais forte... mais forte.. vão ficando cada vez mais próximas"

(Quando você perceber que as mãos estão quase juntas, com as suas mãos, junte você as palmas das mãos dele num
movimento ágil, como se o ajudasse a bater uma palma, e diga DURMA. Faça o aprofundamento em seguida.

ARM PULL
Essa é uma indução muito usada e ela tem um efeito visual muito bacana. Lembre-se de só usar se tiver certeza de
que o sujeito não possui problemas nos ombros, apesar de ser um tranco bem leve, é melhor sempre se precaver. A
responsabilidade da pessoa hipnotizada é sempre sua.

Observe o roteiro a seguir.

"Olhe fixamente para esse ponto (pode ser seus olhos, ou testa). Em algum momento eu vou falar a palavra “DURMA”,
e darei um leve puxão no seu braço. Quando isso acontecer, você vai fechar os olhos, abaixar o queixo e relaxar
completamente.

(Pegue a mão do sujeito, como se fosse cumprimenta-lo)

Isso, continue olhando fixamente para meus olhos... Muito bem. Respire profundamente...

(Observe a reação ocular do sujeito, se perceber que ele está bastante concentrado e que os olhos começam a cansar,
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puxe o braço dele e de o comando DURMA. Aprofunde em seguida.)."

ARM PULL + ESPIRAL


Essa técnica consiste em juntar as duas induções, deixando o potencial delas ainda maior. Você irá fazer como se fosse
um arm pull, mas ao invés de pedir para o sujeito olhar fixamente para seus olhos, você vai pedir para ele acompanhar
o seu dedo sem mover o pescoço, assim como a espiral. Quando você perceber o cansaço ocular da pessoa, de o
comando DURMA e já inicie o aprofundamento.

QUALQUER COISA PODE SER UMA INDUÇÃO


Algo importante de se entender aqui é que qualquer coisa pode virar uma indução, se utilizado os mesmos princípios
ensinados, seja quebra de padrão, cansaço ocular, choque. Use sua criatividade e crie a sua!

INDUÇÃO DE DAVE ELMAN


Você está pronto para ser hipnotizado? Toda hipnose é auto hipnose. Se você seguir as minhas instruções, que são
simples, você conhecerá o que é ser hipnotizado. Você pode resistir se quiser, mas não foi por isso que você veio aqui.
Apenas siga minhas instruções simples e você estará prestes a desfrutar de uma agradável e relaxante experiência.

Primeiro, deixe os seus braços bem relaxados sobre as suas pernas. Tão relaxados que ficarão imóveis. Agora, eu
quero que você olhe para a minha mão, fixe o seu olhar no meu dedo mindinho. Em breve eu vou te pedir que respire
longa e profundamente e que prenda esse ar por alguns segundos, então passarei a minha mão na frente dos seus
olhos e nesse momento você soltará o ar suavemente relaxando todo o seu corpo nesse momento e seguindo o meu
dedo com os olhos. Como eu vou passar a minha mão na frente dos seus olhos para baixo, você fechará as suas
pálpebras alcançando um grande grau de relaxamento.

Agora respire longa e profundamente e segure o ar por alguns segundos.

Agora estou passando a mão na frente dos seus olhos, suas pálpebras vão fechando nesse momento e deixe sair toda
a tensão do seu corpo. Deixe o seu corpo relaxar tanto quanto for possível agora.

Agora coloque a atenção nos músculos dos seus olhos e relaxe todos os músculos e nervos em torno de seus olhos, a
ponto de eles não funcionarem mais. Enquanto você estiver com esse relaxamento, suas pálpebras não funcionarão.

Tudo bem, muito bem. Agora vamos ir mais fundo com cada respiração que você faz. Cada vez mais profundo e
relaxado.

Esse relaxamento que você tem em suas pálpebras é o mesmo relaxamento que eu quero que você tenha em todo
o seu corpo então deixe que se espalhe do topo da sua cabeça para a ponta dos pés como uma onda quente de
relaxamento.

Agora nós podemos aprofundar esse relaxamento muito mais. Em um momento, eu vou te pedir que abra os seus olhos
e quando você fechar os seus olhos, basta ir 10 vezes mais profundo nesse relaxamento. Tudo o que você tem a fazer
é desejar que isso aconteça você pode deixar isso acontecer com muita facilidade.

Agora, abra os olhos... Agora, feche os olhos e deixe que seu corpo vá 10 vezes mais profundo no seu relaxamento. Use
sua imaginação maravilhosa e imagine seu corpo inteiro coberto e envolvido em um cobertor quente de relaxamento.

Agora nós podemos aprofundar esse relaxamento muito mais. Em um momento, eu vou te pedir que abra e feche os
seus olhos mais uma vez e quando fechar os seus olhos deixe seu corpo ter o dobro de relaxamento.

Abra os olhos... Agora, feche os olhos e relaxe todo o seu corpo... Cada músculo do seu corpo vai ficando tão relaxado
que nesse momento eles param de funcionar e só descansam.

Em um momento, eu vou te pedir que abra e feche os seus olhos mais uma vez e quando fechar os seus olhos faça o
seu relaxamento ir duas vezes mais profundo.

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Agora mais uma vez, abra os olhos... Agora, feche os olhos e relaxe todo o seu corpo... Cada músculo do seu corpo vai
ficando tão relaxado que nesse momento eles param de funcionar e só descansam.

Em um momento, eu pegarei a sua mão direita pelo punho e a largarei. Se você seguiu minhas instruções até este
ponto, sua mão estará tão relaxada que cairá facilmente como um pano de prato molhado. Quando sua mão cair, eu
quero que você envie uma onda de relaxamento do topo da cabeça até a ponta dos seus pés.

Agora vou levantar sua mão direita. Basta deixá-la cair bem relaxada e relaxe mais o seu corpo, muito bem.

Agora vamos repetir isso com a sua mão esquerda. Eu pegarei a sua mão esquerda pelo punho e a largarei. E quando
eu largar, sua mão estará tão relaxada que cairá facilmente como um pano de prato molhado. Quando sua mão cair,
eu quero que você envie uma onda de relaxamento do topo da cabeça até a ponta dos seus pés e duplique o seu
relaxamento.

Agora vou levantar sua mão esquerda. Basta deixá-la cair bem relaxada e relaxe mais o seu corpo, muito bem.

Agora, esse é o relaxamento físico completo. Eu quero que você saiba que há duas maneiras de uma pessoa relaxar.
Você pode relaxar fisicamente e você pode relaxar mentalmente. Você já provou que pode relaxar fisicamente. Agora,
deixe-me mostrar-lhe como relaxar mentalmente.

Em um momento, eu vou pedir que comece uma contagem regressiva, lenta e em voz alta de 100, como esta:

100, mais relaxado...

99, mais relaxado...

98, mais relaxado...

E aqui está o segredo para o relaxamento mental, a cada número que você diz, deixe a sua mente relaxar. A cada
número que você diz, deixe sua mente tornar-se duas vezes mais relaxada. Agora, se você fizer isso, quando você
chegar ao número 96, ou talvez ainda mais cedo, sua mente vai se tornar tão relaxada que você terá realmente
esquecido todos os números que vierem depois dele.

Tudo bem, comece a contagem:

100, mais relaxado... (esses números vão se afastando)

99, mais relaxado... (permita que todos esses números desapareçam)

98, mais relaxado... (agora eles terão ido embora, dissipe-os)

97, mais relaxado... (elimine-os, empurre-os para fora. Faça acontecer. Amnésia completa de todos os números)

Eu sei como você está relaxado, mas mesmo no seu estado relaxado, aposto que você sente em sua própria mente que
existe um estado de relaxamento abaixo do que você está no momento. Pode sentir isso? (resposta do cliente: “sim”)

Você sabe que você pode apertar seu punho e torná-lo mais e mais e mais apertado, isso você pode chamar de altura
de tensão. E você pode relaxar o punho de tal maneira que não poderá relaxar mais nada e ele ficará imóvel, isso você
pode chamar de porão do relaxamento. Vou tentar levá-lo para o porão.

Para começar o 3° piso, você tem que relaxar o dobro do que você já fez até agora. Para ir para o 2° piso, você tem que
relaxar o dobro do que já fez no 3° piso e para ir para o 1° piso, você tem que relaxar o dobro do que você relaxou no
2° piso, mas quando você chegar ao 1° piso, você estará no porão do relaxamento e nesse momento você dará sinais
que eu serei capaz de perceber e dizer que você está no porão. Você não sabe que sinais são esses e eu não vou dizer
quais são, mas cada pessoa que já tenha estado nesse porão emite esses sinais. Vamos começar.

Você vai correr até um andar para um elevador imaginário e você vai usar esse elevador para descer ao porão do
relaxamento. Agora você está no elevador. Quando eu estalar os dedos, o elevador vai começar a funcionar. Se você
relaxar duas vezes o quanto já relaxou até agora, você irá para baixo, para o 1° piso. Diga-me quando estiver no 3°
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piso falando o número 1 em voz alta.

(Estalar os dedos) O elevador está indo para baixo...agora.

(Espere uma resposta)

(Estalar os dedos) Continuando para baixo, para o 2° piso...agora.

(Espere uma resposta)

(Estalar os dedos e atenção aos sinais de profundidade)

Teste 1: Anestesia

Se você estiver certo de que o paciente está no 1° piso, sem dar qualquer tipo de sugestão de anestesia, pegue
um objeto e faça um teste para ver se ele está anestesiado. Não utilize sugestões para isso, se for necessário dar
sugestões para a anestesia hipnótica, o paciente não está em estado de coma.

Teste 2: Movendo um braço

Peça para ele tentar mover um grande grupo de músculos, como um braço. Se ele for incapaz de mover esses
músculos, ele está pronto para a terceira prova.

Teste 3: Abrindo os olhos

Este deve envolver um pequeno grupo de músculos, tais como aqueles em torno dos olhos. Peça a ele para tentar
abrir os olhos. Se ele faz, ele não está no estado de coma e você deve levá-lo a um novo relaxamento até que os
músculos oculares não funcionem. No sonambulismo, quando o cliente tentar abrir os olhos, você verá um movimento
dos músculos, porém os olhos não se abrem. Mas no estado de coma, aqueles pequenos músculos não funcionam e
você não vê qualquer movimento.

Teste 4: Catatonia

A catatonia pode ser obtida no mais leve estado da hipnose, portanto, ele não significa nada a não ser que seja o quarto
teste feito no estado de coma. Quando um cliente passa por todos esses testes na ordem exata, você tem a certeza de
que alcançou o verdadeiro coma hipnótico e pode avançar a partir daí. Em seu ensaio para catatonia, não devem ser
dadas sugestões, ela deve chegar lá, por si só, sem qualquer sugestão.

LIDANDO COM AS POSSIBILIDADES:

• O sujeito abre os olhos no teste

Diga: “Não, você está testando para garantir que eles irão funcionar. Quero que teste só quando tiver certeza que não
irão funcionar.”

Se reparar que o sujeito está com medo ou nervoso, o recomendado é falar: “Neste momento, nessa situação, você não
está relaxando, ou concentrando por algum motivo, isso é algo normal, todo mundo passa por isso, às vezes. Talvez em
outro momento ou situação fosse mais adequado para você”, então escolha outro sujeito. Ou você pode querer eliminar
os medos e nervosismo do sujeito, conversando. Essa última opção só é recomendada se não houver mais pessoas
esperando para serem hipnotizadas, ou esperando pelo sujeito, pois seria entediante para elas.

• Braço do sujeito não está relaxado

Aqui é necessário explicar e demonstrar como é deixar o braço completamente mole, com os músculos desligados. Em
raros casos, o sujeito não relaxa o braço nesse ponto, pode-se usar até um relaxamento progressivo rápido, para tentar
conseguir esse relaxamento (apenas em último caso).

• O sujeito não para de contar ou os números não somem

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É importante que você não pare de dar as sugestões de forma direta, falando que eles (os números) somem. Uma
frase interessante que Elman usava era: “Espere que eles sumam, permita que eles sumam e os façam sumir.” Essa
frase deixa claro para o sujeito que o controle está com ele, e que os números precisam sumir. Se ainda não sumirem,
levante o braço do sujeito e diga que quando soltar os números terão ido embora (explicado no vídeo complementar).

Se mesmo assim, não sumirem nesse ponto, o que é bem raro, continue explicando que é algo que depende dele, e
não de você, então tente criar amnésia de outra coisa como o número de telefone ou endereço dele.

Um erro muito comum entre iniciantes, ao invés de falar que os números sumirão no 97 ou antes, por causa da
insegurança, falam que sumirão quando chegar no 90. Em geral, isso não atrapalha, mas certamente aumentará o
tempo da indução sem nenhum benefício. Porém, algumas vezes, por ser uma contagem mais longa, é mais difícil que
os números sumam, pois já falaram dez números, ao invés de um ou dois.

Outra dica é falar “Pode parar de contar, respire fundo, assopre para longe, eles sumiram? Não? Respire novamente,
assopre para bem longe, eles foram embora?” Se os números ainda sim não tiverem sumido, responda “Não tem
problema neles não importam mais, não precisa mais contar (quebra de padrão).”

Lembre-se que um dos pontos mais importantes dessa indução é você analisar as respostas que o sujeito te dá. Você
sempre irá utiliza-las a seu favor. Entenda como suas palavras são interpretadas pela pessoa.

CAPÍTULO 7
APROFUNDAMENTO
O aprofundamento serve como sugestões de reforço para o relaxamento já proposto (homoação). O grande segredo
para manter a pessoa aceitando mais sugestões, é mantendo-a engajada e potencializando as sugestões que estão
funcionando (relaxamento).

Existem diversas maneiras de se fazer esse aprofundamento, como por exemplo através de metáforas ou com
sugestões diretas. Veja alguns exemplos

ESCADAS: Imagine agora que você está no topo de uma escada com 10 degraus, e a cada número que eu conto
você desce um degrau, aumentado cada vez mais seu nível de relaxamento... 10... cada vez mais relaxado... 9... você
sente seu corpo cada vez mais relaxado... 8... quanto mais você respira, mais relaxado você fica... 7.. você vai perceber
que cada degrau que desce esse relaxamento vai ficar duas vezes maior... 6... 5... você está indo muito bem, você
vai perceber que no próximo degrau irá atingir um nível de relaxamento que nunca atingiu antes... 4... cada vez MAIS
RELAXADO... 3... 2... quando chegarmos no 1 você irá estar com o corpo completamente desligado e relaxado... 1...
completamente relaxado!

ELEVADOR: (Certifique-se de ter certeza que a pessoa não tem fobia de elevador ou de lugares fechados): imagine
agora que você está em um elevador de 5 andares, cada andar que ele desce faz você relaxar cada vez mais... agora
você está no quinto andar, e ele agora vai até o quarto, cada vez mais relaxado! Está chegando agora no terceiro andar,
duas vezes mais relaxado! Segundo andar... e finalmente, você chega no primeiro andar, que é o estado mais profundo
de relaxamento da sua mente, onde você consegue atingir qualquer objetivo, onde tudo é possível! Muito bem!

CONTAGENS: Você irá fazer contagens diretas, sem metáforas. Vou contar de 1 até 5, e a cada número você vai
perceber que seu corpo irá relaxar cada vez mais. 1! Mais relaxado... 2! Cada vez mais relaxado... 3! Esse relaxamento
está duas vezes maior! 4! Ainda mais relaxado! 5! Completamente relaxado!

LOOP DE APROFUNDAMENTO: Você irá criar situações que causam efeitos. Quanto mais você respira, melhor
você se sente, quanto melhor você se sente, mais você relaxa, e quanto mais você relaxa, mais você respira. Isso irá
criar um loop de eventos, mantendo a pessoa cada vez mais relaxada.

TOQUE DE QUEBRA DE TENSÃO: Com seu braço posicionado no ombro da pessoa, a medida que for
fazendo contagens, de um pequeno tranco para baixo com seu braço no ombro da pessoa, estalando os dedos. Faça

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isso nos dois ombros. Esse toque ajuda a pessoa a sentir que está relaxando cada vez mais. Certifique-se de que a
pessoa não possui problemas nos ombros.

FRASES IMPORTANTES:

“Quanto mais você escuta minha voz, mais relaxado você fica”

“Mais profundo, mais relaxado”

“Quanto mais você respira, mais relaxado fica”

Lembre-se sempre de dar comandos de segurança. “Você irá permanecer com o corpo bem firme”.

MATA LEÃO (POR JHEYSON MARCILIO): Um aprofundamento muito efetivo, criado pelo hipnoterapeuta
Jheyson Marcilio. Veja o roteiro.

“Agora eu quero que você sinta um sentimento muito bom dentro de você. Pode ser uma paz, uma alegria, um bem-
estar ou simplesmente esse relaxamento que você está sentindo. Agora, imagine esse sentimento se espalhando pelo
seu corpo, como uma onda quente. Ele vai ficando mais intenso e se espalha, envolvendo o seu corpo, como se você
tivesse num mar de sentimentos bons. Você vai se sentindo cada vez melhor, relaxando ainda mais a medida que as
ondas sobem e descem (acompanhar respiração). Você percebe agora, que consegue mergulhar nesse mar e quando
você faz isso, os sentimentos bons ficam ainda mais intensos. Quanto mais você mergulha, mais profundo você vai e
quanto mais profundo você vai, mais intenso ficam os sentimentos bons e melhor você se sente. Você vai mergulhando,
aprofundando, sentindo seu corpo afundar e ficar cada vez mais pesado. Lá no fundo agora, você vê uma luz muito
intensa e bonita. É a luz da sua mente. Quando você chegar nessa luz, você vai ter acesso total a sua mente. Vai ter
acesso ás suas lembranças, seus sentimentos, suas memórias e emoções. Vai poder estar no controle de tudo. 3 mais
próximo da luz. 2 já pode quase tocar a luz e 1, você está todo envolto nessa luz. E você percebe agora, que pode
mergulhar ainda mais profundo nessa luz. A medida que você mergulha, você tem acesso a lembranças ainda mais
antigas, a memórias enterradas, a sentimentos ainda mais intensos. A medida que você aprofunda, você sente que sua
mente pode reproduzir qualquer sensação, qualquer sentimento e você vai aprofundando ainda mais. Vai bem profundo
nessa luz...”

APROFUNDAMENTOS PERSONALIZADOS: Vai acontecer de você ter clientes que não estão aprofundando
bem com os aprofundamentos tradicionais. Um exemplo real que vivi, o cliente não aprofundava bem com nada que eu
fazia, então eu vi algo que o relaxava, que era andar em sua Harley (moto). Usei isso para criar um aprofundamento
personalizado, e ele conseguiu responder bem a hipnose após isso, conseguindo ter um relaxamento bastante profundo.
Esteja atento as informações colhidas na anamnese e utilize tudo a seu favor.

SUPER SUGESTÃO: Assim que você perceber que o "transe" está estabilizado e já tiver instalado um signo sinal,
você pode dar a sugestão “e a partir de agora, tudo que eu falo pra você torna-se verdade absoluta, não porque eu
quero, mas porque sua mente é incrível”. Com essa sugestão, você consegue começar a fazer as rotinas de brincadeira
com muito mais agilidade

ANCORAGEM
Âncoras são estímulos condicionados que fazem as pessoas terem respostas condicionadas das mais diversas,
podendo ser comportamentais, emoções ou até pensamentos. Existem âncoras que são compartilhadas culturalmente,
como o aperto de mão, por exemplo.

Nossa vida é cheia de âncoras, uma música, cheiro, que te lembra uma pessoa. Um lugar que te traz sensações boas
ou ruins.

Âncoras podem ser instaladas através do toque, estalar de dedos, movimento das mãos, gestos, posturas corporais, voz,
ou outros estímulos. É um processo que acontece o tempo todo, e pode ser induzido através da hipnose, resgatando, por
exemplo, sensações de um dia em que a pessoa teve alguma conquista importante e sentiu-se realizada, e ancorando
essa sensação num toque de ombro, por exemplo. Com isso, basta a pessoa fazer o gesto ancorado para resgatar
aquela sensação. Quanto mais ela usar, mais forte a Âncora irá ficar.

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Durante todo o processo de terapia instalamos diversas âncoras, como a sensação da ponte para futuro, gatilho de
auto-hipnose, controle de ansiedade, entre outros.

SIGNO SINAL

Nada mais é que uma sugestão de "reindução", através de um comando. Um exemplo:

“Toda vez que eu estalar meus dedos e falar a palavra “DURMA”, você vai entrar nesse estado que você está agora de
maneira instantânea, só que em um relaxamento ainda mais profundo do que o que você está agora. “

Teste o comando, caso necessário, reforce, ele assim torna a palavra “durma” uma âncora de induzir a pessoa ao
estado hipnótico, acessando aquele relaxamento instantaneamente.

CAPÍTULO 8
HIPNOSE DE RUA
A hipnose de rua é extremamente importante para você adquirir prática na hipnose. Por mais que seu interesse possa
ser a hipnose clinica, você não vai treinar hipnose fazendo tratamentos.

Através da hipnose de rua, você pode praticar e aprimorar suas técnicas, adquirindo assim confiança para conseguir
hipnotizar qualquer pessoa no âmbito clinico.

Não existe uma regra com relação a como dar sugestões. Lembre-se sempre da homoação e heteroação. Reforce as
sugestões que funcionarem bem para ir dando outras mais complexas. O importante é você começar com sugestões
mais simples e ir observando as respostas, além de prestar atenção se a pessoa é mais auditiva, cinestésica ou visual.
Se estiver fazendo hipnose de rua, lembre-se de consultar o guia de bolso e as rotinas no aplicativo Porta da Mente

Ordem de sugestão:

1) Colar mãos

2) Colar pés

3) Tirar a voz

4) Fazer Rir/ Sentir tristeza

5) Amnésia de Nome

6) Troca de nome

7) Amnésia de número

8) Pinicada no bumbum

9) Sentir cheiro bom/ruim

10) Sentir frio/calor

11) Sabores/cheiros

12) Cor da camiseta muda

13) Ver ídolo

14) Troca de personalidade

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15) Fazer alguém ou algo sumir

Veja abaixo algumas rotinas mais detalhadas que você pode usar na hipnose de rua ou palco. Vale ressaltar que todas
elas estão no aplicativo Porta da Mente.

1. A Pessoa mais Inteligente do mundo – A partir de agora, você é a pessoa mais inteligente do mundo. Você pode
responder qualquer pergunta que fizerem pra você.

2. Alien – Você é um alien de outro planeta, mas você aprendeu português (ou, também, você só fala a língua do seu
planeta, e entende o português).

3. Amarrando os sapatos – Diga aos sujeitos que eles não podem amarrar os sapatos, não importa o quanto eles
tentem.

4. Banda Marcial – Afirme que todos estão numa banda marcial. Você dirá para todos marcharem ao redor do palco/
teatro/rua.

5. Bocejar – Na contagem de 3 a 1 todos vocês vão começar a bocejar. Vocês não serão capazes de parar de bocejar
até que você veja alguém na plateia bocejar. Quando você vir alguém bocejando na plateia, então você vai dormir.

6. Boneco de neve – Na contagem de 3 a 1 vamos todos levantar e começar a fazer um boneco de neve.

7. Braço flutuando – Seu braço direito agora está flutuando no ar. Enquanto você empurra seu braço direito para
baixo, o braço esquerdo flutua para cima.

8. Braço rígido – Estenda seu braço direito à sua frente. O braço está ficando tão rígido que não poderá se dobrar.

9. Braços pesados – Seus braços estão tão pesados que você não pode sustentá-los.

10. Brincando – Na contagem de três vamos todos levantar-se e brincar de ciranda cirandinha.

11. Brincando de uni-duni-tê – Você vai começar a brincar de uni-duni-tê com a pessoa sentado ao seu lado, mais
rápido, mais rápido, mais rápido.

12. Cantando – Você está se preparando para um show. Você é um artista de sucesso e vai cantar sua música preferida
quando abrirem as cortinas. Prepare-se, as cortinas começaram a se abrir. Quando elas estiverem complemente
abertas, você começa a cantar. Um, dois, três, elas se abriram!

13. Carinho em um cachorro/Pokémon – Diga aos sujeitos que eles estão segurando um lindo cachorrinho/Pokémon,
e eles devem acaricia-lo.

14. Cheiro Ruim – Diga aos envolvidos que eles irão começar a sentir um cheiro ruim vindo das pessoas sentadas
próximas a eles.

15. Chiclete no sapato – Diga aos envolvidos que eles têm chiclete em seus sapatos e que eles devem tentar tirá-lo.
Enquanto eles tocam seus sapatos, você dirá que o chiclete grudou em seus dedos, mãos, em seus cabelos e assim
por diante.

16. Chovendo – Diga que está começando a chover, e que todo mundo está ficando encharcado.

17. Chovendo Dinheiro – Diga os sujeitos que ele está começando a chover dinheiro, e que eles podem manter parte
do dinheiro que eles pegarem.

18. Coceira no corpo – Na contagem 3 alguma parte do seu corpo começará a coçar. Você precisará coçá-la.

19. Colorindo – Vocês são crianças colorindo em seus livros de colorir. Na contagem de 3, a pessoa ao lado pintou
seu livro. Um, Dois, Três...

20. Comendo - Deixe que os envolvidos imaginem-se comendo vários tipos de comida, bem como melancia, sorvete,

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espiga de milho.

21. Converse na linguagem da Lua – Diga os assuntos que eles pousaram na Lua e agora eles vão começar a falar
em linguagem da lua.

22. Corda bamba – Agora você está caminhando na corda bamba. Do tipo que vemos em um circo.

23. Corrida – Com os participantes sentados em cadeiras, diga que eles são pilotos profissionais e que agora estarão
dirigindo em uma corrida.

24. Corrida de cavalos – Dê a cada um dos participantes um número. Agora, deixe que eles vejam uma corrida
de cavalos que possuam números que correspondam aos deles. Diga-lhes que será uma corrida. Se seus cavalos
vencerem, eles ganharão R$50.000,00. Certifique-se de que eles saibam que é permitido torcer.

25. Cupido – Você é o cupido e estarão procurando por alguém para atirar suas flechas de amor.

26. Dançarino – Você é um grande dançarino e agora começará a dançar.

27. Desenhando – Em um momento eu darei a cada uma de vocês, crianças, um pedaço de papel e um marcador.
Todos vocês desenharão para mim uma bela foto.

28. Desenho – Diga aos envolvidos que eles viraram personagens de desenhos animados. Agora você entrevistará
alguns deles.

29. DJ – Você é um famoso DJ em um grande show.

30. Enfermeira – Você é uma enfermeira que precisa dar uma injeção nas pessoas da primeira fileira. Você não
receberá um não como resposta.

31. Esconda um cheque – Você recebeu um cheque de R$10.000, esconda-o onde ninguém poderá achá-lo.

32. Escudo invisível – Diga aos participantes do sexo oposto que eles estão apaixonados por você. Diga-lhes que eles
querem te abraçar, mas há um escudo invisível ao redor do seu corpo e eles não podem alcança-lo.

33. Esqueça: Adição – Você não sabe somar. Toda vez que você tentar somar você perceberá que a resposta é 17.

34. Esqueça: Alfabeto – Você não consegue se lembrar do alfabeto. Cada vez que você tentar falar as vogais, você
dirá E – I – E – I – O – U.

35. Esqueça: Aniversário – Você pode não lembrar do seu aniversário. Você não lembrará da data.

36. Esqueça: Carro – Você não se lembrará mais de qualquer coisa sobre seu carro. Você não se recorda do tipo, cor,
ano ou estilo.

37. Esqueça: Endereço – Você não consegue se lembrar do seu endereço. Você consegue se lembrar de como sua
casa é, mas não lembrará da rua ou do número.

38. Esqueça: Esportes – Você não se lembrará nada sobre esportes. Você não terá ideia de como um jogo é jogado.

39. Esqueça: Idade – Você não se lembra da sua idade. Você não faz ideia. A única coisa que você tem certeza é que
não tem 100 anos de idade.

40. Esqueça: Nome – Na contagem 3 você não irá se lembrar de qual é o seu nome.

41. Esqueça: Nome do cônjuge – Você não mais se lembrará do nome do seu cônjuge. Você sabe que é casado, mas
não consegue se lembrar o nome.

42. Esqueça: Números – Você não será capaz de se lembrar do número entre o 5 e o 7. O número entre 5 e 7 se foi.
Quero que conte, em voz alta, em seus dedos cada um. 1,2,3,4,5,7,8...??

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43. Esqueça: País – Você não se lembrará do país que você é. Você pode se lembrar de diferentes países, mas
nenhum soará familiar.

44. Esqueça: Piada – Na contagem 3 você pensará em uma piada engraçada que gostaria de me contar. Quando eu
pedir que você me conte você se esquecerá totalmente do final.

45. Esqueça: Presidente – Você não se lembrará de quem é o presidente. Toda vez que você pensar, você pensará
em um personagem de desenho.

46. Esqueça: Soletração – Você não conseguirá soletrar nenhuma palavra com mais de três letras.

47. Esqueça: Telefone – Você não pode se lembrar do seu telefone. Você pode se lembrar do primeiro e do último
número, mas será incapaz de se lembrar dos demais.

48. Esqueça: Trabalho – Você não mais se lembrará de onde trabalha.

49. Esqueça: O que está fazendo – Você não será capaz de se recordar do que está fazendo. Quando eu perguntar
sobre isso, você não terá a mínima ideia do que está fazendo.

50. Esqueça: Último banho – É impossível para você se recordar da última vez em que tomou um banho ou uma
ducha.

51. Estatua – Na contagem de três você vai se levantar e começar a dançar. Quando eu digo a palavra estatua você
vai parar sem mover um músculo.

52. Fogos de artifício – Você está assistindo à queima de fogos e cada vez que eu estalar meus dedos você dirá ‘UAU’
ou ‘LINDO’.

53. Gosto de limão – Você agora está notando um gosto de limão na boca.

54. Gravidade Zero – Diga os sujeitos que estão no espaço e estão sem peso.

55. Prêmio de fantasia – Você ganhou o prêmio de melhor fantasia em uma festa a fantasia. Me fale sobre sua fantasia.

56. Hipnólogo – Você agora é um hipnólogo. Na contagem 3 você hipnotizará o grupo.

57. Hipnólogo falso – Quando eu disser a palavra “Bom”, você ficará em pé e dirá que o hipnólogo é falso e não
acredita em hipnose.

58. Hippie – Vocês todos estão se tornando hippies dos anos 60.

59. Indução mental – Na contagem 3 você estará acordado e abrirá os olhos. Eu então hipnotizarei você com o meu
pensamento. Eu irei ao canto do palco e pensarei na palavra ‘dormir’. Todos vocês ‘pegarão’ meu pensamento e
entrarão em um transe ainda mais profundo.

60. Inspetor de cotovelos - Você é o inspetor de cotovelos mais famoso do mundo. Você andará pelo espaço e
inspecionará o cotovelo das pessoas. Tenha certeza de que eles dobrem corretamente.

61. James Bond – Você é James Bond, um agente secreto.

62. Loteria – Diga a todos os envolvidos que a próxima vez que eles ouvirem o número 34, eles saberão que ganharam
dez milhões na loteria.

63. Mãos estranhas – Na contagem de três todos os homens no palco vai notar que eles estão utilizando esmalte
vermelho. As mulheres vão tentar não rir, mas quando elas riem eles vão perceber que suas mãos estão ficando muito
peludas.

64. Miss Brasil – Você foi coroada miss brasil. Você andará pelo palco mandando beijos para a plateia.

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65. Mister Brasil – Você é agora Mister Brasil e andará mostrando seus músculos perfeitos.

66. Multa de velocidade – Você acaba de ser parado pela polícia por dirigir a 110 km em uma via de 60 km. Prepare-
se para dar uma boa desculpa.

67. Música em um sapato – Diga aos participantes que eles começarão a ouvir sua música preferida. Enquanto eles
começam a responder à música, avise-os que a música está vindo de seus sapatos.

68. Natal – Na contagem 3 será manhã de natal. Vocês todos são crianças e estão surpresos com o que ganharam.

69. Neve – Agora você percebe que está esfriando e começa a nevar. Você pode ver a neve e tocá-la.

70. Óculos de Raio-X – Entregue um par de óculos de sol sem as lentes para um sujeito e diga para ele que estes são
óculos de raios-X. Permitir que o sujeito olhe a audiência.

71. Olhos colados – Seus olhos agora estão colados e você não conseguirá abri-los.

72. Papai-noel – Você agora é o Papai Noel.

73. Parte favorita crescendo – Avise aos envolvidos que suas partes favoritas agora estão ficando maiores e maiores.
Certifique-se de devolvê-las ao tamanho normal.

74. Parte favorita encolhendo – Informe os envolvidos que suas partes preferidas do corpo estão encolhendo. Menor
e menor.

75. Pelos no corpo – Diga aos envolvidos que seus corpos estão ficando inteiramente cobertos por pelos.

76. Perder a voz – Na contagem 3 você desejará cantar, mas nada sairá de sua boca.

77. Pescando – Na contagem 3 vocês todos estarão pescando. 1, 2, 3, pode jogar a linha no lago bem a sua frente.

78. Todos nus – Diga aos envolvidos que eles olharão para o público e notarão que todos estão nus.

79. Colado: Cadeira – Diga a um dos sujeitos que você vai enviá-lo de volta para o seu lugar na plateia, mas não
importa o quanto ele tente se levantar, ele estará colado na cadeira.

80. Colado: Dedo – Você vai colocar o seu dedo indicador em seu ouvido e achar que ele ficou preso lá. Você não
pode puxar o dedo do seu ouvido. A única maneira de tirar o seu dedo indicador de sua orelha é colocar o seu outro
dedo indicador no nariz. Agora você pode remover o dedo indicador de sua orelha, mas o dedo em seu nariz está agora
colado.

81. Colado: Pé – Você vai tentar deixar o palco, mas vai descobrir que o seu pé está colado.

82. Rasgar o papel – Dê um pedaço de papel para os envolvidos e diga-lhes que eles serão incapazes de rasgar o
papel.

83. Rindo – Na contagem 3 você começará a rir da pessoa sentada próxima a você.

84. Rindo em um filme engraçado – Diga aos participantes que eles verão um filme engraçado que causará um
ataque de riso e eles rirão muito alto.

85. Sala fria – Diga aos envolvidos que eles estão com muito frio.

86. Sala quente – Diga aos envolvidos que eles estão se sentindo muito quentes.

87. Show de talentos – Agora vamos ter um show de talentos e ver quem vai ganhar uma grande surpresa. Na
contagem de três que você estará pronto para cantar, dançar, recitar um poema, ou contar uma piada.

88. Super-homem – Você é o super-homem. Você vai continuar a tentar voar, mas terá problemas para sair do chão.

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89. Surfe – Na contagem de três todos vocês vão ficar de pé. Você vai surfar em uma onda grande.

90. Tocando um instrumento – Aconselhe todos os sujeitos que eles são músicos e eles vão começar a tocar um
instrumento.

91. Tornando-se uma celebridade – Diga ao grupo que eles são celebridades famosas. Você pode pedir para que eles
se apresentem ou realizem uma entrevista com alguns selecionados.

92. Umbigo perdido – Na contagem 3 você notará que alguém roubou seu umbigo. 1, 2, 3, coloque suas mãos na
abertura para não deixar o ar escapar.

93. Voando para a Lua – Diga aos envolvidos que eles estão em um foguete indo para a lua. Diga-lhes para olharem
para fora da janela e descreverem o que eles veem.

Ref: Elsever - Curso Sean M. Andrews

PRESENTE HIPNÓTICO
Você fez toda a hipnose com a pessoa, fez ela se divertir, mas, como estrela do show, ela merece uma recompensa.
O presente hipnótico pode ser feito de diversas maneiras, uma das mais comuns é resgatar, por exemplo, a memória
do melhor dia da vida da pessoa e ancorar isso, como ensinado anteriormente, para que a pessoa possa acessar esse
estado quando quiser. Se a pessoa diz não sentir-se tão confiante, resgate no subconsciente dela a memoria de um dia
em que ela teve alguma grande conquista e ancore isso de alguma maneira.

E SE NADA FUNCIONAR?
Lembre-se que toda hipnose é uma auto-hipnose. Isso significa que, se você seguiu todo o procedimento correto, a
falha não foi sua. Diga para o sujeito: “Por alguma razão você não está conseguindo se concentrar no processo da
hipnose nesse momento, pode ser o barulho ou alguma que alguma outra coisa esteja te atrapalhando. Isso é normal,
acontece algumas vezes, o que não significa que em algum outro momento você não irá conseguir. Vou fazer agora
com outra pessoa, mas se quiser podemos fazer depois novamente, muito obrigado por sua participação”.

Lembre-se que na hipnose de rua você procura sujeitos que deem respostas rápidas. Pode ser que o sujeito escolhido
precise de um aprofundamento maior ou estar num ambiente controlado, e por conta da ausência desses fatores não
tenha se engajado pro processo. Não perca tempo e já procure o próximo.

CAPÍTULO 9
EMERSÃO
É muito importante que você termine a hipnose com segurança, e, para isso, é necessário se despertar a pessoa da
maneira adequada.

Primeiramente, retire todas as sugestões de entretenimento. Depois disso, reforce o presente hipnótico e conduza a
pessoa ao estado normal de forma progressiva.

Veja um exemplo: E agora, todas as sugestões são removidas e você se sentirá muito alegre e muito bem. Farei
uma contagem de 1 até 5, e no 5 você estará totalmente desperto, se sentindo muito melhor do que antes de ser
hipnotizado. 1... você vai respirando... 2... você começa a sentir uma energia ativa por todo o seu corpo, fazendo você
sentir-se muito bem... 3... faça uma respiração bem profunda e sinta o ar enchendo seus pulmões... 4... seu corpo se
sente ótimo, a cabeça leve, mente em estado perfeito.. 5... abra os olhos, se sentindo MUITO BEM, muito melhor do
que estava antes de ser hipnotizado. Como você se sente?

Lembre-se que é importante você verificar como a pessoa está, pois ela está sob sua responsabilidade. Verifique se ela
despertou de maneira adequada e se está com algum tipo de dor de cabeça (ressaca hipnótica). Se for o caso, retire e
a dor (será ensinado mais a frente).

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CAPÍTULO 10
AB-REAÇÃO
AB-reações são manifestações inconscientes espontâneas de emoções reprimidas que podem vir a tona durante
a hipnose ou estimulos que despertem isso. Geralmente elas podem surgir por causa de uma reação a um evento
traumático. Quando isso acontece, a pessoa pode chorar, gritar, falar, ter convulsões mesméricas, placas vermelhas no
peito. Vale ressaltar que ela não esta em perigo. Na hipnose clinica, por exemplo, a ab-reação é buscada pois significa
que o problema foi encontrado.

É extremamente raro isso acontecer na rua mas, caso isso aconteça, a primeira cosia é manter a calma. Lembre-se que
o sujeito está aceitando as suas sugestões. Simplesmente fale para a pessoa “A cena some e você a partir de agora
se concentra somente na sua respiração”. Caso você seja um hipnoterapeuta, já deixe seu cartão e se prontifique em
ajudar a pessoa. Não continue a hipnose de entretenimento caso a pessoa tenha tido uma ab-reação.

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43
A hipnose não faz milagre, mas é capaz de mudar a
vida das pessoas.

Hoje vocês vão ver casos reais de pessoas reais.

Tenham em mente que por mais técnicas que vocês tenham, vão ter clientes
que vocês não vão obter o resultado que esperam e não será culpa sua, a
terapia tem diversas variáveis e o processo é uma responsabilidade dividida
entre você e o paciente.

Sem esforço não existe mudança..

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CAPÍTULO 1
PSICANÁLISE E HIPNOSE
É extramemente importante mostrar toda a contribuição de Sigmund Freud para a psicanálise e o conhecimento sobre
a natureza humana. Aqui vamos abordar os três conceitos principais que são: o aparelho psíquico, a causalidade
psíquica e os mecanismos de defesa.

O aparelho psíquico é a primeira definição que temos de uma modelagem de como a mente se divide. Para Freud,
essa composição possui três partes.

ID: É nossa natureza mais primitiva, com a qual nascemos, a constante busca por prazer.

EGO: Considerado nossa noção de realidade e nossa racionalidade.

SuperEgo: Construido a partir dos nossos valores sociais e do nosso moralismo estabelecido, que gera em nós o
sentimento de culpa.

Importante de se notar que todas as manifestações dos indivíduos acontecem pelas relações dessas três partes, e
podemos observar como nossos clientes se comportam nessa relação entre as partes.

Outro conceito fundamental para a análise terapêutica é a causalidade psíquica. Segundo Freud, nossa personalidade
é determinada pelas nossas experiências de primeira infância, que acontecem nos 6, 7 primeiros anos de vida, e ela é
causadora da nossa moral (superego). Essa personalidade gera processos inconscientes, que por sua vez determinam
nossas ações fora do fluxo consciente. Freud defendia que esses processos inconscientes devem ser revelados para
que a mudança aconteça.

Por conta das experiências traumáticas que temos, muitas vezes criamos mecanismos de defesa, principalmente
quando gera conflito entre nossa culpa (superego) e nossa realidade (ego) e nosso desejo por prazer (id).

Um dos mecanismos de defesa é o deslocamento, no qual "descontamos" aquilo que mais nos incomoda fora de
nós, seja em outra pessoa, seja numa sublimação (muito comum em artistas, que colocam na arte suas frustações).
Além dele, fazemos projeção, causando críticas severas a outros sobre comportamentos que temos, principalmente
dos nossos desejos mais sombrios. Por muitas vezes fazemos também a repressão de memórias traumáticas., que
estancam perda da energia mental (e que são eliminadas por ab-reações). Também temos a formação reativa, que
gera uma reação oposta a um desejo reprimido, fazendo com que os indivíduos afirmem ou defendam o contrário do
que sentem. Por fim, existe a racionalização, que nega ou justifica desejos inconscientes nos sujeitos, criando uma
razão artificial para um comportamento (justificamos coisas que muitas vezes não tem justificativa).

CAPÍTULO 2
PRINCÍPIOS TERAPÊUTICOS
Uma crença equivocada entre muitos terapeutas é que terapia visa tratar apenas disfuncionalidades psicossociais
dos indivíduos. É verdade que Freud estava intimamente preocupado com as psicopatologias, e que mesmo Dave
Elman e Milton Erickson desenvolveram muitas técnicas sobre tratamentos para doenças da mente. No entanto, com
o conhecimento que temos disponível nos dias de hoje, podemos ter uma visão mais completa.

Essa mudança de visão se inicia com Abraham Maslow, psicólogo que criou a conhecida "hierarquia de necessidades".
Para ele, "a natureza humana não é nem remotamente má como se costuma pensar. É como se Freud tivesse nos
dado a parte doente da psicologia humana, e agora precisássemos preencher a parte saudável".

Maslow defendia que a natureza humana era psiquiatricamente sadia, e que toda neurose era fruto da dessacralização
da sua natureza e do fracasso das suas necessidades. Para entendermos o que Maslow chama de necessidades, é
importante sabermos que ele considerava uma escala de necessidades humanas, sob a qual definíamos quem somos
e o que necessitamos, a saber:
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• Fisiológicas: as necessidades mais fundamentais dos indivíduos, tais como comer, dormir, beber água, et cetera.

• Segurança: necessidades que apenas surgem quando as necessidades fisiológicas estão completamente supridas,
não as eliminando, mas considerando a necessidade de abrigo, de guardar seus bens, de ter uma perspectitva da
fisiologia atendida do futuro.

• Amor/Pertencimento: necessidade de ser amado, surge apenas quando a fisiologia e a segurança são supridas, em
busca de um pertencimento social mínimo (ter amigos, ter alguma estrutura familiar).

• Autoestima: a necessidade de ser admirado, depois de pertencer. Há dois tipos de autoestima para Maslow, a
autoestima inferior, na qual é a necessidade de ser admirado pelos outros; a autoestima superior, que é a necessidade
de ser admirado por si mesmo.

• Autorrealização: a necessidade de encontrar um propósito para a sua vida, de decidir o que deve ser feito com seus
dias, qual a sua obra. Para Maslow, toda terapia é uma aceleração em direção à autorrealização do cliente (de onde cai
por terra toda a concepção de terapia como ferramenta apenas para tratar disfuncionalidades).

Perceba que Maslow não ignora a existência de psicopatologias, mas sim enuncia que toda manifestação de
psicopatologia se dá pela negação da natureza humana, normalmente fomentada pela normalização social.

A ABORDAGEM HUMANISTA DA PSICOLOGIA


Maslow era um grande influenciador de Carl Rogers, que é considerado o pai da psicologia humanista. Para Rogers, toda
terapia tem o objetivo de desenvolver no próprio indivíduo suas tendências à autorrealização, servindo exclusivamente
como uma função catalítica para que ele encontre dentro de si os elementos necessários para a mudança. Para ele,
somente o indivíduo conhece sua verdadeira natureza (autoconceito), e o distanciamento de sua autorrealização se dá
toda vez que ele ignora sua natureza para atender a expectativas de segurança de si ou de outrem (incongruência).

Como ser esse catalisador da mudança nos indivíduos? Para Rogers, a resposta é a aceitação positiva incondicional.
Segundo ele, se alguem ouve ao sujeito, ele aprende a ouvir a si mesmo, e isso é o que permite o desenvolvimento
pleno. Importante entender que, para se ouvir alguém, é preciso ter empatia, acolhimento e, principalmente, não-
julgamento, pois só assim a pessoa se sentirá ouvida e capaz de ser entendida - o que, na concepção humanista,
é fundamental para o processo de transformação terapêutica. Nas palavras de Rogers, "O curioso paradoxo é que
apenas quando eu me conheço é que eu estou pronto para mudar".

Carl Rogers qeria entender por que muitos clientes que tinham anos de tratamentos terapêuticos sem sucesso, muitas
vezes em uma tarde conversando com um pastor ou um amigo, tinham uma mudança profunda. O que foi notado é
que havia nesses lugares uma ambientação terapêutca que permitia uma mudança rápida, que outros ambientes não
percebem. Foi justamente ao perceber que o acolhimento incondicional e a prática ativa da escuta eram elementos
fundamentais do processo terapêutico que se conceituou o ambiente terapêutico como conhecemos hoje.

Entender os conceitos da abordagem humanista é talvez a etapa mais importante para o desenvolvimento de um
terapeuta bem sucedido. Entender que a mudança não acontece porque a sugestão foi dada com a palavra certa,
dentro da técnica correta, mas sim que ela só aconteceu porque o indivíduo olhou para dentro de si mesmo e encontrou
os elementos necessários para a mudança, é possivelmente o principal fator que diferencia um terapeuta de sucesso
de um colecionador de fracassos. Ao entendermos que a mudança não tem nada a ver com o que ensinamos a
nossos clientes, mas sim com a criação de um ambiente favorável para que ele encontre internamente seus recursos
necessários para se aproximar da sua melhor versão, ficam claras as razões pelas quais os métodos são como são, e
que mudanças podem e devem ser feitas em cada caso.

A GESTALT-TERAPIA, O TODO E AS PARTES


Herança direta do trabalho de Carl Rogers, essa teoria foi desenvolvida pelo casal Laura e Fritz Perls. Para gestalt-
terapia, somos formados por várias partes de nós mesmos, nossas emoções, nosso aparelho psíquico, e até mesmo
nossas projeções que são direcionadas às pessoas à nossa volta, e essas partes determinam o todo de quem somos.
Mais do que isso o todo que nós somos não é, segundo a gestalt, apenas a soma das partes, mas algo muito maior, de
acordo com a organização que fazemos dessas partes.

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A gestalt-terapia tem, entre seus ensinamentos, dois elementos principais: a integridade, que consiste nessa formação
do sujeito a partir do arranjo dessas partes e do ambiente onde ele está inserido, e cujas dissociações podem e devem
ser corrigidas pela terapia; e o awareness, á consciência que leva a integridade a partir de três caminhos: o contato
com o meio (que nos ajuda a determinar como devemos estar organizados para sermos mais íntegros), o aqui-agora
(que nos permite nos isolar do sentimento de estarmos presos no que fomos - passado - ou no que seremos - futuro) e a
responsabilidade (que é elemento fundamental na terapia, pois sem ela o indivíduo tende a transferir a sua integridade
para o ambiente, e não para si mesmo).

Segundo os Perls, o objetivo do indivíduo é desenvolver um crescimento contínuo. Toda vez que o indivíduo não
manifesta seu awareness, esse crescimento é interrompido, e cabe ao processo terapêutico trazê-lo de volta.

CAPÍTULO 3
CRENÇAS LIMITANTES
Durante toda nossa vida, desde a infância, podemos desenvolver ideias negativas, que muitas vezes não refletem a
realidade, que acontecem de maneira equivocada pela percepção que temos sobre os eventos da vida. Essas ideias
vem de maneira tão poderosa que se tornam verdades absolutas, gerando muito sofrimento e refletindo no bem-
estar da vida adulta. Quando consideramos a terapia cognitiva, as crenças são divididas em Desamparo, Desamor e
Desvalor. Cada uma delas, gera uma série de pensamentos automáticos.

Desamparo: a pessoa tem uma certeza irracional e inconsciente de que é fracassada, incompetente, e sempre será
assim.
Pensamentos automáticos:
“Eu não consigo mudar.”
“Sou um fracassado.”
“Sou uma vitima.”
“Sou incompetente.”
“Não sou uma pessoa de atitude.”
“Sou fraco, vulnerável e passível de maus tratos.”
“Não sou bom o suficiente.”
“Todos são melhores que eu.”

Desamor: a pessoa tem certeza irracional e inconsciente de que será rejeitada.


Pensamentos automáticos:
“Não sou amado, querido. Sou negligenciado.”
“Sou feio, monótono, não tenho nada de bom a oferecer.”
“Sou diferente, as pessoas me olham de maneira estranha.”
“Não sou bom o suficiente para ser amado.”
“Sempre serei rejeitado, abandonado, e ficarei sozinho.”

Desvalor: a pessoa acredita ser inaceitável, sem valor.


Pensamentos automáticos:
“Sou um derrotado.”
“Não tenho valor.”
“Não mereço viver.”
“Sou um nada, um lixo.”
“Sou mau.”
Importante entender que essas crenças podem ser em relação a si mesmo, como citado acima, em relação aos outros,
que são categorizados de maneira inflexível, são vistos como frios, ameaçadores, manipuladores. Ou também uma
crença positiva em relação aos outros, em forma de comparação: as pessoas são superiores, mais eficientes, amáveis,
diferente de mim. Essas crenças podem ser também em relação ao mundo, “o mundo é injusto, perigoso...”.

Com toda essa informação, a pessoa vai criando estratégias compensadoras para lidar com o sofrimento que essas
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crenças causam, a qual é ativada nas relações sociais, familiares, ocupacionais e amorosas. Essas estratégias podem
causar desajustes emocionais, veja exemplos:

Crença: Sou incompetente.


Estratégia: É melhor eu depender dos outros.

Crença: Não tenho valor.


Estratégia: Isolamento, evitar aproximação.

Crença: Sou vulnerável.


Estratégia: Vou ser grosso, agir com firmeza, evitar qualquer chance de ser prejudicado.

CAPÍTULO 4
MODELO COGNITIVO

CAPÍTULO 5
PRINCIPAIS PSICOPATIAS
a. Depressão major: apresenta cinco sintomas característicos da depressão que comprometem as atividades diárias
do sujeito. Geralmente para se caracterizar uma depressão, esses sintomas devem ser apresentados por mais de 2
semanas.

b. Depressão bipolar: mudanças constantes no humor do individuo, variando entre depressão profunda e alegria
excessiva.

c.Depressão reativa: surge após algum acontecimento estressante, no qual o individuo não consegue reagir, como
por exemplo a morte de um parente.

d. Distimia: acontece quando existe a presença de vários sintomas de depressão durante mais de dois anos, sendo o
principal deles a tristeza constante.

e.Transtorno de Personalidade Borderline: sensação de inutilidade, instabilidade emocional, insegurança,


impulsividade e relações sociais prejudicadas.

f. Transtorno Compulsivo Obsessivo: possui sintomas de compulsões, obsessões ou ambos. Podem interferir em
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todos os aspectos da vida da pessoa, como escola, relacionamentos e trabalho.

g. Fibromialgia: dores que ocorrem no corpo, de origem desconhecida, potencializadas pelo psicológico.

CAPÍTULO 6
LINGUAGEM DOS SENTIMENTOS
a. Ansiedade: sensação antecipada do futuro de que vai acontecer algo ruim com algo/alguém.
b. Baixa estima: os pensamentos sempre tendem para o ruim, focando sempre na parte negativa e não na positiva.
c. Confuso: o que eu ou as outras pessoas estão fazendo não faz sentido.
d. Culpa: você acha que foi injusto com alguém.
e. Depressão: é tanta frustração que você decide parar de tentar.
f. Desvalorizado: o que faço não é valorizado o suficiente, não apreciado.
g. Entediado/Desinteressado: falta de desafios/perspectiva.
h. Estressado: mais responsabilidades para fazer do que tenho capacidade de manejar corretamente.
i. Frustração: o que você está fazendo não está funcionando, nada da certo, então existe a dor extra da frustração.
j. Machucado/Magoado: o que aconteceu não foi justo.
k. Medo: eu acho que algo de ruim pode acontecer comigo ou com quem eu gosto.
l. Negligenciado: é injusto, ninguém aprecia o que eu faço ou o que eu sou.
m. Ódio: o que ele/ela fez é injusto e me machuca muito.
n. Preocupação: eu acho que algo de ruim vai acontecer com algo ou alguém.
o. Preso/Desesperado: não vejo nenhuma saída, ajuda ou solução.
p. Raiva: injustiça com você ou com alguém que você gosta.
q. Solidão: necessidade de companhia de pessoas.
r. Tristeza: perdeu algo ou alguém importante para você.

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CAPÍTULO 7
ESTRUTURA (GERAL) DE UMA TERAPIA

ACOLHIMENTO

PRE-TALK ANAMNESE

INDUÇÃO SONAMBULISMO

FERRAMENTAS DE
LUGAR SEGURO ANCORAGEM
RESSIGNIFICAÇÃO

MEDOS, CRENÇAS E REGRESSÃO,


TERAPIA ÂNCORAS METÁFORAS
RESSIGNIFICAÇÃO

PERDOAR OS
OUTROS
SALA BRANCA, COM
PERDÃO DUAS POLTRONAS
PRÓPRIO UMA DE FRENTE
PARA A OUTRA

TERAPIA DAS
PARTES

PONTE PARA O
PROGRESSÃO FUTURO

CONDICIONA-
MENTO

A primeira etapa de qualquer processo de hipnose deve ser o acolhimento. O papel do terapeuta é escutar ativamente o
cliente, entendendo sua história, sua trajetória e, principalmente, aceitando incondicionalmente quem ele é, permitindo
que ele se sinta seguro (muitas vezes pela primeira vez na vida). Esse momento é o mais importante, e deve levar o
tempo que for. Deixar o cliente chorar, desabafar, entendendo e acolhendo o que se passa com ele é o primeiro passo
para que ele aceite que pode ser diferente.

Não existe terapia em que o terapeuta considera o que o cliente fala "não importante". O sofrimento dele é real, e deve
ser encarado sob essa perspectiva.

O modelo geral é somente uma base, é importante dizer que "técnicas" na terapia são a parte menos importante do

50
processo. O ponto fundamental para o sucesso terapêutico, como já citado anteriormente, é preparar um ambiente
acolhedor no qual o sujeito se sinta a vontade para encontrar os recursos que precisa para a mudança. As técnicas são
apenas metáforas para ajudá-lo a encontrar seus recursos internos nessa jornada.

CAPÍTULO 8
O TRABALHO COMEÇA ANTES DA PRIMEIRA CONSULTA
a. O cliente veio te procurar, como ele chegou até você? Indicação? Alguma divulgação sua? Faça sempre o controle
de onde o paciente apareceu, para saber quais formas de divulgação tem funcionado melhor.

b. O rapport começa no primeiro contato. O whatsapp facilita muito na correria do nosso dia a dia, mas nada substitui
uma ligação, mostrando acolhimento e atenção a pessoa que lhe procurou e precisa de ajuda.

c. Mostre os benefícios do seu tratamento antes de falar qualquer tipo de valor financeiro. O valor será criado aqui, a
pessoa tem que entender bem pelo que está pagando para ver que vale a pena pra ela.

d. A hipnose muitas vezes é a última alternativa de solução pra pessoa que já procurou de tudo, tenha isso em mente.

e. Passe segurança pra pessoa e explique como será feita a terapia. Na primeira consulta fazemos a anamnese, onde
você preenche a ficha e começa a investigar a vida dela, começa a conhecê-la melhor, traçar um perfil para entender
a queixa que ela está trazendo. Depois você vai explicar como funciona a hipnose e o tratamento (Pre Talk), para em
seguida hipnotizá-la para ela sentir como é o estado (e você já vai ter uma base da melhor de como engaja-la). Depois
disso você vai estudar o caso dela para determinar quantas sessões possivelmente serão necessárias no tratamento
(somos seres humanos, por mais que você possa tentar estipular isso, cada pessoa é diferente a outra e nem sempre
essa regra é seguida, existe uma estatística para aquele problema, mas varia de pessoa pra pessoa).

f. Marque a primeira consulta, agora que o rapport foi estabelecido.

CAPÍTULO 9
PREPARANDO-SE PARA ATENDER
a. Postura pessoal: lembre-se que você é um terapeuta e deve passar essa imagem para a pessoa. Tenha atenção a
maneira de se vestir, camisas sociais ou Polo podem ser recomendadas aqui. Preste atenção no seu hálito, você estará
constantemente falando perto da pessoa dependendo da situação, hálito ruim pode despertá-la do estado rapidamente.

b. Como deve ser sua sala de atendimento: hoje em dia existem diversos espaços onde você pode alugar salas
por hora, com preço que varia de acordo com a cidade e região que você mora. Se sua intenção é ter uma agenda
cheia o dia todo, compensa alugar uma sala fixa, mas pra você que está iniciando nessa profissão, acaba sendo mais
interessante o pacote por hora, pois você pode alugar a sala de acordo com a sua demanda. Quando for escolher a
sala que vai atender, atente-se a alguns pontos importantes:

i. Localização: veja se o local é de fácil acesso, você não vai querer que seu cliente se perca ou passe por bairros
perigosos. Se você mora em cidades grandes como São Paulo, pode optar por alugar espaços próximos a residência
de seu paciente. Isso pode ser uma estratégia, mas se você tem muitos pacientes, pode ser um tiro no pé esse
deslocamento, te dando prejuízo de tempo e dinheiro.

ii. Não misture as coisas. A sua sala de atendimento deve ser NEUTRA. Nada de quadros religiosos ou algo que
possa invadir o mapa de seu cliente.

iii. Busque locais com poltronas confortáveis. Pode ser aquela reclinável, Divã, veja a maneira que você prefere
atender. Particularmente gostamos de poltronas para nosso estilo de atendimento.

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iv. Deixe uma garrafa com água e lenços na sala. Será normal o seu cliente passar por momentos de choro.

v. Verifique se o local que está atendendo é fácil de estacionar ou possui estacionamento. Em casos de cidades
grandes, verifique se tem acesso fácil a metrôs.

vi. Se você for montar sua sala, um bom consultório deve ter uma mesa para você preencher a anamnese, 2 cadeiras,
para você e seu paciente, 1 poltrona ou chaise longue, para gerar conforto para seu paciente.

c. Tenha uma máquina de cartão. Hoje em dia está muito barato se ter uma maquininha, a minizinha do Pagseguro
custa em média 60 reais.

d. No Brasil não há uma regulamentação para uso da hipnose. Não é necessário nenhum tipo de formação
especifica para ser hipnólogo ou terapeuta. Você pode optar em abrir uma empresa como Terapeuta Holístico ou um
MEI. Neste ultimo caso, não existe a profissão “terapeuta”, então deverá procurar algo semelhante.

CAPÍTULO 10
A PRIMEIRA CONSULTA (RAPPORT, ANAMNESE,
PRE TALK, INDUÇÃO, APROFUNDAMENTO,
LOCAL SEGURO)

a. Recepcione seu cliente na porta, se for o primeiro contato com ele, fortaleça seu rapport e peça para ele sentar-se
nesse primeiro momento. Chame-o sempre pelo nome, pergunte se ele aceita água. Pratique o Yes Set, espelhamento.

b. Essa é uma das partes mais importantes de toda a terapia. É aqui que você vai encontrar pistas e soluções para
ajudar seu cliente a solucionar os problemas. Não fique com preguiça de fazer uma boa anamnese. Veja o modelo
de ficha do Porta da Mente e preencha tudo com o máximo de detalhes possível. Aqui também você analisando as
respostas de seu cliente vai começar a perceber qual a porta sensorial dominante, se é cinestésico, visual ou auditivo.
Perceber isso facilitará todo o processo que virá a seguir. Em anexo a essa apostila está nosso modelo de anamnese.

i. Meta-Modelo: uma das maneiras mais eficazes de você conseguir ver a representação interna do seu paciente e,
com base nisso, fazer as perguntas certas para encontrar as respostas que procura. A linguagem tem uma estrutura
que passamos a analisar de duas formas:

1.Estrutura superficial: a forma como a mensagem é expressa.

2.Estrutura Profunda: o conteúdo da mensagem, a representação completa de seu significado.

Os 3 mecanismos no comportamento humano que podem empobrecer nossa experiência de vida são eliminação,
distorção e generalização.

Ex 1 - Simples: Ele é incompetente.


Desafio: Incompetente para fazer o quê? Para quem?

Ex 2 - Comparativo: A Maria é a mais bem sucedida.


Desafio: Mais bem sucedida em relação a quem? Para quem?

Ex 3 – Operadores modais de necessidades: Eu preciso terminar esse namoro agora.


Desafio: O que aconteceria se você não terminasse?

Ex 4 – Operadores modais de possibilidades: Eu não consigo estudar


Desafio: O que te impede de estudar?

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Ex 5 – Termos universalizantes (nada, nunca, sempre, tudo, todos, etc): Ninguém me ama.
Desafio: Ninguém? Você quer dizer que ninguém jamais o amou?

Ex 6 – Leitura mental (alucinação): Eu sei que ela não gosta de mim.


Desafio: Como você sabe? Ela te disse isso?

Ex 7 – Normalizações (são processos em andamento transformados em eventos acabados): Sinto uma enorme
frustração.
Desafio: O que exatamente o está frustrando?

Ex 8 – Execução Perdida: Faz mal misturar manga com leite.


Desafio: Faz mal para quem? Quem disse que faz mal?

Ex 9 - Equivalência complexa (situações ou experiências ligadas por uma relação de equivalência no mapa do
locutor): Meu chefe não gosta de mim, ele nunca me elogiou.
Desafio: O fato do seu chefe não te elogiar significa que ele não gosta de você? Alguma vez você gostou de alguém
sem o elogiar? Você gosta do seu chefe? Você o elogia?

Ex 10 – Causa? Efeito (a pessoa não tem escolha, suas emoções são determinadas por forças externas): Está
música me deprime.
Desafio: De que forma, especificamente, ela faz com que você se deprima? Alguma vez você a ouviu sem se sentir
deprimido?

Ex 11 – Causas implícitas (mas): Eu não quero sair de casa, mas as pessoas cobram.
Desafio: Você sempre sai de casa quando as pessoas lhe cobram? Como, especificamente, o fato de lhe cobrarem, o
faz sair de casa?

EVITE A PERGUNTA POR QUE. Muitas vezes quando perguntamos "por que" para alguém, a pessoa sente que tem
que tem que se defender e acaba dando desculpas ou racionaliza o comportamento.

c. Pre-Talk Clinico: esse também é um dos momentos fundamentais da terapia, pois é aqui que você dosa a
expectativa do paciente e mostra pra ele como a hipnose funciona, que não é um processo milagroso e depende sim
do engajamento do paciente para as mudanças reais acontecerem. Veja a estrutura de um pre-talk:

i. O que você já viu sobre hipnose? (aqui avaliamos o conhecimento do paciente com relação ao assunto).

ii.Explicação sobre hipnose. “Hipnose é foco concentração e imaginação. Toda vez que estamos focados ou
concentrados em algo, já estamos hipnotizados. Você gosta de ver filmes? Qual foi o último filme que você viu,
descreva para mim (tática para conseguir captar as portas do cliente). Bom, você sentiu algum tipo de emoção vendo
esse filme? Teve algum personagem importante que morreu e você se emocionou? Teve alguma cena de suspense
que te deixou tenso e você sentiu isso no seu corpo? (aqui o paciente sempre se identifica com algo que tenha sentido
no filme). Muito bom! E você sabe que é um filme, que não é uma história real, que são atores, que existe um diretor
por trás, mas, ainda sim, você sentiu tudo isso no seu corpo, você sabe por que? Isso é hipnose. Você estava bem
focado e concentrado vendo o filme que naquele momento, para a sua mente, aquele era seu mundo. A nossa mente
não sabe diferenciar a realidade da imaginação, e, como você estava concentrado naquilo, o seu cérebro começa
a interpretar aquilo como realidade e começa a soltar substâncias no seu corpo que trazem essas sensações reais
que você sentiu, isso é hipnose! Basta você estar concentrado e focado em algo, que o fenômeno acontece, e isso
acontece por diversas vezes no nosso dia a dia. Você dirige? Quando você aprendeu a dirigir, você tinha que prestar
atenção na marcha, trocar de marcha, pisar na embreagem. Chegou um momento que você repetia tanto essa ação,
que o seu cérebro, o qual gosta de economizar energia, percebeu que tinha que automatizar o processo, e isso que
ele fez, condicionou sua mente a saber o que tem que fazer de maneira automática, tanto que hoje em dia você
dirige, faz o trajeto inteiro e as vezes quando chega no final, nem se lembra do caminho que fez, se parou em sinais
vermelhos, se passou no radar, mas, automaticamente, você fez tudo isso. Por você por ter esse comportamento
automatizado, nem precisou se esforçar para fazer. Isso é hipnose. Vamos pensar nessa mesma linha do carro, mas
para um Transtorno. Imagine, por exemplo, uma pessoa que é gaga (e essa gagueira não é física). A pessoa de um
dia para o outro se tornou gaga, e não sabe por quê. Quando começamos a investigar a vida dela, geralmente através
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de uma regressão, chegamos a um evento inicial. Quando esse sujeito tinha quatro anos, estava com o pai e começou
a chorar porque queria um brinquedo do supermercado. O pai, nervoso, grita com a criança e mandou ela ‘engolir o
choro’. O subconsciente dela, para protegê-la, entende que em uma situação de stress, para evitar que gritem com
ela, deve engolir o choro. O tempo passa, essa pessoa vai para a escola, com 10 anos, a professora faz uma pergunta
na qual ele erra a resposta, todos tiram sarro, a vontade de chorar vem e novamente o subconsciente dela manda a
mensagem de que, quando isso acontece, ela deve ‘engolir o choro’. O tempo vai passando, com 16 anos esse sujeito
vai apresentar um trabalho na escola, novamente está nervoso, as pessoas tiram sarro e a mente novamente solta a
mensagem do que deve ser feito. Aos 25 anos, ele vai fazer uma entrevista de emprego, está tão nervoso que tem
vontade de chorar, e novamente, a mente solta a mensagem de ‘engolir o choro’, e percebe que, se isso acontece
com essa frequência, ela deve automatizar o processo, tornando-o a partir de então gago. A ideia dela era proteger a
pessoa, mas acaba fazendo da maneira errada, e, é ai que entra o trabalho de hipnoterapia. Buscamos ressignificar o
que aconteceu, ou seja, mudar a interpretação que a mente dele tem com relação as coisas que aconteceram. Entenda
uma coisa importante, não apagamos memórias, apenas mudamos a interpretação dentro da mente subconsciente
para que aquilo não o afete. Com a hipnose, conseguimos fazer esse trabalho de maneira muito rápida por trabalhar
diretamente na mente subconsciente.

Toda hipnose é uma auto-hipnose, ou seja, você quem faz o processo acontecer. Eu como hipnoterapeuta, sou seu
GPS, estou te guiando para conseguir atingir o estado de maneira mais rápida, mas durante todo o processo, você
estará no controle e é você quem vai encontrar as melhores soluções para seus problemas, eu somente vou te dar as
ferramentas para que você encontre os recursos de maneira mais fácil”

iii.Modelo de mente: mostrar para a pessoa como a mente funciona, a mente consciente, inconsciente e subconsciente.

Para compreender melhor como a nossa mente funciona, precisamos antes entender como é feita a divisão de nossa
mente no âmbito da hipnose. Nela, trabalhamos com a mente consciente, subconsciente e inconsciente.

• Mente consciente: é responsável por armazenar a memória de curto prazo, raciocínio, pensamento analítico, força
de vontade, trabalha enquanto o individuo está ciente. Ela é responsável por tomar diversas decisões no nosso dia a
dia (abro a janela? Desligo o chuveiro?). Outro ponto importante da mente consciente é que ela busca dar desculpas
para algumas ações que tomamos e se arrepende de outras. É nela que se encontra nossa força de vontade, que é
algo que não tem duração muito longa. Quantas pessoas na virada de ano prometeram que iriam iniciar uma dieta e
iriam na academia e a “força de vontade” durou apenas poucos dias?

• Mente subconsciente: nela se encontram nossos hábitos, emoções, fobias, memoria permanente e autopreservação.
Ela opera como se fosse um computador, é programada desde o dia em que nascemos (ou antes), refletindo nossa
história de vida, como reagimos frente a determinadas situações, como a influência de outros tem efeito em nós, como
sentimos as coisas, sendo constantemente influenciados pelo meio em que estamos.

A mente subconsciente nos protege de perigos reais ou imaginários, mas ela não consegue notar a diferença. Ela nos
protege de problemas conhecidos, enquanto nossa mente consciente nos protege apenas dos problemas percebidos.

Com a hipnose, conseguimos acessar esse estado e fazer toda sua reprogramação.

• Mente inconsciente: basicamente é o nosso sistema autônomo e o sistema imunológico.

iv.Tirar possíveis medos. Você tem algum medo com relação a hipnose?

• O hipnotista controla o hipnotizado? Não, você não fará nada que não quiser fazer, sua mente te protege. Se
nós estivermos na beira de um prédio e eu pedir para você pular, você não irá, pois sabe que morreria fazendo isso e
provavelmente despertaria do transe (como mencionado, é possível se alterar o contexto, mas não iremos abordar isso
aqui). Você também não contará segredos nem a senha do banco. Nunca diga que a pessoa fará o que ela não quer
fazer, pois isso irá criar um bloqueio que impedirá ela de ser hipnotizada.

• A hipnose é prejudicial a saúde? Jamais. Se você é um bom profissional a hipnose só trará benefícios para quem
está participando do processo. Claro que a ética é fundamental.

• A pessoa pode se tornar dependente da hipnose? Não. Você pode gostar do processo e a utilizar de maneira

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constante, mas não existe essa “dependência”.

• A pessoa pode ficar presa no transe? Não. Como explicado mais atrás, o transe é um estado natural e mesmo
que você deixe a pessoa hipnotizada lá, eventualmente ela irá despertar, pois o estimulo acabou e o transe não estará
sendo alimentado.

• Estar hipnotizado é estar dormindo? Não, o sono fisiológico é diferente da hipnose. Uma pessoa que está dormindo
não está hipnotizada, pois o estado hipnótico é o oposto, ela estará muito mais atenta e alerta no transe.

v. Controlar expectativas: Muita gente chega até o hipnoterapeuta acreditando que a hipnose é uma ferramenta
milagrosa e que não será necessário nenhum esforço para a mudança acontecer. Aqui é extremamente importante
você falar pra pessoa que sim, a hipnose é realmente uma ferramenta fantástica, mas é um trabalho 50% do terapeuta
50% do paciente. Se não existir engajamento, o processo simplesmente não funciona.

d. Indução Hipnótica: cada pessoa tem seu estilo para induzir a pessoa ao transe. No meu caso, trabalho de duas
formas. Pacientes mais novos eu costumo fazer uma pseudo de mãos coladas (se a pessoa não tiver problemas
nos ombros ou braços), por mais que não tenha aplicação clinica, eu gosto de ver como a imaginação dela reage as
sugestões. Muitas pessoas são contra essa pratica na clinica pois falam que “se não der certo” vai deixar o paciente
com dúvidas sobre o processo. Digo por experiência que 100% das vezes que fiz, deu certo. E mesmo que um dia
não dê, eu sempre valorizo o mínimo resultado que dê e ai já parto para algum tipo de indução mais lenta. Segue a
sequencia que faço na maioria dos casos:

i. Pseudo Hipnose – Mãos coladas

ii. Indução de choque – Arm Pull + Espiral ou Hand Drop + Espiral

1. Arm Pull com espiral: Siga meus dedos somente com seus olhos, sem mover o pescoço. Em algum momento eu vou
falar a palavra “DURMA”, quando isso acontecer, você vai fechar os olhos, abaixar o queixo e relaxar completamente.

(Pegue a mão do sujeito, como se fosse cumprimenta-lo)

Isso continue olhando fixamente para meus dedos.. Muito bem. Respire profundamente... DURMA!

Essa técnica consiste em juntar as duas induções, deixando o potencial delas ainda maior. De o comando DURMA e
já inicie o aprofundamento.

2. Hand Drop com espiral: Essa é uma indução de choque. Quando uma pessoa está encurralada, ela tem três
opções: atacar, fugir ou congelar. O congelamento é um recurso inato que dá às presas a possibilidade de fingir sua
própria morte, evitando ataques. Nós seres humanos também temos esse mecanismo de fuga. A indução de choque
cria esse rápido congelamento, abrindo a porta do transe.

O hand drop é uma indução muito poderosa, mas, como toda indução de choque, atente-se se o sujeito não possui
qualquer problema nas mãos ou braços. Confira o roteiro a seguir:

Peça para a pessoa sentar-se em uma cadeira, enquanto você se senta em uma outra cadeira como se ficasse de
frente para o lado esquerdo ou direito da pessoa. Posicione sua mão com o cotovelo em sua perna, e a palma da mão
virada para cima. Peça para o sujeito pressionar sua mão para baixo enquanto olha para seus dedos, somente com os
olhos, sem mover o pescoço.

“Em algum momento eu vou falar a palavra DURMA, você vai fechar os olhos baixar a cabeça e relaxar.

Isso, agora pressione mais forte... MAIS FORTE... você tem mais força que isso, MAIS FORTE."

Quando perceber que a pessoa está bastante concentrada e fazendo bastante força, solte sua mão e diga imediatamente
DURMA. Aprofunde em seguida e ampare o sujeito se necessário.

iii. Mescle a indução de choque com a indução de Dave Elman, ensinada na parte de hipnose prática da apostila.

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e. Aprofundamento: de nada adianta colocar a pessoa em "transe" se não aprofunda-lo, pois ela se desconcentrar de
maneira rápida. O grande segredo para manter a pessoa nesse estado é ir aprofundando o transe com sugestões de
relaxamento, mantendo a mente dela em contato com a sua voz aumentando as respostas as sugestões. O importante
aqui é manter a homoação e heteroação acontecendo.

Existem diversas maneiras de se aprofundar o "transe", pode ser feito com metáforas ou com sugestões diretas, como
aprendido na primeira parte da apostila. O aprofundamento "Mata Leão" é extremamente eficaz e um dos que mais
recomendo na clinica.

f. Local Seguro: Esse lugar é um local que nós instalamos como “segurança” durante a terapia. Você nunca vai sugerir
como é esse local, o seu paciente vai criar da maneira que for melhor pra ele, mas o importante é sugestionar que é
completamente seguro, blindado de emoções negativas. Veja um exemplo de roteiro:

“Você vai perceber agora que existe uma porta na sua frente, muito bonita, talvez a porta mais bonita que você já viu
em sua vida. Não abra ela ainda. Atrás dessa porta, tem um lugar muito especial. É um local onde nada pode te fazer
mal, completamente blindado de emoções negativas. Pode ser que quando você entrar lá você esteja sozinho ou
com pessoas que você ama. Somente sentimentos bons conseguem chegar nesse local. Independente de como você
estiver se sentindo, sempre que você entrar nesse local, você irá sentir tranquilidade, paz e bem estar. Quanto mais
tempo você permanece ali, mais intenso esse sentimento fica. Abra essa porta, e conheça o seu paraíso.“

g. Finalizando a primeira sessão: Mostre para seu cliente que cada caso é diferente do outro. “Agora, vou estudar seu
caso com tudo que conversamos hoje, podemos já marcar uma sessão para semana que vem, mas com base nesse
estudo vou te indicar quantas sessões acredito que vamos precisar para trabalhar o seu problema”.

Cada caso é um caso, pessoas com um mesmo problema podem levar mais ou menos sessões para resolvê-los,
somos seres humanos, cada um com suas peculiaridades.

CAPÍTULO 11
SUA CAIXA DE FERRAMENTAS

Existem diversas técnicas para se trabalhar os mais diversos tipos de problemas. Abaixo segue as que mais utilizamos.

REGRESSÕES
Uma das ferramentas mais utilizadas na terapia. Existem diversos tipos de regressões e em seguida vocês vão ter
acesso a diversas maneiras de se conduzir. É importante se entender que o que muda de uma técnica para a outra são
as metáforas utilizadas.

Terapeuticamente falando, o uso da regressão pode ser resumido como encontrar dentro de si um padrão emocional
que hoje nos afasta de nossa essência e que pode ser ressignificado para uma maior integridade dos indivíduos. É
também possível se usar a regressão para acessar não somente momentos traumáticos, mas também momentos
felizes.

Algo fundamental de se entender é que todas as nossas memórias são inventadas. A regressão vai acessar as
memórias, mas não significa necessariamente que essas memórias são reais (podem sim ser, mas também podem
não ser), e isso é algo importante a ser explicado para seus pacientes. Por isso entra-se num debate sobre a existência
ou não de vidas passadas. Para nós, terapeutas, tanto faz. O importante é lidar com as emoções relacionadas a isso.

Essa técnica é muito baseada nos principios de Freud, na qual reprimimos memórias traumáticas por conta de nosso
mecanismo de defesa, e com isso, nos distânciamos mais da nossa autorrealização. Esses comportamentos acabam
nos influenciando de forma inconsciente, fazendo com que a regressão seja muito util para conseguir ressignificar os
eventos traumáticos, dando assim novos significados e interpretações para os ocorridos, fazendo com que a pessoa
aprenda a ver com outros olhos e a viver de uma forma diferente, com os recursos necessários para a mudança.
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A. TERAPIA REGRESSIVA: REGRESSÃO DAS PORTAS
Passo 1: Hipnotize o sujeito e leve-o para o lugar seguro. Indique que ela vai encontrar um baú muito bonito, fechado.
Nesse baú terão 3 coisas: um óculos, um maço de chaves e um controle remoto. Essas ferramentas serão usadas no
processo de ressignificação, veja abaixo a utilidade de cada uma:

1. Óculos com lentes especiais: esses óculos tem a capacidade de te mostrar o lado bom de tudo, deixando sua
vida mais viva e cheia de emoções! Ele consegue te dar respostas de coisas que você antes não enxergava. Tudo que
acontece na nossa vida nos traz algo positivo, por pior que pareça, e esses óculos vão te ajudar a ver isso. Quando você
o coloca, as cores ficam mais vivas, tudo fica mais nítido, as respostas que você tanto buscava aparecem rapidamente.
Note que tudo que aconteceu para que você estivesse aqui hoje. Concluindo seus objetivos, dando um novo passo,
para talvez a melhor fase da sua vida? Está preparada para viver essa nova vida super interessante? Então pegue
essa emoção que você está sentindo agora e multiplique até não conseguir mais e me diga quando estiver no estado
máximo de alegria dentro de você. Esses óculos vão ajudar a pessoa a ressignificar os acontecimentos.

2. Maço de chaves: durante essa terapia iremos levar a pessoa em um corredor cheio de portas, as quais possuem
acontecimentos traumáticos ou que precisam ser resolvidos. Cada porta resolvida deverá ser trancada com essas
chaves, causando instantaneamente uma mudança na porta, deixando-a com uma aparência mais bonita. Uma das
chaves no maço é diferente e mais bonita que as outras.

3. Controle remoto: em alguns momentos, mesmo entrando na porta, pode ser necessário que a pessoa passe a cena
para frente ou para trás, ou a congele. Esse controle terá essa utilidade.

Peço para a pessoa abrir o baú, guardar os objetos e já colocar os óculos, para notar a mudança.

Passo 2: Guie a pessoa para o corredor cheio de portas e a oriente. "Cada porta representa uma idade, algumas
portas chamam mais atenção que as outras pelo seu aspecto feio. No final do corredor tem uma porta maior e muito
bonita. Em cada porta a pessoa terá a opção de entrar sozinha ou comigo (não influencio na ressignificação, faço isso
mais para a pessoa se sentir amparada)." Quando a porta for resolvida e você mandar ela sair da porta, ela deve sair
imediatamente, pegar a chave e trancar a porta, observado a mudança. Você irá começar pelas portas com idades mais
antigas, e vai avançando. Mas se preferir também pode começar dos traumas mais recentes voltando, o resultado virá.

Passo 3: Nesse momento a pessoa vai começar a entrar nas portas, e podem aparecer os mais diversos tipos de
traumas. Quando a pessoa escolhe uma porta para entrar, indique para ela não abrir ainda. Primeiro pergunte qual
idade essa porta representa e como ela está de aparência. Depois peça para ela dizer qual sentimento sente quando
toca a maçaneta da porta. Potencialize o sentimento, dê a opção de entrar com ela ou sozinha. Independente da
escolha, quando o sentimento está no pico mande-a entrar e indicar o que está acontecendo. Aqui, muitas vezes a
pessoa ou está na cena associada ou dissociada. Ao contar o que está vendo ou sentindo, dissocie a pessoa (se ela
estiver associada), fale que aquela pessoa mais jovem ali precisa muito da ajuda dela, se ela consegue hoje, com toda
a experiência de vida que tem ajudá-la, conversando com ela. Peça para ela colocar os óculos que assim irá conseguir
enxergar o porquê foi importante pra ela viver aquilo para construir a pessoa que ela é, que por pior que seja a situação
algum aprendizado ela tirou disso. Assim que a pessoa estiver pronta, a permita conversar com sua versão mais jovem
e peça para ela indicar quando terminar de falar. Assim que isso acontece, toque na mão dela e fale que a partir de
agora você (terapeuta) fala com ela em sua versão mais jovem. Pergunte-a como está se sentindo depois da conversa.
Se o sentimento mudou e a ressignificação aconteceu, volte a falar com a pessoa em sua idade real e pergunte se tem
mais alguma coisa que ela queira resolver ali. No caso de estar tudo resolvido, peça para ela rapidamente sair da porta,
trancando-a com as chaves e observado a porta mudar. Caso a porta não mude e ela ainda sinta algum sentimento
ruim ali, voltamos novamente para refazer o processo, até que essa mudança ocorra na porta.

Repita esse processo em todas as portas que a pessoa quiser entrar, limpando todos os traumas.

Passo 4: Com todas as portas resolvidas, chegou a hora de fazer a ponte para o futuro. Guie a pessoa até aquela porta
maior e mais bonita do final do corredor.

“Pegue aquela chave mais bonita que está naquele maço de chaves, vamos agora até aquela porta bonita. Coloque
agora a chave na fechadura, mas ainda não gire. Quando você girar essa chave vai notar que todas as portas estarão
lindas igual a essa. Gire agora! Veja agora todas essas portas lindas deixando você preparado para receber a nova
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etapa da sua vida! Entre agora nessa porta, e você vai conseguir se ver no futuro! Se passaram dias ou meses, e
você começa a se ver com seus objetivos realizados, seja profissional, familiar, ou em qualquer âmbito da sua vida!
Transmita toda essa emoção para sua chave! Sinta toda essa emoção tomando conta do seu corpo, te mostrando que
todo o caminho, todo o esforço valeu a pena, pois você conseguiu atingir tudo aquilo que buscou! Veja como essa
emoção cresce cada vez mais!”

Esse é o momento ideal para fazer as mudanças que não foram feitas nas portas, além das que você anotou na
anamnese e os desejos do seu paciente! Feito todo o processo, peça para ele sair e trancar a porta com a chave.

“Saia rápido e tanque essa porta, sinta toda sua energia, euforia e liberdade que estão em todas as outras portas
também e está tudo funcionando perfeitamente! Agora você está reorganizado e pronto para viver melhor! Pegue essa
chave agora que controla todas as suas emoções e a coloque em seu peito. Comece a apertar lentamente com suas
mãos até ela começar a ser absorvida por você.”

Coloque a mão da pessoa no peito e aperte

“Sinta que a partir de agora, você é a chave, ela se dissolve dentro de você e agora você tem o poder de controlar todas
as suas emoções na hora que quiser! Sinta toda a mudança fluindo dentro do seu corpo. Perceba que a partir de agora
você está no controle”.

Passo 5: Emersão

Faça o caminho contrário que escolheu para fazer a regressão. Desperte-o fazendo se lembrar de tudo, sem nenhum
tipo de dor, com as mudanças feitas.

Estudo de caso: você começa a fazer a regressão, a pessoa para numa porta que a mostra no útero da mãe, depois
nascendo, um ano, dois anos, você percebe que o sentimento principal que a atormenta é a culpa, que está bem difícil
de ressignificar cada porta (demorando bastante tempo, mas dando certo) o que você faz?

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B. TERAPIA REGRESSIVA – REGRESSÃO A CAUSA (R2C)


Essa é uma das técnicas mais eficientes da hipnose. Consiste em uma regressão por emoção, não se estabelece o
retorno as memórias por data mas sim por momentos da vida em que a emoção foi sentida. Essa linha é extremamente
útil para se tratar os mais diversos tipos de casos, sendo mais rápida que a regressão das portas, pois você vai direto
ao foco (no caso de uma fobia, por exemplo, você vai direto nela).

i. Indução hipnótica, lugar seguro e baú com os objetos para ressignificar (nesse caso, apenas os óculos).

ii. Evoque o sentimento e amplifique-o ao máximo.

iii. Regressão para o primeiro momento que sentiu isso. Confirme se o sentimento é realmente algo novo. Se ela já
havia sentido, volte mais atrás buscando o verdadeiro evento inicial.

iv. Assim que encontrado o evento inicial, faça o processo de ressignificação assim como na regressão das portas,
colocando o adulto para conversar com a criança, usando os óculos para auxiliar. Deixe a criança passar pelo evento
EXATAMENTE como ele ocorreu. Se precisar pausar para ajudar a criança, faça isso. Repita o processo até a criança
passar pelo evento de maneira neutra. A criança deve informar o adulto que mudou positivamente, “eu mudei porque
agora sei que... sinto que.... Eu mudei e enquanto eu mudo você muda, pois eu e você somos a mesma pessoa."

v. Verifique se o sentimento aliciado aparece novamente em outros eventos, se sim, ressignifique todos até não

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aparecer mais nada.

vi. Reforce as mudanças e faça uma ponte para o futuro.

Exemplo de roteiro: “Existe um sentimento que atrapalha muito a sua vida, seu subconsciente sabe exatamente qual
sentimento é esse. Sinta esse sentimento mais uma vez, deixe ele ficar cada vez mais intenso, quanto mais forte ele
ficar, mais certeza você terá de que consegue eliminá-lo de uma vez por todas da sua vida. Permita que ele cresça
cada vez mais, ainda mais forte... se você pudesse nomear esse sentimento, que nome ele teria? Pânico? Muito bem!
E se você o colocasse esse pânico em uma frase, como seria? Ótimo, a sua mente sabe todas as lembranças que
estão conectadas a esse sentimento, vou fazer uma contagem de 1 a 5 e quando eu chegar no 5, você estará vivendo
novamente a primeira vez que sentiu esse sentimento.. 1, voltando cada vez mais... 2 esse sentimento fica cada vez
mais forte... 3 se aproximando cada vez mais da primeira vez que sentiu isso... 4 voltando mais... 5 e agora você está
na primeira vez que sentiu isso. Lugar aberto ou fechado? Está sozinho ou acompanhado? Dentro ou fora? Onde você
está? Quantos anos você tem? O que está acontecendo? O que você está sentindo? Deixe esse sentimento ficar cada
vez mais forte, se tiver algum momento antes desse que você sentiu isso, ao tocar na sua mão você irá direto para ele."
(Toque na mão do sujeito). Se ele cair em outro evento, repita o processo até que não apareça mais nada. Quando você
encontrar o primeiro evento, inicie o processo de ressignificação.

Ao terminar um evento, você pode falar “Muito bem, agora vou contar até 3, e quando chegar no 3, você irá para outra
lembrança que esteja te afetando... 1 ... 2... 3... Dia ou noite? Dentro ou fora... " E assim você ressignifica, ou se não
existir mais nada, faça a ponte para o futuro.

Essa ponte para o futuro pode ser feita levando-a para esse futuro e ancorando a sensação, além de dar as sugestões
necessárias de acordo com os problemas da pessoa.

Estudo de caso: no caso de uma fobia por baratas, você usaria a regressão das portas ou a regressão a causa?
Justifique.

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C. TERAPIA REGRESSIVA: PORTA DOS SENTIMENTOS


Essa técnica foi desenvolvida por Renan Moura. Muito parecida com a regressão das portas, a diferença acontece
que, ao invés de levar para um corredor de Portas com idades, existe um corredor antes com portas que representam
sentimentos.

Muitos pacientes tem dificuldade em definir, de maneira consciente, qual o principal sentimento atrelado ao que está
passando. Quando você leva o paciente para esse corredor com várias Portas, cada uma representando um sentimento,
sejam eles sentimentos bons como alegria, felicidade, e outros ruins como tristeza, ódio, ansiedade, etc, ele consegue
definir melhor o que o incomoda. As portas que chamam mais atenção por estarem feias ou destruídas, serão os
sentimentos a serem trabalhados. Ainda nesse corredor vai existir uma porta das Crenças Limitantes, onde ele vai
encontrar eventos que geraram crenças, a porta dourada do futuro, a porta que leva ao corredor do perdão e também
algumas portas sem demarcações (isso é sempre útil, podem aparecer diversas coisas que o paciente vai encontrando
significados, como por exemplo uma porta que represente vidas passadas, ou algo a mais a ser tratado).

Assim que a pessoa entrar nesse corredor e escolher a porta do sentimento que mais a incomoda, você inicia o mesmo
processo da regressão das portas tradicional. Dentro daquele corredor vão ter outras portas, cada uma referente a uma
idade, as mais destruidas ou as que mais chamem a atenção serão as portas com traumas a serem ressignificados.

Assim que você finalizar o corredor todo, ressignificando todas as portas, na hora de voltar para o corredor e fechar a
porta, você indica que aquele sentimento incomodo irá tornar-se outro sentimento. Caso o sentimento tenha mudado e
a porta tenha mudado de aparência, você parte para outro sentimento até limpar tudo.

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Com os sentimentos finalizados, você guia o sujeito para a porta das crenças limitantes. Da mesma forma que nos
outros corredores, a pessoa irá encontrar portas destruídas com idades marcadas. Importante ressaltar que a cada
crença limitante solucionada e ressignificada, automaticamente será gerada uma crença possibilitadora. Finalize o
corredor ressignificando e resolvendo todas as crenças limitantes.

Depois disso, coloque o corredor do perdão, na qual ele vai visualizando várias portas de pessoas que ele precisa
perdoar. No final desse corredor, vai ter uma porta especial, depois que ele perdoou a todos, o último perdão é o Perdão
Próprio. Leia mais sobre a terapia do perdão nos itens E e F.

Por fim, leve o paciente para a porta dourada, na qual, assim como explicado na regressão das portas, ele irá visualizar
seu futuro com as mudanças feitas, ou seja, é uma ponte para o futuro.

D. TERAPIA DAS PARTES


Essa técnica vem dos princípios da gestalt-terapia, e é uma ferramenta extremamente poderosa que traz resultados
incríveis. Ela parte do principio de que existem vários “Eus” dentro de nós e quando todos estão em harmonia, os
objetivos e metas são cumpridos e estamos em paz conosco. Em alguns momentos, esses “Eus” entram em desacordo.
Quando isso acontece, fazemos com que cada “eu” conversem e entrem em um acordo para que todas as partes saiam
satisfeitas. Para potencializar essa ferramenta, adicionamos a essa terapia o “perdão”, o qual trouxe resultados muito
bons. Veja um exemplo:

Terapeuta: “Quero agora que você veja que você está em uma sala branca, com 2 poltronas, uma de frente para a
outra. Escolha uma poltrona e sente-se confortavelmente. Você vai perceber que quando eu tocar na sua mão, vai
aparecer a sua parte responsável por fazer você beber demais, e ela aparece ai agora. Você está vendo essa parte
sua?”

Paciente: “Sim, ela está aqui.”

Terapeuta: “Eu quero agora que você desabafe com essa parte sua, todo o mal que ela te faz, coloque tudo pra fora,
tire esse peso de você e, assim que você terminar de falar com ela, pode me avisar.”

Deixo o tempo que a pessoa precisa para colocar tudo pra fora. Aguardo a sinalização dela.

Terapeuta: “Muito bem. Agora eu falo com você, a parte do FULANO responsável por fazê-lo beber demais. Ouvindo
tudo que ele te disse agora, em como você tem feito mal pra ele, quero saber, porque você o faz beber?”

Parte Responsável pela bebida: “Pra ajudar ele a reduzir o estresse... para ele se sentir melhor”.

Terapeuta: “Você sabe que, fazendo isso, faz ele perder o controle e tomar atitudes que não quer tomar (veja na
anamnese o que isso causa para seu paciente e use aqui). Quando isso acontece, ele se sente mal e arrependido,
você quer que ele se sinta assim?”

Parte Responsável pela bebida: “Não... eu só queria protege-lo...”

Terapeuta: “Você, sabendo do mal que fez pra ela, poderia pedir perdão?”

Parte Responsável pela bebida: “Sim, não quero fazer mal pra ele.”

Terapeuta: “Muito bem, então pode fazer isso e me avisar quando terminar”.

Aguardo o aviso.

Terapeuta: “Falo agora com você FULANO, e não com sua parte. Ouvindo o perdão dessa sua parte, que só na verdade
queria te proteger mas escolheu a maneira errada para fazer isso, você a perdoa?"

Paciente: “Sim, eu compreendo o porque ele fez isso”.

Terapeuta: “Muito bem! Agora, sabendo que essa estratégia atual não está funcionando, vocês, juntos, conseguem
pensar em uma maneira de superar esse estresse e faze-lo sentir-se melhor, sem que isso afete ele da maneira
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errada?"

Paciente: “Não consigo pensar em nada...”

Terapeuta: “Sem problemas, vou chamar a parte sua responsável pela sabedoria, sua parte Sábia, ela sempre encontra
soluções para tudo além de ser uma ótima estrategista, e ela aparece aqui agora. Vou dar um tempo agora para vocês,
juntos, encontrarem uma solução para conseguir ter o que buscam sem que isso os afete de maneira negativa, no
tempo de vocês. Assim que vocês encontrarem uma estratégia que todas as partes estejam satisfeitas, vocês podem
me avisar.”

Aguardo o sinal.

Paciente: “Encontramos, agora sabemos o que fazer!”

Terapeuta: “Todas as partes estão satisfeitas com a estratégia?”

Paciente: ”Sim, estão!”

Terapeuta: “Muito bem! Agora vocês podem se abraçar e perceber que você absorve suas partes, já sabendo exatamente
a estratégia que deve seguir para atingir seus objetivos..."

Estudo de caso: a parte da pessoa responsável pelo hábito ruim não se arrepende e não quer mudar, como conduzir?

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E. TERAPIA DO PERDÃO: PERDOAR OS OUTROS


Muitas pessoas guardam sentimentos ruins de situações causadas por outras pessoas, as quais ela continua carregando
até hoje em sua vida. O ato de perdoar nada mais é que dar um ponto final e um encerramento para isso.

I. Coloque a pessoa na sala branca com as duas poltronas, peça para ela escolher uma para sentar.

II. A pessoa que mais machucou ela vai aparecer na outra poltrona.

III. Peça para o paciente desabafar tudo que essa pessoa a fez de mal.

IV. Como você sente isso em seu corpo?

V. Faça o paciente se tornar o agressor, e o confronte intensamente.

VI. Faça o agressor admitir que gostaria de ter feito diferente, e peça perdão.

VII. Verifique se o paciente aceita o perdão. Se ele aceitar, está livre. Se não, repita o processo.

VIII. Veja se tem mais alguém importante que ela precisa perdoar.

Exemplo de roteiro:

“Você está agora em uma sala branca, com duas poltronas viradas uma de frente para a outra. Escolha uma poltrona
e sente-se confortavelmente. Enquanto você aguarda nessa poltrona, eu quero te explicar algo sobre o perdão. Muita
gente acredita que perdoar alguém é esquecer ou aceitar o que a pessoa fez, como se fosse um presente para ela.
Só que o que acontece na verdade é exatamente o oposto, o perdão é um presente para nós mesmos. Quando nós
perdoamos alguém, é como se colocássemos uma pedra no passado, toda a história que temos com aquela pessoa,
todo o mal que ela fez, não irá mais nos afetar. Você vai perceber que, agora, na sua frente, irá aparecer a pessoa que

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mais te machucou nessa vida, a pessoa que mais precisa do seu perdão...”

F. TERAPIA DO PERDÃO: PERDÃO PRÓPRIO


Tão importante quanto perdoar os outros, é perdoar a si próprio. Muita gente carrega culpas infundadas que atrapalham
o andamento de sua vida e a prejudicam em diversos aspectos.

I. Coloque a pessoa na sala branca com as duas poltronas, peça para ela escolher uma para sentar.

II. Na outra poltrona, irá aparecer ela mesmo, sua parte “negativa”.

III. Faça seu paciente desabafar tudo para essa sua parte negativa.

IV. Faça seu paciente se tornar a parte negativa e converse com ele, confrontando-o.

V. Mostre ao seu cliente que essa parte “negativa” estava tentando protegê-lo.

VI. Mude o nome dela para parte “protetora”.

VII. Faça seu paciente perceber que as experiências tiveram um lado positivo, e que ele não tem culpa do que aconteceu.

VIII. Conduza ao perdão.

IX. Faça as partes se aceitarem e virarem uma só

X. Você pode também buscar estratégias, assim como na terapia de partes, para manter a intenção positiva com
estratégias que não façam mal para a pessoa.

Exemplo de roteiro:

“Mantenha-se sentado nessa poltrona (Caso você esteja conduzindo isso depois de perdoar os outros). Na sua frente
agora, irá aparecer uma pessoa muito importante para você e que precisa MUITO do seu perdão. Ela te machucou,
permitiu que outras pessoas te machucassem, fez você ter dúvidas, sofrer, ter medos. Você vai ver, que na sua frente,
está você mesmo. Mas, apesar de ser você, está um pouco diferente, é uma parte sua que está ali. É a parte que
fez você ter ansiedade, comer compulsivamente, ter a fobia (use aqui os dados coletados na anamnese, deve ser
personalizado para cada cliente). Ela é como se fosse sua parte negativa... e está sentada na sua frente agora.”

G. TÉCNICAS PARA CONTROLE DE DORES


As técnicas ensinadas a seguir têm como objetivo tirar as dores de cabeça do sujeito, mas nada impede que sejam
usadas para outros tipos de dores. Lembre-se sempre de falar para a pessoa consultar um médico, pois a dor geralmente
é um aviso do corpo para algo mais sério.

I. TÉCNICA DA PRESSÃO

Pergunte ao sujeito de 1 a 10, quanto está o nível da dor dele. Vamos supor que a pessoa responda 6. Diga a seguinte
frase para o sujeito:

“Se eu aumentar essa dor para 7, mas depois eu retirá-la completamente, você se importaria?”

Provavelmente a pessoa irá dizer que sim, então prossiga.

“Vou pressionar a sua cabeça e a hora que sua dor aumentar para 7 me avise.”

Comece a apertar a cabeça da pessoa.

“E você percebe que é a pressão dos meus dedos que está causando essa dor. Ela já aumentou para 7? (espere o
sujeito confirmar). Certo! No momento em que eu soltar esses dedos da sua cabeça essa dor sumirá imediatamente."

Solte os dedos e diga. “E a dor some completamente”.


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Faça uma pergunta aleatória para a pessoa, com o objetivo de distrair a mente dela, e depois pergunte: “E aquela dor,
em que nível está?”.

O importante nessa técnica é o cérebro da pessoa entender que a dor está diretamente relacionada ao pressionar a
cabeça, e quando a pressão é solta a dor some. O cérebro compreende isso e libera as substâncias necessárias para
que essa dor suma.

II. TÉCNICA DAS FRUTAS

Pergunte para a pessoa de 1 a 10, quanto está a dor dela. Veja a resposta e siga o roteiro;

"De 1 a 10, qual o nível da sua dor? (suponhamos que ela responda 8). Certo. Se essa dor fosse uma fruta, qual fruta
seria? (suponhamos que ela escolha uma melancia). Ok, uma melancia, e de que cor é essa melancia? (a pessoa diz,
por exemplo, azul). Ótimo, uma melancia azul, de qual tamanho? (a pessoa mostra com as mãos o tamanho). Perfeito.
Quero que agora você, por favor, feche os olhos. Quero agora que você imagine essa melancia azul grande, na sua
frente, você consegue fazer isso? Perfeito. Você vai perceber agora que essa melancia começa a se transformar, e ela
vira um melão, verde, menor. E esse melão, ele começa a mudar de forma, até que vira uma maça, rosa, menor ainda.
Essa maça começa a mudar e a diminuir, e se transforma numa uva roxa, bem pequena. Essa uva também começa a
diminuir, até que vira uma cereja vermelha. Essa cereja vai diminuindo, até que ela vira um grão de areia bem pequeno,
que cai na sua mão! Agora você vai e assopra esse grão de areia (espere a pessoa assoprar). Isso, muito bem, e ele
vai pra longe, cada vez mais longe, até que ele some completamente do seu campo de visão. Abra os olhos. Qual a
cor do portão da sua casa (pergunta para quebrar o padrão). Assim que a pessoa responder, pergunte em seguida. E
aquela dor? "

Vale ressaltar que você pode fazer essa técnica com outras coisas, como formas geométricas, por exemplo. Use sua
imaginação, o importante é entender o conceito por trás da técnica.

H. O METAPADRÃO DA MUDANÇA DA PNL


É o padrão subjacente a quase todos os trabalhos de mudanças de sucesso. O metapadrão segue os passos necessários
para a reconsolidação da memória.

Passo 1: Associe-se ao estado do problema. Você deve acessar o estado do problema para podermos ver com o que
ele se parece, buscando o gatilho que faz com que o padrão seja automático.

Esse passo é extremamente importante pois, se não encontrarmos o gatilho, não teremos onde colar os recursos
copiados. Nele você consegue visualizar a fisiologia associada ao gatilho, os gestos, expressão facial e fisiologia
associada ao gatilho. Vendo isso, ao testar o trabalho de mudança, você saberá o que não irá querer ver. Quando
você faz a pessoa se associar ao problema, está também ativando a rede neural relevante conectada a essa memória.
Considerando que lembranças são maleáveis, temos a oportunidade de mudar os aspectos emocionais a cada vez
que são recordados.

Passo 2: Dissociar. O padrão que interrompe e afeta as ferramentas de regulação irá armar os seus pacientes com
diferentes maneiras de sair de estados emocionais indesejados. Quanto melhor for a quebra de estado, mais atenção
o cérebro dará ao processo de mudança. A dissociação é como remover a emoção da memória e entrar em um estado
neutro.

Passo 3: Associe-se ao estado do recurso. Faça seu paciente ter acesso a um estado de recursos, para ajuda-los a
vivenciar como eles querem sentir-se naquela situação. Se eles responderem “eu só não quero me sentir ansioso”,
você sabe que ele ainda está associado ao estado do problema. Volte ao passo 2 e repita o processo.

Passo 4: Traga o recurso para o problema. Aqui, trazemos o recurso para o gatilho do problema e o desmembramos.
Estando em um estado positivo (força, confiança, etc), fazemos o paciente olhar para o problema e o condicionamos,
repetindo o ciclo várias vezes até chegar a causa, que agora se torna o gatilho automático para o estado do recurso. A
partir desse estado de sensações positivas, fazemos com que ele imagine outros exemplos de quando ele, anteriormente,
pode ter tido o problema, conectando os estados emocionais positivos a essas situações.

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Faça uma ponte ao futuro, fazendo o paciente ensaiar esse sentimento em situações posteriores, nas quais ele se
sente ou se comporta de forma diferente. Isso faz com que a mudança se consolide.

I.SALA DE CONTROLES
Ótima técnica principalmente depois que ensinamos ao paciente como usar a auto-hipnose. Faça uma vez com ele e
mostre como ele pode fazer sozinho, em auto-hipnose. Veja abaixo como fazer.

I. Leve seu cliente ao lugar seguro e fale que lá em algum lugar tem uma porta fechada de metal.

II. Explique para ele que dentro dessa porta existe um painel de controle, cheio de alavancas. Cada alavanca representa
um sentimento, uma emoção, pode ser confiança, ansiedade, força de vontade, energia, timidez, entre outros. Cada
alavanca tem uma escala de 0 a 10, onde 0 é nada, e 10 muito forte. Dentro dessa sala você pode mudar qualquer
alavanca que quiser da maneira que preferir. Mude tudo que você quiser mudar e , assim que terminar, aperte o botão
vermelho bem grande que tem nessa sala, tornando as mudanças permanentes e despertando do transe.

III. Entre na porta e faça as mudanças! Assim que você terminar e apertar o botão vermelho, no seu tempo, você irá
despertar desse transe se sentindo com todas as mudanças realizadas.

J.VITRAL
Erick Rolf utiliza muito essa técnica como uma demonstração do estado de hipnose, em sua primeira sessão, às vezes
pós-anamnese como bônus. Ela foi estruturada para ser para qualquer pessoa (sem precisar saber o problema) e
trazer uma sensação de leveza, fazendo com que o cliente perceba os benefícios da terapia com hipnose desde a
primeira sessão. Ela se compõem da união de 3 técnicas em sequência.

1-VITRAL/ESPELHO: Uma metáfora para pessoa depositar todas mágoas, traumas, medos ou o problema principal em
um espelho (ou outra superfície) e destruir o espelho depois, se livrando das sensações associadas.

2-Após isto fazer a transição para ENERGIZAÇÃO usando a frase "nada se perde, tudo se transforma e os cacos deste
vidro agora se tornam em luz" e a luz entra pela cabeça trazendo todas as sensações boas trazidas na anamnese, para
potencializar a sensação de energia.

3- Por último eu faço uma PONTE AO FUTURO/PROJEÇÃO, para a pessoa ver quem ela pode ser com todas as
transformações que se ocorreram (cria nela uma vontade maior de buscar este estado futuro desde a primeira sessão).

Depois da indução (normalmente Dave Elman) e o aprofundamento, começamos:

1 - Talvez você possa ver, perceber ou imaginar em sua frente um espelho, do tamanho que quiser, um espelho que
conheça ou talvez esteja criando agora. Já consegue perceber o espelho? Ótimo (o uso do “perceber” por ser valido
para qualquer canal do VAC). Projete agora tudo de ruim de sua vida ali, principalmente as causas dos problemas que
você melhor que eu, sabe que te incomodam hoje. Coloque todas suas mágoas, frustrações, medos, brigas, tudo aquilo
que você não quer mais na sua vida, imagens, sons, sensações.

Veja como um filme passando bem diante dos seus olhos, se permita reviver por uma última vez, tudo que te incomoda,
projetado nesse espelho, isso, não deixe nada para trás, este é um tempo seu, me avise quando terminar de colocar
tudo ai. (aguardar algum tipo de "ok")

- Ótimo, agora gostaria que percebesse ou imaginasse em sua mão uma pedra, talvez possa vê-la, sentir seu peso, a
textura ou apenas senti-la em sua mão, consegue perceber a pedra? ÓTIMO, seguro firme, em breve irei pedir para
jogar com toda sua força no espelho. Tem mais alguma coisa que gostaria de colocar aí? Não? Ótimo.

- Se prepare, 1, 2 e 3 AGORA, jogue esta pedra ou jogue quantas forem necessárias e veja este espelho estilhaçar e
quebrar em milhões de pedaços tudo aquilo, libertando você da dor, sofrimento, rancor, culpa e tudo mais que você
colocou ai e tudo ai vai embora de uma vez por todas.

2 - Mas na natureza, nada se perde e tudo se transforma, talvez você possa perceber que esses estilhaços começam a
se unir e virar uma luz, essa luz pertence a você, assim como do veneno se faz o antídoto, toda sua dor se transforma

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em luz e volta para você, por que você só é quem é por tudo que passou.

-E esta luz começa a subir a altura do rosto e começa a te iluminar. Esta luz tem alguma cor? (Verificar se a pessoa
está acompanhando o processo) Essa luz começa a se aproximar e talvez possa permitir que ela entre pelo topo da
sua cabeça.

-Se como ela iluminasse seus pensamentos, trazendo clareza para tudo que você precisa decidir agora, talvez ela
possa se direcionar para seus olhos, para que comece a ver as cosias de uma forma mais leve e clara, com amor
(trazer outras sensações desejadas que apareceram na anamnese). Isso... e esta luz continua a percorrer pelo seu
corpo, em direção à boca, para que você possa sempre se expressar com clareza, amor, carinho, isso, e ela continua
descendo para garganta, limpando também tudo aquilo que já ficou preso aí e não foi falado, trazendo alivio, paz e
tranquilidade.

- E agora esta luz pode ir pro seu peito, iluminando seu coração e entrando na sua corrente sanguínea e se espelhando
por todo o corpo, trazendo amor, amor-próprio, felicidade, energia, disposição... isso... como está se sentindo? (aqui às
vezes ancorar a sensação para o cliente levar como presente hipnótico)

3 - E talvez em algum lugar, você possa perceber, ver ou imaginar uma porta, muito especial em cima dela, talvez tenha
a palavra FUTURO, ao entrar nesta porta você poderá encontrar sua versão futura, quem você pode ser APÓS TODAS
ESTAS MUDANÇAS QUE COMEÇARAM HOJE, já achou a porta? Ótimo, pode entrar. Como é a sua versão futura?
(pedir para que descreva para maior interação, neste ponto já sabemos se é visual, cinestésico ou auditivo e podemos
ir reforçando estes canais, mas também é bom ficar no neutro)

- Ótimo, tem alguma coisa que sua versão futura tem para lhe falar? O que? (muito interessante isto)

- Perfeito, e você, o que tem para falar para ele, fale agora... (pausa) ótimo, agradeça por ele existir, por ele confiar em
você e saber que vocês são um, e tudo que ele tem, você tem ou pode ter também e você já sabe o que fazer, certo?
Ótimo.

- Finalizado, faça emersão e desperte o cliente, é bem interessante questionar como foi a primeira sensação e
experiência hipnótica, as chances dele querer continuar o tratamento são altas.

CAPÍTULO 12
TRATAMENTOS

Aqui você irá ver alguns exemplos de tratamentos, claro que cada caso é um caso, você vai perceber que cada
paciente pode tomar um rumo completamente diferente de acordo com suas necessidades.

A. TABAGISMO
É importante entender durante a anamnese as motivações que o paciente possui para parar de fumar e detalhes em
relação ao vicio. Essa entrevista será feita com base nas questões sobre a motivação e as questões sobre por que o
cliente fuma. Anote todos os padrões de linguagem utilizados e os motivos pelos quais o cliente deseja parar.

Algo extremamente importante é entender os tipos de gatilhos envolvidos com o vicio: estresse, nicotina, hábito,
estimulação, fator social, etc.

Analise funcional: Fisiologia? Hábito? Fuga? Enfrentamento? Relaxamento? Ócio? Gatilhos Alimentares? Estimulante
intelectual?

Questões sobre motivação:

1) Por que você quer parar de fumar?

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2) Você realmente quer parar?

3) Você fuma cigarros do começo ao fim?

4) Quantos cigarros você fuma por dia?

5) Qual marca você fuma?

6) Com que idade começou a fumar?

7) Alguma vez você já parou de fumar completamente e voltou algum tempo depois? Como você parou? O que achou
fácil e difícil quando parou? O que fez você começar novamente?

8) Quando você fuma?

9) Existem eventos que servem de gatilho pra você fumar?

10) Você tem algum medo de parar de fumar?

11) O que você gosta e o que não gosta no cigarro?

12) Existem momentos em que você fica muito tempo sem fumar?

Questões sobre por que o paciente fuma

1) Você fuma por causa de raiva ou tédio?

2) Você acha fumar prazeroso ou relaxante?

3) Lidar ou ver a fumaça faz parte do prazer?

4) É insuportável ficar sem cigarros até arrumar algum?

5) Você fuma automaticamente sem estar ciente disso?

6) Você fuma para se animar ou se estimular?

7) Você tem uma vontade insuportável de cigarros quando você não fumou recentemente?

8) Você costuma achar um cigarro na boca e não se lembra de coloca-lo ali?

9) Você fuma no trabalho como um meio de ficar distante por alguns momentos?

10) Você fuma em casa como um meio de ficar distante por alguns momentos?

Depois dessa entrevista, você irá determinar o número de sessões baseado nas respostas. Parar de fumar na primeira
sessão geralmente é possível se o cliente estiver fumando um maço ou menos de um cigarro de alto teor ou um maço
e meio ou menos de um cigarro light e é identificado como um paciente motivado a parar de fumar. Se você perceber
que o paciente tem uma forte dependência da nicotina ou ele disser que tem, muitas vezes ele se sairá melhor se
usar o adesivo junto com o tratamento. Certifique-se de que ele não usa um adesivo muito forte com teor de nicotina
compatível com a nicotina dos cigarros que ele já fuma.

No dia que o paciente estiver preparado para parar de fumar, o “dia de parar”, é importante que ele assine um termo de
compromisso. Nesse dia você ainda envia para ele alguns áudios de reforço que vão ajuda-lo no processo. Mesmo que
o paciente pare já na primeira sessão, é importante um acompanhamento para que você tenha um feedback adequado.

As pessoas costumam fumar por diversos motivos, a entrevista indicará eles. Os mais comuns substitutos para se parar
de fumar são:

Estimulação: exercício ou uma bebida energética

Enfrentamento: respiração profunda e âncoras envolvendo tranquilidade. A família deve ajudar no processo.

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Hábito: utilize barreiras como uma bolsa com zíper de modo que eles tenham que tomar uma decisão consciente de
fumar. Outra coisa que pode ser feita é criar um lugar especifico para fumar, como um fumodromo, e deve ser o local
que o paciente menos gosta de fumar (dentro do carro, na cama, etc). Diga que o paciente ainda está fumando para
parar de fumar. Dessensibilize os gatilhos para o fumo e sugira a percepção consciente dos anseios.

Termo de Compromisso

Data que irá parar de fumar

Parabéns! Você deu o primeiro passo para o caminho do sucesso! Foque nos aspectos positivos em largar o cigarro e
sempre se lembre do porque tomou essa decisão!

Fumar já te prejudicou em diversas coisas da sua vida e, para parar de vez, você deve alterar o seu ambiente e limitar
suas tentações. Siga esses passos cuidadosamente para se parar de fumar na data estipulada.

1) Pegue um papel em branco, pequeno, e anote as razoes pessoais mais importantes para largar o cigarro. Mantenha
sempre com você esse cartão e de uma olhada frequentemente como reforço durante o processo e até mesmo depois
que já tiver parado. Leia sempre antes de dormir e nunca subestime as suas palavras.

2) Escolha um lugar para fumar que não seja confortável. Esse será o ÚNICO local que você poderá fumar durante
essa ultima semana. Agora você já não fuma mais por prazer, mas sim para largar. Coloque toda sua parafernália de
fumar nesse local. Pense antes de fumar: Estou fumando automaticamente ou de forma consciente?” Lembre-se, você
está fumando para PARAR.

3) Livre-se de todos os seus cigarros, até mesmo os escondidos. Escolha uma marca de cigarro que você não gosta
e faca o compromisso de comprar apenas um maço de cigarros por vez. Compre um novo maço apenas quando esse
tiver acabado completamente. Lembre-se mais uma vez: você está fumando para parar de fumar.

4) Para a última semana, corte os cigarros pela metade e somente fume a metade filtrada. Fume os cigarros na mão
oposta a que você fuma normalmente.

5) Limite seu consumo de álcool pelo menos durante o tratamento. Se existir o hábito de fumar enquanto bebe, pare
de beber por esse período. O álcool pode diminuir a sua determinação para seguir os passos e completar esse plano.

6) Reduza o consumo de cafeína para o mínimo durante e após o processo. O chá é um bom substituto.

7) Descanse bastante, especialmente durante a sua primeira semana livre do cigarro.

8) Comece a aumentar a ingestão de água e sucos de frutas naturais agora e uma semana após parar de fumar.

9) Torne publico o seu compromisso de parar de fumar. Avise a todos seus amigos, família que você ira largar o cigarro
na sua data de abandono.

Eu, ________________________________, por meio deste prometo a mim mesmo que, a partir de _____________,
eu prometo e me comprometo a ser livre a parar de fumar completamente e me tornar um não-fumante.

Assinatura: ____________________ Data ________

Testemunhado por: __________________________

Técnicas:

• Regressão para entender como começou esse hábito e as emoções relacionadas a cada cigarro.

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• Entenda todos os gatilhos e dessensibilize eles.

• Crie um mecanismo de parada, sugestões envolvendo a conscientização do ato de parar de fumar e sua interrupção.

• Ponte ao futuro: mostre pra ele dois futuros, um onde ele para e conquista o objetivo, e outro ruim onde ele não para
e isso comprometeu sua vida.

Áudio de auto-hipnose para ajudar seu paciente.

Inicie o áudio com uma indução de Dave Elman. Reforce os hábitos novos e a nova realidade física e mental que ele irá
ter. Mostre como isso tudo vai mudar a vida dele. Faça o paciente perceber que ele está agora descobrindo uma vida
nova, onde ele tem o controle, onde ele sabe as escolhas que faz e ninguém as faz por ele. Sugestione bem estar, paz,
tranquilidade. Controle a ansiedade dele durante o processo.

B. EMAGRECIMENTO
Muitas pessoas pensam que é somente instalar um balão hipnótico na pessoa para gerar saciedade que o sujeito irá
conseguir emagrecer. Ele pode até conseguir, mas é extremamente importante entender o que faz a pessoa engordar,
ter a compulsão por comer, quais gatilhos despertam isso, que tipo de sentimentos o fazem ter esse comportamento,
para, assim, trabalhar esses problemas. Se você faz a pessoa emagrecer sem resolver isso, ela pode depois descontar
aquele sentimento em outro comportamento compulsivo, como por exemplo, fazer compras, sexo, bebidas. Por conta
disso que muitas pessoas que fazem cirurgias bariátricas acabam engordando de novo, você emagrece o corpo, mas
a mente não estava preparada para isso.

O trabalho de perda de peso deve ser feito em conjunto com um nutricionista, e também auxiliado a exercícios físicos.

Perguntas a se fazer na anamnese:

1) Por que você quer perder peso?

2) Qual foi o maior peso que você já teve?

3) Qual o peso ideal para você?

4) Em geral, como é a sua dieta?

5) Você faz exercícios físicos?

6) Você tem membros da família com sobrepeso?

7) Como é o seu sono a noite?

8) Por que você foi incapaz de perder peso ou manter a perda no passado, o que fez você falhar? Quais foram os
gatilhos que fizeram você tropeçar (convívio social, lugares, coisas, atitudes)?

9) O que te causa estresse hoje em dia? (família, relacionamento, filhos, trabalho, etc)

10) Que razões emocionais fazem você comer demais? Liste quais sentimentos despertam isso. Por exemplo, você
pode se sentir desvalorizado em casa e comer doce te faz sentir melhor. Seja o mais especifico possível.

11) Qual seu objetivo de vida e o que lhe traria alegria?

12) Complete essas frases: Eu quero eliminar peso, mas....” “ Eu faria exercícios, mas...”

13) Qual seu medo sobre perder peso? Falhar novamente, por exemplo?

14) Que coisas do passado lhe causam estresse?

15) Quais atividades te agrade que você poderia usar para substituir a alimentação excessiva? Você já deixou de fazer

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algo que gostava muito?

16) Quais os benefícios em se eliminar peso e atingir seu peso ideal?

17) Quais os sentimentos estariam associados ao novo peso obtido?

18) Descreva em um parágrafo todas as sensações e sentimentos que você irá sentir no primeiro dia em que tiver
atingido seu peso ideal.

Para se eliminar peso de forma saudável, a pessoa deve ser honesta com ela mesma, admitir que as coisas precisam
mudar em relação a você e a forma como você lida com sua vida. Por que eu faço as coisas que faço?

Outro ponto importante é a responsabilidade. O paciente deve assumir a responsabilidade pela situação atual, sem
jogar a culpa em ninguém. Você tem o controle e precisa estar disposto a tomar as rédeas para um lugar melhor, um
passo de cada vez para onde você quer estar, emocionalmente, fisicamente e espiritualmente.

Assumir um compromisso com nós mesmos é extremamente importante para se ter resultados. Se você é do tipo de
pessoa que coloca a todos antes de você mesmo, está na hora de se priorizar. Se leve a sério, faça esse compromisso,
pois você merece.

Com base em tudo isso, será necessária uma força interior muito forte pois o desafio será diário. Sua determinação vai
fazer você ter força para enfrentar as dificuldades, supera-los, assim aumentando sua auto estima.

Como conduzir a terapia depois de feita a anamnese

• Baseado no que descobriu, faça uma regressão das portas para fazer uma limpeza de traumas. Pode ser que muitos
dos sentimentos atrelados sejam resolvidos e isso por si só já faça a pessoa mudar os hábitos. Descubra o que gera a
compulsão, se teve inicio em algum evento, ressignifique.

• Trabalhe constantemente com pontes para o futuro onde ela se vê com o peso ideal.

• Instale âncoras com as sensações desejadas pelo cliente, para estimular exercícios e consumo de alimentos saudáveis.

• Terapia das partes – parte que a faz engordar.

• Perdão próprio – muitas pessoas se culpam muito pelo ganho de peso.

• Balão Gástrico Hipnótico para dar um suporte na saciedade.

Balão Gástrico Hipnótico: consiste em simular uma cirurgia de redução de estomago, instalando um balão dentro do
estomago do paciente para gerar saciedade. Veja o roteiro:

“Imagine que estou colocando uma bexiga murcha em sua boca, em cima da sua língua. Você pode imaginar ela da cor
que preferir, ao coloca-la na sua língua, você começa a sentir a textura dela, o gosto... MUITO BEM. Junte agora saliva
e prepara-se para engolir essa bexiga. Isso, engula agora! Sinta ela descendo na sua garganta, pode ser que você
fique um pouco enjoado mas é normal, até que ela passa pelo seu aparelho digestivo até chegar no seu estomago.

Eu seguro em minhas mãos uma bombinha que infla esse balão, cada vez que eu a bombeio, seu estomago é
preenchido em 10%. Vou começar a bombear agora. Isso, agora 20%... 30%... Como você está se sentindo? 40%...
50%.... (vá vendo a reação da pessoa e veja o limite dela). Agora está bom para você? Muito bem! Agora você sente
como se tivesse comido além da conta, como naquele dia em que você exagerou. E nesse espaço que sobrou do seu
estomago você deixa livre para comer coisas saudáveis. Você irá se sentir saciado mesmo de olhos abertos. Toda vez
que você tocar com seu polegar direito na sua barriga, esse balão incha (faça ela fazer o movimento), quando você
tocar com o polegar esquerdo, ele desincha(faça novamente ela fazer o movimento). Todo dia antes de dormir você irá
encher esse balão, ao acordar irá encher novamente, antes de qualquer refeição irá encher novamente. Qualquer coisa
que você comer mais pesada logo te fara passar mal e você não quer isso. Mas você vai perceber que, quanto mais
alimentos saudáveis você come, melhor você irá se sentir e até mesmo o inchaço do estomago diminui.”

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Desperte a pessoa, veja como ela se sente e já teste as âncoras instaladas.

C. FOBIAS
Primeiramente é importante entender a diferença entre MEDO e FOBIA. O medo é uma emoção importante que nos
faz evitar situações que possam nos causar danos, evitando assim o perigo, garantimos nossa sobrevivência, ou seja,
o medo é um mecanismo de PROTEÇÃO. Os medos são normais e transitórios e ocorrem comumente nas pessoas,
sem causar sérios danos a elas. Fobia é um medo desproporcional que pode afetar de forma significativa a vida de uma
pessoa. Acontece quando temos um medo exagerado e desproporcional diante de determinada situação ou objeto.
Normalmente, a pessoa que apresenta fobia tende a evitar as situações as quais teme, causando prejuízo considerável
em sua vida, como evitar locais ou eventos por medo de enfrentar o que se teme. De uma maneira geral, pessoas que
tem fobia consideram uma situação muito mais ameaçadora do que ela realmente é.

O tratamento de fobias é um dos mais simples casos que um hipnoterapeuta pode pegar. A técnica mais rápida dentre
as ensinadas nessa apostila para se tratar fobias é a regressão a causa.

1) Descubra na anamnese e através das técnicas de meta-modelo a exata emoção que a pessoa sente na fobia em
questão.

2) Hipnotize o sujeito.

3) Leve a pessoa ao local seguro e crie uma âncora para acesso do mesmo (precaução nunca é demais).

4) Alicie o sentimento descoberto na anamnese, potencialize e leve a pessoa para o ECI (Evento causador inicial).
Importante você ter certeza que esse é o primeiro evento. Depois de avaliar a cena, diga para a pessoa “se existir
algum evento antes desse que você sentiu isso, você vai, na minha contagem, acessar... 5... 4 a emoção vai ficando
mais forte 3... 2 cada vez mais forte 1 você acessa esse evento agora.” Caso não apareça nada, você já sabe que o
evento que estava era o primeiro.

5) Ressignifique o evento com as técnicas ensinadas. Avalie se o sentimento com relação a aquele evento mudou e
tenha certeza que não afeta mais o paciente.

6) Siga para o próximo evento em que o sentimento apareceu. Normalmente quando o ECI é ressignificado, os outros
passam a não ter mais importância, mas acontecem casos que você deve ressiginficar um a um.

7) Após ressignificar todos os eventos, faça uma ponte ao futuro onde o paciente passa pela situação da fobia e avalie
como ele se sente.

8) Caso seja algo que você consiga mostrar pra ele (pessoas com fobia de barata, por exemplo, não conseguem nem
ver uma foto no celular), mostre fotos da situação ou do que o incomodava e avalie como seu paciente reage.

9) Caso você perceba que ele ainda sente a emoção negativa, volte para o passo 4 e conduza o processo novamente,
até ter certeza que está resolvido.

10) Ensine a seu paciente auto hipnose, para que ele sempre tenha controle de suas emoções.

D. DEPRESSÃO
A depressão é uma doença que atinge o cérebro, provocando reações químicas entre as substâncias por ele produzidas,
como dopamina, serotonina e noradrenalina. Quando esse desequilíbrio acontece ocorrem alterações de humor, bem-
estar, alegria sintomas como:

• Ansiedade

• Tristeza profunda

• Angústia

• Problemas com autoestima


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• Irritabilidade

• Falta de motivação

• Insatisfação

• Pessimismo

• Desesperança

• Sensação de vazio

• Inquietação e/ou agitação

• Desamparo

• Medo

• Insegurança

• Perda de interesse em coisas que costumava gostar de fazer

Na questão física, geralmente acontecem dores de cabeça, queda de imunidade, dores no corpo, distúrbios no sono,
cansaço, ganho ou perda de peso, mudanças no apetite, tensão nos ombros.

A depressão, além de desencadear as reações químicas no cérebro, tem origens psicológicas. Devemos o fazer
buscar dentro de si o que pode estar causando a depressão, buscando fatores ou comportamentos que possam estar
alimentando isso, para assim ressignifica-los e mudar sua postura diante disso.

Um dos tratamentos mais eficazes para esse tipo de problema é fazer uma limpeza completa de traumas em seu
paciente. Importante ressaltar que a hipnose é complementar no tratamento da depressão. Ela deve ter acompanhamento
psiquiatrico também e de outras áreas, se necessário.

1) Faça uma anamnese muito bem feita, identificando todos os sintomas e sentimentos que seu paciente tem.

2) Hipnotize o sujeito.

3) Leve a pessoa ao local seguro e entregue as ferramentas de ressignificação.

4) Faça a regressão das portas, passando por todos os traumas que a pessoa passou, ressignificando-os.

5) Com todas as portas resolvidas, leve o paciente para a porta dourada, tornando todas as outras portas lindas como
aquela, e finalizando com uma ponte ao futuro bem caprichada, com os novos sentimentos. Ancore.

6) Faça a terapia de perdoar os outros, muitas vezes a depressão pode ser causada por um evento na vida da pessoa
em que ela precisa perdoar alguém para deixar isso para trás.

7) Após a pessoa perdoar os outros, faça ela se perdoar, com a terapia do perdão próprio.

8) Faça a terapia das partes, conversando com a parte dela que a faz ter aqueles sentimentos. Entenda a intenção
positiva por trás disso, faça as partes buscarem alterativas para resolver o problema e que não façam mal ao paciente.

9) Ensine auto hipnose para o paciente, dando a ele a chave da mudança.

10) Faça um acompanhamento para ter certeza de que o paciente está bem.

E. ANSIEDADE
Toda a correria do dia a dia, stress no trabalho, problemas familiares, fobias, entre outras coisas, mostram como esse
mundo moderno em que vivemos potencializa o que hoje é dos principais males do mundo.
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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é líder no índice de pessoas que sofrem de ansiedade, e
cerca de 33% da população mundial tem algum tipo de transtorno nesse sentido (dados coletados até 2018).

De maneira resumida, a ansiedade é um estado de tensão e alerta em meio a determinada situação, seja ela real
ou imaginária. É a sensação de que algo de ruim vai acontecer com algo/alguém. A pessoa ansiosa está sempre
preocupada com o futuro, ou seja, antecipando as cargas emocionais que não deveriam ser absorvidas no momento
presente, pois é algo que ainda não aconteceu.

Nós somos constantemente bombardeados pelo sentimento de emergência, de urgência, e, com isso, estamos sempre
nos cobrando e tentando processar diversas tarefas e processos que devem processar continuamente.

Muitas pessoas se consideram ansiosas sem realmente conhecer exatamente o que é um transtorno de ansiedade.
Medo e ansiedade são reações naturais do ser humano e elas podem ser interpretadas como positiva também, pois
estimulam ação diante de determinadas situações. Também temos esse sentimento diante de situações positivas como
uma viagem, um casamento, que seria a expectativa diante de algo que vai acontecer.

QUAIS SÃO OS TIPOS DE TRANSTORNOS DE ANSIEDADE?

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

Esse transtorno é diagnosticado a partir do manifesto recorrente dos sintomas, por quase todos os dias durante
aproximadamente seis meses, influenciando negativamente nos aspectos de vida do individuo.

A pessoa que sofre desse transtorno convive com preocupações excessivas constantes, fadiga, dificuldade de se
concentrar, problemas para dormir, irritabilidade, alterações de humor, falta de ar, entre outros sintomas como os
citados acima. Essa ansiedade acaba gerando outros transtornos como o Pânico, comportamentos compulsivos,
fobias, entre outras coisas.

Pânico

Representa sentimentos repentinos de desespero, angústia, medo de morrer, medo de perder o controle. Essas crises
acontecem de maneira imprevisível, o que faz com que quem sofre desse tipo de desordem fique constantemente em
estado de alerta e preocupação.

Os sintomas são falta de ar, taquicardia, dor no peito, sudorese, vertigens, enjoo, medo da morte, calafrios, falta de
capacidade de se controlar. A pessoa geralmente apresenta ao menos 4 desses sintomas, os quais ficam com alta
intensidade e aparecem subitamente.

Reação Aguda ao Estresse

Isso acontece de maneira temporária e é acarretado pela exposição a situações altamente estressantes, envolvendo
desgaste tanto físico quanto mental. É muito comum acontecer em pessoas que sofreram algum tipo de violência,
assaltos, insatisfação com o ambiente de trabalho, etc.

Os sintomas são geralmente taquicardia, ondas de calor, agitação, desorientação. Por mais que sejam temporários,
esses sintomas podem se atenuar, se transformando em um quadro pior como o transtorno de estresse pós-traumático.

Transtorno de Estresse Pós-Traumático

Esse transtorno acontece com pessoas que vivenciaram situações de alto stress e traumáticas, como estupro,
sequestro, perdas trágicas, entre outros.

A pessoa que sofre disso passa por situações que o fazem reviver o trauma, como pesadelos, pensamentos intrusivos,
e essas lembranças chegam acompanhadas de sentimentos de angústia e ansiedade, muito próximas as experimentas
nas situações traumáticas. Isso geralmente faz com que a pessoa se isole e evite tudo relacionado ao fato ocorrido,
causando uma limitação na vida do sujeito, que deve ser acompanhado por um profissional.

Alguns dos sintomas desse transtorno são insônia, recordações constantes do evento traumático, isolamento, estado

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contínuo de alerta, ideação suicida, falta de vontade de viver.

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)

Caracteriza-se pela recorrência de pensamentos intrusivos acompanhados de compulsões mentais ou comportamentais,


sendo atos repetitivos e excessivos que comprometem a vida do sujeito. A pessoa cria rituais mentais ou comportamentais
que são executados para diminuir a ansiedade provocada pelas obsessões, que podem ser pensamentos, ideias, as
quais invadem a mente da pessoa, causando aflição e ansiedade.

Os atos mais comuns são relacionados a organização, limpeza, impulsos de agressividade, entre outros.

Exemplo: tomar banho ou lavar as mãos com frequência exagerada; verificar se deixou a luz acesa a todo momento na
casa; organizar constantemente o ambiente mesmo que já esteja organizado.

Fobias

Medo incontrolável de algo, objeto, animal ou situação, que atrapalhe sua vida. Existe uma diferença entre medo e
fobia, e é importante de se entender a diferença, veja o exemplo abaixo:

Medo de barata: a pessoa se incomoda com o animal, pode achar nojento e asqueroso, mas o fato do animal estar ai
não limita a sua vida. Se a barata está num canto da sala, longe da pessoa, ela consegue conviver com a situação.

Fobia de barata: a pessoa não pode nem ver uma foto de uma barata que já fica com todos os sintomas de ansiedade
e medo. Deixa de ir em qualquer ambiente em que o animal esteja presente mesmo de longe.

Assim como o tratamento para depressão, um dos tratamentos mais eficazes para esse tipo de problema é fazer uma
limpeza completa de traumas em seu paciente.

1) Faça uma anamnese muito bem feita, identificando todos os sintomas e sentimentos que seu paciente tem.

2) Hipnotize o sujeito.

3) Leve a pessoa ao local seguro e entregue as ferramentas de ressignificação.

4) Faça a regressão das portas, passando por todos os traumas que a pessoa passou, ressignificando-os.

5) Com todas as portas resolvidas, leve o paciente para a porta dourada, tornando todas as outras portas lindas como
aquela, e finalizando com uma ponte ao futuro bem caprichada, com os novos sentimentos. Ancore.

6) Faça a terapia de perdoar os outros, muitas vezes a depressão pode ser causada por um evento na vida da pessoa
em que ela precisa perdoar alguém para deixar isso para trás.

7) Após a pessoa perdoar os outros, faça ela se perdoar, com a terapia do perdão próprio.

8) Faça a terapia das partes, conversando com a parte dela que a faz ter aqueles sentimentos. Entenda a intenção
positiva por trás disso, faça as partes buscarem alterativas para resolver o problema e que não façam mal ao paciente.

9) Ensine auto hipnose para o paciente, dando a ele a chave da mudança.

10) Faça um acompanhamento para ter certeza de que o paciente está bem.

Outra sugestão: O Metapadrão da Mudança da PNL

1) Induza a pessoa ao transe e aprofunde.

2) Associe-se ao estado do problema. Você deve acessar o estado do problema para podermos ver com o que ele
se parece, buscando o gatilho que faz com que o padrão seja automático. Nele você consegue visualizar a fisiologia
associada ao gatilho, os gestos, expressão facial e fisiologia associada ao gatilho. Vendo isso, ao testar o trabalho de
mudança, você saberá o que não irá querer ver. Quando você faz a pessoa se associar ao problema, está também

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ativando a rede neural relevante conectada a essa memória. Considerando que lembranças são maleáveis, temos a
oportunidade de mudar os aspectos emocionais a cada vez que são recordados.

3) Dissociar. O padrão que interrompe e afeta as ferramentas de regulação irá armar os seus pacientes com diferentes
maneiras de sair de estados emocionais indesejados. Quanto melhor for a quebra de estado, mais atenção o cérebro
dará ao processo de mudança. A dissociação é como remover a emoção da memória e entrar em um estado neutro.

4) Associe-se ao estado do recurso. Faça seu paciente ter acesso a um estado de recursos, para ajuda-los a vivenciar
como eles querem sentir-se naquela situação.

5) Traga o recurso para o problema. Aqui, trazemos o recurso para o gatilho do problema e o desmembramos. Estando
em um estado positivo (força, confiança, etc), fazemos o paciente olhar para o problema e o condicionamos, repetindo
o ciclo várias vezes até chegar à causa, que agora se torna o gatilho automático para o estado do recurso. A partir
desse estado de sensações positivas, fazemos com que ele imagine outros exemplos de quando ele, anteriormente,
pode ter tido o problema da ansiedade, conectando os estados emocionais positivos a essas situações.

6) Faça uma ponte ao futuro, fazendo o paciente ensaiar esse sentimento em situações posteriores, nas quais ele se
sente ou se comporta de forma diferente. Isso faz com que a mudança se consolide. Ancore.

F. AUTO CONFIANÇA E TIMIDEZ


Geralmente esses problemas aconteceram por algum trauma na vida da pessoa que ela nem se lembra, mas que a faz
sentir-se sem confiança para falar em público, ou tímida para relacionar-se com outras pessoas.

Assim como o tratamento para depressão, um dos tratamentos mais eficazes para esse tipo de problema é fazer uma
limpeza completa de traumas em seu paciente.

1) Faça uma anamnese muito bem feita, identificando todos os sintomas e sentimentos que seu paciente tem.

2) Hipnotize o sujeito.

3) Leve a pessoa ao local seguro e entregue as ferramentas de ressignificação.

4) Faça a regressão das portas, passando por todos os traumas que a pessoa passou, ressignificando-os.

5) Com todas as portas resolvidas, leve o paciente para a porta dourada, tornando todas as outras portas lindas como
aquela, e finalizando com uma ponte ao futuro bem caprichada, com os novos sentimentos. Ancore PRINCIPALMENTE
confiança, autoestima.

6) Faça a terapia de perdoar os outros, muitas vezes a depressão pode ser causada por um evento na vida da pessoa
em que ela precisa perdoar alguém para deixar isso para trás.

7) Após a pessoa perdoar os outros, faça ela se perdoar, com a terapia do perdão próprio.

8) Faça a terapia das partes, conversando com a parte dela que a faz ter aqueles sentimentos. Entenda a intenção
positiva por trás disso, faça as partes buscarem alterativas para resolver o problema e que não façam mal ao paciente.

10) Leve ela para o painel de controle, trabalhando as alavancas que ela quiser, principalmente de confiança, timidez
e autoestima.

11) Ensine auto hipnose para o paciente, dando a ele a chave da mudança.

12) Faça um acompanhamento para ter certeza de que o paciente está bem.

Exemplo de terapia personalizada: Outra coisa que pode ser feita é a criação de terapias baseado nas metáforas
que a pessoa te passa. Se a pessoa chega para você e fala “quando me olho no espelho, não consigo ver nada de
valor”, você sabe que pode trabalhar com espelhos com ela. Leve ela ao lugar mais bonito que ela já visitou na vida, e
diga que em algum lugar ali existe um espelho. Quando ela encontrar esse espelho, pergunte o que ela vê no reflexo.
Ela vai citar provavelmente que vê uma pessoa triste, deprimida, sem autoestima, etc. Diga pra ela que, até hoje, ela
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não estava olhando da maneira correta para o espelho. Quando ela olhar agora novamente, com mais atenção, ela vai
perceber que algo ali mudou. Ela vai conseguir ver uma pessoa que a tempos estava escondida. Uma beleza que ela
tinha optado por esconder, mas que sempre esteve lá. Busque na anamnese pontos que ela considera forte nela como
pessoa e use aqui. “Você começa a observar agora como suas qualidades aparecem, começa a ver uma beleza interna
muito grande que tem uma energia tão poderosa a qual reflete externamente também. Talvez você não se lembre, mas
essa é você. Aquela parte sua que você escondeu por medo, insegurança, mas que sempre esteve ai, com todas as
qualidades que você sempre teve, mas não conseguia ver!"

Veja como a pessoa responde e as expressões corporais. Geralmente você consegue observar instantaneamente a
mudança. Pergunte como a pessoa se sente (aguarde a resposta positiva). "Muito bem! E agora você percebe que tem
a capacidade de entrar nesse espelho e assumir quem você realmente é, na minha contagem, você vai ver que esse
espelho na verdade é um portal para você se reencontrar e se redescobrir, com todas as suas qualidades que você
tinha deixado de ver, no 3 você irá entrar nesse portal e reassumir quem você realmente é... 1... 2... 3.. ISSO entre
nesse portal, e sinta toda essa mudança em você! É como se a sua mente tivesse se reencontrado com a verdade,
reassumindo sua autoestima e confiança, sendo a pessoa que você sempre foi, mas que estava escondendo! Como
você se sente?? (Ancore a sensação)”

Desperte a pessoa e veja a mudança.

G. VÍCIOS (POR DANIEL GATTI)


A hipnose é uma ferramenta muito útil no tratamento para diversos tipos de vícios, mas é preciso levar em conta que
sua utilização será diferente nestes casos do que se faria em um tratamento para fobias, por exemplo. Isso acontece
principalmente porque um vício não se estabelece em único evento. Ainda que determinado comportamento tenha
se iniciado em um momento específico, até chegar ao ponto de se tornar uma dependência ele já se fortaleceu por
diversos fatores diferentes, como fatores fisiológicos, emocionais, a criação de um hábito e etc.

A definição precisa do que é um vício envolve diversos fatores, e vai apresentar contradições dependendo de a partir
de qual perspectiva se analisa, mas para entender melhor esse protocolo basta saber que o que vamos estar tratando
como vício aqui é tudo aquilo que a pessoa não consiga evitar fazer. Falando de forma simplista, é como se o vício
corrompesse o mecanismo responsável pela sensação de prazer do cérebro, dando a impressão de que ele só será
conseguido daquela forma.

Anamnese e acolhimento

Algumas verdades inconvenientes permeiam os tratamentos para vícios. A primeira, e talvez mais dura delas, é que
enquanto terapeutas simplesmente não vamos conseguir ajudar a todas as pessoas que gostaríamos. Aceitar isso é
mais benéfico para os clientes em potencial do que insistir num tratamento para qualquer um. Para descobrir quais
pessoas poderemos atender, é preciso levar em conta dois fatores principais, sendo um deles referente ao cliente, e
outro ao terapeuta:

• O engajamento do indivíduo:

O sucesso em todos os tratamentos com hipnose vai depender do engajamento do sujeito. Sem o engajamento, será
impossível que ele encontre dentro de si mesmo os recursos necessários para a mudança, e para encontrar esses
recursos, ele precisa de fato querer mudar. É preciso que fique claro qual é a importância para o seu cliente em superar
esse quadro. Neste ponto é crucial que sejam identificados todos os ganhos secundários e gatilhos relacionados ao
vício e quais serão os benefícios que ele terá após a mudança, e o cliente precisa decidir conscientemente o que
prefere. Existem gatilhos emocionais, sociais, ambientais, etc. e o cliente precisa estar disposto a abandonar todos
eles se for necessário.

Sem este nível de engajamento logo na entrevista de anamnese, as chances de que o indivíduo não colabore no
decorrer do tratamento são muito grandes.

Caso o indivíduo não esteja engajado, é melhor não iniciar o tratamento. Observe que iniciar um tratamento sob essas
circunstâncias pode ser prejudicial, pois o insucesso pode alimentar crenças limitantes no sujeito.

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Outro fator que pode atrapalhar é que muitas pessoas vêm procurar a hipnose esperando por algum tipo de “mágica”,
como se fosse ouvir alguns comandos e nunca mais sentir vontade de consumir determinada coisa. Isso deve ser
esclarecido, e o cliente deve estar ciente da importância de sua participação ativa no processo.

• A aceitação positiva incondicional do terapeuta:

O segundo ponto a levar em conta é se o terapeuta está pronto para aceitar incondicionalmente, sem julgamentos,
aquela pessoa. Para qualquer um que se identifica como terapeuta, essa ideia de aceitação positiva incondicional é
bastante fácil de entender. Parece muito simples não julgar o cliente ou seus hábitos, mas, neste tipo de tratamento
especificamente, há pontos muito delicados a considerar. Dependendo de qual é o comportamento considerado como
vício, esse cliente em potencial pode ter uma história de vida mais pesada do que o terapeuta pode estar acostumado,
com atitudes que em outros casos se condenaria quase instintivamente.

Algumas dessas pessoas podem até mesmo ter cometido crimes, e aqui não estamos falando de consumir determinada
substância, pois o que criminaliza determinadas práticas muitas vezes é uma decisão arbitrária que não compreende o
problema como uma questão de saúde pública, ignorando o real impacto de tais hábitos na sociedade. Algumas destas
pessoas podem ter cometido furtos, roubos e outros tipos de violações para manter seus hábitos. Outras podem ter
mentido ou maltratado familiares em decorrência dos seus problemas. E é para esse tipo de coisa que você deve estar
preparado. Portanto, reflita: Você aceitaria incondicionalmente aquele rapaz que estourou o vidro do seu carro? Ou
aquele pai que não foi à festa de aniversário dos filhos porque estava embriagado em algum lugar? Ou aquela moça
que vendeu objetos da família para sustentar suas práticas?

Muitas vezes é com esse tipo de pessoa que você vai lidar ao tratar estes casos. É bom relembrar que ninguém é
obrigado a aceitar 100% dos casos, e que uma pessoa que não está pronta para lidar com essas coisas não é um mal
terapeuta necessariamente. Todos temos limitações, e é preciso respeitá-las, para o bem do cliente em primeiro lugar.
Terapeutas experientes costumam repassar casos a colegas que lidam melhor com determinadas questões, e isso
evidencia a importância de manter uma boa rede de contatos.

Analise funcional e alteração de rotina

Uma vez que terapeuta e cliente estejam em sintonia, inicia-se o tratamento, e o primeiro passo é fazer com que
o cliente descreva toda a sua rotina, com a maior riqueza de detalhes possível. Aqui você vai identificar todos os
momentos em que de alguma forma ele se relaciona com o vício. Isso é importante, entre outras coisas, para identificar
os gatilhos relacionados ao vício.

É comum que o cliente descreva uma rotina específica para os dias de semana, e outra para os sábados e domingos,
mas mesmo que a vida do cliente tenha uma organização peculiar, é preciso identificar todas as rotinas diferentes que
ele possui e detalhar cada uma delas. Neste ponto, cliente e terapeuta definem juntos alterações nessas rotinas em
todos os momentos em que ele se relacione com o vício. Por exemplo, se ele guarda os cigarros em determinada gaveta,
passar a guardar em outro lugar (no caso de tratamentos em que o cliente vai abandonar o vício gradativamente, e não
interromper de forma súbita), ou se vai sempre ao mesmo lugar depois do expediente beber com os colegas, deverá
parar de ir, etc. Isso enfraquece os gatilhos e facilita o trabalho, além de confirmar o engajamento. Toda mudança de
rotina neste contexto deve ser reconhecida e “parabenizada”.

Emoções, crenças e gatilhos

Com a rotina já estabelecida, identifique com o cliente quais são as emoções envolvidas em cada momento, pois cada
um deles vai ter um significado diferente. Lembre-se de que um vício pode ter uma origem em determinado fato, mas
se estabelece por muitas razões diferentes.

Tomando o tabagismo como exemplo, o primeiro cigarro da manhã pode estar ligado a questões fisiológicas, pois o
corpo passou um longo tempo sem receber nicotina, enquanto que o cigarro aceso quinze minutos antes de entrar
no trabalho pode ser apenas um companheiro para momentos solitários. O cigarro que se acende sem mesmo se dar
conta seria um hábito, e aquele que a pessoa fuma antes de dormir, uma autopunição, pois ela sabe que aquilo lhe faz
mal. Tudo isso são apenas exemplos, mas explicam bem o tipo de relação que deve ser procurada. A boa notícia aqui é
que você não precisa se apegar a definições muito exatas dessas emoções, pelo contrário, siga usando os elementos
“do mundo” do seu cliente. O que ele chamar de “solidão” será solidão para este caso.
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Identifique também quais são as crenças do seu cliente em relação ao próprio vício. Muitas delas estarão relacionadas
com a etapa de “pertencimento” na escala de hierarquias

proposta por Maslow. Alguns clientes tem uma crença tão forte de que aquilo é uma parte de quem eles são que
podem ficar com medo de não se reconhecer sem isso, sobretudo se houverem muitos gatilhos sociais E, por falar
nos gatilhos, é importante também identificá-los. Os gatilhos podem ser entendidos de uma forma parecida a como
entendemos as âncoras, como estímulos sensoriais ou emocionais que disparam uma sensação específica. Tomando
agora como exemplo a compulsão alimentar, um momento de ansiedade pode ser um gatilho para um lanche fora de
hora, assim como um filme pode ser um gatilho para beber refrigerante, e etc. Os gatilhos mais comuns costumam ser:

• Relaxamento

• Ansiedade

• Hábito

• Prazer

• Acolhimento

• Status

• Fisiologia

• Socialização

Uma vez identificados todos esses fatores (emoções, crenças e gatilhos), inicia-se a dessensibilização a cada um
deles, com a técnica que o terapeuta preferir, seja regressão, dessensibilização sistémica, etc. Pode parecer muito
trabalhoso, mas a tendência é que uma vez que você já tenha trabalhado alguns destes pontos, eles criem aquele
efeito cascata e seja muito mais fácil trabalhar os outros.

Caso o cliente não tenha citado espontaneamente ambientes e figuras de autoridade como gatilhos, convém estimulá-
lo a pensar sobre isso. Quase que certamente existem gatilhos relacionados a isso.

Mecanismo de parada

Após a realização da etapa anterior, o tratamento costuma já apresentar resultados, mas há ainda um recurso muito
interessante para utilizar nestes casos, que é o mecanismo de parada. Particularmente útil para auxiliar o cliente na
alteração da rotina, pois serve para inibir os hábitos relacionados ao vício. Se assemelha muito a um mecanismo de
condicionamento clássico.

Quando seu cliente relatar determinado hábito que vocês identifiquem como prejudicial, sugira que ele quando ele
estiver prestes a fazer aquilo, se lembrará da sua voz dizendo “não!”.

“Talvez, ao sentir o cheiro do café logo de manhã, você tenha vontade de acender um cigarro. Quando pensar em fazer
isso, imediatamente se lembrará da minha voz dizendo ‘Não! Não! Não! ’”

É importante observar dois detalhes em especial: O comando instalado na sugestão deve conter a apenas a palavra
não, para não causar o pharsing, como poderia ocorrer se você dissesse “Não Fume! ”, por exemplo. Além disso,
lembre-se de sugerir que a pessoa vai se lembrar da sua voz, e não ouvi-la, necessariamente. A expectativa por uma
alucinação auditiva pode frustrar o cliente caso ela não ocorra, levando-o a desacreditar da ferramenta.

Progressão

A progressão, ou ponte ao futuro, deve ser feita ao final de toda sessão, a fim de fixar na mente do cliente a imagem
de uma existência nova, já sem a dependência. Neste contexto em especial, ela deve conter todos os elementos

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identificados na anamnese como ganhos futuros, para ajudar a torna-los mais importantes do que os ganhos secundários
atuais.

Em alguns casos, alguns terapeutas usam uma técnica chamada “fundo do poço” em duas progressões, fazendo
o cliente experimentar as sensações de um futuro onde aquela prática não teria sido superada, ou até tivesse se
tornado maior. De fato, algumas pessoas vão se sensibilizar mais a abandonar velhos comportamentos desta forma.
Cabe ao terapeuta ter sensibilidade para avaliar quando e como isso pode ser utilizado. Em todo caso, é sempre
responsabilidade do terapeuta que o cliente saia das sessões se sentindo bem, portanto, caso você vá utilizar está
técnica, conduza a progressão para as duas possibilidades. Isto é, nunca mostre somente o fundo do poço, mas
também o caminho em que tudo deu certo.

Acompanhamento constante

Tenha em mente que, especialmente nestes casos, você nunca deixa de ser o terapeuta da pessoa. O acompanhante
deve ser feito de forma perene, mesmo após a última sessão formal, mantendo sempre um cuidado ativo para com o
cliente.

Recaídas

É um assunto delicado que requer abordagem cuidadosa. Seu cliente precisa entender que recaídas podem acontecer,
mas não devem. Se por um lado elas são indesejáveis, seria leviano desconsiderar que uma porcentagem muito alta
de pessoas recai em episódios esporádicos após abandoarem vícios. Se o cliente termina o tratamento com essa ideia
de que não poderá recair aceita como verdade, caso uma recaída ocorra, todo o processo poderá ser perdido, por criar
uma crença nele de que foi em vão, uma vez que “se tivesse funcionado, ele não recairia”. Por outro lado, recaídas não
devem ser estimuladas. É uma linha tênue, mas você deve tornar seu cliente consciente de que agora ele possui novas
ferramentas para lidar com isso, e já provou ter os recursos necessários.

CAPÍTULO 13
AUTO HIPNOSE
A essa altura você já sabe que a hipnose é um processo permissivo, e, portanto, toda hipnose é uma auto hipnose. Mas
o que estamos chamando de auto hipnose aqui é um conceito mais próximo do que as pessoas realmente esperam
quando ouvem falar nisso, que é aplicar em si mesmo as técnicas de hipnose para alcançar seus próprios resultados.
É importante saber como praticar a auto hipnose mesmo que você não tenha questões que queira mudar dessa
forma, pois elas são recursos muito valiosos para ensinar aos seus clientes para que eles usem para potencializar os
resultados obtidos no tratamento.

Lembre-se do que foi apresentado no começo desta apostila sobre definições e conceitos de hipnose. É importante ter
em mente que para a prática da auto hipnose, esse conceito de um estado alterado de consciência em que se ficará
suscetível não é o ideal. Isto porque uma heterohipnose (quando uma pessoa hipnotiza outra) depende sempre de que
se mantenha a expectativa elevada, e na auto hipnose isso não acontece, pois ao guiar o próprio processo, por saber
tudo que vai acontecer, está é uma tarefa complicada.

Para a auto hipnose, é preciso encararmos o processo sob uma perspectiva sociocognitiva, ou seja, a hipnose deve
ser encarada como um comportamento. Sendo assim, para o sucesso dos resultados na auto hipnose é essencial o
engajamento do sujeito com um objetivo e a intenção de desempenhar um comportamento compatível com alguém
que deseja estar hipnotizado. Sob essa perspectiva, pode-se assumir que o bom desempenho do sujeito em hipnose
depende do que o sujeito entende por hipnose e de qual é a sua atitude durante o processo.

Imagine duas pessoas distintas, uma que quer utilizar autossugestões para emagrecer, e outra que quer se colocar
em transe apenas para ver como é. Obviamente a primeira pessoa vai um processo mais efetivo e obter melhores
respostas, pois sendo o conceito de transe tão subjetivo, associar o processo hipnótico à entrada neste estado é
extremamente prejudicial, na auto hipnose em especial.
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Sob esse ponto de vista da hipnose como um comportamento, é possível afirmar que ele pode ser treinado, praticado e
melhorado (afinal de contas, é um comportamento), e é exatamente por isso que esse engajamento e essa atitude são
fundamentais. Sem esses elementos, a pessoa pode até experimentar algum tipo de sensação diferente, ou até mesmo
um relaxamento profundo, mas não fará sentido utilizar a hipnose como ferramenta para mudança.

Tenha um objetivo e direcione sua atitude intencionalmente para ser positiva ao processo.

AUMENTANDO A RESPOSTA A SUGESTÕES


Quando falamos sobre atitudes mentais, ficou claro que apenas uma delas era satisfatória para o bom funcionamento
do processo. “Gosto da sugestão, sei que está funcionando”

Também já ficou claro que a resposta a sugestões é um processo permissivo, mas não passivo. Ou seja, é conduzido
pelo próprio indivíduo. Com tudo isso mente fica mais fácil compreender como aumentar sua resposta tanto às
suas próprias sugestões quanto às sugestões recebidas em hetero-hipnose. É recomendado que o indivíduo haja
voluntariamente como se as sugestões já estivessem acontecendo.

Há uma frase em inglês muito frequentemente usada por hipnotistas: “FAKE IT UNTIL YOU MAKE IT”. Pode ser
traduzido como “Finja até que você faça”, e a ideia é exatamente isso. Agir voluntariamente como se todas as sugestões
já estivessem funcionando, até que elas passem a funcionar efetivamente. Num primeiro momento pode parecer
frustrante a ideia de estar fingindo o processo, mas é preciso analisar com calma. Observe como esse comportamento
se encaixa na primeira atitude mental, e também como se relaciona com o conceito de criação de âncoras. Costuma-se
usar um argumento em tom de brincadeira, mas ele é muito verdadeiro e esclarecedor sob esse contexto:

“Você já reparou que o que você faz todo dia antes de dormir é fingir que já está dormindo?”

Isso facilita a entender a proposta. Você se coloca numa posição específica e tem comportamentos específicos
esperando que o sono que você almeja se torne real, e isso vai funcionar também para os estados mentais e emocionais
que você quer atingir para essa mudança.

“Hipnose é o engajamento das crenças e da imaginação para a criação de uma realidade subjetiva”.

Na década de 80 , Donald Goracine e Nicolas Espanos desenvolveram uma bateria de exercícios para um experimento
científico com o objetivo de mudar a postura dos voluntários em relação à hipnose afim de melhorar sua performance:
o CSTP, Pacote de Treinamento de Competências de Carleton. Nesse experimento, era recomendado exatamente que
o os indivíduos se comportassem como se as sugestões já estivessem acontecendo, para automatizar as respostas.

É possível praticar isso usando qualquer convincer consigo mesmo e mantendo esta atitude mental.

RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA A PRÁTICA DE AUTO HIPNOSE


• Tempo dedicado: comece sua prática com a certeza de que pode chegar até o final sem ser interrompido.

• Ambiente e posição: Prepare o ambiente para que nada o incomode, e para que fique confortável o bastante para
que você possa relaxar, mas não confortável demais a ponto de que possa te fazer dormir, tendo em vista que você
poderá relaxar bastante. Lembre-se de que a hipnose é um processo ativo e você deve estar consciente durante todo
ele. Salvo se a sua hipnose é justamente para combate a insônia ou simplesmente para dormir melhor. É interessante
variar o ambiente para que você não fique condicionado a entrar em auto hipnose num único local.

• Segurança: Algumas técnicas podem até ser usadas enquanto você realiza outras atividades, como enquanto pratica
exercícios ou toma banho, mas fique atento para não utilizar modalidades que envolvam relaxamento ou que te deixem
muito sugestionável quando isso puder lhe colocar em algum risco, sobretudo dirigindo ou operando qualquer tipo de
aparelho. Qualquer tipo mesmo, desde um ralador até uma betoneira.

• Alarme: Se corre o risco de que você durma durante a prática, é conveniente programar algum tipo de alarme. Parece
apenas um detalhe prático, mas se isso começar a fazer com que outros aspectos da sua vida sejam afetados, como
perder horários ou comparecer a compromissos sonolento, sua mente pode classificar a prática como algo nocivo e
sabotá-lo.
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ENSAIO MENTAL
Um tipo muitas vezes subestimado de auto hipnose é o ensaio mental. O nome é autoexplicativo, e consiste exatamente
em ensaiar as ações mentalmente. A princípio pode parecer uma experiência muito leve para proporcionar mudanças,
mas um ensaio mental é uma forma lúdica de aplicar uma dessensibilização sistemática a si mesmo. Grandes atletas
como Pelé, Ayrton Senna e Michael Jordan já relataram em entrevistas que momentos antes de jogos ou corridas
fechavam os olhos e se punham a imaginar os movimentos que fariam quando estivessem em ação. Se eles sabiam
que isso é uma forma de auto hipnose, não há como ter certeza, mas os resultados que eles obtiveram e a capacidade
de tomar decisões rápidas são notórios.

Assim como a ponte ao futuro fixa uma percepção tão vivida do objetivo almejado a ponto de a própria mente aceitar
aquilo como verdade e passar a trabalhar para que aquilo se concretize, o ensaio mental pode obter o mesmo efeito.

Se você tem registrado na mente que numa apresentação para uma plateia, você ficará extremamente ansioso,
isso tenderá a acontecer. No entanto, se você se imaginar em todo o contexto, chegando no local da apresentação,
cumprimentando as pessoas e tudo mais que deve ocorrer até o momento em que você ouvirá a pergunta, e se imaginar
permanecendo calmo e respondendo com segurança, estará fazendo uma dessensibilização daquele antigo registro.

Se você tiver um signo sinal para auto hipnose, ou seja, uma âncora para um mindset adequado de foco e concentração,
pode fazer com que seu ensaio mental seja ainda mais efetivo. Para evitar se perder em pensamentos, você pode
escrever todo o roteiro do seu ensaio e lê-lo algumas vezes antes de usar seu signo sinal. Isso vai tornar mais fácil ficar
focado no contexto, sem pensamentos intrusivos.

AUTO HIPNOSE FALSA


Caso você ou seu cliente prefiram que a auto hipnose seja o mais parecido possível com uma hetero-hipnose, pode-
se utilizar o que se chama de auto hipnose falsa ou de hipnose guiada. Basicamente consiste em ouvir um áudio com
todos os elementos que uma sessão formal teria: Indução, aprofundamento, sugestões etc.

A desvantagem dessa prática para uma sessão formal é que, uma vez que o áudio de toda a sessão está previamente
gravado, não é possível utilizar técnicas que necessitem da interação entre terapeuta e paciente. No entanto se a
intenção for uma mudança de mindset para adotar um novo padrão de comportamento e atingir o resultado esperado,
esse exercício é eficiente pois cria um compounding, levando o indivíduo a se sentir plenamente nas condições em que
deseja por várias vezes. Novamente, ajuda a engajar suas crenças e sua imaginação.

Pode-se escolher os elementos (induções, aprofundamentos, etc.) de preferência de quem vai ouvir o áudio, e ser
construído um texto de imaginação guiada cheio de sugestões diretas para que se passe sempre pela experiência
(pode até ser o ensaio mental, da etapa anterior).

É muito comum encontrar áudios como esse pela internet, e pode ser que eles funcionem muito bem para algumas
pessoas. Mas, como é importante extrair do próprio sujeito os elementos para elaboração dos melhores roteiros, eles
podem acabar sendo muito abrangentes, e não provocar emoções em você ou no seu cliente como um preparado
especialmente para quem vai ouvir.

Você pode gravar o áudio para si mesmo ou para seu cliente, mas caso você não se sinta à vontade para gravar esse
áudio, pode pedir a um amigo ou mesmo contratar um profissional para fazer isso. O dublador brasileiro Márcio Seixas
( de atores como Sean Connery, Clint Eastwood, da série animada do Batman e da vinheta “versão brasileira, Herbert
Richers”) gravou um áudio de hipnose para emagrecimento que ficou muito popular no início dos anos 2000 (vinha
em um CD que acompanhava um livro). Não se sabe se ele tem conhecimentos de hipnose, mas ele claramente tem
habilidade para locuções e modulação de voz, e com um bom roteiro em mãos, qualquer pessoa com essas habilidades
pode gravar uma boa sessão de hipnose guiada. Mais uma prova de que o processo acontece pelo engajamento e
atitude do hipnotizado.

PRATICANDO A AUTO HIPNOSE


Para os que preferirem praticar a auto hipnose de forma mais convencional, mais parecida com uma sessão de hipnose
formal, isso também é possível. Embora já saibamos quais são os fatores que realmente determinam o sucesso do

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processo, não se deve desprezar o valor que pode ter para o seu cliente (ou para você mesmo) a sensação de que um
estado alterado de consciência, ou mesmo o estado de transe hipnótico vão beneficiar a prática.

Além disso, uma pessoa que já foi hipnotizada conhece as reações fisiológicas que ocorrem quando está neste estado
(e que variam de pessoa para a pessoa), e essas sensações podem ter se tornado âncoras para um mindset adequado.
Perceba que uma perspectiva não elimina a outra, pelo contrário, elas se complementam.

R.I.A.S.A.
O hipnotista português Miguel Cocco, referência mundial em auto hipnose, sugere um método para estruturar suas
sessões de auto hipnose de uma forma específica, que é muito eficiente e fácil de memorizar com a sigla “RIASA”.

• Respiração

• Indução

• Aprofundamento

• Sugestão

• Acordar

Todos os termos que estão aí já são familiares, com exceção de “acordar”, que é como Miguel Cocco definiu o que
chamamos de “Emergir”. Seguindo estes passos, sugestionando cada etapa a si mesmo, você pode praticar a auto
hipnose com um caráter mais ritualístico, que, como já vimos, é benéfico para a prática.

A etapa da respiração é bastante simples. Basta que você respire de alguma forma que te leve a relaxar, sugestionando-
se mentalmente para isso. Uma metáfora muito usada é a de que você vai puxar tudo que há de bom no ambiente
quando inspirar, e jogar pra fora tudo que houver de ruim dentro de você quando expirar. Quando se sentir mais
relaxado, parta para a indução.

INDUÇÕES NA AUTO HIPNOSE


Há algumas induções mais popularmente usadas para a auto hipnose:

• Fixação ocular: O objetivo aqui é cansar os olhos forçando a vista para cima. Ainda com olhos abertos, faça com eles
um movimento como se você quisesse olhar para sua própria testa pela parte de dentro. As escleras dos seus olhos
ficaram à mostra. Não feche os olhos de propósito. Em algum momento eles vão cansar e se fechar automaticamente.
A sensação causada tem o mesmo efeito de uma indução de choque.

• Dave Elman: Você pode sugestionar mentalmente todo o roteiro da indução de Dave Elman, realizando todos os
testes. Lembre-se do engajamento e atitude positiva na hora dos testes e não sabote o próprio processo.

• Teste do pulso: O teste do pulso quando usado na auto hipnose é feito de forma diferente. Quando chegar a
ele, sugestione que toda a energia das partes do seu corpo que ainda não relaxaram vão se concentrar em um dos seus
punhos e feche a mão com força. Sugestione que quando você abrir a mão e deixar esse pulso relaxar completamente,
esse relaxamento se espalhará. Essa também é a forma usada para usar o teste do pulso quando for aplicar a indução
de Dave Elman coletivamente.

• Âncora de reindução: Se você tiver um signo sinal instalado em você mesmo, pode simplesmente “acioná-lo”.
Quando identificar o estado desejado, comece a próxima etapa.

APROFUNDAMENTO
Aqui não há mistério. Sugestione o aprofundamento e estabilização do estado de transe hipnótico como faria
hipnotizando outra pessoa.

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SUGESTÕES EM AUTO HIPNOSE
Construindo sugestões

Não é recomendável improvisar as sugestões quando chegar a essa etapa. Pensamentos intrusivos podem comprometer
o processo. O ideal é que você já tenha as sugestões construídas (a seguir veremos como se autossugestionar), e para
que seja uma boa sugestão para auto hipnose, é interessante que obedeça a algumas regras:

• Positivas: sem uso de pharsing

• Curtas: aproximadamente duas linhas

• Diretas: sem o uso de metáforas

• Simples: respeitando o vocabulário do sujeito

Metas smart

O conceito de “metas smart” é bastante conhecido, e embora tenha sua origem em outros contextos, é utilíssimo para
criação de sugestões. Segundo esse conceito, uma meta (ou sugestão, no nosso caso) deve ser:

• S — Specific (específica): Evitando ideias vagas, tenha um objetivo definido.

• M — Measurable (mensurável): “Distância” entre estado atual e desejado.

• A — Attainable (atingível): Precisa ser realista para não causar frustrações.

• R — Relevant (relevante): Quanto mais congruente, maior a motivação.

• T — Time based (temporal): Fixar quando o objetivo será alcançado.

Este conceito está apresentado aqui de forma superficial. Uma pesquisa maior sobre o tema certamente lhe trará novas
informações interessantes.

Autossugestionamento

Há duas formas mais comuns de trabalhar com as sugestões em auto hipnose:

• Leitura prévia: Antes de iniciar sua sessão, escreva sua sugestão repetidas vezes (preferencialmente a mão), em
torno de 15 ou 20. Quando terminar de escrever, leia em voz alta e pausadamente essas sugestões. Repita a leitura de
todas as linhas que escreveu SE e quantas vezes achar necessário. Dê início a usa hipnose, e quando chegar à etapa
da sugestão, apenas relaxe. A sugestão já está fixa na sua mente. Você até pode repetir a sugestão mentalmente, mas
não é necessário. No caso de surgirem pensamentos invasivos, ignore-os em vez de se esforçar para expulsá-los.
Quando julgar que deve, vá para a emersão.

• Gravação da voz: Grave a sua própria voz repetindo pausadamente sua sugestão quantas vezes achar necessário
para que você as ouça durante a etapa da sugestão. Leve em conta que a gravação deve ter um tempo de silêncio que

anteceda o início das sugestões, e para isso é preciso que você saiba quanto tempo em média você leva nas outras
etapas. Por isso, esse método é mais recomendado para quem usa um signo sinal como indução, pois o tempo em
silêncio anterior às sugestões pode ser de apenas 10 ou 15 segundos.

EMERSÃO
Simplesmente sugira a saída deste estado, respeitando todos os elementos que constam numa emersão quando você
hipnotiza outra pessoa.

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CAPÍTULO 14
TRANSIÇÃO DE CARREIRA
Toda e qualquer transição de carreira é muito pessoal e varia muito de acordo com a vida que a pessoa atualmente
leva, existem diversas variáveis, responda as perguntas abaixo:

1) Você atualmente tem um emprego fixo? Trabalha com o que?

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2) Ganha um salário que considera satisfatório?

[ ] SIM [ ] NÃO

3) Você é feliz no seu trabalho atual?

[ ] SIM [ ] NÃO

4) Existem pessoas que dependem da sua renda?

[ ] SIM [ ] NÃO

5) Você tem uma verba guardada para segurar uns meses a parte financeira?

[ ] SIM [ ] NÃO

6) Por que você quer se tornar um hipnoterapeuta?

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7) O que é um salário bom para você?

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8) Está disposto a sacrificar uma vida “estável” para seguir essa vontade?

[ ] SIM [ ] NÃO

9) O que você sabe sobre Administração?

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10) O que você sabe sobre Marketing?

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11) O que você sabe sobre Vendas?

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12) Como você se vê daqui a 1 ano? E daqui 2 anos? E daqui 10 anos?

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Responder essas perguntas é o primeiro exercício que você deve fazer para começar a elaborar a sua estratégia para
iniciar uma mudança de carreira. Saiba que se tornar um hipnoterapeuta não é somente aprender a fazer terapia, mas
também aprender em como administrar seu próprio negócio.

Não pule a etapa do planejamento

Para que você tenha sucesso nessa transição, é importante que você elabore um planejamento com datas e metas
especificam para que você realmente consiga alcançar seus objetivos.

Como citado, cada caso é um caso, mas se você possui atualmente um emprego, pode começar realizando atendimentos
fora do seu horário de trabalho. Divulgue para amigos e parentes, nas suas redes sociais, e comece atendendo. Veja
os resultados e observe sua clientela aumentar. Estipule uma data para que você assuma de vez essa sua nova vida,
mas com uma garantia financeira guardada, as metas traçadas do quanto você deseja conseguir receber, em quanto
tempo, e qual o caminho que você irá traçar para tornar isso possível.

A partir do momento que você constrói esse planejamento com prazos a serem cumpridos e estratégias para torná-lo
possível, fica muito mais fácil você vislumbrar as coisas realmente acontecendo.

É importante reafirmar que mesmo que você seja o melhor terapeuta do mundo, se você não souber vender o seu
serviço de nada adiantará. Por isso, no próximo módulo vamos falar um pouco sobre Marketing para Terapeutas.

Trabalhe sua autoconfiança

Lembre-se que você estará saindo da sua rotina e da sua zona de conforto. É importante estar preparado para
enfrentar os desafios que virão a seguir, além de saber que não é possível se acertar sempre. Qualquer novo caminho
é desafiador, portanto, trabalhe sua autoconfiança (auto hipnose pode ajudar muito) e leve sempre em consideração
que erros serão sempre um feedback para que você faça melhor na próxima vez.

Nunca deixe de estudar

Não estamos falando aqui somente de hipnoterapia e hipnose. Você deve fazer cursos, ler livros de administração,
marketing, marketing digital, vendas, entre outras coisas que possam agregar na forma de desenvolver seu novo
negócio.

Ficar apenas na teoria

Muitas pessoas começam a estudar hipnose e acham que sempre falta algo para poder realmente atuar. Com isso,
fazem cursos e mais cursos, mas não praticam como deveriam. Lembre-se que todo aprendizado também é construído
“colocando as mãos na massa”, então, comece com casos fáceis como ansiedade, fobias, e a medida que for vendo
que seus resultados estão bons e os pacientes satisfeitos, evolua e procure casos mais complexos.

Escolher mudar de área somente com o pensamento de ganhar bem

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A verdade é que um profissional qualificado pode ganhar bem em qualquer área, mas, o mais importante, você quer ser
feliz no seu trabalho? Escolha mudar se você realmente vê na profissão uma oportunidade não somente de realização
financeira, mas pessoal também. Trabalhar com o que gosta faz a “segunda-feira” deixar de existir, a sensação de
“obrigação de trabalhar” some, e não existe nada mais satisfatório de estar fazendo algo que você realmente gosta.

CAPÍTULO 15
MARKETING PARA TERAPEUTAS
Saber vender seu serviço é uma das partes mais importantes para ser um terapeuta de sucesso. Preparamos algumas
dicas para que você consiga iniciar nessa área.

A) ELABORAÇÃO DO PLANEJAMENTO
Planejamento é o conjunto de características que ajudam a criar a sua imagem e marca como terapeuta. Para elaboração
de um planejamento eficaz, você deve passar por algumas etapas:

1) Definição dos seus objetivos

Quais são seus objetivos? Você quer se tornar um terapeuta que seja conhecido em determinada cidade? Quer se
especializar em algum tipo de tratamento? Quer criar uma autoridade e ser uma referência na área?

Tipos de objetivo: Institucional

Awareness: tornar sua marca conhecida para seu público-alvo

Branding: criar um posicionamento e atributos para a sua marca, qual a imagem que você quer que as pessoas, vendo
você, tenham? Qual deve ser a primeira coisa que elas vão falar de você?

Tipos de objetivo: Promocional

Você vai querer brigar por preço com seus concorrentes? Fará pacotes de sessões, venderá por protocolo, cobrará as
sessões de forma individual? Como pode fazer promoções para atingir mais pacientes?

Tipos de objetivo: Gestão de Crise

A gente nunca quer esperar que algo de errado ou alguém fale mal do nosso trabalho, mas em caso de uma crise, como
você irá gerir isso? Algumas coisas interessantes:

• Faça uma pesquisa de satisfação dos pacientes

• Identifique sempre possíveis falhas ou pontos de melhoria no seu serviço

• Crie um plano de melhoria continua

• Estabeleça um fluxo interno para resolver possíveis reclamações

B) DEFINIÇÃO DO SEU PÚBLICO ALVO


Quanto mais segmentado for o seu público, mais fácil se torna a estratégia de campanha para atingi-lo. A definição de
um público é extremamente importante para que você crie a estratégia mais precisa para atingi-lo.

Qual a classe social?

Faixa etária?

Gênero?

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Quem são as pessoas que se beneficiariam com seu serviço?

Vai focar em um nicho?

Região?

Nível de educação?

Estado civil?

Religião?

Quais as características comportamentais do seu público?

Quais os ambientes que eles frequentam?

O público-alvo é um primeiro passo essencial para que o desenvolvimento de sua estratégia pois ajuda a compreender
melhor a sua audiência. Pense nele como o degrau inicial, que trará maior definição para seu nicho de atuação e
fracionando melhor os potenciais clientes.

Uma vez definida as características globais de seus compradores, você pode utilizar as personas como uma forma de
segmentar ainda mais o público e assim conseguir traçar estratégias mais individualizadas.

Não fique de achismos. Pesquise e veja o melhor público para você atingir.

C) DEFINIÇÃO DO POSICIONAMENTO
Como quero que minha marca seja percebida? Qual imagem quero transmitir aos meus clientes? Quais atributos
desejo associar ao meu serviço? Qual será o meu diferencial?

Basicamente, se posicionar é fazer escolhas, e renunciar outras tantas possibilidades. E isso, todo mundo faz todos
os dias: ao acordar, você escolhe entre tomar café ou suco; ao ir para o trabalho, você escolhe se vai pelo caminho de
sempre ou tenta um novo para evitar o trânsito. No fim, você escolheu apenas uma dessas coisas, fez uma opção. Mas
o que será que levou você a chegar nessas decisões?

A imagem que você reflete e a sua proposta de valor é o que vão guiar todo esse processo dentro da mente do
consumidor. Você já se perguntou porque algumas empresas inspiradoras conseguem alcançar coisas que parecem
extrapolar todas as expectativas? O que elas fazem de diferente?

A maioria das empresas sabem o que fazem, é o mais fácil de definir, certo? Vou dar um exemplo rápido: eu faço
terapia. Pronto, já sei o que eu faço!

Algumas, sabem como fazer (como fazer terapia) e pouquíssimas sabem porquê o fazem (porquê eu vendo o serviço
de terapia). O porquê é o coração de tudo, é o seu propósito, sua causa, é aquilo em que você acredita.

William S. Harley e Arthur Davidson, quando fundaram a Harley Davidson, escolheram um posicionamento diferente de
todas as outras marcas de moto do mundo. Basicamente, eles vendem motocicletas, mas o porquê eles vendem elas
vai muito além disso. A marca acredita na sensação de liberdade, no espírito selvagem e na atitude de viver a vida ao
máximo. Isso foi escolha, isso foi posicionamento estratégico. E principalmente, isso foi paixão.

Grande parte das empresas se comunica de fora para dentro, pensando antes de tudo no o quê, e por último pensando
no porquê. Os negócios de sucesso fazem justamente o caminho inverso. Tá, mas porque isso dá tão certo? Pelo
simples motivo que as pessoas não compram o que você faz, e sim o porquê você faz.

Tudo isso tem a ver com a biologia do nosso cérebro. O neocórtex é responsável pelo lado racional e da linguagem,
enquanto que a parte límbica é responsável pelos sentimentos e comportamentos, como lealdade, confiança e tomada
de decisão.

Quando você começa a comunicar o seu porquê ANTES, você atinge direto o comportamento das pessoas e depois
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fica muito mais fácil comunicar seus benefícios e falar de coisas mais tangíveis, afinal você já convenceu que é da sua
marca que elas precisam.

O posicionamento de marca entra para equilibrar todos esses aspectos e ajuda a refletir a imagem que você gostaria
de passar para os seus consumidores.

Seja relevante para as pessoas

Todo mundo ama marcas que fazem a diferença em suas vidas. Em 2014, o mundo todo viu a Blockbuster, a maior
empresa de aluguel de filmes, ir a falência. Reed Hastings enxergou uma necessidade e fez dela uma oportunidade,
quando fundou a Netflix. Ele passou a oferecer aluguel de filmes também, só que online e por um preço justo. Hoje,
podemos assistir a um monte de filmes, que custam menos que um ingresso de cinema e nem precisamos sair de casa
para isso.

Os seus clientes precisam considerar o seu trabalho relevante dentro do segmento que você atua. Quando você tem
um posicionamento bem claro, seus clientes sabem definir com facilidade seus diferenciais perante a concorrência e,
assim, você passa confiança, gera credibilidade e valor para eles e, consequentemente, aumenta a fidelização.

Mas como ser relevante e escolher o lugar certo para ocupar o mercado? Aqui, é importante você definir algumas
coisas: quem você deseja atingir e como você pode ajudar a solucionar o problema dessas pessoas?

D) ESTRATÉGIA
Os caminhos dependem do seu planejamento até aqui, seu público alvo, objetivos, posicionamento.

Depois que você traçar todos esses passos, algumas sugestões para te ajudar:

• Crie uma marca (logotipo)

Tenha em mente o público que você quer atingir e o seu posicionamento, e contrate um profissional para conseguir
traduzir isso em uma marca.

• Utilize MUITO as redes sociais

Hoje em dia uma das formas mais eficazes de aparecer são as redes sociais. Uma dica importante é separar o seu
perfil pessoa do profissional, para não misturar as coisas.

Instagram: Hoje em dia o instagram é muito usado por jovens, pois com a migração dos pais e pessoas mais velhas
para o facebook, o perfil de jovens começou a aumentar no instagram e a diminuir no facebook. Pense em qual tipo de
conteúdo o seu público gostaria de ter, seriam frases motivacionais, informações sobre hipnose, sobre tratamentos?
Pesquise, avalie, e crie. As hashtags são uma ótima maneira de você conseguir mapear o perfil do seu público. Veja
bastante perfil de concorrentes, quais pessoas eles atingem e como eles fazem isso.

Atualmente existem ferramentas muito interessantes para se automatizar o gerenciamento do seu instagram,
aumentando as pessoas que vão te seguir, podendo fazer planejamento de posts, estatísticas, e etc.

Facebook: tenha uma fanpage na qual você pode postar textos sobre tratamentos e outras informações que considere
relevantes para o seu público-alvo.

Linkedin: ótima alternativa se deseja atingir pessoas de um nível mais executivo.

Todas as mídias sociais possuem a opção de anúncios pagos, que podem ser interessantes de acordo com a estratégia
que você traçar. Lembre-se, você deve sempre ser visto. Poste fotos em cursos, congressos, eventos sociais, lembre-
se que por trás do terapeuta existe um ser humano, e as pessoas simpatizam com isso.

• Crie um site

Hoje em dia se tornou muito fácil ter o seu site. Mesmo que você não saiba nada de programação, pode construir um
site na plataforma WIX, ou até mesmo contratar freelancers no site chamado Workana, com preços mais atrativos para
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desenvolvimento do seu material.

Lembre-se que um dos pontos mais importantes que seu site deve ter é um bom rankeamento no google, para isso, seu
site deve ter um conteúdo adequado, leve e fácil de usar, para que o google entenda que ele é um site interessante.
Uma dica interessante para aumentar sua relevância no google é ter um blog com assuntos que condizem com o tema
do seu site. Isso aumenta as chances de outras pessoas postarem seu conteúdo em links externos, mostrando para o
google a qualidade do seu conteúdo e aumentando assim a exposição do seu site.

• Google Adwords

Essa é mais uma forma muito efetiva para fazer propagandas. O adwords é a plataforma de anúncios pagos do google,
no qual você irá aparecer em destaque ou na rede de pesquisa (resultados de busca do google), ou na rede de display
(sites parceiros). Grandes empresas costumam investir 30% do seu faturamento em propaganda, lembre-se: dinheiro
gera dinheiro.

• Esteja presente

Sempre que possível, esteja em eventos nos quais seu público participa como cursos, feiras e etc. Ser visto te ajudará
a conquistar cada vez mais pacientes..

• ESTIPULE PRAZOS E METAS

Um planejamento estratégico sem datas para acontecerem não serve de nada. E se você não coloca uma meta, fica
impossível saber se o seu resultado foi bom.

E) MONITORE OS RESULTADOS
Crie métricas, veja o que funcionou e o que não funcionou para assim fazer os ajustes necessários. Muitas vezes
pensamos que conhecemos um público, mas acabamos descobrindo na prática que a maneira de atingi-lo é totalmente
diferente.

CAPÍTULO 16
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Agora você tem todas as ferramentas para iniciar sua jornada como terapeuta. Lembre-se da lição mais importante.
Você lidando com seres humanos. Cada pessoa é única, então o seu tato como terapeuta será muito importante
também para o sucesso em seu trabalho. Conte conosco nessa jornada! Nunca pare de estudar, quanto mais você
estuda, mais você aprende!

Quero aproveitar para agradecer imensamente algumas pessoas que contribuiram diretamente para o conteúdo dessa apostila:

• Erick Rolf: Especialista no desenvolvimento do potencial humano, terapeuta, coach. Contribuiu principalmente nos
conceitos da maneira que conduz a técnica Vital. Confira mais sobre o trabalho dele no site www.erickrolf.com.br

• Fernando Aires: Professor de hipnose e terapeuta, contribuiu diretamente nos temas Psicanálise e Hipnose. e
também em Principios Terapêuticos. Indico fortemente a fazer seu curso Hipnose como Prática Terapêutica. Para
entrar em contato com ele sobre terapias ou cursos, o e-mail de contato é fernando@hypnoethos.com.br

• Daniel Gatti: Professor de hipnose e terapeuta, contribuiu diretamente nos temas Auto Hipnose e também noProtocólo
para Tratamento de Vícios. Indico fortemente a fazer seu curso Hipnose Descomplicada. Para entrar em contato com
ele sobre terapias ou cursos, o e-mail de contato é contato@danielgatti.com.br

• Thiago Ruiz: Professor de hipnose e terapeuta, contribuiu diretamente em vários temas dessa apostila. Para entrar
em contato com ele sobre terapias ou cursos, o e-mail de contato é thiago.ruiz.86@hotmail.com

• Jheyson Marcilio: Professor de hipnose e terapeuta, contribuiu diretamente em vários temas dessa apostila. Para
entrar em contato com ele sobre terapias ou cursos, acesse o site www.hipnoseclassica.com.br
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BIBLIOGRAFIA
Renan Moura - www.campinashipnose.com.br / www.portadamente.com.br

Apostila Hipnose como Prática Terapêutica por Fernando Aires - Versão Junho 2019

Apostila Daniel Gatti - Hipnose Descomplicada - 2019

Erick Rolf (Vitral)

Thiago Ruiz

Aplicativo Porta da Mente

Karl Weissmann - O Hipnotismo

Michael-Arruda-Street-Hypnosis-Sem-Segredos-2.0

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hipnose

Apostila Guilherme Alves – Versão 2016

Apostila Lucas Naves – Versão 2016

Apostila Wagner HipnoBR – Versão 2017

Apostila Jheyson Marcilio – Versão 2018

Melissa Tiers – Kit Anti-ansiedade

Apostila Alberto Dell’isola – Versão 2017

Apostila PNL Sistemica Lari Godoi – Versão 2018

Guia_Completo_Auto-Hipnose – Rafael Kraisch

https://motdigital.com/definir-posicionamento-marca/

Alberto Dell’Isola - Street Hipnose

ELMAN, D. Apreciação em Hipnose. 1 ed. Clifton, 1964

http://www.daveelman.com

http://www.hypnosis101.com/dave-elman-induction.htm

http://www.deeptrancenow.com/exc2_delmanind.htm

http://hipnose-sofia.blogspot.com/2009/05/citacao-do-dia-dave-elman.html

Ebook - Segredos da Hipnose - Ed_02 – Gustavo Licursi

Elsever - Curso Sean M. Andrews

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