Forró universitário - Fonte: Wikipédia
O Forró universitário é um subgênero musical do forró surgido no Ceará, sendo uma exportado
para o Brasil durante o terceiro movimento da diáspora cearense. Este ritmo revive o estilo pé-
de-serra (tradicional) de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro.
História
Em 1980, o Pernambucano Adelmo Nascimento mudou-se para São Paulo onde encontrou
Enok Virgulino e seu irmão Jaime, criando o Trio Virgulino, que toca música nordestina.
Participaram de um concurso de calouros na Rádio Clube de Americana e o radialista Geraldo
Pinhaneli gostou e contratou o trio para participar dos programas. Ficaram conhecidos na
cidade de Americana, conseguindo destaque em todo interior de São Paulo. No final de 1982
Jaime retornou para Pernambuco e Roberto Pinheiro, amigo de infância de Enok, o substituiu.
Em 1986 gravaram o primeiro trabalho independente.
No início dos anos 1990 o Trio Virgulino recebeu convites para se apresentar em universidades
paulistas. O primeiro show foi realizado na Unicamp e o sucesso foi tão grande que receberam
convites para se apresentar também na USP e na PUC. No meio dos anos 90, o público
universitário (principalmente da USP) frequentemente contratava para suas festas bandas de
forró original, ou seja, zabumba, triângulo e sanfona - o forró pé-de-serra. Foi assim que
nasceu o Forró Universitário. O Trio Virgulino foi um dos principais precursores deste forró e
inspirou bandas como Falamansa, Bicho de Pé e Rastapé, que na época eram universitários e
fãs do Trio Virgulino.
Em 1998, no último dia de inscrição para o 3º Festival de Música do Mackenzie. Tato, DJ de
forró, inscreveu uma de suas composições ("Asas") no festival. Porém, ele não tinha uma
banda, mas conseguiu formar uma banda com seus amigos, dando origem ao Falamansa.
Conseguindo o segundo lugar no evento, o sanfoneiro experiente Josivaldo Leite entrou para a
banda e conseguiram lançar um álbum em janeiro de 2000. A banda começou a tocar em todas
as terças-feiras na casa de shows Remelexo em Pinheiros, São Paulo. O Falamansa se tornou
popular e foi pioneiro em espalhar o forró universitário para todo o Brasil.
Até então, a dança era basicamente o popular "2 para lá, 2 para cá", que é a maneira
tradicional de dançar a dois. Então começaram a introduzir passos de braços que tem mais
complexidade. Como a USP é muito próxima do Bairro de Pinheiros e lá existia, e ainda existe
uma casa de forró chamado Remelexo, na Rua Paes Leme. Os universitários da USP
começaram a frequentar a casa, disseminando então esta forma de dançar.
O sucesso deste estilo musical deve-se principalmente à força da dança, alavancando vendas
de discos, a promoção de shows e a realização de grandes festivais. O auge do estilo se deu na
virada século XXI com a chegada de grupos, trios e artistas solo como o Falamansa,
Peixelétrico, Circuladô de fulô, Trio Virgulino, Rastapé, Arleno Farias, Estakazero, Bicho de Pé,
Chama Chuva, Baião de 4, - além, é claro, dos tradicionais trios que ganharam mais espaço
com a grande exposição.
Atualmente o ritmo se apresenta largamente difundido por todo o Brasil.
Dança
A dança foi moldada e difundida na cidade de São Paulo e deu origem ao forró ensinado em
escolas de dança de salão de várias regiões Brasil.
No início, a dança era uma coisa bem básica, sendo somente o popular "2 para lá, 2 para cá"
seguido de poucas variações de passos. Então começaram a introduzir passos com os braços
vindo de rock anos 50, ou rockabilly, adaptados do East coast swing (que também deu origem
ao Soltinho e parecidos com Cúmbia). A marcação de tempo foi modificada; muitos passos de
rock e swing tem 4 ou 5 pisadas por espaço de tempo, e no forró foi simplificado para 3.
Alguns passos vindos da salsa cubana e do zouk também foram introduzidos com o tempo.
Com uma forma de marcar o tempo definida, em que o tempo 1 é a pisada antes de mudar de
direção (break step), o passo básico principal passou a ser "para frente, para trás". Também se
desenvolveram inúmeras formas de dançar abraçado, semelhante à base lateral da kizomba ou
à base do merengue.
Os passos principais são:
atrás e ao lado: giro simples; giro ninja;
abertura lateral giro do quebra de braço;
do par; cavalheiro; panamericano;
caminhada: passo chuveirinho chicote;
do par para a oito (costas com manivela;
frente ou para costas; avião): o portinha;
trás; cavalheiro e a controle de mão;
comemoração dama ficam de facão;
(xique-xique): costas e passam chanel;
passo de um pelo outro; banana;
balançada, com a giro junto (pião); repiques, feito
perna do giro solto ou livre; com os pés;
cavalheiro entre a aviãozinho;
perna da dama;
Além disso, a dança pode ser classificada em Xote ou Baião, independente do gênero musical
usado. Xote é usado para música lenta, o casal passa mais tempo abraçado e com passos de
chamego. Baião é usado para música rápida, ocorrendo muitos movimentos com os braços e
giros. O forró é dançado misturando Xote e Baião, com proporção dependente da velocidade
da música.
Também existe o arrasta-pé, que é mais rápido que o baião e tem uma marcação de tempo
diferente apesar de usar passos de baião.
O "forró de favela" e o novo forró romântico da década de 2010
Na década de 2010 surgiu uma nova geração de bandas de forró que apostaram em um ritmo
mais lento do que o que se conhecia no forró até então, (o xote) e em letras que falavam de
romantismo e de temas considerados mais populares entre as populações das periferias das
cidades do Nordeste brasileiro.
Embora a existência de letras românticas não fosse nenhuma novidade no forró desde a sua
criação, e nas bandas da década de 1990 como Limão com Mel, Mastruz com Leite e Calcinha
Preta, entre outras, esta nova geração de bandas se destacou por representar uma
"retomada" do romantismo após um período em que esta temática esteve em baixa entre as
bandas de forró de maior sucesso entre o público, e principalmente pela inovação do ritmo
mais lento.
Foi aí que surgiram muitas bandas que seguiram estilo semelhante, alternando as letras
românticas com letras que apresentavam temáticas consideradas mais voltadas para o
"povão" como amor à primeira vista, sexo, bebida alcoólica, traições, adultério, como traições
em relacionamentos e exames de paternidade, razão pela qual este movimento musical foi
apelidado de forró de favela. O forró de favela apresenta elementos de semelhança com o
estilo musical contemporâneo chamado de "brega romântico do Recife", inclusive com a
produção de versões das mesmas músicas estrangeiras.
A Pisadinha e o Piseiro
No começo dos anos 2000 também surge no interior do Nordeste brasileiro uma nova vertente
do forró conhecida como "pisadinha". A pisadinha é inicialmente um fenômeno inerente às
zonas rurais e às pequenas cidades do interior nordestino, em contraste com o forró de favela,
o qual nasceu e se desenvolveu nas grandes capitais. Rapidamente, no entanto, a pisadinha
começa a alcançar sucesso comercial e a chegar às grandes metrópoles da região tendo como
pioneiros nessa vertente os cantores: Nelson Nascimento (Rei da Pisadinha), Forró 100
Preconceito e Cintura de Mola.
Já no fim dos anos 2010 surge mais uma modernização e acréscimo de equipamentos e
tecnologia nas produções, composições, shows e eventos. Com uma nova coreografia e jeito
de dançar surge o "Piseiro". Com artistas na linha de frente como: Barões da Pisadinha , Eric
Land e Zé Vaqueiro.
O rótulo "forró das antigas"
Em meados da década de 2010, a partir da realização de festivais com o nome comercial de
"Forró das Antigas", tornou-se comum o uso do rótulo "forró das antigas", inclusive em várias
coletâneas postadas no YouTube, para se referir a bandas de forró romântico que já faziam
sucesso comercial antes do ano de 2010, entre elas Limão com Mel, Mastruz com Leite,
Calcinha Preta, Magníficos, Cavalo de Pau, Banda Aquários, Desejo de Menina, Cavaleiros do
Forró, Moleca 100 Vergonha, Banda Styllus, Brucelose, entre várias outras.