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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

O Livro dos Médiuns


Allan Kardec
Iniciamos com este número o estudo de “O Livro dos Médiuns”, segunda obra que
integra o chamado Pentateuco Kardequiano, que Allan Kardec lançou em Paris no ano
de 1861, a qual será aqui apresentada na forma de 175 questões objetivas.

INTRODUÇÃO
Depois de haver exposto em “O Livro dos Espíritos” a parte filosófica da ciência
espírita, Allan Kardec cuidou em “O Livro dos Médiuns” da parte prática da referida
ciência, com vistas aos que querem ocupar-se das manifestações, seja por si mesmos,
seja para se darem conta dos fenômenos que foram chamados a observar.
Na obra em apreço, ver-se-ão os escolhos que médiuns e experimentadores podem
encontrar e o meio de evitá-los.
As duas obras, conquanto seja continuação uma da outra, são até certo ponto
independentes; mas, aos que quiserem ocupar-se seriamente do assunto, o Codificador
recomenda ler primeiro O Livro dos Espíritos, porque contém os principais
fundamentos, sem os quais algumas partes d´O Livro dos Médiuns serão talvez
dificilmente compreendidas. (L.M., Introdução.)

QUESTÕES OBJETIVAS

1. Os progressos do Espiritismo aconteceram a partir de que momento?


O Espiritismo fez grandes progressos desde alguns anos, mas os fez sobretudo
imensos logo que entrou no caminho filosófico, porque foi apreciado por pessoas
esclarecidas. Hoje ele não é mais um espetáculo; é uma doutrina da qual não se riem
mais os que zombaram das mesas girantes. Ao esforçarmo-nos por conduzi-lo e mantê-
lo neste terreno, temos a convicção de lhe conquistar mais partidários úteis do que
provocando a torto e a direito manifestações das quais se poderiam abusar. Disso
temos todos os dias a prova pelo número de adeptos conseguidos pela simples leitura
do Livro dos Espíritos. (L.M, Introdução.)

2. Para falar a alguém sobre Espiritismo é preciso primeiro uma base. Que
base é essa?
Antes de entabularmos qualquer discussão espírita, importa-nos que averigüemos
se o interlocutor admite a existência da alma e a de Deus. Essa é a base de todo o
edifício. Se ele responde negativamente ou com evasivas ("Não sei; eu queria que fosse
assim, mas não estou certo") às perguntas: Crês em Deus? Crês ter uma alma? Crês na
sobrevivência da alma depois da morte?, seria totalmente inútil ir além, porque tal
intento seria o mesmo que demonstrar as propriedades da luz a um cego. Ora, as
manifestações espíritas não são outra coisa senão os efeitos da propriedades da alma.
Se o indivíduo não admite a existência desta, estaremos perdendo tempo, a não ser
que usemos uma outra ordem de idéias. (L.M., item 4.)

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3. Que diz o Espiritismo acerca do sobrenatural e do maravilhoso?


Aos olhos dos que vêem a matéria como a única potência da natureza, tudo o que
não pode ser explicado pelas leis da matéria é maravilhoso ou sobrenatural. Para esses,
maravilhoso é sinônimo de superstição e sobrenatural é o que é contrário às leis da
natureza. O Espiritismo não aceita todos os fatos que são atribuídos ao maravilhoso e
ao sobrenatural. Longe disso, demonstra a impossibilidade de muitos deles e o ridículo
de certas crenças que são, propriamente falando, o efeito de uma superstição. Todos
os fenômenos espíritas têm por princípio a existência da alma, sua sobrevivência ao
corpo e suas manifestações. Esses fenômenos, fundados numa lei da natureza, não têm
nada de maravilhoso nem de sobrenatural, no sentido vulgar dessas palavras. Os fatos
verídicos reputados sobrenaturais só o são porque quem assim os julga não lhes
conhece a causa. Determinando-lhes a causa, o Espiritismo os faz penetrar novamente
no domínio dos fenômenos naturais. (L.M., itens 10, 13 e 14.)

4. Quais e quantas são as classes de espíritas?

Existem quatro classes principais:


1a) os espíritas experimentadores, que crêem pura e simplesmente nas manifestações e
acham que o Espiritismo é uma simples ciência de observação;
2a) os espíritas imperfeitos, que também compreendem a parte filosófica da doutrina e
admiram a moral que dela decorre, mas não a praticam. A influência do Espiritismo sobre o
caráter deles é insignificante ou nula; eles não mudam nada de seus hábitos e conservam a
avareza, o orgulho, a inveja ou o ciúme que os caracterizavam antes;
3a) os verdadeiros espíritas, ou melhor, os espíritas cristãos, que não se contentam com
admirar a moral espírita, mas a praticam, aceitando-lhes todas as conseqüências. Convencidos
de que a existência terrestre é uma prova passageira, trabalham por tirar proveito destes curtos
instantes para caminharem pela via do progresso, esforçando-se por fazer o bem e reprimir
seus maus pendores. A caridade é, em todas as coisas, a regra de sua conduta;
4a) os espíritas exaltados, que aceitam facilmente e sem reflexão tudo o que provém do
plano espiritual. Exagerados em sua crença, revelam uma confiança cega e à vezes pueril nas
coisas do mundo invisível. Eles são os menos indicados para convencer, porque são de muito
boa fé enganados, seja por espíritos mistificadores, seja por pessoas que lhes exploram a
credulidade. (L.M., item 28.)

5. Que papel incumbe ao espírita de verdade?

Ao espírita de verdade jamais faltará ocasião de fazer o bem; corações aflitos a


aliviar, consolações a distribuir, desesperos a acalmar, reformas morais a operar – eis
sua missão, na qual encontrará também sua verdadeira satisfação. (L.M., item 30.)

6. Para se ensinar Espiritismo, qual é o método melhor?


O melhor método do ensino espírita é dirigi-lo à razão antes de dirigi-lo à vista. É o
que seguimos em nossas lições e com o qual estamos muito satisfeitos. O estudo
preliminar da teoria tem uma outra vantagem que é a de mostrar imediatamente a
grandeza do objetivo e do alcance desta ciência; aquele que começa por ver uma mesa
girar ou bater é mais levado à zombaria, porque dificilmente se persuade de que de
uma mesa possa sair uma doutrina regeneradora da Humanidade. Começar pela teoria
nos permite passar todos os fenômenos em revista, explicá-los, compreender-lhes a
possibilidade, as condições sob as quais podem produzir-se e os obstáculos que
poderão ser encontrados.

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Qualquer que seja a ordem sob a qual ele aparecem depois, nada terão que possa
surpreender, poupando-se a quem quer trabalhar uma série de desenganos. (L.M.,
itens 31 e 32.)

7. Ao tempo da codificação do Espiritismo, surgiram vários sistemas de


refutação à doutrina espírita. Quais são esses sistemas?

Ao todo, os sistemas criados para refutar o Espiritismo perfazem 13 títulos:


sistemas de negação, isto é, os sistemas dos adversários do Espiritismo; sistema do
charlatanismo, que atribuem os fenômenos a trapaças; sistemas de loucura; sistemas
de alucinação; sistema do músculo que estala; sistema das causas físicas; sistema do
reflexo; sistema da alma coletiva; sistema sonambúlico; sistema demoníaco; sistema
otimista; sistema monospírita; e sistema da alma material. (L.M., itens 37 a 50.)

8. Quais são as conseqüências gerais do sistema polispírita ou


multispírita?
Todos os 13 sistemas mencionados na questão precedente resultam de uma
observação parcial dos fenômenos ou de sua má interpretação. Eis as conseqüências
gerais que foram deduzidas de uma observação completa e que constituem o ensino da
universidade dos Espíritos:
1o) Os fenômenos espíritas são produzidos por inteligências extracorpóreas (os
Espíritos);
2o) Os Espíritos constituem o mundo invisível e estão em todos os lugares, inclusive
ao nosso redor, em contato conosco;
3o) Os Espíritos reagem sem cessar sobre o mundo físico e sobre o mundo moral;
o
4 ) Os Espíritos não são seres à parte na Criação: são as almas dos que viveram na
Terra ou em outros mundos. As almas dos homens são Espíritos encarnados;
5o) Há Espíritos de todos os graus de bondade e de malícia, de saber e de
ignorância; 6o) Estão todos submetidos à lei do progresso e podem chegar à perfeição,
mas como eles têm livre arbítrio, alcançam-na num tempo mais ou menos longo,
segundo seus esforços e sua vontade;
7o) Eles são felizes conforme o bem ou o mal que tenham feito durante a vida e o
adiantamento a que chegaram. A felicidade perfeita e sem sombras é partilhada apenas
pelos Espíritos que chegaram ao grau supremo de perfeição;
8o) Todos os Espíritos, em dadas circunstâncias, podem manifestar-se aos
homens;
9o) Os Espíritos se comunicam por intermédio dos médiuns, que lhes servem de
instrumentos e intérpretes;
10o) Reconhece-se o adiantamento dos Espíritos pela sua linguagem; os bons
aconselham o bem e não dizem senão coisas boas; tudo neles atesta elevação. Os
maus enganam e suas palavras trazem o selo da imperfeição e da ignorância. (Item
49)
9. Por que há Espíritos maus que não valem mais do que os chamados
demônios?
O fato é verdadeiro e a razão é simples: é que há homens muito maus e que a
morte não os torna imediatamente melhores. Não sendo os Espíritos mais do que as
almas dos homens e não sendo estes perfeitos, resulta que há Espíritos igualmente
iimperfeitos e cujo caráter se reflete em suas comunicações. (Item 46)

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10. Como prevenir os inconvenientes que apresenta a prática espírita?


O melhor meio de se prevenir contra os inconvenientes que pode apresentar a
prática do Espiritismo não é proibi-lo, mas fazê-lo compreendido. Deus nos deu a razão
e o discernimento para apreciar os Espíritos, tanto quanto os homens. Um temor
imaginário não impressiona mais do que um instante e não afeta todo o mundo. A
realidade claramente demonstrada é compreendida por todos. O conhecimento prévio
da teoria e da Escala Espírita nos darão condições para compreender e controlar as
manifestações. (Item 46)

11. Os bons Espíritos podem insuflar o azedume e a cizânia entre os


homens?
Não; os bons Espíritos não insuflam jamais o azedume ou discórdia. Os que agem
assim são Espíritos imperfeitos, que, devido à sua inferioridade, podem induzir os
homens à desunião. Os bons Espíritos têm a prática do bem como meta e é isso que os
caracteriza. (Item 50)

12. É possível ao homem esquadrinhar o princípio das coisas?


Não, porquanto o princípio das coisas, como é ensinado em O Livro dos Espíritos,
está nos segredos de Deus. Pretender folhear com a ajuda do Espiritismo o que ainda
não é da alçada da Humanidade é desviá-lo do seu verdadeiro fim. Que o homem
aplique o Espiritismo em seu melhoramento moral, eis o essencial, porque o único meio
de progredir é tornar-se melhor. (Item 51)

13. A forma humana é encontrada também em outros mundos?


A forma humana, excetuadas algumas minúcias, necessárias ao meio em que o
Espírito é chamado a viver, encontra-se nos habitantes de todos os globos; pelo menos
é o que dizem os Espíritos. É igualmente a forma de todos os Espíritos não encarnados
e que possuem apenas o perispírito como envoltório; é ainda aquela sob a qual, em
todos os tempos, representaram-se os anjos ou Espíritos puros. Podemos concluir,
portanto, que a forma humana é o tipo de todos os seres humanos de qualquer grau a
que pertençam. (Item 56)

14. Qual a causa da dúvida dos homens acerca das manifestações dos
Espíritos?
Uma causa que contribuiu para fortificar a dúvida, numa época tão positiva como a
nossa, em que se exige conta de tudo, em que se quer saber o porquê e o como de
cada coisa, é a ignorância da natureza dos Espíritos e dos meios pelos quais podem
manifestar-se. Adquirido esse conhecimento, o fato das manifestações nada tem de
surpreendente e entra, assim, na ordem dos fatos naturais.
De fato, a idéia que fazemos dos Espíritos torna, à primeira vista, incompreensível o
fenômeno das manifestações. Estas não podem produzir-se senão pela ação do Espírito
sobre a matéria. Mas, se julgam que o Espírito é a ausência de toda matéria,
perguntam, com relativa razão, como pode ele agir materialmente.
Ora, aí está o erro, porque o Espírito não é uma abstração, é um ser definido,
limitado e circunscrito.
O Espírito encarnado no corpo humano constitui a alma; quando o deixa pela
morte, não sai sem nenhum invólucro. Todos nos dizem que conservam a forma
humana e é assim que eles nos aparecem. (Itens 52 e 53)

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15. Que ocorre ao homem logo após a morte física?


No momento em que acabam de deixar a vida corpórea, os indivíduos estão num
estado de perturbação; tudo é confuso ao redor deles; vêem seu corpo perfeito ou
mutilado segundo o gênero de morte; por outro lado, vêem e se sentem viver; alguma
coisa lhes diz que este corpo era o deles, e não compreendem que estejam separados
dele. Continuam a se ver sob sua forma primitiva, e esta vista produz em alguns,
durante um certo tempo, uma singular ilusão: a de se julgarem ainda encarnados;
falta-lhes a experiência de seu novo estado para se convencerem da realidade. Passado
esse primeiro momento de perturbação, o corpo se torna para eles uma velha veste da
qual se despojaram e da qual não guardam saudades; sentem-se mais leves e como
que desembaraçados de um fardo; já não experimentam dores físicas e são muito
felizes em poder elevar-se, transpor o espaço, assim como fizeram muitas vezes em seu
sonhos. Entretanto, apesar da ausência do corpo, constatam sua personalidade; têm
uma forma que não os embaraça; têm, enfim, a consciência do seu eu e de sua
individualidade. (Item 53)

16. Que é o homem?


Numerosas observações e fatos irrecusáveis conduziram-nos à conclusão de que
há no homem três coisas:
1a, a alma ou espírito, princípio inteligente no qual reside o senso moral;
2a, o corpo, invólucro grosseiro, material, que o reveste temporariamente para
que possa desempenhar certos encargos providenciais;
3a, o perispírito, invólucro fluídico, semimaterial, que serve de ligação entre a
alma e o corpo. A morte é a destruição, ou melhor, a desagregação do invólucro
grosseiro, que a alma abandona. O outro se liberta e segue a alma, que, desta forma,
percebe ter sempre um invólucro: o perispírito. (L.M., item 54)

17. Que é o perispírito?


O perispírito é o invólucro material, fluídico, do espírito, que serve de ligação
entre este e o corpo durante a encarnação. Para os espíritos desencarnados é o agente
pelo qual eles se comunicam com os homens e constitui para eles uma espécie de
corpo sutil que tem a forma de sua última encarnação. (Item 51)

18. Qual a função do perispírito?


O perispírito é o intermediário de todas as sensações que o espírito percebe, e
pelo qual ele transmite sua vontade ao exterior e age sobre os órgãos. Para servir-nos
de uma comparação material, é o fio elétrico condutor que serve para a recepção e
para a transmissão do pensamento. (Item 54)

19. Qual a forma do perispírito?


A forma do perispírito é a forma humana, e quando nos aparece é geralmente
aquela sob a qual conhecíamos o espírito no tempo de sua última encarnação, embora
este possa dar-lhe a aparência que desejar. (Item 56)

20. O perispírito pode se expandir?


A matéria sutil do perispírito não tem a resistência nem a rigidez da matéria
compacta do corpo; é flexível e expansível e submete-se à vontade do espírito, que
pode dar-lhe tal ou qual aparência a seu gosto.

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Uma vez desembaraçado do corpo físico, que o comprimia, o perispírito se


estende ou se contrai, transforma-se, numa palavra: presta-se a todas as
metamorfoses, segundo a vontade que age sobre ele.
É graças a esta propriedade do perispírito que o espírito pode, quando se quer
fazer reconhecer, tomar a exata aparência que tinha quando encarnado e, na verdade,
até mesmo a dos defeitos corporais que podem ser sinais de reconhecimento. (Item 56)

21. Qual a natureza do perispírito?

Também chamado fluido nervoso, o perispírito se eteriza à medida que o espírito


se purifica e se eleva na hierarquia espiritual. Constituído do fluido peculiar à atmosfera
do globo a que esteja vinculado, está no conhecimento desse invólucro a chave de uma
porção de problemas até agora inexplicados. Sua natureza é fluídica, mas é também
uma espécie de matéria, fato comprovado pelas aparições tangíveis de espíritos. Viram-
se com efeito, sob a influência de certos médiuns, aparecer mãos tendo todas as
propriedades das mãos vivas, que têm calor, que podem ser apalpadas, que oferecem a
resistência de um corpo sólido, que nos seguram e que, de repente, se desfazem como
uma sombra.
A ação inteligente dessas mãos, que obedecem evidentemente a uma vontade
ao executarem certos movimentos, até a tocar árias num instrumento, prova que são a
parte visível de um ser inteligente invisível. Sua tangibilidade, sua temperatura, a
impressão que causam aos sentidos provam que são de uma matéria qualquer. Seu
desaparecimento instantâneo prova, por outro lado, que essa matéria é eminentemente
sutil e se comporta como certas substâncias que podem, alternadamente, passar do
estado sólido ao estado fluídico e reciprocamente. (Item 57)

22. Como pode o espírito, que é imaterial, agir sobre a matéria?


A ação do espírito sobre a matéria se concebe facilmente quando se conhece a
existência do perispírito. O espírito se vale de seu invólucro sutil, que é também de
natureza material, como o homem se vale de seu corpo.
O instrumento direto da ação do espírito é, portanto, o seu perispírito. Ele tem,
ainda, por agente intermediário, o fluido universal, espécie de veículo sobre o qual age
como nós agimos sobre o ar para produzir alguns efeitos com a ajuda da dilatação, da
compressão, da propulsão ou das vibrações. Os efeitos dessa ação, que antes pareciam
sobrenaturais, entram na ordem dos fatos naturais, cuja causa reside inteiramente nas
propriedades semimateriais do perispírito. (Item 58)

23. Como é o fenômeno designado pelo nome de "mesas girantes"?


Dá-se o nome de manifestações físicas àquelas que se traduzem por efeitos
sensíveis, tais como os barulhos, o movimento e o deslocamento dos corpos sólidos.
Alguns são espontâneos, isto é, independentes da vontade dos homens; outros são
provocados. O efeito mais simples e um dos primeiros que foram observados consiste
no movimento circular imprimido a uma mesa.
Este efeito se produz igualmente com qualquer objeto, mas sendo a mesa aquele
sobre o qual foi mais exercido, porque era o mais cômodo, o nome de mesas girantes
prevaleceu para a designação desta espécie de fenômenos. É preciso explicar, contudo,
que tal fenômeno já se produzira antes do advento do Espiritismo. Tertuliano fala em
termos explícitos das mesas girantes e falantes, o que demonstra a antiguidade do fato.
(Item 60)
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24. Como se dá o fenômeno das mesas girantes?


Antes de mais nada, é preciso que haja um ou mais médiuns dotados da aptidão
especial para produção de efeitos físicos. As pessoas se assentam ao redor de uma
mesa e pousam a palma das mãos em cima, sem pressão e sem tensão muscular. É
preciso que haja recolhimento, um silêncio absoluto e paciência se o efeito demorar a
produzir-se. Pode acontecer que este se dê em poucos minutos, como pode demorar
meia ou uma hora; isto dependerá da força mediúnica dos participantes.
Quando o efeito começa a se manifestar, ouve-se comumente um estalido na
mesa; sente-se um estremecimento que é o prelúdio do movimento; a mesa parece
fazer esforços para se desamarrar; o movimento de rotação se pronuncia e se acelera
ao ponto de adquirir uma rapidez tal que o assistentes experimentam sérias
dificuldades para acompanhá-lo. Uma vez o movimento estabelecido, pode-se mesmo
se afastar da mesa, que continua a mover-se em diversos sentidos e sem contato.
Em outras circunstâncias, a mesa se ergue e firma ora num pé, ora no outro,
depois volta docemente à sua posição natural. Outras vezes, balança-se imitando o
movimento oscilatório de um navio.
De outras vezes, enfim, destaca-se inteiramente do solo e se mantém em
equilíbrio no espaço, sem ponto de apoio; depois desce lentamente, balançando-se
como o faria uma folha de papel, ou bem cai violentamente e se quebra, o que prova
de um modo patente que não se é joguete de uma ilusão de ótica. (Itens 61 a 63)

25. Por que o fenômeno das mesas girantes não mais ocorre?
Duas causas contribuíram para o abandono das mesas girantes: a moda, para as
pessoas frívolas, que dedicam raramente duas temporadas ao mesmo divertimento;
todavia, nesse caso conseguiram dedicar-lhe três ou quatro!
Para as pessoas sérias e observadoras saiu alguma coisa de respeitável, que
prevaleceu; desprezaram-se as mesas girantes porque se passou a ocupar das
conseqüências que resultaram das manifestações: deixaram o alfabeto pela ciência. Eis
todo o segredo desse abandono aparente, do qual fizeram tanto barulho os
zombadores. (Item 60)

26. Quais são as manifestações espíritas mais simples?


De todas as manifestações espíritas, as mais simples e as mais freqüentes são os
ruídos e as batidas, mas é preciso compreender que os ruídos espíritas têm um caráter
particular e apresentam uma intensidade e timbres muito variados, que os tornam
facilmente reconhecíveis e não permitem confundi-los com o ranger da madeira, o
crepitar do fogo ou o tic-tac monótono de um pêndulo.
São pancadas secas, às vezes surdas, fracas e leves, outras vezes claras,
distintas, algumas vezes estrepitosas, que mudam de lugar e se repetem sem terem
uma regularidade mecânica. De todos os meios de controle, para certificação de sua
veracidade, o mais eficaz, aquele que não pode deixar dúvidas de sua origem, é a
obediência do fenômeno à vontade.
Se as pancadas se fazem ouvir no lugar designado, se respondem ao
pensamento por seu número ou sua intensidade, não se lhes pode negar uma causa
inteligente, embora a falta de obediência não constitua sempre uma prova contrária. É
preciso submeter o fenômeno a uma verificação minuciosa para se ter a certeza de que
não é ele o resultado de causas comuns ou mesmo de brincadeiras de mau gosto.
(Item 83)

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27. Que caracteriza uma manifestação como inteligente?


Para que uma manifestação seja inteligente, não é preciso que seja eloqüente,
espiritual ou erudita; é suficiente que prove um ato livre e voluntário, que exprima uma
intenção, ou responda a um pensamento. Vimos a mesa mover-se, erguer-se, dar
pancadas, sob a influência de um ou de vários médiuns. O primeiro efeito inteligente
que se observou foi de ver estes movimentos obedecerem a uma ordem. Assim, sem
mudar de lugar, a mesa se erguia alternadamente sobre o pé designado; depois,
caindo, batia um determinado numero de pancadas, respondendo a uma pergunta.
Outras vezes, a mesa, sem o contato de ninguém, passeava sozinha pela sala, indo
para a direita e para a esquerda, para trás e para diante, executando diversos
movimentos conforme os assistentes mandavam. Eis o que dá ao fenômeno o caráter
inteligente a que se refere a pergunta. (Itens 66 e 67)

28. Essa inteligência não é devida à ação do médium?


A princípio, surgiu um sistema segundo o qual a inteligência da manifestação
seria proveniente do médium, do interrogador ou mesmo dos assistentes. A dificuldade
era explicar como essa inteligência podia refletir-se na mesa e se traduzir por pancadas.
Ora, como as pancadas não eram dadas fisicamente pelo médium, eram pelo
pensamento. Eis aí, então, um fenômeno ainda mais prodigioso do que os até então
observados: o pensamento desferindo pancadas!... A experiência não tardou em
demonstrar o erro dessa opinião. Com efeito, as respostas estavam, muito
freqüentemente, em oposição formal ao pensamento dos assistentes, fora do alcance
intelectual do médium e mesmo em idiomas ignorados por ele, ou relatando fatos
desconhecidos de todos. Os exemplos são tão numerosos, que é quase impossível que
alguém que se ocupou de comunicações espíritas não tenha sido testemunha deles
muitas vezes. (Item 69)

29. Qual é, então, o papel do médium nesse tipo de fenômeno espírita?


Médium quer dizer intermediário. Nesses fenômenos, o fluido próprio do médium
se combina com o fluido universal acumulado pelo Espírito: é necessária a união desses
dois fluidos, isto é, do fluido animalizado do médium com o fluido universal, para dar
vida momentânea à mesa ou a qualquer outro objeto. Esta vida é, porém, passageira e
se extingue com a ação e, muitas vezes, antes do fim da ação, logo que a quantidade
de fluido não é suficiente para animá-la. (Item 74, pergunta 14)

30. O Espírito pode produzir o fenômeno sem o concurso de um


médium?
Pode agir sem o médium saber, isto é, muitas pessoas servem de auxiliares aos
Espíritos para certos fenômenos, sem o perceberem. O Espírito tira delas, como de uma
fonte, o fluido animalizado do qual tem necessidade; é assim que o concurso de um
médium nem sempre é voluntário, o que se dá principalmente nas manifestações
espontâneas. A razão disso é que o fluido vital, indispensável à produção de todos os
fenômenos mediúnicos, é apanágio exclusivo do encarnado e do qual, por conseguinte,
o Espírito operador é obrigado a se impregnar. (Item 74, parágrafo 15, e item 98)

31. Que é o chamado fluido universal e qual é seu estado mais simples?
Criado por Deus, o fluido universal é o princípio elementar de todas as coisas,
excetuados os seres inteligentes da Criação. Para encontrá-lo em sua simplicidade
absoluta, é preciso remontarmos até aos Espíritos puros.
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Na Terra ele está sempre mais ou menos modificado para formar a matéria
compacta que nos cerca, e aqui o estado que mais se aproxima dessa simplicidade é o
do fluido que, em Espiritismo, chamamos de fluido magnético animal. (Item 74)

32. Como pode o Espírito, que é imaterial, agir sobre a matéria?


Ele combina uma parte do fluido universal com o fluido animalizado que o
médium solta, próprio para esse efeito. Com esses elementos assim combinados o
Espírito anima o objeto de uma vida artificial momentânea. O Espírito pode, então,
atrair tal objeto e movê-lo sob a influência de seu próprio fluido, irradiado por sua
vontade. Em virtude de sua natureza etérea, o Espírito propriamente dito não pode agir
sobre a matéria grosseira sem um intermediário, isto é, sem um liame que o une à
matéria; este o liame, que constitui o que se chama perispírito (corpo fluídico do
Espírito), é que dá a chave de todos os fenômenos espíritas materiais. (Item 74)

33. Quando um piano toca sem contato de ninguém, é o Espírito que


pressiona o teclado para obter os sons?
Mesmo quando aparecem mãos de Espíritos materializados sobre o piano que
toca, o fenômeno se dá como explicado na resposta anterior. Quando o Espírito pousa
os dedos nas teclas, pousa-os realmente e mesmo os mexe, mas não é a força
muscular que pressiona as teclas. Ele anima as teclas com uma vida artificial, e elas
obedecem à sua vontade, mexendo-se e tocando as cordas do piano. Para animar as
teclas o Espírito se vale de parte do fluido universal combinado com o fluido
animalizado do médium. (Item 74, parágrafo 24)

34. Como é que foram descobertos outros meios de comunicação com


os Espíritos?
Em seguida aos primeiros fenômenos mediúnicos observados a partir de 1848 na
América do Norte, conhecidos como "raps" (ruídos provocados pelos Espíritos
comunicantes no piso, no teto, nas paredes e nos móveis), aperfeiçoou-se a arte da
comunicação por pancadas alfabéticas, que era um meio muito moroso. Os Espíritos
depois indicaram outros meios e é a eles que devemos o meio das comunicações
escritas. As primeiras manifestações deste gênero tiveram lugar adaptando-se um lápis
ao pé de uma mesa leve pousada numa folha de papel. Simplificou-se sucessivamente
este meio, servindo-se de mesinhas do tamanho da mão, em seguida de cestinhas, de
caixinhas de cartão e, por fim, de simples e pequeninas tábuas aboinhas. A escrita era
tão corrente, tão rápida e tão fácil como com a mão. Mais tarde reconheceu-se que
todos esses objetos poderiam ser dispensados e o médium passou a segurar
diretamente o lápis. Eis aí a psicografia. (Item 71)

35. Como se explica o fenômeno da levitação?


Quando um objeto é posto em movimento, transportado ou lançado ao ar, não é
o Espírito que o agarra, empurra e ergue, como fazemos com as mãos. Ele o impregna,
por assim dizer, de um fluido combinado com o fluido do médium e o objeto, assim
vivificado momentaneamente, age como faria um ser vivente, com a diferença de que,
não tendo vontade própria, segue o impulso da vontade do Espírito. Se, pelo meio
indicado, o Espírito pode erguer uma mesa, pode erguer qualquer coisa; uma poltrona,
por exemplo. Se pode erguer uma poltrona, pode também, com uma força fluídica
suficiente, erguer ao mesmo tempo uma pessoa sentada em cima.

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Eis aí a explicação do fenômeno produzido por Daniel Home e por Mirabelli, uma
centena de vezes, consigo e com outras pessoas. Home o reproduziu certa vez numa
viagem a Londres e, para provar que seus espectadores não eram vítimas de uma
ilusão, fez no teto uma marca com um lápis, enquanto as pessoas passaram sob ele
levitado. (Itens 77 a 80)

36. A densidade do perispírito varia de pessoa para pessoa?


A densidade do perispírito varia segundo o estado dos mundos e varia também,
num mesmo mundo, segundo os indivíduos. Entre os Espíritos adiantados moralmente,
ele é mais sutil e se aproxima do perispírito dos Espíritos elevados. Entre os Espíritos
inferiores, ao contrário, se aproxima da matéria grosseira, e é isto que faz com que
esses Espíritos de baixa classe conservem por tanto tempo as ilusões da vida terrestre:
pensam e agem como se estivessem ainda encarnados, têm os mesmos desejos e,
podemos dizer, a mesma sensualidade. Esta materialidade do perispírito, dando-lhes
mais afinidade com a matéria, torna os Espíritos inferiores mais apropriados para as
manifestações físicas. (Item 74, parágrafo 12)

37. Qual o objetivo das manifestações físicas?


As manifestações físicas têm por objetivo chamar nossa atenção para alguma
coisa e de nos convencer da presença de uma força superior ao homem. Uma vez
atingido o objetivo, a manifestação física cessa, porque não é mais necessária. (Item
85)
38. As manifestações físicas ajudam a convencer os homens?
Sim, as manifestações espontâneas são freqüentemente permitidas e mesmo
provocadas com o fim de convencer, embora existam pessoas incrédulas que, mesmo
vendo os Espíritos, persistem na descrença. Os ateus e os materialistas não são a cada
instante testemunhas do poder de Deus e do Pensamento? Isto não os impede de
negar Deus e a alma. (Item 94)

39. Para convencer as pessoas há outro meio mais apropriado?


É preciso compreender que os fenômenos espíritas não são feitos para serem
dados em espetáculo e para divertir curiosos. Evidente é que eles são úteis para
convencer os incrédulos, mas, se não existissem outros meios de convicção, não
haveria hoje a centésima parte dos espíritas. Para fazer conversões sérias, é preciso
falar ao coração; é por aí que teremos os melhores resultados quanto a esse objetivo.
(Item 98)
40. Que fazer diante das manifestações espíritas espontâneas?
Em geral, não há motivos para se amedrontar; a presença dos Espíritos pode ser
importuna, mas não perigosa. Se são Espíritos que se divertem , devemos rir-nos de
suas peças, e não nos impacientar com elas: eles, então, acabarão por se cansar e se
retirarão do local. È sempre útil saber, contudo, o que desejam. Se pedem alguma
coisa, podemos estar certos de que cessarão suas visitas desde que seu desejo esteja
satisfeito. A consulta nesses casos deverá ser feita através de um médium em boas
condições de desenvolvimento. Se o autor das manifestações é um Espírito infeliz, a
caridade manda seja tratado com as atenções que merece; se é um malvado, é preciso
pedir a Deus que o torne melhor.
Em todos os casos, a prece pode ter sempre apenas um bom resultado. Mas a
gravidade das fórmulas de exorcismo os faz rir e não as levam em nenhuma conta.
(Item 90)
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41. Em que consiste o fenômeno de transporte?


Este fenômeno difere das manifestações em que ocorra movimento de objetos
inertes apenas pela intenção benévola do Espírito que o executa, pela natureza dos
objetos quase sempre graciosos e pela maneira doce e freqüentemente delicada por
que são trazidos. Consiste no transporte espontâneo de objetos que não existem no
local onde se está; são com freqüência flores, algumas vezes frutos, bombons, jóias
etc.
Para obter fenômenos dessa ordem, é preciso contar com médiuns sensitivos,
isto é, dotados do mais alto grau das faculdades medianímicas de expansão e de
penetrabilidade, porque o sistema nervoso desses médiuns, facilmente excitável, lhes
permite, por meio de certas vibrações, projetar ao seu redor com profusão seu fluido
animalizado.
Nem todos os Espíritos podem produzi-los, porque é preciso que entre o médium
e eles exista uma certa afinidade, uma certa analogia, uma certa semelhança que
permita à parte expansível do fluido perispirítico do encarnado se misturar, se unir, se
combinar com o do Espírito que quer executar o transporte. Então este pode, por meio
de certas propriedades do ambiente terrestre, por nós desconhecidas, isolar, tornar
invisíveis e fazer moverem-se certos objetos materiais e os próprios encarnados. (Itens
96 a 98).
42. Um objeto pode ser transportado para um local fechado?
O Espírito pode tornar invisíveis os objetos a serem transportados, mas não fazê-
los penetráveis, nem quebrar a agregação da matéria, o que seria a destruição do
objeto. Tornando invisível o objeto, pode transportá-lo quando quer e não o
desembrulhar senão no momento conveniente para fazê-lo aparecer. O caso é, porém,
diferente quanto aos objetos compostos pelo Espírito.
Como este não introduz no recinto senão os elementos da matéria que são
essencialmente penetráveis, pode introduzir um objeto num lugar, por mais fechado
que esteja, mas é somente neste caso. Os Espíritos têm a faculdade de penetrar e
atravessar os mais condensados corpos com a mesma facilidade com que os raios
solares atravessam os vidros de uma vidraça. (Item 99, pergunta no 20)
(N.R.: André Luiz , em seu livro "Nos Domínios da Mediunidade", cap. 28, pp.
268 a 271, e Ernesto Bozzano, em "Fenômenos de Transporte", tratam do tema e
afirmam, contrariamente ao que diz Erasto neste item de "O Livro dos Médiuns", que é
possível, sim, introduzir um objeto num lugar hermeticamente fechado. Recomendamos
ao leitor que leia sobre o assunto as obras citadas.)

43. Como o Espírito transporta o objeto?


Ele o envolve com um fluido haurido em parte no perispírito do médium e, em
parte, dele mesmo e é nesta combinação que oculta e transporta o objeto sujeito do
transporte. Uma vez introduzido o objeto no recinto, o Espírito o desembrulha, isto é,
tira o elemento fluídico que o envolve, tornando-o novamente visível. (Item 99,
perguntas nos 13 e 19)

44. Quais são as manifestações espíritas mais interessantes?


De todas as manifestações espíritas, as mais interessantes, sem contradição, são
aquelas pelas quais os Espíritos podem tornar-se visíveis.
Aliás, este fenômeno não é mais sobrenatural do que os outros, visto que os
Espíritos podem tornar-se visíveis durante o sono e mesmo durante a vigília, o que é,
contudo, mais raro. (Item 100)
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45. Há inconveniente em se ver os Espíritos a todo instante?


Haveria tanto inconveniente em nos vermos constantemente em presença dos
Espíritos como em ver o ar que respiramos ou as miríades de animais microscópicos
que pululam ao redor de nós e sobre nós. Estando a todo momento rodeado de
Espíritos, o homem ficaria perturbado com sua visão incessante, que lhe embaraçaria
as ações e lhe tiraria a iniciativa na maior parte dos casos, enquanto que, julgando-se
só, age mais livremente. Deus sabe melhor do que nós o que nos convém e, se permite
que vejamos os Espíritos em certos casos, é para dar uma prova de que tudo não
morre com o corpo e de que a alma conserva sua individualidade depois da morte.
(Item 100, perguntas nos 7 e 8)
46. Como podem os Espíritos tornar-se visíveis?
O princípio é o mesmo que o de todas as manifestações; reporta-se às
propriedades do perispírito, que pode sofrer diversas modificações, à vontade do
Espírito. Em nosso mundo, os Espíritos só podem manifestar-se com a ajuda de seu
invólucro semimaterial e é assim que aparecem algumas vezes com a forma humana ou
outra diferente, seja nos sonhos, seja mesmo no estado de vigília. Pela combinação de
fluidos do médium e dele mesmo, produz-se no perispírito do desencarnado uma
disposição particular que não tem analogia para nós e que o torna perceptível. (Item
100, perguntas nos 21 a 23)

47. Por que não vemos os Espíritos que desejamos ver?


Os Espíritos não têm sempre a possibilidade de se manifestarem à vista, mesmo
em sonhos, apesar do desejo dos encarnados de vê-los. Causas independentes da sua
vontade podem impedi-lo. É muitas vezes também uma prova cujo mais ardente desejo
não pode afastar.

48. Qual é o princípio das manifestações visuais?

O perispírito, como já vimos, é o princípio de todas as manifestações; seu


conhecimento deu-nos a chave de uma porção de fenômenos e fez a ciência espírita
dar um passo imenso, tirando-lhe todo o caráter maravilhoso. Por sua natureza e em
seu estado normal, o perispírito é invisível e isto tem ele de comum com diversos
fluidos que sabemos existirem e que entretanto jamais vimos; mas pode também, como
certos fluidos, sofrer modificações que o tornem perceptível à vista, seja por uma
espécie de condensação, seja por uma mudança em sua disposição molecular; é então
que nos aparece sob uma forma vaporosa.
A condensação (é preciso não tomar esta palavra ao pé da letra, visto que a
empregamos apenas por faltar uma outra e a título de comparação) pode ser tal que o
perispírito adquira as propriedades de um corpo sólido e tangível, retomando
instantaneamente seu estado etéreo e invisível. Podemos compreender tal mudança de
estado pelo que se passa com o vapor, que pode passar da invisibilidade ao estado
brumoso, depois líquido, depois sólido e vice-versa.
Esses diferentes estados do perispírito são o resultado da vontade do Espírito e
não de uma causa física exterior, como nos gases. Quando nos aparece, é porque
coloca seu perispírito no estado necessário para tornar-se visível, mas para isso só sua
vontade não é suficiente, porque a modificação perispirítica se opera por sua
combinação com o fluido próprio do médium; ora, essa combinação nem sempre é
possível, o que explica por que a visibilidade dos Espíritos não é geral.

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Assim, não é suficiente que o Espírito queira mostrar-se, e também não é


suficiente que uma pessoa queira vê-lo; é preciso que os dois fluidos possam combinar-
se, que haja entre eles uma espécie de afinidade, que a emissão do fluido da pessoa
seja suficiente para operar a transformação do perispírito, e, enfim, que o Espírito
tenha permissão de se mostrar a uma determinada pessoa. (Itens 105 e 109)

49. A faculdade de vidência pode ser desenvolvida?


Antes de outra coisa, é preciso compreender que a vidência depende do
organismo; ela guarda relação com a capacidade do fluido do vidente de se combinar
com o fluido do Espírito. A faculdade pode, como todas as outras, desenvolver-se pelo
exercício, mas é uma daquelas em que vale mais esperar o desenvolvimento natural do
que provocá-lo, para prevenir a sobreexcitação da imaginação. (Item 100, perguntas
nos 26 e 27)
50. Como se dão as alucinações?
As imagens chegadas ao cérebro pelos olhos aí deixam uma marca, que faz com
que nos lembremos de um quadro como se tivéssemos diante de nós, mas isto é
sempre uma função da memória, porque não o vemos. Num certo estado de
emancipação, a alma vê no cérebro e aí encontra estas imagens, aquelas sobretudo
que mais a impressionaram, segundo a natureza das preocupações ou as disposições
do Espírito: é assim que aí encontra a marca de cenas religiosas, diabólicas, dramáticas,
mundanas, figuras de animais bizarros, que viu em outras épocas em pinturas ou
mesmo em narrações, porque as narrações deixam também suas marcas.
Assim a alma vê realmente, mas vê apenas uma imagem gravada no cérebro. No
estado normal essas imagens são fugitivas e efêmeras, mas no estado de doença, com
o cérebro mais ou menos enfraquecido, algumas imagens não se apagam como no
estado normal, pelas preocupações exteriores. Aí está a verdadeira alucinação e a
causa primária das idéias fixas. (Item 113)

51. Que é bicorporeidade?

O Espírito de uma pessoa viva, isolado do corpo, pode aparecer noutro lugar,
como o de uma pessoa morta, e ter todas as aparências da realidade; além disso, ele
pode adquirir uma tangibilidade momentânea.
Eis o fenômeno chamado bicorporeidade, que deu lugar às histórias de homens
duplos, isto é, de indivíduos cuja presença simultânea foi verificada em dois lugares
diferentes. É o que se deu com Santo Afonso de Liguori e Santo Antônio de Pádua,
como nos relata a história eclesiástica.
O fenômeno da bicorporeidade é uma variedade das manifestações visuais e
repousa nas propriedades do perispírito, que, em dadas circunstâncias, pode tornar-se
visível e mesmo tangível. (Itens 114 e 119)

52. O sono é necessário para que a alma apareça em outros lugares?

Pode ocorrer o fenômeno sem que o corpo adormeça, conquanto isto seja muito
raro; nesse caso o corpo não está jamais num estado perfeitamente normal, mas num
estado mais ou menos extático. A alma, então, abandona o corpo, seguida de uma
parte de seu perispírito que, graças à outra parte, que permanece ligada ao corpo,
constitui o laço de ligação entre a matéria e o Espírito. (Item 119, parágrafos 1 e 3)

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53. O corpo pode morrer na ausência da alma?


Durante a vida corpórea, a alma não está jamais completamente desligada do
corpo. Os Espíritos e os videntes reconhecem o Espírito de uma pessoa encarnada por
uma estria luminosa que acaba em seu corpo, fato que nunca ocorre quando o corpo
está morto, porque então a separação é completa. É por este laço que o Espírito é
avisado, instantaneamente, qualquer que seja a distância em que estiver, da
necessidade que o corpo tem de sua presença, e então volta com a rapidez do
relâmpago. Daí resulta que o corpo jamais pode morrer durante a ausência da alma e
que jamais pode acontecer que esta, em sua volta, encontre a porta fechada, como
certos romances fantasiosos relatam. (Item 118)

54. Que é transfiguração?


A transfiguração consiste na mudança de aspecto de um corpo vivo. O fato pode
ter por causa, em certos casos, uma simples contração muscular que dá à fisionomia
uma expressão diferente, a ponto de tornar a pessoa quase irreconhecível. Mas isso
não explica tudo. O Espírito pode dar a seu perispírito, como já vimos, todas as
aparências e, por efeito de uma modificação na disposição molecular, dar-lhe a
visibilidade, a tangibilidade e, por conseqüência, a opacidade. Essa mudança de estado
se opera pela combinação de fluidos. Figuremos o perispírito de uma pessoa viva, não
isolado, mas irradiando-se em redor do corpo de modo a envolvê-lo como um vapor.
Perdendo o perispírito a sua transparência, o corpo pode desaparecer, tornar-se
invisível, como se estivesse mergulhado numa névoa. Poderá mudar de aspecto, tornar-
se brilhante. Um outro Espírito, combinando seu fluido com o do primeiro, pode aí
imprimir sua própria aparência, de tal sorte que o corpo físico desaparece sob um
invólucro fluídico exterior cuja aparência varia segundo a vontade do Espírito. (Itens
122 e 123)

55. Que são os agêneres?


Trata-se de uma espécie de aparição tangível: é o estado de certos Espíritos que
podem revestir momentaneamente as formas de uma pessoa viva, a ponto de causar
completa ilusão. Originário do grego, o vocábulo significa "aquele que não foi gerado",
aplicando-se, portanto, aos chamados Espíritos materializados, denominação esta
imprópria que designa os seres cujo perispírito tornou-se tangível, visível, fotografável,
como se fosse uma pessoa viva. (Item 125)

56. Os Espíritos podem fabricar substâncias apropriadas a curar


pessoas?
Sim, e esse fato é muito freqüente. (Item 128, parágrafos 12 e 13)

57. Como se obtém a água magnetizada?


O Espírito pode operar sobre a matéria elementar, por sua vontade, dando-lhe
propriedades determinadas.
Assim é que uma substância salutar pode tornar-se venenosa por uma simples
modificação; a química oferece-nos numerosos exemplos disso. Todo mundo sabe que
duas proporções podem resultar numa que seja deletéria. Uma parte de oxigênio e
duas de hidrogênio, todas as duas inofensivas, formam a água; ajuntem um átomo de
oxigênio e terão um líquido corrosivo. Sem mudar as proporções, basta às vezes uma
simples mudança no modo da agregação molecular para modificar as propriedades; é
assim que um corpo opaco pode tornar-se transparente e vice-versa.
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Como o Espírito tem, por sua única vontade, uma ação tão possante sobre a
matéria elementar, que dá origem a todos os corpos, concebe-se que ela possa não
somente formar substâncias, mas ainda alterar suas propriedades, fazendo aí o efeito
de um reativo.
Na magnetização da água, o Espírito que age é o do magnetizador, as mais das
vezes assistido por um Espírito estranho. Ele opera na água uma transmutação com o
auxílio do fluido magnético que, como já sabemos, é a substância que mais se
aproxima da matéria cósmica ou elemento universal. Como pode operar uma
modificação nas propriedades da água, pode igualmente produzir um fenômeno
análogo sobre os fluidos do organismo, e daí o efeito curativo da ação magnética
convenientemente dirigida. (Itens 129 a 131)

58. Os objetos usados pelos Espíritos em suas aparições são reais?


Sim. O Espírito tem sobre os elementos materiais espalhados por todo o espaço
um poder que o homem longe está de suspeitar. Ele pode, à sua vontade, concentrar
esses elementos e lhes dar a forma aparente própria a seus objetos, imitando assim os
objetos terrenos necessários à sua identificação ante os que o vêem. (Item 128,
parágrafos 2 a 4)

59. As roupas usadas pelos Espíritos são cópias das terrestres?


Não é isto que acontece. As roupas e os objetos usados pelo Espírito são por ele
mesmo produzidos, podendo ter ou não a aparência de peças usadas em sua última
encarnação na Terra. O Espírito pode imprimir à matéria eterizada transformações à
sua vontade e, assim, produzir os trajes, as jóias e quaisquer adornos de que necessite
num dado momento, subordinado tal poder ao seu grau evolutivo. (Item 128,
parágrafos 4 a 6)

60. Todos os Espíritos sabem como produzem os objetos que usam?


Não. Freqüentemente concorrem para a formação de um objeto por um ato
instintivo que eles mesmos não compreendem, se não estiverem bem esclarecidos para
isto. Embora os Espíritos inferiores possam ter esse poder, quanto mais o Espírito é
elevado, mais facilmente o faz. (Item 128, parágrafos 14 a 16)

61. Em que consiste o fenômeno da voz direta?

Os sons espíritas ou pneumatofônicos têm duas maneiras bem distintas de se


produzir: são algumas vezes uma voz íntima que ecoa na consciência, mas, ainda que
as palavras sejam claras e distintas, ela não têm, contudo, nada de material; de outras
vezes elas são exteriores e tão distintamente articuladas como se proviessem de uma
pessoa colocada ao nosso lado. De qualquer forma que ele se produza, o fenômeno da
voz direta, ou pneumatofonia, é quase sempre espontâneo e apenas raramente pode
ser provocado.

Experiências posteriores à codificação demonstraram que, no fenômeno da voz


direta, o Espírito fala através de uma garganta ectoplásmica, podendo sua voz imitar a
de sua precedente existência terrena. Os sons pneumatofônicos exprimem
pensamentos, formam frases, e é por isso que podemos reconhecer que eles são
devidos a uma causa inteligente e não acidental. (Itens 150 e 151)

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62. Em que consiste o fenômeno da escrita direta?


A escrita direta, ou pneumatografia, é a que se produz espontaneamente sem o
concurso nem da mão do médium, nem do lápis. Basta tomar uma folha de papel
branco, dobrá-la e colocá-la em algum lugar, em uma gaveta, ou simplesmente sobre
um móvel, e se estivermos em condições favoráveis, ao fim de um tempo mais ou
menos longo, acharemos no papel caracteres traçados, sinais diversos, palavras, frases
e mesmo discursos, freqüentemente com uma substância cinzenta igual ao chumbo,
outras vezes com lápis vermelho, tinta ordinária e mesmo tinta de impressão.

Nesse tipo de fenômeno, o Espírito não se serve nem de nossas substâncias,


nem de nossos instrumentos: ele mesmo faz a matéria e os instrumentos de que
precisa, tirando seus materiais do elemento primitivo universal ao qual ele imprime, por
sua vontade, as modificações necessárias ao efeito que quer produzir. Ele, assim, pode
muito bem fabricar tinta vermelha, tinta de impressão e mesmo caracteres tipográficos
bastante resistentes para dar relevo à impressão, de que temos visto exemplos. É desse
modo que podemos explicar a aparição das três palavras na sala do festim de Baltazar,
de que nos fala a Bíblia. (Itens 127 e 146 a 148)

63. A escrita direta fica registrada permanentemente ou desaparece


com o tempo?
Os traços da escrita direta não desaparecem, porque são sinais que é útil
conservar e por isso se conservam. (Item 128, parágrafos 17 e 18)

64. Existem lugares assombrados?


Alguns Espíritos podem ser atraídos por coisas materiais; podem sê-lo por certos
lugares, aos quais parecem eleger por domicílio, até que cessem as circunstâncias que
os levaram ali: a simpatia por algumas pessoas que ali comparecem ou o desejo de se
comunicarem com elas. Suas intenções nem sempre são louváveis, porquanto podem
querer exercer uma vingança sobre indivíduos dos quais têm motivos de queixas. A
permanência num lugar determinado pode ser também, para alguns Espíritos, uma
punição que lhes é infligida, sobretudo se eles cometeram algum crime ali, para que
tenham constantemente esse crime diante dos olhos. Não se deve temer os lugares
assombrados, porque os Espíritos que assombram certos lugares e neles fazem barulho
procuram antes se divertir às custas da credulidade e do medo do que fazer mal. O
melhor meio de afastá-los daí é atrair os bons Espíritos, o que se consegue fazendo
muito o bem. Façamos sempre o bem e apenas teremos bons Espíritos ao nosso lado.
(Item 132, parágrafos 5 a 14)

65. Os Espíritos voltam ao local onde foram enterrados?


Geralmente, não. O corpo era apenas uma vestimenta e eles não se importam
com o invólucro que os fez sofrer mais do que o prisioneiro com suas cadeias. A
lembrança das pessoas que lhes são queridas é a única coisa à qual ele dão valor.
(Item 132, parágrafo 8)
66. Que é tiptologia?
É a linguagem das pancadas. As primeiras manifestações inteligentes foram
obtidas por pancadas, que ofereciam recursos muito limitados à comunicação com os
Espíritos. As pancadas eram obtidas de dois modos por médiuns especiais. O primeiro,
a que se deu o nome de tiptologia pelo básculo, consistia no movimento da mesa que
se levanta de um lado, depois cai batendo com o pé.
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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

Bastava para isso que o médium pousasse as mãos nos bordos da mesa. Uma
pancada significava sim e duas, não. O inconveniente estava na brevidade das
respostas e na dificuldade de se formular perguntas de modo a conseguir-se um sim ou
um não. Depois surgiu a tiptologia alfabética, em que cada letra do alfabeto era
designada por um certo número de pancadas, isto é, uma pancada para o a, duas para
o b, e assim por diante.

Esse método é também muito moroso e, por isso, surgiu um modo de uso mais
corrente, em que a pessoa tinha diante de si um alfabeto inteiramente escrito, bem
como a série de números marcando as unidades. Enquanto o médium está na mesa,
uma outra pessoa percorre sucessivamente as letras do alfabeto, se se trata de uma
palavra, ou a dos números; ao chegar na letra necessária, a mesa bate por si mesma
uma pancada e se escreve a letra, e por aí prosseguia a experimentação.

Mais tarde utilizou-se a chamada Mesa-Girardin, em lembrança ao uso que dela


fazia a senhora Emília de Girardin. Esse instrumento consiste em uma tampa de mesa
móvel, de 30 a 40 centímetros de diâmetro, girando livre e facilmente sobre seu eixo,
como uma roleta. Ao seu redor, na superfície, estão desenhados os números, as letras
e as palavras sim e não. No centro havia uma agulha fixa. Ao pousar o médium seus
dedos no bordo da mesinha, esta gira e pára quando a letra desejada está sob a
agulha. (Itens 139 a 144)

67. Os Espíritos que se comunicam através de pancadas são chamados


Espíritos batedores?
Não; a tiptologia é um meio de comunicação como qualquer outro e não é
menos digno dos Espíritos elevados do que a escrita ou a palavra. Os Espíritos que se
valem de pancadas não são, por esse motivo, Espíritos batedores. Este nome deve ser
reservado para aqueles que se podem chamar batedores de profissão e que, por esse
meio gostam de fazer coisas para divertir um grupo. São Espíritos inferiores, a que se
aplica muito bem a designação de charlatães ou saltimbancos do mundo espiritual.
(Item 145)

68. As comunicações espíritas dividem-se em quantas categorias?


Tendo em vista a variedade infinita que existe entre os Espíritos, sob o duplo
aspecto de inteligência e de moralidade, as comunicações por eles transmitidas podem
agrupar-se em quatro categorias principais. Segundo suas características mais
pronunciadas, elas são: grosseiras, frívolas, sérias ou instrutivas. (Item 133)

69. Que são comunicações instrutivas?


Instrutivas são as comunicações sérias cujo principal objeto consiste num
ensinamento qualquer dado pelos Espíritos, sobre as ciências, a moral, filosofia etc. São
mais ou menos profundas, conforme o grau de elevação e de desmaterialização do
Espírito.
Qualificando de instrutivas as comunicações, supomo-las verdadeiras, pois o que
não for verdadeiro não pode ser instrutivo, ainda que dito na mais imponente
linguagem. Aí, nessa categoria, não podemos incluir certos ensinos que de sério apenas
têm a forma, muitas vezes empolada e enfática, com que os Espíritos que os ditam,
mais presunçosos do que instruídos, contam iludir os que os recebem. (Item 137)

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70. Deve-se criticar as comunicações espíritas?


Uma comunicação espírita pode ser séria, isto é, ponderosa quanto ao assunto e
elevada quanto à forma, e no entanto ser falsa. Nem todos os Espíritos sérios são
igualmente esclarecidos; há muita coisa que eles ignoram e sobre que podem enganar-
se de boa fé. Por isso é que os Espíritos verdadeiramente superiores nos recomendam,
de contínuo, que submetamos todas as comunicações ao crivo da razão e da mais
rigorosa lógica. (Item 136)
71. O que é médium?
Toda pessoa que sente num grau qualquer a influência dos Espíritos é médium,
isto é, intermediário entre aqueles e o mundo corpóreo. Essa faculdade é inerente ao
homem e, por isso, não constitui um privilégio exclusivo. Poucas pessoas há que não
revelem rudimentos da faculdade. Pode-se dizer, pois, que todos são médiuns.
Aplica-se, porém, o qualificativo de médium somente àqueles cuja faculdade
medianímica é claramente caracterizada e se traduz por efeitos patentes e uma certa
intensidade, o que requer um organismo mais ou menos sensitivo. É de notar, ainda,
que essa faculdade não se revela em todos da mesma maneira; os médiuns têm
geralmente uma aptidão especial para esse ou aquele gênero de fenômenos, o que dá
tantas variedades de médiuns quantas são as espécies de manifestações. (Item 159)

72. Que se deve fazer quando surja espontaneamente a faculdade


mediúnica num indivíduo qualquer?
O correto neste caso é deixar o fenômeno seguir seu curso normal: a natureza é
mais prudente do que os homens e a Providência é sábia, porquanto, tendo seus
objetivos, o menor deles poderá ser o instrumento das maiores realizações. É sempre
útil, por isso, procurar pôr-se em relação com o Espírito para saber-se dele o que ele
deseja.

Os seres invisíveis que revelam sua presença por efeitos sensíveis são, em geral,
de categoria inferior e que podemos dominar pelo ascendente moral; é este ascendente
moral que é preciso adquirir-se. Para obtê-lo, faz-se necessário passar o indivíduo do
estado de médium natural ao de médium facultativo, que tem plena consciência de seu
poder e produz os fenômenos espíritas pelo ato de sua vontade.

Desse modo, em lugar de entravar os fenômenos, o que se consegue raramente


e nem sempre sem perigo, é preciso levar o médium a produzi-los por sua vontade,
impondo-se ao Espírito, ao invés de ser por ele dominado. Por este meio, o médium
chega a controlar o Espírito e de um dominador às vezes tirânico ele poderá fazer um
ser obediente e freqüentemente muito dócil.

A moralização do Espírito pelos conselhos de uma terceira pessoa influente e


experimentada, se o médium não reúne condições de fazê-lo, é também um meio muito
eficaz. (Item 162)

73. Há um diagnóstico para saber se alguém é médium?


Não; os sinais físicos pelos quais algumas pessoas julgaram ver indícios não têm
nada de certo. A faculdade mediúnica se encontra nas crianças e nos velhos, nos
homens e nas mulheres, quaisquer que sejam o temperamento, o estado de saúde, o
grau de desenvolvimento intelectual e moral. Não há senão um meio de verificar se a
faculdade existe: é experimentar. (Item 200)
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74. A mediunidade é uma missão?


Sim; é uma missão de que o indivíduo é encarregado e da qual é feliz; afinal, o
médium é o intérprete dos Espíritos junto aos homens. Ocorre, no entanto, que essa
tarefa não é privilégio dos homens de bem e que a faculdade é dada a pessoas falíveis,
que até abusam do recurso que lhes foi concedido. A razão disso é simples: a
mediunidade é concedida a tais indivíduos porque estes dela necessitam para sua
própria melhoria, a fim de que estejam à vontade para receber bons ensinamentos; se
eles não os aproveitam, sofrerão as conseqüências. (Item 220, parágrafos 12 e 14)

75. Qual o objetivo da faculdade mediúnica?


A faculdade mediúnica não é dada a uma criatura para corrigir somente uma ou
duas pessoas; seu objetivo é maior: trata-se da Humanidade. Um médium é um
instrumento pouquíssimo importante como indivíduo; eis por que, quando os Espíritos
ditam suas instruções que devam aproveitar à generalidade das pessoas, eles se
servem de médiuns que possuem as facilidades necessárias. Chegará um tempo, neste
planeta, em que os médiuns serão muito comuns, possibilitando que os bons Espíritos
dispensem o serviço dos maus instrumentos. (Item 226, parágrafo 5)

76. As crianças também podem desenvolver a mediunidade?


Há grave inconveniente em desenvolver a mediunidade nas crianças. Seus
organismos delicados e ainda frágeis poderiam ser abalados e sua imaginação
sobreexcitada. Por isso os pais prudentes as afastarão dessas idéias, ou pelo menos
somente lhes falarão acerca delas sob o ponto de vista da conseqüências morais. (Item
221, parágrafo 6)

77. Os animais podem ser médiuns?


Não; os fatos mediúnicos não podem produzir-se sem o concurso consciente ou
inconsciente dos médiuns, e não é senão entre os encarnados, Espíritos de natureza
idêntica à dos seres invisíveis, que podemos encontrar os médiuns. (Item 236)

78. Quais as principais variedades em que se dividem os médiuns?


As principais variedades são: médiuns de efeitos físicos; médiuns sensitivos ou
impressionáveis; auditivos; falantes; videntes; sonâmbulos; curadores;
pneumatógrafos; escreventes ou psicógrafos. (Item 159)

79. Como são os médiuns imperfeitos?


Podem eles classificar-se em médiuns obsidiados, fascinados, subjugados,
levianos, indiferentes, presunçosos, orgulhosos, susceptíveis, mercenários, ambiciosos,
de má-fé, egoístas e invejosos. O orgulho e o egoísmo, as duas chagas da
Humanidade, podem fazer com que se percam as faculdades mais preciosas, através da
vaidade, da inveja, do melindre, da especulação e de todas as imperfeições que eles
podem gerar na criatura humana. (Itens 195 e 196)

80. Como são os bons médiuns?


Podem classificar-se em médiuns sérios, modestos, devotados e seguros. Os
médiuns sérios não se servem de sua faculdade senão para o bem e para as coisas
verdadeiramente úteis. Os médiuns modestos não se atribuem nenhum mérito pelas
comunicações que recebem e não se julgam ao abrigo das mistificações; longe de fugir
dos avisos acerca de sua faculdade, eles o solicitam.
ASTOLFO OLEGÁRIO DE OLIVEIRA FILHO
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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

Os médiuns devotados compreendem que o verdadeiro médium tem uma missão


a cumprir e deve, quando necessário, sacrificar seus gostos, seus hábitos, seus
prazeres, seu tempo e mesmo seus interesses materiais, para o bem dos outros. Os
médiuns seguros são os que, além de facilidade de execução, merecem maior confiança
por seu caráter e pela natureza elevada dos Espíritos que os assistem, e são menos
expostos a serem enganados. (Item 197)

81. Se um médium possui várias aptidões mediúnicas, qual deve


procurar cultivar?

É raro que a faculdade de um médium seja rigorosamente circunscrita num só


gênero; o médium poderá ter, pois, várias aptidões, mas há sempre uma predominante
e é esta que ele deve esforçar-se por cultivar, se ela é útil. Constitui grave erro querer
forçar de qualquer forma o desenvolvimento de uma faculdade que não se possui; é
preciso desenvolver aquelas das quais se reconhecem os germens, até que,
evidenciando-se a faculdade predominante, deve o médium aplicar-se a ela de um
modo especial. Limitando-se à sua especialidade, o médium pode tornar-se excelente
intérprete e obter grandes e belas coisas, ao passo que, ocupando-se de tudo, não
obterá nada de bom. (Item 198)

82. Que precauções deve o médium tomar para uma boa educação
mediúnica?
É um ponto indiscutível: sem as devidas precauções pode perder-se o fruto das
mais belas faculdades.
A primeira medida consiste em se colocar o médium, com uma fé sincera, sob a
proteção de Deus, pedindo-lhe a assistência de um Espírito guardião. Este é sempre
bom, enquanto que os Espíritos familiares podem ser levianos ou mesmo maus. A
segunda precaução é aplicar-se em reconhecer, por todos os indícios que a experiência
fornece, a natureza dos primeiros Espíritos que se comunicam e dos quais é sempre
prudente desconfiar.

Se estes indícios forem suspeitos, é preciso fazer um apelo fervoroso ao Espírito


guardião e repelir com todas as forças o mau Espírito, provando-lhe que não se é seu
joguete, a fim de o desencorajar. O estudo prévio da teoria é indispensável, se se quer
evitar os inconvenientes inseparáveis da inexperiência; a tal respeito, deve o médium
examinar com redobrada atenção os capítulos sobre Obsessão e Identidade dos
Espíritos de O Livro do Médiuns.

Além da linguagem, podemos tomar como provas infalíveis da inferioridade dos


Espíritos todos os sinais, figuras, emblemas inúteis ou pueris e toda escrita esquisita,
irregular, torcida a propósito, de tamanho exagerado, ou afetando formas ridículas e
inusitadas. Uma vez desenvolvida a faculdade, é essencial que o médium não a
transforme em abuso; assim, é necessário servir-se dela apenas nos momentos
oportunos e não a cada instante. Não estando os bons Espíritos constantemente às
suas ordens, corre o médium o risco de ser iludido por Espíritos mistificadores. Deve-se,
portanto, determinar para esse efeito dias e horas certas, porque então o médium terá
disposições mais concentradas e os Espíritos que quiserem vir achar-se-ão prevenidos.
(Itens 211 e 217)

ASTOLFO OLEGÁRIO DE OLIVEIRA FILHO


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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

83. Que é psicografia?


É o nome que se dá à comunicação espírita através da escrita, que pode se dar
direta ou indiretamente, mas sempre com a intervenção de um médium. De todos os
meios de comunicação, a escrita manual é o mais simples, o mais cômodo e,
sobretudo, o mais completo. Além disso, é a faculdade mais suscetível de se
desenvolver pelo exercício. (Itens 152 a 156, e 178)
84. Que vem a ser psicografia indireta?
Chamamos psicografia indireta à escrita assim obtida, por oposição à psicografia
direta ou manual obtida pelo próprio médium. O fenômeno se passa da seguinte forma:
o Espírito estranho que se comunica age sobre o médium; este, sob essa influência,
dirige maquinalmente o braço e a mão para escrever; a mão age sobre a cestinha e a
cestinha, sobre o lápis. Assim, não é a cestinha que se torna inteligente; ela é um
instrumento dirigido por uma inteligência e não é mais, na verdade, do que um porta-
lápis, um apêndice da mão, um intermediário entre a mão e o lápis. Neste processo, o
meio mais cômodo imaginado pelos homens foi a chamada cestinha de bico, na qual
um lápis era fixado. Mais tarde, suprimiu-se esse apêndice e o médium passou a
escrever tomando o lápis diretamente à mão. Por ser o meio mais simples e o mais
cômodo, dado que não exige nenhum preparo material anterior, a escrita manual,
também chamada involuntária ou automática, é a forma usual adotada pelos médiuns
psicógrafos dos tempos modernos. (Itens 154 e 157)

85. Quais são as diversas modalidades de médiuns psicógrafos?


Sem considerar aqui a categoria dos médiuns inspirados, que é uma variedade
da mediunidade intuitiva, os médiuns psicógrafos podem ser mecânicos, intuitivos ou
semimecânicos.
O que caracteriza o médium mecânico é o fato de o Espírito agir diretamente
sobre sua mão, completamente independente da vontade do médium. A mão escreve
sem interrupção e só pára quando o Espírito termina a comunicação. O médium
mecânico não tem a menor consciência do que escreve: é isso que deu origem ao
nome da faculdade – mediunidade mecânica ou passiva. Esta modalidade é preciosa,
visto que não deixa dúvidas sobre a independência do pensamento de quem escreve.
O médium intuitivo recebe o pensamento do Espírito comunicante e o
transmite pela escrita. Nesta situação, o médium tem consciência do que escreve,
conquanto não seja o seu próprio pensamento. O papel do médium mecânico é o de
uma máquina; o intuitivo, todavia, age como o faria um intermediário ou intérprete e
sabe que as idéias não são preconcebidas e surgem à medida que são registradas no
papel. Freqüentemente o pensamento formulado é contrário ao seu e pode estar fora
dos seus conhecimentos e capacidade.
O médium semimecânico sente o impulso dado à sua mão sem que o queira,
mas ao mesmo tempo tem consciência do que escreve à medida que as palavras se
formam. Participa, assim, um pouco das duas modalidades examinadas. Os médiuns
semimecânicos formam o maior número da categoria dos psicógrafos. (Itens 179 a
181)
86. Qual é o verdadeiro ponto de partida para o entendimento do
Espiritismo?
Crê-se geralmente que para convencer alguém é bastante mostrar fatos;
contudo a experiência demonstra que isto nem sempre é o melhor método, porque se
vêem freqüentemente pessoas a quem os fatos mais patentes não convencem de modo
algum.
ASTOLFO OLEGÁRIO DE OLIVEIRA FILHO
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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

Ora, no Espiritismo a questão do Espírito é secundária e consecutiva; este não é


o ponto de partida e precisamente aí está o erro no qual se cai muitas vezes diante de
certas pessoas. Não sendo os Espíritos outra coisa senão as almas dos homens, o
verdadeiro ponto de partida é, assim, a existência da alma.
De fato, como pode o materialista admitir que existam seres fora do mundo
material, quando crê que ele mesmo não é mais que matéria? Como poderá crer em
Espíritos fora dele, se não acreditar ter um em si? Em vão acumular-se-ão provas
diante de seus olhos: ele contestará todas, porque não admite o princípio.
Todo ensino metódico deve partir do conhecido para o desconhecido. Para o
materialista, o conhecido é a matéria; partamos, pois, da matéria e esforcemo-nos,
antes de tudo, fazendo-o observar, em convencê-lo de que nele há alguma coisa que
escapa às leis da matéria. Em uma palavra, antes de torná-lo espírita, cuidemos de
torná-lo espiritualista. Antes, pois, de empreender convencer um incrédulo, mesmo
pelos fatos, convém assegurar-se de sua opinião com relação à alma, isto é, se crê em
sua existência, em sua sobrevivência ao corpo, em sua individualidade depois da morte.
Se sua resposta for negativa, será trabalho perdido falar-lhe de Espíritos. (Itens 18 e
19)
87. Que dizer dos que atribuem ao diabo as manifestações espíritas?
Ao tempo de Jesus o clero também dizia que as curas e os chamados milagres
produzidos pelo Mestre eram "coisa" do demônio. Aqueles que espalham tais idéias não
sabem a responsabilidade que assumem: elas podem matar! Com efeito, o perigo não é
só para a pessoa, mas também para aqueles que a cercam e que podem ser
aterrorizados pelo pensamento de que sua casa é um abrigo de demônios. Foi esta
crença que causou tantos atos de atrocidades nos tempos da ignorância. Conhecemos
os acidentes que o medo pode causar e seríamos, certamente, menos imprudentes se
conhecêssemos todos os casos de loucura e de epilepsia que têm sua origem nos
contos de lobisomem e bichos-papões. A Doutrina Espírita, esclarecendo-nos sobre a
verdadeira causa de todos estes fenômenos, desfere a essa teoria o golpe de
misericórdia. Não existem demônios: longe, pois, de cultivar tal pensamento sombrio,
devemos, e é este um dever de moralidade e de humanidade, combatê-lo onde ele
existir. (Item 162)

88. Quais são os Espíritos que produzem os fenômenos de efeitos


físicos?
Os Espíritos que produzem estas espécies de manifestações são sempre Espíritos
inferiores que não estão ainda inteiramente libertos da influência material. Contudo,
tais fenômenos, embora executados por entidades inferiores, são freqüentemente
provocados por Espíritos de uma ordem mais elevada, com o fito de convencer os
homens da existência de seres incorpóreos e de uma potência superior a eles. (Itens 74
e 91)
89. Como saber se as pancadas são produzidas por Espíritos?
É preciso primeiramente excluir todas as causas naturais que podem estar por
trás das manifestações: o vento, brincadeiras, ação de animais etc. O ruído espírita
demonstra sinais de inteligência com sua obediência à vontade e ocorrência do fato no
lugar designado pelo observador. Se o fenômeno é realmente produzido por Espírito,
quer ele significar alguma coisa. Se responde até ao pensamento dos circunstantes, não
se lhe pode negar uma causa inteligente. (Item 83)

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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

90. As comunicações não poderiam ser reflexo da mente do médium ou


dos assistentes?
A experiência demonstrou o erro desta tese. Eis um exemplo da independência
do pensamento do Espírito comunicante em relação ao médium e às pessoas presentes.

Num navio da marinha imperial francesa, em serviço nos mares da China, todos
se ocupavam em fazer as mesas falarem. Tiveram então a idéia de evocar o Espírito de
um primeiro tenente do mesmo navio, morto havia dois anos. A entidade espiritual
compareceu e, depois de diversas comunicações que provocaram o espanto em todos,
disse o que se segue por meio de pancadas: "Eu lhes rogo insistentemente que paguem
ao capitão a quantia de ... (indicava a quantia) que lhe devo e que sinto não ter podido
reembolsá-lo antes de minha morte". Ninguém sabia do caso; o próprio capitão tinha
esquecido essa dívida, aliás bem pequena, mas procurando em seus apontamentos
encontrou a menção do débito do primeiro tenente, cujo valor conferia com a
mensagem. As comunicações psicográficas recebidas pelo médium Chico Xavier, que
dão informações pormenorizadas sobre nomes e endereços, especialmente por parte de
jovens recém-desencarnados, são uma prova incontestável de que as comunicações
autênticas nada têm a ver com o pensamento do médium ou dos assistentes. (Itens 69
e 70)
91. Nas sessões mediúnicas é preciso alternar-se os sexos, dar-se as
mãos, ambiente sem claridade, locais e horas certas?
Não; a única prescrição que é rigorosamente obrigatória é o recolhimento, um
silêncio absoluto e sobretudo a paciência, se o efeito tarda a produzir-se. A escolha de
dias e horas certas favorece o comparecimento dos Espíritos, que têm também suas
ocupações e não podem ficar à disposição das preferências dos encarnados. Um lugar
consagrado à atividade mediúnica facilita a concentração, embora o momento mais
propício à atividade mediúnica seja aquele em que os participantes da tarefa estejam
mais calmos e menos distraídos por suas obrigações habituais. (Itens 62, 63 e 282)

92. Que é preciso para que uma comunicação mediúnica seja boa?
Para que uma comunicação seja boa é preciso que ela proceda de um Espírito
bom; para que esse Espírito bom possa transmiti-la, necessita de um bom instrumento;
para que ele queira transmiti-la, é preciso que o fim lhe convenha. (Item 186)

93. Em que consiste a mediunidade de cura?


Este gênero de mediunidade consiste principalmente no dom que certas pessoas
possuem de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o recurso
de nenhum medicamento. O fluido magnético desempenha aí um grande papel: o
poder magnético reside no homem, mas é aumentado pela ação dos Espíritos que ele
chama em seu auxílio. O Espírito que se interessa pelo doente aumenta a força e a
vontade do médium, dirige seu fluido e lhe dá as qualidades necessárias. (Itens 175 e
176)
94. Qual a importância da escala espírita e do quadro sinóptico dos
médiuns?
O quadro sinóptico das diferentes variedades de médiuns e a escala espírita
deveriam estar sob os olhos de todos aqueles que se ocupam das manifestações
espíritas. Esses dois quadros resumem todos os princípios da doutrina e contribuirão
para reconduzir o Espiritismo ao seu verdadeiro caminho. (Item 197)

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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

95. Deve-se aceitar, sem exame, todas as comunicações espíritas?


É preciso discernir as comunicações autênticas daquelas que não o são. "Na
dúvida, abstém-te", diz um provérbio conhecido. Não admitamos, portanto, senão o
que for de uma evidência certa.
O que a razão e o bom-senso desaprovam, rejeitemos corajosamente. Mais vale
repelir dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa. (Item
230)
96. Quais os defeitos que afastam de nós os bons Espíritos?
As qualidades que atraem os bons Espíritos são: a bondade, a benevolência, a
simplicidade de coração, o amor ao próximo, o desprendimento das coisas materiais. Os
defeitos que os afastam são: o orgulho, o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez,
a sensualidade e todas as paixões pelas quais o homem se prende à matéria. (Item
227)
97. Qual é o maior escolho da mediunidade?
Entre as dificuldades que apresenta a prática do Espiritismo é preciso pôr na
primeira linha a obsessão, isto é, o império que alguns Espíritos sabem exercer sobre
certas pessoas. A obsessão não acontece senão pelo desejo dos Espíritos inferiores,
que procuram dominar. Os bons Espíritos não usam de nenhum constrangimento;
aconselham, combatem a influência dos maus e, se não são ouvidos, retiram-se. Os
maus, ao contrário, agarram-se ao que lhes oferece facilidades; se conseguem dominar
alguém, identificam-se com seu Espírito e o conduzem como a uma verdadeira criança.
(Item 237)

98. Quais são as principais variedades de obsessão?


São a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.
A obsessão simples tem lugar quando um Espírito mau se impõe a um
médium, imiscui-se contra a vontade dele nas comunicações que recebe, impede-o de
comunicar-se com outros Espíritos e substitui os que são evocados.
A fascinação é uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o
pensamento do médium e que paralisa de alguma sorte seu julgamento a respeito das
comunicações. O médium fascinado não se julga enganado: o Espírito tem a arte de lhe
inspirar uma confiança cega que o impede de ver o embuste e de compreender o
absurdo que escreve, ainda mesmo que salte aos olhos de todos; a ilusão pode mesmo
fazê-lo ver o sublime na mais ridícula linguagem.
A subjugação é uma pressão que paralisa a vontade de quem a sofre e o faz
agir contra sua vontade. A pessoa fica sob um verdadeiro jugo, que pode ser moral ou
corporal, levando às vezes a pessoa obsidiada a praticar os mais ridículos atos. (Itens
238 a 240)

99. Como podemos reconhecer a ocorrência da obsessão?


A obsessão apresenta os característicos seguintes:
1o – Persistência de um Espírito em comunicar-se, quer o médium queira, quer
não, pela escrita, pela audição, pela tiptologia etc., impedindo que outros Espíritos
possam fazê-lo;
2o – A ilusão que, não obstante a inteligência do médium, impede-o de
reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações recebidas;
3o – Crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos Espíritos que se
comunicam e que, sob nomes respeitáveis e veneráveis, dizem coisas falsas ou
absurdas;
ASTOLFO OLEGÁRIO DE OLIVEIRA FILHO
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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”
o
4 – Confiança do médium nos elogios que lhe fazem os Espíritos que se
comunicam por ele;
5o – Disposição de se afastar das pessoas que lhe podem dar úteis avisos;

6o – Tomar por mal a crítica a respeito das comunicações que recebe;


7o – Desejo incessante e inoportuno de escrever;
8o – Sujeição física qualquer dominando a vontade e forçando o médium a agir
ou a falar, contra sua vontade;
9o – Barulhos e movimentos persistentes ao redor de si, e dos quais é a causa ou
o objeto. (Item 243)

100. Quais são as causas da obsessão?


As causas da obsessão variam segundo o caráter do Espírito: é às vezes uma
vingança que ele exerce sobre um indivíduo do qual teve do que se queixar durante sua
vida ou numa outra existência; freqüentemente o motivo é apenas o desejo de fazer o
mal, porque, se ele sofre, experimenta uma espécie de gozo em fazer sofrer os outros,
em atormentá-los, em vexá-los.
Assim, a impaciência que a vítima demonstra estimula-o, porquanto, irritando-o e
demonstrando despeito, a vítima faz exatamente o que o Espírito quer. Outros agem
por ódio e por inveja ao bem; eis por que dirigem seus olhares maléficos sobre as
pessoas honradas. Há, por fim, os que assim agem movidos por um sentimento de
covardia, que os leva a aproveitar-se da fraqueza moral de certos indivíduos que eles
sabem incapazes de lhes resistir.
Deve-se acrescentar a essa lista os Espíritos obsessores sem maldade, que
possuem mesmo algo de bom, mas que têm o orgulho do falso saber e, devido a isto,
buscam médiuns bastante crédulos para aceitá-los de olhos fechados, a quem fascinam
impedindo-os de discernirem o verdadeiro do falso. A vingança constitui, no entanto, a
causa mais comum dos fenômenos obsessivos. (Itens 245 e 246)

101. Como ocorre a subjugação obsessional?


Como se fosse um manto jogado sobre o indivíduo, a subjugação corporal tira
freqüentemente a energia do obsidiado, que é necessária para dominar os maus
Espíritos; por isso, nesses casos, é preciso a intervenção de uma terceira pessoa, que
aja pelo magnetismo ou pela força de sua vontade, para aliviar o enfermo.

Forma aguda do fenômeno obsessivo, a subjugação é uma pressão que paralisa


a vontade de quem a sofre e o faz agir contra suas próprias idéias. O jugo corporal
significa que o Espírito desencarnado age sobre os órgãos materiais do obsidiado,
levando-o a provocar movimentos involuntários, mesmo nos mais inoportunos
momentos. (Itens 240 e 251)

102. A subjugação pode dar causa à loucura?


Sim. Levada a um determinado grau, a subjugação corporal pode dar causa a
uma espécie de loucura cuja causa é ignorada no mundo, mas que não tem relação
com a loucura comum. Entre os tratados por loucos há muitos que são apenas
subjugados; precisariam de um tratamento moral, enquanto que ficam loucos de
verdade com os tratamentos corporais. Quando os médicos conhecerem bem o
Espiritismo, saberão fazer esta distinção e curarão mais doentes do que as duchas.
(Item 254, parágrafo 6)

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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

103. Para se ter ascendência sobre os Espíritos inferiores, qual é a


condição necessária?
Exerce-se o ascendente sobre os Espíritos inferiores pela superioridade moral,
unicamente. Os Espíritos perversos sentem seus superiores nos homens de bem. Em
face de quem não lhes oponha senão a energia da vontade, espécie de força bruta, eles
lutam e freqüentemente são mais fortes.
A quem não tenha autoridade moral, nem a invocação do nome de Deus
exercerá aí qualquer influência. São Luís ensina que o nome de Deus tem influência
sobre os Espíritos imperfeitos apenas na boca de quem pode dele se servir com
autoridade, pelas suas virtudes. Na boca do homem que não tenha sobre o Espírito
nenhuma ascendência moral, é tal nome uma palavra como qualquer outra. (Item 279)

104. Quais são os meios de se combater a obsessão?


Os meios de se combater a obsessão variam conforme o caráter que apresenta.
Na obsessão simples, duas coisas essenciais devem ser feitas: 1 a – provar ao Espírito
que não somos seus joguetes e que lhe é impossível enganar-nos; 2a – cansar sua
paciência, mostrando-nos mais pacientes do que ele; se ele estiver bem convencido de
que perde seu tempo, acabará por retirar-se, como fazem os importunos a quem não
damos ouvidos. O médium ou a vítima da obsessão deve, além disso, fazer um apelo
fervoroso a seu protetor espiritual, assim como aos bons Espíritos que lhe são
simpáticos e rogar-lhes que o assistam.
É conveniente também interromper toda comunicação, desde que reconheçamos
que ela provém de um mau Espírito, a fim de não lhe dar o prazer de ser ouvido.
Quanto ao Espírito obsessor, por pior que ele seja, é preciso tratá-lo com severidade,
mas com benevolência, e vencê-lo pelos bons modos, orando por ele. Moralizando-se,
acabará por se corrigir: é uma conversão a empreender, tarefa penosa, ingrata,
desencorajadora mesmo, mas cujo mérito reside na dificuldade e na satisfação, se bem
cumprida, de se ter trazido ao bom caminho uma alma perdida.
Na fascinação, é preciso convencer o médium ou o indivíduo obsidiado de que
ele está iludido, transformando sua obsessão num caso de obsessão simples, o que
nem sempre é tarefa fácil, se não for mesmo algumas vezes impossível. Não se pode,
com efeito, curar um doente que se obstina em conservar sua doença e nisso se
compraz. O fascinado recebe muito mal os conselhos; a crítica o ofende e irrita, e todos
que não lhe partilham a admiração lhe caem em antipatia.
Na subjugação corporal, como já foi dito, é preciso a intervenção de uma
terceira pessoa, que exercerá um predomínio sobre o obsessor. Mas como este
predomínio não pode ser senão moral, é dado apenas a uma pessoa moralmente
superior ao Espírito exercê-lo, e seu poder será tanto maior quanto maior seja sua
superioridade moral. Nesse caso, a ação magnética de um bom magnetizador pode vir
utilmente em auxílio do obsidiado. De resto, é sempre bom tomar, por um médium
seguro, conselhos de um Espírito superior ou de seu protetor espiritual. Em suma, é
preciso entender que não existe nenhum processo material, sobretudo nenhuma
fórmula, nenhuma palavra sacramental que tenha o poder de expulsar os Espíritos
obsessores. (Itens 249 a 251)

105. Qual o fator que mais dificulta a libertação do obsidiado?


As imperfeições morais do obsidiado são, com freqüência, o obstáculo principal à
sua libertação. Se ele se melhora, seu protetor espiritual se reaproxima e somente a
presença deste será suficiente para expulsar o Espírito mau.
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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

Isso porque as imperfeições morais atraem e favorecem os obsessores, e o mais


seguro meio de se desembaraçar deles é atrair os bons Espíritos pela prática do bem;
estes só assistem os que os secundam pelos esforços que fazem para melhorar-se.
(Item 252)

106. Podemos evocar os Espíritos?


Sim, podemos evocar todos os Espíritos de qualquer grau da escala a que
pertençam, tanto os bons como os maus, tanto os que deixaram a vida há pouco
tempo, como os que viveram em épocas mais recuadas, tanto os homens ilustres como
os mais obscuros, os parentes, os amigos e também os que nos são indiferentes. Mas
isso não significa que eles queiram ou possam responder ao nosso apelo;
independentemente de sua vontade, ou da permissão que lhes pode ser negada por
uma potência superior, podem eles estar impedidos por motivos que nem sempre
conhecemos. (Itens 274 e 282)

107. Como é que os Espíritos sabem quando os evocamos?


Freqüentemente são eles prevenidos pelos Espíritos familiares que nos cercam e
vão procurá-los. Passa-se então um fenômeno que é difícil explicar porque diz respeito
ao modo de transmissão do pensamento entre os Espíritos.
O fluido universal, espalhado no Universo, é o veículo do pensamento, como o ar
o é do som, com a diferença que o pensamento atinge o infinito. O Espírito, no espaço,
é como o viajante no meio de uma vasta planície e que, ouvindo de repente
pronunciarem seu nome, se dirige para o lado de onde é chamado.
Desse modo, o Espírito evocado, por mais longe que esteja, recebe, por assim
dizer, o contragolpe do pensamento, como uma espécie de choque elétrico que chama
sua atenção para o lado de onde vem o pensamento a ele dirigido. Ele ouve o
pensamento, como na Terra ouvimos a voz. Se a evocação é premeditada, o Espírito é,
às vezes, avisado de antemão e se encontra no recinto antes do momento em que é
nominalmente chamado. (Item 282, parágrafos 5 e 6)

108. Por quais sinais se pode reconhecer a superioridade ou a


inferioridade dos Espíritos?

Pela sua linguagem, como vocês distinguem um estouvado de um homem


sensato. Os Espíritos superiores nunca se contradizem e apenas dizem coisas boas;
desejam unicamente o bem: este é a sua preocupação. Os Espíritos inferiores estão
ainda sob o império das idéias materiais; suas conversas ressentem-se de sua
ignorância e de sua imperfeição. Apenas aos Espíritos superiores é dado conhecer todas
as coisas e julgá-las sem paixão. (Itens 268 e 263)

109. A identidade dos Espíritos comunicantes é essencial à prática


espírita?
A identidade absoluta dos Espíritos é, em muitos casos, uma questão acessória e
sem importância, o que não se dá com a distinção entre bons e maus Espíritos. A
individualidade deles pode ser irrelevante, mas nunca a sua qualidade. Em todas as
comunicações instrutivas esse é o ponto para o qual deve convergir toda a nossa
atenção, porque unicamente essa distinção é que nos dará a medida de confiança que
podemos atribuir ao Espírito que se manifesta, qualquer que seja o nome sob o qual se
apresente. (Itens 262 e 267)
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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

110. Devemos então examinar as comunicações recebidas?


Sim. Devemos submeter todas as comunicações a um exame escrupuloso,
analisando o pensamento e as expressões como fazemos quando se trata de julgar uma
obra literária, rejeitando sem hesitar tudo o que peca contra a lógica e o bom-senso,
tudo o que desminta o caráter do Espírito comunicante. Desse modo, desencorajaremos
os Espíritos enganadores, que acabarão por retirar-se, uma vez convencidos de que não
nos podem enganar.
Repetimos que este meio é o único, mas é infalível, visto que não existe uma
comunicação má que resista a uma crítica rigorosa. (Item 266)

111. Podemos fazer perguntas aos Espíritos?


Sim; as perguntas, longe de terem o menor inconveniente, são de grande
utilidade do ponto de vista da instrução, quando sabemos formulá-las dentro dos limites
desejados. Elas têm uma outra vantagem, que é ajudar a desmascarar os Espíritos
enganadores que, sendo mais vãos do que sábios, suportam raramente a prova das
perguntas de uma lógica cerrada que os levam a seus últimos redutos.
Os Espíritos sérios respondem com prazer às perguntas que têm por fim o bem e
os meios de fazerem o homem progredir. Não ouvem, portanto, as perguntas fúteis, as
que são inúteis e as que são feitas por curiosidade ociosa ou apenas para prová-los.
(Itens 287 e 288)

112. Podemos obter conselhos dos Espíritos sobre assuntos do nosso


interesse particular?
Algumas vezes sim, segundo o motivo. Mas depende daqueles aos quais o
interessado se dirige. Os avisos concernentes à vida particular são dados com mais
exatidão pelos Espíritos familiares, porque estes se ligam a uma pessoa e se interessam
pelo que lhe diz respeito: é o amigo, o confidente de seus mais secretos pensamentos;
todavia freqüentemente os homens os fatigam com questões tão absurdas, que eles se
calam. Seria tão absurdo perguntar coisas íntimas aos Espíritos que nos são estranhos,
como nos dirigirmos para isso ao primeiro indivíduo que encontrássemos na rua. (Item
291, parágrafos 17 e 18)

113. Como nossos protetores espirituais se comportam ante as


vicissitudes que devemos enfrentar?
Os protetores podem ajudar-nos a suportá-las com mais resignação e mesmo
mitigá-las por vezes; mas, no próprio interesse de nosso futuro, não lhes é permitido
isentar-nos delas. É que um bom pai não concede a seu filho tudo o que ele deseja.
Os protetores espirituais em muitas circunstâncias podem indicar-nos o melhor
caminho, sem contudo conduzir-nos pela mão; aconselham-nos pela inspiração e nos
deixam assim todo o mérito do bem, como toda a responsabilidade pela má escolha. Se
há infantilidade em interrogar os Espíritos para as coisas fúteis, não o há menos da
parte dos Espíritos que se ocupam do que se pode chamar coisas caseiras; podem ser
bons, mas certamente são ainda muito terrestres. (Item 291, parágrafo 19)

114. Os Espíritos podem ensinar-nos tudo o que desejarmos?


Não; há coisas sobre as quais os interrogaríamos em vão, seja porque lhes é
proibido revelá-las, seja porque eles próprios as ignoram e sobre as quais apenas nos
podem dar opiniões pessoais. (Item 300)

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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

115. Qual o objetivo essencial e exclusivo do Espiritismo?


O objetivo essencial, exclusivo, do Espiritismo é a melhoria dos homens, e é para
atingi-lo que se permite aos Espíritos iniciá-los na vida futura, oferecendo-lhes
exemplos que podemos aproveitar.
Quanto mais nos identificarmos com o mundo espiritual que nos espera, menos
teremos pena de deixar aquele em que estamos no momento. Em resumo, este é o
objetivo da revelação espírita. (Item 292, parágrafo 22)

116. Que é que o Espiritismo tem de mais belo e consolador?


São, sem contestação, as relações entre o mundo visível e o invisível, dos
homens com os seres que lhes são caros e que se pensava estivessem perdidos para
sempre. São estas relações que identificam o homem com seu futuro e o desligam do
mundo material. Suprimir esse intercâmbio equivale a mergulhar outra vez a criatura
humana na dúvida que faz o seu tomento e alimenta o seu egoísmo. (Item 301,
parágrafo 7)
117. Qual é a finalidade das comunicações dos Espíritos?
Já sabemos que o objetivo do Espiritismo é a melhoria moral da humanidade.
Nesse propósito é que se inscrevem as comunicações dos Espíritos: estes vêm instruir e
guiar os homens no caminho do bem e não no caminho da honras e da fortuna. Deus
não envia os Espíritos para lhes aplainar a estrada material da vida, mas para prepará-
los para a vida futura. (Item 303, parágrafo 1o)

118. Todos os homens são médiuns?


Sim; todos os homens têm um Espírito que os dirige para o bem, quando o
sabem ouvir. Pouco importa que alguns se comuniquem diretamente com ele por uma
mediunidade particular, os outros o ouçam apenas pela voz do coração e da
inteligência. O importante é que seu Espírito familiar os aconselha. Chamem-no
Espírito, razão, inteligência, é ele sempre uma voz que responde à sua alma e lhes dita
boas palavras. A voz íntima que fala ao coração do homem é a dos bons Espíritos, e é
sob este ponto de vista que todos os homens são médiuns, embora nem todos
apresentem sua faculdade de modo ostensivo. (Cap. XXXI, dissertação X, de Channing)

119. Quais as qualidades essenciais dos médiuns?


O desinteresse, a modéstia e o devotamento. Deus lhes deu esta faculdade a fim
de que ajudem a propagar a verdade e não para fazer dela um tráfico, um instrumento
das paixões mundanas. (Cap. XXXI, dissertação XIV, de Delfina de Girardin)

120. Quais as variedades comuns a todos os gêneros de mediunidade?


São os médiuns sensitivos, os médiuns naturais ou inconscientes e os médiuns
facultativos ou voluntários.
Os médiuns sensitivos são pessoas susceptíveis de sentir a presença dos
Espíritos por uma impressão geral ou local, vaga ou material. A maior parte distingue os
Espíritos bons ou maus, segundo a natureza da impressão.
Os médiuns naturais ou inconscientes são os que produzem os fenômenos
espontaneamente, sem nenhuma participação de sua vontade e o mais das vezes sem
o saberem.
Os médiuns facultativos ou voluntários são os que têm o poder de provocar os
fenômenos por ato de sua vontade; todavia, nada poderão se os Espíritos a isto se
recusarem, o que prova a intervenção de uma potência estranha. (Item 188)
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121. Como se classificam os médiuns de efeitos físicos?


Especialmente aptos a produzir fenômenos materiais, tais como os movimentos
dos corpos inertes, os barulhos etc., os médiuns de efeitos físicos dividem-se em
médiuns facultativos e médiuns involuntários. Os facultativos têm consciência de seu
poder e agem por sua própria vontade. Os involuntários não têm consciência de seu
poder e recebem a influência dos Espíritos sem que o saibam ou queiram. (Itens 160 e
161)
122. Que são médiuns auditivos?
Eles ouvem a voz dos Espíritos e podem assim entrar em conversação com eles.
Algumas vezes o que ouvem é uma voz íntima que se faz ouvir na consciência; de
outras vezes é uma voz exterior, clara e distinta como a de uma pessoa encarnada. Tal
faculdade é muito agradável quando o médium ouve somente bons Espíritos ou apenas
os que ele chama; mas o mesmo não acontece quando um mau Espírito se encarniça
ao pé dele e lhe faz ouvir a cada minuto as mais desagradáveis coisas. (Item 165)

123. Que são médiuns falantes?


Nesta variedade de médiuns, também chamados médiuns psicofônicos, o Espírito
atua sobre os órgãos da palavra. O médium falante se exprime geralmente sem ter
consciência do que diz, e com freqüência diz coisas completamente fora de suas idéias
habituais, de seus conhecimentos e mesmo da alçada de sua inteligência.
Conquanto esteja perfeitamente desperto e no estado normal, raramente
conserva a lembrança do que disse. A passividade do médium falante ou psicofônico
não é sempre tão completa; deles há os que têm a intuição do que dizem no mesmo
instante em que pronunciam as palavras; outros fazem as vezes de uma espécie de
intérprete, ou seja, recebem o pensamento do Espírito comunicante e o expressam com
suas próprias palavras. (Item 166)

124. Que são médiuns sonâmbulos?


O sonambulismo pode ser considerado uma variedade da faculdade mediúnica,
ou melhor dizendo, são duas ordens de fenômenos que se encontram freqüentemente
reunidas. O sonâmbulo age sob a influência de seu próprio Espírito:
- é sua alma que, no momento de emancipação, vê, ouve e percebe fora dos
limites dos sentidos;
- é, portanto, um fenômeno anímico.
O médium, ao contrário, é o instrumento de uma inteligência estranha; é
instrumento passivo, e o que ele diz não provém dele. Mas o Espírito que se comunica
por um médium comum pode muito bem fazê-lo por um sonâmbulo. O estado de
emancipação da alma, durante o sonambulismo, torna essa comunicação mais fácil, e aí
então podemos considerá-lo um médium sonâmbulo ou um sonâmbulo-médium. (Itens
172 a 174)
125. Os médiuns videntes podem ver os Espíritos regularmente?
Depende; há os que gozam da faculdade de vidência no estado normal, quando
estão perfeitamente acordados, e dela conservam uma lembrança exata; outros não a
têm senão em estado sonambúlico, ou vizinho do sonambulismo. Esta faculdade
raramente é permanente; quase sempre é o efeito de uma crise momentânea e
passageira.
Pode-se incluir na categoria de médiuns videntes todas as pessoas dotadas da
segunda vista. Entre os médiuns videntes há os que vêem apenas os Espíritos que
evocamos e dos quais eles podem fazer a descrição com minuciosa exatidão.
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Descrevem seus gestos, a expressão de sua fisionomia, os traços do rosto, a


roupa e até os sentimentos de que parecem animados. Há outros nos quais a faculdade
é ainda mais geral; eles vêem toda a população espiritual ambiente ir e vir. (Itens 167 a
169)
126. A mediunidade pode ser explorada com fins especulativos?
Não; a mediunidade é uma faculdade concedida para o bem e os bons Espíritos
se afastam de quem quer que pretenda fazer dela um degrau para alcançar o que não
corresponda aos desígnios da Providência. (Itens 305 e 306)

127. Qual é a melhor garantia contra o charlatanismo?


A faculdade mediúnica, mesmo circunscrita aos limites das manifestações físicas,
não foi concedida para expor-se nos teatros, e quem quer que pretenda ter sob suas
ordens Espíritos para exibi-los em público, pode perfeitamente ser suspeito de
charlatanismo ou de prestidigitação mais ou menos hábil. À vista disso, concluímos que
o desinteresse absoluto é a melhor garantia contra o charlatanismo. Se esse
desprendimento não assegura sempre a boa qualidade das comunicações inteligentes,
priva pelo menos os maus Espíritos de um poderoso meio de ação e fecha a boca de
certos detratores. (Item 308)

144. Que confiança se pode depositar nas descrições que os Espíritos


fazem dos diferentes mundos?

Depende do grau de adiantamento real dos Espíritos que dão essas descrições,
pois devemos compreender que Espíritos vulgares são tão capazes de nos informar a
esse respeito quanto o é, entre nós, um ignorante de descrever todos os países da
Terra. Os bons Espíritos se comprazem em descrever-nos os mundos que eles habitam,
como ensino tendente a nos melhorar, induzindo-nos a seguir o caminho que nos pode
conduzir a esses mundos. Para verificar a exatidão dessas descrições, o melhor meio
reside na concordância que haja entre elas.
Deve-se ter em vista, porém, que semelhantes descrições têm por fim o nosso
melhoramento moral e que é, por conseguinte, sobre o estado moral dos habitantes
dos outros mundos que poderemos ser mais bem informados, e não sobre o estado
físico ou geológico de tais esferas. (Item 296)

145. De que nos serve o ensino dos Espíritos, se ele não nos oferece
mais certeza do que o ensino humano?

A resposta é fácil. Não aceitamos com igual confiança o ensino de todos os


homens e, entre duas doutrinas preferimos aquela cujo autor nos parece mais
esclarecido, mais capaz, mais judicioso, menos acessível às paixões. Do mesmo modo
se deve proceder com os Espíritos. Se entre eles há os que não estão acima da
Humanidade, muitos há que a ultrapassaram e estes nos podem dar ensinamentos que
em vão buscaríamos com os homens mais instruídos. Distinguir uns e outros, eis a
tarefa daqueles que desejam esclarecer-se, e o Espiritismo fornece os meios para isso.
Mas esses ensinamentos têm um limite e, se aos Espíritos não é dado saber
tudo, com mais forte razão isso se verifica relativamente aos homens. Há coisas,
portanto, sobre que será inútil interrogar os Espíritos, seja porque lhes é vedado revelá-
las, seja porque eles próprios as ignoram e a cujo respeito apenas podem expender
opiniões pessoais.
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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

Por último, deve-se compreender que, mesmo nas comunicações de Espíritos


vulgares, podemos colher ensinamentos valiosos, visto que tais Espíritos nos mostram a
aplicação prática das grandes e sublimes verdades cuja teoria nos ensinam os Espíritos
superiores. O estado feliz ou infeliz do ser desencarnado, suas condições na vida
espiritual, a conservação de sua individualidade, eis situações que o Espiritismo nos
revelou e que nos esclarecem sobre o futuro que nos aguarda a todos no além-túmulo.
(Item 300)
146. Como devemos tratar o médium que é vítima de fascinação?
A única coisa a fazer com o médium é procurar convencê-lo de que está iludido e
transformar sua obsessão num caso de "obsessão simples". Mas isto não é sempre fácil,
se não for mesmo algumas vezes impossível.
O predomínio do Espírito pode ser tal que torna o fascinado surdo a qualquer
espécie de raciocínio e pode ir até fazê-lo duvidar, quando o Espírito comete uma
grossa heresia científica, se não é a ciência que está enganada. Como já dissemos, o
fascinado acolhe geralmente muito mal os conselhos; a crítica o ofende, irrita-o e lhe
caem em antipatia aqueles que não lhe partilham a admiração. Suspeitar de seu
Espírito é quase uma profanação a seus olhos e é tudo o que quer o Espírito. Como não
há pior cego do que aquele que não quer ver, quando reconhecemos a inutilidade de
toda tentativa para abrir os olhos do fascinado, o que há de melhor a fazer é deixá-lo
com suas ilusões. Não podemos curar um doente que se obstina em conservar sua
doença e nisso se compraz. (Item 250)
147. Por que o passe magnético deve ser usado no tratamento dos
obsidiados?
O que falta às vezes no obsidiado é uma força fluídica suficiente; neste caso a
ação magnética de um bom magnetizador pode vir utilmente em seu auxílio, para lhe
permitir a energia necessária para dominar os maus Espíritos. (Item 251)

148. Na moralização dos maus Espíritos, qual pode ser a influência dos
homens?
O homem não tem certamente mais poder do que os Espíritos superiores, mas
sua linguagem se identifica melhor com a natureza dos Espíritos imperfeitos, sendo
certo, porém, que os ascendentes que o homem pode exercer sobre eles estão na
razão de sua superioridade moral. Por meio de sábios conselhos o homem poderá levá-
los ao arrependimento e apressar o seu adiantamento. (Item 254, parágrafo 5)

149. Qual é, depois da obsessão, a maior dificuldade do Espiritismo


prático?
É a questão da identidade dos Espíritos, visto que estes não nos trazem um
cunho de identificação e sabemos com qual facilidade alguns dentre eles tomam nomes
emprestados; assim, depois da obsessão, é esta uma das maiores dificuldades da
prática espírita. Deve-se entender, contudo, que em muitos casos a identidade absoluta
é uma questão secundária e sem importância real. (Item 255)

150. Quando a identidade do Espírito se torna mais fácil?


A identidade é muito mais fácil de averiguar quando se trata de Espíritos
contemporâneos, dos quais conhecemos o caráter e os hábitos, porque são
precisamente esses hábitos, dos quais ainda não tiveram tempo de se libertar, que
permitem seu reconhecimento e constituem mesmo um dos sinais mais certos da
identidade.
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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

O Espírito pode, sem dúvida, fornecer provas quando lhe pedimos, mas não o faz
sempre, a não ser que lhe convenha, e geralmente este pedido o magoa; eis por que
devemos evitá-lo.
Ao deixar seu corpo, o Espírito não perde a susceptibilidade e, assim, se ofende
com toda pergunta que tenha por fim pô-lo à prova. As provas de identidade surgem,
aliás, de uma porção de circunstâncias imprevistas que não se apresentam sempre à
primeira vista, mas no prosseguimento dos trabalhos.
É conveniente, portanto, esperá-las sem provocá-las, observando com cuidado
todas as que podem decorrer da natureza das comunicações. (Item 257)

151. É importante fazer a distinção entre bons e maus Espíritos?


Sim. Se a identidade absoluta dos Espíritos é, em muitos casos, uma questão
acessória e sem importância, não acontece o mesmo com a distinção entre bons e
maus Espíritos.
A individualidade deles nos pode ser indiferente, mas não a sua qualidade. Em
todas as comunicações instrutivas, eis o ponto para o qual deve convergir toda a nossa
atenção, porque unicamente esta distinção é que nos pode dar a medida da confiança
que podemos atribuir ao Espírito que se manifesta, qualquer que seja o nome sob o
qual se apresente.
Julgamos os Espíritos como julgamos os homens: pela sua linguagem.
Suponhamos que um homem receba vinte cartas de pessoas desconhecidas. Pelo
estilo, pelos pensamentos, por inumeráveis sinais, enfim, julgará as pessoas que são
instruídas ou ignorantes, polidas ou mal-educadas, superficiais, profundas, frívolas,
orgulhosas, sérias, levianas, sentimentais etc.
Ocorre o mesmo com os Espíritos; devemos considerá-los como correspondentes
que jamais vimos e perguntar-nos o que pensaríamos da sabedoria e do caráter de um
homem que dissesse ou escrevesse tais coisas.
Podemos ter como regra invariável e sem exceção que a linguagem dos Espíritos
está sempre em relação com o grau de sua elevação. (Itens 262 e 263)

152. Qual é, segundo Kardec, o único e infalível meio de se saber a


natureza do Espírito comunicante?
Submetendo todas as comunicações a um exame escrupuloso, escrutando e
analisando o pensamento e as expressões como fazemos quando se trata de julgar uma
obra literária, rejeitando sem hesitar tudo o que peca contra a lógica e o bom-senso,
tudo o que desminta o caráter do Espírito comunicante, desencorajamos os Espíritos
enganadores, que acabam por retirar-se, uma vez convencidos de que não podem
enganar. Este meio é único, porém infalível, porque não existe uma comunicação má
que possa resistir a uma crítica rigorosa. (Item 266)

153. Kardec enumera 26 princípios que devem ser levados em conta


para se reconhecer a qualidade dos Espíritos. Como podemos resumi-los?
Julgam-se os Espíritos pela sua linguagem e por suas ações. As ações dos
Espíritos são os sentimentos que inspiram e os conselhos que dão. Admitindo-se que os
bons Espíritos dizem e praticam somente o bem, tudo o que for mau não pode provir
de um bom Espírito. Os Espíritos superiores têm uma linguagem sempre digna, nobre,
elevada, sem mescla de nenhuma trivialidade; falam tudo com simplicidade e modéstia,
não se gabam jamais, nunca ostentam seu saber nem sua posição entre os outros.

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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

A linguagem dos Espíritos inferiores ou vulgares tem sempre algum reflexo das
paixões humanas; qualquer expressão que demonstre baixeza, presunção, arrogância,
charlatanismo, acrimônia, é um indício característico de inferioridade ou de velhacaria
se o Espírito se apresenta sob um nome respeitável e venerado.
Os bons Espíritos dizem apenas o que sabem; exprimem-se simplesmente, sem
prolixidade, jamais dão ordens; não se impõem, mas aconselham e, se não são
ouvidos, retiram-se; não elogiam, aprovam-nos quando fazemos o bem, mas sempre
com reservas; são muito escrupulosos nos atos que aconselham; em todos os casos
visam apenas a um fim sério e eminentemente útil; procuram corrigir os erros e pregam
a indulgência, e jamais semeiam a cizânia por insinuações pérfidas; da parte dos
Espíritos superiores o gracejo é freqüentemente fino espirituoso, jamais vulgar;
prescrevem apenas o bem e seus conselhos são perfeitamente racionais. (Item 267)

154. Que pensar dos Espíritos que se valem, às vezes, de nomes de


santos ou personagens conhecidas?
Todos os nomes dos santos e das personagens conhecidas não bastariam para
fornecer um protetor a cada homem da Terra. Entre os Espíritos há poucos que tenham
um nome conhecido na Terra; eis por que muito freqüentemente eles se abstêm de dar
seu nome. Mas como a maior parte das criaturas encarnadas lhes pede o nome, para
satisfazê-las tomam o nome de alguém que as pessoas conheçam ou respeitem.
Quando é para o bem, Deus permite que assim se faça entre Espíritos da mesma
categoria, porque entre eles há solidariedade e semelhança de pensamentos. (Item
268, parágrafo 3)

155. Pode-se reconhecer os Espíritos pelas impressões que nos causam


à sua aproximação?
Sim. Muitos médiuns reconhecem os bons e os maus Espíritos pela impressão
agradável ou penosa que experimentam à sua aproximação. O médium experimenta as
sensações do estado em que se acha o Espírito que chega próximo dele.
Quando o Espírito é feliz, seu estado é tranqüilo, leve, calmo; quando é infeliz, é
agitado, febril e esta agitação passa naturalmente para o sistema nervoso do médium.
(Item 268, parágrafo 28)
156. Por que a reencarnação não era, ao tempo de Kardec, ensinada
por todos os Espíritos comunicantes?
Duas foram as razões: de um lado a ignorância dos Espíritos comunicantes, cujas
idéias estavam ainda muito limitadas ao presente. Para eles, o presente deve durar
sempre; nada enxergam além do círculo de suas percepções e não se inquietam em
saber donde vêm e para onde irão. A reencarnação é para eles uma necessidade na
qual não pensam senão quando ela chega; sabem que o Espírito progride, mas não
sabem como. Isto é para eles um problema. Em segundo lugar, é preciso entender a
prudência que em geral usam os Espíritos na disseminação da verdade: uma luz muito
viva e súbita ofusca e não aclara.
Podem, então, em certos casos, julgar útil não divulgá-la senão gradualmente,
de acordo com os tempos, os lugares e as pessoas. Moisés não ensinou tudo o que
ensinou o Cristo e o próprio Cristo não disse muitas coisas cuja compreensão estava
reservada às gerações futuras. Num país onde o preconceito da cor reina soberano,
onde a escravidão está enraizada nos costumes, teriam repelido o Espiritismo
simplesmente porque proclama a reencarnação, visto que a idéia de que o senhor
possa tornar-se escravo, e reciprocamente, lhes pareceria monstruosa.
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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”
Não era melhor fazer aceitar primeiro o princípio geral, para daí tirar mais tarde
as conseqüências? (Item 301, parágrafos 8 e 9)

157. Quais as causas das contradições que se apresentam nas


comunicações espíritas?
As contradições que se apresentam nas comunicações espíritas podem ser
devidas às causas seguintes:
- à ignorância de certos Espíritos; à velhacaria dos Espíritos inferiores que, por
malícia ou malvadeza, dizem o contrário do que, em outra parte, disse o Espírito cujo
nome usurpam;
- à vontade do mesmo Espírito que fala segundo os tempos, os lugares e as
pessoas, e pode julgar útil não dizer tudo a todo mundo;
- à insuficiência da linguagem humana para exprimir as coisas do mundo
incorpóreo; à insuficiência dos meios de comunicações que nem sempre permitem ao
Espírito transmitir todo o seu pensamento;
- enfim, à interpretação que cada um pode dar de uma palavra ou de uma
explicação, segundo suas idéias, seus preconceitos ou o ponto de vista sob o qual vê as
coisas. (Item 302)

158. Por que Deus permite que ocorram as mistificações?


Deus permite as mistificações para provar a perseverança dos verdadeiros
adeptos e punir os que fazem do Espiritismo um objeto de divertimento. Se isto lhes
abala a crença, é porque sua fé não é muito sólida. Quem renuncia ao Espiritismo por
causa de um simples desapontamento prova que não o compreende e não o toma em
sua parte séria. (Item 303, parágrafo 2)

159. Qual o meio de evitar as mistificações na prática mediúnica?


Este é um dos inconvenientes mais fáceis de evitar. O meio de obtê-lo é não
exigir do Espiritismo senão o que ele pode e deve dar. Seu fim é a melhoria moral da
Humanidade: se os homens não se afastarem daí, não serão jamais enganados, porque
não há duas maneiras de compreender a verdadeira moral, aquela que pode ser
admitida por todo homem de bom-senso.
Os Espíritos não vêm para guiar os homens no caminho das honras e da fortuna,
ou para servirem a suas mesquinhas paixões. Eles vêm instruir a Humanidade e guiá-la
no caminho do bem.
Se não lhes pedissem nada de fútil ou fora de suas atribuições, não dariam
oportunidade alguma aos Espíritos enganadores, donde se conclui que quem é
mistificado tem apenas o que merece. (Item 303, parágrafo 1)

160. Como podemos prevenir a ocorrência de fraude nas


manifestações?
A melhor garantia contra a fraude está na moralidade notória dos médiuns e na
ausência de todas as causas de interesse material ou de amor-próprio que lhes
poderiam estimular o exercício das faculdades mediúnicas que possuem, porque estas
mesmas causas podem levá-los a simular as faculdades que não possuem. (Item 323)

161. Como podem se apresentar as reuniões espíritas?


As reuniões espíritas requerem condições especiais, e nós erraríamos se as
comparássemos às sociedades comuns. Segundo a natureza, podem ser frívolas,
experimentais ou instrutivas.
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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

Reuniões frívolas são as que se compõem de pessoas que vêem apenas o lado
divertido das manifestações, que se divertem com as facécias dos Espíritos levianos, e
em que se perguntam toda sorte de banalidades, se faz ler a "buena dicha" e mil outras
coisas desse gênero.
Reuniões experimentais são as que têm por objetivo a produção das
manifestações físicas. Este gênero de experiências tem uma utilidade inegável, porque
foram elas que fizeram descobrir as leis que regem o mundo invisível. Se forem
dirigidas com método e prudência, obter-se-ão bem melhores resultados.
Reuniões instrutivas são aquelas das quais podemos tirar o verdadeiro
ensinamento e, para isso, devem ser sérias, ou seja, ocupar-se com coisas úteis,
excluídas todas as outras. (Itens 324 a 327)
162. Qual a utilidade das reuniões de estudo?
As reuniões de estudo são de imensa utilidade para os médiuns e para as
pessoas que têm um desejo sério de se aperfeiçoar. A instrução espírita não
compreende somente o ensinamento moral dado pelos Espíritos, mas também o estudo
dos fatos: é a ela que incumbe a teoria de todos os fenômenos, a pesquisa das causas
e, como conseqüência, a verificação do que é possível e do que não o é; numa palavra,
a observação de tudo que pode fazer progredir a ciência. (Itens 328 e 329)

163. Que condições são necessárias a uma reunião espírita?


Uma reunião é um ser coletivo cujas qualidades e propriedades são a resultante
de todas aquelas de seus membros e formam uma espécie de feixe; ora, este feixe terá
tanto mais força quanto mais homogêneo for.
Toda reunião espírita deve, portanto, tender à homogeneidade maior possível.
É preciso ainda o recolhimento e a comunhão de pensamentos, sendo fato
provado pela experiência que os pequenos círculos íntimos são sempre mais favoráveis
às boas condições que a reunião deve reunir.
Outros fatores importantes são a regularidade das reuniões e as disposições
morais dos seus componentes. (Itens 331 a 333)
164. Qual o melhor antídoto contra a perturbação nos grupos?
Os causadores de perturbações não estão somente no seio das sociedades,
grandes ou pequenas; estão igualmente no mundo invisível. Do mesmo modo que há
Espíritos protetores para as sociedades, as cidades e os povos, Espíritos malfeitores se
apegam aos grupos como aos indivíduos. Apegam-se primeiro aos mais fracos, aos
mais acessíveis, e procuram fazer deles instrumentos para depois tentar envolver o
conjunto.
Todas as vezes então que num grupo uma pessoa caia no laço, é preciso
confessar que há um inimigo no campo, um lobo no aprisco e que deve manter-se em
guarda, porque é mais do que provável que ele multiplicará suas tentativas. Se não o
desencorajarem por uma resistência enérgica, a obsessão se torna então como um mal
contagioso, que se manifesta nos médiuns pela perturbação da mediunidade e nos
outros pela hostilidade dos sentimentos, a perversão do senso moral e perturbação da
harmonia.
Como o mais possante antídoto deste veneno é a caridade, é a caridade que eles
procuram sufocar. Não se deve então esperar que o mal se torne incurável para trazer-
lhe o remédio; é preciso mesmo não esperar os primeiros sintomas, mas sobretudo é
preciso trabalhar por preveni-lo. Para isso há dois meios eficazes, se forem bem
empregados: a prece de coração e o estudo atento dos primeiros sinais que revelam a
presença dos Espíritos enganadores.
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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

Se um dos membros sente a influência da obsessão, todos os esforços devem


tender, desde os primeiros indícios, a lhe abrir os olhos, de medo que o mal se agrave,
a fim de trazer-lhe a convicção de que está enganado e o desejo de secundar aqueles
que o querem livrar. (Item 340)

165. A prece deve ser usada nas reuniões espíritas?

Sim. As reuniões devem começar pela prece, por uma espécie de oração que
facilita a concentração; mas não basta pronunciar algumas palavras para afastar os
maus Espíritos. A eficácia da oração está na sinceridade do sentimento que a dita; está
sobretudo na unanimidade da intenção, porque nenhum daqueles que a ela não se
associar de coração não se poderá beneficiar, nem beneficiar os outros. (Cap. XXXI,
item XVI)

166. A eficácia da prece está na sua fórmula?


Não. Inexiste uma fórmula absoluta para a prece. Deus é muito grande para
atribuir mais importância às palavras do que ao pensamento. Guardem-se, sobretudo,
de fazer para isso uma dessas fórmulas banais que se recitam para aquietar a
consciência. O sentimento é tudo; a fórmula nada vale. (Cap. XXXI, item XVI)

167. A que o Espiritismo deverá a sua mais potente propagação?


É às reuniões verdadeiramente sérias que o Espiritismo deverá a sua mais
potente propagação. Ligando os homens honestos e conscienciosos, essas reuniões
imporão silêncio à crítica e, quanto mais suas intenções forem puras, mais serão
respeitadas mesmo por seus adversários, porque quando a zombaria ataca o bem deixa
de provocar o riso: ela se torna desprezível. (Item 341)

168. Devemos criticar o mal quando ele ocorra em nosso meio?


Sem dúvida nenhuma, esse é um direito e mesmo um dever. Porém, se a
intenção do crítico é realmente boa, deve emitir sua opinião com decência e
benevolência, abertamente e não às ocultas.
O fato se aplica às reuniões, quando entram no mau caminho. Se a opinião das
pessoas sensatas e bem-intencionadas não é seguida, elas devem retirar-se, porque
não se concebe que quem não tem nenhuma segunda intenção permaneça numa
sociedade onde se fazem coisas que não lhe convêm. (Item 337)

169. Qual é a melhor garantia para saber-se se um princípio é a


expressão da verdade?

A melhor garantia de que um princípio é a expressão da verdade é quando ele é


ensinado e revelado por diferentes Espíritos, por médiuns estranhos uns aos outros e
em diferentes lugares e, além do mais, é confirmado pela razão e sancionado pela
adesão do maior número.
Somente a verdade pode dar raízes a uma doutrina; um sistema errôneo bem
pode recrutar alguns aderentes, mas, como lhe falta a primeira condição de vitalidade,
não tem mais que uma existência efêmera; eis por que não há do que se inquietar
dele: ele se mata por seus próprios erros e cairá inevitavelmente diante da arma
possante da lógica. (Cap. XXXI, item XXVIII)

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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

170. Qual é a missão dos Espíritos?


A missão dos Espíritos não é resolver as questões de ciência, nem poupar aos
homens o trabalho das pesquisas, mas sim torná-los melhores, porque é desse modo
que a Humanidade se adiantará realmente. (Cap. XXXI, item XVII)

171. Qual é o objetivo da vida?


Deus quis que os Espíritos se voltassem para os interesses da alma. O
aperfeiçoamento moral do homem, eis aí o fim e o objetivo da vida. O Espírito humano
segue uma marcha necessária, imagem da gradação sentida por tudo o que povoa o
Universo visível e invisível. Todo progresso chega em sua hora: a da elevação moral
chegou para a Humanidade; ela não terá o seu ápice nos dias em que vivemos, mas
assistimos, contudo, à sua aurora. (Cap. XXXI, item XI)

172. Qual é a tarefa principal dos Espíritos em relação aos homens?


Os Espíritos têm objetivo principal fazer-nos progredir. Para isso eles nos ajudam
quanto possam. A Providência traçou limites à revelações que eles podem fazer aos
homens.
Assim, os Espíritos sérios guardam silêncio sobre tudo o que lhes é proibido
anunciar. Quem pedir aos Espíritos superiores a sabedoria, jamais será enganado; mas
não se deve pensar com isso que eles perderiam seu tempo em ouvir todas as nossas
tolices e em nos predizer a sorte. Essa tarefa fica por conta dos Espíritos levianos, que
se divertem com isso, da mesma forma que os meninos traquinas. (Item 289, parágrafo
11)

173. Que é que o espiritualismo, se ressuscitado pelo Espiritismo, pode


dar à sociedade?
É do Espírito de Rousseau a seguinte proposição: Se o Espiritismo ressuscitar o
espiritualismo, dará à sociedade o impulso que dá a uns a dignidade interior, a outros a
resignação, a todos a necessidade de se elevaram ao Ser supremo, esquecido e
desconhecido por suas ingratas criaturas. (Cap. XXXI, item III)

174. Qual o caminho no qual Kardec trabalhava por fazer entrar o


Espiritismo?
Eis o pensamento textual de Kardec: "A bandeira que arvoramos bem alto é a do
Espiritismo cristão e humanitário, ao redor do qual somos felizes de ver já tantos
homens se unirem em todos os pontos do globo, porque compreendem que nela está a
âncora da salvação, a salvaguarda da ordem pública, o sinal de uma era nova para a
Humanidade. Convidamos todas as sociedades espíritas a concorrerem para esta
grande obra; que de um extremo a outro do mundo estendam-se mãos fraternas e
colherão o mal em redes inextricáveis". (Item 350)

175. Como o Espiritismo poderá trazer, como predito, a transformação


da Humanidade?
Essa meta somente poderá ser alcançada com o melhoramento das massas, o
que pode acontecer gradualmente e pouco a pouco apenas pelo melhoramento dos
indivíduos.
Com efeito, de que vale acreditar na existência dos Espíritos, se esta crença não
torna melhor, mais benevolente e a mais indulgente o indivíduo e se não o faz mais
humilde e mais paciente na adversidade?
ASTOLFO OLEGÁRIO DE OLIVEIRA FILHO
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ESTUDO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

De que serve ao avarento ser espírita se ele permanece avaro; ao orgulhoso, se


está sempre cheio de si mesmo; ao invejoso, se está sempre com inveja? Todos os
homens poderiam então crer nas manifestações e a Humanidade permanecer
estacionária. Mas, tais não são os desígnios de Deus.
É para o fim providencial que devem tender todas as sociedades espíritas sérias,
agrupando ao seu redor todos os que possuem os mesmos sentimentos; então haverá
entre elas união, simpatia, fraternidade e não um vão e pueril antagonismo de amor-
próprio, de palavras antes que de fatos; então elas serão fortes e poderosas, porque se
apoiarão num base indestrutível: o bem para todos; então serão respeitadas e imporão
silêncio à tola zombaria, porque falarão em nome da moral evangélica respeitada por
todos. (Item 350)

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