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1. (Unesp 2021) A crítica de Sócrates aos sofistas consiste em mostrar que o ensinamento
sofístico limita-se a uma mera técnica ou habilidade argumentativa que visa a convencer o
oponente daquilo que se diz, mas não leva ao verdadeiro conhecimento. A consequência disso
era que, devido à influência dos sofistas, as decisões políticas na Assembleia estavam sendo
tomadas não com base em um saber, ou na posição dos mais sábios, mas na dos mais hábeis
em retórica, que poderiam não ser os mais sábios ou virtuosos.
(Danilo Marcondes. Iniciação à história da filosofia, 2010.)
De acordo com o texto, a crítica socrática aos sofistas dizia respeito
a) ao entendimento de que o verdadeiro conhecimento baseava-se no exercício da retórica.
b) à desvalorização da pluralidade de opiniões e de posicionamentos político-ideológicos.
c) ao prevalecimento das técnicas discursivas nas decisões da Assembleia acerca dos rumos
das cidades-Estado.
d) ao predomínio de líderes pouco sábios e com poucas virtudes na composição da
Assembleia.
e) à defesa de formas tirânicas de exercício do poder desenvolvida pela retórica convincente.
2. (Unesp 2021) Texto 1
O significado do termo kosmos para os gregos pré-socráticos liga-se diretamente às ideias de
ordem, harmonia e mesmo beleza. […] O cosmo é assim o mundo natural, bem como o espaço
celeste, enquanto realidade ordenada de acordo com certos princípios racionais. A ideia básica
de cosmo é, portanto, a de uma ordenação racional, uma ordem hierárquica, em que certos
elementos são mais básicos, e que se constitui de forma determinada, tendo a causalidade
como lei principal.
(Danilo Marcondes. Iniciação à história da filosofia, 2010.)
Texto 2
Quando a filosofia, pela mão de Sócrates, “desceu do céu à terra”, na sugestiva expressão de
Cícero, o homem passou a ser o centro das indagações dos pensadores gregos. Platão atribui
ao mestre a busca obsessiva do ser e do saber humanos.
(João Pedro Mendes. “Considerações sobre humanismo”. Hvmanitas, vol. XLVII, 1995.)
Os textos caracterizam uma mudança importante na história do pensamento filosófico, trazida
pela filosofia de Sócrates e que se expressou
a) na defesa dos princípios participativos da democracia ateniense.
b) na busca pela compreensão do princípio fundamental da natureza.
c) no questionamento da vida social e política dos seres humanos.
d) na crítica aos prazeres humanos como finalidade da vida.
e) no desenvolvimento de uma teoria da causalidade.
3. (Enem PPL 2020) Aquilo que é quente necessita de umidade para viver, e o que é morto
seca, e todos os germes são úmidos, e todo alimento é cheio de suco; ora, é natural que cada
coisa se nutra daquilo de que provém.
SIMPLÍCIO. In: BORNHEIM, G. A. Os filósofos pré-socráticos. São Paulo: Cultrix, 1993.
O fragmento atribuído ao filósofo Tales de Mileto é característico do pensamento pré-socrático
ao apresentar uma
a) abordagem epistemológica sobre o lógos e a fundamentação da metafísica.
b) teoria crítica sobre a essência e o método do conhecimento científico.
c) justificação religiosa sobre a existência e as contradições humanas.
d) laboração poética sobre os mitos e as narrativas cosmogônicas.
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e) explicação racional sobre a origem e a transformação da physis.
4. (Uece 2020) Entre as principais estruturas de pensamento, no alvorecer da filosofia,
encontra-se o pensamento socrático-platônico. Considerando as referências históricas e as
características do pensar dos dois filósofos da antiguidade, atente para o que se afirma a
seguir e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.
( ) Como principal discípulo de Sócrates, Platão seguiu, inicialmente, os passos do mestre
até romper com ele, ao optar por um pensamento mais sistemático.
( ) Tanto Sócrates quanto Platão defendiam o poder do pensamento racional como principal
ferramenta de aproximação da verdade sobre o mundo real.
( ) Sócrates, como um dos principais pensadores sofistas foi o iniciador do pensamento
filosófico cosmológico, dedicado à especulação sobre a natureza, sobre o cosmo.
( ) A Alegoria da caverna, escrita por Platão, é uma representação, uma metáfora sobre o
mundo, concebida por ele para explicitar o modelo de um mundo dual: um racional,
verdadeiro, e outro sensível, falso.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
a) V, F, V, F.
b) F, V, V, F.
c) F, V, F, V.
d) V, F, F, V.
5. (Ufpr 2020) Em determinado momento do diálogo de Hípias Menor, de Platão, Sócrates
declara que encontrou dificuldade para responder à pergunta “qual o critério para reconheceres
o que é belo e o que é feio?”. De acordo com Platão, a dificuldade está em que:
a) os juízos de Beleza são subjetivos, sendo relativos a quem os enuncia.
b) o belo e o feio não se distinguem realmente.
c) é preciso conhecer o que é Beleza para que se possam identificar as coisas belas.
d) o critério de Beleza não é acessível aos homens, mas apenas aos deuses.
e) a Beleza é uma mera aparência.
6. (Uece 2020) Atente para a seguinte passagem que expressa uma das mais importantes e
longevas formas de explicação e de interpretação do mundo e da vida humana:
“Odin é o mais poderoso e mais velho dos deuses. Ele conhece muitos segredos. Abriu mão de
um dos seus olhos em troca de sabedoria. Odin tem muitos nomes. É o Pai de Todos, o senhor
dos mortos, o deus da força”.
Gaiman, Neil. Mitologia nórdica. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2018. P. 19-20 (adaptado).
Sobre esta forma de explicação da realidade, é correto afirmar que
a) se trata da forma racional-filosófica de pensamento, subjacente à cultura dos povos da
antiguidade, tais como gregos, romanos e nórdicos.
b) se refere ao conhecimento artístico, tão característico das formas de expressão do início da
vida social humana.
c) representa a maneira mitológica de explicação da realidade, baseada, essencialmente, na
existência de seres sobrenaturais que conduzem a vida humana.
d) explicita o conhecimento científico ainda em seu início, baseado na proposição de
percepções hipotéticas sobre a origem dos humanos a partir das divindades.
7. (Uece 2020) A passagem que se apresenta a seguir revela uma narrativa mítica em um
contexto de explicação e de interpretação do mundo:
“Existem novos deuses crescendo nos Estados Unidos, apoiando-se em laços cada vez
maiores de crenças: deuses de cartão de crédito e de autoestrada, de internet e de telefone, de
rádio, de hospital e de televisão, deuses de plástico, de bipe e de néon. Deuses orgulhosos,
gordos e tolos, inchados por sua própria novidade e por sua própria importância. Eles sabem
da nossa existência e têm medo de nós, e nos odeiam – disse Odin. – Vocês estão se
enganando se acreditam que não. Eles vão nos destruir, se puderem. É hora de a gente se
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agrupar. É hora de agir”.
Gaiman, Neil. Deuses americanos. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2011. P.114-115.
Considerando as características do conhecimento mítico e a citação acima, atente para o que
se afirma a seguir e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.
( ) A narrativa mítica foi a primeira e mais duradoura forma de explicação do mundo,
persistindo até os dias atuais, mesmo que de forma não preponderante.
( ) A interpretação do mundo e dos acontecimentos baseada na existência de divindades
supremas reflete a necessidade humana por respostas que nem mesmo a ciência pode
dar.
( ) Divindades são criaturas eternas e sobrenaturais. Elas existem, de fato, e não podem ser
representadas por objetos ou pessoas.
( ) Persiste, mesmo na sociedade contemporânea, o que era habitual das civilizações
totêmicas: o culto de objetos concretos, aos quais se atribui o poder de controle sobre a
vida dos indivíduos.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
a) V, F, V, F.
b) F, V, F, V.
c) F, V, V, F.
d) V, F, F, V.
8. (Uece 2020) Leia a seguinte passagem, que descreve algumas das características da polis
grega:
“O aparecimento da polis constitui, na história do pensamento grego um acontecimento
decisivo. O que implica o sistema da polis é primeiramente uma extraordinária preeminência da
palavra sobre todos os outros instrumentos do poder. Uma segunda característica é o cunho da
plena publicidade dada às manifestações mais importantes da vida social”.
VERNANT, J.-P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
P.34-35/adaptado.
Sobre a relação entre o aparecimento da polis grega e o nascimento do pensamento filosófico,
é correto afirmar que
a) não há relação alguma, pois a filosofia surgiu nas colônias gregas, longe da estrutura da
polis.
b) a relação é direta, pois a polis incentivou o debate público, campo fértil para a filosofia.
c) suspeita-se que possa haver alguma relação, mas esta nunca foi comprovada
historicamente.
d) a polis grega tinha raízes na realeza micênica, cuja estrutura centralizada inibia o pensar
livre.
9. (Enem digital 2020) Os sofistas inventam a educação em ambiente artificial, o que se
tornará uma das características de nossa civilização. Eles são os profissionais do ensino, antes
de tudo pedagogos, ainda que seja necessário reconhecer a notável originalidade de um
Protágoras, de um Górgias ou de um Antifonte, por exemplo. Por um salário, eles ensinavam a
seus alunos receitas que lhes permitiam persuadir os ouvintes, defender, com a mesma
habilidade, o pró e o contra, conforme o entendimento de cada um.
HADOT, P. O que é a filosofia antiga? São Paulo: Loyola, 2010 (adaptado).
O texto apresenta uma característica dos sofistas, mestres da oratória que defendiam a(o)
a) ideia do bem, demonstrado na mente com base na teoria da reminiscência.
b) relativismo, evidenciado na convencionalidade das instituições políticas.
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c) ética, aprimorada pela educação de cada indivíduo com base na virtude.
d) ciência, comprovada empiricamente por meio de conceitos universais.
e) religião, revelada pelos mandamentos das leis divinas.
10. (Uece 2019) “É no plano político que a Razão, na Grécia, primeiramente se exprimiu,
constituiu-se e formou-se. A experiência social só pôde tornar-se entre os gregos objetos de
uma reflexão positiva, porque se prestava, na cidade, a um debate público de argumentos. O
declínio do mito data do dia em que os primeiros Sábios puseram em discussão a ordem
humana, procuraram defini-la em si mesma, traduzi-la em fórmulas acessíveis à sua
inteligência, aplicar-lhe a norma do número e da medida.”
VERNANT, J.-P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 1989, p.
94.
Com base nessa citação, é correto afirmar que a filosofia nasce
a) após o declínio das ideias mitológicas, não havendo nenhuma linha de continuidade entre
estas últimas e as novas ciências gregas.
b) das representações religiosas míticas que se transpõem nas novas representações
cosmológicas jônicas.
c) da experiência do espanto, a maravilha com um mundo ordenado e, portanto, belo.
d) da experiência política grega de debate, argumentação e contra-argumentação, que põe em
crise as representações míticas.
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Gabarito:
Resposta da questão 1:
[C]
Na concepção acerca das atividades humanas no mundo clássico, o uso da técnica
corresponde à uma forma inferior de atividade, própria dos homens menos virtuosos e sábios.
Dessa forma, o ensino da retórica pelos sofistas, por meio de técnicas para argumentar de
maneira persuasiva, era visto por Sócrates como um ensino inferior e ilusório, prejudicial,
portanto, à gestão da pólis.
Resposta da questão 2:
[C]
Com Sócrates, tem-se, na filosofia, a chamada “virada humanista”, quando as questões
filosóficas se voltam para investigações acerca do indivíduos e à vida coletiva, como a política,
a ética, a justiça, o conhecimento racional etc.
Resposta da questão 3:
[E]
Percebe-se no fragmento a construção de um pensamento racionalmente ordenado para
explicar a transformação da physis, que também parte de uma reflexão filosófica
substancialista, uma vez que é marcada pela busca pela origem do cosmos.
Resposta da questão 4:
[C]
O pensamento de Platão se expande para além do pensamento socrático, mas não há um
rompimento entre as formas de pensar.
Sócrates, através da maiêutica, utilizava a razão para buscar conhecimentos verdadeiros e
para fugir das percepções limitadas. Em Platão, a racionalidade também é priorizada, uma vez
que só a partir dela é possível alcançar o mundo das ideias.
Sócrates não é um sofista e a essência do seu pensamento não se volta para a natureza, mas
para a investigação e o questionamento dos conceitos e crenças mais estimados. Sócrates é
considerado por muitos como um fundador da filosofia, pois ele se preocupava em estudar o
conhecimento sua relação com o ser humano.
No mito da caverna, Platão diferencial o mundo das ideias, ao qual se chega pela pensamento
racional, seguro, perfeito e imutável, do mundo sensível, marcado pelas sombras e pela
aparência falseada da realidade.
Resposta da questão 5:
[C]
Para Platão, a dificuldade na identificação do que é belo se dá porque é necessário conhecer o
que é belo para que este possa ser identificado. Assim, para Platão, o conhecimento é o meio
para identificar as coisas como belas, de modo que apenas a observação não pode dizer o que
é belo e o que não o é, sendo necessário o uso da razão.
Resposta da questão 6:
[C]
O texto descreve uma visão cosmológica da explicação do mundo baseada no sobrenatural e
na legitimidade da tradição, por meio das ações de deuses, características do pensamento
mítico.
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Resposta da questão 7:
[D]
Na atualidade, continuam existindo mitos utilizados para explicar e ordenar a experiência da
realidade das pessoas, mas desde o início da filosofia e da disseminação do pensamento
racional, os mitos vêm perdendo espaço, ao competir com outras narrativas que também se
propõem a explicar a realidade, a exemplo da ciência e da filosofia.
Os mitos não se referem apenas ao que a ciência não pode explicar, mas pode gerar
explicações para fenômenos de interesse científico, apresentando-se como uma narrativa
concorrente.
Através do pensamento científico não é possível afirmar a existência ou a inexistência de
deuses. Entretanto a história das religiões e da filosofia mostra que divindades têm sido
representadas por objetos e pessoas. O texto de referência também permite responder
positivamente a essa alternativa ao apresentar uma lista de novos deuses.
Entre os objetos concretos que controlam a vida dos indivíduos o texto lista “deuses de cartão
de crédito e de autoestrada, de internet e de telefone, de rádio, de hospital e de televisão,
deuses de plástico, de bipe e de néon”.
Resposta da questão 8:
[B]
O desenvolvimento da filosofia grega está diretamente ligado à polis, uma vez que a
organização da polis voltada para a discussão racional e para a valorização da reflexão
favoreceu o surgimento da filosofia. Há também o desenvolvimento do comércio que levou ao
desenvolvimento do pensamento matemático e o contato com outros povos, favorecendo a
troca de ideias, fundamental para o desenvolvimento do pensamento filosófico.
Resposta da questão 9:
[B]
Os filósofos sofistas rompem com a reflexão filosófica que se voltava para a natureza, na busca
por um princípio ou arché. A filosofia sofista coloca no centro de suas reflexões questões
relacionadas aos cidadãos da pólis. O exercício da cidadania, nesse contexto, implicava o
domínio da arte da retórica e da deliberação, de modo que os sofistas se voltam para uma
educação centrada no preparo para esse exercício, buscando ensinar, sobretudo, a persuasão
nas discussões.
Com efeito, os sofistas não buscavam explicações para o cosmos ou sua origem, acusando
tais especulações de produzir diferentes verdades que se pretendiam, cada uma, absoluta.
Para esses pensadores, o objetivo da especulação filosófica deveria estar centrada, portanto,
na compreensão da política e dos homens. Nessa perspectiva, os sofistas defendiam o
pressuposto de que não se poder conhecer o Ser em absoluto, apenas compreender opiniões e
percepções subjetivas acerca da realidade, de modo que defendiam o relativismo acerca da
verdade e das coisas existentes. No que se refere à vida prática, como a política, por exemplo,
os sofistas defendiam uma postura pragmática, buscando sempre as leis mais convenientes às
instituições e à realidade política presente, mas que sempre poderia se modificar, e com isso,
se modificarem também as leis e as verdades aceitas.
Resposta da questão 10:
[D]
A partir da leitura do texto e dos conhecimentos acerca do processo de passagem do mito ao
logos, o aluno deve identificar que o surgimento da filosofia está relacionado ao
desenvolvimento da pólis grega, que envolveu uma experiência política muito ligada à
argumentação racional e ao debate público. Essa nova perspectiva política que surge, leva à
uma ruptura com os modos de pensar e interpretar o mundo, colocando em crise as
representações míticas, tal como afirma o item [D].
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Resumo das questões selecionadas nesta atividade
Data de elaboração: 22/06/2021 às 07:41
Nome do arquivo: 3ano extras
Legenda:
Q/Prova = número da questão na prova
Q/DB = número da questão no banco de dados do SuperPro®
Q/prova Q/DB Grau/Dif. Matéria Fonte Tipo
1 197456 Elevada Filosofia Unesp/2021 Múltipla escolha
2 199856 Média Filosofia Unesp/2021 Múltipla escolha
3 198163 Média Filosofia Enem PPL/2020 Múltipla escolha
4 199433 Elevada Filosofia Uece/2020 Múltipla escolha
5 193892 Elevada Filosofia Ufpr/2020 Múltipla escolha
6 199063 Baixa Filosofia Uece/2020 Múltipla escolha
7 199429 Média Filosofia Uece/2020 Múltipla escolha
8 199431 Baixa Filosofia Uece/2020 Múltipla escolha
9 197926 Elevada Filosofia Enem digital/2020 Múltipla escolha
10 185356 Média Filosofia Uece/2019 Múltipla escolha
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