INSTITUTO POLITÉCNICO DE BEJA ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA

Apontamentos

de

Zootecnia

Curso de Engenharia Alimentar

Orientação Animal
Fernando Manuel Santos Mota
Professor Adjunto do Departamento de Produção e Protecção Animal

2003

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NOTA DO AUTOR

Esta compilação, pelo carácter geral que norteia a abordagem das matérias nela tratadas, destina-se exclusivamente aos alunos da Disciplina de Zootecnia, do 3º Semestre do Curso de Engenharia Alimentar, Orientação Animal. Não está de modo nenhum aconselhada aos alunos de disciplinas, que pela sua especificidade, exijam um estudo mais aprofundado, ainda que as matérias versadas nessas disciplinas, possam ter alguma correspondência titular com partes da presente compilação.

Beja, Setembro de 2003

(Fernando Manuel Santos Mota)

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ÍNDICE 1. Conceitos Introdutórios 1.1. Noções Reprodutivas das Espécies Domésticas 1.2. Parâmetros Reprodutivos 1.3. Possibilidades Étnicas da Exploração Animal 1.4. Métodos de Fertilização 1.5. Pastoreio e Forragens 1.6. Estabulação Sistemas Exploração 1.7. Relações Animal / Ambiente 2. Noções de Produção de Ovinos 2.1 Origem e História 2.2 Características Biológicas da Espécie 2.2.1 Comportamento Alimentar 2.2.2. Características Reprodutivas 2.2.3. Produção de Carne Leite e Lã 2.2.3.1. Produção de Carne 2.2.3.2 Produção de Leite 2.2.3.3. Produção de Lã 2.3. O Tronco Merino 2.4 Raças Ovinas Portuguesas 2.5. Raças Ovinas de Maior Expansão Mundial 2.6. Sistemas de Produção de Ovinos 2.6.1. Tipo de Animais Utilizados 2.6.1.1. Linha Pura 2.6.1.1. Cruzamento 2.6.2. Tipo de Instalação 2.6.2.1. Estabulação Permanente 2.6.2.2. Semi-estabulação 2.6.2.3. Pastoreio 3. Noções de Produção de Caprinos 3.1. Origem e História 3.2. Características Biológicas da Espécie 3.2.1. Comportamento Alimentar 3.2.2. Comportamento Reprodutivo 3.2.3. Produção de Carne Leite e Pêlo 3.2.3.1. Produção de Carne 3.2.3.2. Produção de Leite 3.3. Raças Caprinas Portuguesas 3.4. Raças Caprinas Estrangeiras 3.5. Sistemas de Produção de Caprinos 3.5.1. Tipos de Animais Utilizados 3.5.2. Tipos de Instalações 4. Noções de Produção de Bovinos 4.1. Origem e História 4.2. Características Biológicas da Espécie 4.2.1. Comportamento Alimentar 4.2.2. Comportamento Reprodutivo 4.3. Produção de Carne e Leite 4.3.1. Produção de Carne 4.3.2. Produção de Leite 4.4. Raças Bovinas Portuguesas 4.5. Raças Bovinas de Maior Difusão Mundial 4.6. Sistemas de Produção de Bovinos 4.6.1. Sistemas de Produção de Carne Pag. 1 1 8 9 12 16 20 21a 22 22 23 23 24 26 26 28 29 32 34 40 45 46 46 46 47 48 48 48 49 49 50 50 51 53 53 54 57 62 65 65 67 71 71 72 72 73 76 76 79 80 85 91 91

Características Biológicas da Espécie 6.1.3 Raças Suínas Portuguesas 5.4 4.4. Características Reprodutivas 6.6 Produção de Carne 6. . Características Biológicas da Espécie 5.5. Noções de Produção de Suínos 5.7.2. Noções de Produção de Coelhos 6.2. Caracterização da Espécie 6.2. Produção de Carne 6.Comportamento Alimentar 6. Sistemas de Produção de Leite 5.2.1.2.7. Tipo de Instalações BIBLIOGRAFIA 92 95 95 97 97 99 101 105 108 108 112 112 114 118 118 118 118 119 121 121 121 122 124 124 127 . Sistemas de Produção de Coelhos 6. Sistemas de Produção de Suínos 5.2. Produção de Peles 6. Sistema Extensivo 5. Origem e História 5. Comportamento Reprodutivo 5.2.5.3.5.1.2.2 1.1.6.4. Raças Suínas Estrangeiras de Maior Difusão 5. Comportamento Alimentar 5.1.1.6 Raças de maior interesse 6. Produção de Pêlo 6.5. Caracterização do animal obtido neste Sistema 5.2. Sistema Intensivo 5.2.5.

cujo efeito foi garantir a continuidade das espécies (Hafez. está dependente de muitos factores entre os quais se contam a existência ou não de estação sexual e a extensão desta. conducentes a uma total compreensão das matérias adiante tratadas. cit.NOÇÕES REPRODUTIVAS DAS ESPÉCIES DOMÉSTICAS Durante o longo processo de Evolução os Mamíferos sofreram notáveis modificações anatómicas endocrinológicas e fisiológicas. implica a participação de dois indivíduos diferentes entre si anatómica e fisiologicamente.CONCEITOS INTRODUTÓRIOS A Zootecnia é uma ciência que em termos gerais se ocupa de todos os aspectos que concernem à Produção Animal. reconheceu a natureza cíclica dos fenómenos sexuais na fêmea e em 1900. As descrições mais ou menos exactas da penetração do espermatzóide no oócito começaram a surgir em meados do séc. in Simões. os períodos de gestação e de amamentação. 1. 1978. A reprodução numa espécie dióica. cit. a idade à puberdade e . o número de crias nascidas. 1984). o estudo pormenorizado quer da Reprodução Animal. o número de óvulos produzidos. cit. como o atestam textos de Hipócrates e Aristóteles (McDonald. 1984). Desde a Antiguidade que o conhecimento da reprodução dos animais é preocupação dos povos. torna-se no entanto necessário introduzir alguns conceitos destas áreas.5 1. 1969. XIX (Bishop e Walton.1. 1984). in Simões. 1984). 1988). No entanto só no séc. Heape definiu e designou as fases do ciclo éstrico (Asdel. a frequência dos cios. quer dos Sistemas de Pastoreio e de Estabulação a que os animais domésticos são sujeitos. Lataste em 1887. Não sendo o objectivo desta disciplina. estando incluídos nos seus aspectos fundamentais o conhecimento dos comportamentos reprodutivo e alimentar das diversas espécies exploradas pelo Homem. O sucesso reprodutivo em qualquer espécie. 1984). XIX se chegou ao reconhecimento definitivo da existência do espermatzóide através dos trabalhos de Prévost e Dumas em 1924 e do oócito pelo conhecimento dos trabalhos de von Bauer e de Dumas ambos divulgados em 1927 (Asdel. Simões. in Simões. dizendo-se de sexos diferentes (Simões. 1960. 1969.

O Hipotálamo e a Hipófise são dois órgãos integrados no cérebro que actuam em interdependência e desempenham uma acção primordial na regulação de numerosos fenómenos fisiológicos. Hafez. 1988). Nas fêmeas. Hafez. 1984). 1978. hormonais. Simões. imunológicos ou patológicos (Hafez. Por outro lado a eficiência reprodutiva. 1984 . 1978 . por mecanismos que incluem os Sistemas Nervoso e Endócrino. O hipotálamo é o órgão responsável pela produção e libertação de hormonas que vão regular a produção e libertação de hormonas pela hipófise. a Prolactina e a Oxitocina (hormonas implicadas na produção e libertação do leite) (McDonald. o alvo da acção das hormonas hipofisárias FSH e LH são os ovários. do crescimento e da lactação (McDonald. Hafez. O aparecimento dessas manifestações é conhecido por Puberdade. neurais. De modo simplista e generalizado pode assumir-se a seguinte descrição. os quais operando em integração fisiológica fazem a coordenação das estruturas e órgãos neles participantes. 1984. A partir de determinada altura da sua vida. os animais começam a manifestar comportamentos associados à actividade sexual. Os processos reprodutivos no seu conjunto são condicionados de maneira extraordinariamente complexa. da idade do animal. directa ou indirectamente (Simões. acompanhados da aparição dos caracteres sexuais secundários e do aumento dos órgãos reprodutivos (McDonald. 1988).6 a estabilidade do período reprodutivo na vida do animal. pode declinar em consequência de factores estacionais. a Somatrotropina (hormona do crescimento). estando dependente entre outros factores da raça. Simões. 1978). do clima. 1988). anatómicos. Simões. Entre estas encontram-se a FSH (hormona estimulante dos folículos) e a LH (hormona luteínizante) implicadas directamente nos fenómenos sexuais. . da época do ano e do seu estado de nutrição e do sexo a que pertence (McDonald. nutricionais. genéticos. aos quais chegam pelo sangue e nos quais vão produzir alterações fisiológicas e anatómicas que constituem o Ciclo Éstrico (McDonald. nomeadamente os sexuais. como resumo dos complexos fenómenos processados no ovário : a FSH libertada na hipófise vai promover o crescimento de um folículo (ou vários conforme a espécie). 1984). 1978 . 1988). 1978.

a inibição da produção de FSH e a manutenção da gestação. Depois do exposto introduzem-se alguns conceitos : Puberdade é a altura em que um animal amadurece sexualmente ficando apto a reproduzir-se. até que por ausência de estímulo do embrião no útero. 1978). em que se processam modificações do aparelho genital e do comportamento sexual . que cresce no local onde existiu o folículo e começa a produção de uma substância hormonal. este produz uma substância a PGF2 a qual provoca a regressão do corpo amarelo. A Progesterona tem como funções principais. Este líquido é rico em estrogéneos. 1984 . 1978 . a Progesterona (McDonald. com a consequente libertação do óvulo (fenómeno designado por Ovulação). 1978). 1988). Ao cessar a produção de progesterona. no interior da qual se encontram basicamente um líquido viscoso e um oócito ou óvulo. 1978). cessa o seu efeito inibitório sobre o hipotálamo. A LH vai promover o rompimento do folículo maduro. com um ritmo e duração característico para cada espécie. podemos comparar o folículo a uma bolha na superfície do ovário. Simões. o que acontece quando os machos começam a produzir espermatzóides e as fêmeas experimentam o primeiro Ciclo éstrico (McDonald. 1978). designação que engloba um conjunto de substâncias hormonais responsáveis pelo comportamento sexual exibido pelas fêmeas em cio e pela manutenção dos caracteres sexuais secundários. actuando sobre o útero.7 Grosso modo. Hafez. Na situação de não ter havido fecundação a progesterona é produzida durante alguns dias. levando de novo à possibilidade da produção e libertação das hormonas percursoras da libertação de FSH e LH pela hipófise (Hafez. e a formação de uma substância designada por Corpo Lúteo ou por vezes por Corpo Amarelo (assim designado na generalidade pela sua cor em algumas espécies). fazendo cessar deste modo a produção de progesterona (McDonald. nas fêmeas. Ciclo Éstrico é uma sequência combinada de acontecimentos fisiológicos (McDonald. 1988). Se há fecundação o corpo amarelo permanece activo produzindo progesterona durante todo o período até ao parto (McDonald.

a qual aumenta rapidamente (Simões. regredindo após esta data. Simões. 1988). Na ausência de fecundação o corpo amarelo permanece funcional na vaca a té ao 17. Metaestro e Diestro (McDonald. 1984). que irá servir de nutrição ao ovo. 1984). em geral tem lugar a ovulação (Simões.Estro. enquanto que noutras ocorre imediatamente a seguir a este (McDonald. 1984). 1984 . 1978 . a ovulação ocorre no fim do Estro.Metaestro. 1984).Proestro período que se inicia com a estimulação e o crescimento do folículo por acção da FSH (McDonald. 1988). cujas glândulas segregam um material viscoso e espesso. podendo dizer-se que é a fase do ciclo éstrico em que se processa a transição entre o declínio da actividade secretora do corpo lúteo e o início da influência dominante dos folículos em crescimento. que é composto de quatro fases. 1984). permitindo deste modo o início de um novo ciclo éstrico (McDonald. 1988 . in Simões. ocorrendo nesta fase um desenvolvimento das glândulas mamarias e do útero. as fêmea tornam-se receptivas sexualmente. Neste período devido à alta concentração de estrogéneos.º dia do ciclo. Simões.Anestro . . .8 (Simões. . corresponde à formação e entrada em funcionamento do corpo lúteo com o início da produção de progesterona. 1984). corresponde em princípio à plenitude funcional de corpo lúteo e à consequente influência dominante da progesterona sobre os órgãos acessórios (Cupps et al. 1988). Proestro. É em geral o período mais longo do ciclo éstrico. no caso de sobrevir uma fecundação. Estro.se após a fase de diestro e na ausência de gestação. estamos em presença de uma situação de . é a fase que termina com o amadurecimento do folículo e em que. . Em algumas espécies animais.. . desenvolvendo comportamentos que as levam a procurar os machos e a deixar-se montar por eles. seguindo cada espécie os seus padrões de comportamento próprios (McDonald. Hafez. também designado por cio. 1988). através da produção de estrogéneos (Simões. não se verifica o início de um novo ciclo éstrico.Diestro. cit.

embora estes tenham a sua estação reprodutiva no início da Primavera (McDonald. Hafez. Hafez. 1988).9 Anestro. 1984 . . 1978 . este fenómeno acontece com as fêmeas dos Suínos e dos Bovinos. Fraser e Stamp. designado nesta situação anestro de lactação (McDonald. doenças. 1988. com a periodicidade característica. Durante a primeira fase da lactação. 1988 . Hafez. 1989). que possuem a estação reprodutiva no início do Outono. Hafez. o clima. que são por isso designadas quanto ao seu comportamento reprodutivo por Poléstricas sem sazonalidade reprodutiva (McDonald. 1984 . 1978 . Nas espécies domésticas. reprodutivos sendo fora virtualmente período. em que os ciclos éstricos podem suceder-se ao longo de todo o ano. o mesmo sucedendo com os Equinos. 1984 . acontece em algumas espécies um anestro. impossível dizendo-se a ocorrência possuem de fenómenos desse que Sazonalidade reprodutiva. numa época do ano bem determinada. Simões. desnutrição. entre os quais a Espécie a que pertence o animal. Nesta situação estão os Ovinos e os Caprinos pertencentes a raças originárias do Norte da Europa. O Anestro pode ser provocado por vários factores. Outras espécies só exibem comportamento sexual. Simões. para cada uma dessas espécies. em que exibem vários ciclos éstricos (Speedy. A duração do ciclo éstrico é variável nas espécies domésticas : Espécie Bovinos de carne Bovinos de leite Equinos Ovinos Caprinos Suínos Duração do ciclo éstrico 17-24 dias 17-24 dias 16-24 dias 14-19 dias 18-22 dias 19-23 dias Duração do cio 12-30 horas 13-17 horas 2-11 dias 26-42 horas 26-42 horas 40-60 horas Adaptado de Hafez. Época Reprodutiva Na nossa latitude e em condições naturais. 1988). existem determinadas espécies animais. 1978 .

quer por possuírem uma época reprodutiva mais dilatada. 1990).é sinónimo de sazonalidade sexual ou de estacionalidade sexual. Em certas espécies. Hafez. 1988 . 1988). existem algumas raças que fogem em maior ou menor grau a esta tendência. Importa nesta fase clarificar e introduzir alguns conceitos : Sazonalidade reprodutiva . Esses animais são considerados Monoéstricos sazonais no primeiro caso (um ciclo éstrico por estação reprodutiva) e Poliéstricos sazonais no segundo caso (vários ciclos éstricos por estação reprodutiva). 1983 . Sazonalidade reprodutiva mal marcada . apesar da maioria dos seus membros mostrarem uma marcada tendência. embora estes maioritariamente se verifiquem numa época determinada. 1965 . dizendo-se que possuem Sazonalidade reprodutiva mal marcada. . sob determinadas condições. 1984). que podem experimentar cios em várias épocas do ano (Quittet. em que o ciclo éstrico ou os ciclos éstricos somente costumam ocorrer numa determinada época do ano.caracteriza os animais de espécies que podem experimentar ciclos éstricos consecutivos ao longo de todo o ano. estando neste caso as cadelas (Hafez. sendo um termo que se usa para uma espécie ou raça. Portulano. No entanto. quer pela possibilidade de exibirem ciclos éstricos em outras épocas do ano. para exibirem comportamento sexual em épocas do ano bem determinadas. só exibem um ciclo éstrico pelo que são designados Monoéstricas sazonais. Quittet.10 1988). 1967 . Ausência de sazonalidade reprodutiva . Avó.designa a espécie ou raça que pode experimentar ciclos éstricos em mais de uma época no ano. Mason. São designados como Poliéstricos. 1990 . Estes factos justifica para ambos a designação de Poliéstricos sazonais (Simões. algumas das espécies que respeitam este princípio da Sazonalidade reprodutiva. Estão nesta situação os Ovinos e Caprinos pertencentes a raças originárias das margens do Mediterrâneo.

não invalida esta designação. sendo designados de fotoperiodismo negativo.são as fêmeas pertencentes a espécies que por regra dão à luz várias crias em cada gestação. A razão desta sinonímia.é um termo usado como sinónimo de sazonalidade reprodutiva.diz-se das fêmeas pertencentes a espécies que por regra dão à luz uma cria em cada gestação. 1985 . sendo na gíria conhecidas por "fêmeas de primeira barriga". . os Caprinos e os Equinos. ossos e massa encefálica. as quais atravessando pêlo. reside no facto de actualmente ser aceite que os processos fisiológicos que conduzem à produção e libertação das hormonas do hipotálamo.são as fêmeas de qualquer espécie que ainda não tiveram uma gestação. Fêmeas nulíparas . Das espécies domésticas.11 Fotoperiodismo . os Coelhos e os Cães e os Gatos. são desencadeados pela acção cumulativa das radiações infravermelhas irradiadas do Sol (Tamarkin et al. A ocorrência de partos gemelares. diz-se que esses animais possuem fotoperiodismo positivo.. estimulam a acção hipotalâmica. Fêmeas politocas . pele. Fêmeas multíparas . são espécies monotocas os Bovinos. Das espécies domésticas. se acontece o contrário (Outono). 1988). os Ovinos. Fêmeas primíparas . Fêmeas monotocas .são as fêmeas de qualquer espécie que pariram ou que se apresentam pela primeira vez. Se o início da estação reprodutiva de determinada espécie ou raça.são as fêmeas de qualquer espécie que já pariram mais que uma vez ou que se apresentam numa gestação de número superior a um. são espécies politocas os Suínos. Hafez. Podem ser as fêmeas jovens ainda não submetidas à reprodução ou fêmeas velhas que devido a variadas condicionantes ainda não tiveram uma gestação. coincide com a época em que os dias vão tendo sucessivamente mais horas de luz (Primavera).

1988).º de partos do efectivo Fonte : (Urries. Senante./ . a Mortalidade e a taxa de Abortos. Os índices são a Fertilidade. representados sob a forma de taxas. É calculada do seguinte modo : Taxa de Prolificidade = n. É calculada do seguinte modo : Taxa de Produtividade = n.12 Índices Reprodutivos Os resultados reprodutivos de um conjunto de fêmeas. Para a sua obtenção são utilizados todos os dados relativos ao número de fêmeas do efectivo./ . o número de partos.º de partos x 100 / n. É calculada do seguinte modo : Taxa de Fertilidade = n. o número de crias nascidas vivas e mortas e o número de crias desmamadas (Borrego.º de fêmeas do efectivo .1988). o número de abortos.A Taxa de Fertilidade dá-nos a percentagem de partos ocorridos entre as fêmeas do efectivo que entrou à reprodução.A Taxa de Prolificidade dá-nos a percentagem de crias nascidas (vivas e mortas) em relação ao número partos.º total de crias nascidas x 100 / n. a Produtividade. .º de fêmeas do efectivo . de um efectivo ou de um lote./ ---------- . ---------. a Prolificidade. quer formem uma espécie. uma raça.A Taxa de Produtividade dá-nos a percentagem de crias nascidas vivas em relação ao número de fêmeas do efectivo que entrou à reprodução. podem ser encontrados através de determinados índices produtivos./ .º de crias nascidas vivas x 100 / n. 1986 .

Impõe-se deste modo a introdução destes conceitos. Lactação . lógico será pensar que a produção de leite não será uniforme. sendo amiúde usada em seu lugar. em que a fêmea se encontra a produzir leite. situações que condicionam a disponibilidade alimentar. Este parâmetro obtêm-se dividindo o ganho de peso total no período considerado.2. obtido por meio de duas pesagens. pelo número de dias do período. Como as necessidades alimentares da cria variam ao longo do tempo.é definida como o período após o parto.é o peso diário ganho em média pelo animal em determinado período. Velocidade de crescimento . transmitindo essas características aos descendentes. a rusticidade ou a capacidade de produção de leite.pode ser definida como a capacidade de determinado animal conseguir subsistir ou produzir em condições climatéricas e alimentares difíceis. De facto não é. Precocidade . decrescendo desde esse momento até ao fim da lactação. Ganho médio diário . Se efectuarmos a representação gráfica da produção leiteira diária de uma fêmea de qualquer . uma efectuada no dia inicial do período considerado e outra no dia final do mesmo período. verificando-se estarem deste modo os três parâmetros intimamente relacionados. Nestas situações dá-se uma selecção natural em que só os animais mais resistentes sobrevivem e por consequência se reproduzem. ou o estado adulto.é uma noção muito próxima da precocidade. Um animal será tanto mais precoce quanto maior for o seu ganho médio diário.13 1. designado pico da lactação. como a sua precocidade. Rusticidade . a velocidade de crescimento. de solos pobres. o que aumenta a sua velocidade de crescimento.pode ser definida como o tempo que decorre até o animal atingir a puberdade (precocidade reprodutiva). É uma qualidade possuída por todas as raças autóctones de regiões com condições climáticas difíceis. sendo traduzida pelo ganho médio diário.PARÂMETROS PRODUTIVOS Em termos zootécnicos cada animal por si e cada raça são caracterizados por determinados parâmetros produtivos. aumentando desde o parto até um valor máximo.

em núcleos para obtenção de reprodutores ou comerciais. considerada melhoradora./ ---------1. tem uma fase ascendente a partir daí até um valor máximo (pico da lactação)./ . num efectivo de fêmeas pertencentes a outra ./ . na persecução dos objectivos de cada tipo de produção. obtidas a partir da produção de cabras ---------. Cruzamento .consiste na criação de animais em que todos os machos e todas as fêmeas são da mesma raça. peles ou mista./ .14 espécie. teremos uma curva que começa com um valor inicial maior que zero logo após o parto. Fonte : (Mota. efectuados com o recurso a machos de uma raça pura.POSSIBILIDADES ÉTNICAS DA EXPLORAÇÃO ANIMAL Qualquer das espécies domésticas de interesse zootécnico comporta várias raças. lã. após o que vai decrescendo mais ou menos bruscamente até um valor perto de zero (altura em que se desmama ou se deixa de ordenhar).como o nome indica consiste numa união de um reprodutor masculino de uma raça com outro feminino de outra raça diferente. O tipo de produção em linha pura é utilizada quer para animais produtores de carne. trabalho. 1 . Linha Pura . quer para os produtores de leite. Os cruzamentos são na prática. carne. podendo essas espécies ser exploradas usando animais de uma só raça ou animais de duas ou mais raças. 1994) Fig. leite.Exemplo de duas curvas de lactação.3.

(melhoradora) chamemos-lhe assim e gozam dos efeitos de um fenómeno designado por "heterose". pretendendo-se obter um produto final de maior valor produtivo. uma rústica. para dar os resultados propostos no início. duplo. em linha pura ou hibridada. Existem vários tipos de cruzamento. Os produtos de um cruzamento tendem a mostrar características mais próximas da linha pai. nele intervêm duas raças. Este intento só se consegue à 5ª geração pelo que quase só se utiliza em programas de selecção. este tipo de cruzamento tem a interveniência de três raças. que qualquer uma das raças iniciais. origem a um maior número de borregos e com boa conformação. por exemplo a raça X. das qualidades apresentadas pelos progenitores. Denominemo-las X e Y por exemplo. de ambas se pretendendo aproveitar algumas características.também designado de dois andares. É de resultados muito mais rápidos que o cruzamento de absorção. que pode ser entendido como a expressão em maior grau. obter-se-iam fêmeas rústicas e prolíficas que cruzadas com a terceira raça. utilizando as três raças. sendo utilizado para melhorar quer a produção de leite. alternativo e o industrial. Cruzamento duplo . substituição esta que se dá de modo gradual. na gíria conhecido por "vigor híbrido".pode ser efectuado com a intenção de substituir o rebanho das fêmeas de base. sendo os produtos deste segundo cruzamento cruzados com a .também designado por retrocruzamento. Este tipo de cruzamento terá forçosamente que seguir continuamente este esquema. à custa dos animais nascidos nos passos intermédios e finais do cruzamento. por outro. uma prolífica e uma boa produtora de carne. de características étnicas idênticas às do reprodutor masculino. do qual resultam híbridos que vão ser cruzados com reprodutores de uma das raças. Cruzamento alternativo . em que se pretende melhorar qualquer das vocações produtivas conforme a espécie e a raça. Cruzando as duas primeiras raças numa primeira fase. dariam como resultado numa segunda fase. Suponhamos que temos três raças de ovinos. sendo os mais usados o cruzamento de absorção. quer a produção de carne.15 raça. Cruzamento de absorção . Vai efectuar-se o 1º cruzamento.

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raça Y. À 7ª geração todos os indivíduos terão o mesmo genótipo. Este tipo de cruzamento tem sido utilizado na obtenção de novas raças. Cruzamento industrial - é o tipo de cruzamento de resultados mais rápidos, fazendo-se para a obtenção de produtos melhorados, a partir de fêmeas de uma raça local rústica, bem adaptada à região e de reprodutores masculinos de uma raça especializada numa determinada produção. É frequentemente efectuado para a produção de carne, utilizando machos de raças pesadas em rebanhos de fêmeas de raças autóctones. A descendência apresenta em geral as características de conformação da carcaça e de precocidade próximas da raça do pai. A justificação da utilização tão frequente deste tipo de cruzamento, reside na possibilidade de obter mais carne a partir de uma raça rústica, numa região em que devido às condições edafoclimáticas seria difícil ou mesmo impossível criar animais especializados nessa função. É de regra que todos os animais resultantes deste cruzamento, ou seja os F1, devem ser inexoravelmente mandados para o matadouro, devido ao facto de, se forem usados para fins reprodutivos entre si, ou com o progenitor masculino se verifica uma perda de qualidade em termos de rusticidade, tanto nos F1 como nos F2, originando prejuízos futuros à capacidade de sobrevivência no meio para o qual a raça mãe estava bem adaptada, levando deste modo ao abastardamento do seu património genético, muitas vezes com consequências irreparáveis. Por este princípio não ter sido respeitado no passado, levou-se a uma descaracterização parcial das nossas raças autóctones, as quais em parte e na tentativa de reparar parcialmente os danos causados, têm sido alvo de alguma selecção no sentido de as aproximar o mais possível da sua antiga linha. Temos como exemplo nos ovinos, o caso da raça Campaniça, em que o abastardamento com a etnia Merina foi de tal modo, que na actualidade a raça está considerada em vias de extinção, havendo no entanto algumas perspectivas de no futuro ultrapassar esta situação drástica em que ainda se encontra. O cruzamento industrial pode ainda ser implementado por outros motivos, como seja a obtenção de fêmeas mais prolíficas, melhores produções de leite, etc., devendo todos os machos F1 serem enviados para abate e as fêmeas destinadas

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ao fim que norteou o cruzamento. A descendência das fêmeas F2 terá que ser totalmente abatida devido aos distúrbios morfológicos e produtivos que a sua heterogeneidade genética acarreta. Na prática deste tipo de cruzamento põe-se o problema da obtenção das fêmeas de substituição no efectivo, devido ao inevitável refugo anual de parte das fêmeas em linha pura, problema que se resolve por aquisição dos animais necessários a outro criador, ou por manutenção na exploração de um pequeno núcleo em linha pura, expressamente para esse fim, se o rebanho tiver dimensão suficiente e fôr economicamente rentável.

---------- / - / - / - / ---------1.4- MÉTODOS DE FERTILIZAÇÃO Os métodos de fertilização usados em zootecnia são a cobrição natural ou monta natural e a inseminação artificial Monta natural - consiste na reprodução natural, em que os machos emparelham com as fêmeas segundo os princípios comportamentais próprios de cada espécie. Pode ser efectuada em liberdade ou condicionada pelo homem. Monta em liberdade - constitui o método mais prático e mais simples, sendo praticado na esmagadora maioria dos nossos rebanhos consistindo em deixar os machos junto com as fêmeas durante toda a época de cobrição. Desde que cada rebanho tenha mais do que um macho não é possível estabelecer a paternidade dos filhos. Num rebanho comercial este facto não é importante e embora haja sempre necessidade de fazer uma certa selecção, esta é feita através da mãe, procurando-se deixar para a reprodução filhos de fêmeas boas produtoras. Monta condicionada ou dirigida - este tipo de monta consiste em fazer cobrir as fêmeas por um macho conhecido, podendo praticar-se duas modalidades : Em lotes - juntam-se um certo número de fêmeas com um único macho o que garante a paternidade dos filhos nascidos dessas fêmeas. Este procedimento é

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obrigatório quando se pretende inscrever a descendência nos Livros Genealógicos ou quando se faz a testagem de um macho. À mão - consiste no despiste dos cios, isto é identificar as fêmeas em cio, usando para isso um macho da mesma espécie, sem que se possibilite ao mesmo a realização da cópula. Nos grandes animais o despiste é feito por um macho conduzido por uma corda, o qual se faz passar perto de todas as fêmeas, as quais se marcam depois de identificadas. Nos suínos, animais em que é visível o inchaço vaginal, leva-se essa fêmea ao macho, podendo utilizar-se um artifício que consiste em o tratador sentar-se sobre o dorso da porca, a qual se estiver em cio imediatamente se imobiliza. Nos pequenos ruminantes o despiste é efectuado por um animal equipado com um arreio marcador com almofada de tinta e impossibilitado de praticar uma cópula fértil, como seja o caso de machos vasectomizados, machos criptorquídios ou animais usando um avental. Este último caso é o mais falível pois o carneiro com avental sabe que não pode cobrir e que se magoa ao tentá-lo e pode defender-se não saltando a ovelha, não se ficando por isso a saber se esta se encontra ou não em cio, correndo-se o risco de este passar e a fêmea não ser marcada. Depois de marcada por meio do arreio marcador a ovelha é retirada e introduzida numa divisão onde se encontra o carneiro seleccionado para realizar a cópula. Inseminação artificial - Consiste na introdução artificial no tracto genital de uma fêmea, de sémen colhido de um macho, igualmente de modo artificial. Em regra tanto o macho do qual foi colhido o sémen, como a fêmea na qual é introduzido, pertencem à mesma espécie. Como excepção temos a possível fertilização de éguas com sémen de burros, ou burras com sémen de cavalos, além das experiências efectuadas com animais selvagens em cativeiro em Jardins Zoológicos. Em muitas situações, quer no âmbito de programas de selecção ou de melhoramento das raças, ou ainda em certos tipos de produção, é imperioso ou vantajoso usar a inseminação artificial como procedimento de rotina. A inseminação artificial é um procedimento que envolve necessariamente diversas fases, que são a recolha do sémen, a sua conservação (por curtos

Deste modo administra-se simultâneamente a todas as fêmeas envolvidas no processo.19 períodos para o sémen fresco ou longos períodos para o sémen congelado). diluição . Normalmente as esponjas vaginais são utilizadas nos pequenos ruminantes. a actividade ovárica manifesta-se rapidamente e dentro de um curto espaço de tempo devido à acção das hormonas hipofisárias FSH e LH. colheita de sémen . pode ser simulado artificialmente com o recurso a hormonas de síntese. . impede o desencadear de novo ciclo sexual. envolvem a utilização de esponjas destinadas à aplicação intravaginal. a PMSG (assim designada por ter sido identificada em urina de éguas em gestação). aplicação do sémen. das fêmeas submetidas ao tratamento. devido ao bloqueio da ovulação e do cio. Os métodos usados para promover uma sincronização de cios. conforme a espécie animal considerada. Baseia-se no conhecimento de que a progesterona (hormona segregada pelo corpo lúteo durante a gravidez). Ora suspendendo a administração de progestagéneos a todas as fêmeas de modo simultâneo. que têm idêntica acção que a hormona progesterona natural designadas progestagéneos. A situação de utilização da inseminação artificial em esquemas rotina na produção das diversas espécies. provoca-se um estímulo nos ovários que provoca um incremento do número de folículos que crescem e amadurecem e logicamente há um aumento no número de fetos por gestação. produzindo-se o crescimento dos folículos. acondicionamento do sémen .é uma técnica que permite desencadear o cio simultâneamente e em data pré-determinada. Associando no final da acção dos progestagéneos uma outra hormona de síntese. O que se passa de forma natural. Resumindo a prática da inseminação artificial envolve em termos gerais as seguintes fazes : sincronização de cios . como a sincronização dos cios das fêmeas a inseminar. envolve outras fases além das já citadas. e a aplicação do mesmo no tracto genital da fêmea ou fêmeas a inseminar. uma determinada dose de progestagéneos. as quais estão embebidas de um soluto contendo as hormonas a aplicar e / ou injecções dessas hormonas. por impedimento da formação das hormonas hipofisárias FSH e LH. Sincronização de cios . ou a FSH. o cio. e consequentemente a ovulação.

gema de ovo. como se verifica no quadro seguinte. glicerol. Doses de sémen para inseminação obtidas por ejaculação Touro 300 Carneiro 15 Bode 15 Varrasco 10 (Adaptado de Hafez.melhor assistência aos partos. aquecida por água quente à temperatura ideal para a espécie em causa. sendo o número de fêmeas passíveis de serem fecundadas por um só macho. muito superior ao possível com a monta natural. É feita com o recurso a uma fêmea em cio ou a um manequim (nome dado a um macho castrado ou a uma estrutura inerte em forma de banco alto e comprido). O número de doses de sémen para inseminação artificial. directamente para um reservatório. no qual foi vertida urina de uma fêmea em cio.programar cobrições para obter partos na altura desejada. a qual é provida de um reservatório destinado à recolha do sémen.uma maior produtividade e rentabilidade da exploração pecuária Colheita de sémen .uma mais fácil e fecunda aplicação da inseminação artificial 2. devido à sua concentração temporal 6.a produção de lotes de borregos mais uniformes. varia com a espécie animal considerada. manter o pH do sémen congelado idêntico ao do sémen fresco e proteger os espermatzóides contra a acção de microorganismos.20 O recurso à técnica de sincronização de cios permite : 1.é efectuada no sentido de dilatar o número de doses de sémen a utilizar nas fêmeas. 1988) . concentrando-os num período muito curto de apenas alguns dias 3. Para tal são utilizadas várias substâncias como o ácido cítrico. protegê-los contra o choque térmico causado pelos abaixamentos de temperatura ultra.consiste como o nome indica na recolha do sémen do macho.o planeamento das parições em épocas e grupos pré determinados 4. obtidas com uma só ejaculação. e água destilada. As funções destas substâncias são fornecer fontes energéticas aos espermatzóides. antibióticos. com este método. a glucose ou a frutose. Diluição do sémen . facilitando assim sua venda 5. utilizando-se uma vagina artificial. partindo da dose fornecida por uma ejaculação.

para o que se servem dos chamados "mecanismos homeotérmicos"./ . Estes mecanismos têm a função de estabelecer um balanço calórico entre o calor produzido e o calor perdido. . Homeotermia Os animais domésticos são homeotérmicos.5 ml de capacidade e com uma forma aproximada a uma carga de esferográfica. da ordem dos –196 ºC. Inseminação . podendo teoricamente conservar-se indefinidamente. reagindo para isso às variações externas de temperatura.25 a 0.é feito com o recurso a cápsulas de azoto líquido. sempre que há alterações deste balanço. com a inseminação artificial esse número pode estender-se até 300-400 ovelhas. ---------./ . conduzindo assim a variações da temperatura corporal. o que normalmente se faz com recurso a água a essa temperatura. fecunda por época de cobrição um número de cerca de 50 fêmeas./ ./ ---------1. são a Temperatura. A inseminação pode ser realizada com sémen fresco ou sémen congelado.RELAÇÕES ANIMAL / AMBIENTE Os principais factores ambientais que afectam os animais. existindo inclusivamente relatos de inseminações realizadas com êxito e efectuadas com sémen congelado durante 20 anos. efectuada por um técnico com o auxílio de uma seringa transformada para esse fim. As doses de sémen para inseminação artificial são acondicionadas em palhetas de 0.21 Como exemplo diremos que enquanto um carneiro em sistema de monta natural. Para melhor compreensão dos efeitos ambientais. isto é tendem a manter uma temperatura corporal constante.5. nas quais se atingem temperaturas. a Humidade Relativa. a Pureza do Ar e a Iluminação. Acondicionamento do sémen . há que introduzir alguns conceitos ligados à Homeotermia e aos seus mecanismos.consiste na introdução do conteúdo da dose de sémen no útero da fêmea receptiva. necessitando este de breve período de aquecimento a 37 ºC. a Velocidade do Ar. devido ao facto de cada ejaculação depois de diluída dá origem a 15 doses de inseminação.

Se o animal está sujeito a temperaturas ambientes muito diferentes da sua temperatura corporal normal (ou seja está em "stress térmico"). produção e saúde. facto que se vai reflectir no seu crescimento. dado que todas as zonas corporais mantêm a sua temperatura constante graças à irrigação e temperatura sanguíneas.7 ºC 40 ºC 39 ºC 39 ºC Bovinos Cães e Gatos Equinos Homem Elefante 38.5-37ºC 36 ºC . determina os ajustamentos fisiológicos que o animal deve realizar para manter o seu balanço de calor corporal. sendo a resistência de um organismo em relação ao seu ambiente. Temperaturas corporais típicas de alguns animais homeotérmicos Aves pequenas Galinhas Caprinos Ovinos Suínos 43 ºC 41. para a termorregulação e para a produção. os esforços para a manter são consideráveis. O sangue representa um papel fundamental em todo o processo. levando a uma utilização de energia para a regulação da seu balanço calórico. O esquema seguinte ilustra a partição da energia utilizada pelos animais: Energia dos alimentos (calor de combustão) Energia das fezes Energia da urina e metano Energia digestível Energia metabolizável Incremento de calor (efeito calórico da comida) Energia Limpa (manutenção e produção) Deste modo são as condições ambientais que determinam a extensão com que a Energia Limpa é utilizada para a manutenção.5 ºC 38. proporcional à sua capacidade de manter constante a sua temperatura corporal.5 ºC 38 ºC 36.22 As condições ambientais ao influenciar a quantidade de calor trocado entre ele e os animais.

transmite-a à tiróide (que parece ser a responsável pela regulação da produção de calor). a qual em colaboração com os sistemas nervoso central e somático. de acordo com as leis físicas de transferência de calor. controlados pelo hipotálamo. alterações do tónus muscular e secreções de glândulas endócrinas. A produção de calor é regulada por mecanismos tais como o tremer. Termorregulação A regulação da temperatura corporal envolve respostas fisiológicas e de comportamento. Respostas do comportamento que envolvem : Movimentos do animal Ajustamentos de postura .23 Regulação dos mecanismos homeotérmicos O balanço calórico "calor produzido / calor perdido" possui um mecanismo de "retro-alimentação" ou "feed-back". mais calor é removido do seu corpo. diminuindo a área exposta ao ambiente e se está alojado em grupo. ao receber a informação a partir dos sensores de temperatura espalhados por todo o corpo e transmitida pelos neurónios. que aumentam a produção de calor metabólico. através de uma cobertura de pêlo ou penas. O hipotálamo. constituído por sensores. As perdas de calor podem ser reduzidas através de uma diminuição da superfície de pele exposta. diminuindo as perdas por evaporação. vai provocar alterações comportamentais por parte do animal. controladores e efectores. Quando o animal está sujeito a um ambiente de temperatura mais baixa que a sua temperatura corporal. Os animais homeotérmicos realizam estes ajustamentos através do sistema nervoso central podendo-se distinguir dois tipos de respostas. do comportamento e fisiológicas. Se este processo continuar sem nenhuma compensação fisiológica a temperatura corporal descerá inevitavelmente. promovendo o ajuntamento. no sentido de voltar a ter a temperatura corporal normal. No entanto o animal pode compensar esta perda de calor. aumentando a sua produção interna ou reduzindo as suas perdas.

aumenta a taxa de circulação sanguínea periférica e diminui a ingestão alimentar Apesar de estes mecanismos serem generalizados. aumenta o isolamento. outros pele quase nua.diminui a produção de calor e aumenta as suas perdas usando os seguintes estratagemas : não executa exercício físico. quer depositando gordura sob a pele. os animais agrupam-se diminuindo as superfícies de perda de calor. aumenta o ritmo respiratório e a evaporação pelos pulmões. diminui a circulação sanguínea periférica. reduzindo os seus movimentos ao. aumenta a ingestão alimentar e procura alimentos muito energéticos Em ambiente quente . entrando o animal respectivamente em . outros pêlo. sem que haja algum controlo eficiente da sua temperatura. etc.aumenta a produção de calor e / ou reduz as suas perdas. outros não. diminui o seu metabolismo. aumenta o seu metabolismo. aumenta a ingestão de água. quer através do crescimento do pêlo. mas para além dos limites inferior e superior deste intervalo a temperatura corporal respectivamente baixa e sobe. Zona Termoneutral e Zona de Conforto Térmico Existe uma gama de temperaturas dentro da qual os animais conseguem manter a temperatura corporal.24 Agrupamentos Trocas na ingestão de água e comida Respostas fisiológicas que envolvem alterações : No metabolismo e utilização dos alimentos Na circulação sanguínea periférica Na taxa respiratória Na taxa de evaporação pelos pulmões Na taxa de transpiração Conforme o ambiente em que se encontra o animal pode utilizar diferentes mecanismos : Em ambiente frio . através das seguintes estratégias :Treme. etc. executa mais exercício físico. uns possuem glândulas sudoríparas. pois uns têm penas. nem todos os animais os utilizam do mesmo modo.

Homeotermia e idade . constante e independente da temperatura ambiente.Ausência de fenómenos de vasodilatação ou vasoconstrição . que resultam das oscilações de temperatura registadas nos tecidos periféricos. Os seus limites inferior e superior designam-se respectivamente Temperatura Crítica Inferior e Temperatura Crítica Superior. a Zona Termoneutral e dentro desta. podendo ser definido como o intervalo de temperaturas dentro do qual o animal consegue manter a sua temperatura normal. utilizando os seus mecanismos homeotérmicos e de comportamento para fazer a sua termorregulação. . mas que não afectam a temperatura corporal interna.Inexistência de comportamento contra o frio ou calor. se não houver rápida mudança de ambiente ou das condições deste. Zona de Homeotermia.Nula ou mínima erecção de pêlos. Zona Termoneutral . Esta gama de temperaturas tem o nome de Zona de Homeotermia. Englobadas dentro da Zona de Homeotermia podemos distinguir duas outras zonas.corresponde a uma zona dentro da Zona Termoneutral onde o animal não necessita de recorrer a quaisquer mecanismos físicos ou de comportamento para modificar o seu balanço de energia. Pode ser caracterizada do seguinte modo : .25 hipotermia ou hipertermia. Neste intervalo podem ser verificadas variações da temperatura corporal média. que o animal consegue manter a homeotermia por meio de mecanismos físicos.Produção mínima de vapor de água proveniente da respiração pulmonar. da respiração cutânea ou da transpiração. . a Zona de Conforto Térmico. sobrevindo a morte. correspondendo ao intervalo em que a taxa de metabolismo animal é mínima.corresponde à gama de temperaturas em. Zona de Conforto Térmico .

existindo uma série de factores como a espécie. A temperatura ambiental numa exploração pecuária constitui um dos factores físicos ambientais com maior influência no comportamento produtivo dos animais. entre os quais o facto de os mecanismos homeotérmicos estarem pouco desenvolvidos ao nascimento. e o nível alimentar que dificultam a definição de valores absolutos. Esta parece ser a razão pela qual em muitas espécies domésticas só se tornarem eficientes algum tempo depois. tempo esse variável com a espécie animal. os mecanismos da homeotermia começam a ser utilizados. ser maior em termos relativos que nos animais mais velhos e mais volumosos. os principais factores ambientais que afectam os animais em qualquer ambiente são a Temperatura. mais precisamente dentro da sua zona de conforto. pois a razão entre a superfície corporal e o peso é maior nos animais jovens que nos adultos. Factores ambientais Como anteriormente foi referido. a raça. a temperaturas dentro da sua zona termoneutral. Os animais confinados. não está directamente relacionada com o peso corporal. existindo sim uma relação entre o tamanho corporal e a quantidade de calor produzida por m 2 de área superficial. Pode assumir-se dentro da mesma espécie que quanto mais jovem fôr o animal. Os valores de temperatura que se situam da Zona Termoneutral e da Zona de Conforto variam de animal para animal. a Humidade do Ar e a Velocidade do Ar.26 Após o nascimento. o peso. e o facto da superfície corporal exposta às perdas de calor. Este fenómeno é devido a vários factores.que é a produção de calor por unidade de tempo. maior é a perda de calor por unidade de peso. seja qual fôr a sua espécie. A taxa metabólica . representam uma solução de compromisso entre o custo de manutenção de temperaturas ambientais . apesar de estarem muito pouco desenvolvidos. só conseguem alcançar os seus índices máximos de produção. ou de grupo para grupo. As condições de temperatura dentro das instalações. a idade.

A ingestão alimentar diminui. Em situações de altas temperaturas. a diminuição da velocidade do ar leva a menor gasto de energia para o mesmo fim. pois esses custos não são compensados em termos económicos.27 dentro de uma certa gama e o rendimento obtido as produções (carne. ao aumentar as perdas de calor. incrementando-se a ingestão hídrica. na tentativa de o animal reduzir a produção de calor endógeno. Logicamente. diminuindo ou aumentando o efeito das altas ou das baixas temperaturas. o que leva a um abaixamento da temperatura corporal. significando isto que regra geral. leite e ovos) nessas condições. o que na prática se traduz num aumento da ingestão alimentar. implicando um aumento do dispêndio de energia para a conservação da temperatura corporal. devido ao aumento das perdas de calor que originam. A diminuição da velocidade do ar ajuda ao aumento do desconforto do animal. Em termos produtivos. um aumento da velocidade do ar funciona de maneira benéfica para os animais. através da evaporação. . dificultando deste modo um abaixamento da temperatura. não se torna rentável assumir os custos da manutenção de uma temperatura ambiental óptima. Velocidade do ar Um aumento de velocidade do ar a baixas temperaturas faz baixar a temperatura. para fazer face ao incremento de gasto energético. como a humidade relativa e a velocidade do ar. que interferem em conjunto. "o bom é inimigo do óptimo". Em qualquer das situações referidas a "performances" produtivas saem prejudicadas. ficando maior quantidade da energia ingerida para a produção. Humidade relativa Um aumento do teor de humidade relativa do ar faz diminuir a possibilidade de perdas por evaporação por parte dos animais. e em último caso ao "stress" térmico. Por outro lado existe uma série de relações entre distintos parâmetros. pelo aumento de produção experimentado pelos animais ao serem-lhe fornecidas as melhores condições ambientais.

sendo igualmente importantes a sua forma e o seu peso. dependendo este do tipo de pêlo. espessura. O pêlo dá certo grau de isolamento. maiores serão as perdas de calor. Quanto maior fôr a superfície corporal.28 Factores que influenciam as perdas de calor pelo animal .Sexo . . A razão entre a superfície corporal externa e o peso vivo aumenta quando o peso vivo diminui. A taxa de calor transmitido a partir de um corpo é proporcional à sua superfície corporal. aquela varia. comprimento. oferecendo desse modo várias resistências à passagem de calor. isto dentro da mesma raça. Os bovinos da espécie Bos indicus.Modo de vida . maior será a dissipação de calor quer sensível. inserção na pele. Quanto maior fôr a razão entre a superfície corporal e o peso de um animal. entre outras razões pôr terem muitas pregas na pele. etc. pele.Revestimento corporal e condutividade térmica No corpo de um animal a temperatura não é homogénea. possuindo uma superfície corporal superior em 12 % em relação aos da espécie Bos taurus e dissipando assim maior quantidade de calor. possuindo cada componente corporal uma determinada condutividade térmica. quer latente.Revestimento corporal e condutividade térmica.Condições climáticas .Balanço Hídrico . da qual depende em última análise a transferência de calor das zonas internas para a zona superficial. sendo maior nos animais mais pequenos. os quais perdem assim mais calor. pois que a nível do pêlo.Raça .Superfície corporal .Superfície corporal A medição tridimensional da superfície corporal permite estimar a produção e a dissipação de calor. sua orientação. do sangue. . rectal. e da relação entre a inserção . são mais resistentes ao calor. zona subsuperficial. do aparelho respiratório.

o animal perde facilmente calor sensível. Temperaturas desta ordem levam a uma diminuição da produção. é compensado pôr uma redução na produção de calor latente. quando a razão entre o calor sensível libertado e a quantidade de vapor libertado se mantém constante. A temperaturas ambientais superiores à temperatura corporal. : os pêlos longos diminuem a velocidade do ar e as perdas pôr convecção. Pôr outro lado a radiação solar é absorvida pela pele. favorecendo mais as perdas de calor latente que sensível. Ex. o movimento do ar favorece as perdas pôr convecção. A temperaturas elevadas há mais dificuldade em perder calor sensível. Nesta situação. o movimento do ar ao aumentar o transporte de calor do meio para o organismo. como resultado do incremento da velocidade das reacções químicas (efeito de Van Hoff). acelerando-se o ritmo cardíaco-respiratório e aumentando a perda de calor latente pela transpiração. relacionado com o consumo de água e as perdas de calor. Qualquer animal só conserva o seu estado sanitário e de produção.29 na pele. A humidade tem igualmente influência sob as perdas de calor a temperaturas elevadas. de acordo com a sua côr. . No entanto isto em termos de perda de calor total. Pelo contrário a baixas temperaturas do ambiente. havendo uma tendência da temperatura interna para aumentar. estando o vapor de água expirado. provocando por sua vez um aumento da produção de calor.Condições climáticas Dentro dos limites fisiológicos o aumento da temperatura tende a diminuir as perdas totais de calor. . tende a reduzir as perdas de calor. indo de 20% numa pele branca a 100% numa pele negra. Quando a temperatura ambiente se aproxima da temperatura crítica superior. . o comprimento e a densidade. motivada pelo facto de baixar o consumo alimentar.Balanço Hídrico A quantidade de água ingerida pelos animais depende também da temperatura ambiente. a perda de calor latente atinge o máximo.

Os outros factores que influenciam a produção de calor ao nível da conservação. Devido aos processos de mastigação e digestão o aproveitamento dos nutrientes faz-se sempre com uma eficiência inferior aos 100%. Abaixo da temperatura crítica inferior o aumento da produção de calor dá-se à custa da . O nível alimentar tem muita influência nas perdas de calor.Raça Tem muita influência no comportamento do animal em termos ambientais. também influenciam a produção de calor ao nível das despesas da produção. a produção de leite. necessita de ter um nível alimentar superior ao nível de manutenção. Qualquer animal para produzir. a gestação. em termos da produção de calor metabólico. havendo diferenças interrácicas muito significativas. é superior nos machos em relação às fêmeas e machos castrados. Entende-se por produção o crescimento e engorda. de lã. . sendo o que se verifica nos bovinos de carne em relação aos leiteiros.30 .Sexo O metabolismo basal e logo a produção de calor. é designado acção dinâmica específica dos alimentos. Interacção nutrição temperatura O nível de alimentação influência a temperatura corporal. O incremento de calor resultante da eficiência alimentar. da ordem dos 5-10%. sendo de 5% em bovinos e de 10% em coelhos. dependendo o seu grau de eficiência do tipo de produção. sendo este facto conhecido como incremento da actividade.Modo de vida O pastoreio aumenta as necessidades de manutenção em relação à estabulação fixa. pois a sobrealimentação aumenta a produção de calor e a subalimentação vai diminuí-la. de ovos e de trabalho. .

31 diminuição da energia disponível para a produção. A taxa de conversão do alimento em produto nesta situação desce.PASTOREIO E FORRAGENS A forma mais rentável e mais correcta de produzir carne ou leite. pois que maior quantidade de alimentos são utilizados na produção de calor. importando desde já fazer a distinção entre as duas : Pastagens . são conjuntos de plantas em geral herbáceas. traduz-se numa ampliação da zona termoneutral. a produção de calor aumenta proporcionalmente a uma taxa que é definida pelo tipo de alimento. que ocupam uma certa área e se destinam a ser comidas pelos . podendo comportar igualmente plantas subarbustivas ou arbustivas. É um facto que quando a ingestão de alimentos aumenta. o qual experimenta uma produção de calor dupla da obtida com a energia de manutenção. alimentado com uma dieta de energia quatro vezes maior que as necessidades de manutenção. numa tentativa por parte do animal de baixar a produção de calor e assim facilitar a perda de calor corporal. Este aumento da produção de calor é devida ao aumento das necessidades de manutenção e à consequente diminuição da eficiência de utilização da energia metabolizável para a produção. Este raciocínio é igualmente válido em situações de temperaturas elevadas. pôr abaixamento da temperatura crítica inferior.6. consiste na alimentação dos animais essencialmente à base de erva de qualidade.igualmente designada por prados./ . A erva pode ser proveniente de pastagens ou de forragens./ . ---------. Como exemplo cita-se o caso de um suíno de 30 kg de peso vivo./ . O incremento da produção de calor resultante de um nível de energia alimentar mais elevado. O factor nutricional mais importante na definição da temperatura crítica inferior é o nível energético alimentar. levando neste caso a uma diminuição voluntária do consumo de ração./ ---------- 1.

pelo menos temporáriamente. Pastagens espontâneas são consideradas todas as que crescem sem qualquer intervenção do homem. Podem no entanto ser cortadas em determinadas épocas do ano. constituindo fonte alimentar muito importante. quer após conservação sob a forma de feno ou de silagem. A diferença entre uma pastagem e uma forragem radica unicamente na forma como as plantas são utilizadas pelos animais. quer pelos dejectos dos animais apesar da sua distribuição não ser uniforme. servindo no entanto algumas espécies para ambos os fins. Eventualmente uma área de forragem pode ser pastoreada.igualmente designadas culturas forrageiras são plantas geralmente herbáceas destinadas ao corte. outras vantagens. quer após conservação sob a forma de feno ou de silagem. Existem espécies vegetais mais apropriadas para pastagens. quer no estado natural. mas por princípio uma forragem destina-se a ser cortada. para servir de alimento a animais que se encontram noutro local. o aumento da fertilidade dos solos. quer no estado natural.32 animais no local onde crescem. Forragens . de porte erecto e sub-erecto. possuindo composição florística e desenvolvimento inteiramente dependentes das condições de solo e clima. pelo aumento no teor de matéria orgânica provocado quer pelos componentes das plantas que ficam no solo. As pastagens possuem além da importância directa na alimentação animal. As pastagens podem ser espontâneas. com porte prostrado ou sub-prostrado. como a sua capacidade para defender os solos contra a erosão. . Por vezes são formadas por plantas ricas e abundantes. para serem consumidas pelo gado noutro local. pela protecção que as plantas oferecem ao embate directo das gotas de chuva e pela melhoria que as raízes provocam na estrutura do solo aumentando a resistência dos agregados terrosos à fragmentação pela chuva . melhoradas e semeadas e estas podem ser de sequeiro ou regadio. sendo mais resistentes ao pisoteio do gado e outras mais apropriadas para forragens.

. Uma ovelha adulta. o qual ao ser por esse meio incorporado no solo fica disponível também para as gramíneas. como o seu valor nutritivo.N.15 Cabeças Normais* por hectare e por vezes menos. As espécies vegetais a semear variam com as condições de solo e clima locais. Este artifício permite eliminar a necessidade de adubos azotados por parte das plantas. ou uma cabra adulta correspondem a 0. É no entanto vantajoso fazer adubações com adubos contendo fósforo. Pastagens semeadas como o próprio nome indica são todas as pastagens semeadas pelo homem.33 São também consideradas pastagens espontâneas as que crescem nos pousios das zonas cerealíferas. de fixar o azoto atmosférico. sofrendo deste modo um aumento da massa herbácea. podendo inclusivamente ter maior duração. pois as leguminosas possuem a capacidade como simbiontes. facto que aumenta tanto o volume da massa herbácea. permanecendo estas no terreno geralmente 7 a 10 anos. ou por permanentes se excedem este período. potássio e outros elementos como cálcio e magnésio. devendo sempre usar-se para a sua composição uma mistura de gramíneas (plantas ricas em hidratos de carbono e pobres em proteínas) e leguminosas (plantas ricas em proteínas e pobres em hidratos de carbono). * A Cabeça Normal é uma forma de calcular encabeçamentos. a produção de carne é sempre superior. . Este tipo de pastagem pode ser melhorado através de adubação. ou seja cerca de seis vezes menos que uma vaca. Um facto indesmentível é que numa pastagem em que as leguminosas dominem. sendo designadas por temporárias se ficam no terreno de 3 a 5 anos.15 C. no sentido de obter uma alimentação mais rica e equilibrada. permitindo o aumento directo da carga animal por hectare. não passando de 0. sendo 1 Cabeça Normal correspondente a uma vaca adulta. Pastagens melhoradas é a designação para as pastagens espontâneas que foram adubadas. A carga animal em pastagens deste género é baixa.

quando da rebentação das ervas. sendo a carga animal calculada de acordo com as potencialidades da pastagem. Pastoreio contínuo considera-se aquele em que o gado está na pastagem de modo permanente.entende-se como pastoreio o acto de pastar. melhoram de tal modo que a carga animal pode em certos casos. sofrendo as plantas um adormecimento nos meses frios de Dezembro e Janeiro e experimentando um rápido e intenso crescimento na Primavera. Os principais sistemas de pastoreio são : Pastoreio contínuo. Pastoreio . destinados a ser utilizados como suplementação nos períodos de carência de alimentos. tendo em conta as variedades botânicas existentes. até que as primeiras chuvas originem nova rebentação. No nosso clima o crescimento da erva é reduzido nos meses de Setembro a Novembro. seguido de um período de abundância em que os animais têm um excesso de alimentação. a época do ano. em períodos nos quais as suas necessidades alimentares não possam ser totalmente satisfeitas durante o pastoreio. pastoreio rotacional e pastoreio em faixas. atingir as 2 Cabeças Normais / ha. ou seja o deambular dos animais pelos campos em busca do alimento. Na esmagadora maioria das nossas explorações os animais pastam durante todo o ano. pois que ambas as situações levam à degradação da pastagem. voltando . As plantas que constituem esse excesso podem ser consumidas em seco no verão ou ainda cortadas e transformadas em feno ou silagem. devendo o pastoreio ser orientado de modo a que não seja excessivo nem insuficiente. devendo praticarse de uma forma racional. vivendo durante todo o ano do aproveitamento das ervas verdes durante o seu período vegetativo e da erva seca. O maneio das pastagens assume uma enorme importância. Temos assim um período de relativa escassez. o seu grau de desenvolvimento. além de outros factores. recebendo no entanto suplementos de ração ao fim do dia. pastoreio diferido.34 As condições em pastagens semeadas com tratamento correcto. Pastoreio deferido é caracterizado por se retirarem os animais da pastagem após a ocorrência das primeiras chuvas.

se poder guardar um cercado destinando-o à produção de feno ou silagem. Não é mais do que as plantas cortadas e enfardadas depois de alguns dias de secagem no campo na altura da Primavera. . A este tipo de pastoreio são apontados dois inconvenientes. secagem e posterior enfardação de plantas forrageiras ou eventualmente de plantas provenientes de pastagens. Assim temos: Feno . Consiste em fazer o gado passar sucessivamente de umas cercas a outras. Pastoreio rotacional é a forma mais racional de aproveitamento de uma pastagem. sendo destinado ao consumo em épocas de carência alimentar. de para ser praticado. que está de novo apta para ser consumida. Após terem sido anteriormente mencionados termos como feno e silagem. corporizados no facto de o gado ter de alimentar-se noutro local de forma mais dispendiosa durante o tempo em que não está na pastagem e a possibilidade de durante esse tempo. Pastoreio em faixas é um sistema intensivo em que se obrigam os animais a pastar intensivamente numa pequena parcela. importa esclarecer que são alimentos conservados de diferentes propriedades. para ser consumida nos períodos de fraco crescimento da erva. sendo a parcela em que os animais pastam. Este sistema apresenta como vantagem adicional o facto de em anos de boa produção de erva. geralmente o Outono e o Inverno. necessitar da presença de cercados. conservando-se devido ao seu baixo teor em água. mudando-os diariamente para outra. apresentando contudo o inconveniente. delimitada por cancelas ou mais modernamente por recurso a cercas eléctricas. a do primeiro experimentou um crescimento tal. as ervas infestantes livres da pressão do pastoreio.35 aqueles à pastagem algumas semanas depois.é o resultado do corte. de tal modo que quando termina a erva do último cercado. à medida que a erva vai sendo consumida. É um sistema utilizado vulgarmente em rebanhos leiteiros. experimentarem um incremento degradando a pastagem. seguindo na pastando até virem de novo as primeiras chuvas no fim do Verão.

quase sempre simples e baratos. Semiextensivo ou Semi-estabulação e Estabulação permanente.é o resultado da acção de microorganismos anaeróbios. Extensivo É um sistema de exploração que se confunde com o conceito de pastoreio extensivo. o que motiva o tipo utilizado é o sistema de exploração a que os animais estão sujeitos. com parque anterior os quais abrigam da chuva e dos ventos. podendo este ser de variados tipos. em que os animais andam todo o ano na pastagem. factor que só por si melhora bastante as condições de produção dos animais. o qual ao baixar o pH do meio até cerca 4. ---------.7./ ./ ---------1./ . Tal como o feno. obtidos com o recurso às mais avançadas técnicas de construção de alojamentos para animais. Extensivo./ . podendo recolher durante a noite ao curral. até barracões fechados. por acção de uma máquina específica no campo e imediatamente transportada para silos.Estabulação Este sistema é muito utilizado nos países frios do Norte da Europa. actua como agente conservante impedindo o desenvolvimento de outros tipos de microorganismos. Semi . durante o Inverno nas condições em que o solo se encontra totalmente coberto de neve.ESTABULAÇÃO E SISTEMAS DE EXPLORAÇÃO Quanto às instalações usadas para animais. a silagem destina-se a ser consumida preferencialmente no período de OutonoInverno. desde uma simples cerca em local abrigado dos ventos dominantes e com capacidade de escorrência de águas pluviais. Basicamente os sistemas de exploração são três. onde é fortemente compactada a fim de eliminar os espaços com ar e posteriormente completamente tapada.36 Silagem . A massa herbácea sofre uma fermentação anaeróbia. tendo . passando por telheiros fechados por três lados. que transforma os glúcidos das plantas em ácido láctico. aliado ao tipo de animal que estamos considerando. sobre a forragem finamente fragmentada.

que passam parte do dia dentro do estábulo e parte pastando erva de alta qualidade em parques próximos daquele. mas que simultâneamente necessitam de óptimas condições. e nas explorações intensivas. etc. Estabulação Permanente É o sistema utilizado nas explorações de engordas intensivas de animais jovens. que se situa geralmente numa posição central preferencialmente em relação aos parques para que os animais não necessitem andar muito. A exploração intensiva é certamente o sistema de produção que envolve maiores encargos económicos. As explorações intensivas visam a obtenção de altas produções. recebendo então a totalidade da sua alimentação no estábulo. . procura-se que os animais façam o mínimo de exercício. por vezes com condicionamento ambiental. situação que requer instalações caras e programas de maneio elaborados. Outra situação é a de rebanhos leiteiros de alta produção. que só se conseguem obter na prática com o recurso a mão-de-obra especializada. para que gastem o mínimo de energia possível e assim experimentarem um máximo de aumento de peso. Nas instalações de engorda intensiva. alimentação e água distribuídas automaticamente. sendo para o efeito utilizados animais de grandes capacidades produtivas. do qual só saem quando a neve desaparecer. e que por essa razão envolve mais riscos.37 os animais que ficar confinados.

factos que fizeram desta espécie um aliado até aos nossos dias. 1991). pensando-se que remonta a 9000 a. grande rusticidade e facilidade de deslocação. 1983). O centro original de domesticação desta espécie. tendo-se posteriormente dispersado para a zona hoje ocupada pelo Irão. O culto Muçulmano tem estes animais em grande conta. aliando a estas potencialidades um temperamento dócil.C. traduzidas em peles.ORIGEM E HISTÓRIA Os ovinos pertencem à Família Bovidae. O Cristianismo honra também esta espécie. 2. sendo no entanto mais importantes nas áreas que ladeiam o Mediterrâneo. colocando-o até ao lado de S. 1980). lã. nomeadamente no Sul de França e na Itália.2. Os ovinos domésticos têm a sua origem em três grupos de ovinos. Contam-se entre os primeiros animais a serem domesticados pelo Homem. o muflão da Ásia Menor ou urial (Ovis urial) e o argali (Ovis arcal) (Avó. Em vastas regiões da Europa encontram-se antigos vestígios de ovinos. Ásia Menor e daqui para a África e Europa (Williamson e Payne. Género Ovis e Espécie aries. como símbolo da inocência. A importância dos ovinos provém das utilidades que a espécie proporciona ao Homem desde tempos imemoriais. 1983). tanto quanto hoje se sabe. A atestar este facto temos os relatos de sacrifícios e oferendas feitas aos deuses da mitologia da Antiguidade Clássica. leite e carne. podendo deste modo acompanhar o Homem nas frequentes mudanças em busca de melhores condições de vida ou fugindo dos seus inimigos. o muflão europeu (Ovis aries musimon).NOÇÕES DE PRODUÇÃO DE OVINOS 2. Documentos históricos da mais remota antiguidade dão-nos ideia da importância que esta espécie teve na vida dos povos e do lugar que ocupavam. a sua domesticação. As estimativas da população mundial de ovinos rondam o bilião de animais (FAO. logo a seguir à domesticação dos cães (Williamson e Payne. parece estar situado nas estepes entre os mares Aral e Cáspio. 1980).38 2. Subfamília Ovidae.1. inclusivamente nas confissões religiosas. para o subcontinente Indiano e Sudeste da Ásia. João Baptista. pois foi em escápulas de carneiro que Maomé escreveu o Alcorão (Avó.CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS DA ESPÉCIE .

bolota e inclusivamente azeitona em períodos de escassez alimentar.39 2. Apesar de . A principal vantagem dos ovinos reside assim na sua capacidade de utilização das pastagens para a produção de carne. constituindo a pastagem o factor económico mais importante da sua exploração.COMPORTAMENTO ALIMENTAR Os alimentos habituais dos ovinos. Está igualmente desaconselhado em ovelhas aleitantes. nas terras de fraca fertilidade que de outro modo não teriam qualquer utilidade para fins agrícolas. pelas características negativas que este alimento confere ao leite. quer em regiões montanhosas. Têm um comportamento alimentar selectivo. arbustos. farinhas ou cereais. restolhos de girassol.2. como repiso da indústria do tomate. estes animais não desdenham rama de árvores. O consumo de silagens em ovelhas leiteiras em produção. O principal papel do gado ovino consiste portanto na utilização de pastagens. tal como aproveitam durante o verão os restos das colheitas de cereais que ficam no terreno. mais apropriados e económicos são as ervas pastadas directamente. pois estes animais utilizam toda a vegetação espontânea ou semeada e todos os restos de culturas de cereais ou legumes. leite e lã. silagens. quer nas terras de planície onde aproveitam as ervas que nascem nos pousios das terras aráveis. sendo subsequentemente o principal objectivo de uma ovinicultura eficiente. Os ovinos são ruminantes cujo comportamento alimentar é caracterizado pela marcada preferência por erva baixa (sendo por este facto designados por "grazers"). enquanto os borregos estão na fase de pré-ruminante.1. existindo ainda algumas que nunca são ingeridas a não ser em casos extremos de escassez de alimento. sendo portanto o consumo de silagem letal para eles. estes comportam-se como monogástricos. o que não impede que sempre que necessário se recorra a suplementação com fenos. pois em termos digestivos. a qual ingerem depois de a cortarem com um movimento brusco da cabeça para cima e para a frente. etc. a obtenção do maior rendimento possível das pastagens. preferindo determinadas espécies herbáceas em detrimento de outras. bagaço de uva . bem como subprodutos de indústrias ou culturas várias. Apesar desta preferência pela erva. está desaconselhado.

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selectivos são-no muito menos do que os caprinos, o que por conseguinte os torna mais aptos para um melhor aproveitamento de pastagens à base de plantas herbáceas. As 24 horas do dia, grosso modo, são passadas 9-11 horas a pastar, 8-10 horas a ruminar e as horas remanescentes a descansar, isto em condições de alimento abundante, alterando-se estas proporções sempre que se alterem as condições de disponibilidade alimentar. 2.2.2- CARACTERÍSTICAS REPRODUTIVAS Puberdade Os ovinos atingem a puberdade cerca dos 7-8 meses nos machos e entre os 5 e os 7 meses nas fêmeas, havendo variabilidade quanto a este evento entre raças e dentro da mesma raça, podendo ser condicionado o seu aparecimento pelo clima, estação reprodutiva e efeitos da nutrição, condicionando esta o início da puberdade, sobretudo pelo peso vivo e pela condição corporal, esta designada amiúde por "estado de carnes". Esta situação nas fêmeas, corresponde na prática e para este fim em boas condições de nutrição, a uma percentagem entre 40 a 60% do peso vivo adulto da raça, sendo esta condição considerada imprescindível para que se verifique a passagem ao estado fértil. Na prática corrente encara-se a percentagem de 65% do peso vivo adulto, como o peso considerado correcto, para que se inicie a reprodução de modo efectivo e viável. Estacionalidade reprodutiva As fêmeas dos ovinos domésticos são poliéstricas de ovulação espontânea, apresentando vários ciclos éstricos consecutivos ao longo da estação reprodutiva, com duração média igual a 16,5 dias, tendo os cios a duração de 24 a 36 horas. São considerados animais de "fotoperiodismo negativo", o que significa que entram em cio quando as condições de luminosidade diária começam a diminuir, ou seja no fim do Verão / início do Outono. As raças de ovinos originárias das regiões mais frias do hemisfério Norte apresentam estacionalidade sexual bem marcada, facto que tem uma simples explicação em termos puramente biológicos, já que os borregos vão nascer durante

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a Primavera, com muito maiores probabilidades de sobrevivência comparadas com as que teriam se o nascimento se desse no fim do Verão / início do Outono. Existe no entanto um grupo de raças ovinas que não apresentam estacionalidade sexual bem marcada, as quais são todas originárias das regiões marginais do Mediterrâneo, onde as condições climáticas são mais amenas, facultando aos recém nascidos condições de sobrevivência durante quase todo o ano. Nas raças deste grupo, uma grande parte das fêmeas pode entrar em cio sob certas condições, no período em que os dias têm maior duração e por consequência se verificam condições de luminosidade crescentes. Um determinante factor para que o efeito referido se verifique, consiste na utilização do fenómeno designado por "Efeito macho" ou "Efeito carneiro", que não é mais do que a reintrodução na Primavera dos machos no rebanho das fêmeas após um período de alguns meses de ausência, nos quais permanecem o mais separados possível das fêmeas. A presença dos machos e seu cheiro provoca em grande parte das ovelhas o aparecimento de cios e a consequente entrada em estação reprodutiva. Este artifício é utilizado em muitas das regiões onde existem raças com estacionalidade sexual mal marcada, para iniciar os cios na Primavera e condicionar os nascimentos dos borregos no período de Setembro a Novembro. Nesta situação, normalmente o primeiro cio é anovulatório e portanto infértil, mas o segundo cio é já um cio com ovulação, logo fértil e portanto passível de dar origem a uma gestação se fôr efectuada cópula viável. A este grupo de raças ovinas possuindo estacionalidade mal marcada os Merinos, Karakul e os Persas de cabeça negra, entre outros. Os machos da espécie ovina, apresentam produção de espermatzóides durante todo o ano, ainda que se verifique em algumas raças uma certa inactividade das gónadas durante o período estival. No entanto o ardor sexual dos machos é mais evidente no fim do Verão / início do Outono, o que não é de estranhar dado que as altas temperaturas influenciam negativamente a produção de sémen, devido à temperatura óptima do interior do testículo ser de 36 ºC enquanto que a temperatura corporal é de 38-39 ºC.

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Gestação A gestação nos ovinos tem a duração média de 5 meses, sendo a sua duração tanto menor quanto maior o número de fetos. As fêmeas dos ovinos são monotocas, sendo no entanto comuns os partos gemelares, experimentando o número de fetos importantes variações interrácicas e interindividuais dentro da mesma raça. Apesar destas diferenças, os partos são normalmente simples na maioria das raças, mas, mesmo nas raças menos prolíficas é frequente a ocorrência de partos múltiplos. Podemos assim dizer que o número de fetos é mais influenciado pela raça que pela a espécie em si. Sistemas de Reprodução A reprodução dos ovinos pode fazer-se em sistema de monta natural, nas suas diversas variantes, ou por recurso à inseminação artificial. Nos sistemas extensivos de produção de carne é normalmente utilizada a monta natural, em de liberdade. Quando se trabalha com raças puras para a obtenção de reprodutores, é muitas vezes utilizada a monta natural condicionada em lotes ou à mão. Nos sistemas de produção de leite em grandes efectivos utiliza-se preferencialmente a inseminação natural. 2.2.3- PRODUÇÃO DE CARNE, LEITE E LÃ Os ovinos podem ser explorados para a produção de carne, leite e lã.

2.2.3.1- PRODUÇÃO DE CARNE A produção de carne de ovinos em Portugal é mais ou menos equivalente ao consumo ou ligeiramente deficitário. O mercado destes animais é no entanto e actualmente complexo sobretudo no Sul do País, região em que é corrente a exportação de borregos para Espanha, França e menos correntemente Itália destinados à engorda. Dos animais exportados para Espanha, uma parte deles retorna ao nosso País após o período da engorda, in vivo destinados ao abate ou em carcaça. Verifica-se igualmente a importação de carcaças de ovino refrigeradas, provenientes da República da Irlanda e da Nova Zelândia, as quais são vendidas a

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preços muito competitivos, sendo no entanto preteridas pelos consumidores, devido às suas características sobretudo de gordura. Os ovinos para abate são apresentados ao consumidor no nosso País sob três tipos principais : - Borrego de leite com idade entre 1 e 2 meses e peso de inferior a 12 kg de carcaça - Borrego de pasto com idade entre 4 e 6 meses e peso superior a 12 kg de carcaça - Animais adultos de refugo com idade variável e um peso superior a 18 kg de carcaça O borrego de leite é um produto com tradição nas regiões em que os ovinos são explorados na sua vocação leiteira, sendo precocemente desmamados, para a utilização integral do leite para a confecção de queijo. Tem na Serra da Estrela e regiões limítrofes a designação de "anho". O borrego de pasto é o borrego tradicional de toda a zona Sul de Portugal, em que as raças e as condições climáticas não permitem senão de modo reduzido a exploração do leite, efectuada após o desmame. As épocas de maior consumo de borrego de pasto coincidem com o Natal e a Páscoa. Os animais de refugo são todos os adultos que ou por terem terminado a sua vida útil produtiva por idade, transtornos reprodutivos ou produtivos (caso das ovelhas leiteiras que tiveram mamites irreversíveis), são destinados ao abate. As carcaças de ovinos são apresentadas sem cabeça e inteiras segundo normativa Comunitária. A sua classificação é efectuada de acordo com duas grelhas, uma de utilização geral no âmbito da Comunidade Europeia, utilizada para as raças estrangeiras e seus cruzamentos com as raças autóctones e outra de aparecimento bastante posterior à primeira, de utilização somente nas carcaças dos animais de raças autóctones mediterrânicas. Ambas as grelhas classificativas, baseiam os seus critérios de avaliação na conformação da carcaça, na gordura de cobertura e na gordura cavitária ou interna,

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sendo no entanto as carcaças dos dois tipos de animais, classificadas de modo diferencial por cada uma das Grelhas de Classificação. Esta dualidade de critérios é justificada pelas diferenças verificadas nas carcaças dos dois tipos de animais, saindo sempre prejudicadas as carcaças de animais das raça autóctones quando comparadas com as carcaças dos animais de raças mais seleccionadas e seus híbridos, devido à melhor conformação e possuindo maior deposição de gordura, quer de cobertura, quer cavitária.

A carne de ovino não é utilizada na confecção de produtos industriais, se exceptuarmos um ou outro prato regional em conserva, como o caso do borrego com ervilhas, tendo contudo uma importância insignificante no cômputo do consumo nacional. Pelo contrário o intestino delgado dos ovinos, tem grande aplicação na indústria salsicheira de carácter não artesanal, para a confecção de diferentes tipos de chouriços e linguiças industriais e igualmente nas salsichas frescas. 2.2.3.2- PRODUÇÃO DE LEITE A produção de leite é uma das mais valiosas dos ovinos atingindo na actualidade este produto, preços da ordem dos 230$00 a 250$00 por litro, constituindo um factor de uma grande importância na economia de determinadas regiões e apesar de actualmente não estar contabilizado, sabe-se que atingiu o número de 42,6 milhões de litros em 1979 (FAO, 1991). O leite de ovelha representa uma grande contribuição para a economia e alimentação dos povos da bacia do Mediterrâneo, tendo no entanto uma importância insignificante em outras regiões do Mundo. O leite de ovelha tem características de sabor e conteúdo em matéria gorda, que o distinguem do leite das outras fêmeas domésticas com destino à alimentação humana, sendo canalizado de modo exclusivo para a produção de queijo, produto em cuja transformação atinge o mais alto rendimento económico. Este facto deve-se às elevadas percentagens de gordura e proteína, o que origina um alto teor de resíduo seco, permitindo fazer um quilograma de queijo com 1,5 a 2 meses de cura com 5 a 6 litros de leite.

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Em termos médios a composição do leite de ovelha é a seguinte: Água Matéria gorda Lactose Proteína Sais minerais Densidade a 15 ºC 80,8 % 7,7 % 4,4 % 6,0 % 0,9 % 1,038
(Adaptado de Sá e Barbosa, 1990)

A produção de leite é em alguns casos como na Serra da Estrela e em Azeitão o motivo principal da criação de ovinos, pelo que os borregos são considerados nestas regiões como um subproduto e desmamados precocemente, sendo então consumidos como borregos de leite ou sujeitos a aleitamento artificial, seguido de acabamento intensivo. Actualmente assiste-se a um incremento de efectivos leiteiros, em regiões de grande tradição no fabrico artesanal de queijo de ovelha, como a região de Serpa, onde já são frequentes explorações de ovelhas francesas da raça Lacaune, muito produtivas e de tetos bem adaptados morfologicamente à ordenha mecânica. Regista-se deste modo, a uma gradual substituição de efectivos de raças autóctones, tradicionalmente exploradas em produção mista carne / leite, sendo este somente recolhido depois do desmame tardio tradicional do Alentejo. Esta substituição das raças autóctones por raças estrangeiras de vocação leiteira, deve-se a dois factores, a maior produtividade destas e a impossibilidade de continuar a explorar as raças tradicionais nas vertentes carne e leite, por imposição Comunitária, facto que se prende com a atribuição de Ajudas Compensatórias à Perda de Rendimento, muito maiores na produção de carne, sendo quase irrisórias, se é efectuado o aproveitamento do leite, no período pós-desmame. Assim, estamos perante uma substituição de efectivos, por uma causa exógena ao próprio sistema de produção. A ordenha das ovelhas pode fazer-se manual ou mecanicamente, sendo até um passado recente, a modalidade manual a mais utilizada na esmagadora maioria das explorações. Hoje, pelas razões expostas, são muito poucas as explorações que a praticam.

As salas de ordenha para ovelhas. se por um lado tem imensas vantagens quanto à redução do custo de mão-de-obra. Além da perda de qualidade do leite. por outro lado é bastante caro e só se justifica economicamente para efectivos numerosos. já que os animais a produzem seja qual fôr a sua . a que cada vez mais rebanhos não especializados na produção de leite. O sistema de ordenha mecânica. quer pelo preço elevado que as ovelhas de raças especializadas na produção de leite atingem. Devido ao facto de nem todas as ovelhas terem igual produção. sendo antes uma produção acessória. para justificar economicamente. não é a mais adequada a este tipo de ordenha. ou seja lugares de ordenha. quer pelo preço do leite. 2. conforme comportem 24 ou 72 pesebres.PRODUÇÃO DE LÃ A produção de lã não pode considerar-se uma produção autónoma.46 A ordenha manual. sendo usual considerar o número mínimo de 150 ovelhas leiteiras. pela frequente ocorrência de mamites. como são os rebanhos de raças autóctones. está igualmente a levar. aliado ao facto de ser um trabalho especializado. dando um rendimento de 180432 ovelhas ordenhadas por hora.3.2. 13). mau grado o preço elevado do leite. pela ocorrência neste dos microorganismos provenientes das infecções. sendo de 40 a 50 o número de ovelhas ordenhadas por um homem por hora. sendo assim o leite integralmente aproveitado pelos borregos. representa uma forte perda económica. regista-se ainda a perda parcial ou total do animal como produtor de leite nessa lactação ou para toda a vida. Este facto representa um acréscimo adicional de problemas de patologia da glândula mamária. isto é de uma ou duas filas de animais. há o perigo real de danos nos tetos. especialmente de raças não leiteiras. logo raro na realidade agro-pecuária alentejana. o que a todos os níveis. tendo como consequência uma diminuição da higiene microbiológica do leite. podem compor-se de uma ou duas linhas (ver fig. por traumatismo causado pela sucção em seco. Também a conformação do úbere de algumas ovelhas. Por outro lado o custo da mão-de-obra cada vez mais elevado. não sejam ordenhados. tem a desvantagem de ser um trabalho árduo e demorado.3. com cada ovelha a dar por vezes menos de um decilitro de leite por ordenha. uma instalação deste tipo. e a máquina exercer um sucção contínua.

hoje quase não passa de um incómodo. os quais dão origem respectivamente às fibras lanares primárias de maior diâmetro e meduladas e às fibras lanares secundárias. O velo é um conjunto de fibras lanares de dois tipos : as primárias e as secundárias. levando no entanto a que em certas ocasiões. os quais não possuem qualidades têxteis. ficando temporariamente os animais com o aspecto insólito de ovinos com "pele de porco". a resistência e elasticidade. origina um lucro insignificante. nem admitem serem tingidos. o frisado. não cobrir os encargos da tosquia. Esta haste que constitui a porção têxtil. é revestida de escamas sobrepostas que lhe dão um aspecto rugoso. pois a sua presença desvaloriza o "velo". os quais pura e simplesmente ocasionam a queda da lã. O corpo dos ovinos é recoberto por uma camada de lã que no seu conjunto tem o nome de "velo" e cuja função é proteger o animal das variações de temperatura e de outros elementos climáticos a que o mesmo está sujeito. esta fique espalhada pelos terrenos. conferindo à lã as qualidades têxteis que permitem a fabricação de fios. produzidas pelos folículos primários e secundários existentes no interior da pele dos animais. dado que a sua obtenção se não ocasiona prejuízo. Têm sido estudados métodos que evitem a tosquia. com os quais se fabricam os tecidos. No velo existem ainda outros filamentos que são os pêlos. mais finas. A presença das fibras primárias meduladas constitui um factor de desvalorização do velo. Externamente as fibras lanares estão cobertas de uma substância gordurosa designada "suarda". nomeadamente com recurso a fármacos. que será tanto pior quanto menor fôr a proporção entre fibras secundárias e fibras primárias. Esta operação no entanto torna-se indispensável pelos prejuízos advindos aos animais pela sua não realização. As lãs caracterizam-se por vários elementos classificativos entre os quais se destacam a finura. Cada fibra compõe-se de uma raiz e de uma haste. o toque e . resultante das secreções das glândulas sudoríparas e sebáceas conferindo à lã maior ou menor maciez e impermeabilizando-a ao mesmo tempo. caracterizados pela ausência de ondulações e crescimento descontínuo. sendo num velo merino de 1520 / 1 e num velo cruzado de 2-8 / 1. devido ao facto de o produto da sua venda na generalidade dos casos. pelo que têm que ser eliminados antes da fiação. Se no passado ela representava uma riqueza para o agricultor. o comprimento.47 aptidão.

o mesmo acontecendo com a lã da parte traseira do animal designada por "rabejas". designadas na gíria por "apartes". prima. Deve dizer-se em abono da verdade que esta regra não é sempre seguida. estando estas mais difundidas devido ao maior rendimento que possibilitam. churra super e churra ordinária para as lãs churras. que preferem a carne bovina e também que este país tem uma muito baixa densidade populacional. média e forte para as lãs merinas . não se faça produção de carne. mas de forma principal é a finura que determina a classificação das lãs. Tosquia . sendo hoje efectuada com o recurso a máquinas de tosquiar mecânicas ou eléctricas. lustrosa. mais um factor de desvalorização da lã produzida no nosso País. A lã proveniente das cabeças e barrigas. cruzadas (com espessuras compreendidas entre os 25 e 36 microns) e churras (com diâmetros superiores a 30. fina. Os velos após a tosquia devem ser enrolados e libertados de todos as porções que mostrem defeitos. levando a fermentações microbianas no velo.A Austrália é o maior produtor e exportador mundial de lã. daí resultando desvalorização das fibras lanares. cruzada fina. 50 ou mais microns). na Austrália criam-se animais exclusivamente para a produção de lã. devido a estar conspurcada com fezes e urina. bem como de todos os corpos estranhos.48 a côr. como as extra.era feita no passado à tesoura. Isto não significa que neste país. pelo que constitui como se disse. que possui o maior rebanho ovino do Mundo. mas esta tem uma ínfima importância no âmbito da sua produção ovina total. Apesar de a situação do nosso país em relação à lã ser caótica e esta pouco valorizada. que entre nós se classificam em merinas (com espessuras compreendidas entre 12 e 27 microns). temos vários factos : . em parte pela deficiente homogeneidade dos lotes devido à sua elaboração e pela baixa qualidade de uma grande parte da produção. para as lãs cruzadas . não deve ser incluída no velo pois vai desvalorizá-lo. enquanto que a carne de ovino não é bem aceite na generalidade dos consumidores australianos. como palhas etc. devendo ser armazenada à parte. Cada uma destas divisões comporta ainda algumas subdivisões. . Como explicação sumária desta afirmação. média e comum.

a carne de muitos milhares de ovinos produzidos na Nova Zelândia. apareceu a determinada altura um animal mutante. Assim e via Inglaterra.Carneiro Merino Booroola . apesar da Inglaterra fazer parte da Comunidade Europeia. tem também um grande rebanho ovino mas mais virado para a produção de carne. apesar da maior corpulência e do maior metabolismo basal deste. cobertas de folículos produtores de fibras lanares. acaba na mesa de muitos consumidores da Comunidade Europeia Estes factos têm como consequência uma falta de procura para a carne do borrego australiano. Acrescentando a isto. se obtém um maior encabeçamento e logicamente maior produção de lã por hectare. Fig 2 . que exporta preferencialmente para a Inglaterra ao abrigo de acordos da "Commonwealth". devido às maiores necessidades das fêmeas durante a gestação e amamentação. que uma fêmea tem maiores necessidades alimentares anuais que um macho. É do conhecimento geral. poderiam não ser considerados especializados na produção de lã. apresentando numerosas pregas cutâneas. o qual não é mais que um carneiro com uma pele "grande de mais para o corpo".49 . Como resultado dessa selecção. é em maior quantidade e de melhor qualidade que a produzida pelas fêmeas e pelos machos inteiros. A Austrália tem assim numerosos rebanhos de carneiros castrados. que foi designado por "Booroola". é fácil deduzir que utilizando machos castrados especializados na produção de lã. que vivem no limiar da fome (mas sempre produzindo lã).A Nova Zelândia país vizinho da Austrália. seleccionados cuidadosamente para a produção de lã em solo Australiano. rebanhos esses que só com muito boa vontade. que a lã produzida pelos machos castrados. pois são constituídos por animais de etnia merina.

com os cornos em espiral. permitiu um aumento da produção de lã por expansão da superfície cutânea. A fase selectiva constitui a etapa principal da génese do "Merino". Não se sabe ao certo o local onde se deu a mutação. 2. trabalhando a tempo inteiro. por profissionais altamente credenciados. A génese do "Merino". A selecção de animais efectuada pela conservação de fibras ameduladas. com fibras meduladas externas e fibras internas ameduladas.C. correspondendo à necessidade de manter os efeitos mutantes. pigmentada. conduzem à situação indesmentível. o Ovis aries vigney.. mas sim um conjunto de raças. tendo participado na formação de várias raças em inúmeros países. desde a Antiguidade e que foi posteriormente. devido à formação de rugas em consequência da falta de folículos primários. que teve segundo alguns autores. acentuá-los e perpetuá-los. a Península Ibérica é indiscutivelmente a zona onde se deu esta fase selectiva. parece ter sido iniciado com os Tartesos de 1000-500 a. encontra-se nas relações ancestrais com a primitiva forma domesticada. selectiva e de cruzamento.O TRONCO MERINO O "Tronco Merino" não é uma raça. A formação do "Merino" consta de três etapas: mutacional. origem numa etnia formada em Espanha. Este processo de selecção. quer em termos de preço. de que a lã australiana não tenha concorrente à altura a nível mundial. e continuado pelos Turdetanos de 500-200 a. tornando-os compatíveis com as exigências da produção ovina. a partir de ovinos originários do Leste e do Sul do contorno do Mediterrâneo.3. na constituição de lotes e partidas de lã. Segundo os peritos nesta matéria. . situando-a nas margens do Mar Morto a tese mais difundida. englobadas sob a designação de "Tronco Merino". A fase mutacional consistiu na perda do estrato externo piloso e a conservação do estrato interno lanoso.50 Todos estes factos aliados ao cuidado posto. medulado o que deu origem a uma lã isenta de pêlo. quer em termos de qualidade. estando hoje todas as raças ovinas com sangue "Merino" no seu conjunto. já nos nossos dias exportada para todo o mundo. trazidos pelos Fenícios e pelos Cartagineses.C. aproveitada zootecnicamente.

sendo aceite que o nome desta etnia derivado do nome daquela tribo. os quais viajaram a pé desde Segóvia em Espanha. após séculos de sistemática eliminação destes exemplares. Estes animais eram explorados em grandes rebanhos em regime de transumância (possuindo por vezes 80 000 cabeças ou mais). entrado quer por simples selecção.51 A fase de cruzamento perseguiu o objectivo da côr branca. dado a lã branca poder ser tingida enquanto que a lã de côr preta não pode. qualidade esta transmitida aos filhos inclusive em cruzamento com outras raças. podendo desenvolver cios na Primavera com o recurso ao "efeito macho". No entanto só no séc. Certo é que na Idade Média já se exportava lã de Espanha para toda a Europa. Este facto permite nas nossas regiões vender borregos pelo Natal (os quais nascem em Setembro / Outubro sendo altamente valorizados economicamente nesta altura). pertencentes a grandes senhores ou a comunidades. permitindo deste modo a ordenha posterior no período de maior existência de erva verde de alto valor nutritivo. pela tribo Muçulmana dos Beri-Merines que passou do Magreb para Espanha no período dos Almohades. até Rambouillet. O estado residual do factor pigmentado no genótipo Merino. Quanto aos aspectos reprodutivos os animais de etnia Merina possuem "estacionalidade sexual mal marcada". dado que se as ovelhas do Alentejo "respeitassem" o "fotoperiodismo negativo" somente fariam cios em Outubro/Novembro (o que . É graças a esta qualidade dos animais de etnia Merina que existe o famoso "Queijo Serpa". XII houve introdução de ovinos provenientes do Norte de África. Segundo alguns autores. perto de Orléans. na constituição de inúmeras raças que fazem parte do "Tronco Merino". tendo esta origem nos animais de raça Merina. determina actualmente ainda nascimentos de borregos pretos. quer por cruzamento com raças locais. Durante muito tempo os Merinos permaneceram confinados à Península Ibérica. havendo sanções Reais para quem vendesse animais desta raça para o estrangeiro. XVIII os Merinos começaram a invadir a Europa tendo. XVII e no seguimento da política mercantilista de Colbert. mais tarde no início do séc. que saíram os primeiros exemplares Merinos de Espanha. que se dedicavam a desenvolver e seleccionar as qualidades naturais destes ovinos rústicos e que se aclimatam facilmente em muitas regiões pobres e secas. que consiste em não possuírem "fotoperiodismo negativo" estrito. Foi somente no séc.

"Badano". possuem côr branca e caracterizam-se pela grande extensão do velo e pela boa qualidade da lã.52 acontece com muitas fêmeas nulíparas). os membros até quase às unhas e os testículos. por outros tipos da etnia merina. todo o pescoço.os animais desta raça ocupam uma grande parte das províncias do Alentejo. "Saloia" e "Campaniça". recobrindo a cabeça. possuindo um velo extenso e tochado com madeixas cilíndricas ou quadradas. Bordaleiros . "Serra da Estrela". Devido à sua importância relativa somente nos ocuparemos das raças "Merino Branco".4. "Mondegueiro". regularmente homogéneo. 2. . "Merino Preto". ascendendo a perto de meio milhão de cabeças. O Merino Branco actual é o resultado das acções exercidas sobre as primitivas populações ovinas que povoavam o Sul do país. pois em Maio acaba a erva cessando a produção de leite. não havendo desse modo tempo suficiente para produzir leite. seleccionados em Espanha e França e introduzidos por cruzamento.MERINO BRANCO .RAÇAS OVINAS PORTUGUESAS São três os grupos étnicos de ovinos portugueses : Merinos . "Merino Branco" e "Merino Preto". o ventre. Ribatejo e Estremadura. "Churra do Campo".engloba as raças "Entre Douro e Minho". 2.1. devido a que não poderiam ser ordenhadas mais que um mês. "Serra da Estrela". no sentido de melhorar a qualidade da lã e a precocidade da raça. "Saloia" e "Campaniça". São animais eumétricos e mediolíneos. e "Churra Algarvia". Churras .engloba as raças "Merino da Beira Baixa". Compreendem aproximadamente metade do efectivo ovino nacional. classificada de "merino extra" a "merino forte".4.engloba as raças "Galego Bragançano". sendo os borregos desmamados pela Páscoa. "Galego Mirandês".

As fêmeas desta raça não têm estacionalidade sexual bem marcada. As ovelhas que apresentem estes cornos residuais. de quando em vez. dado tratar-se de manifestações de genes de outras etnias. mesmo que filhas de pais registados no Livro Genealógico da Raça. Podem porém encontrar-se nos nossos rebanhos de Merino Branco. enquanto que nas fêmeas eles estão sempre ausentes. pelo que podem ser utilizadas em regimes reprodutivos diversos. característica que lhes permite suportar as difíceis condições de grande amplitude térmica e a fraca e irregular distribuição das chuvas próprias da sua região de origem. sendo por isso designadas de "cornichas". ovelhas que apresentem estes cornos residuais. ocorrer cornos residuais.53 Nos machos podem ocorrer ou não cornos.5-4 kg . com 500 a 1000 cabeças. demonstrativos de antigos cruzamentos. Fig 3 . Podem contudo em algumas poucas fêmeas de fenótipo merino. facto que só por si é desclassificativo.Ovelha da Raça Merino Branco Rebanho da Raça Merino Branco Os animais desta raça possuem grande rusticidade. Os rebanhos desta raça. factores que comprometem a sua alimentação durante grande parte do ano. sendo exploradas na grande maioria dos casos. em regime extensivo com pastoreio permanente. não são admitidas para registo nesse Livro. registados no Livro Genealógico da Raça Merino Branco. Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento 18-20 meses 80-85 % 110-115 % 3. são actualmente de dimensão média a grande.

2.54 Peso aos 120 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite Peso do velo :machos fêmeas 25-30 kg 80-85 kg 45-60 kg 20-25 l durante 90-100 dias 4.2.5-5 kg 2. Actualmente poucos são os efectivos desta raça sujeito a ordenha.5-2. . Contudo.esta raça possui características morfológicas e funcionais idênticas às do Merino Branco. constituindo o fenótipo branco uma mutação que devido ao facto de a sua lã poder ser tingida. foi sendo preferido até chegar a constituir a quase totalidade do efectivo merino.MERINO PRETO . enquanto que nas fêmeas eles estão sempre ausentes.8 kg Por fertilidade entende-se a razão entre o número de fêmeas paridas e o número de fêmeas presentes à cobrição. Grande parte do leite destes efectivos. na pigmentação da pele e lã. sendo o restante canalizado para a produção de queijos pequenos. A prolificidade é a razão entre o número de crias nascidas e o número de fêmeas paridas. residindo a principal diferença entre ambos. Tem uma maior rusticidade e maior resistência às doenças que o merino branco. actualmente o merino preto possui menor corpulência que o seu congénere branco. As fêmeas desta raça eram no passado. a qual igualmente classificada de "merino extra" a "merino forte". tradicionais em todo o Alentejo. era utilizado no fabrico do famoso "Queijo Serpa". Recorde-se que no passado remoto todos os merinos eram pretos. sujeitas a ordenha depois de terem amamentado os seus borregos borrego durante 4 a 5 meses. Igualmente nesta raça os machos podem ou não possuir cornos.4. facto a que certamente não é alheia a ausência de influências de tipos mais pesados e ainda por ser mantido em zonas menos favorecidas.

.5 kg 2.3.5 kg As características da lã são muito similares às da lã do merino branco. 4 – Rebanho da Raça Merino Preto Carneiro da Raça Merino Preto Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 120 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite Peso do velo :machos fêmeas 20-22 meses 80-85 % 110-120 % 3-4 kg 20-25 kg 70-80 kg 40-50 kg 20-25 l durante 90-100 dias 4. Mértola. Castro Verde. onde mais se concentra. e hoje em dia o seu preço está uniformizado. Analogamente ao que acontecia com o Merino Branco. e Almodôvar. de pequena estatura e de modestas produções.CAMPANIÇA – o nome desta raça foi originado no nome da região do Campo Branco. sendo por esse motivo o gado Campaniço. 2. no distrito de Beja. é após o desmame do borrego e grande parte do seu leite era utilizado no fabrico dos queijos tradicionais e de "Queijo Serpa". é caracterizada por vastas áreas de terrenos pobres e de clima muito seco. também a produção de leite referida. Esta região que compreende os concelhos de Ourique.55 Fig. pouco favorável à agricultura e à abundância de pastagens.4.

Nesta raça só os machos possuem cornos. só não cobrindo a cabeça e as extremidades dos membros. sobretudo no Sotavento. Fig. Castro Verde.56 Trata-se de animais elipométricos a eumétricos. Almodôvar. geralmente não possuem barbela. as zonas serranas de Odemira e Serpa e os concelhos Algarvios de Alcoutim. têm membros finos e deslanados abaixo dos curvilhões e velo extenso e tochado. Tavira e Silves. não é de esperar que alguma vez deixe esta pouco invejável situação. não melhore a curto prazo. são pouco mais do que 4000. Estes animais pela sua extraordinária e inigualável rusticidade ocuparam um lugar de notável destaque na agricultura das áreas a Sudeste do distrito de Beja e áreas anexas das serras do Algarve. Sabendo-se como a variabilidade genética é indispensável à manutenção de uma população saudável. brevilíneos mas bem proporcionados e explorados na maioria dos casos na sua tripla função : carne. A sua área de dispersão compreendia os concelhos de Mértola. originados em somente três núcleos. 5 – Ovelha da Raça Campaniça Rebanho da Raça Campaniça Infelizmente hoje em dia. Loulé. A sua lã é classificada como "cruzado fino". . A razão deste facto prende-se com o facto de que os animais registados existentes. Castro Marim. é lógico pensar que a sua situação nestes termos. os efectivos desta raça estão tão reduzidos devido ao abastardamento com outras raças mais pesadas. acrescendo ainda o facto de muitos dos animais serem aparentados entre si. Têm velo de côr branca. que a raça esteve a ponto de ser considerada em extinção e apesar dos esforços para aumentar o seu efectivo. e que esta população é manifestamente pequena. Ourique. com madeixas quadradas. leite e lã.

Tem esta raça o seu solar numa região de solos férteis de basaltos e calcários em ambiente de humidade relativa apreciável ocupando os concelhos limítrofes de Lisboa.Esta raça é constituída por um pequeno número de animais rondando os 70. Estes animais são particularmente explorados na sua vocação leiteira.SALOIA . 2.6 % 110.8 kg 2 kg A reduzida quantidade leite que produziam após o desmame dos borregos. possuindo um grande instinto gregário o que permite uma fácil condução dos rebanhos quando se pastoreiam em parcelas dispersas. Vila Franca de Xira e Torres Vedras. era igualmente utilizado no fabrico de queijos tradicionais e também de Queijo Serpa. Os machos apresentam cornos fortes e rugosos e as fêmeas podem apresentar cornos ou não. É também conhecido por gado "Brusco" devido ao muito sugo da lã ao qual se prendem facilmente poeiras e outros corpos estranhos que a sujam. produtores de lãs finas classificadas de "merino médio" a "cruzado médio". Com o leite desta raça fabricam-se alguns famosos queijos regionais tal como o de Azeitão e o Saloio.4.57 Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 105 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite Peso do velo :machos fêmeas 18-20 meses 90.4% 2. .9 kg 23 kg 65 kg 35-40 kg 12-15 l durante 60-90 dias 2. Os animais desta raça são rústicos e bem adaptados às condições de exploração. tendo irradiado para os concelhos de Setúbal.4. com características do tipo bordaleiro. Mafra.000.

SERRA DA ESTRELA . Estes animais são particularmente explorados na sua vocação leiteira. Mangualde. Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 60 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite Peso do velo :machos fêmeas 13-15 meses 90-95 % 105-120% 3-4 kg 17-20 kg 50-70 kg 35-40 kg 60-80 l durante 170-200 dias * 4-5 kg 2.5 kg *Após o desmame do borrego com idade entre 1. sendo criados desde tempos imemoriais em toda a área da Serra da Estrela facto que se reflecte no seu nome. possuindo um grande instinto gregário o que permite uma fácil condução dos rebanhos quando se pastoreiam em parcelas dispersas.000 animais. Tábua.4.58 Fig. nomeadamente nos concelhos de Seia. 6 – Rebanho da Raça Saloia Ovelhas e borregos da Raça Saloia Os animais desta raça são rústicos e bem adaptados às condições de exploração. Nelas.os animais desta raça constituem o grupo étnico mais numeroso depois do merino branco com um efectivo de cerca de 280. Distribuem-se ainda por todo o campo do .5-3.5. Gouveia. Guarda.5 e 2 meses 2. Viseu e Arganil. Celorico da Beira. Oliveira do Hospital.

a barriga e as extremidades livres de lã. Torres Novas. A sua lã é classificada na categoria de "cruzado fino". o bordo inferior do pescoço. deixando a cabeça. havendo exemplares desta raça em regiões em que se pretende uma maior produção de leite como Tomar. península de Setúbal arredores de Lisboa e até no Alentejo. em que o principal objectivo da sua exploração é a produção de leite. Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 60 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite Peso do velo :machos fêmeas 14-16 meses 90-95 % 120-150% 3-4 kg 15-20 kg 60-80 kg 40-60 kg 140-180 l durante 210-240 * 2-3. . Fig. 7 – Ovelhas Serra da Estrela brancas Carneiro Serra da Estrela. com velo não muito extenso. variedade preta Estes animais pertencem ao grupo étnico bordaleiro.59 baixo Mondego. Podem ter indistintamente côr branca ou preta.5 kg 1.5-2 kg *A produção de leite é reputada ao período depois do desmame do borrego com idade entre 1.5 e 2 meses. são de corpulência média e possuem características morfofuncionais bem definidas. Verifica-se a ocorrência de cornos nos dois sexos.

é uma raça de origem inglesa. 2. são muito utilizados em cruzamentos industriais. 8 – Ovelhas e borregos Suffolk Ovelhas Suffolk .5. que não podem deixar de ser lembradas no âmbito desta disciplina. caracterizada por ter a pele pigmentada de preto e lã branca. 2. numa região caracterizada pela dimensão reduzida e dispersão das propriedades.RAÇAS OVINAS DE MAIOR DIFUSÃO MUNDIAL Existem várias raças de ovinos que pela sua difusão no mundo adquiriram uma importância tal. possuindo os animais desta raça boa precocidade e uma conformação ideal para a produção de carne. O leite das ovelhas desta raça é exclusivamente destinado ao fabrico do famoso queijo "Serra da Estrela". os quais embora possuindo efectivos pequenos de 30 a 100 cabeças. Fig. Uma raça que não pode deixar de ser aqui focada pela sua vocação leiteira e importância regional cada vez maior no Alentejo é a raça francesa "Lacaune". com a cabeça totalmente deslanada e desprovida de cornos nos dois sexos. Os animais desta raça. auferem apreciável rendimento com a venda do leite produzido. tendo por esse motivo sido exportados para muitos países do Mundo. "Southdown". na qual constituem a principal actividade dos agricultores regionais.1.SUFFOLK . que constitui por vezes a única fonte de rendimento de algumas famílias serranas. pois transmitem aos seus produtos um marcado bom tipo de carcaça. "Merino de Rambouillet e "Ile de France". São elas : "Suffolk".60 Os animais desta Raça são sobretudo explorados em explorações de tipo familiar.5.

vocacionada para a produção de carne. país do qual a Inglaterra importa um grande número de carcaças refrigeradas. dado serem oriundos de climas mais frescos). 9 – Carneiros da Raça Southdown Ovelhas e borregos da Raça Southdown Esta raça é muito importante na Nova Zelândia. Nesta raça estão ausentes os cornos tanto em machos como em fêmeas.5 kg 35 kg > 60 kg > 45 kg 3. originando por cruzamento borregos muito bem conformados. Fig. Características produtivas Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 110 dias Peso dos machos aos 360 dias Peso das fêmeas aos 360 dias Peso do velo: machos fêmeas 150 % ou mais 4.6-5 kg 2. ao abrigo de acordos no âmbito do Commonwealth.5. verificou-se que não conseguiam aguentar as duras condições a que os nossos rebanhos de raças autóctones estão sujeitos (sobretudo no Verão. fizeram-se importações de exemplares desta raça.SOUTHDOWN . mais resistentes às condições climáticas. Possui igualmente alto poder de transmissão de características corporais à descendência. .é outra raça de origem inglesa.2. sobretudo no Alentejo. possuindo uma carcaça muito bem conformada muito apreciada. de boa precocidade e bom rendimento em carne. mas apesar das suas óptimas características de produção de carne.9-4 kg 2.61 No nosso país. vindo por esse motivo mais tarde a ser preteridos em favor de outras raças pesadas.

com destino a Rambouillet (perto de Orleans. onde se situava a exploração Real de ovinos de França).5. sendo considerados melhoradores em cruzamento com animais de lãs grosseiras. 10 – Carneiros Merino de Rambouillet Ovelha Merino de Rambouillet Como Merinos não possuem estacionalidade sexual. extenso de lã muito fina. possuindo um velo branco. pois os animais no Alentejo pura e simplesmente morriam por acção do calor do Verão. local a que chegaram três meses depois.MERINO DE RAMBOUILLET . característica que transmitem à descedência por cruzamento. mas todas as tentativas de produzir cruzados desta raça foram mal sucedidas. resultou uma raça muito apreciada quanto à produção de lã e carne. os quais saíram de Segóvia em Espanha a 15 de Julho de 1786. cujos animais são o protótipo do animal produtor de lã. Da selecção bastante cuidada deste efectivo. Características produtivas Prolificidade Peso aos 90 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Peso do velo :machos fêmeas 155 % 25-30 kg 80-100 kg 50-80 kg 3-4 kg 2-2. elástica e resistente.Esta raça francesa teve origem num núcleo de 334 ovelhas e 42 carneiros da etnia merino de Espanha. compreendendo várias origens não aparentadas entre si.62 Exemplares desta raça foram importados para Portugal.3.5 kg 2. Fig. É uma raça muito rústica que se .

Os machos desta raça possuem cornos. que iniciou os cruzamentos em 1833. como na Austrália. EUA. Argentina. Uruguai.6-6 kg 2.5-4 kg 70-90 kg 45-60 kg 5. . desprovidos de cornos muito compactos. possuindo um velo extenso com lã de boa qualidade.esta raça é o resultado de cruzamentos entre carneiros ingleses da raça Leicester (seleccionados pelo major Dishley sendo também conhecidos por este nome). Peru. Na actualidade esta raça está perfeitamente fixada e tornou-se uma das grandes raças francesas mais apreciadas em todo o Mundo. com Merino de Rambouillet. XIX centenas de exemplares para a Austrália.ILE DE FRANCE . Portugal e inclusivamente Espanha.5. ou no simples melhoramento de raças autóctones. O mentor desta raça foi um veterinário francês de seu nome Yvart. enquanto que estes se encontram ausentes nas fêmeas. Devido a estas características. tendo sido criados na tentativa de obter um animal Dishley (de óptima conformação e precocidade o que faz deles animais com extraordinária capacidade para produção de carne).6-9 kg 3. países onde participaram na arquitectura de novas raças. com o velo de um Merino de Rambouillet. Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso dos machos Peso das fêmeas Peso do velo :machos fêmeas 14-16 meses 90-95 % 110-115% 3.4. ano em que foi fundado o Livro Genealógico em França. Depois de várias vicissitudes a raça encontrava-se fixada em 1922. exportaram-se no Séc. Os animais desta raça são brancos. fixada por um longa e cuidadosa selecção.63 adapta a todos os climas especialmente os secos e a todos os regimes de exploração. como foi o caso do "melhoramento das lãs" do nosso Merino Branco.

Brasil. China e EUA entre outros. estes animais suportam bem a vida ao ar livre e em condições de pastoreio em extensivo.5 kg Pelas características apontadas estes animais são muito apreciados para cruzamentos industriais dando produtos de alta qualidade. Características produtivas Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 90 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Peso do velo :machos fêmeas 95-99 % 135-160 % 4-5 kg 30-35 kg 120-160 kg 65-85 kg 5-6 kg 4-4. África do Sul. Apesar de adaptados a um regime de semi-estabulação. que estiveram na origem desta raça. 11 – Carneiros da Raça Ile de France Possuem em termos produtivos um conjunto notável de qualidades. . boa capacidade leiteira (só em termos de alimentação dos borregos) e estacionalidade sexual mal marcada tal como os Merinos.64 Fig. Nesta perspectiva esta raça foi exportada para inúmeros países da Europa incluindo Portugal. que passam por uma óptima conformação. grande velocidade de crescimento (que pode chegar aos 600 g / dia).

Posteriormente estes animais sofreram a infiltração de sangue Merino. ventre e extremidades. situando-se a produção média por ovelha e lactação em 160 litros. . O mundialmente famoso e mais conhecido dos queijos franceses.LACAUNE .Esta raça originária do Sudoeste da França a Norte dos Pirinéus tirou o seu nome dos montes Lacaune. Fig.65 2. Em virtude da selecção a que têm vindo a ser sujeitos. Esta raça está a assumir cada vez maior importância no Alentejo. 12 – Carneiro da Raça Lacaune Ovelhas da Raça Lacaune A Raça Lacaune é de aptidão mista. O efectivo desta raça calcula-se em cerca de 450 000 fêmeas. o que acontece durante 4 a 6 meses. estes animais estão muito bem adaptados às condições da ordenha mecânica. Os animais possuem côr branca. Os borregos são desmamados às 4-5 semanas e a partir desse momento as ovelhas começam a ser ordenhadas. na tentativa por parte dos produtores de aumentar a produção de leite para o fabrico do referido queijo. na zona demarcada do "Queijo Serpa". datando de 1294 as primeiras referências aos queijos desta região. o "Roquefort" é fabricado a partir do leite das ovelhas desta raça. Em 1902 os caracteres rácicos estavam fixados. em 1937 foi introduzido o contraste leiteiro e em 1947 foi iniciado o Livro Genealógico da raça. havendo animais que chegam aos 350 litros.5. sobretudo nos concelhos de Serpa e Mértola. A origem destes animais parece estar nos Pirinéus. grande parte das quais está permanentemente sujeita a contraste leiteiro.5. com velo pouco extenso que não cobre a cabeça. Southdown e Lauraguais. tendo no entanto sido limitadas no tempo e no espaço. em que a produção leiteira é predominante. A partir de 1870 iniciou-se uma selecção leiteira metódica.

com ovelhas da Raça Lacaune Características produtivas Idade ao 1º parto Prolificidade Peso ao nascimento Peso aos 90 dias Peso dos machos Peso das fêmeas Peso do velo :machos fêmeas 16-18 meses 130-150 % 3-4 kg 25-30 kg 80-100 kg 50-65 kg 2. o Merino Preto e a Campaniça.5 kg 1. com pastagens de alto valor nutritivo e suplementação energética e proteica e pernoita em apriscos abrigados. as condições superiores de tratamento.66 São animais de alta produção e como tal requerem condições de produção especiais. 13 – Aspecto de uma sala de ordenha. nomeadamente o Merino Branco. o que é correcto. A problemática desta situação foi atrás descrita. dá menor rendimento em queijo. que estes requerem para exibirem todas as suas capacidades produtivas. Apesar deste facto.2. esta raça está a ter cada vez maior aceitação entre os produtores que têm a possibilidade de fornecer aos seus animais. Fig. Diga-se que é voz corrente que o leite das ovelhas desta raça.2. Mas por esse facto o leite desta Raça é pago a preços inferiores aos atingidos pelo leite produzido por animais daquelas raças. que o leite das raças regionais. no sub-capítulo 2. como a quantidade de leite produzida pelas ovelhas Lacaune é em muito maior.5 kg .3.

produção em que é utilizado em maior escala a semi estabulação. em que os produtores recebem um prémio adicional às Ajudas Compensatórias à Perda de Rendimento. em explorações comerciais de animais de alta produção leiteira e em explorações de raças autóctones. é utilizada sobretudo em programas de selecção. cruzamento duplo.a exploração em raça pura. 2.TIPO DE ANIMAIS UTILIZADOS Os ovinos domésticos são explorados em raça pura ou em sistema de cruzamento.1..67 2. nos seus vários tipos. os ovinos podem ser explorados em linha pura ou em cruzamento. esta em casos muito particulares.6. grau de conhecimento e importância atribuída aos animais por parte do proprietário. ou inclusive a estabulação permanente. retrocruzamento e cruzamento industrial. 2. leite ou mista poder ser utilizados quer a semi-estabulação e até mesmo a estabulação. 2.Cruzamento . utilizados segundo as condições e pretensões dos produtores.Linha pura .6.1.2 .1.1.SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE OVINOS Os ovinos são como se disse os animais com maior capacidade de aproveitamento das pastagens e como tal são explorados preferencialmente em regimes de pastoreio. Exactamente como qualquer outra espécie doméstica. Os tipos de cruzamentos passíveis de serem utilizados na produção de ovinos são logicamente todos os que existem : cruzamento de absorção.6. sendo igualmente muito corrente na produção de leite. No entanto na exploração de ovinos nas suas vocações carne. situação muito corrente no nosso país. O sistema de pastoreio é o sistema utilizado quase universalmente na produção de carne. são fruto do interesse. só por utilizarem raças autóctones.6. Os tipos de cruzamento utilizados em cada situação.

por parte de quem já possui um rebanho de base. não se justifica. Poderá ter uma hipotética vantagem em relação à utilização da raça pura. muito prolífica e de muito boas produções leiteiras. excepto em efectivos leiteiros e em situações pontuais. designadas "Friserra". uma de grande produção leiteira e outra pesada de produção de carne. é a substituição do rebanho das fêmeas de base. com machos de raças de raças seleccionadas para a produção de carne. na tentativa de obter uma grande prolificidade em que os borregos tinham grande peso. envolvendo três raças estrangeiras. Foram no passado recente. é de resultados muito mais rápidos que o cruzamento de absorção. por outro de características étnicas iguais às do reprodutor masculino. Cruzamento duplo . utilizando as raças Serra da Estrela e raça Frísia.tem sido em Portugal. uma muito prolífica. uma raça finlandesa. Cruzamento industrial . tendo no passado recente utilizado na tentativa de obter ovelhas leiteiras de grande produção. Este programa foi abandonado. de não ter de investir uma soma considerável e muitas vezes insuportável do ponto de vista económico. devido à ausência desde sempre em Portugal de uma Política Agrícola. Esta opção tem sido praticada actuando em ovelhas de raças autóctones. não restando actualmente quaisquer animais daquele tipo. Este facto pôs em perigo as .a filosofia suprajacente a este tipo de cruzamento.68 Cruzamento de absorção . Tem sido pouco utilizado em ovinos. não no sentido de utilizar deliberadamente duas raças em linha pura. Cruzamento alternativo . devido ao facto de na sua essência envolver quase obrigatoriamente. uma raça de carne e uma raça prolífica. mas sim na utilização totalmente aleatória de machos de raças pesadas e dos seus híbridos.este tipo de cruzamento em que recorde-se intervêm três raças. à base das fêmeas nascidas do cruzamento durante algumas gerações. para obtenção de híbridos de valor em determinada função. cruzamentos deste tipo em ovinos estabulados explorados intensivamente.este tipo de cruzamento não é utilizado em ovinos no nosso País. No panorama actual da Ovinicultura Portuguesa. implementados no centro do País. utilizado indiscriminadamente.

) terem sido utilizados na reprodução.2.6. 2. por abastardamento com genes das raças estrangeiras utilizadas. As instalações são caras e o maneio é elaborado.6. em virtude da selecção a que têm vindo a ser sujeitas. 2. outros em que passam parte do tempo estabulados e outros ainda em que não usufruem de qualquer tipo de estabulação ou sómente recolhem ao ovil para passar a noite.2. embora não seja comum no nosso País. são como se disse animais com grande capacidade de aproveitamento em regimes de pastoreio e como tal são explorados preferencialmente neste sistema. quer em explorações leiteiras com animais de alto valor produtivo. Os sistemas utilizados na exploração de ovinos continuam a ser a estabulação permanente. existem sistemas de produção em que os animais estão em regime de confinamento permanente. devido aos híbridos (F1.ESTABULAÇÃO PERMANENTE Este sistema é utilizado para ovinos. Para qualquer dúvida surgida acerca dos tipos de cruzamentos aqui mencionados.1.TIPO DE INSTALAÇÃO Os ovinos. Devido às razões apontadas. só sendo praticável em condições muito especiais.SEMI-ESTABULAÇÃO . a semi-estabulação e o pastoreio. Nestas explorações visa-se a obtenção da maior quantidade de leite possível.F3.2. 2. sobretudo as do Sul de Portugal. mas que algumas raças suportam bem.F2.6. a exploração intensiva envolve custos fixos muito elevados. sujeitando-se os animais a um tipo de vida em confinamento que é contrário à natureza da espécie. ao âmbito desta disciplina. quer nas recrias e engordas intensivas. etc. onde este assunto se encontra explanado com a profundidade necessária. remete-se o leitor para o capítulo Noções Introdutórias.2. diminuindo deste modo as qualidades dessas raças. Apesar desta capacidade inerente aos ovinos.69 populações das raças autóctones de produção de carne.

3. tendo o inconveniente de requerer a presença constante de um pastor.6. recebendo no entanto suplementos de ração ao fim do dia. pastoreio rotacional e pastoreio em faixas. Na esmagadora maioria das nossas explorações os animais pastam durante todo o ano. pastando uma pequena parte do dia. que passam parte do dia estabulados. erva de alta qualidade em parques próximos ou adjacentes ao ovil. Pastoreio contínuo é um sistema em que o gado vive durante todo o ano do aproveitamento dos recursos da pastagem. 2. .70 É utilizado nos países frios do Norte da Europa e em rebanhos leiteiros de alta produção. As pastagens podem ser espontâneas ou semeadas.é o sistema actualmente mais utilizado. pastoreio deferido.2.PASTOREIO Pelo que atrás foi dito quando se tratou do comportamento alimentar dos ovinos. sendo eficiente sempre que o encabeçamento seja bem calculado o que se traduz num bom maneio das pastagens. já que dispensa a presença permanente do pastor. devendo a carga animal ser calculada de acordo com as potencialidades da pastagem. podendo estas ser de sequeiro ou regadio e consumidas em pastoreio contínuo. sempre que as suas necessidades alimentares não possam ser totalmente satisfeitas durante o pastoreio. chega-se facilmente à conclusão que estes animais são utilizadores preferenciais de sistemas extensivos com plantas herbáceas. Pastoreio condicionado .

Subfamília Ovidae. cerca de 4.o tronco europeu proveniente da Capra hircus aegragus.. segundo alguns autores. . o ibex da Abissínia e o bezoar (Williamson e Payne. que compreende cinco espécies : Capra hircus. e tamanho e forma das orelhas. e outras que foi domesticada na mesma altura que os ovinos. . aptidão. 1980). 1980). ou markor (Williamson e Payne. Os métodos de classificação das cabras domésticas têm sido implementados com base na sua origem. que inclui o bezoar (Capra hircus aegragus). . Apesar da origem das cabras domésticas necessitar ainda de uma maior clarificação. Quanto à cronologia da sua domesticação. referindo umas que a espécie foi domesticada cerca de 5.000 anos antes (Williamson e Payne. Capra prisca. Capra ibex. Capra pyrenaica ou ibex espanhol e Capra falconeri. tamanho corporal.000 a. existem evidências. 1980).ORIGEM E HISTÓRIA Os caprinos pertencem à Família Bovidae. Género Capra. estando provavelmente envolvidos na origem desta espécie. que indicam o bezoar (Capra hircus aegragus) como seu principal ancestral (Sá.C.o tronco africano proveniente da Capra nubiana. logo depois dos cães. considerada a verdadeira cabra.1.o tronco asiático proveniente da Capra falconeri ou da Capra prisca. existem diversas opiniões. ou ibex. depois dos cães e dos ovinos.NOÇÕES DE PRODUÇÃO DE CAPRINOS 3. devido à inexistência de dados que possibilitem esse conhecimento. especialmente devido ao facto de grande parte das cabras dos Trópicos não possuírem aptidão ou vocação especializada e a sua origem permanecer obscura. ou tur do Cáucaso. No tocante às origens e aptidão existem atributos e limitações.71 3. 1978). Segundo outros autores desde recuadas épocas se diferenciaram três troncos: .

2º grupo . A população mundial de caprinos atinge números da ordem dos 400 milhões de cabeças. 1978).2.animais de altura superior a 65 cm e peso de 20 a 63 kg pequeno . que aliados a uma grande agilidade.CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS DA ESPÉCIE 3. que a palavra capricho deriva do seu nome latino capra.animais de orelhas curtas e erectas. compridas e pendentes.animais de altura entre 51 e 65 cm e peso de 19 a 37 kg anão . pois são extremamente selectivos e exigentes na escolha do alimento. 3º grupo . . sendo esta característica tão vincada no seu carácter. Este comportamento expressa-se plenamente em regime de pastoreio extensivo. 1978) Na classificação relativa ao tamanho e forma das orelhas estão constituídos quatro grupos : 1º grupo .animais de altura inferior a 50 cm a peso de 18 a 37 kg (Sá. origina diversas interpretações. levando a designar por raça determinadas variedades (Sá. quer aos alimentos disponíveis e ao maneio da carga animal. Os factores relativos ao animal são expressos por lábios extremamente móveis e língua preênsil.COMPORTAMENTO ALIMENTAR O comportamento alimentar dos caprinos é sem dúvida a sua característica mais marcante.animais de orelhas largas.72 Na tentativa de classificar as raças caprinas relativamente ao seu tamanho corporal foram constituídos três grupos : grande . em que os animais se alimentam dos recursos naturais que aproveitam directamente. semi inclinadas e de pelagem abundante De qualquer modo a caracterização em raças dos vários troncos. 4º grupo . estando esse aproveitamento condicionado por factores quer relativos ao animal.animais de orelhas chatas. 3. lhe possibilitam alcançar e consumir uma grande variedade de alimentos localizados até uma altura de 2 metros ou em sítios pouco acessíveis e inclusivamente subir às árvores para obter o que desejam.1.2.animais de orelhas inclinadas e de pelagem frisada.

devido à maior selectividade posta na escolha dos alimentos. estes animais podem apresentar um consumo alimentar superior ao dos ovinos.COMPORTAMENTO REPRODUTIVO . exigindo longas caminhadas diárias. Este facto deve-se a que os caprinos reciclam por unidade de tempo. tendo estas características como consequência uma melhor aptidão para o pastoreio e refeições mais frequentes. Deste modo preferem as folhas aos caules e plantas com menos teor em glúcidos parietais e mais matéria azotada. sendo deste modo capazes de compensar o baixo valor alimentar das pastagens pobres e a menor ingestabilidade. sejam quais forem as condições do meio. permitindo-lhes encontrar e escolher mais facilmente os melhores alimentos. quer em quantidade quer em qualidade. mostrando contudo os caprinos maior digestibilidade em regimes com altos teores em fibra e baixos teores em azoto. 3. distingue-se assim do dos outros ruminantes domésticos.73 O comportamento alimentar dos caprinos. Quanto às preferências os caprinos são assim muito mais "browsers" (utilizam preferencialmente plantas arbustivas) que "grazers" (utilizam preferencialmente plantas herbáceas).2. melhorando assim a qualidade do alimento ingerido. ruminação mais eficaz e secreção salivar mais importante (originando uma maior reciclagem da ureia). Comparando os caprinos com os ovinos. maiores quantidades de azoto endógeno e ainda a outros factores susceptíveis de influenciar os fenómenos digestivos nos ruminantes. com a selecção das partes mais nutritivas.2. como sejam a mais elevada ingestão de matéria seca. Quando as disponibilidades do meio são fracas. graças à sua capacidade de marcha e selectividade. Normalmente e particularmente em anos secos os caprinos escolhem mais sistematicamente as lenhosas que os ovinos. embora a sua dieta seja constituída por uma gama muito mais variada de espécies vegetais. submetidos a regimes de baixos teores em fibra e altos teores em azoto. fraco consumo de água (a necessidade de água dos caprinos parece ser inferior em 10 a 25 % à dos ovinos de igual aptidão). incluindo também plantas lenhosas. ambos consomem e digerem com igual eficiência.

estação reprodutiva e efeitos da nutrição. sendo verdade para estas raças. significando isto que mostram marcada tendência para um reinicio ou aumento da actividade sexual. nesta espécie tal como nos ovinos. sendo um bom exemplo a raça "Angora". verifica-se igualmente nas raças caprinas sem estacionalidade sexual ou com estacionalidade sexual mal marcada. O efeito designado por "Efeito macho". ao longo da estação de reprodução. mostram grande tendência para experimentar actividade sexual tanto no Outono como na Primavera. o aparecimento da puberdade pode ser condicionado pelo clima. existindo importantes variações interrácicas. As raças de climas frios estão nesta última situação. de modo que nas cabras pigmeias a puberdade pode ser atingida aos 3 meses nas fêmeas. experimentando vários ciclos éstricos com a duração de 18 a 22 dias. Os cios têm a duração de 26 a 42 horas. atrás referido quando do estudo dos ovinos. Puberdade A puberdade nestes animais é atingida dos 4 aos 6 meses tanto nos machos como nas fêmeas. no respeitante às épocas de cobrição e períodos de nascimento dos cabritos. verificando-se no entanto uma depressão na actividade do . enquanto que as raças de caprinos das regiões tropicais e subtropicais. As fêmeas dos caprinos são poliéstricas de ovulação espontânea. apresentam produção de espermatzóides durante todo o ano. caracterizados na generalidade por uma estacionalidade sexual dita de "fotoperiodismo negativo". Esta tendência pode estar expressa em maior ou menor grau.6 dias. quando o período de luminosidade diurna diminui. enorme importância. o que acontece no Outono. excepto na raça "Angora" que tem cios mais curtos. o que é verdade para as raças de ovinos que não apresentam estacionalidade sexual. Os machos caprinos ou bodes. com duração média de 22 horas. exercendo o "estado de carnes" e a percentagem de peso em relação ao peso adulto. com média igual a 20. o mesmo é dizer. que têm a sua estação sexual preferencialmente nesta altura do ano. apresentando uma média de 35 horas. existindo raças que experimentam cios durante grande parte do ano. No entanto dentro da mesma raça. enquanto outras têm um comportamento de "fotoperiodismo negativo" estrito.74 Os caprinos são animais poliéstricos.

A variação interrácica do número de fetos por parto. o sistema mais amplamente utilizado. é menos importante que nos ovinos. permitindo uma maior rentabilização económica. ultrapassar as 50 a 60. quer em sistema de monta condicionada. a ocorrência de partos triplos e mais raramente quádruplos.75 testículo durante a estação quente. podendo eventualmente chegar às 70. Métodos de reprodução Os sistemas de reprodução usados na produção de caprinos são a monta natural e a inseminação artificial. podendo ir de 147 a 165 dias. Todos os preceitos e princípios que são válidos para o uso da inseminação artificial em ovinos são-no igualmente ao tratar-se dos caprinos. sendo ao primeiro parto normalmente de um. sendo contudo a monta em liberdade. período este que é tanto maior quanto menor fôr o número de fetos. número que sobe usualmente a dois nos partos seguintes. sendo mais frequente nas raças de vocação leiteira. o ardor sexual também é maior no período do fim do Verão e início do Outono. Do mesmo modo que nos carneiros. quer em liberdade. A monta natural pratica-se tal como nos ovinos. A inseminação artificial é sobretudo utilizada em programas de selecção e em explorações de cabras de raças de vocação leiteira. Do mesmo modo que nos ovinos. não devendo o número de cabras por bode. . Gestação O período de gestação nos caprinos tem uma duração média de 153 dias. a fertilidade dos machos é menor nos jovens e nos animais velhos. pelo controlo que introduz na temporização dos processos produtivos.

resumindo-se os animais destinados ao talho. aos animais fracos produtores de leite e aos animais de reforma.por um lado a produção de maior importância económica dos caprinos é sem qualquer sombra de dúvida o seu leite.3. alturas em que o cabrito se tornou prato tradicional. cheiro este que se transmite à carne tornando-a muito pouco apetecida por parte dos potenciais consumidores.1.2.PRODUÇÃO DE CARNE. com um peso de carcaça rondando os 4 a 6 kg. ao mesmo tempo que todo o leite produzido pelas mães fica disponível para fabrico de queijo. Juntando estes factos.A maioria dos cabritos nascidos nas nossas latitudes estão em idade de ser precocemente desmamados e sacrificados cerca do Natal e da Páscoa. é usual fazer a castração dos machos e submetêlos a aleitamento artificial e posterior engorda. junto com as fêmeas destinadas a . facto que se alia ao cheiro forte quase repulsivo. facilmente se chega à conclusão que a decisão mais rentável económicamente na exploração de caprinos. logo de baixo valor económico. pois na idade de 1. LEITE E PÊLO 3. . Esta situação tem a sua explicação. não existem raças caprinas de verdadeira vocação para a produção de carne. é vender os cabritos logo que possível.2. a qual é decorrente de vários factos : . é integralmente destinado à produção de queijo (se exceptuarmos algum pequeno consumo de leite em natureza por parte das populações serranas mais afastadas dos centros populacionais). . Este inconveniente do sabor e cheiro desagradável da carne. que na actualidade e nas nossas latitudes.76 3.os caprinos são animais com carcaças mal conformadas. resultante das secreções das glândulas anais.5-2 meses são bem valorizados. sendo altamente valorizados. Em países como a França. aos cabritos desmamados precocemente. produto bem valorizado.3. só se põe em animais de idade superior a 6 meses.PRODUÇÃO DE CARNE Ao contrário do que acontece com os ovinos.

por parte de cabras pertencentes a raças especializadas de vocação leiteira e sujeitas a selecção. Não devemos esquecer que o gosto dos consumidores é soberano e direcciona o mercado em determinada direcção.PRODUÇÃO DE LEITE A produção de leite. o que assegurava o fornecimento de leite à família.2.77 venda. Tanto na vaca como na cabra os teores de gordura podem considerar-se similares e tanto numa como noutra as dimensões dos glóbulos estão contidos na mesma escala . que fazem dele um alimento aconselhável para doentes padecendo de problemas a nível do aparelho digestivo.2. sendo enviados para o talho com a idade de 4 a 6 meses e peso vivo de 2530 kg. muitas vezes de maneira que nada tem a ver com a lógica. 3. em muitas regiões considerada a "vaca do pobres". não necessariamente por esta ordem. Vários factores contribuíram para o desaparecimento deste fenómeno. da ordem dos 2000 kg de leite por lactação de 255 dias. entre os quais avultam o acesso fácil a leite de vaca embalado e a disseminação da Brucelose. é a contribuição mais valiosa dos caprinos. a existência em zonas rurais de uma e às vezes duas cabras mantidas em casa. ocorrerem produções. A classificação das carcaças de caprinos é efectuada com base na mesmas grelhas normativas Comunitárias utilizadas para as carcaças dos ovinos.3. pois possui uma maior digestibilidade que o leite de vaca. consegue atingir as mais altas produções. sendo comum. Na Europa a cabra foi e ainda é. outrora mais que actualmente. As qualidades da cabra como animal produtor de leite são incontestáveis. sendo a sua carne muito apreciada. Há sim que estar atento às preferências do mercado e aproveitar as potencialidades representadas pelas possibilidades de colocação dos produtos. pois é o animal que relativamente ao seu peso vivo. constituindo em muitas regiões áridas e semiáridas a única fonte de proteína animal a que têm acesso numerosas populações. O leite de cabra possui algumas características. facto que reside no tamanho relativo e na composição dos seus glóbulos de gordura. não sendo tão raro quanto isso.

que a gordura do leite de vaca. A composição do leite de cabra em termos médios pode considerar-se : Água Matéria gorda Lactose Proteína Sais Densidade a 15 º C 86. . no entanto a proporção de glóbulos de gordura de dimensão não superior a 1. reduzindo-se os queijos fabricados em Portugal com leite de cabra. a queijos pequenos para consumo em fresco.030 (Adaptado de Sá e Barbosa. Por outro lado a composição da gordura do leite de cabra é mais rica em ácidos gordos de cadeia curta. é devida a compostos derivados dos beta carotenos. De salientar ainda. a diferença registada no leite de cabra para os leites das outras fêmeas de ruminantes domésticos. 1990) A legislação Portuguesa. produzido a partir de uma mistura de leites de ovelha e cabra. por outro leva a um empobrecimento da potencial diversificação da produção de queijo (por razões que saem fora do âmbito desta disciplina). não permite a fabricação de queijo de cabra utilizando leite crú.8 % 4. havendo a obrigatoriedade de tratar pelo calor todo o leite destinado à fabricação deste produto.9 % 0.1 % 4. por ter sido diagnosticada nesta ilha que pela primeira vez). na gíria conhecida como a "febre de Malta". que reside no facto daquele não possuir beta carotenos. o que contribui igualmente para facilitar a sua digestão.5 microns é de 10 % na vaca e 28 % na cabra. o que obviamente facilita a sua digestão. se por um lado origina um aumento do rendimento industrial na obtenção de queijo. pois a côr amarelada apresentada pelos queijos. Este facto.78 dimensional (1-10 microns). o que origina a transmissão da côr branca ao queijo produzido a partir do seu leite. queijos do mesmo tipo que não foram vendidos em fresco e sofreram um processo de cura para posterior venda e um tipo de queijo originário da Beira Baixa.8 % 1. por razões que se prendem com a Saúde Pública (directamente relacionadas com a ocorrência da brucelose.4 % 3.

uma importante restrição emerge. sendo mais uma vez o sistema manual o mais difundido. podendo no entanto suportar uma exploração pecuária. ainda que nesta espécie e devido a razões anatómicas. uma crescente importância. Ordenha A ordenha dos caprinos pode fazer-se tal como nos ovinos manualmente ou mecanicamente. situação que hoje já rareia. No entanto a par deste potencial. os 90$00 a 120$00. inclusivamente a nível mundial. sendo francesas as raças de cabras de maior importância na produção de leite. que por o serem são retirados da produção agrícola. Exactamente como os ovinos. assumindo no âmbito da política agrícola actual. fortemente direccionada pela PAC (Política Agrícola Comum). Por essa e outras razões a França é o maior produtor mundial de queijo de cabra e o país onde a selecção de raças caprinas atingiu maior expoente. só se justifica em efectivos especializados na vocação leiteira.79 Deve salientar-se que em França alguns dos queijos de maior nome. são cerca de metade dos atingidos pelo leite de ovelha. os animais de maior rendimento potencial. a utilização de uma instalação de ordenha mecânica. que se prendem com o tamanho e a forma do úbere e dos tetos. no aproveitamento de ecossistemas de fracos recursos. rondam conforme os anos. preços que se por um lado. pois são cada vez mais os terrenos pobres. fruto da necessidade de cada efectivo ter um tratador com disponibilidade permanente. produzem 1-1. pendendo deste modo a balança nitidamente para o lado das cabras. sendo previsivelmente pior no futuro. a ordenha mecânica seja facilitada. mesmo as cabras não especializadas na produção leiteira (que são a maioria das existentes sobretudo no Alentejo). As cabras constituem por tudo o que foi dito. por outro lado.3 litros de leite por ordenha em plena lactação enquanto as ovelhas (igualmente não especializadas) produzem 2-3 decilitros. os preços atingidos por litro de leite de cabra. Em Portugal. são fabricados com leite de cabra crú e sujeitos a maturação. Produção de pêlo e Peles .

ventre e extremidades. Ambos os sexos possuem cornos finos e erectos ou ligeiramente inclinados para trás.1. a Algarvia e a Bravia.3. No nosso país existem algumas explorações em número reduzidíssimo. de grande agilidade. a Charnequeira. a "Charnequeira". 3. O pêlo é curto nas fêmeas e mais comprido e áspero nos machos. de animais da raça Angora. Existem ainda animais com malhas.são animais de conformação muito delicada e graciosa. Por ordem decrescente de importância em termos numéricos temos a Serrana. . As peles dos caprinos são muito valorizadas na indústria de confecção do vestuário designado por "cabedal". Temos como exemplo os famosos e caríssimos abafos. 3. luxo que está ao alcance da bolsa de muito poucos. a Charnequeira e a Serpentina. tonalidades mais escuras na cabeça. de pelagem preta ou castanha. explorados nesta função. conhecidos no mercado como Angora e Cachemira. é utilizado na confecção de alguns dos mais caros tecidos do mundo. a "Serpentina". o qual pelas suas características de maciez. de localização e extensão variável.RAÇAS CAPRINAS PORTUGUESAS As raças caprinas Portuguesas são a "Bravia". A sua distribuição geográfrica compreende as penedias do Gerês e Trásos-Montes. têm o tronco pouco desenvolvido e o úbere é pequeno e bem ligado. já que a produção é tão baixa que é totalmente consumida pelos cabritos. vivendo em zonas muito inóspitas.80 Existem raças de cabras que são exploradas principalmente para a produção de pêlo. a "Algarvia " e a "Serrana". ao longo do dorso. apresentando os animais desta côr. a Algarvia.3. Quanto à produção de leite temos por ordem decrescente de importância a raça Serrana. A raça Bravia não é considerada em termos da produção de leite. o que só é possível devido à sua enorme rusticidade. nomes que derivam directamente dos nomes por que são conhecidas as raças que os produzem.BRAVIA . a Serpentina.

2. úbere de tamanho médio. em forma de bolsa e tetos diferenciados de tamanho médio. com linha dorsal quase horizontal. podendo alargar-se na parte posterior. por vezes de tal modo que parece uma "albarda". 14 – Cabras da Raça Bravia Esta raça é somente explorada para a produção de carne. concentrandose os nascimentos nos meses de Outono e em Fevereiro / Março. 3.81 Fig. Possuem pelagem branca ou creme com um listão preto disposto longitudinalmente no dorso. . o mesmo acontecendo com os cornos.SERPENTINA . O tronco é bem desenvolvido. sendo os cabritos vendidos respectivamente pelo Natal e pela Páscoa.3. São animais longilíneos de perfil subconcâvo. Características produtivas Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas 80-85 % 100 % 35-40 kg 25-32 kg Os partos múltiplos nesta raça são pouco frequentes. geralmente de grande estatura. Têm orelhas grandes e semipendentes. podendo ocorrer barbas em ambos os sexos.a área de dispersão desta raça estende-se por todos os distritos Alentejanos.

15 – Cabras da Raça Serpentina Bode da Raça Serpentina As fêmeas não apresentam estacionalidade sexual.3. sendo considerados a raça portuguesa mais apta para a produção de carne. recorrendo-se frequentemente ao cruzamento industrial com bodes desta raça. São explorados em sistema de pastoreio extensivo. 3. Hoje em dia e devido às diferenças do meio em que vivem consideram-se dois ecotipos diferentes. tendo os rebanhos em geral de 100 a 200 cabeças. em terrenos bastante pobres e de clima caracterizado por fortes insolações. verificando-se duas épocas de cobrição. sendo um explorado no Baixo Alentejo e o outro no Alto Alentejo e na Beira Baixa.CHARNEQUEIRA .82 Fig. Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 14-15 meses 80-85 % 110 a 130 % 75-85 kg 55-60 kg 120-180 l em 120 a 180 dias A produção de carne resulta sobretudo dos cabritos ou chibos. caracterizando-se . que são vendidos com idades de 1. sendo dotados de uma extrema rusticidade e resistência. uma em Maio / Junho e outra em Setembro / Outubro.esta raça deve o seu nome à zona da Charneca da região Ribatejana. onde era explorada. O efectivo desta raça ascende a mais de 100.3.5 a 2 meses e um peso vivo de 9 a 12 kg.000 animais. pelos seus pesos e tamanho. quando se pretende aumentar a produção de carne. sendo então as cabras sujeitas a ordenha até ao fim da lactação. São animais de vocação dupla carne / leite.

16 – Cabras da Raça Charnequeira Esta raça é explorada na dupla aptidão carne / leite em sistema extensivo. Os cabritos são vendidos com cerca de mês e meio de idade e peso vivo de 8-10 kg. geralmente familiares. que são explorados no Alentejo em efectivos de 150 a 250 animais e na Beira em efectivos de 10 a 50 animais. apresentando-se mais hirsuto nos machos. de pelagem uniforme de côr vermelha. O efectivo da raça ascende a cerca de 35. Fig. não apresentando estacionalidade sexual. de desenvolvimento regular. juntos na base e espiralados. As fêmeas possuem úberes ensacados e pendentes ou globosos. Esta raça agrupa. animais eumétricos e sub-hipermétricos de perfil rectilíneo ou sub-côncavo. Características produtivas . sendo mais pequenos e por vezes estando ausentes no ecotipo "beiroa".83 os animais do segundo ecotipo por serem mais encorpados.000 animais. passando então as mães para o regime de ordenha. que são grandes. uma na Primavera e outra no Outono. Ambos os sexos possuem geralmente cornos. pelo que são normalmente efectuadas duas épocas de cobrição. sendo designados na gíria por "cabra beiroa". largos. com tons que vão desde o claro até ao retinto e pêlo curto.

84 Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 14-15 meses 85-90 % 130-135 % 60-70 kg 45-55 kg 220-250 l em 180 a 210 dias A ordenha é efectuada após o desmame do cabrito com 1. O úbere é formado por mamas cónicas. curtas em corneto e direitas .5 a 2 meses de idade. com pêlos castanhos ou mais raramente negros.3. . com têtos pouco destacados e paralelos ou por mamas globosas com têtos destacados e dirigidos para a frente e para fora. As orelhas dos animais desta raça podem ser de quatro tipos distintos (compridas. pendentes. abertas e pendentes .5. 3.esta raça deve o seu nome à região onde foi formada.000 animais. O pêlo curto de côr branca.ALGARVIA . aparecendo alguns poucos núcleos na região de Beja. e perfil côncavo. O efectivo da raça compreende cerca de 15. que se agrupam em malhas ou podem aparecer disseminados de forma irregular por todo o corpo. só muito raramente aparecendo esta nas fêmeas. sendo constituída por animais de estatura média. muito curtas e erectas). de marcada aptidão leiteira. a grande maioria dos quais explorados nas serras Algarvias. médias em corneto lançadas para fora . apresentando cornos nos dois sexos e barba nos machos.

Podem possuir ou não cornos. predominando a norte do Tejo. As fêmeas experimentam uma reprodução sem estacionalidade sexual. sendo estes em forma de sabre. com têtos pequenos e cónicos.5 a 2 meses e peso vivo de 7-10 kg. uma na Primavera e outra no Outono. podendo apresentar coloração amarela nas regiões superiores do abdómen.esta raça é originária da Serra da Estrela e povoa a maior parte do país. face e arcadas orbitarias.000 animais. Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 13-14 meses 90-95 % 140-210 % 50-60 kg 35-40 kg 350-650 l em 210 a 270 dias 3. 17 – Cabras da Raça Algarvia. castanha e ruça. globoso. por vezes pendente.3.85 Fig. Os cabritos são vendidos com 1. registando-se duas épocas de cobrição. membros. Tem ainda um número significativo de animais na península de Setúbal. Possuem úbere bem desenvolvido. Esta raça compreende animais de côr preta. mostrando-se estes animais extremamente rústicos e resistentes. paralelos ou divergentes. focinho. malhadas de castanho e de preto Esta raça é explorada em regime extensivo em rebanhos de 50 a 100 cabeças. Fig. de secção triangular.5.SERRANA . exceptuando o distrito de Castelo Branco. O efectivo desta raça ronda os 243. 18 – Cabras da Raça Serrana .

tendo-se implantado pelas suas qualidades como produtora de leite. Características produtivas Idade ao 1º parto Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 14-16 meses 90-95 % 170-180 % 60-70 kg 30-45 kg 540-600 l num período de 210 dias Os efectivos médios de animais desta raça por exploração. São animais corpulentos. As fêmeas não têm estacionalidade sexual. 3. como grande produtora de leite e as raças "Angora" e "Caxemira". com ou sem cornos. 3. da Serra. Os cabritos são vendidos aos 30-40 dias de idade com peso vivo de 6 a 8 Kg. denso e sedoso.SAANEN . de pêlo curto. que expressa as suas potencialidades genéticas mesmo em condições mais ou menos agrestes. Trata-se de uma raça bastante rústica. situam-se entre os 540 e os 600 litros em lactações de 210 dias.RAÇAS CAPRINAS ESTRANGEIRAS As raças caprinas de maior difusão mundial são a "Saanen" e a "Alpine". podendo ou não possuir barbas. As produções médias calculadas das fêmeas desta raça. A cabeça possui um perfil quase recto.esta raça é originária do Vale de Sâane na Suíça. Ribatejano e Transmontano.4. situam-se entre as 40 e as 70 cabeças.86 Como resultado da diversidade de ecossistemas onde vive. de olhos grandes e claros. constituindo ainda objecto de estudo no âmbito desta disciplina.4. distinguem-se quatro ecotipos : Jarmelista. as raças "MurcianaGranadina".1. embora sejam raças de muito reduzida expansão. como raças produtoras de pêlo. havendo normalmente duas épocas de cobrição. . de côr branca. uma na Primavera e outra no Outono.

garupa ligeiramente inclinada e abdómen bem desenvolvido. . tendo sido exportada para muitos países da Europa. 19– Cabra da Raça Saanen Esta raça adapta-se muito bem a sistemas de exploração intensivos. possuindo linha dorsal próxima da horizontal. Fig. Os têtos são bem desenvolvidos e paralelos entre si. caracterizando uma grande capacidade torácica. largo e comprido. A espádua é larga e bem ligada e o garrote é forte e musculado. com grande desenvolvimento em largura. Brasil e África do Sul. EUA. qualidade que aliada a uma grande docilidade faz dela a raça por excelência da produção leiteira intensiva. Características produtivas Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 95 % 140-180 % 80-120 kg 50-90 kg 680-1050 kg em 240 dias Esta raça é de todas as raças caprinas. entre outros.87 O peito é profundo. a que experimentou uma maior difusão a nível Mundial. O úbere é globoso. bem ligado e muito largo na parte superior.

88 3. Esta raça possui inegáveis qualidades de produção leiteira e embora se adapte bem a sistemas de produção intensivos. sendo no entanto a côr mais frequente a "chamoisée". com extremidades sólidas.4.2. linha do dorso recta. Características produtivas Fertilidade Prolificidade Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 95 % 140-180 % 80-100 kg 50-70 kg 580-850 kg em 8 meses . 20 – Cabras da Raça Alpine Fig.ALPINE . Os animais desta raça têm pêlo raso e côr variada. o que faz dela uma raça muito procurada para sistemas de produção semiintensivos. ou côr de camurça. garupa larga e pouco inclinada. é volumoso. 21 – Bode da Raça Alpine O leite das cabras desta Raça. Podem possuir cornos ou não. sendo uma raça muito apreciada pelas suas qualidades leiteiras e de cria. possuindo tetos bem diferenciados paralelos e dirigidos para a frente. articulações secas e aprumos correctos. Fig. retraindo-se bem após a ordenha. possui grande rusticidade. possuem peito profundo.é originária do Maciço Alpino. com um listão preto longitudinal no dorso e extremidades negras. bem inserido tanto atrás como à frente. indo do castanho claro ao avermelhado e mesmo preto.

o garrote é muito destacado e o tronco amplo e de grande perímetro torácico em relação ao seu tamanho. Brasil. grandes.esta raça é originária das províncias de Múrcia e Granada. formando duas bolsas muito distintas. pontiagudas e muito móveis. em Espanha. A garupa é curta e inclinada.MURCIANA . havendo algumas que atingem os 2000 kg de leite por lactação. visando melhorar as suas potencialidades e qualidades leiteiras. de Granadina. O úbere é amplo e volumoso. São animais de côr geralmente negra. são superiores a 1000 kg de leite. enquanto que 10 % das lactações sujeitas a contraste.3. Ambas as raças atrás descritas. possuindo espádua forte e inclinada e bem aderente ao corpo.000 cabras pertencentes às raças Saanen e Alpina estão sujeitas a contraste leiteiro. havendo exemplares de coloração castanho escura designada por "caoba". etc. o mesmo acontecendo com as barbas. . Estas práticas permitiram até agora que 20 % das explorações sujeitas a contraste. com tetos pequenos e dirigidos ligeiramente para a frente e para fora. órbitas salientes e orelhas erectas. pelo que os de Múrcia a chamam de Murciana e os de Granada. sujeitas a selecção. em França. Diga-se que estas lactações têm em geral uma duração de 255 dias. Só muito raramente possuem cornos. Parece que a solução de consenso consiste na designação de MurcianaGranadina ou Granadina-Murciana. tenham alcançado produções médias entre os 850 e os 1050 kg de leite por lactação. 3. constituindo grande polémica regional a sua província de origem. EUA. A linha do dorso é ligeiramente ascendente na direcção da garupa.4. foram e são. Cerca de 140. Possuem perfil recto.89 Esta raça encontra-se espalhada por toda a Europa.

contendo debaixo destes uma maior quantidade de pêlo finíssimo de comprimento regular. 22 – Cabra da Raça Murciana-Granadina Esta raça possui grande vocação leiteira. Os animais desta raça são de tamanho médio. que é tão perfeita que não há necessidade de ser melhorada. com 70-80 centímetros de altura. A sua principal característica reside na existência de uma pelagem exterior formada por pêlos compridos. ásperos e desbotados. Este pêlo obtêm-se não por tosquia. Fig.90 Fig. É uma raça rústica.esta raça é originária das regiões montanhosas do Paquistão. mais propriamente da província de "Cachemira". no entanto adapta-se muito bem a sistemas de produção intensivos. Características produtivas Fertilidade média Prolificidade média Peso dos machos Peso das fêmeas Produção de leite 90-95 % 200 % 60-75 kg 50-60 kg 720 kg em 210 dias 3. o qual é a matéria prima dos famosos tecidos que são conhecidos por Caxemira. mas sim penteando as cabras. 23 – Cabras da Raça Cachemira .CACHEMIRA .4. A quantidade de pêlo obtida por animal é de 200 a 250 gramas. facto que muito contribui para o alto custo dos tecidos com ele confeccionado.4. tendo sido dito acerca dela por um inglês.

No Alentejo existem duas explorações de caprinos Angora. nome pelo qual a raça é algumas vezes designada.é uma raça originária da Turquia. de pêlo muito comprido e sedoso o qual possuem em abundância. visto que estes animais são originários de uma região de grandes amplitudes térmicas e muito seca. Experiências de aclimatação com animais desta raça em Espanha e Portugal. Nesta raça e ao contrário do que se passa noutras raças de cabras.91 A experiências de aclimatação de animais desta raça em outros países falharam rotundamente. Fig. sendo sensíveis à humidade. sem qualquer aplicação industrial. pelo que neste capítulo somente serão referidas características passíveis de constituir diferença.SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE CAPRINOS Os sistemas de produção caprinos utilizados.5. o que não é de estranhar. O pêlo fino tem o aspecto de lã. forte e curto. em que os animais se mostram sem problemas de aclimatação. são exactamente os mesmos que podem ser utilizados na produção de ovinos. 24 – Cabras da Raça Angorá Debaixo desta camada de pêlo fino e comprido possuem outra de pêlo denso. 3.5. de côr branca ou preta e muito brilhante. sendo constituída por animais pequenos. foram bem sucedidas. Este pêlo é conhecido no mercado por "mohair". o pêlo é obtido por tosquia.4. 3. podendo alcançar o comprimento de 75 centímetros. .ANGORA .

bem como quanto ao tipo de instalações a que estão sujeitos e modo de obtenção de alimentos.5. em que os produtores recebem um prémio adicional às ajudas compensatórias à perda de rendimento.a exploração em raça pura. Os tipos de cruzamento utilizados em cada situação. . 3.TIPO DE ANIMAIS UTILIZADOS Os caprinos domésticos são explorados em raça pura ou em sistema de cruzamento.1.1. retrocruzamento e cruzamento industrial.5. cruzamento duplo. 3. Os tipos de cruzamentos passíveis de serem utilizados na produção de caprinos são logicamente todos os que existem: cruzamento de absorção. só por utilizarem raças autóctones. situação muito corrente no nosso país.92 Os sistemas de produção de caprinos são igualmente considerados quanto à natureza genética dos animais utilizados. em explorações comerciais de animais de alta produção leiteira e em explorações de raças autóctones.LINHA PURA . é utilizada sobretudo em programas de selecção. são fruto do interesse. grau de conhecimento e importância atribuída aos animais por parte do proprietário.1.

93 3. por parte de quem já possui um rebanho de base. Ora os caprinos são já bastante prolíficos.tem sido em Portugal. em que é considerado o parente pobre da produção animal. levou a que fosse olhada como animais de pouco interesse e deste modo sem grandes preocupações quanto à raça. utilizado indiscriminadamente. Cruzamento duplo . por outro de características étnicas iguais às do reprodutor masculino. devido às suas capacidades de rusticidade e resistência. com machos de raças de alta produção leiteira. mas sim na utilização totalmente aleatória de animais.1.este tipo de cruzamento em que recorde-se intervêm três raças. Tem sido pouco utilizado em caprinos. que se registam em ovinos e não existem raças que possam ser consideradas de produção de carne. nos quais mais nenhuma outra espécie doméstica seria economicamente viável. O facto desta espécie ser tradicionalmente utilizada.5. é de resultados muito mais rápidos que o cruzamento de absorção. razões que contribuem para que este tipo de cruzamento seja pouco utilizado Cruzamento alternativo . machos e fêmeas. sem qualquer preocupação de raça.CRUZAMENTO Cruzamento de absorção . à exploração da espécie caprina no nosso País. não no sentido de utilizar deliberadamente duas raças em linha pura. de não ter de investir uma soma considerável e muitas vezes insuportável do ponto de vista económico.este tipo de cruzamento interveio no "melhoramento" de algumas raças de caprinos estrangeiras. não se registando as diferenças interrácicas quanto a esta característica. devido ao facto de na sua essência envolver quase obrigatoriamente. uma raça de carne e uma raça prolífica. à base das fêmeas nascidas do cruzamento durante algumas gerações. Esta opção tem sido praticada actuando em cabras de raças autóctones. em zonas de terrenos marginais. levados a cabo no Reino Unido. com o tratamento dado na esmagadora maioria dos casos.a filosofia suprajacente a este tipo de cruzamento.2. Poderá ter a vantagem em relação à utilização da raça pura. para obtenção de híbridos de valor em determinada função. Este facto tem a ver sobretudo. é a substituição do rebanho das fêmeas de base. Cruzamento industrial . .

5. onde este assunto se encontra explanado com a profundidade necessária. tarefa que estes levaram a cabo com mais ou menos sucesso. ao âmbito desta disciplina.1. são como se disse os animais com maior capacidade de aproveitamento dos alimentos escassos. e a escolha dos machos pelo seu tamanho e muitas vezes por serem filhos de cabras consideradas boas produtoras. Os sistemas utilizados na exploração de caprinos continuam a ser a estabulação permanente. Para qualquer dúvida surgida acerca dos tipos de cruzamentos aqui mencionados. a semi-estabulação e o pastoreio. 3. que é frequente observar numa cabrada inúmeros fenótipos diferentes. sujeitando-se os animais a um tipo de vida em confinamento que é contrário à natureza da espécie. outros em que passam parte do tempo estabulados e outros ainda em que não usufruem de qualquer tipo de estabulação ou somente recolhem ao capril para passar a noite.5.TIPO DE INSTALAÇÃO Os caprinos. . quer nas recrias e engordas intensivas de cabritos.2. com os custos inerentes à utilização de animais mestiços. A descendência apresenta-se deste modo com um grau de heterogeneidade genética de tal modo. Nestas explorações visa-se a obtenção da maior quantidade de leite possível. criados sem qualquer critério. 3.2. sendo esta tarefa amiúde entregue ao "cabreiro". em virtude da selecção a que têm vindo a ser sujeitas. em regimes de pastoreio e como tal são explorados preferencialmente neste sistema. Apesar desta capacidade inerente aos caprinos. mais ainda que os ovinos.ESTABULAÇÃO PERMANENTE Este sistema é utilizado para caprinos.94 A escolha dos animais para produção é/era feita pelas características morfológicas. mas que está muito longe de ser a correcta do ponto de vista zootécnico. existem sistemas de produção em que os animais estão em regime de confinamento permanente. sobretudo pela conformação e tamanho do úbere. mas que algumas raças suportam muito bem. remete-se o leitor para o capítulo Noções Introdutórias. quer em explorações leiteiras com animais de alto valor produtivo.

dado que os caprinos em estabulação aceitam bem as forragens sob a forma de granulados e "pellets". que escolhem de acordo com a época do ano.5.2. podendo estas ser de sequeiro ou regadio e consumidas em pastoreio contínuo. a exploração intensiva envolve custos fixos muito elevados. Pastoreio contínuo é o sistema de eleição para a produção de caprinos. quer . só depois elegendo as partes que irão ser consumidas. só sendo praticável em condições muito especiais. que podem chegar aos 40 % do total que lhes é posto à disposição.3.SEMI-ESTABULAÇÃO É utilizado nos países frios do Norte da Europa e em rebanhos leiteiros de alta produção.PASTOREIO Pelo que atrás foi dito quando se tratou do comportamento alimentar dos caprinos. Devido às razões apontadas. em que o gado vive durante todo o ano do aproveitamento dos recursos da vegetação. pastando uma pequena parte do dia. pastoreio rotacional e pastoreio em faixas. erva de alta qualidade em parques próximos ou adjacentes ao capril.2. em que possam exercer a sua acção selectiva. As pastagens podem ser espontâneas ou semeadas. Esta dificuldade pode ser em parte torneada. caracteriza-se por um exame prévio dos alimentos que lhes são administrados.2.5. que passam parte do dia estabulados. sempre que as suas necessidades alimentares não possam ser totalmente satisfeitas durante o pastoreio. recebendo no entanto suplementos de ração ao fim do dia. 3. Este comportamento selectivo é causador de desperdícios de alimentos. O comportamento alimentar dos caprinos em estabulação.95 As instalações são caras e o maneio é elaborado. chega-se facilmente à conclusão que estes animais são utilizadores preferenciais de sistemas extensivos com plantas arbustivas. 3. bem como silagens finamente picadas. pastoreio deferido. sobre plantas e partes de plantas. Na esmagadora maioria das nossas explorações os animais pastam durante todo o ano.

o comportamento alimentar desta espécie. Dos arbustos as folhas são na Primavera consumidas de preferência aos ramos e frutos. As cabras têm tendência para consumir. os caprinos começam a pastar durante os primeiros 60-90 minutos. os caprinos mostram em determinadas alturas. Em cada caso os caprinos realizam um autêntico consumo selectivo da vegetação. permanentes ou temporárias. ser encarado como um indicador do seu estado de utilização pelos animais. Na prática muito poucas espécies vegetais são rejeitadas pelos caprinos. de uma estação para outra. Este comportamento depende contudo das variações do valor nutritivo das espécies vegetais com a estação do ano. devido à selecção que fazem do alimento.96 seja herbácea. as anuais durante a Primavera e as plantas perenes durante o resto do ano. que da espécie vegetal propriamente dita. que são próprias das zonas desfavorecidas áridas e semiáridas em que normalmente são explorados. onde se encontrem representados os estratos herbáceo. subarbustivo e arbustivo. consumindo das gramíneas preferentemente. devendo a carga animal ser calculada de acordo com as potencialidades da pastagem. de tal modo que não consomem a massa . gomos ou sementes. Pastoreio condicionado . flores. se por um lado constitui uma inexcedível vantagem em situações de exploração extensiva com escassez de alimentos. independentemente da disponibilidade dos outros tipos de vegetação. por outro lado torna-se uma desvantagem em sistemas de intensificação forrageira. as inflorescências. quando os arbustos novos ultrapassam os 60 centímetros de altura. preferência pelos subarbustos e arbustos. É assim mais que evidente que os sistemas de exploração de caprinos mais eficientes do ponto de aproveitamento da pastagem são sem dúvida os sistemas de pastoreio contínuo em extensivo. com existência de abundante vegetação. Nas vegetações do tipo dos matos e floresta. Em pastagens semeadas. prados permanentes ou temporários. não devendo a disponibilidade de determinado tipo de vegetação. quer seja arbustiva ou arbórea. dependendo as preferências alimentares mais da acessibilidade das partes das plantas apetecidas. dentro das plantas herbáceas. consumindo rebentos. seguindo posteriormente a um ritmo de consumo muito mais lento. que constituem as partes mais nutritivas.

com as desvantagens daí inerentes em termos de produção futura. Esta característica dos caprinos conduz a um mau maneio das pastagens. a qual será sempre muito menor do que seria normal. deixando antes áreas ou manchas de erva com tal frequência. .97 forrageira de forma regular. o que leva estas a degradarem-se. que a parte não aproveitada pode representar até 50 % do total da produção do prado.

300. África com 160 milhões de cabeças. existindo em grande número na Ásia África e América Latina. O Género Bos compreende as Espécies taurus e indicus. 1980). A origem dos bovinos é. outro tipo do bovino o Bos brachyceros. Os bovinos englobados na designação Bos indicus. Do que parece não haver dúvida. O efectivo Mundial de bovinos englobava há cerca de uma década.C. como se julgou em tempos. os bovinos europeus provêm de um animal primitivo.1. pela Ásia com cerca de 510 milhões de cabeças. nas suas variedades de rio e de pântano. sendo esta designação originada pela marcada tendência em permanecerem imersos grande parte do dia. Os animais pertencentes à Espécie Bubalus bubalis são os búfalos domésticos Asiáticos. Central e do Sul com cerca de 430 milhões de cabeças. no Subcontinente Indiano (Williamson e Payne. sendo distribuídos por ordem decrescente. distinguindo-se à primeira vista pela característica bossa na cernelha.000 animais. com preferência respectivamente pelas águas correntes e águas paradas. Parece que o centro de domesticação dos bovinos. Há evidências de que cerca de 2000 anos mais tarde. representados pelos bovinos que desde sempre nos são familiares. Europa com 140 milhões de cabeças e Oceânia com 40 milhões de cabeças (FAO. . ainda algo controversa. 1980).000. é que a espécie Bos indicus teve origem na Ásia Ocidental e não. América do Norte. foi "originado" na mesma área. Segundo uns autores. O termo Bos taurus designa os bovinos Europeus. são os animais na gíria conhecidos como zebús.98 4. enquanto que o Género Bubalus engloba entre outras Espécies a bubalis (Williamson e Payne. 1991).000 a. Subfamília Bovinae e Géneros Bos e Bubalus.NOÇÕES DE PRODUÇÃO DE BOVINOS 4. perto de 1.ORIGEM E HISTÓRIA Os bovinos domésticos pertencem à Família Bovidae. designados de “búfalos de água”. o Bos primigenius. se situou na região que é actualmente o Nordeste do Turquestão cerca de 8. como muitos assuntos da área da paleontologia.

2. que na Índia não se consome carne de bovino ou que os bovinos não são utilizados na produção leiteira. pois enrolam a língua à volta das plantas herbáceas. até ao estatuto de animal sagrado. sob diversas perspectivas. assegurada por animais pertencentes à espécie Bubalus bubalis ou sejam os búfalos domésticos (Williamson e Payne.99 Os bovinos são encarados nas várias regiões do Mundo. por parte dos muitos milhões de indianos que professam a religião Hindu. vacas leiteiras da espécie Bos taurus importadas da Europa. sendo impensável por parte dos seus possuidores. existindo em zonas climaticamente favoráveis. No entanto. com que as pastagens próprias para bovinos devam ser altas. estes animais têm a capacidade de apreender ervas de poucos centímetros. América do Sul. pois o estatuto de animal sagrado só se refere a animais da espécie Bos indicus. são animais que fazem a sua alimentação à base de pasto e forragem. 1957). facto sobejamente verificado nos recentes anos de seca no Alentejo. passando por uma situação em que confere estatuto social (estando nesta situação a esmagadora maioria dos bovinos do continente Africano).CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS DA ESPÉCIE 4. como as zonas de altitude. . América do Norte. por esse facto originar perda de parte do seu prestigiante património (Williamson e Payne.2. acrescendo ainda a falta de mobilidade dos lábios apresentada por estes animais Este facto faz. sendo menos selectivos na pastagem que os ovinos e muito menos que os caprinos. bem como bolotas e outros frutos. 1980). ao contrário do que está estabelecido e vem escrito na literatura sobre bovinos. a produção de carne e de leite.1. Os bovinos não são de todo eficientes no aproveitamento das pastagens pobres. e Ásia (Athanassof. A maneira de pastar dos bovinos é bem peculiar. quer ao talho. não desdenhando no entanto rama de árvores e arbustos. Não se pense no entanto. cortando-as em seguida com um golpe dos incisivos. 1980). sendo nas outras regiões. a morte para consumo de qualquer dos seus animais. na Europa. 4. cerca dos 15-20 centímetros de altura. que vão desde simples animais destinados quer à produção de leite.COMPORTAMENTO ALIMENTAR Os bovinos como ruminantes.

visto que as cortam altas. Por este facto. depois da passagem dos bovinos. quando nos grandes latifúndios havia bovinos e ovinos na mesma exploração.COMPORTAMENTO REPRODUTIVO As fêmeas dos bovinos domésticos são animais poliéstricos de ovulação espontânea. com cios de 12 a 30 horas. aproveitam com sucesso quer a silagem. quer ainda a palha de cereais. na Europa e Ilhas Britânicas. assumindo uma média de 20 horas nas raças de carne e de 15 horas nas raças leiteiras. Os bovinos como ruminantes. com uma idade mais comum de 9 a 11 meses nas fêmeas e 9 a 12 meses nos machos. A puberdade nesta espécie é como nas espécies já estudadas. fazendo estes últimos o aproveitamento da pastagem residual.2. possuem características reprodutivas similares. os bovinos de carne e leiteiros. caracteriza-se por comer quase tudo o que está ao alcance da boca. atribuindo-se as variações fisiológicas existentes entre os animais de diferentes aptidões produtivas.2. quer à selecção efectuada nos últimos séculos. foram desenvolvidas de raças ancestrais comuns. até uma média de 292 dias na raça "Brown Swiss". sem grandes preocupações quanto à natureza do pasto. influenciada pela raça e estado de nutrição. quer a diferenças que se vêm verificando nas práticas de maneio. 4. havendo tendência para a puberdade ser atingida um pouco mais cedo nas raças leiteiras. Esta situação foi aproveitada no passado no Alentejo. deixando no entanto no terreno uma boa porção da parte inferior das ervas que consomem.100 A falta de selectividade e a grande quantidade de matéria alimentar necessária para estes animais. experimentam ciclos éstricos com a duração de 17 a 24 dias. podendo iniciar-se dos 5 aos 20 meses. As fêmeas não gestantes. relativamente às raças de carne. remetem-nos para áreas forrageiras de maior valor que as zonas pobres. quer o feno. A gestação tem uma duração de cerca de 9 meses. com reprodução não estacional. A maioria das raças bovinas de carne e leiteiras hoje existentes. . O seu comportamento em pastagem. podendo ir de uma média de 278 dias na raça "Ayrshire". passíveis de serem aproveitadas com maior sucesso pelos ovinos e caprinos.

dado que o touro está numa boxe.2. orelhas erectas e salivando bastante.101 sendo a duração da gestação. a vulva tumefacta. 4.2. factores ligados ao feto (número de fetos e sexo) e factores ambientais (estado de nutrição. urinando a vaca com frequência e apresentando tendência para levantar a cauda arqueando simultâneamente o dorso. mostrando ainda especial tendência para saltar sobre as companheiras. sendo causado pelo mais precoce desenvolvimento das gónadas do feto macho. O número de crias por parto é geralmente de uma. a descoberta do cio não é difícil para o tratador ou técnico habituados a estes animais. são a monta natural e a inseminação artificial. apresentando no entanto os genitais exteriores com normal desenvolvimento.este tipo de reprodução é praticada quase de modo universal. no rebanho com as fêmeas.Monta natural . vermelha e brilhante. realizando-se as cobrições à medida que as vacas vão entrando em cio.1. o que influência de forma negativa o desenvolvimento do aparelho reprodutivo da sua irmã. sendo no entanto frequentes os partos gemelares. nos sistemas de produção de bovinos de raças de carne. possuindo os órgãos genitais internos atrofiados. acontece que a fêmea é estéril em 90 % dos casos. Por todos estes sinais. Os tipos de reprodução praticados em bovinos. A modalidade mais utilizada é a monta em liberdade. sempre que se verifica a monta natural. Em explorações intensivas de raças leiteiras. . Quando se verificam partos gemelares. sendo corrente o emprego simultâneo de vários touros. temperatura e estação do ano). O cio nas fêmeas bovinas tem sintomatologia bem evidente. Se está solta. em que as crias são de sexos diferentes. Este fenómeno é conhecido por "Free-martinismo". O macho apresenta todas as condições para ser fértil. com base nos sinais evidenciados pelo animal. à qual se leva a vaca logo que é detectado o cio. sendo sinais inequívocos de cio. neste caso pelo tratador. com eliminação de um exsudado pegajoso e brilhante. influenciada por factores maternais (idade da mãe). esta é praticada na modalidade que pode ser considerada de monta dirigida. corre desordenadamente com a cauda e cabeça levantadas.

A outra é a indução de superovulação igualmente em vacas de alta produção. sendo retirados os óvulos do útero e posteriormente fecundados in vitro com sémen de touros de alto valor genético. A percentagem de êxito em termos de gravidez. podendo ser transferidos em fresco para outras vacas ou congelados para posterior utilização. Após a fecundação. sendo depois vendido para os mais variados pontos do mundo. Hoje em dia. Os embriões podem resultar da aplicação de duas técnicas. em centros existentes para esse fim. na espécie bovina e só depois de dominadas. Uma é a fecundação de vacas de alta produção.Inseminação artificial .2. nomeadamente os bovinos leiteiros e dentre estes os pertencentes à raça "Holstein-Frisian".2. diluído e conservado. produzem embriões quer frescos quer congelados. existem centros experimentais dotados da mais sofisticada tecnologia. . com o recurso igualmente a tratamento hormonal. Espécie alguma foi sujeita a uma tão grande pressão de selecção como os bovinos. tendo sido estudadas e implementadas todas as técnicas ligadas à inseminação artificial. sendo artificialmente inseminadas com sémen de touros de alto valor genético.102 4. transportado em cápsulas arrefecidas por azoto líquido. sendo no entanto mais comuns taxas de viabilidade de 50 a 60 %. que além de sémen.este tipo de reprodução atingiu na espécie bovina o seu expoente máximo. os embriões são retirados do útero por lavagem. foram extrapoladas para as outras espécies. Para realizar uma transferência de embriões frescos. selecção esta que teve e tem na inseminação artificial o seu principal instrumento. condição indispensável para o êxito da operação. A viabilidade dos embriões congelados pode atingir os 80 %. efectuada com sémen proveniente de touros de alto valor genético para a produção leiteira. é imprescindível a realização da sincronização de cios.2. A esmagadora maioria das vacas leiteiras são sujeitas a inseminação artificial. entre a dadora de embriões e as receptoras. nas quais é induzida superovulação através de tratamento hormonal apropriado. Este sémen é recolhido. utilizando embriões congelados atinge em bovinos uma taxa média de 71 %.

podendo deste modo originar largas dezenas. quer de aptidão leiteira. embora seja a mais cara e por esse facto nem sempre a escolhida. conforme se considerem os países da Europa. Após efectuada a inseminação. simultâneamente com várias vacas que podem ser da mesma raça ou não e que vão actuar como receptoras desses embriões.1. É possível deste modo obter grande número de animais provenientes de pais com grande aptidão produtiva. 4. não sendo como é óbvio.103 Em termos muito gerais a transferência de embriões pode descrever-se do seguinte modo: uma ou várias vacas de alta produção muito acima da média da raça e que vão actuar como dadoras de embriões. Estas vacas vão actuar como mães desses embriões. sendo em seguida inseminadas artificialmente com sémen de alto valor genético para o fim em vista. O recurso a esta técnica possibilita aumentar extraordinariamente o número de filhos de vacas com alto potencial de produção.PRODUÇÃO DE CARNE A carne de bovino ocupa sem dúvida a posição mais importante a nível mundial. desenvolvendo gravidez normal. Estas são sujeitas a tratamento hormonal com PMSG ou FSH.3. A sincronização dos cios tem como fim preparar as vacas receptoras para a recepção dos embriões. . procede-se à recolha e implantação dos embriões nos úteros das vacas receptoras. da América do Norte. Este método efectua-se no âmbito de programas de selecção e melhoramento de raças quer de carne.3. recebem tratamento hormonal conducente a uma sincronização de cios.PRODUÇÃO DE CARNE E DE LEITE 4. A produção de carne de bovino tem características diferentes. mães biológicas dos vitelos que darão à luz. Austrália e África do Sul. visando a superovulação ou seja. sendo a que tem mais aceitação por parte do consumidor. pois teoricamente quando os recebem estão na mesma fase que as dadoras. entre 4 a 8 dias após o cio. a libertação simultânea do maior número possível de óvulos. que de outro modo dariam à luz não mais de 5 a 7 filhos.

Exemplos dessas estratégias são : 1. resultantes de compra em efectivos leiteiros 6. ganhando-se com esta técnica um vitelo adicional 4.a engorda criteriosa das vacas de reforma . Estas novilhas destinadas ao abate são inseminadas artificialmente com cerca de 12 meses e abatidas cerca de três meses após o parto. As estratégias para aumentar a produção de carne são muito variadas.o cruzamento industrial de vacas de raças rústicas com touros de raças pesadas de produção de carne 3. ou os países da América do Sul. dependendo das condições de mercado. entre outros. sendo destinados ao abate os animais jovens. conhecidos por países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento. a maioria com idade compreendida entre os 14 e os 18 meses. a raça e o nível de produção. bem como as vacas de reforma. sujeitando-as a aleitamento de vitelos adicionais. dependendo estes números de vários factores como a velocidade de renovação dos efectivos.a utilização de vacas leiteiras de baixa produção. a carne de bovino é sobretudo proveniente de animais jovens. África e Ásia. As vacas de reforma. para cruzamento industrial em vez de irem para o talho. das condições locais de exploração e do tipo de animais existentes.104 ditos desenvolvidos.a engorda e acabamento dos novilhos e novilhas que são abatidos com idades entre os 14 e os 20 meses 5. engordados e acabados à base de concentrados provenientes de cereais e proteaginosas. atingem taxas anuais da ordem dos 15 a 25 % nas raças especializadas na produção de carne e 10 a 15 % nas raças leiteiras.o cruzamento industrial de vacas de efectivos leiteiros com touros de raças pesadas de produção de carne. Os animais pertencem indistintamente a raças de produção de carne ou a raças de vocação leiteira. o que implica um aumento de peso dos vitelos em relação aos vitelos de raças leiteiras 2.o abate de novilhas leiteiras com um parto. Nos países ditos desenvolvidos. machos e fêmeas não utilizados na renovação dos efectivos.

Actualmente devido à depressão do mercado de carne de bovino. umas largas dezenas de quilogramas de carne. desaparecendo nestas condições como é óbvio qualquer capacidade produtiva. resistem muito bem a estas condições. são produzidos em sistemas de pastoreio extensivo. As carcaças de bovinos apresentam-se sem cabeça e divididas em duas meias carcaças. resistindo muito mal às elevadas temperaturas e baixa humidade relativa. ficando a cauda na meia carcaça direita. A . sendo extremamente difícil canalizar para a produção animal. cereais e proteaginosas. devido a vários factores.105 Durante bastantes anos o abate de vitelos por regra não era efectuado. Este fenómeno largamente difundido na América Central e do Sul. dadas as condições de carência alimentar generalizada que os caracterizam. Os animais apresentam ao abate uma idade de 2-3 anos. Por antítese a carne muito magra torna-se muito seca à mastigação. sendo inclusivamente penalizado. morrendo simplesmente ou sobrevivendo apenas. teve origem no facto dos animais Bos taurus não se adaptarem às condições climáticas existentes nestas regiões. da carne de novilho. São valorizadas segundo uma grelha normativa. com base na qual são classificadas quanto à conformação e estado de engorda. Pelo contrário os animais Bos indicus. Nos países subdesenvolvidos os bovinos destinados ao talho. que contempla seis classes de carcaças. quando estes alimentos são manifestamente poucos para consumo humano. tratando-se nas regiões tropicais. No entanto estes animais apresentam precocidade e velocidade de crescimento inferiores aos animais Bos taurus o que implica o seu abate a idades superiores à daqueles. devido à problemática da Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE). com a quantidade de gordura intermuscular e sobretudo intramuscular. já se abatem vitelos. visto ser uma forma de não vender uns meses mais tarde. a qual está intimamente relacionada com a idade do animal. principalmente de animais mestiços de Bos taurus e Bos indicus. responsável pala textura macia. designada por EUROPE. radicada em diferenças fisiológicas a nível digestivo. devido ao baixo preço que atingem para recria. A qualidade de carne depende da sua textura ou "tenrura" como é erradamente designada na gíria. No entanto apresentam maior rusticidade. entre os quais diferenças na pigmentação da pele e maior número de glândulas sudoríparas. motivado pelo baixo preço no produtor. originários que são de regiões tropicais.

tem enorme importância no cômputo da produção mundial de leite.0 % 0. pelo facto de ser uma substância imprópria para consumo humano. A secreção da glândula mamária produzida desde o momento do parto. até aos 6 dias é o colostro. Por leite entende-se a secreção da glândula mamária de fêmeas da espécie bovina. responsáveis por uma grande parte do leite produzido em certos países como a França (raça Normanda). Nos países Ocidentais s vacas exploradas para a produção de leite.030 (Adaptado de Sá e Barbosa.5 % 3.7 % 1.2. embora existam raças de aptidão mista.2 % 3. 4.6 % 4. produzida desde os 7 dias após o parto até ao fim da lactação. A constituição do leite experimenta importantes variações interrácicas. podendo-se no entanto considerar como composição média do leite a seguinte : Água Matéria gorda Lactose Proteína Sais Densidade a 15 ºC 87.PRODUÇÃO DE LEITE A produção de leite de bovino. pertencem sobretudo a raças específicas de aptidão leiteira.  e  globulinas. sobretudo no tocante à gordura. sobretudo ao nível das proteínas e cuja missão é conferir imunidade à cria através de proteínas específicas do grupo das globulinas. em estado hígido (isto é gozando de boa saúde). se subentende o leite de vaca. como as . Alemanha (raça Fleckvieh) e Suíça (Simmental e Brown Swiss).106 cada letra da designação da grelha corresponde uma situação. que vai desde a carcaça classificada como excelente. sendo tal a sua importância que quando se fala de leite.3. substância com composição muito diferente do leite. até à carcaça classificada como má e destinada à indústria. estando a venda de colostro proibida. 1991) .

etc. a "Marinhoa".4. desde o claro ao retinto com cabos vermelhos ou brancos. mais concretamente em Itália na região de Nápoles. em batidos ou leite com aromas). sendo constituída por animais convexilíneos. a "Galega". existe um considerável número destes animais da raça "Murrah" (que é uma raça de búfalos de pântano).107 O leite destina-se ao consumo em natureza (quer seja pasteurizado. de variadíssimos tipos de queijo. requeijão. mundialmente conhecido por entrar na confecção das "pizzas". Fig. leite evaporado.ALENTEJANA . leitelho. Figuram como raças bovinas autóctones as seguintes : a "Alentejana". 4. Noutros países. sendo naquelas regiões tão importante quanto o leite de vaca. a "Mertolenga" e a "Mirandesa". que não seria de esperar em tão pequeno espaço geográfico. de pelagem vermelha. rústicos. que foi originada no Tronco Aquitânico. Na Europa.Vaca da Raça Alentejana com vitelo Toiro da Raça Alentejana . a "Barrosã". ultrapasteurizado ou esterilizado. a "Arouquesa". a "Mertolenga".é uma raça vocacionada para a produção de carne. eumétricos.RAÇAS BOVINAS PORTUGUESAS O nosso País possui mercê da sua variabilidade em termos edafoclimáticos. a "Brava de Lide". kefir. ao fabrico de manteiga. leite em pó. Dada a sua importância relativa e a natureza desta disciplina somente iremos estudar as raças "Alentejana".4.1. do tipo longilíneo. 25 . a "Maronesa". 3. cujo leite é a matéria prima do verdadeiro queijo "Mozzarella". a "Mirandesa". o queijo "Mozzarella" é fabricado com leite de vaca. No Extremo Oriente o leite de búfala é utilizado em larga escala. de iogurte. a "Barrosã". enérgicos e mansos. uma grande variedade de raças bovinas. e a "Preta".

Os animais desta raça tinham nessa altura uma conformação diferente da que apresentam hoje em dia. tendo havido um registo de um macho desta Raça que atingiu 1417 kg de peso. tanto em regime intensivo. engordados na pastagem em extensivo na Primavera e posteriormente vendidos. o que demonstra grande potencial produtivo. Características produtivas : Fertilidade Prolificidade Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Fecundidade Ganho médio diário * 85-90 % 1 30 a 33 kg 900 a 1100 kg 600 kg 80 a 90 % 1252 g Alguns dos animais desta raça estão registados no "Livro Genealógico da Raça Alentejana". sendo uma parte substancial das fêmeas utilizadas em cruzamento industrial com touros de raças pesadas especializadas de produção de carne. distribuídas sobretudo pelo Alto e Baixo Alentejo. como extensivo.000 vacas. O efectivo de reprodução desta Raça é de cerca de 20. a "Salers" ou a "Limousin". possuindo um maior desenvolvimento do terço posterior (onde se localizam os músculos que mais influenciam no rendimento em carne). que teve como resultado a criação de um animal vocacionado para a produção de carne. apresentando moderada quantidade de gordura intermuscular e intramuscular. tendo a seu cargo no passado a quase totalidade das lavouras do Alentejo. A sua carne é de boa qualidade. como a "Charolesa". Esta conformação é resultante da orientação selectiva dada às vacadas. possuindo um grande desenvolvimento do terço anterior o que é sinónimo de força de tracção. Os bois de trabalho eram no fim da sua vida útil. constituindo as vacadas a fonte de animais para o trabalho. Diga-se .108 A raça Alentejana foi tradicionalmente explorada na função de trabalho. Esta tarefa era desempenhada por machos castrados que eram adestrados para esta função. Actualmente a conformação apresentada pela raça transmite a intenção para que é explorada.

sendo uma raça extraordinariamente rústica. o que lhe permite aproveitar os recursos forrageiros inaproveitáveis por outras raças e que por essa característica é explorada nos terrenos mais pobres em regime extensivo. havendo três variedades : vermelha. Fig.esta raça é originária do termo de Mértola e Martinlongo. malhas na cabeça e cabos brancos. Distritos de Évora e Beja. por parte da região de Elvas. exercida por machos castrados. constituindo defeitos eliminatórios.Vacas da Raça Mertolenga com vitelos. São animais de tamanho mediano e de formas harmoniosas e esqueleto fino. sobretudo na margem esquerda do rio Guadiana.MERTOLENGA . * Os ganhos médios diários são referidos a animais entre os 11 e os 17 meses 4. rosilho milflores e malhada de vermelho. com pelagem variada. É como se disse uma raça muito rústica.2.4.109 que as vacadas inscritas no Livro Genealógico estão obrigadas à reprodução em linha pura. possuindo o contorno das aberturas naturais e mucosas de côr clara ou ligeiramente pigmentada. variedades “Malhada” e “Rosilho” A sua área de dispersão é constituída pela charneca do Ribatejo. 26 . . tendo no passado sido explorada na função trabalho. zona de solos paupérrimos.

que às características raça em si. Foi fundamental na recuperação da raça o programa de selecção e melhoramento levados a cabo na antiga "Estação de Reprodução e Selecção Animal do Baixo Alentejo." hoje "Centro de Experimentação do Baixo Alentejo". difíceis). A carne desta raça é de extraordinária qualidade. apresentando notáveis qualidades organolépticas. sendo uma boa leiteira mesmo em condições de alimentação difícil. tendo sido posteriormente criado o "Livro Genealógico da Raça Mertolenga". Vila Nova de São Bento. é a rosilho mil-flores. pelo que estes animais mostram hoje capacidades produtivas nos testes de "performances" superiores aos das outras duas variedades. Bento. A variedade que mais foi afectada pelo programa de selecção.000 vacas. na Herdade da Abóbada na freguesia de Vila Nova de S. que ronda os três anos. . 27– Toiro da variedade “Malhada” Novilhos da variedade “Vermelha” Os seus vitelos são muito vigorosos. a "Charolesa".110 Fig. No entanto. A sua capacidade maternal é notável. Esta raça esteve em perigo de desaparecimento. que a idade tardia do primeiro parto. e "Limousin". nomeadamente a "Alentejana". o qual actualmente se encontra fechado. permitindo facilmente criar um vitelo proveniente de cruzamento industrial. representando o efectivo da raça actualmente cerca de 20. O Registo Zootécnico desta Raça é feito desde 1977. mesmo em cruzamento com touros de raças pesadas. devido ao cruzamento irracional e indiscriminado com raças mais pesadas nacionais e estrangeiras. sito na Herdade da Abóbada. tendo inclusivamente ganho alguns concursos frente às mais variadas raças e cruzamentos. Os principais inconvenientes desta Raça. foi recentemente provado por ensaios realizados no Centro de Experimentação e Reprodução Animal do Baixo Alentejo. são o temperamento muito nervoso e a idade ao 1º parto tardia. sendo praticamente inexistentes nesta raça os partos distócicos (partos anormais. está muito mais ligado ao sistema de exploração a que são submetidas as novilhas. o que significa que somente podem ser inscritos no "Livro Genealógico" animais filhos de animais registados.

000$00 aos criadores de vacas aleitantes independente da sua raça. Acresce ainda o facto. têm menor consumo alimentar. sendo mais mal pagos que os animais de outras raças e cruzas.é originária da região de Miranda do Douro.000$00 / ano por criarem uma raça autóctone 2. 5.3.as vacas Mertolengas devido seu pequeno tamanho.é dada uma ajuda compensatória de 42.111 No panorama bovino da Zona Sul do nosso País. que com vacas da raça Alentejana. puros ou cruzados. de os compradores de gado depreciarem os vitelos e novilhos das Mertolengos.como foi provado num estudo realizado no "Centro de Experimentação do Baixo Alentejo" consegue-se obter mais quilogramas de vitelo desmamado por hectare com vacas desta raça. que por exemplo a Alentejana ou as suas cruzas com touros das raças Charolesa ou Salers.4. Deste modo é perfeitamente perceptível que se torna mais rentável explorar esta raça. tão comuns nesta região. sendo possível ter mais vacas desta raça que de outra raça qualquer. esta raça assume cada vez maior importância devido a vários factores : 1. Deve salientar-se no entanto que os vitelos Mertolengos mesmo cruzados. muito pobre e de clima agreste. obtendose com eles menor rendimento unitário. têm menor peso ao desmame que os vitelos das raças e cruzas citadas. ainda mais quilogramas de vitelo desmamado se conseguem por hectare. 3.MIRANDESA .os criadores desta raça recebem uma adicional ajuda compensatória no valor de 26. Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Fecundidade Ganho médio diário 24 a 26 kg 450 a 600 kg 300 a 400 kg 85 a 95 % 800 g 4. apresentando os seus animais notáveis qualidades de trabalho.utilizando um touro de raça pesada especializada na produção de carne. . 4.

Foi no passado e ainda o é. apresentando-se ainda hoje e apesar das modificações operadas no sector bovino nacional. Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Ganho médio diário 37 a 39 kg 800 a 1000 kg 450 a 550 kg 1200 g O efectivo desta raça ronda as 50. sendo considerada uma raça pura absolutamente original no Continente Europeu. explorada como raça de aptidão mista trabalho / leite / carne. 28 – Toiro da Raça Mirandesa Vaca da Raça Mirandesa com vitelo Os animais desta raça têm pelagem castanha. Fig.4. no seu solar de origem e nas regiões de minifúndio do Norte de Portugal. com a parte anterior e a cabeça e extremidades castanho-escuro quase preto.esta é a raça emblemática da Bovinicultura Portuguesa. uma das nossas principais raças de produção de carne. sendo também.BARROSÃ . sendo famosa a "Posta Mirandesa".000 vacas. exploradas em cruzamento industrial com touros de raças pesadas especializadas na produção de carne.4. sendo a raça mais numerosa no panorama bovino Nacional 4. As qualidades desta raça como produtora de carne foram também reconhecidas. embora em pequena escala utilizada como produtora de carne. integrada em vacadas mistas. tendo inclusivamente descido abaixo do rio Tejo.112 pelo que se dispersaram para outras terras Transmontanas e Beirãs. A .

Explorados na produção de trabalho e leite foi contudo na produção de carne que se notabilizaram estes animais. de tamanho excessivo quer em comprimento. chegando a ter 1 metro de comprimento e 35 centímetros de perímetro. quer em espessura. para a frente e para fora. é o tamanho e a forma dos cornos. 29 – Toiro da Raça Barrosã Vacas da Raça Barrosã A Raça Barrosã é considerada uma raça de montanha. indo as vacas da côr palha ao acerejado. exacta Raça necessita de uma orientação realista. da óptima qualidade da sua carne e da sua grande adaptação ao meio. com a envergadura de 1. A armação atinge a sua maior expressão nos animais castrados. tendo sido encontrado no Norte de África o seu ancestral paleontológico denominado Bos pimigenius mauritanicus. valores frequentemente atingidos. sendo os touros mais escuros. para evitar o seu desaparecimento por mestiçagem indiscriminada. A principal característica morfológica distintiva desta raça. Apesar dos seus padrões de produtividade.113 sua origem parece remontar à ocupação da Península Ibérica pelos Árabes. que produz muito bem nas condições tradicionais de pastoreio da sua região de origem. Estes animais possuem pelagem castanha. no mercado Inglês. . Fig. particularmente no terço anterior. tendo preços diferenciados das outras raças. para o qual foi intensivamente exportado até há bem pouco tempo. apresentando a forma de lira quando vistos de frente.5 metros. tendo-se inclusivamente imposto pelas qualidades organolépticas da sua carne. projectando-se quase verticalmente. desviando-se para os lados.

114 Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Ganho médio diário 26 a 28 kg 500 a 700 kg 350 a 400 kg 875 g O efectivo de produção desta raça é constituído por cerca de 35. .000 vacas.

na forma do úbere visando uma conformação própria para a ordenha mecânica. no aumento do teor em matéria gorda e proteína do leite.é originária de uma região que ocupa as zonas costeiras dos Países Baixos (conhecida como Frísia) e uma parte da Alemanha (conhecida como Holstein). tendo alcançado devido às suas características produtivas uma expansão mundial de tal ordem. 4. a "Jersey" pelas características do seu leite.HOLSTEIN-FRISIAN . 30 –Vacas da Raça Holstein-Frisian A pelagem destes animais é branca malhada de preto ou preta malhada de branco. a "Hereford" por ser a raça bovina de carne mais numerosa e dispersa no Mundo. orientada no princípio para a produção leiteira.5.1. tendo sofrido depois vários processos selectivos.115 4. que é hoje a raça leiteira mais importante em termos numéricos e em termos de produção. .5. a "Limousin" e a "Salers" pela importância no Mundo e em Portugal.RAÇAS BOVINAS DE MAIOR DIFUSÃO MUNDIAL As raças que vão ser objecto de estudo no contexto desta disciplina são : a "Holstein-Frisian" por ser a raça leiteira mais importante. na produção de carne. sendo animais de esqueleto fino e mediolíneos. no aumento da capacidade ingestão de alimentos e novamente o aumento da produção leiteira. visando uma melhoria na conformação da carcaça. no Mundo. Fig. a "Charolais". Esta raça é a raça bovina que foi objecto de mais processos de selecção. possuindo grande capacidade de adaptação a diferentes zonas climáticas e sistemas de exploração.

atingindo em média os machos o peso de 600-700 Kg e as fêmeas 350-450 kg. e 3. com círculos mais escuros à volta dos olhos.JERSEY .000 kg de leite.9 % de . partos fáceis e grande capacidade de ingestão alimentar.esta raça é originária da ilha do mesmo nome. com elevados teores de proteína e gordura. de boa conformação e precocidade. situada na costa da Grã-Bretanha. muito compactos. que são grandes e de expressão doce. Fig.116 O resultado de todos estes processos de selecção.93 % de proteína e 4 % de gordura. A sua côr é a parda. com cornos pequenos. com 3. é uma raça de grande produção leiteira. uniforme ou malhada de branco.8 a 6 % de gordura. esqueleto fino e cascos duros e resistentes. Foram registadas lactações de 17. desde o tom claro ao escuro. de temperamento dócil. 31 – Vacas da Raça Jersey Foi seleccionada desde tempos imemoriais para a produção manteigueira.2.000 kg. Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Ganho médio diário 28 a 33 kg 900 a 1200 kg 600 a 700 kg 875 g 4. de úberes com grande facilidade de ordenha. Estes animais são de pequeno tamanho.5. possuindo um leite com 5. o que lhe permite atingir uma grande produção láctea. A produção média numa lactação de 305 dias é de cerca de 11.

produzindo em média cerca de 5. pela sua composição e pelo diâmetro dos seus glóbulos de gordura é muito saboroso e a nata e a manteiga são igualmente apreciados. possuindo os vitelos uma carne muito apreciada. quer em cruzamento. partos fáceis e boa capacidade de adaptação. 4. África. O elevado teor proteico do seu leite. Fig. . O leite destes animais. tendo o melhoramento desta raça sido iniciado nos meados do séc. A sua capacidade de adaptação aliada à sua resistência.HEREFORD . sendo conhecida desde tempos imemoriais pelo seu tamanho. tamanho grande.5. torna-o matéria prima para a indústria queijeira.é originária do Condado de Hereford na Grã-Bretanha.117 proteína. boa precocidade. Ásia e Austrália. 32 –Toiro da Raça Hereford São animais de perfil convexo. ganharam a alcunha de "fábricas de manteiga".000 kg de leite por lactação de 305 dias. contribuíram para a sua expansão geográfica. As vacas possuem excelentes qualidades maternais. boa fertilidade. sendo explorada quer em raça pura. por Benjamin Tompkins.3. tornando-se muito agressivos entre si e em relação ao homem. em muitos países da América Latina (sobretudo na América Central). XVIII. desde a cabeça até à região lombar. Os touros possuem caracter violento. de tal modo que estas vacas pelo elevado teor butiroso do seu leite. de pelagem característica vermelha com a cabeça branca e muito frequentemente um listão branco longitudinal médio. resistência e aptidão para a produção de carne.

com elevados ganhos médios diários. Na actualidade é uma das raças especializadas na produção de carne. mais apreciadas em todo o mundo. de pelagem branca uniforme. tendo contribuído para a formação de algumas raças modernas.CHAROLAIS – entre nós designada de Charolesa. mas sobretudo em regime extensivo. até às estepes áridas da Austrália. devido às suas características melhoradoras.4. percentagens de 30 %. de grande tamanho. a sua característica cara branca e as extremidades igualmente brancas. No entanto esta característica é apreciada pelos povos de influência anglo-saxã.5. os touros e de 450-700 kg as vacas. como a Santa Gertrudes e a Brahman americanas. Estes animais atingem pesos de 700 a 1000 kg. pescoço curto e linha do dorso horizontal. muito musculados. São animais compactos. passando pelas pampas Argentinas. esta raça originária da região de Charol. situada no Saône-et-Loire.118 Esta raça é considerada em termos mundiais a mais importante raça bovina para a produção de carne. com vista à especialização na produção de carne. sendo explorados em regimes variados. Em cruzamento transmitem à descendência. que foi seleccionada no início deste século para a produção de bois de trabalho. Posteriormente sofreu novo processo de selecção. Era originalmente uma raça de trabalho. apresentando mucosas claras e sem manchas. desde as montanhas dos EUA e do Canadá sob intensos frios de Inverno. 4. sendo utilizada em cruzamentos com Bos indicus e Bos taurus em mais de 70 países. . apresentando grande desenvolvimento do terço posterior. As vacas têm partos fáceis e boas qualidades maternais. que pode atingir em relação ao peso da carcaça. Estes animais são muito rústicos. podendo igualmente ser creme. com o inconveniente de experimentar uma deposição precoce de grande quantidade de gordura intermuscular e subcutânea. pesados e que demonstrassem facilidade de engorda. quer em cruzamento industrial com Bos indicus em regiões tropicais ou com Bos taurus em regiões temperadas. dando leite suficiente para um bom crescimento do vitelo. em França. possuindo uma carcaça bem conformada. Esta raça é utilizada quer em linha pura.

5 a 69 %. 33 –Toiro da Raça Charolais Vaca e vitelo da Raça Charolais Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Ganho médio diário 47 kg 1000 a 1400 kg 700 a 800 kg 1450 a 1550 g As vacas desta raça têm excelentes qualidades maternais. é largamente utilizado em cruzamentos. o Charolês quando comparado com as outras raças. O Charolais ou Charolês como é conhecido entre nós. Quanto à capacidade de produzir carne. Em cruzamento transmite à descendência estas características. qualquer que seja a idade de engorda. . com altas percentagens de músculo e depósitos adiposos muito limitados. No Brasil e na África do Sul. seja com raças leiteiras. no intuito de aumentar a produção de carne a partir de efectivos leiteiros ou a partir de vacas de raças rústicas. dá as mais pesadas carcaças. sendo a percentagem de nascimentos gemelares desta raça de cerca de 4%. seja com raças de carne. Os vitelos desta raça com idades de 14 a 16 meses podem atingir rendimentos de carcaça de 67. com óptima produção leiteira superior a 1700 kg de leite por lactação.119 Fig. dando frequentemente 10-12 vitelos na sua vida útil. possuindo igualmente grande longevidade. esta raça é largamente utilizada em cruzamento industrial com zebús (Bos indicus). de gordura predominantemente intermuscular (facto que muito contribui para a falta de sapidez da sua carne).

São animais de grande formato. mais pequena que as crias das demais raças especializadas na produção de carne. com as inerentes perdas económicas. Fig. de pelagem castanho clara que é mais escura nos machos. em grande parte devido ao tamanho da cria. 4. pela quase certeza de dificuldade de parto que vão experimentar. Os partos são fáceis.5. sendo abatidos um ano mais cedo. e mucosas claras sem manchas.5. sendo o intervalo médio entre dois partos consecutivos de 375 dias. possuindo muito boa conformação.LIMOUSINE . é o peso dos vitelos ao nascimento. bom rendimento de carcaça e óptima qualidade da carne. adquirida numa região de chuvas abundantes e solos graníticos muito pobres.120 transmitindo aos F1. 34 –Toiro da Raça Limousin As vacas desta raça têm fertilidade de cerca de 95 %. característica que transmite por cruzamento. um tal aumento de peso e precocidade. teve origem em animais de tiro de grande rusticidade. em relação aos Bos indicus puros.esta raça originária do Maciço Central Francês. Uma desvantagem da raça Charolesa em cruzamento industrial. quer pela conta de serviços veterinários. Como produtora de carne. esta raça é excelente. musculosos. . o que a torna não recomendável para padrear novilhas. que estes chegam a apresentar aumentos de 100 Kg de carcaça. grande precocidade. de esqueleto fino e bons aprumos. representadas quer pela perda de alguns vitelos e algumas vacas.

5. Devido a todas as características apontadas.é outra raça originária de França.SALERS . Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Ganho médio diário 37 a 39 kg 1000 a 1200 kg 650 a 750 kg 1390 g 4. a grande velocidade de crescimento e o pequeno tamanho do vitelo ao nascer.121 Os animais desta raça têm a particularidade de manter uma composição da carcaça constante. Fig.6. com moderado estado de gordura. desde vitelos até à idade de 20-22 meses. intermuscular e intramuscular. sendo a carne destes animais. onde com o seu leite contribui para o fabrico dos queijos do mesmo nome. 35 – Vacas e vitelos da Raça Limousin Em cruzamento industrial transmitem as características de constância da composição da carcaça. sendo explorada em cruzamento industrial ou em linha pura. esta raça é muito procurada. Esta última característica torna os touros desta raça particularmente indicados para padrear novilhas de primeira barriga. que tornaram famosa aquela região. encontrando-se difundida em mais de 50 países. teve origem em animais vocacionados para a produção de animais de tiro. Tal como as outras raças de origem francesa já estudadas. posteriormente seleccionados para a produção de carne. tendo o seu solar de origem na região de Cantal. considerada a mais sápida de todas. .

havendo muito poucos . entre os 6 e os 12 meses. Como produtores de carne. grandes. dado o grau de mestiçagem que se verifica nas vacadas alentejanas. esta raça é explorada na função mista carne / leite. robustos e rústicos. Espanha e Portugal entre outros. 36 –Vacas da Raça Salers Fig. México. No nosso País esta raça assume grande importância. havendo registos de vacas que produziram 4600 kg de leite no mesmo período. apresentando rendimentos de carcaça. Na região de origem. 37 . de pelagem vermelho escura uniforme e cabos brancos. e pesos de carcaça de 380 a 400 kg aos 18 meses. experimentando ganhos médios de 1350 a 1450 g.122 São animais dóceis. Canadá. sendo comum uma vaca amamentar o seu vitelo e simultaneamente outro como ama de leite. sendo a média das lactações em França de 2978 kg de leite em 271 dias. os animais desta raça são notáveis. Fig. a frio de 64 % dos 14 aos 16 meses.Vaca da Raça Salers sujeita a ordenha manual A capacidade leiteira desta raça é notável. Devido às suas características produtivas os animais desta raça foram exportados para vários países entre os quais EUA.

4. das vacadas formadas por vacas cruzadas padreadas com touros de raças pesadas especializadas na produção de carne e das vacadas de raças especializadas. recebendo . de bovinos de raças vocacionadas para a produção de carne.1. exploradas em cruzamento industrial com raças pesadas especializadas na produção de carne ou em linha pura. de bovinos explorados em aptidão mista trabalho / leite / carne e de bovinos provenientes de raças de produção de leite. sendo os vitelos vendidos precocemente para recria e engorda. Características produtivas : Peso ao nascimento Peso dos touros Peso das vacas Ganho médio diário 4. Os bovinos de raças produtoras de leite utilizados para a produção de carne. para possibilitar a venda do leite. são provenientes de sistemas intensivos de produção de leite.6. na tentativa de manter a rusticidade perdida devido a cruzamentos irracionais e desordenados.6. que pode ser contínuo. são exploradas em regime de pastoreio. Os bovinos de raças de carne são provenientes das vacadas de raças rústicas.123 exemplares de raça Alentejana que não possuam sangue "Salers". nos quais os vitelos machos e fêmeas são olhados como subprodutos da produção leiteira. As vacas de raças produtoras de animais destinados ao talho.SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE CARNE Os bovinos para a produção de carne são provenientes. diferido ou rotacional. Os animais de raças exploradas em aptidão mista trabalho / leite / carne. introduzido na tentativa de melhorar a conformação e as "performances" maternais da citada raça. como atrás se disse.SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE BOVINOS Os sistemas de produção de bovinos são diferentes conforme se considere a produção de leite ou a produção de carne. provêm das regiões onde impera o minifúndio. sendo desmamados com idades 39 a 43 kg 900 a 1200 kg 650 a 750 kg 1350 a 1450 g compreendidas entre os 7 e os 9 meses.

Como não se pretende fazer um estudo exaustivo de todos os sistemas de produção de leite. altura de maior crescimento do feto e de maiores necessidades energéticas.SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE LEITE As vacas utilizadas na produção de leite no Mundo. Nas vacadas exploradas para a produção de animais destinados ao talho. em anos de pluviosidade normal. .6. Os partos devem realizar-se com intervalos de cerca de doze meses. que antecedem o parto. os animais recebem uma alimentação rica em energia e proteína à base de concentrados de cereais e proteaginosas com feno e/ou silagem. O conceito de regime intensivo de produção de leite. não poderão pelas mais variadas razões. produzindo leite durante dez meses e permanecendo seca nos dois meses seguintes. condições climáticas. idades e pesos. compreende a estabulação permanente e a semi-estabulação. o que seria desajustado do âmbito desta disciplina. consequência das condições locais. são submetidas aos mais variados tratamentos. ser respeitados. Os vitelos machos e fêmeas após o desmame são submetidos a confinamento em parques denominados "feed lots". há normas e preceitos zootécnicos que provavelmente em múltiplas situações. o tipo de reprodução largamente utilizado é a monta natural. As vacas exploradas neste regime devem ter partos com uma periodicidade de doze meses. que lhes permita exibir todas as potencialidades permitidas pelo seu património genético. em linha pura ou como repetidamente se disse atrás. Normalmente os novilhos e novilhas estão preparados para o abate a idades compreendidas entre os 14 e os 20 meses.124 suplementação de farinha e feno. de idade e ambientais o permitem. que correspondem ao fim do Verão e princípio do Outono. 4. palha ou silagem. sendo o seu peso tão variado quanto as condições genéticas. raça. especializadas na produção de carne. em cruzamento industrial com touros de raças pesadas. entrando numa exploração intensiva. experimentando assim grande aumento de peso. separados por sexos. Neste sistema de engorda intensiva. No entanto em traços gerais e qualquer que seja a situação. iremos focar o sistema intensivo nalgumas das suas inúmeras possibilidades. precisamente as que são mais adoptadas na Europa Ocidental e na América do Norte. etc. nas épocas de carência de alimentos.

O tipo de reprodução quase exclusivamente utilizado é a inseminação artificial. Durante o período adicional em que irá nessa circunstância permanece seca.os animais encontram-se soltos dentro de um recinto limitado. recebendo o empresário menos dinheiro proveniente da produção de leite. o cio das vacas leiteiras é curto. como o próprio nome indica. O sistema de pastoreio mais indicado nestas explorações é o pastoreio em faixas A alimentação das vacas submetidas a sistemas intensivos de produção leiteira têm uma alimentação muito rica em energia e proteína. Semi-estabulação . com feno de boa qualidade. Estabulação permanente . .neste regime as vacas estão.125 proteicas minerais. . sendo uma parte coberta. e durante o cio. não haja possibilidades de efectuar a inseminação em tempo útil. período correspondente ao atraso na data próximo parto e consequentemente do próximo período de lactação. forragem verde e/ou silagem.os animais permanecem presos a um local no interior do estábulo.estabulação fixa . pois como se disse atrás. a exemplo do que acontece aos fins de semana. somente fará cio dentro de 21-22 dias. O facto de haver um touro para este fim na exploração pode representar um enorme benefício em termos económicos. a vaca terá que comer e os empregados terão que ser pagos. que pode ser de estabulação convencional ou livre. à base de concentrados de cereais e proteaginosas. deve a vaca ser coberta ou inseminada. nas quais permanecem determinadas horas do dia.é também designada estabulação mista e neste regime os animais dispõem da possibilidade de se deslocarem a pastagens necessariamente muito perto do estábulo. permanente estabuladas. na tentativa de fornecer todas as possibilidades de exprimirem na totalidade as suas potencialidades produtivas. devendo no entanto haver em todas as explorações deste tipo um touro. existindo várias opções : . designada por área de repouso e outra descoberta designada por área de exercício. Se o não fôr. O nível de produção na futura lactação depende muito do nível de alimentação nesta época. recolhendo depois ao estábulo.estabulação livre . não saindo do estábulo senão para ir para o talho. que se destina a cobrir todas as vacas que fazendo cio.

Os vitelos podem mamar o colostro ou este ser-lhes apresentado em aleitador artificial. contendo proteína vegetal. todas as decisões técnicas têm em vista a maximização dos lucros. com sémen de touros de raças especializadas na produção de carne. vitaminas de síntese. situação já focada no ponto respeitante à produção de carne. É situação corrente fazer a inseminação de vacas leiteiras em explorações deste tipo. Posteriormente e a seu tempo serão recriados e engordados. na obtenção da matéria prima. . etc. sendo o tipo da sala de ordenha escolhido de acordo com as características da exploração nomeadamente o número de vacas. no sentido de diminuir os custos fixos e variáveis da produção. gorduras. sendo em qualquer dos casos submetidos a aleitamento artificial com leite de substituição (farinha de leite.). em pó.126 A ordenha nestas explorações é feita mecanicamente. destinando-se ao talho. Qualquer que seja a opção de produção. o tipo de estabulação. etc. o leite. situação em que se insere a menor utilização possível de mão-de-obra. para aumentar o peso dos vitelos e consequentemente a produção de carne. Assim ou são vendidos para explorações que se dedicam à cria de vitelos ou são criados na exploração. Em explorações deste tipo os vitelos são considerados um subproduto e como tal são olhados como concorrentes do empresário.

1980). Segundo esta última teoria. entre as quais a Sus scrofa ferus (javali Europeu). Williamson e Payne.ORIGEM E HISTÓRIA Os suínos pertencem à Ordem Artiodactyla. Família Suidae. doença provocada pelo "bacilo de Hansen".NOÇÕES DE PRODUÇÃO DE SUÍNOS 5. enquanto a outra indica um centro de domesticação mais ou menos bem localizado. símbolo de abundância (Andrade. os quais foram datados de 7000 a. 1965).127 5. 1965 . Desde a mais remota Antiguidade que os suínos domésticos são apreciados pelo Homem.. a domesticação desta espécie ocorreu na região ocidental da Ásia. Género Sus. defendendo uma que os suínos foram domesticados de modo independente em várias regiões.C. tal como na Bíblia e no Alcorão. destes animais em outros lugares (Williamson e Payne. A origem dos porcos domésticos é ainda hoje controversa. O porco é tratado nos antigos livros Chineses. a Sus scrofa cristatus (porco selvagem Asiático) e a Sus scrofa domesticus (porco doméstico) (Williamson e Payne. sendo anteriores a quaisquer outros vestígios conhecidos. 1980). Os Gregos atribuíam ao porco a amamentação de Júpiter e imolavam-no a Ceres. sabendo-se no entanto que formas ancestrais dos suínos existiam há 40 milhões de anos. como transmissor da lepra e da triquinose (Andrade. 1965). sendo prova disso as ossadas de porcos domésticos encontradas nas mais antigas estações pré-históricas e palustres. mais precisamente no Sudeste da Anatólia. sendo no entanto o . pois proscrevem-no como animal imundo (Andrade. de onde se teria gradualmente dispersado para o Sudeste Asiático. Na realidade porco nada tem a ver com a transmissão da lepra. Actualmente existem duas teorias contraditórias a este respeito. foram encontrados vestígios de porcos domésticos em Cayöny na Turquia. Espécie scrofa e a várias Subespécies. sendo considerado este animal por estes dois povos. proviria de este animal ter sido julgado pela civilização de então. para a Europa e para a África. 1980). Marte e Cíbeles enquanto os Romanos o incluíram nos baixos relevos designados Suovitaurilia e o imolavam aos deuses. Sub-ordem Bunontia.1. Supõe-se que esta proscrição na Bíblia e no Alcorão. A confirmar parcialmente esta teoria. embora as referências a esta espécie nestas duas últimas obras tenha um cunho negativo.

1979. côr amarelada ou vermelha acastanhada e pêlo áspero. é que o porco Siamês (que é por vezes identificado pelo nome específico de Sus indicus). havendo alguns pretos e malhados. A transmissão destas duas parasitoses é motivada pelo consumo de carne insuficientemente. . Alguns porcos Siameses foram importados pela Inglaterra na mesma altura. mas possuindo cerdas pretas e pele acobreada. associadas à capacidade de engordarem facilmente. o qual pode ter existido no passado. Estes suínos asiáticos tinham na sua maioria côr branca. O que é hoje dado como certo. crê-se que originários da região de Cantão. Soulsby. Actualmente é muito vasta a dispersão geográfica de suínos selvagens e assilvestrados (termo que classifica os animais domésticos fugidos à tutela humana e que se tornaram autónomos). 1986). foram introduzidos na Inglaterra (país na altura com fortes relações com a China) e cruzados com os suínos de tipo antigo Inglês caracterizados por serem pouco precoces. foi introduzido na região do Mediterrâneo na era Romana tendo sido utilizado em cruzamentos com porcos locais. forma larvar da Taenia solium. Mais tarde porcos do tipo Napolitano. 1981 . terem orelhas compridas e caídas. XVIII porcos Chineses. grande rusticidade e boa precocidade. Borchet. sendo estes do mesmo tipo que os porcos Chineses. Mais tarde no fim do séc. Aceita-se hoje que alguns exemplares do tipo do Sus vitatus podem ter sido introduzidos na Europa por criadores do Neolítico oriundos do Leste. agente da triquinose e do Cystircercus cellulosae. produzindo um tipo de suíno que mais tarde ficou conhecido por porco Napolitano. na Ásia Ocidental (Williamson e Payne. 1980). sendo geralmente aceite que todas as raças actuais de suínos domésticos. tendo a sua introdução razões sediadas na sua grande prolificidade. pretos e sem cerdas foram também introduzidos em Inglaterra e cruzados com os tipos de porcos locais. de orelhas pequenas e erectas.128 transmissor da Trichinella spiralis. derivaram de uma forma ou de outra de dois tipos selvagens : o Sus vitatus (sinónimo de Sus scrofa cristatus) ou porco selvagem Asiático e o Sus scrofa ferus ou porco selvagem Europeu. cozinhada proveniente de animais portadores (Leitão.

castanhas. onde existem formas assilvestradas. lavagens de cozinha ou leitaria. representando o seu número cerca de 30 % do número dos ruminantes. os suínos foram introduzidos pelo Homem na América do Norte. Siameses e Napolitanos. azeitona. na Australásia e nas ilhas do Oceano Pacífico e Índico. de culto Muçulmano. farinha de sangue.1. correspondendo 73 % deste número à Alemanha. 1991). nas Caraíbas.CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS DA ESPÉCIE 5. sendo de certo modo competidores com Homem pelo alimento. farinha de peixe. dos quais cerca de 120 milhões estão sediados na Comunidade Europeia. tendo os descendentes desses porcos sido mais tarde cruzados com porcos Ingleses de raças modernas. gorduras. bagaço de girassol e de outras leguminosas. glandes de sobreiro e de carvalho. frutos secos. No período colonial da América do Norte. na Ásia e possivelmente no Norte e Noroeste de África. tubérculos.2. Na actualidade os porcos estão distribuídos praticamente por todo o Mundo. O efectivo mundial de suínos está computado em qualquer coisa como 800 milhões de cabeças. exceptuando-se as zonas áridas e as regiões em que as questões religiosas o impõem. frutos deteriorados. Os Suínos são a terceira espécie doméstica mais numerosa a nível Mundial. América Central e América do Sul. Apesar de haver suínos selvagens indígenas na Europa. bagaço de azeitona. bolotas. No entanto não existe nenhuma espécie pecuária que utilize tamanha variedade de alimentos. consumindo desde erva verde. foram importados da Europa porcos de tipo antigo Inglês. logo a seguir aos Bovinos e aos Ovinos. cereais alterados (e logicamente em bom estado). silagens. estando praticamente ausentes de todas as regiões do Mundo. cascas. etc. 5. bem como com porcos importados do Sudeste Asiático e de outras partes do Mundo. que se originaram os ancestrais das modernas raças de porcos Ingleses. soro de leite. Holanda e Dinamarca (FAO.2. bagaço de uva. França. . farinha de carne. legumes. com os porcos Ingleses de tipo antigo. raízes.COMPORTAMENTO ALIMENTAR Os suínos são monogástricos omnívoros.129 Foi do cruzamento de porcos Chineses.

fungos e toda a espécie de bolbos e raízes que desenterram com o seu focinho terminado em tromba. conceito inverso do índice de conversão definido como a quantidade de alimentos necessários ao aumento de um quilograma de peso corporal). isto vai reflectir-se nas qualidades . Como monogástricos os suínos têm uma fisiologia digestiva totalmente diferente dos ruminantes. dos referidos ácidos gordos. répteis. directamente nos tecidos de reserva na forma em que foram ingeridos. "ferramenta" com a qual removem incansavelmente a terra na busca de qualquer possível fonte alimentar vegetal ou animal. que as trufas são consideradas o alimento mais caro do mundo. que têm como nenhuma outra espécie (exceptuando algumas aves). ingerem cadáveres de animais abandonados. invertebrados. Os suínos em liberdade. sendo a quantidade de alimentos necessária para a obtenção de 1 kg de peso vivo. atingindo um quilograma destes fungos várias dezenas de milhares de escudos) e só uma grande com acuidade olfactiva se consegue nestas circunstâncias detectá-las. caracterizada. batráquios. pois se os lípidos provêm de alimentos alterados. onde a comida humana é barata e existe em quantidade.130 Devido a este ecletismo. pastam. inferior a 2. e em todos os locais onde existam grandes quantidades de sobras e subprodutos alimentares. Existem actualmente suínos de raças modernas seleccionadas. caça miúda.62 kg. uma grande eficiência alimentar (ou seja a capacidade de conversão de alimentos em substâncias corporais. tarefa na qual se mostram superiores aos cães. trabalho que conseguem desempenhar com bastante êxito. pela inclusão dos ácidos gordos ingeridos na dieta. que são utilizados em França na detecção de trufas. As trufas são fungos que por vezes estão enterrados a mais de um metro e meio de profundidade (diga-se a título de informação. têm sido feitas várias tentativas de adestramento destes animais na detecção de drogas. no que ao metabolismo dos lípidos se refere. o número de suínos é geralmente maior. detectados pelo seu apuradíssimo olfacto. experimentando ganhos médios diários que podem ser superiores a 850 g. Igualmente devido ao seu olfacto. não se verificando alterações em termos de saturação/instauração. ninhos. Estes animais têm o sentido do olfacto de tal modo apurado. Este facto condiciona grandemente a qualidade do produto final.

pois o sabor tão apreciado nestes produtos. Podemos então dizer que o sabor da carne de suíno é substancialmente condicionado pelo alimento. prato muito apreciado. O antigo manjar local. Com os presuntos e os enchidos Alentejanos de cariz artesanal. diremos. os "Enchidos Artesanais" e parodiando um pouco. a carne é sápida. A título meramente ilustrativo. como no Alentejo profundo não há amêijoas e no Algarve as há. fácil é concluir que este prato será Algarvio. de tal modo que se este contém substância favoráveis. . importavam-se porcos do Alentejo e anunciava-se em letreiros às portas dos restaurantes «Carne de porco Alentejano». Para pôr cobro a esta situação. cujos ácidos gordos são os principais responsáveis pelos sabores da sua carne. a "Carne de Porco à Alentejana".131 organolépticas da carne. Devem igualmente salientar-se os famosos presuntos de “Chaves" e de "Lamego". serem acabados à base de uma alimentação formada por castanhas. igualmente proveniente de porcos acabados com castanhas. os quais adquiriram a sua justa fama devido ao facto dos porcos de que provêm. devido ao facto de a carne dos porcos criados à beira-mar ter um sabor acentuado e desagradável a peixe. circunstância que levava os utentes dos restaurantes a fugir do consumo deste tipo de carne. Facto análogo se passa com o internacionalmente famoso "Presunto de Parma" de proveniência Italiana. de amêijoas com carne de porco foi apelidado deste modo. Ora bem. A "Carne de Porco à Alentejana" é um prato dito tradicional. é-lhes transmitido pelos ácidos gordos contidos nas bolotas. que esta característica é responsável por três produtos muito apreciados. sendo o contrário igualmente verdade. situação que com o tempo converteu este anúncio no nome do citado prato. adquirem assim um sabor inigualável e muito apreciado. o "Presunto de Montado". que erradamente se julga oriundo do Alentejo. acontece algo similar mas pela positiva. que devido à característica dos suínos ibéricos genética de deposição de gordura intramuscular. devido aos restos de peixe que consumiam. o que na realidade acontece.

apresentando a vulva congestionada e com descargas de muco (McDonald. 1975 . estando aptas para reproduzir-se ao longo de todo o ano. com média de 22 dias. 1975). sendo mais curtos nas fêmeas jovens. de ovulação espontânea. O período do cio vai de 40 a 60 horas.COMPORTAMENTO REPRODUTIVO As fêmeas dos suínos domésticos são politocas (têm ovulações e partos múltiplos) e poliéstricas (cios múltiplos ao longo da época reprodutiva). 1988). O número de óvulos libertados em cada cio está associado com a raça. acontecendo cerca de 4 horas mais cedo nas multíparas que nas primíparas.2. 1984 . na prática da monta dirigida e em alguns casos na inseminação artificial (Hafez. A raça. tendendo nas fêmeas jovens a ser mais curto que nas porcas adultas. 1975).. 1988). 1988). fenómeno usado de forma muito comum. 1975 . parasitismo e práticas de maneio (Hafez. Hafez. estação do ano. Hafez. 1975 . Um sinal inequívoco de que uma porca está em cio é o facto de se imobilizar perante uma forte pressão exercida no dorso (por exemplo o peso do tratador sentado sobre o dorso). As fêmeas atingem a puberdade entre os 190 e os 250 dias de vida enquanto que os machos a atingem dos 150 aos 180 dias.132 5. peso corporal. nível nutricional. idade à cobrição . altura a partir da qual se fazem sentir os sinais de senilidade que começam a afectar a função ovárica (McDonald. Ciclo éstrico Os sinais de que uma porca está em cio. A fertilidade das fêmeas mantém-se por um período de 6 a 10 anos em regra. a estação do ano e anormalidades endócrinas afectam a duração do cio (McDonald. número de cios. Hafez. aumentando a produção de sémen até aos 18 meses (McDonald. doenças. Simões.2. 1988). montando outros animais da mesma espécie. Os ciclos éstricos repetem-se de 19 a 23 dias. são caracterizados por uma mudança de comportamento em que os animais mostram inquietação. Puberdade O aparecimento da puberdade é influenciado pela raça. com reprodução não estacional. 1988). A ovulação tem lugar de 38 a 42 horas depois do começo do cio. processo que é somente interrompido pela gestação ou disfunções endócrinas (McDonald.

são a monta natural e a inseminação artificial. esta é praticada na modalidade de monta dirigida. de dorso longo e convexo. corpulenta.3. sendo uma raça pouco precoce. com base nos sinais evidenciados pelo animal. orelhas grandes e pendentes sem cobrir os olhos. dado que o varrasco está numa boxe.1. de esqueleto espesso e pernas altas.BÍSARA . Hafez. Gestação A gestação nas porcas tem uma duração média de 114 dias (três meses. verificando-se amiúde mortalidade embrionária. Em explorações intensivas sempre que se verifica a monta natural.RAÇAS DE SUÍNOS PORTUGUESAS 5. tromba comprida.é uma raça do tipo céltico. três semanas e três dias). 1975. 1975 . A modalidade mais utilizada nestes sistemas é a monta em liberdade. nos sistemas extensivos.133 e peso à cobrição (Hafez. ocorrendo abortos se a morte embrionária se verifica depois dos 50 dias de gestação (Hafez. 1988). 1984 . à qual se leva a porca logo que é detectado o cio pelo tratador. aos referidos nos capítulos das espécies já estudadas. entre outros factores. 1988). . 5. testa curta e chata.este tipo de reprodução é praticada quase de modo universal. sendo o seu procedimento nesta espécie similar em termos gerais. O número de óvulos regista um aumento até ao terceiro cio. 1988). não tendo sido observados aumentos nos cios subsequentes (McDonald. Monta natural . Inseminação artificial . utilizando-se um varrasco para 10 porcas. 1984 . Hafez. Normalmente as porcas têm dois partos por ano (McDonald. Os tipos de reprodução praticados em suínos. mesmo tardia e de difícil engorda.3. A fertilidade dos suínos é geralmente elevada. superior a 90 %. Os embriões mortos nos primeiros estágios da gestação são absorvidos.este tipo de reprodução é utilizado em sistemas intensivos de produção de porcos. 1988). Simões. dependendo esta duração do número de fetos do número do parto e da idade da fêmea. Simões.

contribuindo esta alimentação pobre para a dificuldade em engordar.Porco de Raça Bísara Porca e Leitões da Raça Bísara Nas regiões em que predomina o castanheiro. O aumento e disseminação do uso dos alimentos concentrados. Esta raça que dominou em toda a região a norte do rio Tejo. 38 . e de fácil e rápida engorda. a erva dos lameiros. A raça Bísara Portuguesa tem duas variedades que são a Galega. e ainda à concorrência das raças selectas estrangeiras. em número reduzido de animais. Fig. Beiras e Estremadura. vive bem quer em pocilgas quer em liberdade restrita. grande parte das vezes somente um. atingindo pesos de carcaça da ordem dos 250 kg. o que confere uma grande qualidade à carne e aos produtos com ela obtidos. devido a ter sido submetida a cruzamentos. nomeadamente mais precoces. aproveitando os restos da alimentação humana. onde lhe permitem andar e umas quantas batatas cozidas. sendo tradicionalmente explorada para consumo familiar. estes animais são acabados a castanha. com um rendimento em carne magra de cerca de 50 %. possuidoras de melhores características produtivas. Esta raça em Portugal esteve praticamente à beira da extinção. de côr branca predominando na raia Minhota e a Beiroa em geral de côr malhada e disseminada por Trás-os-Montes. permitindo a obtenção de . pela sua prolificidade e corpulência. É muito apreciada pela textura da sua carne. bem como abóboras e outros legumes de sobra da alimentação familiar.134 O seu desenvolvimento completa-se somente por volta dos dois anos e meio a três anos.

com cerdas de comprimento médio. Possuem garupa curta. em benefício das raças estrangeiras. sendo aí estes animais designados de "Cerdo Ibérico". 39 – Porca aleitante da Raça Alentejana Porca com leitões da Raça Alentejana São animais de estatura média.ALENTEJANA .3. Os animais desta raça registam uma certa variabilidade fenotípica. deficientes em comprimento e altura. não se pode dizer de modo absoluto que esta raça seja Portuguesa. harmoniosos. sobretudo no tocante à côr. que pode ser preta ou avermelhada. dado que também existe em Espanha. finas. membros de ossos delgados e curtos e patas medianamente desenvolvidas com unhas rijíssimas. castanhas ou ruivas. linha dorso-lombar rectilínea ou ligeiramente enselada. insuficientemente descidas.2. 5. .apesar de como tal ser tratada. concorreu igualmente de maneira decisiva para o abandono progressivo desta raça. Actualmente está a decorrer um programa de recuperação da raça. patrocinado pela Universidade de Trás os Montes e Alto Douro. pretas. Fig. pouco larga e descaída em demasia e coxas de deficiente espessura e comprimento.135 animais mais pesados e com melhores características de carcaça. à existência ou não de número considerável de cerdas e à existência de maior ou menor número de pregas de pele. que pensa-se vir no médio prazo a reabilitar definitivamente esta raça tão característica do Norte do País. de dorso curto.

40 – Porcos da Raça Alentejana na fase de acabamento A carne dos animais desta raça é contudo possuidora de extraordinárias qualidades organolépticas. Cerca de 55 % do peso da carcaça pode ser constituído por . característica que lhe transmite sapidez inigualável para consumo em fresco e sobretudo para a confecção de produtos de salsicharia. Fig. Fig. baia velocidade de crescimento e altos índices de conversão. 41 – Porcos da Raça Alentejana em “Montanheira” Engordam facilmente.136 São animais de deficiente precocidade. baixa prolificidade (5 a 6 leitões por parto em média). que lhe são conferidas pela existência de gordura intermuscular e sobretudo intramuscular. com medíocre capacidade de aleitamento. que podem duplicar o seu peso vivo num curto período de 60 a 80 dias. possuindo uma capacidade de ingestão e transformação tal.

º parto 1.137 gordura (toucinho e banha). são detentores de uma grande capacidade de movimentação em pastoreio.Marcada tendência da raça para depositar gordura. pobre em proteína e fibra e muito rica em hidratos de carbono. a qual chega a constituir 55 % da carcaça b . A sua adaptação ao campo é tal.450 kg 150 – 180 kg 110 – 130 kg 6.250 kg 10. é consequência de três factores principais : a .Engorda tardia. No entanto e não obstante as características produtivas pouco favoráveis atrás enunciadas. possuindo uma rusticidade somente superada pelo javali. facto que impossibilita qualquer incremento da sua massa muscular Esta raça é tradicionalmente explorada desde tempos imemoriais. de busca de água e alimento e de uma especial capacidade para seleccionar a bolota. a qual deprecia a formação de músculo c . Características da raça : Peso nascimento Peso aos 56 dias Peso adulto médio dos machos Peso adulto médio das fêmeas Prolificidade Idade 1. estes animais são possuidores de uma adaptação inigualável às condições de alimentação e maneio a que têm sido sujeitos ao longo de séculos. quando o animal já é adulto. mau grado a alta qualidade dos produtos de caracter . obtendo-se deste modo um baixíssimo rendimento em carne. bem como descascá-la. que inclusivamente utilizam até as zonas mais declivosas.Alimentação desequilibrada. tem vindo a desaparecer progressivamente. em sistema extensivo. Este suínos. com abate entre os 18 e os 24 meses e apesar da inigualável aptidão para rentabilizar os pobres recursos dos ecossistemas dos montados de sobreiros e de azinheiras.24 12 a 14 meses O produto final o "porco gordo".

com diminuição do valor alimentar dos restolhos e consequente aumento dos custos de produção de porcos de raça Alentejana. que reduziu drasticamente o autoconsumo de porcos. 3-o encurtamento dos ciclos produtivos. devido ao ciclo de produção mais longo próprio desta raça. e de maior rendimento em carne.138 artesanal elaborados com a sua carne. que ficou conhecida como “Campanha do Trigo”. nomeadamente o presunto hoje denominado de "Pata Negra". etc. 2-o crescente desflorestamento sofrido pelos montados de azinheiras. mas sim a várias causas. inserido numa política de auto-suficiência de cereais. com a utilização de raças estrangeiras em regime extensivo. o que levou à consequente depreciação dos porcos de côr escura. implementada no nosso País. mais propriamente um ixodídeo. com abates a idades entre os 9 e os 12 meses. que motivou a substituição do sistema extensivo por sistemas de exploração intensiva em confinamento. 4-a mecanização dos processos agrícolas. o . devido ao cada vez mais reduzido consumo de gordura. nos quais as raças estrangeiras são muito mais eficientes que a raça Alentejana. A Peste Suína Africana é uma doença causada por um vírus cujas características não permitem o uso de vacinas e cujo hospedeiro intermediário é uma carraça. mais magras. 5-a perda de rentabilidade dos montados. 70 e 80 do século XX não pode imputar-se a uma única causa. provocando forte descida das matanças familiares.. frente às raças estrangeiras mais precoces. devido ao aparecimento da Peste Suína Africana. A diminuição drástica da raça Alentejana verificada nas décadas de 60. mortadelas. cujos terrenos foram hipotecados à cultura cerealífera. contando-se entre elas: 1-a mudança de hábitos alimentares das populações. ao mesmo tempo que crescia a procura de novos produtos de salsicharia industrial como fiambres.

o qual tem fácil acesso aos porcos em regime extensivo. a raça "Piétrain". 5.RAÇAS SUÍNAS ESTRANGEIRAS DE MAIOR DIFUSÃO As raças suínas de maior importância a nível da produção mundial são a "Large White". situação a que se alia o apreço atribuído aos produtos regionais de cariz artesanal e de qualidade comprovada.4. sendo nestas condições impossível travar a disseminação desta doença. claramente desvantajosa frente a raças de suínos seleccionadas neste ambiente (Botija. a situação da raça Alentejana é muito diferente. 1963 a.1.LARGE WHITE . que causa 100 % de mortalidade. . ao estabelecimento de dois agrupamentos raciais : Yorkshire . nos finais do século XIX.4. tendo levado o resultado destes cruzamentos e a consequente e contínua selecção morfológica.é uma raça Inglesa oriunda do Condado de York o qual deu o nome à raça inicial. estando de novo em recuperação. sendo a raça Alentejana neste sistema. devido a circunstâncias relacionadas com a PAC (Política Agrícola Comum) e à importância dada às raças tradicionais.porcos brancos ou malhados de orelhas erectas e grande desenvolvimento.porcos negros apresentando maior influência das raças estrangeiras citadas.. 5. Os porcos autóctones sofreram a influência de porcos Chineses e Napolitanos. confinaram-se estes em pocilgas fechadas. Leicestershire . devido suas características morfológicas e seu uso em cruzamento com raças autóctones nalguns países. Como meio de limitar os efeitos drásticos e totais desta doença nos suínos. Actualmente. 1982). Botija. b. a "Landrace" e a "Duroc Jersey".139 Ornithodorus erraticus. sendo no entanto também objecto deste estudo. Botija e Botija 1965.

No entanto os porcos desta raça possuem muitas características favoráveis. boa morfologia dos terços anterior e posterior. Características da raça : Peso médio dos machos Peso médio das fêmeas Média de leitões desmamados/ano Índice de conversão Ganho médio diário dos 35 aos 90 kg 400 a 500 kg 280 a 350 kg 20. grande volume. bons aprumos. pelo que são muito utilizados em cruzamentos duplos. linha dorsolombar recta. O tipo Large White hoje tratado como raça. patas curtas.7 880 g As carcaças dos animais desta raça são do tipo "pork". 42 – Varrasco da Raça Large White Porca da Raça Large White Do cruzamento entre animais oriundos destes agrupamentos raciais surgiram três tipos de porcos : Small White . relativamente curtas e sobretudo com "pouco presunto". mamas bem implantadas com o mínimo de 6 de cada lado e grande perímetro toráxico.2 2. altas fecundidade e fertilidade e boa qualidade da carne. constituindo actualmente 50 % dos reprodutores da Europa Ocidental. consolidou-se e expandiu-se em toda a Europa e EUA. boa rusticidade. como as excelentes qualidades maternais. Middle White . e não satisfazendo totalmente as exigências do mercado. pois são espessas. não sendo bem conformadas. Possuem perfil côncavo. facilidade de adaptação. as quais por sua vez são cruzadas com varrascos de outras raças. para obtenção de fêmeas híbridas para reprodução. .140 Fig. Large White. orelhas erectas.

características apreciadas por muitos criadores.é uma raça de animais brancos. pouco gorda. Foi exportada para toda a Europa. A sua silhueta é afilada no sentido dos anteriores e comprida. Fig. possuindo excelente desenvolvimento das massas . Atingem um alto nível de produção e são sexualmente muito precoces. devido a possuir 16 pares de costelas. podendo dizer-se que uma grande parte dos animais em produção intensiva no Mundo. linha dorso-lombar recta.LANDRACE .7 2. geralmente tapando os olhos.8 845 g A carcaça dos animais desta raça é muito comprida.141 5. havendo animais que possuem 16 e inclusivamente 17 pares de costelas. orelhas grandes. 43 – Varrasco da Raça Landrace Porca gestante da Raça Landrace Possuem perfil sub-côncavo.4. resultante de cruzamentos e posterior selecção entre as raças de suínos existentes naquele país. existindo inclusivamente uma estirpe de origem Alemã denominada "Europa 16". excelente morfologia dos terços anterior e posterior e pequeno perímetro torácico. caídas.2. EUA e Canadá. de origem Dinamarquesa. Características da raça : Peso médio dos machos Peso médio das fêmeas Média de leitões desmamados/ano Índice de conversão Ganho médio diário dos 35 aos 90 kg 350 a 450 kg 260 a 300 kg 19. muito bem conformada. A característica que mais se destaca nesta raça é o comprimento. possuem sangue Landrace.

Pelas suas boas características é muito usada em cruzamentos quer industrial. as quais dão um aspecto azulado a certas partes do corpo. pois além da baixa prolificidade. para obtenção respectivamente de produtos para o talho e reprodutoras híbridas. quer em cruzamento duplo. boa qualidade da carne e boa prolificidade. Os animais desta raça dão um grande rendimento quer de carcaça quer em carne. como elemento da linha macho. requer um maneio difícil e devido à baixa quantidade de gordura que possui. Fig. possuindo os animais côr branca. Possuem boa precocidade baixa e prolificidade (16 leitões desmamados/porca/ano).3. sendo claramente uma carcaça de tipo "bacon". esta raça não está tão difundida como seria de supor. sendo cruzada com fêmeas de raças de grande crescimento. devido à pouca quantidade de gordura subcutânea. 44 – Varrasco da Raça Piétrain Porca gestante da Raça Piétrain Apesar de todas as características apontadas. com grandes manchas negras e cinzentas. assumindo na porção caudal dos membros posteriores o aspecto designado de "cullote" (grande desenvolvimento das massas musculares dando aspecto de ter umas cuecas vestidas.raça de origem Belga.142 musculares dos terços anterior e posterior. 5. dura e de textura bastante "seca". Distinguem-se sobretudo pelo seu comprimento e pelas massas musculares muito redondas. daí o termo). tanto no terço posterior como no anterior. No entanto esta raça é muitas vezes utilizada em cruzamento duplo. .4. a sua carne é baixa qualidade.PIÉTRAIN . intermuscular e intramuscular. representando o expoente máximo das raças "bacon".

boa resistência ao calor e uma carcaça muito magra. sendo assim passível de ter as duas utilizações. Os animais oriundos do nosso País. descendentes das raças Inglesas de tipo antigo e moderno.4. nos quais também intervieram porcos ibéricos importados de Portugal e de Espanha. possuindo hoje esta raça boa rusticidade. com um bom desenvolvimento muscular. os quais tinham cerdas fartas e avermelhadas. quando comparada com a dos animais de raça Alentejana. Apesar deste facto.4. Actualmente animais desta raça. não podendo considerar-se uma raça do tipo "pork" nem tampouco do tipo "bacon". razão pela qual alguns autores atribuem a cor avermelhada dos animais Duroc Jersey a estes ancestrais. com maior "presunto". 45 – Varrasco da Raça Duroc-Jersey Teve origem em múltiplos cruzamentos de porcos americanos.143 5.DUROC JERSEY – raça de origem Norte Americana. No entanto o cruzamento tem um impacto negativo na qualidade do produto final. eram da antiga linha “Ervideira”. pois a carne dos animais cruzados tem nítidas desvantagens organolépticas. são utilizados em cruzamento com animais de raça Alentejana. facto que como é lógico resulta numa menor qualidade dos produtos com ela elaborados. de aptidão mista. na tentativa de obter carcaças mais magras e melhor conformadas. provaram que a carne dos animais possuidores de sangue de . Fig. Os produtos desses cruzamentos foram posteriormente sujeitos a uma apurada selecção. de côr avermelhada a avermelhada escura. experiências efectuadas por investigadores espanhóis.

destinada à confecção de produtos designados de “Ibérico”. sendo estes fortemente prejudicados pelos "dominantes". Este fenómeno tem maior expressão em Espanha que em Portugal. em que uns são "dominantes" e outros são "dominados".Sistema Intensivo Em produção animal.5. na citada proporção. Os animais estabelecem entre si hierarquias sociais.explorações produtoras de leitões destinados a engorda .SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE SUÍNOS Os suínos são sobretudo explorados em sistemas intensivos e extensivos. pois a produção e o consumo deste tipo de animais é muito superior no país vizinho.explorações de ciclo fechado que executam todas as operações dos três tipos anteriores Para garantir o êxito de uma exploração intensiva. em linha pura ou cruzamento . confinado.5. Por este facto. 5. Neste sistema existem explorações que se dedicam a vários fins.144 Duroc-Jersey numa percentagem não superior a 25 %. temos que ter instalações em que o ambiente seja totalmente controlado nomeadamente em relação a: . a produção de híbridos. qualquer sistema que vise uma intensificação (maior quantidade de produto por unidade de área) sujeita os animais a um ambiente artificial.explorações para produção de reprodutores de alto rendimento. promiscuo. muito diferente das condições naturais e por isso conducente a situações de "stress".1. mantinha quase intactas as características organolépticas indispensáveis para a confecção de produtos artesanais de alta qualidade. dependendo das condições existentes nas regiões onde estão implantadas : .explorações de recria e engorda que compram animais às explorações de tipo anterior . devido à exiguidade das instalações que os obriga ao convívio estreito. 5. é permitido pela lei daquele país.

A ventilação é conseguida com recurso a técnicas de construção (ventilação natural) e a forçagem de ar (ventilação artificial). . formada em condições de humidade relativa elevada. que permitam evitar as situações atrás apontadas. evitar a existência de ambientes muito húmidos ou demasiado secos. possibilitando o seu controlo. painéis. deve-se evitar a todo o custo visto criar condições favoráveis ao desenvolvimento de fungos e de outros microorganismos.Temperatura . havendo ainda necessidade de sistemas de aquecimento e de sistemas conducentes a um abaixamento da temperatura sempre que necessário. devendo manter-se constante. com consequências desastrosas ao nível dos desempenhos produtivos. . Por outro lado. tectos. portas e janelas.são factores fundamentais no controlo da temperatura e da humidade relativa. provenientes das fezes e urina e de dióxido de carbono.é um factor bastante importante. devendo evitar-se a ocorrência de correntes de ar. leitões 60 % e animais em fase de engorda 60-80 %) .145 . proveniente da respiração. valores esses que dependem do tipo de animais utilizados (reprodutores 60-70 %.Ventilação e velocidade de circulação do ar . A condensação. ambientes muito secos conduzem a um aumento do consumo de água e diminuição do consumo de ração. passíveis de conduzir nomeadamente ao aparecimento de afecções respiratórias. variando o seu valor de 10 a 15 ºC em instalações de reprodutores. bem como das emanações de amoníaco.é um factor fundamental nas pocilgas.Iluminação . variando neste caso as necessidades térmicas na razão inversa da idade. . pavimentos. que provocam abaixamentos da temperatura e desconforto que se reflectem igualmente nos desempenhos produtivos.é feita naturalmente (janelas.Humidade relativa . Para manter a temperatura é necessário isolar paredes. clarabóias) e artificialmente (lâmpadas). Por estas razões é imperioso manter a humidade relativa entre valores. 15 a 18 ºC em engorda e de 24 a 30 ºC em leitões.

tipo de maneio. Estas são diferentes na sua estrutura interna. inclusivamente o Homem. A alimentação dos animais explorados em sistemas intensivos deve ser rica em energia. é necessário "fabricar" o maior número de quilogramas de porco possível por unidade de tempo. existindo necessariamente uma maternidade. pois todos os intrusos são passíveis de actuarem como veículos de diversas doenças.neste tipo de instalações tem que haver instalações para machos. segundo o tipo de produção : . proteína. valores de temperatura e de humidade relativa. As instalações destes animais. roedores e outros animais. minerais e vitaminas. devendo proporcionar todos os nutrientes necessários a um rápido crescimento e grande desenvolvimento muscular. redes mosqueiras nas janelas e demais aberturas. Após este tempo os leitões passam . . rentabilizando ao máximo as instalações.os leitões ficam com a mãe um período de tempo que está dependente do tipo maneio e que pode ir de 21 a 60 dias. sendo de primordial importância ter instalações apropriadas e usar animais com boa capacidade de adaptação a estas condições. os sistemas intensivos exigem um maneio cuidado e difícil. embora o período mais corrente seja 30 a 35 dias. tão diferentes das condições naturais. . O arranjo interior de cada um destes tipos de instalações é diferente segundo o conceito geral da instalação. Por todas estas razões.Disponibilidade de água e alimentos .administrados segundo os esquemas de maneio sendo a água ad libitum por meio de bebedores automáticos. respectivamente para automóveis e pessoas (tanques contendo líquido desinfectante pelos quais passam). estão separadas por categorias devido às necessidades específicas de cada grupo. etc.instalações de reprodutores .Todas as condições que interditem o acesso a insectos.instalações de recria .146 . devendo ser fortemente condicionado o acesso a estranhos. fêmeas vazias e fêmeas em gestação. devendo existir no acesso às instalações rodilúvios e pedilúvios. com custos elevados. Para que sejam plenamente utilizadas as potencialidades de um sistema deste tipo.

com fertilidade e prolificidade altas e boa capacidade de adaptação a regimes confinados Embora se possam utilizar raças puras na produção de animais para o abate. o mais corrente é a produção de híbridos de duas ou três raças. carne de boa qualidade e em grande número. compridas. . usadas respectivamente em cruzamento industrial e duplo. boa qualidade da carne e carcaça mista "pork" / "bacon". de peso alto. Os animais usados em Sistemas Intensivos pertencem a raças bem conformadas. A recria estende-se até aos três meses. para obter fêmeas híbridas com boa prolificidade. que ao preferirem carcaças mais leves ou mais pesadas. em função da procura de mercado (tipo de cruzamento está descrito no Cap.a engorda pode durar em média até aos 6 meses de idade. que limitam o tempo que os animais podem permanecer nestas. na mesma empresa onde nasceram ou noutra que se dedique exclusivamente a compra de leitões para recria e engorda. Iremos cruzar varrascos da raça "Land Race" com porcas "Large White". Como exemplo usaremos uma situação em que se pretende obter porcos tipo "bacon". que são posteriormente cruzadas com varrascos de outra raça. As porcas utilizadas em cruzamento duplo são híbridos F1. precoces.instalações de engorda .147 ao período de recria. O peso a que os animais são abatidos é fortemente influenciado pelo gosto dos consumidores. vamos obter maior número de leitões. com pesos de 90 a 100 kg. grande precocidade de ambos os pais. pesos altos. embora existam fortes razões económicas radicadas na rentabilização das instalações. havendo certas vantagens em relação às raças puras. atingindo os animais neste caso pesos de 65 a 80 kg. sendo por vezes mais curta. atingindo os animais no final desta fase pesos da ordem dos 30-35 kg. na busca das características mais rentáveis. 1). com grande precocidade. condicionam a idade ao abate e consequentemente o seu tempo de permanência na exploração. pois as porcas têm boa prolificidade que lhe veio da raça mãe. Ao cruzarmos estas fêmeas F1 com varrascos "Piétrain" de carcaça magra e má qualidade da carne. peso . carcaças magras.

que são um recurso muito importante no Verão e a bolota. a poda dos montados. grãos. insectos. de modo que os partos se realizem numa altura que permita o abate dos animais engordados em montanheira. ninhos. cuja maturação acontece de Outubro a Fevereiro. recolhendo por vezes a um curral para passar a noite. 5.5. o sistema extensivo em montado proporciona aos animais erva durante a Primavera. como todos os frutos. os porcos em regime de pastoreio consomem uma grande variedade de alimentos quer de origem animal. etc. batráquios. gastrópodes. O sistema tradicional de produção de porcos para abate. carcaças compridas por parte da linha mãe.148 alto por parte da linha mãe.Sistema Extensivo É um sistema em que os animais vagueiam pelos campos em busca de alimento. utilizado no Alentejo e conhecido por "montanheira". cadáveres. No sistema extensivo a cobrição é efectuada. que são no Alentejo a azinheira (Quercus rotundifolia). rentabilizando os seus recursos como nenhuma outra é a "Alentejana". bolbos e raízes. que funciona como ração de manutenção. vermes.2.5. 5. como os restos de culturas aproveitados durante o Verão. o aproveitamento dos restos das culturas de cereais conhecidas como "restolhos". fruto fornecido pelas Quercíneas.Caracterização do animal obtido neste sistema A raça indissociável deste Sistema e ao mesmo tempo produto dele. etc.1. . quer ainda outros alimentos como cogumelos e outros fungos. carcaças magras tipo "bacon" da linha pai e carne de melhor qualidade por parte da linha mãe. como caça miúda. como é igualmente conhecido. quer de origem vegetal. Baseia-se no aproveitamento dos recursos naturais existentes em grandes superfícies. sementes. o sobreiro (Quercus suber) e o carrasco (Quercus lusitanica). é perfeitamente enquadrado neste conceito. regressando ao campo pela manhã. sendo característica deste sistema o consumo directo ou "a dente". répteis. Exceptuando quaisquer culturas específicas efectuadas para esse efeito.2. de forma natural ou melhorada pelo Homem. Além dos recursos apontados.

quer sejam frescos ou curados. a mais transcendental de todo o processo. um terço dos quais é adquirido nos últimos 2 ou 3 meses de vida. avultam o estado de enfraquecimento dos animais em termos nutricionais. Assim temos : . com idades que vão dos 10 meses (portanto com uma só montanheira) até aos 18-20 meses (com duas montanheiras). além da produção de gordura. É um período extraordinariamente importante. a qualidade atingida pelos produtos elaborados com a sua carne. deve-se além de características genéticas desta raça. Obtêm-se deste modo animais com pesos que chegam aos 180 kg. Cerca de um mês a mês e meio mais tarde.Instalações para reprodutores . exercitando deste modo a sua musculatura. dependendo sobretudo dela. deve ser um animal comprido e magro. pobre em fibra bruta e rica em lípidos e hidratos de carbono. de ventre recolhido. experimentam reposições diárias muito elevadas. Um porco bem recriado. Como foi referido quando do estudo desta raça. contribuindo em última análise. período durante o qual os leitões têm uma alimentação à base de rações e aumentam o seu peso até aos 23 a 26 kg. a características inerentes à espécie suína. com pesos entre 13 e 17 kg.5. pois é nesta fase que se desenvolve o esqueleto do animal.podem ser de três tipos : engorda são . bem como uma alimentação deficiente em aminoácidos essenciais.2.149 isto é de Dezembro a Fevereiro.2. 5.Instalações As instalações para reprodutores. para canalizar grande parte da proteína ingerida para a produção de gordura. durante a engorda em montanheira. Entre as razões conducentes a uma grande deposição de gordura durante a fase da engorda. os quais quando submetidos a uma alimentação final intensa. A engorda é a última fase da vida do animal. para a recria e para a diferentes das existentes no sistema intensivo. entra-se na fase da recria. motivada pela ingestão de grandes quantidades de hidratos de carbono lípidos. A recria é a fase que medeia entre o peso de cerca de 25 kg e a fase de engorda. a presença de grande quantidade de gordura nas carcaças de porcos da raça Alentejana. O desmame faz-se usualmente aos 45 dias. submetido ao pastoreio e com desenvolvido hábito de procurar o alimento no campo.

ovinos. 1991).com pequenas cabanas de secção triangular em chapa galvanizada.com celas de alvenaria no interior de um pavilhão de uma nave. A carcaça de suíno possui grande quantidade de gordura. a gordura cavitária chamada "banha". sendo assim responsáveis por este número os bovinos. o que só é possível pela prolificidade. Na carcaça estão incluídos a cabeça. com pequenos currais exteriores para exercício dos leitões. 5. velocidade de crescimento e elevado rendimento de carcaça desta espécie.Instalações para animais de recria e engorda. . é produzida por 25 % do efectivo mundial de grandes animais. Sistema Funcional . além da gordura intermuscular e da gordura intramuscular. aberto na frente e com parque descoberto anexo. constando usualmente de um telheiro fechado de três lados.com estabulação permanente das fêmeas reprodutoras. é de cerca de 56 milhões de toneladas. em tudo similares às explorações intensivas de raças selectas. As carcaças de suíno são classificadas de acordo com uma Grelha Normativa Comunitária em cinco . etc. Este facto é tanto mais espectacular se nos lembrarmos que 50 % da carne. cifra que representa 50 % do total da carne produzida no Mundo. apresentando-se dividida em duas meias carcaças estando a cauda na meia carcaça direita. O porco proporciona mais pratos comestíveis que qualquer outra espécie animal. Sistema Moderno . com uma densidade de 10 cabanas por hectare no interior de uma cerca. que podem ser de variadíssima natureza. monta dirigida ou inseminação artificial. num total de cerca de 112 milhões de toneladas (número no qual não figura a produção de carne de aves e coelhos. em que os leitões acompanham a mãe. composta pela gordura de cobertura designada "toucinho". caprinos e suínos ) (FAO. desmames precoces. rabo e patas.PRODUÇÃO DE CARNE A produção Mundial de carne de suíno estimada.6.150 Sistema de "Camping" .

etc. que é o componente com maior peso em termos de sapidez. a carne de porco fresca é denominada "pork" e uma vez elaborada ou curada é denominada "bacon". e as carcaças provenientes de raças com aptidão para a elaboração de produtos de cariz artesanal. São estas peças que têm o maior peso no valor da carcaça. temos que distinguir entre carcaças provenientes de raças com aptidão para a elaboração de produtos industriais. tivessem adquirido a mesma designação do tipo de carcaça que produzem. e de factores extrínsecos como o habitat. textura e sapidez. filete afiambrado. Dentro das carcaças de suínos. etc. Entre os factores intrínsecos. idade. dependendo essa variação de factores intrínsecos como a raça sexo.151 classes. A composição da carne de suíno pode variar. originando assim maior rendimento em termos económicos. sobretudo no que se refere à quantidade de gordura. o mercado está virado em grande parte para as carcaças de raças tipo "bacon". como fiambres (da perna e da pá). como para indústria. entre outros. a raça é o factor de maior influência na composição da carne. em função da sua conformação. chouriços industriais. as que contêm as massas musculares dos membros anteriores e posteriores. bacon. devido à procura crescente de carcaças magras. por serem as que possuem maior qualidade em termos de peso. Hoje. A quantidade de gordura é sempre maior nas raças que não foram submetidas a selecção ou que o foram em pequeno grau. Na linguagem específica internacional. tanto para consumo em fresco. e . reproduzem na sua essência os processos artesanais. galantina. a que as raças de porcos mais preparadas para produzir cada um destes tipos de carne. Estas designações levaram com o tempo. comprimento e espessura de toucinho no dorso. presuntos. salsichas. As peças nobres são neste caso. As raças que produzem carcaças com um alto rendimento em peças nobres e logicamente em carne. paio de lombo. são preferidos pelos empresários da Indústria de Salsicharia e Charcutaria. o maneio e a alimentação. os quais embora possam ser produzidos em instalações industriais. parte da carcaça considerada. e ainda os músculos que formam o lombo. mortadela. São designadas de “nobres”.

sendo deste modo muito menos valorizadas. menos sápida. salsichas. Os produtos de origem artesanal por excelência são os presuntos da perna. devido ao facto de possuírem carcaças mais magras e com maior rendimento em carne mas de pior qualidade da carne. filete afiambrado. Este facto que parece à primeira vista paradoxal. que são de longe os produtos mais valorizados. baseia-se no facto de a gordura intramuscular. enquanto todas as partes magras restantes e grande parte da gordura. terão estes que ser muito bem valorizados para que a actividade se mostre rentável. nos processos de laboração sem adição de substâncias químicas (além de sal). que possuem grande infiltração de gordura nas massas musculares e um inevitável excesso de gordura de cobertura. entrecosto e cabeças são vendidos a preços quase irrisórios para consumo em fresco.152 das quais se fazem o fiambre da pá e da perna e ainda o paio de lombo. etc. na quantidade e composição e localização da gordura e nos processos utilizados na maturação a que são sujeitos estes produtos e que faz parte do processo de cura de cada um deles. por curroptela da designação espanhola. chamados “canhas de lombo”. representam respectivamente cerca de 14% e 9% do peso das carcaças. Esta é uma das razões dos elevados preços alcançados pelos produtos artesanais. Para o fabrico de produtos de cariz artesanal de qualidade reconhecida. ser a principal responsável pelo sabor da carne. sendo estas características sobretudo de origem rácica. Os porcos de raças selectas. produtos de menor preço. os presuntos da mão (chamados paletas) e os paios elaborados com os lombos inteiros. galantina. criados em explorações intensivas são particularmente indicados para a confecção de produtos industriais de origem não artesanal. estão indicadas as carcaças provenientes de porcos de raças autóctones. Assim o toucinho da barriga (músculos da parede abdominal e a gordura que os reveste) é utilizado na confecção de bacon. chouriços industriais. vão entrar na confecção de mortadela. Todas as outras peças que se podem retirar de uma carcaça de porco vão entrar na confecção de produtos menos valorizados. As qualidades gustativas destes produtos artesanais. residem segundo os peritos. Se soubermos que os presuntos e as paletas destes animais. . pois que o toucinho.

Na maturação destes produtos.153 Enquanto a distribuição intermuscular e intramuscular relativa da gordura na carcaça tem uma origem genética. têm lugar processos químicos muito importantes. visto que as unhas desta raça são negras. possuem unhas pretas. Este facto prende-se com a condição de monogástricos dos suínos. um papel decisivo a nível das qualidades organolépticas finais. assumindo os compostos intermédios resultantes da lipólise. por oposição às unhas da maioria das raças seleccionadas que são brancas. facto que possibilita no acto da venda dos presuntos e paletas. por outro lado desvirtua a qualidade destes produtos quando provenientes dos animais cruzados. pois as qualidades organolépticas são diferentes das apresentadas pelos produtos provenientes de animais da raça Alentejana. na actual acreditação destes produtos. para supostamente comprovar a autenticidade de proveniência da raça "Alentejana". paletas e lombos. Os presuntos de origem artesanal são constituídos por todo o membro pélvico ou torácico com o pé e unhas. Estes dois ácidos gordos poliinsaturados. características de marcada origem genética (Pereda e Hoz. principalmente dos presuntos e paletas. visando diminuir a percentagem de gordura na carcaça. são motivados pelo tipo de alimentação. na forma em que são ingeridos. reeditar o eterno "gato por lebre". . tendo que ultrapassar determinados valores mínimos. O uso da raça Duroc Jersey representa uma vantagem para o vendedor pouco escrupuloso. devido à diferença de deposição de gordura sobretudo intramuscular. mas também devida à diferente composição do músculo. ainda que com alimentação idêntica. na tentativa de obter maior peso de presuntos. têm vindo a ser efectuados cruzamentos da raça Alentejana com a raça Duroc Jersey. constituem marcadores de origem. causados nomeadamente pela acção de fungos com acção lipolítica. nomeadamente o ácido oleico e linoleico. sendo inclusivamente mais conhecidos pela designação de "pata negra". 1992). nos quais recorde-se como característica fundamental. e aumentar o tamanho dos membros posteriores e anteriores. o que se por um lado se consegue. a composição da gordura e a sua riqueza em determinados ácidos gordos poliinsaturados. Como já foi referido. a passagem ao tecido adiposo dos ácidos gordos. pois como os animais são pigmentados. para os produtos poderem ser considerados de origem em bolota.

sendo o seu preço diferenciado. facto que é motivado pela pequena alteração da composição do músculo e da distribuição relativa da gordura. produzir produtos de cariz artesanal. a partir de porcos híbridos. . Mas apesar de legal. é legal em Espanha (Portugal infelizmente não possui legislação nesse campo).154 No entanto como atrás foi dito. em comparação com o Ibérico puro. os produtos têm necessariamente de mencionar a raça dos animais de que provêm. com 75% de Ibérico e 25 % de Duroc. quando este cruzamento é efectuado.

tendo os primeiros ancestrais dos lagomorfos surgido na Ásia durante o Paleoceno. 1998).. Actualmente a produção de coelhos adquiriu um grande estatuto produtivo. 1997. 1998. tendo sido nesta época que se deu a diferenciação das duas subespécies conhecidas (Câmara. 1998. que compreende duas subespécies.155 6. 1998). há cerca de 55 milhões de anos.. tendo posteriormente desaparecido do Continente Asiático. virada para o autoconsumo e venda dos excedentes vivos. Os primeiros vestígios atribuídos directamente a Oryctolagus cuniculus.1. Devido à acção humana esta espécie colonizou toda a Europa.NOÇÕES DE PRODUÇÃO DE COELHOS 6.. (Oryctolagus cuniculus) o qual pertence à classe Mammalia. Neste Continente há registos fósseis com cerca 5 milhões de anos. Depois da última glaciação esta espécie ficou confinada ao Sul de França e Sudoeste da Península Ibérica. no tocante a velocidade de crescimento. proveniente de uma orientação industrial da actividade. apareceram há cerca de 900 mil anos no final do Pleistoceno no Sul de Espanha. zootécnica e económica. o Oryctolagus cuniculus cuniculus e Oryctolagus cuniculus algirus (Ferrand et al. mercê de trabalhos de índole genética. Ferrand et al. tendo chegado assim à Europa. 1998). A origem do coelho está hoje bem determinada. Ferrand et al. . 1998). que conduziram não só ao melhoramento das raças existentes. A criação de coelhos era outrora uma actividade de tipo familiar. em mercados próximos. Os fenícios chamaram à Península Ibérica “i-shephan-im” que significa “terra de coelhos”. ordem Lagomorpha e família Leporidae e género Oryctolagus. os quais colonizaram a Ásia através do estreito de Behring. donde se expandiram para a América do Norte. Durante o Mioceno surgiram na América do Norte os primeiros leporídeos de que há vestígios conhecidos. índice de conversão. a América e a Oceânia (Croman. situados portanto no Plioceno.. Ferrand et al. designação que depois de latinizada pelos Romanos deu origem ao vocábulo “Hispania“ (Câmara.ORIGEM E HISTÓRIA Os coelhos domésticos têm a sua origem em exemplares domesticados do coelho bravo europeu.

. Este procedimento permite-lhe aproveitar ao máximo as vitaminas do complexo B e o alimento em geral. 30. pequenas. O coelho produz dois tipos de fezes. que como é óbvio. 50.2. A coprofagia é um comportamento inato. o qual chega a ter uma capacidade de 600 centímetros cúbicos.000 toneladas em França. aumentando a sua digestibilidade. com um grande desenvolvimento intestinal. que um monogástrico não pode de modo nenhum aproveitar eficientemente. mas também a uma selecção das raças que possuem uma melhor capacidade de utilização. mediante o qual na prática. devido ao facto de grande parte da digestão da fibra bruta ser efectuada no intestino grosso.1. O coelho é actualmente um animal de grande interesse do ponto de vista económico.1991). 100. O alimento do coelho é constituído por matérias vegetais.CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS DA ESPÉCIE 6. 6. perdendo-se nas fezes os nutrientes resultantes dessa digestão.COMPORTAMENTO ALIMENTAR O coelho é um herbívoro monogástrico.000 ton.156 relação entre as partes posterior e anterior da carcaça. na Alemanha. que a produção de carne de coelho era há cerca de uma década da ordem de 300. volume enorme num animal deste tamanho. na Suíça (FAO.000 ton. que o animal recolhe directamente do ânus com a boca. na Inglaterra e 3.000 ton. moles e revestidas de muco. que é um hábito instintivo que consiste no consumo das próprias fezes.000 ton. possuindo um intestino delgado com o comprimento entre 2 e 3 metros e um intestino grosso que pode atingir até 3 metros no animal adulto. A característica mais marcante do comportamento alimentar desta espécie é um fenómeno designado de coprofagia. o coelho tem a possibilidade de digerir duas vezes o mesmo alimento. em Itália.000 ton.2. em Espanha. 20. Tem ainda um ceco bastante desenvolvido. umas no período diurno (das 8 às 16 horas) grandes e consistentes e outras no período nocturno (das 16 às 8 horas). assumindo tal importância. conseguindo assim aumentar drasticamente a absorção dos nutrientes resultantes da primeira digestão. possui uma fraca capacidade de absorção de nutrientes.

1 5.CARACTERÍSTICAS REPRODUTIVAS As fêmeas desta espécie são poliéstricas e politocas. mostram actividade reprodutiva ao longo de todo o ano. sendo suposto que o seu conteúdo está de acordo com as necessidades da espécie. podendo a fecundação realizar-se durante 12 ou 13 dias. A alimentação neste tipo de explorações deve ser constituída exclusivamente por rações formuladas e produzidas em fábricas. A ovulação nesta espécie não é espontânea mas .2 Fezes Nocturnas 29.2 28. devido aos transtornos digestivos que lhe provoca.2. com duas épocas de reprodução principais.9 (Adaptado de Ruiz.157 As fezes moles contêm 4 a 6 vezes mais vitaminas do complexo B que as fezes duras.9 10. feno. expressamente para esta espécie.7 51.3 2. não devendo ser-lhe administrado trigo ou se o fôr.3 32.2. mas nunca para coelhos produzidos em explorações comerciais. Os ciclos éstricos têm a duração de 15 a 16 dias. com as correctas quantidades e proporções dos diversos nutrientes. só em pequena proporção. mostrando as formas selvagens alguma tendência para experimentarem quase que uma reprodução sazonal. além de uma maior riqueza em nutrientes que está sintetizada do seguinte modo : Fezes Diurnas Matéria seca (%) Proteína Bruta (%) Lípidos (%) Fibra Bruta (%) Cinzas (%) 58. sendo o primeiro ou os dois primeiros e os dois últimos dias do ciclo infecundos.5 7. 1980) Os coelhos consomem de bom grado todas as forragens e produtos hortícolas. As fêmeas pertencentes a raças domésticas exploradas em ambiente controlado. uma no fim do Inverno e outra no início da Primavera. 6. para as diferentes idades e tipos de produção. sementes de oleaginosas. Este tipo de alimentação pode servir para coelhos destinados ao autoconsumo.7 2. sementes de leguminosas e grãos de cereais.

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sim induzida, sendo desencadeada pela cópula e ocorrendo 8 a 12 horas após esta, estando os óvulos em condições de serem fecundados durante 12 horas. O tempo de gestação das coelhas tem a duração de 29 a 32 dias. A puberdade nas fêmeas é alcançada nas raças pesadas aos 6-7 meses, nas raças médias aos 5 meses e nas raças leves e nas híbridas aos 4 meses, enquanto que nos machos ela é alcançada cerca de um mês mais tarde. Para que se proceda a um correcto maneio reprodutivo, as fêmeas nunca deverão ser sujeitas à cobrição com menos de 80 % do peso adulto. Os machos devem ter uma alimentação de tal ordem que não lhes permita engordar, pois esse facto faz com que diminuam o ardor sexual A aceitação do macho pela fêmea verifica-se de uma forma cíclica, cada seis ou sete dias e durante 1 a três dias. A cobrição deve fazer-se levando a fêmea à jaula do macho e não o contrário, pois este ao ser retirado da sua jaula, pode estranhar e não realizar a cópula. O macho deve realizar dois saltos, devendo o segundo salto ser realizado 15 a 20 minutos após o primeiro, e se possível por um segundo macho, no sentido de promover uma maior quantidade de óvulos fecundados. Se a fêmea urinar nos 10 minutos seguintes à cópula, esta não deve ser considerada válida por haver a possibilidade de os espermatzóides serem eliminados com a urina. Os melhores momentos para a realização da cópula são ao nascer e ao pôr do Sol. Os maiores níveis de fertilidade obtêm-se na Primavera e no Verão. Os sistemas de cobrição utilizados na produção de coelhos são a monta dirigida e a inseminação artificial. A inseminação artificial tem uma dupla vantagem, ao permitir diminuir a quantidade de machos na exploração e permite fecundar no mesmo dia um grande número de coelhas, tirando maior proveito de coelhos seleccionados, difundindo assim as suas boas qualidades. Uma ejaculação pode ser diluída de modo a fecundar 20 coelhas, pois contém em média 250 a 300 milhões de espermatzóides, sendo dez milhões suficientes para a fecundação.

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A inseminação tem contudo a desvantagem, de muitas vezes ter que ser totalmente efectuada na exploração, havendo grandes probabilidades de insucesso, pelo grau de conhecimento técnico que exige. 6.3- CLASSIFICAÇÃO DOS COELHOS

O tamanho é o critério mais utilizado na classificação das raças e suas variedades, dependendo do tamanho do esqueleto. O peso reflecte o crescimento do todo ou de parte dos tecidos, devendo sempre tender para um perfeito equilíbrio estrutural do animal, o qual mostra impressas na sua aparência, as suas faculdades produtivas e de adaptação. Em função do seu tamanho, os coelhos classificam-se em 5 categorias: Raças grandes; Raças médias; Raças de pêlo característico; Raças pequenas e Raças anãs. Outras classificações podem ser efectuadas, baseando-se em três outros critérios, a côr, a pelagem e o tipo do animal. Para realizar a classificação segundo a côr dos animais, utiliza-se um modelo de comparação, como elemento de categorização. São reconhecidos sete modelos de coloração, nos quais se posicionam os diferentes padrões de côr: Cutia (pelagem idêntica à de estes animais); Unicolores; Albinos; Himalaias; Prateados; Matizados e Multicolores. A classificação segundo o tipo de pelagem, permite agrupar os animais em quatro grupos : Raças ditas de pelagem normal; Raças de pelo longo; Raças de pelagem com carácter acetinado e Raças de pelagem com carácter rex (é uma pelagem muito mais curta que o normal, tomando um aspecto de veludo). Solução igualmente possível para diferenciar as características dos diferentes grupos de raças, é classificá-las segundo o Tipo. O aspecto geral, o tamanho de um coelho e o seu peso, formam as coordenadas do tipo do animal. Assim, podemos classificar estes animais nos seguintes tipos: Tipo esbelto; Tipo cilíndrico; Tipo cónico; Tipo ultraconvexo; Tipo encurtado ou brevilíneo e Tipo alongado ou longilíneo.

6.3- PRODUÇÃO DE CARNE

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A carne de coelho é como foi atrás referido, produzida em grande quantidade, não correspondendo contudo as estatísticas à realidade, por nelas não ser incluída a carne de coelho utilizada no autoconsumo familiar, que nas zonas rurais representa uma quantidade importante. Para a produção de carne são preferidas raças de grande precocidade, sendo os coelhos preferencialmente vendidos com um peso médio de 2,2 Kg, atingindo um rendimento de carcaça de 57 a 62 % com cabeça e possuindo um bom desenvolvimento dos posteriores. A carne de coelho possui o mais baixo nível de colesterol de todas as carnes, tendo a mais baixa percentagem de gordura (10 %), a mais elevada percentagem de proteína (21 %) e a mais elevada percentagem de minerais (1,2 %), frente às carnes das outras espécies. 6.4- PRODUÇÃO DE PELES A pele de coelho é muito apreciada para o fabrico de vestuário, sendo as peles brancas preferidas, pela possibilidade de admitir qualquer tipo de preparação. A qualidade deste produto pode ser afectada pela raça, densidade do pêlo, estação do ano (sendo melhor no Inverno), alimentação, estado sanitário (existência de peladelas motivadas por sarnas e feridas desvalorizam-na), sexo (a pele dos machos é mais forte, mais pesada e mais difícil de trabalhar que a da fêmea), idade (as peles dos láparos e dos animais velhos têm menos aceitação), etc. Todas as raças produtoras de carne são acessoriamente potenciais produtoras de peles, embora como é lógico, sejam mais valorizadas as raças especializadas produtoras de peles. 6.5- PRODUÇÃO DE PÊLO Existem raças de coelhos produtoras de pêlo, sendo a mais importante a raça "Angorá". A recolha do pêlo faz-se por tosquia ou por depilação quatro vezes por ano, sendo a depilação um processo preferível à tosquia, por permitir obter um pêlo mais comprido e portanto mais valorizado. A produção Mundial de pêlo deste tipo, anda à volta das 2.000 toneladas, 1.500 das quais provenientes da China.

6. unhas de côr parda ou negra. Fig. a "Borboleta". ganhou o direito a figurar neste estudo devido à sua disseminação nos meios rurais e ao papel que tem desempenhado na economia familiar.8 e 3. geralmente misturado com lã de ovino. sendo estes tecidos muito apreciados devido à sua textura macia e às suas qualidades térmicas. sendo uma raça de tamanho pequeno. a "Californiana" e a "Angorá". 46 – Exemplares de Coelho comuns.161 O pêlo é utilizado no fabrico de abafos. legumes ou erva. consumindo de tudo um pouco. quer sejam cereais. seguidos de selecção mais ou menos intensas. a "Neozelandesa".RAÇAS MAIS EXPLORADAS Actualmente na produção industrial de carne de coelho. ao nível do autoconsumo e dos mercados locais. . tamanho médio e peso entre 2. dos quais existe grande variedade. de 6 a 8 láparos por parto e é muito rústica.COELHO COMUM . Possui orelhas compridas. são quase exclusivamente utilizados animais híbridos. a "Fulvo de Borgonha".1. As raças puras de coelhos de maior disseminação e interesse na produção racional são a "Gigante de Espanha". 6. pelagem de côr cinzenta ou parda. sendo os coelhos conjuntamente com as galinhas e os porcos e quase ao nível destas últimas espécies. cauda de tamanho médio. Tem prolificidade baixa.esta raça ou melhor dizendo este tipo de coelho. 6. Todas estas estirpes são provenientes de cruzamentos entre as raças de maior produção. dos animais mais sujeitos a selecção e possuindo maior número de híbridos e estirpes.5 Kg.6.

As patas são fortes e curtas e a cauda é direita encontrando-se encostada à anca. A cauda é grossa.6. 47 – Coelho da Raça Gigante de Espanha A pelagem pode ser de três cores fulva. branca ou parda. As fêmeas são muito prolíficas (9 a 12 láparos por parto). possuindo óptimas qualidades maternais. possuindo os machos cabeça volumosa.FULVO DA BORGONHA . 6. Fig. 48 – Coelho da Raça Fulvo da Borgonha As orelhas são fortes e abertas.5 e os 8 Kg. que é mais pequena nas fêmeas. tocado-se na base e os olhos são de coloração cinzento acastanhada com pupila azul escura. com bons rendimentos de carcaça e boa conformação.2. apresentando-se as patas.é uma raça de tamanho médio.6.é como o nome indica. Possui peso variável oscilando entre os 5.3. Fig.162 6.GIGANTE DE ESPANHA . originária de Espanha sendo uma raça de tamanho grande que foi sujeita a selecção. as patas são sólidas e unhas pardas ou negras. Caracteriza-se pelas orelhas grandes e largas. e olhos grandes côr rubi com membrana branca. A pelagem desta raça é de côr vermelho forte. cabeça grande e acarneirada. . cauda e região abdominal de côr branca.

de unhas brancas e a cauda direita e forte. com boa conformação. 6. rústica e prolífica.6. A sua prolificidade é boa.163 É uma raça de tamanho médio. olhos vermelho rosados.BORBOLETA . As patas são robustas.4.é uma raça de tamanho médio (5 Kg no macho e 6 Kg na fêmea). 6. . A pelagem desta raça é a sua característica mais marcante. pretendendo os Alemães.NEOZELANDÊS . cuja origem é controversa. Ingleses e Franceses para si a origem da raça. direitas e de côr quase preta em toda a sua extensão. cabeça grande.6.5. com peso à volta dos 4 Kg. sendo indicada para cruzamento com raças puras para produção de animais com boas características de produção de carne. tal como as capacidades maternais.esta raça é possivelmente a mais explorada no Mundo. 49 – Coelho da Raça Borboleta Francês Tem uma papada desenvolvida. fazendo lembrar uma borboleta. Fig. orelhas de tamanho médio e extremidades arredondadas. os olhos são castanho escuros rodeados de uma mancha bem delimitada e simétrica de côr preta. É uma raça de pêlo denso e de coloração branca. orelhas compridas. pois é branca possuindo uma faixa escura longitudinal no dorso e uma mancha no nariz muito característica. sendo produto de intensos programas de selecção.

de dorso amplo e anca arredondada. 6. Fig.5 Kg os machos e 4.6. 50 – Coelho da Raça Neozelandês Tem grande aptidão para a produção de carne. de tamanho médio (4-4.5 Kg no macho e 5 Kg na fêmea. com orelhas. bem proporcionados.CALIFORNIANA . pata e focinho pretos.6. é muito prolífica. de tamanho médio com pesos de 4. Tem boa prolificidade e boas qualidades maternais. nascendo contudo.raça é procedente dos EUA sendo bem proporcionada. Possui pelagem branca.5-5 Kg as fêmeas). sobretudo no dorso e lombos.164 Fig. sendo os animais dotados de grande precocidade. as crias brancas. sendo muito apreciada pela qualidade da sua carne e conformação da sua carcaça. 51 – Coelha e láparos da Raça Californeana .

7. não devendo contudo deixar-se mais de quatro láparos por parto. com 8 a 12 metros de largura. Esta raça é explorada para a produção de pêlo.5 metros. devido ao alto preço alcançado por este.2 a 2.Os coelhos são menos sensíveis ao frio do que ao calor . Fig. as instalações vão desde gaiolas em madeira e inclusivamente até galinheiros. Cada coelho dá em média 1200 a 1500 gramas de pêlo por ano. que são de crucial importância nos processos produtivos : . Quanto às primeiras. sendo o comprimento variável. fazendo-se nesta altura a primeira recolha de pêlo.7.SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE COELHOS 6. desprovidas de qualquer pretensiosismo. embora nada o prove. a quatro princípios essenciais. As instalações deste tipo devem obedecer em termos de controlo ambiental. e um pé direito de 2.7. Para as explorações racionais de ambiente controlado. operação que se repete cada três meses. onde os coelhos convivem com as galinhas.ANGORÁ .6. devido à fraca produção de leite desta raça. 51 – Coelho da Raça Angorá Gigante Coelho da Raça Angorá Inglês As fêmeas são de prolificidade média.. atribui-se amiúde a sua origem à Turquia. 6.TIPO DE INSTALAÇÕES Temos que considerar na produção de coelhos a criação familiar para autoconsumo e a exploração racional em ambiente controlado. Os láparos são desmamados aos 2 meses de idade.165 6. As jaulas destes animais devem ter fundo em rede de arame. as instalações mais simples e funcionais são pavilhões de uma nave.1. sendo a produção de 1 Kg de pelo por cada 7 Quilogramas de carne. para evitar o feltramento do pêlo e também que este se suje.

Gostam de ver sem ser vistos As variações térmicas diárias e anuais deverão ser pouco amplas e nada bruscas. . que são adoptadas universalmente. As baterias de engorda podem ter até 3 ou 4 pisos. devendo ser dispostas em baterias de dois ou três pisos cada um constituído por uma gaiola ou em piso simples. podendo variar conforme o fabricante e a colocação de ninho. sistema este que logicamente ocupa muito mais espaço. o qual é um bem escasso.5 m x 0. o ninho de dimensões de 0. deve conter palha ou aparas de madeira. sem correntes de ar que devem ser evitadas pelos efeitos nefastos que exercem na saúde dos animais e logicamente nos níveis produtivos. situando-se a temperatura ambiente óptima.Sofrem bastante com a humidade .4 m. entre os 18 e os 20 ºC nas instalações de maternidade e cria e entre 15 e 18 ºC nas instalações de engorda A humidade relativa deve situar-se entre os 60 e os 80 % e a ventilação deve fazer-se com boa velocidade de entrada de ar.8 mm de diâmetro.3 m x 0.166 . .As jaulas para machos reprodutores devem ser idênticas às das fêmeas para facilitar a sua colocação no local. As instalações devem possuir sistemas de aquecimento e de ventilação que permitam a renovação de uma quantidade de ar entre 1 e 4 metros cúbicos por hora e quilograma de peso vivo.8 m x 0.4 m x 0. devido ao alto preço das instalações e dos equipamentos. onde a coelha vai parir. Os animais devem estar em jaulas de rede metálica galvanizada de 1. . interno ou externo. não devendo ser ultrapassado o peso de 40 kg / metro quadrado de piso. .Ressentem-se bastante com as correntes de ar . Como o fundo da gaiola é de malha metálica.As jaulas para coelhas de reprodução com ninhada podem ter 0. A normalização das dimensões das gaiolas é uma das grandes vantagens deste sistema de baterias.As jaulas de engorda devem ser de tamanho suficiente para conter 12 a 15 coelhos após o desmame. pois permitem uma boa higiene e fácil recolha das dejecções. As dimensões das baterias variam conforme o seu uso. dependendo da temperatura interior da instalação.3 m.

colocados a uma altura que permita o acesso fácil aos láparos recém desmamados. Estes bebedouros podem ser dos sistemas de gota de gota ou de chupeta. . sendo os de plástico mais tarde ou mais cedo alvo dessa propensão e logicamente destruídos. Para este efeito as jaulas devem estar providas de bebedouros automáticos. disponíveis em metal ou plástico. pois as necessidades em água dos coelhos são muito grandes. dado que a propensão dos coelhos para roer é incontornável. 53 – Corte de um Pavilhão para produção intensiva de coelhos em jaulas É indispensável a existência de água limpa e de boa qualidade sempre em sistema de ad libitum. sendo preferível usar os de metal.167 Fig. 52 – Planta de um pavilhão para produção intensiva de coelhos em jaulas Fig.

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