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Fundamentos de Operações Logísticas

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Paulo Moura
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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SÉRIE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL

FUNDAMENTOS
DE OPERAÇÕES
LOGÍSTICAS
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI

Robson Braga de Andrade


Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA - DIRET

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

Julio Sergio de Maya Pedrosa Moreira


Diretor Adjunto de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Robson Braga de Andrade


Presidente do Conselho Nacional

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor Geral

Julio Sergio de Maya Pedrosa Moreira


Diretor Adjunto

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações
SÉRIE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL

FUNDAMENTOS
DE OPERAÇÕES
LOGÍSTICAS
© 2015. SENAI – Departamento Nacional

© 2015. SENAI – Departamento Regional de Santa Catarina

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico, mecâ-
nico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por
escrito, do SENAI.

Esta publicação foi elaborada pela equipe do Núcleo de Educação a Distância do SENAI de
Santa Catarina, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por
todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.

SENAI Departamento Nacional


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI Departamento Regional de Santa Catarina


Gerência de Educação – GEDUC

FICHA CATALOGRÁFICA
_____________________________________________________________________________

S491f
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.
Fundamentos de operações logísticas / Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial. Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Regional de Santa Catarina. Brasília : SENAI/DN, 2015.
85 p. : il. (Série Aprendizagem Industrial).

ISBN 978-85-7519-845-2

1. Logística. 2. Logistica empresarial. 3. Logistica – Armazenamento. 4.


Administração de materiais. I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Regional de Santa Catarina. II. Título. III. Série.
CDU: 658.786
_____________________________________________________________________________

SENAI Sede

Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto


Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-
Departamento Nacional 9001 Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br
SUMÁRIO

CAPÍTULO 4

Logística de armazenagem
Conheça aqui a abertura da Uni-
Diferentes formas de se distribuir,
MENSAGEM dade Curricular. Explore essa
diferentes formas de se armazenar.
oportunidade de aprendizagem
AO APRENDIZ e veja quantas descobertas serão
possíveis!

7 63
CAPÍTULO 1

Fundamentos de logística
Leia o fechamento que o
Afinal, o que é logística? Acre-
dite, ela vai muito além do que
PALAVRAS autor preparou para você!
Aproveite todos os cami-
você imagina!
DO AUTOR nhos que levam ao conheci-
mento.
9 79
CAPÍTULO 2

Distribuição física e adminis-


tração de materiais Conheça mais detalhes so-
Como são descritos, sepa- CONHECENDO bre o autor deste livro, sua
rados e movimentados os formação e experiências
materiais? O AUTOR profissionais, entre outros.

25 81

CAPÍTULO 3

Logística de suprimentos, trans-


porte e logística reversa Confira agora as referências
Existem diferentes estratégias de utilizadas nessa Unidade
distribuição em uma cadeia de REFERÊNCIAS Curricular. Aproveite e am-
suprimentos e é aqui que você plie seus conhecimentos!
vai conhecê-las.

45 83
MENSAGEM
AO APRENDIZ

Seja bem-vindo(a) à Unidade Curricular Fundamentos de Operações Logísticas.


O conteúdo deste livro trata de um assunto de fundamental importância para a
competitividade das empresas, logística. A logística está presente em praticamente
todas as operações de uma organização e carrega grande parte dos custos dessas
operações.
Nesta Unidade Curricular você vai conhecer os conceitos das operações logísticas e
aprender que a logística tem um papel muito importante na obtenção, no transporte, na
armazenagem e expedição de produtos.
Espero que aproveite estes conteúdos e que consiga identificar boa parte deste assunto
na prática, fazendo com que sua aprendizagem fique mais rica!

Bons estudos!

EVANDRO MEDEIROS MARQUES


CAPÍTULO 1

FUNDAMENTOS DE
LOGÍSTICA

LOGÍSTICA • ADMINISTRAÇÃO
CUSTOS • ESTRATÉGIA
9
1.1. CONCEITOS
Com certeza você já ouviu falar no termo logística. Mas você sabe o que
ele significa?
Ballou (2006, p.27) cita as Normas do Council of Logistics Management
(www.clml.org) dizendo que “Logística é o processo de planejamento, im-
plantação e controle do fluxo eficiente e eficaz de mercadorias, serviços e
das informações relativas desde o ponto de origem até o ponto de consu-
mo com o propósito de atender às exigências dos clientes.” A logística é GESTÃO
uma área da gestão responsável por fornecer os recursos, os equipamen- Gerenciamento, admi-
tos e as informações necessárias para a execução de todas as atividades de nistração de recursos
uma empresa. e processos.

Portanto, pode-se dizer que a logística não está ligada somente às ativi-
dades de transporte e entrega de bens.
Vivemos hoje em uma economia globalizada, em que podemos ter pro-
dutos na porta de casa fabricados em qualquer lugar do mundo. A respon-
sável por fazer com que todos esses produtos estejam distribuídos em cada
DEMANDA
ponto onde existe demanda é a logística.
O mesmo que necessi-
Conforme Christopher (2002, p. 2): dade.

A logística é o processo de gerenciar estrategicamente a aqui-


sição, movimentação e armazenagem de materiais, peças e
produtos acabados (e os fluxos de informações correlatas)
através da organização e seus canais de marketing, de modo
a poder maximizar as lucratividades presente e futura através
do atendimento dos pedidos a baixo custo.

Nesta citação, o autor deixa claro a importância da logística, mostrando


que ela está presente em todas as etapas em um processo produtivo.
De acordo com Ballou (1993), a logística estuda como a administração
de um negócio pode fornecer uma melhor rentabilidade nos serviços de
distribuição aos clientes e consumidores. Essa área faz isso por meio do
planejamento, da organização e do controle das atividades de movimenta-
ção e armazenagem para facilitar o fluxo de produtos.
Bom, se for tratar de produtos, clientes e consumidores, é possível enten-
der que a logística é um assunto vital, já que a base para a movimentação
da economia é a compra e venda de produtos e serviços. O maior desafio
da logística é diminuir o tempo entre produção e demanda. Dessa forma,
os consumidores podem ter bens e serviços quando e onde quiserem a um
custo ideal.
Nesta breve introdução aos conceitos de logística já deu para ter uma
ideia da importância da mesma para a competitividade de uma empresa.
Mas como ela está relacionada com o negócio como um todo? Confira a
seguir.

FUNDAMENTOS DE LOGÍSTICA
11
1.1.1. A LOGÍSTICA NAS EMPRESAS
Tradicionalmente, as empresas se organizam em áreas ou departamen-
tos, cada qual responsável por diferentes funções. São diferentes as áreas
como, por exemplo, a administração da produção, a engenharia de produ-
tos e processos, o marketing, compras, vendas, entre outras. Muitas dessas
áreas, ou departamentos, precisam interagir com outros departamentos.
Segundo Ballou (1993), a logística é a área que mais se relaciona com os
outros departamentos, podendo alcançar todas as áreas da empresa.

Engenharia

Outras áreas Contabilidade

Logística

Recursos
Economia
humanos

Paulo Cordeiro (2015)


Transportes

Figura 1 - A logística se relaciona com todas as áreas de um negócio


Fonte: Do autor (2015)

A figura ilustra as áreas com que a logística tem interface em uma em-
presa. Como são inúmeras, muitas companhias têm dificuldade em defi-
nir qual a área de atuação da logística, dividindo funções entre os demais
departamentos da empresa.

EXEMPLO:
Uma das funções da logística dentro de uma empresa é controlar a quanti-
dade de estoques de materiais. Logo, uma vez que há o material dentro da
empresa, este material já está pago. Se isso é verdade, a empresa precisou
desembolsar dinheiro para manter este estoque.
As soluções logísticas encontradas pela empresa para a compra de maté-
ria-prima estão diretamente ligadas à quantidade de estoque destes ma-
teriais. Portanto, a logística deve se comunicar com o departamento de
compras para determinar os melhores lotes ou as quantidades de compra,
como também se comunicar com o departamento de vendas ou de produ-
ção, para saber a velocidade de consumo dessa matéria-prima.

12 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


dreamnikon ([20--?])
Na sequência o assunto será a logística como fundamento para o comér-
cio, siga em frente e explore esse conteúdo!

1.1.2. A LOGÍSTICA COMO FUNDAMENTO PARA O COMÉRCIO


O Brasil, por ser um país grande e diversificado, recebe qualificações do
tipo “aqui tudo o que se planta dá”. Entretanto, nem tudo o que é produzi-
do em uma região pode ser produzida em outra. Um exemplo disso é uma
fruta cada vez mais conhecida por aqui e pelo mundo: o açaí! Ela é típica da
região norte, mas é encontrada em todos os supermercados do país e lojas
especializadas. Isso sem falar no mundo! E graças à logística é possível en-
contrar diferentes produtos, produzidos em diferentes locais numa mesma
prateleira de supermercado.
Noel Hendrickson ([20--?])

FUNDAMENTOS DE LOGÍSTICA
13
A logística é a responsável por distribuir os produtos para as mais diver-
sas regiões e permitir o comércio entre esses diferentes pontos. No mundo,
não é difícil encontrar países com elevado nível de desenvolvimento, mas
sem vocação para produção de itens básicos. O comércio entre esses paí-
ses seria inviável caso a logística não trabalhasse para garantir elevados
níveis de entrega e custo.

PRATICANDO

Faça um levantamento de cinco produtos ou matérias-primas utilizados


no seu trabalho que não são produzidos próximos da empresa – considere
diferentes cidades, estados e países. Tente identificar o caminho que es-
ses produtos fizeram até chegar à empresa, por quais canais de distribui-
ção passaram e como a logística ajudou nesse processo.
Organize essas informações em uma tabela conforme exemplo. Discuta
com um colega de sala de aula o resultado do levantamento e a importân-
cia da logística para a obtenção desses produtos.

ITENS PRODUTO ORIGEM POSSÍVEIS CANAIS DE


DISTRIBUIÇÃO
1

2
3
4
5

Você viu, até agora, que a logística é muito ampla e é um processo que
viabiliza o comércio em todas as esferas. Mas por que você deve estudar
sobre este assunto? Confira!

1.1.3. PORQUE ESTUDAR LOGÍSTICA?


Muitas pessoas estudam logística, porque além de interessante, o assun-
to é essencial, porém o motivo mais comum é a ascensão profissional.
A logística é um assunto fundamental para a sobrevivência das empre-
sas. Por conta disso, o mercado cada vez mais necessita de profissionais
capacitados para atuarem na área.

14 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


Catherine Yeulet ([20--?])
A logística tem uma função muito importante para o
controle dos custos.

Pensando na competitividade, empresas estão investindo e irão investir


muito mais no desenvolvimento de seus sistemas logísticos para garantir a
sua sobrevivência no mercado.
Apesar de as empresas estarem cientes da importância do tema, ainda
não existe um consenso do que é, e até aonde vai a logística. Porém, a car-
reira do profissional de logística é muito promissora.
Na sequência você vai conhecer um pouco mais sobre os nomes que a logís-
tica já ganhou dentro das empresas, siga em frente e explore esse conteúdo!

1.2. LOGÍSTICA EMPRESARIAL OU SOMENTE LOGÍSTICA?


Logística empresarial não tem o mesmo significado para todas as pes-
soas, inclusive para aquelas que estão envolvidas com o tema. Ao contrário
dos outros setores como marketing e produção, o termo empresarial ainda
não conseguiu um título único para identificá-lo.
A área da logística empresarial é tratada com os mais diferentes nomes
como, por exemplo, transportes, suprimento e distribuição, operações, ad-
ministração de materiais, distribuição física e logística. Mas, na verdade, se
você ouvir um desses termos, estará ouvindo falar de logística.

FIQUE POR DENTRO

Nas bibliografias, o termo que será mais encontrado será logística empre-
sarial. Dê uma olhada nos títulos dos livros utilizados nas referências bi-
bliográficas ao final deste livro e confira!

FUNDAMENTOS DE LOGÍSTICA
15
Você já sabe agora que os termos podem variar, mas a função da logística
já está de certa forma bem definida, o que ajuda alguns autores a definir
qual a real missão da logística empresarial.

1.2.1. MISSÃO DA LOGÍSTICA


A missão da logística pode ser definida como a garantia da entrega de
um bem ou produto na quantidade certa, na qualidade certa, no local e no
tempo certos, para um cliente e um custo determinado.

A logística empresarial trata de todas as atividades de movi-


mentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos
desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de
consumo final, assim como dos fluxos de informação que co-
locam os produtos em movimento, com o propósito de provi-
denciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo
razoável. (BALLOU, 1993, p. 24).

É possível encontrar fábricas e clientes espalhados por diferentes regiões


do país, e por isso é criada uma lacuna ou um espaço de tempo entre maté-
ria-prima e produção e produção e consumo. Trabalhar para vencer esses
espaços de tempo é função da logística, que além de movimentar os ma-
teriais, busca uma operação com um custo mais baixo e, portanto, viável.

1.2.2. COMPOSTO DE ATIVIDADES LOGÍSTICAS


De acordo com a definição anterior de Ballou (1993), é possível identi-
ficar as várias atividades envolvidas pela logística. Algumas dessas ativi-
dades podem ser consideradas primárias, fundamentais para o processo
logístico, e outras de apoio, que dão suporte para as atividades primárias.
Confira!

NÍVEL DE SERVIÇO
Qualidade com que o ATIVIDADES PRIMÁRIAS
fluxo de bens e servi-
ços é gerenciado. É o As atividades primárias são de grande importância e contribuem para o
resultado líquido de atingimento dos objetivos da logística de custo e nível de serviço. Essas
todos os esforços lo- atividades estão descritas a seguir.
gísticos da firma. É o
desempenho oferecido
pelos fornecedores aos Transportes
seus clientes no aten-
dimento de pedidos. É a atividade mais importante segundo algumas empresas, pois é res-
ponsável por até 60% dos custos logísticos totais. É essencial, pois nenhu-
ma empresa pode trabalhar sem movimentar suas matérias-primas ou
produtos acabados de alguma forma.

16 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


O termo transporte refere-se às diferentes formas
de se movimentar produtos. Algumas das alternativas
são os modos rodoviário, ferroviário e aeroviário,
cada qual com suas características, sendo as princi-
pais o custo e a velocidade. Esses modos são chama-
dos de modais de transporte.

ChrisGorgio ([20--?])

Outro exemplo importante de atividade primária na logística é a manu-


tenção de estoques, que você vai conferir a seguir.

Manutenção de estoques
Normalmente não é viável uma produção ou entrega instantânea aos
clientes. Apesar de caros, os estoques fazem uma função importante para
garantir a disponibilidade de produto. Muitas empresas utilizam extensi-
vamente estoques como amortecedores, não só para absorver variações
de demanda, como também para absorver problemas internos que podem
ocasionar a falta de produtos.
É possível dizer que enquanto o transporte adiciona o valor de “lugar”
ao produto, os estoques adicionam o valor de “tempo”, pois absorvem to-
dos os tempos de compra de matéria-prima, processamento e produção de
produtos e transporte até o ponto de armazenagem.

FUNDAMENTOS DE LOGÍSTICA
17
maxoidos ([20--?])
Os estoques são importantes, porém sua administração é mais impor-
tante ainda, pois a manutenção desses estoques incorre em custos com a
produção ou compra antecipada de produtos. É necessário ainda manter
toda uma estrutura para estocagem, pessoal para movimentação e admi-
nistração de estoques.

Os níveis dos estoques devem ser baixos o bastante


para a redução dos custos de armazenagem e gran-
des o suficiente para absorver todas as variações
dos processos produtivos e variação de demanda do
mercado.

Acompanhe agora o processamento dos pedidos, outro exemplo de ati-


vidade primária.

Processamento de pedidos
O processamento de pedidos é considerado uma atividade primária,
mesmo que seus custos sejam pequenos se comparados com os custos de
transporte e manutenção de estoques. A sua importância vem do fato de
ser um elemento crítico no tempo necessário para a entrega do pedido ao
cliente.
Na figura a seguir você pode verificar a relação dessas três atividades no
que é chamado de ciclo crítico de atividades logísticas.

18 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


Cliente

Processamento dos
pedidos dos clientes

Paulo Cordeiro (2015)


Manutenção de estoque Transportes

Figura 2 - Relação entre as três atividades logísticas primárias para atender os clientes
Fonte: Adaptado de Ballou (1993)

Neste ciclo, o cliente faz os pedidos, que são processados pela empresa.
A empresa organiza e mantém os seus estoques e posteriormente faz as
entregas, utilizando a função dos transportes.

PRATICANDO

Você consegue identificar essas três atividades primárias no seu local de


trabalho?
Tente identificar essas atividades visitando as áreas e entrevistando seus
colegas de trabalho.
De acordo com o ramo de sua empresa, elenque as atividades por grau
de importância. Apresente esta pesquisa para seu tutor(a) justificando o
porquê de cada escolha.
Não esqueça de solicitar ao seu superior!

As três atividades primárias podem ser resumidas como atividades ma-


cro, ou seja, são consideradas grandes e precisam de outras atividades me-
nores para suportá-las. Essas atividades menores são denominadas ativi-
dades de apoio, e é sobre elas que você vai estudar agora.

FUNDAMENTOS DE LOGÍSTICA
19
ATIVIDADES DE APOIO
Um sistema logístico não acontece somente com as atividades primárias,
ou seja, ele necessita também das atividades de apoio, pois elas têm a fun-
ção de sustentar as atividades primárias. Acompanhe a seguir a descrição
dessas atividades de apoio.

Armazenagem
A armazenagem está relacionada com a administração do espaço para
manter os estoques. Os problemas comuns são a localização e o dimensio-
namento da área de armazenagem.

Digital Vision. ([20--?])

Manuseio de materiais
Tem relação com a armazenagem e também apoia a manutenção de es-
toques. Diz respeito à movimentação dos produtos no local de armazena-
gem. Um exemplo é a movimentação do material até o ponto de estoca-
gem, depois até o ponto de despacho.
Fuse ([20--?])

20 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


Obtenção
Esta atividade deixa o produto disponível para o sistema logístico, ou
seja, trata da aquisição do produto, seleção dos fornecedores, das quanti-
dades a serem adquiridas. Além de ser também uma atividade importan-
te para a logística, pois a descrição das quantidades define o tamanho da
área de armazenagem, as dimensões geográficas e o tempo que afeta os
custos logísticos.

Por mais que possam parecer a mesma coisa, as ativi-


dades de compras e obtenção são diferentes. A função
de compras tem muitos outros aspectos que não são
abordados pela obtenção, como a negociação da for-
ma de compra, pagamento etc. A obtenção se preocupa
em adquirir o produto certo, nas quantidades certas
e os coloca disponíveis ao sistema logístico.

Embalagem de proteção
Movimentar os bens sem danificá-los é um dos objetivos da logística. As
embalagens de proteção bem projetadas auxiliam na garantia da movi-
mentação sem quebras, além de melhorar a forma de armazenagem e o
transporte.
moodboard ([20--?])

Programação de produtos
Enquanto a obtenção trata das formas de entrada dos produtos no siste-
ma logístico, a programação dos produtos trata dos fluxos de saída. Ela se
refere primeiramente às quantidades que devem ser produzidas e quando
devem ser fabricadas.

Manutenção da informação
Faz a função de manter uma base de dados com informações importan-
tes para o processo logístico. Essas informações são essenciais para o cor-
reto planejamento e controle logístico. São informações importantes para
este processo: a localização dos clientes, os volumes de vendas, os padrões
de entrega e os níveis de estoque.

FUNDAMENTOS DE LOGÍSTICA
21
A figura a seguir mostra as relações entre as atividades de apoio com as
atividades primárias e o nível de serviço.

Atividades Atividades
primárias de apoio

Manuseio
de materias
Transportes
Embalagem
de proteção

Programação
do produto
Nível de Manutenção de
serviço estoques
Manutenção
de informações

Armazenagem
Processamento
de pedidos

Paulo Cordeiro (2015)


Obtenção

Figura 3 - Relação das atividades primárias e de apoio com o nível de serviço


Fonte: Do autor (2015)

Neste primeiro capítulo você aprendeu os conceitos básicos de opera-


ções logísticas e a importância do assunto. Também conheceu o composto
das atividades logísticas, que são divididas entre atividades primárias e de
apoio. No próximo capítulo você vai conhecer como acontece a distribuição
física e a administração dos materiais em um sistema logístico. Vamos lá?

22 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


RESUMINDO

A logística nas
empresas

A logística como
Conceitos fundamento
para o comércio

Fundamentos Por que estudar


de logística logística?

Logística empresarial
ou somente logística?

Composto de
Missão da logística
atividades logísticas

Atividades primárias Atividades de apoio

Transportes Armazenagem

Manutenção de Manuseio de
estoques materiais

Processamento Obtenção
de pedidos
Embalagem
de proteção

Programação
Paulo Cordeiro (2015)

de produtos

FUNDAMENTOS DE LOGÍSTICA
23
ANOTAÇÕES

24 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


CAPÍTULO 2

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA
E ADMINISTRAÇÃO DE
MATERIAIS

DISTRIBUIÇÃO • ADMINISTRAÇÃO
MATERIAIS • ESTOQUES
25
TRANSPORTES
2.1. DISTRIBUIÇÃO FÍSICA A palavra “transporte”
vem do latim trans (de
A distribuição física, junto com os transportes, é a área da logística mais um lado a outro) e por-
tare (carregar). Assim,
notada por todos. Muitas vezes, pessoas e até empresas generalizam a lo-
em síntese, transporte
gística como somente entrega de produtos. Essa confusão é justificável, é o movimento de pes-
pois esta é a atividade com maior destaque e custo. soas ou coisas de um
lugar para outro.
Distribuição física é o ramo da logística empresarial que trata
da movimentação, estocagem e processamento de pedidos
dos produtos finais da firma. Costuma ser a atividade mais
importante em termos de custo para a maioria das empresas,
pois absorve cerca de dois terços dos custos logísticos. (BAL-
LOU, 1993, p. 40).

Já Alvarenga e Novaes (1994) conceitua a distribuição física de produtos


como os processos operacionais e de controle que permitem transferir os
produtos desde o ponto de fabricação até o consumidor.

janischristieimages ([20--?])

Que tal conhecer melhor esses tipos de distribuição física? Siga adiante
nos estudos e fique atento!

2.1.1. TIPOS DE MERCADO DE DISTRIBUIÇÃO FÍSICA


Segundo a definição de Ballou (1993) citada anteriormente, é possível
entender que a distribuição física se preocupa principalmente com os pro-
dutos acabados e semiacabados, ou seja, com aqueles produtos que serão
entregues aos clientes finais ou intermediários.
A logística empresarial tem a missão de garantir a disponibilidade
de produtos para os clientes da forma que eles solicitaram a um custo
razoável. Uma empresa pode atender a dois diferentes tipos de mercado,
que são o mercado dos clientes finais e o mercado dos clientes interme-
diários.

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA E ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS


27
Os clientes finais são as pessoas ou empresas que utilizam os produtos
tanto para satisfazer suas necessidades pessoais, quanto para fabricar ou-
tros produtos, que é o caso dos consumidores industriais.
O segundo mercado é o dos clientes intermediários, que não consomem
os produtos, mas os disponibilizam para revenda, normalmente repassam
para outros intermediários ou para consumidores finais, por exemplo, dis-
tribuidores, varejistas e usuários finais.
A figura a seguir mostra algumas alternativas básicas para a distribuição
física de materiais.

Fábricas

Estoque
de produtos Retrabalho
acabados

Retornos Retornos

Entregas com
carga “cheia”
Distribuição física

Depósitos
regionais

Entregas Entregas
diretas diretas

Retornos

Entregas com
carga parcelada
Paulo Cordeiro (2015)

Consumidores
finais ou outras
companhias Intermediário

Figura 4 - Fluxos típicos no canal de distribuição


Fonte: Adaptado de Ballou (1993)

Na figura apresentada estão representadas as fábricas, os estoques, os


depósitos e os clientes finais ou intermediários. É possível identificar o flu-
xo das entregas e retornos e a forma como as entregas são feitas, diretas,
intermediárias, com carga cheia ou parcelada.

28 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


EXEMPLO:
Uma empresa que fabrica e vende papel de impressão adotou como es-
tratégia a venda para dois mercados diferentes – o mercado dos clientes
finais e o mercado dos clientes intermediários.
Esta empresa fornece o papel de impressão diretamente para grandes
gráficas, que são os clientes finais. Como também fornece o papel para
distribuidores, que por sua vez vendem o produto para gráficas menores.
Os distribuidores são os clientes intermediários.

Fazer os produtos chegarem aos clientes não é uma tarefa fácil, devendo
ser muito bem estudada para que se possa utilizar a melhor forma de dis-
tribuição dos produtos. Essas tarefas são denominadas de estratégias de
distribuição, e é isso que você vai conhecer agora.

2.1.2. ESTRATÉGIAS DE DISTRIBUIÇÃO


Você acabou de aprender que há dois tipos principais de clientes, o final
e o intermediário, e que a principal diferença entre eles está nas quantida-
des que cada um compra. Um cliente final normalmente vai até o mercado
e compra somente a quantidade que ele está precisando para satisfazer a
sua necessidade. Já um intermediário compra em grandes quantidades,
com um preço mais baixo, o que possibilita a revenda do produto para ou-
tros intermediários ou clientes finais.
A grande maioria das empresas possui esses dois tipos de clientes em sua
carteira. Portanto, ela deve adotar estratégias diferentes para a distribui-
ção desses produtos, sempre buscando um nível de serviço alto com um
baixo custo.
Existem três estratégias básicas para a distribuição de produtos, que são:
■■ entrega direta a partir dos estoques de fábrica – a entrega é feita a
partir dos estoques de produtos mantidos na fábrica;
■■ entrega direta a partir dos vendedores ou da linha de produção – En-
tregas efetuadas pelos próprios vendedores que carregam consigo
os produtos ou diretamente da linha de produção, sem passar pelos
estoques da fábrica;
■■ entrega feita utilizando um sistema de depósitos – os produtos são
retirados das fábricas e distribuídos pelos seus centros de distribui-
ção. Esses centros são os responsáveis por atender cada uma de suas
regiões.
Continuando o estudo sobre estratégias de distribuição, você conhecerá
agora os níveis estratégicos da administração da distribuição física.

2.1.3. NÍVEIS ESTRATÉGICOS DA ADMINISTRAÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO


FÍSICA
A distribuição física acontece em diferentes níveis em uma organização.
Isso acontece porque a posição hierárquica interfere no processo como um
todo. Estes níveis podem ser estratégicos, táticos e operacionais.
Acompanhe os exemplos desses níveis gerenciais a seguir, e entenda me-
lhor como funciona cada um.

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA E ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS


29
NÍVEL ESTRATÉGICO
O nível estratégico está ligado à alta direção da empresa. A alta direção
é responsável por tomar as decisões que envolvem a localização de unida-
des e armazéns da empresa. Neste nível, é possível decidir se a empresa vai
manter um depósito em um determinado estado ou não. Sempre são leva-
dos em conta vários fatores como custo de transporte para esse depósito,
tempo de entrega, se é mais barato ou rápido entregar direto ao cliente ou
ao depósito.

StockSolutions ([20--?])
Enfim, o nível estratégico é quem toma as decisões de como estruturar
o sistema logístico, quanto dinheiro investir e quais parcerias ou serviços
serão contratados.
Uma vez definido o sistema, ele precisa ser operado da melhor forma
possível, com o menor custo. É aí que entra o nível tático, que você vai co-
nhecer agora.

NÍVEL TÁTICO
Uma vez que a empresa já tem seus depósitos definidos, seu sistema
logístico, frota etc., cabe ao nível tático utilizar desses recursos da forma
mais eficiente possível. Os custos sempre serão mais baixos se as cargas
forem completamente preenchidas, se os armazéns ficarem sempre abas-
tecidos e se os sistemas de pedidos não ficarem ociosos.

30 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


hxdbzxy ([20--?])
Uma vez que a estratégia e a tática de distribuição estão definidas, é a
hora de “botar a mão na massa”. Ou seja, de executar as tarefas diárias,
denominadas de atividades do nível operacional que você vai conhecer
agora.

NÍVEL OPERACIONAL
As atividades do nível operacional são as tarefas diárias que são execu-
tadas para garantir que os produtos cheguem ao seu destino final. Ou seja,
as atividades que fazem os produtos fluírem pelos canais de distribuição
até o último cliente.
Tay Jnr ([20--?])

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA E ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS


31
Ballou (1993) resume os níveis estratégicos da administração da distri-
buição física da seguinte forma:
■■ estratégico: como deve ser o nosso sistema de distribuição?
■■ tático: como o sistema de distribuição pode ser usado da melhor for-
ma possível?
■■ operacional: vamos fazer as mercadorias saírem.
Você estudou que em distribuição física a empresa se organiza para dis-
tribuir os produtos aos clientes, ou seja, a empresa administra os produtos
da sua expedição até a entrega aos seus clientes.
Mas como funciona a administração dos materiais dentro da empresa?
É exatamente isso que você vai estudar no próximo tópico!

2.2. ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS


A administração de materiais em uma empresa contempla diferentes
funções, desde a compra até a organização dos estoques. Ela contempla
o fluxo de materiais de fora para dentro da empresa e a sua distribuição
interna nas etapas de produção.
Alguns dos sistemas utilizados para se administrar os materiais serão es-
tudados logo a seguir.

2.2.1. SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO


KANBAN A classificação dos materiais é um importante mecanismo para o con-
Sistema de adminis-
trole e a organização de materiais. Ela é base para a aplicação de outras
tração de materiais ferramentas de controle, como o Kanban, por exemplo.
com sinalização física Para se fazer a classificação dos materiais, é necessário entender a nature-
de necessidades por
meio de cartões.
za desses materiais. Aspectos dos produtos ajudam a determinar a natureza
específica de cada um dos materiais, e esses aspectos, para alguns autores,
determinam a forma como os materiais devem ser classificados.
Existem diversas formas disponíveis aos administradores para se classificar
os materiais. A escolha da melhor forma, ou a forma mais adequada, deve se
basear nas características específicas de cada situação. O administrador deve
INSUMOS levar em consideração que uma forma de classificação pode se mostrar eficaz
Todos os elementos em determinadas situações, mas não em outras. Segundo Dias (2010, p. 189),
necessários para a ela- o objetivo de uma classificação consiste em uma catalogação, simplifica-
boração de um produ- ção, especificação, normalização, padronização e codificação dos insumos
to ou serviço, poden-
do ser matéria-prima,
que compõem o estoque da empresa. Para Viana (2000), os materiais são
horas de trabalho e classificados para atender as necessidades da empresa e devem ser anali-
energia elétrica, por sado ao todo, visando à tomada de decisões que minimizem o risco da falta
exemplo. destes materiais.

32 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


Viana (2000. p. 52 à 61) ainda sugere a seguinte classificação:
■■ Por tipo de demanda – Materiais de estoque com demanda previsível
e materiais não de estoque com demanda indefinida.
■■ Materiais Críticos – Materiais estocados com base na análise de ris-
cos de uma empresa. Um exemplo seria as peças de reposição de um
determinado equipamento da empresa que não pode parar. Mesmo
a demanda sendo imprevisível, as peças devem ser mantidas em es-
toque para evitar a falta.
■■ Classificação por perecibilidade – Materiais que podem estragar ou
perder suas principais características com um longo tempo de arma-
zenamento.
■■ Classificação por Periculosidade – Identificação dos materiais que
podem apresentar algum perigo em seu manuseio ou armazenagem.
■■ Materiais possíveis de se fabricar ou comprar – Visa determinar quais
materiais podem ser fabricados internamente, recondicionados ou
comprados.
■■ Por tipos de estocagem – Materiais que podem ter sua estocagem
temporária ou permanente.
■■ Pela dificuldade de aquisição – Materiais difíceis de se encontrar no
mercado, que podem ter esta característica por causa de uma fabri-
cação especial, escassez do mercado, sazonalidade, monopólio, lo-
gística sofisticada ou dificuldades com importação.
■■ Pelo mercado fornecedor – Esta classificação complementa a ante-
rior.

Uma vez classificados em grandes grupos, como os mostrados anterior-


mente, os materiais são descritos a fim de melhorar a sua identificação e
catalogação. Confira!

DESCRIÇÃO DOS MATERIAIS


A descrição dos materiais é um método que ajuda na identificação dos
materiais. Neste tipo de identificação, procura-se apresentar todas as ca-
racterísticas que fazem este item ser único. No entanto, um excesso de in-
formação na descrição do item pode deixar um catálogo muito volumoso
e cansativo de ler.

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA E ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS


33
PRATICANDO

Selecione três materiais que você utiliza com frequência na empresa e


descreva-os como se fosse colocá-los em um catálogo. Identifique cuida-
dosamente suas características para que sua descrição seja única, sem
que seja possível confundi-lo com outro material.
Dica: utilize um catálogo de produtos como exemplo.

A descrição dos materiais ajuda na elaboração de um catálogo. Já a espe-


cificação ajuda a encontrar um material por meio das suas características.
Acompanhe.

ESPECIFICAÇÃO DOS MATERIAIS


A especificação é a representação detalhada de um conjunto de requisi-
tos a ser satisfeito por um material. Ela pode também ser empregada em
um produto ou processo. A especificação é a identificação dos aspectos
mais relevantes do material, que ajuda a classificá-lo de acordo com algum
critério de interesse. Segundo Dias (2010), para que a descrição seja feita
de maneira adequada, é preciso considerar alguns critérios ou regras que
ajudam a tornar o processo preciso e eficiente. São eles:
■■ a denominação deve ser sempre no singular, o que possibilita a de-
terminação das quantidades específicas dos produtos;
■■ a denominação deve se prender ao material especificamente e não a
sua embalagem ou forma;
■■ utilizar denominações únicas para materiais de mesma natureza;
■■ utilizar abreviaturas padronizadas.
Agora que você já conhece alguns tipos de classificação que podem ser
usados para os materiais, você vai ver um pouco sobre os sistemas de codi-
ficação, que são um elemento que constitui a classificação.

2.2.2. SISTEMAS DE CODIFICAÇÃO


Um sistema de codificação serve para estabelecer formas para represen-
tar as diversas características dos produtos. Uma vez que esses produtos
estão codificados, eles podem ser controlados e operacionalizados.
Existem diversos sistemas de codificação de materiais, uns mais utiliza-
dos que outros. Acompanhe a seguir alguns exemplos:
■■ sistema alfabético – utiliza as letras do alfabeto para codificar os
materiais;
■■ sistema alfanumérico – utiliza uma combinação entre letras e núme-
ros para codificar os materiais;
■■ sistema numérico – utiliza números para formar os códigos.

34 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


EXEMPLO:
Sistema alfabético – imagine que você queira utilizar um código alfabético
para codificar pregos pequenos, médios e grandes, este código pode ser
elaborado da seguinte forma:

P = Pregos
P/A = Pregos Pequenos
A = Pequeno
P/B = Pregos Médios
B = Médio
P/C = Pregos Grandes
C = Grande

No sistema alfanumérico você pode utilizar um código que vê frequen-


temente, que são as placas dos veículos. As placas no Brasil são formadas
por uma combinação de três letras e quatro números. As combinações de
três letras significam o estado de procedência do veículo, ou seja, onde ele
foi registrado. Já os quatro números significam o número sequencial de
registro do automóvel.

Coxipoplacas (2015)

Figura 5 - As placas dos automóveis são um exemplo de código alfanumérico


Fonte: Coxipoplacas (2015)

Nas empresas, o sistema mais utilizado é o numérico em duas diferentes


variações – o sistema decimal e o sistema de código de barras. Você vai
conhecer agora um pouco de cada um desses dois sistemas.

SISTEMA NUMÉRICO OU DECIMAL


O sistema de codificação decimal tem esse nome porque utiliza números
em uma escala de 0 (zero) a 9 (nove), que são os algarismos arábicos. Este
sistema é um dos mais utilizados, pois tem facilidade em organizar os códi-
gos de forma sequencial e de fácil interpretação.
O sistema de codificação decimal normalmente segue o padrão adotado
pelo Federal Supply Classification System, que foi elaborado no pós-segun-
da guerra mundial para o controle dos materiais. Entretanto, as empresas
aplicam modificações nesse sistema para adequar as suas necessidades
específicas.

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA E ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS


35
XX XX XXXXXX . X

Digito verificador

Sequencial

Subgrupo

Grupo

Paulo Cordeiro (2015)


Grupo + Subgrupo = Classe
Figura 6 - Padrão de codificação do FSC
Fonte: Portal Administração (2015)

A figura apresenta as partes de um código que é separado em grupo, sub-


grupo e classe (número sequencial). O exemplo a seguir demonstra como
formar um código utilizando este padrão.

EXEMPLO

Para exemplificar este sistema decimal de codificação, você deve imaginar


um eletrodoméstico, neste caso um ventilador de teto modelo preto com
bolinhas azuis. Neste caso o código pode ser montado da seguinte forma:

Grupo:
01 – Refrigeradores
02 – Freezers
03 – Condicionadores de ar
04 – Ventiladores
05 – Liquidificadores
Subgrupo dos ventiladores:
01 – Ventilador de piso
02 – Ventilador de teto
Sequencial:
0001 – preto
0002 – branco
0003 – verde
...
0025 – preto com bolinhas azuis
Para montar este código, você deve fazer da seguinte forma:
Grupo – 04 – Ventiladores
Subgrupo – 02 – Ventilador de teto
Sequencial – 0025 – preto com bolinhas azuis
O código fica da seguinte forma – 02.01.0025 (ventilador de teto preto com
bolinhas azuis)

36 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


Um sistema de codificação numérico também pode ser representado em
forma de uma imagem para se automatizar a leitura destes códigos. A se-
guir você irá acompanhar um exemplo de sistema de código de barras.
O sistema de código de barras é uma forma de transformar um código
numérico em uma imagem que pode ser processada por um sistema de
controle. Ele é formado por uma série de barras com larguras e distâncias
entre elas diferentes. Para cada combinação de barras existe um número
correspondente. Ele é usado para se dar agilidade no processo de leitura e
identificação dos materiais em um armazém, por exemplo.

Mertsaloff ([20--?])
Grandes empresas com amplos armazéns e uma infinidade de materiais
em estoque utilizam os códigos de barras largamente para efetuar o con-
trole dos estoques.

Esses códigos podem, por exemplo, ser utilizados na


linha de produção.

Uma rápida leitura no código pode ser usada para conferir os componen-
tes antes de uma montagem, garantindo que a peça certa será montada
naquela etapa do processo.
Fuse ([20--?])

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA E ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS


37
REFLITA

Você já parou para pensar em quanto tempo a mais um operador de caixa


de supermercado levaria para somar todas as suas compras se um siste-
ma de código de barras não tivesse sido implantado no supermercado?

Os sistemas de código de barras foram implantados nos supermercados


para agilizar o atendimento dos clientes. A maior velocidade de atendi-
mento reduz a necessidade de mais operadores de caixa e resulta em uma
redução de custos. Essa redução deixa o supermercado mais competitivo e
mais forte frente à concorrência.
Esses sistemas de codificação dos materiais facilitam que itens sejam ar-
mazenados, encontrados e retirados do estoque, como também ajudam na
organização e no controle do mesmo.
Mas como os materiais são requisitados e movimentados dentro da em-
presa? Um dos métodos é o Kanban, que vai ser explicado a seguir.

2.2.3. MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS


O Kanban surgiu por meio das observações e dos questionamentos sobre
a gestão da produção dos componentes feitos por Taiichi Ohno. A implan-
tação dessa ferramenta buscou o controle da superprodução por meio da
utilização de pedaços de papéis que listavam o número do item de uma
peça e também outras informações referentes ao trabalho de usinagem.
(OHNO, 1997).
Kanban é uma palavra de origem japonesa, que significa “sinal”. (LEAN
ENTERPRISE INSTITUTE, 2003). Shingo (1996a), por sua vez, afirma que
kanban significa “etiqueta” ou “cartão” e que é um meio de controle e coor-
denação, buscando satisfazer as seguintes funções:
■■ sinalizar ordens de produção;
■■ controlar o número de peças ou bens atravessando a produção;
■■ simplificar as instruções, possibilitando respostas mais flexíveis às
variações de demanda.
A técnica Kanban permite a implantação da produção puxada, ou seja,
a produção das peças necessárias, no momento em que o cliente sinaliza
essa necessidade. (OHNO, 1997). O Kanban é o meio pelo qual o Sistema
Toyota de Produção flui suavemente.
Existem quatro objetivos principais para o Kanban. (ART SMALLEY, 2004).
■■ Evitar a superprodução e, por consequência, o excesso de movi-
mentação de materiais entre os processos produtivos.
■■ Fornecer ordens de produção específicas entre processos com
base nos princípios de reposição.
■■ Permitir a gerência visual da produção, tornando fácil a visuali-
zação pelos gerentes do processo como um todo.
■■ Estabelecer uma ferramenta para a melhoria contínua.

38 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


De acordo com esses objetivos, um sistema Kanban em pleno funciona-
mento garante um sistema produtivo enxuto, sem excesso de produção e
com ordens simples e precisas por meio do uso dos cartões Kanban.

2.2.4. COMPONENTES DO SISTEMA KANBAN


Segundo Tubino (2000), o sistema Kanban funciona baseado no uso de
sinalizações. Essas sinalizações são frequentemente feitas com base nos
cartões Kanban e dos painéis porta-kanban. Porém podem ser utilizados
outros meios para passar essas informações.
Ainda segundo Tubino (2000), são componentes do sistema Kanban:
■■ cartões Kanban – o sistema Kanban sinaliza a produção e movimen-
tações na fábrica por meio do uso de cartões Kanban. Nesses cartões
são inseridas informações básicas para a operação do sistema, como
tipo de material, quantidade, local de utilização entre outros. Os car-
tões Kanban podem ser divididos em Kanban de produção e Kanban
de requisição. O Kanban de requisição, por sua vez, pode ser subdivi-
dido em Kanban de requisição interna e Kanban de fornecedor;
■■ cartão Kanban de produção – também chamado de cartão Kanban
de processo, exerce as funções das ordens de fabricação e montagem
emitidas pelos sistemas convencionais de PCP;
■■ cartão Kanban de requisição interna – são utilizados quando os cen-
tros de trabalho do consumidor e produtor estão distantes um do ou-
tro. O fluxo de informação é agilizado e a movimentação acontece
sem a interferência do PCP;
■■ cartão Kanban de fornecedor – executa as funções de uma ordem de
compra convencional. Autoriza o fornecedor externo a fazer uma en-
trega de um lote de itens.
A figura a seguir ilustra bem esses componentes, veja:

Kanban Kanban de
produção
Kanban de
req. interna
Kanban de
requisição
Paulo Cordeiro (2015)

Kanban de
fornecedor
Figura 7 - Tipos de Kanban
Fonte: Adaptado de Tubino (2000)

Outro componente do sistema Kanban citado por Tubino (2000) é o Pai-


nel porta-kanban. É um sistema Kanban tradicional que utiliza painéis de
sinalização chamados painéis porta-kanban junto aos pontos de consumo
dos itens.
Já o Quadro Kanban acumula os cartões em diferentes faixas, identifi-
cando em que nível de estoque do supermercado o item se encontra: de ci-
clo (faixa verde), pulmão (faixa amarela) ou de segurança (faixa vermelha).
A seguir uma representação de um Quadro Kanban. Os números indicam a
quantidade de cartões em cada faixa que correspondem à quantidade de
material no supermercado.
DISTRIBUIÇÃO FÍSICA E ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS
39
2 2 2 2

Ficha Kanban Ficha Kanban Ficha Kanban Ficha Kanban


EM30 EMU45 EMU60 EMU70

10 10 10 10

Ficha Kanban Ficha Kanban Ficha Kanban Ficha Kanban


EM30 EMU45 EMU60 EMU70

3 3 3 3

Paulo Cordeiro (2015)


Ficha Kanban Ficha Kanban Ficha Kanban Ficha Kanban
EM30 EMU45 EMU60 EMU70

Figura 8 - Representação do Quadro Kanban


Fonte: Do autor (2015)

No quadro porta-kanban são definidas faixas de trabalho com a indica-


ção de quantos cartões devem ser colocados em cada faixa. Cada coluna
representa um item. A quantidade de cartões representa quanto deste item
deve estar armazenado.
Acompanhe a seguir as regras de funcionamento de um sistema Kanban.

2.2.5. REGRAS DE FUNCIONAMENTO DO SISTEMA KANBAN


Segundo Shingo (1996a), o sistema Kanban é regido por seis regras básicas.
■■ Regra 1: os Kanbans dão instruções de transporte ou retirada. Um
processo retira peças do processo precedente quando os cartões são
removidos.
Esta regra é composta de dois elementos:
■■ retirar apenas a quantidade de peças indicadas pelo cartão
removido;
PRECEDENTE
■■ partir de um processo para retirar peças do processo precedente.
O que vem antes. Ativi-
dade anterior. ■■ Regra 2: o processo fornecedor deve produzir seus itens apenas nas
quantidades e ordens ditadas pelo Kanban removido.
■■ Regra 3: nada é produzido e nada é transportado sem o Kanban. Esta
regra previne a superprodução e a necessidade de transportes des-
necessários.
■■ Regra 4: os Kanbans sempre acompanham as próprias peças. Estes
cartões Kanban são etiquetas de identificação que indicam a neces-
sidade de peças.
■■ Regra 5: a qualidade das peças deve ser assegurada. O sistema Kan-
ban previne os defeitos por meio da garantia de identificação de
qualquer processo que gere defeito.
■■ Regra 6: o número de Kanbans deve ser minimizado. Com a aplicação
de ferramentas de melhoria contínua, o sistema pode ser recalculado
e o estoque minimizado.

40 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


Essas regras garantem o funcionamento de um sistema Kanban qual-
quer. Acompanhe a seguir os diferentes tipos de Kanban e sua dinâmica de
funcionamento.

2.2.6. TIPOS DE KANBAN E DINÂMICA DE FUNCIONAMENTO DO SISTEMA


Segundo o Art Smalley (2004), há dois tipos principais de Kanban: Kan-
ban de produção (também conhecido por Kanban de fabricação) e Kanban
de retirada, ou movimentação.
A lógica de funcionamento desses dois tipos de Kanban é demonstrada
a seguir.
Kanban de produção é um sinal para o produtor de que um contentor de
determinado item foi consumido no supermercado. O processo do Kanban
de produção segue as etapas da figura a seguir.

Fluxo do Kanban de Produção

Lote produzido
e Kanban

3
Supermercado Operação
4

1 2

07:30 08:00 08:30


Célula 1
Paulo Cordeiro (2015)

Quadro Kanban
Figura 9 - Fluxo do Kanban de produção
Fonte: Adaptado de Art Smalley (2004)

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA E ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS


41
O processo do Kanban de produção é ilustrado na figura anterior da se-
guinte forma:
1. após o lote ser consumido no supermercado, o Kanban de reposição
é colocado no Quadro Kanban (1);
2. a operação (produtor) inicia a produção do lote indicado no Quadro
Kanban (2);
3. após a produção, o Kanban segue junto com o lote produzido (3);
4. o lote é estocado no supermercado no espaço designado a ele (4).
Kanban de movimentação ou de retirada é usado para informar ao estágio
anterior que o material pode ser retirado do estoque e transferido para um
destino específico. Kanban de transporte serve para fazer a movimentação
das peças. Este acompanha os lotes de peças até os centros consumidores.
O sistema Kanban de dois cartões utiliza Kanban de transporte juntamente
com Kanban de produção. Ele é usado quando a distância física entre os cen-
tros produtores e consumidores é grande sendo necessário um supermerca-
do central.

Fluxo do Kanban de Transporte

3
Operação Supermercado

2
1
Paulo Cordeiro (2015)

Figura 10 - Fluxo de Kanban de transporte


Fonte: Adaptado de Art Smalley (2004)

O processo do Kanban de transporte pode ser melhor visualizado na figura


apresentada anteriormente e o mesmo segue as seguintes etapas. Confira.
■■ A operação (consumidor) aponta a necessidade de materiais (1).
■■ A partir do Kanban de transporte é verificado o lote que se deseja (2).
■■ O lote é transportado para a operação (consumidora) junto com o Kan-
ban (3).
A seguir, procure fazer a conexão dos conceitos vistos anteriormente com
os do próximo capítulo, porque cada informação se relaciona com a outra.

42 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


RESUMINDO

Mercados de
Distribuição
distribuição
física
física

Estratégias de
distribuição

Níveis
estratégicos

Estratégico

Tático

Operacional

Sistema de
Administração classificação
de materiais

Distribuição Sistema de
física e codificação
administração
de materiais
Movimentação
de materiais

Componentes do Kanban

Regras de funcionamento
Paulo Cordeiro (2015)

Tipos de Kanban

DISTRIBUIÇÃO FÍSICA E ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS


43
ANOTAÇÕES

44 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


CAPÍTULO 3

LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS,
TRANSPORTE E LOGÍSTICA
REVERSA

LOGÍSTICA • TRANSPORTES
MODAIS • SUPRIMENTOS
45
3.1. LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS
A logística de suprimentos tem as funções de planejar, programar e con-
trolar de forma eficiente a aquisição, estocagem e movimentação dos ma-
teriais, bem como as informações envolvidas nessas atividades desde o
surgimento das necessidades do cliente até o atendimento da mesma. Ela
finaliza quando o material requisitado é descartado após a sua utilização.
São funções da logística de suprimentos:
■■ a pesquisa dos catálogos de materiais;
■■ a composição dos itens e materiais do catálogo;
■■ a análise da necessidade de compra;
■■ a iniciação e também o acompanhamento do processo de compra;
■■ recebimento dos materiais;
■■ a conferência e a inspeção dos materiais;
■■ a estocagem e preservação dos materiais;
■■ a requisição dos materiais ao almoxarifado;
■■ fornecimento interno de materiais;
■■ a devolução de materiais ao almoxarifado;
■■ descarte dos materiais utilizados;
■■ a gestão e controlo dos processos de administração de materiais;
■■ a Gestão das informações.

3.1.1. CADEIA DE SUPRIMENTOS


Em uma cadeia de suprimentos estão envolvidos fornecedores e clientes.
A cadeia liga essas duas pontas desde a fonte inicial da matéria-prima até o
local de consumo do produto acabado.
Uma cadeia de suprimentos e seus integrantes serão definidos a partir
da escolha de uma empresa foco desta cadeia. Essa empresa não precisa
ser a maior ou a melhor empresa da cadeia. O que vai determinar a escolha
dessa empresa foco vai ser o segmento e o produto, em que esforços, ações
gerenciais e trabalho colaborativo entre os envolvidos – fornecedores e
clientes – devem estar integrados e devem ser executados com o objetivo
de buscar os melhores resultados para todos.

EXEMPLO:
Quais seriam os fornecedores e clientes de uma empresa foco do ramo
calçadista?
Empresa foco – fábrica de sapatos.
Fornecedores – curtumes, beneficiadores de borracha, tecelagens.
Clientes – atacadistas, varejistas, cliente final.

Quando fornecedores, clientes e empresa foco estão ligados em uma ca-


deia e seus esforços visam buscar os melhores resultados, quer dizer que
os envolvidos devem ser considerados parceiros e devem fazer parte de
uma estratégia conjunta, podendo concorrer com outras cadeias. A figura a
seguir representa de forma simplificada uma cadeia de suprimentos e seus
integrantes, que são fornecedores de diferentes camadas, empresa foco,
clientes de diferentes camadas e cliente final.

LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS, TRANSPORTE E LOGÍSTICA REVERSA


47
Fornecedor Fornecedor
de segunda de primeira
camada F2 camada F1

Empresa
foco EF

Cliente Cliente
de primeira de segunda
camada C1 camada C2

Cliente
final CF

Paulo Cordeiro (2015)


Figura 11 - Estrutura básica de uma cadeia de suprimentos
Fonte: Apostila do SENAI (2011)

Na cadeia logística, tanto o conjunto de fornecedores quanto o conjunto


de clientes são classificados por camadas, e a distância do fornecedor da
empresa foco representa esta classificação. Neste caso, quando se fala em
distância não se está referindo à distância física, mas sim à distância de
relacionamento. É possível dizer que a empresa foco se relaciona direta-
mente com os clientes e fornecedores da camada 1.
Ser um fornecedor de primeira camada não significa que esse fornecedor
será sempre classificado dessa forma. É possível encontrar variações na
classificação não só dos fornecedores como dos clientes.

48 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


EXEMPLO

Como exemplo, será usada uma mercearia como empresa foco. Essa mer-
cearia em um determinado mês pode adquirir alguns de seus produtos
diretamente de um fabricante de bebidas, que é o fornecedor de primeira
camada F1. Já no mês seguinte, a mercearia reduz o seu volume de pedi-
dos e, por causa disso, acaba encontrando um preço melhor comprando
de um distribuidor. Quando isso acontece, o fabricante passa a ser um
fornecedor de segunda camada F2 e o distribuidor assume a posição de
fornecedor de primeira camada F1.
Já os clientes da mercearia não recebem a classificação de camadas por-
que são os clientes finais do produto.

Seguindo o exemplo apresentado, é possível notar na figura a seguir uma


cadeia de suprimentos com os dois diferentes cenários para os fornecedo-
res da mercearia. É importante lembrar que ela não representa uma cadeia
de suprimentos completa, pois a cadeia deve contemplar todos os fornece-
dores e clientes da mercearia.

Cenário I

Fabricante de Distribuidor de
bebidas (F2) bebidas (F1)

Mercearia (EF) Cliente final (CF)

Cenário II

Fabricante de Distribuidor de
bebidas (F1/F2) bebidas (F1)
Paulo Cordeiro (2015)

Mercearia (EF) Cliente final (CF)

Figura 12 - Resumo da cadeia de fornecimento de uma mercearia


Fonte: SENAI (2011)

LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS, TRANSPORTE E LOGÍSTICA REVERSA


49
As cadeias de suprimento estão presentes em todos os sistemas logísti-
cos. Confira agora as classificações dessas cadeias.

3.1.2. CLASSIFICAÇÃO DAS CADEIAS


As cadeias de suprimentos podem ser classificadas de acordo com o ní-
vel de gerenciamento em que a empresa foco consegue atuar. Na maioria
das empresas isso se dá até os fornecedores de primeira camada. Alguns
setores específicos como os alimentícios, automobilístico e farmacêutico
podem apresentar processos gerenciais com parcerias estratégicas que po-
dem alcançar fornecedores de segunda camada ou além.
Conheça melhor a seguir os exemplos de cadeias. Confira!

CADEIA INTERNA
A cadeia interna é aquela cadeia dentro da empresa foco. Seus diferen-
tes departamentos atuam de maneira sincronizada, utilizando da logística
para o desenvolvimento das atividades necessárias para a conclusão dos
produtos. Dentre essas atividades estão movimentação de materiais, ar-
mazenagem, recebimento e expedição.

CADEIA IMEDIATA
A cadeia imediata não representa somente os clientes e fornecedores de
primeira camada, mas sim todos os clientes e fornecedores que se relacio-
nam diretamente com a empresa. Portanto, a cadeia imediata representa
todos os clientes e fornecedores imediatos da empresa. Isso significa que,
independentemente da camada, se um cliente ou fornecedor se relaciona
diretamente com a empresa, este cliente ou fornecedor faz parte da cadeia
imediata desta empresa foco.

50 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


Cadeia total

Cadeia imediata

Cadeia interna

Paulo Cordeiro (2015)

Cliente final (CF)

Figura 13 - Cadeias de suprimentos interna, imediata e total


Fonte: Adaptado de Pires (2004)

A figura Cadeia de suprimentos apresentada exemplifica as cadeias in-


terna, imediata e total. Já a figura a seguir mostra a variação das cama-
das dos clientes e fornecedores, bem como um cliente ou fornecedor que
atualmente é de segunda camada pode ser considerado parte da cadeia
imediata.

LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS, TRANSPORTE E LOGÍSTICA REVERSA


51
Cadeia total

F2/F3 F1/F2 F2 F2

F1 F1 F1
Cadeia imediata

Cadeia interna

EF

C1 C1 C1

C2 C2 C1/C2

Paulo Cordeiro (2015)


Cliente final (CF)

Figura 14 - Classificação de camadas dos clientes e fornecedores em uma cadeia de suprimentos


Fonte: Adaptado de Pires (2004)

Na figura é possível identificar a cadeia interna, que é a cadeia dentro da


empresa foco, a cadeia imediata, que compreende os clientes e fornecedo-
res de primeira camada e cadeia total, que engloba toda a cadeia logística
da empresa.
A movimentação de produtos entre todos os pontos da cadeia logística é
realizada por uma área denominada logística de transporte. Acompanhe.

52 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


3.2. LOGÍSTICA DE TRANSPORTE
O transporte é considerado por muitos autores como o mais importante
dos processos logísticos. Essa consideração é feita porque esse processo
consome uma grande quantidade de recursos e por ser também o respon-
sável por movimentar produtos entre dois pontos geográficos diferentes.
O transporte é o lado mais visível do processo logístico porque é ele quem
concretiza a entrega dos produtos, sendo esse um dos motivos pelos quais
a logística sempre é associada somente a este processo.
Segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), o setor de trans-
portes consumiu no ano de 2010 aproximadamente 10,6% do PIB brasilei-
ro. (G1, 2011). Estima-se que a atividade gera quase 4 milhões de empregos
no país.
Para você ter uma ideia do tamanho do setor de transportes, são apro-
ximadamente 500.000 empresas transportadoras de cargas rodoviárias
no país, contando com mais de 1,3 milhões de veículos. (PORTAL BRASIL,
2011).
Acompanhe a seguir os processos e as estratégias de distribuição.

3.2.1. ESTRATÉGIA DE DISTRIBUIÇÃO


O processo de distribuição começa na fábrica do fornecedor e termina
com a entrega nas mãos do cliente final. Neste processo, os bens estão em
constante movimento em diferentes formas de transporte. Você deve ter a
capacidade de identificar em cada uma das fases da movimentação qual
forma de transporte está sendo utilizada e suas características.

?
PERGUNTA

Mas qual a melhor forma de se transportar um produto?

Para cada rota existe uma possibilidade de escolha que deve ser tomada
fazendo-se uma análise dos custos envolvidos. Essa análise deve ser feita
considerando outros fatores como custo por quilometragem, tempo de en-
trega, entre outros.
Cada uma das formas e transporte apresenta vantagens e desvantagens
particulares da natureza da operação, que podem ser um custo mais baixo
com um tempo maior de entrega, ou um custo mais alto com um tempo
menor de entrega. Administrar o transporte significa tomar decisões sobre
um amplo conjunto de aspectos e tais decisões podem ser classificadas em
estratégicas e operacionais.

LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS, TRANSPORTE E LOGÍSTICA REVERSA


53
DECISÕES ESTRATÉGICAS E OPERACIONAIS NA ADMINISTRAÇÃO DOS
TRANSPORTES
MODAIS Uma das características de uma decisão estratégica nos transportes é o
A palavra modal de- impacto dessa decisão a longo prazo. Essas decisões estratégicas se refe-
riva de modalidade. rem basicamente aos aspectos estruturais de um sistema de transportes.
Em logística, refere-se
às modalidades de Basicamente, são quatro as principais decisões estratégicas nos
transporte, como o transportes:
transporte rodoviário, ■■ escolha de modais;
aquaviário e aéreo por
exemplo. ■■ decisões sobre a propriedade ou não da frota;
■■ seleção e negociação com transportadores;
CONSOLIDAÇÃO ■■ política de consolidação de cargas.
Em logística, conso- Já as decisões operacionais são as que afetam o curto prazo e estão rela-
lidar significa juntar.
Uma carga consolida- cionadas às tarefas do dia a dia.
da é uma carga com- As principais decisões operacionais são:
posta por vários pedi-
dos consolidados. ■■ planejamento de embarque de materiais;
■■ programação dos veículos;
ROTEIRIZAÇÃO ■■ roteirização;
O processo de roteiri- ■■ auditoria de fretes;
zação define as melho- ■■ gerenciamento de avarias.
res rotas para entrega
e coleta dos produtos. Na sequência o assunto será modal de transporte, siga em frente e explo-
Este processo busca o re esse conteúdo!
uso eficiente da frota
da empresa.
3.2.2. SELEÇÃO DA MODALIDADE DE TRANSPORTE
A seleção da modalidade de transporte, ou modal de transporte, depen-
de essencialmente de dois fatores, que são: a diferença entre o preço de
venda do produto na origem e no local de consumo e o custo de transporte
entre o centro de produção e o local de consumo do produto.
O custo de transporte é formado com base em dois aspectos: a caracte-
rística da carga transportada e a característica das modalidades de trans-
porte utilizadas.
Cada uma dessas duas características possui fatores que influenciam no
custo do transporte. Veja alguns a seguir.
■■ Características da carga que será transportada:
■■ tamanho;
■■ peso;
■■ valor da mercadoria;
■■ tipo de manuseio necessitado;
■■ condições de segurança da carga;
■■ tipo de embalagem;
■■ distância a ser transportado;
■■ prazo de entrega;
■■ outros.
■■ Características das modalidades de transporte:
■■ tempo de viagem;

54 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


■■ custo do frete;
■■ condições da malha (infraestrutura);
■■ condições de operação;
■■ mão de obra;
■■ outros.
Agora que você já conhece as características das cargas e das modalida-
des de transporte, confira, no próximo tópico, os tipos de modais existentes.

3.2.3. TIPOS DE MODAIS


Conforme já mencionado, os modais de transporte são as diferentes mo-
dalidades que podem ser empregadas para se executar o transporte dos
produtos. Os modais de transportes mais comuns são: o rodoviário, o ferro-
viário, o dutoviário, o marítimo, o hidroviário ou aquaviário e o aeroviário.
Cada modal tem sua particularidade, vantagens e desvantagens e você irá
conhecê-los agora. Confira!

RODOVIÁRIO
O transporte rodoviário utiliza as rodovias como meio de transporte. As
vantagens deste modal são o serviço porta-a-porta, sem necessidade de
carga e descarga na origem ou destino (operação inevitável nos modais
ferroviário e marítimo), a frequência e a disponibilidade do serviço e a ve-
locidade.
Mike Kiev ([20--?])

TRANSBORDO
Este sistema de transporte possui uma grande flexibilidade de operação, Passar mercadorias/
pois consegue atingir diferentes pontos, muitos deles isolados. Também produtos de um para
apresenta grande competitividade para o transporte de cargas dispersas, outro veículo de trans-
principalmente nas curtas distâncias, já que acaba não necessitando das porte. Operação muito
utilizada quando ocor-
atividades de transbordo de carga.
re multimodalidade
Já entre as desvantagens desse transporte, é possível destacar algumas, ou intermodalidade
como: de transportes.

■■ custo de fretes mais elevado se comparado com alguns outros mo-


dais;

LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS, TRANSPORTE E LOGÍSTICA REVERSA


55
■■ menor capacidade de carga entre todos os outros modais;
■■ menos competitivo para longas distâncias.
Acompanhe a seguir outro tipo de modal de transporte.

FERROVIÁRIO
O transporte ferroviário utiliza trens e ferrovias. É considerado um trans-
porte caro de implantação porque além das ferrovias, é necessária a aqui-
sição simultânea das locomotivas e dos vagões. Contudo, apresenta um
baixo custo operacional e pequeno consumo de combustível se compara-
do com o transporte rodoviário.
Este modal de transporte não apresenta uma grande flexibilidade, uma
vez que opera entre pontos fixos e pátios de carga. Entretanto, o transporte
ferroviário é muito competitivo quando a distância entre esses pontos é
grande. O baixo custo do transporte viabiliza a realização de transbordos
para outros modais e abate esses custos extras.

Digital Vision. ([20--?])

BITOLAS Dentre as vantagens do transporte ferroviário, estão:


É a largura determi- ■■ atendimento a longas distâncias e grandes quantidades de carga;
nada pela distân-
cia medida entre ■■ menor custo do transporte.
as faces interiores Agora as desvantagens do transporte ferroviário são:
das cabeças de dois
carris (ou trilhos) ■■ trens com bitolas diferentes não podem utilizar a mesma ferrovia;
em uma via férrea. ■■ menor flexibilidade no trajeto;
Medida de largura de
cordas e/ou fios.
■■ necessidade de maior de transbordo.
Agora conheça o modal de transporte chamado dutoviário.

56 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


DUTOVIÁRIO
Este modal de transporte utiliza tubos para transportar fluidos, como ga-
ses e líquidos. Este sistema de transporte apresenta um custo elevado de
implantação, mas com baixo custo operacional. Assim como o ferroviário,
é um modal de transporte com pouca flexibilidade, pois só consegue trans-
portar os materiais para pontos fixos, que são as estações de bombeamen-
to e recalque. No Brasil, a utilização deste modal é bastante utilizada no
transporte de combustíveis como, por exemplo, o gasoduto Bolívia-Brasil,
que abastece grande parte do território com gás natural proveniente da
Bolívia.

MT
Brasília
Bolívia Cuiabá
GO
Santa Cruz
de la Sierra Corumbá MG
Belo Horizonte
Rio Grande Campo
Grande Três Lagoas ES
Juiz de
Paraguai MS SP Fora
RJ
Campos
Campinas
São Paulo Rio de
Janeiro
PR Santos
Curitiba

Florianópolis
Paulínia SC
Jacareí Gasoduto
Bolívia-Brasil
RS Gasoduto
Grande existente
São Guararema
Porto Alegre Interligação
Paulo Cordeiro (2015)

Paulo
Paulínia-Guararema
Santos
Cidade
Uruguai
0 Km 800

Figura 15 - Gasoduto Bolívia – Brasil


Fonte: Passos (1998)

O transporte dutoviário é muito utilizado para transportar grandes quan-


tidades de fluidos em alta velocidade. Esta velocidade não está relacio-
nada com a velocidade de transporte, e não chega a 10 km por hora. Mas
considerando que o sistema de transporte trabalha 24hs por dia, 365 dias
por ano, sua velocidade em relação aos outros modais acaba sendo maior.
Vantagens do transporte dutoviário:
■■ modal com alta confiabilidade, com velocidade controlada e poucas
interrupções;
■■ pouco influenciado por fatores meteorológicos.
Desvantagem do transporte dutoviário:
■■ limitação de capacidade e variedade de itens transportados.
Outro tipo de modal de transporte é o marítimo, veja a seguir.

LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS, TRANSPORTE E LOGÍSTICA REVERSA


57
MARÍTIMO
O transporte marítimo é muito procurado para longas distâncias, motivo
este de ser o modal mais utilizado no comércio internacional. Além dos
mares, ele pode utilizar rios e lagos para a navegação, como por exem-
plo, o famoso Canal do Panamá, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico.
Apresenta um baixo custo de operação comparado ao volume de materiais
movimentados, mas é limitado às zonas costeiras. Este modal necessita de
transporte complementar entre os portos e o destino final da carga.

transportabrasil ([20--?])
Figura 16 - Maior cargueiro do mundo atracado em um porto
Fonte: Transporta Brasil (2015)

Em uma variação deste modal, é possível citar a cabotagem ou navega-


ção por costa marítima.

O transporte marítimo tem um custo baixo, e a opção


pela navegação de cabotagem é uma boa escolha para
se levar cargas cujos pontos de partida e final sejam
próximos à costa.

Dessa forma, é possível apontar algumas vantagens do transporte marí-


timo, como:
■■ modal com maior capacidade de carga;
■■ transporta qualquer tipo de carga;
■■ menor custo de transporte.
Mas também há algumas desvantagens, são elas:
■■ necessidade de transbordo nos portos;
■■ centros de produção podem estar longe dos portos;
■■ menor flexibilidade.
Conheça agora o transporte hidroviário.

58 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


HIDROVIÁRIO OU AQUAVIÁRIO
O transporte hidroviário utiliza os rios e lagos como via de translado. Este
modal apresenta um baixo custo de implantação, quando já existe uma via
natural, como um rio próprio para navegação. Este custo de implantação
aumenta considera-velmente quando há a necessidade de construção de
canais, barragens e eclusas para tornar a navegação possível. Este trans- ECLUSA
porte tem um custo de operação que pode variar de acordo com algumas É uma obra de enge-
situações, sendo mais baixo em vias naturais (rios) com grande calado, que nharia hidráulica que
permite que embar-
não sofrem com a sazonalidade ou os períodos de seca. Uma das maiores
cações subam ou des-
limitações deste modal é estar limitado ao curso da via natural. çam os rios ou mares
em locais onde há
desníveis (barragem,
Eclusas encarecem o custo de implantação do trans- quedas de água ou
corredeiras).
porte aquaviário.
CALADO
Distância entre a su-
perfície da água em
que a embarcação flu-
tua e a face inferior de
sua quilha.

SAZONALIDADE
Relativo à periodici-
dade, coisas que são
características de uma
época do ano.

topodomundo ([20--?])

Figura 17 - Eclusa de Barra Bonita/SP


Fonte: Topo do mundo (2015)

Este modal de transporte apresenta como vantagem os baixos custos e


as perdas de danos. Porém, tem lentidão e forte influência das condições
meteorológicas como desvantagem. Para finalizar, você vai conhecer o últi-
mo modal de transporte, o aeroviário.

AEROVIÁRIO
O modal aeroviário é um dos modais menos utilizados devido ao seu alto
custo. Apesar de um baixo custo de implantação, o custo de operação des-
te transporte é muito alto. Este modal apresenta grande flexibilidade, po-
dendo alcançar diferentes pontos com alta velocidade, o que é ideal para o
transporte de pequenos volumes com urgência de entrega e de mercado-
rias de grande valor agregado.

LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS, TRANSPORTE E LOGÍSTICA REVERSA


59
toplowridersites ([20--?])
Figura 18 - Antonov 225 – maior avião cargueiro do mundo sendo carregado
Fonte: Toplowrider (2015)

Tem como vantagem ser o mais rápido de todos os modais e a posição


dos centros de produção geralmente fica próxima aos aeroportos. Contu-
do, também apresenta algumas desvantagens, pois possui menor capaci-
dade de carga, além do custo do frete se tornar muito elevado comparado
a outros modais. Agora que você já conhece os principais modais de trans-
porte, veja na sequência o conceito de logística reversa.

3.3. LOGÍSTICA REVERSA


A logística reversa é o processo que trata do retorno dos produtos após o
uso ou de suas embalagens até o processo produtivo de origem. É um as-
sunto de grande importância nos dias de hoje, visto que existe uma grande
preocupação com a redução dos impactos ambientais e também com os
custos. A aplicação da logística reversa permite a reutilização de embala-
gens, não necessitando a produção de novas, o que reduz a necessidade
da utilização de novos compostos para a fabricação de novas embalagens.
De acordo com o Ministério de Meio Ambiente (s.d.):

A  logística reversa  é instrumento de desenvolvimento eco-


nômico e social caracterizado por um conjunto de ações,
procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a
restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para
reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produti-
vos, ou outra destinação.

A logística reversa pode ser resumida apenas como uma versão contrária
de tudo o que foi aprendido até agora neste capítulo, ou seja, ela é a lo-
gística responsável pelo retorno dos materiais aos fabricantes após o seu
consumo ou pós venda. Ela deve ser vista como um recurso para a lucrati-
vidade das empresas.

60 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


De acordo com Rogers e Tibben-Lembke (1999, p. 2), Logística Reversa é:

O processo de planejamento, implementação e controle do


fluxo eficiente e de baixo custo de matérias primas, estoque
em processo, produto acabado e informações relacionadas,
desde o ponto de consumo até o ponto de origem, com o pro-
pósito de recuperação de valor ou descarte apropriado para
coleta e tratamento de lixo.

O planejamento reverso utiliza os mesmos processos que um planeja-


mento logístico convencional, fazendo uso de transportes, controle de es-
toques, fluxos de materiais, sistemas de informação e nível de serviço.
No Brasil, a Lei n. 12.305/2010 “dedicou especial atenção à Logística Re-
versa e definiu três diferentes instrumentos que poderão ser usados para a
sua implantação: regulamento, acordo setorial e termo de compromisso”.
(BRASIL - MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE [s.d.]).
Acompanhe a seguir a diferença entre logística convencional e logística
reversa.

3.3.1. DIFERENÇAS FUNDAMENTAIS


Nas cadeias logísticas convencionais, os produtos são puxados pelo sis-
tema, ou seja, os clientes geram as necessidades e solicitam aos fornece-
dores. Já na cadeia reversa pode existir uma combinação entre puxar e em-
purrar os produtos através da cadeia de suprimentos. Isso acontece, pois
já existem em alguns países, legislações que exigem que os produtos sejam
retornados ao fornecedor antes mesmo que ele os solicite ao sistema logís-
tico. Ou seja, os produtos retornados são empurrados para o fornecedor.
Os fluxos logísticos convencionais se dispõem de forma divergente, le-
vando os produtos de um ponto para vários outros. Já um fluxo reverso se
dispõe de forma convergente, trazendo os produtos de vários pontos para
um único. Em algumas exceções, quando o fabricante possui outros pontos
de recebimento e tratamento dos materiais, este fluxo pode ser divergente.
Ao contrário da logística convencional, a logística reversa possui um ele-
vado grau de incerteza na operação, visto que os prazos e a garantia de
entrega nem sempre são cumpridas.

3.3.2. IMPORTÂNCIA PARA AS EMPRESAS E SOCIEDADE


A logística reversa vem para garantir uma melhor utilização dos recursos,
uma vez que as empresas recolhem os resíduos que não são mais utiliza-
dos e podem trabalhar para garantir que pelo menos eles recebam o tra-
tamento adequado. As empresas que implantam a logística reversa têm
algumas vantagens, como:
■■ vantagem financeira – as empresas conseguem reaproveitar alguns
dos materiais em seu processo produtivo, barateando os custos. Ou-
tra forma de se obter esta vantagem é a venda dos materiais separa-
dos para empresas que fazem o reuso ou a reciclagem do material;

LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS, TRANSPORTE E LOGÍSTICA REVERSA


61
■■ vantagem legal – a legislação ambiental vem se aperfeiçoando e mui-
tas empresas vêm sofrendo fiscalizações passíveis de multas por não
darem destinação correta aos seus resíduos. Empresas que praticam
a logística reversa se preparam para dar destino aos seus resíduos e
consequentemente atendem as legislações vigentes, evitando assim
as punições;
■■ vantagem ambiental – as empresas que praticam a logística reversa
contribuem para a preservação do meio ambiente, pois ela visa solu-
cionar o problema de descarte de resíduos.
Todas essas vantagens que as empresas têm acabam sendo refletidas em
benefícios para a sociedade, que passa a ter produtos mais baratos e meio
ambiente preservado. Isso tudo sem falar nos empregos que são gerados
em todo esse processo.
No próximo capítulo, o tema a ser estudado é logística de armazenagem.
Abuse da autonomia e do entusiasmo para que a construção do conheci-
mento seja significativa e prazerosa. Vamos lá!

RESUMINDO

Logística de suprimentos,
transporte e logística reversa

Logística de Logística de Logística


suprimentos transportes reversa

Cadeias de Diferenças
Distribuição
suprimentos fundamentais

Modais de Importância
transporte para empresas
e sociedade
Interna
Paulo Cordeiro (2015)

Imediata

62 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


CAPÍTULO 4

LOGÍSTICA DE
ARMAZENAGEM

ARMAZENAGEM • ADMINISTRAÇÃO
DEPÓSITOS • JUST IN TIME
63
4.1. LOGÍSTICA DE ARMAZENAGEM
Você aprendeu até agora que a logística vai muito além da entrega de pro-
dutos. Na verdade, ela está presente em vários pontos, desde a aquisição
de materiais, planejamento da produção, produção, separação e despacho
de mercadorias. Ou seja, os processos logísticos iniciam-se antes mesmo
da produção e só terminam quando o produto é entregue ao cliente final.
Partindo desse contexto, é possível afirmar que todo o conteúdo sobre
pontos de armazenagem, estoques e pontos de distribuição fazem parte
da logística de armazenagem, o que você irá conhecer brevemente neste
capítulo.

4.1.1. ADMINISTRAÇÃO DOS ESTOQUES


Os estoques são utilizados pelas empresas com várias finalidades. Eles
podem ser uma estratégia de obtenção de melhores preços, por exemplo.
E a responsável pela sua administração é a logística de armazenagem. “Es-
toque é definido como a acumulação armazenada de recursos materiais
em um sistema de transformação”. (SLACK, 2002, p. 381). Os estoques são o
acúmulo de materiais antes, durante e depois do processo produtivo. Eles
são usados como estratégia para garantir a produção e atingir vantagens
econômicas frente aos clientes e fornecedores. É possível resumir os esto-
ques como uma forma de regular o fluxo de negócios de uma empresa.
Todas as operações mantêm algum tipo de estoque físico de material e
existem por causa de uma diferença de ritmo entre fornecimento e deman-
da. As várias razões para o desequilíbrio entre taxa de consumo e forneci-
mento levam a diferentes tipos de estoque.

?
PERGUNTA
Mas o que significam essas razões para o desequilíbrio entre taxa de con-
sumo e fornecimento?

Significam que se um processo, seja ele produtivo ou não, é mais rápido


que outro, um estoque é colocado entre o ponto fornecedor e o ponto con-
sumidor para garantir que o processo flua sem paradas.

EXEMPLO

Uma prensa em uma indústria estampa pequenas peças em uma velocidade


muito grande. Contudo, sempre que é necessário fazer um ajuste ou trocar a
ferramenta de estampagem a prensa fica muito tempo parada. Uma maneira
de proteger os processos seguintes evitando sua parada por falta de compo-
nentes estampados é colocar um estoque de cada item que a prensa produz
logo após a prensa. Esse estoque, chamado de estoque em processo, protege
o sistema de uma parada por falta de material estampado.

LOGÍSTICA DE ARMAZENAMENTO
65
Nesse exemplo foi mencionado o estoque em processo. Existem outros?
Sim. Os estoques em uma indústria, como já foi comentado, podem es-
tar antes, durante e após o processo produtivo, e podem ser divididos da
seguinte forma:
■■ antes do processo produtivo – matéria-prima, componentes;
■■ durante o processo produtivo – estoque em processo;
■■ após o processo produtivo – estoque de produto acabado.
Existem justificativas para se trabalhar com estoques. Acompanhe a seguir.

JUSTIFICATIVA PARA OS ESTOQUES


Tubino (2000) destaca as seis principais funções do estoque:
■■ garantir a independência entre as etapas;
■■ permitir uma produção constante;
■■ possibilitar o uso de lotes econômicos;
■■ reduzir os lead times produtivos;
■■ fator de segurança;
■■ obter vantagens de preços.
Nessas funções citadas por Tubino (2000), garantir a independência entre
as etapas, permitir uma produção constante e fator de segurança, reduzir
os lead times produtivos estão ligadas ao uso dos estoques para se prote-
ger de eventuais problemas que possam influenciar na entrega do produto
acabado.
Já as funções de possibilitar o uso de lotes econômicos e obter vantagens
de preços estão ligadas ao custo dos estoques e, consequentemente, ao
custo do produto acabado.
Olhando esses estoques dessa forma, é possível entender que eles são
benéficos para a produção e influenciam em pelo menos duas das três di-
mensões da qualidade, que são a Qualidade, o Custo e a Entrega (QCE).
A filosofia oriental, por outro lado, enxerga os estoques como um desper-
dício em um processo produtivo, visto que estoque é “dinheiro” parado.
Além disso, os estoques que são utilizados para proteger o processo aca-
bam escondendo as suas ineficiências, fazendo com que as empresas não
trabalhem efetivamente para eliminar suas causas.
“A acumulação em estoque pode ocorrer devido a ineficiências tanto no
processo como nas operações”. (SHINGO, 1996b, p. 98). Processos inefi-
cientes geram três tipos de estoques, e operações ineficientes resultam em
dois tipos de geração de estoque:
■■ estoque criado pela produção antecipada – quando se produz antes
da necessidade do cliente;
■■ estoque produzido por antecipação como precaução em relação às
flutuações da demanda – quando a demanda dos clientes varia mui-
to e precisa ser absorvida por um estoque;
■■ estoque produzido para compensar o deficiente gerenciamento
da produção e as esperas provocadas pela inspeção e transporte –
quando o gerenciamento da produção, pedidos e transportes não
são eficientes;
■■ estoque para compensar quebra de máquinas ou perdas com pro-
dutos defeituosos – quando a manutenção dos equipamentos não é
eficiente e o processo gera muitos defeitos;

66 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


■■ estoque gerado, quando as operações são realizadas em grandes lo-
tes para compensar os longos tempos de setup – quando as empre-
sas não trabalham para reduzir os tempos de troca de ferramentas e
ajustes.
Slack (2002) destaca quatro tipos de estoque:
■■ estoque de proteção (segurança) – chamado também como estoque
isolador. Serve para absorver as incertezas inerentes a fornecimento
e demanda;
■■ estoque de ciclo – ocorre quando um ou mais estágios não podem
fornecer simultaneamente todos os itens que produzem – fabricação
em lotes;
■■ estoque de antecipação – ocorre para compensar diferenças de ritmo
de demanda e fornecimento. Utilizado quando as flutuações de de-
manda são significativas, porém previsíveis;
■■ estoque no canal (de distribuição) – existe porque o material não
pode ser transportado instantaneamente entre o ponto de forneci-
mento e consumo.
São várias as justificativas para os estoques. Conheça agora como é feita
a reposição dos estoques para que a empresa trabalhe com o mínimo ne-
cessário.

REPOSIÇÃO DOS ESTOQUES


Segundo Tubino (2000), a determinação dos lotes de compra ou fabrica-
ção vem da análise dos custos que estão envolvidos no sistema de reposi-
ção e de armazenagem dos itens.
Slack (2002, p. 386-387) comenta alguns custos relacionados aos estoques:
• Custos de colocação de pedido: custos de preparo de pedido
e documentação necessária.
• Custos de desconto de preços: pedidos pequenos podem
não oferecer descontos.
• Custos de falta de estoque: custos atrelados à falha no aten-
dimento aos clientes. Caso ocorram com clientes externos,
pode acontecer a troca de fornecedor. Caso ocorram com
clientes internos, o processo posterior pode parar.
• Custos de capital de giro: são os custos associados aos ju-
ros em caso de empréstimo junto às instituições financeiras,
os custos de oportunidades e de não investimento em outras
áreas.
• Custos de ineficiência de produção: altos níveis de estoque
impedem-nos de enxergar a completa extensão dos proble-
mas dentro da produção.

Uma forma de se trabalhar com níveis baixos de estoques e, consequen-


temente, com baixo capital investido nestes estoques, é a implantação de
supermercados. Confira!

LOGÍSTICA DE ARMAZENAMENTO
67
SUPERMERCADOS
Uma forma eficiente de se controlar a quantidade de material estocado é
o uso de supermercados de materiais.
Mas como funciona um supermercado em uma empresa?
O termo supermercado nasceu no sistema de gerenciamento de mate-
riais inspirado nas prateleiras dos supermercados. Daí o nome.

?
PERGUNTA

Quantos produtos normalmente estão dispostos em uma prateleira de su-


permercado? Todo o estoque está lá a disposição dos clientes?

As prateleiras de um supermercado suportam somente uma pequena


quantidade de produtos. É o suficiente para que o cliente possa sempre ter
os produtos disponíveis até o próximo horário de abastecimento.
O uso dos supermercados junto com o sistema de cartões Kanban é uma
eficiente forma de se controlar a quantidade de material armazenado, evi-
tando os desperdícios gerados pelo excesso de material.
O Lean Enterprise Institute (2004) demonstra de forma simples como cal-
cular um supermercado de peças acabadas. O supermercado é a soma de
um estoque em ciclo, com um pulmão (buffer) e um estoque de segurança.
Confira na tabela a seguir o exemplo desse cálculo.
Tabela 1 - Cálculo do supermercado

CÁLCULO DO SUPERMERCADO

Demanda média diária x Lead Time de reposição (dias) Estoque de Ciclo (“cicle”)
+ Variação da demanda como % de estoque de ciclo Estoque Pulmão (“buffer”)
+ Fator de segurança como % de (estoque de ciclo + Estoque de Segurança
estoque pulmão) (“safety”)
= Estoque do supermercado

Fonte: Adaptado de Art Smalley (2004)

A figura a seguir é um exemplo de funcionamento de um supermercado.


Nela estão representados os estoques de ciclo, pulmão e estoque de se-
gurança. A figura também mostra os itens importantes para cada cálculo,
chamados de direcionadores chave de cada um destes estoques.

68 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


Estoque de ciclo:
Quantidade requerida Direcionadores chave
para cobrir demanda
800 normal
Demanda média
Estoque pulmão: Lead Time de Reposição
Quantidade requerida
1200 para cobrir a variação Volatilidade da demanda
induzida pelo cliente Erros de previsão e do MRP
200

Estoque de segurança: Perdas com paradas


200 Quantidade requerida Perdas com qualidade

Fonte: Adaptado de Art Smalley (2004)


para cobrir perdas
internas

Figura 19 - Exemplo de funcionamento de um supermercado


Tempo

Paulo COrdeiro (2015)

LOGÍSTICA DE ARMAZENAMENTO
69
O supermercado começa a funcionar com 1200 peças, que é a soma do
estoque de ciclo (800), o estoque pulmão (200) e o estoque de segurança
(200). O estoque de ciclo é consumido de acordo com a demanda diária
(linha parecida com um dente de serra). O ponto de reposição do estoque
acontece próximo ao fim do estoque de ciclo, levando o supermercado ao
seu nível máximo novamente. O pulmão é consumido quando ocorre uma
variação na demanda diária ou quando ocorre um erro de previsão. O esto-
que de segurança serve para absorver as variações decorrentes de perdas
internas.
Neste tópico você conheceu um pouco sobre os estoques, tipos e a forma
de cálculo para a manutenção de um sistema produtivo. Agora, vai conhe-
cer um pouco sobre as formas de armazenagem desses estoques.

4.2. ARMAZENAGEM
Armazenar em logística não significa apenas guardar. Armazenar é um
assunto de grande importância, visto que envolve diferentes funções para
o armazenamento, a necessidade de espaço e localização dos depósitos.
Agora você irá conhecer um pouquinho de cada um desses itens.

4.2.1. NECESSIDADE DE ESPAÇO FÍSICO


A necessidade da armazenagem acontece porque as empresas não conse-
guem prever com exatidão a demanda. Existem formas de se prever essa de-
manda como a projeção e o histórico de vendas de determinados produtos,
mas nenhuma delas é totalmente segura. Se esta coordenação entre oferta
e demanda fosse perfeita, o tempo de resposta da produção deveria ser ins-
tantâneo e o transporte totalmente confiável com tempo de entrega nulo.
Os custos da armazenagem e do manuseio dos materiais geralmente são
compensados e também justificados pelos custos de produção e transporte.
Isso significa que, na grande maioria, armazenar os produtos para coordenar
oferta e demanda sai mais barato do que fazer um esforço enorme para fle-
xibilizar a produção e a entrega dos produtos. As empresas reduzem custos
produtivos, pois os produtos armazenados conseguem absorver as varia-
ções da produção causadas pelas incertezas dos processos produtivos. Os
custos de transporte também são reduzidos, pois a armazenagem permite a
formação de cargas maiores e mais econômicas. O custo por transporte do
produto acaba sendo diluído por mais produtos transportados por vez.
Outra razão para a necessidade de armazenamento é a coordenação entre
suprimentos e demanda. É possível citar exemplos de empresas que depen-
dem de matérias-primas sazonais. Ballou (1993) dá como exemplo uma em-
presa que vende frutas em calda, que são obrigadas a armazenar sua produ-
ção para atender seus clientes no período de entressafra.
Uma situação que também serve para justificar a existência da armazena-
gem é quando ela faz parte do processo produtivo. Isso ocorre com queijos,
vinhos e outras bebidas alcoólicas que necessitam de um período de matu-
ração ou envelhecimento.
A necessidade de espaço físico para a armazenagem depende de alguns
dos fatores citados anteriormente, como a previsão de vendas, sazonalidade
e o tamanho dos produtos armazenados.

70 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


4.2.2. LOCALIZAÇÃO DE DEPÓSITOS
Uma vez que se conhece as características das operações da empresa e
a necessidade de áreas para armazenagem, a empresa precisa agora sa-
ber qual vai ser a localização deste espaço. São vários os critérios para a
escolha. A escolha do lugar deve ser tomada com base na visão sistêmica
do sistema logístico da empresa, incluindo outros depósitos e modais de
transporte para o deslocamento das cargas.

Algumas empresas chegam a ter mais de 50 armazéns


em um único país.

Após a localização geográfica, é necessário escolher o local exato onde a


instalação vai ser montada. Existem alguns fatores para a escolha do local
e algumas informações auxiliam na escolha. Essas informações podem ser
conseguidas com advogados locais, governo, engenheiros, entre outros.
São elas:
■■ leis de zoneamento locais;
■■ potencial de expansão da área;
■■ taxas e impostos relativos à operação de armazenagem;
■■ mão de obra;
■■ segurança do local;
■■ congestionamento histórico da região (tráfego);
■■ custos de construção;
■■ entre outros.
Os depósitos devem atender às necessidades de armazenamento das
empresas. As opções das empresas são a construção de um espaço (depó-
sito) ou o aluguel deste espaço ou até mesmo optar pelas duas formas con-
jugadas. Essa é uma decisão estratégica da logística e deve sempre buscar
o melhor custo, visto que o aluguel costuma sempre ser uma alternativa
mais cara.

4.2.3. LAYOUT
Após a definição da localização do depósito, a próxima etapa é o projeto
do almoxarifado.

Almoxarifado – local destinado à fiel guarda e conservação de


materiais, em recinto coberto ou não, adequado a sua natu-
reza, tendo a função de destinar espaços onde permanecerá
cada item aguardando a necessidade do seu uso, ficando sua
localização, equipamentos e disposição interna condiciona-
dos à política geral de estoques da empresa. (VIANA, 2000 P.
272)

Alguns cuidados devem ser tomados durante o projeto do layout de um


almoxarifado, de forma que devem obter as seguintes condições:
■■ máxima utilização do espaço – o custo de armazenagem utiliza como
base a área ocupada pelos produtos, portanto, quanto menos área
“ociosa” mais barata a armazenagem;

LOGÍSTICA DE ARMAZENAMENTO
71
■■ efetiva utilização dos recursos disponíveis (mão de obra e equipa-
mentos) – mesmos comentários da utilização do espaço – quanto
menor a ociosidade, menor o custo;
■■ pronto acesso a todos os itens;
■■ máxima proteção aos itens estocados;
■■ boa organização;
■■ satisfação das necessidades dos clientes.
No projeto efetivo do almoxarifado devem ser verificados ainda os se-
guintes aspectos:
■■ itens a serem estocados – características dos materiais, peso, volu-
me, frequência de movimentação;
■■ corredores – facilidade de acesso a todos os pontos de armazenagem;
■■ portas de acesso – dimensões devem ser compatíveis com os volu-
mes dos materiais que serão armazenados;
■■ prateleiras e estruturas – altura, capacidade de armazenamento;
■■ piso – resistência compatível com as características dos materiais
armazenados.
Conheça agora as funções da armazenagem. Siga em frente.

4.2.4. FUNÇÕES DA ARMAZENAGEM


A armazenagem tem diferentes funções, e não é necessariamente a sim-
ples guarda de produtos. Entre as funções estão o abrigo de produtos, a
consolidação, a transferência e o transbordo e o agrupamento dos produ-
tos, conforme cita Ballou (1993). Acompanhe.
1. abrigo de produtos – armazenagem e guarda de estoques gerados
pelo desbalanceamento entre oferta e demanda. Garante a prote-
ção dos produtos e outros serviços associados como a rotação de
estoques, reparos e manutenção de registros;
2. consolidação – quando a empresa recebe muitas mercadorias di-
ferentes de várias fontes, os custos podem ser reduzidos se as en-
tregas forem feitas em um armazém. Nesse armazém as cargas são
consolidadas ou agregadas e depois transportadas em um único
carregamento para o destino final. Este tipo de armazém onde ocor-
re a consolidação é mais frequente no suprimento de materiais para
grandes empresas;
3. transferência e transbordo – a transferência é o contrário da consoli-
dação. Neste método os grandes volumes são transferidos e depois
fracionados em quantidades menores demandadas pelos clientes.
Estabelece-se um depósito regional que receberá estes pequenos
volumes demandados pelos clientes. Já o transbordo é semelhante
à transferência, mas neste caso os volumes não ficam armazenados,
ou seja, o depósito não serve para a guarda dos produtos. Ele serve
simplesmente como um ponto onde os grandes volumes chegam e
seguem sua viagem em quantidades menores – volumes fracionados;
4. agrupamento – algumas empresas fabricam uma grande quantida-
de de itens. Esta fabricação pode ocorrer em diferentes plantas da
empresa para poder se obter melhores custos de produção. Esses
itens podem ser transferidos todos para um mesmo armazém, onde
ocorre o agrupamento desses diferentes itens de acordo com a soli-
citação do cliente. Nesta função, os custos de armazenagem podem
ser abatidos dos menores custos de fabricação em plantas especia-
lizadas.

72 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


EXEMPLO

Abrigo de produtos: frutas em calda enlatadas produzidas antecipada-


mente para garantir o fornecimento do mercado no período de entressa-
fra. A produção antecipada necessita de um local para armazenagem e
guarda dos estoques.
Consolidação: pequenos importadores podem comprar pequenas quan-
tidades de produtos, não sendo o suficiente para completar um container
que vai ser trazido de navio. Para reduzir os custos, estes importadores
contratam os serviços de um armazém de consolidação de cargas, que vai
receber várias encomendas de diferentes fornecedores, vai consolidar a
carga em um único container para redução dos custos de frete e enviá-lo
ao porto de destino.
Transferência: cinco clientes em diferentes regiões compram uma deter-
minada quantidade de materiais de um único fornecedor. Esse fornecedor
envia em um único caminhão todo o material em carga fechada para um
Centro de Distribuição (CD). Esse centro separa essa carga em cinco meno-
res e as envia para cada um de seus clientes.
Transbordo: navio de containers em um porto. O navio não consegue en-
tregar a mercadoria em seu destino final, e então precisa ser transportada
para um caminhão que vai levá-la até o destino final.
Agrupamento: um grande fabricante de panelas faz um modelo em cada
planta. As panelas são enviadas para um depósito em que acontece o
agrupamento das panelas em kits que serão encaminhadas aos clientes
finais ou varejistas.

Agora que você conheceu as funções da armazenagem, leia um pouco


sobre os tipos de depósitos. Acompanhe.

4.2.5. TIPOS DE DEPÓSITO


Os depósitos podem ser divididos em três formas, que são o espaço físico
próprio, o espaço físico alugado de terceiros e o estoque em trânsito.
■■ Espaço físico próprio: a maioria das empresas possui seus próprios
espaços de armazenagem. Elas optam por esta escolha para conseguir
vantagens como a diminuição dos custos em relação ao aluguel de ar-
mazéns de terceiros, maior grau de controle dos estoques e a possibili-
dade do uso do espaço para outros fins definidos pela empresa.
■■ Aluguel de espaço físico de terceiros: os armazéns públicos são
espaços que podem ser locados integralmente ou parcialmente por
curtos períodos de tempo por aqueles que precisam expandir ou rea-
locar sua área de estocagem com frequência. Normalmente a cobran-
ça é feita mensalmente, o que possibilita um grande giro de materiais
e um alto nível de utilização da área pela prestadora do serviço de
armazenagem.

LOGÍSTICA DE ARMAZENAMENTO
73
■■ Estoque em trânsito: diz respeito ao tempo no qual os materiais ou
as mercadorias permanecem nos veículos de transporte durante o
processo de entrega. Os especialistas em logística têm várias alter-
nativas de modais de transporte com tempos de trânsito variados.
Dependendo de suas escolhas, é possível até eliminar a necessida-
de de armazenagem dos produtos, pois eles chegam ao destino na
hora em que vão ser consumidos. Um exemplo de uso desses modais
como forma de depósito são as alternativas utilizadas com as frutas,
que são despachadas verdes e chegam maduras ao local de entrega.
Mas como é feita a estocagem desses produtos e materiais nos depósitos?
Conheça a seguir as alternativas de estocagem.

4.2.6. MÉTODOS DE ESTOCAGEM


Parte da gestão dos estoques é o controle do tempo que os materiais ficam
armazenados. Diferentes tipos de materiais têm diferentes formas de esto-
cagem quando o tempo é um fator determinante. Produtos perecíveis, por
exemplo, não podem ficar muito tempo armazenados. Já os produtos não
perecíveis não sofrem com a influência do tempo em sua armazenagem.

FIFO (PEPS)
O método FIFO, do inglês First In First Out, ou em português PEPS, Primei-
ro que Entra, Primeiro que Sai, é uma forma de organização dos estoques
que garante que o primeiro item a entrar no depósito seja o primeiro a sair.
Dessa forma, garante-se que sempre o item mais velho saia primeiro do
depósito antes que sua data de validade expire.
Este método não é somente utilizado para itens perecíveis. Muitas em-
presas adotam o FIFO como regra geral, garantindo o giro constante dos
estoques.

LIFO (UEPS)
LIFO é a sigla para Last In First Out, que em português significa UEPS ou
Último a Entrar, Primeiro a Sair. Ao contrário do método FIFO, este método
de estocagem não considera a ordem de entrada e saída de materiais. Ele
é utilizado em materiais que têm um alto giro com um tempo máximo de
armazenagem de um mês sem o risco da perda dos produtos. Esses ma-
teriais, quando chegam ao armazém, são direcionados para os pontos de
estocagem, que podem ser em prateleiras, e são imediatamente acondi-
cionados na frente dos outros itens, não importando a ordem de entrada.
Essas duas alternativas de estocagem podem ser mais ou menos impor-
tantes dependendo do sistema logístico. O método FIFO, por exemplo,
é muito utilizado no sistema Just in Time, que você vai conhecer agora!
Acompanhe.

74 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


4.3. JUST-IN-TIME (JIT) X FILOSOFIA TRADICIONAL
É possível afirmar que tudo que você estudou até agora nesta Unidade
Curricular está relacionado à Filosofia Tradicional. Isso significa que, tradi-
cionalmente, os métodos de armazenagem, administração dos estoques e
transportes são planejados e executados de forma a proteger as operações
logísticas e garantir a entrega dos bens nos prazos estabelecidos e no custo
planejado.
Você também estudou que os estoques são amplamente utilizados para
absorver variações de demanda, para isolar processos e garantir a conti-
nuidade da produção, protegendo o sistema das incertezas da produção,
quebras, falhas, defeitos etc.

4.3.1. JUST-IN-TIME (JIT)


Segundo Shingo (1996a), as palavras just-in-time significam “no momen-
to certo”, “oportuno”. O just-in-time foi pensado e colocado em prática no
Japão, nas montadoras da Toyota, com a intenção de se produzir peças
ou produtos exatamente na quantidade necessária e apenas quando são
requeridas. “Just-in-time significa que, em um processo de fluxo, as par-
tes corretas necessárias à montagem alcançam a linha de montagem no
momento em que são necessários e somente na quantidade necessária”.
(OHNO, 1997).

EXEMPLO

A montadora de carros da Fiat em Betim/MG produz em média de 2200


carros por dia e trabalha com seus fornecedores no sistema just-in-time.
Na média, essa empresa utiliza 11000 pneus por dia e não necessita de
toda esta área para o armazenamento deste componente. Se essa empre-
sa utilizasse uma política de estoques de 15 dias, necessitaria de área para
armazenagem de pelo menos 165.000 pneus.
Agora imagine se esta política fosse utilizada para todos os itens grandes
dos carros!

Para se alcançar este nível de certeza e entregar as peças certas, nas


quantidades certas e no momento certo, é extremamente necessário eli-
minar as incertezas dos processos produtivos e da cadeia de suprimentos.
A filosofia just-in-time prega que os sete desperdícios dos processos devem
ser combatidos para se alcançar este nível de certeza.

LOGÍSTICA DE ARMAZENAMENTO
75
Excesso de
produção

Inventário
desnecessário

Movimentos
desnecessários

Processamento
impróprio

Reparos/Falhas

Tempo de
espera
PAULO LISBOA CORDEIRO

Transportes

Figura 20 - Os 7 desperdícios dos processos produtivos


Fonte: Marques (2009)

Diferente do que você estudou até agora, o just-in-time busca focar na re-
solução de problemas que geram perdas produtivas ao invés de focar nos
estoques para proteção do sistema logístico. Entende-se que uma vez que
se trabalham os problemas, o sistema fica com menos variação e pode tra-
balhar com níveis menores de estoques.
De acordo com Shingo (1996a), os requisitos para alcançar um sistema
JIT são:
■■ produção em pequenos lotes com utilização de setups TRF, que é um
sistema de troca rápida de ferramenta e permite menores perdas en-
tre a fabricação de modelos diferentes;
■■ sincronização, fluxo de peças unitárias, layouts de máquinas voltados
para o processo e produção em pequenos lotes;

76 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


■■ inspeções na fonte, ou seja, garantir a qualidade no posto de fabricação.
Tubino (2000) acrescenta aos requisitos citados por Shingo outras técni-
cas que auxiliam no alcance de um sistema just-in-time:
■■ produção puxada – não produzir por previsão. Permitir que o cliente
puxe a produção, podendo este cliente ser o cliente final ou o próxi-
mo posto de trabalho;
■■ nivelamento da produção – buscar uma produção nivelada e contro-
lada, evitar as variações nos processos;
■■ redução do lead time – reduzir perdas nos processos garantindo res-
postas rápidas às variações de demanda.
Nessa última etapa do seu aprendizado, aproveite para fazer um aponta-
mento dos conceitos que você considera mais relevantes. Faça um resumo
desses assuntos e coloque em prática, pois dessa forma, você estará refor-
çando todo conteúdo adquirido neste material didático.

RESUMINDO

Logística de
armazenagem

Administração Just in time


Armazenagem
dos estoques X
filosofia
tradicional
Necessidade
Estoques
de espaço físico

Localização dos
depósitos
Justificativas
para os Layout
estoques

Reposição dos Funções da


estoques armazenagem

Tipos de
Supermercados depósito
Paulo Cordeiro (2015)

Métodos
de estocagem

LOGÍSTICA DE ARMAZENAMENTO
77
ANOTAÇÕES

78 FUNDAMENTOS DE OPERAÇÕES LOGÍSTICAS


PALAVRAS
DO AUTOR

Parabéns por ter concluído os seus estudos em Fundamentos em Operações Logísticas!


No decorrer dos seus estudos você aprendeu os fundamentos básicos das operações
logísticas, que vão desde o planejamento do recebimento dos materiais, a armazenagem,
a colocação do material em produção, expedição e entrega ao cliente final.
Você conheceu aqui a importância deste tema, que faz a diferença para uma empresa
em um cenário competitivo, em que desperdícios de recursos não são permitidos.
Espero que você tenha aproveitado todo o conteúdo desta Unidade Curricular e que te-
nha se identificado com tudo. A logística já é e vai continuar sendo um dos assuntos mais
importantes para a garantia da competitividade das empresas, no Brasil e no mundo.

EVANDRO MEDEIROS MARQUES

PALAVRAS DO AUTOR 79
CONHECENDO
O AUTOR

EVANDRO MEDEIROS MARQUES


Tem formação em Engenharia de Produção e Sistemas e 15 anos de experiência em ati-
vidades industriais. É especialista em estratégias de redução de custos ligadas à redução
de desperdícios nos processos fabris englobando a padronização de atividades laborais,
conservação de equipamentos e desenho de sistemas logísticos enxutos.

CONHECENDO O AUTOR 81
REFERÊNCIAS

■■ ALVARENGA, Antonio Carlos; NOVAES, Antônio G. Logística aplicada: suprimento e dis-


tribuição física. 2. ed. São Paulo, SP: Pioneira, 1994. 268 p.
■■ ART SMALLEY. Criando o Sistema Puxado Nivelado. Um guia para aperfeiçoamen-
to de sistemas lean de produção, voltado para profissionais de planejamento, ope-
rações, controle e engenharia. São Paulo (SP): Editora Lean Institute Brasil, 2004.
114 p.
■■ BALLOU, Ronald H. Logística empresarial: transportes, administração de materiais e
distribuição física. São Paulo (SP): Atlas, c1993. 388 p.
■■ ______. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística empresarial. 5. ed. Por-
to Alegre: Bookman, 2006. 616 p. + CD-ROM ISBN 9788536303912.
■■ BRASIL - Ministério do Meio Ambiente. Logística reversa. [s.d.] Disponível em: <http://
www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/residuos-perigosos/logistica-reversa>. Acesso
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■■ BRASIL- Portal Brasil. ANTT registra quase 500 mil transportadores de carga no País.
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gistra-quase-500-mil-transportadores-de-carga-no-pais>. Acesso em: 27 jan. 2015.
■■ CHRISTOPHER, M. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. São Paulo:
Pioneira Thomson, 2002.
■■ COSTA, Fabio J. C. Leal. Introdução à Administração de Materiais em Sistemas Infor-
matizados. São Paulo (SP): Editora Editco Comercial Ltda, 2002.
■■ DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 5. ed.
São Paulo (SP): Atlas, 2010. 528 p.
■■ G1. Brasil gasta 10,6% do PIB com logística, mostra estudo. 12/09/2011. Disponível
em: <http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/09/brasil-gasta-106-do-pib-com-lo-
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■■ LEAN ENTERPRISE INSTITUTE. Léxico Lean: glossário Ilustrado para praticantes do pen-
samento lean. Chet Marchwinski, John Shook: Editora Lean Institute Brasil, 2003. 98 p.
■■ MARQUES, Evandro Medeiros. Implantação de sistema puxado na cadeia logística de
uma indústria de fundição. Joinville, 2009.
■■ OHNO, Taiichi. O Sistema Toyota de Produção: além da produção em larga escala.
Trad. Cristina Schumacher. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

■■ PASSOS, Maria de Fatima Salles Abreu. Gasoduto Bolívia-Brasil. 10/09/1998. Dispo-


nível em: <http://ecen.com/eee10/gasp.htm>. Acesso em: 27 jan. 2015.

REFERÊNCIAS 83
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chain management. São Paulo: Atlas, 2004.
■■ ROGERS, D S. e TIBBEN-LEMBKE, R S. 1999, Going Backwards: Reverse Logistics Trends
and Practices. University of Nevada, Reno - Center for Logistics Management.
■■ SHINGO, Shigeo. O Sistema Toyota de Produção do ponto de vista da Engenharia de
Produção. Trad. Eduardo Schaan. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996a.
■■ SHINGO, Shigeo. Sistemas de Produção com estoque zero: O sistema Shingo para me-
lhorias contínuas. Trad. Lia Weber Mendes. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996b.
■■ SLACK, Nigel. Administração da Produção. São Paulo, Atlas 2002.
■■ TUBINO, D. F. Manual de planejamento e controle da produção. 2. ed. São Paulo:
Atlas, 2000.
■■ VIANA, João José. Administração de materiais: um enfoque prático. São Paulo (SP):
Atlas, c2000. 448 p. ISBN 9788522423958

84 SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO


REFERÊNCIAS
85
SENAI - DEPARTAMENTO NACIONAL
UNIDADE DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – UNIEP

Felipe Esteves Pinto Morgado


Gerente Executivo de Educação Profissional e Tecnológica

Waldemir Amaro
Gerente de Tecnologias Educacionais

Nina Rosa Silva Aguiar


Gerente de Educação Profissional e Tecnológica

Fabíola de Luca Coimbra Bomtempo


Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros Didáticos

Paula Martini
Coordenação Geral do Programa SENAI de Educação a Distância

SENAI - DEPARTAMENTO REGIONAL DE SANTA CATARINA

Cleberson Silva
Coordenação do Desenvolvimento dos Livros Didáticos

Mauricio Cappra Pauletti


Coordenação Educacional

Maycon Cim
Coordenação Núcleo Técnico e Assessoria e Consultoria em Educação

Gisele Umbelino
Coordenação Assessoria e Consultoria em Educação

Kácio Flores Jara


Técnico em Educação a Distância

Michele Antunes Corrêa


Coordenação Desenvolvimento de Recursos Didáticos

Michele Antunes Corrêa


Roberta de Fátima Martins
Projeto Educacional

Carlos Filip Lehmkuhl Loccioni


Luiz Eduardo de Souza Meneghel
Projeto Gráfico

Evandro Medeiros Marques


Elaboração

Daiani Machado
Gustavi Lucas Alves
Revisão Técnica
Alda Yoshi Uemura Reche
Inês Helena de Melo Pires
Josilda Maria Carvalho de Barros
Vitório Donato.
Comitê Técnico de Avaliação

Pâmella Rocha Flores da Silva


Design Educacional

Luiz Eduardo de Souza Meneghel


Paulo Lisboa Cordeiro
Ilustrações e Tratamento de Imagens

Davi Leon Dias


Diagramação

Davi Leon Dias


Revisão e Fechamento de Arquivos

Luciana Effting Takiuchi


CRB-14/937
Ficha Catalográfica

Jaqueline Tartari
Contextuar
Revisão Ortográfica e Gramatical

Jaqueline Tartari
Contextuar
Normalização

Common questions

Com tecnologia de IA

The Kanban system is essential in managing production logistics as it controls overproduction and excess inventory. It uses visual cues to manage production processes efficiently. Primary components include Kanban cards for production and requisitions, with panels like Quadro and Porta-kanban. The rules ensure only necessary items are produced and transported, minimizing waste and maintaining quality. The system operates under six rules that prevent overproduction, dictate specific production orders, and ensure quality through reduced defect rates .

Business logistics activities are divided into primary and support activities. Primary activities include transport, inventory maintenance, order processing, and warehousing, which are essential for moving and storing products efficiently. Support activities like material handling, product scheduling, and protective packaging aid primary activities in reducing costs and improving service levels. Transport is crucial, often accounting for 60% of logistics costs, while inventory must be managed to balance supply and demand .

To reduce costs while maintaining high service levels, logistics can employ strategies such as optimizing transport modes, implementing just-in-time inventory systems, using technology for real-time information sharing, and consolidating shipments. Additionally, adopting lean practices like Kanban can limit unnecessary production and optimize order processing, while strategically locating distribution centers can minimize transport costs and improve service delivery times .

The primary mission of business logistics is to ensure the delivery of the right product, in the right quantity and quality, to the right place and at the right time, while maintaining cost-effectiveness. It integrates with supply chain management by facilitating the seamless flow of materials and information, reducing gaps between different stages, and ensuring service level adequacy at reasonable costs .

Physical distribution focuses on the movement, storage, and order processing of finished goods. It is distinct from other logistics functions that may deal with raw materials or components. Distribution often incurs the highest logistics costs, absorbing nearly two-thirds of total logistics expenses due to the intensive movement and storage requirements. This function ensures products reach final consumers or intermediaries as needed .

Internal logistics deals with activities within the enterprise, such as material handling, production scheduling, and internal transport. External logistics encompasses broader supply chain operations like distribution, delivery to end customers, and reverse logistics. Internal logistics focuses on optimizing processes within the organization, while external logistics ensures efficient interfaces and coordination with supply chain partners and customers .

Information flows are vital to logistics networks as they coordinate activities along supply chains, improve decision-making, and enhance visibility. They facilitate the movement and storage of goods by providing accurate demand forecasts, tracking shipments, and managing orders. Effective information management ensures better synchronization between production and distribution activities, optimizing overall logistics performance .

Reverse logistics involves the process of moving goods from their final destination for the purpose of capturing value or proper disposal. Unlike traditional logistics that focus on distribution to end-users, reverse logistics deals with returns, recycling, and waste management. It plays a critical role in modern supply chains by supporting sustainability goals, reducing waste, and enhancing product lifecycle management .

The logistics of warehousing enhances operational efficiency by managing inventory accumulation, ensuring continuous production flow, and achieving cost-effective storage. It acts as a buffer against supply and demand imbalances by strategically holding stocks before, during, and after production, thus minimizing interruptions and optimizing supply chain performance .

Balancing supply and demand is crucial for effective logistics operations as it directly influences inventory levels and service quality. Imbalances can lead to stockouts, excess inventory, and increased holding costs. Efficient inventory management ensures steady production flow, optimal stock levels, and responsiveness to consumer needs, which are essential for minimizing costs and maximizing service efficiency .

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