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DANÇAS CIRCULARES NA UFPB Ana Karla Sousa de Oliveira (1); Maria Eleonora Montenegro de Sousa (3); Maria do Socorro Sousa (4); Maria do Amparo Caetano de Figueiredo (4) Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes/Departamento de Educação Musical/PROBEX

RESUMO

A dança compreende uma das mais antigas atividades humanas cujas origens se confundem com a origem da própria humanidade. Tendo em vista os benefícios da dança como instrumento de harmonização, autoconhecimento, celebração e expansão da consciência, o bailarino e coreógrafo alemão Bernhard Wosien dedicou­se ao estudo e aprimoramento de danças folclóricas de diversos países, implantando, posteriormente, uma coletânea de danças na comunidade de Findhorn, na Escócia, no ano de 1976. De Findhorn essas danças se espalharam por vários países, constituindo um movimento organizado em torno da retomada de antigas formas de expressão de diferentes culturas através da dança. O interesse em promover um projeto de extensão com Danças Circulares Sagradas surge do reconhecimento dos benefícios proporcionados pela dança no que concerne à harmonização, tanto individual quanto coletiva. O presente projeto se desenvolveu através da realização de rodas de danças (Sagradas, Étnicas, Populares e Folclóricas), cantadas e dançadas, semanalmente. Durante as rodas de danças era repassada aos participantes a teoria sobre as danças circulares (origens, desenvolvimentos, simbologia, etc) além da explicação gradativa da coreografia. Ainda, as atividades se desenvolveram através da participação em eventos e palestras, como forma de divulgar a Dança Circular no meio acadêmico e na comunidade como um todo. Os resultados evidenciaram os benefícios proporcionados pelo projeto ao promover o resgate das danças de roda como um canal de desenvolvimento humano pessoal e de integração grupal entre a comunidade acadêmica e a comunidade como um todo, o que se deu tanto através da realização das rodas de Danças Circulares das quartas­feiras quanto através da participação dos integrantes do projeto em eventos externos e da realização de cursos e palestras sobre Danças Circulares. A meta de vivências a serem realizadas pelo grupo durante a vigência do projeto, que a princípio era de 28 vivências, foi atingida, com uma média significativa de participantes. O predomínio de participantes do sexo feminino se manteve durante todas as rodas realizadas durante a vigência do projeto, se estendendo às atividades realizadas em eventos externos. Em função dos resultados apresentados, fica evidente o sucesso do projeto em questão, no que se refere aos resultados alcançados a curto prazo, bem como aos resultados a serem alcançados futuramente, em função não somente da consolidação de conhecimentos e práticas em Danças Circulares, bem como em virtude da continuidade do encontro do grupo de Danças Circulares das UFPB, no mesmo local e horário.

PALAVRAS­CHAVE: danças; danças circulares; danças folclóricas

INTRODUÇÃO

A dança compreende uma das mais antigas atividades humanas cujas origens se confundem com a origem da própria humanidade, estando presente, desde tempos imemoriais, na tradição de diversos povos e culturas, o que nos remete à época em que o homem vivia em estreita relação com a natureza (COSTA, 2002). Os movimentos circulares realizados em algumas dessas danças representavam a mais pura expressão dos ciclos da natureza, com base na compreensão de que o ritmo é o elemento fundamental que domina o movimento cósmico (RODRIGUES, 2002). Tendo em vista os benefícios da dança como instrumento de harmonização, autoconhecimento, celebração e expansão da consciência, o bailarino e coreógrafo alemão Bernhard Wosien dedicou­se ao estudo e aprimoramento de danças folclóricas de diversos países, implantando, posteriormente, uma coletânea de danças na comunidade de Findhorn, na Escócia, no ano de 1976. De Findhorn essas danças se espalharam por vários países, constituindo um movimento organizado em torno da retomada de antigas formas de expressão de diferentes culturas através da dança, acrescidas de elementos (música, coreografia e ritmos) mais atuais e, especialmente, adaptando­as à formação circular, como forma de

(1)

Aluno(a)Bolsista;

(2)

Aluno(a) Voluntário(a); (3) Prof(a) Orientador(a)/Coordenador(a); (4) Prof(a) Colaborador(a);

(5) Servidor Técnico/Colaborador

promover a conexão entre as pessoas na roda, no caso das danças que não apresentavam tal formação em sua tradição (ALMEIDA, 2005; RAMOS, 2002). Desde então, até os dias atuais, centenas de danças foram incorporadas ao conjunto do que se passou a se chamar de Danças Circulares Sagradas, ou simplesmente Danças Sagradas, movimento que resgatou as “Danças Circulares dos Povos”, título preferido por muitos que sentem uma certa restrição à palavra “sagrada” (ALMEIDA, 2005; BONETTI, 2005). As Danças Circulares, enquanto movimento, chegaram ao Brasil por meio de Carlos Solano Carvalho, que havia morado na comunidade de Findhorn, difundido­as por todo o país a partir da Comunidade de Nazaré, em Nazaré Paulista – SP (ALMEIDA, 2005). Atualmente, as Danças Circulares estão sendo aplicadas em centros de atividades da Terceira Idade, escolas educacionais e profissionalizantes (como técnica de Relações Interpessoais). Além de ser um exercício prazeroso, é um caminho de desenvolvimento pessoal e coletivo, constituindo­se em ferramenta pedagógica com possibilidades de aplicação em organizações públicas e privadas, escolas, hospitais, centros terapêuticos, comunidades, grupos de desenvolvimento humano e profissional, empresas e celebrações, sempre com o intuito de obter todos os benefícios que a dança traz para pessoas de qualquer idade, resgatando o prazer de dançar e cantar juntos (RAMOS, 2002).

O interesse em promover um projeto de extensão com Danças Circulares Sagradas

surge do reconhecimento dos benefícios proporcionados pela dança no que concerne à harmonização, tanto individual quanto coletiva. Em sua organização circular, permite que seja

eliminada qualquer hierarquia, de modo que os participantes se reconheçam enquanto partes igualmente necessárias para a constituição harmoniosa do todo, contribuindo enquanto instrumento de ampliação da consciência individual e grupal. Ao analisar a sociedade humana na atualidade, fica evidente o predomínio da racionalidade, em detrimento da intuição e da sensibilidade, reforçada pela visão científica cartesiana, responsável pela separação entre mente e corpo, o que implicou no distanciamento entre homem e natureza. Entretanto, estudos evidenciam a necessidade de mudança nesse paradigma, como forma de superar as dificuldades trazidas por ele, especialmente no que se refere ao campo da saúde humana (BERNI, 2002).

O conceito de saúde adotado pela OMS no ano de 1946, ilustra bem esse novo cenário

da saúde, ao destacá­la não somente como ausência de doença, permitindo o incentivo ao emprego de novas formas de tratamento, complementares às técnicas tradicionais, e que trabalhassem pela busca de harmonização dos ritmos e conexões energéticas do homem. E é nesse contexto que se enquadra a Dança Circular (BERNI, 2002).

DESCRIÇÃO METODOLÓGICA

O presente projeto se desenvolveu através da realização de rodas de danças (Sagradas, Étnicas, Populares e Folclóricas), cantadas e dançadas, semanalmente, além de jogos cooperativos. Durante as rodas de danças era repassada aos participantes a teoria sobre as danças circulares (origens, desenvolvimentos, simbologia, etc) e antes de cada dança era dada explicação gradativa da coreografia. Ainda, as atividades se desenvolveram através da participação em eventos e palestras, como forma de divulgar a Dança Circular no meio acadêmico e na comunidade como um todo.

RESULTADOS

Tendo em vista as metas estabelecidas, fica evidente que as mesmas foram alcançadas através do projeto ao promover o resgate das danças de roda como um canal de desenvolvimento humano pessoal e de integração grupal entre a comunidade acadêmica e a comunidade como um todo, o que se deu tanto através da realização das rodas de Danças Circulares das quartas­feiras quanto através da participação dos integrantes do projeto em eventos externos e da realização de cursos e palestras sobre Danças Circulares. Foi possível também divulgar e constatar os benefícios terapêuticos e curativos proporcionados pelas Danças Circulares, o que implicou no aprimoramento dos conhecimentos sobre benefícios e utilização das Danças Circulares por parte da aluna bolsista, bem como da comunidadeenvolvida.

A meta de vivências a serem realizadas pelo grupo durante a vigência do projeto, que a princípio era de 28 vivências, foi atingida com uma média significativa de participantes, como evidencia o quadro abaixo (QUADRO I).

QUADRO I

MÊS

N° DE VIVÊNCIAS

N° DE

MÉDIA MENSAL

PARTICIPANTES

Junho

3

62

21

Julho

4

76

19

Agosto

5

108

22

Setembro

4

89

21

Outubro

4

85

22

Novembro

2

24

12

Tais dados evidenciam uma freqüência significativa e satisfatória de participantes, com destaque para os participantes tidos como efetivos, os quais compreenderam um grupo assíduo tanto na roda de dança semanal quanto nos cursos, palestras e na pesquisa realizada, dentre os quais alguns já vêm atuando em instituições e escolas de João Pessoa e cidades vizinhas como instrutores e focalizadores de danças circulares. Outro dado importante diz respeito à diferença significativa entre a quantidade de participantes do sexo feminino e masculino, como evidenciado no gráfico abaixo (GRÁFICO I).

GRÁFICO I ­ Diferença entre os sexos

100 80 Homens 60 Mulheres 40 20 0 Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro
100
80
Homens
60
Mulheres
40
20
0
Junho
Julho
Agosto Setembro Outubro Novembro

O predomínio de participantes do sexo feminino se manteve durante todas as rodas realizadas durante a vigência do projeto, se estendendo às atividades realizadas em eventos externos, bem como na aplicação do questionário de qualidade de vida. Entretanto, apesar da menor representatividade nas atividades, os de participantes do sexo masculino eram bastante assíduos, a maioria deles fazendo parte do grupo efetivo de participantes.

CONCLUSÃO

Em função dos resultados apresentados, fica evidente o sucesso do projeto em questão, no que se refere aos resultados alcançados a curto prazo, bem como aos resultados a serem alcançados futuramente, em função não somente da consolidação de conhecimentos e práticas em Danças Circulares, bem como em virtude da continuidade do encontro do grupo de Danças Circulares das UFPB, no mesmo local e horário. O grupo de Danças Circulares conquistou respeito e espaço dentro e fora da comunidade acadêmica, recebendo convites freqüentes para participar de eventos e palestras, a fim de divulgar suas práticas em diferentes contextos sociais. Os depoimentos dos participantes das rodas, bem como a experiência pessoal dos participantes do projeto, ilustram bem os benefícios proporcionados pelas Danças Circulares para a saúde física e emocional e para os relacionamentos interpessoais. No meu caso em particular, como bolsista, pude, através do projeto, consolidar e acrescentar conhecimentos sobre as Danças Circulares, pude interagir ricamente com os

participantes, apreendendo elementos que muitas vezes iam além dos objetivos do projeto. Aprendi que dançar é curar e pude obter cura através da dança, o que vem se refletindo na minha vida pessoal e acadêmica. Encontrei na dança um instrumento simples e rico em possibilidades e que pretendo utilizar em minha vida profissional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, L.H.H. Danças Circulares Sagradas: imagem corporal, qualidade de vida e religiosidade segundo uma abordagem junguiana. 2005.311f. Tese (Doutorado) – Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2005.

BERNI, L.E.V. Danças Sagradas: Uma Técnica de Meditação Ativa. In: RAMOS, R.C.L. (org.). Danças Circulares Sagradas: Uma proposta de Educação e Cura. 2.ed. São Paulo: TRIOM,

2002.p.57–71.

BONETTI, M.C. Material Didático do I Módulo do Curso de Formação de Focalizadores em Danças Circulares: The Spirit of Dance – Findhorn e Danças dos Florais de Bach. João Pessoa, 2006.

BUSS, Paulo Marchiori. Health promotion and quality of life. Ciênc. saúde coletiva., Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, 2000. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php>. Accesso em: 05 Dec 2006.

COSTA, A.L.B. Dança: Uma Herança à Disposição de Todos. In: RAMOS, R.C.L.(org). Danças Circulares Sagradas: Uma proposta de Educação e Cura. 2.ed. São Paulo: Triom, 2002. p. 19

–25.

RAMOS, Renata Carvalho Lima. Danças Circulares Sagradas: Uma proposta de Educação e Cura. 2.ed. São Paulo: Triom, 2002.

RODRIGUES, G.H.C.B. Mudanças. In: RAMOS, R.C.L.(org). Danças Circulares Sagradas:

Uma proposta de Educação e Cura. 2.ed. São Paulo: Triom, 2002. p. 45 – 53.

SEIDL, Eliane Maria Fleury; ZANNON, Célia Maria Lana da Costa. Qualidade de vida e saúde:

aspectos conceituais e metodológicos. Cad. Saúde Pública., Rio de Janeiro, v. 20, n. 2,

2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php>. Acesso em: 05 Dez 2006.