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ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL DAS


IGREJAS EVANGÉLICAS
ASSEMBLÉIA DE DEUS NO
ESTADO DO PARANÁ -AEADEPAR
FACEL FACULDADES...
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Levi de Paula Tavares

A Adoração Segundo Paulo


Levi de Paula Tavares

PESTANA, Alvaro Cesar (org.). A capela: Música à moda da igreja. Recife: Escola de Teologia em Casa, …
Álvaro C Pest ana
ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL DAS IGREJAS EVANGÉLICAS ASSEMBLÉIA DE
DEUS NO ESTADO DO PARANÁ – AEADEPAR
FACEL FACULDADES

Djoni Schallenberger

Liturgia e Adoração

Curitiba
2012
ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL DAS IGREJAS EVANGÉLICAS ASSEMBLÉIA DE
DEUS NO ESTADO DO PARANÁ – AEADEPAR
FACULDADE FACEL

Copyright © 2012 – Todos direitos reservados à Associação Educacional das Igrejas


Evangélicas Assembléia de Deus no Estado Do Paraná – AEADEPAR.

Proibida reprodução total ou parcial sem a expressa autorização.


Pirataria é crime e pecado.

Diagramação: Jéssica Bueno Gemin


Editor: Djoni Schallenberger
Revisão: Berta Morales Figueroa

Schallenberger, Djoni.
Liturgia e Adoração. / Djoni Schallenberger –
Curitiba : Unidade, 2012. 187 p.

1. Liturgia e Culto. 2. Culto Cristão.


3. Teologia da Adoração. 4. O Ministério de Adoração
Na Igreja.
I . Faculdade de Administração Ciências, Educação e
Letras – FACEL. II. Título.
CDD 170
APRESENTAÇÃO

Prof. Djoni Schallenberger1

Olá meus queridos, iniciamos mais uma disciplina do curso de Teologia, agora
é a vez de falar sobre Louvor e Adoração e, por ser este tema o centro dos cultos evan-
gélicos, acredito que haverá muito interesse em se aprofundar nos estudos como uma
forma de aperfeiçoar conhecimentos.
Ao longo das quatro unidades do livro abordaremos temas que dizem respeito
às questões que influenciam o culto que praticamos hoje. Logo na primeira unidade
você terá a oportunidade de lembrar palavras aprendidas na disciplina de Grego e
poderá rever que há muitas relacionadas ao louvor e que você usa algumas na sua
prática ministerial, destas há algumas que são usadas desde o antigo Testamento e
outras que estão descritas no Novo Testamento. Faremos uma pausa especial na pa-
lavra liturgia, que é descrita no título deste livro. Também observaremos algumas ex-
pressões de adoração no Antigo Testamento com ênfase especial no livro de Salmos.
Analisaremos as formas diferentes de cultos, destacaremos que a verdadeira
adoração acontece em “espírito e em verdade”; abordaremos a adoração e o louvor na
Historia da igreja,desde a Igreja antiga e Medieval passando pela atuação dos Refor-
madores até a igreja dos dias de hoje, principalmente, destacaremos a necessidade de
contextualização do culto evangélico no Brasil, e neste ponto destacaremos que para
falar do culto no Brasil há necessidade de fazer uma abordagem multidisciplinar e
multicultural.
Na analise do culto cristão de hoje, falaremos do repertorio musical, da música
sacra e profana e suas diferenças, estudaremos o culto em si, sua definição, e suas par-
tes, bem como o tipo de cultos existente, da sua estrutura e das partes que o compõem,
como por exemplo: oração, louvor, leitura da Palavra, ofertório, exortação, ordenanças,
ceia, avisos; também abordaremos os tipos de culto e suas manifestações e os cuidados
em cada um deles. Analisaremos os momentos especiais e os cânticos apropriados,
falaremos de músicas especiais.
Não pouparemos os problemas enfrentados na comunidade eclesiástica quan-
do a questão é escolher o tipo de música e os cuidados que devem ser levados em con-
1 Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista do Paraná (FTBP); Bacharel e Licenciado
em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Especialista em Filosofia pela Faculdades
Integradas de Jacarepaguá (FIJ), Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São
Paulo (UMESP).
sideração para não causar rompimento na igreja, em fim trataremos de como conviver
com as divergências.
Abordaremos a Teologia da Adoração e suas doutrinas, como por exemplo:
Deus na Adoração, Jesus na Adoração, o Espírito Santo na Adoração, a Igreja e o ser
humano na adoração, também faremos a explicação da base bíblica para adoração,
definição e propósitos da adoração, as conseqüências da adoração genuína, o valor
eterno da adoração, e também como entender a adoração genuína? Por fim falaremos
do ministério da adoração na igreja, as dimensões do crescimento da igreja, falaremos
sobre os obstáculos e o impedimento à adoração sobre os fatores naturais e espirituais.
Analisaremos a adoração como forma de expressão e mostraremos exemplos de ado-
ração na Palavra.
Assim, com tanta informação para comentar, espero que este seja um momento
especial de estudos,
Que Deus nos abençoe ricamente!!!
OBJETIVO DAS UNIDADES

UNIDADE 1 – LITURGIA E CULTO

A primeira unidade deste livro abordará conceitos importantes para a com-


preensão da disciplina bem como a forma de liturgia e adoração presentes no Antigo
e no Novo Testamento, outra abordagem que se faz necessária é aquela que diz res-
peito à liturgia e adoração no decorrer da Historia do Cristianismo. Na primeira seção,
em que trataremos das conceituações referentes ao tema, você terá a oportunidade de
lembrar algumas palavras aprendidas na disciplina de Grego e outras de uso diário
nas igrejas. Na segunda e terceira seção abordaremos a Adoração e a liturgia relatadas
na Bíblia tanto no Antigo como no Novo Testamento e, na quarta seção, momento em
que será abordado o tema em questão na historia do cristianismo, faremos reflexões
sobre a liturgia e culto à luz das escrituras, analisaremos a igreja antiga e medieval, a
atuação dos reformadores e para terminar esta unidade, refletiremos sobre o culto no
Brasil e sobre a necessidade de fazer uma abordagem multidisciplinar quando falamos
de liturgia à brasileira, aqui se destaca a necessidade de contextualizar em forma e
conteúdo a construção do culto evangélico no Brasil.

UNIDADE 2 – CULTO CRISTÃO

Nesta unidade investigaremos sobre a liturgia e adoração no Antigo Testa-


mento, veremos de que forma foi realizada a adoração nos primórdios da história
da humanidade e a maneira que foi descrita pelos autores bíblicos, para isso faremos
algumas abordagens esclarecedoras como: repertorio musical, o culto, suas definições
esuas partes, os estilos de cultos, manifestações e cuidads que se deve ter para cada um
deles, trataremos os problemas e o cuidado que se deve ter para que esta escollha não
signifique ruptura dentro da igreja, para isso veremos como conviver com as divergên-
cias.

UNIDADE 3 - TEOLOGIA DA ADORAÇÃO

Aqui abordaremos a teologia da adoração e suas diferentes doutrinas, começare-


mos a falar da doutrina de Deus na adoração, esus e o Espirito Santo na adoração, a
igreja e o ser humano na adoração. Abordaremos a definição e propósitos da adora-
ção, a adoração e suas conseqüências e os diferentes tipos de adoração.
UNIDADE 4 - O MINISTÉRIO DE ADORAÇÃO NA IGREJA

Nesta unidade você estudará sobre o ministério de culto na igreja local; com-
preenderá como a adoração afeta o crescimento da comunidade; analisará fatores nat-
urais e espirituais que atrapalham a adoração; descobrirá formas e posturas que aju-
dam na adoração; e entenderá vários aspectos do ministério e do ministro de adoração.
Analisaremos a adoração e o crescimento da igreja, o crescimento pessoal na adoração,
os obstáculos e impedimentos à adoração, os fatores naturais e espirituais que impe-
dem a adoração genuína e terminaremos abordando a ministração do louvor na ado-
ração.
SUMÁRIO

UNIDADE 1 – LITURGIA E CULTO


SEÇÃO 1 - CONCEITUAÇÕES............................................................................................03
Estudo da Palavra Adoração.................................................................................................04
Estudo da Palavra Louvor.....................................................................................................06
Estudo da Palavra Liturgia...................................................................................................07
Exercícios.................................................................................................................................10
SEÇÃO 2 - LITURGIA E ADORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO.............................11
Expressões de Adoração no Antigo Testamento..................................................................12
Atos de Culto no Antigo Testamento...................................................................................14
Estudo dos Salmos..................................................................................................................17
A Poesia na Bíblia.................................................................................................................21
Benefícios do Livro de Salmos..............................................................................................23
Mudanças nas Práticas de Adoração do Período Intertestamentário.............................24
Exercícios.............................................................................................................................25
SEÇÃO 3 - LITURGIA E ADORAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO..............................26
Formas de Culto no Novo Testamento................................................................................26
Jesus e a Adoração................................................................................................................27
Não se Adora a Deus, na Força da Carne, mas no Espírito..................................................30
Não se Adora a Deus com Mentiras, Mas em Verdade......................................................31
Exercícios.................................................................................................................................34
SEÇÃO 4 - LITURGIA E ADORAÇÃO NA HISTÓRIA DA IGREJA.............................34
Reflexões à Luz das Escrituras e da História Cristã sobre
Liturgia e Culto.......................................................................................................................35
Liturgia à Brasileira: Apontamentos para a Contextualização
do Culto Evangélico no Brasil...............................................................................................38
Em Busca da Contextualização do Culto Evangélico........................................................42
Função Encarnacional.............................................................................................................44
Função Profética......................................................................................................................45
Função Hermenêutica.............................................................................................................46
Exercícios..................................................................................................................................48
RESUMO DA UNIDADE......................................................................................................50
UNIDADE 2 – CULTO CRISTÃO
SEÇÃO 1 - O CULTO E SUAS PARTES..............................................................................53
O que é Culto?.........................................................................................................................53
O Culto Reflete o Nível de Compromisso que tem Assumido
a Igreja com o Mundo.............................................................................................................55
Elementos Importantes do Culto..........................................................................................55
Exercícios..................................................................................................................................60
SEÇÃO 2 - ESTILOS DE CULTOS........................................................................................60
Culto de Aniversário..............................................................................................................61
Culto Litúrgico........................................................................................................................62
Culto Tradicional....................................................................................................................65
Culto Avivado.........................................................................................................................68
Culto Louvor e Adoração......................................................................................................71
Culto Facilitador.....................................................................................................................75
Resumo dos Estilos.................................................................................................................77
Escolhendo um Estilo.............................................................................................................80
Exercícios..................................................................................................................................81
SEÇÃO 3 – REPERTÓRIO.....................................................................................................81
A Música que Honra a Deus.................................................................................................81
Música Sacra x Música Profana............................................................................................83
Hinos x Cânticos.....................................................................................................................84
Canto Congregacional............................................................................................................84
Participações/Músicas Especiais..........................................................................................87
Exercícios..................................................................................................................................87
SEÇÃO 4 - PROBLEMAS NA ESCOLHA DE ESTILOS....................................................88
Tipos de Igrejas........................................................................................................................88
Perigos da Divergência..........................................................................................................90
A Grande Questão: Como Conviver com as Divergências?.............................................91
Desenvolvendo um Programa para a Igreja Local.............................................................92
Cultos Públicos e Diferenças de Estilos...............................................................................93
Estilos Musicais e Interpretacão...........................................................................................94
Conscientização: o Maior Desafio.........................................................................................95
Lembrando o que a Bíblia Fala..............................................................................................96
Exercícios..................................................................................................................................97
RESUMO DA UNIDADE.......................................................................................................98
UNIDADE 3 – TEOLOGIA DA ADORAÇÃO
SEÇÃO 1 – A DOUTRINA DE DEUS NA ADORAÇÃO................................................101
Deus e adoração....................................................................................................................101
Porque Devemos Louvar a Deus........................................................................................103
O Louvor Traz a Presença de Deus.....................................................................................104
Exercícios.................................................................................................................................104
SEÇÃO 2 - JESUS CRISTO E O ESPÍRITO SANTO NA ADORAÇÃO..........................105
Jesus Cristo e a Adoração.....................................................................................................105
O Espírito Santo e a Adoração............................................................................................112
Exercícios.................................................................................................................................113
SEÇÃO 3 - A IGREJA E O SER HUMANO NA ADORAÇÃO.......................................114
A Igreja e a Adoração...........................................................................................................114
O Ser Humano e a Adoração...............................................................................................115
Exercícios.................................................................................................................................117
SEÇÃO 4 – EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA DA ADORAÇÃO.....................................117
Definição e Propósito da Adoração....................................................................................118
As Consequências da Adoração Genuína.........................................................................119
O Valor Eterno da Adoração................................................................................................121
Como Entrar em Adoração Genuína?................................................................................122
Exercícios.................................................................................................................................124
RESUMO DA UNIDADE....................................................................................................128
UNIDADE 4 – O MINISTÉRIO DE ADORAÇÃO
SEÇÃO 1 - ADORAÇÃO X CRESCIMENTO DA IGREJA.............................................131
As Quatro Dimensões do Crescimento da Igreja.............................................................132
SEÇÃO 2 - OBSTÁCULOS E IMPEDIMENTOS À ADORAÇÃO.................................134
Fatores Naturais e Fatores Espirituais...............................................................................135
Fatores Espirituais.................................................................................................................141
Exercícios................................................................................................................................143
SEÇÃO 3 – ADORAÇÃO, POSTURAS, FORMAS DE EXPRESSÃO,
MODO DE VIVER................................................................................................................143
Adoração como Forma de Expressão.................................................................................143
Exemplos na Palavra.............................................................................................................144
Adoração como Forma de Viver.........................................................................................145
Exercícios.................................................................................................................................146
SEÇÃO 4 - MINISTRAÇÃO DO LOUVOR E DA ADORAÇÃO...................................147
Tipos de Adoração................................................................................................................147
Ambientes de Louvor...........................................................................................................150
As Duas Estruturas do Louvor............................................................................................151
Ministros de Louvor e Adoração........................................................................................152
Adoração: Uma Expressão de Amor..................................................................................153
As Dez Maneiras de Destruir o Ministério de Louvor....................................................158
Exercícios................................................................................................................................159
RESUMO DA UNIDADE.....................................................................................................165
REFERÊNCIAS......................................................................................................................167
APÊNDICES – RESPOSTAS DOS EXERCÍCIOS..............................................................171
t
Liturgia e Adoração

UNIDADE I
Liturgia e Culto
˂˂˂ 03

PARA INÍCIO DE CONVERSA

SEÇÃO 1 - CONCEITUAÇÕES

Olá, estaremos juntos para o estudo desta disciplina. Vamos co-


meçar por definir e conceituar alguns termos que serão comuns daqui
em diante. Em seguida vamos aprofundar alguns termos como adora-
ção, louvor e liturgia.

• Definindo os Termos

Durante os estudos vamos utilizar alguns termos que se tornarão


comuns. Será importante ter clareza quanto a seus conceitos e defini-
ções. Observe a seguir os conceitos de alguns destes termos segundo
Atilano Muradas (MURADAS, 1999, p. 19, 20):
Adoração: Ato de adorar; culto; reverência, veneração; por aqui-
lo que Deus é (santo, justo, amoroso, onipotente...). Em João 4.24, Jesus
ensina que “Deus é espírito, e importa que os que o adoram o adorem
em espírito e em verdade”. Somente uma pessoa salva por Jesus, cheia
do Espírito Santo, consegue isso. Está registrado em João 1.12: “Mas a
todos os que o receberam, àqueles que crêem no seu nome, deu-lhes o
poder de serem feitos filhos de Deus”. Aqueles que crêem não apenas
louvam, eles adoram, porque são filhos. Deixaram de ser criaturas que
apenas louvam, para serem filhos que louvam e adoram.
Louvor: Ato de louvar; elogio; glorificação; exaltação; por aqui-
lo que Deus faz (fez) em nossa vida ou na dos outros. Paulo escreveu
aos Coríntios: “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa
qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31). Fundamentado
nessa passagem, entende-se que o louvor deve estar presente na vida
em tudo que fizermos. Ele deve ser manifestado no falar, pensar, vestir,
Liturgia e Adoração

trabalhar, estudar, orar e cantar. Porém, nos cultos da igreja atual, a for-
ma mais popular de louvor é por meio dos cânticos. O louvor também
é um mandamento, quando analisamos o Salmo 150.6, que diz: “Tudo o
que tem fôlego louve ao Senhor”. Em algumas congregações, somados
os prelúdios, solos, canto coral e louvor congregacional, a música chega
04 ˃˃˃

a ocupar cerca de 50%, ou mais, do tempo total destinado ao culto.


Louvar: Elogiar; dirigir louvores a; glorificar; aplaudir.
Ministro de Louvor: Todo aquele que está envolvido, direta ou
indiretamente, na ministração do louvor na Casa de Deus.
Congregação: Conjunto dos membros de uma determinada de-
nominação religiosa. Ex: batistas, presbiterianos, luteranos, metodistas,
assembleianos.
Igreja: O conjunto de todas as congregações, independentemen-
te da denominação — “Pois todos nós fomos batizados em um só Es-
pírito, formando um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos,
quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (1Co 12.13).
Ministrar: Prestar; fornecer; oferecer; apresentar; administrar.
Louvor congregacional ou Adoração Congregacional: Refere-se
ao louvor e adoração cantados e prestados pelas pessoas quando estão
reunidas, independentemente da denominação religiosa a que perten-
cem. Evidentemente esse Louvor e Adoração serão entremeados de ou-
tras formas, tais como: frases de exaltação, brados, palmas, orações.
FACEL - Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras

• Estudo da Palavra Adoração

O Conceito de ADORAÇÃO aparece na Bíblia também em ou-


tras formas gramaticais que dão amplitude de significados ao ato. Veja
algumas a seguir:

▪ Proskineo

Ocorre 59 vezes no NT. É usada para designar o costume de


prostrar-se perante alguém beijar-lhe os pés, a barra do vestido ou a
terra onde a pessoa pisa.
No AT a palavra correspondente é SHALAH (adorar), que sig-
nifica curva-se, colocando o rosto em terra, diante do objeto ou pessoa
que esteja sendo cultuados. Este ato foi traduzido na Septuaginta por
PROSKINEO (Ex 20. 3-5; 1Re 19. 18).
Denota a admiração e reverência profunda ligadas ao coração de
quem adora. Atitude de submissão, tremor (Dn 6. 27).
˂˂˂ 05

No AT significa curvar-se, inclinar-se prestar homenagem, abaixar-


-se (2Cr 7.3). Não importa a antiguidade, número de adeptos, a beleza
mas o contato com Deus, o relacionamento e conhecimento d’Ele, atitu-
de do coração. Aponta para uma disposição de obediência, compreen-
são de quem se é (Mc 2.2; 4.9; 8.2; 14.23; Lc 24.52; Gn 18.2; Ex 4.31; Nm
22.31).
Não é preciso manter distância de Deus, mas reconhecer sua von-
tade, denota a disposição do coração. É reflexo da fé (Jo 9.38). É reco-
nhecer que Cristo é Rei (Mt 2.2; 14.33). Crer importa em adorar a Cristo,
reconhecê-lo como Senhor. Curvar-se é apropriado diante de Cristo.
Expressa o relacionamento com Deus, e quem é o Deus que se adora. É
focalizar-se no ser de Deus. É descobrir expressões novas sobre Deus,
novos nomes (O Deus que....), títulos e confessa-lo.

▪ Latreia (Mt 4.10)

Descreve o trabalho por um salário. Significa o serviço do ser


humano para com Deus. Refere-se ao culto, o serviço (Hb 9.14; 12.28; Lc
2.37; At 24.14).

▪ Eusebein

Significa reverenciar. No grego clássico descrevia a atitude de


um indivíduo religioso devotado ao seus deuses para evitar as terríveis
consequências. No NT a preocupação está em agradar a Deus pelo vi-
ver, pensar e falar (2Tm 3.12; Tt 2.12; At 17.23; 1Tm 5.4; At 3.12; 1Tm 2.2;
3.1; 2Pe 1.3, 6; 3.11).
Deus não requer somente o temor, mas também seu serviço, obe-
diência.

▪ Threskéia
Liturgia e Adoração

Palavra rara no NT (4X). É sinônimo de latréia. Culto oferecido a


Deus. Se alguém tem olhos para contemplar as grandezas de Deus, não
pode deixar de ver as necessidades ao seu redor. A religião verdadeira é
igual à adoração verdadeira. Se não nos aproximamos do próximo não
06 ˃˃˃

podemos nos aproximar de Deus (At 26.5; Cl 2.18; Tg 1.26-27).

▪ Leitourgeo

No NT esta palavra descreve o serviço realizado pelos sacerdo-


tes, o trabalho realizado pelos missionários (Rm 15.16); a obtenção de
fundos (2Co 9.12); ou auxílio financeiro (Fp 2.17, 25, 30).
Quando um irmão serve ao outro, exerce liturgia, motivada pelo
amor ao Senhor. Adoração é servir a Deus, é servir aos irmãos (Hb 9.21;
Rm 13.6; 5.16; Hb 1.7; 8.6; Lc 1.23; At 13.2).

• Estudo da Palavra Louvor

Da mesma forma, ao estudar sobre o louvor, encontram-se na


Bíblia algumas expressões que auxiliam na compreensão da profundi-
dade e intensidade do lovor que deve ser prestado ao Senhor.

▪ Palavras do Antigo Testamento


FACEL - Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras

HALAL - fazer ruído, raiz da palavra Aleluia (200x); gabar-se


(Gn 12.15); magnificar, elogiar (Jr 20.13; 2Sm 14.25).
YADAH - ações e gestos corporais que acompanham o louvor,
lançar a mão, adorar com a mão estendida (Jr 33.11).
ZAMAR - associada com a música tocada ou cantada. Tocar nas
cordas, bater em cordas, criar harmonia, louvar com canções, musicar
(Jz 5.3; Sl 33.2; 47.7; 57.8; 71.22).

▪ Palavras do Novo Testamento

EUCHARISTEIN - agradecer, a atitude de alguém mais íntimo


com a pessoa, louvor (Rm 16.4; Ef 5.20).
EULOGEIN - bendizer (1Pe 3.9; Tg 3.9).
CHAIRA - regozijar-se, alegrar-se para conforto físico, bem-estar
(At 5.11).
EUPHAINO - animar-se, tornar divertido, alegre, contente (Rm
˂˂˂ 07

15.10; 2Co 2.2; Gl 4.27).


AGALLIAO - tornar glorioso, exultar, elevar com louvor, alegrar
grandiosamente, expressão externa de alegria (At 16.4; 1Pe 1.6, 8; 4.13).
AINEO - louvar (At 2.47; 3.8-9; Rm 15.11; Ap 19.5).
Assim se concluí que...
- A Bíblia é pontuada de explosões de louvor. Surge espontane-
amente da atitude básica de alegria que caracteriza o povo de Deus (Sl
90.14-16; Ec 8.15; 9.7; 11.9; Fp 4.4, 8).
- A vinda do Reino de Deus traz alegria (Lc 2.13-14); a adoração
no templo era marcada pela alegria (Dt 27.7; Nm 10.10), que é caracte-
rística do povo de Deus (1Pe 2.9; Ef 1.14; Fp 1.11).
- O ato de louvor implica na mais íntima comunhão com aquele
que está sendo louvado. Não depende de circunstâncias, mas é dever, é
ordem (Jó 1.21; Dt 12.7, 16.11-12). Faz parte do ritual ordenado, em que
todos se encorajam e se exortam mutuamente ao louvor (Sl 34.3).
- É uma prática que traz honra a Deus, lhe dá prazer (Sl 50.23;
51.12-15).
- A igreja explode em louvor quando há compreensão da bon-
dade e do poder de Deus (At 2.46; 3.8; 11.18; 16.25). A sincera oferta de
louvor é um sacrifício que agrada a Deus (Hb 13.15; Os 14.2: Sl 119.108).

• Estudo da Palavra Liturgia

A palavra LIT-URGIA tem sua origem do grego clássico e é com-


posta de duas raízes:
Liet – leos – laos: povo, público – ação do povo, obra pública, ação
feita para o povo, em favor do povo.
Ergomai (ergom): operar, produzir (obra), ação, trabalho, ofício,
serviço...
Traduzindo literalmente leitourghía significa: “serviço prestado
Liturgia e Adoração

ao povo” ou “serviço diretamente prestado para o bem comum”, servi-


ço público.
Antes mesmo de esta palavra ser usada pela Igreja, os gregos
a usavam para indicar qualquer trabalho realizado a favor do povo e
sempre realizado pelo povo, em forma de mutirão, como se usa hoje.
08 ˃˃˃

Então quando abriam uma estrada, ou construíam uma ponte ou reali-


zavam qualquer trabalho que trouxesse benefício à população, entre os
gregos se dizia: realizamos uma liturgia.
Este sentido primeiro da palavra ajuda a buscar o que deve ser
hoje a LITURGIA CRISTÃ nas comunidades, sobretudo depois de sé-
culos de história em que a Liturgia ficou reduzida a uma ação realizada
por ministros ordenados para o povo. Era uma ação em que o povo não
tomava parte, apenas “assistia” como expectador e, muitas vezes, sem
compreender o que estava sendo feito.
A partir do Concílio Vaticano II, realizado há mais de quatro
décadas, volta-se ao sentido genuíno da Liturgia, como AÇÃO do povo
cristão e, por isso todo ele SACERDOTAL, chamado ao louvor de Deus
e à transformação e santificação da vida e da história. Uma ação con-
junta em parceria com o próprio Deus, numa dinâmica de aliança e
participação cada vez mais “ativa, consciente, plena e frutuosa”.

▪ Liturgia na Cultura Grega


FACEL - Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras

No grego clássico, é atestado o uso cultual do nome, pelo menos


tardiamente, mas, seu significado normal e técnico é o de serviço públi-
co: uma função exercida para interesse de todo o povo, seja de ordem
política, técnica ou religiosa.
Na época helenística, liturgia significava:
- Serviço obrigatório a uma pessoa ou classe de quem se recebia
algum benefício (ato social).
- Culto religioso. O serviço era prestado aos deuses através de
uma pessoa – sacerdote – em nome da comunidade. Com o passar dos
anos, porém, a palavra “liturgia” perde o sentido de ação para o pú-
blico e toma o sentido de culto devido a Deus. É nesse sentido que a
palavra “liturgia” aparece na tradição grega do Antigo Testamento, até
o Cristianismo.

▪ Liturgia na Bíblia Sagrada

Antigo Testamento: A palavra “liturgia” no AT aparece mais ou


menos 170 vezes na versão LXX e é a tradução dos verbos hebraicos
˂˂˂ 09

SHERET e ABHAD, que significam: serviço prestado a alguém, porém


com esta diferença:
SHERET: Serviço de dedicação incondicionada por parte de um
servo; e de confiança por parte do patrão.
ABHAD: Serviço honroso, trabalho de escravo. Este verbo deriva
da palavra EHED = escravo, servo. (a Liturgia no AT é marcada pelo
espírito de escravidão e pela exterioridade cultual, cf. Lv 24.1-9).
Porém, as duas palavras na Escritura Hebraica são usadas indi-
ferentemente, seja para o “serviço” em sentido profano, como para o
“serviço” em sentido religioso.
Na tradução dos LXX foram escolhidos termos técnicos para o
uso profano e para o uso religioso. Por exemplo: quando os dois termos
se referem ao culto prestado a Javé pelos sacerdotes e levitas é usada
a palavra LEITURGHIA, LEITURGHEIN; quando ao invés se refere ao
culto prestado a Javé pelo povo a palavra era LATREIN, DULIA.
Na intenção dos LXX, a palavra “liturgia” é o termo técnico para
indicar o “culto levítico”, ou seja, uma forma cultual fixada por um “li-
turgo”- (livro da lei). Esta palavra liturgia exprime e engloba: a ação do
culto, através do qual se serve a Deus e somente a Ele, na sua “tenda”,
no seu “templo” e sobre o seu “altar”; a unidade de um culto, o qual é
destinado a Javé, único Deus verdadeiro, e também único na sua reali-
zação. A “liturgia” é marcada, portanto, pelo espírito de escravidão (Lv
23).
Em sentido profano “Os magistrados são ministros (leiturghoi)
de Deus” (Rm 13.6). “Os pagãos têm participação dos bens espirituais
dos judeus. Por isso devem assistir-lhes com as coisas materiais” (Rm
15.27). “Assistiu-me em minhas necessidades (Leiturghoi) e arriscou a
própria vida para prestar-me serviços” (Fl 2.25-30). “Arrecadar esmo-
las para os cristãos de Jerusalém é prestar “liturgia” aos “irmãos” (2Co
9.12).
Em Hebreus 1.7-14 fala-se de “liturgia”. Deve ser entendido não
Liturgia e Adoração

em sentido cultual, mas de serviço que os Anjos prestam a Deus em


favor dos seres humanos.
Em sentido ritual sacerdotal do AT. “Serviço de Zacarias no tem-
plo de Jerusalém” (Lc 1.23). Cristo o “liturghista” do verdadeiro santu-
ário, realiza uma liturgia superior. Liturgia e Liturghista, são compara-
10 ˃˃˃

ções que se referem a Cristo (Hb 8.2, 6).


Os objetos litúrgicos do culto hebraico (Hb 9.21). Comparação
entre a repetição diária da liturgia judaica e a única liturgia de Cristo
(Hb 10.11).
Em sentido de “Culto Espiritual”. Paulo se declara “Ministro-li-
turgista de Cristo” (Rm 15.26). Paulo declara-se pronto... “sobre o sacri-
fício e a liturgia de vossa fé”. É novamente o sentido cultual-sacerdotal,
na linguagem técnica do AT.
Em sentido de Culto-Ritual-Cristão “Enquanto celebravam o
culto do Senhor“ (a liturgia)... É o único texto do NT no qual se pode
entrever o que virá a ser liturgia cristã (At 13.2). Alguns dizem ser a
“Nova Liturgia Cristã” e principalmente a Ceia do Senhor.
A palavra liturgia na Igreja pós-apostólica, logo designará os “ri-
tos do culto cristão”.

▪ Definição do Concílio Vaticano II

O II Concílio do Vaticano inaugurou a sua exposição dos “prin-


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cípios gerais para a restauração e progresso da liturgia” com uma lição


sobre a “natureza da liturgia e sua importância na vida da Igreja”.
Sacrossanto Concílio entende descreve conceito de liturgia como “a
ação sagrada através da qual, com um rito, na Igreja e mediante a Igreja,
é exercida e continuada a obra sacerdotal de Cristo, isto é, a santificação
dos homens e a glorificação de Deus”.
Na próxima seção se iniciará um passeio pela história do povo
de Deus registrada na Bíblia. Começaremos com as expressões de ado-
ração no Antigo Testamento com foco nas formas litúrgicas do culto.
Em seguida se verificarão as formas de culto do Novo Testamento.

EXERCÍCIOS

1. Qual a origem da palavra Liturgia?


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˂˂˂ 11

2. Discorra sobre a liturgia na septuaginta.


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3. Fale sobre a liturgia na cultura da Grécia Antiga
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4. Comente sobre a liturgia segundo o Concílio Vaticano II
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SEÇÃO 2 - LITURGIA E ADORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

A Bíblia é a regra de fé e prática para os cristãos. Isso quer dizer


que precisamos buscar nas Escrituras a fonte básica de conhecimento
sobre adoração. O relato bíblico mostra que a adoração é fundamental-
mente a reação de um indivíduo ou grupo de pessoas a um ato podero-
so de Deus. O padrão que se vê nas Escrituras é semelhante a este:

- Deus age poderosamente em favor de seu povo;


Liturgia e Adoração

- O povo responde com gratidão e louvor;


- Deus aceita os atos de adoração de seu povo.

Esse padrão se repete por toda a Bíblia e aponta para uma


verda¬de central: o processo de adoração é sempre iniciado por Deus.
12 ˃˃˃

A adoração humana é uma resposta à iniciativa divina. Esse padrão


pode ser observado tanto no Antigo como no Novo Testamento.

• Expressões de Adoração no Antigo Testamento.

A história de Israel pode ser vista como a peregrinação de uma


comunidade de adoradores.
Tudo começa quando Deus chama Abraão para ser o “pai de
muitas nações”. Juntamente com esse chamado veio a promessa divina
de bênçãos, como grandeza, influência, descendentes e terras.
Em resposta a essas promessas, Abraão adorou a Deus cons-
truindo um altar (Gn 12.7, 8; 13.18) e ofereceu um sacrifício (Gn 15.1-11;
22.13, 14). O chamado de Abraão pode ser considerado o início da ado-
ração dos israelitas.
Conhecida como o Êxodo, a saída miraculosa de Israel do Egito
tornou-se um marco para toda a adoração futura. O resgate do povo de
Deus da escravidão é o evento isolado mais importante de todo o Antigo
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Testamento. Ele está para o Antigo Testamento corno a Res¬surreição


está para o Novo Testamento: o momento de definição. O êxodo deu
aos israelitas novas possibilidades de adorar a Deus.
As expressões iniciais incluíam o sacrifício de animais na Páscoa
(Êx 12.1-28), a consagração dos primogênitos ao Senhor (Êx 13.1, 2) e o
cântico de músicas de vitória e júbilo conduzido por Moisés e Miriã (Êx
15.1-21).
No Monte Sinai, Deus estabeleceu três festas nas quais os isra-
elitas deveriam prestar adoração: a Festa dos Pães Asmos, a Festa das
Primícias e a Festa da Colheita (Êx 23.14-19). Estes mandamentos co-
meçavam a dar ao povo a consciência de que a adoração envolvia uma
questão temporal.
Depois de o novo pacto ter sido ratificado, Moisés construiu um
altar de adoração, novamente ofereceu animais sacrificados, lendo o Li-
vro da Aliança para o povo, ouvi-os jurar obediência a Deus e aspergiu
sobre eles o “sangue da aliança” para confirmar seu compromisso (Êx
24.1-8). As pessoas foram então instruídas a trazerem ofertas a Deus em
um novo santuário — o tabernáculo — que deveria ser construído por
˂˂˂ 13

eles (Êx 25.1-9). Isto sugere que um lugar de adoração não era apenas
importante para Deus, mas também necessário para Israel.
Coube ao rei Davi a tarefa de organizar a nação em uma comuni-
dade de adoração. Seu primeiro ato foi trazer de volta a Jerusalém a arca
da aliança, esquecida há muito tempo. A arca simbolizava a presença de
Deus no lugar onde a nova monarquia havia se estabelecido (2Sm 6).
Uma vez que Jerusalém se tornou o centro nacional de adoração,
Davi começou a planejar um maravilhoso templo onde as pessoas po-
deriam oferecer sua adoração a Deus (2Sm 7). Como nunca obteve per-
missão para construí-lo, Davi organizou os sacerdotes e os levitas como
ministros da adoração no templo e os apontou como porteiros, músicos
e oficiais (1Cr 23-26). Estas mudanças mostraram que a adoração exige
a liderança de pessoas específicas para conduzirem o trabalho.
Porém a maior contribuição de Davi para a adoração do povo
de Israel foram os salmos. Davi escreveu a maioria deles, inspirado ou
comissionado a fazê-lo, O cântico dos Salmos, em conjunto com o sacri-
fício de animais, tornou-se a espinha dorsal da adoração israelita.
Os salmos — poesia hebraica musicada — estão baseados nos
temas que foram cruciais para a religião judaica: os poderosos feitos de
Deus (Salmos 78, 105 e 106); a realeza de Deus (Sl 93, 95, 97 e 99); a cria-
ção (Sl 8, 19 e 33); louvor e ações de graças (Sl 30, 100 e 103); confiança
(Sl 23, 27 e 46); sabedoria (Sl 1, 41 e 49), lamento e tristeza (Sl 42, 43, 69 e
80) e os reis de Israel (Sl 2, 45 e 72).
Deus, no entanto, não estava sempre contente com a adoração de
Israel. Os profetas se levantavam e corajosamente chamavam Israel ao
arrependimento todas as vezes que o povo oferecia sacrifícios públicos
a Deus e, ao mesmo tempo, tentava esconder seus pecados secretos. A
adoração ao Santo de Israel não podia estar separada da moralidade. A
mensagem divina de Isaías é dolorosamente clara:
Liturgia e Adoração

De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios?,


diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da
gordura de animais cevados, e não me agrado do sangue de
novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes
para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pi-
sardes os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs;
o incenso é para mim abominação, e também as luas novas,
14 ˃˃˃

os sábados, e a convocação das congregações; não posso


suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene. As
vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as
aborrece; já me são pesadas: estou cansado de as sofrer. Pelo
que, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os
meus olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, as
ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-
-vos, purificai-vos, tirai a malda-de de vossos atos de diante
de meus olhos: cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o
bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o
direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas (Is 1. 11—17).

Amós usou palavras semelhantes em nome de Deus:

Aborreço, desprezo as vossas festas, e com as vossas assem-


bléias solenes não tenho nenhum prazer. E, ainda que me
ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me
agradarei deles, nem atentarei para as ofertas pacificas de
vossos animais cevados. Afasta de mim o estrépito dos teus
cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras. An-
tes corra o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro
perene (Am 5. 21-24).
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Como se pode ver, a adoração no Israel antigo não era estáti¬ca.


Ela começou nos altares primitivos e sacrifícios voluntários de Abraão
e seu povo, passou pelas festas e a Páscoa prescritas por Moisés e che-
gou à elaboração iniciada no tabernáculo e concluída na organi¬zação
do programa musical feito por Davi. Contudo, houve uma mudança
derradeira, ocorrida no momento em que a nação sofreu o julgamento
divino por sua idolatria e desobediência.

• Atos de Culto no Antigo Testamento

À luz do Antigo Testamento, especificamente no livro de Levíti-


co, pode-se observar quanto aos atos do culto que:

▪ Ensino de como um povo imperfeito pode ser recebido


por Àquele que e infinitamente Santo.

Isto acontecia através da expiação, que seria realizada por meio


˂˂˂ 15

do sangue dos sacrifícios. Estes sacrifícios, além de conterem essa ideia


fundamental de expiação, trazem em si outros aspectos do relaciona-
mento com Deus. São assim distribuídos:
- Os holocaustos, onde havia também o pensamento de dedica-
ção completa da vida ao Senhor, cap. 1;
- As ofertas de manjares, que eram ações de graças, cap. 2;
- Os sacrifícios pacíficos, que falavam da comunhão entre o ado-
rador e Deus, cap. 3;
- Os sacrifícios pelos pecados, que falavam da confissão, resti-
tuição, perdão e expiação, caps. 4 a 6. 7;
- Diversas leis sobre estes sacrifícios caps 6, 8 e 7.

O pecador não poderia oferecer os sacrifícios por si mesmo. Pre-


cisaria haver um sacerdote que fosse representante credenciado por Jeo-
vá e fosse por Ele ungido especialmente para a realização da expiação
em Seu nome. Era também o representante credenciado e ungido para
o desempenho dos outros atos do culto. Era o mediador entre Deus e a
nação (caps. 8 a 10).

▪ Ensino de como continuar vivendo santamente com o


Deus perfeito, o que era possível somente se houvesse a disposição de
viver segundo os preceitos do Senhor.

Estes preceitos não eram arbitrários. Era a expressão da natureza


santa do Pai. Por isso precisava haver:
- Cuidados pessoais com relação:
Aos alimentos
À higiene intima
À saúde
- Purificação espiritual periódica, que era realizada especial-
mente no Dia da Expiação. Nesse dia fazia-se confissão nacional dos
Liturgia e Adoração

erros do povo e se obtinha o perdão divino;


- A matança de animais seria de acordo com princípios estabe-
lecidos e deveria haver abstenção de se alimentar com sangue desses
animais;
- As relações familiares teriam de ser corretas;
16 ˃˃˃

- Necessidade de santidade nos outros aspectos da vida: balan-


ças justas, justiça no trato com escravos e estrangeiros, dizer somente a
verdade, e outras...
- Contato constante com Deus. Para isto seriam separados dias,
semanas e anos, em que o tempo seria dedicado ao Senhor e, em alguns
desses períodos, não se poderiam fazer quaisquer outras coisas a não
ser atos de comunhão com Deus e sua adoração;
Conclusão: promessas, castigos, votos.

SISTEMA SACRIFICIAL – LEVÍTICO:

Nome Porção Outras Animais Ocasião ou Referência


Queimada Porções Motivo

Holocausto tudo nenhuma Macho sem Propiciação Levítico


defeito; pelo pecado 1
animal em geral em
segundo as demonstração
posses de dedicação
Oferta de Porção Comida Bolos asmos Gratidão pelo Levítico
Manjares simbólica pelo ou cereais; começo das 2
sacerdote devia conter colheitas
sal
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Sacrifício gordura Partilhadas Macho ou Comunhão: Levítico


Pacífico: em uma femea sem a) por uma bên- 3
a) gratidão refeição defeito ção inesperada Levítico
b) cumpri- de confra- segundo b) por livramen- 22. 18-30
mento de ternização as posses; to quando era
voto pelo sacer- voluntária: feito um voto
c) voluntá- dote e pelo pequenos c) por gratidão
ria ofertante defeitos
eram
permitidos
Oferta pelo gordura Comidas Sacerdote Aplicava-se Levítico
pecado pelo sacer- ou con- basicamente à 4
dote gregação: situação em que
novilho; era necessária
rei: bode; uma purificação
individual:
cabra
Oferta pela gordu- Comidas Carneiro Aplicava-se à Levítico
Culpa ra pelo sacer- sem defeito situação em 5 – 6. 7
dote que havia uma
profanação de
coisa santa ou
onde havia uma
culpa objetiva
˂˂˂ 17

Para refletir...

Finalidades Básicas do Louvor no Templo

Texto: 1Cr 25.1-8


- Profética (v. 1)
Edificar, encorajar, fortalecer, consolar em meio às tribulações
(1Cr 14. 3)
- Render Graças ao Senhor (v. 3)
Reconhecimento do seu poder, pessoa e propósito.
- Evidenciar o Princípio da Autoridade (v.6)
Submissão, organização, prestação de contas, responsabilidades,
tarefas.
- Evidenciar o Princípio: o Melhor para Deus
Preparo, investimento, ensino

Tais princípios proporcionarão RENOVAÇÃO de pessoas, DI-


NÂMICA no estilo de músicas e expressões, COMUNIDADE na quali-
dade e EXCELÊNCLA em todas as coisas.

• Estudo dos Salmos

NOME: “Salmo” = composição musicada


Hebraico: SEFER TEHILIM = Livro de Louvores
AUTORES: Davi (37)
Asafe (12)
Filhos de Coré (12)
Salomão (12
Hemã (1)
Etã (1)
Liturgia e Adoração

Moisés (1)
Anônimos (48)
DATA: 1500 A.C. até Esdras (?) 450 A.C.
18 ˃˃˃

VERSÍCULOS CHAVES:
19. 14 –
145. 21 -
92. 2 –
118. 8 – o verso do meio da Bíblia

TEMA:
As respostas do povo de Deus às bênçãos e provações: ADORAÇÃO

PROPÓSITO:
Escritos para motivar e levar o povo de Deus (individualmente ou como
congregação) a louvar e adorar a Deus como resposta natural e necessá-
ria às bênçãos e provações.
ESBOÇO

5 “livros”
I. (1-41) Cânticos de Davi
II. (42-72) Grupo Devocional
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III. (73-89) Grupo litúrgico


IV. (90-106) Grupo Anônimo
V. (107-150) Salmos escritos mais tarde

Cada Grupo termina com uma doxologia.


Outras formas de organizar os Salmos:

Livro I II III IV V
Autor Prin- Davi Davi Asafe Anônimo Davi
cipal Coré Anônimo
Nº de Sal- 41 (1-41) 31 (42-72) 17 (73-89) 17(90-106) 44(107-150)
mos
C o n t e ú d o Hinos de Hinos de In- Hinos de In- Hinos de Hinos de
Básico Louvor teresse Nac. teresse Nac. Louvor Louvor

Semelhança Gn: Ex: salvação Lv: Ado- Nm: Deser- Dt: A


com o Pen- o ser huma- Redenção ração e to e Jorna- Palavra e
tateuco no e criação Templo das Adoração

Doxologia 41. 13 72. 18, 19 89. 52 106. 48 150. 1-6


˂˂˂ 19

Fatos Interessantes:

Os Salmos foram os cânticos de Israel; então o livro foi o hinário


da nação ou, por extensão, são a expressão das emoções e das experiên-
cias do povo de Deus hoje.
“Sem dúvida, é o livro mais conhecido e usado da literatura
mundial de todos os tempos”.
São mencionados 90x no NT, mais do que qualquer outro livro.
Salmos interessantes:
- Salmos acrósticos: 9; 10; 25; 34; 111; 112; 119; 145.
- Sl 136 - todos os seus 26 versículos terminam com as mesmas
palavras: “porque a sua misericórdia dura para sempre”.
- Salmos Cristológicos (com diferenças de interpretação): 2, 8, 9,
16, 22, 24 31, 41, 45, 46, 67, 69, 72, 89, 93, 110, 118, 132.
- Salmos “Aleluia”: (começam ou terminam com a frase “louvai
ao Senhor” e/ou a palavra “aleluia.”
21 salmos se referem à história de Israel (Êxodo até retorno).
Salmos bem conhecidos: 1, 22, 23, 24, 37, 72, 100, 101, 119, 121,
150.
Os salmos apresentam o Messias de maneira semelhante aos
evangelistas:
- Rei (Mateus): 2,18, 20, 21, 24, 47, 110, 132.
- Servo (Marcos): 17, 22, 23, 40, 41, 69, 109.
- Filho do Homem (Lucas): 8, 16, 40.
- Filho de Deus (João): 19, 102, 118.

Pontos Notáveis:

A palavra “Selá” significa uma pausa musical. Também marca o


estribilho do hino.
Várias pessoas já notaram uma semelhança possível entre os 5
Liturgia e Adoração

livros dos Salmos e o Pentateuco (ver quadro).


Pelo menos 3 homens se envolveram na coleção dos Salmos: Davi (1Cr
15. 16); Ezequias (2Cr 29. 30; Pv 25. 1); Esdras (Ne 8).
Os editores aumentaram os títulos de 116 salmos. No texto he-
braico, os títulos são numerados com os demais versículos do salmo. Os
20 ˃˃˃

títulos identificam os salmos segundo a situação histórica, acompanha-


mento musical e/ou tipo do salmo.
Outros Salmos do AT: Ex 15; Dt 32; Jz 5; 1Sm 2; 2Sm 22 (Sl 18); Jó
3, 7, 10; Is 12. 38; Lm 3, Jn 2.
O Salmo 150 dá a doxologia para o livro V e para o Livro Inteiro.
Interpretação:
- Se o título dá a situação histórica, este fato deve ser considera-
do na interpretação. De outra forma há pouca chance de recriar
a situação.
- Tentar classificar o salmo segundo as formas já conhecidas (es-
trutura, tema, tipo,...) sem forçá-lo a se enquadrar numa forma.
- Identificar as figuras de linguagem, tipos de paralelismo, e
explicar o significado.
- Dividir o salmo em partes (esboçar o salmo).
- Formular uma sentença que dê a mensagem do salmo.
- Aplicar as verdades eternas/principais à sua vida pessoal.

▪ Tipos de Salmos
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Conforme 1Cr 16. 4, Há grandes diferenças entre comentaristas quanto


a tipos, estrutura, identificação dos salmos.
- Tipos Básicos
▐ Lamentação
- Nacional
- Individual
▐ Gratidão (louvor declarativo)
- Nacional
- Individual
▐ Louvor Descritivo
- Nacional
- Individual
- Outros tipos citados
* Trono * Peregrinação * Realeza
* Sabedoria/Didático (lei, profecia, liturgia)
* História * Criação * Confissão
* Súplica * Imprecação * Messiânica
˂˂˂ 21

- Salmos de lamentação, embora contenham reclamações, resol-


vem a dúvida do autor e terminam com louvor e fé.
- Salmos de Imprecação (7, 35, 40, 55, 58, 59, 69, 79, 109, 137, 139,
144) procuram justiça divina, não necessariamente vingança humana, e
têm a glória ou o caráter de Deus como foco.

• A Poesia na Bíblia

Ela parece ser um modo difuso e estranho de expressar as coisas,


como se fosse tornar as ideias menos inteligíveis. Pouca ênfase é dada
à poesia, exceto nas canções populares. Na antiguidade porém ela era
de grande valor. História era contada poeticamente (por exemplo: Os
Lusíadas).
Uma vantagem era que ela podia ser facilmente memorizada,
pelo seu ritmo, estrutura, organização. Uma vez aprendida dificilmente
seria esquecida.
A poesia em Israel era meio mais comum para o aprendizado,
principalmente de assuntos importantes. A poesia era reproduzida fa-
cilmente, e tendo em vista a inexistência de livros, ler e escrever não
eram coisas comuns. Assim a poesia ajudava a guardar na mente as
verdades eternas de Deus. Um ditado, um enigma, uma ação de graças,
uma oração.

▪ A poesia hebraica

Livro de salmos são poemas musicais.


A poesia hebraica é dirigida à mente através do coração. Ela usa
linguagem emotiva. Assim não é preciso procurar significados em toda
palavra O constante uso de paralelismos estão reforçando ou amplian-
do uma ideia (19. 1).
Liturgia e Adoração

Exige não somente uma compreensão proposicional como tam-


bém emocional, O uso de figuras de linguagem é fundamental para este
aspecto (hipérbole 51. 5); palavras com uso metafórico (59. 7).
A poesia hebraica é marcada não pela métrica e sim por sons,
ruído e paralelismos que repetiam, reforçam ou ampliam uma ideia (26.
22 ˃˃˃

6; 27. 1; 103. 10).


Os salmos são de tipos diferentes (lamentação ou ação de gra-
ças).
Tem diferente estruturas. Pode-se reconhecer quando o salmista
está passando de uma parte para outra, que ênfase está dando.
Tem diferentes funções na vida do povo de Israel.
Eles sempre deveriam ser lidos como unidade literária, e não
somente pedaços mais interessantes. Um versículo de Salmos fora de
seu contexto perde seu objetivo (105. 34 com 85. 12)

▪ O uso dos salmos

Eram cânticos compostos para serem usados no culto. Eram fun-


cionais porque não se prestavam apenas para preparar as pessoas, ou
ser transição entre uma a parte e outra do culto, ou para preencher va-
zios, como acontece com os hinos hoje, para o sermão, mas desempe-
nhavam papel fundamental na adoração.
Seu valor é instrutivo, falam ao coração, em qualquer tempo, lu-
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gar e circunstância. Eram de grande valor para o povo de Israel. Pelo


NT se percebe que os judeus en geral, Jesus e os apóstolos os conheciam
bem. Os Salmos faziam parte do culto. Paulo instrui aos cristãos a se
encorajarem uns aos outros com salmos e cânticos... (Ef 5. 19, Cl 3. 16).

▪ Salmos imprecatorios

Parecem trazer um problema para os princípios neo-testamentá-


rios. Toda Escritura é inspirada e proveitosa
Nos Salmos fica exposta toda gama de emoções que o indivíduo
sente e experimenta: Tristeza, alegria, euforia (69. 7-20; 88. 3-9). Elas não
são pecaminosas em si. A ira pode levar ao pecado, vingança, ao ódio a
amargura.
Estes Salmos ajudam a canalizar emoções para Deus e através
d’Ele verbalmente, ao invés de ir contra a pessoa, seja verbal ou fisica-
mente. É apelar para o que diz a lei de Deus (Dt 32. 35, 25; 28. 53-57).
É inútil e desonesto negar estes sentimentos. Estes Salmos aju-
dam a expressá-la diante de Deus (7; 35; 58; 59; 69;79; 109; 137; 139). Tais
˂˂˂ 23

formas de expressão nos mantém longe de pecar.


Não contradiz o ensino sobre amor do NT, pois ele ensina a pra-
ticar amor e não a sentir amor. E esperar pela justiça de Deus, e não se
vingar, por piores que sejam os sentimentos e razões. É preciso expres-
sar tudo o que se esta sentindo diante de Deus e deixar que exerça a sua
justiça. Estes Salmos ilustram o que Romanos ensina em 12. 20-21.

▪ Estes salmos têm os seguintes propósitos:

- Demonstrar o justo e reto juízo de Deus contra os ímpios (58.


11);
- Demonstrar a autoridade de Deus sobre os ímpios (59. 13);
- Levar o ímpio a buscar ao Senhor (83. 13);
- Fazer com que os justos louvem a Deus (7. 17).

• Benefícios do Livro de Salmos

▪ Orientaçao para a adoraçao

Facilita, orienta, ajuda a expressar pensamentos e sentimentos na


adoração.

▪ Importância de um relacionamento honesto com Deus

É o que está demonstrado pelo exemplo do livro. Sinceridade,


liberdade, transparência diante de Deus. Motivações, atitudes, pensa-
mentos, sentimentos, emoções, ações, palavras, nada está encoberto
para Deus. Seja alegria ou o ódio, prazer ou obrigação.
É um convite à oração e à contemplação das obras de Deus e
sobre nós mesmos. Nos elevam a uma comunhão íntima, captar sua
Liturgia e Adoração

grandeza, e viver com Ele num relacionamento estreito, próximo. Mes-


mo que nossas vidas estejam sombrias (130. 1) esperamos pelo seu livra-
mento, aguardamos, pois sabemos que podemos confiar n’Ele a despei-
to de nossos sentimentos. Clamar a Deus, pedindo socorro, não é mal
juízo da Sua fidelidade mas a afirmação dela.
24 ˃˃˃

▪ Demonstram que a vida não é isenta de problemas

Davi enfrentou tragédias, problemas, perseguições. Paulo, Pe-


dro, os cristãos sofriam (Hb 11). Mesmo assim podiam louvar, agrade-
cer, bendizer e se alegar com Deus (Ef 1. 16; 5. 20). Esta vida não oferece
isenção de problemas.

• Deus Merece o Louvor pela sua Grandeza e Bondade a


Despeito de Nossa Desgraça, e em Meio a Ela.

AT NT
TEMPO Dias designados Qualquer dia

TEMPLO Local específico Qualquer lugar

POVO Israel Quaisquer povos

LIDERANÇA Sacerdotes e levitas Qualquer pessoa


Contraste entre o Culto do AT e do NT

Na Antiga Aliança o culto era racialmente focalizado no judeu,


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geograficamente em Israel (Jerusalém), temporalmente no sábado e me-


diatoriamente no sacerdote. Você verificará na próxima seção que no
Novo Testamento ele é descrito de forma descentralizada.

• Mudanças nas Práticas de Adoração do Período Intertes-


tamentário

Israel foi feito prisioneiro da Babilônia em 587 a.C. Os conquis-


tadores destruíram a cidade de Jerusalém e o templo construído por
Salomão. Aqueles que sobreviveram ao ataque babilônico tinham duas
opções: ficar em sua terra, agora completamente desolada por causa do
cerco, ou irem para a Babilônia como escravos.
Apesar de alguns dos exilados terem retornado a Jerusalém após
mais de cinquenta anos para reconstruir seus muros e o templo, a ado-
ração sofreu mudanças drásticas. Os sacrifícios e a música deram lugar
à leitura da Toráh, à oração e à leitura dos salmos. O significado da ado-
˂˂˂ 25

ração agora estava fundamentado na obediência à Toráh. Israel apren-


dera sua lição, talvez até bem demais.
O povo concluiu que, uma vez que a quebra da lei havia trazido
o julgamento divino, a forma de evitar novamente a ira de Deus seria
enaltecer a lei e lutar para cumpri-la em todos os aspectos possíveis.
Infelizmente essa conclusão eliminou a importância que o sistema sa-
crificial e a organização musical tiveram durante tanto tempo dentro da
adoração.
A sinagoga tornou-se o centro de adoração depois do exílio de
Israel. Toda comunidade que tivesse pelo menos dez homens judeus
poderia ter uma sinagoga.
O louvor marcava o início dos trabalhos religiosos na sinagoga.
Em seguida, vinham as orações e a declamação do Shemá: “Ouve, Israel,
o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6. 4). Depois dessas orações
fazia-se a leitura das Escrituras Hebraicas, seguida de um sermão base-
ado em uma ou mais das passagens lidas. O culto na sinagoga serviu
efetivamente como ponte entre a adoração hebraica e a cristã.

EXERCÍCIOS

1. Explique o processo de adoração na Bíblia


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______________________________________________________________
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2. Fale sobre a adoração em Israel antigo
______________________________________________________________
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______________________________________________________________
Liturgia e Adoração

3. Comente sobre o culto na antiga aliança


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26 ˃˃˃

4. O que aconteceu com a sinagoga depois do exílio de Israel?


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______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________

SEÇÃO 3 - LITURGIA E ADORAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO

• Formas de Culto no Novo Testamento.

Apesar de não encontrar uma ordem específica de culto do Novo


Testamento, observa-se o destaque de alguns elementos que foram im-
portantes para os primeiros cristãos. Esses discípulos adoravam por
meio da oração (At 2. 42), do canto (Cl 3. 16), da leitura, da pregação e
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do ensino das Escrituras (1Tm 4. 13), das ofertas (1Co 16. 2) e da celebra-
ção da ceia do Senhor (1Co 11. 17-34). Podem-se destacar cinco pontos
importantes com base na consideração dessas práticas de culto.
O primeiro ponto é que o propósito da adoração era glorificar a
Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo. Não havia maior motivação para os
cristãos primitivos no momento em que se reuniam. Seu único desejo
era exaltar a Deus, ou seja, celebrar a dignidade suprema de Deus reve-
lada em Jesus Cristo.
Em segundo lugar, vemos que todas as manifestações de adora-
ção citadas antes tinham Cristo como o centro, seja na oração em nome
de Jesus, nos cânticos que destacavam o advento do Messias, na pre-
gação e no ensino sobre o Senhor da glória, inclusive relembrando seu
sofrimento pela celebração da Ceia.
A terceira questão é que o Espírito Santo inspirava cada uma
das práticas encontradas no culto do primeiro século de nossa era. O pa-
rakletos (conselheiro, advogado, aquele que veio para ajudar - Jo 14. 16,
26) era quem dava poder às orações dos cristãos, enlevava seu cântico,
animava sua pregação e dava clareza a seu ensino.
˂˂˂ 27

Como quarto ponto, vemos que o resultado da adoração era a


edificação da igreja, o povo de Deus. Ë possível ver isso na igreja de
Jerusalém, onde as pessoas “perseveravam na doutrina dos apóstolos e
na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2. 42). Também é pos-
sível atestar isso na igreja de Éfeso, onde os cristãos estavam “falando
entre vós com salmos, hinos e cânticos espirituais” (Ef 5. 19). A adora-
ção neo-testamentária era um alimento básico que nutria a comunhão
dos cristãos.
Finalmente, vemos que a participação da congregação era evi-
dente nessas práticas de culto. Todo o povo de Deus era admoestado
a orar, cantar, dar, falar uns com os outros e tomar parte na Ceia do
Senhor. Ainda não havia surgido a distinção artificial entre o clero e os
leigos que, afinal, separou os ministros e os sacerdotes dos membros
“comuns” da igreja. Todos os cristãos eram considerados laos, o povo
de Deus; portanto todo aquele que vinha adorar participava ativamen-
te. Usando um jargão esportivo, não havia reservas: todos faziam parte
do time titular.
Fica claro que tanto Israel quanto a Igreja consideravam prioritá-
ria a adoração ao Deus Todo-Poderoso. Não importava se a admoesta-
ção era “entrai por suas portas com ações de graça, e nos seus átrios com
hinos de louvor” (Sl 100. 4) ou “não deixemos de congregar-nos, como
é costume de alguns” (Hb 10. 25). O Espírito de Deus sempre chamou o
povo de Deus a render-lhe altos louvores, seus mais sinceros sacrifícios
e, na realidade, a própria vida. Desse modo, vemos a revelação do cerne
da adoração cristã: pessoas redimidas respondendo alegremente a um
Deus gracioso.

• Jesus e a Adoração

A mais elevada meta da adoração, segundo o ensinamento de Je-


Liturgia e Adoração

sus, é “... Cristo em vós...”, “porquanto nele habita corporalmente toda


a plenitude da Divindade. Também nele estais aperfeiçoados. Ele é o
cabeça de todo principado e potestade” (Cl 1. 27; 2. 9, 10).
Na adoração, abrimos a porta para Jesus (Ap 3. 20) e o convida-
mos a morar conosco, e a comunicar-nos sua plenitude. Em retribui-
28 ˃˃˃

ção, nós também lhe oferecemos tudo que somos. Não pode haver meta
mais elevada para o adorador do que buscar essa união e comunhão
com o Senhor. Jesus deu o exemplo em seu relacionamento com o Pai, e
o ensinou a seus discípulos tanto em palavra como por atos.
A adoração não é apenas uma mera prática domingueira; é bem
mais que isso. É uma comunhão diária com Jesus.

▪ Jesus e a mulher samaritana - Jo 4. 7-30

Os Samaritanos eram descendentes de colonos gentios que os


reis assírios haviam enviado para a Palestina depois da queda de Sama-
ria em 721 a.C.. Eram desprezados pelos judeus por causa do sangue
meio-gentio e por sua religião paralela, centralizada no monte Gerizim.

▪ O Local (V. 20, 21) - O Templo Sacralizado

Duas palavras gregas que ajudam a entender onde fica o verda-


deiro local de Adoração:
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- HIERÓN – “Templo” – aparece 71 vezes – At 17. 24 – terreno


sagrado, edifício inteiro
- NAÓS – Templo, Santuário – Santo Lugar e o Santo dos Santos
– metaforicamente, uma companhia de cristãos, uma igreja cristã, como
habitada pelo Espírito de Deus (1Co 3. 16; 6.19; 2Co 6.16; Ef 2. 21).

▪ Nós somos o Santuário de Deus

Existem Edifícios no NT? – Ef 2. 20-22; 1Pe 2. 4-10; Hb 10. 19-23 –


Edifício espiritual

▪ A Adoração que Deus quer (v. 23, 24)

OS VERDADEIROS ADORADORES ADORAM


EM ESPÍRITO E EM VERDADE

Segundo Pereira, Jesus ensinou à samaritana que quem conhece


Deus de fato, só pode adorá-Lo em espírito e em verdade. Estudiosos
˂˂˂ 29

da Bíblia têm dado diversas interpretações para a expressão “em espí-


rito e em verdade” de João 4. 23, 24. Parece razoável entender que ao
estabelecer o modo correto de adorar a Deus, isto é, em espírito e em
verdade, Jesus estava criticando o culto judaico e o culto samaritano.
Os samaritanos acreditavam que adoravam o mesmo Deus dos
judeus, mas não aceitavam as mesmas Escrituras dos judeus, a não ser
os cinco primeiros livros, o Pentateuco de Moisés. Como não aceitavam
os demais livros da revelação divina (por acharem que eram invenções
dos judeus), o culto dos samaritanos era defeituoso. Por isso Jesus disse
à mulher: “Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhe-
cemos, porque a salvação vem dos judeus” (v22). Os samaritanos ado-
ravam “em espírito”, isto é, adoravam aquele que eles não conheciam
“com alegria e verdadeiro entusiasmo”. Mas e daí? Não adoravam “em
verdade” porque rejeitavam 34 livros do Velho Testamento, a Bíblia de
então. A revelação de Deus nas Escrituras é progressiva; portanto, é
impossível conhecê-LO verdadeiramente ficando apenas com os cinco
primeiros livros da Bíblia. Por outro lado, os judeus aceitavam toda Es-
critura. Por isso conheciam Deus e tinham tudo para adorá-LO corre-
tamente. “Tinham tudo”, mas não o faziam. Os judeus se limitavam à
formalidade de um culto onde o espírito não estava presente. Faltavam
emoção, vida e alegria no culto judaico.
Contudo, uma perspectiva estava surgindo para a adoração.
Logo, logo tanto judeus como samaritanos compreenderiam que para
adorar a Deus o que menos importava era o espaço físico. O que conta
“não é onde se deve adorar, mas a atitude do coração e da mente, e a
obediência à verdade de Deus quanto ao objeto e o método de adoração.
Não é o onde, mas o como e o quê o que realmente importa”. Deus quer
homens e mulheres que O adorem com o espírito dos samaritanos e a
verdade dos judeus (PEREIRA, acesso em 25/02/12).
Veja agora, algumas considerações sobre adoração em espírito e
em verdade, segundo Valdir Alves:
Liturgia e Adoração

- Mas importa que os que o adoram o adorem em espírito e em


verdade, então passa a ser uma exigência divina de como ado-
rar (Jo 4. 23).
- O Pai procura a tais que assim o adorem, se Ele procura é
porque tem; se não tem; vai aparecer; se está em escassez vai
30 ˃˃˃

aumentar. Se você ainda não é, passe a ser.


- Mas vem à hora, e já chegou, não perca tempo é agora, comece
hoje a adorá-lo. Só depende de você.
- A questão não está no lugar ambiente ou geograficamente,
mas no coração do adorador (Jo 4. 21).
- A questão não está somente na adoração, mas no conhecer a
quem adora (Jo 4. 22). Ter experiência, comunhão e intimidade
com Ele.
- Nós gostamos das coisas, nós amamos as pessoas (Mc 12. 31),
nós adoramos a Deus (Mt 4. 10).

• Não se Adora a Deus, na Força da Carne, mas no Espírito

- Adorar não é o que expressa no exterior nem o que se apre-


senta em forma de coreografia ou expressão corporal, mas na
essência que parte da alma.
- Adorar não é tirar os pés do chão, gritar, assoviar ou dançar,
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não é apresentar show nem espetáculo.


- Adorar não é bater palmas para Jesus ou aplaudi-lo.
- Adorar não é só montar uma programação perfeita e uma li-
turgia impecável.
- Adorar não é ser um bom pregador ou ter uma boa oratória
reconhecida por todos.
- Adorar não é ser o melhor tocador ou cantor para receber elo-
gios e aplausos por todos.
- Adorar não é mostrar ser super espiritual, ou super eficiente
naquilo que faz.
- Adorar em espírito é ter o coração quebrantado e contrito
diante de Deus. Pois um coração quebrantado e contrito Deus
não desprezará (Sl 51. 17).
- Deus é Espírito, não um ser físico limitado à presença física,
pois precisaria andar por todas as igrejas numa noite de culto, o
que seria impossível, mas como Espírito Ele está aqui, sinta Ele
aqui, como está também em todas as igrejas do planeta terra.
˂˂˂ 31

• Não se Adora a Deus com Mentiras, Mas em Verdade

- Adorar em sinceridade de coração, autenticidade e não só de


lábios, da boca prá fora, pois em vão adora o Senhor os que as-
sim procedem (Mt 15. 9).
- Tirar a máscara daquilo que oculta a nossa verdadeira situa-
ção diante de Deus. A nossa adoração de fachada não move o
coração de Deus.
- Estar alicerçado na Palavra, princípios e leis espirituais, e não
em doutrinas que são preceitos de homens (Mt 15. 8-9).
- Fazer tudo em nome do Senhor Jesus; dando a Ele a honra e
gloria devida, e não aceitando para nós mesmos.
- Não oferecer aquilo que não tem valor ou que não custe nada,
que não tem preço a pagar, não entregar o resto nem coisa es-
tragada, Deus não se deixa enganar (2Sm 24. 24; Ml 1. 7-8).
- Significa prestar atenção na letra do que canta e viver, pois
tem muita gente que não vive o seu cântico.

Adorar a Deus, além de uma vida de obediência e submissão, é


também oferecer algo que mexe com o coração de Deus, sem mistura,
contaminação, nem para aparecer e receber a glória e os aplausos dos
humanos. A adoração deverá ser exclusiva e total, nunca dividida ou
parcial.
O cântico quando é de verdadeiro adorador tem força de abrir
prisões (At 16. 25). A música quando é de verdadeiro adorador tem
força de expulsar espíritos maus (1Sm 16. 14-23), (ALVES, acesso em
21/02/12).

SAIBA MAIS:
“Louvor e Adoração na Pós-Modernidade”
“Os verdadeiros adoradores adorarão em Espírito e em Verda-
Liturgia e Adoração

de.”

Entre as referências de pensamentos que vigoram na atualidade


destaca-se a pós-modernidade. Este conceito não define um período da
história, mas sim um modo de pensar que recusa os pressupostos da
32 ˃˃˃

modernidade, como por exemplo, o pessimismo acentuado do para-


digma otimista que prometia, entre muitas coisas, a independência do
indivíduo em relação ao universo místico e à solução dos problemas
humanos com o desenvolvimento científico.
A crise intelectual tem produzido profundas mudanças no cená-
rio mundial, instituições e ideologias solidamente construídas são des-
construídas. O Cristianismo não está isento deste processo. Percebe-se
que os elementos que compõem a fé e o culto cristão sofreram e/ou
sofrem consideráveis modificações.
A explicação é simples: o mundo em que o cristianismo habita
não é o mesmo de algumas décadas ou séculos atrás. Isto não deve as-
sustar os que confessam a fé cristã, a história da Igreja está repleta de
adaptações culturais que se tornaram necessárias para sua sobrevivên-
cia.
Você deve estar se perguntando: e o que isto tem a ver com lou-
vor, adoração e o texto que pauta esta reflexão?
Calma...! O pensamento pós-moderno, salvo exceções, pode
apontar caminhos para uma nova atitude em relação ao relacionamento
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com Deus.
Portanto, o texto do Evangelho Segundo João capítulo quatro,
traz excelentes pistas para refletir sobre o louvor e a adoração em um
mundo marcado pela ruptura de padrões de pensamento, entre elas
destacam-se pelo menos três:
- A desconstrução da ideia de que o louvor e a adoração obede-
cem a “espaços sagrados” monopolizadores.
- A descontinuidade da ideia de que o louvor e a adoração são
exclusividades de pessoas com capacidades extraordinárias.
- A fragmentação do pensamento míope de que o louvor e a
adoração obedecem a métodos pré-determinados que resultas-
sem em eficácia garantida - “produtividade”.
Em primeiro lugar entende-se que não existem lugares espe-
cíficos para o louvor e adoração. Todos os lugares são perfeitamente
aceitáveis para um relacionamento criativo com Deus, basta conferir os
textos dos evangelhos que apresentam Jesus em espaços considerados
“inapropriados”, como por exemplo, a casa de Publicanos.
A dependência de espaços “santos” para relacionamento com o
˂˂˂ 33

eterno conduz a uma dicotomia entre o “sagrado” e o “profano”.


Sendo que a supervalorização de “lugares adequados” conduz
a uma segunda questão não menos importante, a supervalorização de
pessoas com qualidades extraordinárias.
Os ensinamentos do Mestre apontam para uma questão parado-
xal, pessoas sem “selo de qualidade” também encontram oportunidade
para prestarem seu tributo a Deus.
Quem adorou a Deus na parábola do Bom Samaritano? O Sacer-
dote, o Levita ou o Samaritano? Não se está com isso menosprezando
a função, por exemplo, do ministro de louvor, apenas pensa-se que de-
vemos adorar e louvar a Deus nas múltiplas competências que possuí-
mos.
É possível louvar e adorar a Deus pintando quadros, dançando,
brincando, rindo, esculpindo.
Por último se propõe uma indagação: um método aparentemen-
te eficaz conduz a um resultado seguro? A modernidade provou que
não, pois a exploração da natureza e a customização de produtos até
o consumidor final têm produzido em tão pouco tempo a escassez dos
recursos que possibilitam a vida na terra.
O que a pós-modernidade tem a ensinar sobre a desconfiança
metodológica? Simples! Jesus apresenta algo que dificilmente se leva
em conta, que é: a maneira mais adequada para uma espiritualidade
plena é a humanização das ações.
Deus não se satisfaz com seres humanos agindo como máquinas
programadas para “adorá-lo” numa religiosidade que mais parece uma
linha de produção.
Acredita-se que adorar em “Espírito” e em “Verdade” tem a ver
com meditação e celebração; silencio e barulho; murmúrio e grito; felici-
dade e tristeza; sucesso e derrota; e sentimentos como estes não podem
ser “domesticados”.
Portanto a pós-modernidade convoca a entender que adoração
Liturgia e Adoração

tem a ver com o amor irrestrito que sentimos por Deus, enquanto o lou-
vor é a resposta que damos a este amor.
Institucionalizar, “mecanizar” o relacionamento com Deus é um
erro que muitos “religiosos” cometem e que traz grande insatisfação
para ambas as partes.
34 ˃˃˃

Disponível em: http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/


louvor-e-adoracao-na-pos-modernidade, Acesso em 12/03/12.

EXERCÍCIOS

1. Fale sobre o culto no Novo Testamento


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2. O que é adorar a Deus?
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3. Onde adorar a Deus?
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4. Qual a melhor forma de adorar a Deus? Justifique
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SEÇÃO 4 - LITURGIA E ADORAÇÃO NA HISTÓRIA DA IGREJA

Há várias interpretações da liturgia na história da igreja. Até a


Reforma, somente a Igreja Católica estabeleceu o que era e como deve-
ria ser praticada a liturgia. Após a reforma com o advento de diversas
denominações, ficou difícil estabelecer um padrão do que seja a prática
litúrgica cristã. Por esta razão veremos de modo panorâmico a visão da
˂˂˂ 35

liturgia na história. Na Unidade 3 você conhecerá a teologia do culto


reformado que representa as novas tendências litúrgicas a partir da re-
forma. No final desta seção vamos pontuar algumas características do
culto/liturgia no Brasil.

• Reflexões à Luz das Escrituras e da História Cristã sobre


Liturgia e Culto

Neste tópico vamos utilizar o pensamento de Alderi Souza de


Matos. Segundo Matos, a palavra liturgia soa estranha aos ouvidos de
muitos evangélicos atuais, pois para eles, esse termo sugere um culto ex-
cessivamente formal, rígido e sem vida, mero tradicionalismo herdado
do passado. Daí a preferência em muitas igrejas por um estilo de ado-
ração mais espontâneo e participativo, sem fórmulas pré-estabelecidas.
No entanto, essa maneira de cultuar a Deus não está isenta de sérios
problemas nos dias de hoje. O culto contemporâneo tem se desviado a
tal ponto dos padrões bíblicos e históricos que muitos crentes estão co-
meçando a sentir a falta de uma liturgia mais reverente e disciplinada.
A experiência cristã ao longo dos séculos é rica de ensinamentos sobre
esse tema polêmico.

▪ Igreja Antiga e Medieval

Os primeiros cristãos eram judeus e por isso o culto da igreja


primitiva inspirou-se na liturgia das sinagogas. Nestas, após uma in-
vocação inicial, eram recitados o “Shema” (credo baseado em Dt 6. 4-9 e
outros textos) e o “Tephilah” (conjunto de orações). A seguir, eram lidas
passagens do Pentateuco e dos Profetas, seguindo-se uma exposição do
texto. Também eram cantados salmos, especialmente o “Hallel” (113-
118). Seguindo esse modelo, o culto cristão original foi extremamente
Liturgia e Adoração

simples, constando de orações, cânticos, leituras do Antigo Testamento


e das “memórias dos apóstolos”, exortações pelo dirigente, coletas em
prol dos carentes e celebração dos sacramentos, em especial a Ceia do
Senhor, ou Eucaristia.
O Novo Testamento não apresenta uma descrição detalhada do
36 ˃˃˃

culto (At 2. 42-47), mas os estudiosos acreditam ter identificado mate-


riais litúrgicos em diversas passagens. Um valioso relato do culto cris-
tão no segundo século é encontrado na “I Apologia”, de Justino Mártir
(c. 150). Nessa época, já haviam surgido fórmulas para certos elementos
da liturgia, como as belas orações eucarísticas existentes em um antigo
manual eclesiástico - a “Didaquê”. Com o passar do tempo, a liturgia
foi se tornando cada vez mais padronizada, sendo usada com peque-
nas variações em todas as igrejas. O culto tinha duas partes distintas: a
Liturgia da Palavra, aberta a todos, e a Liturgia do Cenáculo, somente
para os batizados.
Na Idade Média, o culto cristão tornou-se ritualístico e aparato-
so, perdendo a simplicidade original. Surgiram práticas desconhecidas
dos primeiros cristãos, como o uso de incenso, velas, orações pelos mor-
tos e invocação dos santos e de Maria. A língua utilizada era o latim e o
celebrante dava as costas para o povo, o que dificultava a comunicação
e a compreensão do culto. O impacto sensorial e emocional da missa
era profundo, sendo intensificado pela rica arquitetura e decoração dos
templos. No entanto, havia pouca instrução bíblica e limitada edifica-
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ção espiritual.

▪ Atuação dos Reformadores

As novas convicções teológicas introduzidas pela Reforma Pro-


testante resultaram em uma profunda reformulação do culto e sua res-
pectiva liturgia. O princípio da “sola Scriptura” fez com que a Bíblia
passasse a ocupar um lugar muito mais destacado do que antes. O novo
entendimento da salvação pela graça mediante a fé foi acompanhado
de uma reinterpretação do sacramento da Ceia, visto não mais como
um sacrifício oferecido pela igreja, mas como uma dádiva de Cristo ao
seu povo. Por fim, a ênfase no “sacerdócio de todos os crentes” im-
plicou maior participação dos fieis no culto a Deus. Agora, os pontos
focais da liturgia eram o púlpito e a mesa da comunhão.
Foi interessante e até mesmo surpreendente a atitude dos refor-
madores em relação à antiga tradição litúrgica da igreja. Levando-se
em conta as grandes rupturas que eles promoveram em relação à igreja
medieval, seria de se esperar que também descartassem por completo
˂˂˂ 37

a liturgia tradicional. Todavia, não foi o que fizeram. Os reformadores


sabiam que eram herdeiros de quinze séculos de história cristã. Essa
história não podia ser simplesmente esquecida como se não tivesse
ocorrido. Por isso, eles reconsideraram somente aquilo que entendiam
estar em conflito com as Escrituras, preservando tudo o que era bom e
válido na herança do passado.
Martinho Lutero inicialmente apenas revisou a missa latina, não
desejou “abolir completamente o serviço litúrgico de Deus”, e sim puri-
ficá-lo dos acréscimos indevidos. Mais tarde, elaborou a “Missa alemã”
(1526), na língua do povo, para ser utilizada principalmente em regiões
rurais. Ulrico Zuínglio (Zurique), Martin Butzer (Estrasburgo) e João
Calvino (Genebra) também escreveram ricas liturgias para suas respec-
tivas igrejas, nas quais a Ceia do Senhor ocupava um lugar proeminen-
te. Sua ênfase no canto congregacional resultou em diversos saltérios
- coleções de salmos metrificados e musicados. Na liturgia de Genebra,
Calvino buscou o equilíbrio entre orações extemporâneas e fórmulas
litúrgicas.

▪ Refletindo sobre o Culto

Por culto entende-se o ato público de adoração a Deus realizado


pela igreja. Como tal, tem um valor incalculável para os cristãos, sendo
a manifestação mais visível e concreta da comunidade cristã. Liturgia
vem do grego “leitourgia”, que significava o serviço público prestado
por um cidadão. Cristianizada, a palavra passou a expressar o serviço
espiritual a Deus e, mais especificamente, o conteúdo e a sequência das
partes do culto cristão, caracterizado por diferentes graus da formalida-
de.
Por que os cristãos antigos elaboraram liturgias padronizadas
para o culto? Em primeiro lugar, pela grande reverência que tinham
por essa atividade tão sublime e elevada da igreja. O culto a Deus tinha
Liturgia e Adoração

de ser harmonioso e ordeiro, e a liturgia servia a esses dois propósitos.


Não se podia permitir que o culto a Deus fosse improvisado ao bel-pra-
zer dos dirigentes. Outro motivo foi a preocupação com a unidade da
igreja. De que maneira a igreja poderia ter um senso de coesão se cada
comunidade cristã cultuasse a Deus de um modo diferente? O fato de
38 ˃˃˃

que todas as igrejas locais seguiam essencialmente os mesmos padrões


de culto contribuía para esse valioso senso de comunhão e fraternidade.
- Hoje, muitos evangélicos abandonaram por completo formas
litúrgicas de culto. Talvez isso fosse inevitável, por causa das
transformações do protestantismo e da sociedade. Todavia,
chegou-se a uma situação em que, em nome da liberdade e da
espontaneidade, o culto se desvirtuou em muitas igrejas, sen-
do marcado pela irreverência, superficialidade e preocupação
prioritária com as necessidades humanas, e não com a glória
de Deus. Com isso, muitos crentes estão buscando igrejas que
valorizam os padrões bíblicos do culto e seguem a recomenda-
ção paulina à igreja de Corinto: “Tudo, porém, seja feito com
decência e ordem” (1Co 14. 40).

▪ Princípios do Culto

Os princípios propostos pelos reformadores suíços no que diz


respeito ao culto:
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- precedente bíblico: sendo o culto uma atividade tão importan-


te, Deus não deixaria de dar instruções precisas sobre ele em sua Pala-
vra; nada deve ser feito no serviço divino que não tenha fundamento
explícito nas Escrituras;
- simplicidade: quanto mais complicado e espetaculoso for o cul-
to, mais facilmente a atenção das pessoas será desviada de Deus para
outros interesses;
- reverência: é preciso cultivar atitudes de respeito, atenção e
meditação diante de Deus;
- teocentricidade: os objetivos principais do culto são a glória de
Deus e a edificação dos fiéis, nessa ordem. Que Deus nos conceda sabe-
doria e discernimento a fim de ordenarmos o culto a ele atentando para
as Escrituras e para os bons exemplos da história cristã.

• Liturgia à Brasileira: Apontamentos para a Contextuali-


zação do Culto Evangélico no Brasil

Este tópico apresenta uma reflexão sobre a contextualização do


˂˂˂ 39

culto brasileiro com base no pensamento de Matteo Ricciardi. O Protes-


tantismo brasileiro herdou uma forma de culto das denominações de
origem dos missionários, sem a preocupação em atualizar ou revitalizar
seus conteúdos e formas ao longo do tempo. O propósito é expor um
breve histórico das matrizes litúrgicas brasileiras e apontar para cami-
nhos de contextualização, ou seja, a liturgia do culto evangélico à luz da
realidade brasileira.
O problema constatado é que não houve um trabalho eficaz de
contextualização do culto, mas, desde o período das missões evangéli-
cas, o Brasil sofre a imposição de padrões estrangeiros nas celebrações,
assim como na teologia. A ausência de musicalidade e de conteúdos
brasileiros no culto evangélico é devida ao preconceito com a própria
cultura brasileira, fruto do empreendimento missionário estrangeiro
que está nas raízes da formação do evangélico brasileiro.
O canto e a música representam fortíssimos instrumentos de
comunicação, de celebração, de denúncia que a comunidade deve res-
gatar. Durante o canto, se coloca a realidade vivencial perante o Deus
todo-poderoso, aguardando sua resposta fiel. A promoção de um culto
mais brasileiro significa estabelecer a legitimidade da identidade de um
povo, rico em diversidade e que encontra em si mesmo elementos sufi-
cientes para ser autônomo e original em suas formas de expressão e nos
seus conteúdos.
A partir do antigo lema de Próspero de Aquitânia, “Lex orandi,
lex credendi”, pode-se estabelecer a mútua dependência entre celebração
e teologia: aquilo que se canta reflete aquilo que se crê, e vice-versa. É
importante notar que

(...) a liturgia é um índice das atitudes, do estilo de vida,


da cosmovisão e da participação social do povo [...] porque
reflete um comportamento psicossocial definido, repleto de
imagens socioculturais, com um conteúdo étnico concreto
Liturgia e Adoração

e com uma clara visão da igreja e da sociedade (COSTAS,


1975, p. 8).

É necessária, portanto, uma proposta de diálogo. Não se trata de


40 ˃˃˃

eliminar a herança e ficar só com o novo, nem vice-versa, mas, enrique-


cer a celebração evangélica à luz da realidade na qual esta acontece.

▪ Conjuntura Atual do Culto Evangélico

Para compreender o amplo panorama de liturgias e temas que


compõem os cultos evangélicos atuais, é necessária uma síntese histó-
rica que apresente como os conceitos contemporâneos encontram seu
fundamento no processo de evangelização e de estabelecimento das de-
nominações em território brasileiro.
A primeira matriz para a elaboração do culto evangélico no
Brasil remonta ao protestantismo que chega ao Brasil através da obra
missionária, fortemente influenciado pela teologia norte-americana dos
avivamentos que, por sua vez, incorporara as ênfases pietistas e purita-
nas dos pais fundadores dos Estados Unidos. Matriz comum das igre-
jas que são fruto desta evangelização é o conversionismo. Esta postura
incorpora, porém, traços individualistas e excludentes, num processo
pelo qual, junto à conversão ao cristianismo evangélico, deveria acon-
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tecer também um transplante cultural. O evangelho pregado pelos mis-


sionários configurava-se como um modo de vida, de fato o “American
way of life”, com padrões teológicos e ideológicos pertencentes a uma re-
alidade completamente diferente da brasileira. Sendo assim, as igrejas
derivadas do Protestantismo de missão mantêm uma forte ligação com
a cultura religiosa americana em confronto com a cultura brasileira.
A segunda matriz de elementos relevantes para a organização
do culto evangélico é o movimento pentecostal e suas ramificações. O
Pentecostalismo é caracterizado pela ênfase na emoção mística religio-
sa, à qual se soma uma rejeição de qualquer ordem preestabelecida em
nome da liberdade do Espírito; é a celebração da imanência, da presen-
ça viva de Deus no culto. A organização da celebração é livre, marcada
por uma forte espontaneidade; os hinos são escolhidos pelos fiéis, que
acompanham o andamento do culto com expressões de louvor, de de-
monstração de envolvimento emocional e até choro. Somam-se orações,
testemunhos, ofertas e a pregação da Palavra. O acento na emotivida-
de proporcionou um culto mais alegre, mais informal, que incorpora
elementos da música popular, como a música ritmada, os aplausos e a
˂˂˂ 41

dança, embora a teologia que compõe as letras seja de forte ênfase fun-
damentalista.
É necessário destacar como as denominações históricas brasilei-
ras, de origem missionária, passaram por um momento de renovação,
incorporando traços do Pentecostalismo, no que se refere à experiência
do “batismo do Espírito Santo”, e na sua ação na direção das reuniões
de culto, acentuando o caráter não litúrgico que distingue estas reuni-
ões.
A última influência para a conformação atual do culto evangéli-
co deve-se ao movimento gospel, característico da terceira fase do Pente-
costalismo brasileiro, também definida como neopentecostalismo.
A musicalidade que caracteriza o movimento é de fácil melodia,
versos curtos, ritmo animado. A estrutura das músicas foi simplificada,
o que permite uma assimilação mais rápida, ao passo que as melodias
saíram do domínio da congregação para tornar-se palco de prova dos
solistas.
Os cânticos desta fase são classificados como doxológicos, de ba-
talha espiritual e de teologia da prosperidade (FREDERICO, 2007, p.
184-188) Além disso, constata-se uma ênfase no Deus soberano, recupe-
rando a teologia do Antigo Testamento ligada à tradição sustentadora
do templo e dos reis, e à linguagem mística da tradição do Apocalipse.
A pregação recalca os mesmos assuntos dos missionários: conversio-
nismo individual, milenarismo, piedade pessoal, negação do mundo,
sectarismo, antiecumenismo.
Longe de ser um movimento tipicamente popular e que instaure
um diálogo crítico com a cultura a fim de enriquecer os próprios con-
teúdos teológicos e musicais, o movimento gospel representa uma “cul-
tura de manutenção e não algo novo, transformador, desafiador, que
responda às demandas sócio-políticas-econômicas-culturais do tempo
presente” (CUNHA, 2007, p. 32).
Pode-se, finalmente, resumir a dupla matriz litúrgica da igreja
Liturgia e Adoração

evangélica brasileira contemporânea: por um lado é nítida a herança


do Protestantismo de missão, quanto aos conteúdos e à impostação não
litúrgica das celebrações; do outro, a marca tipicamente pentecostal dá
ênfase nas manifestações estáticas e de poder do Espírito Santo, que
pretende ser entendido como aquele que dirige a espontaneidade nos
42 ˃˃˃

cultos.
A evangelização dos missionários norte-americanos lançou pro-
fundas raízes dualistas: a dicotomia entre espiritual e carnal, o confron-
to entre razão e fé, a separação entre igreja e mundo secular, o afasta-
mento do presente mundo maligno para o futuro reino celestial. Ao
participar do culto, o crente evangélico é convidado a deixar do lado de
fora as suas preocupações, os seus anseios, como se entrando na “casa
do Senhor” estivesse entrando numa dimensão completamente dife-
rente.
Quanto à formatação do culto, percebe-se que, enquanto o lou-
vor celebra determinados assuntos, a pregação que segue não trata dos
mesmos. A palavra de Deus como resposta à palavra dos homens não
parece fazer parte do mesmo diálogo, pois chega absoluta, como se não
importasse o que a comunidade acabou de cantar, de apresentar a Deus
em louvor e adoração. O culto parece, muito mais, uma justaposição de
partes caracterizada pela concentração no oficiante, seja ele o pastor ou
o ministro de louvor, derivante da não formulação/reflexão teológica
do culto.
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• Em Busca da Contextualização do Culto Evangélico

Neste ponto vamos apresentar apontamentos de contextualiza-


ção para a construção de uma liturgia brasileira, em suas formas e con-
teúdos. Acerca das formas, buscaremos um enfoque multidisciplinar.
Quanto aos conteúdos, a formulação seguirá as três funções da con-
textualização: encarnacional, profética e hermenêutica (WHITEMAN,
1997).

▪ Enfoque multidisciplinar para a construção de um culto


brasileiro

Entende-se o culto como um fenômeno complexo, catalisador


das diversas dimensões teológicas, assim como de diferentes artes, po-
de-se pensar que outras disciplinas podem fornecer uma contribuição
preciosa para a construção de uma liturgia à brasileira (WHITEMAN,
˂˂˂ 43

1997).
Ao participar do culto, o ser humano o faz na sua integralidade, já que
todas as suas dimensões interagem simultaneamente: a dimensão cor-
poral, a dimensão psicológica (racional, afetiva, volitiva), a dimensão
espiritual (BUYST, 1994, p. 30).
Por isso não se pode pensar que a absoluta espontaneidade, a
justaposição de partes e a ideia que o culto aconteça numa esfera mera-
mente espiritual, sejam atitudes fundamentadas, possíveis e proveito-
sas para todo aquele que chega à igreja para celebrar. Durante o culto,
a vida, com toda a sua humanidade, é trazida perante Deus, é por ele
confrontada, consolada, comissionada para a propagação do Reino. Diz
Costas que “o culto dramatiza a vida da igreja durante a semana que
acaba de passar e seu futuro imediato, uma vez pronunciada a bênção
pastoral” (COSTAS, 1975, p. 6).
A ação da comunidade no culto deve ser altamente participativa,
pois não somente uma parte dela deve fazer parte da dinâmica celebra-
tiva, mas toda ela. O louvor, que a igreja evangélica brasileira acabou
assumindo contemporaneamente, em sua maioria descuida deste fator,
apresentando músicas adequadas para um solista ao invés que para a
congregação, e que distanciam a comunidade de uma efetiva participa-
ção. No lugar de uma assembleia integrada que participa ativamente,
muitas vezes se assiste a uma apresentação que, mesmo não sendo de
alto nível, pode ser oficiada somente para a equipe que passou por trei-
namento. Isto implica em atribuir funções ao “ministério de louvor”
que ultrapassam o limite da diaconia, do serviço, dividindo a assem-
bleia entre adoradores profissionais e aqueles que recebem a “ministra-
ção”. É, portanto, necessária uma recuperação do valor do serviço para
as equipes que se ocupam da música e do canto, para que sejam mais
atentas aos limites das comunidades, e entendam a própria função na
dimensão do serviço; é preciso devolver o canto ao povo.
No entanto, o ponto levantado antes seria periférico, se não acon-
Liturgia e Adoração

tecer a contextualização dos conteúdos celebrados.


44 ˃˃˃

• Função Encarnacional

A declaração de Nairobi sobre culto e cultura, afirma que,

(...) o Jesus a quem oferecemos culto, nasceu em uma cul-


tura específica do mundo. No mistério de sua encarnação
se encontra o modelo e o mandato para a contextualização
do culto cristão [...] Os valores e as normas de uma deter-
minada cultura, na medida em que estão de acordo com os
valores do Evangelho, podem ser aplicados para expressar
o sentido e o propósito do culto cristão (DECLARACIÓN
DE NAIROBI. Acesso em 01/11/2009).

A função encarnacional se aproxima do próprio conceito de con-


textualização, apresentando a possibilidade e a necessidade de atuar de
maneira positiva e enriquecedora biunívoca entre culto e cultura. Whi-
teman define esta função como tentativa de: “comunicar o Evangelho
em palavras e ações e estabelecer a igreja em maneiras que façam sen-
tido para as pessoas no seu contexto cultural local [...] permitindo-lhes
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seguir a Cristo e permanecer na sua própria cultura” (WHITEMAN,


1997).
O dado cultural não pode ser subestimado, ou anulado, mas é
um fator basilar de reflexão para a práxis da igreja e sua manifestação
litúrgica.
Ao lado destas propostas, no entanto, existe a necessidade de
colocar os limites deste processo e os métodos possíveis. Há uma tensão
intrínseca na dinâmica entre culto e cultura, pois é preciso dialogar com
a tradição cristã e ao mesmo tempo ser significativo em cada cultura
(STAUFFER, 1994, p. 11, 12). Por esta razão, todo processo de diálogo
com a cultura deve passar pelo crivo da crítica, para poder aproveitar
de maneira sadia os componentes culturais.

SAIBA MAIS
Procure ler os comentários de John Sttot sobre o Pacto de Lausane no
tocante ao Evangelho e a cultura
˂˂˂ 45

• Função Profética

Ao exercer sua função profética, a contextualização se manifesta


de maneira contra cultural; estabelece com a cultura uma relação de de-
núncia e de confronto das estruturas desumanizadoras e opressoras, à
luz do Evangelho. No âmbito litúrgico isso implica numa reflexão sobre
os conteúdos celebrados nas reuniões.
A análise efetuada anteriormente aponta para uma problemática
típica do culto evangélico brasileiro: a tendência à alienação e ao con-
fronto com a cultura local como um todo. A atitude que comumente
se pretende dos participantes do culto é que deixem do lado de fora
da igreja os problemas, as lutas, os anseios da vida que, dia após dia,
continuam desafiando-os. Isto implica desconsiderar o caráter missio-
lógico do povo de Deus, visto que o culto é o lugar de formação, de
reconciliação entre o ser humano e Deus, e entre o ser humano e o seu
semelhante, para que, restaurado, este possa voltar ao mundo e ser um
agente de transformação da realidade. Buyst afirma que “o conflito vi-
vido nas relações sociais aparece na liturgia. Daí por que a liturgia será
ou uma liturgia alienada, tentando não tomar posição, ou uma liturgia
encarnada na luta dos mais pobres, uma liturgia em perspectiva trans-
formadora da realidade histórica” (BUYST, 1990, p. 41).
Sendo assim, o culto tem como condição e como necessidade tan-
to a vivencia da justiça quanto a denúncia profética quando esta não é
cumprida. Para desenvolver este assunto, a fonte mais antiga é a pró-
pria Bíblia. São notórias as férreas críticas ao culto, realizadas pelos pro-
fetas. Sicre comenta que as palavras de Amós se endurecem “quando o
homem considera o culto com o mais importante, esquecendo o lugar
fundamental da justiça e do direito, da compaixão e da misericórdia, do
próximo, imagem de Deus, o profeta proclama o caráter secundário do
culto, usando, às vezes, palavras radicais” (SICRE, 1990, p. 180).
A conexão entre vida e culto, num relacionamento biunívoco en-
Liturgia e Adoração

riquecedor, torna a liturgia “a celebração da vida na busca e na união


com o Deus da Vida” (BUYST, 1990, p. 16). O culto deve portar um olhar
crítico da realidade, que levante as injustiças do mundo e as apresente
a Deus durante a celebração, de maneira que por ele sejam julgados;
um momento de denúncia, de confissão e de renovação das forças e das
46 ˃˃˃

esperanças. A vivência dos participantes é assumida, e olhada através


do prisma dos valores cristãos.
Deveria ser prerrogativa do culto cristão “denunciar tudo aquilo
que desumaniza, que torna o ser humano menos à imagem e seme-
lhança” do Criador, que o insere numa rede de ganância e de poder, da
qual, na maioria das vezes, se torna vítima por ser a parte fraca do jogo.
Longe de ser tornar um momento de politicagem, de tal maneira que
a mensagem do Evangelho fique reduzida, deturpada com discursos
fúteis e anti bíblicos, o culto precisa redescobrir a sua função profética,
denunciando os males do sistema que afligem os membros da comuni-
dade. Precisa cantar as aflições, as lutas, os anseios do povo, colocando-
-os perante o Deus todo-poderoso, aquele que se compadece, que faz
justiça ao oprimido, que se faz companheiro de caminhada, amigo, sal-
vador e redentor; não o Deus da falsa prosperidade, fáceis ganhos, tão
monopolizado por um subjetivismo extremado, que beira o egoísmo
disfarçado de profunda adoração espiritual que tem se cantado.

• Função Hermenêutica
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A função hermenêutica é o desenvolvimento de

(...) expressões contextualizadas do Evangelho de maneira


que o próprio Evangelho seja entendido em modos no quais
a igreja universal nunca experimentou ou entendeu antes,
de maneira que amplie nosso entendimento do Reino de
Deus (WHITEMAN, 1997).

É no culto que a igreja demonstra a sua identidade, seus valores,


e semeia o germe de sua práxis. Dado que a liturgia é “a reunião do
povo de Deus para celebrar os atos libertadores de Deus na história dos
seres humanos e para anunciar ao mundo essa mesma libertação” (MA-
RASCHIN, 1996, p. 133), é durante esta reunião que o povo de Deus
revela o compromisso para como o outro ser humano e com a criação.
A Igreja precisa redescobrir-se e colocar-se perante o mundo
˂˂˂ 47

como agente do Reino de Deus, denunciando tudo aquilo que repre-


senta o anti-reino, e aprender da cultura como ser mais brasileira sendo
mais cristã.
No entanto, Carrier alerta para a necessidade de reconhecer que
a fé é distinta de toda cultura:

(...) a fé em Cristo não é produto de nenhuma cultura; não


se identifica com nenhuma delas; é absolutamente distinta,
já que vem de Deus [...] Mas esta distinção entre fé e cultura
não é dissociação. A fé está destinada a impregnar toda cul-
tura humana, a fim de salva-las e elevá-las segundo o ideal
do Evangelho (CARRIER, Acesso em: 04/11/2009).

Em linha com este pensamento se poderá pontuar a ideia da im-


plantação do Reino de Deus como paradigma da salvação da cultura.
Um processo pelo qual, na troca mútua de valores, formas e práticas, o
Evangelho encontre sua forma peculiar de expressão num dado conjun-
to cultural, ao mesmo tempo em que esta cultura absorva os valores do
Evangelho. É uma dinâmica, pela qual,

(...) a santificação da vida cultural não será possível sem


uma concentração dos elementos expressivos da cultura e
da sociedade, sem a constituição de comunidades que este-
jam imbuídas em levar e transmitir a experiência religiosa
às gerações futuras (PINHEIRO, 2008, p. 81).

A implicação desses pontos na prática litúrgica baseia-se na ideia


de que “a música e o canto representam, para cada geração, um lugar de
encontro, de abertura para o mundo todo e para Deus” (GENRE, 2004,
p. 77), e, portanto, o culto deveria ser o principal local de formação do
Liturgia e Adoração

povo de Deus. Logo, é necessário que novas canções, novos textos, no-
vas aspirações, venham a fazer parte do louvor da igreja para que esta
retome a sua identidade de agente de propagação do Reino.
Bem lembra Maraschin, quando diz, que,
48 ˃˃˃

(...) liturgia é missão de Deus para o mundo. Não é apenas


uma preparação. O que nós fazemos enquanto estamos reu-
nidos é de importância fundamental. [...] É nela que nos da-
mos conta do fato de sermos “corpo de Cristo” disseminado
no mundo. E portadores do Espírito Santo, senhor e doador
da vida (MARASCHIN, 2006, p. 138).

O movimento centrípeto, de reunir-se em um dado local para


celebrar a Deus, deve resultar em movimento centrífugo, de igual for-
ça, que impulsione a igreja para uma vivência plena, integrada e trans-
formadora na sociedade, pois a “ética cristã começa quanto o povo de
Deus se reúne para adorar” (GUROIAN, 1987, p. 71).
Muito pode ser aproveitado da cultura brasileira, e, sobretudo,
muito pode ser dito à cultura brasileira entendendo a Igreja como agen-
te do Reino de Deus.

EXERCÍCIOS

1. Comente sobre o culto na igreja medieval.


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2. Justifique o enfoque multidisciplinar do culto brasileiro.
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3. O que diz a declaração de Nairóbi sobre Jesus e culto?
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4. Que significa o culto para a igreja?


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5. O que é liturgia segundo Maraschin?
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Liturgia e Adoração
50 ˃˃˃

RESUMO DA UNIDADE

Nesta primeira Unidade falamos das reflexões sobre a liturgia


e culto à luz da historia do cristianismo e, principalmente, à luz das
Sagradas Escrituras, deste modo, abordamos a igreja antiga e medieval,
pela relevância que estes períodos tiveram sobre a construção do culto
e da liturgia para as igrejas evangélicas de hoje, também comentamos a
atuação que os reformadores tiveram para definir o culto que praticamos;
e refletimos sobre o culto, principalmente, sobre o culto praticado no
Brasil, que é aquele que nos atinge, neste ponto vimos a conjuntura atual
do culto evangélico, e analisamos a construção das formas e conteúdos
da liturgia brasileira, e concluímos que o enfoque desta liturgia deve,
necessariamente, ser multidisciplinar, pelas características peculiares
que o Brasil apresenta.
Com todas estas informações partiremos para o estudo da
próxima unidade, que trata do culto cristão.
Bons estudos!!!!
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t
Liturgia e Adoração

UNIDADE II
Culto Cristão
˂˂˂ 53

PARA INÍCIO DE CONVERSA

Como acontece o culto em sua comunidade? Nesta unidade va-


mos pensar e analisar o culto cristão. Iniciaremos buscando uma con-
ceituação de culto no âmbito do cristianismo. Você conhecerá as partes
principais que compõem os atos de culto e poderá verificar a existência
deles em sua comunidade. Em seguida vamos conhecer os principais
estilos de culto suas características e exemplos, a saber: o estilo Litúrgi-
co, o Tradicional, o Avivado, o estilo Louvor & Adoração e o Facilita-
dor.
Qual a música que honra a Deus? Na terceira seção vamos ana-
lisar o repertório musical dos cultos. Vamos diferenciar a música sacra
e a música profana. Você estudará sobre o canto congregacional e será
desafiado a organizar repertórios musicais para diferentes propósitos
nos cultos.
Na última seção desta unidade, vamos tratar de conhecer os mo-
tivos que levam a discussões sobre estilos de culto. Como agir em meio
às divergências? Como elaborar um programa para a comunidade lo-
cal? O que diz a Bíblia sobre isso? Vamos juntos em busca destas respos-
tas.
Bons estudos!

SEÇÃO 1 - O CULTO E SUAS PARTES

• O que é Culto?

A palavra Culto etimologicamente vem do latim colere que sig-


nifica honrar. Em sua noção fundamental, culto é uma espécie de honra
que aparece como sinal de estima tributado a uma pessoa por excelên-
Liturgia e Adoração

cia.
No livro “Manual do Obreiro e da Igreja”, Ebenézer Soares Fer-
reira (1980), colabora na construção de uma conceituação de Culto e
esclarece que
O Culto é tão antigo como o homem. Vemo-lo no Éden.
54 ˃˃˃

Caim e Abel dão mostras dos dois tipos de adoradores: aquele é


ritualista, este é prático; aquele é hipócrita, este é sincero; aque-
le é adorador por tradição, este o é de coração. Estes dois tipos
ainda existem.
A respeito do culto formalista falam muito os profetas. O pro-
feta Isaías, por exemplo, condena os erros daqueles que cultua-
vam a Deus só de lábios.
A mulher samaritana perguntou a Jesus onde era o lugar em
que se devia adorar a Deus. Muitos estão presos a lugares, a
marcas, a tradições. Mas Deus é imensurável. Não tem fron-
teiras. É o Deus do culto, pois ‘habita no meio dos louvores’. O
culto pode ser prestado no fundo dos mares, nas altas monta-
nhas, nas maiores alturas, nos aviões, nas naves espaciais, na
Lua. Respondendo à mulher samaritana, Jesus afirmou que a
hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adora-
rão o “Pai em espírito e em verdade: porque o Pai procura a tais
que assim o adorem” (Jo 4.23).
Mas o culto foi se degenerando a tal ponto de haver homens
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que prestavam culto aos anjos (Cl 2.18) e culto aos demônios.
O culto racional, segundo Paulo, é a apresentação de nossos
corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm 12.1).
O culto é simbolicamente expresso através das palavras, ações,
música e outras formas de arte. Os vários meios de expressão
do culto são: leitura das Escrituras, cânticos de hinos e antemas,
orações, proclamação do evangelho da graça, apresentação de
ofertas, incluindo coisas materiais, e as próprias vidas do povo
de Deus. As Escrituras exortam a apresentar os corpos como
um sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus, que é o culto espi-
ritual.

O Dr. Segler (1979) em seu The Broadrnan Minister’s Manual co-


menta que o culto é um diálogo entre Deus e o ser humano. Deus toma
a iniciativa e o indivíduo responde. Em seguida, o ser humano vem
para o culto público e se dirige a Deus e este lhe responde. O ato do cul-
to inclui a adoração, o louvor, a ação de graças, a confissão, as petições,
as intercessões e o compromisso ativo no serviço. No culto cristão, o
˂˂˂ 55

reconhecimento do senhorio de Cristo é o alvo principal.


Orlando Costas, em seu trabalho “El Culto como índice de la reali-
dad de la Iglesia” apresenta duas importantes funções do culto:
- O culto reúne a igreia e lhe permite tomar consciência de si
mesma e de sua missão.
- O culto é o momento em que os fiéis, dispersos em missão nas
diferentes áreas da sociedade, se reúnem para dar testemunho
de sua unidade essencial e missionária.
Mais adiante, ele acrescenta que “o culto é uma grande assem-
bléia da comunidade cristã, reunida para encontrar o Senhor e para ser
ela mesma ‘en y por este encuentro’.”

• O Culto Reflete o Nível de Compromisso que tem Assu-


mido a Igreja com o Mundo.

O culto é um índice da realidade que vive a igreja porque reflete,


em grande medida, o nível de compromisso que assume com o mundo.
O culto atualiza o compromisso de Deus com a humanidade
e sua condição precária, já que celebra e proclama a vitória de Cristo
sobre os poderes deste mundo. Ao celebrar e proclamar o Salvador, a
igreja atua como comunidade profética e sacerdotal. Como tal, anuncia
o fim do mundo como a esfera de atividades das potências demoníacas
e o advento de uma nova ordem de vida. Assim, a igreja anuncia os
desígnios e propósitos salvíficos de Deus para com o mundo, intercede
por ele e se consagra ao serviço de Deus. Em poucas palavras, o culto
põe de manifesto tanto o estado transitório do mundo como seu futuro
sob Deus. Não só sua morte e derrota, senão sua ressurreição.
Culto, portanto, se constitui de várias partes que, num sentido
geral, se resume na palavra Adoração, que é objeto do mesmo.
Liturgia e Adoração

• Elementos Importantes do Culto

Na maioria das Igrejas dos dias atuais, percebem-se algumas


práticas que são consideradas as principais partes do culto cristão. Eis
56 ˃˃˃

algumas

▪ Oração

Na Igreja Primitiva, a oração ocupava um lugar de destaque no


culto. A oração é a chave que abre os segredos divinos e faz recair sobre
a igreja as bênçãos do Senhor.
O apóstolo Paulo exortava: “Orai sem cessar” (1Ts 5.17). Ele re-
velou aos Efésios que dobrava os seus “joelhos perante o Pai” (Ef 3.14),
e na primeira carta a Timóteo, ele manifesta seu desejo de que todos
‘orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda”
(1Tm 2.8).
Até na oração é preciso respeito à doutrina apostólica, pois a
oração deve ser feita diretamente a Deus, o Pai, e em nome de Jesus, o
Filho, a súplica deve ser apresentada. Há seitas em que as orações pa-
recem uma “salada”, tal a mistura de ingredientes que são inseridos na
mesma.

▪ Louvor
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Deus é o que habita entre os louvores. Assim como no céu está


cercado de seres angelicais que o louvam dia e noite, Ele deseja que sua
igreja o louve sempre. Jesus revelou à mulher samaritana que “os ver-
dadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque
o Pai procura a tais que assim o adorem” (Jo 4. 23).
Marcos registra que, ao terminarem a reunião em que celebraram
a última páscoa e a ceia com o Senhor Jesus, depois de terem cantado, os
discípulos saíram para o Monte das Oliveiras (cf. Mc 14.26). Paulo exor-
tava aos crentes a que cantassem e salmodiassem ao Senhor em seus
corações (cf. Ef 5.19). Também, o grande apóstolo dizia: “ensinai-vos e
admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais,
louvando a Deus com gratidão em vossos corações” (Cl 3.16).
Lucas, o primeiro hinologista cristão, apresenta, em seu Evange-
lho, os seguintes hinos:
Anunciação - Lc 1.30-33
Magnificat - Lc 1.46-55
˂˂˂ 57

Benedíctus - Lc 1.68-70
Gloria in Excelsis - Lc 2.14
Nunc Dimitis - Lc 2.29-32
Entrada Triunfal - Lc 19.38; Mt 21.15

Além das referências feitas, ainda se poderíam citar outras no


Novo Testamento. Como por exemplo em Atos 4.24-30, aparece a letra
de um dos hinos que eram cantados pelos cristãos e que muito os enco-
rajava nas perseguições.
O salmista desafia: “Cada um de nós é chamado a “louvar a Deus,
em todo o tempo” (SI 34.1). Mas há um louvor coletivo, de que Jesus
Cristo, ressuscitado, é o Centro e o Promotor (Hb 12.2).

• Leitura das Escrituras Sagradas

Sabe-se que, nas sinagogas, era constante a prática da leitura da


Palavra de Deus. Os cristãos, logo que começaram a se reunir em casas,
praticavam o mesmo quanto à leitura das Escrituras. As Escrituras que
eles possuíam eram as do Antigo Testamento.
— Paulo declara que “toda Escritura é divinamente inspirada e
proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em
justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente prepa-
rado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17).

▪ Ofertório

Sabe-se que a Igreja de Jerusalém tinha uma comunidade de


bens. Aqueles que tinham posses decidiram vendê-las e trazer o resul-
tado da venda para a formação de um fundo.
Com o surgimento de novas igrejas entre os gentios, o levanta-
Liturgia e Adoração

mento de ofertas se fez necessário, principalmente para ajudar os cren-


tes que estivessem em necessidade financeira. A primeira igreja que é
citada como fazendo recolhimento de ofertas para ajudar os pobres de
Jerusalém foi a de Antioquia. Depois o Apóstolo Paulo exortava as igre-
jas nascentes a fazerem contribuições para os necessitados de outros
58 ˃˃˃

lugares. Já na carta aos Coríntios ele propunha:

Ora, quanto à coleta para os santos, fazei vós também o


mesmo que ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia
da semana cada um de vós ponha de parte o que puder,
conforme tiver prosperado, guardando-o, para que se não
façam coletas quando eu chegar. E, quando tiver chegado,
mandarei os que por carta aprovardes para levar a vossa
dádiva a Jerusalém (1Co 16.1-3).

No texto referido, verifica-se que Paulo orienta que o recolhimento


das ofertas fosse dominical. E esse método é o melhor porque o crente
deve dar com regularidade, sentimento e proporcionalmente, Paulo en-
fatiza que o crente deve ofertar de coração alegre (cf. 2Co 9.7).

▪ Proclamação e exortação (pregação)

Após a leitura do texto escriturístico, havia, na Igreja Primitiva, um


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comentário ou uma explicação sobre o mesmo texto. Assim fez Jesus


na sinagoga (cf. Lc 4.16-30). O mesmo ocorreu quando Paulo e Barna-
bé compareceram à Sinagoga de Antioquia. Lucas registra: “Mas eles,
passando por Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia; e entrando na
sinagoga, no dia de sábado, sentaram-se. Depois da leitura da lei e dos
profetas, aos chefes da sinagoga mandaram dizer-lhes: Irmãos, se ten-
des alguma palavra de exortação ao povo, falai” (At 13.14,15).
Ao escrever a Timóteo, Paulo o admoesta que “pregue a palavra”
(2Tm 4.2).

▪ Os avisos

Se a igreja é educada e está no santuário no horário convencio-


nado para o culto, e o pastor por sua vez está presente no respectivo
horário para começar o culto e gerenciar todos os problemas que nor-
malmente acontecem, a congregação aprenderá por sua vez que sua
igreja tem ordem no que faz e assim ao menos se esforçará para chegar
no horário. O restante é uma questão de tempo para o ajustamento.
˂˂˂ 59

O ideal é que haja um processional e logo em seguida o dirigente


do culto faça os avisos oportunos, sem repetições ou redundâncias. Por
mais que haja o boletim informativo na igreja, sempre acontece uma
notícia não planejada que precisa ser dita naquele dia, caso contrário se
tornará sem efeito.
Se os avisos são dados no meio do culto, aproveitando o mo-
mento da fraternidade, quebra o crescendo do culto, e parece haver ne-
cessidade de um esforço a mais para dar continuidade, principalmente
se isto for feito logo antes da Pregação. Se feita após o culto, antes do
Poslúdio, de igual forma não educa a congregação a deixar o santuário
pensando no que fez e ouviu...

▪ As ordenanças

As ordenanças são elementos muito especiais do culto. Pois, além


de serem instituídos pelo Senhor Jesus, eles envolvem uma comunhão
íntima da Igreja com o Senhor.

▪ A ceia do Senhor

Celebração introspectiva, onde cada participante lembra o sacri-


fício de Jesus, e se identifica com sua morte e ressurreição. Os elemen-
tos da Ceia são dois: O pão simbolizando o corpo de Jesus e o cálice
contendo vinho ou suco de uva que simboliza o sangue de Jesus. As
instruções de como celebrar a ceia estão registradas em Mateus 26.26-31
e 1Coríntios 11.23ss. O Culto todo pode ser conduzido de forma que a
Celebração da Ceia seja o ponto culminante, ou pode ser uma das partes
do Culto.

▪ O Batismo
Liturgia e Adoração

Celebração semelhante à Ceia do Senhor quanto à identificação


com o sacrifício de Cristo. Ao ser batizado o crente está testemunhando
de sua fé em Jesus e da nova vida que recebeu. O batismo é ordem de
Jesus. O Culto pode ser todo voltado para este tema ou ser uma parte do
culto.
60 ˃˃˃

EXERCÍCIOS

Responda as questões:
1. De acordo com as conceituações estudadas, escreva seu conceito
de culto.
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
2. Conforme sua apreciação, quais as funções do culto?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________

3. Cite as partes importantes do culto, conforme é realizado em sua


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comunidade.
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________

SEÇÃO 2 - ESTILOS DE CULTOS

Existem muitos e diferentes estilos e motivos de e para se reali-


zar um culto. Nesta seção você conhecerá alguns temas motivadores e
alguns estilos de celebração cúltica. Nenhuma delas é definitiva, Elas
podem ter alterações e até mesmo se mesclarem. O que se pretende
é mostrar que para escolher um estilo é fundamental compreender os
motivos, os objetivos, as finalidades do culto. Além disso, será impor-
tante verificar quem será o público que prestará o culto e assim propor-
cionar que as pessoas, por meio do culto, se aproximem de Deus.
˂˂˂ 61

• Culto de Aniversário

▪ Características
Celebração, Vitória, alegria;
Criação, sustentação e direção de Deus;
Bênção de Deus;
Presença de Jesus.

• Cerimônia Fúnebre

▪ Características
Lamento, dor, tristeza e lágrimas;
Necessidade de consolo, fortalecimento;
Mostrar o Deus Presente;
Conforto que vem da Cruz.

• Natal / Páscoa

▪ Características
- Oportunidade de grandes Celebrações;
- A Igreja adorando e louvando pelo nascimento, morte e res-
surreição de Jesus;
- É importante planejar com antecedência;
- Ótimas oportunidades para Adoração e Evangelismo.

▪ Dinâmica do culto a Deus

O Culto a Deus, independente do estilo ou forma é sempre dinâ-


mico, pois é guiado pelo Espírito de Deus.
Liturgia e Adoração

• Estilos de Culto

Não há no NT nenhuma passagem que defenda um estilo espe-


cífico de culto. Desde a era apostólica tem surgido uma gama enorme
62 ˃˃˃

de estilos de culto. Lembre-se que o AT destaca a importância das coi-


sas sagradas, representadas por altares, sacrifícios de animais, festas,
comemorações, observância da lei, cântico dos salmos e normas para
os sacerdotes que viviam no templo como ministros de Adoração. A
Igreja primitiva manteve práticas da sinagoga, como leitura das Escri-
turas, pregação, canto e oração, e adicionou a celebração da Ceia do Se-
nhor e o batismo. Nenhum estilo é mais bíblico ou santo que outro. Há
pelo menos cinco estilos diferentes praticados por cristãos em inúmeras
Igrejas e denominações nos dias de hoje. Estes estilos vão dos mais tra-
dicionais aos menos tradicionais nesta ordem:
1. Culto Litúrgico
2. Culto Tradicional
3. Culto Avivado
4. Culto Louvor & Adoração
5. Culto Facilitador

Observe a seguir as características e exemplos de cada um destes


estilos:
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• Culto Litúrgico

▪ Características:
- É o mais tradicional de todos os estilos
- O clima do culto: reflete equilíbrio entre a contemplação e
a majestade
- Valoriza muito a reverência
- Culto muito bem planejado e estruturado
- Propósito do Culto: levar a igreja a se curvar diante da
glória transcendente de Deus, louvar o poder e a grandeza di-
vina.
- Modelos Bíblicos: Is 6.1-9; Sl 46.10; Sl 95.6
- Texto áureo: 1Co 14.39
- Este estilo tem sido usado na Igreja primitiva, na época
medieval, na Igreja reformada, na Inglaterra e nos dias atuais.
˂˂˂ 63

• Manifestações Atuais (aparência, som e clima)

▪ Música
- 3 hinos do hinário.
- Tema principal é a adoração a Deus, a vida da igreja e as
atividades do discipulado.
- Os hinos são objetivos e destacam a grandeza e a glória de
Deus, e não as ideias e sentimentos do adorador.
- Órgão reina absoluto
- A maioria das músicas especiais é executada pelo coro.
- Play Back, nem pensar!

• Leitura das Escrituras

- Ocupa lugar privilegiado


- A confissão coletiva de pecados é feita por meio da leitura
de uma passagem, o mesmo ocorre com a chamada à adoração
e a bênção.
- Normalmente tem mais duas leituras, uma do AT e outra
do NT.
- Com frequência são lidos salmos e várias partes do culto.

▪ Ofertório
- Este momento é acompanhado por músicas instrumentais
reverentes e grandiosas.
- A congregação canta uma doxologia como resposta de
gratidão.

▪ Sermão
- Segue o calendário litúrgico em torno de grandes temas.
- São incomuns apelos ao final dos cultos.
Liturgia e Adoração

▪ Sacramentos e Ordenanças
- São celebrados com frequência.
- A Ceia semanalmente ou mensalmente.
- O Batismo com menos frequência.
64 ˃˃˃

▪ Outros elementos

- Às vezes recitam o Pai Nosso, e o Credo Apostólico.

▪ Pontos fortes

- Sua forma e estrutura levam a congregação até Deus. En-


quanto nestes dias Deus é transformado em algo trivial.
- Evoca senso de temor no adorador.
- Destaca a Leitura das Escrituras, a Ceia e o Calendário
Litúrgico.
- Este estilo é importante para todos os cristãos que creem
que o objetivo da adoração é curvar-se diante da santidade de
Deus em reverência e ordem.
- Atrai o adorador à grandiosidade e glória de Deus.

▪ Cuidados
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- Tornar Deus inacessível


- A liturgia proíbe as manifestações espontâneas de louvor.
- Inibe qualquer surpresa espontânea do Espírito Santo
- Para alguns é um veículo impróprio para a adoração.
- A dimensão racional pode sacrificar o apelo emocional ou
a ênfase evangelística.
- Esconder a graça e o amor do Evangelho.
- Recusar-se dar o controle do culto ao Espírito Santo.

• Ordem de Culto – Estilo Litúrgico

▪ Culto de adoração a Deus - O décimo segundo do-


mingo depois do Pentecostes
- Prelúdio — órgão: Jn Thee is Gladness (Bach)
- Intróito Coral: Fica conosco, Jesus (FiLitz)
- Chamada à Adoração
˂˂˂ 65

- Ministrante: Adorai o Senhor na beleza de sua santidade.


- Congregação: Bom é cantarmos louvores ao teu nome, ó Al-
tíssimo.
- Ministrante: O Senhor habita no meio dos louvores de seu
povo.
- Congregação: Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado.
A sua grandeza é insondável.
- Ministrante: Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemo-
-nos diante do Senhor que nos criou.
- Hino de Louvor: Aleluia, Aleluia, gratos hinos entoai (Ode à
alegria), Beethoven
- Invocação
- Leitura dos Salmos: Salmo 77.1-2.11-20
- Oração de Confissão
- Declaração de Perdão
- Leitura do Antigo Testamento: 2Rs 2.1-2.6-14
- Antema: “Salmo 121” (Millard Walker)
- Oração Pastoral e Pai Nosso
- Leitura do Evangelho: Lc 9.51-62
- Hino de Dedicação de Ofertas: O que darei a Cristo?
- Oração.
- Hino do Ofertório: Saudai o nome de Jesus
- Entrega dos dízimos e ofertas
- Doxologia (Old Hundredth)
- Leitura do Novo Testamento: Gl 5.1; 13 - 25
- Sermão: “O Amor e o Espírito de Liberdade”
- Santa Ceia
- Hino de Compromisso: Quero ser um vaso de bênção
- Bênção Apostólica
- Poslúdio — órgão: Salmo 17 (Marcello)
Liturgia e Adoração

• Culto Tradicional

▪ Características
- Menos formal que o litúrgico.
66 ˃˃˃

- Originou-se nos Estados Unidos.


- Predomina a Gratidão e a Pregação
- O modelo Bíblico baseia-se em Efésios e Colossenses, que
enfatizam os ensinamentos de Cristo e o canto congregacional.
- Muito utilizado nas igrejas nos dias de hoje.

▪ Manifestações Atuais

- Música

- Quatro ou cinco hinos


- Cantam-se alguns cânticos.
- Os hinos destacam a transcendência e a imanência de
Deus.
Ex: Santo, Santo, Santo
A Deus demos glória
Vinde Cristãos Cantai
Preciosa Graça de Jesus
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Eu perdido pecador
- Solistas e Conjuntos dividem com o coro o espaço de mú-
sicas especiais.
- O órgão e o piano trabalham juntos.
- Alguns usam playback (acompanhamento gravado).

▪ Leitura das Escrituras

- Normalmente se lê a Bíblia uma vez


- Uso de leitura responsiva, ou pelo dirigente

▪ Ofertório

- São recolhidas antes do sermão, ou antes, da música espe-


cial que antecede o sermão.
- Atualmente muitas Igrejas mudaram para o final do culto,
após o sermão, enfatizando sua natureza responsiva.
˂˂˂ 67

▪ Sermão

- Baseado em uma passagem


- Uso de Calendário litúrgico; ênfase denominacional; ca-
lendário cívico; plano pessoal de pregação.
- Mensagem temática ou expositiva
- É comum a existência de apelos.

▪ Ordenanças

- Ceia do Senhor é celebrada a cada semana ou mensalmen-


te
- Os batismos são realizados com mais frequência do que
no estilo litúrgico

▪ Pontos fortes

- Destacam a transcendência e a imanência de Deus na


Adoração.
- O culto é suficientemente formal para manter a dignidade
e, informal o bastante para aquecer o coração.
- É estruturado, porém menos tenso que o litúrgico
- O Deus adorado é simultaneamente bom e grande, santo
e ajudador, supremo e acessível
- Oportunidade de oferecer um louvor estruturado e ao
mesmo tempo tocante.
- Inclui reverência suficiente para evitar o emocionalismo
desenfreado, e a informalidade adequada para fugir do maras-
mo.
- É o meio termo entre o litúrgico e o avivado.
Liturgia e Adoração

▪ Cuidados

- Falta de leituras Bíblicas.


- Segundo alguns o estilo está mais para “morno” (nem
frio, nem quente).
68 ˃˃˃

- É um porto seguro para aqueles que se recusam a encarar


mudanças radicais culturais.

▪ Ordem de Culto – estilo tradicional


- Normalmente tem um tema.

• Tema: Alegria

Prelúdio órgão: Tu és fiel, Senhor (arr. Harris)


Chamada à adoração coro: Louvai o nome do Senhor (Young)
Hino de Adoração: Vós, criaturas de Deus Pai
Invocação e Boas-vindas
Leitura responsiva: Mateus 7.7-11
Solo: Pedi ao Senhor (Peterson)
Oração pastoral
Hino do ofertório: Ó filhos de Sião
Oração de agradecimento pelos dízimos e ofertas
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Responso: Mas eu sei em quem tenho crido


Música especial: Falai pelas montanhas, Negro Spiritual
Sermão: O que aconteceu com a alegria (Gl 5.22, 23)
Hino de consagração: O mestre nos chama
Bênção
Poslúdio órgão: Toccata em Dó (Bach)

• Culto Avivado

▪ Características

- Informal;
- Exuberante;
- Entusiasmo;
- Pregação agressiva;
- Busca levar o pecador perdido ao Deus de Misericórdia;
- Ênfase em “sentir” a presença de Deus;
˂˂˂ 69

- Geralmente a ordem de culto ainda é planejada e estrutu-


rada com antecedência;
- Propósito: evangelístico
- Modelo Bíblico: Atos 2 – a pregação de Pedro – naquele
dia quase 3.000 creram no Evangelho
- Texto áureo: 2Tm 4.2
- Não gosta e não confia em qualquer “forma” de adoração.
- Encontrada em várias Igrejas desde a Reforma.
- Experiências de cultos em pequenos grupos.
- Reavivamento.

• Manifestações Atuais

▪ Música

- Quatro ou cinco hinos


- Cantam-se muitos cânticos.
- Os hinos enfatizam: reavivamento, conversão, oração e
céu.
Ex: Aviva-nos senhor
Chuva de Bênçãos
Vitória tenho em Cristo
Rude Cruz
Em Jesus amigo temos
Quando se fizer chamada lá estarei
- Solistas e Conjuntos dividem com o coro o espaço de mú-
sicas especiais
- O Coro não entoa hinos clássicos, mas “Gospels”
- O órgão e o piano trabalham juntos
- Playback é usado com frequência.
Liturgia e Adoração

▪ Leitura das Escrituras

- Poucas vezes se lê as Escrituras


- Uso de leitura responsiva, ou pelo dirigente.
70 ˃˃˃

▪ Ofertório

- São recolhidas mais ou menos no meio do culto.

▪ Sermão

- Quando o pastor sobe no púlpito todos sabem que é o


momento principal.
- O período de louvor é considerado o aquecimento para o
sermão;
- Baseado em qualquer passagem, mas sempre evangelísti-
co.
- É comum a existência de apelos que são longos.

▪ Ordenanças

- Ceia do Senhor é celebrada, mas tem pouca importância.


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- Os batismos são realizados com mais frequência, quase


cada semana.

▪ Pontos fortes

- Participação dos adoradores motivados pela informalida-


de e o clima vibrante;
- Difícil é ficar parado durante um culto avivado!
- Estimula as emoções;
- A pregação desafia a vontade;
- Prioriza o novo nascimento – um novo relacionamento
com Deus por intermédio de Jesus.

▪ Cuidados

- A adoração pode não ser equilibrada;


- A necessidade de Adorar a Deus pode ser desprezada.
- Os sermões são praticamente os mesmos; e enfatizam
˂˂˂ 71

mais o pecado e a condenação do que a graça e o perdão;


- A música pende para o emocionalismo;
- O apelo pode parecer manipulação;

▪ Ordem de Culto – Estilo Avivado

- O culto avivado prima por apresentar Jesus Cris¬to, enfa-


tizando sua morte na cruz.

Um culto com essas características poderia seguir a ordem a se-


guir:
- Prelúdio piano: Aviva-nos, Senhor
- Hino: Vitória tenho em Cristo
- Hino: Chuvas de bênçãos
- Oração
- Boas-vindas e comunicações
- Solo: Se eu tiver Jesus ao lado
- Testemunho: diácono escalado
- Hino: Um bom amigo e fiel achei
- Oração pelas ofertas
- Ofertório: No jardim de oração
- Música Especial: Conta pra Cristo (Kirkland)
- Sermão: Fogo do céu (Lc 9.54)
- Hino de Convite: Foi na cruz
- Cântico de encerramento: Somos um pelos laços do amor

• Culto Louvor e Adoração

▪ Características
Liturgia e Adoração

- Conhecido como “Contemporâneo”


- Culto vivo, Informal, muito som.
- Busca ativamente a presença de Deus por atos exteriores
de adoração.
- Tendências carismáticas: falar em línguas; interpretação
72 ˃˃˃

das línguas, expulsar demônios.


- Creem que adoração e louvor envolve o corpo inteiro
- Gostam de bater palmas, levantar as mãos, mover o cor-
po, gritar alto.
- Propósito é levar a congregação a oferecer um sacrifício
de louvor ao Senhor por meio de um clima alegre de adoração.
- Nem todos cultos louvor & adoração são carismáticos ou
pentecostais.
- Inspiração do AT: Salmo 150; no NT: 1Co 12-14
- Bases Bíblicas: Sl 47.1; Sl 63.4; 1Tm 2- 8.

• Manifestações Atuais

▪ Música

- Define o clima do culto


- Oito a dez cânticos
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- Sequência de músicas
- Cânticos impressos no boletim ou em transparências
- Uso de grupos de louvor
- Às vezes utilizam hinos de hinários
- As letras são mais sentimentais, subjetivas e devocionais.
- O coro aparece às vezes e cantam junto com o grupo de
louvor nas músicas especiais.
- O Playback é de uso comum, bem como piano, teclados,
sintetizadores digitais.
- O som se aproxima muito ao das bandas de rock.

▪ Leitura das Escrituras e Ofertório

- Existe a leitura da Palavra, porém sem uma dieta sólida


das Escrituras.
- As ofertas São recolhidas no meio ou no final do Culto.
˂˂˂ 73

▪ Sermão

- Começa com uma passagem das Escrituras e rapidamente


muda o enfoque de forma a desafiar a congregação a uma “vida
cristã vitoriosa”,
- O apelo é caracterizado pela libertação e cura.
- Nos cultos não carismáticos o sermão é prático com base
bíblica.
- Assuntos do dia-a-dia.

▪ Ordenanças
- Ceia do Senhor é celebrada mensalmente ou trimestral-
mente
- Os batismos são realizados com mais frequência normal-
mente de manhã.

▪ Pontos fortes

- Clima festivo
- Senso de intimidade com Deus
- Participação ativa
- As igrejas crescem mais rapidamente
- Reflete a liberdade do Espírito

▪ Cuidados

- Teologia defraudada devido à supervalorização da expe-


riência
- Torna-se um entretenimento, ou uma festa por enfatizar
excessivamente a emotividade
Liturgia e Adoração

- Cânticos doutrinariamente fracos, músicas simplistas


- Apego à lista dos “40 maiores sucessos da música cristã”
- Chamar de liberdade o “caos organizado”
- Degenerar para o emocionalismo irracional em que os
crentes “têm zelo por Deus, porém não com entendimento”
74 ˃˃˃

(Rm 10.2)

▪ Ordem de Culto – Estilo Louvor e Adoração

- Normalmente planejam e estruturam o culto de forma a


seguir uma ordem.
- Tema: “Seguir a Jesus”
- Prelúdio: Majesty
- Cânticos para o pátio exterior
- Jesus, te entronizamos
- Quão magnífico é teu nome
- Sacrifício de Louvor
- Rei exaltado
- Eu te amo, ó Deus
- Oração
Boas-vindas e convite à adoração
Grupo de Louvor: Eu vejo Deus
- Cânticos para a Assembleia dos justos
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Cantai ao Senhor um novo cântico


Tu és digno
O teu nome exaltarei
Seja exaltado
- Cânticos para o Santo dos Santos
Aba, Pai
Cobre-me
Como a corça
- Solo: Deus, somente Deus
- Sermão: Seguindo a Jesus (Lc 9.57-62)
- Momento de Dedicação
Santuário
És amável
No controle tu estás
- Oração para consagração dos dízimos e ofertas
- Ofertório: Livre em Cristo
- Cântico final: Glorificarei teu nome
˂˂˂ 75

• Culto Facilitador

▪ Características

- Propósito de levar os cristãos a adorarem a Deus sem a


“bagagem cultural” das formas e linguagens tradicionais.
- Culto evangelístico, breve e alegre
- Criado para os “interessados” (nãos cristãos que estão
procurando Deus)
- Não se trata de um culto de adoração feito para cristãos.
- Uso de linguagem não-religiosa e não-tradicional
- Escolhe-se o melhor dia para os interessados
- A música é a que eles mais gostam
- Os membros devem trazer seus amigos não crentes
- Atitude informal e estilo não litúrgico
- Modelo Bíblico: At 17.16-34
- Promover o bem estar cultural, mas sem fazer concessões
ao evangelho: este é o objetivo.

• Manifestações Atuais

▪ Música

- Normalmente usa-se um cântico ou hino durante o culto.


- A letra é projetada
- A música especial é executada pelo grupo de louvor ou
solista.
- Músicas em estilo contemporâneo
- O clima é de um show de cantores cristãos.
- O acompanhamento é feito por piano, sintetizador digital
Liturgia e Adoração

e uma banda de rock ou jazz.


- Playback é usado sempre que não é possível acompanha-
mento ao vivo.
76 ˃˃˃

▪ Leitura das Escrituras

- É comum a leitura que sempre é precedida da explicação


do contexto.

▪ Ofertório

- Não acontece em todos os cultos


- Os visitantes são avisados que não precisam ofertar.
- Em vez disso poderão colocar o cartão de visitante devi-
damente preenchido.

▪ Sermão

- Ocorrem muitas apresentações teatrais para introduzir o


sermão.
- As mensagens normalmente são temáticas, pré-evangelís-
ticas.
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- Abordam o valor e a importância de Jesus para a própria


vida.
- Não se costuma fazer apelo, apenas em ocasiões especiais.

▪ Ordenanças

- Não são celebrados nem a Ceia nem batismo, pelo fato de


não ser um culto voltado aos cristãos.
- O culto Facilitador é para os não-cristãos. Para os crentes
há os “cultos dos crentes”, normalmente Quarta e Domingo,
seguindo o estilo Louvor e Adoração. Nestes é que se celebram
as ordenanças

▪ Pontos fortes

- Promove um fantástico crescimento da Igreja


- Seu objetivo: alcançar os não-cristãos
- A Bíblia é apresentada como algo relevante na vida mo-
˂˂˂ 77

derna
- Funciona como serviço de evangelismo moderno e atual.

▪ Cuidados

- Dependendo da roupagem pode comprometer a mensa-


gem do Evangelho
- Manipulação do evangelismo
- Diluição da adoração
- O uso constante de recursos de entretenimento pode re-
sultar na comercialização da igreja e do Evangelho.
- Deixar de buscar primeiro o Reino de Deus no intuito de
agradar aos não cristãos (2Tm 4. 3).

▪ Ordem de Culto – Estilo Facilitador

- Normalmente planeja e estrutura o culto de forma a se-


guir uma ordem.
- Tema: Aprendendo de Jesus
- Música instrumental: Força de minha vida
Cântico de Louvor: O Plano de Deus
Solo: A grande aventura
Leitura Bíblica: Lc 9.57-62
Encenação: Cristãos Comuns
Avisos
Oração
Ofertório: Passo a Passo
Solo: Crente também é gente
Mensagem: O que é necessário para ser cristão
Oração final
Liturgia e Adoração

• Resumo dos Estilos

- Atitude. Ao passar do estilo Litúrgico para o Facilitador, a ati-


tude de reverência e quietude dá lugar à informalidade. Essa mudança
78 ˃˃˃

de atitude reflete a alteração da ênfase do culto da transcendência de


Deus para a imanência. A presença de Deus deixa de ser expressa como
“lá em cima” para ser lembrada como “aqui ao Lado”. “Deus é grandio-
so” dá lugar a “Deus é bom”. A santidade é substituída pelo amor, e a
supremacia pela intimidade.
- Clima. Junto com a mudança de atitude, vem a mudança de
clima. A transição do estilo litúrgico para o Facilitador torna o clima
cada vez menos solene e mais festivo, menos contemplativo e mais exu-
berante, menos reflexivo e mais expressivo.
- Ordem. Cada um desses cultos é planejado e estruturado cui-
dadosamente pelos ministros, ainda que os estilos avivado e louvor &
adoração tendam a ser mais “guiados pelo Espírito”. Alguns cultos que
seguem uma linha pentecostal mais antiga continuam a desprezar qual-
quer tipo de ordem preestabelecida, valorizando a espontaneidade. O
estilo Litúrgico e o Facilitador são os que oferecem menor espaço para
a flexibilidade e a improvisação.
- Público-alvo. Os estilos Litúrgico, tradicional e louvor & ado-
ração têm como objetivo levar os cristãos a adorarem a Deus. O culto é
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planejado tendo em mente os cristãos, ou seja, eles são o público-alvo.


Os estilos avivado e Facilitador, por outro lado, estão centrados nos
não-cristãos presentes no culto, fazendo deles seu público-alvo. Deve-
-se lembrar de uma máxima: o planejamento de qualquer culto deve ser
feito tendo-se em mente o público ao qual ele se destina.
- Canto congregacional. O canto congregacional sofre alterações
à medida que os estilos se movem da esquerda para a direita no espec-
tro de estilos de culto. As maiores mudanças vão ocorrer quando se
chegar aos estilos Louvor & Adoração e Facilitador. A primeira delas é
a eliminação do hinário. As letras das músicas são impressas no boletim
ou projetadas na parede do santuário. A segunda mudança ocorre com
os hinos, praticamente substituídos por cânticos e hinetos. Em terceiro
lugar, se vê a figura do ministro de música ser eclipsada ou substituída
pelo grupo de louvor. Em outras palavras, muitas igrejas estão prefe-
rindo louvar a Deus sem hinários, sem hinos e sem ministros de músi-
ca!
- Música especial. Enquanto os coros da maioria das igrejas li-
túrgicas e tradicionais cantam antemas escritos por compositores an-
˂˂˂ 79

tigos ou em estilo clássico moderno, os coros avivados cantam gospel


musical e arranjos de hinos, assim como os grupos de louvor cantam
músicas e arranjos populares contemporâneos nos cultos dos estilos
Louvor & Adoração e Facilitador. A substituição da música chamada
clássica pela popular se dá no movimento da esquerda para a direita
dentro do espectro de estilos de culto.
Instrumentos musicais. Os órgãos de tubos e os eletrônicos litúr-
gicos continuam sendo (praticamente) a única opção nos cultos Litúrgi-
cos, enquanto nos cultos Tradicionais ou Avivados eles são substituídos
ou passam a ser usados em conjunto com o piano. O culto Facilitador e
o Louvor & Adoração apresentam uma tendência de uso do órgão ele-
trônico não-litúrgico, dos sintetizadores digitais e das bandas de rock ou
jazz. Quanto mais afastado do estilo Litúrgico mais presente se torna o
playback.
- Escrituras. As Escrituras são lidas frequentemente nos cultos
Litúrgicos, esporadicamente no culto Avivado e em geral apenas uma
única vez nos demais estilos.
- Ofertório. O recebimento de dízimos e ofertas, um grande
evento de dedicação no culto Litúrgico, transforma-se apenas em uma
“entrega” no culto Facilitador. Ou seja, a atitude em relação à oferta
muda de uma expectativa para uma apologia.
- Sermão. Sermões que se baseiam no Lecionário e que apelam
ao intelecto e à consciência social caracterizam o culto litúrgico. Mensa-
gens centradas na Bíblia, expositivas ou temáticas, geralmente caracte-
rizam os cultos nos estilos Tradicional e Louvor & Adoração não-caris-
máticos. Sermões evangelísticos, com mensagens claras ou subjetivas,
caracterizam os estilos avivado e Facilitador.
- Apelo. Nos estilos avivado e Louvor & Adoração, o apelo guar-
da mais semelhança com os cultos evangelísticos da fronteira, ou seja,
são mais emotivos e longos. É mais silencioso e introspectivo no culto
litúrgico. Não há apelos na maioria dos cultos Facilitadores.
Liturgia e Adoração

- Ordenanças. A Ceia do Senhor recebe grande ênfase no estilo


litúrgico, ao passo que o batismo é a grande festa do culto Avivado. Os
estilos Louvor & Adoração e tradicional dão uma ênfase equilibrada
a essas duas ordenanças. O culto Facilitador não inclui nenhuma das
duas em sua programação.
80 ˃˃˃

• Escolhendo um Estilo

Desafio: escolher um estilo de culto, combinar todos os elementos


do culto e prepará-los para a adoração.

▪ Possibilidades

Único Estilo – a Igreja tem definido seu estilo.


Mistura de estilos – uso de um estilo predominante, porém
com a possibilidade de combinar ou misturar dois ou mais esti-
los de acordo com o propósito e ambiente de culto.
Múltipla escolha – infelizmente o que algumas combinações
de estilos conseguem fazer é desagradar os presentes. Por cau-
sa disso, algumas igrejas oferecem vários cultos – de estilos e
em horários diferentes – de modo que os membros e visitantes
possam adorar de acordo com o estilo que mais lhe agrade.

CUIDADO: para não causar discriminações, separações, divisões.


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Ao escolher um estilo deve-se considerar:


- O propósito do culto
- Os princípios.
Quando permanecer no mesmo estilo - Quando a Igreja está
cumprindo seus propósitos (estabelecidos por Deus) talvez não haja ra-
zão para mudar o estilo de culto.
Quando mudar de estilo (Peter Steinke)
Defina-se (mostre claramente qual é a sua visão)
Controle sua própria ansiedade (fique intencionalmente cal-
mo)
Mantenha-se ligado aos outros (em vez de se afastar de tudo e
de todos depois de um acesso de raiva)
Incentive os recursos da congregação (com criatividade e lide-
rança)
Siga o caminho traçado (apesar das tentativas de outros de
desviá-lo da rota).
Quando mesclar estilos – Isto proporciona a que todos ou qua-
se todos tenham um momento no culto em que a adoração será
˂˂˂ 81

do seu agrado. Porém o inconveniente é que você terá de tolerar


um estilo que não goste.
Quando oferecer novas opções – parece de mais fácil aceitação
oferecer opções do que mudanças.

SAIBA MAIS
Para Contextualização à Realidade Brasileira leia o capítulo especial de
Paul Basden no livro “Estilos de Louvor”, pag. 157-178.

EXERCÍCIOS

1. Segundo sua avaliacao, quais são os estilos de culto mais utiliza-


dos no ambiente cristão?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
2. Qual é o estilo de Culto realizado em sua comunidade?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
3. O estilo de culto adotado em sua comunidade cumpre com o
propósito de aproximar as pessoas de Deus? Como?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
4. Qual é o estilo que mais agrada você? Por que?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
Liturgia e Adoração

SEÇÃO 3 – REPERTÓRIO

• A Música que Honra a Deus

Pode-se afirmar que somente “a música que honra a Deus” é dig-


82 ˃˃˃

na de ser usada nos cultos da igreja. Em CI 3.16, o apóstolo indica cla-


ramente que há três tipos de músicas que devem ser usadas na igreja:
salmos, hinos e cânticos espirituais. Qualquer que seja o tipo de música
usada na igreja, ele deve ter certas características:
- DEVE EXPRESSAR UMA VERDADE BÍBLICA. Fora da Bí-
blia, o povo aprende muito mais sobre Jesus, ouvindo o cântico de um
hino, do que através de qualquer outro meio.
- DEVE EXPRESSAR DOUTRINAS CORRETAS. Os hinos que
cantamos não devem expressar doutrinas ou ideias contrárias a nossa
fé. Através de algum hino o povo poderá aprender uma doutrina erra-
da.
- DEVE SER CARACTERISTICAMENTE DEVOCIONAL. A
boa música sacra criará um espirito de reverência e louvor no culto,
mesmo que seja um hino de consagração, alegria ou adoração.
- DEVE POSSUIR BOA FORMA LITERÁRIA. Tanto a rima
como o conteúdo são requisitos necessários a uma boa música sacra.
Muitos hinos puderam subsistir através dos séculos, porém há milha-
res que não resistiram à prova do tempo. Será que estes cânticos que
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entoamos hoje, cada congregação o fazendo com uma letra diferente e


melodia ainda mais, resistirão ao menos ao final de cada ano?
- DEVE TER UM BOM ESTILO MUSICAL. A música deve
enriquecer e reforçar a letra. Deus criou tudo em harmonia e beleza.
Quando a música segue as regras básicas da harmonia, ela favorece o
apelo aos sentimentos do ser humano.
- DEVE SER APROPRIADA À OCASIÃO EM QUE ESTIVER
SENDO USADA. Os números musicais devem ser relacionados com o
tema do programa; assim se aproveita o máximo do seu uso. Por exem-
plo, alguns hinos para ocasiões especiais surtem grande efeito quando
são cantados naquela ocasião.
- DEVE SER ADAPTADO AO USO DA CONGREGAÇÃO. A
música deve estar dentro do alcance da voz média e obedecer a certas
qualidades teóricas.
- A LETRA DEVE EXPRESSAR O SENTIMENTO DA CON-
GREGAÇÃO, através de expressões que todos podem compreender.
- DEVE SER APROPRIADA E AO ALCANCE DA CAPACI-
DADE DOS CANTORES. A música que honra a Deus é aquela que
˂˂˂ 83

leva uma mensagem a cada coração.


- DEVE SER TÃO SIMPLES QUE PODE SER ENTENDIDA
POR TODOS, mas ao mesmo tempo, deve provocar o desejo de melho-
rar a nossa vida e o nosso entendimento.

• Música Sacra x Música Profana

Uma das grandes questões no meio cristão tem sido a de definir


o que é música sacra e o que é música profana.
Um exemplo Bíblico: Nadabe e Abiú

Ora, Nadabe, e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o


seu incensário e, pondo neles fogo e sobre ele deitando in-
censo, ofereceram fogo estranho perante o Senhor, o que Ele
não lhes ordenara. Então saiu fogo de diante do Senhor, e
os devorou; e morreram perante o Senhor. Disse Moisés a
Arão: Isto é o que o Senhor falou, dizendo: Serei santificado
naqueles que se chegarem a mim, e serei glorificado diante
de todo o povo. (Lv 10.1-3)

Aqui um exemplo do que é sacro e o que é profano.


- Estranho na Origem – o fogo que ambos trouxeram para dian-
te do Senhor era estranho em sua origem: fora oferecido sem a
ordem de Deus. Partiu do próprio homem.
- O verdadeiro serviço é iniciado por Deus... o fogo estranho
tem sua origem no homem e é oferecido sem sequer conhecer-
se a vontade de Deus... é feito no próprio zelo do homem e ter-
mina em morte” (Watchman Nee).
- Nosso gosto pessoal não pode ser parâmetro para esta defi-
nição.
Liturgia e Adoração

- A melodia, o ritmo e a letra devem ser avaliadas quanto à


procedência. Devido à influência cultural de estilos e formas,
vários hinos e cânticos têm sido divulgados, ora como sacros,
ora profanos. Por isso, os elementos envolvidos no culto é que
devem ser totalmente consagrados a Deus.
84 ˃˃˃

- Muita coisa sacra se torna profana em nossas reuniões! Se


aqueles que executam instrumentos no culto a Deus não são
santos, a música, por mais sacra que seja em sua origem, não
será aceita por Deus. O que torna o sacrifício santo, o altar, ou
Deus?
- Uma guitarra, um contrabaixo, um órgão eletrônico e instru-
mentos de percussão executados por pessoas consagradas e
cheias do espírito, e no Espírito, tornarão o culto santo.
- Tudo o que é inspirado por Deus, criado por ele e utilizado
somente em honra dele, por pessoas cuja vida é santa, é sacro.
- Uma música pode ser inspirada por Deus, cantada para ele,
mas, se as vidas não forem d’Ele, é profana.
- Deus quer mostrar sua santidade e seus adoradores devem
ser separados para seu louvor.

• Hinos x Cânticos
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- O que cantar? Cânticos ou Hinos?


Embora seja difícil de ser alcançado, o ideal é buscar o equilí-
brio entre cânticos e hinos no culto.
- É preciso avaliar e ter em mente o propósito do culto. As músi-
cas, cânticos ou hinos devem contribuir para que seja alcançado o obje-
tivo do culto.
A música para o culto deve ser bem equilibrada, visando a ce-
lebração, a introspecção, a comunhão, o relacionamento ser humano –
Deus e Deus – ser humano.

• Canto Congregacional

O Canto Congregacional deve ser um momento, ao mesmo tem-


po de grande júbilo, e de espírito festivo, mas sólido, consistente e posi-
tivo.
Evite hinos ou cânticos desconhecidos nos cultos. O dirigente
pode ser criativo em perceber que existem vários espaços na igreja para
˂˂˂ 85

ensaiar hinos ou cânticos novos.


Procure mesclar entre o novo e o antigo. Traz enlevo para a con-
gregação.

TESTE
Que tipo de cantor congregacional é você?
a) Cantor desinteressado – canta por cantar, sem reflexão, só
canta o que gosta
b) Cantor emocionado – não permite que a letra fale mais
alto do que o som que ouve.
c) Cantor interessado – inteligente e participante.

“Os cristãos aprendem mais doutrinas através dos hinos do que


pelos sermões que ouvem” Martinho Lutero
Deve-se evitar o que é vulgar e trivial, também o que é elitista e
incompreensível.
Perguntas a serem feitas a cada culto sobre a música utilizada:
Expressa os pensamentos de uma realidade espiritual?
É fiel às Escrituras?
Enfatiza o significado da letra?
Está dentro do nível musical da congregação?
É um “show” para a congregação ou um vínculo de adoração?

• Participações/Músicas Especiais

Durante um culto aparecem diferentes expressões musicais, tais


como solos, duetos, trios, quartetos, conjuntos, corais.
O diretor de música da igreja deve ter muita cautela e sabedoria
também e principalmente neste particular. Quem deve cantar no culto,
o que cantar no culto, quando cantar no culto - são decisões que devem
Liturgia e Adoração

ser tomadas com firmeza e com muita precisão. Estamos fartos de “cul-
tos” com seus improvisos.
É lamentável quando vamos adorar o Senhor na comunhão dos
santos, e “de repente”, alguém “que faz muita questão em cantar para o
Senhor” (o que em si já está totalmente errado, porque tudo no culto é
86 ˃˃˃

para o Senhor, e não somente a sua participação).

▪ “Mas é para o Senhor”

É uma redundância desnecessária, e que ainda diz: Irmãos, eu


não ensaiei, minha voz não está muito boa, e estou até um pouco rouco.
Mas é para o Senhor (é a frase mais sórdida e ínfima que alguém tem a
ousadia de dizer). E ainda acrescenta: os irmãos fechem os olhos (podia
muito bem dizer também - fechem os ouvidos) e fiquem em atitude de
oração (nunca entendi isto). Talvez devamos fechar os olhos para não
vê-lo passar tanta vergonha, quando deveria apresentar o seu melhor
para Deus.

SERVOS X ASTROS E ESTRELAS


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“ESTRELISMO” - louvar para glória pessoal, “eu sou o bom”,


‘os outros é que dependem de mim’; ‘Faço as coisas quando EU quero,
quando EU posso, e quando Eu estou afim’. Adoração do EU. Deus não
˂˂˂ 87

necessita e nem procura tais adoradores.

O QUE DEUS QUER E PROCURA SÃO ADORADORES QUE,


COMO SERVOS, O ADOREM EM ESPÍRITO E EM VERDADE.
ADORAÇÃO QUE GLORIFICA O SENHOR.

• PREPARANDO ORDENS DE CÂNTICOS

Modelos:

1. Chamada ao louvor Celebração Reflexivo

2. Chamada ao louvor Celebração

3. Celebração Reflexivo

4. Celebração (rápidos, alegres)

5. Reflexivo (lentos, calmos)

EXERCÍCIOS

1. Qual a música que honra a Deus?


______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
2. Diferencie música sacra e musica profana.
______________________________________________________________
Liturgia e Adoração

______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
88 ˃˃˃

3. Cite um dos problemas do canto congregacional e aponte possí-


veis soluções.
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________

SEÇÃO 4 - PROBLEMAS NA ESCOLHA DE ESTILOS

Nesta seção vamos entender como evitar divisões por questões


de estilos de adoração, com base em estudo realizado pelo pastor Mar-
cílio de Oliveira Filho. Começando pela análise dos tipos de igrejas se
analisarão os perigos das divergências e como conviver com elas, além
de algumas estratégias para lidar com elas. Bom estudo!

• Tipos de Igrejas
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▪ Históricas

São igrejas com características conservadoras, nas quais os pro-


gramas de educação seguem literatura e estilos denominacionais, não
há abertura para a introdução de inovações. Os cultos e programa mu-
sical são conservadores. O repertório segue estritamente a linha pro-
posta pelo hinário oficial. No caso do Brasil limita-se exclusivamente ao
Cantor Cristão, utilizando coros e conjuntos instrumentais e orquestra,
quando possível.

• Contemporâneas

São as igrejas que procuram um programa totalmente novo. Não


seguem a literatura oficial e buscam públicos alvos específicos.
Os cultos e o programa musical são inovadores, buscam inte-
ração com as tendências do novo século. O repertório é baseado em
cânticos, abandonam os hinários oficiais. Uma das preocupações na li-
˂˂˂ 89

turgia é a dos cânticos verticais, buscando no adorador uma identidade


e aproximação com o adorado.
Há a exclusão quase total dos coros, dando-se ênfase ao louvor congre-
gacional, bandas e pequenos grupos vocais.

▪ Renovadas ou Carismáticas

São as igrejas que vivem na busca de experiências crescentes ou


avivamento. Seguem uma literatura própria e seus temas são geralmen-
te sobre os dons e as manifestações do Espírito Santo.
Os cultos e programa musical são conservadores. Portanto, o re-
pertório é tradicional, seguindo geralmente o estilo histórico, usam o
Cantor Cristão (Brasil) como fonte principal ou, noutros países, os biná-
rios denominacionais mais antigos. Uma das preocupações na liturgia
é a busca por experiências espirituais, levando a um crescimento no
envolvimento das pessoas e na dinâmica do culto.
Curiosamente encontram-se também igrejas renovadas que não
aceitam o repertório tradicional e hinários, que utilizam cânticos de co-
munidades ou outros grupos do neo-¬pentecostalismo com caracterís-
ticas rítmicas mais fortes e que alguns chamam “cânticos de batalha”.

▪ Abertas

São as igrejas que buscam, no equilíbrio entre as tendências antes


mencionadas, um estilo novo para conviver com as diferenças. Não es-
tão preocupadas com um estilo só e buscam, nessa convivência com as
divergências, organizar, um programa alternativo.
Os cultos e o programa musical são mais flexíveis, ora utilizam
os hinos tradicionais com uma roupagem mais contemporânea, ora uti-
lizam os cânticos verticais e até os de batalha. A literatura do programa
educacional é voltada para as diversas idades, mas nem sempre segue a
Liturgia e Adoração

temática denominacional.
A ênfase do trabalho prioriza as pessoas e não a estrutura, procu-
rando envolvê-las em grupos pequenos, células ou koinonias.
90 ˃˃˃

• Perigos da Divergência

▪ Radicalismo

Muitas igrejas dogmatizam formas e estruturas, e não admitem


opiniões diferentes e determinam um único estilo para os programas
educacionais, cultos e programas musicais. Em síntese cristalizam o
louvor em um único estilo.

▪ Supervalorizacão das estruturas

A denominação e os programas podem tornar-se um valor tão


significativo que algumas igrejas não admitem a hipótese de pesquisa
ou tentativas de novos estilos de culto, programas musicais ou edu-
cacionais. As estruturas denominacionais são mais importantes que as
pessoas.

▪ Abandono total das estruturas


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Os que se opõem às tendências históricas e conservadoras aca-


bam radicalizando também, procuram tão somente inovar sem a preo-
cupação com o passado e os valores históricos.
O rompimento denominacional é muito forte nestes casos. Cada
igreja cria seu próprio estilo e, consequentemente, programas sem qual-
quer vínculo denominacional.

▪ Divisões ou Igrejas Independentes

Algumas igrejas optam por autonomia total, sem qualquer vín-


culo. Continuam ligadas às convenções, mas trabalham de uma manei-
ra totalmente independente. Em vista destas características são pressio-
nadas ao abandono da denominação, tornando-se igrejas divergentes,
e são vistas pelos históricos e conservadores como rebeldes e não mais
fiéis à denominação.
˂˂˂ 91

• A Grande Questão: Como Conviver com as Divergências?

▪ Fugindo dos rótulos

As igrejas históricas e conservadoras não podem rotular as de-


mais como igrejas rebeldes, que abandonaram a ortodoxia e fidelidade
a Deus. O princípio da flexibilidade precisa ser bastante desenvolvido
entre as igrejas.

▪ Fugindo da Competição

As igrejas que buscam um programa novo, independente, não


devem trabalhar na busca de programas competitivos e desafiadores,
nem menosprezar outras igrejas. E importante entender que existe um
passado histórico importante que não pode ser esquecido ou negado.

▪ Fugindo da discriminação

A ênfase precisa continuar sendo a busca do amor e da unidade


entre os irmãos, seja qual for o estilo de igreja que cada uma busca. Res-
peito e sabedoria devem ser ênfases éticas cada vez mais valorizadas
entre as igrejas.

▪ Fugindo da divisão

O princípio da cooperação precisa ser desenvolvido cada vez


mais entre as igrejas, independentemente de estilos que estejam optan-
do. Há lugar para todos os estilos ou tipos de igrejas como também há
pessoas para cada um desses estilos, que devem conviver de uma ma-
neira sadia e espiritual.
Liturgia e Adoração
92 ˃˃˃

• Desenvolvendo um Programa para a Igreja Local

▪ Definir o estilo da igreja

Uma vez definido o estilo de igreja é importante a preocupação


com as diferenças internas existentes. Cada igreja é constituída de pes-
soas diferentes, com características pessoais próprias que vão definir
uma visão de igreja ideal.

▪ Adequar estilos

Cada pessoa tem um ISO (identidade sonora). Esse estilo indivi-


dual vai determinar para as pessoas o ideal para o programa musical da
igreja. É difícil e até impossível criar uma igreja de um estilo só, tendo
em vista as diferenças históricas, culturais e genéticas das pessoas.

▪ Determinar o ISO grupal


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É importante o conhecimento das diferenças de idade na psico-


logia do desenvolvimento. A igreja é constituída de crianças desde os
primeiros dias de vida, passa por juniores, adolescentes, jovens, casais,
adultos e chega até aos idosos, alguns até centenários. O ISO individual
não pode prevalecer e cada igreja deve analisar quais os estilos a serem
adotados e até determinar seu próprio ISO grupal.

▪ Atender às necessidades do público alvo

Os programas das igrejas precisam atender às diversas necessi-


dades conforme o público alvo, respeitar diferenças de idades, cultu-
ras, estilos e valorizar sempre o ser humano em sua individualidade.
É importante criar programas específicos por público alvo, com estilo
apropriado e repertório musical voltado para esse segmento. Exemplos:
cultos para crianças, noites especiais para adolescentes, encontros da
juventude, tarde dos idosos, encontros de casais.
˂˂˂ 93

▪ Possibilitar unidade na diversidade

Essa diversidade de cultos deverá permitir que cada público


alvo se identifique com seu ISO GRUPAL (identidade sonora). Outra
preocupação deverá ser com a temática desses programas, com um con-
teúdo voltado para as necessidades de cada grupo.

• Cultos Públicos e Diferenças de Estilos

▪ Planejar com cuidado

É importante que o repertório dos cultos públicos não contemple


apenas um estilo musical. A igreja precisa ser a igreja de todos. Os lide-
res responsáveis pelo planejamento dos programas de adoração devem
conhecer bem seus membros, suas preferências e tendências e adotar
um repertório diversificado que contemple as diversas faixas etárias.

▪ Diversificar com criatividade

O repertório musical deve envolver as mais diferentes tendên-


cias, valorizar o passado e não se esquecer do contemporâneo. Criativi-
dade deve ser o maior desafio para os lideres responsáveis pelo plane-
jamento dos programas de adoração e celebração.

▪ Promover o equilíbrio

O equilíbrio no repertório musical deve ser o ponto de sabedoria


para os planejadores, no sentido de entenderem as necessidades gru-
pais dos adoradores e manterem um programa saudável com os mais
diversos estilos musicais.
Liturgia e Adoração

▪ Envolver o adorador

Uma vez que as grandes celebrações acontecem com pessoas


diferentes, todos devem ser conscientizados da importância da varie-
dade, para que cada participante seja envolvido de alguma forma na
94 ˃˃˃

atmosfera de adoração.

▪ Respeitar as diferenças

O respeito entre as pessoas ajudará a evitar divisões em função


do estilo individual de adoração. A mistura de estilos, ritmos e me-
lodias será altamente saudável para essa variedade de programas. Os
líderes responsáveis pelo planejamento devem conscientizar os adora-
dores que o mais importante é a união das pessoas no propósito da
adoração. O desejo de Deus é que todos o adorem, mas que adorem em
espírito e em verdade, sem divisões e atritos.

• Estilos Musicais e Interpretacão

▪ Inovar

Os hinos precisam ser executados de maneira criativa, com mo-


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dulações, responsos, variações modais e ritmos modernos.

▪ Evitar exageros

Os cânticos modernos exigem uma roupagem apropriada para


os acompanhamentos. Cuidado com o uso incessante das batidas do
tambor na percussão ou com demasiados arpejos nos teclados.

▪ Buscar novas formas de interpretação

As modulações e passagens entre hinos e cânticos devem ser fei-


tas com segurança e beleza. Novamente a criatividade é fundamental
para um bom resultado na execução durante os momentos de celebra-
ção.

▪ Motivar

A participação coral ou vocal de um pequeno grupo é importan-


˂˂˂ 95

te na adoração. Todos precisam estar conscientes de seu papel motiva-


dor e incentivar uma participação congregacional crescente.

▪ Variar para agradar

A variedade instrumental é outro aspecto importante para a ado-


ração. Quando possível, incluir além dos convencionais (piano, órgão,
violão e bateria), instrumentos clássicos orquestrais e também os mo-
dernos jazzísticos. Esta variedade ajudará na adoração. E importante
saber discemir o momento certo da utilização de cada instrumento, pois
nem sempre todos combinam com tudo o que se pretende criar na at-
mosfera da adoração.

• Conscientização: o Maior Desafio

▪ Informar a congregação

Muitas vezes se enfrenta resistência pela falta de informação para


a congregação. E importante a conscientização da congregação para que
ela saiba exatamente quais os alvos propostos e as estratégias utilizadas
na adoração.

▪ Conscientizar os líderes

Outra área importante é a conscientização dos líderes do progra-


ma de adoração. Pastores e auxiliares que planejam os programas de
adoração precisam trabalhar muito, não somente no preparo de cada
culto, mas também, na compreensão clara dos alvos para cada celebra-
ção.
Liturgia e Adoração

▪ Entender a visão

É de vital importância a conscientização dos participantes do


programa (cantores, instrumentistas e outros) para que todos entendam
com muita clareza seu papel e responsabilidade de liderança. O prepa-
96 ˃˃˃

ro espiritual, técnico e musical é de grande necessidade para a partici-


pação no culto.

▪ Abandonar preferências pessoais

Muitas divisões surgem exatamente entre os próprios líderes da


adoração, antes que aconteçam entre as congregações e posteriormente
até na denominação. Para evitar isso é importante o abandono das pai-
xões e tendências pessoais. Novamente a conscientização é importante
para evitar estas atitudes, infelizmente comuns em muitas congrega-
ções.

• Lembrando o que a Bíblia Fala

▪ Jesus condenou o formalismo e as tradições

Mateus 15.7-9 diz: “Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso


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respeito, dizendo. “este povo honra-me com os lábios, mas o seu cora-
ção está longe de mim. Em vão me adoram, ensinando doutrinas que
são preceitos de homens.

▪ Paulo também alertou os crentes sobre o perigo de dividir


um rebanho

Por questões puramente humanas, polêmicas e até por vezes po-


líticas. Colossenses 2.8 diz: “Cuidado, que ninguém vos venha a enre-
dar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens,
conforme os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.”

▪ Jesus fez uma grande exigência

João 4.24 diz: “Deus é espírito, e importa que os seus adoradores


o adorem em espírito e em verdade”.
˂˂˂ 97

▪ Perigo da precipitação

Atos 19.36 diz: “Ora, não podendo isto ser contraditado, convém
que vos mantenhais calmos e nada façais precipitadamente”.

▪ A Igreja precisa ser conhecida pelos seus atos de amor

João 13.35 diz: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípu-
los, se tiverdes amor uns aos outros”.

▪ O amor precisa ser desenvolvido fervorosamente

1 Pedro 1.22 diz: “Tendo purificado as vossas almas, pela vos-


sa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido,
amai-vos de coração uns aos outros ardentemente”.

EXERCÍCIOS

1. Quais as principais divergências quanto a estilos de culto?


______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
2. Que atitudes podem ajudar a diminuir estas divergências?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
3. Quais problemas você identifica em sua comunidade?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
4. Como você pode contribuir para a resolução de conflitos quanto
Liturgia e Adoração

a estilos de culto em sua comunidade?


______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
98 ˃˃˃

RESUMO DA UNIDADE

Nesta Unidade voce aprendeu que a adoração não depende obri-


gatoriamente de formalismo, pompa ou solenidade, mas também não
depende obrigatoriamente de ritmos, sons com muito volume, aplausos
e movimentos. Em ambas as situações pode haver ou não uma genuína
experiência de adoração. O importante é a atitude de cada adorador.
Também se comentou sobre evitar divisões à medida em que
vivermos mais os ensinos de Jesus e esquecermos de paixões humanas,
lutas e questões superficiais.
Para isso não podemos perder de vista as pessoas. Elas são mais
importantes que as coisas.
Convem que trabalhemos para continuar a gerar igrejas evange-
lísticas, de paixão ardorosa pelas vidas sem Cristo e não perder de vista
a visão missionária do povo de Deus.
Também é importante que continuemos os esforços para evitar
as divisões, amando mais o próximo como a nós mesmos e trabalhando
ardorosamente pela unidade e não divisão do povo de Deus.
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É bom que lembremos sempre que as igrejas são constituídas


por pessoas de idades, culturas e estilos diferentes. O planejamento dos
programas de adoração deve respeitar e contemplar essas diferenças,
evitando de todas as formas uma igreja de um só estilo.
Eis o desafio: Fujir da tentativa de preservar um só estilo de ado-
ração e trabalhar pela preservação da unidade mesmo na diversidade.
Chegamos ao fim de mais uma unidade de estudo que contribui-
rá de forma positiva para o seu exercício profissional.
Parabens e que Deus lhe abençoe ricamente.
t
Liturgia e Adoração

UNIDADE III
Teologia da Adoração
˂˂˂ 101

PARA INÍCIO DE CONVERSA

“Ter um Deus é adorá-lo” (Lutero)

“A adoração cristã é a ação mais transcendental, urgente e gloriosa


que pode ter lugar na vida humana”. (Barth)

“As formas, as técnicas, os estilos, as tradições são importantes, mas a


grande pergunta sobre adoração é: quem é adorado, quem é que adora
e qual é a relação entre ambos”. (Temple)

“Adorar é avivar a consciência mediante a santidade de Deus, alimen-


tar a mente com a verdade de Deus, purificar a imaginação com a bele-
za de Deus, abrir o coração para o amor de Deus, dedicar a vontade ao
propósito de Deus” (Temple)

Meditando nestas citações, iniciamos o estudo desta unidade


que tratará da teologia da adoração. Durante o estudo vamos relembrar
conceitos da teologia bíblica e vamos aplicá-la ao ambiente da adoração.
Assim estudaremos sobre Deus, o alvo da adoração; Jesus Cristo, me-
diador da adoração; o Espírito Santo, intercessor da adoração; a Igreja,
reunião de adoradores; o ser humano, o adorador.

SEÇÃO 1 – A DOUTRINA DE DEUS NA ADORAÇÃO

• Deus e adoração

- Deus é digno de ser adorado (Sl 145.3; Ap 5.12-14). Em essência


adoração é a centralização de Deus. Deus é adorado como Ser e não
como meio para algo. Mudar esta motivação pode transformá-lo num
Liturgia e Adoração

ídolo. Deus é adorado porque é Deus. Isto é o que dá sentido à adora-


ção. Deus confronta o ser humano e o desafia a adorá-lo (Mt 4.10).
- Deus é a fonte e o sustentador da vida. A adoração tem como
propósito guiar a vida a Deus e facilitar, deste modo, sua abertura fren-
te à presença do Todo-Poderoso.
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- A adoração é o reconhecimento de que todo Dom perfeito vem


de Deus. Ao adorar, o adorador reconhece que Deus é o Soberano de
quem depende.
- Adorar é experimentar a presença de Deus em todos os mo-
mentos da vida, inclusive nos contextos culturais, sociais e existenciais
do adorador.
- Deus confronta o ser humano por ser seu Senhor. A adoração
deve conduzir a um tempo de entrega, de confissão, de libertação. Ado-
ração é um desafio e uma oportunidade para as transformações.
- Deus é o Senhor da vida. Por isso ele deve ser adorado em cada
aspecto da vida. Ao adorar, a pessoa reconhece que Deus merece ser
obedecido e descobre que se torna abençoada por fazê-lo. (1Sm 15.22).
O adorador aceita a autoridade que o senhor tem para mandar e acata
suas ordens.
- Deus é um deus pessoal que busca relacionamentos pessoais
(Hb 1.1-2). Esta adoração não é a “um” Deus, mas ao “meu”, “nosso”
Deus. A adoração é a celebração da intervenção divina, redentora, na
história e na “minha” história.
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- Ao adorar o ser humano conhece Deus, embora principalmen-


te é conhecido por Deus (Gl 4.1). Adoração acontece no processo de
busca-encontro entre Deus e o ser humano.
- Quando o ser humano responde, Deus permite novas situações
de bondade e amor. A adoração conduz ao descobrimento do melhor
para a vida e a sensação de segurança e refúgio (Sl 34.4-9). Para tanto, o
ser humano precisa responder a Deus com a totalidade se seu ser. Deus
não é um ideal, uma filosofia ou um princípio. Deus é um ser pessoal e
espiritual. Deus é espírito.
- Deus é um ser vivo e que manifesta, que fala. Adoração verda-
deira é aquela que permite que Deus fale.
- Deus é transcendente (Sl 139; Is 57.15). O adorador está diante
do Criador, do Eterno e Infinito Deus.
- O encontro com o Deus Santo e Justo desafia o adorador a ser
igualmente santo e justo (Is 6.1-8; Lv 11.4; 1Pe 1.16). A santidade de
Deus desafia o pecador, a que na adoração: se reconheça pecador, pro-
cure o perdão de Deus, peça a Deus que o restaure (Sl 51).
- Deus é imanente (Rm 1.19, 20; Is 57.15). Aquele que se preocupa
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e intervém com o contrito, com o abatido de espírito.


- Deus é digno de confiança. Deus é fiel (Sl 92.2; Rm 8.37-39) Não
é o ser humano que escolhe Deus para adorá-lo, mas sim o próprio Deus
que escolhe o ser humano para adorá-lo (Jo 15.16).
a) Na adoração há um misto de revelação e mistério.
b) Todos os atributos de Deus são motivações para adorá-lo.

• Porque Devemos Louvar a Deus

Razões que motivem a louvar a Deus não faltam. Este assunto,


em particular, pode ser explicado de forma bem simples. Na verdade,
os motivos para louvar a Deus se resumem em dois: louvor pelo que Ele
é, e pelo que Ele faz. Observe:
- Pelos atributos de Deus - Devemos louvar a Deus pela sua in-
finita grandeza. Leia em Salmo 96.4: “Porque grande é o Senhor e mui
digno de ser louvado, temível mais que todos os deuses”;
- Pela sua criação - Devemos louvar a Deus porque somos Suas
criaturas, e como seres criados por Ele, devemos reconhecer que toda a
glória, toda honra e todo louvor pertencem a Ele, o criador de tudo;
- Pela sua salvação - Devemos louvar a Deus, proclamando a sua
salvação todos os dias. Leia em salmo 96.2: “Cantai ao Senhor, bendi-
zei o seu nome; proclamai a sua salvação, dia após dia”. Ver também
salmo 95.1: “Vinde, cantemos ao Senhor, com júbilo, celebremos o Ro-
chedo da nossa salvação”;
- Porque Deus faz maravilhas - Devemos louvar a Deus pelos
seus grandes feitos. Leia no salmo 96.3: “Anunciai entre as nações a sua
glória, entre todos os povos, as suas maravilhas”. No salmo 9, verso 1:
“Louvar-te-ei, Senhor, de todo o meu coração; contarei todas as tuas
maravilhas”. No livro de Lucas, vemos que um cego curado por Jesus,
saiu glorificando a Deus. Por causa do milagre todo o povo louvou:
Liturgia e Adoração

“Imediatamente recuperou a vista, e o foi seguindo, glorificando a


Deus. E todo o povo, vendo isso, dava louvores a Deus” (Lucas 18.43).
No salmo 105, versos 1 e 2 lemos: “Dai graças ao Senhor; invocai o
seu nome; fazei conhecidos os seus feitos entre os povos. Cantai-lhe,
cantai-lhe louvores; falai de todas as suas maravilhas”.
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• O Louvor Traz a Presença de Deus

É certo que devemos estar preparados para encontrar a Deus,


quando o louvamos e o adoramos. Num período de louvor congre-
gacional, por exemplo, todos devem ter certeza da presença de Deus.
Há um verso bastante conhecido que costumamos ouvir (Salmo 22.3):
“Contudo, tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel”. Este
versículo é a origem da frase “Deus habita no meio dos louvores do
seu povo!”. Alguns autores costumam relacioná-lo com Mateus 18.20:
“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali es-
tou no meio deles”. “Reunir-se em seu nome” significa que Jesus deve
ser o centro das atenções, o foco da reunião. Quando uma congregação
se dispõe a colocar Deus como motivo do seu louvor, a sua presença
desce. Muitas pessoas cometem equívocos ao querer louvar em troca de
curas, milagres, bênçãos, visões, “arrepios”. No livro de Hebreus 2.12,
lemos: “A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-te-ei louvores
no meio da congregação”. Quando estamos motivados corretamente a
louvar a Deus, com sinceridade no coração, Ele se revela de uma forma
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extraordinária, mesmo sem merecermos. Volto a repetir que devemos


estar preparados para encontrar a Deus, quando o louvamos!

EXERCÍCIOS

1. Descreva com suas palavras e com base teológica quem é o Deus


que você adora?
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2. Quais as razões para se louvar a Deus?


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3. Você acredita que o louvor traz a presença de Deus? Explique
por que.
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SEÇÃO 2 - JESUS CRISTO E O ESPÍRITO SANTO NA ADORAÇÃO

• Jesus Cristo e a Adoração

A Adoração se faz real em Cristo e por meio de Cristo. A verda-


deira adoração passa pelo ministério redentor de Cristo. É impossível
Ter comunhão vital com Deus sem o ato redentor. O sacrifício perfeito
de Cristo é a garantia de que se pode adorar. Cristo é o meio adequado
para adoração. Cristo revela o Pai (Hb 1.2). Ele é o único por quem se
pode Ter um conhecimento adequado do Pai (Jo 17).
- Deus é adorado em uma profunda identificação com Cristo que
por sua vez se identifica com o adorador (Fp 2.5-8).
- Cristo não é somente o meio, mas também o objeto da fé e da
adoração.
- A vida de Jesus foi uma vida de adoração (Jo 17.4).
- Na adoração, Cristo se identifica com o ser humano e, o ser hu-
mano se identifica com Cristo em um encontro único. Neste encontro o
adorador expressa seus clamores, pedidos e invocações em diferentes
níveis de intensidade, porém com o mesmo interesse em unir-se ao Se-
Liturgia e Adoração

nhor. Algumas vezes a adoração é um pedido de socorro porque parte


de uma situação humana em crise, não necessariamente negativa, mas
com algo que necessita ser satisfeito. Sempre a adoração é um canal li-
bertador da desesperança e do medo da impotência e incapacidade. Ou-
tras vezes o adorador manifesta queixas, reclamações e interrogações.
106 ˃˃˃

Neste momento o adorador abre todo seu coração, tal como é. Não é
falta de respeito ou irreverência. Pelo contrário, é um ato de sinceridade
porque reconhece em Cristo o único que lhe escuta, entende e resolve.
- Na adoração o Pai declara o Filho como Redentor e senhor.
Portanto, a adoração permite ao que a pratica com sinceridade, estar
aberto ao processo de salvação. Desta forma um culto de adoração é o
melhor culto de evangelização. Neste caso, Cristo é apresentado não
pelo pregador, mas pelo próprio Deus, que fala aos que participam da
Celebração e os desafia a desfrutar da vida abundante.
- A participação nos benefícios salvíficos de Cristo faz com que
a comunidade seja “uma” (Jo 17.21). Comunhão cristã significa comu-
nhão através de Jesus Cristo e em Jesus Cristo. Não existe uma comu-
nhão cristã que seja mais, nem que seja menos que esta.
- Em frente à cruz o adorador reconhece em Cristo o Deus que
ama o desamparado e o pecador. Por isso a adoração gera confiança e
comunhão.
- Na adoração Cristo aparece como o Grande Sumo Sacerdote
(Hb 4.14-ss). E por isso é que ele leva ao Pai os corações em crises das
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pessoas do povo. A adoração é o melhor meio que o ser humano tem


para levar suas orações a Deus. O Senhor as responde gerando esperan-
ça e sinais de renovação de vida. A adoração pode ser entendida como
sacrifício. Na realidade Cristo é o cordeiro sacrificial (Jo 1.29; Hb 10.10).
O Crente deve apresentar-se como sacrifício vivo (Rm 12.1-2)
- Na adoração a Igreja experimenta o Cristo ressurreto. Desta
forma, mais uma vez a adoração se transforma numa proclamação
evangelística e declara as boas novas a todos que adoram. Ao adorar o
ressuscitado, a comunidade rompe com a morte como destruição final
(1Co 15.55-57 ). A celebração do Cristo ressuscitado é uma força contra
a apatia da vida. Quando a igreja celebra Cristo ressurreto ela evoca o
crucificado. De forma que, sente a dor pelo pecado e toma consciência
do custo de sua própria liberdade, possibilitada pela morte de Cristo.
Por isso o culto é também expressão de dor, angústia, pecado.
- Adoração é também o início da atividade profética. É um ins-
trumento para comunicar o sofrimento humano e é a resposta de Deus
à necessidade humana. A voz de Deus percebida na adoração se trans-
forma em uma mensagem que o adorador tomará como um desafio
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profético.
- Quando adoram, tanto cada pessoa como a congregação reco-
nhecem Jesus Cristo como Senhor. Por isso na adoração Cristo estabe-
lece as normas de vida, tanto individual como comunitária. Ao mesmo
tempo em que ambas se submetem ao seu controle.
- Adoração implica em reconciliação. Essa reconciliação afeta to-
das as esferas do relacionamento humano: cada ser humano com Deus,
cada ser humano com outros seres humanos, cada ser humano com o
meio ambiente, cada ser humano com ele mesmo. Cristo, que trabalha
como reconciliador, liberta o adorador de seu egoísmo e lhe permite
descobrir “o outro” (Ef 2.11-22 )
- A comunidade que adora reconhece Cristo como cabeça da
igreja. Como corpo está abaixo da sua soberania e se sente alimentada
por Ele (Ef 4.15,16). Descobre simultaneamente sua unidade e o neces-
sário vínculo entre suas partes.

Leitura Complementar
Extraído do livro: “A Mente de Cristo”
Nomes, Títulos e Descrições de Jesus

Os seguintes nomes, títulos e descrições de Cristo (a segunda


pessoa da Trindade) aparecem na Bíblia. Esta não é uma lista completa,
porém pode ajudá-lo a relacionar-se com Cristo de maneiras distintas,
baseando-se nos propósitos dele e em suas necessidades. Use estes no-
mes para a meditação sobre a pessoa de Cristo e na oração, por intermé-
dio dele, ao Pai celestial.
De vez em quando, selecione um ou mais nomes de Cristo so-
bre os quais meditar. Leia a passagem citada ou use uma Concordância
para ler outras passagens a fim de verificar se o texto lhe dá mais deta-
lhes sobre o nome de Cristo e sua função. Escreva os detalhes em um
cartão que leve consigo durante todo o dia. Passe algum tempo com
Liturgia e Adoração

Cristo em oração. Faça a si mesmo perguntas como estas:


- O que me diz este nome acerca de Cristo? de sua natureza? de
sua obra? (Cristo é Fiel, Verdadeiro, Juiz)
- Este nome me chama a adorar a Cristo por quem Ele é ou a dar-
-lhe graças pelo que tem feito? (Posso adorar a Cristo como Rei dos reis
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e Senhor dos senhores. Posso render-lhe graças por seu grande sacrifí-
cio como o Cordeiro de Deus que tirou meus pecados.)
- Este nome descreve uma relação que tenho ou posso ter com
Cristo? (Cristo é um Maravilhoso Conselheiro, e eu posso buscar seu
conselho. Ele é Médico, e eu posso ser seu paciente.)
- Há alguma razão para que eu necessite sentir que Cristo tra-
balha em minha vida de acordo com este nome? (Jesus Cristo é o autor
de nossa fé, e eu necessito que ele me dê fé para obedecer a Deus nesta
circunstância.)
- Tenho que orar a Jesus Cristo neste nome e pedir-lhe que de-
sempenhe este ofício? (Cristo é a aurora do alto e quero que ele ilumine
meu amigo que vive em trevas e na sombra da morte.)
Jesus Cristo é:

Advogado para com o Pai (1Jo 2.1)


Alfa e Ômega (Ap 1.8)
Amém (Ap 3.14)
Ancião de dias (Dn 7.22)
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Ungido (Atos 4.27)


Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão (Hb 3.1)
Autor e consumador da nossa fé (Hb 12.2)
O princípio e o fim (Ap 21.6)
O princípio da criação de 1)eus (Ap 3.14)
O unigênito do Pai (Jo 1.14)
Amado de Deus (Mt 12.18)
Renovo justo (Jr 23.5)
O pão da vida (Jo 6.35)
O noivo (Mt 9.15)
O resplendor de sua glória [da glória de Deus] (Hb 1:3)
O escolhido de Deus (Lc 23.35)
Cristo Jesus, meu Senhor (Fp 3.8)
O Cristo (ungido) (Mt 16.16)
Principal pedra da esquina (Ef 2.20)
Coroa de adorno (Is 62.:3)
A aurora lá do alto (Lc 1.78)
O libertador (Rm 11.26)
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Desejado de todas as nações (Ag 2.7)


Porta das ovelhas (Jo 10.27)
Emanuel [Deus conosco] (Mt 1.23)
Fiel e verdadeiro (Ap 19.11)
O Primogênito dentre os mortos (Cl 1.18)
O Primogênito de toda a criação (Cl 1.15)
Firme fundamento (Is 28.16)
Amigo de publicanos e de pecadores (Mt 11.19)
Dom inefável (2Co 9.15)
Deus de toda a terra (Is 54.5)
Único Deus, nosso Salvador (Jd 1.25)
Guia (Mt 2.6)
A cabeça do corpo, da igreja (Cl 1.18)
Cabeça da igreja (Ef 5.23)
A cabeça de todo principado e potestade (Cl 2.10)
A cabeça (Ef 4.15)
Herdeiro de todas as coisas (Hb 1.2)
Sumo sacerdote (Hb 4.15)
Um grande sumo sacerdote (Hb 4.14)
Santo de Deus (Lc 4.34)
Esperança nossa (1Tm 1.1)
Salvador poderoso (Lc 1.69)
A imagem de Deus (2Co 4.4)
Imagem do Deus invisível (Cl 1.15)
Jesus Cristo (Jo 1.17)
Jesus Cristo, o nazareno (At 4.10)
Jesus Cristo, nosso Salvador (Tt 3.6)
Jesus nazareno (Jo 19.19)
Justo juiz (2Tm 4.8)
Rei dos séculos, imortal, invisível (1Tm 1.17)
Rei dos reis (1Tm 6.15)
Liturgia e Adoração

Rei dos santos (Ap 15.3)


Rei dos judeus (Mt 27.11)
Teu Rei (Mt 21.5)
Cordeiro de Deus (Jo 1.29)
Cordeiro que foi morto (Ap 5.12)
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O Derradeiro (Ap 22.13)


O Legislador (Tg 4.12)
Governador dos povos (Is 55.4)
Vida eterna (1Jo 5.20)
Nossa vida (Cl 3.4)
Luz (1Jo 1.5)
Luz da vida (Jo 8.12)
Luz dos homens (Jo 1.4)
Luz do mundo (Jo 8.12)
A verdadeira luz (Jo 1.9)
Lírio dos vales (Ct 2.1)
Cristo, o Senhor (Lc 2.11)
Senhor e Salvador Jesus Cristo (2Pe 2.20)
Senhor e Salvador (2Pe 3.2)
Único e soberano Senhor (Jd 1.4)
Senhor, Deus Todo-Poderoso (Ap 15.3)
Senhor Jesus Cristo (Gl 1.3)
Senhor tanto de mortos como de vivos (Rm 14.9)
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Senhor dos senhores (1Tm 6.15)


Senhor da paz (2Ts 3.16)
Senhor da seara (Mt 9.38)
Senhor meu e Deus meu (Jo 20.28)
Homem de dores (Is 53.3)
Bom Mestre (Mc 10.17)
Vosso Mestre (Mt 23.8)
Mediador (1Tm 2.5)
O Ungido, o Príncipe (Dn 9.25)
Santíssimo (Dn 9.24)
Nazareno (Mt 2.23)
Oferta e sacrifício a Deus (Ef 5.2)
Nossa páscoa (1Co 5.7)
Nossa paz (Ef 2.14)
Médico (Lc 4.23)
Príncipe e Salvador (At 5.31)
Autor da vida (At 3.15)
Príncipe da paz (Is 9.6)
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O Profeta (Jo 7.40)


A propiciação pelos nossos pecados (1Jo 2.2)
Rabi (Jo 3.2)
Raboni (Jo 20.16)
Como fundidor e purificador (Ml 3.3)
A ressurreição e a vida (Jo 11.25)
Rocha espiritual (1Co 10.4)
A raiz de Davi (Ap 5.5)
A raiz de Jessé (Rm 15.2)
Tua salvação (Lc 2.30)
Nosso Salvador Jesus Cristo (2Pe 1.1)
Salvador do mundo (Jo 4.42)
Servo de Deus (Mt 12.18)
Servo justo (Is 53.11)
Pastor e bispo das vossas almas (1Pe 2.25)
O grande pastor das ovelhas (Hb 13.20)
Sumo Pastor (1Pe 5.4)
O Bom Pastor (Jo 10.11)
Filho de Abraão (Mt 1.1)
Filho de Davi (Mt 1.1)
Filho de Deus (Jo 1.49)
Filho de José (Jo 6.42)
Filho do homem (Mt 12.40)
Filho do Deus vivente (Mt 16.16)
Filho de Deus (Jo 10.36)
Filho de Maria (Mc 6.3)
Seu Filho unigênito (1Jo 4.9)
Estrela (Nm 24.17)
Estrela da alva (1Pe 1.19)
A resplandecente estrela da manhã (Ap 22.16)
A pedra que os edificadores rejeitaram (Mt 21.42)
Liturgia e Adoração

A verdade (Jo 14.6)


A videira verdadeira (Jo 15.1,5)
O Caminho (Jo 14.6)
Testemunha aos povos (Is 55.4)
Testemunha fiel e verdadeira (Ap 3.14)
112 ˃˃˃

O Verbo de Deus (Ap 19.13)


A Palavra da Vida (1Jo 1.1)
O Verbo (Jo 1.1)

• O Espírito Santo e a Adoração

- O Espírito faz com que a adoração seja real. Por seu intermédio
o adorador tem intimidade com o Pai, e por sua intercessão somos in-
terpretados fielmente por Deus (Rm 8.26)
- Como Cristo, Também o Espírito Santo é meio e objeto da ado-
ração.
- O Espírito Santo gera ações santas no coração de cada pessoa
e contribui para sua realização. Na adoração Ele transforma o coração.
Age com o propósito de que as pessoas se pareçam com Cristo (2Co
3.17,18). Na realidade a adoração é uma evidência do poder transfor-
mador do Espírito Santo.
- O Espírito Santo produz uma verdadeira transformação e for-
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talecimento do caráter. Quando os adoradores permitem a ação do Es-


pírito recebendo os frutos que vem Dele, produzem à verdadeira matu-
ridade cristã (Ef 4.20-24).
- Por isso a adoração nunca está separada de uma vida ética. Pelo
contrário, está intimamente ligada ao compromisso cristão de vivenciar
os valores do reino.
- O Espírito Santo melhora a qualidade de vida do adorador e
fortalece suas capacidades racionais e emocionais.
- Ao ser libertado pelo Espírito Santo da escravidão produzida
pela vida sem Deus, o ser humano alcança uma verdadeira comunhão
com Deus. Por isso quando adora, o ser humano experimenta a liberda-
de do Espírito (2Co 3.17). Esta experiência permite ao adorador desco-
brir que o Espírito atua “em”, “por” e “com ele”, e com todos aqueles
que o adoram em espírito e em verdade.
- A presença do Espírito faz com que Deus habite no adorador
(Rm 8.9)
- O Espírito convence do pecado (João 16.8), promovendo a con-
fissão e desembaraço espiritual. O Espírito renova o ser interior.
˂˂˂ 113

- O Espírito produz, no adorador, alegria profunda que evidên-


cia a chegada da paz de Deus (Gl 2.22; 1Ts 1.6)
- O Espírito produz inspiração e vida para a comunidade eclesi-
ástica. O Espírito equipa e dinamiza a igreja. O Espírito guia, santifica,
restaura, comissiona, capacita, acompanha e enche a igreja de vida. Na
realidade a igreja não pode funcionar sem o Espírito, porque toda a sua
capacitação vem do que recebe Dele (1Co 12-14)
- A adoração é uma relação entre o Deus triuno e os adoradores.
”Adoração é a comunhão do ser humano com Deus em Cristo, através
do Espírito Santo”.

EXERCÍCIOS

1. Comente sobre o papel de Jesus na adoração.


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2. Como o Espírito Santo atua no processo de adoração?
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3. Explique a afirmação: ”Adoração é a comunhão do ser humano


com Deus em Cristo, através do Espírito Santo”.
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Liturgia e Adoração

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SEÇÃO 3 - A IGREJA E O SER HUMANO NA ADORAÇÃO

• A Igreja e a Adoração

- Na adoração as pessoas descobrem que pertencem ao povo de


Deus e que são parte vital de seu Reino. Na adoração a igreja aprende
que é “peregrina em” e ao mesmo tempo comprometida com o mundo
em que vive (1Pe 2.11).
- A adoração faz a igreja lembrar que é um organismo vivo, e que
existe em resposta a um chamado e uma vocação de um Deus vivo (1Ts
1.4; 2Tm 1.8, 9; Ef 4.4)por isso a igreja está em constante renovação. Na
adoração a igreja encontra sua vitalidade e sua identidade.
- A igreja é edificada na adoração. Seu estilo de vida e forma de
agir são maneiras de adoração.
- Como comunidade em adoração a igreja trabalha pela integra-
ção de todo o corpo (Ef 2.14). Na adoração Deus mostra seu interesse
pelo ser humano. A comunidade recebe o amor de Deus e é desafiada a
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amar como uma comunidade eclesiástica.


- Quando a igreja adora se torna sensível aos sofrimentos dos
seres humanos e se transforma em canal de comunicação do propósito
divino. Ao adorar a igreja é testemunha e participante da esperança e
deste modo fortalece sua missão evangelizadora e profética (Cl 1.23).
Por essa razão a igreja é desafiada a servir, a praticar a justiça e compro-
meter-se com os que sofrem. Na adoração Deus prepara seu povo para
viver a vida que agrada a Ele (2Co 7.2-16)
- Na adoração Deus fala a seu povo, que em resposta celebra sua
soberania, A vida da igreja depende do Deus que ela adora. A igreja
adora a Deus como comunidade redimida, sob o senhorio de Cristo.
Esse é o momento em que a adoração se transforma num testemunho
evangelístico para os incrédulos presentes no culto.
- Na adoração todos os ministérios da igreja são integrados (Ef
4.1-6). Na adoração os ministérios são desafiados a renovar seus com-
promissos. Adoração é um meio de cuidado pastoral: é útil para nutrir,
guiar, amar, apoiar, confortar, exortar, fortalecer o espírito e todo o vi-
ver. O cuidado pastoral surge na realidade de uma adoração autêntica.
˂˂˂ 115

- Na adoração Deus atua como um pastor que cuida. Na adora-


ção todos os ministérios apresentam seus frutos a Deus e se submetem
ao seu controle para receber a força e a orientação para seus novos de-
safios. A adoração entendida como serviço implica na atitude de fideli-
dade e obediência àquele que é considerado autoridade suprema. Esta
adoração inclui tanto os atos específicos da adoração como o sujeitar-se
a um estilo de vida que é vivido como serviço a Deus. A adoração é vital
porque é o centro da vida ministerial.
- A adoração flui como consequência natural da maioria das prin-
cipais doutrinas bíblicas: criação, revelação, pecado, redenção, povo de
Deus, esperança futura.
- A igreja vê em sua celebração de adoração o cumprimento esca-
tológico da redenção de Deus.

• O Ser Humano e a Adoração

- As necessidades básicas do ser humano são satisfeitas na ado-


ração: compreensão, refúgio, segurança, solidão/ companheirismo cul-
pa/perdão, ansiedade/paz, sofrimento/conforto, separação/santida-
de.
- O adorador deve adorar com todo o seu ser: corpo, intelecto,
vontade, emoção, vocação, relacionamentos (1Ts 5.23).
- Adoração como resposta à iniciativa divina também inclui o
sacrifício (2Sm 24.24)
- O adorador responde ao Cristo crucificado e se identifica com
Ele. Aceita a redenção, e reconhece o coração amoroso do Pai. Confessa
seus pecados e descobre a misericórdia de Deus. Seguramente o melhor
momento para a confissão é a adoração (Tg 5.16). Ao tomar a cruz de
Cristo, a adoração produz a unidade com Cristo.
- A adoração é mais uma relação do que uma função. É mais um
Liturgia e Adoração

estilo de vida que um evento. Não se pode adorar a Deus e ser indi-
ferente á vontade divina de ser justo, santo, misericordioso, amoroso,
servo (Mq 6.6-8)
- Na adoração o adorador percebe sua condição real e pode ini-
ciar seu processo recuperador. Adoração ajuda a pessoa a ver-se mais
116 ˃˃˃

claramente em relação a toda história de sua vida (Sl 96.5). Relaciona a


pessoa adequadamente com o seu passado mostrando-lhe a poderosa
ação de Deus e sua infinita graça ao longo de toda sua vida; com seu
presente, desafiando-a a uma vida digna de Deus, dando-lhe um sen-
tido e propósito para sua vida; com seu futuro projetando-lhe a um
futuro certo graças a promessa de vida eterna.
- Adoração proporciona condições para resistir ao que é dani-
nho. Abre o horizonte para ver como Deus vê.
- Adorar é afirmar a vida. A graça redentora lhe anima a concluir
os projetos de vida a que é desafiado. Na adoração o “ser” em busca do
“Ser” encontra sua plenitude (Sl 62.1). A adoração não implica na anu-
lação da humanidade, mas no seu descobrimento.
- Na adoração o ser humano desfruta a Deus (Sl 31.7; 67.4; 96.11).
Ao alcançar a fonte de vida por descobrir sua verdadeira razão de ser.
- A adoração é uma oferta divina. Deus se oferece em uma rela-
ção pessoal e o homem responde. Na adoração o ser humano recebe sua
vocação. Primeiro é chamado por Deus a viver abundantemente e em
segundo, é chamado a exercitar atividades em seu Reino. A adoração
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aceitável, em ambos os Testamentos, é uma questão de responder à ini-


ciativa divina na salvação, na revelação, e agir de maneira que ele quer.
- A adoração é alegria, é Celebração (Sl 145-150). Deus produz
a festa. O ser se enriquece, se nutre, se purifica, e celebra seu triunfo.
Adorar o Deus Vivo é a mais significativa e perfeita atividade humana.
- Na adoração verdadeira se produzem as maiores transforma-
ções que o ser humano pode experimentar.
- A adoração está exposta a alguns perigos:
Manipular Deus
Tirar Deus do centro da adoração – Usar a adoração cristã com
qualquer outro propósito que não seja glorificar a Deus, é abu-
sar dela.
Considerar a adoração somente como via ascendente.
Dar mais importância ao adorador que ao Adorado.
Reduzir a adoração a uma simples atividade
Confundir os meios com o fim. Adorar a Adoração e não o
Adorado.
Reduzir a resposta humana na adoração a um só aspecto da
˂˂˂ 117

personalidade humana.
Limitar as possibilidades e as formas de comunicação com
Deus.

Aquele que permite aos humanos, seres limitados e necessitados,


estar abertos a sua plenitude e transcendência, ao Deus de Amor que
fala ao ser humano em sua humildade, a Ele seja a glória para todo o
sempre. Amém!

EXERCÍCIOS:

1. Qual o papel da igreja na adoração?


______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
2. Que necessidades humanas podem ser satisfeitas por meio da
adoração?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
3. Como o ser humano pode deturpar a adoração?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
4. Como o ato de adorar pode colaborar para a realização completa
do ser humano?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
Liturgia e Adoração

SEÇÃO 4 – EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA DA ADORAÇÃO

Nesta seção vamos nos valer da análise teológica de Wayne Gru-


118 ˃˃˃

dem (1999) quanto à adoração, não no sentido geral e abrangente da


palavra, mas em um sentido mais específico, como quando aparece em
músicas e palavras dirigidas a Deus em louvor, juntamente com a ati-
tude de coração dos cristãos também quando se reúnem. Trataremos
assim, das atividades de adoração da Igreja reunida, buscando com-
preender como pode a nossa adoração cumprir seu propósito na era do
Novo Testamento.

• Definição e Propósito da Adoração

Grudem (1999) define adoração como “atividade de glorificar a


Deus em sua presença com nossa voz e com nosso coração” (p. 847). Ve-
rificamos, segundo esta definição, que adorar é um ato que glorifica a
Deus. Trata-se de algo que fazemos especialmente quando entramos na
presença de Deus. Quando estamos conscientes que o cultuamos de co-
ração e quando o louvamos com a voz e/ou sinais e dele falamos para
que outros ouçam. Neste sentido Paulo desafia os cristãos em Cl 3.16:
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“A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria;


ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cân-
ticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vossos corações”
(grifo nosso).
A principal razão porque Deus nos chamou para fazer parte da
assembleia da igreja é para que, como assembleia reunida, possamos
adorá-lo. Exemplo disso esta em Ex 7.16 quando Deus disse ao faraó:
“deixa meu povo ir, para que me sirva (adore) no deserto”. Clowney,
citado por Grudem, ressalta que a assembleia de Deus no Sinai, é alvo
do êxodo, onde Deus traz seu povo à sua presença para que possam
ouvir sua voz e também adorá-lo. Explica ainda que esta assembleia
não poderia permanecer para sempre reunida no deserto em adoração.
Por isso Deus estabeleceu outras festas nas quais toda a nação se reunia
diante dele três vezes por ano. Os israelitas são uma nação formada
para adorar, chamada para se reunir nos átrios do Senhor e para juntos
louvarem o nome do Senhor.
Ocorreu que, em vez de adorar ao Senhor, o povo escolheu ado-
rar (servir) aos ídolos. Mesmo assim, Deus prometeu que seus propó-
˂˂˂ 119

sitos para seu povo ainda haveriam de ser cumpridos. O cumprimento


desta promessa começou quando Jesus deu início à edificação de sua
Igreja. A fé em Cristo e o perdão por ele concedido são condições vitais
para o retorno ao Senhor. O Pentecostes, por ocasião da festa das primí-
cias, marcou o recomeço da adoração conjunta do povo de Deus. O Es-
pírito Santo fora derramado e surge a igreja como grande ajuntamento
de adoradores.
O chamado do evangelho é um chamado à adoração, a voltar-se
do pecado e clamar o nome do Senhor. Adorar é uma expressão direta
do nosso principal propósito na vida que é de glorificar a Deus e alegrá-
-lo plena e eternamente. Veja Is 43.7, onde Deus diz que todos os que
são chamados pelo seu nome foram criados para sua glória. Também
Paulo, em Ef 1.12, manifesta que existimos para louvor da glória de
Deus.
Ao pensar sobre o propósito da adoração, deve-se lembrar de
que Deus é digno de adoração e de que nós não o somos. Exemplo disso
encontramos em Ap 22.8, 9 quando João quis adorar o anjo e este o im-
peliu advertindo que adore a Deus.
Deus é Deus zeloso (Ex 20.5), e não divide sua glória com nin-
guém (Is 48.11). Ele é infinitamente mais do que qualquer coisa que
tenha criado. Ele é digno de honra. Quando sentimos a absoluta perfei-
ção disso dentro de nós, temos a atitude de coração apropriada para a
adoração genuína.
Porque Deus é digno de adoração e quer ser adorado, tudo em
nossos cultos de adoração deve ser planejado e feito não para chamar a
atenção para nós mesmos nem para nos trazer glória pessoal, mas cha-
mar atenção para Deus e para levar as pessoas a pensarem a respeito
dele.

• As Consequências da Adoração Genuína


Liturgia e Adoração

Há várias consequências quando decidimos adorar genuinamen-


te aquele que é digno de ser adorado. Grudem ajuda enumerá-las:
- Na Adoração experimentamos alegria em Deus – existe uma
alegria que o ser humano só encontra na adoração. Leia Sl 27.4; 16.11;
120 ˃˃˃

73.25; 84.1, 2, 4, 10. A alegria contagia o povo ao redor (At 2.46-47). Esta
alegria permanece quando se tem em mente a presença de Cristo (Lc
24.52, 53).
- Na adoração Deus se alegra em nós – O que Deus faz quando
o adoramos? Ele se alegra. Leia Is 62.3-5; Sf 3.17
- Na adoração nos aproximamos de Deus – enquanto no AT a
aproximação com Deus era limitada pelos cerimoniais (Hb 9.1-7), na
nova aliança do NT os cristãos podem entrar no santo dos santos pela
adoração (Hb 10.19). Veja o que diz Hb 10.22: “Aproximemo-nos, com
sincero coração com plena certeza de fé”. Adoração na Igreja do NT não
é apenas ensaiar para alguma experiência celestial futura de adoração
genuína, nem se trata de uma pretensa adoração nem de simples parti-
cipação em alguma atividade exterior. Trata-se de genuína adoração na
presença do próprio Deus, e quando adoramos colocamo-nos diante de
seu trono. Confira em Hb 12.18-24. Essa é a realidade da adoração na
nova aliança: ela é de fato adoração na presença de Deus, embora não
possamos vê-lo (Hb 12.28, 29).
- Na adoração Deus se aproxima de nós - “Chegai-vos a Deus, e
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ele se chegará a vós” (Tg 4.8). Esse tem sido o padrão com que Deus tra-
ta o seu povo por toda a Bíblia. Por exemplo, 2Cr 5.13,14. Veja também
Sl 22.3.
- Na adoração Deus ministra a nós - Embora o propósito princi-
pal da adoração seja glorificar a Deus, as Escrituras ensinam que tam-
bém acontece algo conosco na adoração: nós mesmos somos edifica-
dos. Paulo afirma: “Seja tudo feito para edificação” (lCo 14.26), e diz
“instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria” (CI
3.16), e também “falando entre vós com salmos, entoando e louvan-
do de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais” (Ef 5.19; Hb
10.24-25). Há outra espécie de edificação que ocorre na adoração: quan-
do adoramos a Deus, ele se encontra conosco e ministra diretamente a
nós, fortalecendo-nos a fé, aumentando a consciência de sua presença
e concedendo refrigério ao nosso espírito (1Pe 2.5; Hb 4.l6). Durante a
adoração genuína com frequência experimentaremos um aumento da
obra santificadora do Espírito Santo, que trabalha continuamente trans-
formando-nos à semelhança de Cristo “de glória em glória” (2Co 3.18).
- Na adoração os inimigos do Senhor fogem - Quando o povo
˂˂˂ 121

de Israel começava a adorar Deus, em certas ocasiões, lutava por eles


contra os seus inimigos (2Cr 20.21-22). Quando o povo de Deus oferece
adoração, podemos esperar que o Senhor lutará contra as forças demo-
níacas que se opõem ao evangelho, fazendo-as bater em retirada.
- Na adoração os descrentes sabem que estão na presença de
Deus - a evangelização é um dos propósitos quando a igreja se reúne
para adorar. Veja 1Co 14.23, 25; At 2.11.

• O Valor Eterno da Adoração

Pelo fato de glorificar a Deus e cumprir o propósito para o qual


ele nos criou, a adoração é uma atividade de significado eterno e de
grande valor.
Quando Paulo adverte os efésios de que não desperdicem o tem-
po, mas que o usem bem, ele o faz no contexto do viver como os sábios:
“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim
como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus” (Ef 5.15-16).
A seguir Paulo explica o que é ser sábio e o que é remir o tempo:

Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai


compreender qual a vontade do Senhor. E não vos embria-
gueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do
Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvan-
do de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais,
dando sempre graças a Deus e Pai, em nome do nosso Se-
nhor Jesus Cristo (Ef 5.17-20).

Isso significa que adorar é fazer a vontade de Deus. A adoração


é a consequência de compreender “qual a vontade do Senhor”, é “remir
o tempo”. Além disso, já que Deus é eterno e onisciente, o louvor que
Liturgia e Adoração

lhe tributamos nunca desvanece de sua consciência, mas continuará a


trazer regozijo ao seu coração por toda a eternidade: “Ao único Deus,
nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade,
império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os sécu-
los. Amém!” (Jd 25).
122 ˃˃˃

O fato de que adorar é uma atividade de grande significado e de


valor eterno também é evidente por ser a principal atividade dos que já
estão nos céus (Ap 4.8-11; 5.11-14).

• Como Entrar em Adoração Genuína?

A adoração é uma atividade espiritual e precisa ser efetuada


pelo poder do Espírito Santo em nós. Isso quer dizer que devemos orar
para que o Espírito Santo nos capacite a adorar corretamente.
Nas palavras de Jesus:

Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adora-


dores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são
estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espíri-
to; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito
e em verdade (Jo 4.23-24).
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Adorar “em espírito e em verdade” é mais bem compreendido


não como significando “no Espírito Santo”, mas sim “no reino espiri-
tual, no reino da atividade espiritual”. Isso significa que a verdadeira
adoração envolve não somente o nosso campo físico, mas também o
nosso espírito, o aspecto imaterial de nossa existência que basicamen-
te atua no reino invisível. Maria sabia que estava adorando daquela
forma, pois exclamou: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu
espírito se alegrou em Deus, meu Salvador” (Lc 1.46-47).
Uma atitude de adoração nos envolve quando começamos a ver
a Deus como ele é e então reagimos a sua presença. Até mesmo no céu
os serafins que contemplam a glória de Deus exclamam: “Santo, santo,
santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”
(Is 6.3). Quando os discípulos viram Jesus andando sobre as águas, e
que o vento cessou quando ele entrou no barco, “os que estavam no
barco o adoraram, dizendo: “Verdadeiramente és Filho de Deus!” (Mt
14.33). O autor de Hebreus sabe que quando entramos na presença de
Deus (Hb 12.18-24), a atitude adequada é “servir a Deus de modo agra-
dável, com reverência e santo temor, porque o nosso Deus é fogo con-
122
˂˂˂ 123

sumidor” (Hb 12.28-29).


Portanto, a adoração genuína tem de ser um derramamento do
coração em resposta a um reconhecimento de quem Deus é.
Será que existe alguma coisa mais que se possa fazer para tornar
a adoração mais eficaz? Devemos lembrar que a adoração é uma ques-
tão espiritual (Jo 4.21-24) e que, portanto, as principais soluções serão
espirituais. Será necessária muita oração no preparo da adoração, espe-
cialmente por parte dos líderes, pedindo que Deus abençoe o culto e se
faça conhecido a nós. Além disso, as igrejas precisarão receber ensino
sobre a natureza espiritual da adoração e da compreensão neotestamen-
tária da adoração na presença de Deus (veja Hb 12.22-24).
Os cristãos precisam ser incentivados a corrigir quaisquer rela-
cionamentos interpessoais rompidos. Paulo afirma que os homens de-
vem levantar mãos santas “sem ira e sem animosidade” (1Tm 2.8), e
Jesus nos lembra de que devemos primeiro reconciliar-nos com nosso
irmão e depois apresentar-nos diante do altar de Deus, trazendo nossa
oferta (Mt 5.24). Devemos lutar por uma santificação pessoal da vida. O
autor de Hebreus lembra aos cristãos que lutem pela santificação, “sem
a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).
Além disso, se queremos de fato aproximar-nos de Deus em ado-
ração, devemos lutar por uma santificação pessoal da vida. Tg 4.8; 1Jo
3.21; Hb 12.14, Mt 5.8.
O ambiente e a organização dos cultos são importantes, pois há
indicações de que Jesus pensava que o ambiente do culto tinha muita
importância. Jesus insistiu em que o templo devia ser uma casa de ora-
ção, porque afirmou: “Está escrito: a minha casa será chamada casa de
oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores” (Mt 21.12-
13).
O uso dos cânticos é especialmente importante na adoração tan-
to no Antigo como no Novo Testamento. Além disso, é importante per-
mitir que haja tempo suficiente para os vários aspectos da adoração em
Liturgia e Adoração

conjunto. Oração genuína (veja Lc 6.12; 22.39-46; At 12.12; 13.2). O ensi-


no bíblico sólido (Mt 15.32; At 20.7-11).
Seja um adorador genuíno em espírito e em verdade!

123
124 ˃˃˃

EXERCÍCIOS

1. Qual a definição de adoração segundo Grudem?


______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
2. Cite sete consequências da adoração genuína.
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
3. Explique o valor eterno da adoração.
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
4. Como a santificação contribui para a adoração genuína?
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______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
5. Que atitudes você deve desenvolver para ter uma adoração ge-
nuína?
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______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________

Leitura Complementar:
Declaração de Niterói sobre Adoração

“Oh, vinde, adoremos e prostremo-nos;


ajoelhemos diante do Senhor, que nos criou.”
(SI 95.6)
˂˂˂ 125

Nós, seguidores de Jesus Cristo, procedentes de dezoito países,


reunidos em Niterói, Rio de Janeiro, de 15 a 18 de março de 2000, sob os
auspícios da União Batista Latino-Americana (UBLA), com o apoio da
Aliança Batista Mundial, vimos apresentar a declaração a seguir, por-
tadora de nossas convicções sobre a natureza e a importância da ado-
ração, da realidade que percebemos e do apelo que fazemos ao povo
batista da América Latina.

Nossas Convicções

1. A semelhança de nossos irmãos e irmãs reunidos no


Congresso Mundial de Adoração, em Berlim, de 15 a 18 de
outubro de 1998, afirmamos nossa fé no Deus Triúno e nas
verdades expressas no Credo dos Apóstolos. Ao mesmo
tempo, consideramos importante reafirmar aspectos funda-
mentais dessa fé.
2. Cremos no Deus Criador do Universo que se reve-
lou em sua Palavra e em Jesus Cristo, e permanece ativo no
mundo, na igreja e nos seres humanos, por seu Espírito. Ele
é o único que é digno de ser adorado, por seu poder, sua
santidade e grandeza de sua obra criadora, sua providência
e sua obra redentora a favor do ser humano. Deus está for-
mando um povo que, ao reconhecer agradecido, sua gran-
deza e santidade a Ele honre com sua vida e suas palavras.
3. Cremos em Jesus Cristo que tomou a forma humana
para revelar-nos o amor e o propósito salvador de Deus, e
ensinou-nos que a verdadeira adoração consiste na obedi-
ência de uma vida consagrada à missão e ao serviço, até a
morte. Por sua obra na cruz podemos chegar a Deus e tê-
¬lo como Pai e nos reconhecermos como irmãos, formando
um novo povo, cuja comunhão transcende todos os tipos
de barreiras e cuja adoração é aceitável a Deus, no nome de
Cristo.
4. Cremos no Espírito Santo que opera em nós para que
conheçamos a Deus, e o chamemos de Pai, para que em tudo
cresçamos como povo seu, segundo o modelo da nova hu-
manidade em Cristo. O Espírito renova constantemente a
igreja e a impulsiona ao cumprimento de sua missão. Essa
missão sempre começa no ato de adoração, a partir do qual
somos enviados ao mundo.
5. Cremos que o ser humano foi criado para amar a
Deus de todo o seu ser. Corrompido pelo pecado, passou
Liturgia e Adoração

a amar e a adorar a criatura e não ao Criador. Redimido


por Cristo, o ser humano anela por um adoração plena,
individual e corporativamente, empregando todas as suas
faculdades. Por isso, a verdadeira adoração compreende as
faculdades intelectuais, emotivas, volitivas, de discernimen-
to moral, corporais e sociais da pessoa, conforme o testemu-
nho das Escrituras.
6. Para cumprir sua missão de testemunho, proclama-
126 ˃˃˃

ção, serviço, comunhão e adoração, a igreja é continuamen-


te renovada e capacitada pelo Espírito. Dessa maneira, de
uma cultura para outra, e ao viver em tempos históricos
diferentes, a missão da Igreja e sua adoração vão tomando
formas diferentes. Ainda que o tesouro do Evangelho não
mude, os vasos de barro vão mudando.
7. Corno Batistas, temos como princípios e convicções
fundamentais, o sacerdócio universal dos crentes, a centra-
lidade da Palavra de Deus na vida da Igreja e o chamado
para a santidade de vida a plenitude da missão. Portanto,
a mudança de formas culturais e históricas da missão e da
adoração da Igreja nunca deverá atentar contra essas con-
vicções fundamentais de nossa fé.

A Realidade e Nossas Preocupações

1. Estamos conscientes da situação que vivem algumas


de nossas igrejas e convenções para as quais a adoração tem
sido tema de debate, razão de conflitos e causa de lamen-
táveis divisões. Os batistas latino-ameancano, herdeiros de
uma rica tradição litúrgica, estamos a enfrentar mudanças
de um novo tempo, caracterizadas, entre outras, por dife-
rentes formas de religiosidade e expressões novas de es-
piritualidade e de culto. E neste novo contexto cultural e
religioso, que nos perguntamos com sinceridade diante do
Senhor o que significa adorá-lo “em Espírito e em verdade”.
Por outro lado, preocupam-nos a decadência moral, a perda
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de valores e a crise social e política de nosso continente. Em


face da pobreza crescente de nossos povos e das terríveis
situações de injustiças, violência e marginalização, ficamos
a perguntar-nos também que relação existe entre a adoração
a Deus e a preocupação social; entre adorar ao Criador e ser-
vir a suas criaturas feita a sua imagem e semelhança; entre
adoração e compromisso integral com o Seu reino de paz e
de justiça.

2. Há grande diversidade nas formas de expressão de


nossa fé comum, e da adoração em nossas igrejas, como pu-
demos verificar em modelos de cultos oferecidos no Con-
gresso. Essa diversidade ocorre por conta da diversidade
de dons, talentos, temperamentos, personalidade e cultu-
ras. Mas a diversidade de formas não deve comprometer a
unidade de nossa fé.

3. Preocupam-nos, entretanto
a) a transformação com muita frequência, do culto em
“show” e exibição de beleza musical ou de talento retórico,
como seu objetivo principal.
b) por um lado, a “clericalização” do culto, com suas
principais funções sendo exercidas por “ministros”; por ou-
tro, a informalidade excessiva, a improvisação, a desarmo-
nia e desarticulação entre as partes do culto;.
c) a hipertrofia dos chamados “momentos de louvor”
˂˂˂ 127

nos cultos, em detrimento da ministração da Palavra que


orienta, alimenta, santifica, conduz à fé e à vida de compro-
misso com Deus.
d) a focalização do culto na pessoa humana, no seu pra-
zer e no divertimento, cambiando a ênfase da ética para a
estética, do ser santo para o ser feliz e realizado como pes-
soa;
e) a mentalidade competitiva ou de conflito, quanto a
formas ou modelos de culto e adoração, com prejuízo para a
unidade da igreja de Cristo;
f) O tratamento das ordenanças do Batismo e da Ceia
do Senhor, como apêndice do culto e não como partes es-
senciais dele, portadores que são das grandes verdades da
fé cristã.
g) A ausência da mensagem do Cristo Crucificado, no
púlpito, no ensino cristão, no discipulado e na vida cristã.
h) A mentalidade consumista presente em muitas igre-
jas. em detrimento dos valores inestimáveis de nossa fé.

Nosso Apelo

Apelamos às lideranças e ao povo de Deus, em nossas igre-


jas
a) que haja por parte de nossos líderes, pasto-
res e pessoas envolvidas no ministério da música a busca
constante da verdadeira adoração cristã;
b) que haja o reconhecimento do culto a Deus
com experiência vital de todo o povo de Deus que tem de
enfrentar o mundo e nele cumprir sua missão reconciliado-
ra. Nenhum outro propósito deve ter o culto.
c) que haja equilíbrio em todos os elementos
constitutivos do culto cristão, conferindo à Palavra de Deus
o privilégio essencial.
d) que o culto em nossas igrejas se realize cen-
trado em Deus e Sua glória, não no ser humano. Temos de
buscar a excelência do culto e a integridade de nossas vidas;
e) que se redescubram a beleza estética do culto
cristão, que apele a uma consciência renovada da presença
de Deus, as implicações éticas de nossa fé e a afirmação dos
princípios espirituais que, como batistas temos, sustentado
através da história;
f) quanto à educação teológica e ministerial
quanto à adoração, comece no seio da família, na igreja e
continue nos seminários, visando à formação e crescimento
de uma liderança íntegra e apta a guiar o povo de Deus.
g) Que, como homens e mulheres remidos, a
Liturgia e Adoração

prestar culto a Deus, sejamos dia a dia testemunhas do Se-


nhor, evitando cair no espírito consumista e comercial de
nosso tempo.

A adoração é um novo estilo de vida que surge da celebra-


ção da vida de Cristo nas nossas vidas.
Niterói, 18 de março de 2000.
128 ˃˃˃

RESUMO DA UNIDADE

Nesta Unidade a principal abordagem foi para as doutrinas re-


lacionadas à adoração, tais como: Deus e adoração, Jesus e adoração,
o Espirito Santo e a adoração, a igreja e a adoração, o ser humano e
a adoração, vimos algumas definições de adoração, tratamos sobre as
consequncias da adoração, a adoração genuina, abordamos sobre a me-
lhor forma de entrar em adoração, e sobre o valor eterno da adoração.
Concluimos que a adoração so acontece se fazemos dela um
novo estilo de vida que surge da celebração da vida de Cristo nas nos-
sas vidas.
Agora vamos ate a próxima e última unidade deste livro.
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t
Liturgia e Adoração

UNIDADE IV
O Ministério de Adoração
na Igreja
˂˂˂ 131

PARA INICIO DE CONVERSA

A adoração permeia a liturgia nas Igrejas cristãs. O culto em sua


diversidade de estilos oportuniza a celebração litúrgica, o louvor e a
adoração a Deus. Nesta unidade você estudará sobre o ministério de
culto na igreja local; compreenderá como a adoração afeta o crescimento
da comunidade; analisará fatores naturais e espirituais que atrapalham
a adoração; descobrirá formas e posturas que ajudam na adoração; e
entenderá vários aspectos do ministério e do ministro de adoração.
Ao estudar esta unidade sinta-se desafiado a ter a adoração como
um estilo de vida.

SEÇÃO 1 - ADORAÇÃO X CRESCIMENTO DA IGREJA

Analise as perguntas a seguir:


- Há algum estilo de culto que atraia mais as pessoas?
- Uma igreja deveria mudar seu estilo de culto com o obje-
tivo de atrair mais incrédulos?
- A adoração deve ser considerada uma ferramenta de
evangelização?

Responder estas perguntas leva a pensar em alguns pressupos-


tos, observe:
- Deus criou as pessoas e pôs nelas necessidade de adorar. As
pessoas querem adorar, precisam adorar e vão adorar.
Pergunta: O que as pessoas estão adorando?
- O culto é um dos principais atos coletivos de qualquer congre-
gação. O culto tem se tornado a “porta de entrada” da congregação e o
lugar aonde os perdidos irão se e quando forem a um evento religioso.
- Por isso a Adoração e o crescimento da Igreja estão intimamen-
te ligados e devem ser considerados dentro desse contexto.
Liturgia e Adoração

No entanto é necessário tomar alguns cuidados, pois a Adoração


não é um plano de crescimento de Igreja. Tampouco a ênfase é numéri-
ca, não pode curvar-se ao bezerro de ouro chamado crescimento numé-
rico, pois o que queremos são discípulos e adoradores.
132 ˃˃˃

• As Quatro Dimensões do Crescimento da Igreja

Pensemos em quatro dimensões do crescimento da Igreja e como


a adoração se relaciona com cada uma.

▪ Crescendo para Cima: Maturidade Espiritual

A adoração contribui para a maturidade espiritual:


- lembrando de quem é Deus e quem somos nós.
- ajuda a fugir da idolatria e a desenvolver a humildade
- ensina a orar e oferece modelos de oração
- inspira a dedicação constantemente a Deus

▪ Crescendo para Baixo: Verdade e Compreensão

- Refere-se ao crescimento em profundidade da Igreja. Envolve o


ensino da Palavra de Deus através dos sermões e da adoração.
- O Canto congregacional exerce papel de provedor de ensino
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sobre Deus.
- Através da Adoração a fé é fortalecida, renovada e firmada em
Deus.
- A Adoração contribui para compreender e conhecermos Deus
em sua natureza, seu caráter, e reconhecer as manifestações do seu po-
der onipresença e onisciência.
- A Adoração, bem como os sermões e as ordenanças (Ceia e Ba-
tismo) ajudam a aprofundar nossas raízes nas verdades Bíblicas.

▪ Crescendo para Fora: Evangelismo e Missões

- A Adoração é uma forma básica de nos transformar espiritual-


mente em pessoas que olham para fora, cientes de que o mundo precisa
de Deus (Is 6:8 - Um chamado durante a adoração). Adoração é a mola
propulsora do evangelismo e das missões.
- É preciso Ter em mente que aquelas pessoas a quem estamos
pregando um dia poderão estar ao nosso lado, no momento de adora-
ção coletiva.
˂˂˂ 133

- A Adoração influencia o evangelismo e as Missões. A Adoração


proporciona a aproximação do ser humano com seu Criador. Quando
os pecadores observarem nossa adoração é provável que eles se voltem
para Deus.

Assim...

- Nem a Adoração nem o crescimento da Igreja são o bem supre-


mo para os cristãos. Nada é supremo, senão Deus. Deus é mais impor-
tante!
- Devemos resistir com firmeza á tentação de manipular as pes-
soas nos momentos de culto para alcançarmos os nossos próprios obje-
tivos.

Será que existe uma resposta direta e objetiva à pergunta:

“Como fazer a Igreja Crescer e, ao mesmo tempo


adorar de modo íntegro?”
A resposta é simples:
- Jesus responde: (Mc 12. 28-31) “O principal é: (...) amarás, pois,
o senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o
teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: amarás o teu pró-
ximo como a ti mesmo”.
- Esta é a base da ética de Jesus e deve nortear as decisões de seu
povo relacionadas ao crescimento da Igreja e à adoração.

▪ Cuidando do Crescimento Pessoal na Música e Adoração

Neste ponto é importante lembrar:


- O que Deus quer e deseja são verdadeiros adoradores e não
verdadeiros músicos.
Liturgia e Adoração

- Aonde você quer chegar pode ser onde Deus não quer que você
esteja.
- Não podemos aceitar que nossos músicos fiquem sonhando
com o sucesso, a fama, porque o sucesso e a fama devem ser a de Jesus
o filho de Deus.
134 ˃˃˃

- Cuidado com o modelo mundano de vida artística. Ex.: Formar


uma banda para massagear o ego com o pretexto de pregar o Evange-
lho.
- O modelo de músico mundano é atrair atenção para si.
- O modelo divino do músico é atrair a atenção para Deus e Jesus
Cristo.
- Para o músico adorador “ser santo” não é uma opção, é ordem
de Deus.
- Se queremos entrar na presença de Deus precisamos estar lim-
pos.
- Adoração é entregar a Deus aquilo que temos de maior valor.
- Se existe uma posição de destaque para nós, essa posição é
prostrado aos pés de Jesus.
- Você foi chamado para cooperar com seus irmãos músicos, para
o crescimento do Reino de Deus, e não para serem rivais competindo
entre ministérios. Cooperação e não competição.

▪ Auto-Avaliação
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- Como eu tenho servido a Deus?


- Sirvo como servo ou como aquele que quer algo em troca?
- Tenho usado meu dom para me promover?
- Uso meu talento para me exibir?
- Uso o reino como ponte para alcançar o sucesso?
- Fui rejeitado em outra área e uso a congregação para compen-
sar o fracasso?
- Quero a atenção da congregação e do povo?
- Quero e busco o reconhecimento?

SEÇÃO 2 - OBSTÁCULOS E IMPEDIMENTOS À ADORAÇÃO

O que tem impedido o louvor e a Adoração na Igreja pode ser


classificado como Fatores Naturais e fatores Espirituais. Devemos estar
conscientes de que não apenas os fatores Naturais (temperatura, ilumi-
nação, ventilação) são responsáveis pelo resultado da adoração. Como
˂˂˂ 135

o louvor e adoração são práticas espirituais, fatores espirituais estão em


evidência e regendo toda a atmosfera, tudo que é feito. Por isso, coi-
sas como: pecado, Satanás, atitudes, intenções, motivações, bem como
santidade, caráter, disposição são considerações imprescindíveis para a
adoração.

• Fatores Naturais e Fatores Espirituais

De acordo com o texto de Jo 10.10; e 1Pe 5.8 se pode verificar que


o ladrão (diabo) vem para roubar, matar e destruir. Dentre as várias coi-
sas que ele quer destruir, o louvor tem lugar especial, porque é dirigido
a Deus.
Em algumas congregações o diabo tem logrado vitórias e o lou-
vor tem se desenvolvido com as seguintes características:

▪ Músicos e cantores despreparados e mal ensaiados

Ex: Caim (Gn 4), Nadabe e Abiu (Lv 10.1-3); Ananias e Safira (Ai
5)
- Quem são os dirigentes, cantores, músicos, operadores, técni-
cos que servem em sua igreja? Como estão suas habilidades técnicas
para atuarem neste ministério?

▪ Equipamentos inadequados e técnicos inabilitados

- É importante a qualidade do equipamento, manutenção e ma-


nuseio.
- É preciso aprender a manusear, regular o som, volume e equa-
lização.
- Treinar montagem e desmontagem. No mundo não cristão to-
Liturgia e Adoração

das estas coisas são feitas por pessoas profissionais, com grande quali-
dade.
- Como consequência temos problemas para ouvir, devido a pés-
sima qualidade do som. As músicas não são entendidas, e a execução
parece horrível, não sendo agradável aos que participam. A mensagem
136 ˃˃˃

não é bem absorvida, e uma má qualidade de som causa distração e


incômodo.
- Como o cantar e falar são atividades centrais realizadas nos
prédios de uma Igreja seria importante investir na qualidade e qualifi-
cação de pessoal.

▪ Músicas mal escolhidas

É importante compreender qual o momento, e nem tanto qual a


música. Classificar as músicas segundo seu assunto é importante para
selecioná-las, e usá-las da maneira que o culto e o momento exija.

▪ Verificação dos equipamentos e instalações

Aqui será importante analisar com uma equipe técnica como es-
tão as condições dos equipamentos e as instalações dos mesmos. Por
exemplo, um violão pode ser bem tocado por um instrumentista habi-
lidoso, mas se o cabo estiver com problemas haverá ruídos desagradá-
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veis e que podem atrapalhar a adoração.

▪ Acomodações inadequadas

- Temperatura: frio, quente são fatores que podem prejudicar


uma reunião;
- Iluminação: se mal feita causa irritação, ou sono, ou má visibi-
lidade, dificuldade de leitura;
- Acomodações: talvez os templos evangélicos sejam os mais mal
equipados, pois possuem assentos desconfortáveis, em que pessoas às
vezes passam não menos de uma hora e meia. Alguns líderes verificam
isto e oferecem acomodações mais adequadas.

▪ Elementos de distração

Roupas indecorosas ou extravagantes, excesso de movimento


corporal, demonstração explicita de apatia dos ministrantes, animação
exagerada, demonstração de habilidades dos músicos, decoração exa-
˂˂˂ 137

gerada....
“Quando o louvor é realizado com músicos e cantores despreparados
e mal ensaiados, cantando músicas impróprias para o momento, num
ambiente impróprio, utilizando equipamento inadequado, sendo
operado por técnicos inabilitados, o diabo não precisa nem aparecer
para atrapalhar.”
Atilano Mudadas

Vamos verificar, com ajuda de Ramon Tessmann (2002), que exis-


tem motivações e conceitos errados que impedem o Louvor e a Adora-
ção:

▪ Conceitos errados

Apesar da simplicidade dos versos bíblicos relacionados a este


assunto, não é difícil formar conceitos errados sobre louvor, principal-
mente sobre louvor congregacional, e incrustar pensamentos e ideias
errôneas em nossa mente. Talvez, a música leve grande parte da culpa,
sendo uma arte poderosa para levar o ser humano a muitos caminhos
contrários aos de Deus para o louvor. Observe:
- Apenas uma mera apresentação - um grande número de ir-
mãos trata o período de louvor congregacional como uma apresenta-
ção, onde um grupo musical sobe à plataforma para entoar cânticos à
igreja. Ao tocar neste assunto, lembro-me de uma história onde uma
igreja situada na Austrália possuía a seguinte frase talhada em seu púl-
pito: “Queremos ver a Jesus”. Esta frase sempre lembrava o dirigente de
louvor, que as pessoas não estavam ali por causa dele ou por causa do
grupo de louvor! É importante que os levitas tenham sempre em men-
te que as pessoas querem ver a Jesus e a mais ninguém, como diz em
João 12.21: “Estes, pois, dirigiram-se a Felipe, que era de Betsaida da
Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus”. A
Liturgia e Adoração

nossa tarefa é levar as pessoas a Jesus! Todos devem compreender esta


verdade antes de subir em alguma plataforma para ministrar;
- Para cativar as pessoas - em muitos lugares, o louvor está sen-
do utilizado para atrair pessoas à igreja, e não para louvar a Deus! É
comum ouvir: “vamos fazer um louvorzão para atrair os jovens!”. A
138 ˃˃˃

finalidade de um período de louvor deve ser o engrandecimento de


Deus, e para isto o povo deve estar disposto a louvar com sinceridade!
Mesmo em reuniões de “louvorzão”, Deus deve ser o centro, pois é Ele
que tem o poder de agir na vida das pessoas a atraí-las para o Corpo.
Nunca devemos esquecer disto;
- Prática de comércio - muitos músicos e cantores tratam o lou-
vor com a única finalidade de uma renda monetária extra, um sustento.
Para isso, voltam suas atenções para o comércio de CDs, fitas, livros,
apostilas. Na verdade, muitos destes “levitas” acabam se esquecendo
de Deus e de louvá-lo, como sua Palavra diz. Você lembra de o que
Jesus fez com as pessoas que iam ao templo pensando apenas em co-
mércio? A verdade é que como levitas, devemos cuidar da motivação
quando louvamos a Deus;
- Ocupar espaço no culto - muita gente que pensa que o perío-
do de louvor congregacional serve para preencher um espaço no culto.
Outros pensam que o louvor é uma animação, um momento musical
apenas ou um tempo para se levantar da cadeira e se espreguiçar ou
tomar água.
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- Preparar o povo para a palavra - não se louva para preparar


o povo para a palavra. O louvor é para o Senhor e não para a igreja.
Quão ruim seria se a única finalidade do louvor fosse a preparação para
palavra. Observamos que para muitos crentes, o louvor é apenas algo
emocional, com fins terapêuticos. A verdade é que a música pode criar
um ambiente propício para Deus falar, mas não se deve louvar pensan-
do na igreja, ou em prepará-la. Devemos louvar a Deus pensando em
Deus! Ele deve ser louvado independente da palavra, pois também sa-
bemos que é Ele que vai falar através do pastor. Alguns autores gostam
de ressaltar que se deve gastar um bom tempo com cânticos, louvor e
adoração, pois os mesmos são os atos mais importantes da reunião.

Somos desafiados pelas Escrituras a ser pessoas dispostas a lou-


var a Deus constantemente. E aqui não se pode deixar de relembrar o
Salmo 34.1: “Bendirei o Senhor em todo o tempo, o seu louvor estará
sempre nos meus lábios” (grifo do autor). O desejo é que todos os fi-
lhos de Deus entendam isto e venham a ter um coração sempre pronto
a exaltar, glorificar, e magnificar o nome d’Ele. A oração é para que o
˂˂˂ 139

Senhor ponha nos lábios de cada um os seus cânticos de engrandeci-


mento, e, sobretudo, que Ele ensine todos a tratarem o louvor como
“estilo de vida”, e não como atitudes confinadas a tempos e templos de-
terminados! Salmo 30.4: “Cantai louvores ao Senhor, vós que sois seus
santos, e louvai o seu santo nome”.

▪ Porque o louvor não flui?

Você já cantou em alguma reunião onde as pessoas pareciam não


sentir vontade de louvar a Deus? Você já dirigiu um período de louvor
onde os irmãos sequer abriram a boca ou se levantaram para cantar?
Tenho certeza que sim. Todos já enfrentaram e continuam a enfrentar
hoje esta situação desagradável. É realmente terrível quando subimos
no púlpito para louvar a Deus e nos deparamos com uma igreja fria e
morta. É realmente angustiante quando você convida a igreja para glo-
rificar a Deus e todos se calam.
Pontos chaves que podem estar atrapalhando o fluir do louvor
na sua comunidade. Observe:
- Falta de comunhão com Deus - este é o ponto básico. O centro
do período de louvor será Deus. Você não conseguirá levar as pessoas à
presença d’Ele se você não estiver em comunhão com Ele. O seu grupo
não receberá unção para ministrar enquanto não estiver buscando uma
intimidade mais profunda com o Senhor. O processo é automático. Se
você quiser que sua equipe seja abençoada, incentive cada levita a fugir
do pecado e buscar mais e mais a Deus, seja em oração, leitura da pa-
lavra ou estudos bíblicos. Como já foi mencionado, convoque o grupo
de levitas para orar antes de cada reunião. Geralmente é nesta hora que
Deus dá a direção do louvor para aquele culto. Como você vê tudo gira
em torno da intimidade com Ele.
- Falta de unidade entre os músicos, este é um problema sério e
muitas vezes difícil de resolver. O período de louvor de sua igreja pode
Liturgia e Adoração

não fluir devido á desunião entre os integrantes do grupo. Mágoa, in-


veja, brigas, discussões, fofoca, “panelinhas” e orgulho são alguns dos
erros mais cometidos. Não é difícil encontrar um músico cristão des-
contente com alguém de sua equipe. Não é difícil encontrar um cantor
magoado com outro, ou um músico orgulhoso. Tudo isso contribui para
140 ˃˃˃

esfriar o período de louvor. Uma prática que adotamos em nosso grupo


é honrar os outros músicos após uma reunião. Após louvar costuma-
mos dizer uns aos outros: “Foi bom cantar com você!”, “Foi uma bênção
ministrar louvor contigo!”, “Foi uma honra tocar ao teu lado!”. Esta
prática tem sido uma bênção para nós. Se você quer que o seu grupo
cresça espiritualmente uma palavra será essencial: a unidade!
- Falta de organização. Há grupos de louvor que vivem em co-
munhão com Deus, vivem em unidade, mas pecam na organização. Isto
atrapalha o fluir do período de louvor mais do que se imagina. Alguns
podem se perguntar: Como vou saber se o meu grupo está desorgani-
zado? Observe adiante alguns sinais da desorganização:
- Falta de entrosamento entre os músicos ou entre os cantores
- Na verdade há grupos que ensaiam pouco juntos e quando vão minis-
trar erram as harmonias, as introduções, finalizações, e/ou desafinam.
- Falta de técnica musical do dirigente de louvor - Isto deixa os
músicos e os vocais sem rumo dentro da música;
- Instrumentos em más condições, cabos chiando ou “estouran-
do”, guitarras e baixos desafinados, microfones falhando.
- Projeção de slides com erros, letras digitadas erradas, sem con-
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cordância ou falta de slides com os cânticos ou fora de ordem, letra


ilegível,
- Indefinição dos músicos ou vocais que vão louvar, acontece
quando há mais de um para cada função, Ex: dois bateristas;
- Falta de planejamento, antes do início das reuniões, principal-
mente em eventos especiais.
Percebe-se que muitos dirigentes tentam criar um clima de jú-
bilo, alegria, ou adoração sem possuir a verdadeira vida de comunhão
com o Pai. Em outros lugares, observa-se que os dirigentes nem preci-
sam convidar ou forçar a igreja a cantar, ela faz isto naturalmente.
Certamente Deus deseja fluir a sua unção nas comunidades e
abençoar os grupos de louvor, mas para isso é preciso viver em ligação
com Ele, assim como viver em unidade com o grupo de louvor Ele nos
deu!
˂˂˂ 141

• Fatores Espirituais

▪ A atitude incoerente como a Adoração em Espírito e em


Verdade

A oferta de Caim foi rejeitada (Gn 4.5; Hb 11.4)


A falta de perdão entre os irmãos (Mt 18.15-35)
A necessidade de reconciliação (Mt 5.23-24)
A falta de perdão, a amargura, o ódio, os ressentimentos, a in-
veja são barreiras para o louvor e adoração.

▪ Exterioridades e tradicionalismo

Preocupar-se apenas com o exterior. Com aquilo que os outros


estão vendo. Perigo de tudo tornar-se um espetáculo teatral. Jesus cha-
mou isto de HIPOCRISIA.
Pode haver hipocrisia no jejum (Mt 6.16-18); no dízimo (Mt 23.23;
na oração (Mt 6.5). A exterioridade corrói qualquer prática, por mais
bem intencionada e inocente que seja.
O tradicionalismo cego (porque há tradições que devem perma-
necer) torna-se um fim em si mesmo e cria a falsa imagem de espiritual
(Mc 7.1-23).

▪ A rotina

São hábitos, procedimentos que passam a controlar e impedem


de ver a necessidade de renovar, mudar, crescer e refletir. Gera como-
dismo.
Normalmente gostamos e nos sentimos mais seguros caminhan-
do por caminhos conhecidos.
Cultos mecânicos não trazem edificação. Tudo se torna cansa-
Liturgia e Adoração

tivo, monótono, previsível, assim cria frieza e distância (Is 1.14). Este
obstáculo acusa falta de intimidade e experiências renovadoras do ado-
rador com seu Criador.
142 ˃˃˃

▪ Mundanismo

É tudo aquilo que promove uma vida independente de Deus:


Pessoas, prazeres, coisas, lugares, planos, desejos, pensamentos e ações
legítimas.
É perigoso sentir-se em casa neste mundo. Deus não aceita divi-
dir a adoração com nada e com ninguém (Mt 6. 24; At 5.11)

▪ Pecado não confessado

- O pecado faz separação entre nós e nosso Deus (Is 59.1,2).


- O pecado inibe o adorador, fazendo-o sentir-se incapaz e indig-
no de adorar.
- Santificação é imperativo para nos aproximar e ver a glória de
Deus.
- Deus é Santo e ao adorá-lo precisamos estar com o coração pu-
rificado.
- Além do arrependimento, confissão e perdão dos pecados (1Jo
1.9) , é importantíssimo que cada adorador tome a postura de purificar-
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-se (2 Co 7.1; 2Tm 2.21).

▪ O desinteresse e a ingratidão

A inversão destes valores (interesse e gratidão) são obstáculos


perigosos e perniciosos na adoração. Quando buscamos primeiro todas
as demais coisas e se sobrar tempo, o reino de Deus (Mt 6.33), não con-
seguimos adorar em espírito e em verdade .
Nossa atenção deve estar no Senhor e nas coisas que são de cima
(Fp 4.8)
“Em tudo dai graças” – não temos motivação para adorar se não
perceber a vida desta forma.

▪ A preguiça e a negligência

O cansaço atinge a qualquer um. O ser humano tem facilidade


em arrumar desculpas para não se envolver nem se comprometer com
˂˂˂ 143

o Reino de Deus.

EXERCÍCIOS
1. Quais fatores naturais que você identifica como elementos que
atrapalham na adoração em sua comunidade?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
2. Quais fatores espirituais que você identifica como elementos que
atrapalham na adoração em sua comunidade?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________

SEÇÃO 3 – ADORAÇÃO, POSTURAS, FORMAS DE EXPRESSÃO,


MODO DE VIVER

Nosso coração, postura, respostas e mesmo a direção em que


cantamos vão ser afetados pelo desejo de bendizer ao Senhor, a ponto
de se tornar um estilo de vida. Aventure-se a experimentar esta propos-
ta de vida feita por Jesus: Adoração como jeito de viver!

• Adoração como Forma de Expressão

Observe que nas escrituras e na vida das pessoas, o ser, de forma


integral, é convocado para adoração.
Liturgia e Adoração

▪ Posturas notadas nas escrituras:

- a boca que ri
- a boca que canta
- o joelho dobrado
144 ˃˃˃

- a cabeça inclinada
- as mãos que batem palmas
- a voz que grita
- as mãos levantadas
- a cabeça erguida
- o corpo que dança

▪ Note que a posição mais comum verificada nas igrejas


(SENTADA) não é mencionada.
▪ A Bíblia menciona estas posturas quando se está na pre-
sença santa de Deus, é um tempo especial no céu e na terra.

Uma ilustração que ajuda a compreender a visão geral da práti-


ca da adoração é a do Pai que reúne seus filhos. Normalmente vemos
a adoração como um ato religioso. Quando filhos estão reunidos eles
falam as coisas como são, não usam máscaras, falam o que pensam e o
que sentem. Não há sofisticação alguma. Há muita liberdade de expres-
são, de ser. Até mesmo intimidade. Podemos amar o Pai, livremente,
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abertamente, sem restrições.

• Exemplos na Palavra

▪ Davi – 2 Samuel 6.16-23

Quando chegou a arca ele não construiu uma plataforma e um


trono onde todos pudessem vê-lo adorar a Deus, nem colocou seus tra-
jes reais. Ele simplesmente coloca um manto de linho e junto com o
povo, sai vibrando por causa de Deus. Não se importa com quem está
olhando, ou com o que vão dizer.
ELE ADORA A DEUS DE TODO O CORAÇÃO,
DO MODO COMO ESTAVA SENTINDO.

▪ Mical

Do outro lado está Mical. Ela desprezou a Davi. Estava aterrori-


zada, escandalizada com o marido. Ela desabafa, critica e condena, pois
˂˂˂ 145

ele não agira como um rei. Lembre-se, ela era filha de Saul, fora educada
para se comportar como rainha. Ela jamais se rebaixaria a tanto.
Ela não estava vendo da perspectiva de Deus. Tanto é que Davi
foi abençoado e Mical amaldiçoada. Ela jamais pode ter filhos. Uma pe-
sada punição pela opinião própria. No entanto ADORAÇÃO NÃO É
UM ASSUNTO PARA SE EMITIR OPINIÃO PRÓPRIA, POIS O QUE
VALE É SOMENTE A OPINIÃO DE DEUS.
Alguém certa vez disse: Ninguém está verdadeiramente livre
para NÃO fazer alguma coisa, até que esteja livre para faze-lo. Nin-
guém está dizendo que você deve bater palmas, mas você está disposto
a faze-lo sempre que o Espírito de Deus toca-lo? Você não vai ser mais
espiritual, mas o que amarra você? Você não precisa levantar as mãos
em todos os cânticos, mas você estaria disposto de levanta-la para o Se-
nhor quando esta é a resposta do seu coração.

• Adoração como Forma de Viver

Saul tinha sido um rei escolhido pelo povo por causa da sua apa-
rência. Era o mais alto, mais simpático, o mais político, pois queria agra-
dar mais ao povo que a Deus.
Deus não escolheu um soldado, mas aquele a quem escolheu fez
fugir exércitos e derrotou gigantes. Não escolheu um sacerdote, mas
alguém que foi um homem segundo o coração de Deus. Ele era um
adolescente, fiel em guardar as ovelhas, e um adorador. Qualidades que
não o colocariam na lista de alguém que estivesse procurando um rei.
Este era o estilo de vida de Davi. Muito antes de tocar harpa para
Saul a adoração já fazia parte de sua vida O Salmo 23 não é apenas um
“poemazinho”, mas descreve sua experiência com Deus, como o seu
pastor, enquanto cuidava de suas ovelhas. Muitos dos salmos foram
escritos enquanto fugia de Saul. Davi mostra que não se tornou um ho-
Liturgia e Adoração

mem amargo, mas um adorador melhor. Quando em pecado descreveu


seus horrores e a importância da confissão.

▪ Deus procura adoradores que tenham a ADORAÇÃO


COMO ESTILO DE VIDA, e não como ato religioso, separado da vida.
146 ˃˃˃

(Cl 3.16; Ef 5.18-20).


Adorador que sempre tem uma expressão, seja em situação boa
ou ruim. Adoradores que estão despreocupados com formas, com pro-
fissionais, com o esforço desprendido, tempo usado. Não depende do
dirigente, pois sua vida é de um adorador.
COMO SERIA A ADORAÇÃO DE UMA IGREJA, EM QUE DOS
MAIS NOVOS ATÉ AOS MAIS VELHOS A SEMANA FOSSE VIVIDA
EM ADORAÇÃO - NO CARRO, EM CASA, NO TRABALHO, ANTES
DO CAFÉ, NO ALMOÇO, DEPOIS DO JANTAR?
Assim, não deveriam haver períodos de silêncio nas orações, nos
testemunhos. Será que temos tão pouco a dizer? Tão pouco a agrade-
cer? Porque nossa mente se desvia em poucos segundos, quando deve-
ríamos estar concentrados n’Ele? Por que o coração está tão seco, frio,
indiferente, passivo? PORQUE NOS FALTA UM ESTILO DE VIDA DE
ADORAÇAO.
Se Deus quisesse apenas nossa obediência, teria criado robôs,
mas Ele quer de nós algo que somente nós podemos dar: nossos amor.
Em adoração chegamos diante Dele, de livre vontade para dar a Ele
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nosso amor. Seja individualmente, como congregação. Pela adoração


expressamos nosso amor a Deus. Se vivemos adorando, então é porque
vivemos amando ao Senhor.

EXERCÍCIOS

1. Qual é sua visão da pratica de adoração. Justifique


______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
3. Qual o resultado da escolha do rei feita pelo povo
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
3. Qual foi o critério que Deus usou para escolher Davi como rei?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
˂˂˂ 147

______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________

SEÇÃO 4 - MINISTRAÇÃO DO LOUVOR E DA ADORAÇÃO

Esta seção está dividida em duas partes que se complementam e


se interligam. Primeiro vamos estudar sobre as características que estão
presentes na ministração da adoração e do louvor, em seguida vamos
avaliar a pessoa do ministro. Deus abençoe seu estudo.

“Aquilo que uma pessoa adora, bem como quando e como ela adora,
determina todos os aspectos de sua vida.”
(Jack Hayford).

Em seu livro “Adoração Bíblica” (2008), o Dr. Shedd aponta qua-


tro efeitos da adoração, a saber:
- segurança íntima
- comunhão íntima da família de Deus
- busca da santificação
- desejo crescente do adorador para testemunhar (evangeliza-
ção)
Ao argumentar sobre esses efeitos, ele cita uma declaração de
autor desconhecido, que diz: “A adoração transforma o adorador na
imagem do Deus diante do qual ele se curva.”

• Tipos de Adoração
Liturgia e Adoração

- Adoração redentora –vemos Deus, no jardim do Éden, após o


pecado haver maculado o lugar, revelando a Adão, juntamente
com a promessa de um Salvador (Gn 3.15) uma adoração reden-
tora. Adoração centralizada na “Ceia” – (1Co 11.23-26) – O san-
gue de Jesus constitui a base de todas as operações redentoras,
148 ˃˃˃

restauradoras e renovadoras de Deus.


- Adoração permeada de fé - Deus chama Abraão a exercitar
uma “adoração permeada de fé”, prometendo fazer dele, por
intermédio dessa adoração, um veículo de bênçãos para todas
as famílias da terra (Gn12.1-8). Rompeu com o comodismo, le-
vantou-se e partiu para onde DEUS designara. Ordem de Deus
hoje: Hb 10.25. – Não deixemos de Congregar-nos. Isto envolve:
Levantar; Sair de casa; Chegar na hora; Assumir a atitude cer-
ta; Acompanhar a ordem de culto; E nos preparar para receber
instrução de outros (que as vezes não nos inspiram lá grande
admiração). Esta Adoração nos leva a servir a Deus e influen-
ciar vidas.
- Adoração Libertadora - Deus chama Moisés a praticar uma
“adoração Libertadora”, mostrando-lhe como o sacrifício de
um cordeiro salvaria da morte famílias escravizadas e lhes ofe-
receria um futuro melhor (Êx 12.1-28). Esta adoração livra o ser
humano do cativeiro, liberta sua família para que atinja todo o
seu potencial, abrindo-lhe um caminho para o futuro, sem as
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amarras do passado. Foi o que aconteceu com Moisés.


- Adoração Purificadora - Vemos ainda Deus chamando Isaías
para uma “adoração purificadora”, quando o jovem se encon-
trava na presença do Senhor, enlevado diante da grandeza di-
vina e quebrantado com sua própria pecaminosidade (Is 6.1-5).
Esta adoração acontece quando nos colocamos na presença de
Deus e esperamos nele. A comunhão pessoal com o Senhor é
insubstituível. Mt 5.8 - Jesus não disse: bem aventurados os pu-
ros de lábios, mãos, pés, mente... Não. Cristo conclama a entrar
na privacidade da comunhão com Ele em singeleza de coração
e alma totalmente aberta. Assim ocorrerá algo. Se o buscarmos
de todo coração, sem reservas, veremos a Deus.
- Adoração Capacitadora - A igreja nasce em meio a uma “ado-
ração capacitadora”, quando o Espírito Santo dá início à era de
testemunho dos crentes em Cris¬to, e os fiéis louvam a Deus,
presenciando a operação sobrenatural da graça que leva mul-
tidões ao conhecimento de Jesus (At 2). Esta adoração acontece
quando buscamos a Deus abrindo o ser à plenitude do Espírito
˂˂˂ 149

Santo. Aqueles que adoram a Deus recebem poder espiritual,


porque acham-se cheios da força de Jesus. E o poder deles não
se expressa em egoísticas exibições de suas capacidades pes-
soais (Estrelismo), mas em trabalho humilde, em conjunto, em
orações permeadas de fé e disposição de deixar o Espírito Santo
manifestar os dons por seu intermédio. É a adoração que sus-
tenta esta capacitação divina: O fato de ter sido cheio no passa-
do, não é garantia de que estejamos cheios hoje. Ef 5.18 – “con-
tinuai sendo cheios...”. Receita da plenitude contínua: Ef 5.19.
É passando momentos na presença de Deus, diariamente, em
louvor a Ele, que conservamos a vida de poder.
Cada uma dessas expressões de adoração tem o seu correlativo
nos dias atuais. E cada uma possui uma aplicação que pode instilar so-
lidez ao alicerce da vida de um músico e seu público.
O primeiro compromisso que temos de cumprir
é ser sinceros com Deus.

- Apresente-se a Deus – Rm 12.1, 2


O homem tem de se apresentar a Deus, em adoração, todo o seu
ser: corpo, mente, emoções e espírito. O resultado é uma “transforma-
ção”. Ele deixa de ter a mentalidade do mundo para ter a de Cristo. A
prova é a vontade de Deus demonstrada e comprovada em seu viver.
Verdade é que Jesus nos deixou um “Ide”, mas antes deste houve
um “vinde”.
Os discípulos foram “chamados a ele.” (Mateus 10.1)
Aprender a ajoelhar-nos – em adoração: Fp 2.11 – para que ao
nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra,
e debaixo da terra, (“inclusive dos músicos”)
“Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, que
acompanham a salvação” Hb 6.9
O dirigente de louvor, à frente de uma comunidade, serve de
Liturgia e Adoração

referência aos irmãos tanto na área musical como na condução da pala-


vra. É ele quem dirige a igreja ministrando sobre os cânticos e é respon-
sável pela condução dos irmãos dentro da música, escolhe quais partes
podem ser repetidas, inicia e finaliza os cânticos e poe a igreja a cantar
sem os instrumentos ou só com o piano. É também trabalho do dirigen-
150 ˃˃˃

te chamar a igreja para louvar, glorificar, agradecer, aplaudir, erguer as


mãos, ou se prostrar, quando sentir necessário. É verdade que muitas
comunidades já expressam seu louvor naturalmente sem precisar da
ordem do dirigente, mas às vezes é importante que se faça isto para
incentivar os irmãos a se concentrarem para louvar a Deus.
Deve haver um cuidado todo especial com a escolha dos cânti-
cos e palavras a serem ministradas. O dirigente deve ser uma pessoa
perceptível ao Espírito Santo. Como se sabe, diferentes cânticos podem
ser executados dependendo do estado de espírito da igreja. Por isso
é importante haver sensibilidade e saber como está o mover entre os
irmãos. Há reuniões onde os irmãos podem por alguma razão, estar
entristecidos, cansados ou enfrentando tempos de tribulação. Por outro
lado, há dias em que a igreja está tremendamente alegre e jubilosa, real-
mente disposta a louvar. Cânticos expressando alegria e gratidão caem
bem nesta hora. Tem-se certeza de que não existe um roteiro padrão
contendo os tipos de músicas que devem iniciar e terminar um período
de louvor. Em nossa igreja, já iniciamos o período de louvor tanto com
músicas de alegria como músicas de comunhão e até mesmo músicas
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de quebrantamento e humilhação diante de Deus. Fomos abençoados


da mesma maneira. Ainda hoje há igrejas que possuem um padrão que,
talvez por lei do ministério de música, não pode ser quebrado! Mas po-
demos entender que cada dia é diferente do outro! Não existe fórmula
secreta nem um padrão que deve ser seguido!!!

• Ambientes de Louvor

O dirigente deve discernir o ambiente de louvor da reunião. Ob-


serve adiante algumas diferenças entre os tipos de ambientes encontra-
dos na Bíblia:
- Ambiente de louvor - Salmo 100.4: “Entrai pelas suas portas
com ação de graças, e em seus átrios com louvor; dai-lhe graças
e bendizei o seu nome”.
- Ambiente de guerra - 2Cr 20.17 em diante: “Nesta batalha não
tereis que pelejar; prostrai-vos, ficai parados e vede o livramen-
to que o Senhor vos concederá, ó Judá e Jerusalém. Não temais,
˂˂˂ 151

nem vos assusteis; amanhã saí-lhes ao encontro, porque o Se-


nhor está convosco. Então Jeosafá se prostrou com o rosto em
terra; e todo o Judá e os moradores de Jerusalém se lançaram
perante o Senhor, para o adorarem. E levantaram-se os levitas
dos filhos dos coatitas e dos filhos dos coraítas, para louvarem
ao Senhor Deus de Israel, em alta voz”.
- Ambiente de quebrantamento - Salmo 51.15 em diante: “Abre,
Senhor, os meus lábios, e a minha boca proclamará o teu lou-
vor. Pois tu não te comprazes em sacrifícios; se eu te oferecesse
holocaustos, tu não te deleitarias. O sacrifício aceitável a Deus é
o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não
desprezarás, ó Deus”.
- Ambiente de adoração - João 4.23: “Mas a hora vem, e agora é,
em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e
em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem”.
- Ambiente profético - 2Reis 3.14-15,16: “Agora, contudo, tra-
zei-me um harpista. E sucedeu que, enquanto o harpista tocava,
veio a mão do Senhor sobre Eliseu. E ele disse: Assim diz o Se-
nhor: Fazei neste vale muitos poços...”.

• As Duas Estruturas do Louvor

- Louvor vertical, é o louvor direcionado a Deus. No período do


louvor vertical, os filhos de Deus se dispõem a louvá-lo, seja pelos seus
atributos, pelas suas obras maravilhosas. Comumente, costumamos fe-
char os olhos, erguer as mãos, pôr nossa mente em Deus;
- Louvor horizontal é o louvor que fala aos perdidos, ou que
fala aos filhos de Deus. Fazem parte os cânticos cujo tema seja unidade,
confraternização (ex: Recebi um novo coração do Pai; Como é precioso
irmão; Não vou calar meus lábios). No período de louvor vertical, os
irmãos costumam se cumprimentar, se abraçar, ministrar uns aos ou-
Liturgia e Adoração

tros e até mesmo pregar na forma cantada. Em Colossenses 3.16, lemos:


“A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria;
ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cân-
ticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vossos corações”.
Este é um claro exemplo de louvor horizontal.
152 ˃˃˃

• Ministros de Louvor e Adoração

A adoração não consiste apenas em cânticos, louvor, glória e ho-


menagens na forma de expressões verbais ou corporais. Uma adora-
ção autêntica traduz-se sempre num estilo de existir, onde a vida em si
mesma se transforma em verdadeira poesia. A adoração deve consistir
numa das mais altas expressões de amor. Revela-se na gentileza, na
ternura do olhar, na mansidão, na compaixão, no ouvido atento e soli-
dário que é oferecido a quem sofre, na pureza, na piedade e no serviço.
A adoração autêntica se expressa num estilo de vida que tem como ar-
quétipo e referência o Carpinteiro de Nazaré. A adoração é sempre um
gesto de amor. Quem adora, ama e quem ama de verdade, adora. Na
adoração, a alma vive uma das mais divinas de todas as experiências
humanas.

▪ Qualificações para um bom dirigente de Louvor

Ao dirigente de louvor cabe uma tarefa muito especial, condu-


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zir o povo à presença e à adoração a Deus. Assim, sobre ele recai uma
responsabilidade, mas também um imenso privilégio. Por esta razão o
dirigente deve estar consciente disso e ao mesmo tempo devidamente
preparado e qualificado para a condução do louvor.
As suas qualificações devem estar tanto relacionadas à habilida-
de musical específica, quanto àquelas relacionadas à soberania de Deus
e a sua ética pessoal.
Kléber Lucas e Luciano Vilaça (Livro 05) descrevem as qualifica-
ções da seguinte maneira:

▪ Qualificações Musicais

- Não é necessário que o dirigente de louvor seja um cantor (a)


por excelência. Mas deve possuir habilidades musicais míni-
mas.
- Deve possuir uma boa voz.
- Ter ritmo e cadência musical;
- Ser afinado e saber distinguir o tom de uma música.
˂˂˂ 153

▪ Qualificações Espirituais

- Ser chamado e equipado por Deus


- Ser uma pessoa imersa numa profunda experiência com o
amor de Cristo – Ef 3.13-19
- Ser uma pessoa conhecedora da Palavra de Deus.
- Ter uma boa reputação
- Não deve ser uma pessoa nova na fé.
- Ser uma pessoa com uma profunda relação com o Espírito
Santo
- Ser uma pessoa submissa – Ef 1.19-23; 3.10; 5.21; 6.2, 3.

• Adoração: Uma Expressão de Amor

Ron Kenoly destaca algumas qualidades e alguns cuidados:


- Estar na presença de Deus
- 100% da atenção deve estar concentrada em Deus;
- Cuidado com as distrações, como por exemplo: assegurar que
tocamos os instrumentos corretamente, tentar falar palavras
adequadas. O medo do ser humano é o que o impede de con-
centrar toda atenção no Senhor.
- Buscar primeiro o Reino de Deus
- Para que possa conduzir outras pessoas à presença de Deus,
deve conhecê-las e ser um líder em quem elas possam confiar.
- Cuidado para que as diferenças culturais não se transformem
em obstáculos à adoração.
- Evite o espírito de Lúcifer: este é o espírito de alguém que,
por causa de suas habilidades, começa a pensar que ele é mais
importante do que realmente ele é. Isto acontece especialmente
quando os talentos e as habilidades dos líderes de louvor são
Liturgia e Adoração

um pouco mais refinados (de acordo com os padrões do mun-


do) do que os das pessoas que exercem autoridade sobre eles.
- O espírito de Lúcifer divide
- Controle seu Ego
154 ˃˃˃

▪ Cinco descrições do dirigente de louvor

- Um bom estudante da Palavra.


- Salvo, de uma forma radical, por uma experiência com Jesus
Cristo.
- Um líder ousado, que exerça autoridade e lidere.
- Um músico ou um cantor capaz.
- Ser submisso à autoridade.

▪ Dez atitudes num líder de louvor que incomodam


o Pastor

- Não começar na hora;


- Não terminar a tempo;
- Falar muito antes, durante e depois do culto;
- Cantar hinos que não são apropriados para a adoração;
- Roupa inadequada.
- Ir muito além das pessoas e perder-se no seu próprio mundo.
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- Abuso verbal com relação à congregação quando a resposta


não é a desejada.
- Cantar numa tonalidade muito alta ou muito baixa, para a
congregação.
- Redundância por cantar os mesmos hinos semana após sema-
na.
- Ter a sua própria agenda. Por exemplo: usar a posição de líder
de louvor como degrau para um contrato de gravação.

▪ Dez atitudes que incomodam um líder de louvor


no que diz respeito ao seu pastor.

- Falta de apoio da parte do púlpito (do pastor).


- Cortar o período de louvor em virtude de limitações de horá-
rio.
- Um pastor (e esposa) que não participam do louvor.
- Ouvir sobre todos os problemas sem qualquer apreciação pe-
las boas coisas.
˂˂˂ 155

- Ser solicitado a executar um número de improviso (isso é mui-


to constrangedor quando a equipe de louvor não conhece o
hino solicitado).
- Quando a esposa do pastor deseja liderar o departamento.
- Não enviar o líder de louvor a seminários e conferências que
seriam de grande ajuda à igreja.
- Não alocar orçamento suficiente para a compra de um bom
equipamento musical.
- Pastores que não gastam um tempo de qualidade com os seus
líderes de louvor para orar e aconselha-os, especialmente em
tempos difíceis.
- Pastores que não confiam na capacidade de seus líde¬res de
louvor para formar uma equipe de primeira qualidade.

Para Atilano Muradas os atributos e características de um minis-


tro de Louvor e Adoração podem ser assim colocadas:
- Buscam o Senhor através da oração e leitura da Bíblia.
“Bem-aventurados os que trilham caminhos retos, e andam na
lei do Senhor. Bem-aventurados os que guardam os seus esta-
tutos, e o buscam de todo o coração. De todo o meu coração te
busco; não me deixes desviar dos teus mandamentos” (Sl 119.1,
2, 10);
- São humildes. “Bem-aventurados os humildes de espírito,
porque deles é o reino dos céus. Deus resiste aos soberbos, mas
dá graça aos humildes” (Mt 5.3; Tg 4.6). Paulo foi incisivo em
1Coríntios 4.7: “Pois, quem te faz diferente? E que tens tu que
não tenhas recebido? E se o recebeste, porque te glorias, como
se não o houveras recebido?” . O músico muitas vezes tem uma
tendência de querer se mostrar, é possível que qualquer pessoa
que estivesse no lugar dele também seria atingido por esse de-
sejo. Isso é perigoso porque, agindo assim, ele estará tentando
Liturgia e Adoração

ficar com a glória que pertence a Deus. Desta forma agiu o ma-
ligno (Ez 28.16) e também Herodes (At 12.22-33);
- São habilidosos para trabalhar. “Cantai-lhe um cântico novo,
tocai bem e com júbilo” (SI 33.3), 1Sm 16.18;
- Procuram ser pessoas segundo o coração de Deus. “Achei a
156 ˃˃˃

Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que exe-


cutará toda a minha vontade” (At 13.22);
- Procuram sempre aprender e se aperfeiçoar cada vez mais.
“. . .o entendido adquira habilidade” (Pv 1.5);
- Possuem unção de Deus para exercer suas respectivas ativi-
dades. “Mas estabelece os levitas sobre o tabernáculo do Teste-
munho, sobre todos os seus utensílios, e sobre o que lhe perten-
ce. Eles transportarão o tabernáculo e todos os seus utensílios;
eles o administrarão, e se acamparão ao redor dele” (Nm 1.50);
- Possuem consciência de que dependem de Deus para tudo
que fizerem. “Todas as minhas fontes estão em ti” (Sl 87.7);
- São fiéis no dízimo. “E, por assim dizer, por meio de Abraão,
até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos” (Hb 7.9);
- São responsáveis em tudo (horário, ensaios, em casa, no tra-
balho, na escola);
- São íntegros, retos e tementes a Deus;
- São entusiasmados. A palavra entusiasmo significa, dentre
outros, “exaltação ou arrebatamento extraordinário daquele
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que está sob inspiração divina”, ou seja, estar entusiasmado é


estar “cheio de inspiração divina”. Em outras palavras, é estar
cheio do Espírito Santo;
- Procuram ser atraentes no falar, no vestir, sem ferirem a ética,
a disciplina, o pudor e os preceitos bíblicos.
- São prudentes (moderados, comedidos, cautelosos, sensatos,
ponderados);
- São quebrantados (maleáveis e abertos à correção e ao ensi-
no);
- Não fazem acepção de pessoas;
- Por estarem investidos de autoridade, exercendo como
que um ministério pastoral, devem preencher os requisitos
de Tito 1.6-9: “... irrepreensível, marido de uma só mulher, que
tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução,
nem são desobedientes... nem irascível. nem dado ao vinho,
nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância. Deve ser
hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, temperante.
Deve reter firme a palavra. “. O v. 6, adaptado para os solteiros,
˂˂˂ 157

conclama-os a não serem pessoas que namoram desordenada-


mente, tornando-se malvistos pela congregação;
- Vivem o papel de líderes da congregação, junto com os outros
líderes. Visitam, oram pelas pessoas, participam de mutirões,
festas, vigílias, conversam com todos, indiscriminadamente.
São ministros de louvor 24 horas por dia;
- São submissos à liderança da congregação;
- São cumpridores exemplares das normas particulares da con-
gregação;
- São reverentes, mesmo em meio às danças, palmas, brados de
louvor e alegria. Não têm atitudes levianas diante do Senhor,
pois honram a sua presença majestosa;
- Participam, sempre que possível, de todas as atividades da
congregação, e não somente daquelas em que atuam;
- Aprendem a trabalhar em equipe;
- São santos (separados) e vivem exclusivamente para Deus.
O Senhor não pode agir por intermédio de uma pessoa conta-
minada pelo mundanismo. “Sede santos porque eu, o Senhor
vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2).

▪ Valores e requisitos espirituais para a função de Ministro


de louvor segundo Ricardo Corrêa:

- Escolhido por Deus, segundo os Seus critérios. 1Sm 13.14; 16.7;


- Adorador incondicional, que não vive segundo as circunstân-
cias. At 16.25-26;
- Que saiba o princípio espiritual do quebrantamento. Sl 51.17;
- Deus em primeiro lugar. Sl 132.1-5;
- Sede e Busca incessante da Presença de Deus. Sl 63.1;
- Deve ser disponível, desprendido, e sensível à voz do Espírito
Santo. At 3.8;
Liturgia e Adoração

- Busque e saiba a orientação do Espírito Santo para conduzir o


povo. Sl 43:3-4;
- Ter sua fonte de inspiração em Deus. Sl 87.7;
- Saber louvar a Deus continuamente e conduzir outros a fazê-
lo. Sl 34.1, 3.
158 ˃˃˃

- Obreiro aprovado na palavra 2Tm 2.15;


- Que vive e anda completamente pelo espírito Gl 5.16-26.
- Valente, corajoso e ousado, do ponto de vista espiritual: Ef
6.10-17; Sl 18.30-42.
- Constante na casa e na obra de Deus 1Co 15.58;
- Desembaraçado das coisas mundanas, negócios, não preso às
coisas seculares, separado 2Tm 2;4
- Saiba servir como servo Lc 22.26.
- Que toca seu instrumento com unção 1Sm 16.23.
- Que tenha uma disposição espontânea e humildade para di-
zer: “Não sei. Quero aprender” 1Rs 3.7

• As Dez Maneiras de Destruir o Ministério de Louvor

- Veja que você é o máximo no instrumento que toca, todos de-


vem apreciar seu desempenho.
- Não ore pelo grupo de louvor e nem jejue, não se aprofunde
na meditação da Palavra, não se santifique.
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- Só apareça nas reuniões que estiverem com a plateia cheia,


cultos durante a semana, nem pensar!
- Não dê o dízimo e nem a oferta, afinal você é quem deveria ser
pago para tocar.
- Despreze as habilidades daqueles que tocam com você, por-
que você já viu músicos bem melhores por aí.
- Se você não gosta das músicas que o ministro de louvor toca,
faça um partido nos bastidores e toque sempre de qualquer jei-
to, ele com certeza notará que você não está contente.
- Chegue sempre 15 minutos atrasado, nos ensaios ou nos cul-
tos, porque todos já chegaram e está tudo montado, aí então é
só você plugar e tocar.
- Não estude música e nem busque a excelência no seu instru-
mento, o levita não é prioridade no Reino.
- Não se envolva muito com o ministério, nada de classe de
levitas, sem essa de ajudar na limpeza dos instrumentos ou co-
laborar com a montagem e manutenção.
˂˂˂ 159

- E por fim, seja rebelde com a liderança, eles falam por si e não
expressam a direção de Deus.

EXERCÍCIOS:
1. Cite os quatro efeitos da adoração segundo Shedd.
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
2. Quais os tipos de adoração?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
3. Como se identifica um ambiente de adoração?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
4. Descreva algumas das características do ministro de adoração.
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
5. Quais características podem ser evidenciadas em sua vida?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________

Leitura Complementar
Ministrando o louvor com criatividade. JORGE CAMARGO
Liturgia e Adoração

• O Processo Criativo nas Escrituras

A primeira parte da palestra cujo enfoque é o processo criativo


na Bíblia aborda os seguintes pontos:
160 ˃˃˃

- A sede pelo Belo. Todos temos anseio por harmonia e beleza,


Isso tem a ver com o modo com que Deus nos fez. Deus colocou dentro
da gente esta sede por aquilo que é bonito, por aquilo que é harmonio-
so. Isso tem a ver com a própria natureza Dele e com a própria perso-
nalidade Dele que se reflete em nós. Fomos criados à Sua Imagem e
Semelhança. E Ele colocou dentro de nós esta sede.
- A resposta ao Belo que contemplamos. Respondemos espon-
taneamente ao belo diante de nós, através de palavras ou do silencio
respeitoso.
- O primeiro homem responde à criação da mulher com um po-
ema Gn 2.22-23.
- O próprio Deus responde à beleza de sua criação. Gn 1.17

▪ Deus chama para sermos criativos. Gn 1.28.

Duas maneiras para responder a esse mandato

- Em obediência
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Ex. A vida de Noé Gn 6.13ss

- Em desobediência
Ex. A torre de Babel Gn 11.1ss

▪ Salmos

Dentre os livros poéticos, o de Salmos expressa com muita pecu-


liaridade o conceito do chamado a sermos criativos em uma frase que
se repete ao longo do livro: “Cantai ao Senhor um cântico novo” Sl 33.3;
96.1; 98.1; 100.2; 144.9; 147.1; 149.1

▪ Os profetas

Os profetas, seus livros e suas vidas ilustram a amplitude do


processo criativo nas Escrituras. Muitos chamam os profetas de “poetas
inflamados’, O registro escrito de suas palavras não deixa duvidas de
que, em muitos casos, trata-se de verdadeiros poemas de inspiração
˂˂˂ 161

divina. Os profetas, portanto, são mais um exemplo de resposta ao cha-


mado para ser criativos.

▪ Jesus

Jesus, que é Deus feito gente, é a expressão maior de toda a cria-


tividade divina e também o referencial de criatividade.
- João 1.1 diz que Jesus era Deus, Jesus estava com Deus e tudo o
que foi feito foi feito através Dele.
- Colossenses 1 diz que Ele é “o Primogênito de toda a criação”.
Hebreus 1.2 enfatiza o mesmo fato de que Jesus é aquele por
meio do qual tudo foi feito.

• Ministraçâo

Texto base, 1 Samuel 16:14ss.

“Ora, o Espírito do Senhor retirou-se de SauI e o atormentava um


espírito maligno da parte do Senhor. Então os criados de Saul lhe disse-
ram: Eis que agora um espírito maligno da parte de Deus te atormenta.
Dize pois Senhor nosso a teus servos que estão na tua presença que
busquem um homem que saiba tocar harpa. E quando o espírito malig-
no vindo da parte do Senhor vier sobre ti, ele tocará com a sua mão e te
sentirás melhor. Então disse Saul a seus servos: Buscai-me pois um ho-
mem que toque bem e trazei-o. Respondeu um dos mancebos: Eis que
tenho visto um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar bem, e é forte e
destemido, homem de guerra, sisudo em palavras e de gentil aspecto; e
o Senhor é com ele. Pelo que Saul enviou mensageiros a Jessé, dizendo:
“Envia-me Davi, teu filho, o que está com as ovelhas. Jessé pois, tomou
um jumento carregado de pão, um odre de vinho e um cabrito, e os en-
Liturgia e Adoração

viou a Saul pela mão de Davi seu filho. Assim Davi veio e se apresentou
a Saul que se agradou muito dele e o fez seu escudeiro. Então Saul man-
dou dizer a Jessé: Deixa ficar Davi a meu serviço, pois achou graça aos
meus olhos. E quando o espírito maligno da parte de Deus vinha sobre
Saul, Davi tomava a harpa e a tocava com a sua mão; então Saul sentia
162 ˃˃˃

alívio e se achava melhor; e o espírito maligno se retirava dele”.

▪ Características Encontradas nas Pessoas a quem Minis-


tramos

- Estão necessitadas de esperança. (vs. 16 e 17)


A esperança é a mola propulsora da existência, e o serviço cris-
tão, o compartilhar de cargas e fardos são seus mais expressivos repre-
sentantes.
- Estão necessitadas de alento. (v. 22)
O consolo que ministramos, fruto do consolo com que somos
consolados é ferramenta poderosa de Deus para restauração de vidas.
- Estão necessitadas de graça. (v. 22b)
Graça é dom imerecido, mas é também força para viver o que
Deus chama a viver. Quando nos dispomos a servir, podemos ser usa-
dos para dar ânimo aos que carecem, como nós, desesperadamente da
graça divina.
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- Estão necessitadas de amor. (v. 21)


O apóstolo Pedro ensina sobre o efeito terapêutico do amor,
quando afirma que ele cobre ‘multidão de pecados’. 1Pedro 4.8

▪ Características dos que se Dispõem a Ministrar

- Que saiba tocar... (vs. 16 e 18)


Essa palavra é desafiadora “Que saiba tocar bem”. Não se quer
dizer com isso que tem de ser um virtuoso, fantástico, fora de série. Mas
o texto diz e está implicando que existe da nossa parte uma responsabi-
lidade em fazermos o nosso trabalho, dentro das nossas limitações, da
melhor maneira, com o máximo de empenho. Não é com médio empe-
nho, não com um empenho razoável, é com o máximo de nós.
- Forte e Destemido. Há uma parte do trabalho que por certo
cabe a nós. Temos de ser fortes e destemidos, determinados a fazê-la.
Mas precisamos principalmente deixar Deus fazer a parte dele. não va-
mos querer fazer a parte dele por nós ou por ele.
- Homem de guerra. Aqui é quase desnecessário dizer que, en-
˂˂˂ 163

quanto ministros do Senhor, seja em que área de atuação e de ministé-


rio, sempre temos que levar em consideração que estamos em uma luta
espiritual. E a luta pelas almas humanas. Que a nossa ministração e a
ministração da Palavra trabalham juntas para conquistar. E que há uma
turma, há um bando do outro lado que não está feliz com isso. E isso
sempre vai estar presente, vai ser ponto de tensão no ministério diário.
Estamos numa guerra, é preciso sempre lembrar isso.
- Sisudo em palavras. Há várias interpretações para esta expres-
sao. Mas deve-se pensar nos adolescentes e em sua forma de comunica-
ção muitas vezes monossilábica.
Há uma versão da Bíblia em inglês que traduz essa expressão
como ‘prudente em palavras’, ou cuidadoso com elas.
Essa é uma recomendação extremamente pertinente aos que se
dispõem a ministrar!
- Sensibilidade. v. 23: “Quando o espírito maligno da parte de
Deus vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa e a tocava com a sua mão”.
O texto não deixa claro se havia alguma expressão externa, ou alguma
característica física que mostrasse que o rei estava sendo atormentado.
Provavelmente era uma coisa tão sutil que ninguém percebia, a não ser
alguém com muita sensibilidade para observar o que estava ocorren-
do. Somos inspirados a ter esta sensibilidade na ministração. A música
certa na hora certa. A nota certa no momento certo. A atitude certa na
ocasião correta.

• O Conteúdo Básico da Ministração

O versículo 19 diz: “... pelo que Saul enviou mensageiros a Jessé


dizendo: ‘Envia-me Davi teu filho, o que está com as ovelhas’.
- Uma mensagem pastoral. Somos chamados a estar com as ove-
lhas. Somos chamados a ministrar em essência o fruto do trabalho com
Liturgia e Adoração

as ovelhas. Somos chamados a consolar, somos chamados a exortar, so-


mos chamados a construir, somos chamados a apascentar uns aos ou-
tros.
- Uma mensagem evangélica. O versículo 20 diz: ‘Jessé, pois, to-
mou um jumento carregado de pão, e um odre de vinho, e um cabrito
164 ˃˃˃

e os enviou a Saul pela mão de Davi, seu filho”. Este versículo possui
uma simbologia maravilhosa. Os elementos são símbolos da obra re-
dentora de Cristo. Em outras palavras, somos chamados a ministrar
reconciliação de Deus com as pessoas. A ministração é instrumento de
reconstrução de vidas. A ministração é ferramenta de promoção de paz.
A ministração é material bruto nas mãos de Deus para promover con-
solo, alento, amparo, bênção. Esse é o conteúdo do que ministramos, do
que é evangélico no que a palavra ‘evangélico’ tem de melhor em sua
essência.

• Benefícios a Quem é Ministrado

O versículo 23 diz: “Então Saul sentia alivio e se achava melhor”.


A ministração deve produzir melhora, ela deve produzir edificação,
nunca o contrário.

• Benefícios a Quem Ministra


FACEL - Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras

Versículo 21: “Davi veio e se apresentou a Saul que se agradou


muito dele e o fez seu escudeiro”. O escudeiro era o acompanhante do
rei, era aquele que carregava as armas do rei, que estava sempre a seu
lado.
Essa palavra desperta a imaginação assim como a mensagem
dos profetas-poetas. A moral da história deste texto é que, quando ti-
ramos o foco dos nossos sonhos e passamos a servir ao outro, a suprir
necessidades do outro, a sensibilizar-nos com a carência do outro, e de
coração limpo e aberto ministramos para o outro, Deus começa a traba-
lhar no nosso sonho. E aí, no intervalo de uma ministração para outra,
quando voltamos para o sonho, dizemos: “Ó meu Deus! Quanta coisa
andou aqui e eu não vi! Eu estava tão ocupado lá pensando no fulano,
e ajudando e ministrando ao sicrano, que... Senhor, obrigado. O Senhor
é bom”.
Somos chamados antes de tudo para servir. À medida em que
servimos com inteireza de coração, Deus abre as janelas para nossos
próprios sonhos.
˂˂˂ 165

RESUMO DA UNIDADE

Chegamos ao fim do presente livro, nesta ultima unidade trata-


mos sobre o ministério da adoração na igreja, falamos sobre adoração
e crescimento da igreja, as quatro dimensões do crescimento da igreja,
crescimento pessoal na música e adoração, falamos das atitudes que
impedem a adoração, os fatores matérias e espirituais, também ques-
tionamos porque o louvor na flui? Vimos que a adoração verdadeira é
uma forma de viver, e achamos na Palavra exemplos de adoração, cons-
tatamos que Deus procura adoradores que tenham a adoração como
estilo de vida.
Abordamos as características presentes na ministração da ado-
ração e do louvor, também avaliamos a pessoa do ministro de louvor,
e os diferentes tipos de adoração, bem como os ambientes de louvor e
as estruturas do louvor, definimos as qualificações necessárias para um
bom dirigente de louvor, e alguns pontos interessantes como as atitudes
do líder de louvor que incomodam o pastor e por sua vez, as atitudes do
pastor que incomodam o ministro do louvor, neste ponto concluímos
que a tolerância é o melhor para conseguir manter o equilíbrio e não
incorrer em nenhumas das dez maneiras de destruir o ministério de
louvor, que é parte importante da vida eclesiástica.
Agora você tem informações preciosas que podem ajudar sua co-
munidade a ter excelência no que diz respeito ao louvor e adoração.
Concluímos que a adoração tem muito poder e...
Minha oração é que o Senhor encontre VOCÊ,
como aquele(a) que o adora em espírito e em verdade, conduzindo o
Seu povo à Sua presença pelo
Louvor e Adoração! Amém!

Djoni Schallenberger
Liturgia e Adoração
˂˂˂ 69

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˂˂˂ 73

APENDICE A- RESPOSTAS AOS EXERCÍCIOS

UNIDADE 1 – LITURGIA E CULTO

SEÇÃO 1 – CONCEITUAÇÕES

1. A palavra LIT-URGIA tem sua origem do grego clássico e é composta de


duas raízes:
Liet – leos – laos: povo, público – ação do povo, obra pública, ação feita para o
povo, em favor do povo.
Ergomai (ergom): operar, produzir (obra), ação, trabalho, ofício, serviço...
Traduzindo literalmente leitourghía significa: “serviço prestado ao povo” ou
“serviço diretamente prestado para o bem comum”, serviço público.

2. Na tradução dos LXX foram escolhidos termos técnicos para o uso pro-
fano e para o uso religioso. Por exemplo: quando os dois termos se referem
ao culto prestado a Javé pelos sacerdotes e levitas é usada a palavra LEITUR-
GHIA, LEITURGHEIN; quando ao invés se refere ao culto prestado a Javé pelo
povo a palavra era LATREIN, DULIA.
Na intenção dos LXX, a palavra “liturgia” é o termo técnico para indicar o
“culto levítico”, ou seja, uma forma cultual fixada por um “liturgo”- (livro da
lei). Esta palavra liturgia exprime e engloba: a ação do culto, através do qual
se serve a Deus e somente a Ele, na sua “tenda”, no seu “templo” e sobre o
seu “altar”; a unidade de um culto, o qual é destinado a Javé, único Deus ver-
dadeiro, e também único na sua realização. A “liturgia” é marcada, portanto,
pelo espírito de escravidão (Lv 23).
Em sentido profano “Os magistrados são ministros (leiturghoi) de Deus” (Rm
13.6). “Os pagãos têm participação dos bens espirituais dos judeus. Por isso
devem assistir-lhes com as coisas materiais” (Rm 15.27). “Assistiu-me em mi-
nhas necessidades (Leiturghoi) e arriscou a própria vida para prestar-me ser-
viços” (Fl 2.25-30). “Arrecadar esmolas para os cristãos de Jerusalém é prestar
“liturgia” aos “irmãos” (2Cor 9.12).

3. Na época helenística, liturgia significava:


- Serviço obrigatório a uma pessoa ou classe de quem se recebia algum bene-
fício (ato social).
74 ˃˃˃

- Culto religioso. O serviço era prestado aos deuses através de uma pessoa –
sacerdote – em nome da comunidade. Com o passar dos anos, porém, a pala-
vra “liturgia” perde o sentido de ação para o público e toma o sentido de culto
devido a Deus. É nesse sentido que a palavra “liturgia” aparece na tradição
grega do Antigo Testamento, até o Cristianismo.

4. Este Concílio define liturgia como “a ação sagrada através da qual, com um
rito, na Igreja e mediante a Igreja, é exercida e continuada a obra sacerdotal de
Cristo, isto é, a santificação dos homens e a glorificação de Deus”.

SEÇÃO 2

1. Se repete como padrão por toda a Bíblia e aponta para uma verda¬de
central: o processo de adoração é sempre iniciado por Deus. A adoração hu-
mana é uma resposta à iniciativa divina. Esse padrão pode ser observado tanto
no Antigo como no Novo Testamento.

2. A adoração no Israel antigo não era estática. Ela começou nos altares
primitivos e sacrifícios voluntários de Abraão e seu povo, passou pelas festas
e a Páscoa prescritas por Moisés e chegou à elaboração iniciada no tabernácu-
lo e concluída na organização do programa musical feito por Davi. Contudo,
houve uma mudança derradeira, ocorrida no momento em que a nação sofreu
o julgamento divino por sua idolatria e desobediência.

3. Na Antiga Aliança o culto era racialmente focalizado no judeu, geografi-


camente em Israel (Jerusalém), temporalmente no sábado e mediatoriamente
no sacerdote. Você verificará na próxima seção que no Novo Testamento ele é
descrito de forma descentralizada.

4. A sinagoga tornou-se o centro de adoração depois do exílio de Israel.


Toda comunidade que tivesse pelo menos dez homens judeus poderia ter uma
sinagoga. O louvor marcava o início dos trabalhos religiosos na sinagoga. Em
seguida, vinham as orações e a declama¬ção do Shemá: “Ouve, Israel, o Se-
nhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6. 4). Depois dessas orações fazia-se
a leitura das Escrituras Hebraicas, seguida de um sermão baseado em uma
ou mais das pas¬sagens lidas. O culto na sinagoga serviu efetivamente como
˂˂˂ 75

ponte entre a adoração hebraica e a cristã.

SEÇÃO 3

1. Apesar de não encontrar¬ uma ordem específica de culto do Novo Tes-


tamento, observa-se o destaque de alguns elementos que foram importantes
para os primeiros cristãos. Esses discípulos adoravam por meio da oração (At
2. 42), do canto (Cl 3. 16), da leitura, da pregação e do ensino das Escrituras
(1Tm 4. 13), das ofertas (1Co 16. 2) e da celebração da ceia do Senhor (1Co 11.
17-34).

2. Adorar a Deus, além de uma vida de obediência e submissão, é também


oferecer algo que mexe com o coração de Deus, sem mistura, contaminação,
nem para aparecer e receber a glória e os aplausos dos humanos. A adoração
deverá ser exclusiva e total, nunca dividida ou parcial.

3. Em primeiro lugar entende-se que não existem lugares específicos para


o louvor e adoração. Todos os lugares são perfeitamente aceitáveis para um
relacionamento criativo com Deus, basta conferir os textos dos evangelhos que
apresentam Jesus em espaços considerados “inapropriados”, como por exem-
plo, a casa de Publicanos.
A dependência de espaços “santos” para relacionamento com o eterno conduz
a uma dicotomia entre o “sagrado” e o “profano”.
Sendo que a supervalorização de “lugares adequados” conduz a uma segunda
questão não menos importante, a supervalorização de pessoas com qualida-
des extraordinárias.

4. Resposta pessoal.

SEÇÃO 4

1. Os primeiros cristãos eram judeus e por isso o culto da igreja primiti-


va inspirou-se na liturgia das sinagogas. Nestas, após uma invocação inicial,
eram recitados o “Shema” (credo baseado em Dt 6. 4-9 e outros textos) e o “Te-
philah” (conjunto de orações). A seguir, eram lidas passagens do Pentateuco
e dos Profetas, seguindo-se uma exposição do texto. Também eram cantados
76 ˃˃˃

salmos, especialmente o “Hallel” (113-118). Seguindo esse modelo, o culto


cristão original foi extremamente simples, constando de orações, cânticos, lei-
turas do Antigo Testamento e das “memórias dos apóstolos”, exortações pelo
dirigente, coletas em prol dos carentes e celebração dos sacramentos, em espe-
cial a Ceia do Senhor, ou Eucaristia.

2. Entende-se o culto como um fenômeno complexo, catalisador das diver-


sas dimensões teológicas, assim como de diferentes artes, pode-se pensar que
outras disciplinas podem fornecer uma contribuição preciosa para a constru-
ção de uma liturgia à brasileira.
Ao participar do culto, o ser humano o faz na sua integralidade, já que todas as
suas dimensões interagem simultaneamente: a dimensão corporal, a dimensão
psicológica (racional, afetiva, volitiva), a dimensão espiritual.

3. A declaração de Nairobi sobre culto e cultura, afirma que, o Jesus a quem


oferecemos culto, nasceu em uma cultura específica do mundo. No mistério de
sua encarnação se encontra o modelo e o mandato para a contextualização do
culto cristão [...] Os valores e as normas de uma determinada cultura, na medi-
da em que estão de acordo com os valores do Evangelho, podem ser aplicados
para expressar o sentido e o propósito do culto cristão.

4. É no culto que a igreja demonstra a sua identidade, seus valores, e se-


meia o germe de sua práxis. Dado que a liturgia é “a reunião do povo de Deus
para celebrar os atos libertadores de Deus na história dos seres humanos e
para anunciar ao mundo essa mesma libertação”, é durante esta reunião que
o povo de Deus revela o compromisso para como o outro ser humano e com a
criação.

5. Liturgia é missão de Deus para o mundo. Não é apenas uma preparação.


O que nós fazemos enquanto estamos reunidos é de importância fundamental.
[...] É nela que nos damos conta do fato de sermos “corpo de Cristo” dissemi-
nado no mundo. E portadores do Espírito Santo, senhor e doador da vida.
˂˂˂ 77

UNIDADE 2

SEÇÃO 1

1. Resposta pessoal.

2. Resposta pessoal.

3. Resposta pessoal.

SEÇÃO 2

1. Resposta pessoal

2. Resposta pessoal

3. Resposta pessoal

4. Resposta pessoal

SEÇÃO 3

1. Em CI 3.16, o apóstolo indica claramente que há três tipos de músicas


que devem ser usadas na igreja: salmos, hinos e cânticos espirituais.

2. Tudo o que é inspirado por Deus, criado por ele e utilizado somente em
honra dele, por pessoas cuja vida é santa, é sacro.
Uma música pode ser inspirada por Deus, cantada para ele, mas, se as vidas
não forem d’Ele, é profana.

3. O Canto Congregacional deve ser um momento, ao mesmo tempo de


grande júbilo, e de espírito festivo, mas sólido, consistente e positivo.
Evite hinos ou cânticos desconhecidos nos cultos. O dirigente pode ser criativo
em perceber que existem vários espaços na igreja para ensaiar hinos ou cânti-
cos novos.
78 ˃˃˃

SEÇÃO 4

1. É importante que o repertório dos cultos públicos não contemple apenas


um estilo musical. A igreja precisa ser a igreja de todos. Os lideres responsá-
veis pelo planejamento dos programas de adoração devem conhecer bem seus
membros, suas preferências e tendências e adotar um repertório diversificado
que contemple as diversas faixas etárias.

2. Planejar com cuidado, Diversificar com criatividade, Promover o equilí-


brio, Envolver o adorador, Respeitar as diferenças

3. Resposta pessoal.

4. Resposta pessoal.

UNIDADE 3

SEÇÃO 1

1. Resposta Pessoal

2. Razões que motivem a louvar a Deus não faltam. Este assunto, em parti-
cular, pode ser explicado de forma bem simples. Na verdade, os motivos para
louvar a Deus se resumem em dois: louvor pelo que Ele é, e pelo que Ele faz.

3. Resposta pessoal

SEÇÃO 2

1. A Adoração se faz real em Cristo e por meio de Cristo. A verdadeira ado-


ração passa pelo ministério redentor de Cristo. É impossível Ter comunhão
vital com Deus sem o ato redentor. O sacrifício perfeito de Cristo é a garantia
de que se pode adorar. Cristo é o meio adequado para adoração. Cristo revela
o Pai (Hb 1.2). Ele é o único por quem se pode Ter um conhecimento adequado
do Pai (Jo 17)
˂˂˂ 79

2. - O Espírito faz com que a adoração seja real. Por seu intermédio o ado-
rador tem intimidade com o Pai, e por sua intercessão somos interpretados
fielmente por Deus (Rm 8.26)
- Como Cristo, Também o Espírito Santo é meio e objeto da adoração.

3. - O Espírito Santo gera ações santas no coração de cada pessoa e con-


tribui para sua realização. Na adoração Ele transforma o coração. Age com o
propósito de que as pessoas se pareçam com Cristo (2Co 3.17,18). Na realidade
a adoração é uma evidência do poder transformador do Espírito Santo.
- O Espírito Santo produz uma verdadeira transformação e fortalecimento do
caráter. Quando os adoradores permitem a ação do Espírito recebendo os fru-
tos que vem Dele, produzem à verdadeira maturidade cristã (Ef 4.20-24).
- Espírito Santo melhora a qualidade de vida do adorador e fortalece suas ca-
pacidades racionais e emocionais.
- Ao ser libertado pelo Espírito Santo da escravidão produzida pela vida sem
Deus, o ser humano alcança uma verdadeira comunhão com Deus. Por isso
quando adora, o ser humano experimenta a liberdade do Espírito (2Co 3.17).
Esta experiência permite ao adorador descobrir que o Espírito atua “em”,
“por” e “com ele”, e com todos aqueles que o adoram em espírito e em verda-
de.
- A presença do Espírito faz com que Deus habite no adorador (Rm 8.9)
- O Espírito convence do pecado (João 16.8), promovendo a confissão e desem-
baraço espiritual. O Espírito renova o ser interior.
- O Espírito produz, no adorador, alegria profunda que evidência a chegada
da paz de Deus (Gl 2.22; 1Ts 1.6)
- O Espírito produz inspiração e vida para a comunidade eclesiástica. O Espí-
rito equipa e dinamiza a igreja. O Espírito guia, santifica, restaura, comissiona,
capacita, acompanha e enche a igreja de vida. Na realidade a igreja não pode
funcionar sem o Espírito, porque toda a sua capacitação vem do que recebe
Dele (1Co 12-14)
- A adoração é uma relação entre o Deus triuno e os adoradores. ”Adoração é
a comunhão do ser humano com Deus em Cristo, através do Espírito Santo”.

SEÇÃO 3

1. Na adoração a igreja aprende que é “peregrina em” e ao mesmo tempo


80 ˃˃˃

comprometida com o mundo em que vive (1Pe 2.11).


- A adoração faz a igreja lembrar que é um organismo vivo, e que existe em
resposta a um chamado e uma vocação de um Deus vivo (1Ts 1.4; 2Tm 1.8, 9;
Ef 4.4)por isso a igreja está em constante renovação. Na adoração a igreja en-
contra sua vitalidade e sua identidade.
- A igreja é edificada na adoração. Seu estilo de vida e forma de agir são ma-
neiras de adoração.
- Como comunidade em adoração a igreja trabalha pela integração de todo o
corpo (Ef 2.14). Na adoração Deus mostra seu interesse pelo ser humano. A
comunidade recebe o amor de Deus e é desafiada a amar como uma comuni-
dade eclesiástica.
- Quando a igreja adora se torna sensível aos sofrimentos dos seres humanos
e se transforma em canal de comunicação do propósito divino. Ao adorar a
igreja é testemunha e participante da esperança e deste modo fortalece sua
missão evangelizadora e profética (Cl 1.23). Por essa razão a igreja é desafiada
a servir, a praticar a justiça e comprometer-se com os que sofrem. Na adoração
Deus prepara seu povo para viver a vida que agrada a Ele (2Co 7.2-16)
- Na adoração Deus fala a seu povo, que em resposta celebra sua soberania,
A vida da igreja depende do Deus que ela adora. A igreja adora a Deus como
comunidade redimida, sob o senhorio de Cristo. Esse é o momento em que
a adoração se transforma num testemunho evangelístico para os incrédulos
presentes no culto.
- Na adoração todos os ministérios da igreja são integrados (Ef 4.1-6). Na ado-
ração os ministérios são desafiados a renovar seus compromissos. Adoração é
um meio de cuidado pastoral: é útil para nutrir, guiar, amar, apoiar, confortar,
exortar, fortalecer o espírito e todo o viver. O cuidado pastoral surge na reali-
dade de uma adoração autêntica.
- Na adoração Deus atua como um pastor que cuida. Na adoração todos os
ministérios apresentam seus frutos a Deus e se submetem ao seu controle para
receber a força e a orientação para seus novos desafios. A adoração entendida
como serviço implica na atitude de fidelidade e obediência à aquele que é con-
siderado autoridade suprema. Esta adoração inclui tanto os atos específicos da
adoração como o sujeitar-se a um estilo de vida que é vivido como serviço a
Deus. A adoração é vital porque é o centro da vida ministerial.
- A adoração flui como consequência natural da maioria das principais dou-
trinas bíblicas: criação, revelação, pecado, redenção, povo de Deus, esperança
˂˂˂ 81

futura.
- A igreja vê em sua celebração de adoração o cumprimento escatológico da
redenção de Deus.

2. - A adoração está exposta a alguns perigos, dos que o ser humano pode
participar
-Manipular Deus
-Tirar Deus do centro da adoração – “Usar a adoração cristã com qualquer
outro propósito que não seja glorificar a Deus, é abusar dela.”
- Considerar a adoração somente como via ascendente.
- Dar mais importância ao adorador que ao Adorado.
- Reduzir a adoração a uma simples atividade
- Confundir os meios com o fim. Adorar a Adoração e não o Adorado.
- Reduzir a resposta humana na adoração a um só aspecto da personalidade
humana.

3. - As necessidades básicas do ser humano são satisfeitas na adoração: com-


preensão, refúgio, segurança, solidão/ companheirismo culpa/perdão, ansie-
dade/paz, sofrimento/conforto, separação/santidade.
- O adorador deve adorar com todo o seu ser: corpo, intelecto, vontade, emo-
ção, vocação, relacionamentos (1Ts 5.23).
- Adoração como resposta a iniciativa divina também inclui o sacrifício (2Sm
24.24)
- O adorador responde ao Cristo crucificado e se identifica com Ele. Aceita
a redenção, e reconhece o coração amoroso do Pai. Confessa seus pecados e
descobre a misericórdia de Deus. Seguramente o melhor momento para a con-
fissão é a adoração (Tg 5.16). Ao tomar a cruz de Cristo, a adoração produz a
unidade com Cristo.
- A adoração é mais uma relação do que uma função. É mais um estilo de vida
que um evento. Não se pode adorar a Deus e ser indiferente a vontade divina
de ser justo, santo, misericordioso, amoroso, servo (Mq 6.6-8)
- Na adoração o adorador percebe sua condição real e pode iniciar seu proces-
so recuperador. Adoração ajuda a pessoa a ver-se mais claramente em relação
a toda história de sua vida (Sl 96.5). Relaciona a pessoa adequadamente com
o seu passado mostrando-lhe a poderosa ação de Deus e sua infinita graça ao
longo de toda sua vida; com seu presente, desafiando-a a uma vida digna de
82 ˃˃˃

Deus, dando-lhe um sentido e propósito para sua vida; com seu futuro proje-
tando-lhe a um futuro certo graças a promessa de vida eterna.
- Adoração proporciona condições para resistir ao que é daninho. Abre o hori-
zonte para ver como Deus vê.
- Adorar é afirmar a vida. A graça redentora lhe anima a concluir os projetos
de vida a que é desafiado. Na adoração o “ser” em busca do “Ser” encontra sua
plenitude (Sl 62.1). A adoração não implica na anulação da humanidade, mas
no seu descobrimento.
- Na adoração o ser humano desfruta a Deus (Sl 31.7; 67.4; 96.11). Ao alcançar
a fonte de vida por descobrir sua verdadeira razão de ser.
- A adoração é uma oferta divina. Deus se oferece em uma relação pessoal e o
homem responde. Na adoração o ser humano recebe sua vocação. Primeiro é
chamado por Deus a viver abundantemente e em segundo, é chamado a exer-
citar atividades em seu Reino. A adoração aceitável, em ambos os Testamen-
tos, é uma questão de responder à iniciativa divina na salvação, na revelação,
e agir de maneira que ele quer.
- A adoração é alegria, é Celebração (Sl 145-150). Deus produz a festa. O ser se
enriquece, se nutre, se purifica, e celebra seu triunfo. Adorar o Deus Vivo é a
mais significativa e perfeita atividade humana.
- Na adoração verdadeira se produzem as maiores transformações que o ser
humano pode experimentar.

SEÇÃO 4

1. Grudem define adoração como “atividade de glorificar a Deus em sua


presença com nossa voz e com nosso coração”. Verificamos, segundo esta de-
finição, que adorar é um ato que glorifica a Deus. Trata-se de algo que faze-
mos especialmente quando entramos na presença de Deus. Quando estamos
conscientes que o cultuamos de coração e quando o louvamos com a voz e/ou
sinais e dele falamos para que outros ouçam.

2. Há várias consequências quando decidimos adorar genuinamente aque-


le que é digno de ser adorado. Grudem ajuda enumerá-las:
- Na Adoração experimentamos alegria em Deus
- Na adoração Deus se alegra em nós
- Na adoração nos aproximamos de Deus
˂˂˂ 83

- Na adoração Deus se aproxima de nós


- Na adoração Deus ministra a nós
- Na adoração os inimigos do Senhor fogem
- Na adoração Os descrentes sabem que estão na presença de Deus.

3. Significa que adorar é fazer a vontade de Deus. A adoração é a consequência


de compreender “qual a vontade do Senhor”, é “remir o tempo”. Além disso,
já que Deus é eterno e onisciente, o louvor que lhe tributamos nunca desvane-
ce de sua consciência, mas continuará a trazer regozijo ao seu coração por toda
a eternidade: “Ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor
nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora,
e por todos os séculos. Amém!” (Jd 25). O fato de que adorar é uma atividade
de grande significado e de valor eterno também é evidente por ser a principal
atividade dos que já estão nos céus.

4. Uma atitude de adoração nos envolve quando começamos a ver a Deus


como ele é e então reagimos à sua presença. Até mesmo no céu os serafins que
contemplam a glória de Deus exclamam: “Santo, santo, santo é o SENHOR dos
Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3). Quando os discípulos
viram Jesus andando sobre as águas, e que o vento cessou quando ele entrou
no barco, “os que estavam no barco o adoraram, dizendo: “Verdadeiramente
és Filho de Deus!” (Mt 14.33). O autor de Hebreus sabe que quando entramos
na presença de Deus (Hb 12.18-24), a atitude adequada é “servir a Deus de
modo agradável, com reverência e santo temor, porque o nosso Deus é fogo
consumidor” (Hb 12.28-29).
Portanto, a adoração genuína tem de ser um derramamento do coração em
resposta a um reconhecimento de quem Deus é.

5. A adoração genuína tem de ser um derramamento do coração em resposta a


um reconhecimento de quem Deus é. Será que existe alguma coisa mais que se
possa fazer para tornar a adoração mais eficaz? Devemos lembrar que a ado-
ração é uma questão espiritual e que, portanto, as principais soluções serão es-
pirituais. Será necessária muita oração no preparo da adoração, especialmente
por parte dos líderes, pedindo que Deus abençoe o culto e se faça conhecido a
nós. Além disso, as igrejas precisarão receber ensino sobre a natureza espiritu-
al da adoração e da compreensão neotestamentária da adoração na presença
84 ˃˃˃

de Deus. Os cristãos precisam ser incentivados a corrigir quaisquer relaciona-


mentos interpessoais rompidos.

UNIDADE 4

SEÇÃO 1

Auto Avaliação, 8 respostas pessoais

SEÇÃO 2

1. Resposta Pessoal

2. Resposta Pessoal

SECAO 3

1. Resposta pessoal

2. Saul tinha sido um rei escolhido pelo povo por causa da sua aparência. Era
o mais alto, mais simpático, o mais político, pois queria agradar mais ao povo
que a Deus.

3. Deus não escolheu um soldado, mas aquele a quem escolheu fez fugir exér-
citos e derrotou gigantes. Não escolheu um sacerdote, mas alguém que foi um
homem segundo o coração de Deus. Ele era um adolescente, fiel em guardar as
ovelhas, e um adorador. Qualidades que não o colocariam na lista de alguém
que estivesse procurando um rei.

SECAO 4

1. Em seu livro “Adoração Bíblica” (2008), o Dr. Shedd aponta quatro efeitos
da adoração, a saber:
- segurança íntima
- comunhão íntima da família de Deus
- busca da santificação
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- desejo crescente do adorador para testemunhar (evangelização)


2. Redentora, Permeada de fé, Libertadora, Purificadora, Capacitadora.

3. A adoração não consiste apenas em cânticos, louvor, glória e homenagens


na forma de expressões verbais ou corporais. Uma adoração autêntica traduz-
-se sempre num estilo de existir, onde a vida em si mesma se transforma em
verdadeira poesia.

4. -Escolhido por Deus, segundo os Seus critérios;


-Adorador incondicional, que não vive segundo as circuns¬tâncias;
- Que saiba o princípio espiritual do quebrantamento;
- Deus em primeiro lugar;
- Sede e Busca incessante da Presença de Deus;
- Deve ser disponível, desprendido, e sensível à voz do Espírito Santo;
- Busque e saiba a orientação do Espírito Santo para conduzir o povo;
- Ter sua fonte de inspiração em Deus;
- Saber louvar a Deus continuamente e conduzir outros a fazê-lo;
- Obreiro aprovado na palavra;
- Que vive e anda completamente pelo espírito;
- Valente, corajoso e ousado, do ponto de vista espiritual;
- Constante na casa e na obra de Deus;
- Desembaraçado das coisas mundanas, negócios, não preso às coisas se-
culares, separado;
- Saiba servir como servo;
- Que toca seu instrumento com unção;
- Que tenha uma disposição espontânea e humildade para dizer: “Não sei.
Quero aprender”.

5. Resposta pessoal.
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ANOTAÇÕES
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ANOTAÇÕES
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ANOTAÇÕES

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