UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP CAMPUS SOROCABA – CURSO DE
DIREITO
Emilyn Gome Passos
Felipe Pereira Regassi
Ivan Vinícius de Melo Nogueira
Iran de Carvalho Ramos Filho
AS ALTERAÇÕES DO ARTIGO 421 DO CÓDIGO CIVIL COM A
INTRODUÇÃO DA LEI DA LIBERDADE ECONÔMICA
Sorocaba
2023
Emilyn Gome Passos
Felipe Pereira Regassi
Ivan Vinícius de Melo Nogueira
Iran de Carvalho Ramos Filho
AS ALTERAÇÕES DO ARTIGO 421 DO CÓDIGO CIVIL COM A
INTRODUÇÃO DA LEI DA LIBERDADE ECONÔMICA
Trabalho para aprovação na disciplina de
Atividade Práticas Supervisionadas – APS
apresentado à Universidade Paulista –
UNIP.
Orientador Prof. Rodrigo Ratto Cavalheiro
Sorocaba
2023
SUMÁRIO
A função social e a nova lei da liberdade econômica.................................................................... 4
Antigo artigo 421 do código civil de 2002 .................................................................................... 6
Novo artigo 421 do código civil com a lei da liberdade econômica ............................................. 7
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................ 9
A função social e a nova lei da liberdade econômica
Em 20 de setembro de 2019, a Lei da Liberdade Econômica, que até então,
apresentada como uma medida provisória, em abril do mesmo ano, foi sancionada com
algumas alterações pelo Congresso Nacional, originando assim a Lei n° 13.874/2019, que
em seus 20 (vinte) artigos, trouxeram modificações de legislações anteriormente
instituídas, como por exemplo: a Lei 10.406/02 do Código Civil e do Decreto-Lei
5.452/43 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
Contudo, dar-se-á ênfase específica a significativa modificação do artigo 421 da
citada Lei 10.406/02 do Código Civil, começando pela função social do contrato,
conforme expressamente mencionado no caput, em seu novo texto da lei: “A liberdade
contratual será exercida nos limites da função social do contrato”.
Assim, compreendemos a função social do contrato, mesmo que restringida a um
primeiro momento, como um dos novos princípios contratuais previstos na LLE (Lei da
Liberdade Econômica). Com isso, a função social trata-se de um princípio contratual de
ordem pública, que segundo Carlos Roberto Gonçalves, mencionando o jurista Caio
Márcio, a função social do contrato:
“...Apresenta-se, modernamente, como um dos pilares da teoria contratual.
Por identidade dialética guarda intimidade com o princípio da “função social
da propriedade” previsto na Constituição Federal. Tem por escopo promover
a realização de uma justiça comutativa, aplainando as desigualdades
substanciais entre os contraentes”
Já para Stolze e Pamplona, conforme em mencionado em um de seus manuais:
“A função social do contrato é, antes de tudo, um princípio jurídico de
conteúdo indeterminado, que se compreende na medida em que lhe
reconhecemos o precípuo efeito de impor limites à liberdade de contratar, em
prol do bem comum (GAGLIANO, 2005, p. 55).”
Com base nesses entendimentos, vemos que este princípio é um dos pilares de
sustentação do direito contratual, já que visa atender os interesses da pessoa humana,
protegendo sua dignidade, sendo individual ou coletiva.
Sendo assim, tratando-se do artigo 421, a função social não elimina o princípio da
autonomia, mas atenua o alcance quando o assunto presente, se trata de interesses
individuais ou transindividuais, relativo à dignidade da pessoa humana.
Antigo artigo 421 do código civil de 2002
O artigo 421 do código civil de 2002 foi alterado durante a pandemia, como já
citado, mas antes é importante entender como era a sua redação para a sua alteração com
a Lei da Liberdade econômica. Assim, segue o artigo: “A liberdade de contratar será
exercida em razão e nos limites da função social do contrato".
A priori, necessita entender a questão da “liberdade de contratar” , em seu texto,
dizia respeito ao direito do indivíduo de poder celebrar contratos, com quem gostaria,
ou seja, vem da capacidade civil, essa que foi alterada, pois não é a questão do com
quem irá contratar que importará ao contrato, mas sim, o que irá contratar.
Outrossim, a questão “em razão da função social” foi também alterada, mas a
redação antiga tratada, mostra-se que o artigo dizia que o contrato é criado em razão da
função social, mas na prática não é o que acontece, o contrato deve ser instituído nos
moldes que respeite a coletividade e a boa-fé, mas não instituído por ela.
Com isso, essas questões abordadas da redação foram alteradas, pois havia
vários questionamentos pelos estudiosos de direito, pois a abrangência e o seu caráter
genérico do artigo, causava confusões e diversas interpretações.
Novo artigo 421 do código civil com a lei da liberdade econômica
A Lei da Liberdade Econômica (Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019) buscou
desburocratizar as relações contratuais, permitindo uma melhor capacidade de
negociação. Assim, com a introdução dessa criou-se uma série de alterações, uma delas
foi no artigo 421 do Código Civil, que inseriu tanto um Parágrafo Único com o Artigo
421-A, além de trazer novas ideias e interpretações em seu próprio caput demostrado a
seguir: “A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato”.
Como mostrado acima, o novo artigo 421 do Código Civil teve significativas
alterações em relação ao anterior, como, por exemplo, a mudança em sua redação de
“liberdade de contratar” para, atualmente, “liberdade contratual. Com isso, o ajuste
permite uma nova interpretação, pois enquanto a antiga tinha um caráter que remetia a
capacidade civil de contratar - se quiser, o novo artigo revela uma nova ideia de
possibilidade de escolher o conteúdo programático, permitindo maior capacidade
negocial.
Ademais, outra alteração em sua escrita foi a questão da função social, que antes
em seu texto trazia: “em razão”, hoje é “nos limites”; desta maneira, torna-se o contrato
executado limitado pela função social e não mais em razão dela, assim como Maria
Helena Diniz disse: “A liberdade de contratar é reconhecida, mas seu exercício está
condicionado à função social do contrato e implica valores de boa fé e probidade”.
A alteração trouxe que, além das vontades de constituir o contrato, esses serão
limitados pela função social, ou seja, não poderão afetar o interesse coletivo e ordem
pública, dado a restrição e o cercamento imposta em sua nova redação, visando reduzir
abusos nos exercícios de direitos. Nesse pensamento, dar-se-á entendimento que o Código
buscou melhor constitucionalizar o artigo, trazendo uma ideia mais cidadã e coletivas as
formulações contratuais, buscando ainda mais a questão da boa-fé objetiva e probidade,
como escrito pela autora supracitada, sendo assim, a função social como limitação da
liberdade contratual.
Por outro lado, a inserção do Parágrafo Único no artigo 421 do Código Civil, esse
mencionado a seguir: “Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da
intervenção mínima e a excepcionalidade da revisão contratual”.
Nesse viés, o novo artigo com as influências da Lei da Liberdade Econômica,
buscou reduzir a influência do Estados nas relações contratuais. Assim, a intervenção
estatal não é mais regra, mas exceção, como é a caso da Revisão Contratual instituída no
artigo 421-A III, também nova redação inserida, na qual diz que o Estado intervirá de
modo limitado e excepcional nos casos de revisão contratual. Portanto, as alterações
trouxeram uma elevação da autonomia contratual, resguardo a fiscalidade de modo
reduzido e condicionada.
Contudo, as mudanças do artigo 421 do Código Civil, a inserção do Parágrafo
Único e o artigo 421-A, buscaram restringir abusos de direitos, elevar a autonomia
contratual, considerar as condições de negociação mais paritárias – em tese, e reduzir as
intervenções do Estado em sua formulação, desde que não afete os interesses coletivos,
uma vez que essa se tornou limitada pela função social. Portanto, a reforma trouxe
importantes alterações na autonomia de negociar de modo positivo, mas ao mesmo tempo
aumenta-se as aceitações de riscos pelas partes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O antigo artigo 421 do Código Civil estabelecia alguns princípios problemáticos,
pois sua generalidade em seu discurso que, em muitas vezes não refletia com a realidade
das relações contratuais, trazia conflitos na geração destes instrumentos, dificultando os
negócios. Além disso, o artigo possuía uma alta complexidade e dificuldade na
interpretação de contratos, acarretando assim litígios, sobrecarregando os tribunais e
aumentando os custos.
Porém, a transição da "liberdade de contratar" para "liberdade contratual" é uma
mudança significativa e positiva, dada pelo novo artigo 421 do Código Civil com a Lei
de Liberdade Econômica, ressalta a importância da capacidade de negociação das partes,
permitindo maior flexibilidade na formulação dos contratos em seus conteúdos, o que
acaba por ser útil em um ambiente de negócios dinâmico.
A ênfase na "função social" do contrato é uma alteração importante que visa
equilibrar a autonomia contratual com a consideração pelos interesses coletivos e pela
ordem pública, demonstrando uma preocupação em evitar abusos e garantir que eles
contribuam positivamente para a sociedade.
No geral, sobre as mudanças introduzidas pela Lei da Liberdade Econômica tem
dois lados, destacando seus aspectos positivos como: maior mobilidade e capacidade de
negociação, e ênfase na importância da consideração pela função social do contrato; como
negativas: a elevação da aceitação dos riscos nos contratos. Essas mudanças refletem
uma tentativa de desburocratizar e flexibilizar as relações contratuais em um contexto
liberal.
REFERÊNCIA
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<[Link]
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