UNESP-MARÍLIA
ESTUDO DE CASO COM PESSOA COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA.
Discentes
Andressa Soares
Ediléia Pereira
Laís Keiko Mizote
Lívia Maria Bonadio
Patrícia Brandão
Vitória Mayumi Osawa
Marília
2024
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................2
2. ESTUDO DE CASO........................................................................................9
3. ANÁLISE CRÍTICO REFLEXIVA...................................................................11
4. REFERÊNCIAS.............................................................................................12
1 INTRODUÇÃO
A audição é um dos sentidos mais importantes para a vida humana. É o
cerne para a comunicação oral e uma forma de perceber o mundo. Dependendo
do período de aquisição, do grau, do tipo e da etiologia da perda auditiva ocorrem
diferentes consequências e impactos, tanto a nível social, linguístico, cognitivo
como emocional (SPERI,2013).
No Brasil, cerca de 5% da população é surda, o que corresponde a mais
de 10 milhões de cidadãos. Desses, 2,7 milhões possuem surdez profunda, ou
seja, não escutam absolutamente nada. No que tange ao contexto global, a
Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um quarto da população
mundial, ou cerca de 2,5 bilhões de pessoas, terá algum grau de perda auditiva.
Além disso, estima-se que existam atualmente 500 milhões de surdos no mundo,
e que 5% da população mundial apresenta algum tipo de surdez (OMS,2023).
A identificação precoce da perda auditiva já nos seis primeiros meses de
vida pode amenizar as consequências adversas da deficiência auditiva. A perda
auditiva na infância é um importante problema de saúde pública, tanto pela
frequência como pelos intensos prejuízos linguísticos, educacionais e
psicossociais que pode determinar. A necessidade de triagens auditivas no
período neonatal e nos escolares é consensual (COLUNGA,2005).
É fato que a deficiência auditiva de origem pré ou pós-lingual influencia
sensivelmente no desenvolvimento da criança. Esta situação provoca tanto na
família quanto na própria criança um impacto para habilidades de comunicação,
nas relações afetivas e sociais interferindo diretamente no aspecto psicológico,
que dependendo do grau, da etiologia ou período de aquisição da perda auditiva
sofrerá níveis diferentes de dificuldades (AZEVEDO,1997).
1.1 A audição, a deficiência auditiva e os diferentes níveis de perda
auditiva:
A audição é essencial em nossas vidas, desempenhando um papel
fundamental na comunicação humana, pois através dela é possível perceber os
sons do ambiente e a fala. A integridade do sistema auditivo torna-se
fundamental para que o indivíduo escute e compreenda apropriadamente. O
sistema auditivo periférico consiste basicamente em duas partes: a periférica
(composto pela orelha externa, orelha média e orelha interna) e a central
(formada pelas vias do tronco cerebral e centros auditivos do cérebro). A orelha
externa tem como função principal captar o estímulo sonoro e levá-lo à orelha
média. A orelha média amplifica e conduz o som até a orelha interna. A orelha
interna recebe este estímulo e o transforma em impulsos nervosos. Os impulsos
nervosos serão enviados ao cérebro pelo nervo auditivo. É no cérebro, portanto,
que se dará a compreensão do foi escutado.
Figura 1. Representação esquemática do Sistema Auditivo Legenda: 1. Orelha
externa, 2. Orelha média, 3. Orelha interna, 4. Vias auditivas
centrais.Fonte:http://www.betterhearing.org/hearing_loss/how_we_hear/how_yo
u_hear_detail.cfm
O conceito de deficiência auditiva evoluiu ao longo do tempo, com uma
compreensão cada vez maior da sua prevalência e das necessidades especiais
decorrentes dela. O atendimento a essas necessidades, que inclui intervenções
fonoaudiológicas, médicas, psicológicas e educacionais, é fundamental para
melhorar a qualidade de vida dos indivíduos afetados (FERREIRA, 2004
&ALMEIDA, 2003).
Existem diferentes níveis que podem classificar a perda auditiva em
decibéis, como:
Leve: A pessoa escuta a partir de 25 a 40 decibéis, com dificuldade de
entender a fala de outras pessoas, além de não escutar o tic-tac de um relógio
ou o cantar dos pássaros.
Moderada: A pessoa consegue escutar dos 41 até os 55 decibéis, com
dificuldades de escutar conversas em grupo.
Acentuada: Aqui, já há a necessidade de usar aparelho ou prótese
auditiva, já que a pessoa escuta dos 56 aos 71 decibéis, que podem ser
alcançados em ruídos fortes como um choro de criança ou aspirador de pó.
Severa: A pessoa ouve a partir de 71 até aos 90 decibéis, conseguindo
identificar apenas latidos de cachorros, sons graves de um piano ou toque do
celular no volume máximo.
Profunda: Ouve-se apenas 91 decibéis para cima e não consegue mais
ouvir sons, impedindo a comunicação e a compreensão da fala.
1.2. Três principais tipos de perda auditiva:
Sensorioneural: causada por danos na célula ciliada do ouvido interno, o
que afeta a chegada das informações sonoras ao cérebro.
Condutiva: ocorre quando existe algum tipo de bloqueio ou redução na
habilidade auditiva para conduzir o som para o ouvido interno (FERREIRA, 2004
&ALMEIDA, 2003)
Mista: é uma combinação das duas anteriores e ocorre quando uma
infecção crônica faz com que os danos ao tímpano e aos ossículos se estendam
à cóclea.
1.3 Necessidades especiais decorrentes.
Para melhorar a qualidade de vida da população brasileira com
alguma deficiência auditiva, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece de forma
integral e gratuita uma série de procedimentos e atendimentos especializados.
Dentre eles estão:
Triagem Auditiva Neonatal (TAN): Também conhecida como “Teste da
Orelhinha”, a TAN tem como objetivo identificar precocemente a deficiência
auditiva em neonatos e lactentes. O SUS realiza essa triagem para recém-
nascidos, visando um diagnóstico precoce (RUIVO,2014)
1. Atendimento Clínico e Cirúrgico:
o O SUS oferece diversos tratamentos clínicos e cirúrgicos para
crianças e adultos com deficiência auditiva.
o Isso inclui a concessão de próteses auditivas, como o Aparelho de
Amplificação Sonora Individual (AASI), o Sistema de Frequência
Modulada (Sistema FM), o Implante Coclear (IC) e a Prótese
Auditiva Ancorada no Osso (PAAO).
2. Reabilitação Auditiva:
o Existem 241 serviços habilitados em reabilitação auditiva no
âmbito do SUS, distribuídos em 26 estados brasileiros (exceto
Roraima)
o Esses serviços realizam diagnóstico, tratamento, concessão,
adaptação e manutenção de tecnologia assistiva (RUIVO,2014).
3. Atendimento com Especialistas:
o Profissionais especializados, como fonoaudiólogos e psicólogos,
fazem parte da equipe de atendimento
1.4. Necessidade Educacional
Para receber um aluno com deficiência auditiva de forma adequada, os
professores e a escola precisam estar preparados para oferecer um ambiente
inclusivo e de qualidade , consiste na:
• Formação do Professor:
• Conhecimento em LIBRAS: A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS)
é fundamental para a comunicação com alunos surdos.
Professores devem receber formação específica em LIBRAS para
se comunicarem efetivamente com esses alunos.
• Conhecimento sobre a Deficiência Auditiva: Os professores devem
entender as particularidades da deficiência auditiva, como suas
causas, impactos na aprendizagem e estratégias de ensino
adequadas.
• Adaptação Curricular: É importante que os professores saibam
como adaptar o currículo para atender às necessidades específicas
do aluno com deficiência auditiva.
• Adaptação Escolar:
• Recursos Tecnológicos: A escola deve oferecer recursos como
aparelhos de amplificação sonora, sistemas FM e outros
dispositivos que auxiliem na audição e comunicação.
• Ambiente Físico: A sala de aula deve ser adaptada para facilitar a
comunicação visual. Isso inclui boa iluminação, posicionamento
adequado dos alunos e uso de recursos visuais.
• Intérprete de LIBRAS: Quando necessário, a presença de um
intérprete de LIBRAS é essencial para garantir a comunicação
efetiva entre o aluno surdo e os demais colegas e professores.
• Atendimento Individualizado:
• O aluno com deficiência auditiva pode precisar de atendimento
individualizado para reforçar o aprendizado da língua escrita e
outros conteúdos.
• Estratégias como uso de materiais visuais, legendas em vídeos e
adaptação de avaliações são importantes para garantir o sucesso
acadêmico.
• Conscientização e Sensibilização:
• Toda a comunidade escolar deve ser sensibilizada sobre a
importância da inclusão e do respeito às diferenças.
• Campanhas educativas podem ajudar a promover a
conscientização sobre a deficiência auditiva e combater
preconceitos (MEC,1997).
1.5. Pessoas com deficiência auditiva no contexto escolar.
No Brasil, o desenvolvimento histórico da educação especial começou no
século XIX, quando Dom Pedro II fundou o Imperial Instituto dos Meninos Cegos
no Rio de Janeiro, em 1854. Historicamente, o país possui legislação favorável
à educação especial, mas o caminho para a inclusão ainda é longo e desafiador
(CARTOLANO,2008)
Atualmente, temos observado uma evolução das práticas inclusivas,
ainda que os princípios políticos e sociais que regem a inclusão não tenham sido
incorporados completamente no cotidiano da sala de aula, causando aflição no
meio educacional e muita insegurança nos pais, talvez pela falta de
conhecimento ou pelo preconceito enraizado em relação às pessoas
deficientes (BUFFA, 2005).
As práticas de inclusão só tiveram início nos anos oitenta e se
estabeleceram mais fortemente na década de noventa. Diferente da integração,
a inclusão pressupõe mudanças na sociedade, para que esta se torne capaz de
receber e acolher efetivamente as pessoas portadoras de necessidades
especiais; portanto, baseia-se no modelo social. Segundo este conceito, a escola
leva em consideração a necessidade do aluno, ocorrendo adaptação do
ambiente físico e dos procedimentos educacionais, sendo que todas as pessoas
devem ter a oportunidade de serem incluídas na escola regular. (MAZZOTTA ,
2005; FERREIRA, 2006)
A semente da inclusão é a equiparação de oportunidades. Trata-se,
segundo Sassaki (2000), de um processo que exige que a sociedade inteira se
torne acessível a todas as pessoas, principalmente a quem possui deficiência.
Esse conceito surgiu para mostrar que, se a sociedade não mudar, as pessoas
vão continuar excluídas, exatamente porque a sociedade é cheia de obstáculos.
Com a equiparação de oportunidades, há igualdade de condições, eliminam-se
barreiras que bloqueiam o caminho da inclusão. Sanchez (2005) enfatizou a
definição de políticas públicas, traduzidas nas ações institucionalmente
planejadas, implementadas e avaliadas como fundamentais.
2. ESTUDO DE CASO
2.1. Históricos do caso
Sexo masculino ,38 anos, na sua infância residia em Echaporã, portador de
deficiência auditiva, nasceu com a deficiência pois à sua mãe se contaminou
com a Síndrome da Rubéola Congênita (SRC), que atinge o feto ou o recém-
nascido durante a gestação.
Escolaridade do entrevistado: Ensino médio completo e muito pouco de
informática.
Diagnostico clinico: Deficiência auditiva decorrente de uma infecção de Rubéola
na fase gestacional, que acarretou na perda auditiva, ressaltando que a
síndrome mencionada não causa somente surdez, como também pode causar
no feto mal formações cardíacas , lesões oculares e outras.
2.2. Condições de inserção:
Participação e interação familiar:
O entrevistado relata que a participação da família foi muito difícil, pois os
pais também não eram ouvintes e na cidade onde moravam não existiam
deficientes auditivos , o mesmo relata que os pais não o ajudaram e que estavam
sempre ocupados , isso o deixava muito entristecido . Disse que o pai combinou
de traze-lo a escola Olga Maria Simonato (escola da região) toda quarta-feira,
mas logo depois a instituição fechou . Com isto ele retorna a escola de Echaporã,
mas relata que não compreendia nada, pois a professora explicava de costas
para ele e na escola não havia um interprete. Depois de inúmeras reclamações
por parte dele, o pai conseguiu uma professora de Libras para ir em Echaporã
toda quarta-feira, foi ai então que ele conheceu uma maneira de se comunicar,
pois até o momento ele estava excluso do ambiente escolar Posteriormente
começou vir para a cidade de Marilia estudar e passou por várias escolas
regulares.
2.2 Histórico educacional detalhado e na íntegra (via conversa aplicativo)
_ Fui primeira vez na escola olha Maria Simonato
_ Era endereço 24 de dezembro marilia
_ Eu tinha Monte surdo pessoal fiquei muito feliz aprender libras
difícil...escola Echaporã não tem interpretar só fala ouvinte... eu
difícil entendi muito pouco fala explicar na classe.
_ Eu repetir 3 vezes
_ Eu triste
_ Quase 20 anos já terminei
_ Eu já aconteci na escola Echaporã alguma coisa difícil muito confusão e
bagunça na escola não tem respeito muito pior kkkk...na escola primeira
vez Olga Maria Simonato e depois mudou escola monsenhor Bicudo e depois
mudou Lourenço Almeida Sene e Baltazar ...eu sempre toda semana Marília
volta Echaporã estuda entrar 14 hr tarde fui escola cansar muito tempo
rápido ...eu fiquei muito feliz aprender libras...
_ Marília muito melhor escola ... professora Marisa e Ana Paula e
Jaqueline e Lucimar muito obrigado fiquei muito saudade lembrança na vida
maravilhosa
_ Echaporã e complicado só ouvinte difícil conversar não entende ...eu
conseguir inglês e matemática e história e ciências e biologia. Muito pior
português e biologia e fisiologia e difícil muito nervoso kkkkkkk
_ Português tira nota 0
_ Eu não gosto palavra horrível muito difícil kkkkkk Interação social;
4. ANÁLISE CRÍTICO REFLEXIVA
A inclusão de pessoas com deficiência auditiva é um aspecto fundamental
para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Concluindo, a
inclusão efetiva dessas pessoas exige um compromisso abrangente de
diferentes setores da sociedade, incluindo educação, trabalho, saúde e cultura.
Promover a inclusão de pessoas com deficiência auditiva não é apenas
uma questão de direitos humanos, mas também uma forma de enriquecer a
sociedade com a diversidade e o talento de todos os seus membros. É
necessário um esforço contínuo e colaborativo para derrubar barreiras e
construir um mundo mais acessível e inclusivo para todos.
REFERÊNCIAS
BUFFA, M. J. M. B. O que os pais de crianças deficientes auditivas devem saber
sobre a escola. In: BEVILACQUA, M.C.; MORET, A.L. M. Deficiência auditiva:
conversando com familiares e profissionais de saúde. São José dos Campos:
Pulso, 2005.
CARTOLANO, M.T.P. Formação do educador no curso de pedagogia: A
educação especial. Cad. CEDES, Campinas v.19, n. 46, 1998.
AZEVEDO, M.F. Avaliação audiológica no 1.o ano de vida In: Lopes Filho O,
organizador. Tratado de fonoaudiologia. São Paulo: Roca; 1997. p. 604-16.
COLUNGA, J.C.M., MÉNDEZ, J.C.A., VILLAREAL, J.M.C., ZAPICO, M.J.A.,
ESTRADA, C.M., AALVAREZ, M.L.F. Despistage de lahipoacusia neonatal:
resultados después de 3 años de iniciar nuestro programa. Acta
Otorrinolaringol. Esp. 2005; 55:55-8.
FERREIRA, L.P. Tratado de fonoaudiologia. São Paulo: Roca; 2004. In: COSTA,
E.A., FERREIRA, R.P.I., MARI, A.R. Da necessidade de se identificar a
deficiência auditiva na criança o mais cedo o possível. J Pediatr (Rio J)
1991;67:137-41.
MAZZOTA, M. J. S. Educação especial no Brasil: histórias e políticas públicas.
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RUIVO NGV. Saúde auditiva e integralidade do cuidado: itinerário de usuários
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SÁNCHEZ, P. A. A educação inclusiva: um meio de construir escolas para todos
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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO .Atendimento Educacional Especial, Pessoas
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