Direito Empresarial
Elisabete Teixeira Vido dos Santos
O art. 966 do CC define empresário como aquele que exerce profissionalmente
atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços.
1) Atividade empresarial: requisitos
a. Atividade econômica: objetivo é lucro, deve ter fins lucrativos.
b. Exercida com Profissionalismo: habitualidade/continuidade, ou seja, em
caráter não eventual.
c. Organização: só é empresário aquele que organiza os quatro fatores de
produção, como o capital, mão de obra, insumos e tecnologia.
d. Produção ou circulação de bens ou serviços : indústrias, comércio,
prestação de serviços, agenciamento etc.
2) Atividades não empresárias por determinação legal: Não é empresarial (salvo
se a atividade constituir elemento de empresa):
a. Profissional Intelectual: científica, literária ou artística (por mais que
exerçam profissionalmente tais atividades – são atividades econômicas
civis, chamados de profissionais liberais).
b. Cooperativas
c. Produtor Rural não registrado na Junta: tem a faculdade de se registrar
na JUNTA. Pode pedir falência, mas deve provar regularidade, mesmo
não sendo registrado.
Atenção: A SOCIEDADE DE ADVOGADOS, conforme art. 16 e ss. Lei 8.906/94 – nunca é
empresarial.
3) Capacidade para ser empresário:
a. Estar no pleno gozo da capacidade civil : + de 18 anos e não pode haver
incapacidade absoluta ou relativa de acordo com o art. 3 e 4 do CC.
b. Não estar impedido de exercer empresa por determinação legal ou
judicial: falido, condenado à pena acessória de vedação na atividade,
leiloeiro oficial, funcionário público, devedor do INSS, deputados e
senadores, militar na ativa, magistrado. OBS.: Respondem pelas
obrigações assumidas. Art. 973 do CC.
c. Emancipado: há divergências, mas responderá por ato infracional.
d. Incapaz: absoluto ou relativo pode ser em alguns casos. Art. 974/976 do
CC.
i. Só pode continuar a empresa e não pode abrir uma empresa.
ii. Obter autorização judicial (alvará) e pode ser revogável.
iii. Os bens do incapaz que já possuía não respondem por dívidas da
empresa e devem ser enumerados pelo juiz. Exceto os bens que
já eram da empresa.
iv. Representado ou Assistido.
v. Em caso de sociedade, o incapaz não pode ser o administrador e
o capital deve ser integralizado.
4) Empresário: é o titular da atividade empresarial – o sócio não é empresário
(EIRELI não existe mais/foi revogada).
a. Empresa Individual;
b. Sociedade Empresária.
5) Empresário Individual:
Pessoa Física que realiza a atividade individual (Ex: loja, lanchonete etc.)
É obrigada de providenciar o registro na JUNTA COMERCIAL (Registro de
Empresas), antes do início da atividade - art. 967 do CC.
Registro + Previsão na Lei para adquirir personalidade jurídica, conforme
art. 44 do CC, mesmo tendo CNPJ precisa estar enquadrado no 44 do CC.
Não há separação patrimonial se não estiver no art 44 do CC.
Empresário individual assume o risco integral, ou seja, ele tem a
responsabilidade ilimitada.
Não há desconsideração da personalidade jurídica, pois o patrimônio
sempre será o mesmo.
Obs.: Apenas o Empresário Individual pode adotar a forma de
Microempresário Individual (MEI). O Limite ref. a receita bruta anual até R$
81.000,00 – Art. 18-A da Lei Complementar 123/2006.
Obs.: Se uma pessoa física quer ter uma atividade empresarial pode
exercer:
o Empresário Individual: 1 PF como titular. Registro não adquire
personalidade jurídica. Não há separação patrimonial. MEI.
o Sociedade Unipessoal: 1 sócio. Adquire personalidade jurídica no
Registro. Há separação patrimonial. ME ou EPP.
REGISTRO: a regularidade da atividade empresarial depende da formalidade do
registro, que visa dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia
aos atos jurídicos da empresa. O empresário que não se registra estará
irregular e sofrerá limitações.
É com o registro da empresa que se adquiri a personalidade jurídica e
confere-se a regularidade do empresário.
Aula 2: Prof. Suhel Sarhan
ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL: arts. 1142 a 1149 do CC
a) Conceito: art. 1142 do CC
a. É o conjunto de bens corpóreos e incorpóreos reunidos pelo empresário
ou pela sociedade empresária para o desenvolvimento da sua atividade.
b. Ex.: Pastelaria – compõe as mesas, cadeiras, balcão, talheres,
computadores, marca registrada etc.
c. É uma UNIVERSALIDADE DE BENS.
d. Não pode confundir com PONTO EMPRESARIAL. São coisas distintas,
dado que o ponto pode ser mais um elemento do estabelecimento, mas
não se confunde com o estabelecimento. É o local onde a atividade é
estabelecida. O ponto pode ser físico ou eletrônico também.
e. Art. 1142, §1: O estabelecimento não se confunde com o local onde se
exerce a atividade empresarial, que poderá ser físico ou virtual.
b) Trespasse:
a. É o contrato de venda do Estabelecimento empresarial.
b. Sobrevalor atribuído na venda do estabelecimento empresarial é
chamado de AVIAMENTO.
c. O antigo dono do estabelecimento não poderá abrir um novo
estabelecimento nas proximidades = CLÁUSULA DE NÃO
RESTABELECIMENTO (NÃO CONCORRÊNCIA). Art. 1.147/CC = na
omissão do trespasse, o alienante não pode fazer concorrência ao
adquirente pelo prazo de 5 anos. É uma cláusula tácita. Se o comprador
quiser renunciar essa cláusula poderá, pois é um bem jurídico
disponível. A renúncia deve ser expressa.
d. Dívidas: art. 1.146/CC = se o trespasse ocorreu em 07/02/2022 – o
comprador assume todas as dívidas devidamente contabilizadas. O
vendedor é SOLIDARIAMENTE responsável pelo prazo de 1 ano
contados a partir das dívidas Vincendas: contados do vencimento ou
Vencidas: O contrato tem que ser averbado na JUNTA, um ano contado
da data da publicação do trespasse (art. 1.144/CC).
i. Quando do trespasse é preciso da concordância dos credores?
Art. 1.145 do CC = nem sempre! Só será a necessária a
concordância, caso após a venda não restem bens suficientes no
patrimônio do vendedor para pagar os credores (Se ao alienante
não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a
eficácia da alienação do estabelecimento depende do
pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes,
de modo expresso ou tácito, em trinta dias a partir de sua
notificação).
1. A concordância pode ser expressa ou tácita, porque os
credores serão notificados em 30 dias, caso não
responderem pode alienar.
ME / EPP: LC 123/06
ESTATUTO DA MICRO E DA PEQUENA EMPRESA:
São empresas menores que não contratam muitos funcionários. Essas
empresas sozinhas são frágeis e não possuem condições econômicas, jurídicas etc.
para arcar com as cargas tributárias e complexas.
Art. 179 da CF prevê que os entes federativos devem trazer tratamentos
simplificados e desburocratizados. É de eficácia limitada esse art. e por isso foi criada a
Lei Complementar 123/06:
1. Conceito: art. 3º - ME e EPP não são tipos empresariais, é tão somente
enquadramento de tipos empresariais, em especial, da receita bruta anual
das empresas.
a. ME = Microempresa é o empresaria individual, a sociedade simples
ou empresária que aufira receita bruta anual de até R$ 360.000,00.
b. EPP = Empresa de pequeno porte é o empresaria individual, a
sociedade simples ou empresária que aufira receita bruta anual de
superior a R$ 360.000,00 até R$ 4.800.000,00.
c. Obs.: Art. 3, §4 traz as vedações:
i. PJ cujo capital participe outra PJ;
ii. filial, sucursal, agência ou representação, no País, de pessoa
jurídica com sede no exterior;
iii. Sociedade Anônima;
iv. Cisão nos últimos 5 anos;
d. MEI: Microempreendedor Individual – arts. 18-A e SS da LC 123/06.
i. PF (966/CC) que aufere receita bruta anual de até R$ 81.000,00 (há
um PLP que quer aumentar o teto do MEI).
ii. MEI pode contratar 1 empregado somente.
BENEFÍCIOS:
1) Art. 74: ME e EPP passam a ser admitidas como proponentes de ação perante o
Juizado Especial Cível ou Federais, excluídos os cessionários de direito de pessoas
jurídicas.
2) Art. 61-A: Investidor Anjo – investidor sem se tornar sócio. Pessoa que aporta
investimentos na ME ou EPP que não fazem parte do capital social. Pode ser PF ou PJ.
a. Contrato com duração máxima de 7 anos.
Aula 3: Prof. Elizabete Teixeira
CARACTERÍSTICAS GERAIS DAS SOCIEDADES
1) Sociedades Personificadas:
a. Tem personalidade jurídica – art. 44 do CC (há separação patrimonial);
b. Registro precisa ser na JUNTA, OAB ou no Cartório de Registro Civil de
PJ;
c. Responsabilidade dos Sócios: respondem subsidiária (benefício de
ordem) - (Credor cobra: 1º PJ e depois - 2º Sócios)
d. Arts 1024; 1155 e 982 do CC
2) Sociedades Não Personificadas:
a. Não tem personalidade jurídica;
b. Não tem Registro;
c. Responsabilidade dos Sócios: respondem subsidiária (benefício de
ordem): credor ao cobrar a dívida, tem que cobrar o Patrimônio Especial
(art. 988 do CC) e depois - 2º Sócios
i. Patrimônio Especial: são os bens dos sócios que foram colocados
no uso da sociedade.
SOCIEDADES EMPRESÁRIAS:
o Realiza atividade empresarial.
o Lei: toda Sociedade por Ações é empresária (S/A e Sociedade
Comandita por Ações)
o Objeto Social: ramo de atividade empresarial, por exemplo, banco,
escola, curso, padaria etc.
o Art. 982 do CC.
SOCIEDADES SIMPLES:
o Não realiza atividade empresarial.
o Lei: Cooperativa e Sociedade de Advogados
o Objeto Social: exemplo – sociedade de dentistas, médicos, contadores
OBS.: Sociedade LTDA é SS ou SE? Pode ser simples ou empresária dependendo do
objeto social.
NÚMERO MÍNIMO DE SÓCIOS: 2 Sócios – Exceções:
Sociedade com apenas 1 sócios: Sociedade Unipessoal Limitada, art. 1052
do CC. Não tem prazo.
Pode haver 1 acionista na Subsidiária Integral: S/A cujo capital social esta
integralmente nas mãos de uma PJ brasileira.
Pode haver 1 acionista por no máximo 1 exercício (1 ano): art. 207 da Lei
6404/76.
SOCIDADE CONJUGAL:
É permitida, salvo:
o No Regime de Comunhão Universal (um patrimônio que se
comunica e traz lesão aos credores) de Bens e Separação
Obrigatória (patrimônios nunca iriam se comunicar) - art. 977 do CC.
SOCIEDADE RURAL:
tem a faculdade de se registrar na JUNTA. Pode pedir falência, mas deve
provar regularidade, mesmo não sendo registrado. Ver art. 981 do CC.
Registro é um ato constitutivo da atividade empresarial.
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA:
Credor da PJ e quer atingir o patrimônio do sócio.
Credor do Sócio e quer atingir o patrimônio da PJ (inversa)
Requisitos: art. 50 do CC (obviamente o não pagamento tb)
o Abuso da Personalidade Jurídica
Desvio de Finalidade (fraude)
Confusão Patrimonial (mistura de patrimônios entre os
sócios e sociedade, de modo reiterado e de grande quantia).
Atinge somente os sócios e os administradores envolvidos.
SOCIEDADE COOPERATIVA
É uma sociedade simples (art. 982 do CC);
O capital social é variável ou inexistente;
É regida pelas regras do estatuto social
O voto é por cabeça (não depende do tanto que é investido)
Não há limitação de número máximo de cooperados
A intransferibilidade das cotas (venda e herança)
Fundo de reserva (manutenção da cooperativa), sendo indivisível mesmo
no caso de dissolução;
A responsabilidade do cooperado pode ser limitada ou ilimitada
A cooperativa não pode sofrer falência ou requerer recuperação de
empresas (pois não é atividade empresarial).
Art. 1093 a 1095 do CC
SOCIEDADES MENORES:
A) Sociedade em Nome Coletivo: art. 1039 do CC
a. Os sócios são PF e respondem ilimitadamente.
b. Pode ser Soc. Simples ou Soc. Empresária (tem que analisar o objeto
empresarial)
B) Sociedade em Comandita Simples: art. 1045 do CC
a. Sócio comanditado (PF) que respondem ilimitadamente e administra a
sociedade.
b. Sócio comanditário (PF ou PJ) responde limitadamente às suas cotas
(litado ao valor colocado na sociedade) e não administra a sociedade,
caso contrário muda sua responsabilidade)
c. Pode ser Soc. Simples ou Soc. Empresária (tem que analisar o objeto
empresarial)
C) Sociedade em Comandita por Ações: art. 1092 do CC
a. Acionista diretor que respondem ilimitadamente e administra a
sociedade
b. Demais acionistas, respondem limitadamente e não administram a
sociedade.
c. É sempre Sociedade Empresária art. 982 do CC.
NOME EMPRESARIAL:
Existe somente a partir do registro na Junta Comercial:
o Denominação Social: nome inventado ou razão social: patronímico
dos sócios
o CNPJ: art. 35 da Lei 8934/94
SOCIEDADE NÃO PERSONIFICADA ou DESPERSONIFICADAS:
1) Registro: art. 967 a 971 do CC + Lei 8.934/94
a. É ato obrigatório antes dos inícios das atividades para regularizar as
atividades, exceção do empreendedor rural.
b. Para as sociedades tem duas funções:
i. Regularizar a atividade;
ii. Atribuir personalidade jurídica.
2) Sociedades Despersonificadas: Não tem personalidade jurídica. Há somente
duas:
a. Sociedade em comum: art. 986 a 990 do CC
i. É uma sociedade despersonificada, ou seja, não tem registro e
PJ.
ii. É uma sociedade irregular
iii. Todos os sócios possuem Responsabilidade Ilimitada, mas com o
benefício de ordem (art. 1024 do CC), ou seja, primeira busca o
patrimônio da empresa e depois os dos sócios. Chama-se de
patrimônio especial (soma de todos os bens do que os sócios
colocaram na empresa).
iv. Exceção: art. 990 do CC -> O sócio que contrata pela sociedade
perde o benefício de ordem.
v. Prova da existência da sociedade:
1. Feita pelos sócios: por escrito.
2. Feita por terceiros: por qualquer meio de prova
(testemunhal, documental, vídeos etc.)
vi. Nome empresarial: não tem nome empresarial pois não tem
registro.
b. Sociedade em Conta de Participação: art. 991 a 996 do CC
i. É uma sociedade despersonificada, ou seja, não tem registro e
PJ.
ii. A lei não permite o registro, mas está regular. Tal sociedade é
utilizada por parcerias transitórias por sociedades ou
investimentos.
iii. 2 espécies de sócios:
1. Sócio Ostensivo: quem aparece perante terceiros e
realiza os atos negociais.
a. Perante terceiros a responsabilidade é do Sócio
Ostensivo, mesmo se o problema foi causado pelo
Sócio participante.
b. Contrato por escrito é possível. Caso queiram
REGISTRAR no Cartório de Títulos e Documentos é
possível. Mesmo que existe eventual registro no
contrato, ela jamais irá adquirir personalidade
jurídica.
2. Sócio Participante ou Oculto: não aparece perante
terceiros e não realiza atos negociais.
a. Responde regresso perante o sócio ostensivo.
b. O sócio participante poderá fiscalizar os atos do
sócio ostensivo, inclusive solicitando prestação de
contas.
c. No caso de falência do sócio ostensivo, acarreta a
dissolução da sociedade em conta de
participação.
SOCIEDADE LIMITADA:
1. Introdução: Pode ser uma Sociedade Simples ou Empresarial e só saberá se é
uma outra pelo Objeto Social.
a. Sociedade Simples: Cartório de Registro Civil de PJ
b. Sociedade Empresária: Junta Comercial (art. 1155 do CC e 982 do CC)
2. Fonte:
a. art. 1052 e ss. do Código Civil.
i. Subsidiária: as regras de Sociedade Simples.
ii. Lei de S/A: somente se o contrato social expressamente indicar.
3. Capital Social: precisa estar no ato constitutivo de qualquer empresa.
a. Mostra o que foi investido na empresa. Pela soma do que os sócios se
comprometeram a investir.
b. Investimento (cota):
i. Por dinheiro.
ii. Por bens = precisa ser avaliado.
1. Os sócios são solidariamente responsáveis pelo exato
valor do bem (5 anos contados do registro da sociedade)
– art. 1055 do CC.
iii. Por Trabalho? NÃO. O sócio apenas pode contribuir com
trabalho somente na Sociedade Simples e na Cooperativa – Art.
997, V e art. 1094 do CC.
4. Número Mínimo de Sócios:
a. 2 ou + sócios;
b. 1 sócio: Pela Sociedade Unipessoal Limitada.
i. Por ser PF ou PJ (art. 1052 do CC).
5. Responsabilidade dos Sócios:
X LTDA – CS 100 COMPROMETEU/ COLOCOU/ DEVE/
SUBSCREVEU INTEGRALIZOU
A 80 30 50
B 20 20 0
Cada sócio responde pela integralização da cota que subscreveu
o X LTDA = pode sobrar o Sócio A em 50. A de B nada.
o Todos os sócios são solidariamente responsáveis até o limite do
que falta a integralizar do capital social.
o Ex.: Credor cobra dívida de 1000 – atinge a X LTDA (faltou 400). Esse
credor por cobrar de A e B – até o limite do que falta integralizar, ou
seja, pode cobrar 50! Aí ela irá falir – Não será desconsideração da
PJ porque não houve abuso da personalidade = art. 1052 do CC.
6. Cessão de cotas: é livremente pactuada no contrato social
a. Se o contrato for OMISSO: ver art. 1057 do CC
i. Se a cessão de cotas for entre os sócios é LIVRE
ii. Se vender para terceiro, só se não houver a oposição de sócios
com mais de ¼ do capital social.
1. Ex.: A com 75%; B com 10% e C com 15%
a. B vender para C = A não pode impedir porque a
venda é livre.
b. B vender para 3ª = C não pode impedir, mas o A
sim.
c. A vender para 3ª = B e C juntos não pode se opor.
7. Administrador:
a. É que assina pela empresa, quem usa o nome empresarial
b. Pode ser um sócio ou terceiro.
c. Administrador pode ser designado pelo
i. Contrato social;
ii. Documento separado.
d. Quórum de designação:
i. Se for administrador sócio: ½ do capital social
ii. Se for não sócios:
1. Capital social integralizado - 2/3 do capital social
2. Capital social não integralizado – concordância unanime
dos sócios.
e. Responsabilidade:
i. Desconsideração da PJ = somente se estiver envolvido (art. 50 do
CC)
ii. Perdas e danos: pode responder se:
1. Culpa
2. Dolo
3. Benefício próprio
4. Contra a vontade dos sócios
iii. Obs.: se agir com excesso de poderes (ultra vires) – ART.
1060/1065 + 1010, 1013 e 1015/1017 do CC
1. Responde com PERDAS E DANOS
a. não existe mais a responsabilidade isolada por ato
ultra vires.
8. Quórum para alteração de contrato social:
a. 3/4 do capital social.
9. Responsabilidade do Ex-sócio:
a. Porque ele cedeu, morreu, exerceu direito de retirada ou excluído.
b. Responde por 2 anos contados da averbação no órgão competente.
10. Retirada de sócio: art. 1077 e 1029 do CC – notifica os demais sócios para pôr
fim a sua parte da sociedade. Se os sócios entram com uma ação. Apuração dos
haveres (art. 1031 do CC)
a. Motivada: art. 1077 do CC
i. Não concorda com a alteração do contrato social
b. Imotivada: art. 1029 do CC
i. Quebra da affectio societatis.
SOCIEDADE ANÔNIMA - S/A: Lei 6.404/76 – L.S.A.
1. Características Gerais: voltado para grandes empreendimentos
a. Art. 1 ao 4 da LSA
i. A S/A sempre será classificada como empresária.
b. Pode ser classificada como Sociedade de Capital, ou seja, a venda de
ações pode ser feita de modo livre.
c. Art. 4 da LSA = Duas espécies de S/A
i. Sociedade Anônima de Capital Aberto:
1. Esse tipo de sociedade negocia valores mobiliários
(mercado de capitais).
2. Para ser assim considerada a lei exige que esteja
admitida à negociação em Bolsa ou Mercado de Balcão,
devidamente registrados na CVM (Comissão de Valores
de Mercados), ou seja, emite títulos e os vende ou na
Bolsa ou no Mercado de Balcão.
3. Valores Mobiliários x Mercado de Capitais:
a. Valores Mobiliários: são títulos emitidos pela
sociedade anônima com a intenção de captar
recursos para os seus cofres.
i. Ações, debêntures etc - São todos os
papéis emitidos pelas sociedades
anônimas S/As para captação de recursos
financeiros.
b. Mercado de Capitais: Corretagem – Lei 6385/76 –
duas instituições compõe o mercado de capitais:
a) Bolsa de Valores; b) Mercado de Balcão
organizado ou não organizado. Venda por
instituições financeiras ou corretoras.
i. É a atividade exercida fora das Bolsas,
relativas aos valores mobiliários,
realizadas com a participação de empresas
ou de profissionais distribuindo aqueles
valores. Ex.: corretoras, instituições
financeiras como Bradesco, Itaú, etc.
ii. Art. 5 da Lei 6385/76 traz a CVM
(Comissão de Valores Imobiliários) – é
uma autarquia federal, cuja competência é
de regulamentar e fiscalizar o mercado de
capitais.
ii. Sociedade Anônima de Capital Fechada:
1. São as que não se enquadram nos requisitos das
sociedades Abertas, São, normalmente sociedades
pequenas, com um número de acionistas inferiores a 20,
com patrimônio inferior ao estabelecido pela CVM para
as S/A de capital aberto, enquadradas no art. 294 da Lei
das S/A.
Conceito de Capital: É o montante financeiro de propriedade da Companhia,
relativo a soma das contribuições dos sócios. Não se confunde com patrimônio
social. A sua principal função é constituir o fundo inicial, com o qual se tornará
viável o início da vida econômica da sociedade.
2. Órgãos da S/A:
a. Assembleia Geral: art. 121 e s.s. da LSA
i. É o órgão máximo da administração, na qual são decididos todos
os negócios relativos ao objeto social da companhia, bem como
são tomadas as decisões relacionadas ao desenvolvimento da
empresa. É por meio da assembleia geral, por exemplo, que se
pode reformular o estatuto social, eleger administradores,
deliberar sobre a emissão de valores mobiliários, sobre a
transformação, fusão, incorporação ou cisão da companhia,
entre diversas outras matérias.
ii. Competência: art. 122 da LSA
iii. Espécies:
1. Ordinária: é recorrente, deliberar sobre assuntos comuns
– previsto no art. 132 da LSA
a. 1 vez ao ano, nos 4 meses seguintes ao término
do exercício social. Exercício social não é igual ao
ano calendário, pode ser definido no estatuto.
Normalmente é o ano calendário.
2. Extraordinária: Delibera sobre assuntos não recorrentes
e não tem periodicidade.
Art. 121, § único da LSA – A Assembleia pode ser realizada por
meio de videoconferência – virtual.
b. Conselho de Administração:
i. Assim como a assembleia geral, o conselho de administração é
um órgão deliberativo (planos e estratégias de negócio).
Todavia, sua convocação e funcionamento é menos burocrática.
Dessa maneira, na prática, o conselho de administração acaba
por tratar de matérias relativas à gestão do negócio, que não
sejam de competência privativa da assembleia geral.
ii. Competência: art. 142 da LSA.
iii. Composto por no mínimo 3 membros eleitos pela Assembleia
Geral para mandato não superior a 3 anos e pode haver
sucessivas reeleições. Apenas pessoas naturais e não precisa ser
sócio.
iv. Art. 138, §2 da LSA –
1. É obrigatório nas Companhias Abertas e nas de Capital
Autorizado.
2. S/A fechada é FACULTATIVO.
c. Diretoria: art. 143 e ss da LSA
i. É o órgão pelo qual se realiza a gestão dos negócios da empresa,
ou seja, efetiva execução da administração. Os diretores, que
não precisam ser sócios, são os verdadeiros administradores da
empresa, e são responsáveis pela representação legal da
companhia.
ii. Toda companhia precisa ter – Pelo menos 1 diretoria.
iii. São escolhidos pelo Conselho de Administração e, na sua falta,
pela Assembleia Geral.
iv. Apenas pessoas naturais e não precisam ser sócias.
d. Conselho Fiscal: art. 161 e ss da LSA
i. É um órgão que possui a função de assessorar a assembleia geral
na votação de matérias que digam respeito à licitude dos atos de
administração. Funciona, portanto, como meio de fiscalização
da gestão empresarial, podendo requisitar informações,
examinar documentos e opinar sobre a regularidade dos atos da
administração.
ii. Interno de fiscalização da Diretoria e do Conselho de
Administração.
iii. São eleitos pela Assembleia Geral
iv. Composto pôr no mínio 3 integrantes e no máximo 5
integrantes.
TÍTULOS DE CRÉDITO:
1. O título de crédito nasce para circular, nasceu para a transmissão, que pode
ser:
a. Ao portador: quando o nome do credor não está expresso no título de
crédito. Na legislação só é permitido se houver previsão em lei especial.
Ex.: cheque no valor de até 100 reais.
i. Para ser transmitido, basta a TRADIÇÃO.
b. Nominativo: o nome do credo está expresso no título de crédito. Para
ser transmitido, precisa da TRADIÇÃO e ENDOSSO.
2. Endosso: É sinônimo do temo “a ordem”. É um ato solene que serve para
transmitir a propriedade do título de crédito e garantir de forma solidária o
pagamento.
a. Endossante: credor original que esta transmitindo o título de crédito.
b. Endossatário: novo credor.
c. Endossante está garantindo o título de crédito, salvo quando:
i. Se houver cláusula sem garantia;
ii. Se colocar a cláusula “não à ordem” (é uma cessão civil de
crédito – não há garantia, como regra)
iii. Ocorreu após o protesto ou o prazo de protesto (Prazos para
protesto: cheque: 30 ou60 dias da emissão; duplicada: 30 dias
do vencimento; letra de cambio ou nota promissória: 1 dia útil
após o vencimento). O endossante não pode ser cobrado se
passar desse prazo.
d. Cláusula proibitiva de novo endosso: se for colocado, o endossante
garantirá o título de crédito em relação ao seu endossatário, MAS se o
título for novamente endossado, então esse endossante não via garantir
o título de crédito em relação a terceiro. Art. 11, 12 e 15 do Decreto
57663/66, anexo I.
3. Aval:
a. É uma garantia solidária dada por terceiro.
b. É uma obrigação autônoma, ou seja, é validade mesmo que exista o
vício na relação principal. Salvo se houver vício de forma.
c. Pode ser total ou parcial. Ou seja, assina e escreve a garantia para
limitar.
i. Só e possível no cheque, na nota promissória, letra de câmbio e
cédula de crédito bancário.
ii. Na duplicata, o aval só pode ser total.
d. Art. 30 a 32 do Decreto 57.663/66, Anexo I.
4. Protesto:
a. É um ato formal, que é usado para demonstrar o descumprimento de
uma obrigação.
b. Ocorre no tabelionato de protesto de títulos e documentos.
c. Motivos:
i. Falta de pagamento (todos)
ii. Falta de aceite (é a assinatura do devedor, que ocorreu após a
emissão do título de crédito) – somente nos casos da letra de
cambio e duplicata.
iii. Falta de devolução: devedor reteve o original (duplicada e letra
de cambio).
d. Procedimento:
i. Apresentação no tabelionato (não se verifica prescrição).
ii. Devedor intimado (3 dias para responder).
1. Pode pagar.
2. Pode sustar (art. 17 da Lei 9.492/97).
iii. Caso não responda: é processado.
1. Se for processado, mas pagou, pode pedir o
cancelamento (art. 26 da Lei 9.492/97).
5. Nota Promissória:
a. Partes:
i. Credor: beneficiário
ii. Devedor: sacador (emite/assina)
b. É uma Promessa incondicional de pagamento
c. Não tem aceite, pois o devedor já assinou no momento da emissão
d. Prazo prescricional para execução: 3 anos contatos do vencimento.
i. Obs.: o protesto interrompe o prazo prescricional – art. 202, III
do CC.
ii. Obs.: se anota promissória está prescrita: não pode ser
executada, mas cabe ação monitória para títulos que perderam a
força executiva – em 5 anos contados do dia seguinte a data do
vencimento (Súmula 504/STJ).
e. Se algum avalista pagou no meio o TC, só poderá cobrar em ação de
regresso os primeiros e não o constituído posteriormente.
i. Arts. 70, 75 a 78 do Decreto 57.663/66, Anexo I
6. Cheque:
a. É uma ordem de pagamento a vista.
b. Partes:
i. Emitente: correntista, devedor etc.
ii. Sacado: banco e beneficiário (credor do título)
c. Prazo de apresentação: 30 dias da emissão (praças iguais – prazo de
levar ao banco que foi emitido na mesma cidade – CIDADE DE EMISSÃO)
ou 60 dias contados da data da emissão (praças diferentes – CIDADES
DISTINTAS).
d. Prazo prescricional: prazo de 6 meses contados do término do prazo de
apresentação.
e. Cheque prescrito: Cabe Ação Monitória no prazo de 5 anos, contados do
dia seguinte da data da emissão. Súmula 503/STJ.
f. Arts. 1, 32, 33, 47, 59 e 62 da Lei 7.357/85.
g. Súmula 370 e 531/STJ
7. Duplicata:
a. É um título causal, têm um motivo definido pelo legislador para a
criação da duplicata.
b. Origem: Nota fiscal de compra e venda ou de prestação de serviços
c. Precisa do aceite, caso não tiver o aceite, o protesto é obrigatório para
execução.
d. Prazo para protesto é de 30 dias cotados do vencimento (se o prazo não
for respeitado, endossantes não poderão ser cobrados.
e. Prazo prescricional: 3 anos da data do vencimento.
f. Obs.: Duplicada Escritural – Lei 13775/18 – Não tem emissão de papel
i. Foi criada uma Central Nacional de Registros de Títulos e
Documentos para fins de execução (mediante solicitação de
extrato das informações do título de crédito).
g. Arts. 1, 2, 8 13, 15 e 18 da Lei 5.474/68
h. Obs.: Duplicata Não Aceita - documentos para execução: precisa da
duplicata, da origem (NF) + protesto
i. Obs.: Duplicata Aceita – documentos para execução: precisa da
duplicata + NF.
CONTRATOS:
1. Alienação Fiduciária:
a. Dispositivos:
i. Bens Imóveis: Lei 9.514/97;
ii. Bens Móveis: Decreto Lei 911/69;
iii. Código Civil: Art. 1.361 e ss.
b. Estrutura do Contrato: é sempre um contrato acessório.
i. Credor (mutuante/fiduciário): emprestou dinheiro - contrato de
mútuo.
1. Tem posse indireta do bem;
2. Tem a propriedade fiduciária (não é plena).
3. Desdobramento da Posse.
ii. Devedor (mutuário/fiduciante): da como garantia a Alienação
Fiduciária.
1. Tem a posse direta;
c. O que acontece com o não pagamento pelo Fiduciante?
i. Móveis: Decreto Lei 911/69
1. Notificação: após a notificação ficará em MORA.
2. Fiduciário vai ingressar com a Ação de Busca e
Apreensão:
a. DL art. 2, §2º - A mora decorrerá do simples
vencimento do prazo para pagamento e poderá
ser comprovada por carta registrada com aviso de
recebimento, não se exigindo que a assinatura
constante do referido aviso seja a do próprio
destinatário.
i. Petição Inicial pedindo a apreensão
ii. Tem 15 dias para contestar: somente
impedirá se demonstrar que já pagou ou
pagar a integralidade da dívida.
iii. Sentença: bem será vendido.
iv. Obs.: 5 dias após a execução da liminar,
ocorre a consolidação da propriedade
para o fiduciário. Se torna pleno
proprietário.
v. Obs.: Devedor por PURGAR A MORA?
Pagar apenas as parcelas vencidas = NÃO
PODE. Ver art. 3, §2 do DL.
vi. Obs.: Se a busca e apreensão era indevida
o juiz fixa multa para o fiduciário a 50% do
valor financiado art. 3, §6 do DL.
ii. Imóveis: Lei 9.514/97
1. Notificação: após a notificação ficará em MORA.
2. O fiduciário vai no cartório de registro de imóveis, prova
a mora e o cartório vai intimar o devedor para em 15 dias
pagar as parcelas vencidas (Purgar a Mora).
3. Se o fiduciante não pagar, haverá a consolidação da
propriedade para o fiduciário. V. art. 26 da Lei.
d. O que acontece se o Fiduciante não pagar e FALIR?
i. Não importa se é bem móvel ou imóvel.
ii. O fiduciário vai ingressar com o pedido de restituição na falência
do fiduciante (art. 85, L. 11.101/05).
iii. Pretende o bem e caso o bem não exista, haverá o direito a
restituição em dinheiro, que de acordo com o art. 84 da L.
11.101/05: será pagar junto com os créditos extraconcursais
e. O que acontece se o Fiduciante não pagar e tiver a recuperação judicial
deferida?
i. O Credor de alienação fiduciária não é atingido pela
Recuperação Judicial (art. 49 da L. 11.101/05). Significa que
continuará a usar os meios previstos nas leis especiais.
f. Aplicação da Teoria do Adimplemento Substancial?
i. Art. 475 do CC: credor poderia cobrar as parcelas vencidas ou
resolver o contrato.
1. STJ: Quando faltar poucas parcelas para o cumprimento
total do contrato, não seria possível resolver o contrato.
ii. Teoria do Adimplemento Substancial NÃO é aplicada para a
alienação fiduciária de bens móveis. Não é possível purgar a
mora. Vide Informativo 540 do STJ (RE 1416593).
2. Locação Empresarial: Lei 9.245/91
a. Cabimento da Ação Renovatória: renovação compulsória do contrato de
locação.
b. Requisitos: art. 51, I, II, e III da Lei de Locações
i. Contrato Escrito e Prazo Determinado;
ii. Locatário precisa estar a pelo menos 5 anos no mesmo imóvel;
iii. Nos 3 últimos anos esteja explorando o mesmo ramo de
atividade.
c. Prazo: art. 51, §5 da Lei de Locações
i. Primeiros 6 meses do último ano do contrato.
d. Locador pode solicitar a retomada do imóvel: art. 52 da Lei de Locações
i. Para reformas (determinadas pelo Poder Público ou Valorização
do Imóvel determinada pelo proprietário).
ii. Melhor proposta de terceiro (tanto para venda ou locação para
outros) – respeitar o direito de preferência.
iii. Uso próprio (menos para o mesmo uso do mesmo ramo
atividade)
iv. Uso para terceiro (ascendente, descendente ou cônjuge),
demonstrando que possuem fundo de comercio por pelo menos
1 ano (menos para o mesmo uso do mesmo ramo atividade).
e. Locação “Built to Suit”: art. 54 da Lei de Locações
i. Locador construir o imóvel de acordo com as especificações do
locatário.
ii. Essas despesas podem ser acrescentadas no aluguel.
f. Obs.: “Acessio Temporis”
i. Se houver um intervalo entre os contratos. O prazo de 5 anos é
interrompido ou os prazos são somados?
1. Se o intervalo for curto (até +/- 3 meses) soma-se os
prazos.
2. Se o intervalo for grande, é interrompido.
3. Franquia: Lei 13.996/19
a. Franqueador: recebe o valor/taxa (royalties) estabelecido
contratualmente.
b. Franqueado: é entregue a marca, patente, tecnologia etc.
c. Conceito: franquia empresarial, pelo qual um franqueador autoriza por
meio de contrato um franqueado a usar marcas e outros objetos de
propriedade intelectual, sempre associados ao direito de produção ou
distribuição exclusiva ou não exclusiva de produtos ou serviços e
também ao direito de uso de métodos e sistemas de implantação e
administração de negócio ou sistema operacional desenvolvido ou
detido pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta,
sem caracterizar relação de consumo ou vínculo empregatício em
relação ao franqueado ou a seus empregados, ainda que durante o
período de treinamento.
TEORIA GERAL DE FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO: Lei 11.101/05 reformada pela lei 14
1. Institutos: autônomos e independentes.
a. Falência;
b. Recuperação de Empresas.
2. Tópicos Comuns dos Institutos:
a. Foro Competente:
i. art 3 -é competente o foro do Principal Estabelecimento
Econômico da Empresa.
ii. O descumprimento da regra gera a incompetência absoluta do
juízo.
b. Sujeitos Passivos: art. 1 e 2
i. Empresário Individual e a Sociedade Empresária
ii. Exceções: Art. 2, I da LFRE
1. Não pode sofrer falência e nem pedir recuperação a
Empresa Pública e a Sociedade Economia Mista (são
reguadas pela Lei 13.303/16
iii. Exclusão Parcial da Falência e Total da Recuperação Judicial : Art.
2, II da LFRE
1. Antes da falência ser decretada, tenta-se a liquidação
extrajudicial.
2. Instituições Financeiras, Seguradoras e Operadoras de
Plano de Saúde sofrem liquidação extrajudicial.
c. Administrador Judicial: art. 21 e ss da LFRE
i. Quando o juiz decretar a Falência ou deferir o processamento de
Recuperação Judicial, deverá nomear um administrador Judicial.
ii. Nomeação: qualquer profissional idôneo, preferencialmente
advogado, economista, contador ou administrador de empresas.
PJ especializada também pode.
iii. Remuneração - Art. 24: Recebe até 5%
1. Falência: DO ATIVO
2. RJ: DO PASSIVO
3. Se for ME ou EPP e Empreendedor Rural: De até 2%
FALÊNCIA: Lei 11.101/05
1. Conceito:
a. É uma insolvência presumida da empresa que dará início a um processo
de execução concursal.
b. É aplicado o instituo da falência quando o passivo supera o ativo.
2. Hipóteses e Motivos: art. 94 da LFRE
a. Impontualidade: art. 94, I
i. Dívida líquida que está em título executivo e que supere 40
Salários-Mínimos.
1. União de Credores (art. 94, §1).
b. Execução Frustrada: art; 94, II
i. Ocorre quando a empresa executada não paga, não deposita e
não nomeia bens à penhora.
ii. Não tem valor mínimo.
c. Atos de Falência: art; 94, III
i. É qualquer alienação fraudulenta de patrimônio da empresa.
3. Sujeito Ativo: art. 97 da LFRE
a. Credores;
b. Sócios;
c. Própria Devedora (Autofalência) – art. 105 a 107 da LFRE.
FALÊNCIA: AÇÃO RENOVATÓRIA. ATOS INEFICAZES
1. Credores na Falência:
a. Pedido de Restituição:
i. Vão ingressar com uma ação assim que a falência for decretada.
ii. Quem tem direito: Art. 85 e ss. da LF
1. Proprietário de bens que estavam com o falido. Ex.:
credor da alienação fiduciária e do arrendamento
mercantil.
a. Pretende o bem e mandara entregar em 48h
b. Se o bem não existir (sumiu etc.) da o direito ao
valor em dinheiro, mas estará classificado como
crédito extraconcursal – art. 84 da LF e não em
48h.
2. Fornecedor que entregou mercadorias para receber a
crédito nos 15 dias que antecede o pedido de falência.
a. Só tem direito a mercadoria e não o valor.
b. Se a mercadoria não estiver ou for alienada e a
entrega ocorreu fora do praz, então o fornecedor
vai se habilitar como crédito quirografário.
iii. Adiantamento de crédito para cambio para exportação: art. 86,
II da LF.
iv. Quantias retida na fonte pelo devedor que deveriam ser
repassadas para a fazenda: art. 86, IV da LF
2. Crédito Extraconcursal: art. 84 da LF
a. Todos os créditos originados após a decretação da falência. Ex.: Crédito
tributários e o fato gerador ocorrer após a decretação da falência
Crédito trabalhista e acidente de trabalho, se o contrato foi firmado
após a decretação da falência; Custas se a massa falida é parte vencida;
honorários do administrador judicial.
b. Crédito de natureza salarial (até 5 S.M. por trabalhador e valores que
não foram pagos em até 3 meses após a decretação da falência)
c. Quantias devidas pelo pedido de restituição (art. 86/LF).
d. Novos contratos firmados pela empresa em Recuperação Judicial (art.
84/LF).
e. Financiamento feito com a empresa em recuperação (art. 69 da LF).
3. Créditos Concursais: art. 83 da LF
a. Origem: antes da decretação da falência.
b. Ordem:
i. Crédito Trabalhista: até 150 SM por trabalhador e acidente de
trabalho sem limite de valor.
1. E se for cedido a terceiro?
a. Art. 83, §5 – os créditos manterão a sua natureza
– serão créditos trabalhistas.
ii. Crédito com garantia real: até o limite do bem dado em garantia
iii. Créditos Tributários: salvo as multas tributárias
iv. Credores Quirografários: ex. - contratos, t´títulos de crédito,
saldo do crédito trabalhista; saldo crédito garantia real; créditos
privilegiados).
v. Multas: contratual, penal e tributária
vi. Créditos Subordinados: pró-labore de sócio, honorários de
administradores e diretores.
vii. Juros vencidos após a decretação da falência: art. 124 da LF
PROCEDIMENTO DA FALÊNCIA:
1. Petição Inicial:
a. Autor: art. 96 da LF
b. Réu: art. 1 e 2 da LF
c. Motivos: art. 94 da LF
d. Juízo Competente: art. 3 da LF
2. Citação:
a. 10 dias
3. Contestação:
a. Art. 97 da LF
4. Recuperação Judicial:
a. Art. 95 da LF
5. Depósito Elisivo:
a. Art. 98, p.ú da LF
b. Só é cabível o depósito elisivo, nos motivos do art. 94, I da LF (Títulos
Executivos, protestados) e art. 94, II da LF (Execução em andamento na
qual o devedor ficou inerte)
6. Sentença: art. 100 da LF
a. Dois casos de Recursos:
i. Se a sentença é improcedente: cabe apelação
ii. Se a sentença declara a falência: cabe agravo
b. Juiz nomeia o administrador judicial
c. O juiz intima o MP
d. Juiz fixa o termo legal: art. 99, II da LF
i. Período de no máximo 90 dias
ii. Contado retroativamente do primeiro protesto ou do pedido
iii. Serve porque alguns atos serão considerados ineficazes em
relação a massa no caso de: garantia real, pagamento
antecipado e o pagamento de forma diferente da contratada.
7. Liquidação:
a. Venda de bens e pagamento
b. Ordem art. 141: venda em conjunto e livre de qualquer ônus
c. Procedimento: art. 142
i. O MP precisa ser intimado (§7) pode se opor etc.
8. Sentença de Encerramento da Falência:
a. Não extingue as obrigações não pagas pelo falido.
EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES:
1. Precisa de uma petição própria (Art. 159 da LF)
2. Precisa de: art. 158 da LF
a. Pagamento de todos os créditos
b. Pagamento de mais de 25% do Crédito Quirografário
c. Decurso de 3 anos da decretação da falência.
INEFICÁCIA REVOCATÓRIA:
1. Ineficácia: art. 129 da LF
a. Ofício pelo juiz ou alegado por qualquer meio pelas partes
b. Não tem prazo de preclusão
c. Atos: termo legal; garantia real; pagamento antecipado; pagamento de
forma diferente da contratada
d. Atos gratuitos em até 2 anos antes da decretação da falência.
e. O trespasse: quando o alienante não tinha vens suficientes para saldar
as dívidas e não notificou e não obteve a concordância dos credores e
nem o pagamento deles.
f. Transferência de propriedade decorrida após a decretação da falência,
SALVO prenotação anterior.
g. Art. 45, §8 – reembolso de ex-acionista com prejuízo ao capital
h. Não importa a intenção e a má-fé
2. Revocatória: art. 130 e ss. da LF
a. Necessidade de ação própria pelo procedimento comum
b. Prazo de 3 anos contados da decretação da falência – prazo decadencial
c. Não há relação de atos. 2 requisitos;
i. Efetivo prejuízo a massa
ii. Conluio fraudulento
d. Legitimidade ativa: art. 133 da LF
i. MP, Credores, administrador judicial no interesse da massa.
e. Sequestro dos bens: art. 137 da LF.
RECUPERAÇÃO JUDICIAL: Lei 11.101/05
1. Finalidade:
a. Manutenção da fonte produtiva
b. Manutenção dos empregos
c. Interesse dos Credores (art. 47 da LF)
2. Juízo Competente: art. 3 da LF
a. Local competente é o do principal estabelecimento do devedor.
3. Órgãos:
a. Administrador Judicial: art. 21 e ss. da LF
i. É alguém nomeado pelo juiz tanto PF quando PJ
ii. Preferencialmente advogado, economista, administrador de
empresas ou contador.
iii. Idôneo.
iv. Funções:
1. Elabora o quadro de credores
2. Fiscalização das atividades do devedor e do cumprimento
do plano de recuperação judicial
3. Presta relatórios
4. Honorárias fixados pelo juiz, respeitado o máximo de 5%
do valor dos créditos atingidos.
a. No máximo de 2% se a empresa em recuperação
for ME ou EPP (art. 29 da LF)
b. REsp 1809221-MG – Não é aplicável a retenção de
40% dos honorários para posterior aprovação das
contas como ocorre na falência.
b. Comitê de Credores: art. 26 e ss. da LF
i. Máximo 4 membros (Credor Trabalhistas; Credor Garantia Real e
Privilégio Especial; Credor Quirografário e Privilégio Geral; ME e
EPP).
ii. Funções:
1. Fiscalização das atividades e contas do administrador
judicial
2. Órgão consultivo para decisões judiciais quando a lei
determinar
3. Os honorários dos membros do comitê quando houver,
não podem ser pagos com os bens do devedor (art. 29 da
LF)
c. Assembleia de Credores: art. 35 e ss. da LF
i. Composição: art. 41 da LF
1. Créditos Trabalhistas + Acidente de trabalho
2. Créditos com Garantia Real
3. Credores Quirografários, com Privilégio Geral e Especial e
Subordinado
4. Créditos de ME e EPP
ii. Voto é proporcional ao crédito: art. 38 da LF
iii. Quórum de aprovação do Plano de RJ: art. 45 da LF
Crédito Trabalhista e Crédito com Garantia Real e
Acidente de trabalho + ME e Demais
EPP
Concordância da maioria dos Concordância da maioria dos
credores presentes credores presentes que
representem mais de ½ dos
créditos presentes
Obs.: o quórum para os demais assuntos: Concordância da
maioria dos credores presentes + de ½ dos créditos presentes na
AG: art. 42 da LF
Obs.: quem preside a assembleia de credores é o administrador
judicial.
Obs.: art. 45-A - as deliberações da assembleia-geral de credores
previstas nesta Lei poderão ser substituídas pela comprovação
da adesão de credores que representem mais da metade do
valor dos créditos sujeitos à recuperação judicial, observadas as
exceções previstas nesta Lei.
d. Ministério Público:
i. Art. 4 da LF foi VETADO
ii. Atos em que o MOP atua:
1. Recursos
2. Impugnação ao quadro de credores (art. 8 da LF)
3. Ação de retificação de quadro de credores (art. 19 da LF)
4. Requisitos: art. 48 da LF
a. Devedor deve exercer atividade empresarial regular há pelo menos 2
anos.
i. O produtor rural apenas precisa provar a regularidade sua
atividade por 2 anos por Escrituração Contábil, Livros-caixa, IRPF
etc.).
ii. Associações que na prática exercem atividade empresarial
(requisitos art. 966 do CC: atividade econômica,
profissionalismo, organização)
b. Não estar falido
c. Não ter sido condenado em crime falimentar (administrador sócio,
controlador)
d. Não ter obtido a concessão de RJ nos últimos 5 anos.
5. Credores:
a. Atingidos: todos os existentes até a data do pedido de RJ
b. Salvo:
i. Extraconcursais, excluídos
ii. Credor - propriedade - Art. 49, §3
iii. Credor de adiantamento de crédito para cambio e exportação
iv. Crédito tributário
v. Renegociação com instituição financeira ocorrida antes da RJ na
forma de ato do poder executivo
vi. Dívidas ocorridas nos 3 anos antes do pedido de RJ para
aquisição de propriedade rural.
6. Procedimento:
a. Petição Inicial:
i. Documentos – art. 51
ii. Competência – art. 3
b. Constatação Prévia: art. 51-A
i. Verifica a regularidade do estabelecimento por meio de um
laudo
c. Juiz:
i. defere o processamento da RJ (art. 52, 6 da LF e Súmula 581 do
STF)
ii. nomeia do administrador judicial;
iii. estabelece o prazo de 60 dias para apresentação da proposta do
devedor
iv. Stay Period: período de suspensão por 180 dias, podendo ser
prorrogado uma única vez por decisão do Juiz da RJ, desde que o
devedor não tenha dado causa) dos prazos prescricionais e das
execuções, salvo a Execução Tributária.
1. Se houver contrição de bens na Execução, a decisão será
tomada por meio de cooperação jurisdicional
2. Credores proprietários poderão demandar suas ações,
mas durante o stay period não podem ser retirados os
bens da empresa
3. As execuções contra garantidores prosseguirão
normalmente.
d. Devedor:
i. Apresenta alguma proposta (qualquer uma), salvo nos art. 50
1. Vender bens dado em garantia real, salvo concordância
expressa do credor.
2. Cambio de contrato em moeda estrangeira, salvo com a
concordância do credor.
3. Não pode atrasar mais de 30 dias para o pagamento de
natureza salarial no valor de até 5 salários-mínimos e que
não tenham sido pagos 3 meses antes da RJ.
4. Não pode atrasar mais de 1 ano para o pagamento de
crédito trabalhista e acidente de trabalho, salvo a
possibilidade de se estender por 2 anos se houver
garantias, pagamento integral e concordância dos demais
credores (art. 54 da LF).