Acentuação e Ortografia no Português
Acentuação e Ortografia no Português
Para responder às questões de números 1a norma culta de um idioma é plataforma mínima 1 (VUNESP – MODELO ENEM) – De acordo
de sucesso para profissionais de todas as
E, leia o texto. áreas. Engenheiros, médicos, economistas,
com o texto, a discussão acerca das mudanças
ortográficas
contabilistas e administradores que falam e
A RIQUEZA DA LÍNGUA a) deve ser mantida em pauta, considerada sua
escrevem certo, com lógica e riqueza vocabu-
inquestionável relevância.
lar, têm mais chance de chegar ao topo do que
b) está ultrapassada, pois o Ministério da Edu-
Engavetado desde sua assinatura, em 1990, profissionais tão qualificados quanto eles mas
cação já confirmou a vigência para 2008.
voltou a assombrar o acordo ortográfico que sem o mesmo domínio da palavra. Por essa
c) revela repercussões de ordem comercial,
visa a unificar a escrita do português nos países razão, as mudanças ortográficas interessam e
por isso é prescindível.
que o adotam como língua oficial. O Ministério trazem dúvidas a todos. O acordo diz como se
d) é desnecessária, pois elas já foram imple-
da Educação chegou a anunciar a entrada em deve usar o hífen e o acento agudo e outros
mentadas com sucesso.
vigor da reforma no Brasil já em 2008. Feliz- desses minúsculos sinais gráficos que já fize-
mente, essa data foi postergada. Por mais mo- e) é insignificante, pois não desperta interesse
ram estatelar muitas reputações. A diferença
dorrenta que seja, essa discussão não deve se dos profissionais qualificados.
entre um sucesso e um vexame pode ser de-
extinguir. Ela tem implicações profundas de terminada por uma simples crase mal utilizada. Resolução
ordem técnica e comercial, além de provocar Portanto, não há como ignorar quando os A alternativa a coincide com o que se afirma
ainda mais ansiedade nos milhões de brasilei- sábios se reúnem para determinar o que é repetidamente no texto; as demais alternativas
ros mergulhados em dúvidas no seu empenho certo e errado no uso do português. ou contrariam explicitamente o texto ou não
diário para falar e escrever bem. Dominar a (Veja, 12/9/2007) têm relação com ele. Resposta: A
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B (VUNESP – MODELO ENEM) – Segundo b) adiada e exigência. e) As mudanças ortográficas dizem respeito à
o texto, o domínio da norma culta c) adiantada e condição. muitos aspectos da língua que sempre geraram
a) pode distanciar as pessoas pela falta de d) mantida e base. dúvidas.
entendimento em situações comunicativas. e) cancelada e necessidade. Resolução
b) cabe exclusivamente àqueles que ocupam Resolução Não ocorre crase antes de verbo (b) e de artigo
posição de destaque nas empresas. Postergada significa “transferida para o futuro, indefinido (d). A preposição a, sem se fundir
c) depende do idioma falado pelos profissio- adiada”; plataforma, porém, embora possa, no com o artigo as, não é craseada, evidentemen-
nais de muito sucesso. texto, ser substituída por exigência, significa te, antes de palavras no plural (c), sobretudo se
d) é uma exigência das empresas para que os “programa”. masculinas (e).
profissionais evitem vexames. Resposta: B Resposta: A
e) pode ter repercussões muito positivas na
D (VUNESP – MODELO ENEM) – Segundo
vida profissional das pessoas.
o texto,“a diferença entre um sucesso e um
E (VUNESP – MODELO ENEM) – Na frase –
Resolução “Portanto, não há como ignorar quando os sá-
Afirma-se no texto que “Por mais modorrenta vexame pode ser determinada por uma simples
bios se reúnem para determinar o que é certo e
que seja, essa discussão não deve se extin- crase mal utilizada”.
errado no uso do português.” – o emprego da
guir.” conjunção portanto indica que entre as informa-
Resposta: E Assinale a alternativa em que a pessoa lograria
ções se estabelece relação de
sucesso com a frase utilizada.
a) causa. b) oposição.
C (VUNESP – MODELO ENEM) – Observe a) Muitos se referem às mudanças ortográfi-
c) conclusão. d) tempo.
as frases: cas como se elas fossem totalmente desneces-
e) conformidade.
sárias.
I. “Felizmente, essa data foi postergada.” b) À partir do momento em que a reforma for Resolução
II. “Dominar a norma culta de um idioma é implantada, todos terão de se reciclar. Portanto é uma conjunção conclusiva; pode ser
plataforma mínima de sucesso para profis- c) Muitas pessoas aderem à essas novidades substituída por logo, por conseguinte, conse-
sionais de todas as áreas.” da reforma sem saber ao certo se serão salu- quentemente, por isso, assim sendo, desse
tares. modo, pois (esta, não no início, mas depois da
Os termos postergada e plataforma significam, d) Na mídia, assiste-se à uma grande especula- primeira palavra ou expressão da oração: Não
respectivamente, ção sobre os reais impactos das mudanças há, pois, como ignorar...).
a) conservada e orientação. ortográficas. Resposta: C
Conclusão: devem ser acentuados os monossílabos Conclusão: acentuam-se os vocábulos paroxítonos termi-
tônicos terminados em _____________________________
A(S), E(S), O(S), ÉI(S), ÉU(S), ÓI(S). nados em ____________________________________
L, N, R, X, PS .
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G (FGV) – Assinale a alternativa cujas palavras estejam de acordo com as regras de acentuação gráfica.
a) Avaro (sovina), ibero, perito, rubrica, aríete, ínterim. b) Ávaro (sovina), íbero, perito, rúbrica, ariete, interim.
c) Ávaro (sovina), íbero, périto, rubrica, aríete, interim. d) Avaro (sovina), íbero, perito, rúbrica, ariete, ínterim.
e) Avaro (sovina), ibero, perito, rubrica, aríete, interim.
RESOLUÇÃO:
As palavras avaro, ibero, perito e rubrica são paroxítonas e, por terminarem em o e as, não são acentuadas. Os vocábulos aríete e ínterim
são proparoxítonos; portanto, são obrigatoriamente acentuados. Resposta: A
No Portal Objetivo
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”, digite PORT1M401
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Taquari: pequena árvore cujos ramos novos são usados para Sarro: resíduo de nicotina que fica no tubo de cachimbos.
fazer canudo de cachimbo.
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É a repetição de termos, às vezes necessária para dar à Obs.: Existe o pleonasmo vicioso, que consiste na
expressão mais vigor ou clareza. repetição desnecessária de um termo já expresso. Nesse
Exemplos: caso, não se trata de recurso de estilo, e sim de
vulgarismo. Exemplos: subir para cima, ver com os olhos,
“Cada qual busca salvar-se a si próprio.” (Alexandre
sonhar um sonho, entrar para dentro, descer para baixo,
Herculano)
hemorragia de sangue, breve alocução, monopólio
“Os amigos, ainda os frequentava na solidão do exílio.” exclusivo, principal protagonista, chorar lágrimas etc.
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1 A substituição que a cobra propõe para a palavra “reces- 2 (UNESP) – No texto que lhe apresentamos, recortado de
são” configura uma figura de linguagem. Qual é essa figura? uma notícia publicada em 3/06/95, o revisor “cochilou” naquilo
RESOLUÇÃO: que os gramáticos denominam “pleonasmo vicioso”, ou seja,
Trata-se de eufemismo, figura que consiste no emprego de palavra o emprego de mais de uma palavra, desnecessariamente, para
ou expressão mais agradável, de que se lança mão para suavizar expressar o mesmo sentido. Leia-o atentamente e, a seguir:
ou minimizar o peso conotador de outra palavra.
a) Explique onde e como ocorre o acidente de texto na notícia.
RESOLUÇÃO:
O pleonasmo vicioso ocorre em “...a reversão total de todas as
demissões...”. Nesse caso, o sentido de total é repetido, desne-
cessariamente, pela expressão de todas. Como ambos têm o
mesmo sentido, bastaria o emprego de apenas um deles.
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b) Escreva uma versão nova da frase, sem a redundância. 4 Assinale a alternativa que não apresenta hipérbole:
RESOLUÇÃO: a) “No almoço e no jantar, Tio Aníbal se levantava da cama para
Há duas possibilidades de redação para eliminar a redundância:
comer. Comia montanhas.” (Raquel Jardim)
“...a reversão total das demissões...” ou “...a reversão de todas as
b) “(...) ela estava se mordendo de raiva.” (Domingos Pellegrini Jr.)
demissões...”.
c) “Oitenta e seis anos e um sorriso enorme, mil dentes, os
olhos brilhantes e aquela sabedoria que os nos vão conferindo
às pessoas.” (Ziraldo)
d) “Lucas amou-a em regra, e sonetou-a inteira dos cabelos aos
pés, parnasianamente, nefelibatamente, com lirismo de como-
ver pedras.” (Monteiro Lobato)
e) “O quinhão que me coube é humilde, pior do que isto: nulo.
Texto para a questão 3. Nem glória, nem amores, nem santidade, nem heroísmo.” (Otto
Lara Resende)
Considere-se a afirmação seguinte: Os países atrasados Resposta: E (polissíndeto)
anunciam um pacote de ajuda aos miseráveis. Considere-se
agora esta outra: Os países emergentes anunciaram um Texto para as questões de 5 a 7.
conjunto de medidas de ajuda aos excluídos. Qual a dife-
rença entre uma frase e outra? Nenhuma, quanto ao con- Detenho-me diante de uma lareira e olho o fogo. É gordo
teúdo. Mas como soa mais benigna a segunda, expurgada e vermelho, como nas pinturas antigas; remexo as brasas
com o ferro, baixo um pouco a tampa de metal e então ele
da crueza selvagem da primeira... A primeira, dita num salão,
chia com mais força, estala, raiveja, grunhe. Abro: mais
choca como palavrão. Soa como vitupério de rameira em rixa
intensos clarões vermelhos lambem o grande quarto e a
de bordel. A segunda deleita como solo de clarineta. Parece
grande cômoda velha parece regozijar-se ao receber a luz
discurso de doutor em noite de entrega de título honoris
desse honesto fogo. Há chamas douradas, pinceladas azuis,
causa, por isso governa-se com a segunda.” brasas rubras e outras cor-de-rosa, numa delicadeza de
(Roberto Pompeu de Toledo) guache. Lá no alto, todas as minhas chaminés devem estar
fumegando com seus penachos brancos na noite escura;
não é a lenha do fogo, é toda a minha fragata velha que
3 (MODELO ENEM) – O texto trata do uso do eufemismo,
estala de popa a proa, e vai partir no mar de chuva. Dentro,
figura de pensamento que consiste no emprego de uma palavra leva cálidos corações. (Rubem Braga)
ou expressão para atenuar uma verdade tida como penosa,
desagradável ou chocante. 5 (FUVEST) – Há uma gradação crescente em:
a) “... e então ele chia com mais força, estala, raiveja, grunhe.”
Assinale a única alternativa que não apresenta esse recurso. b) “... mais intensos clarões lambem o grande quarto...”
a) “Os amigos que me restam são de data recente; todos os c) “Há chamas douradas, pinceladas azuis, brasas rubras e
antigos foram estudar a geologia dos campos santos.” outras cor-de-rosa, numa delicadeza de guache.”
(Machado de Assis) d) “Lá no alto, todas as minhas chaminés devem estar fume-
gando com seus penachos brancos na noite escura...”
b) “E pela paz derradeira que em enfim
e) “... é toda a minha fragata velha que estala de popa a proa,
Vai nos redimir. Deus lhe pague.”
e vai partir no mar de chuva.”
(Chico Buarque)
RESOLUÇÃO:
c) “Meus paralíticos sonhos desgosto de viver Gradação crescente ou gradação em clímax corresponde à enu-
(a vida para mim é vontade de morrer) meração em que os elementos que se sucedem vão-se tornando
faziam de mim homem-realejo imperturbavelmente.“ mais intensos quanto a algum aspecto de sua significação. Na
(Alguma Poesia, Carlos Drummond de Andrade) enumeração constante da alternativa a, a sucessão das ações
indica, a cada novo elemento, um comportamento mais enfático,
mais forte ou intenso por parte do narrador. Assim, entende-se,
d) “O velho pai sesudo, que respeita do contexto da frase, que “chia com mais força” < “estala” <
O murmurar do povo e a fantasia “raiveja” < “grunhe”. Resposta: A
Do filho, que casar-se não queria,
Tirar Inês ao mundo determina” 6 (FUVEST – MODELO ENEM) – No excerto, o narrador
(Os Lusíadas, Camões) propõe um percurso metafórico que vai do aquecimento da casa
e) “E fizeste isto durante vinte e três anos, calado, obscuro, à imagem da partida de um barco.
O segmento em que se reforça e se explicita essa passagem
pontual (...) até que um dia deste o grande mergulho nas trevas,
do plano literal ao metafórico é:
e ninguém te chorou...”. a) “... numa delicadeza de guache.”
(Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis) b) “... todas as minhas chaminés devem estar fumegando com
RESOLUÇÃO: seus penachos brancos na noite escura...”
Há eufemismo em: a) “todos os antigos foram estudar a geologia c) “... não é a lenha do fogo, é toda a minha fragata velha que
dos campos santos”(morreram), b) ”paz derradeira” (= morte), d) estala de popa a proa...”
”tirar Inês ao mundo“ (= matar) e e) “o grande mergulho nas d) “... e vai partir no mar de chuva.”
trevas“ (= morte). e) “Dentro, leva cálidos corações.”
Nos versos da alternativa c, não há eufemismo, a figura predomi- RESOLUÇÃO: Na alternativa c, o autor nega que o que contou se
nante é a antítese, presente na oposição “desgosto de viver“/ limite ao sentido literal do relato (“não é a lenha do fogo”),
“vontade de morrer“ (desgosto vs. vontade/viver vs. morrer). estendendo o âmbito de significação através da metáfora da
Resposta: C “fragata velha”. Resposta: C
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7 (FUVEST – MODELO ENEM) – A mesma relação semân- d) Quisera falar com o ladrão, e nada fizera.
tica destacada pela conjunção e na frase “Detenho-me diante de e) E seu irmão Dito é o dono daqui?
uma lareira e olho o fogo” encontra-se também em: RESOLUÇÃO:
Na frase proposta no enunciado, a conjunção e, apesar de seu
a) E, a cada dia, você tem mais lugares onde pode contar com
sentido aditivo, coordena duas orações que mantêm relação de
a comodidade de pagar suas despesas com cartões de crédito. causa e consequência. A mesma relação ocorre em ”Carro quebra
b) Realizada pela primeira vez em outubro do ano passado, a no meio da estrada e casal pede ajuda a um motorista que passa
Semana de Arte e Cultura da USP tenta conquistar seu espaço pelo local.” Resposta: C
na agenda cultural de São Paulo.
c) Carro quebra no meio da estrada e casal pede ajuda a um
motorista que passa pelo local.
Acentuação II:
70 acento diferencial e hiatos
• Regras especiais
• Elementos de redação
1 (UFSCar-adaptada) – Assinale a alterna- B (UPF – MODELO ENEM) – Assinale a C (UFSM-adaptada) – As palavras exter-
tiva em que as palavras estão acentuadas alternativa que apresenta, respectivamente, as mínio, Juízes e há seguem, respectivamente, a
graficamente pelas mesmas regras por que mesmas razões para acentuação das palavras mesma regra de acentuação de
estão acentuadas, respectivamente, em chalé, estatísticas e notícia. a) história – herói – saí.
céu, existência. a) Gaúcho vive horas de terror no coração da b) polícia – várias – mês.
a) atrás, herói, próprio. África. c) convivência – chapéu – aí.
b) três, pôde, evidência. b) Ministério aceita recuar na tolerância zero. d) possíveis – séries – já.
c) Jaú, caráter, máscara. c) Célebre escritor defende o uso rigoroso da e) penitenciária – saía – três.
d) pré-requisitos, ruína, vários. língua culta. Resolução
e) fé, mídia, competência. d) Juíza determina quebra de sigilo bancário A palavra extermínio é paroxítona terminada em
Resolução de Maluf. ditongo oral como penitenciária. Juízes é hiato
Tanto chalé quanto atrás são oxítonas acentua- e) Cai o número de alunos gaúchos reprovados. com segunda vogal tônica i como saía. Os
das por terminarem em e e as; céu e herói são Resolução monossílabos há e três são acentuados por
acentuadas por serem ditongos abertos em éu As palavras estatísticas e notícias são acen- serem monossílabos tônicos com vogal a e e(s).
e ói; existência e próprio são paroxítonas tuadas, respectivamente, por serem proparo- Resposta: E
terminadas em ditongo oral. xítona e paroxítona como célebre e língua.
Resposta: A Resposta: C
Acentuam-se ⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯
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⎯⎯→ para diferenciar de
pôde (pretérito) ⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯
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⎯⎯→ pode (presente)
eles têm, eles vêm (plural) ⎯⎯⎯⎯
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⎯→ ele tem, ele vem (singular)
pôr (V) ⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯
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⎯⎯→ por (preposição)
Obs.: É facultativo o emprego do acento circunflexo para diferenciar forma / fôrma, buscando-se sempre a clareza da frase.
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A Coloque acento diferencial, se exigido pelas normas de d) Lotus é uma planta aquatica que da belas flores brancas,
acentuação gráfica: roseas, azuis ou violaceas.
a) Hoje você já pode resolver o problema, mas ontem não pode. RESOLUÇÃO:
b) Se você só tem trinta anos e suas amigas tem mais de lótus, aquática, dá, róseas, violáceas.
cinquenta, fica difícil o relacionamento.
c) Os alunos que vem à aula aprendem mais do que aquele que
e) Nelson foi traido por denuncia dos proprios partidarios.
não vem.
RESOLUÇÃO: RESOLUÇÃO:
Em a, não pôde; em b, suas amigas têm; em c, alunos que vêm. Nélson, traído, denúncia, próprios, partidários.
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Subsídios para
71 redigir um bom texto
• Relações semânticas
• Conjunções
Ouvindo e lendo é que você aprenderá a falar e a escrever bem. Procure ler muito, ler bons autores, para redigir bem!
Queremos que você produza bons textos, e alguns exercícios podem ajudá-lo a melhorar sua redação. O objetivo
é ensiná-lo a identificar e usar corretamente alguns elementos de ligação entre frases.
Leia os textos abaixo e observe o sentido das relações entre as frases.
Texto 1
Por não ter dinheiro para pagar uma dívida, João da Silva, jovem de temperamento violento, agrediu e assaltou
Dona Diva Pereira, quando fazia compras na feira. A pobre mulher ficou sem um tostão para voltar para sua casa. Dona
Diva não deu parte à polícia.
Texto 2
André,
Fiquei gripada e perdi a prova e as explicações de hoje.
Caso eu melhore da gripe, irei à aula amanhã. É verdade que a prova de História foi mais difícil que a de Matemática?
Se você puder, dê uma passada em casa hoje à tarde ou mande um recado. Preciso copiar as tarefas. Obrigada.
Ribeirão Preto, 10/10/2010
Juliana
Texto para a questão 1. 1 (FUVEST – MODELO ENEM) – Reestrutu- haviam repousado bastante na areia do rio seco.
rando-se o terceiro período do texto, mantém- e) Em virtude de andarem ordinariamente
se o sentido original apenas em: pouco e de haverem repousado bastante na
Na planície avermelhada, os juazeiros areia do rio seco, a viagem progredira bem três
a) A viagem progredira bem três léguas, uma
alargavam duas manchas verdes. Os léguas.
vez que haviam repousado bastante na areia do
infelizes tinham caminhado o dia inteiro, Resolução
rio seco, dado que ordinariamente andavam
estavam cansados e famintos. Ordina- No texto, o terceiro período apresenta relações
pouco.
riamente andavam pouco, mas como haviam de oposição e causa, expressas pelas conjun-
b) Haviam repousado bastante na areia do rio
repousado bastante na areia do rio seco, a ções mas (adversativa) e como (causal). Essas
seco; a viagem progredira bem três léguas
viagem progredira bem três léguas. Fazia mesmas relações ocorrem, no período da
porque ordinariamente andavam pouco.
horas que procuravam uma sombra. A alternativa d, empregando-se a locução conjun-
c) Porque haviam repousado bastante na areia
folhagem dos juazeiros apareceu longe, tiva ainda que (concessiva) e a conjunção pois
do rio seco, ordinariamente andavam pouco, e
através dos galhos pelados da caatinga rala. (explicativa ou causal), em razão da mudança na
a viagem progredira bem três léguas.
d) Ainda que ordinariamente andassem pouco, ordem das orações.
(Graciliano Ramos, Vidas Secas) Resposta: D
a viagem progredira bem três léguas, pois
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B (FUVEST) – “Tão barato que não consegui- Assinale a alternativa equivalente ao texto político, parecem dar-se conta da extensão do
mos nem contratar uma holandesa de olhos original quanto ao sentido. que ocorre debaixo de seus olhos.
azuis para este anúncio”. a) Há muito tempo, o Brasil vem dando sinais e) Há muito tempo, o Brasil vem dando sinais
No texto, a orientação semântica introduzida crescentes de vulnerabilidade, sendo que as crescentes de vulnerabilidade, já que as lideran-
pelo terno nem estabelece uma relação de lideranças nacionais, especialmente as do setor ças nacionais, especialmente as do setor
a) exclusão. b) adição. c) negação. político, parecem dar-se conta da extensão do político, não parecem dar-se conta da extensão
d) intensidade. e) alternância. que ocorre debaixo de seus olhos. do que ocorre debaixo de seus olhos.
Resolução b) Há muito tempo, o Brasil vem dando sinais Resolução
Nem, na frase apresentada, intensifica a nega- crescentes de vulnerabilidade, entretanto as Nas alternativas a, b, d, nota-se que as lideran-
ção não só do que está expresso (“contratar lideranças nacionais, especialmente as do setor ças nacionais “parecem dar-se conta da exten-
uma holandesa”), mas também de outras político, parecem dar-se conta da extensão do são do que ocorre debaixo de seus olhos”. Isso
possibilidades. É como se se dissesse “não que ocorre debaixo de seus olhos. é o oposto do que afirma a revista Veja.
conseguimos nada, nem isto.” Resposta: D c) Há muito tempo, o Brasil vem dando sinais Em e, o fato de as lideranças nacionais não
crescentes de vulnerabilidade, entretanto as terem percepção da vulnerabilidade do país não
C (MACKENZIE – MODELO ENEM) – Há lideranças nacionais, especialmente as do setor é a causa (“já que”) dessa fragilidade. Segundo
muito tempo, o Brasil vem dando sinais cres- político, parecem não se dar conta da extensão a revista, os líderes políticos não percebem os
centes de vulnerabilidade sem que as lideran- do que ocorre debaixo de seus olhos. problemas do país.
ças nacionais, especialmente as do setor d) Como há muito tempo o Brasil vem dando Resposta: C
político, pareçam dar-se conta da extensão do sinais crescentes de vulnerabilidade, as lideran-
que ocorre debaixo de seus olhos. (Veja) ças nacionais, especialmente as do setor
1 (UMC-SP-adaptado) – Observe as orações: b) Não haverá flores, nem petróleo, nem minérios. / O homem
As reservas petrolíferas do mundo são limitadas. continua entupindo com monóxido de carbono a camada
A exploração descontrolada de petróleo acarretará a exaustão atmosférica. (relação de causa)
de suas reservas. RESOLUÇÃO:
Não haverá flores, nem petróleo, nem minérios, porque (já que) o
homem continua entupindo com monóxido de carbono a camada
Reúna os dois períodos acima, em um único, utilizando conec- atmosférica.
tivos que mantenham as mesmas relações semânticas do texto
original e eliminando repetições desnecessárias.
RESOLUÇÃO:
As reservas petrolíferas do mundo são limitadas, portanto (por
isso, por esse motivo, por causa disso) a exploração descontrolada
de petróleo acarretará a sua exaustão. (causa e consequência)
Ou
Como as reservas petrolíferas do mundo são limitadas, a 3 (PUCCAMP – MODELO ENEM) – Observe as declarações
exploração descontrolada de petróleo acarretará a sua exaustão. em programas de rádio e televisão abaixo transcritas.
(causa e consequência) I. Vou agir como presidente do modo que agi quando ministro.
II. Com tanta violência, evitar que a população não tenha medo
é inevitável.
III. Estou certo de que mantive coerência com essas ideias
fundamentais.
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4 (FUVEST) – Mesmo sem ver quem está do outro lado da c) A mulher enfrenta sérios problemas no mercado de trabalho.
linha, os fãs dos bate-papos virtuais viram amigos, namoram e A mulher negra é duas vezes discriminada.
alguns chegam até a casar. RESOLUÇÃO:
A mulher já enfrenta sérios problemas no mercado de trabalho,
(Época, n.° 1, 25/5/98)
porém (contudo, entretanto, todavia, mas) a mulher negra é duas
vezes discriminada.
a) O segmento destacado constitui uma oração reduzida.
Substitua-a por uma oração desenvolvida (introduzida por
conjunção e com o verbo no modo indicativo ou subjuntivo),
sem produzir alteração do sentido.
RESOLUÇÃO:
"Embora (ou mesmo que, ainda que) não vejam quem está do
outro lado da linha..." d) O frio era bastante intenso naquela região do Brasil. Alguns
A desenvolvida correspondente à ideia de concessão pode ser
moradores de rua acabaram morrendo. Havia muitos albergues
introduzida pela conjunção embora ou por locução conjuntiva
(ainda que, mesmo que etc.). noturnos.
RESOLUÇÃO:
O frio era tão intenso naquela região do Brasil que alguns mora-
dores de rua acabaram morrendo, embora houvesse muitos
albergues noturnos.
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RESOLUÇÃO: X – recauchutar.
5 Escreva com s ou z, seguindo o modelo:
baixo = baixeza mole = moleza
2 Complete com x ou ch.
nu = _____________ certo = _____________
a) en ___ ame b) en ___ ada
surdo = _____________ pequeno = _____________
c) en ___ ergar d) en ___ otar
mudo = _____________ duro = _____________
e) en ___ ertar f) en ___ aguar
RESOLUÇÃO:
RESOLUÇÃO: Todas as palavras são com x. nudez – certeza – surdez – pequenez – mudez – dureza
RESOLUÇÃO: ÊS
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9 Siga o modelo:
aviso = avisar catálise = catalisar
anestesia = _____________ paralisia = _____________
improviso = _____________ análise = _____________ K (MODELO ENEM) – Observe os sinônimos indicados entre
pesquisa = _____________ atraso = _____________ parênteses:
liso = _____________ friso = _____________ I. “provavelmente faria a cessão” (=doação);
II. “infligindo (=aplicando) castigos ao audacioso oponente”;
RESOLUÇÃO: III. “provavelmente faria a cessão da vultosa (=grande) quantia”.
anestesiar, paralisar, improvisar, analisar, pesquisar, atrasar, alisar,
frisar. Considerando-se o texto, a equivalência sinonímica está correta
em:
a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas.
d) I e II, apenas. e) I, II e III.
RESOLUÇÃO:
Conclusão: quando a palavra primitiva já possui a letra Resposta: E
________, esta se conserva e a derivação é feita apenas com
o acréscimo do sufixo _________ .
RESOLUÇÃO: S – AR.
No Portal Objetivo
Exceções: síntese – sintetizar; catequese – catequizar; Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
hipnose – hipnotizar. OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite PORT1M402
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interpretação
74 de diferentes linguagens
• Propaganda • Anúncio
• Informe publicitário
INSTRUÇÃO: Para responder às questões de B (UNIFESP – MODELO ENEM) – No texto, mesmo óbvia, é a que afirma que as mães não
números A a D, leia a propaganda. fica pressuposto que o sentimento de sauda- conseguem controlar as saudades dos filhos.
des Resposta: D
a) está presente quando há distância física.
b) pode ser suprido por um aparelho celular. D (UNIFESP – MODELO ENEM) – Considere
c) não é vivido da mesma forma por duas as afirmações:
pessoas. I. Os pronomes sua e seu referem-se ao
d) é pouco vivido em datas comemorativas. receptor da mensagem, que pode ser uma
e) impossibilita que as pessoas sejam felizes. pessoa do sexo masculino ou do sexo feminino.
Resolução II. Se a conjunção Quando fosse substituída
Considerando que se trata de propaganda de por Se, os verbos teriam outra flexão.
um aparelho que pode transmitir não só a voz, III. Embora possua classificação gramatical
mas também imagens, entende-se que a diferente da conjunção Quando, Se poderia con-
referência do texto seja ao fato de a mãe ver o figurar na propaganda, pois apresentaria a ideia
rosto do filho em fotografia transmitida pelo de forma coerente.
telefone celular. Assim sendo, não haveria IV. Num nível de linguagem bastante informal,
presença física do filho, o que justificaria as a última frase poderia assumir a seguinte forma:
saudades da mãe e justifica a alternativa a. “Facinho agradar sua mãe, né?”
Resposta: A
Estão corretas somente as afirmações:
a) I e II. b) II e IV. c) III e IV.
C (UNIFESP – MODELO ENEM) – A última d) I, II e III. e) I, III e IV.
(Veja, 12.5.2004.)
frase da propaganda – Fácil agradar sua mãe, Resolução
não é? – sugere a ideia de que Em I, os pronomes possessivos “sua” e “seu”
A (UNIFESP – MODELO ENEM) – A leitura a) as saudades das mães são meros truques concordam com o ser possuído e não com a
da propaganda permite concluir que a mãe sentimentais. pessoa que os possui. Apesar de “sua” e
a) sente saudades do filho porque não conse- b) as mães não querem que seus filhos se “seu” terem gêneros definidos (feminino e
gue interagir com os avanços tecnológicos. afastem e sejam independentes. masculino), não há como definir o gênero do
b) não gosta de se comunicar com o filho por c) as mães visam ao controle total dos filhos termo a que se referem.
meio do celular. distantes. Em II, caso a conjunção condicional “se”
c) exige constante atenção do filho, embora d) as saudades são um sentimento de difícil substitua a conjunção temporal “quando”, as
sinta menos saudades. controle pelas mães. formas verbais podem permanecer iguais,
d) sente saudades do filho, apesar de ouvir sua e) os filhos que agradam suas mães deixam- apresentando a mesma flexão.
voz e ver seu rosto. se controlar por elas. Em III, tanto a conjunção condicional “se”
e) deixa de sentir saudades do filho quando vê Resolução quanto a conjunção temporal “quando” atri-
o seu rosto. O que a frase “‘Fácil agradar sua mãe, não é?’“ buem à frase uma ideia hipotética.
Resolução sugere é a ideia de que as mães não são fáceis Em IV, o diminutivo “facinho” é usado na
“Quando ouve sua voz quer ver seu rosto.” de contentar, se os filhos estiverem distantes linguagem coloquial para indicar o superlativo.
Nesta frase está implícito que a mãe sente delas. Poder-se-ia supor que isso se devesse ao Na norma culta, a forma do adjetivo é facílimo.
saudades ao ouvir a voz do filho. O humor do fato de não quererem os filhos distantes nem O “né” é usado, na linguaguem coloquial, para
texto está justamente em que tudo, para a mãe, independentes, como afirma a alternativa b, simplificar a expressão “não é”.
é motivo de saudade do filho, até a presença mas isso seria uma extrapolação daquilo que de Resposta: E
dele. fato se encontra no texto. A única conclusão
Resposta: D que não ultrapassa o conteúdo do texto, por ser
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1 (ENEM) – A Propaganda pode ser definida como divul- A fim de permitir a sua leitura, o excerto verbal da propaganda
gação intencional e constante de mensagens destinadas a um da coluna anterior aparece transcrito a seguir:
determinado auditório visando criar uma imagem positiva ou
negativa de determinados fenômenos. A Propaganda está NÃO DEIXE A NATUREZA IR EMBORA.
muitas vezes ligada à ideia de manipulação de grandes massas AJUDE A DEVOLVER O VERDE DA NOSSA TERRA.
por parte de pequenos grupos. Alguns princípios da Propaganda
Pássaros, plantas e animais que sempre habitaram
são: o princípio da simplificação, da saturação, da deformação
nossas florestas estão sendo extintos ou isolados em
e da parcialidade.
pequenas manchas de verde, cercadas de cidade por todos
(Adaptado de Norberto Bobbio, et al. Dicionário de Política)
os lados. Nosso oxigênio também está indo embora.
É um adeus invisível, mas sensível. Sem árvores, nossas
Segundo o texto, muitas vezes a propaganda
fontes estão secando, silenciosas, vítimas da erosão provo-
a) não permite que minorias imponham ideias à maioria.
cada pelo desmatamento. Você pode ajudar a reverter esse
b) depende diretamente da qualidade do produto que é vendido.
quadro através do site www.clickarvore.com.br, um
c) favorece o controle das massas difundindo as contradições
programa de reflorestamento inédito no país. Você dá um
do produto.
click e uma muda de árvore nativa da Mata Atlântica é
d) está voltada especialmente para os interesses de quem
plantada em seu nome. Facilmente, gratuitamente. Dê um
vende o produto.
click e plante uma árvore agora mesmo. Antes que a
e) convida o comprador à reflexão sobre a natureza do que se
natureza desapareça.
propõe vender.
(Revista Veja SP, 13/12/2000.)
RESOLUÇÃO:
O texto não afirma explicitamente o que está contido na
alternativa D, mas permite que o leitor chegue a essa conclusão, B (FUVEST – MODELO ENEM) – Sobre o efeito de sentido
ao afirmar que “a Propaganda está muitas vezes ligada à ideia de
obtido no texto pelo uso dos tempos e modos verbais, é
manipulação de grandes massas por parte de pequenos grupos”.
“Quem vende o produto” faz parte, evidentemente, dos possível afirmar:
“pequenos grupos” que, através da propaganda, manipulam, a) A presença de verbos de ação no presente do indicativo e
conforme seus interesses, “grandes massas” de consumidores. no gerúndio apoia a descrição de um quadro ambiental estático
Resposta: D e definitivo.
Texto para as questões de B a D. b) Os verbos de ligação ser e estar, alternados entre o presente
e o pretérito perfeito, indiciam e ratificam a mudança de estado
na paisagem brasileira.
c) Os verbos no futuro do indicativo alertam o leitor para a
urgência de ações restauradoras, a fim de se reverterem os
efeitos do quadro de desmatamento generalizado no país.
d) Os verbos no gerúndio e no imperativo são utilizados, respec-
tivamente, para descrever um processo gradativo de descarac-
terização ambiental e para incitar o leitor a tomar uma atitude.
e) A presença de verbos no infinitivo e no presente do subjunti-
vo indica, respectivamente, a irreversibilidade de um processo
e a indefinição quanto ao início da onda de destruição ambiental.
RESOLUÇÃO:
Resposta: D
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Texto para as questões de I a K. L (AFA – MODELO ENEM) – Tomando como base o texto
não verbal abaixo, assinale a opção correta.
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2 Complete as lacunas com porquê, porque, por que, por quê. 5 (ESPM-SP) – Use a fim de (finalidade) ou afim (semelhança,
a) _____________________ você brigou com seu amigo? afinidade), conforme a solicitação dos enunciados abaixo.
b) Briguei com meu amigo _____________________ fui ofendido a) A ideia dela era ___________________________ à minha.
por ele.
b) Ela não está ___________________________ sair comigo.
c) _____________________ fui ofendido por ele, briguei com RESOLUÇÃO:
meu amigo. a) A ideia dela era afim à minha.
d) Perguntei-lhe _____________________ não viera à aula. b) Ela não está a fim de sair comigo.
e) O ideal _____________________ luto é bastante digno.
f) Não se descobriu o _____________________ de tantas
reclamações.
6 Complete com mau (adjetivo, modifica substantivo, ≠ bom)
g) Você brigou com seu colega, _____________________ ?
ou mal (advérbio, conj. temporal e substantivo, ≠ bem).
RESOLUÇÃO:
Em a, Por que; em b, porque; em c, Porque; em d, por que; em e,
a) Escolha o bom e deixe o ___________________________ .
por que; em f, porquê; em g, por quê. b) Procure o bem e fuja do ___________________________ .
c) Prefira o bom ao ___________________________ .
d) Faça o bem sem olhar a quem; nunca faça _______________
3 (IME) – Assinale a opção que completa corretamente cada a ninguém.
um dos períodos a seguir.
e) __________________ saiu, Paulo foi abordado pelo cobrador.
I. Os brasileiros não entendem o _______ de os americanos
f) Pedro sentiu-se __________________________ e desmaiou.
celebrarem os irmãos Wright como inventores do avião.
g) O lobo ________________________ perseguia os porquinhos.
II. Santos Dumont não teria _______ se preocupar, visto que os
h) Escolheu um __________________________ momento para
registros da Federação Aeronáutica Internacional atestam seu
mostrar que tinha um coração __________________________ .
pioneirismo. RESOLUÇÃO:
III. _______ inventara o aeróstato, Bartolomeu Lourenço de a) mau; b) mal; c) mau; d) mal; e) Mal; f) mal, g) mau; h) mau, mau.
Gusmão era chamado “o padre voador”.
a) por quê, porque, Porquê b) porquê, por quê, Por que 7 (UFPR) – Complete as lacunas, usando adequadamente
c) porquê, por que, Porque d) porque, por quê, Porque mas, mais, mal, mau.
RESOLUÇÃO: Resposta: C
Pedro e João ________ entraram em casa, perceberam que as
coisas não estavam bem, pois sua irmã caçula escolhera um
— Sabe ____________________ ela desistiu do namorado?
________ momento para comunicar aos pais que iria viajar nas
— Não, ________________________ ?
férias; ________ seus dois irmãos deixaram os pais ________
— ____________________ o achava muito bonzinho...
sossegados quando disseram que a jovem iria com as primas e
4 (FUVEST) – As palavras e expressões que mais adequa- a tia.
damente preenchem as lacunas deixadas no diálogo acima
encontram-se em: a) mau, mal, mais, mas. b) mal, mal, mais, mais.
a) por que; por quê; Porque. b) porque; por quê; Porquê. c) mal, mau, mas, mais. d) mal, mau, mas, mas.
c) porque; por que; Porque. d) porquê; por quê; Porque. e) mau, mau, mas, mais.
RESOLUÇÃO: Resposta: C
e) por que; porque; Por que.
RESOLUÇÃO: Resposta: A
8 Identifique o sentido da conjunção se antes do advérbio não (se não) na tirinha abaixo.
RESOLUÇÃO: Condição e, com adaptações, pode ser substituída por caso (“Caso não goste dos preços, vá a...”)
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RESOLUÇÃO:
Alternância. Pode ser substituída por ou, de outro modo, do contrário.
J (FUNESA – MODELO ENEM) – Marque a opção em que o M Complete com por ora (=por agora, por enquanto) ou por
vocábulo senão foi usado com o mesmo sentido de: "Não falava hora (=a cada sessenta minutos).
jamais em velhice, senão quando isso representasse prestígio". a) Não se cogita _________________ em desvalorizar a moeda.
a) Lute, senão estará perdido. b) Fui multado porque corria a 120km ____________________ .
b) Essa decisão não cabe ao diretor, senão ao presidente da RESOLUÇÃO: a) por ora (= por enquanto, por agora);
empresa. b) por hora (= a cada sessenta minutos).
c) Ninguém senão o irmão dela compareceu à cerimônia.
d) Não existe um senão em seu comportamento. N (FUVEST-transferência) – Há pessoas que vivem ________
e) Era amado não só pelos parentes, senão por todos os solidão, ______________ construíram pontes ________________
conhecidos. si, _________________ de pontes ligando-________ a outros.
RESOLUÇÃO:
Em c, senão significa a não ser, salvo, exceto, como no enunciado. Os espaços dessa máxima, de Joseph Newton, serão adequa-
Em a, significa de outro modo, do contrário; em b, mas, porém; em damente preenchidos por:
d, imperfeição, defeito, mácula; em e, mas também, como a) em / porque / em torno de / ao invés / as
também. b) em / por que / em direção a / ao invés / nas
Resposta: C
c) com / porque / de encontro a / em vez / os
d) com / por quê / por meio de / em vez / nos
e) de / por que / através de / em vez / nas
K Complete com ao encontro de ou de encontro a. Resposta: A
a) Apoio suas ideias, pois elas vêm _______________________
minhas, assim podemos unir nossas reivindicações. O (FUVEST – MODELO ENEM) – Das palavras ou expressões
b) Ele é sempre do contra, seu argumento sempre vem sublinhadas nas seguintes frases, a única corretamente grafada é:
________________________ meu. a) Se por ventura for convidado para a festa de formatura,
c) O carro foi _______________________ poste, derrubando-o. você irá?
Resp.: a) ao encontro das; b) de encontro ao; c) de encontro ao. b) Não gostava de falar em público tão pouco de dar entrevistas.
c) Não aceitou o convite, porquanto antipatizava com o dono
da casa.
d) Distribuiu muitos convites, afim de que seu casamento
fosse bastante concorrido.
e) Dormiu demais, porisso acabou não podendo fazer a prova.
L Complete com ao invés de (= ao contrário de) ou em vez
RESOLUÇÃO:
de (= no lugar de). Em a, porventura; em b, tampouco (= também não); em d, a fim de
a) _________________________ jogar futebol, preferimos ir ao que; em e, por isso. Resposta: C
cinema.
b) _________________________ baixar, o preço subiu.
RESOLUÇÃO: No Portal Objetivo
a) Em vez de (= no lugar de); b) Ao invés de (= ao contrário de).
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LEITURA SUGERIDA
Herói da língua
Vocês se lembram do meu amigo Toninho Vernáculo. Já falei dele uma vez, contei histórias da mania que tem
de corrigir erros de português. Daí o apelido. Cansei de falar: deixa, Toninho, esta língua é complicada mesmo, até
autor consagrado escreve com dicionários e gramáticas à mão.
— Pelo menos eles têm a humildade de consultar os mestres antes de dar a público o que escrevem – respondia
o Toninho na sua linguagem em roupa de domingo.
Lembram-se dele? Quando encontra erros de português no seu caminho, telefona para os responsáveis, exige
correções em nome da língua pátria e da educação pública. Coisas assim:
— A placa do seu estabelecimento é um atentado contra a língua, induz as pessoas a achar que o errado é o
certo, espalha a confusão.
Ultimamente andava se controlando, me telefonava muito menos do que antes, relatando atentados mais graves
contra a boa linguagem, praticados por quitandeiros, padeiros, donos de restaurantes, prestadores de serviços em
geral – e pasmem: até pela prefeitura (em nomes de ruas), por
publicitários, jornais.
Dom Quixote da gramática, Toninho não se dava descanso. Lia
coisas assim nos anúncios classificados dos jornais e ficava
indignado: baile "beneficiente"; faça "seu" óculos na ótica tal; "aluga-
se" dois galpões. Ex-jornalista, aposentado, telefonava para os
encarregados dos pequenos anúncios:
— No meu tempo não era assim! Os responsáveis eram
responsáveis, cuidavam da correção dos anúncios. O povo não
sabe escrever, mas os jornais têm o dever – o dever! – de zelar
pela língua!
No convívio diário, arrumava desafetos, humilhados e ofen-
didos, mas também alguns – os mais humildes – agradecidos pelo
ensinamento. Quixoteava lições, fosse qual fosse o interlocutor:
— Não é "fluído" que se diz, é fluido, com a tônica no u. "Fluído"
é verbo, é particípio verbal, não pode ser uma coisa. "Gratuíto" não
existe, é gratuito que se diz, som mais forte no u. Homem não diz
"obrigada", isso é coisa de menino criado entre mulheres; menino fala "obrigado". "Emprestar dele" é promiscuidade
brasileira aqui do Sul; o certo da língua é emprestar a alguém, ou tomar emprestado. Não é "o" alface, é a alface,
feminino. Não existe isso, "inhoque", que coisa mais feia; o certo é nhoque, do italiano gnocchi. Grama, medida de
peso, é masculino: "um" grama, "duzentos" gramas. Quilo se escreve com q, u, i, não existe quilo com k e muito
menos com k, y: é comida a quilo e não "a kylo", como se lê na sua placa. Está na hora "do" parabéns é errado;
parabéns é plural, como em meus parabéns.
— Peraí, Toninho, agora você exagerou. Hora do parabéns significa: hora de cantar o Parabéns pra Você. Resumido.
Aceitou, mas resmungando. Bom, um dia desses, telefonaram-me de madrugada: Toninho havia sido preso
como pichador de rua. Quê, um homem de 70 anos? Havia algum engano, com certeza. Fomos para a delegacia,
uma trinca de amigos.
Engano havia e não havia. Nosso amigo fora realmente flagrado pela polícia com spray e latinha de tinta com
pincel, atuando na fachada de uma casa comercial do bairro onde mora. Explicou-se: estava corrigindo os erros de
português dos pichadores! Começamos os esforços para livrá-lo da multa e da denúncia, explicamos ao delegado
que o ocorrido era fruto de uma mania dele, loucura leve. Por que penalizá-lo por coisa tão pouca? Não ia acontecer
de novo. Aí o delegado explicou qual era a bronca.
O Toninho havia pedido para ler seu depoimento, datilografado pelo escrivão, e começou a apontar erros de
português no texto do funcionário. A autoridade tinha a pretensão de ser também autoridade em gramática. Aí
melou, "teje" preso por desacato. Com dificuldade convencemos o escrivão da loucura mansa do nosso amigo, e ele
liberou o herói da língua pátria.
(Ivan Angelo, Veja, 17/1/07)
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LEITURA COMPLEMENTAR
O fragmento seguinte, de São Bernardo, de Graciliano Ramos, ilustra o assunto tratado na aula.
A voz de Madalena continua a acariciar-me. Que diz ela? Entretanto ameaço Madalena com o punho. Esquisito.
Pede-me naturalmente que mande algum dinheiro a mestre Distingo no ramerrão da fazenda as mais insignificantes
Caetano. Isto me irrita, mas a irritação é diferente das outras, minudências. Maria das Dores, na cozinha, dá lições ao
é uma irritação antiga, que me deixa inteiramente calmo. papagaio. Tubarão rosna acolá no jardim. O gado muge no
Loucura estar uma pessoa ao mesmo tempo zangada e estábulo.
tranquila. Mas estou assim. Irritado contra quem? Contra O salão fica longe: para irmos lá temos de atravessar um
mestre Caetano. Não obstante ele ter morrido, acho bom que corredor comprido. Apesar disso a palestra de seu Ribeiro e d.
vá trabalhar. Mandrião! Glória é bastante clara. A dificuldade seria reproduzir o que eles
A toalha reaparece, mas não sei se é esta toalha sobre que dizem.
tenho as mãos cruzadas ou a que estava aqui há cinco anos. É preciso admitir que estão conversando sem palavras.
Rumor do vento, dos sapos, dos grilos. A porta do escritório Padilha assobia no alpendre. Onde andará Padilha?
abre-se de manso, os passos de seu Ribeiro afastam-se. Uma Se eu convencesse Madalena de que ela não tem razão...
coruja pia na torre da Igreja. Terá realmente piado a coruja? Se lhe explicasse que é necessário vivermos em paz... Não me
Será a mesma que piava há dois anos? Talvez seja até o entende. Não nos entendemos. O que vai acontecer será
mesmo pio daquele tempo. muito diferente do que esperamos. Absurdo.
Agora seu Ribeiro está conversando com D. Glória no salão. Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não
Esqueço que eles me deixaram e que esta casa está quase sopra e os sapos dormem. Quanto às corujas, Marciano subiu
deserta. ao forro da igreja e acabou com elas a pau. E foram tapados os
— Casimiro! buracos de grilos.
Penso que chamei Casimiro Lopes. A cabeça dele, com o Repito que tudo isso continua a azucrinar-me.
chapéu de couro de sertanejo, assoma de quando em quando O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas
à janela, mas ignoro se a visão que me dá é atual ou remota. são? Não posso ver o mostrador assim às escuras. Quando
Agitam-se em mim sentimentos inconciliáveis: encolerizo- me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-
me e enterneço-me; bato na mesa e tenho vontade de chorar. se muito bem. Seria conveniente dar corda ao relógio, mas não
Aparentemente estou sossegado: as mãos continuam consigo mexer-me.
cruzadas sobre a toalha e os dedos parecem de pedra.
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UM HOMEM DE CONSCIÊNCIA
Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealís-
simo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de exposição
Com base no texto “Um homem de consciência”, responda às 3 Que tipo de discurso utiliza o narrador para registrar a fala
questões abaixo. interior da personagem? Justifique.
RESOLUÇÃO:
1 Em que parágrafos o narrador nos dá o perfil psicológico da Utiliza o monólogo, classificado por muitos autores como soliló-
personagem João Teodoro? quio, ou seja, a fala do personagem consigo mesmo.
RESOLUÇÃO:
No primeiro e segundo parágrafos.
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6 Que justificativas apresenta a personagem para provar que 8 O título do conto “Monólogo” é compatível com a teoria
Itaoca já fora melhor? exposta no início desta aula?
RESOLUÇÃO: RESOLUÇÃO:
João Teodoro relaciona o número de médicos e de advogados que É, porque, segundo a teoria, o monólogo pode registrar as emo-
a cidade já tivera, além de mencionar que nenhum circo se ções da personagem de forma desconexa, obedecendo ou não à
apresentava mais em Itaoca. concatenação lógica dos períodos. No texto dado, o fluxo de cons-
ciência da personagem é registrado de forma lógica e concatenada.
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A (MODELO ENEM) – A riqueza de um ao movimento migratório inverso. O item em que o vocábulo parônimo destacado
idioma também se revela na possibilidade de e) A cobrança de juros excessivos, com o está de acordo com o significado apresentado
atribuir diferentes significações a um mesmo objetivo de aferir lucro exagerado, desestimula entre parênteses é:
vocábulo, configurando a polissemia, tal como o crescimento da produção. a) Alguns políticos pretendem discriminar o
I. Não tenho mais força para executar tal A palavra adequada é auferir (“ter como resulta- b) Cassaram o mandato do presidente daquela
trabalho. do, obter, conseguir”) e não aferir (“cotejar me- empresa. (anular)
II. A força de suas palavras levou todos ao didas com os respectivos padrões, avaliar, c) Resolveram retificar o seu visto de entrada
III. Não se sabe exatamente a força que ela servem para pesar”). d) O caso foi resolvido logo em primeira estân-
IV. Por força do Acordo Ortográfico, tivemos e) Infligir leis de trânsito pode acarretar a
de alterar o material. C (IME) – Marque a assertiva incorreta. prisão do veículo e do condutor. (desrespeitar)
a) Custas só se usa na linguagem jurídica para Resolução
Nas frases de I a IV, podem ser atribuídos à pa- designar despesas feitas no processo. Portanto, a) discriminar = diferenciar; inocentar = descri-
lavra força, respectivamente, os seguintes sen- não devemos dizer: “As filhas vivem às custas minar.
tidos: do pai”. c) retificar = corrigir; confirmar = ratificar.
a) vigor, veemência, influência e causa. b) A princípio significa inicialmente, antes de d) estância = fazenda; jurisdição = instância.
b) saúde física, intensidade, agressividade e mais nada: Ex.: A princípio, precisamos resolver e) infligir = aplicar pena; desrespeitar = infrin-
consequência. as questões dos jogos olímpicos. Em princípio gir.
c) desejo, significado, poder e motivo. quer dizer em tese. Ex.: Em princípio, todos Resposta: B
d) luta, sentimento, prestígio e imposição. concordaram com minha proposta.
e) vontade, altura, domínio e condição. c) Megafone, porta-voz, amplificador do E (CÁSPER LÍBERO) – Assinale a alternativa
Resolução som nos aparelhos radiofônicos são em que a grafia da palavra destacada está em
A palavra força, nas frases apresentadas, pode sinônimos de autofalante, e não alto-falante. dissonância com o sentido que ela apresenta na
ser substituída pelos seguintes sinônimos: I. d) Alface é substantivo feminino. Então dize- frase.
vigor, força física; II. intensidade, veemência; III. mos a alface. a) Vinte anos me infligiu de cruciante agonia.
influência, poder, prestígio; IV. motivo, causa. e) A palavra ancião tem três plurais: anciãos, b) Ele ofereceu à namorada um buquê de
Resposta: A anciães, anciões. flores fragrantes.
Resolução c) A relva baixa resguarda e entretém a vida
B (FUVEST – MODELO ENEM) – Dos Os vocábulos “megafone”, “porta-voz” e “am- insipiente das árvores.
termos sublinhados nas frases abaixo, o único plificador” são sinônimos de alto-falante. d) A cessão dos direitos autorais continua
que está inadequado ao contexto ocorre em: Resposta: C sendo um problema.
a) O mundo está na iminência de enfrentar o e) Promoveram uma festa beneficente para
recrudescimento da fome devido à escassez de D (IME – MODELO ENEM) – “A imigração na arrecadação de fundos.
alimentos. cafeicultura começa com péssimos resultados.” Resolução
b) Para atender a todos os interessados no Imigração – Estabelecimento de indivíduos em Insipiente significa “ignorante, tolo, néscio,
concurso, foi preciso dilatar o prazo das inscri- país estranho. imprudente, insensato”. A palavra que caberia
ções. Emigração – Saída voluntária da pátria, para se no contexto seria incipiente: “que inicia, que
c) Ao fazer cópias de músicas e filmes pela estabelecer em outro país. está no começo”.
internet, é preciso ter cuidado para não infringir Infligir significa “aplicar, impor, causar”; fragran-
a lei. São parônimos os vocábulos de pronúncia e tes, “perfumadas”; cessão, “ato ou efeito de
d) O município que se tornou símbolo da emi- grafia semelhantes, mas que possuem signifi- ceder”; beneficente, “caritativo”.
gração brasileira para os EUA tenta se adaptar cados diferentes. Resposta: C
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p) Santos Dumont foi um brasileiro ______________________ j) Minha ___________________________ em Recife foi curta.
_____________ . (eminente, iminente) (estada, estadia)
RESOLUÇÃO: eminente RESOLUÇÃO: estada
D Como no exercício anterior, preencha as lacunas com um l) Seus esforços não ___________________________ efeito.
dos parônimos colocados entre parênteses. (sortiram, surtiram)
a) O povo estava ___________________________ para o RESOLUÇÃO: surtiram
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A carta é uma modalidade redacional livre, pois nela Alencar: a história é narrada por intermédio de cartas
podem aparecer a narração, a descrição, a reflexão ou o dirigidas a uma senhora, o que não descaracteriza a obra
parecer dissertativo. O que determina a abordagem, a como romance.
linguagem e os aspectos formais de uma carta é o fim a Há exemplos famosos de correspondências aprecia-
que ela se destina: amizade, negócio, interesse pessoal; tivas ou críticas, como as de Machado de Assis, Eça de
o destinatário: um ente amado, um familiar, uma seção Queirós, Mário de Andrade e outros escritores.
de jornal ou revista etc. Assim, as cartas podem ser Entre as cartas doutrinárias, temos as religiosas, como
amorosas, familiares, didáticas, apreciativas ou críticas, as epístolas de São Paulo, e as políticas, como algumas
doutrinárias. cartas de Pe. Antônio Vieira.
A estética da carta varia conforme a finalidade. Se o
destinatário é um órgão do governo, a carta deve obser- Estrutura da carta
var procedimentos formais como a disposição da data, do
vocativo (nome, cargo ou título do destinatário), do Observe as seguintes instruções, com relação à data:
remetente e a assinatura. a) o local deve ser separado por vírgula;
No caso das correspondências comercial e oficial — a) os nomes dos meses devem ser escritos em letras
textos jurídicos, comunicados, ofícios, memorandos emi- minúsculas;
tidos por órgãos públicos —, a linguagem é muitas vezes b) na indicação do ano, não se coloca ponto entre o
feita de jargão e expressões de uso comum ao contexto milhar e a centena;
que lhes é próprio.
c) não se coloca zero à esquerda de outro número;
Quando um exame vestibular sugere uma carta como
proposta, o aspecto formal, bem como a abertura e o d) usa-se ponto-final.
fechamento do texto segundo as convenções, são
irrelevantes, pois a avaliação detém-se no conteúdo e na Exemplo: São Paulo, 4 de outubro de 2007.
linguagem.
• receptor/destinatário = É invocado por meio de um
Uma obra literária pode também apresentar a forma
vocativo.
de carta sem, contudo, pertencer ao gênero epistolar,
como é, por exemplo, o caso de Lucíola, de José de • emissor/remetente = É o assinante da carta.
Os pronomes de tratamento devem ser usados corretamente, bem como suas abreviações:
ABREVIATURAS
Vossa(s) Alteza(s) V. A., VV. AA. Príncipes, (arqui) duques
Vossa(s) Eminência(s) V. Em.a(s) Cardeais
Altas autoridades do governo
Vossa(s) Excelência(s) V. Ex.a(s)
e das classes armadas
Vossa(s) Magnificência(s) V. Mag.a(s) Reitores de universidades
Vossa Santidade V. S. Papa
Funcionários públicos, oficiais
Vossa(s) Senhoria(s) V. S.a(s)
até coronel, pessoas de cerimônia
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Texto para os testes A e B. A (FUVEST-2010 – MODELO ENEM) – Nes- B (FUVEST-2010 – MODELO ENEM) – No
te trecho de uma carta de Fernando Sabino a texto, o conectivo “se bem que” estabelece
Belo Horizonte, 28 de julho de 1942. Mário de Andrade, o emprego de linguagem relação de
Meu caro Mário, informal é bem evidente em a) conformidade. b) condição.
Estou te escrevendo rapidamente, se a) “se bem que haja”. c) concessão. d) alternância.
bem que haja muitíssima coisa que eu quero b) “que acabei de ler agora”. e) consequência.
te falar (a respeito da Conferência, que c) “Vem-me uma vontade”. Resolução
acabei de ler agora). Vem-me uma vontade d) “tudo o que ela me fez sentir”. O sentido concessivo se comprova com a
imensa de desabafar com você tudo o que e) “tomar seu tempo e te chatear”. substituição de “se bem que” por embora,
ela me fez sentir. Mas é longo, não tenho o Resolução apesar de.
direito de tomar seu tempo e te chatear. A mistura de pronomes de segunda pessoa Resposta: C
(“te”) e terceira (“seu”) é típica da linguagem
Fernando Sabino.
coloquial brasileira. Resposta: E
PARA MARIA DA GRAÇA Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda
sabedoria tem de ser grave.
Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é
da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas. pedir desculpas sete vezes por dia: “Oh, I beg your pardon!”
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti. Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura, digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato,
acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato
vida, a ler este livro como um simples manual do sentido perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosses eu?”
evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso (…)
a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa
milhares que abrem as portas da realidade. se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal compla-
A realidade, Maria, é louca. cência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso
pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verda- Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei
de, Dinah, já comeste um morcego?” castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”.
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhe- Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é
cível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa
ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é dor, Maria da Graça.
o lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes (CAMPOS, Paulo Mendes. “Para Maria da Graça”,
mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma in Para gostar de ler; crônicas, São Paulo,
como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja Ática, 1979, v. 4, p. 73 e segs.)
a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta.
O texto que você acabou de ler é um excerto de uma crônica-
Ainda que seja mentira.
carta escrita por Paulo Mendes Campos e endereçada a Maria
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem
querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: da Graça, a quem o cronista deu o livro Alice no País das
“Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é Maravilhas, quando Maria completou 15 anos.
que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço!
Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos 1 Defina a modalidade do texto anterior e justifique sua
e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem classificação.
fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta. RESOLUÇÃO:
Trata-se de uma carta, pois apresenta remetente (Paulo Mendes
Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação
Campos) e destinatária (Maria da Graça) reconhecida pelo voca-
trivial e temos a presunção petulante de esperar dela grandes tivo.
consequências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu
de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso
o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
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2 Por que no texto consta “escuta” em lugar de “leia”? 8 Classifique sintaticamente a conjunção pois nas frases
RESOLUÇÃO: abaixo, extraídas do texto:
O uso de “escuta” no lugar de “leia” é coloquial. Por tratar-se de a) “Aprende, pois, logo de saída para a grande vida...”
uma carta informal, permite-se uma abordagem mais íntima,
b) “Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas
como uma conversa pessoal.
chaves...”
RESOLUÇÃO:
No item a, trata-se de uma conjunção que estabelece relação de
conclusão; no item b, relação de explicação.
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Texto para o teste A. a) [1] previamente, [2] encerramento, [3] preci- A alternativa que expressa adequadamente a
puamente. significação, no contexto, das palavras desta-
CONTRA A MARÉ b) [1] precipuamente, [2] auge, [3] principal- cadas é:
mente. a) Conseguiu; ileso; seus bens; incentivada.
A tribo dos que preferem ficar à margem
c) [1] antecipadamente, [2] auge, [3] perma- b) Enganou; inalterado; suas posses; acolhida.
da corrida dos bits e bytes não é minguada.
nentemente. c) Desenganou; bem conservado; sua mobília;
Mas são os renitentes que fazem a tecno-
d) [1] precipuamente, [2] encerramento, [3] incitada.
logia ficar mais fácil. principalmente. d) Surtiu efeito; sem ser notado; seus inimi-
e) [1] antecipadamente, [2] esplendor, [3] per- gos; financiada.
manentemente. e) Aproveitou; no anonimato; seu passado;
A (FUVEST – MODELO ENEM) – Nesta nota
Resolução iluminada.
jornalística, a expressão "contra a maré" liga-se,
De antemão significa, sem dúvida, “previamen- Resolução
quanto ao sentido que ela aí assume, à palavra
te”. As duas outras palavras poderiam causar Nenhuma dúvida quanto à alternativa que
a) tribo. b) minguada.
dúvidas aos candidatos, pois coroamento, em apresenta os sinônimos adequados para as
c) renitentes. d) tecnologia.
outro contexto, poderia significar “auge”, mas, palavras em questão.
e) fácil.
no texto dado, tem o sentido inequívoco de Resposta: A
Resolução
“arremate” (como no sentido arquitetônico de
O grupo dos que estão "contra a maré" é
constituído pelos "renitentes", ou seja, pelos
“ornamento que arremata o topo de um edi- F (PUC-SP) –
fício”); quanto a prioritariamente, seu sentido “Senhor Deus dos desgraçados!
que resistem à "onda" atual da informática.
estaria adequadamente indicado tanto por Dizei-me vós, Senhor Deus!
Renitentes são "teimosos", "obstinados".
“precipuamente” quanto por “principalmente”. Se é loucura... se é verdade
Resposta: C
Resposta: A Tanto horror perante os céus?!
B (FUVEST) – Pode ser substituída por Ó mar, por que não apagas
dissensão, sem que se altere o sentido da frase D (FUVEST) – A palavra sanção com o Coa esponja de tuas vagas
apresentada, apenas a palavra destacada em: significado de ratificação ocorre apenas em: De teu manto este borrão?...
a) A discordância entre as opiniões inviabili- a) Aplicar sanções a grevistas não é direito Astros! Noite! Tempestades!
zou qualquer acordo. nem dever de um presidente. Rolai das imensidades!
b) A disparidade de oportunidades dificulta a b) Eventual sanção do presidente à nova lei, Varrei os mares, tufão!”
concretização de uma verdadeira democracia. aprovada ontem, poderá desagradar a setores (Castro Alves)
c) Os que se envolveram na discussão do de todas as categorias.
assunto não chegaram a um acordo. c) As sanções previstas na lei eleitoral não A palavra porque tem diferentes grafias, depen-
d) A mudança acelerada dos costumes levou à exercem influências significativas sobre a dendo do sentido em que é empregada. No
dissolução da família. paixão dos militantes. texto em questão, ela aparece assim grafada:
e) A dissimulação das verdadeiras intenções d) O novo diretor prefere sanções a diálogos. por que.
não lhe garantiu chegar aos fins desejados. e) O contrato prevê sanções para os inadim- a) Explique esse emprego.
Resolução plentes. b) Preencha os espaços abaixo, grafando
Dissensão significa "divergência", "discordância", Resolução corretamente a referida palavra em cada um
e se encaixa adequadamente na expressão con- Nas alternativas a, c, d e e, sanções significa dos seguintes períodos.
tida na alternativa a: "a dissensão entre opiniões". repressões, punições, penalizações, exceções.
Resposta: A Resposta: B I. Não sei o ____________ deste horror.
II. Ó mar! Não apagas este borrão, ________?
C (ITA – MODELO ENEM) – Assinale a E (FATEC) – Observe as palavras destacadas III. O poeta sente-se indignado _____________a
opção que apresenta os significados corretos na seguinte passagem do texto: situação a que se refere é aviltante para o ser
para os termos numerados: humano.
I. Pertencemos a esta espécie desnaturada, a Logrou passar incólume ao Maranhão, não Resolução
única que sabe de antemão[1] que o coroa- sem pena de abandonar seus haveres e risco a) Por que equivale a “por qual razão”, “por
mento[2] da vida consiste na decadência física, de cair em novos ódios, que esta província, qual motivo”.
na perda progressiva dos companheiros de como vizinha e tributária do comércio da outra, b) I. Não sei o porquê deste horror.
geração e, para coroar tudo, na morte. sustentava instigada pelo Farol contra os II. Ó mar! Não apagas este borrão, por quê?
II. Pode ser que a violência necessária se exer- brasileiros adotivos e contra os portugueses. III. O poeta sente-se indignado porque a
ça, prioritariamente[3], no campo da política, e situação a que se refere é aviltante para o ser
não da criminalidade. (Aluísio Azevedo, O Mulato) humano.
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Um estar entre céu e chão, Nas ocorrências I, II e III, "próprio" é sinônimo de, respectivamente,
novo domínio conquistado, a) adequado, particular, típico.
onde busque nossa paixão b) peculiar, adequado, característico.
libertar-se por todo lado... c) conveniente, adequado, particular.
d) adequado, exclusivo, conveniente.
Onde a alma possa descrever e) peculiar, exclusivo, característico.
suas mais divinas parábolas RESOLUÇÃO:
Os sinônimos propostos na alternativa b são precisamente
sem fugir à forma do ser, adequados aos três contextos em que se empregou o adjetivo
por sobre o mistério das fábulas. próprio: “estilo próprio” é “estilo peculiar”; “próprio para
adolescente” equivale a “adequado a adolescente”, e “próprio da
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa.
idade” significa “característico da idade”. Resposta: B
Rio de Janeiro, Aguilar, 1964, p. 366.)
Texto para a questão D.
1 (ENEM) – A definição de dança, em linguagem de dicioná-
rio, que mais se aproxima do que está expresso no poema é: – Finado Severino,
a) A mais antiga das artes, servindo como elemento de quando passares em Jordão
comunicação e afirmação do homem em todos os momentos e os demônios te atacarem
de sua existência. perguntando o que é que levas...
b) A forma de expressão corporal que ultrapassa os limites – Dize que levas somente
físicos, possibilitando ao homem a liberação de seu espírito. coisas de não:
c) A manifestação do ser humano, formada por uma sequência fome, sede, privação. (João Cabral de Melo Neto)
de gestos, passos e movimentos desconcertados.
d) O conjunto organizado de movimentos do corpo, com ritmo D (FUVEST) – As "coisas de sim" estão, correspondente-
determinado por instrumentos musicais, ruídos, cantos, mente, em:
emoções etc. a) vacuidade – repleção – carência.
e) O movimento diretamente ligado ao psiquismo do indivíduo b) fartura – carência – vacuidade.
e, por consequência, ao seu desenvolvimento intelectual e à sua c) repleção – carência – saciedade.
cultura. d) satisfação – saciedade – fartura.
RESOLUÇÃO: e) vacuidade – fartura – repleção.
Desde o título – “A Dança e a Alma” –, o poema de Drummond RESOLUÇÃO:
relaciona a dança com o que “ultrapassa os limites físicos”. A As "coisas de não" indicam falta ("fome, sede, privação"); em
última estrofe, especialmente, se concentra nos aspectos anímicos contraposição, as "coisas de sim" devem indicar abundância,
da dança (“Onde a alma possa decrever / suas mais divinas plenitude ("satisfação, saciedade, fartura"). Resposta: D
parábolas”), ou seja, naquilo em que a dança transcende o corpo.
Resposta: B
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No Portal Objetivo
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite PORT1M404
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Campo semântico (ou área semântica, ou campo quando o lexema (parte da palavra que contém o signi-
nocional, ou ainda campo associativo) é a designação ficado básico) é comum a todas.
que se dá ao conjunto de palavras que têm em comum As palavras que pertencem a uma família léxica são
algum elemento de sentido. chamadas cognatas.
Exemplo: sol, pérola, diamante, faísca, chama, raio Exemplo 1: Exemplo 2:
são palavras que compõem um campo semântico defi-
Agricultura Felicidade
nido pelo sentido de “brilho”.
Agrícola Felicitação
O fato de dizermos que certas palavras pertencem a
um campo semântico determinado não significa que elas Agricultor Felizardo
sejam sinônimas necessariamente. Agrário Felizmente
Um grupo de palavras pertence a uma família léxica Agropecuário Feliz
Texto para os testes A e B. Ele me olhou espantado, retribuiu a gor- c) “Nunca tive sapatos tão brilhantes,” (l. 35) –
40 jeta me desejando em dobro tudo o que eu modo
O suor e a lágrima viesse a precisar nos restos dos meus dias. d) “tudo o que eu viesse a precisar nos restos
Saí daquela cadeira com um baita dos meus dias.” (l. 40-41) – lugar
Fazia calor no Rio, 40 graus e
sentimento de culpa. Que diabo, meus e) “Tive vergonha daquele brilho humano,
qualquer coisa, quase 41. No dia seguinte,
45 sapatos não estavam tão sujos assim, por salgado como lágrima” (l. 48-49) – causa
os jornais diriam que fora o mais quente
míseros tostões, fizera um filho do povo Resposta: A
deste verão que inaugura o século e o mi-
suar para ganhar seu pão. Olhei meus
05 lênio. Cheguei ao Santos Dumont, o voo
sapatos e tive vergonha daquele brilho
estava atrasado, decidi engraxar os sapa-
humano, salgado como lágrima. Texto para o teste C.
tos. Pelo menos aqui no Rio, são raros
(CONY, Carlos Heitor.
esses engraxates, só existem nos aero- Aproveitando-se do descuido da defesa
Folha de S. Paulo, 19/2/2001.)
portos e em poucos lugares avulsos. adversária, os dois atacantes partiram para o
10 Sentei-me naquela espécie de cadei- A (UERJ – MODELO ENEM) – As palavras contra-ataque fulminante, que resultaria no
ra canônica, de coro de abadia pobre, que que compõem o título – O suor e a lágrima – único e decisivo gol da partida. Criticado pela
também pode parecer o trono de um rei são usadas fora de seu campo de significação demora em fazer as substituições, o técnico
desolado de um reino desolante. próprio, adquirindo, no texto, significação figu- alegou que havia previsto as reações rápidas
O engraxate era gordo e estava com
rada. As possíveis interpretações para o sentido como parte da estratégia, ainda durante os
15 calor – o que me pareceu óbvio. Elogiou
figurado observado, respectivamente, nas pala- treinamentos. Agora dispostos a comemorar
meus sapatos, cromo italiano, fabricante
ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco, em parte vras suor e lágrima são a vitória, parecem ter se esquecido de que
para poupá-lo, em parte porque quando a) aflição – alívio. alguns descuidos, em diversos momentos da
posso estou sempre de tênis. b) medo – reprovação. partida, por pouco não lhes causaram a
20 Ofereceu-me o jornal que eu já havia c) dor – condescendência. derrota.
lido e começou seu ofício. Meio careca, o d) exploração – remorso.
suor encharcou-lhe a testa e a calva. Pe- e) tormento – aflição. C (MODELO ENEM) – Não é raro que ocorram
gou aquele paninho que dá brilho final nos Resolução relações entre campos semânticos diferentes, por
sapatos e com ele enxugou o próprio Os termos suor e lágrima são metáforas. vezes sutis, outras vezes bastante visíveis. No
25 suor, que era abundante. Resposta: D
Com o mesmo pano, executou com caso do texto acima, o enunciador utiliza-se de
maestria aqueles movimentos rápidos em palavras e expressões típicas das rotinas espor-
torno da biqueira, mas a todo instante o B (UERJ – MODELO ENEM) – Na composi-
tivas, mas originalmente empregadas
usava para enxugar-se – caso contrário, o ção da narrativa, certos elementos linguísticos
a) nos discursos políticos.
30 suor inundaria o meu cromo italiano. explicitam circunstâncias diversas, imprimindo
b) na arte culinária.
E foi assim que a testa e a calva do coerência ao texto. O fragmento que apresenta
c) nos procedimentos bélicos.
valente filho do povo ficaram manchadas um desses elementos sublinhado e a circuns-
d) na ciências sociais relativas ao esporte.
de graxa e o meu sapato adquiriu um tância por ele expressa é:
e) nas estratégias de comunicação
brilho de espelho à custa do suor alheio. a) “Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido”
35 Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão Resolução
(l. 20-21) – tempo
dignamente suados. Defesa adversária, contra-ataque e estratégia
b) “executou com maestria aqueles movimen-
Na hora de pagar, alegando não ter também são empregados como termos relacio-
tos rápidos em torno da biqueira,” (l. 26-28) –
nota menor, deixei-lhe um troco generoso. nados à guerra. Resposta: C
finalidade
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TEMPESTADE
A noite se antecipou. Os homens ainda não a esperavam Não rolara sequer pelas ladeiras o baticum monótono dos can-
quando ela desabou sobre a cidade em nuvens carregadas. Ainda domblés e macumbas. Por que então a noite já chegara sem
não estavam acesas as luzes do cais, no "Farol das Estrelas" esperar a música, sem esperar o aviso dos sinos, a cadência
não brilhavam ainda as lâmpadas pobres que iluminavam os das violas e harmônicas, o misterioso bater dos instrumentos
copos de cachaça, muitos saveiros ainda cortavam as águas religiosos? Por que viera antes da hora, fora do tempo?
do mar, quando o vento trouxe a noite de nuvens pretas. Aquela era uma noite diferente e angustiante. Sim, porque
Os homens se olharam e como se interrogavam. Fitavam os homens tinham um ar de desassossego e o marinheiro que
o azul do oceano a perguntar de onde vinha aquela noite bebia solitário no "Farol das Estrelas" correu para o seu navio
adiantada no tempo. Não era a hora ainda. No entanto, ela vinha como se o fosse salvar de um desastre irremediável. E a
carregada de nuvens, precedida do vento frio do crepúsculo, mulher, que no pequeno cais do mercado esperava o saveiro
embaciando o sol, como um milagre terrível. onde vinha o seu amor, começou a tremer, não do frio do
A noite veio, nesse dia, sem música que a saudasse. Não vento, não do frio da chuva, mas de um frio que lhe vinha do
ecoara pela cidade a voz clara dos sinos do fim da tarde. coração amante cheio de maus presságios da noite que se
Nenhum negro aparecera ainda de violão na areia do cais. estendia repentinamente.
Nenhuma harmônica saudava a noite da proa de um saveiro. (Jorge Amado, Mar Morto)
1 Onde ocorre a cena descrita? 4 No terceiro parágrafo, a que campo semântico pertencem
RESOLUÇÃO: as palavras e expressões que descrevem os hábitos do local?
No cais de um vilarejo litorâneo. Transcreva essas palavras e expressões.
RESOLUÇÃO:
Pertencem ao campo semântico da musicalidade: “voz clara dos
sinos”, “violão”, “harmônica”, “baticum monótono”, “música”,
“aviso dos sinos”, “cadência das violas e harmônicas”, “bater dos
instrumentos religiosos”.
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O A G O L A S O C
C L A R I D A D E
9 Que figura de linguagem está presente na resposta à ques-
tão anterior, considerando que um ente inanimado foi animado L U A A M P O P N
pela expressão “uma que outra se escapa”?
RESOLUÇÃO: M Z D C O R D A T
Trata-se de uma prosopopeia ou personificação – o ato de escapar,
próprio de seres animados, refere-se ao termo palavras. P R A I A T M A R
V E L A X F O G O
RESOLUÇÃO:
rei, céu, astro, raio, barco, claridade, luz, centro, praia, mar, fogo.
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LEITURA COMPLEMENTAR
Ecologia
Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os
peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os
índios perderão seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco
a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão-se unir sob o
símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos
Guerreiros do Arco-Íris.
(Profecia feita há mais de 200 anos por “Olhos de Fogo”, uma velha índia Cree.)
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COLÉGIO
CONTOS MÍNIMOS
A solidão no mar
Quieto, o menino espiava o pescador acocorado sobre a
pedra, as mãos calosas mexendo em linhas e chumbadas.
Era um velho com muita prática de pescaria, e o menino
admirava sua destreza, encantado. Mas, de repente, num
gesto de impaciência, o velho pescador atirou à água um
pedaço de fio de náilon que o atrapalhava, enrolado a um
dos anzóis. E o menino ficou olhando aquele fio suspenso
na água, pequena enguia solitária. Sentiu pena. Tinha lido no
jornal que um fio de náilon leva 600 mil anos para se
dissolver no mar. Era tempo demais. Demasiada solidão.
(Heloisa Seixas)
O pequeno conto e as tirinhas traduzem preocupação com o meio ambiente. Sobre esse assunto, escolha um dos temas abaixo.
Tema A – Faça uma narração em que o personagem se envolva com questões ambientais e inicie um trabalho voltado para a
preservação da natureza.
Tema B – Escreva um texto reflexivo sobre a degradação ambiental, o descaso da humanidade pela preservação da natureza
e a preocupação atual em reverter esse quadro.
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LEITURA COMPLEMENTAR
Teste seus conhecimentos de cidadania
a O elevador chega ao seu andar. Algumas b) fica indignado e aquilo faz você lembrar h São duas da manhã e um acidente acaba de
pessoas vão sair. Você… que “ser velho no Brasil é uma m…” acontecer na sua frente. Você…
a) encosta na lateral da porta e entra enquan- c) não pensa duas vezes e cede seu lugar ao a) imediatamente pensa “ainda bem que não
to os outros saem; assim, não perde tempo senhor. foi comigo” e passa a próxima meia hora
e não atrapalha ninguém. d) abre um livro e finge que está muito concen-
pensando no pobre coitado que bateu.
b) entra na hora em que a porta abre porque trado para perceber a situação do homem.
b) para e se dispõe a ajudar no que for preciso.
quem está lá dentro e quer sair também
e Você está em casa, ouvindo seus CDs em c) sente um certo “cagaço” e decide que o me-
pode esperar.
c) espera todo mundo sair e só depois entra. alto e bom som. Toca o interfone. É o lhor é comunicar o acidente ao próximo
d) pensa em aguardar os outros saírem, mas vizinho, reclamando do barulho. Você… guarda que encontrar.
entra junto com a boiada, com medo de o a) diz “claro, desculpas, você tem razão, vou d) lembra que ainda não assistiu “Crash” e que
elevador lotar. dar uma abaixada”, mas continua no precisa ir logo, antes que saia de cartaz.
mesmo volume.
b O passageiro do carro da frente joga um b) pergunta se ele não gosta do som, porque i Você está com os seus amigos no shopping
papel pela janela. Você… se esse for o caso, você pode colocar outro e cruza com a empregada da sua casa.
a) comenta com o amigo ao lado: “Deveria cd para agradá-lo.
Você…
existir multa para gente assim”. c) diz “claro, desculpas, você tem razão” e
b) aproveita a oportunidade para testar sua a) finge que não a vê para não pensarem que
abaixa o som.
habilidade no volante e passa com o pneu d) manda o vizinho “chupar gelo” e não en- é sua amiga.
por cima do papel. cher o saco. b) cumprimenta-a com ar de patrão e continua
c) acelera, emparelha o carro com o do porca- reto.
lhão e solta um sonoro “fdp”. f Depois de 20 minutos de espera na fila do c) cumprimenta-a normalmente e deseja-lhe
d) acelera, emparelha o carro e dá um toque telefone público, chega a sua vez. Quando bom fim de semana.
de que alguma coisa caiu pela janela. você vai colocar o cartão, aparece uma d) leva um susto e passa reto, pensando o que
mulher esbaforida pedindo para passar na a empregada estaria fazendo num lugar
c Você e a turma estão conversando anima- frente porque o caso é urgente. Você… daquele.
damente no cinema, bem no meio do filme. a) deixa a mulher passar na frente.
A senhora da poltrona da frente reclama. b) diz que nã-nã-ni-nã-nã, o seu telefonema é
Você… *jVocê entra no banheiro da rodoviária, e a
mais urgente ainda.
a) espera que ela se levante e mude de lugar; c) olha feio para a desaforada e começa a discar. única pessoa lá dentro é um negro alto e
afinal, os incomodados que se retirem. d) mais do que rápido, enquanto a inconve- bem encorpado. Você…
b) pede para a turma maneirar e deixar o papo niente fala, coloca o cartão e diz que não a) perde a vontade de fazer xixi e dá meia-volta.
para depois. vai demorar. b) dá um sorriso meio amarelo e torce para
c) xinga a mulher porque ela está violando o que nada de mal lhe aconteça.
direito que todo ser humano tem de falar g Não vai dar para encarar o terceiro Big c) acha muito engraçado porque o sujeito é
onde e quando quiser. Mac. Você… sósia do Maguila (boxeador).
d) dá risada da mulher e continua o papo. a) manda ver no lixo os restos na bandeja. d) satisfaz suas necessidades fisiológicas
b) pensa nos pobres menores de rua que estão
normalmente, pois não vê problema na
d Um homem de seus 60 anos viaja em pé no passando fome e come mesmo sem querer
ônibus e, a cada freada, ele ameaça cair. para não desperdiçar. situação.
Você, que está sentadão,… c) fica p… da vida só de pensar no dinheiro *Nota: Segundo uma pesquisa revelou, o perfil
a) lembra-se da música dos Virguloides (“eu que está indo para o lixo. mais comum dos marginais em São Paulo e no
acho que o bagulho é de quem tá de pééé!”) d) sai com o sanduíche na mão para dar ao pri- Rio é de homem branco e sulista.
e racha o bico. meiro necessitado que encontrar na rua. (Folhateen – Folha de S. Paulo – 23/6/97)
❑ Avaliação
❑ De 20 a 29 pontos
❑ 40 pontos
Parabéns! Trate de passar para frente as suas noções de cidadania. Não é por nada, não, mas você está num campo perigoso. Trate
O mundo seria melhor se todos fossem iguais a você. de se ligar, pois corre o risco de descambar para a selvageria. A
escolha é sua.
❑ De 30 a 39
❑ De 10 a 19 pontos
O caminho é esse mesmo.
Você mais parece um homem das cavernas. Viver a seu lado deve
Você se mostra uma pessoa consciente e tem tudo para se tornar
ser insuportável. Há jeito? Claro.
um cidadão do futuro.
GABARITO
Questão 1: a–1; b–1; c–4; d–2 Questão 3: a–1; b–4; c–1; d–1; Questão 5: a–1; b–1; c–4; d–1 Questão 7: a–2; b–1; c–1; d–4 Questão 9: a–1; b–1; c–4; d–2
Questão 2: a–3; b–1; c–1; d–4 Questão 4: a–2; b–2; c–4; d–2 Questão 6: a–4; b–1; c–1; d–1 Questão 8: a–1; b–4; c–2; d–1 Questão 10: a–1; b–1; c–2; d–4
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Rascunho
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COLÉGIO
Você já deve estar cansado de ouvir que “todo homem tem direito à saúde, à educação…” e de saber que, na
prática, a coisa é bem diferente. A política do “levar vantagem em tudo” impera.
Por isso, discutir direitos humanos pode parecer a coisa mais utópica do mundo, para não dizer chata. Mas tudo muda
de figura quando os conceitos de cidadania saem dos textos pomposos e etéreos para, efetivamente, entrar no seu dia a dia.
Segundo Justin Frilanz, médico militante da Cruz Vermelha Internacional: “Discutir direitos humanos é combinar
rodízio de carro, horário para festas barulhentas em prédios… Tudo o que você faz e pode afetar os outros deve ser
analisado para evitar o desrespeito. Você não é um espectador do mundo, você faz parte dele”, diz, citando lema do grupo
internacional Médicos sem Fronteiras.
(Folhateen – Folha de S. Paulo – 23/6/97)
Como você não é um mero espectador do mundo, está na hora de avaliar seus valores e comportamentos como cidadão.
• Você respeita os outros como gostaria de ser respeitado?
• Você é solidário?
• Você se preocupa com o bem-estar das pessoas à sua volta?
• Você é preconceituoso?
Escreva um texto sobre o assunto, procurando responder a essas perguntas e, se possível, discuta também outros
comportamentos relacionados à cidadania.
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LEITURA COMPLEMENTAR
Solilóquio de um menino de rua
Por trás de 90% dos casos de desaparecimento de crianças em São Paulo estão histórias terríveis de maus-
tratos e negligência. Na avaliação de assistentes sociais, educadores e policiais envolvidos no trabalho com menores
encontrados nas ruas da cidade, crianças com mais de 6 anos de idade em geral não desaparecem misteriosamente:
elas fogem de casa.
As crianças fogem principalmente das surras, da fome, da negligência e da sobrecarga de trabalho doméstico
imposta pelos pais e padrastos. Não querem voltar para casa e fazem de tudo para não serem encontradas.
(Jornal da Tarde)
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COLÉGIO
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COLÉGIO
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos es- exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida
critórios, nos negócios, na política, nacional e interna- terminou! mas quem ganhou?” É bobice, Maria da Graça,
cional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até disputar uma corrida se a gente não irá saber quem
amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a
todos vivem apostando corrida. São competições tão vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares
confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão sempre aonde quiseres, ganhaste.
fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por
caminhos tão escondidos, que, quando chegam os atletas (Paulo Mendes Campos, “Para Maria da Graça”)
Tema A Escreva uma carta a um(a) amigo(a) que tenha perdido uma competição esportiva e esteja precisando de seu apoio
para superar esse momento difícil.
Tema B No texto, Paulo Mendes Campos afirma que as competições entre os homens são absurdas e desnecessárias. Cada
um deve traçar objetivos e atingi-los sem se importar em chegar primeiro. Numa sociedade competitiva como a nossa, você concorda
com os conselhos do autor? Quanto aos meios para se chegar aonde se quer, todos são válidos? Discuta suas ideias num texto reflexivo.
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Redação 1 Redação 2
Computação em nuvem: A computação em nuvem é, basicamente, a centra-
A computação em nuvem é uma tecnologia que lização de serviços, como por exemplo o armazenamento
permite que arquivos como documentos de texto, fotos, de dados ou de programas, em apenas alguns computado-
vídeos e outros sejam armazenados diretamente na res. Ela funciona através da internet, que possibilita a
internet, através de sites especializados. Arquivos desses ligação de um computador aos dados que estão armaze-
tipos são normalmente guardados diretamente no compu- nados em outro. Ao redor de cada serviço existirá um com-
tador do usuário, que pode acessá-los independentemente putador, ou mais, específicos para o serviço oferecido.
de ter ou não uma conexão com a internet. Um bom exemplo da computação em nuvem é o uso
Desenvolvimento: do e-mail. Qualquer usuário desse serviço pode verificar
A Computação em nuvem pode parecer uma inovação a sua caixa de entrada de qualquer computador que tenha
recente: os primeiros sites especializados e voltados acesso à internet. Isso só é possível pois os e-mails
diretamente para esse tipo de armazenamento surgiram recebidos não estão armazenados no computador pessoal
em 2009; entretanto essa tecnologia já é utilizada por daquele usuário e sim em uma máquina da empresa que
muitos usuários da internet há duas décadas. As contas de administra o serviço de e-mail. Nela estão armazenados
e-mail baseadas em serviços online como o Hotmail milhões de e-mails dos mais diferentes usuários. Outro
fazem uso da Computação em nuvem, pois os e-mails exemplo da computação em nuvem são as redes sociais,
armazenados nas caixas de entrada não estão salvos no como por exemplo o Facebook. Em computadores da
computador do usuário, mas sim no próprio site da empresa que administra esse site estão armazenados
empresa. Além disso, sites de compartilhamento de todos os dados pessoais, fotos, comentários e amigos de
músicas e filmes já utilizaram essa tecnologia, possibili- todos os usuários que utilizam o serviço. Dessa forma, é
tando que o internauta faça o download desses arquivos, possível acessar uma conta do Facebook de qualquer
que estão armazenados na internet. computador, desde que esse tenha acesso à internet.
Prós e contras: O aumento da utilização da computação em nuvem
O uso da computação em nuvem tende a crescer, pois mostra que ela está conectada a diversas ações que são
apresenta um benefício muito desejado pelos usuários: realizadas no cotidiano. Ela possibilita a independência de
poder acessar seus arquivos de qualquer local e de um usuário em relação a uma máquina pessoal específica,
qualquer máquina, sem a necessidade de levar fisica- uma vez que ele poderá realizar ações e consultar dados
mente seu computador pessoal para outros lugares (como pessoais de qualquer computador com acesso à internet.
os arquivos estão armazenados na internet é necessário Apesar das vantagens que a computação em nuvem pode
um local com acesso à internet). Entretanto, o uso dessa oferecer é necessário destacar a sua maior limitação: a
tecnologia é questionável, pois passa à mão dos sites que dependência da internet. Caso a conexão da internet não
armazenam arquivos, fotos e documentos pessoais que funcione, o usuário não poderá acessar nenhum dado,
se não forem devidamente armazenados e protegidos, mesmo que esteja utilizando o seu computador pessoal, o
podem ser roubados ou modificados. que mostra certa fragilidade da computação em nuvem.
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LEITURA OBRIGATÓRIA
Proposta de Redação – UNICAMP – 2012
I
III
“Você quer ter uma máquina de lavar
ou quer ter a roupa lavada?” A simples ideia de determinadas informações ficarem
armazenadas em computadores de terceiros (no caso, os
Essa pergunta resume de forma brilhante o conceito fornecedores de serviço), mesmo com documentos
de computação em nuvem, que foi abordado em um garantindo a privacidade e o sigilo, preocupa pessoas,
documentário veiculado recentemente na TV. órgãos do governo e, principalmente, empresas. Além
(Adaptado de http://toprenda.net/2010/04/computacao- disso, há outras questões, como o problema da depen-
em-nuvem-voce-ja-usa-e-nem-sabia.) dência de acesso à internet: o que fazer quando a conexão
cair? Algumas companhias já trabalham em formas de
sincronizar aplicações off-line com on-line, mas
II tecnologias para isso ainda precisam evoluir bastante.
Vamos dizer que você é o executivo de uma grande (Adaptado de O que é Cloud Computing? Disponível
empresa. Suas responsabilidades incluem assegurar que em: http://www.infowester.com/cloudcomputing.php.)
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COLÉGIO
UNICAMP – 2012
Imagine-se na posição de um leigo em informática que, ao ler a matéria Cabeça nas nuvens, reproduzida
na Leitura Obrigatória, decide buscar informações sobre o que chamam de computação em nuvem. Após
conversar com usuários de computador e ler vários textos sobre o assunto (alguns dos quais reproduzidos
abaixo em I, II e III), você conclui que o conceito é pouco conhecido e resolve elaborar um verbete para
explicá-lo. Nesse verbete, que será publicado em uma enciclopédia on-line destinada a pessoas que não
são especializadas em informática, você deverá:
• definir computação em nuvem, fornecendo dois exemplos para mostrar que ela já está presente em
atividades realizadas cotidianamente pela maioria dos usuários de computador;
• apresentar uma vantagem e uma desvantagem que a aplicação da computação em nuvem poderá ter em
um futuro próximo.
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As frases abaixo estão sendo veiculadas pela internet e atri- 2. “No começo Vila Velha era muito atrazada mas com o tempo
buídas a candidatos que participaram de provas de concursos, foi se sifilizando.”
vestibulares e outras. Leia alguns exemplos: RESOLUÇÃO:
No começo, Vila Velha era muito atrasada, mas com o tempo foi se
civilizando.
As frases abaixo, também extraídas de provas de concursos e 5. “Onde nasce o sol é o nascente, onde desce é o decente.”
vestibulares, apresentam impropriedades linguísticas, conceitos RESOLUÇÃO:
confusos ou equivocados e problemas de sentido que permitem Onde nasce (surge) o sol é o nascente (oriente), onde morre (se põe) é o
poente (ocidente).
correção. Reescreva-as, adequando-as ao padrão culto da língua
e eliminando problemas de sentido.
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7. “Tudo isso colaborou com a estinção do micro-leão dou- 12. O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso
rado.” durante o verão, com o agradecimento de toda a paróquia.
RESOLUÇÃO: RESOLUÇÃO:
Tudo isso colaborou para a extinção do mico-leão-dourado. Ambiguidade: o agradecimento pode ser tanto por os “maiores de sessenta
anos” terem participado do coro quanto por terem parado de cantar.
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Almeida Garrett e
45 Alexandre Herculano
• Romantismo em Portugal
• Prosa romântica portuguesa
Texto para os testes 1 e B. que o autor colocou no início de seu poema Ca- sando”) demonstra que o eu lírico se dirige a
mões (1825), obra que inaugura o Romantismo um interlocutor, a saudade, no caso.
Saudade! gosto amargo de infelizes, em Portugal. Garrett invoca a saudade, pedindo Resposta: B
a ela que o inspire para narrar a vida e os amo-
Delicioso pungir de acerbo espinho, B (MODELO ENEM) – Por tratar-se de poe-
Que me estás repassando o íntimo peito res do poeta Camões. Identifique a seguir o
sia na qual prevalece a presença de um eu que
Com dor que os seios d’alma dilacera, verso em que é inequívoco o fato de que o eu manifesta sua interioridade, ainda que fictícia, o
— Mas dor que tem prazeres — Saudade! lírico se dirige à saudade. fragmento transcrito associa-se ao gênero
Misterioso númen que aviventas a) “Delicioso pungir do acerbo espinho.” a) dramático. b) épico.
Corações que estalaram e gotejam b) “Que me estás repassando o íntimo peito.” c) lírico. d) romanesco.
Não já sangue de vida, mas delgado c) “Com dor que os seios d’alma dilacera.” e) epistolar.
Soro de estanques lágrimas — Saudade! d) “Corações que estalaram e gotejam.” Resolução
(Almeida Garrett, Camões) e) “Soro de estanques lágrimas — Saudade!” A poesia lírica é aquela em que, como nos
Resolução versos transcritos, uma subjetividade se ex-
1 (MODELO ENEM) – O fragmento transcri- No verso da alternativa b, a forma verbal na pressa, manifesta seus sentimentos.
to é uma espécie de “invocação” à saudade, segunda pessoal do singular (“estás repas- Resposta: C
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(Almeida Garrett)
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7 As sereias aparecem pela primeira vez na literatura no 8 O que a insistência da última estrofe permite concluir
poema Odisseia, de Homero, do século VIII ou VII a.C. Nesse quanto à atitude do pescador relativamente ao conselho contido
poema, o herói, Ulisses, tendo de passar com seu navio ao lado no poema?
da ilha das sereias — seres terríveis, que seduzem os homens RESOLUÇÃO:
com seu canto, atraem e destroem-nos —, faz que todos os A insistência em repetir o conselho, na última estrofe, faz crer que
seus marinheiros tapem os ouvidos com cera. Quanto a si o pescador não o esteja acatando, mas, ao contrário, esteja indo
em direção à sereia.
mesmo, Ulisses manda que o amarrem ao mastro do navio, com
os ouvidos livres. Qual a diferença entre a atitude de Ulisses e
aquela que o eu lírico do poema de Garrett recomenda ao
pescador?
RESOLUÇÃO:
Ulisses quer ouvir o canto das sereias, chegando o mais próximo
possível delas, mas evitando o perigo de ser arrastado pela
sedução, pois toma o cuidado de fazer que o amarrem ao mastro.
No poema de Garrett, ao contrário, o conselho é para que o
pescador nem se aproxime do perigo que a sereia representa, não
devendo, assim, expor-se à beleza de seu canto.
Texto 2
Dom Diogo Lopes era infatigável monteiro: neves da serra no inverno, 9 O que a linda mulher pede a dom Diogo é que ele
sóis dos estevais1 no verão, noites e madrugadas, disso se ria ele. esqueça para sempre algo que sua mãe lhe ensinou
Pela manhã de um dia sereno, estava dom Diogo em sua armada, em sempre, até na hora de morrer. Trata-se do sinal da
monte selvoso e agreste, esperando um porco montês2 que, abatido pelos cruz. O cavaleiro aceita e eles se casam. À noite,
caçadores, devia sair naquela assomada3. quando em seu castelo ele despe a mulher e lhe
Eis senão quando começa a ouvir cantar ao longe: era um lindo, lindo contempla a beleza, nota que ela tem “pés forcados
cantar. como os de cabra”. Ela é, pois, como mais tarde se
Alevantou os olhos para uma penha que lhe ficava fronteira: sobre ela verá, um ser demoníaco — o próprio diabo. Apesar
estava assentada uma formosa dama: era a dama quem cantava. disso, ele vive e tem filhos com ela, sem pressupor
O porco fica desta vez livre e quite, porque dom Diogo Lopes não corre, os acontecimentos terríveis que depois ocorrerão.
voa para o penhasco. Pode-se estabelecer uma relação entre essa narrativa
— Quem sois vós, senhora tão gentil; quem sois, que logo me cativaste? e o poema de Garrett “Barca Bela”. Qual é essa
— Sou de tão alta linhagem como tu, porque venho do semel 4 de reis,
relação?
como tu, senhor de Biscaia.
RESOLUÇÃO:
— Se já sabes quem eu seja, ofereço-vos a minha mão, e com ela as A relação deve-se ao fato de que a “dama do pé de
minhas terras e vassalos. cabra” representa a beleza sedutora, misteriosa e
— Guarda as tuas terras, dom Diogo Lopes, que poucas são para destrutiva que, no poema de Garrett, é simbolizada na
seguires tuas montarias, para o desporto e folgança5 do bom cavaleiro que figura da sereia, que também tem sentido demoníaco.
és. Guarda os teus vassalos, senhor de Biscaia, que poucos são eles para
te abaterem a caça.
— Que dote, pois, gentil dama, vos posso eu oferecer digno de vós e de
mim, que, se a vossa beleza é divina, eu sou em toda a Espanha6 o rico-
homem7 mais abastado?
— Rico-homem, rico-homem, o que eu te aceitara em arras8 coisa é de
pouca valia, mas, apesar disso, não creio que mo concedas, porque é legado
de tua mãe, a rica-dona de Biscaia. (...)
(Alexandre Herculano,
“A Dama do Pé de Cabra”, in Lendas e Narrativas)
1 – Estevais: plantação de estevas, arbustos de grandes folhas e frutos aromáticos. 2 – Porco
montês: javali. 3 – Assomada: elevação. 4 – Semel: linhagem, estirpe. 5 – Folgança: divertimento.
6 – Espanha: Península Ibérica. 7 – Rico-homem: título de nobreza. 8 – Arras: dote.
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! Os Destaques
João Batista da Silva Leitão de ALMEIDA GARRETT (1799-1854): Foi o primeiro
escritor romântico em Portugal. Formou-se dentro do espírito neoclássico, publicou
poemas de caráter árcade e participou da Revolução Liberal de 1820. Depois do golpe
de Estado reacionário de 1823, exilou-se na Inglaterra e na França. Nesses países tomou
contato com o novo espírito e a nova arte do Romantismo. De volta a Portugal, teve
atuação destacada na vida cultural e política, chegando a ocupar o posto de Ministro da
Cultura. Também escreveu romances, entre os quais Viagens na minha Terra, e peças
de teatro, com destaque para Frei Luís de Sousa.
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A filha do ferrador deu o recado, e sem alteração de Simão, meu esposo. Sei tudo... Está conosco a morte.
palavra. Simão escutara-a placidamente até o ponto em que Olha que te escrevo sem lágrimas. A minha agonia começou
lhe disse que o primo Baltasar a acompanhava ao Porto. há sete meses. Deus é bom, que me poupou ao crime. Ouvi
O primo Baltasar!... — murmurou ele com um riso a notícia da tua próxima morte, e então compreendi por que
sinistro. — Sempre este primo Baltasar cavando a sua estou morrendo hora a hora. Aqui está o nosso fim, Simão!...
sepultura e a minha!... Olha as nossas esperanças. Quando tu me dizias os teus
A sua, fidalgo! — exclamou João da Cruz. — Morra ele, sonhos de felicidade e eu te dizia os meus!... Assim acabaria
que o levem trinta milhões de diabos! Mas vossa senhoria há tudo, Simão? Não posso crê-lo! A eternidade apresenta-se-
de viver enquanto eu for João. Deixe-a ir para o Porto, que me tenebrosa, porque a esperança era a luz que me guiava
não tem perigo no convento. De hora a hora Deus melhora. de ti para a fé. Mas não pode findar assim o nosso destino.
O senhor doutor vai para Coimbra, está por lá algum tempo, Vê se podes segurar o último fio da tua vida a uma esperança
e, as duas por três, quando o velho mal se precatar, a qualquer. Ver-nos-emos num outro mundo, Simão? Terei eu
fidalguinha engrampa-o, e é sua tão certo como esta luz que o merecido a Deus contemplar-te? Eu rezo, suplico, mas
nos alumia. desfaleço na fé, quando me lembram as últimas agonias do
(Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição) teu martírio.
(Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição)
1 A fala de João da Cruz, homem simples e de maneiras
pouco polidas, reflete a linguagem viva do povo, repleta de 3 Nas palavras proferidas por Teresa, alguns segmentos
imagens e ditados populares, conformes ao gosto romântico. (frases ou palavras) são característicos da escola romântica.
Extraia do texto dois exemplos que possam justificar essa Identifique-os, de acordo com os seguintes itens:
afirmação. a) exagero na expressão das paixões;
RESOLUÇÃO: RESOLUÇÃO:
Podem-se apontar: “Morra ele, que o levem trinta milhões de “e então compreendi por que estou morrendo hora a hora”;
diabos!”; “De hora a hora Deus melhora”; “a fidalguinha
engrampa-o”; “certo como esta luz que nos alumia”.
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! O Destaque
CAMILO Ferreira Botelho CASTELO BRANCO (1825-1890): Teve uma vida bastante
“romântica” e acidentada. Casou-se aos 16 anos com uma camponesa. Depois de abandonar
mulher e filha, fez os estudos secundários e envolveu-se em várias aventuras amorosas,
uma delas com uma freira. De uma de suas paixões lhe nasceu outra filha. Teve algumas
crises místicas. Seu caso mais rumoroso deu-se com Ana Plácido de Castro Osório, mulher
de alta posição na sociedade do Porto, que abandonou o marido e fugiu com o escritor. O
casal foi preso e processado. Absolvidos, em 1861, retiraram-se, em 1864, para uma
propriedade no campo herdada por Ana Plácido. Para sustentar a mulher e três filhos,
Camilo, que vivia da profissão de escritor, teve de escrever muito mais do que de fato poderia. Foi afligido por doenças
e, por fim, pela cegueira. Como escritor, dedicou-se ao romance, ao teatro e à crítica literária. Reconstituiu em suas obras
o panorama dos costumes e dos caracteres do Portugal de seu tempo, quase sempre com uma profunda sintonia
com as maneiras de ser e sentir do povo português. Suicidou-se aos 65 anos de idade.
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Gonçalves Dias:
47 poesia indianista
• Poesia romântica brasileira
• Indianismo • “I-Juca-Pirama”
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“I-Juca-Pirama”1 exemplifica perfeitamente, na obra de No canto de morte, entretanto, o guerreiro chora, prome-
Gonçalves Dias, a idealização heroica do selvagem. O poema tendo voltar após o falecimento do pai cego, que precisava dele.
narra a história de um guerreiro tupi que, aprisionado pelos
Timbiras, deve morrer em uma cerimônia antropófaga. Os V
seguintes versos fazem parte de seu canto de morte, momento
em que o prisioneiro, preparado para sua morte — com o crânio Soltai-o! — diz o chefe. Pasma a turba; Espanta-se a
raspado e o corpo pintado —, revela quem é a seus algozes: Os guerreiros murmuram: mal ouviram, [multidão
Nem pôde nunca um chefe dar tal ordem!
IV Brada segunda vez com voz mais alta,
Meu canto de morte, Afrouxam-se as prisões, a embira cede, tipo de corda
Guerreiros, ouvi: A custo, sim; mas cede: o estranho é salvo.
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci; — Timbira, diz o índio enternecido,
Guerreiros, descendo Solto apenas dos nós que o seguravam:
Da tribo Tupi. És um guerreiro ilustre, um grande chefe,
Tu que assim do meu mal te comoveste,
Da tribo pujante, poderosa
Nem sofres que, transposta a natureza,
Que agora anda errante Com olhos onde a luz já não cintila,
Por fado inconstante, destino
Chore a morte do filho o pai cansado,
Guerreiros, nasci; Que somente por seu na voz conhece.
Sou bravo, sou forte, — És livre; parte.
Sou filho do Norte; — E voltarei.
Meu canto de morte, — Debalde. Em vão
Guerreiros, ouvi. — Sim, voltarei, morto meu pai.
— Não voltes!
1 – I-Juca-Pirama: tupi; aquele que é digno de morrer.
É bem feliz, se existe, em que não veja,
1 O indianismo forneceu à jovem nação brasileira o traço Que filho tem, qual chora: és livre; parte! como
característico que a diferenciava de qualquer outra. O poeta — Acaso tu supões que me acobardo, acovardo
romântico deu ao país uma identidade, sobretudo heroica. Que receio morrer!
Considere os versos e responda: — És livre; parte!
a) Quais expressões permitem associar o texto ao indianismo? — Ora não partirei; quero provar-te
RESOLUÇÃO: Que um filho dos Tupis vive com honra,
“Sou filho das selvas”; “Nas selvas cresci”; “tribo Tupi”; “tribo E com honra maior, se acaso o vencem,
pujante”; Da morte o passo glorioso afronta.
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(...)
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(...)
E a corrente passava; novas águas
Após as outras vão;
6 Por que o pai não admitiu as lágrimas do filho, mas, cho-
rando, afirmou que suas próprias lágrimas não o desonravam? E a flor sempre a dizer curva na fonte:
RESOLUÇÃO: “Ai, não me deixes, não!“
O pai não chora por algo que o possa envergonhar, como o medo,
mas por extremo orgulho do filho valente que tem.
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! O Destaque
Antônio GONÇALVES DIAS (1823-1864): Nasceu no Maranhão e era filho de um
comerciante português e de uma mestiça (cafuza). Estudou Direito em Coimbra, onde
entrou em contato, por volta de 1840, com as obras de Almeida Garrett e Alexandre
Herculano. De volta ao Brasil, em 1845, dedicou-se ao magistério, no Colégio Pedro II, e
aproximou-se do grupo de Gonçalves de Magalhães, obtendo a proteção imperial, a qual
não mais lhe faltaria. Entre outras funções, exerceu a de oficial da Secretaria dos Negócios
Estrangeiros. Após uma expedição ao Amazonas, como etnógrafo, retornou doente,
buscando cura na Europa, onde permaneceu de 1862 a 1864. Morreu na viagem de
regresso, no naufrágio do navio “Ville de Boulogne”, já bem próximo da costa do
Maranhão. Considerado pela crítica o primeiro poeta “autêntico” de nosso Romantismo,
os temas predominantes em sua obra são o amor, a natureza, Deus e o índio. Foi grande idealizador deste último,
tomando como matéria de poesia o mito do bom selvagem (formulado pelo pensador pré-romântico Jean-Jacques
Rousseau), tingindo-o com tons medievalizantes.
1 (ENEM) – Compare estes dois enunciados: Resolução b) o caráter poemático dado ao texto predo-
No enunciado II, não há familiaridade com Ira- mina sobre a narrativa em prosa, sendo, por
I. Iracema, apresentada como “a virgem dos cema, de Alencar. O autor do trecho, ao enfa- sua vez, superado pela constituição de um
lábios de mel”, encarnou a própria terra coloni- tizar os aspectos negativos do encontro entre a mito literário.
zada, a natureza que generosamente se revelou índia Iracema e o branco Martim, afasta-se da c) a mitologia tupi está para a mitologia clás-
ao homem branco e por ele se sacrificou. intenção de José de Alencar, que consistia na sica, predominante no texto, assim como a
proposta de uma explicação feliz do contato prosa está para a poesia.
II. Iracema, a virgem dos lábios de mel, flechou entre os primeiros habitantes do país e o colo- d) ao fundir romance e poema, Alencar, invo-
o guerreiro, mas lhe saiu o tiro (digamos assim) nizador branco. luntariamente, produziu uma lenda do Ceará,
pela culatra: perdeu seu povo, sua casa e o Resposta: D superior à mitologia clássica.
próprio namorado, acabando uma palmeira que e) se estabelece uma hierarquia de gêneros
ficou a ver navios. literários, na qual o termo superior, ou domi-
B (FUVEST-SP – MODELO ENEM) – Em nante, é a prosa romanesca, e o termo
um poema escrito em louvor de Iracema, inferior, o mito.
Ambos os enunciados referem-se ao romance Manuel Bandeira afirma que, ao compor esse
Iracema, de José de Alencar. É correto afirmar livro, Alencar Resolução
que Iracema é uma obra geralmente incluída no
a) I revela a intenção de destruir um mito na- gênero romance, embora o próprio autor a tenha
(...) escreveu o que é mais poema
cionalista. classificado como lenda (seu subtítulo é “lenda
Que romance, e poema menos
b) I e II são paródias do famoso romance ro- do Ceará”). Sendo notório o caráter poético da
Que um mito, melhor que Vênus.
mântico. linguagem em que foi composta a narrativa, para
c) apenas II interpreta corretamente a intenção Bandeira, o teor poético do livro é mais relevante
do romancista. Segundo Bandeira, em Iracema, que sua classificação genérica como romance;
d) apenas I interpreta corretamente a intenção a) Alencar parte da ficção literária em direção à e, acima de sua feição poética, está sua índole
do romancista. narrativa mítica, dispensando referências a mítica, isto é, sua natureza de lenda.
e) I e II são igualmente objetivos. coordenadas e personagens históricas. Resposta: B
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Iracema é um romance poético que desenvolve uma antiga 1 José de Alencar foi quem consolidou o romance romântico
lenda sobre a colonização do Ceará, terra do autor, José de brasileiro, pretendendo ser autenticamente nacional. Quais
Alencar. A ação, centrada no encontro/desencontro entre o características apresentadas no trecho poderiam ser consi-
europeu e o nativo brasileiro, envolve a rivalidade entre as tribos deradas eminentemente nacionais, brasileiras?
tabajara e pitiguara. Martim é europeu, branco e civilizado; RESOLUÇÃO:
Iracema, a bela selvagem tabajara que foge com ele para o A personagem que dá título ao romance, Iracema, é uma índia; o
litoral, representa a América virgem e ingênua, cativa e autor emprega termos indígenas e o cenário é tipicamente brasileiro.
dominada.
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5 Qual o principal procedimento estilístico utilizado por 9 O que significa o gesto de Iracema de quebrar a flecha com
Alencar na descrição da virgem Iracema? que ferira Martim?
RESOLUÇÃO: RESOLUÇÃO:
Alencar vale-se principalmente de imagens que servem de metá- Quebrar a flecha era, entre os indígenas, a maneira simbólica de
foras ou comparações: “virgem dos lábios de mel”, “cabelos mais estabelecerem a paz [conforme nota do autor].
negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de
palmeira”.
6 Em Iracema, há uma estreita relação entre o homem e a Iracema tornou-se referência para a produção artística brasi-
natureza, típica do Romantismo. Comente-a. leira, conforme exemplifica a letra abaixo:
RESOLUÇÃO:
Em Iracema, a natureza é amável e oferece imagens de beleza e
amenidade (“a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras IRACEMA VOOU
águas”, “a sombra da oiticica, mais fresca que o orvalho da noite”),
servindo como símile para a descrição da beleza sublime da índia.
Iracema voou
Para a América
Leva roupa de lã
E anda lépida
Vê um filme de quando em vez
Não domina o idioma inglês
Lava chão numa casa de chá
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K Os adjetivos rápida, usado por Alencar, e lépida, escolhido Texto para o teste L.
por Chico Buarque, são sinônimos. Alencar preferiu rápida, não
propriamente por ser uma palavra corrente, pois na época lépida Segundo Antonio Candido, “assim como Walter Scott
também o era, mas por compor um jogo sonoro com o fascinou a imaginação da Europa com os seus castelos e
substantivo, na expressão “rápida ema”. Qual o efeito desse cavaleiros, Alencar fixou um dos mais caros modelos da
jogo sonoro em relação à personagem comparada com a ema? sensibilidade brasileira: o do índio ideal (...). As Iracemas,
RESOLUÇÃO: Jacis, Ubiratãs, Ubirajaras, Aracis, Peris, que (...) vão semean-
O efeito é de, ao mencionar o animal, sugerir, como se fosse por do em batistérios e registros civis a ‘mentirada gentil’ do
trás das palavras, a própria personagem, pois a expressão contém
indianismo, traduzem a vontade profunda do brasileiro de
todas as letras de seu nome, menos uma: RápIdA EMA. Trata-se de
uma forma de anagrama, sendo anagrama, conforme o Dicionário perpetuar a convenção, que dá a um país de mestiços o álibi
Houaiss, a “transposição de letras de palavra ou frase para formar duma raça heroica, e a uma nação de história curta, a
outra palavra ou frase diferente (Natércia, de Caterina; amor, de profundidade do tempo lendário.”
Roma; Célia, de Alice etc.)”. No caso, o jogo de palavras reforça a
sugestão de integração entre a índia e o mundo natural.
L (MODELO ENEM) – Entre os trechos extraídos de Iracema,
assinale o único que não ilustra as palavras de Antonio Candido.
a) “Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos
mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe
de palmeira.”
b) “De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da
espada; mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na
religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e
amor. Sofreu mais d’alma que da ferida.”
c) “O vulto de Caubi enche o vão da porta; suas armas guardam
diante dele o espaço de um bote do maracajá.”
d) “Mas nação alguma jamais vibrou o arco certeiro, como a
grande nação pitiguara; e Poti é o maior chefe, de quantos
chefes empunharam a inúbia guerreira.”
e) “O grande Irapuã, primeiro, assoma entre as árvores. Seu
olhar rúbido viu o guerreiro branco entre nuvens de sangue;
o ronco bravio do tigre rompe de seu peito cavernoso.”
RESOLUÇÃO:
O trecho de Iracema transcrito na alternativa b refere-se a Martim.
Resposta: B
! O Destaque
JOSÉ Martiniano DE ALENCAR (1829-1877): Nasceu em Mecejana, Ceará, e era filho de um
senador de mesmo nome filiado ao Partido Liberal. Estudou Direito em São Paulo e Olinda,
entre 1845 e 50, advogando no Rio depois de formado. Sua vida literária inicia-se com as
crônicas no Correio Mercantil e na redação do Diário do Rio de Janeiro, onde escreve uma série
de artigos críticos sobre o poema A Confederação dos Tamoios, de Gonçalves de Magalhães,
suscitando uma acesa polêmica, que perturbou até o imperador D. Pedro II, protetor de
Magalhães. Aliás, Alencar foi um dos homens mais polêmicos da vida cultural brasileira do
século XIX: assumiu posições conservadoras em relação ao problema dos escravos (pregava
uma abolição gradual, não total e imediata); polemizou com aqueles que não gostavam de sua
arte (Franklin Távora, nas Cartas a Cincinato, por exemplo); defendeu a prioridade do nacio-
nalismo linguístico (o uso da “língua brasileira”) etc. Em 1877, faz uma viagem à Europa para
tratar-se da tuberculose, mas falece no mesmo ano, ao regressar ao Rio de Janeiro.
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profundamente na cultura brasileira e pode-se dizer que é conhe- 1 Em 1909, Osório Duque Estrada venceu o concurso reali-
cido por todos os brasileiros, mesmo por quem nunca o leu dire- zado para a escolha da letra do Hino Nacional Brasileiro com
tamente. Por quê? Porque o leu ou o conhece indiretamente, já uma composição que incorpora versos da “Canção do Exílio”.
que está presente no Hino Nacional, se tornou símbolo do País, Quais são os versos de Gonçalves Dias citados no Hino?
foi imitado, parodiado ou parafraseado por muitos poetas e RESOLUÇÃO:
compositores, foi tema de histórias em quadrinhos etc. “Nossos bosques têm mais vida, / Nossa vida [no teu seio] mais
Quando compôs o famoso poema, Gonçalves Dias tinha amores...”
apenas 19 anos e estudava em Coimbra. Incluiu-o depois em
seu livro de estreia, Primeiros Cantos, publicado em 1846.
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(...)
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A “Canção do Exílio” –
50 rede intertextual
• Paródia • Intertextualidade
• Canção do exílio
Textos para o teste 1. Ouro terra amor e rosas Dá-me os sítios gentis onde eu brincava
Eu quero tudo de lá Lá na quadra infantil;
Não permita Deus que eu morra Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,
Texto 1 O céu de meu Brasil!
Sem que volte para lá
Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
CANÇÃO DO EXÍLIO
Não permita Deus que eu morra Meu Deus! Não seja já!
Sem que volte pra São Paulo Eu quero ouvir cantar na laranjeira, à tarde,
Minha terra tem palmeiras,
Sem que eu veja a rua 15 Cantar o sabiá!
Onde canta o Sabiá;
E o progresso de São Paulo. (ABREU, Casimiro de. Poetas Românticos
As aves que aqui gorjeiam
(ANDRADE, Oswald de. Primeiro Caderno Brasileiros. São Paulo: Scipione, 1993.)
Não gorjeiam como lá.
do Aluno de Poesia Oswald de Andrade.
São Paulo: Círculo do livro, s /d.) Texto 2
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores, 1 (ENEM) – Os textos 1 e 2, escritos em A ideologia romântica, argamassada ao lon-
Nossos bosques têm mais vida, contextos históricos e culturais diversos, enfo- go do século XVIII e primeira metade do século
Nossa vida mais amores. cam o mesmo motivo poético: a paisagem XIX, introduziu-se em 1836. Durante quatro
brasileira entrevista a distância. Analisando-os, decênios, imperaram o “eu”, a anarquia, o libe-
(...) conclui-se que ralismo, o sentimentalismo, o nacionalismo,
a) o ufanismo, atitude de quem se orgulha através da poesia, do romance, do teatro e do
Minha terra tem primores, excessivamente do país em que nasceu, é o jornalismo (que fazia sua aparição nessa época).
tom de que se revestem os dois textos. (MOISÉS, Massaud.
Que tais não encontro eu cá;
b) a exaltação da natureza é a principal carac- A Literatura Brasileira através dos Textos.
Em cismar — sozinho, à noite —
terística do texto 2, que valoriza a paisagem São Paulo: Cultrix, 1971 – fragmento.)
Mais prazer encontro eu lá;
tropical realçada no texto 1.
Minha terra tem palmeiras,
c) o texto 2 aborda o tema da nação, como o B (ENEM) – De acordo com as considera-
Onde canta o Sabiá. ções de Massaud Moisés no texto 2, o texto 1
texto 1, mas sem perder a visão crítica da
realidade brasileira. centra-se
Não permita Deus que eu morra, a) no imperativo do “eu”, reforçando a ideia de
d) o texto 1, em oposição ao texto 2, revela
Sem que eu volte para lá; distanciamento geográfico do poeta em que estar longe do Brasil é uma forma de
Sem que desfrute os primores relação à pátria. estar bem, já que o país sufoca o eu lírico.
Que não encontro por cá; e) ambos os textos apresentam ironicamente a b) no nacionalismo, reforçado pela distância da
Sem qu’inda aviste as palmeiras, paisagem brasileira. pátria e pelo saudosismo em relação à paisa-
Onde canta o Sabiá. Resolução gem agradável onde o eu lírico vivera a
(DIAS, Gonçalves. Poesia e Prosa Completa. O caráter humorístico e crítico é notável no infância.
Rio de Janeiro: Aguilar, 1998.) poema de Oswald de Andrade, ao contrário do c) na liberdade formal, que se manifesta na
texto puramente laudatório, ufanista, de Gon- opção por versos sem métrica rigorosa e te-
çalves Dias. mática voltada para o nacionalismo.
Texto 2
Resposta: C d) no fazer anárquico, entendida a poesia como
negação do passado e da vida, seja pelas
CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA Textos para o teste B. opções formais, seja pelos temas.
e) no sentimentalismo, por meio do qual se
Minha terra tem palmares Texto 1
reforça a alegria presente em oposição à
Onde gorjeia o mar Se eu tenho de morrer na flor dos anos, infância, marcada pela tristeza.
Os passarinhos daqui Meu Deus! não seja já; Resolução
Não cantam como os de lá Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde, O poema de Casimiro de Abreu inscreve-se na
Cantar o sabiá! tradição do canto à pátria, da perspectiva de
Minha terra tem mais rosas Meu Deus, eu sinto e bem vês que eu morro quem está longe dela. Trata-se, portanto, de um
E quase que mais amores Respirando esse ar; poema romântico de teor nacionalista e sau-
Minha terra tem mais ouro Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo dosista, conforme se afirma na alternativa b.
Minha terra tem mais terra Os gozos do meu lar! Resposta: B
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Gonçalves Dias é considerado pela crítica o primeiro poeta Minha terra tem mais rosas
“autêntico” de nosso Romantismo. Artistas posteriores a essa E quase que mais amores
escola literária vêm dialogando com ele através do tempo, Minha terra tem mais ouro
intertextualmente, ao retomarem o clássico poema “Canção do Minha terra tem mais terra
Exílio” — a oposição entre o “lá” e o “cá”, as “palmeiras”, o
“sabiá” —, em diversas formas de expressão, como veremos Ouro terra amor e rosas
ao longo desta aula. Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
1 (Re)Leia a seguir o poema de Gonçalves Dias e a paródia Sem que volte para lá
feita por Oswald de Andrade, poeta do início do século XX:
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Texto 1
Sem que veja a Rua 15 2
CANÇÃO DO EXÍLIO E o progresso de São Paulo.
(Oswald de Andrade, Pau-Brasil, 1925)
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá; 1 – Palmares: povoação dentro de um palmeiral; nome do famoso quilombo fun-
dado e destruído no Nordeste.
As aves que aqui gorjeiam
2 – Rua 15 de Novembro em São Paulo: local onde se instalaram grandes bancos
Não gorjeiam como lá. até meados do século XX; representava o desenvolvimento econômico da cidade
e era o centro financeiro do país, comparável à Av. Paulista da atualidade.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores, Na “Canção do Exílio”, o eu lírico encanta-se com a natureza idea-
Nossos bosques têm mais vida, lizada. Qual a causa do deslumbramento do eu poemático no
Nossa vida mais amores. “Canto de Regresso à Pátria”? Justifique com elementos do texto.
RESOLUÇÃO:
Em cismar, sozinho, à noite, O texto de Oswald de Andrade revela interesse em recursos
materiais (“Minha terra tem mais ouro”) e no progresso
Mais prazer encontro eu lá;
enriquecedor, o que se confirma com a menção à Rua 15 de
Minha terra tem palmeiras, Novembro, centro econômico de São Paulo e do Brasil na época.
Onde canta o Sabiá.
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F No poema de José Paulo Paes, o lá é caracterizado por H O sabiá, na tirinha de Caulos, cita alguns versos da “Canção
a) suas belezas. do Exílio” e, em seguida, fala em seu próprio nome, exilado da
b) seus confortos. palmeira onde vivia. Qual a denúncia feita nesses quadrinhos?
c) sua grandeza. RESOLUÇÃO:
Os quadrinhos denunciam um problema sério por que passa o
d) suas promessas de felicidade.
Brasil: o desflorestamento (desmatamento) e a apropriação
e) suas possibilidades de amor. indiscriminada e indevida de áreas verdes, para o cultivo de
RESOLUÇÃO: lavouras, para pastagens, construções etc.
Resposta: B
No Portal Objetivo
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite PORT1M409
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? Saiba mais
A seguir você lerá a letra de “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque. Essa composição também dialoga com o
poema de Gonçalves Dias e é ela mesma um clássico da música popular brasileira. Se você tiver oportunidade, ouça
alguma interpretação dela (de preferência a dos autores) para apreciá-la adequadamente, pois a letra de uma canção
só funciona bem quando acompanhada da música com a qual ou para a qual foi composta.
SABIÁ
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Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa Amor... Pericumã!... morrer... meu Deus! d) No texto 1, é possível entrever crítica social.
Que brinca em teus cabelos e te alisa Quero fugir d’Europa, nem meus ossos e) O texto 2 tem enfoque social e objetivo.
Pátria minha, e perfuma o teu chão... Descansar em Paris, não quero, não! Resposta
Que vontade me vem de adormecer-me Oh! por que a vida desprezei dos lares, No texto 2, o eu lírico fala-nos da pátria distante
Entre teus doces montes, pátria minha Onde minh’alma sempre forças tinha e idealizada, sob uma óptica subjetivista, em
Atento à fome em tuas entranhas Para elevar-se à natureza e os astros? que ele, e não o contexto social, é a referência
E ao batuque em teu coração. Aqui tenho somente uma janela dos versos.
Resposta: E
Não te direi o nome, pátria minha (...)
Teu nome é pátria amada, é patriazinha E lá! A terra toda, este sol todo — B (MODELO ENEM) – Podemos afirmar que
Não rima com mãe gentil E num céu anilado eu m’envolvia, os textos são “canções do exílio” porque
Vives em mim como uma filha, que és Como a águia se perde dentro dele. a) falam das cidades brasileiras.
Uma ilha de ternura: a Ilha b) recorrem a Deus para voltar à sua terra natal.
Brasil, talvez. (Sousândrade, “Harpa XLV”) c) se referem à pátria, numa perspectiva de
quem está longe dela.
(...) 1 (MODELO ENEM) – Quanto ao conteúdo, d) ambos os poetas foram exilados políticos
(Vinicius de Moraes) em que se aproximam e se distanciam os ver- nos anos 60.
sos de Vinicius de Moraes e os de Sousândra- e) os poetas acreditam que vão morrer longe
Texto 2 de? Assinale a alternativa que não apresenta da terra natal.
uma afirmação correta. Resolução
Eu careço de amar, viver careço a) Ambos cantam a pátria, filiando-se a uma Ambos os poemas celebram a pátria de uma
Nos montes do Brasil, no Maranhão, tradição da literatura brasileira. perspectiva de quem está longe dela, portanto
Dormir aos berros da arenosa praia b) O poema de Vinicius não idealiza a pátria. no exílio.
Da ruinosa Alcântara, evocando c) No texto 2, exalta-se a natureza brasileira. Resposta: C
Sousândrade sempre foi uma nota destoante no panorama Desmaia o céu d’estrelas arenoso...
da poesia brasileira. Seu primeiro livro de poemas, Harpas Eu fui amado... e hoje me abandonam...
Selvagens, foi publicado em 1857; dois anos depois eram Meões do nada, desaparecei-me!
editados os versos de Casimiro de Abreu, no volume
O último verso é extraordinário: o poeta invoca seres
Primaveras. Casimiro foi e é celebrado até hoje; Sousândrade
fantásticos, que habitam, paradoxalmente, o meio do nada
foi por muito tempo ignorado e continua até hoje pouco
(meão = meião, que está no meio), e pede que o façam
conhecido. Um dos poemas mais famosos do livrinho de
desaparecer, alterando surpreendentemente a construção desse
Casimiro é “Meus Oito Anos”:
verbo, fazendo-o transitivo e usando o pronome me como seu
objeto. O sentido é: “meões do nada, façam que eu
Oh! que saudades que eu tenho desapareça”. Algo parecido ele fez com o verbo voar, em “nem
Da aurora da minha vida, as asas ao futuro / Não sei voar”: voar é usado como verbo
Da minha infância querida transitivo, com asas como objeto. Esse tipo de inovação
Que os anos não trazem mais! linguística só seria praticado, em nossa língua, mais de
cinquenta anos depois, por poetas modernos como Fernando
Sousândrade era bem diferente, bem mais denso e mais Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.
inesperado: A obra mais importante de Sousândrade é um longo poema
épico-lírico chamado O Guesa, que contém algumas das
Oh, este choro natural dos túmulos maiores audácias estéticas da história da nossa poesia, além de
uma penetrante visão crítica do capitalismo norte-americano e
Onde dormem os pais, indica, amigos,
da situação dos povos sul e centro-americanos.
Perda... nem as asas ao futuro
A obra de Sousândrade, como em geral a dos poetas
Não sei voar: a dor é do passado
românticos, é desigual e contém bastante poesia de qualidade
Que se esquece na vista enfraquecida,
inferior. Mas seus pontos altos, que são muitíssimos, fazem
Como fica o deserto muito longe.
dele um dos maiores poetas do Brasil — o que tem sido mais e
mais reconhecido por críticos e historiadores.
Senão a morte me trazendo a noite,
A reavaliação crítica de Sousândrade ocorreu mais de
Nada mais se aproxima: solitário cinquenta anos depois de sua morte (ele mesmo previu que só
Às bordas me debruço do horizonte, seria lido cinquenta anos depois), no livro dos poetas e críticos
Nutro o abismo de mágoas, de misérias! Augusto e Haroldo de Campos, Revisão de Sousândrade,
Porto de salvação, não há na vida. publicado em 1964.
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5 O contraste cabelos pretos x cabelos brancos foi enrique- 7 Qual o tipo de verso e de rima do fragmento transcrito?
cido no poema com deslocamentos que envolvem um adjetivo RESOLUÇÃO:
e o verbo da frase na qual essas imagens são utilizadas. Explique. Os versos são decassílabos brancos, isto é, sem rimas.
RESOLUÇÃO:
Em vez de contrapor cabelos brancos a cabelos pretos, o poeta
mudou o adjetivo, tornando bem mais expressiva a locução:
“cabelos velhos”, e deslocou o sentido de brancos para o verbo
embranquecerão.
! O Destaque
SOUSÂNDRADE (Joa-
quim de Sousa Andra-
de, 1833-1902): Nasceu
no Maranhão, às mar-
6 Qual o sentido da imagem das brisas nos seis versos finais gens do Rio Pericumã,
do fragmento de Sousândrade? na fazenda de sua fa-
RESOLUÇÃO: mília. Educou-se em São
As brisas estão ligadas tanto ao nascimento quanto à vida e morte
Luís, então chamada a
do poeta: elas lhe deram o primeiro alento ao nascer, perfumaram
seus cabelos durante a vida e é como se, na velhice, fizessem seus “Atenas brasileira”, pelo
cabelos ficarem brancos. A essas brisas suavemente quentes ele alto nível cultural que
dará seu último suspiro, ao morrer... atingiu e pela excelência
de alguns dos intelec-
tuais lá nascidos (entre
eles, Gonçalves Dias). Fez sua formação universitária
em Paris, onde estudou Letras e se formou em
Engenharia de Minas. Viajou pela Europa, morou nos
Estados Unidos e percorreu diversas regiões das
Américas Central e do Sul. Foi ardente defensor da
República, dedicou-se ao ensino em S. Luís (foi
professor de grego), acalentou o projeto de uma
universidade popular que se chamaria “Atlântida”,
mas não conseguiu apoio oficial para sua realização.
Em seus anos finais, empobrecido, era considerado
excêntrico e mesmo louco.
No Portal Objetivo
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite PORT1M410
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Iracema – a separação
52 dos amantes
• Prosa romântica • Prosa indianista
• Romance indianista
1 (PUC-SP – MODELO ENEM) – Iracema, a Resolução o mistério do sonho. Sua mão fabrica para o
virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos São notórias, nos fragmentos transcritos, assim Pajé a bebida de Tupã.
mais negros que a asa da graúna e mais longos como em todo o livro, as comparações e metá- O guerreiro cristão atravessou a cabana e
que seu talhe de palmeira. O favo da jati não foras que se valem de aproximações entre as sumiu-se na treva.
era doce como seu sorriso, nem a baunilha figuras humanas e os elementos da fauna e da
recendia no bosque como seu hálito perfumado flora de um Brasil exuberante e selvagem. (José de Alencar, Iracema)
(...) Cedendo à meiga pressão, a virgem recli- Resposta: E
nou-se ao peito do guerreiro e ficou ali trêmula B (MODELO ENEM) – A antonomásia é
e palpitante como a tímida perdiz (...) A fronte Texto para o teste B. uma figura de linguagem que “consiste em
reclinara, e a flor do sorriso expandia-se como substituir um nome de objeto, entidade, pessoa
o nenúfar ao beijo do sol (...) Em torno carpe a O Pajé vibrou o maracá e saiu da cabana, etc. por outra denominação, que pode ser um
natureza o dia que expira. Soluça a onda trépida porém o estrangeiro não ficou só. nome comum (ou uma perífrase), um gentílico,
e lacrimosa; geme a brisa na folhagem; o Iracema voltara com as mulheres chamadas um adjetivo etc., que seja sugestivo, explica-
mesmo silêncio anela de opresso. (...) A tarde para servir o hóspede de Araquém, e os guer- tivo, laudatório, eufêmico, irônico ou pejorativo
é a tristeza do sol. Os dias de Iracema vão ser reiros vindos para obedecer-lhe. e que caracterize uma qualidade universal ou
longas tardes sem manhã, até que venha para — Guerreiro branco, disse a virgem, o pra- conhecida do possuidor” (Dicionário Houaiss).
ela a grande noite. zer embale tua rede durante a noite, e o sol Todas as expressões a seguir, extraídas do
traga luz a teus olhos, alegria à tua alma. texto, exemplificam a definição dada, menos:
Os fragmentos acima se constroem estilistica- E assim dizendo, Iracema tinha o lábio a) “estrangeiro”.
mente com figuras de linguagem, caracteriza- trêmulo, e úmida a pálpebra. b) “hóspede de Araquém”.
doras do estilo poético de Alencar. Apresentam — Tu me deixas? perguntou Martim. c) “Tupã”.
eles, predominantemente, as seguintes figuras: — As mais belas mulheres da grande taba d) “guerreiro cristão”.
a) comparações e antíteses. contigo ficam. e) “filha de Araquém”.
b) antíteses e inversões. — Para elas a filha de Araquém não devia Resolução
c) pleonasmos e hipérboles. ter conduzido o hóspede à cabana do Pajé. Tupã é o próprio nome (e não a substituição do
d) metonímias e prosopopeias. — Estrangeiro, Iracema não pode ser tua nome) da divindade máxima entre os indígenas.
e) comparações e metáforas. serva. É ela que guarda o segredo da jurema e Resposta: C
Caminhando, caminhando, chegaram os guerreiros à mar- Antes de partir ele queria sossegar o espírito da esposa.
gem de um lago (...). Poti refletiu:
O cristão parou de repente e voltou o rosto para as bandas — As lágrimas da mulher amolecem o coração do
do mar; a tristeza saiu de seu coração e subiu à fronte. guerreiro, como o orvalho da manhã amolece a terra.
(...) — Meu irmão é um grande sabedor. O esposo deve partir
— Queres tu que Iracema te acompanhe (...)? sem ver Iracema.
— Nós vamos combater seus irmãos. A taba dos pitiguaras O cristão avançou, Poti mandou-lhe que esperasse; da
não terá para ela mais que tristeza e dor. A filha dos tabajaras aljava1 de setas que Iracema emplumara de penas vermelhas
deve ficar. e pretas e suspendera aos ombros do esposo, tirou uma.
— Que esperas então? O chefe pitiguara vibrou o arco; a seta rápida atravessou
— Teu irmão se aflige porque a filha dos tabajaras pode um goiamum2 que discorria pelas margens do lago; só parou
ficar triste e abandonar a cabana, sem esperar por sua volta. onde a pluma não a deixou mais entrar.
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Fincou o guerreiro no chão a flecha, com a presa atraves- A filha dos tabajaras retraiu os passos lentamente, sem
sada (...). volver o corpo, nem tirar os olhos da seta de seu esposo;
— Podes partir. Iracema seguirá teu rasto; chegando aqui, depois tornou à cabana. Aí sentada à soleira, com a fronte nos
verá tua seta e obedecerá à tua vontade. joelhos, esperou, até que o sono acalentou a dor em seu peito.
Martim sorriu e, quebrando um ramo de maracujá, a flor da (...)
lembrança, o entrelaçou na haste da seta e partiu enfim Desde então, à hora do banho, em vez de buscar a lagoa da
seguido por Poti. beleza, onde outrora gostara de nadar, caminhava para aquela
Breve desapareceram os dois guerreiros entre as árvores. que vira seu esposo abandoná-la. Sentava-se junto à flecha,
(...) Iracema inquieta veio pela várzea, seguindo o rasto do até que descia a noite; então recolhia-se à cabana.
esposo (...) Tão rápida partia de manhã, como lenta voltava à tarde. Os
Seus olhos viram a seta do esposo fincada no chão, o goia- mesmos guerreiros que a tinham visto alegre nas águas da
mum trespassado, o ramo partido, e encheram-se de pranto. Porangaba, agora, encontrando-a triste e só, como a garça
— Ele manda que Iracema ande para trás, como o viúva na margem do rio, chamavam aquele sítio de Mecejana,
goiamum, e guarde sua lembrança, como o maracujá guarda que significa a abandonada.
sua flor todo o tempo até morrer. (...) (José de Alencar, Iracema, cap. XXVI)
1 De partida, com Poti, para guerrear, Martim mostra-se aflito. 3 Qual a solução encontrada para que Iracema seja avisada da
Por quê? partida do esposo?
RESOLUÇÃO: RESOLUÇÃO:
Ele não quer que Iracema o acompanhe no combate aos tabajaras, Uma mensagem é deixada a Iracema: Poti finca uma flecha de
pois ela sofreria muito. Também não quer partir sem avisá-la, pois Martim em um caranguejo, para que a índia entenda que seu
ela poderia abandonar a cabana sem esperar o retorno dele. Antes amante partiu e que ela deve voltar à cabana; ou seja: ela deve
de partir, ele deseja “sossegar o espírito da esposa”. recuar, caminhar para trás, tal como um caranguejo. Martim
entrelaça na flecha uma flor de maracujá, para que Iracema se
lembre dele.
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5 Neste quadro famoso, Iracema aparece diante de uma G (PUCCamp-SP – MODELO ENEM) – Tanto na poesia como
mensagem deixada por Martim. Na cena, a índia está desolada na prosa do Romantismo, ocorre a idealização da figura do índio,
e chora diante do que vê. Que atitude é tomada por Iracema, na o que se pode observar em alguns dos poemas de Gonçalves
sequência? Dias ou no romance Iracema, de José de Alencar. Tal idealização
RESOLUÇÃO: atende ao seguinte compromisso desses autores:
Iracema submete-se à vontade de Martim e retorna à cabana, a) enaltecimento dos padrões aristocráticos de conduta, com-
resignando-se e entregando-se a imensa dor. prometidos com os desdobramentos da luta popular pela
Independência.
b) exaltação das virtudes naturais dos indígenas, interpretadas
num código que as identificava com a coragem e a fidalguia
cavalheirescas.
c) culto da simplicidade e da modéstia, vistas como bases
morais inspiradoras para o desenvolvimento da vida
burguesa.
d) condenação do processo colonial, responsável pela descarac-
terização da cultura indígena e dos valores populares.
e) valorização do lendário e do folclórico, tomados como inspi-
6 Que relação se estabelece entre o topônimo Mecejana e o radores de uma arte nacional de estilo primitivista.
abandono sofrido por Iracema? RESOLUÇÃO
RESOLUÇÃO: O indianismo romântico buscou enaltecer a figura do indígena,
Segundo o texto, o sítio onde Iracema foi abandonada se chama projetando sobre essa figura valores da civilização europeia cristã,
Mecejana porque, em linguagem indígena, a palavra significa “a sobretudo os ideais do cavalheiro medieval.
abandonada”. Resposta: B
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Texto para o teste 1. b) consciência da exploração da terra pelos insolências dos escravos e criados; mas que
colonizadores e pela classe dominante local, seria dela, quando viesse o senhor?!...
o que coibiu a exploração desenfreada das (GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura.
O SERTÃO E O SERTANEJO
riquezas naturais do país. São Paulo: Ática, 1995 – adaptado.)
c) construção, em linguagem simples, realista
Ali começa o sertão chamado bruto. Nesses
campos, tão diversos pelo matiz das cores, o
e documental, sem fantasia ou exaltação, de B (ENEM) – A personagem Isaura, como
uma imagem da terra que revelou o quanto afirma o título do romance, era uma escrava. No
capim crescido e ressecado pelo ardor do sol
é grandiosa a natureza brasileira. trecho apresentado, os sofrimentos por que
transforma-se em vicejante tapete de relva,
d) expansão dos limites geográficos da terra, passa a protagonista
quando lavra o incêndio que algum tropeiro, por
que promoveu o sentimento de unidade do a) assemelham-se aos das demais escravas do
acaso ou mero desenfado, ateia com uma
território nacional e deu a conhecer os lugares país, o que indica o estilo realista da
faúlha do seu isqueiro. Minando à surda na
mais distantes do Brasil aos brasileiros. abordagem do tema da escravidão pelo
touceira, queda a vívida centelha. Corra daí a
e) valorização da vida urbana e do progresso, autor do romance.
instantes qualquer aragem, por débil que seja,
em detrimento do interior do Brasil, formu- b) demonstram que, historicamente, os proble-
e levanta-se a língua de fogo esguia e trêmula,
lando um conceito de nação centrado nos mas vividos pelas escravas brasileiras, como
como que a contemplar medrosa e vacilante os
modelos da nascente burguesia brasileira. Isaura, eram mais de ordem sentimental do
espaços imensos que se alongam diante dela.
Resolução que física.
O fogo, detido em pontos, aqui, ali, a consumir
É curioso que, numa prova destinada inclusive c) diferem dos que atormentavam as demais
com mais lentidão algum estorvo, vai aos
a habitantes dos “lugares mais distantes do escravas do Brasil do século XIX, o que
poucos morrendo até se extinguir de todo,
Brasil”, se proponha um teste tão centrado na revela o caráter idealista da abordagem do
deixando como sinal da avassaladora passagem
perspectiva do Brasil urbano e litorâneo, pois foi tema pelo autor do romance.
o alvacento lençol, que lhe foi seguindo os
ao Brasil urbano e litorâneo que o romance d) indicam que, quando o assunto era o amor,
velozes passos. Por toda a parte melancolia; de
romântico revelou “os lugares mais distantes as escravas brasileiras, de acordo com a
todos os lados tétricas perspectivas. É cair,
do país”. Ressalte-se ainda que, ao mencionar abordagem lírica do tema pelo autor, eram
porém, daí a dias copiosa chuva, e parece que
o romance romântico, o enunciado pretendeu tratadas como as demais mulheres da
uma varinha de fada andou por aqueles
fazer alusão ao romance romântico de teor sociedade.
sombrios recantos a traçar às pressas jardins
regionalista, de que foram cultores, além de e) revelam a condição degradante das mulhe-
encantados e nunca vistos. Entra tudo num
Visconde de Taunay, Bernardo Guimarães, José res escravas no Brasil, que, como Isaura, de
trabalho íntimo de espantosa atividade. Trans-
de Alencar e Franklin Távora. acordo com a denúncia feita pelo autor,
borda a vida. eram importunadas e torturadas fisicamente
Resposta: D
pelos seus senhores.
(TAUNAY, Visconde de. Inocência. Resolução
São Paulo: Ática, 1993 – adaptado.) Texto para o teste B. Este teste depende de conhecimentos histó-
ricos, relativos às condições de vida dos escra-
1 (ENEM) – O romance romântico teve Pobre Isaura! Sempre e em toda parte esta vos brasileiros, para complementar o conteúdo
fundamental importância na formação da ideia contínua importunação de senhores e de do texto e permitir a conclusão de que os sofri-
de nação. Considerando o trecho acima, é escravos, que não a deixam sossegar um só mentos da protagonista não eram iguais aos
possível reconhecer que uma das principais e momento! Como não devia viver aflito e que “atormentavam as demais escravas do
permanentes contribuições do Romantismo atribulado aquele coração! Dentro de casa Brasil do século XIX”. A alternativa e, que pare-
para a construção da identidade da nação é a contava ela quatro inimigos, cada qual mais ce verossímil, refere-se a torturas físicas, quan-
a) possibilidade de apresentar uma dimensão porfiado em roubar-lhe a paz da alma e torturar- do o texto fala em tortura psicológica
desconhecida da natureza nacional, marcada lhe o coração: três amantes, Leôncio, Belchior (“torturar-lhe o coração”).
pelo subdesenvolvimento e pela falta de e André, e uma êmula terrível e desapiedada, Resposta: C
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Texto para as questões de 1 a 8. a) “O sarau é o bocado mais delicioso que temos, de telhado
abaixo.”
O SARAU b) “O velho lembra-se dos minuetes e das cantigas do seu
Um sarau é o bocado mais delicioso que temos, de telhado tempo...”
abaixo. Em um sarau todo o mundo tem que fazer. O c) “O diplomata ajusta, com o copo de champanha na mão, os
diplomata ajusta, com o copo de champanha na mão, os mais mais intricados negócios.”
intricados1 negócios; todos murmuram e não há quem deixe d) “(...) aqui uma, cantando suave cavatina, eleva-se vaidosa nas
de ser murmurado. O velho lembra-se dos minuetes2 e das asas dos aplausos (...)”
cantigas de seu tempo, e o moço goza todos os regalos3 de e) “(...) vão outras, pelos braços de seus pares, se deslizando
sua época; as moças são no sarau como as estrelas no céu; pela sala (...)”
RESOLUÇÃO:
estão no seu elemento; aqui uma, cantando suave cavatina4,
No trecho transcrito na alternativa c, fica evidente que o diplomata
eleva-se vaidosa nas asas dos aplausos, por entre os quais aproveita a ocasião do sarau para resolver assuntos de outra
surde5, às vezes, um bravíssimo inopinado,6 que solta de lá esfera, das esferas política e econômica, talvez.
da sala do jogo o parceiro que acaba de ganhar sua partida de Resposta: C
ecarté7, mesmo na ocasião em que a moça se espicha
completamente, desafinando um sustenido; daí a pouco vão 3 Com ironia, o autor revela-nos que a maledicência, os
outras, pelos braços de seus pares, se deslizando pela sala e comentários sobre a vida alheia faziam parte do comportamento
marchando em seu passeio, mais a compasso que qualquer daquele grupo social. Em qual trecho isso nos é revelado?
RESOLUÇÃO:
de nossos batalhões da guarda nacional, ao mesmo tempo
“(...) todos murmuram e não há quem deixe de ser murmurado.”
em que conversam sempre sobre objetos inocentes, que
movem olhaduras e risadinhas apreciáveis. Outras criticam de
uma gorducha vovó, que ensaca nos bolsos meia bandeja de
doces que veio para o chá, e que ela leva aos pequenos que,
diz, ficaram em casa. Ali vê-se um ataviado8 dândi 9 que dirige
mil finezas a uma senhora idosa, tendo os olhos pregados na
sinhá, que senta-se ao lado. Finalmente, no sarau não é
essencial ter cabeça nem boca, porque, para alguns, é regra,
durante ele, pensar pelos pés e falar pelos olhos. 4 Podemos afirmar que, na primeira metade do século XIX, já
se fazia notar a distância entre as gerações? Que trecho do texto
(Joaquim Manuel de Macedo, A Moreninha, capítulo XVI) justifica a sua resposta?
RESOLUÇÃO:
1 – Intricado (forma preferível a intrincado): complexo, complicado. 2 – Minuete:
Sim. O trecho “O velho lembra-se dos minuetes e das cantigas do
minueto, dança da aristocracia francesa, típica do século XVII. 3 – Regalo: prazer.
seu tempo, e o moço goza todos os regalos de sua época (...)” nos
4 – Cavatina: pequena ária musical. 5 – Surdir: brotar, nascer, surgir. 6 – Inopinado:
revela uma separação entre o universo, as preferências e os
inesperado. 7 – Ecarté (francês): jogo de cartas. 8 – Ataviado: enfeitado, embe-
comportamentos dos jovens e dos mais velhos.
lezado. 9 – Dândi: homem que se veste com elegância excessiva e afetada.
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6 O que moveria o “ataviado dândi” a dirigir mil finezas a uma 8 “Finalmente, no sarau não é essencial ter cabeça nem
senhora idosa? boca, porque, para alguns, é regra, durante ele, pensar pelos
RESOLUÇÃO: pés e falar pelos olhos.” O que o trecho nos informa sobre o
O comportamento do dândi seria movido pelo desejo de sarau?
impressionar a moça sentada ao lado da senhora idosa. RESOLUÇÃO:
O excerto informa-nos que no sarau se dança e se observam os
outros, se flerta, não sendo essencial conversar e demonstrar
inteligência e conhecimento.
! O Destaque
JOAQUIM MANUEL DE
MACEDO (1820-1882): Nas-
ceu no Rio de Janeiro, onde se
formou em Medicina. Sua tese
de doutoramento já indica uma
de suas preocupações temáti-
cas como escritor: Considera-
ções sobre a Nostalgia (1844).
Dedicou-se ao magistério e à
No Portal Objetivo política, elegendo-se várias ve-
zes deputado pela ala conservadora do Partido Liberal.
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL Consta que sofreu de uma doença mental nos últimos
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”, anos de vida, vindo a falecer em 1882, no Rio de
digite PORT1M411 Janeiro.
Textos para o teste A. mal penteada e trazia a cabeça sempre baixa, O favo da jati não era doce como seu
uma grande porção lhe caía sobre a testa e sorriso, nem a baunilha recendia no bosque
olhos, como uma viseira. como seu hálito perfumado.
Texto 1
Mais rápida que a ema selvagem, a morena
(Manuel Antônio de Almeida, virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde
Era a sobrinha de Dona Maria já muito Memórias de um Sargento de Milícias) campeava sua guerreira tribo, da grande nação
desenvolvida, porém que, tendo perdido as
Texto 2 tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava
graças de menina, ainda não tinha adquirido a
apenas a verde pelúcia que vestia a terra com
beleza de moça: era alta, magra, pálida; andava
as primeiras águas.
com o queixo enterrado no peito, trazia as Iracema, a virgem dos lábios de mel, que
pálpebras sempre baixas e olhava a furto; tinha tinha os cabelos mais negros que a asa da
(José de Alencar, Iracema)
os braços finos e compridos; o cabelo, cortado, graúna e mais longos que seu talhe de pal-
dava-lhe apenas até o pescoço e, como andava meira.
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A (PUC-SP – modificado – MODELO idealização romântica. Por esse aspecto, entre B (PUC-SP – MODELO ENEM) – No texto
ENEM) – Comparando-se os dois textos, é outros, afirma-se que as Memórias de um apresentado, o uso repetido da expressão “ver-
correto afirmar que o texto 1 Sargento de Milícias estavam em “descompas-
des mares” e os verbos “serenai” e “alisai”, in-
a) confirma o padrão romântico na descrição so com os padrões e o tom do Romantismo”.
dicadores de ação do agente natural, imprimem
da personagem feminina. Resposta: B
ao trecho um tom poético apoiado em duas
b) exemplifica a afirmação de que este roman- figuras de linguagem. São elas a/o:
ce estava em descompasso com os padrões a) anáfora e a prosopopeia.
e o tom do Romantismo. Texto para o teste B. b) pleonasmo e a metáfora.
c) não fere o estilo romântico de descrever e
c) antítese e a inversão.
narrar, pois se justifica por seu caráter de tran-
Verdes mares bravios de minha terra natal, d) apóstrofe e a metonímia.
sição da estética romântica para a realista.
e) metáfora e a hipérbole.
d) justifica, dentro do Romantismo, a caracte- onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba;
Resolução
rização sempre idealizada do perfil feminino, Verdes mares que brilhais como líquida es-
A anáfora consiste na repetição de uma palavra
como a que se vê no texto 2. meralda aos raios do sol nascente, perlongando
ou grupo de palavras no início de duas ou mais
e) se insere na estética romântica, apesar das as alvas praias ensombradas de coqueiros;
frases sucessivas, como ocorre no trecho
características negativas da personagem, Serenai, verdes mares, e alisai docemente a
que fazem dela legítima representante do transcrito com a expressão “verdes mares”. A
vaga impetuosa para que o barco aventureiro
tipo anti-heroico. prosopopeia ou personificação consiste em
manso resvale à flor das águas.
Resolução atribuir características de seres animados a
No texto 1, diferentemente do texto 2, a perso- seres inanimados (“serenai” e “alisai”).
nagem feminina é descrita sem a característica (José de Alencar, Iracema) Resposta: A
Texto 1
— Foi costume da raça, filha de Tupã, que o guerreiro — Assim como a asa do majoí 3 rompe os ares, o pé veloz
trouxesse no corpo as cores de sua nação. do guerreiro não tem igual na corrida.
Traçavam em princípio negras riscas sobre o corpo, à Iracema tomou a rama da pena e pintou uma abelha sobre
semelhança do pelo do quati1, de onde procedeu o nome folha de árvore; sua voz ressoou entre sorrisos:
dessa arte da pintura guerreira. Depois variaram as cores, e — Assim como a abelha fabrica o mel no coração negro do
muitos guerreiros costumavam escrever os emblemas de jacarandá, a doçura está no peito do mais valente guerreiro.
seus feitos. Martim abriu os braços e os lábios para receber corpo e
O estrangeiro, tendo adotado a pátria da esposa e do alma da esposa.
amigo, devia passar por aquela cerimônia, para tornar-se um — Meu irmão é um grande guerreiro da nação pitiguara;
guerreiro vermelho, filho de Tupã. Nessa intenção fora Poti se ele precisa de um nome na língua de sua nação.
prover dos objetos necessários.
— O nome de teu irmão está em seu corpo, onde o pôs
Iracema preparou as tintas. O chefe, embebendo as ramas tua mão.
da pluma, traçou pelo corpo os riscos vermelhos e pretos, que
— Coatiabo! exclamou Iracema.
ornavam a grande nação pitiguara. Depois pintou na fronte
uma flecha e disse: — Tu disseste; eu sou o guerreiro pintado; o guerreiro da
esposa e do amigo.
— Assim como a seta traspassa o duro tronco, assim o
olhar do guerreiro penetra n’alma dos povos. Poti deu a seu irmão o arco e o tacape, que são as armas
nobres do guerreiro. Iracema havia tecido para ele o cocar e a
No braço pintou um gavião:
araçoia4, ornatos dos chefes ilustres.
— Assim como o anajê2 cai das nuvens, assim cai o braço
A filha de Araquém foi buscar à cabana as iguarias do
do guerreiro sobre o inimigo.
festim e os vinhos de jenipapo e mandioca. Os guerreiros
No pé esquerdo pintou a raiz do coqueiro: beberam copiosamente e trançaram5 as danças alegres.
— Assim como a pequena raiz agarra na terra o alto Durante que volviam em torno dos fogos da alegria,
coqueiro, o pé firme do guerreiro sustenta seu corpo robusto. ressoavam as canções.
No pé direito pintou uma asa: (José de Alencar, Iracema, cap. XXIV)
1 – Quati: mamífero da América do Sul, de cauda listrada. 2 – Anajê: gavião-carijó. 3 – Majoí: andorinha. 4 – Araçoia: saiote de penas de arara. 5 – Trançar: dançar.
1 Por que Martim aceitou passar pela cerimônia indígena descrita no texto?
RESOLUÇÃO:
Por ter adotado a pátria de Iracema e de Poti, Martim desejou tornar-se um guerreiro pitiguara.
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2 Depois de receber os riscos vermelhos e pretos, “que 4 Passados quatro anos, assim que Martim retornou, o que
ornavam a grande nação pitiguara”, em que lugares o corpo de aconteceu a Poti?
Martim foi pintado? O que essas pinturas indicam? RESOLUÇÃO:
RESOLUÇÃO: Ele se converteu ao cristianismo e passou a ter um nome cristão
Martim foi pintado na fronte (flecha), no braço (gavião) e nos pés (Antônio Felipe Camarão). Depois, uniu-se a Martim para lutar
(raiz do coqueiro e asa). Na pintura feita por Iracema (abelha), a contra os holandeses.
folha da árvore substitui o coração. As pinturas exteriorizam as
qualidades do grande guerreiro: senso aguçado de observação,
extraordinária força física, fortaleza e agilidade fabulosas e
brandura.
Texto 3
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Texto para o teste A. A (UFPR-PR – MODELO ENEM) – Em rela- diam unicamente pela riqueza, Aurélia reagia
ção à obra Como e por que Sou Romancista, de contra essa afronta, aplicando a esses indiví-
Hoje em dia quando surge algum novel José de Alencar, é correto afirmar: duos o mesmo estalão.
a) A menção ao lançamento em folhetim do Assim costumava ela indicar o merecimento
escritor, o aparecimento de seu primeiro tra-
romance O Guarani evoca uma forma de relativo de cada um dos pretendentes, dando-
balho é uma festa, que se celebra na imprensa
circulação importante da produção literária lhes certo valor monetário. Em linguagem
com luminárias e fogos de vistas. Rufam todos
ao tempo do autor, que em alguma medida financeira, Aurélia contava os seus adoradores
os tambores do jornalismo, e a literatura forma
minorava as dificuldades de acesso ao pelo preço que razoavelmente poderiam obter
parada e apresenta armas ao gênio triunfante
público: as edições de romances, capítulo a no mercado matrimonial.
que sobe ao Panteão.
Compare-se essa estrada, tapeçada de capítulo, nas páginas de jornais.
b) O texto sustenta a necessidade de investi- O romance Senhora, ilustrado pelo trecho,
flores, com a rota aspérrima que eu tive de
mentos diretos do governo brasileiro no a) representa o romance urbano de Alencar. A
abrir, através da indiferença e do desdém, des-
financiamento das atividades artísticas, reação de ironia e desprezo com que Aurélia
bravando as urzes da intriga e da maledicência.
incluindo-se aí a publicação e distribuição de trata seus pretendentes, vistos sob a óptica
Outros romances é de crer que sucedes-
obras literárias de autores nacionais. do mercado matrimonial, tematiza o
sem a O Guarani no folhetim do Diário; se meu
c) Testemunho dos interesses intelectuais e casamento como forma de ascensão social.
gosto não se voltasse então para o teatro. De
estéticos do autor, essa obra revela o b) mescla regionalismo e indianismo, temas
outra vez falarei da feição dramática de minha
empenho e a concentração de Alencar no recorrentes na obra de Alencar. Nele, o
vida literária e contarei como e por que me veio
estudo, desde a primeira infância, da litera-
essa fantasia. Aqui não se trata senão do escritor tematiza, com escárnio, as relações
tura da Antiguidade Clássica, modelo funda-
romancista. sentimentais entre pessoas de classes
mental para sua produção literária madura.
Em 1862 escrevi Lucíola, que editei por sociais distintas, em que o pretendente é
d) Alencar lamenta o preconceito e a incompre-
minha conta e com o maior sigilo. Talvez não considerado pelo seu valor monetário.
ensão da crítica com relação a seu trabalho,
me animasse a esse cometimento, se a venda que o teriam levado a viver longe do c) é obra ilustrativa do regionalismo romântico
da segunda e terceira edição ao Sr. Garnier não reconhecimento público, sendo toda sua brasileiro. A história de Aurélia e de seus
me alentasse a confiança, provendo-me de carreira de escritor cercada por uma pretendentes mostra a concepção do amor,
recursos para os gastos da impressão. “conspiração do silêncio e da indiferença”. em linguagem financeira, como forma de
O aparecimento de meu novo livro fez-se e) As observações à celebração de um “novel privilégio monetário, além de explorar as
com a etiqueta, ainda hoje em voga, dos escritor” que “sobe ao Panteão”, no relações extraconjugais.
anúncios e remessa de exemplares à redação parágrafo de abertura do trecho, podem ser d) denuncia as relações humanas, em especial
dos jornais. Entretanto toda a imprensa diária compreendidas como uma crítica velada do as conjugais, como responsáveis por levar
resumiu-se nesta notícia de um laconismo escritor à figura de Machado de Assis, as pessoas à tristeza e à solidão, dada a
esmagador, publicada pelo Correio Mercantil: fundador da Academia Brasileira de Letras e
superficialidade e o interesse com que elas
“Saiu à luz um livro intitulado Lucíola.” seu inimigo pessoal.
se estabelecem. Trata-se de um romance
Uma folha de caricaturas trouxe algumas Resolução
urbano de Alencar.
linhas pondo ao romance tachas de francesia. O folhetim era uma forma de publicação cor-
e) tematiza o adultério e a prostituição femi-
Há de ter ouvido algures, que eu sou um rente no Romantismo. Os folhetins correspon-
nina, representados pelo interesse finan-
mimoso do público, cortejado pela imprensa, diam a capítulos de romances e eram publica-
dos em jornais. Essa forma de publicação ceiro como forma de ascensão social. Essa
cercado de uma voga de favor, vivendo da falsa
seriada encontra correspondência nos capítulos obra explora tanto aspectos do regionalismo
e ridícula idolatria a um nome oficial. Aí tem as
diários das telenovelas de nossos dias. nacional como os valores da vida urbana.
provas cabais, e por elas avalie dessa nova
Resposta: A Resolução
conspiração do despeito que veio substituir a
antiga conspiração do silêncio e da indiferença. Em Senhora, Alencar tematiza, como afirma a
B (UNIFESP-SP – MODELO ENEM) – Leia o alternativa a, “o casamento como forma de
trecho a seguir, de José de Alencar. ascensão social”, embora, no final da obra, a
(ALENCAR, José de.
Como e por que Sou Romancista. Convencida de que todos os seus inúmeros honra e o amor verdadeiro sejam resgatados.
Campinas: Pontes, 1990. p. 65-67.) apaixonados, sem exceção de um, a preten- Resposta: A
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4 Por que a protagonista se sentia ofendida com as homena- Texto para o teste F.
gens que lhe eram rendidas? E como se vingava de tal afronta?
RESOLUÇÃO: Filho de um empregado público e órfão aos dezoito anos,
Aurélia sentia-se ofendida porque julgava que as homenagens que Seixas foi obrigado a abandonar seus estudos na Faculdade
lhe eram oferecidas não se justificavam pelo caráter ou pela beleza de São Paulo pela impossibilidade em que se achou sua mãe
que possuía, mas apenas por sua riqueza material, por seus mil de continuar-lhe a mesada.
contos de réis. Sendo vista apenas por esse lado pecuniário,
tratava então seus pretendentes da mesma forma, atribuindo-lhes Já estava no terceiro ano, e se a natureza que o ornara de
preço, como se fossem mercadoria. excelentes qualidades lhe desse alguma energia e força de
vontade, conseguiria ele, vencendo pequenas dificuldades,
concluir o curso; tanto mais quanto um colega e amigo, o
Torquato Ribeiro, lhe oferecia hospitalidade até que a viúva
pudesse liquidar o espólio.
Mas Seixas era desses espíritos que preferem a trilha
batida, e só impelidos por alguma forte paixão rompem com
a rotina. Ora, a carta de bacharel não tinha grande sedução
para sua bela inteligência, mais propensa à literatura e ao
jornalismo.
Cedeu, pois, à instância dos amigos de seu pai que obtive-
ram encartá-lo em uma secretaria como praticante. Assim
começou ele essa vegetação social, em que tantos homens
de talento consomem o melhor da existência numa tarefa
inglória, ralados por contínuas decepções.
(José de Alencar, Senhora)
No Portal Objetivo
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”, digite PORT1M412
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Texto para os testes A e B. Resolução reposteiro para deixar franca a passagem, voltou
O fragmento, extraído do primeiro capítulo da rapidamente, depois de proferir estas palavras:
Seixas aproximou-se do toucador, levado terceira parte do romance Senhora, intitulada — Quando quiser!
por indefinível impulso, e entrou a contemplar “Posse”, ilustra o momento alto da crise entre Fernando, ao penetrar nessa câmara
minuciosamente os objetos colocados em cima Aurélia Camargo e Fernando Seixas, quando nupcial, esqueceu um momento a pungente
da mesa de mármore; lavores de marfim, vasos este põe em questão valores e comporta- recordação que ela devia avivar, e que parecia
e grupos de porcelana fosca, taças de cristal mentos que o encaminharam para o “cata- ter-se apagado com a escuridão. O que ele
lapidado, joias do mais apurado gosto. clismo que o submergira”. sentiu foi a fragrância que ali recendia, e que o
À proporção que se absorvia nesse exame, Resposta: B envolveu como a atmosfera de um céu do qual
ia como ressurgindo à sua existência anterior, a ele era o anjo decaído.
que vivera até o momento do cataclismo que o B (FATEC-SP – MODELO ENEM) – A depre- (ALENCAR, José de. Senhora.
submergira. Sentia-se renascer para esse fino e ciação do narrador quanto à atitude de Fernando São Paulo: Ática, 2000 – adaptado.)
delicado materialismo, que tinha para seu Seixas com os objetos do toucador revela-se na
espírito aristocrático tão poderosa sedução e
tão meiga voluptuosidade.
expressão C (BARRO BRANCO – MODELO ENEM) –
a) “cataclismo”. As ações da heroína, no momento em que vai
Todos esses mimos da arte pareciam-lhe b) “fino e delicado materialismo”. dar a Fernando acesso ao aposento da reunião,
estranhos e despertavam nele ignotas emo- c) “ignotas emoções”. demonstram que ela
ções; tal era o abismo que o separava do re- d) “fútil ocupação”. a) manifestava desinteresse pela conversa.
cente passado. Era com uma sofreguidão pueril e) “indefinível impulso”. b) estava no comando da situação.
que os examinava um por um, não sabendo em Resolução c) estava certa de que ele não atenderia a seu
qual se fixar. Fazia cintilar os brilhantes aos raios A única qualificação que se pode dizer deprecia- chamado.
de luz e aspirava a fragrância que se exalava dos tiva, por parte do narrador, quanto à atitude de d) estava à mercê das exigências do marido.
frascos de perfume com um inefável prazer. Fernando diante dos objetos de luxo, encontra- e) previa resistência por parte do marido.
Nessa fútil ocupação, demorou-se tempo se no adjetivo fútil (“vão, frívolo, leviano”) da Resolução
esquecido. expressão apresentada na alternativa d. Ao dizer “— Quando quiser!”, a heroína torna
Porventura sua memória, atraída pelas remi- Resposta: D explícito o fato de ser ela quem está no
niscências que suscitavam objetos idênticos a
“comando da situação” e quem autoriza a
esses, remontava o curso de sua existência e,
descendo-o, depois o trazia àquela noite fatal
Texto para os testes C e D. entrada de Fernando no aposento.
Resposta: B
em que se achava e à pungente realidade
Eram dez horas da noite. Aurélia, que se
desse momento.
havia retirado mais cedo da saleta, trocando
Recuou com um gesto de repulsão.
(José de Alencar, Senhora)
com o marido um olhar de inteligência, estava D (BARRO BRANCO – MODELO ENEM) –
nesse momento em seu toucador, sentada em Sobre o texto, pode-se afirmar que
A (FATEC-SP – MODELO ENEM) – Conside- frente à elegante escrivaninha de araribá cor- I. o recurso da adjetivação foi empregado de
rando este trecho no contexto da obra a que de-rosa, com relevos de bronze dourado a fogo. modo a contribuir na construção de certo
pertence, é correto afirmar que nele a persona- A moça trazia nessa ocasião o mesmo suspense;
gem Fernando Seixas roupão de cetim verde cerrado à cintura por um II. a heroína figura com características tipica-
a) rejeita os objetos que o cercam, porque de- cordão de fios de ouro da noite do casamento, mente românticas, tais como fragilidade,
seja conquistar posição elevada em e que desde então ela nunca mais usara. insegurança, ingenuidade;
ambientes mais refinados. Lembrara-se de vesti-lo de novo, nessa hora na III. a tensão existente entre as personagens é
b) se dá conta de que aqueles objetos, que qual a crer em seus pressentimentos iam perceptível e gira em torno de uma disputa
tanto valorizara, nesse momento eram a decidir-se afinal o seu destino, e a sua vida. matrimonial.
comprovação dos erros que praticara. A moça reclinara a fronte sobre a sua mão
c) experimenta o fascínio por objetos luxuosos direita. Estava absorta em uma profunda cisma, Está correto o que se afirma apenas em
que não são seus e decide lutar para da qual a arrancou o tímpano da pêndula a) III. b) I. c) II e III.
conseguir possuí-los. soando as horas. d) I e III. e) I e II.
d) sente renascer nele a revolta por não dispor Ergueu-se, então, e tirou da gaveta uma cha- Resolução
de meios econômicos para possuir objetos ve, atravessou a câmara nupcial e abriu O item II está errado porque a heroína se
luxuosos. afoitamente aquela porta que havia fechado onze mostra determinada, dona de si, não havendo,
e) relembra infantilmente sua existência ante- meses antes, num ímpeto de indignação e horror. portanto, nada de “fragilidade, insegurança,
rior, quando podia usufruir do luxo que agora Empurrando a porta com estrépito de modo ingenuidade” em seu perfil.
perdia, e lamenta sua situação atual. a ser ouvida no outro aposento, e prendendo o Resposta: D
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3 Sabe-se que Fernando Seixas abandona Aurélia Camargo — Aquela que te humilhou, aqui a tens abatida, no mesmo
para se tornar noivo de Adelaide Amaral, moça de situação lugar onde ultrajou-te1, nas iras de sua paixão. Aqui a tens
financeira mais bem afortunada e que, portanto, possui o dote implorando seu perdão e feliz porque te adora, como o senhor
que falta à primeira. Qual a relação que a descrição acima
de sua alma.
estabelece entre o ambiente em que a personagem vive e seu
Seixas ergueu nos braços a formosa mulher, que ajoelhara
comportamento afetivo?
RESOLUÇÃO: a seus pés; os lábios de ambos se uniam já em férvido2 beijo,
A descrição que foi feita da casa de Fernando Seixas põe em relevo quando um pensamento funesto3 perpassou4 no espírito do
o caráter da personagem, preocupado com o luxo, com a marido. (...)
consideração social, com o prestígio, o que o faz apegar-se a bens
— Não, Aurélia! Tua riqueza separou-nos para sempre.
materiais, que só um casamento financeiramente vantajoso lhe
poderia propiciar. Assim, entende-se a lógica que o fez abandonar A moça desprendeu-se dos braços do marido, correu ao
Aurélia Camargo, a quem amava, mas que era pobre, para unir-se toucador5, e trouxe um papel lacrado que entregou a Seixas.
com a rica Adelaide Amaral.
— O que é isto, Aurélia?
— Meu testamento.
Ela despedaçou o lacre e deu a ler a Seixas o papel. Era
efetivamente um testamento em que ela confessava o
imenso amor que tinha ao marido e o instituía seu universal6
herdeiro.
— Eu o escrevi logo depois do nosso casamento; pensei
que morresse naquela noite, disse Aurélia com gesto
sublime.
Seixas contemplava-a com os olhos rasos7 de lágrimas.
— Esta riqueza causa-te horror? Pois faz-me viver, meu
Fernando. É o meio de a repelires8. Se não for bastante, eu a
dissiparei9.
***
As cortinas cerraram-se, e as auras10 da noite, acariciando
o seio das flores, cantavam o hino misterioso do santo amor
conjugal.
(José de Alencar, Senhora)
4 É comum a ideia de que o homem é produto do meio. 1 – Ultrajar: ofender gravemente, insultar. 2 – Férvido: violento, impetuoso, tomado
Como o caráter de Fernando Seixas poderia comprovar tal tese? pela paixão. 3 – Funesto: sinistro, angustiante, perigoso. 4 – Perpassar: passar,
RESOLUÇÃO: atravessar. 5 – Toucador: mesa ou quarto que serve a quem se penteia ou se
A tese de que o homem é produto do meio poderia ser compro- arruma. 6 – Herdeiro universal: pessoa a quem se destina toda uma herança.
vada com o exemplo de Fernando Seixas, que é materialista 7 – Raso: cheio (de líquido). 8 – Repelir: empurrar para longe. 9 – Dissipar: fazer
porque vive num ambiente como o descrito no livro, que valoriza desaparecer. 10 – Aura: vento suave, brisa.
a riqueza e as aparências.
5 (MODELO ENEM) – Com base na leitura do texto e nas
características do romance Senhora (1875), de José de Alencar,
é correto o que se afirma em todas as seguintes alternativas,
exceto:
a) O autor cria um perfil feminino forte e idealizado.
b) Retratam-se costumes sociais urbanos do Segundo Império.
c) Os gestos e o discurso dramático das personagens atendem
ao gosto romântico.
d) O amor é o elemento que salva tanto Aurélia de seu rancor
quanto Fernando Seixas de seu materialismo.
e) No final, Aurélia usa mais uma vez sua riqueza para con-
quistar Fernando, o que, curiosamente, pode pôr em dúvida
Aurélia Camargo, após ter recebido uma herança, mas ainda o resgate moral das personagens.
dominada pela mistura de rancor e desejo de vingança, oferece RESOLUÇÃO:
a seu ex-noivo, Fernando Seixas, um dote substancioso, O que, de fato, ocorre no final de Senhora é o resgate do amor,
casando-se, assim, com ele. Sentindo-se dona (ou senhora) de com o consequente happy end que caracteriza o romance
seu marido, passa a humilhá-lo durante onze meses, até que romântico convencional.
Resposta: E
este obtém dinheiro suficiente para devolver o que havia
recebido da esposa, não tendo, portanto, mais nenhuma
obrigação com ela. Decide, pois, pela separação. O trecho a
seguir é o final do romance.
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? Saiba mais
Além de romances indianistas (Ubirajara, O Gua- Nos romances regionalistas (O Gaúcho, O Tronco
rani e Iracema) e urbanos (Cinco Minutos, A Viuvinha, do Ipê, Til, O Sertanejo), encontra-se um dos aspec-
Lucíola, Diva, A Pata da Gazela, Senhora, entre ou- tos mais admiráveis do autor, pois ele nos dá um
tros), José de Alencar também escreveu romances painel das principais regiões culturais do País — a
históricos e regionalistas. região sulina, com seus pampas e suas coxilhas (O
Nos romances históricos (As Minas de Prata, A Gaúcho), a vida rural fluminense (O Tronco do Ipê), o
Guerra dos Mascates, O Garatuja, Alfarrábios), Alen- planalto paulista (Til ) e o Nordeste (O Sertanejo).
car explorou o mito do tesouro escondido, a lenda das Como no caso do romance histórico, não é a reali-
riquezas inesgotáveis da nova terra descoberta, que dade, a verdade em si, que atrai o romancista, e sim
atraiu para ela ondas de imigrantes e aventureiros, as o tema que possibilite dar largas à fantasia, ao seu
lutas pela posse definitiva da terra e alargamento das estilo épico e ao desejo de lançar os fundamentos de
fronteiras. Mas o histórico é mero pretexto para a tra- uma literatura nacional.
ma novelesca, com intensa movimentação e aventu-
ras da imaginação.
Arrufos (1887), de
Belmiro de Almeida,
óleo sobre tela.
Representação de
conflito conjugal que
faz pensar em cena da
parte final de Senhora.
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