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PDF Imposto Renda e Contribuicao Social

CURSO DE CONTABILIDADE FISCAL IMPOSTO DE RENDA III
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Imposto de Renda e

Contribuição
Social - Empresas
Tributadas pelo Lucro
Leticia Figueiredo de Araujo Silva
Imposto de Renda e Contribuição
Social - Empresas Tributadas pelo
Lucro Presumido

Introdução
Neste conteúdo, trabalharemos com o regime tributário conhecido como Lucro
Presumido. Passaremos pelos conceitos, pela legislação básica, base de cálculo,
pelas alíquotas e formas de apuração e recolhimento do imposto relacionado a esse
lucro. Esse regime tributário é contestador, pois, antes de aplicarmos as alíquotas
de 15% para o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e 9% para a Contribuição
Social sobre Lucro Líquido (CSLL), é obrigatória a definição da base de cálculo para
esses dois impostos.

Esse regime tributário apresenta-se como uma opção de tributação resumida e


reservada às empresas que estejam enquadradas dentro das regras para escolher
apurar os tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins).

Objetivos da Aprendizagem
• Compreender as consequências da opção pelo Lucro Presumido na
tributação do imposto de renda de pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição
sobre lucro líquido (CSLL).
• Entender o período de apuração do tributo.
• Demonstrar o cálculo dos tributos no regime de Lucro Presumido.

2
Impacto da opção na tributação
IRPJ e CSLL
A palavra presunção vem da base de cálculo que será determinada mediante a
aplicação dos percentuais de presunção estipulados na Lei n. 9.249/1995. Nesta
legislação, temos as definições dos tipos de atividades desenvolvidas pelas
empresas e os respectivos percentuais de presunção para encontrarmos a base de
cálculo do Imposto de Renda (IR) e da CSLL. Somente depois dessa fase é possível
calcular o valor final a recolher desses dois impostos a cada trimestre.

O Lucro Presumido é aquele apurado pelas empresas com base numa presunção
por parte do Fisco do que seria seu lucro caso não houvesse a Contabilidade.

Figura 1 – Legislação IRPJ e CSLL.


Fonte: Plataforma Deduca (2020).

Apresentação dos Valores que não Devem


Integrar a Base do Lucro Presumido
Para o Lucro Presumido, serão aplicadas as mesmas alíquotas do lucro real. O IR
tem alíquota básica de 15% mais um adicional de 10% sobre o lucro que ultrapassar
R$ 20 mil/mês. A CSLL tem alíquota padrão de 9%, sendo aplicada alíquota maior
(20% até 2018, voltando a 15% em 2019) para instituições financeiras, empresas
equiparadas e seguradoras.

3
Após aplicar os percentuais definidos em lei sobre cada receita obtida no trimestre,
a empresa deverá utilizar as alíquotas normais de IR e de CSLL. O IR retido na fonte
cobrado sobre as receitas que compõem a base do Lucro Presumido poderá ser
deduzido no momento do pagamento do imposto definitivo. As empresas que
optaram pelo Lucro Presumido não podem utilizar qualquer tipo de incentivo fiscal
do IR.

Não devem integrar a base do Lucro Presumido os seguintes valores:

• receitas de participações em empresas controladas e coligadas avaliadas


pelo método de equivalência patrimonial;
• receitas de dividendos de investimentos avaliados ao custo de aquisição;
• reversões de provisões operacionais quando não representarem ingresso de
novos recursos;
• IPI, quando registrado como receita de vendas;
• ICMS Substituição Tributária, quando registrado como receita de vendas.

Os descontos incondicionais concedidos são deduzidos da receita correspondente


antes da aplicação do percentual de presunção (ver exemplo prático mais adiante).
As vendas canceladas, devolvidas ou anuladas possuirão o mesmo tratamento.

Vejamos uma empresa comercial do ramo de móveis. No primeiro trimestre de


2019, a empresa obteve receita com vendas de R$ 80.000, com desconto comercial
(concedido na nota fiscal) de R$ 2.000 e devolução de vendas no valor de R$ 1.000.
O cálculo pelo Lucro Presumido ocorre da seguinte forma:

Primeiramente, devem-se tirar da base de cálculo os descontos e as devoluções das


vendas. Sendo assim, temos:

IMPOSTO DE RENDA:

Base: 80.000 – 2.000 – 1.000 = 77.000 x 8% = 6.160,00


IR (15%) = 924,00

CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE LUCRO LÍQUIDO

BASE: 77.000 x 12% = 9.240,00


CSLL (9%) = 831,60

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Figura 2 – Cálculo do Imposto de Renda
Fonte: Plataforma Deduca (2020).

Receitas de Participações em Empresas


Controladas e Coligadas Avaliadas pelo Método
de Equivalência Patrimonial
Os princípios básicos de regulamentação para apuração da tributação das empresas
controladas e coligadas estão definidos no Decreto n. 9.580/2018, em seus artigos:

Art. 454. Para fins do disposto neste Decreto, equipara-se à condição


de controladora a pessoa jurídica domiciliada no País que detenha
participação em coligada no exterior e que, em conjunto com pessoas
físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no País ou no exterior,
consideradas a ela vinculadas, possua mais de cinquenta por cento
do capital votante da coligada no exterior (Lei n. 12.973, de 2014, art.
83,caput).
Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, será considerada
vinculada à pessoa jurídica domiciliada no País (Lei nº 12.973, de 2014,
art. 83, parágrafo único):
I - a pessoa física ou jurídica cuja participação societária no seu capital
social a caracterize como sua controladora, direta ou indireta, na forma
definida nos § 1º e § 2º do art. 243 da Lei nº 6.404, de 1976;
II - a pessoa jurídica que seja caracterizada como sua controlada, direta
ou indireta, ou coligada, na forma definida nos § 1º e § 2º do art. 243 da
Lei nº 6.404, de 1976;
III - a pessoa jurídica quando esta e a empresa domiciliada no País
estiverem sob controle societário ou administrativo comum ou quando,

5
no mínimo, dez por cento do capital social de cada uma pertencer à
mesma pessoa física ou jurídica;
IV - a pessoa física ou jurídica que seja sua associada, na forma de
consórcio ou condomínio, conforme definido na legislação brasileira, em
qualquer empreendimento;
V - a pessoa física que for parente ou afim até o terceiro grau, cônjuge
ou companheiro de quaisquer de seus conselheiros, administradores,
sócios ou acionistas controladores em participação direta ou indireta; e
VI - a pessoa jurídica residente ou domiciliada em país com tributação
favorecida ou beneficiária de regime fiscal privilegiado, conforme
dispõem os art. 254 e art. 255, desde que não comprove que seus
controladores não estejam enquadrados no inciso I ao inciso V.
Art. 456. Para fins de apuração do imposto sobre a renda devido pela
controladora no País, poderá ser deduzida da parcela do lucro da pessoa
jurídica controlada, direta ou indireta, domiciliada no exterior, a parcela do
lucro oriunda de participações destas em pessoas jurídicas controladas
ou coligadas domiciliadas no País (Lei nº 12.973, de 2014, art. 85).
Art. 457. Poderão ser deduzidos do lucro real os valores referentes às
adições espontaneamente efetuadas, decorrentes da aplicação das
regras previstas no art. 238 ao art. 252, desde que os lucros auferidos
no exterior tenham sido considerados na respectiva base de cálculo do
imposto sobre a renda da pessoa jurídica controladora domiciliada no
País ou a ela equiparada, nos termos estabelecidos no art. 454 e cujo
imposto sobre a renda correspondentes, em qualquer hipótese, tenham
sido recolhidos (Lei nº 12.973, de 2014, art. 86,caput).
§ 1º A dedução de que trata o caput (Lei nº 12.973, de 2014, art. 86, §
1º):
I - deve referir-se a operações efetuadas com a respectiva controlada,
direta ou indireta, da qual o lucro seja proveniente;
II - deve ser proporcional à participação na controlada no exterior; III -
deve estar limitada ao valor do lucro auferido pela controlada no exterior;
e
IV - deve ser limitada ao imposto sobre a renda devido no País em razão
dos ajustes previstos no caput.
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se à hipótese prevista no art. 453 (Lei
nº 12.973, de 2014, art. 86, § 2º).
Art. 458. A pessoa jurídica poderá deduzir, na proporção de sua
participação, o imposto sobre a renda pago no exterior pela controlada,
direta ou indireta, incidente sobre as parcelas positivas computadas na
determinação do lucro real da controladora no País, até o limite imposto
sobre a renda incidente no País sobre as referidas parcelas (Lei nº
12.973, de 2014, art. 87,caput):

6
§ 1º Para fins do disposto no caput, considera-se imposto sobre a renda
o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação
oficial adotada, do fato de ser este de competência de unidade da
federação do país de origem e de o pagamento ser exigido em dinheiro
ou outros bens, desde que comprovado por documento oficial emitido
pela administração tributária estrangeira, inclusive quanto ao imposto
retido na fonte sobre o lucro distribuído para a controladora brasileira
(Lei nº 12.973, de 2014, art. 87, § 1º).
§ 2º Na hipótese de consolidação, deverá ser considerado, para fins da
dedução prevista no caput, o imposto sobre a renda pago pelas pessoas
jurídicas cujos resultados positivos tiverem sido consolidados (Lei nº
12.973, de 2014, art. 87, § 2º).
§ 3º Na hipótese de não haver consolidação, a dedução de que trata
o caput será efetuada de forma individualizada por controlada, direta
ou indireta (Lei nº 12.973, de 2014, art. 87, § 3º).
4º O valor do tributo pago no exterior a ser deduzido não poderá
exceder o montante do imposto sobre a renda e adicional, devidos no
País, sobre o valor das parcelas positivas dos resultados, incluído na
apuração do lucro real (Lei nº 12.973, de 2014, art. 87, § 4º).
§ 5º O tributo pago no exterior a ser deduzido será convertido
em reais e tomará por base a taxa de câmbio da moeda
do país de origem fixada para venda pelo Banco Central do
Brasil, correspondente à data do balanço apurado ou na data
da disponibilização (Lei nº 12.973, de 2014, art. 87, § 5º).
§ 6º Caso a moeda do país de origem do tributo não tenha cotação
no País, o seu valor será convertido em dólares dos Estados Unidos da
América e, em seguida, em reais (Lei nº 12.973, de 2014, art. 87, § 6º).
§ 7º Na hipótese de os lucros da controlada, direta ou indireta,
vierem a ser tributados no exterior em momento posterior àquele em
que tiverem sido tributados pela controladora domiciliada no País,
a dedução de que trata este artigo deverá ser efetuada no balanço
correspondente ao ano-calendário em que ocorrer a tributação, ou
em ano-calendário posterior, e deverá respeitar os limites previstos
nos § 4º e § 8º (Lei nº 12.973, de 2014, art. 87, § 7º).

§ 8º Para fins de dedução do imposto sobre a renda, o documento relativo


ao imposto pago no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo
órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada brasileira no país
em que for devido o imposto (Lei nº 12.973, de 2014, art. 87, § 9º):
§ 9º Até o ano-calendário de 2022, a controladora no País poderá deduzir
até nove por cento, a título de crédito presumido sobre a renda incidente
sobre a parcela positiva computada no lucro real, observados o disposto
no § 2º e as condições previstas nos incisos I e IV do caput do art. 926,

7
relativo a investimento em pessoas jurídicas no exterior que realizem
as atividades de fabricação de bebidas, de fabricação de produtos
alimentícios e de construção de edifícios e de obras de infraestrutura,
além das demais indústrias (Lei nº 12.973, de 2014, art. 87, § 10).
§ 10. O Poder Executivo federal poderá, desde que não resulte em prejuízo
aos investimentos no País, ampliar o rol de atividades com investimento
em pessoas jurídicas no exterior de que trata o § 9º (Lei nº 12.973, de
2014, art. 87, § 11). (BRASIL, 2014).

Figura 3 – Lei nº 12.973, de 2014


Fonte: Plataforma Deduca (2020)

IPI, Quando Registrado como Receita de Vendas;


e ICMS Substituição Tributária, Quando Registrado
como Receita de Vendas
O IPI caracteriza-se como um imposto não cumulativo, ou seja, permite a dedução
do imposto pago nos períodos anteriores ao valor devido na ação presente. O
Regulamento do IPI (RIPI), em seu artigo 225, define:

A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto


relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para
ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo
período. (BRASIL, 2010).

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Para o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI), a classificação
dos créditos dá-se em cinco categorias:

• créditos básicos;
• créditos por devolução ou retorno dos produtos;
• créditos como incentivo, instituído para incentivar certas atividades e
operações, como é o caso da exportação;
• créditos de outra natureza;
• crédito presumido, para ressarcimento de contribuições sociais (PIS e
Cofins) nas exportações.

A categoria mais relevante e significativa é a dos chamados créditos básicos, que


derivam principalmente da aquisição dos insumos utilizados na produção e estão
previstos no artigo 226 do RIP.

O período de recolhimento do IPI é mensal e há períodos diferentes para alguns


produtos, como o caso do cigarro. O valor a pagar será calculado mediante a
comparação entre total de débitos de imposto decorrente das saídas de produtos no
período de apuração e o total de créditos decorrente das entradas de mercadorias
no mesmo período.

No caso dos créditos de IPI serem decorrentes das entradas de produtos vencerem,
os créditos decorrentes das saídas, o saldo com crédito em favor do pagante
transmite para o período e pode ser ressarcido com o IPI devido averiguado nesse
período.

O IPI compete à União. O §3.º desse mesmo artigo estabelece princípios fundamentais
que devem ser analisados pelo legislador infraconstitucional na elaboração das leis
de regência do IPI:

Art. 153. [...]


§3.º O imposto previsto no inciso IV:
I - será seletivo, em função da essencialidade do produto;
II - será não cumulativo, compensando-se o que for devido em cada
operação com o montante cobrado nas anteriores;
III - não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior;
IV - terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo
contribuinte do imposto, na forma da lei. (BRASIL, 2010).

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O chamado princípio da seletividade expressa que a alíquota do imposto tem
variação com a essencialidade do produto: quanto mais essencial à sociedade,
menor a alíquota, e vice-versa.

O artigo 146, III, “a”, da CF, atribui à lei complementar criar o fato gerador, a base
de cálculo e os contribuintes dos impostos, dos quais está incluído o IPI. Desta
forma, o Código Tributário Nacional (CTN) menciona que, mediante a Lei n. 5.172,
de 25 de outubro de 1966, em sua origem, uma lei ordinária alcançou eficácia de
lei complementar em elemento decisório de fato gerador dos tributos a contar da
Emenda Constitucional 01, de 1969.

O Código Tributário Nacional é uma lei ordinária que apresenta uma relação ao
Direito Material que veicula, sendo status de lei complementar. De forma prática,
isso resulta no fato de que suas condições somente podem ser alteradas por outra
lei complementar.

Três espécies de situações possibilitam a incidência do IPI:

• a saída do produto industrializado,


• o seu desembaraço aduaneiro (procedência estrangeira)
• arrematação em leilão, quando apreendido ou abandonado.

O RIPI, reforça o entendimento de que, antes de conferir rigorosamente, o fato gerador


expressa, de forma abrangente, as condições de ocorrência do IPI (RIPI, art. 2.º):

Art. 2.º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e


estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de
Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) (Lei 4.502,
de 30 de novembro de 1964, art. 1.º, e Decreto Lei 34, de 18 de novembro
de 1966, art. 1.º).
Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os
produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas
as disposições contidas nas respectivas notas complementares,
excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT"(não tributado) (Lei
10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6.º). (BRASIL, 2010).
Para compreender a forma de como será aplicada a incidência do IPI, precisamos
verificar quais estabelecimentos têm suas saídas de produtos obrigadas ao imposto.
Iniciando pelo CTN, temos (art. 51):

Art. 51. Contribuinte do imposto é:


I - o importador ou quem a lei a ele equiparar;

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II - o industrial ou quem a lei a ele equiparar;
III - o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos
contribuintes definidos no inciso anterior;
IV-o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a
leilão.
Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considera-se contribuinte
autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial,
comerciante ou arrematante. (BRASIL, 2010).
Conforme o artigo 24 do RIPI, é acrescida a inclusão das pessoas que consumirem
ou utilizarem com o intuito diferente do papel destinado à impressão de livros, jornais
e periódicos, mas que não contemplem a opção de arrematação, cuja previsão está
descrita abaixo, no inciso IV do artigo 51 do CTN:

Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte:


I - o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço
aduaneiro de produto de procedência estrangeira (Lei 4.502, de 1964,
art. 35, inciso I, alínea b); II - o industrial, em relação ao fato gerador
decorrente da saída de produto que industrializarem seu estabelecimento,
bem como quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que
praticar (Lei 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a);
III - o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador
relativo aos produtos que dele saírem, bem como quanto aos demais
fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei 4.502, de 1964,
art. 35, inciso I, alínea a); e IV - os que consumirem ou utilizarem em
outra finalidade, ou remeterem a pessoas que não sejam empresas
jornalísticas ou editoras, o papel destinado à impressão de livros, jornais
e periódicos, quando alcançado pela imunidade prevista no inciso I do
art. 18 (Lei 9.532, de 1997, art. 40).
Parágrafo único. Considera-se contribuinte autônomo qualquer
estabelecimento de importador, industrial ou comerciante, em relação
a cada fato gerador que decorra de ato que praticar (Lei 5.172, de 1966,
art. 51, parágrafo único). (BRASIL, 2010).
A designação de estabelecimento industrial é parte da informação a ser observada
dentro da esfera normativa do RIPI, pelo qual se compreenderá o fato gerador do IPI
quanto à saída de produtos, não apenas em relação ao primeiro item (estabelecimento
industrial), mas também desse último.

O artigo 8º do RIPI define que característica do estabelecimento industrial é daquele


que executa as atividades de industrialização, cujo resultado é um produto tributado,
mesmo que a alíquota seja zero ou isenta. Os estabelecimentos semelhantes ao
industrial têm, de certa forma, uma definição mais detalhada, e a norma lista todos

11
os casos que tornam a pessoa, que não tem a natureza de uma indústria, em um
estabelecimento equivalente à industrial.

Essas possibilidades comparativas estão previstas no artigo 9º e no artigo 10º do


RIPI, baseando-se, em sua maioria, em comerciantes atacadistas e, em algumas
situações, em varejistas que vendem determinados produtos, entre os quais podemos
citar os importadores que dão saída aos produtos importados, os comerciantes de
certas bebidas, de pedras preciosas etc.

Para os casos em que houver existência do ICMS, há previsão legal no artigo 3º


da LC 87/96. A parte integrante do temporal da incidência, que é o fato gerador,
está mencionada no artigo 12 nos seguintes termos: quando procedemos com as
definições constitucionais, ficou apontado que a Constituição Federal outorgou a
chamada substituição tributária, que se sucede quando à responsabilidade pelo
recolhimento do imposto, que é delegada por lei a uma terceira pessoa que não seja
o próprio contribuinte.

Os artigos 6º e 7º da LC 87/96 definem as regras gerais que devem nortear os


legisladores estaduais no estabelecimento de casos de substituição tributária:

Art. 6º. Lei estadual poderá atribuir a contribuinte do imposto oua


depositário a qualquer título a responsabilidade pelo seu pagamento,
hipótese em que assumirá a condição de substituto tributário (Redação
dada pela LCP 114, de 16 de dezembro de 2002).
§1.º A responsabilidade poderá ser atribuída em relação ao imposto
incidente sobre uma ou mais operações ou prestações, sejam
antecedentes, concomitantes ou subsequentes, inclusive ao valor
decorrente da diferença entre alíquotas interna e interestadual nas
operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor
final localizado em outro estado, que seja contribuinte do imposto.
§2.o A atribuição de responsabilidade dar-se-á em relação a mercadorias,
bens ou serviços previstos em lei de cada estado (Redação dada pela
LCP 114, de 16 de dezembro de 2002).
Art. 7.º Para efeito de exigência do imposto por substituição tributária,
inclui-se, também, como fato gerador do imposto, a entrada de
mercadoria ou bem no estabelecimento do adquirente ou em outro por
ele indicado. (BRASIL, 1996).
Com base nos instrumentos expostos, conclui-se que, nos casos em que houver
substituição tributária, sua competência ficará sob responsabilidade do legislador
estadual, sendo sua base de cálculo definida pelo artigo 8.º da LC 87/96 (somente
para fins de substituição tributária).

12
A descrição das regras básicas sobre a base de cálculo do ICMS está no artigo 13
da LC 87/96. Nos seguintes casos, a base de cálculo é:

Saída de mercadoria

O valor da operação, no caso de saída de mercadoria ou sua transmissão a


terceiro (art. 13, I);

Fornecimento de alimentos e bebidas

O valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço, no caso de


fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias (art. 13, II);

Transporte

O preço do serviço, no caso de prestação de serviços de transporte interestadual


e intermunicipal e de comunicação (art. 13, III);

Prestação de serviço

O valor da operação, no caso de fornecimento de mercadoria com prestação


de serviços não compreendido na competência tributária dos municípios (art.
13, IV, "a");

Fornecimento de mercadoria com prestação de serviço

O preço corrente da mercadoria, no caso de fornecimento de mercadoria


com prestação de serviços compreendidos na competência tributária
dos municípios e com indicação expressa de incidência de ICMS sobre a
mercadoria fornecida (art. 13, IV, “b”);

Impostos

A soma da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, do


imposto de importação, do IPI, do imposto sobre operações de câmbio (IOF)
e de quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras
(art. 13, V).

13
É importante salientar que o IPI não irá compor a base de cálculo do ICMS quando
a operação der-se entre contribuintes, quando for referente a produto sujeito à
industrialização ou à comercialização, configurando fato gerador dos dois tributos
(CF, art.155, 2.º, XI; LC 87/96, art. 13, 2.º). Isso resulta no fato de que, caso o
destinatário da mercadoria não seja contribuinte do ICMS, o valor do IPI será parte
da base de cálculo para a definição da alíquota de ICMS.

Os estados da federação são autônomos para definir o tempo de apuração do ICMS


e as alíquotas internas. Para o período de apuração, a periodicidade mensal é regra
geral; porém, pode haver casos em que serão estabelecidos períodos mais curtos
para alguns tipos de mercadorias ou atividades, como exemplo: combustíveis
ou supermercados.

A principal limitação das alíquotas internas imposta aos Estados é que ela não
seja inferior à alíquota interestadual geral. Entretanto, a assimilação das alíquotas
internas aplicáveis em cada atividade é resultante das leis estaduais fundadoras do
ICMS.

Regularmente, a alíquota dos estados está entre 17% e 19%. Os produtos mais
básicos, como a cesta básica de alimentos, cumprem uma alíquota inferior, em geral
de 12%. Os produtos considerados dispensáveis, como cigarros, bebidas alcoólicas,
veículos, entre outros, têm as alíquotas mais elevadas, normalmente não inferiores
a 25%.

Portanto, as alíquotas para as operações interestaduais são estabelecidas pelo


Senado Federal através das Resoluções 22/89 e 95/96 nos seguintes graus:

• 12%, nas operações e prestações interestaduais em geral;


• 7%, nas operações e prestações realizadas nas regiões Sul e Sudeste, destinadas
às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e ao estado do Espírito Santo;
• 4%, na prestação de transporte aéreo interestadual de passageiro, carga e
mala postal.

Aplicam-se as alíquotas internas:

• nas operações internas;


• na importação;
• na aquisição de serviços de comunicação, iniciadas no exterior;
• na licitação de mercadoria importada;
• nas operações interestaduais nas quais o destinatário não seja contribuinte
do ICMS.

14
Dessa forma, é garantido ao sujeito passivo o correto crédito do imposto
anteriormente recolhido em operações que tenham resultado da entrada de
mercadoria no estabelecimento ou do recebimento de serviços de transporte
interestadual e intermunicipal (BRASIL, 1996).

A prerrogativa de crédito está atrelada à conformidade da documentação e


à escrituração nos prazos e condições estabelecidas na legislação, e elimina
decorridos cinco anos contados da data de emissão do documento (BRASIL, 1996).

Em se tratando das declarações, os estados requerem a apresentação mensal,


abrangendo o resumo dos débitos e créditos, tendo o valor a pagar ou o saldo com
crédito a transportar. Já os municípios exigem a apresentação da declaração anual
para a verificação de apurações das porcentagens da arrecadação do ICMS.

Período de apuração e Cálculo


Compreensão da Periodicidade e Prazo de
Recolhimento (prazo trimestral)
O regime do Lucro Presumido deve ser apurado a cada trimestre com o contribuinte
podendo fazer, se assim desejar, apenas quatro pagamentos durante o ano. O
vencimento do imposto, o qual se deve no primeiro trimestre, acontece no último
dia útil do mês. Portanto, o pagante tem a escolha de parcelar em três quotas iguais
e consequentes, quitando no último dia útil dos meses de abril, maio e junho, com
juros incidentes a partir da segunda parcela.

Dependendo da situação financeira da empresa, pode representar uma vantagem


efetuar esse pagamento de forma parcelada. Entretanto, em caso de parcelamento,
nenhuma quota poderá ser inferior a R$ 1.000, não sendo possível o parcelamento
de valor total menor que R$ 2.000.

Por exemplo, suponha que o IR devido por uma empresa no primeiro trimestre de
2017 seja R$ 18.000. Nesse caso, admitindo uma taxa SELIC mensal de 1,5%, a
empresa poderá parcelar esse valor em até três vezes:

• em 30/abr., a empresa deverá recolher apenas R$ 6.000, sem acréscimos;


• em 31/maio, o recolhimento será de R$ 6.060, pois o principal será acrescido
de juros de 1%;
• em 30/jun., o recolhimento será de R$ 6.150, pois o principal seria acrescido
da taxa SELIC de maio (1,5%) mais 1% referente ao mês de junho, o que dá o
total de 2,5% de acréscimo.

15
Caso o valor a ser pago fosse de R$ 2.800, só poderia ser parcelado em duas quotas
e não em três, pois as parcelas não poderiam ser de valor menor que R$ 1.000. O
valor a pagar em abril seria R$ 1.400 e em maio de R$ 1.414.

Percebe-se o uso de 1% de juros no mês relativo ao pagamento. É o que manda a


legislação: no mês do pagamento ou da compensação, a taxa utilizada deve ser 1%.

Percentual sobre a receita


Tipo de Atividades
IRPJ CSLL

Atividade de revenda, para consumo, de combustível


derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás 1,6% 12%
natural.

Atividade de venda de mercadorias ou produtos;


transporte de cargas; atividades imobiliárias (compra,
venda, loteamento, incorporação e construção de
imóveis); serviços hospitalares; atividade rural; 8% 12%
industrialização com materiais fornecidos pelo
encomendante; outras atividades não especificadas
(exceto prestação de serviços).

Atividade de prestação de serviços de transporte,


exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual 16% 32%
previsto no caput deste artigo.

Prestação de serviços em geral, exceto a de serviços


hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia,
patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e
citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias
32% 32%
clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja
organizada sob a forma de sociedade empresária e
atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária – ANVISA.

38,4% (trinta e oito inteiros e quatro décimos por


cento), para as atividades de operação de empréstimo,
38,4% 38,4%
de financiamento e de desconto de títulos de crédito
realizadas por Empresa Simples de Crédito (ESC).

Tabela 1 – Tabela de percentuais de base de cálculo de tributos


Fonte: Elaborada pelo autor (2020).

16
Para fixarmos, vejamos o seguinte exemplo.

Uma determinada empresa tem como atividade principal a comercialização de


combustível, cuja tributação é Lucro Presumido. Em dado trimestre, foi apurada
sua receita decorrente da comercialização de combustíveis além de receita em
decorrência de ganho de capital referente à venda de bens registrados como ativo
imobilizado. As informações que foram repassadas pela contabilidade da empresa
foram:

• receita pela comercialização de combustível: R$ 220.000,00;


• receita sem ganho de capital: R$ 40.000,00.

Receita Percentual presunção Base de Cálculo

IRPJ CSLL
R$ 220.000,00 R$ 3.520,00 R$ 26.400
(1,6%) (12%)

R$ 40.000,00 Não há previsão R$ 40.000,00

Base de Cálculo Total: - R$ 69.920

Tabela 2 – Tabela de IRPJ e CSLL, na base de cálculo do Lucro Presumido


Fonte: Elaborada pelo autor (2020).

Perceba que não foi aplicado nenhum percentual de presunção sobre os ganhos de
capital, pois é considerada uma receita não operacional, portanto somada à base de
cálculo das receitas referente à atividade operacional.

O lucro presumido é oriundo do estudo feito pela equipe do governo


federal, estudando margem de lucro das empresas para diversas
atividades. Com base nos dados coletados o governo fixa um percentual
que, aplicado sobre o faturamento, fornece o lucro presumido para fins
de cálculo de CSLL e IRPJ. (SILVA, 2012, p. 223).

Manter uma base de dados confiável é uma ferramenta poderosa para avaliar a opção
ou a manutenção da tributação por Lucro Presumido, podendo ser mais vantajosa
que outras formas de apuração. Com isso, além da economia tributária alcançada,
há o aumento de competitividade da empresa.

17
Parcelamento de Encargos sobre atraso (Lei
Ordinária n° 9.430/96)
Quando o contribuinte efetuar o pagamento de tributos federais com atraso,
estará sujeito aos acréscimos legais: multa e juros. Os juros cobrados são aqueles
divulgados pelo Banco Central do Brasil, representando a taxa utilizada pela SELIC
(Central de Títulos Públicos). A incidência de juros é mensal e só ocorre a partir do
mês seguinte ao mês do vencimento.

Uma obrigação vencida no dia 20 de abril não terá cobrança de juros se o pagamento
for concluído ainda no final do mesmo mês. A computar do primeiro dia do mês
subsequente (maio), haverá incidência de juros. A porcentagem será a taxa SELIC
divulgada pelo BACEN, sendo de 1% no mês do pagamento ou da compensação.
Assim, qualquer obrigação quitada no mês seguinte ao mês do vencimento terá
juros de apenas 1%.

Admitindo que o imposto de renda seja devido no dia 30/04/2017 e o contribuinte


somente pague no dia 12/08/17, os juros serão calculados da seguinte forma:

SELIC de maio + SELIC de junho + SELIC de julho + 1% (referente ao mês


de agosto)

Não há limite máximo para a cobrança de juros, que são calculados de forma
simples, não composta. Assim, se a taxa mensal no exemplo anterior fosse 2%, os
juros cobrados seriam de 7% (2% de maio + 2% de junho + 2% de julho + 1% de
agosto). Já a multa espontânea cobrada nos atrasos de tributos federais é de 0,33%
ao dia, com limitação máxima em 20%, o que dá 60 dias de atraso (19,80%). A partir
do 61% dia, ela será fixa em 20% (art. 950 do RIR/99). A multa começa a ser cobrada
a partir do dia útil seguinte ao dia do vencimento da obrigação, contando a partir daí
todos os dias, sejam úteis ou não.

Vamos dar um exemplo. Imagine uma obrigação a vencer no dia 15/fev. (sexta-feira),
véspera de carnaval. Caso o pagamento ocorra apenas no dia 20/fev. (quarta-feira
de cinzas), a multa cobrada será de apenas 0,33%. De outra forma, se o vencimento
da mesma obrigação ocorresse dia 14/fev. (quinta-feira), sendo que o pagamento
foi feito no mesmo dia 20/fev., a multa cobrada seria de 1,98%, pois contaria no dia
15/fev. (sexta-feira), completando seis dias no dia do pagamento (quarta-feira).

18
As multas aplicadas no caso de procedimento de ofício por parte da RFB são
regulamentadas a partir do art. 957 do RIR/99. Basicamente, as multas por notificação
da autoridade fiscal são as seguintes:

• 75% nos casos da falta de pagamentos ou recolhimentos, de falta de


declaração e nos de declaração inexata, exceto em caso de fraude;
• 150% nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da
Lei n. 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas
ou criminais cabíveis.

Será concedida redução de 50% da multa de lançamento de ofício ao contribuinte


que, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (art.
961 do RIR/99). Se uma empresa parcelar o IR ou a CSLL em duas ou três quotas
e não efetuar o pagamento da segunda quota, por exemplo, a cobrança de multa
retroagirá à data original do vencimento.

Por exemplo, uma empresa apresenta IR devido de R$ 2.800 no terceiro trimestre de


2019 e efetua o parcelamento em duas quotas, iguais e sucessivas. Paga a primeira
em 31 de outubro (R$ 1.400), enquanto a segunda parcela somente é paga no dia
2 de dezembro. No caso, a segunda parcela seria de R$ 1.572,84, com a seguinte
composição:

• R$ 1.400,00 de principal;
• R$ 35,00 (considerando juros SELIC de 1,5% em novembro);
• R$ 147,84 (considerando 10,56% de multa, referente 32 dias de atraso).

O mesmo procedimento vale para o parcelamento no lucro real e, eventualmente,


nas situações de lucro arbitrado.

Apresentação do Registro contábil


do regime Lucro Presumido
Conforme o art. 225 da RIR/2018, será aplicado um percentual de 15% sobre a base
de cálculo para o recolhimento do IRPJ (Lei 9.249/95, art.15). Será o utilizado o
mesmo critério para apuração da contribuição social sobre lucro Líquido (CSLL);
porém, com uma alíquota de 9%.

Ainda de acordo com o art. 225, Lei n. 9.249/95, que dispõe sobre o adicional de IR,
o cálculo deve levar em consideração um adicional de 10% sobre a base de cálculo

19
excedente de R$ 20.000,00 mensal ou trimestralmente R$ 60.000,00, isso porque
o período de apuração das empresas que optaram pelo Lucro Presumido será
trimestral. Entretanto, para a CSLL, não haverá adicional; sua alíquota será sempre
9%, independentemente do valor apurado na sua base de cálculo.

Descrição das obrigações acessórias do regime


Vimos que, para as empresas, a alíquota a ser aplicada de IRPJ será 15% sobre o
lucro apurado (RIR/2018) durante o período. Contudo, vale destacar que empresas
optantes pelo Lucro Presumido devem determinar sua base de cálculo em
conformidade com os percentuais de presunção descritos na Lei n. 9.249/95, art.15.

As empresas optantes pelo Lucro Presumido ou arbitrado possuem o cálculo do PIS


e da Cofins baseado no método cumulativo. Isso significa dizer que é cobrado em
todas as etapas da cadeira produtiva. Para exemplificar melhor, vejamos a seguinte
situação:

Uma empresa possui sua atividade baseada em serviço de consultoria e apresentou,


no trimestre passado, receita bruta de R$ 450.000,00. Seus custos foram de R$
120.000 e as despesas somaram R$ 60.000. A empresa está enquadrada no Lucro
Presumido. Dessa forma, determinaremos o valor do IRPJ e CSLL a serem pagos ao
Fisco. O passo inicial é determinar a base de cálculo do IR:

• receita bruta: R$ 450.000,00;


• percentual de presunção sobre a atividade (Lei n. 9.249/95): 32%;
• base de cálculo: R$ 144.000,00 (450.000 x 32%).

Uma vez que determinamos a base de cálculo para o IR, faremos para a CSLL, ficando
da seguinte forma:

• receita bruta: r$ 450.000,00;


• percentual de presunção sobre a atividade (lei n° 9.249/95): 32%;
• base de cálculo: R$ 144.000,00 (450.000 x 32%).

20
Atenção
Como a empresa é prestadora de serviço de consultoria, a presunção
do lucro reflete em um percentual de 32% sobre a receita, tanto de
IR quanto de CSLL.

Agora que estabelecemos a base de cálculo, determinaremos os valores a serem


pagos de IR e CSLL:

Imposto de Renda:

R$ 144.000,00 x 15% = R$ 21.600,00


R$ 84.000 x 10% = R$ 8.400,00 (alíquota de 10% sobre o excedente na base de
cálculo do trimestre R$144.000-R$60.000).
Total a ser pago de IRPJ: R$ 30.000,00

Contribuição Social sobre Lucro Líquido:

R$ 144.000,00 x 9% = R$ 12.960,00

Vale salientar que é de suma importância a determinação da atividade empresarial,


visto que tem impacto direto na formação da base de cálculo do IR e da contribuição
social. Outro ponto que deve ser observado é em relação ao cálculo do adicional de
IR quando a empresa obtém lucro superior ao que está estabelecido em legislação
específica do imposto de renda.

Casos Práticos do Cálculo dos Tributos no Regime


Lucro Presumido
Empresas tributadas pelo Lucro Presumido obrigatoriamente devem calcular
PIS e Cofins baseado no método cumulativo. Ou seja, utilizar alíquotas de 0,65%
para PIS e 3% para Cofins, sobre a receita bruta. Para melhor entendimento, veja o
caso a seguir.

21
Uma determinada empresa contratou uma consultoria especializada em
consultoria tributária. O objetivo era avaliar os impactos tributários sobre o
resultado da empresa. As características da empresa são as seguintes:

• empresa constituída como sociedade empresarial limitada;


• atividade: venda de vestuário;
• faturamento anual previsto: R$ 2.880.000,00, sendo volume de vendas
mensal de R$ 240.000,00;
• venda direta para consumidor final com ICMS 18%;
• aquisição de mercadorias para revenda R$ 190.000,00/mês, com mercadorias
tributadas em 18% de ICMS;
• despesas mensais de R$ 20.000,00 e dentro dessas despesas é previsto
gasto de R$ 2.100,00 com brindes.

Com essas informações, a consultoria deve determinar a atividade desenvolvida,


pois isso tem impacto direto na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Além disso,
deve-se avaliar o impacto do adicional de alíquota em função do lucro ser superior
ao estabelecido em legislação do IR.

De acordo com o RIR/2018, art. 257, não há impedimento para a empresa optar pela
apuração de tributos no Lucro Presumido para obter mais vantagens tributárias.
Ainda de acordo com a Lei n. 9.249/95, art.15, as atividades comerciais e industriais
cujo objetivo seja a comercialização de produtos ou mercadorias terão percentual
de IR a uma alíquota de 8% e de contribuição social de 12%. Dessa forma, temos
o seguinte:

• receita bruta (r$ 240.000 x 3 meses): r$ 720.000,00.

base de cálculo:

• imposto de renda (8%): r$ 720.000,00 x 8% = r$ 57.600,00;


• contribuição social (12%): r$ 720.000,00 x 12% = R$ 86.400,00.

Com a apuração da base de cálculo dos respectivos tributos com a aplicação dos
percentuais de presunção, devemos determinar o valor a recolher da seguinte forma:

IRPJ: R$ 57.600,00 x 15% = R$ 8.640,00.

CSLL: R$ 86.400 x 9% = R$ 7.776,00.

O total de tributos apurados no trimestre será de R$ 16.416,00. Como o valor ficou


abaixo dos R$ 20.000,00 mensal ou R$ 60.000,00 trimestral, não há a necessidade

22
de aplicação de adicional de imposto. Lembre-se de que o IR e a CSLL são impostos
trimestrais, ou seja, o valor dividido por três será de R$ 5.472,00.

Como a empresa é optante pelo Lucro Presumido, há a necessidade de calcular todos


os impostos incidentes sobre a atividade. Mesmo com essa opção de tributação,
a empresa está sujeita ao regime cumulativo para apurar o PIS e a Cofins. Não
podemos esquecer do ICMS. No Lucro Presumido, todos os impostos devem ser
apurados e recolhidos de forma separada.

Cálculo do PIS (Cumulativo)

Vendas mensais: R$ 240.000,00


Alíquota do PIS (0,65%): R$ 240.000,00 x 0,65% = R$ 1.560,00.

Cálculo do COFINS (Cumulativo)

Vendas mensais: R$ 240.000,00


Alíquota do COFINS (3%): R$ 240.000,00 x 3% = R$ 7.200,00.

Para o cálculo do ICMS, deve-se utilizar o método não cumulativo. Sendo assim,
deve-se apurar crédito sobre as compras e débito sobre as vendas.

Compras no mês: R$ 190.000,00

ICMS sobre compras (18%): R$ 190.000,00 x 18% = R$ 34.200,00

Vendas no mês: R$ 240.000,00

ICMS sobre vendas (18%): R$ 240.000,00 x 18% = R$ 43.200,00


ICMS a recolher: R$ 43.200,00 – 34.200,00 = R$ 9.000,00

Desta forma, o total de tributos a serem recolhidos pela empresa na tributação pelo
Lucro Presumido será de R$ 23.232,00.

23
Curiosidade
O cálculo do limite de $78 milhões para poder a empresa optar pelo
Lucro Presumido deve considerar, na composição da receita bruta,
tanto a receita tributada quanto a receita não tributada pelo IR e
CSL, podendo abater IPI, ICMS-ST e os descontos incondicionais,
devoluções e abatimentos sobre as vendas.

24
Conclusão
O Lucro Presumido é uma modalidade optativa de tributação para as empresas
cujo faturamento não tenha ultrapassado R$ 78.000.000,00 de Receita Total, no ano
calendário anterior, ou R$ 6.500.000,00 multiplicado pelos meses em atividade, no
ano calendário anterior. Existem impedimentos legais para adoção do regime do
Lucro Presumido, por exemplo, para empresas que tenham receitas oriundas do
exterior ou que recebam benefícios fiscais previstos na legislação tributária.

É importante também destacar que, na modalidade do Lucro Presumido, os impostos


que incidem sobre o faturamento mensal, tais como o PIS e a Cofins, possuem
percentuais menores, isto é, 0,65% para o PIS e 3% para a Cofins; enquanto no Lucro
Real os percentuais são maiores, de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins.

De qualquer forma, a compilação ou o ordenamento de informações de natureza


contábil e fiscal no Lucro Presumido são mais fáceis nos finais dos meses ou
períodos, um menor grau de trabalho ou atividades, até porque a Receita Federal
toma como base em suas fiscalizações principalmente os livros de saídas de
vendas de bens e serviços para concluir se os impostos estão sendo calculados e
recolhidos corretamente.

25
Referências
BRASIL. Lei n. 9.249, de 15 de dezembro de 1995. Altera a legislação do imposto de
renda das pessoas jurídicas, bem como da contribuição social sobre o lucro líquido,
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[Link]/ccivil_03/leis/[Link]. Acesso em: 20 mar. 2024.

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federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de
consulta e dá outras providências. Brasília: Congresso Nacional, 1996. Disponível
em: [Link] Acesso em: 20 mar. 2024.

BRASIL. Lei Complementar n. 87, de 13 de setembro de 1996. Dispõe sobre o


imposto dos Estados e do Distrito Federal sobre operações relativas à circulação
de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação, e dá outras providências. (LEI KANDIR). Brasília:
Congresso Nacional, 1996. Disponível em: [Link]
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BRASIL. Lei Complementar n, 123, de 14 de dezembro de 2006. Institui o Estatuto


Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte; altera dispositivos das
Leis nº 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, da Consolidação das Leis do
Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, da Lei no
10.189, de 14 de fevereiro de 2001, da Lei Complementar no 63, de 11 de janeiro de
1990; e revoga as Leis no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e 9.841, de 5 de outubro
de 1999. Brasília: Congresso Nacional, 2006. Disponível em : [Link]
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natureza. Brasília: Presidência da República, 2018. Disponível em: [Link]
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26
FABRETTI, L. C. Contabilidade tributária. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

HARADA, K. Código Tributário Nacional: Constituição Federal, Legislação tributária.


17. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012.

SILVA, L. L. da. Contabilidade geral e tributária. 7. ed. Brasília: IOB, 2012.

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