AULA
Ancilostomíase e
Estrongiloidíase
Nesta aula, os seguintes tópicos serão explorados:
1 Tópico
Morfologia, Ciclo Biológico
2 Tópico
Patogenia, Sintomatologia
3 Tópico
Profilaxia, Diagnóstico laboratorial e Tratamento
Tópico 01
Tópico 1 – Morfologia, Ciclo Biológico
A ancilostomíase é uma doença presente em todo o mundo e pode ser causada por
três espécies diferentes de helmintos, apesar de existirem mais de 100 espécies
identificadas no mundo:
1 Ancylostoma duodenale
Exercem parasitismo gastrointestinal em humanos.
2 Necator americanos
Exercem parasitismo gastrointestinal em humanos.
3 Ancylostoma ceylanicum
Tem como hospedeiros definitivos os canídeos e felídeos.
As espécies seguem uma distribuição geográfica:
• A. duodelane: países temperados, países tropicais de clima mais frio.
• N. americanus: países de clima tropical, altas temperaturas.
Porém pode haver coexistência das duas espécies em uma mesma localidade. Os
Ancilostomas pertencem:
• Classe: Nematoda
• Família: Ancylostomatidae
• Subfamílias: - Ancylostominae (dentes na margem da boca — A. duodenale e
A. ceylanicum) - Bunostominae (lâminas cortantes circundando a margem da
boca — N. americanus). O parasitismo é causado pelo verme adulto e as
larvas causam uma enfermidade denominada “larva migrans cutanea”,
também chamado popularmente de “bicho geográfico” (Rocha, 2013; Neves,
2016).
Ancilostomíase – Morfologia
As espécies são pequenos vermes que medem entre 0,5 e 1,5 cm de diâmetro com
o formato da cabeça semelhante a um gancho. Ambas as espécies possuem boca
bem definida, com dois pares de dentes pontiagudos (A. duodenale) ou duas placas
afiadas (N. americanus), que servem para agarrar às paredes intestinais da pessoa
infectada e sugar o sangue para se alimentar. Possuem um intestino simples, os
quais no macho termina em uma bolsa copuladora, e na fêmea termina no ânus.
Esses parasitos possuem órgão reprodutores simples e tubulares. O macho possui
apenas um único testículo e dois espículos finos e longos de cópula, além de uma
bolsa copuladora que se fixa na fêmea. A fêmea possui dois ovários e um órgão de
cópula. A fêmea do Necator coloca cerca de seis a onze mil ovos por dia, medindo
entre 64 e 76 μm, enquanto a da A. duodenale coloca cerca de vinte a trinta mil
com dimensões entre 56 e 60 μm (Rocha, 2013; Neves, 2016).
Conexão
Neste vídeo, temos Ancylostoma duodenale
montado em lâmina mostrando o formato de
gancho na região da cabeça e formato do
verme completo através de microscopia.
Vamos conhecer o A. duodenale e sua
morfologia?
Ancilostomíase – Ciclo Biológico
O ciclo biológico é monoxênico e é dividido em duas fases. A primeira fase ocorre
no meio externo e passa por diferentes formas: ovo, ovo embrionado, larva 1 (L1),
larva 2 (L2) e larva infectante (L3). Geralmente, a larva em L3 penetra através da
pele das pessoas que andam descalças por terrenos poluídos com fezes humanas.
Algo importante a salientar é que espécies que parasitam cães e gatos, A.
braziliensis e A. caninum, não conseguem completar sua evolução na espécie
humana, podendo invadir a pele, abrindo túneis cutâneos, permanecerem algum
tempo, porém morrem após esse período.
O ciclo tem início com a liberação das fezes do hospedeiro definitivo que em menos
de uma semana já se podem encontrar larvas L3 infectantes. Para a eclosão do ovo
são necessárias condições específicas, tais como: presença de oxigênio,
temperaturas de 25 a 28 °C e umidade relativa do ar de 90%.
A segunda fase ocorre nas formas L4, L5 e adulto. A infecção mais comum em
seres humanos é através da pele, conjuntiva e mucosas. Ao penetrarem na pele, as
larvas alcançam a corrente sanguínea e migram para o coração e pulmão onde
começam a migração traqueal e se desenvolvem a L4. Da traqueia, as larvas
migram até a boca, onde podem ser expelidas ou ingeridas. Ao serem ingeridas vão
até o intestino delgado e dão início a sua maturação até a fase adulta. Em 15 dias,
a larva se desenvolve em L5, chegando à fase adulta depois de 30 dias. No
intestino, o verme adulto inicia a cópula e começa a postura dos ovos. É importante
ressaltar que o homem pode ser infectado também por via oral, ingerindo a L3
diretamente de alimentos contaminados e água (Rocha, 2013; Neves, 2016).
Figura 1 - Ciclo da Ancilostomíase
Fonte: Rocha (2013).
Estrongiloidíase
Esta doença é transmitida pelo nematódeo do gênero Strongyloides, no entanto,
atualmente, somente duas delas são consideradas infectantes para os humanos: S.
stercoralis e S.fuelleborni.
Morfologia
O verme adulto que parasita o homem é a fêmea partenogenética, de corpo
delgado e mede cerca de 2 mm de comprimento. Já a fêmea de vida livre possui
cauda afilada e mede 1,5 mm de comprimento. Por outro lado, o macho de vida
livre possui cauda encurvada e mede 0,7 mm; a larva rabditoide mede cerca de 200
μm (Cimerman; Franco, 2011).
Ciclo Biológico
O único hospedeiro é o homem com o S. stercoralis apresentando dois tipos de
ciclo: direto e indireto. O ciclo se inicia com a fêmea partenogenética, liberando os
ovos embrionados no intestino, os quais eclodem liberando a larva rabditoide (L1),
que é eliminada para o meio exterior com as fezes. O ciclo direto começa com as
larvas rabditoides L1 eliminadas no solo. As larvas podem se desenvolver para
rabditoides (L2) e, em seguida, para filarioides (L3). O ciclo indireto começa com as
L1, se forem haploides ou diploides, se desenvolvem para machos e fêmeas de vida
livre. As larvas L3 podem penetrar na pele do homem, alcançar a corrente
sanguínea e migrar para o coração e pulmão, onde se desenvolvem em L4, sobem
pela árvore brônquica, chegando à faringe, podendo ser expectoradas ou
deglutidas.
No intestino delgado, transformam-se em fêmeas partenogenéticas com o início da
eliminação de ovos larvados entre 17 e 25 dias após a infecção. Os ovos eclodem
no intestino delgado e as larvas rabditoides são eliminadas para o ambiente junto
com as fezes. No vídeo a seguir, podemos ver os vermes adultos no microscópio
(Rocha, 2013; Neves, 2016).
Conexão
Observe, neste vídeo, a estrongiloidíase, uma
verminose causada pelo nematoide (helminto)
Strongyloides stercoralis:
O S. stercoralis apresenta dois tipos de ciclo: direto e indireto, ambos monoxênicos,
ou seja, com participação de um único hospedeiro definitivo, o homem. As larvas
filarioides (L3) resultantes de qualquer um dos ciclos penetram pela pele do
homem, caem na corrente sanguínea e chegam a um órgão específico onde se
transformam em L4 antes de alcançarem o intestino. Assinale a alternativa correta
do órgão específico citado.
a. Rins.
b. Pulmões.
c. Fígado.
d. Coração.
e. Músculo liso.
A alternativa B é a correta.
Justificativa: As larvas filarioides (L3) caem na corrente sanguínea e chegam aos
pulmões, de onde se dirigem para os alvéolos e mudam para L4, sobem pela árvore
brônquica chegando à faringe, podendo ser expectoradas ou deglutidas. Nesse
caso, passam pelo trato digestório e chegam ao intestino delgado.
Tópico 02
Patogenia, Sintomatologia
Ancilostomíase
Na ancilostomíase, a intensidade das lesões depende do número de larvas que
penetram e da sensibilidade do hospedeiro onde os sintomas e a patogenia podem
ser divididos em algumas fases:
Fase cutânea
Caracterizada por dermatite urticariforme devido à
01 penetração das larvas na pele. Podem surgir após o ato de
coçar, hiperemia, prurido, edema e infecção secundária por
contaminação bacteriana.
Fase pulmonar
02 Devido à passagem de larvas pelos pulmões, o infectado
poderá ou não apresentar sintomas como febre baixa, falta
de ar e tosse.
Fase intestinal
Durante esta fase, os sintomas mais comuns que podem
03 aparecer são: cólicas abdominais, dor epigástrica,
indisposição, diarreia sanguinolenta ou constipação,
diminuição do apetite, indigestão, náuseas, vômitos,
flatulência, geofagia e anemia.
O principal tipo de lesão causada pelo parasito Ancylostoma aparece na parede
intestinal resultante da dilaceração e sucção do sangue. Com isso, ocorrem
pequenas hemorragias residuais que ficam quando os parasitos mudam seu ponto
de fixação. A presença de anticoagulantes nas secreções orais dos parasitos tende
a facilitar a perda de sangue, o que gera a chamada anemia ancilostomótica.
Nas infestações intensas, na fase aguda, aparecem entre a 3ª e a 5ª semanas: mal-
estar abdominal na região epigástrica, anorexia, náuseas e vômitos. Pode haver
também cólicas, diarreia, febre ligeira, cansaço e emagrecimento. Nas doenças
crônicas, na maioria das vezes, o parasitismo só se manifesta como doença nas
precárias condições de vida em que se encontram as populações de áreas
endêmicas.
As crianças podem apresentar atraso
no desenvolvimento físico e mental,
além de apatia, falta de apetite,
atenção difícil e um baixo rendimento
escolar. Os principais sinais e
sintomas são palidez, desânimo,
cansaço e fraqueza (Rocha, 2013;
Neves, 2016).
Durante o desenvolvimento da doença pode ocorrer hipotensão arterial e, por isso,
ocorrem tonturas, vertigens, zumbidos nos ouvidos e manchas no campo visual,
dores musculares, sobretudo nas pernas, ao caminhar e cefaleia. Na esfera genital,
podem ocorrer amenorreia, redução da libido e impotência. Por fim, aparecem
palpitações, sopros cardíacos, falta de ar aos esforços e insuficiência cardíaca
congestiva.
FATOS
FATOS
DADOS
Vamos nos aprofundar um pouco mais no tema anemia ancilostomótica?
No artigo científico a seguir, podemos ler sobre um estudo científico com 17
casos de ancilostomose e aprender mais sobre a fisiopatologia da anemia
ancilostomótica!
A quantidade de sangue perdida durante o processo da anemia é diretamente
proporcional à carga parasitária. Até 50 ovos por grama de fezes se considera uma
carga parasitária baixa, não ocorrendo sintomas. Quando a carga parasitária fica
entre 51 a 100 por grama de fezes, é considerada média, e os sintomas aparecem
de forma branda. A carga parasitária acima de 100 por grama de fezes é
considerada alta, podendo causar anemia grave.
A quantidade de sangue perdido pelo hospedeiro infectado por A. duodenale é de
0,05 a 0,3 ml sangue por dia e por verme! A quantidade de sangue ingerida por N.
americanus é de 0,01 a 0,04 ml por dia e por verme! Devido ao hematofagismo e
também ao sangramento das úlceras, somente parte do sangue perdido é
reabsorvido pela mucosa intestinal. A anemia, se associada a algum possível grau
de desnutrição, anterior ao parasitismo, poderá causar prejuízo no
desenvolvimento físico e mental das crianças (Rocha, 2013; Neves, 2016).
Estrongiloidíase
A patogenia na estrongiloidíase depende da carga parasitária, estado nutricional e
resposta imune do parasitado. Indivíduos portadores de pequeno número de
parasitos no intestino, geralmente, são assintomáticos. As principais alterações na
estrongiloidíase são devido à ação traumática, mecânica, irritativa e tóxica
decorrente não só das fêmeas, mas também das larvas e dos ovos. Estas ações
podem ser estudadas segundo suas localizações na pele, nos pulmões e no
intestino no hospedeiro humano, como podemos estudar a seguir:
A fase cutânea, em geral, é discreta, ocorrendo nos pontos de
1 penetração das larvas infectantes podendo ocorrer dermatite.
Nos casos de reinfecção, há reação de hipersensibilidade com
formação de edema, eritrema, prurido, pápulas hemorrágicas
e urticárias.
A fase pulmonar apresenta intensidade variável
caracterizada por tosse ou sem expectoração e infiltrado
2 inflamatório. Pode ocorrer possível quadro de pneumonia
com febre e falta de ar. As crises asmatiformes podem
decorrer das larvas filarioides que aí podem atingir a
maturidade, produzindo ovos e larvas rabditoides.
Na fase intestinal as fêmeas se localizam, principalmente, na
mucosa do duodeno e jejuno com o objetivo de se fixar ou se
alimentar. A presença das fêmeas partenogenéticas e das
larvas eliminadas causa lesões na mucosa do intestino com
formação de infiltrado inflamatório mononuclear. A presença
das fêmeas pode causar a enterite catarral, onde os parasitos
são visualizados nas criptas glandulares e ocorre uma reação
inflamatória leve; enterite edematosa onde os parasitos são
3 visualizados em todas as túnicas da parede intestinal com
reação inflamatória e edema caracterizado por síndrome de
má absorção intestinal; enterite ulcerosa onde os parasitos
em grande quantidade provocam inflamação com eosinofilia
intensa; ulcerações, com invasão bacteriana, com fibrose
determinando rigidez da mucosa intestinal. Este tipo de lesão
é irreversível e grave, já que a fibrose pode causar alterações
no peristaltismo, ocasionando íleo paralítico. Os sintomas
mais comuns vão desde dor epigástrica antes das refeições,
que melhora com a alimentação e piora com o excesso;
diarreia em surtos; náuseas e vômitos.
O paciente com estrongiloidíase crônica pode apresentar também outros sintomas,
tais como anemia, eosinofilia, sudorese, incontinência urinária, palpitações,
tonturas, alterações no eletrocardiograma, astenia, irritabilidade, depressão,
insônia e emagrecimento ou manifestações incomuns, como ascite, perfuração
intestinal e artrites (Neves, 2016).
FATOS
DADOS
Vamos ler um estudo de caso para trazer todos os estudantes para a prática
clínica? O autor descreve um caso de estrongiloidíase grave com síndrome de
má absorção, alterações “tubuliformes” das alças jejunais, com presença de
numerosas larvas rabditoides nas fezes e filarioides de Strongyloides
stercoralis, o qual curou-se do ponto de vista clínico, laboratorial e radiológico,
após tratamento específico com Thiabendazole.
A patogenia na estrongiloidíase depende da carga parasitária, estado nutricional e
resposta imune do parasitado. As principais alterações na estrongiloidíase são
devido a ação traumática, mecânica, irritativa e tóxica, decorrente não só das
fêmeas, mas também das larvas e dos ovos. Assinale a alternativa correta das
principais alterações na estrongiloidíase segundo sua localização no organismo.
a. Edema, eritrema, prurido, pápulas hemorrágicas e urticárias na fase cutânea.
Pneumonia com febre e falta de ar na fase pulmonar e enterite catarral,
enterite edematosa, enterite ulcerosa na fase intestinal.
b. Manchas brancas na fase cutânea. Pneumonia com febre e falta de ar na fase
pulmonar e enterite catarral, enterite edematosa, enterite ulcerosa na fase
intestinal.
c. Edema, eritrema, prurido, pápulas hemorrágicas e urticárias na fase cutânea.
Bronquite na fase pulmonar e enterite catarral, enterite edematosa, enterite
ulcerosa na fase intestinal.
d. Edema, eritrema, prurido, pápulas hemorrágicas e urticárias na fase cutânea.
Pneumonia com febre e falta de ar na fase pulmonar e somente diarreia na
fase intestinal.
e. Edema, eritrema, prurido, pápulas hemorrágicas e urticárias na fase cutânea.
Pneumonia com febre e falta de ar na fase pulmonar e somente enterite
ulcerosa na fase intestinal.
A alternativa A é a correta.
Justificativa: Na fase cutânea há reação de hipersensibilidade com formação de
edema, eritrema, prurido, pápulas hemorrágicas e urticárias. A fase pulmonar
apresenta intensidade variável caracterizada por tosse ou sem expectoração e
infiltrado inflamatório. Pode ocorrer possível quadro de pneumonia com febre e
falta de ar. Na fase intestinal, a presença das fêmeas partenogenéticas e das larvas
eliminadas causam lesões na mucosa do intestino com formação de infiltrado
inflamatório mononuclear. A presença das fêmeas pode causar a enterite catarral,
enterite edematosa e enterite ulcerosa.
Tópico 03
Profilaxia, Diagnóstico laboratorial e Tratamento
Ancilostomíase
A prevenção da Ancilostomíase está condicionada às limitações sociais e
econômicas, onde grande parte da população se mantém em precárias ou
péssimas condições humanas de educação, nutrição, sanitária, saúde, habitação,
trabalho e salário. Para a prevenção e controle da doença, algumas medidas são
necessárias.
As medidas de profilaxia da Ancilostomíase em áreas endêmicas são:
01 Engenharia sanitária (saneamento básico).
02 Educação sanitária.
03 Suplementação alimentar de ferro e proteínas.
04 Dar destino seguro às fezes humanas.
05 Lavar sempre as mãos antes das refeições.
06 Lavar os alimentos que são consumidos crus.
07 Beber água filtrada ou fervida.
Usar calçados e luvas ao frequentar locais ou manipular
08 objetos contaminados.
09 Aplicar anti-helmíntico nos pacientes.
O diagnóstico das ancilostomíase é feito pelo exame parasitológico de fezes
empregando o método de sedimentação por gravidade para pesquisa de ovos ou
larvas e pelo método de Baermann-Moraes, específico para pesquisa de larvas.
Usando microscopia comum, não é possível diferenciar os gêneros, mas os ovos e
as larvas são indistinguíveis morfologicamente à microscopia (Neves, 2016).
Conexão
Vamos aprender, na prática, o método de
Baermann-Moraes?
O tratamento da doença utiliza de vários anti-helmínticos ou vermífugos de amplo
espectro, capazes de matar diferentes espécies de helmintos, os quais são
eliminados nas fezes de hospedeiros. O tratamento mais indicado atualmente são
vermífugos à base de pirimidinas (pamoato de pirantel) e de benzimidazóis
(mebendazol e albendazol). O pamoato de pirantel mata os parasitos, por meio de
bloqueio neuromuscular, provocando paralisia muscular, enquanto o mebendazol e
o albendazol destroem os microtúbulos de diferentes células do tegumento e do
intestino do parasito. Nos casos de anemia, é preciso associar dieta rica em ferro,
e, quando o grau for elevado, pode ser necessária uma suplementação com sulfato
ferroso (Rocha, 2013).
Estrongiloidíase
A profilaxia é feita para minimizar a ocorrência do complexo ciclo de transmissão.
Com isso, é necessário a criação de programas de controle adotando medidas de
hábitos higiênicos, principalmente a lavagem adequada dos alimentos, utilização de
calçados, educação e engenharia sanitária, além da melhoria da alimentação.
O diagnóstico clínico é difícil para esta parasitose, uma vez que em
aproximadamente 50% dos casos não há sintomas; quando estes existem,
são comuns em outras helmintíases intestinais.
O clássico sintoma de diarreia, dor abdominal e urticária é sugestiva e a eosinofilia
e os achados radiográficos e sorológicos podem auxiliar na suspeita diagnóstica
(Rocha, 2013; Neves, 2016). O diagnóstico diferencial é complicado, requerendo
vários métodos laboratoriais, conforme indicado a seguir:
Métodos Parasitológicos ou Diretos
A confirmação parasitológica da
presença da infecção pode ser
dificultada pela carga parasitária
baixa, além da liberação de larvas nas
fezes ser mínima e irregular na
infecção moderada. Nessas
circunstâncias, há a necessidade de
execução de métodos específicos para
pesquisa de larvas que, mesmo
analisando repetidas amostras de
fezes ou de outros espécimes,
apresentam baixa sensibilidade.
Resultados parasitológicos negativos
podem não indicar ausência de
infecção (Rocha, 2013; Neves, 2016).
Exame de Fezes
Pesquisa de larvas, em fezes sem conservantes, pelos métodos de Baermann-
Moraes e de Rugai. Estes métodos necessitam de três a cinco amostras de fezes,
colhidas em dias alternados, para confirmação da presença de larvas rabditoides.
Ocasionalmente, podem ser visualizadas larvas filarioides. A identificação
morfológica correta das larvas é fundamental devido à semelhança com a dos
ancilostomídeos. Tem sido demonstrado que uma única amostra de fezes possui
uma falha em detectar larvas em até 70% dos casos. Repetidos exames de fezes
aumentam a chance de encontrar os parasitos, elevando a sensibilidade para 50%,
com três amostras é aproximadamente para 100% com sete amostras fecais
seriadas (Rocha, 2013; Neves, 2016).
Esfregaços Citológicos
Realizados em esfregaços obtidos de aspirado gástrico e cervicovaginal, corados
pela técnica de Papanicolaou ou por outras colorações citológicas (Rocha, 2013;
Neves, 2016).
Métodos Indiretos
Os métodos indiretos são realizados para auxiliar no diagnóstico, contribuindo para
esclarecimento em casos de suspeita clínica. Os métodos indiretos podem ser
citados a seguir:
Hemograma: Na fase aguda da doença, a taxa de eosinófilos pode ser elevada até
82%; entretanto, diminui na fase crônica, desaparecendo nos casos de evolução
grave. Após seis meses do tratamento específico, a contagem de eosinófilos volta a
níveis normais (1% a 3%) (Rocha, 2013; Neves, 2016).
Diagnóstico por Imagem: No caso de diagnóstico de imagem, os exames mais
usados são o Raios X de tórax para demonstrar a aceleração do trânsito intestinal,
ou imagem de tubo rígido nos casos graves. Ultrassonografia e tomografia
computadorizada também podem ser utilizadas (Rocha, 2013; Neves, 2016).
Métodos Imunológicos: Estes métodos são úteis nas formas assintomáticas e no
esclarecimento do diagnóstico clínico. A maior limitação encontrada nesses testes
é a dificuldade de se obter quantidades suficientes de larvas filarioides de S.
stercoralis na amostra e reação cruzada com outras parasitoses. Podem ser usados
os testes de ELISA e de Western blotting para detecção de IgG específica (Rocha,
2013; Neves, 2016).
O tratamento é realizado com benzimidazólicos (tiabendazol, cambendazol e
albendazol) e a ivermectina. O mebendazol, em doses eficazes para outros
parasitos, não atua sobre S. stercoralis.
FATOS
DADOS
Você sabe o que é Estrongiloidíase disseminada?
A estrongiloidíase disseminada é uma entidade clínica relacionada a estados
de imunossupressão como os que ocorrem na síndrome da imunodeficiência
aguda, neoplasias hematológicas e nos tratamentos imunossupressores. No
artigo a seguir, vamos nos aprofundar no tema de Estrongiloidíase
Disseminada: Diagnóstico e Tratamento. Confira!
Mudanças significativas na epidemiologia das infecções oportunistas ocorreram nas
últimas décadas. Mudanças no cenário epidemiológico fazem com que infecções
incomuns tenham sua incidência aumentada e este fato se acompanha de
apresentações mais graves, ocorrendo inúmeras dificuldades diagnósticas e
terapêuticas. Uma delas é o caso da Estrongiloidíase disseminada. Assinale a
alternativa correta sobre a Estrongiloidíase disseminada.
a. É uma entidade clínica relacionada a estados de deficiência renal.
b. É uma entidade clínica relacionada a estados de problemas cardíacos.
c. É uma entidade clínica relacionada a estados de imunossupressão.
d. É uma entidade clínica relacionada a estados de depressão.
e. É uma entidade clínica relacionada a estados gerais de neoplasias.
A alternativa C é a correta.
Justificativa: A Estrongiloidíase disseminada é uma entidade clínica relacionada a
estados de imunossupressão, como os que ocorrem na síndrome da
imunodeficiência aguda, neoplasias hematológicas e nos tratamentos
imunossupressores.