INTRODUÇÃO
Laboratório de Bioquímica é um espaço especializado onde são realizados
estudos e análises relacionadas às substâncias químicas que compõem os organismos
vivos. Esses laboratórios são essenciais para a pesquisa em áreas como farmacologia,
genética, microbiologia e biotecnologia.
Equipados com tecnologia avançada, eles possibilitam a realização de
experimentos que ajudam a entender processos biológicos fundamentais, contribuindo
para o desenvolvimento de novos medicamentos e tratamentos.
DESENVOLVIMENTO
Os Laboratórios de Bioquímica utilizam uma variedade de equipamentos para realizar
suas análises. Entre os mais comuns estão os espectrofotômetros, que medem a absorção
de luz por substâncias; os cromatógrafos, que separam componentes de misturas; e os
centrífugas, que separam líquidos de diferentes densidades. Além disso, pipetas,
balanças analíticas e incubadoras são ferramentas indispensáveis para garantir a
precisão e a confiabilidade dos resultados obtidos nas pesquisas.
Os exames bioquímicos são uma ferramenta essencial para a avaliação da saúde e
diagnóstico de diversas doenças. Esses exames envolvem a análise de substâncias
presentes no sangue, urina, fezes e outros fluidos corporais, fornecendo informações
importantes sobre o funcionamento dos órgãos e sistemas do nosso corpo. Dentre os
quais podemos destacar os mais frequentes que são:
1. CREATININA
A creatinina é um produto da degradação da creatina, que ocorre no músculo e é filtrada
pelos rins. O exame de creatinina sérica ou plasmática mede os níveis dessa substância
no sangue e é utilizado para avaliar a função renal. Níveis elevados de creatinina podem
indicar disfunção renal, enquanto níveis baixos podem ser observados em algumas
condições clínicas, como em indivíduos com baixa massa muscular.
2. Equipamentos e Materiais Necessários
Equipamentos:
Espectrofotômetro ou analisador automático (dependendo da
metodologia escolhida)
Micropipetas (de 10-1000 µL)
Centrífuga (se necessário)
Banho-maria (para reações que exigem aquecimento)
Materiais:
Tubos de ensaio ou frascos de coleta
Pipetas volumétricas e micropipetas
Reagentes para o teste de creatinina (ex: método de Jaffe, método
enzimático, etc.)
Água destilada ou deionizada
Luvas e outros Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)
3. Coleta de Amostra
3.1. Amostra de Sangue
Tipo de amostra: Sangue venoso (geralmente retirado de uma veia do
antebraço).
Volume: 2 a 5 mL de sangue.
Método de Coleta: Coletar a amostra utilizando técnica asséptica, com a
utilização de agulha e seringa ou dispositivo de coleta a vácuo. A coleta deve ser
feita preferencialmente em jejum de 8 a 12 horas, mas não é um requisito
absoluto.
Armazenamento: Se não for possível realizar a análise imediatamente, a
amostra pode ser armazenada em geladeira (2-8°C) por até 24 horas, mas não
deve ser congelada.
3.2. Amostra de Urina (se aplicável)
Coleta: Para o exame de creatinina urinária, coletar uma amostra de urina de 24
horas, ou uma amostra aleatória, conforme solicitado.
Armazenamento: As amostras de urina devem ser armazenadas em frascos
adequados à temperatura ambiente ou refrigerados, dependendo do tipo de teste
solicitado.
4. Métodos utilizados
1. Método de Jaffe (Reação com ácido pícrico)
2. Método Enzimático (Creatinina Química)
5. Procedimento Analítico
5.1. Método de Jaffe (Reação com Ácido Pícrico)
1. Preparação da amostra: Centrifugar a amostra de sangue (se necessário) e
transferir o soro ou plasma para tubos limpos.
2. Reação:
o Adicionar a solução de ácido pícrico à amostra de soro ou plasma.
o Incubar por um tempo especificado (geralmente 10-15 minutos) a
temperatura ambiente ou em banho-maria, conforme o protocolo.
3. Medida da Absorbância:
o Após o tempo de reação, medir a absorbância da solução no
espectrofotômetro a 520 nm.
o Comparar a absorbância da amostra com a curva de calibração para
determinar a concentração de creatinina.
5.2. Método Enzimático
1. Preparação da amostra: Centrifugar e preparar a amostra da mesma forma que
no método de Jaffe.
2. Reação:
oAdicionar o reagente enzimático (contendo creatininase) à amostra.
oIncubar a reação em temperatura controlada (geralmente 37°C), por
tempo determinado (geralmente de 10 a 15 minutos).
3. Medida da Absorbância:
o Medir a absorbância a 340 nm ou outro comprimento de onda específico,
conforme o protocolo.
o A leitura será comparada com uma curva de calibração para determinar a
concentração de creatinina.
6. Cálculo e Interpretação dos Resultados
Cálculo: A concentração de creatinina na amostra é determinada pela equação
da curva de calibração, que relaciona a absorbância medida com a concentração
conhecida de creatinina em amostras padrão.
Unidade: Os resultados geralmente são expressos em mg/dL (miligrama por
decilitro).
Intervalo de Referência:
o Homens: 0,6 - 1,2 mg/dL
o Mulheres: 0,5 - 1,1 mg/dL
o Valores alterados: Valores elevados podem indicar insuficiência renal,
desidratação ou outras condições patológicas. Valores abaixo do normal
podem estar associados à perda muscular ou a algumas condições
metabólicas.
2. UREIA
A ureia é um composto nitrogenado produzido no fígado através do ciclo da ureia e
excretado pelos rins. Sua concentração no sangue pode ser um indicador importante de
doenças renais, desidratação e distúrbios metabólicos.
O exame de ureia pode ser realizado no soro ou plasma e é comumente utilizado para
monitorar a função renal e avaliar o equilíbrio do nitrogênio no organismo.
2. Equipamentos e Materiais Necessários
Equipamentos:
o Espectrofotômetro ou analisador automático de bioquímica.
o Centrífuga (se necessário).
o Pipetas automáticas (10-1000 µL).
o Banho-maria (se necessário).
Materiais:
o Tubos de ensaio ou frascos de coleta.
o Pipetas volumétricas e micropipetas.
o Reagentes para o teste de ureia (ex: método colorimétrico, método
enzimático, método de urease, etc.).
o Água destilada ou deionizada.
o Luvas e outros Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
3. Coleta de Amostra
3.1. Amostra de Sangue
Tipo de amostra: Sangue venoso (geralmente retirado de uma veia do
antebraço).
Volume: Aproximadamente 2 a 5 mL de sangue.
Método de Coleta: A coleta deve ser feita utilizando técnica asséptica com
agulha e seringa ou dispositivos de coleta a vácuo. A amostra pode ser coletada
em jejum de 8 a 12 horas, mas este não é um requisito absoluto.
Armazenamento: Se não for possível realizar a análise imediatamente, a
amostra pode ser armazenada em geladeira (2-8°C) por até 24 horas, mas não
deve ser congelada.
3.2. Amostra de Urina (Se for solicitado exame de ureia urinária)
Tipo de amostra: Urina de 24 horas ou urina aleatória.
Volume: De acordo com o tipo de exame solicitado (normalmente de 30 a 50
mL para amostras aleatórias, ou coleta completa para urina de 24h).
Armazenamento: A amostra de urina deve ser armazenada em frasco limpo,
fechado, e refrigerada até a análise.
4. Métodos utilizados
1. Método Colorimétrico (Método de Diacetilmonoxima )
2. Método Enzimático (Urease)
5. Procedimento Analítico
5.1. Método Colorimétrico (Diacetilmonoxima)
1. Preparação da amostra: Centrifugar a amostra de sangue (se necessário) para
separar o soro ou plasma.
2. Reação:
o Adicionar a solução de diacetilmonoxima à amostra de soro ou plasma.
o Incubar por 10-15 minutos a temperatura ambiente ou conforme o
protocolo.
o A reação forma um complexo colorido.
3. Medida da Absorbância:
o Medir a absorbância a 480 nm usando espectrofotômetro ou analisador
automático.
o Comparar a absorbância da amostra com a curva de calibração para
determinar a concentração de ureia.
5.2. Método Enzimático (Urease)
1. Preparação da amostra: Centrifugar a amostra de sangue e separar o soro ou
plasma.
2. Reação:
o Adicionar a urease à amostra de soro ou plasma.
o Deixar a reação ocorrer por 10 a 15 minutos a 37°C, para que a ureia seja
hidrolisada em amônio.
o Em seguida, adicionar o reagente colorimétrico (salicilato ou outro
indicado no protocolo).
o Incubar por mais alguns minutos para formação do complexo colorido.
3. Medida da Absorbância:
o Medir a absorbância a 630 nm (ou outro comprimento de onda
recomendado, dependendo do reagente).
o Determinar a concentração de ureia comparando com a curva de
calibração
6. Cálculo e Interpretação dos Resultados
Cálculo: A concentração de ureia na amostra é determinada pela comparação da
absorbância da amostra com a curva de calibração.
Unidade de Medida: Normalmente, o resultado é expresso em mg/dL
(miligrama por decilitro).
Intervalos de Referência:
o Adultos: 15 a 45 mg/dL.
o Crianças: 5 a 18 mg/dL.
o Valores elevados podem indicar insuficiência renal, desidratação, dieta
rica em proteínas ou distúrbios metabólicos.
o Valores baixos podem ocorrer em casos de dieta pobre em proteínas,
excesso de hidratação ou insuficiência hepática grave.
3.ÁCIDO ÚRICO
O ácido úrico é um produto final do metabolismo das purinas, que são componentes dos
ácidos nucleicos (DNA e RNA). Ele é excretado pelos rins e, em concentrações
elevadas no sangue (hiperuricemia), pode causar doenças como a gota (depósito de
cristais de ácido úrico nas articulações) ou formação de cálculos renais.
O exame de ácido úrico no sangue (sérico) é frequentemente utilizado para diagnosticar
ou monitorar essas condições. Também pode ser usado em conjunto com outros exames
para avaliar o funcionamento renal.
2. Equipamentos e Materiais Necessários
Equipamentos:
o Espectrofotômetro ou analisador automático de bioquímica.
o Centrífuga (se necessário).
o Pipetas automáticas (10-1000 µL).
o Banho-maria (se necessário).
Materiais:
o Tubos de ensaio ou frascos de coleta.
o Pipetas volumétricas e micropipetas.
o Reagentes para o teste de ácido úrico (ex: método colorimétrico, método
enzimático, etc.).
o Água destilada ou deionizada.
o Luvas e outros Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
3. Coleta de Amostra
3.1. Amostra de Sangue
Tipo de amostra: Sangue venoso (geralmente retirado de uma veia do
antebraço).
Volume: 2 a 5 mL de sangue.
Método de Coleta: A coleta deve ser feita utilizando técnica asséptica com
agulha e seringa ou dispositivos de coleta a vácuo. O paciente pode ser orientado
a estar em jejum de 8 a 12 horas, embora o jejum não seja obrigatório para o
exame de ácido úrico.
Armazenamento: Se não for possível realizar a análise imediatamente, a
amostra deve ser armazenada em geladeira (2-8°C) por até 24 horas, mas não
deve ser congelada.
3.2. Amostra de Urina (Se for solicitado exame de ácido úrico urinário)
Tipo de amostra: Urina de 24 horas ou amostra aleatória.
Volume: A urina de 24 horas requer o recipiente adequado para coletar toda a
urina do paciente durante 24 horas. A urina aleatória geralmente requer 30 a 50
mL de urina.
Armazenamento: A amostra de urina deve ser armazenada em recipiente limpo
e refrigerado até a análise.
4.Métodos
Método Colorimétrico (Método de Fosfato de Urato)
Método Enzimático (Urato Oxidase)
5. Procedimento Analítico
5.1. Método Colorimétrico (Fosfato de Urato)
1. Preparação da amostra: Centrifugar a amostra de sangue (se necessário) e
separar o soro ou plasma.
2. Reação:
o Adicionar o reagente de fosfato de urato à amostra de soro ou plasma.
o Deixar a reação ocorrer por um tempo especificado (geralmente 5-10
minutos), de acordo com as instruções do protocolo.
o O ácido úrico na amostra reage com o reagente para formar um
complexo colorido.
3. Medida da Absorbância:
o Medir a absorbância da solução a 520 nm (ou o comprimento de onda
especificado no protocolo).
o Comparar a absorbância da amostra com a curva de calibração para
determinar a concentração de ácido úrico.
5.2. Método Enzimático (Urato Oxidase)
1. Preparação da amostra: Centrifugar a amostra de sangue e separar o soro ou
plasma.
2. Reação:
o Adicionar a urato oxidase à amostra de soro ou plasma.
o Incubar por 10-15 minutos a 37°C para permitir a oxidação do ácido
úrico, gerando peróxido de hidrogênio.
o Adicionar o reagente colorimétrico (ex: dianisidina) para gerar uma
mudança de cor na presença de peróxido.
3. Medida da Absorbância:
o Medir a absorbância da solução a 520 nm (ou o comprimento de onda
recomendado).
o A concentração de ácido úrico é determinada pela comparação da
absorbância da amostra com a curva de calibração.
6. Cálculo e Interpretação dos Resultados
Cálculo: A concentração de ácido úrico na amostra é calculada pela comparação
da absorbância da amostra com a curva de calibração, que relaciona a
absorbância com as concentrações de ácido úrico.
Unidade de Medida: O resultado é normalmente expresso em mg/dL
(miligrama por decilitro) ou µmol/L (micromol por litro), dependendo da
metodologia.
Intervalos de Referência:
o Homens: 3,5 - 7,2 mg/dL (208 - 426 µmol/L).
o Mulheres: 2,6 - 6,0 mg/dL (154 - 356 µmol/L).
o Valores elevados podem indicar gota, insuficiência renal, desidratação,
uso excessivo de álcool, entre outros.
o Valores baixos podem ser observados em algumas condições raras,
como síndrome de Fanconi ou a utilização de certos medicamentos.
4.GGT (Gama Glutamil Transferase)
O exame de GGT (Gama Glutamil Transferase) é um teste laboratorial utilizado para
avaliar a função hepática e identificar problemas no fígado, como hepatites, cirrose,
alcoolismo ou outras doenças hepáticas. A GGT é uma enzima presente principalmente
no fígado, mas também em outros órgãos, como os rins, pâncreas e baço.
Procedimento para realizar o exame de GGT
1. Preparo do paciente:
o Jejum: Normalmente, o paciente precisa estar em jejum de 8 a 12 horas
antes do exame, para garantir que os níveis da enzima estejam não
alterados por alimentos ou bebidas.
o Evitar álcool: Como o álcool pode aumentar os níveis de GGT, é
recomendado que o paciente não ingira bebidas alcoólicas por 24 a 48
horas antes da coleta.
o Medicamentos: Alguns medicamentos podem interferir nos resultados
da GGT, por isso, é importante que o paciente informe ao médico todos
os remédios que está utilizando (como anticonvulsivantes, antibióticos,
anti-inflamatórios, etc.).
Métodos utilizados
1. Método Enzimático (ou Colorimétrico)
2. Método de Reação Com Coumárico (ou com Fluorescência)
3. Método de Imunologia (Imunoensaios)
Imunoensaio enzimático (ELISA)
Imunoensaio quimioluminescente (CLIA)
4. Método de Eletroforese
5. Método de Ressonância Magnética Nuclear (RMN)
2. Coleta de sangue:
o O exame é realizado por meio de uma coleta de sangue, geralmente da
veia do braço. O sangue é coletado em um tubo contendo um
anticoagulante.
3. Análise laboratorial:
o O sangue coletado é enviado para o laboratório, onde será processado
para medir a quantidade de GGT presente na amostra.
o O laboratório pode fornecer o resultado em algumas horas ou dias,
dependendo da sua estrutura e tecnologia.
4. Interpretação dos resultados:
o O nível de GGT no sangue pode variar de acordo com a idade, sexo e
condições de saúde do paciente. Valores elevados de GGT podem indicar
doenças hepáticas, uso excessivo de álcool ou outros problemas
relacionados ao fígado e pâncreas.
o O valor de referência para GGT pode variar conforme o laboratório, mas
geralmente fica em torno de 10 a 50 U/L para homens e 7 a 32 U/L para
mulheres. Valores mais elevados podem indicar disfunções no fígado ou
bile.
5.AST e ALT
Os exames de AST (Aspartato Aminotransferase) e ALT (Alanina Aminotransferase)
são ambos testes laboratoriais importantes para avaliar a função hepática e detectar
possíveis danos ao fígado. Embora sejam realizados com o mesmo tipo de
procedimento, cada um desses exames tem um foco específico. O exame de AST pode
ser usado para detectar lesões no fígado, coração, músculos e outros órgãos, enquanto o
ALT é mais específico para o fígado.
Aqui estão os procedimentos gerais para a realização dos exames de AST e ALT
1. Preparo para os Exames de AST e ALT:
Jejum: É recomendável que o paciente faça jejum de 8 a 12 horas antes de
realizar os exames de AST e ALT. O jejum é importante para garantir que os
resultados não sejam afetados pela ingestão de alimentos ou bebidas.
Evitar álcool: O consumo de álcool pode afetar os resultados dos exames,
portanto, é aconselhável evitar bebidas alcoólicas nas 24 horas anteriores à
coleta.
Medicamentos: Certos medicamentos podem influenciar os níveis dessas
enzimas (por exemplo, medicamentos para o colesterol, antibióticos,
analgésicos, entre outros).
Exercícios intensos: Evite atividades físicas intensas nas 24 horas antes do
exame, pois o esforço muscular excessivo pode elevar temporariamente os
níveis de AST e ALT.
2. Coleta de Amostra:
Método: O exame de AST e ALT é realizado por meio de uma amostra de
sangue, geralmente retirada de uma veia do braço.
Procedimento:
1. Um profissional de saúde irá higienizar o local de coleta com um
antisséptico (geralmente álcool).
2. Uma agulha será inserida em uma veia (geralmente no antebraço ou no
braço) para coletar a amostra de sangue.
3. Após a coleta, o local será pressionado para evitar hematomas.
3. Análise Laboratorial:
A amostra de sangue coletada será enviada ao laboratório, onde será analisada
em equipamentos específicos que medem os níveis de AST e ALT no sangue.
O resultado é geralmente expresso em unidades por litro (U/L).
4. Valores de Referência:
Os valores de referência para os exames de AST e ALT podem variar um pouco
dependendo do laboratório, mas em geral, são:
AST (Aspartato Aminotransferase):
o Homens: 10 a 40 U/L
o Mulheres: 9 a 32 U/L
ALT (Alanina Aminotransferase):
o Homens: 10 a 40 U/L
o Mulheres: 7 a 35 U/L
Esses valores podem variar um pouco dependendo do método utilizado no laboratório e
de outros fatores individuais, como a idade e a condição clínica do paciente.
5. Interpretação dos Resultados:
AST:
Valores normais indicam que não há danos significativos ao fígado ou outros
órgãos que produzem a enzima.
Valores elevados podem sugerir doenças como hepatites, cirrose, infarto do
miocárdio ou lesões musculares.
Se a AST estiver muito mais alta que a ALT, isso pode sugerir problemas no
coração ou nos músculos.
ALT:
Valores normais sugerem que não há danos no fígado.
Valores elevados são mais específicos para problemas hepáticos, como hepatite,
cirrose ou fígado gorduroso.
Quando os níveis de ALT estão elevados, isso geralmente indica algum tipo de
dano hepático, uma vez que a ALT é mais específica para o fígado do que a
AST.
6.GLICOSE
O exame de glicose é um dos testes laboratoriais mais comuns, usado para medir a
quantidade de glicose (açúcar) no sangue. Esse exame é fundamental para o diagnóstico
e acompanhamento de condições como diabetes, hipoglicemia e distúrbios metabólicos.
Dependendo do tipo de teste de glicose, o preparo e os procedimentos podem variar.
Aqui estão os procedimentos para a realização do exame de glicose:
1. Tipos de Exame de Glicose
O exame de glicose pode ser realizado de várias formas, dependendo do objetivo do
médico. Os principais tipos são:
Glicemia de jejum: Mede os níveis de glicose após um jejum de 8 a 12 horas.
Teste de tolerância à glicose (TOTG): Exame mais detalhado que mede a
resposta do organismo ao consumo de glicose, utilizado para diagnosticar
diabetes gestacional e outros distúrbios da glicose.
Glicemia pós-prandial: Mede os níveis de glicose após o consumo de uma
refeição.
Hemoglobina glicada (HbA1c): Mede a média dos níveis de glicose no sangue
nos últimos 2 a 3 meses.
Aqui, iremos descrever o procedimento para o exame de glicemia de jejum, que é o
mais comum.
2. Preparo para o Exame de Glicose (Glicemia de Jejum)
Jejum:
O paciente deve estar em jejum de 8 a 12 horas antes da coleta. Isso significa
que não se pode consumir alimentos nem bebidas (exceto água) durante esse
período.
Importante: Não se deve ingerir alimentos, bebidas açucaradas, sucos ou café
com açúcar antes do exame, pois isso pode alterar os resultados.
Medicamentos:
Alguns medicamentos, como os para o controle de pressão arterial,
corticosteróides e diuréticos, podem interferir nos resultados da glicose.
Se o médico achar necessário, ele pode orientar a suspender temporariamente
alguns medicamentos antes do exame.
Atividades físicas:
Evitar exercícios intensos nas 24 horas antes do exame. O esforço físico
excessivo pode alterar os níveis de glicose no sangue.
Alcool e tabaco:
Evitar o consumo de álcool nas 24 horas anteriores ao exame, pois pode afetar
os níveis de glicose.
Evitar fumar no período de jejum, pois o cigarro pode afetar a medição dos
níveis glicêmicos.
3. Coleta de Amostra de Sangue
1. Preparação: O profissional de saúde irá higienizar a área de coleta (geralmente
no braço) com um antisséptico (como álcool 70%).
2. Coleta: O sangue será coletado de uma veia do seu braço, usando uma agulha
esterilizada.
3. Pressão no Local: Após a coleta, o local da punção será pressionado com uma
gaze para evitar hematomas.
4. Análise Laboratorial
Métodos:
Método Enzimático (mais comum)
Método Colorimétrico
Método Polarimétrico
Método de Refração (Refratometria)
Método de Corrente Elétrica (Eletroquímico)
Método de Fluorescência
Resultado: O exame de glicose mede a concentração de glicose no sangue em unidades
de miligramas por decilitro (mg/dL) ou milimoles por litro (mmol/L).
5. Valores de Referência para Glicemia de Jejum
Os valores de glicose no sangue podem variar dependendo do laboratório, mas em geral,
os valores de referência são:
Normal: 70 a 99 mg/dL (3,9 a 5,5 mmol/L)
Pré-diabetes (glicemia de jejum alterada): 100 a 125 mg/dL (5,6 a 6,9 mmol/L)
Diabetes: 126 mg/dL (7,0 mmol/L) ou mais em dois exames distintos, com
jejum de 8 a 12 horas.
Esses valores são para pessoas em jejum. Para outros tipos de teste (como glicemia pós-
prandial ou teste de tolerância à glicose), os valores de referência serão diferentes.
6. Interpretação dos Resultados
Glicemia normal: Indica que seus níveis de glicose estão dentro da faixa
considerada saudável.
Pré-diabetes: Significa que os níveis de glicose estão mais altos que o normal,
mas ainda não são elevados o suficiente para um diagnóstico de diabetes. Isso
pode ser um sinal de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2.
Diabetes: Se os níveis de glicose estiverem acima de 126 mg/dL em jejum, o
diagnóstico de diabetes pode ser considerado. Para confirmação, pode ser
necessário realizar um segundo exame ou um teste de glicose de sobrecarga oral
(TOTG) ou um teste de hemoglobina glicada (HbA1c).
7. Exames Complementares
Se o resultado do exame de glicose indicar níveis elevados, o médico pode solicitar
exames adicionais para confirmar o diagnóstico e entender melhor o quadro clínico do
paciente. Alguns desses exames podem incluir:
Teste de Tolerância à Glicose (TOTG): Avalia como o corpo lida com uma
carga de glicose (normalmente 75g de glicose dissolvida em água).
Hemoglobina Glicada (HbA1c): Mostra a média dos níveis de glicose nos
últimos 2 a 3 meses.
Testes de urina: Para verificar a presença de glicose na urina, um sinal de que
os níveis de glicose no sangue estão muito altos.
7.COLESTEROL
O exame de colesterol é utilizado para medir os níveis de colesterol total, lipoproteínas
de baixa densidade (LDL), lipoproteínas de alta densidade (HDL) e triglicerídeos no
sangue. Esses componentes ajudam a avaliar o risco de doenças cardiovasculares, como
infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
Abaixo estão os procedimentos comuns para realizar o exame de colesterol:
1. Orientações Prévias ao Exame
Jejum: O exame de colesterol geralmente exige jejum de 12 horas antes da
coleta. Durante esse período, apenas água pode ser consumida. Isso é
importante, pois a ingestão de alimentos pode alterar os níveis de lipídios no
sangue, especialmente os triglicerídeos.
Atividade Física: Evitar atividades físicas intensas nas 24 horas que antecedem
o exame, pois o exercício pode afetar os níveis de colesterol.
Álcool: Evitar o consumo de álcool por pelo menos 24 horas antes do exame,
pois o álcool pode alterar os níveis de lipídios no sangue.
2. Procedimento de Coleta
Coleta de Sangue: O exame é realizado por meio da coleta de uma amostra de
sangue, normalmente retirada de uma veia do braço (geralmente da veia cubital,
na dobra do cotovelo). A coleta é feita por um profissional de saúde (enfermeiro
ou técnico de laboratório).
3. O Que o Exame Mede
O exame de colesterol pode medir vários tipos de lipídios:
Colesterol Total: Soma de todos os tipos de colesterol no sangue. Os níveis
elevados podem indicar risco aumentado de doenças cardiovasculares.
LDL (Lipoproteína de Baixa Densidade): Muitas vezes referido como
"colesterol ruim". Altos níveis de LDL podem levar ao acúmulo de placas nas
artérias, aumentando o risco de doenças cardíacas.
HDL (Lipoproteína de Alta Densidade): Conhecido como "colesterol bom". O
HDL ajuda a remover o excesso de colesterol das artérias, reduzindo o risco de
doenças cardíacas. Níveis mais elevados de HDL são desejáveis.
Triglicerídeos: São um tipo de gordura no sangue que também está associado
ao risco de doenças cardíacas. Altos níveis de triglicerídeos podem aumentar o
risco de aterosclerose.
4. Após a Coleta
Análise do Material: O sangue coletado é enviado para o laboratório, onde será
analisado em um equipamento específico. O resultado é geralmente liberado
entre 1 a 3 dias úteis, dependendo do laboratório.
Resultados: Os valores de colesterol são fornecidos em miligramas por decilitro
(mg/dL). O médico avaliará os resultados com base nos valores de referência
padrão e em fatores de risco específicos para cada paciente.
5.Métodos
Método Enzimático (Reação Química)
Método de Ultracentrifugação
Método de Precipitação (Método de Precipitação de
Lipoproteínas)
Método de Cálculo de Friedewald (Cálculo do LDL)
Método de Cromatografia
Espectrometria de Massa
6. Interpretação dos Resultados
Colesterol Total: Valores abaixo de 200 mg/dL são geralmente considerados
desejáveis. Entre 200 e 239 mg/dL é considerado limítrofe, e acima de 240
mg/dL é alto.
LDL (Colesterol Ruim):
o Ótimo: Menos de 100 mg/dL
o Quase ótimo/Acima do ótimo: 100-129 mg/dL
o Limítrofe elevado: 130-159 mg/dL
o Alto: 160-189 mg/dL
o Muito alto: 190 mg/dL ou mais
HDL (Colesterol Bom):
o Níveis desejáveis de HDL são superiores a 40 mg/dL para homens e 50
mg/dL para mulheres.
o Níveis abaixo desses valores podem indicar maior risco de doenças
cardíacas.
Triglicerídeos:
o Normal: Menos de 150 mg/dL
o Limítrofe elevado: 150-199 mg/dL
o Alto: 200-499 mg/dL
o Muito alto: 500 mg/dL ou mais
8. BILIRRUBINA
O exame de bilirrubina é realizado para avaliar a função hepática e investigar possíveis
problemas relacionados ao fígado, como hepatites, cirrose ou distúrbios sanguíneos,
entre outros. Esse exame mede a quantidade de bilirrubina no sangue, que é um
pigmento amarelo produzido pela degradação da hemoglobina das células vermelhas do
sangue.
Existem dois tipos principais de bilirrubina que são avaliados no exame:
1. Bilirrubina total: Soma da bilirrubina direta e indireta no sangue.
2. Bilirrubina direta (conjugada): A bilirrubina que foi processada pelo fígado e
está pronta para ser excretada.
3. Bilirrubina indireta (não conjugada): A bilirrubina ainda não processada pelo
fígado.
Aqui estão os procedimentos gerais para a realização do exame de bilirrubina:
1. Preparação para o exame
Em geral, o exame de bilirrubina não exige jejum. No entanto, alguns laboratórios
podem pedir que o paciente esteja em jejum de 4 a 8 horas antes da coleta, pois certos
alimentos ou substâncias podem interferir nos resultados.
Jejum: Se for solicitado pelo laboratório, o jejum é geralmente de 4 a 8 horas.
Medicamentos: Informar ao médico sobre qualquer medicação que se esteja
tomando, pois alguns medicamentos podem alterar os níveis de bilirrubina.
2. Coleta de sangue
A coleta é feita por punção venosa, geralmente em uma veia do braço (na região do
antebraço ou na dobra do cotovelo).
Higienização: A área da coleta é limpa com antisséptico.
Punção: O profissional de saúde utiliza uma agulha estéril para coletar o sangue
em um tubo de ensaio.
Pressão: Após a coleta, o local pode ser pressionado com um algodão para
estancar o sangue.
4. Métodos
Método de Van den Bergh (ou Reação de Van den Bergh)
Método Diazo (ou Método de Jendrassik-Grof)
Método Enzimático
Métodos Cromatográficos
Métodos de Fluorescência
5. Resultados do exame
Os resultados do exame de bilirrubina geralmente ficam prontos em algumas horas ou
um dia útil, dependendo do laboratório. Os valores de referência podem variar de
acordo com o laboratório, mas, de forma geral:
Bilirrubina total: Entre 0,3 e 1,2 mg/dL (dependendo da idade e do estado de
saúde do paciente).
Bilirrubina direta: Menor que 0,3 mg/dL.
Bilirrubina indireta: Pode ser calculada subtraindo a bilirrubina direta da total.
Valores elevados de bilirrubina podem indicar problemas no fígado, como hepatite ou
obstrução das vias biliares, ou ainda distúrbios relacionados à destruição excessiva de
glóbulos vermelhos (hemólise).
6. Interpretação dos resultados
Os resultados devem ser avaliados por um médico, que irá considerar o quadro clínico
do paciente, os resultados dos exames complementares e o histórico médico para
determinar a causa de quaisquer alterações nos níveis de bilirrubina.
Em caso de alterações, o médico poderá solicitar exames adicionais, como
ultrassonografia do fígado, tomografia, ou testes específicos de função hepática.
CONCLUSAO
Em suma o laboratório de bioquímica é ramo do laboratório clínico no qual os métodos
químicos e bioquímicos são aplicados para pesquisa de uma doença. Compreendem
mais de 1/3 de todas as investigações laboratoriais de um hospital , analisando amostras
como:
- sangue;
- urina;
- aspirado do suco gástrico;
- Líquor