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Cartilha - Brincar - e - Preciso Versão 2024

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BRINCAR

É PRECISO
UMA PROPOSTA DE CUIDADO PARA A INFÂNCIA E
A ADOLESCÊNCIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
PREFEITURA MUNICIPAL DE UBERLÂNDIA

SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE

BRINCAR
É PRECISO
UMA PROPOSTA DE CUIDADO PARA A INFÂNCIA E
A ADOLESCÊNCIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

UBERLÂNDIA-MG
JULHO 2023
IDEALIZAÇÃO
Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia (SMS)

PARCERIAS
Missão Sal da Terra (MSDT)
Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM)
Secretaria Municipal de Educação (SME)

ORGANIZAÇÃO
Atenção Especializada (SMS)
Atenção Primária (SMS)
Atendimento Educacional Especializado (AEE/SME)
Referências Técnicas (MSDT)
Campus Municipal de Atendimento à Pessoa Com Deficiência (CMAPCD/MSDT)
Centro de Atenção Psicossocial da Infância e Adolescência (CAPSij/SPDM)
Centro de Referência no Transtorno do Espectro Autista (CRTEA/MSDT)
Centro Especializado em Reabilitação (CER/SPDM)
Núcleo de Educação Permanente (SMS)
Rede de Cuidados à Pessoa Com Deficiência/Reabilitação (SMS)
Rede de Saúde Mental (SMS)
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ........................................................................................7
OBJETIVO GERAL................................................................................. 11
OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................... 11
METODOLOGIA.................................................................................... 11
CONTRIBUIÇÕES DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL.................... 13
MODELOS DE CRONOGRAMAS........................................................ 16
ORIENTAÇÕES GERAIS PARA A CONDUÇÃO DOS GRUPOS...... 21
ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO A SEREM OBSERVADOS... 21
SUGESTÕES DE ATIVIDADES.............................................................. 23
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................... 36
“Onde está o menino que fui,
segue dentro de mim ou se foi?

– Sabe que não o quis nunca


e que tampouco me queria?

– Por que andamos tanto tempo


crescendo para separar-nos?

– Por que não morremos os dois


quando minha infância morreu?

– E se minha alma tombou


por que permanece o esqueleto?”

XLIV, O Livro das Perguntas – Pablo Neruda


INTRODUÇÃO

INT RODUÇÃO
O processo saúde-doença ultrapassa o entendimento biológico, perpassando
por um processo dinâmico que inclui a determinação social, os condicionantes ecoló-
gicos/ambientais, bem como, o desencadeador biológico-emocional. Para tanto, para
intervir em saúde é preciso ir além de oferecer apenas consultas, exames, medicamen-
tos, internações e procedimentos (NASCIMENTO et al., 2011; SAUER et al., 2018).

A realização de grupos na Atenção Primária à Saúde (APS) têm por objetivo


alcançar a parcela populacional que necessita de intervenções que contemplem ações
educativas, de como lidar com determinada situação de saúde e possíveis mudanças
de hábitos. Possuem como característica importante a troca de experiências, represen-
tando um espaço onde as pessoas possam expressar sobre a vivência do adoecimento
ou condição de vida, e estratégias cotidianas, criando novas formas de superação dos
seus problemas (FURLAN; CAMPOS, 2010). Assim, a equipe multiprofissional é forma-
da por diversos profissionais, atuando em conjunto, de forma coordenada e com co-
municação efetiva, visando promover a qualidade de vida da pessoa usuária de saúde.

Segundo Carvalho et al., (2004), o atendimento ao público infantojuvenil e a


utilização de espaços lúdico-socializantes no contexto de saúde criam um ambiente
mais acolhedor para as relações de crianças/adolescentes entre si, com os pais/res-
ponsáveis e com os profissionais. Desta forma, a instrumentalização e o conhecimento
sobre o brincar são válidos para um engajamento profissional no trabalho em equipe
multiprofissional, que busca a humanização do cuidado e da instituição de saúde.

O brincar sempre esteve presente no cotidiano infantil e apesar de por muito


tempo não ter sido valorizado, atualmente pode-se dizer que é unânime a ideia de que
o ato de brincar tem uma importância fundamental para o desenvolvimento de habili-
dades na infância, na adolescência e até na vida adulta, respeitando as especificidades
de cada faixa etária. Segundo Bettlheim (1998, p. 105):

“Nenhuma criança brinca só para passar o tempo, sua escolha é


motivada por processos íntimos, desejos, problemas, ansiedades.
O que está acontecendo com a mente da criança determina suas
atividades lúdicas; brincar é sua linguagem secreta, que devemos
respeitar mesmo se não a entendemos”.

A palavra brincar vem do substantivo masculino brinco (joia); provém do latim


VINCULUM – laço. No dicionário encontramos alguns conceitos que podem nos ajudar
a definir esta palavra e aquelas que lhes são correlatas. São elas: Brincar: distração,
entretenimento, diversão, agitação, alegria, movimento, fazer-de-conta, excesso (por
exemplo, de adorno), jocosidade; Brincadeira – ato ou efeito de brincar, divertimento,
sobretudo entre crianças, brinquedo, jogo, folguedo, festa, festança; Jogar – entre-
ga ao ato de jogar, participação de modo combinado, aventurar-se, arriscar-se, inves-
tir, precipitar-se, instigar, acatar ou condizer, desempenhar, divertir-se, harmonizar-se,
brincar; Jogo – Atividade física ou mental organizada por um sistema de regras que

7
INTRODUÇÃO

define a perda ou o ganho; manha; astúcia, ardil; regras que devem ser observadas
quando se joga; Ludus – latim – jogos infantis, recreação, competições, representações
litúrgicas e jogos de azar. Provém de Ludere – não seriedade/simulacro/jocus (gracejar,
troçar) (PEREIRA, AMPARO e ALMEIDA, 2006, pág. 16).

Interessante observar que os conceitos tendem a se misturar e a adquirir um


mesmo significado mais do que uma diferenciação. Por isso, os utilizamos no texto
como sinônimos.

Do ponto de vista social ou individual, o brincar não é uma atividade secun-


dária no desenvolvimento infantil, ou seja, fornece os principais meios para as articu-
lações entre desenvolvimento pessoal e sócio-histórico. Permite uma profunda inte-
ração entre os aspectos subjetivos e os culturais, por meio de mediações simbólicas,
promovendo bases sobre as quais a criança irá adquirir e co-construir conhecimentos,
e consequente, desenvolvimento emocional, social e cognitivo (PEREIRA; AMPARO;
ALMEIDA, 2006).

De extrema importância para o desenvolvimento, o brincar na infância é visto


como ferramenta que estimula autonomia e independência, além de auxiliar na cria-
ção de vínculos. Crianças não apresentam o mesmo ritmo e condições de desenvolvi-
mento, e sendo o brincar um direito de todas elas, é preciso adequar a brincadeira à
realidade, explorando possibilidades, utilizando espaços seguros e comunicação ade-
quada, com valorização das individualidades (ROCHA; NUNES, 2023).

Assim, o brincar/brinquedo constitui-se em efetiva possibilidade de melhorar


a qualidade da assistência prestada à criança e ao seu acompanhante, especialmente
ao possibilitar um ambiente de maior confiança e diálogo de uma forma mais descon-
traída (NASCIMENTO et al., 2011). Nesses ambientes, a prática deve buscar a auto-
nomia dos sujeitos, discutindo formas de como realizar o cuidado, por meio de uma
escuta qualificada das demandas da população e da participação da comunidade no
planejamento dos grupos, nessa perspectiva de promoção da autonomia e a melhoria
da saúde e condições de vida da comunidade, além de potencializar as habilidades,
qualidade de vida e funcionalidade (SAUER et al., 2018).

O BRINCAR E O DESENVOLVIMENTO

Pereira, Amparo e Almeida (2006) apontam que numa perspectiva cognitivista,


Jean Piaget pontua que a inteligência se desenvolve em uma sequência de estágios
relacionados com a idade da criança. Sendo assim, o desenvolvimento da inteligência
é caracterizado pelo surgimento de estruturas originais, cuja construção o distingue
qualitativamente dos estágios anteriores, tendo o indivíduo uma participação ativa na
construção do conhecimento.

A partir dos estudos sobre a teoria piagetiana, as autoras fazem uma relação
entre os estágios de desenvolvimento e a atividade do brincar, salientando que este
é um ato observado desde poucos meses de vida e que é por meio da interação com
o mundo e com outras pessoas que se dá o processo de desenvolvimento infantil.
Sendo assim, o jogo pertence ao processo evolutivo da criança, e é por meio dele e

8
INTRODUÇÃO

da brincadeira que a criança se desenvolve e adquire habilidades para continuar cres-


cendo. Consideram, portanto, a partir de Jean Piaget, que a atividade lúdica é o berço
das atividades intelectuais da criança.

Já o pensamento dialético se caracteriza pela arte do diálogo e da discussão,


implica as contradições da realidade e da mediação, em lugar da certeza ou de uma
solução teórica. Sendo assim, o desenvolvimento humano (cognitivo, social e afetivo)
ocorre a partir da inserção em uma realidade histórica e cultural concreta, não sendo
um esquema rígido e linear. O jogo é, portanto, um espaço de liberdade para a criança
construir um mundo simbólico. Ao mesmo tempo, é um espaço onde ela se obriga a
seguir determinadas regras. (PEREIRA; AMPARO; ALMEIDA, 2006).

Um dos representantes mais conhecidos dessa perspectiva é o teórico Lev Se-


menovich Vygostky, que em sua abordagem histórico-cultural dá ênfase às qualidades
que distinguem a espécie humana das demais, sendo assim o desenvolvimento ocorre
por meio das relações que os homens estabelecem diariamente, tanto entre si como
com a natureza, em sua luta pela sobrevivência, no meio natural e social. A mediação
social, portanto, tem papel fundamental no desenvolvimento e o brincar é uma ativida-
de necessária às demandas de maturação e desenvolvimento da criança.

A criança é um ser lúdico, está sempre brincando, mas suas brincadeiras tem
um sentido prático, correspondendo, com exatidão à sua idade e aos seus interesses
abrangendo elementos que conduzem à elaboração das necessárias habilidades e
hábitos. O brinquedo é uma fonte de desenvolvimento e geradora de Zonas de De-
senvolvimento Proximal (ZDP), que remete à preponderância do papel da imitação
e da intervenção do adulto em situações interativas lúdicas com a criança (PEREIRA;
AMPARO; ALMEIDA (2006)).

Segundo as autoras, a imitação cria Zonas de Desenvolvimento Proximal e a


ação partilhada com o adulto (como “outro social” que organiza e acompanha as brin-
cadeiras infantis) assume uma tarefa fundamental no surgimento e na constituição de
processos psicológicos qualitativamente diferentes.

Considerando a importância da interação social e da imitação como elemen-


tos fundamentais para o desenvolvimento humano, podemos salientar aquilo que
Mendes (2006, pág. 15) afirma:

“...ao brincarem juntas, as crianças: testam possibilidades de ser;


buscam alternativas de como solucionar conflitos; compartilham
experiências de vida; tem oportunidade de viver suas frustrações
e de aprender a lidar com elas; podem entrar em contato com
conteúdos internos e elaborar questões pessoais. A criança que
não brinca não tem um desenvolvimento saudável e adoece mais.
Portanto, o brincar/lúdico é necessário para o ensino, a aprendi-
zagem, o desenvolvimento e a saúde da criança”.

A partir dos referenciais teóricos apresentados, compreende-se os brinque-


dos, as brincadeiras e o ato de brincar propriamente dito, como ferramentas ou es-
tratégias terapêuticas importantes no atendimento de crianças e adolescentes pelas

9
INTRODUÇÃO

equipes multiprofissionais da Atenção Primária da rede de saúde de Uberlândia/MG.

CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROJETO

O ano de 2022 foi marcado por parcerias importantes no que se refere à for-
mação dos profissionais de saúde da rede municipal de Uberlândia, especificamente
no tocante aos atendimentos relacionados à infância e à adolescência.

As demandas de capacitação direcionadas ao Núcleo de Educação Perma-


nente convergiram para a necessidade de aproximação entre a Secretaria Municipal
de Saúde (SMS) e a Secretaria Municipal de Educação (SME), por meio das Redes de
Saúde Mental e de Cuidados à Pessoa Com Deficiência/Reabilitação.

As discussões e reflexões sistematizadas entre as Redes de Atenção da Se-


cretaria de Saúde, representantes de Instituições Especializadas em Reabilitação e da
Secretaria de Educação, culminaram na capacitação “Oficinas de brincar: a utiliza-
ção da caixa de brinquedos e do brincar/lúdico como estratégias terapêuticas no
atendimento de crianças e adolescentes na Atenção Primária à Saúde”.

Estas oficinas foram realizadas em março/2023, no Centro Municipal de Estu-


dos e Projetos Educacionais Julieta Diniz (CEMEPE), com as equipes multiprofissionais
da APS.

A capacitação sobre as Oficinas de Brincar se mostrou necessária para iniciar


o processo de mobilização e conscientização dos profissionais e das instituições, com
relação aos cuidados ofertados pelas unidades de saúde, no que se refere à infância e
à adolescência no município de Uberlândia.

A capacitação teve como objetivo demonstrar que é possível realizar ações


simples, utilizando o resgate do lúdico, dos brinquedos e das brincadeiras como es-
tratégias terapêuticas no atendimento às diversas demandas das crianças, dos adoles-
centes e de suas famílias.

Pôde-se observar muito interesse e motivação por parte dos profissionais en-
volvidos, porém estes demonstraram bastante receio ao lidar com o público infantil e
adolescente, apontando vários entraves sociais, familiares e institucionais para o seu
cuidado em saúde.

Diante disso, este projeto tem como proposta o cuidado de crianças, adoles-
centes e suas famílias, visando orientar e apoiar o trabalho realizado pelas equipes
multiprofissionais na Atenção Primária.

10
METODOLOGIA
OBJETIVOS

OBJET IVO GERAL


• Ofertar atenção e cuidado às crianças e adolescentes atendidos pelas equipes
multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde, utilizando como ferramentas/es-
tratégias terapêuticas os brinquedos, as brincadeiras e o brincar/lúdico.

OBJET IVOS ESPECÍFICOS


• Planejar, articular e ofertar atendimentos (individuais e/ou em grupos) ao públi-
co-alvo com uso de metodologias que incentivam o brincar para o desenvolvi-
mento infantojuvenil;
• Realizar acolhimento, escuta ativa, orientação e acompanhamento dos pais/res-
ponsáveis para o manejo de atividades cotidianas que possam contribuir para o
desenvolvimento integral da criança/adolescente nos grupos sociais aos quais
frequenta (família, escola, igreja e outros);
• Estimular a corresponsabilização da pessoa usuária e dos pais/responsáveis
quanto ao autocuidado em saúde;
• Analisar casos por meio da observação e discussão pela equipe multiprofissional,
para elaboração e atualização de Plano de Cuidados.

MET ODOLOGIA
As equipes multiprofissionais da APS organizarão uma agenda comum para
realização das ações.

As equipes deverão avaliar e identificar crianças/adolescentes que se benefi-


ciarão do projeto (queixas relacionadas ao atraso no neurodesenvolvimento e vulnera-

11
METODOLOGIA

bilidades biopsicossociais).

As ações deverão ocorrer preferencialmente em grupos, divididos por faixa


etária e objetivos específicos.

O formato, a periodicidade e as atividades a serem realizadas serão definidos


pelas equipes de acordo com as diferentes realidades de cada população e unidade
de saúde.

Cada encontro será coordenado por uma dupla de profissionais (de acordo
com a agenda comum) que realizará atividades/dinâmicas diversas.

É importante garantir pelo menos um encontro com os pais/responsáveis para


apresentar a proposta de trabalho.

Deve-se garantir reuniões periódicas entre os profissionais das equipes multi-


profissionais, para planejamento e avaliação das propostas de trabalho.

• Período de aplicação do projeto: ciclo de 12 encontros;


• Periodicidade dos encontros: semanal ou quinzenal;
• Duração dos encontros: 60 minutos;
• Período: manhã ou tarde (em contra turno escolar das crianças/adolescentes);
• Público-alvo: crianças/adolescentes agrupados por faixa etária:

- 3 a 6 anos;
- 7 a 10 anos;
- 11 a 14 anos;
- 15 a 18 anos;

• Número de participantes por grupo: até 10 crianças/adolescentes e até 10 pais/


responsáveis;
• Critério de exclusão de participantes após início dos grupos: crianças que tive-
rem duas faltas consecutivas ou três alternadas, sem justificativa;
• Ordenador de fluxo: Serviço Social e Psicologia;
• Facilitadores: serão escalados dois profissionais da equipe multiprofissional em
cada encontro (Serviço Social, Psicologia, Educação Física, Fisioterapia, Odonto-
logia, Nutrição);
• A cada trimestre as crianças e adolescentes serão reavaliados quanto à evolução
ou não dos aspectos em que apresentaram maior prejuízo. O resultado dessa
avaliação indicará a necessidade de permanência ou não no grupo.
• Poderão ser convidados outros profissionais de acordo com as demandas de
cada grupo, tais como: saúde, educação, sociedade civil, entre outros.

12
CONTRIBUIÇÕES DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL

CONT RIBUIÇÕES DA EQUIPE


MULT IPROFISSIONAL
As equipes multiprofissionais, nas unidades de Atenção Primária, são compos-
tas por profissionais das áreas de: Psicologia, Serviço Social, Educação Física, Fisiote-
rapia e Nutrição, havendo possibilidade de parcerias com outros profissionais, como
por exemplo, da Odontologia. Cada profissional realiza, dentre outras atividades, aten-
dimentos em grupo.

PSICOLOGIA

A Psicologia enquanto ciência e profissão compreende o ato do brincar como


uma tecnologia de cuidado, um direito e uma necessidade da criança em desenvol-
vimento tendo um papel estruturante, produzindo saltos qualitativos ou mudanças a
nível físico, cognitivo, emocional e social.

Para além do prazer inerente à atividade lúdica, relacionado à liberdade, es-


pontaneidade e alegria, ao brincar a criança desenvolve-se pela oportunidade de so-
cializar e expressar o seu mundo interno, trazendo à tona os seus sentimentos, desejos,
sonhos, fantasias, medos, angústias e conflitos, pelo alívio de tensões psíquicas, apren-
dizagens sobre regras sociais e morais e experimentações da autorregulação emocio-
nal e comportamental.

A Psicologia atua como mediadora neste processo do brincar. Na atenção aos


fatores de ordem emocional, promove o acolhimento, o reforço positivo para senti-
mentos de autoestima e autoconfiança, a educação emocional para reconhecimento
de emoções, expressão e evocação de formas adaptativas de lidar com as de difícil
manejo. No âmbito social, facilita as interações, a exposição e a participação em jogos,
visando a desinibição bem como a aprendizagem de controle de impulsos e com-
portamentos, por exemplo, por meio de jogos com regras que guardam relação com
as regras sociais. Na proteção ao desenvolvimento, atua para o reconhecimento de
situações de risco como possíveis violências e sua prevenção. Na dimensão cognitiva,
estimula o envolvimento em atividades que requeiram a capacidade de memorização,
atenção e concentração.

Com o envolvimento da criança nas atividades lúdicas, existe a possibilidade


de elaboração de experiências traumáticas e ressignificação do contexto de vida, pro-
cessos psíquicos que são facilitados pela identificação que ocorre com os conteúdos
abordados, por exemplo, durante as atividades de simulação de cenas e contação de
histórias com outros desfechos.

A orientação dos pais e responsáveis visa a educação para atender as necessi-


dades da criança, por meio de disciplina assertiva, ajuste de expectativas e criação de

13
CONTRIBUIÇÕES DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL

ambiente positivo para a aprendizagem, bem como, a prevenção de violências e maus


tratos promovendo o desenvolvimento integral e saudável da criança.

SERVIÇO SOCIAL

O Serviço Social enquanto área do conhecimento reconhece no brincar um


lugar de oportunidades para a interação social que quando reconhecido como uma
estratégia de formação integral da criança pelos pais e responsáveis se torna uma
metodologia de convivência e formação cidadã, sem o uso da imposição, com a pac-
tuação de convivência, o fortalecimento de vínculos, promovendo espaço de afeto,
respeito e conscientização de limites.

O Brincar é um direito garantido por lei. O Estatuto da Criança e do Adoles-


cente - Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 dispõe em seu Art. 16 sobre o direito à
liberdade, compreendendo-se pelo brincar, praticar esportes e divertir-se. Toda crian-
ça precisa ter liberdade para experimentações, articular seu próprio fazer, tentando,
modificando, planejando, resolvendo problemas, independentemente de sua origem,
condições sócio familiares ou condições de saúde, superando fragilidades.

Amparadas pela rede sócio familiar e sociedade num todo, assim assistidas
pelo poder público em suas diversas políticas, o Serviço Social surge como promotor
do acesso à saúde.

Em acordo com a Resolução CFESS n. 383 de 29 de março de 1999, consi-


dera-se que as ações de saúde devem se dar na perspectiva interdisciplinar a fim de
garantir a atenção a todas as necessidades da população usuária na mediação entre
seus interesses e a prestação de serviços. Considera-se também que é atribuição do
assistente social, enquanto profissional de saúde, a intervenção junto aos fenômenos
socioculturais e econômicos que reduzem a eficácia dos programas de prestação de
serviços nos níveis de promoção, e/ou recuperação da saúde.

Assim, propõe-se para o presente projeto, atividades lúdicas de contação de


história, jogos, brincadeiras, dinâmicas, entre outros, com a articulação e realização
dos grupos temáticos, integrando a equipe multiprofissional. Bem como, a realização
do Estudo Social com os familiares das crianças participantes no intuito de contextuali-
zar sua história de vida, vulnerabilidades socioculturais, econômicas e educativas.

Por fim, pretende-se propor ações, intervenções que possam fortalecer o vín-
culo familiar, reconhecer potencialidades e amenizar os desafios no convívio ressigni-
ficando as atividades do cotidiano, utilizando-se do brincar como recurso lúdico para
promoção e socialização da criança na troca de experiências e desenvolvimento da
autonomia enquanto sujeitos de direitos e deveres, amparados pela garantia do aces-
so aos cuidados de saúde e a participação efetiva dos pais e responsáveis em seu
desenvolvimento integral.

14
CONTRIBUIÇÕES DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL

FISIOTERAPIA E EDUCAÇÃO FÍSICA

A Psicomotricidade é a ciência que estuda e intervém no ser humano como


um todo, analisando a interação e integração do corpo e da mente, englobando as
funções cognitivas, emocionais, simbólicas e corporais de um indivíduo na sua forma
de ser e agir nos vários contextos de vida. Ou seja, investiga de que forma o funciona-
mento mental (“psico”) se relaciona com o movimento (“motricidade”) de uma pessoa
e intervém para que esta relação aconteça de forma integrada, permitindo a concreti-
zação do potencial de desenvolvimento de cada um.

As atividades propostas tem foco na intervenção da Fisioterapia e Educação


Física por meio da Psicomotricidade funcional. No sentido de atenção à saúde da
criança, deve-se promover intervenções que integrem o aprendizado motor, sensorial
e cognitivo, e para atender essas demandas uma alternativa pode ser as atividades
físicas orientadas por meio de circuitos psicomotores.

Os circuitos tem como proposta incentivar brincadeiras com dupla tarefa e


até mesmo como forma de progressão do nível de dificuldade, conforme aconteça o
aprendizado. Há um sequenciamento das atividades, de maneira que o trajeto é ex-
plicado para cada criança, sendo permitido a mesma observar a realização pelos seus
pares. Quando se observa a facilidade da criança em realizar o percurso, são adicio-
nados mais obstáculos, solicitada dupla tarefa (exemplo: realizar o percurso jogando
bola ou equilibrando uma bola sobre a raquete e/ou contando), de maneira a incenti-
var uma progressão do exercício.

Os programas de intervenções psicomotoras apresentam sugestões de ativi-


dades, as quais não são fechadas, devendo cada profissional adaptar e adequar à sua
realidade e possibilidades, mas estar sempre atento às necessidades individuais da
criança na interação com o ambiente e a tarefa proposta, ainda que o programa seja
realizado de forma coletiva.

A realização de grupos favorece a percepção da criança com melhor DNPM


(Desenvolvimento Neuropsicomotor) e esta pode servir de modelo para as demais
crianças e, deste modo, pode estimular adaptações neurais e aprendizado de todo o
grupo. Além do que, o trabalho de lembrar todo o circuito psicomotor facilita o treino
de memória. Isto porque é reconhecido que a observação do movimento pode ativar
circuitos de neurônio espelho, fazendo com que a atividade motora seja imitada e
mais facilmente aprendida, facilitando o processo de ativação de um programa motor
interno por meio da memória.

ODONTOLOGIA

O profissional de Odontologia pode estimular o cuidado com a saúde bucal


das pessoas usuárias do serviço. A equipe utiliza de práticas de encenação, uso de
fantoches, bonecos e modelos dentários, com o objetivo de incentivar e fortalecer os
cuidados em saúde bucal.

15
MODELOS DE CRONOGRAMAS

NUTRIÇÃO

O brincar é elegível como um importante recurso terapêutico também na área


da nutrição, incluindo o desenvolvimento dos sentidos (tato, olfato, visão, audição e
paladar), e vem sendo amplamente utilizado na promoção de saúde e melhoria dos
hábitos alimentares através da aproximação da criança com os alimentos em suas di-
versas formas e possibilidades.

Visto que as dificuldades alimentares estão cada vez mais frequentes em crian-
ças, a nutrição objetiva proporcionar um aprendizado mais lúdico e interativo para que
possam ocorrer algumas evoluções na introdução ou reintrodução de alimentos na ro-
tina da criança. É de suma importância, aproximar a criança dos alimentos (seja na hora
de comprar, higienizar, preparar, empratar) para que a mesma consiga experimentar
novos alimentos, melhorando de pouco a pouco seus hábitos alimentares.

Dentre os recursos que serão utilizados pela equipe de nutrição estão: expo-
sição de imagens de alimentos (para avaliar o conhecimento das crianças); exposição
de alimentos in natura em diferentes formas de preparação (explorar os sentidos como
tato, olfato e paladar); contação de histórias com analogias à alimentação; montagem
de pratos saudáveis (através de imagens de grupos alimentares); e degustação de ali-
mentos em diferentes preparações.

E por fim, ensinar e orientar os pais e responsáveis também é de fundamental


importância, visto que algumas ações ou condutas podem reforçar ainda mais a seleti-
vidade ou dificuldade alimentar.

MODELOS DE CRONOGRAMAS
Quadro 1: Cronograma das ações por semana e categoria profissional referentes às oficinas de brincar
(3 a 6 anos). Uberlândia, MG. 2023.
Habilidade a ser
Semana Tema e atividades Profissionais
trabalhada
Apresentação do Projeto
Apresentação do Projeto e e dinâmica de integração.
dinâmica de integração. Socialização (compartilhar
Equipe multiprofissional
SEMANA 1 informações entre si
A importância do brincar pelo olhar, apontar, falar,
(tempo de qualidade). imitar, com exposição e
interação).

16
CONTRIBUIÇÕES DA MODELOS DE CRONOGRAMAS
EQUIPE MULTIPROFISSIONAL

Habilidade a ser
Semana Tema e atividades Profissionais
trabalhada
Processo de escovação
Porque os dentes caem?
dentária. Comunicação
O que sentimos?
(utilizar recursos da fala, Psicologia
SEMANA 2 A importância da
gestos, escrita, desenhos Odontologia
escovação de dentes.
relacionando com ideias e
sentimentos).
Comportamental
(exposição a situações
Comer, comer para poder novas ou simulação
crescer! de cenas em que há Psicologia
SEMANA 3
A importância da rotina. dificuldades, trocas, Nutrição
cumprir regras de pode
e não pode, controle de
impulso).
Cabeça, ombro, joelho e
pé. Motora (correr, pular,
A importância equilibrar, rolar, receber, Fisioterapia
SEMANA 4
da estimulação arremessar, chutar, Educação Física
adequada (marcos do coordenação motora).
desenvolvimento).
Atenção… Já! Cognitiva (compreender
A importância dos comandos, a noção de Psicologia
SEMANA 5
limites (uso de aparelhos tempo/espaço, histórias Educação Física
eletrônicos). com começo, meio e fim).

Orientação de pais/
responsáveis. Orientação de pais/ Equipe multiprofissional
SEMANA 6
A depender das responsáveis.
necessidades do grupo.

Emocional (reconhecer
Sinto, logo existo!
as emoções no corpo Psicologia
SEMANA 7 (divertidamente/emojis/
e formas de lidar ou Serviço Social
educação emocional).
expressar).

Condições específicas
(A depender das
de saúde (promover Profissionais
características do grupo).
SEMANA 8 atividades com pequeno relacionados às queixas
Ansiedade e terror
grau de dificuldade e principais
noturno.
adaptação progressiva).

Cuidando bem de mim Autocuidado diário


(Castelo Rá-Tim-Bum). (aperfeiçoar a capacidade Fisioterapia
SEMANA 9
Desfralde/controle de para alimentar-se, tomar Nutrição
esfíncter. banho, vestir-se).

Contexto Psicossocial
e familiar (exposição a
“Pipo e Fifi”
situações de interação, Psicologia
SEMANA 10 (contação de história sobre
simulação de cenas em Serviço Social
violências com fantoches).
que há dificuldades de
forma lúdica).

17
MODELOS DE CRONOGRAMAS
CONTRIBUIÇÕES DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL

Habilidade a ser
Semana Tema e atividades Profissionais
trabalhada

Pais e filhos.
Orientação de pais/ Equipe multiprofissional
SEMANA 11 A depender das
responsáveis.
necessidades do grupo.

Avaliação e encerramento
SEMANA 12 Encerramento do grupo. Equipe multiprofissional
do grupo.

Quadro 2: Cronograma das ações por semana e categoria profissional referente às oficinas de brincar
(7 a 10 anos). Uberlândia, MG. 2023.
Habilidade a ser
Semana Tema e atividades Profissionais
trabalhada
Apresentação do
Projeto e dinâmica de
integração. Socialização
Apresentação do Projeto e (compartilhar Equipe multiprofissional
SEMANA 1
dinâmica de integração. informações entre si
pelo olhar, apontar, falar,
imitar, com exposição e
interação).
Processo de escovação
dentária. Comunicação
Porque os dentes caem? (utilizar recursos da fala, Psicologia
SEMANA 2
O que sentimos? gestos, escrita, desenhos Odontologia
relacionando com ideias
e sentimentos).
Comportamental
(exposição a situações
novas ou simulação
Comer, comer para poder de cenas em que há Psicologia
SEMANA 3
crescer! dificuldades, trocas, Nutrição
cumprir regras de pode
e não pode, controle de
impulso).
Motor (correr, pular,
Cabeça, ombro, joelho e pé.
equilibrar, rolar, receber, Fisioterapia
SEMANA 4 (amarelinha, corrida,
arremessar, chutar, Educação Física
danças)
coordenação motora).
Cognitiva (compreender
Atenção… Já! comandos, a noção de
Psicologia
SEMANA 5 (boliche, zigue-zague, tiro tempo/espaço, histórias
Educação Física
ao alvo). com começo, meio e
fim).
Orientação de pais/ Orientação de pais/
SEMANA 6 Equipe multiprofissional
responsáveis. responsáveis.
Emocional (reconhecer
Sinto, logo existo!
as emoções no corpo Psicologia
SEMANA 7 (divertidamente/emojis/
e formas de lidar ou Serviço Social
educação emocional).
expressar).

18
CONTRIBUIÇÕES DA MODELOS DE CRONOGRAMAS
EQUIPE MULTIPROFISSIONAL

Habilidade a ser
Semana Tema e atividades Profissionais
trabalhada
Condições específicas
de saúde (promover
(A depender das Profissionais relacionados
SEMANA 8 atividades com pequeno
características do grupo). às queixas principais
grau de dificuldade e
adaptação progressiva).
Autocuidado diário
(aperfeiçoar a
Cuidando bem de mim Fisioterapia
SEMANA 9 capacidade para
(Castelo Rá-Tim-Bum). Nutrição
alimentar-se, tomar
banho, vestir-se).
Contexto Psicossocial
e familiar (exposição a
“Não me toca, seu boboca!”
situações de interação, Psicologia
SEMANA 10 (contação de história com
simulação de cenas em Serviço Social
fantoches).
que há dificuldades de
forma lúdica).
Orientação de pais/ Equipe multiprofissional
SEMANA 11 Pais e filhos.
responsáveis.
Avaliação e
SEMANA 12 Encerramento do grupo. Equipe multiprofissional
encerramento do grupo.

Quadro 3: Cronograma das ações por semana e categoria profissional referentes às oficinas de brincar
(11 à 14 anos e 15 à 18 anos). Uberlândia, MG. 2023.
Habilidade a ser Habilidade a ser
Semana Tema e atividades
trabalhada trabalhada

Socialização (compartilhar
Apresentação do Projeto e
informações entre si
dinâmica de integração.
SEMANA 1 pelo olhar, apontar, falar, Equipe multiprofissional
Quem somos nós?
imitar, com exposição e
Autoconhecimento.
interação).

Comportamental
(exposição a situações
novas ou simulação
Construindo o meu
de cenas em que há
SEMANA 2 caminho. Psicologia
dificuldades, trocas,
Projeto de Vida. Motivação.
cumprir regras de pode
e não pode, controle de
impulso).

Comunicação (utilizar
Trocando de lugar. recursos da fala, gestos,
Psicologia
SEMANA 3 Comunicação Não Violenta. escrita, desenhos
Nutrição
Consciência Social. relacionando com ideias
e sentimentos).

19
MODELOS DE CRONOGRAMAS
CONTRIBUIÇÕES DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL

Habilidade a ser Habilidade a ser


Semana Tema e atividades
trabalhada trabalhada

Tornar-se presente. Motora (correr, pular,


Autoconsciência. equilibrar, rolar, receber, Fisioterapia
SEMANA 4
Consciência corporal e arremessar, chutar, Educação Física
estados emocionais. coordenação motora).

Cognitiva (compreender
Faz sentido!
comandos, a noção de Psicologia
SEMANA 5 Foco, disciplina e rotina
tempo/espaço, histórias Educação Física
saudável.
com começo, meio e fim).

Orientação de pais/
responsáveis Orientação de pais/ Equipe multiprofissional
SEMANA 6
A depender das responsáveis.
necessidades do grupo.

Emocional (reconhecer
Sinto, logo existo!
as emoções no corpo Psicologia
SEMANA 7 Inteligência Emocional.
e formas de lidar ou Serviço Social
Resiliência.
expressar).

Condições específicas
de saúde (promover Psicologia
Papo reto.
SEMANA 8 atividades com pequeno Serviço Social
Uso de drogas.
grau de dificuldade e
adaptação progressiva).

Cuidando bem de mim. Autocuidado diário


Psicologia
SEMANA 9 Sexualidade. (aperfeiçoar a capacidade
Serviço Social
para cuidar-se).

Contexto Psicossocial
“Bem me quer, mal me e familiar (exposição a
quer” situações de interação, Psicologia
SEMANA 10
(contação de história sobre simulação de cenas em Serviço Social
violências). que há dificuldades de
forma lúdica).

Orientação de pais/ Equipe multiprofissional


SEMANA 11 Pais e filhos.
responsáveis.

Avaliação e encerramento
SEMANA 12 Encerramento do grupo. Equipe multiprofissional
do grupo.

20
ORIENTAÇÕES GERAIS PARA A CONDUÇÃO DOS GRUPOS

ORIENTAÇÕES GERAIS PARA


A CONDUÇÃO DOS GRUPOS
• Utilize comandos e tarefas simples, partindo do que a criança/adolescente con-
segue realizar, e aos poucos acrescente um nível de dificuldade/desafio.
• Aborde uma dificuldade por vez, sem esperar resultados breves, lembrando que
a exposição aos estímulos por si só já permite o desenvolvimento de forma geral.
• Observe a reação da criança/adolescente, de forma a não a (o) forçar a conti-
nuar a atividade caso esta seja muito difícil ou cause estresse/ansiedade ou outro
sentimento negativo. Caso apareçam esses sentimentos, avaliar a relação com a
atividade para modificar a abordagem.
• Realize avaliação prévia pois ela é fundamental para estabelecer prioridades, ob-
serve contraindicações (atividades motoras por exemplo), etc.
• Avalie qual o repertório atual da criança; o que ela já sabe fazer, o que precisa
aprender, a fim de auxiliar na meta que se pretende alcançar.

ASPECT OS DO
DESENVOLVIMENT O A
SEREM OBSERVADOS
O cuidado de crianças e adolescentes em grupo requer do profissional de
saúde, seja de qual área for, bastante atenção no que se refere aos aspectos funda-
mentais do desenvolvimento. Conhecer, estudar e refletir sobre esses aspectos impac-
tam de forma significativa sobre o planejamento e o manejo de um brinquedo, de uma
brincadeira e/ou do brincar propriamente dito.

Os aspectos fundamentais do desenvolvimento da criança e/ou do adolescen-


te a serem observados pelos profissionais das equipes multiprofissionais da Atenção
Primária à Saúde durante a avaliação, a elaboração de um projeto terapêutico ou da
condução de atendimentos em grupos são os seguintes:

21
ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO A SEREM OBSERVADOS

• Aspectos Sociais: Atividades que envolvam o compartilhamento de informações


entre indivíduos, como: olhar, apontar, vocalizar, imitar. O contato em grupo com
outras crianças pode ser um facilitador, pois promove a exposição a modelos de
interação.
• Aspectos Comunicacionais: Atividades em que seja utilizado um ou mais re-
cursos de linguagem (gestos, fala, escrita, desenho, etc.) relacionados a ideias e
sentimentos.
• Aspectos Lúdicos: Atividades que estimulem a funcionalidade, ou seja, utilizar
brinquedos e objetos para criar personagens, jogos, e também trocas com ou-
tras crianças.
• Aspectos Comportamentais: Atividades com exposição a situações novas, bem
como simulação de cenas cotidianas em que há dificuldade, de forma lúdica.
• Aspectos Vivenciais (por meio dos órgãos dos sentidos): Promover atividades
com exposição aos 5 sentidos de forma a trabalhar um de cada vez e acrescentar
outros progressivamente. Associar atividades prazerosas de forma a pareá-las ao
estímulo a ser trabalhado.
• Aspectos Motores: Promover atividades para estímulo motor, com foco nas ca-
pacidades de locomoção (correr e saltar), estabilizadoras (equilibrar e rolar) e as
manipuladoras (arremessar, chutar, receber).
• Condições Específicas de Saúde: Ao serem observadas, pode-se promover ati-
vidades com pequeno grau de dificuldade. Realizar atividades com exposição a
situações novas, bem como simulação de cenas cotidianas em que há dificulda-
de, de forma lúdica.
• Aspectos Cognitivos: Realizar atividades que exercitem compreensão de co-
mandos, noção de tempo, contar histórias com início, meio e fim, etc.
• Atividades da Vida Diária (AVD): Simular as AVD consigo e com os outros, de
forma lúdica, envolvendo os cuidadores para formas de auxílio e estímulo à in-
dependência de forma progressiva. Podem ser utilizadas ferramentas ou auxílios
complementares, bem como adaptações. Ex.: pentear o cabelo com um pente
fácil de segurar.

Para auxiliá-la (o) na elaboração de atividades que proporcionem o desenvol-


vimento de habilidades e/ou trabalhem os aspectos em que as crianças ou adoles-
centes apresentem algum prejuízo, elaboramos algumas sugestões de brincadeiras
e manejo de brinquedos não só para a condução dos grupos como também para a
elaboração de projetos terapêuticos que atendam às necessidades específicas da po-
pulação atendida.

22
SUGESTÕES DE ATIVIDADES

SUGEST ÕES DE AT IVIDADES


ADOLETA

• Faixa etária: Pode ser aplicada a qualquer


faixa etária, desde que se compreenda as
regras.
• Execução: Em uma roda, as crianças colo-
cam a mão direita sobre a mão esquerda do
seu vizinho, com a palma para cima. A pri-
meira bate a mão direita na direita do vizi-
nho. Quem recebe o tapa repete o feito
e assim vai, a cada sílaba cantada, até o
final da cantiga. O último a levar o tapa
sai do jogo.
• Orientações ao profissional (estímu-
los, observações, anotações): A brin-
cadeira da Adoleta trabalha a memória, a
inibição e a flexibilidade cognitiva. Pode en-
volver ritmos mais ou menos difíceis, bem como
regras mais ou menos complexas, dependendo do nível de desafio desejado.

AMARELINHA

• Faixa etária: A partir de 4 anos.


• Execução: Com a amarelinha desenhada, já é possível
iniciar a brincadeira. Para começar, os jogadores devem
tirar a sorte. Quem vencer pode come-
çar atirando a pedrinha ou tampinha
na casa com o número 1. Ao acertar
dentro das linhas, é hora de come-
çar a saltar sobre os números, ex-
ceto aquele onde está o objeto. O
objetivo é sair da terra e chegar ao
céu.
• Orientações ao profissional (estí-
mulos, observações, anotações):
É uma brincadeira que pode ser
realizada de várias formas. Desen-
volve a noção de espaço, de lateralida-
de, de coordenação motora, de interação com o outro.

23
SUGESTÕES
ASPECTOSDE
DOATIVIDADES
DESENVOLVIMENTO A SEREM OBSERVADOS

APRESENTAÇÃO, NOME E MOVIMENTO

PÁ! T UUUM! PLOC!


• Faixa etária: Pode ser realizada em qualquer
idade.
• Execução: Cada criança/adolescente se apre-
senta dizendo seu nome e fazendo um movi-
mento para ser imitado pelo grupo.
• Orientações ao profissional (estímulos,
observações, anotações): Esta brincadeira
pode ser utilizada com vários objetivos: aque-
cimento, atenção, expressão corporal e en-
trosamento do grupo.

BRINCADEIRA DE ESTÁTUA

• Faixa etária: Acima de 5 anos.


• Execução: Nela é colocada uma música para a turma toda dançar. Quando as
crianças estiverem bastante soltas e relaxadas, aproveitando o momento de des-
contração, a música para. Com a ausência da música, os participantes devem
imediatamente parar de se mexer, ficando na mesma posição na qual se encon-
tram, como estátuas. A criança que conseguir permanecer por mais tempo imó-
vel ganha o jogo.
• Orientações ao profissional (estímulos, observações, anotações): Uma brin-
cadeira legal para o desenvolvimento do equilíbrio, atenção e paciência.

24
ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO A SEREM OBSERVADOS
SUGESTÕES DE ATIVIDADES

BRINCAR DE BONECA

• Faixa etária: A partir de 2 anos.


• Execução: Precisa-se inventar
situações, criar cenas, pensar
nos comportamentos e senti-
mentos da boneca e reagir a isso.
• Orientações ao profissional (estí-
mulos, observações, anotações):
Estimula a imaginação, a elabo-
ração de sentimentos e de
situações muitas vezes de-
safiadores nas relações es-
tabelecidas com a família,
com outras crianças e consi-
go mesmas.

CAIXA SENSORIAL

• Faixa etária: A partir de 3 anos.


• Execução:

1. Pegue uma caixa pequena.


2. Faça um círculo e corte para fazer a entrada da
caixa. (Não faça muito grande, a graça é não
enxergar direito lá dentro).
3. Use retalhos de tecidos coloridos, papéis,
adesivos e etc para cobrir toda a caixa .
4. Cubra tudo com papel contact ou fita adesi-
va pra proteger, dar brilho e uma textura me-
nos escorregadia.
5. Coloque diversos objetos dentro dessa cai-
xa. Preferencialmente com pesos, texturas
e tamanhos diferentes. O objetivo é que
elas coloquem as mãos dentro, sintam os
objetos, peguem e tirem de dentro. O que
você irá colocar na caixa vai depender do
objetivo do dia.

• Orientações ao profissional (estímulos, observações, anotações): É um ex-


celente recurso para estimular os cinco sentidos (visão, audição, tato, olfato e
paladar). de forma integrada.

25
SUGESTÕES
ASPECTOSDE
DOATIVIDADES
DESENVOLVIMENTO A SEREM OBSERVADOS

CARTAS/CARTÕES PARA A FAMÍLIA

• Faixa etária: Crianças bem pe-


quenas já podem expressar seus
sentimentos, seja por meio de
desenhos, imagens retiradas de
revistas e jornais ou escrita. Por
isso, a faixa etária para esta ati- CORREIOS
vidade é variada, desde que se
compreenda as orientações para
realizá-la.
• Execução: As crianças/adolescentes
podem ser estimuladas a escrever
cartas ou confeccionar cartões
para enviar aos pais ou a outras
pessoas da família.
• Orientações ao profissional (es-
tímulos, observações, anotações): Pode
ser trabalhado algum tema específico e orientar a escrita ou deixar que a criati-
vidade e a imaginação fluam; Tire fotos e encaminhe por whatsapp mesmo ou
peça para que a criança entregue aos familiares.

CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS

Narração de histórias é a ativida-


de que consiste em transmitir eventos
na forma de palavras, imagens, e sons
muitas vezes pela improvisação ou
embelezamento.

• Faixa etária: Pode ser


realizada com crian-
ças de qualquer ida-
de.
• Execução: O grupo
deverá escolher um
livro e ler. Após a con-
tação da história, o gru-
po deverá fazer oficinas
onde possam trabalhar
a história lida por meio de
desenhos; perguntas: quem é
o personagem da história? Sobre o
que é essa história? Você gosta de ouvir a história deste livro ou já ouviu uma
história dramática? Qual é a diferença entre as histórias? Criar um começo ou um
final diferente, dentre outras atividades.
• Orientações ao profissional (estímulos, observações, anotações): Com esta
atividade é possível estimular as habilidades cognitivas, emocionais e sociais,
valorizar esforços, oferecer acolhimento e despertar sentimentos.

26
ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO A SEREM OBSERVADOS
SUGESTÕES DE ATIVIDADES

CORRE CUTIA

• Faixa etária: A partir de 3 anos.


• Execução: As crianças ficam sentadas, dispostas em roda
e de olhos fechados. Enquanto isso, uma
fica do lado de fora, caminhando atrás
da roda. A criança que caminha tem
nas mãos um lenço e canta a canção:
“Corre, cutia, na casa da tia. Cor-
re, cipó, na casa da vó. Lencinho
na mão, caiu no chão. Moça
bonita do meu coração. Posso
jogar? (os outros respondem:
Sim!) Ninguém vai olhar? (os
outros respondem: Não!)”
Ao final da música, o lenço é
deixado atrás de um dos co-
legas que está na roda. Todos
olham para trás para ver se o
lenço está lá. Se estiver, a crian-
ça se levanta e sai correndo atrás
da que deixou o objeto. O lugar que ficou
vazio é preenchido pelo “cantador” e a criança escolhida passa a ser a próxima a
cantar a música. Assim, a brincadeira recomeça.
• Orientações ao profissional (estímulos, observações, anotações): “Corre
cutia” é uma mistura de brincadeira de roda com “pega-pega”, onde também é
aperfeiçoada a coordenação, equilíbrio, rapidez e atenção. É ainda uma ativida-
de que exige a confiança dos participantes.

DOBRADURAS

• Faixa etária: A partir de 7 anos.


• Execução: As dobraduras mais simples, de modo
geral, exigem no máximo quatro ou cinco movi-
mentos. Os primeiros devem ser o de dobrar um
papel ao meio, abri-lo e depois novamente
dobrar ao meio. Dobrar na diagonal
também é importante.
• Orientações ao profissional
(estímulos, observações, ano-
tações): A confecção de dobra-
duras pode estimular a concen-
tração, a memória, a criatividade,
o desenvolvimento da autoestima, a
socialização e a afetividade, aspectos
que contribuem com o desenvolvi-
mento integral da criança.

27
SUGESTÕES
ASPECTOSDE
DOATIVIDADES
DESENVOLVIMENTO A SEREM OBSERVADOS

EMOÇÕES NO ESPELHO

• Faixa etária: Pode ser realizada em qual-


quer idade.
• Execução: Pode-se solicitar que imitem um
robô em frente ao espelho, fazendo movi-
mentos rígidos e deixando os músculos ten-
sos. Em seguida, ela deve imitar um boneco de
pano, com movimentos maleáveis e os
músculos relaxados.
• Orientações ao profissional (estí-
mulos, observações, anotações):
Com esta atividade é possível que as
crianças/adolescentes reconheçam suas
expressões (raiva, alegria, surpresa, nojo). É
possível explorar emoções positivas e negativas
a partir desses exercícios.

ESTÍMULO PRECOCE DA FUNÇÃO MANUAL

• Estímulo ao brincar utilizando grãos;


• Alcance, preensão e manipulação utilizando objetos concretos do cotidiano da
criança;
• Segurando um brinquedo em cada mão;
• Jogos com bola;

28
ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO A SEREM OBSERVADOS
SUGESTÕES DE ATIVIDADES

GINCANAS

• Faixa etária: A partir de 5 anos.


• Execução:

- Corrida do saco - Para essa brin-


cadeira, é preciso ter sacos gran-
des e resistentes, em que as
crianças possam entrar e ficar
de pé. Dois times se posicio-
nam lado a lado, em filas in-
dianas, atrás de uma linha de
partida. Quando é dado um
sinal, a primeira criança da
fila entra no saco e faz um
percurso pulando.
- Corrida com o ovo na colher -
Escolha um local onde a crian-
ça consiga andar rápido saindo
de um ponto de partida e deve che-
gar a outro ponto conforme combina-
do com os participantes. Essa é uma corrida
um pouco diferente, os participantes devem equi-
librar um ovo em uma colher enquanto tentam chegar na reta final.
- Dança das Cadeiras - Para brincar basta organizar um círculo com cadeiras sendo
que uma criança senta em cada uma delas. O líder fica de fora e ao gritar “já”
ou ligar uma música, as crianças se levantam e começam a circular em volta dos
objetos. Uma cadeira é retirada enquanto eles ficam andando. Quando a música
parar ou o líder disser “sentar”, os participantes devem sentar nas cadeiras. Aque-
le que não encontrar, sai da brincadeira.

• Orientações ao profissional (estímulos, observações, anotações): Essas ativi-


dades estimulam a cooperação, o espírito de equipe, a coordenação motora, a
elaboração de estratégias, a socialização e a criatividade.

GRUPOS COM OS PAIS/RESPONSÁVEIS

Quando se trata do atendimento em saúde de


crianças e adolescentes, a interação constan-
te com a família é de extrema importância.
UBS Ao se criar um espaço de diálogo e tro-
cas de experiências é possível tra-
balhar as dificuldades de relacio-
namento entre pais e filhos, temas
relacionados ao desenvolvimen-
to infanto-juvenil e a importân-
cia da rotina e dos limites para
constituição biopsicossocial dos
indivíduos.

29
SUGESTÕES
ASPECTOSDE
DOATIVIDADES
DESENVOLVIMENTO A SEREM OBSERVADOS

HISTÓRIAS COM FANTOCHES

Faixa etária: 3 a 5 anos.

Execução: Pode-se dividir as crianças em pequenos grupos e lhes oferecer


fantoches, para que elas montem um teatrinho ou usem os bonecos para se comunicar.

Orientações ao profissional (estímulos, observações, anotações): Os fan-


toches podem ensinar muito para as crianças sobre suas emoções. Afinal, os protago-
nistas das histórias irão experimentar momentos de alegria, tristeza, irritação, ciúmes,
diversão e conhecer todos esses sentimentos através de um terceiro, ajuda a desen-
volver simpatia e empatia também.

JOGO DA ESPONJA NO BALDE

Faixa etária: A partir de 5 anos.

Execução: Encher a esponja de água num bal-


de, esvaziá-la no outro. Fazer isso até o balde vazio
ficar cheio.

Orientações ao profissional (estímulos,


observações, anotações): Esta atividade estimula
a coordenação motora, a atenção e a concentração.

30
ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO
SUGESTÕES
A SEREM OBSERVADOS
DE ATIVIDADES

JOGOS DE ADVINHAÇÃO

Faixa etária: A partir de 4 anos.

Execução: Neste jogo você precisa representar objetos através de mímica, de-
senhos, sons e até mesmo com o tato. Aos outros fica o desafio de adivinhar o que
você está tentando representar.

Orientações ao profissional (estímulos, observações, anotações): São ati-


vidades que estimulam funções importantes para o desenvolvimento humano, tais
como: pensamento lógico, o reconhecimento do todo por uma parte, a dedução, a
atenção, a observação, a nomeação e a discriminação visual.

JOGOS DE MÍMICA

Faixa etária: A mímica é uma atividade lúdica,


crianças de todas as idades podem jogar, mas o mais re-
comendado é que seja realizado a partir dos sete anos.

Execução: Pode-se solicitar que as crianças se sen-


tem em círculo; Uma delas escolhe um cartão ou
alguém diz no ouvido dela o que é para
ser representado; A criança faz a mímica
perante os outros. O primeiro que adi-
vinhar, será o próximo a fazer a mímica e
assim sucessivamente.

Orientações ao profissional
(estímulos, observações, anotações):
A partir dela pode-se estimular a percep-
ção visual, a atenção e a fluência verbal.

31
SUGESTÕES
ASPECTOSDE
DOATIVIDADES
DESENVOLVIMENTO A SEREM OBSERVADOS

JOGOS DE TABULEIRO

Faixa etária: A partir de 5 anos.

Execução: É importante se-


guir as instruções de cada jogo e
adaptá-las conforme a necessidade e
faixa etária.

Orientações ao profissio-
nal (estímulos, observações, anota-
ções): Os jogos de tabuleiro permitem
estimular a memória, a atenção, o respeito às
regras e a criatividade (regras podem ser criadas pelo grupo). Exemplos:
jogos da memória, jogos que envolvam raciocínio lógico, jogos que requerem a inte-
ração entre os participantes.

PEGA-PEGA

A brincadeira chamada de “pega-pega” é uma das mais conhecidas entre as


crianças. Não precisa de nenhum material específico e não tem um número certo de
participantes.

Faixa etária: Pode ser aplicada a todas as idades.

Execução: Nesse jogo, escolhe-se uma pessoa para ser o “pegador”, as outras
devem fugir, evitando ser pegas. Quando o “pegador” tocar em algum dos seus cole-
gas, eles trocam de papel e a criança que foi pega passa a ser o “pegador”.

Orientações ao profissional (estímulos, observações, anotações): É neces-


sário bastante espaço para as crianças correrem. Essa atividade é ótima para desenvol-
ver o senso de direção, assim como a agilidade, o raciocínio e a rapidez.

32
ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO A SEREM OBSERVADOS
SUGESTÕES DE ATIVIDADES

POTE DA CALMA

Faixa etária: Desde que a criança compreen-


da o que será realizado, pode-se propor a criação
do pote da calma.

Execução: Colocar água, corante ali-


mentício, glitter de várias cores e cola colori-
da numa garrafa ou pote de plástico ou de
vidro.

Orientações ao profissional (estí-


mulos, observações, anotações): Pode-se
realizar uma oficina de criação do “Pote da
Calma”. Com materiais simples como garrafa pet
(plástico ou vidro), água e glitter colorido tem-se um
recurso que estimula a criança a focar sua atenção no
momento e local presentes. Isso faz com que ela aos pou-
cos se desconecte daquilo que causou uma irritação ou agitação anteriormente. O ato
de agitar o pote para fazer o glitter se mover também tem efeito calmante.

PREPARE A MOCHILA

Faixa etária: A partir de 6 anos.

Execução: Trata-se de um jogo, no qual as crianças/adolescentes têm que pre-


parar a mochila para a escola, selecionando somente os objetos necessários para esse
dia.

Orientações ao profissional (estímulos, observações, anotações): Pode ser


trabalhada com crianças que tem dificuldades de organização e/ou que estão na fase
escolar.

33
SUGESTÕES
ASPECTOSDE
DOATIVIDADES
DESENVOLVIMENTO A SEREM OBSERVADOS

PULAR CORDA/PULAR “COBRINHA”

Faixa etária: A partir de 5 anos.

Execução: Duas crianças batem ou giram a corda, enquanto uma terceira


criança pula e diz: “cor-di-nha.” Cada sílaba dita corresponde a um pulo. Quando a
criança que pula fala a palavra completa, ela sai da corda e dá vez a outro participante.
Quem está pulando não pode pisar na corda.

Orientações ao profissional (estímulos, observações, anotações): Pular


corda/Pular “cobrinha” estimula a coordenação motora e a concentração. Além disso,
faz-se necessário movimentos simultâneos de pernas para saltar, e mãos para bater a
corda.

SIGA A LINHA

Faixa etária: A partir de 3 anos.

Execução: Riscar o chão com um giz


escolar ou colocar uma fita adesiva e pedir
que o usuário caminhe sobre a linha.

Orientações ao profissional
(estímulos, observações, anotações):
A partir daí, é possível trabalhar a con-
centração e o equilíbrio. Pode-se aumen-
tar o grau de dificuldade de acordo com
a necessidade e/ou condição da criança/
adolescente.

Para aumentar a dificuldade pode-se lançar novos desafios, como andar ba-
tendo palmas, andar para frente e depois de costas, andar com as mãos na cabeça e
depois na cintura, andar na ponta dos pés, andar encostando um pé à frente do outro
e qualquer outra forma que a imaginação permitir.

34
ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO A SEREM OBSERVADOS
SUGESTÕES DE ATIVIDADES

TEIA DE ARANHA

Faixa etária: A partir de 6 anos.

Execução: Prenda a ponta do elástico e vá entrelaçando ao longo do espaço


de forma que forme uma espécie de labirinto ou teia de aranha. É importante que os
espaços sejam grandes para que a criança consiga transitar entre eles. Prenda a outra
ponta do elástico de modo que fique firme e sustente a teia. Peça para que as crianças/
adolescentes atravessem as linhas, sem esbarrar nelas.

Orientações ao profissional (estímulos, observações, anotações): Com esta


atividade é possível trabalhar o equilíbrio, a coordenação motora e a noção espacial.

35
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
BETTELHEIN, Bruno. Uma vida para seu filho. Rio de janeiro: Campus, 1998.

CARVALHO, A.M. et al. Ludicidade e Saúde - Projeto de Integração Multiprofissional.


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HumanizaSUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. p. 105-116.

MENDES, Mariana Vitale. O brincar como promoção de saúde: a brinquedoteca em


uma UBS. 2008. 66 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) - Fa-
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NASCIMENTO, L.C., et al. Brincar em sala de espera de um Ambulatório Infantil: a visão


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