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Trabalho de Transt Psicop Dahmer

Enviado por

Paula Glézia
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Trabalho de Transt Psicop Dahmer

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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

CAMPUS NOVA IGUAÇU/RJ


CURSO DE PSICOLOGIA

ALZIRA MARIA LIMA DE SÁ SANTOS – 2021.03.691.98-6


ANA CLARA RAMOS DE SOUZA – 2021.08.088.41-2
MARILENE ARAUJO DA SILVA COSTA – 2021.04.252.00-5
PAULA GLÉZIA FERREIRA DA SILVA DE PONTES – 2022.12.019.94-4

A HISTÓRIA DE JEFFREY LIONEL DAHMER:

Uma análise clínica do personagem segundo os critérios do DSM-V-TR

NOVA IGUAÇU/RJ
2024
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ
CAMPUS NOVA IGUAÇU
CURSO DE PSICOLOGIA

ALZIRA MARIA LIMA DE SÁ SANTOS – 2021.03.691.98-6


ANA CLARA RAMOS DE SOUZA – 2021.08.088.41-2
MARILENE ARAUJO DA SILVA COSTA – 2021.04.252.00-5
PAULA GLÉZIA FERREIRA DA SILVA DE PONTES – 2022.12.019.94-4

A HISTÓRIA DE JEFFREY LIONEL DAHMER:

Uma análise psicológica clínica do protagonista segundo os critérios do DSM-V-TR

Trabalho apresentado a Universidade


Estácio de Sá do campus Nova Iguaçu,
como requisito parcial para aprovação na
disciplina Transtornos Psicopatológicos –
ARA1261 com a orientação docente de
Isabela Rocha Nunes.

NOVA IGUAÇU/RJ

2024
• DADOS DE IDENTIFICAÇÃO:

Nome: Jeffrey Lionel Dahmer


Idade: 34 anos
Sexo: Masculino
Escolaridade: Ensino Superior Incompleto
Profissão: Não informada
Religião: Não informada
Tratamento psicoterápicos anteriores: Acompanhamento com Psiquiatra.
Comportamento/ideação suicida: ( ) Sim (x) Não
Data da avaliação: 12/09/2024
Responsável (se houver): Não há.
Avaliadores: Alzira Maria Lima de Sá Santos
Ana Clara Ramos de Souza
Marilene Araujo da Silva Costa
Paula Glézia Ferreira da Silva de Pontes

HIPÓTESE INICIAL:
Jeffrey Dahmer se apresenta como um indivíduo que luta com uma profunda sensação de
isolamento e desconexão emocional. Ele parece ter dificuldades em formar
relacionamentos significativos e expressar suas emoções de forma saudável. Durante as
sessões, pode ser observado que Dahmer apresenta comportamentos de retraimento social
e uma tendência a se perder em pensamentos obsessivos, possivelmente como uma forma
de lidar com sua solidão. A terapia poderia se concentrar em ajudá-lo a explorar as raízes
dessas dificuldades, incentivando a reflexão sobre suas experiências passadas, interações
sociais e sentimentos subjacentes. O objetivo inicial seria criar um ambiente seguro onde
Dahmer pudesse começar a se abrir sobre suas emoções, desenvolver habilidades de
comunicação e aprender a construir conexões mais saudáveis com os outros. Essa
abordagem inicial busca não apenas entender sua psicologia, mas também fornecer as
ferramentas necessárias para que ele possa lidar de maneira mais construtiva com seus
sentimentos e interações sociais, promovendo uma maior compreensão de si mesmo e dos
outros. Essa hipótese inicial permite um enfoque terapêutico que se concentra na
construção de um espaço seguro e na promoção da autoconsciência, essencial para um
trabalho terapêutico eficaz.
RESUMO DA SÉRIE:

A série "Dahmer: Um Canibal Americano" (título original: Dahmer – Monster: The


Jeffrey Dahmer Story) que foi lançada em 2022 pela Netflix, retrata a vida e os crimes de
Jeffrey Dahmer, um dos serial killers mais infames da história dos Estados Unidos. A
produção foi criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, onde mergulha profundamente na
mente de Dahmer, interpretado por Evans Peters, mostrando desde sua infância
conturbada até os assassinatos brutais que ele cometeu entre 1978 e 1991. A série começa
com a vizinha de Dhamer – Glenda – assistindo um noticiário e silencia a TV para saber
do que se trata o barulho que escuta através da ventilação que dá acesso ao apartamento
deste e em seguida ele aparece com uma faca elétrica ensanguentada. Quando ele sai do
apartamento para dar uma saída, esta vizinha o chama e reclama do mau odor que vem
do apartamento dele, dando ele a desculpa que foram os peixes tropicais que faleceram
devido a uma doença chamada íctio (Ictioftiríase, doença parasitária que dá nos peixes).
Após isso, Jeffrey vai a uma boate gay buscando uma nova vítima e lá inicia uma conversa
com três rapazes. Ele usa como isca chamando os rapazes para posar para fotos por US$
50 e dos três rapazes, um aceita (Tracy) e Jeff tenta drogá-lo com cerveja batizada.
Quando Tracy chega no apartamento de Jeff e sente algo estranho no lugar, ele diz que
vai embora e Dahmer diz para ele ficar fazendo o seguinte questionamento: “Por que
todos sempre querem me abandonar? ”. Tracy não entende o questionamento e diz que
quer apenas ar fresco, pois o apartamento está fétido. Nesse meio tempo, enquanto
Dhamer mostra seu aquário com os peixes mortos, ele põe algema em um dos pulsos de
Tracy e começa uma luta corporal. Durante esse embate, a vizinha que aparece no início
ouve a discussão que se desenrola entre Jeffrey e Tracy. Após ser obrigado a ir ao quarto
para assistir ao filme de terror (O exorcista 3), Tracy tenta seduzir Jeff na tentativa de
escapar dessa situação, mas não dá muito certo. Em um dado momento, Dhamer faz outro
questionamento a Tracy: “Eu sou estranho? “, ao passo que Tracy responde dizendo que
não (com medo, obviamente). Depois disso, quando Jeffrey diz que vai comer o coração
de Tracy após ouvi-lo, começa uma luta corporal onde Tracy consegue se desvencilhar e
chamar a polícia. A polícia vai até ao apartamento de Dhamer e questiona ao Tracy se era
ele que tentou matá-lo. Após algumas perguntas, os policiais questionam se podiam entrar
no apartamento e Jeff deixa entrar. Ao vistoriar o apartamento, um dos policiais descobre
em uma gaveta fotos onde mostravam as “obras” de seus crimes. A cena é cortada para
o pai de Jeffrey recebendo uma ligação da polícia de tentativa de assassinato e ao chegar
na delegacia, os policiais explicam a situação e pedem ao pai para que diga como Dhamer
é. Ao relatar sobre o filho, ele disse que Jeff sempre foi um menino estranho e que após
uma cirurgia de hérnia a qual ele foi submetido aos 4 anos, o pai disse que ele nunca mais
foi o mesmo. O sr. Dhamer também informa que foi muito difícil para o Jeffrey o divórcio
dos pais e ficar sozinho com apenas 18 anos. Nesta mesma cena, os policiais informam
ao sr. Dhamer sobre as atrocidades de Jeffrey, de tudo o que foi encontrado no
apartamento e o ato de canibalismo cometido por ele. O episódio se encerra com o policial
pedindo a Glenda (a vizinha do início do episódio, interpretada pela Niecy Nash) se retirar
do prédio, já que ele todo virou cena do crime e ela questiona ao policial: “Quantos vocês
encontraram? ” Neste primeiro momento, pode-se analisar algumas problemáticas do
serial killer. A primeira coisa a ser observada é a falta de aptidão de entrosamento social
que Dhamer demonstra, já que inicia conversas oferecendo bebida e não ¨puxa¨ nenhum
assunto para iniciar um desenvolvimento social, parecendo ser engessado. Após isso, ele
oferece dinheiro para posar para fotos, o que é mais um indicativo de falta de manejo para
interações sociais. A segunda coisa a ser observada é o extremo medo de ser abandonado,
já que questiona ao Tracy o porquê que todos sempre o abandonam e quando este tenta ir
embora, Dahmer reage de maneira agressiva – ameaçando-o com uma faca. Quando a
cena é cortada para o pai de Jeff, é possível perceber a tentativa do pai de justificar o
comportamento de seu filho – a cirurgia de hérnia – embora ele admitisse que ele sempre
foi uma criança estranha. Ao mencionar o abandono sofrido aos 18 anos, podemos iniciar
a compreensão do medo de abandono que Jeff apresentou ao Tracy – “Por que todos
sempre querem me abandonar? ” A série foca não apenas nos crimes horrendos, mas
também nos fatores que permitiram que Dahmer escapasse da justiça por tanto tempo,
incluindo a negligência policial e o racismo sistêmico, uma vez que a maioria de suas
vítimas eram homens negros ou pertencentes a minorias sociais. A história é contada a
partir de múltiplas perspectivas, incluindo as das vítimas, suas famílias e até de vizinhos,
que suspeitavam de seus comportamentos estranhos, mas não foram ouvidos pelas
autoridades. Ao longo dos 10 episódios, a série explora o modus operandi de Dahmer e
suas tendências canibais e necrófilas, além de seu isolamento social e psicológico.
Também mostra o impacto devastador que seus crimes tiveram nas comunidades afetadas
e na sociedade como um todo. "Dahmer: Um Canibal Americano" não é apenas um
retrato dos crimes de Dahmer, mas uma crítica ao fracasso das instituições em proteger
as vítimas, especialmente aquelas marginalizadas. A série equilibra o horror com um tom
de reflexão sobre o legado trágico deixado por Dahmer e seus crimes.
QUEIXA PRINCIPAL:

Profundo sentimento de isolamento, dificuldades com relacionamentos interpessoais e


impulsos sexuais incontroláveis e perturbadores, expressando dificuldade em controlar
fantasias sexuais violentas, além de sentir uma desconexão emocional com outras
pessoas. Relata ser uma pessoa solitária e marginalizada que apresenta dificuldade em
interagir socialmente, manifestando uma inquietação com pensamentos e impulsos
sexuais que envolvem violência e necrofilia: concretizados através de dominação da
pessoa e até a morte. Alega também uma luta interna para controlar seus impulsos e suas
fantasias, o que considera perturbadores, mas que gradualmente estão se tornando mais
difíceis de reprimir. Sentimento de alienação: A possível sensação de ser "diferente" ou
de não pertencer à sociedade, reforçando a sensação de estar separado emocionalmente e
socialmente da realidade das outras pessoas.

EVOLUÇÃO DA QUEIXA:
Queixa Inicial: Dahmer inicialmente relatou sentimentos de angústia, solidão ou
dificuldades em manter relacionamentos interpessoais. Ele descreveu uma sensação de
desconexão emocional, fantasias perturbadoras e impulsos que o preocupavam, mas sem
revelar totalmente a gravidade de seus comportamentos. Relatou sobre sentimento de
culpa ou confusão sobre suas atrações e comportamentos sexuais.

Avaliação Inicial: Começamos com uma avaliação detalhada, incluindo uma história
clínica, entrevistas e possivelmente testes psicológicos. Dahmer apresentou-se como um
indivíduo introspectivo e autoconsciente, mas com um nível significativo de distorções
cognitivas e falta de empatia.

MUDANÇAS DURANTE O TRATAMENTO:

Insight: À medida que o tratamento avançasse, Dahmer poderia começar a ganhar mais
insight sobre suas emoções e comportamentos. Ele poderia começar a reconhecer padrões
disfuncionais em seu pensamento e comportamento, embora a capacidade de modificar
profundamente suas crenças e impulsos perturbadores fosse limitada.

Desenvolvimento de Estratégias de Enfrentamento: Trabalhamos com Dahmer para


desenvolver estratégias de enfrentamento para lidar com seus impulsos e emoções.
Técnicas de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) foram usadas para tentar
reestruturar pensamentos distorcidos e promover um melhor controle sobre os impulsos.

Intervenções Terapêuticas: Dependendo da abordagem terapêutica, poderiam ser


introduzidas técnicas de exposição, manejo de impulso e abordagens voltadas para a
construção de empatia e habilidades sociais. A terapia pode também incluir trabalho sobre
a construção de um sentido de identidade e propósito fora de comportamentos
disfuncionais.

MUDANÇAS E RESULTADOS:

Mudanças Internas: O tratamento resultou em um aumento na consciência emocional e


uma compreensão mais profunda de suas próprias motivações e comportamentos.
Dahmer começou a identificar e questionar crenças distorcidas e padrões de pensamento
disfuncionais, embora não consiga deixar de executar os crimes.

Mudanças Comportamentais: De maneira ideal, o tratamento ajudou a reduzir


comportamentos impulsivos e prejudiciais, promovendo uma maior capacidade de
controle sobre os impulsos. No entanto, dada a gravidade de seus comportamentos,
mudanças significativas são difíceis de alcançar e manter.

Desenvolvimento de Empatia e Relacionamentos: O objetivo final do tratamento seria


promover uma maior empatia e habilidades interpessoais, ajudando Dahmer a formar
conexões mais saudáveis e reduzir comportamentos prejudiciais. Entretanto, a capacidade
de alcançar mudanças substanciais dependeria da disposição de Dahmer para enfrentar e
modificar profundamente suas crenças e impulsos.

Resultado Final: A evolução do tratamento dependeria de muitos fatores, incluindo a


gravidade dos distúrbios e a eficácia das intervenções. Mesmo com intervenção
psicológica, a natureza profundamente enraizada de seus impulsos e distúrbios limitam a
capacidade de alcançar mudanças significativas e duradouras. Embora a terapia possa ter
ajudado Dahmer a entender melhor seus pensamentos e comportamentos, a gravidade e a
complexidade de seus transtornos e comportamentos criminosos indicam que mudanças
profundas e abrangentes teriam sido desafiadoras de alcançar.

• USO DE MEDICAÇÕES:
O paciente relata não fazer uso de medicação.
HISTÓRIA DO DESENVOLVIMENTO:

● DESENVOLVIMENTO DO SEU TRATAMENTO

Estabelecimento de Relacionamento Terapêutico: Construir uma relação de confiança


com o terapeuta foi crucial. Dahmer inicialmente mostrou resistência ou relutância em
revelar a totalidade de seus pensamentos e comportamentos, especialmente se esses
incluíam fantasias ou comportamentos violentos.
Exploração dos Pensamentos e Sentimentos: O tratamento começou com a exploração
dos pensamentos e sentimentos de Dahmer. Trabalhamos para identificar padrões de
pensamentos disfuncionais e distorções cognitivas. Esse processo incluiu a investigação
de suas crenças sobre si mesmo, os outros e o mundo ao seu redor.

Insight: Com o tempo, Dahmer poderia começar a ganhar insight sobre a natureza de
seus impulsos e comportamentos. A terapia poderia ajudar a conectar suas experiências
passadas com suas atitudes e comportamentos atuais, oferecendo uma compreensão mais
clara de suas motivações.

● MUDANÇAS E INTERVENÇÕES

Técnicas de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Técnicas de TCC foram


usadas para desafiar e modificar pensamentos disfuncionais e comportamentos
impulsivos. O foco foi em ajudar Dahmer a desenvolver estratégias para controlar seus
impulsos e lidar com emoções de maneira mais salutar.

Trabalho sobre Empatia e Relacionamentos: O tratamento incluiu exercícios para


melhorar a empatia e habilidades sociais. A construção de empatia e a capacidade de
formar conexões emocionais saudáveis foram objetivos importantes, visando ajudar
Dahmer a entender melhor os sentimentos dos outros e a desenvolver relacionamentos
mais saudáveis.

Controle de Impulsos: Técnicas para o gerenciamento de impulsos e comportamento


foram introduzidas, incluindo estratégias para lidar com desejos perturbadores e prevenir
comportamentos prejudiciais.
● EVOLUÇÃO DO TRATAMENTO

Reflexão e Ajustes: O tratamento evoluiu com base na resposta de Dahmer às


intervenções. Ajustamos as estratégias terapêuticas conforme necessário, respondendo
aos desafios e progressos de Dahmer.

Desenvolvimento Pessoal e Comportamental: Com o tempo, Dahmer experimentou


mudanças em sua percepção de si mesmo e em seus comportamentos. O desenvolvimento
de habilidades para lidar com suas emoções e impulsos poderia resultar em uma melhora
no controle e na gestão de seus comportamentos.

● CONCLUSÃO DO TRATAMENTO

Reavaliação e Planejamento Futuro: Ao final do tratamento, haveria uma reavaliação


dos progressos feitos e dos objetivos alcançados. Nós (terapeutas) e Dahmer
discutiríamos os próximos passos que poderiam incluir a continuidade do tratamento, o
estabelecimento de redes de apoio ou o desenvolvimento de planos para manutenção do
progresso.

Resultados e Limitações: Embora o tratamento possa ter ajudado Dahmer a ganhar uma
compreensão mais profunda de seus pensamentos e comportamentos, as mudanças
profundas e duradouras dependeriam da gravidade e complexidade dos distúrbios. O
tratamento poderia ajudar a mitigar alguns comportamentos e pensamentos perturbadores,
mas a natureza de seus impulsos e distúrbios poderia limitar a eficácia total das
intervenções.

Esta história do desenvolvimento do tratamento é hipotética e baseada em uma


abordagem geral de psicoterapia. A gravidade dos comportamentos e distúrbios de Jeffrey
Dahmer indicaria que o tratamento seria desafiador e que mudanças profundas poderiam
ser difíceis de alcançar.

HISTÓRIA FAMILIAR:

A história familiar de Jeffrey Dahmer é repleta de episódios de abandono e negligência


emocional por parte dos genitores e isso desempenhou um papel significativo no
desenvolvimento de seus problemas emocionais e comportamentais. Nascido em 21 de
maio de 1960 na cidade de Milwaukee em Wisconsin nos Estados Unidos, sendo o filho
mais velho de Lionel e Joyce Dahmer. Sua infância e os conflitos dentro de sua família
ajudaram a moldar o ambiente emocional instável que o acompanhou ao longo de sua
vida. Lionel Dahmer era um químico, descrito como uma figura intelectual, mas muitas
vezes emocionalmente distante. Ele se envolvia intensamente em seu trabalho, o que o
mantinha longe de casa com frequência, especialmente durante os primeiros anos da vida
de Jeffrey. A ausência emocional de Lionel pode ter deixado Jeffrey sem uma figura
paterna estável e de referência para guiá-lo. Mais tarde, Lionel reconheceu alguns sinais
perturbadores no comportamento de seu filho, como seu interesse mórbido por cadáveres
de animais, mas pensou em se tratar de um interesse incomum. Joyce Dahmer sofria de
problemas de saúde mental, incluindo depressão pós-parto não tratada, ansiedade severa
e possivelmente, hipocondria (podemos dizer que possivelmente ela sofria de Borderline,
devido às inconstâncias emocionais que demonstrava). Ela também era frequentemente
medicada com remédios controlados, o que agravava seu comportamento errático e sua
incapacidade de cuidar emocionalmente de Jeffrey. Joyce foi descrita como uma mãe
carente, emocionalmente instável e muitas vezes obcecada por seus próprios problemas
de saúde. Durante a gestação de Jeffrey, Joyce permaneceu fazendo uso da medicação
para amenizar os sintomas de suas psicopatologias o que pode ter afetado negativamente
o neurodesenvolvimento do bebê. O relacionamento entre Joyce e Lionel era altamente
disfuncional, marcado por brigas constantes. Isso criava um ambiente familiar tenso e
instável. As discussões entre os pais e a falta de atenção emocional de ambos foram
fatores que contribuíram para o isolamento e o retraimento de Jeffrey. A relação de Jeffrey
Dahmer com sua avó, Catherine Dahmer, foi uma das poucas relações familiares
relativamente estáveis e positivas em sua vida, especialmente após o divórcio de seus
pais, quando ele foi morar com ela. Catherine Dahmer desempenhou um papel importante
na vida de Jeffrey durante uma fase crítica de sua vida quando ele estava lutando com sua
própria identidade e problemas pessoais. Catherine era conhecida por ser uma avó
carinhosa e preocupada com o bem-estar de seu neto. Ela fez o possível para integrar
Dahmer em sua vida cotidiana e oferecer um ambiente de apoio. Dahmer se comportava
de maneira relativamente mais normal em sua presença, mostrando que ele ainda tinha a
capacidade de manter uma fachada de normalidade em um ambiente mais acolhedor.
Apesar de ter suas necessidades físicas atendidas, Jeffrey Dahmer cresceu em um
ambiente de negligência emocional. Seus pais estavam imersos em suas próprias
dificuldades pessoais e no conflito conjugal, deixando pouco espaço para dar atenção às
necessidades emocionais de seu filho. Esse cenário pode ter corroborado para o
desenvolvimento de uma incapacidade de Dahmer em estabelecer vínculos saudáveis com
outras pessoas. Os pais de Dahmer se divorciaram quando ele tinha 18 anos, logo após o
término do Ensino Médio. O divórcio foi conturbado e contribuiu para o aumento do
isolamento de Dahmer. Após a separação, ele passou a viver sozinho na casa da família,
enquanto seus pais se distanciavam cada vez mais. Nesse período, ele cometeu seu
primeiro assassinato (o jovem de 18 anos Steve Hicks). Jeffrey Dahmer tinha um irmão
mais novo chamado David e embora houvesse uma diferença significativa de idade entre
os dois, pouco se sabe sobre a relação entre eles. David foi mantido fora do foco público
após a prisão de Dahmer e mudou de nome para evitar a associação com o irmão e tem
se mantido no anonimato até os dias de hoje. Se estiver vivo, está com 57 anos, casado e
com dois filhos (esta última informação foi fornecida em entrevista pelo pai de Dahmer,
quando ainda estava vivo). A história familiar de Jeffrey Dahmer inclui vários fatores que
podem ter contribuído para seu desenvolvimento psicológico perturbado, haja vista que,
desde muito pequeno, Jeffrey acompanhou os conflitos conjugais que permeavam o lar:
As constantes brigas entre seus pais combinadas com a falta de apoio emocional e
referência, uma vez que o pai era focado em seu trabalho e em sua carreira como Químico,
não dedicando ao filho tempo e atenção necessários à educação e desenvolvimento de
laços afetivos. Já sua mãe, preocupava-se mais com suas questões de saúde e demonstrava
ser uma mãe ausente das vivências do filho e incapaz de dar amor. Ambos os genitores
criaram um ambiente de instabilidade emocional, possivelmente levando Dahmer a se
isolar e a desenvolver dificuldades em formar conexões emocionais saudáveis, resultando
em pouca supervisão parental e pouca atenção aos sinais de perturbação emocional em
Jeffrey. Além disso, desde cedo, Dahmer demonstrou comportamentos mórbidos, como
o interesse por dissecação de animais, que passaram despercebidos ou foram minimizados
por seus pais, possivelmente porque a família estava preocupada com seus próprios
problemas.

HISTÓRIA ESCOLAR:
A história escolar de Jeffrey Dahmer foi marcada por um crescente isolamento social,
dificuldades de adaptação e sinais de comportamentos problemáticos que, em retrospecto,
sugeriam possíveis transtornos psicológicos. Ele passou grande parte de sua vida escolar
sendo uma figura solitária, com pouco envolvimento social e começou a demonstrar
comportamentos preocupantes ainda na adolescência. Nos primeiros anos da escola,
Dahmer foi descrito como uma criança relativamente normal, embora tenha começado a
se mostrar mais retraído e introvertido ao longo do tempo. Durante o Ensino Fundamental,
ele já era notavelmente solitário, preferindo passar o tempo sozinho ou explorando a
natureza, onde começou a desenvolver seu fascínio por animais mortos. Por volta dos 10
anos, Dahmer começou a exibir sinais de desinteresse nas interações sociais e no
desempenho escolar. Esse isolamento foi agravado pelos problemas familiares, como a
deterioração do casamento de seus pais e a instabilidade emocional dentro de casa.
Durante sua infância, ele desenvolveu um interesse peculiar por cadáveres de animais,
colecionando ossos e até mesmo dissecando pequenos animais. Esse comportamento
mórbido não foi devidamente identificado ou tratado pela família ou pela escola, sendo
muitas vezes negligenciado. No ensino médio, Dahmer passou a ser conhecido por seu
comportamento excêntrico, além de um maior envolvimento com o consumo de álcool.
Seu rendimento acadêmico era irregular e ele continuava a ser uma figura socialmente
isolada. Ele era visto por colegas e professores como uma pessoa estranha e distante,
apesar de, ocasionalmente, fazer brincadeiras para chamar a atenção e atrair os colegas,
como fingir ataques epilépticos, entre outros comportamentos que os colegas
consideravam bizarros. Em relação ao alcoolismo, Dahmer começou a beber já no início
da adolescência, levando frequentemente bebidas alcoólicas para a escola. Ele chegou a
beber dentro das salas de aula, o que foi notado por seus colegas e, em alguns casos, pelos
professores. Embora seu alcoolismo fosse evidente, aparentemente, nenhuma ação efetiva
foi tomada pela escola ou pelos pais. Dahmer tinha poucos amigos e parecia incapaz de
formar relacionamentos duradouros. Ele era visto como uma figura estranha, muitas vezes
zombada por seus colegas. Em alguns momentos, ele tentava atrair atenção fazendo
imitações exageradas de pessoas com deficiências ou comportamento errático, um
comportamento que ficou conhecido entre seus colegas como "fazer um Dahmer". Isso o
tornava uma espécie de "palhaço da turma", mas essas ações também reforçavam sua
exclusão social. Seu desempenho acadêmico oscilava entre medíocre e ruim. Apesar de
ter uma inteligência considerada acima da média, Dahmer nunca demonstrou grande
interesse pelos estudos. À medida que os problemas pessoais e o isolamento social
aumentavam, seu rendimento caiu ainda mais. Ele se formou no Ensino Médio, mas sem
nenhum destaque. O pai e a madrasta o levaram para a faculdade em Ohio, no entanto foi
expulso por seu envolvimento com bebidas e seu mau desempenho acadêmico.
HISTÓRIA SOCIAL:
A história social de Jeffrey Dahmer foi caracterizada por isolamento, dificuldades em
manter relações interpessoais e uma crescente desconexão com a sociedade. Desde a
infância até a sua vida adulta, Dahmer apresentou problemas em formar laços
significativos com outras pessoas, o que contribuiu para seu comportamento antissocial e
suas inclinações criminosas. Seu isolamento social profundo combinado com suas
tendências psicopáticas, moldou seu comportamento reforçando suas inclinações
violentas e desvios sexuais. Na infância, Dahmer começou a demonstrar sinais de
isolamento e retraimento social, comportamento que foi exacerbado por problemas
familiares como o divórcio conturbado de seus pais e a negligência emocional por parte
deles. Dahmer era uma criança que preferia ficar sozinha. Seu interesse por dissecação de
animais e fascínio por objetos mórbidos o afastou ainda mais de outras crianças. Ele
passou a maior parte de sua infância e adolescência solitário, sem criar laços profundos
com amigos ou colegas. Mesmo durante a adolescência, Dahmer não participava de
atividades sociais comuns entre jovens de sua idade. Enquanto a maioria dos adolescentes
se envolvia em atividades extracurriculares ou saídas com amigos, Dahmer tendia a se
afastar, demonstrando desinteresse por essas interações. No Ensino Médio Dahmer era
conhecido como uma figura excêntrica e embora tivesse alguns conhecidos, ele não
desenvolveu amizades profundas. Seu comportamento era frequentemente considerado
estranho pelos colegas e ele se tornava o "palhaço" da turma, realizando imitações
exageradas e bizarrices para chamar a atenção. O uso de álcool começou nesse período e
parece ter sido um mecanismo de fuga para lidar com sua solidão e desconforto social, já
que não conseguia formar amizades verdadeiras ou duradouras. O alcoolismo precoce
iniciado na puberdade foi se intensificando ao longo dos anos, levando Jeffrey a beber
compulsivamente, o que o afastou ainda mais de seus pares. Ele chegava a frequentar as
aulas embriagado, tornando-se mais uma figura marginalizada. Apesar disso, muitos de
seus comportamentos preocupantes foram ignorados por colegas, pelos professores e pela
família. Segundo o próprio Jeffrey, o álcool lhe dava coragem para manipular e executar
suas vítimas, já que tentou em vão reprimir seus impulsos. Com a conclusão do Ensino
Médio, o isolamento social de Dahmer se intensificou. Ele fez tentativas fracassadas de
integrar-se à sociedade por meio de diferentes experiências, como servir ao Exército,
cursar à faculdade e trabalhar em diversos lugares como em um supermercado, em uma
fábrica de chocolates e em uma construtora, mas esses esforços resultaram em fracasso
fazendo com que ele voltasse a viver isolado devido ao seu baixo desempenho social e
problemas de comportamento. O alcoolismo de Dahmer era um problema persistente que
impactava negativamente sua capacidade de se manter nos empregos. Seu
comportamento errático e sua tendência a se apresentar embriagado contribuíam para
problemas de desempenho no trabalho e eventual demissão. A história social de Jeffrey
Dahmer em relação aos empregos que teve ao longo de sua vida também reflete aspectos
de seu comportamento e personalidade. Apesar de ter buscado empregos em diferentes
áreas, Dahmer frequentemente demonstrava comportamentos problemáticos e uma
incapacidade de manter um trabalho por um longo período, o que estava em sintonia com
sua dificuldade de se integrar socialmente e de manter uma vida estável. Em todos os
empregos que teve, Dahmer era frequentemente percebido como uma pessoa isolada e
estranha. Sua incapacidade de se conectar socialmente com colegas e seu comportamento
peculiar eram notados por aqueles que trabalhavam com ele. Essa falta de integração
social pode ter sido um reflexo de seus problemas psicológicos mais profundos. Antes de
se alistar, Dahmer tentou frequentar a Universidade Estadual de Ohio, por iniciativa do
pai e da madrasta, mas foi expulso da faculdade após apenas três meses, novamente
devido ao abuso de álcool e ao desinteresse acadêmico. A falta de motivação e
envolvimento contribuiu para seu isolamento contínuo. Após ser dispensado do Exército,
Dahmer se mudou para Milwaukee, onde viveu em um apartamento sozinho. Ele se
tornou um indivíduo ainda mais recluso, sem amizades significativas e vivendo à margem
da sociedade. Jeffrey Dahmer era homossexual, mas suas relações eram breves e
transacionais, focadas em controle e dominação, em vez de conexões emocionais. Ele não
conseguia formar laços afetivos com seus parceiros e, em vez disso, transformava esses
encontros em oportunidades para satisfazer suas fantasias violentas e parafílicas. Ele
frequentava bares gays, onde muitas de suas vítimas foram encontradas. Ele atraía suas
vítimas com promessas de dinheiro ou favores sexuais, mas esses encontros sempre
acabavam em violência, indicando sua incapacidade de desenvolver qualquer tipo de
vínculo afetivo ou romântico saudável. Era visto por seus vizinhos como uma pessoa
estranha, mas educada.

HISTÓRIA SEXUAL:
A história sexual de Jeffrey Dahmer está profundamente interligada com suas tendências
criminosas, fantasias de controle e comportamentos violentos. A evolução de seus
desejos e fantasias sexuais, desde a adolescência até sua vida adulta, foi marcada por um
crescente desvio em direção a comportamentos parafílicos e violentos. Dahmer descobriu
sua homossexualidade na adolescência, mas teve dificuldades em lidar com isso.
Crescendo em um ambiente familiar disfuncional e com uma sociedade menos aberta
sobre questões LGBTQIAP+ na época, ele manteve sua sexualidade em segredo. Sua luta
para aceitar sua orientação sexual se manifestou em sentimentos de isolamento e
vergonha. Durante a adolescência, Jeffrey começou a desenvolver fantasias sexuais de
controle e dominação sobre homens. Ele fantasiava sobre estar em total controle dos
corpos de outras pessoas, imaginando-as imobilizadas ou inconscientes. Essas fantasias
iniciais não envolviam violência que causavam a morte – ele inicialmente dopava as
vítimas e as estuprava –, mas eram baseadas no desejo de ter completo poder sobre o
outro. Na vida adulta, as fantasias sexuais de Dahmer se tornaram cada vez mais violentas
e centradas em necrofilia e submissão absoluta. Ele desejava estar com parceiros que não
resistissem ou não tivessem vontade própria, o que se manifestou em sua prática de dopar
e imobilizar suas vítimas. Dahmer costumava sedar seus parceiros sexuais com
medicamentos para que ficassem inconscientes. Isso lhe permitia realizar suas fantasias
de dominação total e sexo com corpos passivos. Esse padrão de comportamento, que ele
desenvolveu ao longo dos anos, demonstra sua incapacidade de se relacionar
emocionalmente ou de buscar prazer de maneira consensual. Um aspecto central da vida
sexual de Dahmer era a necrofilia, o desejo de manter relações sexuais com cadáveres.
Ele admitiu que o maior prazer para ele era estar com corpos sem vida, que ele podia
controlar completamente sem resistência. Após matar suas vítimas, Dahmer muitas vezes
mantinha relações sexuais com seus corpos. Ele admitiu que a principal razão pela qual
matava era para satisfazer esses impulsos sexuais relacionados ao controle e à necrofilia.
As vítimas eram vistas como objetos de prazer sexual em vez de seres humanos e Dahmer
buscava "preservar" sua beleza de várias formas, incluindo desmembramento e
conservação de partes do corpo. Para Dahmer, o ato de matar estava diretamente ligado
ao prazer sexual. Ele matava para satisfazer suas necessidades sexuais e não por raiva ou
por ódio. Suas fantasias sexuais, em última análise, o levaram ao assassinato em série
como um meio de realizar esses desejos. À medida que seus crimes progrediam, Dahmer
começou a realizar experimentos perturbadores em suas vítimas, na tentativa de criar uma
"pessoa zumbi" que ele poderia controlar completamente. Dahmer tentou perfurar os
crânios de duas de suas vítimas e injetar substâncias como ácido muriático e água
fervente, na esperança de transformar essas vítimas em "zumbis" – seres sem vontade
própria que ele poderia manipular à vontade. Esses experimentos macabros refletem seu
desejo extremo de ter parceiros sexuais submissos e sem consciência. O canibalismo
também fazia parte de suas fantasias sexuais. Jeffrey confessou que comer partes de suas
vítimas lhe dava uma sensação de poder e controle. Ele acreditava que ao consumir parte
de suas vítimas, elas se tornariam parte dele para sempre, o que reforçava sua obsessão
pelo controle total. Para ele, o canibalismo estava intimamente ligado à dominação. Ao
consumir a carne de suas vítimas, ele sentia que estava absorvendo parte delas,
solidificando ainda mais seu controle sobre elas. Apesar de seu comportamento desviante,
Dahmer teve alguns encontros sexuais consensuais com outros homens, principalmente
em bares gays. No entanto, essas interações eram breves e não envolviam conexão
emocional significativa. Dahmer nunca conseguiu manter um relacionamento romântico
duradouro ou estável. Embora Dahmer tenha frequentado bares gays em Milwaukee, onde
conhecia algumas de suas vítimas, ele nunca formou uma conexão emocional verdadeira
com ninguém. Suas relações sexuais eram transacionais, muitas vezes envolvendo drogas
e, em última instância, resultando em violência. Antes de ser preso pelos assassinatos,
Dahmer teve alguns problemas legais relacionados ao comportamento sexual inadequado.
Em 1986, ele foi preso por exposição indecente e em 1988 foi condenado por molestar
sexualmente um menino de 13 anos, Somsack Sinthasomphone (mais tarde, seu irmão
Konerak Sinthasomphone, tornar-se-ia uma de suas vítimas). Dahmer foi preso por
molestar Somsack – irmão de Konerak – em 1988, mas cumpriu apenas um ano de prisão.
Em 1991, ele sequestrou Konerak e o matou, demonstrando a gravidade de seu
comportamento sexual predatório e sua incapacidade de controlar seus impulsos.

EXAME DO ESTADO MENTAL:


Aparência: Jeffrey Dahmer, aos 34 anos, tinha uma aparência que refletia sua
personalidade introvertida e desconectada. Sua higiene pessoal era frequentemente
negligenciada, com relatos de que ele mantinha um aspecto desleixado. Seu cabelo loiro
e fino geralmente estava sem corte e sem cuidados específicos e ele costumava deixar
uma barba rala e desalinhada em algumas ocasiões. Dahmer frequentemente usava roupas
simples e despretensiosas, como camisetas largas, camisas de flanela e jeans, sem se
preocupar muito com a moda ou aparência. Seu estilo de vestir era funcional e discreto,
muitas vezes sugerindo que ele se misturava facilmente à multidão, sem chamar atenção
para si mesmo. Ele era notoriamente introvertido e evitava interações sociais profundas.
Sua postura era descuidada, raramente mantendo contato visual, em geral parecendo
retraído ou distante durante conversas. Quando interagia com outras pessoas, tinha a
tendência de falar de maneira monótona e inexpressiva, o que contribuía para sua aura de
isolamento. Em termos de higiene pessoal, também não demonstrava muito cuidado. Nos
momentos em que estava em seu apartamento, os ambientes ao seu redor frequentemente
ficavam em condições deploráveis, o que refletia sua falta de preocupação com a limpeza
e organização. Ele tinha um ar de desconforto e distanciamento, o que tornava difícil para
os outros estabelecerem uma conexão emocional ou social com ele. Isso contribuía para
a impressão de que ele era uma pessoa solitária, desconectada e fora de sintonia com os
padrões normais de comportamento social.

Impressão geral: A impressão geral que Jeffrey Dahmer transmitia era a de uma pessoa
solitária, retraída e socialmente desconectada. Superficialmente, ele não parecia ser uma
ameaça imediata. Na maioria das vezes, Dahmer aparentava ser apenas mais um homem
comum, discreto e inofensivo. Sua aparência física e comportamento não chamavam
muita atenção e isso o ajudava a se misturar facilmente às pessoas ao seu redor sem
levantar suspeitas. Com roupas simples e casuais, como jeans, camisetas e camisas de
flanela, Jeff passava uma imagem de alguém que não se preocupava muito com sua
aparência. Ele parecia apático e emocionalmente distante, suas interações sociais eram
muitas vezes marcadas por uma fala monótona e um comportamento sem expressão. Sua
postura corporal era geralmente desleixada, ele raramente mantinha contato visual
prolongado, o que fazia com que ele parecesse desconfortável ou até tímido em situações
sociais. Para aqueles que interagiam com ele brevemente, Dahmer poderia parecer apenas
uma pessoa introvertida ou um pouco estranha, mas não necessariamente alguém que
despertasse medo. No entanto, para aqueles que passavam mais tempo com ele, podia-se
perceber uma inquietação subjacente, algo perturbador em sua quietude e na falta de
emoção. Essa combinação de ser discreto, solitário e apático contribuiu para a dificuldade
em identificar qualquer comportamento preocupante à primeira vista, o que permitiu que
seus atos terríveis passassem despercebidos por muitos por tanto tempo.

FUNÇÕES PSÍQUICAS:
Competência Classificação

Consciência Desperto e lúcido.


Atenção Dispersa em alguns momentos.
Sensopercepção Alterada, demonstrando sinais de distorção da percepção da realidade com
alucinações.
Orientação Autopsíquica e alopsíquica preservadas.
Linguagem Discurso vago e digressivo, parecendo esquivar-se dos objetivos propostos pela
avaliação. Uso de palavras bizarras e fora de contexto.
Pensamento Lentificado, desorganizado e com a presença de delírios.
Memória Preservada.
Inteligência Alterada, considerando as disfunções na cognição, no curso do pensamento e na
interpretação da realidade.
Afeto Falta de empatia e sentimento de culpa. Não apresenta remorso.
Conduta Comportamentos excêntricos e desviantes com ausência de remorso.
Psicomotricidade Sem alteração.
Juízo crítico Não demonstra capacidade de autorreflexão.

CONCLUSÃO:
Este trabalho abordou os aspectos multifacetados da vida de Jeffrey Dahmer e a
complexidade dos transtornos psicopatológicos que marcaram seu comportamento e suas
ações. Através da análise detalhada de sua psicopatologia, comportamento e possíveis
intervenções psicológicas, foi possível construir uma compreensão abrangente do caso e
refletir sobre as implicações de um tratamento hipotético. Jeffrey Dahmer apresenta um
perfil complexo de transtornos que se alinham com várias classificações diagnósticas do
DSM-5-TR. A análise de seu comportamento e características pessoais indica que ele
alcança critérios para os seguintes transtornos:

● TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL (F60.2):

Dahmer atende a vários critérios do TPA, incluindo desrespeito persistente pelos direitos
dos outros, comportamento ilegal, engano, impulsividade, irritabilidade e agressividade,
irresponsabilidade e falta de remorso. Sua história de vida e seus crimes demonstram um
padrão claro de comportamento antissocial desde a adolescência, indicando a presença
desse transtorno.

Critérios de Diagnóstico (APA, 2021):

O diagnóstico de Transtorno de Personalidade Antissocial é feito com base nos seguintes


critérios:

A. Padrão geral de desrespeito e violação dos direitos dos outros, ocorrendo desde os 15
anos, como indicado por três (ou mais) dos seguintes:
1. Falta de conformidade com normas sociais, manifestada por comportamento ilegal:
Comportamentos repetidos que violam leis e normas sociais.

2. Engano, manifestado por mentiras repetidas, uso de nomes falsos ou engano para obter
lucro ou prazer pessoal: Isso inclui manipulação e engano como comportamentos
habituais.

3. Impulsividade ou incapacidade de planejar com antecedência: Comportamentos


impulsivos que não consideram as consequências.

4. Irritabilidade e agressividade, manifestadas por brigas físicas ou assaltos:


Comportamentos violentos em situações de conflito.

5. Desconsideração imprudente pela segurança própria ou de outros: Ações que


demonstram desprezo pelas consequências para si mesmo e para os outros.

6. Irresponsabilidade consistente, como a incapacidade de manter um emprego estável ou


honrar obrigações financeiras: Falta de comprometimento com responsabilidades sociais
e profissionais.

7. Falta de remorso por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa: Ausência de
empatia ou culpa pelos atos cometidos.

B. A pessoa deve ter pelo menos 18 anos de idade.

C. Havia evidência de Transtorno de Conduta durante a infância ou adolescência.

D. O comportamento antissocial não ocorre exclusivamente durante o curso de


esquizofrenia ou episódios maníacos.

Análise:

Dahmer exibe muitos dos critérios mencionados, incluindo:

Comportamento ilegal: Seus crimes são um claro exemplo de violação das normas
sociais e legais.

Engano: Ele manipulou e enganou suas vítimas e aqueles ao seu redor.

Impulsividade: Suas ações muitas vezes foram impulsivas, seguindo um padrão de


comportamento agressivo.
Irritabilidade e agressividade: Seus crimes foram marcados por extrema violência.

Desconsideração pela segurança: Ele demonstrou desprezo total pela vida e bem-estar
de suas vítimas.

Falta de remorso: Não houve evidência significativa de remorso genuíno em relação a


seus atos.

Assim, a descrição de Dahmer se alinha com os critérios do TPA, indicando que ele
apresenta um padrão consistente de comportamento antissocial ao longo de sua vida. A
interseção desses transtornos sugere que Dahmer não apenas possuía características de
TPA, mas também apresentava parafilias que estavam intimamente ligadas à sua
psicologia e comportamento criminoso. Esses transtornos não podem ser vistos
isoladamente, pois se entrelaçam e contribuem para um padrão geral de comportamento
violento e disfuncional.

● TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZOTÍPICA (F21):

Jeffrey Dahmer possui um padrão de relacionamentos sociais e interpessoais desalinhado


e deficitário, o que o torna incapaz de desenvolver vínculos afetivos e duradouros com
outros sujeitos. Observa-se distorções cognitivas e pensamento mágico em suas falas. No
que tange, especificamente ao episódio de querer dissecar as vítimas de seus atos
criminosos para construir um santuário que lhe proporcionaria poder e domínio, pode-se
perceber que seus comportamentos excêntricos encontram justificativa em seus
pensamentos bizarros e fantasiosos, atendendo a alguns critérios diagnósticos deste
transtorno.

Critérios de Diagnóstico (APA, 2021):

A. Um padrão generalizado de déficits sociais e interpessoais marcado por desconforto


agudo e capacidade reduzida para relacionamentos íntimos, bem como por distorções
cognitivas ou perceptivas e excentricidades de comportamento, começando no início da
idade adulta e presentes em uma variedade de contextos, conforme indicado por cinco (ou
mais) dos seguintes:

1. Ideias de referência (excluindo delírios de referência).


2. Crenças estranhas ou pensamento mágico que influencia o comportamento e é
inconsistente com as normas subculturais (por exemplo, superstição, crença em
clarividência, telepatia ou “sexto sentido”; em crianças e adolescentes, fantasias ou
preocupações bizarras).

3. Experiências perceptivas incomuns, incluindo ilusões corporais.

4. Pensamento e fala estranhos (por exemplo, vagos, circunstanciais, metafóricos,


elaborados demais ou estereotipados).

5. Suspeita ou ideação paranoica.

6. Afeto inadequado ou restrito.

7. Comportamento ou aparência estranha, excêntrica ou peculiar.

8. Falta de amigos íntimos ou confidentes que não sejam parentes de primeiro grau.

9. Ansiedade social excessiva que não diminui com a familiaridade e tende a estar
associada a medos paranoicos em vez de julgamentos negativos sobre si mesmo.

B. Não ocorre exclusivamente durante o curso de esquizofrenia, transtorno bipolar ou


transtorno depressivo com características psicóticas, outro transtorno psicótico ou
transtorno do espectro autista.

Análise:

Jeffrey Dahmer atendeu os seguintes critérios do TPE:

Crenças estranhas ou pensamentos mágicos: Dahmer acreditava que guardar para si os


crânios das vítimas daria a ele poderes, construindo um “altar” com estes crânios.

Pensamento e fala estranhos: Jeffrey tinha uma maneira de falar muito arrastada,
monótona e morosa. Ao expressar seus pensamentos, fica nítido perceber o porquê ele
mantinha perto de si os restos mortais das vítimas e também as consumia, pois pensava
que desta forma elas estariam sempre perto dele.
Afeto inadequado ou restrito: Por possuir inaptidão de construir vínculos interpessoais,
Dahmer nunca teve amigos próximos ou relacionamentos amorosos. Sua falta de
habilidade de iniciar conversas sem precisar do intermédio financeiro deixa explícita a
sua dificuldade. Durante sua vida, Jeffrey expressou algum afeto apenas por sua avó
Catherine e seu pai Lionel.

Comportamento ou aparência estranha, excêntrica ou peculiar: Apesar de


introvertido, o comportamento dele era considerado bizarro pelas pessoas. Na escola, para
ter atenção, Jeffrey fazia brincadeiras as quais seriam consideradas hoje como
politicamente incorretas. O contrabando de bebidas alcóolicas e o consumo dessas em
sala de aula evidencia um comportamento excêntrico.

Falta de amigos íntimos ou confidentes que não sejam parentes de primeiro grau:
Jeffrey não possuiu em sua vida nenhum amigo próximo e nem relacionamentos com
vínculo afetivo construído.

Ansiedade social excessiva que não diminui com a familiaridade e tende a estar
associada a medos paranoicos em vez de julgamentos negativos sobre si mesmo:
Além da dificuldade de iniciar e manter vínculos afetivos, Dahmer tinha um medo
paranoico de ser abandonado, o que culminava no assassinato de suas vítimas.

● TRANSTORNO PARAFÍLICO (302.9)

Dahmer apresentou várias parafilias, incluindo:

Necrofilia: O desejo sexual por cadáveres, que se manifestou em sua compulsão por
manter os corpos de suas vítimas.

Sádico: O prazer derivado da dor ou humilhação infligida a outras pessoas. Isso se reflete
em seu comportamento durante os crimes, onde ele buscava controlar e torturar suas
vítimas.

Voyeurismo: O prazer obtido ao observar o comportamento sexual de outros, o que pode


ser inferido de sua necessidade de controlar e explorar sexualmente suas vítimas.

Necrofilia (Transtorno Parafílico por Necrofilia)


Critérios Diagnósticos (APA, 2021):

A. Excitação sexual intensa e recorrente envolvendo cadáveres, manifestada por um dos


seguintes:

1. Contato físico ou atividades sexuais com cadáveres.

2. Pensamentos, fantasias ou comportamentos relacionados.

B. O comportamento é persistentemente exibido por pelo menos seis meses.

C. O comportamento causa angústia ou prejuízo significativo em áreas importantes da


vida do indivíduo, como áreas sociais, ocupacionais ou em outras áreas de
funcionamento.

2. Sadismo Sexual (Transtorno Parafílico Sadismo Sexual)

Critérios Diagnósticos (APA, 2021):

A. Excitação sexual intensa e recorrente derivada do sofrimento, humilhação ou dor


infligidos a outras pessoas, manifestada por um dos seguintes:

1. Atos de tortura ou sofrimento físico a outros.

2. Observação do sofrimento ou humilhação de outros.

B. O comportamento é persistentemente exibido por pelo menos seis meses.

C. O comportamento causa angústia ou prejuízo significativo em áreas importantes da


vida do indivíduo, como áreas sociais, ocupacionais ou em outras áreas de
funcionamento.

Análise:

Necrofilia

Comportamento: Dahmer manteve os corpos de suas vítimas e se envolveu em


atividades sexuais com eles, o que se alinha diretamente com os critérios de necrofilia.

Duração: Os comportamentos de Dahmer, que foram sustentados ao longo de sua vida


criminal, indicam uma persistência que supera o limite de seis meses.
Consequências: Embora ele não demonstrasse remorso, o impacto de suas ações sugere
que ele estava em um estado de angústia, o que poderia se aplicar.

Sadismo Sexual

Comportamento: Dahmer obteve prazer sexual através da dor e sofrimento infligidos a


suas vítimas, o que se alinha com os critérios de sadismo sexual.

Duração: Assim como a necrofilia, seus comportamentos foram recorrentes e mantidos


por um período significativo.

Consequências: Novamente, embora a ausência de remorso indique uma falta de


preocupação com o sofrimento alheio, o padrão de comportamento sugere que ele estava
ciente do impacto de suas ações.

A identificação dessas classificações diagnósticas segundo o DSM-5-TR oferece uma


compreensão mais profunda dos fatores psicológicos que podem ter influenciado Dahmer
e ressalta a complexidade das questões de saúde mental que podem levar a
comportamentos extremos. Esta análise enfatiza a importância de intervenções e
tratamentos precoces para indivíduos com comportamentos de risco, a fim de prevenir
tragédias como as que ocorreram em sua vida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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Netflix. Igor Miranda, Setembro de 2022. Disponível em:
<[Link] Acesso em:
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COELHO, Aline Alves; VIEIRA, Isabella Vitória de Souza; SANTOS, Luciana da Silva
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RODRIGUES, Fabiano de Abreu; SILVEIRA, Francis Moreira. Jeffrey Dahmer:


Multifatoriedade à luz da neurociência. Disponível
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CORTEZINI, Helena dos Santos; OLIVEIRA, Maria Vitória Bertolani; SANTOS,


Leandra dos; CAMPOS, Maria Luana Fiorin. CARVALHO, Gabrieli da Silva.
HERNANDES, Linccon Fricks. Transtorno de Personalidade Antissocial: O caso de
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<[Link]
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American Psychiatric Association. (2014). Manual diagnóstico e estatístico de


transtornos mentais: DSM-5-TR (5a ed.; M. I. C. Nascimento, Trad.). Porto Alegre, RS:
Artmed.

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