Manejo de Bacias Hidrográficas
Roberto Avelino Cecílio
Precipitação
Definição
toda água proveniente do meio atmosférico que atinge a
superfície da terra, não importando o estado físico em que
ela se encontre
formas: garoa, chuva, neve, granizo, saraiva, geada ou
orvalho
Garoa
precipitação líquida constituída por gotas com diâmetro inferior
a 0,5 mm, apresentando, em geral, baixa intensidade (< 1 mm
h-1)
Chuva
Precipitação na forma líquida, todavia as gotas apresentam
diâmetro superior a 0,5 mm
Saraiva
precipitação sob forma de pedras de gelo de pequeno diâmetro
(< 5 mm)
Granizo
precipitação sob forma de pedras de gelo de grande diâmetro (>
5 mm)
Neve
precipitação de cristais de gelo a partir do vapor de água quando
a temperatura do ar é inferior a 0ºC
Orvalho
precipitação sob a forma líquida, ocorre condensação do vapor em
superfícies sólidas que se resfriam durante a noite (folhas, por
exemplo)
Geada
precipitação sob a forma sólida, formam-se cristais de gelo em
superfícies que se resfriam à noite
Precipitação (Chuva)
elo de ligação entre a fase atmosférica e a fase terrestre do
ciclo hidrológico
entrada (“input”) do sistema hidrológico
única forma de entrada de água em uma bacia hidrográfica
fonte primária da água para o uso do homem
problemas em BH’s são em sua grande maioria conseqüência
de chuvas de grande intensidade ou volume e da ausência de
chuva em longos períodos de estiagem
Chuvas de grande intensidade ou volume
Enchentes
Danos a obras hidráulicas
Prejuízos à agricultura
Chuvas de grande intensidade ou volume
Enchentes
Danos a obras hidráulicas
Prejuízos à agricultura
Ausência de chuvas por longos períodos
Redução de vazão
Redução de nível de reservatórios
Prejuízos à agricultura
Ausência de chuvas por longos períodos
Redução de vazão
Redução de nível de reservatórios
Prejuízos à agricultura
Chuvas de baixa intensidade e longa
duração
Promovem aumento da infiltração
Favorecem recarga de aqüíferos
Podem causar problemas à agricultura e à conservação do
solo
Atmosfera
Camada gasosa que envolve a terra, constituída por uma
mistura complexa de gases que variam em função do tempo,
da situação geográfica, da altitude e das estações do ano
Formação das chuvas
Elementos necessários:
Umidade
Resfriamento do vapor (elevação das massas de ar)
Condensação do vapor (gotículas com 0,01 a 0,03 mm)
Presença de núcleos higroscópicos (origens argilosas, orgânicas
(polén), químicas e sais marinhos)
Crescimento de gotículas (coalescência e difusão de vapor)
Chuva: diâmetros médio de gotas entre 0,5 a 2,0 mm
Tipos de chuvas
Classificadas de acordo com os diferentes processos pelos
quais ocorre ascensão das massas de ar em:
a) Frontais ou ciclônicas
b) Orográficas ou chuvas de relevo
c) Convectivas ou chuvas de verão
Chuvas frontais
Encontro de duas grandes massas de ar, de diferentes
temperatura e umidade
predominam em regiões temperadas
movimentam-se de forma relativamente lenta
caracterizam-se pela longa duração e por atingirem grandes
extensões, apresentando baixa intensidade
podem ficar estacionárias provocando enchentes em
pequenas bacias
Chuvas frontais
Chuvas orográficas
ocorrem em regiões em que um grande obstáculo do relevo
impede a passagem de ventos quentes e úmidos
pequena intensidade e grande duração, cobrindo pequenas
áreas
sombra pluviométrica
Chuvas orográficas
Chuvas convectivas
ocorrem devido ao aquecimento de massas de ar úmido que
estão em contato direto com a superfície quente
brusca ascensão destas massas
alta intensidade e curta duração
sobre áreas relativamente pequenas → inundações
características das regiões equatoriais
Chuvas convectivas
Grandezas que caracterizam a
precipitação
Lâmina precipitada
Duração da precipitação
Intensidade de precipitação
Período de retorno e freqüência de probabilidade
Lâmina precipitada (P)
Altura pluviométrica ou total precipitado
“espessura média da lâmina de água precipitada que
recobriria a região atingida pela precipitação admitindo-se
que essa água não se infiltrasse, não se evaporasse, nem se
escoasse para fora dos limites da região”
Unidade – mm
1 mm = 1 L/m2 = 10 m3/ha
Recordes históricos de chuva
Duração (t)
período de tempo durante o qual a chuva cai
Unidade – minuto ou hora
Intensidade de precipitação (ip)
lâmina total precipitada por unidade de tempo
ip P t
Unidade – mm/hora ou mm/minuto
apresenta grande variabilidade temporal, mas, para análise
dos processos hidrológicos, geralmente são definidos
intervalos de tempo nos quais é considerada constante
Variação de ip
Padrão Aleatório
iP (Real) iP
Medida do
Pluviômetro
t t
1 hora 1 hora
Padrões de intensidade de chuva
Uniforme Avançado
Intermediário Retardado
Período de retorno (T)
Tempo de recorrência
número médio de anos durante o qual espera-se que a
precipitação analisada seja igualada ou superada
Frequencia – número de vezes que determinado evento é
igualado ou superado em um ano
Exemplo hipotético
Chuva crítica para Alegre ip >= 10 mm/h
Contagem chuvas superiores à chuva crítica ocorridas
anualmente: 20 chuvas.
Freqüência de chuvas iguais ou superiores à crítica (F):
20 vezes/ano
Período de retorno da chuva crítica: 1/20 = 0,05 anos
A chuva igual ou superior à crítica ocorre, em média, a cada
o,05 anos
É mais fácil exprimir (entender) a chuva em termos
de sua freqüência (F) ou de seu período de retorno
(T)?
Exemplo hipotético
Chuva crítica para Alegre ip >= 100 mm/h
Contagem chuvas superiores à chuva crítica ocorridas
anualmente: nos últimos 30 anos ocorreram 5.
Freqüência de chuvas iguais ou superiores à crítica (F):
5 vezes/30 anos = 0,17 vezes por ano
Período de retorno da chuva crítica: 1/0,17 = 6 anos
A chuva igual ou superior à crítica ocorre, em média, a cada 6
anos
É mais fácil exprimir (entender) a chuva em termos
de sua freqüência (F) ou de seu período de retorno
(T)?
Medição da precipitação
é bastante difícil a aquisição de dados de chuva de boa
qualidade, embora a medições e os aparelhos sejam
simples, por isso, é muito raro encontrar uma série de
dados pluviométricos e/ou pluviográficos confiáveis
NECESSIDADE DE ANÁLISE DE CONSISTÊNCIA E
PREENCHIMENTO DE FALHAS
Pluviômetro
Medição pontual
recipiente de volume suficiente para conter as maiores
precipitações dentro do intervalo de tempo definido
Pluviógrafo
Mede variação temporal da lâmina precipitada
Pluviograma
Precipitações (mm)
Tempo (horas)
Fontes de erro em medições
obstruções físicas tais como árvores, edifícios, muros, etc.;
perda, por evaporação, de parte da precipitação captada no
pluviômetro;
perda de parte da precipitação pela aderência às paredes do
recipientes e das provetas medidoras;
erros de leitura na medição do volume da água coletada; e
respingos da chuva de dentro para fora ou de fora para dentro
do recipiente.
Fontes de erro em medições
Variabilidade da precipitação
Espacial
Temporal
Influenciada por:
Latitude;
Distância do mar ou outras fontes de umidade;
Altitude;
Orientação das encostas
Variabilidade Espacial
constitui-se numa das características
inerentes às precipitações sendo
influenciada pelo relevo
representada pelas isoietas
Não confundir com interpolação
Variabilidade temporal ou sazonal
são inerentes ao clima predominante nas diferentes regiões
do planeta
representada por hietogramas
Disponibilidade de dados de chuva
Dados pluviométricos históricos de
cerca de 8800 estações do Brasil
podem ser obtidos:
- Sistema de Informações Hidrológicas
([Link]
- Sistema Nacional de Informações
sobre Recursos Hídricos
([Link]
Precipitação média em uma Bacia
Hidrográfica
Precipitação média
Transformar medidas pontuais em espaciais
Métodos
A. Média Aritmética
B. Polígonos de Thiessen
C. Isoietas
D. Interpoladores
Média Aritmética
método mais simples
média aritmética simples de um certo número de dados medidos
por diferentes pluviômetros
n
P i
h i 1
n
Limitações: distribuição uniforme dos postos dentro da BH, áreas
planas ou com relevo muito suave
Recomenda-se que o método da média aritmética somente seja
aplicado quando
(Pmáx Pmín )
0,50
h
64,4 + 88,8 + 125,4 + 165,0 + 160,3 + 215,1
ℎ= = 137
6
218,1 − 64,4
= 1,12 > 0,5
137
Polígonos de Thiessen
utilizado mesmo quando não há distribuição uniforme dos
postos pluviométricos dentro da BH
Atribuir um fator de peso aos totais precipitados medidos em
cada posto pluviométrico, sendo estes pesos proporcionais à
área de influência de cada posto
Áreas de influência são determinadas em mapas que
contenham a localização dos postos
A precipitação média é calculada pela média ponderada entre
a precipitação de cada posto pluviométrico e o peso a ela
atribuído
Polígonos de Thiessen
n
P A i i
h i 1
n
A
i 1
i
Mais preciso que o Método da Média Aritmética
Mais utilizado
Não leva em consideração a influência do relevo na
precipitação média
50,4 ∙ 12,0 + 68 ∙ 0,7 + ⋯ + 208,1 ∙ 7,6
ℎ= ≅ 121
12 + 0,7 + 10,9 + 12 + 2 + 8,2 + 9,2 + 7,6
Método das Isoietas
método mais preciso para estimativa da precipitação média
em uma bacia hidrográfica.
invés de dados de precipitação oriundos de postos
pluviométricos isolados, usa-se curvas que unem pontos de
igual precipitação
A precipitação média é calculada ponderando-se a
precipitação média entre isoietas sucessivas pela área entre
estas
n
h i h i 1
i 1 2
A i
h n
Ai
i 1
30
65
30
65
30 + 35 35 + 40 60 + 65
2 1,9 + 2 10,6 + ⋯ + 2 4,7
ℎ= ≅ 48
1,9 + 10,6 + 10,2 + 6 + 15 + 8,4 + 4,7
Resumindo...
Chuvas Intensas
Chuvas Intensas
Conjunto de chuvas originadas de uma mesma perturbação
meteorológica, cuja intensidade ultrapasse um certo valor
(chuva mínima).
A duração destas precipitações varia desde alguns minutos até
algumas dezenas de horas (caso das chuvas convectivas) e a
área atingida pelas mesmas pode variar desde alguns poucos
hectares até milhares de quilômetros quadrados, como
ocorre com as chuvas frontais.
Chuvas Intensas
O conhecimento das chuvas intensas é importante para a
realização de diversos estudos relacionados ao manejo de
bacias hidrográficas, como estimativa de escoamento
superficial, previsão de enchentes, dimensionamento de
obras hidráulicas, etc.
Para o estudo de chuvas intensas é necessário conhecer a
relação entre três características fundamentais da
precipitação: intensidade, duração e freqüência.
Chuvas intensas
A intensidade da precipitação decresce com o aumento da
duração e aumenta com a redução da freqüência, ou seja,
com o aumento do período de retorno
Equações de chuvas intensas
Equações de intesidade-duração-frequencia
anos
K Ta
im
mm/h
t b c
minutos
A obtenção dos coeficientes K, a, b e c é feita por intermédio
da análise e ajuste estatístico de dados pluviográficos relativos
a um posto de coleta (estação pluviográfica) específico.
Exige um exaustivo trabalho de tabulação, análise e
interpretação de uma grande quantidade de pluviogramas,
além do ajuste estatístico dos dados obtidos
Equações de chuvas intensas
Obtenção de pluviogramas
Determinação de intensidades máximas de precipitação para
durações de 10, 20, 30, 40, 50, 60, 120, 180, 240, 260, 720
e 1440 minutos
Distribuições probabilísticas (Gumbel, Log-Normal a dois e
três parâmetros, Pearson, Log-Pearson II) com melhor ajuste
Seleção por Kolmogorov-Smirnov ou Qui-quadrado
Regressão não-linear Gauss-Newton com T (2, 5, 10, 20, 50
e 100 anos) e t (acima)
Com obter K, a, b e c ?
Exercícios
Qual a freqüência anual de ocorrência de uma chuva com
período de retorno igual a 0,01 anos e outra igual a 20 anos
1 1 1
𝑇= ∴𝐹= = = 100 𝑣𝑒𝑧𝑒𝑠 𝑝𝑜𝑟 𝑎𝑛𝑜
𝐹 𝑇 0,01
1 1 1
𝑇= ∴𝐹= = = 0,05 𝑣𝑒𝑧𝑒𝑠 𝑝𝑜𝑟 𝑎𝑛𝑜
𝐹 𝑇 20
K Ta
im
Exercícios t b c
Determine a intensidade de chuva que é esperada uma vez a
cada 50 anos para chuvas de duração de 30 minutos em
Vitória (ES).
T = 50 anos
t = 30 min
4003,611 𝑇 0,203
𝑖𝑚 =
𝑡 + 49,997 0,931
4003,611 500,203
𝑖𝑚 =
30 + 49,997 0,931
𝑖𝑚 ≅ 150 mm/h
a
KT
im
Exercícios t b c
Determine o total de precipitação esperado para uma chuva
de 5 minutos que ocorre pelo menos uma vez a cada 25 anos
em Vitória (ES).
t = 5 min
T = 25 anos
P=?
𝑃
𝑖𝑚 =
4003,611 𝑇 0,203 𝑡
𝑖𝑚 =
𝑡 + 49,997 0,931 𝑚𝑚
𝑃 = 𝑖𝑚 ∙ 𝑡 = 185 ∙ 5 𝑚𝑖𝑛𝑢𝑡𝑜𝑠
ℎ
4003,611 250,203
𝑖𝑚 = ≅ 185 𝑚𝑚/ℎ
5 + 49,997 0,931 𝑚𝑚 5
𝑃 = 185 ∙ ℎ ≅ 15,4 𝑚𝑚
ℎ 60
Bibliografia recomendada
Lima, W.P. Princípios de hidrologia florestal
para o manejo de bacias hidrográficas.
Piracicaba: Esalq, 1986. 242p.
Pereira, A.R.; Angelocci, L.R.; Sentelhas, P.C.;
Agrometeorologia: Fundamentos e
Aplicações Práticas. Guaíba: Ed. Agropecuária.
2002, 478p.
Tucci, C.E.M. Hidrologia. Porto Alegre: Editora
Universidade/UFRGS, 2001. 943p.