HIDROLOGIA – AULAS 04 E 05
5° semestre - Engenharia Civil
Profª. Priscila Pini
[Link]@[Link]
Exercício revisão (balanço hídrico)
1. A região da bacia hidrográfica do rio Taquari recebe
precipitações médias anuais de 1600 mm. Em Muçum (RS) há
um local em que são medidas as vazões deste rio e uma
análise de uma série de dados diários ao longo de 30 anos
revela que a vazão média do rio é de 340 𝒎³. s−1 .
Considerando que a área da bacia neste local é de 15.000
km², qual é a evapotranspiração média anual nesta bacia?
Qual é o coeficiente de escoamento da região?
R: E = 885 mm. ano−1
C = 0,447
PRECIPITAÇÃO
Água da atmosfera que atinge a superfície na forma de:
Chuva, granizo, neve, orvalho, geada, neblina
FORMAÇÃO DE CHUVAS
Água atmosférica se apresenta na forma de vapor
Quantidade de vapor no ar é limitada: concentração de saturação
Ex: Ar a 20° contém aproximadamente 20 gramas vapor/m³ ar
→ Maior quantidade acaba condensando (transformação de
vapor em líquido)
Concentração de saturação aumenta com aumento da
temperatura → Ar quente pode conter mais vapor do que ar frio
PRECIPITAÇÃO
FORMAÇÃO DE CHUVAS
Atmosfera: temperaturas mais altas na superfície
temperaturas mais baixas em grandes altitudes
Formação de nuvens: movimento ascendente de uma massa de
ar úmido → temperatura do ar diminui → vapor se condensa
→ Formação de pequenas gotas que crescem atingindo
tamanho e peso suficiente para vencer as forças de sustentação
(corrente de ar) e precipitarem (caírem)
O fator responsável pela ascensão de massa de ar diferencia os
principais tipos de chuva:
FRONTAIS, CONVECTIVAS, OROGRÁFICAS
PRECIPITAÇÃO
CHUVAS FRONTAIS OU CICLÔNICAS
Encontro de duas grandes massas de ar de diferente
temperatura e umidade.
O ar mais quente, normalmente o mais leve e mais úmido, é
empurrado para cima (temperaturas mais baixas)
→condensação do vapor
PRECIPITAÇÃO
CHUVAS FRONTAIS OU CICLÔNICAS
Massas de ar com centenas de quilômetros de extensão que
movimentam-se de forma lenta
→ Longa duração de chuvas e grandes extensões
→ Intensidade baixa
No Brasil são frequentes na região Sul (inverno)
PRECIPITAÇÃO
CHUVAS CONVECTIVAS
Aquecimento de massas de ar que estão em contato direto com
a superfície quente dos continentes e oceanos
Aquecimento do ar → elevação para níveis mais altos (baixas
temperaturas condensam o vapor) → formação de nuvens
denominadas CUMULUSNIMBUS
PRECIPITAÇÃO
CHUVAS CONVECTIVAS
→ Chuvas de alta intensidade e curta duração (chuvas de verão)
→ Ocorrem predominantemente durante a tarde
→ Em áreas pequenas (concentradas)
→ Impacto em pequenas bacias urbanas →originam inundações
No Brasil: na região Sul ocorre com maior frequência no verão
PRECIPITAÇÃO
CHUVAS OROGRÁFICAS
Ocorrem em regiões onde um grande obstáculo do relevo, como
uma cordilheira ou serra muito alta, impede a passagem de
ventos quentes e úmidos que sopram do mar
O ar sobe para níveis mais altos da atmosfera → umidade do ar
se condensa formando nuvens junto aos picos da serra onde
chove com muita frequência
No Brasil: Serra do Mar ao longo do litoral
PRECIPITAÇÃO
CHUVAS OROGRÁFICAS
MEDIDAS DE PRECIPITAÇÃO
Altura de água caída e acumulada sobre uma superfície plana e
impermeável
Recipientes com dimensões padronizadas (área superior de
captação de 400 ou 500 cm²) instalados a 1,50m do solo
• Pluviômetros → Medição manual realizada 1 vez por dia as 7h (BR)
• Pluviógrafos → Medições automáticas registradas em intervalos
de tempo menores do que 1 dia
→ Essencial para estudo de chuvas de curta duração
Medições no Brasil: ANA (Agência Nacional da Água)
INMET (Instituto Nacional de Meteorologia)
→ Cadastradas mais de dez mil estações pluviométricas (BR)
→ Pouco mais de 6000 em atividade (2013)
MEDIDAS DE PRECIPITAÇÃO
MEDIDAS DE PRECIPITAÇÃO
A chuva também pode ser estimada por radares meteorológicos
Emissão de pulsos de radiação eletromagnética que são
refletidos pelas partículas de chuva na atmosfera (medição da
intensidade do sinal refletido).
Vantagem: possibilidade de fazer estimativas de taxas de
precipitação em uma grande região no entorno da antena.
No Brasil são poucos os radares para uso meteorológico.
Em alguns países, como os EUA, a Inglaterra e a Alemanha, já
existe uma cobertura completa com sensores de radar para
estimativa de chuva.
ANÁLISE DE DADOS DE CHUVA
Variáveis que caracterizam a chuva:
1. Altura de água (lâmina precipitada)
Espessura média da lâmina de água que cobriria a região se
fosse plana e impermeável
Unidade: mm de chuva
2. Duração
Período de tempo durante o qual ocorre o evento de chuva
Unidade: minutos ou horas
ANÁLISE DE DADOS DE CHUVA
Variáveis que caracterizam a chuva:
3. Intensidade
Altura precipitada dividida pela duração da chuva
Unidade: mm. hora−1
4. Frequência
Quantidade de ocorrências de eventos iguais ou superiores ao
evento de chuva considerado.
• Chuvas muito intensas: baixa frequência
• Chuvas pouco intensas: alta frequência (mais comuns)
ANÁLISE DE DADOS DE CHUVA
4. Frequência
Bloco N° de ocorrências (dias) Frequência
(P = precipitação)
P = zero 5.597 68,25%
P < 10mm 1.464 17,85%
10 < P < 20mm 459 5,60%
20 < P < 30mm 289 3,52%
30 < P < 40mm 177 2,16%
40 < P < 50mm 111 1,35%
50 < P < 60mm 66 0,80%
60 < P < 70mm 38 0,46%
Total 8.201 100%
ANÁLISE DE DADOS DE CHUVA
4. Frequência
Tempo de retorno ou Período de recorrência (Unidade: anos)
Estimativa do tempo em que um evento é igualado ou superado,
em média.
Ex: Uma chuva com intensidade equivalente ao tempo de retorno de
10 anos é igualada ou superada uma vez a cada 10 anos, em média.
Tempo de retorno = inverso da probabilidade de excedência
Ex: Uma chuva de 130mm é igualada ou superada uma vez a cada 20
anos: TR = 20 anos
Probabilidade de acontecer um evento de chuva com altura igual ou
superior a 130 mm em um ano qualquer:
1 1 1
P = = = 0,05 = 5% ou 𝑇𝑅 =
𝑇𝑅 20 𝑃
VARIABILIDADE ESPACIAL DA CHUVA
Dados de pluviômetros e pluviógrafos referem-se a áreas de
captação muito restritas (400 ou 500 cm²)
Medidores afastados entre si podem registrar leituras diferentes
para a mesma chuva: chuvas tem grande variabilidade espacial
Para representar essa variabilidade são utilizadas Linhas de
mesma precipitação (ISOIETAS) desenhadas sobre um mapa por
interpolação dos dados pluviométricos
VARIABILIDADE ESPACIAL DA CHUVA
VARIABILIDADE SAZONAL DA CHUVA
Regiões com grande variabilidade sazonal de chuva: Estações do
ano secas e outras úmidas
• Na maior parte do Brasil o verão é o período das maiores
chuvas
• No Sul (BR) a chuva é relativamente bem distribuída ao
longo do ano
• No extremo Norte (BR) a época mais chuvosa é nos meses de
maio a agosto, que é a época mais seca no centro do país
Esta variabilidade é representada por gráficos da chuva média
mensal, com valores típicos de chuva em cada mês do ano.
VARIABILIDADE SAZONAL DA CHUVA
VARIABILIDADE SAZONAL DA CHUVA
CHUVAS MÉDIAS EM UMA ÁREA
Alguns métodos para o cálculo de chuvas médias:
• Média aritmética
• Isoietas
• Polígonos de Thiessen
Média aritmética
• Cálculo da média das chuvas ocorridas em todos os
pluviômetros no interior da bacia
• Mais simples
• Mais sujeito a erros
CHUVAS MÉDIAS EM UMA ÁREA
Média aritmética
66 mm Precipitação média:
44 mm
(66 + 50 + 44 + 40)
𝑃𝑚 =
4
40 mm
𝑃𝑚 = 50 𝑚𝑚
50 mm
42 mm
Pluviômetros
CHUVAS MÉDIAS EM UMA ÁREA
Método dos polígonos de Thiessen
Baseado na hipótese que a chuva que atinge um ponto qualquer
dentro de uma bacia é exatamente igual à chuva que atinge o
pluviômetro mais próximo
• Definir as áreas de influência de cada posto pelo critério de
menor distância
• Precipitação calculada por média ponderada das
precipitações nas áreas de influência
1. Traçar linhas que unem os postos mais próximos entre si
2. Traçar linhas médias perpendiculares às linhas que unem os
postos
3. Definir a região de influência de cada posto e medir sua área
CHUVAS MÉDIAS EM UMA ÁREA
Método dos polígonos de Thiessen
1. Traçar linhas que unem os postos mais próximos entre si
CHUVAS MÉDIAS EM UMA ÁREA
Método dos polígonos de Thiessen
2. Traçar linhas médias perpendiculares às
linhas que unem os postos
CHUVAS MÉDIAS EM UMA ÁREA
Método dos polígonos de Thiessen
3. Definir a região de influência de cada posto e
medir sua área
15 km²
30 km²
5 km²
40 km² 10 km²
CHUVAS MÉDIAS EM UMA ÁREA
Método dos polígonos de Thiessen
Área total = 100 km²
Área sob influência posto 120 mm = 15 km²
Área sob influência posto 70 mm = 40 km²
Área sob influência posto 50 mm = 30 km²
Área sob influência posto 75 mm = 5 km²
Área sob influência posto 82 mm = 10 km²
Precipitação média na bacia:
120 ∙ 15 + 70 ∙ 40 + 50 ∙ 30 + 75 ∙ 5 + 82 ∙ 10
𝑃𝑚 =
100
𝑃𝑚 = 72,95𝑚𝑚 = 73 𝑚𝑚
CHUVAS MÉDIAS EM UMA ÁREA
Método das Isoietas
• Calculo da área da bacia que corresponde ao intervalo entre
as isoietas
Ex: A área entre as isoietas 1200 e 1300 mm recebe 1250 mm
de chuva.
• Multiplicar cada área pela sua precipitação
CHUVAS MÉDIAS EM UMA ÁREA
Método das Isoietas
Área entre Precipitação AxP
Isoietas
isoietas (km²) (mm) ([Link]²)
30-35 1,9 32,5 62
35-40 10,6 37,5 398
40-45 10,2 42,5 434
CHUVAS MÉDIAS EM UMA ÁREA
Método das Isoietas
Área entre Precipitação AxP
Isoietas
isoietas (km²) (mm) ([Link]²)
30-35 1,9 32,5 62
35-40 10,6 37,5 398
40-45 10,2 42,5 434
45-50 6
50-55 15
55-60 8,4
60-65 4,7
56,8
CHUVAS MÉDIAS EM UMA ÁREA
Método das Isoietas
Área entre Precipitação AxP
Isoietas
isoietas (km²) (mm) ([Link]²)
Precipitação
30-35 1,9 32,5 62 média
35-40 10,6 37,5 398 2742
𝑃𝑚 =
40-45 10,2 42,5 434 56,8
45-50 6 47,5 285 𝑃𝑚 = 48 mm
50-55 15 52,5 788
55-60 8,4 57,5 483
60-65 4,7 62,5 294
56,8 2742
CHUVAS INTENSAS
São geralmente a causa de grandes prejuízos quando os rios
transbordam e inundam casas, destroem plantações etc.
Deve-se conhecer a intensidade da chuva para o projeto de
estruturas hidráulicas como bueiros, pontes, canais, vertedores.
Relação entre a intensidade da precipitação I que atinge uma
área em uma duração D com uma dada probabilidade de
ocorrência F:
Curva IDF: Intensidade – Duração - Frequência
Curvas IDF são diferentes para diferentes locais
CHUVAS INTENSAS
Curva IDF Informar o TR e a duração
da chuva
Porto Alegre/RS
Ex 1: Projetos de drenagem
pluvial urbano, bocas-de-lobo
em geral TR = 2 a 10 anos
Ex 2: Vertedor de uma
grande barragem TR =
centenas ou milhares de
anos
Para duração da chuva,
geralmente adota-se igual
ao tempo de concentração
da bacia hidrográfica.
CHUVAS INTENSAS
Tipo de Obra Tipo de Ocupação da Área TR (anos)
Residencial 2
Comercial 5
Áreas com edifícios de
5
Microdrenagem serviços ao público
Aeroportos 2-5
Áreas comerciais e vias de
5-10
tráfego
Áreas residenciais e
50-100
comerciais
Macrodrenagem
Áreas de importância
500
específica
Barragens 10.000
Fonte: DAEE/CETESB, 1980
CHUVAS INTENSAS
Além da forma gráfica, também pode ser expressa na forma de
uma equação:
I: intensidade da chuva (𝑚𝑚. ℎ𝑜𝑟𝑎−1 )
𝑎 ∙ 𝑇𝑅𝑏 a,b,c,d: parâmetros característicos da
𝐼= 𝑑
IDF de cada local
𝑡𝑑 + 𝑐 TR: tempo de retorno (anos)
𝑡𝑑 : duração da precipitação (minutos)
Parâmetros da equação
Localidade
a b c d
Curitiba/PR 5726,64 0,159 41 1,041
Florianópolis/SC 222 0,1648 0 0,3835
São Paulo/SP 3462,6 0,172 22 1,025
EXERCÍCIOS
1. Considerando a curva IDF para a cidade de Porto Alegre, qual a
intensidade da chuva com duração de 40 minutos que tem 1%
de probabilidade de ser igualada ou superada em um ano
qualquer? −1
R: I = 96 𝑚𝑚. ℎ
2. Considerando a curva IDF do exercício 1, qual é a intensidade
da chuva com duração de 60 minutos que tem 2% de
probabilidade de ser igualada ou superada em um ano
qualquer em Porto Alegre? Determine a intensidade também
para 10% e 50% de probabilidade de ser igualada ou superada.
A intensidade da chuva e a probabilidade de ocorrência são
inversamente ou diretamente proporcionais?
R: P = 2% : I = 72 𝑚𝑚. ℎ−1
P = 10% : I = 52 𝑚𝑚. ℎ−1
P = 50% : I = 29 𝑚𝑚. ℎ−1
EXERCÍCIOS
3. No dia 04 de novembro de 2005 uma chuva muito intensa
atingiu a cidade de Porto Alegre. Medições mostraram que a
lâmina precipitada foi de 35 mm, e que a duração da chuva foi
de uma hora. Considerando a curva IDF obtida com dados do
antigo posto pluviográfico do Parque da Redenção, qual é o
tempo de retorno desta chuva? R: TR = 3 anos
4. Qual o tempo de retorno de uma chuva de 111 mm em 2
horas considerando a equação de chuvas intensas de Curitiba?
Localidade a b c d
Curitiba/PR 5726,64 0,159 41 1,041
𝑎 ∙ 𝑇𝑅𝑏 I: intensidade da chuva (𝑚𝑚. ℎ𝑜𝑟𝑎−1 )
𝐼=
𝑡𝑑 + 𝑐 𝑑 TR: tempo de retorno (anos)
𝑡𝑑 : duração da precipitação (minutos)
R: TR = 61 anos