Tantra: Espiritualidade e Deusa Mãe
Tantra: Espiritualidade e Deusa Mãe
com
O Tantra é uma ciência e um caminho espiritual complexo, para que possamos compreendê-lo é
necessário mergulhar de cabeça em sua alquimia, metafísica e teologia. Sem isso os erros comuns
persistirão e continuaremos a vê-lo como sexo barato vendido a rodo pelo planeta em anúncios de
massagens com “belas” mulheres na capa.
Ver o tantra como sexo é o mesmo que comparar uma missa católica com canibais, ofertando o corpo e
o sangue de cristo.
Que fique bem claro a partir de agora que o Tantra nada tem a ver com os Kamasastras, altamente
divulgado no ocidente através do Kamasutra.
O ocidente foi inundado por escolas neo-tântricas que se afastaram do verdadeiro objetivo do tantra,
por falta de compreensão por parte de seus difusores, da verdadeira essência da tradição tântrica.
Milhares de livros somente oferecendo e disseminando o sexo hiperorgiástico, levando com isso a
degeneração da tradição verdadeira. O resultado disso tudo é: clubinhos pseudo-tântricos que se
pretendem passar por tântricos espiritualizados, onde todos se denominam terapêutas mas que na
melhor das hipóteses são massagistas sexuais, um hedonismo puro e simples que prende o buscador a
forma ao invés de impulsioná-lo a sua real essência.
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Devido a sua indulgência e abertura a todas as pessoas independente de casta e sexo, sem exigência de
ascetismo e espírito de renúncia, procurando sempre conciliar o objetivo de auto-realização, liberação
(moksha) e união (yoga) com a experiência da vivência prazerosa da vida comum (bhoga), esse tipo de
“terapeuta” se sentiu confortável em se divulgar como tântrico…
Na Índia a religião e o ritual estão ligados como uma só coisa, pois o ritual é a arte da religião, o tantra
é a vivência dessa forte ligação entre o povo hindu e o sagrado. Como tal, seus adeptos o consideram o
caminho mais adequado para acessar o divino.
Para o tantra tudo é divino, é reflexo da grande criação, em sua concepção, os rituais tântricos nos
fornecem uma conexão que interliga o homem, o universo e a hierarquia divina. Essa conexão constitui
um complexo sistema de símbolos que estabelecem uma identidade entre o indivíduo e o todo. Pois,
visto em seus fundamentos tudo no universo é constituído por uma complexa massa de vibrações
elementares denominada vrtti-spanda (movimento vibratório). Entender e governar tudo isso é o
caminho ...esse caminho é denominado tantra sadhana.
A palavra tantra teria mais sentido se sempre fosse pronunciada no plural, devido a variedade de ramos,
sistemas, linhas e seitas, cujos rituais são caracterizados como tântricos. Portanto o tantra é constituído
por um conjunto de tradições distintas e unidas por um corpo de conhecimento, contextos ritualísticos
e mágicos em comum, com o objetivo de levar o praticante a vivenciar a felicidade na união com o divino.
O objetivo do tantra é sucintamente definido pela própria palavra. Ela é a combinação de duas raizes
sânscritas: tanoti, que significa expansão e trayati, que significa liberação. Isto implica que o tantra é o
método para se expandir a mente e liberar a energia potencial latente. A fim de se entender o tantra,
primeiro precisamos compreender exatamente o que significa expandir a mente e liberar a energia.
A grosso modo o significado é teia ou urdidura. Este radical também forma a palavra tantu (fio ou
cordão). Enquanto um fio é alguma coisa extensiva, uma teia sugere expansão. Tantra também pode
representar sistema, ritual, doutrina e compêndio. Tantra é o que expande o jnãna, que pode significar
conhecimento ou sabedoria. Tantra é a realidade expansiva que abrange tudo, revelada pela sabedoria.
Tantra é também a realidade expansiva, que abrange tudo, revelada pela sabedoria.
O Tantra hindu de modo geral considera os ensinamentos revelatórios do Vedas como seu ponto de
partida. Os Tantras muitas vezes são considerados os quinto veda, claro que esta questão é controversa
e contestada pelos brâmanes ortodoxos .
A abordagem corporal positiva do tantra é conseqüência direta desta metafísica integrativa, segundo o
qual este mundo não é mera ilusão, mas sim uma manifestação da suprema realidade. Se o mundo é
real, o corpo também o é e como tal uma linda manifestação do divino. Se devemos honrar o mundo
como uma criação e um aspecto do poder divino, da mesma maneira honramos nosso corpo. O corpo é
uma peça do mundo, e como tal o mundo também é uma peça do corpo. Por conseqüência quando
entendermos o corpo verdadeiramente, descobriremos o que é o mundo, que em essência é divino.
Nosso corpo possui um sistema nervoso completo que permite as mais elevadas expressões da
consciência, por esta razão é tão valioso.
Um bom exemplo de tudo isso é uma afirmação frequentemente citada do vishva-sara-tantra que diz:
“ o que está aqui, está em toda parte; o que não está aqui, não está em lugar algum”.
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O espírito tântrico com suas imagens, mitos e ritos sempre esteve de alguma forma contido no universo
das tradições da mãe índia, mesmo entre aquelas consideradas mais ortodoxas e apegadas ao modo de
ser védico, com normas rígidas e ascéticas, pois praticamente todas as tradições tinham algum tipo de
ritual voltado para a prática da alquimia e do yoga, como uma forma de aprimoramento e
desenvolvimento do poder pessoal e de acesso ao mundo mágico dos deuses e principalmente das
deusas.
Tentando achar as origens históricas do tantra, devemos buscá-las no período pré-védico, em que as
formas de culto eram menos intelectualizadas e muito mais ligadas à natureza e à fertilidade. São poucos
os registros históricos deste período, o que torna a nossa pesquisa muito difícil e incerta, salvo os casos
em que se tem evidências concretas obtidas de achados arqueológicos e fragmentos de textos antigos.
Os primeiros indícios de rituais associados à maternidade, fertilidade do solo e à agricultura foram
encontrados em pesquisas arqueológicas nas antigas civilizações do Vale do Indo, nas cidades de
Harappa e Mohenjodaro (2500 a.c.) essa associação era comum e quase todas as civilizações antigas
viam uma profunda identidade entre o crescimento das plantas e o nascimento das crianças. Por causa
desta identificação, elas faziam celebrações com ritos sexuais para promover a fertilidade dos campos,
prática que até poucos séculos atrás era também comum entre povos da Europa.
Outra coisa que também era conhecida, que o sangramento de uma pessoa que foi ferida pode levar à
morte se não estancado. Ocasionando assim uma associação entre o sangue e o princípio da vida, pois a
perda do sangue leva consigo a vida. Outro ponto importante na relação entre o princípio da vida e o
sangue foi a observação de que uma mulher jovem, ao parar de sangrar pela suspensão da menstruação,
dá início ao processo em que uma criança nasce através da vulva (yoni). Nasce aqui o Yoni Puja.
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A deusa é a yoni, útero materno dos ciclos perenes dos éons, de todos os universos que se expandem
infinitos no espaço, de cada átomo de célula vivente. Ela é chamada de- o poder universal – Shakti – a
mais bela dos três mundos.
Para o antigo povo tântrico o culto à Yoni(vulva) era um portal mágico capaz de trazer uma vida do
mundo dos espíritos para o mundo dos humanos. A celebração da vida, assim deste ponto em diante a
mulher passa a ser percebida como uma representante física da deusa mãe, aquela que trouxe o cosmos
à vida, e seu corpo passa a ser cultuado como o cálice sagrado ou o templo vivo da Devi (Deusa).
Assim os cultos tântricos evoluíram a partir de movimentos devocionais associados ao culto das deusas,
que aos poucos foi incorporando ritos de celebração.
A origem destes cultos devocionais é muito antiga, e no tempo dos vedas (séc. Xviiia.c.) o eterno
feminino era cultuado com imagens das deusas Usa, Aranyani, Gayatri e Durga entre outras. Já mais
tarde no período das Upanishads, as principais deusas eram Uma,Narasimhi e Tripura, que com o tempo
foram substituídas por Mahakali, Tripurasundari e Rajarajesvari, em uma linha ininterrupta,
consolidando assim o poder das mulheres Deusas, o matriarcal como sagrado na fé popular.
Mesmo hoje em dia é quase impossível encontrar um lar hindu em que não haja uma forma da deusa
como o aspecto feminino sagrado como imagens de Kali, Lakshni, Saraswati e Durga em um local
sagrado de destaque.
A Origem da Deusa
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Quando a substância divina da vida está para criar o universo, brotam das águas cósmicas as mil pétalas
de um lótus de ouro puro, radiante como o sol. Ele é a porta, o portal, a abertura , a entrada do útero do
universo. É o primeiro produto do princípio criativo: o ouro, que prova sua natureza incorruptível.
Abre-se para dar à luz primeiramente a brahmã, o criador demiúrgico. De seu pericarpo brotam as
hostes do mundo criado. Na concepção hindu, as águas são femininas, são o aspecto pró criador e
maternal do absoluto e o lótus cósmico é seu órgão gerador. A flor cósmica é chamada de a suprema
forma ou aspecto da terra, e também a deusa umidade, a deusa da terra. Ela é personificação da Deusa
Mãe, através da qual o absoluto ingressa na criação.
Liderados por Brahmã, os deuses refugiaram-se em Vishnu e Shiva. Depois de descrever a vitória do
demônio. Imploraram a ajuda da excelsa dupla supremacia. A cólera dilatou Vishnu e Shiva. Também
fez com que inchassem as outras divindades que ali permaneceram, sem ação. Mas logo suas energias
tai intensas, convertendo-se em fogo, jorraram-lhes das bocas em jatos de torrentes ígneas. As correntes
flamejantes juntaram-se numa nuvem que cresceu e juntou-se de maneira gradual assumindo a forma
da deusa de dezoito braços. A suprema energia do universo apareceu da maneira mais auspiciosa já
vista, a fusão da totalidade de seus poderes, a mais linda donzela das três cidades – Tripura Sundari,
mulher perene e primordial, todas as forças particularizadas e limitadas de suas várias personalidades
estavam integradas de modo poderoso, numa esmagadora totalização que signicava onipotência. Os
deuses num gesto de total submissão se voltaram pra Shakti Primeva, força única e fonte de onde tudo
nasceu e teve origem.
Quando o cosmos desdobrou-se pela primeira vez, em um sistema de esferas e forças diferenciadas de
modo estrito, a energia da vida foi dividida numa multidão de manifestações individualizadas, porém
estas haviam perdido forças. A mãe de todas, a própria energia da vida, princípio maternal primevo, as
reabsorvera, o útero universal, para onde haviam regressado, as engolira. Agora, ela estava pronta para
existir na plenitude de todo o seu ser.
No desenvolvimento do Tantra podemos identificar três fases distintas: a primeira baseada no
conhecimento oral, a segunda fundamentada nas escrituras tântricas e a terceira na interpretação
destas escrituras. As primeiras escrituras tântricas de origem não budista somente foram manuscritas
entre os séculos V e XId.C., não se sabendo ao certo por quem, tampouco em que região ou dentro de
qual cultura.
A ausência clara da autoria ou mesmo autoria presumida é muito comum e mesmo uma característica
cultural da índia antiga. Um exemplo disto é toda a obra atribuída ao sábio Vyasa, pois é muito pouco
provável que tenha sido ele o autor de todas as obras, o que nos leva a crer que o nome vyasa seja um
pseudônimo de várias pessoas.
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Outro exemplo é o fato de alguns historiadores atribuírem a origem do tantra ao sábio semítico
Dattatreya, cujo período de vida é impreciso, embora acreditem que ele fosse de uma época anterior a
Shankara, portanto nos primeiros séculos da era moderna. Conforme algumas evidências pouco
confiáveis, Dattatreya teria sido um yogi de inclinação bhakta, e fora sugerido que ele pudesse ter sido
o mestre de Maharshi Patanjali, codificador do yoga, cujo período de vida é estimado entre os anos
200 a.c. e 200 d.c., que é a data aceita como mais provável da codificação do yogasutra.
E tem outros que atribuem a origem do tantra ao próprio Senhor Shiva como Adinatha – o primeiro
mestre e praticante do tantrismo, entretanto atribuir a Shiva a origem do tantra é uma maneira de
considerar esta tradição como revelação, transmitida por ele aos seres humanos por intermédio dos
sábios videntes(rishis).esta visão da origem do tantra como revelação é corroborada com a afirmação
de que o mestre Matsyendranatha teria sido um dos primeiros a passar os ensinamentos tântricos
após recebê-lo do próprio Shiva, entretanto vale lembrar que aqui que fica aquela dúvida também sobre
se Matsyendranatha era uma pessoa ou mais uma personalidade semítica, em que fatos possivelmente
reais e descrições lendárias se mesclam. Segundo considerações históricas, Matsyendranatha fundou
por volta de 950 d.c. a escola Yoginí Kaula, ano também atribuído ao nascimento de seu maior
discípulo, Gorakshnatha, considerado o verdadeiro pai do hatha yoga. Assim sendo, os dois têm grande
importância no contexto histórico do tantrismo e na solidificação do hatha yoga.
Para se conhecer a filosofia e as propostas do tantrismo é preciso, antes de mais nada, compreender o
que significa esta denominação.
A palavra Tantra vem da raiz verbal sânscrita Tantr que significa governar, controlar, manter através
de disciplina. A palavra Yoga, deriva da raiz verbal Yuj, significa unir, direcionar, concentrar, preparar
e meditar.
Portanto, Tantra Yoga é um sistema que tem por objetivo levar o indivíduo a governar ou controlar a si
mesmo, dando-lhe os meios para fazê-lo. O caminho proposto pelo Tantra é a realização, a experiência
direta, a vivência individual sem dependências de nada nem de ninguém.
Segundo a concepção tântrica, o homem é uma combinação de energias e seu objetivo primeiro é dirigir-
se novamente à origem, à Mãe ou Shakti, que contém e engendra todos os seres. O Tantra Yoga consiste,
pois na utilização adequada dessas energias para se conseguir a realização plena do ser, qual seja:
chegar à realidade primordial da qual provém todas as manifestações, inclusive as formas consideradas
mais inferiores. Este processo visa à união de Shiva, o poder manifestador, e Shakti, a força da
manifestação nas formas existentes.
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Os Tantras Shastras
Os Tantra Shastras, textos da tradição do tantrismo, se apresentam sob a forma de um diálogo entre
Shiva e Shakti.
São eles:
• AGAMA : Os textos em que Shiva é o Guru
• NIGAMA: Os textos em que Shakti é a Guru
A principal finalidade deles é dar a liberação ao Jiva propondo um método por meio do qual se alcança
a verdade monista através do mundo da dualidade.
Para adentrar o universo do Tantra, precisamos estar a par dos primeiros passos neste estudo. Os textos
prescrevem fundamentos do tantrismo, etapas a serem seguidas .
• Manda (Iniciante)
É o indivíduo de temperamento extrovertido. Deve começar as práticas de ásanas e pranayamas.
Upasana recomendado: Bahya –Bhava : ritual externo com uma forma concreta, uma murti visível da
divindade.
• Uttama (Avançado)
É o indivíduo cujo temperamento está voltado para a unidade.
Upasana recomendado: Brahma-Bhava. Ele deve escutar os ensinamentos e meditar. Questionar para,
através dessas práticas, chegar à compreensão da natureza de Brahma e de sua identidade com Ele(a).
Esta é a verdadeira realização do Ser .
Fundamentos do Tantra
Quando falamos de tantrismo falamos de técnicas que permeiam uma sabedoria milenar, com
pensamento filosófico, toda uma série de concepções e de conceitos que fundamentam cada elemento
do sadhana.
Há duas linhas de pensamento, que apesar de apresentarem pontos em comum, são marcados por
diferenças importantes.
• Vamachara Tantra ou Vama Marga : O homem é considerado a representação de Shiva,
enquanto a mulher seria a representação da Shakti. Só pela união de ambos ritualizada
(maithuna) se poderia atingir a experiência do nenhum, que caracterizaria a superação das
diferenças individuais.
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• Dakshina Tantra : Nesta visão não há separação entre homens e mulheres, todos são dotados
de características de Shiva e Shakti em sua personalidade.
Estas características devem ser equilibradas, para que o praticante possa transcender suas limitações
e perceba que ele é a felicidade que busca. Trata-se de uma visão Não-Dual representada
simbolicamente por Ardhanaresvara.
As afirmações de que os livros sozinhos são inúteis vêm de um tempo anterior, quando a alfabetização
era incomum e as livrarias não tinham prateleiras cheias de volumes do Tantra. Mas, o Tantra ensinou
que o acesso a Deus só poderia ter efeito através de um Guru tântriko. Assim o Pancha Makara
também conhecido por 5 M’s, deve ser realizado sob a autoridade de um Guru.
Em Kali Yuga, porém, temos que tomar muito cuidado. Para isso temos as Escrituras que nos adverte
a respeito de homens apegados aos prazeres, para que ninguém venha a ser enganado: “Acautelar-se
desses pseudo-gurus, com a intenção de acumular riqueza, vestindo-se disfarçadamente, que
vagueiam em todos os lugares como Jñānīs e lançam os outros em ilusão. Apegados aos prazeres do
mundo eles ainda proclamam “eu conheço Brahma”. Caídos tanto das ações quanto do conhecimento,
tais pessoas devem ser evitadas.” KULĀRṆAVA TANTRAM 1:77-78
Shaktismo e tantrismo não é a mesma coisa. Há inúmeros Tantra-Sadhanas que não são Shakta, alguns
são Vaishnava, alguns Shaiva, alguns Jain, alguns budistas. Assim como há formas de Shaktismo que
não são tântricas, o Bhagavata Purana, por exemplo, coloca explicitamente o Tantra em Bhakti como
uma abordagem para adoração devocional convencional a Deusa.
Na mente dos que não entendem muito do tema, os 5 M's ou rituais tântricos são infames, envolvendo
consumo de carne, álcool e relações sexuais, e isto define o Tantra para os leigos. Existem, porém,
distinções entre os rituais "5 M’s" - um para cada nível de Sadhak: Pashu, Vira & Divya. Aquele
envolvendo carne, álcool e relações sexuais é para Vira Sadhaka. Os 5 M’s são apenas para Viras
porque Pashus não estão suficientemente avançados para compreendê-los e Divyas estão além deles.
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“Uma vez Shiva disse a Parvati: 'Minha querida, eis aqui uma bela casa. Vá ungir-se com pasta de
sândalo, e enquanto as abelhas zumbem e o Sol se põe, nós dois faremos amor em uma cama
deliciosa coberta de flores. Terei muito prazer em beijar-lhe os lábios vermelhos e brilhantes, e
em acariciar-lhe o corpo.”
Padma Purana
2. Vira [Herói] - Este é um Sadhaka/Sadhika muito avançado, e embora não completamente, está
liberto do mundo e deixou de ser um Pashu. Rajas guna prevalece, embora possa haver um
movimento tanto para Tamas guna quanto para Sattva guna. O Sadhak heróico está pronto para
enfrentar o inimigo – Tamas - cara a cara, com um ataque ofensivo contra os seus apegos restantes,
em situações em que a alma menos desenvolvida falharia ou fugiria. Ele procura e confronta os
maiores medos e tentações das pessoas comuns, ou seja, as coisas que mais significam falta de
controle no ser humano, como morte, cremação, cadáveres, sexo, intoxicantes etc e os supera
heroicamente.
3. Divya [Divina] - O Sadhak mais avançado, o homem ou a mulher espiritual. Divya é calmo, puro,
refinado e sábio; livre de materialidade e paixão. Aqui, Sattva guna predomina.
Contudo, há de se ter cautela. Em Kali Yuga é raríssimo encontrar um Vīra ou um Divya. Na Era de Kali,
o Paśu é comumente encontrado, disfarçado de vīra sadakha, abrindo “escolas” de Tantra, esforçando-
se nos ritos, em dar-lhes caráter de sacralidade, suportando a delonga dos procedimentos para
compensar-se no final. O Prāṇatoṣiṇī (610-617) diz: Divya-vīra-mayo bhāvah kalau nāsti kadāchana
Kevalam paśu-bhāvena mantra-siddhir bhaven nṛnām Na era de Kali não há Divya ou Vīrabhāva. É
somente pelo Paśu-bhāva que os homens podem atingir Mantrasiddhi.
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O ponto central desse ritual é experienciar a percepção de que essas coisas e atos tradicionalmente
considerados "impuros" são na verdade, como todo o resto da Criação: O corpo da Deusa. Um Paśu-
bhāva entende isso intelectualmente, mas sem disciplina tântrica, sem a percepção da
transubstanciação, para ele, o sexo ainda será sexo, a carne ainda será carne e a bebida ainda
será bebida alcoólica.
O ritual só funciona se você estiver espiritualmente preparado para isso e a maioria das pessoas não
está.
"As pessoas ocidentais muitas vezes vêm a obscenidade, onde há somente simbolismo." Arthur
Avalon
Sir John George Woodroffe (Arthur Avalon), explica: "Os únicos que são competentes para este Yoga,
são aqueles que são verdadeiramente livres, ou a caminho da liberdade, de todo o dualismo". E mais:
"De acordo com o monismo indiano (Advaita), o homem é - na sua essência ou espírito - divino e um
com o Espírito universal. Sua mente e corpo e todas as suas funções são divinas, pois não se trata
apenas de uma manifestação de Shakti, eles são a própria Shakti. Então, dizer que uma questão é em si
mesma, "baixa" ou "má" é caluniar Shakti. Nada na função natural é baixo ou impuro para a mente que
o reconhece como Shakti e o trabalho de Shakti. É a mente ignorante e, em verdade, vulgar que
considera qualquer função natural tão baixa ou grosseira, nada em si é impuro. É a mente que faz isso
assim."
Esotericamente, os 5 M’s simbolizam e celebram, entre outras coisas, os cinco elementos tradicionais
da Criação de Devi. Sem o benefício de seus significados sutis, são comumente conhecidos por vinho,
carne, peixe, grão seco e intercurso sexual, respectivamente:
1. Madya - É o Fogo que dá alegria e dissipa as dores da humanidade, porém, em um sentido mais sutil
Madya é dito para representar o néctar divino também chamado Amrita.
2. Mamsa - É o ar que alimenta e aumenta a força da mente e do corpo. Em um sentido mais sutil, o
controle de Mansa é o controle do discurso, da fala. Silêncio.
3. Matsya – É a água que aumenta o poder gerador. Também pode ser em um controle de sentido
mais sutil, uma referência a Ida e Pingala Nadis que são controlados pelo sadhaka através da prática
de Pranayama.
4. Mudra - É a Terra que produz e suporta toda a vida, mas, em um controle de sentido mais sutil, ele
dirige o sadhaka para manter a empresa espiritual, a evitar companhia negativa, e também representa
a postura vertical, ereta.
5. Maithuna - É o éter, a raiz do mundo e a origem de toda a criação; em um sentido espiritual,
maithuna representa a união da Mente Individual com a Mente Cósmica e nesse sentido, maithuna
significa Samadhi.
Maithuna não significa tratar-se de coito emocionalmente carregado entre mulher e homem, mas sim
uma transcendência altamente estruturada do próprio conceito de mulher e homem. Como no resto
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do Tantra, é um ato comum abordado com uma mentalidade espiritual completamente incomum.
Como Woodroffe observa: "Para o verdadeiro sensualista que deseja obter o objeto de seu desejo,
esses longos rituais tântricos seriam simplesmente obstrutivos e cansativos". Não há nada sexy,
sensual ou excitante sobre a relação sexual no contexto altamente ritualizado, estritamente
controlado e profundamente espiritual dos “5 M’s” - Panchamakara -, pelo contrário, é Sadhana. É
culto sagrado.
METAFÍSICA TÂNTRICA
A metafísica fornece o mapa do terreno da vida. Você precisa saber e entender o que é divino para se
alinhar com ele. Você vai conseguir responder as perguntas tais como: o que é o universo, o que é o
corpo/mente? O que é o mundo físico?
O universo é uma grande consciência suprema sendo tanto o mundo absoluto de puro espírito, quanto
o mundo físico relativo. Ele mantém tanto as possibilidades de um mundo imanifesto e manifesto,
ilimitado e limitado, imensurável ou mensurável.
No tantra tudo é visto como manifestação do divino. O corpo físico é uma manifestação grandiosa do
espírito, não apenas um recipiente material inferior. É por meio do corpo/mente que nossa verdadeira
natureza é ilimitada.
Da mesma forma, o Tantra não vê nossos pensamentos, sentimentos, desejos, paixões, emoções como
obstáculos para o despertar espiritual que devem ser esmagados ou eliminados, ele os vê como formas
divinas de glorificar e expandir nossa experiência do supremo. O corpo e a mente são formas variadas
e ilimitadas de incorporação pela qual podemos experimentar o êxtase do reconhecimento e exaltação
do ilimitado no mundo dos muitos. O corpo e a mente são presentes divinos e são ferramentas da grande
mãe para nos ajudar a descobrir nossa glória, nossa grandeza e nosso real valor sempre no caminho da
liberdade.
O Tantra não vê a encarnação como um castigo kármico ou algo que devemos transcender. O
corpo/mente não é visto como ilusão nem um erro de percepção, é na verdade, um fenômeno real que
pulsa com a essência divina da grande mãe.
A vida é vista como presente divino, e a bondade é a natureza absoluta do universo. Não existe um mau
intrínseco ou absoluto, mas como nascemos livres para escolher nossas próprias experiências, nós seres
humanos somos capazes de cometer erros e malevolências deliberadas, e com isso nos afastamos da
energia criadora e nos desalinhamos da mãe. Aí vem o sofrimento e o mal, apesar de nada ter uma
essência má em sua natureza absoluta, a bondade assume um estado relativo no mundo manifesto.
Resumindo, nem tudo no mundo material é tão bom quanto todo o resto, porém, dentro do absoluto,
nada é mau em essência.
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A visão tântrica está fundamentada na filosofia da bondade intrínseca. Tomamos aqui como premissa
que tudo neste mundo é uma incorporação da consciência suprema da grande Mãe, que em sua essência
pulsa como bondade e a mais elevada alegria.
A intenção mais elevada da prática de yoga tântrica é o alinhamento com o divino visto aqui como
ShivaShakti . Quanto mais aprofundamos nosso alinhamento e conexão com essa força, tudo se torna
mais claro e nosso caminho mais suave em direção à graça. Esse conhecimento que surge naturalmente
nos abastece de luz e amor, tornando nosso coração repleto de paz e suavidade.
Em nosso tapete de yoga oferecemos artisticamente nossa luz individual e nossa música única com
nossas orações sinceras de poder adicionar mais beleza, amor e bondade ao mundo.
A arte do yoga tântrico é uma co-participação com ShivaShakti, não uma prática de dominação,
subjugação ou controle da natureza. Em vez de tentar controlar o corpo e a mente a partir do exterior,
as posturas tem origem em uma criatividade profunda e sentimentos devocionais internos.
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Shiva e shakti representam o ser e a energia da pura consciência além do tempo e do espaço, e o modo
como podemos vivê-los como os dois lados da nossa natureza mais profunda.
Shiva é Yogeshvara, o Grande Senhor do Yoga, Shakti é a Shakti do yoga ou o poder. Shiva e Shakti são
os arquétipos do yoga dentro de nós, o deus e a deusa, o masculino e o feminino em perfeita união e
sintonia, o yogin e a yoginí que podemos por em movimento todas as correntes dinâmicas do nosso
crescimento e nossa transformação interior, vivenciando assim a elevação em espiral ao infinito.
O mais importante é entender que Shiva e Shakti não são meras forças inertes, ou princípios abstratos,
eles podem aparecer para nós em formas pessoais e podemos nos comunicar intimamente com eles.
Podemos vê-los, falar com eles e sentir sua energia e amor à nossa volta. Shiva e Shakti existem como
potencial pessoal dentro de nós e como poderes cósmicos fora de nós. Podemos abordá-los em ambos
os níveis, o pessoal e o impessoal, permeando todos os aspectos da existência, animada e inanimada.
Shakti surge da paz interior (Shiva). Shiva simboliza a mente meditativa silenciosa e shakti indica a
energia criativa poderosa que flui dela. Shakti é o poder da paz interior que se torna um canal para que
os poderos cósmicos do universo maior da consciência e do êxtase fluam para dentro de nós.
A maioria das abordagens do tantra yoga dá ênfase aos sete chakras; a mais elevada realização do eu
ocorre com a abertura do chakra da coroa, ou lótus de mil pétalas. Entretanto o yoga tântrico interior
da grande mãe segue os ensinamentos antigos presentes nas upanishads e no bhagavad gita onde focam
no coração como aqui demonstramos:
“ Tanto quanto o espaço se expande, também se expande o coração dentro de nós. Localizados
nele estão tanto o céu como a terra, nele encontram-se fogo e vento (agni e vayu), sol e lua ( surya
e chandra), tanto o raio como as estrelas, tudo que está aqui e tudo o que não está , tudo isso é
localizado dentro do coração.”
_____chandogya upanish viii.3
Os sutras do yoga iii.3 dizem o seguinte: “ por meio da meditação no coração, vem o conhecimento de
chitta.” ( a origem da mente ou chitta está no coração).
Trabalhamos com o hridaya ou o coração espiritual, hridaya é considerado o local onde habita o atman,
o eu mais elevado. Ramana Maharshi grande sábio iluminado da Índia moderna dizia que todo segredo
do yoga estava em trazer a nossa atenção de volta ao coração, a partir do qual não há subida nem
descida, ir ou vir.
É bom entender que hridaya não é a mesma coisa que o chakra do coração (anahata), embora tenha
uma ligação bem próxima com ele. O coração espiritual não é simplesmente um local na coluna, ou um
centro de energia no corpo sutil. Ele é o âmago da consciência, que é tanto a base do corpo causal (a
base onde a alma reencarna) como o eu supremo além de toda manifestação. Ele contém todos os
chakras e, no entanto, está além deles.
O mais importante é entender o movimento do yoga neste momento tão profundo:
Todos os chakras se abrem para serem absorvidos de volta no chakra da coroa, o qual por sua vez, é
absorvido pelo coração espiritual (hridaya). O yoga tântrico interior da Grande Mãe é um processo
único de expansão da consciência acontecendo em diferentes ritmos e dimensões. Os diferentes
chakras, começando com o chakra da raiz, são aspectos do chakra da coroa que, por sua vez está contido
no coração espiritual.
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A visão filosófica tântrica do yoga oferece um caminho de afirmação a vida, tanto para viver no mundo
externo quanto para explorar os caminhos mais sutis da consciência interna.
O alinhar-se com shivashakti é essencial, o alinhar-se com a grande mãe natureza que nos permite
resgatar a nós mesmos. Portanto o tantra apóia tudo que seja de afirmação à vida e que a torne melhor.
A essência dessa vida inclui contentamento, bondade, beleza, amor, liberdade e verdade. Tudo que
aumente e expanda esses aspectos da graça divina no mundo material acima de seus aspectos
antagônicos é considerado ético.
Fluindo na luz de ShivaShakti isso é tantra, é um desejo de estar consciente de todas as partes de nosso
ser, a luz e a escuridão, todo o arco íris de sensação, percepção, emoção e pensamento. Nós merecemos
viver intensamente cada momento de nossas vidas sem ter pré-julgamentos, nós aceitamos o momento
presente como benção, abrimos nosso coração pro agora e permitimos fluir com a luz divina sem nos
agarrar a ela e sem nos afastar.
O que quer que encontremos, seja auspicioso ou não, respondemos de forma positiva a vida.
O relacionamento com o supremo é aprofundado pela purificação e refinamento do corpo, da mente e
das emoções, para refletir o divino em cada um dos aspectos individuais de cada ser. Quando os sentidos
e a mente estão mais purificados e refinados, então a pessoa se torna capaz de perceber mais claramente
o universal em tudo neste mundo relativo.
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