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MAITHUNA – O Coito

Cósmico
Uma visão Tântrica da Sexualidade

“ A União sexual é uma yoga


auspiciosa que, embora envolvendo
deleite de todos os prazeres sensuais,
traz libertação”.
Kaularahasya
MAITHUNA

Maithuna, é a união sexual ritualística de


um casal de sádhakas (aspirantes
espirituais), a imitar com seus corpos o
“coito cósmico” com o qual o casal Shiva-
Shakti gera os universos. O maithuna é a
união sexual alçada à sua maior
sublimidade e pureza, quando cada cônjuge,
no desfrute da bem-aventurança, se une,
em castidade, no ser do outro e, se
transcendendo, unificados no genuíno amor,
se fundem jubilosamente na Unidade de
Deus. A proposta é sábia, austera e linda. O
devoto representa Shiva, e sua esposa
(legítima), a Shakti, a Mãe Divina, Parvati. A
fim de assegurar tão rara magnificência
espiritual, o casal, por longo tempo, se
engaja em austera disciplina espiritual.
Pureza e santidade são absolutamente
indispensáveis. Sem elas, maithuna não
passa de normal fornicação. Por motivos
técnicos e litúrgicos, a união não deve
culminar na ejaculação natural, pois isso
derrubaria a dignidade, a pureza e a
significação cósmica do ato. Ora, isso é
imensamente difícil e sem dúvida
impossível a quem não seja dotado de um
grau elevadíssimo de auto-controle, pureza
espiritual e santidade. A energia seminal
retida é então canalizada para um nível
divinizante mais sutil.
Professor Hermógenes

ENTENDENDO O TANTRA
“Três deviam ser, de fato, as perseguições de todo ser. São elas: a perseguição da vida, a perseguição da
transcendência e a perseguição da prosperidade”.
Charaka Samhita

Para falar de Maithuna, teremos que viajar no Tantra, pois o Maithuna é apenas um modo pelo qual
o Tantra se apresenta a nós.
No sânscrito, as palavras terminadas com “a” são masculinas e as palavras terminadas com “i”
são femininas, portanto, etmologicamente, tantra é um termo masculino, porém, derivado de três
termos femininos: Tantori, que tem vários significados, como: “tecido”, “teia”, “tela”, “trama” - no
sentido de perceber o universo como algo interdependente, onde tudo age sobre tudo. Tanoti, que
significa “estirar”, “estender”, “expandir”, no sentido de expansão do ser. Trayati, que significa
consciência - no sentindo de entendimento da vida. Somando o radical tan – de tantori e tanoti ao
sufixo tra – de trayati, obtemos tantra, literalmente um instrumento de expansão do campo da
consciência comum para uma consciência mais elevada, esta consciência é decorrência do próprio
entendimento e experiência do ser (interno) com o mundo (externo).
Tantra é uma ciência eminente que tem milhares de princípios e somente quando tais princípios
são analisados e experimentados minuciosamente na vida do indivíduo como conhecimento prático,
está concretizada a forma da ciência pura.
Tantra é também um corpo de doutrina mística e mágica que segue tradições matriarcal, sensorial
e desrepressora. Matriarcal, pois na tradição tântrica, reverencia-se a Shakti (princípio universal de
energia que representa o poder e a criação). Sensorial, pois um tântrico passa às 24 horas do seu dia
buscando a consciência plena do momento presente, ou seja, o tântrico sente a vida, além de vivê-la.
Desrepressora, pois mostra a vida tal como ela é, mundana, profana e sagrada.
Tantra é o processo da intensificação de nossas potencialidades internas peculiares de modo que
nós possamos comandar este arranjo atômico que em outras palavras é conhecido como “Siddhi”. Com
o Tantra Sadhana (prática tântrica), podemos alcançar estes super-poderes (siddhis) derivados das
faculdades divinas que permeiam o cosmos inteiro. O aspirante de Tantra torna sua capacidade interna
intensa e poderosa, funcionando como um ímã. Esta ciência é o processo de ativar as várias glândulas
e Chakras vitais dormentes no corpo sutil, presente dentro do corpo humano. Através deste processo, o
indivíduo desperta a consciência da libertação dos próprios julgamentos, integrando o corpo físico ao
corpo sutil e expandindo suas faculdades infinitas. Aqueles que são completamente versados no Tantra
despertam suas faculdades cósmicas internas e adquirem o conhecimento para seguir adiante no
processo da evolução. Ativando os Chakras, alcançam finalmente a realização do ‘eu’ e a bem-
aventurança suprema.
O Tantra é uma filosofia iniciática, onde seus ritos são passados verbalmente através do
parampará (pelo guru ao seu discípulo). Os discípulos, ao memorizarem esta ciência, passam a realizar
os ‘Siddhis’. E o guru passa ao discípulo que este conhecimento é concedido somente àqueles que o
mereceram realmente, pois, se uma pessoa suspeita, fraca, temível, começar o Tantra Sadhana, e
experimentar alguma aflição ou crise, põe-se assim em perigo devido à reação reversível do Sadhana,
porque nesse momento a energia interna do aspirante é frágil e assim é facilmente dominada pelas
forças externas. Esta é a razão porque somente um guru competente é capaz dar o conhecimento de
Tantra. Um guru minucioso analisa completamente o discípulo e ao assegura-se de que seu discípulo
nunca empregaria mal esse poder, começa ensinar o Tantra Sadhana. Devido às razões mencionadas,
os métodos de Tantra Sadhana foram escritos de maneira incompleta, ou em símbolos, assim, quem
executa o Sadhana de acordo com o que está escrito nas escrituras pode nunca ser bem sucedido, pois
o conhecimento completo só pode ser alcançado com a orientação de um guru.
As interpretações de pessoas desinformadas sobre Tantra fizeram com que esta ciência do poder
tenha sido empregada muito mal, mas para uma pessoa não receosa, com um conhecimento sadio,
Tantra é a maneira a mais fácil de se adquirir os poderes divinos. Para se tornar bem sucedido no
Tantra, a elevação da consciência interna é absolutamente essencial porque neste Sadhana, o poder
deve ser evoluído de dentro.
O tantra não é dogmático, sectário, nem mesmo uma crença, mas uma maneira de atuar e viver. É
uma corrente de pensamento que procura a realização do homem em todos os planos, um caminho de
auto-realização e de integração pessoal que permite a expansão da mente, do corpo e dos sentidos
físicos. Ele nos fornece meios para liberar a consciência através das mais diferentes técnicas e práticas
multi-milenares, tais quais: yoga, dança, massagem, uso da energia criativa, mobilização energética,
espiritualidade e a prática sexual. O tântrico expande seu conhecimento para as mais diversas áreas, tais
como a astronomia, física, psicologia, etc.
O Tantra não é um manual sobre sexo, mas uma maneira de educar os indivíduos sobre a
sexualidade. Não é um conjunto técnicas associadas a performances e orgias sexuais e mirabolantes, e
sim, uma potencialização de sensibilidade e percepção da energia, baseada em meditações, vivências e
ritos. Para o tântrico, o ser humano é fundamentalmente um ser sexual, o único capaz de dar ao ato
sexual outras dimensões além da procriação. Aceita o corpo como sagrado, o desejo como ponte de
transcendência e o sexo como fonte de prazer, meditação e êxtase espiritual. Portanto, o caminho da
libertação começa no corpo físico – o templo do qual se faz o jogo da vida (leela).
O tantra não vai mudar a sua vida ou transformá-lo num novo ser, ele apenas o ajudará no resgate
de sua própria essência, na aceitação de que e quem você realmente é, na identificação com a sua
própria natureza e no despertar da consciência inerente ao teu ser.
O Tantra alquimiza a energia e tudo, absolutamente tudo, é energia para um tântrico. Ao “despertar”
esta energia, o indivíduo experimenta uma ruptura na consciência de vigília e o “despontar” de uma
consciência plena - que está infusa na criatura humana - mas que, devido ao seu adormecimento, ele
não consegue perceber. O fluxo da energia está espalhado em todo ambiente e quando sua própria
energia interna se torna capaz de influenciar a energia externa, nada permanecerá impossível. Esta é a
ciência do Tantra e o primeiro passo do aspirante. Este grande mistério de energia multidimensional se
move dentro de cada ser com profunda sutileza, sensibilidade, amor, bem-aventurança e tudo mais que
o indivíduo possa experimentar na sua jornada existencial.

HISTÓRIA DO TANTRA
“Aqueles que desejam alimentar a natureza e prolongar suas vidas devem meditar profundamente em seu objetivo
final e considerar a fonte de sua origem”.
TS’NA-T’UNG-CH’I

Contextualizar as datas da história da Índia e do Tantra é um processo dificílimo para não dizer
impossível, até porque existem paradoxos nas pesquisas da arqueologia e da própria história indiana.
Sabe-se que o subcontinente indiano era habitado por seres humanos há mais de 2 milhões de anos.
Segundo as teorias de Max Miller (estudioso do Hinduísmo) sobre os primórdios das civilizações
indianas, foram descobertas escavações do Vale do Indo — noroeste da Índia - nas quais consta que em
algum momento da história essa arte recebeu o nome de união ou integração - em sânscrito - Yoga; tendo
como seu fundador Shiva, intitulado Nataraja, o rei dos bailarinos há mais de 5.000 anos antes de Cristo.
“Quando não havia seres-humanos, apenas anfíbios e seres-marinhos na Terra, Shiva e Parvati praticavam Yoga a
beira do Mar enquanto Matsy, o peixe - que representa a força procriadora do mar, a fecundidade das águas e a
abundância da vida - com grande respeito, admiração e com muita vontade de aprender, passou a observá-los
diariamente e ouvir suas conversas. Após um período de sete dias e sete noites, Shiva e Parvati não mais voltaram à
beira do Mar e Matsy, em profunda tristeza continuou a esperá-los. Passados mais sete dias e sete noites, Matsy saiu à
praia e tentou praticar. O deus Shiva que oculto tudo observava, reconhecendo a grande fé de Matsy, transformou-o,
dotando-o do poder de praticar as posturas, do poder da respiração e muitos outros poderes inerentes aos seres-
humanos”.
Daí por diante a transmissão do Yoga foi dada aos outros seres que vieram habitar o Planeta Terra, por
tradição de ensinamentos pessoais.
Esta civilização era habitada pelo povo Drávida - uma das mais avançadas da antiguidade - que
ficou perdida e soterrada durante milhares de anos, e em 1958 foi escavada pelo arqueólogo inglês James
Mellart que encontrou evidências de sua existência. Os drávidas foram os mais notáveis e desenvolvidos
antecessores dos Árias, conhecidos como indo-europeus, e na verdade, não se sabe quem eram os árias
e de onde vieram. É impressionante o que encontrou: largas avenidas; ruas de pedestres; casas
assobradadas; instalações sanitárias; água corrente; iluminação nas ruas; esgotos cobertos; celeiros com
sistema de ventilação e plataforma elevada para facilitar a carga e descarga das carroças.
A economia era baseada na agricultura e na criação de pequenos animais; a ideologia religiosa
baseada no culto a deusa-mãe (Shakti); a estrutura social valorizava a mulher, mas a mulher não
dominava o homem.
Por muito tempo, estudiosos acreditaram que por cerca de 1.500 a.C, a Civilização do Vale do
Indo havia sido invadida pelos Árias. Contando que estes subjugaram o povo Drávida e sua cultura,
destruíram sua civilização, exterminaram quase todos os vencidos e escravizaram os poucos
sobreviventes. Os que conseguiram escapar fugiram, migrando para o extremo sul da Índia e Sri
Lanka, onde vivem seus descendentes até hoje, constituindo á etnia Tamil.
Atualmente as pesquisas sobre a história da Civilização indiana tomaram novas direções,
baseadas no fato de que os arianos já estavam lá estabelecidos, portanto não ocorreu invasão, mas
estudiosos ainda não chegaram a um acordo acerca de onde vivia esse povo. De qualquer modo,
considera-se muito provável que já houvesse comunidades de proto-indo-europeus estabelecidas na
Eurásia por volta de 4.500 a.C. ou ainda antes. Isso é sugerido pelos indícios arqueológicos e pelo RIG-
VEDA (texto antigo da tradição do Yoga) onde se relata que a geografia, o clima, a flora e a fauna
possuem as mesmas características encontradas no noroeste da Índia atual. Não há evidências de
incêndios, ataques ou destruição violenta das cidades. Assim, os arqueólogos hoje acreditam que as
antigas cidades de Harappa e Mohenjo-Daro foram abandonadas por mudanças climáticas, doenças
epidêmicas, rompimento do comércio, pelo esgotamento do rio Sarasvati e pela mudança de curso do
rio Indo que fez com que a população partisse rumo ao rio Ganges uma vez que às margens do Ganges
contavam com vastas florestas, não existindo nada nos VEDAS que contradiga essa suposição.
Se a invasão Ariana tivesse ocorrido cerca de 1.200 e 1.500 a.C., os hinos do Rig-Veda não
poderiam ter registros de posições estrelares de 3.000 a.C.
Para Feuerstein, eliminando o preconceito da invasão Ariana, isto também significa que o Rig-
Veda tenha sido composto antes do esgotamento do Sarasvati. Os hinos do Rig-Veda apontam para uma
civilização multi-racial quando descrevem suas batalhas, mas tais batalhas não são entre povos arianos e
autóctones, são batalhas entre povos da mesma cultura. Porém, a teoria da invasão Ariana argumenta a
supremacia da raça branca ariana sobre os drávidas de pele mais escura, uma especulação que não
analisa a causa da pele mais escura de um dos povos ser dada pela exposição ao sol em regiões tropicais.
Segundo autores, há uma série de questionamentos à teoria da invasão ariana:
Os descendentes dos supostos invasores arianos, os hindus, não têm memória sobre essa invasão,
não havendo registro desta invasão nos Vedas e nem nos textos do Jainismo e do Budismo. Além disso,
há uma continuidade cultural no que se refere aos artefatos arqueológicos descobertos nas cidades do
Indo e a seqüente sociedade do Hinduísmo.
Em sítios arqueológicos de Harappa foram encontrados altares do sacrifício do fogo utilizados por
Arianos Védicos.
Entretanto, para estudiosos como Eliade e Max Miller que acreditam na invasão Ariana, o Tantra
seria proveniente de uma religião proto-histórica dos drávidas do Vale do Indo, hoje extinta, e que
sofrera a oposição inicial dos invasores, mas sendo integrada mais tarde com o pensamento Ariano após a
suposta invasão.
Mesmo com esta divergência de opiniões sobre os fatos da índia pré-histórica, os textos sagrados -
os Vedas, de fato existem e registram a tradição da civilização Indo-Sarasvati.
A partir daí é que surgem os Aranyakas, a literatura da tradição Aranya (da floresta) e as
Upanisads.

ORIGEM DO TANTRA
“Os ancestrais descobriram a Luz oculta. Com mantras de verdade geraram o alvorecer [do conhecimento
verdadeiro]”.
Rig Veda, VII:76

O tipo racial tântrico é originário das civilizações neolíticas - possuem crânio longo, rosto oval,
pequena estatura, membros esguios, pele trigueira, olhos negros.

Civilizações neolíticas

Pastores nômades
Migraram de dois territórios: oeste (espaço mediterrâneo e norte-africano, Espanha, França,
Bélgica, Inglaterra, Irlanda e até Dinamarca) e leste (as grandes Ilhas do Mediterrâneo, Itália, Suíça,
Alemanha, Romênia). Chegaram na índia por volta de 9.000 a.C, habitaram as margens do rio Indo –
que nasce no Monte Kailas no Himalaia - em Mohenjo-daro, com cerca de 10.000 habitantes,
conhecidos como cultura Harappa ou drávida. Quando os Pastores nômades (árias) atingiram
esta região, encontraram uma civilização totalmente desenvolvida. Tinham sua própria medicina
– Rasa-Ratna-Sara; um estudo próprio de Astronomia; eram conhecedores da Alquimia e das
mais diversas técnicas de magia e meditação; desenvolveram a ciência do Som (sphotavada);
uma forma primitiva de yoga que mais tarde seria herdada pelos hindus; a sua escrita própria é um
mistério, e infelizmente não foi decifrada até os dias atuais. O tantra é uma filosofia completa.

Selos do Indo, com pictogramas característicos:


A escritura do Indo é um mistério. É certeza que ela existia muito antes da invasão ariana e não tem
nenhuma relação com o brami, do qual derivaria mais tarde o devanagari dos textos sânscritos. Os
estudos mais sérios relacionam-na ao dravidiano.

FUNDAMENTOS DO TANTRA
“Pelos mesmos atos que criam a escravidão para os seres dualisticamente inclinados, uma pessoa pode ser liberada da
escravidão deste mundo. O princípio básico é que o ato deve ser acompanhado de não-dualismo entre razão e emoção”.
Advayasiddhi

“A pura Parvati, contente ao ouvir


o relato do Deva (ser divino), curvando-
se em reverência pediu a Shamkara que
Lhe revelasse os meios para a
iluminação e eliminação dos sofrimentos
na era atual em benefício da humanidade
e dos seres vivos, assim como o fez nas
eras anteriores... O Senhor Shambho então ensinou os Tantras para os tempos modernos e as yogas e
meditações que hoje conhecemos.”
O tântrico não vive sem o mundo mitológico, para ele não existe divisão entre o humano e o Divino,
o fato e o mito, o concreto e o abstrato.
A cosmogonia tântrica, descrita no Samkhya, caracteriza-se pela conjunção dos opostos que se
complementam. Essa idéia não é originária do tantra, ele apenas recupera este princípio muito mais
antigo do que a própria humanidade. Esses dois princípios são Shiva e Shakti. Os rishis, sábios ascetas
do alvorecer do pensamento hindu, chamaram Shiva o princípio primordial, tudo existe em função dele,
tudo é reflexo e evidência da sua realidade. Não há noção de criação do mundo, no plano macro-
cósmico Shiva é Purusha, o princípio imutável e eterno, nem ativo nem criador, Ele não faz nada, apenas
é. Sua manifestação é Shakti, que significa esposa e, por extensão, energia. Shakti é a Prakriti, a
Natureza do sistema Samkhya, a energia criadora, que provoca a manifestação do Universo.
Shiva é inabalável, a ele pertencem o Ser e a Consciência; a Shakti correspondem o movimento, a
mutabilidade e a geração. Estes dois princípios representam-se na iconografia tântrica unidos no
maithuna. Shiva aparece deitado ou sentado, imóvel, enquanto Shakti está sempre sobre ele, ativa no ato
da manifestação, e das núpcias secreta de Shiva e Shakti, a consciência é concebida.
O tântrico esclarece a sua existência entendendo e vivenciando mais e mais o Universo, para ele,
tudo que existe no macro-cosmo existe também no micro-cosmo. Acredita também, que o tempo é um
continuum porque o processo dos ciclos da criação e da extinção “não tem começo nem fim”. A
criação e a dissolução são somente dois eventos em uma sucessão cíclica longa de eventos cósmicos.
Não há nenhum “começo” no passado e não há nenhum “fim” no futuro. A criação é uma manifestação
em termos concretos do absoluto. A dissolução é quando todo o universo criado funde-se no absoluto.
E isso é quando o período da não-manifestação começa. Assim começou mais um ciclo de expansão,
preservação e retração, que não foi o primeiro nem será o último. Os períodos de manifestação e de
não-manifestação se alternam. Estes são os dias e as noites de Brahma.
Não há nenhuma referência à data ou quando a criação ocorreu primeiramente. Esta expressão
rítmica e cíclica Sristi (criação e evolução); Sthiti (preservação e proteção); e do Laya ou Samhara
(destruição e renascimento) está expressa metafisicamente na dança cósmica de Tandava Nritya – O
Senhor Shiva.

“Na Noite de Brahma, quando o Universo ainda não tinha sido criado, a Matéria (prakrti) estava imóvel.
Brahma à desperta de seu torpor e ela começa a palpitar. Então Brahma entra na Matéria para lhe dar o
Movimento e o Ritmo. O Tempo, o Espaço e a Causa, existiram... Existe então uma potência inerente á todo ser que
se move; dançar. E esta Potência dirige todas as atividades da vida.
A dança propriamente dita se manifesta verdadeiramente pela primeira vez nos êxtases sexuais dos animais,
dos pássaros e dos insetos. O homem dança, ele faz gestos, ele se move. É então, na Dança da Vida [Nritya - a dança
de todos os instantes] no complemento de sua natureza, o homem realiza movimentos significativos, movimentos
dançantes chamados gestos. O homem mergulha numa espécie de inconsciência de si que o faz dançar no ritmo do
Cosmos, e visualizar sua verdadeira natureza. E, logicamente, ele se deifica ele mesmo ao adorar sua projeção no
Infinito, na Divindade. A Dança é divina na sua essência. Ela reside nos pensamentos do homem de ciência, na
inocência da criança, no crescimento das árvores, e em cada KRIYA (ato) dos seres viventes. E em cada Kriya há
um ritmo que determina um tempo particular ao ato cujos batimentos estão em harmonia com aqueles da
Existência. Este ritmo é o do Cosmos”.
(LA DANSE SACRÉE - LOUIS FREDERIC)

Entre os períodos de manifestação e de não-manifestação, chamado de Sthiti (preservação e


proteção: “o planeta Terra foi abençoado para oferecer condições de gerar várias formas de vida. Adi
Shakti (a energia primordial) rege o universo através de seus três principais aspectos, a trindade divina:
Brahma (Criação); Vishnu (Preservação) e Shiva (Transmutação)”.
De acordo como Tantra, a energia feminina não é vista separadamente da energia masculina, uma
não se completa sem a outra, todo princípio superior só pode existir através de uma combinação do
masculino e feminino. Portanto, a trindade máxima tântrica é composta da seguinte maneira:
BRAHMA o deus Criador - senhor de todas as criaturas - em comunhão com sua consorte
SARASVATI, a deusa da Sabedoria, do Conhecimento Sagrado, da Ciência, a protetora das artes e a
Mãe dos Vedas. VISHNU, o preservador, com sua tarefa de “conservar” a criação, conta com a sua
consorte LAKSHMI, a deusa da Prosperidade, da Beleza e do Amor - a eterna e onipresente. SHIVA,
como a terceira divindade do Trimurti, é conhecido como o transcendental destruidor, mas como a
morte, para os tântricos, não representa o fim da existência, Shiva é também aquele que recria,
que transforma, e está aliado a PARVATI - a deusa da beleza e da atração - a própria Shakti (energia
feminina, princípio da criação)- que se personificada em Kali, o caminho para a transcendência.
Os Tantras descrevem kundalini como uma das formas assumidas pela
Deusa e seu despertar e ascensão como "As núpcias entre Shiva e Shakti". O tratado Tântrico "Shat
Chakra Nirupana" descreve o processo nestes termos:
"A Deusa que é Shuddha-Sattva (consciência encarnada) atravessa os três lingas, e, após atingir
todos os lótus que são conhecidos como os lótus Brahma-Nadis, brilha então no esplendor de toda sua
luminosidade. A partir daí em Seu estado sutil, brilhante como um relâmpago e tênue como a fibra do
lótus, Ela se dirige ao luminoso e flamejante Senhor Shiva, a suprema bem-aventurança e subitamente
produz o êxtase da liberação."
Decifrar a origem histórica desta tradição é um grande desafio, pois os fatos históricos mesclam-
se profundamente com a mitologia indiana, e em determinado momento já não sabemos onde começa
ou termina o tantra, o yoga, a mitologia, a filosofia e até mesmo os princípios religiosos. Por outro
lado, esta particularidade torna esta pesquisa, além de especial, completamente mágica.

AS NÚPCIAS DE SHIVA E SHAKTI


“Somente quando Shiva está unido com Shakti ele tem o poder de criar”.

“Após a consumação do casamento, Shiva e Parvati com sua comitiva, se recolheram para a
moradia de Shamkara no monte Kailash (no sul do Tibet, quase fronteira com a Índia, ponto milenar
de peregrinação de yoguis e hindus). Ananga, o deus do amor, mesmo sem corpo se fazia presente por
sua emissária, a rainha das estações, a primavera. Todas as montanhas e vales circundando o local de
Shiva, pareciam a moradia eterna da primavera e seus encantos, as flores e seus aromas formavam
uma quilométrica guirlanda natural ao redor da sagrada montanha.
As núpcias do casal divino transformaram os pares opostos de todo o universo em complementos
um do outro e todo conflito pausou em trégua. O significado do termo yoga surgia neste momento com
a consumação da perfeita união. Encontrava-se ali a origem e finalidade da yoga (união). Ocorria a
união do criador com a criação, do espírito universal com a natureza, do que está em cima com o que
está em baixo. A harmonia era a ordem no universo inteiro e o contentamento existencial se estendeu
para todas as criaturas moveis e imóveis. O júbilo e o êxtase eram sentidos em cada célula ou partícula
da criação e a paz encontrava-se em seu palácio e reinado absoluto.
Por milênios ininterruptos as núpcias prosseguiram, os jogos amorosos do casal formaram a base
de toda iniciação ao amor que se tenha conhecimento e era totalmente dedicado ao momento mais
divino da existência de tudo; a harmonia universal. As escrituras tântricas que ensinam a união e a
sublimação da energia sexual, tais como Kama Sutras e o Ananga Ranga, as conhecidas e as nunca
divulgadas, contendo as sessenta e quatro posturas para a união e as mais diversas carícias que são
capazes de transformar seres humanos em divindades no amor, foram inspiradas em apenas uma faísca
do que veio a ser as núpcias de Shiva com Shakti.
Após a conclusão das núpcias, a primavera não mais queria abandonar as imediações do monte
Kailash e Parvati não abandonava a presença de seu Senhor. Shiva, tendo sempre a Mãe do universo e
sua amada em seu colo, sentada sobre sua coxa esquerda e lhe servindo como trono para o reinado do
amor universal, lhe relembrou os conhecimentos da sabedoria infinita, contendo os segredos dos
princípios da energia da força da vida que permeia toda a criação e lhe mostrando como o criador
encontra-se presente e manifesto em tudo isto. Entre seus carinhos transcorria o diálogo de ambos
onde a sabedoria fluía naturalmente como a água o faz no leito livre de um rio sagrado. No diálogo
divino, os ensinamentos que vinham de Shiva, o mestre amado de todos os yoguis, foram
denominados de AGAMAS e deram origem a muitas escrituras que os seres divinos revelaram aos
sábios em suas meditações. Os trechos onde Parvati se dirigia a Shambho ficaram conhecidos com o
nome de NIGAMAS. Formou-se assim um riquíssimo compêndio literário na forma de diálogo entre
Shiva e Shakti e foi denominado de TANTRA SHASTRAS (escrituras do tantra), ali se encontrava a
ciência yogui com suas técnicas. Contendo sessenta e quatro obras principais, a maioria desconhecida
e/ou desaparecida nos tempos atuais. Muitas delas foram raptadas pelos budistas que as mantinham
sob vigilância em uma torre no sul da Índia.
Como a natureza e os deuses também foram participantes desta união, revelaram por sua vez os
seus respectivos TANTRAS. Surya, a divindade solar, o deus Sol, com seus adeptos formaram o
SAURA TANTRA, suas escrituras e linhagem. Vishnu, com seus devotos constituíram o VAISHNAVA
TANTRA. Igualmente, um dos filhos de Shiva e Parvati, o Senhor Ganesha, formou o compêndio e
tradição dos GANAPATYA TANTRA. E por sua vez, os que vieram diretamente de Parvati ficaram
identificados como SHAKTA TANTRA e formam a tradição, práticas e escrituras mais significativas.
O TANTRA que é dedicado a Shiva diretamente é o SHAIVA TANTRA. Com o decorrer dos tempos
os cinco TANTRAS haveriam de se espalhar pelos cinco continentes para o benefício de todos no
mundo.

TANTRA SHASTRA
“Shakti realiza todas as necessidades físicas de Shiva. O Shiva sem corpo, sendo da natureza da Consciência Pura,
precisa da energia criativa de Shakti de apoio”.
Kamakalavilasa

Parte I
“No pico do Monte Meru, no centro deste universo, Shiva, o Iogue Supremo, e Shakti, seu
sensual complemento feminino, contemplam juntos o mundo e seus habitantes. Libertos de todo
mundanismo através da comunhão sexual altruísta, o Casal Cósmico está saciado com a paz
transcendental que segue ao êxtase.
Ainda abraçada pelo seu amor, a deusa vira-se para Shiva e pergunta:
— Ó Shiva, pelo nosso amor e para o benefício da humanidade, poderia revelar alguns
segredos sobre a natureza da sexualidade?
Shiva responde:
— Minha querida, estou inebriado de amor e cheio de paixão por você. Como poderia negar
tal pedido? Os segredos sexuais estão certamente entre os temas mais importantes a serem discutidos
pelos que se amam. Nenhum outro assunto sequer se aproxima em importância dos segredos sexuais. É
pela força do sexo que os seres humanos e todas as demais criaturas entram na vida. Impelidos
pela energia sexual, os seres desenvolvem-se e crescem. O sexo é a onda vital, a força da realização, da
evolução e da transcendência. Todo o universo surgiu através da força do sexo. Com o
conhecimento dos segredos sexuais, a força primordial do sexo que nos transformou em vida
pode ser utilizada para alcançar a Libertação.
A deusa pergunta:
— Fale-me sobre o significado da transcendência. Qual é a sua relação com as funções criadoras
e preservadoras de Brahma e Vishnu? Qual a importância da tríade de forças de Brahma, Shiva e
Vishnu para a sexualidade? Por que os segredos sexuais estão divididos nestas três partes?
Shiva responde:
— Toda a existência culmina na transcendência, que é o objetivo de todas as iogas.
Transcendência quer dizer ir além, muito além das limitações fenomenais e do condicionamento das
dualidades. A transcendência é o verdadeiro objetivo da evolução e o destino final de toda a existência
física. As funções criadoras e preservadoras de Brahma e de Vishnu são puramente forças fenomenais e
dualísticas, a não ser que estejam equilibradas pela função Shiva de transcendência. A força
criadora de Brahma faz com que todos os seres venham a existir e que a força de preservação de
Vishnu proteja suas vidas. A força transcendental de Shiva é como uma porta que leva além do
que é mundano; vai do mundano para o metafísico e desperta uma compreensão sobre a verdadeira
natureza da existência. No nível mais elevado, a transcendência é a participação total na
realidade, além da materialidade e da morte.
A força de Brahma manifesta-se através do canal que fica no lado direito do Corpo Sutil.
Conhecido como Píngala, este canal psíquico controla o fluxo de energia solar através do organismo
humano. Ele é ardente, expansivo, agressivo e arrogante; quando concentrada na região do plexo solar,
no Chakra Umbilical, a força criadora de Brahma procura realizar-se através do despertar de sua
potencialidade intelectual. A força de Brahma é patriarcal, lógica e convencional.
A força de Vishnu manifesta-se através do canal do lado esquerdo do Corpo Sutil. Conhecido como
Ida, este canal psíquico controla o fluxo de energia lunar através do organismo humano. Suas
qualidades são a fluidez, a contração, a submissão e a modéstia; quando concentrada na região do
cérebro, no Chakra Coronário, a força preservadora de Vishnu serve para infundir profunda sabedoria
intuitiva na psique ardente. A força de Vishnu é matriarcal, instintiva e não-convencional.
A força de Shiva manifesta-se através do canal central do Corpo Sutil. Conhecido como
Sushumna, este canal psíquico controla a evolução espiritual. É a "estrada" que liga este mundo ao
próximo. Shiva ê a força penetrante da consciência pura não diferenciada. Shiva é a qualidade
transcendental e extasiante da evolução.
Brahma, Vishnu e Shiva juntos formam a tríade de forças que pode ser representada simplesmente
por um triângulo equilátero com a força Shiva de transcendência no vértice superior, a força criadora
de Brahma e preservadora de Vishnu nos outros dois vértices da base. Esta simples representação
simboliza o Linga ereto e penetrante, elevando-se de uma base firme.
Esta tríade de forças manifesta-se em todos os níveis, desde o puramente físico até o psicológico
e espiritual. Toda ação provoca uma reação; Brahma cria e Vishnu preserva o que foi criado. Depois da
dualidade de Brahma e Vishnu, age a força transcendental de Shiva, dissolvendo todas as limitações
fenomenais. No corpo físico, Brahma é comida; Vishnu, bebida, e Shiva, a energia vital, a pura
vitalidade, a respiração. Estes três tipos de nutrição — comida, bebida e respiração — são essenciais à
manutenção da vida no corpo. Num nível psicológico, Brahma é a ‘psique’ criadora, Vishnu, o ‘Soma’
da preservação, e Shiva o meio ou agente de ligação. Espiritualmente Brahma é o Criador, Vishnu, o
Preservador, e Shiva, o que transcende. Sob o ponto de vista material, as forças de Brahma, Vishnu e
Shiva não podem existir independentemente. São interdependentes.
Os segredos sexuais são mais bem compreendidos quando se considera a tríade de Brahma
Vishnu e Shiva. Brahma é apresentado em primeiro lugar, já que sua força criadora causa o nascimento
de todos os seres. Esta atitude criativa é o primeiro segredo de Brahma; emana de sua origem como
uma dourada aura protetora de energia positiva e manifesta-se como 64 energias criadoras ou "artes". O
conhecimento destas artes harmoniza e eleva a psique. A força de Brahma. portanto, cria, estende e
exalta a realidade, propiciando um terreno fértil para o crescimento da espiritualidade. Do ponto de
vista tântrico, é extremamente importante compreender-se o reino de Brahma, já que isto leva ao
controle de todas as suas funções. A sexualidade e o fogo apaixonado da psique necessitam da parte
física do reino de Brahma, a fim de possibilitar uma base sólida para a realização física e espiritual. O
sexo tântrico requer compreensão teórica e aplicação prática da energia de Brahma. A primeira parte dos
segredos sexuais funciona como uma iniciação à natureza de Brahma e orienta o indivíduo para um
estilo de vida prático, no qual o sexo pode encontrar suas maiores aplicações.
A terceira e última parte dos segredos sexuais evoca o reino de Vishnu, a força da preservação. O
sentimento erótico é o primeiro segredo de Vishnu; um erotismo ligado à força alimentadora calmante
do Soma, ao elemento fluídico e à sabedoria natural e intuitiva dos sentidos. A sensualidade dos
domínios de Vishnu rompe todas as convenções e permite que os vários papéis da mulher sejam
compreendidos e manifestados espontaneamente. As várias posturas sexuais ajudam a canalizar as
energias sensuais e os ritos secretos do Tantra possibilitam o despertar da consciência. A terceira parte dos
segredos sexuais serve como uma iniciação ao Paraíso de Vishnu na Terra e dá aos casais a oportunidade
de explorar o verdadeiro potencial de sua sexualidade.
“A segunda parte — e central também — dos segredos sexuais evoca o êxtase transcendental de
Shiva. Este é o reino espontâneo de puro prazer iogue, a alegria infinita do amor altruísta. Não há
palavras que possam descrever verdadeiramente a natureza da experiência de Shiva. Ligado ao canal
central de Tantra, é Shiva quem lhe abre o caminho. A estrutura dos segredos sexuais está centralizada
em Shiva, o Transcendental. Seria ideal que esta parte central fosse abordada depois que a primeira e a
última parte dos segredos tivessem sido bem compreendidas. As três partes que constituem os segredos
sexuais servem, juntas, como um símbolo da evolução espiritual através do Corpo Sutil do Tantra.
A deusa pergunta:
— Você mencionou as funções de Brahma, Vishnu e Shiva, mas e os seus complementos
femininos? Elas também representam a tríade de forças? E sendo assim, como se relacionam com a
trindade formada pelas forças da criação, preservação e transcendência?
Shiva responde:
— Ó Deusa Sensual! Nem Brahma, Vishnu ou eu existimos sem os complementos femininos, que
são mais bem compreendidos como formas de Shakti, significando "energia". Brahma, Vishnu e Shiva
não teriam poder no mundo dos fenômenos sem as suas Shaktis. Embora as Shaktis de Brahma. Vishnu e
Shiva tenham muitos nomes e formas diferentes, os Tantras as separam simplesmente como Saraswati,
Lakshmi e Kali, respectivamente. Também formam uma trindade poderosa de energias que pode ser
representada por um triângulo equilátero, com um dos vértices apontado para baixo. Nele fica Kali
enquanto Lakshmi e Saraswati ficam nas duas outras extremidades.
Se a tríade de deusas que simboliza a Yoni da mulher for superposta ao triângulo formado por
Brahma, Vishnu e Shiva, simbolizando as forças da criação, preservação e transcendência, teremos, como
resultado, uma estrela de seis pontas. Este Yantra ou diagrama místico formado pelos dois triângulos
entrelaçados simboliza a união dos cinco sentidos com a mente e é um símbolo das qualidades
masculinas e femininas em equilíbrio harmonioso.
Neste Yantra protetor todo-poderoso, Lakshmi está associada ao sentido do tato; Brahma, à visão;
Kali, ao olfato; Vishnu, ao paladar; Saraswati, à audição, e Shiva à mente. Cada um destes seis sentidos está
localizado em um dos seis triângulos pequenos formados pela estrela de seis pontas — nas extremidades
encontram-se as funções femininas ou masculinas governantes. Este Yantra pode ser usado como objeto
de meditação, como um auxiliar na consagração dos rituais ou como um poderoso talismã protetor.
Desde os velhos tempos, este símbolo tem sido usado como proteção contra influências negativas”.

SHISHTHACHARA TANTRA - CONDUTA TÂNTRICA


“Você pode pregar um sermão melhor com sua vida, do que com seus lábios”

SHISHTA traduz-se como “educação” e ACHARA, “procedimento”, “conduta”.


SHISHTACHARA são preceitos que mestres e discípulos do tantra utilizam a milhares de anos -
conforme a tradição - e que podem ser incorporados na vida de praticantes e aspirantes ao tantra. É bem
provável que já tenha escutado ou lido a respeito, pois se trata de “verdades universais” e não culturais ou
sociais.
SUTILEZA E EDUCAÇÃO
“Uma não existe sem a outra”

O tântrico tem o hábito de conversar com todas as pessoas, sem distinção.


Não ficar controlando, não prejudicar a intimidade, não invadir a privacidade, não julgar e deixar
que o outro se expresse, são condutas sutis de um tântrico educado.
Evita discussões sobre alimentação, pois todo alimento é sagrado e cada pessoas deve comer o que
desejar. Sentar com a coluna ereta é sinal de educação para um tântrico, além de equilibrar os chakras e
ativar a kundalini - que são a meta do tantra.

ESPAÇO VITAL E LIBERDADE


“Sem liberdade o amor morre”

O espaço vital é extremamente necessário em qualquer relacionamento interpessoal, o tântrico evita


cobranças e atormentar as pessoas com perguntas ou comentários inconvenientes, perguntando aonde vai
ou onde foi... e quando conversa com alguém não fica “alugando” o outro ou querendo atenção exclusivas.
Os tântricos consideram um erro até maior ouvir uma fofoca do que fazê-la e procura mudar de
assunto quando uma conversa não leva a conhecimento mútuo.
O tântrico valoriza acima de tudo a liberdade individual, dando espaço e não interferindo na
individualidade do outro e quando tem que optar entre a liberdade e qualquer outra coisa, se esta violenta
aquela, opta pela liberdade. Para um indivíduo que vive a vida muito seriamente, a liberdade torna-se
impossível e desta seriedade começam os problemas.
O crescimento necessita de liberdade e da liberdade vem o amor. O amor é o valor mais alto na vida
e o amor e a liberdade caminham juntos; não se pode escolher um e abandonar o outro. Uma pessoa que
conhece a liberdade está repleta de amor e uma pessoa que conhece o amor está sempre desejosa de dar
liberdade. A liberdade é uma expressão de amor. Dar liberdade nada mais é do que confiar, ser livre nada
mais é do que acreditar. Tântricos são viciados em ser saudável, alegres, otimistas e em modificar a si
mesmos.
AUTO-ESTIMA
“Gostar de você é fundamental na conquista da evolução”

Quanto mais nos gostamos, mais nossa aura se expande e mais somos gostados. Ao criarmos
mensagens positivas em nosso interior, acabamos por gerar situações de prosperidade na nossa vida e na
vida dos outros, passando a atrair pessoas como nós. Um tântrico jamais se sente inferior, superior ou se
compara aos demais, pois sabe que é único, assim como o outro também é único. Se auto-aprimorar é a
base da auto-estima, tudo é bem vindo para a evolução e refinamento pessoal.
Ciúme é o pior sentimento e mais anti-tântrico que possa existir. É causador de guerras, mortes,
separações, tristezas e muito mais.
O tântrico cria metas possíveis de se concretizar, trabalha com o que realmente gosta e assume a
responsabilidade pela sua própria vida.
SORRIR
“Sorria para o mundo e ele sorrirá para você”

O sorisso é um gesto de cumprimento tântrico, sorrir abre muitas “portas”, cria novas
“possibilidades”, além de liberar endorfina e aumentar a auto-estima. Esteja sempre com um sorriso
sincero, pessoas fechadas, reclamonas, chatas, inflexíveis, ciumentas, possessivas e enfezadas (em = com,
fezadas = fezes) não são tântricas.

OS TRÊS SEGREDOS DO TANTRA


“Quem conhece e controla seu próprio poder de pensar, de se expressar e de agir, passa a dirigir seu próprio
destino”.

- Pensamento: é uma vibração sutil, composta de matéria incorpórea. Para o pensamento


estar sempre límpido, é importante não julgar e manter sempre uma postura positiva em
relação a tudo. O homem torna-se capaz de levar a paz, a cura e a vitória sobre os
obstáculos para onde quer que queira através do pensamento.
- Palavra: resultante do pensamento tem poderes inimagináveis: cura, mata, consola,
salva, destrói, aniquila, etc. A palavra deve ser pura, transparente e acima de tudo,
sincera, mas não basta dizer coisas agradáveis sem que nossos pensamentos creiam nisso.
- Ação: de efeitos mais palpáveis, físicos, materiais, a ação resulta, em geral, de um
pensamento.