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Estudo comparativo sobre Hatha Yoga, Tantra Yoga e Kundalini Yoga

Josélia Panichek

TANTRA YOGA

O Tantra Yoga surgiu no decorrer do primeiro século d.C. A era tantrica (500 – 1300 d.C.)
legitimou o princípio psicológico feminino (Shakti) e se tornou estilo de vida na época.
Literariamente surgiram neste período (64 Tantras). Além dos Tantras há outras obras importantes
que compõem a literatura sobre o assunto, englobando toda a tradição. Nestes textos fala-se da
criação do mundo, dos nomes e funções das divindades e de outros seres superiores. Também trata
da adoração ás deusas, de magia, feitiçaria, filosofia esotérica (mapeamento do corpo sutil ou
psíquico), despertar de kundalini, técnicas de purificação corpórea e mental, da natureza da
iluminação e da sexualidade sagrada...
Os tantras utilizaram as histórias sagradas e elementos rituais já existentes, sobretudo nas
comunidades rurais da Índia. Os seus protagonistas provinhas das castas que compõem o chão da
pirâmide social da índia (pescadores, tecelões, vendedores, lavadeiras). Este caminho deve-se a
busca de um método prático e possível de santificação que não resultasse em abandono das crenças
nas divindades locais e nos ritos muito antigos, já existentes. Alguns estudiosos atribuem o Tantra
ao tempo do surgimento dos Vedas. Os rituais tantricos surgiram a partir das tradições purânicas,
são histórias sagradas antigas em torno da qual criou-se uma teia de conhecimentos filosóficos,
mitológicos e rituais. O contexto védico dos rituais tantricos nos deixa claro que em outras épocas
as mulheres iniciadas eram fundamentais na transmissão dos seus ensinamentos. O objetivo dos
ensinamentos tantricos foi de atender a “era das trevas” que iniciou com a morte de Krishna.
Segundo o Tantra a libertação nasce através da sabedoria, firmando o praticante na
continuidade que existe entre o finito e infinito. É prática de realização onde se tem o Yoga como
elemento central.
Estatuetas antigas do império indiano evocavam posturas de Yoga. Os seus deuses possuem
atitudes meditativas. O tantra vem destas civilizações, da qual o Yoga é um ramo. Nas civilizações
neolíticas as mulheres eram valorizadas. Civilizações 7.500 anos antes da nossa era demonstram o
domínio da mulher na cultura, e também foram encontradas figuras geométricas semelhantes aos
yantras.
O significado da palavra “tantra” é “divulgar para salvar” (a raiz tan quer dizer espalhar,
divulgar; e tra salvar). Podemos entender o tantra como uma democratização do yoga.
Para o tantra até sexo foi sacramentado. Originalmente nos mostra a história que as
mulheres não eram exploradas. Os templos pertenciam às sacerdotisas. A mulher e o valor que ela
encarna são sagrados. Entretanto o bramanismo foi quem extraiu do tantra muitas práticas mágicas
e procedimentos sexuais, foram responsáveis por amoedaram o sexo no templo, e não os tântricos.
Esta introdução da sexualidade resultou em oposição nos hinduístas e budistas tradicionais, os quais
alegavam libertinagem. O tantra na índia é tido ainda com pouco apreço, quando se trata das
reuniões de esquerda (incluem ritos sexuais). São reprimidas pelo governo. Importante lembrar que
são sociedades patriarcais e que a participação da figura feminina em condição igualitária seria
quase que uma heresia.

Há um culto a Shakti, reconhecido e respeitado pelos mais ortodoxos, chamado de Caminho


da Mão direita (Dakshina Tantra Yoga); o nivritti marga ou caminho da renúncia, da abnegação, do
desapego, da submissão a Deus, da humildade, disciplina, oração, canto devocional, amor
sublimado.São também chamados de dakshinacharis.Há outro que é chamado de Caminho da Mão
Esquerda, vamachari, que contraria o primeiro em muitos aspectos, utiliza a energia sexual em seus
rituais.
No primeiro os ritos e cerimônias são realizados em público. São bhakti, belos e de
imaculado poder mágico. Dakshina Tantra Yoga considera o homem como uma combinação de
energias e tem como objetivo se dirigir de novo à origem, à Mãe ou Shakti, que contém a engendra
de todos os seres. Nos oferece alguns instrumentos que devemos utilizar para equilibrarmos nossa
personalidade e então termos condições de perceber que nós já somos a felicidade que buscamos.
Neste processo de transmissão de conhecimento é necessário que uma pessoa que já experimenta
esse conhecimento o transmita ao aluno. Este é também conhecido como o caminho do bem, é
preferido pela maioria dos mestres e professores de Yoga, por se utilizar métodos individuais para
alcançar o êxtase espiritual, como a meditação e uma série de condutas.
O Tantrismo percebe o universo como um tecido, onde tudo é interdependente, tudo age
sobre tudo. É um instrumento de expansão do campo da consciência comum para alcançar o supra
consciente, que o tantra quer despertar e utilizar. O universo vive, cada estrela está viva, é habitado
por uma forma de consciência exatamente como cada infinitesimal partícula sub nuclear. A vida na
visão tântrica é um processo contínuo no espaço e no tempo. Esta percepção do universo, como
consciência e energia associados, leva ao respeito absoluto pela totalidade da vida seja ela animal,
vegetariana ou bacteriana. Causar dano a qualquer forma de vida é causar dano a sua própria
existência. A ecologia torna-se cósmica e o corpo é um templo vivo.
O tantrico se integra ao universo concreto para perceber sua realidade profunda, seja
espiritualizando a sexualidade concebida como propulsão criadora última, seja por outras vias como
a contemplação da mãe cósmica ou do mar original. É com seu corpo e em seu corpo-universo que
ele se unirá concretamente a esses princípios cósmicos para sentir a divindade da carne consciente e
inteligente.“Quando respiramos é Deus que respira em nós, quando pensamos é Deus que pensa em
nós, quando amamos ou odiamos é Deus que ama ou odeia em nós”.
Cada ser vivo é um processo englobando outro, mais amplo e assim por diante até o cosmo.
O universo manifesto emerge permanentemente no não manifesto, fora do tempo, tempo uma
categoria mental. Essa visão do tempo-fora-do-tempo se aplica ao maithuna tântrico, a união sexual
ritual, que deixa de ser profana pela conscientização de que a criação se perpetua aqui agora. O
maithuna reproduz, no tempo real, o primeiro de todos os intercursos humanos, é replica do
derradeiro ato criador no qual princípio feminino cósmico unindo-se a seu a homólogo, suscita
permanentemente o Universo. Assim o maithuna reproduz, no tempo sagrado, real, portanto, o ato
criador original, situado não no passado inexistente, mas no imediato, que é o único a existir. Este
ritual visa transpor a consciência do adepto para um outro plano de existência, onde ele vive
concretamente essas verdades derradeiras.
No tantra o elemento principal é a mulher, representado por diversas deusas e onde cada
detalhe (objeto, vestimenta, ornamento), tudo têm significado. O mundo está em decadência e a
energia está em colapso e precisa ser trabalhada, reorganizada. O Tantra trabalha com duas
polaridades (Shiva e Shakti). Shiva (masculino) é a consciência cósmica, princípio estático, o
espírito. Shakti (o feminino), energia criativa, princípio dinâmica, a matéria. Shiva e Shakti são
uno.
O objetivo do Tantra Yoga é levar o indivíduo a perceber que ele já é a felicidade que busca
ser. É a união dos aspectos estáticos e dinâmicos da personalidade. O homem é presidido e
configurado pela energia psíquica, “o prana”. Este por sua vez regula os ritmos vibratórios, e cada
ritmo dessa energia produz os planos materiais psíquico e mental. Essa energia vem a ser o eixo
principal para que o Tantra Yoga realize suas transformações. À medida que o praticante toma
consciência de todas suas energias, ele harmoniza o seu interior e se harmoniza com o todo. O
coração do Tantra é despertar do Kundalini que reside na base da coluna vertebral, ascendente pela
mesma até atingir a cabeça, culminando com o despertar de todos os poderes latentes no homem,
reintegrando a energia na consciência plena.
A iniciação autêntica deve ser individual e só é dado por um minucioso preparo físico e
psíquico, que costuma se estender por vários anos. Tudo num contexto espiritual autêntico.
O elemento mágico está presente com força no Tantra. Numerosos e complexos são os
métodos do Tantra Yoga. São práticas tântricas: purificação dos elementos, prática dos mantras,
gestos simbólicos (mudra), esquema geométrico para meditação (yantra), ritual dos cinco M’s,
sexualidade ritual (maithuna). Apesar da complexidade dos métodos, devemos destacar que na
visão tantrica o mais humilde dos ritos objetiva o praticante a transcender a divisão artificial da
mente não iluminada e recompor a integridade que existe entre a transcendência e a imanência, a
bem-aventurança e o prazer. É também rico em lendas e contos como já foi mencionado, sendo que
as figuras centrais são Shiva/Shakti e as demais Deusas (diferentes facetas de uma só).

Características principais do Tantra


O Tantras aceitam os vedas e não contestam os seis dharsanas (as seis escolas filosóficas);
têm por objetivo salvar o homem da kali yuga; ajudam a todos democraticamente (independente de
cor, casta, sexo, tempo, lugar, etc.); enfatizam a prática, o exercício, e não somente a teoria; firmam
o aprimoramento, crescimento, para libertação; recomendam a aceitação do mundo que nos
envolve; as escrituraras prescrevem uma forma de viver apropriada ao temperamento e à natureza
de cada individuo; a certeza científica é cultuada, sua eficiência é cientificamente demonstrável.
No aspecto dakshina, isto é, “tantra da mão direita”, torna-se assimilável e aceitável pela
mais diferentes religiões. Inclusive as religiões ocidentais utilizam procedimentos litúrgicos e
princípios tipicamente tântricos. No tantrismo cabe tanto a convicção dualista quanto a monista
(eleva a verdade monista por intermédio da verdade dualista)

Hatha Yoga

As escolas do Hatha Yoga nasceram do Tantrismo. Na era tântrica os “atletas do espírito” da


Índia exploraram intensamente o potencial, o culto do corpo humano. A audácia, curiosidade e
perseverança desses adeptos possibilitaram a criação, que mais tarde se passou a chamar de Hatha
Yoga o “Yoga da Força”. A “força” refere-se nada mais que ao “poder da serpente”
(Kundalini/Shakti ) que os tantras tornaram célebres.A energia vital enrodilhada no corpo humano é
responsável tanto pela servidão quanto e pela libertação. O Hatha Yoga busca o despertar de
Kundalini de modo a conduzi-lo com segurança até o centro bio-espiritual (no alto da cabeça)
gerando a união com a divindade.
Para que o Siddha possa operar sobre a matéria impura, o corpo-mente do ser humano passa
por um processo Yogue comum ao Budismo e Hinduismo chamado de Kaya-Sadhana ou “cultivo
do corpo”. A partir daí nasceu o Hatha Yoga.
Segundo a tradição tibetana o primeiro e maior dos Siddhas foi Luipâ, identificados por
Matsyendra Nâtha, mestre de Gouraksha Nathâ. Os Hindus atribuem a esses dois grandes mestres a
criação do Hatha-Yoga. Apesar de muitas vezes a invenção do Hatha Yoga ser atribuído a
Gouraksha, muitos princípios e práticas antecediam à sua época. Eles pertenciam a uma das grandes
escolas da época chamada “Nâtha”. A seita Nâtha praticava Hatha-yoga e rituais mágicos.
Considera-se que o próprio Shiva deu origem à linhagem Natha (significa senhor) e refere-
se ao yogue liberto possuidor de poderes para-normais. Dizem os Hindus que os Nâthas são seres
imortais que vagam pelo Himalaia. Todos os seguidores destes seres também são chamados de
Nâthas.
Ha significa “Sol” e Tha “Lua”, portanto, refere-se as correntes positivas e negativas no
sistema (ida – pingala). Praticando o Hatha Yoga ativa-se as energias latentes. Estes canais
energéticos estão vinculados com os chakras. À medida que sobe a partir do plexo nervoso inferior
a mente se abre, até atingir o chakra mais alto (sahasara) o yogue atinge o seu objetivo último.
O Hatha Yoga ensina o controle do corpo. Hatha Yoga significa o perfeito conhecimento das
duas energias, a positiva e negativa. Nos conduz de volta a natureza, familiarizado com suas forças.
Esta Inteligência, e cujas manifestações chamamos de “Natureza” ou “Princípio da Vida” e outros
nomes, está sempre alerta para reparar danos, consertar ossos quebrados, expulsar os materiais
prejudiciais que estão acumulados no corpo físico. Enfim tudo que venha a manter o seu estado
natural e normal. Esses cuidados fundamentam-se nos seguintes aspectos: o corpo é um
instrumento no qual o espírito se manifesta e age; o corpo é o templo do espírito; corpo físico
doente ou imperfeitamente desenvolvido, a mente não pode funcionar devidamente.
O objetivo do hatha yoga é transcender a consciência egóica e realizar a realidade divina, o
Samadhi, o qual age sobre o sistema nervoso e o corpo em geral. Há, portanto, a necessidade de
fortalecer o corpo. Suas disciplinas facultam a manifestação da realidade suprema no corpo e na
mente humana. O hatha yoga expressa o ideal do tantra, que é viver no mundo para a partir da
plenitude da realização do Si mesmo, e não fugir para chegar a iluminação.
Um dos principais requisitos da saúde é, portanto podermos expandir a consciência e
conduzi-la a todas as partes do corpo. Dessa forma logramos e impedimos a doença. E se já se achar
presente à moléstia, restabelecemos consciente e intencionalmente a ordem.
O Hatha Yoga condiciona o homem por inteiro, beneficiando matéria, energias, emoções,
pensamentos, sensibilidade, conduta moral, enfim tudo o que constitui o homem por inteiro. Para
isto, opera com diversos procedimentos, manobras e técnicas, sendo seus principais componentes
descritos abaixo:

Asanas ou postura física – posturas do corpo que agem terapêutica e corretivamente sobre
todos os sistemas, órgãos, tecidos e funções orgânicas. Vista superficial e rapidamente por
este aspecto, Hatha Yoga tem sido confundido com uma simples ginástica.

Kriyas – técnicas de purificação do meio interno: Dauthi (limpeza), vasti ou basti, Neti,
naulli, trataka, kapala-bhati.

Mudras (selos) – gestos para controles neuromusculares;

Bandhas (travas) – controles musculares: jalandhara-bandha, uddiyana-bandha, mula-


bandha;

Pranayama ou controle da respiração – manobras inteligentes e eficazes sobre o campo


energético (prana) sobre os condutos sutis de energia (os naddis), e sobre os centros
psicoenergéticos (os chakras), mediante principalmente exercícios respiratórios
conscientizados e voluntários;

Nidras – relaxamento;

Mitahara – nutrição pura, leve e energética (sattva);


Dharnma - conduta ética marcada por não-violência, verdade, retidão, humildade, desapego,
renuncia;

Dhyana – mente concentrada, viabilizando a mentalização e a meditação;

Mantras – sílabas ou palavras de poder (nem sempre se menciona como prática do Hatha-
Yoga, mas acredito que faça parte também deste sistema).

Uma boa sessão de Hatha Yoga é composta de uma seqüência inteligentemente e,


cientificamente organizada, onde se inclui: asanas (com repetições ou não), pranayamas, bandhas e
kriyas... O critério na organização de uma série deve se levar em conta fatores importantes como: as
necessidades e limitações do praticante, as contra-indicações, a seqüência conveniente... Considera-
se os mais diversos aspectos para que o remédio não se transforme em veneno.
O modo melhor de praticar as posturas físicas do Hatha Yoga é dentro de uma condição
interna e externa de calma e introspecção. Após uma interiorização, inicia-se a série selecionada
para a prática, devagar com controle e elegância, sem exageros e com suavidade. Normalmente a
aula também agrega um bom relaxamento e meditação. Deve-se ir com alma e apreciação. Os
asanas levam ás sensações presentes no corpo, ao executar o mais leve alongamento com
consciência, volta-se para o presente, e é neste estado que deve transcorrer uma prática. O Hatha
Yoga utiliza-se da permanência nos asanas, prudência, tranqüilidade, conforto e vigor. Torna-se
bastante eficiente na forma terapêutica, uma vez que a seqüência pode ser escolhida a critério do
instrutor e necessidade do praticante.
Através das técnicas descritas, com certeza pode-se conseguir um corpo são, e auxilio na
difícil tarefa de controlar a mente. Especialmente com o domínio do prana, através dos pranayamas
podemos doma-la, alcançar felicidade, mudança espiritual e “união”.
No primeiro versículo do Hatha yoga Pradipika demonstra-se à natureza tântrica do hatha
Yoga. É parte do Tantra, processo de evolução espiritual ensinado por Shiva à sua esposa Parvati.
“Eu saúdo o Primeiro Senhor Shiva, que ensinou a Parvati Hatha Yoga vidya, que é um passo para
se alcançar a mais excelente Raja Yoga (Yoga do domínio da mente)”.

Kundalini Yoga

Renasceu, através dos sábios Sikhs Guru Nanak e Baba Siri Chand, uma ciência antiga que
recuperou para o cotidiano humano as técnicas do Kundalini Yoga. O Sikismo tem uma mistura da
devoção hinduísta com o sufismo mulçumano (rejeita a adoração de imagens do sistema de castas).
Portanto no sikismo rejeita-se a idolatria da divindade e proíbe a representação e a adoração de
Deus por meio de qualquer imagem que o limite. Os Sikhs praticam a igualdade e ignoram o
sistema de castas e os privilégios das classes. Amantes de Deus acionam a unidade entre os
pensamentos, palavras e realizações (sentido Bhakti muito presente). No Sikismo havia algumas
práticas fundamentais do Yoga como parte da fé.
A prática do Kundalini Yoga era feita por poucos e mantida dentro de um circulo fechado. Veio
para o Ocidente em 1969 pelo mestre Sikh Yogi Bhajan. Foi ele quem colaborou para democratizar
o fenômeno da Kundalini, divulgando e promovendo investigações científicas a respeito. Depois viu
neste fenômeno, o motor que está por trás de toda a nossa evolução psicoespiritual. A Kundalini
encontra-se em repouso na base da coluna, e deve ser despertada e estimulada. Para que isso se
realize é necessário que os caminhos e canais de energia não venham a ser interrompidos por
bloqueios e impurezas, e nem tenham zonas pelas quais a energia possa escapar. Esses canais
devem estar limpos e estáveis.
Yogi Bhajan deu nova dimensão à prática do yoga Em particular ele ensina posturas
“brancas” que tem efeito de Kundalini Yoga. É o Yoga da consciência. Segundo ele apalavra deriva
de kundala (anel) e é explicada como “um cacho dos cabelos do Bem Amado”. Ao cantar o nome
divino, queima o Karma do praticante (utiliza-se o japa). Pode-se escolher o nome divino no cantar,
porém recomenda-se sat nam explicado como a verdade manifesta. É o som criativo do Universo.
O objetivo do Kundalini Yoga é conhecer o seu pleno potencial, através da energia de
kundalini. A tarefa vitalícia dos Yoguis de Kundalini é evoluir através das variadas qualidades, e
desafios dos chakras. O despertar da Kundalini (sensações intensas de calor, luz som, pressão, e até
dor) provoca, de um ponto de vista mecânico, ondas eletromagnéticas que levam ao cérebro
experiências visíveis, audíveis, genericamente sensoriais.Os fenômenos psíquicos e místicos estão
diretamente ligados com este fato. A kundalini é responsável segundo Gopi Krisna pela genialidade,
pela loucura e pela santidade. Há técnicas e que devem ser dominadas para que este processo ocorra
de forma controlada.
No Kundalini Yoga as posturas tem uma aplicação diferente do Hatha Yoga tradicional. É
muito mais ativo. Combina postura, movimento com respiração vigorosa, para estimular a
energização dos canais e nadis. Utiliza-se também, de mantras, Yantras, relaxamentos, meditação
com mudras. Há movimentos rajásicos intercalando com outros na permanência e relaxamentos
breves. A parte respiratória é bastante solicitada, será mais explicado abaixo. Abaixo descreveremos
alguns aspectos que diferenciam e tem características bem particulares.
Para facilitar a autodisciplina aconselha-se um ambiente que favoreça os exercícios de yoga.
Deve haver um local exclusivo, que se utilize somente para isto. Decora-se o ambiente com cores
claras e agradáveis, que representem luz e pureza. A cor predileta é o branco, por ter virtudes
protetoras e sua vibração fortalecem a aura. O ideal é que o instrutor esteja num tablado na altura do
coração dos praticantes, para melhor atuação.
Os asanas são os mesmos do Hatha Yoga. Neste os exercícios são lentos, e ás vezes
estáticos. No Kundalini Yoga além dos exercícios lentos e estáticos, tem também outros muitos
dinâmicos e rápidos.
O Yoga de Kundalini recorre a uma impressionante variedade de exercícios respiratórios
alguns já são conhecidos dentro do Hatha Yoga: exercícios alternando respiração pelo nariz e pela
boca; diferentes ritmos respiratórios; com bandhas e sons sibilantes; respiração combinada com
mantras. Uma diferença típica deste sistema é a respiração que se pratica durante as séries de
posturas corporais. São feitas respirações longas e profundas nos exercícios estáticos e pouco
agitados. Outra e a respiração vigorosa e com mantra. Há também a respiração ígnea ou “de fogo”.
A respiração ígnea é um tipo de respiração rápida e ritmada movimentando exclusivamente o
ventre. Nas séries do Kundalini esta modalidade está associada a um de cada três exercícios. Serve
de suporte para os exercícios dinâmicos e os que requerem maior esforço
Em Kundalini Yoga medita-se com mantra. Sendo este um instrumento que permite orientar
o espírito da melhor maneira. Durante os exercícios de yoga ou nas posturas de meditação os
mantras são cantados ou mentalizados. Utiliza-se o mantra Sat Nam (significa verdade e
identidade). Representa a busca do que está vinculado ao corpo: mente, espírito e a reflexão sobre a
identidade divina do ser humano. Ao inalar pronuncia-se Sat e ao exalar Nam, se a respiração for
mais longa temos “saaat” e “naaam”.Cada série de exercício deve terminar com uma fase de
meditação. Intercalam-se fases de meditação para equilibrar o esforço dos hemisférios cerebrais, a
fim de processar adequadamente a energia gerada pelos exercícios.

Prática dos exercícios


No Yoga de Kundalini as séries já são pré-estabelecidas (há mais de 1500 séries). Nada deve
ser mudado, pode haver adaptações em caso de contra indicações. Normalmente a série de
exercícios terá a seguinte estrutura:
Mantra Ong Namo Guru Dev Namo (3 vezes);
Três exercícios (de 1 a 3 min por exercício);
Relaxamento breve (1 a 3 min);
Exercícios (1 a 3 min por exercício);
Relaxamento breve (1 a 3 min):
Três exercícios (de 1 a 3 min por exercício);
Relaxamento profundo (de 10 a 15 min);
Meditação (de 5 a 15 min).

Esta seqüência equilibra os exercícios e a duração varia de 25 a 80 minutos. O ideal é os


exercícios não ultrapassarem os três quartos da hora.Recomenda-se nunca começar as séries com
exercícios de grande dificuldade (ex: cobra). Os primeiros três a cinco exercícios servem para
preparar o órgão e o meridiano em questão. Na segunda parte os exercícios exigem uma
intensificação progressiva para alcançar dinamismo máximo.
Séries menores do Hatha Yoga, às vezes, são aconselhadas para aumentar a flexibilidade dos
músculos, articulações, principalmente para iniciantes.
Um aspecto importante nas práticas de Kundalini Yoga é o mantra Ong Namo Guru Dev
Namo. Eu saúdo (namo) a energia cósmica (ong) e no caminho divino (dev) tenha luz (gu – escuro,
ru – luz). Para entoarmos senta-se em postura confortável, une as mãos na frente do peito, aplica-se
uma ligeira pressão sobre o externo com os polegares e fecha-se os olhos. Enuncia de maneira
prolongada três vezes. Prefere-se que a série seja feita com olhos fechados.
Utiliza-se também neste sistema de Yoga séries baseadas na a numerologia tânntrica.

Comentários

Segundo alguns textos nas Upanishads, vários deles tratam do Kundalini Yoga, e acaba
identificando-se ao Hatha Yoga, no que se refere ao poder serpentino, elemento central das práticas
mais avançadas. Na verdade Hatha Yoga é um tipo de Kundalini Yoga. Os sistemas de práticas são
diferentes, os três sistemas em questão atuam na questão da kundalini. Muitas vezes procedimentos
de um complementam o outro. Na pesquisa ficou constatado que no Kundalini Yoga aconselha-se
prática de exercícios do Hatha Yoga . Ex: pessoas com dificuldades para se sentar.
O Hatha yoga atinge, com maior segurança e tranqüilidade, o mesmo estado de absoluta
simplicidade, ao qual o yogue tanto aspira. As trilhas do Kundalini Yoga, que visa a realização do
potencial psicoespiritual do corpo tem sua razão de ser, pois o yoguin, não vê a realização do Si
mesmo como acontecimento separado da vida terrestre. As dificuldades do Kundalini Yoga são
compensadas pela vantagem de levar a iluminação também ao corpo e a existência física em geral,
o que se expressa na forma tantrica segundo o qual a libertação (mukti) e o gozo (bhukti) são a
mesma coisa.
No Hatha e Kundalini Yoga há mais ênfase no que se refere à busca do equilíbrio e
purificação, enfim, eliminação do ego. Não buscam os elementos mágicos, acredita-se que os
mesmos possam deixar pouco espaço para o cultivo de valores e atitudes espirituais autênticos.
Quando se dá a aquisição de poderes é fácil sucumbir à vaidade e ao endurecimento do coração. A
partir do momento que a kundalini produz os fenômenos interiores é fácil esquecer que a Kundalini
é em última análise a própria Deusa. Disse Krishna: “Podeis estar certo de que um homem que se
esforça para obter os poderes psíquicos não realiza Deus. O exercício desses poderes implica
o“ahamkara”, o egoísmo, que é um obstáculo da realização”. Mesmo não buscando tais poderes, a
dimensão mágica é parte inalienável da realidade yogue, aí entra a verdade sobre a magia.
Todos os sistemas de Yoga originaram-se no Hatha Yoga, que por sua vez teve sua origem
no tantrismo. Hatha-yoga e Kundalini Yoga são os “caminhos da mão direita”.
Deve-se seguir aquele que se adapta melhor ao perfil individual do praticante. Todos visam
equilíbrio do corpo, mente e espírito. Em relação ao asanas, por exemplo, as diferença estão na
maneira como são executados: na postura, rigidez do alinhamento, na prática de exercícios
respiratórios ou no fluir do movimento.
O Tantra aproveita todas as realidades, desde que manejadas corretamente, são formas de
energias que podem ser aproveitadas. O tantrismo merece pesquisa e estudo, podemos considera-la
de excepcional valor o para a psicologia, capaz de auxiliar os métodos utilizados para conhecer o
psiquismo humano, é o estudo do homem do ponto de vista da energia. Há muito que se desvendar.
Criticar as práticas tântricas sem um profundo estudo, considero uma atitude negligente (excluindo
práticas “negras”). No que se refere à transmutação de energia sexual, onde há muitos rituais,
práticas secretas transmitidas via oral de mestre para discípulo é muito mais abrangente e polêmico.
Acredito que tenham sua validade, desde que bem equilibradas e com disciplinado preparo. Deve-se
estar pronto... Aí está o problema... Na minha opinião se trata de um ritual de difícil assimilação
para a nossa cultura. Há várias dificuldades, primeiro encontrar o parceiro certo, depois achar um
guru e o mais difícil para o Ocidente: a não sensualidade e a sacralização do sexo. Poderá resultar
em distorções e receitas errôneas como já acontece. O radicalismo deve desaparecer, ao adorar a
Deusa podemos aprender com “Lysebeth”, que tanto a mulher quanto o homem podem vir a ser um
para o outro, no respeito mútuo, por sua identidade, sua influência e sua ação no mundo. Sem
renunciar religiões, crenças e culturas de nosso próprio meio, podemos desta forma se permitir uma
sociedade menos patriarcal e sermos felizes.
O Hatha Yoga começa o seu trabalho a partir do físico para o sutil com calma e
tranqüilidade. Acredito também ser a melhor forma de se trabalhar terapeuticamente, pois atua
diretamente no corpo, cuidando do mesmo como um santuário.
No Kundalini existem condições especiais, é o Yoga da consciência e veio de uma escola
secreta que dominavam as técnicas de se acelerar o processo para se viver dentro do Yoga.
Trabalham-se muito mais diretamente os chakras de base para atingir o seu objetivo, foca-se o
trabalho em respirações fortes e vigorosas, muitos mantras, e mudras; as seqüências das práticas são
rigorosamente determinadas. Por mais que se diga ser uma modalidade que pode ser praticada por
todos, na minha opinião é para determinados grupos. Como atuar com liberdade na forma
terapêutica, se nada pode ser mudado nas séries de exercícios, o que se permite são pequenas
adaptações.
O Hatha Yoga, o Kundalini e o Tantra levam os seus estudantes uma atitude mental de
calma, paz, força e falta de temor. Tudo isto se reflete na condição física. Ausência de medo, calma
mental é conseqüência do trabalho não havendo necessidade de esforço mental para produzi-lo.
No Tantra o guru é um mestre que possui a tradição, e possui a função de preparar o
discípulo, esclarecer dúvidas, transmitir técnicas e ensinamentos. Este aprendizado pode levar um
longo tempo. Para a nossa cultura trata-se de um assunto complicado e discutível. Percebo que no
Hatha Yoga há instrutores e orientadores, porém o guru pode se entender como sendo o “guru
supremo” a sua essência sutil.
No Kundalini Yoga a figura do guru trata-se de peça fundamental. Os instrutores seguem
suas orientações de forma rigorosa. O mestre vivo na escolha de todos os procedimentos visa evitar
abusos e tornar a prática segura. Dentro do Hatha Yoga cada instrutor determina a seqüência mais
indicada, trabalha com mais liberdade, pode escolher o mestre da sua devoção.
Não desmerecendo o Kundalini Yoga, mas a seqüência pré-determinada acaba de certa
forma por limitar o trabalho. Por exemplo: meditação com exercícios nem sempre é agradável
principalmente se houver distração, podem ocorrer desconfortos como cãibras e formigamentos
(fatos descritos no Manual do Kundalini Yoga). Para quem já pratica há um certo tempo e medita
com facilidade ótimo, mas e quem tem dificuldade com concentração e meditação? Acredito que
não se adapte a este sistema.
Acredito que o objetivo maior está em buscar a técnica mais apropriada para que o processo
espiritual aconteça de acordo com a capacidade inata de cada indivíduo. Ascese forçada, excesso de
disciplina não traz nenhum benefício algum. A iniciativa na escolha do sistema adequado deve
partir do coração. Aos mestres cabe mostrar que o tesouro tão procurado está dentro de cada um. A
aceitação do momento presente, e encontrar nele motivos para sorrir, são o melhor sistema.
No tantra se cultua vários deuses e deusas, nas suas mais variadas manifestações. E à medida
que vai para o Hatha e Kundalini Yoga, parece que vai se racionalizando o número de deuses,
reduzindo o foco desta ampla mitologia. O Kundalini Yoga veio do sikismo que descarta os deuses
vindos dos sistemas de castas.
Todas as linhas de yoga, independente da complexidade dos diversos sistemas filosóficos,
visam a libertação do mundo das formas. O objetivo final é a partir da natureza humana,
fenomênica reunir-se com sua essência divina, chegar ao Samadhi.
A estabilização da saúde e um controle mínimo desejável do físico, para estabilizá-lo parece
estar presente em todas elas, para que se consiga o controle e o domínio do processo mental, sem
isso se torna difícil alcança níveis espirituais mais elevados.
Sai Baba diz que para conquistar paz e conseguir iluminação devemos observar os “cinco
dd”: decisão, dedicação, discernimento, disciplina e devoção. Acredito, que independentes da escola
estes são fatores essências no caminho do Yoga. Com os “cinco dd” chegaremos ao objetivo final,
que SaiBaba chama de grande conquista.
BIBLIOGRAFIA

Feuertein, Georg – A Tradição do Yoga, 1998, Editora Pensamento.

Hermógenes - Autoperfeição com Hatha Yoga, 2001, Editora Nova Era.

Consultas na Internet

Lysebeth, André Van – Tantra o Culto da Feminilidade, 1994, Editora Summus – São Paulo.

Book, Robin – Manual de Kundalini Yoga.

Ramacharaca, Yogue – Hata-Yoga ou Filosofia Yogue do Bem-estar Físico, Editora Pensamento,


são Paulo..

Hermógenes – Iniciação ao Yoga, Nova Era, 1994.

Weor, Samael Aun – O Livro Amarelo Kundalini Yoga, Sol Nascente Distribuidora de Livros – São
Paulo.

Aulas práticas de Kundalini Yoga.