Língua Portuguesa
As partes das palavras
1o bimestre Ensino
Aula 24 Médio
● Trechos de conto(s) de ficção ● Identificar elementos mórficos na
científica; estrutura das palavras;
● Estrutura das palavras: radical, ● Identificar sufixos e entender os
desinência, vogal temática, tema e sentidos que expressam.
afixos;
● Morfologia – Sufixos.
Para começar 5 minutos
Quando os autores são mais criativos...
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Eles decidem, muitas vezes, inventar Guimarães Rosa
se solambendo por uma grota, um riachinho
novas palavras em suas escritas. Um descia também a encosta, um fluviol,
exemplo famoso na literatura brasileira cocegueando de pressas, para ir cair, bem em
é o autor Guimarães Rosa, que criava baixo [...] estrito ao cabo de um ano de lá se
estar, e quando menos esperassem, o
muitas expressões em suas obras ao riachinho cessou. [...]
mesmo tempo que valorizava a “Ele perdeu o chio...” [...]
(ROSA, 2001)
transcrição de modos de falar típicos da
oralidade.
Qual a sua opinião sobre essa
liberdade criativa na literatura? Que
outros autores vocês conhecem que
também fizeram isso?
Foco no conteúdo
Outros elementos no conto de ficção científica
Essa liberdade na criação de palavras acontece também nas histórias de ficção científica, seja
criando nomes para as personagens ou para novas tecnologias e equipamentos, siglas para
agências secretas ou inventando a língua falada por seres de outros planetas.
Já vimos que o conto enquanto gênero textual pode ser estruturado em quatro partes: a
situação inicial, o desenvolvimento, o clímax e a solução do conflito. Vimos também que
existem personagens que podem ou não ter nomes e que a história geralmente acontece em
um espaço (ou mais de um, se os personagens se deslocarem) e um tempo definido.
Outra característica dos contos de ficção científica é a verossimilhança, pois eles sempre
dialogam com conhecimentos que os leitores tenham do mundo e de algo que seja identificável
pelo leitor como “real”, ou, pelo menos, “plausível” — pela lógica do mundo em que vivemos ou
do mundo em que se passa a história.
No conto que leremos a seguir, conheceremos um cosmonauta que acabou de concluir a sua
missão e pousou em segurança.
Foco no conteúdo
O Trovão branco
Ao ouvir a resposta do padre Laurent, o major Ippolit
Tikhonovich estreitou os olhos. Aquilo ia ser mais complicado do que
ele imaginava...
— O senhor está chamando o chefe Pannoowau e seus
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homens de mentirosos? — Questionou em francês num tom firme,
mas educado.
Askuwheteau, o tradutor, arregalou os olhos, mas traduziu a
pergunta para o chefe, que cruzou os braços e encarou o religioso
com cara de poucos amigos.
O padre abriu as mãos e respondeu cautelosamente:
— Eu... só disse que estrelas não caem do céu.
O cosmonauta virou-se para o tradutor e inquiriu:
— Quantos dos seus viram quando minha canoa de metal
caiu dos céus? Peça para que levantem a mão!
Um grupo crescente de indígenas havia interrompido suas
atividades cotidianas e se aproximado para acompanhar a discussão.
Quando ouviram a pergunta traduzida por Askuwheteau, praticamente
todos ergueram um braço, mulheres e crianças entre eles.
(RAYMUNDO, 2023)
Foco no conteúdo
— Então? — Questionou o cosmonauta, também cruzando
os braços.
O padre cerrou os maxilares, mas não perdeu a pose.
— Se você estava dentro daquela bola de fogo, deve ser
um demônio.
Ippolit Tikhonovich apontou para o arcabuz de Pannoowau:
— Quando os primeiros brancos usaram armas de fogo
para matar indígenas, estes também devem ter pensado que estavam
lidando com demônios, capazes de invocar o raio e o trovão!
© Freepik — Não há nenhuma potência neste mundo capaz de pôr um
homem dentro de uma embarcação que viaje pelos ares numa bola de
fogo — insistiu o padre.
Como a altercação era conduzida em francês, Askuwheteau
estava penando para manter o passo da tradução para os demais.
— Pois o meu país é perfeitamente capaz disso — retrucou
o cosmonauta, batendo no peito.
— O seu país? — O padre lançou-lhe um olhar cético. —
Seria por acaso a Inglaterra de Jorge III? Porque certamente a minha
França, de Luís XVI, não possui tal maravilha, ou teria dominado o
mundo.
O cosmonauta ficou um momento sem ação. Como assim,
Jorge III e Luís XVI? Aqueles eram governantes de fins do século
XVIII... e se o último ainda era rei de França, isto significava...
(RAYMUNDO, 2023)
“O cosmonauta ficou um momento sem ação. Como
assim, Jorge III e Luís XVI? Aqueles eram
Pause e responda
governantes de fins do século XVIII... e se o último
ainda era rei de França, isto significava...”
(RAYMUNDO, 2023)
O que essa informação significa para o major Ippolit Tikhonovich e
para nós, os leitores desse conto?
Ele está participando de um
Ele está participando de uma
experimento e precisa descobrir
pegadinha, mas ainda não sabe.
quem está falando a verdade.
Ele não sabe como, mas viajou no Os conhecimentos de História do
tempo, para o passado. padre Laurent são duvidosos.
“O cosmonauta ficou um momento sem ação. Como
assim, Jorge III e Luís XVI? Aqueles eram
Pause e responda
governantes de fins do século XVIII... e se o último
ainda era rei de França, isto significava...”
(RAYMUNDO, 2023)
O que essa informação significa para o major Ippolit Tikhonovich e
para nós, os leitores desse conto?
Ele está participando de um
Ele está participando de uma
experimento e precisa descobrir
pegadinha, mas ainda não sabe.
quem está falando a verdade.
Os conhecimentos de História
Ele não sabe como, mas viajou
do padre Laurent são
no tempo, para o passado.
duvidosos.
Foco no conteúdo
Mas bateu novamente no peito e respondeu com orgulho:
— Eu sou russo.
Foi a vez do francês erguer as sobrancelhas.
— Ah... então seria esta uma arma secreta de Catarina II?
© Freepik Ippolit Tikhonovich inspirou fundo e fez alguns cálculos
mentais rápidos. Luís XVI era o rei de França e Catarina II ainda não
era Catarina, a Grande. Por alguma arte do destino, sua cápsula
espacial o havia conduzido através do tempo para algum momento do
que pareciam ser os anos 1780. O que explicava a ignorância de
todos sobre tecnologias do século XX, e as roupas e armas
antiquadas.
— Eu sou a maior prova de que viajar pelos céus é
perfeitamente possível — respondeu, em tom de desafio. E fazendo
um gesto para os nativos que os cercavam:
— E eles são minhas melhores testemunhas!
Quando Askuwheteau terminou de traduzir a última frase,
os espectadores prorromperam em gritos entusiásticos, punhos
socando o ar:
— Waupauyooh Pautquauhan! Waupauyooh Pautquauhan!
— Trovão Branco; você é o Trovão Branco! — Traduziu um
entusiasmado Askuwheteau para o surpreendido Ippolit Tikhonovich.
(RAYMUNDO, 2023)
Na prática 15 minutos
O cosmonauta russo major Ippolit Tikhonovich está preso
nos anos 1780. Organizem-se em cinco grupos. Cada
grupo ficará responsável por realizar uma tarefa diferente.
a) Grupo 1: escrevam uma manchete de uma notícia no século XX relatando o que se sabe
que aconteceu com o major Ippolit Tikhonovich.
b) Grupo 2: escrevam uma manchete de uma notícia no século XVIII relatando o que se sabe
de Ippolit Tikhonovich.
c) Grupo 3: criem uma charge do encontro entre o cosmonauta russo e o padre francês.
d) Grupo 4: imaginem o que acontece em seguida com Ippolit Tikhonovich e elaborem um
parágrafo que traga um desfecho para a história do conto.
e) Grupo 5: criem uma chamada para atrair seus ouvintes para um mesacast em que o
entrevistado será o autor do conto.
Por fim, apresentem as suas produções para a turma.
Foco no conteúdo
Revisando: Formação de palavras
Você sabe qual a diferença entre Muitas outras palavras da língua portuguesa
“astronauta” e “cosmonauta”? têm essas origens. “Radical” é a base da
“Nauta” é uma palavra de origem grega que palavra, com função de manter o seu
significa “marinheiro”. significado. Existem também sufixos gregos e
“Cosmo” e “astro” também são palavras que latinos usados até hoje em dia na criação de
vêm do grego; enquanto “cosmo” significa novas palavras, observe:
“universo”, “astro” significa “estrela”. Na época
da corrida espacial, estava acontecendo a
Guerra Fria, os russos começaram a Sufixos gregos Nomes em português
usar a palavra “cosmonauta”
-ia energia, profecia.
para se referir aos seus
exploradores do espaço, -ismo cataclismo, jornalismo.
então os estadunidenses -ista modernista, nortista.
criaram a palavra
“astronauta”. -ite bronquite, rinite.
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-ose esclerose, tuberculose.
Uma curiosidade: os chineses -tério batistério, necrotério.
usam a palavra “taikonauta”.
Foco no conteúdo
Sufixos latinos O que formam? Exemplos
-ada Substantivos de substantivos colher → colherada, riso → risada.
-agem Substantivos de substantivos aprendiz → aprendizagem, folha → folhagem.
-al Adjetivos e substantivos de gênio → genial, banana → bananal.
substantivos
-ear Verbos de substantivos barba → barbear, guerra → guerrear.
-ecer Verbos de substantivos escuro → escurecer, (fazer um) favor → favorecer.
-eiro Substantivos de substantivos caju → cajueiro, galinha → galinheiro.
-dade Substantivos de adjetivos bom → bondade, digno → dignidade.
-ense, -ês Adjetivos de substantivos Ceará → cearense, montanha → montanhês.
-mento Substantivos de verbos casar → casamento, pensar → pensamento.
-oso Adjetivos de substantivos fama → famoso, orgulho → orgulhoso.
-udo Adjetivos de substantivos bico → bicudo, pelo → peludo.
-ura Substantivos de adjetivos amargo → amargura, doce → doçura.
-vel Adjetivos de verbos amar → amável, suportar → suportável.
Na prática Atividade 1 Veja no livro! 5 minutos
Analise estas palavras e procure identificar qual foi o processo de
formação utilizado para que elas fossem criadas:
A mentirosos Substantivo formado de substantivo.
B atividades Adjetivo e substantivo formado de um substantivo.
C francês Substantivo formado de adjetivo.
D espacial Adjetivo formado de um substantivo.
E possível Adjetivo formado de verbo.
F entusiasmado
Na prática Atividade 1 Veja no livro!
Analise estas palavras e procure identificar qual foi o processo de
formação utilizado para que elas fossem criadas:
A mentirosos F Substantivo formado de substantivo.
B atividades D Adjetivo e substantivo formado de um substantivo.
C francês B Substantivo formado de adjetivo.
D espacial A/C Adjetivo formado de um substantivo.
E possível E Adjetivo formado de verbo.
F entusiasmado
Na prática Atividade 2 Veja no livro! 10 minutos
Em grupos, procurem se lembrar de duas a três palavras diferentes das
vistas na aula e que podem ser formadas usando cada sufixo:
Sufixos O que formam? Exemplos
-agem Substantivos de substantivos
-ear Verbos de substantivos
-ecer Verbos de substantivos
-eiro Substantivos de substantivos
-ista Adjetivos de substantivos
-ite Substantivos de substantivos
-mento Substantivos de verbos
-udo Adjetivos de substantivos
-ura Substantivos de adjetivos
Na prática Atividade 2 Veja no livro!
Agora é a sua vez de formar palavras! Em grupos, procurem se lembrar
de duas a três palavras diferentes das que vimos na aula e que podem
ser formadas usando cada sufixo: Há diversas possibilidades de resposta.
Sufixos O que formam? Exemplos
-agem Substantivos de substantivos estio → estiagem, malandro → malandragem.
-ear Verbos de substantivos pastor → pastorear, roda → rodear.
-ecer Verbos de substantivos amarelo → amarelecer, tarde → entardecer.
-eiro Substantivos de substantivos névoa → nevoeiro, touro → toureiro.
-ista Adjetivos de substantivos catequese → catequista, evangelho → evangelista.
-ite Substantivos de substantivos laringe → laringite, sino (nasal) → sinusite.
-mento Substantivos de verbos conhecer → conhecimento, fingir → fingimento.
-udo Adjetivos de substantivos cabeça → cabeçudo, nariz → narigudo.
-ura Substantivos de adjetivos branco → brancura, terno → ternura.
Foco no conteúdo
Outros tipos de formação de palavras
Abreviação é o processo de abreviar as Hipocorístico é a alteração do nome próprio
palavras, como em moto (por motocicleta), de alguém no seu âmbito familiar: Fafá (para
foto (por fotografia) e TV (por televisão). Fabiana), Filó (para Filomena), Gui (para
(Guilherme), Giba (para Gilberto), Nanda
(para Fernanda), Quincas (para Joaquim),
Hibridismo é o processo de formação de
Zezé (para Maria José), entre outros.
palavras constituídas por elementos
provenientes de línguas distintas:
- grego e latim: automóvel; Onomatopeia é a reprodução imitativa de
certos ruídos, como tique-taque e zum-zum.
- latim e grego: bicicleta;
- árabe e grego: alcaloide;
- francês e grego: burocracia;
Sigla é a redução de títulos longos para as
suas letras iniciais, como em ONU
- tupi e grego: caiporismo; (Organização das Nações Unidas) e EUA
- tupi e português: goiabeira. (Estados Unidos da América).
Encerramento 5 minutos
● Expliquem, com suas palavras, qual a importância
de saber usar os sufixos na formação de palavras
e como essa estratégia pode ser usada na
produção de textos diversos, inclusive nas
histórias de ficção científica.
Aprofundando
A seguir, você encontra uma seleção de exercícios extras,
que ampliam as possibilidades de prática, de retomada e
aprofundamento do conteúdo estudado.
Aprofundando Veja no livro!
1. (ESPM 2020)
Lei de Abuso de Autoridade não ameaça qualquer prática
jurisdicional
Em corpos diferenciados do funcionalismo público emerge, naturalmente,
um corporativismo construído pelo elitismo do seu “espírito de corpo”.
Trata-se, de fato, de um anel protetor do bom e do mau uso que seus
membros podem fazer de suas prerrogativas. Um exemplo disso é a que
o País assiste agora, perplexo: a reação à lei que combate os possíveis
abusos de autoridade nos Três Poderes da República.
(...)
Eventuais dúvidas sobre julgamentos são analisadas com recurso a instâncias jurídicas
superiores (colegiadas), porque só outros juízes podem avaliar a razoabilidade de outro juiz.
O preparo da ação e o julgamento são influenciados por muitos fatores (inclusive a “visão de
mundo” de cada um deles). O importante, entretanto, é que, se o paciente não se conformar
com o resultado, há a possibilidade de recorrer a instâncias superiores que, eventualmente,
terão a oportunidade de corrigi-lo. Esses parcos conhecimentos me levaram nos últimos 70
anos a aceitar tal mecanismo como satisfatório para minimizar os riscos do sistema.
Aprofundando Veja no livro!
(ESPM 2020) É por isso que estou surpreso com a reação corporativista contra a Lei de
Abuso de Autoridade, que, obviamente, não ameaça qualquer prática jurisdicional que
obedeça ao espírito e à letra da Lei. Sobre o poder do Congresso de produzi-la e aprová-la, e
o poder do presidente de sancioná-la ou vetá-la parcialmente, não há dúvidas. Entretanto, a
palavra final sobre ela (pela rejeição de eventuais vetos) pertence ao Congresso. Mas há um
problema lógico muito interessante, apontado pelo competente Elio Gaspari. No caso de
eventual denúncia de abuso de autoridade, quem vai julgá-lo? O próprio Judiciário! Logo, se
um funcionário da Receita, do Coaf, um promotor ou um juiz se julga ameaçado, porque será
“controlado” pelo próprio Judiciário, é porque ele não acredita em nada do que foi dito acima!
(...)
NETTO, D. Carta Capital, 28 de agosto de 2019 (adaptado).
https://www.espm.br/wp-content/uploads/2020-1-PROVA.pdf
Aprofundando Veja no livro!
(ESPM 2020) Os vocábulos abaixo, extraídos do texto, possuem um
processo de formação de palavras denominado derivação sufixal. O
sufixo que traduz ideia de qualidade é:
A naturalmente.
B corporativismo.
C julgamento.
D jurisdicional.
E razoabilidade.
https://www.espm.br/wp-content/uploads/2020-1-PROVA.pdf
Aprofundando Veja no livro!
(ESPM 2020) Os vocábulos abaixo, extraídos do texto, possuem um
processo de formação de palavras denominado derivação sufixal. O
sufixo que traduz ideia de qualidade é:
A naturalmente. Correção:
O sufixo “-mente”
corporativismo. geralmente forma
B
advérbios de modo; os
sufixos “-ismo”, “-ento” e
C julgamento. “-onal” geralmente
formam substantivo; já o
sufixo “-dade”
D jurisdicional.
geralmente forma
adjetivos, palavras que
E razoabilidade. indicam uma qualidade.
Aprofundando Veja no livro!
2. (CEDERJ 2023 - Adaptada)
Abaixo a norma curta do português!
Indústria de concursos e consultórios gramatiqueiros faz mal à língua
Sérgio Rodrigues
“Norma curta” é o excelente nome que o linguista Carlos Alberto Faraco dá a certo
conjunto dogmático de regrinhas gramatiqueiras, vetos arbitrários, apego acrítico à variedade
lusitana da língua e pegadinhas em geral.
Repare que não falo da norma culta, registro da língua de fato usado pelas camadas
de maior escolaridade da população. Esta tem papel social imprescindível e deveria ser
ensinada com mais eficiência — não menos — na escola.
Me refiro à norma curta, que ninguém de fato fala, mas fingimos que sim, e que vem
a ser uma versão idealizada, caricatural, burra e mesquinha daquela. No fim das contas, sua
inimiga, pois transforma o estudo da língua portuguesa em território hostil para uma imensa
maioria da população.
Aprofundando Veja no livro!
(CEDERJ 2023 - Adaptada) “Ai, como é difícil a nossa língua!”, dizemos quase todos. Difícil
nada, ou não teríamos aprendido a falá-la na primeira infância. Tem seus caprichos, como toda
língua, e desvelá-los carinhosamente deveria ser um prazer. Insana de tão difícil é a norma
curta, que tira seu sustento dessa dificuldade.
É ela que move a indústria do português concurseiro e dos consultórios gramaticais da
internet. É ela que, via Enem, obriga adolescentes a encher suas redações de “outrossim” e
outros entulhos juridiquentos.
A norma curta não quer saber se você consegue ler e interpretar um texto. Que
importância tem isso? Fundamental é que recite a lista das “figuras de linguagem” em ordem
alfabética enquanto equilibra uma bola no nariz. Vai me dizer que não manja de zeugma?
A norma curta engana muita gente com sua pose de defensora do “bom português”.
Tudo mentira. Ela ignora mais de um século de conhecimento teórico e prático sobre a matéria,
desprezando grandes gramáticos e zombando de nossos maiores escritores.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2023/04/abaixo-a-norma-curta-do-portugues.shtml. Acesso em: 06 abr. 2023.
Adaptado.
https://www.cecierj.edu.br/wp-content/uploads/2023/06/VestibularCederj_2023.2_Prova.pdf
Aprofundando Veja no livro!
(CEDERJ 2023 - Adaptada) “‘Norma curta’ é o excelente nome que o linguista Carlos Alberto
Faraco dá a certo conjunto dogmático de regrinhas gramatiqueiras, vetos arbitrários, apego
acrítico à variedade lusitana da língua e pegadinhas em geral.”
Nesse trecho inicial do artigo, o tom de reprovação quanto à expressão “norma curta” pode ser
percebido:
A pelo adjetivo irônico em excelente nome e em variedade lusitana.
B pelas aspas na expressão “norma curta”.
C pela locução adjetiva generalizante em pegadinhas em geral.
D pelos sufixos em regrinhas e em gramatiqueiras.
Aprofundando Veja no livro!
(CEDERJ 2023 - Adaptada) “‘Norma curta’ é o excelente nome que o linguista Carlos Alberto
Faraco dá a certo conjunto dogmático de regrinhas gramatiqueiras, vetos arbitrários, apego
acrítico à variedade lusitana da língua e pegadinhas em geral.”
Nesse trecho inicial do artigo, o tom de reprovação quanto à expressão “norma curta” pode ser
percebido:
A pelo adjetivo irônico em excelente nome e em
variedade lusitana.
Correção:
O sufixo “-inha”, além de
B pelas aspas na expressão “norma curta”. indicar o diminutivo, também
pode ser usado de forma
pejorativa, depreciativa; do
mesmo modo, o sufixo “-eira”,
C pela locução adjetiva generalizante em usado para formar
pegadinhas em geral.
substantivos, pode trazer um
sentido pejorativo, como em
pelos sufixos em regrinhas e em “fofoquinha”, “fofoqueira”.
D
gramatiqueiras.
Referências
RAYMUNDO, A. O trovão branco. Recanto das Letras, 21 nov. 2023. Disponível em:
https://www.recantodasletras.com.br/contosdeficcaocientifica/7936860. Acesso em: 12 dez. 2024.
ROCHA LIMA, C. H. da. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio,
2001.
ROSA, J. G. Manuelzão e Miguilim. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista: etapa Ensino Médio, 2020.
Disponível em: https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-
content/uploads/2023/02/CURR%C3%8DCULO-PAULISTA-etapa-Ensino-M%C3%A9dio_ISBN.pdf.
Acesso em: 12 dez. 2024.
TIMM, C.; REBELLO, L. S. Prefixos e sufixos gregos e latinos: uma proposta de ensino. 2011.
Trabalho de Conclusão de Curso (Curso de Letras) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio
Grande do Sul, 2011. Disponível em:
https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/60667/000861827.pdf;sequence=1. Acesso em: 12 dez.
2024.
Identidade visual: imagens © Getty Images.