DIONISO E ARIADNE

753/03. 2010.blogspot. (selo águaardente) ISBN: I.2010.com Contato com a ilustradora: belotufo@hotmail.eleusiana.com . 6º Ferraz. Contato com a autora: robertafferraz@hotmail.blogspot.com www. Poesia brasileira. Roberta As plêiades sobre o labirinto ou Jornada de um desejo ou Dioniso e Ariadne. selo água-ardente Arte e diagramação: Isabella Lotufo e Vânia Vieira Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Lei n.com www. 1ª edição.mundosincriveis. São Paulo: Roberta Ferraz. 10. art. Roberta Ferraz 2010.

AS PLÊIADES SOBRE O LABIRINTO ou JORNADA DE UM DESEJO ou DIONISO E ARIADNE Roberta Ferraz Ilustrações Isabella Lotufo Saudação Maiara Gouveia selo água-ardente .

passaram a ser do marcelo e para o Marcelo.Esse livro foi escrito em algum ano. como presente de aniversário para minha querida amiga renata huber. como estrela em meus 30 anos. Agradeço entusiasmada ao anjo de isabella. . no dia 1º de abril. Depois disso. como todos os textos que me atravessam. à sereia de maiara – cor e som a deleitar comigo a antiga e velada dança dos labirintos. Hoje também eu o recebo.

num encantador pomar de macieiras. centeno .“Desde Creta. vens até este templo sagrado. onde o incenso arde nos teus altares” safo “a quem acendo as velas quando acendo a quem dedico o vinho a quem dou o cabelo que desprendo” yvette k.

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os sóis estão fortes e o trigo as ovelhas o campo branco de pedraria e infiltração de luz todo o palácio a cor morena range nos vestimos a celebrar a colheita do açafrão a alvorada das colmeias com um tambor um jongo grego a cena em que chegaste a cena de teu prometido e daquele outro que a ti te veio o Zagreu o que duas vezes nascido reata .I Ariana Ariadne Anima tripé de um mesmo porto percurso do pouso quando o nascimento de teu dentro se fazia se fazendo se refaz – mato cretense abóbada proclamada de pepitas que cintilam a tríplice unidade do que dizer ralo. senhora.

II tudo em ti alinha a história do deus vagueante da cadência da constelação de sete pontas o sete-estrelo encabeçando o crescente lunar. leme quando tua bisavó Europa raptada para uns mares de engenho novo atravessou a poeira africana asiática a parir um mundo sentamos ao redor das pedras deste palácio a contar e ouvir contas de tua tímida história plagiada sem vezes a tua única herança que te fez o carneiro assustado o homem-cavalo e suas flechas o quarto-crescente sob o peito e tu teu evangelho e teus grifos quatro signos onipresentes definindo lume de minha escama vocal. a lira de minha garganta no jugo de teu umbral a te recitar teu tempo e a antiga tendência que tens da poesia .

num luxuriante Sul as partes da Serpente e do Touro ardentemente se compõem reencontrando Dioniso e Ariadne .da júgula constelação que eu firmei como sineiro ao redor de meu calcanhar picado e eterno vem o califado as tuas Plêiades plenilúnio desta lenda quando.

III Trovoa Pasifae se deitou com o mouro touro Creta abandonada ó destino cruel penhascos perseguição de Hera ainda a memória que não cessa perseguição de Poseidão ainda o sortilégio firme sobre o zelo do sacrifício celeste desprezado e torcido Punir toda infração ó peso que recai sobre os homens e suas traições .

Não se ri da desgraça .Pasifae se deitou e Minos recomposto manda a cria horrenda para o teu labirinto .Não se desgraça ao léu os deuses ajustam o desatino e te põem história no labirinto até que recalcada a fera se liberte libertada a história de amor e traição donde brotou a humanidade ao labirinto e noite evasiva sereia da poesia que herói que fio que meada não te deixariam? .

IV coberta pelas ondas tu sonhas e teu homem te abriga e perdoas a existência manifesta .efeméride esculpida seio ubérrimo ubíquo de lugar nenhum como rios da palma na mão para com ela comermos e bebermos e tocarmos a pele em júbilo .

V o minotauro também dorme e quiçá distante das brumas – olores mais nobres – sente estar deitado ao teu baixo e em ti o fervor de sonhar te levanta e juras com mais fervor dedicar-te poesia e amor .

VI acordado o varão aparece é festa nos aposentos do rei e tu logo que o olhas ensombreces te ensopa a vista é muito sol o herói caminha bem alinhado ao astro do dia te ensopa a vista porque dói e a glória doer! ver o homem tão próximo da força quente máxima potência e labrys o homem que não teme um grito guerreiro preenche tuas entranhas teu homem chegou .

VII que mulher mais incipiente ousaria deixar escapar das teias o membro viril que os olhos já fundiram e o sexo reclama ser? se Teseu marcha ao labirinto devo retomar o capuz da feitiçaria e só eu mais a sapiência de uma lua agitada pelo desejo podemos escapá-lo de meu irmão o amante de minha mãe o bicho que me conhece enquanto sonho ele há de vir buscar a recompensa será Rei de Atenas e eu não mais ilharga e culpada cheirarei marítima o que é agora plano e espera e aderência dos pêlos e uma mulher em alerta .

VIII não havia o minotauro não havia o homem solar tudo era o espasmo da letra sonsa em minha palma escrita perdição? zombaram de mim pagarei com o suicídio que me achega às encostas desta Naxos errática? reinado da inconsistência não consigo ver – ajuda.. que lida? .! se por nome sou casta e pura de saudade se por nome tive audácia de plantar uma linha e ajudar o homem no casulo de sua maturidade se fui cilada dos devaneios é isto o ser mulher? não havia o minotauro Teseu é miragem não havida quem dirá que fortuna o cajado dele. Dioniso.

cheirar os delírios do verdor deito-me em teu armazém de estórias conta-me outra conta-me outra deixa-me quieta a escutar-te que eu morro lentamente o cantar de lamentação quando tu me projetas .IX toma-me a mão não me rasga a fibra que deitada descansa .tantos sóis ó sabes descascaram-me a membrana assídua no premer das uvas quantas vezes .ó sabes dancei o meandro coroado não oro mais aqui esta estrela sobre tua testa quem és? toma-me a mão para que eu ir embora possa antes que me faça aço para tua foice antes que me taça noite esta tua faca antes que me caça coice tua mata imanta.alvo entorpecido de poeta . teus desaparecimentos ..... doidecer já me embrulha teu sangue eu passo a conhecer.

nossos filhos não conhecerão a tua cara de pai Dioniso nem sei se os houvera quando escuto tua voz e tua coxa pinga o caldo ácido rumino novamente ser a vaca que me aparenta a ti Dioniso lembro-me que temos as águas juntas antes mesmo de nossos filhos e assim te amando eu te escondo a cara de teu filhos e te protejo da distância de meu choro que não se esquece delonga Teseu partindo abandonando a princesa que o salvara do devorador breu – ó não me esqueço que não havia Teseu era tudo a urdidura do desejo teu . sêmen. abelhas: seiva sangue.X ao largo as acólitas do coro zumbem.

Dioniso cartografia em pássaro azul e nume emergindo antiquíssimo canto e nos juntamos e as planícies do sol retornaram ao palácio comemoro o morar em teu vício que posta no céu as estrelas polar alavanco o teu cortejo faminta poética veludo borrifado de minha compreensão céu onde hoje ainda se exalta a coroa sinuosa de Ariadne Agora canto porque vi Dioniso a cara de tua ilusão e se minotauro Teseu e Naxos fantasiaram-me a sorte sei bem que fantasia tu te propões pra te aliviar das mortes . tocheiro à tua partida esférica.XI Agora canto os brotos do renovo recebo o estigma do dia.

fulgores) de amar . filtros.sei bem que matéria me dás que corpo lancetado me proíbes ser que cosedura apregoas para eu voar sei bem que não estás que me torturas teu único jeito teu limite – (ramagens.

Dioniso. de tuas nogueiras e ressoar o dulçor em que mimas a captura da flor. quimera? . miragem ou lenho. tez do degredo ter mãos e plumas e ilusão. estar enredada de ter em ti renascido Dioniso aos golfos desta linha imagem desfeita em chuvas como florir em ti.XII Agora canto e te amo como uma mulher das alvuras como uma tenda de sais e espumas como uma suave dançarina desenrolando o espelho aos nautas desta sede sei bem o tecido pleno do desejo sei bem sua infame foz.

E cumpro instável sim.XIII Última casa eu te procuro Ariadne onde escondida de mim acanhas uns versos frágeis de serenidade? sincera eu te procuro Ariana para ungir uma outra vez o meu chifre dissoluto no oco plexo ensolarado teu. mas absoluto eu desenho calos em minha mão em minha fome e temo menos a sorte de um nome quando estou contigo sonda da noite em chama digo o repente ao trespassar o interdito onde habitas e calma tem seu homem e calma tem seu sono .

aqui crisol daquele outro o outro de tua imagem o teu revés arqueado pomar de poemas a girar as linhas o onde tu serena.onde habito sei apenas uma nesga da linguagem e afoito te lanço a pérola deste caminho nada. agora. fulgurante te lanças . tu Anima de um outro Dioniso vegetal. identidade Aqui colorada.

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plêiades sobre o labirinto. a música se emaranha no corpo. poesia flagrante. Que transitam nestes telefones sem fio para ouvidos moucos. Mulher-expansão. De cordas tensas. ainda abandonada em Naxos. palavra que arranca a cabeça das sibilas e ergue o palácio dos mitos. Roberta Ferraz é outra. a violência oculta de todos os corpos. rio que entorna águas para dentro. Tempo premido. onde Ariadne ainda se lança ao Outro. Dedilha o instrumento. Quando o ventre contorna a primeira curva. e. exibe a coroa das Horas. o canto do bode. ela avança. Ali. Onde Ariadne também é Anima. Agora (e é sempre agora). e renascem rituais de orgia. sacrifício. Do tempo que é sempre o mesmo. palavraprimeira. na morte. Ali. indiviso. Há mulheres contemporâneas. novamente entre os ritos da palavra submersa.Saudação dioniso e ariadne: a jornada de um desejo. mordedor de bacantes. . o de chifres. Em muros ou telas. tríade: “tripé de um mesmo porto”. Ariana. no entanto. Ali. Que se fixam no talvez-agora. foge de si em mil máscaras – espelho do antigo Meandro. e a música se desembaraça do silêncio: ali. ela tange o falo de Dioniso. pequenos delírios na aridez urbana: há mulheres que picham insights. onde Ariadne. dono de todas as máscaras.

desafiam notícias sobre astúcia. Sob o dorso deste Animal – o Ritmo – e com a destreza de Hermes. Roberta reconta histórias subterrâneas. elas recriam o mundo debaixo dos panos. Maiara Gouveia . ponte entre dois mundos. Deus que desata as amarras do tino e reata a vontade com a própria fonte. pupilas de Vênus. afiam pontos cegos e estrelas de sete pontas. Anima: o feminino sobre o mundo. Ariana: deusa caprina. inteiramente novas. quem comanda o início e o reinício. Ariadne: começo do percurso. as mesmas de antes. infatigável. então vibram. as mesmas de sempre. brilham.Há mulheres com teares. assim avançam. a que arranca da angústia um lance de dados. Sente o beijo do Flautista: deus que furta o juízo e arrasta a magia para o escuro de origem. nunca-renúncia. E põe a mulher no centro da dança. Esta é a trilha: a jornada de um desejo. desviam a rota. Cada uma sente a ferida no monstro-irmão – castigo que Teseu aplica em todos: herói impiedoso. Que desfiam jogos de luz e sombra e suturam retalhos de memória.

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” safo .“Os astros em torno da bela lua escondem seu aspecto cintilante quando na plenitude ela ilumina a terra.

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