Universidade da Beira Interior Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Departamento de Gestão e Economia

Economia da Energia

Microprodução, miniprodução, micro-cogeração e mini-cogeração

Tiago Marques M4081

Covilhã, 11 de Janeiro 2012

devendo-se este facto à localização geográfica do país. miniprodução. a quem possua um contrato de compra de electricidade em baixa tensão.75kW para instalações não integradas em condomínios. micro-cogeração e mini-cogeração DEFINIÇÃO DE MICROPRODUÇÃO A microprodução é uma forma de produzir energia eléctrica. Desta forma. pode-se obter uma redução significativa no valor da factura da electricidade. eólica. permitindo um período relativamente alargado para recuperar o valor do investimento inicial. Os painéis fotovoltaicos actuais têm uma longevidade entre 25 a 30 anos de vida. empresas ou pequenas comunidades para satisfazerem as necessidades próprias e vendem algum excedente à rede de energia. O documento estabelece condições de acesso e limites à microprodução (máximo recomendado de 25% da potência do transformador) tendo também previsto um regime bonificado de preços para a venda de energia eléctrica. Figura 1 – Radiação solar diária na Europa Fonte: EDP Figura 2 – Radiação solar diária em Portugal Continental Fonte: EDP De acordo com a legislação em vigor é possível. constituindo assim um local ideal para os aproveitamentos fotovoltaicos. mas também de rentabilizar o investimento com a venda de energia à rede e a um valor bastante mais elevado do que o valor de compra. com especial destaque para o sul do país. Os sistemas de microprodução eólica e solar apresentam-se.Economia da Energia – microprodução. Os principais objectivos da microprodução são o de produzir energia eléctrica para consumo próprio mas também o de vender a energia excedente à companhia. biomassa e mini-hídrica – e em instalações relativamente reduzidas. como aqueles que possuem melhores condições para um maior rendimento (fundamentalmente o solar). Os futuros microprodutores podem ter informação relativa ao processo de 1 . vender energia à rede eléctrica. o processo da microprodução fornece electricidade a habitações. Normalmente. através da utilização de fontes de energia – como a energia solar. sendo que a potência instalada em microprodução não poderá exceder 50% da potência contratada. com um limite de 5. em Portugal. Na Figura 1 pode verificarse que Portugal é o país europeu com maior número de horas de sol em toda a Europa.

com unidades de produção renovável com potência até 3.02€/kWh por cada ano aos valores fixos apresentados anteriormente. • Adicionalmente estes equipamentos são abrangidos por benefícios fiscais. micro-cogeração e mini-cogeração legalização.22€/kWh. • A partir de 2011. para tal. e por um período de 5 anos.  DIFERENÇAS ENTRE MICROPRODUÇÃO E MINIPRODUÇÃO  1 Entende -se por “miniprodução” a actividade de pequena escala de produção descentralizada de electricidade. O principal é a tarifa bonificada que a rede paga para absorver a energia que sobra do processo de microprodução chega a ser inclusivamente superior ao preço que o consumidor final paga na sua factura de electricidade. recorrendo. electricidade à rede pública. repartindo. o Regime Bonificado contempla uma tarifa que será fixa a 0. e redução da dependência energética do estrangeiro.renováveisnahora. baseada em incentivos à energia limpa. Principais vantagens financeiras • A partir de 2008. • O investimento é recuperável num período de aproximadamente 7 anos. miniprodução. Necessidade de pouca manutenção. a recursos renováveis e entregando. uma unidade de produção de energia fóssil. de particular relevância quanto ao cumprimento dos objectivos que o país se propôs alcançar no âmbito do protocolo de Quioto. evitando consumo e gerando inclusive electricidade. • Os equipamentos para energias renováveis estão sujeitos à taxa intermédia de IVA de 12%. na condição que exista consumo www. Há no entanto alguns inconvenientes. Permite aliviar a pressão energética sobre a rede eléctrica. algo que nem sempre acontece. A microprodução de energia só se torna ecológica se substituir. bem como dar início à certificação das suas instalações de microprodução através da consulta online de todos os requisitos legais para o efeito1. Para licenças atribuídas nos anos seguintes será descontado 0. o preço de venda será igual ao preço de compra. Estimula a competição entre empresas de equipamentos de produção de energia. Publicidade às energias renováveis. injustamente.Economia da Energia – microprodução. realizado pelo comercializador de último recurso. permite períodos de recuperação de investimento muito inferiores aos que realmente se verificam na compra do equipamento.68 kW têm assegurada uma tarifa de 650 euros por Megawatt hora. Independência de eventuais falhas do sistema eléctrico. pelo que a aposta no sector não é a mais racional do ponto de vista económico. Após os 15 anos. Existência de incentivos financeiros e fiscais. de facto. os investidores em microprodução. contra remuneração. sendo possível deduzir 30% do investimento no IRS (até ao limite de 777 euros).pt 2 . a política energética seguida. As principais vantagens da microprodução são as seguintes:       O calor pode ser utilizado como subproduto para aquecimento. levando a economias de escala ao nível da produção e reduzindo os custos no longo prazo. Por outro lado. Por outro lado.38€/kWh (fotovoltaico) durante os primeiros 8 anos sendo que nos 7 anos seguintes será fixa a 0. a microprodução fica a perder em termos de eficiência para equipamentos renováveis de maior dimensão. o custo por todos os consumidores. Contribuição para a diminuição da emissão de gases de efeito de estufa.

nomeadamente a EDP.º 118 -A/2010. de 25 de Outubro). Algumas empresas em Portugal. como para refrigeração. de 2 de Novembro (alterado e republicado pelo Decreto Lei n.net/Deliverables/folleto% 20microcogeneracion/FLAG%20BROCHURE%20CH P_Portugal. sendo semelhantes a caldeiras convencionais. com eficiências muito elevadas e. apostando em projectos de redução das emissões de CO25 . normalmente em edifícios residenciais.Economia da Energia – microprodução. 2 Surgiu com a publicação do Decreto-Lei N.pdf 3 . Na antiga UE dos 15.edp. que fornecem água quente para aquecimento centralizado e para Águas Quentes Sanitárias (AQS) em edifícios residenciais ou comerciais. é mais uma medida de eficiência energética dos edifícios que de geração de electricidade. nomeadamente na obrigação do auto-consumo de electricidade e nos valores máximos de potência instalada. cortam nas emissões e reduzem os custos com a electricidade. Os equipamentos de microcogeração funcionam tipicamente como equipamentos de aquecimento. para que o edifício continue a satisfazer algumas das suas necessidades eléctricas através da rede eléctrica. tais como habitações isoladas e necessidades de emergência que surgem naturalmente motivadas pelas características dos edifícios e pelas vantagens inerentes aos sistemas de microcogeração. A grande diferença para as caldeiras convencionais é que os sistemas de microcogeração geram electricidade juntamente com o calor. Uma análise ao potencial de mercado português elaborada pela Green Lodges6 resulta num potencial teórico de mais de 6 4 Directiva n. miniprodução.aspx http://www.º 363/2007. embora possa ocorrer venda de electricidade à rede. há um potencial para mais de 50 milhões de instalações. do seu lado. Entende -se por «microprodução» a actividade a actividade de muito pequena produção descentralizada de electricidade3. A micro-cogeração. de 25 de Março.º 68/2002.º 34/2011 e difere da actividade “microprodução” em algumas regras. micro-cogeração e mini-cogeração efectivo de electricidade no local da instalação2. como substituição das caldeiras de gás e gasóleo convencionais em residências domésticas. A directiva europeia de cogeração4 define como unidades de microcogeração aquelas que apresentam uma capacidade eléctrica menor que 50kW. 3 Este tipo de produção é regida pelos seguintes Decretos: Decreto -Lei n.pt/pt/sustentabilidade/ied/Pages/ Novastecnologias. O calor do sistema de micro-cogeração tanto pode ser usado para aquecer espaços e água.º 2004/8/CE do Parlamento Europeu e do Conselho. começaram a valorizar este nicho de mercado. consequentemente. previsto no Decreto -Lei n. Há bastantes nichos de mercado. MICRO-COGERAÇÃO Micro-cogeração. POTENCIAL DE MERCADO O mercado principal para sistemas de microcogeração é o mercado doméstico. com o sistema de micro-cogeração a operar em modo de funcionamento controlo-calor em paralelo com a rede eléctrica. A maioria das unidades opera em modo de grelha-paralela. e regime da pequena produção para autoconsumo. podendo também transferir (vender) alguma electricidade para a grelha.greenlodges. ajudam a reduzir o consumo de combustível. de 11 de Fevereiro de 2004 5 http://www. ou micro-CHP (Micro combined heat and power) é um processo de cogeração de energia (produção combinada de electricidade e calor) em pequena escala.

têm boa resistência estrutural. onde mais de 14% das emissões poderiam ser evitadas em 2010 utilizando tecnologias de recuperação de calor e aproveitamento da energia para produção eléctrica. pelo que estão especialmente vocacionados para aquecimento de água. 7 As peletes em conformidade com as normas comumente usadas na Europa (DIN 51731 ou ÖNorm M-7135) têm um teor de água inferior a 10%.000 edifícios. Ocupa um espaço significativamente mais reduzido que o espaço que tanques de gasóleo ocupam. são uniformes em densidade (> 1 tonelada por metro cúbico. Os peletes são granulados feitos de pó de madeira (serrim e pedaços de madeira totalmente natural). Os peletes para aquecimento têm uma enorme vantagem em relação a outras formas de energia. Há actualmente caldeiras e fogões de combustão de peletes que oferecem uma eficiência de combustão superior a 90 %. 4 .Economia da Energia – microprodução. com densidade de 0. miniprodução. que funciona como mecanismo de retenção de calor. micro-cogeração e mini-cogeração 3. e um teor em pó e cinza reduzido. mais concretamente energia de biomassa. A figura 3 mostra a distribuição dos edifícios portugueses de categorias mais relevantes no sector do turismo. em Portugal (nº de edifícios) SISTEMAS ALTERNATIVOS DE PRODUÇÃO DE CALOR/ENERGIA Peletes: Biomassa para aquecimento Como fonte de energia renovável. ou apenas três metros cúbicos de granulados de madeira. de tal forma que não é necessária a adição de agentes químicos ou sintéticos para uma melhor compactação dos granulados de madeira. O material é comprimido a elevada pressão. Mil litros de gasóleo ou mil metros cúbicos de gás equivalem precisamente a dois mil kg de peletes. Figura 3 – Potencial da micro-cogeração em edifícios turísticos. Fonte: Green Lodges A mini e micro-cogeração tem um grande papel a desempenhar no campo da redução de CO2 dos edifícios.6-0. Um dos inconvenientes dos peletes face a caldeiras convencionais a gasóleo e gás natural prende-se com a dificuldade em controlar e monitorizar a combustão. A produção de peletes encontra-se definida pela norma europeia DIN517317. os peletes são perfeitamente seguros e não poluentes.7 tonelada por metro cúbico).

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