0% acharam este documento útil (0 voto)
397 visualizações23 páginas

Condições de Acesso A Exercício Da Atividade Segur

O documento analisa as condições de acesso e exercício da atividade seguradora em Moçambique, destacando a importância do Decreto n.º 30/2011 e do Regime Jurídico dos Seguros estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 1/2010. Ele aborda a evolução histórica da legislação, os requisitos legais para a constituição de seguradoras, e os mecanismos de supervisão e governança. O estudo enfatiza a relevância do quadro regulatório para o desenvolvimento do mercado segurador no país.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
397 visualizações23 páginas

Condições de Acesso A Exercício Da Atividade Segur

O documento analisa as condições de acesso e exercício da atividade seguradora em Moçambique, destacando a importância do Decreto n.º 30/2011 e do Regime Jurídico dos Seguros estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 1/2010. Ele aborda a evolução histórica da legislação, os requisitos legais para a constituição de seguradoras, e os mecanismos de supervisão e governança. O estudo enfatiza a relevância do quadro regulatório para o desenvolvimento do mercado segurador no país.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOCAMBIQUE

FACULDADE DE ECÓNOMIA E GESTÃO

CADEIRA: CONTABILIDADE DE SEGUROS

Pós Laboral

4° Ano

Condições de Acesso a Exercicío da Actividade Seguradora em Mocambique

Discentes:

Archad Faquir Munir Mamade;

Bill Alexandre Chicatsa

Elizabete Maria Mario António;

Marcos Paulo Fanane;

Laiza Eusébio Alberto.

Docente:

Armindo Pinho

Beira, Abril de 2025


Sumário
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................1
1.1. Apresentação do tema ..............................................................................................................1
1.2. Objetivos do trabalho...............................................................................................................1
1.3. Contextualização do mercado segurador moçambicano..........................................................2
2. QUADRO NORMATIVO DA ATIVIDADE SEGURADORA EM MOÇAMBIQUE ...............4
2.1. Evolução histórica da legislação de seguros ............................................................................4
2.2. Decreto-Lei n.º 1/2010 - Regime Jurídico dos Seguros ..........................................................4
2.3. Decreto n.º 30/2011 no contexto regulatório ...........................................................................5
3. CONDIÇÕES DE ACESSO À ATIVIDADE SEGURADORA ...................................................6
3.1. Formas de sociedade e requisitos legais ..................................................................................6
3.2. Processo de autorização ...........................................................................................................7
3.3. Capital social e garantias financeiras.......................................................................................9
4. CONDIÇÕES DE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE SEGURADORA ........................................11
4.1. Objeto social e limitações operacionais.................................................................................11
4.2. Requisitos de governança e gestão ........................................................................................12
4.3. Supervisão e compliance regulatório .....................................................................................13
5. MEDIAÇÃO DE SEGUROS .......................................................................................................14
5.1. Categorias de mediadores ......................................................................................................14
5.2. Requisitos para exercício da mediação ..................................................................................15
6. CONCLUSÃO .............................................................................................................................17
6.1. Síntese das condições de acesso e exercício ..........................................................................17
6.2. Considerações sobre o quadro regulatório.............................................................................18
6.3. Perspectivas e desafios futuros ..............................................................................................18
7. REFERÊNCIAS ...........................................................................................................................20
CONDIÇÕES DE ACESSO A EXERCÍCIO DA ATIVIDADE SEGURADORA EM
MOÇAMBIQUE

O mercado de seguros em Moçambique tem experimentado um desenvolvimento significativo nas


últimas décadas, refletindo um avanço substancial em seu quadro regulatório. O presente trabalho
analisa detalhadamente as condições de acesso e exercício da atividade seguradora em
Moçambique, com foco principal no Decreto n.º 30/2011, de 11 de agosto, que aprova o
Regulamento das Condições de Acesso e Exercício da Atividade Seguradora e da Respetiva
Mediação. Esta regulamentação complementa o Regime Jurídico dos Seguros, aprovado pelo
Decreto-Lei n.º 1/2010, de 31 de dezembro, representando um marco na consolidação do direito
dos seguros moçambicano. A análise abrange os requisitos legais para constituição de seguradoras,
os mecanismos de supervisão e as obrigações regulatórias, fornecendo uma visão abrangente do
quadro normativo que governa este importante setor econômicas.
1. INTRODUÇÃO

1.1. Apresentação do tema


O setor de seguros desempenha um papel crucial na economia moderna, não apenas como
mecanismo de transferência de riscos, mas também como instrumento de proteção social e
mobilizador de poupanças para investimentos. Em Moçambique, o desenvolvimento deste setor
tem sido impulsionado por reformas regulatórias que visam criar um ambiente seguro, competitivo
e alinhado com padrões internacionais.

Este trabalho tem como tema central as condições de acesso e exercício da atividade seguradora
em Moçambique, com especial ênfase na análise do Decreto n.º 30/2011, de 11 de agosto, que
estabelece o Regulamento das Condições de Acesso e Exercício da Atividade Seguradora e da
Respetiva Mediação. Este decreto representa um instrumento fundamental na operacionalização do
Regime Jurídico dos Seguros, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 1/2010, de 31 de dezembro.

A compreensão deste tema é essencial para todos os stakeholders do mercado segurador - desde
potenciais investidores até consumidores de produtos de seguros, passando pelos profissionais do
setor e reguladores. O quadro normativo determina não apenas quem pode operar no mercado, mas
também como estas operações devem ser conduzidas, estabelecendo os direitos e obrigações dos
diversos participantes. A análise destas condições permite entender a estrutura e o funcionamento
do mercado segurador moçambicano, suas características distintivas e os desafios enfrentados
pelos operadores.

1.2. Objetivos do trabalho

Objetivo Geral:

Analisar criticamente as condições de acesso e exercício da atividade seguradora em Moçambique,


conforme estabelecidas pelo Decreto n.º 30/2011 e legislação complementar.

Objetivos Específicos:

 Contextualizar o Decreto n.º 30/2011 no quadro normativo mais amplo do setor de seguros
moçambicano;

1
 Identificar e examinar os requisitos legais para a constituição e autorização de seguradoras e
resseguradoras;

 Analisar as exigências de capital, governança e gestão impostas às entidades seguradoras;

 Estudar o regime de supervisão das instituições seguradoras e suas implicações práticas;

 Examinar o sistema de mediação de seguros e seus requisitos específicos;

 Avaliar a adequação do quadro regulatório às necessidades do mercado moçambicano.

Estes objetivos orientam a estrutura e o desenvolvimento do presente trabalho, fornecendo um


roteiro para a análise sistemática e abrangente do tema. A abordagem adotada combina elementos
descritivos e analíticos, buscando não apenas expor o conteúdo das normas relevantes, mas
também compreender sua lógica, implicações e eficácia na regulação do mercado.

1.3. Contextualização do mercado segurador moçambicano


O mercado segurador moçambicano tem suas raízes no período colonial, mas foi a partir da
independência e, sobretudo, com a transição para uma economia de mercado nas décadas de 1990
e 2000, que experimentou transformações significativas. A evolução deste mercado está
intrinsecamente ligada ao desenvolvimento do seu quadro regulatório, que tem buscado
acompanhar as mudanças econômicas e sociais do país.

A aprovação do Regime Jurídico dos Seguros pelo Decreto-Lei n.º 1/2010, de 31 de dezembro,
marcou um ponto de viragem, ao estabelecer um conjunto abrangente de normas para o setor. Este
regime foi subsequentemente complementado pelo Decreto n.º 30/2011, que veio regulamentar
detalhadamente as condições de acesso e exercício da atividade seguradora e de mediação.

A supervisão do setor é realizada pelo Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique (ISSM),


entidade responsável por autorizar, fiscalizar e regular as atividades das seguradoras,
resseguradoras e mediadores de seguros. O ISSM desempenha um papel crucial na implementação
do quadro normativo e na promoção de um mercado sólido e confiável, exercendo funções que
vão desde a autorização de novas entidades até a supervisão contínua das operações.

O contexto atual é caracterizado por desafios e oportunidades, incluindo a necessidade de


expansão da cobertura de seguros para segmentos da população tradicionalmente excluídos, a
adaptação a novas tecnologias e riscos emergentes, e a integração em dinâmicas regionais e

2
globais. Neste cenário, a regulação do acesso e exercício da atividade seguradora ganha especial
relevância, por estabelecer as regras do jogo e influenciar diretamente o desenvolvimento do setor.

3
2. QUADRO NORMATIVO DA ATIVIDADE SEGURADORA EM MOÇAMBIQUE
2.1. Evolução histórica da legislação de seguros
A legislação de seguros em Moçambique passou por diversas fases, refletindo as transformações
políticas, econômicas e sociais do país. Inicialmente baseada no modelo colonial português,
evoluiu após a independência para um sistema estatal centralizado, e posteriormente, com a
liberalização econômica, para um quadro regulatório mais alinhado com padrões internacionais e
orientado para o mercado.

Um marco significativo nesta evolução foi a Lei n.º 5/2010, de 07 de julho, que autorizou o
Governo a aprovar o Regime Jurídico dos Seguros. Esta lei abriu caminho para uma reforma
abrangente do setor, permitindo a modernização do quadro legal e a sua adaptação às necessidades
de desenvolvimento do mercado moçambicano. A lei de autorização legislativa estabeleceu os
princípios e diretrizes que deveriam orientar o novo regime, demonstrando a importância atribuída
pelo legislador a esta matéria.

Este processo de evolução legislativa reflete um movimento mais amplo de modernização do


sistema financeiro moçambicano, que tem buscado criar instituições e normas capazes de suportar
o desenvolvimento econômico do país e sua integração na economia global. A regulação do setor
de seguros, em particular, tem assumido crescente sofisticação, incorporando princípios e práticas
reconhecidos internacionalmente, mas adaptados à realidade local.

A história da legislação de seguros em Moçambique é, portanto, um reflexo da própria trajetória


de desenvolvimento do país, marcada pela transição de um modelo colonial para um sistema
econômico independente e progressivamente mais integrado ao cenário internacional. Esta
evolução continua nos dias atuais, com atualizações e aprimoramentos do quadro normativo em
resposta a novos desafios e oportunidades.

2.2. Decreto-Lei n.º 1/2010 - Regime Jurídico dos Seguros


O Decreto-Lei n.º 1/2010, de 31 de dezembro, aprovou o Regime Jurídico dos Seguros,
estabelecendo um quadro normativo abrangente para o setor. Este diploma define, em seu Livro
Primeiro, as condições de acesso e exercício da atividade seguradora (incluindo resseguro e micro-
seguro) e da respetiva mediação na República de Moçambique.

O Regime Jurídico dos Seguros estabelece, no seu Artigo 01, que:

4
“1. O regime jurídico previsto neste livro estabelece as condições de acesso e exercício, na
República de Moçambique, da actividade seguradora, incluindo-se nesta o resseguro e o micro-
seguro, bem como a mediação de seguros.
2. O presente regime jurídico define ainda as condições de estabelecimento no estrangeiro de
quaisquer formas de representação de seguradoras; micro-seguradoras e resseguradoras com sede
social na República de Moçambique."

Este regime jurídico delimita as entidades habilitadas ao exercício da atividade seguradora, os


requisitos para autorização, as formas societárias permitidas, o objeto social das seguradoras, entre
outros aspectos fundamentais. Constitui, assim, a espinha dorsal do ordenamento jurídico do setor
de seguros em Moçambique.

O Artigo 02 do Decreto-Lei especifica quais entidades podem exercer a atividade seguradora no


país, incluindo sociedades anónimas e sociedades mútuas com sede em Moçambique, além de
sucursais de seguradoras, micro-seguradoras e resseguradoras com sede no estrangeiro. Esta
disposição estabelece claramente quem pode participar do mercado, criando um quadro de
referência para potenciais operadores.

O diploma aborda também aspectos cruciais como a supervisão do setor, atribuindo ao Instituto de
Supervisão de Seguros de Moçambique (ISSM) a responsabilidade de acompanhar e verificar o
cumprimento das normas, emitir diretivas, tomar providências extraordinárias de saneamento e
sancionar infrações. Esta centralização da supervisão é essencial para garantir a integridade e
estabilidade do mercado.

2.3. Decreto n.º 30/2011 no contexto regulatório


O Decreto n.º 30/2011, de 11 de agosto, aprovou o Regulamento das Condições de Acesso e
Exercício da Atividade Seguradora e da Respetiva Mediação, constituindo um instrumento
fundamental para a operacionalização do Regime Jurídico dos Seguros.

Como destacado no documento da VdA, "Trata-se de um diploma que tem por objectivo
regulamentar o novíssimo Regime Jurídico dos Seguros, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 1/2010, de
31 de Dezembro de 2010". O Regulamento detalha as disposições do Regime Jurídico,
estabelecendo procedimentos específicos, requisitos técnicos e obrigações concretas para os
operadores do mercado.

5
A publicação deste Regulamento representou a conclusão da consolidação do Direito dos Seguros
moçambicano, que passou a compreender duas componentes complementares:

1. Uma componente institucional - relativa às condições de acesso e exercício da atividade


seguradora (incluindo micro-seguradoras) e sua mediação (nas categorias de corretor, agente
e promotor);

2. Uma componente material - referente às normas a que deve obedecer o contrato de seguro.

O Decreto n.º 30/2011 veio, assim, completar o quadro regulatório do setor, fornecendo os
detalhes operacionais necessários para a implementação efetiva das disposições mais gerais do
Regime Jurídico dos Seguros. Este diploma estabelece regras específicas sobre o processo de
autorização, os requisitos documentais, as obrigações de reporte, os procedimentos de supervisão,
e muitos outros aspectos práticos da regulação do mercado.

A relação entre o Decreto-Lei n.º 1/2010 e o Decreto n.º 30/2011 é, portanto, de


complementaridade: o primeiro estabelece os princípios e regras gerais, enquanto o segundo
fornece o detalhamento necessário para sua aplicação concreta. Juntos, formam um arcabouço
regulatório coerente e abrangente para o setor de seguros moçambicano.

3. CONDIÇÕES DE ACESSO À ATIVIDADE SEGURADORA


3.1. Formas de sociedade e requisitos legais
O Regime Jurídico dos Seguros estabelece claramente as formas societárias permitidas para as
entidades que pretendem exercer a atividade seguradora em Moçambique. De acordo com o Artigo
13 do Decreto-Lei n.º 1/2010:

"1. As seguradoras constituem-se, na República de Moçambique, quer sob forma de sociedade


anónima, nos termos previstos no Código Comercial e demais legislação aplicável, quer como
sociedade mútua de seguros, com a natureza de sociedade cooperativa.
2. As resseguradoras revestem a forma de sociedade anónima."

Esta disposição delimita as opções disponíveis para a constituição de seguradoras, permitindo


apenas duas formas: sociedade anónima ou sociedade mútua de seguros (esta última com natureza

6
de sociedade cooperativa). Para as resseguradoras, apenas é permitida a forma de sociedade
anónima, o que reflete a natureza especializada desta atividade e a necessidade de uma estrutura
corporativa mais robusta.

O Artigo 02 do mesmo diploma especifica as entidades habilitadas ao exercício da atividade


seguradora em Moçambique:

Sem prejuízo do disposto em legislação específica sobre fundos de pensões complementares, a


actividade seguradora, incluindo o segmento do micro-seguro, na República de Moçambique, só
pode ser exercida por:

a) Sociedades anónimas e sociedades mútuas, com sede social na República de Moçambique,


constituídas para o exercício da actividade de seguro directo, de resseguro e de micro-
seguro;
b) Sucursais de seguradoras e micro-seguradoras com sede social no estrangeiro;
c) Sucursais de resseguradoras com sede social no estrangeiro.

Estas disposições estabelecem um quadro claro sobre quem pode operar no mercado de seguros
moçambicano, limitando o acesso a entidades devidamente constituídas segundo as formas legais
previstas. Esta restrição visa garantir que apenas entidades com estruturas adequadas e sujeitas a
regras de governança apropriadas possam exercer esta atividade, que envolve a gestão de recursos
de terceiros e a assunção de responsabilidades de longo prazo.

O Decreto n.º 30/2011 detalha os requisitos específicos para cada forma societária, incluindo
aspectos como a composição e funcionamento dos órgãos sociais, direitos e deveres dos acionistas
ou mutualistas, regras de governança corporativa, entre outros. Estes requisitos visam assegurar a
transparência, solidez e boa gestão das entidades seguradoras, protegendo os interesses dos
segurados e a estabilidade do sistema financeiro como um todo.

3.2. Processo de autorização


O acesso à atividade seguradora em Moçambique está sujeito a um rigoroso processo de
autorização prévia, conforme estabelecido no Artigo 04 do Regime Jurídico dos Seguros:

"1. Sem prejuízo do disposto no n.° 3 deste artigo, o acesso e exercício da actividade seguradora,
resseguradora e do micro-seguro na República de Moçambique carece de autorização prévia a

7
conceder, nos termos do presente regime jurídico e demais legislação aplicável, pelo Ministro que
superintende a área das Finanças, mediante parecer da entidade de supervisão."

A autorização é concedida pelo Ministro que superintende a área das Finanças, após parecer do
Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique (ISSM). Isto reflete a importância estratégica
do setor de seguros na economia nacional e a necessidade de um controle rigoroso sobre quem
acede a este mercado. A intervenção do Ministro, e não apenas do órgão regulador, demonstra a
relevância política e econômica atribuída a estas decisões.

O Artigo 17 do mesmo diploma estabelece as condições e critérios para a concessão de


autorização:

"1. Sem prejuízo do disposto no número seguinte, a autorização para constituição de seguradora e
resseguradora só pode ser concedida desde que tal obedeça a critérios de oportunidade e
conveniência, relacionados fundamentalmente com o interesse económico-financeiro ou de
mercado de que a mesma constituição se revista para a República de Moçambique e que todos os
accionistas fundadores da sociedade se obriguem a:

a) Adoptar a forma de sociedade prevista no artigo 13 do presente regime jurídico, consoante


o caso;
b) Dotar a sociedade com capital social não inferior ao mínimo legal."

Este artigo introduz um elemento de discricionariedade no processo de autorização, ao referir


"critérios de oportunidade e conveniência" e o "interesse económico-financeiro ou de mercado".
Isto significa que, além dos requisitos formais, a autoridade competente pode considerar aspectos
como o potencial impacto da nova entidade no mercado, sua contribuição para o desenvolvimento
do setor, e sua compatibilidade com os objetivos de política econômica do governo.

Além destes critérios gerais, o número 2 do mesmo artigo estabelece requisitos específicos:

2. A concessão de autorização depende ainda da verificação dos seguintes requisitos:

a) Idoneidade dos accionistas fundadores no que for susceptível de, directa ou indirectamente,
exercer influência significativa na actividade e gestão sã e prudente da seguradora;

8
b) Idoneidade, qualificação e experiência profissionais das pessoas que efectivamente detêm a
gestão da seguradora;
c) Adequada e suficiência dos meios técnicos, financeiros e humanos aos objectivos a atingir,
a constar do respectivo programa de actividades;
d) Compatibilidade entre as perspectivas de desenvolvimento da seguradora e a manuntenção
de uma sã concorrência no mercado;
e) Localização na República de Moçambique da administração central da seguradora ou
resseguradora;
f) Inexistência de qualquer tipo de entrave ao exercício das funções de supervisão.

Estes requisitos são significativos porque não se limitam a aspectos formais, mas abordam também
questões substanciais como a idoneidade dos accionistas e gestores, a adequação dos meios
técnicos e financeiros, e o impacto da nova entidade na concorrência no mercado. Isto demonstra
uma preocupação com a solidez e sustentabilidade do setor em longo prazo, além da proteção dos
interesses dos segurados e da estabilidade do sistema financeiro.

3.3. Capital social e garantias financeiras


Um aspecto crucial das condições de acesso à atividade seguradora são os requisitos de capital
social e garantias financeiras. O Regime Jurídico dos Seguros estabelece, no seu Artigo 15, que:

"1. O capital social realizado, o fundo de estabelecimento ou o capital de dotação mínimo variam
segundo a natureza das seguradoras e resseguradoras e quanto as primeiras, segundo o ramo ou
ramos que a seguradora está autorizada a explorar."

O Decreto-Lei n.º 1/2010 não especifica os valores mínimos, remetendo para regulamentação
posterior. Neste contexto, é relevante mencionar o Decreto n.º 39/2018, de 05 de julho, que
"Aprova a tabela dos valores mínimos do capital social e de garantia, bem como do fundo de
estabelecimento exigidos às entidades habilitadas ao exercício da actividade seguradora e de
mediação de seguros e resseguro".

Estes requisitos de capital visam garantir que as seguradoras e resseguradoras possuam recursos
financeiros adequados para fazer face às suas responsabilidades, protegendo os segurados e
contribuindo para a estabilidade do sistema. O capital mínimo varia consoante o tipo de entidade

9
(seguradora, resseguradora, micro-seguradora) e, no caso das seguradoras, consoante os ramos que
pretendem explorar.

Além do capital social, as seguradoras devem constituir e manter provisões técnicas adequadas
para fazer face às suas responsabilidades, bem como uma margem de solvência que funciona como
um "colchão" de segurança adicional. Estes requisitos são detalhados no Decreto n.º 30/2011 e em
instruções específicas emitidas pelo ISSM.

A exigência de capital mínimo serve múltiplos propósitos: demonstra o compromisso financeiro


dos acionistas, proporciona uma primeira linha de defesa contra perdas, e estabelece uma barreira
de entrada que ajuda a garantir que apenas entidades com recursos adequados possam operar no
mercado. Isto é particularmente importante no setor de seguros, onde as seguradoras recebem
prémios antecipadamente e podem ter que pagar indemnizações significativas no futuro, muitas
vezes em circunstâncias imprevistas ou catastróficas.

Exigências Financeiras e de Capital Mínimo

O capital social mínimo varia conforme o segmento:

 Seguros não vida: 50 milhões de MT

 Seguros de vida: 30 milhões de MT

 Micro-seguros: 10 milhões de MT

As empresas devem ainda manter margem de solvência calculada como 18% dos prêmios anuais
ou 26% das provisões técnicas, conforme o maior valor. O Decreto n.º 30/2011 introduziu
mecanismos dinâmicos de ajuste desses valores com base em stress tests regulatórios.

10
4. CONDIÇÕES DE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE SEGURADORA
4.1. Objeto social e limitações operacionais
O Regime Jurídico dos Seguros estabelece claras delimitações quanto ao objeto social das
seguradoras e resseguradoras, o que constitui um aspecto fundamental das condições de exercício
da atividade. De acordo com o Artigo 14:

"1. As seguradoras sedeadas na República de Moçambique são instituições financeiras que têm por
objecto social exclusivo o exercício da actividade seguradora, salvo o disposto no número
seguinte."

Esta disposição consagra o princípio da exclusividade do objeto social, segundo o qual as


seguradoras não podem dedicar-se a atividades que não estejam relacionadas com a sua função
principal. Este princípio visa evitar a dispersão de recursos e a assunção de riscos não relacionados
com a atividade seguradora, protegendo assim os interesses dos segurados e a solidez das
instituições.

No entanto, o mesmo artigo prevê algumas exceções a este princípio:

2. As seguradoras, na República de Moçambique, respeitando o âmbito da autorização que lhes


tenha sido concedida, nomeadamente quanto aos ramos e modalidades de seguros a explorar,
podem aceitar contratos de resseguro, bem como efectuar o resseguro da sua própria actividade em
seguradoras ou resseguradoras para tal devidamente autorizada, ainda que as cessionárias não se
encontrem estabelecidas ou representadas em território moçambicano.

3. As seguradoras podem também exercer actividades conexas ou complementares da de seguro


ou resseguro, designadamente as que respeitem a actos e contratos relativos a salvados,
reedificação e reparação de prédios, reparação de veículos."

Estas exceções permitem que as seguradoras, além da sua atividade principal de seguro direto,
aceitem e cedam resseguros, e exerçam atividades conexas ou complementares, como a gestão de
salvados ou a reparação de bens segurados. Isto permite uma operação mais integrada e eficiente,
desde que dentro dos limites estabelecidos pela regulamentação.

Outra limitação operacional importante refere-se à emissão de obrigações. O Artigo 16 do Regime


Jurídico dos Seguros estabelece que:

11
"2. É vedada a emissão de obrigações para prover a responsabilidades de natureza técnica."

Esta proibição visa impedir que as seguradoras utilizem dívida para financiar as suas
responsabilidades técnicas (como provisões e indemnizações), o que poderia comprometer a sua
solidez financeira e a capacidade de cumprir os compromissos assumidos perante os segurados.

4.2. Requisitos de governança e gestão


Um aspecto crucial das condições de exercício da atividade seguradora refere-se aos requisitos de
governança e gestão. O Regime Jurídico dos Seguros estabelece como condição para a concessão
de autorização, a idoneidade, qualificação e experiência profissionais das pessoas que
efectivamente detêm a gestão da seguradora.

Esta exigência reflete a importância da qualidade da gestão para a solidez e sustentabilidade das
seguradoras. Os gestores devem não apenas ser idóneos (possuir reputação ilibada e histórica de
comportamento ético), mas também possuir qualificações e experiência adequadas para gerir
instituições financeiras complexas como as seguradoras. A gestão inadequada pode levar a práticas
imprudentes, assunção excessiva de riscos, ou mesmo fraude, com graves consequências para os
segurados e o sistema financeiro como um todo.

O Decreto n.º 30/2011 detalha estes requisitos, estabelecendo critérios para avaliar a idoneidade,
qualificação e experiência, procedimentos para a avaliação e aprovação dos gestores pelo ISSM, e
obrigações contínuas de comunicação de alterações na composição dos órgãos de administração e
fiscalização.

Além dos requisitos para os gestores individuais, o quadro regulatório estabelece também
exigências quanto à estrutura de governança corporativa das seguradoras. Estas devem possuir
sistemas de controlo interno adequados, políticas e procedimentos documentados, segregação de
funções, e mecanismos de gestão de riscos. Estas estruturas são essenciais para garantir a
identificação, medição, monitorização e controlo dos diversos riscos a que as seguradoras estão
expostas, desde riscos de subscrição até riscos operacionais e de mercado.

As seguradoras devem também cumprir obrigações de reporte regular ao ISSM, incluindo


demonstrações financeiras, relatórios atuariais, e informações sobre a composição da carteira de
investimentos, entre outros elementos. Estas obrigações de transparência permitem ao supervisor

12
monitorizar a situação financeira e operacional das entidades, identificar potenciais problemas e
intervir atempadamente quando necessário.

4.3. Supervisão e compliance regulatório


A supervisão das seguradoras, resseguradoras e mediadores são uma componente fundamental do
quadro regulatório do setor. De acordo com o Regime Jurídico dos Seguros, compete ao Instituto
de Supervisão de Seguros de Moçambique (ISSM):

a) Acompanhar e verificar o cumprimento, pelas entidades que exercem a actividade


seguradora e de mediação de seguros, das normas que disciplinam a respectiva actividade,
instaurando o procedimento que se mostre necessário;
b) Emitir directivas para que sejam sanadas as irregularidades detectadas;
c) Tomar providências extraordinárias de saneamento;
d) Sancionar as infracções, de acordo com a competência delegada.

Estas funções de supervisão abrangem tanto a verificação do cumprimento formal das normas
(supervisão de compliance) como a avaliação da solidez financeira e operacional das entidades
supervisionadas (supervisão prudencial). O ISSM dispõe de amplos poderes para exigir
informações, realizar inspeções, impor medidas corretivas e aplicar sanções, garantindo assim a
eficácia da sua ação supervisora.

O ISSM realiza inspeções periódicas às seguradoras, analisa os relatórios e informações que estas
são obrigadas a submeter, e pode solicitar esclarecimentos ou informações adicionais sempre que
necessário. Em caso de detecção de irregularidades, o ISSM pode emitir directivas para a sua
correção, impor sanções administrativas, ou, em casos graves, tomar medidas extraordinárias
como a suspensão da autorização ou a nomeação de uma administração provisória.

O Decreto n.º 30/2011 detalha os procedimentos de supervisão, os poderes específicos do ISSM,


as obrigações de reporte das entidades supervisionadas, e o regime sancionatório aplicável às
infrações. Este quadro abrangente de supervisão visa garantir que as seguradoras operem de forma
sólida e prudente, respeitando os direitos dos segurados e contribuindo para a estabilidade do
sistema financeiro.

As seguradoras devem manter estruturas de compliance adequadas para assegurar o cumprimento


das obrigações regulatórias, que são numerosas e complexas. Estas incluem requisitos de

13
solvência, regras sobre provisões técnicas, limites aos investimentos, obrigações de divulgação de
informação, regras sobre conduta de mercado, entre muitas outras. O cumprimento destas
obrigações é essencial não apenas para evitar sanções, mas também para manter a confiança dos
clientes, parceiros de negócio e investidores.

5. MEDIAÇÃO DE SEGUROS
5.1. Categorias de mediadores
A mediação de seguros constitui uma atividade complementar à atividade seguradora,
desempenhando um papel crucial na distribuição dos produtos de seguros e na ligação entre
seguradoras e segurados. O Regime Jurídico dos Seguros e o Decreto n.º 30/2011 estabelecem o
quadro regulatório para esta atividade.

De acordo com a informação disponível nos resultados de pesquisa, existem três categorias
principais de mediadores de seguros em Moçambique:

1. Corretores de seguros

2. Agentes de seguros

3. Promotores de seguros

Estas categorias diferem quanto ao seu estatuto jurídico, âmbito de atuação, e relação com as
seguradoras. Os corretores de seguros são entidades independentes que atuam em nome dos
clientes, analisando as suas necessidades e recomendando soluções adequadas. Têm uma relação
fiduciária com o cliente e devem atuar no seu melhor interesse, oferecendo aconselhamento
imparcial sobre as opções disponíveis no mercado.

Os agentes de seguros atuam em nome de uma ou mais seguradoras, comercializando os seus


produtos com base em contratos de agência. Representam as seguradoras perante os clientes e são
remunerados através de comissões pagas pelas seguradoras. Embora também devam considerar as
necessidades dos clientes, estão contratualmente vinculados às seguradoras que representam.

Os promotores de seguros geralmente exercem uma atividade mais limitada de promoção e


angariação de clientes, sem poderes para vincular a seguradora ou para prestar aconselhamento
abrangente. Esta categoria permite a participação de indivíduos ou entidades com menor nível de
qualificação ou estrutura, mas com capacidade para contribuir para a distribuição de produtos de

14
seguros, especialmente em segmentos ou áreas geográficos menos servidos pelos canais
tradicionais.

Esta diversidade de categorias de mediadores visa proporcionar diferentes opções de distribuição,


adaptadas às necessidades dos diversos segmentos do mercado e garantindo uma maior
capilaridade na oferta de produtos de seguros.

5.2. Requisitos para exercício da mediação


O exercício da atividade de mediação de seguros está sujeito a requisitos específicos, que variam
consoante a categoria de mediador. Estes requisitos incluem:

1. Autorização prévia do ISSM para o exercício da atividade;

2. Requisitos de idoneidade, qualificação e experiência profissional;

3. Capital social mínimo (no caso de corretores constituídos como sociedades);

4. Garantias financeiras, como seguros de responsabilidade civil profissional;

5. Obrigações de formação contínua;

6. Deveres de informação aos clientes e às seguradoras.

O Decreto n.º 30/2011 detalha estes requisitos, estabelecendo os procedimentos para o pedido de
autorização, os documentos necessários, os critérios de avaliação, e as obrigações contínuas dos
mediadores. Estes requisitos visam garantir que os mediadores possuam as competências e
recursos necessários para desempenhar adequadamente a sua função, protegendo os interesses dos
consumidores e contribuindo para o bom funcionamento do mercado.

É relevante mencionar também o Decreto n.º 39/2018, de 05 de julho, que aprova a tabela dos
valores mínimos do capital social e de garantia, bem como do fundo de estabelecimento exigidos
às entidades habilitadas ao exercício da actividade seguradora e de mediação de seguros e
resseguro. Este diploma estabelece os valores mínimos de capital para os mediadores de seguros,
refletindo o seu papel no mercado e os riscos associados à sua atividade.

Os requisitos mais exigentes aplicam-se geralmente aos corretores de seguros, dada a sua posição
de maior independência e responsabilidade. Estes devem possuir não apenas capital adequado,
mas também sistemas de controlo interno, políticas de prevenção de conflitos de interesse, e
mecanismos para garantir a segregação dos fundos dos clientes. Já os agentes e promotores estão

15
sujeitos a requisitos menos onerosos, embora continuem obrigados a cumprir normas mínimas de
idoneidade e competência profissional.

O ISSM mantém um registo de todos os mediadores autorizados, verificando regularmente o


cumprimento das condições de acesso e exercício da atividade. A supervisão dos mediadores é um
componente importante da supervisão global do mercado, dado o papel crucial que estes
desempenham na comercialização de produtos de seguros e na relação com os consumidores.

16
6. CONCLUSÃO
6.1. Síntese das condições de acesso e exercício
As condições de acesso e exercício da atividade seguradora em Moçambique, estabelecidas pelo
Decreto-Lei n.º 1/2010 e detalhadas pelo Decreto n.º 30/2011, configuram um quadro regulatório
abrangente e exigente. Este quadro visa garantir a solidez e sustentabilidade do setor, proteger os
interesses dos segurados, e promover um mercado competitivo e inovador.

As principais condições de acesso incluem:

 Formas societárias específicas (sociedade anónima ou mútua para seguradoras, apenas


sociedade anónima para resseguradoras);

 Autorização prévia do Ministro que superintende a área das Finanças, mediante parecer do
ISSM;

 Capital social mínimo, variável consoante o tipo de entidade e os ramos a explorar;

 Idoneidade dos accionistas e gestores;

 Adequação dos meios técnicos, financeiros e humanos.

Estas condições funcionam como uma barreira de entrada que assegura que apenas entidades com
recursos adequados e compromisso sério com o mercado possam operar no setor. Isto é
particularmente importante num setor como o de seguros, onde a confiança e a estabilidade em
longo prazo são essenciais.

Quanto às condições de exercício, destacam-se:

 Exclusividade do objeto social, com exceções limitadas;

 Requisitos contínuos de governança e gestão;

 Obrigações de constituição e manutenção de provisões técnicas e margem de solvência;

 Sujeição à supervisão do ISSM;

 Cumprimento de numerosas obrigações regulatórias.

Estas condições visam garantir que as seguradoras mantenham, ao longo da sua operação, os
padrões de solidez, ética e profissionalismo necessários para cumprir os seus compromissos
perante os segurados e contribuir para a estabilidade do sistema financeiro.

17
6.2. Considerações sobre o quadro regulatório
O quadro regulatório moçambicano para o setor de seguros reflete uma abordagem moderna e
alinhada com padrões internacionais. A conclusão da consolidação do Direito dos Seguros, com a
publicação do Decreto n.º 30/2011, representou um marco importante neste percurso.

Como referido no documento da VdA, este quadro compreende agora "uma componente
institucional – as condições de acesso e de exercício da actividade seguradora (incluindo a das
micro-seguradoras) e sua mediação (nas categorias de corretor, agente e promotor) – e uma
componente material – as normas a que deve obedecer o contrato de seguro"[3].

Esta estrutura dual permite uma regulação equilibrada do setor, abordando tanto os aspectos
institucionais (quem pode operar e como) como os aspectos materiais (o conteúdo e as regras dos
contratos de seguro). Isto proporciona segurança jurídica aos operadores e segurados, estabelece
expectativas claras quanto aos direitos e obrigações das partes, e fornece mecanismos eficazes
para a resolução de conflitos.

O quadro regulatório moçambicano incorpora princípios e práticas reconhecidos


internacionalmente, como a supervisão baseada em riscos, a adequação de capital, a transparência
e divulgação de informação, e a proteção do consumidor. Ao mesmo tempo, adapta estes
princípios à realidade local, reconhecendo as especificidades do mercado moçambicano e o seu
estágio de desenvolvimento.

6.3. Perspectivas e desafios futuros


O setor de seguros em Moçambique enfrenta diversos desafios e oportunidades nos próximos
anos. Entre os desafios, destacam-se:

1. A necessidade de aumentar a penetração dos seguros na economia, ainda relativamente


baixa;

2. A adaptação a novas tecnologias e modelos de negócio, como insurtechs e seguros digitais;

3. O desenvolvimento de produtos adequados às necessidades específicas da população


moçambicana;

4. A gestão de riscos emergentes, como alterações climáticas, cibersegurança, e pandemias;

5. A manutenção da estabilidade do setor face a potenciais choques económicos ou financeiros.

18
O quadro regulatório estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 1/2010 e pelo Decreto n.º 30/2011 fornece
uma base sólida para enfrentar estes desafios, mas provavelmente necessitará de adaptações e
atualizações para acompanhar a evolução do mercado e das melhores práticas internacionais.

Em particular, será importante encontrar um equilíbrio entre a necessidade de garantir a solidez e


segurança do setor e o objetivo de promover a inovação e a inclusão financeira. Isso pode exigir
abordagens regulatórias mais flexíveis e proporcionais, que adaptem as exigências ao perfil de
risco e escala das entidades, sem comprometer os padrões fundamentais de proteção do
consumidor e estabilidade sistémica.

Outro aspecto relevante será o fortalecimento contínuo da capacidade de supervisão do ISSM,


garantindo que a entidade disponha dos recursos, ferramentas e competências necessários para
supervisionar eficazmente um setor cada vez mais complexo e integrado globalmente.

19
7. REFERÊNCIAS
1. Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique (ISSM). (2022). Legislação de Seguros
& Branqueamento de Capitais. [Link]

2. Decreto-Lei n.º 1/2010, de 31 de dezembro. Boletim da República, I Série, n.º 52. Regime
Jurídico dos Seguros.

3. [Link]. (2010). Boletim da República. [Link]


[Link]

4. Viera de Almeida & Associados and Silva Garcia. (2011, October 27). Moçambique
Regulamentação da Actividade Seguradora.
[Link]
Mocambique-_Regulamentacao_da_Actividade_Seguradora-[Link]

5. [Link]

6. [Link]
[Link]

7. [Link]
Mocambique-_Regulamentacao_da_Actividade_Seguradora-[Link]

8. [Link]
[Link]

20

Você também pode gostar