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Universidade católica de Moçambique

Faculdade de direito

Estudante: Jéssica da Cecília Docente: Mussagy Assane Mussagy

Curso: Direito Cadeira: Direito administrativo

Tema: capacidade para ser provido direitos e deveres

O trabalho que tem o tema intitulado capacidade de ser provido direitos e deveres. Para
fazer menção o tema em análise, é necessário ter em conta alguns conceitos que nos levaram a
perceber o teor do tema. Em direito capacidade é a susceptibilidade de ser titular de direitos e
cumpridor de deveres. O termo provido é o acto administrativo que configura a vontade da
administração pública para o enquadramento de um agente ou servidor público na administração
pública.

Requisitos gerais da capacidade administrativa para ser funcionário

Exercício das funções públicas como actividade profissional só é permitido aqueles que
satisfaçam a certos requisitos, de cuja posse dependem a capacidade administrativa para ser
funcionário.1

São os requisitos gerais de capacidade de administrativa para o provimento de um


individuo como funcionário2:

a) Estar nas condições legais em matéria de nacionalidade;


b) Estar no gozo dos direitos políticos e ter bom comportamento moral e civil;
c) Ter cumprido o dever militar, segundo alínea c) do número 1 do artigo 5 do decreto-
lei n 5/2018 de 26 de Fevereiro.
d) Dar garantias de lealdade ao serviço;
e) Estar em satisfatórias condições de saúde, segundo alínea b) do número 1 do artigo 5
do decreto-lei n 5/2018 de 26 de Fevereiro.3

1
AMARAL, Diogo Freitas do. Curso de direito Administrativo. Vol I, Edições: Almedina, Lisboa, 2006, pag. 655
2
CAETANO, Marcelo, Manual de Direito Administrativo, Vol. II, 10ª Edição, Almedina. Coimbra, pág. 695
3
MOÇAMBIQUE, República, do decreto-lei nº 5/2018 de 26 de Fevereiro- lei que aprova o regulamento do
estatuto geral dos funcionários e agentes do Estado, artigo 5 número 1.

1
f) Não ter idade inferior a mínima nem superior a máxima fixada por lei;
g) Possuir as necessárias habilitações literárias

a) Fica pois assente que os estrangeiros podem ser providos, como funcionários em cargos cujas
funções tenham carácter predominantemente técnico. Entende-se, porem, que nesse caso não
poderão exercer autoridade pública nem direitos políticos inerentes ao cargo (direito de voto nas
eleições de órgãos políticos ou até de órgãos das pessoas colectivas de que faça parte o agente,
direito de ser eleito).

b) A regra é de que todo cidadão com capacidade civil de exercício gozem de direitos
políticos. Porem a constituição da república de Moçambique, considera corolário da igualdade
dos cidadãos perante a lei, o direito de ser provido dos cargos públicos, conforme a capacidade
ou serviços prestados. A privação do exercício de direitos, quer de civis quer políticos só por
sentença judicial pode ser decretada. Quanto aos direitos políticos essa privação pode ser o
conteúdo de pena criminal ou constituir efeito da condenação em certas penas.

c) A demissão ou baixa de exército por motivo disciplinar ligado com a inobservância


dos deveres militares durante a prestação obrigatória de serviço, corresponde a não cumprimento
e incapacita o demitido para o exercício de funções públicas.4

A prestação de serviço efectivo nas forças armadas é motivo de preferência em igualdade


de condições legais, porem a dita preferência é invocável contra candidatos de sexo feminino5.

d) A lei exige que para admissão dos quadros públicos os candidatos ofereçam certas
garantias de fidelidade, independência e lealdade as instituições politicas e seus órgãos, segundo
a regra constitucional de que ”os funcionários estão ao serviço da colectividade e não de
qualquer ou organização de interesses particulares, incumbindo-lhe acatar e fazer respeitar a
autoridade do Estado.” Assim, o candidato ao exercícios da funções publicas deve:

• Não ter revelado espírito de oposição aos princípios fundamentais da constituição


política e dar garantia de cooperar na realização dos fins superiores do Estado;

4
CAETANO, Marcelo, Manual de Direito Administrativo, Vol. II, 10ª Edição, Almedina. Coimbra, pág. 696
5
NHAKADA, Vasco Pedro. Lógica Administrativa do estado Moçambicano (1975-1990), Brasília, 2008, pág. 887

2
• Declarar, no acto de posse, sob juramento eu será fiel a sua pátria, cooperará na
realização dos fins superiores do Estado, defenderá os princípios fundamentais da ordem social e
política estabelecida na constituição e respeitará as leis.6

e) Para o desempenho das funções públicas, exige-se um mínimo de aptidão física


anormal para o género de trabalho que o candidato deve prestar.

Convém evitar que os quadros sejam preenchidos por quem não possa fornecer um
esforço continuo (como sucederia se o funcionário fosse forçado a interromper frequentemente
por doença a sua actividade), assim como os encargos excessivos que adviriam para o tesouro
das longas licenças e precoces apresentações donde o pretender-se que os candidatos possuam
condições regulares de saúde física e psíquica.7

A sanidade mental não está exigida expressamente em nenhum texto legal, mas nem por
isso deve deixar de ser considerada requisito essencial para o exercício de funções públicas. É
manifesto que um louco ou mesmo individuo sofrendo de grave afecção psíquica não pode
assegurar o desempenho de uma função pública sem por em perigo os consideráveis interesses
que ela defende e prossegue.

f) Quanto a idade a lei fixa o mínimo o parte do qual se julga que os indivíduos possuem
as condições necessárias para serem agentes da administração e o máximo a partir do qual se
julga inconveniente a sua admissão.

•Idade mínima, não há limite um mínimo de idade comum a todos serviços do Estado.
Cada diploma orgânico adopta o seu, hoje quase sempre estabelecido nos 21 ou nos 18 anos de
idade esta fixada pelo código administrativo.

•Idade máxima, quanto ao limite máximo de idade foi fixado em 35 anos no caso de
primeira nomeação para lugar de acesso de categoria e vencimento inferior ao de chefe de
repartição.

6
COUPERS, João, Introdução ao Direito Administrativo, 11ª edição, Âncora editora, pág. 365
7
CAETANO, Marcelo, Manual de Direito Administrativo, Vol. II, 10ª Edição, Almedina. Coimbra, pág. 699

3
g) O mínimo de instrução literária para o provimento em lugar público dos quadros foi
durante muitos anos o exame de 4ª classe de instrução primária, porem as habilitações especiais
exigidas para certos cargos são indicadas nas leis orgânicas dos respectivos serviços.

Posse – deveres dos funcionários

O individuo provido como funcionário deve, dentro do prazo assinado por lei, apresentar-
se ao serviço e tomar posse do seu lugar ao cargo. Como reza o numero 2 do artigo 8 do decreto-
lei nº 5/2018 de 26 de Fevereiro, dispõe que o prazo para tomada de posse pode ser prorrogado a
pedido do visado até o máximo de 30 dias. Porem este pedido deve ser submetido 10 dias antes
do termo do prazo de 30 dias estabelecido segundo o número 3 do artigo 8º do mesmo diploma.8

A posse representa o início jurídico do exercício da funções, sendo partir dela que a lei
manda contar o tempo do serviço efectivo do funcionário, muito embora o exercício de facto só
mais tarde principie quando sucede que o funcionário tome posse em local diferente daquele
onde função há-de ser desempenhada ou se encontre e permaneça em comissão de serviço.

Quem pode conferir posse

A posse é, em regra, conferida pela autoridade ou funcionário que, como directo superior
hierárquico do empossado, exercer as funções de chefia do serviço na localidade onde ele haja de
apresentar-se. A lei permite que a competência para conferir a posse seja delegada em
funcionários que de maior categoria do que o empossado.9

Os deveres

Nos termos do artigo 259 da CRM, os órgãos e agentes da administração pública têm o
dever de prestar a colaboração que lhes for requerida pelo provedor de justiça no exercício das
suas funções.

Mas a regra da administração pública é a de que deveres de serviços são determinados


pela via hierárquica: os agentes estão hierarquizados. Todavia a doutrina avança com a
classificação de deveres, sendo os seguintes:

8
MOÇAMBIQUE, República, do decreto-lei nº 5/2018 de 26 de Fevereiro- lei que aprova o Regulamento do
Estatuto geral dos Funcionários e Agentes do Estado, artigo 5 número 1.
9
CAETANO, Marcelo, Manual de Direito Administrativo, Vol. II, 10ª Edição, Almedina. Coimbra, pág. 729

4
•Deveres profissionais propriamente ditos, são os que estão ligados ao exercício da
função e por tanto, só existem na sua plenitude quando o funcionário esta em actividade.

•Deveres na vida privada, são deveres que poderíamos chamar corporativos, no sentido
de que pesam sobre o funcionário pelo facto da sua especial vinculação a administração publica
e, portanto, tem de ser observado quer esteja em actividade quer não.

•Deveres de carácter político, o funcionário tem certos deveres de natureza política, mais
ou menos extensos, conforme a legislação de cada país. O problema da extensão dos deveres
políticos poe-se nos mesmos termos que o da exigência de certas ideias para a admissão as
funções publicas.

Direitos

Ao direito ao lugar

O funcionário provido por nomeação vitalícia, ou por tempo indeterminado adquire


direito ao lugar do qual não poderá ser privado se não em consequência de processo disciplinar
ou criminal. Este direito tem como objecto o lugar de que resulta a qualidade de funcionário.
Mas, regra geral, não abrange o cargo que ao funcionário haja sido cometido.

Direito ao vencimento

A remuneração do funcionário é constituída pelo vencimento e suplementos (numero 1


do artigo 25 do decreto-lei nº 5/2018 de 26 de Fevereiro).10 Em consonância com o decreto-lei n
5/2018 de 26 de Fevereiro, Marcello Caetano diz o seguinte, o vencimento consiste no
recebimento periódico e regular de quantia certa paga pelo cofre da pessoa colectiva servida
(ordenado) ou na faculdade de perceber, pelos actos funcionais praticados, de determinadas taxas
fixadas na lei e pagas pelo utente (emolumentos).

Direito a licença e faltas

Nos termos do artigo 42 do decreto-lei n 5/2018 de 26 de Fevereiro, os agentes da função


pública tem direito a faltas e licenças desde que estas sejam justificadas ou com um aviso prévio.

10
MOÇAMBIQUE, República, do decreto-lei nº 5/2018 de 26 de Fevereiro- lei que aprova o regulamento do
estatuto geral dos funcionários e Agentes do Estado, artigo 25 número 1.

5
Porem a doutrina avança que para justificar as faltas segue-se o critério do chefe ou superior
hierárquico mas também existem as que estão elencadas na lei como sendo o direito do agente da
administração pública.

Sendo assim após ter findado o trabalho em questão, conclui-se que a questão de
capacidades de ser provido de direitos e deveres, varia de ordenamento para ordenamento, isto é,
de Estado para Estado, mas no que tange o ordenamento jurídico moçambicano, este processo
passa por uma sequencia lógica e legal, e vê-se ainda que quando agente é provido esses direitos
e deveres deverá cumprir a titulo de respeito e lealdade a administração publica. Nesta ordem de
ideias os direitos dos agentes providos são: direito ao tempo de serviço prestado, direito a
protecção penal, direito a assistência na doença direito a protecção na invalidez, direito a
protecção na velhice: a aposentação ordinária, direito a protecção da família, depois da morte,
direito de petição e reclamação.

Sem mais acréscimos, referir que para a realização do trabalho usou-se as seguintes
referências bibliográficas:

CAETANO, Marcelo, Manual de Direito Administrativo, Vol. II, 10ª Edição, Almedina.
Coimbra.

NHAKADA, Vasco Pedro, Lógica Administrativa do Estado Moçambicano (1975-


1990), Brasília, 2008.

COUPERS, João, Introdução ao Direito Administrativo, 11ª edição, Âncora editora.

AMARAL, Diogo Freitas do, Curso de direito Administrativo. Vol. I, Edições:


Almedina, Lisboa, 2006

MOÇAMBIQUE, República, do decreto-lei nº 5/2018 de 26 de Fevereiro- lei que


aprova o regulamento do estatuto geral dos funcionários e agentes do Estado.