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Em 1ano 2°bimestre História Professor

O documento é um caderno do professor para o 1º ano do Ensino Médio em História, elaborado pela Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores de Minas Gerais. Ele visa auxiliar os professores a ampliar o planejamento de aula, abordando competências da BNCC e temas como a construção da narrativa histórica e a importância da memória cultural. O material inclui sequências didáticas, habilidades a serem desenvolvidas e referências para o ensino de história.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Em 1ano 2°bimestre História Professor

O documento é um caderno do professor para o 1º ano do Ensino Médio em História, elaborado pela Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores de Minas Gerais. Ele visa auxiliar os professores a ampliar o planejamento de aula, abordando competências da BNCC e temas como a construção da narrativa histórica e a importância da memória cultural. O material inclui sequências didáticas, habilidades a serem desenvolvidas e referências para o ensino de história.
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Ensino édio

2025

Ciências Humanas
e Sociais Aplicadas
História
1°ANO
Caderno do(a) Professor(a) - 2º Bimestre

ESCOLA DE FORMAÇÃO GOVERNO


DIFERENTE
E DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL ESTADO
E DE EDUCADORES EFICIENTE
Governador do Estado de Minas Gerais
Romeu Zema Neto

Vice-Governador do Estado de Minas Gerais


Mateus Simões de Almeida

Secretário de Estado de Educação


Igor de Alvarenga Oliveira Icassatti Rojas

Secretária Adjunta
Fernanda de Siqueira Neves

Subsecretaria de Desenvolvimento da Educação Básica


Kellen Silva Senra

Superintendente da Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional e de


Educadores
Graziela Santos Trindade

Diretor da Coordenadoria de Ensino da Escola de Formação e Desenvolvimento


Profissional e de Educadores
Tiago Vieira Lima Alves

Produção de Conteúdo
Professores Formadores da Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional e de Educadores

Revisão
Professores Formadores da Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional e de Educadores

Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores


Av. Amazonas, 5855 - Gameleira, Belo Horizonte - MG

2
Prezados professores, clique na imagem para ser direcionado à
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GUIA DE CURRICULO
ORIENTAÇÃO REFERÊNCIA DE
Formação continuada MINAS
para Educadores
GERAIS
2025

PLANO DE
CURSO
2025 ESCOLA DE FORMAÇÃO
E D E S E N V O LV I M E N T O P R O F I S S I O N A L
DE E EDUCADORES

3
Prezados professores, clique na imagem para ser direcionado ao
parceiro desejado.

ESCOLA DE FORMAÇÃO
E D E S E N V O LV I M E N T O P R O F I S S I O N A L
DE E EDUCADORES

estudo play

4
Prezado(a) Professor(a),

No intuito de contribuir com o seu trabalho em sala de aula, preparamos este caderno. Por
meio dele, você terá a oportunidade de ampliar o trabalho já previsto em seu planejamento. O
presente caderno foi construído tendo por base as competências e habilidades estabelecidas
na BNCC, no CRMG e no Plano de Curso 2025 a serem desenvolvidas e trabalhadas por todas
as unidades escolares da rede pública de Minas Gerais. Aborda os diversos componentes
curriculares e para facilitar a leitura e manuseio foi organizado de forma linear. Contudo,
ao implementá-lo em sala de aula, você poderá recorrer aos planejamentos de forma não
sequencial, atendendo às necessidades pedagógicas dos estudantes. É preciso atentar-
se, apenas, para os conhecimentos que são pré-requisitos, ou seja, aqueles que foram
trabalhados nos planejamentos anteriores e que precisam ser retomados com os estudantes
para a construção do novo conhecimento em questão.
Como o principal objetivo deste material é o trabalho com o desenvolvimento de habilidades,
este caderno vem com o propósito de dialogar com sua prática e com o seu planejamento
dentro das habilidades básicas - aquelas que devemos assegurar que todos os nossos
estudantes aprendam.
Destacamos ainda, que o livro didático continua sendo um instrumento eficiente e necessário,
principalmente por não anular o papel do professor de mediador insubstituível dentro dos
processos de ensino e de aprendizagem. Coracini (1999) nos diz que “o livro didático já se
encontra internalizado no professor (...) o professor continua no controle do conteúdo e da
forma (...)”, reafirmando que, o que torna o livro didático e o que torna os Cadernos MAPA
eficientes, é justamente a maneira como o professor utiliza-os junto aos estudantes.

Desejamos a você, professor(a), um bom trabalho!

Equipe da Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores

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Sumário

HISTÓRIA .................................................................................................... 7

TEMA DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA: O saber histórico.................................. 7


REFERÊNCIAS......................................................................................... 22
TEMA DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA: As primeiras civilizações do Crescente Fér-
til.............................................................................................................. 24
REFERÊNCIAS......................................................................................... 30
TEMA DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA: Política e democracia na antiguidade e
hoje ......................................................................................................... 31
REFERÊNCIAS......................................................................................... 40
AVALIANDO JUNTOS: Cadernos MAPA na sala de aula.............................. 41

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SEQUÊNCIA DIDÁTICA

REFERÊNCIA ANO DE ESCOLARIDADE ANO LETIVO


Ensino Médio 1º Ano 2025

ÁREA DE CONHECIMENTO COMPONENTE CURRICULAR


Ciências Humanas e Sociais Aplicadas História

TEMA DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA: O saber histórico.


TEMPO DE DURAÇÃO DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA: 4 aulas.

HABILIDADE

(EM13CHS101) Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expres-


sas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de pro-
cessos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e
culturais.
(EM13CHS104) Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a
identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade
e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço
cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
(EM13CHS102) Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográ-
ficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais
(etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo / desenvolvimento
etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas
que contemplem outros agentes e discursos.

OBJETOS DE CONHECIMENTO

Introdução aos conhecimentos históricos.


História, memória e cultura.
A formação da humanidade.

APRESENTAÇÃO:
Olá, professor(a)!
As habilidades desenvolvidas neste planejamento almejam levar os(as) estudantes a
compreenderem que a construção da narrativa histórica está relacionada às fontes e às
formas de registro que as sociedades, em diferentes épocas, realizaram. Cada sociedade
possui uma forma de registrar sua história e isso interfere na sua maneira de compreender a
narrativa histórica, o espaço histórico e o tempo histórico. Portanto, a História tem também

7
a sua história e cada produção histórica pertence a um tempo. Identificar diferentes fontes
históricas (documentos escritos, depoimentos orais, fotografias, objetos, edificações etc.)
significa perceber que a diversidade de documentos históricos possibilita conhecer outras
dimensões da vida humana.
Espera-se, ao término dessa sequência didática, que os(as) estudantes também sejam
capazes de pesquisar, reconhecer e indicar quais são os patrimônios históricos e culturais da
cidade de sua vivência. A discussão em torno do porquê de serem considerados patrimônios
implica em inferir, explicar e argumentar, baseando-se em informações culturais, sociais
e políticas a respeito deles. Ao começarmos a entender o valor dos bens culturais de um
povo teremos em mente o que define e fundamenta a vida de uma sociedade quanto às
suas características, seus costumes, seus comportamentos, e como esses elementos podem
ser registrados e preservados para seus sucessores em formato de memória e identidade
histórica, sendo definido como patrimônio social.
Além disso, este material pedagógico promove habilidades que incentivam o(a) estudante
a examinar o que os(as) cientistas sabem a respeito da origem do homem e que provas ou
informações sustentam suas hipóteses. Suas pesquisas respondem a todas as perguntas? As
hipóteses já foram refutadas? Como os povos antigos explicavam o surgimento do homem?
A origem da humanidade ainda tem interrogações, apesar de todo conhecimento científico
acumulado. Comprometidos(as) com tal investigação, os(as) historiadores(as) passaram
a considerar vestígios como desenhos, moradias e ferramentas deixados pelos povos da
época chamada pré-histórica. Essas fontes revelaram muito sobre o modo de vida e os
acontecimentos do passado.
Por fim, busque aproximar o ensino de história da educação patrimonial. Sabe-se que cada
instituição escolar, ao longo dos seus anos de funcionamento, desenvolve características que
lhes são próprias por meio de um legado cultural que é acumulado através das sucessivas
gerações de estudantes, professores(as), educadores(as), entre outros(as) profissionais,
que deixam suas marcas tanto nos aspectos da cultura material escolar quanto nos aspectos
menos tangíveis desta cultura. Escola é expressão, criações científicas e tecnológicas,
documentos, edificações (CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL, 1988)... Toda escola é
uma história.
Bom trabalho!

1ª AULA – TEMA: Introdução aos conhecimentos históricos.


DURAÇÃO: 50 minutos.
MATERIAIS E RECURSOS NECESSÁRIOS: Quadro e pincel (opcional); projetor mul-
timídia (opcional).

DESENVOLVIMENTO DA AULA:
Professor(a), inicie a aula perguntando aos(às) estudantes: Você sabe o que é História?
Por que estudá-la? À medida que os(as) discentes forem explanando suas conceituações,
escreva-as na lousa e construa uma tempestade de ideias. Em seguida, utilizando as
informações registradas, destaque que a História é considerada uma ciência humana, pois
busca compreender as relações dos indivíduos em sociedade ao longo de períodos diversos.
Ela nos convida a uma viagem que percorre a transformação de homens e mulheres, sua

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forma de viver, as mudanças que ocorrem nas sociedades... Estudar História nos permite
conhecer lugares distantes, tempos passados, culturas, diversos acontecimentos e ações,
além de nossa própria História.
Por meio de uma aula expositiva dialogada, explique que a História é uma ciência que estuda
as ações do ser humano ao longo do tempo. Assim, o objeto de estudo da História são as
pessoas e suas ações coletivas e individuais difundidas em diversas sociedades em períodos
variados, considerando desde o surgimento do ser humano primitivo até os dias atuais.
Para compreender as ações do ser humano, é preciso estabelecer um método de estudo,
que, no caso dos(as) pesquisadores(as) da História, seja definido por meio da análise e
interpretação de fontes históricas (ou seja, todo e qualquer registro da passagem dos seres
humanos pelo tempo). Isso porque a análise dessas fontes possibilita a formulação de uma
teoria sobre os acontecimentos do passado humano.
A análise do passado também pode ajudar a construir e entender nossa própria identidade,
pois nossa trajetória anterior, ou seja, nossa história particular, foi o que nos formou como
indivíduos únicos no presente. Estudar História é permitir que o sujeito construa um domínio
sobre a sociedade do presente com base na compreensão das sociedades do passado,
tornando necessário interrogar o tempo que já passou a partir do tempo atual. Para isso,
é fundamental utilizar a memória histórica, que ajuda na reflexão sobre os fatos ocorridos.
Preservar a memória histórica é resgatar e afirmar a identidade coletiva para a construção
da cidadania, pois sem memória não é possível compreender sequer as origens de uma
sociedade.
Professor (a), fotocopie e distribua uma cópia para cada estudante e, em seguida, peça que
leiam o texto a seguir e respondam às perguntas apresentadas.

Trecho inicial do diário de Anne Frank


Domingo, 14 de junho de 1942

Na sexta-feira, 12 de junho, acordei às seis horas. Pudera! Era dia do meu aniversário.
É claro que eu não tinha permissão para levantar àquela hora, e por isso tive de refrear
a minha curiosidade até às quinze para as sete. Aí então não aguentei mais e corri até
a sala de jantar, onde recebi as mais efusivas saudações de Moortie (a gata). Logo de-
pois das sete fui dar bom-dia à mamãe e ao papai, e, depois, corri à sala de estar para
desembrulhar meus presentes. O primeiro que me saudou foi você, possivelmente o
melhor de todos. Sobre a mesa havia também um ramo de rosas, uma planta e algumas
peônias; durante o dia chegaram outros. Ganhei uma porção de coisas de mamãe e
papai e fui devidamente presenteada por vários amigos. Entre outras coisas, deram-me
um jogo de salão chamado Câmara Escura, muitos doces, chocolates, um quebra-ca-
beça, um broche, os Contos e lendas dos Países Baixos, de Joseph Cohen, Daisy e suas
férias nas montanhas (um livro espetacular) e algum dinheiro. Agora posso comprar Os
mitos da Grécia e Roma — que legal! Lies veio então apanhar-me para irmos à escola.
No recreio, distribuí biscoitinhos doces para todo mundo, e então tivemos de voltar às
aulas. Agora preciso parar. Até logo. Acho que vamos ser grandes amigos.

Fonte: HISTÓRIA. Prefeitura de Salto. Secretaria Municipal de Educação. Salto, 3 nov. 2018. Disponível
em: [Link] Acesso 13 mar. 2025.

● É possível perceber traços do cotidiano da autora?


● Quais palavras mostram o estado emocional da personagem?

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• A autora-personagem faz uma narrativa sobre um momento importante da sua
vida? Onde podemos perceber isso?
• O diário foi escrito em 1942. Quais as semelhanças da infância de Anne Frank com
a infância de muitas crianças de hoje?
• Anne Frank faz menção a um livro de mitos da Grécia e Roma. É possível afirmar
que ela é uma pessoa que gosta de História?

Na sequência, apresente aos(às) estudantes as diferenças entre os tempos: biológico,


psicológico, histórico e cronológico.
O tempo biológico consiste nas fases de vida de qualquer ser vivo, desde o nascimento,
passando pelo desenvolvimento, até a morte. Já o tempo psicológico tem como foco o
estudo da mente, isto é, baseia-se na nossa percepção da passagem do tempo, da duração
do fato que acontece ou na forma como nos relacionamos com o tempo. Por exemplo,
quando você está se divertindo, provavelmente, a sua sensação é de que o tempo passa bem
rápido. Já em situações pouco prazerosas, o tempo parece passar mais devagar. O tempo
histórico, por sua vez, é utilizado pelo(a) historiador(a) para perceber as modificações de
uma determinada sociedade na sua forma de organização, no seu desenvolvimento político
e econômico ou a partir de ações marcantes de um povo. O(A) historiador(a) consegue
identificar as continuidades de uma sociedade, notando que alguns hábitos do passado
podem ser vistos no presente. Assim, o tempo histórico consiste na percepção das rupturas
e permanências de sociedades em tempos diferentes. Por fim, o tempo cronológico, também
utilizado nos estudos históricos, marca em sequência os anos, séculos, décadas e milênios,
que são a base para a contextualização de um fato histórico.
Para marcar o tempo cronológico, usamos, por exemplo, o calendário, que pode ser definido
como um conjunto de normas utilizado para marcar o tempo. É importante ressaltar que
o calendário não se apresenta em um modelo único e universal: seu padrão modifica-se
de acordo com as especificidades culturais de cada grupo social. Dessa maneira, há, por
exemplo, os calendários chinês, asteca, maia, cristão, judaico, muçulmano, etc, cada qual
com suas referências e padrões de contagem do tempo.
Após a explicação acerca dos diferentes tipos de tempo, solicite que os(as) discentes que
leiam o texto a seguir e respondam a seguinte questão:

Para os historiadores, tempo é tanto o elemento de articulação da / na narrativa his-


toriográfica como é vivência civilizacional e pessoal. Para cada civilização e cultura, há
uma noção de tempo, cíclico ou linear, presentificado ou projetado para o futuro, estáti-
co ou dinâmico, lento ou acelerado, forma de apreensão do real e do relacionamento do
indivíduo com o conjunto de seus semelhantes, ponto de partida para a compreensão
da relação Homem-Natureza e Homem-sociedade.
AUERBACH, E. Mimesis: a representação da realidade na cultura ocidental. São Paulo: Perspectiva,
1971.

• A qual tempo o texto se refere? Descreva-o.

Para finalizar a aula retome tudo o que foi estudado até o momento e oriente os(as)
estudantes a escreverem um parágrafo sobre a importância do estudo da História na sua

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vida. Eles deverão pensar em como a História pode ajudar na compreensão de quem eles
realmente são.

2ª AULA – TEMA: História, memória e culturas.


DURAÇÃO: 50 minutos.
MATERIAIS E RECURSOS NECESSÁRIOS: Quadro e pincel (opcional); projetor mul-
timídia (opcional).

DESENVOLVIMENTO DA AULA:
Professor(a), inicie a aula explicando aos(às) estudantes que durante muito tempo, a história
de várias comunidades foi ignorada. Isso ocorria porque havia a ideia de que determinadas
populações eram consideradas mais importantes, corretas e interessantes do que outras.
Porém, é sabido que cada cultura guarda seu valor e nenhuma vale mais ou menos que
outra. Todas devem ser, igualmente, respeitadas.
Após a explicação, oriente os(as) estudantes a responderem às seguintes questões:
• Imagine que você vivenciou uma cena de preconceito contra uma cultura. O que
você faria? De que modo demonstraria que é importante respeitar as diversas
culturas?
• Por meio de pesquisa, conheça alguns locais e manifestações culturais brasileiras
que integram o patrimônio cultural nacional. Em seguida, destaque se você já
visitou, conhece ou ouviu falar de algumas dessas manifestações.

Professor(a), a primeira questão favorece o diálogo sobre as atitudes cidadãs que os(as)
estudantes podem e devem ter. Ações de valorização da diversidade e de respeito às
diferentes culturas devem ser estimuladas. Se julgar conveniente, elabore na lousa, com
os(as) estudantes, uma lista de possíveis atitudes para a situação proposta. Ressalte
que as intervenções devem ser sempre cuidadosas e respeitosas, evitando provocações
ou interações agressivas. A segunda questão trata-se de uma resposta pessoal. Pode-se
solicitar aos estudantes que mencionem manifestações relacionadas à história do local em
que vivem.

Em seguida, entregue cópia do texto a seguir e oriente os(as) estudantes a realizarem a


leitura do texto.

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Cultura, Memória e Narrativas
A palavra cultura pode ter diferentes significados. Geralmente, relacionamos o significa-
do dessa palavra com o universo artístico e intelectual. Alguns estudiosos, no entanto,
ressaltam que o termo apresenta sentido mais amplo: o conjunto de conhecimentos,
ideias, crenças e também de práticas e valores que se constituíram ao longo do tempo
na vida cotidiana de uma sociedade.
São entendidas como cultura todas as dimensões de experiência humana, como as ha-
bilidades, as produções materiais e os modos de compreender o mundo, incorporados
socialmente e transmitidos pelas diferentes gerações a seus descendentes.
A memória está intimamente ligada às transmissões culturais, já que conserva, selecio-
na e atualiza as informações do passado, reinterpretando-as no presente. Portanto, a
memória não é um apanhado de todas as experiências e de todos os conhecimentos do
passado. Ela sempre será estruturada por lembranças e esquecimentos, por recortes,
impressões e fragmentos. Além disso, ela se refaz constantemente, restabelecendo
com o presente as conexões com o passado e as experiências vividas.
Além da memória individual, existe a memória coletiva. Por isso, as pesquisas de Histó-
ria costumam fazer uso das narrativas, para compreender o modo de viver e de ver o
mundo, os costumes, as formas de organização e as experiências de um grupo social.

MOTOOKA, D.Y. Geração Alpha História. São Paulo: Edições SM, 2019, p. 26.

Após a leitura do texto, solicite aos(às) estudantes que, oralmente e em conjunto, definam
os conceitos de cultura, memória e narrativas, usando suas próprias palavras.
Na sequência, esclareça que as culturas são diversas entre si e que representam diferentes
pontos de vista e modos de ação em relação ao mundo em que vivemos. Ressalte que
nenhuma cultura é melhor ou superior a outra, por isso não devemos fazer juízos de valor
quando o assunto é cultura. O interessante é conhecer e valorizar culturas distintas da
nossa, promovendo uma postura de paz.
Explique aos(às) estudantes que as narrativas que tratam de fatos da vida de pessoas
comuns são muito valorizadas pelos(as) historiadores(as). Elas podem revelar elementos
da vida cotidiana e aspectos das conjunturas econômicas, políticas e sociais que atingem
toda a comunidade. Essa perspectiva colabora para que os(as) estudantes possam se
reconhecer como sujeitos históricos, assim como seus grupos sociais. Isso contribui para a
desconstrução de possíveis preconceitos sobre quem seriam os agentes históricos, além de
fundamentar o senso de responsabilidade social.
Os textos na sequência, que podem ser lidos colaborativamente com os(as) estudantes,
servem para corroborar a perspectiva acima.

História local
A história local ou regional passou a ser estudada por muitos historiadores principalmente a
partir da década de 1980. O estudo de história local possibilitou a aproximação dessa área
do conhecimento com a realidade das pessoas, fazendo com que elas percebessem com
mais facilidade a dimensão histórica de suas experiências.
Os estudos de história local partem de um recorte espacial bem delimitado, como um bairro,
uma cidade, um município ou uma região. Ao estudar um determinado espaço, o pesquisa-

12
dor pode conhecer as singularidades das experiências, das memórias e das práticas cultu-
rais das pessoas que ali vivem e que têm uma identidade em comum.
Geralmente, o que muda nesse tipo de estudo é que o historiador passa a focalizar mais
detalhadamente a vida cotidiana e as experiências dos sujeitos históricos, enquanto na his-
tória nacional ou universal os acontecimentos, as experiências e os sujeitos são estudados
de maneira ampla e distanciada.
Esse tipo de estudo significou a descentralização da história, vista no âmbito global ou
nacional. As comunidades começaram a ser observadas em suas particularidades, o que
permitiu que diferentes experiências fossem investigadas. Assim, as comunidades rurais,
as periferias urbanas, os bairros, as cidades e as pequenas comunidades passaram a ser
estudados com base nas memórias, nos relatos, nas manifestações culturais e em outros
registros produzidos por seus habitantes. [...]

Patrimônio cultural e história local


O hábito de narrar histórias, transmitindo às pessoas as experiências, as crenças e os co-
nhecimentos acumulados ao longo do tempo por um grupo, faz parte do cotidiano das so-
ciedades do presente e do passado. As transmissões orais auxiliam na preservação cultural,
assim como na construção da identidade coletiva, isto é, dos grupos.
O conjunto de ideias, costumes, saberes, jeitos de viver e de fazer, elaborado socialmente
por uma comunidade, é chamado de cultura imaterial. Todos os povos e grupos sociais têm
maneiras de transmitir esses conhecimentos.
Existe uma relação profunda entre cultura material e cultura imaterial. A cultura material
pode ser definida como os objetos, as construções, os espaços, os móveis, os registros es-
critos, assim como os acervos, as bibliotecas e os arquivos. As práticas, as expressões e os
conhecimentos costumam estar associados aos instrumentos, objetos e artefatos utilizados
e aos lugares em que são produzidos e, juntos, eles integram o patrimônio cultural de uma
coletividade.
Os espaços de convivência também se constituem como lugares de memória e de preser-
vação da história de uma comunidade. Ao caminhar pelas ruas e observar as mudanças
nos espaços que as pessoas ocupam e nos quais se relacionam, por exemplo, é possível
constituir uma série de lembranças e de elaborações sobre as transformações naquela co-
munidade.
MOTOOKA, D.Y. Geração Alpha História. São Paulo: Edições SM, 2019, p. 27; 29.

Para finalizar a aula, oriente os(as) estudantes para que respondam às questões:
• Identifique um elemento da cultura imaterial presente em seu cotidiano.
• Pense no bairro em que sua escola está localizada e identifique elementos que
ajudam a conhecer melhor a história do local e que estejam relacionados a uma
memória coletiva.
• Em sua opinião, qual é a importância de conhecer a história local em que você vive?
O que é possível fazer para conhecê-la?

Ao longo da realização das atividades, circule pela sala e auxilie os(as) discentes a identificarem

13
elementos da cultura imaterial do local onde vivem, como o tipo de música que se costuma
ouvir, uma dança, uma brincadeira, um esporte, um culto religioso, uma festa etc. incentive-
os a refletirem sobre o elemento citado, perguntando: “Quem o transmitiu e por quais
meios?”; “Ele se relaciona com algum elemento da cultura material?”. Os estudantes devem
ser incentivados a valorizarem a história local em que vivem, tendo em vista os elementos
que propiciam formas de intervirem em sua própria história (não se esqueça de ressaltar a
importância dos relatos orais nesse processo).

3ª AULA – TEMA: A formação da humanidade.


DURAÇÃO: 50 minutos.
MATERIAIS E RECURSOS NECESSÁRIOS: Lousa, projetor, folhas sulfite, texto im-
presso.

Professor(a), inicie a aula perguntando aos(às) estudantes:


• Você conhece algum mito sobre o surgimento dos seres humanos?
• Você já ouviu falar de alguma teoria científica a respeito do surgimento da huma-
nidade? Qual?

Em seguida, organize a turma em duplas e apresente o tema: “Como os seres humanos


surgiram na terra?” Escreva no quadro ou projete o seguinte comando:

Elabore um desenho que represente a origem dos seres humanos e não se esqueça
de inserir um título.

Entregue aos(às) estudantes, folhas de papel sulfite, para que possam elaborar, segundo seu
próprio ponto de vista, desenhos que representem a origem dos seres humanos. Eles(as)
poderão colorir e criar legendas explicativas. Durante esse momento, caminhe pela sala e
auxilie as duplas que solicitarem sua presença. Esclareça dúvidas eventuais, no entanto,
tome cuidado para não fornecer explicações que comprometam o protagonismo estudantil
na produção dos desenhos.
Ao término da produção divida o quadro em três partes e fixe em uma delas os desenhos
produzidos. Os dois espaços restantes serão preenchidos com a tarefa. Tal divisão permitirá
a construção de um quadro comparativo.
Escolha dois(duas) estudantes para explicarem seus desenhos à turma.
Atenção: Não faça correções nas produções dos(as) estudantes, pois a intenção desta
atividade não é apresentar um modelo “correto” de explicação da origem dos seres humanos,
mas sim expor a existência de diferentes pontos de vista.
Os(As) estudantes continuarão em duplas. Apresente os textos que tratam sobre a origem
dos seres humanos na perspectiva Maia e Babilônica. Eles podem ser impressos, projetados
ou escritos no quadro.

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Os Maias
A civilização maia surgiu por volta do ano 1800 a.C. na região da Mesoamérica, que
hoje corresponde ao sudeste do México, Belize, Guatemala, as partes setentrionais
de Honduras e El Salvador [...] A criação do mundo segundo esse povo é descrita no
Popol Vuh, uma coleção épica de lendas, que conta o início como sendo a escuridão,
onde vivia Tepeu e Gucumatz , os deuses primordiais, que criam o mundo apenas com
seu pensamento, e assim todos os animais, que serviriam para tomar conta da Terra
e adorar os criadores. Mas vendo que os animais não podiam falar e não conseguiam
louvá-los, os deuses decidem criar os homens.
SKOLIMOSKI, Kellen; ZANETIC. Mitos de criação: modelos cosmogônicos de diferentes povos e suas
semelhanças. Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: 13 mar. 2025.

Os Babilônios
“Quando [Marduk] ouviu as palavras dos deuses, seu coração o empurrou a criar mara-
vilhas; e [abrindo] sua boca dirige sua palavra [...] para comunicar-lhe o plano [...] de
seu coração: “ vou juntar sangue e formar ossos; farei surgir um [...] humano [...] vou
criar [...] este homem para que lhe sejam impostos os serviços dos deuses e que eles
estejam descansados [...]. Infligiram-lhe seu castigo: cortaram-lhe o sangue. E com
seu sangue formou a humanidade. Impôs sobre ela o serviço dos deuses, liberando a
estes”.
PONTES, Antonio Ivemar da Silva. A “influência” do mito babilônico da criação, Enuma Elish,
em Gênesis 1,1- 2,4a. Disponível em: [Link]
13T111852Z340/Publico/dissertacao_antonio_ivemar.pdf. Acesso em: 13 mar. 2025.

Selecione dois(duas) estudantes para fazerem a leitura dos textos à turma. Em seguida,
as duplas devem elaborar desenhos que representem as narrativas dos textos. Os(As)
discentes poderão fazê-los em folhas de papel sulfite ou mesmo nas do próprio caderno.
Poderão colorir, caso desejem.
A expectativa é que criem desenhos ou mesmo símbolos alinhados às narrativas.
Durante esse momento, caminhe pela sala e auxilie as duplas que solicitarem sua presença.
Esclareça dúvidas eventuais, no entanto, tome cuidado para não fornecer explicações que
comprometam o protagonismo do estudante na produção dos desenhos.
Para a atividade anterior o quadro foi dividido em três partes e apenas uma foi preenchida
com desenhos, portanto, nas duas partes restantes fixe os novos desenhos dividindo-os entre
as representações Maia e Babilônica. Desta forma, irá se formar um quadro comparativo.
Professor(a) faça os questionamentos propostos abaixo, que podem ser projetados, escritos
no quadro ou simplesmente lidos:
• Quais diferenças você observa entre os três pontos de vista sobre a criação do ho-
mem expressos no quadro: sua perspectiva, a Maia e a Babilônica?
• O que há de semelhante entre as origens apresentadas?
• Cite alguma religião que explique a origem do homem a partir de um(a) Deus(a)
criador(a).

15
Em seguida, solicite aos(às) discentes que respondam de forma escrita, registrando no
caderno, e faça uma breve explicação, considerando a participação deles(as), sobre os
mitos de origem e sobre a teoria evolucionista.
Como forma de auxílio, apresente as imagens da evolução das espécies humanas e explique
as principais características de cada uma delas (colocou-se sugestões de imagens a serem
trabalhadas):

Fonte: Brasil escola, 2025.

Fonte: Brasil escola, 2025.

4ª AULA – TEMA: A formação da humanidade.


DURAÇÃO: 50 minutos.
MATERIAIS E RECURSOS NECESSÁRIOS: Lousa, dicionário, texto impresso.

DESENVOLVIMENTO DA AULA:
Professor(a), organize a sala em trios. Tente deixar no mesmo trio estudantes que possam
se apoiar mutuamente para a realização da atividade. Certifique que cada trio possua, no
mínimo, um dicionário. Escreva no quadro as palavras “pré-natal, pré-escolar e cursinho
pré-vestibular”.
Em seguida, solicite que os trios discutam o significado de cada uma das três palavras,
conduza a reflexão para que os(as) estudantes identifiquem qual a palavra comum e qual

16
o significado desta palavra. Solicite, inicialmente, que os estudantes tentem compreender o
significado das três palavras sem usar o dicionário. Pergunte o que é pré-natal. É esperado
que os(as) discentes identifiquem que são exames feitos pelas mulheres antes do nascimento
de uma criança. Pergunte o que significa Natal, o que é comemorado no Natal, em 25 de
dezembro.
É esperado que eles(as) respondam que o Natal comemora o nascimento de Cristo. Caso
os(as) estudantes não consigam compreender o significado das palavras, peça para que
utilizem o dicionário. É esperado que os(as) estudantes compreendam que pré-natal significa
algo como “antes do nascimento”, que pré-vestibular é um curso feito para quem quer
prestar o processo seletivo de alguma faculdade e pré-escolar é como era chamado o período
anterior ao Ensino Fundamental (Hoje, Educação Infantil). É esperado também que eles(as)
identifiquem que a palavra “pré” está presente nas três palavras e que compreendam que
seu significado pode ser algo como “antes” ou “anterior”.
Em seguida, escreva no quadro a pergunta: Qual o significado da palavra Pré-História? Solicite
que os(as) estudantes, em cada trio, discutam sobre a pergunta e que cada estudante faça
as anotações da discussão no seu respectivo caderno. Quando todos(as) terminarem, peça
que três trios, voluntariamente, exponham as discussões feitas em seus trios para toda a
turma.
Logo depois, faça uma breve explicação e contextualização acerca das problemáticas
que envolvem definir a escrita como marco da passagem da Pré-História para a História.
Posteriormente, entregue para cada trio um trecho do poema “Perguntas de um trabalhador
que lê”, de Bertold Brecht.

PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ (Bertold Brecht)


Quem construiu Tebas, a cidade das sete portas?
Nos livros estão nomes de reis; os reis carregaram pedras?
E Babilônia, tantas vezes destruída, quem a reconstruía sempre?
Em que casas da dourada Lima viviam aqueles que a edificaram?
No dia em que a Muralha da China ficou pronta, para onde foram os pedreiros?
A grande Roma está cheia de arcos-do-triunfo: Quem os erigiu?
Quem eram aqueles que foram vencidos pelos césares?
Bizâncio, tão famosa, tinha somente palácios para seus moradores?
Na legendária Atlântida, quando o mar a engoliu, os afogados continuaram a dar ordens a
seus escravos?
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César ocupou a Gália.
Não estava com ele nem mesmo um cozinheiro?
Felipe da Espanha chorou quando sua frota naufragou.
Foi o único a chorar?

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Frederico Segundo venceu a guerra dos sete anos.
Quem partilhou da vitória?
A cada página uma vitória.
Quem preparava os banquetes comemorativos?
A cada dez anos um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas informações.
Tantas questões.
COSTA, Walter Carlos. Três Brechts. Fragmentos, Florianópolis, n. 25, 2003, p. 69-76. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23 fev. 2025.

Peça para que os(as) estudantes de cada trio discutam sobre o trecho do poema e que
registrem as principais discussões no caderno. Para conduzir a discussão, pergunte qual a
ideia central do poema. É esperado que os trios compreendam que Bertold Brecht valorizou
os(as) trabalhadores(as) da “Tebas das sete portas”, ele questiona quem construiu Tebas,
se foram os reis ou trabalhadores(as). Ele ainda faz referência aos livros de História, onde
estão registrados somente os nomes dos reis, não de quem construiu, de fato, a cidade.
É esperado que, por meio da leitura do trecho do poema, os(as) discentes compreendam
que todas as pessoas são agentes da História. A intenção ao discutir o poema é refletir que
os que não leem e escrevem - os operários que construíram Tebas - também são parte da
História, contra, portanto ao argumento de que só existe História quando há registro escrito.
Professor(a) para que os(as) estudantes percebam que a evolução dos seres humanos
na Pré-História sempre manteve estreita relação com as transformações no meio em que
habitavam, pois, na medida em que modificaram seu modo de vida, também modificaram
a forma como utilizavam os recursos naturais disponíveis, proponha aos estudantes uma
atividade no formato de tempestade de ideias (brainstorming). Projete, imprima ou desenhe
no quadro um diagrama com os termos “Seres humanos pré-históricos”. Solicite aos(às)
estudantes que falem aleatoriamente sobre características do modo de vida dos seres
humanos da Pré-História. Para direcionar os estudos, apresente aos(às) discentes quatro
subtemas sobre o assunto: “alimentação”, “trabalho”, “lazer” e “outras informações”.

Exemplo:

Seres humanos pré-históricos e suas características


Alimentação Trabalho Lazer Outras informações

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Oriente-os para que procurem apresentar ideias que se encaixem nestes subtemas
e procure registrar as informações no quadro. Além de levantar alguns conhecimentos
dos(as) estudantes a respeito do assunto, esta atividade os(as) levará a perceberem suas
descobertas e a evolução de seu conhecimento a respeito do tema. Em seguida, solicite
que os(as) estudantes, ainda em trios, façam a leitura do trecho do artigo: “Pré-História: o
surgimento do ser humano e os períodos pré-históricos”.

Trecho do artigo: Pré-História: o surgimento do ser humano e os períodos


pré-históricos
E de todas as espécies, o Homo sapiens sapiens foi a única que se espalhou e conquis-
tou os cinco continentes do nosso planeta [...] Assim, quando se fala em Paleolítico
(ou Idade da Pedra Lascada), têm-se em vista instrumentos rudimentares de pedra, de
madeira ou de osso [...] Suas características são o nomadismo e a subsistência baseada
na caça, mas também voltada para a pesca e a coleta de vegetais. Durante a caçada, os
animais eram forçados em direção a desfiladeiros sem saída ou rumo a abismos, quan-
do então caíam em armadilhas feitas em covas, onde havia paus pontiagudos [...] Os
instrumentos ou ferramentas usados cotidianamente eram de pedra, de madeira ou de
osso, moldados a partir de golpes de um material mais resistente contra outro menos
resistente. Essa técnica podia chegar a alguma sofisticação, com objetos tendo apenas
uma de suas faces lascada ou afiada para tornarem-se mais adequados [...] Imagina-se
que a média de idade dos seres humanos no fim do período era de 26 anos [...] A arte
pré-histórica [como as pinturas rupestres nas paredes de cavernas, por exemplo] refle-
tia as preocupações de subsistência, através de representações da caça e da fertilidade.
Pré-História: o surgimento do ser humano e os períodos pré-históricos. UOL Educação. Disponível
em: [Link]
[Link]. Acesso em: 13 mar. 2025.

Por meio desta leitura, espera-se que os(as) discentes entrem em contato com algumas
características dos modos de vida dos seres humanos caçadores-coletores-nômades que
viveram na Pré-História durante o período Paleolítico. Durante a leitura, para instigar o olhar
crítico deles(as), questione-os(as) sobre a relação humana com a natureza. Pergunte se nos
tempos atuais a exploração dos recursos naturais é semelhante àquela empreendida pelos
indivíduos do Paleolítico.
Na sequência, solicite que reflitam em respostas para as seguintes questões:
• Quais eram os recursos naturais que os seres humanos caçadores-coletores neces-
sitavam para sobreviver?
• Em sua opinião qual era o impacto da permanência dos seres humanos caçadores-
coletores no meio natural que habitavam?

Ao responder a primeira questão, a expectativa é que os(as) estudantes consigam identificar


características da relação humana com a natureza naquele tempo. Espera-se que percebam
não apenas o tipo de recurso natural utilizado, mas que estabeleçam relação entre as
características daquela exploração e os aspectos evolutivos dos seres humanos pré-
históricos caçadores-coletores-nômades que viveram naquele período. Para favorecer este
raciocínio, proponha a eles(as) um pensamento hipotético: questione-os sobre qual seria o
comportamento das pessoas daquela época pré-histórica, caso fosse possível enviar para

19
aquele tempo/espaço objetos tecnológicos utilizados nos últimos séculos do nosso tempo,
como eletrodomésticos, por exemplo. Pergunte se seria fácil ou difícil para aqueles seres
humanos utilizarem recursos tão diferentes e complexos.
Ao responder a segunda questão, espera-se que os(as) estudantes consigam estabelecer
uma opinião a respeito do impacto no meio natural causado pelas ações dos seres humanos
pré-históricos do período Paleolítico, com base em seu modo de vida. Caso apresentem
dificuldades nesta questão, peça que se recordem ou releiam partes do texto que tratam
de algumas características do modo de vida daquelas pessoas. Questione-os sobre
as transformações do meio natural com base naquele tipo de exploração de recursos e
naquelas ações cotidianas de caça, coleta e deslocamento do período. Escolha, em seguida,
dois(duas) estudantes de diferentes trios e peça que apresentem à turma uma resposta
para a questão 1 e para a questão 2, respectivamente.
Para finalizar essa aula retome tudo o que foi estudado até o momento e oriente os(as)
estudantes a escreverem um texto sobre a Pré-História humana: “Os seres humanos e sua
relação com a natureza e o trabalho”. Eles deverão considerar as diferentes culturas pré-
históricas presentes no Brasil.

PRODUTO FINAL
Como produto final dessa sequência didática você pode propor aos seus colegas de área uma
intervenção interdisciplinar para avaliar/preservar os bens patrimoniais da escola. Para tanto,
os(as) estudantes podem analisar e catalogar antigas plantas baixas (ou de construção) e
fotografias da escola, registrar “bens” materiais e imateriais da escola, produzir maquetes
da instituição de ensino etc. Todo o resultado dessa pesquisa/trabalho de campo pode ser
apresentado à comunidade escolar e posteriormente compor uma mostra permanente na
biblioteca da escola (de modo a, também, revitalizar esse espaço da escola).
Com relação ao componente curricular Geografia, por exemplo, é possível lançar mão de
produções cartográficas, representações espaciais de informações, leitura de imagens,
identificação de bens naturais e culturais etc. (habilidades EM13CHS104 e EM13CHS106).
Já com relação ao componente curricular Sociologia é possível explorar o papel da escola
ao longo de sua história enquanto instituição responsável pelo processo de socialização da
comunidade escolar (habilidades EM13CHS102 e EM13CHS201).

ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM:
Toda a sequência didática sugerida neste material permite o acompanhamento da
aprendizagem dos(as) estudantes a partir de avaliações diagnósticas, formativas e somativas
- abarcando tanto conteúdos conceituais e procedimentais, quanto conteúdos atitudinais.
A participação ativa discente ao longo de todo o processo de desenvolvimento das aulas
pode ser um objeto de avaliação significativo, considerando a apropriação da turma acerca
das categorias/conceitos estudados, a efetivação/execução das atividades propostas e o
comportamento/valores assumidos durante as relações de ensino e aprendizagem em sala
de aula.
A avaliação por rubricas pode ser uma ferramenta importante para averiguar a consolidação
dos exemplos supracitados. Uma boa alternativa a ser empregada também é a autoavaliação
dos(as) estudantes, de modo a valorizar o protagonismo deles(as) e implicá-los(as) no

20
processo de ensino e aprendizagem com mais responsabilidade. As atividades contidas no
Caderno do(a) Estudante também disponibilizado para a rede estadual de ensino neste
segundo bimestre podem ser utilizadas como uma avaliação somativa referente a essa
sequência didática que você tem em mãos.

Observações finais…
No geral, recomendamos que a presente proposta pedagógica seja desenvolvida em
consonância com a vida concreta dos(as) estudantes: anseios, frustrações, curiosidades,
aspirações… Assim será possível promover uma formação em História pragmática, capaz
de fomentar reflexões significativas para a transformação de seus contextos sociais. Vale
ressaltar que os elementos integrantes desta sequência didática podem ser modificados e
adaptados de acordo com a realidade da escola e com os recursos pedagógicos e tecnológicos
disponíveis para você e seus/suas estudantes.
Por fim, esta sequência didática pode ser utilizada para estruturar mais de quatro aulas, de
acordo com as especificidades das turmas atendidas, a flexibilidade de seu planejamento de
ensino, as possibilidades de intervenção interdisciplinar ou outras conveniências pedagógicas.
Além disso, vale a pena refletir sobre a pertinência do uso de sistemas de gerenciamento
de conteúdos, como o Google Classroom, para um melhor aproveitamento do tempo
destinado ao desenvolvimento das atividades a serem realizadas tanto em casa quanto em
sala de aula.

21
REFERÊNCIAS
AUERBACH, Erick. Mimesis: a representação da realidade na cultura ocidental. São Paulo:
Perspectiva, 1971.
BERGMANN, Jonathan; SAMS, Aaron. Sala de aula invertida: Uma metodologia ativa de
aprendizagem. Tradução de Afonso Celso da Cunha Serra. Rio de Janeiro: LTC, 2019.
BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembrança de velhos. São Paulo. Companhia das
Letras, 1994.
BRASIL. Presidência da República. Constituição da República Federativa do Brasil
de 1988. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Brasília, [2016]. Disponível em:
[Link] Acesso em 13 mar.
2025.
CAIMI, Flávia Eloísa. Fontes históricas na sala de aula: uma possibilidade de produção do
conhecimento histórico escolar? Anos 90. Porto Alegre, v.15, p 129-150, dez. 2008.
COSTA, Walter Carlos. Três Brechts. Fragmentos, Florianópolis, n. 25, 2003, p. 69-76.
Disponível em: [Link] Acesso
em: 23 fev. 2025.
DUBY, Georges. Atlas histórico mundial. Barcelona: Larousse Editorial, 2007.
GOODY, Jack. Cultura escrita em sociedades tradicionales. Barcelona: Gedisa, 1996.
HISTÓRIA. Prefeitura de Salto. Secretaria Municipal de Educação. Salto, 3 nov. 2018.
Disponível em: [Link]
pdf. Acesso em 13 mar. 2025.
HOMEM pré-histórico: vivendo entre feras_Ep.01. [S.l.: s.n.], 10 set. 2011. 1 vídeo
(14min). Publicado pelo canal UploadsHistorico. Disponível em: [Link]
DkAblXW1cWQ?si=QWPayr9XlQ3Fk8V0. Acesso em: 13 mar. 2025.
MINAS GERAIS. Secretaria do Estado de Educação. Currículo Referência de Minas
Gerais: Ensino Médio. Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores
de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2022. Disponível em: [Link]
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Ensino%20M%C3%[Link]. Acesso em: 26 fev. 2025.
MINAS GERAIS. Secretaria do Estado de Educação. Plano de Curso: ensino médio.
Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores de Minas Gerais, Belo
Horizonte, 2024. Disponível em: [Link]
php/plano-de-cursos-crmg. Acesso em: 19 jan. 2025.
MOTOOKA, Débora Yumi. Geração Alpha História. São Paulo: Edições SM, 2019.
PEREIRA, et al. História. Livro do Professor. v.1. São Paulo: Editora Somos Sistemas de
Ensino, 2023.
PINSKY, Carla. (Org). Fontes históricas. São Paulo: Contexto, 2001.
PONTES, A. I. da S. A “influência” do mito babilônico da criação, Enuma Elish,
em Gênesis 1,1-2,4a. Universidade Católica de Pernambuco. Dissertação de mestrado.
Recife, 2010. Disponível em: [Link]
dissertacao_antonio_ivemar.pdf. Acesso em: em: 13 mar. 2025.
Pré-História: o surgimento do ser humano e os períodos pré-históricos. UOL Educação,
[s.l.], [2022]. Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: em:
13 mar. 2025.

22
RODRIGUES, R. A. COELHO, J. P. O patrimônio histórico-cultural e sua importância
para a sociedade. Fundação de Cultura Elias Mansour, [s.l.], 2022. Disponível em:
[Link]
a-sociedade/. Acesso em: 13 mar. 2025.
ROSE, R. As quatro fases da convivência com a natureza. Ambiente Legal, [s.l.],
2016. Disponível em: [Link]
com-a-natureza/. Acesso em: em: 13 mar. 2025
SKOLIMOSKI, K.; ZANETIC. Mitos de criação: modelos cosmogônicos de diferentes
povos e suas semelhanças, II SNEA, São Paulo, 2012. Disponível em: [Link]
[Link]/wp-content/uploads/2017/03/SNEA2012_TCO20.pdf. Acesso em: 13 mar.
2025

23
TEMA DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA: As primeiras civilizações do Crescente Fértil.
TEMPO DE DURAÇÃO DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA: 3 aulas.

HABILIDADE

(EM13CHS105) Identificar, contextualizar e criticar tipologias evolutivas (populações


nômades e sedentárias, entre outras) e oposições dicotômicas (cidade/campo, cultu-
ra/ natureza, civilizados/bárbaros, razão/emoção, material/virtual etc.), explicitando
suas ambiguidades.
(EM13CHS603) Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas
experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos bási-
cos (Estado, poder, formas, sistemas e regimes de governo, soberania etc.).

OBJETOS DE CONHECIMENTO

O surgimento das primeiras civilizações na Mesopotâmia e Egito Antigo: evolução


política, sociedade, escrita, economia, cultura e religião.

APRESENTAÇÃO:
Olá, Professor(a)!
Muitas vezes apresentar as primeiras civilizações parece algo simples demais para estudantes
do Ensino Médio, ou desnecessário, devido a distância temporal e geográfica que separam
nossa sociedade desses povos antigos. Logo, a estratégia dessa sequência didática é trazer,
de forma lúdica e criativa, essa aproximação, demonstrando como a maioria das nossas
organizações cotidianas foram criadas milhares de anos atrás e foram sendo moldadas às
necessidades e novas tecnologias.
Sendo assim, trabalhar-se-á as características das primeiras civilizações do Crescente Fértil:
Mesopotâmia e Egito como forma de desenvolver e consolidar as habilidades EM13CHS105
(caracterizar tipologías evolutivas) e EM13CHS603 (analizar formação de diferentes povos,
nações, analisando conceitos políticos básicos).
Ao final das aulas, espera-se que os(as) estudantes conheçam as características políticas,
sociais, culturais e econômicas dos povos mesopotâmicos e egípcio e suas contribuições
e legados para os dias atuais, observando as mudanças e permanências no caminhar da
humanidade.
Para elaborar essa sequência didática, manuseou-se os importantes estudos dos povos
mesopotâmicos e egípcios de Jean Bottéro. Ele foi um renomado historiador francês,
especializado na civilização mesopotâmica. Sua obra mais destacada é A Mesopotâmia:
escrita, razão e os deuses. Além disso, Bottéro também contribuiu significativamente para
o estudo comparativo entre a Mesopotâmia e o Egito Antigo, destacando as semelhanças e
diferenças entre essas duas grandes civilizações.
Bom trabalho!

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1ª AULA – TEMA: As civilizações mesopotâmica e egípcia.
DURAÇÃO: 50 minutos.
MATERIAIS E RECURSOS NECESSÁRIOS: Fotocópias do texto; exposição do con-
teúdo.

DESENVOLVIMENTO DA AULA:
Professor(a), comece a aula comentando que muitas das ações de nosso dia a dia foram
criadas há milhares de anos e que se adaptaram às mudanças temporais. Logo, hábitos como
morar em cidades; criar mecanismos de transposição de água; práticas de plantio, criação
e domesticação de animais; cultos religiosos; hábitos de registros escritos e imagéticos;
dentre outros que compõem nossos hábitos diários, foram criados pelos mesopotâmicos e
egípcios como forma de adaptação e sobrevivência nos espaços geográficos que ocupavam
e com os recursos disponíveis.
Assim, para embasar a explanação sobre os povos mesopotâmicos e egṕicios, distribua uma
cópia para cada estudante, do seguinte texto:

O Surgimento das Primeiras Civilizações na Mesopotâmia e no Egito Antigo:


Evolução Política, Social, da Escrita, Econômica, Cultural e Religiosa.
O surgimento das primeiras civilizações humanas, em especial na Mesopotâmia e no Egito
Antigo, representa um marco essencial na história da humanidade. Essas sociedades, que
floresceram às margens de grandes rios – o Tigre e o Eufrates, na Mesopotâmia, e o Nilo,
no Egito –, desenvolveram estruturas complexas que influenciaram o curso civilizatório.
A organização política na Mesopotâmia e no Egito Antigo foi marcada pela centralização do
poder e pela formação de Estados complexos. No caso da Mesopotâmia, as cidades-Estado,
como Ur, Uruk e Babilônia, eram governadas por monarcas que frequentemente se legiti-
mam por meio de laços divinos. A ideia de que o rei era um representante dos deuses na
Terra era central para a manutenção da ordem política. A figura do rei era responsável por
garantir a justiça, a prosperidade e a proteção contra invasores.
Já no Egito Antigo, a centralização política foi ainda mais acentuada, com a formação de um
Estado unificado sob a figura do faraó. O faraó era visto como um deus encarnado, respon-
sável por manter a harmonia cósmica (maat). A burocracia egípcia, composta por escribas
e funcionários reais, era essencial para a administração do território e a coleta de impostos,
que sustentavam a corte e os projetos monumentais, como as pirâmides.
Em relação às organizações sociais, as sociedades mesopotâmica e egípcia eram profun-
damente hierarquizadas. Na Mesopotâmia, a sociedade era dividida em classes distintas: a
elite (nobres, sacerdotes e funcionários reais), os homens livres (comerciantes, artesãos e
camponeses) e os escravizados. A religião desempenhava um papel crucial na manutenção
dessa hierarquia, com os templos funcionando como centros de poder econômico e espiri-
tual.
No Egito, a sociedade também era estratificada, com o faraó no ápice, seguido pela nobre-
za, sacerdotes, escribas, soldados, camponeses e escravizados. A rigidez da estrutura social
era justificada pela crença na ordem divina, que atribuía a cada indivíduo um papel especí-
fico na sociedade. Os camponeses, por exemplo, eram responsáveis pela produção agrícola,
que sustentava toda a população.

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Posto isso, em relação à economia das duas civilizações, essas estavam profundamente
ligadas à agricultura, possibilitada pela fertilidade dos solos às margens dos rios. Na Meso-
potâmia, o controle das águas dos rios Tigre e Eufrates exigiu a construção de complexos
sistemas de irrigação, como canais e diques. A agricultura era a base da economia, mas
o comércio também desempenhava um papel importante, com a troca de produtos como
cereais, tecidos e metais preciosos.
No caso egípcio, o Nilo era o centro da vida econômica. Suas cheias regulares fertilizavam
o solo, permitindo a produção de grãos em larga escala. A economia egípcia era altamente
centralizada, com o Estado controlando a distribuição de recursos e a realização de grandes
obras públicas, como templos e pirâmides.

Escrita e Cultura
A invenção da escrita foi um dos legados mais importantes dessas civilizações. Na Mesopo-
tâmia, a escrita cuneiforme, desenvolvida por volta de 3200 a.C., foi inicialmente usada para
fins administrativos, como o registro de transações comerciais e impostos. Com o tempo, a
escrita evoluiu para incluir textos literários, religiosos e científicos, como o Epopeia de Gilga-
mesh, uma das primeiras obras literárias da humanidade. Já no Egito, a escrita hieroglífica
surgiu por volta de 3100 a.C., também com fins administrativos. Os escribas egípcios eram
altamente valorizados, pois dominavam a complexa arte da escrita. Além disso, a cultura
egípcia produziu obras monumentais, como o Livro dos Mortos, que reflete suas crenças
religiosas e visão de mundo.
A religião desempenhava um papel central na vida cotidiana tanto na Mesopotâmia quanto
no Egito. Na Mesopotâmia, os(as) deuses(as) eram vistos como poderosos(as) e capricho-
sos(as), que controlavam as forças da natureza. Os templos, ou zigurates, eram considera-
dos a morada dos(as) deuses(as) na Terra, e os sacerdotes atuavam como intermediários
entre os(as) deuses(as) e os humanos.
No caso egípcio, a religião era igualmente central, com uma complexa cosmologia que en-
volvia deuses como Rá (o deus do sol), Osíris (o deus dos mortos) e Ísis (a deusa da magia).
Destaca-se que a crença na vida após a morte era fundamental, levando à construção de
tumbas elaboradas e à prática da mumificação. A religião também justificava o poder abso-
luto do faraó, visto como um deus encarna
Ou seja, o surgimento das primeiras civilizações nas cidades mesopotâmicas e no Egito
representou um avanço significativo na organização humana. Essas sociedades desenvol-
veram estruturas políticas centralizadas, hierarquias sociais rígidas, economias baseadas na
agricultura e sistemas de escrita que permitiram o registro e a transmissão de conhecimen-
to. Além disso, suas crenças religiosas e práticas culturais refletiam uma profunda conexão
com o mundo natural e o cosmos.
Fonte: Fernando Figueiredo.

Após a leitura, comente sobre a importância da água para a sobrevivência e que foi, devido
aos rios, que essas sociedades prosperaram. Comente sobre os conhecimentos científicos
deixados: matemática, construção dos diques e irrigação, escrita, conhecimentos médicos,
dentre outros. Você, docente, pode até fazer um paralelo sobre o crescimento em torno dos
rios e as cidades atuais que, inclusive, sofrem com enchentes e inundações devido a essa
proximidade, assoreamento e poluição das águas.

26
Ademais, dê as instruções sobre os materiais a serem utilizados na próxima aula (constru-
ção das maquetes). De modo a inspirar os(as) estudantes com relação a essa atividade a
ser realizada, indique para que eles(as), em casa, explorem o jogo 7 Wonders. Peça que
façam anotações com relação à temática e à mecânica do jogo - sempre em associação com
os objetos de conhecimento estudados em sala de aula. Explicite para a turma que essas
informações serão retomadas na próxima aula e, como alternativa ao jogo, indique também
um vídeo para que a turma (caso alguém não jogue 7 Wonders) possa ter uma noção do
que se trata esse jogo. (Tanto o jogo quanto o vídeo estão disponíveis adiante na aba Saiba
mais):

7 Wonders

Fonte: Board Game Arena, 2018.

SAIBA MAIS

Jogo 7 Wonders
Disponível em: [Link]
panel?game=sevenwonders.

Vídeo: 7 Wonders Vale a pena? | Galápagos.


Disponível em: [Link]
HYli1m5idxOR3.

27
2ª AULA – TEMA: As civilizações mesopotâmica e egípcia.
DURAÇÃO: 50 minutos.
MATERIAIS E RECURSOS NECESSÁRIOS: Papelão, madeira, cola, papeis de diver-
sas cores, canetinhas, lápis de cor, láṕis de escrever, tesoura, tintas de diversas cores e
elementos que os(as) estudantes julgarem necessários.

DESENVOLVIMENTO DA AULA:
Professor(a), no início da aula, sonde os(as) estudantes com relação às suas considerações
acerca do jogo 7 Wonders. Proceda a partir de perguntas como as sugeridas a seguir:
• Quais características do jogo mais chamaram a atenção?
• É possível depreender do jogo (temática, mecânica, estética etc.) como a cultura
das civilizações antigas eram constituídas?
• Aspectos relacionados à Mesopotâmia e ao Egito estão presentes no jogo? De que
forma?
• Pensando nos objetos de conhecimento estudados na aula anterior, seria possível
deixar o jogo ainda mais temático? Como?

Após essa conversa inicial com os(as) estudantes, separe a turma em grupos de quatro
pessoas. Os grupos devem criar uma maquete que reproduz o cotidiano das populações
egípcia e mesopotâmica. As maquetes devem conter cursos de água, sistema de irrigação,
plantações, construções civis e religiosas, grafias e elementos imagéticos que remetem
aos pensamentos religiosos desses povos. Também podem constar pirâmides e zigurates,
estátuas de deuses, organizações urbanas, e quaisquer outros elementos que vislumbrarem
através da leitura do texto e de pesquisas em fontes confiáveis.
Elementos do jogo 7 Wonders podem contribuir para a composição dessa maquete - como
as artes das cartas e as referências representadas nelas (ciência, militarismo, comércio,
civilidade, maravilhas da antiguidade etc.), por exemplo. Enquanto os(as) discentes elaboram
as maquetes, problematize e questione os grupos com relação aos elementos construídos
para compor a maquete - verossimilhança, acuidade com as informações estudadas etc. Por
fim, oriente com relação à apresentação das maquetes prevista para a próxima aula (caso
alguma maquete não tenha sido finalizada, solicite aos grupos que terminem essa tarefa em
casa ou na escola em momento oportuno).

3ª AULA – TEMA: As civilizações mesopotâmica e egípcia.


DURAÇÃO: 50 minutos.
MATERIAIS E RECURSOS NECESSÁRIOS: Quadro e pincel (opcional); projetor mul-
timídia (opcional).

DESENVOLVIMENTO DA AULA:
Após a finalização das maquetes, os grupos devem, num primeiro momento, apresentar
suas criações aos outros grupos de estudantes da turma e, em sequência, caso haja espaço
na escola, deixar as maquetes expostas para conhecimento e entretenimento dos(as)

28
outros(as) estudantes da escola. Isso pode ser programado para ocorrer em feiras de cultura
ou equivalentes na escola, de modo que cada grupo fique responsável por explicar a sua
maquete e seus elementos constituintes (tal como estudados em sala de aula).

PRODUTO FINAL
Maquete.

ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM:
Observação da participação na confecção da maquete e resultado do processo criativo dos
grupos de estudantes.

Observações finais…
No geral, recomendamos que toda a presente proposta pedagógica seja desenvolvida em
consonância com a vida concreta dos(as) estudantes: anseios, frustrações, curiosidades,
aspirações… Assim será possível promover uma formação em História pragmática, capaz
de fomentar reflexões significativas para a transformação de seus contextos sociais. Vale
ressaltar que os elementos integrantes desta sequência didática podem ser modificados e
adaptados de acordo com a realidade da escola e com os recursos pedagógicos e tecnológicos
disponíveis para você e seus/suas estudantes.
Por fim, esta sequência didática pode ser utilizada para estruturar mais de três aulas, de
acordo com as especificidades das turmas atendidas, a flexibilidade de seu planejamento de
ensino, as possibilidades de intervenção interdisciplinar ou outras conveniências pedagógicas.
Além disso, vale a pena refletir sobre a pertinência do uso de sistemas de gerenciamento
de conteúdos, como o Google Classroom, para um melhor aproveitamento do tempo
destinado ao desenvolvimento das atividades a serem realizadas tanto em casa quanto em
sala de aula.

29
REFERÊNCIAS
7 WONDERS. Board Game Arena, [s.l.], 6 jul. 2018. Disponível em: https://
[Link]/gamepanel?game=sevenwonders. Acesso em: 26 fev. 2025.
7 WONDERS vale a pena? [S.l.: s.n.], 21 fev. 2023. 1 vídeo (15:25min). Publicado pelo
canal Galápagos. Disponível em: [Link]
Acesso em: 26 fev. 2025.
BOTTÉRO, Jean. Mesopotâmia: escrita, razão e os deuses. São Paulo: Martins
Fontes, 2001.
CARDOSO, Ciro Flamarion. Sociedade do Antigo Egito. São Paulo: Atual, 1992.
LEICK, Gwendolyn. Mesopotâmia: a invenção da cidade. Rio de Janeiro: Imago, 2003.
MINAS GERAIS. Secretaria do Estado de Educação. Currículo Referência de Minas
Gerais: Ensino Médio. Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores
de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2022. Disponível em: [Link]
[Link]/images/documentos/Curr%C3%ADculo%20Refer%C3%AAncia%20do%20
Ensino%20M%C3%[Link]. Acesso em: 26 fev. 2025.
MINAS GERAIS. Secretaria do Estado de Educação. Plano de Curso: ensino médio.
Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores de Minas Gerais, Belo
Horizonte, 2024. Disponível em: [Link]
php/plano-de-cursos-crmg. Acesso em: 19 jan. 2025.
WILSON, John Albert. A cultura egípcia. São Paulo: Editora Perspectiva, 1951.

30
TEMA DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA: Política e democracia na antiguidade e hoje.
TEMPO DE DURAÇÃO DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA: 3 aulas.

HABILIDADE

(EM13CHS201) Analisar e caracterizar as dinâmicas das populações, das mercadorias


e do capital nos diversos continentes, com destaque para a mobilidade e a fixação
de pessoas, grupos humanos e povos, em função de eventos naturais, políticos,
econômicos, sociais, religiosos e culturais, de modo a compreender e posicionar-se
criticamente em relação a esses processos e às possíveis relações entre eles.
(EM13CHS603) Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas
experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos bási-
cos (Estado, poder, formas, sistemas e regimes de governo, soberania, etc.).
(EM13CHS404) Identificar e discutir os múltiplos aspectos do trabalho em diferentes
circunstâncias e contextos históricos e/ ou geográficos e seus efeitos sobre as gera-
ções, em especial, os jovens, levando em consideração, na atualidade, as transfor-
mações técnicas, tecnológicas e informacionais.

OBJETOS DE CONHECIMENTO

Civilizações clássicas: Grécia e Roma.


As questões políticas na Grécia e Roma.
Democracia Grega x Democracia atual.
Grécia e Roma: cultura, trabalho, economia, religião e organização social.

APRESENTAÇÃO:
A presente sequência didática propõe uma jornada pelo mundo da democracia, desde as suas
raízes na Grécia Antiga até os desafios e avanços que enfrentamos na contemporaneidade.
O objetivo aqui é explorar como a democracia surgiu inicialmente nas polis gregas, com
destaque para Atenas, onde homens livres nascidos em Atenas, os cidadãos, participavam
ativamente das decisões políticas. A partir dessa base histórica, investigaremos como os
conceitos democráticos evoluíram ao longo dos séculos, desde a Roma Antiga até o período
moderno, passando pelo Renascimento e pelas revoluções que marcaram a história.
Durante as discussões em sala de aula, serão analisados diferentes sistemas democráticos
que emergiram ao redor do mundo, desde a democracia representativa até formas mais
diretas de participação política. Vamos examinar suas características, virtudes e desafios,
buscando compreender como esses sistemas moldam a vida das pessoas em diferentes
sociedades.
Além disso, serão abordados os desafios contemporâneos que a democracia enfrenta.
Questões como polarização política, desigualdade social e corrupção; que colocam à prova
os princípios democráticos valorizados pela sociedade. No entanto, também exploraremos os
avanços e as inovações que têm contribuído para fortalecer a democracia, como a inclusão
social e os avanços tecnológicos que ampliam a participação cidadã.

31
Ao longo desta jornada, você será desafiado a promover discussões significativas e a estimular
o pensamento crítico dos(as) seus/suas estudantes. Suas orientações serão fundamentais
para enriquecer nossas reflexões e ampliar o entendimento sobre esse tema tão relevante.
Esperamos que esta sequência didática seja uma oportunidade não apenas de aprendizado
para os(as) estudantes, mas também de crescimento profissional para você como
educador(a). Juntos, você e suas turmas irão explorar as origens, os fundamentos e os
destinos da democracia, propiciando a formação de cidadãos e cidadãs mais conscientes e
engajados(as) em nossa sociedade.
De um modo geral, a maioria dos professores de História considera difícil trabalhar com
o conceito de democracia em sala de aula, devido à sua complexidade. Mas, na verdade,
a própria escola possibilita espaços mais ou menos democráticos em que os temas os
mais diversos devem ser tratados pelos membros da comunidade escolar: são os grêmios
estudantis, as associações de pais e mestres etc. Tendo esses e outros canais de participação
política como ponto de partida para a reflexão sobre o processo democrático, o educador
pode discutir com os estudantes e pais a importância desses canais e o papel que eles
exercem ou deveriam exercer na construção da instituição escolar. (SILVA; SILVA, p. 92).
Bom trabalho!

1ª AULA – TEMA: Política e democracia na antiguidade e hoje.


DURAÇÃO: 50 minutos.
MATERIAIS E RECURSOS NECESSÁRIOS: Texto (impresso ou digital).

DESENVOLVIMENTO DA AULA:
Inicie a aula introduzindo o conceito de democracia. Destaque a ideia de participação
igualitária dos cidadãos e cidadãs no processo de tomada de decisões políticas. Caso sinta
necessidade, você pode imprimir o texto a seguir e ler com os(as) estudantes, mas a
sugestão é que faça duplas e peça para um componente da dupla ler para o outro.

Definição de democracia
Democracia é uma forma de governo que tem como característica básica a escolha dos
governantes pelo povo. A democracia moderna nasceu na Europa do século XVIII, em opo-
sição ao Absolutismo então vigente. Mas não estamos tratando de um conceito estático.
Nesse sentido, o Estado Moderno não tem o mesmo projeto democrático da polis grega do
século V. a.C. Sob certos aspectos, a polis era amplamente mais democrática que o Estado
Moderno, pela simples razão de que a democracia ateniense era direta, ou seja, um corpo
de cidadãos reunidos em praça pública decidia diretamente acerca dos assuntos relativos
ao Estado. No máximo 20 mil cidadãos, reunidos em Assembleia, constituíam a comunidade
política da Atenas de Péricles, e eram eles que, por meio do diálogo e da persuasão, vota-
vam e deliberavam os negócios públicos. Nesse momento, a ideia de democracia não era a
de “maioria”, mesmo porque os cidadãos atenienses eram, de fato, a minoria da população
da polis. Segundo Denis L. Rosenfield, a democracia grega era sobretudo um valor ligado à
noção de liberdade política, ao “bem viver”, isto é, ao viver de acordo com uma comunidade
virtuosa e justa. E nela existia um efetivo interesse e respeito pela coisa pública, pela troca

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de opiniões, pelo debate e pela ação política assentados em valores pertencentes a todos.
Lembremos, entretanto, que cidadãos eram apenas os homens gregos e livres, e só eles
tinham direito a essa democracia.
SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique Carneiro. Dicionário de conceitos históricos. 2. ed. São
Paulo: Contexto, 2006, p. 89.

Prossiga contextualizando historicamente o surgimento da democracia na Grécia Antiga.


Explique o cenário político e social da época, destacando características importantes da
sociedade grega como o papel dos homens e das mulheres, a organização em gêneros
liderados por patriarcas, bem como a existência de cidades-estado independentes,
conhecidas como polis. É interessante também que seja abordada a política adotada pelo
legislador Sólon, considerado o criador da democracia ateniense. Como forma de aprofundar
o assunto, peça para o(a) discente que ouviu o texto ler e o outro escutar, invertendo assim
os papeis e permitindo que todos participem.

A criação da “eclésia” e o pensamento de Sólon


Sólon foi um renomado estadista de Atenas, que viveu entre 638 a.C. e 558 a.C. Ele
também exerceu atividades como legislador e poeta. Foi considerado um dos sete sá-
bios da Grécia Antiga - nas artes, o poeta redigiu conteúdos ligados aos aspectos morais
e filosóficos.
Aristocrata de nascimento, Sólon atuava inicialmente no comércio, porém passou a se
dedicar inteiramente à política. O estadista propôs reformas abrangentes, sem manter
os privilégios dos grandes proprietários de terra. A “Eclésia”, criada por ele, era uma
instituição da qual participavam todos os homens livres atenienses, desde que fossem
filhos de pais e mãe atenienses e maiores de 30 anos. Segundo historiadores, a obra
de Sólon como redator de leis baseia-se em três pilares: as alterações no sistema ático
de pesos e medidas, a abolição da escravidão por dívidas e a reforma censitária (que
dividiu a sociedade pela renda anual). O poeta era membro de uma família nobre ar-
ruinada pela valorização dos bens em Atenas. No entanto, ele conseguiu se reconstituir
economicamente. Contudo, as atitudes do estadista eram desagradáveis à aristocracia,
que desejava manter os privilégios oligárquicos. A população da cidade-estado, por ou-
tro lado, exigia a promoção de uma reforma agrária, ação que tornaria menos desigual
a distribuição de terras. Sólon também modificou o código de leis de Drácon, que já não
era mais seguido. Um exemplo foi a punição para a prática de roubo: antes era imputa-
da a pena de morte, e depois passou a ser uma multa igual ao dobro do valor roubado.
Após a entrada de Pisístrato na cena política ateniense, o legislador tomou a decisão de
seguir voluntariamente para o exílio. Pesquisadores avaliam que as reformas do legisla-
dor Sólon, durante o século VI. a. C., marcaram o início da democracia na Grécia Antiga.
Todavia, estima-se que o termo “democracia” (demo = povo, kratos = poder, domínio)
deva ter surgido apenas uma geração após a administração do político Clístenes, um
dos principais defensores do sistema democrático, que assumiu o comando em Atenas
em 507 a.C. - época em que realizou um vasto programa de mudanças.
GUIA Conheça a História: Grécia. 2a ed. São Paulo: On Line, 2016, p. 45.

Dedique um tempo para explicar especificamente a democracia ateniense. Aborde as


instituições democráticas, como a Ekklesia (assembleia popular) e a Bulé (conselho de
cidadãos), e como funcionava a participação dos cidadãos nas decisões políticas. Sugere-se
que elabore um mapa mental no quadro para facilitar a compreensão dos(as) estudantes.
Também discuta as limitações da democracia ateniense, como a exclusão de mulheres,

33
estrangeiros e escravizados do processo político.
Para consolidar o conhecimento sobre a democracia ateniense, proponha uma atividade
de simulação de uma Bulé (conselho). Forme uma Eclésia com todos(as) e peça para
que escolham 5 membros para compor a Bulé. Peça-lhes que discutam alguma questão
relacionada à escola para que possam criar propostas de lei (escrita ou oral). A Bulé ficará
responsável por aprovar ou reprovar a proposta.
Caso haja interesse e tempo disponível, considere ampliar a discussão sobre as origens
da democracia, explorando outras civilizações antigas que também contribuíram para o
desenvolvimento desse sistema político, como Roma e a democracia na República Romana.

2ª AULA – TEMA: Política e democracia na antiguidade e hoje.


DURAÇÃO: 50 minutos.
MATERIAIS E RECURSOS NECESSÁRIOS: Texto (impresso ou digital).

DESENVOLVIMENTO DA AULA:
Inicie a aula fazendo uma breve revisão sobre a democracia na Grécia Antiga, destacando
suas características principais, como a participação direta dos cidadãos nas decisões políticas
e as limitações para o exercício da cidadania, retomando assim a aula anterior.
Em seguida, explique aos(às) estudantes como a democracia evoluiu ao longo dos períodos
históricos subsequentes. Aborde a relação entre a democracia e os seguintes períodos:
Roma Antiga, Idade Média, Renascimento e Revoluções Inglesas. Destaque como cada
período contribuiu para moldar e influenciar os conceitos democráticos.
Crie um quadro comparativo com os(as) estudantes. Pode ser feito na lousa ou entregue
impresso. Após a montagem do quadro, discuta os conceitos e períodos históricos.

Experiências políticas na história

Roma Antiga República (governada pelos patrícios eleitos como senadores).


Sociedade estamental (não havia mobilidade e era tripartida em
Idade Média
nobreza, clero e servos/csmponeses).
Ascensão da burguesia e aliança entre reis e burgueses -
Renascimento
Formação dos estados absolutistas.
Revoluções Monarquia parlamentarista (questionamento do poder
Inglesas absolutista).

Após a discussão, dê destaque especial à influência do pensamento iluminista no surgimento


e na consolidação das ideias democráticas. Explique como os filósofos iluministas, como
John Locke, Montesquieu e Jean-Jacques Rousseau, contribuíram para o desenvolvimento
do pensamento democrático, defendendo princípios como a igualdade, a liberdade e a
participação política dos cidadãos. Para deixar a discussão mais dinâmica, sugerimos usar a
metodologia chamada JigSaw. Para aplicar essa estratégia siga as etapas abaixo:
Ö Divida-os em trios;

34
Ö Entregue os textos de todos os pensadores para cada trio e peça que cada estudan
te escolha um dos textos;
Ö Reorganize os grupos para que os(as) estudantes fiquem com outros(as) que estão
com o mesmo texto, ou seja, serão formados três grupos;
Ö Peça-os(as) que leiam os textos e retirem as principais ideias do pensador iluminis-
ta e as escrevam na parte debaixo da folha;
Ö Terminado o tempo, eles(as) voltam para as equipes e preenchem a ficha com as
informações coletadas;
Ö Dê um tempo para que escrevam e discutam as informações.

Ficha de leitura:

Quais as principais ideias de John Locke?

Quais as principais ideias de Montesquieu?

Quais as principais ideias de Rousseau?

Textos:

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John Locke
“O filósofo inglês John Locke (1632–1704) é considerado o “pai do iluminismo”. Em sua
principal obra, Ensaio sobre o entendimento humano, afirmou que quando nascemos
nossa mente é como um livro feito de páginas em branco nas quais as palavras, os de-
senhos e as pinturas ainda seriam gravados.
Ou seja, no nascimento a nossa condição mental é marcada pelo vazio completo. Mas
no decorrer da vida, com o acúmulo das nossas experiências sensoriais e, depois, pelo
esforço da razão, poderíamos adquirir conhecimento. Daí o nome empirismo, que vem
do grego empeiría, experiência sensorial.
No plano político, Locke condenou o absolutismo monárquico e o poder inato (divino)
dos reis. Por outro lado, defendeu o respeito à liberdade dos cidadãos, a tolerância re-
ligiosa e os direitos de propriedade privada e livre-iniciativa econômica.”
MENDES, Rafael Pereira da Silva. “Filósofos iluministas”; Brasil Escola. Disponível em: https://
[Link]/historiag/[Link]. Acesso em 13 de março de 2025.

Montesquieu
“O jurista francês Charles-Louis de Secondat Montesquieu (1689–1755), mais tarde ba-
rão de Montesquieu (1689–1755), é autor de O espírito das leis, obra em que defendeu
a separação dos poderes do Estado em Legislativo, Executivo e Judiciário. Defendia
que, dessa forma, a liberdade individual estaria protegida e seriam evitados abusos da
parte dos governantes — durante o Antigo Regime, os Três Poderes estavam concen-
trados na figura do rei.
Montesquieu, entretanto, não defendia um governo burguês. As suas simpatias políti-
cas tendiam para um liberalismo aristocrático, uma monarquia moderada e inspirada na
Inglaterra do seu tempo.”
Montesquieu defendeu, enfim, a reconstrução das instituições do Antigo Regime. Ele
acreditava que seria possível que elas protegessem a liberdade individual e respeitas-
sem o direito individual de todos. Se organismos diferentes exercessem o Poder Legis-
lativo, Executivo e Judiciário, isso seria possível.
O filósofo iluminista também advogou em favor da tolerância religiosa e condenou o fa-
natismo sanguinário das perseguições religiosas que aconteciam na França e em outros
países. As obras de Montesquieu, assim como as de Locke e Voltaire, foram postas no
Índex, uma lista de livros proibidos por decreto pelo papa, os quais os leitores leigos
só podiam acessar por meio de uma permissão concedida pelas autoridades da Igreja.”
MENDES, Rafael Pereira da Silva. “Filósofos iluministas”; Brasil Escola. Disponível em: https://
[Link]/historiag/[Link]. Acesso em 13 de março de 2025.

36
Rousseau
“Jean-Jacques Rousseau (1712–1778) nasceu em Genebra, na Suíça, e em 1742
mudou-se para a França. Foi um dos principais colaboradores da enciclopédia de
Diderot, colaborando com artigos sobre música, botânica, educação e filosofia políti-
ca. Emílio ou da Educação possivelmente é a obra mais importante sobre educação
desde A República, de Platão. Rousseau é o autor de O contrato social, obra na qual
afirma que o soberano deveria conduzir o Estado de acordo com a vontade de seu
povo. Segundo ele, somente um Estado com bases democráticas teria condições de
oferecer igualdade jurídica a todos os cidadãos. A partir da sua experiência como
cidadão na República de Genebra, Rousseau denunciou que seriam despóticas outras
noções de autoridade política, do governo monárquico francês ao parlamentar inglês,
afirmando que estes apenas representavam o povo, privando-o assim de se governar
a si próprio.
Nenhum dos principais filósofos do iluminismo acreditava mais apaixonadamente do
que Rousseau que a nossa natureza humana devia ser originalmente benigna. Ne-
nhum estava mais convencido de que a metamorfose da nossa espécie — ao mudar-
-nos de simples animais semelhantes a símios para homens ricos e pobres que se
comportavam como vampiros e cordeiros — nos fizera sair de um estado naturalmen-
te livre para uma condição de escravatura.
Ao contrário do que outros filósofos iluministas defendiam, Rousseau argumentou
que foi o estabelecimento da propriedade privada e do governo que tinha deformado
a nossa natureza, alienando os indivíduos de si próprios e uns dos outros, tornando-
-os sociáveis. Rousseau destacou-se como um iluminista defensor da pequena bur-
guesia, pequenos comerciantes e artesãos, e foi o inspirador das ideias mais radicais
que estariam presentes na Revolução Francesa. No ano de 1794, os revolucionários
mais radicais franceses passaram a considerar Rousseau um profeta e transferiram os
seus restos mortais para o Panteão, em Paris.”
MENDES, Rafael Pereira da Silva. “Filósofos iluministas”; Brasil Escola. Disponível em: https://
[Link]/historiag/[Link]. Acesso em 13 de março de 2025.

Ao final da atividade, discuta com os(as) estudantes as principais ideias desses pensadores
e de que maneira eles contribuíram para o desenvolvimento da democracia.

3ª AULA – TEMA: Política e democracia na antiguidade e hoje.


DURAÇÃO: 50 minutos.
MATERIAIS E RECURSOS NECESSÁRIOS: Texto impresso, cartolina e reserva do
laboratório de informática.

DESENVOLVIMENTO DA AULA:
Para iniciar esta aula, divida os(as) discentes em trios e entregue os textos sobre os tipos
de democracia existentes atualmente e peça-os(as) para lerem e discutirem as diferenças
entre os tipos:

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Tipos de democracia
Democracia direta: exercida em Atenas, no período clássico. Dela todos os cidadãos
podiam participar, diretamente, apresentando projetos de leis e votando nos projetos
apresentados por seus iguais. O corpo de cidadãos atuava, então, como um Poder
Legislativo, e o Poder Executivo (governo) deveria submeter-se às decisões tomadas
nas assembleias legislativas. Devido ao número restrito de cidadãos, a prática direta
da participação era viável, e os jovens de famílias que podiam participar da tomada
de decisões eram educados para a participação cidadã.
Democracia representativa: é um tipo que surge junto ao parlamentarismo e ao
republicanismo. É uma forma mais atual que permite um exercício indireto da demo-
cracia por meio da eleição de representantes para os poderes Legislativo e Executivo.
Alguns fatores atuam para o surgimento deste tipo de democracia, como o sufrágio
universal (voto estendido a todos); a elaboração de constituições que impedem a se-
gregação e regulamentam a vida pública e a vida política, instituindo a igualdade; a
necessidade de alternância do poder; e a impossibilidade de uma participação direta
de todos devido à ampliação da cidadania. Apesar de haverem benefícios para esse
tipo de regime democrático, como a participação de todos, existem, como contrapon-
to, as brechas para que os representantes, eleitos pelo povo, não atuem em prol de
seus eleitores, mas em benefício próprio.
Democracia participativa: situada entre a democracia direta e a democracia indireta
(representativa), a democracia semidireta participativa é composta pela eleição de
representantes para atuarem nos poderes Legislativo e Executivo e pela possibilidade
de participação direta da população nas tomadas de decisões governamentais e es-
tatais. Tal participação dá-se por meio de plebiscitos e assembleias populares locais
que, computando a participação popular e os seus resultados, quando somados ao
todo, interferem nas ações políticas.
PORFÍRIO, Francisco. Democracia. Disponível em [Link]
[Link]. Acesso em 13 mar. 2025.

Após as discussões, realize uma roda de conversas sobre os principais problemas


enfrentados nas democracias contemporâneas - como polarização política, desigualdade
social, corrupção, entre outros. A discussão ocorrerá em formato de Teatro Fórum. Veja, a
seguir, como proceder:
Ö Para iniciar o Teatro Fórum, organize os(as) estudantes em equipes de até 5 inte-
grantes.
Ö Explique que o Teatro Fórum é usado para discutir questões do cotidiano e que será
usado para apresentar cenas sobre os desafios da democracia.
Ö Cada equipe deverá montar e apresentar uma cena que envolva os temas propos-
tos acima sobre os desafios das democracias contemporâneas.
Ö Após a elaboração das cenas, cada grupo fará a representação teatral dela e após o
término, de cada equipe, o(a) professor(a) deverá pedir aos(às) espectadores(as)
para sugerir outros fins para a cena, que deverá ser reapresentada com as mudan-
ças.
Ö Ao fim de cada cena será proposta uma discussão sobre o que foi apresentado.

O último momento desta aula é destinado à produção de um texto reflexivo sobre a importância
da democracia na sociedade contemporânea, destacando os desafios e os caminhos para

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sua consolidação e aprimoramento. O texto poderá ser em formato de crônica ou um texto
dissertativo-argumentativo.

PRODUTO FINAL
Como produto final desta sequência didática você pode avaliar o texto reflexivo produzido
na terceira aula.

ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM:
Toda a sequência didática sugerida neste material permite o acompanhamento da
aprendizagem dos(as) estudantes a partir de avaliações diagnósticas, formativas e somativas
- abarcando tanto conteúdos conceituais e procedimentais, quanto conteúdos atitudinais.
A participação ativa discente ao longo de todo o processo de desenvolvimento das aulas
pode ser um objeto de avaliação significativo, considerando a apropriação da turma acerca
das categorias/conceitos estudados, a efetivação/execução das atividades propostas e o
comportamento/valores assumidos durante as relações de ensino e aprendizagem em sala
de aula.
A avaliação por rubricas pode ser uma ferramenta importante para averiguar a consolidação
dos exemplos supracitados. Uma boa alternativa a ser empregada também é a autoavaliação
dos(as) estudantes, de modo a valorizar o protagonismo deles(as) e implicá-los(as) no
processo de ensino e aprendizagem com mais responsabilidade. As atividades contidas no
Caderno do(a) Estudante também disponibilizado para a rede estadual de ensino neste
segundo bimestre podem ser utilizadas como uma avaliação somativa referente a essa
sequência didática que você tem em mãos.

Observações finais…
No geral, recomendamos que toda a presente proposta pedagógica seja desenvolvida em
consonância com a vida concreta dos(as) estudantes: anseios, frustrações, curiosidades,
aspirações… Assim será possível promover uma formação em História pragmática, capaz
de fomentar reflexões significativas para a transformação de seus contextos sociais. Vale
ressaltar que os elementos integrantes desta sequência didática podem ser modificados e
adaptados de acordo com a realidade da escola e com os recursos pedagógicos e tecnológicos
disponíveis para você e seus/suas estudantes.
Por fim, a presente sequência didática pode ser utilizada para estruturar mais de três aulas,
de acordo com as especificidades das turmas atendidas, a flexibilidade de seu planejamento
de ensino, as possibilidades de intervenção interdisciplinar ou outras conveniências
pedagógicas. Além disso, vale a pena refletir sobre a pertinência do uso de sistemas de
gerenciamento de conteúdos, como o Google Classroom, para um melhor aproveitamento
do tempo destinado ao desenvolvimento das atividades a serem realizadas tanto em casa
quanto em sala de aula.

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REFERÊNCIAS
EYLER, Flávia Maria Schlee. História antiga: Grécia e Roma: a formação do
ocidente. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio; Petrópolis: Editora Vozes, 2014.
FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2001.
MENDES, Renata Penha da Silva. Filósofos iluministas. Brasil Escola, [s.l.], 2024.
Disponível em: [Link] Acesso em: 13
mar. 2025.
MINAS GERAIS. Secretaria do Estado de Educação. Currículo Referência de
Minas Gerais: Ensino Médio. Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional
de Educadores de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2022. Disponível em: https://
[Link]/images/documentos/Curr%C3%ADculo%20
Refer%C3%AAncia%20do%20Ensino%20M%C3%[Link]. Acesso em: 26 fev. 2025.
MINAS GERAIS. Secretaria do Estado de Educação. Plano de Curso: ensino médio.
Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores de Minas Gerais, Belo
Horizonte, 2024. Disponível em: [Link]
php/plano-de-cursos-crmg. Acesso em: 19 jan. 2025.
PORFÍRIO, Francisco. Democracia. Mundo Educação, [s.l.], 2024. Disponível em:
[Link] Acesso em: 13 mar. 2025.
SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique Cunha. Dicionário de conceitos
históricos. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2006.
SOUSA, Rainer Gonçalves. Crise do Império Romano. Brasil Escola, [s.l.], 2024.
Disponível em: [Link] Acesso em: 13
mar. 2025.
REMADIH Repositório de Material Didático para o Ensino de História (Universidade Federal
de Alfenas – Unifal MG). Povos Germânicos. REMADIH, Alfenas, 25 out. 2018. Disponível
em: [Link] Acesso em: 13 mar. 2025.

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Avaliando juntos: Cadernos MAPA na sala de aula

Sua opinião faz a diferença!


Convidamos você, professor(a) e especialista da rede estadual de Minas Gerais, a
compartilhar sua experiência com os Cadernos MAPA 2025.
Acesse o formulário de avaliação clicando no link abaixo ou utilize o QR Code e
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Agradecemos por sua parceria!

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