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Salvamento em Altura CBMMG

O documento contém uma lista abrangente de siglas, abreviaturas e figuras relacionadas a normas e práticas de bombeiros. Inclui detalhes sobre equipamentos, técnicas de resgate e procedimentos de segurança. As figuras ilustram diversos aspectos técnicos e operacionais relevantes para a atuação dos bombeiros.

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Salvamento em Altura CBMMG

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LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS LISTA DE FIGURAS

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas FIGURA 1 - ESCADA MAGYRUS EM ATUAÇÃO 10


FIGURA 2 - RESGATE DO MAJOR JOÃO BATISTA DE ASSIS 11
BBM Batalhão de Bombeiros Militar FIGURA 3 - ATUAÇÃO DA COMPANHIA DE PROTEÇÃO E SALVAMENTO E PROCURA – CPSP 11
CA Certificado de Aprovação FIGURA 4 - PRIMEIRA TURMA DE CSALT DO CBMMG 12
CBMMG Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais FIGURA 5 - ABORDAGEM DA TENTANTE REALIZADA PELO CAPITÃO TEIXEIRA 13
CBMSC Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina FIGURA 6 - CABO AÉREO ENTRE O PÓRTICO E A TORRE DE INSTRUÇÃO 13
CE Conformidade Europeia FIGURA 7 - BREVÊ DO CSALT METÁLICO E EMBORRACHADO 14
FIGURA 8 - MARCAÇÕES DE CERTIFICAÇÃO E HOMOLOGAÇÃO 19
CEIBOM Centro de Ensino e Instrução de Bombeiros FIGURA 9 - MARCAÇÃO DE MBS E WLL 20
CIBOM Centro de Instrução de Bombeiros FIGURA 10 - SIMULAÇÃO DE FATOR DE QUEDA EM VIA FERRATA 22
CTS Carga de Trabalho Segura FIGURA 11 - SIMULAÇÃO DE FATOR DE QUEDA EM ESCALADA 22
EN Normas Europeias FIGURA 12 - EQUIPAMENTOS NECESSÁRIO PARA BOMBEIRO NÃO ESPECIALISTA 26
EPI Equipamento de Proteção Individual FIGURA 13 - EQUIPAMENTOS NECESSÁRIO PARA BOMBEIRO ESPECIALISTA 27
FIGURA 14 - KIT COLETIVO MÍNIMO DE EQUIPAMENTOS DE SALT 29
EUA Estados Unidos da América FIGURA 15 - MEIO PESCADOR DUPLO 32
ISO International Organization for Standardization FIGURA 16 – NÓ OITO 33
MABOM Manual de Bombeiros FIGURA 17 - NÓ SIMPLES 33
MTB Manual Técnico de Bombeiro FIGURA 18 - NÓ AGULHA 34
FIGURA 19 - NÓ DE FITA 34
NBR Norma Brasileira Regulamentadora FIGURA 20 - NÓ DIREITO 34
NFPA National Fire Protection Association FIGURA 21 - NÓ ESCOTA SIMPLES 35
NR Norma Regulamentadora FIGURA 22 - NÓ ESCOTA DUPLA 35
FIGURA 23 - NÓ PESCADOR SIMPLES 35
SEI Safety Equipament Institute
FIGURA 24 - NÓ PESCADOR DUPLO 36
UL Underwrites Laboratories FIGURA 25 - NÓ ALGEMA 36
UIAA União Internacional de Associações de Alpinismo FIGURA 26 - NÓ ASELHA SIMPLES 37
FIGURA 27 - NÓ ASELHA EM OITO 37
FIGURA 28 - NÓ ASELHA EM NOVE 37
FIGURA 29 - NÓ ASELHA DUPLA 38
FIGURA 30 - NÓ LAIS DE GUIA SIMPLES 38
FIGURA 31 - NÓ OITO DIRECIONAL 39
FIGURA 32 - NÓ NOVE DIRECIONAL 39
FIGURA 33 - NÓ MEIO PESCADOR DUPLO 40
FIGURA 34 - NÓ COTE 40
FIGURA 35 - NÓ MULA 40
FIGURA 36 - NÓ BOCA DE LOBO 41
FIGURA 37 - NÓ FIEL 41
FIGURA 38 - NÓ VOLTA DA RIBEIRA 41
FIGURA 39 - NÓ VOLTAS SEM TENSÃO 42
FIGURA 40 - NÓ UIAA 43
FIGURA 41 - NÓ PRUSIK 43
FIGURA 42 - NÓ MACHARD 44
FIGURA 43 - NÓ CLÁSSICO 44
FIGURA 44 - NÓ VALDOTAN 44
FIGURA 45 - ASSENTO AMERICANO 45
FIGURA 46 - ASSENTO AUSTRÍACO 45
FIGURA 47 - ASSENTO BALSO PELO SEIO DE 3 ALÇAS 46
FIGURA 48 - NÓ BORBOLETA 46
FIGURA 49 - ATADURA PADRÃO EB 47
FIGURA 50 - ATADURA ESCOTA CRUZADA 47
FIGURA 51 - ATADURA EM X 48
FIGURA 52 - NÓ PAULISTA 48
FIGURA 53 - PROCESSO PRONTIDÃO 51
FIGURA 54 - PROCESSO CORRENTE DUPLA 52

1 2
FIGURA 55 - PROCESSO CORRENTE TRIPLA 52 FIGURA 110 - MODELO DE SACO DE MAGNÉSIO 86
FIGURA 56 - PROCESSO ANDINO 53 FIGURA 111 - MODELO DE SAPATILHA 87
FIGURA 57 - PROCESSO MOCHILA DE CORDA 53 FIGURA 112 - MODELO DE MARTELO 87
FIGURA 58 - PROCESSO MOCHILA DE CORDA 54 FIGURA 113 - MODELO DE BATEDOR COM BROCA 88
FIGURA 59 - COMPONENTES DE UMA CORDA 55 FIGURA 114 - MODELO DE KIT DE FURADEIRA 88
FIGURA 60 - INSPEÇÃO DE CORDA 56 FIGURA 115 - MODELO DE ESTROPO 89
FIGURA 61 - MÉTODO DE FALCAÇAR A CORDA 57 FIGURA 116 - DETALHAMENTO DE UM SISTEMA DE ANCORAGEM SEGURA (SAS) 91
FIGURA 62 - MODELO DE CORDA SEMI-ESTÁTICA 57 FIGURA 117 - VARIAÇÃO DO SAS COM LIGAÇÃO INDEPENDENTE ENTRE PONTO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO 91
FIGURA 63 - MODELO DE CORDA DINÂMICA 58 FIGURA 118 - MODELOS DE "PONTO À PROVA DE BOMBA" 92
FIGURA 64 - MODELO DE CORDIN 59 FIGURA 119 - VARIAÇÕES DE ANCORAGEM DEBREÁVEL 93
FIGURA 65 - MOSQUETÃO TIPO OVAL, D ASSIMÉTRICO E K 60 FIGURA 120 - VARIAÇÕES DE DISPOSITIVO DE CAPTURA PROGRESSIVA (DCP) 93
FIGURA 66 - DECOMPOSIÇÃO DOS COMPONENTES DE UM MOSQUETÃO 61 FIGURA 121 - ANCORAGEM EJETÁVEL FIXA 94
FIGURA 67 - MALHA RÁPIDA DELTA 62 FIGURA 122 - ANCORAGEM EJETÁVEL MÓVEL 94
FIGURA 68 - FREIO OITO 62 FIGURA 123 - EQUALIZAÇÃO EM "V" 95
FIGURA 69 - DESCENSORES AUTOBLOCANTE COM ANTIPÂNICO 63 FIGURA 124 - EQUALIZAÇÃO EM "M" 96
FIGURA 70 - ASCENSOR DE PUNHO 64 FIGURA 125 - EQUALIZAÇÃO EM "W" CURTO E LONGO 96
FIGURA 71 - ASCENSOR DE VENTRAL 64 FIGURA 126 - EQUALIZAÇÃO EM "V" E EM "W" COM MAGIC X 97
FIGURA 72 - ASCENSOR DE PÉ 65 FIGURA 127 - EQUALIZAÇÃO EM “V” E EM “W” COM NÓ ASELHA DUPLA 97
FIGURA 73 - BLOQUEADORES MECÂNICOS DO TIPO CASTANHA 65 FIGURA 128 - EQUALIZAÇÃO EM "V" E EM “W” COM NÓ LAIS DE GUIA 98
FIGURA 74 - MODELO DE TRAVA QUEDAS PARA CORDA 66 FIGURA 129 - PORCENTAGEM DA CARGA NA ANCORAGEM CONFORME VARIAÇÃO NA ANGULAÇÃO 98
FIGURA 75 - MODELOS DE ABSORVEDOR DE ENERGIA. 66 FIGURA 130 - PSEUDO EQUALIZAÇÃO 99
FIGURA 76 - DESCENSORES AUTOBLOCANTE COM POLIA DE CAPTURA DE PROGRESSO INTEGRADA 67 FIGURA 131 - ANCORAGEM HUMANA NAS EQUALIZAÇÕES EM "V" E EM "W" 100
FIGURA 77 - CINTAS DE ANCORAGEM 67 FIGURA 132 - ANCORAGEM EM PARABOLT COM CHAPELETA 102
FIGURA 78 - FITA TUBULAR 68 FIGURA 133 - ANCORAGEM EM VIATURAS 103
FIGURA 79 - ANEL DE FITA 69 FIGURA 134 - MONTAGEM DE ANCORAGEM EMERGENCIAL COM ESTACAS E TENSIONADORES 104
FIGURA 80 - ESTACAS E TENSIONADORES 69 FIGURA 135 - MONTAGEM DE ANCORAGEM COM EMPREGO DE FERRAMENTAS DIVERSAS 105
FIGURA 81 - PARABOLT COM CHAPELETA 70 FIGURA 136 – APLICAÇÃO DE DESVIADORES 105
FIGURA 82 - CAPACETE DE SALVAMENTO 70 FIGURA 137 - POLIA FIXA EM UM SRF 107
FIGURA 83 - LUVAS DE PROTEÇÃO 71 FIGURA 138 - POLIA MÓVEL EM UM SRF 107
FIGURA 84 - CADEIRINHA NÍVEL 1, 2, 3 E CINTO DE ESCAPE 71 FIGURA 139 - SISTEMA SIMPLES 1:1 EM UM SRF 109
FIGURA 85 - ÓCULOS DE PROTEÇÃO COM TIRANTE A SEGURANÇA 74 FIGURA 140 - SISTEMA SIMPLES 2:1 EM UM SRF 109
FIGURA 86 - MODELOS VARIADOS DE LONGES MANUFATURADOS 75 FIGURA 141 - SISTEMA SIMPLES 3:1 EM UM SRF 109
FIGURA 87 - LONGE CONFECCIONADO COM CORDA DINÂMICA 75 FIGURA 142 - SISTEMA SIMPLES 4:1 EM UM SRF 109
FIGURA 88 - ALMOFADA DE AR PARA RESGATE 76 FIGURA 143 - SISTEMA COMBINADO EM UM SRF 110
FIGURA 89 - MACA CESTO 76 FIGURA 144 - SISTEMA LONGO EM UM SRF 110
FIGURA 90 - MACA ENVELOPE 77 FIGURA 145 - SISTEMA CURTO EM UM SRF 111
FIGURA 91 - TRIPÉ 77 FIGURA 146 - CONFIGURAÇÕES DO SISTEMA INDEPENDENTE EM UM SRF 112
FIGURA 92 - MODELOS VARIADOS DE POLIAS 78 FIGURA 147 - EFEITO POLIA 113
FIGURA 93 - MODELO DE SISTEMA DE POLIAS 4:1 / 5:1 78 FIGURA 148 - DCP EM SEPARADO 114
FIGURA 94 - PLACA DE ANCORAGEM 79 FIGURA 149 - MONTAGEM DO RAPEL 115
FIGURA 95 - TRIÂNGULO DE SALVAMENTO 79 FIGURA 150 - EXECUÇÃO DO RAPEL 116
FIGURA 96 - MODELOS VARIADOS DE PROTETOR DE CORDA E QUINA 79 FIGURA 151 - ABORDAGEM DO RAPEL 117
FIGURA 97 - DESTORCEDOR DE CORDA 80 FIGURA 152 - SEGURANÇA DE SOLO 118
FIGURA 98 - MODELO DE BOLSA DE RAPEL TÁTICO 80 FIGURA 153 - AUTO SEGURANÇA 118
FIGURA 99 - MODELOS VARIADOS DE MOCHILAS ESTANQUE DE CORDAS 81 FIGURA 154 - TRAVAMENTO DO FREIO OITO 119
FIGURA 100 - MODELOS VARIADOS DE ESTRIBO 81 FIGURA 155 - TRAVAMENTO DO NÓ UIAA 119
FIGURA 101 – TALABARTE EM Y COM ABSORVEDOR DE ENERGIA E TALABARTE EM Y SEM ABSORVEDOR DE FIGURA 156 - RAPEL LIVRE 119
ENERGIA 82 FIGURA 157 - RAPEL COMANDADO 120
FIGURA 102 - MODELOS DE CANIVETE 82 FIGURA 158 - RAPEL POSITIVO 120
FIGURA 103 - MODELO DE RÁDIO COMUNICADOR 83 FIGURA 159 - RAPEL NEGATIVO 121
FIGURA 104 - MODELO DE APITO 83 FIGURA 160 - RAPEL DE FRENTE 121
FIGURA 105 - MODELOS DE LANTERNA 83 FIGURA 161 - TÉCNICA DE PASSAGEM DE NÓ 122
FIGURA 106 - MODELO DE CAMALOTS E FRIENDS 85 FIGURA 162 - RAPEL DE HELICÓPTERO 123
FIGURA 107 - MODELO DE NUTS 85 FIGURA 163 - REGRA DOS 10% 124
FIGURA 108 - MODELO DE HEXENTRICS 85 FIGURA 164 - REGRA DOS 15º 125
FIGURA 109 - MODELO DE COSTURA 86 FIGURA 165 - CABO AÉREO 125

3 4
FIGURA 166 - TRANSPOSIÇÃO DO CABO AÉREO POR BAIXO 126 SUMÁRIO
FIGURA 167 - TRANSPOSIÇÃO DO CABO AÉREO POR MEIO DO COMANDO CRAWL 126
FIGURA 168 - MANOBRAS DE RETORNO AO CABO (OITAVA, BOMBEIRO E BANDEIRA) 126
FIGURA 169 - TIROLESA PARALELO HORIZONTAL CORDAS JUNTAS 128 1 HISTÓRICO 10
FIGURA 170 - TIROLESA PARALELO HORIZONTAL CORDAS SEPARADAS 128
FIGURA 171 - TIROLESA PARALELO VERTICAL CORDAS SEPARADAS 128 1.1 Oração do Combatente em Altura 14
FIGURA 172 - TIROLESA TELEFÉRICO 129
FIGURA 173 - TIROLESA EMERGENCIAL 130 2 CONCEITUAÇÃO 15
FIGURA 174 - TIROLESA KOOTENAY 130
FIGURA 175 - TIROLESA KOOTENAY E AS ANCORAGENS 131 2.1 Padronizações e alertas 15
FIGURA 176 - ASCENSÃO COM DOIS PUNHOS 134 3 NORMALIZAÇÃO 17
FIGURA 177 - ASCENSÃO COM PUNHO E VENTRAL 134
FIGURA 178 - ASCENSÃO COM PUNHO, VENTRAL E PÉ 135 4 CARGA DE TRABALHO SEGURA 20
FIGURA 179 - ASCENSOR COM PUNHO E DESCENSOR AUTOBLOCANTE 135
FIGURA 180 - ASCENSÃO COM PUNHO E PASSADA À ITALIANA 135 4.1 Fatores que influenciam a CTS 21
FIGURA 181 - ASCENSÃO COM NÓS BLOCANTES 136
FIGURA 182 - TÉCNICA DE PASSAGEM DE NÓ 137 4.2 Riscos associados à CTS 21
FIGURA 183 - TÉCNICA DE TRANSIÇÃO DE ASCENSÃO PARA RAPEL 137
FIGURA 184 - ESCALADA EM ESTRUTURA METÁLICA 138 4.3 Carga de ruptura - CR 21
FIGURA 185 - ESCALADA EM ROCHA 140
FIGURA 186 - AUTO RESGATE 143 4.4 Fator de segurança - FS 21
FIGURA 187 - SÍNDROME DE SUSPENSÃO INERTE E A PROGRESSÃO DO TRAUMA 146
FIGURA 188 - RAPEL COM VÍTIMA COM EMPREGO DE BOLSA DE RAPEL TÁTICO 147 4.5 Força de Choque - FC 22
FIGURA 189 - RAPEL COM VÍTIMA SEM O EMPREGO DE BOLSA DE RAPEL TÁTICO 147
FIGURA 190 - TÉCNICA DO CONTRAPESO 149 4.6 Fator de Queda - FQ 22
FIGURA 191 - TÉCNICA DO CORTE DE CORDA 150
FIGURA 192 - AMARRAÇÃO DA MACA TIPO CESTO (COM CINTAS OU CORDA) 151 4.7 Padronização no CBMMG 23
FIGURA 193 - AMARRAÇÃO DA VÍTIMA À MACA TIPO CESTO 151
FIGURA 194 – CORDA GUIA NA MACA TIPO CESTO 151
5 SEGURANÇA NAS OPERAÇÕES 25
FIGURA 195 - ANCORAGEM PARA VERTICALIZAÇÃO NA MACA TIPO CESTO 152
5.1 Regras de ouro 25
FIGURA 196 - MODELO DE MACA TIPO ENVELOPE 152
FIGURA 197 - MONTAGEM DA MACA TIPO ENVELOPE 153
5.2 Equipagem mínima para bombeiro não especialista 26
FIGURA 198 - TÉCNICA DE ACOMPANHAMENTO DA MACA 154
FIGURA 199 - STEF 155
5.3 Equipagem mínima para bombeiro especialista 27
FIGURA 200 - TÉCNICA COM ESCADA EM TRILHO 156
FIGURA 201 - TÉCNICA COM ESCADA REBATIDA 157 5.3.1 Kit coletivo mínimo 28
FIGURA 202 – TÉCNICA COM ESCADA EM 45º 159
6 NÓS E AMARRAÇÕES 31
6.1 Categoria dos Nós 32
6.1.1 Nós de Extremidades 32
6.1.2 Nós de Junção ou Emenda 33
6.1.3 Nós Alceados 36
6.1.4 Nós de Arremate 39
6.1.5 Nós Ancoragem 40
6.1.6 Nó de Segurança 42
6.1.7 Nós Autoblocantes 43
6.1.8 Assentos improvisados 45
6.1.9 Nó reforço 46
6.1.10 Ataduras de Peito 47
6.1.11 Nó de Tração 48

5 6
6.2 Perda de Resistência dos Nós - PRN 49 9.7 Ângulo de Trabalho 98
7 PROCESSOS DE ENROLAR CORDAS 51 9.8 Pseudo Equalização 99

7.1 Técnicas de enrolar corda 51 9.9 Ancoragens Emergenciais 100


7.1.1 Prontidão 51 9.9.1 Humana 100
7.1.2 Corrente Dupla 52 9.9.2 Parabolts com Chapeleta 101
7.1.3 Corrente Tripla 52 9.9.3 Viaturas 102
7.1.4 Andino 53 9.9.4 Estacas 104
7.1.5 Mochila de corda 53 9.9.5 Ferramentas e mobiliários 104
7.1.6 Corda em Mochila 54
9.10 Desviadores 105
8 EQUIPAMENTOS 55
10 SISTEMA DE REDUÇÃO DE FORÇAS (SFR) 106
8.1 Cordas e Cordins 55
10.1 Polia fixa 107
8.1.1 Cordas Semi-estáticas 57
8.1.2 Cordas Dinâmicas 58 10.2 Polia móvel 107

8.1.3 Cordins 59 10.3 Vantagem mecânica 108

8.2 Conectores metálicos 60 10.4 Tipos de Sistemas 108


8.2.1 Mosquetões 60 10.4.1 Sistema Simples 108
8.2.2 Malhas Rápidas 62 10.4.2 Sistema Combinado 110

8.3 Dispositivos de descida, blocagem e ascensão 62 10.4.3 Sistema longo 110

8.3.1 Descensores 62 10.4.4 Sistema curto 111


8.3.2 Blocantes e Ascensores 63 10.4.5 Sistema independente 111

8.4 Ancoragens 67 10.5 Atrito 112

8.5 Equipamento de Proteção Individual (EPI) 70 10.6 Efeito Polia 113

8.6 Sistema de Resgate 75 10.7 DCP em separado 113

8.7 Comunicação e Iluminação 82


11 ACESSO POR CORDAS 115

11.1 Rapel 115


8.8 Escalada 84
11.1.1 Rapel livre 119
9 SISTEMAS DE ANCORAGEM 89
11.1.2 Rapel comandado 120
9.1 Estropo 89 11.1.3 Rapel positivo 120
9.2 Sistema de Ancoragem Segura (SAS) 90 11.1.4 Rapel negativo 121
11.1.5 Rapel de frente 121
9.3 Ancoragem à prova de bomba 92
11.2 Rapel Fracionado 121
9.4 Ancoragem Debreável 93
11.2.1 Rapel de helicóptero 123
9.5 Ancoragem Ejetável 94
11.3 Cabo aéreo 124
9.6 Equalização 95
11.4 Tirolesas 127
9.6.1 Tipos de Equalização 95

7 8
11.4.1 Tirolesa convencional 127 1 HISTÓRICO
11.4.2 Teleférico 129
11.4.3 Emergencial (Em V) 129 No início do ano de 1934, por meio do Decreto-Lei n.º 11.186, o Corpo de
11.4.4 Kootenay 130 Bombeiros foi desligado do quadro do pessoal da Força Pública, passando assim, a
chamar-se Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.
11.5 Ascensão 133 Em meados de 1937, ocorreu um grande incêndio, nas dependências do prédio
11.5.1 Dois punhos 134
onde funcionava a parte administrativa do Corpo de Bombeiros e a Intendência da
Força Pública. Neste incêndio não houve vítimas, mas levou a Corporação a ter uma
11.5.2 Punho e ventral 134 nova percepção de atendimento às ocorrências de incêndio devido à evolução das
11.5.3 Punho, ventral e pé 134 construções, principalmente no que tange à verticalização.
11.5.4 Punho e descensor autoblocante 135 Nesta época o Corpo de Bombeiros começou a ganhar destaque nas atuações
em ocorrências envolvendo Salvamento em Altura, devido à expansão da cidade de
11.5.5 Punho e Passada à Italiana 135 Belo Horizonte, com a criação de grandes obras, tais como: o Conjunto Arquitetônico
11.5.6 Nós blocantes 136 da Pampulha, a construção do Conjunto Habitacional Instituto de Aposentadoria e
11.5.7 Passagem de nó 136 Pensão dos Industriários - IAPI e o Edifício Acaiaca, considerado ainda como um dos
mais altos prédios da capital.
11.5.8 Transição ascensão para rapel 137
Com a expansão da capital mineira, o Batalhão de Bombeiros, foi transferido
11.5.9 Escalada em estrutura metálica 138 para a Rua Piauí, onde hoje se encontra o atual 1º Batalhão de Bombeiros Militar.
12 ESCALADA EM ROCHA 139 Neste contexto, a Corporação passou a enfrentar um desafio, que não era só
mais o atendimento a incêndios e sim, a multiplicidade de tipos de atendimentos, tais
13 AUTO RESGATE 142 como: atropelamentos, tentativas de suicídios, afogamentos, quedas de grandes
14 RESGATE DE VÍTIMAS 144 alturas, desabamentos, enchentes, soterramentos e acidentes automobilísticos.
Entre os anos de 1940 e 1950 houve registros de bombeiros desempenhando
14.1 Síndrome da suspensão inerte 145 seus trabalhos utilizando cordas, cintos e capacetes capazes de auxiliar nas suas
demandas ordinárias, principalmente no tocante às ocorrências que envolviam a
14.2 Rapel com vítima 147 atividade de altura. Foi nesta época que o Corpo de Bombeiros adquiriu a viatura
14.2.1 Contrapeso 148 escada Magyrus.
14.2.2 Corte de corda 149 Figura 1 - Escada Magyrus em atuação

14.3 Operação com Maca 150


14.3.1 Maca tipo cesto 150
14.3.2 Maca tipo envelope 152
14.3.3 Acompanhamento da maca 154
14.3.4 STEF 154

14.4 Operação com Escada 155


14.4.1 Escada em Trilho 155
14.4.2 Escada Rebatida 156
14.4.3 Escada em Guindaste 157

15 GLOSSÁRIO 160
Fonte: Extraída do livro do centenário do CBMMG, pág. 63
No ano de 1961, um incêndio no edifício Arcângelo Maleta, levou a morte de
um oficial do Corpo de Bombeiros, o Major João Batista de Assis. Essa ocorrência
teve repercussão forte junto a mídia que apontava para uma grande defasagem de
material no quartel do Corpo de Bombeiros, não só de materiais para combate às
chamas, como também de equipamentos para operações de salvamento.
9 10
O resgate do oficial com a utilização de maca e cordas foi um dos primeiros No final da década de 70, o Corpo de Bombeiros, já pertencente aos quadros
registros que se tem de um trabalho efetivamente de Salvamento em Altura realizado da Polícia Militar de Minas Gerais, adquiriu novos equipamentos de Salvamento em
pelo Corpo de Bombeiros. Altura como o cinto freseg, o punho de salvamento, mosquetões e o freio descensor.
Figura 2 - Resgate do Major João Batista de Assis Em 1983, foi criado o Centro de Instrução de Bombeiros – CIBOM, situado no
bairro Taquaril, destinado à centralização da formação e aprimoramento técnico-
profissional dos militares, uma vez que a formação era, até então, realizada nos
grupamentos de incêndio.
Com a criação do CIBOM foi possível aos militares o aprimoramento objetivo
nas áreas de Salvamento em Altura, uma vez que, o Centro dispunha de uma Torre
de 17 metros de altura destinada a este tipo de treinamento, bem como já possuía
materiais específicos e modernos relacionados à atividade de altura.
Nessa crescente, e com a necessidade de qualificação dos militares da
Corporação, no ano de 1987 foi criado Curso de Salvamento em Altura - CSALT, e a
primeira turma de militares especializados se concretizou.
Figura 4 - Primeira turma de CSALT do CBMMG

Fonte: Extraída do livro do centenário do CBMMG, pág. 100


Diante da necessidade de evolução e devido ao clamor público, a aquisição de
materiais, equipamentos e viaturas, estava muito próximo de se concretizar. O Corpo
de Bombeiros, à luz desta perspectiva, enviou ao Corpo de Bombeiros do Rio de
Janeiro o então Tenente Celso Sérgio Ferreira, para se qualificar nas diferentes
atividades de bombeiros militar.
No ano de 1962, através da Lei 2.641, houve a criação da Companhia de
Proteção e Salvamento e Procura – CPSP, vislumbrada pelo oficial. Diversos militares
foram remanejados para esta Companhia e passaram por treinamentos intensos de
rapel, escalada, mergulho, natação, salvamento aquático, entre outros. Esta
companhia representa a efetiva estruturação do que hoje denominamos serviço de
salvamento no Corpo de Bombeiros.
Figura 3 - Atuação da Companhia de Proteção e Salvamento e Procura – CPSP

Fonte: Extraída do livro do centenário do Fonte: Extraída do livro do centenário do


CBMMG, pág. 100 CBMMG, pág. 247
Fonte: Extraída do acervo da comissão
Mais tarde, no ano de 1993, o Corpo de Bombeiros já dispunha de militares
especializados na área de Salvamento em Altura. Foi neste ano que a atividade em
11 12
Minas Gerais ganhou maior notoriedade, com o salvamento de uma vítima de tentativa Com a reformulação da nova estrutura do CEIBOM, que passou a ser chamado
de autoextermínio, que estava em uma sacada do Edifício Acaiaca, situado no centro de Centro de Ensino de Bombeiros - CEBOM, um novo curso de Salvamento em Altura
da capital mineira. foi realizado, desta vez na nova sede junto ao complexo do 1º BBM, no ano de 1997.
A ocorrência foi presenciada por populares e veiculada por diversos órgãos de Em 1999 o Corpo de Bombeiro desvinculou-se da Polícia Militar de Minas
imprensa. Naquela ocasião o então Capitão Cláudio Vinicius Serra Teixeira efetuou o Gerais, passando a ser denominado Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais -
salvamento da vítima, o que impulsionou a atividade de Salvamento em Altura junto à CBMMG e em 2005, sob a coordenação do então Capitão BM William da Silva Rosa
Corporação. e equipe de instrutores especialistas na área de altura, uma nova turma do Curso de
A ação heroica do militar, àquela época, despertou a real necessidade de Salvamento em Altura foi formada, sendo a primeira posterior à desvinculação.
fomentar a ampliação do Curso de Salvamento em Altura no âmbito do Corpo de Ainda neste ano o, à época, Cap BM William da Silva Rosa elaborou três
Bombeiros. apostilas normativas para a atividade de Salvamento em Altura e as disponibilizou
Figura 5 - Abordagem da tentante realizada pelo Capitão Teixeira para o CBMMG, passando a ser seguidas como referência da doutrina no âmbito da
Corporação. Posteriormente, o CBMMG reconheceu e homologou este acervo como
um trabalho técnico profissional.
O Curso de Salvamento em Altura passou a ocorrer de forma permanente,
especializando militares do CBMMG e de corporações coirmãs para a realização de
salvamentos diversos, em cenários dos mais simples aos mais complexos.
O crescente avanço das técnicas e doutrinas trouxe a necessidade de
atualização em estudos e parâmetros para alicerçar condutas e atuações nas
ocorrências típicas da área. Assim, uma nova etapa desta evolução passa a ser
concretizada com a criação do Manual de Bombeiro – MABOM de Salvamento em
Altura.
Figura 7 - Brevê do CSALT metálico e emborrachado

Foto extraída do livro do centenário do CBMMG, pág. 150


Fonte: Resolução 952/2020 - RUICBM
No ano de 1996, o CIBOM foi transferido para o complexo do 1º Batalhão de
Bombeiros Militar, passando a ser denominado Centro de Ensino e Instrução de
1.1 Oração do Combatente em Altura
Bombeiros - CEIBOM. Com sua estrutura, também foram movimentados para a nova
sede a torre de treinamento e o pórtico, ambos destinados para os treinamentos de
Salvamento em Altura. “O poderoso Deus que estás nas alturas
Figura 6 - Cabo aéreo entre o pórtico e a torre de instrução Dai-nos a coragem e também a bravura
Para alcançar quem estiver em perigo
No alto do prédio, da montanha ou do abismo
Não fraquejarei perante a adversidade
Nem faltarei com respeito a lei da gravidade
Fortaleça minhas mãos para amparar o aflito
Debaixo de suas asas encontrarei meu abrigo
Faz-me um audaz combatente em altura
Protegido o Deus por sua armadora
Mas se cumprindo a missão minha hora chegar
Diante do seu trono conceda-me um lugar
Pela vida!
Operações em ALTURA!”

Fonte: Foto extraída do livro do centenário do CBMMG, pág. 255


Autor: 2º Sargento BM Lázaro Manoel Santos Rodrigues

13 14
2 CONCEITUAÇÃO necessidade de manter a compatibilidade de materiais e técnicas preconizadas neste
manual.
A fim de buscar uma definição ideal da atividade de Salvamento em Altura, faz-
Ÿ A marcação “ ” refere-se a pontos de alerta no qual é recomendado que seja
se necessário o alinhamento de conceitos apresentados em literaturas correlatas.
Partindo deste pressuposto, o Manual Técnico de Bombeiro – MTB 26, que seguido.
versa sobre a atividade de Salvamento em Altura do Corpo de Bombeiros da Polícia
Militar do Estado de São Paulo, traz no seu escopo o conceito acerca da atividade,
nestas palavras:

“Atividade de bombeiro especializada no salvamento de vítimas em


local elevado, através do uso de equipamentos e técnicas específicas, com
vistas ao acesso e remoção do local ou condição de risco à vida, de quem não
consiga sair por si só, em segurança.”

De forma mais ampla, o manual do Curso de Capacitação em Salvamento em


Altura do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina – CBMSC 1ª edição de 2017
conceitua, nestas palavras:

“Atividade de bombeiro especializada no salvamento de vítimas em


local elevado, através do uso de equipamentos e técnicas específicas, com
vistas ao acesso, estabilização e remoção do local ou condição de risco à vida,
de quem não consiga sair por si só em segurança. Também pode ser definida
como atividades de salvamento realizadas em locais elevados, podendo ser
no plano vertical, inclinado ou horizontal.”

Ainda nesse sentido, a Norma Regulamentadora n.º 35 (NR-35), do Ministério


do Trabalho, que trata de trabalho em altura (Publicação, D.O.U. Portaria SIT n.º 313,
de 23 de março de 201227/03/12) apresenta o seguinte conceito:
"35.1.2 Considera-se trabalho em altura toda atividade executada
acima de 2,00 m (dois metros) do nível inferior, onde haja risco de queda."

Corroborando com os conceitos apresentados e realizando as adequações


necessárias ao Estado de Minas Gerais, o CBMMG conceitua Salvamento em Altura
como:
“Atividade típica de bombeiro, exercida preferencialmente por militar
especializado, destinada ao salvamento e salvaguarda de vidas e bens em local
de desnível, podendo ser no plano vertical, inclinado ou horizontal, através do
uso de equipamentos e técnicas específicas, com vistas ao acesso,
estabilização e remoção do local ou condição de risco à vida, de quem não
consiga sair por si só, em segurança.”

2.1 Padronizações e alertas

Diversos pontos deste manual serão destacados com a marcação “ ” ou “


”, ambas seguidas de um texto em negrito.

Ÿ A marcação “ ” refere-se a uma padronização realizada pelo CBMMG devida


a exigência de atendimento as normas e critérios de segurança bem como a

15 16
3 NORMALIZAÇÃO A National Fire Protection Association (NFPA) é uma associação independente
sediada em Massachussetes – EUA, destinada a promover a segurança contra
incêndio e outras emergências. Dentre diversas normas, a NFPA – 2500 (1983), 2022
Nas operações em altura, a validação, homologação e certificação são
Ed. Standard on Fire Service Safety Rope and Systems Components versa sobre
essenciais para garantir que os equipamentos sejam seguros e confiáveis. Cada
equipamentos de salvamento em altura utilizados por bombeiros.
padrão ou certificação é uma garantia de que o equipamento passou por testes
Esta norma estabelece a classificação de equipamentos de uso pessoal e de
rigorosos e atende às exigências específicas de segurança e qualidade.
uso geral (para duas pessoas, também chamadas “cargas de resgate”). Segundo a
Para equipamentos utilizados em operações em altura, incluindo cordas,
norma, a carga de uma pessoa é de 300 lbs (135kg) e a carga de resgate equivale a
ferragens e materiais têxteis, vários órgãos estabelecem normas e padrões de
600 lbs (270 kg), estes valores levam em conta o peso estimado de uma pessoa
segurança. Estes órgãos são responsáveis por definir os requisitos técnicos, métodos
padrão mais os equipamentos de segurança.
de teste e diretrizes de segurança para garantir a confiabilidade e segurança dos
A NFPA não certifica equipamentos, a certificação é realizada por laboratórios
equipamentos.
de teste independentes e idôneos, como o Underwrites Laboratories (UL) ou o Safety
Cada um desses órgãos possui suas próprias normas e procedimentos de
Equipament Institute (SEI).
certificação, e muitos equipamentos devem atender a diversas normas para serem
comercializados em diferentes mercados. É importante que fabricantes, fornecedores
Ÿ Normas Brasileiras Regulamentadoras - NBR
e usuários finais de equipamentos de segurança estejam cientes e em conformidade
com as normas relevantes para garantir a segurança máxima e eficácia durante as
operações em altura. Alguns dos principais são: As NBR são normas técnicas aplicáveis pela Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT). Elas regulam a qualidade e segurança de diversos produtos e
Ÿ Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT serviços no Brasil, incluindo equipamentos e práticas para trabalho e resgate em
altura.
Elas abrangem uma variedade de produtos e serviços no Brasil, incluindo EPIs
No Brasil, a ABNT é o órgão responsável por normatizar e certificar a qualidade
para trabalho em altura. Estabelecem critérios técnicos e de segurança que os
e segurança de equipamentos e práticas, incluindo aqueles relacionados ao trabalho
produtos devem atender para serem consideradas seguros para uso. A aderência às
e resgate em altura.
NBR é essencial para a comercialização de EPIs no Brasil. A conformidade com essas
normas garante a segurança e eficácia dos produtos.
Ÿ Certificado de Aprovação - CA
Ÿ Normas Europeias - EN
No Brasil, o CA é um certificado emitido pelo Ministério do Trabalho e Emprego
que indica a aprovação de um EPI. Para ser comercializado e utilizado no Brasil, um
Na Europa, as normas EN são exclusivamente exigidas. Eles incluem várias
EPI deve possuir um CA válido, ou que garanta que ele foi testado e aprovado de
normas específicas para equipamentos de proteção individual e sistemas de proteção
acordo com as normas de segurança nacionais.
contra quedas.
Para obter um CA, um EPI deve ser testado e aprovado em conformidade com
as normas técnicas pertinentes, muitas vezes, normas ABNT/NBR.
Ÿ Organização Internacional de Normalização - ISO
Ÿ Conformidade Europeia - CE
A ISO desenvolve e publica normas internacionais para uma ampla gama de
equipamentos e práticas, incluindo aqueles utilizados em operações em altura.
A marcação de Conformité Européenne (CE) indica que um produto está em
conformidade com a legislação da União Europeia em termos de saúde, segurança e
Ÿ União Internacional de Associações de Alpinismo - UIAA
proteção ambiental. Para equipamentos de proteção individual (EPIs), incluindo
aqueles usados em operações em altura, a marcação CE é um requisito para a
comercialização na Europa. A União Internacional de Associações de Alpinismo (UIAA), sediada em
Para receber a marcação CE, um produto deve cumprir as normas europeias Genebra – Suíça, estabelece normas para os equipamentos e a segurança dos
pertinentes, que incluem testes de segurança e qualidade. A marcação CE é um montanhistas em uso esportivo.
indicativo de que o produto foi avaliado por um organismo certificador e cumpre as A UIAA é uma organização internacional que estabelece padrões de segurança
normas da EN, estando assim certificado. para equipamentos de montanhismo e escalada. Seus padrões são reconhecidos
globalmente e frequentemente considerados o “padrão de ouro” para equipamentos
Ÿ National Fire Protection Association - NFPA de escalada, abordando aspectos como resistência, durabilidade e segurança.

17 18
Seu foco é em equipamentos de montanhismo e escalada, incluindo cordas, 4 CARGA DE TRABALHO SEGURA
mosquetões, capacetes e dispositivos de proteção contra quedas. Seus padrões são
resultados de rigorosos testes e pesquisas para garantir a máxima segurança.
A Carga de Trabalho Segura (CTS), em inglês Safe Working Load - SWL, às
Equipamentos que atendem a esses padrões recebem um selo UIAA tendo como
vezes declarada como Carga de Trabalho Normal (Normal Working Load - NWL), é a
base a conformidade com seus padrões de segurança. A certificação UIAA é
carga de trabalho esperada de um material. É a razão entre Carga de Ruptura
reconhecida e respeitada no mundo todo.
(Minimum Breaking Strength - MBS) também conhecida como Carga Mínima de
Ruptura (Minimum Breaking Load - MBL) e o Fator de Segurança (Safety Factor - SF).
Ÿ Equivalentes
Limite de Carga de Trabalho (Working Load Limit - WLL) é a carga máxima de
trabalho projetada pelo fabricante. Esta carga representa uma força muito menor do
Existem outras certificações e normas equivalentes em diferentes países e que a necessária para fazer com que o equipamento falhe ou ceda.
regiões. Sendo assim, cada região pode ter suas próprias normas e certificações que A WLL é calculada dividindo o MBS por um Fator de Segurança (Safety Factor
são equivalentes em termos de rigor e requisitos de segurança - SF). Um exemplo seria se um equipamento com MBS de 36 kN, aplicasse um fator
Para fins de equiparação às normas NFPA, CE e UIAA consideraremos a de segurança de 12 (12:1) desta forma teria um WLL de 2,8 kN.
AS/NZS e ANSI. Deste modo temos que WLL é a Carga de Trabalho Segura – CTS fornecida
pelo fabricante, devendo ser seguida quando fornecida. Quando não fornecida deve-
Equipamentos que possuem homologação EN devem possuir a se aplicar o Fator de Segurança estipulado pelo CBMMG ao respectivo material.
certificação CE para sua validação e os que possuem homologação NFPA Por questões de segurança, deve-se evitar exceder à CTS ou WLL.
devem possuir certificação UL ou SEI para sua validação, isto é, deverá vir
marcado no equipamento ou em seu manual de instrução os dois símbolos (EN Figura 9 - Marcação de MBS e WLL

com CE ou NFPA com UL). Exemplo:

Figura 8 - Marcações de certificação e homologação

Fonte: acervo da comissão

Fonte: acervo da comissão

19 20
4.1 Fatores que influenciam a CTS trabalho, durante o uso. Por exemplo, se uma corda tem uma carga de ruptura de
2.025 kg e é esperado que ela suporte 135 kg em uso normal, seu fator de segurança
seria 2.025/135 = 15.
Material: Os materiais utilizados na fabricação do equipamento, como náilon,
A definição do fator de segurança é um processo multidisciplinar que incorpora
poliéster, aço ou alumínio, possuem propriedades específicas de força, durabilidade
conhecimento técnico, experiência prática, e considerações legais. Ele é construído
e elasticidade.
com base em uma análise de riscos que considera as incertezas no processo de
Design: O design e a construção do equipamento, como a espessura do
design, variações nos materiais, condições ambientais, erros humanos potenciais e
material, o tipo de tecelagem das cordas, o tipo de costura do material têxtil ou a forma
deterioração ao longo do tempo.
de um mosquetão, podem afetar a capacidade de carga.
Este fator é essencial para garantir que o equipamento possa suportar não
Condições de uso: Fatores como abrasão, exposição a produtos químicos,
apenas a carga normal, mas também situações inesperadas ou de emergência sem
raio UV, calor e desgaste geral podem diminuir a carga de trabalho ao longo do tempo.
falhar. Ele se aplica a todos os tipos de materiais e equipamentos usados nas
Padrões de Segurança: Normas como da UIAA, NFPA, EN e outros
operações em altura, incluindo cordas, ferragens e equipamentos têxteis.
especificam os requisitos mínimos de desempenho para equipamentos de salvamento
em altura.
4.5 Força de Choque - FC
Nós e amarrações: A confecção de nós e amarrações em cordas e cordins
impactam em sua perda de resistência, este fator é denominado Perda de Resistência
dos Nós - PRN. No CBMMG padronizou-se a PRN de 50% (½). É a energia transmitida ao bombeiro durante a retenção de sua queda. Quando
A correta compreensão e aplicação da carga de trabalho é essencial para evitar ocorre a queda de um bombeiro, é acumulado uma energia cinética que aumenta
falhas de equipamentos e possíveis acidentes. É importante que todos os quanto maior for a altura de sua queda. Todos os componentes deste sistema são
equipamentos sejam avaliados e testados regularmente para garantir que mantenham impactados, a corda, as ancoragens, o sistema de freio e o segurança absorverão
sua carga de trabalho ao longo do tempo e após o uso repetido. parte dessa energia, porém, a força absorvida pelo bombeiro que sofreu a queda não
pode chegar a 12 KN, limite máximo que o corpo humano suporta conforme estudos
4.2 Riscos associados à CTS existentes.

4.6 Fator de Queda - FQ


Falha do Equipamento: Se a carga aplicada ultrapassar o Carga de Trabalho
Segura ou se aproximar da Carga de Ruptura, o equipamento pode falhar, resultando
em acidentes graves ou fatais. Medida que descreve a severidade de uma queda e é calculada pela razão
Desgaste Acelerado: Usar repetidamente o equipamento com carga próximo entre a altura da queda e o comprimento do equipamento de segurança (longe,
à Carga de Trabalho Segura pode acelerar o desgaste e encurtar a vida útil do talabarte ou a corda) que está absorvendo a queda. Esse cálculo é independente do
equipamento. tempo ou da força gravitacional, considerando apenas o ponto de conexão da
Sendo assim, a escolha e manutenção adequada dos equipamentos de segurança e seu respectivo ponto de ancoragem.
salvamento em altura, com atenção especial à carga de trabalho, são fundamentais A fórmula para o fator de queda é:
para a segurança das operações.
Ÿ Fator de Queda = Altura da Queda / Comprimento do Equipamento.
4.3 Carga de ruptura - CR
Figura 10 - Simulação de Fator de Queda em VIA FERRATA
É a maior carga que o material ou equipamento pode suportar antes de romper-
se ou danificar-se. A definição da carga de ruptura está, geralmente, descrita em sua
embalagem, em uma ficha técnica que a acompanha, no manual de
instrução/operação e nas placas metálicas ou etiquetas adesivas fixadas nos
equipamentos.

4.4 Fator de segurança - FS

O fator de segurança é um conceito fundamental em engenharia, design de Fonte: acervo da comissão


produtos, e práticas de segurança em diversas atividades, incluindo a fabricação de
equipamentos e o planejamento de operações de salvamento em altura. Ele
representa a margem de segurança incorporada a um sistema ou componente, Figura 11 - Simulação de Fator de Queda em ESCALADA
definido como a razão entre a carga de ruptura de um material e a carga esperada de
21 22
A definição da carga de ruptura dos materiais e equipamentos adquiridos pelo
CBMMG toma como referência o peso do bombeiro totalmente equipado no valor de
115 Kg e a norma que estabelece padrões de segurança mais próximo desta
referência, com aproximação para cima, são os estipulados pela NFPA 2500 (1983),
2022 Ed.
Assim, o CBMMG utiliza como referência para aquisição de materiais e
equipamento a norma NFPA, admitidos materiais com certificações na norma EN,
UIAA ou equivalentes, desde que eles possuam resistências comprovadas iguais ou
superiores ao preconizado na NFPA de referência.
Fonte: acervo da comissão
Peso de um Bombeiro - 135 kg;
Sempre que o fator de queda for igual ou próximo de zero, apresenta-se um
indicativo de que haverá baixa incidência da força do impacto no bombeiro, sendo
Peso de um Bombeiro com uma vítima - 270 kg.
esta a condição mais segura para o trabalho em altura. À medida que o fator de queda
se aproxima a 1, pode ocasionar o rompimento dos sistemas absorvedores de impacto Fator de Segurança 7:1 para cordas, sendo que, as cordas devem possuir
e há ocorrência de lesões e contusões no corpo do bombeiro.
Para fator de queda igual a 2, tem-se o rompimento dos absorvedores de CR mínima de 20 KN quando utilizada somente por um bombeiro e de 40 KN
impacto, além da ocorrência de lesões graves, contusões e, até mesmo, rompimento quando utilizada por um bombeiro mais a vítima, podendo neste caso ser
de órgãos.
Alguns estudos apontam que em um fator de queda 2, para um homem que utilizado uma ou duas cordas para alcançar este valor;
pesa 100 Kg, sem sistema de absorção de impacto, ou seja, impacto estático, a força
gerada durante uma queda pode chegar a 2.000 Kg. Sabendo-se que o corpo humano Fator de Segurança 5:1 para demais sistemas, incluindo materiais e
suporta, em média, 1.200 Kg, sem que ocorra lesões, o caso mencionado seria equipamentos como ferragens e anéis de fita, sendo que, devem possuir CR
suficiente para ocasionar graves lesões.
Portanto, nas operações de salvamento em altura, deve-se trabalhar sempre mínima de 20 KN.
com a ancoragem acima do ponto de fixação do EPI, pois, dessa forma, o bombeiro
garante um fator de queda menor de 1. Exemplo 1: uma corda com Carga de Ruptura de 4.000 kg no qual foi
Importante ressaltar que fator de queda resultante em 1 e 2 são parâmetros de confeccionado um nó de ancoragem e aplicado o Fator de Segurança 7:1 temos com
referência para descarte de diversos materiais e equipamentos, sendo assim, deve- resultado um CTS de 285,7 kg (CR u PRN y FS = CTS o 4.000 u ½ y 7 = 285,7).
se observar os respectivos manuais para dar o direcionamento correto a estes Exemplo 2: uma polia com Carga de Ruptura de 2.000 kg que não especifica
materiais e equipamentos caso ocorra esta situação. seu WLL deve-se aplicar o Fator de Segurança 5:1, sendo assim temos com resultado
um CTS de 400 kg (CR y FS = CTS o 2.000 y 5 = 400).
4.7 Padronização no CBMMG Importante ressaltar que embora um fator de segurança elevado ofereça uma
margem de segurança, ele não substitui a necessidade de uso correto, manutenção
regular, respeito às limitações dos materiais e inspeções regulares.
A NFPA 2500 (1983), 2022 Ed. que trata de norma sobre cordas e
equipamentos de proteção à vida para serviços de emergência classifica as cordas
para salvamento em altura em diferentes categorias de uso com base na aplicação
pretendida e na carga que o equipamento deve suportar e ainda define como
parâmetro o peso de 135 Kg, para um bombeiro equipado e 270 Kg o peso do
bombeiro mais a vítima.
Esta norma define as categorias de uso de materiais e equipamentos como
ESCAPE que são específicos para serviços de emergência, servindo para escape
individual, em situações em que haja perigo eminente, TÉCNICO que são
equipamentos destinados a aplicações que exigem uma boa força de ruptura, mas
não podem estar sujeitos às mesmas cargas extremas que os equipamentos de "Uso
Geral" e por fim os de USO GERAL que são os equipamentos específicos para
suportar cargas mais pesadas e as condições mais difíceis, eles são adequados para
uma ampla variedade de aplicações de salvamento e são específicos para oferecer a
máxima segurança possível.

23 24
5 SEGURANÇA NAS OPERAÇÕES Ÿ Sempre que se estiver trabalhando em locais acima de 2 (dois) metros do nível
inferior, onde haja risco de queda, o bombeiro deve estar preso a pelo menos um
Na atividade de salvamento em altura existem inúmeros riscos envolvidos,
ponto fixo por meio de um longe ou similar posicionado acima da linha de sua cintura.
sejam eles do ambiente, humanos ou materiais. Nesse sentido, toda e qualquer
atuação deve ser pautada com base em princípios de segurança, visando garantir a Ÿ As ferramentas e equipamentos utilizados durante as operações em altura
proteção individual, coletiva, dos equipamentos e da vítima a ser atendida. A
segurança é um dever e responsabilidade de todos e deve ser continuamente deverão estar ancorados.
trabalhada tanto em treinamentos quanto durante as operações. Ÿ Atentar quanto ao aviso de queda de objetos (Brado: “NOME DO OBJETO”
O fator humano é o maior responsável pelos acidentes envolvendo operações
em altura que, por excesso de confiança, imprudência, negligência, imperícia ABAIXO!), não devendo olhar para cima e sim deixar o capacete como anteparo e
somados aos riscos inerentes a atividade conduzem a desfechos negativos. Portanto, aproximar-se da parede.
uma pequena falha de segurança pode gerar danos ou perdas irreversíveis, sendo
elas materiais ou humanas, com sérias lesões ou a morte, tanto da vítima quanto do Ÿ Em situações que houver atrito das cordas com as mãos, é obrigatória a
bombeiro. utilização das luvas.

5.1 Regras de ouro Ÿ Ao realizar segurança de outros bombeiro ou vítimas, o segurança deverá estar
posicionado com atenção na operação.
São procedimentos obrigatórios em todas as operações em altura: Ÿ Os sistemas devem ser montados visando segurança, simplicidade,

Ÿ Toda atividade de salvamento em altura deverá ser executada com os EPI de funcionalidade e agilidade.

uso obrigatório. Ÿ Não é recomendado ajuda ou interferência da vítima no processo de

Ÿ Os equipamentos devem ser checados constantemente e avaliados antes e salvamento.

depois de qualquer trabalho. Ÿ Não deve ser permitido montagem de procedimentos que provoque atrito entre

Ÿ Após a colocação ou vestimenta de qualquer material, deve-se realizar a materiais têxteis, exceção ao nós blocantes.

conferência destes itens com o auxílio/acompanhamento de outro bombeiro. Ÿ Material vencido, estragado, danificado ou com perda de suas características

Ÿ Antes de iniciar uma operação/instrução de salvamento em altura é necessário deve ser avaliado por especialista para destinação devida.

o dimensionamento e isolamento do local de modo a garantir a segurança e evitar


5.2 Equipagem mínima para bombeiro não especialista
acidentes.
Ÿ Sempre executar a operação/atividade com 02 (dois) ou mais bombeiros. Refere-se ao conjunto de materiais e equipamentos que garantem a segurança
Ÿ Retirar de si os objetos que possam se prender em locais diversos, tais como: e eficácia do bombeiro em operações de salvamento em altura. Essa relação é
importante para assegurar que todos os militares, independentemente de suas
correntinhas, anéis, piercings, brincos, relógios de pulso e similares. especializações, estejam adequadamente preparados para atuar em ocorrências
Ÿ Os cabelos longos devem estar amarrados ou presos para evitar que se desta natureza.
A padronização da equipagem mínima permite uma resposta uniforme e
prendam em algum material. eficiente sendo uma base fundamental para a segurança operacional, permitindo que
o bombeiro atue de maneira segura e eficaz.
Ÿ Havendo necessidade de alterar os procedimentos operacionais, todos os
Figura 12 - Equipamentos necessário para Bombeiro não Especialista
envolvidos na atividade deverão estar cientes da mudança.
Ÿ Todas as amarrações e fixações de equipamentos devem ser checadas e
monitoradas constantemente, fazendo a devida proteção nas quinas e arestas.

25 26
Fonte: acervo da comissão Fonte: acervo da comissão

Ÿ 01 Cadeirinha nível 3; Ÿ 01 Cadeirinha 3;


Ÿ 01 Capacete; Ÿ 01 Capacete;
Ÿ 01 Par de Luvas; Ÿ 01 Par de Luvas;
Ÿ 02 longes longos; Ÿ 02 longes longos;
Ÿ 01 longe curto; Ÿ 01 longe curto;
Ÿ 01 descensor autoblocante ou freio oito; Ÿ 01 ascensor ventral;
Ÿ 02 mosquetões tipo K de alumínio; (longe maior) Ÿ 01 ascensor de punho;
Ÿ 02 mosquetões oval de alumínio; (longe menor e auto segurança) Ÿ 01 estribo;
Ÿ 02 mosquetões D assimétrico de alumínio; (descensor ou freio oito e um reserva) Ÿ 01 descensor autoblocante;
Ÿ 01 cordelete de 8mm; (auto segurança) Ÿ 01 freio oito;
Ÿ 02 cordeletes de 6mm; (longe maior) Ÿ 02 mosquetões tipo K de alumínio; (longe maior)
Ÿ 01 anel de fita. (reserva) Ÿ 08 mosquetões oval de alumínio; (longe menor, auto seg., ascensor, polias, bloqueador)
Ÿ 02 mosquetões D assimétrico de alumínio; (descensor e freio oito)
5.3 Equipagem mínima para bombeiro especialista
Ÿ 02 cordeletes de 8mm;

Refere-se ao conjunto de materiais e equipamentos específicos que garantem Ÿ 03 cordeletes de 6mm;


a segurança e eficácia do bombeiro em operações complexas e de alta exigência Ÿ 01 costura;
técnica. Essa relação é essencial para assegurar que os militares especializados
disponham dos recursos adequados para enfrentar desafios específicos desse tipo de Ÿ 02 anéis de fita;
ocorrência, permitindo uma atuação precisa e segura em situações de risco elevado. Ÿ 01 polia simples;
A padronização da equipagem mínima para especialistas facilita a uniformidade
nas operações e eleva o nível de resposta operacional, fornecendo a base necessária Ÿ 02 polias dupla lateral;
para o desempenho técnico e seguro em ambientes extremos. Dessa forma, os Ÿ 01 cabo solteiro de 6m;
equipamentos especializados proporcionam ao bombeiro a capacidade de executar
manobras complexas, assegurar o salvamento e minimizar os riscos, contribuindo Ÿ 01 bloqueador mecânico;
diretamente para a eficácia e segurança das operações.
Figura 13 - Equipamentos necessário para Bombeiro Especialista 5.3.1 Kit coletivo mínimo

O kit coletivo mínimo para operações de salvamento em altura é composto por


um conjunto essencial de materiais e equipamentos destinados ao uso compartilhado
por uma equipe de bombeiros, garantindo a segurança e a eficácia coletiva durante a
execução de operações complexas ou não.
27 28
Esse kit é fundamental para assegurar que o grupo esteja preparado para lidar Ÿ 04 polias simples com destorcedor;
com qualquer tipo de cenário, onde a coordenação e o uso conjunto de recursos são
essenciais. Ÿ 02 polias dupla lateral com destorcedor;
A padronização de um kit coletivo mínimo permite que as equipes tenham
acesso a ferramentas adequadas para o resgate e para situações de alto risco,
proporcionando uma resposta uniforme e eficiente. O foco desse kit é oferecer
equipamentos robustos e versáteis, que atendam às necessidades de diferentes
membros da equipe, maximizando a segurança e a eficácia da operação, ao mesmo
tempo que minimiza os riscos associados à falta de recursos especializados em
cenários críticos.
Figura 14 - Kit coletivo mínimo de equipamentos de SALT

Fonte: acervo da comissão

Ÿ 01 cordas semi-estática de 100 metros;


Ÿ 02 cordas semi-estática de 50 metros;
Ÿ 03 mochilas estanques 40 ou 45 litros;
Ÿ 01 triângulo de salvamento;
Ÿ 01 descensor autoblocante com polia de captura de progresso integrada;
Ÿ 01 descensores autoblocante;
Ÿ 01 par de ascensor de punho;
Ÿ 01 bloqueador mecânico;
Ÿ 01 placa de ancoragem;
Ÿ 02 cintas de ancoragem;
Ÿ 04 anéis de fita;
Ÿ 02 protetores de quina;
Ÿ 01 sistema de polias 4:1 / 5:1;
Ÿ 05 mosquetões D assimétrico de aço;
Ÿ 10 mosquetões oval de alumínio;
Ÿ 01 talabarte Y com absorvedor de energia;
Ÿ 01 trava quedas com função lock;
Ÿ 01 absorvedor de energia;

29 30
6 NÓS E AMARRAÇÕES forma, para se evitar sua soltura e consequente acidente, faz-se necessário arrematá-
los.
Nas operações de salvamento em altura, a destreza em executar nós e
Dar-se-á preferência ao arremate com o nó meio pescador duplo, devido
amarrações é uma habilidade fundamental. A seleção dos nós e amarrações é
determinada pela necessidade de equilibrar eficiência e segurança. Portanto, o a suas características e confiabilidade.
repertório de nós e amarrações de um bombeiro deve incluir aqueles que sejam
robustos, confiáveis e adequados para as demandas do ambiente e da missão.
O arremate dos nós deve ser confeccionado encostado no nó de
A escolha de um nó impacta diretamente a resistência da corda. Embora todos
os nós reduzam essa resistência em alguma medida, é imperativo optar por aqueles origem/principal e o comprimento mínimo do chicote após arremate ser de 10cm
que maximizam a retenção da força específica da corda. A quantidade de resistência
a 20cm.
perdida varia de acordo com o tipo de nó e a maneira como é confeccionado.
Para fins de padronização e cálculo o CBMMG adota a PRN de 50% (1/2) Sempre que se confeccionar um nó em uma corda ou cordin,
nas cordas e cordins quando da confecção de nós e amarrações. independente se o nó exige ou não um nó de arremate, deve-se deixar,

Na prática, os nós e amarrações eficazes para salvamento em altura devem obrigatoriamente, um chicote com comprimento de 10cm a 20cm para cordas e
possuir três características: 5cm a 10cm para cordins.

Ÿ Fácil confecção
6.1 Categoria dos Nós

A facilidade de confecção refere-se à simplicidade com que um nó pode ser


Para fins didáticos, os nós serão divididos em categorias e classificados de
feito, mesmo sob pressão ou em condições adversas, como em ambientes escuros,
acordo com a finalidade de seu uso e especificidades, sendo:
úmidos ou quando o bombeiro está usando luvas. Em uma emergência, não há tempo
para nós complicados que exigem vários ajustes. A capacidade de confeccionar um
6.1.1 Nós de Extremidades
nó rapidamente pode economizar segundos valiosos, ou que, em certas situações,
pode ser uma diferença entre a vida e a morte.
São aqueles confeccionados na ponta de uma corda, usualmente para impedir
que a corda se desfaça, para fazer uma empunhadura ou ponto de fixação. Esses nós
Ÿ Fácil Soltura
são muito utilizados em acampamento, escalada, navegação e salvamento, onde uma
ponta de corda segura é necessário.
Após suportar o peso de uma queda ou o peso de equipamentos ou de uma
vítima, muitos nós tendem a se apertar a ponto de se tornarem extremamente difíceis Ÿ Meio pescador duplo
de desatar. A facilidade de soltura é uma característica útil que permite a rápida
recuperação e reutilização da corda sem danificar suas fibras. Em uma operação de
Utilizado como base para o nó pescador duplo e assento americano. Também
salvamento, a capacidade de soltar rapidamente um nó para ajustar o comprimento
é utilizado como nó de arremate. Assim como o nó simples, pode ser utilizado para
da corda ou liberar um bombeiro ou vítima é fundamental. Nós que se mantêm
melhoria da pegada na corda de apoio em uma escalada.
relativamente simples de desatar após serem carregados são priorizados.
Figura 15 - Meio pescador duplo
Ÿ Confiável

A confiabilidade de um nó é sua característica mais relevante. Um nó confiável


mantém sua forma e função sob carga e não se solta ou se desata inesperadamente.
A integridade estrutural do nó deve ser mantida durante todas as fases da operação,
desde o momento da aplicação da carga até a liberação da tensão. Nós confiáveis
são aqueles cujo desempenho foi comprovado tanto em testes controlados quanto em
situações reais de campo. Além disso, um nó confiável deve ter seu desenho perfeito,
para que o bombeiro possa verificar rapidamente se está correto. Fonte: acervo da comissão
Conforme citado, os nós reduzem a capacidade das cordas quando
tensionados e alguns deles correm/movimentam quando na mesma situação, desta
31 32
Ÿ Oito enroscar em irregularidades das paredes rochosas e pela capacidade de transpor o
nó UIAA e o freio oito, para tanto deve-se deixar um chicote de aproximadamente 50
cm para auxiliar nas passagens
Utilizado como base para os nós aselha em oito simples, pela ponta (induzido)
e dupla. Assim como o nó simples e o meio pescador duplo também pode ser utilizado Figura 18 - nó Agulha
para melhorar a pegada na corda de apoio em uma escalada.
Figura 16 – nó Oito

Fonte: acervo da comissão

Ÿ De Fita
Fonte: acervo da comissão

Ÿ Simples Utilizado principalmente para unir fitas, mas também pode ser utilizado para
unir cordas. Devido ao seu formato de confecção, permite que a fita se encaixe de
acordo com sua forma.
Utilizado como base para o nó de fita e para o nó aselha simples pela ponta
(induzido). Pode ser utilizado para melhoria da pegada na corda de apoio em uma Figura 19 - nó De Fita
escalada.
Figura 17 - nó Simples

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Direito
Fonte: acervo da comissão

6.1.2 Nós de Junção ou Emenda Utilizado na emenda de cordas de mesmo diâmetro. Ressalta-se que ele não
possui auto travamento, necessitando, portanto, de arremate.
São usados para conectar duas cordas, duas partes da mesma corda ou duas Figura 20 - nó Direito
fitas. O objetivo é criar uma linha contínua que mantenha a maior resistência possível
e seja segura para o uso pretendido. Estes nós são fundamentais quando o
comprimento de uma única corda não é suficiente ou quando uma corda precisa ser
reparada.

Ÿ Agulha

Comumente referido como nó de junção simples ou cavalgante, este nó é


especificamente empregado para conectar cordas em situações em que há risco de
Fonte: acervo da comissão
atrito contra superfícies ásperas, como rochas, durante operações de descida. A
principal vantagem deste nó reside na sua capacidade de minimizar o risco de
33 34
Ÿ Escota Simples Fonte: acervo da comissão

Ÿ Pescador Duplo
Utilizado para unir cordas de diâmetros diferentes. Para confecção deste nó, a
corda de maior diâmetro (branca) deve funcionar como alça e a de menor diâmetro
(vermelha) fazer a indução. Nó de emenda de cordas de mesmo diâmetro. Comumente utilizado para
emenda de cordins e formar os “cordeletes”.
Figura 21 - nó Escota Simples
Figura 24 - nó Pescador Duplo

Fonte: acervo da comissão


Fonte: acervo da comissão
Ÿ Escota Dupla
6.1.3 Nós Alceados

Tem a mesma finalidade do escota simples, porém, devido a duplicidade da Formam uma alça fixa ou ajustável na corda. A característica principal desses
passagem do chicote a segurança do nó é aumentada. Para confecção deste nó deve- nós é a capacidade de criar uma alça que pode ser facilmente alargada ou apertada,
se utilizar a corda de maior diâmetro como alça (branca) e a de menor diâmetro (rocha) mas que não se fecha completamente sob carga, protegendo contra o
fazer a indução, passando o chicote por dentro da alça duas vezes. estrangulamento ou aperto excessivo em torno de um objeto ou pessoa.
Figura 22 - nó Escota Dupla Eles são extremamente úteis em operações de salvamento em altura,
permitindo que bombeiros criem pontos de ancoragem rápidos, fixem equipamentos,
ou mesmo resgatem pessoas, garantindo que a alça não se aperte a ponto de causar
danos ou impedir a liberação rápida.

Ÿ Algema

Para sua confecção utiliza-se como base o fiel pelo seio. Pode ser utilizado
para imobilização dos pés e das mãos. Ressalta-se que ele não possui auto
Fonte: acervo da comissão travamento, necessitando, portanto, de arremate.
Figura 25 - nó Algema
Ÿ Pescador Simples

Utilizado para unir cordas de diâmetros iguais.


Figura 23 - nó Pescador Simples

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Aselha Simples

35 36
Nó alceado ajustável. Não estrangula a alça formada, contudo, deve ser
arrematado pois pode ser desfeito quando sofre choques e/ou vibrações não estando
sob tensão e pode correr quando submetido a tensão. Utilizado em diversas
circunstâncias, principalmente na segurança individual e coletiva.
Figura 26 - nó Aselha Simples

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Aselha Dupla

Tendo como base o nó oito, é formado por uma alça dupla e tem como
Fonte: acervo da comissão finalidade conectar a corda a um objeto. O que o diferencia do aselha simples e do
aselha em oito é ser de mais fácil soltura após ser submetido à tensão. Não necessita
Ÿ Aselha em Oito ser arrematado.
Figura 29 - nó Aselha Dupla
Tendo como base o nó oito, é formado por uma alça simples podendo ser
confeccionado pelo seio ou induzido. Tem como finalidade conectar a corda a um
objeto. O que o diferencia do aselha simples é que é mais seguro e de mais fácil
soltura após ser submetido à tensão. Não necessita ser arrematado.
Figura 27 - nó Aselha em Oito

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Lais de Guia Simples

Nó alceado ajustável. Não estrangula a alça formada, contudo, deve ser


Fonte: acervo da comissão arrematado, pode ser desfeito quando sofre choques e/ou vibrações não estando sob
tensão e pode correr quando submetido a tensão. Utilizado em diversas
Ÿ Aselha em Nove circunstâncias, principalmente na segurança individual e coletiva. Seu desenho
correto exige que o chicote fique voltado para dentro da alça e sobre o anel conforme
ilustração.
Confecção semelhante ao aselha em oito, porém com meia volta a mais
Figura 30 - nó Lais de Guia Simples
formando uma alça simples. O que o diferencia do aselha simples e aselha em oito é
que possui maior carga de ruptura, ou seja, maior resistência, além de fácil soltura.
Não necessita ser arrematado.
Figura 28 - nó Aselha em Nove

Fonte: acervo da comissão

37 38
Ÿ Oito Direcional Figura 33 - nó Meio Pescador Duplo

Nó alceado realizado com base no nó oito, cuja alça se dará paralelamente à


corda, objetivando direcionar a tensão recebida. Pode ser utilizado em sistemas de
tracionamento de cabo.
Figura 31 - nó Oito Direcional

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Cote

Tem como base o fiel. Necessita de atenção para estar bem acochado.
Fonte: acervo da comissão Figura 34 - nó Cote

Ÿ Nove direcional

Criado pelo Sargento BM Mauro Soares Ribeiro, trata-se de um nó alceado


realizado com base no nó nove, cuja alça se dará paralelamente à corda com o
objetivo de direcionar a tensão recebida, sem entrar novamente na alça inicial de
travamento. Para a confecção correta, a corda do firme deve ficar entre as duas alças
formando o travamento. Pode ser utilizado em sistemas de tracionamento de cabo.
Figura 32 - nó Nove Direcional Fonte: acervo da comissão

Ÿ Mula

Permite bloquear uma corda temporariamente sem a necessidade de amarrá-


la permanentemente. Útil em situações em que a corda precisa ser ajustada ou
liberada rapidamente pois pode ser facilmente desbloqueado sob carga, puxando o
chicote.
Figura 35 - nó Mula
Fonte: acervo da comissão

6.1.4 Nós de Arremate

São nós adicionados ao final de outros nós principais para prevenir que estes
se desfaçam. Eles servem como uma garantia extra, assegurando que o nó principal
mantenha sua forma e função mesmo sob movimentação ou carga variável.
Esses nós são relevantes em atividades de segurança onde a falha de um nó
pode ter consequências sérias. Um nó de arremate eficaz é fácil de fazer e de
desfazer. Fonte: acervo da comissão

Ÿ Meio pescador duplo 6.1.5 Nós Ancoragem

Utilizados para fixar uma corda a um ponto de ancoragem estável, como uma
Conforme descrição já mencionada na categoria dos nós de extremidade. árvore, uma rocha, um grampo ou qualquer outro local seguro. O propósito destes nós
39 40
é estabelecer um ponto fixo do qual um sistema de salvamento possa operar. Eles
precisam ser extremamente seguros e capazes de suportar cargas dinâmicas sem
escorregar ou se desfazer.
Esses nós são essenciais em operações de salvamento em altura, onde uma
ancoragem confiável é vital para a segurança da equipe e das vítimas.

Ÿ Boca de Lobo

Pode ser confeccionado pela ponta ou pelo seio da corda. Utilizado também Fonte: acervo da comissão
para prender materiais como anéis de fita e cordeletes à cadeirinha.
Figura 36 - nó Boca de Lobo Ÿ Voltas sem tensão

Deve ser confeccionado com no mínimo 5 voltas envolvendo o ponto de


ancoragem. Em sua finalização faz-se um nó aselha em oito com um mosquetão
clipado na corda principal a ser tracionada ou um nó de arremate envolvendo a corda
principal a ser tracionada. Mais utilizado em superfícies cilíndricas.
Figura 39 - nó Voltas sem Tensão

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Fiel

Pode ser confeccionado pela ponta ou pelo seio da corda. É o nó mais utilizado
pelo CBMMG por possuir grande versatilidade de uso nas diversas atividades
existentes. Fonte: acervo da comissão
Figura 37 - nó Fiel
6.1.6 Nó de Segurança

Amplamente utilizado e recomendado em ambientes de escalada e


montanhismo por sua confiabilidade e resistência, sendo um padrão de segurança na
comunidade de escalada. O nó de segurança UIAA é um exemplo claro de como uma
pequena modificação em um nó tradicional pode aumentar significativamente a
segurança em situações críticas.

Ÿ UIAA
Fonte: acervo da comissão
Conhecido como nó dinâmico, ele funciona nos dois sentidos, rapel e para
Ÿ Volta da ribeira retesar a corda na segurança. Ele pode ser usado tanto em cordas dinâmicas como
estáticas. Feito com o uso de um mosquetão, utilizado nas técnicas verticais em
Utilizado para prender a corda a um objeto para ser arrastado ou elevado. É substituição aos aparelhos de descida como o oito, ID entre outros.
utilizado somente para ancoragens simples pois pode ser desfeito quando sofre Funciona criando atrito na corda e reduzindo a velocidade de descida. Reduz
choques e/ou vibrações não estando sob tensão e pode correr quando submetido a igualmente a velocidade da corda em ambos os sentidos. Pode ser usado para fazer
tensão. segurança.
Não aconselhável para rapel rotineiro, pois devido ao atrito causado pela
Figura 38 - nó Volta da Ribeira
sobreposição das cordas poderá acarretar o seu desgaste precoce.

41 42
Para seu desenho e desempenho estarem corretos deve-se seguir a figura Ÿ Machard
abaixo, devendo o chicote ficar sob a alça de travamento.
Figura 40 - nó UIAA Permite apenas um direcionamento para blocagem, o que o torna unidirecional.
Em sua confecção, o nó de junção do cordelete não pode ficar sobreas voltas que
envolvem a corda.
Sua confecção deverá ser feita com no mínimo três voltas.
Figura 42 - nó Machard

Fonte: acervo da comissão

6.1.7 Nós Autoblocantes

São nós que se apertam sob tensão, mas podem ser facilmente movidos ou
Fonte: acervo da comissão
ajustados quando não estão sob tensão. Eles são especialmente úteis em situações
segurança, escalada, resgate e operações em altura, pois permite controlar e ajustar
a posição ao longo de uma corda vertical ou horizontal. Ÿ Clássico
São essenciais para a segurança em muitas atividades verticais, pois fornecem
um método eficaz de controle de progressão e um mecanismo de backup em caso de Blocante de fácil confecção e fácil soltura após ser tensionado. Pode ser
falha do sistema principal. Sua habilidade de bloquear sob carga e de ser facilmente tracionado para ambos os lados, sendo classificado, portanto, como bidirecional.
ajustável os torna ferramentas versáteis e confiáveis em uma variedade de situações. Sua confecção deverá ser feita com no mínimo três voltas.
Para que a eficiência do nó blocante seja maior é necessário que a cordin Figura 43 - nó Clássico
utilizado para a confecção do nó tenha, no máximo, 70% do diâmetro da corda em
que se fará o nó, já a UIAA convencionou que o ideal é uma diferença mínima de 3
mm entre a corda principal e a do nó blocante.
No CBMMG utilizamos cordins de 6mm para nós em corda simples e de
8mm quando em corda dupla.

Ÿ Prusik

Fonte: acervo da comissão


Pode ser blocado para os dois lados o que o torna bidirecional. Sua confecção
deverá ser feita com no mínimo três voltas. Ÿ Nó Valdotan
Figura 41 - nó Prusik

Blocante confeccionado com cordelete ou fita. Sua principal característica é a


capacidade de travamento em cordas molhadas e se soltar quando não submetido a
tensão.
Figura 44 - nó Valdotan

Fonte: acervo da comissão

43 44
Fonte: acervo da comissão Fonte: acervo da comissão

6.1.8 Assentos improvisados Ÿ Balso pelo Seio de 3 alças

São soluções temporárias criadas para oferecer suporte e segurança a uma


Confeccionado a partir do Nó Lais de Guia. Nó seguro para resgates verticais,
pessoa que precisa ser resgatada ou a um bombeiro que trabalha em uma posição
devido a duas alças prenderem nas pernas e a terceira envolver o tronco. Pode ser
elevada. Esses assentos são particularmente úteis em situações em que o acesso
realizado com cabo solteiro ou com a própria corda, até mesmo confeccionado
convencional ou o equipamento especializado não estão disponíveis.
diretamente na própria vítima.
Esses assentos são importantes nas operações em altura, onde a improvisação
é necessária para garantir a segurança da vítima ou do bombeiro. Figura 47 - assento Balso pelo Seio de 3 Alças

Ÿ Americano

Assento improvisado feito com corda, sendo necessário aproximadamente 5


metros de corda. A corda é enrolada em torno da cintura e das coxas do bombeiro,
formando um suporte seguro.
Este assento é comum em situações de resgate e escalada, proporcionando
um suporte relativamente confortável e seguro para a pessoa suspensa.
Figura 45 - assento Americano Fonte: acervo da comissão

6.1.9 Nó reforço

Nó desenvolvido para realizar o reforço de uma corda produzindo uma alça que
isola o ponto sensível da corda.

Ÿ Borboleta

Devido a forma de execução da alça formada e a possibilidade de


Fonte: acervo da comissão
bidirecionamento da tensão, permite o isolamento da parte danificada na corda e
ainda assim ser exercida nela uma tensão com menor risco de ruptura. Também
Ÿ Austríaco
poderá ser usado para fracionamento de cordas em linhas de vida e rapel fracionado.
Figura 48 - nó Borboleta
Trata-se de um assento de fácil confecção e fácil ajuste. Ideal para utilizar em
emergências que necessitem de evacuação rápida. Para o correto funcionamento
deste assento deve haver ajuste e tensão mínimos que proporcionem a fixação ao
corpo. Deve ser finalizado com a conexão de um mosquetão à alça produzida.
Figura 46 - assento Austríaco

45 46
Fonte: acervo da comissão Fonte: acervo da comissão

6.1.10 Ataduras de Peito Ÿ Atadura em X

Soluções temporária criada para oferecer suporte e segurança a uma pessoa


Confeccionada com anel de fita, cabo solteiro ou fita tubular. Confecciona-se
que precisa ser resgatada ou a um bombeiro que trabalha em uma posição elevada.
um anel com a fita ou cabo solteiro/fita tubular emendados, introduz nos braços do
Essas ataduras de peito são particularmente úteis em situações em que o acesso
militar ou vítima pela frente e conduz o “X” para as costas deixando duas alças nos
convencional ou o equipamento especializado não estão disponíveis.
braços. Possibilita segurança ao bombeiro quando de um içamento mantendo o tronco
seguro.
Ÿ Padrão EB
Figura 51 - Atadura em X

Partindo do nó aselha simples e finalizado com o nó direito e arrematado com


dois nós meio pescador duplo é confeccionada com cabo solteiro e deve ser ajustada
junto ao corpo para garantir sua eficácia. O nó direito que finaliza a atadura deve estar
do lado oposto à mão de frenagem. Possibilita ao bombeiro maior segurança quando
de um içamento mantendo o tronco seguro.
Figura 49 - atadura Padrão EB

Fonte: acervo da comissão

6.1.11 Nó de Tração

Desenvolvidos para realizar o travamento de cargas por meio da tração de


cordas.

Fonte: acervo da comissão Ÿ Paulista

Ÿ Escota cruzado
Usado para segurar e travar cargas em vagões, camiões e reboques sendo
facilmente desfeito. Devido as características de sua confecção, seu emprego deve
Confeccionada com anel de fita, cabo solteiro ou fita tubular. Envolve-se o ser temporário.
tronco da vítima pelas costas, iniciando por um dos braços, e finalizando com o nó Figura 52 - nó Paulista
escota simples na parte da frente do tronco, forma-se uma alça que pode ser utilizada
com um mosquetão. Possibilita segurança ao bombeiro quando de um içamento
mantendo o tronco seguro.
Figura 50 - atadura Escota Cruzada

47 48
Acidentes: a falha de um nó pode levar a quedas e outros acidentes, que podem
ser fatais, especialmente em atividades como escalada e operações em altura.
Para fins de padronização e cálculo o CBMMG adota a PRN de 50% (1/2)
nas cordas e cordins quando da confecção de nós e amarrações.

Fonte: acervo da comissão

6.2 Perda de Resistência dos Nós - PRN

A perda de resistência em um nó é influenciada por vários fatores, incluindo o


tipo de nó, o material da corda, a forma como o nó é confeccionado, e o dinamismo
da carga aplicada.
As principais razões, importância e riscos associados a essa perda de
resistência são:

Ÿ Razões

Concentração de tensão: um nó cria pontos de curvatura aguda na corda onde


a tensão é mais intensa, o que pode enfraquecer a estrutura interna da corda.
Dobra e torção: os nós impõem dobras e torções que não são uniformemente
distribuídas ao longo da corda, o que pode causar desgaste interno e diminuir a
resistência do material.
Fricção interna: a fricção entre as fibras ou fios da corda, especialmente sob
carga, pode causar desgaste e enfraquecimento do material.
Alterações na estrutura da corda: alguns nós alteram a estrutura regular da
corda de tal forma que suas fibras não compartilham a carga igualmente.
Material da corda: diferentes materiais têm diferentes sensibilidades à
curvatura e torção. Cordas de fibra natural, por exemplo, podem sofrer mais com a
formação de nós do que cordas sintéticas.

Ÿ Importâncias

A percepção da perda de resistência em nós é crucial para a segurança.


Compreender como diferentes nós afetam a integridade da corda ajuda a escolher o
nó adequado para cada aplicação, garantindo que uma carga máxima de segurança
não seja ultrapassada.
Nenhum nó deve ficar confeccionado sem que esteja em uso, devido ao
desgaste gerado no material e enfraquecimento da corda.

Ÿ Riscos

Falha do equipamento: se um nó reduz significativamente a resistência de uma


corda e essa corda é usada perto de sua carga de ruptura, o risco de falha do
equipamento aumenta significativamente.

49 50
7 PROCESSOS DE ENROLAR CORDAS 7.1.2 Corrente Dupla

Método de enrolar corda que cria uma série de laços interligados que podem
São essenciais no contexto de operações em altura, pois garantem a
ser facilmente desfeitos puxando-se a extremidade livre. A corda é enrolada em
organização, a prontidão para o uso e a manutenção da integridade da corda ao longo
formato simples ou permeada, sendo útil para encurtar uma corda enquanto mantém
do tempo. Dominar técnicas adequadas de enrolar e armazenar cordas é essencial
a opção de restaurar rapidamente o seu comprimento total sem emaranhados.
para qualquer bombeiro envolvido em operações de salvamento, contribuindo para:
Quando armazenada, deve ser enrolada do seio para o chicote e quando
enrolada para pronto emprego deve-se iniciar do chicote para o seio, finalizando com
Ÿ evitar a formação de nós e torções que podem enfraquecer a corda e complicar
uma aselha dupla.
seu processo de desenrolar em emergências. Em sua finalização deve-se realizar de 3 a 6 voltas no charuto de arremate e
confeccionar uma boca de lobo.
Ÿ permitir um armazenamento compacto e eficiente, facilitando o transporte e o Utilizado nas corda semi-estática com comprimento entre 50m e 100m.
rápido acesso quando necessário. Figura 54 - processo Corrente Dupla
Ÿ facilita a inspeção regular da corda, permitindo a identificação de desgastes,
cortes ou outros danos que possam comprometer sua segurança.

7.1 Técnicas de enrolar corda

Existem variadas técnicas de enrolar corda, sendo elas escolhidas conforme o


tamanho, diâmetro, elasticidade e demais características da corda. No CBMMG
utilizamos as seguintes: Fonte: acervo da comissão

7.1.1 Prontidão 7.1.3 Corrente Tripla

Método que visa ter a corda pronta para uso imediato. Consiste em enrolar a Variação da Corrente Dupla, onde cada laço passa por dois laços anteriores,
corda de maneira que possa ser rapidamente desenrolada sem formar nós, ideal para criando uma cadeia mais complexa. É menos comum devido à complexidade adicional
respostas rápidas onde o tempo é crítico. A corda é enrolada em formato simples ou e ao fato de que pode ser mais difícil de desfazer rapidamente. A corda é enrolada em
permeada de modo que o bombeiro possa simplesmente puxar a extremidade livre formato simples ou permeada e tem aplicação direcionada a redução do volume da
para que ela se desfaça. Para sua confecção, pode ser utilizado os braços, os pés ou corda mantendo sua característica de ser desfeita puxando-se a extremidade livre.
outro bombeiro com apoio. Quando armazenada, deve ser enrolada do seio para o chicote e quando
Em sua finalização deve-se realizar de 5 a 10 voltas em cada extremidade, enrolada para pronto emprego deve-se iniciar do chicote para o seio, finalizando com
realizar um nó direito com os chicotes formando um anel com diâmetro máximo de 1 uma aselha dupla.
(um) metro. Em sua finalização deve-se realizar de 3 a 6 voltas no charuto de arremate e
Utilizado nas corda semi-estática com comprimento de até 50m. confeccionar uma boca de lobo.
Figura 53 - processo Prontidão Utilizado nas corda semi-estática com comprimento superior 100m.
Figura 55 - processo Corrente Tripla

Fonte: acervo da comissão


Fonte: acervo da comissão

51 52
7.1.4 Andino 7.1.6 Corda em Mochila

Técnica utilizada para enrolar cordas de forma que possam ser transportadas O armazenamento de cordas em mochila estanque oferece múltiplas
sobre os ombros sem emaranhar. Este método é usado por alpinistas para carregar vantagens, destacando-se principalmente pela proteção efetiva contra danos físicos.
cordas de forma equilibrada e pronta para uso. A corda é enrolada em torno de ambos Este método simplifica o processo de acondicionamento, permitindo que a corda seja
os ombros e do pescoço de uma maneira específica que permite que seja rapidamente facilmente colocada dentro da mochila sem necessidade de medidas especiais de
liberada e pronta para ser usada sem nós. organização. Além disso, facilita o transporte, proporcionando uma maneira
Em sua finalização deve-se realizar de 5 a 10 voltas no centro da corda, deixar conveniente e eficiente de manejar a corda. Outro benefício significativo é que, ao
um chicote central entre 10 e 20 cm. O chicote da extremidade deve possuir o mesmo lançar a mochila, minimiza-se o risco de formação de nós ou cocas indesejadas,
tamanho das alças podendo estas alças ter uma diferença entre elas de no máximo assegurando uma operação mais segura e eficaz.
30 cm. Para início do processo deve-se ancorar um chicote da corda no fundo da
Utilizado nas cordas dinâmicas com comprimento de até 50m, se acima, utilizar mochila e para finalizar deve-se ancorar o outro chicote da corda no topo da mochila.
preferencialmente corrente dupla. Figura 58 - processo Mochila de Corda
Figura 56 - processo Andino

Fonte: acervo da comissão


Fonte: acervo da comissão

7.1.5 Mochila de corda

Técnica amplamente utilizada pelos militares especialistas em altura durante


operações de rapel tático, especialmente em situações de resgate de pessoas em
tentativa de autoextermínio. Esse método consiste em criar uma corrente simples ao
longo da corda, que fica organizada e apoiada nos ombros do militar, mantendo-a
discretamente fora do campo de visão da vítima.
A técnica não só facilita o transporte da corda, como também minimiza o risco
de a vítima reagir de forma negativa ao avistar o equipamento. O procedimento
começa com a confecção de uma aselha em oito dupla na extremidade da corda
conectada ao ponto de amarração lateral da cadeirinha por um mosquetão. Essa
medida de segurança é essencial para prevenir acidentes e assegurar a integridade
do bombeiro durante a descida.
Figura 57 - processo Mochila de corda

Fonte: acervo da comissão

53 54
8 EQUIPAMENTOS

Os equipamentos de salvamento em altura são fundamentais para garantir a


segurança e a eficácia das operações. Eles devem atender a normas técnicas
rigorosas e serem capazes de suportar as diversas demandas físicas e ambientais
presentes em operações de salvamento em altura.

A utilização de todo equipamento de salvamento em altura deve ser


Fonte: acervo da comissão
precedida da leitura de seu manual de instrução.
Devido as peculiaridades da atividade, os equipamentos de salvamento Ÿ Cuidados
em altura não devem ser armazenados, tampouco utilizados por outras áreas
Controle do uso: deve-se manter um registro detalhado de uso, inspeções
como salvamento terrestre, corte de árvore, salvamento aquático, produtos
regulares e manutenção da corda. A corda deve ser inspecionada visual e
perigosos, dentre outros. manualmente para detectar sinais de desgaste, cortes, abrasão ou qualquer dano ao
núcleo.
As principais categorias de equipamentos usados no salvamento em altura são: Figura 60 - Inspeção de corda

8.1 Cordas e Cordins

As cordas têm sido um equipamento essencial para a humanidade desde


tempos pré-históricos, inicialmente feitas de materiais naturais como plantas e couro.
A evolução das cordas para aplicações de escalada e salvamento começou mais
seriamente no século 20, com o desenvolvimento de fibras sintéticas após a Segunda
Guerra Mundial.
Cordas dinâmicas foram especialmente desenvolvidas para a escalada, a fim Fonte: acervo da comissão
de absorver a energia das quedas, enquanto cordas semi-estáticas foram projetadas
para aplicações onde pouco ou nenhum alongamento é desejável. Lavagem: deve ser realizada se ela estiver suja ou apresentar resíduos que
Quando as cordas são cortadas em comprimento de 4 a 6 metros são possam danificar as fibras, como areia ou substâncias químicas. Use um detergente
denominados “cabo solteiro”. suave e não abrasivo, ou um sabão neutro. Enxágue completamente para remover
todos os resíduos de sabão, pois estes podem degradar as fibras da corda ao longo
As cordas serão cortadas, preferencialmente, em comprimento de 50m, do tempo. Deixe a corda secar naturalmente em um local bem ventilado, longe da luz
100m ou 200m. solar direta, que pode degradar o material.
Armazenamento: a corda deve ser guardada devidamente enrolada ou em uma
As cordas semi-estáticas devem ter diâmetro de 11mm. sacola específica para cordas em local limpo, seco e arejado, evitando locais com alta
umidade ou exposição direta a luz solar.
As cordas dinâmicas devem ter diâmetro mínimo de 9,5mm e máximo de Falcaça: método de terminar a ponta de uma corda para evitar o desgaste.
Envolve o uso de fita, termo retração ou emborrachamento a frio para selar e proteger
10,5mm. as extremidades cortadas. Sempre que a falcaça se perder ou a corda for cortada
deve-se confeccionar nova falcaça.
Toda corda em uso deve possuir um nó meio pescador duplo em sua
extremidade a fim de indicar o final da corda.

As cordas e cordins devem possuir homologação UIAA, EN ou NFPA.

Figura 59 - Componentes de uma corda

55 56
Toda corda deve ser falcaçada e como padrão, deve ser falcaçada com Diâmetro: varia normalmente de 9 e 13 milímetros, dependendo do uso
pretendido.
tubo termo retrátil transparente, ou método que possibilite a mesma
Alongamento: possuem um alongamento reduzido, geralmente de 2% a 5% sob
visualização, sobre etiqueta de identificação da corda contendo tipo de corda carga.
Resistência: a resistência à tração deve ser avaliada de acordo com normas
(DI - dinâmica ou SE - semi-estática), tamanho com três dígitos (050, 100 ou 200),
regulamentadoras, sendo que a capa protege a alma e contribui para cerca de 20% a
ano de fabricação com dois dígitos (24) e certificação (NFPA, EN ou UIAA). 30% da força total da corda, enquanto a alma interna é responsável pela maior parte
da resistência.
Exemplo: uma corda semi-estática com 50 metros de comprimento, fabricada
em 2024 e com certificação EN seria identificada da seguinte forma Ÿ Marcações de Segurança

“SE05024EN”.
Fita de homologação: é uma marcação interna no núcleo da corda que contém
Figura 61 - método de falcaçar a corda informações do fabricante, normas que atende e data de fabricação. Ela não deve ser
removida e é um elemento essencial para a rastreabilidade e homologação da corda.
Listras ou Marcas na capa: podem indicar o tipo de corda e ajudar a distinguir
cordas semi-estáticas de dinâmicas.
Marcações de meio: uma marcação no meio da corda facilita o encontro do
centro para operações de salvamento ou quando a corda precisa ser permeada.
Marcação de fim: alguns fabricantes incluem marcações coloridas nos últimos
metros da corda para alertar o bombeiro que está se aproximando do fim.

8.1.2 Cordas Dinâmicas


Fonte: acervo da comissão
São projetadas para absorver a energia de uma queda através de seu
8.1.1 Cordas Semi-estáticas alongamento. São utilizadas para a prática de escalada, onde há risco de quedas
frequentes e como corda de segurança nas operações de salvamento em altura.
São projetadas para não se esticarem significativamente sob carga, o que as Figura 63 - Modelo de corda dinâmica
torna ideais para suportar cargas estáticas em operações de salvamento, sistemas de
ancoragem, acesso por corda e situações em que é necessária uma posição estável.
Figura 62 - Modelo de corda semi-estática

Fonte: acervo da comissão

Não devem ser utilizadas para rapel.


Fonte: acervo da comissão

Ÿ Características Construtivas
Ÿ Características Construtivas

Material: também feitas principalmente de poliamida, mas com uma construção


Material: geralmente feitas de poliamida (nylon), poliéster ou aramida
que permite maior elasticidade.
oferecendo resistência e durabilidade.
Construção: além da alma e da capa, o tratamento e a torção das fibras são
Construção: compostas por uma alma interna, que é a parte que fornece a
projetados para maximizar a absorção de impacto.
força, e uma capa externa, que protege a alma e fornece maior atrito para o manuseio.
Diâmetro: geralmente mais finas que as cordas semi-estáticas, apresentando
com diâmetros comuns variando de 8,3 a 10,5 milímetros.
57 58
Alongamento: possuem alongamento significativamente maior do que as Utilizamos cordins de 120cm e 150cm para formar os cordeletes de 6mm
cordas semi-estáticas, essencial para absorver a energia de quedas, as cordas
e 8mm respectivamente.
dinâmicas podem esticar de 6% a 10% sob carga estática e mais em uma queda.

Ÿ Marcações de Segurança 8.2 Conectores metálicos

Fita de homologação: semelhantes às cordas semi-estáticas, possuem uma Têm a função de conectar diferentes partes de um sistema de segurança, como
marcação interna no núcleo da corda que contém informações do fabricante, normas unir o cinto da cadeirinha a uma corda, ligar uma corda a um ponto de ancoragem, ou
que atende e data de fabricação. Ela não deve ser removida e é um elemento conectar dispositivos como descensores e ascensores ao sistema.
essencial para a rastreabilidade e homologação da corda. Devem possuir certificação UIAA, EN, NFPA ou Equivalente.
Código de Cores: muitas vezes possuem padrões de cores distintos, cores
mais vivas e intensas, para diferenciá-las das cordas semi-estáticas.
Marcações de Meio e de Fim: semelhantes às cordas semi-estáticas, facilitando 8.2.1 Mosquetões
a identificação dos pontos críticos da corda.
Tratamento UV: algumas cordas têm tratamento para resistir aos danos dos Podem ser de fechamento automático ou manual e são feitos de aço ou
raios ultravioleta, e isso pode ser indicado por marcações específicas. alumínio. A escolha do tipo de mosquetão depende do peso, da facilidade de uso e
da aplicação específica.
8.1.3 Cordins No CBMMG padronizamos os modelos oval e D assimétrico, ambos com
São cordas auxiliares finas e feitas de nylon, Dyneema, Kevlar ou uma mistura largura média de 60mm, altura média de 110mm, abertura média do gatilho de
desses materiais, usadas em uma ampla gama de aplicações em escalada, alpinismo, 20mm e trava automática. Devem ser de aço ou alumínio, sendo os de aço para
espeleologia e salvamento. Eles são importantes para a criação de sistemas de
ancoragem, amarrações de segurança, nós autoblocantes e até mesmo para reparos uso geral e de alumínio para uso pessoal.
de emergência de equipamentos.
Os mosquetões de aço devem possuir resistência mínima de 40KN.
Figura 64 - Modelo de cordin
Os mosquetões de alumínio devem possuir resistência mínima de 20KN.

O mosquetão classe K, do tipo Gancho (eashook) de fechamento


automático de alumínio devem possuir largura média de 70mm, altura média de
130mm, abertura média do gatilho de 20mm e são utilizados nos longes longos.

Figura 65 - mosquetão tipo Oval, D Assimétrico e K

Fonte: acervo da comissão

Não devem ser utilizadas para rapel.

Apresentam em dimensões de 2 mm a 8 mm. Os mais finos são


frequentemente usados para amarrações leves, enquanto os mais grossos são
utilizados para ancoragens ou situações que exigem maior resistência.
Seu alongamento é semelhante às cordas semi-estáticas e devem seguir os
Fonte: acervo da comissão
mesmos cuidados relatados. Suas características devem seguir normas rigorosas de
segurança e por serem utilizados sempre permeados, devem possuir resistência Os mosquetões são compostos por várias partes essenciais, cada uma com
mínima de 6,75KN. uma função específica, sendo:
Quando os cordins estão emendados são denominados “cordeletes”.

59 60
Ÿ Gatilho - O gatilho abre o mosquetão, permitindo a inserção ou remoção de 8.2.2 Malhas Rápidas
cordas, fitas e outros equipamentos. Existem vários tipos de gatilhos: o gatilho reto é
Também conhecida como Delta é comumente utilizada para montar
mais comum e o gatilho curvo é comumente usado em costuras de escalada. ancoragens permanentes, são extremamente fortes e confiáveis.
Ÿ Trava ou Rosca - A trava ou rosca é a parte do gatilho responsável pelo seu
No CBMMG padronizamos a malha rápida de aço com largura média de
travamento, liberando sua abertura para passagem de cordas ou equipamentos. Ela
40mm, altura média de 70mm, diâmetro de 8mm e que possua resistência
pode ser manual ou automática, com sistemas de travamento que variam entre
mínima de 20KN.
diferentes modelos (rosca, dupla-trava, tripla-trava).
Figura 67 - Malha rápida delta
Ÿ Nariz - O nariz do mosquetão é a parte onde o gatilho se conecta ao corpo
quando fechada. O design do nariz pode variar, sendo que alguns modelos
apresentam um "nariz sem gancho" que reduz o risco de enroscar ou prender em
equipamentos e cordas.
Ÿ Espinha - A espinha é a parte reta do corpo do mosquetão, oposta à abertura
do gatilho. Ele é a espinha dorsal do mosquetão e contribui para sua resistência geral.
Alguns mosquetões apresentam um eixo assimétrico, o que afeta a distribuição de Fonte: acervo da comissão
carga e a usabilidade do mosquetão.
8.3 Dispositivos de descida, blocagem e ascensão
Ÿ Abertura - Parte do mosquetão onde conecta as cordas, fitas ou outros
equipamentos. A forma e o tamanho desta área podem variar dependendo do Permite ao militar ascender, parar ou descer de forma controlada por uma
propósito específico do mosquetão. corda, proporcionando segurança e eficiência. Cada tipo de dispositivo tem
características específicas projetadas para diferentes aplicações.
Ÿ Eixo maior e menor - referem-se às orientações nas quais as cargas podem ser
Devem possuir certificação UIAA, EN, NFPA ou Equivalente.
aplicadas ao mosquetão e têm impactos significativos na resistência e segurança do
dispositivo. Eixo maior é uma linha imaginária que passa longitudinalmente pelo centro 8.3.1 Descensores
do mosquetão, de uma ponta à outra e esta é a direção na qual o mosquetão é mais
Essenciais para o controle de velocidade durante a descida, funcionam através
forte. Eixo menor refere-se à orientação transversal do mosquetão, ou seja, a linha de fricção aplicada à corda.
que passa pelo mosquetão perpendicular ao eixo maior e esta é a orientação menos
Ÿ Freio Oito
forte.

Tem forma de "8", é usado para rapel e pode ser de aço ou alumínio. Seu
Figura 66 - Decomposição dos componentes de um Mosquetão
funcionamento tem como base a fricção que permite ao bombeiro controlar a
velocidade de descida. É simples de usar e eficaz para dissipar o calor gerado durante
a descida. Pode torcer a corda e não possui mecanismo de travamento automático.
No CBMMG padronizamos o freio oito de resgate de alumínio.

Deve possuir resistência mínima de 40KN.

Figura 68 - Freio Oito

Fonte: acervo da comissão

61 62
Consiste em um suporte para a mão e possui um mecanismo de bloqueio que
se agarra à corda quando sob tensão oposta ao lado de bloqueio e desliza livremente
para o lado de progressão. É acoplado à corda através de uma abertura lateral e
travado em posição de fechamento. Proporciona uma maneira segura e eficaz de
ascender por cordas fixas, com fácil ajuste e manuseio. Pode ser empregado no
auxílio de tracionamento, seguindo as recomendações do fabricante amplamente
usado em escalada, salvamento e trabalho em altura, especialmente em situações em
que ascensões longas ou repetitivas são necessárias.
Fonte: acervo da comissão Deve recepcionar cordas de 11mm.

Ÿ Descensor Autoblocante Deve possuir CTS ou WLL mínimo de 135 Kg.

Figura 70 - Ascensor de Punho


Descensor com função de travamento automático, projetado para uso pessoal
em acesso por corda e salvamento. Possui uma alavanca para controlar a descida e
pode ser usado para ascensão em algumas configurações. Versátil, seguro e eficiente
tanto para descida quanto para ascensão. Respeitado as regras do fabricante, pode
ser utilizado para tracionamento de cabos. Alguns modelos apresentam mecanismo
antipânico que trava a corda se a alavanca for puxada demais.
Deve possuir certificação NFPA.

Deve possuir CTS ou WLL mínimo de 135 Kg.


Fonte: acervo da comissão
Deve recepcionar cordas de 11mm.
Ÿ Ascensor de Ventral
Deve possuir mecanismo antipânico.
Ascensor compacto, desenhado para ser usado na altura do ventre em
Figura 69 - Descensores Autoblocante com Antipânico
conjunto com uma cadeirinha nível 3 e um ascensor de punho. Fixa-se à corda de
maneira similar ao ascensor de punho, mas é posicionado no ventre e conectado à
cadeirinha, permitindo que o bombeiro suba com um movimento de "caminhada
vertical". Deixa as mãos livres e otimiza o movimento ascendente, tornando a
ascensão mais ergonômica e menos cansativa. Ideal para ascensões longas e
técnicas de acesso por corda.
Deve recepcionar cordas de 11mm.

Deve possuir CTS ou WLL mínimo de 135 Kg.


Fonte: acervo da comissão
Figura 71 - Ascensor de Ventral
8.3.2 Blocantes e Ascensores

Dispositivos essenciais para atividades que envolvem movimentação vertical


em cordas, como escalada, espeleologia, salvamento e acesso por corda. São
projetados para permitir a ascensão segura e eficiente, bloqueando-se em uma
direção e deslizando livremente na outra.
Devem possuir certificação EN, NFPA ou Equivalente.

Ÿ Ascensor de Punho Fonte: acervo da comissão

63 64
Ÿ Ascensor de Pé Ÿ Trava quedas

Dispositivos projetados para serem usados no pé, complementando o uso de Dispositivo de retenção de queda ligado a corda e a cadeirinha do bombeiro,
ascensores de punho e ventral. Eles oferecem um ponto adicional de contato com a atuando de maneira a impedir que o militar sofra uma queda, evitando a queda livre e
corda, facilitando uma ascensão mais rápida e com menos esforço. O militar "pisa" minimizando os riscos de lesões graves ou fatais. Deve mover-se livremente para
para cima, movendo-se de forma eficiente pela corda. Aumenta significativamente a cima e para baixo na corda, sem a necessidade de o bombeiro manipulá-lo. Pode ser
eficiência da ascensão ao permitir o uso das pernas, que são mais fortes que os usado com um absorvedor de energia.
braços, reduzindo o cansaço. Usado em combinação com outros ascensores para Deve recepcionar cordas de 11mm.
ascensões prolongadas em espeleologia, escalada em grandes paredes, e situações
de salvamento. Figura 74 - Modelo de trava quedas para corda
Deve recepcionar cordas de 11mm.

Figura 72 - Ascensor de Pé

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Absorvedor de energia
Fonte: acervo da comissão

Tem a função de limitar a força de impacto transmitida ao bombeiro pela


Ÿ Bloqueador mecânico
dissipação da energia cinética gerada por uma queda, desse modo, a energia da
queda é retirada com o objetivo de suavizar a força decorrente do sistema,
Dispositivos utilizados para bloquear, progredir, posicionar ou se segurar em minimizando a tensão reproduzida nas ancoragens e no bombeiro.
uma corda, bloqueando automaticamente sob carga em uma direção e permitindo o Figura 75 - Modelos de Absorvedor de energia.
movimento livre na outra. Eles são essenciais em diversas atividades verticais,
incluindo escalada, espeleologia, acesso por corda e operações em altura, fornecendo
uma maneira segura e eficaz de controlar o movimento ao longo de uma corda.
Deve possuir certificação NFPA.

Deve recepcionar cordas de 11mm.

Deve-se priorizar equipamento de came não dentada.


x
Figura 73 - Bloqueadores mecânicos do tipo castanha Fonte: acervo da comissão

Ÿ Descensor autoblocante com polia de captura de progresso integrada

Dispositivo multifuncional usado em atividades de acesso por corda,


salvamento e escalada, que combina as funções de controle de descida, bloqueio
automático e sistema de içamento e tracionamento num único equipamento. Este tipo
de descensor permite ao militar gerenciar descidas e tracionamentos de maneira
controlada, com a capacidade de parar e bloquear a corda automaticamente em
Fonte: acervo da comissão qualquer ponto, sem a necessidade de um nó adicional ou dispositivo de bloqueio.

65 66
A polia de captura de progresso integrada é uma característica chave que
distingue este descensor, permitindo que ele seja usado também para criar um
sistema de vantagem mecânica para içar cargas ou realizar um resgate. Quando o
dispositivo está no modo de içamento, a polia integrada captura o progresso da corda,
mantendo a carga na posição desejada e facilitando a progressão.
Devido ao seu peso e robustez, este equipamento é indicado para uso em
ancoragens.
Devem possuir certificação NFPA.
Fonte: acervo da comissão
Deve recepcionar cordas de 11mm.
Ÿ Fita tubular
Deve possuir CTS ou WLL mínimo de 270 Kg.

Deve possuir trava antipânico. Tipo de fita em forma de tubo, feita geralmente de nylon, que é plana quando
não está sob tensão. É conhecida por sua versatilidade e resistência, sendo usada
Figura 76 - Descensores autoblocante com polia de captura de progresso integrada para fazer lingas personalizadas, ou até mesmo como parte de um sistema de
ancoragem. Quando sob carga, a natureza tubular permite que a fita se expanda
ligeiramente, oferecendo uma certa elasticidade e absorção de energia. Apesar de ser
leve, a fita tubular é extremamente resistente e durável, tornando-a uma escolha
popular para aplicações críticas de segurança.
Devem possuir certificação UIAA, EN, NFPA ou Equivalente.

Figura 78 - Fita Tubular

Fonte: acervo da comissão

8.4 Ancoragens

Servem como pontos de fixação estáveis para cordas, sistemas de segurança


e equipamentos, proporcionando um meio seguro de progressão, posicionamento e
proteção contra quedas.
As ancoragens podem ser naturais, isto é, formadas por características do Fonte: acervo da comissão
ambiente, como árvores, grandes blocos de pedra e formações rochosas ou
ancoragens artificiais que incluem equipamentos instalados ou colocados no ambiente Ÿ Anel de fita
para criar pontos de fixação, tais como:
Utilizados em diversas aplicações como escalada, alpinismo e salvamento, são
Ÿ Cinta de ancoragem peças essenciais do equipamento de segurança, oferecendo versatilidade e
resistência para ancoragens, extensões de proteções, ou até mesmo para auxiliar na
Feitas de nylon ou poliéster, podem ser planas e tubulares. São flexíveis e progressão em terreno difícil.
frequentemente usadas em ancoragem devido à sua resistência e versatilidade. Para Confeccionadas em Nylon que oferece mais elasticidade e absorção de energia
melhor utilização deve-se seguir os mesmos cuidados apresentados para as cordas. em caso de uma queda ou em Dyneema que é conhecido por sua resistência superior
e leveza, mas com menor elasticidade.
Devem possuir certificação UIAA, EN, NFPA ou Equivalente. Podem ser usados para conectar equipamento de proteção à cadeirinha,
equalizar ancoragens, ou como ponto de amarração para rapel.
Devem possuir resistência mínima de 40KN.

No CBMMG padronizamos cintas com comprimento de 200 cm

Figura 77 - Cintas de ancoragem

67 68
Devem possuir certificação UIAA, EN, NFPA ou Equivalente. Requerem equipamento especializado para perfurar a rocha e, no caso dos
colados, adesivo apropriado para fixá-los.
No CBMMG padronizamos anel de fita com comprimento de 120
Devem possuir certificação UIAA, EN, NFPA ou Equivalente.
centímetros.
Figura 81 - Parabolt com Chapeleta
Figura 79 - Anel de Fita

Fonte: acervo da comissão


Fonte: acervo da comissão
8.5 Equipamento de Proteção Individual (EPI)
Ÿ Estacas e tensionadores
Refere-se aos equipamentos destinados à proteção individual contra um ou
As estacas, geralmente forjadas com metal resistente, de perfil em “L”, mais riscos à saúde ou segurança enquanto realiza suas atividades. EPI são cruciais
possuem em torno de 70 cm de comprimento, tendo nas pontas o formato de um “V”, em ambientes onde exista a possibilidade de exposição a perigos físicos, químicos,
para facilitar sua colocação no solo. Já os tensionadores, são estacas menores, com biológicos, elétricos, mecânicos, ou qualquer outro tipo de risco potencial à integridade
cerca de 30 cm a 40 cm de comprimento, geralmente de formato cilíndrico, com as física e saúde do indivíduo.
pontas bem afiadas, para facilitar também, sua colocação no solo.
Figura 80 - Estacas e Tensionadores Ÿ Capacete

Figura 82 - Capacete de salvamento

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Parabolt e chapeleta Fonte: acervo da comissão


Projetados para proteger a cabeça de impactos, perfurações e outros tipos de
Parabolts são parafusos de expansão ou colados que são permanentemente lesões possuem as seguintes características:
instalados em furos perfurados na rocha ou concreto e as chapeletas são pequenas Camada mais externa feita de materiais resistentes como ABS (Acrilonitrila
placas de metal, geralmente feitas de aço inoxidável ou galvanizado, que são fixadas Butadieno Estireno) ou policarbonato. Essa camada é projetada para resistir a
permanentemente na rocha ou em estruturas artificiais de escalada através de impactos e dispersar a força do impacto sobre uma área maior, reduzindo a pressão
parabolts. em um ponto específico.
Uma chapeleta tem um orifício ou um anel onde o militar pode prender um Camada interna de absorção de Impacto normalmente feita de poliestireno
mosquetão, conectando assim a corda para segurança durante o trabalho. expandido (EPS) ou espuma de polipropileno expandido (EPP), essa camada absorve
Amplamente usados em rotas de escalada e em pontos de ancoragem para a energia do impacto, reduzindo a força que chega ao crânio.
salvamento, este conjunto, parabolt com chapeleta, oferece um ponto de ancoragem
muito confiável quando bem instalados e em bom estado.

69 70
Sistema de ajuste, em sua maioria, inclui um sistema de ajuste na parte
traseira, como um dial ou tiras ajustáveis, que permite ao bombeiro apertar ou afrouxar
o capacete para um encaixe seguro e confortável.
Ventilação são orifícios incorporados ao design para promover o fluxo de ar e
manter a cabeça resfriada. A quantidade e o posicionamento dos orifícios podem
variar dependendo do tipo de capacete.
Forração são almofadas internas removíveis e lavável para conforto e higiene,
além de ajudar a garantir um ajuste confortável.
Fonte: acervo da comissão
Correias e fivelas são ajusteis de queixo que garantem que o capacete
permaneça no lugar durante um impacto. As fivelas permitem um ajuste fácil e seguro. Equipamentos de proteção individual para atividades que envolvem trabalho
em altura, escalada, alpinismo, espeleologia e operações de salvamento. Projetados
EPI de uso obrigatórios.
para distribuir de forma segura as forças de impacto de uma queda pelo corpo,
minimizando o risco de lesões.
Devem possuir certificação UIAA, EN, NFPA ou Equivalente.
A escolha do cinto ou cadeirinha adequada deve considerar a atividade
específica, o conforto, a facilidade de uso e as características de segurança. Um ajuste
Ÿ Luvas de proteção adequado é crucial, não apenas para a segurança, mas também para garantir a
liberdade de movimento necessária para a realização das tarefas.
Figura 83 - Luvas de proteção
A cadeirinha que prende ao redor da cintura e ao redor das coxas ou sob as
nádegas e projetada para ser usada para fuga de emergência com uma carga de 135
kg é designada como nível I.
A cadeirinha que prende ao redor da cintura e ao redor das coxas ou sob as
nádegas e projetado para resgate com uma carga de 270 kg é designada como nível
II.
A cadeirinha que se prende ao redor da cintura, ao redor das coxas ou sob as
nádegas e sobre os ombros, e projetada para resgate com uma carga de 270 kg é
designada nível III e deve possuir um ou mais pontos de conexão.
Um cinto que se prende apenas na cintura e se destina ao uso como um
Fonte: acervo da comissão dispositivo de auto-resgate de emergência é designado como um cinto de escape,
também conhecido como cinto de rapel emergencial. É de uso individual e não
Projetadas para proteger as mãos contra diversos riscos, incluindo cortes, substitui as cadeirinhas nível I, II ou III para a realização de trabalhos em altura,
abrasões, queimaduras, exposição a produtos químicos, impactos e temperaturas devendo ser utilizado exclusivamente em emergências onde não é possível equipar-
extremas possuem as seguintes característica: se com uma cadeirinha 3 padronizada no CBMMG para Salvamento em Altura.
Confeccionas em couro ou material de qualidade superior, projetadas de modo O cinto de escape e as cadeirinhas apresentam como componentes principais:
a oferecer destreza ao bombeiro, permitindo movimentos finos das mãos e dedos.
Deve possuir revestimento reforçado na palma e face palmar dos dedos para Ÿ Cinto de cintura: parte da cadeirinha que circunda a cintura do bombeiro. Deve
melhorar a proteção contra cortes, abrasões, queimaduras e melhorar a aderência.
ser confortável e ajustável, com fivelas de travamento seguro.
EPI de uso obrigatórios.
Ÿ Cinto de perna: cintas ajustáveis que passam ao redor das coxas. Além de
Devem possuir certificação CA, EN, NFPA ou Equivalente.
ajudar a distribuir as forças de uma queda, os cintos de perna garantem que o
bombeiro não seja ejetado da cadeirinha durante uma queda.
Ÿ Cadeirinhas e Cinto de escape
Ÿ Cinto de peito: cintas ajustáveis que passam sobre o peito, ombros e costas.
Figura 84 - Cadeirinha nível 1, 2, 3 e Cinto de escape Além de ajudar a distribuir as forças de uma queda, os cintos de peito garantem que
o bombeiro não seja ejetado da cadeirinha durante uma queda.
Ÿ Ponto de amarração de cintura: localizado na frente da cadeirinha, na altura da
cintura, é o ponto onde o bombeiro se conecta ao sistema de segurança, como cordas
ou dispositivos de descida.
71 72
Ÿ Ponto de amarração ventral: localizado na frente da cadeirinha, na altura do EPI de uso obrigatórios.
abdômen, é o ponto onde o bombeiro se conecta ao trava quedas e/ou talabarte. No CBMMG padronizamos a cadeirinha nível 3 para Salvamento em
Ÿ Pontos de amarração secundários: ponto de conexão adicional localizados em Altura.
várias partes da cadeirinha, sendo dorsal para uso do talabarte, trava quedas ou corda
Devem possuir certificação EN, NFPA ou Equivalente.
de segurança e laterais para posicionamento.
Ÿ Fivela de ajuste: permite o ajuste fino da cadeirinha para um encaixe perfeito. Ÿ Óculos de proteção
Podem ser de vários tipos, como fivelas de passagem dupla, automáticas ou fecho de
gancho. Figura 85 - Óculos de proteção com tirante a segurança

Ÿ Alça de transporte: algumas cadeirinhas incluem uma alça na parte traseira e


lateral do cinto de cintura para conectar equipamentos auxiliares tais como
mosquetões e fitas. Não possuem resistência para trabalho como os pontos de
amarração, devem ser utilizados exclusivamente para transporte de materiais.

Tem como características e especificações:


Fonte: acervo da comissão
Ÿ Certificações: deve atender a padrões e certificações específicas, como as Essenciais para proteger os olhos contra uma variedade de riscos, incluindo
normas EN, NFPA ou equivalente para cadeirinhas, assegurando sua eficácia em partículas voadoras, produtos químicos, radiação solar e impactos. Devem apresentar
proteção contra radiação ultravioleta, possuir hastes ajustáveis ou tiras elásticas para
proteger contra quedas. garantir um ajuste seguro e confortável para diferentes tamanhos de cabeça.
Ÿ Ergonomia e conforto: possuir características ergonômicas, como design que Devem atender as normas do CBMMG quanto a cor, tamanha e modelo.
se ajusta à forma do corpo, acolchoamento extra e materiais que permitem a Ÿ Longe
ventilação, essenciais para o uso durante longos períodos.
Ÿ Ajustabilidade: deve oferecer ampla ajustabilidade para acomodar diferentes Também conhecidos como solteira, autosseguro, cow's tail, dentre outros, são
componentes essenciais em sistemas de segurança para trabalhos em altura,
tamanhos e camadas de roupas, garantindo que a cadeirinha fique segura e escalada, alpinismo, e operações de salvamento. Funcionam como conexões flexíveis
confortável em qualquer situação. entre o ponto de conexão ventral da cadeirinha do bombeiro e um ponto de ancoragem
ou sistema de proteção contra quedas e podem apresentar modelos de comprimento
fixo ou ajustável e com absorvedor de energia ou não.
Em relação a manutenção e cuidados, deve-se: Podem ser manufaturados, isto é, de fabricação industrial no qual apresenta
as terminações costuradas de fábrica e certificação NFPA, EN, UIAA ou equivalente.
Ÿ Limpeza: deve ser limpa de acordo com as instruções do fabricante, geralmente Também podem ser confeccionados, isto é, produzidos com corda dinâmica, neste
com água morna e sabão neutro, deixado para secar naturalmente longe de fontes caso a corda deve possuir certificação NFPA, EN, UIAA ou equivalente, possuir
comprimento de 4,5 a 5 metros e diâmetro entre 9 e 10,5 mm.
diretas de calor. A extremidade de cada longe, manufaturado ou confeccionados, deve possuir
Ÿ Armazenamento: guardar em local limpo, seco e protegido da luz solar direta um mosquetão, sendo classe K, do tipo Gancho (eashook) de fechamento automático
de alumínio para os longos e oval para o curto.
para evitar a degradação dos materiais. É importante considerar a resistência e a absorção de energia, pois, embora o
longe seja destinado para posicionamento, pode agir como retenção de queda quando
a possibilidade de queda é real.
Recomenda-se que o longe longo tenha o comprimento do braço do bombeiro
(aproximadamente 60 cm) e o curto o comprimento do antebraço do bombeiro
(aproximadamente 30 cm).
73 74
EPI de uso obrigatórios. Isso requer não apenas o equipamento adequado, mas também treinamento
especializado para os bombeiros, permitindo-lhes avaliar riscos, aplicar técnicas
No CBMMG padronizamos a utilização de dois longes longos e um curto. apropriadas de resgate e utilizar os equipamentos de forma segura e eficaz.

Devem possuir certificação EN, NFPA ou Equivalente. Ÿ Almofada de ar para resgate

Ÿ Longes manufaturados Projetadas para proporcionar um ponto de pouso seguro para pessoas em risco
de precipitação ou que precisem saltar de edifícios ou estruturas elevadas durante
Figura 86 - Modelos variados de longes Manufaturados emergências.
São feitas de materiais altamente duráveis e resistentes a rasgo, normalmente
fabricadas com camadas de PVC ou materiais similares que oferecem resistência e
flexibilidade. São projetadas para suportar o impacto de um salto de altura, devendo
oferecer segurança para indivíduos que caiam ou saltem de altura superior a 3 metros,
sendo a altura máxima de trabalho limitada ao modelo do equipamento.
Deve possuir capacidade de ser inflada em tempo inferior a 2 minutos, usando
sistemas de ar comprimido e possuir dimensões mínimas de 4x4x2 metros
(Comprimento x Largura x Altura).
Para o emprego da almofada de ar para resgate deve-se seguir rigorosamente
Fonte: acervo da comissão o manual de instrução do usuário, com destaque ao peso suportado, altura da queda,
manutenção, inspeção, conservação e forma de utilização.
Ÿ Longes confeccionados
Este equipamento não deve ser empregado como sistema principal de
Para sua confecção, deve-se conectar o longe ao ponto de conexão da cintura salvamento e sim como segurança (backup) de uma abordagem às vítimas com
da cadeirinha por meio de dois nós aselha em oito induzido e na extremidade de cada risco de precipitação.
longe, curto e longos, deve-se confeccionar um nó aselha em oito para conexão dos
mosquetões.
Figura 88 - Almofada de Ar para resgate
Figura 87 - Longe confeccionado com corda dinâmica

Fonte: acervo da comissão


Fonte: acervo da comissão.
A escolha correta e o uso adequado de longes são fundamentais para garantir Ÿ Maca Cesto
a segurança e a eficácia em atividades que envolvem riscos de queda.
Projetadas para operações de salvamento em terrenos difíceis, permitindo a
8.6 Sistema de Resgate
imobilização e o transporte seguro de vítimas. Feitas de materiais resistentes, como
alumínio e plástico reforçado, elas oferecem proteção integral à vítima. Podendo ser
A finalidade de um sistema de resgate é dupla: proporcionar um meio eficaz usada com pranchas.
para acessar, estabilizar e extrair vítimas de situações perigosas ou de difícil acesso Através de cordas ou cintas de elevação pode ser arrastada ou içada facilmente
e fazer isso de maneira que proteja a integridade física tanto das vítimas quanto dos com segurança, devendo atentar-se aos riscos de rasgos e cortes.
bombeiros. Figura 89 - Maca Cesto

75 76
Ÿ Polias

Dispositivos usados para criar sistemas de redução de força, facilitando o


levantamento de cargas pesadas. Elas multiplicam a quantidade de força necessária
para mover uma carga, tornando as operações de salvamento e acesso por corda
mais eficientes. Algumas possuem destorcedor de cordas integrado.
Devem possuir certificação EN, NFPA ou Equivalente.
Fonte: acervo da comissão
Polias simples e dupla lateral deve possuir resistência mínima de 36KN e
Ÿ Maca Envelope polia dupla em linha deve possuir resistência mínima de 18KN

Figura 92 - modelos variados de polias


Também conhecida como macas de lona ou sked, são versáteis e leves, feitas
de material flexível que pode ser enrolado em torno da vítima, facilitando o transporte
em espaços confinados ou terrenos irregulares. Podendo ser usada com pranchas.
Através de cordas ou cintas de elevação pode ser arrastada ou içada facilmente com
segurança, devendo atentar-se aos riscos de rasgos e cortes.
Figura 90 - Maca Envelope

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Sistema de polias 4:1 / 5:1

Sistema de vantagem mecânica manufaturado para salvamento de vítima,


ancoragem liberável ou tensionamento de sistema.
Fonte: acervo da comissão
Permite vantagem mecânica de 4:1 e/ou 5:1, dependendo da posição de uso e
é composto por duas polias duplas laterais com destorcedor de corda, sendo uma com
Ÿ Tripé bloqueador, uma corda ou cordelete com uma ponta ancorada na placa central da
polia bloqueadora e a outra com terminação costurada para manuseio do sistema,
Estruturas portáteis usadas como pontos de ancoragem ou desvio em dois mosquetões automáticos, um em cada extremidade do conjunto.
operações de salvamento e acesso por corda, especialmente em espaços confinados Devem possuir certificação EN, NFPA ou Equivalente
ou onde pontos de ancoragem fixos não estão disponíveis.
Eles permitem a montagem de sistemas de polias para elevação ou descida de Figura 93 - Modelo de Sistema de polias 4:1 / 5:1
cargas e pessoas.
Figura 91 - Tripé

Fonte: acervo da comissão

Fonte: acervo da comissão Ÿ Placa de Ancoragem

77 78
Permitem a conexão segura de múltiplas linhas de corda a um único ponto de
ancoragem. São essenciais em operações de salvamento e escalada, proporcionando
um sistema de ancoragem organizado e seguro para distribuir a carga entre várias
linhas.
Devem possuir certificação NFPA.

Deve possuir no mínimo 4 furos para trabalho.

Figura 94 - Placa de Ancoragem Fonte: acervo da comissão

Ÿ Destorcedor de Corda

Dispositivo que previne a torção da corda durante operações de salvamento.


Esse mecanismo é importante para manter a eficácia do sistema e evitar a formação
de nós ou emaranhados.
Devem possuir certificação EN, NFPA ou Equivalente.
Fonte: acervo da comissão Figura 97 - Destorcedor de Corda

Ÿ Triângulo de Salvamento

Equipamento de salvamento usado para evacuar pessoas de áreas de difícil


acesso. Também conhecido como fraldão, consiste em uma cadeirinha de corpo
inteiro em forma de triângulo, permitindo que a pessoa seja seguramente içada ou
abaixada sem necessidade de uma cadeirinha tradicional.
Deve possuir certificação EN, NFPA ou Equivalente Fonte: acervo da comissão

Figura 95 - Triângulo de Salvamento Ÿ Bolsa de Rapel Tático

Uma bolsa de rapel tático é projetada para facilitar operações rápidas e


eficientes, permitindo ao bombeiro acessar e controlar a corda de rapel de maneira
organizada. Deve ser compacta, de fácil acesso e permitir a rápida liberação da corda
quando necessário.
Figura 98 - Modelo de Bolsa de Rapel Tático

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Protetor de Corda e Quinas

Protetores de corda são usados para prevenir o desgaste e cortes em cordas


ao passar por quinas afiadas ou superfícies ásperas. Eles são importantes em
operações de salvamento e trabalho em altura, protegendo a corda contra danos que
Fonte: acervo da comissão
possam comprometer sua integridade.
Figura 96 - Modelos variados de protetor de corda e quina Ÿ Mochila estanque de cordas

79 80
Geralmente feitas de materiais duráveis e resistentes à abrasão, como lona Apresentam a configuração simples com uma única linha, em Y quando possui
TPU ou PVC. Esses materiais são escolhidos por sua capacidade de resistir a rasgos, duas linhas e ainda podem conter dispositivo que absorve energia em caso de queda,
cortes e outras formas de desgaste, garantindo que as cordas sejam protegidas em reduzindo a força do impacto transmitida ao corpo do usuário.
diversos ambientes, desde condições de umidade até terrenos rochosos ásperos.
Devem possuir certificação CA, EN ou Equivalente
As mochilas de cordas devem ser estanques e adequados para carregar
diferentes comprimentos de corda, geralmente variando de 50 a 100 metros, possuir Figura 101 – Talabarte em Y com absorvedor de energia e Talabarte em Y sem absorvedor
sistema de fechamento ajustável e alças de transporte. de energia
No CBMMG padronizamos mochila estanque de 40 e 45 L.

Figura 99 - Modelos variados de Mochilas estanque de Cordas

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Canivete

Fonte: acervo da comissão Material versátil e compacto útil em operações de salvamento, como cortar
cintos, fitas e cordas, abrir uma janela quebrada ou cortar um material que possa estar
Ÿ Estribo obstruindo o acesso a algo importante. Seja para uso diário ou atividades específicas,
escolher um canivete de qualidade que atenda às suas necessidades pode
Também conhecidos como pedal, são faixas de material resistente usadas para proporcionar conveniência e funcionalidade por muitos anos.
auxiliar na ascensão por cordas. Eles oferecem um ponto de apoio para os pés, Figura 102 - modelos de Canivete
permitindo que o bombeiro suba de forma mais eficiente e com menos esforço,
utilizando a técnica de ascensão por corda fixa. Pode ser confeccionado com cabo
solteiro.
Figura 100 - Modelos variados de Estribo

Fonte: acervo da comissão

8.7 Comunicação e Iluminação

Fonte: acervo da comissão Desempenham papel importante nas operações em altura, garantindo não
apenas a segurança e a eficiência da equipe, mas também a execução precisa de
Ÿ Talabarte tarefas complexas em condições potencialmente perigosas. A comunicação clara
permite que uma equipe compartilhe informações em tempo real, coordene esforços
e responda prontamente às demandas, reduzindo o risco de acidentes e melhorando
Equipamento de segurança de uso obrigatório pela NR 35. Consiste em uma
a eficiência operacional. A iluminação adequada é essencial para garantir que os
corda ou fita de material resistente que serve como conexão entre o cinto de
bombeiros possam ver claramente seu ambiente de trabalho, identificar riscos e
segurança do usuário e um ponto de ancoragem ou outro elemento de segurança.
operar equipamentos com segurança, especialmente durante a noite ou em locais
com visibilidade limitada.

81 82
Ÿ Rádios comunicadores

Figura 103 - modelo de Rádio Comunicador

Fonte: acervo da comissão


São dispositivos portáteis de iluminação, para uso em capacetes ou nas mãos,
essenciais para trabalhos em altura e operações de salvamento. Eles projetam uma
fonte de luz confiável em situações em que a iluminação ambiente é insuficiente ou
Fonte: acervo da comissão
inexistente. A escolha de uma lanterna deve ser baseada nas necessidades
Os rádios de comunicação são indispensáveis para manter equipes conectadas específicas do bombeiro, considerando fatores como de cabeça ou de mão,
e informadas, aumentando a segurança e a eficiência em ambientes de trabalho. Ao intensidade do brilho, durabilidade, tipo de alimentação e resistência à água.
escolher rádios para operações em altura ou outras atividades, é importante
considerar as especificidades da operação e as características do equipamento para 8.8 Escalada
garantir a comunicação mais eficaz possível.
Devem ser resistentes a intempéries e ter uma vida útil de bateria adequada
para operações prolongadas. Atividade física e esportiva que envolve subir, descer ou atravessar rochas,
paredes e outras elevações predominantemente verticais, utilizando as mãos, pés ou
Ÿ Apito qualquer outra parte do corpo para avançar. A prática pode ser realizada ao ar livre,
em formações rochosas naturais, ou em ambientes internos, em paredes de escalada
artificiais.
Figura 104 - modelo de Apito A escalada requer o uso de equipamentos específicos para segurança e
eficácia, incluindo:

Ÿ Proteções móveis

São equipamentos utilizados para criar pontos de ancoragem temporários em


fissuras, buracos ou outras irregularidades em rochas durante a prática de escalada
tradicional, permitindo que os escaladores progridam de forma segura. Ao contrário
das proteções fixas (como parabolts e chapeletas), que são permanentemente
Fonte: acervo da comissão instaladas na rocha, as proteções móveis podem ser colocadas e removidas pelo
próprio escalador, sem deixar marcas ou danos permanentes à rocha.
Material de sinalização simples, mas extremamente eficaz, usada em uma
A escolha da proteção móvel adequada para uma determinada fissura requer
variedade de contextos para comunicação, alerta ou pedido de socorro. Devido à sua
experiência e julgamento, considerando o tamanho, a forma e a orientação da fissura
capacidade de produzir um som penetrante que pode ser ouvido a longas distâncias,
em relação à direção esperada da carga.
mesmo em condições ambientais adversas, os apitos são itens essenciais em kits de
Colocar proteções móveis de forma eficaz requer prática e habilidade. A
sobrevivência, equipamentos de segurança para atividades ao ar livre como
proteção deve ser inserida de maneira que maximize o contato entre o equipamento
caminhada, escalada, canoagem, e em operações de salvamento.
e a rocha, garantindo que ela permaneça segura sob tensão.
O apito proporciona uma linha de comunicação em situações em que outras
formas podem falhar, carregar um apito é uma prática recomendada de segurança. Devem possuir certificação UIAA, EN ou Equivalente.

Ÿ Lanternas São tipos comuns de proteções móveis:

o Camalots ou Friends
Figura 105 - modelos de Lanterna

83 84
São dispositivos de proteção expansíveis que possuem um mecanismo de
mola. Eles podem ser ajustados para se encaixar em uma ampla gama de larguras de
fissuras, onde suas "cabeças" se expandem contra as paredes da rocha, criando um
ponto de ancoragem seguro.
Figura 106 - modelo de Camalots e Friends

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Costura

São equipamentos essenciais na escalada esportiva, usadas para conectar a


Fonte: acervo da comissão corda do escalador às proteções na rocha ou parede de escalada. Consistem em dois
mosquetões conectados por uma fita expressa, que pode variar em comprimento. Um
dos mosquetões é preso à proteção, enquanto o outro é usado para passar a corda,
o Nuts ou Stoppers minimizando o arrasto e garantindo movimentos mais livres para o escalador.
Devem possuir certificação UIAA, EN ou Equivalente
São peças de metal de diferentes tamanhos e formas, que são encaixadas em Figura 109 - modelo de Costura
fissuras estreitas na rocha. Eles dependem da força de oposição contra as paredes
da fissura para permanecer no lugar.
Figura 107 - modelo de Nuts

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Magnésio e Sacos
Fonte: acervo da comissão

o Hexentrics ou Hexes O magnésio (carbonato de magnésio) é usado por escaladores para secar o
suor das mãos, melhorando a aderência nas rochas ou agarras. Geralmente é
armazenado em pequenos sacos de magnésio, que podem ser presos a cadeirinha
Semelhantes aos nuts, mas de tamanho maior e com uma forma hexagonal, do escalador, permitindo fácil acesso durante a escalada. Existem variantes em pó,
que permite múltiplos pontos de contato e ângulos de encaixe em fissuras. São esferas e blocos, escolhidos conforme a preferência do escalador.
eficazes tanto em fissuras paralelas quanto irregulares. Figura 110 - modelo de Saco de Magnésio
Figura 108 - modelo de Hexentrics

85 86
Fonte: acervo da comissão Figura 113 - Modelo de batedor com broca

Ÿ Sapatilhas

Sapatilhas de escalada são sapatos especialmente projetados para oferecer


aderência e sensibilidade nas rochas ou paredes. Possuem solados de borracha finos
e pegajosos que maximizam o contato com a superfície, enquanto a forma ajustada
aumenta a precisão nos apoios. Existem diferentes modelos adaptados para escalada
em rocha, boulder, ou escalada indoor, variando na rigidez, perfil e curvatura para
atender às necessidades específicas de cada tipo de escalada. Fonte: acervo da comissão
Figura 111 - modelo de Sapatilha
Ÿ Furadeira Completa

Uma furadeira completa (ou perfuradora de rocha) é uma ferramenta usada


para instalar proteções fixas, como bolts e chapeletas, em rochas durante a
preparação de novas vias de escalada. Estas furadeiras podem ser manuais ou
elétricas, sendo que as versões elétricas são mais comuns para eficiência e facilidade
de uso em rochas mais duras.
Fonte: acervo da comissão Figura 114 - modelo de Kit de Furadeira

Ÿ Martelo

O martelo de escalada é utilizado principalmente em escalada tradicional e big


wall para colocar e remover pitons, uma forma de proteção passiva que é martelada
em fissuras na rocha. Alguns martelos de escalada também possuem um gancho na
extremidade oposta da cabeça, usado para remover pitons ou testar a solidez de
blocos de rocha. Fonte: acervo da comissão
Figura 112 - modelo de Martelo

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Batedor manual e broca

O batedor manual com broca permite perfurar em diferentes profundidades e


diâmetros variados. As brocas podem ser instaladas e removidas facilmente, sem a
necessidade de ferramentas adicionais. Possui empunhadura emborrachada para
absorver vibrações e guarda mão. Geralmente é munida de um furo circular, para
guardar a broca junto ao batedor, para transporte. Possui alça para segurar o batedor
no pulso enquanto utilizado, evitando perda acidental.
87 88
9 SISTEMAS DE ANCORAGEM 9.2 Sistema de Ancoragem Segura (SAS)

No CBMMG, até a ocorrência de um acidente fatal, na Prontidão de Incêndio O Sistema de Ancoragem Segura (SAS) é uma configuração de equipamentos
do 1º BBM, quando um militar, ancorado em uma ponta de coluna, que a princípio, e técnicas destinada a estabelecer pontos de ancoragem robustos e confiáveis para
parecia ser segura, no momento de sua descida, na execução de um rapel, a ponta operações em altura, escalada e outros salvamentos.
de coluna mostrou-se não ser estrutural, vindo a romper, ocasionando a queda da Constituído por componentes como pontos de ancoragem naturais ou artificiais
estrutura, em cima do militar. Após esse fato, a preocupação com os pontos de (rochas, árvores, pilares etc.), estropo (mosquetões, fitas etc.) e mecanismos de
ancoragem, principalmente no que tange ao uso de dois pontos, tornou-se padrão. distribuição de carga (placas de ancoragem).
Para a União Internacional de Associações de Alpinistas (UIAA), uma O SAS visa garantir a segurança da operação e deve seguir os seguintes
ancoragem padrão deve suportar o dobro da força de choque gerada por uma queda preceitos:
Fator 2. Para tanto, tal ancoragem tem que resistir a cargas de, no mínimo, 24 kN.
Uma ancoragem que atende a tais exigências é conhecida como Ancoragem Padrão Ÿ Redundância: O sistema deve contar com múltiplas ancoragens independentes
UIAA.
Com base nos padrões NFPA uma ancoragem deve suportar no mínimo 40 kN. para garantir que a falha de uma não comprometa a segurança geral, sendo assim,
Tal conclusão resulta do fato de que a maioria dos equipamentos de “uso geral”, que as ancoragens secundárias devem suportar no mínimo a mesma carga da ancoragem
são os equipamentos específicos para suportar as cargas mais pesadas e as
condições mais difíceis e que são adequados para uma ampla variedade de principal.
aplicações de salvamento e são específicos para oferecer a máxima segurança
possível devem possuir resistência mínima de 40 KN. No CBMMG padronizamos dois pontos de ancoragem, sendo eles, o
A escolha de um ponto de ancoragem, sólido e resistente, dependerá do
trabalho a ser realizado, da experiência, e do conhecimento teórico e prático do militar, primário (o que sofre ação direta da operação), e os secundários (considerados
visando sempre, garantir a segurança na ancoragem. como backup, são os que não sofrem ação direta da operação).
Devido à grande complexidade das operações envolvendo as técnicas de
Sistemas de Ancoragem nas operações em altura fez-se necessário detalhar e
especificar alguns pontos, deste modo temos: Ÿ Resistência: Todos os componentes do sistema devem ser suficientemente
fortes para suportar não apenas o peso esperado, mas também forças adicionais
9.1 Estropo
geradas durante quedas ou outras situações dinâmicas.

Trata-se de um arranjo robusto, configurado em forma de anel ou argola a partir Ÿ Proteção contra arestas cortantes: Deve-se tomar cuidado para evitar que
de materiais como fita, cabo solteiro, corda ou cinta, é primordialmente empregado cordas e equipamentos entrem em contato direto com arestas cortantes ou abrasivas,
para assegurar a proteção da corda em atividades de ancoragem.
Sua aplicação visa prevenir o contato direto da corda com arestas cortantes ou devendo ser utilizado protetores de corda ou quinas e posicionando as ancoragens de
"quinas vivas" no ponto de ancoragem. Ao incorporar os mosquetões, o estropo facilita forma a evitar esse risco.
e agiliza a preparação do ponto de ancoragem, eliminando a necessidade de realizar
amarrações diretas no ponto de ancoragem. Ÿ Dispositivo de proteção (fusível): Sabendo que todo nó diminui a resistência da
Essa solução não apenas otimiza o tempo de configuração, mas também eleva corda deve-se introduzir um nó blocante, confeccionado por um cordelete, na corda
significativamente a confiabilidade e segurança do sistema de ancoragem, protegendo
a integridade da corda e, consequentemente, dos bombeiros envolvidos na atividade. do sistema a fim de protegê-la das ações do nó principal, sendo assim, o cordelete
Figura 115 - modelo de Estropo sofre todas as ações da carga, falhando (correr/deslizar ou rompendo) antes de aplicar
carga no nó principal. Devido ao comportamento do fusível na corda (esmagamento)
recomenda-se que ele seja mudado de posição a cada 10 submissões de carga.

No CBMMG padronizamos o nó machard para confecção dos fusíveis.

Ÿ Avaliação e Manutenção: O sistema requer inspeção regular e manutenção

Fonte: acervo da comissão


para garantir que todos os componentes permaneçam em condição segura de uso.

89 90
Figura 116 - Detalhamento de um Sistema de Ancoragem Segura (SAS) Para as operações de Salvamento em Altura deve-se priorizar o emprego
do SAS.

9.3 Ancoragem à prova de bomba

Um “ponto à prova de bomba” é identificado em operações de salvamento em


altura como um ponto de fixação excepcionalmente robusto. Devido à sua notável
resistência, esse ponto elimina a necessidade de sistemas secundários de ancoragem
Fonte: acervo da comissão ou medidas de segurança adicionais.
O “ponto à prova de bomba” é um ponto de ancoragem que, devido à sua
1- Ancoragem Primária: local que sofrerá ação direta da atividade a ser integridade estrutural superior, é capaz de suportar cargas extremas sem falhar. Esta
executada. característica o torna ideal para situações em que a segurança absoluta é crítica, pois
a) Ponto de ancoragem - rochas, árvores, pilares etc. sua resistência excede a de qualquer outro componente do sistema de ancoragem.
b) Estropo - proteção do ponto de ancoragem. Em contextos de uso, como escalada em rocha, resgate urbano ou industrial, a
c) Nó alceado - confeccionado preferencialmente, com o nó oito direcional. confiança em um “ponto à prova de bomba” permite operações mais rápidas e
d) Fusível - deve ser confeccionado antes do nó de ancoragem. Objetivando eficientes sem a necessidade de redundâncias.
deixar todo o peso da atividade no fusível, deve ser deixada uma folga de Ao utilizar um “ponto à prova de bomba”, reforços adicionais como ancoragens
aproximadamente 30cm, do nó blocante para o nó da ancoragem. secundárias ou backups tornam-se desnecessários. Isto simplifica significativamente
e) Lazeira - folga de aproximadamente 30cm, que deve ser deixada entre o o processo de montagem da ancoragem. Para a execução prática, uma ancoragem
fusível e o nó de ancoragem do ponto primário. utilizando um “ponto à prova de bomba” pode ser configurada com fitas tubulares,
2- Catenária: distância de corda que deve existir entre o ponto primário e o mosquetões, cordeletes e cordas. A escolha desses materiais deve ser baseada na
secundário, devendo ficar de tal forma, que o peso se concentre 100% no ponto compatibilidade com a carga esperada e no tipo de atividade.
primário e não deve ser folgada ao ponto de proporcionar um fator de queda 2 na Em um ambiente de escalada, um “ponto à prova de bomba” pode ser um
ancoragem secundária em caso de rompimento da primária. grande bloco de rocha ou uma árvore robusta cuja base e saúde foram
3- Ancoragem Secundária: É o local considerado como backup, que não sofre cuidadosamente avaliadas para garantir que possam suportar forças dinâmicas da
ação direta da atividade. escalada ou de uma possível queda.
a) Ponto de ancoragem - rochas, árvores, pilares etc. Durante operações de salvamento em um contexto urbano, um “ponto à prova
b) Estropo - proteção do ponto de ancoragem. de bomba” pode ser uma estrutura de concreto armado ou uma coluna de aço bem
c) Nó alceado - confeccionado preferencialmente, com o nó aselha em oito. ancorada e testada para suportar não apenas o peso da vítima, mas também as forças
adicionadas pelo equipamento.
Ÿ Para a confecção de um SAS o ponto primário e o ponto secundário podem
Figura 118 - modelos de "ponto à prova de bomba"
estar ligados por uma corda em separado, sendo assim uma corda independente parte
do ponto secundário e conecta-se ao estropo do pronto primário ligando os dois pontos
de ancoragem e garantindo a redundância do sistema.

Figura 117 - variação do SAS com ligação independente entre ponto primário e secundário

Fonte: acervo da comissão


Apesar da confiança no “ponto à prova de bomba”, é fundamental realizar uma
avaliação criteriosa do ponto de ancoragem antes de cada uso, verificando sinais de
desgaste, danos ou alterações no ambiente que possam comprometer sua
integridade. Esta prática assegura que o ponto mantém suas propriedades de
resistência e segurança ao longo do tempo.
Fonte: acervo da comissão

91 92
9.4 Ancoragem Debreável 9.5 Ancoragem Ejetável

Técnica no qual a ancoragem é dinâmica, podendo a qualquer momento, Técnica que permite a recuperação da corda após a realização do trabalho. A
mesmo com peso na corda tensionada, ser realizada operação de tensionamento, montagem de uma ancoragem ejetável impossibilita o uso de dois pontos de
subida ou descida da carga que se encontra na rota sem precisar ser desmontada ou ancoragem, sendo assim é necessário o uso de um ponto a prova de bomba.
substituída. Pode ser confeccionada para diversas finalidades tal como rapel, tirolesa, Existem várias formas de executar a ancoragem ejetável, dentre elas temos:
cabo aéreo ou corredor de segurança.
A ancoragem debreável pode ser montada com o uso do nó UIAA, com o Ÿ Fixa
emprego do freio oito ou com descensores autoblocantes. Sendo realizada com o nó
UIAA ou com freio oito deve-se, obrigatoriamente, realizar seu travamento com nó
blocante quando não estiver sendo empregado sua operação dinâmica, isto é, subida Deve-se passar a corda permeada pelo ponto de ancoragem até que ambas as
ou descida de carga. pontas fiquem em contato com o solo. Com o uso de um descensor que permita a
Esta técnica deve ser empregada em pontos “a prova de bomba” ou combinada descida com corda dupla, o rapel é realizado e ao término, uma das pontas é puxada
com um SAS. e a corda é recuperada.
Quando combinado com um SAS, deve-se atentar ao dimensionamento do Neste formato a corda permanece estática em contato com o ponto de
tamanho da catenária entre as duas ancoragens, primária e secundária, de modo a ancoragem, não havendo movimentação para nenhum dos dois lados da corda.
garantir a execução dos trabalhos. Figura 121 - Ancoragem Ejetável Fixa
Para o emprego desta técnica, quando da utilização do nó UIAA ou freio oito, é
recomendado a implementação de um dispositivo de captura progressiva para garantir
a segurança da operação.
Figura 119 - variações de Ancoragem Debreável

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Móvel

Fonte: acervo da comissão Deve-se passar a ponta da corda do rapel pela ancoragem e prendê-la à
cadeirinha por meio de um nó aselha em oito. Com o outro lado da corda conecte a
Ÿ Dispositivo de Captura Progressiva (DCP) um descensor e realize o rapel e ao término, desfaça a aselha da cadeirinha e
recupere a corda pelo lado do descensor.
Mecanismo que permite ao militar gerenciar descida e subida de cargas de Para esta técnica deve-se atentar que a corda deve ser no mínimo duas vezes
maneira controlada, com a capacidade de parar e bloquear a corda automaticamente e meia a altura de descida e que haverá atrito da corda com a ancoragem durante
em qualquer ponto, impedindo que a carga retorne à posição inicial. todo processo de descida.
Para sua confecção pode-se utilizar bloqueadores mecânicos ou nós blocantes. Figura 122 - Ancoragem Ejetável Móvel
Figura 120 - variações de Dispositivo de Captura Progressiva (DCP)

Fonte: acervo da comissão


Fonte: acervo da comissão

93 94
9.6 Equalização

Equalização é o processo de distribuir uniformemente a carga ou força entre


vários pontos de ancoragem em um sistema de ancoragem. Este conceito é
fundamental em atividades como escalada, salvamento, trabalho em altura e outras
operações que envolvem a suspensão de cargas ou pessoas quando não há um ponto
de ancoragem suficientemente resistente para o trabalho.
A ideia central da equalização é garantir que, na ocorrência de uma força
aplicada ao sistema (como o peso de um bombeiro, uma queda, ou o peso de uma Fonte: acervo da comissão
carga sendo içada), essa força seja compartilhada de maneira equitativa entre todos
os pontos de ancoragem disponíveis. Ÿ Equalização em “M”
O principal objetivo da equalização é aumentar a segurança do sistema de
ancoragem. Ao distribuir a carga entre múltiplos pontos, reduz-se o risco de falha de
Utilizada também, para dividir a carga, em dois pontos de ancoragem. Se
um único ponto levar ao colapso total do sistema. Isso oferece uma margem de
comparada com a equalização em “V”, confere maior resistência, porém, menor
segurança adicional, protegendo contra imprevistos e incertezas inerentes ao
mobilidade.
ambiente e às condições de uso.
Em um sistema com múltiplos pontos de ancoragem, se um ponto falhar, os Figura 124 - equalização em "M"
restantes não devem sofrer uma súbita extensão da carga, o que poderia provocar
forças de choque adicionais e potencial falha em cascata.

Ÿ Métodos de Equalização

Equalização Dinâmica: Utiliza dispositivos ou técnicas que permitem o ajuste


automático do sistema à direção da força aplicada, ideal para situações em que a
direção da carga pode mudar.
Equalização Estática: Emprega uma configuração fixa, onde as distâncias entre Fonte: acervo da comissão
os pontos de ancoragem e o ponto central de conexão são pré-ajustadas para
distribuir a carga de maneira igual, adequada para situações com direção de carga Ÿ Equalização em “W”
conhecida e estática.

9.6.1 Tipos de Equalização Utilizada para dividir a carga, em três ou mais pontos de ancoragem. Se
subdivide em duas vertentes, W longo quando passa a fita ou corda de forma simples
Existem basicamente, três tipos de equalização, quais sejam, em “V”, “W”, e dentro dos mosquetões e W curto quando passa a fita ou corda permeado por dentro
“M”, variando a utilização, de acordo com a disponibilidade dos pontos de ancoragem. do mosquetão. A equalização em “W” longo, permite uma maior movimentação do
sistema, enquanto a equalização em “W” curto, confere maior robustez, mas com
Ÿ Equalização em “V” perda considerável de mobilidade.
Figura 125 - equalização em "W" curto e longo

Utilizada para dividir a carga, em dois pontos de ancoragem, possibilita uma


maior movimentação do sistema.
Figura 123 - equalização em "V"

Fonte: acervo da comissão

95 96
Nas equalizações, em “V” e “W”, para evitar o colapso do sistema, caso ocorra em Oito, que através de um mosquetão, será clipada nas alças, permitindo que a
falha, quebra, ou ruptura de algum dos pontos, deve-se realizar um anel na fita ou equalização fique multidirecional, ao mesmo tempo que essa Aselha, funciona
corda, antes de conectá-la ao mosquetão, fazendo assim, o que denominamos de também como um “Magic X”.
“Magic X”, possibilitando que os demais pontos se reorganizem e permaneçam Figura 128 - equalização em "V" e em “W” com nó Lais de Guia
funcionando, com o peso da carga equalizado.
Figura 126 - equalização em "V" e em "W" com Magic X

Fonte: acervo da comissão

Fonte: acervo da comissão 9.7 Ângulo de Trabalho


Para confecção das equalizações podemos utilizar anéis de fitas, fita tubulares
e cabos solteiros. Na falta destes materiais ou em situações que os pontos de Em operações de salvamento em altura e outras atividades que exigem o uso
ancoragem sejam muito distantes, podemos usar a própria corda para promover a de sistemas de ancoragem, a gestão adequada dos ângulos entre os pontos é
equalização, para tanto se utiliza o nó Aselha Dupla ou o nó Lais de Guia, como se essencial para garantir a segurança e eficiência da operação.
vê: Trabalhar no intervalo de ângulos entre 60º e 120º em sistemas de ancoragem
é uma prática recomendável pois este intervalo oferece um equilíbrio ideal entre
Ÿ Equalização com nó Aselha Dupla segurança, eficiência e distribuição de carga uma vez que para um ângulo de 60º,
cada ponto de ancoragem suporta aproximadamente 60% da carga trabalhada e à
medida que o ângulo aumenta, esse percentual também cresce ao ponto de, para o
Pode ser confeccionada em “V” e “W”. Se resume em confeccionar uma Aselha
ângulo de 120º, cada ponto suportando 100% da carga original.
Dupla, de modo que uma das alças fique maior que a outra, de acordo com a distância
entre os pontos de ancoragem. Posteriormente, a alça maior deverá ser passada nos Entretanto, para operações de Salvamento em Altura realizadas pelo CBMMG,
pontos de ancoragem, e unidas com a alça menor, através de um mosquetão, esse excepcionalmente, os ângulos de ancoragem podem chegar no valor máximo de 150º
detalhe fará com que a equalização fique multidirecional, ao mesmo tempo que a alça garantindo assim que cada ponto de ancoragem seja exigido em até 200% da carga
menor, funciona também como um “Magic X”. originária.
Figura 127 - equalização em “V” e em “W” com nó Aselha Dupla Antes de optar por trabalhar no limite superior do intervalo (121º a 150º), é
crucial verificar a capacidade de carga de todos os materiais e equipamentos
componentes do sistema e de cada ponto de ancoragem. Os pontos devem ser
avaliados não apenas pela sua força, mas também pela sua estabilidade e
confiabilidade sob cargas elevadas.

Angulação recomendada está no intervalo de 60º e 120º.


Angulação crítica está no intervalo de 121º a 150º.
Angulação proibida está nos valores acima de 150º
Fonte: acervo da comissão

Figura 129 - Porcentagem da carga na ancoragem conforme variação na angulação


Ÿ Equalização com nó Lais de Guia

Essa equalização, pode ser confeccionada em “V’ e “W”. Se resume em passar


a ponta da corda pelos pontos de ancoragem, e após, efetuar o Nó Lais de Guia,
deixando uma distância entre os pontos, como comprimento do restante de corda,
após o arremate do nó. Nesse chicote restante, deverá ser confeccionada uma Aselha
97 98
9.9 Ancoragens Emergenciais

Refere-se ao uso de pontos de ancoragem temporários e muitas vezes


improvisados que são estabelecidos rapidamente em resposta a situações urgentes
onde os métodos de confecção do SAS não estão disponíveis ou são inadequados.
Essas ancoragens são vitais para garantir a segurança em operações de salvamento
em condições imprevistas ou adversas.
A implementação de ancoragens emergenciais requer um alto nível de
Fonte: acervo da comissão conhecimento técnico e entendimento das propriedades físicas dos materiais e
objetos usados como ancoragens. Treinamento adequado em técnicas de ancoragem
9.8 Pseudo Equalização e resgate é essencial, assim como a prática e a revisão contínua dessas habilidades
para garantir que se possa responder efetivamente em emergências.
As ancoragens emergenciais se dividem em humana, com estacas e através
O conceito de pseudo equalização refere-se a uma técnica de ancoragem que
do uso de ferramentas e mobiliários, sendo:
busca distribuir a carga entre múltiplos pontos de ancoragem, mas que, na prática,
pode não conseguir equalizar efetivamente a força entre todos os pontos sob certas
9.9.1 Humana
condições de carga. Em outras palavras, embora a intenção seja criar um sistema
onde a carga seja compartilhada igualmente, a configuração resultante pode favorecer
Para confecção de ancoragem humana deve-se utilizar uma das técnicas de
um ou mais pontos de ancoragem em detrimento de outros, dependendo da direção
equalização.
da força aplicada ou de mudanças nas condições de carga.
Para tanto deve-se empregar no mínimo dois bombeiros, devidamente
A eficácia da distribuição da carga em uma configuração de pseudo
equipados, com cadeirinha para atividade em altura, sentados no solo, bem próximos
equalização pode variar significativamente com a direção da força aplicada. Isso
um do outro, com as pernas semiflexionadas, visando aumentar a estabilidade dos
significa que, se a direção da carga mudar, um ponto de ancoragem pode acabar
militares, e preferencialmente, com os pés apoiados no solo ou em algum ponto fixo,
suportando uma porção maior da carga do que os outros.
como uma parede, ou algum ressalto no solo, buscando o máximo de estabilização.
Sendo assim, a pseudo equalização pode ser aplicável em situações em que a
Cada bombeiro, servirá como um ponto de ancoragem, e o ponto de
direção da força é conhecida e pouco provável de mudar, e onde a necessidade de
ancoragem emergencial nesse caso, será criado, com a equalização em V ou em W.
configuração rápida supera a necessidade de uma distribuição perfeitamente igual da
Caso esta ancoragem seja empregada como uma rota de rapel, o bombeiro
carga.
deverá efetuar uma descida suave na corda, evitando grande impactos nos militares
Neste sentido a ideia é utilizar um ou mais nós auto-blocantes, distribuindo a
que se encontram na função de pontos de ancoragem.
carga, entre os pontos de ancoragem. A vantagem desse sistema, é que o nó principal,
não fica sobrecarregado, e que o nó auto-blocante, só aperta a corda e evita a torção,
Para esta técnica, a carga exercida na ancoragem deve ser de no máximo
com isso, não reduz a sua carga de ruptura.
Um ponto importante a ser observado, é para que a carga não tenha 100% de a metade do peso dos militares empregados como ponto de ancoragem, isto é,
sua força aplicada sobre o cordelete ou ponto de ancoragem, sob risco de haver o
caso o peso dos militares da ancoragem some 160kg, a carga exercida neles
colapso do sistema.
Figura 130 - Pseudo Equalização não deve ser superior a 80kg.

Esta técnica não pode ser utilizada para tracionamento de cabos.

Esta técnica não pode ser utilizada para rapel tático.

Figura 131 - Ancoragem Humana nas equalizações em "V" e em "W"

Fonte: acervo da comissão

99 100
emprego e o parabolt deve ser afundado na superfície de instalação e o orifício criado
coberto pelos resíduas de sua abertura.

As ancoragens em chapeletas e parabolts exigem cuidados específicos para


maximizar sua segurança e eficácia e para tanto deve-se, antes de cada operação,
checar as chapeletas e parabolts para verificar sinais de desgaste, corrosão ou folgas.
Além disso, deve ser utilizada com pontos em redundância, isto é, com três ou mais
chapeletas equalizadas. Esse sistema cria um ponto de ancoragem mais seguro e
Fonte: acervo da comissão
diminui o risco em caso de falha de uma das peças.
A instalação de chapeletas e parabolts deve levar em conta a distribuição de
9.9.2 Parabolts com Chapeleta
carga, evitando ângulos excessivos que possam gerar forças laterais e aumentar o
risco de ruptura. A orientação correta do equipamento é fundamental para garantir que
As ancoragens em chapeletas e parabolts são amplamente utilizadas em
as forças sejam distribuídas de forma segura.
operações de salvamento em altura, bem como em atividades de escalada e rapel,
Destaca-se que o conhecimento técnico sobre a instalação e o uso adequado
por sua confiabilidade e capacidade de suportar grandes cargas. Esses dispositivos
desses dispositivos, aliado a uma prática constante de inspeção e manutenção, é
são projetados para serem fixados em superfícies rochosas, concretos ou metálicas,
fundamental para que as operações se desenvolvam de forma segura e sem
garantindo pontos de ancoragem seguros para a equipe.
imprevistos. Esses dispositivos representam um pilar fundamental na segurança das
A instalação correta de chapeletas e parabolts é essencial para a criação de
operações em altura, permitindo que as equipes de resgate atuem em condições
uma ancoragem segura e duradoura, seno assim, deve-se observar os seguintes
adversas com a confiança de que possuem o suporte necessário para realizar seu
aspectos:
trabalho com eficácia.
Ÿ Escolha do Local: a fixação deve ser feita em uma superfície sólida e isenta de Figura 132 - Ancoragem em Parabolt com Chapeleta

rachaduras. O local deve estar em condições de suportar a carga da operação,


evitando áreas danificadas ou sujeitas a corrosão.
Ÿ Perfuração: com uma broca de diâmetro e profundidade adequados para o tipo
de parabolt, é feito um furo na superfície. A profundidade do furo deve ser exatamente
a recomendada pelo fabricante do parabolt para garantir a ancoragem máxima.
Ÿ Limpeza do Furo: após a perfuração, o furo deve ser limpo para remover
Fonte: acervo da comissão
resíduos e poeira, o que permite uma melhor aderência do parabolt.
9.9.3 Viaturas
Ÿ Instalação do Parabolt: o parabolt é inserido no furo e, ao apertar a porca, ele
se expande dentro do material, fixando-se de maneira firme e segura. Deve-se garantir As ancoragens em viaturas desempenham um papel importante nas operações
de resgate e salvamento em altura, oferecendo pontos de suporte móveis e versáteis
que o parabolt esteja totalmente apertado e sem folgas.
para a equipe em cenários onde ancoragens naturais ou estruturais são inexistentes
Ÿ Fixação da Chapeleta: após a instalação do parabolt, a chapeleta é posicionada ou inacessíveis. O uso de viaturas como pontos de ancoragem permite que as equipes
se adaptem rapidamente a diferentes ambientes e necessidades operacionais,
sobre ele e a porca é apertada. A chapeleta deve ser instalada de forma que permita especialmente em locais remotos, áreas urbanas de difícil acesso e emergências com
uma orientação adequada para o uso de mosquetões ou outros conectores, restrições de tempo.
As viaturas do CBMMG, especialmente aquelas equipadas para operações de
garantindo que o ângulo de carga seja distribuído de maneira uniforme. salvamento, são projetadas para suportar cargas e proporcionar pontos de ancoragem
Ÿ Desmontagem da chapeleta: tendo em vista que a instalação do parabolt é um seguros para diversas manobras. Elas possuem componentes robustos, como
engates de reboque e estruturas metálicas, que servem como pontos de ancoragem
processo irreversível, isto é, sem possibilidade de reaproveitamento do material, após confiáveis. Algumas viaturas são equipadas com dispositivos específicos, como olhais
a utilização das ancoragens deve-se remover as chapeletas e guardá-las para novo de ancoragem, torres e guinchos, que aumentam a flexibilidade e a segurança ao criar
sistemas.

101 102
O uso de viaturas como pontos de ancoragem exige cuidados específicos para
garantir a estabilidade e segurança durante a operação, deste modo deve-se observar
as seguintes práticas para uma ancoragem adequada:

Ÿ Seleção do Ponto de Ancoragem: para garantir uma ancoragem segura, é


essencial selecionar pontos específicos da viatura que ofereçam resistência e
estabilidade, sendo assim, deve-se optar pela utilização de engates de reboque, rodas
(preferencialmente as traseiras) e olhais de ancoragem. Fonte: acervo da comissão

Ÿ Posicionamento da Viatura: a viatura deve estar desligada, paralela ao ponto 9.9.4 Estacas
de tração e ser posicionada em um terreno firme e nivelado para evitar deslizamentos
Para esta técnica deve-se utilizar no mínimo três estacas, sendo recomendado
ou tombamento. Além disso deve-se usar calços nas rodas, engatar o freio de mão e o uso de cinco estacas. Para seu emprego, o solo onde as estacas vão ser dispostas,
manter o veículo em marcha para evitar qualquer movimento indesejado. deve ser resistente, evitando-se terrenos arenosos e lamaçais.
A ancoragem é realizada através de estacas e tensionadores, que servirão para
Ÿ Distribuição de Carga: a carga aplicada à viatura deve ser distribuída de forma estabilizar o sistema.
equilibrada, evitando ângulos que possam gerar forças laterais excessivas. A
A técnica, consiste em armar um sistema onde são dispostas três estacas na
utilização de sistemas de ancoragem dupla ou tripla pode auxiliar na distribuição do parte de trás, e duas estacas na parte da frente. As estacas são fixadas no solo, com
peso, garantindo maior estabilidade. uso de uma marreta, e devem ser anguladas cerca de 60º em relação a superfície,
sendo que dos 2/3 da estaca deve ficar enterrados no solo.
Ÿ Uso de guinchos e olhais de ancoragem: algumas viaturas são equipadas com Para tensionar e estabilizar o sistema, as estacas frontais devem ser
guinchos e olhais de ancoragem para facilitar operações de elevação e tensionadas nas posteriores. Utilizando-se anéis de fita ou cordeletes preso às duas
estacas, sendo utilizado a base das estacas traseiras e o topo das estacas dianteiras,
tensionamento. Esses dispositivos devem ser utilizados de acordo com as instruções coloca-se o tensionador entre o anel de fita ou cordeletes, torcendo-o até ficar bem
do fabricante, considerando os limites de carga e a capacidade de tração de cada esticado e posteriormente fixando-o no chão.
Para confecção de ancoragem com estacas deve-se utilizar uma das técnicas
equipamento. de equalização.
Ÿ Uso das rodas: quando utilizado as rodas, deve-se priorizar as traseiras, atentar Figura 134 - montagem de ancoragem emergencial com Estacas e Tensionadores

para que elas não estejam quentes e não exista nada que possa danificar os estropos.
Além disso, deve utilizar pelo menos dois pontos na roda proporcionando uma
equalização para distribuição da carga em toda extensão da roda e não somente em
um ponto.
Ÿ Pontos de Redundância: para aumentar a segurança, especialmente em
operações críticas, é recomendável o uso de ancoragens redundantes, conectando a
Fonte: acervo da comissão
corda principal a dois ou mais pontos de ancoragem na viatura.
9.9.5 Ferramentas e mobiliários
Figura 133 - Ancoragem em viaturas
Em situações emergenciais onde não há um ponto sólido e robusto para
confecção das ancoragens, haverá a necessidade de entrar em ação a criatividade e
o improviso do bombeiro, desde que, dentro de uma margem de segurança, fazendo
uso de ferramentas como alavanca hooligan ou alavanca corte/ponteira, travadas
entre as portas, ou até mesmo, furar ou quebrar certos pontos na parede para travar
esses materiais.

103 104
Outro modo, é utilizar-se de possíveis mobiliários existentes no local, atentando 10 SISTEMA DE REDUÇÃO DE FORÇAS (SFR)
sempre para sua resistência física e robustez, sendo devidamente protegidos, antes
de se executar o processo de ancoragem, propriamente dito.
O SRF permite que cargas pesadas sejam movidas com maior segurança e
Figura 135 - montagem de ancoragem com emprego de Ferramentas diversas eficiência, utilizando menos força por parte dos bombeiros. Este sistema é essencial
em situações em que é necessário levantar, baixar ou mover cargas consideráveis,
como vítimas ou equipamentos pesados, garantindo a segurança tanto do bombeiro
quanto da vítima.
O conceito de redução de força remonta às antigas civilizações, onde princípios
básicos de mecânica eram utilizados para levantar e mover objetos pesados. Com o
tempo, esses princípios foram refinados e adaptados para diversas aplicações,
incluindo construção, transporte e, eventualmente, salvamento.
No contexto de salvamento em altura, o uso sistemático de sistemas de
redução de força começou a ganhar popularidade nas últimas décadas, à medida que
Fonte: acervo da comissão as técnicas de acesso por cordas e salvamento se tornaram mais sofisticadas. A
evolução dos materiais e equipamentos, como cordas sintéticas de alta resistência e
9.10 Desviadores dispositivos de bloqueio eficientes, permitiu o desenvolvimento de SRF mais seguros
e eficazes.
Nas situações em que não é possível encontrar um ponto de ancoragem O Sistema de Redução de Força baseia-se nos princípios da mecânica
devidamente alinhado a rota de descida torna-se necessário desviar a corda para clássica, especificamente na utilização de polias para redistribuir a carga e reduzir a
atender às demandas da atividade, neste sentido, o desvio é realizado com o propósito força necessária para mover um objeto. O funcionamento básico do SRF pode ser
de reposicionar a corda, a fim de contornar um obstáculo ou perigo. descrito da seguinte forma:
A montagem de um desvio pode ser realizada com polia ou mosquetão, sendo
que a corda de trabalho é passada livremente pela polia ou mosquetão permitindo sua Ÿ Polias e Cordas: O SRF utiliza uma série de polias e cordas para criar um
movimentação. sistema mecânico onde a força aplicada é dividida por dois ou mais pontos. As polias
No emprego do desvio, deve-se atentar o ângulo formado, pois pode causar
sobrecarga na ancoragem do desvio. Pesquisas indicam que a carga no desvio podem ser fixas ou móveis, dependendo da configuração desejada e da quantidade
aumenta à medida em que o ângulo formado por ele com a corda de ancoragem de força necessária.
diminui, isto é, quanto menor o ângulo maior a carga no desvio. Ao atingir a angulação
de 120º, a carga no desvio iguala-se à carga na ancoragem e, a partir desse ponto, Ÿ Ancoragens: As polias são fixadas em pontos de ancoragem seguros e
há a sobrecarga no ponto de desvio. Com isso, sugere-se que a angulação formada confiáveis. A escolha dos pontos de ancoragem é importante, pois eles devem
no ponto de desvio seja superior a 120º.
Figura 136 – aplicação de Desviadores
suportar as cargas aplicadas sem falhar.
Ÿ Distribuição da Força: Quando uma carga é aplicada ao sistema, a força é
redistribuída através das polias, reduzindo a força necessária em cada ponto. Por
exemplo, em um sistema 2:1, a força necessária para levantar a carga é reduzida pela
metade.
Ÿ Eficácia e Segurança: A eficácia do SRF depende da configuração correta das
polias e da qualidade dos equipamentos utilizados.
Fonte: acervo da comissão

105 106
Sempre que um SRF for utilizado deve-se empregar um DCP na primeira
corda que sai da carga ou em um sistema em separado.

10.1 Polia fixa

A polia fixa permanece imóvel quando o sistema é submetido a qualquer


esforço. Enquanto a carga se movimenta, a polia permanece estática, redirecionando
a força aplicada. Nesse caso, a força necessária para levantar a carga é ligeiramente Fonte: acervo da comissão
igual ao peso da carga.
Para facilitar a montagem do Sistema de Redução de Força (SRF) com uma 10.3 Vantagem mecânica
polia fixa, é importante considerar o fator gravidade e o uso de contrapesos. Isso
garantirá que a aplicação da força seja confortável para o operador. Por exemplo, ao
A vantagem mecânica (VM) descreve o fator pelo qual um sistema amplifica a
elevar uma carga, normalmente seria necessário aplicar uma força para cima para
força aplicada. Em sistemas de polias, a vantagem mecânica permite levantar ou
puxá-la. No entanto, ao utilizar uma polia fixa posicionada acima da carga, o operador
mover cargas pesadas com menos esforço.
pode aplicar a força para baixo na corda. A polia irá direcionar a força para a carga,
Podemos definir que Vantagem Mecânica (VM) é a relação entre a Força de
facilitando o levantamento.
Saída (FS), força necessária para levantar a carga e a Força de Entrada (FE), a força
Figura 137 - Polia Fixa em um SRF aplicada pelo operador.

Ÿ VM = FS\FE

A VM em sistemas de polias depende da configuração e do número de polias


móveis e fixas. Existem duas formas de calcular a VM: teórica e prática.

Ÿ Vantagem Mecânica Teórica: é calculada com base no número de segmentos


de corda que suportam a carga diretamente sendo que quando a ancoragem está na
Fonte: acervo da comissão
carga ela oferece vantagem mecânica de 1 (VM = 1), as polias fixas e ancoragem
10.2 Polia móvel no ponto fixo não oferece vantagem mecânica (VM = 0), e cada polia móvel dobra
a vantagem mecânica (VM = 2).
A polia móvel, ao contrário da polia fixa, se move junto com a carga quando o
sistema é submetido a um esforço. Ela é conectada diretamente à carga e não a um Ÿ Vantagem Mecânica Prática: pode ser muito menor que a teórica devido ao
ponto fixo. O principal benefício da polia móvel é a vantagem mecânica que ela
atrito nas polias e na corda. O atrito reduz a eficiência do sistema, exigindo uma força
proporciona, reduzindo a força necessária para levantar a carga.
Quando uma polia móvel é usada, a carga é distribuída entre duas seções da ligeiramente maior do que a calculada teoricamente.
corda que passam pela polia. Isso significa que cada seção da corda suporta apenas
metade do peso da carga. Como resultado, a força que o operador precisa aplicar é
10.4 Tipos de Sistemas
reduzida pela metade.
Suponha que o militar tenha uma carga de 100 kg. Com uma polia móvel, a
carga é distribuída entre duas seções da corda, então cada seção suporta 50 kg, Para definição e entendimento da vantagem mecânica que cada sistema pode
sendo assim a Força Necessária (F) será igual ao Peso da Carga dividido pela oferecer é necessário entender que ele pode se apresentar basicamente de cinco
Vantagem Mecânica. formas:
Figura 138 - Polia Móvel em um SRF
10.4.1 Sistema Simples

Em um sistema simples a força de tração é aplicada diretamente à carga ou à


corda à qual a carga está ancorada. Desta forma, para definição da vantagem
mecânica de um sistema simples basta somar as VM.
107 108
Sistema 1:1 - Dispõe de uma polia fixa e a ancoragem está na carga (VM = 1).
Não promove a redução de forças, somente muda o sentido da força peso da carga.
Figura 139 - Sistema Simples 1:1 em um SRF

Fonte: acervo da comissão

10.4.2 Sistema Combinado


Fonte: acervo da comissão
Sistema 2:1 - Sistema dispõe de uma polia móvel (VM = 2) e a ancoragem está O sistema combinado é aquele no qual a vantagem mecânica é aplicada a outro
no ponto fixo. Promove a redução de forças, fazendo com que a força a ser aplicada sistema de vantagem mecânica. Desta forma, para definição da vantagem mecânica
seja a metade do peso da carga. de um sistema combinado é necessário multiplicar a soma das VM de um sistema
Figura 140 - Sistema Simples 2:1 em um SRF simples à soma das VM do outro sistema simples acoplado a ele.
Sistema 4:1 - Sistema dispõe de duas polias móveis. Promove a redução de
forças, fazendo com que a força a ser aplicada seja equivalente a 1/4 (um quarto) do
peso da carga.
Figura 143 - Sistema Combinado em um SRF

Fonte: acervo da comissão


Sistema 3:1 - Sistema dispõe de uma polia móvel (VM = 2) e a ancoragem está
na carga (VM = 1). Promove a redução de forças, fazendo com que a força a ser
aplicada seja equivalente a 1/3 (um terço) do peso da carga.
Fonte: acervo da comissão
Figura 141 - Sistema Simples 3:1 em um SRF
10.4.3 Sistema longo

Este sistema é confeccionado de modo que a corda percorra todo o sistema e


equipamentos a ele fixados. Exige uma quantidade maior de corda para sua
montagem. Isso pode ser considerado um ponto negativo devido ao “gasto” de
material (corda) e maior chance de torção no sistema, gerando maior atrito.
Figura 144 - Sistema Longo em um SRF

Fonte: acervo da comissão


Sistema 4:1 - Sistema dispõe de duas polias móveis. Promove a redução de
forças, fazendo com que a força a ser aplicada seja equivalente a 1/4 (um quarto) do
peso da carga.
Figura 142 - Sistema Simples 4:1 em um SRF

Fonte: acervo da comissão


109 110
10.4.4 Sistema curto Uma vez que a corda principal esteja travada, o sistema de redução de forças,
montado em corda separada, pode ser recuperado e resetado para realização de novo
Normalmente será utilizado quando o tamanho da corda for insuficiente, tracionamento, caso seja necessário.
levando-se em consideração a distância entre a carga e o ponto de ancoragem. O Uma situação que dever ser levada em conta nesse sistema é que se deve
sistema mais comumente utilizado como base nessa montagem é o 3:1. Contudo, a necessariamente dispor de um militar que receberá a atribuição de assumir a corda
polia móvel não ficará acoplada à carga, e sim, à corda da carga, no limite possível do sistema e recuperá-la no sistema de travamento em separado, com equipamento
de utilização. de blocagem ou frenagem ou nó blocante.
A polia móvel do sistema será fixada à corda da carga através de um nó Figura 146 - configurações do Sistema Independente em um SRF
blocante ou blocante mecânico. Outro nó blocante ou blocante mecânico deverá ser
confeccionado na corda da carga e preso a polia fixa do sistema. A tração será
realizada até que as polias (móvel e fixa) se encontrem.
Nesse sistema, é preciso reiniciar sempre que chega ao limite. Para continuar,
o sistema será liberado e permanecerá travado pelo blocante superior. Assim, a polia
móvel avançará novamente para o máximo de amplitude possível, “resetando” o
sistema para nova tração.
O que se observa é uma alternância no funcionamento dos blocantes, os quais
permitem que o sistema trave a carga tanto no momento da tração, quanto no
momento da recuperação da polia para a extensão desejada. Fonte: acervo da comissão

Figura 145 - Sistema Curto em um SRF 10.5 Atrito

O atrito é um fator importante a ser considerado em qualquer sistema de polias,


especialmente em Sistemas de Redução de Força. Ele pode influenciar a eficiência e
a eficácia do sistema, aumentando a força necessária para levantar ou mover cargas.
Trata-se de uma força de resistência que ocorre quando duas superfícies
entram em contato e se movem uma contra a outra. Em sistemas de polias, o atrito
ocorre principalmente entre a corda e as polias, bem como entre a corda e outros
componentes do sistema.
Diversos fatores podem causas atrito tais como:
Fonte: acervo da comissão

10.4.5 Sistema independente Ÿ rugosidade das superfícies das polias e da corda contribui para o atrito.
Superfícies mais ásperas aumentam a resistência;
Normalmente utilizado para os casos em que a corda não é suficiente nem
mesmo para realizar a confecção do sistema curto. No caso de haver disponível uma Ÿ pressão de contato, isto é, a força com que a corda pressiona contra a polia
corda menor e para que não haja emenda de cordas, usa-se o sistema independente, afeta o atrito. Maior pressão de contato geralmente resulta em maior atrito;
com o sistema de redução de forças montado em separado da corda da carga. Em
alguns casos esse sistema é utilizado para que a corda tracionada fique limpa, ou Ÿ material das polias e corda uma vez que diferentes materiais possuem
seja, com o mínimo de nós, equipamentos a ela fixados. Isso porque o sistema coeficientes de atrito variados. Polias de metal e cordas sintéticas, por exemplo,
independente realiza o tracionamento da corda e depois pode ser retirado.
Esse sistema possui o mesmo princípio de não ancorar a polia móvel podem ter diferentes níveis de atrito comparadas a polias de plástico e cordas
diretamente na carga, assim como o sistema curto. Contudo, é chamado de naturais.
independente porque o SRF é montado em uma corda à parte e é fixado em uma
segunda corda através de um blocante mecânico ou nó blocante, por exemplo. Essa Ÿ torções e dobras na corda durante o percurso aumentam o atrito, pois mais
segunda corda é a que está ligada diretamente à carga. área de contato é criada entre os componentes do sistema.
Na operação do sistema independente, quando as polias se encontram e não
há mais espaço útil para tracionamento, é necessário resetar o sistema. Para tal, à
medida que a carga é tracionada, a corda principal deve ser recuperada e travada, Importante destacar que o atrito constante gera desgaste tanto na corda quanto
sendo isso possível através de um blocante mecânico ou por nó blocante. nas polias, diminuindo a vida útil dos componentes e aumentando a necessidade de
manutenção e substituição.
111 112
Para minimização o atrito é necessário: um local de difícil manuseio ou acesso. Como por exemplo pode-se citar a montagem
do SRF em um tripé. Assim que o equipamento é montado e arvorado, o SRF fica
Ÿ utilizar polias com rolamentos de alta eficiência; posicionado em altura considerável. Além disso, posteriormente o tripé poderá ser
posicionado em local onde o acesso será restrito, dificultando ainda mais o manuseio
Ÿ utilizar cordas com menor coeficiente de atrito; do sistema e, por conseguinte, do DCP.
Ÿ realizar inspeções regulares e manutenção adequada, como a lubrificação dos Em situações como essa, é recomendada a montagem do DCP em um sistema
em separado, no qual a corda será travada em um ponto de ancoragem, distinto do
rolamentos das polias; sistema.
Ÿ evitar torções e dobras na corda durante a instalação do sistema de polias. Ressalta-se que nesta prática deve-se empregar um militar específico para
realizar a recuperação da corda no DCP à medida em que há o tracionamento do
sistema.
O atrito é uma força inevitável em sistemas de polias e pode impactar
Figura 148 - DCP em Separado
negativamente a eficiência e a segurança das operações. Compreender as causas do
atrito e aplicar estratégias para minimizá-lo são essenciais para otimizar o
desempenho dos Sistemas de Redução de Força. A escolha de materiais adequados,
a manutenção regular e a configuração correta do sistema são medidas essenciais
para reduzir o atrito e garantir operações seguras e eficazes.

10.6 Efeito Polia

Refere-se ao fenômeno onde a força aplicada em uma corda que passa por
uma polia é dividida igualmente nos dois lados da corda, resultando na soma dessas Fonte: acervo da comissão
forças atuando no eixo da polia e consequentemente na ancoragem. Quando uma
força é aplicada na entrada da polia, a mesma quantidade de força é transmitida
através da polia até a saída. Por exemplo, se uma força de 100 kg é aplicada, 100 kg
agirão na entrada e na saída da polia, e o eixo central suportará um total de 200 kg.
Além de mudar a direção da força, as polias aumentam a eficiência do sistema
de levantamento, permitindo que uma carga seja movida de forma mais controlada e
segura. No entanto, isso também significa que a polia e seu ponto de fixação precisam
ser extremamente robustos para suportar as tensões adicionais. O entendimento
preciso de como as forças se distribuem em um sistema de polias é essencial para
garantir que a carga, a polia e a ancoragem operem dentro de limites seguros,
prevenindo falhas durante operações.
Figura 147 - Efeito Polia

Fonte: acervo da comissão

10.7 DCP em separado

Em alguns casos, colocar o DCP ligado diretamente ao mosquetão do sistema


e próximo a uma polia, pode não ser o ideal, pois o DCP pode ficar posicionado em
113 114
11 ACESSO POR CORDAS

Alinhado com o conceito de Salvamento em Altura adotado pelo CBMMG e


apresentado neste manual tem-se que o acesso por cordas são técnicas destinadas
ao salvamento e salvaguarda de vidas e bens em local de desnível, podendo ser no
plano vertical, inclinado ou horizontal, através do uso de equipamentos e técnicas
específicas, com vistas ao acesso, estabilização e remoção do local ou condição de
risco à vida, de quem não consiga sair por si só, em segurança.
Ressalta-se que, embora a Norma Regulamentadora n.º 35 (NR-35) aborde o Fonte: acervo da comissão
termo “acesso por cordas”, esta norma regulamentadora não se aplica aos órgãos de
segurança pública em especial ao CBMMG, tratando-se então de termo semelhante, Ÿ Execução do rapel
porém de abordagem distinta.
As técnicas de acesso por cordas praticados no CBMMG se subdividem em:
Para execução do rapel o militar deve estar devidamente equipado com EPI
obrigatório (capacete, luvas, cadeirinha e longes), mosquetão e descensor.
11.1 Rapel
Após a confecção do Sistema de Ancoragem, o militar deve conferir se a corda
está tocando o solo, deve se encordoar na corda do rapel (freio oito - com o olhal
Técnica de descida por cordas que permite ao militar descer por terrenos maior clipado no mosquetão do cinto da cintura, o militar deve passar a corda
íngremes ou paredes verticais, isto é, angulação superior a 45º com o plano horizontal, permeada no olhal maior, de baixo para cima e com o chicote voltado para o lado da
utilizando equipamentos especializados para controlar a velocidade e a segurança da mão de frenagem, envolver o olhal menor e em seguida rebater o freio oito no sentido
descida. É amplamente utilizado em atividades como escalada, salvamentos, vertical clipando o olhal menor no mosquetão) (descensor autoblocante – seguir
operações militares e espeleologia. manual de instrução) e conferir todos os componentes do sistema antes da descida
A origem do rapel remonta ao final do século XIX e início do século XX, com o na seguinte ordem: “capacete, luvas, cinto um travado, cinto dois travado, cinto três
desenvolvimento de técnicas de montanhismo e escalada. A técnica moderna de rapel travado (e quantos mais forem as fivelas existentes na cadeirinha), mosquetão ventral
foi desenvolvida principalmente por alpinistas na Europa, que buscavam métodos fechado, mosquetão do rapel fechado, oito/descensor autoblocante (nome)
seguros para descer penhascos e montanhas após alcançar seus cumes. Durante a encordoado, ancoragem firme, auto segurança pronta”.
Segunda Guerra Mundial, o rapel ganhou um uso significativo pelas forças militares Caso o bombeiro não esteja utilizando auto segurança ou descensor
para operações rápidas de descida em terrenos difíceis. autoblocante deve, na sequência, comunicar-se com o segurança de solo com os
Amplamente conhecido pelo emprego por entusiastas de esportes ao ar livre, brados: pelo rapelador “Atenção segurança!” e resposta do segurança de solo
incluindo montanhistas, espeleologistas e praticantes de canyoning, como meio de “Segurança pronto”! e em seguida o rapelador “rapel desescalando!” e do segurança
explorar áreas naturais de difícil acesso também é utilizado em trabalhos que exigem de solo “rapel desescalar!”.
acesso por corda, como manutenção de estruturas altas e inspeção de pontes e torres. O rapel deve ser iniciado com a planta dos pés apoiados na parede ou rocha e
Para o CBMMG o rapel é essencial em operações de salvamento em locais de difícil caso haja passagem por vão aberto deve-se executar a virada do morcego (técnica
acesso, como em montanhas, ravinas ou contextos urbanos e industriais verticais. no qual o bombeiro permanece com os pés na extremidade final do patamar até ficar
Devido à complexidade das ações envolvendo a técnica de rapel fez-se totalmente de cabeça para baixo quando pode soltar os pés) retornando com a planta
necessário detalhar e especificar alguns pontos, deste modo temos: dos pés na parede ou rocha, em uma posição quase sentada, mantendo os pés
afastados entre si na largura dos ombros.
Ÿ Montagem do rapel A mão de frenagem permanece sempre na corda, na altura da cintura evitando
que a corda atrite com a cadeirinha. A liberação gradual da mão (ou alavanca, em
caso de autoblocante) proporciona a descida, que deve ser sem trancos, podendo
Ao confeccionar o Sistema de Ancoragem, o militar deve dimensionar o
haver galeios suaves para facilitar a descida.
tamanho da corda de modo a deixar entre 1,5 metros e 3 metros de corda tocando o
Ao chegar ao solo, a corda deve ser liberada através do processo inverso ao
solo e o restante da corda no ponto de descida antes do Sistema de Ancoragem.
realizado quando do encordoamento e o bombeiro deve bradar “Corda livre!”.
Figura 149 - Montagem do rapel
Figura 150 - Execução do Rapel

115 116
Figura 152 - Segurança de Solo

Fonte: acervo da comissão


Fonte: acervo da comissão
Ÿ Abordagem
Ÿ Auto segurança
Quando do início de uma descida de rapel o militar deve realizar a abordagem
para descida, isto é, posicionar o corpo de modo a se expor ao vazio até colocar seu Dispositivo de segurança no rapel confeccionado com cordelete de 6mm (corda
peso totalmente na corda. simples) ou de 8mm (corda dupla). Para sua montagem deve-se realizar um fiel ou
A abordagem deve ser realizada preferencialmente de pé, sendo que, quando boca de lobo pelo seio no cordelete para que seja preso ao mosquetão que estará
a ancoragem está posicionada na altura da cintura para cima deve-se colocar o peso clipado no cinto da perna lateralmente à mão de controle de frenagem do rapel.
na corda lentamente até ficar totalmente projetado para fora do ponto de saída. O nó pescador duplo do cordelete deve estar encostado no mosquetão quando
Quando a ancoragem está posicionada abaixo da linha da cintura deve-se executar da confecção do fiel pelo seio, para em seguida confeccionar o nó clássico na corda
uma curta corrida de costas até que o peso do bombeiro seja transferido para a corda, do rapel iniciando o enrolamento de baixo para cima.
esta manobra é denominada twister. Quando a cadeirinha possuir fivelas de engate rápido, o mosquetão da perna
Figura 151 - Abordagem do Rapel deve ser clipado na parte interior da coxa, para que não haja contato do mosquetão
com a fivela.
O rapel com auto segurança deve ser lento, para que a corda e cordelete não
sejam danificados devido ao atrito.
Em casos específicos, como salto de nós na rota de rapel, a auto segurança
convencional pode ser transferida da perna para longe menor do bombeiro, que ficará
posicionada acima do freio oito, que deverá ser deslizado com a mão de apoio.
Figura 153 - Auto Segurança

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Segurança de solo

A segurança de solo é o procedimento que ocorre quando um militar em solo,


fica incumbido pela segurança do bombeiro que executa o rapel. Caso ocorra qualquer
tipo de imprevisto na execução do rapel pelo bombeiro, levando a descida
descontrolada, choque violento contra a parede/rocha ou outra situação inesperada, Fonte: acervo da comissão
o segurança de solo deverá travar a corda de imediato.
Para realizar a segurança de solo o militar responsável deve passar o chicote Ÿ Travamento do freio oito
da corda do rapel por trás das costas, abaixo do glúteo, deixando uma catenária suave
entre o rapelador e o segurança de modo a não impelir resistência na descida do O travamento do freio oito é realizado quando o militar necessita parar em
bombeiro. Caso seja necessária sua atuação, deve afastar-se da parede e algum ponto do rapel e soltar a mão de controle de descida para alguma outra
tensionando a corda, ou providenciar meios para minimizar o risco ao bombeiro e finalidade ou quando necessita parar um sistema de descida.
vítima. Para sua confecção deve-se elevar a mão de frenagem do rapel, mantendo a
O segurança de solo deve ficar permanentemente olhando o bombeiro e corda tensionada, fazendo uma trajetória circular. Segura-se então a corda com a mão
abster-se de qualquer ação que reduza seu nível de atenção à execução do rapel.

117 118
de apoio para completar a trajetória, posicionando o chicote entre o firme e a freio oito,
puxando-o para baixo com as duas mãos para realizar a meia blocagem do freio oito.
Em seguida, deve-se fazer uma alça passando-a por dentro do mosquetão,
repetindo a sequência anterior, a fim de realizar o travamento completo do freio oito,
finalizando o procedimento.
Para desfazer o travamento, deve-se repetir as ações em ordem contrária,
prestando especial atenção no momento de desfazer a meia blocagem com
segurança.
Figura 154 - Travamento do Freio Oito Fonte: acervo da comissão

11.1.2 Rapel comandado

Utilizado quando o bombeiro necessita das duas mãos livres durante a descida,
ou quando há necessidade de descida de vítima. O controle da descida é realizado
por outro militar e a ancoragem primária deve ser montada com o uso do nó UIAA ou
com o freio oito ou com um descensor autoblocante. Sendo utilizado o no UIAA ou o
freio oito deve-se empregar um DCP.
Quando a vítima estiver imobilizada e não estiver acompanhada de um
Fonte: acervo da comissão bombeiro, deve-se utilizar uma corda guia na vítima para que ela não colida com a
parede ou obstáculos durante a descida.
Ÿ Travamento do nó UIAA
Figura 157 - Rapel Comandado

O travamento do nó UIAA é realizado quando o militar necessita parar o


processo descida do sistema.
Para sua confecção deve-se realizar um nó mula com a corda permeada a
frente do nó e em seguida realizar um nó simples com a alça envolvendo a corda de
descida.
Figura 155 - Travamento do Nó UIAA

Fonte: acervo da comissão

11.1.3 Rapel positivo

Realizado quando o militar mantém contato dos pés com a edificação ou rocha
durante a descida.
Figura 158 - Rapel Positivo
Fonte: acervo da comissão

11.1.1 Rapel livre

O rapel livre é uma técnica de descida utilizada em operações de salvamento,


escalada e outras atividades verticais, onde o bombeiro ou praticante é responsável
por sua própria segurança. Essa modalidade é caracterizada pela autonomia do
operador em controlar a descida, geralmente através do uso de auto segurança ou de
um descensor autoblocante.
Figura 156 - Rapel Livre Fonte: acervo da comissão

119 120
11.1.4 Rapel negativo O longe maior só pode ser retirado após a passagem completa pelo fracionamento e
o descensor e auto segurança, se for o caso, estiverem reconectados.
Realizado quando o militar NÃO mantém contato dos pés com a edificação ou
rocha durante a descida. Ÿ Aproximação do fracionamento: inicie o rapel até se aproximar do
Figura 159 - Rapel Negativo fracionamento. É importante manter uma curta distância entre o descensor e o
fracionamento, evitando o contato e facilitando os próximos movimentos.
Ÿ Passagem: após conectar o longe maior no nó borboleta instalado após o
fracionamento, conecte um ascensor a aproximadamente 20 cm acima do descensor
e com auxílio do estribo, conecte o longe menor ao ascensor, desta forma, a carga
será transferida para o ascensor e o descensor ficara aliviado e poderá ser removido.
Ÿ Reposicionamento do descensor: com o longe maior conectado no nó borboleta
Fonte: acervo da comissão
e a carga transferida para o ascensor, retire o descensor da corda e reinstale-o após
11.1.5 Rapel de frente
o fracionamento, antes do nó borboleta, o mais alto possível.
Geralmente utilizado pelas forças armadas ou times táticos em descida para Ÿ Transferência de ascensores: posicione o segundo ascensor imediatamente
pronto emprego de armamento. Comumente utilizado em treinamentos de adaptação
acima do descensor e abaixo do primeiro e conecte o 2º longe maior. Transfira o
de salvamento em altura.
Consiste em rapel positivo no qual é realizado a clipagem da corda do rapel, estribo para o 2º ascensor e com seu auxílio retire o 1º ascensor da corda. Desta
no cinto da cintura, nas costas do militar com o emprego do freio oito, seja com
forma a carga será transferida para o descensor e na sequência o 2º ascensor poderá
cadeirinha nível 2 ou 3, possibilitando a descida de frente em contato dos pés com o
plano rampante ou edificação, deixando a mão que não realiza a frenagem ser removido.
completamente livre.
Ÿ Limpeza do sistema e conferência: após remover os ascensores da corda e
Figura 160 - Rapel de Frente
conectar o descensor e auto segurança, se for o caso, após o fracionamento, desfaça
o nó borboleta, confira todo o sistema e de continuidade a descida.
Ÿ Para esta técnica, os ascensores podem ser substituídos por nós blocantes e
o estribo por anel de fita.

Figura 161 - Técnica de Passagem de Nó

Fonte: acervo da comissão

11.2 Rapel Fracionado

Essa técnica é empregada quando é necessário ultrapassar um nó na corda ou


passar de uma corda para outra, fracionamento, durante o rapel. Ela permite que o
bombeiro continue a descida até o destino pretendido de forma segura e eficaz.
Para sua execução deve-se seguir os seguintes passos: Fonte: acervo da comissão

Ÿ Segurança durante a manobra: ao se aproximar do fracionamento, para


qualquer configuração de rapel, deve-se realizar um nó borboleta um metro abaixo do
fracionamento e conectar um longe maior antes de iniciar o processo de passagem.
121 122
11.2.1 Rapel de helicóptero

Ao operar com helicópteros em missões de salvamento que exija a realização


de rapel, é imperativo aderir a procedimentos de segurança estritos para garantir a
integridade de todos os envolvidos:
1. Aproximação:
• Nunca se aproxime da aeronave pelo rotor de cauda.
• Aproxime-se sempre de forma que esteja visível para o piloto.
• Aproxime-se sempre com a silhueta baixa.
Fonte: acervo da comissão
2. Embarque e Desembarque:
• Use o capacete adequadamente preso.
11.3 Cabo aéreo
• Siga as instruções do piloto ou operador para embarcar ou desembarcar.
• Nunca segure no cinto de segurança ou banco do piloto.
• Aguarde a sinalização do tripulante antes de iniciar o rapel. O cabo aéreo é uma técnica aplicável em diversas operações de salvamento e
3. Equipamento de Segurança: acesso, proporcionando um meio eficiente para a transposição de obstáculos e a
• Verifique seu equipamento para o rapel antes de embarcar. movimentação de cargas ou pessoas em condições adversas.
• Afivele-se ao cinto de segurança assim que entrar na aeronave. Trata-se de sistema de cordas tensionadas entre dois pontos elevados com
4. Posicionamento para o Rapel: inclinação entre eles de até 20º, sobre os quais desloca-se cargas ou pessoas. Esta
• Os bombeiros devem descer sincronizadamente, um de cada lado da técnica é amplamente utilizada em cenários que exigem a superação de vales, rios,
aeronave, para manter a estabilidade. ravinas, ou áreas urbanas densamente construídas.
• O bombeiro do lado direito, utilizando a mão direita como mão de A instalação de um cabo aéreo deve ser criteriosamente planejada e executada
comando, deverá posicionar-se virado para fora da aeronave. para garantir a segurança e eficácia, devendo os componentes como cordas, polias,
• O bombeiro do lado esquerdo deve passar a corda pelo descensor e mosquetões e freios serem selecionados com base na carga esperada.
ajustar o chicote por baixo das pernas para evitar bloqueios.
5. Execução do Rapel: Ÿ Tracionamento
• Posicione-se sobre o esqui da aeronave com a mão de comando
segurando a coxa e a corda tensionada.
• Realize uma rotação de 90º para posicionar ambos os pés no esqui, Para o tracionamento do cabo aéreo, a aplicação do polipasto em Z é
mantendo uma abertura suficiente entre as pernas para estabilidade. recomendado, e os princípios da “regra dos doze”, que considera um tensionamento
• Inicie a descida mantendo as pernas paralelas ao solo e flexione os de 10% com uma inclinação máxima de 15°, devem ser seguidos para evitar excesso
joelhos após passar abaixo do nível da aeronave para realizar um pêndulo controlado. de tensão.
• Continue a descida em rapel negativo, removendo os pés dos esquis e
descendo de forma contínua e suave até o solo. Ÿ A Regra dos 10%
6. Desencordoamento do Rapel:
• Ao tocar o solo caminhe para traz e retire rapidamente a corda do Preconiza que um cabo aéreo tensionado com uma carga de 90kg pendurada
descensor. em seu centro deve ter uma catenária (deformação) mínima de 10% da distância entre
• Não deixe nenhum equipamento preso a corda. as ancoragens.
• Após livrar-se da corda afaste-se da aeronave.
Figura 163 - Regra dos 10%

Seguir normas específicas de operações aéreas especificadas no


Procedimento Operacional Padrão 14, e suas atualizações, que trata de rapel de
helicóptero.
Figura 162 - Rapel de Helicóptero

Fonte: acervo da comissão

123 124
Ÿ A Regra dos 15º O cabo aéreo pode ser empregado para conduzir cargas ou pessoas com o
emprego de polia/mosquetão com corda guia ou tracionamento manual na corda.
Preconiza que o ângulo formado entre a corda tencionada e uma linha Figura 166 - Transposição do Cabo Aéreo por baixo
imaginária no plano horizontal após tensionado com uma carga de 90kg pendurada
em seu centro não pode ser inferior a 15º.
Figura 164 - Regra dos 15º

Fonte: acervo da comissão


Em situações emergenciais, o militar pode ser requisitado a realizar a
transposição de cabos utilizando a técnica conhecida como “Comando Crawl”. Esta
Fonte: acervo da comissão técnica envolve deitar-se sobre a corda e progredir ao longo dela por meio de um
movimento de tração manual, semelhante ao rastejamento. Durante a execução, o
Ÿ A Regra dos 12 praticante mantém uma das pernas flexionadas, utilizando o peito do pé para se apoiar
e estabilizar sobre a corda.
É importante ressaltar que esta técnica é recomendada apenas quando o militar
Trata-se de uma regra empírica com base na força que cada homem de pé não está equipado com dispositivos de segurança como cadeirinhas de escalada,
consegue tracionar. A regra dos 12 preconiza que a quantidade de militares para mosquetões ou polias.
tracionamento de cabo é 12 dividido pela quantidade de vezes que a corda muda de A presença desses equipamentos, que oferecem maior segurança e eficiência,
direção mais um, isto é, 12/n+1. Exemplo, em um sistema 3:1, podemos utilizar até torna o uso do “Comando Crawl” inadequado e desnecessário
quatro homens para a tração.
Figura 167 - Transposição do Cabo Aéreo por meio do Comando Crawl

Ÿ Montagem

Para a montagem do cabo aéreo deve-se dimensionar o sistema de cordas de


modo que tenha carga de ruptura mínima de 4.000 kg (40KN), para tanto pode-se
utilizar corda simples ou dupla desde que alcance este valor. Para a confecção das
ancoragens deve-se aplicar os conceitos de Sistemas de Ancoragem no lado de saída
e de chagada. Usualmente, emprega-se um SAS no ponto de saída e ancoragem em
ponto a prova de bomba no ponto de tração.
Fonte: acervo da comissão
Figura 165 - Cabo Aéreo
Quando da utilização do “Comando Crawl” para transposição do cabo aéreo o
militar pode desequilibrar e cair do cabo ficando preso somente pelas mãos e neste
momento necessitará recorrer as manobras de retorno ao cabo para voltar para sobre
o cabo. Desta forma o CBMMG utiliza três manobras de retorno ao cabo, sendo:
oitava, virada da bandeira e virada do bombeiro.
Figura 168 - Manobras de retorno ao cabo (Oitava, Bombeiro e Bandeira)

Fonte: acervo da comissão

Ÿ Transposição

125 126
lateral. A padronização de pontos de ancoragens segue os mesmos citados
anteriormente.
Figura 169 - Tirolesa Paralelo Horizontal Cordas Juntas

Fonte: acervo da comissão

11.4 Tirolesas
Fonte: acervo da comissão
O primeiro construtor de uma autêntica tirolesa foi o holandês Adam Wybe em
1644. O sistema inventado por Wybe consistia em uma série de cabos de cânhamo Ÿ Paralelo horizontal cordas separadas
estendidos entre pontos elevados, sobre os quais vagões ou gôndolas carregavam
materiais de construção. Esta inovação permitiu o transporte eficiente de grandes
quantidades de materiais de construção através de obstáculos naturais ou áreas Nesta configuração utiliza-se duas cordas separada lateralmente, devendo
urbanas densas, o que teria sido significativamente mais desafiador com os métodos estar em ancoragem separadas pelo menos 30 cm uma da outra, sendo assim utiliza-
de transporte terrestre da época. se polias simples ou polias duplas em linha. A padronização de pontos de ancoragens
A tirolesa empregada pelo CBMMG é um dispositivo utilizado primordialmente segue os mesmos citados anteriormente.
para o transporte de pessoas ou cargas entre pontos elevados no qual a inclinação Figura 170 - Tirolesa Paralelo Horizontal Cordas Separadas
dentre eles deva estar entre 20º e 45º. Ela opera baseada no princípio de
tracionamento de cabos, utilizando polias para facilitar o deslocamento tanto de
descida quanto de subida. Este método é especialmente útil em terrenos acidentados
ou em situações em que o transporte terrestre é impraticável.
No CBMMG adotamos as seguintes configurações para a montagem das
tirolesas:

11.4.1 Tirolesa convencional

Para a montagem da tirolesa convencional é necessário dimensionar Fonte: acervo da comissão


corretamente a capacidade de carga dos materiais ao uso pretendido.
Para a confecção das ancoragens deve-se aplicar os conceitos de Sistemas de Ÿ Paralelo vertical cordas separadas
Ancoragem no lado de saída e de chagada. Usualmente, emprega-se um SAS no
ponto de saída e ancoragem em ponto a prova de bomba no ponto de tração. Nesta
Para esta configuração utiliza-se duas cordas separada verticalmente, devendo
configuração deve-se obrigatoriamente utilizar uma corda independente conectada a
estar em ancoragem separadas pelo menos 10 cm uma da outra. Neste modelo utiliza-
um freio ou descensor autoblocante para controle de descida.
se polia simples ou polia dupla em linha na corda superior e polia dupla em linha ou
O tensionamento das cordas deve ser cuidadosamente controlado. A aplicação
polia simples com ponto de conexão superior na corda inferior, devendo as duas
do polipasto em Z é recomendada, e os princípios da “regra dos doze”, que considera
polias, superior e inferior, serem conectadas uma a outra por meio de mosquetões.
a regra dos 10% e dos 15°, devem ser criteriosamente seguidos para evitar excesso
Neste caso deve-se atentar para que a conexão dos mosquetões às polias não force
de tensão.
a lateralização das polias.
A padronização de pontos de ancoragens segue os mesmos citados
Sistema dimensionado para operar com socorrista e vítima.
anteriormente.
Figura 171 - Tirolesa Paralelo Vertical Cordas Separadas
Ÿ Paralelo horizontal cordas juntas

Nesta configuração utiliza-se duas cordas unidas lateralmente, podendo estar


na mesma ancoragem ou em ancoragens separadas e para tanto utiliza-se polia dupla
127 128
ancoragem por meio de uma aselha dupla, introduz o mosquetão/freio oito nos dois
chicotes da corda e lança as extremidades para baixo. Os bombeiros que estão no
solo, de posse das extremidades da corda, as guarnecerão, sendo dois bombeiros em
cada extremidade, na sequência, as duplas se afastam ao máximo de modo a formar
um plano inclinado em “V” com os dois chicotes.
Após a montagem do sistema, o bombeiro que se encontra no ponto superior
conecta a vítima ao mosquetão/do freio oito da corda e coloca a vítima em posição de
segurança. Os bombeiros no solo que guarnecem os cabos, devem abrir os mesmos
de forma a efetuar um ângulo que facilite a descida gradativa da vítima. Neste
Fonte: acervo da comissão
momento a vítima entra no sistema e desce pela ação da gravidade até chagar no
chão à medida que a dupla de bombeiros no solo se aproxima uns dos outros. Atenção
11.4.2 Teleférico
à essa técnica pois a velocidade de descida é controlada pela dupla de solo e deve
ser suave.
Este método oferece uma abordagem eficiente para a retirada de vítimas de
locais acima da cota zero, apresentando benefícios significativos, como a minimização
Sistema dimensionado para operar somente com a vítima.
da tração na corda e a redução da carga nos pontos de ancoragem, desta forma é
montada com apenas uma corda.
Realiza-se uma ancoragem no ponto inferior e outra no ponto superior de onde Figura 173 - Tirolesa Emergencial
deve-se descer a vítima, bombeiro ou objeto. No ponto inferior, a corda deve passar
em um descensor autoblocante, freio ou nó UIAA, devendo no freio e no nó UIAA ser
seguido de um DCP. No ponto superior a corda passa por uma polia na ancoragem e
vai até a vítima, onde conecta-se à vítima por meio de um nó borboleta e
posteriormente, com o chicote da corda confecciona-se uma aselha em oito que será
conectada a uma outra polia que está na corda de descida.
Para realizar a descida basta liberar a corda lentamente. Nesta técnica deve-
se considerar que a distância que a vítima irá aterrizar do ponto de partida
corresponde a aproximadamente um terço da altura descida.
Fonte: acervo da comissão
Sistema dimensionado para operar somente com a vítima.

Figura 172 - Tirolesa Teleférico 11.4.4 Kootenay

A tirolesa Kootenay é um sistema de cordas e polias configurado entre dois


pontos de ancoragem com desnível de até 20º. O objetivo principal é criar um meio
seguro e eficiente de mover cargas ou pessoas horizontalmente e verticalmente,
facilitando o acesso e o resgate em locais que de outra forma seriam inacessíveis.
Para a montagem da tirolesa kootenay, excluindo as ancoragens e um Sistema
de Redução de Força, é exigido uma quantidade de material mais significativa, sendo:
três cordas semi-estática, cinco polias, uma placa de ancoragem, sete mosquetões e
um triângulo de salvamento ou maca.
Fonte: acervo da comissão
Sistema dimensionado para operar com socorrista e vítima.
11.4.3 Emergencial (Em V)
Figura 174 - Tirolesa Kootenay
Utilizada no salvamento de pessoas em locais cujo desnível seja
aproximadamente 15 metros. São necessários pelo menos 5 (cinco) bombeiros, 01
(uma) corda permeada de modo que seus chicotes atinjam o solo com sobra de no
mínimo cinco metros.
A execução da operação inicia-se com um bombeiro subindo até o ponto
superior onde se encontram as vítimas, com a corda permeada, executa a sua

129 130
b) Polia – duas polias simples para proporcionar o movimento vertical.
c) Polia – uma polia simples para içamento da vítima.
d) Mosquetão – um mosquetão D assimétrico de aço para conexão da polia
de içamento da vítima ao triângulo de salvamento ou maca.
d) Triângulo de Salvamento ou Maca – equipamento para conexão da vítima
ao sistema.

Fonte: acervo da comissão


Para a confecção das ancoragens deve-se aplicar os conceitos de Sistemas de
Ancoragem no lado de saída e de chagada. Usualmente, na corda 1 emprega-se um
SAS no ponto de saída e ancoragem em ponto a prova de bomba no ponto de tração
e nas cordas 2 e 3 emprega-se ancoragem debreável. O SRF utilizado deve ser o
curto ou independente.
Figura 175 - Tirolesa Kootenay e as ancoragens

Fonte: acervo da comissão

1- Corda da 1 (sustentação): corda principal do sistema devendo ter


resistência mínima de 40 KN, neste caso deve-se utilizar corda NFPA ou duas cordas
para chegar neste valor.
a) Polia – uma polia simples se utilizar uma corda ou uma polia dupla lateral se
utilizar duas cordas.
b) Mosquetão – um mosquetão oval de aço para conexão da polia da corda
principal à placa de ancoragem.
2- Corda 2 (movimentação horizontal): corda de movimentação horizontal do
sistema. Deve ter comprimento suficiente para deslocar-se para os dois lados.
a) Placa de ancoragem – placa de ancoragem que comporte a conexão de
pelo menos seis mosquetões.
b) Mosquetão – dois mosquetões oval de aço para conexão da corda 2 à placa
de ancoragem.
c) Nó alceado – dois nós aselha em oito em linha para conexão dos
mosquetões.
d) Lazeira – folga de aproximadamente 50cm, que deve ser deixada entre os
nós alceados.
3- Corda 3 (movimentação vertical): corda de movimentação vertical do
sistema. Deve ter comprimento suficiente para deslocar-se para os dois lados do
sistema e chegar ao ponto de resgate, ponto abaixo da cota zero.
a) Mosquetão – dois mosquetões oval de aço para conexão da placa de
ancoragem às polias de movimentação vertical.

131 132
11.5 Ascensão 11.5.1 Dois punhos

Nesta configuração utiliza-se um par de ascensores de punho, sendo um para


Ascensão é o ato de subir ou elevar-se, movendo-se verticalmente para cima.
mão direita e um para esquerda. Após conectar os dois ascensores à corda e travá-
Essas técnicas, que envolvem o uso de nós blocantes e/ou bloqueadores mecânicos,
los com um mosquetão oval deve-se conectar o estribo ao ascensor inferior e na
são essenciais e complementam o rapel. No contexto de atuações do CBMMG, é
sequência conectar os longes longos, sendo um no ascensor superior e o outro no
imprescindível que o bombeiro domine tanto as técnicas de descensão, como o rapel,
estribo.
quanto de ascensão, preparando-se para responder eficazmente em diferentes
cenários operacionais. Figura 176 - Ascensão com Dois Punhos
As técnicas de ascensão são aplicadas em uma variedade de atividades,
incluindo, mas não se limitando a subida em árvores, escalada em rochas, resgates
em contextos urbanos ou naturais, auto resgate etc. Estas técnicas são projetadas
para maximizar a eficiência, permitindo a ascensão com o mínimo esforço físico e
utilizando equipamentos que podem variar de simples a sofisticados, dependendo da
exigência da situação.
Para realizar uma ascensão é necessário, além dos EPI de uso obrigatórios,
um estribo com mosquetão e um equipamento, nó ou técnica que sejam
autoblocantes.
A ascensão em corda é realizada através de um movimento sistemático onde Fonte: acervo da comissão
o peso do corpo é distribuído alternadamente entre, pelo menos, dois pontos de apoio.
Este método assegura uma subida eficiente e segura, minimizando o risco de fadiga 11.5.2 Punho e ventral
e maximizando o controle durante o movimento ascendente.
Deste modo ela é desenvolvida da seguinte forma: Nesta configuração utiliza-se um ascensor de punho (direito ou esquerdo) e um
ascensor ventral. Após conectar os dois ascensores à corda, sendo o de punho como
Ÿ com o pé firmemente colocado no estribo, o bombeiro estende a perna, superior e o ventral como inferior, e travar o ascensor de punho com um mosquetão
oval deve-se conectar o estribo ao ascensor superior e na sequência conectar um
empurrando o corpo para cima. Enquanto faz isso, o ascendente superior é puxado longe longo ao estribo.
para cima junto com o corpo. Figura 177 - Ascensão com Punho e Ventral

Ÿ quando a extensão da perna é completa, o militar bloqueia o ascendente


superior na nova altura.
Ÿ em seguida, relaxa a perna e desliza o ascendente inferior para cima ao longo
da corda, preparando-se para a próxima extensão de perna.
Ÿ este processo de “puxar e empurrar” é repetido em um movimento rítmico e
contínuo. O militar alternadamente desliza os ascendentes para cima em sincronia
Fonte: acervo da comissão
com o movimento de suas pernas e corpo.
Ÿ durante a ascensão, é crucial que o bombeiro mantenha o corpo o mais 11.5.3 Punho, ventral e pé

alinhado e paralelo possível com a corda, evitando cansaço desnecessário e Nesta configuração utiliza-se um ascensor de punho (direito ou esquerdo), um
maximizando a eficiência do movimento. ascensor ventral e um ascensor de pé no pé oposto ao que emprega o estribo. Após
conectar os três ascensores à corda, sendo o de punho como superior, o ventral como
médio e o de pé como inferior, e travar o ascensor de punho com um mosquetão oval
No CBMMG padronizamos as seguintes configurações para operações em deve-se conectar o estribo ao ascensor superior e na sequência conectar um longe
altura: longo ao estribo.
Considerando que o ascensor de pé é um equipamento auxiliar, pode-se retirá-
lo do sistema a qualquer momento dando continuidade à ascensão na configuração
“punho e ventral”.

133 134
Figura 178 - Ascensão com Punho, Ventral e Pé

Fonte: acervo da comissão


Fonte: acervo da comissão
11.5.6 Nós blocantes
11.5.4 Punho e descensor autoblocante
Nesta configuração utiliza-se dois nós prusik em substituição ao par de
Nesta configuração utiliza-se um ascensor de punho (direito ou esquerdo) e um ascensores de punho, sendo um nó para mão direita e um para esquerda. Após
descensor auto blocante. Após conectar os dois equipamentos à corda, sendo o de confecção dos nós na corda deve-se conectar o estribo ao nó inferior e na sequência
punho como superior e o descensor autoblocante como inferior, e travar o ascensor conectar os longes longos, sendo um no nó superior e o outro no estribo.
de punho com um mosquetão oval deve-se conectar o estribo ao ascensor superior Figura 181 - Ascensão com Nós Blocantes
e na sequência conectar um longe longo ao estribo.
Para esta configuração deve-se recuperar a corda do chicote quando do
movimento de extensão da perna.
Figura 179 - Ascensor com Punho e Descensor Autoblocante

Fonte: acervo da comissão

11.5.7 Passagem de nó

Fonte: acervo da comissão Essa técnica é empregada quando é necessário ultrapassar uma emenda ou
um nó durante a ascensão em corda. Ela permite que o bombeiro continue a subida
11.5.5 Punho e Passada à Italiana até o destino pretendido de forma segura e eficaz.
Para sua execução deve-se seguir os seguintes passos:
Nesta configuração utiliza-se um ascensor de punho (direito ou esquerdo)
combinado com o freio oito na técnica Passada à Italiana. Após confeccionar a técnica Ÿ Segurança durante a manobra: ao se aproximar no nó, para qualquer
Passada à Italiana no freio oito e conectar o ascensor de punho na corda, sendo o de configuração de ascensão, deve-se realizar um nó borboleta abaixo do ascendente
punho como superior e a Passada à Italiana como inferior, e travar o ascensor de
punho com um mosquetão oval deve-se conectar o estribo ao ascensor de punho e inferior e conectar o longe menor antes de iniciar o processo de passagem. O longe
na sequência conectar um longe longo ao estribo. menor só pode ser retirado após a passagem completa pelo nó/obstáculo e todos os
Para esta configuração deve-se recuperar a corda do chicote quando do
movimento de extensão da perna. ascendentes estiverem conectados a corda e checados.
Para a montagem da Passada à Italiana deve-se iniciar o encordoamento do Ÿ Aproximação do nó: inicie a ascensão até se aproximar do nó. É importante
freio oito de modo normal, porém ao passar a alça da corda pelo olhal menor deve-se
confeccionar um anel de modo que a corda do firme passe sobre a corda do chicote. manter uma curta distância entre o nó e o ascendente superior, evitando contato e
Desta forma a Passada à Italiana está confeccionada devendo na sequência ser facilitando os próximos movimentos.
introduzido um mosquetão unindo o olhal menor a corda do firme impedindo que o
freio oito gire e tome a posição vertical.
Figura 180 - Ascensão com Punho e Passada à Italiana
135 136
Ÿ Reposicionamento do ascendente superior: retire o ascendente superior da
corda e reinstale-o acima do nó.
Ÿ Ajuste do ascendente inferior: posicione o ascendente inferior o mais próximo
possível do nó, sem tocá-lo. Use o estribo para se elevar e, então, posicione o
ascendente superior ainda mais alto.
Ÿ Transposição do nó: coloque todo o seu peso no ascendente superior. Remova Fonte: acervo da comissão

o ascendente inferior e reinstale-o acima do nó, abaixo do ascendente superior. 11.5.9 Escalada em estrutura metálica

Figura 182 - Técnica de Passagem de Nó A escalada em estruturas metálicas é uma técnica empregada em situações de
resgate, manutenção e construção, onde é necessário acessar pontos elevados ou de
difícil alcance em estruturas como pontes, torres de transmissão, andaimes e edifícios
industriais.
Para realização deste tipo de escalada é necessário realizar uma avaliação
detalhada da integridade estrutural. Verificar possíveis riscos, como corrosão,
instabilidade e partes soltas ou danificadas. Além disso deve-se definir a rota de
escalada, identificando pontos de ancoragem seguros e avaliando os melhores
métodos de acesso e retirada.
Escadas, andaimes e treliças, quando disponíveis, devem ser utilizados como
Fonte: acervo da comissão primeira opção para acesso seguro, deste modo realize a progressão alternando a
conexão dos longes na estrutura de modo a manter pelo menos um ponto conectado
11.5.8 Transição ascensão para rapel a estrutura e não possibilitando quedas de FQ > 1.
Caso a estrutura disponha de um cabo de segurança ascendente pode-se
Após atingida a altura desejada na ascensão em corda, pode ser necessário a utilizá-lo por meio da conexão do longe longo ao cabo através de um nó blocante.
inversão para o rapel. Figura 184 - Escalada em Estrutura Metálica
Para a configuração “punho e descensor autoblocante” basta recuperar a corda
no descensor até próximo do ascensor de punho, deixar o descensor blocar a corda
e retirar o resto dos equipamentos da corda.
Para as demais configurações deve-se:

Ÿ Aproximar ao máximo os ascendentes e conectar um freio, descensor


autoblocante ou nó UIAA na corda logo abaixo do ascendente inferior, retirando
completamente a folga da corda. Fonte: acervo da comissão
Ÿ Sendo utilizado freio ou nó UIAA deve-se realizar a blocagem dos mesmos e
ser instalado a auto segurança na corda para fazer o rapel.
Ÿ Utilizar o estribo para aliviar o peso sobre o outro ascendente e retirá-lo da
corda, colocando na alça do rack da cadeirinha, do lado oposto à mão da frenagem
do rapel.
Ÿ Retirar ascendente com o estribo e colocá-lo no rack da cadeirinha.
Ÿ Destravar o freio ou UIAA e realizar o rapel com a auto-segurança.

Figura 183 - Técnica de Transição de Ascensão para Rapel

137 138
12 ESCALADA EM ROCHA Ÿ Técnica de Pés: Uso eficiente dos pés para apoiar o corpo e economizar
energia dos braços. Inclui técnicas como o “edging” (uso da borda dos sapatos) e o
A escalada em rocha é um esporte que combina habilidade técnica, força física
“smearing” (uso da sola do sapato contra a rocha).
e mental, e um profundo conhecimento de equipamentos e segurança. Para os
bombeiros, essas habilidades são relevantes em operações de resgate em altura. Ÿ Técnica de Mãos: Uso de diferentes tipos de agarres (como regletes,
Surgiu como uma extensão do alpinismo no final do século XIX. Na Europa,
especialmente nos Alpes e Dolomitas, montanhistas começaram a explorar rotas mais abaulados, fissuras) para segurar e puxar. Técnicas de mão adequadas aumentam a
técnicas em rochas. A atividade evoluiu com o tempo, ganhando popularidade como segurança e a eficácia da escalada.
um esporte autônomo. Nos anos 1950 e 1960, com o desenvolvimento de
equipamentos especializados, como proteções móveis e sapatos de escalada, a Ÿ Escalada de Fissura: Técnica específica para escalar fissuras na rocha, usando
escalada moderna começou a tomar forma nos Estados Unidos e Europa. entalamento de mãos, pés ou até o corpo. Requer prática para dominar, mas é
A escalada moderna se subdivide em diversas modalidades, dentre elas: essencial em muitas rotas tradicionais.
Ÿ Escalada Esportiva - Realizada tanto em ambientes internos quanto externos, Ÿ Chaminé – Técnica empregada em fenda larga o bastante para que o escalador
caracteriza-se pelo uso de proteções fixas (chapeletas) onde o escalador pode entre inteiro dentro dela. A escalada é feita pressionando-se as duas paredes da
prender a sua corda. O foco está na dificuldade técnica dos movimentos. chaminé simultaneamente em direções opostas.
Ÿ Boulder - Praticada sem o uso de cordas ou cadeirinhas, em rochas baixas ou Ÿ Oposição - Técnica de escalada em que o escalador pressiona a rocha com os
blocos, com colchões de queda (crash pads) para proteção. Enfatiza movimentos de pés numa direção enquanto puxa com as mãos na direção oposta.
alta dificuldade em alturas relativamente seguras.
Figura 185 - Escalada em Rocha
Ÿ Escalada Tradicional ou Clássica - Envolve a ascensão de rotas em rocha onde
os escaladores devem colocar e remover suas próprias proteções (como friends e
nuts) para segurança. Requer conhecimento abrangente de técnicas de ancoragem e
avaliação do terreno.
Ÿ Big Wall - Refere-se à escalada de grandes paredes, muitas vezes
necessitando de vários dias para ser completada, exigindo que os escaladores
permaneçam na parede durante a noite. Envolve logística complexa, incluindo Fonte: acervo da comissão
sistemas de ancoragem, bivaques e planejamento de rota. Dentro deste contexto, para fins de comunicação no meio esportivo de
escalada adota-se os seguintes comandos por voz:
Ÿ Escalada em Gelo - Especialidade da escalada praticada em formações de gelo
como cachoeiras congeladas e geleiras, utilizando equipamentos específicos como Ÿ Seg!: Pedido para iniciar a segurança.
piolets e crampons. Ÿ Tensiona!: Pedido para retirar a folga da corda.
Ÿ Via Ferrata - Caminhos montanhosos equipados com cabos de aço, degraus, Ÿ Folga!: Pedido para liberar corda.
pontes e escadas que permitem aos bombeiros navegar por rotas que seriam Ÿ Livre!: Indicação de escalador seguro e o segurança pode liberar a corda.
inacessíveis sem equipamentos de escalada. Embora não seja "escalada" no sentido Ÿ Corda!: Aviso que a corda está sendo lançada.
tradicional, envolve habilidades e equipamentos similares.
O treinamento em escalada em rocha fortalece não apenas as habilidades
Para superar estas modalidades de escalada adota-se as seguintes técnicas: físicas dos militares, mas também sua resistência mental, capacidade de resolução
de problemas sob pressão e trabalho em equipe. O domínio dessa técnica é essencial
em missões que envolvem ambientes naturais, como montanhas e penhascos, assim

139 140
como em áreas urbanas, onde a geografia do terreno ou a estrutura arquitetônica 13 AUTO RESGATE
apresenta desafios significativos.
Neste contexto, a escalada em rocha é aplicada de forma ampla e variada nas
Auto resgate é a situação em que o militar, ao praticar uma atividade em altura,
operações do Corpo de Bombeiros, especialmente em regiões com terrenos
precisa se resgatar devido a uma falha em seu sistema de descensão ou ascensão.
acidentados e estruturas naturais complexas. Quando ocorre um acidente em
O conceito de auto resgate começou a ganhar relevância com o desenvolvimento de
montanhas, falésias ou desfiladeiros, a escalada em rocha permite que os bombeiros
técnicas de alpinismo e escalada. Inicialmente, era uma habilidade essencial para
acessem rapidamente vítimas que se encontram em locais de difícil acesso. Nessas
alpinistas enfrentarem emergências nas montanhas. Com o tempo, as técnicas de
situações, a habilidade de escalar não apenas possibilita alcançar a vítima, mas
auto resgate fora sendo adaptadas e refinadas para outras aplicações, incluindo
também facilita a estabilização e evacuação em segurança. A escalada é crucial em
operações de resgate urbana e industrial, tornando-se fundamentais para bombeiros.
resgates onde cada segundo conta, aumentando significativamente as chances de
Na maioria das vezes, o auto resgate ocorre porque o militar não tomou os
sobrevivência das vítimas ao permitir uma resposta rápida e eficaz.
cuidados necessários, resultando em uma falha que poderia ter sido evitada durante
Além de resgates em ambientes naturais, a escalada em rocha também é
a descensão ou ascensão. Contudo, mesmo os profissionais mais experientes podem
essencial em operações urbanas, onde os bombeiros enfrentam desafios em
enfrentar situações inevitáveis. É fundamental evitar ao máximo a necessidade de um
edificações altas, pontes e outras estruturas artificiais. Em cenários de incêndios em
auto resgate, especialmente em operações cujo objetivo principal seja o resgate de
arranha-céus, colapsos de edifícios ou operações de manutenção em estruturas
outra pessoa. Isso porque, embora seja uma técnica simples, o auto resgate retarda
elevadas, as técnicas de escalada permitem que os bombeiros acessem áreas que
o objetivo principal, que é o resgate de terceiros.
seriam inacessíveis por escadas ou plataformas elevatórias. Isso inclui a inspeção de
O auto resgate pode ser necessário quando o praticante enfrenta problemas
danos, a execução de reparos urgentes e o resgate de pessoas presas em locais
específicos durante a descensão ou ascensão, seja ao realizar um resgate ou em
elevados. A escalada em rocha, portanto, não só amplia o alcance operacional, mas
outras situações isoladas. Algumas das causas mais comuns incluem:
também garante que eles possam intervir com eficácia em uma variedade de
situações complexas e perigosas.
Sendo assim, os militares devem dominar uma variedade de técnicas de Ÿ Roupas ou luvas enroscadas no descensor;
escalada para garantir a eficácia e segurança durante operações. A escalada Ÿ Nós autoblocantes de segurança completamente travados e fora de alcance;
esportiva e clássica são uma das principais técnicas, onde o bombeiro utiliza apenas
suas mãos e pés para subir, contando com cordas e equipamentos de segurança Ÿ Nós autoblocantes enroscados no equipamento de descensão;
como proteção contra quedas. Estas técnicas são fundamentais em situações em que Ÿ Contato muito próximo do descensor ou ascensor com nós na corda;
o terreno permite pontos de apoio adequados, e o bombeiro precisa se mover
rapidamente para alcançar uma vítima ou posicionar equipamentos de resgate. Ÿ Cabelos enroscados no descensor;
Ÿ Ocorrência do “nó boca de lobo” no freio oito.

Saber realizar o auto resgate é de grande importância para todos os militares,


pois nem sempre será possível contar com a ajuda de terceiros. Para evitar situações
que exijam um auto resgate, alguns procedimentos podem ser seguidos:

Ÿ Evitar o uso de roupas e luvas largas que possam enroscar no descensor;


Ÿ Aumentar a atenção ao usar autoblocantes acima do descensor, garantindo
que o nó seja constantemente arrastado durante a descida.
Ÿ Ao usar autoblocantes abaixo do descensor, certificar-se de que não sejam
arrastados para dentro do equipamento de descensão ou muito próximos a ele;
Ÿ Em operações realizadas por BM femininas, garantir que os cabelos estejam
bem presos para evitar que se enrosquem no descensor;
Ÿ Verificar durante a ascensão ou descensão a presença de nós de junção ou
emendas de cordas, e preparar o travamento do equipamento de descensão com
antecedência para executar a técnica de “saltar nós em corda” com sucesso;

141 142
Ÿ Prestar atenção ao realizar descensão com freio oito para evitar a formação do 14 RESGATE DE VÍTIMAS
nó boca de lobo caso a corda perca tensão.
O resgate de vítimas em altura abrange um conjunto de procedimentos
destinados a socorrer indivíduos que se encontram em situação de perigo em locais
Esses cuidados são essenciais para garantir a segurança e a eficiência das
elevados. Esse risco frequentemente está associado à possibilidade de queda, o que
operações de salvamento em altura, minimizando a necessidade de auto resgates e
pode resultar em lesões físicas, traumas psicológicos ou, em casos extremos,
assegurando o cumprimento do objetivo principal de resgatar terceiros. fatalidades.
A realização do procedimento de auto resgate, é muito semelhante em várias Os procedimentos variam de acordo com a peculiaridade de cada situação,
ocasiões. Consistindo em transferir o peso do corpo que está no ponto principal da
sendo que os locais mais frequentes que ocorrem esse tipo de resgate são
corda, para acima de onde ocorreu a “pane” ou transferido para outra corda ou local
edificações, árvores, andaimes, torres de rede elétrica, cabos de tirolesa, poste de
de apoio, quando for possível e viável. Dessa forma toda a tensão que estava sendo energia, ribanceiras, brinquedos de parques, muro de escalada, cachoeiras, rochas,
feita no local da “pane”, é transferida para o ponto criado. Ao realizar este pontes etc.
procedimento, a atenção deve ser difusa, tendo em vista que, em momento algum o
Vários fatores determinam a complexidade de um resgate em altura, incluindo
militar poderá desconectar-se da corda.
o local onde a vítima está, o tipo de acesso disponível, o estado de consciência da
Para realizar esta técnica deve-se introduzir um ascensor ou um equipamento
vítima, e se ela estava envolvida em uma atividade específica em altura ou não. Em
blocante ou nó blocante na corda acima do ponto de “pane”, conectá-lo ao estribo e geral, o resgate de vítimas não é uma tarefa simples, pois requer que o bombeiro
ao longe maior. Apoiar os pés no estribo para que possa ficar de pé onde
tenha a habilidade de selecionar e aplicar as técnicas apropriadas para cada situação.
automaticamente o seu corpo irá elevar-se liberando a tensão sobre a pane deixa-a
São possíveis vítimas envolvidas com a atividade de altura:
livre.
Figura 186 - Auto Resgate Ÿ Praticante de escalada ou rapel;
Ÿ Trabalhador de Acesso por Cordas ou Alpinismo Industrial;
Ÿ Trabalhador que utiliza andaimes para pintura ou manutenção, (geralmente
presos por uma linha de vida, talabart e cadeirinha);
Ÿ Trabalhador de rede de iluminação;
Ÿ Trabalhadores que realizam corte e poda de árvore.

Fonte: acervo da comissão


É comum que esse público esteja utilizando algum tipo de equipamento em
Em casos de luvas, roupas presas no descensor, apenas ao subir no estribo, altura e espera-se que tenham determinado conhecimento da atividade.
já será possível liberar o sistema. Por outro lado, há as possíveis vítimas que não estavam envolvidas com a
Tratando-se das demais situações o militar ainda de pé sobre o estribo, deverá atividade em altura, tais como:
conectar seu longe menor ao estribo transferindo seu peso para este ponto, deixando
o ponto de pane sem tensão. Na sequência confecciona um nó borboleta Ÿ Pessoa a procura de socorro na janela de uma edificação;
imediatamente abaixo do ponto de pane e transfere seu longe maior para o nó
borboleta. Realiza a liberação de toda a pane existente, refaz o processo de Ÿ Vítima de autoextermínio;
encordoamento e trava o descensor, caso não seja auto blocante, e assim pode Ÿ Pessoas que se expõem ao realizar manutenção ou limpeza na área externa
desfazer toda a técnica de auto resgate empregada, em modo inverso.
de edificações.

A principal distinção entre uma vítima não envolvida em atividades de altura e


uma que está envolvida é que a segunda está ciente dos riscos associados à atividade
e deve possuir algum conhecimento básico sobre o assunto. Além disso, espera-se
que a vítima envolvida esteja utilizando os equipamentos necessários para a
atividade.
Sendo assim, cada situação de resgate exige procedimentos específicos,
assim como cada operação requer determinados equipamentos essenciais para
operacionalização do salvamento.
143 144
É importante destacar que alguns resgates podem exigir uma quantidade maior sensação de asfixia, contrações incontroláveis, hipotensão e taquicardia. Em dois
de equipamentos do que o usual. No entanto, em certas situações, o excesso de casos, houve perda de consciência. As conclusões indicaram que a suspensão
equipamentos pode dificultar a operação. Por exemplo, em casos de resgate de vertical por cinto pode causar perda de consciência e morte em 4 a 6 minutos devido
vítimas de autoextermínio, o barulho dos equipamentos pode revelar a posição do à redução do fluxo sanguíneo cerebral.
bombeiro, eliminando o elemento surpresa crucial para o sucesso da intervenção. Em Figura 187 - Síndrome de Suspensão Inerte e a Progressão do Trauma
resgates em cachoeiras, o excesso de equipamento pode dificultar a flutuação na
água após o resgate em altura, tornando a operação mais complexa para o bombeiro.
Além dos equipamentos individuais, o bombeiro deverá levar equipamentos
que o auxiliará para o resgate da vítima, principalmente tratando-se de vítimas não
envolvidas na atividade em altura. Neste caso recomenda-se pelo menos:

Ÿ Capacete;
Ÿ Triângulo de salvamento - “Fraldão”;
Ÿ Canivete em casos que seja necessário cortar a corda; Fonte: acervo da comissão

14.1 Síndrome da suspensão inerte Tendo como principal objetivo resgatar a vítima com vida, deve-se priorizar o
resgate rápido acima de qualquer outra manobra. A “morte de resgate” pode ocorrer
A síndrome da suspensão inerte, também conhecida como hipotensão devido ao aumento letal do retorno de sangue hipoxêmico para a circulação central
ortostática, trauma de suspensão inerte ou síndrome da cadeirinha, é uma condição quando a vítima é colocada bruscamente em posição horizontal.
médica crítica que pode ocorrer em situações de trabalho em altura, quando uma O bombeiro deve manter a parte superior do tronco da vítima em posição
pessoa fica suspensa por longos períodos utilizando um cinto de segurança. Esta vertical, com as pernas flexionadas, por pelo menos 10 minutos, antes de movê-la
síndrome é particularmente relevante nas operações em altura onde frequentemente lentamente para uma posição supina na maca, ajustando-a cuidadosamente.
surgem situações em que vítimas ficam imobilizadas e suspensas, aguardando Existem fatores individuais que podem aumentar o risco de uma síndrome da
resgate. suspensão inerte, sendo assim recomenda-se:
O uso do cinto de segurança é indispensável para atividades em altura, porém,
pode levar à compressão do fluxo sanguíneo, principalmente nos membros inferiores. Ÿ Planejar o trabalho em altura para permitir resgates imediatos.
Essa compressão impede o funcionamento adequado do sistema circulatório. Em Ÿ Evitar trabalhos em altura quando houver fatores de risco individuais.
pouco tempo, podem surgir alterações como o aumento da frequência cardíaca e da
pressão sanguínea, na tentativa de restabelecer a circulação. Quando essas medidas Ÿ Priorizar o resgate rápido sem perder tempo em estabilizar a vítima.
não são eficazes, a pressão é reduzida, levando ao depósito de sangue nos membros Ÿ Garantir que trabalhadores em suspensão nunca trabalhem sozinhos.
inferiores e à diminuição do oxigênio no cérebro e nos músculos.
As fitas do cinto podem causar estrangulamento, promovendo edemas e Ÿ Evitar manter a vítima em posição vertical prolongadamente e resgatá-la no
liberação de toxinas (acidose) por isquemia leve, o que pode gerar complicações
menor tempo possível.
como trombose venosa, insuficiência renal, embolia pulmonar e a produção de ácidos
nos músculos. Esta condição pode se agravar rapidamente se o resgate não for Ÿ Se a vítima estiver consciente, tranquilizá-la e manter as pernas em posição
realizado de maneira adequada e urgente.
horizontal.
No final dos anos 70, mortes inexplicáveis em indivíduos aparentemente
saudáveis, especialmente espeleólogos encontrados mortos suspensos em cintos Ÿ Utilizar sistemas de apoio para os pés e mover as pernas frequentemente
sem traumas aparentes, intrigaram pesquisadores. Inicialmente atribuídas à síndrome
de “fadiga por hipotermia”, estas mortes levaram à realização de estudos clínicos durante o trabalho suspenso.
específicos, que redefiniram a condição como “Síndrome da Suspensão Inerte”.
Pesquisas experimentais com voluntários saudáveis mostraram a gravidade do Desta forma conclui-se que a síndrome da suspensão inerte é uma condição
problema, identificando sintomas como dormência, dor intensa, sensação de asfixia, médica grave que pode ocorrer durante trabalhos em altura. A compreensão de seus
contrações incontroláveis, hipotensão, taquicardia e, em alguns casos, perda de sintomas e a aplicação de técnicas de resgate adequadas são essenciais para
consciência. prevenir complicações fatais. O treinamento contínuo, o uso adequado de
Estudos realizados nos anos 70 apresentam que foram efetuados 65 testes de equipamentos e a preparação para o atendimento são fundamentais para garantir a
suspensão em posição vertical com montanhistas experientes e quatro tipos de cintos. segurança e a eficácia das operações de resgate em altura.
Os resultados demonstraram efeitos negativos como dormência, dor intensa,
145 146
14.2 Rapel com vítima Após definido qual meio de acesso e equipamentos serão utilizados para a
operação de resgate, o bombeiro, após montagem de seu SAS ou equivalente, deverá
rapelar ao encontro da vítima e para tanto deve realizar a técnica de alongamento do
Nesta técnica a vítima não necessita de imobilização, sendo assim, ela desce
freio ou descensor autoblocante, isto é, conectar este equipamento no longe menor
junto ao bombeiro, entre suas pernas, requerendo corda com resistência mínima de
ao invés de fazê-lo no modo convencional da cintura. Caso o bombeiro não esteja
40 KN, neste caso deve-se utilizar corda NFPA ou duas cordas para chegar neste
utilizando um descensor autoblocante, deve-se utilizar obrigatoriamente a auto
valor. Além disso, esta técnica exige procedimentos específicos para segurança da
segurança.
operação e para que o bombeiro tenha controle suficiente da descida.
Quando o bombeiro alcançar a vítima, o primeiro passo é prover sua
De acordo com o estado da vítima a operação pode ser desenvolvida lançando
segurança. Caso a vítima já esteja utilizando algum equipamento de altura, o
a corda para baixo ou utilizando o bolsa de rapel tático, sendo:
bombeiro deverá verificar se os equipamentos foram colocados de maneira correta e
a confiabilidade daqueles equipamentos, levando em conta se são homologados e
Ÿ Com bolsa de rapel tático como está seu estado de conservação.
Se verificado que os equipamentos são seguros o bombeiro poderá prosseguir
Havendo risco de enrosco da corda em algum ponto da descida ou o estado da sem que seja feita a substituição ou complementação dos equipamentos. Caso os
vítima possa acarretar a possiblidade dela cair ou tentar se segurar na corda caso equipamentos não sejam seguros, ou a vítima esteja sem equipamento, o primeiro
esta seja lançada deve-se utilizar o bolsa de rapel tático. A exemplo de vítimas a procedimento será providenciar que a vítima seja equipada, para que possa colocá-la
procura de socorro na janela de uma edificação, vítima de autoextermínio ou pessoas em segurança o quanto antes.
que se expõem ao realizar manutenção ou limpeza na área externa de edificações. Nesse caso o triângulo de salvamento (fraldão) é o mais recomendado, tendo
Figura 188 - Rapel com Vítima com emprego de bolsa de rapel tático
em vista a sua rápida colocação e a facilidade de ajuste. Há também outras formas
que podem ser utilizadas pelo bombeiro, como a utilização de cadeirinhas, anel de
fitas e cabo solteiro. A colocação desses equipamentos deve ser feita de maneira
rápida e segura, o bombeiro sempre deve conferir se a colocação dos equipamentos
e as amarrações na vítima foram executadas de maneira correta e segura. Além do
triângulo de salvamento, deve-se colocar um capacete na vítima e prender seus
cabelos, se longos.
Após colocar os equipamentos de segurança na vítima, deve-se conectar o
longe maior do bombeiro à vítima e na sequência, conectar a vítima ao freio ou
descensor automático do bombeiro por meio de uma solteira ou anel de fita, formando
Fonte: acervo da comissão assim o que denominamos de “triangulo da vida”.
É importante frisar que a solteira da vítima que será conectada ao freio ou
Ÿ Sem bolsa de rapel tático descensor automático, deve ser maior que o longe menor do bombeiro, para que
assim a vítima fique abaixo do bombeiro e seu peso fique no freio ou descensor
automático e não no cinto do bombeiro.
Não havendo risco de enrosco da corda em algum ponto da descida ou o Em seguida, caso a vítima não esteja conectada a outra corda ou sistema, a
estado da vítima não possibilite sua queda ou tentativa de se segurar na corda caso descida poderá ser realizada devendo atentar-se para que a vítima não se machuque
esta seja lançada deve-se realizar o lançamento da corda para baixo e prosseguir com durante a descida. Entretanto, se a vítima estiver conectada a outra corda e esta
a atividade. A exemplo de praticante de escalada ou rapel, trabalhadores de acesso estiver sob tensão, deve-se livrar a vítima desta corda antes de iniciar a descida e
por cordas ou alpinismo industrial, dentre outros. para tanto os equipamentos que estiverem conectando a vítima a outra corda deverão
Figura 189 - Rapel com Vítima sem o emprego de bolsa de rapel tático ser retirados.
Nestes casos será necessário utilizar a técnica denominada “contrapeso” ou
um SRF para suspender a vítima (dar um leve) e deixar seus equipamentos sem
tensão, possibilitando assim sua desmontagem e retirada. Quando a situação for de
evacuação rápida, devido o risco apresentado ou a necessitar de um socorro imediato
da vítima, a corda poderá ser cortada para que a descida seja realizada o quanto
antes.

14.2.1 Contrapeso

Fonte: acervo da comissão Esta técnica utiliza o peso do bombeiro como contrapeso para movimentar a
vítima de maneira segura.
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Para sua execução, instale na corda da vítima um ascensor de punho ou Ÿ Posicione-se de maneira segura e estável. Evite áreas onde o corte possa
equivalente, conecte a ele um mosquetão e uma polia. Passe um cabo solteiro através
da polia e conecte-o à vítima por meio de um nó alceado induzido. Na sequência causar choques ou queda de detritos.
realize uma aselha simples na outra extremidade do cabo solteiro. Ÿ Abra o canivete e o conduza sempre protegendo a lâmina do contato com os
Introduza o pé na aselha e forçando para baixo comece a movimentar a vítima
para cima. O bombeiro atua como contrapeso, movendo-se em direção oposta para equipamentos.
facilitar o movimento e para ajudar na elevação, o bombeiro deve, com as duas mãos, Ÿ Com as costas da lâmina voltada para a vítima, o fio voltado para o antebraço
suspender a vítima levemente.
Neste momento, a tensão na corda da vítima é aliviada e os materiais que de apoio do bombeiro e com a outra mão apoiando as costas da lâmina, execute o
estavam presos a corda tensionada devem ser retirados, podendo assim, seguir com corte de forma lenta e decisiva.
o procedimento padrão apresentado acima.
Ÿ Após o corte, de modo inverso guarde o canivete.
Para esta técnica recomenda-se que o peso do socorrista seja superior
Figura 191 - Técnica do Corte de Corda
ao peso da vítima de modo a favorecer a execução do contrapeso.

Figura 190 - Técnica do Contrapeso

Fonte: acervo da comissão

14.3 Operação com Maca


Fonte: acervo da comissão

14.2.2 Corte de corda O resgate de vítimas com trauma em altura requer procedimentos específicos
e cuidados adicionais para garantir a segurança e a estabilidade da vítima durante a
O procedimento de corte de corda é uma técnica crítica utilizada em evacuação. Traumas podem variar de fraturas e lesões internas a lesões na coluna, e
emergências onde a remoção rápida e segura de uma vítima é necessária. Este cada tipo de trauma exige uma abordagem diferente. O uso de macas (rígidas, cesto
procedimento deve ser executado com extrema cautela, pois envolve riscos ou envelope) é essencial para imobilizar a vítima e facilitar seu transporte seguro.
significativos tanto para a vítima quanto para o bombeiro. Para o emprego desta Para as vítimas com trauma que estão em suspensão ou em local que não
técnica deve-se: ofereça condições seguras de imobilização deve-se utilizar as técnicas de “vítima sem
trauma” até que seja posicionada em local seguro para realizar a devida imobilização.
Ÿ Avaliar a situação para determinar a necessidade do corte de corda. Considere Após posicionamento da vítima em local seguro, realização da avaliação e
procedimentos regulares de APH deve-se definir os meios de acesso, extração e
todas as alternativas antes de proceder, pois o corte da corda é uma medida extrema. equipamentos que serão utilizados para a operação, dentre eles a macas que será
Ÿ Escolha ferramentas adequadas e afiadas para o corte da corda, como canivete utilizada e para tanto deve atentar aos seguintes pontos:

de resgate ou alicate de corte de corda. 14.3.1 Maca tipo cesto


Ÿ Utilize EPI apropriado, incluindo luvas e óculos de proteção.
Para garantir a sustentação adequada da maca, é essencial ancorar
Ÿ Comunique à equipe sobre o procedimento. firmemente os pontos próximos aos pés e à cabeça, centralizando-os no centro de
gravidade da maca. Embora existam tirantes comercializados como itens de série ou
Ÿ Antes de cortar a corda, assegure-se de que a vítima está segura e
opcionais para macas, é possível confeccionar tirantes ajustáveis utilizando cabos
estabilizada. solteiros.
Os tirantes ajustáveis oferecem a vantagem de pequenos ajustes rápidos,
possibilitando a mudança da inclinação da maca conforme necessário.

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Figura 192 - Amarração da Maca tipo Cesto (com Cintas ou Corda)

Fonte: acervo da comissão


Fonte: acervo da comissão Por questões de segurança, mantenha uma ancoragem pré-fixada à cabeceira
A fixação da vítima na maca tem como finalidade evitar queda em caso de da maca para viabilizar, em caso de necessidade, uma possível inversão do
inversão ou o escorregamento em caso de inclinação, no entanto, deve-se atentar deslocamento da maca, do plano horizontal para o vertical.
para que a imobilização não prejudique a respiração da vítima, nem agrave as lesões Figura 195 - Ancoragem para Verticalização na Maca tipo Cesto
existentes. Para tanto deve ser realizada da seguinte forma:

Ÿ Após a imobilização da vítima em prancha longa, posicione-a na maca cesto,


fechando os tirantes da maca e ajustando o suporte de pé;
Ÿ Iniciar o encordoamento com o nó fiel mais próximo da alça dos pés seguido
de arremate, confeccionar nós fiéis que também servirão como suporte de pé;
Ÿ “Costure” a maca passando a corda pelos pegadores, efetuando cotes;
Fonte: acervo da comissão
Ÿ Na altura do tórax, cruze a corda sobre a vítima, para o outro lado da maca e
retornando a costura em ̋ X ̋; 14.3.2 Maca tipo envelope

Ÿ Arremate a corda no pegador passando a mesma entre os pés da vítima. A maca tipo envelope é uma ferramenta essencial em operações de resgate,
destacando-se por sua versatilidade, design compacto e eficiência na imobilização de
Figura 193 - Amarração da Vítima à Maca tipo Cesto vítimas. Projetada para ser leve e facilmente transportável, essa maca é ideal para
uma ampla variedade de cenários, desde resgates urbanos e industriais até
operações em espaços confinados. Sua estrutura robusta e flexível garante que ela
possa ser utilizada de maneira eficaz em situações que exigem mobilidade e rapidez,
sem comprometer a segurança da vítima.
Feita de materiais duráveis, a maca tipo envelope combina força e flexibilidade.
A impermeabilidade de muitos modelos protege a vítima contra condições adversas,
enquanto as múltiplas alças de transporte reforçadas ao longo das bordas permitem
que vários bombeiros compartilhem o peso durante o transporte. Essa característica
é particularmente importante em ambientes desafiadores, onde o acesso pode ser
Fonte: acervo da comissão restrito e a movimentação precisa ser cuidadosamente coordenada.
Além de sua estrutura resistente, a maca tipo envelope inclui pontos de fixação
Com a finalidade evitar que a maca encoste ou enrosque em saliências da
seguros para cintos de segurança, garantindo a imobilização adequada da vítima. A
parede ou efetue giros em vão livre, prejudicando a estabilização da vítima, deve-se
capacidade de dobrar ou enrolar a maca facilita seu armazenamento e transporte,
instalar uma corda guia na maca sempre que ela estiver isolada (sem
tornando-a uma escolha prática para equipes de resgate que operam em locais com
acompanhamento de um bombeiro) e houver possibilidade de enrosco ou
espaço limitado.
desestabilização.
Figura 196 - Modelo de Maca tipo Envelope
Figura 194 – Corda Guia na Maca tipo Cesto

151 152
Fonte: acervo da comissão Fonte: acervo da comissão
Para seu emprego deve-se seguir as recomendações contidas em seu manual
de instrução e as seguintes etapas: 14.3.3 Acompanhamento da maca

Sempre que possível, em qualquer situação de salvamento (rapel, içamento ou


Ÿ Instale os tirantes na maca, sendo o maior no ponto inferior (pé) e o menor no
tirolesa), a vítima deverá estar acompanhada do bombeiro, que deve ficar com a maca
ponto superior (cabeça); a altura de sua cintura em condições de prestar assistência à vítima e safar a maca
da parede ou de obstáculos no caminho. Nestes casos o sistema deve ser
Ÿ Instale os acessórios, as fitas tubulares extras para a função de pegadores;
dimensionado para bombeiro e vítima, isto é, requerendo corda com resistência
Ÿ Após a imobilização da vítima em prancha longa, posicione-a na maca mínima de 40 KN, podendo etilizar duas cordas para chegar neste valor.
O bombeiro deverá estar ancorado ao sistema por meio do longe maior e à
fechando os tirantes, porém, sem ajustá-los; vítima por meio do segundo longe maior. Além disso, deve-se deixar no mínimo 5
Ÿ Una os tirantes com o mosquetão; metros de corda após o sistema de conexão da maca para que o bombeiro, dotado
de bloqueadores ou pedaleiras possa realizar sua movimentação abaixo e acima da
Ÿ Utilizando a corda que acompanha o equipamento,confeccione uma aselha maca.
simples no seio da corda e na sequência passe seus chicotes por entre os orifícios ou Para a liberação desta corda deve-se confeccionar um nó oito em linha para
conexão do sistema, deixando como chicote a quantidade de corda mencionada.
ilhoses da maca iniciando pela cabeça e tomando o cuidado de realizar a amarração
Figura 198 - Técnica de Acompanhamento da Maca
de forma igual nos dois lados;
Ÿ Realize a passagem do encordoamento por dentro dos pegadores da maca
repetindo a operação em ambos os lados;
Ÿ Continue inserindo os chicotes pelos orifícios ou ilhoses da maca, tencionando-
os após cada passagem até que chegue nos pés da maca;
Ÿ Emende os chicotes com um nó direito na altura dos pés e leve os chicotes da
corda até os pegadores mais próximos do pé da maca e una estas pontas com um nó Fonte: acervo da comissão

direito arrematados com um nó meio pescador duplo. 14.3.4 STEF

A maca tipo envelope oferece excelente suporte e proteção à vítima. No Para unir o conforto do paciente ao fácil manuseio por um único bombeiro, a
entanto, não foi concebida como um dispositivo de imobilização da coluna vertebral. maca é geralmente içada ou descida na posição horizontal, porém, em passagens
Sendo assim, se houver suspeita de lesão medular, deve-se utilizar a prancha longa. estreitas pode ser necessário que a maca opere na posição vertical e para atingir este
Com a finalidade de evitar que a maca encoste ou enrosque em saliências da objetivo utiliza-se a técnica denominada STEF.
parede ou efetue giros em vão livre, prejudicando a estabilização da vítima, deve-se A técnica STEF (Sistema Técnico de Equilíbrio Fácil) é amplamente utilizada
instalar uma corda guia na maca sempre que ela estiver isolada (sem em operações de resgate em ambientes de caverna para verticalizar e horizontalizar
acompanhamento de um bombeiro) e houver possibilidade de enrosco ou macas de forma segura e controlada. Este método permite a movimentação da vítima
desestabilização. em terrenos verticais e horizontais, garantindo estabilidade e minimizando riscos
durante o transporte.
Figura 197 - Montagem da Maca tipo Envelope

153 154
Para sua montagem basta instalar um SRF independente no tirante inferior da Ÿ A maca é ancorada através de seu ponto de fixação superior.
maca, isto é, entre o tirante e a conexão a corda do sistema, desta forma, liberando o
SRF o bombeiro consegue verticalizar a maca e tracionando o SRF ele horizontaliza Ÿ A corda é instalada em um freio ou descensor automático quando para descida
a maca. ou em um SRF quando para içamento.
Figura 199 - STEF Ÿ A maca deve ser posicionada de forma segura sobre os degraus da escada de
modo a utilizá-los como trilho de caminhamento.
Ÿ Dois bombeiros no ponto de descida são responsáveis pela corda guia e pela
recepção da vítima, enquanto outro bombeiro controla a descida da vítima.
Ÿ A descida é controlada pela corda no dispositivo de frenagem e guiada pela
corda guia até que a maca chegue com segurança ao solo.

Fonte: acervo da comissão


Figura 200 - Técnica com Escada em Trilho

14.4 Operação com Escada

As técnicas que empregam escadas desempenham um papel crucial em uma


vasta gama de operações em altura, proporcionando um meio seguro e eficiente para
acessar locais elevados ou em desnível. Seja em intervenções urbanas, resgates em
edificações, operações de manutenção industrial ou em ambientes naturais, o uso de
escadas é uma solução prática e indispensável. A versatilidade das escadas permite
que sejam utilizadas em diversos contextos, desde o acesso a telhados e janelas até Fonte: acervo da comissão
o resgate de vítimas em áreas de difícil acesso.
O domínio das técnicas de uso de escadas é essencial para garantir a 14.4.2 Escada Rebatida
segurança dos bombeiros e das vítimas. Estas técnicas incluem a correta seleção,
posicionamento e fixação das escadas, bem como o uso adequado dos Este método permite que a vítima desça até o solo com segurança, fixando a
equipamentos. A familiaridade com diferentes tipos de escadas, como escadas de maca no topo de uma escada colocando-a paralela a edificação. À medida que a
mão, extensíveis e articuladas, é fundamental para escolher o equipamento certo para escada é inclinada, a maca desce gradualmente até “repousar” sobre os degraus da
cada situação específica. escada, em posição horizontal. Este procedimento requer espaço suficiente para a
inclinação da escada e é fundamental que a base da escada esteja estável.
Sistema dimensionado para operar somente com a vítima. Deve ser executada da seguinte forma:

Ÿ Monta-se a maca tipo envelope ou cesto com os tirantes de transporte.


As principais técnicas de resgate com escada são:
Ÿ Erga a escada em um local seguro e fixe um anel de fita ou cabo solteiro no
14.4.1 Escada em Trilho topo da escada, em ambos os lados.
Esta técnica envolve o uso de uma escada como um trilho para criar um plano Ÿ Ancore duas cordas no pé da maca, uma em cada lado, para controlar a
inclinado, facilitando o deslizamento da maca tanto na descida quanto no içamento.
descida. Utilize um freio ou descensor automático para controle de descida e
Deve ser executada da seguinte forma:
velocidade.
Ÿ Monta-se a maca tipo envelope ou cesto com os tirantes de transporte vertical
Ÿ Instale uma corda guia em cada lado da escada em seu do ponto superior para
e uma corda guia.
que dois bombeiros operem do solo.
Ÿ A escada deve ser posicionada em um local seguro, inclinada em um ângulo
Ÿ Fixe a cabeça da maca aos tirantes pré-confeccionados aos degraus da
suave e seguro, idealmente menor ou igual a 45º.
escada.

155 156
Ÿ Um bombeiro deve estabilizar a base da escada, encostada na parede, para esforço sobre o sistema de ancoragem, aumentando a capacidade de carga. A
garantir sua segurança. inclinação ideal é em torno de 75°.
Ÿ Com a maca no vão, os bombeiros responsáveis liberam as cordas Ÿ Montagem do SRF - após a ancoragem, confeccione o sistema de redução de
simultaneamente para permitir que a maca desça de forma nivelada ou com a cabeça forças e fixe-o na parte superior da escada.
ligeiramente elevada.
Este método é comumente utilizado com o pé da escada apoiado na roda
Ÿ A liberação das cordas deve ser gradual até que a escada e a maca cheguem traseira da viatura e, deste modo, deve ser executada da seguinte forma:
ao solo em segurança.
Ÿ Posicionamento da Viatura
Figura 201 - Técnica com Escada Rebatida
Posicione a viatura a cerca de 70 cm da área de trabalho. Esta distância pode
variar conforme a apresentação do cenário de modo a uma inclinação de
aproximadamente 75°, permitindo o tracionamento da vítima.

Ÿ b) Ancoragem dos Pés da Escada

Apoie a escada na roda traseira da viatura.


Utilize anéis de fita, fitas tubulares ou cabo solteiro e mosquetões para ancorar
Fonte: acervo da comissão os pés da escada nos furos do aro da roda da viatura.
Certifique-se que a ancoragem não tenha folgas para garantir sua estabilidade.

14.4.3 Escada em Guindaste Ÿ c) Estaiamento

Este método consiste na utilização de uma escada posicionada em um ângulo Realize o estaiamento dos banzos da escada utilizando, preferencialmente,
aproximado de 75° com o solo e é empregado em locais onde não se tenha um ponto ancoragens que permitam ajustes.
de ancoragem confiável e em posição superior ao de retirada da vítima. Atente-se ao estaiamento do banzo oposto à linha de tracionamento para evitar
Para o emprego desta técnica deve-se estabilizar a escada a fim de impedir movimentos laterais durante o tracionamento.
sua movimentação vertical e horizontal, geralmente com o emprego de uma viatura.
Para sua montagem deve-se atentar: Ÿ d) Ancoragem da Parte Superior da Escada

Ÿ Posicionamento - determine o local de posicionamento da escada e fixe os pés


Utilize uma corda para ancorar a parte superior da escada, passando-a por
da escada a um ponto de ancoragem utilizando anel de fita, fita tubular ou cabo cima da viatura e ancorando na roda traseira oposta. Isso previne a flexão excessiva
solteiro. da escada e impede sua movimentação vertical. Caso a viatura não tenha estrutura
adequada na carroceria, ancore na mesma roda que a base da escada.
Ÿ Estabelecimento das Linhas de Ancoragem - posicione a linha de ancoragem
da parte superior da escada perpendicularmente ao ponto de fixação dos pés, a uma Ÿ e) Montagem do SRF

distância igual à altura da escada. Para evitar movimentos laterais, deve-se realizar o
Utilizando anéis de fita ou fitas tubulares ancore em cada banzo da escada,
estaiamento em pontos de ancoragens laterais com distância equivalente a metade apoiando nos degraus para formar uma equalização que servirá como ponto de
da altura da escada em cada direção. Use uma ou mais cordas para fixar esses pontos ancoragem do sistema.

de ancoragem à parte superior da escada. Ÿ f) Corda de Segurança


Ÿ Inclinação da Escada - o ângulo deve permitir a realização do trabalho sem
dificuldade sendo que quanto maior o ângulo entre a escada e o piso, menor será o
157 158
Instale uma corda adicional, separada do sistema principal, ligando a maca a 15 GLOSSÁRIO
um ponto de ancoragem seguro na viatura ou próximo a ela. Esta corda funcionará
como um “back-up” e deve ser mantido sua tensão à medida que a vítima for sendo
içada ou liberada. Ÿ Abrir a via - Iniciar a escalada de uma via; conquistar.
Cuidados: Ÿ Acochar - Apertar.

Ÿ deve-se observar a temperatura das rodas da viatura, que poderão estar muito Ÿ Alça – segmento de corda que se obtém permeando a corda e unindo suas

quentes possibilitando a danificação do estropo comprometendo assim a segurança extremidades sem cruzá-las.

da operação. Ÿ Abaulado - tipo de pega arredondada, geralmente grande, onde não se

Ÿ a maca a ser içada com a vítima devera conter pelo menos uma corda guia consegue fechar a pegada, obrigando o escalador a usar a mão aberta.

para controle da subida e desvio de obstáculos que possam dificultar o salvamento. Ÿ Aderência - escalada sobre rocha lisa, sem agarras, usando apenas a

Ÿ é recomendado a utilização da escada prolongável nesta técnica, uma vez que aderência entre a sapatilha e a rocha e entre as mãos e a rocha.

esse modelo de escada permite uma maior resistência aos esforços realizados, Ÿ Agarra - saliência na rocha, pode-se segurar ou pisar nela.

estando necessariamente ela toda desarvorada. Ÿ Aresta - canto da estrutura onde duas faces se encontram apontando para fora

Ÿ não é recomendado o uso da viatura UR para a confecção desta técnica, pois da parede.

será necessário retirar a escada e as ancoragens da viatura para poder deslocar com Ÿ Arnês - outro nome para cadeirinha.

a vítima. Ÿ Artificial - modalidade da escalada onde o escalador progride na parede


apoiando-se diretamente no equipamento, cabos de aço e/ou proteções.
Figura 202 – Técnica com Escada em 45º
Ÿ Assegurador - Aquele que dá segurança.
Ÿ Balcão - movimento feito para “montar” em cima da agarra quando não há
nenhuma agarra boa acima para se puxar.
Ÿ Batedor - Equipamento de escalada utilizado para fazer furos na rocha para
fixar proteções, como grampos ou chapeletas. Consiste basicamente em uma broca
com um cabo, no qual o escalador bate com uma marreta e gira até fazer o furo.

Fonte: acervo da comissão Ÿ Batente - Tipo de agarra plana, geralmente grande, onde o escalador não
consegue fechar a pegada.
Ÿ Bidedo - Tipo de pega onde se usa apenas dois dedos da mão.
Ÿ Bote - Movimento dinâmico onde o escalador salta de uma agarra para a outra.
Ÿ Boulder - Bloco de pedra com alguns poucos metros de altura. Modalidade de
escalada praticada sem corda e sempre perto do chão.
Ÿ Bitola - Diâmetro da corda.
Ÿ Cabo solteiro - Seguimento de corda cortada em comprimento de 4 a 6 metros.
Ÿ Came - Mecanismo cuja função, por contato direto, conduz ou impõe um
determinado movimento a um outro elemento, geralmente a corda.

159 160
Ÿ Certificação - Um sistema pelo qual uma organização de certificação Ÿ Encadenar –é quando o escalador consegue subir uma via inteira, com
determina que um fabricante demonstrou a capacidade de produzir um produto que segurança por baixo, sem cair, sem se apoiar nas ancoragens para descansar e sem
está em conformidade com os requisitos desta norma, autoriza o fabricante a usar um ter ensaiado a via previamente.
rótulo em produtos listados que estejam em conformidade com os requisitos desta Ÿ Enfiada de corda - Em vias mais longas do que o comprimento da corda, o
norma e estabelece um programa de acompanhamento conduzido pela organização guia escala até um determinado ponto e, então monta uma parada e passa a dar
de certificação como uma verificação dos métodos que o fabricante usa para segurança para o participante, até que ele também chegue nesse ponto. Esse
determinar a conformidade com os requisitos desta norma. processo é repetido quantas vezes for necessário, até o final da via. Cada um dos
Ÿ Coca - Laçada provocada pelo desenrolar inexato da corda. trechos entre duas paradas é uma enfiada de corda. No Rio de Janeiro, chama-se
Ÿ Cordada - Conjunto de dois ou mais escaladores unidos uns aos outros através esticão.
de cordas. Ÿ Entalada - Técnica que consiste em escalar entalando os dedos, as mãos, o
Ÿ Corredor de segurança - Sistema de proteção contra quedas que consiste em punho ou os pés em fendas.
um cabo ou corda, horizontal ou vertical, ao qual o bombeiro se conecta. Ÿ Escalada alpina - Modalidade praticada em montanha, sempre em vias longas
Ÿ Correr - Mesmo que escorregar. e com eventual presença de gelo.
Ÿ Cota Zero - nível do piso Ÿ Escalada artificial - Técnica em que o escalador se apoia no equipamento
Ÿ Cume - Ponto mais alto de uma montanha. para progredir.
Ÿ Chaminé - Fenda larga o bastante para que o escalador entre inteiro dentro Ÿ Estaiamento - Técnica que consiste em realizar amarrações em uma escada,
dela. A escalada é feita pressionando-se as duas paredes da chaminé tripé ou outro equipamento e erguê-la, sustentando-a por pontos de apoio através do
simultaneamente em direções opostas. estiramento de cordas.
Ÿ Clif - Peça de metal em forma de anzol utilizada pelo escalador como apoio Ÿ Esticão - Termo usado para designar espaço entre dois pontos de parada
para progressão na escalada em artificial e/ou conquista de novas vias. consecutivos em uma via de escalada.
Ÿ Conquista - Estabelecimento de uma nova via de baixo para cima, com Ÿ Fendas, Fissuras e Frestas - Rachaduras na rocha característica de grandes
segurança dada por baixo. Denomina-se conquista quando um escalador ou um grupo paredes.
de escaladores define pela primeira vez o traçado de uma via de escalada através da Ÿ Falcaça - Arremate que se faz na extremidade da corda para que ela não se
colocação de grampos ou chapeletas e/ou indicação da necessidade de proteções desfie.
móveis. Ÿ Grampear - Instalar um grampo na rocha.
Ÿ Crashpad - é uma palavra de origem inglesa que pode ser traduzida por Ÿ Grampo - Dispositivo de ancoragem permanente que é instalado num furo
colchão ou almofada de queda. Trata-se de um “colchão” que é colocado no chão, no aberto com broca na rocha.
lugar onde é previsível que o escalador possa cair, amortecendo sua queda, Ÿ Induzido - quando o nó é confeccionado pela ponta.
protegendo-o. Ÿ Limpar a via - Recolher o material de proteção instalado na via.
Ÿ Crux - Lance-chave, o lance mais difícil da via. Ÿ Livro de cume - Caderno deixado no cume de algumas montanhas para que
Ÿ Cota zero - Considera-se cota zero o nível do solo. os escaladores possam registrar seus nomes e comentários.
Ÿ Diedro - Parte côncava da rocha ou parede de escalada, semelhante em Ÿ Morcego - Técnica no qual o bombeiro permanece com os pés na extremidade
formato à uma fenda, porém de maior dimensão. final do patamar até ficar totalmente de cabeça para baixo quando pode soltar os pés.

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Ÿ Morder - É prender, por oclusão, alguma parte da corda em outra parte dela Ÿ Top rope - Sistema de segurança em que a corda que protege o escalador
ou superfície rígida. vem de cima, de modo que não há possibilidade de quedas com choque.
Ÿ Mandar a via – Na escalada, é quando o escalador consegue subir uma via Ÿ Teto - Trecho em que a parede de escalada se projeta para fora, formando um
inteira, sem cair, sem se apoiar nas ancoragens para descansar. teto sobre o escalador.
Ÿ Muro artificial - Parede, geralmente de concreto ou madeira, com agarras Ÿ Tracionamento - Puxar, esticar, tencionar uma corda.
artificiais para escalada. Ÿ Twister – Técnica executada quando a ancoragem está posicionada abaixo da
Ÿ Negativo - inclinação na rocha maior do que 90º. linha da cintura, neste caso deve-se executar uma curta corrida de costas até que o
Ÿ Oposição - Técnica de escalada em que o escalador pressiona a rocha com peso do bombeiro seja transferido para a corda, esta manobra é denominada twister.
os pés numa direção enquanto puxa com as mãos na direção oposta. Ÿ Vaca - queda severa.
Ÿ Pane - Situação de falha no funcionamento ou procedimento executado de Ÿ Via - O caminho por onde se escala.
salvamento em altura que gera ou provoca uma parada.
Ÿ Parada - Na escalada tradicional, é uma ancoragem reforçada onde o guia para
no final de uma enfiada de corda. As ancoragens de parada são a base de todo o
sistema de segurança.
Ÿ Passa-mão - Termo empregado pelo Exército Brasileiro para referir-se a uma
corda previamente tencionada entre dois ou mais pontos por onde o escalador clipa o
mosquetão de sua solteira ou instala um nó blocante para transitar com segurança em
altura.
Ÿ Passar a corda - Desenrolar a corda e deslizá-la sobre as mãos inspecionando
seu estado de conservação e desfazendo possíveis cocas.
Ÿ Pêndulo - Técnica de escalada artificial que consiste em pendular, preso pela
corda, de modo a alcançar uma fenda ou um patamar a uma certa distância.
Ÿ Permear - Ato de dobrar a corda ao meio.
Ÿ Proteção - Em geral, esse termo se refere aos pontos de costura a ser
utilizados na montagem do sistema de segurança.
Ÿ Rapelar – Ação de descida por rapel.
Ÿ Reglete – Pequenas agarras, onde apenas cabem as pontas dos dedos.
Ÿ Resetar – Iniciar o procedimento novamente.
Ÿ Seio - Meio da corda.
Ÿ Socar - Apertar, ajustar.
Ÿ Tesoura - Técnica de progressão em chaminé larga em que a perna esquerda
e o braço esquerdo apoiam-se na parede esquerda, enquanto a perna e o braço
direitos pressionam a parede direita na direção oposta.
163 164
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