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Obg-Moeda Estrangeira

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PRESTAÇÕES/OBRIGAÇÕES EM MOEDA ESTRANGEIRA

Como o Direito das Obrigações rege as situações em que um Empregado recebe a sua
renumeração em moeda estrangeira? Como os investimentos e acordos internacionais
funcionam, sendo que existe a nossa moeda nacional (o metical) e a moeda estrangeira
comum que é o Dólar? Existem Riscos Cambiais que podem fazer com que as partes saiam a
ganhar ou a perder ou, pode até haver má fé. O Artigo 558/CC vem para responder estas
questões.

CONCEITO E CONSIDERAÇÕES GERAIS


A doutrina costuma chamar de Obrigações Valutárias e segundo Menezes Leitão,
são aquelas em que a prestação é estipulada em relação às espécies monetárias que têm curso
legal apenas no estrangeiro1.

Antunes Varela, costuma chamar de Facultas Solutionis2 e Menezes Cordeiro


3
estabelece que são prestações com faculdade alternativa, já que o devedor pode pagar em
moeda nacional, segundo o câmbio do dia e lugar do comprimento. Entretanto, caso haja
mora do credor, essa faculdade vira algo injuntivo, como propugna o nr 2 do artigo 558/CC.

Nestas prestações, vigora os regime supletivo das Prestações Alternativas que está
plasmado no art. 588 e 543/CC.

Deixa feita, conseguimos perceber que nada impede que a prestação seja feita em
moeda nacional, ou seja, depende das partes.

MODALIDADES DAS PRESTAÇÕES EM MOEDA ESTRANGEIRA


Existem duas modalidades, nomeadamente:

1
LEITÃO, Menezes (2021), Direito das Obrigações, Vol I, 15 ed, Livraria Almedina, Coimbra, pp. 156 e
seguintes.
2
VARELA, João de Matos Antunes (2000), Das obrigações em geral, vol. I, 10ª ed., ALMEDINA, Coimbra,
pp. 868 e seguintes.
3
CORDEIRO, Menezes, Direito das Obrigações, Livraria Almedina, Coimbra, pp. 354 e seguintes.
 Obrigações Valutárias próprias ou puras4: quando verifica-se o próprio cumprimento
da obrigação só pode ser realizado em moeda estrangeira, não podendo o credor exigir
o pagamento em moeda nacional nem o devedor entregar esta moeda.
 Obrigações Valutárias impróprias ou impuras: aqui a estipulação da moeda
estrangeira funciona apenas como unidade de referência para determinar, através do
câmbio de determinada data, a quantidade da moeda nacional devida. O cumprimento
terá obrigatoriamente que ser realizado em moeda nacional.

REGIME JURÍDICO DAS PRESTAÇÕES EM MOEDA ESTRANGEIRA


O artigo 558/CC vem consagrar de forma supletiva uma categoria de Obrigações
Valutárias, que Manuel de Andrade chama de Obrigação Valutária Mista5, onde é
estipulado o cumprimento em espécies monetárias que possuem curso legal apenas no
estrangeiro, mas admite-se a possibilidade de o devedor realizar o pagamento na moeda
nacional com base no câmbio da data de cumprimento. Esta possibilidade é restrita ao
devedor, sendo uma obrigação com faculdade alternativa, porque o credor apenas pode
exigir o comprimento na moeda estipulada.

Usando os conhecimentos de Menezes Leitão6, se o credor entrar em mora, o devedor


tem ainda a opção de realizar o cumprimento de acordo com o câmbio da data em que a mora
se deu, como postula o nr 2 do art. 558/CC, sendo assim conferida a possibilidade de impedir
a aplicação da diferença cambial desfavorável. Se essa diferença cambial for desfavorável, o
devedor, não é obrigado a usar essa opção, já que o credor deve suportar todas as
consequências do sua mora.

Segundo Pires da Lima e Antunes Varela no seu Código Civil Anotado7, pode
suceder que os contraentes tenham recorrido à moeda estrangeira apenas como moeda de
cálculo (montante da dívida) e não como meio de pagamento (por exemplo, convenciona-se
que o devedor pagará ao credor, em libras, o montante correspondente a determinado
número de dólares ou Kwanzas). Assim, o devedor terá mesmo de pagar em moeda nacional,
4
COSTA, Mário Júlio de Almeida (2009), Direito das Obrigações, 12 ed, Livraria Almedina, Coimbra, pp.
747.
5
ANDRADE, Manuel de; colab. ALCORÃO, Rui de (1966), Teoria Geral das Obrigações, 3 ed, Livraria
Almedina, Coimbra, pp. 271 e seguintes.
6
LEITÃO, Menezes (2021), Direito das Obrigações, Vol I, 15 ed, Livraria Almedina, Coimbra, pp. 157 e
seguintes.
7
LIMA, Andrade Pires; Varela, João Antunes, Código Civil Anotado, Vol I, 2 Ed, Coimbra Editora, Coimbra,
pp. 497 e seguintes
onde o montante vai ser determinado com base no nr 1 do artigo 558/CC. A faculdade
alternativa vira uma obrigação ou sujeição.

Usando como inspiração a alínea h) do art. 813/CPC, percebemos que o direito de


pagar em moeda nacional não pode ser exercido pelo devedor na execução das sentença, se
esta o condenar no pagamento em moeda estrangeira.

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