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ARTE, EDUCAÇÃO

Revisão

Dra MARCIA POLACCHINI

m
ESTÉTICA X BELEZA

PARA SER ARTE TEM QUE SER BELO?


QUE É ARTE?
ARTE

É UMA FORMA DE EXPRESSÃO DO SER HUMANO POR


MEIO DE PINTURA, ESCULTURA, MÚSICA, DANÇA,
TEATRO... UTILIZANDO PARA ISSO A IMAGINAÇÃO, A
CRIATIVIDADE, HABILIDADES, TÉCNICA, CORAGEM E
UM JEITO PESSOAL. A ARTE É UMA LINGUAGEM QUE
UTILIZAMOS PARA COMUNICAR NOSSOS
PENSAMENTOS E SENTIMENTOS.
UMA LINGUAGEM UNIVERSAL, POIS É ENTENDIDA POR
TODAS AS IDADES E NACIONALIDADES.

A ARTE É INERENTE AO SER HUMANO, OU SEJA,


NASCE COM A GENTE, SÓ PRECISAMOS
DESENVOLVÊ-LA.
Linguagens Artísticas
Em 1996 foi aprovada no Brasil a LDB 9394/96, na qual a arte configura-
se como componente curricular obrigatório, tal como previsto nos PCNs
de Arte, a partir de quatro linguagens:

 ARTES VISUAIS (ARTES PLÁSTICAS/GRÁFICO PLÁSTICA)


 ARTES CÊNICAS – TEATRO
 DANÇA
 MÚSICA

No decorrer do Ensino básico, o aluno poderá desenvolver sua


competência estética e artística nas diversas modalidades da área de Arte
(linguagens artísticas)
Artes Cênicas
 Entende-se por artes cênicas toda a criação artística
que necessita obrigatoriamente da presença física de
um ator ou atriz interpretando.
 Expressão Corporal
Dança orientada por música ou
sequência de sons.
Clássica, Moderna,
Étnica, Regional,
Contemporânea.

Criança dançando Ballet.


Artes Plásticas
 Entende-se por artes plásticas todo trabalho “manual”
realizado com um fim artístico-estético.
 Exemplos: Pintura, Escultura, Arquitetura.
Música
•Entende-se por música a combinação de
sons produzidos por instrumentos
(formais ou informais) e vozes que geram
uma melodia.
Arte no Currículo Escolar
Ensino de arte no Brasil possui três
grandes tendências conceituais, que,
didaticamente, classificamos em:

(1) Ensino de Arte Pré-Modernista-


Tradicional; Arte como Técnica;

(2) Ensino de Arte Modernista- Livre


expressão; Arte como Expressão

(3) Ensino de Arte Pós- Modernista ou Pós-


Moderno- Sociointeracionista; Arte como
Conhecimento.
Geralmente, quando pensamos sobre o ensino da arte, em
qualquer nível de ensino, surgem dois tipos de concepções:

 Abordagem Espontaneísta ou inatista


 Abordagem Pragmática ou empirista

No que se refere à Educação Infantil, essas concepções


configuram-se do seguinte modo:
Abordagem Pragmática
O professor acredita que as atividades de expressão gráfico-
plástica devem servir para desenvolver a motricidade, preparar para a
escrita ou aprender a construir formas mais semelhantes ao real. As
intervenções pedagógicas são no sentido de domar os caos dos
emaranhados com exercícios de contenção (recortar sobre linhas,
pintar dentro de formas geométricas ou outras); ou da produção de
registros que visem a resultados realistas referentes aos temas
desenvolvidos (construir uma maquete após trabalhar sobre meios de
transporte); ou de uma aprendizagem feita por meios de conceitos e
não de vivências expressivas.
Os professores priorizam o produto final e não o processo
expressivo que conduziu o aluno àquele resultado, como na
espontaneísta.
PRÉ MODERNISTA - TRADICIONAL - Pragmática

Unânime na maneira de ensinar desde o fim do século 19 até a


década de 1950. Ainda está presente em muitas escolas.

Foco Aprendizado de técnicas e desenvolvimento de habilidades


manuais, coordenação motora e precisão de movimentos para o
preparo de um produto final.

Estratégia de ensino Repetição de atividades, cópia de modelos


e memorização. O professor adota a postura de transmissor do
conhecimento. Ao aluno, basta absorver o que é ensinado sem
espaço para a contestação. A turma era bem avaliada quando
conseguia reproduzir com rigor as obras de artistas consagrados.
Abordagem Espontaneísta
O professor parte do pressuposto que cada criança tem
capacidade inata para elaborar a linguagem gráfico-plástico - desse
modo, o meio (intervenções do professor, contato com a linguagem
gráfico-plástico e materiais expressivos não importa no processo da
aquisição desses saberes. Caberá ao professor encaminhar o processo
de criação por meio de atividades livres, durante as quais
disponibilizará materiais e deixará as crianças criarem livremente
suas produções sem nenhuma intervenção pedagógica ou fazendo-a
no sentido de elogiá-las sem critérios. As crianças desenham, pintam,
colam, modelam, constroem com sucatas durante um espaço de
tempo e concluem. O professor guarda nas pastas ou coloca nos
pregos da sala de aula. O professor é importante, o produto realizado
é um resultado que não é questionado.
MODERNISTA - LIVRE EXPRESSÃO - Espontaneísta

Nasceu por volta de 1960 sob a influência das ideias do movimento da


Escola Nova.

Foco O que importa não é o resultado, mas o processo e,


principalmente, a experiência. Há a valorização do desenvolvimento
criador e da iniciativa do aluno durante as atividades em classe.

Estratégia de ensino Desenho livre e uso variado de materiais. Não há


certo ou errado na maneira de fazer de cada estudante. Ao professor, não
cabe corrigir ou orientar os trabalhos nem mesmo utilizar outras
produções artísticas para influenciar a turma. A ideia é que o estudante
exponha suas inspirações internas.
Essas concepções, apresentadas de forma resumida, convivem
nas práticas cotidianas da educação infantil, levando as crianças a uma
deseducação dos sentidos, da mesma forma que impossibilitam a
constituição da linguagem visual e de leituras plurais sobre o mundo.
Ambas concepções, cada uma a seu modo, desconsideram que
conhecimento se dá por meio da mediação criança-meio, em que a
criança reconstrói seus conhecimentos a partir de trocas significativas
com outros saberes, com seus pares e com os adultos. O
conhecimento visual não vai se dar de forma espontaneísta ou de
forma de adestramento manual, mas sim, com intervenções
individuais e coletivos, relacionando-os aos elementos da cultura da
qual emergem com aqueles historicamente acumulados.
O ensino da arte, em qualquer nível e, em especial na
Educação Infantil, deve abranger tanto a construção da imagens
como contribuir para que as crianças realizem leituras
cognoscentes, conscientes e sensíveis das tantas imagens que estão
aí, nos meios de comunicação, muitas vezes consumidas passiva e
indiscriminadamente por elas.

Uma educação do ver e do observar significa desvelar as


nuanças e características do próprio cotidiano e ir além, propondo
rupturas com o instituído.
PÓS MODERNISTA - SOCIOINTERACIONISTA

É a tendência atual para o ensino da disciplina. A ideia de considerar


a relação da cultura com os conhecimentos do aluno e as produções
artísticas surgiu na década de 1980.

Foco Favorecer a formação do aluno por meio do ensino das


quatro linguagens de Arte: dança, artes visuais, música e teatro.

Estratégia de ensino A experiência do aluno e o saber trazido de


fora da escola são considerados importantes e o professor deve
fazer a intermediação entre eles. O ensino é baseado em três eixos
interligados: produção, apreciação e reflexão sobre a arte.
Na década de 1980 podemos constatar no ensino em geral uma
busca por ações que valorizem as vivências dos alunos, que se
relacionem com as questões sociais e principalmente que
favoreçam o desenvolvimento de uma consciência crítica.
Nessa perspectiva o Ensino de Arte busca resgatar os conteúdos
da área com o intuito de marcar a disciplina como área de
conhecimento no currículo escolar.
A Arte-Educadora Ana Mae Barbosa foi de vital importância para a
forma de ensinar arte no Brasil nesta época. Comprometida com a
democratização do saber em arte, com a possibilidade de tornar
acessível a todos os alunos - da rede pública e particular - os
conteúdos artísticos, passou a estudar formas de conduzir um
trabalho conectado com as realidades pessoais e sociais dos alunos.
Inseriu, também, no universo do ensino da arte a "Metodologia
Triangular”, proposta metodológica que enfoca de forma
integrada:

FAZER/CRIAR
FRUIR/APRECIAR
CONTEXTUALIZAR/REFLETIR
Produção em Arte: o fazer artístico

 É o próprio ato de criar, construir, produzir. São os momentos


em que a criança desenha, pinta, esculpe, modela, recorta, cola,
canta, toca um instrumento, compõe, atua, dança, representa,
constrói personagens, simboliza...
Fruição: apreciação significativa da
Arte e do universo a ela relacionado

 Arte é linguagem. A apreciação estética é o próprio ato de


perceber, ler, analisar, interpretar, criticar, refletir sobre um
texto sonoro, pictórico, visual, corporal. Supõe a
decodificação dos signos das linguagens da arte, o estudo de
seus elementos, sua composição, técnica, organização formal,
qualidades, etc. É uma “conversa” entre o apreciador e a obra,
em que estão presentes também a intuição, a imaginação, a
percepção.
Reflexão: a Arte é produto da história e da
multiplicidade das culturas humanas

 Além do fazer e do apreciar arte, é de fundamental


importância a contextualização da obra de arte; todo o
panorama social, político, histórico cultural em que foi
produzida; como ela se insere no momento de sua produção
e como esse momento se reflete nela.
O PROFESSOR DE
ARTE

 Arte se ensina e Arte se


aprende. Para tanto, o papel
do professor enquanto
mediador entre Arte e criança
é de funda- mental
importância.
No ensino da arte, e no ensino em geral, o papel do professor é
de orientar o aluno quanto à utilização dos materiais, expor
conteúdos contextualizados, e oportunizar uma pratica
significativa, além de promover a inserção do aluno no que
tange à arte e à cultura.
Segundo Montoya, "a criança que não for solicitada a falar e a relatar
a respeito de suas experiências, a dizer e constatar aquilo que pensa e
a reconstituir o vivido e o sonhado não terá condições necessárias
para reconstruir as ações em nível da representação".
Desvelar as imagens de cada criança antecede a ação do registro, são
diálogos sutis, sensíveis e anteriores que devem acontecer entre
professor e criança antes das realizações gráfico-plásticas.
Devemos lembrar que os registros das crianças resultam de olhares
sobre o mundo. Ensinar a ver o implícito e o velado é uma das
atribuições do ensino da arte.
É fundamental que os professores conheçam entendam a gênese do
desenvolvimento gráfico-plástico para situações de aprendizagem que
dêem conta das necessidades infantis, que leiam as formas visuais
produzidas pelas crianças e experienciem as possibilidades dos
materiais expressivos considerados como veículos dessa expressão.
AMBIENTE VISUAL
É importante levarmos em conta o ambiente visual da sala e
substituirmos as imagens midiáticas pelas imagens e objetos
realizados pelas crianças, expondo gradativamente suas
produções, compondo um cenário onde haja a participação
efetiva das crianças... Ao finalizar o projeto retirar os trabalhos
deixando a sala novamente sem imagens esperando as novas
produções.

Os trabalhos podem ser tridimensionais, móbiles confeccionados


com sucata e outros materiais e não só folhas de papel A4 ou
pardo.
Nos berçários recomenda-se a utilização de formas em cores
vivas e contrastantes, com materiais diferentes. Também é
importante fazermos mudanças durante o ano.

Móbiles artesanais e pêndulos em cores contrastantes e os


objetos que produzem sons ao toque são um atrativo para os
bebês desenvolverem seus sentidos e curiosidade.

Criar espaços diferenciados e convidativos à descoberta é uma


outra maneira de possibilitar às crianças o conhecimento
espacial.