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"Memorial do Convento: Romance Histórico de Saramago"

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JOSÉ SARAMAGO

MEMORIAL DO
CONVENTO
CAPÍTULO I
CAPÍTULO II
CAPÍTULO III
CAPÍTULO IV
CAPÍTULO V
CAPÍTULO VI
CAPÍTULO
VII
CAPÍTULO
VIII
CAPÍTULO IX
CAPÍTULO X
CAPÍTULO X
CAPÍTULO XI
CAPÍTULO
XII
CAPÍTULO
XIII
CAPÍTULO
XIV
CAPÍTULO
XV
CAPÍTULO
XVI
CAPÍTULO
XVI
CAPÍTULO
XVII
CAPÍTULO
XVIII
CAPÍTULO
IXX
CAPÍTULO
XX
CAPÍTULO
XXI
CAPÍTULO
XXII
CAPÍTULO
XXIII
CAPÍTULO
XXIV
CAPÍTULO
XXV
TIPO DE ROMANCE

 Romance histórico
Minuciosa descrição da sociedade portuguesa do início do século XVIII, marcada pela
sumptuosidade da corte, associada à Inquisição, e pela exploração dos operários,
metaforicamente avaliados como se fossem tijolos para a obra do convento de Mafra;
Referência à Guerra da Sucessão, em que Baltasar se vê amputado da mão esquerda;
Imponência bárbara dos autos de fé, a que não falta a “alegria devota”;
Construção do convento;
Esponsais da princesa Maria Bárbara;
Construção da passarola voadora pelo Padre Bartolomeu de Gusmão.
TIPO DE ROMANCE

 Romance social e romance de intervenção:


Preocupação com a realidade social, em que sobressai o operariado oprimido;
Crónica de costumes de uma época;
Intemporalidade de comportamentos, desejos ou anseios;
Denúncia de situações de opressão, repressão e censura no momento da escrita;
Tentativa de encontrar um sentido para a história de uma época que permita
compreender o tempo presente e recolher ensinamentos para o futuro.
TIPO DE ROMANCE

 Romance de espaço
Representação de uma época, traduzindo não apenas o ambiente histórico, mas também
vários quadros sociais que permitem um melhor conhecimento do ser humano;
Riqueza do cenário, reconstruindo Lisboa e as diversas povoações em seu redor,
permitindo observar as preocupações com os factos históricos e as vivências do povo
humilde;
Construção do convento em Mafra;
Construção da passarola voadora do Padre Bartolomeu Lourenço;
Perseguições religiosas e as políticas da Inquisição.
O título Memorial do Convento apresenta uma
RELAÇÃO carga simbólica quer por sugerir memórias –
evocativas do passado – e pressuposições
TÍTULO/CONTEÚDO existenciais, quer por remeter para o místico e
para o misterioso. A par da história da
construção do convento, com tudo o que de
grandioso e de trágico representou, surge o
fantástico erudito e popular que permite a
realização dos sonhos e as crenças num universo
de magia.
 Construção do Convento de Mafra e os trabalhadores explorados –

LINHAS a ação principal é a construção do convento de Mafra. Esta ação resulta


da reinvenção da História pela ficção. Situando-se no início do século
XVIII, verifica-se o cruzamento de dados históricos, como o da

CONDUTORAS DE
promessa de D. João V de construir um convento em Mafra, com o
relato do sofrimento do povo que nele trabalhou;
 Relação entre Baltasar e Blimunda – paralelamente à ação principal,

AÇÃO encontra-se a ação que envolve Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-


Luas. Este casal, cuja relação é marcada pela união que transcende
limites físicos, relaciona-se com a ação da construção do convento,
visto que Baltasar integra o grupo de homens que serve a vontade
régia, e também com a construção da passarola em que o contributo de
Blimunda é essencial;
 Construção da passarola – através da linha de ação da construção da
passarola voadora, dá-se a conhecer a situação económica e social do
país, os autos de fé praticados pela Inquisição, mas também o sonho do
Padre Bartolomeu de Gusmão, com a ajuda de Baltasar e Blimunda.
Memorial do Convento evoca a História
TEMPO HISTÓRICO portuguesa do reinado de D. João V, no século
XVIII, procurando uma ponte com as situações
políticas de meados do século XX. Descreve
essa épica de luxo e de grandeza da corte de
Portugal, que procurava imitar o esplendor da
corte francesa do Rei-Sol, Luís XIV.
CARACTERIZAÇÃO
PERSONAGENS
D. JOÃO V

Em Memorial do Convento, o rei, que com “medo de morrer” decide a sagração da basílica
de Mafra para o dia do seu aniversário – 22 de outubro de 1730 -, surge ridicularizado,
numa perspetiva avessa à da Histórica oficial.
Megalómano e imaturo, o rei é descrito como um libertino que não hesita em utilizar o
povo, o dinheiro e a posição social para satisfazer os seus caprichos.
Poderoso e rico, medita “no que fará a tão grandes somas de dinheiro, a tão extrema
riqueza”, e anda preocupado com a falta de descendente, apesar de possuir bastardos.
Promete “levantar um convento em Mafra” se tiver filhos da rainha. A sua pretensão vai
realizar-se com o nascimento da princesa Maria Bárbara e o convento via construir-se.
As suas relações com a rainha D. Maria Ana Josefa surgem como cumprimento de um
dever.
Dado que a coincidência do dia do aniversário real com o domingo só voltaria a acontecer
dez anos depois da primeira oportunidade, o rei considerou que era muito tempo de espera.
Além disso, receava ser surpreendido pela morte.
D. MARIA ANA JOSEFA

D. Maria Ana Josefa, princesa austríaca que se tornou rainha de Portugal,


surge como estéril dois anos após o casamento. Na sequência da promessa
de D. João V de erguer um convento em Mafra se a esposa gerasse um filho,
esta consegue, de facto, engravidar.
Virtuosa e extremamente devota, a rainha surge como uma mulher frágil,
com escrúpulos morais nas relações sexuais e nos sonhos que tem, nos quais
projeta os seus desejos mais íntimos, revelando neles a infelicidade e a
frustração que caracterizam o seu casamento.
BALTASAR SETE-SÓIS
Baltasar Mateus, de alcunha Sete-Sóis, é, com Blimunda, uma das
personagens na obra com maior densidade psicológica.
Com 26 anos, conhece Blimunda, com quem partilhará a sua vida. É parte
ativa na construção do sonho da passarola do padre Bartolomeu,
participando, igualmente, no seu primeiro voo.
Depois da tentativa de destruição da passarola pelo padre Bartolomeu,
Baltasar regressa a Mafra, e vai trabalhar nas obras do convento. Passa a
fazer parte do alargado número de trabalhadores que garantem o
cumprimento da promessa do rei. Depois de muitos meses a puxar e a
empurrar carros de mão, é promovido a boieiro, deixando uma tarefa
exigente do ponto de vista físico e passando a uma outra considerada mais
dignificante, ao tomar conta de uma das juntas de bois compradas pelo rei
para a obra do convento.
BLIMUNDA SETE-LUAS
Filha de Sebastiana Maria de Jesus, que fora, pela Inquisição, condenada e degredada, por
ser cristã-nova, conhece Baltasar durante um auto de fé. Com capacidades de videntes e
possuidora de uma sabedoria muito própria vai ajudar na construção da passarola e partilhar
com Baltasar as alegras, tristezas e preocupações da vida.
Blimunda é uma estranha vidente que, se estiver em jejum, vê no interior dos corpos os
males que destroem a vida e consegue recolher as vontades vitais que permitirão o voo da
passarola do padre. Por amar Baltasar, recusa-se a usar a sua magia para conhecer o seu
interior.
O poder de Blimunda permite, simultaneamente, curar e criar, ou melhor, ver o que está no
mundo, as suas verdades mais profundas que o sustentam.
Com apenas 19 anos, ela é uma personagem excecional, quer pelos seus dotes particulares
de vidência, quer pela própria ascendência como filha de uma feiticeira, quer ainda pelo
valor simbólico do apelido que lhe é atribuído – Sete-Luas. Forte e decidida, mal vê
Baltasar sabe que ele será o amor da sua vida, entregando-se a ele logo na primeira noite.
Simboliza o poder de resistência e a força.
PADRE BARTOLOMEU LOURENÇO DE
GUSMÃO
É um visionário que acredita na ciência e nas capacidades dos homens,
uma personalidade autêntica da História, que estudou com os Jesuítas da
Baía, no Brasil. Segundo parecem foi forçado a fugir à Inquisição por
possível adesão ao judaísmo ou por se ter envolvido num caso de bruxaria.
Morreu em Toledo, em 1724.
O sonho da passarola voadora e a sua futura concretização apresentam o
padre Bartolomeu Lourenço como um homem que só conseguirá evitar a
Inquisição pela amizade que lhe tem o rei D. João V, que também possui o
sonho e a esperança da máquina voadora.
Ajudado por Baltasar, Blimunda e, por vezes, com a companhia de
Domenico Scarlatti, que ao som do cravo sonhava e ajudava a sonhar, o
padre Bartolomeu Lourenço construiu a sua obra. A sua morte, em Toledo,
“para onde tinha fugido, dizem que louco”, é anunciada pelo músico
Scarlatti a Sete-sóis e a Blimunda.
DOMENICO SCARLATTI

Foi, em Lisboa, em 1720, professor da infanta D. Maria Bárbara, filha do rei


e da rainha.
Na obra é uma personagem sensível, que acredita na música como
expressão da alma. Músico conceituado, trata a passarola como um
instrument musical, fazendo-a vibrar ao colocar sobre uma das asas as suas
mãos. Revela uma attitude racional, quando faz com que o voo da máquina
dependa de uma força que a conseguisse elevar, constatando, com algum
ceticismo, que as asas da máquina, estando fixas, não podiam bater.
POVO

O povo trabalhador é o verdadeiro protagonista da obra. Espoliado, rude,


violento, o povo atravessa toda a narrative, numa construção de figuras que,
embora corporizadas por Baltasar e Blimunda, tipificam a massa coletiva e
anónima, tantas vezes subestimada e esquecida pela História, que tornou
possível, à custa do seu sacríficio e, muitas vezes, da propria morte, a
edificação do convent.

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