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Fundamentos do Psicodiagnóstico Clínico

O documento discute os fundamentos do psicodiagnóstico, incluindo sua história, objetivos, finalidades e operacionalização. Aborda aspectos como o processo científico por trás do psicodiagnóstico e como ele envolve a aplicação de técnicas e testes psicológicos.

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Fundamentos do Psicodiagnóstico Clínico

O documento discute os fundamentos do psicodiagnóstico, incluindo sua história, objetivos, finalidades e operacionalização. Aborda aspectos como o processo científico por trás do psicodiagnóstico e como ele envolve a aplicação de técnicas e testes psicológicos.

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Fundamentos do

Psicodiagnóstico

Profa. Ms. Simone Vioto Monteiro


HISTÓRICO

• Umas das atividades do psicólogo clínico é identificar e compreender, na


singularidade do indivíduo, suas características, seus sintomas e seu
funcionamento psíquico, e assim, explicitar diagnósticos.
• Diagnóstico – grego
– Diagnõstikós – discernimento, faculdade de conhecer.
• Psicodiagnóstico - grega
– Psique= mente
– Dia = através
– Gnosis = conhecimento
• Conhecimento dos aspectos mais relevantes do funcionamento psíquico.
PSICODIAGNÓSTICO

• Avaliação Psicológica – conceito amplo- seu objeto de estudo pode ser um


sujeito, um grupo, uma instituição, uma comunidade – importância dos trabalhos
interdisciplinares.

• Psicodiagnóstico – avaliação psicológica feita com propósitos clínicos.


– Processo que visa a identificar forças e fraquezas no funcionamento
psicológico, com foco na existência ou não de psicopatologia.
– Para medir forças e fraquezas no funcionamento psicológico, devem ser
considerados como parâmetros os limites da variabilidade normal.
Cunha, 2000
PSICODIAGNÓSTICO

• Processo científico, limitado no tempo, que utiliza técnicas


e testes psicológicos, em nível individual ou não.
• entender problemas à luz de pressupostos teóricos,
• identificar e avaliar aspectos específicos,
• classificar o caso e prever seu curso possível,
• comunicando os resultados, na base dos quais são
propostas soluções, se for o caso.
Cunha, 2000
CONTUDO, não há consenso entre os autores

“Compreendemos que o ​psicodiagnóstico é um procedimento


científico de investigação e intervenção clínica, limitado no tempo,
que emprega técnicas e/ou testes com o propósito de avaliar uma ou
mais características psicológi​cas, visando um diagnóstico psicológico
(descritivo e/ou dinâmico), construído à luz de uma orientação teórica
que subsidia a compreensão da situa​ção avaliada, gerando uma ou
mais indicações terapêuticas e encaminhamentos.” (Hutz, 2016. p. 25)

- ler Hutz, 2016 – Cap. 1


HISTÓRICO

• Psicodiagnóstico derivou-se da psicologia clínica em torno


de 1896, quando surgiram os primeiros testes mentais.

• O psicólogo se limitava a aplicar teste solicitado por outros


profissionais, trabalhava com o modelo médico de
atendimento, mantendo certo distanciamento do
avaliando, buscando não perder a objetividade em seu
trabalho.
HISTÓRICO

• O início do psicodiagnóstico foi ao final do século XIX e no início do


século XX, através dos trabalhos de:
– Galton que introduziu o estudo das diferenças individuais;
– Cattel, a quem se devem as primeiras provas, designadas como
testes mentais;
– Binet, que propôs a utilização do exame psicológico (através da
mensuração intelectual) como coadjuvante da avaliação
pedagógica.
• Foi atribuída a paternidade do psicodiagnóstico a estes três autores.
HISTÓRICO

• Não havia procedimento em que o avaliando fosse atendido de forma integrada e


compreensiva.
• Divisão dicotômica: orgânico X funcionais.
• Emil Krapelin: sistema de classificação de transtornos mentais e estudos sobre
esquizofrenia e psicose maníaco depressiva.
• O surgimento da psicanálise e o desenvolvimento das técnicas projetivas, permitiu
que se pudesse ter uma compreensão mais profunda e abrangente do sujeito
avaliado.
• Freud representou o primeiro elo de uma corrente de conteúdo dinâmico, logo em
seguida com o aparecimento do teste de associação de palavras de Jung,
fornecendo a base para o lançamento das técnicas projetivas (meados de 1921).
PSICODIAGNÓSTICO

•Processo científico
• Deve partir do levantamento de hipóteses que serão confirmadas
ou infirmadas através de passos predeterminados e com objetivos
precisos.
• Limitado no tempo.
• Baseado em um contrato de trabalho entre psicólogo e
paciente/responsável.
• Plano de avaliação é estabelecido com base nas perguntas ou
hipóteses iniciais, definindo não só quais instrumentos necessários,
mas como e quando utilizá-los.
PSICODIAGNÓSTICO

• Selecionada e administrada uma bateria de testes, obtêm-se


dados que devem ser inter-relacionados com as informações da
história clínica, da história pessoal ou com outras , a partir de
elenco das hipóteses iniciais. Para permitir uma seleção e uma
integração, norteado pelos objetivos do psicodiagnóstico.
• Tais resultados são comunicados a quem de direito, podendo
oferecer subsídios para decisões ou recomendações.
PSICODIAGNÓSTICO

• Procedimento científico de investigação e intervenção clínica


• limitado no tempo
• emprega técnicas e/ou testes com propósitos de avaliar uma
ou mais características psicológicas
• visando um diagnóstico (descritivo ou dinâmico),
• construído à luz de uma orientação teórica que subsidia a
compreensão da situação avaliada, gerando uma ou mais
indicações terapêuticas e encaminhamentos.
PSICODIAGNÓSTICO

• O psicodiagnóstico é caraterizado como um


processo científico porque deve partir de um
levantamento prévio de hipóteses que serão
conformadas ou anuladas através dos passos
predeterminados e com objetivos precisos.
OBJETIVOS

Pode ter um objetivo ou vários:


 Dependendo dos motivos alegados ou reais do encaminhamento e/ou
consulta que norteiam o elenco de hipóteses inicialmente formuladas, e
delimitam o escopo da avaliação.
 Relacionam-se essencialmente com as questões propostas e com as
necessidades da fonte de solicitação.
 Por se tratar de um processo limitado no tempo e que utiliza técnicas e
ou testes psicológicos surgiu a necessidade de um enquadramento que
atendesse às características especificas do psicodiagnóstico.
FINALIDADES

2. Avaliação do tratamento: visa


1. Investigação diagnóstica: tem
avaliar o andamento do
como objetivo explicar o que
tratamento. Seria o "reteste",
acontece além do que o
no qual se aplica novamente a
avaliando consegue expressar
mesma bateria de testes usados
de forma consciente e isso não
na primeira ocasião ou uma
significa rotulá –lo.
bateria equivalente.

Arzeno, 1995
3. Como meio de comunicação: procura
facilitar a comunicação e, em 4. Na investigação: com o intuito
consequência, a tomada de insight de criar novos instrumentos de
(contribuir para que aquele que
consulta tenha consciência de
exploração da personalidade e,
sofrimento suficiente para aceitar e também, de planejar a
cooperar na consulta, também provoca investigação para o estudo de uma
perdas de inibições e comportamento determinada patologia, etc.
mais natural).
FINALIDADES

Embora não seja principal finalidade o processo tem e é para fins

TERAPÊUTICOS

Vínculo estabelecido entre avaliador e avaliado, assim como os resultados


obtidos e comunicados, pode contribuir para uma decisão mais assertiva por
parte do avaliado quanto a escolha entre um e outro tratamento, à mudança de
estilo de vida, ou mesmo quanto ao rumo que dará as recomendações do
avaliador.
Arzeno, 1995
FINALIDADES

• As conclusões de todo o material obtido são discutidas com o interessado, com


seus pais, ou com a família completa, conforme o caso ou sistema do profissional.
• A entrevista de devolução visa informar os resultados, mas nela podem surgir, de
maneira involuntária, efeitos terapêuticos.
• Diagnosticar é algo secundário, caso se pense que, ao identificar as forças e
fraquezas do avaliando, estamos tentando entender o que se passa com ele nesse
momento de sua vida de quais recursos dispõe para que seja possível formular
recomendações terapêuticas adequadas (terapia breve, prolongada, individual,
sistêmica, de grupo, etc).
Arzeno, 1995
OPERACIONALIZAÇÃO

 Comportamento específicos do psicólogo


– Determinar motivos do encaminhamento, queixas e outros problemas
iniciais;
– Levantar dados de natureza psicológica, social, médica, profissional/escolar,
etc. Sobre o sujeito e as pessoas significativas, solicitando eventualmente
informações de fontes complementares;
– Colher dados sobre as história clínica e história pessoal, procurando
reconhecer denominadores comuns com a situação atual, do ponto de vista
psicopatológico e dinâmico.
– Realizar o exame do estado mental do paciente (subjetivo), eventualmente
complementando com outras fontes (objetivo);
– Levantar hipóteses iniciais e definir os objetivos do exame;
OPERACIONALIZAÇÃO
– Estabelecer o plano de avaliação;
– Estabelecer um contrato de trabalho com o sujeito ou responsável;
– Administrar testes e outros instrumentos psicológicos;
– Levantar dados qualitativos e quantitativos;
– Selecionar, organizar, e integrar todos os dados significativos para os objetivos
do exame, conforme o nível de inferência previsto, com os dados da história e
características das circunstâncias atuais de vida do examinando;
– Comunicar resultados (entrevista devolutiva, relatório, laudo, parecer e outros
informes), propondo soluções, se for o caso, em benefício do examinando;
– Encerrar o processo.
Cunha, 2000
OPERACIONALIZAÇÃO
 Passos do psicodiagnóstico
• Levantamento de perguntas relacionadas com os motivos da consulta e definição
de hipóteses iniciais e dos objetivos do exame;
• Definir hipóteses e os objetivos do processo de avaliação. Estabelecer o contrato
de trabalho.
• Planejamento, seleção e utilização de instrumentos de exame psicológico;
• Levantamento quantitativo e qualitativo dos dados;
• Integração de dados e informações e formulação de inferências pela integração
dos dados, tendo como pontos de referência as hipóteses iniciais e os objetivos
do exame.
• Formular as conclusões, definindo potencialidades e vulnerabilidades.
• Comunicação dos resultados, orientação sobre o caso é encerramento do
processo.
Bibliografia

Arzeno, Maria Esther Garcia. Psicodiagnóstico clínico, novas


contribuições. Porto Alegre: Artmed, 1995, cap. 1 e 2.
Cunha, Jurema Alcides. Psicodiagnóstico –V. Porto Alegre:Artmed,
2000, cap 1 e 2.
Hutz, Cláudio Simon. Psicodiagnóstico. Porto Alegre: Artmed,
2016, cap. 2 e 3.

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